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Numero do processo: 11543.004769/2001-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/07/1999, 01/09/1999 a 29/02/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000
COFINS- BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA
A partir da edição da MP 2.158-35 (24/08/2001) passou a existir regra diferenciada para o recolhimento do PIS e da COFINS para as operações de importação por conta e ordem de terceiro, logo, no período do presente Auto de Infração não há base legal para a não tributação pela COFINS das receitas oriundas dessas operações. Ou melhor, conforme a MP referida, a base de cálculo da COFINS devida pelo estabelecimento importador passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente da mercadoria importada, desde que obedecidos os requisitos estabelecidos no artigo 2º da IN/SRF nº 75/2001(art. 81 da referida MP).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Adriene Maria de Miranda Veras, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência justificada de Solon Sehn.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 31/07/1999, 01/09/1999 a 29/02/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000 COFINS- BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA A partir da edição da MP 2.158-35 (24/08/2001) passou a existir regra diferenciada para o recolhimento do PIS e da COFINS para as operações de importação por conta e ordem de terceiro, logo, no período do presente Auto de Infração não há base legal para a não tributação pela COFINS das receitas oriundas dessas operações. Ou melhor, conforme a MP referida, a base de cálculo da COFINS devida pelo estabelecimento importador passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente da mercadoria importada, desde que obedecidos os requisitos estabelecidos no artigo 2º da IN/SRF nº 75/2001(art. 81 da referida MP). Recurso Voluntário Negado.
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EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA A partir da edição da MP 2.15835 (24/08/2001) passou a existir regra diferenciada para o recolhimento do PIS e da COFINS para as operações de importação por conta e ordem de terceiro, logo, no período do presente Auto de Infração não há base legal para a não tributação pela COFINS das receitas oriundas dessas operações. Ou melhor, conforme a MP referida, a base de cálculo da COFINS devida pelo estabelecimento importador passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente da mercadoria importada, desde que obedecidos os requisitos estabelecidos no artigo 2º da IN/SRF nº 75/2001(art. 81 da referida MP). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 47 69 /2 00 1- 75 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Rios, Adriene Maria de Miranda Veras, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência justificada de Solon Sehn. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada (fls. 156 a 163), relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, nos períodos de apuração 06/99, 07/99, 09/99 a 02/2000 e 08/2000 a 11/2000, no valor de R$ 88.226,12, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 66.169,54, e juros de mora, calculados até 31/10/2001, no valor de R$ 22.864,66, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 177.260,32. A ação fiscal foi levada a efeito pela DRF/Vitória, conforme Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01/04. 2. No auto de infração (fl. 157), bem como no Termo de Verificação Fiscal (fls. 153/155), a autoridade fiscal informa que: A ação fiscal teve a finalidade de verificar o real faturamento da empresa nos anoscalendário de 1999 e 2000; A fiscalizada, que iniciou suas atividades a partir de março/1999, tem como objeto social a importação e exportação de diversos tipos de produtos, bem como comercializar, distribuir e/ou representar comercialmente esses produtos, e prestar assessoramento comercial, conforme rege o seu Contrato Social (fls. 08 a 23); Em análise do Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas (fls. 30/46) e Livros de Registro de Apuração do IPI, verificou que a quase totalidade das notas fiscais de entrada tinham como Natureza da Operação a importação por consignação (Código Fiscal de Operação 3.99), e, nas saídas, a remessa de mercadorias importadas em consignação (Código Fiscal de Operação 6.99); Apenas uma pequena parte das notas fiscais de entrada e saída tiveram como Natureza da Operação a importação (Código Fiscal de Operação 3.12) e venda de mercadorias (Código Fiscal de Operação 6.12 ou 5.12), respectivamente; Uma vez que a autuada alegava que as entradas e saídas em consignação tratavamse de importação por conta e ordem de terceiros, intimoua (fl. 47), atendendo ao disposto no art. 2º da IN/SRF nº 75/2001, a apresentar todas as notas fiscais de saídas e as correspondentes notas fiscais de entrada no período considerado, bem como os contratos prévios firmados entre a fiscalizada e os adquirentes das mercadorias importadas, nos quais se caracterizasse a importação de mercadorias por conta e ordem de terceiros; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11543.004769/200175 Acórdão n.º 3802002.350 S3TE02 Fl. 369 3 Analisando as notas fiscais apresentadas, verificou que uma parte destas com Código Fiscal de Operação (CFOP) 6.12 e Natureza de Operação = Venda (fls. 48/74) não possuía contratos que pudessem caracterizálas como importação por conta e ordem de terceiros; para aquelas notas fiscais que possuíam tais contratos (fls. 75/102), verificou que o valor da saída era superior ao valor da entrada acrescido dos tributos incidentes na importação (nesse sentido, citou o art. 2º, inciso III, da IN/SRF nº 75/2001), ficando claro trataremse tais operações efetivamente de compra e venda de mercadorias; Com relação às notas fiscais de saída com CFOP 6.99 e Natureza da Operação = “Remessa de Mercadorias Importadas em Consignação”, verificou que parte das mesmas (fls. 103/113) não possuía os contratos correspondentes (v. fl. 146) que as caracterizassem como importação efetuadas por conta e ordem de terceiros; em relação às demais (fls. 114/141), apesar de possuírem os respectivos contratos, os valores correspondentes às saídas eram superiores aos valores correspondentes às entradas, acrescidos dos tributos incidentes na importação; Tais fatos encontramse em desacordo com o art. 2º, incisos I e III, da IN SRF nº 75/2001, caracterizando assim operação de compra e venda, conforme o disposto no parágrafo 2º do art. 2º da mesma IN SRF nº 75/2001; Além disso, levandose ainda em consideração que a autuada possui receitas financeiras provenientes dos deságios referentes aos leilões de financiamento do sistema FUNDAP Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, escrituradas no seu Livro Razão, e demonstradas na planilha de fl. 144, determinou o valor da receita bruta mensal, base de cálculo da COFINS, conforme o demonstrativo de fl. 147; Considerados os valores das bases de cálculo apuradas no demonstrativo de fl. 147 e os valores recolhidos e declarados em DCTF, verificou a insuficiência destes últimos pelos demonstrativos gerados pelo Sistema Papéis de Fiscalização (fls. 148/152), efetuando, em decorrência, o presente lançamento de ofício, tendente a exigir da fiscalizada os valores devidos da COFINS; Os valores apurados pela fiscalização foram extraídos das notas fiscais constantes das fls. 48/141, as quais originaram o demonstrativo de base de cálculo de fl. 147, e os procedimentos adotados na fiscalização foram os preconizados pela operação N3808 – Verificações Preliminares. A base legal da autuação (fl. 158) consistiu no artigo 1º da Lei Complementar (LC) nº 70/91; artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias nºs 1.807/99 e 1.858/99, e suas reedições. A fundamentação legal da multa de ofício proporcional e dos juros de mora encontrase à fl. 162. Após tomar ciência da autuação em 19/11/2001, a empresa autuada, inconformada, apresentou, em 18/12/2001, a impugnação anexada às fls. 165/262, acompanhada dos seguintes documentos: procuração outorgando Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 poderes para representála, contrato social e alterações, cópia de diversos “contratos de consignação, compra e venda de produtos importados”, cópia de recolhimentos em DARF do PIS e da COFINS no período abrangido pela autuação, cópia das IN SRF nºs 98/2001 e 75/2001. Aduziu, em sua defesa, os seguintes argumentos: a autoridade fiscal incorreu em flagrante contradição ao disposto no art. 1º da IN SRF nº 98/2001, havendo por bem descaracterizar a qualidade de consignatária da autuada, atribuindo, como base de cálculo para o PIS e a COFINS, os valores globais das notas fiscais emitidas; não procede a alegação da autoridade autuante dando conta de que a fiscalizada não possui os instrumentos contratuais que a autorizavam a realizar operações de importação por conta e ordem de terceiros, isto é, como consignatária, anexandose à presente impugnação, para tanto, cópia dos Contratos de Consignação, Compra e Venda de Produtos, celebrados com as empresas consignantes, acobertando as operações realizadas pela autuada; a relação dos Contratos de Consignação, Compra e Venda de Produtos cobrem mais de 95% de todas as operações realizadas nos anos de 1999 e 2000, nos quais a autuada figura como consignatária; não se tenha dúvida que a quase totalidade das operações de importação realizadas nos anos de 1999 e 2000 ocorreu por conta e ordem de terceiros, tendo em vista que os instrumentos contratuais têm como objeto (sub cláusula 1.1) “a aquisição pela empresa encomendante/compradora ou a sua ordem, de mercadorias importadas pela empresa consignatária em seu próprio nome e na condição de consignatária dentro do projeto FUNDAP, que serão repassadas exclusivamente à mesma ou a outrem desde que tal solicitação seja efetuada de forma formal através de correspondência específica”; não se pode olvidar, conforme se pode inferir da subcláusula 2.4 dos contratos, que a autuada não percebia comissões, mas apenas e tãosomente o benefício do financiamento do ICMS do sistema FUNDAP, e, portanto, não há a incidência do PIS e da COFINS; a autuada não auferia lucro, mas tãosomente a devolução de parte (8%) do ICMS pago, através do benefício previsto no FUNDAP, e, ainda, através de receitas financeiras provenientes dos deságios relativos aos leilões do sistema FUNDAP, cujos tributos federais, digase de passagem, encontram se inteiramente adimplidos; à vista dos contratos de consignação que abrangem a quase totalidade das operações de importação da autuada, não se pode ignorar a inexorável constatação da sua qualidade de consignatária, não incidindo o PIS e a COFINS sobre o valor das notas fiscais, pela simples razão de não se tratar, in specie, de venda a destinatário final; os tributos foram pagos considerandose a base de cálculo correta, ou seja, sobre os deságios auferidos em leilões do sistema FUNDAP, não havendo crédito de tributos federais a apurar; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11543.004769/200175 Acórdão n.º 3802002.350 S3TE02 Fl. 370 5 à vista dos instrumentos contratuais trazidos à colação, e estando mais de 95% das operações de importação realizadas lastreadas através de Contratos de Consignação, Compra e Venda de Produtos, não será pela inexistência de instrumentos hábeis que se descaracterizará a condição de consignatária da autuada, e, via de conseqüência, não será por este argumento que se ampliará (afastandose a IN 75/2001) a base de cálculo do PIS e da COFINS; á em relação às notas fiscais de saída acompanhadas de contratos de encomenda, também não será pelo fato de citadas notas fiscais terem valor superior ao valor de entrada acrescido dos tributos devidos na importação, que se descaracterizará, tal como pretendido pelo autuante, a condição de consignatária da autuada; o pequeno descompasso entre os valores de entrada e saída de mercadorias devese ao fato de que as despesas necessária à obtenção do despacho aduaneiro são antecipadas pela consignatária/autuada, sendo incorporadas ao preço de venda dos produtos, acrescidos também dos tributos incidentes; por se tratar de despesa operacional, os gastos realizados para o desembaraço da carga (taxas e despesas aduaneiras, conforme subcláusula 2.1) não podem ser tidos como receita, porque, evidentemente, não se caracterizam como lucro; contabilmente, a inserção de despesas operacionais não pode ser tida à conta de lucros, porque não traduz incorporação de divisa ao patrimônio da consignatária, mas, simplesmente, repasse de custos necessários à operação de importação; além disso, a diferença de valores entre as notas fiscais de entrada e saída, mesmo não refletindo qualquer espécie de lucro ou receita, não poderia ter sido utilizada para descaracterizar a situação/condição de empresa consignatária da autuada porque o art. 2º, II e III da IN SRF nº 75/2001, que estabelece a paridade de valor de entrada e saída das notas fiscais, é posterior às operações de importação em tela; no âmbito do Sistema FUNDAP, em relação ao faturamento mensal decorrente da importações realizadas, que engloba receita alheia (do consignante), entendese não serem exigíveis nem o PIS nem a COFINS, já que tais gravames só podem e devem incidir sobre a receita própria da autuada; o art. 1º da IN SRF nº 98/2001 estabelece claramente que, para efeito da incidência do PIS/PASEP e da COFINS, as mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros são consideradas como de propriedade do adquirente; em consonância com o Código Comercial e com as Leis nºs 4.886/65 e 6.729/79, a atividade comercial de distribuição por conta própria – na qual a empresa adquire, por sua própria conta e risco, produtos para serem colocados no mercado – não se confunde com a de mandatário mercantil – Fl. 372DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 na qual a empresa que atua como mandatária ou consignatária, age em nome e por conta e ordem do mandante ou consignante; no âmbito da legislação federal, depreendese do artigo 12 do DecretoLei nº 1.598/77 que a receita bruta, nas operações por conta de terceiros, corresponde ao preço dos serviços prestados, e, de acordo com o art. 44 da Lei nº 4.506/64 é o resultado auferido nas operações em conta alheia; a par disso, a Medida Provisória nº 1.724/98 dispôs em seu art. 3º, §2º, III, que, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS e das contribuições para o PIS/PASEP, excluemse da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas as normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, previsão essa que veio a ser posteriormente consagrada no art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 9.718/98; de outro lado, a Medida Provisória (MP) nº 1.765/98, ao equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação as operações de venda de veículos usados, demonstra que o legislador jamais pretendeu fazer incidir as questionadas contribuições (PIS/PASEP e COFINS) sobre receita alheia; A Solução de Consulta DISIT/SRRF/7ª.RF Nº 168/98 concluiu que a “receita bruta de empresa que receba produtos em consignação é o valor das comissões recebidas, ou o preço dos serviços prestados, e não o valor da nota fiscal emitida pela consignatária”; o Poder Judiciário, nos autos do processo nº 97.213048/RJ, concedeu a segurança demandada, declarando a inexistência de relação jurídica que autorize a exigência da COFINS e do PIS sobre a receita de conta alheia; a prevalecer o entendimento constante da autuação, as operações em tela implicariam duas vendas, dois fatos geradores, ocasionando duas cobranças do mesmo tributo (da consignante e da consignatária), quando, na realidade, não ocorre transferência do domínio do bem nem mudança de titularidade dos recursos entre as partes envolvidas; em obediência ao princípio da isonomia insculpido no art. 150, II, da Carta Magna, não pode a autuada ser tratada diferentemente das demais consignatárias, para fins tributários; diante do exposto, requer seja julgada insubsistente a autuação fiscal, reconhecendose a inexistência de crédito tributário atinente à contribuição para o PIS e à COFINS.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJO II n° 10.670, de 18/11/2005, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 31/07/1999, 01/09/1999 a 29/02/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000 Ementa: COFINS BASE DE CÁLCULO – EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo da COFINS Fl. 373DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11543.004769/200175 Acórdão n.º 3802002.350 S3TE02 Fl. 371 7 devida pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, não se caracterizando venda em consignação a remessa desses produtos ao adquirente, ainda que haja contrato prévio firmado nesse sentido. COFINS – BASE DE CÁLCULO – EMPRESA IMPORTADORA – somente a partir de 09/2001, a base de cálculo da COFINS devida pelo estabelecimento importador passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente da mercadoria importada, desde que obedecidos os requisitos estabelecidos no artigo 2º da IN/SRF nº 75/2001. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento, para manter o crédito tributário exigido mediante Auto de Infração, enfim, que não há base legal para a não tributação pela COFINS das receitas oriundas das operações em análise. Ressaltese que tinha sido negado seguimento do recurso voluntário ao Conselho, como foi declarada a inconstitucionalidade do art. 32 da Lei de n° 10.522/2002, prosseguiu o mesmo. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória, como solicita desconstituição do Auto de Infração e que os juros só devem ser devidos, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. O processo foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3201 000.283, de 31/08/2011, pois em sede de recurso voluntário, observei que a empresa argumentou, que a matéria apresentada no período administrativo fiscal também foi posta ao crivo de Processo Judiciário. Logo, foi solicitada a comprovação de sua alegação acima, no tocante ao processo judiciário pertinente a este processo (até aquele momento). O mesmo não se manifestou da demanda acima. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de crédito tributário de COFINS, por conta da falta de recolhimento, tendo em vista a composição da sua base de cálculo. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A base legal da autuação foi a do art. 1º da Lei Complementar (LC) nº 70/91; artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias nºs 1.807/99 e 1.858/99, e suas reedições. Ou seja, no período possuía caráter cumulativo. A empresa iniciou suas atividades a partir de março/1999, a mesma tem como objeto social: a importação e exportação de diversos tipos de produtos, bem como comercializar, distribuir e/ou representar comercialmente esses produtos, e prestar assessoramento comercial, conforme Contrato Social. Como observado, no relatório, em análise ao Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livros de Registro de Apuração do IPI, verificou que a quase totalidade das notas fiscais de entrada tinham como Natureza da Operação a importação por consignação (Código Fiscal de Operação 3.99), e, nas saídas, a remessa de mercadorias importadas em consignação (Código Fiscal de Operação 6.99). Apenas uma pequena parte das notas fiscais de entrada e saída tiveram como Natureza da Operação a importação (Código Fiscal de Operação 3.12) e venda de mercadorias (Código Fiscal de Operação 6.12 ou 5.12), respectivamente; A empresa não concorda com a composição da base de cálculo da COFINS das operações realizadas por conta e ordem de terceiros com base no artigo 81 da MP 2.15835, (editada em 24/08/2001). Alega que é uma empresa “Fundapiana” e, como tal, presta serviços a empresas importadoras. Ainda argumenta, que os valores relativos às saídas das mercadorias importadas não representariam receita própria, uma vez que as mercadorias são importadas por conta e ordem de terceiros. Por esse motivo, entende que as contribuições não devem incidir, pois não percebe comissões, apenas o benefício do financiamento do ICMS do sistema FUNDAP. Inicialmente, observa que a recorrente alega que as entradas e saídas em consignação tratavamse de importação por conta e ordem de terceiros. A mesma foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de saídas e as correspondentes notas fiscais de entrada no período considerado, bem como os contratos prévios firmados entre a fiscalizada e os adquirentes das mercadorias importadas, nos quais se caracterizasse a importação de mercadorias por conta e ordem de terceiros. Verificouse que uma parte das notas fiscais apresentadas, com Código Fiscal de Operação (CFOP) 6.12 e Natureza de Operação = Venda (fls. 48/74) não possuía contratos que pudessem caracterizálas como importação por conta e ordem de terceiros; para aquelas notas fiscais que possuíam tais contratos (fls. 75/102), averiguado que o valor da saída era superior ao valor da entrada acrescido dos tributos incidentes na importação (nesse sentido, citou o art. 2º, inciso III, da IN/SRF nº 75/2001), ficando evidente que essas operações são de compra e venda de mercadorias. Ressaltemse algumas passagens da decisão de primeira instância: ............................. A impugnante, pretendendo se valer dos contratos por ela mesma firmados junto a terceiros, tenta configurar as operações dando as um caráter híbrido, que mescla as duas operações, prestação de serviço e venda, visto que são casadas. Porém, como a receita recebida da empresa contratante a título de comissão é zero, procura se eximir da autuação fiscal, buscando viver no melhor Fl. 375DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11543.004769/200175 Acórdão n.º 3802002.350 S3TE02 Fl. 372 9 dos mundos: as vendas efetuadas, supostamente em consignação ou em conta alheia ou de terceiros, não seriam incluídas nem como receita de prestação de serviços, e também não seriam incluídas na receita de venda de mercadorias. No entanto, a legislação aplicável à COFINS não prevê tal hipótese de não tributação, como se verá a seguir. ..................................... Na peça impugnatória, a autuada, pretendendo se eximir da exação que lhe foi imposta, alega que, por se tratar de empresa pertencente ao sistema FUNDAP, viabilizaria importações para terceiros tãosomente na qualidade de consignatária das mercadorias, não sendo, de fato, a dona das mesmas. Nesse sentido, consta mesmo de muitas das notas fiscais de saída das mercadorias importadas o Código Fiscal 6.99 – “Remessa de Mercadoria em Consignação Importada”. ........................................... Nesse sentido, ressaltese que a presente autuação se deu com base nas receitas extraídas das notas fiscais constantes das fls. 48 a 141, escrituradas como venda de mercadoria no Livro Registro de Saídas da impugnante. Tanto quanto é inquestionável a ocorrência de tais operações de venda, previstas até nos contratos firmados, ao disporem expressamente sobre a condição de Empresa Vendedora imputada à autuada, ou mesmo sobre as condições de “faturamento” das mercadorias importadas (subcláusula 5.3), também o é a sua tributação pela COFINS, nos termos da legislação anteriormente citada. .......................................................... Assim, perante a SRF a empresa declara haver somente um tipo de receita em seu faturamento: receita de venda de mercadoria, não constando qualquer outro. No entanto, o entendimento manifestado pela autuada em sua impugnação, no sentido de que somente obtém receitas oriundas dos deságios auferidos em leilões do sistema FUNDAP, encontrandose devidamente paga a COFINS advinda de tais receitas (item 14 da impugnação), não justifica seu procedimento adotado nas declarações apresentadas, já que, na mesma Ficha 06A da DIRPJ/2001, a contribuinte nada informou a respeito do auferimento de receitas financeiras, o que, em face do alegado na peça impugnatória, deveria regularmente ocorrer. ............................................................. E, conclui: os valores foram pagos pelos contratantes à autuada e transitaram pelo patrimônio desta, constando registrados em seus livros fiscais como receitas de vendas; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 as mercadorias importadas foram objeto de operação de compra e venda realizada entre a autuada e as empresas contratantes, com emissão de nota fiscal de venda, não se tratando, em hipótese nenhuma, de venda em consignação; a legislação aplicável à COFINS nos períodos fiscalizados não dispensa a incidência desta contribuição sobre receitas de vendas, nem prevê qualquer exclusão que se aplique à presente hipótese. .................................. Pelo exposto, no presente caso, a tributação abrange receita auferida pela pessoa jurídica, considerando que a própria recorrente registra os valores tributados como receitas de vendas, conforme informado à fiscalização e verificado em sua documentação fiscal (Livro Registro de Saídas) e que a operação realizada, é efetivamente de venda das mercadorias importadas de propriedade da recorrente, o que caracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição. A operação caracterizase como de conta própria, pois a propriedade das mercadorias é da recorrente e a venda decorre da atividade normal da empresa, constante de seu objeto social, qual seja, a importação de mercadorias para comercialização ou revenda, sendo irrelevante, para fins de tributação, o fato de que o adquirente já esteja pré determinado em contrato. Observase que a recorrente realiza a operação de importação com o exportador no exterior, considerando que efetua o desembaraço da mercadoria. Atuando na operação pretendida pelo contratante, exercendo papel fundamental nesta. Enfim, as receitas recebidas, a este título são, portanto, efetivamente próprias da atividade da recorrente, importação e revenda de mercadorias. Logo, a presente autuação deuse com base nas receitas extraídas das notas fiscais, escrituradas como venda de mercadoria no Livro Registro de Saídas da recorrente. Portanto, a COFINS, à época, possuía caráter cumulativo, incidindo, portanto, sobre cada operação de venda de mercadorias. Ocorre que, somente com a edição da MP 2.15835/2001 (arts. 79, 80 e 81), passou a existir a possibilidade de a empresa importadora, de mercadorias, por conta e ordem de terceiros, tributar somente a receita dos serviços e a empresa encomendante tributar a receita da venda das mercadorias importadas, nos termos: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11543.004769/200175 Acórdão n.º 3802002.350 S3TE02 Fl. 373 11 Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. E, nos termos, dos regramentos da IN SRF de n° 75, de 13/09/2001, conforme: Art. 1º. No caso de importação efetuada por pessoa jurídica importadora, por conta e ordem de terceiro, a receita bruta para efeito de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) corresponde ao valor: I – dos serviços prestados ao adquirente, na hipótese da pessoa jurídica importadora contratada; e II – da receita auferida com a comercialização da mercadoria importada, na hipótese do adquirente por encomenda. § 1º Entendese por adquirente, para os efeitos desta Instrução Normativa, a pessoa jurídica encomendante da mercadoria importada. Art. 2º. O disposto no art. 1o aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II – os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; III – a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. § 2º A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com base no valor da operação. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Da mesma forma, como acontece com a IN SRF nº 75/2001, também a IN SRF nº 98/2001, a qual foi editada em função da primeira, ambas não retroagem a fatos geradores anteriores a vigência do art. 81 da MP nº 2.15835/2001. Em sendo assim, antes de agosto de 2001, nas vendas de mercadorias importadas sob encomenda de terceiros incidia o PIS e a Cofins pela regra geral, antes a ausência de legislação de exceção. Com a edição da MP 2.15835/2001 (artigos 80 e 81), passou a existir a possibilidade da empresa importadora de mercadoria, por conta e ordem de terceiros, tributar somente a receita dos serviços e a empresa encomendante tributar a receita da venda das mercadorias importadas. Para isto, a empresa a importadora deveria atender ao disposto no art. 2º, das INs nº 75/2001 e 98/2001, o que não ocorreu no caso dos autos. Portanto, aplicase ao caso concreto a regra geral de tributação do PIS e da Cofins. Destarte, não merece reparos a decisão a quo, quando ressalta que a referida norma é de caráter material, não podendo retroagir e só apenas com a regulamentação feita pela Secretaria da Receita Federal por meio da IN SRF n° 75/2001 (fundamento legal, o próprio art. 81 da MP 2.15835/2001), que estabeleceu diversos requisitos para que as comerciais importadoras pudessem utilizar o regime alternativo de recolhimento previsto no artigo 81 da MP 2.15835, e caso não cumpridos, o recolhimento dos tributos teria que, obrigatoriamente, ser sobre o valor total da importação. Transcrevese a ementa do voto do Acórdão de n° 3202001.778, de 22/08/2012, processo de n° 15586.000117/200621, da empresa Minter Trading LTDA, da relatoria do Conselheiro Walber José da Silvaque trata da mesma matéria, nos termos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/11/2004 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA Tendo o MPF sido emitido e prorrogado na forma prevista nas portarias que o regulam não há que se cogitar em nulidade dos procedimentos da Fiscalização e em nulidade do lançamento. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando os fatos imputados à empresa autuada são claros e precisos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS e da Cofins. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA “FUNDAPIANA”. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11543.004769/200175 Acórdão n.º 3802002.350 S3TE02 Fl. 374 13 Antes de agosto de 2001 não existia regra excepcionando a incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. A partir de agosto de 2001, tais operações tem tributação diferenciada quando atendidos os requisitos legais. Não é o caso dos autos. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. BASE DE CÁLCULO. VALOR DO IPI. EXCLUSÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, excluise Do faturamento o valor do IPI. LANÇAMENTO. ERRO DE APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real sujeitamse à incidência do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo a que refere as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. MULTA DE OFÍCIO. A qualificação da multa de ofício ocorre quando ficar provado o evidente intuído de fraude ou quando ficar provado a própria fraude fiscal. A interpretação da legislação tributária de forma diferente do Fisco, quando a matéria for controversa, não se constituiu em prática fraudulenta. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim como, o processo de n° 11543.001298/200571, da empresa Cia Importadora e Exportadora Coimex, através do acórdão 3403002020, de 23/10/2013 de relatoria da Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, que comungo, nos termos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1992 a 31/08/1997 BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA. Antes de agosto de 2001 não existia regra diferenciada de incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. Por todo o exposto, entendo que somente a partir da edição da MP 2.15835 passou a existir regra diferenciada para o recolhimento do PIS e da COFINS para as operações de importação por conta e ordem de terceiro e observadas as regras da IN SRF de n° 75/2001, logo, no período do presente Auto de Infração não há base legal para a não tributação pela COFINS das receitas oriundas dessas operações. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Em sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 14041.720002/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até manifestação definitiva do STF sobre a matéria, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Ausente justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1504; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 726 1 725 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.720002/201299 Recurso nº Resolução nº 1402000.208 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de setembro de 2013 Assunto IRPJ Sigilo Bancário Recorrente COPEL COMERCIO DE PAPEIS E APARAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até manifestação definitiva do STF sobre a matéria, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Ausente justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .7 20 00 2/ 20 12 -9 9 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 727 2 Copel Comércio de Papéis e Aparas Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Brasília/DF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os auto de infração às fls. 540/612, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, incluindo juros de mora calculados até 03/2012 e multa proporcional, totalizando R$ 23.799.951,79 (vinte três milhões setecentos e noventa e nove mil novecentos e cinquenta e um reais e setenta e nove centavos): Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ 16.128.412,86 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 5.486.567,26 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS 389.724,30 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 1.795.355,79 De acordo com a descrição dos fatos, que remete ao Relatório de Verificação Fiscal e anexos às fls. 545/581, foi escolhido como forma de tributação nos anos calendário de 2008 e 2009 o lucro real, conforme DIPJ's apresentadas. Consequentemente, o Pis e a Cofins foram tributados no regime nãocumulativo, conforme artigo 2º da lei 9.718/98 combinado com os artigos 1º a 6º da Lei n° 10.637/2002 (Pis) e com os artigos 1º a 8º da Lei n° 10.833/2003 (Cofins). Esclarece o auditor fiscal que o procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de verificar a dedução de despesas operacionais, bem como a movimentação financeira da contribuinte e a correta apuração das receitas. Houve uma demanda requisitória do Ministério Público Federal para realização da fiscalização, tendo em vista que a empresa foi alvo da Operação Esperança (desdobramento da operação Caixa de Pandora) da Polícia Federal. No curso da fiscalização e de posse da escrituração contábil da contribuinte (arquivos magnéticos de 2008 e 2009) constatouse que a movimentação financeira não foi integralmente contabilizada. Da análise da escrituração contábil e demais informações apresentadas verificou se o auferimento de receitas operacionais somente com a Revenda de Aparas, classificadas na conta 4.1.01.01.0001. Após a realização de conciliação entre extratos bancários e contabilidade, constatouse a existência de depósitos/créditos bancários que não foram lançados na escrituração contábil da contribuinte e, consequentemente, tais créditos, por não terem sua origem comprovada, caracterizamse como omissão de receitas, conforme artigo 42 da Lei n° 9.430/96, estando sujeitas à incidência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Verificouse também que os bens classificados no Imobilizado da contribuinte, bem como a Aeronave matrícula PPPRR, adquirida sob a forma de leasing, não estão intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços e, portanto, todas as despesas vinculadas a tais bens têm suas deduções expressamente vedadas, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, conforme preceitua o art. 13 da Lei n° 9.249/95. Uma vez intimada a comprovar a utilização desses bens, em 15/08/2011 e em 07/12/2011, permaneceu silente. Resumidamente constatouse as seguintes irregularidades: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 728 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: A contribuinte não contabilizou nem comprovou a origem dos depósitos bancários. Em 19/07/2011, foi intimada a apresentar os extratos bancários. Reintimada em 15/08/2011 restouse silente, via de consequência, em 12/09/2011 foram expedidas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigidas ao Banco Real S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Itaú S/A. Em 02/12/2011 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando à fiscalizada comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas bancárias de sua titularidade e não contabilizados. Em 25/01/2012 lavrouse Termo de Reintimação Fiscal, no qual a contribuinte foi novamente instada a apresentar os elementos anteriormente solicitados e, mais uma vez, não se manifestou. Tendo em vista a não apresentação de documentação hábil e idônea para comprovar a origem dos créditos efetuados nas contas bancárias de sua titularidade, foram apurados os valores mensais de omissão de rendimentos, de acordo com os extratos bancários, tendo em vista a presunção legal contida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: A fiscalizada efetuou a dedução indevida de despesas não necessárias à execução do seu objetivo social, despesas estas não usuais ou normais na atividade econômica desempenhada, conforme escrituração contábil constante no Anexo VII a este Relatório. CUSTOS NÃO COMPROVADOS: A contribuinte contabilizou a compra de mercadorias para revenda e não apresentou os documentos comprobatórios hábeis desses custos. BENS NÃO RELACIONADOS COM A ATIVIDADE: A contribuinte deduziu indevidamente despesas com contraprestação de arrendamento mercantil (leasing) da Aeronave matricula PPPRR, conforme Anexo VII deste Relatório. ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE: A fiscalizada efetuou a dedução indevida de despesas não operacionais, decorrentes da perda de capital apurada na alienação de veículos, integrantes do ativo permanente, não relacionados intrinsecamente com a comercialização de aparas de papel, atividade esta responsável pela geração de suas receitas operacionais. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA: A contribuinte contabilizou as Provisões para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, entretanto não fez os recolhimentos dos tributos (IRPJ e CSLL), nem declarou os saldos a pagar (informados nas DIPJ 2009 e 2010) em DCTF. Cientificada das exigências por via postal, em 29/03/2012 (AR reproduzido à fl 613), a autuada apresentou em 18/04/2012 a petição impugnativa acostada às fls. 632/651, atacando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir expostos. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Pugna pela nulidade do procedimento administrativo, vez que se funda em inconstitucional e ilegal quebra do sigilo bancário da Impugnante, obviamente teve a Impugnante suas contas ilegalmente vasculhadas, além da falta do devido processo legal, pois, não lhe coube o direito de defesa no que lhe ampara a Constituição Federal. Irresignada a Impugnante ressalta que o entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal é outro, como se vê a partir do julgamento do Recurso Extraordinário Fl. 728DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 729 4 – RE 389.808/PR, julgado em 15/12/2010. Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal deu provimento a recurso extraordinário do contribuinte e reconheceu a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário que não seja realizada por decisão judicial fundamentada. Logo, a inteligência do dispositivo normativo contido no artigo 11, § 3.°, da Lei n.° 9.311/96 evidencia a toda prova que o legislador erigiu um enunciado especialmente dirigido às autoridades administrativas da Secretaria da Receita Federal para que resguardassem "o sigilo das informações prestadas". O voto condutor da decisão, de lavra do Ministro Relator Marco Aurélio, deixa claro que não é dado às autoridades administrativas tolherem o direito constitucional dos contribuintes ao sigilo de dados e à intimidade. A ressalva ao sigilo somente pode ocorrer por decisão judicial fundamentada, não tendo qualquer órgão administrativo poderes para tanto. Por esta perspectiva, concluise facilmente que o sigilo fiscal é direcionado a autoridade fiscal, a qual possui o dever de manter em sigilo as informações relacionadas ao contribuinte, obtidas no desempenho de suas funções. Mormente, ao que já se expende, a autoridade que instaurou o MPF agiu em abuso de poder, porque sem competência para fazêlo. Viola o Artigo 5°, LII, da Constituição Federal vigente, e por isso, quando a autoridade promove através desse procedimento irregularmente instaurado a quebra do sigilo bancário administrativamente, termina instaurando procedimento ilegal que apresenta abuso de poder. Ademais, o artigo 5.°, § 2.°, da Constituição Federal em Vigor, C/C com o artigo 98 do Código Tributário Nacional, também em vigor, determinam que o artigo 1.° da Lei 10.174, de 09 de Janeiro de 2001, deve observar o quanto determinado pelo artigo 8.°, I, do pacto de San José da Costa Rica, o que inviabiliza a hipótese de se emprestar efeito retrooperante a dispositivo da Lei n.° 10.174/2001. Cita diversos outros julgados, tanto do STJ quanto do STF, e conclui pela irregularidade do procedimento administrativo, culminando em ato de ilegalidade, quanto a quebra do sigilo bancário administrativamente, sem a intervenção da autoridade judiciária. Também o procedimento fiscal foi irregularmente instaurado e em abuso de poder que ofende, sobretudo, as normas do Estado de Direito, Pétreos em nosso ordenamento Constitucional, fere na linha adjetiva, também, o princípio da reserva de jurisdição, pelo que nulo de pleno direito. Assim, pede se declare e restabeleça seus direitos fundamentais. DAS QUESTÕES DE MÉRITO b.1) DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DO ATO VINCULADO Os fatos em que se basearam as argumentações, não guardam correlata vinculação ao que narra a penalização que pretende impor o Fiscal, portanto insuficientes para constituir o suposto direito arrecadatório, sem que haja frontal ferimento às garantias Constitucionais, do devido processo legal e do afastamento do cerceamento de defesa. Carece da necessidade de discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos individualizados a que se referem, assim é o disposto nos arts. 9 e 10 do Decreto 70.235/1972. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 730 5 O lançamento fiscal, espécie de ato administrativo, goza de presunção de legitimidade, essa circunstância, todavia, não dispensa a Fazenda Pública de demonstrar, no correspondente auto de infração, a metodologia seguida para o arbitramento do imposto e sua penalização, assim, padece de vício a autuação, invalidando o ato, "in casu" não se sabe qual fora a infração, não identifica corretamente, também, a ocorrência do fato gerador da obrigação, pois nasce em fato de presunção pessoal dos Senhores Auditores Fiscais. A autoridade administrativa deve, ao proceder o lançamento, identificar todos os elementos que constituem o direito de crédito, para facultar ao sujeito passivo, sua ampla defesa. Depósitos Bancários de origem não comprovada: tornandoos receitas e dandoas por omissão, é absurdamente ilegal tal atribuição, enseja análise exclusivamente pessoal e presunção incompatível com a realidade material. Despesas não Necessárias: tomandoas como fora da atividade empresarial por absoluta presunção pessoal, pois desrespeitou a finalidade da empresa e o direito Constitucional garantidos. Desconstituiuse o objeto social ao prazer e interesse pessoal, ainda que técnico, para poder aplicar a penalidade desejada. A Fiscalização não tem o direito de estabelecer se pode, ou não, uma empresa regularmente constituída adquirir veículos e perquirir se são necessários ou não à sua atividade, pode sim, importarse com a tributação pelo movimento destes, nunca impedir que se possa adquirilos e mantêlos às custas da proprietária enquanto previsto em seu contrato social. Seria, no mínimo, conflitante a possibilidade de apuração de ganho pela alienação de um bem, e a ignorância da possibilidade de se praticar a atividade empresarial em seu todo, como previsto, enquanto atribuindo a exclusividade de receita provir de um dos segmentos do objeto social? Inexplicável. Pois é o que fizeram os Senhores Auditores, no momento em que glosaram a totalidade dos lançamentos por atribuírem a eles as Despesas Não Necessárias e Bens não Relacionados com a Atividade. A Ausência de Declaração ou Declaração Inexata, para desconsiderar os lançamentos praticados pela Recorrente, em seus livros diário e razão, donde exsurgem as apurações do IRPJ, PIS, COFINS. e CSLL, sem a devida demonstração de inconsistência de lançamentos e exigir o pagamento de cada uma das rubricas, na base de sua presunção, elegendo presunção pessoal, distorcem a realidade fiscal tributária e, no mínimo é anulável. Tratase de acusação fiscal precária, já debatida e de justiça feita. Por tudo demonstrado, não pode o AFRF, atuar no campo das suposições, nem atribuir pena punitiva a supostas infrações, pois quando não demonstradas e sustentadas, caracterizam suposta infração tributária, campo subjetivo, vez que desconsiderando lançamentos, atribuindo valores de conveniência elegem tributos e penas não inclusas no mundo jurídico tributário, fora do texto constitucional, desautorizadas, portanto, o que desde já requer pela anulação do feito e desconsideração do Auto de Infração, vez que violam os princípios constitucionais tributários, além da ampla defesa e do contraditório. b.2) MULTA; CONFISCO E LEI BENIGNA O nascedouro da base imponível é ficto, pois, aproveita a presunção de renda, via de consequência, o tributo exsurge em valores superiores ao realmente devido, o que caracteriza o confisco, proibido em letras da Constituição Federal em seu artigo 150 e incisos. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 731 6 No caso em exame verificase legitimamente ter havido a criação de uma base tributária geradora de tributo de forma ficta, por ação de interesse dos AFRF`s, que suprimindo benefícios redutores do resultado fiscal, impõe base subjetiva e presunçosa para incidência, gerando tributação excessiva e indevida. Eis que, o ato arbitrário do AFRF., confisca assim, patrimônio não disponível a tributação, tem, portanto, intenção predatória, vez que subtrai patrimônio particular aos cofres públicos, macula o princípio do não confisco, que em última análise não pode ser tamanho, que possa absorver a própria fonte de tributação. Tal princípio desautoriza a exacerbação imotivada, não razoável, da tributação. Há que se proteger o direito de propriedade e o princípio da proporcionalidade entre o ilícito e a punição respectiva, vedado então a aplicação da multa, com efeito, confiscatório. Pois de singela análise se conclui que a penalidade desejada é muito superior a 50% sobre os valores supostamente lançados incorretamente. Assim já se pronunciou definitivamente o STF, ADInMC 1.075 DF. Rel Min. Celso de Mello "sem prejuízo de outras garantias asseguradas pelo contribuinte, é vedado à União, ao Distrito Federal e aos Municípios.... CF. 150. IV utilizar tributo com efeito de confisco." (informativo 115 do STF). Também pela Lei Adjetiva, "ex vi", CTN., v artigo 113, § 1.°, a obrigação tributária principal, tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, merecendo as duas hipóteses o mesmo tratamento legal. Ou seja, deverão ser enunciadas exclusivamente pela Lei. Sendo singela a referência ao artigo 926 do RIR, escolheu aplicar multa de 75%, sem qualquer fundamentação, por outro lado a multa deverá, como visto, estar em perfeita harmonia lógica com a natureza jurídica pretendida. Insubsistente e manifestamente incongruente com a legalidade, visto o artigo 149 do CTN, elencar os casos em que de forma restritiva se aplica a multa de ofício, deles não está presente a hipótese que pretendeu alcançar o AFRF. No muito, poderia os zelosos Auditores Fiscais apropriarse dos efeitos da Lei mais benigna, aplicando a Lei 9.430/96, c/c CTN art. 106, II, "c", para lançar o valor de 20%, se ainda assim fosse devido. A doutrina constitucional moderna e o Supremo Tribunal Federal, nesse sentido, determinam que não se deve analisar as leis somente sob a ótica do princípio da reserva legal. “O julgamento da questão deve ter como base o princípio da reserva legal proporcional, que tem como pressuposto não somente a legitimidade dos meios e dos fins a serem alcançados, mas também a necessidade de utilizarse o meio menos gravoso ao indivíduo para alcançar o fim almejado” (MENDES, Gilmar Ferreira. Direitos fundamentais e controle de constitucionalidade. São Paulo: Celso Bastos Editor, 1998, p. 3940). Com isso, não pode haver distorção entre a medida estabelecida em lei e o fim por ela objetivado, determinando que o modo de combater e punir os ilícitos fiscais deve ser disposto com penalidades que guardem adequação dos meios e dos fins, sob pena de violação ao princípio da razoabilidade e a proporcionalidade. Dessa forma, constatado que o princípio da razoabilidade das leis se aplica às normas que impõem penalidades fiscais, assim necessário discutir a questão do princípio do nãoconfisco em relação aos aludidos comandos normativos. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 732 7 Portanto inaplicável a multa por eles eleita, e apresentandose igualmente confiscatória, rogase pela desconstituição de tal fato imoral. b.3) TAXA SELIC E OS JUROS DE MORA ILEGAIS A TAXA SELIC Para que seja compreendida a irresignação da Impugnante, sobre a aplicação da Taxa Selic, a débitos tributários, mister evidenciar já pacificado entendimento das Cortes Superiores de que se trata de ato administrativo emanado pelo Banco Central do Brasil, com o aval do Poder Executivo por via de seu órgão máximo o que não autoriza a tornar irrelevante o Princípio Constitucional da Legalidade, ou seja, em se tratando de Tributos, jamais um ato administrativo poderá servir de base para a intenção de retirar parte do patrimônio do Contribuinte. Ainda que a comentada Lei 9065/95, em seu artigo 13, autorize a utilização da taxa SELIC, como índices de juros a serem aplicados aos créditos tributários, tal menção é tão somente literária, em virtude da não existência de diploma legal que consolide sua apuração de valores. Ora, a fuga ao controle do Legislativo impõe uma característica inadmissível em um estado de direito, essa inovação a ordem jurídica, de legislar em causa própria, não foi aceita pelos Tribunais de nosso País. A SELIC, como consta de seu regulamento, não possui características indenizatórias, a qual é própria dos juros moratórios, como bem entendeu o Ilustre Ministro Octávio Gallotti, na Adin n.° 493/DF, quando define ser a taxa Selic um meio de remuneração, e não de indenização, "seu cálculo se baseia na variação do custo do dinheiro, que é influenciado pela liquidez do mercado". Servindo a Selic como meio de remuneração, não pode igualmente ser utilizada como juros moratórios, remete nos a aplicabilidade para tal, da existente legislação que trata do assunto, CTN., artigo 161, § 1.°, onde existe a taxativa estipulação de juros no patamar de 1% ao mês. (apresenta algumas ementas). OS JUROS A respeitável autuação, não teve melhor sorte ao tratar da legalidade dos juros, merecendo igual correção e reparação. Tal disciplina não deverá carecer de maiores delongas, pois; ainda que se admitisse a existência de Leis ordinárias criando valores percentuais de juros maiores para fins tributários, ainda assim, a título de argumentação, a interpretação que melhor se afeiçoa ao artigo 161, § 1,° do Código Tributário Nacional, que possui natureza de lei complementar pelo artigo 34, § 5.° do ADCT, é a de poder a lei ordinária fixar juros iguais ou inferiores a 1% ao mês, nunca juros superiores. Desde então será singelo entender nas linhas do mesmo raciocínio legal, que juros maiores que 1%, para fins tributários só poderiam existir, quando também previstos em Lei Complementar, sem buscarmos o que hospeda a Constituição de forma direta. Ainda que sem o aperfeiçoamento ao caso, vale o registro, porém, que o "destaque" alicerce, fica ao encargo da modernidade do senso cívico e a moralidade que incorporam os Insignes Ministros da Corte Suprema, para em atual entendimento versar sobre a impossibilidade da aplicação de taxas de juros superiores a 12% ao ano, no que determina a Constituição Federal. Ressaltese, visto os juros serem superiores ao legal, são fortes também os motivos para se entender que os cálculos dos juros obedecem ao critério da cumulatividade, ou seja: juros sobre juros, anatocismo; mês atual sobre o anterior e sucessivamente, ainda que se tenha real dificuldade de apuração do que pretendeu o Fisco. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 733 8 Assim é o que se aplica ao caso em apelo, pois objetiva tudo quanto já pacificado. b.4) DO PEDIDO Ao que se colacionou ao julgamento, espera a Impugnante suprida a instância, requerendo seja recebida a presente, conhecendo do mesmo e dando provimento para: Preliminarmente Seja reconhecido e declarada a nulidade do procedimento administrativo por quebra irregular do sigilo bancário ante a regra do artigo 5.°, § 2.°, da Constituição Federal em Vigor, C/C com o artigo 98 do Código Tributário Nacional e recente posicionamento do Supremo Tribunal Federal; Não sendo este o entendimento: Seja reconhecido e declarada a nulidade do Auto de Infração, ante a inexistência de legalidade e falta de Vinculação do Ato Administrativo praticado, eis que formalizado sem correlato nexo ao que narrado na penalização, baseado que foi na presunção e suposição; Vencido os itens acima, ante as razões apresentadas, seja parcialmente provido o recurso para: Acolhimento, nos termos do art. 16 inciso IV da Lei 70.235/72, a realização de perícia técnica a prover os quesitos enumerados no apenso I. Profissional: Contabilista Jairones José Chaves CRC: 015693/06 SC Endereço: Rua Schiller, 1348 Curitiba Paraná CEP 80040160; Fixar a multa (punitiva) em 20% a teor da Lei 9.430/96 c/c Art. 106, II do CTN; Excluir a taxa SELIC, eleita no auto de infração como modalidade de atualização monetária; e; Limitar os juros moratórios em 12% ao ano. Seja aplicado ao presente o efeito suspensivo preservada a inscrição do nome da Impugnante no cadastro de inadimplência, ou se negativado, determine providências de exclusão. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 0349.658 (fls. 665688) de 12/11/2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A decisão foi assim ementada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2008, 2009. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. EMISSÃO. Não tendo o sujeito passivo atendido à intimação para apresentar os extratos de sua movimentação financeira, é cabível à autoridade tributária providenciar a emissão de RMF, visando obter essas informações diretamente das instituições bancárias. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar LC Fl. 733DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 734 9 nº 105, de 10 de janeiro de 2001, não constitui quebra de sigilo. Trata se de medida que prescinde de autorização judicial, quando promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal em curso no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. Eventual decisão do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação na qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea. Operase a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A presunção de omissão de receitas encontrase prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade. No que se refere ao Auto de Infração não cabe avaliação quanto à conveniência e à oportunidade da prática do ato, pois, identificado o ilícito, é obrigatória a autuação, que deve seguir os estritos limites das normas que disciplinam as etapas do procedimento fiscal. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. LEASING. DESPESAS NÃO OPERACIONAIS. Serão glosadas as despesas não usuais à atividade empresarial, bem como quaisquer gastos não relacionados extrinsicamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Devem ser glosadas as deduções indevida de despesas não operacionais, decorrentes da perda de capital apurada na alienação de veículos, integrantes do ativo permanente, não relacionados intrinsecamente com a atividade responsável pela geração de receitas operacionais. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração os custos que não sejam dedutíveis. Serão glosados os custos com mercadorias para revenda quando não comprovados por documentação hábil e idônea. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo contabiliza as Provisões para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas deixa de recolher os tributos, e deixa de declaras os saldos a pagar em DCTF. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 735 10 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. JUROS. MULTA. SELIC. CONFISCO. A multa, no caso de lançamento de oficio por omissão de receitas, tem o percentual estabelecido na legislação, cabendo ao agente do Fisco o seu cumprimento. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador e não ao mero aplicador da lei que a ela deve obediência. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição da multa proporcional de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, na Autuação e seus anexos, os fatos geradores, as contribuições apuradas, bem assim a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, informações essas que possibilitam ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 31/01/2013 (A.R. de fl. 694), a interessada interpôs recurso voluntário em 27/02/2013 (fls. 696710) onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 736 11 Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Há que se reconhecer, de início, que o presente processo traz, dentre outras, matéria relativa a acesso a dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. É o que se constata nos autos com as requisições de informações sobre movimentação financeira, fls. 255/256, 258/260, 315/317e 465/467. Passo a enfrentar esse tópico específico me valendo dos fundamentos, que adoto como razões de decidir neste Voto, apresentados pelo i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que transcrevo abaixo. “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 737 12 Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 738 13 Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando Fl. 738DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 739 14 os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fl. 739DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.720002/201299 Resolução nº 1402000.208 S1C4T2 Fl. 740 15 Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Por todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento do presente processo, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.721601/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/03/2009 a 04/05/2010
SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE
TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO.
Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias.
SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A utilização de artifício doloso objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondo-se a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a cento e cinquenta por cento dos valores não recolhidos.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL.INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal.
PENA DE PERDIMENTO DO BEM. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% PREVISTA NO ART. 108, PARÁGRAFO ÚNICO, DA REFERIDA NORMA. PREVALÊNCIA DO DISPOSTO NA NORMA LEGAL SOBRE O TEOR DA NORMA INFRALEGAL.
Numero da decisão: 3401-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Julio César Alves Ramos.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 11/03/2009 a 04/05/2010 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício doloso objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondo-se a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a cento e cinquenta por cento dos valores não recolhidos. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL.INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PENA DE PERDIMENTO DO BEM. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% PREVISTA NO ART. 108, PARÁGRAFO ÚNICO, DA REFERIDA NORMA. PREVALÊNCIA DO DISPOSTO NA NORMA LEGAL SOBRE O TEOR DA NORMA INFRALEGAL.
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EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício doloso objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a cento e cinquenta por cento dos valores não recolhidos. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL.INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PENA DE PERDIMENTO DO BEM. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% PREVISTA NO ART. 108, PARÁGRAFO ÚNICO, DA REFERIDA NORMA. PREVALÊNCIA DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 16 01 /2 01 1- 75 Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 DISPOSTO NA NORMA LEGAL SOBRE O TEOR DA NORMA INFRALEGAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Julio César Alves Ramos. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Tratase de lançamento no valor total de R$ 1.626.586,93 (fl. 03), através do qual foram formalizadas exigências relativas a diferenças de tributos (imposto sobre as importações, IPI, PIS e COFINS importação, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (150%), além de conversão do perdimento em multa, por impossibilidade de apreensão das mercadorias, tudo em relação a quinze declarações de importação registradas em 2009 e em 2010 (fls. 4045). Conforme Relatório de Auditoria Fiscal Anexo (fls. 122183), a autuação foi decorrente de a fiscalização ter constatado, com base em documentos apreendidos na sede da autuada Mandado de Busca e Apreensão – MBA, processo nº 3420226.2010.4.01.3900 (fl. 184185), o subfaturamento do preço de mercadorias importadas (existência de duas faturas com mesma numeração e com preços diversos, além de outras irregularidades). As provas obtidas estão relacionadas no Auto de Apreensão 0280/20104 (fls. 195199), lavrado pelo Departamento de Polícia Federal. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 6 3 No referido Relatório de Fiscalização, os autuantes, após discorrerem, no item 2, sobre “Valor aduaneiro”, e, no item 3, sobre os “Métodos de Valoração Aduaneira”, apresentando a legislação correspondente, tratam, no item 4, acerca dos tributos que foram lançados. A fiscalização esclarece que, em decorrência do vínculo entre a autuada e a empresa SD COMERCIAL LTDAEPP, alguns documentos são comuns a ambas Em relação ao Imposto de Importação, a fiscalização cita, na fl. 131, o artigo 69 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009). Este dispositivo, baseado no artigo 1º do Decretolei nº 37/1966, dispõe sobre a incidência desse imposto. Também menciona o artigo 71 do RA/2009, baseado no artigo 1º, §4º, inciso III, do Decretolei nº 37/1966, segundo o qual o imposto de importação não incide sobre: “mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida”. A fiscalização cita, ainda, o artigo 72 do RA/2009 (fato gerador); o artigo 75 do RA/2009 (base de cálculo). Em relação ao IPI, a fiscalização cita, à fl. 132, o artigo 34 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI 2002), baseado no artigo 2º da Lei nº 4.502/1964, que trata do fato gerador do IPI. Cita, ainda, os artigos 130 e 131, I, “a”, do mesmo Regulamento (base de cálculo do IPI). Referese, ainda, aos artigos 249, 250, 251 e 253 do RA/2009, baseados na Lei nº 10.865, que tratam do fato gerador e da base de cálculo do PIS e COFINSimportação. No item 5 do Relatório de Fiscalização, à fl. 136, os autuantes discorrem acerca do preparo da ação fiscal e, no item 6, tratam da fiscalização realizada. Neste item, os auditores apresentam informações acerca da “Declaração de Importação DI” e sua relação com o despacho de importação, assim como discorrem sobre a “Fatura Comercial (invoice)”, informando ser esta um dos documentos exigíveis para a instrução da DI, conforme preceitua o artigo 553 do RA/2009 (artigo 46 do Decretolei nº 37/1966). A fiscalização também menciona o artigo 557 do RA/2009, que traz os requisitos que toda fatura comercial deve conter. Em seguida, a fiscalização aduz que se pode depreender que a fatura comercial é documento essencial para verificação do valor declarado, pois dela podese extrair elementos cabais para a determinação do valor aduaneiro (incisos XI e XII, do art. 557 do RA/2009). Na sequência, a fiscalização afirma que obteve diversas faturas que contêm o mesmo nome e endereço, completos do exportador, n° da fatura e data de emissão, todavia, apresentam divergências que saltam aos olhos: 1) Tipo de papel; 2) Leiaute; 3) Estilo do carimbo: os carimbos diferem no tipo de fonte e tipo de linha para assinatura; 4) Assinatura: faturas com o mesmo número e data de emissão apresentam assinaturas diferentes; 5) Preço: a indicação de maior relevância a ser considerada para o correta apuração do valor declarado. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Foram detectadas faturas com o mesmo número e data de emissão, todavia, com preços completamente divergentes. Assim, segundo a SRF : “Em tese, estas inequívocas constatações constituem prova da prática de subfaturamento nas operações de importação mediante artifício doloso concretizado com a falsificação ou adulteração de faturas com o intuito de diminuir o recolhimento de tributos e durante a análise individual das declarações temos a demonstração de fatos que ratificam este entendimento”. Dando continuidade ao Relatório, a fiscalização, a partir da fl. 138, passa a discorrer sobre cada DI objeto de autuação. Da impugnação O sujeito passivo, apresentou impugnação, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito, pleiteando a insubsistência do lançamento, desenvolveu sua defesa, conforme a seguir: o auto de infração é totalmente improcedente pela inexistência de subfaturamento ou falsidade documental; todas as importações da empresa foram feitas com documento idôneo e foram efetuados os devidos recolhimentos dos impostos aduaneiros, com base no valor operacional efetivamente praticado nas operações de importação, valores estes que são facilmente comprovados nos contratos de câmbios e demais documentos de importação motivo pelo qual não há que se falar em subfaturamento, ou adulteração documental e que deve ser de plano julgada procedente a impugnação e considerado nulo o auto de infração; o ilustre fiscal alega a falsidade documental com base tão somente no fato de existirem duas invoices, uma com o valor maior que a outra. No entanto é necessário definir o que é uma PROFORMA ou INVOICE, que nada mais é do que um documento obrigatório para a importação, mas é tão somente um documento onde consta o valor da venda (contrato de compra e venda internacional operação de importação), a forma e a data de embarque da mercadoria; é uma espécie de prévenda; não foi observado pelas autoridades alfandegárias que a primeira invoice era emitida pelo exportador tão somente para demonstrar e informar ao importador o preço cheio sem o desconto da mercadoria e a segunda invoice já se tratava do preço real e acabado após a negociação da aquisição (baseado no volume, quantidade e qualidade das mercadorias/pneus adquiridos); tanto o é que todas as invoices emitidas pela empresa batem com os demais documentos entre eles, o contrato de câmbio, onde consta o preço pago, registrado no Banco Central e valores enviados ao Credor estrangeiro, logo não há que se falar em subfaturamento ou falsificação de documentos, vez que todos os documentos são idôneos e asseguram o valor real efetivamente praticado na aquisição dos pneus provenientes da China; Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 7 5 importante ressaltar que todas as importações realizadas pela impugnante foram precedidas da emissão da licença de importação; concluise que todas as importações por terem sido analisadas e precedidas de LI foram efetuadas com documentos idôneos e com os recolhimentos tributários com base nos valores efetivamente praticados e registrados, valores estes que podem ser devidamente constatados e conferidos nos contratos de câmbio firmados pela empresa e que são os valores enviados e efetivamente pagos a empresa Nankang (exportadora de pneus); destacase ainda que todas as DI’s encontramse em consonância e simetria com os valores pagos e declarados nas Invoices e em todas elas conste o mesmo valor do contrato de câmbio; logo a alegação de subfaturamento é totalmente descabida e inverossímil, não condiz com a realidade dos fatos, motivo pelo qual a impugnação deve ser julgada procedente de forma a tornar nulo e inexistente o auto de infração indevidamente lavrado; está mais do que comprovado que não houve qualquer forma de adulteração documental, até porque, todas as importações foram precedidas de Licença de Importação, todas elas tiveram contrato de câmbio firmado e as invoices que hipoteticamente foram subfaturadas estão em total consonância com os preços declarados no contrato de câmbio, na LI e nos BL's; constatase facilmente que nunca ocorreu subfaturamento ou falsificação de documento; o que de fato ocorreu, foi que a empresa exportadora mandava uma invoice cheia, sem os descontos, e outra com os descontos decorrentes da quantidade e qualidade das mercadorias importadas, o que facilmente se constata pelos argumentos supramencionados, vez que todos os documentos de importação, inclusive a LI, batem com a invoice que, de forma leviana foi considerada subfaturada pelo fiscal da alfândega; uma vez demonstrado que não houve subfaturamento e que todos os documentos de importação apresentados pela empresa são idôneos e que nenhum deles foi objeto de adulteração ou modificação ou falsificação e que todos os tributos da importação (II, IPI, ICMS, PIS e COFINS) foram corretamente recolhidos pelo preço declarado e praticado (objeto de contrato de câmbio), concluise pelo deferimento de plano da impugnação e pela extinção do auto de infração indevidamente lavrado; constatase da leitura dos artigos e da legislação relativos à valoração aduaneira (transcritos) que o valor aduaneiro que servirá de base de cálculo para apuração do valor devido a título de tributos aduaneiros será o valor efetivamente praticado em uma venda para exportação para o país de importação, e o valor da transação nada mais é do que o efetivamente pago para a empresa exportadora no caso da AHC para NANKANG, que é o valor declarado pela empresa no contrato de câmbio e que passou pelo Banco Central para remeter os valores para o exterior; portanto, o valor das operações de importação e por consequência o valor aduaneiro são aqueles declarados nos contratos de câmbio, que estão em harmonia com os valores declarados nas invoices, as quais foram declaradas indevidamente como subfaturadas; o primeiro método é o que deveria ter sido aplicado no presente caso, pois determina o critério para a apuração o valor de transação; logo, como se tem conhecimento do valor da operação que foram os valores descritos nos documentos de importação (invoices, BL's, contratos de câmbio e nas Licenças de Importação) não restando dúvida qual método aplicar e qual o valor devido, que foi o efetivamente recolhido, nada restando devido ao fisco, motivo pelo qual constatase a total improcedência do auto de infração. Como os métodos são Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 sucessivos outro não poderia ser utilizado como método para a apuração da base de cálculo das importações. uma vez demonstrado que o preço aplicado condiz com a realidade fática da operação, visto que foi o objeto do contrato de câmbio e efetivamente pago a empresa exportadora e comprovado que não houve adulteração documental e que todos os documentos, preços, invoices e declaração de importação foram precedidas e passaram por procedimento administrativo para a obtenção das Licenças de Importação e que passaram pelo SISCOMEX, não resta qualquer argumento para a manutenção do auto de infração, pois o mesmo foi lavrado sob a alegação de ter ocorrido subfaturamento, o que, de fato não houve, já que os valores apresentados e foram recolhidos com base nos valores efetivamente pagos ao exportador e registrados nos contratos de câmbio e condizentes com os valores declarados na Declaração de Importação, Invoices e nas BL's; verificase de uma vez por todas a nulidade do Auto de Infração e a necessidade do julgamento pela procedência da impugnação até porque em nenhum momento foi suscitado que o contribuinte recolheu os tributos aduaneiros sem a observância da legislação vigente, pois estes foram recolhidos em consonância com a legislação; logo uma vez demonstrado que não houve subfaturamento ou adulteração documental, não resta qualquer argumento possível para a manutenção ou a lavratura de um novo auto de infração. por amor ao debate e trabalhando com a hipótese de que não seja este o entendimento dos ilustres julgadores, a impugnante passa a expor a impossibilidade da aplicação da pena de perdimento estipulada indevidamente no auto de infração; ao constatar o suposto subfaturamento, o fiscal entendeu por bem aplicar a multa de perdimento dos bens e, como já não existiam os bens que haviam sido vendidos no comércio local, foi convertida, a pena de perdimento, em pena de multa no valor integral dos bens e, não satisfeito com a multa absurda, desarrazoada e desproporcional, ainda aplicou a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o diferencial de alíquota não se atentando para o fato de que a multa de perdimento é a pior que existe no sistema tributário nacional, não sendo passível de cominação com outras penalidades, visto que o confisco é por si só a pior pena, motivo pelo qual o sistema jurídico constitucional não permite a cominação com nenhuma outra pena; ao aplicar a pena de perdimento o Fisco afrontou o princípio da legalidade e da especialidade utilizando a norma geral em detrimento da pena específica pela prática do subfaturamento; o que o fiscal não atentou é que não estão presentes os requisitos para a aplicação da presente multa vez que não houve adulteração ou falsificação documental, nem tão pouco houve redução do valor pago a título de impostos aduaneiros por meio doloso; o que houve foi o recolhimento com base em documentos idôneos, precedido da devida licença de importação e tributados no valor das operações devidamente registradas e firmadas através de contatos de câmbio que estão em total sintonia e harmonia com todos os documentos fiscais relativos às operações de importação praticadas pela empresa; logo, é totalmente descabida, ilegal e nula a imputação apresentada pelo fiscal no auto de infração; mesmo que se entenda que houve subfaturamento, não poderia ter utilizado como pena o perdimento e convertido a pena de perdimento em pecuniária, pois para a ocorrência do subfaturamento existe previsão específica de multa na legislação vigente, que é a Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 8 7 pena estipulada no artigo 108, parágrafo único, do Decretolei n° 37/66 e art. 633 do Decreto 4.543 de 26.12.2002; o fiscal de forma equivocada e errônea enquadrou o subfaturamento como falsidade ideológica, aplicando a regra geral do art. 105, VI do DL 37/66, e do art. 618, VI, do Decreto n.° 4.543/2002. Embora tais dispositivos contenham previsão de que configura hipóteses de dano ao erário e cabe a aplicação da pena de perdimento à mercadoria estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado, não abrange o subfaturamento, pois, nesse caso, o legislador editou normas específicas regulando a pena do subfaturamento na importação, não prevendo a possibilidade de pena de perdimento das mercadorias, mas sim pena de multa; dessa forma, a aplicação de perdimento das mercadorias por falsidade documental em virtude da constatação de subfaturamento é ilegal. Conforme interpretação sistemática da legislação, a conduta pode ensejar a instauração do procedimento de valoração aduaneira com a exigência do depósito (ou garantia) da diferença dos tributos de acordo com o valor apurado pela autoridade aduaneira, mas não a pena de perdimento, uma vez que no caso específico de subfaturamento existe previsão expressa da ocorrência de infração administrativa, com incidência da multa de 100% sobre a diferença dos preços; não há fundamento legal para se aplicar a pena de perdimento da mercadoria pela simples constatação de divergência de preço na operação; ainda que se queira forçar a tipificação legal a pretexto de ter ocorrido falsidade ideológica, é preciso que seja comprovada a fraude, até porque, no caso em tela não ocorreu falsidade ideológica, pois todos os documentos apresentados pela empresa são idôneos e foram objeto de licença de importação; portanto, “a questão fica limitada à apuração de diferença do crédito tributário, sem qualquer conotação punitiva é pena de perdimento” (sic); salientase ainda que o disposto no art. 112, I, do Código Tributário Nacional, recomenda a adoção de interpretação mais favorável ao contribuinte quando a capitulação legal da sanção for duvidosa; constatase que, caso haja dúvida entre a aplicação da pena de perdimento e a aplicação da multa de 100% sobre o diferencial apurado, que é a multa estipulada e prevista para o subfaturamento, cabe com fulcro no artigo 112, IV, do CTN a aplicação da multa de 100% por ser mais favorável ao contribuinte, não restando duvida acerca da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento. concluise pela total impossibilidade da aplicação de pena de perdimento; uma interpretação de forma contrária a esta seria afrontar os princípios da legalidade, especialidade e art. 112, IV do CTN; a impugnante apresenta jurisprudência judicial do TRF 4a Região, no sentido de ser incabível pena de perdimento no caso de suspeita de subfaturamento (fl. 682); apresenta também acórdão do STJ no sentido de ser incabível perdimento de bens no caso subfaturamento de mercadorias sem comprovação de fraude (fls. 682683); mostra outro acórdão do STJ e outros do TRF 4a. Região, em que a falsidade ideológica relativa ao valor declarado enseja multa de 100% da diferença, e não o perdimento (fl. 684); Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 anexa à impugnação, segue a íntegra das jurisprudências transcritas do TRF4 e as ementas do STJ demonstrando que o entendimento destes doutos órgãos é pacífico no sentido da impossibilidade da aplicação da pena de perdimento nos casos em que o fiscal verificar que houve subfaturamento, pois a única pena aplicável é a prevista em lei que é a multa de 100% (cem por cento) do diferencial de alíquotas; verificase que a lei mais específica e vigente prevê para os casos em que for constatado o subfaturamento a aplicação da pena de multa e não a perdimento, logo, é totalmente indevido a auto de infração lavrado pelo fiscal; por amor ao debate e trabalhando com a hipótese de que os doutos julgadores entendam pela procedência da aplicação da pena de perdimento e pela procedência do entendimento equivocado do fiscal da existência da prática do subfaturamento, é necessário que seja observada a impossibilidade da aplicação da pena de perdimento cumulada com qualquer outro tipo de multa, pois esta é a pior pena possível, é uma pena confiscatória que já atinge o próprio bem; nos casos de perdimento do bem nas importações, não incidem impostos, o próprio bem é leiloado para quitar os débitos tributários junto a Receita Federal, o contribuinte perde o direito ao bem que é utilizado para o pagamento dos tributos; a pena de perdimento é a pena máxima prevista na legislação tributária e não pode de forma alguma ser cumulada com outras penas; utilizar pena de perdimento com pena de multa é uma afronta ao princípio do não confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e proporcionalidade, pois além de retirar do contribuinte a propriedade do bem ainda onera o contribuinte com multa. O contribuinte já perdeu o seu bem maior que é a propriedade do bem importado e ainda assim onerado com a penalidade de pagar multa em cima de um bem que nem é mais detentor, tratase de uma pena totalmente absurda; além de não poder ser cumulada a pena de multa com a de perdimento pela afronta aos princípios basilares do direito tributário (capacidade contributiva, nãoconfisco, proporcionalidade e razoabilidade) devem ainda ser devolvidos e creditados ao contribuinte os valores pagos a título de impostos aduaneiros pela empresa AHC DE SOUSA ME, pois ao proceder à penalidade da pena de perdimento é como se o contribuinte nunca tivesse a posse do bem visto que ele perdeu o valor integral da mercadoria, é como se ele nunca tivesse vendido a mercadoria; caso esses valores não sejam devolvidos, isso seria enriquecimento sem causa do Estado; por todo o exposto concluise da total impropriedade e nulidade do Auto de Infração lavrado pelo fiscal da Receita Federal, visto que inexiste subfaturamento, pois todas as importações foram feitas com documentos idôneos, precedidas de licença de importação e os valores declarados foram os efetivamente praticados. Ainda que houvesse o subfaturamento, foi devidamente demonstrada a impropriedade da aplicação da multa de perdimento, vez que existe na legislação vigente multa específica para a prática do subfaturamento (multa de 100% prevista no artigo 108, parágrafo único, do Decreto Lei 37/66) e ainda que seja mantido o entendimento da aplicação da pena de perdimento não poderá o fiscal cumular com outras multas e nesse caso, o fisco deverá devolver os valores pagos a título de impostos aduaneiros para evitar o enriquecimento sem causa do Estado. caso não seja esse entendimento dos doutos ilustres julgadores, que seja aplicada a multa estipulada para o subfaturamento prevista no artigo 108, parágrafo único, do Decreto Lei 37/66 c/c 633 do Decreto 4.543 de 26.12.2003, desconsiderando e anulada a multa de perdimento; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 9 9 caso entendam pela procedência da aplicação da pena de perdimento, que seja julgada improcedente a multa de ofício de 150% sobre o diferencial supostamente apurado e que seja garantido ao contribuinte o aproveitamento dos valores pagos a título de impostos aduaneiros, por se tratar da pena máxima do direito tributário, por não ser passível de cumular com outras penas, caso contrário irá configurar afronta aos princípios da capacidade contributiva, nãoconfisco, proporcionalidade e razoabilidade. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 11/03/2009 a 04/05/2010 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/03/2009 a 04/05/2010 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. O uso de fatura comercial falsificada na importação é punível com a pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, caso estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/03/2009 a 04/05/2010 SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício doloso objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a cento e cinquenta por cento dos valores não recolhidos. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de sua Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos na impugnação acima descritos. É o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso é Tempestivo, e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal Anexo (fls. 122183), a autuação foi decorrente de a fiscalização ter constatado, com base em documentos apreendidos na sede da Recorrente (Mandado de Busca e Apreensão – MBA, processo nº 34202 26.2010.4.01.3900 (fl. 184185), o subfaturamento do preço de mercadorias importadas (existência de faturas com mesma numeração e com preços diversos, além de outras irregularidades). As provas obtidas estão relacionadas no Auto de Apreensão 0280/20104 (fls. 195199), lavrado pelo Departamento de Polícia Federal. A fiscalização obteve diversas faturas que contêm o mesmo nome e endereço, completos do exportador, n° da fatura e data de emissão, mas que, entretanto, apresentam divergências: 1) Tipo de papel; 2) Leiaute; 3) Estilo do carimbo: os carimbos diferem no tipo de fonte e tipo de linha para assinatura; 4) Assinatura: faturas com o mesmo número e data de emissão apresentam assinaturas diferentes; 5) Preço: a indicação de maior relevância a ser considerada para o correta apuração do valor declarado. Foram detectadas faturas com o mesmo número e data de emissão, todavia, com preços completamente divergentes. Alega o Recorrente que uma seria a “ fatura” proforma e a outra a fatura oficial. No entanto, não há nos autos nenhuma “fatura” denominada de “proforma”, apenas diversas faturas, com as inconsistências acima. Notase, pelos dados acima citados relativos às duas faturas apreendidas (tipo de papel; leiautes completamente diferentes; estilo do carimbo diferem no tipo de fonte e tipo Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 10 11 de linha para assinatura; assinatura: faturas com o mesmo número e data de emissão apresentam assinaturas diferentes; e preços diferentes), que houve realmente a utilização, no despacho de importação, de fatura com dados relativos a preços que não condiziam com a real transação ocorrida. Vêse que o conjunto probatório acostado aos autos robustece a tese do Fisco. A Recorrente não trouxe nenhuma prova a seu favor nem apresentou explicações razoáveis para as acusações trazidas. Limitouse a argumentar que os preços constantes na documentação retida eram apenas cotações iniciais, sem apresentar nenhum elemento que pudesse comprovar essa alegação. A fiscalização utilizou documentos apreendidos na sede da autuada para comprovar a prática de subfaturamento na importação. Caberia à defesa demonstrar que não houve tal irregularidade, e não apenas contestar os referidos documentos com afirmações vazias e irrazoáveis. Também não procede o argumento da defendente no sentido de que o fato de as importações terem sido objeto de licenças de importação prévias levaria à conclusão de que as DI´s foram amparadas em documentos idôneos, já que, como comprovou a fiscalização, houve efetivamente a utilização de faturas inidôneas nos despachos investigados. DA VALORAÇÃO ADUANEIRA Quanto a esse tema, deve ser registrado que valoração foi feita com base no artigo 88 da MP 215835/2001 c/c o artigo 1° do AVA, haja vista a existência dos requisitos autorizativos previstos neste dispositivo legal: fraude, sonegação ou conluio, e apuração do preço efetivamente praticado na importação, conforme demonstrado, a Medida Provisória 215835/2001, artigo 88: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Nesse aspecto, depreendese do relatório de auditoria fiscal que a fiscalização considerou e apurou, para fins de valoração aduaneira das mercadorias importadas, em alguns casos, os valores constantes de faturas definitivas e outros dados encontrados nos nas dependências da empresa autuada, obtidos através de mandado de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (fls. 184185). Ou seja, foi possível a determinação do preço efetivamente praticado nas operações envolvendo todas as DI´s objeto de autuação, com exceção da de nº 09/14953731. Assim, à luz do artigo 88 da MP 213558/2001, c/c com o artigo 1° do AVA 1° método de valoração, para essas DI´, não cabe a aplicação dos demais métodos de valoração previstos no AVA, nem a aplicação dos métodos de arbitramento previstos nos incisos do art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Em relação à adição 001 da DI nº 09/14953731, a fiscalização, para a determinação da base de cálculo, utilizouse do método de arbitramento previsto no art. 88, inciso I, MP nº 2.15835/2001, ou seja, preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar, também não cabendo a aplicação dos métodos de valoração previstos no AVA. Portanto, uma vez apreendidas as faturas verdadeiras, de forma diversa do que defende a Recorrente foram utilizados pela fiscalização, no auto de infração, os valores reais de transação, contidos nas faturas de preço maior, que espelham o preço efetivamente praticado nessas transações, conforme detalhado no Relatório de Fiscalização, com exceção da DI nº 09/14953731, para a qual foi utilizado o preço de mercadorias idênticas Portanto, uma vez constatada a diferença entre o preço declarado e o preço real das importações em tela, consoante cálculo efetuado pela fiscalização a partir das faturas verdadeiras, correto está o procedimento adotado pela fiscalização de efetuar o presente lançamento para exigência das diferenças do Imposto de Importação, IPI, bem como das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS devidos na importação, que deixaram de ser recolhidas por ocasião do registro das declarações de importação objeto da presente lide, com os devidos acréscimos legais (juros de mora e multa de ofício proporcional). Devendo ser mantida a decisão da DRJ neste sentido. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA A fiscalização carreou aos autos provas que demonstram, de forma inequívoca, o subfaturamento do preço de mercadorias importadas mediante artifício doloso. Conforme dito anteriormente, foram apreendidos, na sede da Recorrente documentos referentes às transações comerciais em foco, com preços muito superiores aos declarados. Destacase que a declaração de preços a menor não ocorreu por equívoco ou descuido do importador, mas de forma deliberada e sistemática, com a nítida intenção de pagar menos tributo que o devido, como evidenciam as provas trazidas pela fiscalização. Assim, a conduta da autuada caracteriza perfeitamente a fraude, nos termos fixados no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, a seguir reproduzido: Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 11 13 Nesse caso, a lei determina que seja aplicada a multa proporcional qualificada de 150%, incidente sobre os tributos devidos e não recolhidos. É o que dispõe o art.44 da Lei nº 9.430/1996, que tinha a seguinte redação à época dos fatos que deram ensejo ao lançamento e é a base legal do art. 725 do Regulamento Aduaneiro de 2009, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 1 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) (Grifei) O art. 80 da Lei nº 4.502/1964 traz idêntica determinação em relação ao IPI, assim como faz o art. 19 da Lei nº 10.865/2004, no tocante ao PISImportação e COFINS Importação, conforme texto vigente à época dos fatos que deram azo à autuação. Dessa forma, estando devidamente demonstrado o evidente intuito de fraude da empresa autuada, o percentual da multa incidente sobre as diferenças de tributos apuradas é de 150%, consoante determina a lei. Assim, a fiscalização não fez nada mais que cumprir seu dever de ofício ao aplicar a multa proporcional qualificada sobre os débitos de tributos apurados. Neste sentido mantenho a decisão da DRJ em seus próprios termos. DA ALEGAÇÃO DE INCOSNTITUCIONALIDADE Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividadevinculada, conforme o art. 142 do CTN. Assim, falece à autoridade administrativa competência para excluir ou reduzir crédito tributário com fundamento em alegada desproporcionalidade da norma, sendo este foro incompetente para analisar tal questão, uma vez que a apreciação de inconstitucionalidade é exclusiva da Poder Judiciário, por força do princípio da unicidade de jurisdição adotado no Brasil, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. DA PENA DE PERDIMENTO DE MERCADORIAS CONVERTIDA EM MULTA – DESCABIMENTO Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 Para determinar a aplicação da pena de perdimento o fiscal fundamentou a implicação no artigo 689 incisos VI, XI do Decreto n.° 6.759 de 2009 e a conversão em da pena de perdimento em multa foi fundamentada no parágrafo único do mesmo artigo, ainda fundamentou com base nos artigos 73, §1° e 2o da Lei n.° 10.833/03, no Art. 23 caput e §§ Io e 4o do DecretoLei 1.455/76 e no art. 105 incisos VI e XI do DecretoLei 37/66. No entanto, entendo que não deve prosperar a decisão da DRJ, pois a lei de caráter mais específica deve se sobrepor a norma de caráter geral. A multa de 100% acima aplicada é mais específica para o caso de subfaturamento e foi aplicada ao caso. Ao aplicar além da multa específica acima, a multa de perdimento convertida em multa o fisco afrountou a legislação específica que prevê multa para o presente caso, além da legalidade e tipicidade pois está aplicando uma multa que não está prevista para o caso concreto, qual seja, subfaturamento. Ademais, além da multa de 100% foi aplicada a multa de 150%, a multa agravada que somente é aplicada em casos de fraude, dolo. Para a ocorrência do subfaturamento existe previsão especifica de multa na legislação vigente, que é a pena estipulada no artigo 108, parágrafo único do Decretolei n° 37/66 e art. 633 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 e não perdimento de mercadorias e Medida Provisória n.° 2.158 35, de 24.08.2001. O Superior Tribunal de Justiça, chamado a julgar caso de semelhante natureza, posicionouse com entendimento neste mesmo diapasão: EMENTA TRIBUTÁRIO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DO BEM IMPORTADO. ART. 105, VI, DO DECRETOLEI N. 37/66. PENA DE PERDIMENTO DO BEM. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% PREVISTA NO ART. 108, PARÁGRAFO ÚNICO, DA REFERIDA NORMA. PREVALÊNCIA DO DISPOSTO NA NORMA LEGAL SOBRE O TEOR DA NORMA INFRALEGAL (IN SRF 206/2002). 1. Discutese nos autos a possibilidade de aplicação da pena de perdimento de bem quando reconhecida a falsidade ideológica na declaração de importação que, in casu, consignou valor 30% inferior ao valor da mercadoria (motocicleta Yamaha modelo YZFR1WL). 2. A pena de perdimento prevista no art. 105, VI, do DecretoLei n. 37/66 se aplica aos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria, enquanto a multa prevista no parágrafo único do art. 108 do referido diploma legal destinase a punir declaração falsa de valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada. Especificamente no que tange à declaração falsa relativa à quantidade da mercadoria importada, a despeito do disposto no parágrafo único do art. 108 do DecretoLei n. 37/66, será possível aplicarse a pena de perdimento em relação ao excedente não declarado, haja vista o teor do inciso XII do art. 618 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4.543/02). Nesse sentido: AgRg no Ag 1.198.194/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25/05/2010. 3. O precedente supracitado determinou a aplicação da pena de perdimento de bem sobre o excedente não declarado no que tange à falsidade ideológica relativa à quantidade e, ainda, em caso de bem divisível. O caso dos autos, porém, trata de bem indivisível e não diz respeito à falsa declaração de quantidade, mas sim de subfaturamento do bem, ou seja, diz respeito ao valor declarado. 4. A conduta do impetrante, ora recorrido, está tipificada no art. 108 supracitado falsidade ideológica relativa ao valor declarado (subfaturamento) , o que afasta a incidência do art. 105, VI, do DecretoLei n. 37/66 em razão: (i) do princípio da especialidade; (ii) da prevalência do disposto no referido Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 12 15 decreto sobre o procedimento especial previsto na IN SRF 206/2002; e (iii) da aplicação do princípio da proporcionalidade. 5. Recurso especial não provido. ( grifamos) ( STJ, RESP 201001947218, Relator, Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 08/02/2011) No mesmo sentido, é a manifestação dos E. Tribunais Federais: EMENTA ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. APREENSÃO DE MERCADORIAS. SUBFATURAMENTO. APURAÇÃO PELA AUTORIDADE FAZENDÁRIA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. PENA DE PERDIMENTO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DE PENA DE MULTA, NOS TERMOS DO ART. 108 DO DECRETO LEI 37/66. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAMENTO. I O ato administrativo praticado pela autoridade fazendária que, amparandose em fortes elementos de convicção, conclui pela ocorrência de subfaturamento no valor de mercadorias importadas goza da presunção de veracidade, somente podendo ser desconstituído mediante prova cabal da sua inexistência, hipótese não ocorrida, na espécie dos autos. II Em casos assim, a orientação jurisprudencial de nossos tribunais firmouse no sentido de que "a pena de perdimento prevista no art. 105, VI, do Decreto Lei n. 37/66 se aplica aos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria, enquanto a multa prevista no parágrafo único do art. 108 do referido diploma legal destinase a punir declaração falsa de valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada". (REsp 1217708/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/12/2010, DJe 08/02/2011). III No caso concreto, a conduta da autora/recorrente encontrase tipificada, em tese, no art. 108, parágrafo único, do Decreto Lei 37/66 falsidade ideológica relativa ao valor declarado (subfaturamento) , a afastar a aplicação da pena de perdimento de bens, prevista no art. 105, VI, do referido diploma legal, em razão do princípio da especialidade e, também, da aplicação do princípio da proporcionalidade. Precedentes. IV As despesas com armazenagem das mercadorias, devidas em razão da permanência, por força da apreensão determinada no auto de infração discutido nos autos, correrão às expensas da Fazenda Pública, em face da ilegalidade da referida apreensão. V Apelação da autora provida. Sentença reformada, com inversão dos ônus da sucumbência. VI Recurso da União Federal (Fazenda Nacional) prejudicado. ( TRF1, AC APELAÇÃO CIVEL – 200934000093320, Desembargador Federal Souza Prudente, publicação em 14/11/2011 ) EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. RESTITUIÇÃO DE BENS. APREENSÃO DE PORCELANATO. PENA ADMINISTRATIVA DE MULTA. ADEQUADA PARA OS CASOS DE SUBFATURAMENTO. NÃO DEMONSTRADO DOLO OU FRAUDE. ARTIGOS 108 DO DECRETOLEI N.º 37/66 E DO 633 DO REGULAMENTO ADUANEIRO. NECESSIDADE DE LIBERAÇÃO DOS BENS. APELAÇÃO CONHECIDA E PROVIDA. AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (ARTIGO 25 DA LEI N.º 12.016/2009 E SÚMULA N.º 105 DO STJ. Em 23/01/2008, foi lavrado contra a impetrante o auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal de n.º 0817800/01798/08 pela suposta prática dos comportamentos previstos no artigo 105, inciso VI, do DecretoLei n.º 37/66 e artigo 618, inciso VI, do Decreto n.º 4.543/02, com as alterações do DecretoLei n.º 1.455/76, e artigo 23, inciso IV e § 1º, com a redação da Lei n.º 10.637/02, no qual constou que as mercadorias apreendidas ficariam sob a guarda fiscal, como medida acautelatória dos interesses da fazenda nacional, nos termos do artigo 627 do Decreto n.º 4.543/02 (fls. 34 e 35). Prevê o referido dispositivo legal que os veículos e as mercadorias sujeitos à pena de perdimento serão guardados em nome e ordem do Ministro de Estado da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional (Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 25). Entendo que a pena de multa é a que se revela adequada para os casos em que se verifica o subfaturamento da mercadoria importada, isto é, a falsidade ideológica relativa ao valor declarado, à vista do que dispõem os artigos108 do DecretoLei n.º 37/66 e do 633 do Regulamento Aduaneiro, ao passo que o perdimento reservase às situações em que constatada a falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria, nos termos do artigo 105, inciso VI, do DecretoLei n.º 37/66. A situação dos autos trata de falsa declaração do valor dos bens e, portanto, de subfaturamento e, assim, por força do princípio da especialidade, prevalece a multa em relação ao perdimento. Por fim, pelas mesmas razões e por se tratar de norma hierarquicamente inferior, não há que se falar na incidência do procedimento especial previsto na IN SRF 206/2002. (grifamos) Apelação conhecida e provida. Descabida a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, à vista do disposto no artigo 25 da Lei n.º 12.016/2009 e na Súmula n.º 105 do Superior Tribunal de Justiça. (TRF3, AMS 00012257620084036104, Desembargador Federal Andre Nabarrete, publicado em 12/09/2012 ) EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. PENA DE MULTA. SUBFATURAMENTO.Considerando, como fez a sentença: a) as disposições do Decretolei 37/1966 (§ 1º do art. 51) ao estabelecer que, quando no curso do despacho aduaneiro houver exigência relativamente à classificação fiscal ou crédito tributário remanescente, o desembaraço da mercadoria importada fica sujeita a adoção das indispensáveis cautelas fiscais, na forma do regulamento; b) o Decretolei 1.455/1976 (art. 39), que permitiu ao Ministro da Fazenda definir os casos em que é admissível a liberação de mercadorias importadas sujeitas a litígios fiscais, mediante a prestação das garantias que entender necessárias; c) o § 1º do art. 511 do Decreto 4.543/2002 c/c cláusula primeira da Portaria MF n.º 389/1976 que regulamentaram tais normas legais, estabelecendo que em caso da existência de litígio sobre crédito tributário devido em operação de importação, o desembaraço da mercadoria está sujeito à prestação de garantia consistente em depósito em dinheiro, caução de títulos da dívida pública federal ou fiança bancária; d) que se constatado definitivamente o subfaturamento de preços, este implicará a incidência da pena de multa e não a de perdimento da mercadoria; e) que as mercadorias estão retidas há mais de 100 dias, ocasionando evidentes perdas à saúde financeira da empresa importadora, entendo correta a autorização deferida, para a prestação de garantia, na via administrativa, nos termos das normas referidas, após a efetivação da qual deverá ser promovido o desembaraço aduaneiro da mercadoria até então apreendida. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721601/201175 Acórdão n.º 3401002.488 S3C4T1 Fl. 13 17 ( TRF4, APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2009.72.16.0003414/SC, Desembargador Federal Maria Lucia Luz Leiria, publicado em 06/05/2010 ) Portanto, para a hipótese de subfaturamento na importação é cominada penalidade pecuniária específica e objetiva, consistente em multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado. Angela Sartori Relator Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10073.721771/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, atinentes a questões distintas daquelas debatidas no processo judicial.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se configura óbice à constituição de crédito previdenciário objeto de discussão judicial, permanecendo tal crédito com a sua exigibilidade suspensa até a prolação de decisão definitiva no âmbito do Poder Judiciário, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RENÚNCIA TÁCITA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, atinentes a questões distintas daquelas debatidas no processo judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se configura óbice à constituição de crédito previdenciário objeto de discussão judicial, permanecendo tal crédito com a sua exigibilidade suspensa até a prolação de decisão definitiva no âmbito do Poder Judiciário, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 71 /2 01 2- 86 Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.247 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 Data da lavratura do AIOP: 10/12/2012. Data da ciência do AIOP: 17/12/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.026.8722, decorrente de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 33/45. Informa a Autoridade Lançadora que o Autuado ajuizou Mandado de Segurança pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário de contribuição previdenciária incidente sobre os 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, saláriomaternidade, férias e o adicional de 1/3 de férias. Sentença de 1º grau julgou procedente apenas e tão somente a parte referente aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, determinando o Juiz que a compensação correspondente fosse efetuada somente após o trânsito em julgado do processo, o que não foi observado pelo contribuinte. A sentença de 1ª Instância foi reformada em grau de Apelação cível, tendo sido também denegado o pedido relativo a tal verba. Nada obstante, o Sujeito Passivo a inseriu na apuração do montante a compensar a totalidade das verbas discutidas em juízo, mesmo antes do Trânsito em Julgado da decisão judicial. Por tal razão, a Fiscalização procedeu à glosa da totalidade dos valores compensados pela empresa autuada, pelos motivos a seguir destacados: · Na sentença, o Juiz determinou que a compensação fosse efetuada somente após o trânsito em julgado do processo, o que não foi observado pelo contribuinte. · A atualização monetária foi efetuada em desacordo com a sentença judicial. · Os valores referentes a férias utilizados na compensação estão superiores à base de cálculo da folha de pagamento. · Foram utilizados na compensação valores relativos a contribuição destinadas a Terceiros, o que é vedado pelas normas legais. · A empresa não apresentou os resumos das folhas de pagamento das competências 07 e 09/1998, 05 a 12/2002, 08/2003, 09/2004, 11/2005, 01/2006 e 05 a 09/2007. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · A fiscalização verificou ainda que as compensações efetuadas entre 09/2008 e 11/2009 totalizam R$ 2.238.656,72, ao passo que o montante contido na planilha de memória de cálculo apresentada pelo contribuinte é de R$ 1.815.909,19, ou seja, foram efetuadas compensações em valores superiores à sua própria planilha de cálculo. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1048/1070. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ proferiu Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1256.264 – 12ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 1179/1185, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1190. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1192/1230, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a exigibilidade do crédito tributário objeto do presente Auto de Infração deve ser suspensa · Que a empresa, verificando o recolhimento indevido de tributos, tem o direito de proceder à compensação, independentemente de autorização administrativa ou judicial, dos respectivos valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil · Que não se pode aplicar ao caso o art. 170A do Código Tributário Nacional, em razão da incidência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 que autoriza a compensação aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação; · Que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores que lastrearam a compensação, quais sejam: as importâncias pagas nos primeiros quinze dias de afastamento do trabalhador por motivo de doença ou acidente, Salário Maternidade, importâncias pagas a título de férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias; · Que sobre os valores indevidamente recolhidos deve ser aplicada a UFIR, nos moldes estabelecidos pelos artigos 1º e 66, § 3º, ambos da Lei nº 8.383/91, bem como juros de mora de 1% ao mês a partir de cada recolhimento indevido, e taxa SELIC a partir de 1º de janeiro de 1996, conforme o parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/95. Ao fim, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração e a homologação das compensações realizadas. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.248 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 10/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 09/07/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO – RENÚNCIA AO PAF. O Recorrente alega que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores que lastrearam a compensação, quais sejam: as importâncias pagas nos primeiros quinze dias de afastamento do trabalhador por motivo de doença ou acidente, Salário Maternidade, importâncias pagas a título de férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias. Tais questões, todavia, não poderão ser objeto de apreciação e julgamento por este Sodalício, uma vez que, em tal louvor, abdicou tacitamente o Recorrente de debatêla na esfera administrativa ao impetrar perante a 4ª Vara Federal de Volta Redonda/RJ o Mandado de Segurança nº 2008.51.04.0029927, tendo por objeto a exigibilidade do crédito tributário de contribuição previdenciária incidente sobre os 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, bem como a compensação dos valores cuja suspensão de exigibilidade se pretendeu na via judicial. Assentado que a citada medida judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatidos Autos de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.249 7 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A questão em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial invocada pelo Recorrente sobre a legitimidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente, salário maternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, inviável juridicamente se torna o seu conhecimento por esta Corte, que restringirá sua apreciação e julgamento, tão somente, sobre as questões não incluídas na ação judicial em relevo, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário, não possuindo esta Turma Julgadora discricionariedade para ignorála. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA COMPENSAÇÃO O Recorrente alega que, verificado o recolhimento indevido de tributos, a empresa tem o direito de proceder à compensação, independentemente de autorização administrativa ou judicial, dos respectivos valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em ádito, aduz que não se pode aplicar ao caso o art. 170A do Código Tributário Nacional, em razão da incidência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 que autoriza a compensação aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sem razão. Cumpre de plano encarecer que não se encontra em discussão nos presentes autos a legalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas referentes aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, bem como o eventual direito do Recorrente de efetuar a compensação de valores recolhidos a título das rubricas em realce, no período em exame, uma vez que tal matéria é objeto do Mandado de Segurança nº 2008.51.04.0029927, ajuizado perante a 4ª Vara Federal de Volta Redonda/RJ, que proferiu sentença a fls. 655/664, vazada nos termos que se vos seguem: Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.250 9 “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO para: I Declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigue a Impetrante ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago a seus empregados nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento, em razão de auxíliodoença previdenciário ou acidentário; II – Declarar, em consequência, o direito de a impetrante realizar, após o Trânsito em Julgado, a compensação tributária dos recolhimentos efetuados indevidamente a esse título, na forma mencionada no item I, cujos fatos geradores estejam dentro do prazo de dez anos anteriores à data da propositura da presente demanda (posteriores a 08/10/1998), com outras contribuições da mesma espécie e destinação constitucional administrados pela Secretaria da Receita Federal; III A correção monetária, a taxa SELIC e os limites da compensação são aqueles expostos na fundamentação. Não incidem juros moratórios ou compensatórios por falta de expressa previsão legal. A apuração do montante a ser compensado é de responsabilidade e risco exclusivo da impetrante. IV Ressalvo, expressamente, o direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil de verificar valores, a efetividade dos recolhimentos e a compensação realizada pela impetrante na forma aqui decidida. V QUANTO AOS DEMAIS PEDIDOS, DENEGO A SEGURANÇA PLEITEADA.” Todavia, a decisão proferida pela 4ª Vara Federal de Volta Redonda/RJ foi cassada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos termos do Acórdão a fls. 665/672, que deu provimento à apelação da União, para reformar a sentença de 1ª Instância, nos termos que se vos seguem, ad litteris et verbis: “Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de apelação da Impetrante, e dou provimento à remessa necessária e à apelação da União, reformando a sentença, para denegar a ordem e declarar a existência de relação jurídicatributária entre as partes no tocante à incidência da contribuição previdenciária sobre os quinze primeiros dias de afastamento do empregado que antecedem o auxíliodoença e o auxílioacidente, bem como em relação às férias, terço constitucional de férias e Salário Maternidade, nos termos exatos da fundamentação supra.” EMENTA: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIVERSAS VERBAS. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 1. Malgrado o art. 86 da Lei nº 8.213/91 nomeie os valores pagos como indenização, por se tratar, em realidade, de interrupção do contrato de trabalho, e não de suspensão, incide na hipótese a contribuição previdenciária sobre os primeiros quinze dias pagos pelo empregador ao empregado, a título de auxílio doença e auxílioacidente. 2. Quanto à não incidência de contribuição previdenciária a título de férias, o contrato produz todos os seus efeitos, dentre eles a contagem de tempo de serviço em outro período aquisitivo de férias, de 13º salário, de licençaprêmio e outros e, o mais relevante, para aposentadoria, sendo, portanto, devida a incidência de contribuição previdenciária. Da mesma forma, o terços constitucional sobre férias não é gratificação, não é coisa fora do calendário, é remuneração. 3. O Salário Maternidade, pago pelo empregador, consta em folha, sujeitandose, portanto, a todos os seus encargos. 4. Apelação da União e remessa necessária providas. 5. Apelação da Impetrante desprovida. Como é cediço, a decisão judicial há que ser respeitada em todos os seus termos, subjugando esta a todo e qualquer provimento dimanado das instâncias administrativas. Daí não ser objeto de debate, no caso ora em apreciação, a questão pertinente à incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas referentes aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, salário maternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias. Com efeito, sendo a questão atinente à incidência de contribuições previdenciárias sobre as rubricas ora em realce o cerne da demanda judicial em tela, basta um pouquinho de bom senso para perceber que o provimento definitivo a ser proferido na Instância Judicial terá substancial influência sobre o desfecho da compensação pretendida pelo Recorrente, circunstância que justifica o aguardo pelo Trânsito em Julgado do Mandado de Segurança ajuizado pelo Autuado. Código Tributário Nacional CTN Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104/2001) Tal compreensão não colide com as vigílias consignadas na Suprema Corte de Justiça, conforme se depreende do julgamento do Recurso Especial nº 1.167.039/DF, cujo Acórdão houvese por proferido na sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543C do Código de Processo Civil: REsp 1.167.039/DF Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Órgão Julgador: PRIMEIRA SEÇÃO DJe 02/09/2010) Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.251 11 TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Do que se colheu das provas dos autos, permanece intocável a tese defendida pelo Fisco Federal a respeito da legalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas referentes aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, ao saláriomaternidade, às férias gozadas e ao respectivo adicional de 1/3 de férias, conforme assentamento claro e inequívoco no Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a fls.665/672, circunstância que implica o reconhecimento de que as contribuições previdenciárias recolhidas pelo Recorrente sobre as verbas pagas a esses títulos são devidas, não gerando, portanto, crédito para compensação. Não procede, portanto, a alegação de que não se pode aplicar ao caso o art. 170A do Código Tributário Nacional, em razão da incidência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 que autoriza a compensação aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Não procede, portanto, a alegação de que verificado o recolhimento indevido de tributos, a empresa tem o direito de proceder à compensação, independentemente de autorização administrativa ou judicial, dos respectivos valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Atentese que no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei nº 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.252 13 recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. O exercício do direito à compensação, entretanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes, dentre outros, na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade do crédito tributário que se almeja compensar. Colhemos do texto dos dispositivos legais acima revisitados que, para o exercício regular do direito de compensação de contribuições previdenciárias, figura como Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.253 15 condição sine qua non o adimplemento cumulativo dos requisitos abaixo elencados, dentre outros específicos: · Que o crédito reclamado na compensação tenha sido comprovadamente extinto pelo pagamento. Não basta o mero oferecimento à tributação. É indispensável a comprovação do efetivo recolhimento ao Erário; · Que o crédito empregado na compensação decorra de recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; · Que o crédito utilizado na compensação seja da titularidade do contribuinte que procedeu à compensação; · Que, a partir de janeiro/1999, a compensação de contribuições previdenciárias tenha sido declarada nas GFIP correspondentes às competências em que foram realizadas; · Que inexistam débitos constituídos em face do Interessado em favor da fazenda pública na data da entrega de GFIP em que estiver sendo empreendida a compensação; · Que o Interessado esteja em situação regular perante a Fazenda Pública, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; · Que o Interessado esteja em dia com parcelas relativas a eventuais acordos de parcelamento de contribuições previdenciárias, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; · Que a compensação pretendida seja efetivamente realizada dentro do prazo não vitimado pelo instituto da prescrição tributária; Dessarte, demonstrada a natureza jurídica previdenciária da obrigação tributária principal, imperativa se mostra a comprovação do efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes da obrigação principal em relevo. Na sequência, comprovada a extinção do crédito tributário pelo pagamento, há que ser demonstrado o reconhecimento administrativo ou judicial de que o recolhimento assim efetuado pelo Sujeito Passivo seja indevido, pois só assim irá se configurar o recolhimento indevido ou a maior, elemento essencial e condição indispensável para o exercício do direito ora pleiteado. Por fim, há que se comprovar a declaração de tal modalidade de extinção do crédito tributário nas GFIP correspondentes às competências em que se houve por empreendida a compensação. No caso ora em apreciação, inexiste qualquer recolhimento indevido, tampouco comprovação de recolhimento a maior, uma vez que as verbas pagas a título de saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, e aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, subsumemse no Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 conceito jurídico de Salário de Contribuição, assentado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, conforme assim entendeu o Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Não procede, portanto, a alegação de que não se pode aplicar ao caso o art. 170A do Código Tributário Nacional, em razão da incidência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 que autoriza a compensação aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383/91 é expresso ao circunscrever o direito de compensação tributária aos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No caso em apreço, inexiste recolhimento indevido, tampouco se houve por comprovada a ocorrência de recolhimento a maior de contribuições previdenciárias. No caso em estudo, o sujeito passivo levou à apreciação do Poder Judiciário a questão atinente à legalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, e aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença. Nessa prumada, a palavra final sobre a exigibilidade de tais exações virá com o pronunciamento definitivo do Poder Togado, motivo pelo qual deve o Recorrente, antes de iniciar a compensação dos tributos que entende terem sido recolhidos indevidamente, aguardar o trânsito em julgado da Demanda Judicial, como assim houvese por determinado, expressamente, na sentença judicial proferida pelo juízo de 1º grau. A norma encartada no art. 170A do CTN visa a coibir, exatamente, a situação em que o sujeito passivo promove precipitadamente a compensação de créditos tributários, cuja certeza, liquidez e titularidade do Fisco são, ao fim, reconhecidos judicialmente, mediante decisão irrecorrível. Não procede, pelas mesmas razões, a alegação de que verificado o recolhimento indevido de tributos, a empresa tem o direito de proceder à compensação, independentemente de autorização administrativa ou judicial, dos respectivos valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ora bolas !!!! Sendo devidas as contribuições previdenciárias recolhidas, incidentes sobre as verbas pagas a título de saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, e aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, não há que se falar em recolhimento indevido. Sem recolhimento indevido, não haverá constituição de crédito em favor do Sujeito Passivo. Inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Autuado. Procedente a glosa. Nesse contexto, Não havendo valores indevidamente recolhidos, perde objeto a alegação de que “sobre os valores indevidamente recolhidos deve ser aplicada a UFIR, nos moldes estabelecidos pelos artigos 1º e 66, §3º, ambos da Lei nº 8.383/91, bem como juros de mora de 1% ao mês a partir de cada recolhimento indevido, e taxa SELIC a partir de 1º de janeiro de 1996, conforme o parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/95”. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721771/201286 Acórdão n.º 2302003.036 S2C3T2 Fl. 1.254 17 2.2. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO No que pertine à suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente Auto de Infração, esta decorre ex lege, independentemente de qualquer medida por parte desta Corte Administrativa. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário assentada no art. 151 do CTN ataca a exigibilidade do crédito tributário constituído, desobrigando o sujeito passivo do recolhimento imediato do crédito atacado, enquanto perdurar os efeitos da suspensão ou a existência do crédito tributário. Conforme explicitado no texto legal, a norma tributária se refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não à suspensão da obrigação tributária. Para que haja a existência do crédito tributário é indispensável que este já esteja constituído, mediante a devida convolação da obrigação tributária correspondente, condição que se alcança com a efetiva formalização do lançamento, assim compreendido o procedimento administrativo levado a cabo como o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. Nessa prumada, somente após a conclusão do lançamento poderseá falar em crédito tributário. Antes não. Haverá, tão somente, obrigação tributária. Registrese que crédito tributário é direito subjetivo do fisco, em face do qual se pode opor o devedor. O poder/dever de convolar a obrigação tributária em crédito tributário é direito potestativo da Fazenda. Nesse contexto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não apõe qualquer blindagem na prerrogativa que possui a autoridade fazendária competente de efetivar o lançamento. A suspensão apenas desobriga o sujeito passivo correspondente do recolhimento imediato do crédito constituído, seja espontaneamente, seja mediante execução forçada, enquanto perdurarem ativas as causas de suspensão. Registrese por relevante que o próprio ordenamento jurídico prevê a autonomia do Fisco de proceder ao lançamento, com fito de prevenir a decadência, mesmo nas hipóteses de suspensão do crédito tributário em razão da concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. §2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não merece reparo, pois, a decisão de 1ª Instância. 3. CONCLUSÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10865.003927/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 92 7/ 20 10 -6 5 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10865.003927/201065 Resolução nº 2402000.261 S2C4T2 Fl. 152 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTA CASA DE MISERICÓRDIA HOSPITAL SÃO VICENTE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.283.7328, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias cota patronal incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas pela recorrente como isentas em razão de tratarse de Entidade de Beneficência e Assistência Social. O relatório fiscal esclarece que através da Resolução n. 41 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 15 de março de 2007, com publicação no Diário Oficial da União DOU de 22/03/2007 foi indeferido o pedido de Renovação do CEAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e posteriormente através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 001 de 08/10/2008 emitida pela DRF de Limeira, o contribuinte teve cancelada a isenção das contribuições de que tratam os artigos, 22 e 23 da Lei ns 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tais motivos a fiscalização verificou que a recorrente está sem o certificado de entidade beneficente desde 01/01/2001 até presente data, e, mesmo tendo conhecimento do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais, continuou a informar nas GFIP´s o FPAS 639 como sendo entidade com isenção. Haja vista que a Medida Provisória n° 449, em vigor desde 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas, aplicou as multas mais, benéficas ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II. "c"), conforme demonstrado no Anexo 04 / '"Comparação e Cálculo da Multa Aplicada": para as competências 01/2005 a 11/2008, aplicaramse as multas previstas na legislação anterior; e para as competências de 12/2008 a 08/2009, aplicaramse as multas de ofício de 75% previstas na legislação superveniente. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 08/2009, tendo sido a contribuinte cientificada em 16/12/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 111/115), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a expedição do Ato Cancelatório está intimamente ligada constituição do crédito tributário por meio do presente Auto de Infração, motivo pelo qual, nesta oportunidade, deve ser apreciada a motivação daquele ato; 2. que o motivo que embasou o Ato Cancelatório não mais subsiste, sendo necessário o cancelamento do presente Auto de Infração; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10865.003927/201065 Resolução nº 2402000.261 S2C4T2 Fl. 153 3 3. A necessidade de adoção do princípio da instrumentalidade das formas, de sorte que nesta oportunidade devam ser apreciados os fundamentos objeto do Ato Cancelatório, motivo pelo qual também não poderia o julgador de primeira instância declararse como incompetente na análise do pleito formulado em sede de impugnação; 4. que não houve descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, uma vez que a recorrente protocolou em 2000 o pedido de renovação de seu certificado; 5. que mesmo indeferido o pedido foi apresentado pedido de reconsideração ao CNAS o qual possui efeito suspensivo, devendo ser considerado válido o CEAS que possuía até o julgamento de seu pedido de reconsideração; 6. que foi cientificada do Ato Cancelatório da isenção somente em 08/10/2008, cujo motivo determinante foi a inexistência do CEAS; 7. que a emissão do Ato Cancelatório não observou o fato de que ainda existia pedido de reconsideração pendente de análise pelo CNAS; 8. que nos termos do art. 39 da MP 446/08 o pedido de renovação do CEAS, ainda não definitivamente julgado fora automaticamente deferido; 9. que se o ato cancelatório n. 001/2008 foi expedido unicamente em razão da suposta ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003, comprovado pela documentação juntada aos autos, cessou a causa determinante para a continuidade dos efeitos do Ato Cancelatório; 10. que mesmo no período que sucede 01/01/2001 a 31/12/2003, não haveria a necessidade da recorrente em demonstrar ter obtido a renovação de seu certificado; 11. mesmo assim, protocolizou em 10/12/2008, no Ministério da Saúde, quando ainda vigorava a MP 446/08, pedido de renovação de seu certificado, com o registro sob o n. 25000.215707/2008, devendo comprovar o cumprimento dos requisitos legais para os três anos anteriores ao pedido (2005, 2006. 2007), pedido este que ainda não veio a ser analisado; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10865.003927/201065 Resolução nº 2402000.261 S2C4T2 Fl. 154 4 12. que em não tendo sido analisado o pedido, diante da natureza do reconhecimento da isenção possuir efeitos ex tunc, certamente haverá de ser reconhecida sua isenção para referido período; 13. finaliza argumentando não ter infringido a Lei, quando declarou o FPAS 639; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10865.003927/201065 Resolução nº 2402000.261 S2C4T2 Fl. 155 5 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu da prévia emissão do Ato Cancelatório n. 001/2008. Restou consignado na informação fiscal que acompanha o Ato (fls. 176), que a entidade autuada não era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 já que o pedido para renovação do CEAS do período de 01/01/1998 a 31/12/2000 havia sido indeferido por decisão do Conselho Nacional de Assistência Social nos autos do processo 44006.005370/200087. Em decorrência, a entidade autuada teve cancelada, a partir de 01/01/2001, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, por descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91. Sustenta que em face de referido indeferimento, apresentou pedido de reconsideração da decisão, o qual veio a ser deferido pelo CNAS, por força do artigo 39 da Medida Provisória MP 446/2008, de modo que o fundamento do Ato Cancelatório n. 001/2008 não mais subsistia, pois passou a ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com validade para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. Desta feita, entendo que antes mesmo do julgamento do presente recurso voluntário, há de se ter certeza sobre a situação do julgamento do Ato Cancelatório de Isenção lavrado em desfavor da recorrente, conforme autoriza o o disposto no art. 18 do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Justifico minha posição, ainda, em razão de que, para que possa a ilustre autoridade fiscal promover o lançamento, esta deve observar a necessidade de prévio cancelamento da isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10865.003927/201065 Resolução nº 2402000.261 S2C4T2 Fl. 156 6 disposto no artigo 305 e parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, como condição à constituição do crédito previdenciário. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos do presente processo a DRJ de origem, para que se esclareça o seguinte: (i) qual o andamento e situação do processo administrativo n. 44006.005370/200087, informando em que fase o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório 001/2008, se é que já houve refeido julgamento, fazendo juntar aos autos o respectivo acõrdão; (ii) se o ato cancelatório n. 001/2008 veio a ser reformado, seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08; Após, que seja o contribuinte intimado se manifestar sobre o resultado da diligência, com o conseqüente envio dos autos a este Eg. Conselho. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721424/2008-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721424/200847 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.078 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de abril de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PISCINART COMÉRCIO E EQUIPAMENTOS PARA PISCINAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa “dedução” dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 24 /2 00 8- 47 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1524.314, às efls. 39/40: A interessada transmitiu PER/DCOMP eletrônico visando compensar valor recolhido mediante DARF do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples com débitos de outros tributos e contribuições, sob o argumento de que à época do recolhimento, já estava excluída da sistemática do Simples. A DRF/Salvador emitiu Despacho Decisório reconhecendo o direito creditório mas homologando parcialmente a compensação declarada, em face da aplicação ao presente caso do art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, que prevê a incidência de acréscimos legais ao débito cuja compensação pretendeu a interessada. Desta forma, restou configurado excesso de compensação, sendo determinada a sua cobrança imediata, nos termos do art. 48, II da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, ressaltandose que a manifestação de inconformidade porventura apresentada não suspenderia a exigibilidade do crédito tributário. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando ser equivocada a aplicação de multas e acréscimos moratórios aos valores originais devidos, requerendo, ao final, a homologação da compensação declarada. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve a homologação apenas parcial da compensação pretendida, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/09/2006 COMPENSAÇÃO. DATA DA VALORAÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA DE MORA. A data de valoração, para fins da efetivação das compensações declaradas à Receita Federal a partir de 28 de maio de 2003, é a data da transmissão da declaração de compensação, e os débitos Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 5 4 sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, se naquela data já estiverem vencidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, que foi postada para a ciência em 28/09/2010 (efls. 41), a Contribuinte apresentou em 20/10/2010 o recurso voluntário de efls. 42/43, alegando: que a compensação foi parcialmente homologada porque a Receita Federal equivocadamente entendeu que não teriam sido computados (pela Contribuinte) os valores referentes a multas e acréscimos moratórios; que não tem cabimento tal interpretação, pois todos os PER/DCOMP foram tempestivamente apresentados, mês a mês, e são eles que representam a quitação tempestiva dos tributos em referência; que não há razão para cobrança das multas e acréscimos moratórios, e que por isso não podem ser cobrados os pequenos saldos apontados pela Receita Federal; que a compensação deve ser integralmente homologada, com a extinção definitiva dos créditos tributários compensados. Este é o Relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declaração de compensação por ela apresentada em 25/09/2006. O pretendido encontro de contas abrange crédito decorrente de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/04/2003 no código 6106, referente ao período de apuração PA março/2003, no valor de R$ 3.519,13, que foi utilizado para quitar, por compensação, débitos de COFINS de janeiro/2003, COFINS de fevereiro/2003 e COFINS de março/2003, informados com o código 2172. O valor original do crédito corresponde exatamente à soma dos débitos (levando em conta apenas a rubrica principal, sem acréscimos legais). Com o PER/DCOMP sob exame, a Contribuinte busca o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que ela foi excluída do Simples, para a quitação de débitos de COFINS apurados em razão da exclusão do Simples. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório de efls. 20 a 23, reconheceu o direito creditório, mas concluiu que ele era insuficiente para quitar integralmente os débitos objeto do PER/DCOMP, remanescendo saldo devedor a ser exigido da Contribuinte. Esse valor residual de débito surgiu em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data de apresentação do PER/DCOMP – juros selic sobre o crédito, e juros selic e multa de mora sobre os débitos vencidos. A Delegacia de Julgamento, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a homologação apenas parcial da compensação, entendendo que de fato caberia a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos, até a data de apresentação do PER/DCOMP, porque eles já estavam vencidos nesta data. Na presente fase recursal, a Contribuinte novamente se insurge contra o cômputo dos referidos acréscimos legais. A Lei nº 10.637/2002 implementou grandes mudanças no art. 74 da Lei 9.430/1996, redefinindo todo a configuração jurídica da compensação tributária na esfera federal. Desde então, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal passou a extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e em razão disso o momento para o encontro de contas passou a ser a data do envio da declaração de compensação (PER/DCOMP). Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 7 6 Desse modo, se na data de apresentação do PER/DCOMP o débito objeto da compensação já estiver vencido, sobre ele, regra geral, devem incidir os acréscimos moratórios. Entretanto, a situação sob exame merece ser analisada com mais detalhe. Já mencionamos que a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do regime de tributação simplificada, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos apurados de acordo com o regime de tributação adotado em substituição ao Simples. Esse é o contexto da presente compensação. Ocorre que esse encontro de contas, quando abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período de apuração, pode se dar até mesmo de ofício, mediante simples “dedução” matemática, independentemente de apresentação de declaração de “compensação” (PER/DCOMP) por parte dos contribuintes. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, COFINS e CPP, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado para a quitação de débito de mesma natureza (mesmo tributo e PA), que decorreu da mudança do regime de tributação, nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP. O encontro de contas objeto do presente processo abrange débitos de COFINS de janeiro/2003, COFINS de fevereiro/2003 e COFINS de março/2003, com os valores originais de R$ 884,86, R$ 1.940,72 e R$ 693,55, respectivamente. O crédito decorre de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/04/2003 no código 6106, referente ao período de apuração PA março/2003, no valor de R$ 3.519,13. O PER/DCOMP esclarece que o pagamento do Simples correspondeu ao coeficiente de 5,40% sobre a receita bruta mensal, e de acordo com o art. 23, II, “a”, da Lei 9.317/1996, esse coeficiente era composto pelas seguintes parcelas: 1 – 0,13%, relativo ao IRPJ; 2 – 0,13%, relativo ao PIS/PASEP; 3 – 1%, relativo à CSLL; 4 – 2%, relativos à COFINS; e Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 8 7 5 – 2,14%, relativos à Contribuição Patronal Previdenciária – CPP. A divisão acima mencionada evidencia a seguinte participação de cada tributo em relação ao pagamento efetuado: PA Tributo Participação Participação relativa no pagamento IRPJ 2,41% 84,81 PIS/PASEP 2,41% 84,81 Março CSLL 18,52% 651,74 de 2003 COFINS 37,03% 1.303,14 CPP 39,63% 1.394,63 100,00% 3.519,13 Mencionamos que a Delegacia de origem já reconheceu integralmente o crédito, aproveitando o pagamento no valor de R$ 3.519,13 para a quitação dos débitos indicados pela Contribuinte, e que em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data da apresentação do PER/DCOMP, remanesceu saldo de débito. Ocorre que uma parte do referido encontro de contas envolve crédito e débito do mesmo tributo e período de apuração (COFINS de março/2003), o que implica dizer que uma parte dos débitos relacionados no PER/DCOMP já estava quitada antes mesmo da apresentação deste, em função do pagamento realizado no regime de tributação simplificada. Desse modo, antes de qualquer imputação para efeito de cômputo de acréscimos legais sobre créditos e débitos até a data de apresentação do PER/DCOMP, deveriam ter sido “deduzidos” do débito de COFINS de março/2003 (R$ 693,55), também objeto do presente processo, o valor de R$ 1.303,14, que representa o montante desta Contribuição que já havia sido pago pela Contribuinte antes mesmo da apresentação do PER/DCOMP. Somente após realizada essa “dedução” do valor já pago, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Em relação à COFINS/mar/2003, o resultado prático do procedimento de “dedução” fica limitado ao valor do débito objeto destes autos (R$ 693,55), somandose a parte excedente ao restante do crédito, para ser utilizado mediante “compensação” com a parte remanescente dos débitos informados no PER/DCOMP, com a devida imputação de acréscimos legais. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721424/200847 Acórdão n.º 1802002.078 S1TE02 Fl. 9 8 Desse modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o cômputo de acréscimos legais sobre a parcela dos débitos que já se encontrava quitada pelo pagamento com o código 6106, no montante de R$ 693,55 (COFINS de março de 2003). (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.915253/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/10/2007
DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE ANALISE DE DCTF RETIFICADORA. DACON RETIFICADOR. NULIDADE.
Constatando nos autos prova de que as declarações retificadoras foram transmitidas e examinadas pela Autoridade Administrativo a tempo, o indeferimento se revela erro que leva nulidade do processo ab initio.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anulou-se o processo ab initio. Sustentou pela recorrente o Dr. Murilo Marco, OAB/SP nº 238.869.
Antonio Carlos Atulim Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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AUSÊNCIA DE ANALISE DE DCTF RETIFICADORA. DACON RETIFICADOR. NULIDADE. Constatando nos autos prova de que as declarações retificadoras foram transmitidas e examinadas pela Autoridade Administrativo a tempo, o indeferimento se revela erro que leva nulidade do processo “ab initio”. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anulouse o processo “ab initio”. Sustentou pela recorrente o Dr. Murilo Marco, OAB/SP nº 238.869. Antonio Carlos Atulim – Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 53 /2 00 9- 11 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida o presente Recurso Voluntário interposto por DROGASIL S/A visando modificar o v. Acórdão que manteve o indeferimento de ressarcimento de saldo credor de contribuições sociais para a COFINS decorrentes do período de 01/31/2007 a 31/10/2007 que pretendia compensar com débitos próprios. Em 28 de abril de 2009 a Recorrente transmitiu PER/COMP nº 27044.00095.300409.1.3.046349, alegando pagamento indevido ou a maior do que o devido. A negativa de homologação da compensação pleiteada dáse em virtude da inexistência do crédito. O despacho decisório ocorre por meio de sistema parametrizado Ciente da decisão houve interposição da Manifestação de Inconformidade ao argumento de que houve retificação do DACON referente ao mês de março de 2007, especificamente quanto à informação da Ficha 16ª, linhas 04, 05,06 e 11 para incluir créditos sobre despesas com energia elétrica, alegueis de prédios, maquias e equipamentos locados de pessoa jurídica e encargos de amortizações de edificações e benfeitorias, assim como, na FICHA 17B, linhas 01 e 09, para reduzir receitas de produtos sujeitos a alíquotas zero tributadas indevidamente, assim, o valor do débito apurado passou de R$ 191.583,58 para R$ 74.876,09 (setenta e quatro mil, oitocentos e setenta e seis reais e nove centavos). Assim sendo, teria recolhido a maior o montante de R$ 116.706,97 (cento e dezesseis mil, setecentos e e seis reais e noventa e sete centavos). Diz ainda que o valor apurado e pago no montante de R$ 116.706,97 (cento e dezesseis mil, setecentos e e seis reais e noventa e sete centavos), conforme DARF, cópia do documento acostado. Afirma que o indeferimento é equivocado em razão da ausência de processamento das declarações retificadoras, DACON e DCTF retificadoras. O julgador de piso manteve o indeferimento ao convencimento de que a Interessada não logrou provar a existência do crédito e a liquidez. Em sede recursal traz à colação cópias e extratos da contabilidade e outros demonstrativos, jurisprudência da inexistência de preclusão da juntada de documentos por tratarse de decisão eletrônica. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda tratada nesse processado se refere ao direito do contribuinte solicitar ressarcimento de valor pago a maior do que o devido. No caso especifico deste caderno verificase que o processamento da DCTF e do DACON retificadores dos dados informados anteriormente deixou de ser processado até o evento da análise do pedido de compensação apresentado, motivo pelo qual o Despacho Decisório deixou de contemplar a solicitação. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10880.915253/200911 Acórdão n.º 3403002.859 S3C4T3 Fl. 5 3 Esse acontecimento alheio a vontade do contribuinte fez com que o seu pleito fosse indeferido. Como é sabido a obrigação do contribuinte é de declarar o débito por meio da DCTF e o meio pelo qual foi extinto. O DACON espelha e reflete apuração do débito e do crédito quando submetido à sistemática da não cumulatividade. Observado pelo contribuinte erro material ou na interpretação da legislação, facultase a correção das informações sem exigência de demonstrar as razões pelas quais os dados estão sendo alterados. Inexiste determinação legal impondo essa comprovação junto com o pedido de retificação. Permitese o sujeito passivo anteciparse a autoridade administrativa e proceder à correção das distorções por ela praticada, inexiste vedação, senão seria incompatível retificar ex ofício o Autolançamento. No caso em exame o contribuinte se antecipou e procederam as retificações que se faziam necessárias ajustar apuração do débito a realidade dos fatos, o que lhe é facultado. Constatando nos autos prova de que transmitiu as retificações, levaria a reconhecer como certo os elementos consignados nos novos documentos, sendo que, a Administração Tributária possui meios capaz de certificarse da certeza e liquidez do crédito e, até porque a compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Considerando que o contribuinte antecedeu ao despacho decisório retificando a DCTF e DACON, e, deixando a Administração de processar as informações procedeu em erro, decidindo erroneamente contra os interesses da Recorrente, o que leva a anular o processo “ab initio”. Com essa conclusão, conheço do recurso e dou provimento para anular o processo “ab initio”. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002622/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 26 22 /2 00 9- 21 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10935.002622/200921 Acórdão n.º 2801003.472 S2TE01 Fl. 70 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 34 deste processo digital), reproduzido a seguir: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2007, anocalendário 2006. Através da Notificação nº 2007/609450404225062, resultante do deferimento parcial de SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO SRL, a restituição do contribuinte foi reduzida a R$1.602,70. Conforme a Descrição dos Fatos de fls. 0507, o lançamento é resultado da verificação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 7.696,73 e de glosa de compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 6.746.81. Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando que: Na apuração das verbas tributáveis, em revisão realizada pelo auditor fiscal, foi embutido a DEVOLUÇÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS. Esta devolução deuse em razão que na época da prestação de serviço, o empregador descontou indevidamente das minhas verbas salariais, à titulo de reforma realizada na residência que pertencia a ele. Dessa forma o Juiz deferiu a meu favor a restituição do valor descontado. Este valor representa 7,54% do montante das verbas tributáveis (V.T R$ 129.046,54: R$9.731,51 = 7,54%), valor apurado no final do processo tributável R$ 316.122,46 x 7,54% = R$ 23.835,63. Valor indevido da base de tributável R$ 23.835,63 () Honorários descontado indevidamente da apuração R$ 1.268,39 (=) Valor a ser desconsiderado da Base tributável R$ 22.567,24 O contribuinte, então, recalcula a base tributável que entende correta, no valor de R$ 276.733,03, e pede o acolhimento de sua defesa. A 7ª Turma da DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10935.002622/200921 Acórdão n.º 2801003.472 S2TE01 Fl. 71 3 ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação pelo contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/12/2011 (fl. 38), o Interessado interpôs, em 07/12/2011, o recurso de fls. 39/41, acompanhado dos documentos de fls. 42/67. Na peça recursal aduz que: Em 19/05/2011 propôs ação judicial buscando a repetição de indébito tributário referente a imposto de renda retido sobre juros decorrentes de demanda trabalhista e também sobre o fato do presente recurso (notificação pela SRF), sendo ambos os pedidos julgados procedentes, conforme sentença anexa. Já havia anexado as provas à impugnação, entretanto, para sanear eventual dúvida, juntaas novamente. Após citar trecho a decisão judicial prolatada pela Justiça Federal, requer o acolhimento do presente recurso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator O lançamento foi efetuado em virtude das seguintes infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 7.696,73; compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 6.746.81. Analisando a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 6/8 deste processo digital) da infração de omissão de rendimentos verificase que a Autoridade lançadora considerou como tributável, dentre outras verbas, os juros de mora e a verba intitulada “Devolução de descontos indevidos”, verba esta que foi devolvida ao Recorrente no bojo da reclamatória trabalhista por ele ajuizada em face do Banco do Brasil (Acórdão TRTPRRO 12014/1998, às fls. 48/51). Após a lavratura da presente Notificação de Lançamento o Interessado ajuizou ação perante a Justiça Federal pleiteando a restituição do imposto de renda sobre os juros moratórios e sobre os valores indevidamente descontados de seus salários, valores estes referentes à reforma da residência funcional onde morava e que lhe foram devolvidos em decorrência da referida reclamatória trabalhista. Em pesquisa no sítio eletrônico do TRF da 4ª Região constatei que a referida ação transitou em julgado em 26/09/2012, sendo julgada procedente em primeira instância, com negativa de provimento ao reexame necessário. O acórdão do TRF da 4ª Região, na parte que interessa, está assim descrito: Reexame Necessário Cível Nº 500157557.2011.404.7005/PR Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10935.002622/200921 Acórdão n.º 2801003.472 S2TE01 Fl. 72 4 RELATORA: Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE PARTE AUTORA: ANTONIO CARLOS MARQUES RIBEIRO ADVOGADO: ADRIANA DOLIWA DIAS PARTE RÉ: UNIÃO FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Tratase de reexame necessário da sentença que julgou procedente o pedido formulado na inicial, declarando a não incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e a restituição de verbas indevidamente debitadas na conta corrente do autor, com aplicação da taxa Selic. A União restou condenada ao pagamento de honorários advocatícios, estes fixados em R$ 1.000,00. (...) VOTO A sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais, a fim de evitar tautologia, adoto como razões de decidir: O demandante requer a restituição dos valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre os juros moratórios e os valores reconhecidos como indevidamente descontados dos salários, a título de reforma da residência funcional onde morava, e que foram devolvidos/recebidos em decorrência de reclamatória trabalhista. a) Dos juros moratórios Quanto aos juros de mora em reclamatória trabalhista, entende se que tal verba tem por finalidade a recomposição do patrimônio e, por isso, detém natureza indenizatória dos prejuízos causados ao credor pelo pagamento extemporâneo de seu crédito. Assim, não seria aceitável a incidência de imposto de renda sobre importância destinada a reparar danos, pois havendo a subtração destinada ao Fisco, o lesado não teria o dano totalmente reparado. Com efeito os juros moratórios não se sujeitam à incidência de imposto de renda, pois não representam qualquer acréscimo patrimonial. Saliento ser irrelevante a natureza da verba recebida, se indenizatória ou salarial, pois o afastamento da tributação sobre os juros moratórios abrange todas as verbas pagas em atraso ao contribuinte. Nesse sentido, pacífica a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10935.002622/200921 Acórdão n.º 2801003.472 S2TE01 Fl. 73 5 Assim, impõese reconhecer a não incidência do imposto de renda sobre os juros de mora, devendo, os valores indevidamente recolhidos serem restituídos e corrigidos pela Taxa Selic desde janeiro de 1996 até junho de 2009, quando passarão a ser corrigidos pelos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança (art. 5º da Lei n. 11.960/09). b) Dos valores indevidamente descontados do salário do autor a título de reforma da residência funcional e que lhe foram devolvidos em ação trabalhista Pretende o autor afastar a incidência do Imposto de Renda sobre os valores que lhe foram indevidamente descontados do salário, a título de pagamento da reforma efetuada na residência funcional que utilizava, sob o argumento de se trata de verba de natureza indenizatória. Como se vê do acórdão juntado no Evento 09, ACOR2, foi determinada a devolução dos valores de R$ 1.600,00 e de R$ 4.447,25 a título de descontos efetuados de forma indevida na conta corrente do empregado, ora autor. Afirma a parte autora sem contestação da parte ré que estes valores eram descontados do seu salário e que foram devolvidos por meio da demanda trabalhista, restando incontroverso esse ponto. Todavia, a fim de se analisar se poderiam ou não estas verbas serem consideradas indenizatórias, necessário é analisar a sentença trabalhista, bem como o fato de se sobre elas já incidiu anteriormente o imposto de renda. A sentença proferida no primeiro grau (ev. 14, SENT17) julgou improcedente a demanda neste ponto, todavia, em grau de recurso, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região reformou a sentença neste particular, entendendo como indevidos os descontos e determinando a sua restituição. Dessa forma, a sua natureza neste primeiro momento é de verba indenizatória. Ocorre que, caso descontada na folha de salários, sobre ela não incidiria o imposto de renda na época correta, pois não percebida pelo autor a renda sob analisa. Nessa hipótese, devida é a cobrança do imposto, pois o Poder Judiciário, ao tornar o autor indene, retornouo ao status quo ante, ou seja, devolveu o valor como se não tivesse nunca sido descontado, devendo o imposto de renda incidir como se naquela época fosse cobrado. Por outro lado, caso pago normalmente o salário com o desconto do imposto de renda mas, posteriormente, o empregador (instituição financeira) efetuasse os descontos em contacorrente do autor, indevida será a cobrança do imposto, pois os numerários depositados em conta corrente não servem de base de cálculo para o imposto de renda. Destarte, como se percebe do documento juntado pelo autor no Evento 14, EXTR2, pg. 3, os valores ora pleiteados foram descontados diretamente da conta corrente do autor, sob a Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10935.002622/200921 Acórdão n.º 2801003.472 S2TE01 Fl. 74 6 denominação '1512 AV. DEBITO', no valor de R$ 1.600,00 e '2712 DB C.INSTR', no valor de R$ 4.447,25. Logo, o presente caso se enquadra na segunda situação supracitada, não devendo, por isso, ser tributado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao reexame necessário. Des. Federal Maria de Fátima Freitas Labarrère Relatora Nos termos da Súmula CARF nº 1, “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Significa dizer que o recurso voluntário não pode ser conhecido em relação à infração de omissão de rendimentos, haja vista que, na apuração desta infração, foram consideradas como tributáveis as verbas que a Justiça Federal declarou a não incidência e determinou a restituição ao Recorrente, ou seja, o objeto da ação judicial guarda identidade com parte do objeto do lançamento, sendo aplicável, neste caso, a Súmula CARF nº 1. No que se refere à infração de compensação indevida de IRRF, a Autoridade lançadora considerou que dos R$ 84.655,86 retidos na reclamatória trabalhista R$ 77.595,56 eram rendimentos tributáveis na declaração e R$ 7.060,30 eram decorrentes de tributação exclusiva na fonte (reflexos de décimo terceiro). Como o contribuinte declarou 84.342,37 a título de IRRF, houve a glosa de R$ 6.746,81, que corresponde ao IRRF declarado menos o IRRF dos rendimentos tributáveis (R$ 84.342,37 – R$ 77.595,56). Esta parte do lançamento não foi impugnada pelo Interessado. No recurso, o Interessado apenas faz menção à referida infração no tópico “Os Fatos”, sem contestála no tópico “O Direito” (preliminar ou mérito) e sem apresentar qualquer alegação ou prova no sentido de elidir o entendimento fiscal. Aplicável, portanto, o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10935.002622/200921 Acórdão n.º 2801003.472 S2TE01 Fl. 75 7 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 11831.003071/2002-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA.
Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazê-la em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 30 71 /2 00 2- 78 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003071/200278 Acórdão n.º 3402002.301 S3C4T2 Fl. 270 3 Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da DRJ/RPO recorrida, adoto o mesmo por fidelidade: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente,ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, referente ao 3° trimestre de 2000, no montante de R$ 65.070,14, e, conseqüentemente, não homologou as compensações vinculas ao presente processo. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 46/52, o pedido foi indeferido, em síntese, pelo fato de a contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização (notas fiscais), indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do crédito solicitado. Regularmente cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 98/102, instruída com os documentos de fls. 103/123, alegando, em síntese, que: 1) Transcorreu o período para a homologação expressa pela Receita Federal, o que inevitavelmente transformou esta homologação em tácita, devendo desta forma ser reconhecido o direito liquido e certo da contribuinte recorrente sem a verificação e fiscalização pela Receita Federal; 2) É ilegal e excesso de exação da Receita Federal negar prazos para a entrega de documentos prescritos e intimar a contribuinte a apresentar planilhas mensais com os valores da receita de exportação e receita operacional bruta, com exclusão dos produtos NT exportados. A obrigação de elaborar planilhas compete à fiscalização e não faz parte da documentação obrigatória; 3) As informações solicitadas constam da Declaração de IRPJ e do Siscomex. Encerrou requerendo o reconhecimento de seu direito ao crédito pleiteado. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, em 26/01/2009, prolatou o despacho decisório de fls. 124/126, retificando o item 5 do despacho decisório de fls. 45/51, não homologando as declarações de compensação listadas fl. 125. Desta rerratificação, a interessada não interpôs recurso administrativo. DF CARF MF Fl. 198 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade apresentada, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), proferiu o Acórdão de nº. 1429.242, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. PRESCRIÇÃO. GLOSAS DE CRÉDITO. O § 4° do artigo 150 do CTN aplicase a lançamento por homologação e não aos casos de correção do cálculo do montante do beneficio fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ONUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Primeiramente, a DRJ/RPO afastou a prescrição por entender que não existe prazo legalmente estabelecido para a tácita homologação de pedidos de ressarcimento. Alegou que a legislação prevê, é a homologação tácita, pela transcorrência do prazo de cinco anos, contados a partir da data do protocolo da compensação declarada, tendo de reconhecer como tacitamente homologada a compensação declarada em 29/01/04 (PER/DCOMP nº 10237.88379.290104.1.3.01.9062), por decorrido o prazo para sua análise. Salientou que o § 4° do artigo 150 do CTN não se refere à correção e cálculo de benéfico fiscal e sim para lançamento por homologação. No que tange a comprovação, os documentos obrigatórios para verificação do crédito não foram apresentados pela contribuinte, deste modo, a falta de atendimento às exigências da Administração, implicou no indeferimento do pedido. Ademais, afirmou que é da competência da interessada provar os fatos constitutivos de seu direito. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003071/200278 Acórdão n.º 3402002.301 S3C4T2 Fl. 271 5 Ante o exposto, votou pelo deferimento parcial da solicitação, mantendo o indeferimento do direito creditório e considerando transcurso o prazo previsto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9430/96, reconhecendo a homologação tácita da declaração de compensação nº 10237.88379.290104.1.3.01.9062. DO RECURSO Ciente em 27/07/2010 do Acórdão nº. 1429.242, e não se conformando com a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, e que homologou tacitamente apenas uma das suas compensações, referente ao 3° Trimestre de 2000, o contribuinte apresentou em 25/08/2010 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, reiterou os argumentos alegados em sede de manifestação de inconformidade. Declarou a existência de dificuldades para apresentação da documentação solicitada pela Receita Federal do Brasil, diante disso, solicitou que este Conselho defira diligência para apuração dos documentos para calcular o montante do seu crédito. Meritoriamente alegou desigualdades entre as partes, arguindo o fato da Receita federal não ter prazo para efetuar a analise do crédito presumido do IPI, todavia, o recorrente é intimado para apresentar inúmeros documentos antigos em um curto prazo de tempo. Ainda requereu, diante da recusa da Receita federal em acatar o § 4° do artigo 150 do CTN, a análise da prescrição com fulcro no Decreto 20.910/32. Ante o exposto, requereu que seja dado provimento ao Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 268 (duzentos e sessenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de tempestividade e admissibilidade, devendose dele, portanto, tomar conhecimento. Conforme relatório acima, a celeuma estabelecese basicamente na pretensão creditória do contribuinte (relativa a crédito presumido de IPI), a qual foi apresentada no ano de 2002 e apenas apreciada pela Autoridade Preparadora em 2008, alegandose, por parte do sujeito passivo, a homologação tácita do pedido apresentado. Noutra senda, o contribuinte solicita a oportunidade para a prova do direito creditório alegado, requerendo a conversão deste julgamento em diligência. Inicialmente, invertendo a ordem dos pedidos do recorrente, ressalto que o pedido de diligência formulado é de ser indeferido, pois que o contribuinte possuiu, ao longo do processo, oportunidade para a prova de seu direito creditório, não se tratando aqui esta questão, de fato novo que pudesse ser discutido após as outras oportunidades processuais a ele estendidas. Observo que desde o despacho decisório o contribuinte esteve ciente de que o motivo principal do indeferimento de seu pleito foi a falta de prova do direito alegado, tendo a partir de então, desde a impugnação até a interposição de recurso, a possibilidade para a juntada dos documentos que entendia pertinentes à comprovação do direito creditório pretendido, isso, desconsiderando ainda o fato de que no curso da fiscalização, para a prolação do despacho decisório inicial, o mesmo foi intimado a trazer os referidos documentos e não o fez. Às fls. 38 (numeração eletrônica) e 43 (numeração eletrônica) é possível verificar a existência de intimações enviadas pela DERAT/SP dirigidas ao sujeito passivo, no intuito de solicitar ao mesmo a apresentação dos documentos pertinentes à amparar a análise da pretensão creditória solicitada. No entanto, ambas as oportunidades (respostas de fls. 42 e 46 – numeração eletrônica), dão conta de que o contribuinte informou que, devido ao decurso de prazo maior que 5 anos, não encontrou os documentos requisitados. Assim, tenho que o direito creditório aqui analisado não restou comprovado pelo contribuinte, a quem incumbe comprovar o que alega, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Como dito, tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003071/200278 Acórdão n.º 3402002.301 S3C4T2 Fl. 272 7 trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito ou ressarcimento de crédito. No caso dos autos é importante relembrar que a busca da verdade real foi pretendida pela Administração Tributária, por meio de provas materiais, quais sejam, as documentais solicitadas, sendo relevante mencionar que as mesmas não foram apresentadas pelo sujeito passivo, impossibilitando assim, que o julgador pudesse estar convencido da sua real ocorrência/existência. Segundo Francesco Carnelutti as provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Desta feita, conforme fundamentos acima, tenho por certo negar provimento ao pleito do contribuinte, mantendo o indeferimento do crédito pretendido pela patente carência de sua comprovação. Por fim, acerca do principal argumento do recorrente quanto à improcedência das decisões por ele discutidas, relativo à homologação tácita do pedido apresentado – por terem decorridos mais de 5 anos da data em que transmitido o pedido até a data em que proferido o despacho decisório, tenho que também não merece guarida a pretensão do contribuinte, pois que, nos bem lançados termos da decisão recorrida, tal instituto não possui prazo legalmente estabelecido, sendo a legislação aplicável somente aos casos de Pedido de Compensação, e não de Restituição/Ressarcimento, onde se pretende o reconhecimento (em crédito líquido e certo) de benefício fiscal. Conforme dito, o decurso de prazo sustentado pelo contribuinte não aplicase aos pedidos de ressarcimento, sendo, de acordo com os precedentes que abaixo colaciono, este entendimento cediço nesta Casa de Julgamento: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 3a. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Seção 4ACAMARA/3ATURMAORDINARIA. ACÓRDÃO 3403 002.568. Data de decisão: 01/11/2013) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI.Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA.Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Recurso Voluntário Negado. (CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 330200.526 em 23/08/2010) IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a .,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos.PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento Fl. 276DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003071/200278 Acórdão n.º 3402002.301 S3C4T2 Fl. 273 9 por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação".Recurso Voluntário Negado. (CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 340100.850 em 26/07/2010) Pertine mencionar aqui, que no que tange às declarações de compensação a este processo vinculadas esta questão foi plenamente observada pelas decisões das instancias de piso, tendo sido reconhecia a homologação tácita daquela em que havia transcorrido o prazo de 5 anos entre a data de sua transmissão e de sua análise (ponto que não foi recorrido pelo contribuinte), bem como, naquelas em que o referido prazo não transcorreu, mantevese, por bem fundamentada, a sua não homologação. Na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10650.001297/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2007
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores deve-se comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2001. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, de modo que se efetue o recálculo da multa, que terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei n.9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para recalcular o valor da multa de acordo com a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2007 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores deve-se comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores devese comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 12 97 /2 00 7- 12 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2001. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, de modo que se efetue o recálculo da multa, que terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei n.9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para recalcular o valor da multa de acordo com a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001297/200712 Acórdão n.º 2401003.305 S2C4T1 Fl. 325 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 18.176 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.029.8500. Consoante o relatório fiscal da infração, fls. 33: 1. No desenvolvimento da Auditoria Fiscal, conforme Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização de número 09404443F00 e Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF de 0510612007, constatamos que a empresa apresentou as GFIP — Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com omissão de parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme abaixo: a) Relativas aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho na atividade médica, de acordo com as Faturas discriminadas no Anexo I, VALORES PAGOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO — UNIMED UBERABA. b) Referentes aos serviços prestados por segurados Contribuintes Individuais, para carga e descarga de caminhões (CHAPAS), conforme ANEXO II — VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS —CARGA E DESCARGA (CHAPAS) e cópias de relações anexas. 2. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 e nem a atenuante relacionada no artigo 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 0610511999 e alterações posteriores. Cientificado do lançamento em 19/09/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância. A multa foi imposta no patamar de 100% da contribuição não declarada, em observância ao então vigente § 5. do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Cientificado do lançamento em 19/09/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância. Irresignada, a Cooperativa interpôs recurso, fls. 310 e segs., no qual requer o sobrestamento do feito até que se tenha uma decisão definitiva no processo que cuida das NFLD n. 37.029.8489 e n. 37.029.8497, as quais se encontram em grau de recurso. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Depois afirma que apresentou recursos contra as NFLD mencionadas, as quais certamente serão canceladas, extinguindose o presente AI em razão da conexão existente. Assevera que a multa relativa a fatos geradores anteriores a setembro de 2002 foi alcançada pela decadência, uma vez que foi cientificada da lavratura em 14/09/2007. Em seguida pugna pelo reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n. 9.876/1999. Ao final pede o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001297/200712 Acórdão n.º 2401003.305 S2C4T1 Fl. 326 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Julgamento conjunto dos processos conexos Atendendo ao pleito do sujeito passivo foram incluídos em pauta de julgamento conjuntamente o processo sob cuidado, a NFLD 37.029.8497 e o AI decorrente da falta de desconto da contribuição dos segurados. A NFLD n. 37.029.8489 foi julgada pela 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF em 07/02/2012. Portanto, todos os processos que guardam conexão com o AI em destaque já tiveram julgamento de segunda instância administrativa. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. .................................................................................... .... Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Pois, como estamos diante de AI lavrado para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, a regra a ser utilizada na contagem da decadência é aquela inserta no inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência da lavratura ocorreu em 19/09/2007, devem ser afastadas pela decadência as competências de 03/2000 até 11/2001. Conexão com os processos de exigência da obrigação principal O entendimento unânime dessa Turma de Julgamento é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tÊm sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001297/200712 Acórdão n.º 2401003.305 S2C4T1 Fl. 327 7 Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Ocorrência da infração Todas as alegações relativas à incidência de contribuições sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho apresentadas contra o presente AI já foram apreciadas quando do julgamento do Processo n.º 10650.001302/200789 (NFLD n.º 37.029.8489) pela 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF, que conclui pelo reconhecimento da decadência até a competência 11/2001 e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Quanto ao Processo n. 10650.001303/200723 (NFLD n. 37.029.8497), onde são exigidas as contribuições que deixaram de ser retidas dos contribuintes individuais, este foi julgado a pouco por essa Turma, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário. Assim, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao AI sob cuidado, concluindose que, tanto os pagamentos a cooperativas de trabalho quanto aqueles efetuados aos contribuintes individuais eram de declaração obrigatória na GFIP, sendo procedente a autuação. A aplicação da multa mais benéfica Embora não alegado no recurso, devemos de ofício nos posicionar sobre a possibilidade de aplicação da legislação posterior aos fatos geradores, se mais benéfica ao sujeito passivo. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A multa aplicada sobre as contribuições lançadas variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Atualmente, de acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de pena administrativa com a multa pela falta de pagamento do tributo , condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante dessas considerações, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por reconhecer a decadência da multa lançada para as competências até 11/2001, e, no mérito por dar provimento parcial ao recurso, de modo que se efetue o recálculo da multa, que terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei n.. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001297/200712 Acórdão n.º 2401003.305 S2C4T1 Fl. 328 9 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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