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Numero do processo: 10880.962383/2008-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 83 /2 00 8- 62 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962383/200862 Acórdão n.º 3802002.267 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962383/200862 Acórdão n.º 3802002.267 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722722/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado.
Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento do ITR do exercício de 2005, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, para esclarecer a omissão apontada, e rerratificar o Acórdão de nº 2801-002.779, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que acolhia os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rejeitar a decadência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin , José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento do ITR do exercício de 2005, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, para esclarecer a omissão apontada, e rerratificar o Acórdão de nº 2801-002.779, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que acolhia os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rejeitar a decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin , José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento do ITR do exercício de 2005, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 27 22 /2 00 9- 10 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801003.707 S2TE01 Fl. 164 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, para esclarecer a omissão apontada, e rerratificar o Acórdão de nº 2801002.779, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que acolhia os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rejeitar a decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin , José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 157/158 deste processo digital) opostos em face do Acórdão nº 2801002.779 (fls. 149/155) que deu provimento, por unanimidade de votos, ao recurso voluntário interposto. Em suas razões a Embargante aponta omissão no acórdão hostilizado. Alega que o Colegiado manifestou o entendimento de que, para a contagem do prazo decadencial, devese analisar a existência ou não de antecipação de pagamento. Quando há pagamento, ainda que parcial, aplicase o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Por outro lado, quando inexiste antecipação, aplicase a regra insculpida no art. 173, I, do CTN. No caso dos autos, o Colegiado entendeu aplicável o art. 150, § 4º do CTN por considerar que houve recolhimento antecipado. Sustenta que, o Colegiado deixou de apontar os elementos de prova que formaram sua convicção acerca da ocorrência de pagamento parcial. Aduz que, fazse mister que a Turma explicite quais foram os documentos constantes dos autos que a levaram a concluir ter o contribuinte efetuado pagamento parcial do débito de ITR/2005. Conforme despacho de fls. 160/162, os embargos foram acolhidos. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801003.707 S2TE01 Fl. 165 3 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço dos embargos, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A Embargante aponta omissão ao asseverar que o acórdão não apontou os documentos nos quais se baseou para afirmar que houve o pagamento antecipado do tributo. De fato, ao analisarse o voto do relator do acórdão recorrido, verificase que o mesmo limitouse a apontar que no caso em questão o artigo aplicável seria o de número 150, §4º do CTN por entender que houve de fato o pagamento antecipado do tributo e que não há qualquer indício de dolo, fraude ou simulação. Ocorre, porém, que da leitura do acórdão embargado extraise que, apesar de ter apontado as razões de decidir, não explicitou em quais documentos acostados aos autos se baseou para tal. Confira(fls. 154 e 155 dos autos): Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do ITR deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, como houve pagamento antecipado, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo ao ano calendário de 2005 poderia ser realizado até 01 de janeiro de 2010. Daí concluiu a Embargante que foram apresentadas apenas os argumentos que levaram a tal decisão, mas não foram apontados os documentos que fizeram concluir que o contribuinte procedeu ao pagamento do imposto. Visando esclarecer quais documentos foram utilizados para chegarse à conclusão de que houve o efetivo pagamento do imposto declarado aponto primeiramente o Demonstrativo De Apuração do Imposto Devido, que repousa à fls. 5 dos autos, do qual consta o valor declarado pelo contribuinte e o valor apurado pela fiscalização. Aponta ainda a “Diferença de Imposto” que consiste na diferença entre o imposto apurado e o imposto declarado. A cobrança realizada na Notificação de Lançamento constante das fls. 2 dos autos é exclusivamente referente ao valor da diferença entre estes valores, o que faz concluir que houve o pagamento do valor do imposto declarado. Seguindo, quando do Enquadramento Legal feito pela Fazenda às fls. 3 dos autos, em momento algum foi apontada a falta de recolhimento do tributo. Fator este que também leva a concluir que houve o pagamento do imposto declarado pelo contribuinte Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801003.707 S2TE01 Fl. 166 4 Considero, então, que os valores lançados foram objeto de recolhimento pelo Contribuinte, ainda que parcial e ou incompleto, mas o fato é que o Recorrente de alguma forma antecipou, nesta rubrica, o ITR que entendeu devido. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por acolher os embargos de declaração, para esclarecer a omissão apontada, e rerratificar o Acórdão de nº 2801002.779, sem alteração do resultado do julgamento. Assinado digitalmente Carlos César Quadros pierre Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000078/2007-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
O contribuinte pleiteia restituição por dois fundamentos: (a) ter incluído indevidamente na base de cálculo de PIS/Cofins receitas que não configurariam faturamento, arguindo em seu favor a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º , § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, e (b) que o valor do ICMS deveria ser excluído da base de cálculo destas mesmas contribuições, argumentando para tanto a existência de julgamento em andamento no STF.
Este Conselho converteu o julgamento em diligência para que fossem identificadas, pela Unidade de origem, as receitas que o contribuinte alegava estarem excluídas do conceito de faturamento, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º , § 1º, da Lei nº 9.718/98.
Os autos retornaram a este Conselho com a diligência cumprida e o recurso foi, então, incluído em pauta para julgamento.
Voto
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins). Antonio Carlos Atulim Presidente Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório O contribuinte pleiteia restituição por dois fundamentos: (a) ter incluído indevidamente na base de cálculo de PIS/Cofins receitas que não configurariam faturamento, arguindo em seu favor a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º , § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, e (b) que o valor do ICMS deveria ser excluído da base de cálculo destas mesmas contribuições, argumentando para tanto a existência de julgamento em andamento no STF. Este Conselho converteu o julgamento em diligência para que fossem identificadas, pela Unidade de origem, as receitas que o contribuinte alegava estarem excluídas do conceito de faturamento, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º , § 1º, da Lei nº 9.718/98. Os autos retornaram a este Conselho com a diligência cumprida e o recurso foi, então, incluído em pauta para julgamento. Voto
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.003271/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.265
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
1.0 = *:*
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Resolução n.º 220200.265 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, MAURICE HARARI, acima identificado, foi autuado e notificado a recolher as importâncias constantes do Auto de Infração de fls. 531/534, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, cujo valor apurado foi R$ 9.538.376,80 de imposto, R$ 6.917.149,20 de juros de mora ( calculados até 30/11/2005) e R$ 7.153.782,59 de multa proporcional , totalizando o crédito tributário de R$ 23.609.308,59. O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das seguintes infrações: Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em Instituição financeira, em relação aos quais, o fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMF foi realizada a instituições financeiras, tal como se constata de fls. 17 a 19. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Resolução n.º 220200.265 S2C2T2 Fl. 3 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornec imento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/200 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 664DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Resolução n.º 220200.265 S2C2T2 Fl. 4 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 665DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Resolução n.º 220200.265 S2C2T2 Fl. 5 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 666DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Resolução n.º 220200.265 S2C2T2 Fl. 6 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 667DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10920.003014/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/06/2002 a 15/09/2004
PREJUDICIAL DE MÉRITO. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO DA RFB. QUESTÃO SUPERADA NO JULGAMENTO DE SEGUNDO GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU PARA APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE.
Uma vez superada a prejudicial de mérito, para que não se configure a supressão de instância, os autos devem retornar ao órgão de julgamento de primeira instância, para que novo julgamento seja realizado, com vistas à apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não foram analisadas no julgado recorrido.
Recurso de Ofício Provido.
No âmbito do regime aduaneiro drawback, incluindo a modalidade fornecimento no mercado interno, inexiste conflito de competência na atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime enquanto que a segunda fiscaliza a correta aplicação do regime, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência.
Numero da decisão: 3102-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar provimento ao Recurso de Ofício para afastar a prejudicial de incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o retorno do processo à instância recorrida para exame das demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Demes Brito e Nanci Gama, que negavam provimento ao Recurso. Fizeram sustentação oral a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional, e Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP 174.745, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 11/06/2002 a 15/09/2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO DOS REQUISITOS DO REGIME. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. POSSIBILIDADE. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente (Súmula CARF nº 100). DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX) E SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). INEXISTÊNCIA. No âmbito do regime aduaneiro drawback, incluindo a modalidade fornecimento no mercado interno, inexiste conflito de competência na atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime enquanto que a segunda fiscaliza a correta aplicação do regime, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/06/2002 a 15/09/2004 PREJUDICIAL DE MÉRITO. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO DA RFB. QUESTÃO SUPERADA NO JULGAMENTO DE SEGUNDO GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU PARA APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 30 14 /2 00 6- 51 Fl. 5113DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Uma vez superada a prejudicial de mérito, para que não se configure a supressão de instância, os autos devem retornar ao órgão de julgamento de primeira instância, para que novo julgamento seja realizado, com vistas à apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não foram analisadas no julgado recorrido. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar provimento ao Recurso de Ofício para afastar a prejudicial de incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o retorno do processo à instância recorrida para exame das demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Demes Brito e Nanci Gama, que negavam provimento ao Recurso. Fizeram sustentação oral a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional, e Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP 174.745, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Nanci Gama. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 3.586/3726), em que formalizada a cobrança do crédito tributário no montante de R$ 33.773.794,29, relativo a Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, calculados até 31/5/2007, relativos a operações de importação ocorridas no perídos de 11/6/2002 a 15/9/2004, com suspensão dos tributos devidos, ao amparo do regime drawback para fornecimento no mercado interno, em face do descumprimento dos requisitos legais exigidos para fruição do referido regime aduaneiro especial. De acordo com a Descrição dos Fatos (fls. 3586/3620), que integra os citados Autos de Infração, os lançamentos foram motivados por descumprimento do regime aduaneiro especial drawback, modalidade fornecimento no mercado interno, concedido pelo Ato Concessório (AC) nº 20020026021, emitido em 21/2/2002 (fls. 90/96), que autorizou a autuada importar bens, com suspensão dos tributos, a serem aplicados na fabricação e montagem de equipamentos fornecidos à pessoa jurídica Vega do Sul S/A. (Grupo Usinor) na instalação da planta industrial de laminação a frio e de galvanização, localizada em São Francisco do Sul/SC, em decorrência de licitação internacional e financiamento com recursos financeiros externos. Segundo a fiscalização (fls. 3607/3615), os dados contidos no Relatório de Unificado de Drawback (RUD), colacionado aos autos (fls. 108/115), divergiam dos dados Fl. 5114DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 101 3 consignados nos livros e documentos fiscais apresentados pela autuada, com base nos quais apurou que foram descumpridos requisitos essenciais do regime relativos ao: a) procedimento de licitação não havia atendido os requisitos da licitação pública internacional, fixados nos artigos 1º, 2º e 42 da Lei n° 8.666, de 1993, o que a caracterizava o suposto “procedimento licitatório” realizado pelo Veja do Sul S/A. mero negócio privado; b) financiamento externo não fora realizado previamente à concessão do regime e o valor financiado não cobria integralmente o valor do empreendimento; e c) pagamento integral das importações em moeda conversível, com recursos proveniente do financiamento externo, não fora integral. Em relação à licitação internacional, a fiscalização esclareceu que o Decex, tendo detectado, em momento posterior, as referidas irregularidades, decidiu anular do Ato Concessório (AC) nº 20020026021, após a tramitação regular do processo administrativo nº 52500.000430/200698 (fls. 147/164), em que assegurado o direito de defesa à autuada. Em relação ao financiamento externo, com base nos contratos de empréstimos celebrados entre a Vega do Sul S/A. (tomadora) e as instituições financeiras governamentais internacionais European Investment Bank – EIB (contrato de fls. 3297/3354) e Kreditanstalt Für Wiedewaufbau Frankfurt – KfW (contrato de fls. 3356/3524), a fiscalização alegou que foram descumpridas as condições atinentes ao: a) financiamento prévio à realização das operações importação; e b) financiamento integral do empreendimento. No que tange ao pagamento das importações, a fiscalização alegou que elas não foram custeadas integralmente com os recursos obtidos no exterior, pois, após a análise da ficha “câmbio” das adições vinculadas ao citado Ato Concessório, constatara que o valor efetivamente pago contra financiamento estrangeiro oscilava entre 1,74% e 100%, com a média de 64,39%, sendo o restante da operação custeada por recursos financeiros fornecidos antecipadamente pela recorrente e provenientes de financiamento obtido junto ao EIB, que exigia o aporte de recursos próprios do tomador, a pessoa jurídica Vega do Sul S/A. Previamente à descrição das referidas irregularidades e para que não houvesse dúvidas em relação ao motivo das autuações, a fiscalização esclareceu que, independentemente do restabelecimento ou não da validade do citado Ato Concessório, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) detinha competência para realização dos questionados lançamentos, conforme explicitado no excerto a seguir transcrito (fl. 3609): Justificase a preocupação em abordar adequadamente o conflito de competências tratado neste tópico, tendo em conta o préreferido princípio da precaução. Pois não há como dar azo a eventuais tentativas (temperadas com apelos emocionais) por parte da interessada, no sentido de atribuir natureza de direito adquirido a ato precário (e pleno de irregularidades) emanado de órgão incumbido tão somente do controle administrativo documental, prévio e burocrático da operação de drawback. Mesmo que consiga (o que é improvável) trazer de volta à vida o ato concessório fulminado de nulidade pelo próprio DECEX, a SRF detém competência e autonomia para proceder ao lançamento ex officio sob comento. Tal faculdade decorre da sua competência exclusiva e do exercício de atividade fiscal plenamente vinculada, face às inúmeras ilegalidades constatadas, concluindo pela não adequação da situação fática aos requisitos constantes do artigo 5° da Lei n° 8.032/90. (grifos do original) Fl. 5115DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Em sede de impugnação, a autuada apresentou, em síntese, as seguintes razões de defesa: 1) em preliminar, alegou nulidade das autuações, com base nos seguintes argumentos: a) violação aos princípios constitucionais da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa, em face do descumprimento de requisitos legais e ausência de motivação dos questionados lançamentos, uma vez a fiscalização indicara como causa da exação o cancelamento pelo Decex do citado Ato Concessório e não as irregularidades constatadas no transcorrer da auditoria; b) a competência para conceder ou fiscalizar os benefícios fiscais relativos ao regime drawback, modalidade suspensão, era da Secex, logo, não podia a RFB pretender requisitar e/ou conferir a documentação instrutiva que permitira a concessão do AC, cabendolhe, tão somente, verificar se os insumos importados com o benefício fiscal em questão foram efetivamente empregados na industrialização, situação que sequer fora questionada na presente exação; e c) restava configurada a violação aos princípios constitucionais da moralidade, legalidade, proteção ao ato jurídico perfeito e da proteção à coisa julgada. 2) No mérito, alegou que: a) o legislador pátrio ao se referir à expressão “licitação internacional”, adotou conceito amplo e irrestrito, abrangendo qualquer modalidade de licitação internacional, seja aquela praticada por empresas privadas ou públicas; b) a mencionada licitação, prevista no art. 5º da Lei nº 8.032/90, era aplicada apenas às empresas públicas e/ou suas autarquias, submetidas aos ditames da Lei nº 8.666, de 1993; c) se o legislador, ao se referir à expressão “licitação internacional”, adotou conceito amplo e irrestrito, abrangendo qualquer modalidade de licitação internacional, seja aquela praticada por empresas privadas ou públicas, não cabia ao intérprete fazêlo, sob pena de ofensa à repartição de poderes adotada pela CF/88; d) a declaração de nulidade do citado Ato Concessório, proferida pelo Decex, em súbita mudança de interpretação, não só violava os princípios basilares de hermenêutica, como também o disposto no art. 111 do CTN, na medida em que o legislador utiliza o termo licitação internacional e não licitação pública internacional; e) o lapso temporal existente entre a Lei 8.032/90 e a Lei 8.666/93 deixava patente a insustentabilidade da interpretação jurídica expressa no lançamento, por ausência de fundamentação legal e constitucional para tal mister, ensejando a improcedência da presente autuação; f) não obstante a fundamentação da autuação estivesse ancorada na nulidade do Ato Concessório, a fiscalização acusou de ser irregular o financiamento realizado pela impugnante, uma vez que o montante era inferior ao custo das mercadorias importadas; Fl. 5116DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 102 5 g) tal constatação não procedia, pois consoante o Relatório Unificado de Drawback (RUD) e a carta da empresa requerendo a baixa do citado Ato Concessório, o valor dos produtos importados, no valor de US$ 41.107.711,70, e nacionais, no valor de US$ 55.681.505,65, destinados à fabricação dos equipamentos fornecidos à Vega do Sul, totalizou US$ 96.789.217,35, e não o valor correspondente a US$ 430.000.000,00, constante do preâmbulo do contrato de financiamento do Europen Investiment Bank (EIB), pois se trata do valor integral estimado para a implantação do complexo industrial da Vega do Sul, incluindo se as despesas administrativas e o fluxo de caixa (capital de giro); h) a fiscalização teve acesso e ignorou a documentação ofertada, que comprovava o valor efetivo do contrato, notadamente os concernentes às parcelas importadas de materiais e componentes, inclusive às relativas às parcelas nacionais; i) o contrato firmado entre as partes não dispunha apenas sobre as mercadorias importadas, abrangendo, dentre outros, serviços relativos de assistência técnica, treinamento, montagem, construção civil, conforme se evidenciava a documentação trazida à colação dos autos com a impugnação, especialmente do RUD, que comprovava o valor dos equipamentos fornecidos para a empresa; j) os contratos firmados, em 7/12/2001,com a instituição financeira governamental alemã, Kredistanstalt Für Wiederaufbau (KfW), e com o banco europeu, Europen Investiment Bank (EIB), demonstravam que, antes de efetuar o pedido de ingresso no referido regime, a impugnante estava acobertada por financiamentos que totalizavam US$ 141.739.973, o que comprovava que a conclusão do Fisco acerca da incapacidade econômica da beneficiária fora precipitada, equivocada e improcedente; l) a fiscalização incorrera em equívoco quando afirmara que as importações se efetivaram anteriormente à obtenção dos respectivos financiamentos, pois o que se constatava dos documentos acostados aos autos fora que os referidos contratos foram firmados em 7/12/2001 e o pedido de drawback realizado somente em 18/12/2001, portanto, meses antes da efetivação da primeira operação de importação, iniciada em 2002; m) a autuação padecia de ilegalidade também por violar o comando disposto no art. 146 do CTN, uma vez que as decisões prolatadas pela Administração Pública não podiam ser revistas em decorrência de alteração de seu entendimento anterior, por configurar mudança de critério jurídico de interpretação da lei, ou em função de erro na interpretação desta, principalmente quando esta revisão interpretativa se referia a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução; n) a mudança quanto a interpretação do DECEX permitiu que a própria RFB passasse a adotar novo critério para promover, dentre tantas, a ora combatida autuação; o) ao permitir a retroação de critério recentemente alterado pela SECEX, a Administração violara o princípio da segurança jurídica, o que era inadmissível no Estado de Direito, que, em última análise, estava a arguir a nulidade de ato administrativo em causa própria, em afronta, também, aos princípios da legalidade a da moralidade; p) não obstante o entendimento antes expresso, qual seja, que a alteração da orientação em relação à expressão “licitação internacional”, descrita no art. 5º da Lei 8.032/90, não era causa para permitir a cobrança retroativa de tributos, a exigência destes não podia ser acrescida das multas de ofício, juros de mora ou atualizações monetárias, pois o art. 100 do Fl. 5117DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 CTN, que visa proteger o contribuinte de boafé, determina que as práticas reiteradas da Administração, mesmo quando revistas, não poderiam ensejar a aplicação dos citados encargos penais e moratórios; q) era inafastável o reconhecimento da violação ao princípio da não cumulatividade, na medida em que a impugnante não recolhera o montante referente ao IPI na importação das mercadorias, haja vista a suspensão de seu pagamento em razão do benefício a ela atribuído pelo Decex, quando aprovou seu pedido ao regime de drawback, o que lhe impedira de se creditar do referido imposto na operação seguinte, quando realizara a venda para a empresa Vega do Sul; r) da forma como efetuado, o lançamento não apresentava os requisitos exigidos pelo art. 142 do CTN, constituindose ato administrativo eivado de vício, posto que ao calcular o montante devido deixara de considerar o crédito decorrente de IPI pago nas operações de industrialização e posterior venda local, além dos valores relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, razão pela qual pugnava pelo reconhecimento do direito ao crédito do IPI devido na importação, para fins de cumprimento da IN SRF nº 517/2005; s) caso o Decex e a RFB tivessem agido com lisura, recusando o pedido de ato concessório de drawback da impugnante, certamente teria evitado a operação interna deixando de recolher o PIS, a Cofins e o IPI com o fez. No entanto, por desídia e irresponsabilidade do Decex e da RFB, a impugnante foi obrigada a efetuar os mencionados recolhimentos, que, nesse diapasão, se evidenciavam desnecessários; t) para não afrontar aos princípios da nãocumulatividade e da razoabilidade, tornavase forçosa a permisão para que a autuada compensasse os tributos recolhidos na operação interna, que se materializara com a venda das mercadorias importadas com o débito ora exigido a título dos mencionados tributos e contribuições; u) a compensação de tributos pagos indevidamente era direito do contribuinte, consoante dispõe o art. 170 do CTN, que a classificou como sendo uma das modalidades de extinção do crédito tributário, conforme exposto no art. 156, II, do CTN, constituindose em requisito fundamental de liquidez e certeza deste; e v) no final, requereu o acolhimento das preliminares suscitadas, para o fim de se determinar o cancelamento das exigências formalizadas nos respectivos Autos de Infração. Do contrário, pugnou pela decretação da ilegalidade e consequente cancelamento do lançamento, uma vez que, da forma como realizado, afrontava o art. 146 do CTN. Ainda, caso se entendesse diferente, fossem excluídas a multa, os juros e a correção monetária com fulcro no art. 100 do CTN, assim como fossem os créditos decorrentes da tributação nas respectivas operações de importação e os valores recolhidos na operação interna compensados com os débitos ora exigidos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 4897/4918), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente e mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/06/2002 a 15/09/2004 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 5118DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 103 7 O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade seja do procedimento fiscal que deu origem ao lançamento ou do documento que formalizou a exigência fiscal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATOS ADMINISTRATIVOS VINCULADOS. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. Descabe a alegação de falta de motivação para a lavratura de auto de infração quando as autoridades fiscais o fizeram indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamentaram os lançamentos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DRAWBACK. APLICAÇÃO. COMPETÊNCIA BIPARTIDA. RFB/SECEX. É competência da SRF (RFB) a aplicação e a fiscalização do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão. A SECEX é o órgão responsável pelo controle administrativo de regime a quem compete a sua concessão, mediante emissão de ato concessório e respectivos aditivos, inclusive, possíveis prorrogações de prazo. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK DECLARADO NULO. TRIBUTOS INCIDENTES. IMPORTAÇÃO COMUM. EXIGIBILIDADE. Os tributos suspensos por ocasião das importações vinculadas ao regime especial de drawback tornamse exigíveis quando o próprio órgão competente para sua concessão declara a nulidade do respectivo ato concessivo do regime, uma vez que referidas operações passam a ter caráter de importação comum. Em sede de recurso voluntário, recorrente reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, pleiteou a reforma da decisão a quo e o cancelamento da exigência, sinteticamente, com base nas seguintes alegações: a) a pessoa jurídica Vega do Sul S/A., enviara CartaConvite às mais qualificadas empresas do Brasil e do mundo, detentoras de tecnologia em processos siderúrgicos e na fabricação de equipamentos, convidandoas a participar do procedimento de concorrência internacional; Fl. 5119DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 b) fora declarada vencedora da referida licitação internacional, recebendo declaração da licitante (Vega do Sul S/A.) nesse sentido; c) pleiteara ao Decex o regime de “Drawback suspensão” para “fornecimento no mercado interno”, nos termos do artigo 5o da Lei 8.032/90, e obteve o Ato Concessório n° 2002.0026021, expedido em 26/2/2002; d) após concessão do regime, iniciara a fabricação dos equipamentos contratados, aos quais agregou insumos importados, dentro dos limites estabelecidos no préfalado Ato Concessório; e) em meados de 2005, o Ministério Público Federal, baseado em interpretação exarada pela RFB, quando da análise de ato concessório de drawback em que terceira pessoa jurídica figurava como beneficiária, determinara que fossem revisadas todas as operações de drawback concedidas com base no artigo 5o da Lei 8.932/90, nos últimos 10 (dez) anos e declarados nulos todos os atos concessórios não pautados no princípio da legalidade; f) em função dessa determinação, o Diretor do Decex expedira a Portaria nº 31, de 2 de janeiro de 2006, determinando a instauração de processo administrativo para revisão de Ato Concessório de drawback de várias empresas, dentre as quais a autuada, alvo do processo administrativo n° 52500.000430/200698, por meio do qual fora determinada a anulação do presente ato concessório, em razão de que o procedimento licitatório que o embasara não teria sido realizado por entidades sujeitas à Lei n° 8.666/93; g) tais conclusões contrariavam interpretação de que a expressão “licitação internacional” abrangeria as realizadas por entidades privadas, sedimentada pelo Decex ao longo de 15 anos; h) a RFB igualmente mudara sua interpretação, editando o Ato Declaratório Interpretativa nº 12/07; i) a fiscalização, baseada no cancelamento do AC, promovera a lavratura das questionadas autuações; j) o Juízo da 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, por meio da sentença, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0205638, restaurara a vigência e eficácia do citado ato concessório, revertendo a decisão anulatória do Decex, no entender da recorrente, único fundamento da autuação; l) tal fato derrubara toda a sustentabilidade do auto de infração, que passara a ser “uma sobra de ato administrativo”, a ser cancelada de pronto; m) em 15 de fevereiro de 2008, foi editada a Medida Provisória n° 418, por meio da qual fora interpretado o art. 5o da Lei nº 8.032/90, ratificando seu entendimento acerca do conceito de licitação internacional, de modo a atrair a aplicação do art. 106, I, do CTN; n) as autoridades lançadoras teriam se equivocado quando estatuíram que a expressão “licitação ir|ternacional”, consignada no art. 5o da Lei 8.032/90, limitavase ao procedimento disciplinado na Lei 8.666/93, que se aplicava às licitações e contratos da Administração Pública; o) não se poderia confundir licitação pública com licitação da administração pública nem atribuir à expressão licitação internacional restrição imprópria; p) por meio da técnica de interpretação, conforme a constituição, chegavase à conclusão de que o art. 173 da Carta de 1988 obstava a restrição sugerida pela fiscalização, eis que vedava a concessão de beneficios de forma distinta entre empresas públicas e privadas; Fl. 5120DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 104 9 q) as autoridades recorridas, quando da análise da bipartição da competência entre RFB e Decex, partiram de uma premissa correta mas chegaram a uma conclusão equivocada: aquele órgão de administração tributária não tinha competência para analisar os pressupostos de concessão do regime de drawback; r) o art. 338 do Regulamento Aduaneiro de 2002, atribuíra tal competência à Secex e que as conclusões ratificadas pelas autoridades recorridas reduziriam a significância da Secretaria no processo de concessão do regime e transformaria em letra morta dito dispositivo regulamentar; s) as competências entre os dois órgãos governamentais seriam complementares: à Secex caberia avaliar cumprimento dos requisitos que denominou prévios (pressupostos) e à SRF os que denominou de fruição do drawback. Dentre tais requisitos, dois seriam prévios à concessão do regime, sujeitos ao controle da Secex: licitação internacional e financiamento internacional obtido perante instituições financeiras públicas internacionais, ou perante o BNDES, com recursos captados no exterior; t) tanto as autoridades lançadoras quanto as recorridas teriam reconhecido o financiamento prévio e que à RFB cumpriria apenas o lançamento do tributo, “em razão da cessação dos efeitos do drawback”, ou sua exclusão, não a sua suspensão; u) admitir a tese que a RFB seria competente para analisar todos os aspectos do drawback conduziria ao “redimensionamento do mérito do auto de infração” e à nulidade da decisão de primeira instância, que deixara de tratar desses aspectos do mérito e, consequentemente, obstaculizara seu conhecimento por este órgão a quo, sob pena de supressão de instância; v) se este colegiado optasse por superar os alegados vícios, restaria enfrentar o mérito da ação fiscal: afora os já mencionados aspectos relativos à licitação internacional, sustentara ainda que o financiamento apresentado cumprira os ditames da Lei n° 8.032, de 1990, dada a sua suficiência para custear as importações e sua obtenção anterior à formulação do pedido de drawback; x) tal legislação estabelecera como requisito, para a concessão da referida modalidade de drawback, a existência de financiamento internacional capaz de garantir o pagamento integral dos componentes e que os US$ 430 milhões informados no contrato firmado com o EIB diriam respeito à totalidade do empreendimento, cabendo a fiscalização discriminar sua aplicação; e z) o valor dos materiais e componentes importados, somados aos equipamentos nacionais, totalizava US$ 96.789.217,35, conforme explicitado no Relatório Unificado de Drawback, valor superado pelos financiamentos internacionais obtidos junto ao KfW e EIB, em 7/12/2001, data anterior ao pedido de drawback, que somente se deu em 18/12/2001, conforme pedido protocolizado perante o Decex. Na Sessão de 3 de dezembro de 2009, por meio do Acórdão nº 310200.558 (fls. 5042/5055), este Colegiado, por unanimidade de votos, com fundamento no art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, doravante denominado de PAF, decidiu anular os atos processuais, a partir da decisão de primeira instância, para que outra fosse proferida, enfrentando todas as alegações do Fisco e do sujeito passivo, com base no argumento de que, ao deixar de tomar conhecimento de parte das alegações formuladas na impugnação, a decisão recorrida obstaculizara a atuação deste Colegiado e, por conseguinte, cerceara o direito de defesa da recorrente, o que era mais grave. O enunciado da ementa do referido julgado ficou assim redigido: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período apuração: 11/06/2002 a 15/09/2004 Cerceamento do Direito de Defesa. Consequeciais. Fl. 5121DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Há que se declarar a nulidade da decisão a quo que deixa de tomar conhecimento da matéria litigiosa em sua integridade e, consequentemente, obstaculiza a manifestação deste Colegiado. Processo Anulado. De acordo com voto condutor do Acórdão nº 310200.558, a fiscalização, no momento da lavratura do auto de infração, sustentara a existência de irregularidades na aplicação dos recursos destinados ao financiamento das operações de importação de mercadorias beneficiadas, tanto que a nulidade do ato concessório ou a sua reversão não afastaria o descumprimento do regime. Já o voto condutor do acórdão recorrido não analisara tais fundamentos, forte no argumento de que a validade do ato concessório constituía questão fundamental, porque prejudicial para o lançamento tributário e em sendo considerado nulo este ato, consequentemente, estava correta a exigência dos tributos devidos e suspensos. Por meio do comunicado de fl. 5057, a recorrente foi cientificada do acórdão deste Colegiado. Em 26/7/2010, apresentou a petição de fls. 5058/5066, em que reafirmou as alegações atinentes (i) ao restabelecimento, pelo Decex, do ato concessório anteriormente anulado e (ii) à inexistência de irregularidades na licitação internacional e no financiamento externo. Em aditamento, esclareceu que o Decex, que anteriormente havia anulado o citado ato concessório por força de medida judicial, em cumprimento direto ao disposto no art. 3º da Lei nº 11.732, de 2004, de caráter interpretativo, havia espontaneamente restabelecido o dito ato, por meio da Decisão nº 837, de 11 de novembro de 2009 (fls. 5068/5069), logo, o referido AC encontravase válido, em pleno vigor, portanto, deveria ser considerado no novo julgamento. Em seguida, na Sessão de 25 de fevereiro de 2011, a Turma de Julgamento a quo proferiu o Acórdão nº 0723.307 (fls. 5085/5104), em que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente e cancelou o crédito tributário exigido, sob o argumento de que a fiscalização da RFB não tinha competência para analisar os requisitos da licitação internacional e do financiamento externo das importações realizadas pela recorrente. O enunciado da ementa referido julgado ficou assim redigido, in verbis: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 11/06/2002 a 15/09/2004 DRAWACK. CONCESSÃO E APLICAÇÃO, COMPETÊNCIA. RFB/SECEX. É competência da SRF (RFB) a aplicação e a fiscalização do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão. A SECEX é o órgão responsável pelo controle administrativo de regime a quem compete a sua concessão, mediante emissão de ato concessório e respectivos aditivos, inclusive, possíveis prorrogações de prazo. Como o valor do crédito tributário exonerado ficou acima do limite alçada, em cumprimento ao disposto no art. 34 do PAF e na Portaria MF n° 375, de 10 de dezembro de 2001, o Presidente da Turma recorreu de ofício a este Conselho. Com o retorno dos autos a este Conselho, em 24/5/2012, eles foram distribuídos ao nobre Conselheiro Winderley Morais Pereira, que, em face da nomeação deste Conselheiro para a vaga por ele ocupada, os autos foram devolvidos à Secretaria em 24/4/2013. Em seguida, em 29/4/2013, os autos foram distribuídos ao i. Conselheiro e Presidente da Fl. 5122DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 105 11 Turma, Luis Marcelo Guerra de Castro, que, em face da sua renúncia ao mandato de Conselheiro, na Sessão de 30/1/2014, os autos foram distribuídos a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso de ofício atende aos requisitos legais de admissibilidade, uma vez que trata de matéria da competência deste Colegiado e o crédito tributário exonerado excede o limite de alçada do órgão de julgamento de primeiro grau, fixado no art. 34 do PAF, combinado com o disposto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Da análise do inteiro teor do voto que serviu de fundamento da decisão proferida por este Colegiado (fls. 5048/5055), por meio do Acórdão nº 310200.558, de 3 de dezembro de 2009 (fls. 5042/5055), verificase que as preliminares de nulidade das autuações, por incompetência material da RFB e por vício de motivação, suscitadas pela recorrente no âmbito do recurso voluntário de fls. 4.951/5009, foram adequadamente apreciadas e, com base nas conclusões do i. Relator, o ExConselheiro e Presidente desta Turma, Luis Marcelo Guerra de Castro, este Colegiado, por unanimidade, decidiu rejeitálas. No que tange, especificamente, à alegação de invasão de competência da Secex, por parte da fiscalização da RFB, para apreciar os requisitos do regime aduaneiro especial de drawback suspensão, modalidade fornecimento no mercado interno, previsto no art. 5º da Lei n° 8.032, de 1990, com a redação da Lei n° 10.184, de 2001, houve decisão expressa deste Colegiado no sentido de que a fiscalização da RFB detinha sim competência para apreciar, fiscalizar e, uma vez apurada a irregularidade, proceder ao lançamento do crédito tributário suspenso. Para espancar qualquer dúvida a respeito, transcrevese a seguir os excertos relevantes extraídos do citado voto condutor do referido julgado, que ratificam essa assertiva, in verbis: Com efeito, mesmo que se assumisse a premissa de que a RFB padeceria de incompetência para “revisitar” o processo de concessão do regime pela Secex, pelo menos dois fatores conduziriam este colegiado a afastar a alegação de nulidade da ação fiscal por incompetência das autoridades: o Decex não acatou o pleito do Sujeito Passivo, foi alvo de mandado de segurança contra seu diretor e, o que é mais relevante, existem questionamentos do Fisco que, a meu ver, se incluiriam na seara daquilo que a recorrente classificou requisitos de fruição, ou seja, atinentes à própria execução do regime. Ou seja, as autoridades fiscais apontam inconsistências que claramente passam ao largo dos controles promovidos quando da concessão do regime. Com efeito, segundo sustenta o Fisco, relembrese, os dados cambiais extraídos das Declarações de Importação permitiriam concluir que parte significativa das mercadorias teria sido quitada à conta de câmbio antecipado pela recorrente e não Fl. 5123DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 como exigiria a lei, de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. Nessa esteira, ainda que se advogue a incompetência para reanalisar a concessão do incentivo, certo é que a investigar a origem dos recursos por meio dos quais as importações foram efetivamente quitadas desborda daquele controle inicialmente exercido pela Secex. Certamente tal controle está atrelado a execução (ou aplicação) do regime, a ser exercido privativamente pela Secretaria da Receita Federal Brasil (RFB). (grifos não originais) Em outra passagem, asseverou o i. Relator do voto condutor do julgado que anulou a decisão de primeira de grau, ipsis litteris: É certo que o relatório fiscal encontrase povoado de argumentos sucessivos, mas isso, a meu ver, revela, no máximo, recurso de retórica, com vistas ao convencimento das autoridades julgadoras acerca dos fundamentos que julgou relevantes. Não há que se falar, portanto, em aplicação do principio da eventualidade. As teses do Fisco em nada se excluem: a recorrente teria descumprido as exigências fixadas no art. 5º da Lei n° 8.032, de 1990 e aquele órgão de controle tributário deteria competência para promover o lançamento. Os fatos que levariam a essas conclusões são diversos, com efeito, mas, se todos convergem para a mesma direção, certamente não se pode taxarlhes de contraditórios entre si. (grifos não originais) E em seguida concluiu o i. Relator, in verbis: Ou seja, desde o momento da lavratura do auto de infração, o Fisco sustenta que há irregularidades na aplicação dos recursos que financiaram as operações de importação de mercadorias beneficiadas. Notese que os autuantes consignaram sua convicção de que, diferentemente do que concluíra o voto condutor do acórdão recorrido, a nulidade do ato concessório ou reversão da nulidade, conforme o caso, não ratificaria nem afastaria o acusado descumprimento do regime. [...] Ou seja, apesar de não se poder falar em redimensionamento do mérito, fato é que a matéria litigiosa deixou de ser analisada em sua completude. É indiscutível que a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, mas isso, salvo melhor juizo, não autoriza que se deixe de tomar conhecimento de alegações formuladas pelas partes, sob pena de obstaculizar a correta atuação deste Fl. 5124DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 106 13 colegiado ad quem e, o que é mais grave, cercear o exercício do direito de defesa. [...] Ante ao exposto, firme no já transcrito inciso II do art. 59 Ao Decreto n° 70.235, de 1972, anulo o presente processo a partir do Acórdão 0711.595, da 2ª Turma da DRJ Florianópolis, inclusive, para que outro seja elaborado, enfrentando todas as alegações do Fisco e do sujeito passivo. (grifos não originais) Da simples leitura dos fragmentos transcritos, extraise que a questão, atinente à competência da fiscalização da RFB, para fiscalizar o cumprimento dos requisitos atinentes à licitação internacional e ao financiamento externo, necessários para fruição do regime de drawback suspensão em comento, em sede de preliminar, foram decididas por este Colegiado, por unanimidade. Porém, como as questões de mérito relativas à execução (ou aplicação ou fruição) do regime, especificamente, às concernentes à utilização dos recursos provenientes do financiamento externo não foram analisadas na decisão de primeiro grau, decidiu este Colegiado anular a referida decisão, para que tais questões de mérito fossem apreciadas pela Turma de Julgamento a quo. Nesse sentido, é pertinente ressaltar que, em sede de preliminar, no âmbito da referida decisão anulada, a Turma de Julgamento de primeira instância já havia se pronunciado acerca da competência da fiscalização da RFB e reconhecido, expressamente, que este Órgão detinha sim competência para analisar a aplicação e a fiscalização do regime drawback em referência, conforme se infere dos excertos extraídos do voto condutor do referido julgado, que seguem transcritos: Quanto à preliminar de nulidade concernente à competência da Secretaria da Receita Federal, atualmente, Receita Federal do Brasil, para empreender a ação fiscal em causa, de plano reportome às disposições contidas nos arts. 3º, 6º e 8º da Portaria MEFP nº 594, de 1992, que determinam, verbis: [...] Constatase, portanto que a tese da defesa no tocante à invasão de competência, não encontra suporte na legislação de regência, visto que restou evidenciado que a autoridade lançadora da SRF (RFB), analisando os procedimentos atinentes à internação das mercadorias importadas sob a égide do regime suspensivo de tributação de que se trata, agiu no âmbito de sua competência, em observância ao princípio da estrita legalidade que constitui o escopo vinculativo dos atos da administração tributária. Outrossim, fazse mister observar a competência de cada órgão envolvido na operação de drawback. Ao DECEX compete, nos termos do Comunicado DECEX nº 21, de 1997, receber os documentos apresentados pela beneficiária, analisálos à luz de suas atribuições e, com base nas informações disponíveis, se for o caso, fornecer o ato concessório. À SRF (RFB) compete fiscalizar a correta aplicação dos bens importados com Fl. 5125DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 benefício nas finalidades e nas situações previstas na legislação aduaneira. Portanto, no caso concreto não há que se falar em ilegalidade na atuação da SRF (RFB), haja vista a autoridade aduaneira ter agido nos estritos termos da legislação que tutela a matéria e dentro do âmbito de suas atribuições. Outrossim, constatase que a atuação da SRF (RFB) não visa à eventual anulação do ato concessório expedido pela SECEX. Ao revés, a fiscalização empreendida pela SRF ratifica o ato concessório e tem como escopo constatar o adimplemento das condições nele consubstanciadas. [...] (grifos não originais) Com efeito, em consonância com o entendimento explicitado nos excertos transcritos, a Secex compete analisar a documentação apresentada pelo autor do pedido de concessão do regime e, se atendido os requisitos estabelecidos em lei ou ato normativo interno, emitir o ato de concessório. Por sua vez, à RFB compete fiscalizar a aplicação ou fruição do regime, incluindo o cumprimento dos requisitos e condições fixados no ato concessório e na legislação de regência. De acordo com o voto condutor do acórdão proferido por este Colegiado, o motivo da anulação da referida decisão foi o fato de o órgão julgador de primeira instância não ter analisado às questões de mérito atinentes à licitação internacional e utilização dos recursos provenientes do financiamento externo, sob o argumento de que a declaração de invalidade do citado ato concessório, por decisão definitiva do Decex, constituía questão prejudicial à análise das referidas questões de mérito. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, reproduzemse os seguintes excertos colhidos do voto condutor do citado julgado de primeiro grau: Por derradeiro, no que toca aos argumentos tanto do Fisco quanto da Contribuinte acerca do financiamento e da licitação internacional, têmse que tal discussão é inócua e desnecessária, posto que para sedimentar a presente autuação é suficiente à comprovação de que a autoridade concedente do Ato Concessório nº 20020026021 resolveu, em 19.03.2007, declarar sua nulidade, cujo efeito retroagiu à data de validade inicial, portanto, tudo o mais que nele se escudara tornouse igualmente sem valor jurídico. Em face das circunstâncias concretas dos autos, deixo de analisar referidos argumentos da impugnação. Concluindo, a decretação da nulidade do respectivo ato concessório de drawback, por quem de direito, confirma a validade do lançamento tributário perpetrado pelo Fisco uma vez que realizado sob a ótica do princípio da verdade material, excluídos os limites artificiais, as ficções e presunções, em face da natureza pública do interesse fiscaltributário. Considerese que o reconhecimento da validade do presente lançamento decorre, ainda, do princípio da economia processual, segundo o qual não se devem repetir atos que, de alguma forma, já cumpriram suas finalidades. Assim, se é certo que a autuação foi motivada pelo descumprimento dos requisitos atinentes à licitação internacional e financiamento externo, inclusive, a declaração de Fl. 5126DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 107 15 nulidade do ato concessório pela Secex foi motivada pelo inadimplemento do primeiro requisito, conforme noticiam os autos. Dessa forma, uma vez restabelecida a validade o citado ato concessório, certamente, deixou de existir a suposta motivação de mérito aduzida na decisão de primeira instância, para não conhecer das demais questões de mérito atinentes às importações e ao financiamento externo. De todo modo, sem adentrar no mérito acerca da correção do referido julgado, o certo é que, por força da referida decisão anulatória, os autos retornaram à Turma de Julgamento de primeira instância, para que fossem apreciadas as mencionadas questões de mérito, que, em face da nulidade do questionado ato concessório, não foram conhecidas pelo Colegiado julgador a quo, questão reputada, no voto condutor da decisão anulada, como prejudicial de mérito. Com base no que foi até aqui exposto, sobressai a conclusão inexorável de que, sob pena de menoscabo e desrespeito com o que já fora decidido pela Turma de Julgamento a quo e por este Colegiado, a nova decisão de primeira grau não poderia retomar a discussão sobre a competência da RFB, para analisar o cumprimento dos requisitos do citado regime de drawback, ainda que considerando tal questão como matéria de mérito, pois, induvidosamente, tal questão já havia sido decidida por este Colegiado, conforme anteriormente explicitado. Porém, sob argumento de (i) que a Secex era o órgão competente para concessão do regime em apreço e (ii) que a comprovação dos requisitos da licitação internacional e do financiamento externo em questão deveria ser feita pela Secex, anteriormente à concessão do regime, entendeu a i. Relatora do voto condutor do julgado recorrido, que uma vez restabelecida a validade do citado ato concessório também foram restabelecidas a concessão do regime e a suspensão dos tributos devidos nas correspondentes operações de importação, logo, em decorrência, as questionadas autuações tornaramse improcedentes. Os demais argumentos que fundamentaram a decisão de primeiro grau foram assim explicitados nos excertos colhidos do voto condutor do julgado recorrido, que seguem transcritos: Então, ainda que não tenha sido exclusivamente pela nulidade do ato que trata o presente processo, entendo que está prejudicado o auto de infração atacado. Isto porque a fundamentação do auto foi a constatada irregularidade na licitação e financiamento externo das importações, independentemente da nulidade ou não do AC. Como expus acima, não coaduno com este entendimento. Estes requisitos analisados pela fiscalização fazendária fogem de sua área de competência, visto estarem afetos diretamente à concessão do regime e portanto ser da competência exclusiva do DECEX a sua verificação, fiscalização e até mesmo a defesa em juízo de suas decisões. Por esta razão, estando válido o Ato Concessório n.° 2002.0026021 e não tendo a fiscalização indicado Fl. 5127DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 irregularidades quanto ao cumprimento das obrigações tributárias que demonstrassem o inadimplemento do AC, não há que exigir da beneficiária os tributos suspensos. Por se tratar de matéria prejudicada, eis que incompatíveis com a preliminar material acatada no presente voto, deixo de me manifestar sobre as alegações do fisco e da autuada quanto à licitação internacional e financiamento externo às importações. [...] (grifos não originais) Assim, embora entendesse que o fundamento das autuações fosse a constatação de irregularidades na licitação internacional e no financiamento externo das importações, independentemente da nulidade ou não do citado AC, decidiu a Turma de Julgamento de primeira instância, com amparo nos arts. 28 e 29 do PAF, julgar improcedentes os lançamentos e cancelar o crédito tributário, sob o argumento de que (i) a competência para verificar e fiscalizar tais requisitos era da exclusiva competência do Decex e (ii) por ser questão prejudicial ao conhecimento dos citados requisitos e não tendo a fiscalização indicado irregularidades quanto ao cumprimento das obrigações tributárias que demonstrassem o inadimplemento do ato concessório, novamente, o Colegiado a quo não tomou conhecimento das questões de mérito atinentes à licitação internacional e ao financiamento externo das importações. Em outras palavras, diante do restabelecimento da validade do ato concessório, entendeu a Turma de Julgamento de primeira instância que foi regularizada a concessão do regime, em consequência, como a RFB não tinha competência para apreciar as questões relativas à licitação internacional e ao financiamento externo das importações, a autuação foi julgada improcedente. Com base no exposto, fica evidenciado que a razão de decidir do novo julgado foi a falta de competência da RFB para fiscalizar os citados requisitos do regime drawback em destaque. Portanto, a questão principal que precisa ser dirimida nesta assentada cingese, novamente, a análise da competência da RFB para apreciar os requisitos concernentes à licitação internacional e ao financiamento externo das importações. Em seguida, se superada essa questão, precisa ser decidido se este Colegiado pode analisar as questões de fundo, atinentes à licicitaçao internacional e ao financiamento externo das importações, que não foram apreciadas no julgado recorrido. Nos autos, inexiste controvérsia no sentido de que a Secex é o órgão competente para a concessão do regime drawback suspensão, modalidade fornecimento no mercado interno. Nesse sentido, expressamento asseverou a autoridade fiscal no excerto da Descrição dos Fatos (fl. 3603), a seguir transcrito: 1) A SECEX detém competência exclusiva para conceder o regime suspensivo de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, ou (no caso vertente) o compromisso de fornecer no mercado interno equipamentos fabricados no País com peças importadas. Ao atestar o adimplemento do regime (que no caso vertente nunca se deu), a Secex confirma tão somente a condição suspensiva do regime, que até o momento se encontrava sob condição resolutória. (grifos do original) Fl. 5128DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 108 17 Aliás, esse entendimento está em consonância com disposto no art. 338 do Decreto nº 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002), e o estatuído no art. 2º1 da Portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992. Aliás, em consonância com o disposto no referido preceito regulamentar, no âmbito da Secex, na época dos fatos, vigia o Comunicado Decex nº 21, de 11 de novembro de 1997, com as alterações posteriores, que tratava da concessão do regime drawback, modalidade fornecimento no mercado interno, no Título 14 do Capítulo III, com os seguintes dizeres, in verbis: TÍTULO 14 Drawback para Fornecimento no Mercado Interno 14.1 Operação especial concedida, exclusivamente na modalidade suspensão, para importação de matériaprima, produto intermediário e componente destinados a processo de industrialização, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 8.032, de 12/04/90. 14.2 Deverá ser observado o disposto no Título 8 e no Anexo VII desta CND. Do Título 8, que trata das considerações gerais sobre os requisitos e condições para concessão de todas as modalidades do regime drawback suspensão, extraise os seguintes excertos relevantes para o deslinde da controvérsia, a seguir transcritos: TÍTULO 8 Considerações Gerais 8.1 Para pleitear o Regime de Drawback, modalidade suspensão, a empresa deverá apresentar o formulário Pedido de Drawback consignando a classificação na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), a descrição, a quantidade e o valor da mercadoria a importar e do produto a exportar, em moeda de livre conversibilidade, dispensada a referência a preços unitários. 1. Deverá ser observado, obrigatoriamente, o disposto no Anexo III desta CND. [...] 8.6 No exame do Pedido de Drawback, será levado em conta o resultado cambial da operação. 1. A relação básica a ser observada é de 40% (quarenta por cento), estabelecida pela comparação do valor total das importações, aí incluídos o preço da mercadoria no local de embarque no exterior e as parcelas estimadas de seguro, frete e demais despesas incidentes, com o valor líquido das exportações, assim entendido o valor no local de embarque 1 "Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar." Fl. 5129DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 deduzido das parcelas de comissão de agente, eventuais descontos e outras deduções. 2. Quando da apresentação do pleito, a interessada deverá fornecer os valores estimados para seguro, frete, comissão de agente, eventuais descontos e outras despesas. 8.7 A concessão do Regime darseá com a emissão de Ato Concessório de Drawback. 8.8 O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a efetivação das exportações vinculadas e será compatibilizado ao ciclo produtivo do produto a exportar, com o objetivo de permitir a exportação no menor prazo possível. [...] 8.10 Poderá ser solicitada, por meio do formulário Aditivo ao Pedido de Drawback, a inclusão de mercadoria não prevista quando da concessão do Regime, desde que fique caracterizada sua utilização na industrialização do produto a exportar. 1. Na análise do pleito serão observadas as normas em vigor para o Regime, inclusive no tocante ao resultado cambial. [...](grifos não originais) Especificamente em relação o regime drawback suspensão, modalidade fornecimento no mercado interno, os trechos do Anexo VII representativos paro apreciação do caso em apreço, seguem reproduzidos: ANEXO VII FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO (LICITAÇÃO INTERNACIONAL) 1. Poderá ser concedido o Regime de Drawback, modalidade suspensão, para os casos que envolverem a importação de matériaprima, produto intermediário e componente destinados a processo de industrialização, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, na forma do art. 5º da Lei nº 8.032, de 12/04/90. 2. O formulário Pedido de Drawback deverá ser acompanhado da seguinte documentação: a) cópia do edital da concorrência internacional; b) cópia da proposta do fornecimento; c) catálogos técnicos e/ou especificações e detalhes do material a ser importado; d) declaração da empresa licitante certificando que a empresa foi vencedora da licitação e que o Regime de Drawback foi considerado na formação do preço apresentado na proposta; e) correspondência do órgão financiador aprovando a adjudicação; Fl. 5130DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 109 19 [...](grifos não originais) Com base na relação de documentos exigidos para concessão do regime em apreço, verificase que o controle exercido pela Secex limitase apenas a verificação do cumprimento de formalidades meramente formais e burocráticas, atinentes à documentação apresentada. No que tange à licitação internacional e ao financiamento externo (alíneas “a”, “d” e “e”), requisitos indispensáveis para concessão do regime, a Secex limitase a exigir, no primeiro caso, cópia do edital da licitação internacional e declaração da empresa licitante informando a empresa vencedora do certame e que o regime drawback foi considerado na formação do preço na proposta de financiamento. No segundo caso, mera correspondência do órgão financiador. É indubitável que, em relação aos requisitos para a concessão do regime, a apreciação e a decisão de mérito cabiam às autoridades competentes da Secex. No entanto, há que se diferenciar a verificação do cumprimento dos requisitos para a concessão do regime da verificação do cumprimento das condições estabelecidas no ato de concessão do regime, bem como os as condições e requisitos estabelecidos na legislação de regência. Feita esta diferença básica, temse ainda que as consequências decorrentes do descumprimento dos requisitos para concessão do regime e do descumprimento dos requisitos e condições do regime também são distintos. No primeiro caso, implicará no indeferimento do regime, se constatado previamente à emissão do ato concessório, ou na anulação do referido ato, se detectado posteriormente. Neste caso, inequivocamente, a matéria é da competência exclusiva da Secex. Essa segunda hipótese, nulidade do ato, foi o que ocorreu no caso em tela. Nessa situação, obviamente, o regime deixa de existir e os tributos suspensos passam a ser imediatamente exigíveis. Quanto a essa questão, inexiste controvérsia, uma vez que há anuência da própria Relatora do voto que serviu de fundamento da decisão recorrida. A controvérsia emerge quanto à apreciação dos requisitos e condições do regime. Neste ponto, entendeu a Turma de Julgamento a quo que o simples restabelecimento do ato concessório era suficiente para espancar todas as irregularidades apontadas pela fiscalização, que, no que tange ao financiamento externo, relacionam às irregularidades ocorridas após a concessão do regime e que, certamente, não foram analisadas pelo Decex. Por força dessa circunstância, com a devida vênia, discordase do entendimento da i. Relatora, haja vista que o restabelecimento do ato concessório representa a confirmação de que os requisitos para a concessão do regime foram atendidos, segundo o entendimento do Decex. No caso, específico, o requisito relativo à licitação internacional. Porém, essa condição, embora necessária, não era suficiente para assegurar a manutenção da suspensão do crédito tributário contemplada na concessão do regime, que exige ainda que sejam cumpridas as condições estabelecidas no ato de concessão e na legislação de regência, o que só pode ser verificado em momento posterior, durante ou após a conclusão do regime. E a competência para verificar o cumprimento das referidas condições, posteriormente a concessão do regime, induvidosamente, desde que haja exclusão de crédito tributário, induvidosamente, é da RFB, conforme expressamente previsto no art. 3º da Portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992, a seguir transcrito: Fl. 5131DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal – DpRF2 a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. (grifos não originais) De acordo com o referido artigo, inferese que, diferentemente do que entendeu a Turma de Julgamento de primeiro grau, enquanto não transcorrido o prazo de decadência do direito de lançar o crédito tributário suspenso, a RFB tem sim competência para verificar, o regular cumprimento dos requisitos e condições fixados no ato de concessão e na legislação e, se apurado irregularidades que importem no descumprimento de tais requisitos e condições, tem o poderdever de lançar os tributos devidos, com os consectários legais cabíveis, em consonância com disposto no art. 142 do CTN e do art. 10 do PAF, o que foi feito no caso em comento. Por todas essas razões, não se pode concordar com o entendimento da i. Relatora, explicitado no voto que serviu de fundamento do julgado recorrido (fl. 5103), no sentido de que a fiscalização da RFB não tinha competência para verificar o cumprimento dos requisitos atinentes à licitação internacional e ao financiamento externo das importações, sob argumento de que a verificação e a fiscalização de tais requisitos eram da alçada exclusiva do Decex. Admitir tal entendimento, a meu ver, resultaria na vinculação da atividade de lançamento do tributo não à lei, conforme determina o art. 142 do CTN, mas ao que fosse decidido por outro órgão administrativo, que, sabidamente não tem competência para se pronunciar, em caráter definitivo, sobre matéria de natureza tributária, em especial, sobre a legitimidade de concessão de incentivo fiscal. Por essa razão, entendese que, em face das competências distintas, o ato concessório emitido pelo Decex, induvidosamente, não vincula a atividade de lançamento da autoridade fiscal da RFB, a quem compete, inclusive, verificar o atendimento das condições estabelececidas no referido ato. É de sabença que, na emissão do referido ato, são fixadas algumas condições, que, se descumpridas, inevitavelmente, acarreta a perda do incentivo fiscal previsto para o respectivo regime de drawback. Não é demais ressaltar, mais uma vez, que não se podem confundir os requisitos fixados para concessão do regime ou emissão do ato concessório, que se encontram estabelecidos em atos normativos editados pela própria Secex (no caso, o Comunicado Decex nº 21, de 1997), com os requisitos e condições fixados na legislação para fruição do incentivo fiscal do regime. Na primeira hipótese, é óbvio que não cabe a RFB invadir a seara de competência da Secex e adentrar no mérito ou alterar decisão proferida pelo referido Órgão, sob pena de ingerência indevida nas atribuições de outro órgão administrativo. Nesse ponto, nenhuma divergência há com o entendimento do i. Relatora. Enquanto que, na segunda hipótese, é inquestionável a competência assegurada a RFB, para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime, fixados na legislação de regência, com a finalidade, inclusive, de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime pelo Decex. 2 Secretaria da Receita Federal do Brasil, atualmente. Fl. 5132DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 110 21 Nesse sentido, é evidente que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos e de forma distintos e complementares. Com efeito, cabe à Secex, previamente, a concessão do regime e a RFB, posteriormente, fiscalizar os requisitos e condições legais estabelecidos para fruição do regime. Não se pode olvidar que as prerrogativas da RFB e de seus auditores fiscais, em matéria de competência para fiscalizar o cumprimento da legislação relativa a tributos tem precedência sobre os demais órgãos e é de índole constitucional, uma vez que expressamente atribuída no art. 37, XVIII, da Constituição Federal de 1988. Com base nessa competência, uma vez constatada qualquer irregularidade, que implique exigência de crédito tributário, a autoridade fiscal tem o poderdever de realizar o lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme expressamente dispõe o art. 142 do CTN. Além disso, por ser o regime drawback suspensão uma espécie de isenção sob condição resolutória, sujeita a evento futuro e incerto (adimplemento dos requisitos e condições do regime), em conformidade com disposto no art. 179, § 2º, combinado com o artigo 155, ambos do CTN, o crédito tributário, obrigatoriamente, deverá ser lançado sempre que constatado que o contribuinte não cumpriu ou deixou de satisfazer os requisitos legais para concessão de tal benefício fiscal. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, a fiscalização tinha sim competência para verificar o cumprimento dos requisitos relativos (i) à existência regular da licitação internacional e (ii) ao efetivo pagamento das importações em moeda conversível, proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior, pois se trata de requisito fixado no art. 5º da Lei nº 8.032, de 1990, com a redação da Lei nº 10.184, de 2001, a seguir transcrito: Art. 5º O regime aduaneiro especial de que trata oinciso II do art. 78 do DecretoLei no37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.184, de 2001) (grifos não originais) Com base no referido preceito legal, inferese que a comprovação do pagamento das máquinas e equipamentos, produzidos e fornecidos no mercado interno, em moeda conversível originária de financiamento externo concedido por instituição financeira pública estrangeira ou o pelo BNDES, com recursos captados no exterior, tratase de requisito imprescindível para aplicação e fruição do incentivo fiscal do regime drawback, modalidade fornecimento no mercado interno. No caso, se o pagamento dos equipamentos fornecidos no mercado interno ocorreu após a concessão do regime e emissão do ato concessório, é óbvio que a verificação do cumprimento deste requisito pode e deve ser feito pela fiscalização da RFB. Essa verificação, Fl. 5133DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 certamente, não implicará qualquer ingerência nas prerrogativas de concessão do regime, que, conforme anteriormente exposto, limitase a exigência de apresentação de uma mera correspondência emitida pelo órgão financiador. Dessa forma, fica demonstrado que a mera apresentação da documentação relacionada no item 2 do Anexo VII do Comunicado Decex nº 21, de 1997, embora seja requisito necessário para concessão do regime pelo Decex, certamente, não tem o condão de excluir a competência da RFB de verificar, posteriormente, enquanto não decaído do direito de lançar o tributo, se os equipamento foram pagos em moeda conversível, proveniente de financiamento ou de recursos financeiros captados no exterior pelo BNDES. Não admitir que a RFB não detém tal competência, na prática, significaria a impossibilidade material de verificação do cumprimento de requisito essencial, instituído em lei, para fruição dos benefícios fiscais decorrentes da aplicação do regime em tela. No caso, certamente, a mera apresentação da cópia do edital da licitação internacional, acompanhada de declaração da empresa licitante, certificando que a empresa beneficiária do regime foi a vencedora do certame e que o regime de drawback foi considerado na formação do preço apresentado na proposta, não impede que a fiscalização da RFB verifique os requisitos estabelecidos para a referida licitação fora cumprido. Por fim, no mesmo sentido do entendimento aqui esposado, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 100, de obrigatória adoção pelo membros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Por todas essas razões, chegase a conclusão de que, ao contrário do que entendeu a Turma de Julgamento de primeira instância, a RFB tem sim competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos e condições da modalidade do regime drawback suspensão em destaque, incluindo os requisitos concernentes à licitação internacional e ao pagamento das importações em moeda conversível, proveniente de financiamento com recursos financeiros captados no exterior. Neste passo, uma vez superada a questão prejudicial suscitada pela Turma de Julgamento a quo, uma questão de índole eminentemente processual remanesce e deve ser dirimida: este Colegiado prossegue na análise e conhece das questões de mérito ou deve devolver os autos ao órgão de julgamento a quo, para julgamento das questões de méritos não apreciadas no julgado recorrido? A segunda alternativa, a meu ver, transparece ser a mais adequada com o princípio do devido processo legal, rege o processo administrativo fiscal, sob pena de supressão de instância e de restar configurado o cerceamento do direito de defesa da autuada. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para afastar a prejudicial de incompetência da RFB, devendo os autos retornar à unidade da Receita Federal de origem, para fim de apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória. Fl. 5134DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.003014/200651 Acórdão n.º 3102002.225 S3C1T2 Fl. 111 23 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 5135DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10980.011850/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE
DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Odmir Fernandes (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ilka Almeida Passos, OAB/PR 27.433.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Odmir Fernandes (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Odmir Fernandes (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ilka Almeida Passos, OAB/PR 27.433. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 18 50 /2 00 8- 66 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Odmir Fernandes (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 2201002.450 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 115 a 119), por omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações, no qual se apurou o Imposto de Renda Pessoa Física, referente a fato gerador ocorrido em 31 de outubro de 2003, no valor de R$ 3.771.750,00, acrescido de multa de ofício de 75% e dos respectivos juros de mora. A auditoria, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 103 a 116), identificou que os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual (DAA) apresentada no exercício de 2004 (fls. 5 a 11) como isentos e nãotributáveis no valor de R$ 25.149.998,78, eram provenientes do valor recebido em decorrência da participação societária na empresa Editora Gazeta do Povo S.A. Todavia, sobre tais valores deveriam ter sido calculados o imposto devido sobre o ganho de capital. O contribuinte, por meio de procuradores legalmente habilitados, apresentou a impugnação tempestiva (fls. 122 a 126), na qual confirma que a suposta omissão teve origem na reavaliação do capital social de empresa da qual é sócio, no processo de incorporação da Editora Gazeta do Povo S/A pela Paraná Mídia Participações em 2003. Porém, que os valores foram devidamente consignados como rendimentos isentos e não tributáveis na DAA/2004, em observância do art. 4º do DecretoLei n° 1.510, de 1976, que declarava a não incidência de imposto de renda sobre alienações efetivadas após cinco anos da data da subscrição ou aquisição. Argumenta que à época da publicação da Lei 7.713, de 1988, que revogou todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão do imposto de renda das pessoas físicas, as quotas já estavam em seu poder há mais de cinco anos. Isso estaria demonstrado na 15ª alteração do Contrato Social (fls. 39 e 40), cuja data de aquisição das quotas alienadas ocorreu em seis de julho de 1973, portanto, quinze anos antes da vigência da referida Lei. Assim, estaria assegurado o direito de alienálas sem incidência do imposto, independentemente da data da alienação. Alega que deve ser reconhecido o seu direito adquirido da não incidência de imposto de renda sobre a alienação de suas quotas em virtude do fato, incontestado, de que já as havia adquirido trinta anos antes da alienação e quinze anos antes da revogação do Decreto Lei nº 1.510/1976, que o amparava. A retirada desse direito seria uma grave ofensa aos princípios de direito vigentes em nosso País. Cita o artigo 6° da Lei de Introdução do Código Civil, o artigo 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal e doutrinas, para afirmar o seu direito adquirido à isenção, e assevera que a matéria vem sendo examinada constantemente pelos tribunais, judiciais e administrativos, com sólida jurisprudência a respeito. Por fim, contesta a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), por meio do Acórdão nº 0620.396 (fls. 135 a 141), de 16 de dezembro de 2008, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado em 21 de janeiro de 2009 (fl. 145), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 20 de fevereiro (fls. 151 a 156), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação quanto ao direito adquirido à isenção do imposto de renda sobre a alienação da participação societária e quanto à cobrança indevida dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 2201002.450 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Inicialmente, em relação à jurisprudência presente no recurso voluntário, cabe esclarecer que as decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais e sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543 C do CPC) – que devem ser observadas por este Conselho, à luz do art. 62A do RICARF –, bem como os Acórdãos proferidos pelo CARF, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. O lançamento referese à omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2003, tendo o recorrente contestado o lançamento do imposto e a cobrança dos juros sobre a multa de ofício. Ganhos de capital na alienação de ações. O recorrente argumenta que a fiscalização não teria observado o disposto no DecretoLei n° 1.510, de 1976, tributando o ganho de capital decorrente da reavaliação do capital social de empresa da qual o autuado é sócio, no processo de incorporação das ações da "Editora Gazeta do Povo S.A." pela "Paraná Mídia Participações S.A." em 2003, já que essas ações estavam em seu poder há mais de 15 anos. O contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, o direito a não incidência já estava consagrado e fazia parte de seu patrimônio e de sua personalidade. A garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. Entretanto, analisando a legislação que rege a matéria, não se verifica nos autos qualquer ofensa ao direito adquirido, já que houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713/1988, como apontou a auditoria. De acordo com o art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reporta se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ou seja, surgindo uma lei nova, ela deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Não podem prevalecer à lei nova os dispositivos expressamente revogados à época da concretização do fato gerador. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 6 No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Isso quer dizer que, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Por fim, citase a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, especifica em relação à matéria com o advento da Lei nº 7.713, de 1988, conforme reproduzida na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Assim sendo, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Juros sobre a multa de ofício. O recorrente diz que inexiste previsão legal para a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Porém, ao contrário do alegado, pelo que dispõe o art. 161 do CTN, chegase à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal (tributo), Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 2201002.450 S2C2T1 Fl. 5 7 mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário constituído exclusivamente por multa, diz expressamente no parágrafo único do art. 43, que incidirão juros de mora à taxa Selic cobrados na forma do § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do STJ (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Primeira Seção do STJ (Precedentes REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010). AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/2012). Também, no âmbito do CARF, destacamse as seguintes decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Portanto, é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, calculados pela variação da taxa Selic. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 8 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Trata o processo, de Imposto de Renda Pessoa Física, incidente sobre ganho de capital obtido na alienação de ações, adquiridas na vigência do Decretolei n° 1.510, de 1976. A questão a ser decidida, é se existiria direito adquirido ao benefício previsto no art. 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, no caso de alienação de participação societária que, embora tenha permanecido em poder do Contribuinte por cinco anos na vigência do citado DecretoLei, foi alienada já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, que, em seu art. 58, expressamente revogou dito dispositivo. Em face da matéria, trago à colação o brilhante voto proferido no Acórdão 2201 001.831, julgado em 16/10/2012, da lavra do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cujos fundamentos ora adoto como razões de decidir: No caso específico das isenções, inclusive, o CTN dispõe expressamente que estas podem ser revogadas ou modificadas, por lei, desde que não tenham sido concedidas em função de determinadas condições e por prazo certo. É o que reza o art. 178, verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Em nota de rodapé, o Ilustre Conselheiro traz informação essencial: É interessante notar, inclusive, que a redação atual do art. 178 do CTN foi determinada pela Lei Complementar nº 24, de 07 de janeiro de 1975. Na redação anterior, onde hoje está dito “... por prazo certo e em função de determinadas condições....”, havia “... por prazo certo ou em função de determinadas condições...”, o que deixa inequívoca a intenção do legislador de exigir as duas condições, cumulativamente. Assim, o benefício ora tratado não constitui, em absoluto, uma isenção condicionada, já que não foram atendidos, cumulativamente, os dois requisitos para tal – prazo certo e determinadas condições – como requer expressamente o artigo 178 do CTN. E segue o Conselheiro: Como se vê, o cerne da questão em debate neste processo é se o Contribuinte teria, ou não, o direito adquirido a não incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na alienação de participação societária, considerando a situação fática em que, quando da alienação, já havia transcorrido cinco anos da aquisição da participação societária, conforme exigia o art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976, posteriormente revogado pela Lei nº 7.713, de 1988, considerando que a alienação se deu já na vigência dessa última Lei. [...] O que se discute é qual a legislação aplicável ao caso, se a revogada, considerandose, nessa hipótese, que a Contribuinte adquiriu o direito a não incidência após cinco anos Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 2201002.450 S2C2T1 Fl. 6 9 de posse da participação societária; ou a lei vigente na data da alienação, considerando, portanto, que o fato de ter sido ultrapassado os cincos anos da propriedade da participação societária, antes da revogação do dispositivo que previa a isenção, não preserva o direito ao benefício fiscal. Penso que a segunda hipótese é a correta. Tratase neste caso de regimes jurídicos distintos e, como é cediço, não há direito adquirido a regimes jurídicos. Até a edição da lei nº 7.713, de 1988, vigia um regime jurídico que contemplava essa hipótese de isenção, mas com a Lei nº 7.713, de 1988, inaugurouse outro regime. E é este último que se aplica aos fatos ocorridos a partir de sua vigência. Em reforço, o art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN explicita que a legislação que rege o lançamento é aquela então vigente, a saber: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ora, o fato gerador do Imposto de Renda sobre o ganho de capital só ocorre no momento da alienação e, quando esta ocorreu (em 14/05/1996) a Lei nº 7.713, de 1988 já estava em vigor. O art. 104, por sua vez, é parte do capítulo que cuida da vigência da legislação tributária, e é claro ao fixar a vigência de lei que reduz ou extingue isenção, a saber: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a imposto sobre o patrimônio e a renda: [...] III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178. Ora, no caso sob exame, a alienação da participação societária e, portanto, o fato gerador da obrigação tributário ocorreu na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 e a isenção prevista no art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976 não preenche ambas as condições previstas no art. 178 do CTN: ser condicionada a determinadas condições e, cumulativamente, ser por prazo certo. Portanto, o imposto recolhido era devido, razão pela qual a Contribuinte não faz jus à restituição pleiteada.” Mais recentemente, o entendimento ora esposado foi abraçado no Acórdão 2201002.116, de 14/05/2013, da lavra do Ilustre Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: Assim, melhor refletindo, penso que não há ofensa ao direito adquirido, pois como houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713, de 1988, a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. A mudança de entendimento se deve aos atuais debates da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, fundamentalmente, pelo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) das ADIN’s nº 3.105/DF e 3.128/DF, relativas ao art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. Na ocasião, entendeu o Pretório Excelso que é constitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre inativos e pensionistas, pois, como inexiste norma de exoneração tributária absoluta, a lei deve incidir sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Vejase o teor da ementa do julgado: 1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 10 ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídicosubjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. 2. Inconstitucionalidade. Ação direta. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária, por força de Emenda Constitucional. Ofensa a outros direitos e garantias individuais. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Regra não retroativa. Instrumento de atuação do Estado na área da previdência social. Obediência aos princípios da solidariedade e do equilíbrio financeiro e atuarial, bem como aos objetivos constitucionais de universalidade, equidade na forma de participação no custeio e diversidade da base de financiamento. Ação julgada improcedente em relação ao art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. Votos vencidos. Aplicação dos arts. 149, caput, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, e 201, caput, da CF. Não é inconstitucional o art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição previdenciária sobre os proventos de aposentadoria e as pensões dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. 3. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda Constitucional (EC nº 41/2003, art. 4º, § únic, I e II). Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Bases de cálculo diferenciadas. Arbitrariedade. Tratamento discriminatório entre servidores e pensionistas da União, de um lado, e servidores e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária, que é particularização do princípio fundamental da igualdade. Ação julgada procedente para declarar inconstitucionais as expressões "cinquenta por cento do" e "sessenta por cento do", constante do art. 4º, § único, I e II, da EC nº 41/2003. Aplicação dos arts. 145, § 1º, e 150, II, cc. art. 5º, caput e § 1º, e 60, § 4º, IV, da CF, com restabelecimento do caráter geral da regra do art. 40, § 18. São inconstitucionais as expressões "cinqüenta por cento do" e "sessenta por cento do", constantes do § único, incisos I e II, do art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e tal pronúncia restabelece o caráter geral da regra do art. 40, § 18, da Constituição da República, com a redação dada por essa mesma Emenda.” (grifos meus) (ADI 3.105 e da ADI 3.128 (rel. Min. Ellen Gracie, rel. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso, DJ de 18.02.2005) (grifei) Corrobora com o exposto, o recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Lei da Ficha Limpa (ADCs 29 e 30), que determinou sua aplicação a fatos iniciados ou ocorridos antes de sua edição, por entender inexistir direito adquirido a regime jurídico. Com efeito, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada” (art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN). O fato gerador do Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 2201002.450 S2C2T1 Fl. 7 11 imposto de renda sobre o ganho de capital somente ocorre no momento da alienação e, no caso dos autos, esta se deu em 2008, ou seja, na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal exarou os julgados abaixo colacionados, confirmando o posicionamento no sentido de que não há que se falar em direito adquirido a regime jurídicotributário: ACÓRDÃO ELETRÔNICO Dje 210 – PUBLICAÇÃO EM 25102012; RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI; AGTE: ACADEMIA VERANENSE DE ASSISTÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA; AGDO: UNIÃO EMENTA Constitucional. Tributário. Imunidade. Entidade de assistência social. Requisitos. Artigo 195, § 7º, da Constituição Federal. Reexames de fatos e provas. Súmula nº 279 desta Corte. 1. No acórdão recorrido, assentouse que não há direito adquirido a regime tributário, ainda que a entidade tenha sido reconhecida como de caráter filantrópico, na forma do Decretolei nº 1.572/77, entendeuse, além disso, que, no caso concreto, não foram comprovados os requisitos exigidos em lei. Assim, a autora não faz jus ao reconhecimento da imunidade pretendida. 2. Esta Corte firmou orientação no sentido de não reconhecer direito adquirido a regime jurídico. Por isso mesmo, inexistiria direito à imunidade tributária por prazo indeterminado, conforme decidido no acórdão ora recorrido. É o que sobressai do julgamento proferido no RMS nº 27.093, de relatoria do Ministro Eros Grau, DJe de 13/11/08. 3. A verificação do regime jurídico de entidade de assistência social para a configuração da imunidade tributária carece de reexame de fatos e provas, o que atrai a incidência da Súmula nº 279 desta Corte. 4. Agravo regimental não provido. (grifei) RMS 26932/DF RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA; Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA; Julgamento: 01/12/2009; Publicação: DJe022,DE 0502 2010; RECTE: PROVÍNCIA BRASILEIRA DA CONGREGAÇÃO DA MISSÃO – PBCM; RECDO: UNIÃO EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (grifei) RE 254459/SC; Relator: Min. ILMAR GALVÃO; Julgamento: 23/05/200; Publicação DJ 10082000; RECTE.: MUCHADON CABELEIREIROS LTDA. – ME; RECDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO UTILIZÁVEL PARA EXTINÇÃO, POR COMPENSAÇÃO, DE DÉBITOS DA MESMA NATUREZA, ATÉ O LIMITE DE 30%, QUANDO CONSTITUÍDOS APÓS A EDIÇÃO DA LEI Nº 9.129/95. ALEGADA OFENSA AOS PRINCÍPIOS Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 12 DO DIREITO ADQUIRIDO E DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Se o crédito se constituiu após o advento do referido diploma legal, é fora de dúvida que a sua extinção, mediante compensação, ou por outro qualquer meio, há de processarse pelo regime nele estabelecido e não pelo da lei anterior, posto aplicável, no caso, o princípio segundo o qual não há direito adquirido a regime jurídico. Recurso não conhecido. (grifei) Destarte, não há como manter o benefício ora tratado para além da edição da Lei nº 7.713, de 1988, uma vez que esta o revogou expressamente, sendo que não se tratava de isenção condicionada, já que não foram atendidos os dois requisitos para tal – prazo certo e determinadas condições – como requer o artigo 178 do CTN. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 2/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.900407/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO.
Tendo sido o crédito devidamente comprovado e disponível para compensação a Declaração de compensação deve ser homologada.
Numero da decisão: 1802-002.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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CRÉDITO COMPROVADO. Tendo sido o crédito devidamente comprovado e disponível para compensação a Declaração de compensação deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 04 07 /2 01 0- 11 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.900407/201011 Acórdão n.º 1802002.326 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Em 17/08/2009 a Recorrente apresentou a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 00211.34891.170809.1.7.042874 (fls. 12/17), por meio da qual procurou compensar crédito a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, Código de Receita nº 0220, do período de apuração de 30/06/2005, com débito de sua responsabilidade relativo ao 3º trimestre de 2005, apurado no auto de infração PAF n°. 13609.002055/200812. A DRF de Sete Lagoas (MG), por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 6), não homologou a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado no PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. Como enquadramento legal citou: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Contribuinte apresentou então sua Manifestação de Inconformidade (fls. 2 e segs.), argumentando e requerendo, em síntese, que foram compensados os valores recolhidos em 31/10/2005, com código 0220, no valor total de R$ 90.268,50, conforme cópia dos comprovantes de arrecadação. Pediu então o cancelamento do despacho decisório e a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em litígio. A DRJ de Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No voto o Relator justificou seu julgamento que foi seguido pelo restante da Turma: “A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, fl. 20, apresentada antes da Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.900407/201011 Acórdão n.º 1802002.326 S1TE02 Fl. 38 3 ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. No documento de fl. 9, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Análise do Crédito", no item "Informações Complementares da Análise do Crédito", consta a seguinte observação: "VALORES DECLARADOS NA DCTF PARA 2 T 2005 DIFERENTE DOS VALORES INFORMADOS NA DIPJ PARA O MESMO PERÍODO". Contra essa fundamentação o contribuinte não traz nenhuma contestação ou esclarecimento na manifestação de inconformidade. Mantémse pois a não homologação da compensação. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 14/03/2013, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/04/2013, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. Esse colegiado em 06/11/2013 resolveu por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) informasse se o débito no valor de R$ 444.234,73, encontravase quitado e, caso a reposta fosse positiva, de que forma; b) verificasse se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de outro(s) débito(s); c) intimasse o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. d) elaborasse relatório pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Tendo em vista a Diligência proposta, a DRF de Belo Horizonte, através do SEORT, respondeu a diligência da seguinte forma: A resolução nº 1802000.419, de 06/11/2013, oriunda 2a Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF decidiu converter seu julgamento em diligência para verificação da disponibilidade do crédito de pagamento indevido de IRPJ informado na DCOMP 00211.34891.170809.1.7.042874, no valor de R$ 90.268,50, referente ao período de apuração 30/06/2005 e arrecadado em 31/10/2005. Nesse sentido, procedemos à verificação da quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2005 em conformidade com o valor declarado em DIPJ: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.900407/201011 Acórdão n.º 1802002.326 S1TE02 Fl. 39 4 (...) Com base no exposto acima, podese concluir que o valor do débito de saldo negativo de IRPJ do período de apuração 2º trimestre de 2005 achase devidamente quitado e, que o referido valor de pagamento indevido informado como crédito na DCOMP 00211.34891.170809.1.7.042874 encontrase disponível para compensação nesta declaração. Dêse ciência deste relatório ao contribuinte, facultandolhe o prazo de 30 (trinta) dias de seu recebimento, para apresentação de razões adicionais à defesa. Cumprida a presente diligência, proponho o retorno do processo ao CARF para prosseguimento”. Este é o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.900407/201011 Acórdão n.º 1802002.326 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do PER/DCOMP n° 00211.34891.170809.1.7.042874, a Recorrente buscou a compensação de crédito no valor de R$ 90.268,50, decorrente de pagamento a maior de IRPJ (DARF código 0220), período de apuração 30/06/2005, data de arrecadação 31/10/2005, com débitos tributários que foram objeto de Auto de Infração PAF n°. 13609.002055/200812 lavrado pela Receita Federal do Brasil, relativo ao IRPJ (código 2917) do 3º trimestre. Inicialmente a Recorrente recolheu e informou em sua DCTF original, relativa ao 2º trimestre de 2005, débito a pagar de IRPJ (código 0220) no valor de R$ 399.077,54. Em seguida a Recorrente alega que após promover alterações contábeis, em decorrência da manutenção de equipamentos e de pagamentos de juros sobe sobre o capital próprio que foram revertidos, apurou que o valor correto de IRPJ (código 0220) a pagar, no referido exercício, corresponderia ao montante de R$ 843.312,27, tendo sido este o valor informado na DIPJ do exercício de 2006. A Receita Federal do Brasil efetuou o lançamento da diferença do débito recolhido e informado na DCTF com aquele indicado na DIPJ, o que se deu através do Auto de Infração vinculado ao PAF n° 13609.002055/200812, no valor de R$ 444.234,73. No seu Recurso Voluntário informou que a Fiscalização, ao lançar os referidos valores, não atentou para a existência de pagamentos de IRPJ (código 0220), como o havido no valor de R$ 90.268,50, referente ao “3º trimestre de 2013”. Diante disso, a Recorrente alegou que efetuou o pagamento de parte do débito tributário constituído pelo Auto de Infração e, quanto ao valor remanescente, correspondente ao montante que já havia sido objeto de pagamentos não considerados pelo Fisco, efetuou a compensação por intermédio de PER/DCOMP's. Assim, o que interessava verificar era se havia ou não pagamento do valor de R$ 444.234,73, relativo ao 2º trimestre de 2005, para saber se o crédito informado persistia para ser aproveitado conforme deseja a Recorrente. A DRF de Belo Horizonte (MG) foi clara e objetiva em sua análise, concluindo da seguinte forma: “Com base no exposto acima, podese concluir que o valor do débito de saldo negativo de IRPJ do período de apuração 2º trimestre de 2005 achase devidamente quitado e, que o referido valor de pagamento indevido informado como crédito na Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.900407/201011 Acórdão n.º 1802002.326 S1TE02 Fl. 41 6 DCOMP 00211.34891.170809.1.7.042874 encontrase disponível para compensação nesta declaração.” Com base na informação prestada pela autoridade fiscal resta claro que assiste razão a Recorrente e que a PER/DCOMP nº 00211.34891.170809.1.7.042874 deve ser homologada. Assim sendo voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904483/2009-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.904483/200979 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.263 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria IRPJ/PERDCOMP Recorrente AUTO LOTAÇÃO INGÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 44 83 /2 00 9- 79 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Tratase do Despacho Decisório n° 831660950, de 20.04.2009 (fls.44), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em NiteróiRJ, que, sob o fundamento de que o darfcrédito fora integralmente utilizado na quitação de débitos do interessado, não homologou a seguinte compensação declarada: Quadro 1 CRÉDITO DECLARADO: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DÉBITO COMPENSADO Dcomp N° do Pgto. Receita código Apuração Arrecadação Valor Receita Apuração Vencto. Valor Principal 28558.49673.101006.1.3.04 0163 (fls.48/52) 3216016708 IRPJ5993 31.10.2001 e 30.11.2001 24.135,90 IRPJ 2362 Mai/2004 e 30.06.04 23.105,30 (1) (1) Mais multa e juros de mora. Enquadramento legal: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996. 2. Na Dcomp, a utilização do crédito foi informada assim: Quadro 2 (página 2 da Dcomp, às fls.49) Valor original do crédito inicial 24.135,90 Crédito original na data da transmissão 24.135,90 Selic acumulada 84,94% Crédito atualizado 44.636,93 Total dos débitos desta Dcomp 36.358,50 Total do crédito original utilizado nesta Dcomp 19.659,62 Saldo do crédito original 4.476,28 3. Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.3/4), o interessado alega que "houve de fato um pagamento indevido e um equívoco no preenchimento da DCTF, confessando indevidamente o débito". 4. Diz que "tratase de um darf de IRPJ cujo código é 5993, referente ao período de 10/2001, no valor de R$ 24.135,90, se comparado a DCTF Retificadora com a DIPJ, veremos que de fato este débito NÃO é de fato devido”. 5. Acrescenta que “ para a confirmação do alegado, juntamos à presente cópia da DCTF retificadora, cópia da DIPJ, cópia do Per/Dcomp e cópia do Darf”. 6. Pede "a homologação total do crédito para quitação do débito na Per/Dcomp acima descrita, tendo em vista que o crédito é sem dúvida existente”. 7. Com a Manifestação de InconformidadeMI vieram os documentos de fls.5/43. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.59/124. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1237.615, de 31 de maio de 2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904483/200979 Acórdão n.º 1802002.263 S1TE02 Fl. 3 3 Anocalendário: 2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. As alegações desprovidas de provas não produzem efeitos em sede de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DCOMP. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não produz efeitos no julgamento do direito creditório alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ. CÓDIGO 5993. ESTIMATIVAS MENSAIS. CRÉDITO UTILIZADO. DÉBITO NÃO ELIDIDO. Mantémse o Despacho Decisório se não provado que o débito que deu causa à não homologação da compensação era indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 17/11/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/12/2011, no qual alega que: discorda da decisão recorrida ao entender que o contribuinte deixou de juntar provas (escriturais e documentais) do direito alegado, pois o crédito existe, conforme pagamento indevido feito no valor de R$ 24.135,90, recolhido em 30/11/2001, que gerou um crédito a favor da requerente, como pode ser verificado na DIPJ 2002, Ficha 11, mês outubro/2001, como demonstrado na memória de cálculo do mês de outubro/2001, com valores retirados do balancete e do LALUR, não há que se falar em pagamento de IRPJ, pois o resultado foi de “Prejuízo Fiscal” no valor de R$ 166.169,02: Prejuízo Liquido (balancete) Adições Exclusões Compensação 30% Lucro Real ﴾193.486,56﴿ 27.317,54 ﴾166.169,02﴿ a retificação da DCTF ocorrida após ciência do despacho decisório, foi feita para simples correção do erro de preenchimento. Desta forma, a retificação da DCTF em nada afetou o direito creditório, pois este sempre existiu, permanecendo intocável desde o pagamento indevido. o entendimento do julgador de que o crédito utilizado na Dcomp nº 28558.49673.101006.1.3.04 0163 tem origem no pagamento de Estimativa Mensal e que este Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 só poderia ser restituído /compensado ao final do período de apuração, sob a forma de Saldo Negativo, com fundamento na IN SRF 460/2004, é equivocado, uma vez que a Lei não faz restrição a compensação de estimativas mensais, assim como a IN RFB 900/2008 não traz mais esta restrição, cabendo ressaltar ainda, que já há decisão proferida em sede de julgamento, no âmbito da Receita Federal do Brasil, mantendo o entendimento de que os pagamentos de estimativas mensais são passíveis de compensações como modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido, conforme o Acórdão 12.39.032 4a Turma da DRJ/RJ1 de 27/07/2011. Finalmente a Recorrente requer seja acolhido o presente recurso para fim de ser HOMOLOGADO O CRÉDITO. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 28558.49673.101006.1.3.04 0163 (fls.48/52), transmitido em 10/10/2006, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 24.135,90, período de apuração: 31/10/2001, arrecadação: 30/11/2001, com débito de IRPJestimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Mai/2004 e VENCIMENTO: 30/06/2004). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.05, emitido em 20/04/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Os fundamentos expendidos na decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1237.615, de 31 de maio de 2011, são, no essencial, os seguintes: ... 35 Temse, então, que as alegações do interessado, em sede deste processo administrativo fiscal, não podem produzir efeitos porque desacompanhadas das provas (escriturais e documentais) do direito alegado. 36 Mas, ainda que assim não fosse, o crédito alegado é concernente a pagamento de estimativa mensal, que, na forma da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004), não comporta restituição, e só pode ser restituí do/compensado ao final do período de apuração, porém, sob a forma de saldo negativo, senão vejamos: ... Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904483/200979 Acórdão n.º 1802002.263 S1TE02 Fl. 4 5 O fundamento para rejeitar a manifestação de inconformidade, no sentido de que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário, não pode prosperar, pois, de fato, como bem argumentado pela Recorrente, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De sorte que, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Como visto, o segundo fundamento para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. A Turma julgadora de primeira instância apesar de indeferir o pleito da Recorrente, por falta de provas escriturais e documentais, faz as seguintes observações no voto condutor do Acórdão recorrido: ... 13 Pois bem. Relativamente ao anocalendário de 2001, o interessado entregou, nas datas abaixo, duas Declarações de Informações EconômicoFiscaisDIPJs, e, com relação ao terceiro trimestre, duas DCTFs: Quadro 3 DCTF (fls.68) DIPJ (fls.59) 07.02.2002 25.06.2003 26.05.2009 10.10.2006 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904483/200979 Acórdão n.º 1802002.263 S1TE02 Fl. 5 7 14 O débito de acordo com o corpo do Despacho Decisório ao qual o darfcrédito foi alocado, foi confessado na DCTF entregue em 07.02.2002 e foi vinculado a pagamento de igual valor (fls.68/70). ... 38 Deve ser observado, por fim, à autoridade lançadora, para as providências que reputar cabíveis, que, em face do processamento da DCTF Retificadora entregue em 26.05.2009, passou a figurar "saldo", na consultaSief às fls.124. 39 Observese, também, para as providências revisionais que julgar cabíveis, que, nas consultasSief, às fls.127/128, os darfs arrecadados (IRPJ5993 de 28.02.2001 a 31.01.2002), somam R$ 91.649,49, e, os débitos (IRPJ 5993), R$ 42.178,95. ... É certo que a DCTF retificadora fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório, porém, a DIPJ/2002 retificadora fora apresentada antes da ciência do Despacho Decisório. Do despacho da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói (fl.05) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ/2002 em confronto com a DCTF. Conforme consignado acima, constam no voto condutor do acórdão recorrido observações para providências revisionais pela autoridade administrativa emitente do Despacho Decisório. Cabe a análise da DIPJ/2002 e DCTF(s), bem como os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2001, comprovados mediante escrituração contábil e fiscal, para se verificar se o pagamento efetuado do IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 31/10/2001 é maior que o devido e ainda se não fora utilizado para compor o saldo negativo de 31/12/2001. Assim, afastado o óbice escorado no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, que também serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, e, para que não se alegue supressão de instância, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói/RJ) para análise do PER/DCOMP em comento, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado à Recorrente para sua manifestação se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727565/2012-53
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. NEGATIVA DE EXIBIÇÃO DE LIVROS, DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES REQUERIDAS PELA FISCALIZAÇÃO. EXIGÊNCIA DO INCISO II DO ART. 29 DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006. INOBSERVÃNCIA.
Como se pode observar das alegações do contribuinte, a exclusão deve prosperar, com os efeitos retroativos, mas somente a partir de dezembro de 2008, e não a partir de 01/01/2008.
In casu, portanto, resta amplamente evidenciado a admissão das irregularidades apontadas pela fiscalização, sendo que a controvérsia remanescente cinge-se apenas à questão temporal aventada pelo recorrente.
No ponto, não há que se cogitar da possibilidade de modificar o acórdão recorrido, tendo em vista a farta fundamentação em relação à necessidade de manutenção do lançamento, nos exatos termos constantes do trabalho realizado pela fiscalização.
Neste quesito, ficou muito bem evidenciado que a empresa descumpriu, apesar de requerida, os termos constantes do inciso II do art. 29 da lei Complementar nº 123, de 2006.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.622
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.727565/201253 Recurso nº 11.080.727565201253 Voluntário Acórdão nº 2803003.622 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TECNISERVICE SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. NEGATIVA DE EXIBIÇÃO DE LIVROS, DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES REQUERIDAS PELA FISCALIZAÇÃO. EXIGÊNCIA DO INCISO II DO ART. 29 DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006. INOBSERVÃNCIA. 1. Como se pode observar das alegações do contribuinte, a exclusão deve prosperar, com os efeitos retroativos, mas somente a partir de dezembro de 2008, e não a partir de 01/01/2008. 2. In casu, portanto, resta amplamente evidenciado a admissão das irregularidades apontadas pela fiscalização, sendo que a controvérsia remanescente cingese apenas à questão temporal aventada pelo recorrente. 3. No ponto, não há que se cogitar da possibilidade de modificar o acórdão recorrido, tendo em vista a farta fundamentação em relação à necessidade de manutenção do lançamento, nos exatos termos constantes do trabalho realizado pela fiscalização. 4. Neste quesito, ficou muito bem evidenciado que a empresa descumpriu, apesar de requerida, os termos constantes do inciso II do art. 29 da lei Complementar nº 123, de 2006. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 75 65 /2 01 2- 53 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente ao GILRAT (AI 37.344.6101); contribuições previdenciárias dos segurados empregados (AI 37.344.6110); e Terceiras Entidades (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESC E SENAC) (AI 37.344.6128). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Auto de Infração nº 37.344.6101 de 26/06/2012 Auto de Infração nº 37.344.6110 de 26/06/2012 Auto de Infração nº 37.344.6128 de 26/06/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA COMO EMPRESA NORMAL. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis, às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A exclusão do Simples Nacional foi requerida e deferida com efeito retroativo a 01/01/2008, por entender a fiscalização que a atividade econômica da recorrente é a prestação de serviços com cessão de mãodeobra, segundo ela atividade esta prevista em seu contrato social e que foi constatada mediante informações verbais com os representantes da empresa. Não existe no objetivo social da empresa a prestação de serviços como cessão de mãodeobra, ou seja, a recorrida resolve de forma arbitrária, leviana, sem prova e sem suporte jurídico determinar qual o objetivo social da recorrente. Ainda segue a fiscalização afirmando que no curso da ação fiscal foram solicitados os contratos de prestação de serviço e que estes documentos não foram entregues, oferecendo embaraço à fiscalização. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 5 4 O fato de a recorrente não possuir contrato de prestação de serviços escritos e por este motivo não ser possível entregálos a fiscalização não autoriza a fiscalização a fazer deduções acerca de sua atividade econômica. No tocante a este tópico não merece prosperar a exclusão da recorrente do Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/01/2008, devendo ser alterada a exclusão para que seja com efeitos retroativos a partir de dezembro de 2008. A recorrida considera improcedente a impugnação formulada, relativas aos autos de infrações (37.344.6101, 37.344.6110 e 37.344.6128) por diversos motivos que constam no julgamento proferido. Motivos estes, que não merecem prosperar. A fiscalização apurou o crédito tributário que entendia devido, de acordo com o confronto realizado entre as folhas de pagamento e as GFIPs declaratórias e abateu destes valores apenas algumas GPS recolhidas, não fazendo o abatimento de todas as guias recolhidas pela recorrente, bem como não considerou os parcelamentos efetuados que dizem respeito a estas competências. Estas guias encontramse reconhecidas pelo sistema de arrecadação da Secretaria da Receita Federal. Houve no procedimento fiscal a exclusão do simples, de forma equivocada, retroativa a 01/01/2008, e que também é objeto deste Recurso Voluntário. A exclusão da Recorrente deveria ter sido feita retroativa a 12/2008. O crédito tributário foi apurado durante todo o período como se a empresa não fosse optante pelo Simples, quando na realidade, deverá ser apurado desta forma a partir de 12/2008. Ante o exposto, requer: a) Que seja recebido o presente Recurso Voluntário, com os documentos que o instruem, utilizando para análise do mérito todos os documentos que já se encontram no processo administrativo; b) No mérito seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, para determinar a exclusão do Simples Nacional com efeitos retroativos a 12/2008; c) No mérito seja julgado procedente o presente recurso voluntário para anular os autos de infração nºs 37.344.6101 e 37.344.6128 que são objeto deste Recurso Voluntário, com a extinção do crédito tributário referente ao período de 01/2008 à 11/2008 e que simultaneamente seja procedida nova apuração do crédito tributário das competências 12/2008 e 13/2008 considerando para estes efeitos os valores pagos e parcelados; d) No mérito seja julgado o presente recurso voluntário para anular o auto de infração nº 37.344.6110 que é objeto deste recurso voluntário, com a extinção do crédito tributário, uma vez que os valores já se encontram devidamente quitados; e) Na apuração do novo crédito tributário, caso existir, que seja revisto o percentual de multa e juros aplicados, eis que não retratam, a legislação aplicável à época. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta nos autos que a empresa foi excluída do Simples Nacional, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 03, emitido pela Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre – RS. Em seu recurso, o contribuinte aduz que: A exclusão do Simples Nacional foi requerida e deferida com efeito retroativo a 01/01/2008, por entender a fiscalização que a atividade econômica da recorrente é a prestação de serviços com cessão de mãodeobra, segundo ela atividade esta prevista em seu contrato social e que foi constatada mediante informações verbais com os representantes da empresa. Não existe no objetivo social da empresa a prestação de serviços como cessão de mãodeobra, ou seja, a recorrida resolve de forma arbitrária, leviana, sem prova e sem suporte jurídico determinar qual o objetivo social da recorrente. Ainda segue a fiscalização afirmando que no curso da ação fiscal foram solicitados os contratos de prestação de serviço e que estes documentos não foram entregues, oferecendo embaraço à fiscalização. O fato de a recorrente não possuir contrato de prestação de serviços escritos e por este motivo não ser possível entregá los a fiscalização não autoriza a fiscalização a fazer deduções acerca de sua atividade econômica. No tocante a este tópico não merece prosperar a exclusão da recorrente do Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/01/2008, devendo ser alterada a exclusão para que seja com efeitos retroativos a partir de dezembro de 2008. Como se pode observar das alegações do contribuinte, a exclusão deve prosperar, com os efeitos retroativos, mas somente a partir de dezembro de 2008, e não a partir de 01/01/2008. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 8 7 In casu, portanto, resta amplamente evidenciado a admissão das irregularidades apontadas pela fiscalização, sendo que a controvérsia remanescente cingese apenas à questão temporal aventada pelo recorrente. No ponto, não há que se cogitar da possibilidade de modificar o acórdão recorrido, tendo em vista a farta fundamentação em relação à necessidade de manutenção do lançamento, nos exatos termos constantes do trabalho realizado pela fiscalização. Neste quesito, ficou muito bem evidenciado que a empresa descumpriu, apesar de requerida, os termos constantes do inciso II do art. 29 da lei Complementar nº 123, de 2006, in verbis: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; A constituição do crédito tributário se deu nos exatos termos do art. 142 do CTN, tendo em vista que a exclusão da empresa do Simples Nacional teve como fundamento os incisos III e IV do § 4º c/c o inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. Não havendo como descaracterizar o lançamento, é sabido que a pessoa jurídica excluída do sistema simplificado de pagamento de tributos sujeitarseá, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas. Em razão do exposto, mantenho integralmente o lançamento pelos seus próprios fundamentos e nego provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727565/201253 Acórdão n.º 2803003.622 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900274/2012-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 74 /2 01 2- 70 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 40/43 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de COFINS, no valor de R$ 627,26, referente ao mês de dez/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900274/201270 Acórdão n.º 3802003.628 S3TE02 Fl. 133 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 45). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 47/52, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 45). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900274/201270 Acórdão n.º 3802003.628 S3TE02 Fl. 134 5 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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