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Numero do processo: 10882.910105/2011-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 05 /2 01 1- 13 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 30): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 38, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910105/201113 Acórdão n.º 3802002.230 S3TE02 Fl. 49 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 37), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 38). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10425.720713/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.580
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SAO BRAZ S/A INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 25 .7 20 71 3/ 20 13 -8 9 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10425.720713/201389 Resolução nº 2202000.580 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, SÃO BRAZ S/A INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS, CNPJ/MF nº 08.811.226/000184, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 22/03/2013 (fl. 3), auto de infração (fls. 3 a 10), com ciência pessoal em 27/03/2013, sendo lhe imputado um IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, nos anoscalendário 2008 e 2009, com pagamentos nos montantes de R$ 7.396.435,84 e R$ 6.935.803,98, respectivamente. A autoridade fiscal assim motivou a infração (fls. 17 e 18): (...) 32. Na análise dos lançamentos contábeis da empresa, nos anoscalendário objeto da fiscalização (2008 e 2009), identificamos registros a débito da conta 1.1.2.14.0001 – Saldos a Regularizar, nos montantes de R$ 12.116.643,49 (2008) e R$ 12.618.038,31 (2009). 33. Em 12/07/2012, o contribuinte foi intimado a justificar e apresentar os elementos comprobatórios de todos os lançamentos efetuados na conta 1.1.2.14.0001 – Saldos a Regularizar. Em sua resposta, limitou se a informar que se trata de “A conta contábil SALDOS A REGULARIZAR é uma conta transitória e abriga, por exemplo, ICMS sobre as transferências de produtos entre os estabelecimentos”. 34. Tendo em vista que a empresa não apresentou justificativa quanto às contrapartidas nessa conta transitória, provenientes da conta 1.1.1.02.0025 – Banco do Brasil – Movimento (que em 2008, totalizou R$ 7.394.680,12 e em 2009, R$ 6.933.900,51), em 04/10/2012, lavramos o Termo de Intimação Fiscal 002, reintimandoo a apresentar elementos comprobatórios de lançamentos e cópias de cheques referentes a pagamentos efetuados a crédito da conta 1.1.1.02.0025 – Banco do Brasil – Movimento e a débito da conta 1.1.2.14.001 – Saldos a Regularizar. 35. Em sua resposta relativamente a esse pedido, a empresa nada apresentou, limitandose a afirmar que: Finalmente, quanto aos valores constantes dos itens 3 e 4, o ora Suplicante verificou que, mesmo passados algum tempo, os mesmos continuam sem classificação adequada, por isto não foram considerados como despesas dedutíveis no período em questão. 36. Novamente oportunizada a apresentar os comprovantes de tais pagamentos, através de reintimações fiscais cientificadas em 14/12/2012 e 27/02/2013, a empresa nada respondeu. 37. Tal fato demonstra o intuito da empresa em não esclarecer sobre a veracidade das operações registradas a crédito da conta 1.1.1.02.0025 Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10425.720713/201389 Resolução nº 2202000.580 S2C2T2 Fl. 4 3 – Banco do Brasil – Movimento com contrapartida na conta 1.1.2.14.0001 – Saldos a Regularizar. 38. Do exposto, ficar caracterizada a existência de pagamentos ou entrega de recursos efetuados sem a devida comprovação da operação ou sua causa, incorrendo pois, na infração prevista no § 1º do artigo 674, do RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999); sujeitando se a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte (IRRF) à alíquota de 35%, considerando tais pagamentos já líquidos do imposto. (...) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 26/04/2013, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, com os seguintes argumentos de defesa: I. foi intimado a comprovar 23 lançamentos, no valor de R$ 357.225,41 em 2008 e R$ 249.610,14 no ano de 2009. No entanto, surpreendentemente, o auto de infração relaciona quase 1.800 lançamentos. Assim, sobre esses 1.777 lançamentos o impugnante não foi intimado a se pronunciar. Devese evidenciar que no bojo dessa intimação a fiscalização havia demandado o contribuinte a esclarecer dezenas de milhares de eventos, relacionados à conta Cheques em Cobrança e as notas fiscais a eles referentes. Dessa forma, claramente houve vulneração ao princípio do devido processo legal, pois o fiscalizado não foi intimado a produzir a prova de seu direito. Apenas para exemplificar, escolhendo aleatoriamente os lançamentos dos meses de junho e julho de 2009, o fiscalizado, neste curto espaço de tempo da impugnação, agora comprovou 75% dos lançamentos, conforme planilha em anexo (planilha denominada identificação de beneficiários dos pagamentos NÃO levados a despesas – fls. 879 a 878). Se lhe fosse dado tempo, comprovaria todos os lançamentos; II. considerando que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 27/03/2013, deve ser reconhecido que a decadência, contada na forma do art. 150, § 4º, do CTN, extinguiu os créditos tributários lançados até 26/03/2008; III. a jurisprudência somente admite a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95 quando houver pagamento a sócio, sem causa e/ou a beneficiário não identificado, estando a pessoa jurídica em fase préoperacional, isto pela impossibilidade de tributação pelo IRPJ; quando houver pagamentos a sócio sem causa, pagamentos a beneficiários outros não identificados e/ou sem causa que não caracterizem custo ou despesa, tais como aqueles representativos de aquisição de algum ativo, sempre ausente a hipótese de redução de lucro líquido, que é própria da tributação pelo lucro real; e quando houver qualquer pagamento nos casos em que a tributação eleita pela pessoa jurídica tenha como base o lucro presumido, arbitrado ou simples. Isso porque, após o art. 24 da Lei nº 9.249/95, que isentou do IR a distribuição de lucros e dividendos, optouse por tributar a fonte dos rendimentos, não mais tributando os beneficiários. IV. Indo além, devese lembrar que o art. 61 da Lei nº 8.981/95 convivia, de forma excludente, com o art. 44 da Lei nº 8.541/92, com a Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10425.720713/201389 Resolução nº 2202000.580 S2C2T2 Fl. 5 4 redação dada pela Lei nº 9.064/95, este que considerava automaticamente distribuídos aos sócios os valores decorrentes de qualquer procedimento (inclusive omissão de receitas) que reduzisse o lucro líquido, tributando tal distribuição com IRRF exclusive à alíquota de 25%, sem prejuízo da tributação da pessoa jurídica (fonte pagadora). Dessa forma, qualquer situação que coubesse a aplicação do art. 44 da Lei nº 8.451/92, como no caso dos autos, não seria cabível a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Resumindo, o art. 61 da Lei nº 8.981/95 somente poderia ser aplicado naquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é fundamental, quando este mesmo valor que servir de base ao lançamento não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente sob incidência do IRPJ. Após analisar a matéria relativa a IRRF, a DRJ julgou a impugnação improcedente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2008, 2009 NULIDADE. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO A COMPROVAR OS PAGAMENTOS CONTROVERTIDOS. INOCORRÊNCIA. A defesa do impugnante se alicerça no fato de que a fiscalização somente o intimou a comprovar um número menor dos pagamentos que, no final, constaram na autuação, como se tinha visto nas três últimas intimações, o que teria cerceado o seu direito de defesa. Ora, primeiro a fiscalização o intimou a comprovar todos os lançamentos na conta contábil 1.1.2.14.0001Saldos a Regularizar e somente depois restringiu a um conjunto menor de pagamentos. As quatro intimações indicaram claramente que o sujeito passivo não tinha a documentação de suporte dos registros contábeis ou não queria desnudar sua causa e beneficiários. Não se pode alegar qualquer cerceamento do direito de defesa, quando a fiscalização, repisese, o intimou a comprovar todos os lançamentos contábeis na conta em debate (na primeira intimação). IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10425.720713/201389 Resolução nº 2202000.580 S2C2T2 Fl. 6 5 constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). IRRF. ART. 61 DA LEI Nº 8.841/92. INVIABILIDADE DA INCIDÊNCIA NO REGIME DA DISTRIBUIÇÃO ISENTA DE LUCROS E DIVIDENDOS. TESE INVIÁVEL. O art. 61 da Lei nº 8.981/95 continua vigente e não se tem notícia da declaração de sua inconstitucionalidade. Qualquer alteração nessa modalidade de tributação dependeria de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal ou de lege ferenda, sendo inviável na via administrativa afastar uma lei vigente, pois se estaria decretando a inconstitucionalidade, de maneira incidental, das normas do art. 61 da Lei n 8.981/95, o que, é cediço, é vedado ao julgador administrativo (para tanto, vide a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada desta decisão, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, o Recurso Voluntário, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. Acrescentese, por pertinente, que a fiscalização junta agora o Anexo I que alega identificar os beneficiários dos respectivos pagamentos e o Anexo II comprovantes dos pagamentos. É o relatório. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10425.720713/201389 Resolução nº 2202000.580 S2C2T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário esta dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade recorrida considerou como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado lançamentos a débito da conta 1.1.2.14.0001 SALDOS A REGULARIZAR, com contrapartida da conta 1.1.1.02.0025 – BANCO DO BRASIL – MOVIMENTO (vide listagem de todos esses registros contábeis nas fls. 617 a 650, nos montantes de R$12.116.643,49 (AC2008) e R$ 12.618.038,31 (AC2009) – fl. 17), nos valores globais de pagamento de R$ 7.396.435,84 (AC2008) e R$ 6.935.803,98 (AC2009), como se vê nos pagamentos listados (sem comprovação de causa da operação ou a beneficiário não identificado) nas fls. 652 a 701. A fiscalização asseverou que oportunizou ao contribuinte a apresentar os comprovantes dos pagamentos acima, através de reintimações notificadas em 14/12/2012 e 27/02/2013, porém a empresa nada respondeu (fl. 17). A defesa do recorrente se alicerça no fato de que a fiscalização somente o intimou a comprovar um número diminuto dos pagamentos, como se viu nas 03 últimas intimações, o que teria cerceado o seu direito de defesa. A autoridade de primeira instância apontou no voto condutor do acórdão: Ocorre que compulsando as planilhas que comprovariam a causa e os beneficiários dos pagamentos controvertidos (fls. 879 a 899), vêse que o impugnante apenas juntou uma planilha, sem qualquer documentação de suporte. Alega, por exemplo, que os pagamentos controvertidos em 18/06/2009, no importe total de R$ 17.639,59 (fl. 685 c/c 637 – lançamentos contábeis de R$ 10.933,75 e R$ 6.705,84), com diversos cheques e avisos de débito, serviram para pagamento de prestação de serviços, salários, FGTS, telefonia e plano de saúde do Diretor, porém não traz qualquer documentação que demonstre que os beneficiários receberam os valores (recibos, créditos em contas, cópias dos cheques com indicação do favorecido, notas fiscais de prestação de serviços etc.) ou que, no caso dos assalariados, que são empregados da autuada. O mesmo pode se dizer das demais tentativas de comprovação da causa e beneficiários das operações das planilhas trazidas na impugnação. Se o contribuinte confessou que as despesas de tais pagamentos sequer foram contabilizadas como despesas, se não fez qualquer prova documental da causa e dos beneficiários dessas operações, não se pode agora acatar uma mera planilha, sem documentação de suporte, para afastar a tributação sobre tais pagamentos. Na verdade, a impugnação demonstrou mais uma vez que o contribuinte não tem os documentos que comprovem as causas e beneficiários dessas operações, pois não parece crível que, intimado 04 vezes, autuado na sequência, não consiga trazer aos autos qualquer documento que demonstre quem se beneficiou dos pagamentos ou como Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10425.720713/201389 Resolução nº 2202000.580 S2C2T2 Fl. 8 7 tais pagamentos beneficiaram a operação da empresa. A impugnação, mais uma vez, foi evasiva, ficando o contribuinte a se ancorar em uma nulidade, que não existiu, pois as intimações da autoridade fiscal deixaram claro que o contribuinte se negava a desnudar as operações controvertidas e, mesmo na impugnação, momento processual em que o contribuinte pode ainda produzir a prova de seu direito, ele não ofertou qualquer prova iniludível da causa e beneficiários dos pagamentos, trazendo uma mera planilha. E aqui não se diga que o prazo da impugnação não seria suficiente para efetuar a comprovação. Vejase que as demais imputações ao contribuinte no processo nº 10425.720712/201334, aqui também em julgamento nesta sessão, foram matérias combatidas apenas com argumentações de direito. Em termos de prova, apenas nestes autos o contribuinte tinha que produzir uma robusta prova documental, no prazo de 30 dias, suficiente para tanto. Não produziu qualquer prova, sequer parcialmente, trazendo, apenas e tão somente, uma planilha, sem qualquer documentação de suporte das operações de pagamento. Nesse termos notase que a autoridade recorrida pautou a sua decisão no fato de que não haviam provas. Ocorre que o recorrente no recurso voluntário, acosta vasta documentação de fls 961 a 1471, onde em dois anexos alega apresentar as provas definitivas da causa dos pagamentos. Considerando o teor do recurso, bem como os aspectos fundamentalmente fáticos citados no recurso, penso que no caso concreto, o recorrente tem direito a ter seus argumentos apreciados. Diante dos fatos, e tendo em vista a documentação acostada no recurso voluntário, e os argumentos enunciados no recurso, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento e eventual alegação de cerceamento de defesa, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 – Que a fiscalização aprecie os argumentos/provas, particularmente aquelas previstas no recurso voluntário, sobre a validade das provas apresentadas, bem como realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações propostas pela recorrente, particularmente no que toca a comprovação da causa dos pagamentos efetuados; 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11762.720090/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 09/01/2008 a 12/07/2011
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INEXATIDÃO DE INFORMAÇÃO. AUSENCIA DE PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. PENALIDADE CANCELADA.
Ainda que entregue com informação inexata nas Declarações de Importação, uma vez reconhecida pela Autoridade Fiscal a ausência de prejuízo ao controle aduaneiro, deve ser cancelada a multa aplicada ao sujeito passivo.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termo do relator.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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INEXATIDÃO DE INFORMAÇÃO. AUSENCIA DE PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. PENALIDADE CANCELADA. Ainda que entregue com informação inexata nas Declarações de Importação, uma vez reconhecida pela Autoridade Fiscal a ausência de prejuízo ao controle aduaneiro, deve ser cancelada a multa aplicada ao sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termo do relator. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 90 /2 01 2- 03 Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 11762.720090/201203 Acórdão n.º 3402002.358 S3C4T2 Fl. 1.123 3 Relatório Trata o processo de auto de infração no valor do R$ 11.597.503,29 (onze milhões, quinhentos e noventa e sete mil, quinhentos e três reais e vinte e nove centavos), lavrado em 13/12/2012 e cuja descrição da infração, constante às fls. 02 – numeração eletrônica, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, restou consignada como sendo “Omissão ou informação inexata ou incompleta”. De acordo com o conteúdo da autuação, o lançamento tem como causa o erro na eleição do método de valoração aduaneira por parte da Recorrida e, de outro, não foram encontrados elementos que justificassem a modificação do valor declarado, incorrendo em ofensa ao disposto no art. 711, do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, Regulamento Aduaneiro (RA/2009). DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do lançamento em 30/12/2012, conforme termo de ciência por de decurso de prazo de fls. 987, o contribuinte apresentou tempestivamente Impugnação Administrativa em 17/01/2013 (fls. 994/ 1012 numeração eletrônica), que por bem sintetizados pela DRJ/FOR merecem ser transcritos: Apesar dos valores declarados terem sido aceitos pela fiscalização, o auto de infração baseouse em “semelhança” para aplicação da multa, conforme consta na fl. 03 do Termo de Verificação; ao aplicar uma multa de mais de onze milhões de reais com base em mera e suposta semelhança, o Fisco violou os princípios da legalidade e da tipicidade, faltando robusto alicerce fático e fundamentação legal para a utilização do sexto método e para a aplicação da multa; não há previsão legal para aplicação de multa por analogia, razão pela qual se impõe o cancelamento do auto de infração; para fins de se descaracterizar o primeiro método de valoração, a fiscalização deveria ter apresentado provas e elementos de caráter objetivo, consistentes e capazes de justificar a adoção de outro método, o que não ocorreu no presente caso. A fiscalização sequer especificou quais contratos deram origem às DI, limitandose a alegações vagas, sem nenhuma comprovação; o Fisco não fez prova das relações jurídicas que deram origem às DI. Tampouco comprovou a descaracterização das figuras negociais utilizadas na importação para indicação de outra Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 figura contratual, a qual seria vedada a aplicação do primeiro método;“ Há a necessidade de se fazer uma leitura dos métodos de valoração aduaneira consentânea à existência dos regimes aduaneiros especiais, pois não existe só a figura contratual da compra e venda nas importações. As importações não se restringem a compras e vendas. Os regimes aduaneiros especiais são uma realidade que acabam comportando outras figuras negociais ao se aplicar um dos métodos de valoração na importação”; Devese questionar qual o valor que se busca preservar com a aplicação da multa, no caso de adoção do método supostamente equivocado de valoração aduaneira, para se verificar a sua aplicação ou não; Da leitura do § 1º do art. 711, do Decreto nº 6.759/09, verifica se que a multa somente poderia ser aplicada em relação às informações previstas nos seus incs. I a V. Contudo, a autoridade fiscal não indicou como incorretas ou omissas nenhuma das informações ali previstas, portanto, inaplicável o dispositivo ao presente caso; A IN SRF nº 327, de 9 de maio de 2003, em seu anexo II, traz os formulários a serem preenchidos pelos contribuinte para “Declaração de Valor Aduaneiro” relativamente aos seis métodos de apuração. De um simples exame percebese que, o método 1º utilizado pela contribuinte – por ser muito mais extenso e pormenorizado, exige a prestação de uma gama de informações muito maior do que o método 6º, indicado pela fiscalização como sendo o que deveria ter sido utilizado no caso; o montante integral do crédito tributário foi adequadamente recolhido ao Erário e as informações requeridas por este foram corretamente prestadas pelo contribuinte, inclusive sendo fornecidas informações a mais que o necessário. Portanto, a finalidade da norma tributária foi alcançada, razão pela qual o contribuinte não pode ser punido, uma vez que não há violação à norma, falecendo motivo para a autuação. Em seguida, o impugnante solicita que, caso mantida a multa, seja ela reduzida a patamares razoáveis, pois “não é razoável apenar o contribuinte com multa de mais de onze milhões de reais pelo suposto descumprimento de uma mera formalidade que não traz qualquer prejuízo ao Erário”, sem afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade previstos no art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/99. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 11762.720090/201203 Acórdão n.º 3402002.358 S3C4T2 Fl. 1.124 5 houve por bem em, por maioria de votos, considerar procedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0825.741, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 09/01/2008 a 12/07/2011 INFORMAÇÃO INEXATA NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. ATIPICIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA. Em obediência ao princípio da tipicidade, somente se aplica a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, ao beneficiário de regime que prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial, se ficar demonstrado o prejuízo à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento se absteve de analisar as questões de nulidade trazidas pela Recorrida vez que a aplicação do rito adotado pelo Fiscal não repercutiu de nenhuma forma no lançamento. Com relação ao mérito, a DRJ/FOR, nos termos do voto do Relator, houve por bem em cancelar a autuação discutida, por entender que a Recorrida cometeu um equívoco no preenchimento das DI quanto ao método efetivamente utilizado, concluindo que a auditoria de valor não sofreu qualquer prejuízo e transcorreu dentro dos padrões de normalidade, culminando com a conclusão de que a Recorrida, com exceção do equívoco quanto ao método informado na DI, descreveu detalhadamente suas operações, uma vez que não há nada que anule todas as demais informações prestadas, e que também, segundo o entendimento da fiscalização, aplicou corretamente o AVA, pois após o uso da metodologia daquele Acordo, chegouse aos mesmos valores declarados pelo beneficiário do regime. Por fim, essencialmente a DRJ houve por bem em expor seu entendimento de que a Autoridade Fiscalizadora não logrou êxito em demonstrar de que modo a infração por informação inexata nas DI’s, quanto ao método de valoração, teria prejudicado a “determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado”, sendo insuficientes os elementos apresentados pela acusação para caracterizar a conduta do autuado como aquela do tipo abstrato da lei, exorando o crédito tributário exigido. DO RECURSO DE OFÍCIO Por ter sido atingida a alçada prevista na Portaria Ministerial da Fazenda nº. 03/2008 houve recurso de ofício pela DRJ/FOR. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até as folhas 1120 (mil, cento e vinte), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 11762.720090/201203 Acórdão n.º 3402002.358 S3C4T2 Fl. 1.125 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Inicialmente cumpre fazer breve panorama acerca da valoração aduaneira, conforme diretrizes encontradas no Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT, denominado Acordo de Valoração Aduaneira (AVA GATT), previsto no Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994. Tais normas sobre a valoração acima citadas determinam que o valor aduaneiro da mercadoria importada deve ser determinado mediante a aplicação sucessiva e sequencial, do primeiro ao último método (são seis métodos) de valoração até se chegar àquele por meio do qual se possa determinar o valor aduaneiro. O primeiro, e principal, método previsto no art. 1º combinado com o art. 8º do AVA/GATT, baseiase no “valor da transação”, isto é, no preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, existindo outros cinco métodos substitutivos, quais sejam: 1. “Valor de Transação de Mercadorias Idênticas” (art. 2º); 2. “Valor de Transação de Mercadorias Similares” (art. 3º); 3. “Valor Dedutivo” (art. 5º); 4. “Valor Computado” (art. 6º) e 5. “Valor de Último Recurso” (art. 7º). Tais “Métodos” devem ser aplicados na sequência enumerada no Acordo, com a ressalva prevista no art. 4º, que permite ao importador solicitar a inversão da ordem de aplicação dos métodos referidos nos artigos 5º e 6º. Observese que tais métodos são “métodos substitutivos de valoração”, que se aplicam apenas quando o método do “valor de transação” não se aplicar ao caso. No caso em tela, a Recorrida, quando da apresentação de suas Declarações de Importação – DI informou a utilização do primeiro método de valoração, correspondente ao “valor da transação”. Para tanto, preencheu o formulário padrão anexo, no qual informou pormenorizadamente todos os elementos formadores e que interferem no preço da transação e da negociação em si, deixando transparente os detalhes da operação comercial que estava realizando. Porém, a fiscalização entendeu que não se aplicaria o primeiro método de valoração aduaneira, justificando nos seguintes termos: Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 8 “impossibilidade de aplicação do primeiro método, no presente caso, é jurídica, vez que há incompatibilidade da operação efetivamente realizada com a premissa legal (venda), impondo, de plano, o afastamento do método de valoração, o que vale dizer que, em princípio, não se trata dos casos de recusa do valor declarado – ao contrário, os valores declarados deverão ser aceitos, exceto quando houver comprovação efetiva de alguma irregularidade ou erro nos valores declarados nas DI”. Diante disso, a fiscalização submeteu à valoração aduaneira os produtos importados pelo contribuinte aplicando o 6º método de valoração chegando exatamente aos mesmos valores declarados pelo importador, “mediante os documentos comerciais apresentados pelo contribuinte, vez que não existe qualquer elemento que lhes infirme a veracidade”. Ou seja, ficou plenamente demonstrado pela fiscalização que a Recorrida se equivocou ao informar nas DI’s que teria utilizado o 1º método, bem como que a valoração das mercadorias feita pelo importador foi considerada correta e adotada pela fiscalização. No que tange ao fato de a informação inexata prestada pela Recorrida constituir conduta ensejadora da multa aplicada, entendo da mesma forma da conclusão do voto condutor do Acórdão 0825.741, objeto deste Recurso de Ofício, no tocante a conclusão que chegou quanto ao referido ponto. Como bem lançada a fundamentação utilizada pela Autoridade Julgadora em Primeira Instância, peço vênia para transcrevêla uma vez que entendo não mereça reforma: No caso sob exame, a fundamentação do autuante é toda baseada na impossibilidade de aplicação do 1º método nas operações do importador, em virtude de sua natureza. Acontece que, como já analisado, não houve efetivamente a aplicação desse método. O que ocorreu foi um equívoco no preenchimento das DI quanto ao método efetivamente utilizado. Vêse que o legislador ordinário não prestigiou a informação quanto ao método na DI para constar de forma expressa no § 2º, do art. 69, da Lei nº 10.833/03, entre as julgadas necessárias para a “descrição detalhada da operação”, mas, além disso, ainda que se entenda que aquela lista é exemplificativa, para que o equívoco que ora se comenta possa ser penalizado na forma da lei é imprescindível a demonstração da tipicidade da conduta. Extraise da lei que o beneficiário do regime deverá ser penalizado se a informação que omitir ou prestar de forma inexata prejudicar a “determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado”, se a sua operação não estiver detalhadamente descrita. Para verificar a questão é preciso traçar, em breves linhas, o histórico do modelo administrativo de controle do valor aduaneiro no Brasil. A seleção automática de mercadoria para fins de controle do valor ocorria, no passado com o direcionamento da DI para o canal cinza de conferência aduaneira do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), cujos critérios decorriam da combinação de parâmetros gerenciados pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana) desta Secretaria. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 11762.720090/201203 Acórdão n.º 3402002.358 S3C4T2 Fl. 1.126 9 No entanto, a seleção automática para controle do valor ocasionou significativo acúmulo de processos administrativos relativos à matéria, falta de uniformidade de procedimentos, multiplicidade de esforços, entre outros problemas. Além disso, constatouse que parte das operações selecionadas ensejava a aplicação de procedimentos e penalidades diversos daqueles previstos na legislação de regência do AVA, relacionados com o combate à fraude. Com base nessa experiência, procedeuse à reavaliação do canal cinza, decidindose que o mesmo deixaria de ser um canal da valoração aduaneira, passando a ser, com a publicação da IN SRF nº 206, de 25 de setembro de 2002, um canal de conferência aduaneira em procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude. Em seguida, a partir da publicação da IN SRF nº 327/03, que instituiu um novo modelo de controle administrativo do valor aduaneiro, consolidouse formalmente o entendimento de que os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação deveriam ser realizados após o despacho de importação, nos termos estabelecidos no art. 31 da norma: Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira. Entre outras medidas, aboliuse os critérios de seleção no Siscomex vinculados ao tema e a Administração redirecionou seus esforços nessa matéria para as auditorias pó despacho de empresas que realizam operações legítimas de comércio. No novo modelo, a rotina de exame conclusivo do valor aduaneiro foi absorvida pelos procedimentos de uma auditoria de zona secundária. A apresentação da Declaração de Valor Aduaneiro (DVA), inclusive, deixou de ser obrigatória no momento do despacho (“poderá ser exigida Declaração de Valor Aduaneiro (DVA) relativa à mercadoria objeto de valoração, conforme o método aplicado (...)” art.30, § 2º, inc. I, da IN SRF nº 327/03). Daí porque a informação sobre o método utilizado para a valoração não ter influência, no momento do despacho, na “determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado”. Além disso, em consulta ao histórico dos despachos, verificase que, como resultado da seleção parametrizada, cinco DI foram direcionadas para o canal amarelo (42%) e sete para o canal vermelho (58%), denotando perfeita normalidade, tendo em vista que o canal mais rígido que estes, o cinza, se justificaria apenas na presença de indícios de fraude, o que não se cogitou ser o caso de nenhuma das operações acompanhadas neste processo. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 10 Não se pode afirmar, portanto, que o erro do interessado tenha prejudicado a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado no momento do despacho aduaneiro. Desta forma, assim como ocorreu em julgamento da DRJ em Fortaleza, não há que se admitir a manutenção do auto de infração em desfavor da Recorrida. Tenho, além disso, que para se aplicar o 6° método substitutivo de valoração aduaneira, ainda que fosse para inferir se o método aplicado pelo contribuinte estaria correto em termos de valoração do valor da transação, teria a fiscalização que descartar, fundamentadamente, na ordem, todos os demais métodos, iniciandose pelo 2° método substitutivo, o que, na hipótese, não foi o procedimento adotado pela autoridade autuante. Desta forma, ao efetivar o cotejo entre o método ordinário, do “valor da transação” adotado pelo contribuinte, e “a fortiori” comparálo com o 6° método para aquilatar se houve falta de recolhimento de tributo ou lesão ao controle aduaneiro, a autoridade preteriu a forma prevista que determinava a eliminação dos demais métodos, antes de se poder lançar mão do 6° método. Deste modo, também não se sustenta o lançamento por este formalismo previsto em lei. De todo modo, a fundamentação já utilizada pela DRJ/FOR para o deslinde da causa é suficiente para que não subsista a exigência em questão, pelo que a adoto como forma de decidir. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exoneração do crédito tributário nestes e naqueles termos. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
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Numero do processo: 10280.004996/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.197
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.004996/200681 Recurso nº 999999 Despacho nº 220200.197 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de abril de 2012 Assunto Sobrestamento de Processo Recorrente LEONICE DOS PASSOS ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10280.004996/200681 Despacho n.º 220200.197 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BelémPA que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, do exercício de 2004, anocalendário de 2003 (fls. 56 a 69), sobre APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto durante o ano de 2003, apurado mediante a quebra do sigilo da conta do cartão de crédito, com a requisição pela d. Autoridade Lançadora endereçada ao Banco Citicard S/A, para fornecimento de extratos e lançamentos do cartão de crédito em nome da Recorrente (RMF de fls. 17/19 e extratos às fls. 29/48). É o breve relatório Voto Tratase de APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto no ano de 2003, apurado mediante a quebra do sigilo da conta do cartão de crédito, com a requisição dos extratos do cartão (RMF de fls. 17/19 e extratos às fls. 29/48). Em face da existência de Repercussão Geral existente no C. STF, objeto do RE n° 601.314 sobre a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, necessário o sobrestamento do feito por cuidar da quebra do sigilo do cartão de crédito, para ulterior deliberação, na forma do art. 62A, do Reg. Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22.06.2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o exposto, diante da quebra do sigilo do cartão de crédito, sem autorização judicial, para apuração da omissão de rendimentos, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1° e 2°, do RICARF, para decisão após solução da Repercussão Geral pelo C. STF. Odmir Fernandes – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10650.901325/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 25 /2 01 2- 52 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor da Cofins não cumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2008, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito da COFINS não cumulativa reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$2.141.712,25, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou COFINS devida a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$257.176,06, sendo R$116.327,15 de COFINS não cumulativa devido e R$87.245,36 de multa de ofício e R$53.603,55 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito da contribuição reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito da COFINS não cumulativa homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901325/201252 Acórdão n.º 3301002.302 S3C3T1 Fl. 194 3 período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos da COFINS não cumulativa, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos da COFINS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração – falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte – caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0945.071, datado de 18/07/2013, às fls. 138/152, sob as seguintes ementas: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 157/176), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – a Decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora em Minas Gerais seja reformada e seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia remanescente de R$ 1.884.536,19, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo à COFINS não cumulativa relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro o § 4º do artigo 150 e do parágrafo único do artigo 149 do CTN, em razão de inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, o que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os valores glosados pela Fiscalização a título de COFINS não cumulativa, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007 no valor de R$ 6.006.174,08; V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente a decadência do direito de lançar relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 2006 (janeiro a dezembro), e restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18; VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo à COFINS não cumulativa, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições da COFINS, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos da COFINS objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e com fulcro Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901325/201252 Acórdão n.º 3301002.302 S3C3T1 Fl. 195 5 no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos valores glosados para o período de 01/2006 a 08/2007, no valor de R$ 6.006.174,08; (iv) reconhecimento da decadência do direito de lançar, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2006, e seja restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18, a questão a ser decidida neste processo é o ressarcimento do saldo credor da COFINS não cumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2008, no valor original de R$1.440.951,94, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901325/201252 Acórdão n.º 3301002.302 S3C3T1 Fl. 196 7 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...].” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901325/201252 Acórdão n.º 3301002.302 S3C3T1 Fl. 197 9 Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos da COFINS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 7,6 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que onerados pela contribuição; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato, por terem sido adquiridos com alíquota zero, não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foi provada a aquisições dos bens; a recorrente não contestou esta fundamentação; 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e a bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, geram créditos; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901325/201252 Acórdão n.º 3301002.302 S3C3T1 Fl. 198 11 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos a devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo, nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.730146/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
AGÊNCIAS DE VIAGEM E TURISMO. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. RECEITAS DE SERVIÇOS.
As atividades relacionadas com a prestação de serviços de agências de viagem configuram intermediação de negócios, sendo que os valores relativos aos serviços prestados por empresas aéreas e rodoviárias, hotéis, locadoras de veículos e prestadoras de serviços afins não devem ser incluídas na receita bruta das referidas agências, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda.
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS.
Os custos e as despesas operacionais devem estar lastreados em documentação hábil e idônea, cabendo a sua glosa no caso de falta de apresentação de tais elementos comprobatórios.
LUCRO REAL. EXCLUSÕES.
São admitidas, para efeito de determinação do lucro real, exclusões ao lucro líquido, desde que legalmente previstas, registradas no LALUR, justificadas e comprovadas pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1301-001.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 AGÊNCIAS DE VIAGEM E TURISMO. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. RECEITAS DE SERVIÇOS. As atividades relacionadas com a prestação de serviços de agências de viagem configuram intermediação de negócios, sendo que os valores relativos aos serviços prestados por empresas aéreas e rodoviárias, hotéis, locadoras de veículos e prestadoras de serviços afins não devem ser incluídas na receita bruta das referidas agências, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. Os custos e as despesas operacionais devem estar lastreados em documentação hábil e idônea, cabendo a sua glosa no caso de falta de apresentação de tais elementos comprobatórios. LUCRO REAL. EXCLUSÕES. São admitidas, para efeito de determinação do lucro real, exclusões ao lucro líquido, desde que legalmente previstas, registradas no LALUR, justificadas e comprovadas pela pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 01 46 /2 01 1- 14 Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recursos Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA. Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao período de apuração compreendido de julho a dezembro do anocalendário 2007, relativos ao IRPJ (fls. 289 – 295) e à CSLL (fls. 299 – 304), acrescidos da multa de ofício e de juros de mora. Segundo atestouse, o Auto de Infração de IRPJ foi proveniente da insuficiência de recolhimento em virtude de exclusões efetuadas indevidamente, além de custos de serviços não integralmente comprovados por meio de documentação hábil e idônea, passando o prejuízo fiscal declarado para um lucro real de R$ 21.203.058,72, conforme Relatório Fiscal em anexo. O enquadramento legal aponta infração aos artigos 247 e 841, inciso IV, do RIR/1999. Já o Auto de Infração relativo à CSLL decorreu da mesma matéria tratada do Auto de Infração de IRPJ e o enquadramento legal aponta infração ao art. 2º da Lei nº 7.689/88, com a redação dada pelo ar; art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; e art. 1º da Lei nº 9.316/96. No Relatório Fiscal (fls. 252 – 277), no que tange, especificamente, aos lançamentos de IRPJ e CSLL, uma vez que o Relatório discorre também sobre outros lançamentos, a título de PIS, COFINS e Simples Federal, tratados em processos próprios, a Fiscalização assentou que a recorrente dedicavase exclusivamente às atividades de “agência de viagem, turismo e receptivo”, conforme contrato social e alteração contratual, contando com matriz e 14 filiais ativas, sendo que no 1º semestre de 2007, sua opção de tributação fora pelo Simples Federal, tendo apresentado PJSI/2008 com uma receita bruta acumulada no valor de R$ 823.287,69. No 2º semestre de 2007, optou pelo lucro real anual, declarando receita de serviços de R$ 16.788.675,32 e apurando prejuízo fiscal, tendo apresentado no 2º semestre de 2007, DCTF sem nenhum débito, incluindo PIS e COFINS e da mesma forma, entregou o DACON, como optante pelo regime nãocumulativo e todo “zerado”, nos meses de julho a dezembro de 2007, sem apuração de créditos ou débitos. Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 3 3 Relata a Fiscalização que por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, cientificado em 23/08/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão, relativos aos meses de julho a dezembro de 2007, e o Livro Caixa (se houver), relativo aos meses de janeiro a junho de 2007, o contrato social e alterações, os comprovantes dos custos declarados na DIPJ/2008, nos valores de R$ 9.745.652,35 (outros custos) e R$ 1.254.783,00 (material aplicado na produção de serviços); a justificar o valor das exclusões do lucro real (R$17.140.278,60), como também a entrega da DCTF e do DACON do 2º semestre de 2007 sem nenhum débito declarado, sendo que em 10/09/2010, o contribuinte entregou a documentação demandada, exceto o Livro Razão e o ato constitutivo, reputando que ao contrário do declarado em DACON, não adota a nãocumulatividade para apuração do PIS e da COFINS, em face da retenção na fonte desses tributos, razão pela qual não haveria débitos desses tributos em 2007. Com relação às receitas da atividade, afirmou que se referem unicamente às comissões percebidas em razão da venda de bilhetes de viagem e pacotes turísticos, sendo intimada apresentar os respectivos contratos firmados. Afirmou ainda que atua como mediadora de operações de viagens e turismo, envolvendo empresas aéreas, hotéis, pacotes turísticos e cruzeiros. Em 14/09/2010, o contribuinte gerou os arquivos digitais de sua contabilidade, que serviram de base para a auditoria fiscal; Consta ainda que na DIPJ/2008 original a empresa declarou custos de R$ 11.000.435,35 e exclusões de R$17.140.278,60. Na DCTF do 2º semestre de 2007 não há débitos declarados de nenhum tributo. Em 09/09/2010, já durante a ação fiscal, o contribuinte retificou tanto a DIPJ/2008, aumentando os custos para R$ 28.516.196,74, como a referida DCTF, declarando débitos de PIS e COFINS. Finalmente, em 04/11/2010, o contribuinte retificou novamente a DCTF, “zerando” todos os campos de tributos federais. Em 17/11/2010, o contribuinte informou que efetuou as retificações da DIPJ, DCTF e DACON após o início da ação fiscal, admitindo que mesmo a DCTF entregue em 09/09/2010, com débitos de PIS e COFINS, contém erro e informou ainda que o total dos custos declarados, de R$ 11.000.435,35 (“Outros Custos” e “Material Aplicado na Produção”), na verdade, soma R$ 28.516.196,74, e que possuiria documentação que comprova tais fatos. A Fiscalização prosseguiu com o intuito de averiguar os seguintes fatos: 1) a exatidão no recolhimento do Simples Federal no período de janeiro a junho de 2007, tendo como base a receita bruta escriturada; 2) a existência de documentação hábil e idônea para comprovar os custos/despesas declarados na DIPJ/2008 e; 3) a existência de valores devidos e não recolhidos de PIS e COFINS para o 2º semestre de 2007. Em 06/12/2010, o contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0004, a apresentar os comprovantes dos custos e despesas alegados na DIPJ/2008 retificada, respectivamente, de R$ 28.516.196,74 e R$ 2.086.113,06. O contribuinte respondeu que tais gastos dizem respeito ao período de janeiro a dezembro de 2007, ou seja, compreenderam também o período em que optou pelo Simples Federal. Posteriormente, apresentou novos valores de custos e despesas, supostamente corretos, para o período de julho a dezembro de 2007, DRE, cópia do LALUR e balancete. Referiuse que na contabilidade existem duas contas de receitas: a nº 3110.0000.00002, em que são lançadas “Receitas de Serviços”, e a nº 3110.0001.00001, em que são lançadas “Outras Receitas”. Ambas as contas de resultado têm como contrapartidas débitos na conta “Clientes”. Arguido, no Termo de Intimação nº 0008, a respeito do não Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 recolhimento do Simples sobre o total das receitas, alegou que as “Outras Receitas”, embora transitem pelo Disponível da empresa, não lhe pertencem, mas sim a terceiros, a exemplo de hotéis e empresas aéreas, pois são recebidos diretamente dos clientes quando da venda dos serviços. Afirmou que suas receitas próprias são as comissões recebidas desses terceiros, conforme contratos entregues à fiscalização, contabilizadas como “Receitas de Serviços”. A soma das duas contas de receitas, de janeiro a junho de 2007, é de R$ 13.261.479,64, enquanto as “Receitas de Serviços” totalizam apenas R$ 833.086,15. O contribuinte apresentou os comprovantes de recolhimento do Simples sobre R$ 833.086,15 e os contratos firmados com a Azul Linhas Aéreas Brasileiras e Gol Transportes Aéreos mostram que a Autuada está autorizada a comercializar passagens aéreas de voos por elas operados, recebendo dos clientes o valor das passagens, taxas, etc, e adicionalmente sua remuneração, repassando às companhias o preço líquido das passagens e taxas, mediante acertos periódicos, não estando especificado o valor da comissão a que faria jus a fiscalizada em razão das passagens vendidas. Não foram apresentados contratos firmados com redes de hotéis, empresas de receptivos ou outras que componham os terceiros envolvidos com a venda de pacotes de viagens. A fiscalizada atua tanto na venda de pacotes de turismo nacionais e internacionais quanto na venda avulsa de passagens aéreas e diárias de hotéis; Apontou a Fiscalização que no 2º semestre de 2007, contabilizou receitas na conta nº 3110.0000.00002 (Receitas de Serviços), de R$ 2.286.144,90, e na conta nº 3110.0001.00001, de R$ 30.746.166,06, no total semestral de R$ 33.032.310,96, valor destoante da Receita de Serviços informada na DIPJ/2008 (R$ 16.788.675,32), na qual apurou prejuízo fiscal de R$ 14.211.747,54. No que tange à apuração do PIS e da COFINS, o contribuinte informou que sofreu retenção na fonte desses tributos, conforme LC nº 87/1996, razão pela qual não declarou nenhum débito em DCTF nem recolheu nenhum valor a título de tais tributos. Ressaltou a Fiscalização que a propósito da tributação pelo lucro real, que além da DIPJ/2008 original (01/07 a 31/12/2007), entregue em 07/07/2008, o contribuinte apresentou, durante a ação fiscal, duas declarações retificadoras, ao tempo em que era intimada a comprovar os custos, as despesas e as exclusões declaradas para apurar o lucro real. Na DIPJ original declarou apenas parte das receitas auferidas (R$ 16.788.675,32), haja vista que no conceito de “receita bruta”, anteriormente desenvolvido este valor fora de R$ 33.032.310,96, conforme Livro Razão, em anexo. Nesta declaração consta recolhimento de PIS (R$ 37.721,39) e de COFINS (R$ 173.747,00), embora não exista qualquer recolhimento desses tributos e nem declarados em DCTF. Na DCTF retificadora apresentada em 09/09/2010 (com efeito nulo sobre o lançamento desses tributos), o contribuinte declara os referidos débitos. Posteriormente, na retificação de 04/11/2010, volta a “zerar” todos os campos da DCTF (2º semestre de 2007), conforme DIPJ e DCTF, em anexo. O contribuinte apurou lucro líquido de R$ 2.928.531,06 (coerente com a DRE da contabilidade), mas exclusões de R$ 17.140.278,60, que modificaram a base fiscal para um prejuízo de R$ 14.211.747,54. Consignouse ainda, que na DIPJ retificadora, de 09/09/2010, o contribuinte insistiu na dedução de R$ 211.468,39, de PIS e COFINS, não recolhidas e nem declaradas em DCTF, escriturou receitas próprias de R$ 2.286.144,90 (conta nº 3110.0000.00002) e custos de R$ 28.516.196,74, apurando prejuízo bruto de R$ 26.555.827,48. Acrescentou como “outras receitas” o valor de R$ 30.746.166,06 (conta nº 3110.0001.00001), que juntamente com outras despesas resultaram em um lucro operacional de R$ 1.981.603,38. O lucro líquido apurado foi de R$ 2.083.603,38, mas as adições e as exclusões acarretaram prejuízo fiscal de R$ 13.864.212,78 e que, respondendo ao Termo de Intimação Fiscal nº 0004, o contribuinte teria admitido que nessa DIPJ retificadora registrou valores cumulativos de janeiro a dezembro de Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 4 5 2007, para custos e despesas (as receitas do semestre foram registradas corretamente, no valor de R$33.032.310,96). Logo, o valor de R$ 28.516.196,74 referiase a custos e despesas de todo o ano de 2007, incluindo o período em que a empresa era optante do Simples. A auditoria em meio magnético constatou que a empresa contabilizou as contas de resultado de forma continuada em todo o ano de 2007. Dessa forma, assentou a Fiscalização que a auditoria tratou de eliminar o saldo de abertura das contas de resultado no 2º semestre de 2007, para fins de apuração do lucro líquido e que na 2ª DIPJ retificadora, entregue em 21/09/2010, o contribuinte registrou a mesma receita de vendas da anterior (R$2.286.144,90), reduziu o custo dos serviços para R$28.343.425,64 e manteve os valores anteriormente declarados como “outras receitas”, “outras receitas não operacionais” e “despesas financeiras”, mas aumentou suas despesas operacionais para R$4.468.260,38. No item “outras receitas” o contribuinte classificou incorretamente as receitas contabilizadas na conta nº 3110.0001.00001. Em seguida, a agente fiscal apresenta uma tabela resumo com as principais informações prestadas pelo contribuinte nas DIPJ original e retificadoras transmitidas após o início da ação fiscal. Frisouse que a oportunidade para o contribuinte comprovar custos e despesas, inclusive os valores informados nas retificadoras, fora dada em 06/12/2010, através do Termo de Intimação Fiscal nº 0004. Em 23/12/2010, o contribuinte apresentou comprovantes de custos e despesas compondo 24 caixas de documentos, que foram analisados por amostragem, informando que os custos e despesas registrados na DIPJ/2008 estavam errados, pois abrangiam o período de janeiro a dezembro de 2007. Apresentou ainda uma planilha de custos, unicamente de julho a dezembro de 2007, referente aos documentos entregues, com os seguintes valores: Custos dos Serviços Vendidos de R$10.341.400,77; Despesas Gerais de R$795.584,86; Despesas com Funcionários de R$78.954,92; e Folha de Pagamento de R$472.516,11. Os valores informados de custos e despesas foram integralmente acatados após o término da auditoria dos documentos, frisandose que nenhum outro documento comprobatório de custos e despesas foi entregue até o encerramento. Fez ver a Fiscalização que entre os documentos entregues em 23/12/2010 chama à atenção uma nova Demonstração de Resultado do período de 01/07 a 31/12/2007, a qual apontou custo dos serviços vendidos de R$28.516.196,74 (embora a documentação comprobatória some apenas R$10.341.400,77), lucro líquido de R$2.083.603,37 e prejuízo fiscal de 13.864.212,79, resultante da prática reiterada de excluir do lucro contábil altos valores, sem qualquer fundamento para tanto. O balancete apresentado pelo contribuinte em 23/12/2010 aponta saldo na conta Lucros e Perdas de R$2.928.531,06, e não R$2.083.603,37, como consta na DRE do semestre, mas traz a impropriedade de apurar lucro de um ano calendário que sofreu a tributação mediante dois regimes distintos escolhidos pelo próprio contribuinte e com relação à apuração do novo lucro do período de julho a dezembro de 2007, esta fiscalização assim procedeu: a) considerou as receitas totais escrituradas, no valor de R$33.032.310,96, conforme planilhas anexas que detalham as receitas do 1º e do 2º semestre; b) considerou como impostos devidos na redução do faturamento apenas o ISS escriturado, haja vista que não houve recolhimento de PIS e de COFINS e que as retenções na fonte foram aproveitadas quando do lançamento desses tributos; c) acatou o total dos custos e despesas comprovados pelo contribuinte, mediante exame por amostragem dos documentos recebidos, nos valores de R$10.341.400,77 (Custos dos Serviços), R$795.584,86 (Despesas Gerais), R$78.954,02 (Despesas com Funcionários) e R$472.516,11 (Folha de Pagamento); d) as outras receitas não operacionais declaradas nas DIPJ retificadoras foram confrontadas com a contabilidade, verificandose a veracidade do valor indicado. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Em 31/08/2011, o contribuinte esclareceu que entre as declarações apresentadas e para se manifestar quanto aos novos valores considerados pelo Fisco para apuração do lucro real, tendo declarado, através do Termo de Constatação Fiscal nº 0010, que: 1) reconhece que o total das receitas recebidas dos clientes e contabilizadas no 2º semestre de 2007 foi de R$33.032.310,96, acrescentando que, desse valor, apenas R$2.286.144,90 se referem às comissões retidas, e que a diferença foi repassada aos diferentes operadores de turismo; 2) reconhece que as informações contidas nas 3 DIPJ entregues são contraditórias e contêm erros, sendo que nenhuma delas representa a real situação patrimonial da empresa; 3) os valores das exclusões registrados nas DIPJ são incorretos, não sendo devidos para a apuração do lucro real; 4) confirma a entrega de documentos em papel que comprovam custos de R$10.341.400,77 e despesas operacionais de R$1.347.055,89, no 2º semestre de 2007, e acrescenta que as despesas financeiras (R$83.247,89) e a depreciação (R$45.240,44) não compuseram os custos comprovados pela documentação em papel, sendo acatados pelo Fisco; 5) reconhece que das despesas contabilizadas, no valor de R$1.732.196,97, somente comprovou R$1.347.055,89, por não ter localizado todos os documentos e; 6) reconhece que os comprovantes dos custos somaram apenas R$10.341.400,77, em face de estarem armazenados de forma desorganizada. Apresentouse um demonstrativo contendo os saldos mensais (julho a dezembro de 2007) dos custos de vendas contabilizados, observando que tais custos mensais ficam abaixo de R$2 milhões, exceto no mês de dezembro quando alcançou R$14,19 milhões, mas que como o contribuinte apenas comprovou R$10.341.400,77, apurouse um novo lucro real, abatendose das vendas totais os custos e despesas comprovados, conforme citado acima. Em virtude da inexistência de quaisquer valores declarados em DCTF, a fiscalização lançou de ofício o IRPJ e a CSLL, no período de julho a dezembro de 2007, com base na totalidade das receitas auferidas e contabilizadas, considerandose todos os custos e despesas comprovados. Devidamente cientificada a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1.562 1.573), alegando que da ação fiscal resultou a lavratura de um auto de infração de Simples, para o 1º semestre de 2007, autos de infração de IRPJ e CSLL e outros com a contribuição para o PIS e COFINS, com assombroso e absurdo crédito tributário superior a R$ 22 milhões, reputando que tal exagero decorreu da não percepção do tipo de atividade empresarial desenvolvida, peculiaridades que envolvem os negócios de intermediação e a complexa, porém conhecida, estruturação dos lançamentos contábeis relativos à agência de viagem e turismo e que tais negócios são realizados com a venda de passagens aéreas, bem assim de pacotes de viagens organizados por terceiros, e providencia reservas em hotéis, etc. Aduziu que pela remuneração do serviço que presta, recebe comissão, paga pelos efetivos fornecedores e executores dos serviços, a exemplo das companhias aéreas, que se constitui na principal receita operacional e que dessa operação, cobra do adquirente do bilhete aéreo um preço que é composto da tarifa aérea, na qual inclui a comissão da agência de viagem, mais a taxa de embarque (Infraero). Na sequência, remete para a companhia aérea o valor do bilhete deduzido da comissão. Ao valor da remessa é acrescido o ISS incidente sobre a comissão da agência de viagem, a ser recolhido pela companhia aérea, em nome do substituído (a agência de viagem), visto que sujeito ao regime de substituição tributária. Reputou que caso o adquirente do bilhete aéreo seja a União ou pessoa jurídica a ela vinculada, na forma do art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, o pagamento se sujeita a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS incidentes sobre o preço da tarifa aérea (com a comissão da agência de viagem) e também sobre a taxa da Infraero, recolhidos Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 5 7 em guias distintas (Anexo 1). Em vista da IN SRF nº 480, de 2004, o percentual aplicável na hipótese é de 7,05%. Diante desses fatos, defendeu a contribuinte que registrou em sua contabilidade, como receita bruta, o valor da comissão, sem deduzir o desconto incondicional concedido, quando o correto seria considerar o valor já deduzido do desconto, fato este que não prejudicou o fisco, pelo contrário, mostrou que em todo o período foi pago imposto a maior e, contudo, o fisco não entendeu as operações o que resultou na lavratura do auto de infração, contendo valores estranhos ao conceito de receita bruta, inclusive aqueles sujeitos ao repasse. Sustentou ainda, que além da complexidade das operações, também houve registro contábil inadequado, razão da indução do fisco ao equívoco. A melhor técnica seria registrar os valores sujeitos ao repasse em contas do passivo, por se tratar de obrigações com terceiros, ao invés de, como fez, registrar em contas de resultado e computar como custo o respectivo repasse, sendo importante mencionar que a apresentou declaração simplificada até o 1º semestre de 2007. A partir do 2º semestre apresentou DIPJ pelo lucro real anual, cujo período é objeto do presente processo. Ao iniciar a apuração pelo lucro real, deixou de elaborar um balanço de abertura em 01/07/2007, para fazer o corte contábil, demarcando os resultados apurados até 30/06/2007 e os apurados no novo período que iniciava. Também deixou de recolher as antecipações mensais por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos, e não levantou balanço ou balancete de redução ou suspensão, por isso não há no Diário nenhuma dessas peças contábeis (o balanço de abertura de 01/07/2007 e os balancetes mensais com prejuízos fiscais para sustentar o não recolhimento das estimativas), afirmando que logo após o Termo de Início de Fiscalização, inadvertidamente, apresentou uma declaração de retificação e, em seguida, outra. Isso porque a 1ª retificadora abrigava os dois semestres do ano, quando o correto seria apenas o 2º semestre. Afirmou que a Fiscalização teria exercido pressão a partir da grande quantidade de documentos solicitados, inclusive o LALUR, nunca apresentado, no que a Auditora teria sido condescendente, por não aplicar penalidade e deixar de exigilo nas intimações subsequentes e que a partir dos dados colhidos no Razão e outros extraídos das DIPJ retificadoras, entregues com suspensão da espontaneidade, como foi o caso das receitas não operacionais que constaram apenas das retificadoras, a Fiscalização teria elaborado um quadro demonstrativo do resultado do exercício, até determinar o lucro líquido da fiscalizada. O passo seguinte foi apurar o lucro real. Todavia, as exclusões realizadas na declaração original foram consideradas “injustificadas”, porque a Impugnante não apresentou o LALUR. Com isso, a Auditora pediu o comparecimento da pessoa encarregada da escrituração contábil para confirmar e validar os valores do quadro mencionado, sendo o lucro líquido apurado convolado em lucro real, conforme Termo de Constatação nº 0010, de 31/08/2011. Essas e outras questões serão analisadas a partir dos fatos ocorridos em comparação com o direito pertinente. Feito isso, requereu o arquivamento do auto de infração em razão dos erros materiais e processuais, salientando que apurou os impostos federais pelo Simples, no período de 2000 a junho de 2007. A partir de 01/07/2007, passou a apurar o IR pelo lucro real anual. Infelizmente, não foi possível elaborar balanço de abertura para segregar os valores advindos dos períodos anteriores e nem efetuar os recolhimentos das antecipações mensais, pelo fato de não ter elaborado os balanços de redução e suspensão, em face da certeza da existência de prejuízo fiscal. De toda sorte, a Auditora acolheu como válida a opção pelo lucro real anual e, mesmo sem previsão legal, acatou a opção a partir do simples preenchimento da declaração Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 anual. É relevante também informar que as DIPJ retificadoras foram entregues para firmar o valor correto do resultado do período, o qual, por equívoco, constou na 1ª retificadora com lapso temporal de 12 meses, sofrendo por isso nova retificação. Contudo, a Auditora elaborou o que chamou de “DRE custos e despesas comprovados”, a partir de informações capturadas nas declarações retificadas, em que pese têlas invalidado pela entrega intempestiva. Insistiu que a escrituração não suporta a tributação pelo lucro real, uma vez que levou para as contas de resultado os valores sujeitos a repasse e as contabilizou como receita da atividade empresarial, quando, em verdade, eram obrigações para com terceiros, conforme já explicado anteriormente. Os contratos para realizar os serviços contratados com os clientes serão executados por terceiros, até porque não dispõe de aeronaves, hotéis ou sequer veículos, cabendo a ela a mera intermediação. Mas os lançamentos contábeis levaram os recebimentos, que mais tarde deveriam ser repassados, para contas de resultado. Para contrabalançar as receitas assim apropriadas, os repasses foram contabilizados como se fossem custos. Nesse aspecto, é possível ter havido um descompasso entre o recebimento da fatura contra clientes e o repasse para os fornecedores do serviço, alterando temporariamente o valor do lucro bruto, para mais ou para menos. Defendeu que no Relatório Fiscal, consta um quadro demonstrativo similar a uma demonstração do resultado do exercício, no qual constam valores extraídos da contabilidade, da DIPJ original e das retificadoras, resultando na definição do lucro líquido. A penúltima coluna indica os valores que a Auditora considerou como bons e válidos para encontrar o lucro, fato este contestado e que a primeira questão é que não é papel do fisco organizar ou reorganizar a contabilidade. Ademais, a determinação do lucro líquido não se dá por uma equação matemática. Os valores na contabilidade não podem ser aproveitados ou rejeitados. Aduziu que existe um sistema de contrapartidas que não pode ser desprezado e que a receita informada na contabilidade ou nas DIPJ não pode ser acatada ou rejeitada em razão de ser maior ou menor. A competência legal do Auditor é encontrar a base de cálculo do imposto através do mecanismo de adição ou exclusão ao lucro contábil. Assim, se a receita informada na DIPJ é de 16 milhões e a contabilidade aponta 33 milhões, o fisco deve verificar a veracidade dos fatos e, sendo correto o valor contabilizado, deve adicionar a diferença ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real, descrever o fato jurídico e a norma infringida, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. O que não pode é alterar o lucro líquido. Diante disso, contestou a escolha da Auditoria pela receita de R$ 33 milhões, ao invés daquela informada na DIPJ, por faltar competência ao fisco para modificar o lucro líquido e ajustar a contabilidade, sendo ilegal a diferença encontrada, e pede a anulação dessa parte por cerceamento do direito de defesa em razão da falta de capitulação legal e se aplica aos tributos a mesma observação acima, com a ressalva de que, na hipótese das despesas serem inferiores às declaradas, cabe ao fisco adicionar ao lucro líquido a diferença, e não ajustar o lucro contábil. A diferença deve ser anulada por falta de competência para o ajuste da contabilidade e cerceamento do direito de defesa em razão da falta de capitulação legal e falta de identificação na contabilidade do valor, data e documento que foi glosado. No que concerne aos custos dos bens/serviços e das despesas operacionais e financeiras, contesta o lançamento exatamente sob os mesmos argumentos, sendo que, no caso das “outras receitas operacionais”, além de utilizar idênticas alegações, acrescenta que a Auditora não informou a razão de aproveitar um valor que constou em DIPJ consideradas nulas pelo próprio fisco. Quanto à exclusão no LALUR, o fisco deve ser preciso em sua narrativa, não podendo glosar uma exclusão sem descrever o fato, detalhando seu conteúdo e a motivação legal do seu acatamento, Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 6 9 ou melhor, dizer a que norma a exclusão infringiu, informar a página do LALUR em que ela foi escriturada, etc. Por fim, argumentou que no direito tributário brasileiro todas as alegações se fazem por meio de prova documental, inexistindo a possibilidade de depoimento ou declaração substituir a prova materializada. Não existe autorização em lei para construção de auto de infração lastreado em depoimentos. Pior, esses depoimentos ou declarações também não são admitidos na contabilidade, por ferir o que se denomina “princípios de contabilidade geralmente aceitos”, reputando impossível manter o crédito tributário constituído e que pela relação de causa e efeito, todas as observações pertinentes ao imposto de renda são extensivas à contribuição social e requereu o cancelamento do auto de infração em razão de: a) os valores dos bilhetes cobrados dos clientes são receitas brutas compartilhadas e não exclusivas da Impugnante; b) os valores recebidos de clientes para repasse aos executores dos serviços não são custos da Impugnante; e c) o fisco não tem competência legal para apurar o lucro líquido do exercício, já que a competência se esgota nas adições e exclusões para determinação do lucro real. Juntamente com a impugnação a recorrente trouxe aos autos os documentos de fls. 1.574 a 1.586. A 2ª Turma da DRJ em Salvador, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.589 a 1.608, julgou o lançamento procedente em parte, exonerando, contudo, integralmente o crédito tributário e restabelecendo, parcialmente o prejuízo fiscal do período e base negativa de CSLL. O referido acórdão ficou assim ementando: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém a respectiva competência, e em consonância com a legislação vigente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Meras alegações de cerceamento do direito de defesa sem a devida comprovação devem ser desprezadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 AGÊNCIAS DE VIAGEM E TURISMO. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. RECEITAS DE SERVIÇOS. Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 As atividades relacionadas com a prestação de serviços de agências de viagem configuram intermediação de negócios, sendo que os valores relativos aos serviços prestados por empresas aéreas e rodoviárias, hotéis, locadoras de veículos e prestadoras de serviços afins não devem ser incluídas na receita bruta das referidas agências, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. Os custos e as despesas operacionais devem estar lastreados em documentação hábil e idônea, cabendo a sua glosa no caso de falta de apresentação de tais elementos comprobatórios. LUCRO REAL. EXCLUSÕES. São admitidas, para efeito de determinação do lucro real, exclusões ao lucro líquido, desde que legalmente previstas, registradas no LALUR, justificadas e comprovadas pela pessoa jurídica. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Afastada a ocorrência do fato gerador que deu causa ao lançamento principal, deve ser dado ao lançamento decorrente igual entendimento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Exonerado. [...] Tal como dito acima, considerados os valores exonerados e as normas regimentais aplicáveis, viabilizouse o Recurso de Ofício. A despeito da total exoneração do crédito tributário, considerada a redução do prejuízo fiscal advinda do conteúdo decisório acima mencionado, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando todos os argumentos contidos na Impugnação apresentada, insistindo, sobretudo, na alegada nulidade, bem como arrazoando que a decisão recorrida teria alterado os critérios do lançamento, devendo assim, ser reformada. É o relatório. Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso de Ofício atende aos pressupostos regimentais e legais, bem assim o Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoos para julgamento. Tal como registrado no relatório acima circunstanciado, em desfavor da contribuinte foram efetivados lançamentos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário 2007. Sinteticamente, apurouse a falta de recolhimento do tributo, considerandose certas exclusões como indevidas, bem como o aproveitamento de custos de serviços em montante apenas parcialmente comprovado. Desde a Impugnação apresentada a contribuinte tem alegado que a glosa não subsiste eis que o valor considerado pela Fiscalização ignorou a natureza dos serviços que presta, de agência de turismo, de sorte que do valor total da receita bruta tributada, apenas uma parte, a título de comissão, lhe pertencia efetivamente, sendo o restante repassado para terceiros, que prestavam os serviços contratados pelos clientes, e contabilizados como custos. A decisão recorrida, em estreito resumo, neste tópico específico, acatou as justificativas da contribuinte para firmar o entendimento de que o resultado auferido nas operações de conta alheia é aquele decorrente de comissões obtidas sobre representação de bens ou serviços de terceiros, isto é, o resultado obtido pela venda de produtos, mercadorias ou serviços pertencentes a terceiros, mediante o pagamento de uma comissão. Em última análise, esse resultado é a própria comissão recebida pela intermediação de negócios, afastando a glosa da base de cálculo e reestabelecendo o prejuízo fiscal e base negativa declarados, sendo este o objeto do Recurso de Ofício. A parte em que a decisão foi desfavorável à contribuinte, diz com certas despesas que foram consideradas não comprovadas, e se traduz no objeto do Recurso Voluntário. Feitas estas separações de conteúdo, de rigor o enfretamento de cada tópico separadamente. I – O RECURSO DE OFÍCIO. Em suas conclusões de improcedência da glosa na base de cálculo da contribuinte, a decisão sujeitada ao Recurso de Ofício não merece qualquer reformar. Como bem registrado na decisão recorrida, a contribuinte desempenha atividades de agência de viagem, turismo e receptivo, sendo que no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, sujeitouse ao regime do SIMPLES, tendo optado, para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, objeto dos presentes lançamentos, pela tributação com base no lucro real anual. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 Importante trazer o registro dos eventos, em igual expediente adotado pela decisão recorrida, porquanto na contabilidade da Contribuinte foram registradas “Receitas de Serviços”, conta nº 3110.0000.00002, no valor de R$ 2.286.144,90, e na conta 3110.0001.00001, como “Outras Receitas”, o valor de R$ 30.746.166,06, perfazendo o total de R$ 33.032.310,96, sendo que a título de “Custos de Vendas” – deduzindose o saldo existente em 30/06/2007 –, o valor contabilizado foi de R$ 22.220.011,61. Quanto às despesas operacionais, foi escriturado o valor de R$ 1.732.196,97. Como já relatado acima, na DIPJ/2008 original, entregue em 07/07/2008, consta como “receitas de serviços” a quantia de R$ 16.788.675,32, não havendo “outras receitas”, enquanto o total dos custos foi de R$ 11.000.435,35 e as despesas operacionais foram de R$ 2.447.462,67, apurandose um lucro líquido de R$ 2.928.531,06, sendo que na determinação do lucro real, a contribuinte declarou “outras exclusões” no montante de R$ 17.140.278,60 e prejuízo fiscal de R$ 14.211.747,54. Por ocasião da apresentação de DIPJ retificadora, levada a efeito em 09/09/2010, quando inequivocamente já iniciada a ação fiscal, a “receita de serviços” informada foi de R$ 2.286.144,90 e as “outras receitas” de R$ 30.746.166,06, alcançando o total de R$ 33.032.310,96 (igual ao valor contabilizado), sendo que o total dos custos foi de R$ 28.516.196,74 e as despesas operacionais de R$ 2.086.113,06, enquanto o lucro líquido do exercício foi de R$ 2.083.603,37 e o total das “exclusões” foi mantido em R$ 17.140.278,60. Surgiram “adições”, no total de R$ 1.192.462,44, e o prejuízo fiscal foi de R$ 13.864.212,79. Também mencionouse na Fiscalização e na decisão recorrida que em 21/09/2010, a contribuinte apresentou nova DIPJ retificadora, na qual a “receita de serviços” foi mantida em R$ 2.286.144,90, as “outras receitas” em R$ 30.746.166,06, num total de R$ 33.032.310,96, sendo que os custos também não foram alterados, permanecendo em R$ 28.343.425,64, e as despesas operacionais passaram para R$ 4.468.260,38 enquanto o lucro líquido caiu para R$ 2.251,26, e as “adições” caíram para R$ 847.584,75, e o total das “exclusões” para R$ 14.585.974,71 e o prejuízo fiscal para R$ 13.736.138,70. Já a DCTF original referente ao 2º semestre do anocalendário de 2007 foi apresentada sem a indicação de quaisquer débitos, sendo retificada em 09/09/2010, para a inclusão de débitos de PIS e COFINS e, em 04/11/2010, outra DCTF retificadora restabeleceu a situação inicial, “zerando” novamente todos os tributos federais. Diante deste quadro, foi que a decisão recorrida passou ao enfrentamento das questões atinentes aos autos de infração, e naquilo que respeita ao Recurso de Ofício ora apreciado, torno a dizer que está correta a avaliação da decisão recorrida, porquanto a despeito de reconhecer os equívocos de escrituração, firmou entendimento de que não se poderia concordar com o montante total considerado pela Fiscalização como “Receita de Serviços”, de R$ 33.032.310,96, eis que foram somados o valor real contabilizado como “Receita de Serviços” (R$ 2.286.144,90), na conta nº 3110.0000.00002, que trata das receitas efetivamente auferidas pela pessoa jurídica, advindas das comissões decorrentes do exercício de suas atividades empresariais, com o valor lançado a título de “Outras Receitas” (R$ 30.746.166,06), na conta nº 3110.0001.00001, referente aos valores recebidos dos clientes, mas posteriormente repassadas aos prestadores dos serviços contratados pelos mesmos clientes. Reputo importante, nesta conclusão obtida pela decisão recorrida, o fato de que a Fiscalização jamais questionou a natureza das atividades desenvolvidas pela contribuinte, de efetiva intermediação de negócios, de sorte que as justificativas para incluir no rol das receitas tributáveis os numerários repassados pela contribuinte aos prestadores dos serviços Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 8 13 foram, de que tais valores foram contabilizados como receita e transitaram por conta de resultado, revelase mesmo equivocado. Assiste razão à decisão recorrida ao dispor que o conceito de “receita bruta”, aplicável à espécie, é aquele depreendido com teor do artigo 279 do RIR/1999, consagrador de que “a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia”, sendo extraído do parágrafo único da aventada norma que “na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”. Irretorquível, portanto, a conclusão de que o resultado nas operações em conta alheia é advindo das comissões obtidas sobre representação de bens ou serviços de terceiros, valendo dizer que se traduz mesmo na própria comissão recebida pela intermediação de negócios. Concluo assim, na esteira do que decidiuse no aresto Impugnado, que a receita bruta da contribuinte, que deve ser considerada para efeito de apuração do lucro líquido do períodobase compreendido entre 01/07/2007 e 31/12/2007, é de R$ 2.286.144,90, tal como escriturado no seu Livro Razão, na conta nº 3110.0000.00002, como “Receitas de Serviços”, uma vez que a quantia de R$ 30.746.166,06, registrada na conta contábil nº 3110.0001.00001, a título de “Outras Receitas”, referese a receita que não lhe pertence e que foi repassada para terceiros. Diante disso, encaminho me voto no sentido de NEGAR PROIMENTO ao Recurso de Ofício. II – RECURSO VOLUNTÁRIO. Considerada a procedência do entendimento firmado pela decisão recorrida no que toca à impertinência da glosa relacionada às exclusões promovidas pela contribuinte, de rigor apreciarse a questão relativa à comprovação das despesas pela contribuinte, tema sobre o qual a decisão recorrida manifestouse pela prevalência das imputações fiscais. A contribuinte, neste tópico militando como recorrente, insiste que o auto de infração seria nulo, porquanto não identificaria a norma tida por infringida. Registro de pronto que a preliminar suscitada é improcedente. Primeiro porque as hipóteses de decretação da nulidade estão adstritas aos casos de cerceamento de defesa e incompetência da autoridade administrativa que tenha praticado o ato, consoante disciplina do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ponto que me faz concluir pela ausência de nulidade, respeita à absoluta falta de prejuízo à contribuinte, o que se observa pela sua insurgência contra as imputações, bem articuladas e revelando pleno conhecimento da matéria e dos dispositivos de regência, a revelar que mesmo que se admitisse alguma deficiência na capitulação legal dos autos de infração, a decretação da nulidade esbarraria na falta de prejuízo, concreto, à contribuinte. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 A outra parte do inconformismo da contribuinte diz com suposta inovação no critério jurídico, que teria sido promovida pela decisão recorrida, na medida em que a Fiscalização teria efetuado o lançamento adotando o critério de que a receita bruta seria a totalidade dos recebimentos, enquanto a decisão recorrida teria firmado entendimento de que a receita bruta seria apenas a comissão recebida. Reputa a contribuinte que os critérios seriam frontalmente diferente, e que independentemente de o critério da decisão ser mais favorável a ela contribuinte, não significa que deveria prevalecer, tornando nulo o enfrentamento da decisão recorrida. Também não verifico a aventada nulidade. Com efeito, não se ocupou a decisão recorrida de inovar a materialidade das imputações, ao contrário, as julgou de acordo com a prova trazida aos autos e a julgou, aliás, improcedentes, de sorte que nada há que implique em nulidade. No que toca ao mérito das despesas consideradas como comprovadas, ou não, pela decisão recorrida, matéria de mérito que subiste para enfrentamento, assinalo que a decisão recorrida valorou corretamente o conjunto probatório constante dos autos, mormente ao reputar que a contadora e representante legal da contribuinte declarou (fls. 200 201) que os custos informados na DIPJ original, no valor de R$ 11.000.435,35, somam R$ 28.516.196,74, e que os documentos comprobatórios teriam sido entregues nas caixas denominadas “Movimento Contábil”, a decisão recorrida ainda pontuou que a Fiscalização intimou a recorrente a comprovar os referidos custos, bem como as despesas operacionais, no valor de R$ 2.086.113,06, por subcontas, do período de competência de 01/07/2007 a 31/12/2007, sendo que a contribuinte apresentou arrazoado (fls. 228 – 240), informando que os referidos custos e despesas registrados na primeira DIPJ retificadora, que a despeito de inservível para denúncia espontânea, estampam inequívocas declarações da contribuinte, estariam igualmente errados, porquanto englobavam todo o ano de 2007 e não apenas o segundo semestre de 2007. Anotese que a decisão recorrida mencionou que entre os documentos apresentados, estava uma Demonstração do Resultado do Exercício (01/07/2007 a 31/12/2007), que registra, como Custos dos Serviços Vendidos exatamente o valor de R$ 28.516.196,74, mesmo a Contribuinte tendo informado que tal montante referiase aos custos apurados em todo o ano de 2007, sendo entregue também o demonstrativo “Comprovantes de Custos X Despesas de 2007”, no qual são discriminados os Custos dos Serviços Vendidos dos meses de julho a dezembro de 2007, no total de R$ 10.341.400,77, assim como das Despesas Operacionais, subdivididas em Despesas Gerais (R$ 795.584,86), Despesas com Funcionários (R$ 78.954,92) e Folha de Pagamento (R$ 472.516,11), importando no total de R$ 1.347.055,89. Tornese a lembrar que em 31/08/2011, a representante da contribuinte outra vez esclareceu (fls. 247 a 248) que os documentos comprobatórios apresentados indicam a existência de custos no valor de R$ 10.341.400,77 e que a diferença entre esse valor e aquele contabilizado devese à desorganização com que os documentos estavam armazenados e que isso também ocorreu em relação às despesas operacionais comprovadas, de apenas R$ 1.347.055,89, já que não conseguiu localizar os comprovantes restantes, que respaldariam as despesas contabilizadas na conta nº 4000.0000.0000, no total de R$ 1.732.196,97. Não há como afastar a conclusão da decisão recorrida de que está confirmada, a título de custos efetivamente comprovados, a quantia de R$ 10.341.400,77, e a título de despesas operacionais a quantia de R$ 1.347.055,89. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730146/201114 Acórdão n.º 1301001.373 S1C3T1 Fl. 9 15 Relembrese ainda, que com relação às “Outras Receitas não Operacionais”, no valor de R$ 102.000,00, a Impugnante afirma que não entendeu a razão do aproveitamento desse valor dessa receita não operacional não se prende ao fato dele constar das DIPJ retificadoras, porquanto está contabilmente registrada na conta nº 3400.0000.0000, tratandose de receitas de aluguéis, o que foi confirmado pela representante legal da contribuinte e foi incluído na própria Demonstração do Resultado do Exercício (fl. 232). Novamente não se pode afastar da conclusão da decisão recorrida ao dispor que as exclusões ao lucro líquido, na apuração do lucro real, não admitidas pelo Fisco, que apareciam tanto na DIPJ original quanto na 1ª DIPJ retificadora, no valor total de R$ 17.140.278,60, e na 2ª DIPJ retificadora, reduzida para R$ 14.502.530,42, que nas duas DIPJ retificadoras, a contribuinte, além das exclusões, informou também adições, nos valores respectivos de R$ 1.192.462,44 e R$ 847.584,75 evidenciando que tais adições não foram igualmente consideradas pelo Fisco e que o Termo de Constatação Fiscal nº 0010, firmado também pela representante da contribuinte, admitiuse que as exclusões e as adições declaradas estão incorretas e não são devidas no cálculo do lucro real. Sendo assim, correto o entendimento da decisão recorrida quanto à comprovação das despesas, motivo pelo qual encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002674/2003-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE ANUAL DE RECEITA BRUTA.
Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRODUÇÃO DE EFEITOS. ALCANCE TEMPORAL.
O ato declaratório de exclusão fundamentado no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/1996 surti efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei.
Numero da decisão: 1802-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE ANUAL DE RECEITA BRUTA. Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRODUÇÃO DE EFEITOS. ALCANCE TEMPORAL. O ato declaratório de exclusão fundamentado no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/1996 surti efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nem a Lei nº 9.317/1996, nem a Lei Complementar nº 123/2006, e nem o Decreto nº 70.235/1972 PAF, estabelecem a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à elaboração do Ato Declaratório de Exclusão, da mesma forma como não há que se falar em direito de defesa antes da lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os Contribuintes. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE . O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas validamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE ANUAL DE RECEITA BRUTA. Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRODUÇÃO DE EFEITOS. ALCANCE TEMPORAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 74 /2 00 3- 12 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 3 2 O ato declaratório de exclusão fundamentado no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/1996 surti efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo DRF/OSA n° 465.857, de 07/08/2003 (fl. 15), com efeitos a partir de 01/01/2002, baseado no fato de que um dos sócios participa de outra empresa com mais de 10%, e de que a receita bruta global do ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. Instaurada a fase litigiosa, com a manifestação de fls. 1 a 6, a Contribuinte não contestou propriamente o motivo que ensejou a sua exclusão, mas sim a produção retroativa dos efeitos do ato administrativo, a partir de 01/01/2002. Como mencionado, a DRJ Campinas/SP manteve a negativa em relação ao pedido apresentado, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: OPÇÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE. A exclusão com efeitos retroativos à data da situação excludente, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Solicitação Indeferida Inconformada com essa decisão, a Contribuinte apresentou tempestivamente o recurso voluntário de fls. 55 a 70 (conforme despacho à fl. 80), onde desenvolve os argumentos descritos a seguir. Da Nulidade do Ato Cerceamento de Defesa: em respeito ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, é garantido aos litigantes o direito de requerer a produção de provas e de participarem de sua realização, assim como também de se pronunciarem a respeito de seu resultado e ainda à defesa técnica realizada por defensor habilitado, bem como à defesa efetiva, ou seja, a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo; se na fase que antecede a formação do ato, o órgão da Administração não se coloca no mesmo plano que o sujeito passivo, no tocante a direitos, não existe contraditório; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 5 4 para a validade do Ato Declaratório, objeto do presente Recurso, era imprescindível que tivesse sido apontado de forma específica a empresa na qual o sócio, identificado apenas por meio do CPF, ultrapassou o limite permitido pela legislação pertinente, dando à Recorrente meio hábil para que pudesse se defender de forma plena e eficaz do ato de exclusão do regime do SIMPLES; o motivo é pressuposto de fato e de direito para a validade do ato administrativo, e a motivação é elemento do ato, parte na qual os motivos são expostos. Carece desse elemento o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES proferido com base apenas em genérica e imprecisa descrição; o ato administrativo sem motivação, viciado sob o aspecto formal, cerceia o direito de defesa do contribuinte, e o § 3° do artigo 15 da Lei 9.317/1996, introduzido à norma jurídica pela Lei 9.732/1998, determina a observância da “legislação relativa ao processo tributário administrativo”; no caso ora sob análise não existe indicação precisa da motivação do ato, nem prova de que tenha ocorrido a situação descrita no ADE DRF/OSA n.° 559.373, ao contrário, foi juntado ao processo prova contrária, ensejando assim a declaração de nulidade do referido ADE. Da Inconstitucionalidade do Inciso IX do Art.9° da Lei 9.317/96: vale citar que pelo principio da isonomia, ou da igualdade econômica, ou igualdade tributária, disciplinado no inciso II, do art. 150 da Constituição Federal, é vedado ao legislador infraconstitucional instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; as vedações do art. 9º da Lei 9.317/1996 ferem, ainda, o principio da igualdade estabelecido no art. 5° da Constituição Federal; no mesmo sentido, são afrontados os princípios previstos no art. 170 da Constituição Federal, que trata da ordem econômica, quais sejam, os da propriedade privada, da função social da propriedade, da livre concorrência e da livre iniciativa; pelo princípio da propriedade privada, o legislador constitucional buscou assegurar ao titular de determinado bem o seu gozo e fruição, sempre em harmonia com o principio da livre concorrência, que tem como escopo a disputa sadia entre as empresas. Da Receita Bruta Global no Ano Calendário de 2001: pela cópia da declaração do imposto de renda do ano calendário de 2001 da empresa Check Express Ltda., a receita bruta da aludida empresa não ultrapassou o limite legal. Além disso, convém observar que tal empresa iniciou suas atividades somente em 2002, motivo pelo qual não houve receita em 2001; desse modo, a situação excludente do SIMPLES descrita no ADE DRF/OSA nº 465.857, de 07 de agosto de 2003, não ocorreu, já que a receita bruta global das empresas não ultrapassou, no ano de 2001, o limite legal. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 6 5 Dos Efeitos Da Exclusão: para que a exclusão do Simples seja eficaz, o contribuinte deve ser antecipadamente informado, de modo que seja atendido o principio da publicidade e do devido processo legal, entre outros; nesta ordem de idéias, não é possível que o Fisco venha a constituir ou desconstituir determinadas relações através de declarações retroativas, como a do caso em exame, sem que tenha notificado previamente o contribuinte, sob pena de afronta aos princípios constitucionalmente estabelecidos; desta forma, considerando que a obrigação do contribuinte só nasce com a publicidade do ato administrativo, e considerando que este ato se consumou com a notificação do desenquadramento, só a partir do exaurimento dos recursos administrativos é que se pode verificar seus efeitos, e não a partir de janeiro de 2002. Em 03/11/2010, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF exarou a Resolução nº 180200.016 (fls. 87/89), solicitando a realização de diligência pela Delegacia de origem. Concluída a diligência, o processo retornou ao CARF para a continuação do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito à exclusão da Contribuinte do regime de tributação simplificada SIMPLES. O ato de exclusão foi motivado pelo fato de um dos sócios, o Sr. José Mário de Paula Ribeiro Júnior, CPF nº 076.925.88830, participar de outra empresa, CHECK EXPRESS LTDA., CNPJ nº 03.440.147/000190, detendo mais de 10% de seu capital social, e de a receita bruta global do ano calendário de 2001 ultrapassar o limite legal. A exclusão está fundamentada no seguinte dispositivo da Lei 9.317/1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; No recurso voluntário, a Contribuinte alegou a nulidade do ato de exclusão por cerceamento do direito de defesa, argumentando: que se na fase que antecede a formação do ato, o órgão da Administração não se coloca no mesmo plano que o sujeito passivo, no tocante a direitos, não existe contraditório; que era imprescindível que tivesse sido apontado de forma específica a empresa na qual o sócio, identificado apenas por meio do CPF, ultrapassou o limite permitido pela legislação pertinente, dando à Recorrente meio hábil para que pudesse se defender de forma plena e eficaz do ato de exclusão do regime do SIMPLES; que o ato de exclusão foi proferido com base apenas em genérica e imprecisa descrição. Quanto a esses aspectos, cabe destacar primeiramente que nem a Lei nº 9.317/1996 (Simples Federal), nem a Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional), e nem o Decreto nº 70.235/1972 – PAF (arts. 14 e 15), estabelecem a possibilidade de exercício do contraditório e do direito de defesa previamente à elaboração do Ato Declaratório de Exclusão, da mesma forma como não há que se falar em contraditório e direito de defesa antes da lavratura do auto de infração. Com efeito, o art. 14 do Decreto 70.235/1972 menciona expressamente que “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, e a impugnação é Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 8 7 sempre apresentada depois da ciência do auto de infração, assim como as manifestações de inconformidade são apresentadas após a ciência dos atos cujas conseqüências buscam reverter. Aliás, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 é bastante claro a esse respeito: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Isto não quer dizer, contudo, que a legislação que regula o PAF não preveja o contraditório ou a possibilidade do direito de defesa, mas apenas que o exercício destes direitos é diferido para um determinado momento, eis que os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório). No próprio caso concreto, observase que após a ciência do ato de exclusão, a Contribuinte, justamente no exercício do contraditório e da ampla defesa, apresentou suas razões e argumentos, que ora estão sendo examinados nesta segunda instância administrativa. Além disso, o Ato Declaratório de Exclusão, às fls. 15, foi bastante claro em sua motivação, indicando o CNPJ da outra empresa que possui sócio em comum com a Recorrente; o CPF deste sócio em comum, com mais de 10% do capital social da outra empresa; e o fato de que a receita bruta global teria ultrapassado o limite legal no ano calendário de 2001. Não constato, assim, a ocorrência de uma descrição genérica e imprecisa da situação impeditiva, que tivesse inviabilizado o exercício do direito de defesa pela interessada. Deste modo, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. A Recorrente também alega a inconstitucionalidade da norma contida no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, que fundamentou o ato de exclusão. Quanto a esse ponto, cabe ressaltar que o controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário, e que descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas validamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, falece aos órgãos de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, quando presente alguma das hipóteses previstas no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 – PAF (norma incluída pela Lei 11.941/2009), é que a Administração Pública deixa de aplicar uma norma legal em razão de inconstitucionalidade: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 9 8 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Mas a norma impeditiva prevista no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996 não se subsume a nenhuma das hipóteses acima transcritas. A Recorrente se insurge ainda contra a retroatividade dos efeitos da exclusão. Segundo ela, não é correto o Fisco constituir ou desconstituir determinadas relações através de declarações retroativas. De acordo com seu entendimento, o ato de exclusão só poderia produzir efeitos a partir do exaurimento dos recursos administrativos, e não a partir de janeiro de 2002. Quanto a esse aspecto, o art. 15, II, da Lei 9.317/1996 é bastante claro ao definir que a exclusão do Simples surtirá efeito: Art. 15 (...) II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) No caso sob exame, a situação excludente foi o excesso de receita bruta no anocalendário de 2001, verificada em 31/12/2001 (data em que se encerrou o período anual). Deste modo, e nos exatos termos da lei, a exclusão deveria mesmo surtir efeito a partir de 01/01/2002, conforme constou do ato declaratório de exclusão. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 10 9 De acordo com os artigos 13 e 14 da mesma Lei 9.317/1996, a situação abrange hipótese de exclusão obrigatória, caso em que a própria Contribuinte tem o dever de comunicar a situação impeditiva ao Fisco. Se isso não ocorre, é elaborado o ato de ofício, mas apenas com conteúdo declaratório da situação impeditiva, porque a exclusão decorre diretamente da lei. Assim, não há qualquer problema em relação aos efeitos temporais da exclusão. No que toca ao mérito propriamente dito, a Recorrente informou que a empresa CHECK EXPRESS LTDA. iniciou suas atividades somente em 2002, e que, portanto, ela não teria auferido receitas em 2001. Nestes termos, a receita bruta global das duas empresas não teria ultrapassado, no ano de 2001, o limite legal para o enquadramento no Simples. Não constava dos autos as DIPJ das empresas em questão, para que pudéssemos verificar o montante da receita bruta global, o que motivou a referida Resolução nº 180200.016, exarada por esta turma julgadora em 03/11/2010, com o seguinte conteúdo final: Deste modo, entendo que o processo deve retornar à Delegacia de origem, para que sejam juntadas aos autos as cópias das DIPJ apresentadas tanto pela Recorrente quanto pela Empresa CHECK EXPRESS LTDA., CNPJ nº 03.440.147/000190, relativamente ao anocalendário de 2001, bem como prestadas outras informações que sejam consideradas relevantes para a solução do caso. O processo retornou ao CARF com os documento de fls. 91/94 e a informação fiscal de fls. 95. Os contratos sociais das duas empresas, às fls. 09/12 e 16/19, não deixam dúvidas de que o Sr. José Mário de Paula Ribeiro Júnior, CPF nº 076.925.88830, compunha o quadro societário de ambas, e que ele detinha muito mais de 10% do capital social de cada uma delas. Em resposta à diligência, foram apresentados extratos das DIPJ das duas empresas envolvidas, informando a seguinte receita bruta para o anocalendário de 2001: Rede Check Ex Comercio e Serviços Ltda. (antiga Check Express Ltda.) ................................................ R$ 5.353.310,39 Lignet Rede Multi Serviços Ltda......... R$ 385.785,34 De acordo com o inciso II do art. 2º da Lei 9.317/1996, o limite de receita bruta para o anocalendário de 2001 era R$ 1.200.000,00, valor bem inferior ao montante auferido pelas duas empresas neste ano. Portanto, restou perfeitamente configurada a situação impeditiva prevista no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, que ensejou o ato de exclusão do Simples. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13896.002674/200312 Acórdão n.º 1802002.009 S1TE02 Fl. 11 10 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10410.002032/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL.
Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007.
A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS.
Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
Numero da decisão: 1802-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 20 32 /2 00 9- 18 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 108 2 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 109 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.81/95 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 72/77) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 17/04/2009, a Contribuinte protocolizou Declaração de Compensação Tributária, formulário em papel (modelo previsto no Anexo VII da IN RFB n° 900/2008), informando (fls. 02/04): a) débitos previdenciários Fundo de Asistência da Previdência Social FPAS: Código de Receita – FPAS Período de Apuração Vencimento Valor Orginal do Débito (R$) Outras Informações 2100 03/2009 20/04/2009 49.309,29 FPAS 833 2100 03/2009 20/04/2009 179.454,00 FPAS 604 2607 03/2009 20/04/2009 61.536,63 FPAS 744 Obs: Os débitos discriminados acima são da USINA CAETE – Unidade Cachoeira, inscrita no CNPJ/MF sob n° 12.282.034/000600, localizada na Fazenda Cachoeira, S/N, Zona Rural, Município de Maceió, Estado de Alagoas. b) crédito utilizado (valor original): R$ 290.299,92. que, segundo a Contribuinte, a origem desse direito creditório utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendáro 2008, no montante de R$ 5.484.010,68 (valor original), objeto do Processo de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP: 02581.89116.190309.1.3.028782, protocolizada em 19/03/2009, cópia juntada (fls. 19/21). Não informou o número daquele processo; que o reconhecimento do direito de compensação impõese com base na Lei nº 11.457/2007; A DRF/Maceió (4ª Região Fiscal), por Despacho Decisório de 22/06/2009 (fls. 19/21), sem enfrentar o mérito quanto ao direito creditório pleiteado nestes autos, indeferiu a Compensação tributária informada, em face de utilização pela contribuinte de procedimento de compensação diverso do previsto legalmente. A propósito, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação constante do Parecer da Seção – SAORT, parte integrante do referido Despacho Decisório (fls. 28/30), in verbis: (...) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 110 4 Fundamentação 2. De acordo com o que consta às fls. 01 e 02 dos autos, as compensações requeridas têm como alvos débitos relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus empregados, demais segurados do regime geral de previdência social e de suas operações normais durante o mês de março de 2.009. No caso, observase que os débitos sobre os quais se requer as compensações são decorrentes do que consta na alínea "a", parágrafo único, art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 3. O requerente fundamentase na Lei n° 11.457, de 2.007, para solicitar o reconhecimento do direito às compensações (ver fls. 01). 4. A Lei n° 11.457, de 2.007, em seu art. 26, parágrafo único, determina que o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, não se aplica às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 5.Entendo, no caso, que as compensações pretendidas utilizaram como base o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, atualmente com redação dada pela dada pela Lei n° 10.637, de 2.002, tendo em vista que a declaração de compensação de fls. 02 dos autos foi efetivada com base em crédito de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Conclusão 6. Tendo em vista o que consta neste parecer, proponho que seja indeferida a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Despacho decisório À vista dos elementos que instruem este processo e dos fundamentos contidos no parecer que integra este ato, conforme § 1º, art. 50, da Lei n° 9.784, de 1.999, indefiro a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Ciente dessa decisão monocrática em 06/07/2009 (fl. 31), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade para a DRF/Recife em 05/08/2009 (fls. 32/40), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que pela Lei 11.457/2007 ocorreu a unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, dando origem à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Super Receita); que, pelo art. 2º da Lei nº 11.457/2007, foi transferida toda a competência sobre a fiscalização e administração das Contribuições Previdenciárias, de que tratam as alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 111 5 que não há, absolutamente, nenhuma vedação expressa na lei no sentido de que não poderia a Contribuinte compensar seu débito correspondente à contribuição previdenciária com crédito originário de outros tributos como, por exemplo, saldo negativo de IRPJ e também não haveria de ter, pois são tributos administrados pelo mesmo órgão; que a Lei 11.457/2007 e a Instrução Normativa n° 900/08 não apresentam quaisquer restrições ou justificativas no sentido da impossibilidade de compensação dos débitos relativos às contribuições previdenciárias com créditos relativos a outros tributos; que se encontra consolidado pelo Supremo Tribunal Federal o reconhecimento de que as contribuições sociais têm natureza tributária e que, antes da edição da Lei 11.457/2007, o único empecilho que permanecia à compensação, entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, era o fato de que àquelas eram administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social; que o art. 7° do DecretoLei n° 2.287/1986 (nova redação dada pelo art. 114 da Lei n° 11.196/2005) já determinava que o fisco, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deveria averiguar se o contribuinte era devedor da Fazenda Nacional e, no caso de existência de débitos, inclusive previdenciários, o valor correspondente ao crédito deveria ser compensado de ofício, total ou parcialmente, com o valor do débito; que atinente a débitos das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91 ou das contribuições instituídas a título de substituição – incidentes sobre o faturamento – Agroindústria (Lei nº 8.212/91, art. 11, § parágrafo único, “d” c/c art. 22A) e em relação à Divida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, o dispositivo prevê o mesmo procedimento. Ou seja, a autoridade fiscal deve compensar de oficio créditos de tributos federais com débitos previdenciários antes de qualquer ressarcimento ou restituição; que as compensações de créditos de tributos federais com débitos de contribuições administrados pela extinta Secretaria da Receita Previdencidria já eram realizadas, independentemente de requerimento do contribuinte e, sendo assim, a Lei 11.457/2007 buscou justamente tornar possível também a compensação pelo próprio contribuinte. Ademais, seria injustificável que este procedimento somente pudesse ser realizado de oficio pelo fisco, razão pela qual as compensações, do caso em tela, devem ser aceitas/homologadas com base em declaração da própria Contribuinte, na forma prevista pelo art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que todos os tributos federais passaram a ser administrados pelo mesmo órgão, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatase que a compensação objeto do processo em comento se mostra absolutamente legitima, motivo pelo qual o suposto débito de contribuição previdenciária deve ser extinto; que, caso se entenda pela impossibilidade de realização das compensações, sob hipótese alguma poderia ser fundamentada pela aplicação do artigo 26 da Lei 11.457/2007, pois esse dispositivo se refere, exclusivamente, às contribuições: a) das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos e c) dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, o que, definitivamente, não é o caso dos autos; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 112 6 que, vale dizer, os artigos 2º e 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 somente vedam a compensação nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para as constribuições previdenciárias das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91; que a situação da Contribuinte é diversa, pois tratase de Agroindústria e, por isso, o débito compensado se enquadra na alínea "d" do § único do artigo 11 da Lei 8.212/91, ou seja, contribuição social incidente sobre o faturamento, por força do disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, redação dada pelo art. 1º da Lei 10.256/2001, e que, por conseguinte, a compensação efetuada não é vedada; que, não obstante, a vedação de compensação (alineas a, b e c do § único do art. 11 da Lei 8.212/91), também, não deve prevalecer por ser flagrantemente inconstitucional, por falta de proporcionalidade ou razoabilidade da restrição; que, desta forma, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria, alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91), e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos; que, por fim, pedidu a revisão do indigitado Despacho Decisório. A DRJ/Recife, na mesma esteira do Despacho Decisório, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela vedação da compensação pleiteada no rito do procedimento previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, não entrando no mérito do direito creditório, cuja menta do acórdão transcrevo a seguir (fl. 72), in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição não se aplicam às disposições relativas à restituição e compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência do art. 26 da Lei n° 11.457/2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 113 7 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 22/03/2012sextafeira (fl. 80), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (fls. 81/95), juntando ainda os documentos de fls. 98/105, aduzindo, em suma, as mesmas razões já apresentadas na instância a quo, já resumidas anteriormente, neste relatório. Por fim, a Recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, reiterando que, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91) e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos. Aduziu, também, a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação de débitos de contribuição previdenciária com créditos de outros tributos mediante prévio requerimento. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 114 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A Contribuinte, em 20/03/2009 (fls. 02/03), formalizou compensação tributária de débitos das contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com direito creditório saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, utilizando o procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão a quo, assim como acontecera com o despacho decisório, sem entrar no mérito do direito creditório, rejeitou a compensação tributária, pela impossibilidade jurídica do encontro de contas pelo procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo, argumentando que é inaplicável a vedação do art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007, pelas seguintes razões: a) que a vedação estendese, apenas, às exações fiscais das alínesas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; b) que, por ser agroindústria (contribuições da Agoindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º), os débitos compensados do INSS referemse à alínea “d” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; c) que, caso esse entendimento não seja acatado e ainda assim, a partir da criação da Super Receita Lei nº 11.457/2007 (unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria de Arrecadação Previdenciária do Ministério da Previdência Social), não deve prevalecer a vedação de aplicação do art. 74 da Lei 9.430/96. Vale dizer: que é inconstitucional o dispositivo legal que veda a compensação tributária, via DCOMP, de débitos do INSS com créditos de tributos federais, pois tais exações fiscais passaram a ser administradas pelo mesmo órgão, ou seja, a Secretaria da Receita Federal do Brasil. d) que, por fim ainda, defende a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação por prévio requerimento entre débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 115 9 Inexistindo preliminar suscitada de natureza processual, passo diretamente à análise do mérito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PROCEDIMENTOS. O ponto controvertido, que precede à análise de mérito do direito creditório pleiteado, diz respeito ao procedimento utilizado pela Recorrente para viabilizar o “encontro de contas” de débitos de contribuições sociais do INSS (estatuídas na Lei nº 8.212, art. 11, parágrafo único, alíneas “a”, “b”, e “c”) e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições sociais da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com créditos de outros tributos federais. Em relação às contribuições previdenciárias do INSS, antes da fusão da Receita Federal com a Receita Previdenciária promovida pela Lei nº 11.457/07 (Lei que criou a "Super Receita"), as hipóteses de compensação dessas exações fiscais estavam bem delineadas na legislação de regência. Senão vejamos: a) compensação voluntária, via declaração (GFIP), somente entre débitos tributários de contribuições previdenciárias do INSS e crédito dessas mesmas exações fiscais, decorrente de pagamento indevido ou a maior (Lei nº 8.212/91, art. 89 c/c Lei nº 9.032/95); b) compensação de ofício, entre débitos do sujeito passivo com a Fazenda Nacional e créditos de competência do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (Lei nº 8.212/91, art. 89, § 8º, MP 252/2005 e Lei nº 11.196/05); c) compensação de ofício, realizada entre créditos de quaisquer tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias, cuja competência era exercida pela Secretaria da Receita Federal. (DecretoLei nº 2.287/86, art. 7º, § 2º, com redação dada pelo art. 114, da Lei nº 11.196/05). Portanto, enquanto vigente o art. 89, § 2º, da Lei nº 8.212/91, o qual foi objeto de revogação pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, havia expressa disposição de que a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias, por iniciativa voluntária do contribuinte, somente envolvia débitos e créditos tributários decorrentes dessas mesmas contribuições, in verbis: "Art. 89. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei." Quando da entrada em vigor da Lei nº 11.457/07 (unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria de Arrecadação da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social), o caput do art. 26 trouxe uma inovação legislativa atinente à compensação de contribuições previdenciárias, ou seja, além da compensação voluntária entre débitos e créditos de contribuições sociais do INSS, prevê a compensação, por requerimento, em procedimento diverso da Declaração de Compensação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para débitos de contribuições sociais do INSS com créditos de outros tributos federais. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 116 10 Vale dizer, a partir data da entrada em vigor da MP 449/08, restou revogada a restrição contida no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91 (norma específica). A mencionada medida provisória foi convertida na Lei nº 11.941/09, que manteve a revogação. Em face disso, e em consonância com o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/07, há previsão legal, em abstrato, de compensação voluntária, por requerimento, de débitos previdenciários com créditos de tributos federais. Já, os Tribunais brasileiros, interpretando a norma inserta no art. 26, e parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, têm enfrentado a questão, apenas, sob o ângulo se cábivel ou não a aplicação do procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para efeito de compensação voluntária, por iniciativa do contribuinte, entre débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos de tributos federais. A propósito da norma insculpida no art. 26, da Lei nº 11.457/07, o Superior Tribunal Justiça (STJ) já se manifestou acerca de compensação entre contribuições federais e os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale dizer, a Segunda Turma desse Excelso Tribunal, em julgado datado 05/04/2011 (STJ. REsp 1235348/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 02/05/2011), quanto ao alcance do art. 26, e seu parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, assim concluiu, in verbis: "(...) consignou expressamente que o art. 74 da Lei 9.430/96 não se aplica às exações cuja competência arrecadatória foi transferida, ou seja, vedou a compensação entre créditos de tributos que eram administrados pela antiga Receita Federal com débitos de natureza previdenciária, até então sob o pálio do INSS." (p.08). Em outro julgado, mais recente da mesma Turma julgadora do STJ (AgRg no REsp 1267060/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 24/10/2011), reafirmase o entendimento exposado no início do ano de 2011, in verbis: "É incontroverso que, em regra, os créditos do contribuinte contra a Receita Federal do Brasil podem ser compensados com quaisquer débitos tributários administrados pelo mesmo órgão, por meio da declaração eletrônica (DCOMP), nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei 10.637/2002). Ocorre que o art. 26, parágrafo único, c/c o art. 2º da Lei 11.457/2007 afastou expressamente essa prerrogativa em relação às contribuições sociais do art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei 8.212/1991 (contribuições patronais, dos empregadores domésticos e dos trabalhadores) e àquelas instituídas a título de substituição: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 117 11 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. A intenção do legislador foi, claramente, resguardar as receitas necessárias para o atendimento aos benefícios, que serão creditadas diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei 11.457/2007”. Portanto, conforme entendimento do Poder Judiciário, o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (compensação por PER/DCOMP) não se aplica às contribuições sociais aludidas no art. 2º da Lei nº 11.457/07. Não obstante, como já disse alhures, entendo que a partir da revogação do § 2º do art. 89 Lei nº 8.212/91 (norma específica), operada pela Lei nº 11.941/09, abriuse possibilidade legal de compensação voluntária, de iniciativa do contribuinte (prévio requerimento), de débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos dos demais tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que observado específico procedimento legal de compensação a ser implementado, conforme será demonstrado a seguir. Primeiramente, tornase mister transcrever o texto dos arts. 2º e 26 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1º O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. (...) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 118 12 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei." No contexto sistemáticonormativo que se insere a Lei nº 11.457/07 (arts. 2º e 26), é cediço que o referido diploma legal procedeu à fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, criando a cognominada "SUPER RECEITA", cujo órgão passou a ser chamado de Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, no contexto da referida fusão, foram criadas regras para a estrutura administrativa e de procedimentos administrativos para harmonização e operacionalização da reunião das competências de administração, fiscalização e arrecadação dos tributos federais, incluindo agora as contribuições previdenciárias, previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei nº 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição. A norma insculpida no caput do art. 26 da Lei 11.457/07, numa primeira análise, diz respeito apenas à obrigatoriedade do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias do INSS ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Já, a regra contida no parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 dispõe apenas acerca do alinhamento e adaptação do procedimento administrativo de compensação, para operacionalização do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social. Mas, não é só isso! Em análise detida, o art. 26 da Lei nº 11.457/07 diz mais: busca equalizar o fluxo de arrecadação e manter íntegra a destinação dos valores arrecadados a título de contribuições previdenciárias do INSS, diante da característica das contribuições especiais: a destinação específica do produto de sua arrecadação. A equalização do fluxo de arrecadação, para manutenção da correta destinação dos valores das contribuições previdenciárias ao Fundo do RGPS, somente se justifica se, e apenas se, na compensação (débitos x créditos) os créditos utilizados para o encontro de contas não forem de natureza previdência (contribuições previdenciárias). A propósito, os efeitos financeiros da compensação tributária, se operada apenas entre contribuições previdenciárias ou entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, são os seguintes: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 119 13 a) compensação de débito de contribuição previdenciária com créditos previdenciários. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária, já descontada a compensação, é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Aqui, não há equalização do fluxo de arrecadação, pois tudo é feito no âmbito da GFIP, conforme será abordado mais adiante. b) compensação débito de contribuição previdenciária do INSS com créditos de tributos federais. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária (valor recolhido pelo contribuinte + o valor compensado) é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei nº 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Quanto ao valor compensado (crédito utilizado de tributos administrado pela RFB), o repasse do respectivo valor pela União (RFB) ao Fundo RGPS deve ocorrer em dois dias úteis (Lei nº 11.457/2007, art. 26). Aqui, destarte, que se dá a equalização para que haja o repasse integral da arrecadação das contribuições previdenciárias. É essa equalização de arrecadação que está regulamentada no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. Tal procedimento financeirocontábil já era adotado desde o ano de 2005, antes mesmo da criação da "Super Receita", com o advento Lei nº 11.196/05, que modificou o DecretoLei nº 2.287/86, instituindo a compensação de ofício entre as contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais. Entretanto, o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 foi além dessa compensação de ofício, ou seja, prevê também a compensação voluntária, mediante requerimento do contribuinte, de débito de contribuição previdenciária (INSS) com créditos de tributos federais, porém, neste último caso, em procedimento diverso do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Logo, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 deve ser entendido no sentido de que o procedimento de compensação previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96 não se aplica às compensações de débitos previdenciários via DCOMP eletrônica ou em papel, quando estiverem envolvidos créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias. E não se aplica o mencionado procedimento administrativo fiscal do art. 74 da Lei 9.430/96 para as compensações de débitos previdenciários com créditos de outros tributos federais por uma razão lógica e sistêmica após unificação da arrecadação dos tributos federais, promovida pela Lei nº 11.457/07, ou seja, em face da necessidade de equalização do fluxo de arrecadação do INSS (necessidade de repasse em dois dias úteis em procedimento de compensação ágil, diverso do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Como a compensação tributária, no procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96, dáse imediatamente, ainda que em caráter resolutório, podendo a homologação ocorrer de forma expressa ou tácita, no prazo de até cinco anos. Vêse, logo, que o procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 é incompatível com a necessidade de equalização imediata do fluxo de arrecadação da receita previdenciária. É notório que o procedimento administrativo de compensação, previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96, é o denominado de "Compensação por Declaração", ou seja, o próprio contribuinte realiza a compensação e a informa à RFB, mediante utilização do Programa Gerador PER/DCOMP eletrônica ou, em certos casos, mediante DCOMP em formulário em papel. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 120 14 O procedimento de compensação por declaração (DCOMP) é incompatível com o procedimento de equalização do fluxo de recursos financeiros, prevista no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. É incompatível pelas seguintes razões: necessidade de controle prévio da compensação de crédito de tributos federais (exceto previdenciários) com os débitos de contribuição previdenciária, para fins de determinação do quantum a ser repassado para o Fundo do RGPS; exíguo lapso temporal para o repasse pela União (RFB) ao Fundo do RGPS dos valores compensados, uma vez que fixado dois dias úteis da data da compensação de ofício ou do deferimento do requerimento. Prazo incompatível com a DCOMP que exingue o débito sob condição resolutória na data de sua transmissão. Cabe mencionar, ainda, que a Lei nº 11.457/07 faz referência à data do deferimento do requerimento. Tal REQUERIMENTO somente pode ser considerado o pedido administrativo prévio de compensação voluntária pelo contribuinte. É indubitável que a compensação via requerimento é completamente distinta da compensação por intermédio de declaração. Nesta, o contribuinte realiza a compensação sob condição resolutória e, ato contínuo, informa à RFB, que tem determinado prazo para homologála ou não. Naquela, o contribuinte faz meramente um pedido administrativo de compensação, o qual será analisado pela RFB, que poderá deferilo ou não. De modo que já se sabe, até mesmo por expressa menção do parágrafo único do art. 26 da referida Lei, que o procedimento via DCOMP não se aplica às compensações referidas no caput. E mais, sabese que a compensação entre crédito de contribuição previdenciária e débitos desta mesma contribuição é realizada por declaração, na denominada GFIP, pois desnecessária, nestes casos, a equalização de recursos financeiros entre a União e o INSS (RGPS). Com efeito, não faria qualquer sentido dizer que o vocábulo "requerimento", a que se refere o caput do art. 26, da Lei nº 11.457/07, estaria ligado à compensação entre crédito de contribuições previdenciárias e débitos de natureza prvidênciária. Como visto, há diversos procedimentos de compensação tributária. Resumidamente, a compensação tributária ocorre em momentos distintos a depender do tipo de procedimento adotado, ou seja: a) entre contribuições previdenciárias, conforme legislação de regência da GFIP (Lei 8.212/91, art. 89, c/c art. 44 da IN RFB nº 900/2008); b) entre tributos federais administrados pela RFB, pela legislação de regência da DCOMP (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 1º); Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 121 15 c) entre débitos de contribuição previdenciária do INSS e crédito de tributos federais administrados pela RFB, somente após deferimento de requerimento, em procedimento diverso do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Lei 11.457/2007, art. 26). Assim, embora não aplicável o art. 74 da Lei 9.430/96 à compensação tributária entre créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07, ao invés de vedar, está a viabilizar possível compensação tributária por “requerimento” do contribuinte prevista no seu caput. Tanto é assim que, com o fito de eliminar o último óbice quanto à compensação voluntária entre contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais, a Lei nº 11.941/09 revogou, expressamente, o § 2º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Significa isso que, acaso o legislador desejasse vedar a compensação, por iniciativa do contribuinte, de crédito de outros tributos federais com os débitos de contribuições previdenciárias, teria mantido a norma inserta no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, modificando apenas o órgão arrecadador para a RFB. Mas assim não o fez, mantendo a coerência lógicosistemática da compensação de tributos administrados pela RFB. Em face do exposto, cabe concluir que a compensação de créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS tem previsão legal, porém deve ser apresentada via “requerimento” do contribuinte, por força do art. 26, caput, da Lei nº 11.457/07, em face de necessidade de controle da compensação para fins de repasse, pela União (RFB), do valor compensado ao Fundo do RGPS, não podendo ser utilizado, por conseguinte, o procedimento de compensação por declaração (DCOMP), prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, conforme dispõe o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07. No caso, inadvertidamente a Recorrente utilizou, para compensação tributária de débitos de contribuição previdenciária – INSS (de que tratam as alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição) com créditos de tributos federais (saldo negativo do IRPJ), o procedimento vedado do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (DCOMP) quando deveria ter utilizado a via requerimento a que alude o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007. A alegação da Recorrente de que as contribuições previdenciárias do INSS da agroindústria (contribuições instituídas a título de substituição) estariam enquadradas, abarcadas, no art. 11, parágrafo único, alínea “d” da Lei 8.212/91) e que não estariam abrangidas pela vedação do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 também não merece prosperar. As contribuições da alínea “d” do parágrafo único do art. 11 (contribuições sobre o faturamento) são diversas das contribuições instituídas para a agroindústria, a título de substituição. Logo, a vedação de compensação tributária pelo sistema do art.74 da Lei n° 9.430/96 aplicase às contribuições instituídas a título de substituição, conforme previsão, de forma expressa, do art. 2º da Lei 11.457/2007. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 122 16 Nessa parte ainda, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida por serem plusíveis ou pertinentes e que transcrevo a seguir (fls. 72/73), in verbis: (...) O contribuinte pleiteia compensação de crédito referente ao saldo negativo do IRPJ anocalendário 2008 com débitos de Contribuição Social Previdenciária e se insurge contra o Despacho Decisório, fl. 25, que indeferiu o pleito, alegando não haver impedimento legal para a compensação após a Lei n° 11.457/2007 que unificou as competências da Receita Federal com a Receita Previdenciária. E acrescenta que por força do art. 22A da Lei n° 8.212/1991 se enquadra na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da citada lei, por conseguinte, não se encontra atingida pela possível vedação à aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Não lhe assiste razão, é impossível, para o caso em análise, a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, porque, diferente do que afirma a defesa, a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 (Lei de criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil), mediante o art. 26, parágrafo único, veda expressamente a citada aplicação às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) O regime substitutivo está disciplinado no art. 22A da Lei n° 8.212/1991: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n° 10.256. de 2001). ..." (Grifei) Portanto, às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do art. 2o da Lei n° 8.212/1991, bem como as instituídas a título de substituição, não se aplicam as disposições sobre compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é o que determina com clareza o art. 26 c/c art. 2o da Lei n° 11.457/2007, acima transcritos. Sendo assim, diferente do que alega a defesa, a contribuição devida e para a qual se requer compensação, com crédito de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2008, se trata de contribuição previdenciária e seja do tipo das previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 123 17 n° 8.212/1991, seja do tipo das instituídas a título de substituição (agroindústria), se encontra excetuada das determinações contidas no art. 74 da Lei n0 9.430/1996. Pelo exposto, não prospera a tentativa da defesa de enquadrar a contribuição referida na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, a qual abrange, tão somente, às contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, ambas já administradas pela Receita Federal. Tanto é assim que o art. 2o da Lei n° 11.457/2007 ao atribuir a nova competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil se referiu às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991 e às contribuições instituídas a título de substituição, cujo regime substitutivo está previsto no art. 22A, referido pela defesa. Corroborando o entendimento acima a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, regulamenta a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e determina: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. ....” (Grifei). Também divergente do que interpreta a defesa, as contribuições previdenciárias foram ressalvadas e obedecem a regime próprio de compensação previsto nos artigos 44 a 48 da referida Instrução Normativa. (...) Portanto, conforme demonstrado, às contribuições da agroindústria (contribuições substitutivas) é inaplicável o procedimento de compensação previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Por outro lado, cabe pequeno reparo na decisão recorrida, ou seja, diversamente do que consta da decisão a quo, a situação dos autos também não se amolda, não se subsume, aos artigos 44 a 48 da IN RFB n° 900/2008, pois esses dispositivos tratam de compensação de créditos decorrentes de pagamento a maior de contribuições previdenciárias com débitos dessas mesmas contribuições. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 124 18 A situação dos autos, como já restou sobejamente demonstrado, tratase de situação diversa, ou seja, de declaração de compensação de crédito de outros tributos (saldo negativo do IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias. Tal fundamento ou possibilidade de compensação tributária não foi enfrentada pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, embora, em abstrato, tenha sido prevista, em tese, no caput do art. 26 da Lei n° 11.457/2007, conforme já fartamente demonstrado. Por conseguinte, se a compensação pleiteada não pode se efetivar pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, e também não pode se efetivar pelos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, cabia ao despacho decisório e à decisão recorrida pronunciarse, de forma expressa, se na data de protocolização da Declaração de Compensação objeto dos autos (20/03/2009) já estava, ou não, implementada a possibilidade de compensação de créditos de outros tributos (saldo negativo de IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias, e não simplesmente denegar o pleito da Recorrente, sob pretexto de que foi utilizado procedimento vedado. Qual seria o procedimento de compensação permitido, no caso? A Recorrente tem direito de compensação tributária, em tese. Para evitar possível cerceamento do direito de defesa, negativa de prestação de jurisdição e evitar supressão de instância de julgamento, tornase necessário devolver os autos à Unidade de origem da RFB (DRF/Maceió), para que enfrente, no mérito, a questão se Recorrente tem, ou não, o direito de compensação tributária, no caso, com fulcro no caput do art.26 da Lei n° 11.457/2007 que estaria permitindo, em tese, a compensação no caso, mediante mero requerimento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSIÇÃO LEGAL. Nas razões do seu recurso, a Recorrente arguiu a ilegalidade ou inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007, por afronta a princípios constitucionais, em face da vedação de aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 nas compensações, entre créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalide de lei, negar vigência, afastar ou deixar de aplicar disposição legal de regência vigente sob pena de responsabilidade funcional, pois, em face da adoção do princípio da Jurisdição Una pela Carta da República, o controle de legalidade de lei é da competência do Poder Judiciário. A propósito, esse entendimento é pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo cuja matéria já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na verdade, na esfera administrativa o escopo do julgamento não é o controle de legalidade da legislação aplicada (eventuais ou pretensos vícios formais ou materias da lei), Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002032/200918 Acórdão n.º 1802001.584 S1TE02 Fl. 125 19 mas sim o controle de legalidade do ato administrativo, do despacho decisório e da decisão recorrida, no sentido de aferir se houve, ou não, observância da legislação material e processual de regência. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Maceió para que se pronuncie, no mérito, se a Recorrente tem ou não, no caso, direito à compensação tributária com base no caput do artigo 26 da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação tributária objeto dos autos, haja vista a inaplicabilidade do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e do procedimento dos artigos 44 a 48 da IN SRF n° 900/2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10925.900903/2008-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 09 03 /2 00 8- 80 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 07611.42663.111104.1.3.046526 (fls.96/100), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de PIS (código de receita: 6912), referente ao período de apuração: julho/2004, vencimento: 13/08/2004 e Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: agosto/2004, vencimento: 15/09/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 3.358,62). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador do IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.070, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.278, de 06/08/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900903/200880 Acórdão n.º 1802002.103 S1TE02 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba/SC, após a diligência efetuada elaborou Informação Fiscal conclusiva para a análise cientificada ao sujeito passivo em 23/10/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Transcorrido o prazo legal sem a manifestação do interessado, os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802 000.278, de 06/08/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 07611.42663.111104.1.3.046526 (fls.96/100), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de PIS (código de receita: 6912), referente ao período de apuração: julho/2004, vencimento: 13/08/2004 e Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: agosto/2004, vencimento: 15/09/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 3.358,62). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.070, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador do IRPJ, e qualquer pagamento a este Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 3.358,62). É cediço, que o IRPJ determinado mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 – Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo do IRPJ em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 3.358,62, foi utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004; b) se o pagamento do IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do IRPJ por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC consta o seguinte: (...) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900903/200880 Acórdão n.º 1802002.103 S1TE02 Fl. 4 5 Para responder as indagações formuladas pela digna autoridade julgadora, foi regularmente intimada a contribuinte para esclarecer a apuração do saldo negativo bem assim apresentar os Livros Diários em que foram transcritos os balanços ou balancetes que teriam sido utilizados para cálculo das estimativas mensais de 2004, bem como as memórias de cálculo respectivas, enfim qualquer outro elemento que pudesse demonstrar e comprovar a apuração do saldo negativo. A contribuinte, em resposta, apenas esclareceu que os recolhimentos teriam sido efetuados de forma "equivocada e aleatória, não se baseando em memórias de cálculo especificas", e por esta razão, "não há que se falar em apresentação dos livros diários". Em razão da interessada se negar a apresentar os livros diários do período não há como se responder, com base nos registros contábeis, se os recolhimentos a título de estimativa mensal foram utilizados na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano de 2004. Na DIPJ apresentada (ficha 11) informa que optou pelos recolhimentos da estimativa com base nos balanços ou balancetes de suspensão, sem qualquer outro registro. Na DCTF (original) informou débito de IRPJ com base na receita bruta e acréscimos, porém posteriormente retificoua, zerando o valor. Relativamente à segunda questão (se o pagamento de IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimo ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução), a reclamante informou, apenas que "os recolhimentos foram equivocados e aleatórios". (...) Quanto a terceira indagação: se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da lei n° 8.981 de 1995, não se pode responder, dada a recusa da contribuinte em apresentar o respectivo livro. (...) Cientificado da Informação Fiscal, após a realização da diligência, a Recorrente nada contraditou. Como se vê, a Recorrente apresentou PERDCOMP no qual sustenta crédito a título de IRPJ por estimativa mensal pago a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o valor exato do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do Recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 3.358,62 , adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal foi além e tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência do crédito pleiteado ou de saldo negativo no ano calendário de 2004. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900903/200880 Acórdão n.º 1802002.103 S1TE02 Fl. 5 7 Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/06/2008 (fl.01). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13609.000324/2003-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI.
Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, tem-se como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 - ou do RIPI/2002.
Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto.
O regime da não-cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao
tributo incidente sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam
consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega.
Numero da decisão: 3802-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 24 /2 00 3- 00 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Trata o presente processo a DCOMP, formalizada pela contribuinte onde se pretendeu a extinção de débitos, apontando crédito originário de Ressarcimento de IPI apurado no trimestre referido na ementa, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/99. A Fiscalização verificou tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. Acrescentou, ainda, a autoridade fiscal que “pelo Livro Registro de Saídas ... verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. Destacouse, ainda, no Relatório Fiscal, que o contrato social da empresa e alterações posteriores indica que o objeto social é o “serviço de reforma e conserto de pneus em geral”. Concluindo que o estabelecimento não se caracteriza como industrial, pois as operações que realiza não se distinguem como industrialização, conforme o art. 4º do RIPI/1998 e o inciso XI do art. 5º1 do mesmo regulamento [que exclui as operações ali indicadas do conceito de industrialização]. Logo, indicou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, “por ineficácia dos mesmos, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte do imposto”. Assim sendo, foi proferido Despacho Decisório com base nas constatações contidas no Relatório Fiscal, ou seja, indeferindo o direito creditório e não homologando a DCOMP. Argumenta na manifestação de inconformidade, o seguinte: alega que o relatório de auditoria fiscal distorce a aplicação da legislação e omite partes do processo industrial, ao procurar descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado renovando ou restaurando o produto para utilização, nos termos do inciso V do art. 4º do RIPI/1998; 1 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 267DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000324/200300 Acórdão n.º 3802002.864 S3TE02 Fl. 267 3 pondera que descaracterizada estaria a industrialização se estivesse consertando um pneu que ainda possui vida útil mas que necessite de reparo (como numa borracharia) e o devolvendo ao cliente, o que não é o caso, haja vista que o pneu “reformado”, antes da reforma, não possuía mais vida útil; destaca o conceito de pneu ou pneumático reformado dado pelo art. 2º, III da Resolução nº 258/99, do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente: “todo pneumático que foi submetido a algum tipo de processo industrial com o fim específico de aumentar sua vida útil de rodagem em meios de transporte, tais como recapagem, recauchutagem ou remoldagem, enquadrandose, para efeitos de importação, no código 4012.10 da Tarifa Externa Comum – TEC”; argumenta que o pneu recauchutado é um produto novo, classificado na NCM 40.12 – Pneumáticos recauchutados ou usados de borracha; protetores, bandas de rodagem para pneumáticos e ‘flaps’ de borracha – à qual é atribuída alíquota zero, enquanto que os pneus novos classificamse na NCM 40.11 – Pneumáticos novos, de borracha; acrescenta que “tem sua atividade principal classificada de acordo com o CNAE 2.0 enquadrada na subclasse 22.12.9.00 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’, que pertence à seção C – ‘INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO’, divisão 22 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO’, grupo 221 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA’ e classe 22129 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’” e conclui que “caso a reforma de pneumáticos usados não fosse uma atividade industrial a CONCLA – Comissão Nacional de Classificação, responsável pelas normas de utilização e padronização das classificações estatísticas nacionais, teria colocado esta atividade em outra seção que não fosse a seção C que contempla apenas as atividades das INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO”; pondera que houve afronta à jurisprudência do Conselho de Contribuinte que afirma que o recondicionamento é um processo de industrialização, nos termos do Acórdão 20208348, de 20/03/1996; contesta a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade exercida não caracteriza industrialização e afirma que a atividade de recauchutagem é efetiva industrialização na medida em que aperfeiçoa o produto para consumo, nos termos do conceito dado pelo § único do art. 46 do CTN; menciona ainda que não pode ser considerado oficina seja pelo número de empregados (em média 25), seja pelo parque industrial (dotado de diversos equipamentos de potência superior ao limite fixado pela lei), seja pela utilização de mãodeobra que representa cerca de 15% do custo do produto final; cita a Solução de Consulta DISIT/SRRF/10ª RF nº 245, de 18/12/2007, que conclui que as atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram operações de industrialização, sendo irrelevante ou não a incidência do ISS, excepcionando, de tal conceito de industrialização quando tais atividades forem realizadas por encomenda direta do consumidor ou usuário na residência do preparador ou oficina com preponderância do trabalho profissional; menciona estar juntando, por amostragem, cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001 [que na realidade compõem o ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391] por meio das quais pretende demonstrar que é falso afirmar que todos os clientes fornecem as carcaças para a recauchutagem; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 pede, ao final, seja declarada a insubsistência do indeferimento do pedido de ressarcimento e da nãohomologação da compensação. A DRJ solicitou diligência para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela empresa, ou seja, caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, e que não se aplicaria, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998 e, se for o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Concluiuse que: i não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; ii verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. Empresa foi cientificada e reforça os argumentos da manifestação de inconformidade no sentido de reconhecimento imediato da atividade industrial do contribuinte, pois que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matériaprima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: RECAUCHUTAGEM DE PNEUS SOB ENCOMENDA DE CONSUMIDOR FINAL. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 decorre do saldo credor do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos que estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus é efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante [excludente do conceito de industrialização, na forma do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002], situação esta não afastada pela interessada, mediante apresentação de provas documentais, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO I COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto das DCOMPS em análise, cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de ressarcimento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000324/200300 Acórdão n.º 3802002.864 S3TE02 Fl. 268 5 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Enfatiza que coleta carcaça e entrega pneus usados. O resultado é pneu reformado destituído de qualquer marca. Argumenta que o julgamento da 1 ª decisão deve ser nulo, inclusive por inovar, quando do pleito de diligência realizado. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de indeferimento do direito creditório decorrente da constatação, pela Fiscalização, de que a empresa realiza os serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus por encomenda de seus clientes, que se tratam de consumidores finais e não de comerciantes de pneus. Dessa forma, afasta a atividade realizada pela empresa do conceito de industrialização prescrito no art. 4º, V2, do RIPI/1998 (renovação ou recondicionamento) e a enquadra na hipótese de exclusão de tal conceito indicada no art. 5º, XI3, do mesmo regulamento. Inicialmente, observase que o objeto social é o serviço de reforma e conserto de pneus em geral. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal, tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. 2 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). 3 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Bem como “pelo Livro Registro de Saídas (....) verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. A questão resumese se o estabelecimento exerce atividade de industrialização, ou a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização, por conta de estar inserida na exclusão do conceito de industrialização. Antes de adentrar no mérito, argumenta a recorrente que houve inovação, quando do pedido de diligência pela DRJ. Transcrevo passagem do texto motivador da mesma pela decisão a quo: Contrapondo a motivação do indeferimento com a demonstração, pela requerente, mediante notas fiscais de saída apresentadas por amostragem, da existência de saídas para terceiros que, pela atividade exercida [comércio varejista ou atacadista de pneumáticos e câmaras de ar], s.m.j, tratamse de pessoas jurídicas estabelecidas com o comércio dos produtos por ela recondicionados, entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do processo à DRF de origem, em diligência, para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela contribuinte [caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, não se aplicando, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998] e, se fosse o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Em resposta à diligência, conclui a fiscalização que (já relatado, inclusive): não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. A recorrente foi cientificada e, inclusive, apresentou razões adicionais de defesa, no sentido de reconhecer a sua atividade industrial, uma vez que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matéria prima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. De pronto, afasto as alegações da recorrente, pois não houve inovação nos autos, tampouco cerceamento de defesa; não ensejando nulidade de julgamento e sim pleito para esclarecimentos adicionais para convencimento do julgador. Passando ao mérito, a recorrente apresentou, através das cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001, anexadas por amostragem (ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391) e informa que não trabalha somente por encomenda de clientes consumidores finais, mas, que adquire as carcaças de pneus de diversos fornecedores, executa a operação de recondicionamento, e revende o produto a uma terceira pessoa (distinta do fornecedor das carcaças). Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000324/200300 Acórdão n.º 3802002.864 S3TE02 Fl. 269 7 Em análise das notas fiscais de saída apresentadas, notase, no Quadro Dados Adicionais, Campo Informações Complementares, a indicação do número da Nota Fiscal de Entrada. Este fato configura a situação do art. 5º, inciso XI, na forma do art. 333, IV, § 1º, do RIPI/2002 [art. 310, IV, §1º no RIPI/1998], ou seja: Art. 333. A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida: IV na saída, em restituição, do produto consertado, restaurado ou recondicionado, nos casos previstos no inciso XI do art. 5º; § 1º Da nota fiscal prevista no inciso IV do caput constará a indicação da nota fiscal emitida, pelo estabelecimento, por ocasião do recebimento do produto. [destaques da Relatora]. Consta da maioria das notas fiscais de saída apresentadas, a indicação do CFOP 5.99 e a descrição da natureza da operação “Reformas”. Algumas poucas apresentam o CFOP 6.99, com descrição de operação “Reformas fora do Estado”. A apresentação das notas fiscais não logrou êxito em contrapor a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2002 [ou do RIPI/1998]. Ao contrário, a emissão das notas fiscais de saída da forma mencionada revela que ela dá saída aos produtos recondicionados para o próprio autor da encomenda, para uso deste, ou seja, o encomendante é o consumidor final do produto, não o revende, enquadrando a atividade exercida, portanto, como prestação de serviços sujeita somente ao ISS. A decisão a quo, menciona dois Pareceres que esclarecem, em termos de conceituação do que seja operação de recauchutagem, bem como a destinação do produto é determinante se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização, conforme: O PARECER NORMATIVO CST nº 299/70, que dispõe: A recauchutagem de pneus, operação consistente em restaurar ou recapear os pneus usados, de forma a restaurar a sua utilização, caracterizase como "renovação" (RIPI4, art. 1º , § 2º , inc. V) e, pois, industrialização; o estabelecimento que a executa será, para os efeitos do IPI, um estabelecimento industrial e o seu titular será, em consequência, contribuinte do imposto, com relação aos mencionados produtos, saídos de seu estabelecimento (RIPI, art. 53, inciso I). ......... Todavia, "exvi" do disposto no inciso I, § 4º , do referido art. 1°, a citada operação não será considerada industrialização quando executada em pneus usados, por encomenda direta de terceiros, não estabelecidos com o comércio de tais produtos, ou seja, sem intuito de revenda. Nessa hipótese e, em consequência, a saída dos produtos acabados não obriga ao pagamento do imposto. 4 O regulamento a que se reporta o parecer é o RIPI/67 [ Decreto nº 61.514, de 12/10/1967]. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 As empresas recauchutadoras, segundo declara a respectiva entidade de classe, executam a mencionada operação, nas seguintes modalidades: a) por encomenda direta do proprietário, para uso deste; b) por encomenda do proprietário, para uso deste, mas por intermédio do borracheiro; c) por conta própria, para a revenda; d) por encomenda do borracheiro, para a revenda. Nenhuma dúvida subsiste nas modalidades descritas em "a", "c" e "d": eis que no primeiro caso, a operação se equipara a conserto, não alcançada pelo imposto, enquanto que as duas outras ("c" e "d") configuram renovação, sujeitas ao tributo às respectivas saídas. Merece, contudo, algumas considerações a modalidade descrita em "b". Então, não há dúvidas quanto à atividade de recauchutagem de pneus tratar se de operação de industrialização. No entanto, a destinação do produto recondicionado [se para revenda a terceiros ou para uso do autor da encomenda] é que determinará se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização. Da mesma forma o PARECER NORMATIVO CST nº 437/70: Isto posto, somos de parecer que a operação de industrialização de objetos usados adquiridos de particulares para revenda a terceiros efetivamente se enquadra no conceito de "renovação ou recondicionamento" a que se refere o RIPI, o já transcrito inc. V, § 2º , art. 1º . Só nesse conceito, e não noutro. Portanto, se o produto usado submetido a um processo de recondicionamento ou renovação for destinado ao encomendante proprietário da carcaça do pneu, para uso deste (consumidor final), a operação equiparase a conserto, não alcançada pelo IPI. Se o encomendante for revender o produto recondicionado, caso em que o encomendante comerciante será estabelecimento equiparado a industrial, por força do inciso IV do art. 9º do RIPI/1998 (ou do RIPI/2002). No entanto, no Termo de Verificação Fiscal consta que “a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus” foi confirmada pela recorrente. Assim sendo, conceitualmente, será industrialização se o pneu for recauchutado para venda. Como se trata de encomenda do usuário, a exclusão do conceito de industrialização depende da atividade deste último: se for estabelecido com o comércio de pneus, é; do contrário, não, nos termos do inciso XI do art. 5º RIPI/98 e 2002. Por final, a recorrente limitouse a discutir que sua atividade está inserida no processo de industrialização, não aduzindo provas que lhe dessem respaldo para alcance do seu pleito. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000324/200300 Acórdão n.º 3802002.864 S3TE02 Fl. 270 9 direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifei) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos do IPI, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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