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Numero do processo: 10850.904562/2011-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
:
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado.
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DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 62 /2 01 1- 38 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de n.º 26221.26150.201008.1.1.110719, por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 29.876,47, concernente a COFINS (COFINS NÃO CUMULATIVO MERCADO INTERNO), período de apuração: 2º trimestre de 2006. Por meio de despacho decisório de fl. 7, com fundamento na informação fiscal de fls. 55/57, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do COFINS, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 8), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 09/47, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 7, acompanhado de Informação Fiscal, na qual alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 4 3 (Cofins nãocumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na cumulatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/Cofins nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a freqüência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/Cofins, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da nãocumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 5 4 negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/Cofins nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/Cofins); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/Cofins com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofasia ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/Cofins; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/Cofins, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologada a compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativo às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 6 5 incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Reforça as teses suscitadas na manifestação de inconformidade e insiste que com o art. 17 da Lei n° 11.033/04 reaparece permissão para a mantença dos créditos discutidos e que o art. 16 da Lei nº 11.116/05 permitiu a utilização dos referidos créditos. Questiona o mérito das decisões judiciais colacionadas no acórdão. Argumenta que no caso da recorrente há: a) uma incidência tributária no início da cadeia, com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais alta que a regra geral; b) e também uma incidência tributária nos demais elos da cadeia, igualmente com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais baixa que a da regra geral. Pontua que monofásico seria, como a própria nomenclatura já adianta, só incidir em uma fase, ficando as demais como NT; que não é, como visto, o que ocorre, afinal a contribuinte está também ao alcance das contribuições sociais, apenas com uma alíquota diferenciada. Reitera que monofasia não é alíquota zero citando artigos das Leis 10.865/04 e 10.560/2002. Alega que o acórdão recorrido passou sem maiores análises sobre o fundamental art. 17 da Lei nº 11.033/04, que, por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo que houvesse ao creditamento pretendido. Discorda da tese de que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 não pode prevalecer sobre a vedação. Aduz que o art. 17 só pode se destinar exatamente para os casos que tinham vedação expressa. Os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados. De outro giro, apresenta os contornos das edições da Medidas Provisórias 413 e 451 de 2008, que não foram convertidas em Lei. Por fim, colaciona novamente as premissas legais apresentadas na manifestação de inconformidade e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Para a solução da lide é importante um breve histórico da evolução legislativa em face da tributação das contribuições PIS e Cofins sobre os combustíveis. De imediato, registrese que não há controvérsia em relação ao fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis (gasolina e óleo diesel) a partir da edição da MP 199115, de 10 de março de 2000, e Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que alteraram a redação original da Lei 9.718/98: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Vide arts. 4º e art. 92, da Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 8 7 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III – 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Parágrafo único. Revogado.(Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)" Anotese, por pertinente, que a MP 199115, de 10 de março de 2000 (atual e em vigor MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) em seu art. 43 reduziu a zero as alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os combustíveis vendidos pelos distribuidores e comerciantes, uma vez que se adotou o regime concentrado com alíquotas diferenciadas: Art. 43 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. . Como visto, o regime de substituição tributária nas operações com combustíveis foi extinto a partir da edição da MP 199115/2000 e de suas reedições. Desta forma, o regime em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins passou a ser concentrado, em uma única fase, incidindo apenas sobre a receita de venda das refinarias. Com a instituição da sistemática de incidência nãocumulativa para as contribuições PIS e Cofins, as receitas de venda de combustíveis, inicialmente, não integravam a base de cálculo da contribuição em face de vedação legal, PIS/Pasep: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 66/2002 e da Lei n° 10.637/2002 e Cofins: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 135/2003 e da Lei n° 10.833/2003. Este status foi alterado pela Lei n° 10.865/2004 (DOU 30/4) que permitiu por força do disposto nos artigos 21 e 37, a utilização da sistemática nãocumulativa em relação às receitas da venda de gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e autorizou o aproveitamento dos créditos relativos a tais produtos. Destacase a vedação da utilização de créditos por parte dos revendedores em relação aos produtos adquiridos para revenda, nos termos do art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 10 9 derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)(grifouse) A recorrente insiste que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 alterou esse cenário e por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo ao pretenso crédito. Não assiste razão à recorrente. Este dispositivo legal, abaixo transcrito, não alcança os produtos sujeitos ao regime monofásico. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por força de expresso dispositivo legal (art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003), o regime monofásico não possibilita o creditamento referentes as aquisições de mercadorias para revenda. Tenhase presente que a tributação concentrada nos produtores, importadores e refinarias de petróleo foi uma opção do legislador e não foi modificada pelo citado art. 17. Não se pode perder de vista que o referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004. A exposição de motivos reafirma o caráter meramente interpretativo deste diploma legal: “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” Deste modo, o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 não gerou novas hipóteses de creditamento como quer fazer crer a recorrente. Reiterase que a vedação expressa não foi revogada tacitamente. Interpretação equivocada a da recorrente e que não tem guarita neste Conselho e no Poder Judiciário. Por pertinente, transcrevese a expressão do § 8º da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 11 10 as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.(grifouse). Nesse sentido, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.259.770 PR, assim se pronunciou: COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. REVENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E AUTOPEÇAS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Consoante os precedentes desta Segunda Turma de Direito Tributário do Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa. Precedentes: REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; AgRg no REsp. Nº 1.239.794 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.09.2013. 2. Indiferentes se tornam as alterações efetuadas no art. 8º VII "a" da Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, VII "a" da Lei n.º 10.833/2003 pelo art. 42, III, "c" e "d", da Lei n. 11.727/2008, e pelo art. 21, da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.833/2003 e pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.637/2002, pois a incompatibilidade é dos próprios regimes de tributação. 3. Incompatibilidade que se restringe às mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, não alcançando as atividades empresariais como um todo. 4. Agravo regimental não provido.(grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. Uma interpretação equivocada de um dispositivo legal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, não pode enriquecer ilicitamente parcela dos contribuintes. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza o creditamento dos produtos adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904562/201138 Acórdão n.º 3801003.649 S3TE01 Fl. 12 11 De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que há vedação expressa ao creditamento referente às aquisições de produtos monofásicos destinados à revenda. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações pleiteadas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13005.902408/2009-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE.
O beneficio da denúncia espontânea aplica-se aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quitados a destempo, mas não declarados anteriormente, e antes de qualquer procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3803-006.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a multa de mora. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (REsp nº 1.1148.022). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. O beneficio da denúncia espontânea aplicase aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quitados a destempo, mas não declarados anteriormente, e antes de qualquer procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a multa de mora. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 24 08 /2 00 9- 66 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta contribuinte transmitiu a DComp nº 16089.40256.140906.1.3.043122, em 14 de setembro de 2006, por meio da qual compensou crédito de pagamento a maior de Cofins cumulativa, referente ao período de apuração setembro de 2004, com débitos de Cofins não cumulativa referentes a outubro, novembro e dezembro de 2004. Assim manifestouse o despacho decisório da DRF/Santa Cruz do Sul Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 107.852,08 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original Informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Conquanto tenha reconhecido integralmente o crédito, homologou parcialmente a compensação declarada, em razão da incidência da multa de mora, não adicionada pela Contribuinte ao débito compensado. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 02 a 09, a Interessada alegou, em síntese, que: a) adotou o procedimento adequado em não inserir o valor da multa na compensação declarada, tendo ressaltado que não deve o valor ora cobrado, em vista da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; b) juntamente com a declaração da dívida ocorreu o pagamento. Assim, não se trata de valor declarado e não pago, e nem de valor decorrente de fiscalização; c) afirmou que a lei não estabelece nenhuma formalidade para a concretização do exercício do direito à denúncia espontânea; d) os créditos objeto de compensação são anteriores às datas dos débitos. Considerando, portanto, que as declarações foram retificadas pela cooperativa, apontando os novos débitos, o crédito anteriormente constituído tem o condão de fazer cessar a existência de multa e juros. Em julgamento da lide a DRJ/Salvador entendeu aplicáveis aos débitos compensados a incidência da multa de mora, pelo fato de a DComp ter sido transmitida após os vencimentos dos débitos. Quanto à denúncia espontânea invocada pela Manifestante, sustentou que apenas a responsabilidade por infrações é excluída, o que significa afastar as penalidades Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13005.902408/200966 Acórdão n.º 3803006.521 S3TE03 Fl. 194 3 aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente, não cabendo aplicála à multa de mora, por esta não ter natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas, sim, de indenização. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Cientificada da decisão em 30 de novembro de 2011, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 23 de dezembro de 2011, em que reiterou as mesmas razões de defesa da manifestação de inconformidade, tendo juntado como arrimo jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. O julgamento foi convertido em diligência, para que a Repartição de origem informasse: a) se a confissão dos débitos compensados na Declaração de Compensação sob análise, apurados no regime não cumulativo, foram confessados apenas por meio deste instrumento; b) se há confissão desses débitos por meio de DCTF; c) caso afirmativa a resposta da letra anterior, que anexe aos autos cópias das imagens. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Em resposta à diligência, a DRF/Santa Cruz do Sul registrou na Informação Fiscal: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 "a) Em 15/09/2006, a Interessada apresentou DCTF retificadora (ativa), relativa ao 4º trimestre de 2004, processada sob o n.º 100.0000.2006.1780459489 (fls. 116 183), na qual informou os seguintes débitos: a1) débito de Cofins Não Cumulativa, código de receita 58561, de outubro de 2004, declarado no valor de R$ 76.756,98 (débito apurado), vinculando a compensação feita pela DCOMP n.º 16089.40526.140906.1.3.043122, no valor de R$ 52.007,97 (“Compensação Pagamento Indevido ou a Maior”); a2) débito de Cofins Não Cumulativa, código de receita 58561, de novembro de 2004, declarado no valor de R$ 7.508,36 (débito apurado), vinculando a compensação feita pela DCOMP n.º 16089.40526.140906.1.3.043122, no valor de R$ 7.508,36 (“Compensação Pagamento Indevido ou a Maior”); a3) débito de Cofins Não Cumulativa, código de receita 58561, de dezembro de 2004, declarado no valor de R$ 303.011,35 (débito apurado), vinculando a compensação feita pela DCOMP n.º 16089.40526.140906.1.3.043122, no valor de R$ 50.570,66 (“Compensação Pagamento Indevido ou a Maior”)"; O dito acima está espelhado na imagem abaixo: Com estes dados em vista, cumpre assinalar que a DCTF original informava débitos de Cofins relativas aos mesmos períodos de apuração, porém, ressaltese, apurados no regime cumulativo, código de receita 2172, apurados na forma como segue: a) outubro de 2004, de R$ 170.000,00, com DARF vinculado, fl. 98/99; b) novembro de 2004, de R$ 170.000,00, com DARF vinculado, fl. 99; c) dezembro de 2004, de R$ 303.758,76, com DARF vinculado, fl. 108/109. Tenhase, também, que o crédito utilizado na DComp sob análise, n.º 16089.40526.140906.1.3.043122, de Cofins cumulativa, código de receita 2172, referente ao período de setembro de 2004 , foi reconhecido integralmente. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13005.902408/200966 Acórdão n.º 3803006.521 S3TE03 Fl. 195 5 Destaquese, ainda, que os débitos compensados em 14 de setembro de 2006 (a data consta do número da DComp), portanto fora dos seus prazos de vencimento. E é justo este fato que se torna o motivo da presente lide: se deve ou não incidir a multa de mora na compensação; se aplicase ou não ao caso o instituto da denúncia espontânea. O transcrito da diligência, na letra "a", retro, informa que a DCTF que retifica estes débitos, e que está ativa, foi transmitida em 15 de setembro de 2006, um dia após a compensação. A matéria denúncia espontânea foi objeto de apreciação, pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recursos repetitivos prevista no art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, tendo como paradigma o REsp nº 1.149.022, e devem ser reproduzidos nos julgamentos no âmbito deste Conselho, Vejase a ementa da decisão do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.[grifo aqui] 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008).[grifo aqui] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). No presente caso, os débitos são de Cofins, mas são débitos distintos, de outro regime. O ato de confissão da dívida se dá concomitantemente à extinção dos débitos Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 compensados. O crédito utilizado é existente e foi reconhecido no despacho decisório, sendo insuficiente em razão apenas da aplicação da multa de mora. Assim, considero que a compensação efetuada no molde como aqui se apresenta, enquadrase no paradigma da Corte Superior, ainda quando se trate de compensação. Uma vez reconhecido o crédito, suficiente para a compensação, ele corresponde a pagamento feito em momento antecedente, bem como extingue o débito sob condição resolutiva. Anotese, no caso, que as contribuições retificadas para forma de apuração distinta , estavam pagas a seu tempo no outro regime. Não é o caso mais de aqui discutirse a natureza da multa objeto da desoneração, se indenizatória ou de penalidade, por este debate estar contido na decisão judicial de referência, pois ali trata especificamente da multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, para afastar a aplicação da multa de mora sobre as compensações efetuadas na DComp sob exame. Sala das sessões, 18 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900634/2009-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/01/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar-se os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/01/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitarse os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 34 /2 00 9- 08 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900634/200908 Acórdão n.º 3801004.211 S3TE01 Fl. 238 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900634/200908 Acórdão n.º 3801004.211 S3TE01 Fl. 239 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000705/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE.
A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ.
RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO.
Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder-se à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente.
Numero da decisão: 1301-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que consideravam indevida a glosa de brindes.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa (Suplente convocada), Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder-se à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que consideravam indevida a glosa de brindes. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa (Suplente convocada), Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente).
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INDEDUTIBILIDADE. A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como procederse à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que consideravam indevida a glosa de brindes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 07 05 /2 00 7- 36 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 709 2 (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa (Suplente convocada), Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Fl. 709DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 710 3 Relatório SIEMENS ELETRÔNICA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que indeferiu parcialmente os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM. Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2004, no montante original de R$ 7.482.316,61, com débitos diversos. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo/SP) os indeferiu, conforme descrito no relatório do acórdão recorrido, in verbis: O Parecer DRFB/MNS/SEORT n° 10283.000705/200736 e respectivo Despacho Decisório, de 10/09/2007 (fls.195/201), não reconheceu direito creditório de saldo negativo IRPJ anocalendário 2004 no valor e declarou não homologadas todas as compensações. Ainda segundo o parecer, foram efetuadas as seguintes alterações de valores declarados na DIPJ: • Despesas com brindes, glosa no valor de R$ 5.712.638,13. Deve ser adicionada ao lucro liquido; • Rendimentos de aplicações financeiras, não oferecidos à tributação, no valor de R$ 115.051,61; • Provisões para despesas pendentes, mantidas no passivo (passivo fictício), no valor de R$ 47.428.952,43. Deve ser adicionada ao lucro liquido; • Depreciação de estoque, provocando subavaliação do estoque e aumento do custo, no valor de R$ 11.205.064,01. Deve ser adicionada ao lucro liquido. Em função dos itens supracitados, houve recomposição do lucro real, o qual, com as alterações efetuadas, foi calculado em R$ 135.917.032,15. 0 cálculo do saldo negativo também foi recomposto, tendo sido apurado IRPJ a pagar de R$ 12.504.414,62. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, trazendo,os seguintes argumentos, assim sintetizados pelo acórdão recorrido: 1. Conforme se verifica da DIPJ 2005, anocalendário 2004, em especial pelas informações contidas na ficha 12A (doc.02), a recorrente apurou saldo credor de IRPJ no valor de R$ 7.482.316,61; 2. A recorrente tem com atividade precípua a fabricação de aparelhos de telefonia celular, sendo certo que todos os valores lançados na conta 605320000 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 711 4 referemse a materiais promocionais cedido aos clientes e potenciais clientes com intuito comprovado de incrementar as vendas; 3. Os documentos fiscais a esse respeito revelam que os materiais promocionais são: camiseta de time de futebol com o logotipo da recorrente, porta celular com o logotipo da recorrente, camiseta Siemens Móbile, bolsa com o logotipo da recorrente, cedido pela recorrente a clientes e potenciais clientes visando incrementar as vendas das mercadorias produzidas pela mesma; 4. O Auditor Fiscal não concordou com a contabilização da despesa em questão como dedutível sob a alegação de que se tratava de despesa com brindes que, após o advento da Lei 9.249/95, não é passível de dedução para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda; 5. O Auditor Fiscal sequer analisou as despesas contabilizadas na conta 605320000. Vejase que em nenhum momento foi solicitado recorrente a demonstração dos valores lançados na conta em análise; 6. Assim, sem qualquer base documental, o Auditor Fiscal realizou a recomposição do lucro real, sendo adicionado ao mesmo o montante de R$ 5.712.638,13, correspondente à suposta despesa com brinde; 7. As despesas lançadas na conta 605320000 não se prestaram para lançamentos de brindes, mas sim como material promocional, necessário para o desenvolvimento da atividade da empresa; 8. Atendendo a uma pratica bastante usual do mercado, a recorrente, de forma freqüente, cede a clientes e potenciais clientes, material promocional visando o incremento de suas vendas; 9. Esses materiais visam divulgar e promover os produtos fabricados pela recorrente, possuindo assim relação direta com a atividade desenvolvida pela empresa; 10. Não há qualquer ato de liberalidade na distribuição direcionada dos materiais promocionais. Há, sim, clara expectativa de retorno comercial que a divulgação da marca da recorrente, nos produtos promocionais, junto a uma classe estratégica de pessoas poderá trazer; 11. É exatamente esse o intuito da recorrente, qual seja, por meio de propaganda, divulgar a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado, tratandose de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora de rendimento, enquadrandose tais despesas perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do Decreto n° 3.000/99, que permite a sua dedução; 12. A dedutibilidade das despesas de propaganda na apuração do lucro real, em casos nos quais, como o presente, tais despesas estão essencialmente ligadas As atividades dos contribuintes, é reconhecida pelo E. Conselho de Contribuintes; (transcreve ementa e parte do relatório de acórdão do 1° CC) 13. A norma invocada pelo Auditor Fiscal para dar suporte A glosa das despesas foi introduzida no ordenamento jurídico com o objetivo único de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes que em absolutamente nada se coadunem com suas atividades; 14. Não estamos diante de produto de diminuto valor comercial e que são distribuídos aleatoriamente (Parecer Normativo n° 15/1976). Estamos, sim, diante de Fl. 711DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 712 5 materiais promocionais que são confeccionados com o logotipo da recorrente no intuito único e exclusivo de atingir um público alvo, fomentando cada vez mais as vendas realizadas pela recorrente; 15. A respeito dos rendimentos de aplicações financeiras, o valor representado pelo montante de R$ 115.051,61 foi oferecido à tributação, ao contrário do que afirma o Auditor Fiscal; 16. Como se observa do razão da conta 85720 (juros sobre empréstimo concedido a empresa coligada — doc.04), temse que o valor sob análise faz parte do valor total de juros decorrente de empréstimo à coligada, no valor total de R$ 24.126.075,29; 17. Da análise do valor constante da conta 85720, R$ 24.126.075,29, verifica se claramente que o mesmo é composto pelo seguinte montante: R$ 24.011.023,68 correspondente a rendimentos decorrentes de empréstimo A coligada Siemens Ltda (Sede Central) e o valor de R$ 115.051,62 correspondente a rendimentos em razão de empréstimo á coligada Siemens Serviços Técnicos Ltda; 18. Vejase que o valor objeto de discussão compõe uma parte do montante da conta 85720, que, como bem explicitado pelo ilustre Auditor Fiscal à. f1.198, compuseram a receita financeira que foi devidamente contabilizada e levada a tributação pela recorrente; 19. Pela leitura do trecho do Despacho Decisório sobre as provisões para despesas pendentes, inferese que o Auditor Fiscal, sem qualquer suporte probatório, caracterizou a existência de passivo fictício, o qual autoriza a presunção de omissão de receitas segundo o artigo 281 do RIR199; 20. Está incorreta a caracterização da situação. O que se convencionar chamar de passivo fictício, com base no artigo 281 do RIR199, é o que foi definido, pelo próprio texto normativo, como sendo: "manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada"; 21. Não se pode caracterizar a provisão para despesas pendentes (conta 38400) como sendo passivo fictício, pois não se está falando de obrigação já paga ou exigibilidade que não seja comprovada mantida no passivo; 22. O Conselho de Contribuintes é enfático ao rechaçar ações fiscais como a presente; (transcreve duas ementas de acórdãos do 1° CC e CSRF); 23. A recorrente tem por prática a constituição de provisões operacionais diversas. Estas provisões são indedutiveis na apuração do lucro real; 24. Ciente de suas obrigações, registrou o valor de R$ 47.428.952,53 na conta 38400 e sua conseqüente adição para apuração do lucro real; 25. Simples análise da Parte A e B (docs. 05 e 06) do LALUR do ano calendário 2004 permite facilmente confirmar tal alegação; 26. Ainda que se tratasse de um passivo fictício, referido passivo já estaria tributado na medida em que a adição de tal valor foi feita no lucro real e na CSLL; 27. Quanto à depreciação de estoque, o procedimento adotado pelo Auditor Fiscal não se coadunou com a realidade dos fatos; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 713 6 28. A análise da conta de provisão para perda de estoque (20710) requer a análise da conta 21610, bem como das contas de resultado, despesas, quais sejam, as contas 60810 e 68010; 29. Da análise das fls.181 e seguintes do presente processo, inferese que em 31/12/2004 as contas 20710 e 21610 possuíam, conjuntamente, o saldo de R$ 16.648.496,82; 30. Já os valores das contas de despesas, perfaziam o montante de R$ 16.633.173,74, conforme se observa do razão das contas em análise (doc. 07 e 08); 31. A diferença entre as contas é imaterial e se deve a lançamentos incorretos nessa sistemática; 32. Tendo em vista que as contrapartidas das contas 20710 e 21610 são contas de despesas, e tendo em vista que referidas contas são indedutiveis, foi o valor de R4 16.648.496,82 adicionado ao lucro liquido para formação do lucro real. Tal assertiva é facilmente verificada à fl.181; 33. Tendo em vista a lisura do procedimento adotado pela recorrente, em especial pela adição dos valores que tiveram como contrapartida contas de despesas, não lid como prosperar a adição pretendida pelo Auditor Fiscal; 34. A respeito das estimativas pagas, a recorrente informou em sua DIPJ/2005 o valor de R$ 25.225.316,61, mas, segundo o Auditor Fiscal, o valor correto é de R$ 20.945.982,02; Entretanto, é infundada a alegação do Auditor Fiscal. 0 erro do Auditor Fiscal está na ausência de contabilização do imposto de renda retido na fonte — IRRF, devidamente comprovado por meio dos informes de rendimentos (doc.09) e o valor de R$ 827.414,91 (doc.10), referente A estimativa do mês de agosto/2004; 36. No anocalendário 2004, a recorrente sofreu retenção de IR na fonte no valor total de R$ 4.851.375,66, conforme se verifica da ficha 53 da DIPJ. Desse montante, o valor de R$ 4.496.428,27 foi utilizado para quitação/abatimento do IRPJ mensal por estimativa ( ficha 11 da DIPJ), sendo o restante, R$ 354.945,39, lançado na ficha 12A linha 13 da DIPJ; 37. Entretanto, de forma equivocada, o Auditor Fiscal não considerou o valor do IRRF utilizado para abatimento do IRPJ mensal por estimativa (R$ 4.496.428,27), bem como não computou tal valor como IRRF; 38. Quanto a não contabilização do valor de R$ 827.414,91 referente ao IR — estimativa do mês de agosto/2004, desnecessário maiores comentários, na medida em que o mesmo foi pago por meio de DARF (doc.10); 39. A recorrente não concorda com afixação da taxa SELIC para o cômputo de juros moratórios incidentes sobre o saldo credor em aberto decorrente da não homologação das compensações, pela violação dos princípios da estrita legalidade em matéria tributária, da indelegabilidade de competência e segurança jurídica, além da disposição contida no art.161, §1° do CTN; 40. Requer seja a presente manifestação de inconformidade recebida no seu efeito suspensivo, sendo declarada a improcedência do despacho decisório, com a conseqüente homologação de todas as compensações; Fl. 713DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 714 7 41. Na hipótese de não se entender pela integral homologação das compensações, requerse a exclusão dos juros moratórios calculados com base na SELIC; 42. Protesta a recorrente pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar ainda mais todo o alegado na presente manifestação. A 1 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0112.662, de 04/12/2008, deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: SALDO NEGATIVO IRPJ. Tendo sido apurado saldo negativo IRPJ, homologamse as compensações até o limite do crédito reconhecido. DESPESAS COM BRINDES. Valores gastos pelo contribuinte referentes a bens distribuídos gratuitamente não se caracterizam como despesas com propaganda, mas sim brindes, devendo ser adicionados ao lucro liquido. RECEITAS FINANCEIRAS. Diante da ausência de comprovação de que houve o oferecimento à tributação de receitas financeiras correspondentes a juros sobre empréstimo concedido a coligada, tais valores devem ser adicionados ao lucro liquido. PROVISÃO PARA DESPESAS PENDENTES. Tendo sido comprovada a adição ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, incabível a adição procedida pelo Fisco. DEPRECIAÇÃO DE ESTOQUE. Tendo sido comprovada a adição ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, incabível a adição procedida pelo Fisco. ESTIMATIVAS IRPJ. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Os valores de imposto de renda retido na fonte utilizados como dedução do devido a titulo de estimativa mensal consideramse estimativas efetivamente pagas. Compensação Homologada em Parte O acórdão recorrido acatou grande parte dos argumentos da recorrente, com exceção da adição de glosa de despesas com brindes e de receitas financeiras não oferecidas à tributação e apurou um saldo negativo recomposto no montante de R$ 5.894.271,17. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 715 8 Ciente da decisão de primeira instância em 16/02/2009 e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 17/03/2009, mediante o qual oferece, em síntese, os seguintes argumentos: a) Com relação às despesas no valor de R$ 5.712.638,13, lançadas na escrituração contábil na conta 605320000, glosadas pelo Fisco sob o argumento de se tratarem de despesas com brindes refuta tal enquadramento afirmando trataremse de materiais promocionais cedidos aos clientes e potenciais clientes com intuito de incrementar as vendas b) Que, visando demonstrar a dedutibilidade das despesas com os referidos materiais promocionais, a Recorrente, por ocasião da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, juntou, de forma exemplificativa, cópia dos registros dos documentos fiscais que suportam as despesas escrituradas (doc. 03 acostado à Manifestação de Inconformidade). c) Que com base nos referidos documentos a Recorrente esclareceu, por meio de sua Manifestação de Inconformidade, que as despesas escrituradas eram, de fato, materiais promocionais (camiseta de time de futebol patrocinado pela Recorrente e com o seu logotipo, porta celular com o logotipo da Recorrente, camiseta Siemens Móbile; bolsa com o logotipo da Recorrente, etc.), cedido pela Recorrente a clientes e potenciais clientes visando incrementar as vendas das mercadorias produzidas pela mesma. d) Que, entretanto, na decisão recorrida, o d. Julgador a quo não concordou com a contabilização da despesa em questão como dedutivel sob a alegação de que se tratava de despesa com brindes que, após o advento da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, não é passível de dedução para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda. e) Que , todavia, não pode concordar com a r. Decisão recorrida, uma vez que as despesas lançadas na conta 605320000 não se prestaram para lançamentos de despesas como brindes, mas sim como material promocional, necessário para o desenvolvimento da atividade da empresa. f) Que atendendo a uma prática bastante usual do mercado, de forma freqüente, cede a clientes e potenciais clientes material promocional visando o incremento de suas vendas. g) Que esses materiais visaram divulgar e promover os produtos fabricados pela Recorrente, possuindo assim relação direta com a atividade desenvolvida pela empresa. h) Que, a titulo exemplificativo, junta noticias publicadas por meio da internet nas quais constam algumas promoções realizadas pela empresa visando o incremento de suas vendas, com a distribuição de produtos promocionais, e.g camisa oficial do Real Madrid (doc. 02). i) Que campanhas como estas acima mencionadas são corriqueiramente apresentadas pela Recorrente, nas quais há distribuição de materiais promocionais, bem como a distribuição de diversos prêmios, sempre com o intuito único e exclusivo de fomentar as vendas da companhia. j) Que não há qualquer ato de liberalidade na distribuição direcionada dos materiais promocionais. Há, sim, clara expectativa de retorno comercial que a divulgação da Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 716 9 marca da Recorrente, nos produtos promocionais, junto a uma classe estratégica de pessoas poderá trazer. k) Que o intuito é, por meio de propaganda, divulgar a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado, tratandose de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora de rendimento, enquadrandose tais despesas perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do RIR99, permite a sua dedução. l) Que a dedutibilidade das despesas de propaganda na apuração do lucro real, em casos nos quais, como o presente, tais despesas estão essencialmente ligadas às atividades dos contribuintes, é reconhecida pelo E. Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 10808.421, que transcreve. m) Que a norma invocada pelo Sr. Auditor Fiscal para dar suporte á glosa das despesas foi introduzida no Ordenamento Jurídico com o objetivo único de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes que em absolutamente nada se coadunem com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto social. n) Que neste caso, não estamos diante de produto de diminuto valor comercial e que são distribuídos aleatoriamente (Parecer Normativo n° 15/1976), mas, sim, de materiais promocionais que são confeccionados com o logotipo da Recorrente no intuito único e exclusivo de atingir um público alvo, fomentando, cada vez mais as vendas realizadas pela Recorrente. o) Que não pode deixar de manifestar sua indignação quanto á manutenção, pelo acórdão recorrido, da adição ao lucro liquido dos valores contabilizados na conta contábil 6053200, ao argumento de que "o contribuinte juntou apenas as notas fiscais de entrada dos referidos produtos, inexistindo nos autos as notas fiscais emitidas pelos estabelecimentos vendedores." p) Que é incoerente e sem qualquer fundamento a justificativa apontada pelo acórdão recorrido para fins de manutenção da adição ao lucro liquido de despesas que, pela natureza, são classificadas como material promocional. q) Que, entretanto, visando única e exclusivamente afastar qualquer dúvida quanto aos documentos contábeis até então apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, apresenta as cópias das notas fiscais de aquisição dos produtos promocionais objeto de discussão (doc. 03). r) Que pelo exposto, não procede a glosa das despesas sob análise, uma vez que os gastos incorridos na aquisição dos materiais de propaganda mantém claro vinculo com a atividade desenvolvida pela Recorrente e, portanto, são necessários á manutenção da fonte produtora de rendimentos, sendo, portanto, dedutíveis a teor do que dispõe o art. 366 do RIR. s) Que, com relação à adição ao lucro real, de receitas financeiras no montante de R$ 115.051,61, à despeito de ter demonstrado que havia oferecido tais rendimentos à tributação, o acórdão recorrido manteve a adição com nítida alteração dos fatos que ensejaram tal adição. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 717 10 t) Que a razão da adição pelo despacho decisório do montante de R$ 115.051,61 decorreu do fato de que a Recorrente não havia levado à tributação "juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada Siemens Serviços Técnicos", nada sendo manifestado quanto aos "juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada Siemens Ltda." u) Que, no entanto, resta nítido na decisão recorrida que a manutenção da adição ao lucro liquido do montante de R$ 115.051,61 decorreu do fato de que no ano calendário de 2004 o total de juros recebidos da coligada Siemens Ltda foi de R$ 24.137.685,28 e tal quantia é aproximadamente igual a escriturada pelo contribuinte no Diário Geral a titulo de juros recebidos sobre empréstimos a coligadas R$ 24.126.075,29. v) Que a decisão recorrida alterou, assim, o fundamento do lançamento, o que é vedado pelo art. 145 e 146 do CTN . x) Que visando a demonstrar a lisura do procedimento, reconhece que o valor tributado a título de receitas financeiras decorrentes de empréstimos recebidos da empresa coligada Siemens Ltda, conforme registrado na conta contábil 85720, foi de R$ 24.011.023,68, sendo certo que o valor efetivamente recebido era de R$ 24.137.685,28. z) Que, em conciliação periódica realizada na conta contábil 85720, foi verificado que no mês de dezembro de 2004 havia sido registrado a menor o montante de R$ 126.661,57 correspondente rendimentos com juros sobre empréstimo concedido à Siemens Ltda. (R$ 1.563.492,87 1.690.154,44). aa) Que, em razão do equivoco ocorrido, acabou por adicionar ao lucro liquido o montante em questão (R$ 126.661,57) no período seguinte (docs. 05, 06 e 07). ab) Que, diante de tal fato, na hipótese de não ser acatada a alegação de impossibilidade de alteração do lançamento, caberia ao d. Julgador a quo movimentar, de oficio, a base de cálculo fiscalizada e aquela dos períodos seguintes a fim de cobrar somente encargos acessórios, exclusivamente, se aplicável, com base no Parecer Normativo CST n° 02/96, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes que menciona. ac) Que, assim, não procede a adição do montante referente a rendimentos decorrentes de juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada, uma vez que referido valor foi contabilizado como receita financeira, sendo levado à tributação pela Recorrente. ad) Que não concorda com a fixação dos juros moratórios com base na Taxa Selic, em vista da violação aos princípios da estrita legalidade em matéria tributária (art. 150, I da CF), da indelegabilidade de competência (art. 48, I e 150, I da CF); e segurança jurídica (art. 5° da CF), além da disposição contida no art. 161, § 1° do CTN. ae) Que o valor da multa foi corrigido, aplicandose, para tanto, a taxa Selic, em flagrante descumprimento ás determinações do artigo 61 da Lei 9.430/96. af) Que essa correção não foi efetuada à época do lançamento efetuado pela DRF, tendo em vista consistir em inovação perpetrada após a emissão da decisão de lª Instância. Esse fato, importa salientar, é muito grave, na medida em que altera os critérios jurídicos do lançamento dos encargos acessórios. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 718 11 ag) Que, na remota hipótese de ser mantida a cobrança decorrente do indeferimento das compensações, é mister a exclusão da parcela equivalente A aplicação da taxa Selic sobre a multa. Ao final requer que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações realizadas na sua íntegra. Em 20/10/2009, a recorrente protocolizou requerimento no qual reitera as razões recursais e pede a juntada de decisões proferidas pela Oitava Câmara do Conselho de Contribuintes, com o fim de demonstrar que a autoridade fiscal sequer poderia questionar a dedutibilidade dos custos e despesas nos presentes autos, em que se discute a compensação de imposto, devendo fazêlo em procedimento fiscal próprio. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 719 12 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Portanto, dele conheço. A discussão gira em torno de adições feitas à base de cálculo do IRPJ com vistas à determinação do valor efetivo do saldo negativo de IRPJ. Após o acórdão de primeira instância, remanescem como matéria litigiosas a adição de despesas com brindes e de receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação. Examino inicialmente a questão relativa a adição de despesas com brindes à base de cálculo do IRPJ. A recorrente sustenta que não se trata de despesa com brindes, mas sim de materiais promocionais, com o intuito único e exclusivo de fomentar as vendas da Companhia. Sustenta que não há qualquer ato de liberalidade na distribuição direcionada dos materiais promocionais e que há, sim, clara expectativa de retorno comercial que a divulgação da marca da Recorrente, nos produtos promocionais, junto a uma classe estratégica de pessoas poderá trazer. Alega que o intuito é, por meio de propaganda, divulgar a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado, tratandose de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora de rendimento, enquadrandose tais despesas perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do RIR99, permite a sua dedução. Defende que a dedutibilidade das despesas de propaganda na apuração do lucro real, em casos nos quais, como o presente, tais despesas estão essencialmente ligadas às atividades dos contribuintes, é reconhecida pelo E. Conselho de Contribuintes. Aduz que a norma invocada pelo Fisco para dar suporte á glosa das despesas foi introduzida no Ordenamento Jurídico com o objetivo único de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes que em absolutamente nada se coadunem com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto social e que, neste caso, não estamos diante de produto de diminuto valor comercial e que são distribuídos aleatoriamente (Parecer Normativo n° 15/1976), mas, sim, de materiais promocionais que são confeccionados com o logotipo da Recorrente no intuito único e exclusivo de atingir um público alvo, fomentando, cada vez mais as vendas realizadas pela Recorrente. A discussão passa, portanto, pela identificação da real natureza dos dispêndios, se são brindes ou despesas com propaganda ou promocionais, como defende a recorrente. O acórdão recorrido afastou a hipótese de trataremse tais despesas como propaganda, mediante a análise do art. 366 do RIR/1999, concluindo que: Como se vê, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, as despesas com propaganda admitidas são aquelas referentes a pagamentos efetuados a Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 720 13 empresas jornalísticas, a empresas de radiodifusão ou televisão e despesas pagas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda. Exigese ainda que a empresa beneficiada seja registrada no CNPJ e mantenha escrituração regular. Assim, não se pode aceitar como despesas de propaganda aquelas efetuadas mediante a aquisição de diversos materiais para fins de distribuição gratuita a clientes e potenciais clientes. (...) O Parecer Normativo CST nº 15/1976 analisando a questão da dedutibilidade dos brindes, também se reportava à norma específica do Regulamento do Imposto de Renda então vigente, para definir seu alcance, in verbis: 4. Por sua vez, o art. 191 do Regulamento do Imposto de Renda indica, expressamente, as despesas qualificadas como de propaganda. Correspondem elas a gastos estritamente de natureza publicitária, efetivamente realizadas com profissionais ou empresas especializadas (as despesas de propaganda). No que tange aos brindes, a Solução de Consulta Cosit nº 58/2014, definiu o seu conceito para fins de aplicação do art. 13, inc. VII da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. BRINDES. CONCEITO. Nos termos do art. 13, VII, e do art. 35 da Lei nº 9.249, 16 de dezembro de 1995, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, as despesas com brindes. O termo “brindes” do art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995, referese às mercadorias que não constituam objeto normal da atividade da empresa, adquiridas com a finalidade específica de distribuição gratuita ao consumidor ou ao usuário final, objetivando promover a empresa ou o produto, em que a forma de contemplação é instantânea. Embora possam ser de diminuto ou nenhum valor comercial, como as amostras, conceituadas no art. 54, inciso III, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, destas se diferenciam pois não se tratam de produto, fragmento ou parte de mercadoria em quantidade estritamente necessária a dar a conhecer a sua natureza, espécie e qualidade. (grifei) Do exame dos argumentos e documentos apresentados pela recorrente entendo que a distribuição dos bens adquiridos, com efeito, têm o intuito de promover a empresa e/ou seus produtos e que, evidentemente, tais mercadorias não constituem objeto normal de suas atividades (indústria de eletroeletrônicos). Os documentos (fls.270/379 e 525/656) referemse a canetas, mochilas, cadernos capa dura Claro, relógios, Nécessaire de viagem, Blusas moleton Siemens, camisa Real Madrid, sacolas nylon, porta CD, porta retrato, caderno pequeno, camisas Cruzeiro, porta celular, camiseta gola careca, jaquetas, luvas, kit caneta/chaveiro, conjunto caneta e lapiseira, Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 721 14 microsystem Toshiba, camisa Palmeiras, canecas personalizáves, camisa branca, bolas volley, entre outros produtos. A empresa contabilizou os produtos adquirido na conta 6053200 Brindes prom. Agendas + folhinhas Empr. (cfe. balancete fls. 161) Em que pese a distribuição de tais brindes possa contribuir para a divulgação da marca da empresa, tais dispêndios têm sua dedutibilidade expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995. De se ressaltar que a previsão de dedutibilidade das despesas, para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda, decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência1. A jurisprudência deste conselho é sólida no sentido de manter a glosa das despesas com brindes, a despeito de seu caráter promocional ou de divulgação, como se extrai dos acórdãos, cujas ementas abaixo transcrevo: DESPESAS COM DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A partir do anocalendário de 1996, as despesas com distribuição de brindes, independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade para o incremento da atividade econômica da empresa, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nos termos preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249/1995. (Acórdão 130200.514, de 23/02/2011) DESPESAS COM DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A partir do ano calendário de 1996, as despesas com distribuição de brindes, independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade para o incremento da atividade econômica da empresa, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nos termos preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249/1995. (Acórdão nº 180301.113, de 23/11/2011) 1 TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 15143 RS 2004.71.08.0151435 (TRF4) Data de publicação: 11/10/2006 Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO RETIDO. AUSÊNCIA DE REITERAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. INDEFERIMENTO DA PROVA TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 9.249 /95. CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA. FATO GERADOR DEFINIDO POR LEI ORDINÁRIA. DESPESAS COM BRINDES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. DECRETO 3.000 /99 RIR/99. DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTÍVEIS. ADIANTAMENTO DE COMISSÃO A REPRESENTANTE COMERCIAL. LEI 4.886 /65. CONDUTA DE ACORDO COM O PRINCÍPIO DA BOA FÉ SUBJETIVA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. [...]. O conceito de renda é fixado livremente pelo legislador, segundo considerações pragmáticas, em função da capacidade contributiva e da comodidade técnica de arrecadação. Precedente do Supremo Tribunal Federal.Não havendo um conceito ontológico de renda ou de lucro, pois lucro e renda tributável são conceitos legais, não há falarse em direito constitucional à dedução das despesas com brindes, haja vista que os critérios para dedução são estabelecidos em lei, qual seja, a Lei 9.249 /95.O Código Tributário Nacional descreve apenas a figura do imposto sobre a renda e Proventos de qualquer natureza e estabelece os limites da sua conceituação. A definição do fato gerador desse imposto, no sentido técnico exato do termo, compete à lei federal ordinária, e não complementar como afirmado pela parte. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 722 15 GLOSA DE DESPESAS — BRINDES — por expressa previsão legal, as despesas com brindes, que se caracterizam como um bem oferecido gratuitamente, não são dedutiveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (Acórdão nº 120100.325, de 02/09/2010). BRINDES. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. As despesas com brindes não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real por disposição expressa de lei (art. 13, VII, da Lei 9.249/95) (Acórdão nº 110300.638, de 15/03/2012) DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido são vedadas as deduções de despesas com brindes. (Lei n º 9.249, de 1995, artigo 13, VII).(Acórdão nº 180101.132, de 08/08/2012) Assim, existindo vedação legal expressa, é correta a glosa das despesas com brinde e sua adição à base de cálculo do IRPJ. Ante ao exposto, rejeito as alegações da recorrente neste ponto. Com relação à receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação, a recorrente alega que o acórdão recorrido teria inovado nos fundamentos que determinaram a sua adição ao lucro real, na medida em que restou comprovado que as receitas decorrentes de empréstimos para a empresa coligada Siemens Serviços Técnicos foi devidamente contabilizada e reconhecida no resultado. Não obstante tal comprovação, o acórdão recorrido teria mantido a adição da parcela ao resultado com base no fato de que as receitas financeiras contabilizadas totais, provenientes de empréstimos, correspondem praticamente ao valor declarado em DIRF pela empresa coligada Siemens Ltda. A recorrente informa ainda que, de fato, registrou a menor o valor relativo a receitas de juros sobre empréstimos à coligada Siemens Ltda, no mês de dezembro de 2004, no montante de R$ 126.661,57 e que verificada a falha em conciliação de contas realizada posteriormente, efetuou a correção mediante adição ao lucro do período seguinte. Entendo que, embora a recorrente tenha, de fato, comprovado que registrou contabilmente o valor dos juros recebidos da empresa coligada Siemens Serviços Técnicos, também restou demonstrado pelo seu próprio relato que ofereceu receitas financeiras relativas a empréstimos às coligadas em valor menor que o devido em 2004, de sorte que a adição da diferença correspondente, ao lucro líquido, sob este prisma revelase correta. No caso, o Fisco, por equívoco, entendeu que a diferença à menor referiase ao valor dos juros recebidos da empresa Siemens Serviços Ltda de que resultou na adição da importância de R$ 115.051,61 ao invés de R$ 126.661,57 que seria correto. Não enxergo uma mudança no fundamento da adição levada ao lucro líquido pelo Fisco, porquanto a diferença se refere à receitas financeiras decorrentes de empréstimos à coligadas, independente do rendimento de qual fonte pagadora foi omitido. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 723 16 Alega ainda a recorrente que, tendo oferecido à tributação da diferença no período seguinte, deveria o Fisco ter considerado apenas o efeito da postergação, exigindo exclusivamente os encargos acessórios, com base no Parecer Normativo CST n° 02/96. A recorrente trouxe aos autos cópias dos registros contábeis comprovando ter reconhecido as diferenças no mês de janeiro de 2005 e que apurou lucro tributável naquele exercício (fls. 661 a 674). O Parecer Normativo CST nº 02/1996 ao tratar da postergação de pagamento de tributos, procedido espontaneamente pelo sujeito passivo em período posterior, assim dispôs: 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados, deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. No caso dos autos não se trata de lançamento de diferenças de tributos, mas sim da aferição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição pelo sujeito passivo. De qualquer sorte, o fato da recorrente ter oferecido espontaneamente as diferenças de receitas à tributação em período imediatamente posterior há que ser considerado de forma a evitar o bis in idem. Não tendo havido a constituição do crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste procedimento, caso o contribuinte ainda não tenha pagado tais acréscimos, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente. Desta feita, estando comprovada a postergação do pagamento do imposto devido em face das diferenças identificadas no âmbito do processo de compensação, deve ser excluída a importância de R$ 115.051,61, adicionada à base de cálculo do IRPJ pela autoridade fiscal, com vistas à apuração do saldo de IRPJ a pagar ou a restituir. Assim, impõese recalcular o lucro real que serviu de base para o cálculo do saldo de IRPJ a compensar. Outrossim, ao exame tanto do despacho decisório quanto do acórdão recorrido, verifico que ao procederem ao recálculo do lucro real ambas as decisões incorreram em erro material pois, além das adições dos valores considerados devidos à base de cálculo, adicionaram ainda a diferença que seria devida à título de CSLL. Ora, a CSLL não é dedutível da base de cálculo do IRPJ, conforme dispõe o art. 1º, parágrafo único, da Lei 9.316/96, devendo ser adicionada ao lucro líquido quando dele deduzido, conforme fez corretamente a recorrente em sua DIPJ. No entanto, não há que se adicionar a diferença da CSLL calculada sobre as diferenças tributáveis apuradas, na medida em que tais valores foram apurados pelo próprio Fisco, Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 724 17 extracontabilmente. Ou seja, se as diferenças da CSLL não haviam sido deduzidas no lucro líquido apurado anteriormente (e não o foram) não há porque adicionálas na apuração do Lucro Real (recomposto). Pelo exposto e considerando os demais valores anteriormente reconhecidos, resta apurado o seguinte saldo negativo de IRPJ, conforme tabela abaixo: Lucro Real apurado (DIPJ) 73.486.588,86 Adição das Despesas com Brindes 5.712.638,13 Lucro Real recomposto 79.199.226,99 IR alíquota normal (15%) 11.879.884,05 IR adicional (10%) 7.895.922,70 Total IR devido 19.775.806,75 () Operações caráter cultural/artísitico (200.000,00) () Fundos dos Direitos da Criança (50.000,00) () IRRF (354.945,39) () Estimativas pagas/compensadas (25.225.018,44) Saldo Negativo de IRPJ apurado (6.054.157,08) Assim, tendo em vista que já havia sido reconhecido pelo acórdão recorrido o montante de direito creditório de R$ 5.894.271,17, impõese reconhecer, adicionalmente, o direito creditório de R$ 159.885,91. Por fim, insurgese a recorrente contra a incidência dos juros Selic sobre as parcelas de tributos exigidas em face da não homologação integral dos créditos pleiteados e, ainda, especificamente quanto a incidência dos juros Selic sobre as multas incidentes sobre os tributos. Entendo que tais matérias não integram o litígio, que trata do reconhecimento de direito creditório e conseqüente homologação das compensações pleiteadas. O reconhecimento parcial do crédito e do pedido de compensação tem como consequência a extinção parcial dos débitos confessados e a não extinção dos demais. A exigência dos créditos não extintos pela compensação, consequência direta do indeferimento parcial, do pedido de compensação, juntamente com os demais consectários legais (juros e multa de mora), compete à autoridade administrativa que jurisdiciona a interessada, não cabendo a este colegiado conhecer de tais alegações no âmbito do procedimento de compensação. Pelo exposto, entendo que o recurso não deve ser conhecido, nesta parte. Com relação ao requerimento apresentado pela recorrente em 20/10/2009, no qual pede a juntada de decisões proferidas pela Oitava Câmara do Conselho de Contribuintes, com o fim de demonstrar que a autoridade fiscal sequer poderia questionar a dedutibilidade dos custos e despesas nos presentes autos, em que se discute a compensação de imposto, devendo fazêlo em procedimento fiscal próprio, tratase de argumento novo e extemporâneo, visando a Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10283.000705/200736 Acórdão n.º 1301001.597 S1C3T1 Fl. 725 18 atacar o mérito da demanda, não apresentado nem por ocasião da manifestação de inconformidade, nem no prazo recursal, de modo que dele não conheço. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório adicional de R$ 159.885,91, relativo ao saldo negativo de IRPJ, no anocalendário 2004, e homologar as compensações até o limite do crédito total reconhecido (R$ 6.054.157,08). Sala de Sessões, em 31 de julho de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906636/2010-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O processo foi encaminhado à fiscalização, a qual contatou que houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 06 63 6/ 20 10 -2 8 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906636/201028 Resolução nº 3801000.753 S3TE01 Fl. 3 2 Conseqüentemente, foi refeita a escrita fiscal em decorrência do auto de infração lavrado no processo nº 10830.720891/201166. Diante disso, apenas parte do direito creditório foi reconhecido e parcialmente homologadas as compensações declaradas. Tempestivamente, o sujeito passivo manifestouse reportandose à impugnação do indigitado lançamento argumentando, em síntese, que sua defesa administrativa contra o Auto de Infração culminaria pelo retorno do saldo credor e que, pela decorrente suspensão da exigibilidade dos débitos lançados no processo nº 10830.720891/201166, as compensações declaradas no presente processo deveriam ser homologadas.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de ofício que reduziu o saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.” Após, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual transcreve as alegações apresentadas no processo nº 10830.720891/201166, que trata do auto de infração formalizado para exigência de IPI e consectários legais. Ao final, solicita que “seja acolhido integralmente o Recurso Voluntário interposto, para o fim de serem decretadas insubsistentes as exigências tributárias com o decorrente cancelamento da exigência fiscal, legitimando o procedimento de compensação adotado pela Recorrente...” É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. São apresentados argumentos apenas em relação às exigências contidas no auto de infração, objeto do processo nº 10830.720891/201166. Nada foi dito com relação à DRJ ter assentado não se poder considerar líquidos e certos os créditos pleiteados, o que impediria a homologação da compensação. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906636/201028 Resolução nº 3801000.753 S3TE01 Fl. 4 3 Apesar disto, verifico no voto da decisão recorrida e no recurso voluntário que a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte, de modo que os créditos dos períodos de apuração foram consumidos pelos débitos normais dos períodos e pelos débitos apurados na ação fiscal, tendo concluído a autoridade fiscal pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento nos anos de 2006 a 2010. O pedido de ressarcimento que se discute neste processo fundase em saldo credor da contribuinte que só passou a ser questionado pelo Fisco com a instauração de procedimento fiscal que resultou na lavratura de auto de infração e instauração do processo nº 10830.720891/201166. Assim, a incerteza e a falta de liquidez dos créditos estão baseadas nos fatos e direito discutidos naquele processo administrativo. Não se pode julgar sobre o direito de crédito aqui pleiteado sem o conhecimento do que finalmente decidido no processo administrativo nº 10830.720891/201166. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, verifiquei que foi interposto recurso voluntário contra a decisão de primeira instância proferida naquele processo, logo, ele não se encontra definitivamente julgado na esfera administrativa. Por estas razões, voto por baixar o processo em diligência para que a unidade de origem aguarde decisão administrativa definitiva do CARF no processo administrativo nº 10830.720891/201166; após, junte a estes autos cópias das decisões proferidas pelo CARF naquele processo; finalmente, devolva os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 615DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720162/2009-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Izaak Broder, OAB 17521/BA.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Izaak Broder, OAB 17521/BA. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Izaak Broder, OAB 17521/BA. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). RELATÓRIO Contra a contribuinte DINALVA GOMES LARANJEIRA PIMENTEL, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$174.728,51, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que a contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 16 2/ 20 09 -8 4 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720162/200984 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.090 S2C2T1 Fl. 131 2 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720162/200984 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.090 S2C2T1 Fl. 132 3 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.” Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs, em 11/05/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 86/123, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720162/200984 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.090 S2C2T1 Fl. 133 4 imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720162/200984 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.090 S2C2T1 Fl. 134 5 sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.732210/2011-03
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS. PROCESSOS CONEXOS.
De conformidade com os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos, devendo os processos conexos, decorrentes ou reflexos ser distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.
Numero da decisão: 1803-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, declinar a competência do julgamento do recurso voluntário para a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Vencida a Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva, que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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PROCESSOS CONEXOS. De conformidade com os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos, devendo os processos conexos, decorrentes ou reflexos ser distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, declinar a competência do julgamento do recurso voluntário para a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Vencida a Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva, que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 22 10 /2 01 1- 03 Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.302 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 16081616 , com a exigência do crédito tributário no valor de R$239.298,42, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2006. Consta na Descrição dos Fatos: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE – ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS [PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA UNIVIAS PARTICIPAÇÕES S/A] Falta de contabilização do ganho de capital na alienação/baixa de investimento [...] gerando, em consequência redução indevida do lucro sujeito à tributação.[...] Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 16241655: 1. Introdução [...] Quadro Resumo: A Pedrasul detinha participação na sociedade Univias Participações S/A, que, por sua vez, possuía ações das sociedades Metrovias S/A Concessionária de Rodovias, Convias S/A Concessionária de Rodovias e Sulvias S/A Concessionária de Rodovias, empresas operacionais que exploram complexos rodoviários no Estado do Rio Grande do Sul, sob o regime de concessão pública. O contribuinte fiscalizado alienou sua participação na Univias, se desfazendo, por consequência, da participação indireta que detinha nas concessionárias. Nessa operação auferiu ganho de capital, mas não tributou integralmente esse ganho porque majorou indevidamente o custo de aquisição do investimento, contabilizando equivalência patrimonial decorrente de uma sequência de atos simulados, que buscaram conferir à operação uma aparência (falsa) de reorganização societária. [...] Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 247, art. 248 e art. 251 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.303 3 II O Auto de Infração às fls. 16171623, com a exigência do crédito tributário no valor de R$86.147,42 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurada pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2006. Consta na Descrição dos Fatos: RESULTADOS – APURAÇÃO INCORRETA DE RESULTADOS DA CSLL Falta de contabilização do ganho de capital na alienação/baixa de investimento [...] gerando, em consequência redução indevida do lucro sujeito à tributação.[...] Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 1º da Lei nº 8.034, de 13 de abril de 1990. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 16601697, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos dizendo que a peça de defesa é apresentada tempestivamente e ainda suscitando: Das Alegações Constantes do Auto de Infração [...] A argumentação da fiscalização, baseada em meras suposições e presunções, tem por objetivo desconsiderar a sequência de atos ressaltese, revestidos de legalidade e condizentes com a real intenção das partes envolvidas por meio da alegação de simulação, não obstante a reorganização societária empreendida: Apresentasse propósito negocial, conforme restará cabalmente demonstrado a seguir, o que se depreende ainda pela verificação (a) de adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) da independência das partes envolvidas na operação; (c) da existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor. Tenha ocorrido tal como descrita pela Impugnante, que, agindo de boafé, reportou em seus livros contábeis e fiscais todos os atos executados, bem como autorizou a divulgação pública das bases para realização do negócio, por meio da comunicação ao mercado feita pela Construtora Sultepa S/A (sócia da Univias), acerca da realização do Acordo de Investimentos para admissão de novo investidor e arquivamento desse documento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). [...] Ora, a fiscalização deve estar munida de elementos suficientes para, com precisão, afirmar que a conduta do contribuinte encontrase eivada em vícios. Nesse contexto e, partindo da premissa de ser ônus da Administração a precisa demonstração das circunstâncias fáticas que circulam o objeto da autuação, vale Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.304 4 ressaltar que não há, no caso em tela, elementos suficientes para manutenção do Auto de Infração ora impugnado. Além da alegação de simulação não fundamentada em provas contundentes, mais excessos foram cometidos pelas autoridades fazendárias no exercício do seu poder/dever de fiscalização: foi imposta à Impugnante multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) , em razão do entendimento absurdo de que existiriam "fraude" e "conluio" nas operações realizadas [...]. Considerações Preliminares [...] Resta inequívoca a tentativa da autoridade fiscal de desmoralizar as empresas que participaram da reestruturação societária analisada inclusive a Impugnante, ao vincular a Univias a empresas de fachada, comprovadamente utilizadas como veículos para lesão ao Erário, com o objetivo de deslegitimar a reestruturação societária executada. No entanto, como restará demonstrado a seguir, tais insinuações não merecem e não irão prosperar. Direito Razões de Improcedência do Lançamento Nulidade do Auto de Infração por Incompetência das Autoridades Fiscais Autuantes Antes de tudo, cumpre ressaltar que o auto de infração ora impugnado eiva de nulidade, na medida em que lavrado por auditoresfiscais incompetentes (adstritos à DRF de Porto Alegre/RS), nos termos do que dispõe o art. 59, inciso I do Decreto n° 70.235/1972, com mesma redação prevista no art. 12, inciso I do Decreto n° 7.574/20117. Isso porque o primeiro Termo de Intimação Fiscal que deu inicio à fiscalização (na oportunidade, em face da "Convias"), acarretando na formalização da presente exigência, foi lavrado em Caxias do Sul/RS [...]. E, segundo o comando inserido no art. 38, § 4º do Decreto n° 7.574/2011, "a formalização da exigência (...) previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer" (grifos nossos). Ademais, conforme se infere do Relatório da Ação Fiscal, o evento que trouxe o suposto fato gerador do crédito em cobrança ocorreu perante a Univias, que, por sua vez, foi submetida à fiscalização da DEFIS, em São Paulo, por ser este o local do seu domicílio fiscal. Diante disto, sob qualquer ângulo, tornase inquestionável a incompetência das autoridades fiscais de Porto Alegre/RS para efetuar o lançamento ora impugnado; seja porque não foram estas as que primeiro obtiveram conhecimento da operação societária; seja porque não pertencem ao domicílio fiscal onde ocorreu o fato desconsiderado para fins de tributação. Inexistência de Simulação no Caso em Tela 4.2.1.Conforme mencionado anteriormente, o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado para cobrança do IRPJ e CSLL incidentes sobre ganho de capital supostamente auferido na suposta alienação de ações da Univias. De acordo com o entendimento da fiscalização, o suposto ganho não foi tributado em razão de majoração indevida do custo de aquisição do investimento, pela contabilização de equivalência patrimonial que teria decorrido da sequênciade atos, no entendimento Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.305 5 do Fisco, "simulados, que buscaram conferir à operação uma aparência (falsa) de reorganização societária". [...] Esqueceu a fiscalização de investigar, a fundo, o contexto político e econômico que permeava a admissão da Robina como nova investidora do Consórcio Univias é esse contexto que comprova, de forma inequívoca, a existência de propósito negocial para realização da operação. A fiscalização desconsidera que os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos destes atos (inclusive fiscais), com efetiva vivência das operações praticadas e a assunção dos riscos [...] típicos destes negócios. Nessa linha de raciocínio,cabe ressaltar que: Todos os atos societários e contratuais mencionados no Acordo foram efetivamente executados e arquivados perante as Juntas Comerciais competentes; O bônus de subscrição, que é um instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina. A operação apresentava riscos inerentes e usuais ao tipo de negócio executado a admissão de um novo investidor. Por exemplo, antes do fechamento da operação, foi rescindido o Contrato de Empreitada entre as concessionárias e o Consórcio Construtor Sul, por exigência da nova investidora (primeiro pré fechamento). Isso indica que os controladores da Univias inclusive a Impugnante estavam dispostos a correr o risco de rescindir um contrato em vigor, por exigência da investidora, com o objetivo de dar seguimento à operação o que demonstra a efetiva vivência das operações praticadas. Logo, não se verifica, no caso em tela, os elementos que caracterizam a simulação prevista no art. 167 do Código Civil. De acordo com essa norma, haverá simulação nos negócios jurídicos quando (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; ou (iii) os instrumentos particulares forem antedatados ou pósdatados. Nenhuma dessas hipóteses foi verificada na operação analisada, o que nos leva à única conclusão possível: de que a alegação de simulação que fundamenta a autuação não merece prosperar. Não tendo sido a operação de captação de recursos simulada, improcedente é o argumento da fiscalização no sentido de que o investimento da Pedrasul na Univiasdeveria estar avaliado pelo custo de aquisição, ao mencionar que "a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que considerada sua participação indireta através da CP". Ora, de acordo com o art. 384 do RIR, citado pela própria fiscalização, serão avaliados pelo valor de patrimônio liquido os investimentos relevantes das pessoas jurídicas em sociedades controladas ou em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, sendo certo que "considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócios que lhe assegurem, de modo permanente, a preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores". Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.306 6 Vale mencionar que, ao contrário do que alega a fiscalização, a Impugnante respondeu, em 07/12/2011, [...] o questionamento acerca da utilização do Método de Equivalência Patrimonial para registro do investimento na Univias, nos seguintes termos: "na época, a Construtora Sultepa S/A, companhia aberta, era proprietária de ações da Pedrasul Construtora S/A representativas de mais de 99% do seu capital social. As companhias, portanto, detinham, direta e indiretamente, mais de 30% do capital social da Univias Participações S/A, o que justifica a avaliação do investimento pelo método de equivalência patrimonial." Logo, resta inequívoca a obrigatoriedade de registro do investimento, pela Impugnante, das ações que detinha na Univias, pelo método de equivalência patrimonial. A fiscalização desconsidera ainda a presença, no caso vertente, de todos os elementos [...] que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) o adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) a independência das partes envolvidas na operação; (c) a existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor. [...] Propósito Negocial [...] Ocorre que, no caso em tela, havia motivação extratributária para realização da operação. Dado o contexto político e econômico da época, relacionado à exploração de concessões rodoviárias no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul, era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. [...] Contexto Histórico e Político Relacionado à Exploração de Concessões no Brasil e Rio Grande do Sul [...] Com a promulgação da Lei nº 9.277, em maio de 1996 [...], criouse a possibilidade de Estados, Municípios e Distrito Federal solicitarem a delegação de trechos de rodovias federais para incluílos em seus Programas de Concessão de Rodovias, mediante a celebração de Convênios com a União. [...] O modelo gaúcho baseouse na licitação de polos, que consistiam em pontos centrais para os quais convergiam pelo menos três rodovias com cobrança de pedágio, consolidando um subsidio cruzado, em que as rodovias com menor volume de tráfego eram mantidas, também, por aquelas que apresentam volumes maiores. A tarifa foi determinada pelo poder público, e o vencedor da licitação foi quem ofereceu a maior rede de rodovias a ser atendida no polo. Assim, conforme mencionado anteriormente, em 1998 foram licitados 08 (oito) polos pelo Estado do Rio Grande do Sul, cabendo a Convias, Sulvias e Metrovias aqueles listados a seguir: Concessionária Polo Duração do Contrato Convias Caxias do Sul 15 anos Sulvias Lajeado 15 anos Metrovias Metropolitano 15 anos [...] Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.307 7 [Esclarece que]. parte das rodovias eram federais e tiveram sua administração delegada ao Estado do Rio Grande do Sul em decorrência de convênio firmado com a União, que poderia ser denunciado a qualquer tempo. No ano de 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda. (doravante "CP") pela Impugnante, BGPAR S/A e Construtora Sultepa, com vistas a atuar em um importante projeto licitado em 1997, relacionado à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano vencido pelo Consórcio Metropolo (composto pela CCR Companhia de Concessões e Rodovias e as empresas gaúchas Brasília Guaíba, Sultepa e Toniolo Busnello), mas que, devido a problemas judiciais entre os participantes da licitação, teve retardada a sua homologação, adjudicação e o início da execução dos contratos. [...] Assim, em setembro de 2006, ocorreu a formalização do Acordo de Investimentos, que previa o ingresso da Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para continuidade dos contratos de concessão. [...] Em 2007, a 2ª etapa do referido Programa Federal de Concessões foi lançado, [...] e a OHL – Grupo Espanhol ganhou 05 dos 09 lotes disputados [...]. Isso mudou totalmente a estrutura de capitais para realização desses negócios. [...] O Grupo Univias perdeu escala [...] tornando inviável a sua participação em outras concorrências [...]. Isso resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria Impugnante do Consórcio Univias. Lapso Temporal Razoável entre as Operações Realizadas O elemento temporal costuma definirse, na prática, como uma das circunstâncias que confirmam o propósito negociai de uma transação. [...] A reestruturação societária empreendida tinha verdadeiro cunho de reorganização empresarial, com o objetivo de captação de recursos no mercado, que dependiam da aprovação de terceiros. Nesse contexto, percebese que a realização completa da operação levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial. Assim, a existência de lapso temporal razoável entre as operações realizadas denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto formal. Tratase, por conseguinte, de elemento que indica a validade da reestruturação executada como um instrumento legítimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Independência das Partes Envolvidas na Operação A independência das partes, como requisito que indica a validade das operações que resultam em economia fiscal, está relacionada à investigação das operações ditas "em casa": que não geram quaisquer efeitos econômicos perante terceiros e têm por único objetivo gerar algum benefício fiscal. No caso em tela, resta inequívoco que, não apenas as partes que.subscreveram o Acordo de Investimentos eram independentes, como também as entidades pertencentes à Administração Pública [...]. Assim, a independência das partes envolvidas na operação denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.308 8 formal. Mais um elemento a qualificar a reestruturação executada como um instrumento legitimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Condições Suspensivas para Realização da Operação Conforme se depreende da análise do Acordo de Investimentos, a operação foi dividida em três etapas, denominadas: "primeiro préfechamento". "segundo pré fechamento" e "fechamento". Em cada uma dessas etapas, existiam condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, relacionadas pela própria fiscalização [...]. Tudo isso demonstra que a operação não pode ser qualificada como alienação de investimento, como pretendem as autoridades fazendárias. Observe que, na linha de raciocínio desenvolvida pela fiscalização, a subscrição da totalidade do bônus pela Robina, parte em moeda corrente (R$17.182.189,61), parte em nota promissória (R$99.656.699,74), corresponderia, na verdade, à aquisição de participação societária e pagamento do preço, o que vai de encontro à possibilidade de rescisão do Acordo [...]. Assim, a existência de condições suspensivas para realização da operação e previsão de rescisão contratual,caso não observadas as condições precedentes, revela a verdadeira natureza jurídica do Acordo de Investimentos: um instrumento que permitia, mediante o cumprimento de certos requisitos, o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Inexistência de Fraude e Conluio na Operação: Impossibilidade de Qualificação da Multa [...] A essência comum à fraude, sonegação e conluio, que ensejam a aplicação de multa qualificada,é a tentativa dolosa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de enganar o Fisco. [...] Podese dizer que quando o contribuinte praticar negócio licito e feito às claras poderá ser aplicada multa qualificada prevista no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9.430/96, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, de modo a impedir que a Administração Tributária tome conhecimento dos mesmos. Diante de todos os argumentos aduzidos acima, ao contrário do que alega a fiscalização, não há como se cogitar de fraude na operação: A uma, pois, de fato, todas as operações das quais a Impugnante tomou parte eram licitas e foram devidamente escrituradas nos documentos, livros e declarações fiscais obrigatórios. Logo, não houve qualquer intenção dolosa da Impugnante em ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas, uma vez que tais efeitos foram reconhecidos em sua contabilidade e reportados ao Fisco nas Declarações pertinentes; A duas, pois além de terem sido devidamente contabilizadas e reportadas nas Declarações Fiscais, o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A (companhia de capital aberto), em 28 de setembro de 2006, por exigência regulamentar da CVM. Tal Comunicado, além de Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.309 9 ter sido publicado em jornais de grande circulação à época, encontrase disponível no site da BOVESPA [...]. A três, pois, além de ter se tornado público através do Comunicado ao Mercado feito pela Sultepa, o Acordo de Investimentos encontravase registrado no CADE, bastando um simples requerimento por parte da fiscalização para disponibilização desse documento por aquele órgão. A quatro, pois, ao contrário do que entende o Fisco, o Acordo de Investimentos supostamente "sonegado" revela verdadeiramente que o objetivo da operação consistia em receber um novo "investidor" (como foi denominada a Robina no Acordo) e não alienar as ações. Isso se comprova (i) pela existência de diversas condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor, conforme demonstrado anteriormente; (ii) pela participação de entidades da Administração Pública, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Sul (DAER/RS), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) , que deveriam concordar com a admissão do novo investidor, sob pena do desfazimento do negócio o que, por si só, já serviria como indício de legitimidade da operação. Assim, o Acordo de Investimentos não expõe a simulação como quer fazer crer o Fisco, mas corrobora que a reestruturação societária engendrada para admissão do novo sócio era legitima e válida; A cinco, pois, embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado pela Impugnante, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela fiscalização, foram devidamente apresentados o que afasta qualquer insinuação da fiscalização no sentido de que houve a tentativa de ocultação dos fatos por parte da Impugnante. Ademais, vale lembrar que o Acordo de Investimentos não é um documento de guarda obrigatória por parte das suas signatárias, ao contrário dos documentos societários e contratuais que dão forma aos atos nele descritos os quais servem como base para os lançamentos contábeis e reportes nas Declarações fiscais pertinentes, e que foram devidamente apresentados à fiscalização. Nessa linha de raciocínio, não se pode perder de vista que a obrigatoriedade de prestar informações à fiscalização se limita à apresentação dos livros fiscais e documentos previstos em normas legais o que impede o Fisco de aplicar qualquer sanção ao contribuinte por não ter prestado as informações que lhe foram requeridas e que extrapolaram a legalidade. Em última análise, os pedidos de esclarecimentos que extrapolam a legalidade, exigindo informações e documentos que não aqueles exigidos por lei, são claras tentativas de inverter o ônus da prova no processo administrativo fiscal o que é repudiado [...]. A seis, pois não houve qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que a mesma teve acesso ao Acordo de Investimentos através da Metrovias, conforme mencionado em seu próprio Relatório Fiscal, [...]. Por fim, não há como se cogitar de conluio na operação, para execução da fraude alegada pela fiscalização. Essa é a única conclusão possível para o caso em tela, tendo em vista que a outra parte signatária do Acordo de Investimentos Metrovias (na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo sido a fiscalização encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.310 10 atinente à legitimidade da operação (que, ressaltese, é a mesma, para ambas as partes) [...]. Assim, não há como se entender que uma mesma operação é válida e legítima para uma parte (no caso, a Metrovias, na qualidade de sucessora da Robina e Univias), mas inválida e fraudulenta, celebrada em conluio para a outra parte (no caso, a Impugnante). A acolhida dessa alegação representaria violação frontal ao princípio da confiança legítima que rege as relações entre Fisco e contribuinte, por frustrar a legítima expectativa da Impugnante de ver reconhecida a legitimidade da operação ora analisada, já reconhecida pelo Fisco em oportunidade anterior, ao encerrar a fiscalização da Metrovias sem questionar esse aspecto da operação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, a Impugnante requer: (i)seja reconhecida a prejudicial de mérito, declarandose a nulidade do lançamento, eis que efetuado por autoridade incompetente para tanto; (ii) no mérito, seja acolhida a presente impugnação, paia que o lançamento em questão seja definitivamente cancelado em razão da sua evidente improcedência, com o consequente arquivamento do feito; (iii) ou, caso assim não entenda V.Sa., ao menos, seja excluída da autuação a multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), em razão de a Impugnante não ter concorrido em qualquer das hipóteses para sua imposição. A Impugnante protesta pela posterior produção de todas as provas admitidas em âmbito administrativo, inclusive, a produção de prova pericial. Por fim, o representante legal da Impugnante declara, sob pena de responsabilidade pessoal, serem autênticas as cópias acostadas a esta impugnação, bem como os documentos extraídos dos respectivos sites da internet. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 38.159, de 26.04.2012, fls. 21392158: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ/CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL AUTUANTE. INOCORRÊNCIA A competência territorial do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é nacional. Informações colhidas em procedimentos fiscais podem ser compartilhadas entre as diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente da sua jurisdição territorial. No caso dos autos, os fatos que deram origem ao lançamento foram identificados em jurisdição diversa da jurisdição do contribuinte, entretanto, foi a Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.311 11 autoridade administrativa de sua jurisdição que primeiro tomou conhecimento da infração (não tributação do ganho de capital) e efetuou o lançamento. IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. A alienação de participação societária utilizandose de artifícios que, ao final, resultaram em redução do ganho de capital obtido na operação, deve ser desconsiderada, recompondose as bases de cálculo desconsiderandose os fatos dissimulados. IRPJ/CSLL MULTA AGRAVADA É cabível o agravamento da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo visando o escamoteamento da base de cálculo tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada eletronicamente em 29.05.2012, fl. 2164, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.06.2012, fls. 21652205, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade, inclusive no que se refere à apresentação da peça de defesa dentro do prazo legal. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Faz um resumo dos fatos e acrescenta que: A argumentação da fiscalização, baseada em meras suposições e presunções, tem por objetivo desconsiderar a sequência de atos ressaltese, revestidos de legalidade e condizentes com a real intenção das partes envolvidas – por meio da alegação de simulação, não obstante a reorganização societária empreendida: Apresentasse notável propósito negocial, conforme restará cabalmente demonstrado a seguir, o que se depreende ainda pela verificação (a) de adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) da independência das partes envolvidas na operação; (c) da existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor; Tenha ocorrido tal como descrita pela Recorrente, que, agindo de boafé, reportou em seus livros contábeis e fiscais todos os atos executados, bem como autorizou a divulgação pública das bases para realização do negócio, por meio da comunicação ao mercado feita pela Construtora Sultepa S/A (sócia da Univias), acerca da realização do Acordo de Investimentos para admissão de novo investidor e arquivamento desse documento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). [...] A simulação ora alegada é baseada em meras suposições e presunções, não comprovadas. [...] Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.312 12 Com isso, muitas das vezes o Fisco acaba por violar o comando inserto no art. 110 do CTN, o que, definitivamente, não deixou de ocorrer no caso concreto, na medida em que admite a legalidade da operação sob a égide do direito societário e administrativo, mas, ao mesmo tempo, a repudia sob o ponto de vista fiscal [...] [ou seja] a validade da operação sob o aspecto tributário [...]. Nunca é demais repetir que se o Fisco não atender ao seu duplo ônus de prova, se não demonstrar a qualificação jurídica pertinente ou se houver um insuperável empate (...), o critério de decisão do caso deve ser o de prestigiar a liberdade de o contribuinte organizar seus negócios [...]. Ora, a fiscalização deve estar munida de elementos suficientes para, com precisão, afirmar que a conduta do contribuinte encontrase eivada em vícios [fraude e concluio]. Nesse contexto, partindo da premissa de ser ônus da Administração a precisa demonstração das circunstâncias fáticas que circulam o objeto da autuação, vale ressaltar que não há, no caso em tela, elementos suficientes para manutenção do presente Auto de Infração.[...] Cumpre ressaltar que as consequências decorrentes do agravamento da penalidade não se limitam ao seu caráter financeiro, já que, nesses casos, exigese da autoridade fazendária a elaboração de representação fiscal para fins penais ao Ministério Público, com a consequente abertura de processo criminal contra o contribuinte. Logo, é mandatório que a imposição de multa qualificada pelo Fisco decorra de uma análise minuciosa dos elementos caracterizadores da sonegação, fraude ou conluio (fatos que ensejam tal qualificação) o que não ocorreu no caso em tela [...]. Apesar de todo o exposto, a 1ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem manter o lançamento operado nos autos, e assim, julgar improcedente a Impugnação, com base nos mesmos argumentos utilizados no Relatório Fiscal do Auto de Infração Assim, resta inconteste a robusta prova documental carreada à Impugnação, assim como incontroversos os fatos notórios que traduzem, por exemplo, o contexto histórico e político da exploração das concessões no Rio Grande do Sul à época dos fatos, de modo a evidenciar o real propósito negocial da operação societária tratada nos autos. [...] Considerações Preliminares [...] A relação Fisco e contribuinte é norteada pelo principio da boafé, o que impede a presunção, a priori, de que a atuação do contribuinte que resulte em economia fiscal é ilegítima, desleal e tem por propósito lesar o Fisco [...] Além da infundada alegação de simulação, associada à tentativa de qualificação da multa mediante a caracterização de fraude e conluio na operação, a autoridade fiscal tenta "demonizar" as partes envolvidas na reestruturação societária analisada, ao insinuar que a Univias Participações S/A estaria inserida em operações de fraudes e lesões ao Erário [...]. Diante do exposto, resta inequívoca a tentativa da autoridade fiscal de desmoralizar as empresas que participaram da reestruturação societária analisada inclusive a Recorrente, ao vincular a Univias a empresas de fachada, comprovadamente utilizadas como veículos para lesão ao Erário, com o objetivo de deslegitimar a reestruturação societária executada. Direito Razões de Improcedência do Lançamento Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.313 13 Inexistência de Simulação no Caso em Tela [...] O Auto de Infração ora guerreado foi lavrado para cobrança do IRPJ e CSLL incidentes sobre ganho de capital supostamente auferido na alienação de ações da Univias. De acordo com o entendimento da fiscalização, o suposto ganho não foi tributado em razão de majoração indevida do custo de aquisição do investimento, pela contabilização de equivalência patrimonial que teria decorrido da sequência de atos, no entendimento do Fisco, "simulados, que buscaram conferir à operação uma aparência (falsa) de reorganização societária". A alegação de simulação pela fiscalização está fundamentada aos seguintes argumentos: "A utilização do bônus de subscrição como recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias, por equivalência registrada em 31/12/06, seguido de resgate de ações em 28/03/07, caracteriza uma distorção daquele instrumento de direito societário". "A simulação se torna irrefutável diante do Acordo de Investimentos e Outros Pactos, firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou investidor, como foi denominada a Robina no acordo), mas sim de se retirar da Univias e, indiretamente, alienar sua participação nas concessionárias". "A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. (...) A distorção na utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos". Em síntese, nos dizeres do próprio Fisco, "tratase, portanto, de uma sequência de atos simulados, envolvendo a distorção da figura do bônus de subscrição (instrumento que deveria estar associado a uma verdadeira capitalização), seguida da utilização indevida de equivalência patrimonial e de mútuo fictício, tudo previamente descrito em pseudo acordo de investimentos". [...] A fiscalização desconsidera que os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos destes atos(inclusive fiscais), com efetiva vivência das operações praticadas e a assunção dos riscos e efeitos típicos destes negócios. Nessa linha de raciocínio, cabe ressaltar que: Todos os atos societários e contratuais mencionados no Acordo foram efetivamente executados e arquivados perante as Juntas Comerciais competentes; O bônus de subscrição, que é um instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina. A operação apresentava riscos inerentes e usuais ao tipo de negócio executado a admissão de um novo investidor. Por exemplo, antes do fechamento da operação, foi ^rescindido o Contrato de Empreitada entre as concessionárias e o Consórcio Construtor Sul, por exigência da nova investidora (primeiro pré fechamento). Isso comprova que os controladores da Univias inclusive a Recorrente estavam dispostos a correr o risco de rescindir um contrato em vigor, por exigência Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.314 14 da investidora, com o objetivo de dar seguimento à operação o que demonstra a efetiva vivência das operações praticadas. Logo, não se verifica, no caso em tela, os elementos que caracterizam a simulação prevista no art. 167 do Código Civil. De acordo com essa norma, haverá simulação nos negócios jurídicos quando (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira ou (iii) os instrumentos particulares forem antedatados ou pósdatados. Nenhuma dessas hipóteses foi verificada na operação analisada como um todo, tampouco no que diz respeito ao mútuo concedido aos sócios, pois estes, diferentemente do que dispõe a norma do citado art. 167, foram de fato quem receberam o valor do empréstimo, na data em que registrado, e diante de uma necessidade momentânea, já que haviam investido muito naquela empresa, e, posteriormente, o quitaram quando de suas retiradas da sociedade. 0 que nos leva à única conclusão plausível: de que a alegação de simulação que fundamenta a autuação não merece prosperar. [...] Não tendo sido a operação de captação de recursos simulada, improcedente é o argumento da fiscalização no sentido de que o investimento da Pedrasul na Univias deveria estar avaliado pelo custo de aquisição, ao mencionar que "a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que considerada sua participação indireta através da CP" [...]. Vale mencionar que, ao contrário do que alega a fiscalização, a Recorrente respondeu, em 07/12/2011, [...] o questionamento acerca da utilização do Método de Equivalência Patrimonial para registro do investimento na Univias, nos seguintes termos: "na época, a Construtora Sultepa S/A, companhia aberta, era proprietária de ações da Pedrasul Construtora S/A representativas de mais de 99% do seu capital social. As companhias, portanto, detinham, direta e indiretamente, mais de 30% do capital social da Univias Participações S/A, o que justifica a avaliação do investimento pelo método de equivalência patrimonial." Logo, resta inequívoca a obrigatoriedade de registro do investimento, pela Recorrente, das ações que detinha na Univias, pelo método de equivalência patrimonial. A fiscalização desconsidera ainda a presença, no caso vertente, de todos os elementos [...] que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) o adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) a independência das partes envolvidas na operação; (c) a existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor. [...] Propósito Negocial [...] Ocorre que, no caso em tela, havia motivação extratributária para realização da operação. Dado o contexto político e econômico da época, relacionado à exploração de concessões rodoviárias no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul, era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. [...] Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.315 15 Contexto Histórico e Político Relacionado à Exploração de Concessões no Brasil e Rio Grande do Sul [...] Com a promulgação da Lei nº 9.277, em maio de 1996 [...], criouse a possibilidade de Estados, Municípios e Distrito Federal solicitarem a delegação de trechos de rodovias federais para incluílos em seus Programas de Concessão de Rodovias, mediante a celebração de Convênios com a União. [...] O modelo gaúcho baseouse na licitação de polos, que consistiam em pontos centrais para os quais convergiam pelo menos três rodovias com cobrança de pedágio, consolidando um subsidio cruzado, em que as rodovias com menor volume de tráfego eram mantidas, também, por aquelas que apresentam volumes maiores. A tarifa foi determinada pelo poder público, e o vencedor da licitação foi quem ofereceu a maior rede de rodovias a ser atendida no polo. Assim, conforme mencionado anteriormente, em 1998 foram licitados 08 (oito) polos pelo Estado do Rio Grande do Sul, cabendo a Convias, Sulvias e Metrovias aqueles listados a seguir: Concessionária Polo Duração do Contrato Convias Caxias do Sul 15 anos Sulvias Lajeado 15 anos Metrovias Metropolitano 15 anos [...] [Esclarece que]. parte das rodovias eram federais e tiveram sua administração delegada ao Estado do Rio Grande do Sul em decorrência de convênio firmado com a União, que poderia ser denunciado a qualquer tempo. No ano de 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda. (doravante "CP") pela Recorrente, BGPAR S/A e Construtora Sultepa, com vistas a atuar em um importante projeto licitado em 1997, relacionado à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano vencido pelo Consórcio Metropolo (composto pela CCR Companhia de Concessões e Rodovias e as empresas gaúchas Brasília Guaíba, Sultepa e Toniolo Busnello), mas que, devido a problemas judiciais entre os participantes da licitação, teve retardada a sua homologação, adjudicação e o início da execução dos contratos. [...] Assim, em setembro de 2006, ocorreu a formalização do Acordo de Investimentos, que previa o ingresso da Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para continuidade dos contratos de concessão. [...] Em 2007, a 2ª etapa do referido Programa Federal de Concessões foi lançado, [...] e a OHL – Grupo Espanhol ganhou 05 dos 09 lotes disputados [...]. Isso mudou totalmente a estrutura de capitais para realização desses negócios. [...] O Grupo Univias perdeu escala [...] tornando inviável a sua participação em outras concorrências [...]. Isso resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria Recorrente do Consórcio Univias. Lapso Temporal Razoável entre as Operações Realizadas O elemento temporal costuma definirse, na prática, como uma das circunstâncias que confirmam o propósito negociai de uma transação. [...] Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.316 16 A reestruturação societária empreendida tinha verdadeiro cunho de reorganização empresarial, com o objetivo de captação de recursos no mercado, que dependiam da aprovação de terceiros. Nesse contexto, percebese que a realização completa da operação levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial. Assim, a existência de lapso temporal razoável entre as operações realizadas denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto formal. Tratase, por conseguinte, de elemento que indica a validade da reestruturação executada como um instrumento legítimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Independência das Partes Envolvidas na Operação A independência das partes, como requisito que indica a validade das operações que resultam em economia fiscal, está relacionada à investigação das operações ditas "em casa": que não geram quaisquer efeitos econômicos perante terceiros e têm por único objetivo gerar algum benefício fiscal. No caso em tela, resta inequívoco que, não apenas as partes que.subscreveram o Acordo de Investimentos eram independentes, como também as entidades pertencentes à Administração Pública [...]. Assim, a independência das partes envolvidas na operação denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto formal. Mais um elemento a qualificar a reestruturação executada como um instrumento legitimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Condições Suspensivas para Realização da Operação Conforme se depreende da análise do Acordo de Investimentos, a operação foi dividida em três etapas, denominadas: "primeiro préfechamento". "segundo pré fechamento" e "fechamento". Em cada uma dessas etapas, existiam condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, relacionadas pela própria fiscalização [...]. Tudo isso demonstra que a operação não pode ser qualificada como alienação de investimento, como pretendem as autoridades fazendárias. Observe que, na linha de raciocínio desenvolvida pela fiscalização, a subscrição da totalidade do bônus pela Robina, parte em moeda corrente (R$17.182.189,61), parte em nota promissória (R$99.656.699,74), corresponderia, na verdade, à aquisição de participação societária e pagamento do preço, o que vai de encontro à possibilidade de rescisão do Acordo [...]. Assim, a existência de condições suspensivas para realização da operação e previsão de rescisão contratual,caso não observadas as condições precedentes, revela a verdadeira natureza jurídica do Acordo de Investimentos: um instrumento que permitia, mediante o cumprimento de certos requisitos, o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.317 17 Inexistência de Fraude e Conluio na Operação: Impossibilidade de Qualificação da Multa [...] A essência comum à fraude, sonegação e conluio, que ensejam a aplicação de multa qualificada,é a tentativa dolosa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de enganar o Fisco. [...] Podese dizer que quando o contribuinte praticar negócio licito e feito às claras poderá ser aplicada multa qualificada prevista no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9.430/96, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, de modo a impedir que a Administração Tributária tome conhecimento dos mesmos. Diante de todos os argumentos aduzidos acima, ao contrário do que alega a fiscalização, não há como se cogitar de fraude na operação: A uma, pois, de fato, todas as operações das quais a Recorrente tomou parte eram licitas e foram devidamente escrituradas nos documentos, livros e declarações fiscais obrigatórios. Logo, não houve qualquer intenção dolosa da Recorrente em ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas, uma vez que tais efeitos foram reconhecidos em sua contabilidade e reportados ao Fisco nas Declarações pertinentes; A duas, pois além de terem sido devidamente contabilizadas e reportadas nas Declarações Fiscais, o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A (companhia de capital aberto), em 28 de setembro de 2006, por exigência regulamentar da CVM. Tal Comunicado, além de ter sido publicado em jornais de grande circulação à época, encontrase disponível no site da BOVESPA [...]. A três, pois, além de ter se tornado público através do Comunicado ao Mercado feito pela Sultepa, o Acordo de Investimentos encontravase registrado no CADE, bastando um simples requerimento por parte da fiscalização para disponibilização desse documento por aquele órgão. A quatro, pois, ao contrário do que entende o Fisco, o Acordo de Investimentos supostamente "sonegado" revela verdadeiramente que o objetivo da operação consistia em receber um novo "investidor" (como foi denominada a Robina no Acordo) e não alienar as ações. Isso se comprova (i) pela existência de diversas condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor, conforme demonstrado anteriormente; (ii) pela participação de entidades da Administração Pública, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Sul (DAER/RS), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) , que deveriam concordar com a admissão do novo investidor, sob pena do desfazimento do negócio o que, por si só, já serviria como indício de legitimidade da operação. Assim, o Acordo de Investimentos não expõe a simulação como quer fazer crer o Fisco, mas corrobora que a reestruturação societária engendrada para admissão do novo sócio era legitima e válida; Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.318 18 A cinco, pois, embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado pela Recorrente, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela fiscalização, foram devidamente apresentados o que afasta qualquer insinuação da fiscalização no sentido de que houve a tentativa de ocultação dos fatos por parte da Recorrente. Ademais, vale lembrar que o Acordo de Investimentos não é um documento de guarda obrigatória por parte das suas signatárias, ao contrário dos documentos societários e contratuais que dão forma aos atos nele descritos os quais servem como base para os lançamentos contábeis e reportes nas Declarações fiscais pertinentes, e que foram devidamente apresentados à fiscalização. Nessa linha de raciocínio, não se pode perder de vista que a obrigatoriedade de prestar informações à fiscalização se limita à apresentação dos livros fiscais e documentos previstos em normas legais o que impede o Fisco de aplicar qualquer sanção ao contribuinte por não ter prestado as informações que lhe foram requeridas e que extrapolaram a legalidade. Em última análise, os pedidos de esclarecimentos que extrapolam a legalidade, exigindo informações e documentos que não aqueles exigidos por lei, são claras tentativas de inverter o ônus da prova no processo administrativo fiscal o que é repudiado [...]. A seis, pois não houve qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que a mesma teve acesso ao Acordo de Investimentos através da Metrovias, conforme mencionado em seu próprio Relatório Fiscal, [...]. Por fim, não há como se cogitar de conluio na operação, para execução da fraude alegada pela fiscalização. Essa é a única conclusão possível para o caso em tela, tendo em vista que a outra parte signatária do Acordo de Investimentos Metrovias (na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo sido a fiscalização encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto atinente à legitimidade da operação (que, ressaltese, é a mesma, para ambas as partes) [...]. Assim, não há como se entender que uma mesma operação é válida e legítima para uma parte (no caso, a Metrovias, na qualidade de sucessora da Robina e Univias), mas inválida e fraudulenta, celebrada em conluio para a outra parte (no caso, a Recorrente). A acolhida dessa alegação representaria violação frontal ao princípio da confiança legítima que rege as relações entre Fisco e contribuinte, por frustrar a legítima expectativa da Recorrente de ver reconhecida a legitimidade da operação ora analisada, já reconhecida pelo Fisco em oportunidade anterior, ao encerrar a fiscalização da Metrovias sem questionar esse aspecto da operação. Conclusão Diante de tais considerações, temse que a autuação guerreada pautouse, única e exclusivamente, em um suposto abuso de direito, eis que toda a operação societária tida como "simulada" encontrase em absoluta conformidade com os ditames legais. Nesse aspecto, aduz o acórdão recorrido que "o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito" (fl. 2155). E, exatamente sobre o mesmo tema, expôs com precisão esse E. Conselho administrativo: "Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.319 19 conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado à lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, adotandose o entendimento já manifestado por este E. Conselho no Acórdão n° 110100.708 [...], com vistas à uniformização de sua jurisprudência acerca da matéria, requer a Recorrente: (i)seja encaminhado o presente recurso para relatoria da i. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, por motivo de prevenção em razão da distribuição do recurso voluntário interposto por BGPAR S/A (registrado no CARF sob o n° 943.533) no processo n° 110080.731774/201111 [...], pendente de julgamento, a fim de se evitar decisões conflitantes, por este E. Conselho, sobre um mesmo fato originário das autuações; ii) seja integralmente acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, para que o lançamento em questão seja definitivamente cancelado em razão da sua evidente improcedência, com o consequente arquivamento do feito; (iii) ou, caso assim não entenda esse E. CARF, ao menos, seja excluída da autuação a multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), em razão de a Recorrente não ter concorrido em qualquer das hipóteses para sua imposição. Caso ainda remanesçam dúvidas acerca do direito evidenciado nos autos pela Recorrente, requer a conversão do julgamento em diligência para produção da competente prova pericial. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que os lançamentos não poderiam ter sido formalizados. Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.320 20 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 3 Desse modo, não tem validade jurídica a afirmativa da Recorrente de que as os agentes públicos tributários tentaram “demonizar as partes envolvidas na reestruturação societária analisada”. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.321 21 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional4. Assim, os Autos de Infração, fls. 16081655 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1038.159, de 26.04.2012, fls. 21392158, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Relativamente à alegação da Recorrente de que agiu de boafé, temse que para os efeitos tributários a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 10.0.01.002011000962, fl. 02, Termo de Início de Fiscalização, fls. 0308, Ciência dos Autos de Infração e Relatório da Ação Fiscal, fls. 16081658 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 21592160 e 2164), a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. 4 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.322 22 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Especificamente considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação das participações societárias e o respectivo custo de aquisição. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada é avaliado pelo valor de patrimônio líquido. Temse que o método de equivalência patrimonial consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida, e no reconhecimento dos seus efeitos na demonstração do resultado do exercício. O valor do investimento, portanto, é determinado mediante a aplicação da porcentagem de participação no capital social, sobre o patrimônio líquido de cada sociedade coligada ou controlada, Estão obrigadas a proceder à avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido as sociedades empresárias que tenham participações societárias relevantes em: (a) sociedades controladas, (b) sociedades coligadas sobre cuja administração a sociedade investidora tenha influência e (c) sociedades coligadas de que a sociedade investidora participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social. Consideramse coligadas as sociedades quando uma participa, com 10% ou mais, do capital da outra, sem controlála e controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores 6 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O lucro real anual é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o 6 Fundamentação Legal: art. 243 da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e arts. 384 a 391 e art. 427 e art. 427 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.323 23 custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial7. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta no ganho de capital apurado a partir da alienação investimento para Robina Investimentos e Participações Ltda, ou seja, baixa da participação societária na Univias Participações S/A no valor tributável de R$452.802,91 apurado em 31.12.2006. Houve falta de registro do ganho de capital na alienação de investimento gerando, em consequência redução indevida do lucro sujeito à tributação, uma vez que, sem amparo legal, o custo de aquisição da participação societária na Univias Participações S/A foi calculado indevidamente pelo método de equivalência patrimonial, já que as sociedade empresárias não eram coligadas ou controladas. Estes fatos estão minuciosamente descritos no Relatório da Ação Fiscal, fls. 16241655, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 2. Das partes envolvidas na operação: [...], Metrovias S/A Concessionária de Rodovias [...], Convias S/A Concessionária de Rodovias [...], Sulvias S/A Concessionária de Rodovias [...], BGPAR S/A [...], Univias Participações S/A [...], Robina Empreendimentos e Participações Ltda, Cl BE Rodovias e Participações S/A [...], Empate Engenharia e Comércio Ltda [...], Heber Participações Ltda [...], Castilho Engenharia e Empreendimentos S/A [...], Monte Bérico Participações S/A [...], TBPAR Participações Societárias Ltda [...], Construtora Sultepa S/A [...], Pedrasul Construtora Ltda [...], CP Construções e Participações Ltda [...]. 3. Da operação 3.1 Origem da Metrovias, da Convias e da Sulvias A Metrovias, a Convias e a Sulvias foram constituídas em janeiro de 1998 para a exploração dos complexos rodoviários denominados polos Metropolitano, Caxias do Sul e Lajeado, respectivamente (fls. 690, 783 e 735). Para executar esses empreendimentos, associaramse os grupos Sultepa (através da Construtora Sultepa e da Pedrasul), Brasília Guaíba (através da Brasília Guaíba Obras Públicas, e, posteriormente, da BGPAR), Toniolo Busnello (através da Toniolo Busnello S/A, e, posteriormente, da Monte Bérico) e Castilho (através da Castilho Engenharia). O controle direto das concessionárias permaneceu com as 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.324 24 empresas referidas acima até dezembro de 2004, conforme fluxograma abaixo, que reflete a posição imediatamente anterior à criação da CP, em 21/12/04. 3.2 Transferência de ações para a CP Construções e Participações Ltda. Em 29/12/04, a Monte Bérico, a BGPAR, a Construtora Sultepa e a Pedrasul transferiram para a CP, em aumento de capital (fl. 388), parte das ações que detinham na Metrovias, na Convias e na Sulvias. Dos sócios originais das concessionárias, apenas a Castilho não transferiu ações para a CP, mantendo inalterada sua participação direta na Metrovias (24,24%), na Convias (24,49%) e na Sulvias (24,49%). BGPAR 24,24% Castilho 24,46% Construtora Sultepa 27,27% Metrovias Monte Bérico 24,24% Construtora Sultepa 26,47% Castillho 24,49% BGPAR 24,52% Monte Bérico 24,52% Monte Bérico 24,52% Castilho 24,49% BGPAR 24,52% Sulvias Pedrasul 26,46% Convias Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.325 25 Até setembro de 2006, a estrutura de controle das concessionárias permaneceu da seguinte forma: Observese que a Pedrasul transferiu para a CP 24% das ações da Convias e manteve uma participação direta de 2,47% naquela concessionária. A alienação posterior das ações transferidas para a CP Construções e Participações foi objeto de autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados em fiscalização efetuada junto à própria CP (processo administrativo 11080730002/201161). Com relação aqueles autos de Sulvias Castilho 24,24% Const. Sultepa 2,47% Monte. Bérico 0,52% BGPAR 0,52% Castilho 24,49% Convias Const. Sultepa 3,27% Monte. Bérico 0,24% BGPAR 0,24% CP: Metrovias 72,00% Sulvia 72,00% Convias – 72,00% Monte Bérico 33,33% Construtora Sultepa 26,36% Pedrasul 6,97% BGPAR 33,33% Const. Sultepa 2,47% Mte. Bérico 0,52% BGPAR 0,52% Castilho 24,49% Metrovias Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.326 26 infração, a Pedrasul recebeu um termo de sujeição passiva solidária acompanhado de uma via dos autos e do relatório fiscal. O presente relatório trata da alienação do restante da participação na Convias que se deu através da Univias, como veremos adiante. 3.3 Cisão parcial da CP Em 15/09/06 ocorreu uma cisão parcial na CP (fl. 412), que resultou na saída da sócia Monte Bérico e na redução da participação da Construtora Sultepa. A Monte Bérico se retirou da CP recebendo ações da Metrovias, da Convias e da Sulvias, que foram transferidas diretamente para a TBPAR, controlada pela Monte Bérico (99,99%). A Construtora Sultepa reduziu sua participação na CP (apesar de ter aumentado em termos percentuais, pela saída da Monte Bérico), recebendo ações da Sulvias e da Metrovias, que foram transferidas diretamente para a Sultepa Construções e Comércio. Em consequência dessa alteração, a estrutura de controle das concessionárias ficou como segue: BGPAR 51,86% Pedrasul 10,85% Construtora Sultepa 37,29% CP: Metrovias 46,71% Sulvia 48,02% Convias – 44,38% Const. Sult. 3,27% Sultepa Const. 1,03% Mte. Bérico 0,24% BGPAR 0,24% Const. Sult. 2,47% Sultepa Const. 3,64% Mte. Bérico 0,52% BGPAR 0,52% TBPAR 24,26 Castilho 24,49% Castilho 24,24% TBPAR 23,98% Sulvias Metrovias Castilho 24,49% Convias TBPAR 23,98% Pedrasul 2,47% Mte. Bérico 0,52% BGPAR 0,52% Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.327 27 A cisão ocorrida na CP foi a primeira etapa de uma sequência de atos objetivando a alienação do controle das concessionárias para a Robina. A saída da Monte Bérico do quadro societário da CP ocorreu porque o grupo Toniolo Busnello não tinha intenção de se desfazer de sua participação nas concessionárias. Assim, saiu da CP e voltou a ter participação direta na Metrovias, na Convias e na Sulvias, através da TBPAR, permitindo que os sócios remanescentes (grupos Sultepa e Brasília Guaíba) alienassem para a Robina suas participações nas concessionárias. A Castilho Engenharia também alienou sua participação nas concessionárias para a Robina, mas não o fez através da CP. Em resumo, ao final da operação descrita nesse relatório, dos quatro grupos que se reuniram em 1998 para a criação das concessionárias, apenas um manteve sua participação (Toniolo Busnello). Os demais (Sultepa, Brasília Guaíba e Castilho) alienaram suas participações para a Robina. 3.4 Interposição da Univias na estrutura de controle das concessionárias [...] A etapa seguinte foi a utilização da Univias Participações S/A, que havia sido constituída em 11/04/06 sob a denominação EDSR19 Participações e Empreendimentos Imobiliários S/A, com capital social de R$1.000,00 (fl. 832). A EDSR19 é uma típica empresa de gaveta, criada por Eduardo Duarte, atualmente responsável por mais de 200 empresas perante a Receita Federal (fl. 1.605) muitas denominadas com números e já envolvidas em outras fraudes [amplamente divulgadas pela mídia8 ]. A EDSR19 teve sua denominação alterada para Univias Participações S/A em 18/09/06, quando ingressaram na sociedade a Pedrasul, a BGPAR, a Castilho e a CP. A Pedrasul recebeu 4 ações com valor total de R$4,00. Em 10/10/06 ocorreu um aumento de capital na Univias, integralizado pelos quatro sócios através da conferência de ações das concessionárias (fls 855 a 875), resultando na seguinte estrutura: 8 Disponível em: <http://www.istoe.com.br/reportagens/11251_DANTAS+POSTO+A+PROVA>. Acesso em: 17 jul.2014. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,sociosforaminvestigadospelasatiagrahaimp ,760290>. Acesso em: 17 jul. 2014. Disponível em:<http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/albertoyoussefrecorreuashoppingdecnpj>. Acesso em: 17 jul. 2014. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.328 28 Das ações da Convias que pertenciam originalmente à Pedrasul, a maior parte já havia sido transferida para a CP em dezembro de 2004. No aumento de capital na Univias, a Pedrasul transferiu o restante da participação direta que ainda detinha na Convias. As ações conferidas por Pedrasul, BGPAR, Castilho e CP no aumento capital, foram entregues à Univias pelo valor contábil. Foram realizadas quatro assembleias na Univias em 10/10/06 (fls. 855 a 875), num curto espaço de tempo (9:00h, 9:30h, 10:00h e 10:30h). Em cada uma das assembleias subscreveram capital, respectivamente, Pedrasul, BGPAR, Castilho e BGPAR 51,86% Univias: Metrovias 71,19% Convias 75,50% Sulvias 69,39% Castilho 34,22% BGPAR 0,65% Pedrasul 0,38% CP 64,77% Pedrasul 10,85% Construtora Sultepa 37,29% TBPAR 24,26% Monte Bérico 0,52% TBPAR 23,98% Monte Bérico 0,24% Sultepa Construções 3,64% Sultepa Construções 1,03% Construtora Sultepa 3,27% Construtora Sultepa 2,47% Sulvias Metrovias Convias Monte Bérico 0,52% TBPAR 23,98% Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.329 29 CP. No total a Univias contabilizou aumento de capital social de R$1.000.000,00 e reserva de capital (ágio na emissão de ações) de R$66.689.036,74 (fls. 938 a 940). Na contabilidade da Pedrasul o investimento na Convias foi substituído pelo investimento na Univias, conforme lançamentos contábeis em 31/12/06 (fls. 06 e 108), reproduzidos abaixo: D Univias Participações S/A (cta. 1.3.01.01.155786) R$14.386,72 D Baixas de Investimentos (cta. 4.2.03.01.700197) R$3.647,71 C Convias S/A (cta. 1.3.01.01.103914) R$18.034,43 3.5 Sequência de atos que acarretaram a majoração indevida do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias e a alienação imediata dessa participação [para Robina] A etapa seguinte da operação foi a emissão pela Univias, em 11/10/06, de um bônus de subscrição (fl. 876), conferindo ao titular o direito de subscrever 80.000.800 ações ao preço total de R$20.618.627,53. O prêmio a ser pago à Univias pela subscrição do bônus foi estabelecido em R$118.322.660,47. Na mesma assembléia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência para subscrever o bônus e foi aprovada a subscrição pela Robina. [Nas sociedades por ações existe o instituto do bônus de subscrição que são títulos negociáveis por elas emitidos e que conferem aos seus titulares, nas condições constantes do certificado, o direito de subscrever ações do capital social da pessoa jurídica empresária, dentro do limite de capital autorizado no estatuto. Esses títulos podem ser atribuídos, como vantagem adicional, aos subscritores de emissões de ações e também podem ser alienados, oportunidade em que o investidor deve pagar um preço por esse direito, para que, em futuras emissões, possa ter a preferência na subscrição9. A operação societária de subscrição de ações equiparase a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição. A. subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária.] De acordo com o Boletim de Subscrição de 11/10/06, o bônus foi pago pela Robina da seguinte forma: R$17.400.391,24 no ato, em moeda corrente nacional, e R$100.922.269,22 através de duas notas promissórias de R$50.461.134,61, com vencimento em 26/02/07, emitidas por Empate Engenharia e Comércio Ltda e Heber Participações Ltda, controladores da Robina. As notas promissórias foram resgatadas antecipadamente, em 16/11/06. Os valores recebidos pela Univias referentes à subscrição do bônus foram repassados aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo. A Pedrasul recebeu R$450.412,32, conforme lançado na contabilidade da Univias em 11/10, 16/10 e 17/10 de 2006 (fl. 1147). Essa foi a primeira etapa da venda, que resultou nos autos de infração lavrados na presente fiscalização,apesar de não ter sido formalmente tratada pelos alienantes como venda de ações, mas sim dissimulada sob suposta reorganização societária (emissão do bônus, pagamento do bônus pela Robina e repasse dos valores recebidos pela Univias aos sócios, através de mútuo, para quitação com futuro resgate de ações). 9 Fundamento Legal: arts. 75 a 79 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.330 30 A Univias repassou os valores aos seus sócios CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul. A CP, por sua vez, também repassou aos seus sócios BGPAR, Pedrasul e Construtora Sultepa, através de mútuo, os valores recebidos da Univias. Desta forma, a Pedrasul recebeu valores pela sua participação direta na Univias (R$450.412,32), e pela sua participação indireta através da CP (valores que já foram objeto de auto de infração lavrado junto à CP). [O contrato de mútuo consiste no empréstimo de coisa fungível e consumível ao mutuário, que por sua vez deverá restituir ao mutuante coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Por meio do contrato de mútuo se transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, o qual fica responsável por todos os riscos desde a tradição. No caso de empréstimo em dinheiro pode ser na modalidade de mútuo oneroso10] Na contabilidade da Pedrasul os mútuos foram contabilizados da seguinte forma (fls. 07 e 109 a 112): D Bco (cta. 1.1.01.02.103950)R$1.283.453,69 C Mútuo CP (cta. 2.2.12.01.206273) $1.283.453,69 D Mútuo CP (cta. 2.2.12.01.206273) $65.871,18 C Mútuo Univias (cta. 2.2.12.01.208104) R$65.871,18 D Bco (cta. 1.1.01.02.103950) R$7.086.018,56 C Mútuo CP (cta. 2.2.12.01.206273) R$7.086.018,56 D Mútuo CP (cta. 2.2.12.01.206273) R$356.442,54 C Mútuo Univias (cta. 2.2.12.01.208104) R$356.442,54 Os lançamentos de R$65.871,18 e R$356.442,54 segregaram a parcela do mútuo referente à participação direta na Univias. A soma dos dois valores é inferior ao mútuo contabilizado na Univias (R$450.412,32), porque a Pedrasul não considerou a parte retida para pagamento do Banco Pactual e de escritório de advocacia (fls. 1147 e 1148). O mútuo de R$450.412,32 foi quitado posteriormente, em 28/03/07, com resgate de ações na Univias, mas o que ocorreu, na verdade, foi uma venda de ações na data do recebimento do mútuo, conforme demonstrado no item "4". [O estatuto ou a assembléiageral extraordinária pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de procederse à operação. O resgate de ações é o mecanismo pelo qual o acionista recompra as ações emitidas em seu nome, ou seja, o resgate consiste no pagamento do valor das ações para retirálas definitivamente de circulação, com redução ou não do capital social. No caso de mantido o mesmo capital é atribuído, quando for o caso, novo valor nominal às ações remanescentes11. Por seu turno a venda de ações é a negociação de valores mobiliários e transferência sucessiva da sua titularidade. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe 10 Fundamentação Legal: arts. 586 a 590 do Código Civil. 11 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.331 31 certo preço em dinheiro. A tradição da coisa vendida darseá no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. 12] Em 16/11/06 foi celebrado um contrato de compra e venda entre a Robina e os sócios da Univias (fl. 494), relativo a 18,6228% das ações da Univias, pelo preço total de R$35.212.734,80, divididos proporcionalmente à participação de cada um dos sócios (CP 64,77%, Castilho 34,22%, BGPAR 0,63% e Pedrasul 0,38%). À Pedrasul coube uma parcela de R$133.104,14, transferidos pela Robina em 16/11/06 (fl. 1276). A Pedrasul contabilizou a operação da seguinte forma (fls. 07 e 113 a 116): D – Bco (cta. 1.1.01.02.103950) R$133.104,14 C Rec Alienação Investim (cta. 4.2.03.02.700505) R$133.104,14 D Baixas de Investimentos (cta. 4.2.03.01.700197) R$14.386,72 C Univias Participações S/A (cta. 1.3.01.01.155786) R$14.386,72 Observese que a Pedrasul baixou o custo total registrado na conta de investimento na Univias, quando na verdade estava alienando 18,62% da participação. Essa foi a segunda etapa da venda que resultou nos autos de infração lavrados na presente fiscalização. Após essa venda o quadro societário da Univias ficou como segue: Em 28/12/06 ocorreu uma redução de capital na CP (fl. 452). [O número e o valor nominal das ações somente podem ser alterados nos casos de modificação do valor do capital social ou da sua expressão monetária, de desdobramento ou grupamento de ações, ou de cancelamento de ações13] 12 Fundamentação Legal: art. 481 e art. 493 do Código Civil e art. 1º e art. 4º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1996. 13 Fundamentação legal art. 12 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Robina 18,62% Pedrasul 0,31% BGPAR 0,51% Castilho 27,85% Univias CP 52,71% Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.332 32 Foram canceladas 6.895.914 ações dos sócios BGPAR, Pedrasul e Construtora Sultepa, que receberam em troca ações da Univias. A Pedrasul recebeu 364.703 ações da Univias e contabilizou a operação da seguinte forma (fls. 07 e 117): D Investimento Univias (cta. 1.3.01.01.155786) R$655.141,72 D Ágio Univias (cta. 1.3.01.01.106727) R$92.907,72 C Investimento CP (cta. 1.3.01.01.103576) R$748.049,44 A redução de capital na CP alterou o quadro da Univias, que ficou como segue: Em 28/03/07 ocorreu um resgate parcial de 64.759.233 ações na Univias (fl. 885). As sócias CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul receberam um total de R$119.064.979,27, proporcionalmente ao número de ações resgatadas. Na Univias resgate foi efetuado à conta de reserva de capital e a contrapartida foi a baixa do mútuo que havia sido concedido aos acionistas anteriormente (fl. 989). À Pedrasul coube R$450.412,32, contabilizados a débito de mútuo com partes Relacionadas cta 2.2.12.01.208104 e a crédito de investimento Univias cta. 1.3.01.01.155786 (fls. 07 e 121). A conta de investimento 1.3.01.01.155786 havia sido zerada na baixa do custo de R$14.386,72, quando da venda de 18,62% das ações à Robina, mas em 31/12/06 houve dois lançamentos a débito nessa conta: R$655.141,72 de custo atribuído às ações da Univias recebidas em restituição de capital da CP em 28/12/06, e R$589.625,63 de equivalência patrimonial (fl. 356). Apesar de todos esses lançamentos terem sido feitos em 31/12/06, há uma cronologia a ser seguida (primeiro o registro do investimento inicial na Univias, depois a baixa pela venda de 18,62% das ações, seguida do registro das ações da Univias recebidas da CP e, por fim, a equivalência). Os lançamentos resultaram num saldo de R$1.244.767,35 em 31/12/06, permitindo a baixa de R$450.412,32, em 31/03/07, pelo resgate de ações na Univias, sem ganho de capital. Primeiro, a equivalência de R$589.625,63 é indevida, como veremos no item "4", e não poderia dar suporte à baixa do custo sem ganho de capital. Segundo, como a operação foi de fato uma venda em diversas etapas, a primeira e a segunda Robina 18,62% Pedrasul 0,67% BGPAR 0,48% Castilho 27,85% Univias CP 49,35% Brasília Guaíba 1,78% Construtora Sultepa 1,25% Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.333 33 ocorridas em outubro e novembro de 2006, no recebimento dos valores do mútuo e da venda de 18,62% da ações, também não havia o custo de transferência das ações recebidas da CP no resgate de 28/12/06 (lançamento de R$655.141,72). Esse custo se refere a uma parcela da participação na Univias que não foi alienada até o final de 2007 (384.323 ações, sendo 19.620 de saldo após a venda para a Robina em 16/11/06, mais 364.703 recebidas da CP em 28/12/06). Essa parcela de custo não pode, portanto, ser atribuída a qualquer venda em 2006 e 2007. Resumindo, a Pedrasul recebeu R$450.412,32 em outubro e novembro de 2006, tratando indevidamente essa etapa da venda como mútuo, quitado com resgate posterior de ações em março de 2007. Recebeu, ainda, em novembro de 2006, R$133.104,14 pela venda direta à Robina de 18,62%, através de verdadeiro contrato de compra e venda. O custo total de aquisição do investimento na Univias era de apenas R$14.386,72, e somente uma parcela desse custo deveria ter sido atribuído à venda proporcionalmente à quantidade de ações alienadas. Mas não foi isso que a Pedrasul fez, pois baixou todo o custo na venda de 18,62% da ações e depois lançou equivalência patrimonial para dar suporte à baixa no resgate de ações em março de 2007. Após o resgate de ações o quadro societário da Univias ficou como segue: Na mesma data, 28/03/07, foi realizada uma assembléia na CP para aprovar a distribuição de dividendos no valor de R$65.920.611,00 e a redução de capital no montante de R$34.414.602,00 (fl. 460). Na Pedrasul, a contabilização do recebimento dos dividendos e da redução de capital se deu contra o mútuo com a CP no passivo (fls. 122 e 123), no total de R$10.876.550,87. Em 05/06/07 ocorreu nova redução de capital na Univias, acarretando a saída da BGPAR e da CP, e a redução da participação da Castilho e da Pedrasul (fl. 890). Na mesma data a Robina subscreveu 80.000.800 ações por R$22.565.618,44, exercendo o direito de subscrição pelo qual havia pago anteriormente o bônus. Os Robina 52,84% Pedrasul 1,21% BGPAR 0,20% Castilho 16,14% Univias CP 21,00% Brasília Guaíba 5,04% Construtora Sultepa 3,56% Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.334 34 recursos provenientes da subscrição das ações pela Robina foram utilizados para o resgate de ações. Do total de 11.428.099 ações resgatadas na Univias, 43.197 pertenciam à Pedrasul, cabendo à fiscalizada aproximadamente R$85.295,00 (0,3779% do valor total de resgate de R$22.565.618,44). Juntamente com esse valor, a Pedrasul recebeu a parcela que lhe cabia pela participação indireta na Univias através da CP. Contabilizou o recebimento de R$ 1.505.273,76, parte a crédito de mútuo com a CP e o restante, R$ 80.718,73, a crédito de receita (fls. 08 e 124). Não houve baixa na conta de investimento da Univias (1.3.01.01.155786). Essa foi a terceira etapa da venda, após a qual a Robina passou a deter 95% do capital da Univias, conforme fluxograma abaixo: 3.6 Atos subsequentes que complementaram a operação de aquisição do controle das concessionárias pela Robina Ainda em 05/06/07, a Robina adquiriu as ações que a Construtora Sultepa e a Sultepa Construções detinham diretamente na Sulvias e na Metrovias (fl. 1558). Em 01/12/08 ocorreu a incorporação da Robina pela Univias, e a CIBE, que detinha 100% da Robina, recebeu as ações da Univias que eram de titularidade da Robina. No dia seguinte, 02/12/08, a Univias foi extinta por cisão total e seu acervo foi vertido para as concessionárias Sulvias, Convias e Metrovias. Em troca de sua participação na sociedade extinta, os sócios da Univias receberam ações das concessionárias, que passaram a ser controladas diretamente pela CIBE (71,94% da Metrovias, 71,72% da Convias e 72,03% da Sulvias). O grupo Toniolo Busnello, através da TBPAR e da Monte Bérico, manteve uma participação direta de 24,50% em cada uma das concessionárias. O restante das Robina 95,00% Pedrasul 0,37% Castilho 1,71% Univias Brasília Guaíba 1,71% Construtora Sultepa 1,21% Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.335 35 ações das concessionárias ficou com pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos antigos sócios minoritários da Univias (Pedrasul, Castilho, Brasília Guaíba e Construtora Sultepa), que receberam as ações quando da extinção da Univias. Em abril de 2009 ocorreu a transferência das ações desses minoritários para a CIBE e o quadro societário das concessionárias ficou da seguinte forma: A posição final do quadro das concessionárias, comparada com a situação inicial descrita no item "3.1" desse relatório, demonstra a saída dos grupos Sultepa, Brasília Guaíba e Castilho, substituídos pela CIBE. Os dois primeiros utilizaram a CP e a Univias, esta última interposta através de uma sequência de atos societários para reduzir indevidamente o ganho de capital auferido na operação. A Castilho não participou da CP, mas também se utilizou da Univias para o mesmo fim (redução indevida do ganho de capital). Embora revestida de aparente legalidade formal, a sequência de atos praticados não pode produzir os efeitos tributários desejados pelos contribuintes, por se tratar de evidente simulação. [...] 5. Do crédito tributário apurado Das 377.992 ações que a Pedrasul detinha na Univias no início da operação, foram vendidas à Robina 315.175 ações em 2006 (70.393 ações por verdadeiro contrato de compra e venda em 16/11/06, e 244.782 através de resgate de ações, ocorrido formalmente em março de 2007, mas de fato caracterizado como venda de ações em 2006, por ocasião do recebimento dos valores através de mútuo simulado). Ainda em 2006, a Pedrasul recebeu mais 364.703 ações da Univias, por conta de redução de capital ocorrida na CP. Em 2007 vendeu 43.197 ações para a Robina, também através de resgate de ações na Univias. O pagamento ocorreu na data do resgate, em 05/06/07, com recursos integralizados na Univias pela Robina. CIBE 75,50% Convias Monte Bérico 0,52% TBPAR 23,98% CIBE 75,50% Monte Bérico 0,52% CIBE 75,50% TBPAR 23,98% Sulvias TBPAR 24,26% Monte Bérico 0,24% Metrovias Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.336 36 O ganho de capital foi apurado pela fiscalização a partir dos valores recebidos pela Pedrasul e do custo inicial do investimento, desconsiderada a equivalência patrimonial efetuada em 31/12/06 na Pedrasul. calculada sobre o PL da Univias indevidamente inflado pelo bônus de subscrição pago pela Robina. Em 2006 a Pedrasul recebeu da Robina R$583.516,46 da seguinte forma: R$450.412,32 com os recursos do bônus de subscrição pagos pela Robina à Univias. A disponibilidade ocorreu ainda em 2006, por ocasião do recebimento dos valores, pois o mútuo, quitado em 2007 com redução de capital previamente acordada, foi simulado. Essa parcela diz respeito à venda de 244.782 ações. R$133.104,14 pela venda direta à Robina de 70.393 ações. Como as 315.175 ações alienadas em 2006 representavam 83,38% das 377.992 ações detidas inicialmente pela Pedrasul, o custo a ser atribuído à parcela da participação alienada é de R$11.995,84 (83,38% x R$ 14.386,72). A diferença entre o valor de venda e o custo representa o ganho de capital auferido em 2006 na venda para a Robina (R$571.520,62). Desse valor devese descontar R$118.717,71 levados a resultado pela Pedrasul (contas 4.2.03.02.700505 e 4.2.03.01.700197, nas fls. 119 e 120, resultando numa infração de R$452.802,91. Em 2007 não há diferença a tributar, porque a Pedrasul contabilizou na conta "receita alienação de investimento" (4.2.03.02.700505) valor superior à parcela de aproximadamente R$85.295,00 que lhe cabia na venda de 43.197 ações, e não contabilizou qualquer custo referente a essa alienação na conta "baixas de investimentos" (4.2.03.01.700197). Os valores apurados foram adicionados ao lucro real e à base da CSLL declarados pela Pedrasul em 2006, considerados os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL anteriores, constantes no Lalur, resultando na lavratura de Autos de Infração para a constituição dos créditos tributários [...]. Em relação ao propósito negocial, devese partir da premissa de que de que as sociedades empresárias buscam o auferimento de lucros. Há presunção de que as transações e operações societárias ocorridas na atuação empresarial da sociedade guardem correspondência com o seu objeto social e que, portanto, encerrem um propósito negocial. Todavia, é preciso atentar para a existência de indícios que denotam a ausência daquele propósito: (a) lapso temporal entre as operações, ou seja, com operações efetivadas em um lapso temporal incompatível para tomada de decisões; (b) interdependência entre as partes, ou seja, ausência de efeitos econômicos perante terceiros ficando as operações limitadas ao mesmo grupo econômico; e (c) operações anormais, ou seja, destoam da rotina empresarial da pessoa jurídica. Nos presentes autos ficou comprovado que o lapso temporal foi exíguo, que as operações ficaram limitadas ao mesmo grupo econômico e ainda que destoam da rotina empresarial da Recorrente, que é a prestação de serviços na indústria da construção, de acordo Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.337 37 com a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, fls. 291318 e o Contrato Social, fls. 331343, pelas seguintes razões: em 29.12.2004 a Recorrente transferiu para CP Construções e Participações Ltda parte de suas ações (10.85%), fl. 388; em 15.09.2006 com a cisão da CP Construções e Participações Ltda, fl. 412, houve a transferência da participação societária da Recorrente para a Convias S/A Concessionária de Rodovias (2,47%); em 18.09.2006 a Recorrente ingressou na Univias Participações S/A com 4 ações (0,38%), fls. 855875; em 10.06.2006 a Univias Participações S/A realizou quatro assembleias consecutivas com um aumento de capital de R$1.000.000,00 e um aumento na reserva de capital (ágio na emissão de ações) de R$66.698.036, fls. 938940; em 11.06.2006 a Univias Participações S/A emitiu bônus de subscrição no valor de R$20.618.627,53; ato contínuo, em assembleia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência, e a Robina Empreendimentos e Participações Ltda os adquiriu pelo valor de R$118.322.660,74, fl. 876; o valor recebido pela Univias Participações S/A foram repassados aos sócios, entre eles a Recorrente, a título de mútuo no valor de R$450.412,32, recebido parceladamente em 11.10.2006, 16.102006 e 17.10.2007, fl. 1147; em 16.11.2006 a Recorrente recebeu o valor de R$133.104,14 pela venda direta à Robina Empreendimentos e Participações Ltda de sua participação societária de 18,62%, Univias Participações S/A, mediante um típico contrato de compra e venda, fls. 07, 120 e 195; em 31.12.2006, o investimento da Recorrente na Convias S/A Concessionária de Rodovias foi substituído pelo investimento na Univias Participações S/A no valor de R$14.386,72, fls. 06, 108, 116, 119 e 143; em 28.03.2007 a Recorrente quitou o mútuo no valor de R$450.412,32 com resgate das ações da Univias Participações S/A. A Recorrente ainda se ampara na “existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor”. Verificase que nos fatos consecutivamente apresentados houve, entre outras operações, transferências da participações societárias, cisões, ingressos de investidores, subscrição e venda de ações. Nesse sentido, não houve tãosomente a existência de condições que pendiam para captação de recursos, mas sim ausência de efeitos econômicos perante terceiros, uma vez que essas transações ficaram circunscritas ao grupo econômico. Assim, há que se desconsiderar os atos ou negócios adotados com exclusivo propósito tributário e promover a tributação devida, já que em verdade a Recorrente vendeu suas ações da Univias Participações S/A por ocasião do recebimento do mútuo em 11.10.2006, 16.10.2006 e 17.10.2007, fl. 1147, para Robina Investimentos e Participações Ltda. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.338 38 O processo está instruído com documentos da Recorrente e de várias pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico, tais como DIPJ, Contrato Social, Livro de Apuração do Lucro Real (lalur), Livro Razão, Balanço Patrimonial, Balancete, Acordo de Investimento e Outros Pactos, Atas da Assembleia Geral, Demonstração dos Resultados, Registro de Transferência de Ações, Livro Diário, Termo de Esclarecimentos, Livro de Registro de Ações Nominativas, Contrato de Compra de Ações e Relatório de Concessão de Rodovias no Rio Grande do Sul. Acerca da alegação da defesa de que o procedimento foi avaliados por órgãos ou entidades estatais, temse que o órgão da Administração Pública Direta é uma unidade que congrega atribuições exercidas pelos seus agentes que o integram com o objetivo de expressar a vontade do Estado e cada qual, como centro de competência governamental ou administrativa, tem necessariamente uma competência específica. Por ser turno, a entidade da Administração Pública Indireta (sociedade de economia mista, autarquia, fundação, empresa pública e empresa concessionária ou permissionária de serviço público) é criada por lei para execução de determinada atividade14. Por essa razão os atos por elas praticados estão circunscritos às suas atribuições legais, de modo que, entre outros, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul (DAER/RS), Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) e Comissão de Valores Mobilários (CVM) somente podem emitir atos decisórios relativos à sua área de atuação. Distintamente, no presente caso, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento, que somente pode ter seu controle de legalidade examinado por servidores públicos competentes para os fins tributários no âmbito da Administração Pública Federal. A operação que formalmente foi aperfeiçoada pela Recorrente é uma reorganização societária com emissão do bônus de subscrição em 11.10.2006, fl. 876, pela Univias Participações S/A, pagamento desse bônus de subscrição pela Robina Empreendimentos e Participações Ltda e repasse dos valores recebidos pela Univias Participações S/A aos sócios, mediante contrato de mútuo, para quitação com futuro resgate de ações. Para fins tributários, contudo, ficou caracterizada como de fato uma alienação de participação societária na Univias Participações S/A de titularidade da Recorrente para Robina Empreendimentos e Participações Ltda, no valor tributável de R$452.802,91 apurado em 31.12.2006. Houve falta de registro do ganho de capital na alienação de investimento gerando, em consequência redução indevida do lucro sujeito à tributação, uma vez que, sem amparo legal, o custo de aquisição da participação societária na Univias Participações S/A foi calculado indevidamente pelo método de equivalência patrimonial, já que as sociedade empresárias não eram coligadas ou controladas. Evidenciase a ausência do propósito negocial com a dissimulação da ocorrência do fato gerador. Restaram demonstrados, de forma clara, explícita e congruente, os motivos do lançamento com a demonstração das circunstâncias fáticas que circundam o objeto dos Autos de Infração. O conjunto probatório produzidos nos presentes autos pelas autoridades fiscais é robusto, para fins de formação da livre convicção motivada de que houve a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos no art. 43 do Código Tributário Nacional. Não há que se 14 Fundamentação Legal: art. 37 da Constituição Federal. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.339 39 falar que houve suposições ou presunções não comprovadas por parte da Fazenda Nacional. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela inexistência de simulação, de fraude e de conluio caracterizando o abuso de direito. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações 15. Mais especificamente temse que: (a) configurase como simulação, o comportamento da pessoa jurídica em que se detecta uma inadequação ou não equivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade; a simulação resulta da substituição de um ato jurídico por outro, ou da prática de um ato sob aparência de um outro, com a alteração de seu conteúdo ou de sua data, para esconder a realidade do que se pretende; caracteriza se a simulação como a desconformidade entre o negócio jurídico aparente e o negócio jurídico real, desde que cientes, as partes interessadas, nas hipóteses de (a) conferimento ou transmissão de direitos a pessoas diversas daquelas a quem, realmente, se conferem, ou transmitem, (b) inclusão de declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, (c) instrumentos particulares antedatados, ou pósdatados, tendo como pressuposto (a) a intenção de prejudicar terceiros ou (b) de violar disposição de lei; a simulação é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano de terceiros. 15 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, bem como DecretoLei nº 401, de 30 de dezembro de 1968. Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.340 40 (b) a fraude à lei pressupõe a prática consistente em evitar conscientemente e dolosamente o surgimento do fato gerador; é a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, ou a modificarlhes as características essenciais de modo a evitar, reduzir ou retardar o pagamento do tributo; (c) o conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas visando a economia fiscal de forma ilícita; consiste na combinação maliciosa de duas ou mais pessoas para a prática de evasão fiscal, ou seja, com o objetivo de fraudar, sonegar, iludir, ou de se furtarem ao cumprimento da lei; (d) a figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros e materializase excesso frente ao ordenamento jurídico, pois o resultado fiscal alcançado pelo ato efetivado deuse em prejuízo de outrem. Assim, os Autos de Infração têm fundamento de validade o inciso VII do art. 149 do Código Tributário Nacional, que autoriza justamente o lançamento de ofício, nos casos em que comprovados o dolo, a fraude ou a simulação. Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 16241655, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 4. Da ocorrência de simulação e dos efeitos tributários decorrentes da operação . simulada (venda de participação societária) A seqüência de atos praticados, por si só, já evidencia um descompasso entre a real intenção do negócio e o aspecto formal conferido à operação. A utilização do bônus de subscrição como mero recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias, por equivalência registrada em 31/12/06, seguido de resgate de ações em 28/03/07, caracteriza uma distorção daquele instrumento de direito societário. Não bastassem os atos indicando que o verdadeiro objetivo não era receber um novo investidor através da emissão de bônus, mas sim alienar as ações, a simulação se torna irrefutável diante do "Acordo de Investimentos e Outros Pactos" (fl. 528), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou "investidor", como foi denominada a Robina no acordo), mas sim de se retirar da Univias e, indiretamente, alienar sua participação nas concessionárias. [Por essa razão, houve intenção dolosa da Recorrente em ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas]. O Acordo de Investimentos expõe de tal forma a simulação, que o documento foi sonegado da Receita Federal por todos os envolvidos na operação, até o momento em que a fiscalização tomou conhecimento da existência de uma via em processo arquivado no CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A partir daí, diante da iminência da obtenção pela Receita Federal junto ao CADE, a Metrovias entregou o documento (após três intimações). Antes disso, haviam sido intimadas a Pedrasul (fl. 322), a CP (fl. 491), a Metrovias duas vezes, como principal sucessora da Robina e da Univias (fls. 521 e 525), a Castilho (fl. 1584) e a BGPAR (fl. 1407), e todas informaram não ter localizado o documento em seus arquivos. Essa improvável "desorganização" coletiva na preservação de documento tão importante reflete, na verdade, evidente intuito de omitilo da fiscalização. Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.341 41 Após tomar conhecimento de que a Receita Federal poderia obter o documento diretamente no CADE, a Metrovias entregou o Acordo de Investimentos, ainda que sem os diversos anexos nele referidos. O conteúdo do "Acordo de Investimentos" explica o receio das partes em fornecêlo à Receita Federal. A operação foi previamente detalhada, garantindo às partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. A implementação da operação era, s de uma sequência complexa de atos societários exigia garantias prévias de que todas as etapas seriam cumpridas por cada uma das partes, sob pena de prejuízo indevido para a outra parte. A operação foi dividida em três etapas, denominadas "primeiro pré fechamento", "segundo préfechamento" e "fechamento", conforme documento na fl. 528, firmado em 27/09/06 por CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul, na condição de "acionistas" das concessionárias (na verdade deveriam ser denominados "alienantes"), Robina , na condição de "investidor" (na verdade, "adquirente"), Empate Engenharia e Heber Participações, como controladores da Robina, além dos intervenientes anuentes Convias, Sulvias, Metrovias, Univias e Construtora Sultepa. A situação inicial, precedente à assinatura do acordo, está descrita no fluxograma do item "3.3" desse relatório, já considerada a cisão ocorrida na CP em 15/09/06. A seguir serão apresentados os principais itens do acordo: 1) Condições precedentes ao primeiro préfechamento (item 5.2 da cláusula V): a. Arquivamento na Junta Comercial da Ata de Assembléia da CP, de 15/09/06, através da qual a Monte Bérico se retirou da sociedade e a Construtora Sultepa teve reduzida sua participação. b. Aprovação pelo DAER/RS da transferência do controle das concessionárias para a Univias. c. Comunicação ao BNDS, informando sobre a transferência do controle das concessionárias para a Univias. d. Realização de assembléias na Univias para aumento de capital, do qual resultaria a seguinte posição acionária: CP (64,76%), Castilho (34,22%), BGPAR (0,63%) e Pedrasul (0,37%). 2) Primeiro préfechamento (item 5.2.1 da cláusula V): a. Realização de assembléia na Univias para aprovar a emissão de bônus com direito à subscrição de 80.000.800 ações, com prêmio de emissão de R$116.838.889,35 e preço de exercício de R$20.618.627,53, acrescidos da taxa Selic até o pagamento e sujeitos a alterações com base em balanços patrimoniais atualizados levantados em momento posterior. b. Subscrição da totalidade do bônus pela Robina, parte em moeda corrente (R$17.182.189,61) e parte em nota promissória (R$99.656.699,74), acrescidas da taxa Selic até o pagamento. c. Celebração de Contrato de Opção de Compra e Venda dos Bônus de Subscrição entre Robina e Univias. Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.342 42 d. Celebração de Contrato de Caução entre Robina e os acionistas da Univias, como garantia para eventual ressarcimento da parcela do bônus paga em dinheiro. e. Celebração de Termo de Rescisão do Contrato de Empreitada entre as concessionárias e o Consórcio Construtor Sul. f. Encaminhamento ao BNDS e aos agentes financeiros de pedido de aprovação para a transferência do controle da Univias e, indiretamente, das concessionárias. 3) Possibilidade de rescisão do contrato, caso não autorizada pelo DAER/RS a transferência do controle das concessionárias para a Univias, ou caso não implementadas as condições precedentes no prazo previsto (item 5.2.2 da cláusula V). Acompanhamento pela Robina dos negócios das concessionárias após o implemento do primeiro préfechamento (item 5.2.3 da cláusula V). Previsão de mútuo entre a Univias e seus acionistas, para repasse dos recursos do prêmio do bônus de subscrição recebidos da Robina, já prevista a quitação posterior do mútuo através do resgate de ações (item 5.2.4 da cláusula V). Condições precedentes ao segundo préfechamento (item 5.3 da cláusula V): a. Realização do primeiro préfechamento. b. Aprovação pelo DAER/RS da transferência do controle da Univias e, indiretamente, das concessionárias, para a Robina. c. Registro na Junta Comercial das atas de assembléias da Univias que autorizaram o aumento de capital e a emissão do bônus de subscrição. d. Veracidade das declarações e garantias recíprocas prestadas. 7) Segundo préfechamento (item 5.3.1 da cláusula V): a. Contrato de compra e venda de 18.622.946 ações da Univias, a ser firmado, antes do exercício dos bônus de subscrição,entre a Robina e os acionistas da Univias, pelo preço total de R$34.364.379,25, acrescido da taxa Selic até o pagamento. b. Transferência aos acionistas da Univias, através de TED, do preço ajustado no item precedente, de forma proporcional às ações pertencentes a cada um deles. c. Liberação da caução constituída por ocasião do primeiro préfechamento. d. Pagamento pelos controladores da Robina (Heber Participações e Empate Engenharia) da nota promissória entregue à Univias por ocasião da subscrição do bônus pela Robina, no total de R$99.656.699,74, mais taxa Selic. e. Assinatura de acordos de contra garantia entre Robina (juntamente com seus controladores) e os acionistas da Univias, e entre Robina (juntamente com seus controladores) e a Construtora Sultepa, com o objetivo de preservar os acionistas e a Construtora Sultepa de eventuais prejuízos decorrentes de garantias que tenham prestado, relativas a obrigações da Univias e das concessionárias. 8) Possibilidade de rescisão do contrato, caso não autorizada pelo DAER/RS a transferência do controle da Univias e das concessionárias para a Robina, ou caso Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.343 43 não implementadas as condições precedentes no prazo previsto (item 5.3.2 da cláusula V). 9) Levantamento de balanço patrimonial atualizado da Univias para fins de definição do preço do exercício do bônus de subscrição pela Robina, e designação de empresa de auditoria para determinação do capital de giro ajustado e fixação do preço de exercício (item 5.3.3 da cláusula V). 10) Previsão de mútuo entre a Univias e seus acionistas, para repasse dos recursos recebidos dos controladores da Robina pelo pagamento da(s) nota(s) promissória(s), já prevista a quitação posterior do mútuo através do resgate de ações (item 5.3.4 da cláusula V). 11) Condições precedentes ao fechamento (letras "a" a "e" do item 5.4 e item 5.4.1, todos da cláusula V): a. Realização do primeiro e do segundo préfechamentos. b. Univias ser a proprietária das ações das concessionárias objeto do contrato. c. Renúncia dos membros do Conselho de Administração e dos Diretores das concessionárias. d. Veracidade das garantias recíprocas prestadas. e. Obtenção de autorização do BNDES e dos agentes financeiros para a transferência do controle da Univias para a Robina, com manutenção das condições estabelecidas nos contratos de financiamento celebrados pelas concessionárias, ou liquidação pela Robina das obrigações decorrentes desses contratos. 12) Fechamento da operação (item 5.4.1.1 da cláusula V): a. Realização de assembleia na Univias para o resgate de 76.187.332 ações pelo preço total de R$137.457.516,89, antes do exercício do bônus de subscrição, renúncia do Conselho de Administração e homologação da emissão de ações decorrentes do exercício do bônus de subscrição, com pagamento do preço de exercício pela Robina. b. Pagamento do valor de resgate pela Univias, mediante compensação com o crédito detido contra os acionistas, decorrente dos mútuos anteriormente concedidos. c. Assinatura pelos acionistas e pela Robina dos termos de transferência das ações remanescentes das concessionárias e da Univias. d. Realização de assembléia nas concessionárias para a renúncia do Conselho de Administração indicado pela Univias e aprovação de suas contas, além da eleição dos novos membros do Conselho indicados pela Robina. 13) Previsão de ajuste do preço do exercício do bônus de subscrição a ser pago pela Robina à Univias, com base em diferenças a maior ou a menor no capital de giro calculado pelos auditores independentes referidos no item "9" acima (item 5.4.2 da cláusula V): 14) Opção alternativa ao fechamento, a ser imediatamente realizada caso não implementadas no prazo as condições precedentes ao fechamento, descritas no item "11", acima (item 5.4.3 e seus subitens, da cláusula V): Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.344 44 a. Realização de assembléia na Univias para o resgate de64.759.233 ações pelo preço total de R$116.838.889,36, com pagamento aos acionistas, proporcionalmente ao número de ações pertencentes a cada um deles, mediante compensação com o crédito detido pela Univias contra os acionistas,decorrente dos mútuos anteriormente concedidos. b. Realizada essa opção alternativa de resgate de ações, ficariam pendentes de implementação, em no máximo 180 dias, o exercício do bônus de subscrição e os demais atos previstos no item "12", acima. Nesse caso, ficariam alteradas as condições do resgate previsto no item "12 (a)", que passaria a ser um resgate complementar das 11.428.099 ações ordinárias classe "A" remanescentes, de propriedade dos antigos acionistas, pelo valor total de R$20.618.627,53. O acordo completo encontrase nas fls. 528 a 572. O confronto das etapas previstas no acordo com os fatos descritos no item "3" desse relatório demonstra cabalmente que a operação foi previamente detalhada e que a intenção dos antigos controladores das concessionárias, signatários do acordo (CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul), em nenhum momento foi receber a Robina como um novo parceiro no investimento, mas sim alienar sua participação. O ganho na alienação de bens do ativo permanente está sujeito à tributação de acordo com o art. 418 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/99 (RIR/99). [Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. A determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração da pessoa jurídica16]. O investimento da Pedrasul na Univias deveria, a princípio, estar avaliado pelo custo de aquisição, por não se enquadrar nos conceitos de coligada ou controlada, definidos no art. 384 do RIR/99, pois a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que considerada sua participação indireta da CP. Foi solicitado à Pedrasul um esclarecimento sobre o critério utilizado para equivalência patrimonial, mas não houve resposta (fl. 1606). E mesmo que se enquadrasse nas hipóteses de avaliação baseada no patrimônio líquido, a equivalência realizada em 31/12/06 seria indevida, por se fundamentar em operação simulada ocorrida na Univias, que utilizou de forma distorcida a figura do bônus de subscrição, prevista nos artigos 75 a 79 da Lei 6.404/76: “Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de capital autorizado no estatuto (artigo 168), títulos negociáveis denominados "Bônus de Subscrição". Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos seus titulares, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever ações do capital social, que será exercido mediante apresentação do título à companhia e pagamento do preço de emissão das ações. 16 Fundamentação Legal: art. 31 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.345 45 Art. 76. A deliberação sobre emissão de bônus de subscrição compete à assembléiageral, se o estatuto não a atribuirão conselho de administração. Art. 77. Os bônus de subscrição serão alienados pela companhia ou por ela atribuídos, como vantagem adicional, aos subscritos de emissões de suas ações ou debêntures. Parágrafo único. Os acionistas da companhia gozarão, nos termos dos artigos 171 e 172, de preferência para subscrevera emissão de bônus. Art. 78. Os bônus de subscrição terão a forma nominativa. Parágrafo único. Aplicase aos bônus de subscrição, no que couber, o disposto nas Seções V a VII do Capítulo III. Art. 79. O certificado de bônus de subscrição conterá as seguintes declarações: I as previstas nos números I a IV do artigo 24; II a denominação "Bônus de Subscrição"; III o número de ordem; IV o número, a espécie e a classe das ações que poderão ser subscritas, o preço de emissão ou os critérios para sua determinação; V a época em que o direito de subscrição poderá ser exercido e a data do término do prazo para esse exercício; o nome do titular; a data da emissão do certificado e as assinaturas de dois diretores.” Os bônus de subscrição são títulos que as companhias podem emitir ara conferir aos titulares direito de subscrever ações. Conforme Modesto Carvalhosa, esse direito, quando onerosamente negociado, deve representar um valor qualquer dentro da projeção que a companhia fará entre o atual patrimônio líquido e aquele que, provavelmente, será apurado ao tempo da subscrição, devendo ser levados em conta a projeção dos resultados futuros e outros fatores, como intangíveis, cotação em bolsa e liquidez. Segundo o autor, a classificação contábil do produto da alienação como reserva de capital baseiase no pressuposto de que os recursos obtidos com a alienação equivalem a uma antecipação do ágio. Caracterizase, portanto, como uma vantagem obtida pela companhia, em troca da preferência concedida ao investidor que pretende aportar capital. No caso em questão, a capitalização inexistiu de fato. Basta comparar o patrimônio da Univias em 10/10/06, imediatamente anterior à subscrição do bônus, representado unicamente pelos investimentos junto às concessionárias, e o patrimônio após a conclusão da operação, em 30/06/07, representado pelos mesmos investimentos. A suposta capitalização não pode sequer ser classificada como efêmera, mas fictícia, tendo em vista a premeditação de toda a operação. A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. O ganho foi dos sócios e não da Univias. A classificação como reserva de capital foi outro ato de simulação, pois a intenção não Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.346 46 era receber aquele valor como verdadeiro prêmio de emissão e mantêlo como recurso à disposição da Univias, mas sim repassálo de imediato aos sócios, por se tratar de produto de alienação de ações. A distorção na utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos. Foi emitido um bônus vinculado à emissão de ações para uma suposta capitalização, quando na verdade o resultado final previsto era a manutenção aproximada do número de ações e a entrega do produto da pseudo capitalização para os sócios. No momento da emissão do bônus, o capital da Univias era representado por 100.001.000 ações, com previsão de emissão de mais 80.000.800 ações, a serem subscritas pela Robina, o que totalizaria 180.001.800 ações. Isso de fato nunca ocorreu, porque quando a Robina subscreveu as 80.000.800 em 05/06/07, já haviam sido resgatadas pelos antigos sócios 76.187.332 ações (parte em 28/03/07, e parte na própria assembléia de 05/06/07). Ao final, o capital da Univias restou representado por 103.814.468 ações, muito próximo das 100.001.000 ações originais, ainda que distribuído de forma diversa entre ações ordinárias e preferenciais. É evidente que era desnecessária a previsão de emissão de 80.000.800 ações para transferir o controle da Univias. A utilização da equivalência patrimonial foi uma etapa fundamental para que fosse atingido o objetivo de majoração do custo do investimento registrado na contabilidade da Pedrasul. Mas não fosse a sequência de atos simulados, previamente acordados, a equivalência não produziria integralmente os efeitos desejados, porque embora o custo do investimento na escrituração da Pedrasul fosse inflado pela equivalência registrada após o pagamento do bônus pela Robina, seria reduzido posteriormente, quando a Robina subscrevesse o aumento de capital a que tinha direito. Foi necessário, portanto, efetivar a alienação das ações antes que a Robina exercesse o direito de subscrever ações. Em 31/12/06 o PL da Univias era de aproximadamente R$186 milhões. Nessa data a Pedrasul registrou uma equivalência de R$589.625,63 e o valor do investimento passou para R$1.244.767,35, refletindo o percentual de 0,67% detido pela Pedrasul na Univias. É evidente que esse valor de equivalência tinha natureza precária, porque ao exercer seu direito de subscrever as ações, a Robina passaria a deter 44,44% da Univias (80.000.800/180.001.800) e a Pedrasul, por consequência, teria sua participação reduzida. Mas isso não ocorreu, porque ato contínuo ao registro da equivalência, ocorreu o resgate de ações em março de 2007, antes que a Robina exercesse o direito de subscrição, em junho de 2007. É importante relembrar que a operação buscou evitar o ganho de capital para os alienantes, mas cuidou de preservar o ágio dedutível para os adquirentes, conforme detalhado na nota de rodapé n° 7. (Nessa data (05/05/07) a Robina segregou um ágio de R$11.020.009,66, que, somado ao ágio de R$494.448,58 contabilizado anteriormente (pela aquisição de 18,62% das ações), resultou num total de R$11.514,458,20 (fl. 1243). Esse ágio foi transferido para Univias em 01/12/06 (fl. 1125) por incorporação da Robina e repassado para as concessionárias Metrovias, Sulvias e Convias, em 02/12/08, pela cisão total da Univias (fl. 1126). Nas concessionárias passou a ser dedutível por força do art. 7º da Lei nº 9.532/97. Concluise que o suposto planejamento, na Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.347 47 verdade uma simulação, cuidou de evitar o ganho de capital para os alienantes, mas preservou o ágio dedutível para os adquirentes). [Dessa operação decorreu uma disfuncionalidade, ou seja, há apropriação de despesa para os adquirentes, mas sem a contrapartida da tributação da receita correspondente para os alienantes. O ágio ou deságio pode surgir em decorrência de subscrição de ações no caso em há alteração no percentual de participação no capital social. Nesse sentido, temse que o valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido, será a soma algébrica dos seguintes valores: (a) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade da pessoa jurídica, (b) ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte e (c) provisão para perdas prováveis na realização do valor de investimentos 17.] Tratase, portanto, de uma sequência de atos simulados, envolvendo a distorção da figura do bônus de subscrição (instrumento que deveria estar associado a uma verdadeira capitalização), seguida de mútuo fictício e da utilização indevida de equivalência patrimonial para que não houvesse ganho no resgate de ações em 2007, tudo previamente descrito em pseudo acordo de "investimentos". A verdadeira intenção da Pedrasul sempre foi alienar para a Robina sua participação na Univias. Há um descompasso entre o revestimento formal concedido aos atos e a verdadeira operação praticada. A vontade formalmente externada não é verdadeira, ocultando, de forma deliberada, a real intenção das partes. É negócio jurídico definido como simulação pelo Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Devem prevalecer, portanto, os efeitos tributários do ato dissimulado, qual seja, alienação de participação societária com ganho de capital sujeito à tributação na forma do artigos 418 do RIR/99. Apreciando os fatos narrados, não há como afastar a presença do elemento doloso. Tem cabimento reiterar que a operação que formalmente foi aperfeiçoada pela Recorrente é uma reorganização societária com emissão do bônus de subscrição em 11.10.2006, fl. 876 pela Univias Participações S/A, pagamento desse bônus de subscrição pela Robina Empreendimentos e Participações Ltda e repasse dos valores recebidos pela Univias Participações S/A aos sócios, mediante contrato de mútuo, para quitação com futuro resgate de ações. Para fins tributários, contudo, ficou caracterizada como de fato uma alienação de participação societária na Univias Participações S/A de titularidade da Recorrente para Robina 17 Fundamentação legal: art. 20 e art. 33 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.348 48 Empreendimentos e Participações Ltda, no valor tributável de R$452.802,91 apurado em 31.12.2006. Houve falta de registro do ganho de capital na alienação de investimento gerando, em consequência redução indevida do lucro sujeito à tributação, uma vez que, sem amparo legal, o custo de aquisição da participação societária na Univias Participações S/A foi calculado indevidamente pelo método de equivalência patrimonial, já que as sociedade empresárias não eram coligadas ou controladas. Nos presentes autos restaram configurados: (a) a simulação pelo comportamento da Recorrente em que se detecta uma inadequação ou não equivalência entre a forma jurídica sob a qual a reorganização societária se apresenta e a alienação de participação societária, em verdade é a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, (b) a fraude à lei pela Recorrente de evitar dolosamente o surgimento do fato gerador do IRPJ, qual seja, o ganho de capital; (c) o conluio pelo o ajuste doloso entre as pessoas jurídicas do grupo econômico visando a economia fiscal de forma ilícita, qual seja, mediante uma sucessão de operações efetivadas em um curto espaço de tempo as pessoas jurídicas não tinham intenção de admitir um novo sócio, mas a Recorrente queria tãosomente alienar sua participação societária; e (d) o abuso de direito pela Recorrente o resultado fiscal alcançado pelo ato efetivado deuse em prejuízo do Erário. Tratase de uma sucessão de operações, que tinham por objetivo final reduzir o ganho de capital a ser auferido na alienação da participação societária da Recorrente. Reiterese que no presente caso, foi utilizado artificialmente o instituto dos bônus de subscrição, uma vez que o "Acordo de Investimentos e Outros Pactos", celebrado em momento anterior capitalização, já previa a redução de capital, mediante resgate de ações. Além disso, as receitas advindas do pagamento do ágio da subscrição foram transferidas aos acionistas por meio de contratos de mútuo. Nesse sentido, fica evidente que em nenhum momento houve, por parte da Recorrente e seus sócios, a intenção de angariar investimentos para a capitalização da Univias Participações S/A, ou mesmo de se admitir o ingresso de um novo sócio. A emissão dos bônus de subscrição serviu especificamente para majorar o custo do investimento que a Recorrente detinha na Univias Participações S/A, procedimento que foi útil para reduzir a base tributável, quando da alienação de sua participação societária à Robina Empreendimentos e Participações Ltda. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 28. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente peticiona no sentido de que os presentes autos sejam juntados ao processo nº 110080.731774/201111 de interesse da pessoa jurídica BGPAR S/A. Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.349 49 A legislação processual ampara a circunstância no sentido de que os autos de infração, em relação ao mesmo sujeito passivo, possam ser formalizados em um único feito, qual seja, no caso em que a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, em conformidade com o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Esse procedimento não foi adotado pela autoridade fiscal por não se tratar da mesma pessoa jurídica. Ademais, no âmbito da RFB, não se verificou nos presentes autos qauisquer das hipótese de juntada dos autos por anexação previstas na Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Em relação à possibilidade jurídica de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício tendo como sujeitos passivos, entre outros, a Metrovias S/A Concessionária de Rodovias ou Univias Participações S/A ou Robina Empreendimentos e Participações Ltda, temse que o procedimento fiscal somente pode ser levado a efeito caso verificado o ilícito tributário. Temse que por dever de ofício a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional. Tais procedimentos, contudo, não podem ser avaliados nos presentes autos por falta de objeto. O argumento narrado pela defendente, portanto, é desarrazoado. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso18. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade19. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo20. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 18 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 19 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 20 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.350 50 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.351 51 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Dispõem os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (grifouse): Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Considerou a Turma, em sessão, por maioria, que, no presente caso, em se tratando de operações que envolvem diversas empresas componentes do mesmo Grupo Econômico, todas objeto da mesma fiscalização pelo mesmo órgão jurisdicionante, deveria o julgamento de todos os processos daí decorrentes ficar vinculados ao mesmo relator, na forma dos dispositivos acima transcritos, em face de sua íntima conexão. Em pesquisa no site do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (http://carf.fazenda.gov.br), observei que o processo de nº 11080.730002/201161 (CP Construções e Participações Ltda.), mencionado pela Relatora em seu Voto, foi distribuído à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF (Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva). Dessa forma, voto por declinar da competência à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, tendo em vista a íntima conexão com o processo de nº 11080.730002/201161 (CP Construções e Participações Ltda.), com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), e tendo em vista os princípios da uniformidade de decisão deste CARF e da eliminação de duplicidade de esforços. Observo, por oportuno, que a Primeira Turma Especial da Primeira Seção do CARF adotou o mesmo procedimento com relação ao processo da BGPAR, de nº Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1803002.262 S1TE03 Fl. 2.352 52 110080.731774/201111, ao qual a Recorrente solicitara que este acompanhasse, por meio do Acórdão nº 1801000.223, de 8 de maio de 2013. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16366.000285/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Relatório
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 00 28 5/ 20 10 -5 0 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 557 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente ante Despacho Decisório de Autoridade da Delegacia da Receita Federal em Londrina. A contribuinte apurou o crédito no montante de R$ 3.255.783,81 (três milhões, duzentos e cinquenta e cinco mil, setecentos e noventa e quatro reais e cinquenta e quatro centavos) relativo à COFINS não cumulativa, vinculado às exportações realizadas no 2° trimestre de 2009, pedindo o ressarcimento de parte do valor, equivalente a importância de R$ 886.794,54 (oitocentos e oitenta e seis mil, setecentos e noventa e quatro reais e cinquenta e quatro centavos)e utilizando o restante (equivalente aR$ 2.368.982,27 dois milhões, trezentos e sessenta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e vinte e sete centavos) em declarações de compensação. Após analisar os documentos apresentados pela requerente, a DRF reconheceu somente o crédito de R$ 1.241.407,02 (um milhão, duzentos e quarenta e um mil, quatrocentos e sete reais e dois centavos), homologando até o limite de crédito as compensações na DCOMP n°06814.18352.2805091.3.091984, não homologando as DCOMP’s de nºs. 06814.18352.280509.1.3.091984, 40088.51423.220609.1.3.093103, 21333.55526.150709.1.3.09.3380, 00191.90391.300709.1.3.094017, 28166.66415.120809.1.3.094948, 37425.05083.190809.1.3.090115, 24134.98026.151009.1.3.090819, e indeferindo o pedido de ressarcimento n° 00488.36961.130709.1.1.094093, tendo em vista que o crédito já havia sido aproveitado na compensação. Os motivos do indeferimento parcial do crédito constam da informação fiscal da DRF de Londrina de folhas 384/399, cujo conteúdo em parte transcrevo: c.1) Regra a ser seguida para aproveitamento do crédito presumido na aquisição de insumos agropecuários. Suspensão obrigatória É sabido que no setor agroindustrial as pessoas físicas (produtores rurais) fornecem insumos agropecuários a pessoas jurídicas que estejam apurando a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins de forma não cumulativa. Essas pessoas físicas (fornecedoras) não são contribuintes dessas contribuições e, portanto, suas vendas não produziam direito ao creditamento pelos adquirentes. Esse fato desequilibrou as relações comerciais no agronegócio,uma vez que se dava preferência para aquisição de insumos de pessoas jurídicas. [...] c.2) Aquisições feitas pela requerente de Sociedades Cooperativas com aproveitamento de crédito integral das contribuições ao Pis e á Cofins Constatei que no 2o trimestre a requerente concentrou o aproveitamento de crédito presumido apenas nas aquisições de pessoas físicas, conforme relação de fls. 113 a 119. Nas aquisições de pessoas jurídicas, sociedades cooperativas (relação de fls. 102 a118) e notas fiscais de fls. 217 a 353), efetuou, em Fl. 578DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 558 3 desacordo com o exposto anteriormente, o aproveitamento do crédito integral das contribuições ao Pis e à Cofins. Desta forma, e tendo em vista o disposto no artigo 4º da Instrução Normativa SRF660/2006, as aquisições de insumos (café cru) daquelas empresas foram consideradas passíveis de aproveitamento apenas do crédito presumido, conforme artigos 5º, 7º e 8º da referida IN, relação de fls. 354 a 360, e consolidação feita no demonstrativo de fls. 376. [...] C.3) Forma de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria Cabe destacar que o referido crédito presumido, face à inexistência de previsão legal,somente pode ser utilizado para dedução das próprias contribuições ao Pis e Cofins nãocumulativos, conforme interpretação contida nos artigos 1° e 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF 15, de 22 de dezembro de 2005 e regulamentação dada pela IN SRF 660, de17 de julho de 2006, art. 8o, § 3o, II, abaixo transcritos: [...] VI Valores que não geram direito ao crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa No decorrer da análise constatouse, conforme relações de fls. 105, 106, 111 e 115,que a empresa utiliza custos/despesas (despesas com seguros de mercadorias), classificadas como "outras operações com direito a crédito", que não são passíveis de crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa.[...] Em relação aos custos classificados como manipulação, a empresa requerente formulou consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – 9ª Região Fiscal que,mediante a Solução de Consulta n° 320, de 29 de outubro de 2004, concluiu que as despesas relativas à armazenagem e manipulação de café (prélimpeza, eliminação inicial de impurezas,posterior de grãos defeituosos, classificação do café de acordo com o tamanho dos grãos,ensaque, costura e blocação dos volumes e formação de lotes para embarque), incluídas nas faturas emitidas pelas empresas de armazenagem, são passíveis de aproveitamento de crédito das contribuições ao Pis e Cofins não cumulativos. Não obstante a solução de consulta acima,verificase pelos documentos já mencionados, a inclusão nas faturas de cobrança também de taxas de seguro, despesas não abrangidas na solução proposta acima. [...] Desta forma estes gastos, apesar de se tratarem de custos/despesas relacionados à armazenagem, não se configuram como tais e nem foram aplicados ou consumidos diretamente a produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo), razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa. [...] DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 579DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 559 4 Cientificada do despacho decisório em 29/04/2011, conforme fls.415/416,o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 417/448 n.e., cujos argumentos, por já resumidos no acórdão0637.199 da 3ªda DRJ/CTA, merecem ser transcritos por medida de brevidade: Quanto às aquisições (de sociedades cooperativas) para revenda, diz que o “café cru” adquirido é revendido no mercado externo. Alega que a revenda pode ser comprovada, conforme documentos que diz estar apresentando (docs. 03 e 04). No que diz respeito às aquisições (de sociedades cooperativas) de insumos, diz que além de revender o café cru realiza o processo de beneficiamento, ou seja, aperfeiçoa o café, sem lhe alterar a substância (exemplifica com os documentos nºs 05 e 06 que diz estar juntando aos autos). A seguir, discorre sobre as glosas efetuadas pelo fisco quando da análise de seus pedidos. No item “III” de sua manifestação, reclama o direito ao crédito fiscal integral da Cofins. Fala, no subitem 3.1, extensamente sobre a vinculação do crédito fiscal da Cofins à cadeia produtiva do café e chega às seguintes conclusões: a) que a regra de suspensão da Cofins pressupõe o preenchimento de requisitos nos dois polos, fornecedor e adquirente; b) que as sociedades cooperativas de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, consideradas fornecedoras – e antes adquirentes de café in natura aproveitam o crédito presumido da Cofins, visto que exercem cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café; c) que em não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de café cru é tributada nessa saída à alíquota de 7,6% da Cofins e nesse caso o adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito fiscal integral da Cofins; d) que o autor do procedimento fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente a etapa de industrialização do café in natura que abrange a entrada do café in natura – com o consequente direito à apropriação do crédito presumido pelas Sociedades Cooperativas de Produção Agropecuária, inclusive Agroindustrial e a aquisição de café cru beneficiado dessas Sociedades Cooperativas. No subitem 3.2 de sua manifestação, a contribuinte fala sobre a impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café. Esclarece que “ao fazer prevalecer o entendimento do autor do procedimento fiscal, estarseá admitindo o aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia produtiva do café, em desacordo com o artigo 9º, § 1º, inciso II, da Lei nº 10.925, de 2004”. Conclui, assim, que com fundamento na própria legislação tributária, não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da Cofins em duas etapas da cadeia produtiva do café. No subitem 3.3 de sua petição lista as conclusões de sua análise. Na sequência, no item IV de sua manifestação, discorre sobre o que chama de novo entendimento do CARF acerca das despesas com seguro de mercadorias. Disserta sobre o que entende significar a palavra “insumo” e conclui que “devem ser admitidos como insumos Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 560 5 não apenas os bens e serviços aplicados e consumidos na fabricação do produto, mas todos os custos diretos e indiretos de produção, e até mesmo despesas que assim sejam registradas contabilmente, mas que contribuam para a produção.” Logo, acrescenta, “não há como desprezar os gastos com seguros na determinação da base de cálculo da norma da nãocumulatividadeda Cofins, dado que são necessários para a formação do custo do produto café para auferir do (sic) faturamento.” Chama a atenção para a jurisprudência do CARF. No tópico seguinte, fala sobre o direito à compensação/ressarcimento em espécie dos créditos presumidos incontroversos de Cofins. Sobre o assunto afirma que: “os créditos presumidos da CofinsExportação, aproveitados em relação à aquisição de insumos de pessoas físicas, bem como de pessoas jurídicas, referentes ao 2° trimestre de 2009, incontroversos e deferidos no julgamento administrativo, em relação a outras operações realizadas pela Requerente, devem ser passíveis de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou então, ressarcidos em espécie, de acordo com a interpretação do artigo 36 da Lei n° 12.058/2009 (regulamentado pelo artigo 18 da IN SRFB n° 977/09), consentânea com os princípios da não cumulatividade e o da isonomia.” Diz que embora o dispositivo faça referência apenas aos créditos presumidos da Cofins, apurados em relação ao setor da carne bovina, a possibilidade de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal bem como o ressarcimento em espécie deve ser estendidas aos demais setores do agronegócio exportador, sob pena de ofensa aos princípios da não cumulatividade e o da isonomia. Requer, portanto, a aplicação analógica do art. 36 da referida Lei aos créditos incontroversos de CofinsExportação no presente caso. Ao final, requer o acolhimento da manifestação e a reforma do despacho decisório para: a) que seja reconhecido o direito ao crédito fiscal integral da Cofins em relação às aquisições de "café cru" de sociedades cooperativas e às despesas de seguro; b) que seja restabelecido o aproveitamento do crédito fiscal integral de Cofins no valor de R$ 2.014.376,61, com o consequente deferimento do pedido de ressarcimento n° 00488.36961.130709.1.1.094093, nos termos da fundamentação, para posterior ressarcimento em espécie; c) que seja feita a compensação com outros tributos administrados pela RFB e/ou o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Cofins já reconhecidos e incontroversos, nos termos da aplicação analógica do artigo 36 da Lei n° 12.058/09; d) que sobre os créditos de Cofins (deferidos/incontroversos e os que são objeto da presente Manifestação de Inconformidade), sofram a incidência de taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento n°. 00488.36961.130709.1.1.094093, em 13/07/2009, em razão de ter sido esgotado o prazo de 360 dias, previsto no artigo 24 da Lei n°. 11.457, de 2007, c/c o parágrafo 4º do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 1995, e; Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 561 6 e) que, em virtude do direito a apropriação integral dos créditos da Cofins, seja revista a posição de preponderantemente exportadora, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 1.060 de 03/08/2010 ("ressarcimento acelerado"), em relação aos futuros pedidos. Instruem a manifestação, os documentos de fls. 450/474 (cópia de procuração, cópia de documentos societários e cópias de notas fiscais de venda e de aquisição). É o relatório. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, proferiu o Acórdão de nº. 0637.199, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 AQUISIÇÕES. INSUMOS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, no caso, classificadas no capítulo 9 da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na produção, quando adquiridos de pessoa física, cerealista (nos termos da lei), pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuárias e sociedades cooperativas de produção agropecuária. AQUISIÇÕES DE CAFÉ CRU. REVENDA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO PRESUMIDO. Na falta de comprovação pela contribuinte da quantidade de café cru que foi adquirido e teve sua destinação para insumo (crédito presumido) ou para revenda (crédito básico), é de se considerar, pelas provas contidas nos autos, apenas o direito de deduzir da contribuição devida, em cada período de apuração, o valor equivalente ao crédito presumido sobre os valores adquiridos. DESPESAS COM SEGUROS. INSUMO. CONCEITO. A despesa com a contratação de seguros com a armazenagem de produtos não pode ser acrescida ao valor dos insumos, já que para isso, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades Fl. 582DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 562 7 físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃOCUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da Cofins apurada no regime de incidência não cumulativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Primeiramente a 3ª Turma da DRJ/CTA tratou a questão do aproveitamento de crédito de COFINS. Assevera, com base na nova redação da Lei n° 11.051/2004, que as pessoas jurídicas, incluindo cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, dentre elas as classificadas no capítulo 9 da NCM, e que sejam destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir da COFINS devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado nos termos da legislação. Já no que se refere à falta de comprovação e pela análise das provas contidas nos autos, a 3ª Turma da DRJ/CTA entendeu que a contribuinte tem apenas o direito de deduzir o valor equivalente ao crédito presumido sobre os valores adquiridos, de cada período de apuração. No que tange às despesas com contração de seguros, o órgão julgador afirma que não pode acrescer essas despesas ao valor dos insumos, já que para isso, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. Em seguida, com base na Lei 10.925/2004, art. 8°, afirma que o crédito presumido não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento. Ao fim, considera que o pedido da aplicação da taxa Selic sobre os valores pleiteados não pode ser acolhido, tendo em vista que o teor do despacho decisório não foi alterado no presente julgamento, que não há previsão de aplicação da taxa SELIC no descumprimento do contido no art. 24 da Lei n° 11.457/2007, e, que existe previsão expresa na legislação vedando a incidência da taxa Selic sobre ressarcimentos de COFINS – art. 13 da Lei n° 10.833/2003. No pedido complementar seguinte a contribuinte requereu que fosse revista a posição da empresa para preponderantemente exportadora nos termos da IN RFB n° 1.060/2010, porém, o órgão julgador entendeu que a questão não pode ser avaliada no âmbito do presente processo. Após todo o exposto, votou no sentido de rejeitar as razões de inconformidade, mantendo os termos do despacho decisório questionado. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 563 8 DO RECURSO Ciente em 10/07/2012 do Acórdão nº. 0637.199, e não se conformando com a decisão improcedente da manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou em 06/08/2012Recurso Voluntário a este Conselho. Preliminarmente a contribuinte alega ter sido prejudicada com o teor da decisão recorrida, afirmando que o referido acórdão não buscou a verdade material dos fatos. Ainda em sede de preliminar, o contribuinte trouxe alguns argumentos que transcrevo abaixo: 1) Tratase de defesa [manifestação de Inconformidade] em pedido de ressarcimento de créditos da COFINSexportação. O anterior período de fiscalização pressupõe a análise de toda escrituração contábil e fiscal da Recorrente (inegável acesso a todas as provas), sendo a “base” para a glosa dos créditos; 2) Em especial, integram o processo administrativo, as notas fiscais de aquisição das sociedades cooperativas – documento hábil e idôneo (relação de fls. 102 a 118; fls. 136 a 199; fls. 202 a 374, como refere a própria informação fiscal, em fls. 04, referente às fls. do processo). 3) Na manifestação de inconformidade foram juntadas, novamente, por amostragem (por sociedade cooperativa fornecedora), as notas fiscais, a fim de ratificar a natureza do produto adquirido, resultado do processo agroindustrial realizado pelas sociedades cooperativas fornecedoras, bem como pela omissão de que a saída foi suspensa (ratificada, em algumas notas fiscais, pela expressão “operação tributada a alíquota global de 9,25%”). No que se refere às notas fiscais de aquisição, concluiu que o julgador “invalidou” as provas lícitas, colhidas durante o período de fiscalização. Inclusive, sequer analisou as informações constantes na nota fiscal de aquisição, tais como a natureza do produto adquirido e a omissão de que a saída foi suspensa, ratificada, em algumas notas fiscais, pela expressão “operação sujeita a PIS/COFINS”.Em seguida, alude o princípio inquisitório/oficialidade previsto no caput do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 c/c artigo 29 desse mesmo Decreto. Asseverou que pelo princípio aludido, se o julgador entender que as provas não são suficientes, deveria proceder às diligências nas sociedades cooperativas, a fim de evidenciar que as mesmas realizam as atividades de produção a que se refere o §6° do artigo 8° da Lei n° 10.925, de 2004. Estes foram os ensejos pelos quais entendeu que o seu direito de defesa restou comprometido. Alega que o órgão julgador manteve a glosa dos créditos fiscais sob dois fundamentos contraditórios entre si, o primeiro é que “não se comprova a quantificação do produto envolvido nessa situação” [revenda]. Continua: [...] “como as provas apresentadas não permitem que se chegue à conclusão visada [digase direito ao crédito fiscal integral], inegável que a solução dada ao litígio não pode ser outra, que não a manutenção do contido no despacho decisório” (fls. 13), o segundo fundamento aduz que “a suspensão da incidência do PIS e da COFINS não deve ocorrer, não gerando assim crédito presumido para o adquirente (a Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 564 9 interessada), mas crédito integral, apenas no caso de vendas, feitas por empresas produtoras (incluídas as cooperativas), de produtos classificados no código 09.01 da NCM” (fls. 16 da decisão recorrida). Diante dos fundamentos alegados pelo órgão julgador, a recorrente argumentou a respeito da contradição alegada, conforme citação abaixo: ou prevalece o direito da Recorrente ao crédito fiscal integral e, neste caso, tratase de mera ausência em quantificar o produto envolvido; ou prevalece o direito ao crédito fiscal integral no caso de vendas (aquisição pela Recorrente) de café cru de sociedades cooperativas, em razão da atividade agroindustrial exercida do produto, tratandose de mera ausência de comprovar o exercício cumulativo das atividades a que se refere o § 6º do artigo 8° da Lei n°. 10.925, de 2004. No que diz respeito à omissão, assevera que o órgão julgador não se manifestou quanto às notas fiscais de aquisição juntadas na Manifestação de Inconformidade, bem como às informações indicativas do direito ao crédito ordinário. Ademais, a recorrente subsidiariamente pugna, caso não seja decretada a nulidade da decisão a quo, pela juntada de declarações das sociedades cooperativas, fornecedoras do período, quanto ao exercício cumulativo da produção a que se refere o § 6° do artigo 8° da Lei n°. 10.925/04, tendo em vista os seguintes argumentos: O deslinde da controvérsia está pendente desta comprovação segundo o entendimento esposado no acórdão recorrido; A arguição desta prova foi invocada somente nesta primeira instância; e, A prova em questão dependia de terceiros (e não, pura e simplesmente, da Recorrente). No item III do Recurso, discorreu sobre a decisão recorrida, destacou as razões da 3° turma de julgamento no afastamento da Manifestação de Inconformidade juntamente com suas objeções ante as razões da decisão. No item seguinte, utilizase dos argumentos já usados em sede de manifestação. A recorrente trouxe à baila a questão do direito ao crédito fiscal integral da COFINS nas aquisições de “café cru”, beneficiado de sociedades cooperativas. Cita as etapas da cadeia produtiva do café, argumentando a respeito das suas diferenças. No subitem 4.2 faz alusão aos pontos incontroversos da discussão, alega que sua linha argumentativa partiu da interpretação da legislação tributária, referindose à discriminação das diferentes etapas da cadeia produtiva do café. Assevera no subitem 4.3 (café cru em Grão, já Beneficiado) que “por todos – absolutamente todos – os ângulos que se veja, não resta outra a conclusão senão a de que o café beneficiado grão cru para atender sua definição e padrões mínimos de comercialização, Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 565 10 pressupõe necessariamente a prática anterior das atividades cumulativas constantes no § 6° do artigo 8° da Lei. 10.925, de 2004.” No que tange ao aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café, alega a impossibilidade de apropriarse novamente do mesmo crédito presumido da COFINS, pelo fato de desempenhar algumas das atividades constantes no §6° do artigo 8°, da Lei n° 10.925,2004, para o aperfeiçoamento do produto ao exterior. A seguir, no item V (Direito ao Crédito Integral da Cofins – Despesas com Seguro de Mercadorias ), afirma que os gastos com seguros por mais que não caracterizem prestação de serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos destinados à venda, são considerados insumos, uma vez que integram os custos de produção do café. A respeito do item VI (direito a compensação/ressarcimento em espécie dos créditos presumidos incontroversos), a Recorrente declara que os créditos presumidos da COFINS devem ser passíveis de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos referentes aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou então, ressarcidos em espécie de acordo com a interpretação do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004. Ademais, explana no item VII, sobre a incidência da taxa SELIC, alega que o pedido de ressarcimento foi protocolado em 13.07.2009, sendo julgado em 24.04.2011 (data da intimação), aproximadamente 2 (dois) anos após o protocolo. Cita o artigo 24 da Lei n° 11.457, de 2007), que no caso de descumprimento do prazo e 360 dias, incide a Taxa SELIC, como forma a repartir o ônus da demora e evitar o enriquecimento ilícito por parte do fisco, que reteve os valores em prazo superior ao limite máximo legal. Ante o exposto, elaborou requerimento específico a cada tema/mérito abordado, pedindo a procedência do recurso voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 2 (dois) Volumes, numerado até a folha 1788 (mil, setecentos e oitenta e oito), estando apto para análise desta Colenda, 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 566 11 Voto João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, porém, não se encontra em condições de ser julgado neste momento, no estado em que se encontra. Assim sendo, deixo, inicialmente, de analisar as questões preliminares suscitadas pelo recorrente, assim como as demais questões postas nos autos, pois que para o julgamento completo, depende ainda de informações que necessitam ser esclarecidas nestes autos, restando prejudicado, por hora, o debate sobre todos os argumentos sustentados pelo contribuinte, bem como aqueles representativos do entendimento Fiscal. A matéria vertida no processo é atinente à apropriação de créditos presumidos e também básicos da contribuição à COFINS não cumulativa, vinculada às operações de exportação realizadas pelo sujeito passivo interessado, tendo o mesmo efetuado o pedido de ressarcimento de parte do valor apurado, e ainda compensado via DCOMP outro tanto do montante. Consigno brevemente que a segregação das receitas do contribuinte, umas provenientes da simples revenda de café ao mercado externo (ou interno), e outras da venda de café que sofre processo de industrialização antes de ser exportado, é o ponto crucial a ser observado neste julgamento (nesta matéria) pois que, conforme se infere das decisões e recursos até aqui apresentados, pois foi concedido até o momento, o direito ao crédito presumido pela aquisição (pela interessada) de insumos das agroindústrias ou cooperativas de produção agrícola, enquanto que a Recorrente sustenta que possui direito à integralidade do crédito. Em determinado momento da decisão da DRJ, consta a afirmação que teria o sujeito passivo direito ao crédito integral, porém, que não houve a produção de provas que demonstraria que não submete o café cru a processo industrial. Por ser de extrema valia, transcrevo o referido trecho: “Ocorre, contudo, que, apesar de ser possível a ocorrência de tal situação, ou seja, de um mesmo produto (café cru) servir como mercadoria, adquirida para simples revenda, ou como insumo, adquirido para respaldar a produção do estabelecimento, a questão é que a contribuinte, apesar da extensa argumentação desenvolvida (onde busca, didaticamente, demonstrar as etapas de produção do café), não conseguiu provar, de modo inequívoco, quais aquisições foram feitas com o objetivo de servir de insumo à sua produção e quais foram realizadas para simples revenda seja no mercado interno seja no externo. A diferenciação e a quantificação são cruciais, já que as aquisições de insumos, quando nos referimos à produção de itens classificados no capítulo 9 da NCM, implicam considerar apenas crédito presumido para a Cofins. Esclareçase, por oportuno, que não se desconhece o fato de que o “café cru”, na conceituação adotada por órgãos técnicos, é um café que não pode mais ser considerado “in Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 567 12 natura” eis que já passou por alguma espécie de beneficiamento. A questão, no entanto, é que, como já ressaltado, a própria contribuinte admite que, apesar disso, esse mesmo café também foi adquirido para servir de insumo à sua produção. Como, no entanto, não se comprova a quantificação do produto envolvido nessa situação, e, mais uma vez ressaltando, como as provas apresentadas não permitem que se chegue à conclusão visada, inegável que a solução a ser dada ao litígio não pode ser outra, que não a manutenção do contido no despacho decisório (mormente quando se sabe que, tratandose de pedido de ressarcimento, a prova relacionada ao direito cabe ao próprio interessado).” (Destaquei) Sustenta a Recorrente que teria logrado comprovar que não submete o café cru a processo industrial ao trazer aos autos declarações firmadas pelas cooperativas fornecedoras do café de que já teriam submetido o produto ao processo descrito nos §§6º e 7º, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, e ainda, cópia de Notas fiscais que descreveriam o estado do café adquirido, também a classificação das mercadorias no DECEX/SISCOMEX e site das referidas cooperativas. Tenho que tais elementos de prova servem de indício de que realmente os produtos poderiam ter sido adquiridos para simples revenda, servindo de início de prova da possível plausibilidade dos argumentos da Recorrente. Porém, não se presta a esgotar o assunto e a temática do aproveitamento dos créditos, pois que se faz necessário que seja aplicado a todas as aquisições, efetivado o cotejo com o processo empresarial aquilatando se houve algum processo industrial (e quais; e se foram “cumulativos”), e por fim, confrontar as vendas ao mercado interno e externo com produtos/mercadorias em questão, recompondose os efeitos na apuração das contribuições a COFINS de que trata o pedido de ressarcimento e pertinentes DCOMP’s. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, devendo imperar a busca da verdade material, princípio norteador do processo administrativo, de modo que entendo necessária a baixa destes autos para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: a) Verificar, junto ao contribuinte, se e quanto do café cru adquirido pela Recorrente era submetido a processo industrial, descrevendo todas as formas de industrialização e se eram “cumulativas”, nos termos dos §§6º e 7º, do art. 8º, da Lei n° 10/925/2004, bem como as quantidades que eram simplesmente revendidas, segregando mercado interno do externo; b) Em sendo efetivada a segregação entre os produtos submetidos a processo industrial “cumulativo” das atividades descritas nos citados §§6º e 7º, do art. 8º, da Lei n° 10/925/2004, posicionarse sobre a eventual existência a parcela de crédito presumido e de crédito integral das referidas aquisições do período em questão; c) Recompor os efeitos das aferições das alíneas “a” e “b”, acima, na apuração da contribuição à COFINS de que trata o pedido de ressarcimento; d) Emitir Relatório Conclusivo da Diligência realizada, manifestandose sobre a existência ou não de créditos ressarciendos, seus montantes e reflexos no pedido de ressarcimento e correspondentes DCOMP’s vinculadas; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16366.000285/201050 Resolução nº 3402000.678 S3C4T2 Fl. 568 13 e) Após seja dado vista ao contribuinte para, querendo, apresentar manifestação em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, sendo que, após decorrido este prazo, com ou sem manifestação, devem os autos retornar à este Colegiado para reinclusão em pauta e continuidade no julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10725.001059/2005-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL
Não obstante a previsão legal da obrigatoriedade do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, a partir do exercício de 2001, inexigível é a sua prévia comprovação e, consequentemente, não há de se exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins da redução do valor do ITR.
Saliente-se que, no presente caso, o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal em 12/07/2005 (fls. 07), referente ao ITR do exercício de 2001 e que o ADA foi protocolado junto ao IBAMA em 20/12/2002 (fls. 34).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL Não obstante a previsão legal da obrigatoriedade do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, a partir do exercício de 2001, inexigível é a sua prévia comprovação e, consequentemente, não há de se exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins da redução do valor do ITR. Salientese que, no presente caso, o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal em 12/07/2005 (fls. 07), referente ao ITR do exercício de 2001 e que o ADA foi protocolado junto ao IBAMA em 20/12/2002 (fls. 34). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 10 59 /2 00 5- 16 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2102 00.691, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 18 de junho de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Segue abaixo a sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Recurso Voluntário Provido O apelo da Fazenda Nacional visa discutir a necessidade de apresentação tempestiva de ADA como condição para a exclusão de área de preservação permanente ou área de reserva legal para fins de isenção do ITR e apresenta o paradigma 30238.844, assim ementado: 30238.844 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.001059/200516 Acórdão n.º 9202003.292 CSRFT2 Fl. 8 3 sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA – COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim rejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omnes. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Ressalta a divergência entre os julgados: enquanto o acórdão recorrido entende que a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA não é condição suficiente para impedir a isenção do ITR, o acórdão paradigma defende que o ADA deve ser apresentado no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Afirma que para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, a partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove o reconhecimento formal, específico e individual da área como tal. Diz que, para isso, deverá protocolizar o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração do ITR, de acordo com a IN SRF nº 73/00, vigente à época do fato gerador do tributo. Ressalta que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, ou seja, não enseja multa regulamentar – o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto. Acrescenta que é totalmente equivocado o entendimento de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da MP nº 2.16667/2001, in verbis: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 § 7º A declaração para fim de isenção do ITR, relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d” do inciso II, § 1º desse artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Alega que o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, ou seja, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo. Traz vários outros dispositivos legais que tratam da exigência do ADA ou do protocolo de requerimento para sua emissão na obtenção da isenção do ITR, dentre eles o Manual de Perguntas e Respostas do ITR (perguntas 66 e 67), o Decreto nº 4.382/2002, a Solução de Consulta Interna nº 12/2003 (Cosit) e diz que de acordo com essa legislação, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contados da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Afirma que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938/81, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000. E ainda cita a Lei nº 9.393/96, art.110, inciso II que prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal. Destaca que esse dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art.111 do CTN. Registra que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e utilização limitada; o que se busca é a comprovação do cumprimento tempestivo de uma obrigação prevista na legislação, para fins de exclusão da tributação. E que no caso concreto, o contribuinte não solicitou o ADA dentro do prazo previsto na legislação, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de reserva legal. Por fim, requer seja provido seu recurso, mantendose a decisão de primeira instância. O Despacho nº 210000.175/2011 deu seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Alega que não se está discutindo a existência ou não de áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada, uma vez que já ficou comprovada a existência de tais áreas. Ressalta que a controvérsia permanece apenas sobre a necessidade de apresentação tempestiva ou não do ADA, para fins de não incidência de ITR sobre essas áreas. Argumenta que a Súmula CARF nº 41 – segundo a qual “a não apresentação do ADA emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000” – não pode levar ao equívoco de se considerar que os lançamentos efetuados a partir do exercício de 2001 podem ter fundamentos na falta de apresentação ou apresentação intempestiva de ADA. Diz que não se pode cair no erro de entender que, a contrario sensu, seria legal a exigência de ADA para fins tributários a partir de 2001. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.001059/200516 Acórdão n.º 9202003.292 CSRFT2 Fl. 9 5 Cita a Medida Provisória nº 2.16667, de 2001 como fundamento para a inexigibilidade do ADA, além de alguns acórdãos do STJ que desobrigam a tempestividade do ADA para isenção do ITR. Ressalta a natureza do ITR, que é um tributo lançado por homologação, onde o contribuinte declara e recolhe o montante que entende ser devido e, caso seja necessário, pode demonstrar a correção desse recolhimento com evidências documentais. Frisa que é justamente isso que se está requerendo nesta demanda, visto que as áreas não sujeitas à tributação representam fato incontroverso nos autos. Chama a atenção para a cronologia dos fatos: i) a DITR objeto deste auto de infração foi apresentada em 2001; ii) o ADA do imóvel foi protocolizado em 2002; e iii) o auto de infração foi lavrado em 2005, ou seja, o ADA da Fazenda Bonança foi protocolizado cerca de três anos antes da lavratura da autuação. Argumenta ainda que o prazo de seis meses para apresentar o ADA sequer consta em lei, em sentido estrito. Acrescenta que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em outras oportunidades acolhendo o argumento de que se a existência das áreas de preservação permanente e utilização limitada tiver sido comprovada por meio de laudos técnicos e outros documentos, o lançamento fundado na apresentação intempestiva de ADA deve ser desconstituído. Por fim, requer seja negado o recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Conheço do recurso especial, posto que restam demonstrados o dissídio jurisprudencial e os demais requisitos de admissibilidade. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA se tomou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, que incluiu o art. 17 0, § 1°, A. Lei n° 6.938/1981, in verbis:: "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria. § 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (.)." Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por seu turno, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o § 7º ao art. 10, da Lei n°9.393/96: "Art. 10. (...) §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa As áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 2, deste artigo, não está sujeita a. previa comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." Destarte, não obstante a previsão legal da obrigatoriedade do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, a partir do exercício de 2001, inexigível é a sua prévia comprovação e, consequentemente, não há de se exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins da redução do valor do ITR. Neste sentido são os precedentes desta 2ª Turma da CSRF: “ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal.” (Acórdão nº 920202.018, Relator: Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, de 22 de março de 2012) Salientese que, no presente caso, o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal em 12/07/2005 (fls. 07), referente ao ITR do exercício de 2001 e que o ADA foi protocolado junto ao IBAMA em 20/12/2002 (fls. 34). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.001059/200516 Acórdão n.º 9202003.292 CSRFT2 Fl. 10 7 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.002167/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NFLD - RETENÇÃO DE 11% - CONTRATAÇÃO DE PRESTADORA DE SERVIÇOS - OPTANTE PELO SIMPLES - ATO DECLARATÓRIO Nº 10 /2011 PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
De acordo com o descrito no ATO DECLARATÓRIO Nº 10 /2011 A PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º- C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
O parecer que resultou na elaboração do referido ato declaratório, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigando-a a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 21 67 /2 00 8- 05 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.002167/200805 Acórdão n.º 2401003.295 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.079.4800, em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante empreitada e cessão de mão de obra, apuradas no período compreendido entre as competências 04/2003 a 03/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 37 a 40, constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, os valores retidos pela Tomadora de Serviços mediante cessão de mão de Obra, obtidas através das Notas Fiscais de Serviço. Foram criados Levantamentos de acordo com as características dos fatos geradores das contribuições ou para melhor individualizar uma determinada situação, conforme discriminado a seguir: a) UNI — UNITEC SERV. DE ZELADORIA E PORTARIA 0 cálculo das contribuições devidas foi elaborado tomando por base 11 % do valor bruto da Notas Fiscais emitidas. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 09/07/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/07/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 45, nos seguintes termos: Condomínio Edifício Morada Vento Leste sito A. Av. Beira Mar, 872, recebeu Termo de Intimação para apresentação de documentos — TIAD, tendo disponibilizado em data mareada todas as folhas de • pagamento. Recibos de férias, Rescisões Contratuais, RAIS, SEFIP, GPS, de todos os empregados e documentação exigida no termo préfalado nada sendo mais solicitado pelos fiscais, até o recebimento via Sedex do Oficio n°614/2007 no dia 14.07.2007 pelo porteiro Sr. Rogério Rodrigues de Araújo. 2. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD 37.079.4800 relata a Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Retenção das Notas Fiscais de Serviços, sem atentar para o fato de que a Prestadora de Serviços é OPTANTE do SIMPLES tendo mensalmente apresentado GFIP e GPS junto a Administração do Condomínio ( Anexamos pesquisa feita em 04/06/2007 no site http://w.w.w.receita.fazenda. gov.br/aplicac oes/atbhe/cpsimp le s/consulta/dsp ) para comprovação da opção do Simples. Foi exarada a Decisão que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 671 a 674. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/04/2003 a 31/03/2007.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter e recolher à Seguridade Social, onze por cento (11%) sobre o valor dos serviços que lhe forem prestados, nos.termos do art. 31 da Lei 8.212/91. Essa 'obrigação existe mesmo que a empresa prestadora, de serviços seja optante pelo SIMPLES, com exceção apenas do período de 01/01/2000 a 31/08/2002. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 310. Como é facultado interpor recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, vimos, pela presente, pedir que seja analisado o que se segue, em relação à NFLD nro.37.0794800: 1) OCondomínio pagou o valor total das notas fiscais, emitidas pela empresa CAROLINE R. JUCÁ — ME, pois assim fazia com os demais prestadores de serviços para com o Condomínio; 2) A mudança da legislação, após o período de 01/01/2000 e 31/08/2002, bem como a falta de observância do contador aquela época, fez com que o Condomínio , segundo Acordão ng 0814.663 da 5. Turma da DRJ/FOR, por coobrigação, tornase devedor do montante de R$ 34.765,36 (trinta e quatro mil, setecentos e sessenta e cinco reais e trinta e seis centavos), respaldado pela NFLD ng 37.0794800, como demonstra no Acórdão; 3) Disponibilizamos à fiscalização todos os documentos solicitados, inclusive a empresa supracitada apresentou à mesma documento de opção pelo Simples, GFIP e GPS pagas; 4) Dessa forma, o pagamento que ora nos apresentam indevidamente, nada mais é do que, para a empresa, uma bitributação, visto que já recolheu seus impostos Simples, e para o Condomínio o pagamento em duplicidade, pois tendo pago o valor de da Nota Fiscal emitida, teria que pagar 11% (onze por cento) que não foi retido, tendo agora somente a empresa o direito de se ressarcir através de pedido junto o INSS do valor total, haja vista que, tendo feito o pagamento total do valor previdenciário devido, incluso no imposto simples, e da parte debitada dos funcionários em GPS, não teria nada a apresentar referente ao regime compensatório, para qualquer encontro de valores, e por conseguinte receberia em forma de restituição da Seguridade Social o valor relativo aos 11% não retidos. Diante do exposto, solicitamos que seja julgado o débito como improcedente, pela característica da bitributação, bem como pela repetição de débito. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.002167/200805 Acórdão n.º 2401003.295 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 105. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação da presente NFLD seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita, considerando o exercício da atividade vinculada de auditoria. Ademais, tratase de NFLD que tomou por base documentos do próprio recorrente (notas fiscais apresentadas), sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Em se tratando de contratação de serviços mediante cessão ou empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. Não discordo do posicionamento adotado pelo auditor, bem como pelo julgador, considerando os aspectos descritos na lei previdenciária e nos atos normativos; todavia convém analisar a questão considerando não apenas a literalidade do texto legal, mas em especial, os atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional a respeito da questão. Nesse sentido, acredito que o lançamento da retenção de 11%, ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2122/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2122 /2011 A retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço não se aplica às empresas optantes pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Súmula STJ nº 425. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O referido parecer ensejou a publicação do Ato Declaratório 10/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente, posto que o “RETENÇÃO DE 11% DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES” por ele argumentado é a base da elaboração do referido ato declaratório.Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 10 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2122 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.” JURISPRUDÊNCIA: AGA 918369/RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/10/2007, DJ 8/11/2007 P. 197; EDRESP 806223/RJ, Relator Ministro CARLOS FERNANDES MATHIAS – Juiz convocado do TRF/1ª Região, SEGUNDA TURMA, julgado em 4/3/2008, Dje 26/3/2008; ERESP 511001/MG, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/3/2005, DJ 11/4/2005 p. 175; ERESP 523841/MG, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/05/2011, DJ 19/6/2006 p.89; ERESP 584506/MG, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/11/2005, DJ 5/12/2005 P. 210; RESP 511201/MG, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/9/2006, DJ 10/10/2006, p. 293; RESP 826180/MG, Relator Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/2/2007, DJ 28/02/2007 p. 212; RESP 8551600/SP, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 5/9/2006, DJ 25/9/2006 p. 243, RESP 1112467/DF, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/8/2009, DJe 21/8/2009. Brasília, 20 de dezembro de 2011. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.002167/200805 Acórdão n.º 2401003.295 S2C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, entendo assiste razão ao recorrente para que se dê provimento ao recurso, tendo em vista a existência de ato declaratório a respeito do tema. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso e no mérito DAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 741DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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