Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,202)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,251)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,808)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,693)
- Segunda Turma Ordinária d (15,666)
- Segunda Turma Ordinária d (14,180)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,226)
- Segunda Turma Ordinária d (12,209)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,266)
- Quarta Câmara (83,707)
- Terceira Câmara (65,729)
- Segunda Câmara (54,282)
- Primeira Câmara (18,795)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,479)
- Segunda Seção de Julgamen (112,370)
- Primeira Seção de Julgame (74,807)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,896)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,675)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,599)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,199)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,980)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11817.000213/2004-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2001 a 22/04/2004
DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DE PARTE DOS DEBITOS NO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL (REFIS). POSSIBILIDADE.
Em qualquer fase processual, o recorrente poderá desistir do recurso voluntário em tramitação, mediante petição ou a termo nos autos do processo ou pedido de parcelamento.
Recurso Voluntário Provido.
1. A denúncia espontânea da infração resulta configurada com pagamento do tributo devido e dos juros moratórios.
2. O efeito premial decorrente da aplicação do instituto da denúncia espontânea implica exclusão das penalidades pecuniárias de caráter eminentemente punitivo, dentre as quais se inclue a multa moratória, decorrente da impontualidade no pagamento do tributo devido (aplicação do art. 62-A do RICARF).
Numero da decisão: 3102-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Alaim Rodrigues Neto, OAB/RJ 124.191.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2001 a 22/04/2004 DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DE PARTE DOS DEBITOS NO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL (REFIS). POSSIBILIDADE. Em qualquer fase processual, o recorrente poderá desistir do recurso voluntário em tramitação, mediante petição ou a termo nos autos do processo ou pedido de parcelamento. Recurso Voluntário Provido. 1. A denúncia espontânea da infração resulta configurada com pagamento do tributo devido e dos juros moratórios. 2. O efeito premial decorrente da aplicação do instituto da denúncia espontânea implica exclusão das penalidades pecuniárias de caráter eminentemente punitivo, dentre as quais se inclue a multa moratória, decorrente da impontualidade no pagamento do tributo devido (aplicação do art. 62-A do RICARF).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11817.000213/2004-95
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352653
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.196
nome_arquivo_s : Decisao_11817000213200495.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 11817000213200495_5352653.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Alaim Rodrigues Neto, OAB/RJ 124.191. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5486137
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812999286784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11817.000213/200495 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.196 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria II/IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BETRA TRADING S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 22/04/2004 PAGAMENTO DO TRIBUTO REALIZADO PELO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. EXTENSÃO DOS EEITOS AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. O pagamento do tributo realizado pelo responsável solidário aproveita o contribuinte, para fim de aplicação dos efeitos benéficos da denúncia espontânea da infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO DOS TRIBUTOS SEM A MULTA DE MORA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea da infração resulta configurada com pagamento do tributo devido e dos juros moratórios. 2. O efeito premial decorrente da aplicação do instituto da denúncia espontânea implica exclusão das penalidades pecuniárias de caráter eminentemente punitivo, dentre as quais se inclue a multa moratória, decorrente da impontualidade no pagamento do tributo devido (aplicação do art. 62A do RICARF). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 22/04/2004 DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DE PARTE DOS DEBITOS NO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL (REFIS). POSSIBILIDADE. Em qualquer fase processual, o recorrente poderá desistir do recurso voluntário em tramitação, mediante petição ou a termo nos autos do processo ou pedido de parcelamento. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 02 13 /2 00 4- 95 Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Alaim Rodrigues Neto, OAB/RJ 124.191. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 240/276) complementares, em que formalizada a cobrança do Imposto sobre a Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e consectários legais. De acordo com a Descrição dos Fatos que integra os referidos Autos de Infração, as infrações que motivaram os lançamentos, em síntese, foram as seguintes: a) subfaturamento das operações de importação, mediante falsificação das faturas comerciais que instruíram o despacho aduaneiro; b) entrega a consumo de mercadoria não submetida a despacho aduaneiro de importação; c) erro de classificação fiscal na importação de pilhas e baterias; e d) erro de classificação e insuficiente descrição de máquinas fotográficas digitais. Em sede de impugnação, as razões de defesa apresentadas pela autuada, em síntese, foram as seguintes: a) cerceamento do direito de defesa, pela não entrega de documentos de instrução do auto de infração e pela alusão à entrega a consumo de mercadorias não regularmente submetidas a despacho, sem a descrição de tais mercadorias; b) no que se refere à diferença do valor aduaneiro declarado e apurado, que não restara comprovado o intuito fraudulento por parte das pessoas jurídicas (importadora e adquirente) e que, se viesse a ser demonstrado tal intuito, não poderia a Betra, mero prestador de serviço, ser responsabilizada por tais infrações; c) no que se refere ao erro de classificação fiscal de pilhas e baterias, que tanto a classificação apontada pelo fisco estaria equivocada e que eventual falha não causara prejuízo, já que a alíquota aplicável seria a mesma; d) no que se refere à entrega a consume de mercadorias não declaradas, que a fiscalização não poderia assumir tal presunção já que tal mercadoria fora submetida a despacho e, em tal ocasião, não fora registrada qualquer divergência; e Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 101 3 e) a revisão aduaneira representaria mudança de critério jurídico, vedado pelo art. 149 do CTN. O Colegiado julgador a quo converteu o julgamento do processo em diligência (fls. 237/236), para que os Autos de Infração fossem complementados com as seguintes informações, in verbis: 1) que a autoridade fiscal informe, para cada item do auto de infração (01 a 09), qual a disposição legal infringida, qual a disposição legal de cada penalidade aplicada e seus percentuais; 2) que seja dado conhecimento à interessada das cópias das faturas que levaram a fiscalização a concluir pela declaração incorreta de valor; 3) que sejam detalhadamente discriminadas as mercadorias não declaradas (item 2.2) e o porquê desta conclusão; 4) que seja explicitado quais os elementos necessários para a correta classificação das câmeras digitais que foram omitidos pelo contribuinte, objeto da penalidade proposta no item 05; 5) que sejam discriminadas quais as mercadorias objeto da multa aplicada no item Realizadas as informações, deve ser concedido o prazo de 30 dias a partir da ciência da interessada para sua manifestação. Depois disso, o processo deve retornar a esta DRJ. Em cumprimento a referida diligência, a fiscalização lavrou os Autos de Infração complementares de fls. 240/276. A autuada se manifestou por meio da petição de fls. 318/362, em que, em suma, alegou que: a) as operações autuadas foram realizadas por conta e ordem de terceiros e que não era a responsável pelas informações e documentos que serviram de base para a importação; b) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, nos casos de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora era responsável solidário, nos termos da redação dada pela MP 2.15835/2001; c) a requerente não teve nenhuma participação, direta ou indireta, nas infrações em tese descritas nos AI e como não teve qualquer benefício, não se podia lhe imputar qualquer responsabilidade, conforme dispõe o artigo 603, I, do RA; e d) apesar dos aditamentos feitos nos AI, a identificação do dispositivo infringido correspondente à infração não estava claro nem objetivo. Sobreveio a decisão primeira instância (fls. 375/393), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte e a exigência parcial mantida, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 01/06/2001 Ementa: VALOR ADUANEIRO Mediante conjunto de provas indiciárias, foi descaracterizado o valor declarado pela interessada. Valoração efetuada de acordo com os métodos previstos Acordo GATT/94. Correta aplicação das multas por Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 subfaturamento e declaração inexata. CLASSIFICAÇÃO FISCAL – As pilhas e baterias recarregáveis de chumbo, classificamse na posição 8507.20.10. FALTA DE MERCADORIA – Comprovada pela fatura comercial a não declaração de mercadorias, é necessário efetuar a cobrança dos valores não recolhidos. FALTA DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO – Nos termos do artigo 69 da lei 10.833/2003, é obrigatória a descrição detalhada da mercadoria, incluindo sua marca e modelo, sob pena de aplicação da multa prevista no artigo 84 da MP 2.15835/2001. EX TARIFÁRIA – Não restou demonstrado pela fiscalização que a mercadoria importada tratavase de “Lâmpadas Dicróicas”, não sendo cabível a aplicação da alíquota de EX Tarifária prevista para esta mercadoria. Inconformada com a referida, a autuada apresentou o recurso voluntário de fls. 400/422, em que reafirmou as razões aduzidas na fase impugnatória. Em aditamento, em síntese, alegou: 1) em preliminar: a) a insubsistência da tese da responsabilidade objetiva aduzida pela Turma julgadora a quo, pois eram elementos do crime de sonegação fiscal a fraude documental (falsidade) e a intenção de burlar o fisco (dolo), além de não mencionado a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como equivocada a tipificação legal do ilícito; e b) era equivocado o entendimento do dita Turma julgadora de que os AI complementares haviam esclarecido qualquer dúvida ou confusão, haja vista que faltavam elementos materiais de prova nos autos, o que tornava impossível apresentar argumentos legais de defesa e inconsistente a imputação baseada em ilação. 2) no mérito: a) a motivação exposta na decisão recorrida acerca da prova indiciária e sua possibilidade de aplicação em flagrante contradição com os fatos descritos neste caso afrontavam o princípio da legalidade, da segurança jurídica e os demais insculpidos no art. 37 da CF/88. A comprovação do ilícito pressupõe instrução dos autos com termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis; b) a tese defendia pela recorrente era a de responsabilidade subjetiva, que exigia pressupostos materiais e legais, quais sejam infração definida em lei como crime ou contravenção (art.lº, III, da Lei 8.137/90), e o dolo específico do agente elementar, o que contrariava a tese da responsabilidade objetiva apresentada como fundamento da decisão. Não dera causa à prática de subfaturamento, nem de simulação, conluio ou coisa parecida, logo não poderia ser responsabilizadas pelas multas aplicadas; c) em relação subfaturamento, classificação fiscal, insuficiência de declaração de mercadorias e produto estrangeiro em situação irregular, basicamente, reafirmou os argumentos já aduzidos na fase de impugnação. Para fim de complementa da instrução processual, a Terceira Cãmara do extinto Terceirto Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução 30301.382, de 6 de novembro de 2007, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, para que fossem intimadas, formalmente, a empresa adquirente das mercadorias em foco, Onity Ltda, bem como a exportadora no exterior, Tesa Entry Sistems, na pessoa da sua representante no Brasil, TESA Brasil, para prestarem as seguintes informações, in verbis: (1) Por que razões existem duas faturas comerciais, com mesma numeração e especificação de mercadorias, para uma mesma transação comercial, e ainda registrando divergência de quantidades e preços unitários? (A explicação deve abranger todas as faturas especificadas com esse problema, no auto de infração e na decisão da DRJ). Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 102 5 (2) Explicar o significado das comunicações manuscritas existentes nas faturas comerciais apresentadas à SRF pela ONITY LTDA que aparentemente traduzem combinação entre a TESA e a ONITY acerca de qual das duas faturas produzidas para a mesma transaçãodeveria ser apresentada na ocasião do registro da DI perante a alfandega brasileira. (3) Informar se o intermediário importador BETRA TRADING foi previamente informado, pela ONITY ou pela TESA, acerca desse procedimento de emissão de mais de uma fatura por operação comercial. (4) a BETRA TRADING recebeu do seu contratante ONITY todas as faturas existentes referentes a uma mesma transação comercial, e nesse caso, recebeu alguma orientação sobre qual fatura em cada caso deveria ser apresentada à aduana? Caso não, ou seja, se somente recebeu uma fatura referente a cada operação, foi de alguma forma avisada do procedimento combinado entre exportador no exterior e adquirente no Brasil para ajustar preço e/ou quantidade em outra fatura referente a uma mesma transação? Em cumprimento à solicitação apresentada na referida Resolução, foram prestadas as seguintes informações: 1) por parte das pessoas jurídicas ONITY e a TESA: a) que não possuiam relação societária direta entre si; b) que a TESA era uma empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da ONITY LTDA.; c) que a ONITY não tem poder para representar a TESA ENTRY SYSTEMS INC.; d) que em 2003, a ONITY realizou uma auditoria interna em todos os seus processos de importação de mercadorias. Na ocasião, verificou que a verdadeira confusão relacionada aos valores aduaneiros de importação foi cometida. O valor declarado no registro da declaração de importação era menor do que deveria constar; e) que em decorrência desse erro, a ONITY deixou de recolher parte dos tributos incidentes nessas operações, especialmente o II e IPI; f) que ao constatar referidos equívocos, e objetivando evitar qualquer espécie de consequência fiscal penal tributária, a ONITY ofereceu denúncia espontânea dessas irregularidades recolhendo todas as diferenças apuradas; e g) que a denúncia espontânea foi devidamente formalizada nos autos do processo administrativo n° 10314.002621/200480. 2) por parte da autoridade fiscal autuante: Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 a) que o lançamento diz respeito a crédito tributário prejudicado por ato fraudulento mediante artifício doloso (utilização de faturas falsas apresentadas no despacho aduaneiro), gerando um significativo prejuízo ao Erário; b) que as hipóteses de fraude afastariam a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira, daí porque ser cabível a apuração da base de cálculo tomandose por base a fatura verdadeira; c) que tal procedimento encontraria guarida no artigo 38 do Acordo de Valoração Aduaneira, como ratificado pelo órgão julgador de Ia instância, órgão que julga hierarquicamente superior. Transcreve o dispositivo. d) que a pretensão de ver aplicados procedimentos do AVA ao presente processo teria sido formulada pelo contribuinte, quando da apresentação da sua defesa; e) que a DRJ firmou a convicção de que tais valores lançados com base nas faturas verdadeiras estavam corretos, dado que representariam montante que deixara de ser corretamente declarados nas correspondentes declarações de importação; f) que a fraude consistira na substituição de uma “invoice” verdadeira por outra “invoice” ainda que, em tese, falsa, ambas com as mesmas descrições e numeração documental de série; g) que de tais faturas constariam anotações, realizadas por parte dos interessados na fraude, indicando que fossem declaradas ao fisco, de forma repetida e sistemática, portanto, continuada, aquelas “invoices”, de mesma numeração seriada, mas de menor valor; h) que exame da documentação demonstraria a intenção proposital, por parte dos interessados na fraude, em declarar valores menores que os efetivamente devidos, pois, as “invoices” com os valores reais e de maior montante não eram apresentadas à fiscalização na oportunidade do despacho aduaneiro, mas guardadas e só vieram a ser conhecidas por ato falho dos participantes na fraude, os quais entregaram a documentação à fiscalização por ocasião de uma ineficaz tentativa de denúncia espontânea e quando comparadas com as efetivamente apresentadas no despacho ficou patente e comprovada documentalmente a fraude perpetrada; i) que o Conselho de Contribuintes determinara a realização daquela diligência no intuito de que fossem questionadas as anotações realizadas à mão nas faturas, orientando a sua não apresentação no despacho, “mas sim a outra de mesma numeração e de valor reduzido, sempre, de forma continuada e sistemática com Dano ao Erário”. E a resposta fora a mais simples possível: “mero equívoco”; j) que o questionado não se dera “ao menos ao trabalho de responder o que era perguntado: Por que razão constavam avisos à mão nas ‘invoices’ escondidas à fiscalização, de modo a não chegar ao conhecimento das autoridades fiscais os valores efetivamente devidos”; l) que a intenção de esconder o documento verdadeiro à fiscalização teria sido demonstrada de maneira cristalina; m) que os participantes da fraude, no seu sentir, teriam criado um novo método para cancelamento de documentos fiscais. Descreve o que seria tal método; Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 103 7 n) que a declaração de importação encerraria lançamento por homologação e que a legislação tributária responsabilizaria o contribuinte, para todos os efeitos, sobre os registros efetuados; o) que a Betra, pessoa jurídica que efetuara a importação, na qualidade de contribuinte, teria responsabilidade legal pelos efeitos de seu ato; p) que as respostas oferecidas ao Conselho de Contribuintes, não trariam nenhum fato novo, mas a repetição da tese de defesa: que denunciaram espontaneamente as infrações e pagaram corretamente os tributos, que a duplicidade de faturas deveria a equívoco, que não seriam pessoas ligadas e que nada orientaram umas as outras; r) que a denúncia espontânea, como já havia sido consignado no correspondente auto de infração, seria ineficaz; s) que os erros perpetrados sempre prejudicariam o Fisco, dado que os documentos apresentados seriam sempre menores que os verdadeiros, o que reduziria significativamente o valor dos tributos a serem pagos; t) que apesar da afirmação de que inexistiria ligação entre as pessoas jurídicas TESA e ONITY, reconheceuse que a primeira pertenceria ao mesmo grupo econômico da segunda; u) que a adquirente se limitara a informar que não comunicara à Betra a realização de denúncia espontânea realizada, de sorte que deixaram de ser respondidas duas indagações deste Colegiado: se todas as faturas referentes a uma mesma transação comercial foram entregues à Betra e se esta pessoa jurídica importadora fora avisada da existência de ajuste entre exportador e importador tendente à reduzir o valor ou as quantidades de mercadoria declarados. Indagações que, no seu sentir, exigiriam respostas diferentes da apresentada. 3 Por da autuada Betra Trading: a) que além de reiterar as alegações formuladas por ocasião do recurso voluntário, em relação aos elementos carreados ao processo por ocasião da realização da diligência, acrescentou as informações que se seguem; b) que fora ignorado o objetivo da diligência, dado que os servidores responsáveis se limitaram à reportar a manutenção do auto de infração pela DRJ, órgão que julgaram possuir maior autoridade, e a ratificar todas alegações ali narradas; c) que a legislação tributária previa duas modalidades de responsabilidade: a objetiva, estabelecida no art. 136 do CTN e a subjetiva, no art. 137. No caso de infração perpetrada nas importações por conta e ordem, caberia separar essas duas modalidades, eis que a responsabilidade objetiva seria solidária e a subjetiva, exclusiva do terceiro que a deu causa; d) que o auto de infração, a par de indicar ações de cunho doloso, que constituiriam crime em tese, atribuiulhe responsabilidade objetiva pelas infrações e não incluiu no polo passivo a adquirente da mercadoria. Porém, por expressa previsão contratual, a responsabilidade pelos fatos praticados seriam da empresa adquirente e não da empresa importadora; Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 e) que se houvesse de se presumir culpa da importadora, a infração narrada, se confirmada, seria de culpa exclusiva do adquirente, quer pela expressa disposição contratual, quer pela experiência ordinária dos fatos nesse tipo de operação. Se fraude houvesse, o que desconheceria, não seria a Betra a interessada, mas a adquirente; f) que as provas contidas nos autos não trazem qualquer comprovação de que a conduta descrita como ilícita tenha sido efetivamente praticada pela Recorrente, sendo certo que os documentos apontados como indiciários de fraude (faturas comerciais com valores a maior e com anotações sobre sua substituição) estavam em poder do adquirente, não sendo verídica e nem sequer plausível a argumentação de que esta teria conhecimento da prática de qualquer ilícito ou mesmo da existência de duas faturas; g) que em resposta as indagações deste Colegiado, a ONITY (adquirente), expressamente afirmara que não lhe comunicara ato ou providência referente à denúncia espontânea que originou a ação fiscal, logo o único significado a ser extraído de tal resposta seria o de que a Betra não teria conhecimento da existência de mais de uma fatura comercial para uma mesma operação; h) que a ONITY e a TESA pertenciam a um mesmo grupo econômico, mas que nunca houvera relação societária direta entre essas duas pessoas jurídicas, por conseguinte, tal fato permitiria deduzir que a Recorrente (terceira completamente autônoma) não tivera acesso a documentos da operação comercial objeto do questionamento; i) que não houve comprovação da existência de fraude documental (falsidade) ou de sua intenção de burlar o fisco (dolo), requisitos indispensáveis à caracterização do crime de sonegação, logo, não seria válido imputarlhe qualquer responsabilidade, máxime porque baseada em ilações sobre sua atuação, o que não poderia ser admitido; j) que restaria evidenciada, assim, a insubsistência da tese contida no auto de infração reiterada pela autoridade a quo, sobre a responsabilização objetiva, cuja exposição e conclusão encontrarseiam confusas, não mencionariam a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, além de cometer equívoco quanto a tipificação legal do ilícito, o que geraria a nulidade de pleno direito da autuação formulada; l) que a descaracterização do primeiro método de valoração não seguira as exigências fixadas na legislação de regência, posto que não teria sido comprovado ilícito capaz de determinar nova valoração com base em arbitramento; m) que os i. auditores não fizeram qualquer diligência in loco nas empresas com o fim de angariar ou de levantar provas complementares. Apenas reiteraram sua idéia de fraude presumida pela existência de duas faturas comerciais. Apontou os critérios que o fizeram concluir pela deficiência do procedimento fiscal; n) que havia contradição na afirmação dos autuantes de que as faturas verdadeiras teriam sido ocultadas do fisco, ante o fato de que o adquirente apresentara espontaneamente esses documentos, tempos após o desembaraço aduaneiro; m) que as faturas comerciais que instruíram as importações em foco foram objeto de exame documental pela repartição preparadora, as mercadorias foram submetidas a um processo de conferência física, sendo tais despachos inclusive sendo alvo de um exame preliminar do valor declarado sem que qualquer dúvida ou irregularidade tenha sido levantada; Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 104 9 n) que o fato de existirem duas faturas para a mesma transação comercial, a despeito de poder ser considerado como indício para embasar o raciocínio da fiscalização, não teria o condão de tornar realidade a presunção da existência de fraude, nem de imputarlhe responsabilidade por algo em que ela não teria participação; o) que seria perfeitamente normal emitirse um documento com equívocos em suas informações e ser providenciada sua correção, posto que a fatura comercial não era um documento numerado sequencialmente e sujeito a controle de numeração, pela inutilização do número anteriormente utilizado de sorte que não se revela irregular a correção desse documento com a emissão de um outro com o mesmo número; p) que se o documento fora substituído pelo exportador não se poderia imputarlhe responsabilidade nem presumir sua participação na falsificação daquele documento; e q) questiona ainda o tratamento, no seu sentir, irônico, que teria sido atribuído pelo Fisco às explicações da adquirente acerca dos motivos que justificariam a existência de duas faturas para uma mesma operação. Após o retorno dos autos a este Conselho, por unanimidade de votos, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho, por meio da Resolução 320100.003, de 25 de março de 2009, novamente, converteu o julgamento em diligência, para que fosse adotadas as seguintes providências, in verbis: 1 seja juntada cópia integral do processo administrativo n° 10314.002621/2004 80, protocolado pela empresa ONITY; 2 esclarecido se os recolhimentos consignados em tal processo foram abatidos do quantum considerado devido em razão das infrações ora imputadas à pessoa jurídica Betra; 3 elaborado demonstrativo que detalhe, por declaração de importação e por tributo, o valor que deixou de ser recolhido espontaneamente pela pessoa jurídica ONITY; 4 se ainda não providenciado, confirmados os recolhimentos nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 5 seja identificada a natureza da vinculação entre as Sras Ruth, Camile ou Lorise e a recorrente. Em cumprimento ao que fora solicitado nessa última Resolução, por intermédio da informação fiscal de fls. 1343/1346, foram prestados os seguintes esclarecimentos: a) a informação de que foi juntada ao presente processo cópia integral do processo nº 10314.0002621/200480,que integra o Anexo II deste processo (fls. 1153/1330), protocolado pela pessoa jurídica Onity, apresentado no intuito de formular denúncia espontânea. Do referido processo, constariam Darf do Imposto de Importação, autenticado em 29/8/2003 e um demonstrativo que identificaria as declarações de importação que estariam sendo alvo do referido pedido; Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 b) os valores dos lançamentos de ofício correspondem à integralidade da exigência, ou seja, não foram abatidos os valores recolhidos no intuito de promover a denúncia espontânea das infrações. Somente em 9/3/2010, tomara conhecimento do recolhimento do IPI, com a apresentação pela empresa Onity (adquirente) das cópias do Darf e do Quadro Demonstrativo das DI abrangidas pela denúncia espontânea (fls. 1023 e 1050), que integram o Anexo I deste processo (fls. 819/1152). Em relação à autuada Betra, o referido Quadro Demonstrativo, referese apenas a 14 DI objeto tanto do lançamento no Auto de Infração do II quanto do Auto de Infração do IPI; c) elaborou o Quadro Demonstrativo de fl. 1345, em que comparado os valores declarados a título de denúncia espontânea e os lançados de ofício, relativos as 21 DI do Auto de Infração do II e 23 DI do Auto de Infração do IPI. Acerca de tal Quadro, esclareceu que o Demonstrativo juntado ao processo da denúncia espontânea (processo nº 10314.0002621/200480), apresentado pela pessoa jurídica Onity, contemplava três DI que não dizem respeito à pessoa jurídica Betra. Identifica os despacho e as faturas comerciais; d) os recolhimentos levados a efeito por ocasião do processo em que se pretendeu denunciar espontaneamente as infrações foram confirmados; e) não foi identificado, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), alguma vinculação das Srªs “Ruth”, Camile” ou “Lorise” e a recorrente. Acrescenta que, intimada a esclarecer, a recorrente afirma que desconhece a existência de vinculação entre tais pessoas. Em 21/5/2010, os autos foram envidados a este Conselho. Em 28/7/2011, por meio da petição de fls. 1354/1355, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, relativamente aos débitos indicados no demonstrativo que integra a referida petição. Posteriormente, em 12/8/2011, a recorrente apresentou nova petição (fls. 1372/1378), em que expôs o seguinte: a) tinha convicção que a quase totalidade dos valores autuados já havia sido alvo de denúncia espontânea formalizada nos seguintes termos: a) R$ 243.403,36, a título de II, informados no processo administrativo 10314.002621/200480, anexado ao presente processo por cópia; e b) R$ 1.864.544,66, a título de IPI, informado em petição dirigida à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da petição de fl. 1020; b) a regularidade desses recolhimentos teria sido alvo de um outro auto de infração, processado e julgado no processo nº 10314.002143/200416, no qual teria se sagrado vencedora; c) incluíra no parcelamento, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. a fração que não teria sido incluída na denúncia espontânea anteriormente formulada, conforme indicado em “Recibo de Consolidação de Dívidas Não Parceladas Anteriormente” e que pleiteara a desistência do recurso voluntário no que se refere aos débitos parcelados. Em face de tais elementos, requereu a extinção dos créditos confessados por meio de denúncia espontânea anteriormente apresentada, conforme consolidado em demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal, além da homologação da desistência do recurso voluntário relativamente aos débitos incluídos em programa de parcelamento. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 105 11 Na Sessão de 30 de janeiro de 2013, com base no argumento do Relator de que não havia conseguido identificar a matéria litigiosa remanescente, por unanimidade de votos, este Colegiado, por meio da Resolução 3102000.242, novamente, converteu o julgamento em diligência, desta feita, para que as autoridades da unidade da Receita Federal de origem esclarecessem quais foram as infrações que não mais faziam parte do litígio, em razão da desistência apresentada no bojo de pedido de parcelamento formulado pela recorrente, podendo, para esse fim, se entendesse pertinente, solicitar à recorrente os esclarecimentos necessários à busca de tal informação. Intimada a prestar tais esclarecimentos (fls. 1443/1444), em 15/7/2013, por interméido da petição de fls. 1446/1457, a recorrente informou que a matéria litigiosa remanescente limitavase apenas aos créditos integralmente pagos pela pessoa jurídica Onity Ltda. (autora da denúncia espontânea e adquirente das mercadorias), relativos as DI relacionadas no Demonstrativo de fl. 1491. Todas as demais DI, “que foram autuadas, alheias e não incluídas na denúncia espontânea, foram incluídas no ‘Refis da crise’. Por conseguinte, todo e qualquer crédito tributário (independente da matéria) decorrente da autuação sobre elas incidente está amparada pelo parcelamento na Lei 11.941/09.” Além dessas informações, a recorrente reafirmou as alegações suscitadas na petição de fls. 1372/1378, anteriomente resumidas. Em 16/7/2013, os autos retornaram a este Conselho. Na Sessão de 30/1/2014, os autos foram distribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Após a realização de diligências, prestadas as informações e colacionados aos autos vários documentos, o processo encontrase em condições de ser julgado. Porém, previamente, em face da apresentação de pedido de desistência parcial do recurso, é necessário definir a matéria litigiosa remanescente. Do pedido de desistência parcial do recurso voluntário. Em 28/7/2011, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, em relação aos débitos indicados no Demonstrativo fls. 1354/1355, que, conforme esclarecimentos prestados pela recorrente (fls. 1446/1447) correspondem a todos os débitos relativos às DI de n°s 02/10173445, 02/09651207, 02/05979950, 01/11384235, 01/05724097, 01/05978099, 03/05204402, 03/07495528 e 04/03743960. Segundo a recorrente tais débitos foram incluídos no Refis (fls. 1402/1408). O referido pedido tem respaldo no art. 781 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações 1 "Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 posteriores. No caso, a simples inclusão dos referidos débitos no parcelamento (Refis) também implica desistência do recurso relativamente à parcela dos débitos confessados. Dessa forma, em face da manifesta desistência, não se toma conhecimento da parte do recurso voluntário relacionada a todos os débitos cobrados, vinculados às mencionadas DI. Do conhecimento da matéria ligiosa remanescente. De acordo com os esclarecimentos prestados pela recorrente (fls. 1446/1457), a matéria litigiosa remanescente limitase apenas aos créditos tributários relativos às DI discriminadas no Demonstrativo de fl. 1491. Segundo a recorrente, em 4/5/2004, as infrações vinculadas às referidas DI foram objeto da denúncia espontânea, formalizada no processo administrativo 10314.002621/200480 (fls. 1153/1330) pela pessoa jurídica Onity Ltda., a adquirente dos produtos importados, e as diferenças dos valores do II e do IPI, lançados nos questionados Autos de Infração, foram recolhidas pela citada pessoa jurídica, em 29/8/2003, por meio dos Darf de fls. 1019 e 1023, cujas cópias foram entregues à unidade da Receita Federal, por meio das petições de fls. 1018 e 1020. Na informção fiscal de fls. 1343/1346, a autoridade fiscal diligenciante confirmou os referidos pagamentos e, por meio da planilha de fl. 1345, demonstrou que não havia diferenças do II e do IPI a recolher, relativamente aos débitos dos Impostos lançados e objeto da denúncia espontânea da pessoa jurídica Onity Ltda., referentes às DI discriminadas no Quadro Demonstrativo de fl. 1050. Esclareceu ainda que: a) os valores das diferenças recolhidas e confessadas pela citada pessoa jurídia não foram levados em consideração na lavratura dos questionados Autos de Infração; e b) somente em 9/3/2010, a unidade da Receita Federal lançadora fora comunicada do recolhimento do valor do IPI, com a apresentação, pela denunciante, das cópias do Darf (fl. 1023) e do Quadro Demonstrativo das DI alvo da denúncia espontânea (fl. 1050). Em relação a citada denúnica espontânea, no item 1 da Descrição dos Fatos (fl. 11), que integra os referidos Autos de Infração, as autoridades fiscais autuantes esclareceram o seguinte, in verbis: Ao analisar o processo de retificação de Dl, processo 10314.002621/200480, foi descoberta uma fraude no processo de importação das mercadorias. Em tal processo, a empresa Onity Ltda. apresenta denuncia espontânea da infração cometida. Apesar de ter apresentado a denuncia espontânea, a citada empresa não recolheu corretamente o imposto devido (falta de recolhimento do II em 2 Dis, falta de recolhimento da multa de mora em todas as Dis, falta de recolhimento do IPI em todas as Dis). Portanto, considerase ineficaz a denuncia § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse." Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 106 13 espontânea apresentada, conforme o artigo 612 do Regulamento Aduaneiro. (grifos não originais) Da leitura do texto em destaque, extraise que o reconhecimento da ineficácia da denúncia espontânea, por parte da fiscalização, foi o motivo (imediato) das autuações em questão e as razões a apontadas foram (i) a falta de recolhimento do II relativo a 2 (duas) DI, (ii) falta de recolhimento da multa de mora em todas as DI e (iii) falta de recolhimento do IPI em todas as DI. Assim, em face da relevância dessa questão, atinente à denúncia espontânea, para o deslinde da controvérsia, com respaldo no art. 59, § 3º, do PAF, deixase de analisar as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente, e passase análise direta dessa questão prejudicial do mérito da matéria litigiosa remanescente. E no que concerne ao recolhimento dos valores das diferenças dos tributos lançados, relativos às DI objeto da denúncia espontânea, a própria autoridade fiscal diligenciante, por meio do Demonstrativo de fl. 1345, reconheceu que tais valores havia sido integralmente recolhidos em 29/8/2003, e que a referida denúncia fora formalizada em 5/5/2004, enquanto que o procedimento fiscal teve início em 5/7/2004, portanto, posteriormente, à apresentação da dita denúncia. Deveras, os documentos colacionados aos autos comprovam tais informações. Além disso, não descaracteriza a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, o fato de tais pagamentos não terem sido acrescidos dos valores das respectivas multas de mora, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), exarado no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.149.022 / SP2, submetido ao rito do recurso repetitivo, estabelecido no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), de adoção obrigatória pelos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62A3 do RICARF. O excerto relevante, para o caso em tela, do enunciado da ementa do referido julgado, tem o seguinte teor, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), 2 O referido acórdão transitou em julgado em 30/08/2010. 3 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) – Grifos não originais. Também não descaracteriza a denúncia espontânea em favor da recorrente o fato de a denúncia das infrações e o pagamento das diferenças dos Impostos apuradas terem Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11817.000213/200495 Acórdão n.º 3102002.196 S3C1T2 Fl. 107 15 sido efetetuados pela pessoa jurídica Onity Ltda. e não pela recorrente, pois, na condição de adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, importada por sua conta e ordem, a citada pessoa jurídica era responsável solidária com a recorrente por todos os tributos devidos na operação de importação, conforme determina o art. 32, parágrafo único, III, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Medida Provisória nº 215835, de 2001. Ademais, por força do disposto no art. 79 da citada Medida Provisória, a pessoa jurídica Onity Ltda. era equiparado a estabelecimento industrial, portanto, contribuinte do IPI. Dessa forma, os pagamentos realizados pela pessoa jurídica Onity Ltda., na condição de responsável solidária, induvidosamente, beneficia a recorrente, segundo dispõe o art. 125, I, do CTN. Pela mesma razão, os efeitos da denúncia esponânea da infração também favorece a recorrente. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a citada denúncia espontânea atende aos requisitos fixados no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, e seus os efeitos alcança beneficiam a recorrente, portanto, indevidos a cobrança dos créditos tributários e consectários legais, relativos aos débitos objeto da citada denúncia, relativos às DI discriminadas no Quadro Demonstrativo de fl. 1050. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pelo conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para determinar o cancelamento da cobrança de todos os créditos tributários lançados, relativos as 14 DI discriminadas no Quadro Demonstrativo de fl. 1050. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905857/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10660.905857/2011-69
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362391
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.019
nome_arquivo_s : Decisao_10660905857201169.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10660905857201169_5362391.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5533948
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813005578240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 195 1 194 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905857/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.019 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 57 /2 01 1- 69 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905857/201169 Acórdão n.º 3803006.019 S3TE03 Fl. 196 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 27.641,36. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905857/201169 Acórdão n.º 3803006.019 S3TE03 Fl. 197 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905857/201169 Acórdão n.º 3803006.019 S3TE03 Fl. 198 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905857/201169 Acórdão n.º 3803006.019 S3TE03 Fl. 199 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720168/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
VALOR RETIDO. IRRF. COMPENSAÇÃO
Em que pese a discussão quanto à idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte objetivando a inclusão de valores a serem deduzidos na apuração do IRPJ no período em questão, o recurso voluntário não merece provimento também pelo fato de não haver comprovação nos autos do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto
Numero da decisão: 1801-001.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000 VALOR RETIDO. IRRF. COMPENSAÇÃO Em que pese a discussão quanto à idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte objetivando a inclusão de valores a serem deduzidos na apuração do IRPJ no período em questão, o recurso voluntário não merece provimento também pelo fato de não haver comprovação nos autos do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.720168/2006-17
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362191
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.997
nome_arquivo_s : Decisao_10580720168200617.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10580720168200617_5362191.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5533748
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813007675392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 243 1 242 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720168/200617 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.997 – 1ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria Valor retido. IRRF. Compensação. Prova Recorrente EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 VALOR RETIDO. IRRF. COMPENSAÇÃO Em que pese a discussão quanto à idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte objetivando a inclusão de valores a serem deduzidos na apuração do IRPJ no período em questão, o recurso voluntário não merece provimento também pelo fato de não haver comprovação nos autos do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 68 /2 00 6- 17 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Tratase de recurso voluntário face a acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 VALOR RETIDO. IRRF. COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação dos valores retidos, quando o contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea para comprovar o alegado direito à compensação do imposto de renda retido na fonte por terceiros. Segundo a DRJ, os elementos de prova constantes dos autos não são suficientes para comprovar a existência retenções no valor de R$ 330.155,98 (trezentos e trinta mil cento e cinquenta e cinco reais e noventa e oito centavos) efetuadas sobre aplicações financeiras junto à Caixa Econômica Federal, CNPJ n°00.360.305/000104 e 01.165.781/0001 37. Para tanto, o acórdão recorrido utilizou como premissa a necessidade de observância do previsto no artigo 943, parágrafo 2° do RIR/1999, que condiciona a compensação do IRRF “se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora”. Segundo a referida decisão colegiada, considerando que o contribuinte apresentou “...apenas uma planilha que aparenta ter sido extraída de algum sistema informatizado da própria CEF” e que “...em consulta ao sistema SIEFWEB, pudemos constatar que os valores das retenções pleiteadas pelo contribuinte não foram informados em DIRF pela fonte pagadora...”, haveria, portanto, de ser mantida a glosa do referido valor, em conformidade com o Despacho Decisório DRF/SDR/SEORT n° 1.098/2006 constante dos autos. Inconformado, o contribuinte insurgese contra a glosa deste valor, aduzindo em sede de recurso voluntário que: a) “...anexou cópia do documento CEFSIDEC L6761R — Relatório de Imposto de Renda — Ano base de 2000 — Jurídica, emitido pela Caixa Econômica Federal e carimbado sob o n.° 104/22187, com data de 18/05/2007, Caixa Econômica Federal, Agência Shopping Barra e devidamente assinado pela senhora Maria Marly Souza Muritiba. Matrícula 7032523, Assistente de Negócios, onde estão detalhados por aplicação, os montantes de rendimentos e respectivos valores de imposto de renda retidos na fonte, que justificam o crédito pleiteado”; b) foi “acostado Oficio n° 185/2009/GECGO da Caixa Econômica Federal, com protocolo em 07/10/2009, junto a Divisão de Orientação e Análise Tributária — DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Brasilia/DF, onde a CEF assume a necessidade de retificação de sua DIRF anocalendário 2000 e ratifica as retenções do imposto de renda efetuadas sobre as aplicações financeiras da Embasa no período em questão”, e c) “Se eventualmente algum aspecto formal previsto em legislação, for questionado pela SRF, no que se refere aos dados contemplados no informe, tais inconformidades deveriam ser questionados à fonte pagadora que é a responsável pela emissão do documento dentro do padrão legal. Ademais, os dados contidos no informe espelham as aplicações efetuadas, rendimentos incorridos e imposto de renda retido, por aplicação e estão Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10580.720168/200617 Acórdão n.º 1801001.997 S1TE01 Fl. 244 3 convalidados pela assinatura da funcionária daquela instituição, que reforça a veracidade do documento”. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. O enunciado da súmula nº 80 do CARF preleciona que “na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”. Em que pese a discussão quanto à idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte objetivando a inclusão de valores a serem deduzidos na apuração do IRPJ no período em questão, o recurso voluntário não merece provimento também pelo fato de não haver comprovação nos autos do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 35366.002032/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1995 a 30/08/2001
PEDIDO DE REVISÃO
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA
A não-apresentação de documentos relacionados com a contribuição previdenciária enseja a aferição indireta dos valores efetivamente devidos, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2301-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) em não conhecer dos embargos na parte solicitada pelo sujeito passivo, nos termos do voto da Relatora; c) em conhecer e dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 01/1998, anteriores a 02/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1995 a 30/08/2001 PEDIDO DE REVISÃO DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA A não-apresentação de documentos relacionados com a contribuição previdenciária enseja a aferição indireta dos valores efetivamente devidos, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 35366.002032/2004-17
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357359
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.960
nome_arquivo_s : Decisao_35366002032200417.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 35366002032200417_5357359.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) em não conhecer dos embargos na parte solicitada pelo sujeito passivo, nos termos do voto da Relatora; c) em conhecer e dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 01/1998, anteriores a 02/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5509591
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813052764160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.672 1 1.671 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35366.002032/200417 Recurso nº 252.038 Embargos Acórdão nº 2301003.960 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2014 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA Embargante MABE HORTOLÂNDIA ELETRODOMÉSTICO LTDA Interessado MABE HORTOLÂNDIA ELETRODOMÉSTICO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1995 a 30/08/2001 PEDIDO DE REVISÃO DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA A nãoapresentação de documentos relacionados com a contribuição previdenciária enseja a aferição indireta dos valores efetivamente devidos, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) em não conhecer dos embargos na parte solicitada pelo sujeito passivo, nos termos do voto da Relatora; c) em conhecer e dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 20 32 /2 00 4- 17 Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 01/1998, anteriores a 02/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35366.002032/200417 Acórdão n.º 2301003.960 S2C3T1 Fl. 1.673 3 Relatório Tratase de processo que retorna de diligência determinada pela 4a Câmara do CARF, após acolhimento de pedido de revisão de acórdão do CRPS, formulado pela recorrente. O crédito previdenciário lançado por meio da NFLD se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, tendo como fato gerador, segundo Relatório Fiscal e adendo (fls. 64 a 69), a remuneração paga aos segurados empregados que prestaram serviços à notificada no período de 03/95 a 08/01. A autoridade lançadora informa que a notificada, apesar de intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar folhas de pagamento para as competências abrangidas pelo presente lançamento, motivo pelo qual as contribuições foram aferidas com base no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e os valores extraídos dos resumos mensais denominados “Resumo Contábil da Folha de Pagamento” ou ainda “Folha de Pagamento para Contabilidade (Resumida)”. A empresa notificada impugnou o débito via peça de fls. 154 a 183 e, de sua análise, foi realizada diligência e retificado o valor lançado. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN de nº 21.401.4/0275/2004 (fls. 1.152 a 1.158), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador e a notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 1.163 a 1.183), repetindo as alegações já apresentadas na impugnação e após a Informação Fiscal. Em ContraRazões à fl. 1.363, a Secretaria da Receita Previdenciária manteve a decisão recorrida e a 04a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão 966/2007 (fls. 1364 a 1370), decidiu por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. A notificada, inconformada com a decisão do CRPS, formulou pedido de revisão de acórdão (fls. 1379 a 1384), alegando, em síntese, que surgiram novos documentos que comprovam a verdade material dos fatos ocorridos ou a interpretação equivocada dos documentos já acostados ao processo. Informa, a título exemplificativo, que foram incluídas na base de cálculo verbas que não integram o salário de contribuição, como férias no próximo mês, e férias coletivas no próximo mês e junta documentos para tentar comprovar o alegado. A SRFB não apresentou contrarazões ao pedido revisional e os autos foram então encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes que, com amparo no § 2o, do art. 5o, da Portaria nº 147/2007, acolheu o pedido de revisão, conforme despacho 206329/08, do Presidente da 4a Câmara (fls. 1.629), tendo em vista a aprovação da Súmula nº 8 do STF. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Por meio da Resolução 240100.001, de 03/03/2009 (fls. 1.637), a 1a Turma Ordinária, da 4a Câmara, decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, tendo em vista a alegação da recorrente de que surgiram fatos novos que comprovariam a verdade material dos fatos, conforme novos documentos anexados aos autos. Em cumprimento à diligência, a autoridade fiscal concluiu que “não se encontraram fundamentos, no que se apresentou no Recurso, que justificassem e impusessem alterações nos levantamentos fiscais, em relação ao que já foi retificado quando da emissão da DN da primeira instância do contencioso”,ressaltando que “Não se apresentaram razões ou comprobatórios no Recurso, com a condição neste contencioso de serem inéditos e eficazes, que justificassem retificações nos levantamentos fiscais estabelecidos como válidos desde a DN que se seguiu à primeira impugnação da empresa;” Cientificada do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou É o relatório. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35366.002032/200417 Acórdão n.º 2301003.960 S2C3T1 Fl. 1.674 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A empresa notificada solicita revisão de Acórdão. Porém, a partir da vigência da Portaria 256/09, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, os pedidos de revisão oriundos do CRPS serão analisados como se fossem embargos de declaração. A empresa requer a revisão do Acórdão 966/2007, da 04a CAJ do CRPS, alegando que “o surgimento de novos documentos que comprovam a verdade material dos fatos ocorridos ou a interpretação equivocada dos documentos já acostados ao processo administrativo enseja, necessariamente, à revisão da decisão proferida”. Contudo, em diligência determinada pela 4a CAJ, a autoridade fiscal, após análise dos documentos apresentados junto ao pedido revisional, concluiu que a documentação acostada aos autos não se comprovou ser inédita e eficaz, que justificasse retificações na NFLD. Portanto, não restou demonstrada a ocorrência de fato não conhecido ou não provado quando do julgamento do recurso pelo CRPS, estando a recorrente apenas tentando rediscutir matéria já julgada, o que é vedado pelo § 7o, do art. 60, do Regimento Interno do CRPS, vigente à época do pedido de revisão, não devendo ser conhecido o pedido de revisão quanto à essa matéria. Todavia, embora as teses trazidas pela recorrente em seu pedido de revisão já se encontram superadas, no que tange à documentação apresentada, a superveniência da Súmula Vinculante nº 08 do STF que considerou inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 leva à necessidade da revisão do acórdão anterior, uma vez que não ocorreu o trânsito em julgado administrativo, face a existência de pedido de revisão ainda não apreciado. O lançamento em questão foi efetuado com amparo na Lei nº 8.212/1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35366.002032/200417 Acórdão n.º 2301003.960 S2C3T1 Fl. 1.675 7 Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Verificase que houve pagamento antecipado de tributo para todas as competências do débito A cientificação da NFLD pelo sujeito passivo se deu em 26/02/2003, conforme fl. 01, do processo. Portanto, pela regra decadencial citada acima, estão decaídos os valores lançados até 01/1998, inclusive. Portanto, reconheço a decadência de parte do débito. Nesse sentido, VOTO por conhecer em parte do embargo de declaração, apenas para reformar o Acórdão nº 966/2007, acolhendo a decadência de parte do débito, excluindo do lançamento os valores lançados até a competência 01/1998, inclusive É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004322/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. - APURAÇÃO INDIRETA DAS BASES DE CÁLCULO - FOLHAS DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE DAS EMPRESAS INTERPOSTAS - AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Quando embora conste no relatório fiscal, que os fatos geradores foram apurados por aferição indireta, mas reste demonstrado que as bases de cálculo foram na verdade apurada com base nas folhas de pagamento e da contabilidade das empresas interpostas, não há de se exigir a motivação ou mesmo a fundamentação para o arbitramento, considerando-se tratar de mera nomenclatura, sem que tenha o auditor se valido deste procedimento.
Não houve indicação de critérios de aferição ou arbitramento porque na verdade não arbitrou o auditor a base de cálculo, mas, sim utilizou dos próprios valores e documentos apurados durante o procedimento fiscal
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO D SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO D , PERSONALIDADE JURÍDICA 1NAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA.
O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão chi) Ato Declaratório.
No procedimento em questão a , AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregaticio com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu ai caracterização do vinculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE.
Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA.
A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época dos fatos geradores, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, o anexo CORESP tem natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A aplicação de juros sobre a multa de ofício é cabível na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, em decorrência de imperfeita descrição da aferição indireta adotada. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Igor Araújo Soares, que anulavam o lançamento. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a argüição de necessidade de prévia exclusão do SIMPLES das empresas envolvidas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que entendiam haver necessidade da prévia exclusão do SIMPLES. III) Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares de nulidade. IV) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.004322/2010-80
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5365956
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.237
nome_arquivo_s : Decisao_10920004322201080.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10920004322201080_5365956.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, em decorrência de imperfeita descrição da aferição indireta adotada. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Igor Araújo Soares, que anulavam o lançamento. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a argüição de necessidade de prévia exclusão do SIMPLES das empresas envolvidas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que entendiam haver necessidade da prévia exclusão do SIMPLES. III) Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares de nulidade. IV) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire - Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5555424
ano_sessao_s : 2014
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. - APURAÇÃO INDIRETA DAS BASES DE CÁLCULO - FOLHAS DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE DAS EMPRESAS INTERPOSTAS - AUSÊNCIA DE NULIDADE. Quando embora conste no relatório fiscal, que os fatos geradores foram apurados por aferição indireta, mas reste demonstrado que as bases de cálculo foram na verdade apurada com base nas folhas de pagamento e da contabilidade das empresas interpostas, não há de se exigir a motivação ou mesmo a fundamentação para o arbitramento, considerando-se tratar de mera nomenclatura, sem que tenha o auditor se valido deste procedimento. Não houve indicação de critérios de aferição ou arbitramento porque na verdade não arbitrou o auditor a base de cálculo, mas, sim utilizou dos próprios valores e documentos apurados durante o procedimento fiscal NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO D SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO D , PERSONALIDADE JURÍDICA 1NAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão chi) Ato Declaratório. No procedimento em questão a , AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregaticio com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu ai caracterização do vinculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época dos fatos geradores, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, o anexo CORESP tem natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação de juros sobre a multa de ofício é cabível na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813074784256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 721 1 720 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.004322/201080 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.237 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS Recorrente LUNENDER TÊXTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO INDIRETA DAS BASES DE CÁLCULO FOLHAS DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE DAS EMPRESAS INTERPOSTAS AUSÊNCIA DE NULIDADE. Quando embora conste no relatório fiscal, que os fatos geradores foram apurados por aferição indireta, mas reste demonstrado que as bases de cálculo foram na verdade apurada com base nas folhas de pagamento e da contabilidade das empresas interpostas, não há de se exigir a motivação ou mesmo a fundamentação para o arbitramento, considerandose tratar de mera nomenclatura, sem que tenha o auditor se valido deste procedimento. Não houve indicação de critérios de aferição ou arbitramento porque na verdade não arbitrou o auditor a base de cálculo, mas, sim utilizou dos próprios valores e documentos apurados durante o procedimento fiscal NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO — NULIDADE— AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO D SIMPLES PELA SRF — INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO D , PERSONALIDADE JURÍDICA — 1NAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão chi) Ato Declaratório. No procedimento em questão a , AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregaticio com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu ai caracterização do vinculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 43 22 /2 01 0- 80 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 2 CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida coresponsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época dos fatos geradores, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, o anexo CORESP tem natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação de juros sobre a multa de ofício é cabível na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 722 3 ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, em decorrência de imperfeita descrição da aferição indireta adotada. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Igor Araújo Soares, que anulavam o lançamento. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a argüição de necessidade de prévia exclusão do SIMPLES das empresas envolvidas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que entendiam haver necessidade da prévia exclusão do SIMPLES. III) Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares de nulidade. IV) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 4 Relatório LUNENDER TÊXTIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão n° 0937.425/2011, às fls. 473/486, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela autuada, concernentes à parte destinada a Terceiros (Salário EducaçãoFNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração dos empregados e contribuintes individuais, assim caracterizados o(s) sócio(s) e demais funcionários das empresas prestadoras de serviços elencadas/listadas nos autos, cuja personalidade jurídica fora desconsiderada pela fiscalização, em relação ao período de 01/2006 a 07/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 167/169. Tratase de Auto de Infração (Obrigação principal), lavrado em 16/11/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário devidamente consignado na folha de rosto da autuação. De acordo com o Relatório Fiscal, o presente lançamento decorre dos mesmos fatos e se fundamentam nos mesmos elementos de convicção apresentados no AI n° 37.273.1945 (processo n° 10920.004320/201091), que trata do lançamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, e constitui o processo principal, razão pela qual transcreveremos abaixo excertos e fundamentos de referido processo. Consoante se extrai daqueles autos (processo n° 10920.004320/201091), a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios e demais funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da autuada, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte, verificouse a existência dos requisitos do vínculo empregatício entre àqueles e a recorrente, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade. Esclarece a fiscalização que o crédito tributário fora apurado por aferição indireta/arbitramento, com base em informações de folhas de pagamento e GFIPs destas empresas fictícias, as quais tinham vínculo formal com os segurados empregados e contribuintes individuais, mas que na verdade eram funcionários da autuada. Informa, ainda, o fiscal autuante que ficou constatada a existência de grupo econômico de fato entre as empresas ABIMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., LUNENDER INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA., ABMODA PARTICIPAÇÕES LTDA., ANBELLI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., LUNELLI TÊXTIL LTDA., LUNELLI BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA., as quais respondem solidariamente pelo presente crédito previdenciário, nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 488/539, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 723 5 Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do feito, dissertando a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade de responsabilização dos sócios em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Ainda em sede de preliminar, suscita a nulidade do lançamento, por entender que o Fisco não detém competência para reconhecer vínculo empregatício, especialmente quando procedido a partir de desconsideração de personalidade jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho, mormente quando não foram observados os preceitos do artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99, utilizados como esteio à pretensão fiscal e à decisão recorrida. Acrescenta que os preceitos inscritos no artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99, igualmente, não oferecem sustentação à exigência fiscal, tendo em vista prever tão somente a possibilidade de caracterização de contribuinte individual, trabalhador avulso ou sob qualquer outra denominação como segurado empregado, não permitindo, assim, a desconsideração da personalidade jurídica de empresas prestadoras de serviços. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, bem como do histórico e das atividades desenvolvidas pela recorrente, insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que lastreouse em constatações e indícios desprovidos, portanto, de qualquer comprovação, o que afasta a possibilidade de se declarar a responsabilidade subsidiária ora imputada. Opõese ao lançamento em comento, defendendo não haver a devida comprovação da existência dos requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício entre os prestadores de serviços, funcionários das empresas desconsideradas, e a recorrente, de maneira a fundamentar a pretensão fiscal, não tendo a autoridade lançadora se aprofundado no exame dos documentos ofertados pela contribuinte durante a fiscalização, os quais seriam capazes de rechaçar qualquer entendimento a respeito da relação laboral. Reforça que o procedimento fiscal adotado pela autoridade lançadora encontrase apoiado em meras presunções/subjetividades, a partir de critérios discricionários, sem nenhuma comprovação dos fatos imputados. Alega que a terceirização é uma forma de ampliação das relações trabalhistas, em virtude da modernidade das relações empresariais, evitando o desemprego. Representa um grande avanço jurídicosocial, viabilizando o gerenciamento pleno de empresas sem sobrecarga de funcionários que, por diversas vezes, não são bem aproveitados, razão pela qual não se pode cogitar na ilegalidade do procedimento eleito pela contribuinte no desenvolvimento das suas atividades, ao contrário da tese da fiscalização. Defende que a autuação ocorrera simplesmente em razão das prestadoras de serviços serem enquadradas no regime de tributação do SIMPLES, devendo o lançamento, portanto, ser procedido em face daqueles, conquanto que comprovadas as ilegalidades apontadas, a partir de representação de exclusão daquele regime especial, sobretudo diante da inexistência de vínculo laboral entre os funcionários das contratadas com a recorrente. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 6 Aduz que a própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu que a eventual coincidência de sócios das empresas elencadas nos autos, bem como a formalização de contrato de comodato entre aquelas, e existência de uma única contratante de serviços, por si só, não tem o condão de justificar a desconsideração da personalidade jurídica das mesmas, especialmente por não se apresentar como afronta a legislação de regência. Suscita que a terceirização caracterizada pela prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra detém dispositivo legal próprio contemplando a tributação da mãode obra empregada, qual seja, o artigo 31 da Lei n° 8.212/91. Explicita a sistemática do SIMPLES e, bem assim, as hipóteses de impedimento de adesão àquele regime de tributação diferenciado, não restando comprovada nenhuma delas, de maneira a justificar a desconsideração do enquadramento das prestadoras de serviços naquele regime especial. Acrescenta que o artigo 116, parágrafo único, do Códex Tributário Nacional não é autoaplicável, dependendo, portanto, de regulamentação para produzir seus devidos efeitos, não podendo, assim, servir de amparo ao lançamento sob análise. Ressalta que o procedimento de exclusão do SIMPLES relativo à empresa ARV Indústria e Confecções LTDA, uma daquelas cuja personalidade jurídica restou desconsiderada no presente lançamento, fora declarado improcedente pela 4ª Turma da DRJ em Salvador, nos termos do Acórdão n° 1528.420, que acolheu a manifestação de inconformidade da contribuinte, a reincluindo naquele regime de tributação, considerando os serviços prestados como cessão de mãodeobra, o que confirma a legalidade da conduta das empresas arroladas nos autos. Rechaça pontualmente/individualmente cada fundamento da autoridade lançadora para proceder o lançamento, inferindo que nenhum deles se apresenta como motivo plausível para justificar a tributação na forma conduzida. Contrapõese ao lançamento fiscal, notadamente à tributação dos valores pagos a título de antecipações e/ou distribuições de lucros aos sócios das empresas prestadoras de serviços, sob o fundamento de que tais verbas não se incluem no campo de incidência das contribuições previdenciárias por não se caracterizar como remuneração, ao contrário do que ocorre com o prólabore, este, sim, sujeito à incidência de tais tributos. Pugna pelo afastamento da incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício, por afrontar o ordenamento jurídico pátrio, na linha do que vem sendo decidido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve a apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 724 7 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com o Relatório Fiscal, de fls. 167/169, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, parte da empresa, são as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim caracterizados o(s) sócio(s) e demais funcionários das empresas prestadoras de serviços elencadas/listadas nos autos, cuja personalidade jurídica fora desconsiderada pela fiscalização, em relação ao período de 01/2006 a 07/2008. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o presente lançamento decorre dos mesmos fatos e se fundamentam nos mesmos elementos de convicção apresentados no AI n° 37.273.1945 (processo n° 10920.004320/201091), que trata do lançamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, e constitui o processo principal, razão pela qual transcreveremos abaixo excertos e fundamentos do processo principal. Explicita o fiscal autuante que entendeu por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios e demais funcionários como segurados empregados e/ou contribuintes individuais da autuada, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte, verificouse a existência dos requisitos do vínculo empregatício entre àqueles e a recorrente, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade. Esclarece, ainda, a fiscalização que o crédito tributário fora apurado por aferição indireta/arbitramento, com base em informações de folhas de pagamento e GFIPs destas empresas fictícias, as quais tinham vínculo formal com os segurados empregados e contribuintes individuais, mas que na verdade eram funcionários da autuada. Informa, por fim, o fiscal autuante que ficou constatada a existência de grupo econômico de fato entre as empresas ABIMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., LUNENDER INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA., ABMODA PARTICIPAÇÕES LTDA., ANBELLI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., LUNELLI TÊXTIL LTDA., LUNELLI BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA., as quais respondem solidariamente pelo presente crédito previdenciário, nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal. Interposta impugnação, a 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, por maioria de votos, rechaçou a pretensão da contribuinte, nos termos do Acórdão n° 0937.425/2011, às fls. 473/486, considerando escorreito o procedimento fiscal eleito pela fiscalização ao promover o lançamento, a partir da desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Por outro lado, a divergência se deu em razão de um dos julgadores ter entendido pela improcedência do feito, sobretudo em relação ao procedimento adotado na Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 8 constituição do crédito previdenciário, como restou consignado da Declaração de Voto inserida no decisum recorrido, em suma determinando que no caso, que abastecido de fartos elementos de convicção, o pertinente seria a desconsideração do regime especial de tributação, no caso o SIMPLES, a formalização do Grupo Econômico “de fato” e a imputação da responsabilidade tributária por solidariedade. Ainda irresignada, a contribuinte opôs recurso voluntário, às fls. 488/539, suscitando inúmeros pretensos equívocos incorridos pela autoridade lançadora, a começar pela ausência de comprovação da existência dos requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício entre os prestadores de serviços, funcionários das empresas desconsideradas, e a recorrente, de maneira a fundamentar a pretensão fiscal, não tendo o Fisco se aprofundado no exame dos documentos ofertados pela contribuinte durante a fiscalização, os quais seriam capazes de rechaçar qualquer entendimento a respeito da relação laboral. Em defesa de sua pretensão, pretende seja reformado o Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo que o procedimento adotado pela autoridade lançadora, desconsideração da personalidade jurídica com a caracterização de segurados empregados e contribuintes individuais, apurandose o débito por arbitramento, encontrase apoiado em meras presunções/subjetividades, a partir de critérios discricionários, sem nenhuma comprovação dos fatos imputados. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização, corroboradas pela autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, o inconformismo da contribuinte merece prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado. Destarte, o fiscal autuante, ao promover o lançamento desconsiderando a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a respectiva caracterização dos sócios e demais funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da recorrente, apurou a base de cálculo das contribuições previdenciárias por arbitramento, utilizando como fundamento à sua empreitada as seguintes conclusões: “[...] 3.1 . Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1.1 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos), por serviços prestados à autuada, que se encontravam formalmente vinculados às empresas fictícias AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS, GUARÁ, JJM, MJM, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES, apuradas por aferição indireta com base em informações de folhas de pagamento e GFIPs destas empresas, conforme levantamentos da tabela T1 a seguir; 3.1.2. As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, por serviços prestados à autuada, que se encontravam formalmente vinculados às empresas fictícias AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS, GUARÁ, JJM, MJM, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES como contribuintes individuais (sócios administradores e autônomos), ou seja, em categoria diversa, apuradas por aferição indireta com base em informações de folhas de pagamento e GFIPs destas empresas, conforme levantamentos da tabela T1 a seguir; Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 725 9 3.1.3. As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas formas simuladas de "antecipações de lucros" ou "distribuições de lucros", por serviços prestados à autuada, mas que se encontravam formalmente vinculados às empresas fictícias AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS e MJM como contribuintes individuais (sócios administradores), apuradas por aferição indireta com base em informações da contabilidade destas empresas, conforme levantamentos da tabela T1 abaixo: [...] 3.2. Os levantamentos acima discriminados contemplam lançamentos de contribuições sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos) FORMALMENTE registrados em empresas diversas, ou a estas vinculados, em virtude de constatação (apurados em procedimentos fiscais junto a todas às empresas), que até 31/07/2008 elas NÃO EXISTIRAM DE FATO, sendo a autuada a verdadeira empregadora, pelos motivos que passa a expor: [...] 5. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO 5 . 1 . Restou evidenciado, portanto, que a LUNENDER TÊXTIL não registrou em sua contabilidade a remuneração de todos os segurados a seu serviço, haja vista que uma parte do contingente foi registrada em empresas de facção diversas, mas prestavam serviços à autuada mediante interposição destas empresas. 5.2. Ficou constatado também que as empresas de facção AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS, GUARÁ, JJM, MJM, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES, foram usadas pela LUNENDER TÊXTIL para: aderir ao regime SIMPLES; simular prestações de serviços com a autuada, e; registrar em seus nomes parte dos segurados da autuada e, desta forma, deixar de reconhecer as contribuições sociais das remunerações destes segurados a cargo do empregador. 5 . 2 . 1 . Diante do exposto, os empregados e alguns autônomos que formalmente se encontravam registrados ou vinculados nas facções são considerados, para fins da presente autuação fiscal, empregados e contribuintes individuais diretos da LUNENDER TÊXTIL, que foi quem de fato se beneficiou dos serviços e os remunerou. Os saláriosdecontribuição são apurados por aferição indireta com base nos dados das GFIPs das facções do período 01/2006 a 07/2008 e lançados via levantamentos " A 1 " , "A6", " C 1 " , "C6", " D 1 " , " G 1 " , " J 1 " , " M 1 " , " S 1 " , " T 1 " , " V 1 " , "A9", "C4", "C9", "D4", "G4" e "M4"). 5.2.2. As fontes dos levantamentos acima estão demonstradas nas planilhas "VÍNCULOS E REMUNERAÇÕES DE EMPREGADOS DAS FACÇÕES EM GFIPs" e "VÍNCULOS E REMUNERAÇÕES DE CIs DAS FACÇÕES EM GFIPs", Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 10 contendo a identificação das facções, competências, segurados, remunerações e contribuições; encontrandose consolidada na planilha "DEMONSTRATIVO DE REMUNERAÇÕES, CONTRIBUIÇÕES, DEDUÇÕES E COMPENSAÇÕES DAS FACÇÕES EM GFIPs". 5.2.3. Os pagamentos aos "administradores" das facções são considerados remunerações aos empregados da LUNENDER TÊXTIL, pois os recursos vieram desta empresa e tais "administradores", conforme já exposto, de fato eram empregados LUNENDER TÊXTIL. O mesmo tratamento se dá às remunerações das facções ao contador do grupo RÉGIS AUGUSTO SCHIMANKO. Os saláriosdecontribuição são apurados por aferição indireta com base nos dados das GFIPs das facções do período 01/2006 a 07/2008, sendo classificados nos levantamentos "A2", "A7", "C2", "C7", "D2", "G2", "J2", "M2", "S2", "T2" e "V2"). 5.2.4. As fontes dos levantamentos acima estão demonstradas nas planilhas "VÍNCULOS E REMUNERAÇÕES DE CIs DAS FACÇÕES EM GFIPs REENQUADRADOS", contendo a identificação das facções, competências, segurados, remunerações e contribuições; estando consolidada na planilha "DEMONSTRATIVO DE REMUNERAÇÕES, CONTRIBUIÇÕES, DEDUÇÕES E COMPENSAÇÕES DAS FACÇÕES EM GFIPs". 5.2.5. Por fim, os pagamentos ou créditos aos "sócios administradores" das facções, a título de "adiantamento de lucros" e "distribuição de lucros", pelos motivos a seguir expostos, são reclassificados como remunerações aos empregados da LUNENDER TÊXTIL. 5.2.6. Como se concluiu que as facções eram empresas fictícias, criadas no interior da LUNENDER TÊXTIL para seu proveito, fazse necessário apurar a verdadeira natureza jurídico/contábil dos lucros distribuídos, pois os atos societários e negociais em nome destas empresas fictícias padecem do mesmo vício. 5.2.7. Como já exposto aqui, os "sócios" das facções eram de fato meros empregados da LUNENDER TÊXTIL que emprestaram seus nomes para figurarem como sócios. Disso se conclui que as remunerações atribuídas a título de "adiantamento de lucros" ou "distribuição de lucros" são remunerações a segurados empregados por serviços prestados. O fato de, em muitos casos, ter havido distribuição de lucros antes de sua apuração ("adiantamento de lucros") e/ou em periodicidade mensal, reforça esta convicção. Os saláriosde contribuição são apurados por aferição indireta com base nos dados dos registros contábeis das facções do período de 01/2006 a 07/2008 e classificados nos levantamentos "A3", "A8", "C3", "C8", "D3" e "M3". 5.2.8. As fontes dos levantamentos acima constam nas planilhas "LANÇAMENTOS REF DISTRIBUIÇÕES DE LUCROS PELAS FACÇÕES 01/2006 A 07/2008" e "DEMONSTRATIVO DE REMUNERAÇÕES A TÍTULO DE ANTECIP E DISTRIB DE Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 726 11 LUCROS", onde se relacionam os empregados, remunerações, contribuições e datas de ocorrência. [...]” Como se observa, em que pese não indicar qual fundamento legal para o procedimento adotado, o fiscal autuante entendeu por bem apurar o débito por aferição indireta/arbitramento, só podendo ter utilizando como supedâneo à sua empreitada o artigo 33, §§ 3° e 6o, da Lei n° 8.212/91, vigente à época nos seguintes termos: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentálo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito. Inobstante à grande celeuma que envolve o tema, é certo que atualmente o Fisco dispõe de alguns mecanismos para apuração de crédito tributário quando constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação, ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 12 Tratase, pois, de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. As hipóteses inscritas nos §§ 3º e 6º, do artigo 33, da Lei nº 8.212/91, portanto, caracterizamse como presunções juris tantum, albergada por lei, mas passíveis de comprovação do contrário presumido. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado e motivado nos autos do processo, além da necessidade de atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento. Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca” ao agente fiscal, de maneira a possibilitarlhe concluir pela existência de débitos tributários bem destoantes do que efetivamente devido pelo contribuinte, escorados em parâmetros aleatórios e imprecisos, sem o devido aprofundamento no exame das provas constantes dos autos. Não se pode admitir, pois, seja praticado o arbítrio em nome do arbitramento. É um procedimento, portanto, que objetiva aproximar, mensurar as remunerações tributáveis tanto quanto possível daquele que seria real. Temse assim que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos, naturalmente após identificar as eventuais irregularidades extraídas de sua atividade, ou contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo não tem o mesmo sentido de agraválo. O agravamento se faz mediante cominação de multas, não pela via do arbitramento. A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito: “ [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método previamente escolhido e aplicado pelo contribuinte é, em si, medida típica de arbitramento da base de cálculo dos tributos envolvidos [...]. Da Constituição, no seu art. 145, § 1°, ao próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese vêse justificativa para tributação com base em presunções absolutas; o que vale do mesmo modo para a negativa de aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao Direito tributário importa, com exclusividade, só a verdade material, para a qual certas presunções legais somente valem como hipóteses sujeitas a confirmação pela base natural de testabilidade: a situação fática tomada como motivo para a edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha por ocorrido tal como o supunha a norma, deve ser aberto ao 1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites ao Uso do PRL60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 727 13 contribuinte o direito de demonstrar, mediante produção de prova em contrário, a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, em louvor da verdade material. Sobre o uso das presunções legais no direito tributário, pela circunstância de alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis de serem alcançados para tributação e pela exigência de demonstração de provas, por parte das autoridades administrativas, a cada ato de lançamento tributário, em favor da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de afetar os princípios de segurança jurídica e interdição do arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito claros. Primeiro, tais presunções só poderão ser de ordem probatória (presunção simples ou hominis); e, quando criadas por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade de meios e formas. Segundo, a Administração deve respeitar o caráter de subsidiariedade dos meios presuntivos, pois só de modo excepcional se deve valer deles, na função de típica finalidade aliviadora ou igualdade de armas, nas hipóteses em que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque a verdade material é o parâmetro absoluto da tributação, qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada com estrito respeito aos direitos fundamentais, e a legalidade, acompanhada de devido processo legal e sem qualquer espécie de discricionariedade que leve ao abuso de poder” A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando o cancelamento de autuações em que a fiscalização extrapolou os limites impostos pela legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta empreitada não estejam devidamente claros e precisos, in verbis: “[...] Ementa: ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 13963.000848/200787 Acórdão n° 240100.057, Sessão de 04/03/2009 – Relatoria Conselheiro Ana Maria Bandeira) (grifamos) Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 14 “Ementa: [...] AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando claramente os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. [...]” (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/200781 – Acórdão n° 240201.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos) Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação. Mesmo porque, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a prerrogativa do fiscal autuante em presumir a base de cálculo do tributo lançado, não o desobriga de comprovar a ocorrência do fato gerador. Ou seja, a base de cálculo poderá ser presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 728 15 Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Como se verifica dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e determinar a matéria tributável (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Autuação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal. Na mesma linha exposta acima, a apuração do crédito previdenciário por arbitramento deve vir acompanhada da devida motivação, indicando a autoridade lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. A doutrina não discrepa deste entendimento, consoante se positiva dos ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona: “[...] 33. O arbitramento da base de cálculo deve respeitar os princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, razão pela qual não há discricionariedade total na escolha das bases de cálculo alternativas, estando o agente público sempre vinculado, pelo menos, aos princípios constitucionais informadores da função administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no artigo 148 do CTN tenha ocorrido a fim de que surja para o Fisco a competência de arbitrar: fazse imperioso que além disso o resultado da omissão ou do vício da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifestada pelo fato jurídico. 34.1. O critério para determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis de ensejar a desconsideração da documentação reside no seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de, mediante exercício do dever de investigação, retificar a documentação de forma a garantir o valor probatório do documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base de cálculo arbitrada. Caso contrário, não. 35. Diante de um lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar, para fins de defesa, se o ato jurídico encontrase devidamente motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão indicados na norma individual e concreta de constituição do crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, pois em caso negativo, o lançamento estará cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o 2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 16 faturamento, o lucro e a própria capacidade operacional da empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na escrita ou na entrega de declarações, o que não é considerado antecedente da norma jurídica que tem como conseqüente o dever do Fisco de efetuar o lançamento por arbitramento, mas tãosomente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios dela constantes são insignificantes se comparados ao número de lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos; se mesmo diante de omissão de receitas o contribuinte teve prejuízo, não alterado em virtude dessas receitas, hipótese em que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes sobre a renda e o lucro; se a fiscalização utilizouse de exercícios em que a atividade do contribuinte foi atípica, comprometendo a validade da média; e muitos outros.” A jurisprudência do CARF que se ocupou do tema, oferece guarida ao entendimento acima esposado, exigindo, além da devida motivação na utilização do procedimento do arbitramento, a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo da fiscalização, senão vejamos: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. [...] Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/200794, Acórdão n° 2401002.161, Sessão de 01/12/2011 – Relatoria Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos) Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte. No caso sub examine, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, com base nas informações constantes das GFIP’s e folhas de pagamento, suscitando ter promovido o arbitramento das contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. Entrementes, em nenhum momento a autoridade lançadora logrou justificar/motivar aludido procedimento, deixando de elucidar as razões que deram azo ao Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 729 17 arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, bem como os critérios adotados por ocasião do cálculo dos tributos lançados. Em outras palavras, limitouse a explicitar ter promovido o lançamento por arbitramento, trazendo à colação justificativas voltadas à desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviço, informando que os valores adotados foram àqueles constantes das folhas de pagamento, GFIP’s e outros documentos contábeis, sem conquanto motivar tal procedimento e esclarecer como fora conduzido, com aplicação de quais alíquotas, por exemplo, além de sequer indicar seu lastro, se o § 3o ou § 6°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91, muito embora se possa imaginar que tenha sido no segundo. Com a devida vênia ao ilustre fiscal autuante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de arbitramento. Destarte, tratandose de procedimento excepcional, o arbitramento a partir desconsideração da contabilidade da contribuinte, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que o arbitramento fora conduzido em razão da desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços. Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante comprovar que a contabilidade das contribuintes não oferece condições de demonstrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ou seja, a real movimentação das remunerações de seus segurados, na forma que exige o artigo 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se constata, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da contabilidade de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida da imprestabilidade da escrita contábil, in casu, para fins previdenciários, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao julgador de analisar devidamente os autos. Em outras palavras, não basta à indicação de erros e/ou vícios na contabilidade, vinculados a outros procedimentos (desconsideração da personalidade jurídica c/c caracterização de segurados empregados), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal de que os documentos fornecidos pelas contribuintes não se prestam a demonstrar a real movimentação da remuneração de seus segurados, impossibilitando a aferição direta da base de cálculo de referidos tributos. A presunção legal inserida no artigo 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91, relativamente ao arbitramento, não tem o condão de suprimir o precípuo dever legal da autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a finalidade de justificar aludido procedimento. A rigor, em momento algum o fiscal autuante asseverou que se viu impossibilitado de apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas em face de equívocos nos registros contábeis vinculados às contribuições Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 18 previdenciárias, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para o arbitramento/aferição indireta adotado nos autos. Com efeito, em nosso entender, os motivos aventados pela fiscalização, sobretudo em relação às razões da desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços e caracterização dos seus funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da recorrente, sem que haja um aprofundamento maior no tema (arbitramento), com provas mais robustas e indicação do efetivo prejuízo na seara do direito previdenciário, não é capaz de fazer florescer a hipótese de incidência admitida pela fiscalização. Repitase, o arbitramento não pode representar uma “carta branca” ao agente fiscal de maneira a afastar a necessidade de comprovação dos requisitos mínimos da exigência tributária. Não se pode confundir os permissivos/pressupostos legais que contemplam a desconsideração da personalidade jurídica de empresas e caracterização de segurados empregados e/ou contribuintes individuais com as hipóteses que justificam o arbitramento das contribuições previdenciárias. Tratase de dois procedimentos excepcionais, com suas próprias peculiaridades, cada um necessitando a devida justificativa/motivação. Partido dessa premissa, o fato de ter havido a desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços com a respectiva caracterização dos seus funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da contratante, não ampara, por si só, o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, mormente quando os valores que foram utilizados na constituição do crédito tributário não foram presumidos, mas, sim, extraídos diretamente das folhas de pagamentos, GFIP’s e registros contábeis das empresas desconsideradas. Em verdade, na essência, a desconsideração da personalidade jurídica c/c a caracterização de segurados empregados, inobstante ser admitida igualmente como procedimento excepcional na condução dos trabalhos fiscais, se distingue do arbitramento na medida em que não se caracteriza como uma presunção legal. Melhor elucidando, enquanto no arbitramento, uma vez devidamente motivado, a pretensão fiscal inverte o ônus da prova ao contribuinte em face da presunção legal inscrita no artigo 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, a desconsideração da PJ/caracterização do segurado empregado não confere ao Fisco essa mesma benesse. Não bastasse isso, in casu, o que torna ainda mais digno de realce é que a fiscalização não demonstrou a impossibilidade de se aferir diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias, de maneira a justificar o arbitramento operado na constituição do crédito tributário. Ora, o arbitramento só faz sentido e tem base legal se a autoridade fazendária não tiver condições de extrair a base de cálculo dos tributos a serem lançados nos documentos que dispõe ou ofertados pela contribuinte. Ao contrário, o nobre fiscal autuante dissertou que os valores utilizados para a apuração do débito por arbitramento foram aqueles informados em folhas de pagamento e GFIP’s, além de registros contábeis (adiantamento de lucros aos sócios) das empresas prestadoras de serviços, não indicando qualquer impossibilidade e/ou dificuldade para se chegar a tais importâncias tendentes a justificar a aferição indireta utilizada. Aliás, em procedimentos desta natureza, qual seja, desconsideração de personalidade jurídica de prestadora de serviços e caracterização de seus funcionários e sócios como segurados empregados e contribuintes individuais da contratante, em verdade, o que Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 730 19 ocorre, via de regra, é a reclassificação do vínculo dos funcionários das prestadoras de serviços para a contratante, caracterizada como efetiva/real empregadora. Neste contexto, basta a simples adoção dos valores informados em folhas de pagamentos e GFIP’s das prestadoras de serviços como remuneração dos funcionários, minimamente tributado em razão do regime de tributação do SIMPLES, e reclassificálo como remunerações de segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa contratante, ora recorrente, a qual não se encontra inscrita no SIMPLES e, por conseguinte, enseja a tributação convencional, diferença lançada nesta oportunidade. Melhor elucidando, não se presume a base de cálculo das contribuições lançadas, ou seja, o valor da remuneração dos funcionários, uma vez já informados pelas prestadoras de serviços em folhas de pagamento e GFIP’s. A apuração é direta nestes documentos, não se cogitando, portanto, em arbitramento/aferição indireta. Esta Egrégia Turma é por demais enfática ao contemplar a matéria, reforçando a tese no sentido de que a extração da base de cálculo diretamente das folhas de pagamento e GFIP’s das empresas objeto do lançamento não se caracteriza como procedimento do arbitramento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 VALORES APURADOS CONFORME GFIP. ARBITRAMENTO. 1NOCORRÊNCIA. Não se vislumbra a ocorrência de arbitramento quando os valores utilizados na apuração fiscal foram extraídos das declarações de GFIP prestadas pelo sujeito passivo. [...]”(1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo n° 10120.000975/201013 – Acórdão n° 240102.057 – Relator: Kleber Ferreira de Araújo – Sessão de 29/09/2011) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2005 NFLD. DECLARAÇÃO EM GFIP. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste arbitramento quando as contribuição são apuradas com base na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, a qual tem caráter de confissão de dívida. [...]” (6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes – Processo n° 18186.001255/200717 – Acórdão n° 20601.320 – Relator: Elias Sampaio Freire – Sessão de 05/09/2008) “[...] REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM RECIBOS DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza a aferição indireta do saláriode contribuição quando o mesmo é obtido de documentos Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 20 comprobatórios de pagamento de remuneração, no presente caso, recibos e extratos bancários. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo n° 18108.002204/200727 – Acórdão n° 240101.495 – Relator: Kleber Ferreira de Araújo – Sessão de 21/10/2010) Com mais especificidade, a ilustre Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira se manifestou com muita propriedade ao tratar de tema idêntico ao presente, qual seja, desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a respectiva caracterização de seus funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da contratante, afirmando inexistir arbitramento na hipótese de a base de cálculo ser extraída diretamente das GFIP’s e folhas de pagamento daquelas contribuintes, conforme excertos da ementa e do voto vencedor a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO DE EMPREGO.ARBITRAMENTO. NULIDADE. PRESENÇA DOS ELEMENTOS. [...] III — As bases de cálculo não foram apuradas por arbitramento, basearamse nas GFIP e nas folhas de pagamento das empresas contratadas. IV A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laboral onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. [...] Voto Vencedor [...] No caso foi apontada nulidade por entender o relator que a fiscalização utilizouse do procedimento do arbitramento para apurar as bases de cálculo de contribuições previdenciárias, sem contudo indicar o dispositivo legal que autoriza o procedimento. É nesse sentido o ponto em que divido. As bases de cálculo foram apuradas, não por arbitramento, mas basearamse nas GFIP e folhas de pagamento das empresas contratadas, pois segundo constatado durante o procedimento os empregados na verdade sempre foram empregados da notificada. Em estando devidamente caracterizada a simulação nas contratações por meio de outras pessoas jurídicas, o que se constata é que os empregados eram sim, empregados da notificada, e portanto, as GFIP são plenamente válidas para indicar a remuneração dos segurados que prestaram os serviços, servindo estes valores como base de cálculo de salário de contribuição. [...]” (6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes – Processo n° 37169.001510/200695 – Acórdão n° 20601.787 – Redatora Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 731 21 Designada: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Sessão de 04/02/2009) (grifamos) Situação diversa ocorre quando os valores utilizados para fins de apuração do crédito tributário são aqueles constantes de notas fiscais de prestação de serviços por parte das empresas cuja personalidade jurídica fora desconsiderada. Neste caso, não se tem conhecimento da efetiva base de cálculo do tributo a ser lançado, presumindose, assim, que é a totalidade ou parte da importância constante das notas fiscais. Não é o que se vislumbra na hipótese destes autos, onde a base de cálculo dos tributos ora exigidos foram extraídos diretamente das folhas de pagamento e GFIP’s, ocorrendo, simplesmente, uma reclassificação do vínculo empregatício destes segurados com a contratante dos serviços, a partir da comprovação dos requisitos da relação laboral. Em face dos fatos acima delineados, uma vez não demonstrada ou sequer aventada pelo fiscal autuante a impossibilidade de apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias diretamente nas folhas de pagamento, GFIP’s e contabilidade das empresas desconsideradas, além de sequer explicitar como fora procedido o pretenso arbitramento (alíquotas e demais cálculos), não se pode admitir a apuração de crédito previdenciário com base em aferição indireta, exclusivamente arrimada em fatos que deram motivo à desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços e caracterização de seus funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da recorrente, procedimento, igualmente, excepcional, mas arrimado em premissas diversas, impondo seja decretada a nulidade material do lançamento fiscal. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO – NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO RFB PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES Ainda em sede de preliminar, assevera a recorrente que a Lei nº 9.317/96 e a Lei Complementar n° 123/2006, que disciplina o regime de tributação do SIMPLES, inclusive as formas e procedimentos de exclusão, c/c a legislação previdenciária estabelecem que a empresa somente será excluída mediante Ato Declaratório, após o devido exercício da ampla defesa e do contraditório da contribuinte, em observância ao processo tributário administrativo competente, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em outra via, a ilustre autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, entenderam que o presente lançamento não depende de ato de exclusão do SIMPLES das empresas desconsideradas, tendo em vista que aludido procedimento se deu objetivando a exigência de contribuições previdenciárias, não surtindo qualquer efeito na constituição da pessoa jurídica propriamente dita. Em que pesem os fundamentos adotados pelo fiscal autuante e, bem assim, julgador recorrido, o insurgimento da contribuinte merece acolhimento, senão vejamos. A rigor, nosso entendimento anterior convergia com a pretensão fiscal. No entanto, após melhor estudo a respeito do tema, especialmente com arrimo na jurisprudência deste Colegiado e legislação específica, firmamos novo posicionamento no sentido da exigibilidade da emissão de Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES como condição sine qua non ao lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas enquadradas naquele regime de tributação, senão vejamos. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 22 Primeiramente, não vislumbramos a possibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa, tão somente para fins de exigência de contribuições previdenciárias, mantendoa na condição de optante do SIMPLES, em relação a outras obrigações tributárias e/ou comerciais. Com efeito, o SIMPLES se apresenta como um regime de tributação diferenciado, destinado às empresas que se enquadram nos requisitos legais estabelecidos pela Lei nº 9.317/1996 e Lei Complementar n° 123/2006, de maneira que aquelas pessoas jurídicas deverão recolher os tributos devidos de forma unificada, com base no respectivo faturamento. Afora, a contribuição previdenciária relativa à parte do empregado, as outras exigências patronais, ora lançadas, deverão ser recolhidas juntamente com os demais tributos, unificadamente. Assim, uma vez desenquadrada do SIMPLES, a empresa passará a promover os recolhimentos dos tributos devidos, na forma das demais pessoas jurídicas não optantes por aquele regime de tributação. Na esteira desse raciocínio, não há como desconsiderar o enquadramento da empresa no SIMPLES, para fins previdenciários, mantendoa como optante daquele regime de tributação em relação as demais obrigações tributárias e comerciais, mesmo porque as contribuições previdenciárias ora exigidas devem ser pagas juntamente com os demais tributos devidos, com base no faturamento da empresa. Prevalecendo o entendimento da fiscalização, o que se admite apenas por amor ao debate, indagase: 1) A partir do lançamento fiscal, qual o procedimento que a empresa deverá adotar ao recolher os seus tributos? 2) Deverá recolher as contribuições previdenciárias ora lançadas com base na folha de pagamento e os demais tributos a partir do faturamento mensal? 3) Continuará a recolher todos os tributos com base no faturamento mensal, ou nenhum deles nesta indumentária? Observase que pretender excluir a empresa optante do SIMPLES, tão somente para efeito das contribuições previdenciárias, em verdade é um evidente atropelo às normas legais específicas que regulamentam aquele regime de tributação. Dessa forma, ou a empresa encontrase perfeitamente enquadrada no SIMPLES, devendo contribuir na forma da legislação de regência, ou não observa os requisitos para tanto, impondo a sua exclusão daquele regime de tributação, devendo surtir efeitos relativamente a todos tributos devidos e não somente para as contribuições previdenciárias, como pretende a fiscalização nestes autos. No caso sub examine, em síntese, entenderam os ilustres fiscais que houve fracionamento simulado de empresas, onde estabelecimentos “filiais” eram tratados como prestadores de serviços, com o intuito de obtenção de tratamento favorecido pela inscrição no regime de tributação do SIMPLES. Considerando a ocorrência de simulação na constituição do quadro societário das pessoas jurídicas “prestadoras de serviços”, bem como uma administração unificada de todas as empresas pelos sócios da autuada, os auditores fiscais efetuaram o lançamento de contribuições sociais relativas a parte da empresa e as destinadas ao SAT e Terceiros. Ocorre que, as empresas prestadoras de serviços foram constituídas em observância das normas legais e trâmites exigidos pela legislação de regência, estando sujeitas Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 732 23 ao regime de tributação do SIMPLES, recolhendo, assim, os tributos de forma unificada, conforme amplamente demonstrado no Relatório Fiscal. Tal fato é de extrema importância, tendo em vista que a forma unificada de pagamento de tributos do SIMPLES engloba as contribuições a cargo da empresa (artigo 22 da Lei 8.212/91 e LC 84/96), conforme se verifica do artigo 3º, § 1º, alínea “f”, da Lei nº 9.317/96, in verbis: “Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994.” Ora, se aquelas pessoas jurídicas estavam recolhendo pelo SIMPLES, as contribuições a cargo da empresa discriminadas no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, e se o objeto do presente Auto de Infração são tais contribuições, excluindose a parte dos empregados, não pode prosperar tal lançamento sob pena de se cobrar duas vezes os mesmos tributos. Ressaltese, que o fato ensejador do presente lançamento foi desconsideração da personalidade jurídica de referidas empresas, desenquadrandoas do SIMPLES, com o fito de se exigir as contribuições previdenciárias em epígrafe. Entrementes, as pessoas jurídicas desconsideradas estão inscritas no SIMPLES, e recolhem sobre a receita bruta da empresa e não sobre a folha de pagamento nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.317/96, in verbis: “Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais” Impende destacar que a autoridade fiscal, ao promover o lançamento das contribuições desconsiderando a personalidade jurídica das empresas retromencionadas e, por conseguinte, afastando o sistema de pagamento unificado do SIMPLES, malferiu o disposto no artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.317/1996, e artigos 28 a 32 da Lei Complementar n° 123/2006, os quais estabelecem a competência da Receita Federal do Brasil e o procedimento a ser adotado para excluir, de ofício, pessoas jurídicas daquele regime de tributação, in verbis: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 24 ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo.” A título exemplificativo, a própria Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003, reconhece em seu artigo 277 que a exclusão de ofício só será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, como segue: “Art. 277. A exclusão do SIMPLES darseá por opção da pessoa jurídica, mediante comunicação à Secretaria da Receita Federal (SRF), ou de ofício pela SRF.” Com mais especificidade, a IN nº 100/2003, ao tratar da matéria nos artigos subseqüentes, prescreve quais os efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES, para fins previdenciárias, senão vejamos: Art. 278. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito em relação às obrigações previdenciárias: I a partir do anocalendário subseqüente ao da exclusão, quando se der por opção da pessoa jurídica; II para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, que tenham optado pelo SIMPLES até 27 de julho de 2001, a partir: a) do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; b) de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada após esta data. III para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, que tenham optado pelo SIMPLES após 27 de julho de 2001, a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente; IV a partir do início de atividade da pessoa jurídica, se o valor acumulado da receita bruta no anocalendário de início de atividade for superior ao estipulado para a opção; V a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o valor limite da receita bruta no anocalendário, estipulado para opção, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996; VI a partir de 1º de janeiro de 2001, para as pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES até 12 de março de 2000, na hipótese de que trata o inciso XVII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Art. 279. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral.” (grifamos) Extraise precisamente das normas legais encimadas que as empresas optantes pelo SIMPLES somente serão excluídas desse regime de tributação após Ato Declaratório da então Secretaria da Receita Federal (artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.317/1996, c/c artigo 277 da IN nº 100), passando a surtir efeitos, para fins previdenciários, “a partir da data Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 733 25 em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral”. As determinações contidas nos dispositivos legais supra não implicam dizer que a então Secretaria da Receita Previdenciária não poderia fiscalizar as empresas optantes pelo SIMPLES. Ao contrário! Incumbia, igualmente, ao INSS fiscalizar empresas inscritas no SIMPLES. No entanto, caso constatasse alguma irregularidade nos requisitos do regime de tributação, somente lhe competia representar à Secretaria da Receita Federal e não desconsiderar de ofício a inscrição, ainda que por via transversa (desconsideração da personalidade jurídica), como se verifica do artigo 15, § 4º, da Lei nº 9.317/96, que assim prescreve: “§ 4o Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade convenente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art. 13.” Por seu turno, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100 dispõe no mesmo sentido: “Art. 282. Constatada a ocorrência de qualquer hipótese de vedação ou de exclusão obrigatória do SIMPLES, prevista na Lei 9317 de 1996, será emitida a Representação Administrativa (RA), conforme previsto no art. 633, que será encaminhada à Secretaria da Receita Federal (SRF) circunscricionante da empresa.” Sendo assim, não há como desconsiderar as contribuições recolhidas de forma unificada pelo SIMPLES, antes da exclusão ser declarada pela Secretaria da Receita Federal. A própria IN INSS/DC nº 100, em seu artigo 278, vincula os efeitos em relação as obrigações previdenciárias à declaração de exclusão do SIMPLES, como demonstrado acima. Verificase, que os procedimentos para exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES encontramse previstos em Lei específica (9.317 e LC n° 123), bem como em Instruções Normativas, as quais vinculam as autoridades fiscais. Vêse, pois, que a própria autoridade fazendária arquitetou os procedimentos a serem adotados por ocasião da exclusão das pessoas jurídicas daquele regime de tributação e, bem assim, os seus efeitos, não podendo a fiscalização atropelálos com o fito de se exigir tributos, sob pena de nulidade do feito, como se vislumbra no caso vertente. Aliás, in casu, constatase da peça recursal da contribuinte que a autoridade fazendária procedeu somente à necessária emissão de Ato Cancelatório em relação à prestadora de serviços ARV Indústria e Confecções LTDA., que apresentou manifestação de inconformidade contra tal ato, tendo obtido êxito em sua empreitada ainda em sede de primeira instância, onde fora restabelecida sua condição de empresa enquadrada no regime de tributação do SIMPLES. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, exigindo, primeiramente, a exclusão da empresa do SIMPLES, para eventual e posterior lançamento dos Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 26 tributos devidos decorrentes do Ato Declaratório, consoante se positiva dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004. Ementa: DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO ENTRE O VALOR DEVIDO E O EFETIVAMENTE RECOLHIDO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. 1. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, conforme previsto no art. 45 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. 2. Uma vez excluída em definitivo a empresa do SIMPLES cessam os efeitos do programa, sendo plenamente exigível a contribuição social previdenciária na forma da legislação previdenciária vigente.” (Quinta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141.820 – Acórdão nº 20500.599, Sessão de 08/05/2008 – Rel. Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes – Unânime na parta destacada) (grifamos) “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIOS: 2001, 2002, 2003 e 2004 SIMPLES EXCLUSÃO DE OFÍCIO ATO DECLARATÓRIO Nos termos da lei de regência, a não expedição de ato declaratório de exclusão do SIMPLES por parte da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, obsta o exercício do contraditório e da ampla defesa, devendose declarar nulo o lançamento, por vício de forma.” (Quinta Câmara do Primeiro Conselho – Recurso nº 148.515 – Acórdão nº 10516.756, Sessão de 07/11/2007 – Rel. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães – Unânime) “SIMPLES – EXCLUSÃO – PRECLUSÃO – Apesar de a exclusão do simples ser ato necessário para o lançamento, a realização deste não reabre o contraditório acerca do ato de exclusão que se consumou pela preclusão. [...]” (Terceira Câmara do Primeiro Conselho – Recurso nº 148.817 – Acórdão nº 10323.265, Sessão de 07/11/2007 – Rel. Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes – Unânime) (grifamos) “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2001 EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO Por falta de amparo legal, é incabível o arbitramento do lucro no caso de empresa optante pelo Simples sem que tenha ocorrido o indispensável procedimento legal de exclusão do sujeito passivo do mencionado regime de tributação simplificado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” (Terceira Câmara do Primeiro Conselho – Recurso nº 153.603 – Acórdão nº 10323.617, Sessão de 12/11/2008 – Rel. Conselheiro Antonio Bezerra Neto – Unânime) (grifamos) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 734 27 “OMISSÃO DE RECEITAS LUCRO ARBITRADO EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não havendo comprovação de que a contribuinte tenha sido excluída do SIMPLES com efeitos a partir do anocalendário a que se refere o lançamento, incabível o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.” (Sétima Câmara do Primeiro Conselho – Recurso nº 154.027 – Acórdão nº 10708.904, Sessão de 28/02/2007 – Rel. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Unânime) (grifamos) A rigor, o entendimento firmado neste Colegiado defende que inexiste necessidade do trânsito em julgado do processo decorrente do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES para a lavratura de notificação fiscal/lançamento, podendo os dois processos terem seguimento concomitantes, objetivando, inclusive, evitar a decadência dos tributos devidos. No entanto, exigese, sim, que primeiramente seja emitido o Ato Declaratório de exclusão, senão vejamos: “LANÇAMENTO DE OFÍCIO – ARGÜIÇÃO DE NULIDADE – DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES – CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA – DESNECESSIDADE – É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de ofício. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. [...]” (Oitava Câmara do Primeiro Conselho – Recurso nº 138.118 – Acórdão nº 10808.231, Sessão de 16/03/2005 – Rel. Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca – Unânime) “PRELIMINAR – EXCLUSÃO DO SIMPLES – MOMENTO E FORMA DO LANÇAMENTO – Ainda que a discussão administrativa relativa à exclusão da interessada do SIMPLES não tenha se encerrado, inexiste qualquer impecílio ao exercício do poderdever do Fisco de proceder ao lançamento do montante devido, sem os benefícios do regime declarado, na forma do art. 142 do CTN. [...]” (Oitava Câmara do Primeiro Conselho – Recurso nº 149.331 – Acórdão nº 10809.416, Sessão de 13/09/2007 – Rel. Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca – Unânime) Por tais razões, verificase a nulidade do procedimento adotado na presente Autuação, pois houve o lançamento de contribuições sociais englobadas pelo pagamento unificado do SIMPLES, antes mesmo da declaração de exclusão das empresas daquele regime de tributação. DAS DEMAIS QUESTÕES SUSCITADAS PELA CONTRIBUINTE Uma vez vencido nas duas preliminares de nulidade do lançamento, acima sustentadas, nos termos do voto vencedor abaixo da lavra da ilustre Conselheira Elaine Cristina Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 28 Monteiro e Silva Vieira, mister se faz adentrar às demais alegações, o que passaremos a proceder. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Opõese, ainda, à autuação, inferindo que os sócios da recorrente não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a inexistência dos requisitos necessários para tanto, insculpidos nos artigos 134 e 135 do CTN. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seus argumentos, no entanto, não merecem acolhimento. Com efeito, a matéria objeto de julgamento nesta assentada referese à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. A questão suscitada pela contribuinte poderá ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas às normas procedimentais deste processo, não merecendo aqui fazer maiores considerações relativas à responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrente. Ademais, na hipótese contemplada nestes autos, além de não se responsabilizar diretamente, ainda, qualquer pessoa pela falta do recolhimento das contribuições ora lançadas, consoante se infere do anexo “CORESP – RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS”, inexiste atribuição da sujeição passiva pelo crédito tributário em discussão àquelas pessoas, uma vez que o lançamento fora efetuado contra a empresa e não contra eles. Conforme se verifica da notificação, são os sócios, tão somente coresponsáveis pelos créditos constituídos, na forma do artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005, não se cogitando na ilegalidade de tal procedimento por encontrar respaldo na legislação de regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na forma ali decidida. Aliás, a jurisprudência deste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF n° 88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria, mormente em razão das Súmulas do CARF vincularem seus julgadores, não prosperando, portanto, a pretensão da contribuinte. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 735 29 DA CARACTERIZAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DESCONSIDERADAS COMO SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DA AUTUADA No mérito, insurgese a recorrente contra a exigência consagrada pelo lançamento, especialmente à caracterização dos funcionários das empresas prestadoras de serviços como seus segurados empregados e contribuintes individuais, a partir da desconsideração da personalidade jurídica, aduzindo para tanto inexistir a comprovação dos elementos do vínculo empregatício, tendo em vista que os serviços contratados pela recorrente são fruto de terceirizações de atividades meio da empresa. Suscita que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente subjetivo, deixando de lado a realidade dos fatos, os quais não comprovam a existência dos requisitos autorizadores da descaracterização da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Pretende, ainda, a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, por entender que o Receita Federal não detém competência para reconhecer vínculo empregatício, especialmente quando procedido com base na desconsideração de personalidade jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho. A fazer prevalecer seu entendimento, a recorrente refuta as razões de decidir do julgador recorrido, notadamente em relação aos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, da Lei nº 8.212/91, concluindo inexistir tais requisitos na prestação de serviços por parte dos funcionários das pessoas jurídicas constantes dos autos. Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando verificados os requisitos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não mais Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 30 vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO – DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário”. 2. Parecer pelo não conhecimento da avocatória. Precedente Parecer/CJ nº 330/1995.” “EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.” Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais do vínculo empregatício, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização dos prestadores de serviços (funcionários das pessoas jurídicas desconsideradas) como segurados empregados e contribuintes individuais da autuada, foi muito feliz em sua Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 736 31 empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, consoante se positiva do Relatório Fiscal da Autuação, de onde peço vênia para transcrever excerto de maneira a elucidar a questão: “[...] 3.14. DA CONCLUSÃO SOBRE A SITUAÇÃO FÁTICA DAS EMPRESAS DE FACÇÃO EXAMINADAS E DOS SEGURADOS A ELAS VINCULADOS. 3.14.1. Concluídos os procedimentos de fiscalização das 11 facções, verificouse uma série elementos que são comuns a todas elas, cuja análise conjunta apontam para uma determinada conclusão. Para melhor compreensão, apresentase a seguir a síntese do que f o i apurado: a) Constituição com capital social irrisório: Todas as 11 facções foram constituídas e mantidas com capital social mínimo, cujos montantes são absolutamente inviáveis ao desenvolvimento de atividade industrial autônoma, que necessita de capital de giro, estoques e investimentos em máquinas, equipamentos e instalações. Conforme verificado, o capital social era de R$ 15.000,00 na GUARÁ, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES; de R$ 10.000,00 na AJD, ARV, C CC e MJM; de R$ 5.000,00 na JJM; de R$ 2.000,00 na CDARWIN (depois elevado para R$ 10.000,00), e; de R$ 1.400,00 na DLAYONS (depois elevado para R$ 10.000,00); b) Objeto social correspondente a uma fase da atividade da LUNENDER TÊXTIL: A s 11 facções têm por objeto social a indústria de confecções e/ou facção, que coincide com a fase do processo produtivo da LUNENDER TÊXTIL onde há uso mais intenso de mãodeobra; c) Empregado de empresa do GRUPO LUNENDER figurando no quadro societário: Todas as facções sob exame tiveram pelo menos um dos sócios que era empregado de confiança da LUNENDER TÊXTIL (no cargo de diretor, gerente ou supervisor), ou de outra empresa do GRUPO LUNENDER, que se desligou formalmente do emprego quando ingressou como sócio da facção (e a maioria retornou ao emprego quando se retirou da sociedade), conforme tabela a seguir: [...] d) Inexistência absoluta de máquinas, equipamentos e instalações no patrimônio contábil: os movimentos da contabilidade e os balancetes patrimoniais de todas as 11 empresas de facção, de todo o período fiscalizado, não registram qualquer máquina, equipamento, ou instalação em seus ativos. Ou seja, não há qualquer movimento ou saldo em contas do ATIVO PERMANENTE; e) Receitas operacionais provenientes exclusivamente da LUNENDER TÊXTIL: De acordo com a movimentação contábil, Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 32 todas as receitas das 11 facções tiveram origem exclusivamente na LUNENDER TÊXTIL, e ocorreram a título de serviços de industrialização por encomenda, classificadas na conta "3.1.01.01.21 VENDAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO", ressalvando que na empresa CCC tal padrão teve início em 09/2006; f) Adiantamentos habituais da LUNENDER TÊXTIL:Várias destas facções foram beneficiadas com adiantamentos expressivos e habituais concedidos pela LUNENDER TÊXTIL sem qualquer ônus, conforme registros das contabilidades; g) Procedimento operacional padronizado: No relacionamento das facções com a LUNENDER TÊXTIL, conforme os movimentos fiscais, o procedimento rotineiro e padronizado se deu na forma de remessa de peças para facção e posterior devolução dos itens agregados, auferindose receita pelo serviço ao final do mês, que era destinada ao pagamento da mãode obra e respectivos encargos; h) Ausência de qualquer aquisição de mercadorias ou matérias primas: No período sob fiscalização, as facções não registraram qualquer aquisição de mercadoria para comercialização, matéria prima para uso no processo produtivo ou na prestação de serviço (sem CMV, CPV ou CSP), conforme dados das contabilidades; i) Custos e despesas distorcidos, com relevância apenas para mãodeobra: Como conseqüência do item anterior, os custos e despesas relevantes registrados nas facções se resumiram à mãodeobra e respectivos encargos sociais e trabalhistas, sendo de pequena monta os demais itens, como materiais de uso e consumo, manutenções, aluguéis, energia elétrica, telecomunicações, água e esgoto, etc; j) Inexistência de estoques nos balancetes: As empresas de facções em questão, no período 01/2006 a 07/2008, não registraram em seus balancetes qualquer estoque, seja de produto acabado, produto em elaboração ou matéria prima; k) Apuração de resultados desproporcionais: Determinados balancetes anuais apresentaram prejuízos desproporcionais, tendo como conseqüência o patrimônio líquido negativo, que então passa a ser coberto por "adiantamentos" fornecidos pela LUNENDER TÊXTIL. Outros balancetes anuais se mostram com lucros excepcionais, possibilitando remunerar regiamente os "administradores formais" via "antecipação de lucros" ou "distribuição de lucros", muitas vezes em parcelas mensais; I) Fornecimento pela LUNENDER TÊXTIL, sem qualquer ônus, de todas a máquinas e equipamentos necessários: Os movimentos fiscais da LUNENDER TÊXTIL e das facções registram as remessas (para as 11 facções) das máquinas e equipamentos utilizados por elas, que abrange desde máquinas de costura, de aproximadamente R$ 2.000,00 a R$ 10.000,00, até equipamentos de controle de linha de produção, de R$ 300.000,00 a R$ 500.000,00. Destas operações não resultam qualquer ônus para as beneficiadas, seja na forma de aquisição ou locação; Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 737 33 m) Estabelecimento em imóvel do GRUPO LUNENDER: As facções AJD,DLAYONS, MJM e JJM estão estabelecidas em imóvel de propriedade da ANBELLI, empresa do GRUPO LUNENDER, sendo que a AJD e DLAYONS, por um tempo, compartilharam o mesmo galpão; n) Serviços contábeis prestados por "ex" empregado da LUNENDER TÊXTIL: Até a competência 07/2006, os serviços contábeis, financeiros e de gestão de pessoal das facções que então integravam o esquema (AJD, ARV, CDARWIN, DLAYONS e MJM) eram executadas pelo contador empregado da LUNENDER TÊXTIL, RÉGIS AUGUSTO SCHIMANKO, que, neste período, esteve formalmente desligado do emprego, retornando posteriormente; o) Serviços contábeis prestados pelo mesmo escritório: No período de 08/2006 a 07/2008 os serviços contábeis, financeiros e de gestão de pessoal destas 11 facções foram prestados pelo escritório MARLIAN CONTABILIDADE SS LTDA, de Jaraguá do Sul/SC, que abriu filial em Guaramirim/SC especialmente para este mister (pois tal filial começou a registrar movimento em 07/2006 e encerrou em 09/2008, estando hoje paralisada). O fato de todas as facções, que estão espalhadas por vários municípios (alguns a várias horas de Guaramirim/SC), entregarem seus serviços a um mesmo escritório aberto próximo à sede do GRUPO LUNENDER, com finalidade específica, indica a contratação de fato se deu através da LUNENDER TÊXTIL; p) Titularidade de conta bancária uso de serviços bancários junto ao mesmo Banco/Agência: Todas as facções eram titulares de conta bancária junto à Agência de Guaramirim/SC do banco BRADESCO, onde também realizavam a maior parte dos serviços bancários. A única exceção era a CCC, que mantinha conta em outra agência do BRADESCO, mas mesmo assim seus serviços eram realizados na Agência de Guaramirim/SC. Esta coincidência evidencia que a LUNENDER TÊXTIL tinha o controle financeiro das facções. A seguir, a relação das contas: [...] q) Uso do mesmo plano de contas contábil e do mesmo sistema contábilfinanceiro: As facções organizaram sua contabilidade segundo um plano de contas contábil idêntico. E todas utilizaram o mesmo sistema de informática de gestão contábil e financeira da SYSTEXTIL, que não contrataram, mas que a LUNENDER TÊXTIL contratou; r) Reestruturação societária e capitalização ocorridas na mesma data:No mesmo dia, 31/07/2008, todas as facções foram capitalizadas; duas delas (ARV e VÍTOR MEIRELES) foram incorporadas pelas CDARWIN (a ARV já compartilhava com a CDARWIN mesmo galpão e a VÍTOR MEIRLELES virou uma filial da CDARWIN), e; todas as remanescentes tiveram a entrada no capital social da pessoa jurídica ABMODA (do GRUPO LUNENDER), como sócia majoritária; Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 34 s) Integração formal e explícita ao GRUPO LUNENDER: No dia 31/07/ 2008, conforme o item anterior, as 9 facções passaram a integrar formal e explicitamente o GRUPO LUNENDER, pois a holding ABMODA passou a ter o controle majoritário das facções e, no mesmo ato, os administradores da ABMODA foram também nomeados administradores das facções controladas; t) Rateio de despesas administrativas: Como conseqüência de suas integrações formais ao GRUPO LUNENDER, as facções passaram a reconhecer o uso da estrutura administrativa da LUNENDER TÊXTIL para a execução dos serviços contábeis, financeiros e de gestão de pessoal, fazendoo a partir de 08/2008 por meio de rateios de despesas, creditados na LUNENDER TÊXTIL e debitados nas facções em contas especificas, e; u) Exclusão do SIMPLES em 31/07/2008: Ainda em decorrência de suas integrações formais ao GRUPO LUNENDER, as facções foram excluídas do SIMPLES NACIONAL em 31/07/2008, a pedido delas. 3.14.2. A análise conjunta destes elementos nos leva uma única e definitiva conclusão: até 31/07/2008 as empresas de facção AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS, GUARÁ, JJM, MJM, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES não existiram de fato como entidade empresarial autônoma, pois não incorreram nos riscos da atividade econômica, nem dispunham de capacidades (gerencial, financeira, técnica e operacional) para funcionar por conta própria, eis que sempre operaram como filiais ou seções d a LUNENDER TÊXTIL, sob o controle desta. 3.14.3. Elas foram criadas ou aproveitadas (as pré existentes) com a finalidade de aderir ao regime tributário do SIMPLES FEDERAL (depois, do SIMPLES NACIONAL) e, nesta condição, registrar em seus nomes parte dos empregados da LUNENDER TÊXTIL com o intuito de não reconhecer as contribuições sociais dos empregadores sobre a folha de pagamento destes empregados. Tudo isto em razão da LUNENDER TÊXTIL estar impossibilitada de aderir ao regime do SIMPLES, pois seu faturamento é muito superior aos limites impostos. 3.14.4. Neste contexto, os registros dos segurados em nome destas empresas de facção também eram meramente formais, pois na realidade a LUNENDER TÊXTIL foi a empregadora, sendo a beneficiada direta e única dos seus serviços. 3.14.5. Para justificar a existência formal de segurados em nome destas facções, bem como os pagamentos das remunerações, encargos e benefícios desta mão de obra, as empresas forjaram contratos de prestação de serviços de industrialização por encomenda com a LUNENDER TÊXTIL. Assim, os recursos financeiros (da LUNENDER TÊXTIL) necessários a estes encargos eram transferidos às facções sob os títulos de pagamentos pelos "serviços prestados" ou "adiantamentos". 4. DOS REQUISITOS DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 738 35 4.1. Quantos aos requisitos essenciais da relação empregatícia, previstos no artigo 12, I, "a", da lei N° 8.212/1991, e artigo 3 o da CLT, temos a relatar que estavam presentes a pessoalidade, a não eventualidade, a subordinação, a alteridade e a onerosidade. Na verdade, a empresa reconheceu a natureza empregatícia destas relações, pois vinha cumprindo com as obrigações acessórias pertinentes, como o registro dos empregados em livro próprio, controle de ponto, entrega de declarações como a RAIS, GFIP, CAGED, recolhimento do FGTS, confecção de folhas de pagamentos, recibos de férias, termos de rescisão do contrato de trabalho, aviso prévio, etc. O que se constatou, e esta poderá ser a controvérsia, foi a interposição de empresas fictícias entre os empregados e a empregadora de fato. 4.2. Como os segurados tinham que prestar os serviços de acordo com a função em que foram contratados em caráter personalíssimo, não podendo designar outro em seu lugar, estava caracterizada a pessoalidade. A não eventualidade também foi constatada, pois os contratados deviam comparecer ao local da prestação dos serviços todos os dias, exceto os de repouso, nos horários pactuados, havendo controle de ponto. Existiu também, nestes contratos, a subordinação jurídica, pois os segurados estavam obrigados a cumprir ordens dos superiores, segundo o organograma organizacional, essencial para uma entidade produtiva estabelecer um padrão de qualidade uniforme em seus produtos ou serviços oferecidos, estando sujeitos às sanções previstas na CLT. Verificouse também a alteridade, pois os obreiros prestaram serviços à LUNENDER TÊXTIL, que era quem assumia o risco da atividade econômica. Por fim, a onerosidade também foi constatada, pois quem de fato arcava com os pagamentos dos segurados pelos serviços prestados era a LUNENDER TÊXTIL, apesar de serem formalizados através das facções. [...]” Como se observa das constatações encimadas, a autoridade lançadora se desincumbiu do ônus de comprovar os requisitos da relação laboral entre os funcionários e/ou sócios das empresas prestadoras de serviços com a contratante, ora autuada, na forma que a legislação de regência exige, mais precisamente o artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social, possibilitando, assim, a desconsideração da personalidade jurídica daquelas empresas com o fito reclassificar o vínculo entre tais funcionários com a recorrente. Constatase, assim, que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação que regula o tema, demonstrando circunstanciadamente os fatos que ensejaram a constituição do crédito previdenciário, impondo a manutenção da autuação em sua integralidade. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Na hipótese de procedência do lançamento, pretende, ainda, a empresa seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, já que essa penalidade não retrata Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 36 obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Relativamente a esta matéria, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 920201.806, o qual me filiei na oportunidade, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n° 10768.010559/200119, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §1º do Código Tributário Nacional – CTN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 739 37 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (original sem grifo) O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. “Crédito”, por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art. 113. A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do ofício) já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 38 Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderia se, inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de ofício, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, mister se faz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 740 39 vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n°9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” a Lei nº 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão “débitos” constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de ofício, seria imperioso admitir que a multa de ofício, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o “caput”. Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 40 Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática – entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 910100.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa oficio aplicada. No presente caso, os paradigmas apresentados pela Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 741 41 sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 42 Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, uma vez vencido nas preliminares de nulidade do lançamento, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para afastar a a incidência de juros sobre a multa de ofício, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 742 43 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Divirjo do entendimento do ilustre relator relativamente às pretensas nulidades aventadas, bem como quanto a não incidência de juros sobre a multa de ofício, com base nas razões de fato e de direito a seguir esposadas. DA NULIDADE DO ARBITRAMENTO Embora concorde com a ótima argumentação que fundamentou o voto do ilustre Conselheiro Rycardo Henrique, em relação a utilização do arbitramento como medida extraordinária, não vislumbro a nulidade apontada no presente lançamento. Inicialmente convém esclarecer, conforme descrito no relatório fiscal fls. 94 e seguintes quais os fatos geradores apurados no presente lançamento. Vejamos: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3 . 1 . 1 . As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos), por serviços prestados à autuada, que se encontravam formalmente vinculados às empresas fictícias AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS, GUARÁ, JJM, MJM, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES, apuradas por aferição indireta com base em informações de folhas de pagamento e GFIPs destas empresas, conforme levantamentos da tabela T1 a seguir; 3.1.2. As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, por serviços prestados à autuada, que se encontravam formalmente vinculados às empresas fictícias AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS, GUARÁ, JJM, MJM, SOALP, TOMMALHAS e VÍTOR MEIRELES como contribuintes individuais (sócios administradores e autônomos), ou seja, em categoria diversa, apuradas por aferição indireta com base em informações de folhas de pagamento e GFIPs destas empresas, conforme levantamentos da tabela T1 a seguir; 3.1.3. As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas formas simuladas de "antecipações de lucros" ou "distribuições de lucros", por serviços prestados à autuada, mas que se encontravam formalmente vinculados às empresas fictícias AJD, ARV, CCC, CDARWIN, DLAYONS e MJM como contribuintes individuais (sócios administradores), apuradas por aferição indireta com base em informações da contabilidade destas empresas, conforme levantamentos da tabela T1 abaixo: Da leitura do relatório identificamos, tratarse de lançamento de contribuições na empresa principal, que no entender da fiscalização era a verdadeira empregadora. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 44 Assim, procedeu a autoridade fiscal a identificação que a empresa autuada, era de fato a empregadora, posto a ingerência direta que exercia sobre as supostas empresas interpostas (optantes pelo SIMPLES) e vinculou os seus segurados a empresa LUNENDER. Considerando a constatação de que a LUNENDER exercia o poder de direção, restou a autoridade fiscal a identificação de todos os segurados, bem como as bases de cálculo, conforme indicado no relatório fiscal. A indicação neste mesmo relatório de que as bases foram apuradas por aferição indireta com base em informações das folhas de pagamento e da contabilidade das empresas interposta, no meu entender não denota a utilização do critério do arbitramento, mas tão somente de apuração indireta das bases de cálculo, já que os vínculos existentes entre os segurados e as interpostas, foram desconsiderados, deslocandose o vínculo das empresa optantes para a empresa autuada. s levantamentos acima discriminados contemplam lançamentos de contribuições sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos) FORMALMENTE registrados em empresas diversas, ou a estas vinculados, em virtude de constatação (apurados em procedimentos fiscais junto a todas às empresas), que até 31/07/2008 elas NÃO EXISTIRAM DE FATO, sendo a autuada a verdadeira empregadora, pelos motivos que passa a expor: Entendo que no presente caso, o grande papel da autoridade fiscal é demonstrar que as empresas não existiam de fato, mas apenas formalmente, e que a LUNENDER preenchia a verdadeira condição de empregadora, e apenas descentralizou suas contratações (de forma fictícia) na intenção de valer da condição de optante pelo SIMPLES das interpostas. Por fim, as palavras do auditor em seus relatório, não devem ensejar uma interpretação de nulidade, quando, da leitura de todo o documento é possível identificar que o termo utilizado “aferição indireta”, não denota o arbitramento de qualquer base de calculo, mas simplesmente a apuração indireta dos valores com base nas folhas de pagamento dessas terceiras empresas. Assim, rejeito a nulidade indicada. DA DESNECESSIDADE DE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES Entendo que, no caso, não há que se falar em nulidade pela AUSÊNCIA DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO SRF PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES, tendo em vista que no lançamento em questão não houve a desconsideração das pessoas jurídicas, ou mesmo sua desconsideração enquanto optantes pelo SIMPLES. Ao contrário do entendimento do relator, entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. i Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas, porém constatouse que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração dos contratos de certas prestadoras de serviços, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregador. Caso levasse a efeito o entendimento do ilustre relator, o levantamento nem mesmo seria feito na empresa LUNENDER, mas sim, nas empresas prestadoras optantes pelo SIMPLES, quais sejam: AJD Indústria de Confecções Ltda; ARV Indústria de Confecções Ltda; CCC Indústria de Confecções Ltda; C Darwin Confecções Ltda., D Layons Confecções Ltda, Guará Indústria e Com de Confecções Ltda, JJM Indústria de Confecções Ltda, MJM Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 743 45 Confecções Ltda., SOALP Indústria de Confecções Ltda, Tommalhas Indústria de Confecções Ltda, Vitor Meireles Indústria de Confecções Ltda. Quanto a possibilidade de exclusão de empresas do SIMPLES, ressaltese que não cobrou o auditor contribuições patronais da empresa optante pelo SIMPLES., portanto não, houve desenquadramento. O que ocorreu é que em constatando realidade diversa da pactuada inicialmente, procedeu o auditor para efeitos previdenciários o vínculo dos trabalhadores das empresas prestadoras diretamente com a LUNENDER, o que encontra respaldo na própria legislação previdenciária. Assim, entendo que o ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. Em nenhum momento a autoridade fiscal disse que a empresa encontravase irregular e que dessa forma não poderia mais funcionar. Pelo; contrário, observase, conforme descrito no relatório fiscal , durante o procedimento de auditoria, constatou a fiscalização a existência de estabelecimentos que embora possuam CNPJ i próprios e gerência contratuais aparentemente distintas, estão de fato, sob a administração das mesma pessoas. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresa permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei n° 9317/96 (Lei do Simples), mas constatandose que na verdade quem detinha a gerência sobre os ditos empregados era a empresa notificada. Dessa forma, a confusão entre gerência e desempenho de atividades corrobora com as informações trazidas pela autoridade fiscal nesta AIOP. Por fim, cumprenos esclarecer que a autoridade fiscal não extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores e contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 10 da Lei 11.098/2005: Art. 1o , Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições • sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições • , instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao • contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício dp suas atribuições. Desta forma, em , constatando a falta de recolhimento, , face a ocorrência çlo fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato ã notificação fiscal de lançamento de débito 'de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Fl. 613DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 46 Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Na verdade o que se vislumbrou foi a simulação para que as empresas que prestavam os serviços pudessem se beneficiar do Sistema Simplificado de impostos SIMPLES em um primeiro momento, mantendo o faturamento dentro dos limites da lei. Porém não é aceitáve, l esse tipo de atitude se constatado que ter por objetivo distorcer a realidade dos fatos apenas como fim de lograr proveito, sem cumprir os preceitos legais. O que ocorreu durante o procedimento fiscal foi a constatação por parte do auditor fiscal de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que as empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa notificada. Assim, não consigo identificar a , nulidade apontada pelo ilustre relator. Não estamos i falando diretamente de desconsideração de pessoa jurídica, mas observância dos princípios,or' exemplo da primazia da realidade, onde valem mais os fatos que os, documentos. Em restando demonstrado que o verdadeiro empregador era único, compete a fiscalização simplesmente proceder a vinculação das pessoa s que lhe prestavam serviços enquanto segurados empregados para efeitos previdenciários. DOS JUROS SOBRE A MULTA Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, 8. No caso concreto, aplicouse a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e os juros de mora disciplinados no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por força dos arts. 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 1991, nos termos da Lei n° 11.941, de 2009, conversão da Medida Provisória n° 449, de 2008. 8.1. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a incidência da SELIC “sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições", ou seja, "débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições". 8.2. Além disso, não há óbice à incidência de juros sobre a multa, pois esta integra a própria obrigação principal (CTN, art. 113, § 3º) e os juros incidem sobre a totalidade do crédito tributário (CTN, art. 161). Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício ´´e aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. No mesmo sentido, manifestouse por maioria a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo abaixo: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 744 47 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de Fl. 615DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 48 modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 10920.004322/201080 Acórdão n.º 2401003.237 S2C4T1 Fl. 745 49 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Face a decisão proferida, entendo plenamente aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme demonstrado na decisão acima transcrita, a qual adoto como razão para determinar a procedência da multa aplicada. CONCLUSÃO: Face o exposto, voto por: I)rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, em decorrência de imperfeita descrição da aferição indireta adotada. II) rejeitar a argüição de necessidade de prévia exclusão do SIMPLES das empresas envolvidas. III) e no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 617DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720312/2009-50
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.720312/2009-50
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363404
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.947
nome_arquivo_s : Decisao_10580720312200950.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580720312200950_5363404.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5544819
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813107290112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2142; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 143 1 142 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720312/200950 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.947 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente EDMUNDO LUCIO DA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 12 /2 00 9- 50 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 2802002.947 S2TE02 Fl. 144 3 Por bem sintetizar os atos e procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão 1526.058, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 162.343,00, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” A DRJ/SDR, fls. 85 a 91, julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Extraemse da decisão de primeira instância os seguintes a argumentos: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 2802002.947 S2TE02 Fl. 145 5 b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; g) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN. Intimado da supramencionada decisão, em 06/04/2011, fls. 94, o interessado interpôs recurso voluntário, em 08/04/2011, fls. 95 a 133, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, para reafirmar a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer, que afirma vinculante, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração da contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para se apurar adequadamente suposto imposto a pagar; da mesma forma que não há incidência de imposto sobre a URV, por entender ser verba indenizatória, também não há incidência de imposto de renda sobre o rendimento recebido a título de juros moratórios; entende pela necessidade de extinção do crédito tributário exigidos nos presentes autos, tanto por considerar a União parte ilegítima para figurar no pólo Ativo da relação jurídicotributária, quanto por suposta violação ao princípio constitucional da isonomia. Em sessão de julgamento do dia 15 de agosto de 2012, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, determinou o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A,§1º, Regimento Interno do CARF, Portaria mf 256, de 2009 e na Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406/RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 20/10/2010, e que ainda se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi distribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O assunto tratado nos presentes autos possui diversos precedentes nesta 2ª Tuma Especial, dos quais convém reproduzir o inteiro teor do voto condutor do Acórdão nº 2802002.907, proferido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, em sessão realizada no dia 15 de maio de 2014, tendo em vista que expressa com propriedade o entendimento unânime firmado pelos membros participantes, dos quais este Relator integrou e que ora o adota como razões de decidir, na parte que interessa ao presente litígio: “Da legitimidade ativa da União O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa para cobrar o Imposto de Renda, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no Resp 874.759 não tem o efeito almejado pelo recorrente. Do natureza tributária das verbas (URV e juros de mora) Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 2802002.947 S2TE02 Fl. 146 7 a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões (fls. 16 a 21). Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 2802002.947 S2TE02 Fl. 147 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 106 16360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO – Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, aplicase a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 2802002.947 S2TE02 Fl. 148 11 Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Quanto à alegação de imprestabilidade da base de cálculo, anotase que o recorrente sustenta ser aplicável o entendimento segundo o qual o imposto deve ser calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias, entendimento consolidado no STJ no REsp 1.118.429∕SP. Analisandose o demonstrativo de apuração do imposto (fls. 07/09) verificase que o valor recebido em cada ano foi computado como rendimento omitido nesses anocalendário (2004, 2005, 2006), valores que foram acrescidos à base de cálculo declarada, logo as deduções contidas na Declaração de Ajuste Anual foram consideradas. Todavia, acima consta fundamentação para não se aplicar, neste caso concreto, o entendimento de tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP, de forma que a argumentação acerca de possível erro na base de cálculo fica prejudicada e que o lançamento não merece reparo. Ademais, o exemplo do recorrente de que, em 1995, o valor que deveria ter sido recebido de URV estaria na faixa de isenção demonstra uma premissa equivocada do recorrente qual seja: confundese o imposto retido na fonte – que é mera antecipação do imposto anual – com o imposto anual. Não é porque um rendimento isoladamente está abaixo da faixa de isenção (e portanto não haverá retenção na fonte) que o somatório anual será isento. Por fim, registrase que decisões administrativas e judiciais sem força vinculante, doutrina, pareceres de juristas, interpretações de Outros Órgãos públicos não constituem normas de direito tributário de aplicação obrigatória pelo CARF.” Nos termos acima expostos, concluise pela inexistência da suposta violação ao princípio da isonomia, pela legitimidade ativa da União para exigir o crédito tributário constituído, pela natureza tributável da verba trabalhista recebida pelo contribuinte, pela impossibilidade de aplicação do entendimento manifestado pelo STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP, bem como, pela necessidade de exclusão tão somente da multa de ofício imposta, haja vista, inclusive, que o assunto se encontra pacificado no âmbito do CARF, por meio da Sumula nº 73. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 153DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000031/2010-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005.
Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização.
Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento.
O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14367.000031/2010-04
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362321
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.407
nome_arquivo_s : Decisao_14367000031201004.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 14367000031201004_5362321.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5533878
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813117775872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14367.000031/201004 Recurso nº 14.367.000031201004 Voluntário Acórdão nº 2803003.407 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CLÍNICA SANTA MÔNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. 2. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. 3. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. 4. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 31 /2 01 0- 04 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000031/201004 Acórdão n.º 2803003.407 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000031/201004 Acórdão n.º 2803003.407 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em razão do descumprimento de obrigação principal referente ao não recolhimento, em época própria, de contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados, consolidado em 12/02/2010, incluídos juros de mora e multa de mora e de ofício, incidentes sobre a sua remuneração. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira se a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores trazidas aos autos. LIVROS CONTÁBEIS. RECOMPOSIÇÃO. Na ocorrência de extravio, deterioração ou destruição dos livros contábeis, é dever da empresa providenciar a recomposição de sua contabilidade mediante a escrituração de novos livros. DECISÕES JUDICIAIS As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. O pedido de realização de perícia ou diligência será rejeitado pela autoridade julgadora de primeira instância quando esta as considerar prescindíveis. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. CONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa não é competente para julgar constitucionalidade de lei, cabendolhe apenas zelar pela observância de suas disposições e determinar o seu fiel cumprimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000031/201004 Acórdão n.º 2803003.407 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: As partes litigantes têm o direito de produzir provas das suas alegações. Tratase de prerrogativa de ordem constitucional, posto que envolvida a produção probatória com a ampla defesa assegurada na Carta. Outros princípios indispensáveis ao processo judicial e administrativo se constituem no contraditório e na bilateralidade. In casu, a Impugnante foi flagrantemente ofendida no seu direito de defesa, haja vista não ter tido a oportunidade de produzir as provas cabais que dirimirão, perempetoriamente, todas e quaisquer dúvidas existentes com relação à matéria. No afã de arrecadar impostos, o r. AFRF limitaramse a proceder à lavratura da notificação fiscal de maneira implacável, completamente ao arrepio dos princípios insertos na Carta Fundamental e dos princípios que regem o procedimento administrativo fiscal, cerceando, induvisosamente, o direito de defesa do Impugnante. As provas que o Impugnante pretende produzir, neste momento, são absolutamente necessárias à demonstração do alegado. Desse modo, o indeferimento das provas que se pretende carrear aos autos causará dano irreparável ao princípio da segurança jurídica, pois estas são imprescindíveis na busca da verdade real, escopo primordial do processo. Diante de tal argumentação, temse que a celeridade necessária do procedimento não pode desatender ao primado constitucional da ampla defesa, que, certamente, envolve a demonstração e realização probatória. Se este E. Conselho entender devidas as exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida pelo Impetrante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. O ônus da prova, no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma, para benefício e interesse próprios, sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento, mas cuja inobservância acarreta consequências desfavoráveis. Ora, com a devida Vênia, é fato que, em regra, o ônus da prova incumbe a quem alega (art. 333, inciso I, do CPC), haja vista a Constituição, assim com a Declaração Universal dos Direitos do Homem garantirem a presunção da inocência, tal regra ´e válida também em relação às questões de natureza tributária. É cediço que a hipótese em que existe a inversão do ônus da prova no direito tributário se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, onde urge ressaltar que sempre essa inversão se origina da existência em lei de uma presunção relativa (Juris Tantum), pois, com exceção da existência de uma presunção tipificada em lei, o ônus da prova caberá sempre a quem acusa. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000031/201004 Acórdão n.º 2803003.407 S2TE03 Fl. 6 5 Embora o fisco esteja amparado na Lei Complementar 105 de 2001, não é legítimo o lançamento de tributo que venha a se basear exclusivamente nos valores dos extratos bancários, pois isso poderá gerar erros grosseiros de tributação. A jurisprudência é ampla no sentido de que não se pode lançar tributo baseado apenas em indícios ou presunções. Cumpre esclarecer, desde logo, que o Impugnante requer a realização de perícia, de acordo com o art. 16, § 1º, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1971, cuja finalidade precípua é de que se proceda a uma averiguação pormenorizada do contribuinte autuado, como forma de restabelecer a verdade. Conforme amplamente demonstrado nos itens acima, se esta Delegacia de Julgamento enteder devidas exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo fisco e a infração supostamente cometida pelo Impugnante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Não se pode olvidar de que, no âmbito tributário, o caráter sancionador das multas e juros deve estar de acordo com os princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Frisese que se trata de contribuinte sem capacidade financeira para suportar com os encargos que vêm sendo cobrados a título de sanção tributária. As sanções tributárias constituem nada mais do que um instrumento de busca da concretização do princípio da capacidade contributiva. Diante de todo o exposto, e o mais do que dos autos consta e o todo que será suprido pelo bomsenso e ilibado conhecimento técnico de Vossas Senhorias, pede e espera o Impugnante sejam acolhidas as razões que constam da presente impugnação, em razão dos procedimentos fiscalizatórios que deram origem ao auto de infração ora impugnado encontrar se eivado de nulidades insanáveis, de modo que deve ser desconsiderado para constituição de qualquer crédito tributário. Seja, por consectário, anulado o auto de infração, cuja competência porquanto prenhe de fatos controvertidos, inverídicos, portanto, bem como seja declarada a nulidade dos demais atos praticados pela fiscalização, por ser medida da mais absoluta. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000031/201004 Acórdão n.º 2803003.407 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação principal referente ao não recolhimento, em época própria, de contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados, consolidado em 12/02/2010, incluídos juros de mora e multa de mora e de ofício, incidentes sobre a sua remuneração. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. Em seu recurso, o contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. No ponto, sem razão o contribuinte. De outra parte, restou também evidenciado que o contribuinte confundiuse em alguns pontos de sua defesa, como se pode observar dos trechos abaixo transcritos: Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Ora, a defesa diz respeito a uma pessoa jurídica ou a uma pessoa física? Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000031/201004 Acórdão n.º 2803003.407 S2TE03 Fl. 8 7 No que concerne ao mérito não resta qualquer dúvida de que o contribuinte deixou de contestálo, situação que se enquadra na regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, não tendo contestado expressamente a matéria objeto do lançamento, o contribuinte perdeu a oportunidade de se defender, situação que não pode ser ignorada pelos membros do CARF. Destarte, não vislumbro qualquer possibilidade de alteração do lançamento bem como da decisão recorrida. Assim, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721728/2012-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Quando os valores que servem de base para o lançamento são extraídos diretamente dos documentos apresentados pela empresa não se caracteriza a utilização do arbitramento.
Numero da decisão: 2403-002.438
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Quando os valores que servem de base para o lançamento são extraídos diretamente dos documentos apresentados pela empresa não se caracteriza a utilização do arbitramento.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.721728/2012-11
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363353
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.438
nome_arquivo_s : Decisao_10073721728201211.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10073721728201211_5363353.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5543665
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813126164480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721728/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.438 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VIAÇÃO SANTO ANTONIO E TURISMO LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Quando os valores que servem de base para o lançamento são extraídos diretamente dos documentos apresentados pela empresa não se caracteriza a utilização do arbitramento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 28 /2 01 2- 11 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721728/201211 Acórdão n.º 2403002.438 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1255.848 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. LANÇAMENTO. VALIDADE. O não recolhimento, nas épocas próprias, das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados apurados em folha de pagamento e não declarados em GFIP, enseja lançamento fiscal. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 79/82), referese aos autos de infração abaixo relacionados, consolidados em 04/12/2012, referentes ao período de 01/2009 a 12/2009, inclusive 13º SALÁRIO, a saber: a) AI DEBCAD Nº 51.012.7720, valor original de R$ 144.251,01, acrescidos de juros e multa de ofício: contribuições a cargo dos segurados empregados, apuradas do cotejo entre as folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, consoante planilha às fls. 83. b) AI DEBCAD Nº 51.034.9110, valor original de R$ 2.931,50: acrescidos de juros e multa de ofício: contribuições dos segurados contribuintes individuais, apuradas do cotejo entre o Livro Diário, folhas de pagamento e GFIP, consoante planilha às fls. 84. 2. Segundo ainda o relatório fiscal, as contribuições foram apuradas, considerandose a diferença entre as contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais contidas nas folhas de pagamento e as contribuições contidas nas GFIP, entregues até o dia 02/03/2012, data da ciência do início da ação fiscal, tendo sido deduzidos das contribuições apuradas os valores pagos a título de salário família; 2.1. As bases de cálculo para apuração das contribuições devidas dos empregados e dos contribuintes individuais, Fl. 700DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 juntamente com a contribuição apurada constam da planilha de fls. 83/84. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 642/652, alegando em suma: 3.1. a tempestividade da impugnação; 3.2. cerceamento de defesa pela obscuridade do relatório fiscal, eis que, não foi observado a existência de limite máximo para a contribuição dos segurados empregados; 3.3. que aplicar uma alíquota a totalidade da remuneração apurada, mesmo que esta seja a menor delas, significa que a apuração foi realizada por arbitramento; 3.4. verificase que os valores discriminados no anexo Discriminativo do Débito, em muito suplantam os limites máximos do saláriodecontribuição, comprovando que, a apuração da contribuição dos segurados foi por arbitramento, conforme disciplinado no art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/91; 3.5. alega que a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social tem se manifestado cabalmente pela nulidade do ato administrativo, em virtude de ocorrência de vício processual insanável de cerceamento de defesa; 3.6. por derradeiro, requer a improcedência do processo Administrativo Fiscal nº 10073.721728/201211, bem como dos Autos de Infração nº 51.012.7720 e 51.034.9110. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário onde reapresenta as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721728/201211 Acórdão n.º 2403002.438 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente alega cerceamento de defesa pela obscuridade do relatório fiscal, eis que, não foi observado a existência de limite máximo para a contribuição dos segurados empregados. Entende que aplicar uma alíquota à totalidade da remuneração apurada, mesmo que esta seja a menor delas, significa que a apuração foi realizada por arbitramento. Analisei o lançamento fiscal e não constatei a apontada obscuridade. O lançamento referese à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais. O Relatório Fiscal deixa claro que a empresa deixou de declarar em GFIP e de recolher parte da contribuição que descontou dos empregados, conforme cotejo com as folhas de pagamento. As contribuições dos empregados lançadas foram extraídas das folhas de pagamento, isto é, não se efetuou arbitramento. Utilizouse o valor que a empresa entendeu devido na folha para cada empregado. Não se utilizou de uma alíquota genérica. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 702DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013842/2005-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001
ESTIMATIVAS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA
Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano-calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria.
Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9101-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 ESTIMATIVAS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano-calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Recurso Especial do Contribuinte provido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.013842/2005-96
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351272
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.898
nome_arquivo_s : Decisao_10680013842200596.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
nome_arquivo_pdf_s : 10680013842200596_5351272.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5475485
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813159718912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.013842/200596 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101001.898 – 1ª Turma Sessão de 20 de março de 2014 Matéria CSLL Recorrente SOCIEDADE CONSTRUTORA ESPERANÇA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 ESTIMATIVAS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 23/04/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 38 42 /2 00 5- 96Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Em auditoria para verificar o cumprimento das obrigações tributárias, no que se relaciona aos tributos federais, constatou se que a empresa não recolhera as CSLL devidas nos anos de 2000, 2001, primeiros, segundos, terceiros e quartos trimestres de 2002 e 2003. A autoridade fiscal esclareceu que a empresa não procedeu aos recolhimentos devidos tendo em vista a obtenção de sentença favorável transitada em julgado, em Mandado de Segurança, pela qual o Primeiro Tribunal Regional Federal declarou inconstitucional a exigência de CSLL com fulcro na Lei n° 7.689/88. Todavia, procedeu ao lançamento por estar devidamente legitimada a exigência de CSLL pelas disposições inseridas na Lei n° 8.212/91. Discorre sobre o tratamento das coisas julgadas em sede de direito tributário e exações fiscais cujos fatos geradores ocorrem sucessivamente, citando o Recurso Especial n° 233662/GO, o Ac 1°CC n° 10805.225 e o Parecer PFN no 003/95. Desta forma, levantou as bases de cálculos das CSLL mediante os valores registrados na contabilidade da contribuinte, para os anos de 2000 e 2001, considerando que a empresa era optante pelo regime de apuração do Lucro Real, anual, conforme demonstrativo analítico de fls. 11 e 12. Constatado que a empresa não recolhera as CSLL devidas nos períodos auditados lavrouse dois Autos de Infração. Um formalizado neste processo, fls. 04 a 12, exigindose as multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas mensais de CSLL durante os anos de 2000 e 2001, e outro, formalizado no processo n° 10680.013843/200531, exigindose as CSLL devidas no período auditado. A empresa impugnou o lançamento tributário As fls. 72 a 100, juntando cópia da impugnação ao lançamento objeto do processo acima referido, argüindo estar acobertada pela sentença judicial transitada em julgado que, ao seu entendimento, faz coisa julgada para exonerála das contribuições sociais em questão, não havendo, pois, substrato para a exigência das multas isoladas pelas estimativas que não foram recolhidas por não serem devidas. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.013842/200596 Acórdão n.º 9101001.898 CSRFT1 Fl. 3 3 Argumenta que a Lei n° 8.212/91 foi editada nos mesmos moldes da Lei n° 7.689/88, declarada inconstitucional, em beneficio da empresa, e que esse novo diploma legal não saneou os vícios de inconstitucionalidade que a anterior veiculava. Contestou, especificamente, a cominação da pena e por estar em desacordo com o artigo 113 do Código Tributário Nacional — CTN, por ter natureza confiscatória, por incidir bis in idem sobre a mesma base da multa moratória prevista no inciso I do art. 44 da lei n° 9.430/96, discorrendo sobre estes tópicos. Cita vários acórdãos administrativos. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG exarou o Acórdão n° 0213.356/07, fls. 102 a 111, afastando as alegações da interessada por entender legitima a exigência com fulcro na Lei n° 8.212/91, e o não alcance da coisa julgada para os fatos geradores supervenientes à vigência da Lei n° 7.689/88, esclarecendo que inconstitucionalidade argüida em relação a essa norma limitouse ao artigo 8° que determinava a cobrança da contribuição no períodobase encerrado dentro do ano de sua edição (1988). Rechaçou também a argumentação de ser incabível a concomitância da multa de oficio lançada pela ausência de pagamento da CSLL anual e pelas ausências das estimativas mensais, justificando que o dispositivo legal não excepciona o caso e a sua aplicação é incondicional à apuração ou não de CSLL a pagar no final do anocalendário. Procedeu, todavia, à redução da penalidade imposta, para 50%, em vista do principio da retroatividade benigna da norma tributária. Tempestivamente, a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 128 a 158 requerendo a reforma do acórdão que manteve, em parte, o lançamento tributário, pelas mesmas razões argüidas na impugnação. No anexo ao recurso voluntário, traz as mesmas razões do recurso oferecido no processo que cuida da exigência das CSLL no período auditado, salientando que ‘... a Lei n° 8.212/91 não é apta a ensejar a cobrança da CSLL em relação à Recorrente, vez que prevê tal cobrança nos moldes da lei n° 7.689/88, a qual não é aplicável àquela devido a existência de coisa julgada em seu benefício...’. Passa a tecer, exaustivamente, considerações a respeito das coisas julgadas, e, por fim, contesta a cominação da multa de oficio e juros, por serem juridicamente impossíveis, visto não existir a hipótese de incidência para exigir o tributo e pela sua natureza confiscatória. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. O acórdão da 1ª TE da 1ª Seção, de 04 de novembro de 2009, de nº. 1801 00.131, foi assim ementado: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 Ementa:MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. A aplicação da multa preceituada no artigo 44, inciso I, c/c o §1°, inciso IV, da Lei n° 9.436/96, decorre do inadimplemento da obrigação do contribuinte em recolher os valores dos tributos estimados, uma vez ser sua a opção por proceder dessa forma e não apurar o IRPJ e tributos reflexos na forma regular, trimestralmente. A penalidade está prevista em norma tributária vigente, artigo 2° da Lei n° 9.430/96, e independe de haver ou não saldo de tributo devido ao final do período, não cabendo à autoridade administrativa de julgamento retirar a eficácia de norma tributária. Recurso Voluntário Negado. Inconformada a recorrente, às fls. 191/201, apresenta Recurso Especial por divergência, argumentando pelo não cabimento da aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª Câmara da 1ª SEJUL (fls. 236/239). Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo que a divergência restou comprovada e por isto conheço do especial. O fato que originou a discordância objeto do recurso especial é especificamente a possibilidade de cobrança de multa isolada na estimativa pela CSSL não recolhida mensalmente, cumulada com a multa de ofício pelo não recolhimento da CSLL apurada anualmente, referentes aos anoscalendários 2000 e 2001 (nos anos 2002 e 2003 a apuração foi pelo lucro presumido). Antes de adentrar ao mérito da questão creio que há uma questão a ser analisada que é a existência de pendência de julgamento no processo que discute a possibilidade ou não da cobrança da CSLL nos anos em discussão, em virtude da alegação de coisa julgada em favor do contribuinte (P. nº. 10680.013843/200531, ainda pendente de distribuição). Pareceme que, neste caso, em virtude da jurisprudência da 1a T. da CSRF que, para o período em discussão tem rejeitado reiteradamente a aplicação da multa isolada em discussão, entendo que devese proceder ao julgamento de forma independente do processo mencionado. Caso se dê pela procedência do lançamento, o presente processo deverá ser apensado ao de nº. 10680.013843/200531, pois sua execução dependerá do resultado daquele. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.013842/200596 Acórdão n.º 9101001.898 CSRFT1 Fl. 4 5 Caso se dê pela improcedência do lançamento, o processo seguirá seu curso normal, visto que em relação ao presente processo não restará exigência a ser cumprida. Sopesados os argumentos da decisão recorrida e aqueles expostos pelas partes, passo a expor meu entendimento sobre a matéria. Observese que a infração em debate decorreu de omissão de recolhimento de CSLL, nos anoscalendários de 2000 e 2001, o que implica omissão também do recolhimento das estimativas mensais, ficando sujeito à incidência de multa isolada, conforme auto de infração. A questão é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa, devidas mensalmente se acumulam com a multa pelo não pagamento do tributo devido apurado na declaração anual. Entendo possível a aplicação da multa proporcional sobre o ajuste anual e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas que ensejaram, em referência ao mesmo exercício fiscal. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, sujeitamse às multas previstas na legislação que se aplica à espécie. Na redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. .................................................’ Nestes termos, em ambos os dispositivos (anterior e alteração) estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2º da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário, o que nem é o caso, pois há tributo devido ao final do ano Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.013842/200596 Acórdão n.º 9101001.898 CSRFT1 Fl. 5 7 Considerase, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repitase que a assunção desta obrigação foi uma opção do contribuinte e que o desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação principal referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Como bem colocado na ementa do Ac. 1802001.876: 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Aliás, interpretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre, que embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Do exposto, meu voto seria por negar provimento ao recurso especial do Contribuinte, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, após o encerramento do anocalendário. Porém, essa 1ª Turma da CSRF tem reiteradamente afastado a aplicação do que se tem denominado "multa concomitante", tendo se consolidado essa jurisprudência, sendo a minha posição vencida reiterada e exaustivamente. Vejase, por exemplo, Acs. nºs. 9101001.693, (de 16/07/2013, que cita outras decisões), 9101001.820, 9101001.788 . Posição que vem sendo cada vez mais hialina na jurisprudência desta Colenda 1ª Turma, além do que as turmas ordinárias da 1ª Seção têm adotado de maneira preponderante o mesmo entendimento (e.g., Acs. nºs. 1402001.505, 1103000.934, 1202001.011, 1103 000.945, 1102000.867) sendo que as poucas decisões em sentido contrário, mais recentes, são tomadas por voto de qualidade. Pareceme, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia processual e também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido amplo, com a perspectiva de suas consequências. Não que me curve aos argumentos em sentido contrário, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir suas conclusões. Destaquese que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso especial do Contribuinte, com todas as ressalvas e observações acima transcritas. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005443/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE.
Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributário
RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. INDEDUTIBILIDADE DA CSLL. CSLL HIPOTETICAMENTE DEVIDA POR GLOSA DE DESPESAS. NÃO REDUÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL. DESCABIMENTO DA ADIÇÃO.
A partir do art. 1º da Lei nº 9.316/1996, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - é indedutível para efeito de determinação do lucro real. Para esse fim, o valor da contribuição registrado como custo ou despesa deve ser adicionado ao lucro líquido (contábil) do respectivo período de apuração. Descabe adicionar a CSLL que seria, hipoteticamente, apurada em face da glosa de despesas levada a efeito pelo Fisco, posto que tal contribuição em nada reduziu o resultado contábil.
RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO INCLUSÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. DESCABIMENTO.
Ao recompor o lucro real, devem ser levadas em consideração as deduções do imposto que constam da DIPJ tempestivamente apresentada, especialmente diante da constatação da falta de qualquer justificativa para essa desconsideração e, ainda, da ausência de intimação à interessada para prestar esclarecimentos e/ou apresentar comprovantes.
Numero da decisão: 1302-001.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributário RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. INDEDUTIBILIDADE DA CSLL. CSLL HIPOTETICAMENTE DEVIDA POR GLOSA DE DESPESAS. NÃO REDUÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL. DESCABIMENTO DA ADIÇÃO. A partir do art. 1º da Lei nº 9.316/1996, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - é indedutível para efeito de determinação do lucro real. Para esse fim, o valor da contribuição registrado como custo ou despesa deve ser adicionado ao lucro líquido (contábil) do respectivo período de apuração. Descabe adicionar a CSLL que seria, hipoteticamente, apurada em face da glosa de despesas levada a efeito pelo Fisco, posto que tal contribuição em nada reduziu o resultado contábil. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO INCLUSÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. DESCABIMENTO. Ao recompor o lucro real, devem ser levadas em consideração as deduções do imposto que constam da DIPJ tempestivamente apresentada, especialmente diante da constatação da falta de qualquer justificativa para essa desconsideração e, ainda, da ausência de intimação à interessada para prestar esclarecimentos e/ou apresentar comprovantes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.005443/2007-04
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352634
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.406
nome_arquivo_s : Decisao_10283005443200704.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10283005443200704_5352634.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5485473
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813181739008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 609 1 608 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.005443/200704 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.406 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributário RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. INDEDUTIBILIDADE DA CSLL. CSLL HIPOTETICAMENTE DEVIDA POR GLOSA DE DESPESAS. NÃO REDUÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL. DESCABIMENTO DA ADIÇÃO. A partir do art. 1º da Lei nº 9.316/1996, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL é indedutível para efeito de determinação do lucro real. Para esse fim, o valor da contribuição registrado como custo ou despesa deve ser adicionado ao lucro líquido (contábil) do respectivo período de apuração. Descabe adicionar a CSLL que seria, hipoteticamente, apurada em face da glosa de despesas levada a efeito pelo Fisco, posto que tal contribuição em nada reduziu o resultado contábil. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO INCLUSÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. DESCABIMENTO. Ao recompor o lucro real, devem ser levadas em consideração as deduções do imposto que constam da DIPJ tempestivamente apresentada, especialmente diante da constatação da falta de qualquer justificativa para essa desconsideração e, ainda, da ausência de intimação à interessada para prestar esclarecimentos e/ou apresentar comprovantes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 54 43 /2 00 7- 04 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 610 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Manaus/AM. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Versa o presente processo sobre declarações de compensação (fls.2/21) em que o contribuinte indica crédito referente a saldo negativo IRPJ anocalendário 2004 no valor de R$ 2.740.895,96 para compensar débito próprio. [...] Por intermédio do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.005443/200704 e respectivo Despacho Decisório (fls.336/345), a unidade de origem considerou não homologadas as compensações declaradas em função da inexistência de direito creditório referente ao saldo negativo IRPJ anocalendário 2004. Em sua análise, a unidade de origem fundamenta o não reconhecimento do direito creditório a partir da conclusão de que os seguintes valores informados na DIPJ do contribuinte estão incorretos: 1. Amortização de Goodwill (R$ 140.221.472,01): é inadmissível o surgimento do ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. A requerente pretendeu, através de uma manobra contábil com abuso de forma jurídica, beneficiarse de forma a reduzir o lucro em detrimento do Fisco com a amortização Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 611 3 do ágio pago na transação, através da criação de uma sociedade (Nokia Holding do Brasil Ltda) que no jargão dos escritórios de planejamento tributário denominase "sociedade veiculo", já que sua única razão de existência é servir de veiculo a manobras jurídico contábeis meramente elisivas. 2. O procedimento de amortização do ágio pela requerente não teve fundamentação na legislação tributária porque a requerente, que à época dos fatos denominavase NG Industrial Ltda (incorporadora) é quem deveria demonstrar que sua participação na Nokia Holding do Brasil Ltda (incorporada) foi adquirida/integralizada com ágio embasado nos fundamentos econômicos nos termos em que prescreve a legislação, podendo assim proceder á amortização em até sessenta meses como preconiza o normativo quando efetuasse a incorporação da investida, ou mesmo o contrário, a incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas — inc.II, §6° do art.386 RIR/99). Nem que pretendesse proceder de tal forma não poderia, pelas seguintes razões: primeiro, porque não haveria como serem avaliados, a valor de mercado, os bens da Nokia Holding do Brasil já que a mesma não possuía qualquer bem em seu patrimônio, exceto a participação adquirida posteriormente a sua criação na própria NG Industrial Ltda na qual sua sócia (Nokia Móbile Phones Ltd) era também sócia majoritária com 51% das quotas; segundo, não seria razoável aceitar que uma empresa que teve vida efêmera (9 meses) e sem qualquer efetiva produção de bens ou serviços pudesse motivar um ágio com base em sua rentabilidade futura; terceiro, restaria apenas fundamentar o ágio em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, sem possibilidade de amortização nos termos do inciso II do art.386 do RIR/99. 3. A criação de uma empresa que durante sua breve existência realizou apenas uma única operação, não satisfaria à clássica trilogia da necessidade, normalidade e efetividade como atributos de uma despesa realizada sob normais condições a ensejar dedução no resultado apurado na incorporadora (inteligência dos arts. 299, 324, 385 e 386 do RIR/99). 4. Despesas de Royalties: [...]. Tendo tomado ciência do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.005443/200704 e Despacho Decisório em 17/04/2008 (fl.345), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/05/2008 (fls.368/409) e documentos anexos (Doc’s 01 a 05 – fls.410/476), por intermédio de procurador (fls.421/422 e 486), alegando em síntese que: 1. As despesas glosadas apresentam todas as condições materiais e formais para serem reconhecidas como dedutíveis do Lucro Real; 2. A operação sob análise pode ser entendida em duas etapas: · A Nokia Holding do Brasil Ltda adquiriu participação equivalente a 49% do capital social detido indiretamente por Gradiente Industrial S.A na sociedade NG Industrial Ltda, gerando um ágio; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 612 4 · A NG Industrial Ltda passa a ser denominada Nokia do Brasil Tecnologia Ltda, incorpora a sua investidora (Nokia Holding do Brasil Ltda) e, a partir de então, passa a amortizar o ágio reconhecido por ocasião da aquisição da participação societária descrita na primeira etapa. 3. A operação praticada coadunase com os dispositivos legais aplicáveis matéria, incorporados nos artigos 385 e 386 do RIR/99; 4. A primeira etapa efetuada foi a aquisição de 49% da participação na NG Industrial Ltda por preço determinado em contrato de opção (um valor fixo de US$ 400 milhões e um valor variável equivalente a 49% dos lucros auferidos entre 10 de outubro de 2000 e 31 de dezembro de 2000). Vale ressaltar que o valor do preço fixo estipulado foi determinado com base na rentabilidade futura da operação; 5. A NG Industrial Ltda era uma Joint Venture societária entre a NMP e a Gradiente Telecom. Devese destacar que a NG Industrial Ltda já era, àquela época, uma das maiores fabricantes de telefones portáteis do Brasil e encontrase ainda hoje em franca expansão; 6. A Nokia Holding, ao contabilizar em seu balanço a participação adquirida, seguiu fielmente as determinações do que preconiza o artigo 385 do RIR/99; (transcreve referido artigo) 7. O segundo passo pretendeu levar o ágio ao alcance de seu fundamento econômico, ou seja, a rentabilidade futura em que se baseou a fixação do preço. Dessa forma, a Nokia Holding, pessoa jurídica que adquiriu a participação com ágio baseado em rentabilidade futura, foi incorporada pela sociedade operacional Nokia do Brasil Tecnologia Ltda (nova denominação da NG Industrial Ltda). Essa etapa está perfeitamente em linha com o que dispõe o artigo 386 do RIR199; (transcreve parte do art.386) 8. O reconhecimento da indedutibilidade, por parte da fiscalização, deuse com base em alegações completamente equivocadas, tanto a respeito das questões de fato quanto das questões de direito, sendo ilógicos ou baseados em meras presunções genéricas, sem qualquer base legal; 9. A respeito da aquisição de 49% de participação na NG Industrial Ltda por Nokia Holding do Brasil Ltda, o parecer afirma que para que houvesse o direito à amortização do ágio seria necessário que a investida (NG Industrial Ltda), em razão de ser a incorporadora, demonstrasse que a participação adquirida na investidora (sic) apresentasse como fundamento econômico para o pagamento do ágio a rentabilidade futura da investidora (mesmo no caso da investidora ser incorporada pela investida); 10. Tal afirmação não encontra qualquer fundamento lógico. Primeiro, porque a NG Industrial Ltda nunca adquiriu participação na Nokia Holding. 0 que ocorreu foi exatamente o oposto; 11. É importante deixar bem claro que o ágio é constituído, reconhecido e verificado por ocasião da aquisição do investimento, pelo Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 613 5 contribuinte que o adquirir, pela diferença entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio liquido ponderado da participação adquirida; 12. Não é o artigo 386 do RIR/99 que determina quem deve avaliar e quem será o objeto da avaliação, para a determinação do ágio, e nem a posição adotada na operação societária engendrada; (transcreve ementa de Solução de Consulta da DISIT 07 e de acórdãos do Conselho de Contribuintes, assim como posição da doutrina); 13. No caso concreto, o valor do ágio contabilizado foi, como só poderia ser, computado pela diferença do valor entregue para a aquisição da participação de 49% de participação na NG Industrial Ltda. O fundamento para o pagamento do ágio foi a expectativa de rentabilidade futura do negócio adquirido, conforme se verifica da análise do doc.02; 14. As alegações procedidas pela fiscalização de que a Nokia Holding não teria condições de comprovar o fundamento do ágio, e que portanto o ágio não teria fundamento econômico, são completamente dissociadas da legislação vigente, pois o ágio é um conceito legal, definido no art.385 do RIR199 e o fundamento do ágio deve estar lastreado na participação adquirida; 15. Inexistia grupo econômico no momento da constituição do ágio. A opção irretratável e irrevogável pela Gradiente Telecom S.A de aquisição de 49% da participação por ela detida na NG Industrial Ltda à NMP ou a quem esta designasse e esta designação se deu em favor da Nokia Holding; 16. Não se trata de confusão patrimonial, pois a Nokia Holding não exerceu um direito que era da NMP, mas um direito seu adquirido mediante a cessão da opção de compra irretratável e irrevogável. Além disso, todas as partes envolvidas apresentam contabilidade regular, segregando seus ativos e passivos. A fiscalização, caso tivesse provas ou elementos para caracterizar a confusão patrimonial, deveria apresentálas à requerente, quando menos para assegurar o seu direito de defesa; 17. Não há, na legislação, dispositivo que impeça a geração de ágio dentro do mesmo grupo econômico. Além disso, a aquisição da participação foi efetuada de pessoa jurídica estranha ao grupo econômico da Nokia; (transcreve ementa de acórdãos do CC sobre o assunto) 18. A presunção de existência de grupo econômico por ocasião da formação do ágio não é verdadeira, não podendo servir de fundamento para a glosa da amortização; 19. Os requisitos de normalidade, necessidade e efetividade são irrelevantes no presente caso. A operação de aquisição e posterior incorporação da investidora pela investida foi efetuada ao abrigo dos artigos 385 e 386 do RIR199, não lhe sendo aplicável o artigo 299 do RIR/99; 20. O artigo 299 dispõe sobre condições gerais de dedutibilidade. Como toda regra geral, sua efetividade está condicionada, caso a caso, à Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 614 6 inexistência de regra especifica que verse sobre o tema de maneira objetiva; (transcreve parte de acórdão do CC sobre o assunto) 21. A afirmação de que houve abuso de forma é desprovida de qualquer fundamentação. Não há qualquer demonstração ou elemento no parecer que comprove a criação da Nokia Holding teve como única finalidade a realização de manobras jurídico contábeis meramente elisivas; 22. No ordenamento jurídico brasileiro, os limites para a estruturação das atividades e operações empresariais do ponto de vista tributário são definidos a partir de normas constitucionais. Destacamse a livre iniciativa (inciso IV do art.1° da CF/88), o principio geral da atividade econômica (parágrafo único do art.170 da CF/88), o direito à propriedade (inciso XXII do art.5° da CF/88) e o principio da legalidade (art.150, I da CF/88) que é corolário do principio da segurança jurídica (inciso II do art.5° da CF/88); 23. A atividade tributária é caracterizada pela tipicidade fechada, cabendo à lei definir em abstrato todos os elementos necessários à tributação, permitindo ao contribuinte identificar, de forma segura e confiável, qual o fato que, uma vez praticado, dará ensejo ao surgimento da obrigação tributária, quem estará sujeito ao pagamento do tributo e qual o montante do tributo a ser pago; 24. O abandono do principio da legalidade estrita conduziria a uma completa insegurança e ao arbítrio, em que não seria possível ao contribuinte prever as conseqüências tributárias de suas atividades e operações. Nesse contexto, não se pode obrigar o contribuinte, em suas atividades ou operações empresariais, a pagar mais tributo se há, dentro do ordenamento jurídico, alternativa licita que lhe permite pagar menos tributos. O intuito de economizar tributos não é ilegal, sendo mesmo obrigação dos administradores das empresas; 25. Segundo o artigo 167 do Código Civil, para que haja dissimulação devem existir dois negócios jurídicos, um, simulado, ostensivo, aparente, que não representa o intimo querer das partes; outro, dissimulado, oculto, que justamente constitui a relação jurídica verdadeira; 26. Somente no caso de haver dissimulação é que as autoridades tributárias estão autorizadas a desconsiderar a forma do negócio jurídico (art.116 do CTN), para atingir seu real e efetivo conteúdo; 27. No caso, não há que se falar em abuso de forma ou dissimulação. 0 que houve foi, de fato, a constituição de uma pessoa jurídica no Brasil (Nokia Holding), que posteriormente, no regular exercício de suas atividades, adquiriu do grupo Gradiente a participação societária na NG Industrial Ltda e foi, finalmente, incorporada pela requerente; 28. No caso, a controladora da Nokia Holding, Nokia Corporation, representando o grupo Nokia, com sede na Finlândia, tinha interesse em incrementar sua posição de investimentos no Brasil, acreditando que o mercado de telefonia celular no Pais teria um incremento significativo de vendas e lucratividade e que o Pais poderia Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 615 7 funcionar como um pólo exportador para as Américas. Para tal, criou uma empresa domiciliada no Brasil e aportou recursos; 29. Durante sua existência (9 meses), a Nokia Holding teve seus atos societários registrados na Junta Comercial de São Paulo, obtendo o NIRE n° 35.216.239.531 e foi registrada no CNPJ sob o n° 03.789.596/000149. Mais, abriu contas bancárias e realizou operações financeiras, além de adquirir participação acionária da NG Industrial Ltda da empresa Gradiente Telecom S.A; 30. Sua existência, estratégica para o grupo, permitiu a manutenção de recursos em reais no Brasil para a aquisição da participação dos 49% da NG Industrial Ltda, de maneira ágil e segura; 31. A forma adotada para a constituição da Nokia Holding do Brasil foi a prevista em lei; 32. Posteriormente, em razão do negócio praticado estar encerrado, o grupo entendeu por bem incorporar a Nokia Holding na sociedade operacional, visando reduzir a estrutura operacional mantida no Brasil; 33. Nada há de atípico ou anormal na constituição de uma holding por empresa estrangeira para a aquisição de participações societárias no Brasil ou na posterior incorporação desta holding pela empresa controlada. Não há nada de planejamento tributário aqui; 34. Diversas operações são assim feitas e divulgadas na midia, de forma absolutamente corriqueira por estarem totalmente amparadas pelo sistema jurídico nacional; (transcreve noticias da imprensa sobre o assunto e trecho de acórdão do CC) [...] 40. Requer seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, que seja julgado insubsistente o parecer exarado nesses autos e homologadas as declarações de compensação constantes deste processo. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cópia de folhas da DIPJ exercício 2005, anocalendário 2004 (fls.22/88), telas do SINAL (fls.89/91), termo de intimação (fl.92), DCOMP retificadora 29963.72776.190907.1.7.023576 (fls.95/101), resposta ao termo de intimação (fls.105/106), cópia de instrumento de constituição da sociedade NG Industrial Ltda e instrumentos de alteração do contrato social (fls.107/232), termo de intimação II (fl.233/235), resposta ao termo de intimação II (fl.238), registros no SISBACEN sobre a remessa de royalties (fls.240/241), contrato de tecnologia entre NMP, Gradiente e NO Industrial e alterações (fls.243/288), termo de intimação III (fl.289), resposta ao termo de intimação (fl.290), tela resumo de dados cadastrais, quadro societário e alterações contratuais (fl.291), cópia do contrato de opção de compra exclusiva e irrevogável em inglês e português (fls.292/317), tela do CNPJ mostrando a incorporação da Nokia Holding por Nokia do Brasil Tecnologia (fl.318) e despacho (fl.488). Juntamente com a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: instrumento de alteração contratual e procuração — Doc.01 (fls.410/424), Demonstrativo de Rentabilidade Futura da NG Industrial — Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 616 8 Doc.02 (fls.425/456), Termo de Cessão de Direitos e Obrigações do Contrato de Opção, da NMP à Nokia Holding —Doc.03 (fls.457/468), Balancete de 31/12/2000 da Nokia Holding do Brasil — Doc.04 (fls.469/471) e Protocolo de Justificação e Incorporação — Doc.05 (fls.472/476). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0112.739, de 18/12/2008 (fls. 505/517), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AMORTIZAÇÃO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez não comprovada a aquisição de participação societária com ágio, incabível a amortização. DESPESAS COM ROYALTIES. Tendo sido comprovada a procedência da dedutibilidade, nos termos da legislação em vigor, cabível a sua utilização. LUCRO REAL. ADIÇÃO CSLL. A CSLL deve ser adicionada ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real. Ciente da decisão de primeira instância em 16/02/2009, conforme documento à fl. 520, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 17/03/2009 (registro de recepção à fl. 521, razões de recurso às fls. 522/543), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Ao historiar o ocorrido, por sua ótica, a recorrente afirma, sobre a decisão recorrida, que “a dedutibilidade da amortização do ágio pela Recorrente não foi admitida porque não haveria sido demonstrado que a Recorrente possuiria participação na Nokia Holding — por ela incorporada — adquirida com ágio e, em conseqüência, não se enquadraria no permissivo do caput do artigo 386 do RIR/99” e, ainda, que “é importante salientar que este foi o único fundamento adotado pelo Acórdão DRJ/BEL n° 0112.739 para afastar o direito da Recorrente de deduzir o ágio pago pela Nokia Holding — posteriormente incorporada pela Recorrente — quando adquiriu a participação societária na Recorrente. Nenhum dos outros motivos que determinaram sua glosa pela Fiscalização, conforme exposto no Parecer, foi acatado pelo Acórdão como razão para a indedutibilidade da referida amortização”. A interessada sustenta que os julgadores em primeira instância teriam compreendido os fatos de forma incorreta e, em decorrência, ao elencar a legislação aplicável, teriam deixado de relacionar o art. 8º da Lei nº 9.532/1997 e o § 6º do art. 386 do RIR/99, fundamentais para o correto deslinde da questão. Passa, então, a reforçar os argumentos já trazidos em sede de impugnação, acerca da origem do ágio pago pela Nokia Holding pela aquisição de participação societária Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 617 9 (49%) na NGI. Tal ágio seria baseado na expectativa de rentabilidade futura da investida, e teria sido efetivamente pago à Gradiente Telecom S.A., conforme documentos que especifica. A contabilização teria seguido fielmente as disposições do art. 385 do RIR/99. A seguir, a investidora (Nokia Holding) teria sido incorporada pela investida (NGI, já com sua atual denominação Nokia do Brasil Tecnologia Ltda), tudo em conformidade com o art. 386, caput, inciso III e § 6º, inciso II, do RIR/99. Diante disso, reafirma que todas as condições para que a amortização do ágio seja admitida como dedutível teriam sido observadas. A seguir, a interessada passa a combater a recomposição do Lucro Real, feita pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: a) Adição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: A recorrente afirma que o acórdão recorrido teria procedido à adição da CSLL que seria gerada por conta das glosas. Com base nos dispositivos legais que transcreve, sustenta que a CSLL indedutível do IRPJ é aquela reconhecida ou lançada como despesa. No presente caso, o valor da CSLL supostamente gerado pelas glosas efetuadas pela fiscalização não foi levado a resultado, pelo que entende indevida sua adição na recomposição do lucro real. b) Falta de inclusão dos benefícios fiscais: Ao recompor o Lucro Real e calcular o imposto supostamente devido, o acórdão recorrido teria deixado de incluir as deduções correspondentes a Operações de Caráter Cultural e Artístico (R$ 1.000.000,00) e Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 577.484,51), ambas consignadas na ficha 12A da DIPJ (fl. 32). Diante da ausência de qualquer menção aos motivos que levariam à desconsideração de tais valores, a recorrente entende tratarse, aqui, de mero erro material, a ser corrigido nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/1972. Requer, ao final, a procedência de seu recurso e a reforma parcial do acórdão recorrido, no que toca à dedutibilidade da amortização do ágio e demais pontos questionados, com a consequente homologação das compensações declaradas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Na ausência de preliminares, passo à análise do mérito. Conforme visto no relatório que antecede a este voto, não mais está em discussão a dedutibilidade de despesas com royalties, admitida em primeira instância. O não reconhecimento do direito creditório alegado pela recorrente decorre, nesta fase processual, tão somente da glosa da amortização de ágio, além dos aspectos relacionados à recomposição do lucro real. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 618 10 Ao tratar da matéria, a decisão a quo historia a legislação que entende aplicável (art. 7º da Lei nº 9.532/1997 e art. 385 do RIR/99) para, a seguir, concluir pela inconsistência na amortização do ágio pela recorrente Nokia do Brasil Tecnologia Ltda., a qual incorporou a Nokia Holding do Brasil Ltda. Afirma textualmente que “não consta dos autos que a Nokia do Brasil Tecnologia Ltda detinha participação na Nokia Holding do Brasil Ltda, adquirida com ágio”. Em que pese ser verdadeira a afirmação acima transcrita, entendo não ser este o cerne da questão. A operação de incorporação aqui referida, em que a Nokia do Brasil Tecnologia incorporou a Nokia Holding do Brasil, foi operação conhecida como “incorporação reversa” ou “incorporação às avessas”, na qual a investida incorpora a investidora. Era a Nokia Holding do Brasil (incorporada) quem detinha participação societária na Nokia do Brasil Tecnologia (incorporadora), adquirida com ágio em momento anterior. A possibilidade de dedução do ágio, nas condições aqui discutidas, foi tratada nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n°1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;(Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por sua vez, o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977, referido no art. 7º, acima, possui o seguinte teor: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 619 11 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Ora, o art. 8º da Lei nº 9.532/1997 admite expressamente a possibilidade de amortização do ágio, ainda que a empresa incorporada seja aquela que detinha a propriedade da participação societária, ou seja, na situação de incorporação reversa, o que é precisamente a situação dos autos e não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido. Aprofundando os exames, observo que o Parecer DRF/MNS/SEORT (fls. 338/346), o qual fundamentou o Despacho Decisório de fl. 347, tratou da matéria com mais detalhe. O primeiro argumento ali invocado, de que o ágio cuja amortização é aqui discutida teria sido gerado internamente a um grupo econômico não subsiste. De fato, tenho por incontroverso que a participação correspondente a 49% das quotas da NG Industrial (posteriormente Nokia do Brasil Tecnologia) foi adquirida por Nokia Holding do Brasil e alienada por Gradiente Telecom S.A. Adquirente e alienante pertencem, pois, a grupos empresariais distintos, respectivamente Nokia e Gradiente, e não encontro nos autos qualquer evidência de que em algum momento tenham compartilhado suas administrações ou controle societário. Tão somente, havia, em momento anterior, a sociedade na empresa então denominada NG Industrial, na qual o grupo Nokia detinha 51% e o grupo Gradiente 49%. A decisão de uma das partes de alienar à outra sua participação societária não pode levar à conclusão de que a operação teria ocorrido dentro de um mesmo grupo econômico. Acrescente se que, embora de forma tangencial, o acórdão recorrido já havia afastado esse fundamento (fl. 516). Quanto à existência e fundamento do ágio, em si, o Parecer (fl. 343) sustenta que “O procedimento de amortização do ágio pela Requerente não teve fundamentação na legislação tributária porque a Requente, que à época dos fatos denominavase NG Industrial Ltda (incorporadora), é quem deveria demonstrar que sua participação na Nokia Holding do Brasil Ltda (incorporada) foi adquirida/integralizada com ágio embasado nos fundamentos econômicos nos e termos em que prescreve a legislação [...]”. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 620 12 Ao examinar os autos, verifico que o Fisco, anteriormente ao Parecer, havia intimado a interessada a apresentar os documentos que considerava relevantes para a análise do direito creditório então empreendida. De particular interesse, as intimações de fls. 235/237 e 291. O próprio Parecer, preambularmente (fl. 339), reconhece que “toda documentação solicitada foi devidamente apresentada e serviu de base para este parecer”. Não obstante, a resposta da interessada a uma das intimações (fl. 238/239) afirma expressamente que apresenta, em anexo, o Laudo de Avaliação e o Protocolo de Justificativa e Incorporação, mas não encontro tais documentos na sequência dos autos. Na verdade, ao que parece o Parecer ignora tal documento, pelo que se depreende da seguinte afirmação (fl. 343): “[...] não seria razoável aceitar que uma empresa que teve vida efêmera de apenas nove meses (fls.318) e sem qualquer efetiva produção de bens ou serviços pudesse motivar um ágio com base em sua rentabilidade futura [...]”. O laudo de avaliação somente surge nos autos com a manifestação de inconformidade (original e tradução juramentada às fls. 442/472), quando a interessada busca fazer prova de que o valor praticado na aquisição dos 49% da NG Industrial (e, em decorrência, o ágio registrado na operação) teria seu fundamento econômico na previsão de rentabilidade futura da investida (alínea “b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1598/1977). O quadro acima conduz à conclusão de que nem o laudo de avaliação, muito menos seu fundamento econômico, foram decisivos para a negativa da Autoridade Administrativa da amortização do ágio. Muito embora a interessada tenha apresentado esse documento ainda na fase instrutória, ele sequer foi anexado aos autos naquele momento processual, nem o Parecer faz a ele menção, nem aos motivos que teriam levado a sua desconsideração. Em assim sendo, entendo que descabe invocar qualquer eventual ou hipotética irregularidade quanto a esse aspecto agora, em sede de recurso voluntário. Finalmente, devo ressaltar que as provas dos autos levam ao convencimento de que a operação que originou o ágio (a aquisição, por parte da Nokia Holding do Brasil, de 49% das quotas de NG Industrial, até então de propriedade da Gradiente Telecom) foi firmada entre partes independentes, em condições de mercado, baseada em expectativa de rentabilidade futura da investida, cujo laudo não foi objeto de questionamento por parte da Administração Tributária. A segregação do valor do negócio em valor de patrimônio líquido e ágio decorre da aplicação direta da lei, e esses aspectos igualmente deixaram de ser questionados pelo Fisco. Acrescento que constam dos autos cópias dos assentamentos contábeis da recorrente com os lançamentos em questão, bem assim cópia de extrato bancário. Na etapa seguinte ocorre a incorporação reversa, na qual a investida NG Industrial (já então com a denominação Nokia do Brasil Tecnologia) incorpora a investidora Nokia Holding do Brasil. Também aqui, conforme anteriormente examinado, a operação e seus efeitos tributários são previstos em lei, não havendo motivos para sua desconsideração. Quanto a este ponto, portanto, deve ser dado provimento ao recurso voluntário. A seguir, devem ser examinados os dois questionamentos levantados pela interessada, no que tange à recomposição do Lucro Real, feita pelo acórdão recorrido. 1. Adição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 621 13 A recorrente afirma que o acórdão recorrido teria procedido à adição da CSLL que seria gerada por conta das glosas. Sustenta que a CSLL indedutível do IRPJ é aquela reconhecida ou lançada como despesa. No presente caso, o valor da CSLL supostamente gerado pelas glosas efetuadas pela fiscalização não foi levado a resultado, pelo que entende indevida sua adição na recomposição do lucro real. Esclareçase que, em razão do voto até aqui proferido, não haveria qualquer glosa de despesas indedutíveis e, por consequência, igualmente inexistiria ajuste de CSLL que seria gerada por conta das glosas. Não obstante, tenho por oportunas as considerações a seguir. Compulsando os autos, verifico que a recomposição do lucro real já havia sido feita pelo Parecer DRF/MNS/SEORT (fl. 345) e novamente pelo acórdão recorrido (fl. 517). A Autoridade Julgadora em primeira instância justifica sucintamente seu procedimento como segue: A partir da Lei 9.316/96, art. 1°, a contribuição social sobre o lucro não é mais considerada como despesa dedutivel para fins de apuração do lucro real, devendo ser adicionada ao lucro liquido. Dessa maneira, não procede a alegação de que a CSLL não deveria ser considerada na recomposição do lucro real. E mais adiante: A recomposição do lucro real passa inicialmente pelo novo cálculo da CSLL visto que essa contribuição deve ser adicionada ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real. A base legal para a adição da CSLL no cálculo do lucro real deve ser buscada no art. 1º da Lei nº 9. 316/1996, verbis: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. O caput do dispositivo acima transcrito estabelece a indedutibilidade da CSLL para efeito de determinação do lucro real. Tratase de alteração da situação até então vigente, visto que a CSLL, como despesa tributária que é, seguia a regra geral de dedutibilidade, ou seja, sendo despesa incorrida, necessária e usual, era admitida como redução da lucro líquido e, por via de consequência, também da base tributável do IRPJ. A partir da vigência do art. 1º, acima, a situação se alterou, por expressa disposição legal. O parágrafo único disciplina o procedimento a ser adotado para dar efetividade à nova regra. Por certo que a CSLL continua sendo despesa incorrida, pelo que a redução do lucro líquido (lucro contábil) permanece. No entanto, a fim de neutralizar essa redução, o mesmo valor passou a ser adicionado ao lucro líquido para fins de determinação do Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 622 14 lucro real. De se observar que o parágrafo único ressalta que a adição é dos valores da CSLL “registrados como custo ou despesa”, vale dizer, aqueles que reduziram o lucro líquido. No caso concreto, o lucro líquido, ponto de partida para a determinação do lucro real, foi reduzido somente pelo valor da CSLL apurada e registrada pelo contribuinte em sua escrita contábil e na DIPJ. Esse valor deve ser adicionado para a determinação do lucro real, como de fato o foi, e quanto a isso não há controvérsia. No entanto, a CSLL que seria, hipoteticamente, apurada em face da glosa de despesas levada a efeito pelo Fisco em nada reduziu o resultado contábil, pelo que descabe sua adição. Procede a reclamação da recorrente, pelo que deve ser dado provimento ao recurso, quanto a este ponto, reconhecendose o descabimento da adição de R$ 10.317.479,84 na recomposição do lucro real. 2. Falta de inclusão dos benefícios fiscais Sustenta a recorrente que, ao recompor o Lucro Real e calcular o imposto supostamente devido, o acórdão recorrido teria deixado de incluir as deduções correspondentes a Operações de Caráter Cultural e Artístico (R$ 1.000.000,00) e Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 577.484,51), ambas consignadas na ficha 12A da DIPJ (fl. 32). Diante da ausência de qualquer menção aos motivos que levariam à desconsideração de tais valores, a recorrente entende tratarse, aqui, de mero erro material, a ser corrigido nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/1972. Compulsando os autos, constato que, de fato, na Ficha 12A da DIPJ (fl. 33) constam deduções do imposto devido nos montantes de R$1.000.000,00 (linha 04 – Operações de Caráter Cultural e Artístico) e R$577.484,51 (linha 05 – Programa de Alimentação do Trabalhador). O Parecer DRF/MNS/SEORT (fl. 345), ao recompor o lucro real, já havia deixado de considerar as rubricas acima especificadas, sem qualquer referência aos motivos para tanto. O mesmo sucedeu com a decisão de primeira instância (fl. 517). Acrescento que, entre as intimações feitas ao contribuinte para apresentação de documentos e esclarecimentos (fls. 93, 235/237 e 291) não encontro qualquer solicitação de documentos ou de comprovação, nem sequer menção às rubricas acima especificadas. Vislumbro, então, duas possibilidades de explicar o ocorrido. A primeira seria uma inexatidão material (como pensa a recorrente), mero lapso da Autoridade Administrativa ao não incluir essas deduções na recomposição do lucro real, lapso que não teria sido observado e repetido pela Autoridade Julgadora em primeira instância. A segunda hipótese seria que esses valores teriam sido intencionalmente glosados, sem que fossem declinados os motivos ou a fundamentação legal para tanto, o que constituiria flagrante cerceamento ao direito da interessada ao contraditório e à ampla defesa. Em qualquer caso, deve ser dada razão à recorrente, quanto a este ponto, para reconhecer que os valores de R$ 1.000.000,00 e R$ 577.484,51 devem ser considerados como deduções válidas na recomposição do lucro real. Em conclusão, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005443/200704 Acórdão n.º 1302001.406 S1C3T2 Fl. 623 15 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
