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Numero do processo: 10860.901697/2015-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DComp) nº 19017.56127.220714.1.3.041770, apresentada pela Recorrente, com base em suposto pagamento indevido ou a maior relativo a recolhimento a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de setembro de 2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 01 69 7/ 20 15 -5 6 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10860.901697/201556 Resolução nº 1302000.718 S1C3T2 Fl. 132 2 A referida DComp foi objeto de Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação, uma vez que o crédito em que se fundamentava se encontrava quase que integralmente alocado à DComp de nº 22525.99186.180714.1.7.046030 e a débito de IRPJ referente ao período de apuração correspondente ao recolhimento. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual esclareceu que o crédito pleiteado se refere a multa de mora sobre valores recolhidos, supostamente, sobre amparo do instituto da denúncia espontânea. Alegou que realizou o pagamento integral do IRPJ relativo ao período de apuração de dezembro de 2009, por meio da apresentação da DComp nº 10165.40686.220911.1.3.046161, e que, posteriormente, antes de qualquer procedimento por parte da autoridade administrativa fiscal, realizou a confissão do débito, pela entrega, em 27 de dezembro de 2012, de Declaração de Débitos e Créditos Retificadora,. Ao constatar o equívoco, apresentou DComp retificadora, e modo a excluir da referida compensação o crédito de R$ 67.225,93, o qual foi compensado, por meio da DComp de que tratam os presentes autos. Sustenta que a compensação de débitos por meio da apresentação de declaração de compensação extingue o crédito tributário, sendo os efeitos equivalentes ao pagamento, de modo que configurada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Invoca precedentes do Superior Tribunal de Justiça, julgado do CARF e normativos emitidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que validariam a sua interpretação relativa à aplicação da denúncia espontânea, nas hipóteses em que o sujeito passivo recolhe o valor integralmente e retifica a DCTF, antes de qualquer procedimento fiscal. A decisão recorrida considerou que “deve ser considerada ocorrida a denúncia espontânea apenas na sua acepção primária de pagamento do débito concomitantemente a apresentação da declaração". Manifestou que a "precariedade dos efeitos da extinção, causada pela possibilidade de implemento da condição, afasta a instantaneidade e a imutabilidade da quitação, requisitos inegavelmente pretendidos pelo legislador quando exigiu que a denúncia espontânea fosse acompanhada do pagamento". Por fim, considerou equivocada a interpretação albergada por decisões do Poder Judiciário, que confere o mesmo tratamento à multa moratória e à multa de ofício, posto que a primeira decorre exclusivamente da Lei e a segunda necessita de ato administrativo para a sua constituição. Cientificado da referida decisão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, no qual, basicamente, repete as alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade. O presente processo foi distribuído por sorteio a este Conselheiro, sendo que foi definido como paradigma de lote de recursos repetitivos, na forma do art. 47, §1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, na redação conferida pela Portaria MF nº 153, de 19 de abril de 2018. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10860.901697/201556 Resolução nº 1302000.718 S1C3T2 Fl. 133 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator A temática de fundo envolvida no processo em questão, sem dúvidas, é a possibilidade de equiparação da compensação ao pagamento, para fins de denúncia espontânea da infração, na forma do art. 138 do CTN. Antes de se adentrar na discussão, contudo, é necessário aprimorar a instrução processual, posto que não foram juntadas aos autos todas as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referentes ao período em que teria ocorrido a suposta denúncia espontânea, de modo a gerar o crédito invocado pela Recorrente. Tal declaração é fundamental, uma vez que, conforme a Súmula 360 do STJ: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." É necessária, portanto, a juntada de todas as DCTF relativas ao período de dezembro de 2009, para que se possa aferir se (à margem da discussão acerca da possibilidade de equiparação entre compensação e pagamento), na data de apresentação da DComp, o débito estava ou não confessado. Isto posto, proponho a devolução do processo à Agência da Receita Federal do Brasil em Guaratinguetá/SP, de modo a que sejam juntadas aos autos todas as DCTFs relativas ao período de apuração de dezembro de 2009. Ressalvo que, no caso dos recursos repetitivos dos quais este processo foi definido como paradigma, a discussão acerca da referida equiparação se estende também para o período de apuração do débito compensado na DComp de que tratam os autos, de modo que devem ser juntadas as DCTFs relativas aos dois períodos de apuração. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720397/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Relatório
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls.98039821), referente ao anocalendário 2008, decorrente de omissão de receitas e glosa de despesas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 39 7/ 20 12 -2 0 Fl. 18420DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.421 2 comprovadas, com imposição de multa de ofício de 75% para a infração de omissão de receita, e de multa qualificada 150%, para a infração de glosa de despesas, acrescidas de juros moratórios. Também houve o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal. O lançamento encontrase resumido abaixo: IRPJ CSLL Por bem descrever os fatos, transcrevo trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 97589802): 1.1 DA VERIFICAÇÃO DAS DESPESAS OPERACIONAIS 1.1.1. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, fiscalizei a empresa em epígrafe, relativamente ao exercício de 2.009, anocalendário 2.008, vez que fora selecionada para verificação dos valores informados a título de Despesas Operacionais, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2009. (...) G.4. Não obstante nosso trabalho pautouse em verificar a comprovação de todas as Despesas Operacionais que a empresa pretendeu utilizar, as quais informou em sua DIPJ, resultando na elaboração das Planilhas intituladas "Despesas Operacionais Comprovadas pelo Contribuinte" e "Despesas Operacionais Não Comprovadas pelo Contribuinte", parte integrante do presente Termo. H. Desta forma, restou apurado e amplamente demonstrado que a empresa não logrou êxito em comprovar grande parte das despesas que pretendeu utilizar a título de "Outras Despesas Operacionais" e/ou "Despesas Operacionais", informadas na Ficha 05A da DIPJ/2009, mediante as quais reduziu indevidamente o seu Resultado Operacional no período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2.008, exercício de 2.009, impondose as glosas dos valores a seguir demonstrados: Fl. 18421DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.422 3 I. Cabe informar que a empresa intentou comprovar outras Despesas Operacionais utilizadas, porém os documentos apresentados não foram aceitos por esta fiscalização, dentre outras razões, por não se revestirem das características de documentos hábeis que se prestassem às necessárias comprovações, por não terem respaldo em documento fiscal, como por exemplo, Nota Fiscal, Duplicata, Contrato ou qualquer outro documento equivalente, e/ou por não apresentarem coincidência de datas e valores com as despesas pretendidas, conforme demonstrado nas planilhas elaboradas por esta fiscalização e parte integrante do presente processo, intituladas "ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA EM CONFRONTO COM AS DESPESAS LANÇADAS PELO CONTRIBUINTE". (...) 1.2 DA VERIFICAÇÃO DAS RECEITAS 1.2.1. Uma vez apurados os reais valores das despesas incorridas no anocalendário de 2008, procedemos então à análise do valor das Receitas auferidas no mesmo período, mediante o confronto das Declarações entregues pelo contribuinte, em especial, da DIPJ/2009 (Declaração de Informações Econômico Fiscais) e da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), com os Balancetes mensais e o Livro Razão, relativos ao anocalendário 2008, constatandose que os valores anuais de Receitas obtidos por intermédio dos Balancetes mensais e do Livro Razão eram coincidentes entre si, totalizando R$ 103.429.719,45, sendo também coincidentes com o valor das Receitas auferidas pela empresa informado na DIPJ/2009. 1.2.2. Não obstante, confrontandose o valor da Receita de Revenda de Mercadorias informada na DIPJ/2009, com os valores lançados no Livro Registro de Saídas, bem como com os valores do Livro Registro de Apuração do ICMS do mesmo período, constatamos que a empresa auferiu Receitas em valor superior ao valor anual informado na DIPJ, deixando de oferecer à tributação o valor de R$ 3.127.506,69, em Receitas obtidas com Revenda de Mercadorias no anocalendário de 2008, conforme segue demonstrado: Fl. 18422DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.423 4 3. DA TRIBUTAÇÃO MENSAL E RECÁLCULO DO LUCRO REAL 3.1. Com base em valores extraídos dos registros contábeis da empresa, procedemos ao levantamento da apuração do Lucro Real, nos moldes efetuados pela empresa, resultando na elaboração da planilha intitulada "APURAÇÃO DO LUCRO REAL PELO CONTRIBUINTE", parte integrante do presente Termo. 3.2. Dando prosseguimento aos trabalhos, considerandose que as Receitas auferidas no anocalendário de 2.008 restavam apuradas, bem como que haviam sido procedidas as verificações das despesas de fato incorridas naquele anocalendário, além de terem sido verificadas as ocorrências de eventuais Adições e Exclusões ao Lucro Líquido, procedemos então à apuração do Lucro Real do período de janeiro a dezembro de 2.008, resultando nos valores a seguir demonstrados: (...) 8. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA (...) 8.4. No presente caso, o contribuinte informou e deduziu do Lucro Bruto, a título de Despesas Operacionais, mais especificamente, como "Outras Despesas Operacionais", em sua DIPJ/2009 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica anocalendário 2.008, valores inexistentes, uma vez que as despesas pretendidas não ocorreram de fato, conforme restou demonstrado, no evidente intuito de redução da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL, haja vista que, mediante este artifício, conseguiu encerrar a apuração do resultado do anocalendário de 2.008 com Prejuízo, encobrindo o Lucro de fato auferido naquele período. 8.5. Diante dos fatos constantes deste Termo, restou caracterizada a ação dolosa do contribuinte, tendente a reduzir o montante do imposto devido e/ou evitar o seu pagamento, prevista no artigo 72, da Lei 4.502. 8.6. Portanto, plenamente cabível e justificada a aplicação da alíquota de 150% de multa, prevista no § 1 o do artigo 44 da Lei 9.430/96. Fl. 18423DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.424 5 Da Impugnação Inconformada com a autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls.98289850), acompanhada de documentos. O julgamento foi convertido em diligência nos termos do despacho de fls.12409 e ss. Consta Informação Fiscal às fls. 18249 e seguintes. A DRJ julgou o recurso improcedente, através de acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Incabível o pedido de realização de diligência, pois o presente litígio se resolve com o direito e os fatos comprovados por documentos já constantes dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas escrituradas e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. DESPESAS INCOMPROVADAS. Mantémse a glosa de despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Fl. 18424DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.425 6 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de fraude nas ações do contribuinte. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento do imposto por estimativa e multa de ofício incidente sobre a falta de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual, já que se tratam de infrações distintas. Do Recurso Voluntário Em 10/02/2017 (sextafeira), o contribuinte tomou ciência do acórdão através do Correios, conforme Aviso de RecebimentoAR de fl. 18352. Inconformado com a decisão de 1ª Instância, em 14/03/2017, o contribuinte interpôs recurso voluntário de acordo com Termo de Solicitação de Juntada e Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 18355 e 18357). O sujeito passivo manifesta sua irresignação através dos seguintes argumentos: 1. Nulidade da decisão recorrida por preterição ao direito de defesa; 2. Inexistência de omissão de receita, posto que a autoridade fiscal teria deixado de subtrair os valores pertinentes à substituição tributária do ICMS; 3. Ausência de análise de mérito quanto aos argumentos trazidos para justificar as despesas glosadas; 4. Procura demonstrar que as despesas são necessárias, dividindoas em despesas próprias e despesas objeto de contrato de rateio. Discorre sobre várias rubricas e contas contábeis e cita documentos juntados ao processo; 5. Alega ausência de comprovação da conduta dolosa para justificar a imposição de multa qualificada; 6. Argui impossibilidade de cobrança de multa isolada cumulada com a multa de ofício; Ao fim, requereu que fosse anulada a decisão de 1ª Instância e que fosse determinada a baixa do processo em diligência, a fim de que fossem examinadas todas as provas juntadas aos autos, e subsidiariamente, requer que o lançamento seja julgado improcedente. Em relação às penalidades, pugna pela exclusão da multa isolada e redução da multa de ofício para o patamar de 75%. Anexou ao recurso os documentos de identificação, cópia da intimação e do extrato do processo. Não juntou novos documentos probatórios. É o relatório. Fl. 18425DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.426 7 Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do Mérito. 1. Omissão de Receitas Em relação à infração de omissão de receitas, a Recorrente ratifica os argumentos de sua impugnação, no sentido de que o ICMS Substituição Tributária não foi levado em considerado na autuação, ainda que a decisão recorrida tenha afirmado que o auditor fez o devido abatimento desses valores. A Auditora apurou omissão de receitas no valor total de R$ 3.127.506,69 ao fazer o confronto entre o valor da Receita de Revenda de Mercadorias informada na DIPJ/2009, com os valores lançados no Livro Registro de Saídas, bem como com os valores do Livro Registro de Apuração do ICMS do mesmo período, e elaborou a seguinte tabela (TVF fls. 97759776): O TVF não informa qual o valor de ICMS Substituição Tributária que foi considerado para efeito de apuração da receita. A Recorrente alega que o valor de ICMS Substituição Tributária (R$ 3.127.506,69) corresponde exatamente ao valor da diferença apurada pela Auditora, conforme tabela constante do recurso voluntário (fls.1836768): Fl. 18426DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.427 8 Acrescenta que a legislação estadual obriga o contribuinte a declarar "em duplicidade" o ICMS, posto que deve indicar o ICMS próprio com remissão ao CFOP correspondente, bem como o ICMS Substituição tributária, com o respectivo CFOP e citou o art. 275, abaixo transcrito: Art. 275 O sujeito passivo por substituição escriturará o documento fiscal no livro Registro de Saídas, conforme segue (Lei 6.374/89, art. 67, § 12, e Ajuste SINIEF4/ 93, cláusula quarta): I nas colunas adequadas, os dados relativos à operação ou prestação própria, na forma prevista neste regulamento; II na coluna "Observações", na mesma linha do registro de que trata o inciso anterior, o valor do imposto retido e o da respectiva base de cálculo, referidos no artigo 273, com utilização de colunas distintas para essas indicações, sob o título comum 'Substituição Tributária". Parágrafo único Os valores constantes na coluna relativa ao imposto retido serão totalizados no último dia do período de apuração, para lançamento no livro Registro de Apuração do ICMS, na forma prevista no artigo 281. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem: Informar se os valores de ICMSSubstituição Tributária foram considerados pela autoridade fiscal e quais os seus valores; Informar se após considerado o valor de ICMS Substituição tributária remanesce omissão de receita declarada e qual o valor; Se entender necessário, intimar o contribuinte para prestar esclarecimentos; Fl. 18427DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.428 9 Anexar aos autos os documentos que fundamentaram a diligência, para permitir a ampla defesa do contribuinte; Apresentar relatório conclusivo e dar ciência ao contribuinte do relatório da diligência para que, no prazo de 30 dias, o mesmo possa se manifestar nos termos do art.35 do Decreto nº 7574/2011. 2. Glosa de Despesas Acerca da glosa das despesas, a Recorrente alega sua improcedência e ressalta que celebrou em 2007 um contrato de rateio com sua controladora, Scarlat Industrial Ltda, de modo que boa parte das despesas glosadas foram quitadas pela controladora, e posteriormente foram objeto de reembolso. Discorre sobre elas em vários tópicos, dispostos da seguinte forma: 2.1 Despesas Necessárias 2.1.1 Despesas próprias da Recorrente 2.1.1.1 Despesas com verbas comerciais 2.1.1.2 Despesas com comissões a representantes PJ 2.1.1.3 Despesas com material promocional/ propaganda e publicidade 2.1.2 Despesas Objeto de Contrato de Rateio 2.1.2.1 Despesas com Pessoal 2.1.2.2 Despesas com Serviço PromocionalMerchandising 2.1.2.3 Despesas com Aluguel Passase aos argumentos apresentados pela Recorrente para cada uma delas. 2.1.1.1 Despesas com verbas comerciais Em relação a esta conta contábil 43110, alega que tratamse de verbas inseridas nas rubricas "enxoval", "inauguração", "reinauguração", "aquisições", "aniversário", dentre outras, destacando que, no segmento em que atua a ora Recorrente, são extremamente comuns negociações comerciais que envolvam as referidas despesas, as quais visam o incremento das vendas, pelos clientes, de seus produtos. Informa que fez prova das despesas através de cópias dos Acordos Promocionais celebrados com os seus clientes e do respectivo lançamento na conta contábil. 2.1.1.2 Despesas com comissões a representantes PJ Informa a Recorrente que apresentou notas fiscais referentes ao valor glosado (doc. 08 da impugnação), o que comprovaria a despesas incorridas. 2.1.1.3 Despesas com material promocional/ propaganda e publicidade conta 42408 Declara o contribuinte que a Autoridade fiscal glosou a despesa porque as notas fiscais foram debitadas na conta Material Promocional (42408), quando deveriam ter sido debitadas na conta Brindes (43109) e que não houve o efetivo dispêndio das demais despesas. Fl. 18428DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.429 10 Procurou demonstrar que se tratava de brindes e de que houve o efetivo dispêndio (docs. 09 e 10 da impugnação). 2.1.2 Despesas Objeto de Contrato de Rateio A Recorrente afirma que a Fiscal autuante desconsiderou todas as despesas decorrentes do rateio de despesas, por não reconhecer a existência de tal previsão no ordenamento jurídico pátrio, o que se depreende do seguinte trecho do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais: Merece registro ainda o fato de que algumas despesas foram quitadas pela empresa SCARLAT INDUSTRIAL LTDA., CNPJ n2 60.648.557/000165, sócia da empresa fiscalizada, não havendo, portanto, o necessário dispêndio por parte da empresa fiscalizada, sem o qual não há que se falar em despesas incorridas (...) Em verdade, o trecho acima afirma apenas que não houve o efetivo dispêndio por parte da autuada, uma vez que as despesas foram pagas pela SCARLAT INDUSTRIAL LTDA. Em nenhum momento a autoridade fiscal fez menção à questão do rateio de despesas. Este foi um argumento da Recorrente trazido em sua impugnação, quando anexou o contrato de rateio (doc. 5 da impugnação fl.9972 e ss). 2.1.2.1 Despesas com Pessoal (rateio) Argumenta a Recorrente que foi glosada toda a despesa de pessoal no valor de R$ 3.681.077,53, entretanto, os funcionários estavam registrados na SCARLAT INDUSTRIAL LTDA, mas na prática trabalhavam para a Recorrente, e que houve o reembolso nos termos do contrato de rateio. Informa que anexou a RAIS Relação Anual de Informações Sociais (doc. 14 da impugnação), a qual contém toda a despesa com pessoal incorrida na sociedade controladora, e que a partir dos critérios de rateio, temse o valor da despesa, conforme planilha de fls.12424/12427. 2.1.2.2 Despesas com Serviço PromocionalMerchandising (rateio) Informa que a fiscalização considerou comprovado apenas o valor de R$ 129.024,09, enquanto a glosa somou R$ 1.316.203,62. Argumenta que apresentou notas fiscais em nome da SCARLAT INDUSTRIAL LTDA e o respectivo comprovante de rateio, o que justificaria os valores contabilizados como despesa pela Recorrente. 2.1.2.3 Despesas com Aluguel (rateio) Menciona que em relação às despesas com Aluguéis — Imóveis, Condomínio, Máquinas, Equipamentos, Utensílios, Veículos e Pallets, a Fiscal Autuante glosou todos os valores lançados, sob o argumento de que a Recorrente não possuía quaisquer bens imóveis, veículos, móveis, utensílios que pudessem gerar tais despesas. Defende o sujeito passivo que como as demais despesas objeto de rateio, as despesas com aluguel podem ser comprovadas pelos contratos de locação firmados pela controladora (doc. 16 da impugnação) e com a aplicação dos critérios de rateio (doc. de fls. 12424/12427). Da Dedutibilidade das Despesas próprias e daquelas objeto de Rateio Fl. 18429DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.430 11 As despesas para serem dedutíveis têm que atender a requisitos legais, como a normalidade, usualidade e necessidade, nos termos do art.299 do RIR/99, in verbis: Art.299.São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1ºSão necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2ºAs despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3ºO disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Em se tratando de despesas de pessoal, aluguel, propaganda, comissões, entre outras citadas, não resta dúvida que são despesas usuais e normais para uma empresa que tem por objeto entre outras atividades a fabricação, a embalagem, a venda e o marketing de produtos, conforme seu contrato social (fl.12), abaixo: Para que a despesa seja considerada necessária, fazse mister a demonstração de ela efetivamente ocorreu e de que o contribuinte efetivamente suportou o ônus da despesas, ou seja, que elas foram efetivamente pagas ou incorridas. A partir do momento em que se constatou que a Recorrente obteve uma receita no anocalendário 2008 da ordem de R$ 100 milhões, poderseia presumir que existiram pessoas que envidaram esforços para a construção desse resultado. Entretanto a autoridade fiscal verificou que a autuada não possuía empregados, quando glosou despesa de pessoal. Logo afigurase razoável a alegação de rateio das despesas apresentada pela Recorrente. Às fls. 9973 e seguintes, consta o contrato de rateio realizado entre a Recorrente e sua controladora que define o critério de rateio, as despesas a serem rateadas, e a forma de pagamento. As despesas a serem rateadas são: pessoal, área comercial e expedição/logística. O critério de rateio se baseia no resultado das contas de Receita Operacional, a ser auferido mensalmente, e os pagamentos e recebimentos deverão ser objeto dos respectivos lançamentos contábeis. Ao que parece, a Autoridade fiscal entendeu que não restaram comprovadas as despesas, tampouco aquelas objeto de rateio, posto que entre outros requisitos, não foi comprovado o efetivo reembolso. Fl. 18430DF CARF MF Processo nº 16095.720397/201220 Resolução nº 1301000.663 S1C3T1 Fl. 18.431 12 A documentação acostada juntamente com a impugnação foi objeto de diligência solicitada pelo julgador da 1ª Instância, todavia não foi analisada sob o enfoque da existência de rateio de despesas entre a Recorrente e a controlada, em face de ter sido constatada a inexistência de fato da autuada. A Auditora responsável pela diligência elaborou Informação Fiscal de fls.18249 e seguintes, onde também consignou que nem toda a documentação solicitada foi juntada (faltou a planilha esclarecendo a documentação juntada). Quanto a baixa do CNPJ da autuada, ela foi efetivada em 27/02/2015 e não há qualquer ressalva acerca dos efeitos retroativos deste procedimento. Pelo exposto, em relação às despesas, voto por converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem: Analisar os documentos trazidos na impugnação e verificar a efetiva comprovação das despesas, inclusive aquelas objeto de rateio, mormente no que diz respeito ao efetivo pagamento ou desembolso por parte da Recorrente; Caso as despesas restem devidamente comprovadas, verificar se as despesas objeto de rateio foram excluídas da apuração dos tributos da controladora, para evitar que as despesas sejam aproveitadas em duplicidade, ou seja, na controlada e na controladora; Se necessário, intimar o contribuinte para apresentar os documentos que entender necessários; Apresentar relatório conclusivo e dar ciência ao contribuinte do relatório da diligência para que, no prazo de 30 dias, o mesmo possa se manifestar nos termos do art.35 do Decreto nº 7574/2011. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, por converter o julgamento em diligência nos termos acima expostos. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 18431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002182/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
IRPF. LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM COMBUSTÍVEL. ATIVIDADE MÉDICA. VEDAÇÃO EXPRESSA.
Salvo no caso de representante comercial autônomo, não é permitida a dedução em livro-caixa de despesa com locomoção e transporte (combustível), mesmo sob o argumento de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, haja vista a vedação legal expressa.
IRPF. LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE
Não é dedutível, por expressa previsão legal, a remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício. O argumento de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora esbarra na condição imposta pela lei.
Numero da decisão: 2201-005.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 IRPF. LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM COMBUSTÍVEL. ATIVIDADE MÉDICA. VEDAÇÃO EXPRESSA. Salvo no caso de representante comercial autônomo, não é permitida a dedução em livro-caixa de despesa com locomoção e transporte (combustível), mesmo sob o argumento de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, haja vista a vedação legal expressa. IRPF. LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE Não é dedutível, por expressa previsão legal, a remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício. O argumento de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora esbarra na condição imposta pela lei.
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DEDUÇÃO INDEVIDA Recorrente LETICIA ALVES MIRANDA PIRES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 IRPF. LIVROCAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM COMBUSTÍVEL. ATIVIDADE MÉDICA. VEDAÇÃO EXPRESSA. Salvo no caso de representante comercial autônomo, não é permitida a dedução em livrocaixa de despesa com locomoção e transporte (combustível), mesmo sob o argumento de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, haja vista a vedação legal expressa. IRPF. LIVROCAIXA. DEDUÇÃO DE REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE Não é dedutível, por expressa previsão legal, a remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício. O argumento de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora esbarra na condição imposta pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 21 82 /2 00 8- 84 Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 384 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 373/378 interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 360/365 a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 3/12, lavrado em 23/7/2008, relativo aos anoscalendários de 2004 e 2005, com ciência do contribuinte em 2/8/2008, conforme AR de fls. 151. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: por deduções indevidas de despesas de livro caixa, no valor histórico de R$ 53.237,50, já acrescido do justo de mora, da multa do ofício de 75% e da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 15/25, a RECORRENTE deduziu várias despesas que não eram compatíveis com o exercício da atividade de médica, ou que não estavam autorizadas pela legislação, como, por exemplo, as despesas efetuadas: com combustíveis e com a contratação de serviços automotivos/peças; com terceiros sem vínculos empregatícios; com água, luz, e telefone (sem comprovação de pagamento ou com endereço diverso do local onde recebe os rendimentos tributáveis), etc. Em princípio, a fiscalização verificou que parte das receitas escrituradas no Livro Caixa são de natureza de Trabalho Assalariado. Assim, retirou do Livro Caixa, as receitas provenientes dessas remunerações com vínculo empregatício, conforme abaixo: Anocalendário 2004: “No Ano Calendário em questão, a contribuinte teve rendimentos tributáveis recebidos de 03 (três) fontes pagadoras, no valor total de R$57.351,36: 1Ministério da Saúde CNPJ 00.394.544/017908 R$27.358,04; 2Prefeitura Municipal de Macaiuba – CNPJ 13.810.841/000106 R$25.893,00 e 3 Prefeitura Municipal de Dias D'Ávila – CNPJ 13.394.044/0001 95 R$4.100,32. Foi verificado que os rendimentos recebidos do Ministério da Saúde e da Prefeitura Municipal de Dias D' Ávila são de natureza de Trabalho Assalariado (com vínculo empregatício). O rendimento recebido da Prefeitura Municipal de Macajuba teve a natureza de Trabalho Sem Vínculo Empregatício, o que representou um valor total de R$25.893,00 em rendimentos tributáveis, conforme planilha abaixo. (...)” Anocalendário 2005: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 385 3 “Neste Ano Calendário, a contribuinte teve rendimentos tributáveis recebidos de 04 (quatro) fontes pagadoras, no valor total de R$ 97.981,36 (conforme a sua Declaração de Ajuste Anual 2005): 1Ministério da Saúde CNPJ 00.394.544/0179 08 R$29.318,01; 2Prefeitura Municipal de Barrocas CNPJ 04.216.287/000142 R$56.523,03 ; 3Prefeitura Municipal de Dias D'Ávila CNPJ 13.394.044/000195 R$4.200,32 e de Pessoas Físicas R$7.940,00. Foi verificado que os rendimentos recebidos do Ministério da Saúde, da Prefeitura Municipal de Dias D' Ávila e da Prefeitura Municipal de Barrocas são de natureza de Trabalho Assalariado (com vínculo empregatício). O rendimento recebido de Pessoas Físicas representou um valor total de R$7.940,00 em rendimentos tributáveis, escriturados em Livro Caixa.” Em relação ao anocalendário 2004, foram glosadas despesas da ordem de R$ 39.552,32, conforme abaixo: · Cupons Fiscais de despesas com combustível: R$ 3.014,77 (não compatível com a profissão de médico, nos termos do art. 75, parágrafo único, II, do RIR/99); · Contrato de Prestação de Serviços de Terceiros: R$ 32.016,00 (pagamento a terceiros sem vínculo empregatício, sendo proibida a utilização dessas despesas com dedução no Livro Caixa, conforme art.75, l do RIR/99); · Despesas com Luz, Água e Telefone: não comprovação de pagamento das despesas de luz e telefone e despesas com água relativas a endereço localizado no Município de Marcionílio Souza, local diverso do município de Macajuba, onde a mesma recebeu rendimentos tributáveis; · Outras despesas: R$1.134,92 referentes a contratação de serviços automotivos/peças (não compatível com a profissão de médico, nos termos do art. 75, parágrafo único, II, do RIR/99), além de R$ 90,00 sem comprovante. Em relação ao anocalendário 2005, foram glosadas despesas da ordem de R$ 59.282,12, conforme abaixo: · Cupons Fiscais de despesas com combustível: R$ 6.482,12 (não compatível com a profissão de médico, nos termos do art. 75, parágrafo único, II, do RIR/99); · Contrato de Prestação de Serviços de Terceiros: R$ 52.800,00 (pagamento a terceiros sem vínculo empregatício, sendo proibida a utilização dessas despesas com dedução no Livro Caixa, conforme art.75, l do RIR/99); Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 386 4 · Despesas com Luz, Água e Telefone: não comprovação de pagamento, assim foram glosadas em função da ausência dos documentos que caracterizaram essas despesas. Também de acordo com o TVF, houve lançamento da multa isolada de 50% sobre o valor do imposto mensal que deixou de ser recolhido a título de carnêleão nos meses de janeiro a abril do ano calendário de 2004 (pagos pela Prefeitura Municipal de Macajuba), conforme tabela de fl. 23. Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 155/165 em 1/9/2008. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Salvador/BA, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Na impugnação (fls. 152/162), os procuradores do contribuinte afirmam que todas as despesas escrituradas em livro caixa têm por base documentos que comprovam os pagamentos, inclusive as despesas de água, energia e telefone. Ressalta que o exercício da medicina de forma autônoma, sem vínculo de emprego, permite, na forma do ar. 75, inciso III do Decreto n° 3.000, de 1999, a dedução de todas as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, a exemplo de despesas com deslocamento, despesas de custeio pagas a terceiros sem vínculo de emprego, despesas de com água, luz e telefone e despesas com manutenção de veículos. Quanto à despesa médica, de R$90,00, com comprovante em anexo, o art. 80 do Decreto permite a sua dedutibilidade. Daí, inexistir deduções indevidas como alegado pelo autuante. Há um equívoco no Auto de Infração quanto à cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de imposto (carnê leão) no anocalendário 2004, pois os rendimentos de trabalho sem vínculo de emprego foram pagos, não por pessoa física, e sim, por pessoa jurídica com retenção de imposto de renda na fonte, não havendo qualquer obrigatoriedade de recolhimento. Enfim, indevida multa isolada, assim como qualquer recolhimento de imposto a titulo de carnê leão. Incorreta a aplicação da multa de ofício de 75% porque não houve inclusão de elementos inexatos em seu livro caixa nem falta de apresentação da documentação probatória. Alega também inexistir fundamento na comunicação de crime contra a ordem tributária pois incorretas as glosas dos gastos corretamente inseridos em suas declarações de ajuste anual porque comprovados com documentação idônea e relacionados à percepção de rendimentos. Requer a improcedência do Auto de Infração, a juntada dos comprovantes de despesas escrituradas em livro caixa, a produção de todo o meio de prova e a realização de diligência Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 387 5 fiscal para constatar a regularidade das despesas deduzidas no livro caixa, afastando a possibilidade de representação de suposto crime fiscal. Os documentos apresentados com a impugnação (fls. 164/351) compreendem entre outros, cópias de Dirpf exercícios 2005 e 2006, livro caixa, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, recibos de pagamentos a autônomos. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Salvador/BA julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 360/365): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005 LIVRO CAIXA. DESPESA INDEDUTÍVEL. Indedutível a remuneração paga a terceiros, sem vínculo empregatício; as despesas de custeio, não ` correlacionadas à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora e as despesas com locomoção e transporte, de outras atividades que não a de representante comercial autônomo. Lançamento Procedente em Parte No mérito, a DRJ afastou a cobrança da multa isolada, no valor de R$ 2.714,11. Isto porque, os rendimentos supostamente provenientes de trabalho sem vínculo empregatício que ensejaram o lançamento da multa isolada eram provenientes da Prefeitura Municipal de Macajuba, e houve retenção de imposto de renda na fonte sobre estes rendimentos, conforme aponta o próprio TVF à fl. 17. Desta forma, havendo retenção de imposto de renda na fonte, a autoridade julgadora entendeu ser indevida a cobrança de carneleão, consequentemente, indevida a cobrança da multa isolada por ausência de recolhimento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 5/3/2009, conforme AR de fl. 370, apresentou o recurso voluntário de fls. 373/378 em 1º/4/2009 Em suas razões, alega que as deduções efetuadas em livro caixa tiveram correlação, ainda que indireta, com o exercício da profissão de médica. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 388 6 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Da dedução das despesas com livrocaixa Pois bem, como relatado, o presente auto de infração foi lançado por deduções indevidas das despesas escrituradas em livro caixa. Nos termos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/25), as despesas deduzidas indevidamente foram: · Ano calendário de 2004: Total de despesas deduzidas de R$ 39.552,32, sendo R$ 3.014,77 com combustível (gasolina); R$ 32.016,00 a título de pagamentos efetuados a terceiros por prestação de serviços sem vínculo empregatício (Neuza Marinho e Genry Moreira); R$ 1.134,92 com serviços automotivos/peças. Ademais, o TVF afirma que foram deduzidas despesas com água, luz e telefone, contudo, não informa o montante dos valores deduzidos. · Ano calendário de 2005: Total de despesas deduzidas de R$ 59.258,12, sendo R$ 6.482,12 com combustível (gasolina); R$ 52.8800,00 ao título de pagamentos efetuados a terceiros por prestação de serviços sem vínculo empregatício (Neuza Marinho, Genry Moreira e Maria José). Ademais, o TVF afirma que foram deduzidas despesas com água, luz e telefone, contudo, não informa o montante dos valores deduzidos. Em síntese, defende a RECORRENTE que todas as despesas deduzidas foram essenciais para a manutenção da fonte geradora da renda, portanto, eram todas despesas dedutíveis, isto porque ela atua como médica em vários municípios, sendo necessário deslocar se para prestar seus serviços. Portanto, afirma que o combustível seria uma despesa essencial, na medida que sem o deslocamento não conseguiria trabalhar. Além disso, alega que as despesas com os serviços prestados por terceiros também foram essenciais para prestação dos seus serviços médicos, e que a não existência do vínculo empregatício não é suficiente para afastar a essencialidade da despesa. Isto posto, analisarseá a legislação aplicável. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 389 7 Relativamente à dedução de despesas de Livro Caixa, à época da ocorrência do fato gerador a dedução das despesas com livro caixa estava prevista nos arts. 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. In verbis: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3ºO Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Sendo a dedução da base de cálculo do imposto um benefício concedido pela legislação, seu exercício deve ser realizado nos moldes estabelecidos pela lei. Acontece que, no presente caso, a RECORRENTE deduz despesas flagrantemente vetadas pelo ordenamento. Perceba que o inciso I do art. 75 é claro ao afirmar que apenas são dedutíveis a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício; contudo, a Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10530.002182/200884 Acórdão n.º 2201005.061 S2C2T1 Fl. 390 8 RECORRENTE pleiteia deduzir pagamentos efetuados a terceiros por prestação de serviços sem vínculo empregatício (Neuza Marinho, Genry Moreira e Maria José). Por sua vez, o parágrafo único do art. 75 estabelece as exceções à possibilidade de dedução de despesas de Livro Caixa. Assim, o inciso II do parágrafo único do art. 75 expressamente veda a dedução de despesas com locomoção e transporte (salvo no caso de representante comercial autônomo). Como dito, a RECORRENTE é médica, e não representante comercial, razão pela qual foi indevida a dedução de combustíveis e autopeças. É preciso ter em mente que tal despesa poderia se enquadrar no art. 75, III, do RIR/99 (III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.); contudo, há um expresso impedimento legal, ou seja, exceções para a aplicação desta norma. E um destas exceções é o inciso II do parágrafo único do art. 75, que, como visto, expressamente veda a dedução de despesas com locomoção e transporte (salvo no caso de representante comercial autônomo). Não fosse isso, qualquer autônomo poderia deduzir as despesas com combustível, o que claramente não é a intenção da norma. Por fim, quanto às despesas com luz, água e telefone, caberia à RECORRENTE comprovar a sua veracidade, mediante documentação hábil e idônea, bem como armazenar a referida documentação pelo enquanto não ocorrer a decadência do crédito tributário do período, nos termos do §2º do art.76. Desta forma, ante a ausência de apresentação destes documentos, correta a glosa dos valores deduzidos. Além de todo o acima exposto, há que se feita a consideração de que as receitas decorrentes de rendimentos do trabalho nãoassalariado percebidas pela RECORRENTE somam R$ 25.893,00 e R$ 7.940,00 nos anoscalendário 2004 e 2005, respectivamente (conforme aponta o TVF, as demais receitas são rendimentos de natureza de Trabalho Assalariado com vínculo empregatício). Assim, esses valores seriam o limite para o valor dedutível, por expressa imposição legal (art. 76 do RIR), o que sequer foi observado pela RECORRENTE. Com essas considerações, não acolho as razões aduzidas pela RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908994/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 89 94 /2 00 9- 12 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (CSLL). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls9097); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.908994/200912 Acórdão n.º 1402003.649 S1C4T2 Fl. 3 3 fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls.139/144, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. Fl. 156DF CARF MF 4 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907924/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.931
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 92 4/ 20 16 -1 9 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13896.907924/201619 Resolução nº 3201001.931 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13896.907924/201619 Resolução nº 3201001.931 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13896.907924/201619 Resolução nº 3201001.931 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13896.907924/201619 Resolução nº 3201001.931 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13896.907924/201619 Resolução nº 3201001.931 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13896.907924/201619 Resolução nº 3201001.931 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 444DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.000030/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1992
MATÉRIAS SUJEITAS AO RITO DO DECRETO N° 70.235, DE 1972.
Só cabe recurso voluntário ao CARF, no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, sobre lançamento de oficio e outras questões indicadas em lei ou ato normativo que vincule o CARF.
Numero da decisão: 1101-000.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em NÃO CONHECER
o recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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Recorrida 3a Turma da DRJ I em Sao Paulo.111 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1992 MATÉRIAS SUJEITAS AO RITO DO DECRETO N° 70.235, DE 1972. Só cabe recurso voluntário ao CARF, no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, sobre lançamento de oficio e outras questões indicadas em lei ou ato normativo que vincule o CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em NÃO CONHECER o recurso voluntário. VALMAR FONSECA DE ENEZES - Presidente. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, Joao Carlos de Figueiredo Neto, José Ricardo da Silva (vice-presidente), e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Processo n° 16151.000030/2009-79 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.646 Fl. 233 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho da DRF que considerou não atendida as condições da anistia previstas na MP 66 e MP 75, ambas de 2001, para quitação de débito. Em 05/02/2009, é feita Representação para abertura do processo, com a transferência de débitos de CSLL do processo n° 13808.005019/98-40 (proc. fl. 1). Em 10/02/2009, são adicionadas as seguintes informações (proc. fls. 135 a 137): Traia-se o presente de processo de representação com recepção de crédito tributário, oriundo do processo n° 13808.005019/98- 40, referente ao período de apuração 06/92 (1° semestre) e 12/92 (2° semestre), no valor de 38.072,55 UFIR e de 32.678,43 UFIR, respectivamente (Termo de Recepção de fls. 129). Este processo foi instruido com cópias do processo n° 13808.005019/98-40 que foram juntadas às fls. 02/128. No processo n° 13808.005019/98-40 o contribuinte informa que esses débitos se encontram na seguinte situação (cópia às fls. 62): Anocalenddrio Medida Judicial Situação Desfecho 1992 MS 93.0015153-3 (18 VJFSP) MC 96.03.094636-2 (48 Turma TRF3) Liminar deferida em 14/06/1993, sentença que denegou a segurança em 28/03/1996, apelação recebida corn efeito suspensivo por força de medida liminar concedida na cautelar em 10/12/1996. Valores recolhidos em anistia (medida provisória n° 66/02 e 75/02) O contribuinte apresentou cópia do pagamento efetuado com os beneficias da anistia «Is. 78) e o demonstrativo de cálculo para pagamento (fls. No cálculo efetuado pelo contribuinte houve erro na conversão do débito expresso em UHR para Reais e no percentual dos juros devidos. Portanto, tratando-se de débitos de 1992 deveria ter sido utilizada na conversão do débito expresso em UFIR para reais a UFIR de 0,9108 e não a de 0,8287. 2 Processo n° 16151.000030/2009-79 S I-CI TI Acórdão n.° 1101-00.646 H. 234 Quanto a juros devidos, verifica-se que o percentual de juros de mora de fevereiro de 1999 até novembro de 2002 perfaz 68,49% (fls. 132) e não os 66,11% indicados no demonstrativo de fls. 77. Essa diferença de 2,38% corresponde à taxa SELIC fixada para o illêS de fevereiro de 1999, não considerada no cálculo do contribuinte, em desacordo cora o previsto na Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 1225/2002. De acordo com o Demonstrativo de Consolidação de fls. 130/131, emitido pelo "SICALC" (Sistema de Cálculo), o valor do crédito tributário deste processo para pagamento em 29/11/2002, com os benefícios da MP 66/02 c/c MP 75/02, seria de R$ 108.574,88 (Receita: 64.439,96 e Juros: 44.134,92). Portanto, o contribuinte não cumpriu a condição estabelecida no inciso I do art. 3° da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 1225/2002 (o valor pago foi de' R$ 103.255,65- pagamento parcial do débito). Além disso, outras condições estabelecidas na Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 1225/2002 não foram atendidas no processo administrativo n° 13808.005019/98-140, tais como: apresentação da "declaração de desistência expressa e irrevogável das ações judiciais relativas aos tributos e as contribuições, cujos débitos serão pagos, e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as referidas ações" e comprovação da desistência expressa e de forma irrevogável da impugnação apresentada em 27/10/98. Tendo em vista que o contribuinte não cumpriu integralmente as condições estabelecidas nos arts. 2°, 30 e 5° da Portaria n° 1225 de 31/10/02, deve ser indeferido o gozo do beneficio estabelecido no art. 20 da MP n° 66/02 c/c MP n° 75/02 e dar prosseguimento na cobrança do saldo remanescente (extrato de fis. 133/134). Em 15/02/2009, despacho decisório indefere o gozo do beneficio previsto na MP no 66, de 2002, e da MP n° 75, de 2002 (proc. fls. 138). 0 despacho se expressa do seguinte modo: O contribuinte as fls. 62 informa que os débitos do ano calendário 1992 foram recolhidos em anistia (medida provisória n° 66/02 e 75/02). De acordo com o despacho de fls. 135/137 o contribuinte não efetuou o pagamento integral do débito, não apresentou "a declaração de desistência expressa e irrevogável das ações judiciais relativas aos tributos e as contribuições, cujos débitos serão pagos, e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as referidas ações" e não apresentou, também, a comprovação da desistência expressa e de forma irrevogável da impugnação apresentada em 27/10/98. Tendo em vista que o contribuinte não cumpriu integralmente as condições estabelecidas nos arts. 2°, 3° e 50 da Portaria n° 1225 3 Processo n° 16151.000030/2009-79 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.646 Fl. 235 de 31/10/2002, INDEFIRO o gozo do beneficio previsto na MP n° 66/2002 e MP n° 75/2002. 0 contribuinte é cientificado da decisão e intimado a recolher o saldo remanescente de CSLL referente ao ano-calendário de 1992 (proc. fls. 139, 140 e 159). Em 24/03/2009, o contribuinte apresenta petição, pedindo que seja revista a decisão, para se considerar quitado o débito, e que seja suspensa a exigibilidade do mesmo (proc. fls. 160 a 165). 0 contribuinte diz que "apresentou, sim, no PA 13808.005019/98-40 petição onde requereu a desistência em caráter irrevogável da ação mandamental (MS 93.0015153-3) no que tange a CSLL, referente ao ano base de 1992". Adiciona que "diante de tal requerimento, o MM juiz da 18 a Vara Cível Federal de Selo Paulo - SP julgou extinto o processo sem julgamento do mérito, em face da desistência expressa das impetrantes, conforme atesta certidão de inteiro teor". Também, explica que "não apresentou desistência da impugnação protocolizada em 27/10/1998, tendo em vista que o auto de infração objeto do PA 13808.005019/98-40, versa sobre diversos anos de utilização da CSLL (art. 41, Decreto 332/91), os quais nem todos foram objeto de anistia". Esclarece ainda que "diante de tal situação, a Peticionaria apresentou a Receita "Requerimento e demonstrativo do débito abrangido pela opção", onde é declinado o PA 13808.005018/98-40 (doc. 03), hem como declaração (doc. 04), conforme preconiza as Medidas Provisórias 66/2002 e 75/2002". Quanto aos valores pagos, admite que houve erro de fato, mas alega que o erro foi de menos de 5% e diz estar juntando guias DARFs "referente ao saldo remanescente da CSLL/92 com os devidos acréscimos legais no montante de R$ 22.157,95 (doc. 05), elaborada fora dos moldes da anistia da MP 66/02 e MP 75/02". Alega que Nota/PGFN 634, 2004, admite a complementação de pagamento, para aproveitamento dos beneficios da MP 38. Em 2/12/2009, a 3' Turma da DRJ I em Sao Paulo considera improcedente a manifestação de inconformidade (proc. fls. 202 a 211). A turma julgadora informa que: De inicio, assinale-se que a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, por meio da Nola MF/SRF/Cosit/Coope n° 550, de 13 de outubro de 1999, manifestou o entendimento de que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento (atuais Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento) são competentes para conhecer de manifestação de inconformidade contra decisão da autoridade administraiiva que indeferir o pedido de reconhecimento do beneficio de dispensa de acréscimos legais, previsto em sucessivos atos normativos, dentre eles a Medida Provisória (MP) no 1.8584, de 27 de agosto de 1999. Com base neste ato, a turma aprecia o litígio e pondera que a empresa demonstrou ter desistido da ação judicial. No entanto, não aceita a argumentação da empresa de que não desistiu do recurso por estarem envolvidas na lide outras questões. A turma diz que a empresa poderia e deveria ter apresentado desistência parcialda impugnação, mas que isso não foi feito. No que tange a afirmação da DM' de que o pagamento foi a menor por erro na conversão e por erro nos juros, a turma diz que de fato o pagamento foi a menor nos termos que a DRF explicou. Adiciona que não é admissivel as alegações solicitando o beneficio por ter pago mais de 95% do valor que deveria ter sido pago. A turma explica que em razão do art. 111 do CTN a interpretação deve ser literal. Esclarece que "nos termos dos artigos 3°, inciso I, e 5 0, sç' 3°, inciso II, da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 1.225/2002, já transcritos, eni caso de crédito tributário vinculado a ação judicial e/ou com exigibilidade suspensa por força do 4 Processo n° 16151.000030/2009-79 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.646 Fl. 236 inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo deveria efetuar o pagamento integral do débito até 29 de novembro de 2002 para fazer jus ao beneficio". Diz que a autoridade administrativa não pode dispensar parte de pagamento por juizo de equidade e que a Nota/PGFN n° 643, 2994, não vincula as unidades da Receita. Destaca a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 7, de 2003, que permite o gozo do benefifio nos casos de pagamento insuficientes, com a complementação de pagamento ate 31/01/2003. Lembra que o contribuinte apenas em 19/03/2009 fez recolhimento complementar. Conclui com os seguintes argumentos: Entretanto, por não haver respaldo legal para que seja considerada a complementação do recolhimento efetuada, para os fins pretendidos pela interessada, e tendo em vista que não foi formalizada a desistência da impugnação apresentada no Processo n° 13808.005019/98-40, entende-se não preenchidos os requisitos para o gozo do beneficio requerido. Em 13/01/2010, o contribuinte 6. cientificado da decisão (proc. fl. 214). Em 12/02/2010, o contribuinte apresenta petição que denomina recurso voluntário (proc. fls. 218 a 222). Informa que apresentou petição de desistência parcial do processo administrativo em referência, mas por meio do requerimento e demonstrativo do débito alcançados pela opção. Diz que: Ora, a Recorrente efetivamente requereu a desistência, contudo o fez através do Requerimento e Demonstrativo do débito abrangido pela opção, onde claramente discriminou o Processo Administrativo (doc. 03 da manifestação de inconformidade), bent como anexou declaração renunciando expressamente aos direitos sobre os quais se fundam o referido processo (doc. 04 da manifestação de inconformidade). Afirma que reconheceu ter recolhido valor a menor, por erro na conversão da UFIR. Diz que ao tomar conhecimento de seu erro providenciou o recolhimento da diferença. Alega que, como desde o inicio recolheu 95% do valor devido, é injusta a exclusão da anistia, princiopalmente porque recolheu a diferença ao tomar ciência de seu erro. Pede para que seja deferida a adesão à anistia e reconhecida a quitação integral da CSLL de 1992. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Conforme relatado, o litígio versa sobre a quitação ou não de débito nos termos da anistia prevista na MP 66 e MP 75, ambas de 2002. De um lado o contribuinte entende que atendeu as condições e do outro a DRF entendeu que as condições legais para a fruição do beneficio não foram cumpridas e determinou a cobrança do saldo remanescente. 0 contribuinte apresentou petição questionando a decisão da DRF e a turma julgadora da DRJ analisou a lide, decidindo desfavoravelmente ao contribuinte. De tal decisão, o contribuinte apresentou petição denominada de recurso voluntária a dirigida ao CARF. Porém, apenas algumas matérias podem ser discutidas administrativamente no rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Conforme o art. 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o Processo n° 16151.000030/2009-79 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.646 Fl. 237 rito nele previsto é voltado para a discussão sobre a determinação e exigência de crédito tributário, o que limita sua aplicação as discussões sobre lançamentos de oficio, já que não há sentido em pretender discutir determinação (formalização) de crédito feita pelo próprio contribuinte. verdade que, com o passar do tempo, foram admitidas discussões administrativas sobre algumas outras questões com base no rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Porém, tais admissões são feitas por lei e para o caso apresentado nos autos, não há previsão legal de aplicação do rito. As questões para as quais existe previsão de discussão no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, que mais se aproximam da presente nos autos são as retratadas no art. 22 da MP 66, de 2002, e no art. 15 da MP 75, de 2002, abaixo transcritos: Art. 22. Relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte ou o responsável que, a partir de 15 de maio de 2002, tenha efetuado pagamento de débitos, em conformidade com norma de caráter exonerativo, e divergir em relação ao valor de débito constituído de oficio, poderá impugnar, com base nas normas estabelecidas no Decreto n° 70.235, de 6 de ma/v(3 de 1972, a parcela não reconhecida como devida, desde que a impugnação: I - seja apresentada juntamente com o pagamento do valor reconhecido como devido; II - verse, exclusivamente, sobre a divergência de valor, vedada a inclusão de quaisquer outras matérias, em especial as de direito eni que se fundaram as respectivas ações judiciais ou impugnações e recursos anteriormente apresentados contra o mesmo lançamento; III - seja precedida do deposito da parcela não reconhecida como devida, determinada de conformidade com o disposto na Lei n°9.703, de 17 de novembro de 1998. § 1° Da decisão proferida em relação à impugnação de que trata este artigo, caberá recurso nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. § 2° A conclusão do processo administrativo fiscal, por decisão definitiva em sua esfera ou desistência do sujeito passivo, implicará a imediata conversão em renda do deposito efetuado, na parte favorável a Fazenda Nacional, transformando-se em pagamento definitivo. § 3° A parcela depositada nos termos do inciso III do caput que venha a ser considerada indevida por form da decisão referida no § 2, sujeitar-se-6 ao disposto na Lei n° 9.703, de 1998. § 4° 0 disposto neste artigo também se aplica a majoração ou a agravamento de multa de oficio, na hipótese do art. 20. Art. 15. Relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, na hipótese 6 Processo n° 16151.000030/2009-79 SI-C IT I Acórdão n.° 1101-00.646 Fl. 238 de, na data do pagamento realizado de conformidade com norma de caráter exonerativo, o contribuinte ou o responsável estiver sob ação de fiscalização relativamente à matéria a ser objeto desse pagamento, a parcela não reconhecida como devida poderá ser impugnada no prazo fixado na intimação constante do auto de infração ou da notificação de lançamento, nas condições estabelecidas pela referida norma, inclusive em relação ao depósito da respectiva parcela dentro do prazo previsto para o pagamento do valor reconhecido como devido. Mas, como se depreende da leitura dos dispositivos, essas questões divergem totalmente da existente nos autos. Os dispositivos tratam de situação onde existe a discordância sobre o montante do crédito, enquanto a questão trazida pelo contribuinte versa sobre a não aceitação do cumprimento de requisitos para fins de considerar a anistia em questão. Ainda cabe comentar que o fato da DRJ ter conhecido da petição do contribuinte como uma manifestação de inconformidade e ter manifestado seu entendimento sobre a questão, foi uma decisão da turma julgadora, que não vincula o CARF e nem obriga que o recurso interposto contra tal decisão seja conhecido como recurso voluntário no rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Inclusive, a circunstância de existir orientação interna da Receita Federal do Brasil permitindo turma da DRJ decidir sobre este tipo de lide, tal como entendeu a turma julgadora, não vincula o CARF. Ademais, a Lei n° 9.784, de 1997, estabelece o rito geral para processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta (artigo 1 0), excluindo apenas os processos administrativos específicos e disciplinados por lei própria (artigo 69). Deste modo, para aplicação de rito diferente do estabelecido na Lei n° 9.784, de 1997, ao caso constante nos autos, é preciso haver previsão legal. Por estas razões, voto por não conhecer o recurso voluntário. Sala das Sessões, 16 de janeiro de 2012. - 7 Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro - Relator 7
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Numero do processo: 10660.901874/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.161
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 18 74 /2 01 3- 99 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10660.901874/201399 Acórdão n.º 1401003.161 S1C4T1 Fl. 3 2 decidido no julgamento do processo 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Tratase de Despacho Decisório, por meio do qual a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou declaração de compensação realizada pelo contribuinte. De acordo com o PER/DComp, o crédito pleiteado pelo contribuinte seria decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL. Todavia, a Autoridade Administrativa, ao exercer sua competência para examinar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, concluiu pela inexistência de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, tendo em vista a integral utilização para a quitação de estimativa mensal. Desta forma, no Despacho Decisório, indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte. Diante da resposta negativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que houve um erro de fato no preenchimento do PER/DComp e que o crédito pleiteado referiase, em verdade, a Saldo Negativo de CSLL. Juntou documentos. Em vista do erro de fato no preenchimento do PER/DComp, o contribuinte pediu que houvesse a retificação do PER/DComp para considerar o crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL e que fosse homologada a compensação. A DRJ, na decisão ora combatida, não conheceu do pedido do contribuinte por considerarse incompetente para decidir sobre a retificação de PER/DComp, uma vez que o contencioso tem o escopo determinado pela Manifestação de Inconformidade do contribuinte em face do Despacho Decisório, que versou exclusivamente sobre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e não de saldo negativo de CSLL. Considerou a DRJ que estaria invadindo a competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, a quem compete os atos primários, tais como lançamentos de ofício (autos de infração e notificações de lançamento) e despachos decisórios acerca de pedidos de repetição de indébito. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10660.901874/201399 Acórdão n.º 1401003.161 S1C4T1 Fl. 4 3 Na fundamentação, a DRJ destaca que a DRF tem competência para retificar de ofício o crédito declarado, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.158 de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.158): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo, ressalvandose o conhecimento parcial das matérias alegadas pelo contribuinte, conforme será exposto. No que tange às razões adotadas pela DRJ para não conhecer da Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de CSLL. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10660.901874/201399 Acórdão n.º 1401003.161 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de CSLL foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. Todavia, na Manifestação de Inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte formulou dois pedidos. O primeiro deles versa sobre a retificação do erro de fato cometido no PER/DComp, de forma a se considerar o pedido de repetição de indébito de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. No segundo, pede o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação. Os pedidos demandam uma análise detalhada, em partes. Em relação ao primeiro pedido, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Embora aquele processo tratasse de IRPJ e não de CSLL, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10660.901874/201399 Acórdão n.º 1401003.161 S1C4T1 Fl. 6 5 determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Vêse que tanto a decisão de piso sob análise, quanto o precedente acima mencionado destacam em suas fundamentações a possibilidade de retificação de ofício, por parte da autoridade da DRF, do crédito objeto do Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10660.901874/201399 Acórdão n.º 1401003.161 S1C4T1 Fl. 7 6 PER/DComp, nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. No caso da decisão a quo, não se conheceu da Manifestação de Impugnação. Ao não tomar conhecimento, a DRJ evitou que a matéria fosse submetida ao contencioso, o que poderia redundar no afastamento da competência da DRF para realizar a revisão de ofício. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o primeiro pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhece se, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer COSIT já citado. É relevante ressaltar que a presente decisão não conhece do primeiro pedido do contribuinte, na parte que versa sobre a retificação de ofício do PER/DComp. Os órgãos julgadores, como asseverado alhures, são incompetentes para realizar o ato administrativo inaugural de revisão de ofício do PER/DComp do contribuinte com vistas à análise de crédito diverso, qual seja, saldo negativo de CSLL. Não se conhece, ademais, do segundo pedido, que trata do deferimento do crédito pleiteado e da homologação da compensação declarada. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos, conforme Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de revisão de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10660.901874/201399 Acórdão n.º 1401003.161 S1C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905142/2010-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
À luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, o conceito de insumos passa a ser apreciado em função dos critérios da relevância e da essencialidade, sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços.
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL A SER APLICADO. FUNÇÃO DO PRODUTO FABRICADO.
Deve ser observada a natureza do produto fabricado, e não dos insumos adquiridos, para se buscar a definição do percentual a ser aplicado de crédito presumido da agroindústria.
Numero da decisão: 9303-008.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, (i) por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito com relação aos seguintes itens: (a) custos com materiais de limpeza e desinfecção; (b) despesas decorrentes de frete utilizados para o transporte de insumos e de produtos em elaboração; (c) aquisição de produtos para movimentação de carga - pallets; e (d) aquisição de combustível empregado em máquinas e equipamentos - óleo diesel; (ii) por unanimidade de votos, em dar provimento para reconhecer que o percentual a ser aplicado para cálculo do crédito presumido de PIS/COFINS corresponde a 60% em função do produto fabricado e (iii) por maioria de votos, em dar provimento com relação ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao frete de produtos acabados (iii), a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. À luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, o conceito de insumos passa a ser apreciado em função dos critérios da relevância e da essencialidade, sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL A SER APLICADO. FUNÇÃO DO PRODUTO FABRICADO. Deve ser observada a natureza do produto fabricado, e não dos insumos adquiridos, para se buscar a definição do percentual a ser aplicado de crédito presumido da agroindústria.
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INSUMOS Recorrentes FAZENDA NACIONAL SADIA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. À luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, o conceito de insumos passa a ser apreciado em função dos critérios da relevância e da essencialidade, sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL A SER APLICADO. FUNÇÃO DO PRODUTO FABRICADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 42 /2 01 0- 77 Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.782 2 Deve ser observada a natureza do produto fabricado, e não dos insumos adquiridos, para se buscar a definição do percentual a ser aplicado de crédito presumido da agroindústria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, (i) por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito com relação aos seguintes itens: (a) custos com materiais de limpeza e desinfecção; (b) despesas decorrentes de frete utilizados para o transporte de insumos e de produtos em elaboração; (c) aquisição de produtos para movimentação de carga pallets; e (d) aquisição de combustível empregado em máquinas e equipamentos óleo diesel; (ii) por unanimidade de votos, em dar provimento para reconhecer que o percentual a ser aplicado para cálculo do crédito presumido de PIS/COFINS corresponde a 60% em função do produto fabricado e (iii) por maioria de votos, em dar provimento com relação ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao frete de produtos acabados (iii), a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de recursos especiais apresentados pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte em face do acórdão nº 3302002.025, de 23/04/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.783 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DIREITO DE CRÉDITO. PROVA. Incumbe ao requerente demonstrar as alegações, relativamente ao direito de crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA DE PROCESSAMENTO DE CARNES. A indumentária de uso obrigatório na linha de produção da indústria de processamento de carnes enquadrase no conceito de insumo e, consequentemente, a despesa incorrida com a mesma dá direito ao crédito básico de PIS e Cofins NC. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. Material de embalagem empregado nos produtos fabricados pela recorrente enquadrase no conceito de insumo e, consequentemente, a despesa incorrida com o mesmo dá direito ao crédito básico de PIS e Cofins NC. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.784 4 Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados a venda. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO. Embora a utilização dos créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, seja estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, o erro cometido pelo contribuinte consistente no lançamento dos valores em linha incorreta não é motivo suficiente para a glosa do créditos, sem análise adicional sobre a sua idoneidade para gerar ou não créditos. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Provido em Parte O recurso especial da Fazenda Nacional decorre do conceito de insumos aplicados para avaliação do direito aos créditos de PIS e Cofins, apurados no regime da não cumulatividade, previstas nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O recurso especial, admitido na întegra pelo presidente da 3º Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, devolve ao colegiado a discussão das seguintes matérias: 1) Conceito de insumos; 2) Possibilidade de créditos com produtos de movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte (sacolas "Jérsei", folhas de papel crepe e de papel ondulado); 3) Possibilidade de crédito com despesas com combustíveis (hexano, óleo de xisto e GLP); 4) Possibilidade de crédito com serviços utilizados como insumos (alínea 3 das fichas 06A e 16A da Dacon); 5) Possibilidade de crédito com despesas com ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; 6) Possibilidade de crédito sobre indumentária de uso obrigatório determinado pela Anvisa; e 7) Possibilidade de crédito sobre soda cáustica e terra clarificante. A Fazenda Nacional pede a Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.785 5 reversão do entendimento adotado no acórdão recorrido e que sejam negados todos esses créditos acima especificados. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial fazendário, nas quais pede o seu não conhecimento e, caso conhecido, que seja improvido. O recurso especial do contribuinte, o qual foi admitido na íntegra por despacho aprovado pelo presidente da 3º Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, pretende rediscutir as seguintes matérias, nas quais teve improvido o seu recurso voluntário: 1) Direito de crédito em decorrência de custos com materiais de limpeza e desinfecção; 2) Direito de crédito do PIS/COFINS decorrente de despesas com frete entre estabelecimentos e custos com armazenagem; 3) Direito ao crédito decorrente da aquisição de produtos para movimentação de carga pallets; 4) Direito de crédito pela aquisição de combustível empregados em máquinas e equipamentos óleo diesel; 5) Percentual a ser aplicado para cálculo do crédito presumido do PIS/COFINS. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais pede o improvimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Não tem razão o contribuinte que defende o não conhecimento do recurso especial fazendário, alegando que deixou de ser "demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido". Concordo com o despacho de admissibilidade, pois o acórdão paradigma nº 20312448 adotou o conceito de insumos previsto nas IN SRF nº 247/2002 e 358/2003, que, como é sabido, adota um critério restritivo de apuração de créditos da não cumulatividade, sendo certo que os insumos aqui discutidos não atendem àqueles conceitos. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.786 6 Conceito de insumos Como, ambos os recursos discutem a temática do conceito de insumos, para fins de apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, importante, antes de adentrar ao seu mérito, pontuar o conceito de insumos adotado por este relator no presente voto. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.787 7 Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.788 8 importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.789 9 Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.790 10 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. 1) Recurso especial da Fazenda Nacional 1.1) Possibilidade de créditos com produtos de movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte (sacolas "Jérsei", folhas de papel crepe e de papel ondulado). Quanto a esses itens o acórdão recorrido considerou que se enquadram no conceito de embalagem que se incorporam aos produtos fabricados pelo contribuinte. Comentouse inclusive que esses itens fariam também jus ao crédito básico de IPI. Estando corretas estas afirmações, sendo certo que a PFN não contestou especificamente esta conclusão, voto por negar provimento ao recurso fazendário nesta matéria. 1.2) Possibilidade de crédito com despesas com combustíveis (hexano, óleo de xisto e GLP) Em relação a essa glosa, o acórdão recorrido entendeu que esses combustíveis são efetivamente utilizados no parque fabril da contribuinte. Portanto, há que se negar provimento ao recurso especial fazendário nesta matéria. 1.3) Possibilidade de crédito com serviços utilizados como insumos (alínea 3 das fichas 06A e 16A da Dacon) Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.791 11 Neste subitem há que se negar provimento ao recurso especial da Fazenda, pois a razão do provimento no acórdão recorrido não tem qualquer ligação com o conceito de insumos. O acórdão recorrido reconheceu o crédito porque a glosa foi genérica, sem análise material dos itens relacionados na linha 3 das Fichas 06A e 16A. 1.4) Possibilidade de crédito com despesas com ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos O acórdão recorrido entendeu que as ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos "enquadramse no conceito de insumos, pois são componentes do processo e nele são utilizados". A Fazenda Nacional nada apresentou especificamente para contestar esta afirmação. Além disso, o acórdão recorrido descartou serem tais itens classificados no ativo imobilizado. Portanto, considerando o conceito de insumos já delineado no presente voto, há que se negar provimento ao recurso fazendário nesta matéria. 1.5) Possibilidade de crédito sobre indumentária de uso obrigatório determinado pela Anvisa Pela própria nomenclatura, evidente que é de uso obrigatório diretamente no processo fabril da contribuinte. Negase provimento ao recurso nessa matéria. 1.6) Possibilidade de crédito sobre soda cáustica e terra clarificante. Aqui, o acórdão recorrido entendeu que "os produtos seriam utilizados no processo produtivo, não se tem, de fato, uma justificativa motivada para a glosa". Estando correta esta afirmação, negase provimento ao recurso também nesta matéria. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. 2) Recurso especial do Contribuinte 2.1) Direito de crédito em decorrência de custos com materiais de limpeza e desinfecção O acórdão recorrido não concedeu este crédito por entender que não se trata de insumos utilizados na produção. Porém com a ampliação do conceito de insumos, conforme Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.792 12 delineado nas considerações iniciais do meu voto e, considerando que se trata de uma indústria de alimentos, entendo ser item necessário e essencial ao desenvolvimento do processo produtivo do contribuinte. Dou provimento ao recurso especial nesta parte. 2.2) Direito de crédito do PIS/COFINS decorrente de despesas com frete entre estabelecimentos e custos com armazenagem Em sua defesa o contribuinte alega que tratase de fretes entre estabelecimentos para o transporte de produtos em elaboração e também de produtos acabados. Portanto dou parcial provimento ao recurso nesta parte, pois permitese a apropriação de créditos sobre serviços de frete utilizados para o transporte de insumos e de produtos em elaboração dentro do ciclo de produção. Somente nesta hipótese, os serviços de frete contratados de pessoas jurídicas, geram direito ao crédito por se tratarem de insumos da produção. Ao contrário, os fretes nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos, não são insumos e nem fazem parte da operação de venda de que trata o inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em relação aos custos com embalagens a decisão recorrida negou o crédito com base no seguinte argumento: (...) Ademais, não se acatam aqui as alegações da Interessada quanto ao direito de crédito por armazenagem, pois, conforme demonstrado nos autos e exaustivamente analisado pelas instâncias anteriores, a previsão específica do art. 3º, IX, das leis instituidoras das contribuições nãocumulativas não se aplica ao caso. (...) O acórdão recorrido afirmou categoricamente que as despesas de armazenagem que foram glosadas pela fiscalização não correspondem à previsão legal do inc. IX do art. 3º. Em seu recurso especial o contribuinte não contestou esta afirmativa, restringindo, neste ponto a defender um conceito de insumos mais amplo do que o adotado no acórdão recorrido. Sendo assim nego provimento ao recurso especial nesta matéria. 2.3) Direito ao crédito decorrente da aquisição de produtos para movimentação de carga pallets De acordo com o contribuinte, os pallets não tem a função única de Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.793 13 movimentar as cargas, mas também a de impedir o contato do produto com a superfície do chão. Além disso, são necessários para a movimentação das matérias primas e para armazenagem dos produtos em elaboração. Diante deste contexto, e considerando que não sejam itens ativáveis no imobilizado, dou provimento ao recurso especial do contribuinte. 2.4) Direito de crédito pela aquisição de combustível empregados em máquinas e equipamentos óleo diesel O acórdão recorrido negou o crédito ao óleo díesel, utilizado em veículos de transporte de terceiros por ela contratados, por se tratar de item consumido com transporte fora da produção. Em seu recurso especial o contribuinte afirma que o óleo díesel é "empregado no transporte de insumos, portanto, dentro do processo produtivo da Recorrente, também é empregado como fonte de combustão de máquinas, equipamentos e geradores de energia para garantir que a produção seja ininterrupta, ainda que falte energia." Ocorre que não foi essa a alegação do contribuinte em seu recurso voluntário. Veja como ele disse quanto ao uso do óleo díesel: Portanto, fica clara a correção do entendimento adotado no acórdão recorrido, pois o óleo díesel utilizado em seus caminhões, ou em caminhões de terceiros, não é insumo do processo produtivo. Em relação ao utilizado para o transporte dos insumos, vêse que são gastos anteriores ao início do processo produtivo e o utilizado para a comercialização de seus produtos industrializados, vêse que são gastos após o encerramento do processo fabril. Assim, nego provimento ao recurso do contribuinte nesta matéria. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.794 14 2.5) Percentual a ser aplicado para cálculo do crédito presumido do PIS/COFINS Inicialmente há que se delimitar esse litígio. Ele referese somente sobre qual percentual do crédito presumido da agroindústria, 60% ou 35%, a ser aplicado sobre os insumos utilizados para sua produção. Portanto os demais itens de crédito presumido da agroindústria que foram glosados por outros motivos não se incluem no presente recurso especial. Em relação ao percentual a ser utilizado, tal matéria já está definitivamente pacificada na jurisprudência do CARF, sobretudo após a inclusão do §10 ao artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme abaixo: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.795 15 domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Portanto o direito ao crédito presumido, apurado no percentual de 60%, é definido não pela natureza dos insumos adquiridos, mas em função do produto fabricado. Diante do exporto voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte nesta matéria. Conclusão 1) Voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. 2) Voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte nas seguintes matérias: 1) Direito de crédito em decorrência de custos com materiais de limpeza e desinfecção; 2) Direito ao crédito decorrente da aquisição de produtos para movimentação de carga pallets; e 3) O Percentual a ser aplicado para cálculo do crédito presumido do PIS/COFINS corresponde a 60% em função do produto fabricado. 4) frete utilizados para o transporte de insumos e de produtos em elaboração dentro do ciclo de produção (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.796 16 Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao sempre primoroso voto do Ilustre Relator, prevaleceu no Colegiado o entendimento pela possibilidade de aproveitamento do crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos, tendo sido designada esta Conselheira para redigir o voto vencedor tão somente quanto a essa matéria. Em outras ocasiões, esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse sobre o tema, firmando entendimento no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos por se constituir como parte da "operação de venda". Nesse sentido, é o Acórdão n.º 9303008.099, de relatoria da Nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999, in verbis: [...] Quanto à primeira discussão, vêse que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.797 17 da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303005.155, 9303 005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303 005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303 006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303 006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303 006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303 006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303 005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303 005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303 005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 9303008.216 CSRFT3 Fl. 1.798 18 [....] Com base nessas considerações, deuse provimento ao recurso especial da Contribuinte nessa parte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1798DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.011521/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/12/2005
TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DO VEICULO. TRANSPORTADOR. NÃO CONCLUSÃO DO TRÂNSITO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O roubo de veiculo transportador de mercadoria que se encontre sob a aplicação do regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro não é evento excludente da responsabilidade tributária do beneficiário do regime quanto à conclusão do trânsito, em face da descaracterização do roubo como caso fortuito ou de força maior. O Boletim de Ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado aparentemente criminoso.
Numero da decisão: 3402-006.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/12/2005 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DO VEICULO. TRANSPORTADOR. NÃO CONCLUSÃO DO TRÂNSITO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O roubo de veiculo transportador de mercadoria que se encontre sob a aplicação do regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro não é evento excludente da responsabilidade tributária do beneficiário do regime quanto à conclusão do trânsito, em face da descaracterização do roubo como caso fortuito ou de força maior. O Boletim de Ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado aparentemente criminoso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 15 21 /2 00 8- 37 Fl. 370DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Fortaleza/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de impugnação contra os Autos de Infração de fls. 04 49, por meio dos quais foi formalizada a exigência de créditos tributários relativos a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (COFINSImportação) e Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEPImportação), acrescidos de juros de mora e da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como da multa por infração administrativa ao controle das importações, caracterizada por importar mercadoria sem licenciamento, prevista no art. 169, inciso I, alínea "b" do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562/1978. De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infração a empresa acima identificada, em 03/01/2006, comunicou uma ocorrência na operação de trânsito aduaneiro conduzida sob sua responsabilidade, relativa à Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) nº 05/04274600, registrada em 02/12/2005, nos seguintes termos (fl. 70): “Viemos através desta expor o que aconteceu na data de ontem (02/12/2005) com o veículo DBL 8680 / DBB 5002 que foi desembaraçado as 22:56 hs, foi roubado por volta das 00:10 hs do dia 03/12/2005, esse veiculo está com as DTAs 05104274600 ref. MAWB 00A 9700 5053 e 05/04274694, ref MAWB 001 3580 0446. [...]” (sic) Ainda conforme o relato, a operação de trânsito aduaneiro foi iniciada na Alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino ao Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre, envolvendo mercadorias amparadas pelo MAWB/HAWB 00A 9700 5053. No entanto, conforme consta no sistema "SISCOMEX / Gerencial do Trânsito Aduaneiro", a operação encontrase pendente de conclusão. (fls. 5868). O transportador foi intimado para que apresentasse documentação comprobatória da conclusão da operação de trânsito aduaneiro ou das informações relativas à identificação e Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10814.011521/200837 Acórdão n.º 3402006.220 S3C4T2 Fl. 371 3 valoração das mercadorias e outros documentos. Entretanto, o beneficiário apresentou manifestação nos seguintes termos: “Com relação ao trânsito aduaneiro iniciado no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, tendo como destino o Aeroporto Internacional de Porto alegre Salgado Filho, contendo as declarações de trânsito aduaneiro de n° 05/0427460 0 e 05/04274694, não houve conclusão total tendo em vista que o veículo placa DBL8680 foi objeto de assalto a mão armada conforme pode ser comprovado pelo Boletim de Ocorrência de n° 5899/2005 complementar ao R.D.O. n° 5893/2005 (cópias em anexo) e carta datada de 02 de janeiro de 2006, comunicando o fato a Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.” Afirma, a autoridade fiscal, que o beneficiário e transportador da operação de trânsito aduaneiro, deve ser responsabilizado pelo descumprimento das obrigações assumidas devendo recolher os tributos suspensos por ocasião da concessão do regime, tendo em vista o disposto no Decreto nº 4.543, de 26/12/2002, artigos 290, 291, 292, 296, 591, 592, 595. Por fim, aduz que a alegação de roubo, formalizada nos Registros de Ocorrência nº 5893 e 5899/2005 emitidos pelo 33º Distrito Policial de Pirituba/SP (fls. 111116 e 127 131), não se caracteriza como caso fortuito ou de forca maior para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543/2002, conforme dispõe o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12, de 31/03/2004 (DOU de 02/04/2004). Cientificada dos Autos de Infração em 01/08/2008, conforme fl. 188, a interessada apresentou a impugnação de fls. 192204, em 02/09/2008 (fl. 211), expondo as razões de defesa a seguir resumidas: 1) após o início do transporte, no dia 03/12/2005, por volta de 0h 10min, nas proximidades da Avenida Marginal Direita do Tietê, altura do número 1.000, Município de Pirituba SP, a carga e o veículo foram objeto de roubo (art. 157 do Código Penal), mediante grave ameaça realizada por quadrilha armada, fato noticiado e comprovado à Alfândega através do processo administrativo nº 10814.000043/200678; 2) não obstante o motivo exógeno e de força maior que impediu a conclusão do transporte aduaneiro, atribuiuse à impugnante a responsabilidade pelo pagamento de todos os tributos e encargos devidos a partir da data do não cumprimento da obrigação; 3) a autoridade fiscal partiu da equivocada premissa de que não existiu caso fortuito ou força maior, devido às obrigações quanto ao recolhimento dos tributos suspensos e demais encargos terem sido expressamente firmadas em Termo de Responsabilidade mas, conforme preceitua o art. 393 do Código Civil, para estes Fl. 372DF CARF MF 4 casos não são aplicáveis tais conceitos, bem como o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12/2004; 4) o artigo 595 do Decreto nº 4.543/2002 expressamente prevê a exclusão da responsabilidade, se demonstrada a ocorrência de caso fortuito ou de força maior, sendo que, no caso, a impugnante comprovou ter sido vítima de roubo, mediante grave ameaça praticada por bando ou quadrilha armada, no percurso definido perante a Aduana, fato notoriamente inevitável e irresistível, fora de sua área de atuação e responsabilidade; 5) o art. 393 do Código Civil dispõe que o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles se responsabilizado, e o parágrafo único da mesma disposição legal preceitua que o caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir; 6) não se poderia exigir dos funcionários da impugnante que se opusessem ou resistissem à subtração do veículo e da mercadoria transportada em razão de grave ameaça, perpetrada por quadrilha armada, ao bem maior da vida, o que tornou invencível, inevitável e irresistível a ação criminosa; 7) segundo a melhor construção pretoriana, “a inevitabilidade e não a imprevisibilidade que efetivamente mais importa para caracterizar o fortuito. E aquela há de entenderse dentro de certa relatividade, tendose o acontecimento como inevitável em função do que seria razoável exigirse.” (Resp 120647/SP); 8) uma vez que sequer a lei tributária pode fazer tábula rasa das definições, conteúdos e alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado (art. 110 do CTN), não pode o simples Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12 pretender fazêlo; 9) em momento algum a impugnante se responsabilizou expressamente pelo extravio da mercadoria transportada em razão de caso fortuito ou de força maior, como exigido pela ressalva contida no caput do art. 393 do Código Civil; 10) conforme reiteradas decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes, roubo de carga, à mão armada, no transporte em Trânsito Aduaneiro, configura caso fortuito ou força maior, caracterizandose como excludente da responsabilidade do transportador pela falta de mercadoria; 11) o evento excludente encontrase materializado no Boletim de Ocorrência Policial, pois, ao prestar declaração à autoridade policial, o cidadão o faz sob as penas da lei, constituindo crime a prestação de declaração falsa, sendo inadmissível que o Poder Público tome liminarmente como duvidosa a declaração prestada à Polícia; 12) o pressuposto é que a autoridade policial investigará a denúncia e, encontrandose falsa, processará devidamente o denunciante, dando azo a que outros prejudicados notadamente o legítimo proprietário da mercadoria, a seguradora e o fisco, tomem então as providências cabíveis tendentes ao ressarcimento de seus prejuízos; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10814.011521/200837 Acórdão n.º 3402006.220 S3C4T2 Fl. 372 5 13) a legislação de regência estabelece que cabe ao Importador/Transportador a produção de prova que caracterize a ocorrência de caso fortuito ou força maior, capaz de excluir a sua responsabilidade por falta e/ou avaria de carga transportada e esse ônus probatório foi cumprido com a imediata comunicação do roubo às autoridades policiais e à Receita Federal, caracterizandose a excludente de responsabilidade que exime o transportador das exigências; 14) por fim, requer seja decretada a insubsistência da atuação e do crédito tributário, em razão da ocorrência de excludente de responsabilidade, qual seja, força maior decorrente de roubo realizado por quadrilha armada, concedendolhe todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção, com ênfase para juntada de novos documentos, vistorias e diligências. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Fortaleza/CE (fls 236 a 248), cuja ementa segue colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/12/2005 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei em que se admite a apresentação a posteriori. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas providências devem ser expressamente solicitadas com especificação de seu objeto, atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/12/2005 TRÂNSITO ADUANEIRO. COMUNICAÇÃO DE ROUBO DA CARGA. CASO FORTUITO INTERNO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. A comunicação de roubo da carga à autoridade policial, mediante registro em Boletim de Ocorrência, não se reveste de natureza probatória para fins de exclusão da responsabilidade tributária do transportador, beneficiário do regime de trânsito aduaneiro. O roubo da carga transportada corresponde à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, evento previsível e cujos efeitos podem ser evitados, inerente ao risco da atividade econômica desenvolvida pelo Fl. 374DF CARF MF 6 transportador, sendo inapto, portanto, para afastar a sua responsabilidade tributária pelo extravio da mercadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Sujeito Passivo recorre a este Conselho por meio de petição de fls 266 a 283, repisando os argumentos de sua impugnação. Ademais, afirma a suficiência do boletim de ocorrência como meio de prova hábil para juridicamente restar configurado o caso fortuito; bem como apresenta argumentação embasada em jurisprudência sobre a impossibilidade de se falar em caso fortuito interno para a solução da presente lide. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme as informações de fls 263, o Sujeito Passivo tomou ciência da decisão da DRJ em 09/02/2017, tendo apresentado o recurso voluntário em 09/03/2017 (fls 264). Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como bem apontado pela decisão recorrida, a solução do presente litígio consiste em examinar se ao transportador, beneficiário do regime de trânsito aduaneiro, pode ser imputada responsabilidade tributária pelo extravio de mercadoria durante o transporte, em face da comunicação de roubo da carga, formalizada perante a autoridade policial. Sobre as responsabilidades do transportador, os artigos 291 e 292 do Decreto nº 4.543/2002, vigente à época do fato, dispunham que: Art. 291. O transportador de mercadoria submetida ao regime de trânsito aduaneiro responde pelo conteúdo dos volumes, nos casos previstos no art. 592. Art. 292. O transportador deverá apresentar a mercadoria submetida ao regime de trânsito aduaneiro na unidade de destino, dentro do prazo fixado, na forma estabelecida na Subseção II da Seção VI deste Capítulo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Enquanto isso, os artigos 591 e 592 do mesmo diploma regulamentar determinavam: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10814.011521/200837 Acórdão n.º 3402006.220 S3C4T2 Fl. 373 7 ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): [...] VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. Assim, a Recorrente centra sua defesa no argumento de que o roubo da mercadoria, noticiado em Boletim de Ocorrência, configura força maior, a qual exclui a responsabilidade do transportador, com fulcro no citado artigo 595 do Decreto nº 4.543/2002. A decisão a quo não acatou tal argumentação, apresentando os seguintes fundamentos para tanto: i) que o boletim de ocorrência não se reveste de natureza probatória dos acontecimentos nele registrados, porquanto se trata de declaração unilateral do interessado, a ser apurada em investigação policial, que enfim coletará as provas e evidenciará as circunstâncias materiais do fato efetivamente ocorrido; ii) que não houve configuração do caso fortuito externo, capaz de excluir a responsabilidade, haja vista o risco inerente à atividade e ao contrato de prestação de transporte. É o caso de reforma da decisão. Isto porque, em primeiro lugar, é preciso lembrar que o crime de roubo, do qual a Recorrente alega ser vítima, constitui delito sujeito à ação penal pública incondicionada (artigos 24 e 257, inciso I do Código de Processo Penal), ou seja, uma vez reportada via boletim de ocorrência (BO) a ocorrência do crime, cabe exclusivamente à autoridade policial investigar os indícios de autoria e materialidade e, em seguida, ao Ministério Público a atividade privativa para a propositura da ação penal. No caso concreto, o processo foi arquivado pois os autores do crime não foram localizados, identificados nem reconhecidos, não havendo, portanto, indícios de autoria (fls 324). Isto quer dizer que o documento em questão (boletim de ocorrência) é justamente aquele que está ao alcance da Recorrente para relatar o evento e servir como meio de prova do ocorrido. A falta de elementos suficientes para a continuidade da ação penal, pelos órgãos competentes, não infirma necessariamente o seu conteúdo. Ademais, embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça confirme que o boletim de ocorrência embasado em declarações de particular só prova as afirmações prestadas, mas não a sua veracidade, o mesmo Tribunal admite que o BO serve como elemento Fl. 376DF CARF MF 8 de convicção para o julgamento da causa, devendo ser observadas as particularidades do caso concreto (REsp n. 302.462 ES). 1 Pois bem. No presente caso, analisando o Boletim de Ocorrência e o processo dele sucedido, podemos encontrar declarações dos funcionários da empresa de segurança que escoltavam os caminhões, dando notícia do crime de roubo à mão armada na margina Tietê, em São Paulo (fls 287, 288, 289), inclusive de exame pericial dos veículos, de internação de pessoas envolvidas em hospital, com laudo de lesão corporal (fls 302, 303), fotografias dos automóveis da escolta danificados (fls 312, 319) pelos tiros de armas de fogo. Outrossim, vemos que a comunicação da ocorrência (03/12/2005 às 5:04) se deu pouca horas depois do seu acontecimento (03/12/2005 à 1:00). Desses elementos constantes nos autos, entendo estar provada a veracidade da ocorrência do roubo das mercadorias, nos termos descritos pela Recorrente em sua defesa, sendo suficiente o conteúdo do boletim de ocorrência para tal conclusão, como já decidiu previamente este Conselho (Processo n. 11075.000826/200291, Acórdão n. 30335.682). 2 Ultrapassado esse ponto, também há que se refutar o entendimento da decisão da DRJ no que diz respeito à caracterização da força maior in casu. Explico. Não há dúvida das responsabilidades civis atribuídas às empresas de transportes. Com efeito, o artigo 753 do Código Civil3 impõe que, caso o transporte não possa ser realizado, caberá ao transportador zelar pela coisa, por cujo perecimento ou deterioração responderá. A mesma disposição se repete na Lei 9.611/98 (Lei do Transporte Multimodal de Cargas), artigo 16, inciso V4. 1 Destaco o seguinte trecho do voto do Ministro Relator: "VOTO (...) precedente da Corte no sentido de que o "boletim de ocorrência, embasado em declarações de particular, só prova as afirmações prestadas, não a veracidade das mesmas. Por isso, não tem presunção juris tantum de modo a inverter o onus probandi e servir como único elemento a confirmar furto de veículo em estabelecimento comercial" (REsp n° 63.750/SP, da minha relatoria, DJ de 14/4/97; no mesmo sentido: REsp n° 148.549/SP, Relator o Senhor Ministro Nilson Naves, DJ de 06/4/98). É claro que se o Acórdão recorrido afirma que o boletim decorreu de declaração de ambas as partes, a sua força probante está presente (REsp n° 135.582/SP, Relator o Senhor Ministro Ari Pargendler, DJ de 19/02/01). Mas, este não é o caso. De todos os modos, pode o boletim, que não goza da presunção de veracidade dos fatos nele consignados, servir de "elemento de convicção que pode ser considerado pelo julgador" (REsp n° 136.277/SP, Relator o Senhor Ministro Eduardo Ribeiro, DJ de 12/6/00). Neste precedente, destacou o voto condutor que "as informações constantes dos registros policiais não fazem presumir verdadeiros os fatos aí consignados. Demonstram apenas que foram colhidos aqueles elementos. Cumpre considerar, entretanto, que se trata de registro feito logo após o acidente, sendo razoável admitirse que corresponda à verdade. A isso se somaram outros elementos, como" 2 Ementa(s) Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 21/02/2002 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. Constitui motivo de força maior, excludente da responsabilidade da empresa transportadora, o roubo de carga sob sua guarda. Precedente da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça. É bastante para comprovar o roubo o registro da ocorrência policial não refutada por denúncia de comunicação falsa de crime nem desqualificada por culpa da vítima. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO 3 Art. 753. Se o transporte não puder ser feito ou sofrer longa interrupção, o transportador solicitará, incontinenti, instruções ao remetente, e zelará pela coisa, por cujo perecimento ou deterioração responderá, salvo força maior. 4 Art. 16. O Operador de Transporte Multimodal e seus subcontratados somente serão liberados de sua responsabilidade em razão de: I ato ou fato imputável ao expedidor ou ao destinatário da carga; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10814.011521/200837 Acórdão n.º 3402006.220 S3C4T2 Fl. 374 9 Entretanto, todos esses dispositivos excetuam a responsabilidade na hipótese de força maior, a qual se conecta aos acontecimentos extraordinários, imprevisíveis ou que produzam efeitos inevitáveis ou irresistíveis por parte de quem sofre suas consequências (artigo 393 do Código Civil). 5 A caracterização do roubo como hipótese de força maior é o entendimento da atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, especificamente sobre em caso de responsabilidade tributária de empresas de transporte, conforme se depreende da ementa do EREsp 1.172.027/RJ, de relatoria da Ministra Maria Thereza de Assis Moura, julgado pela Corte Especial em 18/12/2013, in verbis: Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. TRANSPORTE DE CARGA. ROUBO. FORÇA MAIOR. SITUAÇÃO PREVISÍVEL, PORÉM INEVITÁVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESCUIDO POR PARTE DO TRANSPORTADOR. CAUSA DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE. 1. O roubo, na linha do que vem professando a jurisprudência desta Corte, é motivo de força maior a ensejar a exclusão da responsabilidade do transportador que não contribuiu para o evento danoso, cuja situação é também prevista pela legislação aduaneira. 2. Assim, a responsabilidade, mesmo que tributária, deve ser afastada no caso em que demonstrada a configuração da força maior dosada com a inexistência de ato culposo por parte do transportador ou seu preposto. 3. Embargos de divergência conhecidos e providos. Vejase que o julgamento se deu em sede de embargos de divergência recurso cujo objetivo é justamente homogeneizar a interpretação do órgão judicante, resolvendo o problema de dissenso pretoriano entre suas turmas, ou entre elas e o pleno (artigo 833 do CPC/39, vigente à época dos fatos). No mesmo sentido caminhou o recente julgado Recurso Especial 1.660.163/SP, de relatoria da ministra Nancy Andrighi, publicado em 9 de março de 2018: RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. TRANSPORTE DE MERCADORIAS. PREQUESTIONAMENTO. II inadequação da embalagem, quando imputável ao expedidor da carga; III vício próprio ou oculto da carga; IV manuseio, embarque, estiva ou descarga executados diretamente pelo expedidor, destinatário ou consignatário da carga, ou, ainda, pelos seus agentes ou propostos; V força maior ou caso fortuito. Parágrafo único. Inobstante as excludentes de responsabilidade previstas neste artigo, o Operador de Transporte Multimodal e seus subcontratados serão responsáveis pela agravação das perdas ou danos a que derem causa. 5 Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Fl. 378DF CARF MF 10 AUSÊNCIA. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. AUSÊNCIA. ROUBO DURANTE O TRAJETO. FORTUITO EXTERNO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. 1. Ação ajuizada em 19/03/2007. Recurso especial interposto em 21/01/2013 e atribuído a este gabinete em 25/08/2016. 2. O propósito recursal consiste em verificar a existência do direito de regresso ao ressarcimento por seguro de mercadoria, que foi roubada, com o emprego de arma de fogo, durante a prestação do serviço de transporte pela recorrente. 3. Inviável o reconhecimento de violação ao art. 535 do CPC/73 quando não verificada no acórdão recorrido omissão, contradição ou obscuridade apontadas pelos recorrentes. 4. A ausência de prequestionamento das matérias relacionadas no recurso pelo Tribunal de origem impõe a aplicação da Súmula 211/STJ. 5. O roubo de mercadoria transportada, praticado mediante ameaça exercida com arma de fogo, é fato desconexo ao contrato de transporte e, sendo inevitável, diante das cautelas exigíveis da transportadora, constituise em caso fortuito ou força maior excluindose sua responsabilidade pelos danos causados, nos termos do CC/2002. 6. Conforme jurisprudência do STJ, "se não for demonstrado que a transportadora não adotou as cautelas que razoavelmente dela se poderia esperar, o roubo de carga constitui motivo de força maior a isentar a responsabilidade daquela" (REsp 435.865/RJ, 2ª Seção). 7. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem parece pôr em dúvida a própria ocorrência do fato delitivo. Contudo, não é possível ao Tribunal de origem atribuir responsabilidade à transportadora, apenas por haver detalhes supostamente ausentes no boletim de ocorrência, cuja ausência, ademais, não desconfiguraria a própria ocorrência do roubo com emprego de arma de fogo. 8. Mesmo diante de todas as precauções e cautelas possíveis, a força maior é por si mesma inevitável e irresistível e, por mais que se exija dos prestadores de serviço de transporte terrestre de mercadoria, o roubo com emprego de arma de fogo pode continuar a ocorrer, não sendo exigível a existência de escolta armada, sem a prévia estipulação contratual. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Dessarte, a jurisprudência que embasa o Acórdão recorrido (de 2010) não mais prevalece. Felizmente, já que o roubo de mercadoria é fato desconexo com o contrato de transporte e, sendo inevitável mesmo em face das cautelas praticadas pela empresa transportadora, é motivo para a exclusão da responsabilidade, por ser imprevisível e estranho à vontade dos contratantes. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10814.011521/200837 Acórdão n.º 3402006.220 S3C4T2 Fl. 375 11 Por fim, no presente caso, a documentação juntada aos autos evidencia que a Recorrente tomou as devidas providências para zelar pelo transporte das mercadorias, inclusive com a contratação de escolta armada para tanto. Sem indícios, portanto, de negligência, imprudência ou imperícia de sua parte, há de se aplicar o entendimento jurisprudencial supra destacado (EREsp 1.172.027/RJ), reconhecendo a ocorrência de força maior in casu, e, sendo essa excludente de responsabilidade da transportadora nos termos do artigo 595 do Decreto 4.543/2002, deve ser cancelada a cobrança dos tributos em questão da Recorrente. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. O voto vencedor reportase sobre a responsabilidade do transportador relativo à não conclusão do trânsito aduaneiro e a possibilidade de exclusão dessa responsabilidade por eventos caracterizados como caso fortuito ou força maior. A i. Relatora esposou o entendimento de que o furto qualificado pela fraude de mercadoria sob sua custódia constituiuse em motivo de força maior, excludente da responsabilidade do transportador, conforme previsto no art. 595 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, concluindo pela improcedência integral do lançamento. Não é o nosso entendimento. Inicialmente cabe ressaltar que os artigos 591 a 595 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, tratam de responsabilidade pelo extravio, avaria ou acréscimo de mercadoria, e referemse à previsão de indenização à Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que deixar de ser recolhido, e a possibilidade de exclusão da responsabilidade em decorrência de caso fortuito e de força maior. O artigo 595 prevê a possibilidade de exclusão da responsabilidade na ocorrência de caso fortuito ou de força maior. Entretanto, não há previsão para enquadrar a hipótese de roubo ou furto entre aquelas consideradas como de caso fortuito ou força maior, de forma a excluir a responsabilidade do transportador. A Administração Tributária inclusive se manifestou de forma incisiva quanto ao entendimento de que o roubo ou furto não se caracteriza como evento de caso fortuito ou força maior, para efeitos de exclusão de responsabilidade, quando da edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12/2004, verbis: Artigo único . O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de Fl. 380DF CARF MF 12 junho de 2003 , tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. O roubo ou furto qualificado ocorrido não constitui em motivo de força maior, por não atender, cumulativamente, aos requisitos de imputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade. A força maior é acontecimento imprevisível ligado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. O roubo não se encaixa nesse requisito, tendo em vista seu risco iminente, razão pela qual seguros são feitos para transportes de mercadorias. Também o roubo ocorrido não atende ao requisito de inevitabilidade, pois além da segurança pública a disposição de todos os cidadãos e estrangeiros, existe a segurança privada que é regularmente utilizada para acompanhar o transporte de cargas em trechos considerados perigosos. Se considerássemos que o roubo ou furto fosse inevitável, estaríamos num estado de guerra civil, e o transporte de mercadorias e passageiros em rodovias e ferrovias seria impraticável, o que não foi o caso. Também a irresistibilidade não foi comprovada. O registro de Boletim de Ocorrência (BO) por si só não é prova da ocorrência do roubo, pois se trata de um ato unilateral, um instrumento de coleta de informações e de comunicação do fato declarado. que não gera os efeitos pretendidos pela recorrente. A jurisprudência administrativa caminha nesse entendimento, com julgados do antigo Terceiro Conselho de COntribuintes, da Terceira Seção do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: . Acórdão nº 30134.725, de 10/09/2008 Relator Conselheiro José Luiz Novo Rossari IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. ROUBO DE MERCADORIA IMPORTADA O registro de roubo em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que são as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade previstas na legislação aduaneira (ADI SRF no 12/2004). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Acórdão n° 320200.120 , de 25/05/2010 Redatora designada Conselheira Irene Souza da Trindade Torres ROUBO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 0 roubo não é excludente da responsabilidade tributária quando restarem não atendidas, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade, na forma do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 12/2004. Recurso Voluntário Negado. Acórdão nº 3402002.854, de 26/01/2016 Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra TRÂNSITO ADUANEIRO. CARGA ROUBADA. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. INOCORRÊNCIA.CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR O roubo da carga transportada corresponde à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O registro do fato em Boletim de Ocorrência (BO) perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O Boletim de Ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado aparentemente criminoso. Acórdão nº 9303006.479, de 14/03/2018 Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal ROUBO DE CARGA. TRANSPORTADOR. DEPOSITÁRIO. CASO FORTUITO INTERNO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10814.011521/200837 Acórdão n.º 3402006.220 S3C4T2 Fl. 376 13 O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada constitui o que os Tribunais Superiores convencionaram chamar de caso fortuito interno, por tratarse de um risco inerente à atividade empresarial desenvolvida pelo transportador e/ou pelo depositário. Por isso mesmo, passível de ser evitado. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça REsp nº 1.172.027 RJ (2009/02457394). Assim, a responsabilidade do beneficiário do regime pela não conclusão do regime de trânsito aduaneiro não pode ser afastada, por inexistência de previsão legal, e por não restarem configurados os elementos caracterizadores da ocorrência de evento de caso fortuito ou de força maior, conforme suscitado pela recorrente, devendo ser mantida a exigência de que trata o auto de infração, objeto do presente processo. Dessa forma, a turma julgadora concluiu por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721752/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.737
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 75 2/ 20 15 -1 9 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16682.721752/201519 Resolução nº 3201001.737 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16682.721752/201519 Resolução nº 3201001.737 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 290DF CARF MF
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