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Numero do processo: 10650.720629/2018-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS APROVADAS EM DECISÃO JUDICIAL.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS APROVADAS EM DECISÃO JUDICIAL. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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DESPESAS MÉDICAS APROVADAS EM DECISÃO JUDICIAL. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 06 29 /2 01 8- 14 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10650.720629/201814 Acórdão n.º 2002000.906 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 398/402) contra decisão de primeira instância (fls. 380/387), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 369/373), relativo ao anocalendário 2014, exercício 2015, por Dedução Indevida de Despesas Médicas. Inconformado com a exigência fiscal, o representante legal do contribuinte apresentou impugnação às fls. 2/10, alegando que: O contribuinte não possui conta bancária e que os pagamentos foram feitos através do curador ou de irmão que prestam contas judicialmente para que haja o efetivo reembolso; A Receita Federal pode fazer o cruzamento de dados para constatar que os profissionais declaram os valores recebidos; Apresenta recibos idôneos assinados pelos beneficiários. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, para manter o auto de infração em sua integralidade. Inconformado, através de seu representante legal, apresentou Recurso Voluntário, alegando que: a) O contribuinte é portador de paralisia cerebral e sua condição “Incapaz física e mentalmente”, necessita de cuidados específicos; b) Diante da particularidade do recorrente (portador de paralisia cerebral), o valor glosado tornase irrisório; c) A autoridade fiscal não fundamentou a recusa dos recibos e que tais despesas foram objeto de prestação de contas, julgadas e aprovadas pelo Poder Judiciário; d) Não pode a administração fazendária, em procedimento administrativo, ignorar a força da coisa julgada emanada pelo Poder Judiciário. Ofensa a coisa julgada – princípio da prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10650.720629/201814 Acórdão n.º 2002000.906 S2C0T2 Fl. 4 3 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 06/07/2018 (fl. 394); Recurso Voluntário protocolado via postal em 26/07/2018 (fls. 398), assinado pelo curador nomeado (fl.11). Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF: “O contribuinte, através de seu representante, limitouse a dizer que é interditado judicialmente e efetuou os pagamentos em espécie, não apresentou nenhum extrato bancário conforme exigência da Intimação Fiscal, ciência em 14/12/2017, para a comprovação de movimentação financeira que comprove os recibos apresentados de despesas médicas. Consoante a resposta do contribuinte à Intimação Fiscal, para os pagamentos em dinheiro, contribuinte não comprovou movimentação financeira que comprove os recibos apresentados referentes aos profissionais da área de saúde ANA LUCIA PINHEIRO (CPF 603.685.43668), CRISTIANE DORNFELD SOFFIATTI MESQUITA (CPF 517.413.186 53), MARIA REGINA BASILIO TEODORO DOS SANTOS (CPF 449.386.75668), DENITO CARLOS STABILLE (CPF 576.924.75687) e LARISSA CRISTINA DE SOUSA LIMA (CPF 080.494.02665)”. (fl. 371) A r. decisão revisanda entendeu que, “não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado”. Em julgamento, manteve o crédito tributário exigido. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio atacando a decisão de primeira instância. Sustenta em suas razões, a condição física e mental do recorrente e que as contas foram apresentadas ao Poder Judiciário com parecer do Ministério Público, que foram aceitas e aprovadas. Pois bem, foram glosadas as despesas médicas com os seguintes profissionais: O documento de fl. 11 dos autos dá conta que o recorrente de fato é totalmente incapaz para exercer os atos da vida civil, eis que seu irmão Sr. Márcio Elias, foi nomeado como seu curador. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10650.720629/201814 Acórdão n.º 2002000.906 S2C0T2 Fl. 5 4 É sabido que, como curador, o mesmo é obrigado a prestar contas à Justiça da movimentação do dinheiro do curatelado (contribuinte). Para facilitar o trabalho, este relator, relaciona às folhas dos recibos em confronto com as folhas do livro caixa de cada um dos profissionais, relativos às operações realizadas: ANA LUCIA PINHEIRO – FISIOTERAPEUTA Data Recibo Livro caixa Valor 31/01/2014 Fl. 16 Fl. 23 1.179,00 28/02/2014 Fl. 24 Fl. 28 1.572,00 31/03/2014 Fl. 30 Fl. 34 1.540,00 30/04/2014 Fl. 36 Fl. 41 1.260,00 30/05/2014 Fl. 43 Fl. 47 1.820,00 30/06/2014 Fl. 49 Fl. 54 1.680,00 30/07/2014 Fl. 56 Fl. 59 1.540,00 30/08/2014 Fl. 61 Fl. 65 1.820,00 30/09/2014 Fl. 66 Fl. 70 1.960,00 30/10/2014 Fl. 71 Fl. 75 1.540,00 30/11/2014 Fl. 77 Fl. 81 1.540,00 23/12/2014 Fl. 83 Fl. 86 1.400,00 TOTAL 18.851,00 CRISTIANE DORNFELD SOFIATTI MESQUITA – FONOAUDIÓLOGA Data Recibo Livro caixa Valor 31/01/2014 Fl. 90 Fl. 97 1.760,00 28/02/2014 Fl. 98 Fl. 102 1.600,00 29/03/2014 Fl. 104 Fl. 107 1.520,00 30/04/2014 Fl. 110 Fl. 115 1.140,00 30/05/2014 Fl. 117 Fl. 121 1.760,00 30/06/2014 Fl. 123 Fl. 128 1.520,00 30/07/2014 Fl. 130 Fl. 134 960,00 30/08/2014 Fl. 135 Fl. 139 1.440,00 30/09/2014 Fl. 140 Fl. 144 1.760,00 28/10/2014 Fl. 145 Fl. 148 1.440,00 28/11/2014 Fl. 151 Fl. 155 1.800,00 29/12/2014 Fl. 157 Fl. 161 1.360,00 TOTAL 18.060,00 MARIA REGINA BASILIO TEODORO DOS SANTOS – PSICÓLOGA Data Recibo Livro caixa Valor 27/01/2014 Fl. 164 Fl. 169 600,00 24/02/2014 Fl. 172 Fl. 175 800,00 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10650.720629/201814 Acórdão n.º 2002000.906 S2C0T2 Fl. 6 5 31/03/2014 Fl. 178 Fl. 182 1.000,00 28/04/2014 Fl. 184 Fl. 188 600,00 26/05/2014 Fl. 191 Fl. 194 800,00 30/06/2014 Fl. 197 Fl. 202 600,00 28/07/2014 Fl. 204 Fl. 207 600,00 25/08/2014 Fl. 209 Fl. 212 600,00 29/09/2014 Fl. 214 Fl. 217 1.000,00 27/10/2014 Fl. 219 Fl. 222 600,00 24/11/2014 Fl. 225 Fl. 228 800,00 01/12/2014 Fl. 231 Fl. 232 600,00 TOTAL 8.600,00 KELLY SAVANA MINARÉ BALDO SUCUPIRA – FISIOTERAPEUTA Data Recibo Livro caixa Valor 28/02/2014 Fl. 238 Fl. 242 300,00 30/04/2014 Fl. 244 Fl. 249 240,00 30/05/2014 Fl. 251 Fl. 256 210,00 30/06/2014 Fl. 257 Fl. 262 240,00 31/07/2014 Fl. 264 Fl. 268 240,00 31/08/2014 Fl. 269 Fl. 273 90,00 30/09/2014 Fl. 274 Fl. 277 280,00 31/10/2014 Fl. 279 Fl. 283 320,00 30/11/2014 Fl. 285 Fl. 289 280,00 30/12/2014 Fl. 291 Fl. 295 160,00 TOTAL 2.360,00 DENITO CARLOS STABILLE – NEUROLOGISTA Data Recibo Livro caixa Valor 18/01/2014 Fl. 298 Fl. 302 300,00 17/05/2014 Fl. 306 Fl. 309 300,00 18/10/2014 Fl. 312 Fl. 315 400,00 TOTAL 1.000,00 LARISSA CRISTINA DE SOUSA LIMA – FONOAUDIÓLOGA Data Recibo Livro caixa Valor 30/07/2014 Fl. 319 Fl. 322 800,00 TOTAL 800,00 O extrato da conta judicial encontrase às fls. 325/336; o resgate do dinheiro à fl. 329 e a prestação de contas às fls. 338/350. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10650.720629/201814 Acórdão n.º 2002000.906 S2C0T2 Fl. 7 6 Assim sendo, entende este relator, que as contas foram aprovadas pela Justiça Comum (fl. 344), a razão está com o recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.905985/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 59 85 /2 01 5- 61 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13896.905985/201561 Acórdão n.º 3201004.989 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.576, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13896.905985/201561 Acórdão n.º 3201004.989 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.905985/201561 Acórdão n.º 3201004.989 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.000461/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 27/11/2006 a 06/02/2007
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-006.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Renato Vieira de Avila (suplente convocado), Alan Tavora Nem (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos que davam provimento parcial ao recurso para afastar da exigência os valores relativos às mercadorias objeto de notas fiscais de devolução. As Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne não votaram na sessão de janeiro/2019 vez que os votos dos Conselheiros suplentes Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Alan Tavora Nem (suplente convocado) foram colhidos na sessão dezembro/2018. Julgamento iniciado na sessão de dezembro/2018.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Renato Vieira de Avila (suplente convocado), Alan Tavora Nem (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos que davam provimento parcial ao recurso para afastar da exigência os valores relativos às mercadorias objeto de notas fiscais de devolução. 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Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração para exigência de crédito tributário no valor de R$ 3.164.205,00 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração e de seu relatório fiscal (Termo de Encerramento de Diligência – fls. 37 a 53) que a importadora Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda realizou diversas importações utilizandose de recursos da empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda descumprindo as normas de importação pertinentes. As Declarações de Importação foram registradas informandose que a importadora e adquirente das mercadorias seria a empresa Petra, todavia todas as mercadorias importadas até 28/02/2007 foram vendidas para a empresa SL e os recursos utilizados para pagamento dos tributos e fechamento dos contratos de câmbio provieram de Contratos de Mútuo da sócia das empresas, sendo que sua origem foi a empresa SL. Considerandose que as mercadorias foram dadas a consumo, conforme declaração da sóciagerente, foi lavrada multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no §3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. As Declarações de Importação objeto do auto de infração são as seguintes: DI NUM DATA DE REGISTRO VALOR ADUANEIRO/CIF(R$) 0701618862 06fev2007 54.447,00 0701618811 06fev2007 66.391,00 0701385728 01fev2007 233.061,00 0701094901 25jan2007 175.783,00 0701094847 25jan2007 170.165,00 0701094839 25jan2007 76.053,00 0701042863 24jan2007 545.033,00 0701025012 24jan2007 249.065,00 0700855062 19jan2007 109.150,00 0700536110 12jan2007 558.416,00 0700469910 11jan2007 361.703,00 0700348098 09jan2007 116.875,00 0615525444 21dez2006 187.115,00 0615334088 18dez2006 78.424,00 0615107073 12dez2006 162.721,00 Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.234 3 0614385312 27nov2006 19.803,00 TOTAL 3.164.205,00 Em diligências efetuadas na empresa Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda verificouse a seguinte situação, em síntese: A empresa Petra é constituída pelos sócios Maria de Lourdes Santos Chervonagura (5% do Capital Social ) e a empresa Desk Village Sociedad Anônima, sediada no Uruguai, que tem como procuradora e responsável no País a Sra. Maria de Lourdes. A sede da empresa Petra funciona em imóvel de 107,05 m2 pertencente à empresa Matisse Participações Ltda, empresa constituída pelo sr. Saul Chervonagura Trosman e por seus filhos Erica Santos Chervonagura Trosman e Iael Santos Chervonagura Trosman. Nessa sala trabalha uma secretária e, quando necessário, a sócia Maria de Lourdes Santos Chervonagura comparece para resolver algum problema. Nesse local são emitidas as Notas Fiscais de Entrada e Saída de Mercadorias. Foi informado que a empresa se utiliza de área de 30% de um imóvel da empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda, que perfaz 1.581 m2, e que pertence à empresa E.J. Wagner Engenharia e Construção Ltda, para utilizar para armazenamento das mercadorias importadas e comercializadas no mercado interno. Os valores referentes ao IPTU e às despesas de energia elétrica, água e telefone são pagas proporcionalmente à área do imóvel ocupado, conforme contrato de locação. A empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda é constituída pelos sócios Maria de Lourdes Santos Chervonagura (5% do Capital Social ) e a empresa Dive Garden Sociedad Anonima (95% do Capital Social) uruguaia e cujo procurador e representante no Brasil é Saul Chervonagura Trosman, marido da sra. Maria de Lourdes. Os sócios fundadores da empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda foram a empresa Uruguaia Dive Garden Sociedad Anônima, Saul Chervonagura Trosman e Marcelo Caetano Taniello Santos Azevedo, que se retirou da sociedade quando ingressou a sócia Maria de Lourdes. O depósito compartilhado entre as empresas Petra e SL não apresenta nenhuma separação física que permita distinguir quais mercadorias pertencem a qual empresa. O controle de estoques é realizado por sistema informatizado, conforme demonstrado por Maria de Lourdes. Foram emitidos Relatórios de Ocupação das empresas, bem como Relatório da Invoice. Maria de Lourdes trabalha em escritório localizado no interior do depósito, juntamente com seu esposo Saul (que possui outra sala) e quando necessário se desloca à outra sala comercial, no endereço sede. Saul Trosman é o responsável pelo contato com os fornecedores externos de ambas empresas (Petra e SL). Maria de Lourdes detém conhecimento das rotinas de trabalho e controle informatizado de emissão de relatórios. Não há como se saber quais dos 120 funcionários fazem parte dos 30% que trabalham para a Petra como informado pela sócia. Tanto interna como externamente somente é possível visualizar a marca “Láquila”, que pertence à empresa SL. Há necessidade de inscrição tanto federal, estadual, quanto municipal próprias da Petra no local de funcionamento do depósito de mercadorias (filial da empresa) para fins de controle do transporte e armazenagem das mercadorias. “Conforme Termo de Declaração (fls. 460) a Sra. Maria de Lourdes informa, entre outras coisas, que a partir do final de Fl. 1235DF CARF MF 4 2001 houve o planejamento para se dividir os mercados de produtos comercializados entre a empresa S.L. Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a nova empresa a ser criada; que devido à instabilidade econômica da época (meados de 2002) resolveram não colocar em prática a nova empresa (Petra criada neste período); que no final de 2005 resolveram implementar o projeto de divisão de mercado e trataram de se organizar junto com seus fornecedores no exterior para o início das atividades da empresa Petra previsto para meados de 2006. Porém, devido a dificuldades enfrentadas pelos fornecedores, adiaram o início das operações de importação por intermédio da nova empresa (Petra), o que se deu apenas em setembro de 2006 (data do primeiro embarque); que a empresa Petra obteve uma linha de crédito junto aos antigos fornecedores da empresa S.L, conforme documentos apresentados no processo de Habilitação do Siscomex; que a Petra inicialmente comercializou somente com a empresa S.L, com margem de lucro usual a todos os demais compradores das suas mercadorias; que o seu marido, Sr. Saul Trosman, é o responsável pelos contatos com os fornecedores externos e que o mesmo faz, eventualmente, visitas às fábricas e feiras comerciais em nome das empresas S.L e Petra, muito embora seja remunerado apenas pela S.L; que não há divisão física no depósito de mercadorias, separando as mesmas de cada uma das empresas (S.L e Petra). Existe uma divisão logística, gerenciada por sistema informatizado, inclusive já demonstrado para esta fiscalização quando em visita ao mesmo; que a Sra. Maria de Lourdes recebe prólabore apenas da empresa S.L., não recebendo, até aquela data, nenhum pagamento da empresa Petra, efetuando apenas investimento na mesma.” Foram apresentadas fichas de apenas três funcionários. Quanto aos demais foram apresentados contratos de prestação de serviços entre a Petra e as empresa PH Trabalho Temporário Ltda (para prestação de serviços temporários) e Mantros Suporte e Apoio Administrativo Ltda (alocação de todo tipo de mãodeobra), conforme informação da sócia. A empresa Mantros tem como sócios Maria de Lourdes Santos Chervonagura e seu marido Saul Chervonagura Trosman. O pedido de habilitação da interessada perante o Siscomex foi inicialmente indeferido por não haver comprovação da correta integralização do capital social, bem como ausência de comprovação de valores de contas a receber e ausência de comprovação de capacidade financeira da credora/mutuante Maria de Lourdes Santos Chervonagura para realizar os empréstimos à Petra, conforme Contratos de Mútuo apresentados. Posteriormente a Petra foi habilitada a título precário e foi instaurado procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF nº 228/02. A integralização do capital social da empresa Petra teve como origem os recursos obtidos por Contratos de Mútuo firmados entre a empresa S.L. e a Sra. Maria de Lourdes, conforme documentos apresentados. Há indícios que os contratos de mútuo entre a Sra. Maria de Lourdes e a empresa S.L. tenham sido lavrados posteriormente às datas informadas, considerandose não haver registro público e observandose as datas de reconhecimento das firmas. Aparentemente os contratos foram formalizados para serem apresentados perante a fiscalização, com o fim de se obter habilitação no Siscomex. Os recursos foram, de fato, transferidos da empresa S.L. para a empresa Petra, via Sra. Maria de Lourdes, como demonstram os comprovantes de depósitos, extratos bancários, cópias de cheques e registros contábeis. Os livros contábeis, Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.235 5 inclusive, somente foram registrados na Junta Comercial depois de iniciada a ação fiscal e depois de ter sido exigida sua apresentação pela fiscalização. Não houve demonstração da Sra. Maria de Lourdes de que possuía capacidade financeira para assumir empréstimos perante a empresa S.L. de mais de seis milhões de reais, apesar de esse valor ter sido repassado à empresa Petra para adquirir mercadorias no mercado externo. Esse repasse de recursos da empresa S.L. para a empresa Petra mediante contratos de mútuo da sócia pode ser entendido como uma tentativa de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas pela Petra e revendidas, na quase totalidade, à empresa S.L. A empresa afirma que a fonte de recursos são os créditos rotativos ou facilidades de pagamento obtidos de seus fornecedores no exterior, confirmados pelas correspondências apresentadas. No período entre 12/12/2006 e 28/02/2007 todas as mercadorias importadas foram vendidas somente à empresa S.L., conforme notas fiscais emitidas. Posteriormente, parte das mercadorias passou a ser negociada com outras empresas, notadamente, constituídas por pessoas de estreito relacionamento pessoal (filhos). Pequena comercialização (cerca de nove mil reais) ocorreu com empresa sem vínculo pessoal com a interessada. Não houve registro de importações na modalidade “por conta e ordem de terceiros” ou “por encomenda”. “A partir da planilha acima, podemos chegar às seguintes conclusões: A Sra. Maria de Lourdes atualmente é sócia das empresas S.L, Petra e Mantros e já foi Diretora da empresa Eurostar; o seu marido, Sr. Saul Trosman, nos dias de hoje, é sócio das empresas Matisse (proprietária do imóvel sala comercial, onde se localizada sede da empresa Petra) e Mantros (fornecedora de mãodeobra para as empresas S.L. e Petra) e já foi sócio da empresa S.L.; Érica Chervonagura, filha da Sra. Maria de Lourdes, é, atualmente, Presidente da empresa Eurostar e sócia da empresa Matisse; Iael Chervonagura, filho da Sra. Maria de Lourdes, é Diretor da empresa Eurostar e sócio das empresas BMP e Matisse; Vanuzia dos Santos, esposa do Sr. José dos Santos, é funcionária da empresa S.L. e sócia da empresa BMP; José dos Santos, marido da Sra. Vanuzia, foi sócio da empresa BMP e atualmente não pertence a qualquer outro quadro societário; e Marcelo Santos Azevedo foi sócio da empresa S.L e atualmente é sócio da empresa MPL.” Não houve como se verificar com profundidade a margem de lucro praticadas pela interessada, considerando que quase a totalidade das mercadorias foram “vendidas” à empresa S.L. ou a empresas do grupo familiar. Muito provavelmente a empresa S.L. está utilizando a empresa Petra para “quebrar a cadeia do IPI”, fazendo uma economia no pagamento desse tributo e, conseqüentemente, competindo em condições mais favoráveis em relação a seus concorrentes. Concluiuse ter havido ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, a empresa S.L., através da empresa Petra, nos termos do disposto no art. Fl. 1237DF CARF MF 6 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com as modificações da Lei nº 10.637/2002. Assim, foi lavrado o auto de infração do presente processo, para exigência da multa prevista no parágrafo 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, haja vista a declaração da sócia de que a totalidade das mercadorias importadas foram dadas a consumo. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada aprese4ntou impugnação na qual alega, em síntese, que: Após intimada para informar a destinação das mercadorias importadas, demonstrou que parte foi devolvida à Petra (importadora), como se observa das Notas Fiscais nº 118719 e 122166, citadas às fls. 27, ficando com parte minoritária que foi vendida a terceiros. As mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação nº 07/01618862 e 07/01042863 tiveram a pena de perdimento decretada pela DRF Itajaí, conforme se vê da decisão final do Processo Administrativo Fiscal nº 10909.001466/200737. Essas Declarações de Importação juntas representam R$ 599.480,00 e sequer foram desembaraçadas pela Petra, assim, deve o auto de infração ser desconstituído parcialmente, sob pena de aplicação de dupla penalidade pelo mesmo fato. A empresa Petra foi constituída para que atuasse em nichos exclusivos de mercado, não abrangidos pela atuação da impugnante, que reduziria suas importações diretas, destinandose mais à comercialização no mercado interno de produtos importados por terceiro. “Ou seja, não se nega que o início das atividades da Petra decorra de decisões tomadas pelos sócios da Impugnante. Em verdade, a Petra veio a preencher um nicho mercadológico em que a Impugnante não mais pretendia atuar. E o fato da sócia da Petra (Maria de Lourdes) ser também sócia minoritária da Impugnante é justamente o fator que possibilitou que o nicho de mercado que estava sendo abandonado por uma das empresas pudesse ser assumido pela outra. Isto não significa, contudo, que uma empresa (Petra) tenha vindo a esconder a outra (Impugnante). 5. Tanto é assim, que ambas as empresa (tanto a Impugnante, quanto a Petra) estão devidamente habilitadas no sistema Radar, sob a modalidade ordinária de importações.” Desde sua constituição a impugnante já importou mais de 32 milhões de dólares americanos, e a empresa Petra teve seu limite semestral de importação definido pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em mais de 5 milhões de dólares americanos. “Assim, não é plausível a afirmação de que a Petra não tem recursos para suas importações ou que a Impugnante estivesse se escondendo por trás da Petra para realizar as importações descritas no Auto de Infração, pois ambas têm condições financeiras e comerciais de gerir seus próprios negócios.” Os próprios fornecedores da empresa esclareceram que concedem condições de pagamento facilitados e crédito à impugnante. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.236 7 “Não bastasse isso, foi afirmado e comprovado desde o início pela sócia comum da Impugnante e da Petra, Maria de Lourdes, que ela aportou recursos na Petra através de empréstimos, todos eles devidamente documentados e contabilmente declarados. Ora, os empréstimos da sócia para a sociedade são fatos confessados e documentados pela própria sócia da Impugnante sem qualquer ilegalidade. Tanto é assim que, muito antes da lavratura de qualquer auto de infração (seja contra a Impugnante ou a Petra), a própria sócia comum das empresas informou os mútuos celebrados e apresentou todos os contratos, as transferências bancárias realizadas e as suas respectivas contabilizações. O que se vê claramente é que tanto os mútuos entre a Impugnante e sua sócia Maria de Lourdes, quanto os desta última e a Petra, estão absolutamente regulares, nos exatos termos do artigo 6o, § Io e § 2o, da Instrução Normativa n. 228, de 21/10/2002, da Secretaria da Receita Federal. Não há como se afirmar que a mera seqüência de empréstimos possa caracterizar a Petra como uma importadora sem recursos ou de fachada e a Impugnante como a verdadeira importadora que teria sido omitida nas operações de comércio exterior. (...) Ou seja, o contrato de mútuo se resume, em síntese, ao acordo de vontades firmado entre duas pessoas, na qual uma delas transfere determinado bem ou quantia em dinheiro à outra, que fica obrigada a restituir a mesma quantia, em determinado prazo e sob um determinado custo (no caso do mútuo oneroso). No caso em questão, os contratos de mútuos firmados entre SL Comercial e Maria de Lourdes ou Maria de Lourdes e Petra deramse, exatamente, nos moldes previstos pela doutrina, ou seja, empréstimo entre pessoas, com prazo certo (de 36 a 50 meses) e previsão de pagamento de juros (0,5% ao mês).” Pelo disposto no Código Civil, art. 586, não há como se taxar como ilícitas as transferências instrumentalizadas nos contratos de mútuo. A própria Instrução Normativa SRF nº 228/2002 autoriza que os recursos aplicados nas operações de comércio exterior sejam comprovados através da apresentação dos contratos de empréstimo. Não houve inovação no ordenamento jurídico, a sócia Maria de Lourdes simplesmente utilizouse da faculdade prevista na legislação, sendo legais seus procedimentos, não podendo ser desconsiderados. “E mais, embora o auto se infração qualifique como suspeita a simultaneidade das operações de empréstimos realizadas entre as empresas e sua sócia comum, não se pode ignorar que o mundo dos negócios exige agilidade. Exatamente esta agilidade justificou que, ao mesmo tempo em que Maria de Lourdes obteve os empréstimos frente à SL Comercial, ela aportasse os recursos na Petra, também sob a forma de empréstimo, a fim de viabilizar Fl. 1239DF CARF MF 8 suas atividades econômicas, principalmente pelo pouco tempo de funcionamento desta empresa. Ressaltese, ainda, mais uma prova da legalidade dos mútuos: a própria Impugnante, quando firmou os contratos de empréstimo com Maria de Lourdes, recolheu o IOF incidente sobre as operações de mútuo (doc. 05), nos termos dos artigos Io, 2o e 5o do Decreto 4494/2002. Mesmo que se afirme que isso não é prova absoluta da existência dos mútuos, vêse que, se eles fossem fictícios, por certo a Mutuante SL Comercial não teria despendido recursos próprios para o pagamento do IOF incidente sobre as operações, pois, em razão do alto valor dos mútuos, seria um custo demasiado para uma simples ficção.” Análise da contabilidade da impugnante demonstra que ela possuía plena capacidade financeira para realizar os empréstimos. Concluise que é impossível se considerar que a impugnante ou a Petra eram uma única realidade ou mesmo que a segunda foi uma trading company para esconder a primeira. O fato das duas empresas possuírem uma sócia comum não significa que foram constituídas para sonegar tributos. “Não se pode, assim, rotular a empresa negativamente apenas pelo fato de sua sócia minoritária também ser sócia de outra empresa. Nem mesmo se pode afirmar que as vendas da Petra, nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2007, demonstrariam que a maior parte dos produtos foi vendida para a Impugnante (tal como consta do Auto de Infração). Isto porque, para as conclusões aritméticas adotadas no Termo de Encerramento da fiscalização que foi realizada junto à Petra, tomouse por base apenas os 2 meses iniciais de atividade comercial da Empresa, nos quais, naturalmente, pela sua prematura idade no mercado, suas vendas tenderiam a se concentrar mais para a outra empresa da sua sócia (no caso a Impugnante), que já tinha clientela formada no mercado interno. No entanto, basta se observar a seqüência das atividades da Petra e se verá que as mercadorias por ela importadas foram comercializadas com várias empresas do mercado nacional. Da análise dos pedidos em anexo (docs. 8), observase que, ainda no primeiro semestre do ano de 2007, já não mais existiam vendas de mercadorias da Petra para a Impugnante, pois grande parte de suas mercadorias importadas já estava sendo adquirida pelo mercado afora, como se observa dos seguintes pedidos feitos pouco tempo após o início das atividades da empresa, que totalizaram USS 517.000,00 (quinhentos e dezessete mil dólares norteamericanos): (...)” Esses pedidos já haviam sido confirmados no início de 2007 e os valores de sinal de negócio depositados pelos clientes na conta corrente da Petra, o que demonstra que a Petra não é empresa de “fachada”, como presumiu a fiscalização, ou que importaria e comercializaria com a impugnante com intuito exclusivo de omitir esta última nas importações e assim quebrar a cadeia do IPI. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.237 9 E mesmo que tenham sido inicialmente vendidas para a impugnante, acabaram sendo devolvidas para a Petra, em sua maior parte, como comprovam as notas fiscais anexadas. O saldo remontaria a R$ 629.758,21, limite para que se realizasse a conversão da pena em multa, pois não se pode punir a impugnante por mercadorias que não ficaram em sua posse ou propriedade. Não houve importações por conta e ordem de terceiro ou por encomenda. A Petra foi a real adquirente das mercadorias, tanto que as vendeu a quem bem quis comprálas, sendo na menor parte à impugnante. “Neste contexto, data máxima vénia, nao se pode considerar a presente importação "por conta e ordem de terceiro" ou "por encomenda", pois, em havendo como de fato existiu várias vendas de mercadoria da Petra a terceiros diversificados (inclusive à Impugnante), como ficariam as DI's se nelas constasse a SL Comercial como futura adquirente de todas as mercadorias? Logo não pode a Impugnante ser penalizada com multa decorrente da conversão de pena de perdimento de mercadorias que sequer adquiriu em sua integralidade. Não há, por conseqüência, qualquer ocultação do sujeito passivo da importação ou interposição fraudulenta de terceiros. As operações tinham como sujeito passivo a Petra, que, após a nacionalização das mercadorias importadas, efetuou sua comercialização junto ao mercado brasileiro.” Da mesma forma, não houve qualquer fraude nas importações, tendo sido recolhidos todos os tributos integralmente, tanto nas importações, quanto nas etapas posteriores de comercialização. Os fatos não tipificam a infração acusada pela fiscalização. Requer a desconstituição total do auto de infração ou, em caso contrário, a desconstituição parcial do auto de infração, pelas razões expostas. Encaminhado para julgamento, o processo foi convertido em diligência (v.fl. 322 ) para esclarecimentos por parte da unidade de despacho. Os autos foram instruídos com os documentos de folhas 325 a 641. Cientificada, a interessada apresentou aditivo a sua impugnação inicial alegando, em síntese, que os documentos trazidos aos autos comprovam que as mercadorias importadas, amparadas pelas Declarações de Importação nº 07/01618862 e 07/01042863 foram objeto de pena de perdimento e inclusive já foram leiloadas e, portanto, não podem servir de base para aplicação da multa do presente processo, sob pena de aplicação de dupla penalidade pelo mesmo fato. Ratificou as alegações iniciais e requereu a desconstituição total ou parcial do auto de infração. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a Impugnação do Contribuinte, nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 1241DF CARF MF 10 Período de apuração: 27/11/2006 a 06/02/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. PENALIDADE. DUPLICIDADE. INSUBSISTÊNCIA. Penalidade lançada em duplicidade em relação ao mesmo fato gerador deve ser tornada insubsistente. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa repisou os mesmos argumentos não providos utilizados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. A acusação fiscal se refere a ocorrência de dano ao erário com a aplicação da pena de perdimento de mercadoria que, por ter sido consumida ou não ter sido localizada, foi convertida em multa em valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, decorrente da identificação da S L Comercial Importadora e Exportadora Ltda como a real adquirente em importação com características de por conta e ordem, nos termos dos inciso V, art.23, do DecretoLei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, in verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...................................................................................... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.238 11 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. ...................................................................................... § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Em diligência realizada na importadora Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda, a Fiscalização encontrou fortes indícios de que a empresa teria realizado várias operações de importações no período 27/11/2006 a 06/02/2007 ocultando a empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda como a real adquirente das mercadorias, em descumprimento das exigências da legislação aduaneira. Após os recursos de Impugnação das empresas, foi dado provimento em parte com a finalidade de excluir a penalidade lançada em duplicidade em relação ao mesmo fato gerador, haja vista que nas mercadorias importadas por meio das DIs nº 07/01618862 (R$ 54.447,00) e DI nº 07/01042863 (R$ 545.033,00) já havia sido aplicada a pena de perdimento por outra unidade administrativa. Decorrente dos mesmos fatos, também foi lavrado o auto de infração nº15165.001988/200701 contra a empresa Petra Comercial por "cessão de nome a terceiro". Feitas essas considerações iniciais, passase a analisar as pretensões da Recorrente em suas argumentações de mérito. Por oportuno, fazse breve exposição sobre as principais características das modalidades de importações envolvidas no caso a fim de se buscar a real identidade das importações em comento. A “importação por conta própria” é a mais tradicional modalidade de importação. Nessa caso, a empresa importadora atua diretamente, sem intermediários (e simultaneamente) como importadora, realiza as tratativas da compra, fecha o câmbio em nome próprio com recursos próprios, paga os tributos e utiliza a mercadoria ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Ou seja, a empresa importadora assume nessa modalidade todos os riscos logísticos da importação. A operação de "importação por conta e ordem de terceiros" é aquela em que uma pessoa jurídica promove (o importador) em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra (adquirente), em razão de contrato previamente firmado para terceirizar as atividades envolvidas na importação. Esta empresa atua como prestadora de serviços, já que a operação é realizada com recursos provenientes da adquirente, que é responsável, inclusive, pelo fechamento do câmbio. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos arts. 86 e 87 da IN SRF nº247/2002 e ADI nº07/2002, os quais apresentam os seguintes procedimentos e requisitos para a sua caracterização: deve ser firmado contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente,específico para a importação por conta e ordem; Fl. 1243DF CARF MF 12 não pode haver aquisição da propriedade das mercadorias pela importadora, o que se caracterizaria pela ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) conste como adquirente no contrato de câmbio; b) conste como adquirente na fatura internacional (invoice); c) emita NF de entrada/saída a título de compra ou venda; ou d) contabilize em estoque a entrada/saída da mercadoria importada como compra ou venda; os registros contábeis e fiscais da importadora devem evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; a NF de remessa da importadora deve ser emitida pelo mesmo valor constante da NF de entrada, acrescida dos tributos incidentes na importação; e deve ser adiantado à importadora todo o numerário necessário para o pagamento dos tributos aduaneiros e das demais despesas. Aspecto comum as modalidades de importação é a obrigação do importador informar previamente ao exportador no exterior no sentido de este fazer constar na fatura comercial a indicação do nome do próprio exportador e da empresa que será a real adquirente da mercadoria importada (importação por conta própria ou importação por conta e ordem de terceiros ou importação por encomenda), conforme prevê os incisos I e II do artigo 557 do Decreto nº 6.759/2009. Quando os envolvidos na importação subvertem essa obrigação, fazendo inserir nas declarações importações informações falsas quanto aos reais adquirentes da mercadoria e a consequente burla aos controles aduaneiros, tal conduta faz surgir a figura delituosa de Dano ao Erário, tipificada pelo art.23, V, do Decreto nº1.455/76. Como se sabe, a legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto n. 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2oPresumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.239 13 equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Depreendese, quanto à comprovação, que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: presumida.e comprovada. A interposição fraudulenta presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decretolei nº 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplicase o perdimento (ou a multa que a substitui). É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes, etc. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A presunção legal em questão se caracteriza como relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. Na interposição comprovada, por sua vez, cabe à Fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplicase a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decretolei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decreto lei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambas elementares, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Ainda nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do Fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficientes para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Fl. 1245DF CARF MF 14 No presente caso, a Fiscalização apurou que, embora a empresa Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda tivesse se identificado nas Declarações de Importações como importadora por "conta própria", na realidade, ela atuara como interposta pessoa, acobertando o real adquirente, que no caso foi a empresa S L Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Entendeu, assim, a Fiscalização que as importações em comento, na sua essência, se caracterizariam como "por conta e ordem" da S L Comercial Importadora e Exportadora Ltda, ao invés de importações por "conta própria" da importadora Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda, tal como foram declaradas no desembaraço. A Fiscalização concluiu que o objetivo final das atuações detectadas das empresas era o de simular operações de compra e venda com empresa interposta entre o vendedor e o real responsável, mantendose este oculto, bem como a quebra a cadeia de IPI, propiciando uma economia de impostos sobre as importações. Com efeito, o caso ora analisado trata de acusação de interposição fraudulenta provada, uma vez que nas diligências efetuadas pela Fiscalização apuraramse diversos fatos e provas que levaram a conclusão de que as operações entre a Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda e a S L Comercial Importadora e Exportadora Ltda foram simuladas, com o objetivo de burlar os controles aduaneiros e propiciar a economia irregular no pagamento de impostos sobre as importações. Inicialmente, cabe frisar que está demonstrado suficientemente nos autos que os recursos para as referidas operações de importações, objeto da autuação, tiveram origem na empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A Autoridade Aduaneira chegou a essa conclusão após constatar que os recursos financiadores das importações decorreram de operação triangular realizada entre as empresas SL Comercial, Petra e a sócia comum a ambas, a Sra. Maria de Lourdes. A triangulação para a transferência dos recursos se deu por meio de contrato de mútuo celebrado inicialmente entre a sócia e a empresa SL Comercial em montante superior a R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) e, posteriormente, em período próximo e anterior aos fechamentos de câmbio ou pagamento dos tributos incidentes no comércio exterior, a sócia celebrou contratos de mútuo com a Petra Comercial, repassando os recursos a mesma, como demonstram os comprovantes de depósitos, extratos bancários, cópia de cheques e registros nos livros Diário e Razão da empresa Petra, juntados aos autos. Outro fato relevante relatado pela Autoridade Aduaneira que reforça a acusação diz respeito a Sra. Maria de Lourdes não ter demonstrado possuir capacidade financeira para assumir os empréstimos contraídos em montante superior a R$ 6.000.000,00, conforme reproduzo trecho do Termo de Diligência Fiscal: 25)Como já observado pela SAPEL desta repartição, no PAF relativo ã Habilitação no Siscomex (15165.002772/200674) e abordado no item 20 acima, a sócia da empresa Sra. Maria de Lourdes não demonstrou ter capacidade financeira para assumir empréstimos num montante superior a R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) junto a uma de suas empresas (S.L.), muito embora estes recursos tenham sido utilizados para serem repassados para outra empresa pertencente mesma Sra. Maria de Lourdes, ou seja, a Petra, com a finalidade de adquirir mercadorias no mercado externo. Para rebater esta afirmação da fiscalização da SAPEL, a Sra. Maria de Lourdes alega que na sua DIRPF de 2007, apresentada recentemente (f Is. 212/217), na coluna "Declaração de Bens e Direitos" consta os valores emprestados para a empresa Petra no ano calendário de 2006, que totalizam R$ 1.493.000,00 (um milhão, quatrocentos e Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.240 15 noventa e três mil reais). Na coluna "Divida de Onus Reais" consta como divida da Sra. Maria de Lourdes para com a empresa S.L. o total de R$ 2.050.609,00 (dois milhões, cinqüenta mil e seiscentos e nove reais). Quanto aos demais recursos utilizados para complementar o montante superior a R$ 6.000,000,00 (seis milhões de reais), a Sra. Maria de Lourdes alega que serão declarados na DIRPF de 2008. Porém, mesmo constando em sua declaração de Imposto de Renda, no entender desta fiscalização, a Sra. Maria de Lourdes não demonstrou até a presente data ter capacidade financeira para arcar com tal montante de empréstimo, conforme já dito pela própria SAPEL desta repartição no processo de Habilitação no Siscomex da empresa Petra. No caso concreto, fica evidente que nas supostas operações de mútuo realizadas entre a empresa SL Comercial e a sócia Maria de Lourdes, não possuidora de capacidade financeira para garantir o pagamento de dívida, não se identifica razão econômica plausível. Depreendese que as operações visaram tão somente transferir, de forma indireta e simulada, valores da SL à Petra, por meio da sócia em comum de ambas as empresas, para custear as importações realizadas pela segunda. A própria Recorrente também confirma em trecho da sua defesa que os recursos por empréstimos obtidos da SL Comercial pela sócia visaram tão somente viabilizar as atividades econômicas da Petra, in verbis: E mais, embora a decisão recorrida qualifique como suspeita a simultaneidade das operações de empréstimos realizadas entre as empresas e sua sócia comum, não se pode ignorar que o mundo dos negócios exige agilidade. Exatamente esta agilidade justificou que, quase simultaneamente Maria de Lourdes obtivesse empréstimos frente à SL Comercial e aportasse recursos na Petra, também na forma de empréstimo, a fim de viabilizar as suas atividades econômicas, principalmente pelo pouco tempo de funcionamento desta empresa. (negrito nosso) Verificase, assim, que não resta qualquer dúvida nos autos sobre a origem dos recursos que financiaram as importações objeto da autuação, uma vez que a Fiscalização provou suficientemente nos autos que a empresa SL Comercial forneceu os referidos recursos. Tal constatação inexoravelmente leva a conclusão, por presunção legal, de que as importações envolvidas no caso foram por conta e ordem da SL Comercial, conforme estabelece o art.27 da Lei nº10.637/2002, abaixo reproduzido Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante a utilização de recurso de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da medida Provisória nº 2.15835/2001. O contribuinte em toda a sua defesa pugna pela regularidade dos mútuos celebrados entre a sócia e as empresas, nos exatos termo do art.6º, § 1º e § 2º, da IN SRF nº228 de 21/10/2002. Sustenta que não houve simulação de empréstimo, mas regular contrato de mútuo, empréstimo de numerário da sócia Maria de Lourdes para ela, autora (PETRA), tendo Fl. 1247DF CARF MF 16 este empréstimo, inclusive, sido contabilizado e informado ao Fisco. Assim, o mútuo está na mais absoluta legalidade e nos exatos termos do artigo 6º, § 1º e § 2º, da Instrução Normativa nº 228, de 21/10/2002, da Secretaria da Receita Federal e da legislação em regência. Ao contrário do que afirma a Recorrente, a IN nº228/2002 não alberga as operações de empréstimos simuladas, tais como as operadas pelas envolvidas, dentre aquelas capazes de justificar a origem dos recursos utilizados nas importações. A Instrução Normativa SRF nº 228/2002 visa justamente, por meio de procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior, combater à interposição fraudulenta de pessoas, assim como se deu no presente caso. Salta aos olhos no presente caso a simulação operada entre as empresas envolvidas e a sócia Maria de Lourdes. Em nenhum momento a empresa nega o fato, aliás, confirma que os recursos envolvidos nas importações foram repassados pela SL Comercial por meio da sócia em comum Maria de Lourdes. Como já afirmado, a simulação se deu em operação triangular para a transferência dos recursos entre as envolvidas, por meio de contrato de mútuo celebrado, inicialmente, entre a sócia Maria de Lourdes e a empresa SL Comercial em montante superior a R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) e, posteriormente, em período próximo e anterior aos fechamentos de câmbio ou pagamento dos tributos incidentes no comércio exterior, a também sócia celebrou contratos de mútuo com a Petra Comercial, repassando os recursos a mesma, como demonstram os comprovantes de depósitos, extratos bancários, cópia de cheques e registros nos livros Diário e Razão da empresa Petra, juntados os autos. Destarte, restou configurada a existência de simulação nas operações analisadas, nos termos previstos no art. 167, §1º, I, do Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; Também, reforçam a acusação de interposição fraudulenta o fato de que no período autuado, de 27/11/2006 a 28/02/2007, todas as mercadorias importadas pela Petra Comercial foram vendidas no mercado interno unicamente para a empresa SL Comercial. Ademais, trecho do Relatório Fiscal, que reproduz as declarações prestadas pela sócia Sra. Maria de Lourdes, é revelador de que o responsável pelas tratativas nas importações da Petra Comercial era o seu marido e também sócio da SL comercial, o Sr, Saul Chervonagura Trosman: Conforme Termo de Declaração (fls. 460) a Sra. Maria de Lourdes informa, entre outras coisas, que a partir do final de 2001 houve o planejamento para se dividir os mercados de produtos comercializados entre a empresa S.L. Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a nova empresa a ser criada; que devido à instabilidade econômica da época (meados de 2002) resolveram não colocar em prática a nova empresa (Petra criada neste período); que no final de 2005 resolveram implementar o projeto de divisão de mercado e trataram de se organizar junto com seus fornecedores no exterior para o início Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.241 17 das atividades da empresa Petra previsto para meados de 2006. Porém, devido a dificuldades enfrentadas pelos fornecedores, adiaram o início das operações de importação por intermédio da nova empresa (Petra), o que se deu apenas em setembro de 2006 (data do primeiro embarque); que a empresa Petra obteve uma linha de crédito junto aos antigos fornecedores da empresa S.L, conforme documentos apresentados no processo de Habilitação do Siscomex; que a Petra inicialmente comercializou somente com a empresa S.L, com margem de lucro usual a todos os demais compradores das suas mercadorias; que o seu marido, Sr. Saul Trosman, é o responsável pelos contatos com os fornecedores externos e que o mesmo faz, eventualmente, visitas às fábricas e feiras comerciais em nome das empresas S.L e Petra, muito embora seja remunerado apenas pela S.L; que não há divisão física no depósito de mercadorias, separando as mesmas de cada uma das empresas (S.L e Petra). Existe uma divisão logística, gerenciada por sistema informatizado, inclusive já demonstrado para esta fiscalização quando em visita ao mesmo; que a Sra. Maria de Lourdes recebe prólabore apenas da empresa S.L., não recebendo, até aquela data, nenhum pagamento da empresa Petra, efetuando apenas investimento na mesma. (negrito nosso) Se não bastasse, a Fiscalização ainda demonstrou, por diversos fatos coletados, que a empresa não possui capacidade operacional de realizar as importações em comento. Nessa direção, a Fiscalização apurou que a Importadora Petra Comercial compartilha o depósito com a empresa SL Comercial, utilizando 30% do total do imóvel de 1.581 m2. Porém, constatouse que não há qualquer divisória capaz de identificar quais mercadorias pertencem a cada empresa. Ainda, tanto interna como externamente somente é possível visualizar em todo o depósito a marca “Láquila”, que pertence à empresa SL A Fiscalização afirma que a Importadora Petra Comercial possui apenas três funcionários registrados e que no depósito, dos 120 funcionários prestadores de serviços atuantes no depósito compartilhado com a empresa SL Comercial, apenas 30 % desse total estão a seu serviço . No entanto, não há como se saber quais dos 120 funcionários fazem parte dos 30% que trabalham para a Petra como informado pela sócia. Os fatos apontados são reveladores na direção de que a empresa Petra Comercial se utiliza da estrutura operacional da SL Comercial para operar as importações realizadas, fato que vem confirmar que, na realidade, a logística dessas importações é toda feita pela própria SL Comercial, real adquirente das mercadorias. A Recorrente afirma em sua defesa que para a caracterização da infração objeto do processo ora analisado necessário se faz demonstrar a ocorrência de efetivo dano ao erário. Nesse sentido, diz que não há nos autos comprovação de que teria recolhido tributos a menor nas importações envolvidas. Também afirma que sequer houve prejuízo ao erário na etapa posterior da comercialização das mercadorias no Brasil, pois todas as vendas realizadas pela Petra (mesmo aquelas destinadas à Recorrente) respeitaram o valor mínimo praticado no mercado para fins de recolhimento do IPI, conforme muito bem constatado pelo próprio agente fiscal em seu Termo de Encerramento de Fiscalização e de Devolução de Documentos do Fl. 1249DF CARF MF 18 MPF. Assim, conclui que não tendo havido comprovação de dano em concreto ao erário, imperioso é o reconhecimento da nulidade do procedimento fiscal. Também não cabe razão à Recorrente nesse ponto, uma vez que a verificação da suficiência no recolhimentos dos tributos incidentes sobre a importação não consta no tipo infracional previsto no art. 23, do Decreto Lei nº1.455/1976 como determinante para estabelecer se houve dano ao erário. É posição predominante nas turmas colegiadas do CARF que o dano ao erário decorre da própria lei. Comprovadas as condutas que compõe o tipo, está caracterizada a ocorrência de dano ao erário, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76. Nesse passo, a fraude a que se refere o dispositivo deve ser entendida no sentido amplo, e não na acepção restrita do art. 72 da Lei nº 4.502/64, associada ao não pagamento ou diferimento do tributo. Assim, não há necessidade de se discutir a existência ou não de dano ao erário porque a própria lei define que existe dano ao erário se os elementos apurados se enquadram no tipo infracional. Abaixo, reproduzemse parcialmente as ementas de alguns julgados representativos desse entendimento: DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos artigos 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (ou coa multa que o substitui, nas hipóteses legalmente previstas, no § 3o do referido artigo 23). É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. (Acórdão nº3401003.892, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, RelatorRosaldo Trevisan, sessão de 26 de julho de 2017) DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de interposição fraudulenta em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados nas importações, veiculada pelo art. 23, §2º do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. (Acórdão nº3402003.314, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, RelatorMaria Aparecida Martins de Paula, sessão de 28 de setembro de 2016) Cabe ressaltar, ainda, que o fato da empresa SL Comercial ter devolvido parte das mercadorias não tem potencial de alterar a situação de fato constatada de ocorrência de interposição fraudulenta no presente caso e a consequente penalidade aplicada. Em conclusão, no presente caso, observase que a autuação foi baseada em um conjunto abundante de provas e indícios que foram detalhados pelos Autores Fiscais em seu Relatório Fiscal, no qual foram demonstrados aspectos relevantes quanto a existência de fornecimento indireto de recursos pela real adquirente (SL Comercial), a demonstração de que Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Acórdão n.º 3402006.041 S3C4T2 Fl. 1.242 19 o responsável pelas tratativas com os fornecedores externos ficava a cargo do sócio da real adquirente (SL Comercial), bem como a falta de capacidade operacional da importadora Petra Comercial. Com efeito, o conjunto probatório trazido pela Fiscalização demonstra que, mediante simulação, as empresas e os sócios das empresas agiram visando ocultar a realidade fática das importações envolvidas, o que nos leva inexoravelmente a concluir que, de fato, ocorreu a infração de dano ao erário no presente caso. Nessa condição, entendo estar devidamente caracterizado que, embora a Petra Comercial tenha se declarado como importadora por conta e risco próprios, a sua atuação se deu, em relação às DI’s objetos da autuação, como mera prestadora de serviço de importação por conta e ordem da SL Comercial, real beneficiária e interessada nas importações. Por isso, é procedente a aplicação da multa sobre o valor aduaneiro em substituição a pena de perdimento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1251DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.006157/2008-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/07/2004
PLR - PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO DISCUTIDO E FIRMADO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO.
Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no salário-de-contribuição.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALÍQUOTA SAT/RAT. ENQUADRAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando o ato foi lavrado por autoridade competente, sem que se verifique cerceamento de direito de defesa e a alíquota aplicada no lançamento coincide com a utilizada pela própria Contribuinte, inclusive nos depósitos judiciais efetuados.
Numero da decisão: 9202-007.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário quanto às Contribuições SAT/RAT, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para afastar a nulidade relativa à Contribuição "SAT/RAT", e a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões quanto ao afastamento da nulidade da Contribuição SAT/RAT as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ACORDO DISCUTIDO E FIRMADO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no saláriodecontribuição. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALÍQUOTA SAT/RAT. ENQUADRAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando o ato foi lavrado por autoridade competente, sem que se verifique cerceamento de direito de defesa e a alíquota aplicada no lançamento coincide com a utilizada pela própria Contribuinte, inclusive nos depósitos judiciais efetuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário quanto às Contribuições SAT/RAT, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para afastar a nulidade relativa à Contribuição "SAT/RAT", e a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões quanto ao afastamento da nulidade da Contribuição SAT/RAT as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 61 57 /2 00 8- 32 Fl. 526DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.006150/200811 37.190.9937 (AI59) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.006151/200865 37.190.9945 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.006152/200818 37.190.9910 (SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.006153/200854 37.190.9929 (SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.006154/200807 37.190.9953 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Voluntário 19515.006155/200843 37.1909961 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Voluntário 19515.006156/200898 37.1909970 (Seg.) Obrig. Principal Ciência do despacho denegatório de seguimento REsp do Contribuinte 19515.006157/200832 37.190.9988 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.190.9988, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), incidentes nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e não recolhidas na época própria, provenientes de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no período de julho de 2004, conforme Relatório Fiscal de fls. 38 a 42. Assim, o presente Debcad trata especificamente da tributação dos pagamentos a título de PLRParticipação nos Lucros e Resultados, cuja alíquota SAT/RAT aplicada foi de 2%, em consonância com os depósitos judiciais que a Contribuinte vinha recolhendo até agosto de 2004. A seguir as informações sobre a ação judicial, cujos detalhes constam do processo relativo ao Debcad 37.190.9910 (processo nº 19515.006152/200818) que, juntamente com o Debcad ora em julgamento e com outro, compuseram a mesma ação fiscal. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 19515.006157/200832 Acórdão n.º 9202007.662 CSRFT2 Fl. 527 3 A empresa, durante o período de 01/2004 a 08/2004, efetuou depósitos judiciais das referidas Contribuições nos autos da Ação Ordinária nº 200.61.00.0387606, em trâmite perante a 18ª Vara da Justiça Federal, cujo objeto principal era a constitucionalidade da legislação que exige as contribuições para o SAT/RAT e suas alíquotas. Havia também um pedido alternativo, no sentido de que, caso se entendesse pela legitimidade da cobrança dessa Contribuição, ela não poderia ultrapassar a alíquota de 1%, ao fundamento de que a criação das alíquotas de 2% e 3% não seria válida, por ser levada a cabo por meio de decreto. A conclusão da petição inicial foi a seguinte: "Assim sendo, como PEDIDO PRINCIPAL, as Autoras requerem seja concedida a antecipação dos efeitos do provimento jurisdicional conforme solicitado acima, julgandose totalmente procedente a ação, para que seja declarada de inexistência de relação jurídicatributária entre as partes, no que concerne à exigência da Contribuição ao Seguro de Acidentes do Trabalho, nos termos da Lei nº 7.787/89, posteriormente regulamentada pela Lei 8.212/91, desde setembro de 1989. Como PEDIDO SUCESSIVO, nos termos do artigo 289 do CPC, as Autoras requerem seja concedida a antecipação dos efeitos do provimento jurisdicional conforme solicitado acima, julgandose totalmente procedente a ação, para que seja declarada a inexistência de relação jurídicatributária entre as partes, no que concerne ao recolhimento da Contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho SAT em alíquota superior à 1%, pelo menos, sem a aplicação das alíquotas acrescidas pelo § I o do artigo 202 do Decreto n.° 3.048/99." Nessa senda, a alíquota aplicada pela Contribuinte para os depósitos judiciais e utilizada na apuração do crédito tributário em questão foi de 2%, tendo em vista que a Contribuinte estava enquadrada no CNAE no código 72.907. O Relatório Fiscal do processo nº 19515.006152/200818 assim registra (fls. 48/49 Volume I): "1. Durante a ação fiscal foi constatado, por meio de livros contábeis, folhas de pagamento, guias de recolhimento e outros documentos, que a empresa no período de Janeiro a Agosto de 2.004 efetuou Depósito Judicial das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, relacionados no decreto n °. 3.048, de 06 de maio de 1.999, Anexo V. 2. Tal procedimento ocorreu em virtude da Ação de Procedimento Ordinário processo n° 2000.61.00.0387606 da 18a Vara da Justiça Federal proposta pelo contribuinte contra a União e contra o Instituto Nacional de Seguro Social INSS protocolizada em 28/09/2000, com seus principais documentos anexados, por cópia, a este lançamento fiscal. 3. Para apuração dos valores relativos a este Auto de Infração foram considerados os Salários de Contribuição utilizados pela empresa para o recolhimento de Guias da Previdência Social GPS e dos Depósitos Judiciais de SAT, sendo a cópia destes últimos depósitos anexada a este AI. Fl. 528DF CARF MF 4 4. A alíquota de contribuição aplicada para os depósitos judiciais e, também, para a apuração do débito deste Auto de Infração, para o período de Janeiro a Agosto de 2004, tendo em vista que o contribuinte está enquadrado na Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE no código 72.907, foi de 2% (Dois por cento). Os salários de contribuição por estabelecimento da empresa, os cálculos efetuados, as alíquotas utilizadas e os valores depositados, constam da planilha anexa: 'Apuração de Valores de SAT/RAT Depositados Judicialmente Processo: 2000.61.00/0387606'." RELATÓRIOS ANEXOS A ESTE AI: (...) 2. Os valores relativos aos depósitos efetuados de SAT/RAT não foram declarados pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência GFIP por estarem sendo discutidas em juízo. 3. Neste caso como se tratam de valores integralmente depositados em juízo não são devidos juros e multa a partir dos depósitos efetuados, não sendo também formalizada Representação Fiscal para Fins Penais relativa a este Auto de Infração." Em 2001 foi prolatada sentença relativa à citada ação judicial, julgandose improcedentes os pedidos principal e alternativo: "Concluo, portanto, que o artigo 22, II , da Lei 8.212/91,estabelece critérios de discriminação legal em consonância com o princípio da isonomia. O maior risco de determinada atividade justifica o recolhimento de percentual diferenciado. Considero, ainda, que as autoras podem questionar o enquadramento perante o Poder Judiciário, em demanda própria. Não se pode presumir, sem dilação probatória, que a atividade por elas exercida detém grau de risco diversos daquele indicado no regulamento. Por todo o exposto, afasto a alegação de inconstitucionalidade do SAT. Tendo em vista que o pleito formulado pelas autoras não foi acolhido, igualmente resta prejudicada a apreciação do pedido de compensação. Por todo o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, bem como o alternativo (compensação dos valores recolhidos à alíquota superior a 1%) formulada nesta demanda." Em 2005, a Contribuinte solicitou a expedição de Alvará de Levantamento, relativamente aos valores depositados acima de 1%, proferindose, em 2006, a seguinte decisão: "Indefiro a expedição de alvará de levantamento dos valores recolhidos à alíquota superior ao percentual de 1%, requerido às fls. 773/775. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 19515.006157/200832 Acórdão n.º 9202007.662 CSRFT2 Fl. 528 5 E assim o faço porque a decisão que antecipou os efeitos da tutela foi revogada por ocasião do julgamento do Agravo de Instrumento nº 2000.03.00.0631927 ( fl . 711), razão pela qual os depósitos, efetuados no decorrer desta lide, servirão para garantir o pagamento do débito junto ao INSS, caso assim seja definitivamente decidido." No atual momento processual, entendo inconveniente tal levantamento, até para a própria sobrevivência da autora, posto que eventual improcedência do pedido acarretará um débito de valor considerável em favor da ré." Em 30/09/2008 (fls. 01), o Auto de Infração foi cientificado à Contribuinte, que apresentou Impugnação, considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). Cientificada da decisão de Primeira Instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado em sessão plenária de 18/06/2013, prolatandose o Acórdão nº 2402003.604 (efls. 408 a 422), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/07/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADO. INCIDÊNCIA SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO ÀS NORMAS PRESCRITAS PELA LEI N. 10.101/2000. NÃO INCIDÊNCIA. A legislação regulamentadora da PLR aceita que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido. REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em conhecer do recurso para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 423) e, em 29/09/2014, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 424 a 432 (Despacho de Encaminhamento de efls. 433), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: Fl. 530DF CARF MF 6 não incidência de Contribuição Previdenciária sobre o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) sem a existência de acordo prévio ao exercício; e reenquadramento da alíquota SAT/RAT. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 30/12/2015 (efls. 435 a 442). Relativamente à primeira matéria, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: cumpre voltar a atenção para os dados constantes dos autos, a fim de se perquirir se a Contribuinte em apreço atendeu a todas as exigências legais, podendo exercer o direito de excluir do salário de contribuição a verba que denomina como "participação nos lucros"; inicialmente, verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos para a aquisição do benefício, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício e existência de regras previamente ajustadas; tais requisitos são decorrentes da interpretação teleológica do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, encontrandose epistemologicamente ligados, eis que para adquirir o benefício, o trabalhador precisa alcançar metas, resultados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, mediante fixação de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, nos termos de acordo ou convenção coletiva, obviamente, fixados em caráter prévio ao período em que vão ser apurados os lucros e resultados; no caso em estudo, restou demasiadamente demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição, haja vista ausência de acordo formalizado previamente ao exercício; o próprio art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212, de 1991, é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos; logo, o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com os dispositivos legais da Lei nº 10.101, de 2000, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei nº 8.212, de 1991, o que se verificou nos autos. No que tange à segunda matéria reenquadramento da alíquota SAT/RAT a Fazenda Nacional pugna pela aplicação da alíquota anterior ao reenquadramento, deixando se de reconhecer a nulidade por vício material. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/08/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 19515.006157/200832 Acórdão n.º 9202007.662 CSRFT2 Fl. 529 7 453), a Contribuinte ofereceu, em 12/09/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 455), as Contrarrazões de efls. 456 a 476, contendo os seguintes argumentos: Dos pagamentos de PLR o PLR da Contribuinte atendeu a todos os requisitos previstos da Lei nº 10.101, de 2000, fazendo jus à não incidência das Contribuições Previdenciárias; os termos destes acordos sempre foram objeto de ampla negociação entre as partes, sempre passaram pelo crivo do respectivo sindicato (de forma a garantir a isonomia e legalidade do acordo) e cumprem todas as questões de ordem formal (art. 2º, da Lei nº 10.101, de 2000); em todos estes programas de PLR avençados, sempre restaram claras e detalhadas as condições para que o empregado fizesse jus ao recebimento de parte dos lucros: período de vigência, periodicidade, elegibilidade, metas por categoria profissional a serem alcançadas e etc; apenas após todas as partes estarem seguras e convictas acerca do que foi negociado, o plano é chancelado e levado ao crivo do sindicato para posterior arquivamento; fato incontroverso é que as negociações e a própria fixação de metas ocorreram em período anterior à apuração dos resultados almejados e ao pagamento de PLR realizado, de modo a dar pleno conhecimento aos empregados acerca da performance esperada ao longo do ano para que recebessem PLR; assim, o fato de a assinatura do plano ter ocorrido em junho de 2004, ou seja, no meio do exercício, não significa que somente nesta data foram realizadas as negociações acerca do que restou formalizado e assinado pelas partes; contudo, não pode prosperar a pretensão da Recorrente, uma vez que, diferentemente do que sustenta em seu apelo especial, não merece reforma o acórdão recorrido, tendo em vista que a Lei nº 10.101, de 2000 não traz qualquer previsão expressa que diga respeito ao momento em que o PLR deveria ser assinado, o que, desde logo, denota a completa ausência de fundamento legal para os argumentos sustentados pela Recorrente; assim, considerando que não há qualquer previsão legal que determine a formalização do acordo antes do início do período de apuração do lucro ou resultado, devendo apenas o pagamento ocorrer posteriormente a formalização do acordo (o que ocorreu nos presentes autos), resta claro que o referido acórdão deve ser mantido em respeito ao Princípio Constitucional da Estrita Legalidade; parece bastante óbvio que qualquer acordo somente pode ser assinado após o encerramento de um período prévio de negociações, podendo muitas vezes tal período ser bastante extenso, conforme já explicado; é inequívoco que as negociações entre a Contribuinte, a comissão de empregados e o sindicato ocorreram anteriormente ao respectivo período ao qual o desempenho dos empregados seria analisado, para a verificação de alcance de metas para fins de direito ao recebimento de PLR, pois em hipótese contrária, o que se admite apenas para Fl. 532DF CARF MF 8 demonstrar o rematado absurdo, seria no mínimo improvável que tanto os empregados quanto o sindicato chancelassem o Programa; leva considerável tempo até que o Acordo seja lavrado e finalizado em sua integralidade e isto, porém, não pode impedir que mesmo durante esse período de negociações seja cumprido o mandamento constitucional relativo à participação dos empregados nos lucros e resultados; assim, ainda que o acordo em análise tenha sido assinado e nada além disso no meio do período no qual o desempenho dos empregados foi analisado, fato inconteste é que as negociações e a própria fixação de metas ocorreram em período anterior, hábil a que os empregados soubessem qual a performance esperada pela Contribuinte para que recebessem PLR; na linha das razões acima, essa Câmara Superior já se pronunciou pela possibilidade de assinatura do Acordo de PLR após a apuração do lucro, porém antes do seu pagamento, inclusive tal entendimento foi apontado, acertadamente, no acórdão recorrido. Da nulidade por vício material falta de motivação para o reenquadramento de SAT como foi acertadamente decidido no acórdão recorrido, não há motivação nos presentes autos que justifique o reenquadramento realizado pela Fiscalização, razão pela qual o lançamento incorreu em vício de nulidade, por presumir qual seria a atividade preponderante da Contribuinte, em total afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade tributárias; insta pontuar que, no presente caso, simplesmente por mera liberalidade e sem qualquer fundamentação, a Fiscalização reclassificou a Recorrente no CNAE 72900 para cobrança do SAT à alíquota de 2%, enquanto, na época dos fatos, ela estava regularmente inscrita sob o código 64203 (alíquota 1%); ademais, conforme amplamente demonstrado nos presentes autos e reconhecido, corretamente, pelo acórdão recorrido, a Fiscalização não apresentou qualquer explicação que fosse capaz de afastar ou impedir a utilização do CNAE 64.203 pela Contribuinte e, mesmo se quisesse, nem poderia, uma vez que o enquadramento da Contribuinte com CNAE para o código 64.203/80 representava, com precisão, a atividade econômica na qual está alocada a maior parte dos seus empregados, nos termos que determina o § 3º, do artigo 202, do Decreto nº 3.048, de 1999; por fim, vale destacar que a posição firmada no acórdão recorrido é reiterada por diversos julgados deste CARF. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido . Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19515.006157/200832 Acórdão n.º 9202007.662 CSRFT2 Fl. 530 9 Tratase do Debcad 37.190.9988, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, incidentes nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e não recolhidas na época própria, provenientes de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no período de julho de 2004. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência de Contribuição Previdenciária sobre o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados sem a existência de acordo prévio ao exercício; e reenquadramento da alíquota SAT/RAT. Quanto à primeira matéria, a Constituição Federal assim estabelece: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" (grifei) Destarte, não há dúvida de que a Carta Magna delegou à lei a atribuição de definir as regras acerca da participação nos lucros ou resultados, o que foi feito por meio da Lei nº 10.101, de 2001, que assim determina: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 534DF CARF MF 10 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." (grifei) Do conjunto de regras acima especificadas, deduzse que o cumprimento do §1º, do art. 2º, ou seja, o estabelecimento de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição, e principalmente a fixação prévia de metas e resultados, requer que o pacto ocorra antes do início do exercício a que se refere o acordo, do contrário os empregados sequer saberão o quanto terão de se esforçar, e qual seria a compensação por esse esforço. A expressão "pactuados previamente" comporta diversas interpretações, inclusive aquela adotada pela Contribuinte e aplicada no acórdão recorrido. Entretanto, no entender desta Conselheira, não há como validar um pacto ou acordo, senão por meio da discussão e assinatura pelas partes, portanto não há que se falar em acordo válido, quando ele sequer foi discutido e assinado previamente. Ademais, a interpretação no sentido de que a discussão e assinatura do acordo tem de ser anterior ao exercício ao qual ele se refere, guarda lógica com todos os demais dispositivos da Lei nº 10.101, de 2001, já que permite ao empregado saber exatamente qual o nível de esforço suficiente a atingir as metas préfixadas. No presente caso, o próprio voto condutor do acórdão, ao especificar os fundamentos da autuação, assim registra: "No caso em tela, o acordo do exercício 2004 é datado de 29/06/2004 e o pagamento foi efetivado em julho de 2004. Assim a formalização das condições e critérios que servem a instruir a distribuição do PLR ocorreu no decorrer do próprio exercício a que se referiam, prática que, no entender da fiscalização, viola a Lei 10.101/2000." (grifei) Destarte, a despeito das alegações oferecidas em sede de Contrarrazões, no sentido de que os empregados já conheceriam as metas, entende esta Conselheira que os pagamentos referentes às PLR não foram objeto de negociação prévia, assim entendida como a negociação que resulta em acordos efetivamente discutidos e assinados previamente, sendo que no presente caso a discussão e assinatura dos acordos ocorreram somente ao final do semestre (fls. 43 a 46). Com efeito, não há como acatarse a alegação da Contribuinte, no sentido de que, juntamente com seus empregados e respectivos sindicatos, os acordos já vinham sendo discutidos, e que já haviam sido prédeterminadas as regras e metas da PLR desde o início do ano, uma vez que somente em 03/06/2004 foi eleita a Comissão de Empregados responsável pela elaboração, acompanhamento e fiscalização das normas do Plano de Participação nos Resultados referentes aos anos de 2004/2005 (Ata de Eleição de fls. 57/58). Ademais, conforme correspondência datada de 21/06/2004, dirigida aos sindicatos da categoria, foi realizado o convite para participação da negociação da PLR por meio de representante, que deveria ser indicado até a data de 25/06/2004 (fls. 54). Assim, obviamente que no momento em que os pagamentos de PLR foram efetuados, já haviam ocorrido as variáveis que determinaram o lucro e os resultados obtidos pela empresa, sem qualquer possibilidade de aferição acerca do alcance de eventuais metas pelos empregados. E não se pode perder de vista que se trata de exclusão de base de cálculo de tributo, portanto a interpretação tem de ser restritiva, a teor do art. 111 do CTN. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.006157/200832 Acórdão n.º 9202007.662 CSRFT2 Fl. 531 11 Nesse sentido é o voto condutor do Acórdão nº 2803004.207, de 12/03/2015, relativo a processo da mesma Contribuinte, da lavra do Ilustre Conselheiro Eduardo de Oliveira, cujos fundamentos agrego ao presente voto: "O agente lançador deixou claro que a recorrente não cumpriu o que determina a lei que regulou a PLR, pois tal lei exige, que o programa de metas, resultados e prazos sejam pactuados previamente e previamente não implica dizer na semana do pagamento, pois se assim fosse o trabalhador não saberia quais as regras claras e objetivas que teria que atender para fazer jus a PLR. A assinatura é uma questão secundária que o agente lançador utilizou para demonstrar a fixação tardia das regras e metas claras e objetivas para a estipulação da PLR, pois conforme transcrição abaixo o foco principal foi outro. CONCLUSÃO 1. Os valores pagos pela empresa, a título de Participação em Resultados, não estão de acordo com a legislação, no caso do valor pago em Julho de 2004, pela impossibilidade de se fixar metas do próprio semestre no penúltimo dia útil deste mesmo semestre. Não se pode trabalhar com condições passadas, já cumpridas, a serem atingidas. O exposto neste item contraria, frontalmente, não só o parágrafo primeiro do artigo segundo da 10.101 de 19/12/2000 (acima transcrito) como também o próprio espírito da criação da Participação em Resultados. Podese observar que a assinatura não é o ponto fundamental, mas a fixação de metas retroativas, pois se o tempo inexoravelmente já transcorreu como seria possível o trabalhador buscar atender as metas e ser avaliado no tempo pretérito de algo que não conhecia. A existência de acordos no anos anteriores 2002/2003 não permitem ao trabalhador inferir que as metas e regras permaneceriam imutáveis e que este deveria buscar cumprir as metas dos anos anteriores. (...) O que o lançador disse é que as regras claras e objetiva, metas e critérios tinham que ser fixados previamente ao final do período em que se pretendia distribuir a PLR para que os trabalhadores soubessem com antecedência os procedimentos a adotar e metas e critérios a cumprir. Mas, o plano estabelecido e assinado no penúltimo dia do semestre não atende ao requisito legal, pois não permite ao trabalhador o conhecimentos prévio das regras." Destarte, comprovado o descumprimento de requisito legal para o pagamento de PLR, forçoso concluir pelo provimento do recurso, nesta parte. Quanto à segunda matéria reenquadramento da alíquota SAT/GILRAT no acórdão recorrido foi declarada a nulidade do lançamento por vício material, ao fundamento Fl. 536DF CARF MF 12 de que teria havido o reenquadramento de alíquota, de 1% para 2%, à revelia da Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, partindo da premissa de que efetivamente teria havido referido reenquadramento, pugna pela aplicação da alíquota anterior a este, deixandose de reconhecer a nulidade por vício material. Confirase o Recurso Especial da Fazenda Nacional: "Pugnase pela aplicação da mesma solução adotada no paradigma, qual seja: a aplicação da alíquota anterior ao reenquadramento e não a nulidade, por vício material, do lançamento." De plano, esclareçase que não houve reenquadramento por parte da Fiscalização, eis que no ano de 2000 a Contribuinte ajuizara a Ação Ordinária nº 200.61.00.0387606, perante a 18ª Vara da Justiça Federal, questionando a constitucionalidade da Contribuição em tela, passando desde então a promover depósitos judiciais à alíquota de 2%. Nesse passo a Fiscalização, ao formalizar a exigência, em 2008, não promoveu qualquer reenquadramento mas tão somente efetuou o lançamento da forma como a Contribuinte efetuara os respectivos depósitos judiciais. Confirase o que consta do resultado da diligência solicitada pela DRJ, às fls 268, do Anexo II. "Conforme já citado no Relatório do presente auto de Infração, a impugnante efetuou o Depósito Judicial das contribuições devidas ao SAT/RAT considerando, para tal fim, o código 72.907 (outras atividades de informática, não especificada anteriormente) que previa a utilização da alíquota de 2% (dois por cento). A empresa alega, posteriormente, que estaria corretamente enquadrada no código 64203/80 (provedores de acesso as redes de telecomunicações) que previa a utilização da alíquota de 1% (um por cento)." Nesse contexto, a declaração de nulidade do lançamento por vício material revelase absolutamente incabível, eis que sem amparo no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, já que não se trata de decisão proferida por autoridade incompetente, tampouco de cerceamento de direito de defesa, visto que a Fiscalização tão somente aplicou a alíquota que a própria Contribuinte utilizara. Assim, assiste razão à Fazenda Nacional, uma vez que não se vislumbra o vício material apontado no acórdão recorrido. Quanto ao pedido formulado no recurso, observase que a Recorrente pugna pela manutenção da alíquota anterior ao suposto reenquadramento que, como se constatou, não existiu. O que ocorreu foi a tentativa, por parte da Contribuinte, de redução de alíquota por ela mesma definida, inclusive com respaldo em depósitos judiciais. Nesse passo, nada mais resta a esta Conselheira senão dar provimento ao recurso também nesta parte, para afastar a nulidade declarada no acórdão recorrido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, apenas no que tange às Contribuições SAT/RAT. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19515.006157/200832 Acórdão n.º 9202007.662 CSRFT2 Fl. 532 13 Fl. 538DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.011970/2003-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR.
Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 70 /2 00 3- 61 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10580.011970/200361 Acórdão n.º 9303008.029 CSRFT3 Fl. 381 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte SALVADOR PILOTS SERVIÇOS DE PRATICAGEM DOS PORTOS DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS S/C LTDA. com fulcro nos artigos 9, inciso I, 64, inciso II e 67, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vigentes à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão nº 340100.388, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003 REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10580.011970/200361 Acórdão n.º 9303008.029 CSRFT3 Fl. 382 3 EXPRESSA DO ART. 3°, § 1°, LEI N° 9.718/98 PELA LEI N" 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor à época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Recurso Voluntário Negado. O decisum foi confirmado pelo despacho que não admitiu os embargos de declaração interpostos pela Contribuinte, pois inexistentes a contradição e a omissão apontadas. Na sequência, não resignada com a decisão, a Contribuinte insurgese por meio de recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à necessidade de aplicação pelo CARF da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS no regime cumulativo, trazido pelo §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, no julgamento dos recursos extraordinários n.º 357950, 390840, 358273 e 346084. Para comprovar o dissídio de interpretações, trouxe como paradigmas os acórdãos nº 310100.553 e 3803000.839. Nas suas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) deve ser aplicado pelo CARF o julgado do STF, proferido em sede de repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, que havia introduzido o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, consoante artigo 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vigente anteriormente à prolação do acórdão de recurso voluntário; (b) a Lei n.º 11.941/09, que revogou expressamente o §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, entrou em vigor em maio de 2009, portanto, antes da prolação do acórdão recorrido em 20/10/2009, a qual poderia ter sido aplicada pelo Colegiado; (c) em consonância com a declaração de inconstitucionalidade do §1º, art. 3º da Lei em comento, pelo STF, a tributação pelo PIS e COFINS recai somente sobre a receita de vendas, de prestação de serviço ou da combinação de ambas; e (d) por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho nº 340000.104, de 20 de março de 2014 (efl. 344), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 346 a 356) postulando a negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10580.011970/200361 Acórdão n.º 9303008.029 CSRFT3 Fl. 383 4 É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época, e reproduzido pela Portaria MF nº 343/15, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de aplicação da decisão do STF, mais especificamente, a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, prolatada no julgamento dos recursos extraordinários n.º 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR, em sede de repercussão geral. Da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os REs nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10580.011970/200361 Acórdão n.º 9303008.029 CSRFT3 Fl. 384 5 (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10580.011970/200361 Acórdão n.º 9303008.029 CSRFT3 Fl. 385 6 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. No caso dos autos, portanto, não deve incidir a contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS do regime cumulativo sobre as receitas financeiras e as receitas não operacionais da Contribuinte que, conforme explicitado pela Recorrente, são as receitas de aplicações financeiras e receitas de juros cobradas de clientes em atraso no pagamento dos valores devidos à Recorrente, por não se enquadrarem no conceito de faturamento. Diante do exposto, dáse provimento o recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.010028/2005-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/11/2003
COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS. CONDIÇÃO PARA RECONHECIMENTO E CONCESSÃO DE ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO.
O reconhecimento e a concessão de isenção ou redução de imposto são condicionados à comprovação pelo importador de que, no momento da importação, os tributos e contribuições federais estavam quitados, a não ser que lei disponha expressamente em sentido contrário.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. INOCORRÊNCIA.
Não cabe a restituição do imposto quando não está caracterizado o pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável.
Numero da decisão: 3002-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 04/11/2003 COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS. CONDIÇÃO PARA RECONHECIMENTO E CONCESSÃO DE ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO. O reconhecimento e a concessão de isenção ou redução de imposto são condicionados à comprovação pelo importador de que, no momento da importação, os tributos e contribuições federais estavam quitados, a não ser que lei disponha expressamente em sentido contrário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. INOCORRÊNCIA. Não cabe a restituição do imposto quando não está caracterizado o pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 172 1 171 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.010028/200557 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.665 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. RESTITUIÇÃO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/11/2003 COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS. CONDIÇÃO PARA RECONHECIMENTO E CONCESSÃO DE ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO. O reconhecimento e a concessão de isenção ou redução de imposto são condicionados à comprovação pelo importador de que, no momento da importação, os tributos e contribuições federais estavam quitados, a não ser que lei disponha expressamente em sentido contrário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. INOCORRÊNCIA. Não cabe a restituição do imposto quando não está caracterizado o pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 00 28 /2 00 5- 57 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 173 2 Relatório Trata o processo de solicitação de retificação da Declaração de Importação (DI) nº 03/09586636, para fins de aplicação da redução de 40% do Imposto de Importação (II), prevista na Lei nº 10.182/2001, uma vez que o contribuinte não requereu este tratamento tributário quando do registro da DI, solicitação essa combinada com o pedido de restituição de II no valor de R$ 861,37 (fls. 2 a 6). Os pedidos foram instruídos com cópia da DI, do comprovante de importação, do conhecimento de carga, da fatura, da nota fiscal de entrada, de livros contábeis, do contrato de câmbio, do Ofício Decex/CGME/Setel nº 17/2005 e de documentos de constituição e representação da empresa (fls. 7 a 39). O contribuinte entrou com inúmeros pedidos similares, analisados em conjunto em um primeiro momento pela Inspetoria de São Paulo, competente para a decisão relativa à retificação da DI e, posteriormente, pela Alfândega do Aeroporto de Guarulhos, competente para a decisão relativa ao pedido de restituição. A IRF/São Paulo indeferiu o pedido de retificação que ora se analisa porque, intimado a apresentar as certidões negativas de débito que abrangessem a data de registro da DI (CND, FGTS e Dívida Ativa da União), o requerente respondeu que a exigência das certidões negativas era descabida e que competia à Administração verificar internamente se a empresa estava ou não regular. Entretanto, a despeito dessa argumentação, disponibilizou as certidões de que dispunha: algumas certidões emitidas pela Receita Federal, mas que cobriam apenas certos meses entre 1999 e 2002, e nenhuma certidão negativa do FGTS ou da Dívida Ativa da União (fls. 48 a 50). Por meio do Despacho Decisório às fls. 51 a 54, a ALF/Guarulhos indeferiu o pedido de restituição, tendo vista a decisão da IRF/São Paulo de improcedência do pedido de retificação da DI. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou a ilegalidade da exigência de Certidão Negativa de Débitos a cada importação; que a Lei nº 10.182/2001 teria revogado tacitamente o art. 60 da Lei nº 9.069/1995, que dispõe sobre a exigência de demonstração pelo contribuinte de quitação dos tributos federais como condição para usufruir de incentivo ou benefício fiscal; que a Administração teria acesso a esses dados, devendo providenciálos de ofício, em atendimento ao previsto no art. 37 da Lei nº 9.784/1999 e apresentou jurisprudência do STJ (fls. 59 a 73). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1744.186, por meio do qual negou provimento com os seguintes fundamentos: i) o tratamento tributário previsto na Lei nº 10.182/2001, conhecido como Regime Automotivo, consiste em benefício fiscal de caráter misto, vinculado à qualidade do importador (caráter subjetivo) e à destinação do bem (caráter objetivo), motivo pelo qual deve o contribuinte provar que atende às condições para seu gozo; ii) a exigência das CNDs tem amparo no art. 60 da Lei nº 9.069/1995, que não foi tacitamente revogado, não se aplicando ao caso a solução Cosit de dispensa de CND, porque proferida para mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero (caráter exclusivamente objetivo); e iii) que a regularidade fiscal deve ser comprovada a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 174 3 cada importação, não sendo suficiente a habilitação inicial ao benefício (fls. 98 a 114). O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 28.09.2010, conforme Aviso de Recebimento constante às fl. 117, e protocolizou seu recurso em 25.10.2010, conforme carimbo aposto na capa – fl. 120. Em seu Recurso Voluntário (fls. 120 a 136), a recorrente retomou os argumentos de que precisa atender apenas e tão somente os requisitos previstos na Lei nº 10.182/2001 e que a exigência da CND a cada importação é ato arbitrário e ilegal, pois a Lei nº 9.069/1995 aplicase apenas à concessão ou reconhecimento do benefício fiscal, não sendo necessária sua reapresentação a cada operação de importação para a fruição do aludido benefício. Alegou, ainda, que deve ser aplicado ao caso o que foi decidido no julgamento do REsp nº 1.041.237/SP, na sistemática dos Recursos Repetitivos, de observância obrigatória por este Colegiado, no sentido da ilicitude da exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro, se tal comprovação já fora apresentada quando da concessão do regime de drawback. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 175 4 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente persiste na tese da desnecessidade de apresentação de certidão negativa a cada operação, sendo esse o ponto central de sua defesa. Afirmo, já de pronto, que se trata de interpretação equivocada da legislação aduaneira, com a qual não é possível concordar, pelos motivos que veremos a seguir. A redução de alíquota do imposto de importação prevista na Lei nº 10.182/ 2001, específica para partes e peças de veículos, decorre das condições gerais estabelecidas para o Regime Automotivo por meio da Lei nº 9.449/1997, que fixa o teto da redução de partes em peças em até 90%. Com a publicação da Lei nº 10.182/2001, a redução ficou fixada em 40%. Portanto, deve ser entendida dentro desse contexto. O Regime Automotivo segue uma sistemática bastante frequente nos benefícios fiscais concedidos na área aduaneira: ser composto de duas fases. A primeira, de habilitação do operador ao regime, consiste em demonstrar para o órgão competente que o importador atende aos requisitos para se utilizar do benefício – essa fase diz respeito, usualmente, ao atendimento a uma condição de caráter subjetivo. Esse órgão competente pode ser a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) ou a própria Secretaria da Receita Federal. No nosso caso específico, deve ser demonstrado, por exemplo, que o importador é fabricante ou montador de veículos ou, quando fabricante de autopeças, que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação de veículos. Cumpridos os requisitos para habilitação junto à Secex, o importador está apto a pleitear a redução de imposto sob o amparo da Lei nº 10.182/2001 quando fizer a importação de autopeças, apenas. Uma outra empresa, que não fosse habilitada nesta primeira fase, jamais poderia sequer pleitear a redução que ora se discute, pois o Siscomex não permitiria a indicação de redução do II com este fundamento. Pelo exposto, vêse que estar habilitado não significa a aquisição automática e perene da redução do imposto, independentemente da operação em curso, pois o atendimento das demais condições será aferido posteriormente, a cada entrada de mercadoria, o que nos leva à segunda fase, que compreende o reconhecimento e a concessão do benefício. Na segunda fase, que ocorre durante o despacho aduaneiro, caberá ao importador demonstrar para a Receita Federal que faz jus aos demais requisitos para o efetivo gozo do benefício fiscal. A fiscalização vai observar não somente os requisitos definidos na lei que instituiu o benefício fiscal como, por exemplo, verificar que não se trata de partes e peças para motocicleta, não contempladas pela Lei nº 10.182/2001, como também os requisitos Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 176 5 gerais, definidos na legislação aduaneira e aplicáveis a qualquer isenção ou redução, salvo se lei específica expressamente dispensar o seu atendimento. A concessão da redução, como consequência do reconhecimento do direito, se expressa pelo desembaraço aduaneiro. É o momento em que a fiscalização aduaneira atesta que o importador atendeu ao previsto tanto na lei específica, que instituiu o benefício, quanto na legislação aduaneira, e pode dispor do bem pagando um tributo menor. Tal afirmação tem suporte no Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro – RA/2002), vigente à época dos fatos, do qual transcrevo a parte relativa a reconhecimento e concessão da isenção ou da redução: Do Reconhecimento da Isenção ou da Redução Art. 120. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no5.172, de 1966, art. 179). § 1o O reconhecimento referido no caput não gera direito adquirido e será anulado de ofício, sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do benefício (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, § 2o). § 2o A isenção ou a redução poderá ser requerida na própria declaração de importação. § 3o O requerimento de benefício fiscal incabível não acarreta a perda de benefício diverso. § 4o O Ministro de Estado da Fazenda disciplinará os casos em que se poderá autorizar o desembaraço aduaneiro, com suspensão do pagamento de impostos, de mercadoria objeto de isenção ou de redução concedida por órgão governamental ou decorrente de acordo internacional, quando o benefício estiver pendente de aprovação ou de publicação do respectivo ato regulamentador (Decretolei no 2.472, de 1988, art. 12). Art. 121. Na hipótese de não ser concedido o benefício fiscal pretendido, para a mercadoria declarada e apresentada a despacho aduaneiro, serão exigidos o imposto correspondente e os acréscimos legais cabíveis. Art. 122. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber, a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. (grifado) Entendo que os artigos do RA/2002 não deixam dúvida sobre a correção do entendimento aqui exposto. Creio ser mais do que suficiente para rechaçar a interpretação confusa trazida pela recorrente em seu recurso. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 177 6 Prosseguindo, para verificar quais seriam as condições a serem atendidas para a aplicação da redução, vamos novamente nos socorrer do RA/2002, que dispõe longa e minuciosamente sobre o tratamento a ser dado às isenções e reduções do imposto de importação nos seus arts. 113 a 211. Da Seção I Das Disposições Preliminares, do Capítulo de Isenções e Reduções do Imposto do RA/2002, transcrevemos: Art. 113. Interpretase literalmente a legislação tributária que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do imposto de importação (Lei no 5.172, de 1966, art. 111, inciso II). Art. 114. A isenção ou a redução do imposto somente será reconhecida quando decorrente de lei ou de ato internacional. Art. 115. Os bens objeto de isenção ou de redução do imposto, em decorrência de acordos internacionais firmados pelo Brasil, terão o tratamento tributário neles previsto (Lei no 8.032, de 1990, art. 6o). Art. 116. O tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional aplicase exclusivamente à mercadoria originária do país beneficiário (Decretolei no 37, de 1966, art. 8o). § 1o Respeitados os critérios decorrentes de ato internacional de que o Brasil seja parte, temse por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou de mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial (Decretolei no 37, de 1966, art. 9o). § 2o Entendese por processo de transformação substancial o que conferir nova individualidade à mercadoria. Art. 117. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira (Decretolei no 37, de 1966, art. 17, e Decretolei no 666, de 2 de julho de 1969, art. 2o). Art. 118. A concessão e o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo ao imposto ficam condicionados à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 60). Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às importações efetuadas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal, pelos Territórios e pelos Municípios. (grifado) Especificamente dos arts. 118 e 119 acima, extraímos que a concessão de qualquer isenção ou redução é condicionada à comprovação de regularidade fiscal, de inexistência de similar nacional e de transporte do bem importado em navio de bandeira brasileira, a menos que a lei disponha de forma diversa. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 178 7 Em consonância com o ordenamento jurídico, a Lei nº 10.182/2001 apontou expressamente quais, dentre os requisitos gerais, não seriam aplicados na matéria por ela disciplinada, in verbis: Art. 5º O Imposto de Importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em: ....................................................................................................... §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. (grifado) O § 2º acima referese à inexistência de similar nacional e ao transporte sob bandeira brasileira. Assim, dos três requisitos do regramento geral para concessão de redução, dois foram expressamente excluídos pela Lei, restando incólume a exigência de prova de quitação dos tributos e contribuições federais para a concessão da redução. A corroborar esse entendimento, temos que o próprio RA/2002, ao dispor sobre a redução de alíquota da Lei nº 10.182/2001, elencou tão somente a dispensa de similaridade e de bandeira brasileira. Seguem os trechos pertinentes: Art. 136. É concedida a redução de quarenta por cento do imposto incidente sobre a importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos, destinados exclusivamente aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de (Lei no 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5o e § 1o): ........................................................................................................ Art. 201. São dispensados da apuração de similaridade: ....................................................................................................... XII bens importados com a redução do imposto a que se refere o art. 136 (Lei no 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5o e § 2o). ........................................................................................................ Art. 210. Respeitado o princípio de reciprocidade de tratamento, é obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira (Decretolei no 666, de 1969, art. 2o): ................................................................................................... § 3o São dispensados da obrigatoriedade de que trata o caput: I bens doados por pessoa física ou jurídica residente ou sediada no exterior; e Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 179 8 II partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, beneficiados com a redução do imposto a que se refere o art. 136 (Lei no 10.182, de 2001, art. 5o). Dessa forma, entendo por demonstrado que a certidão negativa de débitos deve ser apresentada a cada operação de importação para a concessão da redução de imposto. Quanto ao argumento de aplicação ao caso do REsp nº 1.041.237/SP, submetido ao regime dos recursos repetitivos, no qual se decidiu pela ilicitude da exigência de CND no momento do despacho aduaneiro de importação de mercadorias amparadas por drawback, por certo que seria vinculante para este Colegiado se tratasse da mesma matéria deste processo. Contudo, tal decisão referese a um regime aduaneiro especial, modalidade para a qual não há as mesmas exigências que a legislação impôs para a concessão de isenção e redução de imposto. No regime aduaneiro especial, por regra geral o importador deve apresentar um termo de responsabilidade no despacho de importação. Inexiste obrigação de apresentar CND, nem de se aferir a existência de similar nacional ou transportar sob bandeira brasileira. Drawback e redução de imposto são institutos diferentes. Tanto é assim que apenas um mês após a prolação do acórdão acima, o mesmo ministro relator decidiu no mesmo sentido que se adota neste voto, afirmando, inclusive, o direito de a Fazenda reter a mercadoria até que seja provada a regularidade fiscal. O REsp ao qual me refiro, nº 1.074.121/SP, apesar de também não tratar de redução de imposto, pode aqui ser aplicado porque referese à isenção, instituto para o qual a legislação dá tratamento similar à redução de imposto. Transcrevo sua ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ISENTA DE IMPOSTO. DESEMBARAÇO. EXIGÊNCIA DE CND. RETENÇÃO DE MERCADORIA. MECANISMOS LEGAIS PARA CONCESSÃO DE ISENÇÃO E OBRIGAR A QUITAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A isenção legal prevista no regramento da Lei 8.032/90, quanto ao imposto de importação, sofre condicionamentos especiais para sua concessão, frente às disposições trazidas pelas Leis 8.036/90, 8.212/91 e, principalmente, a Lei 9.069/95, no art. 60, in verbis: “A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais”. 2. O princípio da legalidade informa que a exigência da CND pela autoridade fiscal para comprovar a regularidade tributária e conceder o benefício isentivo, ainda que em detrimento do desembaraço aduaneiro, encontra amparo no art. 194 e parágrafo único, da Norma Geral Tributária, in verbis: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 180 9 “Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplicase às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal.” 3. O Código Tributário Nacional privilegia e confere mecanismos que possibilitem a administração fiscalizar e aplicar o regramento fiscal, objetivando o pagamento dos tributos, diante do regular exercício de competências que as autoridades administrativas recebem da legislação tributária. 4. A prova de regularidade fiscal é exigida somente dos interessados para a habilitação em licitações, convênios, acordos, ajustes etc., celebrados por órgãos e entidades da Administração, bem como para obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios a serem concedidos. (Precedente RESP 833.992/DF, julgado em 07.10.2008, DJ. 29.10.2008). 5. O acórdão recorrido, em sede de embargos de declaração, que enfrenta explicitamente a questão embargada não enseja recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 6. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 7. Recurso Especial desprovido. Para finalizar, observo que toda essa celeuma decorreu do fato de o contribuinte não estar em condição de apresentar certidão negativa para todos os períodos pleiteados, fato confessado por ele em um dos processos, como se constata do relato constante do Despacho Decisório IRF/SPO nº 034/2009, do qual se transcreve o parágrafo pertinente (fl. 48): Cabe ressaltar, que embora o interessado afirme, em sua resposta a intimação SAORT/IRFSPO nº 06/2008 item 14, que seria possível mediante simples verificação dos sistemas da Receita Federal aferir a regularidade fiscal da requerente e também em relação ao FGTS, o mesmo não menciona neste instrumento processual as certidões de dívida ativa da União CND, cumprindo salientar que o mesmo informou no decorrer do processo de nº 10314.010744/200575 (fl. 48) do mesmo interessado e conteúdo semelhante, que acabava não usufruindo o benefício da Lei 10.182/01 “nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND...e naquele momento, encontravase impossibilitada de apresentá la”. (grifado) Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10814.010028/200557 Acórdão n.º 3002000.665 S3C0T2 Fl. 181 10 Vêse que o interessado adotou o caminho de rechaçar a exigência de apresentação de certidão negativa porque estava em débito com a Fazenda Nacional ou o FGTS. Em não tendo sido atendido requisito indispensável para o reconhecimento do direito à redução do imposto de importação, concluo pela inexistência de pagamento indevido e pela improcedência do pedido de restituição. Com essas considerações, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 13702.001356/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 114 1 113 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13702.001356/200861 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.728 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2019 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ANTONIO JOSÉ FERNANDES FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 102/103) em face do Acórdão n. 12 52.428 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I DRJ/RJ1 (efls. 95/97), que julgou improcedente a impugnação (efls. 03/05), mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física IRPF n. 2005/607400384033119 AnoCalendário 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 02 .0 01 35 6/ 20 08 -6 1 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13702.001356/200861 Resolução nº 2402000.728 S2C4T2 Fl. 115 2 no montante de R$ 55.580,08 (efls. 08/11) constituído em 19/05/2008 (efl. 66) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 03/05) em 29/05/2008, alegando, em sede preliminar, cancelamento da Notificação de Lançamento em tela em virtude de não ter sido previamente intimado a apresentar justificativas, e, no mérito, que a retenção de imposto de renda que foi glosada de fato ocorreu. Todavia, a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física IRPF n. 2005/607400384033119 (efls. 08/11) foi objeto de análise das questões de fato alegadas pelo sujeito passivo suscitadas na impugnação (efls. 03/05), com a consequente lavratura de Termo Circunstanciado (efls. 83/85), conforme previsto no art. 6°.A da Instrução Normativa RFB n. 958, de 15 de julho de 2009, incluído pela Instrução Normativa RFB n. 1061, de 04 de agosto de 2010. No Termo Circunstanciado (efls. 83/85), a autoridade lançadora entendeu por manter o lançamento referente à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 59.626,51. Em decorrência, foi exarado o Despacho Decisório (efl. 86) que manteve integralmente o lançamento abrigado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física IRPF n. 2005/607400384033119 (efls. 08/11). Cientificado do o Despacho Decisório (efl. 86) em 22/03/2012 (efl. 89), o impugnante apresentou, em 26/03/2012, solicitação de encaminhamento deste processo à DRJ alegando "que se encontra nos "autos" do processo administrativo supracitado, documentação relativa à retenção de imposto de renda retido na fonte por parte do UNIBANCO" A impugnação (efls. 03/05) foi julgada improcedente pela instância de piso, nos termos do Acórdão n. 1252.428 (efls. 95/97), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo reproduzida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. ALVARÁ JUDICIAL. DIRF Inexistindo nos autos alvará judicial ou DIRF que comprovem a retenção de imposto de renda na fonte sobre rendimentos decorrentes de reclamação trabalhista, há que se considerar indevida a compensação de imposto de renda retido na fonte ocorrida na declaração de ajuste anual do Contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O impugnante, agora Recorrente, tomou ciência do teor do Acórdão n. 12.52.428 (efls. 95/97) em 19/03/2013 (efls. 98/100) e, inconformado, interpôs Recurso Voluntário em 15/04/2013 (efls. 102/103), alegando que o valor glosado a título de IRRF foi efetivamente descontado na reclamatória trabalhista, conforme consta em planilhas acostadas àqueles autos, informando, inclusive, que solicitou desarquivamento com o fito de verificar eventual falha e o que o UNIBANCO repasse o valor devido. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13702.001356/200861 Resolução nº 2402000.728 S2C4T2 Fl. 116 3 Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O Recurso Voluntário (efls. 102/103) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Passo à análise. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), relacionado à Reclamatória Trabalhista n. 2262/92, vez que não comprovado o IRRF de R$ 59.626,51 declarado pelo Recorrente na DIRPF/2005 ND 07/24.921.660 (efls. 62/65). Muito bem. Ao apreciar a impugnação (efls. 03/05), a instância de piso concluiu que não restou comprovada retenção de imposto de renda de R$ 59.626,51 declarado pelo Recorrente. Por oportuno, destaco, no essencial o voto condutor do Acórdão n. 1252.428 (efls. 95/97): Contudo, é imperativo salientar que não constam dos autos alvará judicial determinando a retenção e recolhimento de imposto de renda no valor de R$ 59.626,51, nem DIRF enviada pela fonte pagadora com esse valor de imposto de renda retido na fonte. Apenas foi juntado à fl. 38 alvará judicial determinado o pagamento do valor de R$ 183.959,76 ao Interessado, sem mencionar a retenção do imposto de renda na fonte. Frisese que o recibo de fl. 40, emitido pelo próprio Impugnante, não é documento hábil para comprovar a retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 59.626,51. Tampouco a cópia da sentença judicial de fls. 43 a 48 prova que houve retenção de imposto de renda sobre os valores pagos pelo Unibanco ao Interessado. De se observar, todavia, que, em sede de recurso voluntário, o Recorrente acosta aos autos cópia de tela de consulta processual na qual resta evidenciada solicitação de desarquivamento, na data de 28/02/2013 (efl. 103). Compulsando os autos, verificase que não há elemento de prova inequívoca de retenção de imposto de renda no valor de R$ 59.626,51 informado pelo Recorrente na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2004 ND 07/24.921.660 (efls. 62/65). Todavia, considerando que as informações consignadas nos documentos de e fls. 13/48, vinculados à Reclamatória Trabalhista n. 2262/92, constituemse relevante começo de prova, observandose ainda que a comprovação do IRRF glosado foge à governança do Recorrente, enxergo, no caso concreto, hipótese de mitigação da preclusão prevista nos arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972, em homenagem, inclusive, ao princípio da verdade Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13702.001356/200861 Resolução nº 2402000.728 S2C4T2 Fl. 117 4 material, intrínseco ao direito tributário, impondose, por consequência, as devidas diligências junto à 11ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ com o fito de averiguar a ocorrência de recolhimento de imposto de renda na fonte no AC 2004 no valor de R$ 59.626,51, vinculado à reclamatória trabalhista em tela, em favor da Fazenda Nacional. Outrossim, carece de esclarecimento, com documentos hábeis e idôneos, a natureza dos rendimentos no valor de R$ 25.719,79 informados como isentos e não tributáveis pelo Recorrente na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2004 ND 07/24.921.660 (efls. 62/65) e vinculados à Reclamatória Trabalhista n. 2262/92. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 102/103) para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem da RFB para averiguar junto à 11ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ a ocorrência de recolhimento de imposto de renda na fonte no AC 2004 no valor de R$ 59.626,51, vinculado à Reclamatória Trabalhista n. 2262/92, em favor da Fazenda Nacional, bem assim intimar o Recorrente a esclarecer, inclusive com documentos hábeis e idôneos, a natureza dos rendimentos no valor de R$ 25.719,79 informados como isentos e não tributáveis na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2004 ND 07/24.921.660 (efls. 62/65), também vinculados à Reclamatória Trabalhista n. 2262/92, observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, a seu critério, apresente contrarrazões.. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.971533/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (fls. 02/80 e 125/218), devendo ser realizada essa análise em conjunto com os processos conexos de números 15374.971240/2009-27, 15374.971530/2009-18, 15374.971535/2009-32, 15374. 971536/2009-87 e 15374.971537/2009-21. Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (fls. 02/80 e 125/218), devendo ser realizada essa análise em conjunto com os processos conexos de números 15374.971240/2009-27, 15374.971530/2009-18, 15374.971535/2009-32, 15374. 971536/2009-87 e 15374.971537/2009-21. Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte considerando todos os documentos por ela apresentados nestes autos (fls. 02/80 e 125/218), devendo ser realizada essa análise em conjunto com os processos conexos de números 15374.971240/200927, 15374.971530/200918, 15374.971535/200932, 15374. 971536/200987 e 15374.971537/200921. Na seqüência, deve ser intimada a recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 125/133), acompanhado de cópias de documentos comprobatórios, interposto contra o Acórdão no. 1277.515 da 15a. Turma da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 71 53 3/ 20 09 -4 3 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 223 2 Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ – DRJ/RJ1 (efls. 100/103), que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade (efls. 02/05), interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela recorrente em PERD/COMP (efls. 77/80). 2. Em 19.11.2008, a Recorrente transmitiu a PER/DCOMP n° 12322.60352.191108.1.3.047999, por meio qual pretendeu se beneficiar de um soposto crédito no valor de R$ 1.277.611,11, relacionado a pagamento indevido de 1RRF sob o código 0473, no valor de R$ 1.676.000,00 (efls. 14). O débito correlato passou a ser controlado pelo processo n° 15374.979.295/200914. 3. Ao analisar o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, a RFB emitiu o Despacho Decisório n° 848601160, de 07.10.09, por meio qual negou a compensação requerida, adotando o entendimento de que o pagamento indevido considerado para compensação estaria alocado para quitação efetiva de débito de IRRF declarado em DCTF, de forma que o valor pretendido não estaria disponível para compensação. 4. Complemento o esclarecimento dos fatos ocorridos através do Relatório do referido Acórdão da DRJ/RJ1: Relatório (...).Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em suma, que o valor foi pago indevidamente, porém, um equívoco no preenchimento da DCTF ocasionou o não reconhecimento do direito creditório. Com isso, informa que retificou a DCTF corrigindo o erro e, busca comprovar o crédito através de folhas do Livro Diário juntada aos autos. Requer, assim, a reforma do Despacho Decisório a fim de que seja reconhecido o direito creditório e, conseqüentemente, homologada a compensação. É o relatório. 5. O Voto da 15a. Turma da DRJ/RJ1, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir: Voto A manifestação de inconformidade atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, portanto dela conheço. Consta na Declaração de Compensação ora em análise a informação de que a DCOMP inicial que contém o demonstrativo do crédito é a Declaração de nº 27834.49835.171008.1.3.046108, ou seja, ambas estão atreladas ao mesmo crédito. Ocorre que este crédito já foi apreciado no processo administrativo nº 15374.965240/200927, que teve como resultado o não reconhecimento do direito creditório e a conseqüente não homologação da compensação nº 27834.49835.171008.1.3.046108. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela 1ª Turma desta Fl. 223DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 224 3 Delegacia, através do Acórdão nº 12 42.600, sendo mantido o Despacho Decisório. No momento, o processo nº 15374.965240/200927 aguarda o julgamento do recurso voluntário (fls. 9299). Conclusão: Assim, considerando que já houve julgamento com decisão pelo não reconhecimento do direito creditório em tela, VOTO por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação nº 12322.60352.191108.1.3.047999. Recurso Voluntário 6. Cientificada da decisão a quo, em 09/09/2015 (fl. 109) a contribuinte apresenta em 09/10/2015, através de seu procurador, os seguintes argumentos transcritos em síntese: Da tempestividade. alega que seu recurso é tempestivo; Dos fatos: traz um breve relato dos fatos, já elucidados acima; Do direito. destaca que ao constatar o equívoco na declaração e, por conseguinte, na alocação do pagamento, promoveu a retificação da DCTF em 26.10.2009 ; conclui que com a retificação, o pagamento tornouse livre para a compensação; Sustenta que a retificação da DCTF após o Despacho Decisório pode produzir efeito, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n° 2, de 28.08.15, que traz entendimento nesse sentido (transcreve o parecer); assim, acredita ser necessária a reforma da decisão; Da procedência do crédito. sustenta que o pagamento decorreu de incidência sobre remessa financeira, em 18.04.08. para a Empresa SAF PETROLEUM INVESTIMENTS FZE , mas a quantia foi reconhecida pelas partes como indevida e foi devolvida pela SAF para a Recorrente em 18.10.08, mediante celebração de contrato de câmbio de igual valor, cf. comprovado nos documentos anexos ao Recurso DOC 04, DOC 05 e DOC 06; Da suspensão da exigibilidade e da conexão. pela interposição do Recurso entende necessária a suspensão da exigibilidade do débito relacionado à compensação declarada; entende ainda que, pela conexão entre os fatos e os elementos jurídicos probatórios deste processo e o processo principal, onde está presente a declaração original do crédito pleiteado (15374.965240/200927), fazse necessário o reconhecimento de conexão processual, inclusive com o processo de débito n° 15374.979.295/200914, que passou a controlar os débitos derivados da não homologação; Fl. 224DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 225 4 Dos pedidos. seu primeiro pedido envolve a admissão do Recurso Voluntário e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário cf. Art 151, III, do CTN; o segundo é o reconhecimento da conexão entre este processo, o processo n° 15374.979.295/200914 e o processo n° 15374.965240/200927, de forma que sejam julgados pelo mesmo órgão julgador, na mesma sessão de julgamento; por fim, pede o provimento do Recurso para que seja homologada a compensação pleiteada, tendo em vista a efetiva comprovação da legitimidade do crédito declarado e utilizado pela Recorrente. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual a contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 10. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito é líquido e certo, condição sem a qual a mesma não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, e mais, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. 11. O caso em pauta envolve crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e existindo débito próprio, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado. 12. O contribuinte argumenta que a DCTF foi retificada, de modo que o valor recolhido pelo referido DARF apresentase disponível, podendo então pleitear direito ao crédito. Já a DRJ argumenta que a citada retificação ocorreu após o despacho decisório, e, por isso, manteve a decisão inicial da origem. 13. Por outro lado, a retificação de declaração após a prolação do despacho decisório é tese já analisada pelo CARF, inclusive por sua Câmara Superior de Recursos Fl. 225DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 226 5 Fiscais, especialmente na forma explanada nas razões de decidir do Acórdão n.º 9101002.203, da lavra do Ilustre Conselheiro Rafael Vidal de Araújo cuja Ementa transcrevo a seguir: Acórdão n.º 9101002.203 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário:2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1. Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (ano calendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2. A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. 14. Destaquese também a premissa em que se lastrearam as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, igualmente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" . Transcrevese a seguir a ementa do Acórdão acima referenciado: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos Fl. 226DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 227 6 após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. 15. Além disto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Coordenação Geral de Tributação (COSIT), na forma do Parecer Normativo COSIT n.º 8, de 03 de setembro de 2014, já se posicionou no sentido de poder ser revisto de ofício o despacho decisório denegatório da homologação da compensação quando se observar, por exemplo, erro de fato no preenchimento de DCTF. (...) REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. 16. Da mesma forma, outro normativo da COSIT, consubstanciado no Parecer Normativo COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, externa entendimento no mesmo sentido. ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6.º do art. 9.º da IN RFB n.º 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.º 1.110, de 2010. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 228 7 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9.ºA da IN RFB n.º 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n.º 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo n.º 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5.º do Decreto lei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP n.º 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB n.º 8, de 3 de setembro de 2014.(grifei) 17. Superada a questão da retificação de declarações após prolação de despacho decisório e diante do demais acima exposto, considero que o presente processo ainda não se Fl. 228DF CARF MF Processo nº 15374.971533/200943 Resolução nº 2202000.850 S2C2T2 Fl. 229 8 encontra totalmente formalizado para possibilitar prolação de decisão. Considero ainda que para o melhor deslinde do feito tornase necessária realização de diligência para apreciação de seis processos em conjunto, uma vez que são conexos, referemse ao mesmo pagamento em DARF, e há referências de uns aos outros tanto pela contribuinte quanto pela DRJ. 18. Reconhecida a conexão processual com o processo de no. 15374.965240 /200927, os autos foram avocados por este Conselheiro para apreciação juntamente com outros conexos. Destaquese que o processo n° 15374.979.295/200914, que controla débitos, não se encontra neste Conselho. Cabe ressaltar também que à efl. 04 do processo conexo 15374.971537/200921 verificase a relação de todas as PER/DCOMP presentes nos processos conexos, com a indicação de quais parcelas do valor do crédito original de R$ 1.676.000,00 a contribuinte entende poder compensar em cada uma delas. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem analise o direito creditório da contribuinte à luz de todos os documentos por ela apresentados nestes autos (fls. 02/80 e 125/218), devendo ser realizada essa análise em conjunto com os processos conexos de números 15374.971240/200927, 15374.971530/2009 18, 15374.971535/200932, 15374.971536/200987 e 15374.971537/ 200921. Na seqüência, deve ser intimada a ora recorrente, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13608.720309/2017-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RENDIMENTOS RECEBIDOS PELA UNESCO. ISENÇÃO
Estão abarcados por isenção tanto os funcionários do PNUD quanto os que a ela prestam serviço na condição de peritos de assistência técnica, estando a Unesco entre as agências especializadas da ONU.
Numero da decisão: 2001-001.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RENDIMENTOS RECEBIDOS PELA UNESCO. ISENÇÃO Estão abarcados por isenção tanto os funcionários do PNUD quanto os que a ela prestam serviço na condição de peritos de assistência técnica, estando a Unesco entre as agências especializadas da ONU.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.007284/00-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Recurso que repete os argumentos utilizados em sede de manifestação de inconformidade, sendo que o despacho decisório reconheceu integralmente o pleito.
Numero da decisão: 2201-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recurso que repete os argumentos utilizados em sede de manifestação de inconformidade, sendo que o despacho decisório reconheceu integralmente o pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 272 1 271 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007284/0047 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.976 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recurso que repete os argumentos utilizados em sede de manifestação de inconformidade, sendo que o despacho decisório reconheceu integralmente o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 84 /0 0- 47 Fl. 271DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 266/269 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), de fls. 177/180, que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, mediante a qual a DRF de origem deferiu totalmente o direito creditório pleiteado, restando a quantia de R$ 6.061,07, por erro no cálculo dos juros. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando a necessidade de cancelamento do débito em questão, tendo em vista a imunidade recíproca reconhecida em sentença proferida nos autos do processo nº 001186623.2008.403.6105. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) entendeu pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, por ausência de litígio quanto ao crédito, tendo em vista que a ora Recorrente limitouse a alegar direito ao cancelamento com base em decisão judicial que teria reconhecido o seu direito à imunidade recíproca, conforme ementa abaixo (fl. 177): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Deferido integralmente o direito credit6rio original solicitado, que se revelou, por equivoco da peticionária na atualização do crédito, insuficiente para quitar o débito, indicado na declaração de compensação, o litígio decorrente se limita a possíveis divergências entre os cálculos efetivados pela autoridade fiscal e aqueles promovidos pela requerente, não se conhecendo de petição em que se alega imunidade de impostos, para tentar desconstituir o crédito tributário confessado na declaração de compensação apresentada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 266/269, praticamente repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo o cancelamento do débito em discussão, por conta da imunidade recíproca. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10830.007284/0047 Acórdão n.º 2201004.976 S2C2T1 Fl. 273 3 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em questão, houve o reconhecimento do pedido de restituição apresentado e integralmente reconhecido. Entretanto, em razão de erros de cálculo cometidos pela recorrente, gerou uma diferença que continua em cobrança nos presentes autos. Neste sentido é a decisão recorrida, com a qual concordo: A manifestação de inconformidade é tempestiva, dotada dos pressupostos legais de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Conforme relatado, a contribuinte teve o seu pedido de restituição integralmente reconhecido, sendo o valor do crédito, no entanto, insuficiente para compensar o débito, como pretendido, em razão de erros de cálculo que teriam sido cometidos, pela requerente, na atualização do valor repetido. Vejase trecho do despacho decisório, que aborda a questão: "E assim, estando crédito (R$41.027,96, em 17/03/2000) e débito (R882.783,35. vencimento em 29/04/2005) plenamente identificados, com apoio do sistema Sief Processo, implementouse a compensação pretendida (com data de valoração 29/04/2005, data da entrega do competente documento compensatório), obtendose como resultado o exaurimento do crédito reclamado/utilizado e a extinção apenas parcial do débito indicado para tanto, segundo nos informam os relatórios de fls.. 66/68 (verificase nitidamente que o sujeito passivo interessado se equivocou na atualização do crédito postulado, já que lançou os corretos acréscimos moratórios incidentes, no percentual de 87% taxa Selic acumulada de abril/2000 a março/2005, mais I% em abril do mesmo ano sobre R$44.269,17 — este já calculado erroneamente em outubro de 2000 , quando, em verdade, deveria têlo feito sobre o valor originário, de R841.027,96." Na manifestação de inconformidade interposta, a contribuinte não se manifesta sobre essa diferença de cálculos, preferindo centrar seus argumentos no fato de ter conseguido o reconhecimento da imunidade tributária recíproca, em relação ao imposto de renda pessoa jurídica, em duas ações judiciais intentadas. Em razão desse reconhecimento, solicita que a cobrança do débito remanescente seja julgada insubsistente. Devese esclarecer à contribuinte, de imediato, que as Declarações de Compensação, desde outubro/2003, constituem confissão de divida, do que deriva que os débitos eventualmente Fl. 273DF CARF MF 4 não compensados, por insuficiência de direito creditório, são passíveis de cobrança imediata e de inscrição na Divida Ativa da Unido, em caso de não cumprimento do pagamento. Essa questão de cobrança de débitos não compensados foge à competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), cujas atribuições estão previstas no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, "in verbis": "Art. 212. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: (...) III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e de redução de alíquotas de tributos e contribuições.(ênfase acrescida) (...) Considerandose que o direito creditório, pleiteado pela interessada, foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, que examinou o pleito, não se instaura litígio quanto a esse aspecto do pedido de restituição. A divergência poderia surgir quando da implementação da compensação pretendida, em caso de remanescer débito declarado, quando os cálculos de atualização do crédito, ou mesmo possíveis acréscimos legais ao débito compensado, poderiam ser contestados pela interessada. Não foi o que ocorreu no presente caso, em que a insuficiência do direito creditório decorreu de equivoco cometido pela requerente, na atualização dos valores, fato esse implicitamente reconhecido, tanto que não contestado especificamente na petição apresentada. O pleito da contribuinte em ver reconhecida a imunidade quanto ao lançamento de impostos, obtida pela via judicial, deve ser endereçado à autoridade fiscal que jurisdiciona o seu domicilio, não sendo possível o seu exame nesta instância de julgamento. Em face do exposto, VOTO no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade interposta, por inexistência 4e litígio, determinando o retorno dos autos DRE de origem, para as providências de sua alçada. Ademais, a fim de complementar o presente decisum, merece destaque o fato de que a ora Recorrente ingressou com a ação judicial (declaratória) que reconheceu o seu direito à imunidade e esta decisão, só atinge fatos futuros, ou seja, a partir da declaração de que faz jus à imunidade recíproca, seja por medida liminar ou qualquer outra medida. Tendo em vista que débito é anterior à propositura da ação, o presente recurso não deveria ser conhecido, mas se for conhecido, a ele deve ser negado provimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10830.007284/0047 Acórdão n.º 2201004.976 S2C2T1 Fl. 274 5 Conclusão Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 275DF CARF MF
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