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5346561 #
Numero do processo: 11853.000858/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani – Redator Designado    Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes   Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  o  acórdão  n°  03­48.229,  julgado na sessão de 10 de maio de 2012, pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento  de Brasília, referente ao processo administrativo n° 11853.000858/2011­11, em que foi julgada  improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendo­se por  conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim relatou os fatos:  “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado Auto d e Infração relativo a cobrança de multa por atraso na entrega do  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições Sociais ­ Dacon do mês de apuração de fevereiro/ 2006, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de  R$ 51.295,30.  O  enquadramento  legal  do  lançamento  é  o  art 7  o  da  Lei  nº  10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19  da Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004.  Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 5/9) ao  lançamento  alegando,  em síntese,  que  de  acordo  com  as  imposições do Art 142 do CTN, o lançamento fiscal obrigatoriam ente deve conter elementos confirmatórios para a sua essência, e  deixar  clara  a  tipificação  e  fundamentação  da  origem  da  infraçãotributária.   Observa que o inciso IV, art 10 do Dec. 70.235/72, obriga o autu ante a mencionar o dispositivo legal infringido pela contribuinte.  No caso, a autoridade lançadora no campo 05 (descrição dos fa tos e fundamento legal) identificou a Lei nº10.246, de 24/04/2002  com fundamento para lançamento de multa por atraso na entreg a do Dacon, normativo este que não  trata  de  penalidades  tributárias  e  sim  da  Política  Agrícola  no  País;  capitulação  imprópria que torna nulo o lançamento fiscal.Acrescenta  que  apresentou  a  Declaração  em  atraso,  porém  espontaneamente,  nos  termos do artigo 138 do CTN, não cabendo a aplicação de  multa  sancionatória  ou moratória.  Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido,  de não cabimento da multa.   Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e  improcedência  da ação  fiscal,  requer  seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito  fiscal  reclamado.   É o relatório. ”    Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 5          4 A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DDF de origem, sendo  julgada improcedente. O acórdão da DDF conta com a seguinte ementa:    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Ano­calendário: 2006  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO  DE APURAÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA  FORMAL.   A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o rec olhimento  dos  tributos  devidos,  não  caracteriza  a  espontaneidade, com o condão de  ensejar  a  dispensa  da  multa prevista na legislação.   O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato  formal,não  estando  alcançado  pelos  ditames  do  art.  138  do  Código Tributário Nacional.   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Inconformada  com  a  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  a  contribuinte  interpôs, em 21.06.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 49­52, onde  em suas razões, requer a reforma do acórdão.  É o sucinto relatório.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Relator.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  No  presente  caso,  temos  que  o  Despacho  Decisório  ora  contestado  não  homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar,  em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar  débitos da pessoa jurídica.  Esclareceu  a  recorrente  que  o  pagamento  efetuado  seria  indevido,  por  se  tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como  tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91.  Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria.  Em que pese em casos idênticos, este Relator tenha sido vencido na questão,  entendo ainda assim, por bem, acompanhar a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva  Murgel,  nos  termos  da  declaração  de  voto  proferida  no  acórdão  nº  3801­002.085,  desta  Colenda Turma Especial:  Como  bem  se  infere  da  análise  do  lançamento,  trata­se  de  imposição  de  Multa  Regulamentar  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  convertida  em  obrigação  principal  em  relação  à  penalidade  aplicável.  Há  lei  em  vigor  prevendo  a  aplicação  da  multa  na  data  da  ocorrência  da  situação  que  constitui o fato gerador da obrigação acessória.  No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o  prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa.  Ocorre  que  o  artigo  138  do Código Tributário Nacional  assim  dispõe:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  o  montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.”  Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea.  A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do  qual  se  exclui  a  responsabilidade  pela  prática  de  alguma  infração  tributária  por  parte  do  contribuinte,  ou  responsável,  desde  que  sejam  obedecidos  os  preceitos  ali  constantes,  quais  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 7          6 sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização por parte da autoridade fazendária.  Deveras,  o  sujeito  passivo  tem  determinadas  obrigações  para  com  o  sujeito  ativo  da  relação  jurídico  tributária,  seja  de  pagamento  de  tributos  no  prazo  correto,  seja  de  entregar  o  DACON  dentro  de  prazo  determinado  pela  lei,  dentre  outros  comportamentos legalmente previstos.  É,  pois,  a  infração  tributária,  uma  ação  ou  omissão  praticada  pelo  agente  da  relação  jurídica  que,  seja  de  forma  direta  ou  indireta,  descumpra  deveres  jurídicos  normatizados  em  legislações fiscais.  No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração,  de  natureza  formal:  a  entrega  do  DACON  em  atraso.  Sempre  que  ocorrida  uma  infração  tributária,  fato  seguinte  é  o  surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que  o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade.  Ocorrida  a  infração  tributária,  podem  ser  desencadeadas  três  distintas situações:  1) Na primeira, o agente responsável pela  infração não realiza  nenhum  procedimento,  que  dando­se  silente  e  aguarda  a  eventual  ocorrência  da  decadência  do  direito  da  Fazenda  Pública em lançar tais valores.  2)  A  segunda  possibilidade  é  a  Fazenda  Pública  fiscalizar  o  agente infrator e, desta feita,  lavrar o Auto de Infração, onde o  sujeito passivo poderá impugná­lo administrativamente, recorrer  ao Poder  Judiciário  para  anulá­lo  ou,  até,  adimplir os  valores  devidos de pronto.  3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou  seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório  do Poder Público  e efetua o pagamento dos valores de pronto,  ou realiza a obrigação que deixou de cumprir,  comunicando­o,  após, do ocorrido.  Neste  último  caso,  como  exposto  acima,  o  CTN  expressamente  prevê que, para beneficiar  tanto o contribuinte como o próprio  Fisco, os contribuintes  se valham de um instituto excludente de  responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes  para sua fruição.  A  referida  norma,  art.  138  do  CTN,  nada  mais  é  do  que  uma  norma  indutora  de  conduta,  uma  vez  que  sua  hipótese  de  incidência  conclama  apenas  uma  atitude  exclusiva  do  sujeito  passivo,  não  havendo  qualquer  obrigação  para  forçá­lo  a  agir  de tal forma.  É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante  a  fiscalização  e,  desta  feita,  ser  beneficiado  pela  exclusão  da  penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 8          7 o  dom  de  beneficiar  tanto  o  sujeito  passivo  que  recebe  tal  benesse,  quanto  à  própria  Fazenda.  O  primeiro  é  beneficiado  porque  a  legislação  lhe  dá  a  oportunidade  de  ser  perdoada  a  sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o  que  estimula  o  adimplemento  volitivo  de  suas  obrigações  tributárias;  enquanto  que,  para  o  segundo,  representa  um  estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem  que  este  tenha  que  ir  fiscalizar  as  empresas  e  verificar  a  correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes  Para  que  a  denúncia  espontânea  surta  seus  efeitos,  imprescindível a  ocorrência  de  seus  pressupostos. No  caso ora  analisado,  todos  os  pressupostos  foram  observados,  senão  vejamos:  Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes:  1º) Denúncia espontânea da  infração entrega extemporânea do  DACON,  e,  conseqüentemente,  o  surgimento  da  respectiva  sanção – no  caso, o pagamento de multa pelo descumprimento  da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o  contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja,  que  comunique  à  Fazenda  a  ocorrência  da  infração  e  o  seu  respectivo  adimplemento.  A  comunicação  solene  foi  realizada  pela  Recorrente,  através  da  entrega  da  DACON  espontaneamente, em atraso.  2º) Pagamento do  tributo devido e dos  juros de mora,  se  for o  caso.  Como  segundo  pressuposto  para  a  plena  realização  da  denúncia  espontânea,  há  a  necessidade  do  adimplemento  da  obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto.  Neste  sentido,  mister  é  que  o  sujeito  passivo,  ao  denunciar­se  espontaneamente  para  o  Fisco,  acompanhe  junto  desta  comunicação  o  comprovante  de  que,  ressalvada  a  multa,  a  obrigação  que  deveria  ter  sido  adimplida  épocas  atrás  tenha  sido  efetivamente  cumprida.  Vale  ressaltar  que,  apesar  de  a  norma referir­se a “pagamento do  tributo devido”, a aplicação  do  instituto da denúncia espontânea não  fica  reservado apenas  para  os  casos  de  descumprimento  da  obrigação  tributária  principal,  relacionada  com  o  recolhimento  do  tributo  efetivamente.  A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais  do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as  obrigações acessórias,  também pode  ser  elidida pela aplicação  do  artigo  138  do  Código  Tributário  Nacional.  Esta  assertiva  resta  absolutamente  óbvia  quando  o  legislador  utiliza  a  expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda  íntima  e  direta  relação com a  chamada natureza  das  infrações  fiscais,  que  podem  ser  tanto  materiais,  resultantes  diretamente  do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou  de  prestação  pecuniária;  quanto  formais,  decorrentes  do  não  cumprimento  de  uma  obrigação,  seja  através  de  uma  atitude  positiva ou negativa.  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 9          8 Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal  ou  de  prestação  pecuniária  acarretará  no  nascimento  de  uma  infração  tributária  material,  relacionada  com  a  expressão  “pagamento  do  tributo”.  Já  o  de  um  dever  instrumental,  uma  infração  formal,  está  relacionada  com  a  expressão  “se  for  o  caso”.  Sempre  que  uma  obrigação  tributária  principal  for  inadimplida,  para  os  efeitos  da  aplicação do  art.  138  do CTN,  necessário  será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a  infração  ocorrida  for  de  natureza  formal,  como  no  caso  presente,  a  denúncia  espontânea  consiste  simplesmente  na  formalização  junto  ao  órgão  fiscal,  do  descumprimento  de  sua  obrigação  de  prestar  informações  tempestivamente.  Não  há  dúvidas,  portanto,  que  a  Recorrente  preencheu  este  segundo  pressuposto  necessário  para  que  possa  usufruir  do  instituto  da  denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade  (leia­se, punição) pela infração formal cometida.  Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que  abrange  sua  aplicação  tanto  para  os  casos  em  que  há  “pagamento  do  tributo  devido”,  quanto  para  os  casos  em  que  não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se  for o caso”, constante do final daquele texto.  Qual  a  validade  da  expressão “se  for  o  caso”,  se  não  para  as  infrações  em  que  não  há  qualquer  relação  com  valores  pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? CTN,  pois  não  teria  aplicação  alguma.  Só  haverá  pagamento  de  tributo devido quando a infração tenha sido não pagá­lo. Nesse  caso, o autodenunciante, ao confessar­se, deverá pagar o tributo  não­pago.  Mas  se  a  infração  cometida  tenha  sido  a  não  prestação  de  uma  informação,  a  confissão  do  Recorrente  não  ensejará  o  pagamento  de  tributo,  porquanto  esse  pagamento  representaria a não observância do artigo 138 do CTN.  3º)  Inexistência  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização  relacionados  com  a  infração.  Último  pressuposto  para  a  configuração  da  denúncia  espontânea  se  encontra  na  figura  da  ausência  de  fiscalização,  por  parte  do  Fisco,  em  relação ao  tributo  sobre  o  qual  o  contribuinte,  ou  o  responsável, se auto­denuncia.  Em  suma,  entendo  que  a  Recorrente  preencheu  correta  e  satisfatoriamente  todos  os  requisitos  inerentes  ao  instituto  da  denúncia  espontânea.  É  justamente  no  afastamento  da  responsabilidade  pela  infração  e,  consequentemente,  na  escusa  de  toda  forma  de  penalidade,  de  sanção,  que  age  a  denúncia  espontânea.  Ela  funciona  como  uma  “excludente  da  culpabilidade”.  A  infração  continua  existindo.  Todavia,  o  contribuinte  não  é  mais  punível.  Ou  seja,  as  conseqüências  oriundas  desta  nova  relação  jurídica  (todas  elas)  não  podem  mais  se  externar,  pois  prejudicado  jus  puniendi  em  relação  àquele infrator.   Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao  dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea,  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 10          9 não  pode mais  ser  responsabilizado  pela  infração  cometida.  A  norma  optou  por  ser  o  mais  abrangente  possível  e  excluiu  a  própria  responsabilização  do  agente,  o  que  impossibilita,  de  resto,  a  incidência  de  qualquer  penalidade  –  ou  seja,  de  qualquer  medida  que  possa  lhe  prejudicar.  Por  todo  o  acima  exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de  dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a  exigência consubstanciada no auto de infração de fls..  É assim que voto.    Muito  embora  ainda  seja  vencido  nesta  Colenda  Turma  quanto  a  presente  matéria, mantenho  as  referidas  razões  de  decidir,  nos  termos  do  voto  da  ilustre Conselheira  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração.  É assim que voto.    (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado.  Discordo do voto do Conselheiro Relator, pelas razões abaixo.  A  fiscalização  apurou  que  a  contribuinte  entregou  fora  do  prazo  o  Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais­Dacon e exigiu multa pelo atraso.  Os fatos são incontroversos.  A  infração  está  tipificada  no  art.  7º,  da Lei  nº  10.426,  de  24/04/2002,  com  redação dada pelo art. 19, da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cito:  “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa  Jurídica  ­ DIPJ,  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica,  Declaração  de  Imposto de Renda Retido na Fonte  ­ DIRF e Demonstrativo de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  ­  Dacon,  nos  prazos  fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será  intimado  a  apresentar  declaração  original,  no  caso  de  não­ apresentação,  ou  a  prestar  esclarecimentos,  nos  demais  casos,  no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal ­ SRF, e  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 11          10 sujeitar­se­á  às  seguintes multas:  (  Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051, de 2004.)   (...)  III  ­  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  da  Cofins,  ou,  na  sua  falta,  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  informado  no  Dacon,  ainda  que  integralmente  pago,  no  caso  de  falta  de  entrega  desta  Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por  cento),  observado  o  disposto  no  §  3º  deste  artigo;  (  Redação  dada pela Lei nº 11.051, de 2004.)  IV  ­  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051,  de 2004.)  § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e  II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte  ao  término  do  prazo  originalmente  fixado  para  a  entrega  da  declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no  caso de não­apresentação, da lavratura do auto de infração.   § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I,  II  e  III  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado  para  a  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva entrega ou, no caso de não­apresentação, da lavratura do  auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 )  § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas:   I ­ à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício;   II ­ a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   (...)  §  6º  No  caso  de  a  obrigação  acessória  referente  ao  Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais ­ DACON  ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do  caput  deste  artigo  será  calculada  com  base  nos  valores  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos  demonstrativos mensais entregues após o prazo.( Redação dada  pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.)  Logo, não há razão para se considerar nula a exigência.  Quanto  à  aplicação  da  denúncia  espontânea  ao  caso,  observo  que  decisões  reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF nº  49,  de  observância  obrigatória  pelos  seus  membros,  por  força  do  art.  72,  do  Anexo  II,  do  Regimento Interno do CARF.  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 12          11 O enunciado da súmula é o seguinte:  “Súmula  CARF  nº  49:  A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente de atraso na entrega de declaração.”  Serviram  de  acórdãos  paradigmas  para  ela,  entre  outros,  os  seguintes:  CSRF/04­00.574, de 19/06/2007; 192­00.096, de 06/10/2008; 107­09.410, de 30/05/2008; 101­ 96.625,  de  07/03/2008;  105­16.674,  de  14/09/2007;  108­09.252,  de  02/03/2007.  Cito  as  ementas:  Acórdão CSRF/04­00.574:  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO – PENALIDADE  As  penalidades  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não  estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado  no art. 138 do CTN.  Recurso especial provido  Acórdão 192­00.096:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  EXERCÍCIO: 2005  DECLARAÇÃO  IRPF. MULTA  POR  ENTREGA  EM  ATRASO.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato  puramente  formal  do  contribuinte  de  entregar,  com  atraso,  a  declaração  de  rendimentos  porquanto  as  responsabilidades  acessórias  autônomas,  sem  qualquer  vínculo  direto  com  a  existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo  art. 138 do CTN (precedentes CSRF).  DECLARAÇÃO  IRPF. MULTA  POR  ENTREGA  EM  ATRASO.  CONFISCO.  A  penalidade  pela  entrega  da  declaração  extemporaneamente  não  se  caracteriza  como  tributo.  Inaplicável,  assim,  o  conceito  de  confisco  previsto  no  inciso  IV  do  art.  150  da  Constituição  Federal de 1988. Recurso negado.  Acórdão 107­09.410:  Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário: 2001, 2002  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DIPJ.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000858/2011­11  Acórdão n.º 3801­002.651  S3­TE01  Fl. 13          12 A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que  espontaneamente,  sujeita à multa estabelecida na  legislação de  regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea  prevista no art. 138 do CTN, por tratar­se de descumprimento de  obrigação  acessória  com  prazo  fixado  em  lei  para  todos  os  contribuintes.  Acórdão 101­96.625:  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇAO  –  DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração  tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a  atividade de lançamento é vinculada e obrigatória.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  A  exclusão  de  responsabilidade  pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se  aplicando  às  obrigações  acessórias,  por  não  estar  vinculado  diretamente com a existência do fato gerador do tributo.  Recurso Voluntário Negado  Acórdão 108­09.252:  IRPJ  –  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS.  O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato  puramente  formal  do  contribuinte  de  entregar,  com  atraso,  a  declaração  de  rendimentos  porquanto  as  responsabilidades  acessórias  autônomas,  sem  qualquer  vínculo  direto  com  a  existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo  art. 138, do CTN.  Recurso negado.  Verifica­se que o  fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às  declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF nº 49,  também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação  acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani                Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 13884.003221/2003-34
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Não havendo contradição não se pode acolher os Embargos de Declaração, por ter sido a matéria embargada examinada no acórdão recorrido. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 12/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 117          1 116  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13884.003221/2003­34  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3801­003.011  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de fevereiro de 2014  Matéria  Embargos  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  STELC CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS E COMÉRCIO LTDA.    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 1997  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Não havendo contradição não  se pode  acolher os Embargos de Declaração,  por ter sido a matéria embargada examinada no acórdão recorrido.  Embargos Rejeitados      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  os  embargos de declaração.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.  EDITADO EM: 12/03/2014  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 32 21 /2 00 3- 34 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES   2 Relatório  Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  lavrado  em  16/06/2003  e  cientificado  ao  contribuinte, por via postal,  em 03/07/2003,  formalizando crédito  tributário no valor  total de  R$  83.108,75  (oitenta  e  três  mil,  cento  e  oito  reais  e  setenta  e  cinco  centavos),  com  os  acréscimos  legais  cabíveis  até  a  data  da  lavratura,  em  virtude  da  não  localização  dos  pagamentos vinculados aos débitos declarados em agosto e setembro de 1997, bem como pela  não  confirmação  do  processo  judicial  indicado  para  fins  de  compensação  dos  débitos  declarados para os períodos de março, junho, julho, novembro e dezembro de 1997 (proc­jud  não comprovado).  Inconformado  com  a  exigência  fiscal,  a  contribuinte  protocolizou  a  impugnação de fls. 01/05, em 01/08/2003, juntando os documentos de fls. 06/49.  A 5ª Turma da DRJ em Campinas/SP concluiu pela procedência parcial  do  lançamento oriundo do Auto de Infração n°. 0001465, nos termos da ementa do acórdão (fls.  72/73), abaixo transcrita:  "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social ­ COFINS  Ano­calendário: 1997  DCTF. REVISÃO INTERNA.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  Incabível  discutir  aspectos  que  poderiam  ensejar  a  nulidade  do  lançamento  se  o  crédito  tributário  subsistiria  constituído  pelo  contribuinte,  mediante  formalização em declaração.  PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. A propositura de  ação judicial não impede a formalizaoão do lançamento. Apenas  que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do inicio  do procedimento fiscal,  incabível seria a aplicação de multa de  oficio.  MULTA DE OFICIO. DÉBITOS DECLARADOS.  Em face do principio da  irretroatividade benigna, exonera­se a  multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não  comprovadas,  apuradas  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no  art. 18 da Medida Provisória n°. 135/2003, convertida na Lei n°.  10.833/2003,  com  a  nova  redação  dada  pelas  Leis  n°.  11.051/2004 e n°. 11.196/2005.  JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei no. 9.430, de 1996, os  juros  serão equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial  de  Liquidação  e  Custódia  para  títulos  federais  —  Selic,  acumulada mensalmente.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  não  é  de  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.003221/2003­34  Acórdão n.º 3801­003.011  S3­TE01  Fl. 118          3 competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do  Poder Judiciário.  Lançamento Procedente em Parte".  Apresentado  o  Recurso  Voluntário  essa  Turma  julgou  procedente  a  manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUICAO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 1997  DECADÊNCIA. PRAZO.  O  prazo  para  a  Fazenda  Pública  constituir  crédito  tributário  referente aos  tributos  sujeitos ao  lançamento por homologação  extingue­se  em  5  (cinco)  anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador, conforme disposto no art. 150, §40, do CTN. Essa regra  aplica­se à COFINS por força da Súmula n° 8 do STF.  Recurso Voluntário Provido.  Embarga  de  declaração  a  Fazenda  o  referido  acórdão  sob  os  seguintes  argumentos:  “Com efeito, consta, primeiramente, do voto condutor que, com  a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n.  8.212/91,  os  prazos  qüinqüenais  de  prescrição  e  decadência  devem ser contados na forma dos arts. 150, § 4º, 173 e 174, do  CTN…  (…)  Porém,  o  mesmo  voto  condutor  afirma  posteriormente  que,  na  hipótese  destes  autos,  o  prazo  decadencial  deve  ser  contado  somente na forma do art. 150, § 4º, do CTN…  (…)  Portanto,  a  contradição  consiste  em  afirmar  num  primeiro  momento que a decadência deve ser contada na forma dos arts.  150, § 4° (cinco anos a partir do fato gerador), e 173, I, do CTN  (cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que  lançamento poderia  ter  sido efetuado),  e,  num segundo  momento, reconhecer a decadência somente com amparo no art.  150, § 4°, do CTN (cinco anos a partir do fato gerador).  Por  fim,  cumpre  salientar  que  a  jurisprudência  do  CARF  tem  consolidado  o  entendimento  de  que  a  regra  de  contagem  do  prazo  decadencial  constante  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  é  aplicada tão­somente diante da existência de pagamento parcial  das contribuições devidas. A  inexistência de pagamento parcial  implica utilização da regra de contagem constante do art. 173, I,  do  CTN.  Adotando­se  essa  linha  de  entendimento,  e  considerando  que  na  hipótese  destes  autos  a  autuação  decorre  da falta de recolhimento dos valores devidos a titulo de COFINS,  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES   4 o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 173, I, do  CTN,  e  não  do  art.  150,  §  4º,  como  consta  do  v.  acórdão  embargado.  É o que importa relatar.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.003221/2003­34  Acórdão n.º 3801­003.011  S3­TE01  Fl. 119          5 Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  Conheço  por  possuir  todos  os  requisitos  de  admissibilidade  dos  presentes  embargos.  Revisando o  acórdão  embargado vê­se que o mesmo apresentou  toda  a  sua  fundamentação quanto ao período que tem a Fazenda Pública para constituir credito tributário  referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação.  A própria PFN aponta a suposta contradição do seguinte modo:  Portanto,  a  contradição  consiste  em  afirmar  num  primeiro  momento que a decadência deve ser contada na forma dos arts.  150, § 4° (cinco anos a partir do fato gerador), e 173, I, do CTN  (cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que  lançamento poderia  ter  sido efetuado),  e,  num segundo  momento, reconhecer a decadência somente com amparo no art.  150, § 4°, do CTN (cinco anos a partir do fato gerador).  Ora, pelo que pode ser visto a Turma entendeu que o prazo a ser aplicado é o  do  artigo  150,  §  4º  concluindo  que  “o  lançamento  foi  efetuado  fora  do  prazo  permitido  à  Fazenda Nacional para essa exigência (art. 150, §4º, do CTN).”  Trata­se apenas de decisão no sentido da aplicação do prazo do art. 150, §4º,  do CTN e não de contradição conforme alega a Embargante, não havendo motivação para os  Embargos.  Nesse sentido, rejeito os presentes embargos.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator                                Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5414021 #
Numero do processo: 15563.720177/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/01/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONFORME TERMO DE INTIMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DUPLICIDADE DA PENALIDADE. A Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo Regulamento da Previdência Social, prevê penalidade pecuniária nos casos específicos de não atendimento a intimação fiscal para apresentação de documento. No caso da presente infração, independentemente da conclusão que se tenha em relação às obrigações principais propriamente ditas, desatendida solicitação do agente fiscal sem que se apresente justificativa para tal, cabível a aplicação da penalidade descrita no artigo 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 c/c o artigo 283, II, alínea ‘j’ e 373 do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/01/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONFORME TERMO DE INTIMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DUPLICIDADE DA PENALIDADE. A Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo Regulamento da Previdência Social, prevê penalidade pecuniária nos casos específicos de não atendimento a intimação fiscal para apresentação de documento. No caso da presente infração, independentemente da conclusão que se tenha em relação às obrigações principais propriamente ditas, desatendida solicitação do agente fiscal sem que se apresente justificativa para tal, cabível a aplicação da penalidade descrita no artigo 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 c/c o artigo 283, II, alínea ‘j’ e 373 do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 440          1 439  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15563.720177/2011­99  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.707  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de agosto de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO  APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.  Recorrente  TOESA SERVICE S A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/01/2008  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  LAVRADO  EM  RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONFORME  TERMO  DE  INTIMAÇÃO.  ALEGAÇÃO  DE  DUPLICIDADE  DA  PENALIDADE.   A Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo Regulamento da Previdência Social,  prevê  penalidade  pecuniária  nos  casos  específicos  de  não  atendimento  a  intimação  fiscal  para  apresentação  de  documento.  No  caso  da  presente  infração,  independentemente  da  conclusão  que  se  tenha  em  relação  às  obrigações  principais  propriamente  ditas,  desatendida  solicitação  do  agente  fiscal  sem  que  se  apresente  justificativa  para  tal,  cabível  a  aplicação  da  penalidade descrita no artigo 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 c/c o artigo 283, II,  alínea ‘j’ e 373 do Regulamento da Previdência Social.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 77 /2 01 1- 99 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 09/04/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.      Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente      Thiago Taborda Simões ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Thiago  Taborda  Simões,  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 09/04/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15563.720177/2011­99  Acórdão n.º 2402­003.707  S2­C4T2  Fl. 441          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  sob  o  número  51.010.591­2,  por  descumprimento de obrigação acessória referente à não apresentação de documento nos termos  de Termo de Intimação lavrado em face da Recorrente.  Nos  termos do Relatório Fiscal de fls. 6/11, “a  fiscalização  intimou através  do Termo de Intimação Fiscal n° 6 de 09/09/2010 a empresa a apresentar por escrito a que se  referem  aqueles  lançamentos  ou  a  apresentar  os  acordos  trabalhistas  constantes  daquelas  contas e que não foram entregues a fiscalização. Face a não apresentação da complementação  dos  Acordos/Sentenças  registrados  na  contabilidade,  não  restou  outra  opção  à  fiscalização  senão  considerar  a  totalidade  daqueles  lançamentos  contábeis  como  bases  de  cálculo  das  contribuições às outras entidades (...)  Ainda  de  acordo  com  o  REFISC,  “face  às  condutas  descritas  (...)  o  contribuinte está sendo autuado por deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado  com as contribuições previstas na ei n° 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não  atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que  omita a informação verdadeira (...).”.  Intimada da autuação, às fls. 269/322 foi apresentada impugnação, a qual fora  julgada improcedente (fls. 329/336)   Face  a  improcedência,  a  Recorrente,  às  fls.  351/385,  interpôs  recurso  voluntário, cujos fundamentos apresentados são:  i) Preliminarmente, a nulidade do auto de infração em razão de ausência da  fundamentação legal, vez que omite os artigos das normas legais dadas como infringidas;  ii) No mérito, a aplicação desta penalidade gera a duplicidade de pena sobre  um mesmo fato, pois  já estão sendo cobradas da Recorrente as contribuições previdenciárias  supostamente não recolhidas – obrigação principal.  Ao final, requer o provimento do recurso, para declarar inexistente a dívida e,  conseqüentemente , extinguir o PAF.  Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento dos recursos de ofício e  voluntário.  É o relatório.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 09/04/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4    Voto             Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator    O Recurso Voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  inclusive  o  da tempestividade, razão pela qual voto por seu conhecimento.  Preliminar  Pretende  a Recorrente  seja declarado  nulo  o  auto  de  infração  por  não  estar  devidamente  fundamentado,  deixando  de  respeitar  os  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa.  Não merece guarida a pretensão.  A  alegação  de  que  os  dispositivos  mencionados  pela  autoridade  fiscal  são  insuficientes não serve para justificar a pretensão da contribuinte.  Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso ora  em análise, a Recorrente  tem plena ciência da matéria da autuação, sendo  inclusive capaz de  debatê­la ponto a ponto.   O cerceamento de defesa é verificado nas  situações em que  ao contribuinte  autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda,  nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a  razão pela qual tenha sido autuado.  Neste sentido, é o posicionamento do CARF:  “Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  Ano­ calendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA  INOCORRÊNCIA.  Tendo  o  fiscal  autuante  demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram  o lançamento, de sorte a oportunizar ao contribuinte o direito à  ampla  defesa,  não  há  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  NA  DIRF.  RESPONSABILIDADE  DO  CONTRIBUINTE  PELA  VERACIDADE  DAS  INFORMAÇÕES  A  declaração  de  rendimentos  é  obrigação  e  responsabilidade  do  contribuinte  e  não de profissional da área contábil contratado. Ninguém pode  se  escusar  de  cumprir  a  lei  tributária,  alegando  que  não  a  conhece. (...)”   (CARF – Processo n° 10215.720249/2008­39, Acórdão n° 2802­ 001.402)  “Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­ calendário:  2006,  2007,  2008  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 09/04/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15563.720177/2011­99  Acórdão n.º 2402­003.707  S2­C4T2  Fl. 442          5 CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O  cerceamento  de  direito  de  defesa  ocorre  quando  o  sujeito  passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual  encontram­se as  informações que norteiam o  lançamento a ser  contestado,  ou  se  a  descrição  dos  fatos  é  insuficiente  ou  deficiente, de tal forma, a impedi­lo de apresentar impugnação.  Situações  estas  que  não  se  encontram  nos  presentes  autos.  Erros  na  determinação  das  bases  de  cálculos,  devidamente  comprovados,  podem  ser  corrigidos  e  não  implicam  em  nulidade  do  lançamento.  (...)  Recurso  de  Oficio  Negado.  Recurso Voluntário Provido em Parte.”  (CARF,  Proc.  n°  16327.000260/2010­12,  Acórdão  1402­ 001.029, Relator Antonio José Praga de Souza)  No Mérito  Autuação em duplicidade  Alega a Recorrente que a penalidade ora aplicada deve ser cancelada uma vez  que, autuada a Recorrente por descumprimento de obrigação principal, não poder­se­ia aceitar  a presente autuação sob pena de ocorrência de penalização em duplicidade.  Não merece guarida a alegação.  O Código Tributário Nacional, em seu artigo 113:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.  Assim,  de  acordo  com  a  legislação  vigente,  são  duas  as  modalidades  de  obrigações tributárias: as principais e as acessórias, sendo que estas últimas, nos termos do §  3°, tornar­se­ão obrigações principais a partir de sua inobservância.  É o que ocorre no presente caso.  A Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo Regulamento da Previdência Social,  prevê penalidade pecuniária nos casos específicos de não atendimento a intimação fiscal para  apresentação de documento.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 09/04/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  Desta forma, no caso da presente infração, independentemente da conclusão  que se tenha em relação às obrigações principais propriamente ditas, desatendida solicitação do  agente  fiscal  sem  que  se  apresente  justificativa  para  tal,  cabível  a  aplicação  da  penalidade  descrita  no  artigo  92  e  102  da  Lei  n°  8.212/91  c/c  o  artigo  283,  II,  alínea  ‘j’  e  373  do  Regulamento da Previdência Social.  Conclusão  Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento.  É como voto.    Thiago Taborda Simões.                              Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 09/04/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10980.724495/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada a quantia de R$ 135.000,00. Realizou sustentação oral o Dr. José Aderlei de Souza, OAB/PR nº 37.226. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 931          1 930  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.724495/2010­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­002.904  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de abril de 2014  Matéria  IRPF ­ Depósitos bancários  Recorrente  CLEITON KIELSE BORDINI CRISOSTOMO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006, 2007  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA  OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.  O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro  do  ano­calendário.  (Súmula  CARF nº 38 ­ Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  O  imposto  sobre  a  renda  pessoa  física  é  tributo  sob  a  modalidade  de  lançamento  por  homologação  e,  sempre  que  o  contribuinte  efetue  o  pagamento  antecipado,  o  prazo  decadencial  encerra­se  depois  de  transcorridos  cinco  anos  do  encerramento  do  ano­calendário,  salvo  nas  hipóteses de dolo, fraude e simulação.  DEPÓSITO  BANCÁRIO.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  DISPENSA  DA  COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.  A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de  comprovar o consumo da  renda  representada pelos depósitos bancários  sem  origem comprovada.  (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de  julho de 2010)  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  EXCLUSÃO.  A  presunção  de  omissão  de  rendimentos  do  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996, não  alcança valores  cuja origem  tenha sido  comprovada,  cabendo,  se  for o caso, a tributação segundo legislação específica.  Recurso Voluntário Provido em Parte         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 44 95 /2 01 0- 11 Fl. 931DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.724495/2010­11  Acórdão n.º 2102­002.904  S2­C1T2  Fl. 932          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  excluir  da  base  de  cálculo  da  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada  a  quantia  de  R$ 135.000,00. Realizou sustentação oral o Dr. José Aderlei de Souza, OAB/PR nº 37.226.  Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 22/04/2014    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos  André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de  Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.      Relatório  Contra CLEITON KIELSE BORDINI CRISOSTOMO  foi  lavrado Auto  de  Infração,  fls.  807/816,  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física (IRPF), relativa aos anos­calendário 2005 e 2006, exercícios 2006 e 2007, no valor total  de R$ 1.256.455,94,  incluindo multa  de  ofício  e  juros  de mora,  estes  últimos  calculados  até  30/09/2010.  A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  da  Ação  Fiscal,  fls.  861/893,  foi  omissão  de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 821/843,  que  foi  julgada  improcedente  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  conforme Acórdão DRJ/CTA nº 06­33.478, de 05/09/2011, fls. 894/904.  Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 26/10/2011,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  908,  o  contribuinte  apresentou,  em  16/11/2011,  recurso  voluntário, fls. 909/929, no qual traz as alegações a seguir resumidas:  Fl. 932DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.724495/2010­11  Acórdão n.º 2102­002.904  S2­C1T2  Fl. 933          3 Da decadência do direito ao crédito tributário – Do art. 42 da Lei  nº 9.430, de 1996, resta claro que o fato gerador, no caso de presunção de omissão  de  rendimentos  por  depósitos  bancários  ocorre  no  mês  em  que  os  valores  são  creditados  na  conta  bancária  do  contribuinte.  Logo,  no  presente  caso,  na  data  do  lançamento,  03/11/2010,  já  se  encontrava  alcançado  pela  decadência  o  crédito  tributário decorrente dos depósitos com data anterior a 04 de novembro de 2005.  Da  impossibilidade de constituir crédito tributário com base em  presunção  –  Nulidade  da  medida  fiscal  por  carência  de  provas,  uma  vez  que  fundamenta­se  exclusivamente  na  presunção  de  omissão  de  receitas  decorrente  da  existência de depósitos bancários, abrindo mão de qualquer outra via probatória.  Da demonstração da origem dos depósitos bancários – A origem  dos depósitos levados à tributação justifica­se nos seguintes elementos: a) premissa  fundamental  para  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários.  b)  cheques  sacados  em  espécie  e  ato  contínuo  depositados  nas  contas  correntes,  c)  depósitos  agrupados  em  suas  contas  correntes,  d)  proventos  recebidos  da  Assembléia  Legislativa do Estado do Paraná, e) verbas  indenizatórias  recebidas da Assembléia  Legislativa  do  Estado  do  Paraná,  f)  transferências  de  numerários  envolvendo  familiares,  g)  recebimento  de  mútuos  –  Marco  Antonio  Rauen  Pinto  e  Diógenes  Odorico Carlos Wostirosschki, Maury Viana Pereira.  Da limitação legal ao poder de tributar por presunção de omissão  de receitas dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 que não somem R$ 80.000,00 ao  ano  –  Após  o  acolhimento  das  razões  e  comprovações  acima  aduzidas  é  mister  reconhecer  a  incidência  do  parágrafo  3º,  inciso  II,  do  art.  42  da  Lei  n]  9.430,  de  1996.  Do princípio da verdade material : Juntada de material probatório  após a impugnação – Por motivo de força alheia à vontade do recorrente não foram  juntados aos autos  todos os documentos probatórios do alegado no prazo de  trinta  dias  relativos  à  impugnação.  Logo,  deve  ser  aceita  a  apresentação  posterior  e  oportuna de nova documentação comprobatória do direito do recorrente, sob pena de  ofensa a diversos princípios, em especial, o princípio da verdade material.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  De  imediato,  deve­se  examinar  a  alegação  do  recorrente  de  nulidade  do  lançamento por carência de provas, posto que, segundo seu entendimento, o Auto de Infração  fundamentou­se exclusivamente na presunção de omissão de receitas decorrente da existência  de depósitos bancários, abrindo mão de qualquer outra via probatória.  Fl. 933DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.724495/2010­11  Acórdão n.º 2102­002.904  S2­C1T2  Fl. 934          4 Cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos bancários de valores cuja origem não foi comprovada e o  lançamento foi  realizado  sob  a  égide  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  com  as  alterações  posteriores introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei nº  10.637, de 30 de dezembro de 2002.  O  referido  artigo  42  estabeleceu  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de  investimento.  Ou  seja,  a presunção da Lei nº 9.430, de 1996,  está  condicionada  apenas  à  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  que  transitaram,  em  nome  do  fiscalizado,  em  instituições financeiras, sendo certo que ocorrida a hipótese desenhada no art. 42, a autoridade  fiscal  está  autorizada  a  proceder  ao  lançamento,  sendo  completamente  desnecessária  para  a  manutenção  do  lançamento  a  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  qualquer  outra  ocorrência.  Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1,  de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos depósitos bancários sem origem comprovada.  Súmula CARF Nº 26 ­ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Logo,  não  pode  prosperar  a  alegação  da  recorrente  de  nulidade  do  lançamento, em razão da ausência de provas.  Prosseguindo, deve­se  analisar a argüição do contribuinte de decadência do  crédito tributário, relativos aos fatos geradores ocorridos em data anterior a 4 de novembro de  2005. Entende o recorrente, em razão do disposto no parágrafo 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de  27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito, que o fato gerador do crédito tributário apurado no  lançamento seja mensal.  Art.42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  (...)  §4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.   Fl. 934DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.724495/2010­11  Acórdão n.º 2102­002.904  S2­C1T2  Fl. 935          5 Sabe­se que o IRPF, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual,  e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir  a  base  de  cálculo  e  aplicar  a  tabela  progressiva  anual.  Trata­se,  pois,  de  fato  gerador  complexivo anual.  Tal entendimento encontra­se,  inclusive,  traduzido na Súmula CARF nº 38,  abaixo transcrita:  Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda  da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a  partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre  no dia 31 de dezembro do ano­calendário. (Portaria MF n.º 383  DOU de 14/07/2010)  Logo, no presente caso, tratando­se do ano­calendário 2005, o fato gerador só  se  completaria  em  31/12/2005,  data  a  ser  considerada  para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial, que se encerrou em 31/12/2010, nos termos do disposto no art. 150, §4º, da Lei n°  5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional  (CTN), que é, para o  sujeito  passivo, a forma mais benéfica de contagem de prazo decadencial. Como o contribuinte tomou  ciência do Auto de  Infração  em 03/11/2010,  fls.  811, não há que  se  falar  em decadência do  crédito tributário exigido do contribuinte na data do lançamento.  No que tange à comprovação da origem dos depósitos, o contribuinte traz em  sua defesa as mesmas alegações suscitas na impugnação, as quais serão a seguir analisadas:  a) premissa fundamental para a comprovação da origem dos depósitos bancários  Nesse  tópico  o  contribuinte  afirma que  a  pessoa  física  não  está  obrigada  a  manter  escrituração  e  que  em  assim  sendo  na  comprovação  da  origem  dos  depósitos  não  haveria necessidade de coincidência de datas e valores. É fato que as pessoas físicas não estão  obrigadas  a manter  escrituração.  Contudo,  a  partir  da  edição  da  Lei  nº  9.430,  de  1996  ,  as  pessoas físicas estão sujeitas a fazer a comprovação da origem dos créditos efetivados em suas  contas  bancárias,  sendo  certo  que  a  falta  de  tal  comprovação  sujeita  o  contribuinte  ao  arbitramento  de  sua  renda  na  proporção  do  somatório  dos  depósitos,  cuja  origem  não  foi  comprovada.  Tem­se,  portanto,  que  para  elidir  o  lançamento,  o  contribuinte  deve  providenciar  os  documentos  necessário  para  demonstrar  a  origem  dos  créditos  analisados,  sendo certo que não é  suficiente que o  sujeito passivo  faça  a  indicação  e  a  comprovação de  determinados eventos, alegando que estes justificariam a origem dos créditos. É necessário que  também seja demonstrada, de forma inequívoca, a vinculação entre o evento e o crédito. Não é  suficiente a simples comprovação da ocorrência do evento.  Diga­se,  ainda,  que o  exposto  neste  item  aplica­se  integralmente  às  demais  alegações trazidas pela defesa no que se refere à comprovação da origem dos depósitos.  b) cheques sacados em espécie e ato contínuo depositados nas contas correntes  c) depósitos agrupados em suas contas correntes  A defesa alega que ao receber pagamentos em cheque, procedia ao saque da  correspondente quantia e depois em dias subseqüentes fazia depósitos de menor valor em suas  Fl. 935DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.724495/2010­11  Acórdão n.º 2102­002.904  S2­C1T2  Fl. 936          6 contas bancárias e que em outras ocasiões fazia o depósito do cheque acompanhado de pequena  quantia em dinheiro.  Ora, tal alegação, além se ser pouco plausível, também vem desacompanhada  de documentos, o que é inadmissível. Conforme já mencionado, na presunção estabelecida pelo  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  recai  sobre  o  contribuinte  o  ônus  da  prova  da  origem  dos  recursos movimentados em suas contas­correntes. E quando alguém de fato pode, e legalmente  está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se  sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. Repita­ se é inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário.  d) proventos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná  Nesse  tópico,  cumpre  dizer  que  autoridade  fiscal  esclarece  no  Termo  de  Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 861/893, mais especificadamente no seu item  5,  fls.  891,  que  os  valores  recebidos  da Assembléia  Legislativa  do  Estado  do  Paraná  foram  excluídos do lançamento.  e) verbas indenizatórias recebidas da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná  Em  relação  ao  ano­calendário  2006,  o  contribuinte  juntou  documentos,  fls. 752/753, emitidos pela Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, relativa a liberação de  ressarcimento de despesas, cujas datas e valores ali discriminados são coincidentes com datas e  valores  de  alguns  depósitos,  com histórico depósito  em dinheiro,  de modo que  tais  créditos,  abaixo discriminados, cuja  soma perfaz R$ 135.000,00, devem ser excluídos da  tributação  (a  relação dos depósitos não comprovados estão às fls. 752/753):  Banco Itaú  18/01  dep. dinheiro    7.500,00  16/02  dep. dinheiro    7.500,00  17/03  dep. dinheiro    7.500,00  12/04  dep. dinheiro    8.000,00  12/05  dep. dinheiro    20.000,00  13/06  dep. dinheiro    14.000,00  15/08  dep. dinheiro    500,00  10/10  dep. dinheiro    7.500,00  08/11  dep. dinheiro    7.500,00  Banco HSBC  12/05  dep. dinheiro    7.500,00  13/06  dep. dinheiro    7.500,00  15/08  dep. dinheiro    20.000,00  10/10  dep. dinheiro    20.000,00  Os  demais  ressarcimentos  de  despesas  discriminados  nos  documentos,  fls. 752/753  não  serão  excluídos  porque  não  existe  correlação  de  datas  e  valores  entre  as  Fl. 936DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.724495/2010­11  Acórdão n.º 2102­002.904  S2­C1T2  Fl. 937          7 quantias  liberadas  pela  Assembléia  Legislativa  do  Estado  do  Paraná  e  os  depósitos  investigados.  Quanto  aos  ressarcimentos  do  ano­calendário  2005  o  contribuinte  não  apresentou documentos.  f) transferências de numerários envolvendo familiares  Afirma  o  recorrente  que  em  suas  contas  bancárias  circularam  valores  que  consistiam  em  transferências  patrimoniais  entre  familiares.  Contudo,  importa  dizer  que  o  contribuinte deixou de  juntar  aos  autos documentos bancários,  tais  como extratos das  contas  bancárias  dos  familiares  ou  cópias  de  cheques  ou  guias  de  depósitos,  que  pudessem  demonstrar,  de  forma  inequívoca,  suas  alegações. Aqui  cumpre mais uma vez dizer que não  basta que o contribuinte demonstre a ocorrência de eventos, tal como a doença de seu pai, sem  que  se  comprove  a  correlação  entre  tal  evento  e  os  créditos  efetivados  em  suas  contas­ correntes.  g)  recebimento  de  mútuos  –  Marco  Antonio  Rauen  Pinto,  Diógenes  Odorico  Carlos  Wostirosschki e Maury Viana Pereira  Desta  feita  cuida­se  de  situação  em  que  o  contribuinte  alega  ter  concedido  empréstimos a seus assessores parlamentares, que teriam sido  liquidados nos anos­calendário  2005 e 2006. Todavia, nenhuma documentação bancária das referidas transferências de valores  foi  apresentada,  seja  no  que  se  refere  à  concessão  dos  empréstimos  ou  das  liquidações  dos  mesmos.  Por  fim, cumpre dizer que não há que se falar em aplicação do disposto no  inciso  II  do  parágrafo  3º  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  dado  que  o  somatório  dos  depósitos  bancários  de  valores  individuais  menores  que  R$ 12.000,00,  levados  à  tributação,  ultrapassou o montante de R$ 80.000,00, nos anos­calendário 2005 e 2006.  Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir  da  base  de  cálculo  da  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários com origem não comprovada a quantia de R$ 135.000,00.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                                Fl. 937DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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5401454 #
Numero do processo: 13629.002985/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE nº 566.621/RS) A partir de 09/06/2005, portanto após término do vacacio legis da Lei Complementar nº 118/2005, o direito de pleitear a restituição ou realizar compensações de tributos lançados por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado anteriormente à sua vigência. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 84          1 83  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13629.002985/2010­52  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.818  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de outubro de 2013  Matéria  COMPENSAÇÃO       Recorrente  MUNICÍPIO DE IPATINGA ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2009 a 31/03/2010  COMPENSAÇÃO.  RESTITUIÇÃO.  PRAZO  PRESCRICIONAL.  JURISPRUDÊNCIA  DO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  (RE  nº  566.621/RS)  A  partir  de  09/06/2005,  portanto  após  término  do  vacacio  legis  da  Lei  Complementar  nº  118/2005,  o  direito  de  pleitear  a  restituição  ou  realizar  compensações  de  tributos  lançados  por  homologação  extingue­se  em  5  (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado  anteriormente à sua vigência.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo,  Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 29 85 /2 01 0- 52 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância  que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 13/10/2010, decorrentes de glosas  de compensação de valores recolhidos com base na alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº  8.212, de 24 de  julho de 1991, que se  refere  aos  agentes políticos  em mandato  eletivo,  cuja  alínea foi suspensa através da Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21 de Junho de 2005, em  virtude de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal.  Os pagamentos  indevidos ocorreram no período de 01/02/1998 a 18/09/2004 e  as compensações no período de 01/11/2009 a 31/03/2010.  Contra  a  decisão,  o  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  onde  reitera  as  alegações iniciais:  a) Que  a  glosa de  compensação  é  totalmente  ilegal,  uma vez  que o  crédito  tributário desconstituído é crédito líquido e certo a seu favor, sendo a compensação um direito  subjetivo do contribuinte.  b) Que a redação da Lei nº 8.212, de 1991, até dezembro de 2008, estabelecia  que  a  contribuição  para  a  Seguridade  Social  arrecadada  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, poder­se­ia ser compensada, não  sendo  estabelecido  condição  e  nem  autorização  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB, mediante portaria, ou ato administrativo, a restringir a compensação, como por exemplo  a retificação das GFIP’s.  c) Que  se  tratando  da  obrigação  principal  (§  1º  do  art.  113  do CTN),  e  da  acessória  (§  2º  do mesmo  artigo  113),  diz  que  as  informações  em GFIP  são  uma  obrigação  acessória, não podendo desconstituir uma obrigação que gerou um crédito líquido e certo, que é  devido ao ente público municipal em razão da declaração de  inconstitucionalidade de norma  tributária.  d)  Que  nessa  consideração,  fala  que  somente  existiria  multa  por  descumprimento  da  obrigação  de  retificação  da  GFIP,  nos  termos  do  §  5º  do  artigo  6º  da  Instrução Normativa nº 15, de 2006, sem haver a determinação de glosa de compensação.  e)  Que  a  Portaria  do  Ministério  da  Previdência  Social  133,  de  2006,  e  a  Instrução  Normativa  nº  15,  de  2006,  utilizadas  no  auto  de  infração,  estariam  a  ofender  a  Constituição  da  República  e  o  Sistema  Tributário  Nacional,  vez  que  acabaram  por  instituir  obrigação tributária acessória ao determinar a retificação das GFIP’s pelo contribuinte.  f) Que o  suposto erro a  ser corrigido ou  retificado  foi operado pela própria  administração  pública  e  pelo  INSS,  ou  ainda  que  estes  possuem  condições  técnicas  e  documentação suficiente para realizar a retificação das GFIP’s.  g) Que o Município não pode ser penalizado por aquilo que não deu origem,  já  que  o  mesmo  não  possui  qualquer  culpa  que  justificasse  a  retificação  das  GFIP’s,  considerando que apenas recolheu valores aos cofres do INSS por força de Lei posteriormente  declarada inconstitucional. E que ente político não se sujeita à penalidades;  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13629.002985/2010­52  Acórdão n.º 2402­003.818  S2­C4T2  Fl. 85          3 h) Que o prazo prescricional se inicia da resolução do Senado Federal; e  i) Que o limite de 30% para as compensações foi revogado.  É o Relatório.  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade  do recurso, passo ao exame.  Quanto à prescrição  No  presente  caso,  a  recorrente  realizou  pagamentos  indevidos  antes  da  vigência da LC nº 118/2005, porém  iniciou a compensação a partir de 01/11/2009; portanto,  após o término de seu vacacio legis, em 08/06/2005.  Apesar  da  jurisprudência  pacífica  do  STJ  no  sentido  de  que  se  aplicaria  o  prazo de 10 anos para os pagamentos realizados antes da LC nº 118/2005, limitado a 5 anos de  sua vigência,  o STF,  instado a  examinar  a matéria,  acabou por  inovar  a  regra de  fixação do  termo  a  quo.  Segundo  o  entendimento  de  nossa  Suprema  Corte,  ainda  que  os  pagamentos  sejam anteriores a vigência da Lei Complementar nº 118/2005, seria necessário o requerimento  ou ajuizamento até o dia 08/06/2005, término do vacacio legis, para que se aplicasse o prazo de  10 anos:  STF­ RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 566621 RS (STF)  DIREITO TRIBUTÁRIO ­LEI INTERPRETATIVA ­APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  ­ DESCABIMENTO  ­VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  ­ NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  ­ APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS  AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação  da  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que,  para  os  tributos  sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição  ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato  gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §  4º,  156,  VII,  e  168,  I,  do CTN. A  LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido  o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador  para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente  interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente interpretativa também se submete, como qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade  e  aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13629.002985/2010­52  Acórdão n.º 2402­003.818  S2­C4T2  Fl. 86          5 garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente  às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento  consolidado  por  esta  Corte  no  enunciado  445  da  Súmula  do  Tribunal.  O  prazo  de  vacatio  legis  de  120  dias  permitiu  aos  contribuintes não apenas que  tomassem ciência do novo prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida  sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação do art. 543­B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.  Portanto, deve ser aplicado ao caso o prazo de 5 anos, pois a compensação se  iniciou  em  01/11/2009.  Com  isso,  estariam  alcançados  pela  prescrição  todos  os  pagamentos  realizados  até  31/10/2004.  Entendo  que  o  início  da  compensação  interrompe  o  prazo  prescricional  e  são  as  regras  vigentes  nessa  data  que  devem  ser  respeitadas,  ainda  que  posteriormente modificadas. Não é  facultado ao  contribuinte  realizar  a  compensação de uma  única vez. Além do limite natural à contribuição a ser paga no mês, as compensações estavam à  época  sujeitas  ao  limite  de  30%  da  contribuição  devida.  Ressalta­se  que,  no  caso,  foram  realizadas  na  vigência  do  §3º  do  artigo  89  da  Lei  8.212/91,  posteriormente  revogado  pela  Medida Provisória 449/2008.  Quanto  as  demais  alegações,  deixo  de  apreciá­las  por  terem  sido  todos  os  pagamentos indevidos alcançados pela prescrição.   Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso.  É como voto.    Julio Cesar Vieira Gomes                              Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10925.905081/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 57          1 56  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.905081/2012­18  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­002.863  –  1ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  PARATI SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/03/2004  PIS.  COFINS.  RESTITUIÇÃO.  EXCLUSÃO DO VALOR DO  ICMS DA  BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.  A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que  corresponde  à  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  pouco  importando qual é a composição destas  receitas ou se os  impostos  indiretos  compõem o preço de venda.  INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 81 /2 01 2- 18 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905081/2012­18  Acórdão n.º 3801­002.863  S3­TE01  Fl. 58          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da  Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905081/2012­18  Acórdão n.º 3801­002.863  S3­TE01  Fl. 59          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado pela contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joaçaba/SC decidiu indeferi­lo (Despacho Decisório à folha  5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição  solicitada no PER.  Inconformada  com  o  não  deferimento  de  seu  Pedido  de  Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos  pleiteados referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao  PIS  e  da Cofins,  em  razão  da  inclusão  do  ICMS  nas  bases  de  cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  alega  que  a  exigência  da  prévia  retificação  da  DCTF  como  condição  para  reconhecer  o  crédito  tributário  pleiteado  pela  recorrente  não  possui  qualquer  fundamento  legal,  devendo  ser  enfrentado  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905081/2012­18  Acórdão n.º 3801­002.863  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial  e  o  acórdão  de  primeira  instância,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados  a débitos  em DCTF e  não  teriam sido demonstradas  a  liquidez  e  a  certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Apesar  da  alegação  da  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  não  ter  sido  acompanhada  na  peça  impugnatória  da  retificação  da  respectiva  DCTF,  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  a  princípio  estaria  na  esfera  de  responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido  da prevalência da verdade material,  sendo que a  falta de apresentação de DCTF retificadora,  por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito,  nos termos do art. 165 do CTN, in verbis:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do  ICMS nas  bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905081/2012­18  Acórdão n.º 3801­002.863  S3­TE01  Fl. 61          5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do  contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém,  refere­se  a  uma  universalidade,  um  todo  composto  pelas  receitas  da  empresa,  pouco  importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço  de venda.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS  integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou  seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905081/2012­18  Acórdão n.º 3801­002.863  S3­TE01  Fl. 62          6 INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  No  mais,  o  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  no  1.127.877­SP  foi  submetido ao rito do artigo 543­C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá  ser  seguido  pelos  conselheiros  no  âmbito  do  CARF,  conforme  caput  do  artigo  62­A1  do  Regimento  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  256/2009,  com  alterações  introduzidas pela Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.                                                              1 Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905081/2012­18  Acórdão n.º 3801­002.863  S3­TE01  Fl. 63          7 (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10930.904479/2012-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 10          1 9  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.904479/2012­50  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3803­004.829  –  3ª Turma Especial   Sessão de  26 de novembro de 2013  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 26/10/2010  COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  Para  a  homologação  da  DCOMP  transmitida  pelo  sujeito  passivo,  é  necessária  a  demonstração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  de  tributos  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 26/10/2010  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e  fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado  sob pena de desprovimento do recurso.  PROVAS.  PRODUÇÃO.  MOMENTO  POSTERIOR  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.  O  momento  de  apresentação  das  provas  está  determinado  nas  normas  que  regem  o  processo  administrativo  fiscal,  em  especial  no Decreto  70.235/72.  Não  há  como  deferir  produção  de  provas  posteriormente  ao  Recurso  Voluntário por absoluta falta de previsão legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 79 /2 01 2- 50 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     2 Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.  Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em  que  pretende  compensar  apontado  crédito  de  natureza  tributária  para  com  débito  por  ele  apurado,  ambos  indicados  em  PER/DCOMP  (e­fl  2/6),  referente  aos  períodos  e  valores  ali  descritos e analisados no bojo deste processo.  O  pagamento  foi  identificado,  mas  constatou­se  que  o  mesmo  foi  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho  Decisório,  dessa  forma,  o  direito  creditório  não  foi  reconhecido  e  a  compensação  declarada  resultou não homologada.  Intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  decorrente  da  não  homologação  da  compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando  o que se segue:  a)  Afirma  seu  direito  ao  recebimento  do  recurso,  bem  assim  o  regular  processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente;  b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve  esclarecimentos  quanto  à  suposta  indisponibilidade  de  crédito  e  não  foi  analisada  qualquer  situação que legitima o crédito postulado;  c)  Alega  não  ter  meio  de  se  defender  por  desconhecimento  da  indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive  em  relação  ao  significado  de  “disponibilidade  de  crédito”,  o  que  lhe  parece  se  tratar  do  encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através  do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído;  d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado  a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a  qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta  indisponibilidade,  dessa  forma a  não  homologação  desta  compensação  ocorreu  por  uma questão  de  sistema de  informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado;  e)  Afirma,  quanto  ao  mérito,  que  utilizou  de  valores  que  indevidamente  integravam  a  base  de  cálculo  do  tributo,  conforme  teses  já  julgadas  pelo  Supremo Tribunal  Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior;  f)  Alega  que  não  há  como  apresentar  os  documentos  comprobatórios  do  direito  alegado,  já  que  nem  a  autoridade  administrativa  sabe  ao  certo  o  motivo  do  indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção  posterior das provas.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904479/2012­50  Acórdão n.º 3803­004.829  S3­TE03  Fl. 11          3 A  3ª  Turma  da  DRJ/CTA  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  e  não  reconheceu  o  direito  creditório,  ementando  sua  decisão  nos  seguintes  termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...]  NULIDADE. PRESSUPOSTOS.  Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO  PARA ESCLARECIMENTOS.  A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do  procedimento  fiscal  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de  defesa,  que  é  assegurado na  fase  do  contraditório,  inaugurada  com a manifestação de inconformidade.  COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF.  Aplica­se  a  disposição  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  até  a  sua  revogação  pela  Lei  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  uma  vez  que  o  julgamento  do  STF  pela  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  contida  naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi  em  Recurso  Extraordinário  e  não  em  ADIN,  só  aproveitando,  por  isso,  às  partes  envolvidas,  não  podendo  beneficiar  ou  prejudicar terceiros.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do  qual  repete os argumentos expostos em manifestação de  inconformidade, chegando a afirmar  tratar­se de um acórdão eletrônico,  à semelhança do despacho decisório,  sem que  tenha sido  submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.    Dos pedidos de nulidade.  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     4 O  contribuinte  defende  a  nulidade  do  despacho  decisório  e  do  acórdão  da  DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa.  Entendemos  que  não  seja  obrigatória,  na  fundamentação  do  despacho  decisório,  a  indicação  expressa  dos  dispositivos  legais  e  constitucionais  em  que  se  sustenta,  desde  que  haja  consonância  dos  argumentos  utilizados  com  a  jurisprudência  e  com  o  ordenamento jurídico vigente.  Ressaltamos  que  o  despacho  decisório  é  processado  de  forma  eletrônica,  realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil  ­ RFB.  Como  confessado  pelo  próprio  contribuinte  sua  DCTF  do  período  estava  erroneamente  preenchida,  e  esta  informação  estava  inserida  no  sistema  da  RFB,  ou  seja,  de  fato  o  contribuinte  não  possuía  créditos  a  serem  ressarcidos  no  confronto  dos  valores  declarados  como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF).  As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas  nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses  de  nulidade  presente  no  despacho  decisório,  muito  menos  ofensa  aos  princípios  do  contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e  teve  a  oportunidade  de  provar  seu  direito  creditório  em  pelo  menos  duas  oportunidades  distintas,  uma  quando  da  manifestação  de  inconformidade  e  outra  quando  interpôs  recurso  voluntário.  O Despacho Decisório  aponta  como  enquadramento  legal  os  artigos  165  e  170  do  CTN  e  artigo  74  da  Lei  9.430/96.  Tanto  o  artigo  170  do  CTN  quanto  o  74  da  Lei  9.430/96,  reforçam  o  direito  do  contribuinte  em  compensar  os  seus  débitos  com  crédito  líquidos  e  certos,  fica  claro  que  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  tributário  é  que  ficou  comprometida  ante  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  em  especial  no  confronto  da  DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do  Despacho Decisório por falta de fundamentação.  Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão  proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de  um  colegiado  que  fundamentou  coerentemente  sua  decisão  com  base  no Decreto  70.235,  de  1972, além de  trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de  Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla  defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte.    Mérito e comprovação do crédito.                                                              1   Art. 59. São nulos:    I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;            II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de  defesa.            § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam  conseqüência.            § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências  necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.            § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de  nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído pela  Lei nº 8.748, de 1993)            Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e omissões diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior não  importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes  houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904479/2012­50  Acórdão n.º 3803­004.829  S3­TE03  Fl. 12          5 As  compensações  se  prestam  ao  encontro  de  contas,  entre  um  débito  tributário  e  um  crédito  líquido  e  certo  da  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública,  conforme  determina o artigo 170 do CTN.  “Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.”  Neste mesmo sentido expressa­se o artigo 74 da Lei 9.430.  Daí concluir­se que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda  Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a maior  do  tributo,  desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua  defesa,  em especial a manifestação de  inconformidade, com documentos que  respaldem suas  afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a  base de cálculo do  tributo, conforme  teses  já  julgadas pelo Supremo Tribunal Federal,  e que  por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior.  Apesar  de  se  referir  a  algumas  teses  de  forma  genérica,  o  contribuinte  não  expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito  menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o  que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito.  Na  mesma  esteira,  admitindo­se  por  hipótese,  o  direito  subjetivo  do  contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual  seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido.   O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que  justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação.  Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido,  não  identificamos  Notas  Fiscais,  Escrita  Fiscal,  Escrita  Contábil,  Livro  de  Apuração,  Livro  Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas,  ou qualquer outro documento que possibilite,  minimamente que seja, a sua aferição.   No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de  provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é  assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36:  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     6 Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de  1973­CPC:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou  a  resposta  (art.  297),  com os  documentos  destinados  a  provar­ lhe as alegações.  Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este  provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB.  Da apresentação das provas.  O  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina,  ainda,  o  momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem  como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir:  “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.”  A  análise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento  correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual  seja,  na  manifestação  de  inconformidade,  contudo,  esta  turma  recursal  tem  firmado  entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de  recurso  voluntário,  quando  estas  não  dependam  de  análise  técnica  aprofundada  e  sejam  complementares  às  provas  trazidas  em Manifestação  de  Inconformidade,  entretanto,  mesmo  neste  momento  processual,  nenhuma  prova  foi  carreada  aos  autos.  Não  há  como  deferir  o  pedido  do  contribuinte  por  produção  de  provas  posteriores  a  este  ato,  por  absoluta  falta  de  previsão legal.  Conclusão.  Pelo  exposto,  rejeito  as  preliminares  de  nulidade  e  no  mérito  NEGO  PROVIMENTO.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904479/2012­50  Acórdão n.º 3803­004.829  S3­TE03  Fl. 13          7 João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                            Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO

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Numero do processo: 10925.905078/2012-96
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905078/2012­96  Acórdão n.º 3801­002.860  S3­TE01  Fl. 58          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da  Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905078/2012­96  Acórdão n.º 3801­002.860  S3­TE01  Fl. 59          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado pela contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joaçaba/SC decidiu indeferi­lo (Despacho Decisório à folha  5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição  solicitada no PER.  Inconformada  com  o  não  deferimento  de  seu  Pedido  de  Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos  pleiteados referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao  PIS  e  da Cofins,  em  razão  da  inclusão  do  ICMS  nas  bases  de  cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  alega  que  a  exigência  da  prévia  retificação  da  DCTF  como  condição  para  reconhecer  o  crédito  tributário  pleiteado  pela  recorrente  não  possui  qualquer  fundamento  legal,  devendo  ser  enfrentado  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905078/2012­96  Acórdão n.º 3801­002.860  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial  e  o  acórdão  de  primeira  instância,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados  a débitos  em DCTF e  não  teriam sido demonstradas  a  liquidez  e  a  certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Apesar  da  alegação  da  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  não  ter  sido  acompanhada  na  peça  impugnatória  da  retificação  da  respectiva  DCTF,  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  a  princípio  estaria  na  esfera  de  responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido  da prevalência da verdade material,  sendo que a  falta de apresentação de DCTF retificadora,  por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito,  nos termos do art. 165 do CTN, in verbis:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do  ICMS nas  bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905078/2012­96  Acórdão n.º 3801­002.860  S3­TE01  Fl. 61          5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do  contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém,  refere­se  a  uma  universalidade,  um  todo  composto  pelas  receitas  da  empresa,  pouco  importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço  de venda.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS  integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou  seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905078/2012­96  Acórdão n.º 3801­002.860  S3­TE01  Fl. 62          6 INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  No  mais,  o  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  no  1.127.877­SP  foi  submetido ao rito do artigo 543­C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá  ser  seguido  pelos  conselheiros  no  âmbito  do  CARF,  conforme  caput  do  artigo  62­A1  do  Regimento  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  256/2009,  com  alterações  introduzidas pela Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.                                                              1 Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905078/2012­96  Acórdão n.º 3801­002.860  S3­TE01  Fl. 63          7 (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10580.725837/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Ricardo Pires de Gouvea. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.725837/2009­81  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202­000.410  S2­C2T2  Fl. 97          2   RELATÓRIO  Trata­se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF  correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário,  no valor de R$ 145.385,88,  incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco  por cento) e juros de mora.  Conforme  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  constantes  no  auto  de  infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida  de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e  não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a  título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006,  em  decorrência  da  Lei  Estadual  da Bahia  nº  8.730,  de  08  de  setembro de 2003.  As  diferenças  recebidas  teriam  natureza  eminentemente  salarial,  pois  decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de  Cruzeiro  Real  para URV  em  1994,  conseqüentemente,  estariam  sujeitas  à  incidência  do  imposto  de  renda,  sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.  Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais  que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva  na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do  Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer  PGFN/CRJ  nº  2.140/2006.  Foi  atendido,  também,  o  despacho  do  Ministro  da  Fazenda  publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que  dispõe  sobre  a  forma  de  apuração  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  rendimentos  pagos  acumuladamente.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal  e  apresentou  impugnação  tempestivamente.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, negou  provimento a impugnação, nos termos do acórdão 15­23.002, de 17 de março de 2010.  Devidamente  cientificado  dessa  decisão,  o  Recorrente  apresenta  tempestivamente recurso voluntário.  É o relatório.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.725837/2009­81  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202­000.410  S2­C2T2  Fl. 98          3 VOTO  Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator  Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a  sobrestamento.  O processo administrativo, versa sobre autuação omissão de rendimentos, onde  há  a  discussão  de  rendimentos  recebidos  de  forma  acumulados  decorrentes  de  processo  judicial.  Tendo  em  vista  que  a  partir  de  21  de  dezembro  de  2011,  os  conselheiro  do  CARF  são  obrigados  a  observar  o  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho  de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 586, de 2010 abaixo transcrita:    Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes."(AC)    Desta  forma,  a  partir  de  21  de  dezembro  de  2011,  devemos  sobrestar  os  julgamentos  em  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  que  é  o  caso  dos  autos,  conforme  podemos  observar  na  decisão  abaixo  transcrita:  REPERCUSSÃO GERAL EM AG. REG. NO RE N.614.232­RS  RELATORA: MIN. ELLEN GRACIE  TRIBUTÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL FEDERAL.  1.  A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre  pagamentos  acumulados  –  se  por  regime  de  caixa  ou  de  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.725837/2009­81  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202­000.410  S2­C2T2  Fl. 99          4 competência  –  vinha  sendo  considerada  por  esta  Corte  como  matéria  infraconstitucional,  tendo  sido  negada a  sua  repercussão  geral.  2.  . A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art.  102,  III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88  por  Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente  para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento da repercussão geral da matéria  3.  .Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os  princípios  constitucionais  tributários  da  isonomia  e  da  uniformidade geográfica.  4.   Questão de ordem acolhida para: a)  tornar  sem efeito a decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte;  b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c)  determinar  o  sobrestamento,  na  origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos de instrumento, nos termos do art. 543­B, § 1º, do CPC.    Diante de  todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do  julgamento do  presente  Recurso,  conforme  previsto  no  art.  62,  §1o  e  2o,  do  RICARF.  Observando­se  que  após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara  que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da  Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta  após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.  (Assinado digitalmente)  Pedro Anan Junior              Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN

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Numero do processo: 16682.720978/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.661
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Mônica Elisa de Lima, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório do Acórdão vergastado: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, foi lavrado contra a Interessada o auto de infração de fls. 4919/4927, relativo ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, por meio do qual está sendo exigido o crédito tributário abaixo discriminado: IOF Crédito ( R$ 177.812.292,44 Multa de ofício (75%) ( R$ 133.359.219,37 Juros de mora (calculados até 31/10/2012) ( R$ 76.675.231,36 TOTAL ( R$ 387.846.743,17 2. Os fatos que motivaram a autuação encontram-se descritos no Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 4899/4918, abaixo reproduzido: “1 – Do Contribuinte A instituição aqui fiscalizada, conforme disposto no parágrafo primeiro do seu Estatuto, é uma Sociedade Anônima, subsidiária da Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, regida pela legislação relativa às sociedades anônimas e pelo seu Estatuto (Anexo 29) [fls. 4872/4873]. O objeto da companhia encontra-se discriminado em dez incisos do artigo terceiro do seu Estatuto. 2 – Da Origem da Ação Fiscal A presente ação fiscal, respaldada pelo MPF 071852012.001613, originou-se em decorrência de Inferência Fiscal elaborada por nosso setor de programação (Demac/RJO/Sepac), baseada em trabalhos de seleção interna e nas informações prestadas pelo contribuinte nas DCTF relativas ao ano calendário de 2008 e na DIPJ do mesmo período. As DCTF do período demonstram um total de IOF confessado no montante de R$ 975.630,76 (Anexo 30) [fls. 4874/4878]. Considerando-se o porte da empresa e, ainda, somado ao fato de que a partir do ano de 2008 há um adicional de 0,38% incidindo sobre o IOF, esse valor indicaria insuficiência de recolhimento deste tributo. Além disso, o presente procedimento de fiscalização é também fulcrado no MPF 0718500201100594, oriundo da Inferência n° 405/2010 que tratou da apuração do IOF devido pela fiscalizada no ano base de 2007. O referido procedimento apurou que a empresa praticava centenas de empréstimos com postos de gasolina de sua bandeira e em inúmeros casos não apurou o IOF devido e, também, mantinha um sistema de conta corrente com a sua matriz (Petrobrás S/A) disponibilizando a essa última, elevadas somas de numerário que configuravam a prática de mútuo sem qualquer recolhimento do IOF. Os lançamentos correspondentes àquela auditoria foram constituídos através do processo de n° 16682721156/2011-05. 3 – Da Legislação Aplicável O Imposto sobre Operações Financeiras – IOF incide sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, conforme previsão contida no inciso V do art. 153 da Constituição Federal de 1988. Trata-se, pois, de competência tributária atribuída à União e de natureza predominantemente extrafiscal. O fato gerador e a base de cálculo do referido tributo estão claramente definidos respectivamente nos artigos 63 e 64 do Código Tributário Nacional. Por sua vez, a Lei nº 9.779/1999, que alterou a legislação do IOF, dentre outras, determina, em seu art. 13, a incidência do tributo sobre as operações de mútuo de recursos financeiros. O Decreto nº 6.306/2007 regulamentou o imposto à época da ocorrência dos fatos geradores. 4 – Da Auditoria O Termo de Início de Fiscalização foi recebido em mãos na data de 14/02/2012 (Anexo 01)[fls. 03/04]. Nele solicitamos os seguintes documentos: Cópia do Estatuto da empresa; Ata de assembléia nomeando a atual diretoria da empresa; Planilhas de apuração decendial dos IOF que redundaram nos montantes confessados em DCTF; Listagem de todos os contratos de empréstimos que a fiscalizada celebrou durante o ano de 2008; Lançamentos da conta n° 1204200003 Aplicações Sistema País referentes ao ano base de 2008; Lançamentos referentes à conta 2202200003 Caixa Único da Empresa referente ao ano base de 2008 e Cópia do Balanço Patrimonial. Há que se esclarecer que a documentação solicitada neste Termo de Início (itens 3 a 6) já foi dirigida específica e objetivamente em virtude de determinadas situações e procedimentos adotados pela fiscalizada e que se tornaram de conhecimento desta fiscalização no decorrer do retrocitado trabalho de fiscalização do IOF do ano base de 2007. As solicitações referentes aos itens 5 e 6 do Termo de Início são oriundas daquele trabalho e ali nos foi esclarecido pela fiscalizada que ela mantinha um sistema de conta corrente com a Petrobrás em que ela envia constantemente a essa última, recursos em dinheiro. Os lançamentos contábeis referentes a essas operações de crédito ocorrem através da conta 2202200003 (item 6 do Termo de Início) e tal conta possui o seguinte significado no plano de contas das empresas: "Conta destinada para registro das operações relacionadas às movimentações denominadas Caixa Único entre empresas". Esta conta de caixa único possui milhares de registros mensais que discriminam dezenas de remessas por parte da BR à Petrobrás no decorrer dos meses e, também, remessa dos seus saldos positivos, a cada final de mês. Todos esses registros dessa conta, durante o ano de 2008, nos foram repassados em meio digital no formato excel e encontram-se no Anexo 02 [fls. 0005/4042]. Note-se que nos meses de setembro e novembro de 2008 os saldos acumulados finais da referida conta foram negativos e, dessa forma, não houve crédito transferido à Petrobrás. Entretanto, embora o saldo final do conta corrente tenha sido negativo, durante esses dois períodos, foram inúmeros os repasses efetuados a esse conta corrente. Com relação aos lançamentos da conta n° 1204200003 – Aplicações Sistema País – (Item 5 do Termo de Início) trata-se de rubrica em que são registradas apenas as transferências de numerário a cada fim de mês à Petrobrás S/A e seus lançamentos referentes ao ano base de 2008 estão no Anexo 03 [fl. 4043]. Outro assunto apurado no trabalho anterior refere-se a contratos financeiros celebrados com os postos de gasolina. A BR Distribuidora celebra centenas de contratos de empréstimos com postos de gasolina em todo o país e há que serem analisados quanto à possibilidade de incidência do IOF. Nesse sentido, no item 4 do Termo de Início, solicitamos a listagem de todos esses contratos e a listagem que nos foi enviada em resposta, via meio magnético, denota que há aproximadamente 1.300 contratos celebrados no ano base de 2008 e que eles são qualificados basicamente como absorvíveis e ressarcíveis (Anexo 04) [fls. 4044/4078]. No tocante ao item 3 do Termo de Início, no qual solicitamos a apresentação de planilhas que discriminem/esclareçam de que forma a fiscalizada apurou os montantes de IOF confessados em DCTF, o material apresentado não foi nada esclarecedor. Aos 03/04/2012, a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação II (Anexo 05) [fls. 4079/4080], via "AR" (Anexo 06) [fl. 4081] no qual solicitamos, novamente, a apresentação de quadro resumo dispondo quais os contratos que foram tributados por decêndio e, também, as planilhas decendiais de apuração do IOF confessadas em DCTF. Desta feita a documentação nos foi apresentada a contento. Foi nos fornecido um quadro resumo do IOF decendial (Anexo 07) [fl. 4082] e, também, as planilhas detalhadas de apuração do IOF mencionando cada contrato tributado (Anexo 08) [fls. 4083/4098]. Da análise do Anexo 07 [fl. 4082] verificamos que os montantes apurados pela fiscalizada, em quase todos os decêndios do ano, são maiores do que aqueles confessados nas DCTF, ou seja, o IOF foi confessado a menor. Essas diferenças, facilmente visualizadas no supracitado quadro resumo serão alvo de lançamento no presente trabalho. A fim de verificar a tributação do IOF no tocante aos inúmeros contratos de empréstimos efetuados com os postos de gasolina, concatenamos os dados dispostos no Anexo 4 com a planilha de apurações decendiais cujos valores de IOF foram confessados em DCTF (Anexo 08) [fls. 4083/4098] e verificamos que inúmeros contratos, a princípio, não foram tributados (Anexo 9) [fls. 4099/4133]. Todos os contratos tributados pela fiscalizada são da espécie ressarcível. Extraindo os contratos tributados da relação total de contratos obtemos assim a planilha de contratos não tributados em IOF no ano base de 2008 (Anexo 10) [fls. 4134/4161]. Nesse rol de não tributados visualizamos contratos absorvíveis e ressarcíveis. Segregamos tais contratos em planilhas específicas para cada espécie (Anexos 11 e 12, respectivamente) [fls. 4162/4187 e fls. 4188/4190]. No intuito de verificar o porquê de os contratos absorvíveis não terem sido alvo do IOF por parte da fiscalizada, elaboramos o Termo de Intimação III (Anexo 13) [fls. 4191/4194] que solicita cópias de aproximadamente 70 (setenta) contratos absorvíveis para que pudessem ser devidamente analisados (Anexo 14) [fls. 4195/4196]. Essa amostragem equivale a aproximadamente 40% dos montantes transacionados. As cópias desses contratos encontram-se no Anexo 15 [fls. 4488/4521]. Da análise de tais contratos absorvíveis nota-se que a fiscalizada não tributa os contratos absorvíveis firmados com postos de gasolina haja vista eles se referirem a empréstimos celebrados sem a contrapartida de seu pagamento, mas sim, vinculados a metas e contrapartidas de compromisso de aquisição de produtos fornecidos pela BR Distribuidora, em quantidades preestabelecidas de comum acordo. Em verdade são uma espécie de prêmio e/ou estímulo àqueles que apresentam desempenho considerado excepcional. A fiscalizada trata estes contratos como de antecipação de bonificação por performance em vendas. Não existindo uma contrapartida de pagamento por parte dos postos não há que se encará-los como mútuo financeiro. A amostragem de contratos analisada foi plenamente conclusiva. Não há mais o que se tratar acerca desses contratos no que tange à sua tributação. Na seqüência da auditoria, passamos à verificação dos contratos do tipo ressarcível no sentido de saber o porquê de alguns desses contratos não terem sido alvo do IOF por parte da fiscalizada. Assim sendo, elaboramos o Termo de Intimação IV (Anexo 16) [fls. 4536/4537] que solicita cópias de todos os contratos ressarcíveis não tributados para que pudessem ser devidamente analisados (Anexo 17) [fls. 4538/4540]. As cópias dos contratos ressarcíveis não tributados que nos foram fornecidas em resposta encontram-se no Anexo 18 [fls. 4541/4829]. Da leitura de todos os contratos inferimos que alguns não se tratavam de mútuos mas sim, contratos de compra e venda de imóveis. Segregando tais contratos do rol analisado, resta-nos então a listagem do Anexo 19 [fls. 4830/4831] que discrimina uma série de contratos ressarcíveis que deveriam ter sido tributados, mas, simplesmente, não o foram. Esses contratos, todos qualificados como mútuo pela fiscalizada, serão, portanto, alvo de lançamento de ofício. Aos 17/07/2012 a fiscalizada recebeu, em mãos, o Termo de Intimação V no qual solicitamos a validação no Sistema SVA de todos os arquivos magnéticos que nos foram apresentados em resposta aos Termos de Intimação até então apresentados (Anexo 20) [fls. 4832/4833] As validações encontram-se acostadas ao Anexo 21 [fls. 4834/4844]. Enviamos à fiscalizada o Termo de Intimação VI (Anexo 22) [fls. 4845/4846], recebido via "AR" na data de 02/10/2012 (Anexo 23) [fl. 4847]. O referido Termo visa ao esclarecimento de quatro históricos de transferências ocorridas na conta 220200003. A resposta da fiscalizada (Anexo 24) [fl. 4848] dispõe que os históricos se referem a transferências a título de adiantamentos da fiscalizada para a Petrobrás operadas através de contas no Banco do Brasil; Banrisul; Bradesco e Santander. Conclusão da auditoria. Das informações que nos foram prestadas, embasadas em arquivos digitais do contribuinte, revelaram-se três procedimentos diferentes que redundaram no não recolhimento de IOF. 1 - A fiscalizada celebra operações de remessa de dinheiro com a Petrobrás através de um sistema de conta corrente de caixa único. Trata-se de grandes remessas de numerário que vão e retornam mantendo assim um conta corrente que nada mais é do que um crédito rotativo sem definição do seu valor principal; 2 – A fiscalizada celebrou durante o ano de 2008, inúmeros contratos com postos de gasolina em toda a extensão territorial do país. Tais contratos de empréstimo são considerados absorvíveis pelo fato de serem uma bonificação de atingimento de metas preestabelecidas e são considerados ressarcíveis quando a empresa recebe de volta o numerário dado em empréstimo em forma de mútuo. Os contratos ressarcíveis são submetidos ao IOF enquanto que os absorvíveis, não são geradores de IOF por não serem mútuos. Entretanto, como já explicado anteriormente, localizamos inúmeros contratos ressarcíveis que não tiveram retenção de IOF por parte da fiscalizada; 3 - A própria fiscalizada ao nos apresentar suas bases de cálculo do IOF confessado em suas DCTF nos informou que apurou a menor esse tributo em diversos decêndios. Dos três itens acima, procederemos à apuração do IOF devido nos dois primeiros. Quanto ao terceiro item, visto que já foram apuradas diferenças pelo próprio contribuinte, lançaremos os valores por ele indicados haja vista os valores por ele apurados estarem compatíveis com a legislação vigente. 5 – Da Apuração dos Tributos Devidos 5.1 – IOF Devido nas Operações de Conta Corrente com a PETROBRÁS: Conforme explicado anteriormente, os lançamentos da conta 2202200003 denotam que a BR Distribuidora e a Petrobrás operam um conta corrente do tipo em que a primeira faz aportes em dinheiro diversas vezes ao mês e a segunda repõe milhares de aportes na mesma conta. Da análise dessa conta corrente mensal (Anexo 02) [fls. 0005/4042], notamos que, além dos inúmeros repasses efetuados pela BR Distribuidora ao longo de cada mês, o saldo positivo dessa conta, apurado no último dia do mês, é, também, totalmente transferido a esse caixa único no primeiro dia do mês subseqüente. Essas transferências são exatamente os valores discriminados nos lançamentos da conta do razão de n° 1204200003 (Anexo 03) [fl. 4043]. Apenas nos meses de setembro e novembro de 2008 é que, em virtude de o saldo deste conta corrente no fim do mês ser negativo, não houve repasses por parte da BR Distribuidora ao conta corrente com a Petrobrás. Frise-se aqui que embora não tenha havido o repasse do acumulado ao fim dos citados meses, houve inúmeros repasses no transcurso desses meses. Os inúmeros repasses efetuados no decorrer de cada mês foram segregados da movimentação da conta 2202200003 e reunidos na planilha do Anexo 25 [fls. 4849/4865]. A situação da conta n° 2202200003 denota um caso típico de mútuo na modalidade conta corrente em que os seus saldos acumulados mensais nada mais são do que a base de cálculo do IOF disposta em Lei e, cada um dos repasses efetuados ao longo dos meses é a base de cálculo do IOF adicional, que passou a ser previsto no Decreto 6.339 de 03 de janeiro de 2008. Essas vultosas quantias repassadas à Petrobrás não possuem quaisquer contratos de compra de combustível a ele vinculados ou correspondentes a volumes específicos de combustível e/ou valores pré-ajustados, ou seja, o que existe é um aporte financeiro indiscriminado por parte da BR Distribuidora à sua controladora e esta, por sua vez, remete valores referentes, em sua grande maioria, a título de combustíveis. Esses repasses, ocorrendo independentemente dos preços dos combustíveis ou de qualquer transação específica, vão diminuindo o saldo da conta até que novos aportes sejam novamente efetuados pela fiscalizada. Não há sombra de dúvida de que esses aportes mensais de numerário denotam um mútuo efetuado junto à controladora e são, sem dúvida, fato gerador do IOF. O título da conta n° 2202200003 no plano de contas da empresa por si só expressa claramente a natureza das operações nela registradas, ou seja, "caixa único entre as empresas". Na configuração do mútuo do presente caso há que se deixar clara a existência de efetivas operações de crédito que possuem sentido econômico e a vontade da BR Distribuidora de entregar ou colocar à disposição da Petrobrás vultosas quantias para obtê-los de volta em período futuro sem qualquer contrapartida pactuada/contratada. Ressalte-se ainda que esses recursos são colocados à disposição da controladora para sua total e efetiva fruição sem quaisquer restrições e essa é mais outra característica do mútuo financeiro. Em consonância com toda a situação apurada, o balanço da empresa, em suas Notas Explicativas (item 8.1 Ativo não Circulante) demonstra de forma cristalina que as transferências tratam-se de movimentações financeiras pactuadas com a Petrobrás e discrimina o montante exato de R$ 132.302 milhões como "contas a receber por operações de mútuo" (Anexo 26) [fl. 4866]. Abaixo transcrevemos essa parte do balanço do ano base de 2008 demonstrando que ambas as empresas caracterizam as operações praticadas como mútuo: Ativo Circulante Ativo não circulante Contas a receber (Vendas) Contas a receber (mútuo) Total do Ativo Petrobrás R$ 177.995 R$ 132.302 R$ 310.297 O montante de contas a receber por operações de mútuo acima disposto (no Ativo não Circulante) é exatamente o montante que está contabilizado na conta 2202200003 no último dia do mês de dezembro a ser transferido no primeiro dia de janeiro de 2009 para dar seqüência ao conta corrente financeiro estabelecido entre as duas empresas. O valor exato dessa transferência é o de R$ 132.302.271,00 (vide Anexo 02 lançamentos de dezembro) [fl. 4042]. Conforme DCTF da BR Distribuidora, nenhuma dessas transferências jamais foi tributada até hoje e essas operações já são feitas há mais de vinte anos. Essa informação já nos havia sido prestada no trabalho de apuração do IOF de 2007 (Anexo 27) [fls. 4867/4868]. O Regulamento do IOF vigente é o Decreto n° 6.306 de 14/12/2007 e o Regulamento anterior a esse último é o Decreto n° 4.494 de 2002. Estes dois Decretos reproduziram a regra estabelecida no antepenúltimo regulamento do IOF que era tratado no Decreto n° 2.219 de 1997 que definia a metodologia de apuração desse imposto (bases de cálculo; alíquota e fato gerador). O Decreto nº 4.494, de 2002 e seu revogador, o Decreto n° 6.306 de 14/12/2007 resumem em seu inciso I do artigo 7º, os tipos de operações de crédito/empréstimos: crédito rotativo e crédito fixo. Duas características preponderantes devem estar associadas para que se possa fazer distinção entre os dois tipos de crédito: continuidade das operações de empréstimo e data da cobrança do imposto. Nas operações de crédito rotativo aqui observadas, ocorrem concessões de empréstimos e amortizações de forma contínua, pois não há valor de principal dos empréstimos e prazos fixos previamente definidos. Deste modo, a base de cálculo do IOF é o saldo deixado à disposição de Petrobrás ao fim de cada mês, ou seja, o saldo acumulado apurado no último dia de cada mês e o imposto é apurado aplicando-se a esse saldo a alíquota de 0,0041% (inciso I do art. 7º dos Decretos 4.494 e 6.306). (...) Ainda na linha do presente caso, a partir do ano base de 2008, há ainda a incidência do IOF adicional à alíquota de 0,38% incidindo sobre os aportes financeiros efetuados ao longo dos meses. Tomando-se os montantes mensais aportados (Anexo 25) [fls. 4849/4865] chegamos aos totais mensais aportados e o respectivo IOF adicional. Juntando-se os montantes de IOF e IOF adicional devidos, chegamos aos valores a serem lançados de ofício. 5.2 IOF Devido nas Operações de Empréstimos Realizadas com Postos de Combustíveis e Outras Empresas (Clientes): Conforme já mencionado anteriormente, a fiscalizada nos apresentou uma listagem discriminando todos os contratos de empréstimo celebrados com inúmeros clientes no país, seus prazos, datas de celebração e seus montantes. Desta listagem excluímos todos os contratos submetidos ao IOF por estarem confessados em DCTF; excluímos os contratos absorvíveis por não se configurarem em mútuos e excluímos os contratos ressarcíveis que também não são mútuos e chegamos à listagem do Anexo 19 [fls. 4830/4831] que mostra os contratos que não foram tributados. Eles serão, portanto, alvo de lançamento de ofício. Elaboramos uma planilha que é segregada por decêndios em função da data de cadastramento/celebração destes contratos e apuramos o IOF devido. O cálculo é feito em função do seu prazo (numero de dias) e, aqueles com prazo superior a 365 dias, em vista da legislação vigente, tiveram sua tributação apurada à alíquota máxima de 1,5%. Dessa forma, chegamos à planilha de apuração de IOF devido em cada contrato disposta no Anexo 28 [fls. 4869/4871]. Esta planilha é parte integrante do presente Termo de Verificação. Note-se que os contratos encontram-se dispostos em ordem cronológica referente à sua data de celebração (data de cadastramento) e segregados por decêndios mensais. Cada contrato teve o IOF e o IOF adicional apurados que, somados, redundam nos valores globais decendiais. 5.3 IOF Devido em Virtude de Apuração Incorreta por Parte da Fiscalizada e Confessada a Menor em suas DCTF: Ao responder nossos Termos de Intimação, a fiscalizada confessou ter apurado a menor o IOF de diversos contratos (Anexo 07) [fl. 4082], tais valores também serão lançados de ofício, conforme planilha abaixo: (...) 6 Do Lançamento Como resultado do procedimento de fiscalização, apurou-se, conforme relatado, a falta de recolhimento de IOF nas operações de mútuo de recursos financeiros realizadas pela fiscalizada. Impõe-se assim, o lançamento de ofício por meio de Auto de Infração. Os montantes totais a serem lançados referentes às três irregularidades encontradas resumem-se na planilha abaixo: (...) Do total de documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização, procuramos juntar ao presente processo administrativo apenas aqueles diretamente relacionados com as infrações acima referidas e úteis ao entendimento da matéria tributável. Juntamos aos autos as transcrições dos arquivos magnéticos que nos foram enviados em virtude da enormidade de dados transacionados pela empresa. A fiscalização ateve-se exclusivamente aos fatos descritos, ressalvando-se o direito da Fazenda Nacional de proceder a novos exames, em surgindo fatos novos de seu interesse que os justifiquem. Este Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante e inseparável do auto de infração. Da mesma forma, todas as planilhas de apuração das Bases de Cálculo do tributo. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em duas vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo Contribuinte, que recebe, neste ato, uma das vias.” Inconformada com a autuação, de que tomou ciência em 29/10/2012, a Interessada apresentou, em 28/11/2012, a impugnação de fls. 4944/4971, instruída com os documentos de fls. 4972/5533, alegando o seguinte: I Das operações com a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRÁS I.1) Dos Esclarecimentos Iniciais A Impugnante foi autuada pela Receita Federal do Brasil pela falta de recolhimento do IOF decorrente de operações classificadas como "créditos com pessoas ligadas". A Fiscalização alega que a Impugnante transferia elevadas quantias de numerário para a sua controladora Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS através de um sistema de conta corrente, configurando tal procedimento uma modalidade de mútuo financeiro sob a forma de crédito rotativo, sem definição do seu valor principal. Ocorre que a Fiscalização, em nenhum momento, comprovou a existência da posterior devolução do numerário pela PETROBRÁS (restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade). Pelo contrário: conforme será demonstrado abaixo, o Auditor Fiscal autuante deixa claro que a contrapartida sempre foi em forma de combustível. Como se sabe, a PETROBRÁS fornece diversos produtos para a Impugnante. Embora sejam empresas ligadas, com uma relação de subsidiariedade societária de uma em relação à outra, a PETROBRÁS atua contratualmente como fornecedora da Impugnante, e esta como sua cliente, sendo tratada em igualdade de condições com as demais distribuidoras de combustíveis. Este fato pode ser comprovado pelo contrato anexo de compra e venda, que acoberta as aquisições de óleo diesel feitas pela Impugnante em 2008 (fls. 5022/5083). Conforme se observa na cláusula Décima Segunda do referido ajuste, há uma estimativa de comercialização, somente para o óleo diesel, da ordem de R$ 25 bilhões. O contrato referente à compra e venda de gasolina é semelhante, com valor estimado de R$ 13,2 bilhões (fls. 5084/5145). Assim, entre a Impugnante e sua controladora, nunca houve transferências de valores que não fossem correspondentes a entregas de produtos. Muito embora seja até comum que as transferências de recursos entre empresas do mesmo grupo econômico seja motivada por dificuldades financeiras momentâneas, estas não foram as razões que justificaram as remessas de numerário da Impugnante para a PETROBRÁS. A bem da verdade, não faz qualquer sentido imaginar que a Impugnante conceda empréstimos financeiros à PETROBRÁS, já que esta possui um desempenho econômico financeiro muito superior. Em 2008, por exemplo, o lucro líquido da Impugnante foi de R$ 1,289 bilhão (fl. 5147), enquanto que o da PETROBRÁS esteve num patamar de R$ 36,469 bilhões (fls. 5155/5156). Quanto à afirmativa da Fiscalização de que a Impugnante teria realizado, ao longo do ano de 2008, aportes financeiros da ordem de R$ 46 bilhões, cabem alguns esclarecimentos. O referido montante representa cerca de 70% da Receita Operacional Bruta da empresa no exercício em questão. Se a Impugnante concedesse empréstimos dessa monta, simplesmente não teria caixa suficiente para honrar seus compromissos, inclusive para adquirir os produtos que comercializa. Não há nada que justifique a concessão de empréstimos de tão vultosa quantia, afinal a Impugnante não é uma instituição financeira, nem tampouco possui fluxo de caixa capaz de suportar tal volume de operações. A utilização de uma "conta única", ressaltada pela Fiscalização, decorre do enorme volume de produtos negociados entre as empresas. Veja-se, a título de exemplo, a listagem dos depósitos efetuados pela Impugnante em janeiro de 2008 (fls. 5157/5161) e a relação das faturas relativas às aquisições de combustíveis no mês em questão (fls. 5186/5397). Confrontando-se esta listagem com o relatório relativo às operações financeiras realizadas junto à PETROBRÁS (fls. 5398/5406), observa-se que os fluxos de depósitos e de quitações de faturas é muito próximo, ou seja, em torno de R$ 4 bilhões. Considerando-se que esse valor corresponde à média mensal de compra de produtos, pode-se concluir que tal valor é compatível com o total dos aportes que a Fiscalização atribuiu à Impugnante, que foi de aproximadamente R$ 46 bilhões. Assim, os valores depositados serviam para quitar as faturas do próprio dia, ou de dias seguintes, correspondentes às aquisições de produtos. Quando a Impugnante fazia o depósito na conta corrente da PETROBRÁS, estava quitando o arquivo de faturas do dia. Quando havia sobra de valor, a Impugnante adiantava pagamentos dos dias seguintes ou quitava débitos ainda não pagos. Dessa forma, o saldo da "conta única" podia ser negativo ou positivo, de acordo com as necessidades e disponibilidades de produtos existentes nas empresas. A operação funcionava da seguinte forma: — as bases operacionais de combustíveis da Impugnante recebiam os produtos e lançavam as faturas no seu Sistema Geral de Contabilidade – SAP/R3, para pagamento através da conta produto. Esta forma de pagamento (forma "P" conta produto) aparece indicada em todas as faturas lançadas para pagamento pelas bases. As faturas não eram quitadas via banco; eram, sim, compensadas contra os valores lançados na conta 2202200003. A contabilização das operações era feita da seguinte forma (cfr. demonstrativo, fls. 5407/5411): ESQUEMA CONTÁBIL • Entrada do produto: — Documento RE Débito das Contas de Estoque Débito das Contas de Impostos Crédito da Conta Fornecedor PETROBRÁS • Pagamento do Fornecedor: — Documentos ZT e ZS Débito da Conta 2202200003 – Aplicações Empresa do Sistema – País Crédito da Conta Fornecedor Débito da Conta Fornecedor Crédito da Conta Banco • Compensação feita pelo Sistema: — Documento KX Débito da Conta Fornecedor Crédito da conta 2202200003 – Aplicações Empresa do Sistema País Ao final do mês, havendo saldo negativo na conta 2202200003, este saldo era transferido para a conta 1204200003. Em síntese: não houve devolução, por parte da PETROBRÁS, dos valores depositados pela Impugnante na "conta única". Esta conta, na verdade, era utilizada para pagamento das aquisições de produtos. Conforme demonstrado, os aportes feitos pela Impugnante, ao longo do ano de 2008, foram inteiramente compatíveis com as compras de combustíveis efetuadas junto à sua controladora no mesmo período. I.2) Da Inexistência de Mútuo de Recursos Financeiros A Fiscalização afirmou, categoricamente, que as transferências realizadas pela Impugnante "configuram a modalidade de mútuo financeiro sob a forma de crédito rotativo que não apresenta montantes nem prazos definidos". Sendo assim, tipificou as operações no art. 13 da Lei 9.779/1999. Ora, de acordo com a Lei n° 9.779/1999, não é qualquer operação de crédito realizada por empresa não financeira que fica sujeita à incidência do IOF, mas apenas os "mútuos de recursos financeiros". Considerando-se que o Direito Tributário não pode alterar conceitos, institutos e definições do Direito Privado (art. 110 do CTN), o "mútuo de recursos financeiros" a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.799/1999 deve ser entendido nos exatos termos em que se encontra conceituado pelo Direito Civil. Os arts. 586, 587 e 588 do Código Civil definem o contrato de mútuo como o empréstimo de bens fungíveis cujo domínio é transferido ao mutuário, que tem o dever de restituir ao mutuante coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No presente caso, não ficou de modo nenhum comprovado que a PETROBRÁS devolveu dinheiro à Impugnante. A própria Fiscalização reconheceu que os valores retornavam em forma de notas fiscais referentes a compras de combustíveis. Logo, se a PETROBRÁS devolveu à Impugnante coisa diversa de dinheiro (no caso em questão, combustíveis), é de se concluir que estamos diante de uma compra e venda e não de um mútuo. Veja-se, a título de ilustração, a ementa do Acórdão nº 340200472, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso semelhante ao que aqui se examina: "IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2000, 30/06/2000 a 30/06/2003. IOF. OPERAÇÃO DE CRÉDITO REALIZADA ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. REQUISITOS. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação configure mútuo de recursos financeiros. Não o é mero adiantamento de recursos a fornecedor de serviço regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução do serviço. Recurso Provido." Diante de todo o exposto, resulta evidente que a Impugnante não praticou o fato gerador do IOF. I.3) Do Erro na Determinação da Base de Cálculo do Adicional Logo de início, salta aos olhos a grande discrepância entre as bases de cálculo utilizadas para a apuração do IOF à alíquota de 0,0041% e para a apuração do adicional de 0,38%. Examinando-se o "Termo de Verificação Fiscal", verifica-se que a Fiscalização utilizou como base de cálculo do IOF, para fins de aplicação da alíquota de 0,0041%, o saldo deixado à disposição da PETROBRÁS ao fim de cada mês (ou seja, o saldo acumulado apurado no último dia de cada mês). Já no tocante ao IOF adicional, a alíquota de 0,38% foi aplicada sobre uma base de cálculo incorreta, equivalente ao total dos aportes financeiros efetuados ao longo de cada um dos meses. Ora, se transferências realizadas pela Impugnante em favor da PETROBRÁS configuraram, de fato, um mútuo de recursos financeiros sob a modalidade de crédito rotativo, a alíquota adicional de 0,38% deveria incidir sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, conforme prevê o art. 7º, § 16, do Decreto nº 6.306/2007, e não sobre o total dos aportes financeiros efetuados ao longo de cada um dos meses. Caso, portanto, a autoridade julgadora entenda ter havido uma operação de mútuo, o que se admite apenas para efeito de argumentação, cumpre retificar a base de cálculo do adicional de IOF, de modo que fique em consonância com a legislação. II – Das Operações com os Postos Clientes II.1) Dos Esclarecimentos Iniciais Diante do competitivo mercado de revenda de combustíveis no varejo, para incrementar o exercício de sua atividade fim de distribuição de produtos combustíveis, a Impugnante tem por estratégia comercial a celebração de contratos acessórios aos contratos de fornecimento celebrados com os postos clientes ("Revendedores BR"). Estes contratos acessórios são classificados como ABSORVÍVEIS ou RESSARCÍVEIS, conforme sua finalidade. Os contratos ABSORVÍVEIS têm por objetivo premiar os postos compradores de grandes volumes de produtos combustíveis, segundo a sua performance comercial. Por meio de tais contratos acessórios, a Impugnante concede aos seus clientes uma bonificação prevista nos contratos de compra e venda mercantil. Esta bonificação tem natureza de "gratificação de desempenho", não configurando mútuo de recursos financeiros. Já os contratos RESSARCÍVEIS representam, efetivamente, mútuos em dinheiro concedidos pela Impugnante aos seus clientes (na maioria, postos de combustíveis), para fins de reforma e melhoria dos postos da rede BR, ou mesmo para o pagamento de despesas operacionais. Como são celebrados por prazos pré estabelecidos e com montantes definidos, configuram a chamada modalidade de financiamento via "crédito fixo", sofrendo retenção do IOF no momento da liberação dos recursos. É sobre estes contratos que versa a autuação. II.2) Dos Contratos Ressarcíveis Submetidos à Tributação II.2.a) Dos Contratos Novos cujo IOF já foi recolhido Dos contratos RESSARCÍVEIS relacionados na autuação, os de nos 38623, 38624, 38625, 40674, 39171, 40363, 40432, 40433, 40355, 41416, 41226, 41971, 41786 e 41496 já tiveram seu IOF devidamente recolhido, conforme registros efetuados no Livro de Apuração em anexo (doc. fls. 5527/5533). Tais contratos devem ser expurgados da base tributável. II.2.b) Dos Contratos "Reentrados" sem IOF a recolher Diversos contratos RESSARCÍVEIS foram tributados como empréstimos novos, quando na verdade se encontravam na situação de REENTRADOS, a saber: • Junho de 2008: 18618, 18652, 18653, 12426, 13476, 13570, 14257, 15185 e 25314; • Julho de 2008: 26403; • Agosto de 2008:12241, 12247 e 23341; • Setembro de 2008:10175 e 22471. Estes contratos REENTRADOS nada mais são do que contratos RESSARCÍVEIS que tiveram que ser RECADASTRADOS no sistema da Impugnante para fins de correção e/ou ajuste nos instrumentos negociais. Tais operações de mútuo não devem ser oferecidas novamente à tributação porque já sofreram incidência do IOF na origem, ou seja, no momento da disponibilização do capital. Tomemos como exemplo os contratos de nos 18618, 18652 e 18653, celebrados com o Posto "O Carretão Ltda", em novembro de 2004, no montante de R$ 380.000,00. Naquela data, a operação de mútuo em questão sofreu retenção de IOF no valor de R$ 5.228,88 (fl. 5448). Em 2008, por razões de ordem interna, as informações relativas a tais contratos tiveram de ser alteradas no sistema de controle da Impugnante. Isto não pode acarretar, todavia, nenhuma cobrança adicional de IOF, pois a obrigação tributária já havia sido satisfeita na origem. Para afastar qualquer sorte de dúvida, a Impugnante faz juntar os registros contábeis de todos os contratos enquadrados na situação de REENTRADOS, demonstrando que o IOF incidente sobre os mesmos foi devidamente recolhido (doc. fls. 5447/5472). II.2.c) Dos Contratos cujo IOF foi recolhido a menor (matéria não impugnada) Alguns outros contratos, por equívoco, não foram tributados corretamente, restando diferenças de IOF a recolher — cfr. Item 5.3 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação a estes mútuos, a empresa fará o recolhimento do IOF oportunamente. III – Do Pedido de Realização de Diligência/Perícia Requer, por fim, a Impugnante a realização de diligência/perícia, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: 1° Quesito: Quanto às operações com a Petrobrás, queira o ilustre Sr. Auditor analisar os contratos firmados com a Petrobrás e informar se há relação de proporcionalidade entre os efetivos fornecimentos e os valores aportados pela Impugnante na conta corrente em questão; 2° Quesito: Quanto às operações com a Petrobrás, queira o ilustre Sr. Auditor descrever o procedimento utilizado pela Impugnante para recebimento dos produtos por ela adquiridos, lançamento das faturas no sistema e efetivo pagamento ao fornecedor (Petrobrás); 3° Quesito: Quanto às operações com os postos clientes, queira o ilustre Sr. Auditor esclarecer, com base na documentação juntada aos autos, se os contratos 18618, 18652, 18653, 12426, 13476, 13570, 14257, 15185, 25314, 26403, 12241, 12247, 23341, 10175 e 22471, enquadrados na situação de REENTRADOS, já tiveram o IOF recolhido. 4° Quesito: Quanto às operações com os postos clientes, queira o ilustre Sr. Auditor esclarecer, com base na documentação juntada aos autos, se os contratos 38623, 38624, 38625, 40674, 39171, 40363, 40432, 40433, 40355, 41416, 41226, 41971,41786 e 41496 já tiveram o IOF recolhido. No mesmo dia 28/11/2012, a Interessada promoveu o recolhimento da parcela não contestada, correspondente ao Item 5.3 do TVF (cfr. Darfs, fls. 5552/5584). Complementando a instrução probatória, a Interessada juntou aos autos as vias dos contratos de compra e venda de combustíveis celebrados com a PETROBRÁS, em 01/02/2008, devidamente registradas na Agência Nacional do Petróleo – ANP (docs. fls.5590/5638). A 15ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro deu provimento parcial à impugnação, nos termos do Acórdão nº 12-054.634, de 09/04/2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Ano-calendário:2008 IOF-CRÉDITO.CONTA CORRENTE COM FORNECEDOR. ADIANTAMENTOS DE RECURSOS VINCULADOS À AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. SALDOS RECLASSIFICADOS PARA CRÉDITOS A RECEBER POR OPERAÇÕES DE MÚTUO. A existência de um conta corrente entre empresas comerciais, onde um cliente adianta recursos continuamente ao seu fornecedor com vistas a futuras aquisições de produtos, não caracteriza, em princípio, operação de crédito sujeita à incidência de IOF. Nos casos, porém, em que o conta corrente é zerado ao final de cada mês, e os saldos positivos eventualmente apurados em favor do cliente são transferidos para uma conta de “créditos a receber por operações de mútuo”, já aí configura-se uma autêntica linha de crédito rotativa, passível de tributação. A incidência do imposto, de todo modo, dar-se-á não sobre o total dos adiantamentos, mas apenas sobre os valores dos saldos transferidos. IOF-CRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO. IMPOSTO APURADO A MENOR PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Reputar-se-á definitivamente constituída, na esfera administrativa, a parcela do crédito tributário relativa à matéria não contestada pelo sujeito passivo. IOF-CRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO. ABATIMENTO DOS VALORES CONFESSADOS EM DCTF. Verificando-se que parte do imposto lançado já havia sido confessada em DCTF, cumpre retificar a exigência, a fim de evitar a duplicidade de cobrança. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: As transferências dos saldos positivos da conta 2202200003 para a conta 1204200003 (código “AS”) não desvinculam os saldos positivos das aquisições de combustíveis. Estes saldos eram utilizados nas aquisições de combustíveis realizadas no início e durante o mês subsequente, conforme pode-se verificar dos documentos anexados aos autos nesta fase do processo, em especial, os que demonstram a vinculação dos repasses às aquisições de compra e venda de combustíveis; Em nenhum momento a Fiscalização afirma ou comprova que a Petrobrás tenha devolvido dinheiro à recorrente. Como já esclarecido na impugnação, os valores retornavam em forma de notas fiscais referentes à compra de combustíveis. Assim, tendo a Petrobrás devolvido coisa diversa de dinheiro, no caso combustível, estamos diante de uma compra e venda e não de um mútuo; A maior parte residual do IOF incidente sobre os contratos de mútuo listados na autuação, que continua a ser imputada à recorrente, foi devidamente recolhida na origem das contratações.. Termina seu recurso pedindo a reforma da decisão de primeira instância no sentido de que seja julgado insubsistente o Auto de Infração. Anexa aos autos 1055 documentos para comprovar seus fundamentos jurídicos expostos na peça recursal. É o Relatório. VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Mônica Elisa de Lima, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório do Acórdão vergastado: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, foi lavrado contra a Interessada o auto de infração de fls. 4919/4927, relativo ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, por meio do qual está sendo exigido o crédito tributário abaixo discriminado: IOF Crédito ( R$ 177.812.292,44 Multa de ofício (75%) ( R$ 133.359.219,37 Juros de mora (calculados até 31/10/2012) ( R$ 76.675.231,36 TOTAL ( R$ 387.846.743,17 2. Os fatos que motivaram a autuação encontram-se descritos no Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 4899/4918, abaixo reproduzido: “1 – Do Contribuinte A instituição aqui fiscalizada, conforme disposto no parágrafo primeiro do seu Estatuto, é uma Sociedade Anônima, subsidiária da Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, regida pela legislação relativa às sociedades anônimas e pelo seu Estatuto (Anexo 29) [fls. 4872/4873]. O objeto da companhia encontra-se discriminado em dez incisos do artigo terceiro do seu Estatuto. 2 – Da Origem da Ação Fiscal A presente ação fiscal, respaldada pelo MPF 071852012.001613, originou-se em decorrência de Inferência Fiscal elaborada por nosso setor de programação (Demac/RJO/Sepac), baseada em trabalhos de seleção interna e nas informações prestadas pelo contribuinte nas DCTF relativas ao ano calendário de 2008 e na DIPJ do mesmo período. As DCTF do período demonstram um total de IOF confessado no montante de R$ 975.630,76 (Anexo 30) [fls. 4874/4878]. Considerando-se o porte da empresa e, ainda, somado ao fato de que a partir do ano de 2008 há um adicional de 0,38% incidindo sobre o IOF, esse valor indicaria insuficiência de recolhimento deste tributo. Além disso, o presente procedimento de fiscalização é também fulcrado no MPF 0718500201100594, oriundo da Inferência n° 405/2010 que tratou da apuração do IOF devido pela fiscalizada no ano base de 2007. O referido procedimento apurou que a empresa praticava centenas de empréstimos com postos de gasolina de sua bandeira e em inúmeros casos não apurou o IOF devido e, também, mantinha um sistema de conta corrente com a sua matriz (Petrobrás S/A) disponibilizando a essa última, elevadas somas de numerário que configuravam a prática de mútuo sem qualquer recolhimento do IOF. Os lançamentos correspondentes àquela auditoria foram constituídos através do processo de n° 16682721156/2011-05. 3 – Da Legislação Aplicável O Imposto sobre Operações Financeiras – IOF incide sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, conforme previsão contida no inciso V do art. 153 da Constituição Federal de 1988. Trata-se, pois, de competência tributária atribuída à União e de natureza predominantemente extrafiscal. O fato gerador e a base de cálculo do referido tributo estão claramente definidos respectivamente nos artigos 63 e 64 do Código Tributário Nacional. Por sua vez, a Lei nº 9.779/1999, que alterou a legislação do IOF, dentre outras, determina, em seu art. 13, a incidência do tributo sobre as operações de mútuo de recursos financeiros. O Decreto nº 6.306/2007 regulamentou o imposto à época da ocorrência dos fatos geradores. 4 – Da Auditoria O Termo de Início de Fiscalização foi recebido em mãos na data de 14/02/2012 (Anexo 01)[fls. 03/04]. Nele solicitamos os seguintes documentos: Cópia do Estatuto da empresa; Ata de assembléia nomeando a atual diretoria da empresa; Planilhas de apuração decendial dos IOF que redundaram nos montantes confessados em DCTF; Listagem de todos os contratos de empréstimos que a fiscalizada celebrou durante o ano de 2008; Lançamentos da conta n° 1204200003 Aplicações Sistema País referentes ao ano base de 2008; Lançamentos referentes à conta 2202200003 Caixa Único da Empresa referente ao ano base de 2008 e Cópia do Balanço Patrimonial. Há que se esclarecer que a documentação solicitada neste Termo de Início (itens 3 a 6) já foi dirigida específica e objetivamente em virtude de determinadas situações e procedimentos adotados pela fiscalizada e que se tornaram de conhecimento desta fiscalização no decorrer do retrocitado trabalho de fiscalização do IOF do ano base de 2007. As solicitações referentes aos itens 5 e 6 do Termo de Início são oriundas daquele trabalho e ali nos foi esclarecido pela fiscalizada que ela mantinha um sistema de conta corrente com a Petrobrás em que ela envia constantemente a essa última, recursos em dinheiro. Os lançamentos contábeis referentes a essas operações de crédito ocorrem através da conta 2202200003 (item 6 do Termo de Início) e tal conta possui o seguinte significado no plano de contas das empresas: "Conta destinada para registro das operações relacionadas às movimentações denominadas Caixa Único entre empresas". Esta conta de caixa único possui milhares de registros mensais que discriminam dezenas de remessas por parte da BR à Petrobrás no decorrer dos meses e, também, remessa dos seus saldos positivos, a cada final de mês. Todos esses registros dessa conta, durante o ano de 2008, nos foram repassados em meio digital no formato excel e encontram-se no Anexo 02 [fls. 0005/4042]. Note-se que nos meses de setembro e novembro de 2008 os saldos acumulados finais da referida conta foram negativos e, dessa forma, não houve crédito transferido à Petrobrás. Entretanto, embora o saldo final do conta corrente tenha sido negativo, durante esses dois períodos, foram inúmeros os repasses efetuados a esse conta corrente. Com relação aos lançamentos da conta n° 1204200003 – Aplicações Sistema País – (Item 5 do Termo de Início) trata-se de rubrica em que são registradas apenas as transferências de numerário a cada fim de mês à Petrobrás S/A e seus lançamentos referentes ao ano base de 2008 estão no Anexo 03 [fl. 4043]. Outro assunto apurado no trabalho anterior refere-se a contratos financeiros celebrados com os postos de gasolina. A BR Distribuidora celebra centenas de contratos de empréstimos com postos de gasolina em todo o país e há que serem analisados quanto à possibilidade de incidência do IOF. Nesse sentido, no item 4 do Termo de Início, solicitamos a listagem de todos esses contratos e a listagem que nos foi enviada em resposta, via meio magnético, denota que há aproximadamente 1.300 contratos celebrados no ano base de 2008 e que eles são qualificados basicamente como absorvíveis e ressarcíveis (Anexo 04) [fls. 4044/4078]. No tocante ao item 3 do Termo de Início, no qual solicitamos a apresentação de planilhas que discriminem/esclareçam de que forma a fiscalizada apurou os montantes de IOF confessados em DCTF, o material apresentado não foi nada esclarecedor. Aos 03/04/2012, a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação II (Anexo 05) [fls. 4079/4080], via "AR" (Anexo 06) [fl. 4081] no qual solicitamos, novamente, a apresentação de quadro resumo dispondo quais os contratos que foram tributados por decêndio e, também, as planilhas decendiais de apuração do IOF confessadas em DCTF. Desta feita a documentação nos foi apresentada a contento. Foi nos fornecido um quadro resumo do IOF decendial (Anexo 07) [fl. 4082] e, também, as planilhas detalhadas de apuração do IOF mencionando cada contrato tributado (Anexo 08) [fls. 4083/4098]. Da análise do Anexo 07 [fl. 4082] verificamos que os montantes apurados pela fiscalizada, em quase todos os decêndios do ano, são maiores do que aqueles confessados nas DCTF, ou seja, o IOF foi confessado a menor. Essas diferenças, facilmente visualizadas no supracitado quadro resumo serão alvo de lançamento no presente trabalho. A fim de verificar a tributação do IOF no tocante aos inúmeros contratos de empréstimos efetuados com os postos de gasolina, concatenamos os dados dispostos no Anexo 4 com a planilha de apurações decendiais cujos valores de IOF foram confessados em DCTF (Anexo 08) [fls. 4083/4098] e verificamos que inúmeros contratos, a princípio, não foram tributados (Anexo 9) [fls. 4099/4133]. Todos os contratos tributados pela fiscalizada são da espécie ressarcível. Extraindo os contratos tributados da relação total de contratos obtemos assim a planilha de contratos não tributados em IOF no ano base de 2008 (Anexo 10) [fls. 4134/4161]. Nesse rol de não tributados visualizamos contratos absorvíveis e ressarcíveis. Segregamos tais contratos em planilhas específicas para cada espécie (Anexos 11 e 12, respectivamente) [fls. 4162/4187 e fls. 4188/4190]. No intuito de verificar o porquê de os contratos absorvíveis não terem sido alvo do IOF por parte da fiscalizada, elaboramos o Termo de Intimação III (Anexo 13) [fls. 4191/4194] que solicita cópias de aproximadamente 70 (setenta) contratos absorvíveis para que pudessem ser devidamente analisados (Anexo 14) [fls. 4195/4196]. Essa amostragem equivale a aproximadamente 40% dos montantes transacionados. As cópias desses contratos encontram-se no Anexo 15 [fls. 4488/4521]. Da análise de tais contratos absorvíveis nota-se que a fiscalizada não tributa os contratos absorvíveis firmados com postos de gasolina haja vista eles se referirem a empréstimos celebrados sem a contrapartida de seu pagamento, mas sim, vinculados a metas e contrapartidas de compromisso de aquisição de produtos fornecidos pela BR Distribuidora, em quantidades preestabelecidas de comum acordo. Em verdade são uma espécie de prêmio e/ou estímulo àqueles que apresentam desempenho considerado excepcional. A fiscalizada trata estes contratos como de antecipação de bonificação por performance em vendas. Não existindo uma contrapartida de pagamento por parte dos postos não há que se encará-los como mútuo financeiro. A amostragem de contratos analisada foi plenamente conclusiva. Não há mais o que se tratar acerca desses contratos no que tange à sua tributação. Na seqüência da auditoria, passamos à verificação dos contratos do tipo ressarcível no sentido de saber o porquê de alguns desses contratos não terem sido alvo do IOF por parte da fiscalizada. Assim sendo, elaboramos o Termo de Intimação IV (Anexo 16) [fls. 4536/4537] que solicita cópias de todos os contratos ressarcíveis não tributados para que pudessem ser devidamente analisados (Anexo 17) [fls. 4538/4540]. As cópias dos contratos ressarcíveis não tributados que nos foram fornecidas em resposta encontram-se no Anexo 18 [fls. 4541/4829]. Da leitura de todos os contratos inferimos que alguns não se tratavam de mútuos mas sim, contratos de compra e venda de imóveis. Segregando tais contratos do rol analisado, resta-nos então a listagem do Anexo 19 [fls. 4830/4831] que discrimina uma série de contratos ressarcíveis que deveriam ter sido tributados, mas, simplesmente, não o foram. Esses contratos, todos qualificados como mútuo pela fiscalizada, serão, portanto, alvo de lançamento de ofício. Aos 17/07/2012 a fiscalizada recebeu, em mãos, o Termo de Intimação V no qual solicitamos a validação no Sistema SVA de todos os arquivos magnéticos que nos foram apresentados em resposta aos Termos de Intimação até então apresentados (Anexo 20) [fls. 4832/4833] As validações encontram-se acostadas ao Anexo 21 [fls. 4834/4844]. Enviamos à fiscalizada o Termo de Intimação VI (Anexo 22) [fls. 4845/4846], recebido via "AR" na data de 02/10/2012 (Anexo 23) [fl. 4847]. O referido Termo visa ao esclarecimento de quatro históricos de transferências ocorridas na conta 220200003. A resposta da fiscalizada (Anexo 24) [fl. 4848] dispõe que os históricos se referem a transferências a título de adiantamentos da fiscalizada para a Petrobrás operadas através de contas no Banco do Brasil; Banrisul; Bradesco e Santander. Conclusão da auditoria. Das informações que nos foram prestadas, embasadas em arquivos digitais do contribuinte, revelaram-se três procedimentos diferentes que redundaram no não recolhimento de IOF. 1 - A fiscalizada celebra operações de remessa de dinheiro com a Petrobrás através de um sistema de conta corrente de caixa único. Trata-se de grandes remessas de numerário que vão e retornam mantendo assim um conta corrente que nada mais é do que um crédito rotativo sem definição do seu valor principal; 2 – A fiscalizada celebrou durante o ano de 2008, inúmeros contratos com postos de gasolina em toda a extensão territorial do país. Tais contratos de empréstimo são considerados absorvíveis pelo fato de serem uma bonificação de atingimento de metas preestabelecidas e são considerados ressarcíveis quando a empresa recebe de volta o numerário dado em empréstimo em forma de mútuo. Os contratos ressarcíveis são submetidos ao IOF enquanto que os absorvíveis, não são geradores de IOF por não serem mútuos. Entretanto, como já explicado anteriormente, localizamos inúmeros contratos ressarcíveis que não tiveram retenção de IOF por parte da fiscalizada; 3 - A própria fiscalizada ao nos apresentar suas bases de cálculo do IOF confessado em suas DCTF nos informou que apurou a menor esse tributo em diversos decêndios. Dos três itens acima, procederemos à apuração do IOF devido nos dois primeiros. Quanto ao terceiro item, visto que já foram apuradas diferenças pelo próprio contribuinte, lançaremos os valores por ele indicados haja vista os valores por ele apurados estarem compatíveis com a legislação vigente. 5 – Da Apuração dos Tributos Devidos 5.1 – IOF Devido nas Operações de Conta Corrente com a PETROBRÁS: Conforme explicado anteriormente, os lançamentos da conta 2202200003 denotam que a BR Distribuidora e a Petrobrás operam um conta corrente do tipo em que a primeira faz aportes em dinheiro diversas vezes ao mês e a segunda repõe milhares de aportes na mesma conta. Da análise dessa conta corrente mensal (Anexo 02) [fls. 0005/4042], notamos que, além dos inúmeros repasses efetuados pela BR Distribuidora ao longo de cada mês, o saldo positivo dessa conta, apurado no último dia do mês, é, também, totalmente transferido a esse caixa único no primeiro dia do mês subseqüente. Essas transferências são exatamente os valores discriminados nos lançamentos da conta do razão de n° 1204200003 (Anexo 03) [fl. 4043]. Apenas nos meses de setembro e novembro de 2008 é que, em virtude de o saldo deste conta corrente no fim do mês ser negativo, não houve repasses por parte da BR Distribuidora ao conta corrente com a Petrobrás. Frise-se aqui que embora não tenha havido o repasse do acumulado ao fim dos citados meses, houve inúmeros repasses no transcurso desses meses. Os inúmeros repasses efetuados no decorrer de cada mês foram segregados da movimentação da conta 2202200003 e reunidos na planilha do Anexo 25 [fls. 4849/4865]. A situação da conta n° 2202200003 denota um caso típico de mútuo na modalidade conta corrente em que os seus saldos acumulados mensais nada mais são do que a base de cálculo do IOF disposta em Lei e, cada um dos repasses efetuados ao longo dos meses é a base de cálculo do IOF adicional, que passou a ser previsto no Decreto 6.339 de 03 de janeiro de 2008. Essas vultosas quantias repassadas à Petrobrás não possuem quaisquer contratos de compra de combustível a ele vinculados ou correspondentes a volumes específicos de combustível e/ou valores pré-ajustados, ou seja, o que existe é um aporte financeiro indiscriminado por parte da BR Distribuidora à sua controladora e esta, por sua vez, remete valores referentes, em sua grande maioria, a título de combustíveis. Esses repasses, ocorrendo independentemente dos preços dos combustíveis ou de qualquer transação específica, vão diminuindo o saldo da conta até que novos aportes sejam novamente efetuados pela fiscalizada. Não há sombra de dúvida de que esses aportes mensais de numerário denotam um mútuo efetuado junto à controladora e são, sem dúvida, fato gerador do IOF. O título da conta n° 2202200003 no plano de contas da empresa por si só expressa claramente a natureza das operações nela registradas, ou seja, "caixa único entre as empresas". Na configuração do mútuo do presente caso há que se deixar clara a existência de efetivas operações de crédito que possuem sentido econômico e a vontade da BR Distribuidora de entregar ou colocar à disposição da Petrobrás vultosas quantias para obtê-los de volta em período futuro sem qualquer contrapartida pactuada/contratada. Ressalte-se ainda que esses recursos são colocados à disposição da controladora para sua total e efetiva fruição sem quaisquer restrições e essa é mais outra característica do mútuo financeiro. Em consonância com toda a situação apurada, o balanço da empresa, em suas Notas Explicativas (item 8.1 Ativo não Circulante) demonstra de forma cristalina que as transferências tratam-se de movimentações financeiras pactuadas com a Petrobrás e discrimina o montante exato de R$ 132.302 milhões como "contas a receber por operações de mútuo" (Anexo 26) [fl. 4866]. Abaixo transcrevemos essa parte do balanço do ano base de 2008 demonstrando que ambas as empresas caracterizam as operações praticadas como mútuo: Ativo Circulante Ativo não circulante Contas a receber (Vendas) Contas a receber (mútuo) Total do Ativo Petrobrás R$ 177.995 R$ 132.302 R$ 310.297 O montante de contas a receber por operações de mútuo acima disposto (no Ativo não Circulante) é exatamente o montante que está contabilizado na conta 2202200003 no último dia do mês de dezembro a ser transferido no primeiro dia de janeiro de 2009 para dar seqüência ao conta corrente financeiro estabelecido entre as duas empresas. O valor exato dessa transferência é o de R$ 132.302.271,00 (vide Anexo 02 lançamentos de dezembro) [fl. 4042]. Conforme DCTF da BR Distribuidora, nenhuma dessas transferências jamais foi tributada até hoje e essas operações já são feitas há mais de vinte anos. Essa informação já nos havia sido prestada no trabalho de apuração do IOF de 2007 (Anexo 27) [fls. 4867/4868]. O Regulamento do IOF vigente é o Decreto n° 6.306 de 14/12/2007 e o Regulamento anterior a esse último é o Decreto n° 4.494 de 2002. Estes dois Decretos reproduziram a regra estabelecida no antepenúltimo regulamento do IOF que era tratado no Decreto n° 2.219 de 1997 que definia a metodologia de apuração desse imposto (bases de cálculo; alíquota e fato gerador). O Decreto nº 4.494, de 2002 e seu revogador, o Decreto n° 6.306 de 14/12/2007 resumem em seu inciso I do artigo 7º, os tipos de operações de crédito/empréstimos: crédito rotativo e crédito fixo. Duas características preponderantes devem estar associadas para que se possa fazer distinção entre os dois tipos de crédito: continuidade das operações de empréstimo e data da cobrança do imposto. Nas operações de crédito rotativo aqui observadas, ocorrem concessões de empréstimos e amortizações de forma contínua, pois não há valor de principal dos empréstimos e prazos fixos previamente definidos. Deste modo, a base de cálculo do IOF é o saldo deixado à disposição de Petrobrás ao fim de cada mês, ou seja, o saldo acumulado apurado no último dia de cada mês e o imposto é apurado aplicando-se a esse saldo a alíquota de 0,0041% (inciso I do art. 7º dos Decretos 4.494 e 6.306). (...) Ainda na linha do presente caso, a partir do ano base de 2008, há ainda a incidência do IOF adicional à alíquota de 0,38% incidindo sobre os aportes financeiros efetuados ao longo dos meses. Tomando-se os montantes mensais aportados (Anexo 25) [fls. 4849/4865] chegamos aos totais mensais aportados e o respectivo IOF adicional. Juntando-se os montantes de IOF e IOF adicional devidos, chegamos aos valores a serem lançados de ofício. 5.2 IOF Devido nas Operações de Empréstimos Realizadas com Postos de Combustíveis e Outras Empresas (Clientes): Conforme já mencionado anteriormente, a fiscalizada nos apresentou uma listagem discriminando todos os contratos de empréstimo celebrados com inúmeros clientes no país, seus prazos, datas de celebração e seus montantes. Desta listagem excluímos todos os contratos submetidos ao IOF por estarem confessados em DCTF; excluímos os contratos absorvíveis por não se configurarem em mútuos e excluímos os contratos ressarcíveis que também não são mútuos e chegamos à listagem do Anexo 19 [fls. 4830/4831] que mostra os contratos que não foram tributados. Eles serão, portanto, alvo de lançamento de ofício. Elaboramos uma planilha que é segregada por decêndios em função da data de cadastramento/celebração destes contratos e apuramos o IOF devido. O cálculo é feito em função do seu prazo (numero de dias) e, aqueles com prazo superior a 365 dias, em vista da legislação vigente, tiveram sua tributação apurada à alíquota máxima de 1,5%. Dessa forma, chegamos à planilha de apuração de IOF devido em cada contrato disposta no Anexo 28 [fls. 4869/4871]. Esta planilha é parte integrante do presente Termo de Verificação. Note-se que os contratos encontram-se dispostos em ordem cronológica referente à sua data de celebração (data de cadastramento) e segregados por decêndios mensais. Cada contrato teve o IOF e o IOF adicional apurados que, somados, redundam nos valores globais decendiais. 5.3 IOF Devido em Virtude de Apuração Incorreta por Parte da Fiscalizada e Confessada a Menor em suas DCTF: Ao responder nossos Termos de Intimação, a fiscalizada confessou ter apurado a menor o IOF de diversos contratos (Anexo 07) [fl. 4082], tais valores também serão lançados de ofício, conforme planilha abaixo: (...) 6 Do Lançamento Como resultado do procedimento de fiscalização, apurou-se, conforme relatado, a falta de recolhimento de IOF nas operações de mútuo de recursos financeiros realizadas pela fiscalizada. Impõe-se assim, o lançamento de ofício por meio de Auto de Infração. Os montantes totais a serem lançados referentes às três irregularidades encontradas resumem-se na planilha abaixo: (...) Do total de documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização, procuramos juntar ao presente processo administrativo apenas aqueles diretamente relacionados com as infrações acima referidas e úteis ao entendimento da matéria tributável. Juntamos aos autos as transcrições dos arquivos magnéticos que nos foram enviados em virtude da enormidade de dados transacionados pela empresa. A fiscalização ateve-se exclusivamente aos fatos descritos, ressalvando-se o direito da Fazenda Nacional de proceder a novos exames, em surgindo fatos novos de seu interesse que os justifiquem. Este Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante e inseparável do auto de infração. Da mesma forma, todas as planilhas de apuração das Bases de Cálculo do tributo. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em duas vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo Contribuinte, que recebe, neste ato, uma das vias.” Inconformada com a autuação, de que tomou ciência em 29/10/2012, a Interessada apresentou, em 28/11/2012, a impugnação de fls. 4944/4971, instruída com os documentos de fls. 4972/5533, alegando o seguinte: I Das operações com a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRÁS I.1) Dos Esclarecimentos Iniciais A Impugnante foi autuada pela Receita Federal do Brasil pela falta de recolhimento do IOF decorrente de operações classificadas como "créditos com pessoas ligadas". A Fiscalização alega que a Impugnante transferia elevadas quantias de numerário para a sua controladora Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS através de um sistema de conta corrente, configurando tal procedimento uma modalidade de mútuo financeiro sob a forma de crédito rotativo, sem definição do seu valor principal. Ocorre que a Fiscalização, em nenhum momento, comprovou a existência da posterior devolução do numerário pela PETROBRÁS (restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade). Pelo contrário: conforme será demonstrado abaixo, o Auditor Fiscal autuante deixa claro que a contrapartida sempre foi em forma de combustível. Como se sabe, a PETROBRÁS fornece diversos produtos para a Impugnante. Embora sejam empresas ligadas, com uma relação de subsidiariedade societária de uma em relação à outra, a PETROBRÁS atua contratualmente como fornecedora da Impugnante, e esta como sua cliente, sendo tratada em igualdade de condições com as demais distribuidoras de combustíveis. Este fato pode ser comprovado pelo contrato anexo de compra e venda, que acoberta as aquisições de óleo diesel feitas pela Impugnante em 2008 (fls. 5022/5083). Conforme se observa na cláusula Décima Segunda do referido ajuste, há uma estimativa de comercialização, somente para o óleo diesel, da ordem de R$ 25 bilhões. O contrato referente à compra e venda de gasolina é semelhante, com valor estimado de R$ 13,2 bilhões (fls. 5084/5145). Assim, entre a Impugnante e sua controladora, nunca houve transferências de valores que não fossem correspondentes a entregas de produtos. Muito embora seja até comum que as transferências de recursos entre empresas do mesmo grupo econômico seja motivada por dificuldades financeiras momentâneas, estas não foram as razões que justificaram as remessas de numerário da Impugnante para a PETROBRÁS. A bem da verdade, não faz qualquer sentido imaginar que a Impugnante conceda empréstimos financeiros à PETROBRÁS, já que esta possui um desempenho econômico financeiro muito superior. Em 2008, por exemplo, o lucro líquido da Impugnante foi de R$ 1,289 bilhão (fl. 5147), enquanto que o da PETROBRÁS esteve num patamar de R$ 36,469 bilhões (fls. 5155/5156). Quanto à afirmativa da Fiscalização de que a Impugnante teria realizado, ao longo do ano de 2008, aportes financeiros da ordem de R$ 46 bilhões, cabem alguns esclarecimentos. O referido montante representa cerca de 70% da Receita Operacional Bruta da empresa no exercício em questão. Se a Impugnante concedesse empréstimos dessa monta, simplesmente não teria caixa suficiente para honrar seus compromissos, inclusive para adquirir os produtos que comercializa. Não há nada que justifique a concessão de empréstimos de tão vultosa quantia, afinal a Impugnante não é uma instituição financeira, nem tampouco possui fluxo de caixa capaz de suportar tal volume de operações. A utilização de uma "conta única", ressaltada pela Fiscalização, decorre do enorme volume de produtos negociados entre as empresas. Veja-se, a título de exemplo, a listagem dos depósitos efetuados pela Impugnante em janeiro de 2008 (fls. 5157/5161) e a relação das faturas relativas às aquisições de combustíveis no mês em questão (fls. 5186/5397). Confrontando-se esta listagem com o relatório relativo às operações financeiras realizadas junto à PETROBRÁS (fls. 5398/5406), observa-se que os fluxos de depósitos e de quitações de faturas é muito próximo, ou seja, em torno de R$ 4 bilhões. Considerando-se que esse valor corresponde à média mensal de compra de produtos, pode-se concluir que tal valor é compatível com o total dos aportes que a Fiscalização atribuiu à Impugnante, que foi de aproximadamente R$ 46 bilhões. Assim, os valores depositados serviam para quitar as faturas do próprio dia, ou de dias seguintes, correspondentes às aquisições de produtos. Quando a Impugnante fazia o depósito na conta corrente da PETROBRÁS, estava quitando o arquivo de faturas do dia. Quando havia sobra de valor, a Impugnante adiantava pagamentos dos dias seguintes ou quitava débitos ainda não pagos. Dessa forma, o saldo da "conta única" podia ser negativo ou positivo, de acordo com as necessidades e disponibilidades de produtos existentes nas empresas. A operação funcionava da seguinte forma: — as bases operacionais de combustíveis da Impugnante recebiam os produtos e lançavam as faturas no seu Sistema Geral de Contabilidade – SAP/R3, para pagamento através da conta produto. Esta forma de pagamento (forma "P" conta produto) aparece indicada em todas as faturas lançadas para pagamento pelas bases. As faturas não eram quitadas via banco; eram, sim, compensadas contra os valores lançados na conta 2202200003. A contabilização das operações era feita da seguinte forma (cfr. demonstrativo, fls. 5407/5411): ESQUEMA CONTÁBIL • Entrada do produto: — Documento RE Débito das Contas de Estoque Débito das Contas de Impostos Crédito da Conta Fornecedor PETROBRÁS • Pagamento do Fornecedor: — Documentos ZT e ZS Débito da Conta 2202200003 – Aplicações Empresa do Sistema – País Crédito da Conta Fornecedor Débito da Conta Fornecedor Crédito da Conta Banco • Compensação feita pelo Sistema: — Documento KX Débito da Conta Fornecedor Crédito da conta 2202200003 – Aplicações Empresa do Sistema País Ao final do mês, havendo saldo negativo na conta 2202200003, este saldo era transferido para a conta 1204200003. Em síntese: não houve devolução, por parte da PETROBRÁS, dos valores depositados pela Impugnante na "conta única". Esta conta, na verdade, era utilizada para pagamento das aquisições de produtos. Conforme demonstrado, os aportes feitos pela Impugnante, ao longo do ano de 2008, foram inteiramente compatíveis com as compras de combustíveis efetuadas junto à sua controladora no mesmo período. I.2) Da Inexistência de Mútuo de Recursos Financeiros A Fiscalização afirmou, categoricamente, que as transferências realizadas pela Impugnante "configuram a modalidade de mútuo financeiro sob a forma de crédito rotativo que não apresenta montantes nem prazos definidos". Sendo assim, tipificou as operações no art. 13 da Lei 9.779/1999. Ora, de acordo com a Lei n° 9.779/1999, não é qualquer operação de crédito realizada por empresa não financeira que fica sujeita à incidência do IOF, mas apenas os "mútuos de recursos financeiros". Considerando-se que o Direito Tributário não pode alterar conceitos, institutos e definições do Direito Privado (art. 110 do CTN), o "mútuo de recursos financeiros" a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.799/1999 deve ser entendido nos exatos termos em que se encontra conceituado pelo Direito Civil. Os arts. 586, 587 e 588 do Código Civil definem o contrato de mútuo como o empréstimo de bens fungíveis cujo domínio é transferido ao mutuário, que tem o dever de restituir ao mutuante coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No presente caso, não ficou de modo nenhum comprovado que a PETROBRÁS devolveu dinheiro à Impugnante. A própria Fiscalização reconheceu que os valores retornavam em forma de notas fiscais referentes a compras de combustíveis. Logo, se a PETROBRÁS devolveu à Impugnante coisa diversa de dinheiro (no caso em questão, combustíveis), é de se concluir que estamos diante de uma compra e venda e não de um mútuo. Veja-se, a título de ilustração, a ementa do Acórdão nº 340200472, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso semelhante ao que aqui se examina: "IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2000, 30/06/2000 a 30/06/2003. IOF. OPERAÇÃO DE CRÉDITO REALIZADA ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. REQUISITOS. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação configure mútuo de recursos financeiros. Não o é mero adiantamento de recursos a fornecedor de serviço regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução do serviço. Recurso Provido." Diante de todo o exposto, resulta evidente que a Impugnante não praticou o fato gerador do IOF. I.3) Do Erro na Determinação da Base de Cálculo do Adicional Logo de início, salta aos olhos a grande discrepância entre as bases de cálculo utilizadas para a apuração do IOF à alíquota de 0,0041% e para a apuração do adicional de 0,38%. Examinando-se o "Termo de Verificação Fiscal", verifica-se que a Fiscalização utilizou como base de cálculo do IOF, para fins de aplicação da alíquota de 0,0041%, o saldo deixado à disposição da PETROBRÁS ao fim de cada mês (ou seja, o saldo acumulado apurado no último dia de cada mês). Já no tocante ao IOF adicional, a alíquota de 0,38% foi aplicada sobre uma base de cálculo incorreta, equivalente ao total dos aportes financeiros efetuados ao longo de cada um dos meses. Ora, se transferências realizadas pela Impugnante em favor da PETROBRÁS configuraram, de fato, um mútuo de recursos financeiros sob a modalidade de crédito rotativo, a alíquota adicional de 0,38% deveria incidir sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, conforme prevê o art. 7º, § 16, do Decreto nº 6.306/2007, e não sobre o total dos aportes financeiros efetuados ao longo de cada um dos meses. Caso, portanto, a autoridade julgadora entenda ter havido uma operação de mútuo, o que se admite apenas para efeito de argumentação, cumpre retificar a base de cálculo do adicional de IOF, de modo que fique em consonância com a legislação. II – Das Operações com os Postos Clientes II.1) Dos Esclarecimentos Iniciais Diante do competitivo mercado de revenda de combustíveis no varejo, para incrementar o exercício de sua atividade fim de distribuição de produtos combustíveis, a Impugnante tem por estratégia comercial a celebração de contratos acessórios aos contratos de fornecimento celebrados com os postos clientes ("Revendedores BR"). Estes contratos acessórios são classificados como ABSORVÍVEIS ou RESSARCÍVEIS, conforme sua finalidade. Os contratos ABSORVÍVEIS têm por objetivo premiar os postos compradores de grandes volumes de produtos combustíveis, segundo a sua performance comercial. Por meio de tais contratos acessórios, a Impugnante concede aos seus clientes uma bonificação prevista nos contratos de compra e venda mercantil. Esta bonificação tem natureza de "gratificação de desempenho", não configurando mútuo de recursos financeiros. Já os contratos RESSARCÍVEIS representam, efetivamente, mútuos em dinheiro concedidos pela Impugnante aos seus clientes (na maioria, postos de combustíveis), para fins de reforma e melhoria dos postos da rede BR, ou mesmo para o pagamento de despesas operacionais. Como são celebrados por prazos pré estabelecidos e com montantes definidos, configuram a chamada modalidade de financiamento via "crédito fixo", sofrendo retenção do IOF no momento da liberação dos recursos. É sobre estes contratos que versa a autuação. II.2) Dos Contratos Ressarcíveis Submetidos à Tributação II.2.a) Dos Contratos Novos cujo IOF já foi recolhido Dos contratos RESSARCÍVEIS relacionados na autuação, os de nos 38623, 38624, 38625, 40674, 39171, 40363, 40432, 40433, 40355, 41416, 41226, 41971, 41786 e 41496 já tiveram seu IOF devidamente recolhido, conforme registros efetuados no Livro de Apuração em anexo (doc. fls. 5527/5533). Tais contratos devem ser expurgados da base tributável. II.2.b) Dos Contratos "Reentrados" sem IOF a recolher Diversos contratos RESSARCÍVEIS foram tributados como empréstimos novos, quando na verdade se encontravam na situação de REENTRADOS, a saber: • Junho de 2008: 18618, 18652, 18653, 12426, 13476, 13570, 14257, 15185 e 25314; • Julho de 2008: 26403; • Agosto de 2008:12241, 12247 e 23341; • Setembro de 2008:10175 e 22471. Estes contratos REENTRADOS nada mais são do que contratos RESSARCÍVEIS que tiveram que ser RECADASTRADOS no sistema da Impugnante para fins de correção e/ou ajuste nos instrumentos negociais. Tais operações de mútuo não devem ser oferecidas novamente à tributação porque já sofreram incidência do IOF na origem, ou seja, no momento da disponibilização do capital. Tomemos como exemplo os contratos de nos 18618, 18652 e 18653, celebrados com o Posto "O Carretão Ltda", em novembro de 2004, no montante de R$ 380.000,00. Naquela data, a operação de mútuo em questão sofreu retenção de IOF no valor de R$ 5.228,88 (fl. 5448). Em 2008, por razões de ordem interna, as informações relativas a tais contratos tiveram de ser alteradas no sistema de controle da Impugnante. Isto não pode acarretar, todavia, nenhuma cobrança adicional de IOF, pois a obrigação tributária já havia sido satisfeita na origem. Para afastar qualquer sorte de dúvida, a Impugnante faz juntar os registros contábeis de todos os contratos enquadrados na situação de REENTRADOS, demonstrando que o IOF incidente sobre os mesmos foi devidamente recolhido (doc. fls. 5447/5472). II.2.c) Dos Contratos cujo IOF foi recolhido a menor (matéria não impugnada) Alguns outros contratos, por equívoco, não foram tributados corretamente, restando diferenças de IOF a recolher — cfr. Item 5.3 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação a estes mútuos, a empresa fará o recolhimento do IOF oportunamente. III – Do Pedido de Realização de Diligência/Perícia Requer, por fim, a Impugnante a realização de diligência/perícia, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: 1° Quesito: Quanto às operações com a Petrobrás, queira o ilustre Sr. Auditor analisar os contratos firmados com a Petrobrás e informar se há relação de proporcionalidade entre os efetivos fornecimentos e os valores aportados pela Impugnante na conta corrente em questão; 2° Quesito: Quanto às operações com a Petrobrás, queira o ilustre Sr. Auditor descrever o procedimento utilizado pela Impugnante para recebimento dos produtos por ela adquiridos, lançamento das faturas no sistema e efetivo pagamento ao fornecedor (Petrobrás); 3° Quesito: Quanto às operações com os postos clientes, queira o ilustre Sr. Auditor esclarecer, com base na documentação juntada aos autos, se os contratos 18618, 18652, 18653, 12426, 13476, 13570, 14257, 15185, 25314, 26403, 12241, 12247, 23341, 10175 e 22471, enquadrados na situação de REENTRADOS, já tiveram o IOF recolhido. 4° Quesito: Quanto às operações com os postos clientes, queira o ilustre Sr. Auditor esclarecer, com base na documentação juntada aos autos, se os contratos 38623, 38624, 38625, 40674, 39171, 40363, 40432, 40433, 40355, 41416, 41226, 41971,41786 e 41496 já tiveram o IOF recolhido. No mesmo dia 28/11/2012, a Interessada promoveu o recolhimento da parcela não contestada, correspondente ao Item 5.3 do TVF (cfr. Darfs, fls. 5552/5584). Complementando a instrução probatória, a Interessada juntou aos autos as vias dos contratos de compra e venda de combustíveis celebrados com a PETROBRÁS, em 01/02/2008, devidamente registradas na Agência Nacional do Petróleo – ANP (docs. fls.5590/5638). A 15ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro deu provimento parcial à impugnação, nos termos do Acórdão nº 12-054.634, de 09/04/2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Ano-calendário:2008 IOF-CRÉDITO.CONTA CORRENTE COM FORNECEDOR. ADIANTAMENTOS DE RECURSOS VINCULADOS À AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. SALDOS RECLASSIFICADOS PARA CRÉDITOS A RECEBER POR OPERAÇÕES DE MÚTUO. A existência de um conta corrente entre empresas comerciais, onde um cliente adianta recursos continuamente ao seu fornecedor com vistas a futuras aquisições de produtos, não caracteriza, em princípio, operação de crédito sujeita à incidência de IOF. Nos casos, porém, em que o conta corrente é zerado ao final de cada mês, e os saldos positivos eventualmente apurados em favor do cliente são transferidos para uma conta de “créditos a receber por operações de mútuo”, já aí configura-se uma autêntica linha de crédito rotativa, passível de tributação. A incidência do imposto, de todo modo, dar-se-á não sobre o total dos adiantamentos, mas apenas sobre os valores dos saldos transferidos. IOF-CRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO. IMPOSTO APURADO A MENOR PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Reputar-se-á definitivamente constituída, na esfera administrativa, a parcela do crédito tributário relativa à matéria não contestada pelo sujeito passivo. IOF-CRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO. ABATIMENTO DOS VALORES CONFESSADOS EM DCTF. Verificando-se que parte do imposto lançado já havia sido confessada em DCTF, cumpre retificar a exigência, a fim de evitar a duplicidade de cobrança. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: As transferências dos saldos positivos da conta 2202200003 para a conta 1204200003 (código “AS”) não desvinculam os saldos positivos das aquisições de combustíveis. Estes saldos eram utilizados nas aquisições de combustíveis realizadas no início e durante o mês subsequente, conforme pode-se verificar dos documentos anexados aos autos nesta fase do processo, em especial, os que demonstram a vinculação dos repasses às aquisições de compra e venda de combustíveis; Em nenhum momento a Fiscalização afirma ou comprova que a Petrobrás tenha devolvido dinheiro à recorrente. Como já esclarecido na impugnação, os valores retornavam em forma de notas fiscais referentes à compra de combustíveis. Assim, tendo a Petrobrás devolvido coisa diversa de dinheiro, no caso combustível, estamos diante de uma compra e venda e não de um mútuo; A maior parte residual do IOF incidente sobre os contratos de mútuo listados na autuação, que continua a ser imputada à recorrente, foi devidamente recolhida na origem das contratações.. Termina seu recurso pedindo a reforma da decisão de primeira instância no sentido de que seja julgado insubsistente o Auto de Infração. Anexa aos autos 1055 documentos para comprovar seus fundamentos jurídicos expostos na peça recursal. É o Relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Como  forma  de  elucidar  os  fatos  ocorridos,  colaciono  o  relatório  do Acórdão  vergastado:  Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Maiores  Contribuintes  no  Rio  de  Janeiro  –  DEMAC/RJ,  foi  lavrado  contra  a  Interessada  o  auto  de  infração  de  fls.  4919/4927,  relativo  ao  Imposto  sobre  Operações  de  Crédito,  Câmbio  e  Seguros  ou  Relativas  a  Títulos  ou  Valores  Mobiliários  –  IOF,  por  meio  do  qual  está  sendo  exigido  o  crédito  tributário abaixo discriminado:  IOF Crédito à  R$ 177.812.292,44  Multa de ofício (75%) à R$ 133.359.219,37  Juros de mora (calculados até 31/10/2012) à R$ 76.675.231,36  TOTAL à R$ 387.846.743,17  2.  Os  fatos  que  motivaram  a  autuação  encontram­se  descritos  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  –  TVF  de  fls.  4899/4918,  abaixo  reproduzido:  “1 – Do Contribuinte   A instituição aqui fiscalizada, conforme disposto no parágrafo primeiro  do  seu  Estatuto,  é  uma  Sociedade  Anônima,  subsidiária  da  Petróleo  Brasileiro S/A Petrobrás, regida pela legislação relativa às sociedades  anônimas e pelo seu Estatuto (Anexo 29) [fls. 4872/4873]. O objeto da  companhia encontra­se discriminado em dez incisos do artigo terceiro  do seu Estatuto.  2 – Da Origem da Ação Fiscal  A  presente  ação  fiscal,  respaldada  pelo  MPF  071852012.001613,  originou­se  em decorrência de  Inferência Fiscal  elaborada por nosso  setor  de  programação  (Demac/RJO/Sepac),  baseada  em  trabalhos  de  seleção  interna  e  nas  informações  prestadas  pelo  contribuinte  nas  DCTF  relativas  ao  ano  calendário  de  2008  e  na  DIPJ  do  mesmo  período.  As  DCTF  do  período  demonstram  um  total  de  IOF  confessado  no  montante  de  R$  975.630,76  (Anexo  30)  [fls.  4874/4878].  Considerando­se o porte da empresa e, ainda, somado ao fato de que a  partir  do  ano  de  2008  há  um  adicional  de  0,38%  incidindo  sobre  o  IOF, esse valor indicaria insuficiência de recolhimento deste tributo.  Além disso, o presente procedimento de fiscalização é também fulcrado  no MPF  0718500201100594,  oriundo  da  Inferência  n°  405/2010  que  tratou  da  apuração  do  IOF  devido  pela  fiscalizada  no  ano  base  de  2007.  O  referido  procedimento  apurou  que  a  empresa  praticava  centenas de empréstimos com postos de gasolina de sua bandeira e em  inúmeros  casos  não  apurou  o  IOF  devido  e,  também,  mantinha  um  sistema  de  conta  corrente  com  a  sua  matriz  (Petrobrás  S/A)  disponibilizando  a  essa  última,  elevadas  somas  de  numerário  que  Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 102          3 configuravam a prática de mútuo sem qualquer recolhimento do IOF.  Os  lançamentos  correspondentes  àquela  auditoria  foram  constituídos  através do processo de n° 16682721156/2011­05.  3 – Da Legislação Aplicável  O Imposto sobre Operações Financeiras – IOF incide sobre operações  de  crédito,  câmbio  e  seguro,  ou  relativas  a  títulos  ou  valores  mobiliários,  conforme  previsão  contida  no  inciso  V  do  art.  153  da  Constituição  Federal  de  1988.  Trata­se,  pois,  de  competência  tributária  atribuída  à  União  e  de  natureza  predominantemente  extrafiscal.  O fato gerador e a base de cálculo do referido tributo estão claramente  definidos  respectivamente  nos  artigos  63  e  64  do  Código  Tributário  Nacional.  Por  sua  vez,  a  Lei  nº  9.779/1999,  que  alterou  a  legislação  do  IOF,  dentre outras, determina, em seu art. 13, a incidência do tributo sobre  as operações de mútuo de recursos financeiros.  O  Decreto  nº  6.306/2007  regulamentou  o  imposto  à  época  da  ocorrência dos fatos geradores.  4 – Da Auditoria  O Termo de  Início  de Fiscalização  foi  recebido  em mãos  na  data  de  14/02/2012  (Anexo  01)[fls.  03/04].  Nele  solicitamos  os  seguintes  documentos:  Cópia  do  Estatuto  da  empresa;  Ata  de  assembléia  nomeando  a  atual  diretoria  da  empresa;  Planilhas  de  apuração  decendial  dos  IOF  que  redundaram  nos  montantes  confessados  em  DCTF;  Listagem  de  todos  os  contratos  de  empréstimos  que  a  fiscalizada celebrou durante o ano de 2008; Lançamentos da conta n°  1204200003 Aplicações Sistema País referentes ao ano base de 2008;  Lançamentos referentes à conta 2202200003 Caixa Único da Empresa  referente ao ano base de 2008 e Cópia do Balanço Patrimonial.  Há que  se  esclarecer  que a  documentação  solicitada  neste Termo de  Início (itens 3 a 6) já foi dirigida específica e objetivamente em virtude  de determinadas situações e procedimentos adotados pela fiscalizada e  que  se  tornaram  de  conhecimento  desta  fiscalização  no  decorrer  do  retrocitado trabalho de fiscalização do IOF do ano base de 2007.  As  solicitações  referentes  aos  itens  5  e  6  do  Termo  de  Início  são  oriundas daquele trabalho e ali nos foi esclarecido pela fiscalizada que  ela mantinha um sistema de conta corrente com a Petrobrás em que ela  envia  constantemente  a  essa  última,  recursos  em  dinheiro.  Os  lançamentos contábeis referentes a essas operações de crédito ocorrem  através da conta 2202200003 (item 6 do Termo de Início) e  tal conta  possui o seguinte significado no plano de contas das empresas: "Conta  destinada para registro das operações relacionadas às movimentações  denominadas Caixa Único entre empresas". Esta conta de caixa único  possui  milhares  de  registros  mensais  que  discriminam  dezenas  de  remessas  por  parte  da  BR  à  Petrobrás  no  decorrer  dos  meses  e,  também, remessa dos seus saldos positivos, a cada final de mês. Todos  esses  registros  dessa  conta,  durante  o  ano  de  2008,  nos  foram  Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 103          4 repassados em meio digital no formato excel e encontram­se no Anexo  02 [fls. 0005/4042].  Note­se  que  nos  meses  de  setembro  e  novembro  de  2008  os  saldos  acumulados  finais  da  referida  conta  foram  negativos  e,  dessa  forma,  não houve crédito transferido à Petrobrás.  Entretanto, embora o saldo final do conta corrente tenha sido negativo,  durante  esses  dois  períodos,  foram  inúmeros  os  repasses  efetuados  a  esse conta corrente.  Com  relação aos  lançamentos  da  conta  n°  1204200003 – Aplicações  Sistema País – (Item 5 do Termo de Início) trata­se de rubrica em que  são registradas apenas as  transferências de numerário a cada  fim de  mês  à  Petrobrás  S/A  e  seus  lançamentos  referentes  ao  ano  base  de  2008 estão no Anexo 03 [fl. 4043].  Outro  assunto  apurado  no  trabalho  anterior  refere­se  a  contratos  financeiros celebrados com os postos de gasolina. A BR Distribuidora  celebra centenas de contratos de empréstimos com postos de gasolina  em  todo  o  país  e  há  que  serem analisados  quanto  à possibilidade  de  incidência  do  IOF.  Nesse  sentido,  no  item  4  do  Termo  de  Início,  solicitamos a listagem de todos esses contratos e a listagem que nos foi  enviada  em  resposta,  via  meio  magnético,  denota  que  há  aproximadamente  1.300  contratos  celebrados  no  ano  base  de  2008  e  que eles são qualificados basicamente como absorvíveis e ressarcíveis  (Anexo 04) [fls. 4044/4078].  No  tocante  ao  item  3  do  Termo  de  Início,  no  qual  solicitamos  a  apresentação de planilhas que discriminem/esclareçam de que forma a  fiscalizada  apurou  os  montantes  de  IOF  confessados  em  DCTF,  o  material apresentado não foi nada esclarecedor.  Aos 03/04/2012, a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação II (Anexo  05)  [fls.  4079/4080],  via  "AR"  (Anexo  06)  [fl.  4081]  no  qual  solicitamos,  novamente,  a  apresentação  de  quadro  resumo  dispondo  quais  os  contratos  que  foram  tributados  por  decêndio  e,  também,  as  planilhas decendiais de apuração do IOF confessadas em DCTF. Desta  feita a documentação nos foi apresentada a contento. Foi nos fornecido  um quadro resumo do IOF decendial (Anexo 07) [fl. 4082] e, também,  as  planilhas  detalhadas  de  apuração  do  IOF  mencionando  cada  contrato  tributado  (Anexo  08)  [fls.  4083/4098]. Da análise  do Anexo  07 [fl. 4082] verificamos que os montantes apurados pela fiscalizada,  em  quase  todos  os  decêndios  do  ano,  são  maiores  do  que  aqueles  confessados nas DCTF, ou seja, o IOF foi confessado a menor. Essas  diferenças,  facilmente  visualizadas  no  supracitado  quadro  resumo  serão alvo de lançamento no presente trabalho.  A  fim  de  verificar  a  tributação  do  IOF  no  tocante  aos  inúmeros  contratos  de  empréstimos  efetuados  com  os  postos  de  gasolina,  concatenamos  os  dados  dispostos  no  Anexo  4  com  a  planilha  de  apurações  decendiais  cujos  valores  de  IOF  foram  confessados  em  DCTF  (Anexo  08)  [fls.  4083/4098]  e  verificamos  que  inúmeros  contratos, a princípio, não foram tributados (Anexo 9) [fls. 4099/4133].  Todos  os  contratos  tributados  pela  fiscalizada  são  da  espécie  ressarcível.  Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 104          5 Extraindo  os  contratos  tributados  da  relação  total  de  contratos  obtemos assim a planilha de contratos não tributados em IOF no ano  base de 2008 (Anexo 10) [fls. 4134/4161]. Nesse rol de não tributados  visualizamos  contratos  absorvíveis  e  ressarcíveis.  Segregamos  tais  contratos em planilhas específicas para cada espécie (Anexos 11 e 12,  respectivamente) [fls. 4162/4187 e fls. 4188/4190].  No intuito de verificar o porquê de os contratos absorvíveis não terem  sido  alvo  do  IOF  por  parte  da  fiscalizada,  elaboramos  o  Termo  de  Intimação  III  (Anexo  13)  [fls.  4191/4194]  que  solicita  cópias  de  aproximadamente  70  (setenta)  contratos  absorvíveis  para  que  pudessem  ser  devidamente  analisados  (Anexo  14)  [fls.  4195/4196].  Essa  amostragem  equivale  a  aproximadamente  40%  dos  montantes  transacionados. As cópias desses contratos encontram­se no Anexo 15  [fls. 4488/4521].  Da análise de tais contratos absorvíveis nota­se que a fiscalizada não  tributa os contratos absorvíveis firmados com postos de gasolina haja  vista eles  se  referirem a empréstimos celebrados sem a contrapartida  de  seu  pagamento,  mas  sim,  vinculados  a  metas  e  contrapartidas  de  compromisso  de  aquisição  de  produtos  fornecidos  pela  BR  Distribuidora, em quantidades preestabelecidas de comum acordo.  Em  verdade  são  uma  espécie  de  prêmio  e/ou  estímulo  àqueles  que  apresentam  desempenho  considerado  excepcional.  A  fiscalizada  trata  estes  contratos  como de antecipação de bonificação por performance  em vendas. Não existindo uma contrapartida de pagamento por parte  dos  postos  não  há  que  se  encará­los  como  mútuo  financeiro.  A  amostragem de contratos analisada foi plenamente conclusiva. Não há  mais  o  que  se  tratar  acerca  desses  contratos  no  que  tange  à  sua  tributação.  Na  seqüência  da  auditoria,  passamos  à  verificação  dos  contratos  do  tipo  ressarcível  no  sentido  de  saber  o  porquê  de  alguns  desses  contratos não terem sido alvo do IOF por parte da fiscalizada. Assim  sendo,  elaboramos  o  Termo  de  Intimação  IV  (Anexo  16)  [fls.  4536/4537] que solicita cópias de  todos os contratos ressarcíveis não  tributados para que pudessem ser devidamente analisados (Anexo 17)  [fls.  4538/4540].  As  cópias  dos  contratos  ressarcíveis  não  tributados  que nos foram fornecidas em resposta encontram­se no Anexo 18 [fls.  4541/4829].  Da leitura de todos os contratos inferimos que alguns não se tratavam  de mútuos mas sim, contratos de compra e venda de imóveis.  Segregando tais contratos do rol analisado, resta­nos então a listagem  do  Anexo  19  [fls.  4830/4831]  que  discrimina  uma  série  de  contratos  ressarcíveis que deveriam ter sido tributados, mas, simplesmente, não o  foram.  Esses  contratos,  todos  qualificados  como  mútuo  pela  fiscalizada, serão, portanto, alvo de lançamento de ofício.  Aos 17/07/2012 a fiscalizada recebeu, em mãos, o Termo de Intimação  V no qual solicitamos a validação no Sistema SVA de todos os arquivos  magnéticos  que  nos  foram  apresentados  em  resposta  aos  Termos  de  Intimação até então apresentados (Anexo 20) [fls. 4832/4833]  Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 105          6 As validações encontram­se acostadas ao Anexo 21 [fls. 4834/4844].  Enviamos  à  fiscalizada  o  Termo  de  Intimação  VI  (Anexo  22)  [fls.  4845/4846], recebido via "AR" na data de 02/10/2012 (Anexo 23) [fl.  4847].  O  referido  Termo  visa  ao  esclarecimento  de  quatro  históricos  de  transferências ocorridas na conta 220200003.  A resposta da fiscalizada (Anexo 24) [fl. 4848] dispõe que os históricos  se  referem  a  transferências  a  título  de  adiantamentos  da  fiscalizada  para  a  Petrobrás  operadas  através  de  contas  no  Banco  do  Brasil;  Banrisul; Bradesco e Santander.  Conclusão da auditoria.  Das  informações  que  nos  foram  prestadas,  embasadas  em  arquivos  digitais  do  contribuinte,  revelaram­se  três  procedimentos  diferentes  que redundaram no não recolhimento de IOF.  1  ­  A  fiscalizada  celebra  operações  de  remessa  de  dinheiro  com  a  Petrobrás  através  de  um  sistema  de  conta  corrente  de  caixa  único.  Trata­se  de  grandes  remessas  de  numerário  que  vão  e  retornam  mantendo assim um conta corrente que nada mais é do que um crédito  rotativo sem definição do seu valor principal;  2 – A fiscalizada celebrou durante o ano de 2008, inúmeros contratos  com  postos  de  gasolina  em  toda  a  extensão  territorial  do  país.  Tais  contratos  de  empréstimo  são  considerados  absorvíveis  pelo  fato  de  serem uma bonificação de atingimento de metas preestabelecidas e são  considerados  ressarcíveis  quando  a  empresa  recebe  de  volta  o  numerário  dado  em  empréstimo  em  forma  de  mútuo.  Os  contratos  ressarcíveis são submetidos ao IOF enquanto que os absorvíveis, não  são  geradores  de  IOF  por  não  serem  mútuos.  Entretanto,  como  já  explicado  anteriormente,  localizamos  inúmeros  contratos  ressarcíveis  que não tiveram retenção de IOF por parte da fiscalizada;  3  ­ A própria  fiscalizada ao nos apresentar suas bases de  cálculo do  IOF confessado em suas DCTF nos informou que apurou a menor esse  tributo em diversos decêndios.  Dos três itens acima, procederemos à apuração do IOF devido nos dois  primeiros.  Quanto  ao  terceiro  item,  visto  que  já  foram  apuradas  diferenças  pelo  próprio  contribuinte,  lançaremos  os  valores  por  ele  indicados haja vista os valores por ele apurados estarem compatíveis  com a legislação vigente.  5 – Da Apuração dos Tributos Devidos  5.1  –  IOF  Devido  nas  Operações  de  Conta  Corrente  com  a  PETROBRÁS:  Conforme  explicado  anteriormente,  os  lançamentos  da  conta  2202200003 denotam que a BR Distribuidora e a Petrobrás operam um  conta  corrente  do  tipo  em  que  a  primeira  faz  aportes  em  dinheiro  diversas vezes ao mês e a segunda repõe milhares de aportes na mesma  conta.  Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 106          7 Da análise dessa  conta  corrente mensal  (Anexo  02)  [fls.  0005/4042],  notamos  que,  além  dos  inúmeros  repasses  efetuados  pela  BR  Distribuidora  ao  longo  de  cada  mês,  o  saldo  positivo  dessa  conta,  apurado no último dia do mês, é, também, totalmente transferido a esse  caixa único no primeiro dia do mês subseqüente. Essas transferências  são exatamente os valores discriminados nos lançamentos da conta do  razão de n° 1204200003 (Anexo 03) [fl. 4043].  Apenas nos meses de setembro e novembro de 2008 é que, em virtude  de o saldo deste conta corrente no fim do mês ser negativo, não houve  repasses  por  parte  da  BR  Distribuidora  ao  conta  corrente  com  a  Petrobrás.  Frise­se  aqui  que  embora  não  tenha  havido  o  repasse  do  acumulado  ao  fim  dos  citados  meses,  houve  inúmeros  repasses  no  transcurso desses meses.  Os  inúmeros  repasses  efetuados  no  decorrer  de  cada  mês  foram  segregados  da  movimentação  da  conta  2202200003  e  reunidos  na  planilha do Anexo 25 [fls. 4849/4865].  A situação da conta n° 2202200003 denota um caso típico de mútuo na  modalidade conta corrente em que os seus saldos acumulados mensais  nada mais são do que a base de cálculo do IOF disposta em Lei e, cada  um dos repasses efetuados ao longo dos meses é a base de cálculo do  IOF adicional,  que  passou  a  ser  previsto  no Decreto  6.339  de  03  de  janeiro de 2008.  Essas  vultosas  quantias  repassadas  à  Petrobrás  não  possuem  quaisquer  contratos  de  compra  de  combustível  a  ele  vinculados  ou  correspondentes a volumes específicos de combustível e/ou valores pré­ ajustados, ou seja, o que existe é um aporte financeiro indiscriminado  por parte da BR Distribuidora à sua controladora e esta, por sua vez,  remete  valores  referentes,  em  sua  grande  maioria,  a  título  de  combustíveis. Esses repasses, ocorrendo independentemente dos preços  dos combustíveis ou de qualquer transação específica, vão diminuindo  o saldo da conta até que novos aportes sejam novamente efetuados pela  fiscalizada.  Não há sombra de dúvida de que esses aportes mensais de numerário  denotam um mútuo efetuado  junto  à  controladora e  são,  sem dúvida,  fato  gerador  do  IOF.  O  título  da  conta  n°  2202200003  no  plano  de  contas  da  empresa  por  si  só  expressa  claramente  a  natureza  das  operações nela registradas, ou seja, "caixa único entre as empresas".  Na configuração do mútuo do presente caso há que se deixar clara a  existência  de  efetivas  operações  de  crédito  que  possuem  sentido  econômico e a vontade da BR Distribuidora de entregar ou colocar à  disposição  da  Petrobrás  vultosas  quantias  para  obtê­los  de  volta  em  período futuro sem qualquer contrapartida pactuada/contratada.  Ressalte­se  ainda  que  esses  recursos  são  colocados  à  disposição  da  controladora para sua total e efetiva fruição sem quaisquer restrições e  essa é mais outra característica do mútuo financeiro.  Em consonância com toda a situação apurada, o balanço da empresa,  em suas Notas Explicativas (item 8.1 Ativo não Circulante) demonstra  de forma cristalina que as transferências tratam­se de movimentações  Fl. 6780DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 107          8 financeiras pactuadas com a Petrobrás e discrimina o montante exato  de  R$  132.302  milhões  como  "contas  a  receber  por  operações  de  mútuo" (Anexo 26) [fl. 4866].  Abaixo  transcrevemos  essa  parte  do  balanço  do  ano  base  de  2008  demonstrando  que  ambas  as  empresas  caracterizam  as  operações  praticadas como mútuo:  Ativo Circulante              Ativo não circulante    Contas a receber (Vendas)    Contas a receber (mútuo) Total do Ativo  Petrobrás   R$ 177.995         R$ 132.302         R$ 310.297  O montante de contas a receber por operações de mútuo acima disposto (no  Ativo  não  Circulante)  é  exatamente  o  montante  que  está  contabilizado  na  conta  2202200003  no  último  dia  do mês  de  dezembro  a  ser  transferido  no  primeiro  dia  de  janeiro  de  2009  para  dar  seqüência  ao  conta  corrente  financeiro  estabelecido  entre  as  duas  empresas.  O  valor  exato  dessa  transferência  é  o  de  R$  132.302.271,00  (vide  Anexo  02  lançamentos  de  dezembro) [fl. 4042].  Conforme DCTF da BR Distribuidora, nenhuma dessas transferências jamais  foi tributada até hoje e essas operações já são  feitas há mais de vinte anos.  Essa informação já nos havia sido prestada no trabalho de apuração do IOF  de 2007 (Anexo 27) [fls. 4867/4868].  O  Regulamento  do  IOF  vigente  é  o  Decreto  n°  6.306  de  14/12/2007  e  o  Regulamento anterior a esse último é o Decreto n° 4.494 de 2002. Estes dois  Decretos  reproduziram  a  regra  estabelecida  no  antepenúltimo  regulamento  do  IOF  que  era  tratado  no  Decreto  n°  2.219  de  1997  que  definia  a  metodologia  de  apuração  desse  imposto  (bases  de  cálculo;  alíquota  e  fato  gerador).  O  Decreto  nº  4.494,  de  2002  e  seu  revogador,  o  Decreto  n°  6.306  de  14/12/2007  resumem em seu  inciso  I  do artigo 7º,  os  tipos de operações de  crédito/empréstimos: crédito rotativo e crédito fixo.  Duas  características  preponderantes  devem  estar  associadas  para  que  se  possa  fazer  distinção  entre  os  dois  tipos  de  crédito:  continuidade  das  operações de empréstimo e data da cobrança do imposto.  Nas  operações  de  crédito  rotativo  aqui  observadas,  ocorrem  concessões  de  empréstimos  e  amortizações  de  forma  contínua,  pois  não  há  valor  de  principal dos empréstimos e prazos fixos previamente definidos. Deste modo,  a base de cálculo do IOF é o saldo deixado à disposição de Petrobrás ao fim  de cada mês, ou seja, o saldo acumulado apurado no último dia de cada mês  e  o  imposto  é  apurado  aplicando­se  a  esse  saldo  a  alíquota  de  0,0041%  (inciso I do art. 7º dos Decretos 4.494 e 6.306).  (...)  Ainda na  linha do presente caso, a partir do ano base de 2008, há ainda a  incidência do IOF adicional à alíquota de 0,38% incidindo sobre os aportes  financeiros efetuados ao longo dos meses. Tomando­se os montantes mensais  aportados  (Anexo  25)  [fls.  4849/4865]  chegamos  aos  totais  mensais  aportados e o respectivo IOF adicional.  Fl. 6781DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 108          9 Juntando­se  os  montantes  de  IOF  e  IOF  adicional  devidos,  chegamos  aos  valores a serem lançados de ofício.  5.2  IOF  Devido  nas  Operações  de  Empréstimos  Realizadas  com  Postos  de  Combustíveis e Outras Empresas (Clientes):  Conforme  já  mencionado  anteriormente,  a  fiscalizada  nos  apresentou  uma  listagem  discriminando  todos  os  contratos  de  empréstimo  celebrados  com  inúmeros clientes no país, seus prazos, datas de celebração e seus montantes.  Desta listagem excluímos todos os contratos submetidos ao IOF por estarem  confessados  em  DCTF;  excluímos  os  contratos  absorvíveis  por  não  se  configurarem  em mútuos  e  excluímos  os  contratos  ressarcíveis  que  também  não  são  mútuos  e  chegamos  à  listagem  do  Anexo  19  [fls.  4830/4831]  que  mostra os contratos que não  foram tributados. Eles serão, portanto, alvo de  lançamento de ofício.  Elaboramos uma planilha que é segregada por decêndios em função da data  de  cadastramento/celebração  destes  contratos  e  apuramos  o  IOF devido. O  cálculo é feito em função do seu prazo (numero de dias) e, aqueles com prazo  superior  a  365  dias,  em vista  da  legislação  vigente,  tiveram  sua  tributação  apurada à alíquota máxima de 1,5%.  Dessa  forma,  chegamos  à  planilha  de  apuração  de  IOF  devido  em  cada  contrato  disposta  no  Anexo  28  [fls.  4869/4871].  Esta  planilha  é  parte  integrante do presente Termo de Verificação.  Note­se  que  os  contratos  encontram­se  dispostos  em  ordem  cronológica  referente à sua data de celebração (data de cadastramento) e segregados por  decêndios  mensais.  Cada  contrato  teve  o  IOF  e  o  IOF  adicional  apurados  que, somados, redundam nos valores globais decendiais.  5.3 IOF Devido em Virtude de Apuração Incorreta por Parte da Fiscalizada e  Confessada a Menor em suas DCTF:  Ao  responder  nossos  Termos  de  Intimação,  a  fiscalizada  confessou  ter  apurado  a  menor  o  IOF  de  diversos  contratos  (Anexo  07)  [fl.  4082],  tais  valores também serão lançados de ofício, conforme planilha abaixo:  (...)  6 Do Lançamento  Como  resultado  do  procedimento  de  fiscalização,  apurou­se,  conforme  relatado, a falta de recolhimento de IOF nas operações de mútuo de recursos  financeiros  realizadas  pela  fiscalizada.  Impõe­se  assim,  o  lançamento  de  ofício por meio de Auto de Infração.  Os  montantes  totais  a  serem  lançados  referentes  às  três  irregularidades  encontradas resumem­se na planilha abaixo:  (...)  Do total de documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização,  procuramos  juntar  ao  presente  processo  administrativo  apenas  aqueles  diretamente  relacionados  com  as  infrações  acima  referidas  e  úteis  ao  entendimento da matéria tributável. Juntamos aos autos as  transcrições dos  Fl. 6782DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 109          10 arquivos magnéticos  que  nos  foram  enviados  em  virtude  da  enormidade  de  dados transacionados pela empresa.  A  fiscalização ateve­se  exclusivamente aos  fatos descritos,  ressalvando­se o  direito da Fazenda Nacional de proceder a novos exames, em surgindo fatos  novos de seu  interesse que os  justifiquem. Este Termo de Verificação Fiscal  constitui  parte  integrante  e  inseparável  do  auto  de  infração.  Da  mesma  forma, todas as planilhas de apuração das Bases de Cálculo do tributo.  E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em duas  vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal  do Brasil e pelo Contribuinte, que recebe, neste ato, uma das vias.”  Inconformada  com  a  autuação,  de  que  tomou  ciência  em  29/10/2012,  a  Interessada  apresentou,  em  28/11/2012,  a  impugnação  de  fls.  4944/4971,  instruída com os documentos de fls. 4972/5533, alegando o seguinte:  I Das operações com a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRÁS  I.1) Dos Esclarecimentos Iniciais  A  Impugnante  foi  autuada  pela  Receita  Federal  do  Brasil  pela  falta  de  recolhimento  do  IOF  decorrente  de  operações  classificadas  como  "créditos  com pessoas ligadas".  A  Fiscalização  alega  que  a  Impugnante  transferia  elevadas  quantias  de  numerário para a  sua controladora Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS  através de um sistema de conta corrente, configurando tal procedimento uma  modalidade  de  mútuo  financeiro  sob  a  forma  de  crédito  rotativo,  sem  definição do seu valor principal.  Ocorre que a Fiscalização, em nenhum momento, comprovou a existência da  posterior devolução do numerário pela PETROBRÁS (restituição de coisa do  mesmo  gênero,  qualidade  e  quantidade).  Pelo  contrário:  conforme  será  demonstrado  abaixo,  o  Auditor  Fiscal  autuante  deixa  claro  que  a  contrapartida sempre foi em forma de combustível.  Como se sabe, a PETROBRÁS fornece diversos produtos para a Impugnante.  Embora  sejam  empresas  ligadas,  com  uma  relação  de  subsidiariedade  societária de uma em relação à outra, a PETROBRÁS atua contratualmente  como fornecedora da Impugnante, e esta como sua cliente, sendo tratada em  igualdade  de  condições  com as  demais  distribuidoras  de  combustíveis. Este  fato  pode  ser  comprovado  pelo  contrato  anexo  de  compra  e  venda,  que  acoberta  as  aquisições  de  óleo  diesel  feitas  pela  Impugnante  em  2008  (fls.  5022/5083). Conforme  se  observa  na  cláusula Décima  Segunda do  referido  ajuste, há uma estimativa de comercialização, somente para o óleo diesel, da  ordem de R$ 25 bilhões. O contrato referente à compra e venda de gasolina é  semelhante, com valor estimado de R$ 13,2 bilhões (fls. 5084/5145).  Assim, entre a Impugnante e sua controladora, nunca houve transferências de  valores  que  não  fossem  correspondentes  a  entregas  de  produtos.  Muito  embora seja até comum que as transferências de recursos entre empresas do  mesmo  grupo  econômico  seja  motivada  por  dificuldades  financeiras  momentâneas,  estas  não  foram  as  razões  que  justificaram  as  remessas  de  numerário da Impugnante para a PETROBRÁS.  Fl. 6783DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 110          11 A  bem  da  verdade,  não  faz  qualquer  sentido  imaginar  que  a  Impugnante  conceda  empréstimos  financeiros  à  PETROBRÁS,  já  que  esta  possui  um  desempenho econômico  financeiro muito superior. Em 2008, por exemplo, o  lucro líquido da Impugnante foi de R$ 1,289 bilhão (fl. 5147), enquanto que o  da PETROBRÁS esteve num patamar de R$ 36,469 bilhões (fls. 5155/5156).  Quanto à afirmativa da Fiscalização de que a Impugnante teria realizado, ao  longo do ano de 2008, aportes financeiros da ordem de R$ 46 bilhões, cabem  alguns  esclarecimentos.  O  referido  montante  representa  cerca  de  70%  da  Receita  Operacional  Bruta  da  empresa  no  exercício  em  questão.  Se  a  Impugnante  concedesse  empréstimos  dessa  monta,  simplesmente  não  teria  caixa  suficiente  para  honrar  seus  compromissos,  inclusive  para  adquirir  os  produtos  que  comercializa.  Não  há  nada  que  justifique  a  concessão  de  empréstimos  de  tão  vultosa  quantia,  afinal  a  Impugnante  não  é  uma  instituição financeira, nem tampouco possui fluxo de caixa capaz de suportar  tal volume de operações.  A utilização de uma "conta única", ressaltada pela Fiscalização, decorre do  enorme volume de produtos negociados entre as empresas. Veja­se, a título de  exemplo, a listagem dos depósitos efetuados pela Impugnante em janeiro de  2008  (fls.  5157/5161)  e  a  relação  das  faturas  relativas  às  aquisições  de  combustíveis  no  mês  em  questão  (fls.  5186/5397).  Confrontando­se  esta  listagem com o relatório relativo às operações financeiras realizadas junto à  PETROBRÁS  (fls.  5398/5406),  observa­se  que  os  fluxos  de  depósitos  e  de  quitações  de  faturas  é  muito  próximo,  ou  seja,  em  torno  de  R$  4  bilhões.  Considerando­se que  esse valor corresponde à média mensal de compra de  produtos, pode­se concluir que tal valor é compatível com o total dos aportes  que a Fiscalização atribuiu à Impugnante, que foi de aproximadamente R$ 46  bilhões.  Assim, os valores depositados serviam para quitar as faturas do próprio dia,  ou de dias  seguintes,  correspondentes às aquisições de produtos. Quando a  Impugnante  fazia  o  depósito  na  conta  corrente  da  PETROBRÁS,  estava  quitando  o  arquivo  de  faturas  do  dia.  Quando  havia  sobra  de  valor,  a  Impugnante  adiantava  pagamentos  dos  dias  seguintes  ou  quitava  débitos  ainda não pagos.  Dessa  forma,  o  saldo  da  "conta  única"  podia  ser  negativo  ou  positivo,  de  acordo  com  as  necessidades  e  disponibilidades  de  produtos  existentes  nas  empresas.  A  operação  funcionava  da  seguinte  forma:  —  as  bases  operacionais  de  combustíveis da Impugnante recebiam os produtos e lançavam as faturas no  seu  Sistema Geral  de Contabilidade  –  SAP/R3,  para  pagamento  através  da  conta produto. Esta forma de pagamento (forma "P" conta produto) aparece  indicada  em  todas  as  faturas  lançadas  para  pagamento  pelas  bases.  As  faturas  não  eram  quitadas  via  banco;  eram,  sim,  compensadas  contra  os  valores lançados na conta 2202200003. A contabilização das operações era  feita da seguinte forma (cfr. demonstrativo, fls. 5407/5411):  ESQUEMA CONTÁBIL  • Entrada do produto: — Documento RE  Débito das Contas de Estoque  Fl. 6784DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 111          12 Débito das Contas de Impostos  Crédito da Conta Fornecedor PETROBRÁS  • Pagamento do Fornecedor: — Documentos ZT e ZS  Débito da Conta 2202200003 – Aplicações Empresa do Sistema – País  Crédito da Conta Fornecedor  Débito da Conta Fornecedor  Crédito da Conta Banco  • Compensação feita pelo Sistema: — Documento KX  Débito da Conta Fornecedor  Crédito da conta 2202200003 – Aplicações Empresa do Sistema País  Ao final do mês, havendo saldo negativo na conta 2202200003, este saldo era  transferido para a conta 1204200003.  Em  síntese:  não  houve  devolução,  por  parte  da  PETROBRÁS,  dos  valores  depositados pela  Impugnante na "conta única". Esta conta, na verdade, era  utilizada  para  pagamento  das  aquisições  de  produtos.  Conforme  demonstrado,  os  aportes  feitos  pela  Impugnante,  ao  longo do  ano  de  2008,  foram  inteiramente  compatíveis  com  as  compras  de  combustíveis  efetuadas  junto à sua controladora no mesmo período.  I.2) Da Inexistência de Mútuo de Recursos Financeiros  A  Fiscalização  afirmou,  categoricamente,  que  as  transferências  realizadas  pela Impugnante "configuram a modalidade de mútuo financeiro sob a forma  de  crédito  rotativo  que  não  apresenta  montantes  nem  prazos  definidos".  Sendo assim, tipificou as operações no art. 13 da Lei 9.779/1999.  Ora, de acordo com a Lei n° 9.779/1999, não é qualquer operação de crédito  realizada por  empresa não  financeira que  fica  sujeita à  incidência do  IOF,  mas apenas os "mútuos de recursos financeiros".  Considerando­se  que  o  Direito  Tributário  não  pode  alterar  conceitos,  institutos  e  definições  do  Direito  Privado  (art.  110  do  CTN),  o  "mútuo  de  recursos financeiros" a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.799/1999 deve ser  entendido  nos  exatos  termos  em  que  se  encontra  conceituado  pelo  Direito  Civil.  Os arts. 586, 587 e 588 do Código Civil definem o contrato de mútuo como o  empréstimo  de  bens  fungíveis  cujo  domínio  é  transferido  ao mutuário,  que  tem  o  dever  de  restituir  ao  mutuante  coisa  do  mesmo  gênero,  qualidade  e  quantidade.  No  presente  caso,  não  ficou  de  modo  nenhum  comprovado  que  a  PETROBRÁS  devolveu  dinheiro  à  Impugnante.  A  própria  Fiscalização  reconheceu que os valores retornavam em forma de notas fiscais referentes a  compras de combustíveis.  Fl. 6785DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 112          13 Logo, se a PETROBRÁS devolveu à Impugnante coisa diversa de dinheiro (no  caso em questão, combustíveis), é de se concluir que estamos diante de uma  compra e venda e não de um mútuo.  Veja­se, a título de ilustração, a ementa do Acórdão nº 340200472, proferido  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  em  caso  semelhante  ao  que aqui se examina:  "IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU  RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF  Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2000, 30/06/2000 a 30/06/2003.  IOF.  OPERAÇÃO  DE  CRÉDITO  REALIZADA  ENTRE  EMPRESAS  NÃO  FINANCEIRAS.  INCIDÊNCIA.  REQUISITOS.  A  Lei  9.779,  em  seu  art.  13,  definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como  fornecedora  do  crédito  pessoa  jurídica  não  financeira, mas  desde  que  essa  operação  configure  mútuo  de  recursos  financeiros.  Não  o  é  mero  adiantamento de recursos a fornecedor de serviço regularmente contratado, a  ser quitado por meio da execução do serviço.  Recurso Provido."  Diante de todo o exposto, resulta evidente que a Impugnante não praticou o  fato gerador do IOF.  I.3) Do Erro na Determinação da Base de Cálculo do Adicional  Logo  de  início,  salta  aos  olhos  a  grande  discrepância  entre  as  bases  de  cálculo utilizadas para a apuração do IOF à alíquota de 0,0041% e para a  apuração do adicional de 0,38%.  Examinando­se  o  "Termo  de  Verificação  Fiscal",  verifica­se  que  a  Fiscalização utilizou como base de cálculo do IOF, para fins de aplicação da  alíquota de 0,0041%, o saldo deixado à disposição da PETROBRÁS ao fim de  cada mês (ou seja, o saldo acumulado apurado no último dia de cada mês).  Já no tocante ao IOF adicional, a alíquota de 0,38% foi aplicada sobre uma  base  de  cálculo  incorreta,  equivalente  ao  total  dos  aportes  financeiros  efetuados ao longo de cada um dos meses.  Ora, se transferências realizadas pela Impugnante em favor da PETROBRÁS  configuraram, de fato, um mútuo de recursos financeiros sob a modalidade de  crédito  rotativo,  a  alíquota  adicional  de  0,38%  deveria  incidir  sobre  o  somatório  mensal  dos  acréscimos  diários  dos  saldos  devedores,  conforme  prevê  o  art.  7º,  §  16,  do  Decreto  nº  6.306/2007,  e  não  sobre  o  total  dos  aportes financeiros efetuados ao longo de cada um dos meses.  Caso, portanto, a autoridade julgadora entenda ter havido uma operação de  mútuo, o que se admite apenas para efeito de argumentação, cumpre retificar  a base de  cálculo do adicional  de  IOF, de modo que  fique em consonância  com a legislação.  II – Das Operações com os Postos Clientes  II.1) Dos Esclarecimentos Iniciais  Fl. 6786DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 113          14 Diante do competitivo mercado de revenda de combustíveis no varejo, para  incrementar  o  exercício  de  sua  atividade  fim  de  distribuição  de  produtos  combustíveis,  a  Impugnante  tem  por  estratégia  comercial  a  celebração  de  contratos acessórios aos contratos de fornecimento celebrados com os postos  clientes ("Revendedores BR").  Estes  contratos  acessórios  são  classificados  como  ABSORVÍVEIS  ou  RESSARCÍVEIS, conforme sua finalidade.  Os contratos ABSORVÍVEIS têm por objetivo premiar os postos compradores  de  grandes  volumes  de  produtos  combustíveis,  segundo  a  sua  performance  comercial. Por meio de tais contratos acessórios, a Impugnante concede aos  seus  clientes  uma  bonificação  prevista  nos  contratos  de  compra  e  venda  mercantil.  Esta  bonificação  tem  natureza  de  "gratificação  de  desempenho",  não configurando mútuo de recursos financeiros.  Já  os  contratos  RESSARCÍVEIS  representam,  efetivamente,  mútuos  em  dinheiro concedidos pela Impugnante aos seus clientes (na maioria, postos de  combustíveis),  para  fins  de  reforma  e  melhoria  dos  postos  da  rede  BR,  ou  mesmo para o pagamento de despesas operacionais.  Como  são  celebrados  por  prazos  pré  estabelecidos  e  com  montantes  definidos, configuram a chamada modalidade de  financiamento via  "crédito  fixo", sofrendo retenção do IOF no momento da liberação dos recursos.  É sobre estes contratos que versa a autuação.  II.2) Dos Contratos Ressarcíveis Submetidos à Tributação  II.2.a) Dos Contratos Novos cujo IOF já foi recolhido  Dos  contratos  RESSARCÍVEIS  relacionados  na  autuação,  os  de  nos  38623, 38624, 38625, 40674, 39171, 40363, 40432, 40433, 40355, 41416,  41226, 41971, 41786 e 41496 já tiveram seu IOF devidamente recolhido,  conforme  registros  efetuados  no  Livro  de  Apuração  em  anexo  (doc.  fls.  5527/5533). Tais contratos devem ser expurgados da base tributável.  II.2.b) Dos Contratos "Reentrados" sem IOF a recolher  Diversos  contratos  RESSARCÍVEIS  foram  tributados  como  empréstimos  novos, quando na verdade se encontravam na situação de REENTRADOS,  a saber:  •  Junho  de  2008:  18618,  18652,  18653,  12426,  13476,  13570,  14257,  15185 e 25314;  • Julho de 2008: 26403;  • Agosto de 2008:12241, 12247 e 23341;  • Setembro de 2008:10175 e 22471.  Estes  contratos  REENTRADOS  nada  mais  são  do  que  contratos  RESSARCÍVEIS  que  tiveram  que  ser  RECADASTRADOS  no  sistema  da  Impugnante para fins de correção e/ou ajuste nos instrumentos negociais.  Tais  operações  de  mútuo  não  devem  ser  oferecidas  novamente  à  Fl. 6787DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 114          15 tributação porque  já  sofreram  incidência do  IOF na origem, ou  seja, no  momento da disponibilização do capital.  Tomemos  como  exemplo  os  contratos  de  nos  18618,  18652  e  18653,  celebrados  com  o  Posto  "O  Carretão  Ltda",  em  novembro  de  2004,  no  montante  de  R$  380.000,00.  Naquela  data,  a  operação  de  mútuo  em  questão sofreu retenção de IOF no valor de R$ 5.228,88 (fl. 5448).  Em  2008,  por  razões  de  ordem  interna,  as  informações  relativas  a  tais  contratos tiveram de ser alteradas no sistema de controle da Impugnante.  Isto  não  pode  acarretar,  todavia,  nenhuma  cobrança  adicional  de  IOF,  pois a obrigação tributária já havia sido satisfeita na origem.  Para  afastar  qualquer  sorte  de  dúvida,  a  Impugnante  faz  juntar  os  registros  contábeis  de  todos  os  contratos  enquadrados  na  situação  de  REENTRADOS,  demonstrando que  o  IOF  incidente  sobre  os mesmos  foi  devidamente recolhido (doc. fls. 5447/5472).  II.2.c)  Dos  Contratos  cujo  IOF  foi  recolhido  a  menor  (matéria  não  impugnada)  Alguns outros contratos, por equívoco, não foram tributados corretamente,  restando  diferenças  de  IOF  a  recolher  —  cfr.  Item  5.3  do  Termo  de  Verificação  Fiscal.  Com  relação  a  estes  mútuos,  a  empresa  fará  o  recolhimento do IOF oportunamente.  III – Do Pedido de Realização de Diligência/Perícia  Requer, por fim, a Impugnante a realização de diligência/perícia, para que  sejam respondidos os seguintes quesitos:  1°  Quesito:  Quanto  às  operações  com  a  Petrobrás,  queira  o  ilustre  Sr.  Auditor analisar os contratos firmados com a Petrobrás e informar se há  relação de proporcionalidade entre os efetivos fornecimentos e os valores  aportados pela Impugnante na conta corrente em questão;  2°  Quesito:  Quanto  às  operações  com  a  Petrobrás,  queira  o  ilustre  Sr.  Auditor  descrever  o  procedimento  utilizado  pela  Impugnante  para  recebimento dos produtos por ela adquiridos,  lançamento das  faturas no  sistema e efetivo pagamento ao fornecedor (Petrobrás);  3° Quesito: Quanto às operações com os postos clientes, queira o ilustre  Sr. Auditor esclarecer, com base na documentação  juntada aos autos, se  os  contratos  18618,  18652,  18653,  12426,  13476,  13570,  14257,  15185,  25314,  26403,  12241,  12247,  23341,  10175  e  22471,  enquadrados  na  situação de REENTRADOS, já tiveram o IOF recolhido.  4° Quesito: Quanto às operações com os postos clientes, queira o ilustre Sr.  Auditor  esclarecer,  com  base  na  documentação  juntada  aos  autos,  se  os  contratos 38623, 38624, 38625, 40674, 39171, 40363, 40432, 40433, 40355,  41416, 41226, 41971,41786 e 41496 já tiveram o IOF recolhido.  No  mesmo  dia  28/11/2012,  a  Interessada  promoveu  o  recolhimento  da  parcela  não contestada,  correspondente ao  Item  5.3  do  TVF  (cfr. Darfs,  fls. 5552/5584).  Fl. 6788DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 115          16 Complementando a  instrução probatória,  a  Interessada  juntou  aos  autos  as  vias  dos  contratos  de  compra  e  venda  de  combustíveis  celebrados  com  a  PETROBRÁS, em 01/02/2008, devidamente registradas na Agência Nacional  do Petróleo – ANP (docs. fls.5590/5638).  A  15ª  Turma  da Delegacia  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro  deu  provimento  parcial  à  impugnação,  nos  termos  do  Acórdão  nº  12­054.634,  de  09/04/2013,  cuja  ementa  abaixo reproduzo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO  E  SEGUROS  OU  RELATIVAS  A  TÍTULOS  OU  VALORES  MOBILIÁRIOS IOF  Ano­calendário:2008  IOF­CRÉDITO.CONTA  CORRENTE  COM  FORNECEDOR.  ADIANTAMENTOS  DE  RECURSOS  VINCULADOS  À  AQUISIÇÃO  DE PRODUTOS. SALDOS RECLASSIFICADOS PARA CRÉDITOS A  RECEBER POR OPERAÇÕES DE MÚTUO.  A existência de um conta corrente entre empresas comerciais, onde um  cliente adianta recursos continuamente ao seu fornecedor com vistas a  futuras  aquisições  de  produtos,  não  caracteriza,  em  princípio,  operação de crédito sujeita à incidência de IOF. Nos casos, porém, em  que  o  conta  corrente  é  zerado  ao  final  de  cada  mês,  e  os  saldos  positivos eventualmente apurados em favor do cliente são transferidos  para uma conta de “créditos a receber por operações de mútuo”, já aí  configura­se  uma  autêntica  linha  de  crédito  rotativa,  passível  de  tributação. A incidência do imposto, de todo modo, dar­se­á não sobre  o  total  dos  adiantamentos,  mas  apenas  sobre  os  valores  dos  saldos  transferidos.  IOF­CRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO.  IMPOSTO APURADO A  MENOR PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA.  Reputar­se­á  definitivamente  constituída,  na  esfera  administrativa,  a  parcela  do  crédito  tributário  relativa  à  matéria  não  contestada  pelo  sujeito passivo.  IOF­CRÉDITO.  CONTRATOS  DE  MÚTUO.  ABATIMENTO  DOS  VALORES CONFESSADOS EM DCTF.  Verificando­se que parte do imposto lançado já havia sido confessada  em DCTF, cumpre retificar a exigência, a fim de evitar a duplicidade  de cobrança.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte   Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF,  no qual argumenta, em síntese, que:  a)  As  transferências  dos  saldos  positivos  da  conta  2202200003  para  a  conta  1204200003  (código  “AS”)  não  desvinculam  os  saldos  positivos  das  aquisições  de  Fl. 6789DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 116          17 combustíveis.  Estes  saldos  eram  utilizados  nas  aquisições  de  combustíveis  realizadas  no  início  e  durante o mês  subsequente,  conforme pode­se verificar  dos  documentos  anexados  aos  autos  nesta  fase  do  processo, em especial, os que demonstram a vinculação  dos  repasses  às  aquisições  de  compra  e  venda  de  combustíveis;  b)  Em  nenhum  momento  a  Fiscalização  afirma  ou  comprova  que  a  Petrobrás  tenha  devolvido  dinheiro  à  recorrente.  Como  já  esclarecido  na  impugnação,  os  valores retornavam em forma de notas fiscais referentes  à  compra  de  combustíveis.  Assim,  tendo  a  Petrobrás  devolvido  coisa  diversa  de  dinheiro,  no  caso  combustível,  estamos  diante de  uma  compra  e  venda  e  não de um mútuo;  c)  A  maior  parte  residual  do  IOF  incidente  sobre  os  contratos de mútuo listados na autuação, que continua a  ser imputada à recorrente, foi devidamente recolhida na  origem das contratações..  Termina  seu  recurso  pedindo  a  reforma  da  decisão  de  primeira  instância  no  sentido de que seja julgado insubsistente o Auto de Infração.  Anexa aos autos 1055 documentos para comprovar seus fundamentos jurídicos  expostos na peça recursal.   É o Relatório.    VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  Conforme dito alhures,  foram anexados diversos documentos para subsidiar as  alegações do recorrente feitas no recurso voluntário.  Quanto  às  transferências  dos  saldos  positivos  da  conta  220220003  para  conta  1204200003 (código “AS”), apresentou documentos que, em tese, comprovariam a vinculação  desses saldos para aquisição de combustíveis.   Quanto  ao  IOF  incidente  sobre  os  contratos  de  mútuo  listados  na  autuação,  aduziu  documentos  que  podem  comprovar  que  o  tributo  foi  recolhido  na  origem  das  contratações. Transcrevo as alegações feitas sobre o assunto pelo recorrente, verbis:  1)  Contrato  18618/18652  e  18653:  segundo o Relator,  caberia  à  BR apresentar o contrato que repactuou o prazo contratual para  afastar  a  cobrança  do  valor  de  R$2.143,20.  Desta  forma,  a  Fl. 6790DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 117          18 documentação  anexa  ao  presente  (Termo  Aditivo  com  prorrogação  de  vencimentos)  comprova  que  o  valor  R$2.143,20 não é devido;   2)  Contrato 12134: comprova o pagamento do tributo o fato de a  liberação do  recurso  ter corrido em 07/02/2002  (comprovante  do sistema CPAGNOVO (sistema antigo de pagamentos);  3)  Contrato 12426: segundo o Relator, caberia à BR apresentar o  contrato  que  repactuou  o  prazo  contratual  para  afastar  a  cobrança do valor de R$940,00. Desta forma, a documentação  anexa  ao  presente  (Termo  Aditivo  com  prorrogação  de  vencimentos)  comprova  que  o  valor  R$  R$940,00  não  é  devido;  4)  Contratos  13476/13570/14257  e  25314:  segundo  o  Relator,  caberia  à  BR  apresentar  os  contratos  que  repactuaram  os  respectivos  prazos  contratuais  para  afastar  a  cobrança  dos  valores de R$470,00, R$564,00, R$564,00 e R$752,00. Desta  forma,  os  documentos  anexos  ao  presente  (Termos  Aditivos  com prorrogação de vencimentos) comprovam que os valores  R$ 470,00, R$564,00, R$564,00 e R$752,00 não são devidos;  seguem também acompanhamentos dos contratos  retirados do  sistema com base em setembro de 2005 para comprovação de  que  o  cadastramento  original  ocorreu  em  2003,  conforme  as  liberações dos recursos;  5)  Contrato  15185:  a  vigência  do  contrato  é  maior  que  o  vencimento  da  última  prestação,  pois  conforme  disposto  no  próprio contrato a parcela de R$ 245.000,00 seria paga em 48  prestações  no  total  e  com  primeiro  vencimento  em  180  dias  contados  da  liberação  do  recurso  que  ocorreu  em  abril  de  2004;  considerando  que  o  primeiro  vencimento  ocorreu  em  outubro  de  2004  e  teve  seu  término  em  setembro  de  2008,  a  reentrada  ocorreu  para  mudança  de  Centro  de  Custo  (CC),  conforme comprovantes também anexo;  6)  Contrato  40379:  contrato  de mútuo  em produto  transformado  em  espécie;  não  ocorreu  liberação  de  recursos  para  ensejar  a  incidência do IOF; o que houve foi o faturamento dos produtos  negociados e posterior baixa para criação da NP, dando ensejo  ao contrato 40379; desta  forma, o valor de R$5.757,20 não é  devido conforme comprovantes anexos;  7)  Contrato 26403: segundo o Relator, caberia à BR apresentar o  contrato  que  repactuou  o  prazo  contratual  para  afastar  a  cobrança  do  valor  de  R$1.217,30.  Desta  forma,  a  documentação  anexa  ao  presente  (Termo  Aditivo  com  prorrogação  de  vencimentos)  comprova  que  o  valor  R$1.217,30 não é devido;  Fl. 6791DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 118          19 8)  Contratos ­ 12241 e 12247: segundo o Relator, ainda que tais  contratos  de  mútuo  tenham  sido  celebrados  de  17/07/2002  a  17/06/2012,  nada  comprova  que  o  ajuste  celebrado  em  04/08/2008  não  configure  um  novo  mútuo  sujeito  ao  IOF;  todavia,  a  cláusula  décima  dos  contratos  originais  prevêem  prazo de 132 meses ou até que haja o pagamento total do valor  efetivamente  efetuado,  dispensando  a  necessidade  de  celebração  de  termos  aditivos;  esclarecemos  que  a  reentrada  que  ocorreu  em  agosto  de  2008  destinou­se  à  mudança  de  Centro de Custo (CC), conforme documentos anexo, inclusive  o  contrato.Desta  forma,  não  são  devidos  os  valores  de  R$73.734,05 e R$7.583,06;  9)  Contrato 23341: segundo o Relator, caberia à BR apresentar o  contrato  que  repactuou  o  prazo  contratual  para  afastar  a  cobrança do valor de R$ 866,50. Desta forma, a documentação  anexa  ao  presente  (Termo  Aditivo  com  prorrogação  de  vencimentos) comprova que o valor R$866,50 não é devido;  10)  Contrato 10175: segundo o Relator, caberia à BR apresentar o  contrato  que  repactuou  o  prazo  contratual  para  afastar  a  cobrança  do  valor  de  R$1.410,00.  Desta  forma,  a  documentação  anexa  ao  presente  (Termo  Aditivo  com  prorrogação  de  vencimentos)  comprova  que  o  valor  R$1.410,00 não é devido;  11)  Contrato 22471: o Relator detectou que o prazo de liquidação  do  contrato  de  mútuo  ocorreu  em  15/02/2009.  e  o  final  de  vigência  do  contrato  está  em  31/10/2012,  ou  seja,  dentro  do  limite  estabelecido.  O  recurso  foi  liberado  em  fevereiro  de  2005  e  os  vencimentos  das  prestações,  de  acordo  com  o  contrato,  iniciaram em março de 2005, conforme documentos  anexos;  12)  Contrato  41946  ­  trata­se  de  contrato  de mútuo  absorvível  e,  portanto,  sem  incidência  de  IOF,  conforme  documentação  anexa.  Admito que os fatos jurídicos apresentados pelo recorrente possuem uma grande  probabilidade  de  serem  verídicos,  de  sorte  que  entendo  ser  impossível  julgar  o mérito  nesta  sentada.  Diante desta perspectiva,  nos  termos do  art.  29 do Decreto nº 70.235/72, voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  o  órgão  de  origem  analise  todos  os  documentos acostados aos autos no momento do recurso voluntário.  Da análise, que seja produzido relatório conclusivo sobre a utilização dos saldos  positivos das transferências da conta 2202200003 para a conta 1204200003 (código “AS”), se  foram  efetivamente  para  compra  de  combustíveis,  e  sobre  a  quitação  do  IOF  devido  nos  contratos de mútuo listados na autuação.  Fl. 6792DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720978/2012­41  Resolução nº  3402­000.661  S3­C4T2  Fl. 119          20 Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Sala das Sessões, em 24/04/2014  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO    Fl. 6793DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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