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Numero do processo: 15983.720057/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÕES. LIQUIDAÇÃO DE MULTA, JUROS E ENCARGOS LEGAIS. UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Todas as exclusões que o contribuinte tem direito de fazer, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devem estar expressamente previstas na legislação de regência. Inexistindo legislação que permita a exclusão das receitas oriundas da utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL próprios na liquidação de multas, juros e encargos legais, com base na Lei 11.941/09, deve se manter a exigência fiscal.
AUTOS REFLEXOS. CSLL.
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se às demais tributações, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.452
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a exigência fiscal, bem como determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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LIQUIDAÇÃO DE MULTA, JUROS E ENCARGOS LEGAIS. UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Todas as exclusões que o contribuinte tem direito de fazer, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devem estar expressamente previstas na legislação de regência. Inexistindo legislação que permita a exclusão das receitas oriundas da utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL próprios na liquidação de multas, juros e encargos legais, com base na Lei 11.941/09, deve se manter a exigência fiscal. AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase às demais tributações, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a exigência fiscal, bem como determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 00 57 /2 01 4- 93 Fl. 512DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15983.720057/201493 Acórdão n.º 1402002.452 S1C4T2 Fl. 513 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1276.610, proferido pela 3ª Turma da DRJ/RJ1, com as devidas atualizações:. Tratase de auto de infração para exigência de tributo(s) e dos respectivos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), referente ao(s) ano(s)calendário 2009, relacionado(s) no quadro 1. Quadro 1: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (valores em R$) Tributo principal juros multa total IRPJ 2.561.506,07 1.005.391,13 1.921.129,55 5.488.026,75 CSLL 928.982,28 364.625,54 696.736,71 1.990.344,53 Total 7.478.371,28 Em relação ao(s) ano(s)calendário sob exame, o interessado apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde se observa a opção pelo Lucro Real anual como forma de tributação do IRPJ e da CSLL. No curso do procedimento fiscal, que se iniciou em 13/02/2012, a autoridade lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal e na descrição dos fatos do auto de infração, onde se encontra descrito o enquadramento legal, apurou a(s) seguinte(s) infração(ões): 4 Do Termo de Verificação Fiscal emitido pela autoridade lançadora, podemos extrair, em essência, as seguintes informações relacionadas à(s) infração(ões): Fl. 514DF CARF MF 4 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15983.720057/201493 Acórdão n.º 1402002.452 S1C4T2 Fl. 514 5 5 Cientificado do auto de infração, em 29/04/2014, o interessado apresentou impugnação em 28/05/2014, onde alega, em síntese, que: 6 a autoridade lançadora glosou R$ 41.267.810,04 do total de R$ 61.686.499,27 utilizado como recuperação de juros e multa da Lei n° 11.941, de 2009, isto é, entendeu que deveria ter sido usado apenas R$ 20.418.689,23; 7 houve erro na recomposição da base de cálculo, pois mesmo considerando apenas o valor de R$ 20.418.689,23, ainda assim não haveria resultado positivo no exercício, conforme demonstrativos anexos (fls. 399/401); 8 os prejuízos acumulados do interessado, devidamente informados na DIPJ/2010 (ficha 37A Passivo Balanço Patrimonial), são elevadíssimos e superam em muito o lucro real apontado pela autoridade lançadora. No anocalendário de 2008, o interessado acumulava prejuízo de R$ 318.251.676,59; 9 "com a 'recuperação' autorizada pela Lei n° 11.941/2009, relativa a liquidação de valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício e juros moratórios em seu prejuízo fiscal, a Prodesan procedeu ao lançamento contábil dessa 'recuperação', permanecendo ainda com o prejuízo acumulado no ano de 2009, no valor de R$ 272.006.123,54."; 10 se o prejuízo acumulado de 2009 é de R$ 272.006.123,54, não existe lucro real possível para apuração de crédito tributário sobre lucro ou imposto sobre a renda; 11 a autoridade lançadora utilizou o limite de 30% de compensação de prejuízo acumulado (artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 1995), o qual não se aplica para fins de utilização de pagamento e parcelamento de débitos inscritos na PGFN nos termos do art. 27 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, Fl. 516DF CARF MF 6 de 22.07.2009, Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 10.03.2009 e artigos 1 a 13 da Lei n° 11.941, de 27.05.2009; 12 assim, é possível proceder a compensação total dos prejuízos, sem limite, para a apuração do resultado do exercício; 13 se a autoridade lançadora não aplicasse o limite de 30%, conforme dispõe a mencionada portaria, não haveria apuração de lucro real, que ensejou os lançamentos dos créditos tributários, razão por que as autuações são improcedentes; 14 "O Refis da Crise, gerou benefícios às empresas devedoras, no sentido de diminuir os valores de multas e juros e o total desses descontos, poderiam ser lançados como recuperação para abatimento em seu prejuízo acumulado"; 15 "Não houve nenhuma entrada de dinheiro a favor do contribuinte, que gerasse lucro real, mas tão somente de acerto contábil em seu prejuízo financeiro, escrituração apenas"; 16 se não existisse prejuízo acumulado nada haveria a liquidar com a recuperação do Refis da Crise; 17 o regime de lucro real não comporta presunção. 18 O interessado acosta aos autos documentação trazida com a impugnação e encerra requerendo o provimento de seu recurso, bem como a juntada de documentos fiscais oportunamente, a fim de instruir os autos. 19 Nesta Turma, foram juntadas consultas feitas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. 20 A localização nos autos das peças citadas neste relatório está identificada no quadro 2. Quadro 2: índice das principais peças do processo citadas no relatório Passo, agora, a complementar o presente relatório. A impugnação da recorrente foi julgada procedente e o crédito tributário foi exonerado. Vejase a ementa do acórdão combatido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15983.720057/201493 Acórdão n.º 1402002.452 S1C4T2 Fl. 515 7 EXCLUSÕES. PARCELAMENTO. LEI N° 11.941/2009. LIQUIDAÇÃO DE MULTA E JUROS. UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS PRÓPRIOS. A contrapartida dos valores decorrentes da liquidação, com utilização de prejuízo fiscal próprio, de multa e juros de débitos incluídos no parcelamento da Lei n° 11.941/09, não integra a base de cálculo do IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado À vista da exoneração integral do crédito tributário, há apenas recurso de ofício dirigido a este Conselho, sem contrarrazões pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a questão de mérito cingese em saber se os valores de juros e de multa, incidentes sobre os débitos parcelados pelo contribuinte, que foram liquidados por meio da utilização de prejuízos fiscais próprios, devem ou não ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e CSLL, como concluiu a DRJ, razão da existência apenas de recurso de ofício. 1. Da inexistência de legislação autorizando a exclusão da parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal liquidados com prejuízos fiscais da base de cálculo do IRPJ e CSLL O contribuinte, por ocasião da edição da Lei nº 11.941/2009, optou pela adesão ao parcelamento instituído pela mesma lei. Conforme constatou a autoridade lançadora, o contribuinte utilizou as reduções previstas no art. 1º, § 3º, V e art. 3º, § 2º, IV, ambos da Lei 11.941/09, para reduzir multa, juros de mora e encargo legal incidentes sobre débitos pagos ou parcelados. Da mesma forma, liquidou valores correspondentes à multa e aos juros de mora incidentes sobre os débitos pagos ou parcelados, nas condições dispostas (art. 1º, § 7º), mediante utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL próprios. Assim, nos termos do parágrafo único, do art. 4º, da Lei nº 11.941/09, a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal, realizada pelo contribuinte, não é computada na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, fato observado pela fiscalização, no momento da autuação. Art. 4º (...) Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1o, 2o e 3o desta Lei. (grifei) O caso controvertido, contudo, cingese aos valores liquidados, a título de multas, juros e encargo legal, pelo contribuinte com prejuízos fiscais e bases negativa da CSLL próprios, conforme permitido na Lei nº 11.941/09. A 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, ao analisar a questão, partiu de premissa correta, qual seja, “a redução de dívidas tributárias possui a natureza de perdão/remissão de dívida e, assim, configura receita para a pessoa jurídica devedora, dando origem ao fato gerador do imposto de renda (art. 43, II, e § 1º, do CTN), pois se está diante de um acréscimo patrimonial – resultante da diminuição de um passivo”. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15983.720057/201493 Acórdão n.º 1402002.452 S1C4T2 Fl. 516 9 Por outro lado, prossegue a 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, “a liquidação de juros e de multa por meio da utilização de prejuízos fiscais não corresponde a perdão de dívida. (...) há um sacrifício patrimonial que consiste na redução do saldo de prejuízo fiscal acumulado”, para concluir que “esse prejuízo poderia ser utilizado em períodos subsequentes para reduzir a apuração do lucro real por meio de compensação e, consequentemente, para também reduzir o montante devido do tributo. Essa redução não se caracteriza como receita tributária.” (sublinhei) Apresentando, por fim, comparativo com a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL, em relação a prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL de períodos anteriores, mesmo limitado a 30%, concluiu a 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro que, se não há adição da utilização dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL neste caso, também não teria razão para tanto quando o contribuinte utilizou, os mesmos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL próprios para a liquidação de tributos com base no permissivo da Lei 11.941/09, exonerando o contribuinte dos créditos tributários constituídos pela fiscalização. Este Colegiado, contudo, tem posição em sentido diverso do voto vencedor da decisão recorrida, de lavra do i. Conselheiro Frederico Alencar, como se observa do Acórdão 1402002.149, de 05 de abril de 2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. Nessa esteira, adoto os fundamentos do voto proferido como razão de decidir neste caso. “Ora, a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio. Tratarseia, portanto, de receita, como reconhece o Conselho Federal de Contabilidade, o qual, por meio da Resolução CFC nº 1.121/08 e da Resolução CFC nº 1.374/11, dispõe que a diminuição de um passivo que resultar em aumento do patrimônio é uma receita. Além disso, esse valor adicionado ao patrimônio líquido ficará à disposição da assembleia e/ou sócios e poderá ser distribuído a título de distribuição de lucros a qualquer momento. Sendo receitas, tais valores integram o lucro líquido do período de apuração em que foram reconhecidas e, consequentemente, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 520DF CARF MF 10 Na legislação não existe qualquer autorização legal para sua exclusão do lucro líquido, através do LALUR. Ciente de que tal benefício constitui receita, a contribuinte reconheceu contabilmente parte do ganho em 30/11/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado. Depois excluiu tais receitas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL.” Todas as exclusões que o contribuinte tem direito de fazer, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devem estar expressamente previstas na legislação de regência. No caso, por inexistir legislação que autorize a exclusão formalizada pelo contribuinte das receitas oriundas da utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL próprios na liquidação de multas, juros e encargos legais, com base na Lei 11.941/09, merece reforma a decisão recorrida, restabelecendose a exigência fiscal nos moldes constituídos nos autos de infração recorridos. Ressaltase, por fim, que as demais razões de defesa apresentadas na impugnação não foram objeto de análise pelo acórdão recorrido, uma vez que aquela decisão exonerava a exigência in totum. Devese, para evitar supressão de instância, retornar os autos para decisão complementar, analisando tais pontos. Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso de Ofício, restabelecendo a exigência fiscal, bem como determinando o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar em análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 521DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000015/2005-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.755
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 15 /2 00 5- 46 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13204.000015/200546 Acórdão n.º 9303004.755 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403002.026, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 (...) CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra o direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13204.000015/200546 Acórdão n.º 9303004.755 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13204.000015/200546 Acórdão n.º 9303004.755 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13204.000015/200546 Acórdão n.º 9303004.755 CSRFT3 Fl. 6 5 Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13204.000015/200546 Acórdão n.º 9303004.755 CSRFT3 Fl. 7 6 Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: (...) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13204.000015/200546 Acórdão n.º 9303004.755 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso destes autos, deixouse de transcrever a parte do voto do paradigma que apreciou o segundo tema (variações cambiais), por tratarse de questão não travada no presente processo, cujo litígio, como relatado, restringese ao direito de crédito das contribuições sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses serviços foi reconhecido, no presente processo deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001109/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracterizase como descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 09 /2 00 8- 20 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Acórdão n.º 2201003.605 S2C2T1 Fl. 144 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1426.602 8ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD 35.172.4805, consolidada em 03/10/2008, no valor de R$ 3.074,45, no período de 04/2005 e 13/2006 contra empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal tem por multa por descumprimento de obrigação acessória de não informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. As cópias dos recibos foram anexadas ao Auto de Infração Debcad n. 37.172.4767. Na mesma ação fiscal foram lançados os seguintes documentos de débitos: Auto de Infração 35.172.4783 Obrigações principais. Contribuições patronais. Auto de Infração 35.172.4759 Obrigações acessórias. Deixou de contabilizar todos os fatos geradores das obrigações previdenciárias. Auto de Infração 35.172.4767 Obrigação Acessória. Apresentou folha de pagamento a autônomos em desacordo com as normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Auto de Infração 35.172.4805 Obrigação Acessória. Deixou de informar mensalmente através das GFIP’s todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interessa da RFB. Auto de Infração 35.172.4821 Obrigação Acessória. Apresentou GFIP’s com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores. Auto de Infração 35.172.4830 Obrigação Acessória. Entregou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação Auto de Infração 35.172.4775 Contribuições descontadas dos contribuintes individuais. Apropriação Indébita. Auto de Infração 35.172.4791 Contribuições destinadas aos Terceiros SEST e SENAT Auto de Infração 35.172.4740 Deixou de declarar em GFIP’s os fatos geradores das obrigações previdenciárias até inicio da ação fiscal. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Acórdão n.º 2201003.605 S2C2T1 Fl. 145 3 A interessada apresentou impugnação às fls. 112/116, julgada pela DRJ improcedente, nos termos da seguinte ementa: MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de informar dados cadastrais, fatos geradores de contribuições previdenciárias e outros dados de interesse do INSS pela falta de entrega de GFIP. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. REJEIÇÃO. A impugnação deve trazer provas que fundamentem as alegações apresentadas, não podendo estas ser aceitas sem aquelas. RESPONSABILIDADE INFRAÇÕES. AFERIÇÃO OBJETIVA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é da empresa e independe da intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇAO. FALTA DE PROVA. O Direito afasta a presunção de dolo, fraude ou simulação, cabendo à fiscalização a prova de sua ocorrência. ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITO. Verificada a correção da falta até o termo final do prazo para impugnação, a multa deverá ser atenuada. Cientificada do inteiro teor do acórdão da DRJ em 04/03/2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010, alegando, em síntese, que: Por conta do elevado volume de trabalho, a Recorrente não estava conseguindo atender a toda demanda de trabalho e, diante desta situação celebrou contrato de terceirização de serviço com a empresa MARLON S. BALIEIROME., para que pudesse atender a toda demanda de trabalho. Ora, se existia empresa terceirizada para prestação de serviço, não há de se falar em recolhimento de verbas fundiárias aos funcionários por ela contratados, pois não há relação jurídica que fundamente o recolhimento cobrado da Recorrente, eis que ausente a relação de emprego entre os funcionários da empresa MARLON S. BALIEIROME e a Recorrente. Se existiram lançamentos contábeis que espelhassem situação diversa da estabelecida entre a Recorrente e a empresa terceirizada MARLON S. BALIEIROME, tal responsabilidade deve ser imputada ao Contador da Recorrente, pois a Recorrente não tinha conhecimento de tais fatos, não havendo concorrido com a infração tributária objeto do presente processo. Não existiam sequer contratos de prestação de serviço autônomo entre a Recorrente e os funcionários da empresa terceirizada. Nos autos não existem provas da responsabilidade da Recorrente, na medida que sequer conhece as pessoas físicas (terceiros) mencionados no Auto de Infração. Na legislação tributária brasileira, prevalece o princípio da verdade material, desta forma, todos os fatos considerados favoráveis ao contribuinte devem ser levados a efeito, sob pena de lesão ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Nos autos, a Recorrida não conseguiu comprovar a responsabilidade da Recorrente, que limitouse apenas a imputar a responsabilidade da infração à Recorrente, com base na teoria objetiva que, certamente não se aplica ao caso em tela. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Acórdão n.º 2201003.605 S2C2T1 Fl. 146 4 Por fim, requer seja acolhido o presente recurso administrativo, determinando a reforma do v. acórdão, por ser medida de Direito e Justiça. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do Mérito Consta do relatório fiscal que a empresa foi autuada por deixar de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2., 3. e 4. do "caput" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Dessa forma, a recorrente, ao não apresentar GFIP nas competências 04/2005 e 13/2006, descumpriu o mandamento legal, estando correta a autuação fiscal nesse aspecto. Cumpre ressaltar, contudo, que a recorrente apresentou as referidas GFIP após o início da ação fiscal, não tendo a autoridade lançadora procedido à atenuação da multa em face de, no seu entendimento, ter sido caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou máfé. Essa atenuação, no entanto, foi concedida pela decisão de primeira instância. Assim, cabe a este julgador apreciar a questão da aplicação de penalidade, em função da alteração legislativa ocorrida após a emissão do presente Auto de Infração. Antes da publicação da Lei n° 11.941/09, a multa pela (i) não declaração em GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária, (ii) pela não apresentação de GFIP e (iii) pelo preenchimento incorreto da GFIP estava prevista no art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91. Com a publicação da Lei n° 11.941/09, o mencionado artigo foi revogado e a multa do art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91 restou substituída por aquela prevista no art. 32A da Lei n° 8.212/91, ou seja, (i) R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP; ou (ii) 2% (dois por cento), ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%, observado o disposto no § 3° deste artigo. Vale dizer que a multa aplicada no presente Auto de Infração, após a publicação da Lei n° 11.941/09, foi reduzida de forma substancial. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Acórdão n.º 2201003.605 S2C2T1 Fl. 147 5 Diante disso, com supedâneo no princípio da retroatividade benigna positivado em matéria tributária no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN entendo que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9.da Lei n° 8.212/91 restou substituída pela multa do art. 32A da Lei n° 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei n° 11.941/09. Assim, no que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, entendo que a penalidade deve ser reduzida para adequála ao art. 32 A, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração for inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há que se falar em retroatividade. Em relação a esse entendimento, a decisão de piso já se manifestou no sentido de reduzir o valor da multa, nos seguintes termos: Por derradeiro, tendo em vista que a Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, alterou de forma substancial as penalidades aplicáveis tanto para o descumprimento de obrigações acessórias quanto de obrigações principais, e necessário que se faça, por previsão do artigo 106 do CTN, a verificação de qual legislação é mais benéfica ao contribuinte. Vejamos: Com a aplicação da nova legislação (Art. 32A, II e §§ 2° e 3° da Lei 8.212/91, incluído pela temos: A Competência 04/2005: Omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores Limite mínimo da Multa (Art. 32A, § 3°, I 8.212/91): R$200,00 B Competência 13/2006: O montante das contribuições informadas em atraso (sem terceiros): R$ 386,17. Alíquota aplicável: 20% (limite máximo mais de 10 meses de atraso), Valor da Multa calculada: R$ 77,23. Com a redução prevista de 25% (Art. 32A, § 2°, II 8.212/91): R$ 57,92. Limite mínimo da Multa (Art. 32A, § 3°, II 8.212/91): R$500,00 Valor total da multa pela nova legislação (A+B): RS 700,00. As informações sobre as GFIP das competências 04/2005 e 13/2006, entregues em atraso, foram obtidas em consulta feita ao Sistema GFIP WEB. Como a multa aplicada pela fiscalização foi de R$ 3.074,45, que, atenuada em 50% vai para R$ 1.537,22, concluise que a legislação superveniente é mais benéfica, que deve ser reduzida para o valor de R$ 700,00. Nesse contexto, não merece reparo a decisão de primeira instância. Conclusão Diante de todo o exposto, voto conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Acórdão n.º 2201003.605 S2C2T1 Fl. 148 6 Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721193/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL
O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte.
ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS.
CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, deve-se cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida e constatada foi a contabilização de despesas de amortização do ágio, o crédito tributário deve ser cancelado.
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Numero da decisão: 1201-001.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Roberto Caparroz de Almeida e Gustavo Guimarães da Fonseca acompanharam o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida e constatada foi a contabilização de despesas de amortização do ágio, o crédito tributário deve ser cancelado. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Roberto Caparroz de Almeida e Gustavo Guimarães da Fonseca acompanharam o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 93 /2 01 3- 16 Fl. 3119DF CARF MF 2 Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Autuação Fiscal Em procedimento de fiscalização, a contribuinte foi autuada e notificada a recolher crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 28.919.527,91, incluindo acréscimos legais. A Tokio Marine Seguradora S/A (TMS) adquiriu diretamente 100% de participação na Real Seguros S.A, e indiretamente 50% de participação na Real Vida e Previdência detidas pela ABN Brasil Dois. Para tanto, foi utilizada a suposta empresa veículo Farag Participações para efetuar a transação de compra e logo em seguida promover o instituto da incorporação reversa a fim de viabilizar a antecipação da amortização do ágio nos termos do inciso, III, combinado com o §6°, inciso II do art. 386 em detrimento do disposto no art. 391 do RIR. No tocante a amortização do ágio em questão, a fiscalização constatou que a TMS excluiu os valores de R$ 65.569.708,80 (2008), R$35.568.924,70 (2009) e R$14.784.383,70 (2010), na apuração do Lucro Real e da Base de cálculo da CSLL. Os valores em questão compuseram as Rubricas: "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis" LINHA 33 – FICHA 09C, e "Reversão" dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis" LINHA 34 FICHA 17, das DIPJ2009, DIPJ2010 e DIPJ2011. A amortização de ágio oriundo da FARAG foi objeto de autuação por parte da Receita Federal do Brasil nos processos administrativos n° 16327.001724/201016, para os meses de novembro e dezembro de 2005, e n° 16327.721354/201118, para os anos de 2006 e 2007. Das operações societárias No ano de 2005, a ABN Dois firmou contrato com a Tokio Marine & Nichido Fire Insurance Co Ltda (TMNF), de Compra e Venda de Ações, cujo objetivo era Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 3 3 vender 100% das ações representativas de sua participação na Real Seguros e 50% das representativas do capital social da Real Vida e Previdência. As operações societárias que precederam e sucederam tal contrato podem ser assim delineadas, cronologicamente: 1. Primeiramente, há que se destacar a estrutura societária do grupo Real, de acordo com a DIPJ – AC 2004: 2. 30/6/2005 Etapa 1: Cisão da Real Seguros com versão correspondente do PL à ABN Dois, representando 100% do investimento no capital da Real Capitalização e 65,10% do investimento no capital da Real Vida e Previdência. 3. 30/6/2005 Etapa 2: Aprovação de aumento de capital na Real Vida de tal forma que seus únicos acionistas, Real Seguros e ABN Dois, participem ambos com 50% cada. 4. 30/6/2005 Etapa 3: Cisão Parcial da ABN Dois de sorte a verter o PL correspondente ao investimento na Real Seguros para ABN Três, cujo único sócio é a ABN NV. 5. 30/6/2005 Etapa 4: Incorporação da ABN 3 pela Real Seguros 6. 24/6/2005 Etapa 5: A ABN 2 adquiriu uma empresa Holding brasileira e promoveu seu aumento de capital. 7. 7/7/2005 Etapa 6: A Millea subscreveu 10.000 novas ações preferenciais sem direito a voto emitidas pela FARAG no valor de R$963.736.987,53. 8. 7/7/2005 Etapa 7: Aquisição pela FARAG de 100% das ações da Real Seguros pertencentes à ABN NV, pelo valor de R$960.088.650,66, sendo que o PL da Real Seguros neste momento era de R$304.391.562,10, gerando assim um ágio na aquisição de participação societária no valor de R$655.697.088,56. Aprovada a alteração da denominação social da Real Seguros para Tokio Marine Seguradora S/A. Fl. 3121DF CARF MF 4 9. 31/10/2005 – Etapa 8: Incorporação reversa da FARAG pela Tokio Marine Seguradora S/A Entendeu a fiscalização que a FARAG, do ponto de vista do comprador, serviu de veículo para que o ágio gerado na operação pudesse ser amortizado imediatamente após a incorporação da controladora (FARAG) pela controlada (Real Seguros). Ainda reputou que na aquisição direta da Real Seguros, a TMNF (Millea) não se enquadraria no benefício tributário da amortização, para fins tributários, do ágio oriundo da aquisição, exceto no caso de alienação ou liquidação da participação acionária, ou seja, evitou se a aplicação do art. 391 do RIR/99. Para fugir desta proibição, conclui a fiscalização que montouse uma estrutura negocial para se enquadrar na norma do art. 386, III, §6°, II do RIR/99, ou seja, usouse a FARAG. Prosseguiu concluindo que a contribuinte engendrou planejamento tributário, utilizando operações estruturadas em sequência, com utilização de empresa veículo e reorganização societária, visando, única e exclusivamente economia fiscal. Ao utilizar dos artifícios acima como ferramentas de um planejamento tributário abusivo, entendeuse que o contribuinte buscou se enquadrar aparentemente no art. 386, III, combinado com §6°, II do RIR/99, e antecipar a amortização do ágio pago na compra da participação societária de 100% da Real Seguros. Ao se analisar a essência econômica dos fatos, reputou tratarse de um caso de aquisição de uma participação acionária entre o real vendedor (ABN Dois) e o real comprador (TMNF). Neste caso, o comprador não poderia se enquadrar no benefício tributário de amortizar antecipadamente o ágio, uma vez que não se aplicaria o disposto no art. 386, III do RIR. A empresa FARAG servira, segunda a fiscalização, de conduit companies, sociedade fictícia, efêmera e interposta pessoa. Ainda aditouse que a ABN Três teria servido como canal de passagem do patrimônio, não possuindo existência autônoma, não executando nenhuma atividade empresarial autônoma, ou seja, sem propósito negocial, sociedade de curta duração, e quando incorporada pela sua controlada servira de interposta pessoa para realizar a venda das ações da Real Seguros uma vez que propiciou que os donos das ações fossem residentes e domiciliados no exterior cuja tributação tem uma carga menor. A fiscalização entendeu que a multa de ofício e a multa isolada apresentam fundamentações jurídicas distintas. Neste panorama, competiu elucidar que a primeira é aplicada em razão da falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ devido no encerramento do anobase, enquanto a segunda é atribuída pela falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais do imposto, independentemente de ter havido ou não pagamento integral do IRPJ devido no final do anocalendário. Impugnação Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 4 5 As principais questões tratadas em sede de impugnação foram perfeitamente sintetizadas pela DRJ/SPO, de modo que peço vênia para reproduzilas na íntegra: “(...) a) Segundo as condições previstas no contrato celebrado ente a ABN Dois e a TMNF, as partes contratantes convencionaram a reorganização societária da Real Seguros visando segregar os negócios de (i) vida e previdência distribuído por meio das redes de distribuição; (ii) ramos elementares e corretagem de seguro e (iii) capitalização, conforme letra "a", do item 3.2, da Cláusula 3. b) Em 28/06/2005, as partes contratantes firmaram um Termo Aditivo ao referido contrato, dispondo sobre a cessão, pela ABN 2 e pela Tokio Marine, da totalidade dos direitos e obrigações decorrentes do contrato de Compra e Venda de Ações da Real Seguros às suas respectivas controladoras: ABN NV e a Millea Holding Inc, sediadas na Holanda e Japão, respectivamente. c) Após o relato completo da sequência de fatos ocorridos no presente caso ("análise do filme'"), verificase, como já destacado, que o conjunto de operações demonstra que houve uma "Compra e Venda", na qual o objeto era a Real Seguros S/A e 50% da Real Vida e Previdência, celebrada entre partes totalmente independentes (de um lado, o Grupo ABN e, do outro, o Grupo Tokio Marine"), mediante do pagamento do preço em dinheiro. d) O valor efetivamente pago nesta Compra e Venda foi um valor negociado em mercado (ou seja, negociado entre partes independentes), fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da entidade adquirida, o que torna evidente o propósito negocial de todas as operações analisadas, correspondente à aquisição da Real Seguros S/A e 50% da Real Vida e Previdência. e) A sociedade FARAG foi utilizada, entre outros motivos, para que o valor da aquisição da Real Seguros S/A e 50% da Real Vida e Previdência por parte da Millea fosse registrado no certificado de registro do investimento externo direto emitido por parte do Banco Central do Brasil. Caso contrário, o investidor estrangeiro adquirente das sociedades em referência simplesmente herdaria o certificado de registro feito pelo ABN NV, pelo custo histórico de aquisição por aquela sociedade. f) As operações societárias ("várias fotografias") que culminaram com o aproveitamento do ágio pelo Impugnante visavam, inicialmente, a aquisição da Real Seguros S/A e 50% da Real Vida e Previdência e expansão de suas atividades no Brasil, de modo que fosse possível o registro do investimento estrangeiro direto no valor que foi investido pela Millea no Brasil, bem como, posteriormente, a simplificação da estrutura societária do Grupo Tokio Marine no Brasil, proporcionando, Fl. 3123DF CARF MF 6 ainda, viabilizar a captura de sinergias e eficiências relacionadas à operação de aquisição das seguradoras em questão. g) A Impugnante constituiu a PROVISÃO CVM 319349 no ano base de 2005, com a contrapartida do lançamento de uma despesa contábil no mesmo valor do ágio, como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio líquido da Impugnante (proteção do fluxo de dividendos dos minoritários). h) A despesa correspondente à referida provisão foi adicionada pela FARAG, em 2005, ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 335 do RIR/99, uma vez que não se trata de provisão com dedutibilidade expressamente autorizada (vide LALUR e DIPJ do ano de 2005 docs. 03). i) A possibilidade de exclusão, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, das receitas decorrentes de reversão de provisões não dedutíveis já foi reconhecida até mesmo pela própria Receita Federal do Brasil, por meio de soluções de consulta da Receita Federal. j) Uma vez tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, resta evidente que o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão devem ser excluídas do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de tributação em duplicidade. k) Não poderia o Sr. Agente Fiscal questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu, repitase, em 2005, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre (i) o fato que propiciou o seu surgimento e (ii) a ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (10/12/2013). l) Se (i) o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional determina que, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o lançamento de ofício seja realizado no prazo de cinco anos contados a partir do fato gerador; e (ii) o artigo 9º do Decreto n° 70.235 determina que eventual infração à legislação tributária deverá ser formalizada por meio de lançamento de ofício, ainda que não resulte na exigência de crédito tributário, não há dúvidas de que, na hipótese de a Fiscalização classificar a operação originária do ágio como sendo uma infração, como ocorreu no presente caso, o prazo para questionamento desse registro contábil e do lançamento de ofício, que neste caso não resultaria na exigência de tributo, deve ser contado a partir da origem do ágio (contabilização), e não a partir da sua amortização. n) Mesmo que não fosse utilizada a holding FARAG, a qual, como se demonstrará, era necessária dentro da estrutura negocial pretendida para a aquisição da Impugnante, o resultado fiscal seria o mesmo que se obteve aqui: o ágio acabaria por ser aproveitado fiscalmente pela Impugnante. Ou seja, todas as possíveis estruturas para a aquisição da Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 5 7 Impugnante teriam o mesmo resultado fiscal: a amortização do ágio pago. o) Caso a Millea tivesse adquirido diretamente a Impugnante como foi sugerido no TVF, mediante o pagamento de ágio, tal empresa poderia integralizar o capital de pessoa jurídica constituída no Brasil, com a conferência das ações da Impugnante adquiridas com ágio. Posteriormente, tal sociedade seria incorporada pela Impugnante, que adquiriria, assim, o direito à amortização do ágio, tal como ocorrido no presente caso. p) Quando ocorre a aquisição direta por uma sociedade estrangeira, referida companhia faz um aumento de capital em uma subsidiária brasileira no mesmo valor de aquisição da sociedade alvo. Este aumento de capital é subscrito e integralizado com a própria participação societária adquirida. Após referido aporte, ocorre o registro do ágio na subsidiária brasileira, que passa a ser a nova adquirente da operação. q) Sob a perspectiva estritamente fiscal, a aquisição direta da Real Seguros pela Millea não traria nenhum benefício diferente do que foi efetivamente verificado. Assim, não se pode admitir a afirmação no sentido de que a utilização da empresa holding FARAG teve por única finalidade possibilitar o aproveitamento fiscal do ágio, já que este seria possível mesmo que a aquisição fosse realizada diretamente pela sociedade japonesa Millea. r) A criação da FARAG em nada influiu no aproveitamento do ágio, que seria de qualquer forma dedutível, desde que cumpridos os requisitos legais. s) Tendo em vista que já havia uma empresa operacional do Grupo Tokio Marine no Brasil, seria possível, como segunda possibilidade, também alternativa à utilização da FARAG Participações, a aquisição da Impugnante por meio da seguradora brasileira do Grupo Tokio Marine já existente no país antes da aquisição (Tokio Marine Brasil Seguradora), a qual poderia ter sido capitalizada pela Millea para essa finalidade. t) Também nessa configuração, o resultado fiscal não divergiria daquele que está sendo questionado pelo Sr. Agente Fiscal: a Tokio Marine Brasil Seguradora S/A teria registrado ágio na aquisição da mesma maneira, o qual poderia ser aproveitado pela Impugnante da mesma forma (após a incorporação da Tokio Marine Brasil Seguradora S/A pela Tokio Marine Seguradora S/A). u) Quer a participação societária tivesse sido adquirida por sociedade estrangeira, quer tivesse sido adquirida por sociedade brasileira (como efetivamente ocorreu), o valor do ágio acompanharia o investimento e poderia ser deduzido em qualquer das duas hipóteses, desde que fundamentado em rentabilidade futura e atendidas as condições previstas nos Fl. 3125DF CARF MF 8 artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, conforme ampla jurisprudência destacada anteriormente. v) A não utilização da empresa operacional já existente no país se deu pelo fato de que a Real Seguros, apesar de atuar no mesmo ramo de atividade, era uma operação totalmente nova, o que exigia a manutenção das suas atividades separadas por um certo período de tempo, até que se conhecesse a verdadeira situação do investimento adquirido, bem como fosse possível a adequação dos métodos de gestão e de trabalho, possibilitando a integração das atividades da nova companhia àquela que já operava dentro dos parâmetros do Grupo Tokio Marine há mais de 50 anos. w) O Grupo Tokio Marine continuou operando no ramo de seguros com duas empresas operacionais no Brasil até junho de 2013, quando a Tokio Marine Brasil (empresa operacional que atuava no Brasil há mais de 50 anos) foi incorporada pela Tokio Marine Seguradora (nova denominação da Real Seguros). x) A holding FARAG Participações de fato possuía propósito negocial, haja vista que ela claramente não foi utilizada exclusivamente para gerar o ágio ou para possibilitar o seu aproveitamento pela Impugnante. y) Qualquer que fosse a estrutura adotada, seria possível o aproveitamento do ágio pela Impugnante, de modo que não se pode falar que as operações realizadas tiveram por única finalidade a economia fiscal. z) No presente caso, houve efetivo pagamento correspondente à aquisição da participação societária com ágio, entre partes independentes, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da Impugnante. aa) Como se tratava de um investimento de grande monta (quase R$ 1 bilhão), a Millea (controladora das operações mundiais do Grupo), entendeu por bem não herdar o investimento inicial feito pelo ABN NV {holding sediada no exterior e que controlava as operações do grupo ABN no Brasil) e efetuar, perante o Banco Central do Brasil, o registro do seu próprio investimento direto na sociedade brasileira. bb) As transações realizadas entre empresas fora do país não importam, por óbvio, no registro de ingresso de valores no Brasil, simplesmente pela inexistência ingresso de fluxo financeiro no país. Assim, independentemente das quantias dispendidas na operação realizada em moeda estrangeira no exterior, não haveria o registro do ingresso de capital estrangeiro no país, de modo que a sociedade japonesa simplesmente herdaria, com a aquisição da Real Seguros, o certificado do investimento pelo valor originalmente feito pelo Grupo ABN no Brasil. cc) A solução mais simples e direta encontrada foi a utilização da holding FARAG Participações, na qual foi aportado o montante que seria pago pela Millea ao grupo ABN na aquisição da Real Seguros e de 50% da Real Vida e Previdência. Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 6 9 dd) Cumpridas as etapas necessárias para o registro do investimento feito pela sociedade japonesa no Brasil, a FARAG Participações foi incorporada pela Tokio Marine Seguradora (nova denominação da Real Seguros). Destacase, como consequência dessa operação: (i) a transferência do registro do investimento feito pela Millea na FARAG para a empresa operacional no Brasil (à época ainda sob a denominação de Real Seguros), conforme comprovam os extratos do registro do investimento estrangeiro direto emitidos pelo Banco Central (doc. 06); e (ii) a possibilidade de amortização do ágio pago pela FARAG pela sua sucessora (ora Impugnante), nos termos dos arts. 385 e 386 do RIR/99. ee) O Grupo Tokio Marine continuou operando com duas companhias operacionais no Brasil até meados de 2013 (ou seja, sete anos após a aquisição da Real Seguros), quando a Tokio Marine Brasil (empresa operacional que atuava no Brasil há mais de 50 anos) foi incorporada pela Tokio Marine Seguradora (nova denominação da Real Seguros). ff) Todos os atos praticados tiveram por motivo: a aquisição da Impugnante (companhia já consolidada no cenário securitário nacional) com o pagamento do preço em dinheiro, nos estritos termos da Lei. gg) A finalidade da operação foi: o fortalecimento das atividades do Grupo Tokio Marine no mercado de seguros brasileiro, expandindose as atividades comerciais e esperando com isso obter retorno financeiro por meio de rentabilidade futura. hh) Todos os atos societários praticados inseremse congruentemente, neste contexto da aquisição de empresa como forma de investimento: tanto o Contrato de Compra e Venda entre partes independentes, bem como a incorporação da FARAG Participações pela ora Impugnante (com o registro do capital estrangeiro direto pelo valor integral de aquisição e consequente aproveitamento fiscal do ágio). ii) As operações ocorridas encontramse claramente inseridas no planejamento estratégico do Grupo Tokio Marine. jj) A existência das chamadas "empresas veículo" ou "sociedades veículo" não é suficiente para que se infirme a validade de uma operação que culmine na amortização fiscal do ágio, nos termos da recente jurisprudência administrativa. kk) O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem consistentemente rejeitando as constantes tentativas das Autoridades Fiscais de atribuir às empresas veículo a característica de abuso, aceitando a existência de tais sociedades nas estruturações societárias que envolvam aproveitamento do ágio, desde que da utilização destas não resulte uma economia tributária que, de outra forma, não seria devida. Fl. 3127DF CARF MF 10 ll) Os argumentos utilizados pela fiscalização para a requalificação do fundamento econômico da parcela do ágio em questão não podem prevalecer, uma vez que os valores questionados pelo Sr. Agente Fiscal são parte do custo de aquisição do investimento e foram apurados dentro dos parâmetros de rentabilidade futura previstas no demonstrativo apresentado à Fiscalização, conforme passamos a demonstrar. mm) Durante o processo de fiscalização, a Impugnante informou que parte do preço pago, no valor total de R$ 22,8 milhões, referiase ao "valor estratégico" calculado pelo Grupo Tokio Marine para fazer frente ao processo licitatório, o qual constava dos estudos apresentados ao Sr. Agente Fiscal como parte da perspectiva de rentabilidade futura esperada para o investimento (Real Seguros e Real Vida e Previdência). nn) Diferentemente do que afirmou o Sr. Agente Fiscal, o valor estratégico compõe o preço final, sendo certo que a totalidade do preço pago no presente caso encontrase justificada com base na expectativa de rentabilidade futura do investimento, conforme se comprova dos demonstrativos anteriores à aquisição apresentados à Fiscalização. oo) analisandose o histórico, denotase que: (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei n° 11.638/07, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível; (iii)a base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL (nem as regras previstas no DecretoLei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem as regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses). pp) Os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Com efeito, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. qq) O lançamento de CSLL, objeto do presente processo administrativo, não possui fundamento legal, ou seja, afronta um dos mais importantes princípios norteadores do Direito Tributário, qual seja o Princípio da Legalidade. rr) A multa isolada, prevista atualmente no inciso II, alínea "b" do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, diferentemente do que entendeu a Autoridade Fiscal, somente pode ser exigida caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. ss) Como os autos de infração, objeto do presente processo, foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2008, 2009 e 2010, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 7 11 da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes o antigo Conselho de Contribuintes. tt) Não há possibilidade de cumulação da multa isolada, incidente sobre eventual diferença de recolhimento de estimativa, com a multa de ofício, conforme a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. uu) Uma vez cancelados os autos de infração de IRPJ e CSLL, não há que se falar em retificação do saldo de prejuízo fiscal e do saldo de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro do anobase de 2008 e do saldo de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro no anobase de 2010. vv) Os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigido sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. (...)” Acórdão nº 1660.659 8ª Turma da DRJ/SPO Da decadência Quanto a este ponto reproduziuse integralmente o entendimento expresso no voto condutor do acórdão nº 1301001.350, o qual reputou que “a decadência não tem por referência a data do fato registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse fato produziu o efeito de reduzir o tributo devido.” Propósito negocial e empresa veículo Restou claro que o resultado final coincide com a análise da fiscalização sobre a essência econômica da operação: houve aquisição direta por empresa domiciliada no exterior de 100% das ações da Real Seguros (após a cisão descrita na cláusula 2.3 do contrato), de titularidade da ABN 2. O fato gerador da obrigação tributária deveria, então, ser analisado a partir deste negócio jurídico. Entendeuse que o fato de haver várias formas para a realização do negócio não é argumento suficiente para demonstrar a existência de propósito negocial das operações praticadas. Fl. 3129DF CARF MF 12 Quanto à alegação relativa à necessidade de registro do investimento direto no Bacen, observouse que o mesmo objetivo poderia ter sido alcançado se o aporte de recursos tivesse sido feito na empresa operacional já existente. A única diferença destacada seria que a Millea teria o controle indireto da Real Seguros. Reputouse que a análise dos elementos constantes dos autos leva à conclusão de que o único fim da FARAG foi o de alcançar uma economia tributária indevida, amortizando ágio relativo à participação societária que, em tese, ainda subsistiria no patrimônio da adquirente, no caso a Tokio Marine & Nichido Fire Insurance Co. Ltd (ou Millea). Concluiuse que nos termos do contrato de compra e venda, o ágio fora pago por pessoa jurídica domiciliada no exterior e, que, assim, não seria possível sequer saber como ele é registrado no patrimônio da adquirente, uma vez, que a lei aplicável seria a do Japão. Por conseguinte, reputouse correta a fiscalização ao afirmar que houve infração ao art. 391 do RIR/1999. Em nenhum momento teria sido questionada a aquisição da Real Seguros S/A. Firmouse que a falta de propósito negocial ocorreria nas etapas 3 a 7, tal como afirmado pela fiscalização: “As etapas 1 e 2 tiveram como objetivo separar o ativo que seria vendido, as etapas 3 e 4 tiveram como objetivo tornar a ABN NV, sede no exterior, dona das ações objeto da venda, a fim de viabilizar o enquadramento tributário menor, as etapas 5,6 e 7 permitiram o pagamento da operação e o registro do ágio em uma empresa veículo para posterior incorporação e amortização do ágio”. Por fim entendeuse que se cada operação analisada isoladamente é, em princípio, lícita, o conjunto dos elementos de prova trazidos pela fiscalização indicam que as operações societárias não possuem substância econômica e foram estruturadas com o único objetivo de obter vantagens tributárias. Do fundamento econômico do ágio – valor estratégico Quanto a este ponto houvese por bem a reprodução do laudo citado às fls. 1013/1254, sendo integralmente adotadas como fundamento do voto as razões a seguir: “ 23 O valor estratégico mencionado no item anterior, no montante total de R$ 22,80 milhões não tem como fundamento econômico valor de rentabilidade futura, enquadrandose como fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas nos termos do artigo 385 do RIR/99, § 2º inciso III. O valor de R$ 22,8 milhões corresponde a 2,54% do valor do negócio de venda da Real Seguros e Real Vida e Previdência, de R$ 897.000.000,00. Considerando que o valor do ágio fundamentado nos termos do inciso III do § 2 o do art. 385 do RIR/99 não pode ser amortizado conforme disposto no inciso II do art. 386 do RIR/99, aplicandose o percentual de 2,54% ao montante do ágio de R$ 655.697.088,56 apuramos o valor de R$ 16.666.548,07 de ágio não justificado por rentabilidade futura, e que portanto não pode ser amortizado. O valor mensal da glosa Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 8 13 correspondente ao ágio sem fundamento na rentabilidade futura é de R$ 138.887,90. 9.4. Em assim sendo, encontrase correto o procedimento fiscal que considerou improcedente a amortização do ágio, para fins tributários, conforme já relatado.” Impossibilidade de tributação da Receita de Reversão da Provisão CVM 319349 Através da análise da documentação constante dos autos concluiuse: “(...) O prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL correspondem exatamente ao valor das despesas com CPMF na aquisição da Real Seguros. O prejuízo líquido do exercício decorre principalmente do valor do ágio amortizado. O resultado foi obtido pela soma da amortização do ágio, mais as despesas com CPMF, diminuído do resultado positivo na equivalência patrimonial e da contrapartida dos débitos efetuados nas contas 3.9.1.1.1.1.000002 – Provisão IRPJ CT e 3.9.1.1.1.2.000002 – Provisão CSLL CT. Estas duas últimas contas foram creditadas em contrapartida aos débitos na conta de ativo 1.2.4.4.8.0000002 – Créditos tributários IRPJ/CSLL . A contribuinte constituiu a provisão no valor de 100% do ágio, e registrou como ativo realizável a longo prazo o valor do IRPJ e da CSLL sobre o ágio (fls. 662). No Balanço Consolidado da Real Seguros e da FARAG, apenas foi eliminado do ativo o valor das participações societárias (R$ 325.098.205,42 – fls. 662), permanecendo as contas do ágio, da provisão e dos créditos tributários (fls. 662). No Balanço Consolidado da Real Seguros e da FARAG, foi eliminado do Patrimônio Líquido, o capital social, os ajustes com títulos e valores mobiliários e os lucros acumulados (fls. 623). Foi criada Reserva Especial de Ágio no valor do IRPJ e da CSLL calculados sobre o ágio, como contrapartida do valor registrado na FARAG, a título de créditos tributários e previdenciários. (...)” Fl. 3131DF CARF MF 14 Firmouse que a provisão CVM 319149 foi constituída na incorporada, e não na incorporadora. Esta teria sido computada no resultado do exercício da incorporada, não tendo sido tributada na incorporadora. No caso, entendeuse que fora deduzido no resultado da FARAG a despesa com a constituição da provisão, sendo que o prejuízo foi reduzido em virtude dos lançamentos a débito nas contas de receita 3.9.1.1.1.1.000002 – Provisão IRPJ CT e 3.9.1.1.1.2.000002 – Provisão CSLL CT. Eventual controle da provisão deveria ser efetuada na parte B do Lalur da incorporada. No entanto, como ela fora extinta, não haveria mais que se falar em períodos base futuros. Observouse que o prejuízo líquido do exercício apurado pela FARAG, no valor de R$ 414.460.086,36 fora eliminado no balancete base da incorporação. Na incorporadora, quando o valor da provisão corresponde a 100% do ágio, analisados apenas os lançamentos nas contas Ágio – Real Seguros e () Provisão Ágio Real Seguros, o efeito no lucro líquido seria nulo. A exclusão da reversão da provisão teria o efeito de deduzir o valor integral da despesa com amortização de ágio, do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Entendeuse que se não houvesse a reversão da provisão, seria o mesmo que não adicionar ao lucro líquido o valor da despesa com ágio considerada indedutível. Notouse que não há nos autos informações sobre os lançamentos efetuados na conta de Créditos Tributários decorrentes do ágio, do Realizável a Longo Prazo, no valor de R$ 222.937.010,10. Por conseguinte, reputouse correta a autuação, que glosou a exclusão da provisão, por entender que o lucro real não pode ser diminuído pelas despesas com o ágio, não havendo que se falar de tributação em duplicidade. Da inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio considerada indedutível Constatouse que a glosa das despesas não foi motivada por disposições específicas da legislação do IRPJ, ou seja, não giraria em torno de adições ou exclusões específicas que não se aplicam à CSLL. Aditouse que a despesa de ágio reduziu indevidamente o lucro líquido, ou seja, distorceu o ponto de partida de ambos os tributos. Logo, entendeuse que a infração de CSLL apurada seria reflexa, sendo que neste caso, a procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica impõe a manutenção da exigência fiscal dele decorrente (no caso da CSLL). Descabimento da cominação das multas isoladas por ausência de recolhimento de estimativas após o encerramento do respectivo período de apuração Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 9 15 Expôsse o entendimento de que o tributo não pode ser exigido após o encerramento do período de apuração. Neste sentido, a multa isolada fora instituída justamente para ser aplicada após a declaração de ajuste. Concluiuse que se a falta de pagamento mensal é identificada pela fiscalização no curso do ano calendário, a multa a ser lançada é a do inciso I do art. 44 da Lei nº 9430/96, exigida juntamente com o tributo não antecipado. No curso do ano calendário o tributo devido seria determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais previstos em lei, sobre a receita bruta auferida mensalmente. Assim, reputouse que o tributo calculado com base sobre base de cálculo estimada só deixaria de ser exigível após o término do exercício, pois, a partir de 31 de dezembro o tributo devido só pode ser calculado com base no lucro real anual. Impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício Entendeuse que na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 não havia clareza quanto à independência da multa isolada e daquela recolhida juntamente com o tributo. Nos incisos I e II só estariam relacionadas as multas de 75% e 150%, que incidiam sobre o valor do tributo devido. Seria perfeitamente possível interpretar o § 1º como um dispositivo que apenas explicitava a forma pela qual seriam exigidas as multas: ou de forma conjunta com o tributo devido, quando não houvesse o seu prévio recolhimento; ou de forma isolada, quando não houvesse necessidade de cobrança do tributo, porque já recolhido o principal, ou porque nada seria devido a título de principal. Desta forma, o § 1º não traria uma nova hipótese de cabimento de multa. Com a nova redação dada pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, tornarase clara, segundo a autoridade julgadora, a distinção entre as duas multas, que referemse a infrações distintas: falta de recolhimento do pagamento mensal e falta de recolhimento do tributo devido ao final do ano calendário. Portanto, a partir do advento da MP 351, de 22 de janeiro de 2007, a multa isolada passaria a incidir sobre o valor não recolhido de estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido no final do período. Dos juros sobre a multa de ofício De acordo com o § 3°, do art. 61, da Lei n° 9.430/1996, constatouse que incidem juros sobre “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A leitura do caput do referido dispositivo deixaria claro que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” é equivalente a Fl. 3133DF CARF MF 16 créditos tributários, os quais, por força do próprio CTN, incluiriam não só o tributo, mas também as penalidades. Por conseguinte, entendeuse que a multa de oficio não paga no vencimento, tal como o tributo, sujeitase à incidência de juros, havendo divergência apenas quanto ao termo inicial. Portanto, os juros sobre a multa de ofício incidiriam a partir do primeiro dia subsequente ao trigésimo dia da data da ciência do auto de infração. Da tributação reflexa e da retificação dos saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL Por fim, entendeuse que deveria ser observado que a procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implicaria manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos, no caso a CSLL. Quanto à retificação dos saldos, concluiuse que esta seria decorrente da apuração da infração pela fiscalização, que corretamente efetuou a compensação de ofício no lançamento, conforme quadro a seguir reproduzido: Assim, a Impugnação foi julgada improcedente Recurso Voluntário Por meio do recurso voluntário, o ora recorrente percorreu exatamente os mesmos pontos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, os quais já foram reproduzidos em parte anterior deste Relatório. Em síntese, pleiteiase o cancelamento integral dos autos de infração, o consequente restabelecimento do saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, por ausência de fundamentação legal. Subsidiariamente, requerse: (i) o reconhecimento da preclusão do direito do Fisco questionar os lançamentos contábeis que deram origem ao ágio; (ii) o cancelamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa; (iv) o cancelamento da autuação referente à CSLL, por ausência de fundamentação legal; (v) a exclusão dos juros sobre a multa. Contrarrazões Para análise que se atingirá neste voto, cabe destacar os seguintes pontos das Contrarrazões ao Recurso Voluntário: “(...) Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 10 17 (...) no caso em apreço, ao apurar o lucro real e a base de cálculo da CSLL, o contribuinte não anulou tributariamente a receita de reversão da provisão com a correspondente exclusão, mas sim com a despesa dedutível de amortização do ágio. Ou seja, o autuado, em que pese ter excluído fiscalmente os valores relativos à reversão da provisão, não registrou em suas declarações a correspondente receita. Reduziu a base de cálculo dos tributos, mas sem aumentála. (...) (...) como contabilmente o contribuinte registrou uma receita de reversão de provisão (cuja despesa de constituição fora anteriormente adicionada fiscalmente), restava a exclusão dessa receita. Dessa forma, em que pese tal receita já ter sido neutralizada tributariamente por meio da compensação com a despesa de amortização de ágio, e, portanto, sequer ter sido registrada nas DIPJ’s, o contribuinte mesmo assim registrou a correspondente exclusão, afetando dessa maneira a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL tal como a despesa de amortização do ágio fosse integralmente deduzida. (...) (...) em que pese a normal neutralidade fiscal que as receitas de reversão de uma provisão cuja despesa fora anteriormente adicionada deve apresentar, essa neutralidade não fora obtida por meio da exclusão declarada, mas sim através da compensação não declarada com a despesa de amortização do ágio. (...) Diante do imbróglio contábil criado, a amortização do ágio não afetou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio de uma despesa, mas sim por meio de uma exclusão. (...) Portanto, diante do exposto, demonstrase que o lançamento não incorre em qualquer ilegalidade ao ter glosado a exclusão registrada pelo contribuinte. Tendo em vista que a amortização fiscal do ágio não ocorreu por meio da dedução de uma despesa, mas sim através de uma exclusão (vale lembrar, relativa a uma receita já compensada tributariamente), a Fiscalização não tinha outra opção senão glosar a referida exclusão. (...) Ao contrário do que afirma o recorrente, não havia como o Fiscal ter glosado a dedução da despesa de amortização. Isso porque, como visto de suas DIPJ’s, nenhuma despesa de amortização foi declarada. Assim, não havia despesa a ser glosada; não havia falta de adição a ser apurada. (...) Fl. 3135DF CARF MF 18 No que tange às decisões citadas pelo recorrente em sua peça, destacase que nenhuma delas trata especificamente de uma situação concreta igual ao caso em apreço, ou seja, onde o contribuinte excluiu uma receita já compensada tributariamente com uma despesa (...) III – Da inexistência de decadência para fiscalizar os atos societários que deram origem ao ágio. (...) não sendo o pagamento de um ágio fato gerador de nenhuma obrigação tributária, temse, então, que, em face desse fato não corre qualquer prazo decadencial contra o Fisco. Não gerando obrigação tributária a ser lançada, o pagamento de um ágio não implica qualquer prazo decadencial a favor de quem o pagou e/ou contra o Estado. (...) (...) o Fisco possui cinco anos para constituir os créditos de IRPJ e de CSLL decorrentes da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e do resultado ajustado positivo auferidos pela empresa em determinado anobase. O ágio utilizado na apuração das respectivas bases de cálculo não compõe a hipótese de incidência dos referidos tributos, apenas afeta, quando da sua efetiva utilização, o cálculo do montante a ser pago (benefício fiscal). Somente quando o contribuinte deduz o ágio na apuração lucro real, o Fisco tem algo a homologar (no presente caso, o lucro real apurado pelo sujeito passivo nos anos de 2008 a 2010). Antes disso, o Estado não tem qualquer fato tributário que envolva o ágio pago pela empresa. No caso dos presentes autos, embora o ágio tenha surgido de uma operação societária realizada em 07/07/2005, os seus efeitos tributários se prolongaram durante vários anos posteriores. Aqui se discute esses efeitos ocorridos nos anos calendário de 2008 a 2010. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 11 19 O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Decadência Pugna a ora recorrente pela consumação do prazo decadencial, tendo como premissa que o termo a quo seria o nascimento do direito ao ágio, em 07 de julho de 2005, com a transferência do controle acionário da Real Seguros, incorporadora (posteriormente alterada a denominação social para Tokio Marine Seguradora S.A., ora recorrente), à empresa FARAG, incorporada. Neste esteio, tendo o ato legal do lançamento sido concretizado com a ciência do auto de infração pelo ora recorrente, em 10/12/2013, estaria patentemente decaído o direito do fisco de constituir definitivamente o crédito tributário. Ocorre que o alvo desta autuação fiscal cingese ao efeito imediato da exclusão dos valores referentes a reversão da provisão CVM 319349 no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL dos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010. A análise da validade do ágio apurado e da possibilidade fática e legal de sua amortização é questão secundária, mas que se mostra essencial para identificação das inconsistências apuradas nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL. O Fisco, pelo menos em tese, passa a ter conhecimento da operação a partir do momento em que esta repercute diretamente na disponibilidade econômica e jurídica do contribuinte e, assim, adquire a significância capaz de atingir o interesse público e, precisamente, a arrecadação fiscal, em primeira instância, e a concretização de direitos constitucionalmente garantidos à sociedade, em instância ulterior. É a partir do momento que o contribuinte de fato usufrui do benefício fiscal que o Fisco percebe os efeitos da operação no resultado da entidade e passa a ter oportunidade de analisálo e validálo. Antes disso, o ágio, em si, não tem efeito definitivo sobre a orla patrimonial do contribuinte capaz de instigar a atuação da Administração Tributária, ao menos quanto a períodos futuros ao seu surgimento. Veja, conforme se verá adiante, a provisão do ágio pode de fato impactar no resultado de exercícios passados, bem como o ágio já pode ter sido amortizado em períodos passados (análise dos processos nºs 16327.001724/201016 e 16327.721354/201118), o que de fato compulsiona a atuação da fiscalização tributária. No entanto, para o caso presente importa a análise dos períodos discriminados por meio do auto de infração, sendo que o que se questionam são os acréscimos patrimoniais ou não de fato sentidos pelo contribuinte nestes períodos, para fins de incidência dos tributos já referidos. Fl. 3137DF CARF MF 20 A identificação de despesas deduzidas de forma indevida reduz a base de cálculo e assim pode gerar o pagamento de tributo a menor. Assim como as exclusões indevidas podem caminhar no mesmo sentido. A imersão na origem destas despesas ou exclusões é, então, primordial para a identificação do real acréscimo patrimonial da contribuinte no período e, ao final da sistemática fiscal, do quantum de IRPJ e CSLL será devido, de acordo com a capacidade contributiva do potencial contribuinte. Esta retroatividade, obviamente, remete ao surgimento do ágio e, conjuntamente, as operações societárias, contábeis e fiscais que a precederam e sucederam, mas não quer dizer que o Fisco teria a obrigação de prever em quais períodos tais valores seriam amortizados para de antemão glosar as inconsistências eventualmente apuradas. Não soa cabível tampouco possível tal ato. A partir do momento em que o contribuinte exerceu o direito de usufruir do benefício fiscal de amortização do ágio (ou que realizou a exclusão da reversão da provisão) é que tal operação passa a ter efeitos sobre os resultados do ora recorrente, sendo cristalino que daí insurgirá o fato jurídico que provoca a atuação do Fisco quanto àquele(s) período(s). Na realidade, o que chama a atenção do fisco são as deduções de amortização do ágio (ou no caso, as exclusões da reversão da provisão) impactando diretamente no lucro apurado (líquido ou real, respectivamente) de um período específico e trazendo à tona a concretização dos fatos geradores e a construção da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Neste passo insurge o fato que atinge a atividade estatal e exige e atuação do órgão executivo. É a partir daí que o fisco passa a investigar pormenorizadamente a base de cálculo, todas as despesas e receitas, adições e exclusões do Lucro Real, levando em conta o histórico de cada elemento a fim de que se ateste a legalidade de sua origem e, por consequência lógica, de seus efeitos presentes, essencialmente sob o prisma tributário. Ademais, a jurisprudência deste Conselho é uníssona neste sentido: DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO. É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização. (Acórdão nº 1402002.323 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016) Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 12 21 DECADÊNCIA. AFASTADA A decadência, como perda do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário, tem sempre como baliza, seja diretamente (art. 150, § 4º, do CTN) ou indiretamente (art. 173, I, do CTN), o fato gerador do tributo. Pelo art. 150, § 4º, do CTN, o dies a quo do prazo decadencial é a própria data do fato gerador do tributo, já, na regra do art. 173, I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar, o que exige também que primeiro se identifique a data do fato gerador do tributo, para depois concluir quando o Fisco poderia ter efetuado o lançamento. A despesa com amortização do ágio é apenas um elemento que entra no cálculo da base tributável, sendo que todos os elementos que compõem tal base tributável são auditáveis pelo Fisco, logicamente, dentro do prazo decadencial fixado no CTN. (Acórdão nº 1302001.980 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – 14 de setembro de 2016) ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. (Acórdão nº 9101002.387 – 1ª Turma CSRF – Sessão de 13 de Julho de 2016) Portanto o termo a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos deve ser contado da ocorrência dos fatos geradores concernentes aos períodos alvo desta autuação, quais sejam, as datas de 31/12 dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Atingese a conclusão irretorquível de que a ciência do auto de infração em 10/12/2013 compõe quadro de total legalidade do lançamento e do direito do Fisco de cobrar, sem qualquer óbice temporal que comprometa a segurança jurídica inerente aos direitos do contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de não acatar a preliminar de decadência. Provisão CVM 319349 O ora recorrente pugna pelo cancelamento dos autos de infração uma vez que houve a autuação dos valores correspondentes à exclusão da receita de reversão da provisão, cuja despesa de constituição já havia sido adicionada quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em 2005. Teria restado caracterizada a indevida tributação em Fl. 3139DF CARF MF 22 duplicidade. Pleiteia o cancelamento da exigência fiscal, pois foram glosadas as exclusões, quando deveriam ser as despesas de amortização do ágio. De outro modo, a DRJ/SPO entende que ao caso concreto não se aplica a regra de exclusões de reversão de provisões indedutíveis em geral, uma vez que esta fora constituída e computada no resultado do exercício da incorporada, não tendo sido tributada na incorporadora. Entende que não há que se falar, portanto, em tributação em duplicidade. Por fim, destaquese a posição da PGFN, em suas contrarrazões, que defende a tese de que a amortização do ágio não afetou as bases de cálculo de IRPJ e da CSLL por meio de uma despesa, mas sim por meio da exclusão de reversão da provisão, de modo que esta última fora glosada devidamente pela fiscalização. Pois bem. Há nitidamente total antagonismo entre os racionais construídos. Conquanto, estes partem de um ponto comum que é a glosa da exclusão da reversão de provisão por meio do presente auto de infração. Pressupondo tal assertiva, essencial que se percorra o contexto contábil e tributário de formação do ágio, sua posterior amortização fiscal efetiva, para somente assim tecer as conclusões que convergem para o atingimento da verdade. De início, devese ressaltar que a provisão realizada pelo ora recorrente encontra respaldo legal especial e peculiar. Tal instrumento fora instituído pela CVM através da Instrução Normativa nº 319/99 (com redação dada pela Instrução CVM nº 349/01). O escopo que a norteia deve culminar na amortização de ágio, decorrente de incorporação reversa, não afetando, de forma alguma, o fluxo de dividendos de acionistas minoritários da controlada (incorporadora). Explicase. O ágio fora pago pela incorporada, baseada na expectativa de rentabilidade futura da incorporadora. Não faria sentido, no entanto, que a empresa incorporadora incorresse em despesas de amortização de um ágio não recuperável, após a incorporação de fato. Fugiria completamente à lógica sistemática do benefício fiscal criado. Para tanto, a constituição da provisão resguarda a diferença entre o valor do ágio total e o valor referente à concretização do benefício fiscal, ou, em outras palavras, refere se ao ágio cuja a estimativa é de não recuperabilidade. Neste sentido, eis a dicção legal do art. 6º da Instrução CVM 319349: “Art. 6º. O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: (...) §1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; (...) Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 13 23 c) reverter a provisão referida na letra “a” acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e (...)” Deste modo, se a empresa incorporadora, alvo do investimento original, tiver prejuízos de fato e, assim, não manifestar faticamente a rentabilidade esperada para os períodos futuros, não deverá arcar com as despesas de amortização do ágio, sob pena de colocar em xeque a ideologia de surgimento do próprio ágio. Razão esta que culmina na anulação destes efeitos negativos através da posterior reversão da provisão (receita) pela incorporadora e, desta forma, norteia o objetivo subsidiário deste instrumento. O montante do benefício fiscal está fora deste contexto pois os lucros que de fato forem obtidos são passíveis de dedução das despesas referentes a amortização do ágio, concretizando o benefício fiscal. Em síntese, a incorporadora não poderá incorrer em despesas de ágio que se espera que não sejam confrontadas com a concretização da expectativa de rentabilidade futura. Em raciocínio inverso, o montante do ágio que se espera a recuperação não é passível de provisionamento, pois esperase o usufruto do benefício fiscal, ou seja, esperase a confrontação das despesas de amortização com os referidos lucros que enviesaram a fundamentação do ágio pela expectativa de rentabilidade futura. De fato, se o ágio registrado originalmente na incorporada fosse normalmente amortizado contabilmente após a incorporação, haverá, naturalmente uma redução do lucro líquido da companhia incorporadora. O valor do investimento é desconsiderado, por nítida confusão e perda do objeto, e restaria as despesas de amortização do ágio sem a respectiva concretização total da rentabilidade esperada. Sendo o lucro líquido a base para a determinação de distribuição de dividendos aos acionistas, tal fato reduziria o montante a ser recebido ou até mesmo impossibilitaria a referida distribuição, prejudicando assim o fluxo de recebimentos pelos minoritários da incorporadora. Reside aqui o objetivo principal da provisão, a mens legis, nos termos da Nota Explicativa à Instrução CVM 349/01 e da redação do art. 16 do referido normativo: “Art. 16. Os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não poderão ser diminuídos pelo montante do ágio amortizado em cada exercício.” Superado este ponto, destaquese que sob o aspecto essencialmente fiscal, primeiramente submetese à tributação da despesa quando a entidade incorporada adiciona o valor da provisão indedutível ao seu lucro real e à base de cálculo da CSLL, como determina o art. 335 do RIR/99. Fl. 3141DF CARF MF 24 Com a incorporação, a provisão passa a fazer parte do Ativo da incorporadora. Uma vez realizada a provisão, sua reversão deve ser procedida mediante o lançamento das respectivas receitas, as quais passarão a impactar no resultado da incorporadora, atingindo, assim, os efeitos no lucro líquido imanados pela IN CVM nº 349/01, qual seja, a neutralização dos impactos negativos da amortização do ágio sobre resultados positivos não percebidos de fato. Concluise: uma vez tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, resta evidente que o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão deve ser excluído do lucro real e da base de cálculo da CSLL da incorporadora, como forma de neutralizar, agora sob um prisma fiscal, o lançamento desta receita já anteriormente oferecida à tributação. Neste ponto falece parte da argumentação da DRJ/SPO. Ao caso concreto se aplica a sistemática de exclusões de reversão de provisões indedutíveis no geral. A mesma provisão constituída na incorporada tem seus efeitos revertidos na incorporadora, passível, então, de exclusão na tributação desta última. Veja, trata se da mesma provisão, transferida por sucessão quando do ato de incorporação. É mediante esta especificidade operacional societária que surge a necessidade de aplicação da IN CVM nº 349/01. Sob uma interpretação finalística, a priori, e extensiva, a posteriori, da referida normativa, não resta dúvida que, considerando a indedutibilidade da provisão e considerando a incorporação reversa, os mesmos valores adicionados ao lucro real no momento de constituição desta provisão na incorporada, serão aqueles excluídos do lucro real da incorporadora diante da reversão. Os controles devem ser feitos na Parte B do Lalur. Ressaltese que a despesa correspondente à referida provisão foi adicionada ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL em 2005 pela empresaveículo FARAG (incorporada). Quando da incorporação, então, a provisão fora transferida para a empresa REAL SEGUROS (cuja denominação teve alteração para TOKIO MARINE SEGURADORA S/A), de modo que esta última, quando da realização da provisão, conforme foram despendidas as despesas de amortização de ágio a cada período, promoveu a respectiva reversão (receitas) e a posterior exclusão dos efeitos desta no Lucro Real. Ocorre que, a ora recorrente houve por bem confrontar as despesas de amortização do ágio incorridas com as receitas de reversão da provisão, de modo que em DIPJ as linhas de ambas as contas se encontravam zeradas. Aqui reside a origem de toda a controvérsia. Veja, o consagrado princípio contábil da confrontação das receitas e despesas diz que as receitas realizadas no período devem ser confrontadas, no mesmo período, com as despesas que a geraram. Isto é, para a apuração do resultado de um período deverão ser consideradas as receitas realizadas, diminuídas das despesas que foram sacrificadas para a sua obtenção. Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 14 25 Ainda devese destacar as definições dadas pelo CPC 00: “(a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais; (b) despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais.” Neste albor, ordinariamente, a contabilização deve se dar da seguinte forma: a) com relação à amortização fiscal do ágio, a.i) débito em despesas de amortização do ágio (resultado) e, a.ii) crédito na conta ativa de ágio sobre investimento; b) em relação à reversão da provisão, b.i) débito na conta redutora de ativo “Provisão de ágio – IN 319/349” ou semelhante, e, b.ii) crédito em receitas de reversão (resultado). Sob a égide dos conceitos referendados no Pronunciamento Contábil, resta inequívoco que os lançamentos acima perfazem exatamente as seguintes conclusões: a) um crédito em conta ativa de ágio e o concomitante reconhecimento de uma despesa significa que, em dado momento, houve um débito em conta de ativo (aumento) e a respectiva receita (neste caso a expectativa de rentabilidade); b) um débito em conta redutora de ativo e o concomitante reconhecimento de uma receita significa que, em dado momento, houve um crédito nesta mesma conta e a respectiva despesa (processo contábil de constituição e reversão da provisão). Sob o respaldo da definição conceitual do princípio contábil supracitado devem ser confrontadas as receitas e despesas que tenham um ponto comum significante. Diante destas assertivas, os lançamentos como ora delineados deveriam, pelo menos em tese, confrontar as despesas de amortização de ágio com a respectiva concretização (ou não) da expectativa de rentabilidade que o fundamentou e, por outro lado, as reversões da provisão deveriam ser confrontadas com as referentes despesas lançadas no momento de sua constituição. Ideologicamente, sob um prisma de correlação originária e finalística, assim que deveria ser estabelecida a relação dos lançamentos. Conquanto resta evidente que existem limitações temporais e principiológicas, contábeis e fiscais, adstritas a períodos e exercícios, que tornam impossíveis as confrontações diretas, de modo que as despesas incorridas em períodos passados, agora (nos períodos analisados) formam as respectivas receitas, e viceversa. Desta forma, a maneira encontrada para tal concretização fática, enviesada agora por um raciocínio integralmente fiscal e tributário, no período em que reconhecidas as despesas e receitas, fora, respectivamente: o lançamento das despesas de amortização no lucro líquido confrontando as eventuais receitas do período (cuja a expectativa fora contabilizada anteriormente), o que vai consumindo o benefício fiscal de forma gradativa; e, quanto a Fl. 3143DF CARF MF 26 provisão, a contrapartida (fiscal) como a exclusão das receitas no lucro real, para pressupor as despesas já lançadas no momento de sua constituição. O equívoco da recorrente está em tentar confrontar e compensar a reversão da provisão operacional sobre realização de ágio (“receita”) com as despesas de amortização de ágio contabilizadas, haja vista que tais lançamentos não possuem qualquer relação e muito menos o efeito de anulação recíproca, ainda que matemática. Consequentemente, o equívoco da fiscalização está em perpetuar o erro por meio da presente autuação fiscal. A inobservância de disfunção contábil anterior, apesar de não ter efeitos fiscais, no sentido quantitativo de definição do crédito tributário (a exclusão da provisão deve ser em montante equivalente às despesas de amortização do ágio), envereda o lançamento de completa invalidade posteriormente, em sentido ideológico. Ora, a fiscalização não incide sobre o erro na contabilização, mas apenas reputa que como os valores referentes a despesas de amortização do ágio foram compensados pelas receitas de reversão da provisão CVM 319349, o valor a ser glosado deve ser o montante excluído do lucro real relativo exatamente ao saldo positivo da reversão. Do modo como se concretizaram os autos de infração, entendese que a fiscalização preferiu reputar correta a confrontação das receitas e despesas em momento anterior e consequentemente validar os valores zerados em DIPJ, para reputar incorreta a exclusão da reversão da provisão no lucro real e na base de cálculo da CSLL. Foram adotadas premissas totalmente invertidas. A contabilização deveria ser reputada incorreta, como se demonstrou, e a exclusão deveria ser reputada correta, nos moldes da IN CVM 319/349, como também se demonstrou. Ora, a autoridade fiscalizatória deve enxergar através da declaração fiscal do contribuinte, investigando minuciosamente os documentos que a suportam e garantem sua validade. Não foi o que ocorrera. Na realidade limitouse a apontar a compensação das despesas de amortização com as receitas de reversão da provisão, sem, no entanto, proferir qualquer juízo de valor sobre tal ato. A inércia e a omissão levam a conclusão de que as informações trazidas em DIPJ estão corretas. A glosa de objeto diverso torna inequívoca esta assertiva. A verdade adotada pela fiscalização, de acordo com a verdade constante em DIPJ, está diametralmente oposta em relação a verdade da contabilidade do recorrente, bem como de todo o pátrio ordenamento jurídico, e da jurisprudência deste Conselho. Apenas com a intenção de esclarecer a impossibilidade de tal medida adotada pela fiscalização segue a ementa abaixo: LUCRO REAL. DIFERENÇAS ENTRE DIPJ E CONTABILIDADE. NECESSIDADE DE CONSIDERAR TANTO AS DIFERENÇAS DE RECEITAS QUANTO AQUELAS DE CUSTOS/DESPESAS. A tributação pelo Lucro Real pressupõe a confrontação entre as receitas auferidas e os custos/despesas incorridos. Ao apurar Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 15 27 diferenças entre os assentamentos contábeis e a DIPJ, não pode o Fisco simplesmente lançar, como omitidas, as receitas escrituradas e não declaradas, e, por outro lado, desconsiderar, sem qualquer justificativa, os custos/despesas contabilizados em valores substancialmente maiores do que aqueles que constavam da DIPJ. (Acórdão nº 130100.245 – 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2009) Veja, as declarações fiscais são dotadas de presunção relativa de veracidade. Cabe à Administração Tributária ilidir tal presunção através da produção de provas hábeis e idôneas. Mas esta não o fez. Preferiu seguir o caminho de glosar o que tinha a olhos vistos e se esquivou inclusive da verdade que queria elucidar. A diretriz adotada pela fiscalização, percebida através da construção do Termo de Verificação Fiscal que fundamenta a constituição definitiva do crédito tributário (Auto de Infração), fora, inequivocamente, a impossibilidade de amortização do ágio. Entendeuse, em síntese, pela artificialidade do referido instituto. A fiscalização, no entanto, não formalizou o objeto de autuação como as despesas de ágio indevidamente amortizadas, perfazendo total contradição com o raciocínio que construiu todo o Termo de Verificação Fiscal e que guiou todo o processo fiscalizatório. Totalmente contraditório o fato de todo o trabalho fiscal estar voltado para um ponto (artificialidade do ágio e impossibilidade de sua amortização) e o objeto veiculado nos autos de infração estar voltado para outro, completamente distinto (exclusão da reversão de provisão). Uma vez que o processo fiscalizatório pressupôs a análise das despesas de amortização, deveria concretizar tal fato como o ponto de partida para elaboração da autuação. Esta última, no entanto, encontrou razão de ser em questão de direito completamente diversa da enfrentada durante toda a fiscalização. Apenas a título elucidativo, cumpre expor que o ora recorrente, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 03, fls. 1935/1936, apresentou demonstrativos que discriminam os períodos e montantes exatos em que se deu a amortização do ágio, em fls.1938 a 1946, na TOKIO MARINE SEGURADORA S/A. A análise da fiscalização, uma vez enviesada pela impossibilidade de amortização do ágio, deveria retroagir a observância da contabilização das despesas respectivas, precisamente em momento anterior a indevida confrontação e compensação destas com as receitas de reversão da provisão. Sob um olhar lançado especificamente para o objeto glosado, não deve prevalecer a autuação. Reiterese, o contexto de constituição e reversão de provisão está em total alinho com o ordenamento jurídico, especificamente as IN’s nº 319 e 349. Do mesmo modo, a Fl. 3145DF CARF MF 28 posterior exclusão das receitas de reversão, do lucro real, fora devidamente procedida, em total alinho com a tratativa imposta pelo RIR/99 quanto às provisões indedutíveis. A inequívoca reversão da provisão (e posterior exclusão) significa que esta fora consumada e realizada, o que, consequentemente, significa que houveram despesas com a amortização do ágio (afinal este era a causa da constituição desta provisão). Então, a reversão e exclusão concretizadas se prestam tão somente a evidenciar, nestes autos, que as despesas de ágio de fato ocorreram. No entanto não devem ser alvo da autuação fiscal, pois os procedimentos que as norteiam foram totalmente corretos. Aliado a isso, nitidamente, diante da análise sistemática do processo fiscalizatório, o que se quer autuar é a amortização fiscal indevida do ágio pela ora recorrente. Neste sentido, a questão obstaculizadora a ser observada permeia a confrontação direta das despesas do ágio com as receitas de reversão, causando a anulação recíproca dos lançamentos. Ainda que o valor glosado seja idêntico às despesas de amortização, não pode a fiscalização coadunar com os erros na contabilização, sem demonstrálos, sob pena de desvirtuar toda a busca pela verdade dos autos. A fiscalização, como órgão da Administração Tributária e como parte integrante do Poder Executivo, deve exercer uma função preventiva, mas ao mesmo passo, educadora. Seus atos devem ser eivados de validade e legalidade, para que naturalmente se difunda a verdade do ordenamento jurídico, das construções jurisprudenciais e doutrinárias e, não se pode esquecer, dos padrões contábeis definidos. Na concretude do caso em tela, o que se vê é a afirmação de uma prática contábil em total desacordo com os padrões. Pior ainda, a anuência, tolerância e posterior positivação deste erro por parte da fiscalização, que vai na contramão do ato de propagar a verdade que se quer atingir para a perpetuação de direitos e princípios consagrados constitucionalmente. O fato contábil é compositor do fato jurídico neste contexto. Se o fato contábil é falho, não pode o fato jurídico incorporálo, sob pena de total ausência de sua validade, especificamente, perante a legislação tributária. Neste sentido devese reafirmar entendimento já exarado por este julgador quanto a função da contabilidade: “(...) De modo conclusivo, a contabilidade da recorrente aponta uma situação totalmente fora dos padrões contábeis e inclusive na contramão da função da contabilidade perante a sociedade. Veja, a padronização é a premissa de cooperação e facilitação das relações socioeconômicas. A quebra desta de modo unilateral acaba por impactar todos os agentes a esta firma envolvidos. A essência contábil preestabelecida de uma conta é violada e qualificada ao belprazer da entidade que aqui se analisa. Há uma questão social e coletiva que deve ser respeitada. A contabilidade presta um serviço a coletividade diretamente, de modo que não abre margem para individualidades e peculiaridades discrepantes, principalmente quando se chocam Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 16 29 frontalmente com princípios e normas uniformizadas e tacitamente aceitas por um conjunto de agentes. A contabilidade pode ser vista como um sistema para facilitar o bom funcionamento do relacionamento de accountability (prestação de contas) entre as partes interessadas, ao longo de três dimensões: 1. Importância do processo assim como do resultado da contabilidade. 2. O sistema contábil como um resultado de equilíbrio do jogo entre as partes envolvidas e não como algo escolhido arbitrariamente pelo contador, e 3. A simetria do relacionamento entre quem delega uma responsabilidade e quem assume uma responsabilidade (isto é, principalagente). De tal forma, o consentimento dos regulados é tão importante nesses relacionamentos quanto a habilidade do regulador. Para entender mais profundamente a contabilidade, a firma pode ser vista como um conjunto de contratos entre agentes racionais, de acordo com as diretrizes criadas pela Teoria Contratual da Firma de Shyam Sunders. Os contratos são entendimentos mútuos, sejam eles formais ou informais, explícitos ou implícitos, de curto ou de longo prazo. Os agentes podem ter diferentes preferências e diferentes dotações de capital, habilidades e informação. Uma organização, uma firma, por fim, é um conjunto de contratos entre agentes. É certo que uma firma deve perfazer um cenário em que se escancaram interesses conflitantes, o que respalda a atuação da contabilidade como um instrumento de conciliação. A contabilidade informa os agentes apropriados sobre a extensão em que outros agentes têm cumprido com suas obrigações contratuais e recebido seus direitos. Neste contexto, quanto a contabilidade tributária, especialmente, o governo é um agente de extrema relevância para a firma e viceeversa. A prestação de contas deve atender as necessidades informacionais do Estado para permitir a otimização da arrecadação e, assim, em última instância, o atendimento ao bemestar, a paz e a justiça social. É essencial, então, que haja uma sincronicidade entre as informações prestadas pela firma e o modo como estas são assimiladas para e pelo Poder Público. A contabilidade de fato dá os instrumentos para que esta intermediação de informações ocorra sem ruídos, falhas ou discrepâncias. Há, nesta relação, uma necessidade de total simetria informacional. Naturalmente os desentendimentos acontecem, proporcionalmente a evolução da sociedade e a não adaptação das normas as novas realidades e complexidades surgidas. Mas o fato é que existem padrões a serem seguidos e estes são preestabelecidos para que a firma os siga e o Estado Fl. 3147DF CARF MF 30 garanta o seu cumprimento (neste caso representado pela figura da Administração Tributária). Portanto, uma contabilização unilateral, em desacordo com os padrões contábeis, vai de encontro com a função da contabilidade, que é exatamente garantir um cenário de equilíbrio informacional entre os agentes atrelados a uma firma. Tais inconsistências são muitas vezes percebidas pela Administração Tributária, alvo, então, de apontamentos, questionamentos, presunções e, na ausência de comprovação cabal que as justifique, autuações. Culminam, por fim, na constituição definitiva do crédito tributário. (...)” Portanto o erro contábil deveras traz impactos negativos para a identificação da verdade fiscal. De outro modo, o ato de não enfrentamento deste ponto contamina a verdade de todos os atos subsequentes, inclusive a glosa de exclusões da reversão da provisão. Diante de todo o exposto, concluiuse que, uma vez identificada a artificialidade do ágio e inteiramente ditada a fiscalização por este fato, não deve prevalecer a glosa sobre objeto totalmente diverso, qual seja, a exclusão da reversão da “Provisão IN 319/349” do lucro real. A finalidade da autuação não condiz com o objeto glosado. Neste ponto devem falecer as alegações trazidas em sede de contrarrazões de recurso voluntário, pela PGFN e o restante das alegações trazidas pela DRJ/SPO, prosperando a alegação do recorrente para que se cancele a exigência fiscal. Os casos jurisprudenciais a seguir expostos, inclusive constantes das peças de defesa do ora recorrente, delineiam situação em que as despesas de amortização do ágio foram de fato deduzidas e devidamente registradas em DIPJ, mas que não foram o alvo da autuação fiscal, quando a glosa se limitou a exclusão da reversão da provisão. No caso presente, conforme observado, sequer foram registrados em DIPJ tais valores, mas vale o entendimento externado por este Conselho no sentido de que deve prevalecer o cancelamento da infração quando esta versa sobre a glosa da reversão da provisão e esta é de fato passível de exclusão. Senão, veja os acórdãos do CARF: ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. (Acórdão nº 1402001.357 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de Abril de 2013) Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 16327.721193/201316 Acórdão n.º 1201001.668 S1C2T1 Fl. 17 31 TRIBUTAÇÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO INSTRUÇÕES CVM 319 E 349. Nos termos da Instrução CVM nº 319, de 1999, com as alterações da Instrução CVM nº 349, de 2001, nas incorporações reversas o ágio com fundamento em perspectiva de rentabilidade futura deve ser reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora pelo montante do benefício fiscal esperado (parcela com substância econômica); esse reconhecimento se opera mediante constituição da Provisão Instruções CVM 319 e 349, no valor do ágio não recuperável (diferença entre o valor do ágio apurado e o benefício fiscal decorrente da sua amortização), que deve ser apresentada como redutora da conta na qual o ágio foi escriturado. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. (Acórdão nº 1402001.461 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2013) ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Fl. 3149DF CARF MF 32 (Acórdão nº 1402001.521 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 03 de dezembro de 2013) Resta inequívoco que a jurisprudência deste Conselho acena no sentido de validar o raciocínio aqui construído, de modo que devese promover definitivamente o cancelamento dos autos de infração. Reflexos do Cancelamento da Exigência Fiscal Por óbvio o cancelamento da exigência fiscal deve comprometer qualquer discussão meritória, bem como impede o enfrentamento das alegações concernentes a legalidade das multas aplicadas e dos juros decorrentes. Ademais, quanto à CSLL, tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO, cancelando a exigência fiscal e, conseqüentemente, restabelecendo o saldo de prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 3150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721695/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO IMÓVEL RURAL DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS OU MESMO IMÓVEL VAGO. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
A utilização do imóvel rural para o desenvolvimento de atividades diversas, desde que seus frutos sejam totalmente revertidos aos objetivos institucionais da entidade beneficente de assistência social, não representa afronta ao artigo 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal, ou aos princípios da livre concorrência e/ou isonomia, capaz de negar direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo constitucional, conforme precedentes do STF e STJ, traduzidos na Súmula nº 724, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, sob pena de improcedência do lançamento, como aqui se vislumbra.
Numero da decisão: 2401-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO IMÓVEL RURAL DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS OU MESMO IMÓVEL VAGO. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A utilização do imóvel rural para o desenvolvimento de atividades diversas, desde que seus frutos sejam totalmente revertidos aos objetivos institucionais da entidade beneficente de assistência social, não representa afronta ao artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, ou aos princípios da livre concorrência e/ou isonomia, capaz de negar direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo constitucional, conforme precedentes do STF e STJ, traduzidos na Súmula nº 724, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, sob pena de improcedência do lançamento, como aqui se vislumbra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 16 95 /2 01 3- 51 Fl. 350DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 2401004.904 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório FUNDAÇÃO RURAL MINEIRA RURALMINAS, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03062.013/2014, às e fls. 216/222, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2008, conforme Notificação de Lançamento, às efl. 101/106, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 21/10/2013 (AR. fl. 107), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor total da terra nua foi calculado multiplicando se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...]" No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu desconsiderar a imunidade declarada e alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$0,00 para o arbitrado de R$24.000.000,00 (R$800,00/ha), com base em valor constante no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$4.800.000,00, conforme demonstrado às fls. 105. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 325/329, procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 352DF CARF MF 4 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, suscitando a improcedência do lançamento posto que a área em contenda se constituí finalidade essencial da Fundação e, portanto, indispensável ao cumprimento das condicionantes ambientais vinculadas ao Projeto que implanta. Entende que, na qualidade de pessoa jurídica de direito público, como demonstrado pela documentação juntada, está adstrita à imunidade tributária a teor do disposto no art. 150, IV, “a” c/c art. 150, § 2º, da Constituição da República. Esclarece que a área demandada é integrante do Projeto Jaíba, sobretudo, inserida em razão da Etapa II do precitado projeto, sendo o maior projeto hidro agrícola da América Latina, estando implantada sob a responsabilidade do Governo do Estado de minas Gerais, através da Recorrente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 2401004.904 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. De início, aduz inexistir dúvidas quanto à observância da entidade dos requisitos inscritos no artigo 14 do Códex Tributária, fazendo jus, portanto, à imunidade contemplada nos artigos 150, inciso VI, alíneas "a" e “c”, da Constituição Federal, e 9°, inciso IV, alínea “c” do CTN, não tendo o Fisco jamais suspendido referido benefício fiscal da contribuinte. A fazer prevalecer sua pretensão, suscita a improcedência do lançamento posto que a área em contenda se constituí finalidade essencial da Fundação e, portanto, indispensável ao cumprimento das condicionantes ambientais vinculadas ao Projeto que implanta. Entende que, na qualidade de pessoa jurídica de direito público, como demonstrado pela documentação juntada, está adstrita à imunidade tributária a teor do disposto no art. 150, IV, “a” c/c art. 150, § 2º, da Constituição da República. Esclarece que a área demandada é integrante do Projeto Jaíba, sobretudo, inserida em razão da Etapa II do precitado projeto, sendo o maior projeto hidro agrícola da América Latina, estando implantada sob a responsabilidade do Governo do Estado de minas Gerais, através da Recorrente. Por derradeiro, arremata que o simples fato de não haver prova da destinação dada ao imóvel não autoriza a cobrança do imposto, mormente porque o Fisco não demonstrou a eventual aplicação de recursos financeiros da pessoa imune com desvio de finalidade, consoante se positiva da jurisprudência do STF e STJ transcrita na peça recursal, reconhecendo este último Tribunal à imunidade, inclusive, de imóvel rural vago. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da observância dos requisitos da fruição da imunidade insculpida no artigo 150, inciso VI, alínea “c”, e § 4º, da Constituição Federal, para fins de incidência do ITR sobre imóvel rural de propriedade da entidade autuada, ora recorrente. Indispensável ao deslinde da controvérsia, antes mesmo de adentrar as questões meritórias impende transcrever os dispositivos constitucionais/legais que regulamentam a matéria, senão vejamos: Fl. 354DF CARF MF 6 “ CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.” “CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 2401004.904 S2C4T1 Fl. 5 7 § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” Ao decidir a matéria, o Acórdão recorrido entendeu que caberia à contribuinte demonstrar que as atividades desenvolvidas no imóvel rural em epígrafe se identificavam com os objetivos institucionais da entidade, a teor do disposto em seu Estatuto, o que não logrou à autuada a proceder, mantendose, assim, a autuação na sua integralidade. Em verdade, tratase da correta aplicação da legislação de regência sobre o tema, qual seja, a relevância jurídica do fato de que a imunidade pretendida pela entidade, com esteio no artigo 150, 4º da CF c/c os artigos 9º e 14º, ambos do CTN, deve ser interpretada em observância ao caráter teleológico da norma, ou seja, de garantir que não venha a ser tributada não apenas o produto financeiro positivo do exercício das atividades da entidade, que se refere a despesas a serem suportadas em prol de seus beneficiários, mas todo e qualquer meio de produção que se destine ao exercício de seu objeto social, desde que observados os requisitos determinados em Lei. Aliás, a jurisprudência administrativa e Judicial restou pacificada, a partir do momento em que o STF consolidou o entendimento de que as entidades beneficentes podem desenvolver atividades com objetivo de auferir lucros, conquanto que utilizados na execução do objeto social da entidade. A rigor, já existe, inclusive, Súmula sobre o assunto, editada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, oriunda do leading case sobre a matéria, RE nº 237.718, DJU de 14.09.2001, confirase: “Súmula 724 – Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.” A fonte de custeio das Entidades, aptas a receberem o tratamento benéfico da Constituição, portanto, não é apenas aquela proveniente das rendas obtidas pela execução de suas atividades sociais, mas sim dos meios utilizados para a obtenção de rendas, desde que totalmente aplicadas na execução de seu objeto social, nos termos da Lei. Aplicar o preceito Constitucional de forma diversa, seria denegarse validade a própria inteligência da norma, qual seja, a promoção da assistência social. Somente a título de reflexão, estarseia diante de afronta ao princípio da isonomia e da livre concorrência, se a entidade não revertesse os lucros auferidos com as atividades desenvolvidas no imóvel rural aos objetos sociais contemplados em seu estatuto, ou mesmo se os distribuísse aos seus sócios, que daria ensejo à sua própria descaracterização como entidade beneficente de assistência social. Em outras palavras, o que se proíbe não é a obtenção de lucro, mas sim a sua distribuição aos sócios, ou mesmo quando este é a finalidade precípua da pessoa jurídica de direito privado, o que não é o caso dos autos. Fl. 356DF CARF MF 8 Igualmente, o Superior Tribunal de Justiça vem reconhecendo o direito à imunidade em relação aos imóveis vagos das entidades beneficentes de assistência social, como segue: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMÓVEL VAGO. DIREITO À IMUNIDADE TRIBUTÁRIA COMPROVADO. 1. O imóvel objeto do lançamento é utilizado para o desenvolvimento das atividades educacionais, isto é, está destinado à finalidade essencial da instituição, qual seja a filantropia. 2. De acordo com o inciso lI do art. 333 do CPC, o ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 3. Agravo regimental desprovido.” (AgRg 849.285/MG — Rel. MM. Denise Arruda — Primeira Turma J. 17/04/2007 — DJ. 17/05/2007). Na hipótese dos autos, o Decreto 45.752/2011 ao regulamentar o estatuto da fundação, deixa claro e explicito a sua finalidade, bem como suas atividades, gozando de imunidade, na linha da jurisprudência do STJ retro mencionada, senão vejamos: "DECRETO nº 45.752/2011 O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS, no uso de a O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS atribuição que lhe confere o inciso VII do art. 90, da Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto no parágrafo único do art. 18 da Lei Delegada nº 180, de 20 de janeiro de 2011, DECRETA: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º A Fundação Rural Mineira RURALMINAS, instituída pela Lei nº 4.278, de 21 de novembro de 1966, regese por este Estatuto e pela legislação aplicável. (...) CAPÍTULO II DA FINALIDADE E DAS COMPETÊNCIAS Art. 2º A RURALMINAS tem por finalidade executar serviços de engenharia, bem como planejar, desenvolver, dirigir, coordenar, fiscalizar e executar projetos de logística de infraestrutura rural e de engenharia, com vistas ao desenvolvimento social e econômico do meio rural no Estado, observadas as diretrizes políticas formuladas pela SEAPA, competindolhe: I gerir planos, programas e projetos de infraestrutura rural, de engenharia agrícola e hidroagrícola, abrangendo, ainda: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 2401004.904 S2C4T1 Fl. 6 9 a) construção e recuperação de estradas vicinais; b) recuperação de áreas degradadas; c) desassoreamento de cursos fluviais; d) construção e recuperação de pequenos barramentos de água; e) eletrificação e saneamento do meio rural; f) implantação de poços artesianos; g) operação e manutenção de barragens de perenização; h) construção e implantação de tanques de piscicultura; e i) construção e implantação das estruturas físicas necessárias ao desenvolvimento do meio rural e de sua atividade agrícola. II incentivar e apoiar programas de desenvolvimento social e econômico do meio rural, observada a orientação da SEAPA; III executar serviços de motomecanização e de engenharia agrícola; IV manter intercâmbio com instituição pública ou privada, nacional, estrangeira ou internacional, a fim de obter cooperação técnica, científica e financeira; V planejar, coordenar, fiscalizar e executar programas de desenvolvimento rural no âmbito estadual, em articulação com outros órgãos e entidades do Poder Executivo; VI planejar, coordenar, supervisionar e executar projeto público de irrigação e drenagem, no âmbito da Administração Pública Estadual; VII propugnar pela preservação dos princípios da legislação ambiental, e VIII administrar, diretamente ou por meios de terceiros e fiscalizar o funcionamento do sistema de irrigação do complexo do Projeto Jaíba, segundo as diretrizes da SEAPA." (grifei) Relativamente ao imóvel rural objeto da exação, informou a suplicante que a área repassada pelo Governo de Minas Gerais é integrante da Etapa II do Projeto Jaíba, que visa o desenvolvimento regional autosustentável, mediante a adoção de um modelo de produção baseado no assentamento dirigido de pequenos e médios produtores agrícolas Dessa forma, não se poderia exigir da contribuinte produzir prova negativa, qual seja, incumbindo à fiscalização, neste caso, indicar e comprovar o desvio de finalidade por Fl. 358DF CARF MF 10 parte da entidade para poder promover o lançamento desconsiderando sua condição de imune, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Consoante se positiva dos autos, se apresenta incontroverso a imunidade da entidade recorrente, uma vez não contestada pela fiscalização, estendendose, portanto, ao imóvel rural sob análise, sobretudo em razão da fiscalização não ter comprovado o desvio de finalidade tendente a rechaçar o pleito da contribuinte. Mais a mais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, afora os casos das presunções legais, onde a própria legislação atribui ao contribuinte o ônus da prova, é dever do Fisco comprovar o alegado/imputado, na esteira do disposto no artigo 142 do CTN, sob pena de improcedência do feito. Isto a fiscalização não logrou comprovar, mormente quando resta incontroverso a condição de imune da entidade, só podendo ser desqualificada na hipótese de demonstração da inobservância dos pressupostos legais de tal benefício fiscal por parte da autoridade lançadora, o que não se constata nos autos. A corroborar esse entendimento, é de bom alvitre esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar caso da mesma natureza, achou por bem afastar a tributação sobre imóvel de propriedade de entidade beneficente, sob o fundamento de que, restando incontroversa a imunidade da contribuinte, presumidamente todo seu patrimônio e o produto dos seus serviços se destinam ao seu fim estatutário, impondo ao Fisco o dever de comprovar o contrário, in verbis: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. IPTU. O caráter benemérito da recorrida jamais foi questionado pelo recorrente, devendose presumir que todo seu patrimônio, bem como o produto de seus serviços está destinado ao cumprimento de seu mister estatutário. [...]” (2a Turma do STF – Relatora: Ministra Ellen Gracie – Recurso Extraordinário n° 251.7721 SP – Julgamento em 24/06/2003 – DJ de 29/08/2003) (grifamos) Em caso idêntico, sendo em relação ao exercício 2010, envolvendo a recorrente, a 1ª Turma da 2ª Câmara deste Conselho, entendeu por bem afastar a exigência em contento, por entender a imunidade da contribuinte, nos termos do Acórdão n° 2201002.728, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ITR. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. IMUNIDADE. É imune do ITR o imóvel rural pertencente à Fundação instituída e mantida pelo Poder Público, quando vinculado as finalidades essenciais da entidade." Nesse sentido, na esteira da jurisprudência dos nossos Tribunais Superiores, impõese restabelecer a ordem legal no sentido de afastar a exigência fiscal tendo em vista que a autoridade fazendária não logrou comprovar a inobservância dos requisitos da imunidade da contribuinte em relação ao imóvel rural em comento, devendo ser retificado o decisum recorrido nos termos encimados. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 2401004.904 S2C4T1 Fl. 7 11 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910820/2009-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/05/2004
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.845
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/05/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 20 /2 00 9- 10 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.910820/200910 Acórdão n.º 9303004.845 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.138, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/05/2004 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/05/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910820/200910 Acórdão n.º 9303004.845 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.910820/200910 Acórdão n.º 9303004.845 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.910820/200910 Acórdão n.º 9303004.845 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720096/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 A 31/12/2010 DESENQUADRAMENTO. REGIME CUMULATIVO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 09 6/ 20 15 -1 0 Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.765 2 Correto o desenquadramento do regime cumulativo para o não cumulativo quando caracterizado não ocorrer a hipótese prevista no inciso XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/2003, ou seja, que as atividades realizadas não se tratam de receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic por expressa previsão legal. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2010 A 31/12/2010 DESENQUADRAMENTO. REGIME CUMULATIVO. CONSTRUÇÃO CIVIL. Correto o desenquadramento do regime cumulativo para o não cumulativo quando caracterizado não ocorrer a hipótese prevista no inciso XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/2003, ou seja, que as atividades realizadas não se tratam de receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic por expressa previsão legal. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre Autos de Infração, do qual a autuada foi cientificada em 23/01/2015, para a exigência de Cofins e PIS/Pasep, relativamente aos períodos de apuração de 01/2010 a 12/2010, no montante total, englobando multa e juros, de R$ 30.806.708,42. No entendimento da fiscalização, a contribuinte estaria, indevidamente, tributando receitas pela cumulatividade, quando o correto seria pela não cumulatividade. Essas receitas seriam provenientes de serviços envolvendo outras áreas de engenharia que não a de construção civil (essa sujeita ao regime da cumulatividade). A contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que: a) suas receitas decorrem da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, que são excluídas do regime não cumulativo até o ano de 2019 (art. 10, XX da Lei nº 10.833/2003); Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.766 3 b) a maior parte dos seus contratos envolve construção e montagem de estruturas agregadas ao solo, e mesmo a atividade de manutenção envolve a montagem e substituição de estruturas agregadas ao solo; c) houve decadência parcial em relação aos fatos geradores anteriores a 23/01/2010; d) o conceito de "obra de construção civil" abrange quaisquer obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, nos termos do Ato Declaratório Cosit nº 30/99, da Solução de Consulta nº 345, de 29/11/2005, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, e da Solução de Consulta nº 37, de 30/03/2010; e) através de uma análise da Lei nº 5.194/66 (que regulamenta a profissão de engenharia) e da Resolução nº 218/73, do CONFEA, verificase que as atividades de instalação e montagem de estruturas industriais estão submetidas aos ramos da engenharia e, mais especificamente, ao ramo da engenharia civil; f) o próprio Anexo VII, da Instrução Normativa nº 971/2009, elenca quais tipos de construção são considerados como obra de construção civil; g) sobre o enquadramento da montagem industrial como construção civil, o elemento definidor é a fixação ou não da estrutura ao solo, sendo que o Ato Declaratório Cosit nº 30/99 conclui que a adesão de qualquer tipo de benfeitoria ao solo representa uma obra de construção civil; h) é necessária a realização de diligência fiscal para que seja feito termo circunstanciado relatando com pormenores os serviços que executou e que executa, tanto em grau de emprego de materiais, como da repercussão na estrutura original da planta fabril do tomador (montagem das estruturas agregadas ao solo); e i) deve ser afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre a multa. Os argumentos da impugnante não foram acatados pelo julgador de primeira instância, sob os seguintes fundamentos: O período de apuração relativo ao mês de janeiro de 2010 como sujeito ao fato gerador periódico, independente da ocorrência diária de situações que ensejem a incidência das contribuições, tem como data da sua ocorrência o dia 31/01/2010, e como data de previsão para recolhimento até 15/02/2010. Para que não ocorresse a decadência a formalização do lançamento com a contagem do prazo de 5 anos teria como termo final 31/01/2015. Portanto, como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 23/01/2015, não há de se falar em decadência. Os contratos considerados pela fiscalização dentro da não cumulatividade apresentaram serviços de “manutenção e reparação dos equipamentos industriais, de caldeiraria, de substituição de dutos, de instalação de válvulas, motores de válvulas, queimadores, cabos de alimentação e ignição de fornos, de movimentação de sólidos nos pátios e de limpeza de áreas das unidades, de substituição de válvulas, de fabricação de suportes em aço etc., ou seja, são atividades ligadas a manutenção preventiva ou corretiva de equipamentos relacionados às atividades operacionais da contratante”. (fls. 49 e 50). A Instrução Normativa RFB nº 971/2009, em seu Anexo VII discrimina as obras e os serviços de construção civil, conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). Tal classificação faz uma separação entre a atividade de construção civil e as atividades em que se enquadram os serviços executados pela PRODUMAN em 2010 – manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos. Analisandose as prescrições da Instrução Normativa, constatase que se optou por estabelecer e diferenciar os conceitos de “obra de construção civil” e de “serviço de construção civil” principalmente para viabilizar, com base no conceito constante do § 13 do Decreto nº 3.048, de 1999, a classificação dos serviços existentes da listagem de atividades de construção civil estabelecida no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas – CNAE (Anexo, Seção F, itens 41 a 43), e utilizar essa classificação para atribuir o tratamento tributário cabível a cada atividade arrolada no Anexo VII da Instrução Normativa. Existe assim uma separação legal sobre o que deve ser considerado obra de construção civil, e o que é considerado serviço de construção civil. Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.767 4 A Cosit emitiu a Solução de Divergência nº 11, de 2014 (portanto, acima das Soluções de Consulta citadas na defesa) dando conta que o conceito de obras de construção civil é o disposto no Ato Declaratório Cosit nº 30. A citada Solução de Divergência assim dispõe: "46. Ademais, quase desnecessário asseverar que não se podem aplicar as disposições do dispositivo em lume às receitas decorrentes da prestação de serviços que não caracterizam “execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil”, como os serviços de manutenção de máquinas, etc." Cientificada dessa decisão em 26/01/2016, a interessada apresentou recurso voluntário em 24/02/2016, mediante o qual repisou as alegações da impugnação e acrescentou outras, requerendo a realização de diligência e a reforma do acórdão da DRJ, tendo em vista que: a) houve decadência parcial do direito de lançar em relação aos fatos geradores anteriores a 23/01/2010; b) as receitas auferidas enquadramse no disposto no art. 10, XX da Lei nº 10.833/2003; c) o próprio lançamento de ofício, no que tange à montagem industrial, viola a Solução de Divergência 11/2004, vinculante para a administração tributária, à luz do art. 9º da IN 1434/13; d) mesmo em relação à manutenção industrial, a sistemática cumulativa do PIS e da Cofins deve ser mantida, considerando que o novo entendimento proclamado pela Solução de Divergência somente alcança fatos geradores ocorridos após o período fiscalizado; e e) se mantido o crédito tributário, seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, na forma da jurisprudência do CARF. Em 22/06/2016, a contribuinte requereu a juntada da Solução de Consulta DISIT/SRRF 04 Nº 4008, de 6 de junho de 2016, cujo teor corroboraria as razões do recurso voluntário. É o relatório. VOTO Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. No ano de 2010, a contribuinte possuía tributação pelo lucro real anual, de forma que estava sujeita ao regime não cumulativo das contribuições PIS e da Cofins, podendo, no entanto, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação a eventuais "receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil", nos termos do art. 10, XX da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, até 31 de Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.768 5 dezembro de 2010; (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) (...) Nessa esteira, o cerne da presente lide consiste em saber se as atividades da contribuinte cujas receitas foram reenquadradas pela fiscalização no regime não cumulativo das contribuições poderiam, ou não, se caracterizar como "execução de obras de construção civil", para permanecerem no regime cumulativo como pretendido pela contribuinte. Com base nas informações constantes nos contratos apresentados pela empresa, apurouse as seguintes atividades por ela exercidas1: 1 Segundo a fiscalização, os contratos de nº 4600217791, da NF 4134, com a empresa Petrobras RLAN, de nº 100016003, citado na NF 4289, da Paranapanema, de nº 0800.0044602.08.2, da NF 4344, da Engevix, e o de nº 1200000056156102, da NF 4510, da Petrobras, solicitados por meio de Termo de Intimação Fiscal em 12/08/2014, não foram apresentados pelo contribuinte (por isso, não constaram na planilha). Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.769 6 Tabela 1: Atividades exercidas pela contribuinte segundo os contratos apresentados A fiscalização entende que "à exceção dos contratos das linhas 3, 19 e 21, todos os demais se referem, basicamente, a serviços de serviços de manutenção e reparação dos equipamentos industriais, de caldeiraria, de substituição de dutos, de instalação de válvulas, motores de válvulas, queimadores, cabos de alimentação e ignição de fornos, de movimentação de sólidos nos pátios e de limpeza de áreas das unidades, de substituição de válvulas, de fabricação de suportes em aço etc., ou seja, são atividades ligadas à manutenção preventiva ou corretiva de equipamentos relacionados às atividades operacionais da contratante" [grifei], de forma que as atividades da contribuinte não poderiam se caracterizar como execução de obras de construção civil. Posteriormente ao período fiscalizado, mas ainda antes da autuação, em 1º/10/2014, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 10/2014, nos seguintes termos: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 10, de 30 de setembro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 01/10/2014, seção 1, pág. 29) Dispõe sobre o alcance do conceito de 'obras de construção civil' para efeito de aplicação do regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do inciso XX do art. 10 e do inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso XXVI do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no inciso XX do art. 10 e inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999, bem como o que consta do Processo nº 18186.720547/201121, DECLARA: Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.770 7 Art. 1º Para efeito de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 e inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, enquadramse, no conceito de obras de construção civil, as obras e os serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. Art. 2º Ficam modificadas as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência emitidas antes da publicação deste ato independentemente de comunicação aos consulentes. Art. 3º Publiquese no Diário Oficial da União. Por sua vez, o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30/99, publicado em 14.10.1999, no âmbito do SIMPLES aplicável à atividade de construção de imóveis, determinando o alcance do art. 9º, V e §4° da Lei nº 9.317/962, então vigente, assim já dispunha: Ato Declaratório Normativo COSIT nº 030, de 14 de outubro de 1999 DOU de 18/10/1999 Dispõe sobre a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES aplicável à atividade de construção de imóveis. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso V do art. 9o da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pelo art. 4o da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1. a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; 2. sondagens, fundações e escavações; 3. construção de estradas e logradouros públicos; 4. construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. terraplenagem e pavimentação; 6. pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. 2 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) (...) Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.771 8 No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização ressalvou, no entanto, que "Apesar de o ADI nº 10/2014 ser posterior ao período fiscalizado, não podendo ser aplicado retroativamente, serve como clara sinalização de que o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30, de 1999, é a norma mais apropriada para se buscar o alcance do conceito de obra de construção civil, estando essa norma vigente no período fiscalizado (2010)". Assim, de todo modo, a fiscalização utilizouse, além de outros (LC 116/03, Instrução Normativa RFB nº 971/2009, Resolução CONFEA/CREA nº 1.010/2005 e Acórdãos do CARF), do entendimento do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30/99, aplicável originalmente ao SIMPLES, que, dispôs que também são consideradas obras de construção civil "as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil", além de apresentar alguns exemplos destes itens. A fiscalização não mencionou no Termo de Verificação Fiscal, mas pouco antes da publicação do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 10/2014, em 08/09/2014, foi também publicada a Solução de Divergência Cosit nº 11/2014, que concluiu que: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ementa: EXPRESSÃO "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO NA LEGISLAÇÃO REFERENTE AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA DA COFINS. Para efeito de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, enquadramse, no conceito de obras de construção civil, as obras e os serviços auxiliares e complementares, tais como aqueles exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, inc. XX; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999; e Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 322, I e X, e Anexo VII. (...) Conclusão 48. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo ao autor do recurso que as receitas decorrentes de instalações hidráulicas, elétricas, de sistemas centrais de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação e de prevenção contra incêndio se subsumem ao conceito de execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil de que trata o inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. 49. Em decorrência: a) mantémse o entendimento exarado por meio da Solução de Consulta SRRF 7ª RF/Disit nº 6, de 27 de janeiro de 2011, da Solução de Consulta Cosit nº 5, de 31 de agosto de 2005 e da Solução de Consulta Cosit nº 2, de 3 de maio de 2010; 3 3 Solução de Consulta nº 6, de 2011 – SRRF/Disit – 7ª Região Fiscal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Obras de Construção Civil. Alcance da expressão na legislação relativa à sistemática não cumulativa. As atividades de construção, ampliação e reformas prediais preventivas e corretivas em sistemas elétricos, hidráulicos, hidrossanitários e de refrigeração, por estarem expressamente citadas no ADN Cosit nº 30, de 1999 ou por terem a mesma natureza daquelas nele incluídas, enquadramse na expressão “obras de construção civil”, Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.772 9 b) reformase o entendimento exarado por meio da Solução de Consulta SRRF 8ª RF/Disit nº 248, de 21 de setembro de 2012, na parte em que considera as atividades de instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, de ventilação, de refrigeração e de prevenção contra incêndio sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 4 (...) Na referida Solução de Divergência, entendeuse que a classificação das atividades de construção civil constante na Instrução Normativa RFB nº 971/2009, "é apenas instrumental, com alcance adstrito ao campo das contribuições previdenciárias, não estabelecendo qualquer inovação material no sistema jurídico nacional, e, portanto, não exercendo cogência no âmbito da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins", adotandose a classificação dos "Serviços de Construção" da Seção I da Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), instituída pelo Decreto nº 7.708/2012, como um dos parâmetros para a determinação do alcance e conteúdo dos termos "obras de construção civil" e "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil". Embora o Decreto nº 7.708/2012 não estivesse vigente à época dos fatos, razão pela qual, certamente não poderia ser utilizado para prejudicar a contribuinte, mas poderia, estando, portanto, até 31/12/2010, as receitas auferidas com sua exploração sujeitas a apuração da Cofins no regime cumulativo. Dispositivos Legais: Lei no 10.833, de 2003, inciso XX do art. 10; Ato Declaratório Normativo Cosit no 30, de 1999. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 5 de 31 de Agosto de 2005 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: EXPRESSÃO "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO NA LEGISLAÇÃO REFERENTE AO PIS NÃOCUMULATIVO. Para efeito de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 e inciso V do art. 15 da Lei n º 10.833, de 29/ 12/1003, enquadramse no conceito de obras de construção civil as obras e serviços auxiliares e complementares, tais como aquelas exemplificadas no Ato Declaratório Normativo Cosit n o 30, de 14/10/1999. Solução de Consulta COSIT nº 2, de 03.05.2010 DOU 1 de 27.08.2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EMENTA: Expressão "obras de construção civil". Significado na legislação referente à Cofins nãocumulativa. As atividades de locação de andaimes, de formas e escoramentos utilizados em obras de construção civil não se enquadram na expressão "obras de construção civil" para efeitos de gozo do benefício tributário previsto no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, as receitas auferidas com a exploração dessas atividades sujeitamse à incidência da alíquota de 7,6% da Cofins. Obras de construção civil, no que se refere à incidência da Cofins nãocumulativa, alcançam as atividades da mesma natureza daquelas exemplificadas no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14.10.1999. DISPOSITIVOS LEGAIS: inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação atual dada pelo art. 17 da Lei nº 11.945, de 2009; e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral 4 Solução de Consulta SRRF/Disit da 8ª Região Fiscal (SC) nº 248, de 21 de setembro de 2012 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REGIME DE APURAÇÃO. As atividades de instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio não se enquadram no conceito de “obras de construção civil” e, portanto, as receitas decorrentes de seu exercício estão sujeitas ao regime não cumulativo da Cofins. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, XX; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 322, I e X, e anexo VII. Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 13502.720096/201510 Resolução nº 3402001.012 S3C4T2 Fl. 2.773 10 como uma norma interpretativa, fornecer melhor subsídios para o presente julgamento, mormente quando inexiste na lei a completa definição do que seja a "execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil" cujas receitas poderiam ser tributadas no regime cumulativo das contribuições. De outra parte, verificase que algumas atividades descritas pela fiscalização na Tabela 1 acima englobam "construção civil" e outros serviços que poderiam, eventualmente, se caracterizar como alguns dos itens referidos na Seção I da Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), instituída pelo Decreto nº 7.708/2012. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da DRFCamaçari/BA que: a) Requisite Laudo Técnico, por profissional habilitado ou credenciado pela RFB, para descrição pormenorizada das atividades exercidas pela recorrente para cumprimento de cada contrato de serviços objeto da presente autuação, classificandoas tanto em relação à Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), instituída pelo Decreto nº 7.708/2012, como em relação à Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil, constante no Anexo VII da Instrução Normativa RFB 971/2009, e/ou à Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, inclusive, se for o caso, sendo possível, segregando as receitas advindas da execução de "obras da construção civil", nelas inclusas as "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil", das demais atividades em relação a um mesmo contrato. b) Manifestese em Relatório Conclusivo acerca da descrição das atividades e das suas classificações na NBS ou IN RFB 971/CNAE constantes no Laudo Técnico, e da sua eventual potencialidade para alterar, ainda que parcialmente, o enquadramento da contribuinte no regime não cumulativo das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, bem como acrescentando outras informações que entender relevantes à solução da lide. c) Cientifique a recorrente dessa Resolução, do Laudo Técnico e do Relatório Conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. d) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000209/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.005
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.895, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 09 /2 00 9- 24 Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 4 3 lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 6 5 possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 7 6 de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 8 7 II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 10 9 mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 11 10 acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 12 11 àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12571.000209/200924 Acórdão n.º 9303005.005 CSRFT3 Fl. 13 12 contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.000771/2004-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/10/2003 a 30/06/2004
MULTA DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na data da lavratura do auto de infração, inexistia fundamentação legal para o lançamento de oficio de multa isolada, pois lei posterior mais benéfica excluiu a previsão existente à época dos fatos.
Numero da decisão: 9303-005.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na data da lavratura do auto de infração, inexistia fundamentação legal para o lançamento de oficio de multa isolada, pois lei posterior mais benéfica excluiu a previsão existente à época dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 07 71 /2 00 4- 20 Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10325.000771/200420 Acórdão n.º 9303005.142 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional (efls. 1087/ss), ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 380300.511, de 26/07/2010, efls. 1069/ss, assim ementado: Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/10/2003 a 30/06/2004 DCOMP NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITOS PROVENIENTES DE SENTENÇA NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Tratandose de suposto crédito proveniente de decisão judicial não transitada em julgado, impõese a não homologação da DCOMP. MULTA DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na data da lavratura do auto de infração, inexistia fundamentação legal para o lançamento de oficio de multa isolada, pois lei posterior mais benéfica excluiu a previsão existente à época dos fatos. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Em apertada síntese, o presente processo trata de Declaração de Compensação, apresentada em 24/09/2004 (efl. 110/114), não homologada pela DRF – Imperatriz – MA, pelo fato de o contribuinte ter compensado indevidamente créditos advindos de decisão judicial não passada em julgado, uma vez que o mesmo não apresentou qualquer documento comprobatório do eventual trânsito em julgado da sentença. Em 04/02/2005 (efls 635/ss), foi lavrado auto de infração para cobrança da multa isolada de 75%, sobre os valores de débitos da Cofins indevidamente compensados, com base no seguinte enquadramento legal (efl. 641): Arts. 43, 44, inciso I da Lei n° 9.430/96, art. 170A da Lei n° 5.172/66 (CTN), art. 30, §§ 1° e 2° da IN SRF n° 460, de 2004. No acordão recorrido deuse provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a aplicação isolada da multa de lançamento de oficio por compensação indevida, mantendose o indeferimento da compensação requerida. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10325.000771/200420 Acórdão n.º 9303005.142 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (vide efls. 1087/ss), questionando a exoneração da multa de ofício em decorrência da suposta retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Foram indicados como paradigmas os Acórdãos nº 20402.808 e 20309.707, cujas ementas transcrevemse abaixo: Acórdão 20402.808 COFINS/PIS. MULTA DE OFÍCIO ART. 90 MP 2.15835 ART. 18, LEI 10.833. A redação do artigo 18 da Lei 10.833 não excluiu a multa de oficio quando o lançamento desta natureza tenha como causa a ilegitimidade da compensação artigo 90 da MP 2.15835 mas sim que, nas hipóteses graves arroladas pela norma, o lançamento será da multa isolada, sendo então indevido o lançamento de oficio do principal. Recurso de oficio provido. (gn) COMPENSAÇÃO. Só cabe compensação de valores calcados em decisão judicial se esta tem eficácia na data em que aquela é levada a efeito, desde que comprovada sua certeza e liquidez. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. EFICÁCIA DE NORMA. A norma legal que, condicionada regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produz efeitos. SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Recurso voluntário negado. Acórdão 20309.707 IPI. DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de divida. Nos termos das IN SRF nos 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio, acompanhados da multa de oficio respectiva. Recurso negado Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10325.000771/200420 Acórdão n.º 9303005.142 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial foi admitido conforme Despacho nº 3300000.185, de 27/07/2011 (efls. 4/6). O contribuinte embora devidamente intimado do Acórdão nº 380300.511 e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Edital nº 010/2013 (efl. 1147), não apresentou recurso especial ou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais devendo ser conhecido. Não havendo o contribuinte apresentado qualquer manifestação nos autos em relação ao Acórdão recorrido e ao Recurso Especial da Fazenda nacional, passase então à análise do mérito. Como relatado, a matéria objeto de análise por este Colegiado restringese somente ao auto de infração para cobrança da multa isolada de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, sobre os valores de débitos da Cofins indevidamente compensados com créditos advindos de decisão judicial não passada em julgado, para o período de apuração de 31/10/2003 a 30/06/2004 . A Declaração de Compensação não homologada foi apresentada em 24/09/2004 (efl. 110/114). Pois bem. À época em que foi apresentada a declaração estava vigente a Medida Provisória (MP) n° 2.15835 (DOU de 27.08.2001), que em seu art. 90 assim disponha: Art. 90 Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10325.000771/200420 Acórdão n.º 9303005.142 CSRFT3 Fl. 6 5 decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. De outro lado, a Lei Complementar n° 104/2001 (DOU de 11.01.2001) já havia inserido o artigo 170A no CTN que vedava a compensação mediante a utilização de créditos provenientes de sentença judicial não transitada em julgado, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A multa aplicada pela prática da conduta vedada pelo artigo 170A do CTN c/c com o artigo 90 da MP 2.15835 de 2001 – compensação de tributo mediante aproveitamento de créditos, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial – estava prevista no artigo 18, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (publicada no DOU em 30/12/2003), verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. §1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Assim, temos que a Lei nº 10.833, de 2003, editada por conversão da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (publicada no DOU de 31/10/2003), dispunha no caput do art. 18 as hipóteses em que seria cabível a aplicação da multa isolada de ofício, quais sejam: (a) quando o crédito/débito não for passível de compensação, por expressa determinação legal; (b) quando o crédito não tiver natureza tributária; e Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10325.000771/200420 Acórdão n.º 9303005.142 CSRFT3 Fl. 7 6 (c) quando ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio (art. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/64) Na data da lavratura do auto de infração (04/02/2005), a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já havia sido alterado pela Lei n° 11.051/2004, então restringindo o lançamento da multa isolada em razão de compensação não homologada, como ocorreu no presente caso, apenas nas hipóteses de prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964. Ou seja, apenas aos casos de sonegação, fraude ou conluio no uso da declaração de compensação. Atualmente, o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 limita a imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação "quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". Confirase: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). No caso em tela, portanto, a conduta típica praticada pelo contribuinte, qual seja, a compensação de tributo mediante aproveitamento de créditos antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial, não era mais apenada pelo citado art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já na época em que foi lavrado o auto de infração, como também não o é nos dias atuais. Assim, correto o entendimento adotado no acórdão recorrido, ao excluir a multa de ofício aplicada, por se tratar de matéria de ordem pública, devendo referida penalidade ser afastada, consoante interpretação da CoordenaçãoGeral de Tributação na Solução de Consulta Interna n° 3, de 08 de janeiro de 2004: No julgamento de processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n° 2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundadas nas hipóteses versadas no caput desse artigo. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10325.000771/200420 Acórdão n.º 9303005.142 CSRFT3 Fl. 8 7 Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Pública, mantendo o afastamento da multa de ofício. É como voto. (assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1156DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.001721/2011-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/01/2008
NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO.
Salvo nas hipóteses contempladas no seu parágrafo quarto, dispõe o artigo 16 do Decreto 70.235/72 que a prova documental deve ser apresentada por ocasião da impugnação. Somente naqueles casos em que tal documento tenha a capacidade, por si só, de desconstituir o lançamento é que essa regra pode ser flexibilizada em respeito ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 9303-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Os conselheiros Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen (Suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/01/2008 NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. Salvo nas hipóteses contempladas no seu parágrafo quarto, dispõe o artigo 16 do Decreto 70.235/72 que a prova documental deve ser apresentada por ocasião da impugnação. Somente naqueles casos em que tal documento tenha a capacidade, por si só, de desconstituir o lançamento é que essa regra pode ser flexibilizada em respeito ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Os conselheiros Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen (Suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 17 21 /2 01 1- 18 Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.008 2 Relatório O sujeito passivo acima identificado recorre da decisão proferida pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara (acórdão nº 3403003.179) na parte em que afirmou: Em seu Recurso a Recorrente junta inúmeros TED´s defendendo que a origem dos recursos seria de sua própria titularidade e que os recursos foram transferidos entre contas para cobrir o fechamento do câmbio. Alega, ainda, a Recorrente que tais recursos seriam provenientes de suas próprias operações com venda de mercadorias. Ora, tais documentos deveriam ter sido juntados quando da Impugnação, nos termos do parágrafo 4 , do artigo 16 do Decreto n 70.235/1972, não podendo ser aceitos na presente fase processual. Com base nele mantevese lançamento que imputa à ora recorrente a prática de interposição fraudulenta nas importações, infração tipificada no inciso V do art. 23 do Decretolei 1.455/76, com redação da Lei 10.637/2002 e punida com a perda de perdimento das mercadorias. Não sendo elas encontradas, como no caso, determina o § 3º do mesmo dispositivo sua conversão em pena pecuniária, de valor equivalente ao das mercadorias. A esse entendimento de que não podem ser apresentados documentos após a impugnação a menos das hipóteses previstas no parágrafo 4º do art. 16 do PAF, contrapôs a recorrente decisão vazada nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, no sentido de que se aí se busca descobrir o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Pugna, com base nesse entendimento seja declarada a nulidade da decisão recorrida para que outra seja prolatada com o exame dos documentos juntados se necessário com a realização de diligência que demonstre serem eles suficientes para complementar a comprovação da origem, destinação e transferência dos recursos utilizados nas operações de importação e, assim, desconstituir o lançamento em discussão. È o Relatório. Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.009 3 Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator O recurso foi bem admitido uma vez que comprovada a divergência interpretativa quanto à obrigatoriedade de análise de documentos juntados após a impugnação. Dele conheço. Mas lhe nego provimento. Com efeito, partilho, com reservas, a conclusão do i. relator que me precedeu. A reserva é que sua fundamentação parece ensejar a recusa de tal análise em qualquer circunstância, desde que desatendidos os casos do parágrafo 4º do art. 16 do PAF. Tenho uma posição mais flexível, que admite tal juntada extemporânea quando a documentação tenha a capacidade de demonstrar de forma cabal a improcedência da autuação ou a validade do direito postulado. Tal sucede quando, por exemplo, está em discussão a decadência do fisco e o contribuinte traz, após julgamento de primeiro grau que a tenha afastado por aplicação do art. 173, I, cópia, fornecida pela própria RFB, de DARF de recolhimento. Dois requisitos hão de ser comprovados: em primeiro lugar, que, embora possível, a apresentação não fora feita até a impugnação simplesmente porque nunca antes requerida, isto é, porque o contribuinte não sabia que a deveria apresentar. Em segundo lugar, que ela seja mesmo uma prova, isto é, que não demande providências adicionais, que já poderiam ter sido praticadas tivesse a documentação sido tempestivamente apresentada. O que se quer com isso é evitar a manutenção de exigência flagrantemente descabida, tão só porque uma documentação existente não foi tempestivamente apresentada. É esse, a meu sentir, o alcance máximo do princípio da verdade material, tão caro aos julgadores deste Conselho. Ele não tem, porém, o condão de permitir ao sujeito passivo conduzir a ação fiscal a que esteja submetido. Com isso quero dizer que o primeiro requisito acima indicado impede que o sujeito passivo deixe de colaborar com a fiscalização, durante o processo de apuração da falta, para "resguardarse o direito" de apresentar a documentação necessária "quando melhor lhe aprouver" e queira, com isso esse o segundo requisito que nova apuração tenha início quando a documentação seja apresentada. E é exatamente isso o que ocorre aqui. Com efeito, narra a fiscalização: "... quando do início dos trabalhos da fiscalização e do seu comparecimento ao escritório sede da empresa fiscalizada JET do BRASIL Ltda, no endereço cadastral que mantém informado no CNPJ/MF, solicitouse a presença dos sócios da fiscalizada e do seu representante legal, responsável perante a Receita Federal do Brasil pelas operações de comércio exterior. Na ocasião, a pessoa que primeiramente recebeu a equipe de fiscalização, se identificou como recepcionista da empresa Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.010 4 fiscalizada, havendo nos informado que a empresa estava praticamente desativada e somente ela trabalhava naquele momento. Foi informado que os sócios da fiscalizada não se encontravam no local e que haveria um procurador da empresa que também era o contador que estaria a disposição para atender a fiscalização. Apesar da solicitação do comparecimento dos sócios e do representante legal habilitado para prática dos atos de comércio exterior, estes não foram localizados. O Sr ROBERTSON TSUJI DA CUNHA CPF n° 037.234.41866, se apresentou a Auditoria Fiscal com documento de Procuração firmado pelos sócios da fiscalizada, como sendo o responsável pela contabilidade da fiscalizada, demonstrando ter conhecimento das operações de comércio exterior. O mesmo se prontificou a assinar o Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal e a providenciar a documentação necessária. Todavia a empresa fiscalizada mesmo devidamente intimada, durante todo a período da fiscalização não se fez representar perante esta Auditoria Fiscal por qualquer um de seus sócios ou do representante legal responsável pelas operações de comércio exterior. Decorrido o prazo regulamentar de 20 (vinte) dias constante do Termo de Inicio,os sócios da fiscalizada com poderes de gerência e o responsável pelas transações internacionais e comerciais ao invés de se apresentarem pessoalmente a Repartição Aduaneira, preferiram descumprir tal determinação protocolizando por intermédio de sua advogada Sra. MONICA MOZETIC solicitação de prorrogação de prazo para apresentação dos documentos necessários ao seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias importadas. Para a continuidade aos trabalhos de auditoria fiscal, em 26 de agosto de 2009, foi procedido a lavratura do TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N° 171/10, reintimando a apresentar toda a documentação anteriormente solicitada, concedendose para tanto novo prazo de mais 20 (vinte) dias. Por meio de sua Advogada, anexou apenas uma ínfima parcela da documentação exigida, limitandose a informar que, por motivos supervenientes, não pôde apresentar os demais e necessários documentos exigidos. Tal superveniência não fora devidamente explicada na referida petição. Entretanto a vista de cópia do Boletim de Ocorrência Policial n° 8088/2010, lavrado pela autoridade policial da 1a Delegacia de Polícia da Capital de São Paulo em 31/08/2010, informouse a prática do roubo dos livros e dos documentos fiscais da empresa e outros objetos da empresa fiscalizada. Dessa forma, tendo expirado o prazo de comunicação em 2 de setembro, somente no dia 15 do mesmo mês, a representante da Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.011 5 empresa fiscalizada compareceu a esta repartição aduaneira, não com fim específico de efetuar a referida comunicação como determina a norma, mas sim para tentar justificar a não apresentação dos documentos e demais livros fiscais e comerciais solicitados no Termo de Constatação e Intimação Fiscal de n° 171/2010. Quanto a documentação, de fato, entregue (qual seja, a relação de Dl's, fornecedores e clientes no período, cópia dos contratos de câmbio fechados, o livro de registro de entradas e a cópia da Declaração de Renda Pessoa Jurídica de 2008) cabe, também, destacar: pela falta da apresentação dos documentos fiscais e livros contábeis, não foi possível confirmar a veracidade das informações prestadas nas relações de fornecedores e clientes; da mesma forma, a apresentação isolada dos contratos de câmbio e do livro de registro de entradas não demonstram que a fiscalizada JET DO BRASIL foi a real adquirente das mercadorias, quanto mais não comprova a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à pratica das operações de comercio exterior conforme determina o artigo 4° inciso II da IN/SRF 228/2002. Por fim, importa mencionar que não foram apresentados, também, os extratos bancários da fiscalizada, nos quais poderiam demonstrar a necessária origem de recursos próprios das suas operações de comércio exterior, mormente em se tratando de empresa que se diz adquirente de produtos importados, constituída como Pessoa Jurídica tendo como objeto social a exploração do ramo de importação, exportação, distribuição e comercialização de Equipamentos elétricos de uso pessoal e doméstico, conforme consta do "Extrato dos Arquivos existente na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP. Nesses casos de alegado roubo de livros e documentos sempre fica a pergunta de por que o ladrão os prefere às próprias mercadorias supostamente presentes no estabelecimento. E no caso concreto, mesmo que ele também tenha "roubado" os extratos e demais documentos bancários, se isso impediria a empresa de novamente os requisitar às instituições financeiras de que era cliente. A propósito, em sua impugnação, assume que não o fez para "preservar o seu direito ao sigilo" e porque a fiscalização os poderia requisitar diretamente àquelas instituições. Destarte, o que vislumbro dessa narrativa é que a empresa autuada deliberadamente procura dificultar o trabalho fiscal, ocultandolhe documentação que poderia servir de prova contra si, resguardandose para o fazer apenas após concluídos os trabalhos investigativos, para, de forma seletiva, conduzir o processo em seu benefício. Registro, ademais, que já na própria DRJ explicitouse, minudentemente, em que deveria consistir a prova da origem dos recursos, não tendo ela ficado restrita à falta de apresentação de TEDs, especialmente quando estas são de emissão da própria empresa, que, até Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.012 6 então, não havia comprovado as operações de venda que dessem surgimento aos recursos porventura depositados nas contascorrentes. Sobre o ônus da prova, disse o relator de primeiro grau: (...) O propósito do § 2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, incluído pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, foi justamente propiciar esse mecanismo com a estipulação da figura da prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros a partir da não comprovação pelo importador/exportador da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) A lógica se inverte. Enquanto na efetiva interposição fraudulenta de terceiros, o ônus da prova é da fiscalização que deve demonstrar o sujeito passivo oculto, o perfil de suas transações com a empresa interposta e o dolo cometido mediante fraude ou simulação, na prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros o ônus da prova é do importador/exportador quanto à comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operação de comércio exterior. E sobre o que consistiria tal comprovação: Há que se ter em mente que para fins de comprovação do finaciamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador/exportador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.013 7 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior ou que o volume de suas transações é tamanho que suportaria perfeitamente o dispêndio da importação, como foi alegado pelo impugnante no trecho transcrito a pouco. Isso porque, a princípio pode parecer que a origem lícita do recurso estaria demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele volume de recursos foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.014 8 possuía o recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, ou do volume de transações da empresa sem se ater na demonstração de sua disponibilidade, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o volume dessas transações. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Após essas didáticas e profundas explicações, passa o relator da decisão de piso a analisar aquilo que já fora apresentado pela empresa até a impugnação e a sugerir o que faltara: Por fim, apresenta um quadro às folhas 780 a 783 para a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. (...) O que o quadro demonstra é tão somente o fluxo da mercadoria, que de fato a mercadoria transitou através da empresa JET DO BRASIL e que o ICMS foi pago, o que em momento algum a ação fiscal pôs em dúvida. O quadro traz informação insuficiente sobre o fluxo do dinheiro, que é o fulcro da ação fiscal. Portanto, de nada vale para a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. E prossegue com exemplos que mostram a falta de comprovação da origem na forma já antes explicada: Repasse de recursos para fechamento do câmbio de R$ 37.711,87, às folhas 565: (...) O repasse de recursos ocorre através de um TED de R$ 38.000,00. A origem desse TED não é identificada. (...) Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.015 9 Existência de Saldo na conta BRADESCO para honrar o fechamento do câmbio de R$ 100.353.12, às folhas 4 do Documento 42: (...) A origem desse saldo não é explicada. (...) Repasse de recursos para fechamento do câmbio de R$ 85.464,72, às folhas 568: (...) O repasse de recursos ocorre através de um TED de R$ 327.715,48. A origem desse TED não é identificada. (...) Como se vê, a menção à existência de TEDs no voto da decisão de piso não leva à conclusão de que para aquele julgador tenha fica faltando apresentar a própria TED. O que falta é comprovar a origem dos recurso por meio delas transferidos. A empresa vem alegando que se trata de recursos oriundos das operações comerciais realizadas preteritamente. Cabia a ela, pois, provar essas operações de forma alternativa aos livros supostamente roubados, por exemplo, exibindo os comprovantes bancários dos pagamentos feitos pelos seus clientes. As TEDs juntadas após a impugnação, sozinhas, não têm essa capacidade. Resulta disso tudo que o acatamento do princípio da verdade material neste caso implicaria que à empresa caberia juntar às TEDs apresentadas extemporaneamente os eventuais depósitos de clientes, prévios, vinculando de forma insofismável os recursos empregados nas operações questionadas no auto de infração. Acatar que à fiscalização, agora, caiba fazer isso, por meio de diligência a ser requerida pelo julgador, implica, não fazer valer aquele princípio, mas a verdadeiramente reiniciar toda a ação fiscal já encerrada e, inclusive, sem a certeza de se chegar à buscada comprovação, na medida em que ainda ausentes os tais depósitos. Com essas considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.016 10 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Conforme relatado, tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte buscando a reforma do acórdão nº 3403003.179, que manteve o lançamento tributário e deixou de examinar documentos juntados pela autuada após o prazo para impugnação. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/01/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO EM MULTA. MATÉRIA FÁTICA. A discussão a respeito da interposição fraudulenta, em que se requer a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos é matéria que possui forte embasamento fático ante o contido na legislação, de modo que a Recorrente deve comprovar cabalmente a simples origem de seus recursos para se ver livre da presunção legal contida no parágrafo 2, do artigo 23 do Decretolei n 1.455/1976. Recurso Voluntário Negado. Em seu recurso especial, o Sujeito Passivo pugna pela nulidade da decisão recorrida em razão de alegado cerceamento do direito de defesa, por não terem sido apreciados documentos trazidos aos autos após a impugnação. No entanto, conforme assentado pelo nobre Conselheiro Relator, a pretensão da Contribuinte não merece prosperar. É certo que, com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provias trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10314.001721/201118 Acórdão n.º 9303004.406 CSRFT3 Fl. 2.017 11 O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Ocorre que, no caso dos autos, as circunstâncias demonstram não ser o caso de se aplicar a relativização do princípio da preclusão. Os documentos comprobatórios de seu direito deixaram de ser juntados pela Contribuinte sob o argumento de proteção de seu sigilo e, ainda, porque poderia ter a Fiscalização requisitado diretamente às instituições financeiras os comprovantes da origem dos recursos financeiros utilizados nas operações questionadas. Conforme bem detalhado no voto do Ilustre Relator, a Empresa não pretendia ter nova oportunidade de se desincumbir da prova a ser produzida, mas sim que fosse realizada diligência atribuindo o ônus que era seu à própria Fiscalização. Nessas circunstâncias, não há de se falar na aplicação do princípio da verdade material. Com essas considerações, acompanhouse o voto pelas suas conclusões. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2017DF CARF MF
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