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Numero do processo: 16327.901399/2015-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.901398/2015-45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16327.901398/201545, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração de compensação, por meio da qual o contribuinte, pretende compensar recolhimento indevido de estimativa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 39 9/ 20 15 -9 0 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16327.901399/201590 Resolução nº 1402000.813 S1C4T2 Fl. 3 2 O fundamento do Despacho Decisório foi o fato de o crédito informado no PER/DCOMP se refere a pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: a) A autoridade administrativa não considerou que, para a compensação dos débitos informados, foram utilizados valores recolhidos a maior e não homologou a compensação declarada. b) O que se pede nesta manifestação é que seja aceita a compensação declarada, pois o valor recolhido a maior foi utilizado conforme o direito de compensação desse crédito através dos PER/DCOMPs em questão. Para comprovar o crédito alegado a contribuinte juntou à manifestação de inconformidade, além da DCOMP apresentada e do despacho decisório de não homologação, a declaração em DCTF do débito compensado, a DIPJ tempestivamente apresentada, na parte referente à apuração das estimativas devidas no anocalendário e às retenções sofridas, além de elementos de sua escrituração comercial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que: a) A empresa enviou PER/DCOMP no qual indicou como origem de crédito um DARF que teria sido pago indevidamente (PER/DCOMP na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido). b)Na manifestação de inconformidade resta evidente que o crédito, na verdade, é decorrente de saldo negativo. Nessa situação não se verifica pagamento indevido, mas sim um valor relativo a antecipações e deduções maiores que o IRPJ devido, no encerramento do período de apuração desse tributo. c) Ou seja, na presente situação contatase erro no tipo de PER/DCOMP enviado, sendo que não há que se falar que as estimativas não eram devidas, pois, na verdade, apesar das estimativas serem antecipações, que, no fim do período de apuração podem compor saldo de IRPJ a ser restituído, no curso do anocalendário, elas são devidas conforme previsto na legislação de regência. Não há, pois, que se tratar os valores pagos por meio de DARF a esse título, como se indevidos fossem, solicitando compensação na forma de PGIM. Ao invés disso deveria ter sido formulado PERDCOMP de saldo negativo de IRPJ. d) Tratase de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. f) Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.901399/201590 Resolução nº 1402000.813 S1C4T2 Fl. 4 3 Cientificada a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) De acordo com a IN nº 900/2008 não há dúvida de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa tem tratamento de indébito tributário o que lhe confere direito a restituição. b) Que seu posicionamento encontrase amparado pela Súmula 84 do CARF. É o relatório Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º , do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.811, de 21/02/2019, proferida no julgamento do Processo nº 16327.901398/201545, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº1402000.811): O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida negou o pedido de compensação fundamentalmente por entender que os recolhimentos de estimativas devidas devem compor eventual saldo negativo. Sendo assim, a Recorrente teria cometido erro quanto ao tipo de compensação formulada, pois ao invés de realizar o pedido de compensação de pagamento indevido deveria ter requerido a compensação de saldo negativo, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Ora, a empresa enviou PERDCOMP no qual indicou como origem de crédito um DARF que teria sido pago indevidamente (PERDCOMP na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido). Na manifestação de inconformidade resta evidente que o crédito, na verdade, é decorrente de saldo negativo. Nessa situação não se verifica pagamento indevido, mas sim um valor relativo a antecipações e deduções maiores que o IRPJ devido, no encerramento do período de apuração desse tributo. No entanto, ao analisar a DIPJ juntada à manifestação de inconformidade verificase que a contribuinte, a partir do mês de setembro, não mais apurou estimativas a pagar, possivelmente por deduzir as retenções sofridas no período. Sendo assim, o recolhimento constante do DARF, poderia ser, de fato, recolhimento indevido diferentemente do decidido pela decisão recorrida. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem analise a apuração das estimativas Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16327.901399/201590 Resolução nº 1402000.813 S1C4T2 Fl. 5 4 informadas em DIPJ em confronto com a escrituração do sujeito passivo e outros elementos que devam ser a ele requeridos, em especial confirmando as retenções aproveitadas e o cômputo dos correspondentes rendimentos na base tributável, e manifestandose expressamente acerca da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem analise a apuração das estimativas informadas em DIPJ em confronto com a escrituração do sujeito passivo e outros elementos que devam ser a ele requeridos, em especial confirmando as retenções aproveitadas e o cômputo dos correspondentes rendimentos na base tributável, e manifestandose expressamente acerca da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa. Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000153/2003-90
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/2003 a 07/06/2003
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC).
DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO
NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO
INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da M2 nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida.
A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.125
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-04T11:47:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-04T11:47:01Z; Last-Modified: 2009-09-04T11:47:02Z; dcterms:modified: 2009-09-04T11:47:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-04T11:47:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-04T11:47:02Z; meta:save-date: 2009-09-04T11:47:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-04T11:47:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-04T11:47:01Z; created: 2009-09-04T11:47:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2009-09-04T11:47:01Z; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-04T11:47:01Z | Conteúdo => • S2-CIT1 FI.912 tC20 MINISTÉRIO DA FAZENDA : CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS sm,t4.74,, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13007.000153/2003-90 Recurso n° 153.497 Voluntário Acórdão n° 2101-00.125 — 1* Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria COMPESAÇÃO DE IPI Recorrente BRASICEM S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE-RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 27/04/2003 a 03/05/2003 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE 1PI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n 2 1, do 22 CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP 112 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo o)11. Processo n° 13007.000153/2003-90 52-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 913 art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSEC1'ÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / 1a turma ordinária do segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em - !ar provimento ao recurso. Designado o onselheiro Antonio Zomer para redigir o voto v cedo lik AIO MARCOS CÁN,DIDO •". /1" 1111 a A O O ER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e António Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ em Porto Alegre/RS, que manteve o indeferimento e deixou de homolo ar a Declaração de 2 Processo n° 13007.000153/2003-90 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 914 _ Compensação apresentada em 07 de maio de 2003, para quitação de débito de IRRF incluído em DCIP, relativo ao período de apuração de 27/04/2003 a 03/05/2003, vencimento em 07/05/2003, com credito de IPI decorrente de aquisição de matéria-prima isenta, não tributadas e tributadas com alíquota zero de IPI, utilizadas no processo produtivo, relativo ao período de apuração de 01/08/1999 a 31/08/1999, amparada em decisão judicial obtida por meio de Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS, doc. fls.01/02. A compensação efetuada pela recorrente não foi homologada pela DRF em Porto Alegre — RS, por tratar-se de créditos vinculados decorrentes de decisão judicial que não transitou em julgado, vedação do art. 170-A da Lei ri s! 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento para não homologação da compensação pela Autoridade Administrativa, é de que só teria sido reconhecido judicialmente o direito de creditamento do IPI para compensação com débitos do próprio IPI,ainda, assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo sido autorizada a compensação dos créditos de IPI com outros tributos sem obediência das normas que regem a matéria. A Recorrente na fase inicial pugnou pela atribuição de efeito suspensivo a manifestação de inconformidade pela aplicação da norma contida no art. 151 do CTN, sustentando que a norma processual aplicável é aquela vigente quando da apresentação impugnação, nos molde do parágrafo 11, do art. 74, da Lei 9.430, 1996, alterada pela Lei numero 10.833/03. Sustenta também que não se aplica ao caso o disposto no art. 170-A do CTN, pois essa norma só é aplicada nos casos das ações judiciais promovidas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, assim sendo, não alcança o provimento obtido no bojo do Mandado de Segurança impetrado. Também não se aplica a norma do art. 170-A do CTN, uma vez que não há no comando da sentença autorização nesse sentido. Defende que a sentença proferida no mandado de segurança assegurou o direito de compensar os créditos anteriores limitado aos últimos cinco anos à interposição da ação, decisão que foi modificada pelo Tribunal Regional Federal da 4' Região que estendeu para os últimos 10 (dez) anos, e não importou em exclusão de todo o período subseqüente. Demonstra irresignação em relação aplicação da multa isolada, multa de mora e juros de mora, salientando que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrem de decisão judicial, não reformada e tampouco modificada por Instância superior, assim como, a multa isolada, que havendo sentença concessiva da segurança a constituição do crédito dar-se- ia com a exigibilidade suspensa, por essa razão é inaplicável as penalidades pecuniárias. Na fase recursal manteve seu posicionamento jurídico e fático sustentado em sua manifestação de inconformidade, em síntese e fundamentalmente alega que: interpretação equivocada da decisão judicial obtida em relação à compensação, que a decisão judicial obtida transitou em julgado, inaplicabilidade do art. 170 do CTN, multa de mora, juros mora e da multa isolada, por derradeiro requer a reforma total do acórdão, na medida que se mostra conflitante com decisão judicial que autorizou o creditamento IPI em questão, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. É o relatório. C) 3 ' Processo n° 13007.000153/2003-90 S2-CITI. _ Acórdão n.° 2101-00.125 19. 915 - .. Voto Vencido Conselheiro DOMINGOS DE SÃ FILHO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de crédito de IPI decorrente de aquisições insumos isentos, alíquota zero e não tributados apresentada pela empresa sucedida pela empresa Braskem S/A, efetivado com amparo em provimento judicial obtido em ação mandamental, conforme se vê dos autos. Antes de adentrar no mérito, cabe examinar de oficio se a DECOMP apresentada até 31 de outubro de 2003 pode ser considerada instrumento hábil a constituir o crédito tributário, assim como, se a DCTF, pelo simples ato de sua apresentação constituiria confissão de dívida. É certo que, os débitos declarados por meio da DECOMP, assim como da DCTF, ambas constitui instrumento hábil e confissão de dívida, suficiente para exigir os créditos tributários reconhecidos nestes documentos. No caso vertente, a primeira vista, os valores lançados na DCOMP configuraria confissão dívida, dispensando a intervenção do ato administrativo do fisco em apurar a irregularidade, quantificar o quantum devido e o sujeito passivo da obrigação. Entretanto, não se pode perder de vista que o sistema constitucional e o ordenamento jurídico vigente entre nós é de maior complexidade e, bem mais engenhoso do que a própria formulação da legislação aplicável ao caso específico. Portanto, impõe-se a necessidade de verificar a eficácia da legislação aplicável ao tempo da apresentação da referida declaração de compensação e se conferia a DECOMP legitimidade para ser considerada confissão de dívida. Neste caso entendo, salvo melhor juízo, de que não se trata de matéria incidental, mas sim como o cerne da questão vinculada diretamente à exigência da dívida. -. Como se sabe, tanto os juízes togados, quantos os demais julgadores, entre estes encontram os administrativos, não podem aplicar a lei ao caso concreto sem antes observar se a norma respeita os princípios e regras hauridos da Constituição, caso contrário estaria a por em risco toda estrutura jurídica construída a duras penas neste país. A Medida Provisória número 135, publicada em 31/10/2003, promoveu inovação na legislação vigente, com a introdução do parágrafo 6° ao art. 74 da Lei 9.430/96, a partir de quando a declaração de compensação passou a ser considerada confissão dívida. Neste contexto, é apropriado trazer à baila a orientação editada pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, por meio de Solução de Consulta Interna número 3, que assim disciplina a aplicação da novel norma introduzida no sistema jurídico: ..} 4 Processo e 13007.1:00153/2003-90 52-CITI Acórdão n." 2101-00.125 F1916 - "6. A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da MP No 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei No 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7. Cotejando o texto da Ml" No 66, de 2002, com o da MI' no 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confusão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP número 135, de 2003, cujo art. 17, ao adicionar novo parágrafo 60 ao art. 74 da Lei número 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8. Essa é a interpretação mais consentánea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem efeitos para o futuro. 9. Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MI' no 135, de 2003, constituem-se confissão dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados." É de conhecimento geral, que a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, marco norteador do Direito Civil Brasileiro, regula por meio do art. 1°', que a lei começa a vigorar oficialmente após sua publicação. Assim, a publicação revela o modo pelo qual se dá conhecimento a todos da lei editada e marca a sua entrada no mundo jurídico. Neste passo se revela oportuno lembrar a lição de GOFFREDO TELLE JÚNIOR, para ele a norma positiva é, em suas palavras: "Uma norma social passa a ser considerada norma de garantia e, portanto, norma atributiva ou norma jurídica, no momento em que o governo do grupo a declare como tal. As normas de garantias ou normas jurídicas são vias essenciais ou úteis para a consecução dos objetivos que o grupo tem em mira. Ora, o governo compete, antes de mais nada, no desempenho de sua missão precípua, indicar essas vias, ou seja, declarar para o conhecimento de todos as normas jurídicas e, depois, assegurar pela força, o seu cumprimento." (Filosofia do Direito, São Paulo, Max Limond, V.2, p.468). Assim, publicidade é o atributo daquilo que, por qualquer motivo, deve ser divulgado, a partir do qual passa gerar seus efeitos, de modo que, mesmo aqueles que não tenha interesse direto no fato tomem conhecimento a respeito, pela notoriedade e divulgação que dela se faz. Os princípios constitucionais e o ordenamento jurídico, não permite aplicação de uma legislação a fatos pretéritos, essa é a rega geral, pois se assim não fosse estaria em risco a segurança jurídica. Neste caso está sob exame a aplicação da lei tributária a fatos anterior ao seu evento. Portanto, impõe saber se aplica a lei atual ou por tratar-se de situação jurídica definitiva estava ao abrigo da lei anterior. Se concluirmos que aplica-se a tutária vigente e não 5 Processo n• 13007.000153/2003-90 52-CITI • Acórdão n.° 2101-00.125 11. 917 • aquela que vigia ao tempo da apresentação da declaração de compensação, estamos diante do princípio da irretroatividade. Os princípios devem ser observados de modo intenso, tanto no campo tributário, assim como é em relação as questões penais por acarretar violação aos direitos fundamentais do indivíduo, é o caso da privação da liberdade. A aplicação de lei a fato anterior ao seu evento se revela retroativa e fere principio basilar, assim sendo, não pode ser ignorado pelo julgador, independentemente de manifestação dos interessados, devendo ser conhecido de oficio. Em relação a irretroatividade no campo tributário, o legislador infraconstitucional tratou do assunto por meio do artigo 105 da Código Tributário Nacional, vedando a sua aplicação, não cabe aqui discussão em relação aos fatos pendentes, pois o direito brasileiro não contempla-os, só considera fato gerador ocorrido ou não ocorrido. Assim sendo, a aplicação da legislação tributária tem de observar o princípio da irretroatividade estampado no art. 150, III, "a" da Carta da República de 1988. Os casos excepcionais de aplicação desse instituto são àqueles mencionados no artigo 106 do CTN, que não implicam propriamente em retroação, entre esses encontram as leis meramente interpretativa, que dizem respeito à aplicação de lei mais benigna ao contribuinte, que deixa de considerar certos atos como infração e/ou comine pena mais branda. Portanto, em obediência ao princípio constitucional da irretroatividade das leis, bem como ao ordenamento jurídico infraconstitucional vigente, que vedam aplicação retroativa das leis, impõe-se reconhecer no caso destes autos que os débitos declarados por meio de Dcomp antes de 31 de outubro de 2003 não configura confissão dívida, assim sendo, deixa de ser neste caso documento hábil a permitir que a Fazenda exija a obrigação sem antes constituir o crédito tributário por meio de lançamento. Deste modo a Declaração de Compensação — Decomp - apresentada até 31 de outubro de 2003, não configura confissão de dívida, por essa razão, impõe a Autoridade Fiscal diligenciar no sentido de apurar a irregularidade e constituir o crédito por meio de lançamento e, se for o caso inscrever em dívida ativa. Assim sendo, por tratar-se de matéria prejudicial ao mérito, conheço de oficio Yç e declaro inexistente o débito incluído em DCOMP efetivado pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário, por essa razão deixou de ser instrumento hábil para exigir o pagamento do devedor por meio de carta de cobrança. Em relação a DCTF é sabido que trata-se de documento que representa cumprimento de obrigação acessória, apresentada comunicando a existência do crédito tributário, importa em lançamento fiscal. Também é certo que o simples fato da entrega da DCTF, afasta a decadência relativamente à dívida, em razão da confissão, a partir daí possível efetuar a inscrição em divida ativa com suporte exclusivo na referida declaração. Entretanto, há peculiaridade que deve ser observada, no caso deste feito, a DCTF apresentada foi confeccionada com o objetivo de declarar o crédito tributário e ao mesmo tempo compensar por meio de crédito fiscal apurado na contabilidade, cujo saldo resultante deste encontro de contas é igual a zero. 6 Processo n°13007.000153/2003-90 S2-CITI. - Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 918 Assim, em que pese a DCTF ter por objeto a constituição do crédito tributário, depende de operação aritmética para tornar certo e liquido o quantum devido, pois este mesmo documento depende da inserção de dados necessários cujo resultado aritmético revela se a existência de crédito a favor da Fazenda ou não. Se a declaração é por excelência ato voluntário do contribuinte, e este simultaneamente aponta um débito e um crédito, resultando em saldo zero, forçoso convir de que tal procedimento administrativo, cujo objetivo é determinar o fato gerador, a matéria tributável, o quantum do tributo e a sua legitimidade passiva, implica dizer que não há crédito a favor da Fazenda. A inexistência de saldo a favor da Fazenda é uma peculiaridade capaz de afastar o entendimento de que o simples fato da entrega da DCTF configura confissão de divida e o próprio lançamento, suficiente para desprezar a intervenção da Administração no sentido de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ examinando situação idêntica a desse caderno, reconheceu que há peculiaridade capaz de afastar o entendimento em relação ao crédito tributário declarado por meio de DCTF, é o que se extrai do voto aqui transcrito: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E FINCOSIAL. CRÉDITO DECLARADO EM DCTF OBJETO DE COMPENSAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. (.) I- A jurisprudência desta colenda Corte afirma que, uma vez reconhecido o crédito tributário, por meio de DCTF, tal ato equivale ao próprio lançamento, tornando-se imediatamente exigível o débito não pago 2 — Todavia, verifico que há peculiaridade a afastar tal entendimento, in casu, consubstanciada no fato de que o crédito declarado em DC7F foi objeto de compensação pelo contribuinte, devidamente informada ao Fisco, conforme atestado pelo acórdão de fls, de maneira que cabe, em conseqüência à Fazenda verificar a regularidade da conduta, por meio do devido procedimento administrativo-fiscal. Assim, somente em concluindo pela ilegitimidade da compensação, após o referido procedimento, é que será possível a constituição do crédito tributário respectivo. Precedentes: AgRg no REsp n° 327.626/RS, ReL Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 19/12/05; AgRg no REsp n° 64I.448/RS, Re1 MM. JOSÉ DELGADO, I» de 01/02/05 e REsp n° 328.727/PR, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 30/08/04. (AgRg no RESP 801.069/RS, Min. Francisco Falcão, Ia Turma, DJU 26.06.2006) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF. INSCRIÇÃO EM DIVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I — Comunicado pelo contribuinte, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) que o valor do débito foi quitado por meio de utilização de mecanismo compensatório, 7 Processo n°13007.000153/2003-90 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 919 não há porque se falar em confissão de divida suficiente a inscrição em divida ativa. (RESP 4I9.476/RS, Min. João Otávio Noronha, 2a Turma, DJU 02.08.2006)". Portanto, não se discute que a DCTF possui efeito de lançamento, mas é imperioso, para tanto, que esteja presente todos elementos imprescindíveis, não é o caso nestes autos, pois aqui constata-se a ausência do quantum devido do tributo, pois o valor do débito foi quitado por meio da compensação , portanto, não se pode falar em lançamento perfeito e acabado. A inexistência de saldo residual que configuraria o débito, não abre espaço para o entendimento de que neste caso, o crédito tributário seria o total do débito informado. Também, inexiste justificativa de que deva prevalecer o débito em decorrência do contribuinte não ter logrado êxito em relação ao pedido de compensação. O entendimento oposto, ao meu ver, colocaria-nos diante de crédito inconsistente carregado de ilegitimidade substancial ou formal, que certamente pereceria quando submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por tratar-se da eficácia ao ato de lançamento, impõe mencionar os ensinamentos da professora LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, que assim ensina: "... é imperioso concluir-se, ao lado de Misabel Deni, Alberto Xavier, Luciano Amaro, que não se pode inscrever a divida com apenas a declaração do contribuinte, que pode ser de longo tempo, ter-se desatualizado... Ora, se esse ato dá eficácia ao ato de lançamento, apresenta-se como ato de controle de legalidade. E os atos de controle de legalidade nada podem acrescentar ao ato anterior ( por isso a necessidade imperiosa de haver ato anterior), mas apenas lhe atribuir eficácia. (..) Por tais razões. entendo que haveria cerceamento de defesa na hipótese de ser ter inscrito o crédito sem a realizacão do ato anterior como necessário e natural antecedente. É dizer, haveria violacão do devido processo legaL" (Lúcia Valle Figueiredo, A Inscrição da Divida como Ato de Controle do Lançamento, em Revista Dialética de Direito Tributário n. 36, 1998, p. 83 —). O saldo apresentado na DCTF, sendo igual a zero não configura confissão de dívida. Assim, reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor em decorrência de que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de dívida, o que impõe a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Ultrapassado essas questões, passo examinar o mérito: As pretensões submetidas à apreciação do Judiciário se referem ao direito de repetir os pagamentos decorrentes da falta de cômputo dos valores de aquisição dos insumos isentos, não-tributados, ou tributados com alíquota zero do IPI, nos últimos 10 (dez) anos e das aquisições futuras. • Processo n°13007.000153/2003-90 S2-CIT1 - " Acórdão n.• 2101-00.125 Fl. 920 . . O pleito foi concedido parcialmente no que tange ao direito de repetir em relação aos últimos dez anos, restringindo aos cinco últimos anos, o que foi modificado pelo julgamento do Tribunal Federal Regional, provendo o recurso para assegurar o direito a contribuinte de aproveitar os dez últimos anos. Não há dúvida de que decisão judicial assegurou o direito aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e alíquotas zero, tanto em relação aos últimos 10 (dez) anos, bem como os créditos futuros. A matéria submetida à apreciação na esfera administrativa tange ao direito de créditos de IPI decorrentes de Muras aquisições e a restrição de compensação autorizada por decisão judicial antes do transito em julgado contido no art. 170-A do CTN. Assim sendo, não vislumbro a existência de concomitância entre a esfera administrativa e judicial.Portanto, não é o caso da aplicação da Súmula número 1, de 26.09.2007, deste Conselho de Contribuintes. A controvérsia surge em relação à interpretação da parte final da sentença quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes as aquisições futuras. O entendimento da Autoridade Administrativa funda-se no fato de não constar da decisão um comando expresso reconhecendo o direito de aproveitamentos dos créditos futuros. Com toda vênia, entendo ser desnecessário constar no comando sentenciai à totalidade dos pedidos formulados. Como se sabe, o Juiz julga procedente (parte ou totalidade) ou improcedente os pedidos, não se julga a ação, bastando, para tanto, que o Julgador mencione àqueles que são negados e os acolhidos parcialmente. O pleito foi acolhido in totum, apenas limitando o aproveitamento do crédito aos cinco últimos anos à interposição do mandado de segurança, esse é o meu entendimento. No que tange a vedação de compensação de créditos autorizados por medida judicial antes do trânsito em julgado, por vedação do artigo 170-A do C'TN, não se aplica ao caso deste caderno processual administrativo, pois trata de provimento judicial concedido antes da vigência do referido diploma legal. Como se sabe, as sentenças judiciais monocráticas, não transitadas em julgadas, são passiveis de ser modificadas ou anuladas mediante recursos específicos, . entretanto, não podem ser cassadas por força de lei editada posteriormente, se assim não fosse, '- estaria em risco o princípio da segurança jurídica. Não vislumbro como óbice no caso vertente a restrição do art. 170-A do CTN, portanto, afasto aplicação deste dispositivo, assim como reconheço que a sentença assegurou o direito do crédito IPI das aquisições futuras, beneficio este estendido aos dez anos anteriores à interposição do Mandado de Segurança. A Súmula n. 212 do STJ, assegura o direito de compensação desde que o deferimento tenha ocorrido por meio de sentença, e não por meio de medida liminar, o que restou vedado pela a aludida súmula é compensação fundada em liminar. Além do que, no caso deste caderno processual, o crédito objeto de tcompensação é de 1999, portanto, anterior ao evento do . 170-A, introduzido no 9 , • Processo n° 13007.000153/2003-90 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 921 _ . ordenamento jurídico pela Lei Complementar número 118/2002. Sendo certo que a compensação tributária, nos termos da jurisprudência do STJ, rege-se pela lei vigente ao tempo do nascimento do crédito aproveitado e não por aquela vigente quando do efetivo encontro de contas. Nesse passo é conferir a lição de LEO KRAKOWIAK: "Com efeito, muito embora a jurisprudência de nossos Tribunais tenha oscilado quanto à determinação de qual a legislação aplicável em se tratando de compensação, se aquela em vigor quando do pagamento indevido ou aquela em vigor no momento da compensação, pacificou-se afinal adotando aquela primeira linha de raciocínio, com se verifica do recente acórdão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, verbis" 1. As limitações das Leis números 9.037/95 e 9.129/95 só incidem a partir da data de sua vigência. 1. Os recolhimentos indevidos efetuados até a data da publicação das leis em referência não sofrem limitações. 3. Embargos de divergência rejeitados "(Embargos de Divergência em Resp. n. I64.739-SP, Rd Min. Diana Calmon, 1° Seção, DJ, 1, 12.02.01). Deste modo, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que a compensação de tributos pagos indevidamente se rege pela legislação em vigor à época de cada pagamento, dúvida não há de que o mesmo entendimento deve ser aplicado também à vedação trazida pelo art. 170.A do CTN" (A Compensação e a Correta Aplicação do art. 170-A do C1N, Revista Dialética de Direito Tributário., vol. 68,pág. 82)." Assim sendo, por se tratar de sentença prolatada antes do evento do art. 170- A do CTN, conserva a sua eficácia plena. No caso dos autos a recorrente tem assegurado o direito de compensar os créditos de IPI de aquisições anteriores à impetração do mandado de segurança, bem como os futuros incidentes sobre as aquisições de produtos não tributados, aliquota zero e isento. A legislação vigente permite a compensação de crédito de IPI com outros débitos tributários, entretanto, neste caso restou limitado pela sentença, que fixou parâmetro para que o contribuinte pudesse se beneficiar do crédito oriundo das aquisições de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI, que deve ser utilizado para compensar com débitos oriundos da venda dos produtos industrializados, como se vê da parte final do decisão: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo...". No caso vertente a compensação de crédito tributário deu-se com débito de tributo distinto, portanto, além dos limites traçado no comando sentenciai. 10 Processo n°13007.000153/2003-90 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 922 Por essa razão sou inclinado a negar provimento ao apelo da recorrente em relação ao aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos tributários de natureza distinta daquela que restou autorizada. Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Sabe-se que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do enunciado das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." De modo que, a Recorrente não obtendo êxito na demanda judicial, está sujeita a aplicação da norma contida no art. 61 da Lei n. 9.430/96. Multa Isolada no caso de Compensação Não Homologada. Processo n°13007.000153/2003-90 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-90.125 Fl. 923 Em relação aplicação da multa isolada, em que pese ter sido objeto do recurso, não é o caso dos autos, por tratar-se de indeferimento de compensação de crédito. A penalidade é aplicada quando o sujeito passivo efetua compensação ao arrepio da legislação e essas deixam de ser homologadas pela Autoridade Administrativa, por expressa disposição legal. No caso destes autos não há pena aplicada com arrimo no art. 18 da Lei 10.833, de 2003. De modo que, as sustentações de que não há base legal para imposição de multa em decorrência modificação no referido dispositivo legal por meio da Medida Provisória numero 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, são desnecessárias pelo fato de inexistir aplicação de penalidade. Mesmo assim, consoante se vê da leitura do dispositivo mencionado, com a nova redação, o Legislador Ordinário restringiu à sua aplicação a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei número 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicação da norma contida no art. 18 da Lei 10.833/2003, alcança aqueles que praticarem conduta típica passível punição de acordo com o Direito Penal. Configura conduta típica a pratica de fraude, conluio e sonegação com intuito de causar dano a Fazenda Pública Entretanto, no caso vertente, trata de direito declarado judicialmente aos créditos oriundos de materiais que não incidiram IPI na etapa anterior, que a Recorrente compensou com débito fiscais, créditos tributários administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos moldes do art. 74 da Lei número 9.430/96. Em relação a constituição do crédito tributário, é direito da União Federal, mesmo tratando de tributo com exigibilidade suspensa com intuito de prevenir a decadência. Como se sabe a discussão judicial não inibe, por si só, a atividade fiscal, portanto, o mero ajuizamento de ação para a discussão de uma obrigação tributária não constitui em óbice para o sujeito ativo do tributo de fiscalizar o cumprimento da lei, verificando a ocorrência do fato gerador. No entanto, para que reste inibida a atividade fiscal em relação exigência tributária, faz-se necessário que o contribuinte esteja protegido por decisão judicial, essa por seu turno suspende a exigibilidade. Assim sendo, não há que se falar em mora. Tanto é verdade que há previsão legal contida no art. 63 da Lei n. 9.430/96, dispõe que o contribuinte incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que modifique a decisão que albergou a suspensão da exigibilidade. Extraí-se do dispositivo mencionado: "Art. 63 — Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio". 12 Processo n° 13007.000153/2003-90 S2-C1T1 Acórdão ri.° 2101-00.125 Fl. 924 Constata-se no caso presente que todo o procedimento de compensação tem amparo em medida judicial, o que por si só afasta a presunção de conduta ilícita ou dolosa da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar a qualidade de confissão de divida e de instrumento hábil para exigir o pagamento de débito informado DCOMP apresentada pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário e exigir o pagamento por meio de carta de cobrança. Também reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devi. or, uma vez que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condi ão de confi são de divida, impondo a constituição do crédito tributário por meio de lançam , nto, deixo de h... • : - •mpensação em razão de ter sido realizada com débito de contribui ão e impo s de natureza dis . to. Sala das Sessões, -m 07 de maio de 009. a DOMINGOS DE SÁ FILHO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto da parte em que o relator originário foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OH' POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUIMICA S/A. Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de dívida, porque apresentada antes da vigência da MP 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de dívida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de dívida, apta a permitir a 13 Processo n°13007.000153/2003-90 S2-CIT1 " Acórdão n.• 2101-00.125 EL 925 cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de divida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. 314 14 Processo n° 13007.000153/2003-90 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 926 . e Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tornaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del3/06/1984, verbis: "Art. 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1 0 O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2 0 Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo •único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução -Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias 15 Processo n° 13007.000153/2003-90 S2-CIT1 • - Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 927 após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de divida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O caput do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em divida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1.É pacifico na jurisprudência desta Cone que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de procederá constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em divida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. • CO" 16 Prorrogo n° 13007.000153/2003-90 S2-CIT1• — Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 928 • 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento específico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, ineciste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa ((ase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4' Região, ofendera ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: • 17 Processo n° 13007.00015312003-90 S2-CIT1 4 - Acórdão n.• 2101-00.125 Fl. 929 - "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. I. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, § 2°, da Lei 9.430/96. 1. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3. Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática 18 Processo n° 13007.000153/2003-90 52-CITI 4 o' Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 930 - das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6 2 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72,rt"-- apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) .§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto re 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei ri' 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" j- 19 Processo n° 13007.000153/2003-90 S2-C ITI 4 r Acórdão n.° 2101-00.125 Fl. 931 De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. I° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vicio de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. - Conclusão Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto que confessados em DCTF. Sala • Se ões, em 07 de maio de 2009.I 411 lb IN A *NI • • MER 20 Page 1 _0100900.PDF Page 1 _0101000.PDF Page 1 _0101100.PDF Page 1 _0101200.PDF Page 1 _0101300.PDF Page 1 _0101400.PDF Page 1 _0101500.PDF Page 1 _0101600.PDF Page 1 _0101700.PDF Page 1 _0101800.PDF Page 1 _0101900.PDF Page 1 _0102000.PDF Page 1 _0102100.PDF Page 1 _0102200.PDF Page 1 _0102300.PDF Page 1 _0102400.PDF Page 1 _0102500.PDF Page 1 _0102600.PDF Page 1 _0102700.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.720701/2013-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF, em relação à matéria amortização de ágio.
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
Numero da decisão: 9101-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) quanto à decadência e juros sobre multa, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial; (ii) quanto à amortização do ágio, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Cristiane Silva Costa, que conheceram e (iii) quanto à multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Ad Hoc
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF, em relação à matéria amortização de ágio. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) quanto à decadência e juros sobre multa, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial; (ii) quanto à amortização do ágio, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Cristiane Silva Costa, que conheceram e (iii) quanto à multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 01 /2 01 3- 49 Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.457 2 (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Ad Hoc (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Inicialmente, esclareço que fui designada como redatora ad hoc para formalização de acórdão relatado pelo Conselheiro Gerson Macedo Guerra. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento: Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte em epígrafe, contra o Acórdão nº 1402002.404, onde restou decidido, no que interessa ao presente julgamento que a aquisição de investimento vinculada a uma parceria comercial, onde a primeira restou claramente ser acessória da segunda, evidencia a verdadeira natureza do negócio celebrado, autorizando a exigência resultante da glosa de despesas de amortização com ágio. Correta a interpretação da Fiscalização ao classificar o negócio celebrado como de aquisição de um direito de exploração de serviços financeiros, amortizáveis pelo prazo de duração do contrato firmado. A operação analisada no procedimento fiscal tem início em 04/2007, com a aquisição da empresa GOPIC por empresa do grupo MAKRO, celebração de convênio entre a GOPIC e a MAKRO prevendo exclusividade na exploração de serviços financeiros na base de clientes da MAKRO e transferência do controle da GOPIC para a controladora da MAKRO SHV (estrangeira). Em 12/2007, foi realizada a venda da participação da GOPIC pela SHV para a Contribuinte em questão (BRADESCARD), tendo como interveniente anuente a MAKRO Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.458 3 (efls 767), bem como celebrado acordo de parceria entre a MAKRO e a BRADESCARD, tendo a GOPIC como interveniente anuente (efls 679). Conforme entendimento da fiscalização exposto sobre o tema no TVF, a essência econômica do ágio atribuído à rentabilidade futura da GOPIG era um intangível baseado na exploração de um fundo de comércio. Para a fiscalização o que motivou a BRADESCAR a comprar a GOPIC foi o direito de exploração, por 20 anos, do negócio de serviços financeiros no âmbito da rede de lojas MAKRO. Aduz a fiscalização que quando a SHV decidiu vender a GOPIC para o BRADESCARD, sem que nenhum ativo relevante estivesse registrado em sua contabilidade, era exatamente neste direito de exploração que a BRADESCARD tinha interesse, tanto que vinculou a sua compra à assinatura de uma parceria negocial que lhe garantisse esse direito e, caso a parceria fosse rescindida, a compra de quotas também o seria. À essas conclusões chegou a fiscalização através da interpretação de algumas cláusulas dos contratos. Além disso, avaliando a cláusula de pagamento do preço, concluiuse que a BRADESCARD acordou pagar à SHV R$ 50 milhões pelo direito de exploração exclusiva de serviços financeiros nas lojas MAKRO, acrescido de pagamentos extras de até R$ 200 milhoes atrelados a eventos futuros (prêmio adicional à vista atrelado à meta mínima de performance e parcela condicionada atrelada a metas de faturamento em compras com cartões no MAKRO) e, ainda, até R$ 40 milhões relativos ao aumento da rede de lojas. Alegouse que não basta a apresentação de laudo de rentabilidade futura no valor de R$ 213 milhões para amortização do ágio. Todos os contratos assinados deixam claro que a BRADESCARD estava efetivamente interessada em estabelecer parceria com o MAKRO para explorar a rede de lojas pelo prazo de 20 anos, pelo que desembolsou efetivamente R$ 90 milhões, valor esse que poderia ser amortizado pelo prazo do contrato (20 anos). Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação. No julgamento da impugnação a DRJ manteve integralmente o lançamento. Desse modo foi apresentado o competente recurso voluntário. No julgamento do recurso a Turma negoulhe provimento. O relator do acórdão recorrido, analisando o Instrumento de Compra e Venda, compreendeu haver interesse mútuo, tanto da SHV (VENDEDORA), quanto do BRADESCARD (COMPRADORA) no estabelecimento de uma parceria para exploração do negócio de serviços financeiros da rede de lojas do MAKRO. Para o relator esse foi o motivo determinante para o fechamento do negócio. Assim, conforme voto condutor da decisão, a aquisição da GOPIC passou a ter caráter acessório na transação, principalmente pelo fato de que por força do referido contrato, todas as cláusulas e condições estabelecidas até então no convênio que havia entre GOPIC e MAKRO, foram substituídas pelas condições estabelecidas pelo "Contrato de Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.459 4 Parceria Negocial, Administração e Exploração Conjunta de Cartões de Créditos e Demais Serviços Financeiros" (v. efls. 630 e ss), assinado pelo MAKRO e pelo BRADESCARD. Outro elemento que reforça o entendimento de que o objeto finalístico da transação era, em verdade, a compra de um direito de exploração seria a forma de pagamento pactuada entre os contraentes pela aquisição das quotas da GOPIC. Compreendeuse que o preço estabelecido denota muito mais uma vinculação expressa ao Contrato de Parceria firmado entre MAKRO e BRADESCARD, do que ao próprio Instrumento de Compra e Venda, estabelecido entre SHV e BRADESCARD. Entendeuse que o preço, da forma como foi estabelecido, tem relação direta, não com o valor intrínseco das quotas da empresa GOPIC, mas sim com o direito de exploração dos serviços financeiros da rede de lojas MAKRO e de seus clientes, objeto principal de todo o negócio firmado. Além disso, entendeuse que o Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG serviu muito mais para estimar o próprio valor que seria auferido pela BRADESCARD ao firmar a parceria com a rede de lojas MAKRO do que para preencher uma exigência legal (demonstração do ágio pago). Vale transcrever a ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E DE DESPESAS COM BRINDES. O marco inicial para a contagem do prazo decadencial se dá a partir do momento em que a despesa, considerada indedutível, é lançada para efeito de reduzir o valor do tributo a pagar, e não a data em que a mesma foi gerada. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. COMPRA DO DIREITO DE EXPLORAÇÃO DE SERVIÇOS. A aquisição de investimento vinculada a uma parceria comercial, onde a primeira restou claramente ser acessória da segunda, evidencia a verdadeira natureza do negócio celebrado, autorizando a exigência resultante da glosa de despesas de amortização com ágio. Correta a interpretação da Fiscalização ao classificar o negócio celebrado como de aquisição de um direito de exploração de serviços financeiros, amortizáveis pelo prazo de duração do contrato firmado. DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995. Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.460 5 DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. São inaplicáveis às sociedades civis os institutos da cisão e incorporação. Assim, as operações de desmutualização da CETIP representaram, na verdade, a extinção da CETIP Associação, restando induvidosa a aplicação do art. 61 do Código Civil de 2002. Neste caso, confirmada a ocorrência da hipótese legal prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97, recai a tributação sobre a diferença entre o valor representativo das ações recebidas e o custo de aquisição das quotas detidas na Associação. O custo de aquisição, na ausência de provas quanto aos valores aportados para a constituição do patrimônio da associação, é zero. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. DECISÕES COLEGIADAS. QUÓRUM MÍNIMO PARA O JULGAMENTO. A Portaria MF nº 341/2011, em seu art. 4º, § 6º, informa que o quorum mínimo para realização de sessão de julgamento é de 3 (três) julgadores, razão pela qual nenhuma ilegalidade foi cometida no julgamento a quo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Inexiste erro no enquadramento legal do lançamento fundado em premissa absolutamente diversa da utilizada pela contribuinte ao contabilizar a despesa de amortização de ágio glosada pela Fiscalização. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.461 6 A multa de lançamento de ofício constituise em débito para com a União, possuindo natureza de obrigação tributária principal. Assim, absolutamente correta a interpretação de que, sobre referida penalidade, devem incidir juros à taxa SELIC, desde o seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Pela íntima relação de causa e efeito entre a autuação do IRPJ a da CSLL e, ainda, por dependerem dos mesmos elementos de prova, todos os argumentos e conclusões expendidos em relação ao IRPJ são perfeitamente aplicáveis à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresenta recurso especial de divergência, discutindo: (i) a decadência do direito de lançar, tendo em vista que fatos ensejadores crédito tributário (aquisição ou incorporação da GOPIC) ocorreram a mais de 5 anos do lançamento; (ii) indevida desconsideração da compra da participação societária; (iii) improcedência da cobrança da multa isolada; e (iv) inaplicabilidade da SELIC sobre multa de ofício. O recurso da Contribuinte foi integralmente conhecido pelo despacho de admissibilidade. Cientificada do recurso do Contribuinte a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso e, se conhecido, seu não provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora ad hoc Conforme exposto no relatório supra, fui designada redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, utilizando relatório e voto apresentados pelo Relator, Conselheiro Gerson Macedo Guerra na sessão de julgamento. Nestes termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pelo Conselheiro Gerson Macedo Guerra: CONHECIMENTO Diante do questionamento quanto à admissibilidade parcial do recurso do Contribuinte pela Fazenda, importante o debate. Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.462 7 A Fazenda apenas questiona o conhecimento do recurso do Contribuinte quanto à matéria desconsideração da compra de participação societária. Tal matéria foi conhecida pelo despacho, apenas com base no paradigma 10809.529, não o sendo quanto ao outro paradigma apresentado. Em suas contrarrazões alega a Fazenda que o acórdão paradigma 10809.529 trata de contexto fático distinto do contexto analisado nos presentes autos. Na visão fazendária, no caso dos presentes autos, a questão debatida consiste em definir se a compra da empresa GOPIC representa uma aquisição de direito de exploração, por meio de um contrato de parceria firmado com a rede de lojas MAKRO ATACADISTA S/A pelo prazo de 20 anos, para efeito de amortização do ágio envolvido na aquisição. No caso do paradigma, os julgadores apreciam a legalidade da operação de incorporação, que, segundo a fiscalização, teria a natureza de mera compra de 100% dos ativos e passivos da empresa. A questão se centra na operação de incorporação, cuja legalidade é apreciada para o efeito de amortização do ágio, considerada a acusação fiscal de simulação na constituição das empresas envolvidas. Entendo que não tem razão a Fazenda. Analisando o relatório do acórdão paradigma é possível verificar a seguinte situação fática: A operação em questão é a incorporação da empresa Copacabana Records Ltda. (COPACABANA), pela Recorrente, após a aquisição de participação societária daquela, com ágio. Vejamos como se deu a série de atos societários realizados. Em 25/09/1997 foi constituída a sociedade Copacabana Records Ltda. (COPACABANA), através da integralização de R$ 10.000,00 pelos sócios, que são: Bernardo Pereira Tavares (BERNARDO), Ademilde Paula Barbosa Tavares (ADEMILDE) e Wagner Malta Tavares (WAGNER). (...). Em 07/11/1997 o sócio WAGNER se retirou da sociedade, cedendo suas cotas para o sócio BERNARDO (fls. 196/198). Na mesma ocasião a sócia ADEMILDE cedeu 500 cotas para o sócio BERNARDO, restando este com um total de 6.500 cotas e aquela com 3.500 cotas. Em 20/11/1997 os sócios aumentam o capital da sociedade para R$ 2.660.000,00 (dois milhões, seiscentos e sessenta mil reais), promovendo a subscrição de novas cotas, integralizadas por meio da conferência de bens de propriedade dos sócios (fls. 199/204). O aporte de capital representa R$ 2.650.00,00 (dois milhões, seiscentos e cinqüenta mil reais) e as cotas são subscritas e integralizadas na proporção das respectivas participações no capital. Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.463 8 Deste modo BERNARDO passa a deter 1.729.000 cotas e ADEMILDE 931.000 cotas. Os bens conferidos pelos sócios são os direitos mantidos sobre catálogos fonográficos e videofonográficos de que foram titulares as empresas Som Indústria e Comércio Ltda. e ABW Gravações Musicais Ltda. (fls. 202) e o valor dos mesmos é atestado por meio de l laudo de avaliação, anexo à alteração contratual promovida. Em 01/12/1997, por meio de nova alteração do contrato social, os sócios BERNARDO e ADEMILDE se retiram da sociedade (fls. 205/209), cedendo e transferindo a totalidade das cotas da COPACABANA para a Recorrente (2.659.998 cotas), e dois de seus sócios — Roberto Bar (01 cota) e Joao Carlos de Camargo Eboli (01 cota). Pelas cotas recebidas, na proporção que são recebidas, os novos sócios da COPACABANA se obrigaram a pagar a quantia de R$ 26.954.117,65 (vinte e seis milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil, cento e dezessete reais e sessenta e cinco centavos). Em 30/12/1997 é aprovada pelos sócios da COPACABANA sua incorporação pela Recorrente (sua sócia majoritária) — fls.254 266. Segundo o laudo de avaliação que deu suporte à incorporação (fls. 262/266), o valor de mercado da empresa era de R$ 2.660.000,00. O que se pode ver de tal relato é que foi constituída sociedade, cujo principal ativo integralizado foi o direito sobre catálogos fonográficos e vídeo fonográficos, ou seja, ativos intangíveis. Posteriormente, tal sociedade foi vendida, com ágio. Ato final, a sociedade foi incorporada pela adquirente, que passa a amortizar fiscalmente o ágio pago. Pois bem. Analisando tais fatos, assim concluiu a Turma de julgamento: (...) A fiscalização questiona, assim, a incorporação posteriormente realizada e o aproveitamento daquele ágio pago. Questiona a legalidade do ágio contabilizado porque entende que a Recorrente não deveria ter adquirido a participação e realizado a posterior incorporação, bem como que essa operação foi simulada, não ocorreu de fato. Teria ocorrido sim, uma aquisição "direta" dos ativos da COPACABANA, pois assim deveria ter procedido a Recorrente. O valor da aquisição é, por sua vez, incontroverso. (...) Todavia, fato é que, a operação de incorporação de sociedades, bem como a aquisição de participações societárias (inclusive antes da incorporação) é um meio extremamente usual de empresas adquirirem ativos. A naturalidade da operação se torna mais evidente se consideramos que os ativos em questão Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.464 9 são incorporados justamente para utilização na atividade operacional da incorporadora. Ora, é justamente este o caso da Recorrente. No caso em tela é evidente que a Recorrente tinha interesse na aquisição do ativo da COPACABANA, pois os direitos fonográficos e videográficos são itens essenciais à suas atividade. Portanto, perfeitamente natural que a Recorrente adquirisse a participação societária em questão. Plenamente aceitável, também, que posteriormente promovesse a incorporação. Não há norma legal que vede tais procedimentos que, ao contrário, são frequentemente e usualmente adotados pelas pessoas jurídicas. Quanto ao aproveitamento do ágio em casos similares a legislação do imposto de renda é clara em permitir tal procedimento, justamente porque tais operações são usualmente realizadas pelas empresas Não houve, portanto, nenhum procedimento anormal por parte da Recorrente. O Fisco não pode impedir que o contribuinte realize atos negociais, cujos propósitos relacionamse direitamente com suas operações, e que são habitualmente praticados por outras pessoas jurídicas somente porque tais atos geram algum tipo de vantagem fiscal. A fiscalização, neste caso, não pode entender ser simulada uma operação somente porque gerou direito de amortização para o contribuinte sobre ágio não contraditado, especialmente se não questiona a legalidade da operação de conferência de tais ativos à outrem (no caso à pessoa jurídica COPACABANA). Como se pode ver, entendeu a Turma que a constituição da sociedade, com capitalização do ativo que se pretendia transferir, a posterior venda da participação da sociedade e sua incorporação pela adquirente eram atos válidos para fins fiscais, devendo o ágio apurado em tal procedimento ter seus efeitos fiscais garantidos. Entendo que tal situação fática é semelhante o suficiente á situação contida nos presentes autos, onde a BRADESCARD adquiriu com ágio a GOPIC que possuía em seu ativo intangível os direitos de exploração exclusiva de produtos financeiros, com sua posterior incorporação e amortização fiscal do ágio. Nesse contexto, não vislumbro a distinção fática arguida pela Fazenda. Voto, pois, por conhecer o recurso do Contribuinte quanto à essa matéria. Em relação à matéria "improcedência da cobrança da multa isolada", adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecêla. Com relação às matérias decadência e juros sobre multa de ofício foram publicadas as súmulas CARF 108 e 116, segundo as quais: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. e Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.465 10 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. O RICARF, por sua vez, impede o conhecimento de recurso quando o paradigma contrarie súmula do CARF, no seguinte sentido: §12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e Nesse contexto, como no presente julgamento se faz análise de admissibilidade do Recurso Especial, não pode ser conhecido o recurso do Contribuinte quanto a essas matérias. Assim, conheço parcialmente do recurso do Contribuinte, para as matérias "indevida desconsideração da compra da participação societária" e "improcedência da cobrança da multa isolada". Tendo sido vencido em relação à admissibilidade da matéria "indevida desconsideração da compra da participação societária" (que não foi conhecida pela maioria do Colegiado, nos termos do voto vencedor), passo ao exame do mérito da matéria "improcedência da cobrança da multa isolada". MÉRITO CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA Caso vencido quanto ao tema anterior, em relação à essa matéria mantenho a decisão a quo pelos seus próprios fundamentos. Inicialmente, importante destacar que entendo não ser aplicável a súmula CARF 105, para períodos posteriores à alteração do artigo 44, da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07. Explico. A súmula CARF 105 dispõe que "a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Quando da prolação da referida súmula, o artigo 44, da Lei 9.430/96 previa a exigência de multa de ofício de 75% e multa de 150%, nas hipóteses de caracterização do evidente intuito de fraude. Tais multas eram aplicadas isoladamente nas hipóteses tratadas no §1º do artigo 44 em questão. Ou seja, tecnicamente, tratavase de hipóteses de aplicação das multas de Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.466 11 ofício, de forma isolada, já que, juridicamente, a função dos parágrafos é regular ou limitar a aplicação das regras trazidas no caput, incisos e alíneas das Leis. Vale a transcrição da referida norma vigente naquele momento: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Percebam, ainda, que o exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determinava que a multa fosse calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referiamse todas à falta de pagamento de tributo. Foi nesse contexto legal que foram proferidas as decisões que embasaram a súmula CARF 105, cujos principais fundamentos eram que a dupla penalização caracterizava bis in idem e a aplicação do princípio da consunção, onde a aplicação da multa sobre o tributo ou diferença absorvia a multa pela insuficiência ou ausência de antecipação mensal dos tributos. Pois bem. Com a MP 351/07, posteriromente convertida na Lei 1.488/07, o artigo 44 passa a regular a aplicação de duas multas distintas, quais sejam, de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo e de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.467 12 mensal, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Vale a transcrição da referida norma: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Percebam que com a nova norma nova multa foi criada no artigo 44, a multa isolada, calculada sobre o valor do pagamento mensal, ao percentual de 50%. A meu ver, a mens legis de tal alteração legislativa foi de fato a criação de nova multa, pela insuficiência ou ausência de recolhimentos mensais do IRPJ e da CSLL, ou seja, por conduta distinta daquela exigida para aplicação da multa de ofício de 75%. Vejo, assim, três grandes motivos que distanciam a multa isolada trazida pela MP 351/07 e Lei 11.488/07 daquela prevista anteriormente na mesma Lei 9.430/96. Primeiro, porque temos duas punições para duas condutas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Segundo, porque a tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre. Terceiro, porque considerando que a multa isolada é devida ainda que o Contribuinte apure prejuízo fiscal, ela é devida mesmo após encerrado o período de apuração. Nesse contexto, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, proferido no acórdão 1302001.080, que ouso transcrever: Das condutas infracionais diferentes Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.468 13 Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.469 14 Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.470 15 cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado anocalendário, decidir se obedece ou não o art. 2º e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.471 16 não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Sobre a aplicação do princípio da consunção, considerando que o julgador administrativo é impedido de afastar Lei por inconstitucionalidade e que a alteração legislativa trazida pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, em meu entendimento, trouxe nova penalidade, concluo que a aplicação do referido princípio somente poderia ser efetivada no caso pelo poder judiciário, que eventualmente, possa considerar ilegal e inconstitucional a nova multa trazida pela nova Lei. Assim, voto por negar provimento ao Recurso da Contribuinte em relação à matéria manutenção da multa para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso da Contribuinte, para as matérias "indevida desconsideração da compra da participação societária” e "improcedência da cobrança da multa isolada". No mérito, tendo em vista que a maioria do Colegiado conheceu apenas da divergência "improcedência da cobrança da multa isolada", voto no sentido de negar provimento ao recurso em relação à matéria. É o que se reproduz do voto do relator original. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto do I. relator, peço vênia para discordar em relação à admissibilidade da matéria "indevida desconsideração da compra da participação societária”. Isso porque não restou preenchido requisito específico no art. 67, anexo II do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. A princípio, cumpre esclarecer que toda a legislação mencionada no presente voto referese ao período anterior à publicação da Lei nº 12.973, de 2014, que alterou dispositivos da Lei nº 9.532, de 1997 e do Decretolei nº 1.598, de 1977. Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.472 17 Passo ao exame. Transcrevo relato dos fatos do voto do I. relator, claro e objetivo: A operação analisada no procedimento fiscal tem início em 04/2007, com a aquisição da empresa GOPIC por empresa do grupo MAKRO, celebração de convênio entre a GOPIC e a MAKRO prevendo exclusividade na exploração de serviços financeiros na base de clientes da MAKRO e transferência do controle da GOPIC para a controladora da MAKRO SHV (estrangeira). Em 12/2007, foi realizada a venda da participação da GOPIC pela SHV para a Contribuinte em questão (BRADESCARD), tendo como interveniente anuente a MAKRO (efls 767), bem como celebrado acordo de parceria entre a MAKRO e a BRADESCARD, tendo a GOPIC como interveniente anuente (efls 679). Conforme entendimento da fiscalização exposto sobre o tema no TVF, a essência econômica do ágio atribuído à rentabilidade futura da GOPIG era um intangível baseado na exploração de um fundo de comércio. Para a fiscalização o que motivou a BRADESCAR a comprar a GOPIC foi o direito de exploração, por 20 anos, do negócio de serviços financeiros no âmbito da rede de lojas MAKRO. Aduz a fiscalização que quando a SHV decidiu vender a GOPIC para o BRADESCARD, sem que nenhum ativo relevante estivesse registrado em sua contabilidade, era exatamente neste direito de exploração que a BRADESCARD tinha interesse, tanto que vinculou a sua compra à assinatura de uma parceria negocial que lhe garantisse esse direito e, caso a parceria fosse rescindida, a compra de quotas também o seria. À essas conclusões chegou a fiscalização através da interpretação de algumas cláusulas dos contratos. Além disso, avaliando a cláusula de pagamento do preço, concluiuse que a BRADESCARD acordou pagar à SHV R$ 50 milhões pelo direito de exploração exclusiva de serviços financeiros nas lojas MAKRO, acrescido de pagamentos extras de até R$ 200 milhoes atrelados a eventos futuros (prêmio adicional à vista atrelado à meta mínima de performance e parcela condicionada atrelada a metas de faturamento em compras com cartões no MAKRO) e, ainda, até R$ 40 milhões relativos ao aumento da rede de lojas. Alegouse que não basta a apresentação de laudo de rentabilidade futura no valor de R$ 213 milhões para amortização do ágio. Todos os contratos assinados deixam claro que a BRADESCARD estava efetivamente interessada em estabelecer parceria com o MAKRO para explorar a rede de lojas pelo prazo de 20 anos, pelo que desembolsou efetivamente Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.473 18 R$ 90 milhões, valor esse que poderia ser amortizado pelo prazo do contrato (20 anos). (Grifei) As situações fáticas tratadas entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado são dessemelhantes. No acórdão recorrido, discutese o fundamento econômico do ágio, que é precisamente o cerne da autuação fiscal. Entendeu o Contribuinte que o ágio decorrente da aquisição do ativo seria o previsto no art. 7º, inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, com fundamento econômico de previsão dos resultados nos exercícios futuros (art. 20, § 2º, "b" do Decretolei nº 1.598, de 1977). Por outro lado, a autoridade autuante procura demonstrar que o ágio do caso em tela teria como fundamento econômico o direito de exploração (art. 20, § 2º, "c" do Decretolei nº 1.598, de 1977, relativo a fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas), submetido a regras de amortização previstas nos arts. 324 a 327 do RIR/99. Tanto que a apuração do montante lançado de ofício consiste precisamente na diferença apurada pela autoridade fiscal, no qual se entendeu aplicável ao caso concreto o ágio amortizado nos termos do arts. 324 a 327 do RIR/99, e não a interpretação da Contribuinte de que enquadraria na hipótese do ágio amparado na expectativa de rentabilidade futura e amortizado nos termos do art. 7º, inciso III da Lei nº 9.532, de 1997. Transcrevo dispositivo relativo à Lei nº 9.532, de 1997, com remissão ao Decretolei nº 1.598, de 1977: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (Decretolei nº 1.598, de 1977): Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.474 19 Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.(Grifei) Observase que o ágio previsto no art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532, de 1997, pode ser amortizado, desde que atendidas condições específicas, dentre as quais, absorção de patrimônio por meio de cisão, incorporação ou fusão, relativa a participação societária, que deve ser investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido (por meio do Método de Equivalência Patrimonial, MEP), adquirida como sobrepreço, e com fundamento econômico com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, devendo ser amortizado à razão de um sessenta avos (sessenta meses, ou cinco anos). A decisão recorrida descreve com precisão a situação. Demonstra que o ágio do Contribuinte, apesar de ter sido contabilizado seguindo o previsto no Decretolei nº 1.598, de 1977, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, encontrase completamente dissociados dos fatos narrados pelos autos. Entendeu que restou demonstrado que, na realidade, foi celebrado um contrato de parceria, entre adquirente e alienante, para a aquisição de direito de exploração financeira de carteira de clientes, em um prazo de vinte anos. Assim, caberia aplicação das regras dos arts. 324 a 327 do RIR/99, no qual predica que a taxa de amortização deve ser fixada tendo em vista o número de anos de existência do direito 1. O negócio foi celebrado, prevendo o pagamento de uma parcela fixa (ordem de R$50 milhões) e outra variável (ordem de R$240 milhões). Observase claramente que a contabilização efetuada pela Contribuinte, de que o custo de aquisição (valor patrimonial de R$1 milhão mais o ágio de R$ 213 milhões) encontrase dissociada da realidade. Vale dizer que a cada ano, a Contribuinte realizou testes de impairment, vez que não havia indícios de que a substância do ativo adquirido poderia não corresponder ao valor econômico da transação. Posteriormente à aquisição, o alienante teve que retornar parte 1 Vide RIR/99: Taxa Anual de Amortização Art. 327. A taxa anual de amortização será fixada tendo em vista: I o número de anos restantes de existência do direito (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 1º); II o número de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos os benefícios decorrentes das despesas registradas no ativo diferido. Parágrafo único. O prazo de amortização dos valores de que tratam as alíneas "a" a "e" do inciso II do art. 325 não poderá ser inferior a cinco anos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º). Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.475 20 do valor acertado para a Contribuinte, tendo em vista que não foram atingidas metas estabelecidas no acordo entre as partes. Assim, tratarseia de ativo intangível, submetido a reavaliações sucessivas para adequar o valor econômico no decorrer do tempo, sendo o prazo de parceria previsto para vinte anos. Ou seja, não se trataria de uma participação societária avaliada pelo valor do patrimônio líquido (MEP), adquirida como sobrepreço, e com fundamento econômico com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, e com amortização no prazo de cinco anos (sessenta meses). Portanto, em consonância com a autuação fiscal, entendeu a decisão recorrida que o ativo negociado, relativo a direito de exploração, submetido a testes de impairment, não se encontrava sujeito à amortização prevista pelo art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532, de 1997. Em relação à decisão paradigma, o caso tratado é completamente distinto. Contesta operação societária de aquisição de investimento, no qual há acusação de simulação, em razão de utilização de "empresa veículo", com capital social ínfimo, para onde foi transferido o ativo a ser adquirido. A "empresa veículo" é alienada. Na sequência, o adquirente incorpora a "empresa veículo", que controlava o investimento objeto de aquisição. Diante dos fatos, entendeu a autoridade fiscal que teria ocorrido simulação, para se buscar o enquadramento na hipótese de incidência prevista no art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532, de 1997. Em nenhum momento se contesta o fundamento econômico do ágio. Transcrevo excerto do paradigma: Vale ressaltar que em momento algum a fiscalização questionou a constituição da Copacabana Records Ltda., seu propósito, ou o aumento de seu capital social, realizado por meio de conferência de bens dos sócios. Não há, portanto, qualquer alegação em relação a suposto vício de vontade dos sócios originais da empresa, no momento da constituição da pessoa jurídica, ou no momento da conferência de bens para aumento de capital. Logo, não cabe a este Conselho se manifestar a respeito do lançamento sob este prisma, pois não foi aventado pela fiscalização e, evidentemente, não serviu de base para a autuação ora discutida. Pelo contrário, a fiscalização questiona, apenas, a legalidade na constituição da Recorrente (pois alega que a mesma não é uma sociedade de fato, já que duas pessoas físicas têm participação irrisória em seu capital social), e na constituição da participação societária da COPACABANA após a aquisição das cotas pela Recorrente e por seus dois sócios, pessoas físicas (ambos diretores da Recorrente). (...) Afirma a fiscalização, que a razão da autuação promovida foi a ocorrência de suposta simulação, na constituição da Recorrente (pois possui dois sócios que são pessoas fisicas, com participação reduzida, somente para que a sociedade exista, já que necessário mais de um sócio para sua constituição e manutenção) e suposta simulação, também, no momento da Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 16327.720701/201349 Acórdão n.º 9101003.836 CSRFT1 Fl. 2.476 21 incorporação da COPACABANA pela Recorrente — operação esta que, segundo a fiscalização não teria ocorrido propriamente, já que havia identidade de sócios tanto na incorporadora (Recorrente) como na incorporada (COPACABANA). Tais sócios são justamente as duas pessoas fisicas. Ou seja, de todo o exposto na ação fiscal, fica claro que o Fisco questiona tão somente o fato de que a aquisição da participação societária da COPACABANA pela Recorrente (e seus sócios), bem como a posterior incorporação da COPACABANA pela Recorrente foram atos viciados, pois simularam operação que não ocorrera de fato, ou não deveria ocorrer. A fiscalização questiona, assim, a incorporação posteriormente realizada e o aproveitamento daquele ágio pago. Questiona a legalidade do ágio contabilizado porque entende que a Recorrente não deveria ter adquirido a participação e realizado a posterior incorporação, bem como que essa operação foi simulada, não ocorreu de fato. Teria ocorrido sim, uma aquisição "direta" dos ativos da COPACABANA, pois assim deveria ter procedido a Recorrente. O valor da aquisição é, por sua vez, incontroverso. (Grifei) Resta evidente a falta de similitude fática entre os presentes autos e o caso paradigma. Por consequência, tornase impossível aplicar a interpretação da legislação tributária adotada pela decisão paradigma para reformar a decisão recorrida dos presentes autos. Não há que se falar em decisão divergente, vez que amparada em premissas fáticas diversas. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial do Contribuinte em relação à matéria "amortização do ágio". (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2476DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910571/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.969
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 10 57 1/ 20 12 -6 3 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.910571/201263 Resolução nº 3302000.969 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901839/2013-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO, EM OUTROS PROCESSOS, DA QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS TIDAS COMO FALTANTES. RECONHECIMENTO DA PARCELA EM LITÍGIO.
Uma vez confirmada, em processos anteriores (nºs 10680.935081/2009-59 e 10680.935084/2009-92), a quitação das estimativas tidas inicialmente como faltantes (estimativas que justificaram a redução do saldo negativo apurado pela contribuinte), não havia outra coisa a fazer nos presentes autos, senão integrar ao saldo negativo já reconhecido a diferença que havia ficado em litígio, justamente a parte que correspondia a essas estimativas. Não há que se falar em supressão de instância nem para a matéria tratada nos processos precedentes, e nem para a matéria tratada no presente processo. A matéria tratada nos processos precedentes (compensação das estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2007) foi decidida justamente pela Delegacia de origem, que é o órgão originalmente competente para decidir sobre compensação. E quanto ao saldo negativo de IRPJ em 2007 (matéria objeto do presente processo), o que sempre esteve em questão, desde o início do processo, foi o próprio mérito do direito creditório, especificamente, a sua quantificação. Se no decorrer do processo, resta comprovado o pagamento, a quitação da parte controversa, não cabe à instância recursal devolver o processo para que a unidade de origem reconheça o direito que antes indeferiu por entender que não havia tal comprovação. Nesse caso, a instância recursal simplesmente reconhece a parcela do crédito que estava em questão e que, ao final, restou comprovada.
Numero da decisão: 9101-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO, EM OUTROS PROCESSOS, DA QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS TIDAS COMO FALTANTES. RECONHECIMENTO DA PARCELA EM LITÍGIO. Uma vez confirmada, em processos anteriores (nºs 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992), a quitação das estimativas tidas inicialmente como faltantes (estimativas que justificaram a redução do saldo negativo apurado pela contribuinte), não havia outra coisa a fazer nos presentes autos, senão integrar ao saldo negativo já reconhecido a diferença que havia ficado em litígio, justamente a parte que correspondia a essas estimativas. Não há que se falar em supressão de instância nem para a matéria tratada nos processos precedentes, e nem para a matéria tratada no presente processo. A matéria tratada nos processos precedentes (compensação das estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2007) foi decidida justamente pela Delegacia de origem, que é o órgão originalmente competente para decidir sobre compensação. E quanto ao saldo negativo de IRPJ em 2007 (matéria objeto do presente processo), o que sempre esteve em questão, desde o início do processo, foi o próprio mérito do direito creditório, especificamente, a sua quantificação. Se no decorrer do processo, resta comprovado o pagamento, a quitação da parte controversa, não cabe à instância recursal devolver o processo para que a unidade de origem reconheça o direito que antes indeferiu por entender que não havia tal comprovação. Nesse caso, a instância recursal simplesmente reconhece a parcela do crédito que estava em questão e que, ao final, restou comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 39 /2 01 3- 31 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao posicionamento da Turma Ordinária de ter decidido diretamente o feito, sem devolver os autos à instância anterior (o que, segundo a recorrente, resultou em supressão de instância). A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1402002.851, de 26/01/2016, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer o direito ao crédito remanescente do saldo negativo do IRPJ no ano calendário de 2007 no valor original de R$ 1.117.509,42, e homologar as compensações ainda remanescentes, até esse limite. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Constatada a liquidez e certeza do crédito impende procederse a homologação do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito remanescente do saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2007 no valor original de R$ 1.117.509,42; homologandose as compensações ainda remanescentes até esse limite. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outro processo, relativamente à matéria acima mencionada, no que diz respeito ao encaminhamento processual. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. o v. acórdão ora recorrido, após afastar o entendimento de que estimativa não pode ser objeto de restituição ou compensação, reconheceu o direito creditório alegado, nos seguintes termos: Nos termos do relatório acima, a questão em debate cingese ao montante de R$ 1.117.509,42 (valor histórico) relativo a crédito de saldo negativo que Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 5 4 teria origem em pagamento de estimativas compensadas, parcela essa que está sendo analisada nos autos dos Processos Administrativos ns. 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558). Temse, no entanto, que embora pendente discussão citada não há óbice para análise do direito de crédito pleiteado. Do detido exame dos autos constatase que presente direito creditório do contribuinte. Em face do exposto, voto por reconhecer o direito ao crédito remanescente do saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2007 no valor original de R$ 1.117.509,42; homologandose as compensações ainda remanescentes até esse limite. diversamente, a Colenda 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu acórdão, sob o entendimento de que, ultrapassada a questão acerca da possibilidade de compensação de estimativa, devese determinar a remessa dos autos para a DRF a fim de se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos apresentados pela contribuinte. Eis a ementa do julgado em sua integralidade: Acórdão nº 1802002.213 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2007 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. para uma melhor caracterização da divergência entre os julgados, segue trecho do voto condutor do referido paradigma: Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem para análise do PER/DCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 6 5 desse modo, enquanto a decisão recorrida entendeu por afastar a irregularidade apontada e adentrar no mérito do pedido (análise do direito creditório), o acórdão paradigma determinou o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito, a fim de não haver supressão de instância; uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no acórdão paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO. como antes relatado, a decisão recorrida entendeu pela possibilidade de compensação de estimativa, passando a analisar o valor do crédito indicado na DCOMP; ocorre que, conforme se depreende do paradigma acima mencionado, ao afastar a irregularidade, os autos devem ser encaminhados à instância de origem para que seja analisado o mérito, sob pena de supressão de instância que, por seu turno, importa em inegável prejuízo ao direito a ampla defesa e ao contraditório da União (Fazenda Nacional); nesse ponto, é oportuno observar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já tem se pronunciado inúmeras vezes no sentido de que, acatada a possibilidade de compensação de estimativas, devese devolver os autos à DRF para que haja a apreciação da liquidez e certeza do crédito indicado no pedido de compensação. Confirase: [...]; com efeito, a apreciação do mérito pelo voto condutor do acórdão, resulta em contrariedade ao princípio do efeito devolutivo, visto que a matéria não foi objeto de apreciação pela DRF e DRJ e, logicamente, também não poderia ser apreciada pelo juízo ad quem, sob pena deste incorrer em supressão de instância; enfim, é imprescindível o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito, assim como a sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada, não havendo qualquer razão para se dar tratamento diferenciado ao processo ora sob análise; DO PEDIDO. ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à origem para analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito apontado pelo contribuinte. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 14/05/2018, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: II Análise da admissibilidade do Recurso Especial A Recorrente alega que a apreciação do mérito pelo voto condutor do acórdão recorrido, resulta em contrariedade ao princípio do efeito devolutivo, visto que a matéria não foi objeto de apreciação pela DRF e DRJ e, Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 7 6 logicamente, também não poderia ser apreciada pelo juízo ad quem, sob pena deste incorrer em supressão de instância. Ela entende que o acórdão recorrido diverge do Acórdão n° 1802002.213. [...] O cotejo dos trechos colacionados pela Recorrente permite constatar que foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Enquanto na decisão recorrida reconheceuse, pelo exame dos autos, o direito ao crédito remanescente do saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2007; homologandose as compensações ainda remanescentes até esse limite. De outro modo, no paradigma entendeuse que, afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado, pela DRF de origem, o pedido de restituição/ compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em 27/06/2018, a contribuinte foi cientificada do seguimento do recurso especial da PGFN, e em 12/07/2018, ela apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: RESUMO DE FATOS. cuidase de Contrarrazões a Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o qual busca infirmar o acórdão nº 1402002.851, proferido em seara de Recurso Voluntário, pela 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, da Primeira Seção do CARF, que julgou totalmente procedente o Recurso Voluntário anteriormente interposto pela ora Recorrida; conforme se extrai dos presentes autos, o litígio instaurado diz respeito à parte não homologada da compensação consubstanciada no PER/DCOMP 35496.94422. 040711.1.3.025760, no importe de R$ 1.117.509,42, conforme tabela abaixo: [...]; no acórdão guerreado consignouse o integral reconhecimento do direito da contribuinte perante a RFB, eis que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 – exercício de 2008, em relação à parcela de compensação glosada pela RFB, no valor de R$ 1.117.509,42 (valor histórico), foi reconhecida como passível de compensação com créditos formados a partir de pagamentos a maior de estimativas mensais pela sistemática de lucro real anual, sendo que a aferição da existência de tais créditos se deu quando da análise dos autos dos Processos Administrativos nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530. 190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3. 043558), pelo órgão técnico da RFB (SEORT – EQREST – DRJ/BHE), conforme tabela abaixo: [...]; desta forma, verseá que a recorrida, além de estar albergada pela legislação de regência quanto às pretensões consignadas nos presentes autos, também está materialmente albergada pelas análises contábeis exaradas pelo órgão técnico da RFB/BHE, ressaltandose que se trata de informações à disposição da Receita Federal do Brasil eis que, como dito, produzidas através de análises e laudo exarados por seu órgão técnico, a saber, SEORT – EQREST – RFB/BHE, tornando imperativa a improcedência do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, e manutenção do acórdão guerreado, o qual foi totalmente favorável à empresa contribuinte; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 8 7 DO DIREITO. RAZÕES PARA NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. a Fazenda Nacional apresenta como argumento para reforma do acórdão recorrido a suposta ausência de comprovação de direito material em favor da ora recorrida, padecendo assim de falta de certeza e liquidez dos créditos tributários, para fins de operacionalização da compensação propugnada nos presentes autos; interpõe o recurso especial apresentando dissídio jurisprudencial onde, no acórdão paradigma, determinouse a remessa dos autos à instância de origem, para fins de aferição da certeza e liquidez dos créditos tributários ali controvertidos, enquanto que, no acórdão recorrido, não haveria sido aferida essa certeza e liquidez dos créditos controvertidos nos presentes autos, suficiente para impedir a homologação da compensação propugnada através da PER/DCOMP nº 35496.94422.040711.1.3.025760, que envolve o valor histórico de R$ 1.117.509,42; ora Ilustres Conselheiros, inicialmente apontase clara falha técnica no recurso fazendário, eis que o cotejo analítico consignado no Recurso Especial da Fazenda apresentase defeituoso; inicialmente, ultrapassada a questão atinente à tempestividade, notase que o Recurso Especial manejado, com veiculação de dissídio jurisprudencial, deve informar explicitamente qual a legislação infringida, e a interpretação da norma conflitante entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. Isso não foi feito no recurso especial da Fazenda Nacional; notese que o Recurso Especial, ora guerreado, aponta apenas para soluções diferentes entre os acórdãos cotejados, mas sem qualquer explicitação analítica do dispositivo normativo vulnerado, razão que leva ao seu não conhecimento; com efeito, a via angusta do Recurso Especial não se resume a esse universo de simplicidade, para fins de admissibilidade. Constatase que a PGFN, apontou apenas genericamente as soluções diversas entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, sem o necessário cotejo analítico, onde estivesse tecnicamente demonstrada a forma como se deu a afronta à legislação supostamente hostilizada, bem como a semelhança fática entre os casos confrontados para fins de comprovação do dissídio; no mais, o apelo especial ora guerreado não demonstra a semelhança fática entre os acórdãos supostamente conflitantes, para que se possa têlo como legítimo às pretensões de demonstração do dissídio jurisprudencial, com o necessário cotejo analítico. Esta, mais uma razão para que a insurgência especial da Fazenda Nacional não seja conhecida; por fim, se a Fazenda Nacional, ao sucumbir no acórdão proferido em seara de recurso Voluntário, entendeu que o decisum não explicitou argumentação acerca da comprovação do direito material propugnado pela empresa contribuinte, deveria ter apontado, oportunamente, esta omissão, através de embargos de declaração, de forma a permitir que a instância a quo se manifestasse acerca deste ponto omitido; Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 9 8 portanto, se naquela oportunidade processual a Fazenda Nacional quedouse silente, há que se considerar operada a preclusão, o que impede a possibilidade de ressuscitar a discussão acerca da suposta ausência de comprovação material do direito suplicado pela recorrida, o qual foi integralmente acolhido por este R. CARF, nos termos do acórdão guerreado; ademais, no caso vertente o enredo do Recurso Especial da Fazenda Nacional é estarrecedor, pois coloca em dúvida direito material da recorrida, por desconhecer laudo contábil exarado por seus próprios órgãos, atinente à específica questão controvertida no apelo raro fazendário; a PGFN aponta que não há provas acerca da liquidez e exigibilidade dos créditos tributários objeto de controvérsia nestes autos; contudo, seu próprio órgão administrativo (SEORT – EQREST – DRF/BHE) aferiu existência de tais créditos quando, após determinação de que os presentes autos fossem baixados em diligência à instância de origem, na sessão de julgamento do dia 27/08/2014, recebeu a informação de que os processos administrativos conexos (nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/ 200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558)) estavam baixados, sendo que a ora recorrida foi devidamente intimada da solução e integral homologação das compensações perpetradas por meio das referidas PER/DCOMPS, tendo em conta a formação de saldo creditório perante a RFB oriundo de recolhimentos a maior de estimativas mensais de IRPJ e CSLL; ora, se a própria Fazenda Nacional desconhece dados que seus próprios órgãos técnicos produziram, ressaltandose que a Recorrida restou devidamente intimada das homologações das compensações envolvidas naqueles processos administrativos, não se há de se conceber e aceitar que esteja questionando a materialidade dos direitos da ora recorrida à compensação do saldo negativo de IRPJ de 2007, conforme propugnado nos presentes autos; isso significaria dar respaldo para a torpeza da Fazenda Nacional, que revela descontrole e desconhecimento em relação às questões jurídicas envolvidas nos litígios com seus contribuintes, para não dizer que estaria havendo até mesmo má fé por parte do ente fazendário; portanto, no caso dos autos, tendo em vista a comprovação de existência e suficiência dos créditos tributários nos processos conexos ao presente, impõese o não conhecimento do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, nos exatos termos do art. 67, § 3º, do RICARF, por contrariar entendimento consolidado em súmula e também pelo pleno deste R. CARF, assim como entendimento pacífico dos tribunais pátrios; há que se atentar, ainda, para o fato de que, como sustentado pela Fazenda Nacional, o acórdão guerreado não enfrentou especificamente o tema objeto do recurso especial, padecendo o recurso da Fazenda Nacional do necessário prequestionamento, razão pela qual não reúne condições para vencer a admissibilidade por este R. Conselho Superior de Recursos Fiscais; DAS RAZÕES PARA DESPROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA PGFN. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 10 9 a Fazenda Nacional alega, em seu Recurso Especial, que não há nos autos comprovação acerca do direito creditório da recorrida para fins de homologação da compensação pretendida; sustenta ainda que, uma vez aferido o direito substantivo da contribuinte, devem os autos voltar à DRF para que o órgão técnico se pronuncie acerca da liquidez e certeza dos créditos apresentados pela contribuinte; ora, Ilustres Senhores Conselheiros, isto é exatamente o que ocorreu nos presentes autos; conforme se pode constatar nesses autos, o Recurso Voluntário manejado pela contribuinte entrou em pauta de julgamento em 27/08/2014. Nos termos do acórdão nº 1101000.133, exarado à época pela 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, Relator o Ilustre Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, houve parcial provimento do recurso Voluntário interposto, determinandose a aplicação do direito material em favor da ora recorrida e, em sequência, o retorno dos autos à DRF/BHE para que a instância de origem se manifestasse acerca da liquidez e exigibilidade dos créditos pretendidos; às fls. 271, constatase que em 25/11/2014 se deu o encaminhamento dos presentes autos à instância de origem (DRF/BHE), para fins de apuração da existência e suficiência dos créditos pretendidos; por sua vez, às fls. 272, constatase que em 27/11/2014 a Servidora Camila Ferreira Costa Navarro, do JURCONTSEORTDRFBHEMG, emitiu despacho de encaminhamento dos autos, para que retornasse ao CARF, com a informação de que os Processos Administrativos nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1. 7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558), vinculados aos presentes autos, já se encontravam arquivados; ressaltese que nos dois processos administrativos acima mencionados houve integral homologação dos pedidos de compensação neles propugnados (créditos oriundos de estimativas mensais pagas a maior pela ora recorrida), aferindose, portanto, a existência e suficiência de valores para fins de confirmação da liquidez e exigibilidade, nos exatos termos da súmula 84 deste r. CARF; aferida a existência do direito material, respaldada pela solução emprestada aos processos conexos, os presentes autos voltaram ao CARF, para prolação de novo acórdão, diante das novas circunstâncias de fato, a saber, confirmação dos créditos pela DRF/BHE – através de seu Departamento de Serviço de Orientação e Análise Tributária, nos dois processos vinculados aos presentes autos, nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530. 190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3. 043558); nos aludidos processos reconheceuse a existência dos saldos creditórios decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais pelo lucro real anual, eis que o laudo exarado pelo SEORT (DRF/BHE) confirmou a procedibilidade das compensações propugnadas naqueles autos, homologandoos integralmente; ora, se a condição para implemento do direito perseguido pela recorrida nos presentes autos era a aferição dos saldos/créditos formados a partir de pagamentos a maior das Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 11 10 estimativas mensais nos processos conexos, nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818. 22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3. 043558), então, não se há de falar em ausência de comprovação do direito material da empresa contribuinte, eis que este r. CARF foi devidamente notificado acerca do arquivamento dos aludidos processos, após aferição dos pagamentos a maior para fins de formação dos créditos tributários passíveis de aproveitamento; confirase o teor da notificação exarada pela RFB/BHE, ipsis litteris: [...]; a imagem acima colacionada confirma a manifestação do departamento técnico da DRF/BHE, quando da análise dos documentos, balanços e operações perpetradas pela ora Recorrida, confirmando as compensações por existência e suficiência dos créditos formados naqueles autos (nº 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992); neste contexto e, apenas para afastar quaisquer dúvidas, segue em anexo a íntegra da comunicação exarada pelo órgão técnico da DRF/BHE, onde externou a existência e suficiência dos créditos tributários passíveis de compensação, em diversos processos administrativos idênticos, dentre os quais os processos acima mencionados, com aplicação irrestrita da súmula 84 deste r. CARF, consolidando a liquidez e exigibilidade dos indigitados créditos, para fins de encontro de contas com o saldo negativo de IRPJ informado nos presentes autos; de toda forma, caso este Douto Conselho Superior de Recursos Fiscais tenha dúvidas acerca da procedibilidade dos argumentos ora expendidos, propugnase sejam os presentes autos submetidos a novo sobrestamento, para que o órgão técnico da DRJ/BHE possa se pronunciar acerca da veracidade das informações aqui disponibilizadas; notese que este CSRF vem, de forma louvável, adotando este procedimento, para efetivar os direitos subjetivos dos contribuintes, a exemplo do que se consubstanciou quando, no julgamento do Processo Administrativo nº 10680.916246/200993, acórdão nº 9101002.486, da 1ª Turma, onde, na parte dispositiva do acórdão consignouse o seguinte, in verbis: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela Conselheira Lívia de Carli Germano. cumpre ressaltar que o excerto acima colacionado foi extraído de acórdão proferido em caso idêntico ao presente, com as mesmas partes em litígio administrativo e também a mesma matéria sob julgamento; tal jurisprudência, oportunamente colacionada, conduz à conclusão de que a aplicação da legislação de regência invocada pela contribuinte é inafastável, conforme disposição do art. 165, inciso I, do CTN, c/c art. 2º e 74 da Lei 9.430/962 (com a redação dada pela Lei nº. 10.637/2002); todavia, em caso de dúvidas acerca da existência e suficiência de créditos tributários formados perante a RFB, para fins de aferição da liquidez e exigibilidade, há de se concretizar a primazia da verdade material, elevandose esta máxima a um patamar Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 12 11 diferenciado, de forma a evitar uma oneração tributária ilegal ao contribuinte e, ao mesmo tempo, evitar a locupletação da UNIÃO; PEDIDO. por todo o exposto, uma vez demonstrado e aferido o direito da Recorrida, tanto nos processos conexos quanto nos presentes autos, a Recorrida requer: I – não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, por falta de pressupostos de admissibilidade, nos termos alhures deduzidos, tendo em vista a ausência de cotejo analítico hábil a demonstrar a interpretação divergente emprestada por Turmas Julgadoras deste R. CARF, em relação às normas apontadas como infringidas e, também, por ausência de demonstração de semelhança fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma; II – Ainda, não seja conhecido o Recurso Especial fazendário eis que manejado por suposta ausência de prova do direito material alegado pela contribuinte, ora recorrida, sendo que os próprios órgãos da RFB já produziram as informações necessárias ao deslinde da controvérsia posta nos presentes autos, inclusive comunicando sobre o arquivamento dos processos administrativos conexos aos presentes, conforme comunicação consignada às fls. 271 e 272 dos autos, confirmando o arquivamento dos processos nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/ 200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558); III – Caso superados os pedidos acima, o que se admite por eventualidade, seja o recurso fazendário integralmente desprovido, tendo em vista as contundentes razões vertidas nas presentes contrarrazões, com o claro reconhecimento dos créditos formados nos autos dos processos administrativos conexos aos presentes autos (nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558)); IV Por fim, se conhecido e regularmente processado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, requer a Recorrida sejam os presentes autos novamente sobrestados, instandose a DRF/BHE a se manifestar novamente através de seu órgão técnico, para fins de subsidiar com as informações necessárias este r. CSRF, no que tange à aferição da existência e suficiência dos créditos tributários formados por pagamentos a maior das estimativas mensais nos processos nºs 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558), operandose as compensações neles perquiridas, de forma a possibilitar o aproveitamento destes créditos com o reconhecimento dos direitos da Recorrida nos presentes autos, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto declarações de compensação (PER/DCOMP) em que a contribuinte utilizou direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007. A DIPJ apresentava um saldo negativo de IRPJ de R$ 43.767.560,72 para o referido período, e a Delegacia de origem não reconheceu totalmente esse valor. Houve reconhecimento de um saldo negativo no valor de R$ 42.650.051,30. A parte não reconhecida do direito creditório, no valor de R$ 1.117.509,42, correspondia às estimativas de fevereiro e março de 2007, cuja extinção tinha se dado também por meio de compensação (PER/DCOMP nºs 36818.22530.190907.1.7.040089 e 14752.25141. 250907.1.3.043558, objeto dos processos 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992). Havia uma questão preliminar nesses PER/DCOMP anteriores, que dizia respeito à possibilidade de tomarse um pagamento indevido ou a maior da própria estimativa mensal como indébito passível de compensação. No caso, a contribuinte estava se utilizando de um pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2005 para quitar as referidas estimativas de IRPJ (e também de CSLL) dos meses de fevereiro e março de 2007. O entendimento inicial era de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa não podia ser diretamente compensado, porque tinha que estar necessariamente vinculado à apuração de ajuste anual (art. 10 da IN SRF nº 600/2005). Em razão disso, não houve reconhecimento da quitação das estimativas mensais de fevereiro e março de 2007 (processos anteriores), o que ensejou, por consequência, o não reconhecimento da totalidade do saldo negativo de IRPJ em 2007 (matéria objeto do presente processo). A ligação do presente processo com os anteriores está bastante clara. O valor do saldo negativo de IRPJ em 2007 estava vinculado ao que se decidisse sobre as estimativas de fevereiro e março de 2007. Os recursos voluntários apresentados nos processos anteriores foram apreciados num momento em que já existia a Súmula CARF nº 84, segundo a qual o pagamento indevido ou a maior de estimativa é sim passível de restituição ou compensação. Assim, foi afastado o óbice inicialmente apresentado pela Delegacia de origem (impossibilidade de compensar indébito de estimativa), e os processos anteriores foram a ela remetidos para análise do mérito das compensações que visavam a quitação das estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2007. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 14 13 Entretanto, quando o recurso voluntário do presente processo foi apreciado, a decisão da Turma Ordinária (acórdão ora recorrido) foi no sentido de que não havia impedimento para análise e reconhecimento do direito creditório, mesmo estando pendentes de decisão os processos anteriores: Nos termos do relatório acima, a questão em debate cingese ao montante de R$ 1.117.509,42 (valor histórico) relativo a crédito de saldo negativo que teria origem em pagamento de estimativas compensadas, parcela essa que está sendo analisada nos autos dos Processos Administrativos ns. 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558). Temse, no entanto, que embora pendente discussão citada não há óbice para análise do direito de crédito pleiteado. Do detido exame dos autos constatase que presente direito creditório do contribuinte. Em face do exposto, voto por reconhecer o direito ao crédito remanescente do saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2007 no valor original de R$ 1.117.509,42; homologandose as compensações ainda remanescentes até esse limite. Nesta fase de recurso especial, a PGFN suscita divergência jurisprudencial, defendendo a ideia de que o presente processo deveria ter sido devolvido à Delegacia de origem, conforme ocorreu com o paradigma apresentado Acórdão nº 1802002.213 (e também com os próprios processos anteriores, onde se discutia a quitação das estimativas de fevereiro e março de 2007). Os processos são muito semelhantes. Todos eles trazem a mesma questão em sua origem, ou seja, a possibilidade ou não de compensação de indébito de estimativa. No caso do paradigma (e também dos processos onde se discutia a questão da qual o presente processo é dependente quitação das estimativas de fevereiro e março de 2007), o entendimento foi de que, uma vez afastado o óbice inicial levantado pela Delegacia de origem (admitindose, em tese, a possibilidade de compensação de indébito de estimativa), os processos deveriam ser remetidos à Delegacia de origem, para exame do mérito da compensação. Por outro lado, o acórdão recorrido, registrando estar diante de uma situação semelhante à acima apontada, entendeu que poderia adentrar diretamente na análise de mérito do direito creditório e da compensação. O cotejo analítico, a meu ver, foi suficientemente efetuado pelo que consta às efls. 306 e 307, onde se transcreveu as ementas, trechos dos acórdãos e se fez considerações próprias sobre o tema. Quanto a indicação da legislação interpretada, esse colegiado tem interpretado essa exigência de forma moderada, ainda mais quando se trata de normas gerais, que podem ser perfeitamente compreendidas das situações postas. E, relativamente ao prequestionamento, ao se tratar de supressão de instância, não é necessário sequer se escrever sobre o instituto, a própria prática processual evidenciado a sua ocorrência a torna evidente; processualmente, os atos dizem mais que as palavras. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 15 14 Observando esse contexto, entendo que realmente restou caracterizada a divergência jurisprudencial e que o recurso deve ser conhecido, conforme concluiu o despacho monocrático de exame de admissibilidade. Assim, rejeito as preliminares de não conhecimento do recurso, que foram suscitadas pela contribuinte em sede de contrarrazões. Contudo, embora o recurso deva ser conhecido, ele não merece provimento. Importante registrar que o voto que orientou o acórdão recorrido foi muito sintético, e não apresentou com clareza a situação que estava sendo realmente examinada. Compulsando os autos, constato que antes de ter sido proferido o acórdão recorrido, foi exarada a Resolução nº 1101000.133, de 27/08/2014, onde se determinou "... (ii) a remessa dos autos deste processo à DRF de origem e (iii) a devolução do presente processo administrativo a este Conselho apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992". Como já mencionado, no julgamento dos respectivos recursos voluntários, os processos administrativos nºs 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992 foram devolvidos à Delegacia de origem para o exame do mérito da compensação, após ter sido afastado o óbice levantado inicialmente por aquela unidade. Ocorre que em 27/11/2014, a Delegacia de origem devolveu o presente processo ao CARF "informando que já foi encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992 e que tais processos encontramse arquivados". O significado dessa informação é que foram homologadas as compensações objeto dos referidos processos. É por essa razão que eles foram arquivados. As estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2007, portanto, foram mesmo quitadas mediante compensação (compensações homologadas, com processos arquivados). Nestes termos, não havia outra coisa a fazer nos presentes autos, senão integrar ao saldo negativo já reconhecido a diferença que havia ficado em litígio, justamente a parte que correspondia a essas estimativas, consideradas inicialmente como não quitadas, e que eram objeto dos referidos processos precedentes. Foi apenas isso o que decidiu o acórdão recorrido. Na verdade, o acórdão recorrido não adentrou diretamente no exame de mérito do direito creditório e da compensação, tomando o lugar da Delegacia de origem, como deu a entender o sintético texto do voto que orientou tal decisão. O que o acórdão recorrido fez foi simplesmente fazer repercutir neste processo (dependente) a decisão que a Delegacia de origem já tinha tomado nos processos principais. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10680.901839/201331 Acórdão n.º 9101003.991 CSRFT1 Fl. 16 15 Não caberia examinar novamente no presente processo as compensações que foram homologadas nos processos precedentes, e nem cabe falar aqui em supressão de instância. Não há que se falar em supressão de instância nem para a matéria tratada nos processos precedentes, e nem para a matéria tratada no presente processo. A matéria tratada nos processos precedentes (compensação das estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2007) foi decidida justamente pela Delegacia de origem, que é o órgão originalmente competente para decidir sobre compensação. E quanto ao saldo negativo de IRPJ em 2007 (matéria objeto do presente processo), o que sempre esteve em questão, desde o início do processo, foi o próprio mérito do direito creditório, especificamente, a sua quantificação. A controvérsia sobre essa quantificação (abrangendo uma parte do direito creditório) dizia respeito única e exclusivamente à comprovação da quitação das estimativas de fevereiro e março de 2007. Se no decorrer do processo, resta comprovado o pagamento, a quitação dessa parte controversa, não cabe à instância recursal devolver o processo para que a unidade de origem reconheça o direito que antes indeferiu por entender que não havia tal comprovação. Nesse caso, a instância recursal simplesmente reconhece a parcela do crédito que estava em questão e que, ao final, restou comprovada. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Em síntese, voto por CONHECER do recurso e NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 424DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.902874/2013-44
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS.
Re-análise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito.
Numero da decisão: 1003-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário e, no mérito, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS. Reanálise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário e, no mérito, em negar provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 28 74 /2 01 3- 44 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10640.902874/201344 Acórdão n.º 1003000.436 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0267.880, de 12 de abril de 2016, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Foi emitido, em 02/08/2013, despacho decisório nº de rastreamento 057805456, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Fundamentou destacando que pelas características do DARF discriminado na PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade defendendo que ingressou com a declaração de compensação em razão de crédito relativo a pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ do período de apuração de dezembro/2010. Aduz que no período de apuração de dezembro/2010 apurou imposto de renda a pagar no valor de R$ 22.723,06, contudo afirma ter recolhido DARF no valor de R$ 39.674,52, código de receita 5993, gerando um crédito no valor de R$ 16.951,46. Declara que a homologação não ocorreu devido a inconformidade nos dados da DCTF do período de 12/2010, destacando ter efetuado a retificação da citada declaração. A DRJ/BHE proferiu acórdão de nº 0267.880, no qual julgou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Preliminarmente, pede a reunião deste processo aos de nºs 10640.902873/201308, 10640.902872/201355; 10640.902869/201331 e 10640.902870/201366, argumentando que a análises desses processos se basearam na composição dos valores levandose em consideração os valores anuais constantes na ficha 11 da DIPJ, devendo, assim, ser efetuada a análise das declarações de compensação de forma conjunta; (ii) No mérito, defende ter efetuado a declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração julho /2010, com crédito de IRPJ, código 5993, decorrente de recolhimento de DARF em 31/01/2011, no valor de R$ 39.674,52. Contudo, verificou que os dados da DIPJ entregue em 2011 e as DCTFs entregues em 2010 apresentavam divergências, estando corretos os valores dispostos na DIPJ. A DCTF de dezembro de 2010 foi retificada; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10640.902874/201344 Acórdão n.º 1003000.436 S1C0T3 Fl. 4 3 (iii) Aduz que pelos demonstrativos apresentados pelo Relator no r. acórdão declarados nas apurações mensais da Ficha 11, da DIPJ/2011 e os recolhimentos efetuados que os valores pleiteados já teria sido abatidos na DIPJ, na realidade, a Recorrente defende que ainda existem valores a serem considerados, isso porque defende que os valores recolhidos nos meses de jan/2010; mar/2010; abr/2010; mai/2010 e dez/2010 estão equivocados na planilha do relator, demonstrando valores inferiores daqueles constantes na DIPJ Por fim, requereu a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou PER/DECOMP nº 06900.72292.310811.1.3.04 5159, informando crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior oriundo de IRPJ, código 5993, período de apuração 31/12/2010, pago através de DARF em 31/01/2011, no valor de R$ 39.674,52. Defendeu em suas razões de recurso que o cálculo efetuado pelo Ilmo. Relator no r. acórdão apresenta equívocos pois divergem da DIPJ/2011 apresentada e dos comprovantes de recolhimentos constantes no processo. A compensação não foi homologada por inexistência do crédito, visto que, pelas características do DARF discriminado na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A DRJ no r. acórdão, fundamentou que o crédito postulado foi utilizado como dedução na apuração anual de IRPJ, para tanto demonstrou que a soma dos valores de IRPJ mensal a pagar apurados na ficha é igual a R$ 433.690,03, assim como o valor deduzido no ajuste anual, o qual só se obtém se computadas as estimativas recolhidas a maior e destaca, ainda, que não teria sido quitado o valor da estimativa do mês de março/2010. Feitas essas considerações, passamos a análise dos argumentos trazidos no recurso voluntário. DA PRELIMINAR DE REUNIÃO DOS PROCESSOS Preliminarmente, a Recorrente pleiteou a reunião deste processo com os de nºs 10640.902873/201308, 10640.902872/201355; 10640.902869/201331; 10640.902870/201366, defendendo que todos foram julgados considerando a composição de valores anuais e devem ser julgados conjuntamente. Os processos mencionados acima são todos do anocalendário 2010 e se baseiam no saldo negativo apurado no período. Todos os processos encontramse pendentes de julgamento e todos foram distribuídos para o mesmo Relator. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10640.902874/201344 Acórdão n.º 1003000.436 S1C0T3 Fl. 5 4 Em razão do exposto, os processos serão julgados em conjunto, no entanto não devem ser apensados, visto que, embora tratem do mesmo crédito, possuem pedidos distintos. Isto posto, não acolho a preliminar de reunião dos processos, no entanto destaco que todos serão julgados em conjunto numa mesma decisão. DO MÉRITO A grande questão trazida no r. acórdão é o fato de ter a Recorrente utilizado para apuração do saldo negativo do anocalendário 2010 os valores recolhidos a título de estimativa mensal e que, portanto, não faria jus à compensação declarada. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). A Recorrente, nas suas razões recursais, destaca que ainda que seja considerado o cálculo anual, os valores apontados pelo Relator do acórdão de primeira instância não correspondem com os valores recolhidos, bem como comprova a quitação da estimativa do mês de março/2010, que o Relator alegou não ter sido pago. Desde já, importante mencionar que o prejuízo fiscal não afeta os recolhimentos de estimativas, por determinação do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/1996. Ou seja, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa tem a obrigação de recolher a estimativa. A estimativa paga regularmente a título de IRPJ não é tributo, mas antecipação. A data de apuração do imposto de renda pessoa jurídica, no caso anual, é o dia 31/12 de cada ano. Se, conforme destacado no acórdão da DRJ, o valor informado na declaração de compensação tiver sido utilizado para compor o saldo negativo, não há que se falar em compensação separada, do contrário estaria o contribuinte se beneficiando do crédito em duplicidade. A Recorrente não contesta a utilização dos valores indicados a título de estimativas na apuração do saldo negativo anual no seu Recurso voluntário, contudo aponta equívocos nas planilhas indicadas no r. acórdão. Diante desses argumentos, deve reanalisar as provas e informações constantes no processo para identificar se, de fato, os equívocos apontados no recurso aconteceram. A Recorrente aduz erro em relação aos valores recolhidos nos meses de jan/2010; mar/2010; abr/2010; mai/2010 e dez/2010, destacando que o mês de março foi devidamente recolhido aos cofres públicos. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10640.902874/201344 Acórdão n.º 1003000.436 S1C0T3 Fl. 6 5 A Recorrente diz que os valores corretos são: DADOS DO DARF IRPJ DATA NÚMERO VALORES Mês Vencimento Arrecadação Pagamento Documento DARF's Decisão Diferença jan/10 26/02/2010 25/02/2010 44702128823 010134103534070774 R$18.039,36 R$18.089,36 fev/10 mar/10** 30/04/2010 27/07/2011 59750723424 0101341040065023235 R$36.814,25 R$36.814,25 abr/10 31/05/2010 31/05/2010 47423185329 010134103620145131 R$26.486,96 R$18.458,29 R$8.028,67 mai/10 30/06/2010 30/06/2010 48280690422 010134103659147480 R$72.901,05 R$62.695,30 R$30.205,75 jun/10 30/07/2010 30/07/2010 49394180421 010134103690181829 R$7.484,74 R$7.484,74 jul/10 31/OS/2010 31/08/2010 50142972220 010134103729321777 R$41.766,54 R$41.766,54 ago/10 30/09/2010 30/09/2010 51162793329 010134103762140135 R$36.091,66 R$36.091,66 set/10 29/10/2010 29/10/2010 52289168123 010134103796169971 R$24.559,78 R$24.559,78 out/10 30/11/2010 30/11/2010 52962718427 010134103825132593 R$94.111,77 R$94.111,77 nov/10 30/12/2010 30/12/2010 53926835220 010134103864077936 R$42.712.92 R$42.712,92 dez/10 31/01/2011 31/01/2011 54623408820 010134103898159597 R$39.674,52 R$22.723,06 R$16.951,46 TOTAIS [R$440.693,55] R$350.604,06 R$90.089,49 ** Vlr Total R$40.535,71 DARF R$36.814,25 Per/DComp 37871.39520.210711.1.3.048430 Vlr R$3.721,46 Em harmonia com o critério de análise anual e em conjunto dos pagamentos a maior de IRPJ, código 5993, efls. 167177, determinados sobre a base de cálculo estimada do anocalendário de 2010 adotado na decisão de primeira instância, pelos documentos de comprovação de arrecadação e com dos dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), efls. 77114, e na Declaração do Imposto sobre a Renda na Fonte (DIRF), efls. 115126, é possível verificar o seguinte: AnoCalendário de 2010 Mês do Período de Apuração Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por Dedução de IRRF IRPJ Código 5993 R$ (A) Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por DARF IRPJ Código 5993 R$ (B) Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ Total IRPJ Código 5993 R$ (C = A + B) Janeiro 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 2.697,43 11.784,77 14.482,20 Março 1.597,34 40.535,71 42.133,05 Abril 1.863,46 18.458,29 20.321,75 Maio 2.332,12 62.695,30 65.027,42 Junho 1.860,38 9.144,75 11.005,13 Julho 2.442,28 42.322,42 44.764,70 Agosto 1.475,75 35.836,55 37.312,30 Setembro 2.240,73 24.519,05 26.759,78 Outubro 2.862,01 93.731,91 96.593,92 Novembro 3.138,31 42.853,96 45.992,27 Dezembro 6.574,45 22.723,06 29.297,51 Total 29.084,26 404.605,77 433.690,03 Ficha 12 A Cálculo do IRPJ Anual 01/02 .À Alíquota de 15% + Adicional R$ 433.690,03 Deduções 15.() IRRF 0,00 19.() IR Mensal Pg por Estimativo R$ 433.690,03 21.IRPJ a Pagar 0,00 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10640.902874/201344 Acórdão n.º 1003000.436 S1C0T3 Fl. 7 6 De acordo com o cotejo entre as alegações da Recorrente e o conjunto probatório produzido nos autos temse que no anocalendário de 2010 houve um recolhimento a maior de IRPJ, código 5993, determinado sobre a base de cálculo estimada no valor total anual de R$ 36.087,78, (R$440.693,55 R$404.605,77) que não foi utilizado para fins de formação do saldo negativo ao final do período. Logo o montante anual pleiteado pela Recorrente de R$ 90.089,49 não pode ser conhecido na sua integralidade. Devese reconhecer os valores mensais restrito ao somatório de R$36.087,78, para fins de compensação dos débitos ali confessados até o limite do valor identificado como indébito mensal, de acordo com os processos nºs 10640.902869/201331, 10640.902870/2013 66, 10640.902872/201355, 10640.902873/201308 e 10640.902874/201344: Ano Calendário de 2010 Mês do Período de Apuração Valores Considerados Corretos Como Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por DARF IRPJ Código 5993 R$ Valores Considerados Corretos como Recolhidos no Acórdão da DRJ IRPJ Código 5993 R$ Valores Recolhidos DARF efls. 162172 IRPJ Código 5993 R$ Número dos Per/DComp Valores Considerados como Pagamentos a Maior Per/DComp IRPJ Código 5993 R$ (B) Número dos Processos de Formalização do Per/DComp Janeiro 0,00 18.089,36 18.089,36 32474.67154.21 0711.1.3.04 2207 18.089,36 10640.902869/ 201331 Fevereiro 11.784,77 0,00 0,00 Março 40.535,71 0,00 36.814,25 26774.85505.21 0711.1.3.04 9210 8.028,67 10640.902870/ 201366 Abril 18.458,29 26.486,96 26.486,96 39684.33442.28 0711.1.3.04 6007 5.296,59 10640.902872/ 201355 Maio 62.695,30 72.901,05 72.901,05 18750.39833.31 0811.1.3.04 1190 10.205,75 10640.902873/ 201308 Junho 9.144,75 7.484,74 7.484,74 Julho 42.322,42 41.766,54 41.766,54 Agosto 35.836,55 36.091,66 36.091,66 Setembro 24.519,05 24.559,78 24.559,78 Outubro 93.731,91 94.111,77 94.111,77 Novembro 42.853,96 42.712,92 42.712,92 Dezembro 22.723,06 39.674,52 39.674,52 06900.72292.31 0811.1.3.04 5159 16.951,46 10640.902874/ 201344 Total 404.605,77 403.879,30 440.693,55 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10640.902874/201344 Acórdão n.º 1003000.436 S1C0T3 Fl. 8 7 em janeiro de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$18.089,36 recolhido em 25.02.2010 formalizado no Per/DComp nº 32474.67154.210711.1.3.042207 e analisado no processo nº 10640.902869/201331; em março de 2010 não há qualquer valor a ser reconhecido pois todo o valor do débito é de R$42.322,42, conforme informado na DIPJ do anocalendário de 2010, efls. 73 110 em abril de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$8.028,67 recolhido em 31.05.2010 formalizado no Per/DComp nº 26774.85505.210711.1.3.049210 e analisado no processo nº 10640.902870/201366; em abril de 2010 verificase que não cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$5.296,59 recolhido em 31.05.2010 formalizado no Per/DComp nº 39684.33442.280711.1.3.046007 e analisado no processo nº 10640.902872/201355, pois a Recorrente não comprova a circunstância; em maio de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 9.969,75, recolhido em 31.01.2011, formalizado no Per/DComp nº 18750.39833.310811.1.3.041190 e analisado no processo nº 10640.902873/201308, pois a Recorrente utilizou o remanescente para extinção do IRPJ devido no final do período; e em dezembro de 2010 verificase que não cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$16.951,46, recolhido em 25.02.2010, formalizado no Per/DComp nº 06900.72292.310811.1.3.045159 e analisado no processo nº 10640.902874/201344, pois a Recorrente utilizou o remanescente para extinção do IRPJ devido no final do período. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nestes autos, visto que o valor foi utilizado para extinção do IRPJ devido no final do período. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.902330/2011-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita.
Numero da decisão: 3002-000.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente EMBALAGEM CARTON PACK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 23 30 /2 01 1- 64 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11065.902330/201164 Acórdão n.º 3002000.633 S3C0T2 Fl. 349,5 2 Por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 324 dos autos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente homologou as compensações declaradas, em razão de glosas de créditos efetuadas pela fiscalização. Tempestivamente apresentou sua manifestação de inconformidade alegando basicamente que teria ocorrido a homologação, por decurso de prazo, da apuração mensal do IPI, conforme legislação e jurisprudência citadas, rezumindo suas razões como se segue: O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, documentos de constituição e representação da empresa, de identificação do procurador e documentos contábeis (fls. 290/319). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O prazo para não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11065.902330/201164 Acórdão n.º 3002000.633 S3C0T2 Fl. 350 3 Em pedidos de ressarcimento de IPI, cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não a constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 323/327) consignou não terem sido contestadas as glosas de créditos não ressarcíveis, tornando a matéria definitiva em âmbito administrativo. Consignou, também, o não acolhimento da arguição de decadência do direito do fisco de revisar as compensações, o que teria, supostamente, levado à homologação da compensação, sob o fundamento de que a PERDCOMP foi retificada em 25/05/2006 e a ciência do Despacho decisório se deu em 11/05/11. O órgão julgador esclareceu que não corre, no caso, prazo decadencial para o Fisco. Explicou que, como o credor nesta situação é o contribuinte, contra ele corre o prazo decadencial de pleitear ressarcimento. Assim, uma vez apresentado o pleito, iniciase o prazo prescricional para o Fisco homologar o procedimento. Entendeu não ter se operado nem a decadência para o contribuinte, nem a prescrição para o Fisco, julgando improcedente, assim, a peça defensiva. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 31/10/2014 (vide Termo de ciência à fl. 333 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 03/11/2014, Recurso Voluntário (fls. 335/345). Em seu recurso, o contribuinte arguiu preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, sob fundamento de que não haveria no presente processo PERDCOMP retificadora, mas teria havido menção a documento desta espécie no acórdão recorrido. Concluiu, sobre isto, que, uma vez demonstrado erro no julgamento, este deveria ser anulado, ou deveria ser dado provimento à sua defesa. No mérito, o contribuinte insistiu no argumento de ter ocorrido decadência do crédito tributário, alegando que o IPI enquadrase na hipótese de lançamento por homologação, prevista no artigo 150 do CTN. Reiterou, assim, os termos da sua impugnação relativas ao tema. Pediu, ao fim, o reconhecimento dos alegados créditos e a homologação das compensações. Juntou, com o recurso, o documento de fl. 345. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11065.902330/201164 Acórdão n.º 3002000.633 S3C0T2 Fl. 350,5 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima relatado, o contribuinte arguiu preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, sob fundamento de que não haveria no presente processo PERDCOMP retificadora, mas teria havido menção a documento desta espécie no acórdão recorrido. Sendo assim, requereu que, uma vez demonstrado erro no julgamento, este fosse anulado, ou fosse dado provimento à sua defesa. Ao analisar este argumento, verifico que, de fato, o acórdão incorreu em erro ao mencionar à fl. 326 que o PERDCOMP fora retificado em 25/05/2006. Do conteúdo constante das fls. 02 e seguintes dos autos, é possível extrair que o referido pedido fora, em verdade, transmitido em 25/05/2006. Acontece que tal falha, ao contrário do que pleiteia o Recorrente, não leva à nulidade do acórdão recorrido. Isso porque, ainda que se considere esta data (25/05/2006) como sendo a data de transmissão originária da DCOMP e não a data da sua retificação, temse que, de toda forma, não se teria configurado a homologação tácita. Em outras palavras, não houve falha na análise do acórdão no que concerne às datas analisadas, apenas um equívoco ao indicar que o termo inicial considerado para fins de contagem do prazo para homologação tácita estava relacionado à data da transmissão da DCOMP, e não da sua retificação. Este equívoco, contudo, não possui relevância no caso concreto aqui analisado, uma vez que as datas a serem consideradas para fins de contagem de tal prazo estavam corretas. Sendo assim, uma vez que a DCOMP fora transmitida em 25/05/2006 e o contribuinte fora intimado do despacho decisório em 11/05/2011, não houve o transcurso do prazo de cinco anos disposto na legislação para fins de configuração da homologação tácita. Ultrapassada essa questão preliminar, passo à análise do único argumento constante do Recurso Voluntário remanescente de discussão. Como se viu acima, as glosas de créditos não ressarcíveis não sofreu contestação por parte do contribuinte, o que tornou a matéria definitiva em âmbito administrativo. Permaneceu em julgamento, portanto, tão somente o argumento atinente à homologação tácita da compensação apresentada. Em que pese a alegação da Recorrente de que teria se configurado a decadência no caso vertente, concordo com os esclarecimentos feitos pela DRJ na decisão recorrida em que faz uma correta distinção entre as hipóteses relacionadas à decadência e as hipóteses relacionadas à homologação tácita. A seguir, transcrevo passagem da decisão recorrida nesse sentido: Quanto à alegada decadência do direito do Fisco de revisar o crédito pleiteado, a requerente parece confundir a apreciação de direito creditório vinculado a compensação de débitos com o lançamento de tributo pela Administração Tributária. Para esclarecer a aparente confusão, há que se compreender a decadência aplicada no âmbito tributário. O instituto da decadência tem por objetivo último garantir a estabilidade jurídica, impedindo que direitos permaneçam latentes ad Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11065.902330/201164 Acórdão n.º 3002000.633 S3C0T2 Fl. 351 5 eternum no plano do deverser e possam se materializar a qualquer momento, invocados pelos seus titulares, produzindo efeitos para os sujeitos do pólo passivo desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subseqüentes. Assim, a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do pólo ativo de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo prédeterminado. Ou seja, a decadência sempre atua contra o credor. No caso da relação obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o pólo ativo, o credor, e, portanto, a decadência atua contra ela, impedindoa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado no art. 150, inciso IV, e no art. 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Ocorre que, no caso do ressarcimento do saldo credor de IPI e de sua utilização para compensação de tributos federais, a situação é inversa. A primeira relação obrigacional que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestre calendário é tal que a contribuinte é o pólo ativo e o Fisco o pólo passivo. Para essa situação também existe um prazo decadencial estabelecido, porém é o prazo de cinco anos do art. 1o do Decreto no 20.910, de 06/01/1932, consoante o Parecer Normativo CST no 515, de 10 de agosto de 1971. E esse prazo decadencial corre contra o titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu direito dentro desse prazo por meio da formalização do correspondente pedido de ressarcimento, sob pena de perda do direito. No presente caso, os pedidos foram feitos dentro do prazo, portanto não ocorreu a decadência do direito ao ressarcimento, o que não interfere na necessária análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Superada a decadência do direito creditório da contribuinte pela formulação do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que pretende a utilização desse crédito, no todo ou em parte, para quitação de tributos federais, o prazo estabelecido pelo sistema normativo para garantir a estabilidade jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzido pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Esse prazo, por seu turno, corre contra a Administração Tributária, tem natureza prescricional e referese ao direito de cobrar a eventual diferença a maior entre o tributo compensado e o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Também esse prazo não decorreu in albis na situação em tela, conforme já analisado. No caso dos presentes autos, portanto, em que se analisa pedido de compensação, é certo que a situação a ser apreciada diz respeito à ocorrência ou não da homologação tácita, ou seja, ao prazo que a Receita Federal teria para apreciar o pedido de compensação apresentado, sob pena deste ser considerado tacitamente homologado. E, como esclarecido acima, este prazo encontra previsão no § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11065.902330/201164 Acórdão n.º 3002000.633 S3C0T2 Fl. 351,5 6 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nesse contexto, o prazo que a Receita Federal dispõe para analisar o pedido de compensação apresentado é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da compensação. E, consoante também corretamente analisou a DRJ in casu, não houve a sua configuração. Isso porque, extraise dos autos que a PERDCOMP em referência fora transmitida em 25/05/2006. Logo, tendo o contribuinte tomado ciência do despacho decisório em 11/05/2011, não há que se falar em homologação tácita. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 354DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720191/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA.
No caso de lançamento por homologação, não tendo o sujeito passivo realizado o pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial inicia no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser realizado.
Ocorrida a ciência do lançamento após o prazo de cinco anos contado na forma acima referida, opera-se a decadência do direito de constituir o crédito tributário.
SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. NÃO CONFIGURAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não estando configurada as situações de sonegação, fraude ou conluio, não é possível a aplicação da multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 1302-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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Intempestividade. Recorrentes BOAINAIN INDUSTRIA E COMERCIO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, não tendo o sujeito passivo realizado o pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial inicia no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser realizado. Ocorrida a ciência do lançamento após o prazo de cinco anos contado na forma acima referida, operase a decadência do direito de constituir o crédito tributário. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. NÃO CONFIGURAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não estando configurada as situações de sonegação, fraude ou conluio, não é possível a aplicação da multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 91 /2 01 3- 95 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 224 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício frente ao Acórdão nº 1451.479, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 177 a 187), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007, 2008 FALTA DE DOCUMENTAÇÃO. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação da documentação fiscal expedida pelo sujeito passivo enseja o arbitramento do valor tributável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo não tenha efetuado o pagamento antecipado, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Reduzse a multa de ofício para 75%, quando ausentes as hipóteses ensejadoras de sua qualificação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 225 3 Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei." O presente processo decorre de procedimento fiscal realizado junto à BOAINAIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, sintetizado no Acórdão recorrido, do seguinte modo: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração que se prestou a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e respectivos consectários legais, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2007 e 2008, em razão da constatação de o sujeito passivo, devidamente intimado, não ter apresentado a escrituração contábil e fiscal. O crédito tributário exigido neste processo está composto dos seguintes montantes: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Consta no processo que a contribuinte foi cientificada em 04/10/2012 do Termo de Início de Ação Fiscal, por meio do qual foi intimada a apresentar o contrato social e alterações, os livros Diário, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas de Mercadorias, Registro de Inventário, Registro de Apuração do IPI, Lalur, arquivos digitais instituídos pela IN SRF nº 86/2001 e ADE Cofins nº 15/2001, extratos bancários e todos os comprovantes de receitas e despesas. Foi reintimada em 19/07/2013 e, em 30/07/2013, solicitou noventa dias de prazo para apresentar a documentação Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 226 4 requerida pelo fisco, tendo sido concedido (em 07/08/2013) o prazo de 45 dias. Depois, foi expedido o Termo de Constatação Fiscal, do qual a contribuinte tomou ciência em 17/12/2013, informandoa que seria arbitrado o seu lucro. Em resposta a esse termo, a contribuinte solicitou mais quinze dias para atendimento às intimações. Foi, então, arbitrado o lucro com base nos valores declarados pela contribuinte no Dacon, abrangendo os itens Receitas de Vendas de Bens e Serviços e Demais Receitas. Foram lavrados autos de infração com exigência do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI. A base de cálculo do IPI foi obtida por meio da aplicação do percentual de participação dos produtos que a contribuinte deu saída sobre a receita declarada no Dacon, conforme tabela a seguir transcrita. Foram deduzidos os valores de IPI declarados em DCTF. Foi exigida a multa de 150%, tendo em vista a falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais e foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais e o Arrolamento de bens. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.30 a 44, na qual alega: · O processo de exigência do IPI (10932.720191/201395) resultou da mesma infração que deu origem ao processo do IRPJ, motivo pelo qual deve ser apensado para julgamento simultâneo, evitandose decisões coflitantes (sic); · Deve ser declarada a nulidade dos autos de infração, em razão da decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário com relação ao anocalendário de 2007 e aos três primeiros trimestres de 2008, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN); Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 227 5 · Cerceamento do direito de defesa. Encontrase em Recuperação Judicial desde 1999; por esse motivo os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao período fiscalizado estão constantemente sob verificação de diversos órgãos públicos ou credores, o que impossibilitou que fossem colocados à disposição do fisco. Quando intimado, solicitou prorrogação do prazo por mais quinze dias para apresentação da documentação solicitada e esse pedido foi negado. · É incabível o arbitramento. Está anexando um CD contendo o Diário, Razão, Registro de Entradas e Saídas de mercadorias, Apuração de IPI e Inventário referentes a 2007 e 2008. Está disponibilizando os mesmos livros em papel, juntamente com os documentos contábeis e fiscais que dão suporte a eles; · Foi aplicada a multa qualificada de 150%, sob o fundamento de que estaria caracterizada a fraude na escrituração contábil. Tal argumentação não pode prosperar, pois a fraude precisa ser comprovada nos autos, o que não ocorreu no presente caso. A autoridade tributária apenas identificou a falta de apresentação da documentação solicitada, o que poderia ser sanado com a concessão da prorrogação de prazo solicitada. Não houve recusa na apresentação da documentação solicitada em virtude de estar em recuperação judicial. · Protestou provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, bem assim pela realização de diligências que poderão comprovar a existência dos registros contábeis e fiscais e da documentação que dá suporte aos lançamentos contábeis." A decisão de primeira instância (fls. 177 a 187) indeferiu o pedido de apensação do presente processo àquele referente ao lançamento de outros tributos, em decorrência do mesmo procedimento fiscal, posto que ausente previsão legal, e ambos processo estarem distribuídos à mesma Turma julgadora e objeto de apreciação na mesma sessão de julgamento. Rejeitou a alegação de nulidade do lançamento devido à ocorrência de decadência, uma vez que cumpridas todas as formalidades legais e assegurado o direito de defesa. Quanto à alegação de decadência, com base no art 150, §4º, do CTN, tendo em vista a ausência de realização de pagamento antecipado do tributo, entendeu aplicável a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, §1º, do mesmo Código, e reconheceu a decadência dos valores constituídos em relação aos meses de janeiro a novembro de 2007. Em relação ao arbitramento, aplicou a decisão proferida em relação ao IRPJ, em conjunto com o art. 138 do RIPI/2002, para manter o lançamento. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 228 6 Reduziu a multa de ofício para o patamar de 75%, uma vez que a conduta de não apresentar documentos e livros contábeis e fiscais não se enquadra dentre as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, de modo a ensejar a aplicação da multa qualificada. Finalmente, indeferiu o pedido de juntada posterior de documentos, posto que não comprovada qualquer situação prevista no art. 16, §4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Em decorrência da exoneração parcial da exação, recorreuse de Ofício ao CARF, conforme art. 34 do citado Decreto. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto (fl. 193), interpondo o Recurso Voluntário de fls. 196 a 210, no qual repete, ipsis litteris, o conteúdo da Impugnação apresentada. O processo foi submetido a julgamento perante a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (fls. 217 a 222), ocasião em que os recursos não foram conhecidos e se declinou a competência à 1ª Seção de Julgamento do CARF, em razão de que a exigência de IPI decorreria de fatos apurados em fiscalização de IRPJ. O processo foi, então, distribuído, mediante sorteio, a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DO RECURSO DE OFÍCIO II.1 Da admissibilidade do Recurso Como relatado, por meio do Acórdão Recorrido, houve o reconhecimento da decadência dos tributos exigidos em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007, bem como a redução da multa de ofício aplicada para o patamar de 75%. Nos termos Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Neste sentido, o recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola em muito o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). II.2 Da Decadência O sujeito passivo arguiu a decadência do direito de constituir os créditos tributários, com base no art. 150 do CTN. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 229 7 A decisão de primeira instância, por outro lado, reconheceu a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007, mesmo mediante a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, inciso I, do CTN. Por concordar integralmente com a decisão recorrida, transcrevo a análise ali realizada quanto a tal matéria, adotando o seu conteúdo como fundamento do meu Voto: "A impugnante argúi a decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento de ofício, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, uma vez que a homologação nada mais é do que a declaração de extinção do débito, em face do pagamento antecipado, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 150, §§ 1º e 4º, e 156, VII, do CTN). Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na situação em análise, como não foram efetuados pagamentos antecipados, aplicase o art. 173, § 1º do CTN e temse como termo inicial do prazo decadencial o dia 01/01/2008 para os fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2007 a 30/11/2007, e como termo final o dia 31/12/2012. Tendo ocorrido a ciência da autuação em 27/12/2013, verificase que Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 230 8 ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário, quanto aos referidos meses de 2007. Para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2007 e no ano calendário de 2008 não ocorreu a decadência, pois a contagem do prazo iniciouse em 01/01/2009 encerrandose em 31/12/2013." De fato, o IPI é tributo sujeito a lançamento por homologação, de modo que aos lançamentos a ele relacionados se aplica o que foi consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de julgamento do Resp n° 973.733/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009), julgado sob a sistemática do artigo 543C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 231 9 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008" (Destacouse) Tendo a ciência do lançamento ocorrido após o prazo de cinco anos, contado a partir do primeiro dia do exercício de 2008, com razão a decisão recorrida em reconhecer a decadência dos valores relativos aos meses de janeiro a novembro de 2007. Isto posto, deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício, quanto a tal matéria. I.3 Da multa qualificada No momento da autuação, a autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150% sobre os créditos constituídos. A fundamentação constante do Termo de Verificação Fiscal de fls. 14 a 18 foi a seguinte: "Em decorrência da falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais que foram intimados e reintimados durante a ação fiscal, efetuamos o arbitramento do lucro e lavramos Autos de Infração de IRPJ e Reflexos de CSLL, PIS, COFINS e IPI, com o agravamento da multa, conforme enquadramento legal detalhado nos Autos de Infração e Demonstrativos Anexos." Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 232 10 A decisão recorrida, por outro lado, considerou que não foi caracterizada pela autoridade fiscal conduta que pudesse fazer incidir a qualificação da multa, e a reduziu ao patamar de 75%, conforme a seguinte análise: "A contribuinte alega que a multa aplicada é incabível, pois não ficou comprovada a ocorrência de fraude. A exigência da multa qualificada, no percentual de 150%, teve como amparo o art. 80, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art 45 da Lei nº 9.430, de 1996 (fatos geradores até 21/01/2007) e pelo art. 13 da MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. I (revogado); (...) § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (...) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. Como se percebe, para aplicação dessa multa é indispensável comprovar tratarse de casos de intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da referida Lei nº 4.502, de 1964, a seguir transcritos: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 233 11 Art.73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72 (grifei). Verificase que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública. No presente caso, o fisco aplicou a multa de 150% pela falta de apresentação de documentos e livros contábeis e fiscais. Essa conduta não se enquadra nas hipóteses prescritas nos artigos transcritos. Não vislumbro a ocorrência da ação deliberada para impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou para impedir a ocorrência do fato gerador ou ainda para modificarlhe as características essenciais. Registrese que citada conduta foi motivo do arbitramento efetuado pela fiscalização e a contribuinte não pode ser penalizada com agravamento da penalidade exatamente porque materializou o fundamento da exação. Dessa forma, há que se enquadrar a multa de ofício no artigo 80 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), que prevê o percentual de 75%. De fato, a imposição da multa qualificada de 150% impõe a comprovação de alguma das condutas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A autoridade fiscal sequer esboçou qualquer tentativa de realizar tal comprovação. Na verdade, a descrição realizada no TVF se enquadraria à conduta prevista para a imposição da multa agravada (termo utilizado pelo autuante), conforme art. 44, §2º, da Lei nº 9430, de 1996, e não da multa qualificada. II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10 de julho de 2014 (fl. 193), tendo apresentado Recurso Voluntário em 12 de agosto de 2014, conforme fl. 212. O prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, encerrouse em 9 de agosto de 2014, um sábado, de modo que o seu término foi prorrogado para o dia 11 de agosto de 2014. Isto posto, o Recurso Voluntário é intempestivo, não devendo ser conhecido, de modo que definitivamente exigível as exações não afastadas em decorrência da decisão relativa ao Recurso de Ofício. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10932.720191/201395 Acórdão n.º 1302003.391 S1C3T2 Fl. 234 12 III. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, e por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917299/2009-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 18771.36485.140504.1.3.040800 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 72 99 /2 00 9- 17 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15374.917299/200917 Acórdão n.º 1003000.459 S1C0T3 Fl. 321 2 em 14.05.2004, fls. 0106, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2003 no valor de R$29.713,81 contido no DARF de R$373.240,01 arrecadado em 31.03.2004 para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 08, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 29.713,81 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1238.057, de 29.06.2011, fls. 120122: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 15.07.2011, efl. 194, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.08.2011, efls. 196201, esclarecendo que: 11. A DERAT ao analisar o pedido de compensação da recorrente foi induzida em erro ela DCTF incorreta da recorrente do 4º trimestre de 2003 atrás referida, e como conseqüência, emitiu em 09 de abril de 2009, despacho decisório [...]. 12. Notese que tal despacho decisório foi proferido antes da retificação da DCTF do 4º trimestre de 2003, pelo que a DERAT não tinha conhecimento do pagamento efetuado pela recorrente em 31 de março de 2004 no valor de R$ 381.003,40 (trezentos e oitenta e um mil, e três reais e quarenta centavos), daí porque não pôde verificar a existência de crédito a compensar em favor da recorrente. 13. Contra tal despacho, a recorrente então apresentou manifestação de inconformidade, informando ter sanado o erro material constante da DCTF que havia impedido à verificação da existência do saldo credor [...] em seu favor. 14. Ao examinar referida manifestação de inconformidade a 8a Turma da DRRJ/RJ1 no acórdão n° 12.38057, rejeitou os argumentos da recorrente exclusivamente por considerar que esta não apresentou prova dos fatos alegados. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.917299/200917 Acórdão n.º 1003000.459 S1C0T3 Fl. 322 3 15. De fato, a Recorrente deixou de juntar à sua manifestação de inconformidade os documentos comprobatórios dos fatos acima narrados, em razão dos mesmos se encontrarem à disposição da Autoridade Administrativa, uma vez que (i) todas as declarações foram enviadas eletronicamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil ("SRFB") e, portanto, deveriam constar de sua base de dados; e (ii) todos os pagamentos informados foram efetuados em favor da SRFB. 16. A recorrente, contudo, vem através do presente recurso reiterar todos os fatos e as razões de direito pelas quais devem ser canceladas as exigências objeto dos Per/Dcomp's , apresentando a documentação que comprova os fatos alegados, em especial os recolhimentos relativos ao 4° trimestre de 2003, que totalizam R$ 952.041,57 (novecentos e cinqüenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e um reais, e cinqüenta e sete centavos). 17. Desse modo, visto que os recolhimentos efetuados superam o valor devido a título de IRPJ no período do 4º trimestre de 2003, há de se reconhecer a extinção dos créditos tributários, nos termo do art. 156, I do CTN, pelo que qualquer nova cobrança [...] importará em bis in idem. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente e faz referência a entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 19. Por todo o exposto, requer seja o presente recurso voluntário conhecido e provido para anular, in totum, o acórdão n° 12.38057, reconhecendose a extinção dos créditos tributários objeto do processo administrativo de crédito n° 15374.917.299/200917. 20. Outrossim, a Recorrente requer seja deferido prazo para apresentação das PerDcomp's que comprovam os fatos acima narrados. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita comprovar a inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de IRPJ, código 2089, no valor de R$29.713,81, apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2003 e arrecadado em 31.03.2004. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15374.917299/200917 Acórdão n.º 1003000.459 S1C0T3 Fl. 323 4 próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15374.917299/200917 Acórdão n.º 1003000.459 S1C0T3 Fl. 324 5 palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 3. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1238.057, de 29.06.2011, fls. 120122, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): No presente caso, somente após a ciência do despacho decisório que frustrou a compensação realizada é que a interessada promoveu a retificação do que disse ser um erro na DCTF, fazendoo sem demonstrar suas razões. Nenhum elemento de prova em favor da defesa foi carreado aos autos, em que pese o fato de o ônus da prova incumbir a quem alega o direito. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 15374.917299/200917 Acórdão n.º 1003000.459 S1C0T3 Fl. 325 6 Certo é que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Além disso, ao crédito informado desta maneira faltam os atributos fundamentais para o seu emprego em compensação, quais sejam a liquidez e a certeza exigidas pelo art. 170 do CTN. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725110/2014-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91
Numero da decisão: 9202-007.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 51 10 /2 01 4- 98 Fl. 937DF CARF MF 2 Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201003.725, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de PT nº 15504.725110/201498 (Debcad nº51.061.6976), no valor de R$ 3.532.343,79 (três milhões, quinhentos e trinta e dois mil, trezentos e quarenta e três reais e setenta e nove centavos), consolidado 28/07/2014, correspondente as diferenças das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, em virtude da introdução do FAP Fator Acidentário de Prevenção, não declaradas nas GFIP's e não recolhidas para o período 01/2010 a 12/2011. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 497/504. A DRJ/SDR, às fls. 795/808, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. Os Sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário às fls. 816/822 e 827/836. Às fls. 838/839, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento determinou a reunião dos processos nº 15504.725797/201461 (AI 51.061.7000); n.º 15504.725110/201498 (AI 51.061.7000); nº 15504.724961/201413 (AI 51.041.8287) e nº 15504.724960/201479 (AI 51.061.6992 e 51.065.2085) para julgamento conjunto. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 853/862, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento os valores correspondentes à multa de mora e determinar a exclusão dos responsáveis solidários do polo passivo da obrigação tributária. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LIMINAR. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do vencimento do tributo impede a incidência da multa moratória e seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 9202007.496 CSRFT2 Fl. 10 3 GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização da existência do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando calcada somente na suposta declaração de uma das empresas. Às fls. 864/876, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Grupo econômico Caracterização: formal/de fato. Cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em ambos os casos, a fiscalização caracterizou a ocorrência de grupo econômico, tendo em vista sua condição de responsáveis solidárias. Contudo, em que pese reportaremse à caracterização de grupo econômico, a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas chegaram a conclusões opostas. A decisão recorrida entendeu que, para caracterização do grupo econômico, deveria haver uma comprovação expressa com apontamentos específicos. Em sentido diverso, os paradigmas entenderam configurado o grupo econômico a partir da constatação de sua existência mediante análise dos documentos juntados aos autos, com a consequente responsabilidade solidária de todas as empresas dele integrantes. Tratamse, portanto, de critérios jurídicos diversos para configuração do grupo econômico, interpretando e aplicando de forma mais rigorosa ou mais flexível o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN). Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 879/882, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Grupo econômico Caracterização: formal/de fato. O Contribuinte, à fl. 886, juntou Petição, requerendo a desistência parcial da discussão, especificamente em relação da parte que trata da incidência da contribuição ao SAT/FAP sobre o terceiro pagamento de PLR no ano e renunciar ao direito sobre o qual se funda sua impugnação/recurso voluntário, objetivando a participação no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). Do Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi cientificado, conforme fl. 904, apresentando Contrarrazões, às fls. 908/921, arguindo, preliminarmente, a inexistência de divergência de interpretação quanto à legislação tributária. Pretensão de mero reexame do material probatório. No mérito, reafirmou as alegações anteriores e requereu o desprovimento do Recurso Especial. À fl. 935, a DRF informou o desmembramento da parte não impugnada para o processo 15504721385/201886, conforme requerimento do próprio Contribuinte. Informou, ainda, que, considerando que o contencioso administrativo do devedor principal foi encerrado, transferimos o crédito tributário para o processo 15504721466/201886 para acompanhamento da ação judicial e/ou prosseguimento da cobrança. Vieram os autos para julgamento. Fl. 939DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de PT nº 15504.725110/201498 (Debcad nº51.061.6976), no valor de R$ 3.532.343,79 (três milhões, quinhentos e trinta e dois mil, trezentos e quarenta e três reais e setenta e nove centavos), consolidado 28/07/2014, correspondente as diferenças das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, em virtude da introdução do FAP Fator Acidentário de Prevenção, não declaradas nas GFIP's e não recolhidas para o período 01/2010 a 12/2011. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Grupo econômico Caracterização: formal/de fato. Para tratar da caracterização de grupo econômico é importante conjugar conceitos do direito do trabalho com a norma previdenciária tributária. No direito do trabalho há um conceito de especifico de “Grupo Econômico Empresarial”. O artigo 2º, § 2º da CLT determina: “Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada um das subordinadas”. Desse conceito se extrai que, para que se configure grupo econômico, basta que uma ou mais empresas se encontrem subordinadas a outra que as dirige, controla, ou administra (“sob a direção, controle ou administração de outra”). Esse tipo de ligação é conhecida como “grupo econômico de subordinação”. O objetivo da norma é assegurar aos empregados de uma determinada empresa, o direito de exigir suas pretensões, não apenas de sua empregadora direta, mas também de outra empresa do mesmo grupo econômico. Contudo, as relações empresariais são dinâmicas e seus conceitos evoluíram. E o conceito de grupo econômico foi flexibilizado pela jurisprudência da Justiça do Trabalho, que incorporou um mais amplo do que o constante na lei. Surgiu o chamado “grupo econômico por coordenação”, cuja caracterização independe do controle e fiscalização por uma empresa líder. As empresas atuam no mesmo plano, sem subordinação. Vale dizer, não precisa existir um vínculo societário ou verticalizado, basta haver uma relação de cooperação, uma convergência de interesses. No âmbito previdenciário/tributário o entendimento para caracterização do grupo econômico de fato não é diferente. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 9202007.496 CSRFT2 Fl. 11 5 As ações de exigência de contribuições previdenciárias, adotam o mesmo conceito da jurisprudência trabalhista para definir grupo econômico, para fins de responsabilidade solidária de empresas pelo cumprimento das obrigações previdenciárias, o que se observa da leitura da IN RFB 971/2009 (bem como a Instrução Normativa SRP n° 03/2005 que a antecedeu) adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista. Os artigos 494 e 495 da referida IN RFB estabelecem: “Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. “Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência”. A jurisprudência do Carf segue nesta linha de entendimento já algum tempo: GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Segunda Seção de Julgamento, Processo nº 11474.000068/200713, Recurso nº 258.031, Acórdão nº 230201.038, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 11 de maio de 2011). Na hipótese dos autos a fiscalização caracterizou a ocorrência de grupo econômico entre as empresas: Banco Mercantil do Brasil S/A, Sansa Serviços e Negócios Imobiliários S/A, Mercantil do Brasil Imobiliária S/A, Cosefi Cia Securit e de Ass. Recup. Créditos Financeiros, Mercantil do Brasil Empreend. Imobiliários S/A, Mercantil do Brasil Corretora S/A, Mercantil do Brasil Adm. Corret. Seg. Prev. Priv. S/A, Mercantil do Brasil Distribuidora S/A Tit. Val. Mob., Mercantil Adm. E Corretagem de Seguros S/A, Mercantil do Brasil Leasing S/A Arrend. Mercantil, Mercantil do Brasil Financeira S/A Credito Fin. E Invest. e Banco Mercantil de Investimentos S/A. Nos termos do art. 124, I e II do CTN, art. 30, IX, da Lei 8.212/91, art. 222 do RPS e art. 494 da IN RFB 971/09, todas as empresas consideradas como grupo econômico foram consideradas responsáveis solidárias. Fl. 941DF CARF MF 6 Observase, contudo, que a Turma Ordinária desconsiderou a existência de grupo econômico de fato, ponto sob o qual se insurge a Fazenda Nacional. Embora alegação do Contribuinte de que para caracterização de grupo econômico estes teriam que ter caracterizado através de atividade conjunta o fato gerador da obrigação tributária este não é o disposto na lei. Assim mesmo que a jurisprudência do STJ já tenha se manifestado neste sentido conforme apontado pelo Contribuinte, no ARE 429923/SP 2013, não se trata de decisão oponível a todos (advinda de recurso julgado no sistema de repetitivos), de modo que a aplicação do dispositivo legal deve prevalecer. Embora a decisão recorrida tenha entendido que, para caracterização do grupo econômico, deveria haver uma comprovação expressa com apontamentos específicos. Em sentido diverso, os paradigmas entenderam configurado o grupo econômico a partir da constatação de sua existência mediante análise dos documentos juntados aos autos, com a consequente responsabilidade solidária de todas as empresas dele integrantes. Tratamse, portanto, de critérios jurídicos diversos para configuração do grupo econômico, interpretando e aplicando de forma mais rigorosa ou mais flexível o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN). Contudo alguns argumentos esposados no acórdão recorrido não merecem prosperar isso por que importa salientar que o acórdão recorrido apontou para o fato de que era dever do auditor fiscal no auto de infração apontar para relação formal do grupo econômico comprovando sua subordinação e unicidade de comando. Aponto aqui meu entendimento diverso esclarecendo que a legislação previdenciária é mais gravosa do que a tributária no que se atine a responsabilidade solidária especificamente porque protege a sociedade através do custeio do caixa da seguridade social, de modo que o grupo de fato pode ser reconhecido, mesmo que formalmente não haja documentos apontados no auto de infração. Não há que se falar em fragilidade do auto de infração na indicação do grupo econômico, isso por que ele era público e notório. O auto de infração foi elaborado dentro da legalidade, os autos de obrigação solidária foram devidamente lavrados, tendo sido permitido as partes o contrário e a ampla defesa. A Fazenda Nacional aponta para o fato de que a simples aplicação literal do art. 30, IX, da Lei 8.212/91 (lei especial que pode ser interpretada fora do alcance do art. 124 do CTN), já seria suficiente para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas com a Seguridade Social. Aponta ainda: O sítio do Banco Mercantil do Brasil S/A informa sobre a composição do “Grupo Mercantil do Brasil, verbis: ‘Segmento Financeiro • Banco Mercantil do Brasil S/A • Banco Mercantil de Investimentos S/A • Mercantil do Brasil Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimentos • Mercantil do Brasil Distribuidora S/A Títulos e Valores Mobiliários • Mercantil do Brasil Corretora S/A Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários • Mercantil do Brasil Leasing S/A Arrendamento Mercantil • Mercantil Administração e Corretagem de Seguros S/A Fl. 942DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 9202007.496 CSRFT2 Fl. 12 7 Segmento Não – Financeiro • Mercantil do Brasil Administradora e Corretora de Seguros e Previdência Privada S.A • Mercantil do Brasil Imobiliária S/A • Sansa Serviços e Negócios Imobiliários S/A • Cosefi Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros’ Outrossim, o Grupo Mercantil do Brasil instituiu a entidade fechada de previdência complementar ‘Caixa Vicente de Araújo’, organizada na forma da Lei nº 6.435. Dispõe o estatuto2 da ‘Caixa Vicente de Araújo’, verbis: ‘(...) Art. 1º. A Caixa ‘Vicente de Araújo’ do Grupo Mercantil do Brasil – CAVA, doravante designada CAVA, constituída em 03 de maio de 1958, e declarada de utilidade pública pela Lei Estadual nº 2.601, de 5 de janeiro de 1962, é pessoa jurídica de direito privado, entidade fechada de previdência complementar, autorizada a funcionar pela Portaria nº 2.173, de 25 de junho de 1980, do Ministério da Previdência Social, não tendo fins lucrativos, e sendo dotada de patrimônio próprio e autonomia administrativa e financeira. (...)’ Art. 8º. São Patrocinadores dos planos de benefícios previdenciários e de assistência médica da CAVA: I o Banco Mercantil do Brasil S.A., instituição financeira privada, doravante denominado Patrocinadorlíder; II as empresas controladas pelo Patrocinadorlíder ou que a ele sejam coligadas ou vinculadas, direta ou indiretamente; III a própria CAVA. § 1º. Nos termos da legislação de regência, os Patrocinadores celebram, com a CAVA, Convênio de Adesão, submetido à aprovação dos órgãos governamentais competentes. § 2º. Cabe aos Patrocinadores a supervisão das atividades da CAVA, observadas, ainda, as condições que forem estabelecidas, no Convênio de Adesão, quanto à existência, ou não, de solidariedade entre as partes convenentes, no que se refere à garantia dos compromissos assumidos pela Entidade para com os filiados. (...)’ Registrese, ainda, que o Grupo Mercantil do Brasil adotou política unificada de remuneração variável dos administradores por meio do fundo MB Ações, cujo informativo diz: ‘LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O MB AÇÕES MERCANTIL DO BRASIL FUNDO DE INVESTIMENTO ‘(...) Público Alvo: O FUNDO é destinado, exclusivamente, aos diretores das empresas do Grupo Mercantil do Brasil, com vistas ao cumprimento do exposto na Política de Remuneração Variável dos Administradores do Grupo Mercantil do Brasil, de conformidade com o disposto na Resolução Bacen nº 3921, de 25 de novembro de 2010, os quais estão de pleno acordo com todos os termos, cláusulas e condições deste regulamento, observadas as disposições legais vigentes. (...)’ Fl. 943DF CARF MF 8 Ante a todo o exposto, resta claro que ‘há unicidade de comando estratégico entre as empresas, e que as empresas se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e recursos humanos, além de estarem subordinadas a um mesmo comando’. A Fazenda Nacional em seu Recurso Especial logrou êxito ao comprovar que as empresas listadas pelo Auditor Fiscal na fase de fiscalização atuam em conjunto e até mesmo se declaram constantes de um mesmo grupo econômico. Observo aqui a existência de fato de um grupo econômico, sendo este público e notório, motivo pelo qual deve ser assim reconhecido. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 944DF CARF MF
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