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Numero do processo: 10840.906166/2011-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 66 /2 01 1- 64 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.906166/201164 Acórdão n.º 1402003.632 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls9198); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 156DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls. 141/146, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.906166/201164 Acórdão n.º 1402003.632 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.722571/2014-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010
DECADÊNCIA. IPI. DÉBITO ESCRITURADO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO IRREGULAR. PRAZO QUINQUENAL. CONTAGEM.
O aproveitamento de crédito escritural não admitido pelo Regulamento do IPI não é considerado pagamento do imposto, para efeito de antecipação e/ ou extinção do valor devido, o que implica na contagem do prazo decadencial quinquenal do direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito, a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado.
JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA.
A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito à alteração da legislação aplicável a um mesmo fato para um mesmo sujeito passivo. Mantendo-se a descrição do fato e a infração a ele imputada, argumentos adicionais, que levam à mesma infração, não caracterizam alteração de critério jurídico.
COMPETÊNCIA SUFRAMA. INCENTIVOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE.
A Suframa não tem como competência para a concessão de benefícios fiscais para pessoas jurídicas instaladas na Zona Franca de Manaus e sim a administração dessa zona, inclusive, se as empresas estão cumprindo os requisitos imprescindíveis ao gozo daqueles benefícios.
APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.
Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa.
Numero da decisão: 9303-008.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 DECADÊNCIA. IPI. DÉBITO ESCRITURADO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO IRREGULAR. PRAZO QUINQUENAL. CONTAGEM. O aproveitamento de crédito escritural não admitido pelo Regulamento do IPI não é considerado pagamento do imposto, para efeito de antecipação e/ ou extinção do valor devido, o que implica na contagem do prazo decadencial quinquenal do direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito, a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito à alteração da legislação aplicável a um mesmo fato para um mesmo sujeito passivo. Mantendo-se a descrição do fato e a infração a ele imputada, argumentos adicionais, que levam à mesma infração, não caracterizam alteração de critério jurídico. COMPETÊNCIA SUFRAMA. INCENTIVOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. A Suframa não tem como competência para a concessão de benefícios fiscais para pessoas jurídicas instaladas na Zona Franca de Manaus e sim a administração dessa zona, inclusive, se as empresas estão cumprindo os requisitos imprescindíveis ao gozo daqueles benefícios. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.322 1 2.321 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11070.722571/201403 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303008.195 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria 40.681.4167 IPI MULTA DE OFÍCIO Juros de mora sobre Multa de Ofício. 40.852.9999 IPI CRÉDITO BÁSICO Outros. 40.648.4501 IPI DECADÊNCIA Conceito de pagamento para fins de aplicação do art. 150, §4º. Recorrentes FAZENDA NACIONAL VONPAR REFRESCOS S A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 DECADÊNCIA. IPI. DÉBITO ESCRITURADO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO IRREGULAR. PRAZO QUINQUENAL. CONTAGEM. O aproveitamento de crédito escritural não admitido pelo Regulamento do IPI não é considerado pagamento do imposto, para efeito de antecipação e/ ou extinção do valor devido, o que implica na contagem do prazo decadencial quinquenal do direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito, a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito à alteração da legislação aplicável a um mesmo fato para um mesmo sujeito passivo. Mantendose a descrição do fato e a infração a ele imputada, argumentos adicionais, que levam à mesma infração, não caracterizam alteração de critério jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 25 71 /2 01 4- 03 Fl. 2322DF CARF MF 2 COMPETÊNCIA SUFRAMA. INCENTIVOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. A Suframa não tem como competência para a concessão de benefícios fiscais para pessoas jurídicas instaladas na Zona Franca de Manaus e sim a administração dessa zona, inclusive, se as empresas estão cumprindo os requisitos imprescindíveis ao gozo daqueles benefícios. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 1001 a 1005, cientificado à contribuinte, VONPAR Refrescos S.A., CNPJ 91.235.549/000978, em 29/12/2014 (efls. 1096 e 1097), para exigência dos créditos tributários de IPI em razão da utilização indevida de créditos lançados pela empresa, referentes aos períodos de apuração de Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.323 3 janeiro de 2009 a março de 2010, compostos pelo imposto de R$ 7.882.030,63, juros de mora de R$ 3.784.181,80 e multa de ofício de R$ 5.911.523,01, montando a R$ 17.577.735,44. O enquadramento legal está descrito às efls. 1003 e 1004. Em resumo, a fiscalização glosou os créditos relativos a kits para refrigerantes adquiridos da Zona Franca de Manaus porque: a) os produtos adquiridos não faziam jus à isenção do art. 82, inc. III. do RIPI/2002 e b) a contribuinte utilizou alíquota incorreta para cálculo destes créditos incentivados, sendo que o valor do imposto calculado como devido fosse zero, segundo informações constante no Termo de Verificação Fiscal às efls. 1006 a 1044. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 1108 a 1173, em 26/01/2015, pleiteando o cancelamento do auto de infração e, consequentemente, a extinção dos créditos tributários lançados. A 3ª Turma da DRJ/POA, no acórdão nº 1056.114, prolatado em 18/03/2016, às efls. 1502 a 1528, considerou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo integralmente os créditos lançados. Intimada do acórdão da DRJ em 30/03/2016 (efl. 1532), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 26/04/2016, às efls. 1534 a 1602. Apresentou, resumidamente, os argumentos (efls. 1706 e 1707) que já se encontravam em sua impugnação, os quais extraímos do relatório do acórdão ora recorrido: I) existência de coisa julgada (RE n° 212.4842) no âmbito do mandado de segurança individual nº 91.00095524, assegurando lhe o direito aos créditos de IPI relativos às aquisições de concentrado de refrigerantes, insumos isentos oriundos da ZFM, calculado à alíquota de 27%, com fundamento no art. 69, inc. II do RIPI/2002, cuja base legal é o art. 9º do Decretolei 288/1967. II) reitera que o direito a utilização da alíquota de 27% estaria assegurado pelo Acórdão do STF no julgamento do citado RE, conforme interpretação de trecho do Voto, que transcreve e que decorreria da classificação no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI/2007, que corresponde à própria definição dada na Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA nº 298/2007, adotada nas notas fiscais emitidas pela fornecedora e auditadas pelo referido órgão. Assim, para fazer jus à referida alíquota seria suficiente a aquisição de concentrados isentos oriundos da ZFM, com projeto industrial aprovado por Resolução do CAS e que os mesmos sejam utilizados na fabricação de refrigerantes sujeitos à tributação pelo IPI. Estando tais requisitos comprovados no presente caso, a autoridade estaria vinculada ao que foi decidido pelo Poder Judiciário. III) Ad argumentandum, sustenta que o autuante estaria equivocado ao limitar a competência da SUFRAMA à aprovação de projetos, excluindo a concessão dos benefícios do art. 9º do DecretoLei 288/1967 e do art. 6º do DL 1435/1975, tendo em vista os arts. 1º, VI e 4º, I, “c”, ambos do Anexo I, do Decreto n° 7.139/2010. IV) Quanto à classificação fiscal argumenta, primeiramente, que decorre da própria definição dada pela SUFRAMA, objeto da Fl. 2324DF CARF MF 4 Resolução do CAS n° 298/2007. No Parecer Técnico n° 224/2007, que integra a referida Resolução, a SUFRAMA, definiu o produto como concentrado para refrigerantes, ou seja, como preparações químicas utilizadas como matériaprima de refrigerantes, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte do concentrado, classificado na posição 2106.90.10 Ex. 01 da TIPI/2007. V) Quanto aos aspectos técnicos da classificação, discorda do argumento do fiscal. Também considera equivocado o entendimento de que as regras 2 a) e 3 b) do Sistema Harmonizado não se aplicariam aos "kits" para refrigerantes. Segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435/1992, da posição 2106 em seu item 12, restaria claro que as preparações compostas não precisariam, necessariamente, já estar prontas para uso. Antes da diluição, essas preparações poderiam ser submetidas a um tratamento complementar, sem serem descaracterizadas como preparações compostas para fins de classificação na posição 2106. Além disso, a exclusão que consta no item XI da Nota Explicativa dessa própria Regra 3 b) decorreria simplesmente do fato de o concentrado para refrigerantes ter classificação fiscal especifica, qual seja: 2106.90.10 Ex. 01 e Ex. 02 da TIPI/2007. VI) Aponta que as notas fiscais são documentos idôneos, com validade fiscal, e que, na qualidade de adquirente de boafé, teria direito à manutenção do crédito delas decorrente. Invoca os arts. 62, 48 e 53 da Lei 4.502/1964. VII) Defende a impossibilidade de exigência de multa de ofício sobre o valor dos créditos glosados, com base no art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964, pois a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época dos fatos geradores, teria reconhecido o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos com benefício da isenção subjetiva, utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento do STF no julgamento do RE 212.4842. VIII) Contesta a incidência de juros sobre a multa de oficio porque implicaria numa indireta majoração da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa, à vista do disposto no art. 16 do Decretolei 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei 2.331/1987. Ademais, o artigos 59 da Lei 8.383/1991 e art. 61 da Lei 9.430/1996), também não prevêem essa cobrança. Invoca jurisprudência administrativa do CARF. Ao final, requer o provimento do recurso para reformar o acórdão nº 10 56.114, cancelando o auto de infração impugnado com a consequente extinção do crédito tributário exigido. Procuradoria da Fazenda Nacional teve conhecimento do recurso voluntário da contribuinte em 23/05/2016 (efl. 1655) e a ele ofereceu contrarrazões, em 17/06/2016, às e fls. 1656 a 1695, com base no art. 48 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.324 5 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 26/01/2017, resultando no acórdão nº 3402003.801, às efls. 1703 a 1770, que tem as seguintes ementas: IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos, como aduzido neste caso. IPI. CRÉDITO. PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM)). DECISÃO JUDICIAL COISA JULGADA. A autoridade administrativa está adstrita a aplicar exatamente o comando determinado pelo Poder Judiciário, sem qualquer margem de discricionariedade. ZFM. INSUMOS. CRÉDITO FICTO DO ART. 6º DO DECRETOLEI Nº 1.435/75. ISENÇÃO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. No art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, entendese por "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", aquelas produzidas na área da Amazônia Ocidental. Não se tratando os insumos de matériasprimas agrícolas e/ou extrativas vegetais de produção regional, não há direito ao creditamento ficto. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA. Nos atos de sua competência, a SUFRAMA pode tratar os kits como se fossem uma mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os objetivos propostos, porém este tratamento não prevalece para fins de Classificação Fiscal da mercadoria. (enquadramento na TIPI). Fl. 2326DF CARF MF 6 MULTA DE OFÍCIO. INEFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. PREVISÃO EM LEI. EXIGÊNCIA. É cabível a exigência de penalidade, nos casos em que não se discute o direito ao crédito de IPI oriundo de insumos isentos, pois a empresa possui decisão judicial sobre o assunto. Os valores objeto de discussão abrangem exclusivamente o aproveitamento indevido de créditos por erro na alíquota de cálculo, prescrita pelo art. 569 do RIPI/2010, com espeque no art. 80 da Lei 4.502/64, com redação dada pelo art. 13 da Lei 11.448, de 15/06/2007, assunto em relação ao qual inexiste jurisprudência administrativa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A literalidade do artigo 61, caput e § 3º da Lei n. 9.430, de 1996, separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Assim falta previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela RFB. Recurso voluntário provido em parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares de nulidade do lançamento; (b) pelo voto de qualidade, rejeitouse a preliminar de decadência e negouse provimento quanto ao mérito. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro deu provimento ao recurso por entender que o contribuinte estava amparado pela coisa julgada que garantia o direito ao aproveitamento dos créditos correspondentes à classificação propugnada pelo Contribuinte; (c) por maioria de votos, excluiuse a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne apresentaram declarações de voto. Recurso especial da Procuradoria Intimada do acórdão nº 3402003.801 em 01/03/2017 (efl. 1771), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial em 07/03/2017, às efls. 1772 a 1787. A Procuradora levanta divergência quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício com aplicação da taxa Selic, afastada pelo recorrido. Para tal indica os acórdãos paradigmas nº 910101.191 e nº 920201.991 que contrariam esse entendimento. Argumenta que os juros incidem sobre o crédito tributário, que inclui a multa lançada de ofício. O então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso especial de divergência em 10/04/2017, no despacho de efls. 1789 a 1791, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II RICARF, dandolhe seguimento. Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.325 7 Contrarrazões da contribuinte Em face do Termo de Ciência de efl. 1793, pela qual o sujeito passivo fora cientificado, em 26/04/2017 (efl. 1898), do recurso especial da Fazenda e do despacho de sua admissibilidade, a contribuinte apresentou contrarrazões em 09/05/2017, às efls. 1848 a 1864. Em síntese, reafirma a tese de que apenas os tributos estariam sujeitos à incidência de juros de mora, inexistindo previsão em lei quanto à possibilidade de estender a incidência dos juros às multas de ofício. Embargos de declaração da contribuinte Houve necessidade de saneamento do processo (efl. 1902), haja vista que, por equívoco, no Termo de Ciência de efl. 1793 não foi incluído o acórdão nº 3402003.801. A DRF de origem informou que houve comparecimento espontâneo do sujeito passivo ao processo, com extração de sua cópia integral, em 02/05/2017, e, com apoio subsidiário do art. 214, § 1ª do Código de Processo Civil, considerase esta a data de conhecimento do acórdão. A contribuinte apresentou embargos de declaração, às efls. 1796 a 1811, em 05/05/2017 (efl. 1795), embasado em alegadas contradições e omissão existentes no acórdão, motivo pelo qual requereu sua admissão para que fossem conhecidos e sanados os vícios apontados, com efeitos modificativos. Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do despacho às efls. 1911 a 1916, datado de 30/11/2017, nos termos dos arts. 65 do Anexo II RICARF, que entendeu por rejeitálos, definitivamente, em face da manifesta improcedência das alegações. Recurso especial de divergência da contribuinte Após ciência, em 14/12/2017 (efl. 1920), do despacho que não admitiu seus embargos de declaração, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 22/12/2017, às efls. 1925 a 2012. Ela levanta divergências quanto ao entendimento do acórdão recorrido nos seguintes pontos: 1) decadência do direito do fisco efetuar o lançamento; 2) obrigatoriedade de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal indicada na nota fiscal emitida pelo fornecedor; 3) alteração do critério jurídico do lançamento; 4) natureza dos concentrados para refrigerante como mercadoria única; 5) competência exclusiva da Receita Federal para definir a classificação fiscal de produtos; 6) competência da SUFRAMA para aprovar projeto industrial de concessão de benefícios fiscais e da validade do ato administrativo emitido pela SUFRAMA; Fl. 2328DF CARF MF 8 7) vigência do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. Para demonstrar a divergência 1), utilizouse a contribuinte dos acórdãos nº 9303003.299 e nº 9003003.808 que concluíram pela aplicação do critério de contagem do prazo decadencial posto no 4º do art. 150 do CTN, quando existente a escrituração fiscal de créditos para compensação, ainda que indevidos os créditos, desde que inexista dolo, fraude ou simulação, em oposição ao recorrido que no caso de ilegitimidade dos créditos, não os admite como lançamento por homologação para fins do art. 124 do RIPI/2002. Em relação a divergência 2), o sujeito passivo apoiouse nos entendimentos postos nos arestos paradigmas de nº 3401003.751 e nº 0202.895 ao concluírem que, na dicção do art. 266 do RIPI/2002 o adquirente não é obrigado a verificar a classificação fiscal e alíquotas das notas fiscais de seus fornecedores, descabendo a glosa dos créditos a elas relativos, diversamente do decidido no acórdão a quo que afirma, de qualquer sorte, inexistir previsão legal para a manutenção de créditos indevidos ou ilegítimos, por parte do adquirente. A divergência 3) foi esgrimida com base no acórdão nº 3401002.537, que afirma não ser possível a modificação do critério jurídico de interpretação pelo fisco uma vez concluída pela regularidade de sua situação fiscal, sendo inaplicável novo critério para os fatos passados, em clara disparidade com o entendimento do acórdão recorrido que afirma tl impossibilidade apenas em relação a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos, como foi o caso. O sujeito passivo apresenta o acórdão nº 3201001.873 com paradigma da divergência para a matéria 4), no qual concluiuse que o concentrado para bebidas não alcoólicas entregue na forma de "kit" pode ser considerado mercadoria única para apuração do crédito de IPI, em franca divergência com o acórdão vergastado. No tocante a divergência 5), a conclusão do aresto recorrido de que a SUFRAMA não teria competência para efetuar a classificação fiscal dos produtos objeto de projeto industrial por ela aprovado para fruição dos benefícios fiscais, devendo prevalecer o entendimento manifestado pela RFB é confrontada com os acórdãos paradigmas nº 20301.939 e nº 0303.335 que, para classificação de produtos cosméticos, afirmou que a competência para classificação seria dos órgãos técnicos de vigilância sanitária. Para a divergência 6), foram indicados os acórdãos paradigmas nº 9003 002.664 e nº 9303003.825, que, em oposição ao acórdão recorrido, concluem pela incompetência do Fisco para desconsiderar o ato administrativo da SUFRAMA que aprova projeto industrial para produto incentivado. Por fim, no tocante à divergência apontada no ponto 7) em face da conclusão do acórdão a quo de que o art. 76, inc. II, alínea a) da Lei nº 4.502/19694 teria sido revogado, foi indicada a divergência com base no acórdão nº 9303003.517, em sentido contrário, afirmando a plena vigência da norma. O então Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 14/03/2018, no despacho de e fls. 2231 a 2243, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, dandolhe seguimento parcial. Inicialmente, define a tese de mérito do acórdão recorrido como sendo a seguinte: Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.326 9 (...) o fornecedor dos concentrados tem direito subjetivo à isenção do art. 81, II, do RIPI/2010 (art. 69, II, do RIPI/2002) e o adquirente têm direito à manutenção do crédito, tudo com base no que restou decidido pelo STF no RE 212.4842. Entretanto, a glosa dos créditos no adquirente do concentrado é cabível porque a classificação fiscal dos "kits para refrigerantes", adotada pelo fornecedor dos concentrados, está errada, uma vez que os componentes desses "kits" devem ser classificados separadamente. Tendo em vista que os componentes dos "kits" estão sujeitos à alíquota zero, o crédito a ser aproveitado pelo adquirente é zero, decorrendo daí a glosa dos créditos tomados pelo adquirente de concentrado. Adotada essa tese, o colegiado desproveu o recurso voluntário pelo mérito. A seguir, apreciou os sete pontos trazidos pelo contribuinte, mas concluiu ser um conjunto de argumentos que sustentavam apenas quatro teses cuja divergência deveria ser apreciada: a) a tese da decadência do direito do fisco (crédito ilegítimo não configura pagamento antecipado); b) a tese da questão prejudicial, que consiste na correta classificação fiscal dos concentrados (os "concentrados" devem ser classificados como "kits" ou cada componente deve ser classificado separadamente?); c) a tese de mérito, acima resumida, que é a inaplicabilidade do RE 214.484 e a possibilidade de glosar os créditos no adquirente, em razão do erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor; e d) a tese de dispensa da multa de ofício com base no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Relativamente às divergências relacionadas às teses b) e d), o despacho concluiu a inexistência de similaridade fática entre os paradigmas e o recorrido. Contudo, em relação aos demais paradigmas apresentados, entendeu que as teses a) decadência do direito do fisco e c) possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor atendiam aos requisitos regimentais para sua admissibilidade. Quanto a admissão da tese c), o Presidente faz as seguintes considerações finais: A admissão desta divergência devolve à CSRF o conhecimento das seguintes matérias alegadas como divergentes, mas que na verdade são argumentos do contribuinte para infirmar a tese fazendária: a) se houve ou não houve mudança de critério jurídico no lançamento; e b) competência da Suframa para aprovar projetos de concessão de benefícios fiscais e validade do Ato Administrativo emitido pela Suframa. Essas duas divergências alegadas pelo contribuinte nada mais são do que argumentos utilizados para contestar a glosa dos créditos efetuadas pela fiscalização. Não é necessário apresentar paradigmas contra argumentos. Admitida a tese divergente, a Fl. 2330DF CARF MF 10 CSRF escolherá qual tese irá prevalecer e os argumentos que a sustentarão. Agravo da contribuinte Intimada do despacho de admissibilidade de efls. 2231 a 2243 em 10/04/2018 (efl. 2247), a contribuinte apresentou agravo em 13/04/2018 (efl. 2249), às efls. 2250 a 2259, contestando a não admissibilidade das teses b) e d) acima expostas e solicitando o provimento do agravo para que seu recurso especial seja conhecido e admitido também em relação a elas. A Presidente da CSRF apreciou o agravo em 08/06/2018 no despacho de e fls. 2295 a 2300, com base no art. 71 do Anexo II do RICARF, rejeitandoo e confirmando o seguimento parcial do recurso especial da contribuinte. Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do recurso especial do sujeito passivo, do despacho de admissibilidade de efls. 2231 a 2243, e do despacho que rejeitou os agravos, em 25/07/2018 (efl. 2306), e apresentou contrarrazões em 01/08/2018, às efls. 2307 a 2314. No tocante à tese a), sobre decadência, pondera que a contribuinte usou créditos que não seriam admitidos e que a recomposição da escrita fiscal resultou em saldo devedor não recolhido. Dessarte, os créditos contabilizados pela contribuinte não têm o condão de culminar em pagamento. Logo, diante da inexistência de pagamento antecipado, o prazo para constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele previsto no art. 173, I do CTN, e não no art. 150, §4º, do mesmo diploma legal. Quanto à tese c), sobre glosa de créditos contabilizados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal da mercadoria pelo fornecedor, a Procuradora pontua que o art. 62 da Lei nº 4.502/64 é claro ao determinar a obrigação de o adquirente de mercadorias conferir se a nota fiscal preenche os requisitos exigidos pelas disposições legais e regulamentares, no que se inclui, por óbvio, a conferência da referida classificação, com a respectiva alíquota, para correta apuração do imposto. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo, para manutenção do acórdão relativamente ás matérias por ele questionadas. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Inicio a análise pelo recurso especial de divergência da contribuinte, haja vista que uma decisão favorável, nas matérias cujas divergências foram admitidas, implicaria ser desnecessária a discussão sobre as multas propostas no recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.327 11 Recurso especial de divergência da contribuinte O recurso é tempestivo cumpre os requisitos regimentais, por isso entendo por conhecêlo. A divergência foi recebida sobre de duas matérias: i) regra de contagem do prazo decadencial para o caso concreto, se a prevista no art. 173, I do CTN ou art. 150 do mesmo diploma legal; e ii) a tese de mérito, da inaplicabilidade do RE 214.484 e a possibilidade de glosar os créditos no adquirente, em razão do erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor. i) decadência do direito do fisco Nesse ponto, comungo com os argumentos expostos voto condutor do acórdão nº 9303006.987, da lavra do i. Presidente Rodrigo da Costa Possas, ao tratar da mesma matéria em recente julgado nesta Turma, em 14/06/2018. Com efeito, entendo não ter havido pagamento antecipado do tributo, apto a atrair a regra decadencial do art. 150, § 4° do CTN, sendo inaplicável ao caso o inciso III do Parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, porque esse dispositivo restringe a equiparação a pagamento à hipótese de existência, no período, de (a) créditos admitidos que (b) resultem na inexistência de saldo a recolher. Nesse sentido, reproduzo, na parte que interessa, o citado acórdão 9303 006.987: O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, trazido pela PGFN em suas Contrarrazões e cuja Ementa transcrevo parcialmente a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) Fl. 2332DF CARF MF 12 (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) Existe inclusive Súmula do mesmo STJ a respeito: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à declaração do débito, caso tenha havido o pagamento. O lançamento de ofício foi decorrente de glosas de valores de créditos "fictos" do IPI na aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Reconstituída a escrita fiscal, foram apurados os valores do tributo objeto do lançamento, com multa de ofício de 75 % e juros de mora. Claro está, portanto, que o estabelecimento autuado não apurou saldo devedor em nenhum dos períodos autuados, não se podendo cogitar, então, de ter havido qualquer pagamento, e nem mesmo declaração de débitos (declarações estas que, ainda que, por equívoco, existissem, em nada poderiam influenciar na solução da lide, em razão da ausência de pagamento). Assim, à vista da jurisprudência vinculante do STJ, aplicase, para fins de delimitação do prazo decadencial, a regra do art. 173, I, do CTN – repito: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Foi salientado no voto vencedor do acórdão a quo, da lavra do i. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, que a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não poderia ser aplicada, pois esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, conforme abaixo de observa: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.328 13 (Grifei.) O voto vencedor traz as seguintes informações e análises das peças anteriores: Verificase no TVF elaborado pelo Fisco à fl.1.043, onde restou consignado a seguinte informação: "(...) Esclareçase que, como não houve pagamento antecipado em nenhum dos períodos de apuração analisados, não há que se falar em homologação tácita ou expressa, e a análise da decadência foi feita com base no art. 173, I, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)" (grifei). Nesse mesmo contexto, vejamos como a DRJ analisou essa questão, conforme trecho abaixo reproduzido (fl. 1.510): "(...) No presente caso, os créditos utilizados para abatimento de débitos foram glosados, o que resultou na existência de saldos devedores em todos os períodos. Dessa forma, considerase que não houve pagamento antecipado em nenhum dos períodos de apuração, não havendo, portanto, que se falar em homologação tácita ou expressa. A análise da decadência deve ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN". (Grifos do original) Neste ponto, fazse necessário um esclarecimento. Entendo não ser apropriado afirmar que a glosa teria imediatamente resultado "na existência de saldos devedores em todos os períodos". Isso, porque, se observarmos a planilha de reconstituição da escrita do IPI elaborada pela própria fiscalização, à efl. 1000, observase na coluna "Saldo de Escrita reconstituído do PA", que nos períodos e 01/2009 e 02/2009, os saldos são credores: Contudo, isso não tem o condão de afastar a conclusão de que, no caso, a regra decadencial aplicável seria aquela do art. 173, I, do CTN. Com efeito, em ambos os períodos nos quais se observa saldo credor do IPI, não há quaisquer créditos admitidos pelo fisco, sendo esse saldo decorrência de valores referentes a períodos anteriores. Fl. 2334DF CARF MF 14 Observase com clareza que a coluna créditos apurados é igual a zero nesses períodos, o que afasta a aplicação do inciso III, do Parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002. Ora, no caso não houve, para esses períodos, qualquer crédito admitido capaz de anular saldo a recolher. Essa linha de raciocínio está muito bem apresentada no voto da relatoria do ilustre conselheiro Dr. Rodrigo Possas sobre a mesma matéria, no processo nº 19311.720077/201428, acórdão nº 9303006.687. No referido voto, foi analisada planilha similar à apresentada no presente processo e a conclusão foi a de que não havia pagamentos aptos à atrair a regra decadencial do art. 150, § 4° do CTN, nos seguintes termos: Já a alegação de que a Fiscalização, ao realizar a reconstrução da sua escrita fiscal, teria admitido uma parcela dos créditos do IPI escriturados por ele, contribuinte, é equivocada. Ao contrário do seu entendimento, o exame dos valores constantes da referida planilha à fl. 589 prova que nenhum crédito foi admitido pela Fiscalização. Na célula horizontal "Dados da Fiscalização", coluna vertical "Créditos Apurados", constam valores zerados para todas as competências. Ora, no mesmo sentido do que se encontra colocado acima, também, no caso presente, não há pagamento algum, pois a coluna de mesmo nome está zerada. Assim, o exame dos valores constantes da referida planilha à fl. 1000 prova que nenhum crédito foi admitido pela Fiscalização. Na célula horizontal "Dados da Fiscalização", coluna vertical "Créditos Apurados", constam valores zerados para todas as competências. Dessarte, não admitidos os créditos, não se considera existentes os pagamentos alegados. Logo, em não havendo pagamento de qualquer débito, deslocase a contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme norma extraída do art. 173 do CTN, com o afastamento da decadência pretendida pela contribuinte. ii) possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor A divergência aqui admitida foi sobre a possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor, mas houve ressalva quanto aos argumentos utilizados para sustentar essa tese que tratavam da mudança de critério jurídico da RFB no lançamento e da competência da Suframa para ao aprovar os projetos de concessão de benefício fiscal e validade do Ato Administrativo por ela emitido. Primeiramente, quanto ao argumento relativo à mudança de critério jurídico, considero que sua caracterização exige que a mesma circunstância fática, relativa ao mesmo sujeito passivo, tenha recebido valoração jurídica distinta da que fora dada em autuações pretéritas, não restando isso provado nos autos, o que afasta a alegada violação ao art. 146 do CTN. Nesse ponto, os argumentos foram suficientemente enfrentados no voto vencedor do acórdão recorrido à efl. 1735, por isso os reproduzo a seguir: Alega o Recorrente que ocorrera alteração de critério jurídico (Inovação Retroativa), com o fato da autuação passar a adotar o fundamento do erro na classificação fiscal, conjuntamente ao argumento tradicional da impossibilidade de tomada de crédito básico de IPI das saídas isentas da Zona Franca de Manaus (ZFM). Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.329 15 Não obstante, a Fiscalização refuta a ofensa ao art. 146 CTN, sob o fundamento de que não haveria manifestação expressa aceitando a classificação fiscal do "concentrado" para refrigerantes classificado na posição 2106.90.10, "Ex 01". Em procedimento anterior realizado na VONPAR, o Fisco avaliou se os bens em cuja elaboração não houve emprego de matériaprima extrativa regional poderiam gerar direito ao aproveitamento de créditos incentivados. Portanto, como se vê, o Fisco não analisou a classificação fiscal dos chamados “concentrados”. No entanto, a Recorrente afirma que "por conseguinte, não seria licito que a Fiscalização inovasse o critério jurídico para, nestes casos, atingir fatos geradores anteriores, inclusive, à ciência do primeiro auto de infração lavrado contra a Recorrente (data de 29.12.2014), no qual foi questionada, pela primeira vez, a classificação fiscal do concentrado". Para melhor esclarecer sobre essa matéria, entendo oportuna a citação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em suas contrarrazões assentadas nestes autos, ao afirmar que: "(...) o art. 146 do CTN é aplicável quando a modificação do critério jurídico no exercício do lançamento ocorre para o mesmo sujeito passivo. A Recorrente não experimentou qualquer alteração nesse sentido, tanto assim que os argumentos recursais se voltaram para uma suposta alteração de critério jurídico do lançamento dirigido à RECOFARMA no dia 22/12/2014, que por sua vez, evidentemente, não se confunde com a VONPAR". Como é cediço, em se tratando de exigência tributária, em que se maneja complexo sistema de normas e conceitos específicos, é difícil imaginar que haveria respeito à legalidade caso se pudesse aceitar a tese desenvolvida pela Recorrente. Aceitando se essa tese, seria exigido da fiscalização que se manifestasse sobre todos os pontos possíveis e imagináveis da conduta do contribuinte, porque, se não o fizesse, estaria configurada uma prática de aceitação de tal comportamento e, assim, fixado um critério jurídico. Na prática, a vingar esse entendimento, toda e qualquer ação fiscal acabaria trazendo embutida alteração de critério jurídico. Registrese, ainda, que para tentar apoiar a alegação de violação ao art. 146 do CTN, a VONPAR citou decisão do STJ que não admitiu que fosse efetuada revisão de lançamento em decorrência de erro de direito. Tal decisão não se aplica ao presente caso, uma vez que não houve revisão de lançamento (foi lançado o IPI devido em períodos de apuração que não haviam sido objeto de cobrança), nem erro (de fato ou de direito), nem fixação de critério. Portanto, resta plenamente demonstrada a regularidade do Auto de Infração, não devendo proceder essa preliminar. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento, e não a Fl. 2336DF CARF MF 16 lançamentos diversos, como no presente caso, de outra empresa (a RECOFARMA), como aduzido pela Recorrente. (Grifos do original) No mesmo compasso se enfrenta a argumentação relativa à Suframa, haja vista que entendo não se tratar de competência daquele órgão a classificação de mercadorias para fins tributários ou de benefícios fiscais, mas sim para apreciação dos projetos das empresas a serem levados à cabo na Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, já houve manifestação do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, no voto condutor do acórdão nº 9303006.687, em 12/04/2018, com as seguintes considerações: O contribuinte suscitou a competência da Suframa para aprovar projeto industrial de concessão de benefícios fiscais e da validade de ato administrativo emitido por ela. Segundo seu entendimento, a Resolução CAS nº 298/2007 (fls. 694/695) teria concedido a isenção à Recofarma e o que lhe garantiria o creditamento do IPI sobre as aquisições de insumos isentos desse imposto, daquela empresa. No entanto, tal entendimento não tem fundamental legal e não procede. Do exame daquela Resolução, verificase que sua finalidade foi aprovar o projeto industrial de atualização da Recofarma, com base no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007, visando a produção concentrado para bebidas não alcoólicas, com a finalidade de gozo dos incentivos previstos nos arts. 7º e 8º do DecretoLei nº 288/1967 e no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975. O DecretoLei nº 288/1967 que regulamenta a Suframa assim dispõe quanto às suas finalidades: "Art 1º A Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos." Incentivos fiscais, mesmo antes da vigência da atual Constituição Federal, somente eram concedidos, mediante normal legal (lei, decretolei). No caso da ZFM, os incentivos fiscais foram instituídos pelo próprio DecretoLei nº 288/1967, em seu capítulo II e artigos, e pelo DecretoLei nº 1.435/1975, e não pela Suframa. Na Resolução CAS nº 298/2007 (fls. 694/695) que aprovou a atualização do projeto industrial da Recofarma, fornecedora de insumos para o contribuinte, consta literalmente: "O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA, no uso de competência prevista no artigo 4º, inciso I, alínea c do Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.330 17 Capítulo IV, do Decreto N.º 4.628, de 21 de março de 2003; CONSIDERANDO os termos do Parecer Técnico de Projeto N.º 224/2007 SPR/ CGPRI/COAPI, da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, submetido a este Colegiado em sua 230ª Reunião Ordinária realizada em 11 de de3zembro de 2007; CONSIDERANDO o disposto nos artigos 8º e 20 do Regulamento Interno do Conselho de Administração da SUFRAMA, resolve: Art. 1º APROVAR o projeto industrial de ATUALIZAÇÃO da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico de Projeto N.º 224/2007 SPR/ CGPRI/COAPI para produção de CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, no Art. 6º do Decretolei N.º 1435, de 16 de dezembro de 1975, e legislação posterior." Assim, o objeto dessa Resolução não foi a concessão de benefício fiscal e sim a aprovação do processo industrial daquela empresa. O CAS apenas reconheceu que aquela empresa preencheu os requisitos básicos que a habilitaram sua instalação naquela Zona Franca. Contudo, isto de forma alguma significa que foi emitido um ato administrativo que reconheceu o direito subjetivo à quaisquer isenções tributárias ao seu produto. Tanto é verdade que nos artigos seguintes da referida Resolução, o CAS condicionou o direito à isenção ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975, literalmente: "Art. 4º DETERMINAR sob pena de suspensão ou cancelamento dos incentivos concedidos, sem prejuízo da aplicação de outras cominações legais cabíveis: I o cumprimento, quando da fabricação do produto constante do Art. 1º desta Resolução, do Processo Produtivo Básico estabelecido na Portaria Interministerial nº 08 MPO/ MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998; II a utilização de matériaprima regional de origem vegetal, na elaboração dos produtos constantes do Art. 1º desta RESOLUÇÃO, SEGUNDO O Art. 6º do DecretoLei n.º 1.4356/75." O que se fez e ficou demonstrado nos autos é que as exigências impostas pelo CAS para o gozo dos benefícios previstos no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975 não foram atendidas por aquela empresa. Assim, não há que se falar em competência da Suframa para conceder benefícios fiscais, mas apenas e tão somente para administrar a ZFM, inclusive, autorizar a instalação de projetos, Fl. 2338DF CARF MF 18 para usufruir dos benefícios fiscais concedidos à região, mediante normas legais, no presente, decretosleis, visando o desenvolvimento econômico da região, de forma sustentável, assegurando qualidade de vida da população local. Por fim, no que toca à divergência diretamente admitida, uma vez mais me valho dos sólidos argumentos do voto vencedor do acórdão a quo, às efls. 1738 e 1739, que assim abordou a matéria: Aduz a Recorrente que não tinha a obrigação de verificar a regularidade da classificação fiscal indicada na Nota Fiscal para o "concentrado". Que os créditos de IPI objeto dos autos de infração em julgamento, foram apurados sob a vigência de Lei e do RIPI, que não impõem a obrigação de o adquirente examinar a classificação fiscal do produto. E como a classificação dos concentrados na posição 2106.90.10 "Ex. 01", foi definida pela RECOFARMA (fornecedora do concentrado), não há qualquer infração praticada pela RECORRENTE ao aceitar tal classificação fiscal e utilizar a respectiva alíquota para calcular o crédito de IPI isento, estando este procedimento como um ato licito. Em suma, argumenta que não pode o Fisco glosar a alíquota do crédito de IPI decorrente da aquisição do concentrado pela Recorrente, fundado em suposto erro da classificação fiscal efetuada pela fornecedora RECOFARMA. No caso, há que se ressaltar uma questão de fato que foi ignorado pela Recorrente. Conforme consta em Termos e Relatórios elaborados pelo Fisco, nas Notas Fiscais de saída emitidas pela VONPAR até o final do ano de 2010, a RECOFARMA registrou que os “concentrados” se classificariam no código 2106.90.10 (Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas), sem o "Ex 01", cuja alíquota do IPI é zero. Vejase trecho do TVE abaixo reproduzido (fl. 1.039 e 1.041) grifei: (...) 102. Verificouse que nas notas fiscais que Vonpar e demais engarrafadores receberam de Recofarma consta apenas o registro do código de classificação fiscal 2106.90.10, cuja alíquota é zero, sem a indicação do Ex 01. Esta fiscalização supõe que as empresas do Sistema CocaCola tenham se comunicado e decidido utilizar o Ex 01 do código 2106.90.10, cuja alíquota é de 27%". "(...) Comprovado que era ilegítimo o crédito oriundo de notas fiscais em que o imposto não estava destacado, tais valores devem ser glosados na escrita fiscal de Vonpar, cobrandose o imposto que deixou de recolhido. Tal cobrança é cabível mesmo que se considere que o adquirente foi de alguma maneira informado por Recofarma que os produtos se classificavam no Ex 01 do código 2106.90.10 (nas notas fiscais, não foi registrado o Ex 01), e que o adquirente desconhecia que não existe base legal para tal enquadramento. Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 11070.722571/201403 Acórdão n.º 9303008.195 CSRFT3 Fl. 2.331 19 Observese que os dados constantes dos Laudos Técnicos obtidos pela fiscalização no curso de ação fiscal realizada em Recofarma certamente não são novidade para Vonpar e demais fabricantes de refrigerantes, e que caso um adquirente se considere prejudicado por seu fornecedor, poderá buscar algum acerto com ele, a fim de reaver os montantes perdidos". O Fisco também relatou que somente nas notas fiscais emitidas a partir de janeiro de 2011, passou a constar a indicação do "Ex 01" do código 2106.90.10, e que em janeiro de 2011 a RECOFARMA emitiu as respectivas cartas de correção relativas à ausência da indicação do "Ex 01" para as notas emitidas nos anos anteriores. Tal procedimento, também foi informado pela própria Recorrente, conforme consta em seu recurso à fl. 1.589: "(...) 5.6.9. Com efeito, a RECOFARMA emitiu cartas de correção, na qual explicitou o enquadramento no Ex 01 que tem, inclusive, alíquota inferior a do Ex 02, qual seja, 27% (fls. 1.338, 1.340, 1.342 e 1.344)". Observase que neste processo, estão sendo analisados fatos geradores de IPI ocorridos até o mês de março do ano de 2010. Portanto, neste processo a Recorrente efetuou o cálculo dos créditos de IPI com a utilização de alíquota que não correspondia ao código indicado nas notas fiscais. Ao final a Recorrente argumenta que as notas fiscais emitidas pela RECOFARMA atendem a todos os requisitos acima, de forma que, na qualidade de adquirente de boafé, tem direito à manutenção do referido crédito de IPI. Cita legislação do IPI, a jurisprudência do STJ e a do TIT (ICMS), que o creditamento com base nos fundamentos de notas fiscais idôneas é ato licito, pois não configura qualquer infração capaz de impedilo. Nesse ponto, ressalto que a adoção de classificação fiscal inadequada é, claramente infração fiscal. E, nesse caso, aplicase na íntegra o art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A infração tributária é, portanto, de natureza objetiva, salvo disposição de lei em contrário. É por isso, inclusive, que não cabem aqui os argumentos da boafé da adquirente dos produtos e nem pode ser aplicado o correto entendimento constante da Súmula 509 do STJ. Por isso, prossigo igualmente com a conclusão do voto condutor do acórdão: Pois bem. Mesmo que se considere a improvável hipótese de que a adquirente não teria como saber que o código de classificação fiscal estava incorreto, é cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de créditos indevidos/ilegítimos. Caso a empresa se sinta prejudicada pelo fornecedor, deverá com ele negociar para reaver compensação por eventual prejuízos auferidos. Fl. 2340DF CARF MF 20 (Destaques do original.) Por essas razões não há que se acolher o entendimento da contribuinte de que seja possível utilizarse dos créditos relativos a produtos tidos por ela como isentos ou mesmo tributados por alíquota zero. Recurso especial de divergência da Fazenda O recurso é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso voto por conhecêlo. Quanto ao mérito, essa matéria foi exaustivamente debatida na Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em todas as suas Turmas, havendo recente edição de súmula, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Pela inteligência do inciso VI do art. 45 do Anexo II do RICARF, as súmulas são de observação obrigatória aos conselheiros e, portanto, há que se dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradora CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial da contribuinte para negarlhe provimento; e b) conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento integral. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721793/2015-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.757
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 79 3/ 20 15 -0 5 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16682.721793/201505 Resolução nº 3201001.757 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721793/201505 Resolução nº 3201001.757 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721809/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.768
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 80 9/ 20 15 -7 1 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.721809/201571 Resolução nº 3201001.768 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721809/201571 Resolução nº 3201001.768 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17933.720687/2011-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Conforme o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão
Numero da decisão: 2002-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.004806/2002-73
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO E DISPOSIÇÕES LEGAIS INFRINGIDAS.
O auto de infração deverá conter obrigatoriamente todos os elementos relacionados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, mormente a indicação da motivação que lhe deu origem, arrimada em fatos verídicos e comprovados, sob pena de padecer de nulidade insanável.
Processo anulado ab initio.
Numero da decisão: 2101-000.139
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, declarar nulo o auto de infração ab initio. Ausente momentaneamente o conselheiro Caio Marcos Candido, pelo quê o julgamento foi presidido
pela conselheira Maria Teresa Martínez López.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ...,..,,,,,... SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.004806/2002-73 Recurso n° 136.227 Voluntário Acórdão n° 2101-00.139 — I a Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria COFINS Recorrente GERARDO BASTOS PNEUS E PEÇAS LTDA. Recorrida DRJ em Fortaleza - CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO E DISPOSIÇÕES LEGAIS INFRINGIDAS. O auto de infração deverá conter obrigatoriamente todos os elementos relacionados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, mormente a indicação da motivação que lhe deu origem, arrimada em fatos verídicos e comprovados, sob pena de padecer de nulidade insanável. Processo anulado ab initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da I' câmara / 1' turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, declarar nulo o auto de infração ab initio. Ausente momentaneamente o conselheiro Caio Marcos Candido, pelo quê o julgamento foi presidido pela conselheira Maria Teresa Martínez López. MARIA TER A MARTINEZ LÓPEZ Presidente Substituta _ 1 C/ ARI-A CWISTIN' A RO4A COSTA Relatora o Processo n° 10380.004806/2002-73 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.139 Fl. 164 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3' Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza, CE. Os autos tratam de auto de infração de PIS, lavrado contra a filial 003 da empresa acima identificada e, por bem descrever os fatos reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado o Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, fls. 54/58, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de 1?.$ 21.613,70, incluindo encargos legais. 2. O lançamento fiscal originou-se de Auditoria Interna nas DCTF dos 3° e 4" trimestres de 1997, em que se constatou "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA" (fl. 55). 3.Às fls. 56/57, nos relatórios denominados "ANEXO I — DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NA-0 CONFIRMADOS", constam valores informados nas DCTF, sob o título de "VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como "Comp s/DARF — Outros — PJU" em face do processo judicial n" 97.11875-4 não foram confirmados, sob a ocorrência "Proc jud não comprovado". À fl. 58, consta o "DEMONSTRATIVO DO CREDITO TRIBUTA' RIO A PAGAR". 4.Em 10/04/2002, a contribuinte apresentou a impugnação de .fls. 01/03, instruída com os documentos de fls. 04/51, alegando, em síntese, que: (.) 4.4.A AUTUADA ajuizou Ação Cautelar Inominada com pedido de liminar n" 97.0011875-4 (doc.02), perante a 5" vara da Justiça Federal desta seccional, postulando a compensação dos valores recolhidos a título de Imposto sobre o Lucro Líquido - ILL, instituído pelo art. 35 da Lei n" 7.713/88, com os valores vencidos ou vincendos dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. 4.5.Suportada na liminar concedida (doc.03), a AUTUADA promoveu as compensações autorizadas informando em suas • Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF, os valores compensados, bem como o número da ação cautelar. 2 Processo n° 10380.004806/2002-73 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-O0.139 Fl. 165 4.6.No devido prazo legal, ingressou a AUTUADA com a Ação Ordinária de Repetição de Indébito c/c Compensação n" 97.0018060-3 (doc.05), distribuída por dependência ao processo n" 97.0011875-4, cuja sentença favorável (doc.06) confirmou o direito da AUTUADA à compensação dos valores pagos a título de Imposto sobre o Lucro Líquido - ILL, com os valores devidos a título de tributos federais que estejam sob a administração da Receita Federal, tais como PIS, COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro, IRPJ. A referida sentença foi confirmada pelo Tribunal Federal Regional da 5" Região em julgamento no dia 24 de abril de 2.001, publicado no Diário da Justiça de 22.03.02 (doc.07). 4.7.Desta forma as compensações promovidas com as parcelas devidas a título de COFINS nos meses referentes ao terceiro e quarto trimestre de 1.997 estão albergadas pelas decisões judiciais citadas cujas cópias estão anexas à presente impugnação 4.8.Assim sendo, é totalmente improcedente o lançamento que lhe foi imputado. (.)". Analisando as razões de impugnação a Turma Julgadora proferiu decisão no sentido de dar provimento parcial para excluir a multa de oficio, nos seguintes termos: "13. Embora já tenha transitado em julgado, conforme documento de fl. Si e 64/65, não foi possível verificar nos autos se a ação judicial impetrada pelo impugnante e utilizada para vincula ções nas DCTF apresentadas à SRF, conforme 'Descrição dos Fatos' àfl. 54, determina a forma em que deve se dá a compensação pleiteada e o quantum a que teria direito a interessada. 21.Assim, no presente processo, em face da retroatividade benigna, prevista pelo inciso II do 106 do CTN, deve-se exonerar o contribuinte da multa de oficio, uma vez que as circunstâncias existentes no presente processo não se coadunara com as hipóteses previstas pela lei para a aplicação da penalidade, visto que não se trata de "não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964" e nem de compensação "considerada não declarada nas hipóteses do inciso lido ,sç 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996". 22.Por todo o exposto, voto por considerar procedente em parte o lançamento, para manter a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins e exonerar a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). À cobrança do crédito tributário, deve ser observado o que for decidido na ação judicial interposta pelo contribuinte." CJL 3 Processo n° I0380.004806/2002-73 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.139 Fl. 166 Cientificado da decisão em 02/06/2006 o interessado apresentou em 27/06/2006 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na impugnação, reforçando seus argumentos ao alegar que a compensação foi realizada com base na liminar concedida na ação cautelar, sendo que a sentença proferida na ação ordinária competente transitou em julgado. Cita precedentes dos Tribunais Superiores. Alfim requer seja julgado improcedente o auto de infração e reconhecimento da validade das compensações, ultimadas nas respectivas DCTF. Alternativamente requer se aplique o art. 171 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições para sua admissibilidade e conhecimento. A ocorrência (ti. 55/56) que motivou a autuação por "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata" (fl. 54), está descrita como "proc jud não comprov". Ou seja, a motivação foi a não comprovação da existência do processo judicial ri° 97.11875-4, citado nas DCTF apresentadas, nas quais a recorrente declarou: "comp c/ DARF c/ Proc Jud" (11.55/56). A recorrente demonstra a improcedência do motivo que ensejou a lavratura do auto de infração eletrônico pela apresentação de peças do processo judicial comprovando a efetividade da impetração da ação cautelar e respectiva ação ordinária, cuja matéria refere-se ao reconhecimento do recolhimento indevido do Imposto sobre o Lucro Liquido e reconhecimento do direito de compensar com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A certidão de Objeto e Pé de fl. 130 informa que a sentença foi proferida no sentido de se determinar a" União Federal, através da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suspenda a exigibilidade das parcelas vencidas e vincendas relativas ao PIS e COFINS até o limite dos créditos pagos indevidamente a titulo de imposto de Renda sobre o Lucro Líquido". As ações Cautelar e Ordinária foram julgadas procedentes nos mesmos moldes. O TRF da 5a Região negou provimento à remessa oficial (fl. 122). Havendo DCTF, regularmente apresentada, contendo os créditos tributários confessados, inclusive com a expressa citação de processo judicial que suspendeu a exigibilidade dos mesmos, não há falar em lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, uma vez que a mesma se encontra extinta, pela ruptura de seu curso em razão da confissão do débito e a prescrição não se iniciou em face de sua interrupção por força da ordem judicial. Assim, o auto de infração desprestigia o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, especificamente no inciso IV que determina que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Ora, arrimado que foi o auto de infração no fato de a compensação, apontada na DCTF, haver se realizado com base em processo (4L4 , Processo n°10380.004806/2002-73 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.139 Fl. 167 judicial não comprovado, o que não é verdadeiro, de vez que do processo foi indicado pela recorrente e sua existência foi confirmada, tratando da matéria objeto dos autos, resta inveridica a motivação ou não infringida qualquer disposição legal citada nos autos. O crédito tributário encontra-se declarado em DCTF, a qual constitui confissão irretratável de débito. A compensação nela apontada, que dá suporte à pretensa extinção do crédito tributário, encontrava-se sub judice. Portanto, com o trânsito em julgado da ação judicial sendo a sentença desfavorável à recorrente caberá ao fisco unicamente exigir, de imediato, o crédito tributário confessado na DCTF ou inscrevê-las na Divida Ativa da união, em caso de resistência do devedor. Caso contrário, como consta da sentença anexada aos autos, sendo a sentença favorável, restará homologada a compensação e extinto o crédito tributário confessado. No âmbito dos presentes autos, restou provado que a ocorrência que fundamentou o auto de infração está dissociada da verdade dos fatos em razão da existência do processo judicial informado na DCTF. Em razão do exposto, voto por anular o presente processo ah inicio. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009. 24à-CRISTINA ROZ5A COSTA 5
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904740/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.686
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 74 0/ 20 09 -0 9 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10983.904740/200909 Resolução nº 3201001.686 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10983.904740/200909 Resolução nº 3201001.686 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10983.904740/200909 Resolução nº 3201001.686 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10983.904740/200909 Resolução nº 3201001.686 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.004450/2006-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
Ementa:
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARAT6RIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, § 1°, da Lei n.°6.938/81.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício de 2002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da Área de reserva legal à margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto .
Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das Áreas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal firmado com o IBAMA, devidamente averbado à margem da matricula do imóvel, laudo técnico de avaliação, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica, e laudo de vistoria do IBAMA.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.563
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARAT6RIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.°6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. AREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da Area de reserva legal à margem da matricula do imóvel 6, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto . Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das Areas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal firmado com o IBAMA, devidamente averbado 6: margem da matricula do imóvel, laudo técnico de avaliação, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica, e laudo de vistoria do IBAMA. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes auta. provimen ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR ao recurso, nos termos do voto do Relator, CAIO MARCOS CA. ALEXANDRE AOKI - Presiden ,e/ [SRI KA — Relator EDITADO EM: aoll Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana , Neyle 01 mpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Ftmande e Gonçalo Bonet Allage. Relatóri Trata-se de iecurso voluntário (fls. 234/253) interposto, em 03 de setembro de 2008, ontra o acórdão de ils. 220/226, do qual o Recorrente teve ciência em 05 de agosto de 2008 ( 229), proferido pela l Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Çampo G uncle (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/07 layrado em 17 de novembro de 2006, em virtude da falta de recolhimento do ITR, relativam nte ao exercício de 2002. A Recorrida julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão que teve a seguinte enta: "ASSUN ro: IMPOSTO SOURE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE RESERVA LEGAL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Pot exigência de Lei, para ser considerada isenta, a Area de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis a ser reconhecida mediante Ato Declaratório Arnbiental — ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. 0 ADA 6. igualmente exigido para a comprovação das Areas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. 0 valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. 2 j , Processo n° 10183.004450/2006-28 S2-C1T1 Ac61(15o ri 0 2101-06.56a Fl 266 Lançamento Procedente" (11. 220). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 234/253, pedindo a exoneração do crédito tributário. o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de ecursos Fiscais (CARE) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de ompetência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas o art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido A baila, in verbis: "Art. 29. 0 imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio Atli ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a ei Federal n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou aposse de imóvel or zzatureza, localizado fora da zona urbana do município". Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação o conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos itados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), ema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca As Areas de preservação permanente ou de reserva otestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva bservar a regulamentação ambiental especifica, disso não decorre a consideração de que eferida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se abe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5° da CF, possui imitação constitucional assentada em sua função social (art. 5°, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et al.), possui o legislador ma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, ontudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, damentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço 3 do Estad constituc . Tui to eni ambiente República kislação incidência de cálcul6 • ou da conamidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et. Curso de direito nal. 4 ed. São Paulo: Saraiva; 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, ,ora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela Corn fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não- do tributo, mas, sim, de autentica isenção ou, como querem alguns, redução da base do Ilk, dispas a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do HR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - area tributável, a Area total do imóvel menos as Areas: a), de preservação permanente e de reserva leual, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos dos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca A seara ambiental, •e faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo especifico, na cada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se r Areas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo) . A respeito especificamente da chamada "Area de preservação permanente" põe o Código Florestal, Lei n.° 4.771165, atualmente regulada, também, pelas CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: 4 "Art. 2 0 Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura minima sera: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; a; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; desenvolv oportuno forma ind entende P de isenção (APP), di R soluctie PrOCeSSO n°10183 004450/2006-28 Acárdilo n.' 2101-00.563 52-CITI Fl. 267 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de monos, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 0, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de areas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os principios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assimi declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: considera a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a former faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário A vida das populações silvicolas; a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só sera admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária A execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação como área de preservação permanente, trazendo ã baila a lição de Edis Milaré, as consoante de supress atividades Vale notar, nesse sentido, que nas Areas de preservação permanente, esclarece o disposto pelo §1° do art, 3 0, citado supra, não há qualquer possibilidade o das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a Area de preservação permanente, no entanto, a chamada 4rea de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, is o 6, corn a redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em Area de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: oitenta por cento, na propriedade rural situada ern Area de floresta localizada na Amazônia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em Area de cerrado localizada pa Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra Area, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7r deste artigo; 111 - vinte por cento, na propriedade rural situada em Area de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e IV - vinte por cento, na propriedade rural em Area de campos gerais localizada em qualquer região do Pais. § 1g O percentual de reserva legal na propriedade situada em Area de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os indices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 22 A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § V deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas § V Para cumprimento da manutenção ou compensação da Area de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de Arvores frutíferas ornamentals ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consorcio com espécies nativas. § 4 A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I - o plano de bacia hidrográfica; II - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; "florestas localiza çã ittnsprude e demais formas de vegetaçZio ;pie não podem ser removidas, tendo em vista a sua e a sua .fimviio ecológica" (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, Oa, glossário, 5' ed. Sao Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691)„ Processo n° 10183 004450/2006-28 Acórd56 n 2101,00.563 S2-C1T1 Fl 268 - outras categorias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade corn outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5g- 0 Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agricola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Areas de Preservação Permanente, os eceitonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e - ampliar as areas de reserva legal, em ate cinqüenta por cento dos indices previstos neste Código, em todo o território nacional,. § 62 Sera admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das areas relativas A vegetação nativa existente em Area de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas areas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em area de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do Pais; e Ill - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso Ido § 2° do art. 1 0. § 7a 0 regime de uso da area de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § § 8° A area de reserva legal deve ser averbada A margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da area, com as exceções previstas neste Código. § 95 A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federali- competente, corn força de titulo executivo e contendo, no minim, a localização da \ reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § li :Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. 7 Art, 44. O. proprietário ou possuidor de imóvel rural corn Area de floresta nativa, natural,' primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, HI e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5' e 6a, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da Area total necessária it sua complementação, corn espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgio ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensai a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossisterna e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1 e Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar, § 2 1-1 A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de 'espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. idéia de excettiada florestas (MILARE § 32 A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da Area. § 4 Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a Area escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso § 5' A compensação de que trata o inciso Ill deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de Area sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art, 44-B, (..,)" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARt, a isciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, as Areas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das o sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica Edis. op. cit. p. 702). supressão propr' iedO delimitan 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal ,Ide florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente tuna parte da e rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegeta cão nativa", 0, assim, "a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei , para a pre ervação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa ' 'tunes, "Ulna obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independeitemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", . „ estando, a stm, umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" ' 8 (ANTUNES, Paulo de Bessa, Poder Judiciário e reserva legal.: analise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.° 21. Sao Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de Areas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às Areas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem corno pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. A guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matricula do imóvel clã Area de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses espeeificarnente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° do art. 16 da Lei ri.° 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei n.° 1 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da Area de reserva legal, prevista pelo art 55 do Decreto n.° 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo corn o que estatui o Decreto Federal n.° 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida Area. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de Area rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, corno já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Alem da desnecessidade de averbação, para o fim especifico de constituir as Areas de reserva florestai legal, igualmente não havia, ate o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal b.° 6.938/81, corn a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: I , "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lhama 10% (dez por cento) do S2-C1T1 Processo n° 10183.004450/2006-28 Ac6rcliio n 210 -00.563 Fl 269 9 entrega te prevista p a rovou a • . valor auferido .corno redução do referido Imposto, a titulo de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria," (AC) "§ V- A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto 6, por inexistir qualquer fundamento legal para a pestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo Ia legislação atinente ao ITR, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo MAMA, ou drgao conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". fundamen o ladvento 6.938/8L previsão I §1°, da Pioptieda do ADA, declaraçà relevante da Lei n. Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer o para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com da Lei Federal n,° 10.165/2000 alterou-se a redação do §1 0 do art. 17-0 da Lei n.° ue passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-0. (--) § In A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR obrigatória." Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter gal com a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, n.° 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a e Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação umpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida no órgão competente. No que toca a este aspecto especifico, tenho para mim que é absolutamente ma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17-0 .938/81. Analisando-se, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a dade de apresentação do ADA, pode-se inferir que a mudança de paradigma deveu- s atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne h. real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir timo possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim especifico da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita preservação das areas de reserva legal Ou de preservação permanente, utilizando-se, m 'especifico, do poder de policia atribuído ao MAMA. Em síntese, pode-se afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo ra Zes de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenilson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária" (PONTES, IHelenilson Cunha. O principio da praticidade no Direito Tributário (substituição tibuiária Plantas de valores, retenções de fonte, presunções e.ficções, etc.): sua necessidade e I obrigatori se a rag)" aferição a que este ' ul fruição d Federal d i ■ para este I 10 Processo n° 10183 004450/2006-28 S2-C1T1 Ac6rdzIo n.° 2191. 00.563 F I . 270 seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez-2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine As areas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar urn número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais coMpreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n,° 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de policia do IBAMA. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aPlicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art. 17-0 da Lei n.° 6,938181, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca A necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim especifico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim especifico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Quer-se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim especifico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, Menos ainda, que possibilitasse A. Receita Federal desconsiderar a existência de areas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são , materras que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97,, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. 0 prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, corn a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81. 11 - dispõe o analogia,' previstos lacuna, d contribuin contempla eiopo d praticahili para o fun , Dentre os .mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, ódigo Tributário Nacional, em seu art. 108, 1, que deve o aplicador recorrer A. sendo referida opção vedada apenas no que toca A instituição de tributos não m lei, o que, ressalte-se, não é o caso. imprimir norma a s Mais Cum : entrega do de cálculo competent Portanto, e;specificá demais de tratament elal detn rat .1 pode aph Nesse esteio, recorrendo-se à analogia para o preenchimento de referida e-se recorrer à legislação do 1TR relativa As demais declarações firmadas pelo e, mais especificamente no que atine A DIAT e à DIAC, expressamente as pela Lei n,° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendo-se sempre em vista o Inorma inserida no texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81, isto 6, imprimir lade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de raticabilidade A apuração da área tributável, verifica-se que cumpre o escopo da a entrega até o inicio da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não rira seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o inicio da fiscalização em face do contribuinte, verifica-se que a ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base 'do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, inda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente A retificação das larações relativas ao ITR, isto 6, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo I que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "zzbi o, ibi eaedem legis dispositio", isto 6, onde há o mesmo racional, a legislação não r critérios distintos. A guisa do exposto, portanto, no que toca A. entrega do ADA, tenho para mim que cump e seu desiderato até o momento do inicio da fiscalização, a partir do qual a omissão do contri rote ensejou a necessidade de fiscalização especifica relativa ao recolhimento do ITR, o implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplica-se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra lo art. 18 da Medida Provisória n.° 2,189-49/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa," De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a 'ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde ribuinte o faça ate o inicio da fiscalização. prevista p entrega d que o con Após o inicio da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constante da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação pennanen e e de reserva legal, A luz do que se extrai do próprio "Manual de Perguntas e Resposta ' do Ato Declaratorio Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. 12 De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou-se anual, apresenta ao Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: "Em virtude da impossibilidade de proceder-se à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores — por não haver retroatividade —, recomenda-se que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA — Exercício 2007 tornou-se ANUAL.. Processo n° 10183.004450/2006-28 Acórdio n°2101-00.563. necessário, também, munir-se de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao lbama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural — pela não apresentação do ADA no Exercício devido —, à ela deverão ser apresentados." Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das areas de interesse ambiental?"), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: "s Ato Declaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Area de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine as Areas de Interesse Ambiental (Area de Preservação Permanente; Area de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Area de Declarado Interesse Ecológico; Area de Servidão Florestal ou Ambiental; Areas Cobertas por Floresta Nativa; Areas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do lbama relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do 'balm ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente as Areas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da \ Area de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Area de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de area imprestável, bem como, de areas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para areas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção das ecossistemas e que não seja zitil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Area de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou .cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Servidão Florestal; S2-C111 FL 271 13 • Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)," pode venil legal têm! áreas de p nas hip:St legal, à an Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não e contra facttan propritun, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva feito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das eservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, es em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva lise de cada caso concreto. altos, ap document mediante firmado c cio imóvel respechva Anotação de Responsabilidade Técnica (fl. 185), (c) laudo de vistoria do IBAMA (fls. 194/1'5, tudo na forma dos documentos exigidos no Manual de Perguntas e Respostas do ADA editl do l pelo IBAMA. No presente caso, o Recorrente, conforme se infere da análise dos presentes esentou o ADA após o inicio da fiscalização . Não obstante, comprovou lmente a existência das Areas de preservação permanente e de reserva legal, apresentação de (a) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal m o MAMA em 1999 (fls. 166/167), devidamente averbado à margem da matricula (11. 192, verso), (b) Laudo Técnico de Avaliação (fls. 135/157), acompanhado da Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, ir da tributação as áreas de preservação permanente (16.211 ha.) e de reserva legal ). Sala das Sessões-DF, em 17 de junho/de 2010 Alexandre Naolci Nishioka para excl (16.211 fi 14
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Numero do processo: 13896.900140/2017-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 01 40 /2 01 7- 41 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.900140/201741 Acórdão n.º 3201004.957 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10061.637, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.900140/201741 Acórdão n.º 3201004.957 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.900140/201741 Acórdão n.º 3201004.957 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.907472/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 72 /2 01 2- 17 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907472/201217 Acórdão n.º 2202004.985 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907472/201217 Acórdão n.º 2202004.985 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907472/201217 Acórdão n.º 2202004.985 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907472/201217 Acórdão n.º 2202004.985 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907472/201217 Acórdão n.º 2202004.985 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907472/201217 Acórdão n.º 2202004.985 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
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