Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11030.902123/2012-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.902123/2012-98
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5345397
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.874
nome_arquivo_s : Decisao_11030902123201298.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11030902123201298_5345397.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5431088
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595388309504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 19 1 18 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902123/201298 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.874 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria Compensação Recorrente SANDERO INDUSTRIA E COMERCIO DE VELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 23 /2 01 2- 98 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 20 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.779, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 21 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 22 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 23 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 24 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 25 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 26 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 27 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904610/2012-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/10/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 24/10/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.904610/2012-39
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329328
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.393
nome_arquivo_s : Decisao_10935904610201239.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10935904610201239_5329328.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5332645
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595447029760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 62 1 61 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.904610/201239 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.393 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/10/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 10 /2 01 2- 39 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000788/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL.
Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, . por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 e para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL. Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10970.000788/2010-11
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5327739
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Mar 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-003.755
nome_arquivo_s : Decisao_10970000788201011.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO TABORDA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10970000788201011_5327739.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, . por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 e para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5325720
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595465904128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 363 1 362 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.000788/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.755 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente HOSPITAL SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL. Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, . por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 e para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 07 88 /2 01 0- 11 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado Fl. 364DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000788/201011 Acórdão n.º 2402003.755 S2C4T2 Fl. 364 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado sob o DEBCAD n°, 37.289.9340, referente às contribuições devidas pela empresa e destinadas a outras entidades e fundos: FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 80/106, “o fato gerador das contribuições lançadas é constituído pelos valores pagos a prestadores de serviços pessoas físicas, considerados como segurado empregado”. Ainda de acordo com a fiscalização, “os serviços prestados por profissionais da saúde, em regime de plantão, pelas suas características, não são excepcionais ou transitórios, mas inseridos diretamente no contexto das atividades normais e permanentemente desenvolvidas pelo contribuinte, não se caracterizando, portanto, como uma necessidade esporádica ou emergencial.”. Sendo assim, aplicável o disposto no art. 6°, XXVI, da IN SRP n° 03/2005, que caracteriza o médico ou profissional da saúde plantonista como segurado obrigatório perante o RGPS. A autoridade fiscal esclarece que no caso em análise, a entidade hospitalar Recorrente contrata profissionais da saúde não credenciados ou conveniados para execução dos serviços relativos aos respectivos convênios, restando descaracterizado o repasse de honorários que ocorre quando os médicos são conveniados a planos de saúde, em que a responsabilidade de recolhimento das contribuições é da cooperativa (operadora do plano de saúde). Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 112/291. Os autos foram apensados ao processo principal, relativo ao lançamento da cota patronal das contribuições. Nos autos principais foi proferido despacho solicitando diligência para que a autoridade lançadora especificasse a intimação que não foi atendida e os fatos geradores a ela relacionados que resultaram no agravamento da multa e apreciasse as declarações dos segurados que já recolhiam suas contribuições em outros vínculos para indicar os valores a serem excluídos. A autoridade fiscal atendeu a solicitação e às fls. 709/789 daqueles autos o contribuinte apresentou manifestação em que informa ter cumprido todas as exigências da fiscalização, ressaltando que houve requerimento de prorrogação de prazo que não foi atendido. Em acórdão de fls. 295/299, a impugnação foi julgada parcialmente procedente para reconhecer a exclusão do agravamento da multa aplicada, reduzindoa a 75%. Na parte mantida do débito, o fundamento foi no sentido de que não seriam pertinentes as alegações relativas à improcedência da contribuição dos segurados que recolhem sobre o limite máximo do salário de contribuição assim como as alegações de improcedência sobre o repasse de honorários médicos ou sobre a receita descrita no livro tesouraria, visto que os referidos valores são relativos a contribuintes individuais e não integram a base da presente autuação; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Houve declaração de voto (fls. 299/300) a favor da nulidade do processo por falta de clareza e coerência no relatório fiscal e, ainda, por falha na indicação da fundamentação legal. Ainda de acordo com a declaração de voto, o arbitramento por aferição indireta ocorreu somente em relação ao levantamento ‘Livro Tesouraria’, com base em duas das hipóteses previstas pelo art. 33 da Lei n° 8.212/91. Ademais, o Ilma Redatora destacou a utilização de contabilidade não formalizada, vez que não registrada na Junta Comercial. Face ao resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 307/325, alegando em suma: 1) A Recorrente juntou cópia de suas demonstrações contábeis que apontam, pormenorizadamente, o repasse feito a cada médico e, em relação aos comprovantes de pagamento dos repasses anotados, a Recorrente solicitou prazo para levantamento e este não foi concedido; 2) Quanto ao arbitramento por aferição indireta relativo ao levantamento LT e LT1 – LIVRO TESOURARIA, houve contradição uma vez que ora a fiscalização entendeu ser a contabilidade imprestável para demonstrar as reais atividades do contribuinte e ora utilizouse da mesma para justificar a autuação; 3) A adoção de metodologia equivocada da fiscalização (utilização de contabilidade não registrada na Junta Comercial – tida como imprestável – e, ao mesmo tempo, a sua dispensa para justificar a aferição indireta) impõe a anulação total do auto de infração; 4) O serviço hospitalar não se confunde com o serviço médico prestado em consultórios médicos situados dentro ou fora de hospitais, cujo objeto é a mera consulta de pacientes; 5) A Recorrente presta serviços hospitalares e não serviços médicos. Os serviços médicos prestados em suas dependências ocorrem apenas em decorrência da disponibilização de seu espaço físico para que os sócios (médicos) possam exercer livremente sua atividade; 6) Quando do recebimento dos valores devidos pelos clientes a título de contraprestação dos serviços hospitalares prestados pela Recorrente e dos serviços médicos prestados pelos sócios, por vezes a recorrente faz o recebimento do valor total, repassando, posteriormente, o valor relativo aos serviços médicos aos respectivos médicos que prestaram o serviço. Tal recebimento não faz parte do faturamento da Recorrente, vez que os valores sequer transitam em conta de resultados; 7) São três provas de que os valores não fazem parte do faturamento da Recorrente: i) tais valores são integralmente repassados aos médicos que efetivaram o serviço; ii) tais valores não compõem a conta de resultado da Recorrente, sendo lançados somente em ativo e passivo; iii) a Recorrente não presta serviços médicos, somente hospitalares; b) Nos termos do § 1°, do art. 278 da IN 03/2005, assim como no art. 206, § 1° da IN 971/09, a utilização das dependências do hospital pelo médico não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa e, nesta hipótese, a entidade hospitalar se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, sendo Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000788/201011 Acórdão n.º 2402003.755 S2C4T2 Fl. 365 5 que o responsável pelo pagamento da contribuição devida pela empresa será o SUS ou a empresa de plano ou seguro de saúde; c) Em relação aos valores pagos diretamente aos médicos, a Recorrente alega que tais valores nunca foram recebidos pelo Hospital, pois as consultas médicas eram acertadas diretamente entre o médico e os pacientes. A Recorrente não tem sequer o controle dos valores recebidos, pois tais são devidos aos médicos e não a ela. Ao final, requer a improcedência do lançamento e o conseqüente cancelamento do crédito tributário. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Preliminarmente Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito A matéria ora analisada encontravase expressamente regulada pela IN/SRP n° 3 de 2005, vigente à época dos fatos geradores observados na presente autuação: Art. 278: A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, pelo atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do SUS, com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. § 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS, ou de outro sistema de saúde, ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. § 2º Comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, o crédito previdenciário será lançado: I com base nos valores registrados nas contas de receitas e de despesas de sua escrituração contábil; II mediante arbitramento quando for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil. Nos termos do regulamento supra descrito, o hospital que fornece ao médico o espaço para atendimento de seus pacientes, seja de forma onerosa (locação) seja de forma gratuita (cessão), não responde por quaisquer encargos de ordem previdenciária, salvo nos casos em que comprovado que a entidade hospitalar não se configura mera repassadora dos honorários. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000788/201011 Acórdão n.º 2402003.755 S2C4T2 Fl. 366 7 No caso em tela, dos documentos acostados como prova no auto de infração não é possível verificar com certeza o vínculo empregatício e/ou a natureza de prestação de serviços dos médicos em relação a Recorrente. Intimada a apresentar de forma detalhada a forma de repasse e as informações quanto a consultas médicas realizadas em suas dependências, a Recorrente apresentou planilhas com informações no sentido de que os valores recebidos a título de consulta médica, em verdade, não passavam de repasses aos médicos. Entretanto, tal afirmativa somente é verificada nos valores relacionados na conta “REPASSE DE HONORÁRIOS”, sendo que nas demais contas acostadas aos autos não se pode chegar a conclusão idêntica. Somente na conta REPASSE DE HONORÁRIOS é possível verificar que os valores recebidos foram integralmente repassados aos médicos, não ficando a Recorrente com qualquer valor que pudesse configurar contratação dos serviços médicos. A simples suposição da existência de serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção fática à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Destarte, considerando a ausência de comprovação pelo Fisco, no que diz respeito especificamente à conta “REPASSE DE HONORÁRIOS”, nos termos do § 2°, do art. 278 da IN/SRP n° 3/05, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir tais valores, uma vez que das informações acostadas, não é possível a desconfiguração da natureza de mera repassadora da Recorrente. Neste sentido este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já julgou: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/11/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente. 1 Por sua vez, os outros levantamentos realizados nas contas “PLANTÕES MÉDICOS” e “TESOURARIA”, não se referem a valores repassados, pelo que subsiste o lançamento. 1 CARF, PAF n° 35254.002328/200586, Acórdão n° 2301002.430, Cons. Relator DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Sessão 27/10/2011. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Multa No que diz respeito à penalidade aplicada – multa de ofício , a autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração decidiu pela aplicação do disposto no art. 44, § 2°, I, da Lei n° 9.430/96. Entretanto, assim como verificado pela autoridade julgadora em sede de acórdão n° 0935.863 da 5ª Turma da DRJ/JFA, a majoração da multa de ofício de que trata a lei é aplicável apenas nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar a documentação necessária a verificação da ocorrência do fato gerador. No caso em tela, apesar de considerada insuficiente pela autoridade fiscal, o contribuinte apresentou parcialmente a documentação, sendo afastada a hipótese de majoração legalmente prevista, bem como cabível o recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para excluir do lançamento os débitos referentes às contas REPASSE DE HONORÁRIOS, por vício material, bem como para recalcular a multa aplicada nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911387/2012-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.911387/2012-45
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330455
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.329
nome_arquivo_s : Decisao_10920911387201245.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10920911387201245_5330455.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5334306
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595516235776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 48 1 47 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.911387/201245 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.329 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente SUPERMERCADO FERNANDES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 87 /2 01 2- 45 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 282,18, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/02/2005. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911387/201245 Acórdão n.º 3803005.329 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911387/201245 Acórdão n.º 3803005.329 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911387/201245 Acórdão n.º 3803005.329 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19395.720141/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
IRPJ. CASO CONCRETO EM QUE NÃO SE ESTÁ DIANTE DE SITUAÇÃO QUE CARACTERIZE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DA EXISTÊNCIA DA RECEITA E O SEU NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
1. O lançamento fundado em suposta omissão de receita requer prova do recebimento da receita, ainda que por presunção, e o não oferecimento desta à tributação. Precedente acórdão 1402-001.439. Jul. 10/09/2013.
2. É certo que a autoridade fiscal tem o poder-dever de verificar situações que caracterizam omissão de receita e, se não oferecidas à tributação, efetuar lançamento de ofício. Contudo, salvo nos casos em que a lei prevê presunção de omissão de receita, não pode a autoridade competente reconhecer que o contribuinte não faturou determinado valor e tributá-lo por entender que o valor deveria ter sido cobrado.
3. Quando a cláusula item 2.06 do contrato prevê que no caso de subcontratação cabe à TOMADORA (proprietária da plataforma - FORAMER) efetuar o pagamento dos serviços ao subcontratado, à toda evidência que estes serviços não se constituem em receita da contratada ENSCO. O fato de a ENSCO, por forma força do disposto nas cláusulas 1.02 e 1.03, adiantar tais valores a empresas subcontratadas e ser reembolsada pela ENSCO, não transforma os valores dos reembolsos em receita.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 IRPJ. CASO CONCRETO EM QUE NÃO SE ESTÁ DIANTE DE SITUAÇÃO QUE CARACTERIZE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DA EXISTÊNCIA DA RECEITA E O SEU NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. 1. O lançamento fundado em suposta omissão de receita requer prova do recebimento da receita, ainda que por presunção, e o não oferecimento desta à tributação. Precedente acórdão 1402-001.439. Jul. 10/09/2013. 2. É certo que a autoridade fiscal tem o poder-dever de verificar situações que caracterizam omissão de receita e, se não oferecidas à tributação, efetuar lançamento de ofício. Contudo, salvo nos casos em que a lei prevê presunção de omissão de receita, não pode a autoridade competente reconhecer que o contribuinte não faturou determinado valor e tributá-lo por entender que o valor deveria ter sido cobrado. 3. Quando a cláusula item 2.06 do contrato prevê que no caso de subcontratação cabe à TOMADORA (proprietária da plataforma - FORAMER) efetuar o pagamento dos serviços ao subcontratado, à toda evidência que estes serviços não se constituem em receita da contratada ENSCO. O fato de a ENSCO, por forma força do disposto nas cláusulas 1.02 e 1.03, adiantar tais valores a empresas subcontratadas e ser reembolsada pela ENSCO, não transforma os valores dos reembolsos em receita. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19395.720141/2012-26
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5346899
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.595
nome_arquivo_s : Decisao_19395720141201226.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19395720141201226_5346899.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5446030
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595519381504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 19 1 18 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19395.720141/201226 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.595 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 Matéria Auto de Infração do IRPJ e Reflexos Recorrente ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA e FAZENDA NACIONAL. Interessado ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IRPJ. CASO CONCRETO EM QUE NÃO SE ESTÁ DIANTE DE SITUAÇÃO QUE CARACTERIZE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DA EXISTÊNCIA DA RECEITA E O SEU NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. 1. O lançamento fundado em suposta omissão de receita requer prova do recebimento da receita, ainda que por presunção, e o não oferecimento desta à tributação. Precedente acórdão 1402001.439. Jul. 10/09/2013. 2. É certo que a autoridade fiscal tem o poderdever de verificar situações que caracterizam omissão de receita e, se não oferecidas à tributação, efetuar lançamento de ofício. Contudo, salvo nos casos em que a lei prevê presunção de omissão de receita, não pode a autoridade competente reconhecer que o contribuinte não faturou determinado valor e tributálo por entender que o valor deveria ter sido cobrado. 3. Quando a cláusula item 2.06 do contrato prevê que no caso de subcontratação cabe à TOMADORA (proprietária da plataforma FORAMER) efetuar o pagamento dos serviços ao subcontratado, à toda evidência que estes serviços não se constituem em receita da contratada ENSCO. O fato de a ENSCO, por forma força do disposto nas cláusulas 1.02 e 1.03, adiantar tais valores a empresas subcontratadas e ser reembolsada pela ENSCO, não transforma os valores dos reembolsos em receita. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 01 41 /2 01 2- 26 Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 20 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 21 3 Relatório Inicialmente, para evitar omissões ou equívocos quanto à eventual análise de possíveis questões relacionadas à decadência e à tempestividade, registro que a autuação diz respeito a lançamento de crédito tributário correspondente ao anocalendário 2007, sendo que o auto de infração está às fls. 1.439 e seguintes, acompanhado do termo de verificação fiscal de fls 1.427/1.438. A notificação deuse em 30/07/2012 (fl.1.438), com impugnação às fls. 1487/1559 e julgamento pela DRJ por meio do acórdão de fls.1.585/1607, do qual a parte interessada foi intimada em 28/01/2013 e apresentou o recurso de fls. 1.632/1.718, protocolizado em 25/02/2013, o que quer dizer que observou o prazo recursal de que trata 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Em síntese, o litígio de que trata o presente recurso pode ser sintetizado nos dois parágrafos que extraio do relatório do acórdão da DRJ (fl. 1.591): “ a Alocação de Custos (conta n° 69000), bem como as inspeções (conta n° 633000) devem compor o valor dos honorários, acrescido de 15%, que trata da margem de lucro na prestação dos serviços, conforme apuração mensal de fls.1.437/1.438; em síntese, ocorreram as seguintes infrações: não consideração de valores recebidos como "reembolsos" como receitas tributáveis; e despesas registradas nas contas contábeis intituladas de "Inspeções" e "Alocações de Custos" que deveriam compor o custo do serviço prestado pela Interessada à FORAMER, as quais deveriam ter sido faturadas à FORAMER, tendo sido considerada margem de lucro de 15%, visto que o contrato celebrado estabelecia que os serviços prestados à FORAMER seriam cobrados com margem de lucro com aquele percentual.” Da empresa autuada, inscrita no CPNJ sob o nº 04.336.088/000178, tributada com base no Lucro Real Anual, se exige IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em face das infrações, fatos geradores, base de cálculo e multas a seguir indicados: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS FL. 1.440 OMISSÃO DE RECEITAS Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/01/2007 2.552.271,15 75% 31/02/2007 2.326.290,96 75% 31/03/2007 2.577.857,05 75% 31/04/2007 4.683.055,55 75% 31/05/2007 7.396.466,17 75% 31/06/2007 2.634.688,79 75% 31/07/2007 2.989,760,94 75% 31/08/2007 4.044.909,07 75% 31/09/2007 2.807.355,97 75% 31/10/2007 2.852.011,01 75% 31/11/2007 2.925.191,08 75% 31/12/2007 3.072.324,57 75% Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 22 4 O enquadramento legal da autuação, em relação ao IRPJ, está fundamentado no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e nos artigos 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Apesar de apontar fatos geradores mensais para o IRPJ e a CSLL, no demonstrativo do imposto, à fl. 1.441 a autoridade fiscal procede apuração de forma correta e aponta como vencimento do imposto a pagar a data de 31/01/2008, indicado à fl. 1.444. Neste sentido, extraio dos autos os seguintes demonstrativos: INFRAÇÕES COM BASE DE CÁLCULO SUJEITAS A COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS MULTA INFRAÇÃO VALOR TRIBUTÁVEL 75,00% Operacional 40.862.182,31 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO VALOR TRIBUTÁVEL PREJUÍZO DO PERÍODO COMPENSADO PREJUÍZO DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSADOS VALOR TRIBUTADO APÓS COMPENSAÇÃO 40.862.182,31 0,00 0,00 40.862.182,31 CALCULO DO IMPOSTO MULTA BASE DE CALCULO ALÍQUOTA IMPOSTO APURADO 75,00% 40.862.182,31 15,00% 6.129.327,35 CÁLCULO DO IMPOSTO ADICIONAL (+) LUCRO REAL DECLARADO APÓS COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO 0,00 (+) VALOR APURADO 40.862.182,31 () PARCELA NÃO SUJEITA AO ADICIONAL 240.000,00 (=) BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL 40.622.182,31 (X) ALÍQUOTA 10,00% (=) ADICIONAL TOTAL 4.062.218,23 () ADICIONAL DECLARADO 0,00 (=) IMPOSTO ADICIONAL DEVIDO 4.062.218,23 PARCELA DE LUCRO NÃO SUJEITO AO ADICIONAL (+) PARCELA NÃO SUJEITA AO ADICIONAL DEFINIDA EM LEI 240.000,00 () PARCELA NÃO SUJEITA AO ADICIONAL UTILIZADA PELO SUJEITO PASSIVO 0,00 (=) PARCELA NÃO SUJEITA AO ADICIONAL UTILIZADA DE OFÍCIO 240.000,00 Pelo que se depreende termo de verificação fiscal e do item 141 da fl. 1.679, a questão envolve exploração de petróleo e a existência de três contratos a saber: a) Contrato de afretamento entre FORAMER e PETROBRÁS; b) Contrato de prestação de serviços de perfuração entre ENSCO e PETROBRÁS; c) contrato de prestação de serviços logísticos e apoio relacionados com a plataforma celebrado entre a FORAMER e a ENSCO. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 23 5 A autuada contabilizou os valores controvertidos, anteriormente indicados, como gastos incorridos em nome da empresa titular da plataforma (FORAMER). A Fiscalização, por sua vez, entendeu que sobre tais valores deve ser incluindo o percentual de 15% (quinze por cento) de margem de lucro, sob pena de se caracterizar um trabalho voluntário, o que não cabe no caso sob apreciação. Assim, no entender da autoridade fiscal, “constitui omissão de receita os valores que deveriam ser faturados baseados em custos incorridos no interesse da tomadora de serviço. “Portanto a Alocação de Custos (conta n° 69000), bem como as inspeções (conta n° 633000) devem compor o valor dos honorários, acrescido de 15%, que trata da margem de lucro na prestação dos serviços, conforme apuração mensal.” (acusação contida no terceiro e quarto parágrafos da fl. 1437). Em relação ao PIS e ao COFINS, destaca o TFV que não houve quaisquer créditos destes tributos a considerar no período fiscalizado, bem como não houve pagamento dos referidos tributos incidentes sobre quaisquer bases de cálculo, conforme consta de DCTF. Inconformada com a autuação, a Interessada apresentou impugnação, instruída com documentos, arguindo em síntese: 1) que o lançamento foi feito com base no uso indevido de presunções, ao arrepio das disposições legais, que não consta nos autos de infração e no termo de constatação fiscal nenhuma menção à base legal que expressamente autorizaria a aplicação do percentual de 15% para fins de arbitramento de receita omitida, nem mesmo que listasse as situações identificadas pela Fiscalização como causa de omissão de receitas; 2) que não foi feita qualquer análise da movimentação financeira relacionada a essas operações, fazendose concluir que, na verdade, a Fiscalização acabou por implicitamente reconhecer que essa margem presumida nunca ingressou no ativo; 3) não consta no termo de verificação explicação que justificasse a consideração dos valores lançados como tendo sido de custo dos serviços prestados à FORAMER, isto é, não foi demonstrada a relação entre os serviços tomados de terceiros e os contratados pela FORAMER junto à ela (a Interessada); 4) não foram apresentados fatos e/ou justificativas que afastassem a explicação apresentada na resposta ao TIF nº.4, bem como não foi feita qualquer menção a qual das hipóteses caracterizadoras da omissão de receitas previstas na legislação de regência seria a situação aplicável. Quanto ao mérito alega: 5) que prestava serviços à FORAMER, sendo regularmente remunerada por tais atividades, bem como atuava como mandatária desta sociedade, antecipando despesas e sendo oportunamente reembolsada; 6) se assim não fosse, outra alternativa, seria a própria FORAMER contratar com os respectivos prestadores de serviços no Brasil, remunerandoos diretamente — alternativa mais complicada em vista da necessidade de diversos contratos de câmbio ocasionando lentidão para contratação e realização de pagamentos; Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 24 6 7) assim, não ocorreu omissão de receitas, mas, meros reembolsos; 8) a sistemática de reembolso prevista no contrato celebrado com a FORAMER não tem nada a ver com o contrato firmado pelas duas empresas com a PETROBRÁS, uma vez que, conforme já mencionado, foram celebrados entre partes distintas, com objetos diversos e em condições diferentes, conforme detalhado às fls.1.527 e seguintes; 9) portanto, não cabe a afirmação de que o contrato celebrado com a FORAMER deve ser interpretado em consonância com o contrato firmado por estas empresas com a PETROBRÁS, e muito menos, tratar os contratos como se fossem um só; 10) o reembolso promovido pela PETROBRÁS à FORAMER se refere a gastos que são de responsabilidade da PETROBRÁS e que, por razões comerciais, logísticas, etc, foram antecipados pela FORAMER; 11) ao seu turno, o reembolso promovido pela FORAMER à ENSCO, por razões semelhantes, relacionamse à operações cujo ônus deve recair sobre a primeira sociedade; 12) assim, é incabível a conclusão da Fiscalização de que os gastos foram reembolsados por pessoa que não tenha responsabilidade nenhuma de suportálos; 13) não foram apontadas quais teriam sido as "inconsistências" mencionadas no item "Segregação de Custos/Despesas"; 14) ocorreu ilegal inversão do ônus da prova, no que se refere aos valores lançados na conta "Alocação de Custos" referentes a gastos administrativos com pessoal; 15) no que se refere à conta contábil "Inspeções", os valores se referiram a gastos incorridos com a contratação de serviços de inspeção das plataformas visando adequação às normas regulatórias brasileiras; 16) a Fiscalização não comprovou que os valores reembolsados referiramse a custo dos serviços prestados à FORAMER; 17) a própria Fiscalização reconhece que o montante objeto da autuação não foi recebido/auferido, embora entenda que a mesma "deveria" têlo faturado, ocorre que se uma receita não foi auferida, ela não poderia ter sido omitida; 18) na realidade, tratouse de gastos necessários à adequação da plataforma a fins regulatórios, sendo de responsabilidade direta da FORAMER, empresa titular do afretamento da embarcação à PETROBRÁS; 19) esse custo não constitui preço dos serviços por ela prestados, em outras palavras, são custos relacionados à obrigação primeira e única da FORAMER, sendo, primeiramente, pagos por ela, para posterior reembolso, conforme comprovam os documentos apresentados; 20) conforme cláusula 3.01 do contrato, somente poderiam ser subcontratados terceiros, para realizar os serviços objeto do contrato em referência, caso a FORAMER expressamente autorizasse tal prática; Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 25 7 21) que atuou conforme os poderes de representação que lhe foram expressamente outorgados, incorrendo em gastos em nome e por conta da FORAMER, nas hipóteses contratualmente previstas, e conforme suas instruções, de acordo com o artigo 653 do Código Civil, fazendo jus ao reembolso dos gastos, conforme artigo 676, do Código Cicil; 22) a conta contábil "Alocação de Custos" (conta n° 690000), registra gastos administrativos diversos, não compondo o custo dos serviços prestados (razão pela qual não foi utilizada quando da precificação dos serviços prestados à FORAMER); 23) a conta contábil intitulada de "Inspeções" (conta n° 633000) registra gastos necessários à inspeção das plataformas, visando a sua adequação às normas regulatórias brasileiras; 24) conforme a cláusula 2.02 do contrato celebrado com a FORAMER, o valor dos serviços prestados “será determinado sobre os custos diretos e indiretos e despesas necessárias à consecução do serviço, sobre os quais seria aplicada uma margem de lucro de 15%. Referida cláusula deixa claro que compõem custos diretos e indiretos a mãodeora, inclusive encargos fiscais e trabalhistas sobre ela incidente (item 174 – fl. 1.543 da impugnação; 25) ocorre que, a intenção dessa cláusula é a de deixar mais claro que somente os gastos com pessoal que componham os custos diretos e indiretos serão considerados quando da precificação dos serviços oferecidos à FORAMER, e que os gastos administrativos com pessoal que não compuserem o conceito de custo, a contrário senso, estarão excluídos da precificação; 26) tais gastos decorreram da relação contratual existente com a FORAMER e PETROBRÁS, não pertenceram ao custo dos serviços prestados, foram apenas considerados no momento da definição das margens de lucro de todos os serviços e atividades desenvolvidos, sejam esses em benefício da FORAMER, PETROBRÁS ou terceiros; 27) no que se refere à conta intitulada de “Inspeções”, foi esclarecido pela Impugnante que tais despesas referiamse a gastos com contratação de serviços para inspeção da adequação das plataformas às normas regulatórias brasileiras. Contudo, entendeu o ilustre agente autuante que “tais gastos são despesas necessárias à consecução dos serviços, que inclusive deve contemplar o percentual de 15% (quinze por cento) de margem de lucro, uma vez que a prestação dos serviços deve ser remunerada (faturada, sob pena de se caracterizar um trabalho voluntário, o que não cabe no caso sob apreciação.” (item 187 da impugnação – pág; 1.543). Contudo, notese que tais gastos não se relacionam a nenhum dos serviços prestados pela impugnante à FORAMER. São gastos da FORAMER antecipados pela impugnante e reembolsados por aquela (itens 189 e 190 da impugnação). 28) que devem ser compensados créditos de PIS/COFINS, nos termos da sistemática de apuração dessas contribuições segundo o regime nãocumulativo; 29) que os gastos incorridos registrados nas contas de "Alocação de Custos" e “Inspeções”, são insumos previsto nos artigos 3º, I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sendo passíveis de creditamento; 30) argumenta, ainda, nos itens 209 e seguintes da impugnação, que mesmo que se considere receita os valores objeto de tributação, estarseia diante de receita por Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 26 8 prestação de serviços a pessoa jurídica residente no exterior, incidindo em relação ao PIS e a Cofins, o disposto nos artigos 5º, II, da Lei nº 10.673, de 2002 e art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, os quais transcrevo em nota de rodapé.1 A DRJ julgou parcialmente procedente reconhecendo a decadência do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro e junho de 2007, o que resultou na exclusão de crédito superior a R$ 1.000,000,00, com recurso de ofício. Intimada do acórdão a parte interessada apresentou o recurso de fls. 1632/1741, repisando os fundamentos destacados quando da impugnação e reiterando a tese de insubsistência do lançamento. Por fim, registro existem nos autos os seguintes contratos e registros que podem ser relevantes à compreensão dos fato: 1) contrato de prestação de serviços datado de 26/06/2002, de fls. 10/19, entre a ENSCO, cuja denominação da época era PRIME DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA e a FORAMER; 2) aditamento ao contrato de prestação de serviços, entre as partes antes nominadas, firmado em 01/06/2004 (fls. 19/23); 3) aditamento ao contrato de prestação de serviços, entre as partes antes nominadas, firmado em 01/07/2005 (fls. 24/27); 4) contrato de prestação de serviços datado de 01/11/2005, entre a PETROBRÁS e a ENSCO, cuja denominação da época era PRIME DO BRASIL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA (fls. 125/192) e contrato de fls. 286/338 da mesma natureza, entre as empresas aqui citadas; 1 Lei. nº 10.673, de 2002. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 10.833, de 2003. .... Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 27 9 5) planilha de fls. 202 discriminando o faturamento da fiscalizada, em 2007, no valor de R$ 219.178.119,20, provenientes das seguintes origens: FORAMER R$ 128.308.544,17; PETROBRÁS R$ 76.571.365.69; DEVON 2.741.060,65; ANADARKO PETRÓLEO R$ 2.929.203,28; ENI OIL R$ 6.580.283,85 e Não Operacional R$ 19.271,54; 6) aditivos de 01 a 05 de fls. 272/285 firmados entre a ENSCO e a PETROBRÁS, figurando como interveniente anuente a FORAMER; 7) contrato de prestação de serviços datado de 00/07/2005, de fls. 340/388, entre a ENSCO e a PETROBRÁS (observo que a denominação da fiscalizada, na época, era Prime do Brasil Serviços De Petróleo Ltda), figurando como interveniente anuente a FORAMER; 8) aditivo nº 01, de fl. 401/408, datado de 2006, referente à contrato firmado entre a PETROBRÁS e a Prime do Brasil Serviços de Petróleo Ltda, cuja denominação atual é ENSCO; 9) aditivo de fls. 474/477, datado de 10/01/2007, em contrato entre a PETROBRÁS e a Prime do Brasil Serviços de Petróleo Ltda, cuja denominação atual é ENSCO; 10) contrato de prestação de serviços de fls. 943/991, datado de 10/07/2005, entre a PETROBRÁS e a Prime do Brasil Serviços de Petróleo Ltda, cuja denominação atual é ENSCO; É o relatório. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 28 10 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator Nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, nos casos em que exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total igual ou superior a R$ 1.000.000,00 a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício. No caso concreto, diante do montante exonerado pela DRJ, decorrente do reconhecimento da decadência parcial, merece ser conhecido o recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário o mesmo está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito iniciando pelo recurso de ofício. I – Do recurso de ofício O recurso de ofício, no que diz respeito à decadência do PIS e da Cofins nos meses de fevereiro a junho de 2007, não merece provimento. O acerto da decisão recorrida vai confirmado pelos seus próprios fundamentos, os quais passo a transcrever: “Tratandose de lançamento por homologação, com a antecipação de pagamento nos termos do caput do artigo 150 do CTN, aplicase o seu parágrafo 4º deste artigo. O artigo 150, do CTN tem como termo inicial da decadência o fato gerador do tributo. Por outro lado, na ausência de antecipação de pagamento nos termos do artigo 150, do CTN, aplicase o artigo 173, do mesmo CTN, que impõe que a decadência ocorrerá após cinco anos do primeiro dia do exercício em que poderia ter sido realizado o lançamento de ofício. Do exame dos sistemas da Receita Federal, (extratos anexos às fls. seguintes), constatase que houve recolhimentos de PIS e COFINS não cumulativos, (códigos 6912 e 5856), referentes aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, somente sendo relevantes para o presente caso, os recolhimentos de PIS e COFINS não cumulativos atinentes ao ano de 2007. Quanto ao mencionado ano, constatase que houve recolhimento destes tributos para os meses de fevereiro a junho de 2007. Não houve recolhimento de PIS e COFINS não cumulativos para o mês de janeiro de 2007. Assim, ainda que os recolhimentos de fevereiro a junho possam ter sido realizados a menor, foram suficientes para deflagrar a regra imposta no parágrafo 4º., do artigo 150, do CTN. Por outro lado, a regra a ser aplicada para o mês de janeiro é a que reside no artigo 173, do CTN. Tendo por base que o prazo decadencial somente se interrompe ou se suspende frente a expressa determinação legal, ainda que a Interessada tenha recolhido o PIS e a COFINS não cumulativos referentes ao mês de janeiro, após 01012008, tal fato não lhe beneficia, visto que o prazo da regra do artigo 173, do CTN, já teria iniciado, pois, o lançamento do PIS e da COFINS não cumulativos poderia ter sido realizado após 16022007, data dos vencimentos destes tributos, sendo que o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia se realizar, foi 01012008. Neste sentido, cumpre declarar a decadência do lançamento do PIS e da COFINS em relação aos meses de fevereiro a junho de 2007, eis que o termo inicial da contagem dos respectivos prazos foi o último dia de cada um dos respectivos meses de apuração, fatos geradores destes tributos.” Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 29 11 II – Do recurso voluntário Da decadência do PIS e da Cofins, em relação à janeiro de 2007 Quanto ao recurso voluntário, no que diz respeito à decadência do PIS, instituído pela Lei Complementar nº 7, de 1970, observo que o artigo 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, “dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), nos casos que especifica (...) e dá outras providências” e aponta que tais tributos têm como fato gerador mensal e, à luz do artigo 10 da citada Lei, deverão ser pagos até o 25o (vigésimo quinto) dia do mês subsequente ao de ocorrência do fato gerador . Tendo por norte que o artigo 10 da Lei nº 10.637, de 2002, prevê que o PIS deve ser pago até o 25º dia do mês correspondente ao do fato gerador, em relação a fato gerador do mês de janeiro nunca haverá pagamento em janeiro, mas sim em fevereiro. O pagamento verificado em janeiro2, corresponde ao fato gerador ocorrido em dezembro do ano calendário imediatamente anterior. Conforme as datas de pagamento, nem mesmo nos casos de retenção na fonte do PIS e da Cofins, de que tratam os artigos 30 e 31 da Lei nº da Lei nº 10.833, de 20033, que deve ser recolhido pela fonte até o último dia útil da quinzena subseqüente àquela em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica prestadora do serviço, se encontrará pagamento relacionado ao mês de janeiro. Neste contexto, quando se analisa a questão do pagamento para efeito de contagem do prazo decadencial este deve estar relacionado ao período de apuração que corresponde ao aspecto temporal do fato gerador. Se houve pagamento em relação ao mês de janeiro, só que recolhido em fevereiro, dada do vencimento do tributo, não se pode dizer que em relação a tal mês inexiste pagamento. Em que pese os fundamentos acima destacados, no caso dos autos, as telas de fls.1608 a 1619, em especial a de fls. 1611, que contempla o período de pesquisa de 01/01/2007 a 31/01/2008, conjugada com a interpretação das demais, dentre as quais as de fls. 1608, 1613, 1614 e 1618, demonstram que não houve pagamento de PIS e da Cofins em relação ao mês de janeiro de 2007, razão pela qual, pelos fundamentos anteriormente expostos, rejeito a preliminar de decadência em relação ao PIS e a Cofins do mês de janeiro de 2007. 2 Salvo nos casos em que caiba retenção pela fonte e está se dê antes do dia 15 de janeiro, pois a fonte deve recolher nos 15 dias subsequentes ao que efetivar o pagamento. 3 Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (Vide Medida Provisória nº 232, 2004) Art. 31 . O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 30 12 Das questões relacionadas à omissão de receita. Inicialmente, dados os fundamentos constantes nos primeiros dois parágrafos da 1.431, que integram o TFV, no sentido de que “o alcance da regra prevista na cláusula 3 e 2.06 do contrato em exame, ..., deve ser analisado em consonância com o contrato firmado por estas empresas com a PETROBRÁS”, e as alegações constantes dos recursos, para que não se alegue omissões frente a este acórdão, observo que apesar da empresa ENSCO e FORAMER pertencerem ao mesmo grupo e prestarem serviços à PETROBRÁS4, bem como o fato da ENSCO ter contrato de prestação de serviços com a FORAMER, tenho que os referidos contratos não podem ser interpretados como representativos de um único negócio jurídico. Tratamse de contratos distintos, com partes distintas, e como tal devem ser analisados. Porém, o fato de o acórdão recorrido ter interpretado as cláusulas dos citados contratos de forma conjugada, não quer dizer que tenha desprezado o contrato firmado entre a ENSCO e a FORAMER. O mérito da análise feita pelo acórdão recorrido será objeto de exame neste julgado. O auto de infração, conforme relatado, apontou omissões de receitas em cada um dos meses do anocalendário de 2007 e as denominou como “alocação de custos” e “inspeção”. Em relação aos meses de maio e agosto de 2007 estes estão na planilha de fls. 1432/1435, contendo os seguintes dados, em relação aos quais aplicouse o percentual de 15% (quinze por cento), a título de receita que a autoridade fiscal considerou deveria ter sido cobrada: Data Cód. conta D/C Valor Histórico Numero Código c. Custo Centro de custos 31/05/2007 121810.A1A C 1.833,35 Prime Foramer Brazil To Bill Co. 6131 for 10195163R 7641800001 S. Atlantic Special Project (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) 31/05/2007 total 28.386.258,66 15% 4.257.938,89 (Receita considerada omitida) – fl. 1.433 31/08/2007 121830.Y$A C 2.650.574,71 Prime Foramer Brazil To Bill Co. 6131 for 1028080RI 764180003 C. Walter Special Project (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) 31/08/2007 total 9.602.074,62 15% 1.444.311,19 (Receita considerada omitida) – fl. 1.435 Dos demonstrativos de fls. 1432/1435, acima sintetizados, é possível compreender, em parte, a origem das omissões de receitas nos meses de maio e agosto de 2007, que integraram as omissões contidas no auto de infração, cujo quadro transcrevo das fls. 1436/1437, do TVF. Quanto aos demais valores, conforme planilha abaixo, o auto de infração não se ateve à individualização. 4 Contrato de fls. 474/477 entre ENSCO E PETROBRÁS. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 31 13 Omissão de receita Mês Alocação de Custos conta nº 69000 Inspeções conta nº 633000 Segregação de Custos/Despesas Total da Omissão de Receita Janeiro 2.319.116,04 233.155,11 2.552.271,15 Fevereiro 1.908.140,18 418.150,18 2.326.290,96 Março 2.012.886,50 564.970,55 2.577.857,05 Abril 4.324.815,92 358.239,63 4.683.055,55 Maio 2.881.007,40 257.519,97 4.257.938,80 7.396.466,17 Junho 2.268.340,04 366.348,75 2.634.688,79 Julho 2.287.378,94 702.382,00 2.989.760,94 Agosto 2.127.521,30 477.076,58 1.440.311,19 4.044.909,07 Setembro 2.438.305,37 369.050,60 2.807.355,97 Outubro 2.599.212,13 252.798,88 2.852.011,01 Novembro 2.601.848,31 323.342,77 2.925.191,08 Dezembro 2.542.045,23 530.279,34 3.072.324,57 Na impugnação e no recurso, a recorrente sustenta nulidade da autuação sob o argumento de que, a exceção dos valores indicados na planilha de fls. 1.432/1435 (R$ 4.257.938,80 e R$ 1.440.311,19, respectivamente, referente a maio e agosto de 2007), quanto aos demais pecou a autuante por não demonstrar a origem dos mesmos. A questão da não demonstração da individualização dos valores considerados como omissão de receita, visando possibilitar a defesa da autuada e o exame do mérito por quem deve julgar é questão que analisarei, se necessário, no momento oportuno. Os valores objeto da autuação correspondem, em parte, a 15% do montante que a autuada contabilizou como reembolso de despesas e em outra parte aos valores relacionados a custos com inspeção, reembolsados à fiscalizada, que a autoridade fiscal entendeu que deveriam ter sido objeto de cobrança, acrescido de 15% a título de lucro. Neste sentido, a questão resulta mais visível quando se lê os seguintes parágrafos do TFV (fl. 1437), que antecederam o quadro de omissão de receita apurada, já transcrito neste voto: “Quanto à conta nº 633000 – Inspeções, a empresa assevera que se trata de gastos com contratação de serviços para inspeção de plataformas às normas regulatórias brasileiras. Neste sentido, a empresa, de que tratam de gastos incorridos em nome da titular do afretamento da plataforma FORAMER), que é a empresa responsável pela adequação da plataforma aos fins contratados, de sorte que não se constituem custos dos serviços prestados pela ENSCO”. "Contudo, tais gastos são despesas necessárias à consecução dos serviços, que inclusive deve contemplar o percentual de 15% (quinze por cento) de margem de lucro, uma vez que a prestação dos referidos serviços deve ser remunerada Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 32 14 (faturada), sob pena de se caracterizar um trabalho voluntário, o que n]ao cabe no caso sob apreciação.” "Sendo assim, constitui omissão de receita os valores que deveriam ser faturados baseados em custos incorridos no interessa da tomadora de serviço, conforme previsão contratual. Portanto a Alocação de Custos (conta nº 69000); bem como as Inspeções (conta nº 633000) devem compor o valor dos honorários, acrescido de 15% (quinze por cento), que trata da margem de lucro na prestação dos serviços, conforme apuração mensal realizada nas planilhas em anexo." Assim, do TFV é possível apreender que a omissão de receita, objeto da autuação, está dividida em dois grupos, um relacionado à conta contábil nº 633000, que trata das inspeções e outro à conta nº 69000 denominada de alocação de custos. Nos dizeres da autoridade fiscal, “constitui omissão de receita os valores que deveriam ser faturados baseados em custos incorridos no interesse da tomadora de serviço, conforme previsão contratual. Portanto a Alocação de Custos (conta n° 69000), bem como as inspeções (conta n° 633000) devem compor o valor dos honorários, acrescido de 15%, que trata da margem de lucro na prestação dos serviços, conforme apuração mensal realizada nas planilhas, em anexo.” 5 Pelo que se extrai do primeiro parágrafo da fl. 6 do TVF (fl. 1432), a FORAMER, proprietária da plataforma, alcançou recursos a ENSCO com a finalidade de reembolsar despesas adiantadas por esta em favor da primeira. Em relação a tais valores, dentre os quais os relacionados ao “Projeto SPS” (fl. 1432), no entender da autoridade fiscal, à luz da cláusula 2.02 do contrato entre FORAMER e ENCSO, a autuada devia ter cobrado 15% (quinze por cento) a título de remuneração por seus serviços, “sob pena de caracterizar um trabalho voluntário” (fl. 1431). Argumenta a autoridade fiscal que no contrato firmado entre a FORAMER e a PETROBRÁS, ditos reembolsos, em caso de subcontratação, deviam ser feitos por esta. Portanto, os gastos assumidos pela interessada, não poderiam ser considerados como reembolso feito pela FORAMER, uma vez que seriam reembolsados pela própria PETROBRÁS. Assim tais gastos praticados no interesse da FORAMER caracterizamse como suas despesas, e, por força da cláusula 2 do contrato firmado entre a FORAMER e a Interessada, seriam suscetíveis de honorários a serem pagos à Interessada pela FORAMER (TFV fl. 1431, segundo e terceiros parágrafos). Desta forma, no entender da autoridade fiscal, pode se concluir que houve uma intermediação na prestação dos diversos serviços (custos diretos), que foram realizados na plataforma de responsabilidade da FORAMER, mas que foram intermediados pela Interessada (TVF – fl. 1431, terceiro parágrafo). Aduz a autoridade fiscal que lançou a título de omissão de receita 15% (quinze por cento) do montante dos valores que a FORAMER reembolsou a recorrente. Argumenta que assim procedeu porque “constatouse que a empresa não incluiu para efeito de cobrança de honorários cobrados, de que trata a cláusula 2.02 do contrato FORAMER, os valores relativos a Inspeções (conta contábil n° 633000) e a alocação de Custos (conta contábil nº 690000)” – TFV fl. 1436, segundo parágrafo). 5 O TFV não contém planilha anexa. O que há nos autos é a planilha de fl. 1.437, transcrita neste voto, com a relação dos valores mensais e a planilha de fls. 1.432/1.435, que trata dos reembolsos recebidos nos meses de maio de agosto de 2007. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 33 15 Pois bem, é fato incontroverso que não houve a cobrança e tampouco o ingresso de recursos no caixa da recorrente dos valores correspondentes aos 15% (quinze por cento) que a autoridade fiscal, interpretando o contrato, entendeu que a fiscalizada deveria ter cobrado. Se não houve a cobrança destes valores e não se estando diante de presunção de omissão de receita e nem de tributação com base na alegação de violação às normas que tratam dos preços de transferência, a indagação que se faz é se é possível o lançamento fundado em suposta omissão de receita sem prova da existência do faturamento ou do recebimento destas? A respeito da indagação aqui referida já me manifestei quando do julgamento do processo nº 19395.720018/201213, de minha relatoria, sendo que a ementa, neste ponto, assim sintetizou meu entendimento: “IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. O lançamento fundado em suposta omissão de receita requer prova da existência de tais receitas e o não oferecimento desta à tributação (acórdão 1402001.439. Jul. 10/09/2013). É certo que a autoridade fiscal tem o poderdever de verificar situações que caracterizam omissão de receita e, se não oferecidas à tributação, efetuar lançamento de ofício. Contudo, salvo nos casos em que a lei prevê presunção de omissão de receita, não pode a autoridade competente reconhecer que o contribuinte não faturou determinado valor e tributá lo por entender que o valor deveria ter sido cobrado. Tal procedimento pode ser comparado ao fato de ser idealizada cobrança/execução pelo Fisco em favor do contribuinte e, em passo seguinte, o lançamento dos tributos devidos em relação ao suposto direito que o Fisco entende que o contribuinte possuía frente a terceiro. Ademais, para a hipótese de se concluir que os fundamentos até aqui expostos são insuficientes para considerar insubsistente a autuação, quer no que diga respeito aos valores lançados à conta “alocação de Custos” (conta nº 69000) ou à conta “inspeções” (conta nº 633000), destaco que analisando o contrato de fls. 10/19, encontrei as seguintes disposições contratuais: 1. SERVIÇOS 1.1. O objeto do presente contrato é a prestação de serviços pela PRESTADORA à TOMADORA com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto dos Contratos no Brasil, incumbindo à PRESTADORA todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações. 1.2. Qualquer pagamento de despesas pela PRESTADORA em nome da TOMADORA, no âmbito deste contrato, será reembolsado pela TOMADORA, em conformidade com as previsões contidas no item 2. 1.3. Para os fins deste contrato, a TOMADORA outorga à PRESTADORA, todos os poderes necessários para a efetivação dos referidos pagamentos e para a negociação com terceiros, relativamente a qualquer aspecto relacionado à TOMADORA. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 34 16 2. HONORÁRIOS e CUSTOS 2.01 Em conformidade com os serviços a serem prestados pela PRESTADORA no âmbito do presente contrato, a partir da data mencionada no item 5.01 abaixo, a TOMADORA concorda em pagar honorários profissionais de acordo com as previsões desta cláusula. 2.02 Os honorários mencionados na cláusula acima serão correspondentes ao somatório dos seguintes valores: a) custos diretos (basicamente, custo de matérias primas, suprimentos, pessoal, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte e seguros, além de gastos com combustíveis e lubrificantes) sobre os quais se aplicará um percentual de margem correspondente a 30% (trinta por cento). b) despesas com a subcontratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados; c) despesas e gastos de capital relacionados à TOMADORA; d) outras despesas necessárias à consecução dos serviços. 2.03 Os valores acima elencados serão estabelecidos mensalmente, com base no plano de contas dos centros de custo da PRESTADORA, os quais seguem os padrões estabelecidos pelo Grupo Pride para suas empresas no mundo. 2.04 A PRESTADORA, até o quinto dia útil seguinte ao término de cada mês, elaborará um relatório segregando os custos e despesas mencionados no item 2.02, demonstrando o valor de honorários que estará sendo cobrado. 2.05 PRESTADORA poderá solicitar adiantamentos mensais com vistas a suportar os encargos relacionados à prestação de serviços ora contratada (sic.). Tais valores serão deduzidos no cálculo dos honorários mensais devidos pela TOMADORA. 2.06 As partes acordam que quando necessário a PRESTADORA está autorizada a subcontratar determinada parte dos serviços para terceiros (subcontratado), dependendo de prévia autorização.... Neste caso a TOMADORA será responsável pelos honorários do Subcontratado (...)” Quando a cláusula item 2.06 do contrato prevê que no caso de subcontratação cabe à TOMADORA (proprietária da plataforma FORAMER) efetuar o pagamento dos serviços ao subcontratado, à toda evidência que estes serviços não se constituem em receita da contratada ENSCO. O fato da ENSCO, por força do disposto nas cláusulas 1.02 e 1.03, adiantar tais valores a empresas subcontratadas e ser reembolsada pela ENSCO, não transforma os valores dos reembolsos em receita. Ademais, a cláusula em questão está intitulada como “Honorários e Reembolsos”, o que está indicar que trata de duas situações distintas. No caso de custos diretos, relacionados na letra “a” da cláusula 2.02, existe previsão de honorários de 30%, o que parece ter sido cobrado, tanto que a empresa teve um faturamento de receita junto à FORAMER no valor de R$ 128.308.544,17. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 35 17 No que se refere às situações mencionadas nas letras “b”, “c” e “d” (fl. 12), diferentemente do que constou em relação à letra “a”, não há percentual de honorários, o que está a indicar que em relação a este ponto não houve contratação. Tal conclusão tornase mais evidente e ganha maior verossimilhança na interpretação da cláusula quando se verifica que não vinha sendo cobrada entre as partes. Desta forma, também por esta linha de raciocínio, não subsiste o auto de infração. Os fundamentos acima relacionados, a um só tempo, se referem tanto às questões relacionadas à conta alocação de custos, quanto à conta Inspeções (633000), que trata dos gastos “com contratação de serviços para inspeção da adequação das plataformas às normas regulatórias brasileiras. Tais gastos, conforme esclareceu a fiscalizada, “não se relacionam a nenhum dos serviços prestados por ela FORAMER.” A autoridade fiscal, por sua vez, não apontou qualquer situação capaz de afastar tal afirmação, isto é, não demonstrou em que os gastos lançados na conta “alocação de custos” diziam respeito a serviços prestados pela fiscalizada. Ademais, caso os valores lançados na referida conta se constituíssem em despesas da fiscalizada, não seria lógico que esta os considerasse como reembolsos e não despesas incorridas. Como dito anteriormente, por força do disposto na cláusula 2.6 (fl. 12), cabia à TOMADORA (FORAMER) efetuar o pagamento das empresas subcontratadas. Assim, na medida em que os valores lançados na conta “inspeções” se referem a empresas subcontratadas, ditos valores não podem ser considerados receitas da fiscalizada. Ademais, se tudo isto fosse superado, o auto de infração ainda padeceria de falha, pois para sustentar sua versão e permitir que a fiscalizada realizasse sua defesa e que esta fosse apreciada por quem deve julgar, o auditor fiscal, à semelhança em que procedeu com a conta indicada na planilha de fls. 1433/1435, devia ter individualizado tais gastos, sem se limitar a lançar valores mensais. O procedimento a ser adotado seria semelhante ao que se observa na glosa de despesas onde se faz necessário indicar as despesas que são rejeitadas para possibilitar a defesa da parte. Contudo, em julgando o mérito favorável à recorrente, tal questão resta superada. Com tais considerações, dou provimento ao recurso para afastar a alegação de omissão de receita. Todavia, para o caso de ser vencido, ainda que em parte, em relação à matéria acima analisada, ou para a hipótese de eventual recurso, desde já enfrento a questão relacionada ao PIS e a Cofins. Do PIS e a Cofins nãocumulativos A recorrente, tributada com base no lucro real, submetiase à arrecadação do PIS e a Cofins de forma nãocumulativa, conforme disposto nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Por considerar os valores objeto de lançamento como despesas de terceiro, não podia creditarse e não se creditou do PIS e da Cofins. Contudo, sustenta que, se considerados tais valores como despesas suas não há como deixar de reconhecêlos para efeitos de creditamento do PIS e da Cofins, assim como despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O acórdão recorrido, às fls. 1606/1607 rejeitou a pretensão da recorrente com base no entendimento de que “o não reconhecimento dos gastos em contas de resultado não Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 36 18 gera aproveitamento fiscal dos respectivos tributos.” Neste ponto transcrevo os seguintes fundamentos do acórdão guerreado: Do exame dos documentos acostados pela Interessada e da informação fiscal constante no Termo de Verificação, temse que não constou na contabilidade da Interessada o registro dos créditos de PIS e de COFINS não cumulativos, uma vez que os gastos não transitaram nas contas de resultado, tendo sido classificados no Ativo Circulante, em contas de reembolso, ao invés de tributos a recuperar. Tendo por base que a contabilidade juntamente com os documentos que a embasem são fundamentais para a apuração quantitativa dos fatos contábeis, não há como reconhecer a existência de créditos dos mencionados tributos, uma vez que, além dos documentos apresentados não terem retratado a contabilidade de maneira fidedigna, como já exposto neste julgamento, (contabilização indevida dos respectivos valores como reembolso), o não registro específico dos créditos na escrituração contábil acarretou a falta de certeza de liquidez dos mesmos, revelandose correta a conclusão da Fiscalização no sentido de que ocorreu ausência de ativo fiscal. O não reconhecimento dos gastos em contas de resultado não gera aproveitamento fiscal dos respectivos tributos. A impugnação ao PIS e à COFINS acostada às fls.1.547/1.557, deve ser analisada no âmbito do PAnº.19395.720068/201292. Quanto a este ponto, isso é, que a impugnação ao PIS e à COFINS acostada às fls.1.547/1.557, deve ser analisada no âmbito do PAnº.19395.720068/201292, penso que a decisão “a quo” deve ser modificada. Os autos de infração do PIS (fls. 1450/1455) e da Cofins (fls. 1456/1462), conforme se extrai, respectivamente, das fls. 1451/1453 e das fls. 1457/1459, decorrem do mesmo procedimento descrito no termo de verificação fiscal. Inclusive têm a mesma base de cálculo da receita omitida. No mais, quando se analisa os autos, observase que a impugnação é uma peça só que contém 72 laudas e 228 parágrafos numerados. O fato da impugnação do PIS e da Cofins estar inserida nos parágrafos de números 192 a 223, não quer dizer que deva ser considerada como peça autônoma e apartada para outro processo. Neste sentido, à luz do 2º, IV, do anexo II do Regimento Interno do CARF, entendo que cabe a este colegiado conhecer e julgar das questões relacionadas ao PIS e a Cofins. Contudo, por entender que, neste ponto, o mérito deve ser julgado em favor da recorrente, passo a examinar a matéria sem declarar nulidade por possível questão de “suprimento de instância.” Da não incidência do PIS e a Cofins na exportação de mercadorias e na prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior. No caso dos autos é fato incontroverso que o lançamento em questão diz respeito à prestação de serviços à empresa FORAMER, sediada no exterior. O artigo 5º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, prevê que o PIS não incidirá sobre receitas decorrentes de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Em relação à Cofins, esta mesma previsão encontrase no artigo 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Desta forma, tendo a autuação partido da premissa de omissão de receita em face à prestação de serviços à empresa FORAMER, sediada no exterior, cabe cancelar a exigência em relação ao PIS e a Cofins. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19395.720141/201226 Acórdão n.º 1402001.595 S1C4T2 Fl. 37 19 ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. e dar provimento ao recurso de voluntário. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001934/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA de 75%. INAPLICABILIDADE.
À luz da Lei n° 11.051/2004, cabível a multa isolada apenas nas hipóteses de da prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, isto é, sonegação, fraude e conluio, hipóteses estas não tipificadas nos autos.
Numero da decisão: 3201-001.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício, termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA de 75%. INAPLICABILIDADE. À luz da Lei n° 11.051/2004, cabível a multa isolada apenas nas hipóteses de da prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, isto é, sonegação, fraude e conluio, hipóteses estas não tipificadas nos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.001934/2008-43
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5327625
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3201-001.484
nome_arquivo_s : Decisao_18471001934200843.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001934200843_5327625.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício, termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5320987
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595534061568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001934/200843 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3201001.484 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ICATU HOLDING S/A ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA de 75%. INAPLICABILIDADE. À luz da Lei n° 11.051/2004, cabível a multa isolada apenas nas hipóteses de da prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, isto é, sonegação, fraude e conluio, hipóteses estas não tipificadas nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício, termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 34 /2 00 8- 43 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a cobrança de multa isolada, por compensação reputada como não declarada, de débito de imposto de renda retido na fonteIRRF (código 8053 aplicações financeiras de renda fixa), com crédito decorrente de pagamento a maior, a título de cota de contribuição de café. Transcrevese a seguir, o relatório produzido pela Delegacia de Julgamento: De acordo com a representação fiscal produzida pela DERAT/RJ, referente ao processo n° 15374.000847/200889 (fls. 5/16), o interessado compensou o valor de R$17.117.190,25 de imposto de renda retido na fonteIRRF (código 8053 aplicações financeiras de renda fixa), com data de vencimento em 19/01/2005, quando da transmissão da PER/DCOMP de n° 35228.65883.190105.1.3.579168, com crédito decorrente de pagamento a maior a titulo de cota de contribuição de café, que por não se caracterizar como tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal do BrasilRFB, a dita compensação foi considerada não declarada (Despacho Decisório de 07/03/2008, fundamentado no parecer conclusivo n° 295/2007) e, por conseguinte, o interessado não fez jus à apresentação de recursos administrativos fundamentados no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. 3. Face ao exposto, foi promovido o lançamento de oficio da multa isolada de 75% prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei n° 11.051/2004. 4. Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls.69/94, acompanhada dos documentos de fls. 96/270 alegando, em síntese, o que se segue: em 17/05/1993, empresa incorporada pelo interessado e outras ajuizaram ação ordinária n° 93.000.47302 contra a União Federal, para pleitear a restituição ou a compensação dos valores pagos indevidamente a titulo de cota de contribuição para o IBC incidente sobre as exportações de café; a sentença julgou improcedente o pedido da ação mas o Tribunal Regional Federal da 1a região deu provimento parcial à apelação, para reconhecer o direito restituição/compensação dos valores pagos, a partir de 05/10/1988, com outros tributos da União Federal, observada a prescrição; foi interposto recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal para que fosse reconhecida a natureza tributária do crédito decorrente do pagamento indevido da contade contribuição para o IBC antes de 05/10/1988. Tal decisão transitou em julgado em 27/08/2004; informou nos autos da ação ordinária n° 93.000.47302 que iria utilizar todo o crédito do pagamento indevido da cota de café para compensar tributos, manifestação acatada pelo juízo da 7a Vara Federal da Bahia; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 18471.001934/200843 Acórdão n.º 3201001.484 S3C2T1 Fl. 94 3 em 19/01/2005 protocolou declaração de compensação para informar a quitação, por compensação, do débito de IRRF de janeiro de 2005 com o crédito da cota de contribuição para o IBC, referente ao período de outubro de 1988 a abril de 1990, objeto da ação ordinária, dando origem ao processo administrativo n° 15374.000454/200794; a DERAT/RJ por entender que o crédito utilizado não teria natureza tributária, considerou não declarada a referida compensação, e em razão disso foi lhe exigida a multa isolada calculada sobre débito de IRF considerado indevidamente compensado; ocorre que existe decisão transitada em julgado reconhecendo expressamente que tem direito a utilizar as cotas de contribuição ao IBC para quitar, por compensação,quaisquer tributos da Unido Federal; dessa forma, independente da natureza jurídica da cota de contribuição ao IBC jamais a compensação pleiteada poderia ser considerada não declarada; não é possível supor que a aplicação de uma decisão judicial pudesse ainda depender da verificação de sua adequação a determinado dispositivo legal, dai que ao compensar os débitos do IRF com os créditos relativos a cota de contribuição ao IBC, agiu rigorosamente de acordo com a decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação ordinária, e eventual recusa do Poder Executivo ao cumprimento dessa decisão importaria em descumprimento de ação judicial, a despeito de eventual alegação de que estaria em desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996; a própria autoridade administrativa tem entendimento no sentido de que é vedado o indeferimento de compensação quando reconhecida por decisão judicial transitada em julgado, conforme se verifica na Solução de Consulta Interna n° 10, de 11.03.2005, da COSIT; nessa conformidade, por estar a compensação pleiteada amparada em decisão judicial, fica afastada qualquer vedação eventualmente existente à compensação em causa, e, conseqüentemente, a multa isolada prevista no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003; tendo em vista a decisão da DERAT, impetrou, em 15/06/2008, mandado de segurança preventivo n° 2008.51.01.0073999, para que não fosse compelido a pagar o IRF compensado com as cotas de contribuição ao IBC; o TRF da 2a Região concedeu medida liminar, determinando a suspensão da exigibilidade do débito do IRRF, por entender que a referida compensação foi válida, já que amparada por decisão judicial transitada em julgado; na data da lavratura do auto de infração estava em vigor decisão judicial que reconhece a validade das compensações efetuadas, razão pela qual a sua lavratura não é válida; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 o auto não poderia ter sido lavrado nem mesmo sob o argumento da prevenção da decadência, já que o art.63 da Lei n° 9.430/1996 determina que, nesses casos, o auto não pode incluir o lançamento de multa; mesmo que não estivesse amparado por decisão judicial, a multa isolada vinculada ao débito informado na DCOMP seria descabida, posto que na data que foram protocoladas, a legislação em vigor restringia a aplicação de multa isolada aos casos em que a compensação era considerada não declarada por conta de fraude; antes do advento da Lei n° 11.196, de 22/11/2005, cujo art. 117 alterou a redação do § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, não era possível aplicar multa isolada sobre compensações consideradas não declaradas, mas sem fraude, por falta de previsão legal. Nesse sentido já decidiu o Segundo Conselho de Contribuintes; a multa isolada viola os arts. 97,V, e 113 do Código Tributário NacionalCTN. Tanto o Primeiro Conselho de Contribuintes quanto a Camara Superior de Recursos Fiscais decidiram não admitir cobrança de multa isolada sendo por descumprimentos de obrigação acessória, sob pena de ofensa aos referidos dispositivos do CTN; em razão de ter incluído os débitos que pretendeu quitar por compensação em sua DCTF, já estão eles sendo cobrados pela Fazenda Nacional com acréscimo de juros moratórios e multa moratória de 20%; está sofrendo a imposição cumulativa de duas multas, quais sejam a moratória e a isolada, levandoo a ser punido de forma mais gravosa do que aquela imputável a uma pessoa jurídica que viesse a ser autuada por não ter préconstituído seus débitos, já que, nesse caso, apenas uma única multa de oficio seria dela exigida; não cabimento da multa de isolada no percentual de 75%, que, quando muito, só poderia ser exigida no percentual de 50%, por aplicação do art.14 da Medida Provisória n°351, de 2007, combinado com o art. 106, II, c, do CTN; A Delegacia de Julgamento julgou improcedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL DE 75 %. INAPLICABILIDADE. Na data da ocorrência do fato gerador, não havia previsão legal para a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, incidente sobre o valor total do débito compensado Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 18471.001934/200843 Acórdão n.º 3201001.484 S3C2T1 Fl. 95 5 indevidamente, no caso de compensação considerada não declarada em face de pretensão de utilização de créditos não administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que somente ocorreu a partir da vigência da Lei n° 11.196, de 21/11/2005, que alterou o art. 18 da Lei n°10.833, de 29/12/2003. Lançamento Improcedente Na decisão referida, entendeuse que a compensação não declarada foi criada pela Lei n ° 11.051, de 29/12/2004, que em seu art. 4 ° introduziu o §12 no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. O caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 prevê a aplicação de "multa isolada" na hipótese em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, isto é, de multa qualificada simples ou de multa qualificada e majorada, não havendo previsão da multa de 75%. Assim, com fulcro no art. 144 do CTN, considerandose a data da ocorrência do fato gerador, de janeiro de 2005, não havia previsão legal para a aplicação da multa isolada de 75%. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tratase o presente de recurso de ofício de decisão que exonerou a Recorrida da multa isolada, por se considerar como não declarada a compensação de débitos de IRRF com créditos de cotas de café. Não há retoques a serem feitos na decisão da Delegacia de Julgamento. As normas jurídicas relativas à aplicação da multa isolada alteraramse por diversas vezes ao longo do tempo, aplicandose a lei vigente à época das compensações para reger as respectivas relações jurídicas. À época da compensação, 31 de janeiro de 2005, vigia a Lei n° 11.051/2004, alterou ainda o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que nos termos do art.25 passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarse6 a imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Depreendese da leitura do dispositivo que a aplicação de "multa isolada" apenas seria cabível nas hipóteses de prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, isto é, sonegação, fraude e conluio, hipóteses estas não tipificadas nos autos. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000990/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA
É incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e de multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita omitida.
Numero da decisão: 1301-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas,quanto à multa isolada.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA É incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e de multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita omitida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16004.000990/2009-22
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5333677
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.342
nome_arquivo_s : Decisao_16004000990200922.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16004000990200922_5333677.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas,quanto à multa isolada. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
id : 5366280
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595565518848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000990/200922 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.342 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ. Recorrente FRIGOESTRELA S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA É incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e de multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas,quanto à multa isolada. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 90 /2 00 9- 22 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese do presente processo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração, relativos ao anocalendário 2007, ante a constatada insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos no período, verificada, a diferença, pelo cotejo dos dados constantes na DIPJ, fichas 12 A, item 19 (fl. 12) e 17, item 61. (fl.17), os pagamentos existentes no SINAL08 (fls. 190/199 e 202/205, 206/215) e dos valores declarados em DCTF (fls. 216 a 227). Foi lançada multa isolada, por insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, ocorrida nos meses de janeiro, março, maio, junho e dezembro de 2007. Referido lançamento teve como fundamento o RIR, de 1999, arts. 222 e 843, c/c Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1º, IV, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória (MP) n°351, de 2007. Devidamente cientificada das imputações, a contribuinte apresentou Impugnação (fls.255 – 262), alegando em síntese, a ocorrência de cerceamento ao seu direito à ampla defesa, uma vez que o Fisco, antes de lançar, não lhe deu oportunidade de esclarecer as inconsistências e discrepâncias encontradas, não levando em consideração o fato de que está em recuperação judicial, passando por inúmeras dificuldades, inclusive a de recomposição de seu quadro de pessoal, especialmente os administrativos e contábeis. Reputou que a conduta do Fisco produziu lançamento, que fere o espirito da Lei n° 11.101/05, cujo escopo principal é possibilitar a recuperação de empresas em dificuldades. Se o Fisco permitisse a apresentação de documentação não teria lançado vultosa quantia, aumentando ainda mais o endividamento da empresa e além disso, não lhe foram entregues os documentos em que se baseou o lançamento, mais especificamente aqueles referidos como "Sinal08", cujo conteúdo desconhece por completo, o que impossibilita impugnar o lançamento, devendo ser decretada a nulidade do auto de infração e, caso não fosse esse o entendimento do julgador, solicitou que lhe fossem entregues todos os documentos produzidos pelo ente tributante e que lhe seja devolvido o prazo para impugnação. No mais, assentou que por cautela, ficava genericamente impugnado o lançamento, por negativa geral, tendo em vista a impossibilidade de fazêlo, validamente, em virtude da falta documental apontada, aduzindo que os procedimentos determinados no art. 142 do Código Tributário Nacional não foram atendidos no lançamento, especialmente no que tange determinação da matéria tributável e a pretensão do Fisco não reúne os predicados de certeza e liquidez, o que representa ofensa ao art. 114 do CTN, uma vez que o fato gerador não emerge em sua concretude factual e tampouco conceitual. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.000990/200922 Acórdão n.º 1301001.342 S1C3T1 Fl. 3 3 Reputou que a multa aplicada seria confiscatória, expediente vedado pela Constituição da República e que não seria viável a utilização da Taxa Selic. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 281 a 287, julgou o lançamento procedente, rejeitando de início a preliminar de nulidade porquanto não teria ocorrido o alegado cerceamento ao direito de defesa, eis que ao contrário do que alega, a contribuinte foi intimada durante a fiscalização e apresentou os balancetes de verificação do período de janeiro a dezembro de 2007, o Lalur e a DIPJ/2008 corrigida (mas não transmitida), os quais foram utilizados pelo autuante para o cálculo da multa isolada sobre as estimativas não pagas e do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual. Frisouse ainda, que além de ter sido intimada antes da autuação, a contribuinte, depois da ciência do lançamento, teve prazo de trinta dias para apresentar a impugnação e todos os documentos que julgasse necessários a sua defesa, de sorte que seria improcedente a alegação de falta de oportunidade de apresentar esclarecimentos e comprovações. Com relação aos documentos em que se baseou o lançamento, entendeu a decisão recorrida que, com exceção dos extratos retirados do sistema da Receita Federal do Brasil "Sinal08", que informam os pagamentos de tributos efetuados pelo sujeito passivo, devendo ser ressaltado que, apesar de não terem sido enviados juntamente com os autos de infração, referidos extratos constam do presente processo, tendo ficado, desde o lançamento, à disposição da contribuinte para consulta e solicitação de cópia. Sendo assim, não haveria falar em cerceamento do direito de defesa. Quanto ao mérito, registrou a decisão recorrida que tratavase de lançamento do IRPJ e CSLL, no anocalendário 2007, tendo em vista a constatação de insuficiência de seu recolhimento apurada pelo cotejo dos dados constantes na DIPJ, fichas 12 A, item 19 (fl.12) e 17, item 61 (f1.17), os pagamentos existentes no SINAL08 (fls. 190/199 e 202/205, 206/215) e dos valores declarados em DCTF e que a contribuinte afirma na defesa que "fica genericamente impugnado o lançamento, por negativa geral, tendo em vista a impossibilidade de fazêlo, validamente, em virtude da falta documental apontada", devendo ser esclarecido que a total impugnação pretendida pela empresa não é possível nos termos em que foi feito o pedido, eis que os artigos 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, dispõem que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1. 0 da Lei n° 8.748, de 1993), considerandose impugnadas somente as matérias expressamente contestadas, inadmitindo as alegações genéricas e a negação geral tal como feito pela contribuinte, e são consideradas impugnadas apenas as matérias para as quais a empresa expressamente tenha indicado um motivo de contestação. Diante deste entendimento, afastouse o argumento de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, porquanto aplicada com base na legislação vigente, bem como se manteve a utilização da Taxa Selic pelo mesmo motivo. A contribuinte foi devidamente notificada da decisão desfavorável (fls. 289 – 290), e inconformada interpôs Recurso Voluntário (fls. 291 ), alegando a nulidade da decisão recorrida porquanto não teria acatado a preliminar de cerceamento de defesa manuseada em sede de Impugnação. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Na mesma sede preliminar insistiu que durante o procedimento de fiscalização não lhe fora apresentados todos os documentos sobre os quais se baseou a autuação e que a decisão recorrida seria nula na medida em que a despeito de reconhecer que documentos de instrução do lançamento não foram entregues ao contribuinte, afastou a primitiva alegação de nulidade, implicando em cerceio ao direito de defesa. Tornou a dizer que a falta do conhecimento do teor dos documentos "SINAL 08" gerou enorme prejuízo a Recorrente na medida em que restou mitigado seu direito de defesa, digase, sobre uma cobrança que não concorda, requerendo assim, a nulidade da decisão recorrida. Ainda em sede preliminar, sustentou a recorrente a nulidade do lançamento, em virtude da impossibilidade de manejo de defesa válida e completa, ante a falta de entrega de documentos essenciais e que compuseram o lançamento, gerando cerceamento de defesa. Quanto ao mérito aduziu que não teria como se opor ao lançamento, em virtude de desconhecer, na sua inteireza, os documentos que embasaram o lançamento, aduzindo que, de todo modo, certamente não se colocava de acordo com o lançamento, seja pelo conteúdo, seja pelos valores apontados. Reputou que as multas e acréscimos lançados são claramente confiscatórios e indevidos, especialmente porque se pretende demonstrar documentalmente essa circunstância, protestando pela juntada de documentos, de modo a demonstrar a incorreção do lançamento, junto à nova defesa que promoverá por ocasião do acatamento da preliminar. Por fim, lançou seus fundamentos jurídicos para oporse à multa, que entende confiscatória e contra a utilização da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.000990/200922 Acórdão n.º 1301001.342 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Sustenta a recorrente que a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP seria nula porquanto não acatou o alegado cerceamento de defesa, oriundo, segundo a recorrente, do fato de não lhe ter sido disponibilizada a íntegra dos documentos utilizados pela Fiscalização, sobretudo, o denominado “SINAL08”. Quer me parecer que a despeito do eloquente arrazoado o argumento da contribuinte esbarra na própria lógica da sistemática do Processo Administrativo Fiscal. Anote se, em igual expediente ao adotado pela decisão recorrida, que as imputações são atinentes à diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente declarados, sendo que após encerrada a Fiscalização, a contribuinte foi regularmente intimada, e apresentou tempestiva Impugnação (fls. 255 – 262), de sorte que no trintídio do prazo de impugnação, momento em que instaurado o contraditório administrativo, teve acesso a todo o conteúdo do processo. Ademais, a recorrente fala em “verdade material”, mas nem após ser proferida a decisão ora recorrida, com a possibilidade de Recurso Voluntário, cuidou de manifestarse materialmente sobre os documentos do aludido "Sinal08", os quais, aliás, apenas informam os pagamentos de tributos efetuados pelo sujeito passivo, e que constam do presente processo, tendo ficado desde o lançamento à disposição da contribuinte para consulta e solicitação de cópia. Quer me parecer que acatar a preliminar suscitada prestigiaria um formalismo não condizente com o Processo Administrativo e que beneficiaria a desídia da própria contribuinte que durante toda a ação fiscal não se dignou a manifestarse acerca do documento que entende lhe deveria ter sido enviado, a despeito de este documentos estar encartado aos autos desde o lançamento. Em vista de todo o exposto não verifico a nulidade mencionada, razão pela qual rejeito a preliminar. Considerando que a contribuinte não apresentou qualquer refutação material à constatação fiscal, quer me parecer que no mérito o lançamento é procedente, considerando se que foram lavrados autos de infração ante a constatada insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos no período, verificada, a diferença, pelo cotejo dos dados constantes na DIPJ, fichas 12 A, item 19 (fl. 12) e 17, item 61. (fl. 17), os pagamentos existentes no SINAL08 (fls. 190/199 e 202/205, 206/215) e dos valores declarados em DCTF (fls. 216 a 227). Quanto ao argumento de que as multas teriam efeito confiscatório, de rigor assinalar que a multa de ofício baseouse no patamar mínimo vigente, seguindo o estrito Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 quadro legal vigente, sendo inoportunas, nesta sede administrativa, as alegações de efeito confiscatório. No que toca à multa exigida isoladamente, no entanto, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada e a exigência, por conseguinte, afastada. Conforme tenho reiteradamente me manifestado, entendo que encerrado o anocalendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do anocalendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Em verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário, a revelar o inerente dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele anocalendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique, sendo certo que a partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Relembrese, por oportuno que a jurisprudência predominante neste E. Conselho e mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme se depreende do Acórdão CSRF/0105.838, Sessão de 15 de abril de 2008. Sendo assim, de rigor o provimento do Recurso para cancelamento da Multa Isolada. Por fim, no que toca à utilização da Taxa Selic, incide na espécie o verbete da Súmula Carf nº 04, segundo a qual a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em vista de todo o exposto voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, assentar a procedência do lançamento quanto ao mérito, manter as multas de ofício e a utilização da taxa Selic, afastando, no entanto, a multa exigida isoladamente, razão pela qual dou PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.000990/200922 Acórdão n.º 1301001.342 S1C3T1 Fl. 5 7 Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904526/2012-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10930.904526/2012-65
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350173
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.876
nome_arquivo_s : Decisao_10930904526201265.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930904526201265_5350173.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5464833
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595582296064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904526/201265 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.876 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 26 /2 01 2- 65 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904526/201265 Acórdão n.º 3803004.876 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904526/201265 Acórdão n.º 3803004.876 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904526/201265 Acórdão n.º 3803004.876 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000206/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2003
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO.
O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional deva circunscrever-se àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulá-la, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide.
Numero da decisão: 1201-000.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a tributação relativa à suspensão do benefício da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o benefício, e, pelo voto de qualidade, em manter o lançamento referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Carlos de Lima Junior - Relator
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2003 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional deva circunscrever-se àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulá-la, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15578.000206/2007-57
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5332292
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-000.737
nome_arquivo_s : Decisao_15578000206200757.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15578000206200757_5332292.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a tributação relativa à suspensão do benefício da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o benefício, e, pelo voto de qualidade, em manter o lançamento referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior - Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 5349572
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595599073280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C2T1 Fl. 2 0 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000206/200757 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.737 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO CSLL Recorrente COMPANHIA SIDERURGICA DE TUBARÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2003 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional “deva” circunscreverse àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulála, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a tributação relativa à suspensão do benefício da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o benefício, e, pelo voto de qualidade, em manter o lançamento referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz – Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 02 06 /2 00 7- 57 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 3 2 João Carlos de Lima Junior Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de pedido de compensação – PER/DCOMP, decorrente de base negativa de CSLL dos anos calendário de 2000 e 2003 totalizando um valor de R$ 35.611.469,70 (Trinta e cinco milhões, seiscentos e onze mil quatrocentos e sessenta e nove reais e setenta centavos) com o fim de compensar débitos de IRPJ e CSLL. Após a análise de toda a documentação, a fiscalização constatou que a empresa impetrou Mandado de Segurança preventivo, em 14/02/1995, (fls. 61 a 85), para que fosse assegurado o direito de continuar compensando os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, acumulados até 31/12/1994, por ocasião da apuração dos resultados referentes ao períodobase,encerrado em janeiro de 1.995, e demais acumulados em períodos subsequentes, até que ocorresse a compensação total dos referidos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro. Requereu que lhe fosse concedida a segurança definitiva para o fim deter assegurado seu direito líquido e certo de proceder à compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa acumulados até 31/12/1994, sem a limitação de30% do lucro líquido ajustado, alegando flagrante inconstitucionalidade da restrição mantida nos artigos 42, 58 e 95 da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n°8981/95. O pedido de liminar foi deferido em 1º instância, conforme sentença às fls. 86 a 93. Após a Apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional, o processo foi julgado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região em 21/03/2001. O acórdão deu provimento à Apelação e à remessa, limitando em 30% a compensação do lucro deum exercício fiscal com os prejuízos dos exercícios anteriores, conforme documento as fls. 94 a 97. A Companhia Siderúrgica de Tubarão opôs Embargos de Declaração eo Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou provimento aos embargos em15/05/2002 (fls. 98 a 100). A empresa interpôs recurso Especial e Extraordinário e ambos os recursos foram admitidos (fl. 101). Em 19/10/2005, o Superior Tribunal de Justiça STJ decidiu no sentido de inexistir ilegalidade nas limitações impostas à compensação dos prejuízos fiscais, no tocante ao imposto de Renda Pessoa jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro, conforme documento as fls. 102 a 110. O recurso extraordinário não foi decidido, conforme documento as fls.111 e 112. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 4 3 Paralelamente ao Mandado de Segurança a contribuinte interpôs Ação Cautelar para atribuir efeito suspensivo aos recursos Especial e Extraordinário interpostos. Após todos os trâmites legais o STJ julgou prejudicada a Medida Cautelar por perda de objeto, em razão do julgamento definitivo do recurso (fls. 118 a 120), sendo que o STF concedeu efeito suspensivo ao recurso Extraordinário em 25/12/2005 (fls. 121). Após essas constatações, a fiscalização entendeu que o efeito suspensivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal, no qual a intimada discute o limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, não autoriza o contribuinte a utilizar créditos oriundos da não aplicação deste limite. Também ficou constatado pela fiscalização que em 13 de março de 1995 a recorrente interpôs a Ação Ordinária nº 950087464 requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989 e substituindose a OTN de NCrz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, como ajuste de exercícios anteriores, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Após contestação da procuradoria (fls. 205 a 219), o pedido da Companhia foi julgado improcedente em 1º instância (fls. 220 a 234). A Autora apresentou embargos de declaração (fls. 235 a 240), os quais foram rejeitados em 18/11/1998 (fls. 241 e 242). Em recurso de Apelação (fls. 243 a 264),para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, a empresa solicitou que fosse reformada a sentença de 1º grau, determinandose a aplicação dos índices do IPC expurgados pelo plano Verão. A União apresentou contrarrazões à Apelação (fls.265 a 277) e, em 06/02/2002, foi proferido acórdão do Tribunal Regional da 1º Região (fls.278 a 286), no sentido de que as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%. Após diversos trâmites processuais – Embargos de Declarações, Apelação, Agravos realizados tanto pela empresa, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a matéria foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 355 a 359) o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. O processo transitou em julgado dia 01/04/2005 (fls. 383 e 384). De posse dessas informações, a fiscalização concluiu que os cálculos apresentados pelo contribuinte divergem do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, proferido em 06/02/2002 (fls.278 a 286) e do acórdão do Superior Tribunal de Justiça (fls.355 a 359). Isso porque, no seu entendimento, a contribuinte obteve decisão judicial para corrigir todas as suas demonstrações financeiras pelo novo IPC e não apenas suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. E, assim, ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através da adição ao lucro líquido. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 5 4 Os cálculos demonstram o ajuste que o Ativo Permanente teria com a aplicação do diferencial de correção monetária de balanço (IPC de janeiro e fevereiro de 1989), no percentual de 51,72% e consideram que esta correção monetária gerou despesas com depreciação do ativo a serem utilizados em exercícios posteriores,pois a empresa supostamente levantou base de cálculo do IRPJ e da CSLL a maior a partir do anocalendário de 1989. A fiscalização afirma que estes cálculos não estariam de acordo com a petição inicial da empresa, pois levaria em consideração apenas o expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas do Ativo Permanente (fls. 169 a 204). A correção monetária do Ativo Permanente gera receita passível de tributação. A correção da formação das despesas de depreciação, amortização e baixas diminui o lucro operacional líquido, conforme as normas básicas de correção monetária. Em consequência disso, entendeu a fiscalização que a empresa não tem o direito de excluir da base de cálculo os valores abaixo descriminados: Ano base Tributo Valor glosado 2000 CSLL 25.724.991,01 2003 CSLL 9.886.478,69 TOTAL 35.611.469,70 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou manifestação ( 614 a 649) alegando, em suma, que: Inicialmente, requereu a conexão do presente com o processo administrativo de compensação n.° 15578.000206/200700 (IRPJ), e ainda com os processos administrativos decorrente dos autos de infração de IRPJ e CSLL (PAsn.°s 15578.000406/200718 e 15578.000407/200754), em virtude da identidade das matérias a serem apreciadas pelo órgão julgador e a necessidade de se evitar sentenças divergentes. Com relação às exclusões das despesas decorrentes de correção monetária das contas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente, aduz que foram realizadas na DIPJ de 2001 tendo em vista que a empresa era titular do direito reconhecido no acórdão do TRF, publicado em junho de 2002, para utilização do índice de 42,72%. Com relação às exclusões das despesas decorrentes de correção monetária das contas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente, informa que as exclusões efetuadas encontramse absolutamente de acordo com os termos da norma individual concretizada pelo pedido julgado procedente nos autos da Ação Ordinária 95.0087464 e, portanto, os índices reconhecidos como expurgados por decisão transitada em julgado devem ser aplicados sobre as realizações do ativo permanente (depreciações, amortizações e baixas) e sobre os saldos da parte B do LALUR. Discorre que a Recorrente não poderia ter obtido decisão diferente da relatada acima simplesmente porque o Judiciário não foi provocado de forma distinta. A Recorrente pediu em juízo que a aplicação do índice expurgado do IPC/89 lhe autorizasse a: "deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 6 5 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, ou outro índice que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a compensação de prejuízos fiscais," Alega a Recorrente que os arts. 128, 460 e 468 do Código de Processo Civil, espelham a regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença, fixando os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial (art. 128) limitando a decisão do Juiz. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. Ademais, a Recorrente afirma que a análise das normas fiscais demonstra que, num contexto inflacionário, a única forma de se preservar o valor real dos elementos patrimoniais era a utilização dos procedimentos de correção monetária de balanço. Para isso, exigiase que os ativos e passivos nãomonetários (ativo permanente e patrimônio líquido) fossem corrigidos por índices que espelhassem a real inflação do período. Segundo a recorrente, a DRJ/RJOI concordou que o saldo líquido da correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido era, em situações normais, lançado em conta de resultado do exercício e, se o resultado líquido destes ajustes fosse positivo (credor), a tributação deste "ganho inflacionário" era diferida na medida da realização dos itens do ativo permanente. Por outro lado, se o resultado líquido fosse negativo (devedor), era autorizada a dedução fiscal integral e automática desta "perda inflacionária". Afirmou que, ainda que fosse admitida a aplicação da norma geral em detrimento da norma individual concreta decorrente da coisa julgada, há outra previsão legal do sistema de correção monetária de balanço que as autoridades fiscais simplesmente ignoraram na aplicação das supostas normas gerais. Conforme se verifica através das normas contábeis e fiscais de correção monetária de balanço, todo o ativo permanente era obrigatoriamente corrigido. Portanto, as futuras realizações deste saldo do ativo permanente devidamente atualizado produziam efeitos no resultado dos exercícios seguintes através das despesas de depreciação, amortização e baixas que são, sem sombra de dúvida, custos ou despesas operacionais plenamente dedutíveis na apuração do lucro real e da contribuição social sobre o lucro. Isso significa dizer que, se por um lado o saldo líquido da correção monetária do ativo permanente (ativo) e do patrimônio líquido (passivo) gerava "ganhos" (saldo líquido credor) ou "perdas" (saldo líquido devedor), sempre, em toda e qualquer hipótese, independente deste saldo líquido, era garantida a dedução fiscal do efeito da correção monetária através da depreciação, amortização e baixas do ativo permanente nos exercícios financeiros subsequentes. Assim, mesmo que fosse correta a aplicação das normas gerais de correção monetária de balanço em detrimento da decisão transitada em julgado, o que a Recorrente afirmou admitir apenas para confirmar os equívocos da decisão recorrida, a diferença de correção monetária decorrente da aplicação dos índices expurgados sobre os elementos do ativo permanente existente em 31.12.1988 assegurariam à Recorrente o irrefutável direito à dedução das parcelas de depreciação, amortização e baixas. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 7 6 Demonstra a Recorrente que a Delegacia de Julgamento não pode simplesmente negar exclusões efetuadas pela Recorrente por entender que haveria um suposto crédito tributário decorrente de saldo credor de correção monetária de balanço que sequer poderia ser exigido em função da decadência. Afirma, ainda, que se realmente fossem apurados ganhos tributáveis decorrentes do saldo líquido credor de correção monetária de balanço, jamais deveriam ser negadas ou não reconhecidas as exclusões realizadas, pois, tratamse de reflexos distintos da correção monetária das demonstrações financeiras e o reflexo que importa ao caso concreto é o direito à depreciação, amortização e baixas do ativo permanente integralmente corrigido. As autoridades fiscais poderiam ter apontado os supostos ganhos inflacionários e aplicado a legislação vigente à época dos fatos geradores para apurar eventual crédito tributário decorrente do diferimento do "lucro inflacionário", sem jamais impedir as deduções dos exercícios seguintes que a própria lei de regência autorizava aos contribuintes. Por fim, atesta que, tecnicamente, se a fiscalização tivesse observado as normas contábeis e fiscais de forma correta, deveria ter apurado o alegado lucro inflacionário decorrente do expurgo do Plano Verão, somar este resultado ao saldo lucro inflacionário então apurado pela Recorrente e verificar se a partir desse resultado restariam créditos tributários passíveis de formalização, levando em consideração, é claro, toda a evolução da tributação do lucro inflacionário realizada pela Recorrente, mediante a observância dos cálculos de realização (percentuais de depreciação, amortização e baixa perante o total do ativo permanente), bem como outras disposições legais aplicáveis, além dos evidentes efeitos da decadência. Finalmente, pleiteou a inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a parcela da multa. A DRJ (fls.1340 a 1373) julgou improcedente a manifestação apresentada fundamentando sua decisão com os argumentos abaixo elencados: Reconhecimento da conexão dos processos. Contudo, como a recorrente se manifestou em cada um separadamente, a DRJ resolveu se manifestar, também, separadamente, a fim de evitar o cerceamento de defesa. No que tange aos efeitos da decisão transitada em julgado, proferida na Ação Ordinária n° 95.00087464, referente aos efeitos do Plano Verão, a DRJ manteve o entendimento da fiscalização por entender que a permissão judicial não se restringiu apenas à apropriação das despesas de amortização, depreciação e baixas do ativo permanente. Segundo a DRJ, a recorrente após ter seu pedido negado em primeira instância, alterou sua petição em sede de Apelação para adequarse à legislação. Segundo a DRJ o pedido Inicial foi: Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 8 7 PEDIDO INICIAL FL.145 ... para que venha a deduzir , na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro , a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais ..." Ao ter seu pedido negado, apresentou Apelação com pedido alterado, nos seguintes termos: Apelação FL 244 "A Autora propôs a presente ação ordinária visando ao reconhecimento de seu direito constitucional de utilizar, em suas demonstrações financeiras e para efeitos de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, um índice de correção monetária que..." Fl. 250 "Assim sendo, a presente ação discute o direito da Autora de realizar a correção monetária de balanço..." FL. 164 ..."... determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC ..." O Tribunal Regional Federal julgou a apelação conforme segue: DECISÃO TRF FL 278 "TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. CORREÇÃO NO BALANÇO DE 31/12/1989 Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72%." Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 9 8 O STJ julgou o recurso especial conforme exposto abaixo: DECISÃO STJ FL 358 "A primeira seção deste STJ consagrou o entendimento no sentido de que no períodobase de 1989, a correção monetária das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas deve ser calculada pelo índice do IPC de janeiro de 1989, reduzindose o percentual de 70,28% para 42,72%. Pacificouse também o posicionamento de que a modificação do citado índice enseja a retificação automática do índice de correção monetária de fevereiro daquele ano para 10,14%, sem que isso importe julgamento extra Petita.." Dessa forma, alega que o interessado jamais obteve a permissão para corrigir, unicamente, suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. O que ele conseguiu foi uma decisão que, ao final, lhe foi desfavorável, já que lhe concedeu o direito de corrigir "as demonstrações financeiras" pelo IPC. E deste ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme planilha abaixo: Ativo Permanente (que gera receita a ser adicionada no lucro líquido) Patrimônio Líquido (que gera despesa a ser deduzida do lucro líquido) Resultado Em 31/12/1988 1.831.511.337.133,60 1.581.013.583.114,94 Adição ao PL Em 31/01/1989 2.636.830.126,12 2.283.628.719,28 Adição ao PL Em 28/02/1989 2.632.498.897,81 2.347.754.306,80 Adição ao PL Assim, em função das informações prestadas pelo próprio interessado, ele teria saldos a adicionar ao lucro líquido, e não direito a deduções deste lucro. Neste ponto, a DRJ concluiu que o interessado ficou realmente com o direito de corrigir suas despesas de depreciação a partir dos meses de janeiro de 1989, mas não porque obteve este direito único. A correção da despesa se dá porque os saldos das contas do ativo permanente deveriam ser todos corrigidos. O que ocorreu é que o interessado quis se beneficiar tão somente da correção destas despesas e não ofereceu à tributação (Adição ao lucro líquido) o Saldo Credor da correção pelo IPCBTNF (Correção do Ativo Permanente — Correção do Patrimônio Líquido), conforme disposto na decisão judicial e na legislação do IRPJ e da CSLL. Com relação à inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais, objeto da medida judicial n° 95.00005557, entendeu a DRJ que não cabe no caso deste Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 10 9 processo qualquer análise mais aprofundada sobre este assunto, visto que não foi glosada qualquer importância relativa à compensação de prejuízos fiscais em função do limite de 30% A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 731 a 772), em que repisou os argumentos aduzidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. O recurso preenche as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre destacar que é indispensável para o deslinde da questão a análise da Ação Ordinária Nº 95.87474 interposta pelo contribuinte requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989. O pedido inicial encontrase exarado nas páginas 169 a 204 e dispõe que: ... para que venha a deduzir , na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro , a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais ... ...deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, ou outro índice que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, par. 1 0 , da Lei n ° 6.404/76 e arts. 193, § 1 ° e 2 e 219 do RIR/94), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a compensação de prejuízos fiscais , condenando a Ré a aceitar os efeitos do ajuste, ou ainda, como pedido sucessivo, declarar o direito de compensar o imposto pago indevidamente nos últimos cinco anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais, igualmente condenando nesta hipótese a Ré a aceitar os efeitos patrimoniais da compensação;" Após o indeferimento em primeira instância, a matéria foi apreciada pelo Tribunal Regional da 1º Região (fls.278 a 286), o qual aduziu que as demonstrações financeiras Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 11 10 de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%.: "Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem sercorrigidas de acordo com IPC .dejaneiro de 1989 o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72%." A lide foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. TRIBUTÁRIO DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSTO DE RENDA. IPC. JANEIRO DE 1989. REDUÇÃO. CONSEQOÊNCIA EM FEVEREIRO. 1. Este Tribunal, através da Corte Especial, ao reduzir o IPC de janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, acolheu o entendimento de que o IPC do mês de fevereiro seguinte deve ser fixado no percentual de 10,14%. Após a decisão do Superior Tribunal de Justiça a matéria transitou em julgado no dia 01/04/2005. Com o trânsito em julgado a recorrente adquiriu o seu direito líquido e certo pleiteado na inicial, qual seja: “a deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com a conseqüente correção dos prejuízos fiscais”. Ocorre que a fiscalização e a Delegacia Regional de Julgamento glosaram tais deduções por entenderem que a recorrente, após ter seu pedido negado em primeira instância, alterou sua petição em sede de apelação para adequarse à legislação e que, tais alterações, induziram o Tribunal Regional Federal, bem como Superior Tribunal Federal a dar procedência ao pedido da autora. Ocorre que, tal “alteração” de pedido é juridicamente impossível de ser realizado, isso porque o que define a LIDE é o pedido, nos termos do artigo 128 do Código de Processo Civil. Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Sendo inclusive, defeso ao Juiz proferir sentença diversa da pedida em favor do autor, conforme reza o Art. 460 do CPC Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 12 11 quantidade superior ou em objeto diverso do que Ihe foi demandado. A legislação acima apresentada determina as regras de conexão entre o pedido e a sentença, onde o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. De acordo com a fiscalização, a interpretação literal da decisão judicial transitada em julgado é desfavorável à contribuinte; que por "falta de sorte" nenhum valor seria passível de dedução e que, no máximo, os índices expurgados deveriam ser aplicados sobre os saldos de depreciação já incorridos antes de 1989, e em outra parte a decisão afirma que a Recorrente tem realmente direito de deduzir as despesas de depreciação, amortização e baixas realizadas depois de janeiro de 1989 e calculadas, evidentemente, sobre o saldo do ativo permanente atualizado pelos índices reconhecidos nas decisões transitadas em julgado. Se concordássemos com esse raciocínio, estaríamos diante de um fenômeno jurídico inexistente. Isso porque, a decisão de 1ª instância foi desfavorável à empresa que conseguiu reverter o posicionamento jurisdicional a seu favor apenas em 2ª instância. Se adotássemos o entendimento da Fiscalização a decisão de 2ª instância, a qual, em tese, teria sido favorável à requerente, trouxe um prejuízo maior que a própria decisão de 1ª instância que negou o pedido da autora. Ou seja, estaríamos diante de uma procedência que teria como efeito a “reformatio in pejus” de decisão improcedente, o que não existe no mundo jurídico. Dessa forma, é claro o direito da contribuinte de deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com a conseqüente correção dos prejuízos fiscais. Isso porque, mesmo que se entenda que a decisão judicial determinou que a diferença entre a correção do Ativo e do Patrimônio Líquido fosse oferecida à tributação, a mesma decisão não impediu a apropriação da despesa conseqüente da amortização, depreciação e baixa do ativo reavaliado, ou não condicionou uma à outra. O não oferecimento à tributação do saldo credor faz nascer ao Fisco o direito de lançar, se dentro do prazo legal, o tributo, mas não impede a apropriação da despesa oriunda da reavaliação do ativo. Dessa forma, é claro o direito da contribuinte de deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores. De igual maneira, o argumento da fiscalização de simplesmente negar exclusões efetuadas pela Recorrente por entender que haveria um suposto crédito tributário decorrente de saldo credor de correção monetária de balanço não merece prosperar. Isso porque, de acordo com a decisão obtida, caberia à recorrente reconhecer as despesas de depreciação e amortização dos bens do ativo permanente e se, em decorrência da aplicação dos novos índices de correção do balanço surgisse um crédito tributário, caberia à fiscalização à época levantar e autuar o tributo devido. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 13 12 Quanto aos juros de mora, a matéria é objeto de súmula deste Conselho, de aplicação obrigatória pela Câmara, conforme artigo 53 do Regimento. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto a fim de reconhecer o direito da Recorrente em deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores e com a conseqüente correção dos prejuízos fiscais e conseqüentemente homologar a compensação realizada. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. 1) Introdução ao Voto Como bem exposto pelo Relator, o presente processo cuida de litígio acerca da não homologação das declarações de compensação (DCOMPs) nas quais a interessada utilizou como direito creditório saldos negativos de CSLL apurados em suas DIPJs relativas aos anoscalendários de 2000 e 2003. Segundo a autoridade que não homologou as mencionadas DCOMPs, o montante do direito creditório utilizado pela ora recorrente em suas compensações revelouse inferior àquele apurado no trabalho de auditoria (fl. 562 e ss.). Em apertada síntese, entendeu a autoridade que, ao contrário do afirmado pela interessada, as exclusões por ela realizadas no lucro líquido daqueles períodos de apuração não se encontravam amparadas pela decisão judicial transitada em julgado proferida no âmbito do processo judicial nº 9500087464. Pois bem, em que pese o ilustre Relator haver votado pelo provimento do recurso voluntário, peço licença para dele divergir pelas razões a seguir expostas. 2) Do Conteúdo da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Questão debatida ao longo de todas as fases do presente processo administrativo, inclusive no voto do Relator, diz respeito ao conteúdo da coisa julgada material no âmbito do processo judicial nº 9500087464. Pois bem, segundo os ensinamentos do renomado processualista Enrico Tullio Liebman, coisa julgada “é a imutabilidade do comando emergente de uma sentença”. Em assim sendo, o conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão judicial definitiva (comando emergente). Esse conceito encontra amparo nos arts. 458, 467 e 469 do Código de Processo Civil (CPC), que assim estabelecem: Art.458. São requisitos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeterem. (Grifamos) (...) Art.467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. (...) Art.469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; (Grifamos) Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 15 14 II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Questão que guarda estreita correlação com a identificação do conteúdo da coisa julgada, mas que com esta não se confunde, diz respeito aos limites objetivos da lide. De fato, conforme estabelecido no abaixo transcrito art. 460 do CPC, o provimento jurisdicional deve circunscreverse ao pedido formulado pelo autor em sua inicial: Art.460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. (...) Dito de outra forma, o provimento jurisdicional não deve ultrapassar, sob pena de nulidade, o limite daquilo que consta do pedido do autor. Assim, na hipótese de decisão inteiramente favorável ao autor, fará coisa julgada o provimento contido no dispositivo da sentença que, por sua vez, deverá coincidir com o provimento objeto do pedido do autor. No entanto, casos há em que o órgão jurisdicional, inadvertidamente, profere decisão cujo provimento ultrapassa os limites do pedido do autor. Dizse que uma decisão é ultra petita quando o magistrado dá provimento ao pedido do autor, mas em uma quantidade maior que a pedida. Por outro lado, dizse que uma decisão é extra petita quando o magistrado dá provimento diverso ao pedido pelo autor. Em casos como este caberá à parte interessada interpor o recurso cabível a fim de que o juízo competente anule, total ou parcialmente, a decisão que não observou os limites objetivos da lide. Veja, a título exemplificativo, a ementa ao AgRg no RMS 28467 / MS: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. ANULAÇÃO. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Viola os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil o acórdão do Tribunal de Justiça que, a despeito da oposição de embargos de declaração, julga questão diversa da matéria posta a deslinde na petição inicial. 2. Reconhecida a ocorrência de julgamento extra petita, impõe se anulação dos acórdãos proferidos pelo Tribunal de origem, com a devolução dos autos para que a lide seja apreciada nos limites em que foi proposta. Suponhamos, agora, que o órgão jurisdicional tenha proferido uma decisão ultra ou extra petita, e que a parte interessada não haja interposto o recurso cabível a fim de anulála, tendo a referida decisão passado em julgado. Em uma situação como essa, pergunta se, qual o provimento fará coisa julgada entre as partes? Será o provimento contido no dispositivo da decisão (no exemplo, o provimento para além dos limites da lide), ou será o provimento pedido pelo autor (no exemplo, provimento dentro dos limites da lide)? Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 16 15 A resposta, sem o menor espaço para dúvida, é que, como dito no início, fará coisa julgada o provimento contido no dispositivo da decisão, conforme expressamente estabelecido nos acima referidos arts. 458, 467 e 469 do CPC. Aliás, não fosse assim, não haveria razão para interposição de recurso visando a anulação, total ou parcial, da decisão proferida ultra ou extra petita. A bem da verdade, sequer existiria razão para a doutrina qualificar uma decisão como ultra ou extra petita, pois, por definição, a coisa julgada estaria sempre dentro dos limites da lide. É exatamente neste ponto que reside a minha divergência perante o Relator, pois este entende que a coisa julgada está circunscrita aos limites da lide, não importando que o órgão jurisdicional tenha proferido decisão ultra ou extra petita, conforme trecho contido em seu voto, e a seguir transcrito: A legislação acima apresentada determina as regras de conexão entre o pedido e a sentença, onde o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. (Grifamos) A meu ver, não há que confundirse aquilo que “deve ser” com aquilo que “é”. Por certo que o dispositivo da decisão judicial “deve” circunscreverse àquilo que consta do pedido. No entanto, se em um determinado caso concreto o provimento jurisdicional “é” de fato ultra ou extra petita, duas possibilidades se abrem. A primeira é a anulação total ou parcial dessa decisão mediante a interposição do recurso competente pela parte interessada, caso em que nova decisão deverá ser proferida com observância aos limites da lide. A segunda é a inércia da parte interessada, caso em que a referida decisão passará em julgado e, portanto, valerá como lei entre as partes, ainda que o provimento constante de seu dispositivo haja ultrapassado os limites da lide. É exatamente essa segunda hipótese que ocorreu no âmbito do processo judicial nº 9500087464, como se verá a seguir. A referida ação judicial foi proposta pela ora recorrente com o seguinte pedido (fl. 203): III DO PEDIDO Do exposto, requer a Autora se digne V.Exa. a: I Citar a Ré, na pessoa de seu representante legal, para responder a presente ação; II Julgar totalmente procedente o pedido da Autora, para que declare o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, ou outro índice .que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda d a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, § 1°, da Lei n° 6.404/76 e arts. 193 § 1° e 2° e 219 do RIR/94), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a correção de prejuízos Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 17 16 fiscais, condenando a Ré a aceitar os efeitos do ajuste, ou ainda, como pedido sucessivo, declarar o direito de compensar o imposto pago indevidamente nos últimos cinco anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais, igualmente condenando nesta hipótese a Ré a aceitar os efeitos patrimoniais da compensação; (Grifamos) (...) Apresentada contestação pela Fazenda Nacional, o órgão jurisdicional de primeira instância julgou improcedente o pedido do autor nos seguintes termos (fl. 233): Com base nas razões expendidas no voto transcrito, entendo que nenhuma razão assiste à autora, que, no caso, embora invocasse prejuízo e tributação de seu capital não se empenhou demonstrar o alegado como seria adequado por perícia contábil. Finalmente, no que diz respeito ao pedido de compensação, não só é de reconhecerse, de um lado, que não está adequadamente formulado, vez que não especifica o que se pretenderia compensar como, de outro que, não lhe tendo sido reconhecido o crédito decorrente da alteração do índice, nada haveria a compensar. Isto posto, julgo improcedente o pedido formulado pela COMPANHIA.SIDERÚRGICA DE TUBARÃO contra a União Federal. Contra a decisão acima a contribuinte interpôs apelação com o seguinte pedido (fl. 264): VII CONCLUSÃO Presentemente, e por todo o exposto, a Apelante vem, reiterando os termos da peça inaugural, e por todas as razões aqui expendidas, pedir o conhecimento e total provimento da presente Apelação, para que seja totalmente reformada a sentença de 1º grau determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC expurgados pelo "Plano Verão", à razão de 70,28% para o mês de janeiro, ou, alternativamente, com a aplicação da reposição de 42,72% correspondente a janeiro de 1989, complementada pelo índice de 10,14% correspondente a fevereiro de 1989, tudo consoante a mais escorreita aplicação da jurisprudência pacificada dos Tribunais Superiores, inclusive desse E Tribunal Regional Federal da 1ª Região. (Grifamos) Repare que o pedido apresentado na petição inicial é nitidamente diverso do pedido constante da apelação, pois enquanto lá a contribuinte pede a dedução de despesas decorrentes da diferença de correção monetária de contas específicas (depreciação, amortização etc.), aqui pede a diferença de correção monetária das demonstrações financeiras, ou seja, de todas as contas sujeitas à correção monetária de balanço, o que é algo bastante diferente. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 18 17 Veja ainda que a alteração do pedido na apelação foi considerada “juridicamente impossível” pelo Relator do presente processo administrativo. Mas, novamente, ressalto que não se deve confundir o campo daquilo que “deve ser” com o campo daquilo que “é”. Seja como for, e retornando ao exame do conteúdo da coisa julgada no âmbito do processo nº 9500087464, apresentada contrarrazões à apelação pela Fazenda Nacional, o TRF da 1ª Região decidiu o seguinte (fls. 285/286): Assim sendo, modificando o posicionamento anterior por mim adotado, dou parcial provimento ao apelo para, julgando procedente a ação, assegurar à empresaapelante o direito de atualizar monetariamente seu balanço levando em conta o índice expurgado de inflação para o mês de janeiro de 1989, no percentual de 42,72%, deixando de fazêlo em relação ao mês de fevereiro do ano de 1989 em virtude da inexistência de pedido:expresso na exordial. (Grifamos) Repare que o provimento jurisdicional contido na decisão acima é claramente diverso daquele pedido pelo autor da ação em sua petição inicial. Em outras palavras, em relação àquele pedido, este provimento é extra petita. Pois bem, a contribuinte, inconformada, interpôs recurso especial nos seguintes termos (fls. 323/324): V – DO PEDIDO Ante o exposto, a Recorrente requer a admissão do presente recurso, com fundamento na alínea c do inciso III do art. 105 da CF/88, e também na alínea a do mesmo dispositivo constitucional, inclusive por ofensa ao art. 535, II, do Código de Processo Civil. Admitido o recurso, a Recorrente requer a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à aplicação, na correção monetária de suas demonstrações financeiras, do índice de 70,28% relativo à janeiro de, 1989, ou dos índices de 42,72% em janeiro de 1989 e de 10,14% .em fevereiro de 1989. (Grifamos) O STJ julgou a controvérsia em acórdão cuja parte dispositiva é a seguinte (fl. 359): A Turma, por unanimidade, conheceu do recurso e lhe deu provimento, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator Em seu voto o Relator do referido recurso especial reproduz ementas a acórdãos da Corte sobre o assunto, entre elas a seguinte (fl. 358): 3. A Primeira Seção deste STJ consagrou o entendimento no sentido de que, no períodobase de 1989, a correção monetária das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas deve ser calculada pelo índice do IPC de janeiro de 1989, reduzindose o percentual de 70,28% para 42,72% ((RESP 133:069/SC, 1ª S, Min Franciulli Netto, DJ de .de 04.03.2002). Pacificouse também o posicionamento de que a modificação do citado índice enseja a retificação automática do índice de correção monetária Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 19 18 de .fevereiro daquele ano para 10,14%, sem que isso importe julgamento extra petita. Referida decisão transitou em julgado em 01/04/2005 (fl. 383). Logo, por tudo o que foi visto acima, não resta a menor dúvida de que o provimento jurisdicional transitado em julgado (conteúdo da coisa julgada) não assegurou à contribuinte aquilo que foi por ela requerido em sua petição inicial, ou seja, não lhe assegurou “o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28% (...) como se fosse ajuste de exercícios anteriores (...)”. Ao contrário, a referida decisão judicial transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito à “correção monetária das demonstrações financeiras” pelos índices de 42,72% e 10,14% nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, respectivamente, algo que produz efeitos bastante distintos daqueles almejados inicialmente pela autora da ação. Tratase, sem dúvida, de um provimento jurisdicional extra petita quando comparado com o pedido contido na inicial, mas que, em razão da inércia das partes interessadas em propor o recurso cabível a fim de anulálo, transitou em julgado e, portanto, faz lei entre as partes. 3) Dos Efeitos da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Como visto no tópico anterior deste voto, a decisão transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito de corrigir suas demonstrações financeiras do ano 1989 mediante a adoção do índice de 42,72% para o mês de janeiro e de 10,14% para o mês de fevereiro. É de se perguntar, todavia, quais são os efeitos da coisa julgada sobre a contabilidade da contribuinte. Em especial, interessanos agora identificar: (i) o efeito temporal, ou seja, determinar em qual período de apuração o provimento jurisdicional deverá ser contabilmente reconhecido; (ii) o efeito qualitativo, ou seja, determinar em qual conta daquele determinado período de apuração deverá ser contabilmente reconhecido o provimento jurisdicional, e; (iii) o efeito quantitativo, ou seja, determinar o quantum deverá ser contabilmente reconhecido naquela determinada conta, naquele determinado período. No que concerne ao efeito temporal não me parece haver espaço para dúvida. Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o princípio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2º trimestre do ano de 2005. No entanto a contribuinte adotou procedimento diverso. Computou na rubrica “Outras Exclusões” dos anos de 2000 e 2003 aquilo entendeu como de direito. Ocorre que naqueles períodos de apuração a ação sequer havia transitado em julgado. Em assim sendo, mesmo abstraindose da questão do efeito qualitativo, que será abordada a seguir, é possível concluir que o auditor fiscal agiu corretamente ao glosar as exclusões ao lucro líquido promovidas pela contribuinte em períodos de apuração diversos do 2º trimestre do ano de 2005. Poderseia argumentar que houve mera postergação no pagamento do tributo. Isso, todavia, dependeria de prova quanto a esses pagamentos. Mas, no caso, não será necessária essa investigação, haja vista que a contribuinte não possui direito à exclusão alguma, como se verá a seguir. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 20 19 No que concerne ao efeito qualitativo, o provimento jurisdicional transitado em julgado assegurou à contribuinte o direito a promover a correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices indicados pelo STJ, e não o direito a corrigir apenas as contas de depreciação, amortização e baixa de ativos, como visto no item 2 deste voto. Como é cediço, quando o somatório dos saldos das contas de ativo sujeitas à correção monetária de balanço (via de regra, as contas do ativo permanente) é superior ao somatório dos saldos das contas do patrimônio líquido, o saldo da conta de correção monetária de balanço será credor, ou seja, haverá receita de correção monetária. Caso contrário, o saldo da conta de correção monetária de balanço será devedor, ou seja, haverá despesa de correção monetária. Pois bem, conforme se verifica nas demonstrações financeiras levantadas pela própria contribuinte, o valor do ativo permanente em 31/12/1988 e em 31/12/1989 era de 1.831.511.337 UFIR e 27.997.878.760 UFIR, respectivamente. Já o valor do patrimônio líquido naquelas mesmas datas era 1.581.013.583 e 25.884.914.833. Ora, como se vê, no caso sob exame a contribuinte apurou receita de correção monetária no ano de 1989, mesmo com a adoção apenas dos índices oficiais, já que tanto no início quanto no final do período o saldo do ativo permanente era superior ao saldo do patrimônio líquido. Como a decisão transitado em julgado determinou a correção das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices definidos pelo STJ (maiores que os oficiais para os meses de janeiro e fevereiro), o saldo credor (receita) de correção monetária apurado originalmente pela contribuinte apenas aumentou de valor. Assim, a diferença de correção monetária determinada pelo STJ implica o reconhecimento de uma receita na contabilidade da contribuinte, e não de uma despesa. Em outras palavras, o provimento jurisdicional deve ser reconhecido em conta de receita de correção monetária. Tal receita deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005 para fins de apuração de tributos, em conta que poderia ser intitulada “Outras Adições”. Ocorre que a contribuinte, desvirtuado o conteúdo da coisa julgada, contabilizou indevidamente o provimento jurisdicional como despesa de correção monetária, utilizando para tanto a conta “Outras Exclusões”. Tais valores foram corretamente glosados pela fiscalização. Por fim, o efeito quantitativo representa o montante da receita de correção monetária que deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005. Mas como no presente processo administrativo a autoridade fiscal limitouse a glosar a despesa de correção monetária indevidamente contabilizada pela contribuinte nos períodos antes mencionados, não há razão para determinarse, aqui, o montante daquela receita de correção monetária. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.737 S1‐C2T1 Fl. 21 20 Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.907225/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS.
A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas.
Numero da decisão: 1803-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, e o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman, que não conheciam do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10783.907225/2009-29
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331885
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-001.645
nome_arquivo_s : Decisao_10783907225200929.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10783907225200929_5331885.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, e o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman, que não conheciam do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5349372
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595708125184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 66 1 65 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.907225/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.645 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de março de 2013 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente OPÇÃO CONSTRUTORA E PREMOLDADOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ERRO DE FATO, NO PREENCHIMENTO DA PER/DCOMP EXIGE EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E ADEQUADA VALORAÇÃO DAS PROVAS, QUE SE APRECIE O PEDIDO, AFASTANDO ÓBICES FORMAIS QUE SUPOSTAMENTE PRECONIZAM A INTANGIBILIDADE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 72 25 /2 00 9- 29 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 67 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, e o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman, que não conheciam do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 68 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 53 e 54): I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pelo Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal em VitóriaES, que não homologou compensação de débito de IRPJ (cód. 2089 – IRPJ Lucro Presumido), relativo ao período de apuração 2º trimestre/2003, no valor de R$ 935,25, com o crédito de R$ 4.184,01, oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2089) de igual valor, referente ao período de apuração 31/05/2003, efetivada por meio do PER/DCOMP nº 22138.79717.140405.1.3.041805, transmitido em 14/04/2005. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 32 (nº de rastreamento 841938037), emitido em 09/06/2009, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 4.184,01. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2009. Para verificação dos valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto “Restituição...Compensação”, item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 69 4 Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 29/06/2009 (fls. 35), interpôs a interessada, em 27/07/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 01, instruída com os documentos de fls. 02/31, alegando, em síntese, que: 3.1. apresentou DCTF informando débito de IRPJ (cód. 2089), referente ao 2º trimestre/2003, no valor de R$ 5.938,46, dos quais R$ 4.184,01 recolhidos através de DARF em 27/06/2003, e o restante R$ 1.754,45 – parcelado, conforme processo nº 13768.000169/200552; 3.2. em 14/05/2005, apresentou o PER/DCOMP nº 22138.79717.140405.1.3.041805, por meio do qual requereu indevidamente a compensação do IRPJ deste período, de vez que o imposto já havia sido recolhido, como dito acima, o que torna sem efeito o PER/DCOMP apresentado; 3.3. ante o exposto, sustenta que os valores cobrados no Despacho Decisório já foram devidamente recolhidos e parcelados na época própria. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 51): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/06/2009 LUCRO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE DIPJ E DCTF. PARCELAMENTO DE DÉBITOS. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A utilização integral de DARF para quitação de débito de IRPJ da pessoa jurídica resulta na inexistência de crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. A diferença a maior verificada entre o valor do IRPJ do 2º trimestre/2003 apurado na DIPJ original e o informado na DCTF retificadora, assim como a não apresentação da composição dos débitos objeto de parcelamento, impedem o cancelamento do débito compensado, diante da incerteza quanto à sua real quitação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 21/11/2011 (efls. 60 numeração digital), a tempo, em 19/12/2011 (via postal), apresenta a interessada petição intitulada de “Recurso Voluntário”, de efls. 61 e 62, nela requerendo, ao final (efls. 62 – destaques do original): Seja cancelado o PER/DCOMP 22138.79717.140405.1.3.04 1805, visto que os valores de crédito e débito nela declarados são de fato indevidos, conforme já demonstrados acima e considere, na DIPJ/2004, o IRPJ, cód. 2089, 2º trimestres 2003, o valor de R$ 5.938,46, já que este é o valor correto, conforme também já demonstrado acima. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 70 5 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Conforme foi salientado no Relatório deste Acórdão, limitase a interessada a alegar a inexistência do crédito e do débito informados no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) apresentado. 4. Assim, embora intitulada a petição de efls. 61 e 62, indevidamente, de “recurso voluntário”, tratase, ela, na realidade, de “pedido de cancelamento de declaração de compensação”, matéria alheia à competência deste Colegiado, que se limita, legalmente, à insurgência contra a nãohomologação de compensação (art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). 5. Menciono, a respeito, os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 110100.476 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2010 INDEFERIMENTO DE RETIFICAÇÃO OU CANCELAMENTO DE DCOMP. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Embora as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tenham competência para apreciar recurso contra atos de indeferimento de retificação ou cancelamento de DCOMP, na medida em que este afeta o objeto do ato de não homologação da compensação, os argumentos da recorrente apenas poderiam ensejar representação à autoridade competente para revisão de ofício do ato questionado. [...]. Acórdão nº 140200.425 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE CANCELAMENTO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO. Não compete às DRJ ou ao CARF apreciar pleitos de cancelamento de débito regularmente declarados e confessados em DCTF, objeto de pedido de compensação que não foi homologada, mesmo em face do não reconhecimento do direito creditório pleiteado. [...]. Acórdão nº 110200.620 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 71 6 DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. [...]. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. [...]. Acórdão nº 1801001.216 – 1ª Turma Especial Sessão de 04 de outubro de 2012 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que, para afastála, deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a administração tributária e, especificamente, decidir sobre a revisão de ofício e ainda sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações. 6. Desse último Acórdão, extraise o seguinte trecho: Analisando a situação fática, temse que nas Per/DComp estão regularmente confessados pela Recorrente os débitos. Estes documentos estão produzindo efeitos na ordem jurídica, uma vez que não foram por ela cancelados no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Por esta razão, a alegação da defesa na fase litigiosa de que estes débitos são inexistentes não pode prosperar, haja vista que a Recorrente não adotou as providências normativas pertinentes para tanto. Por seu turno, o art. 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, prevê que aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente decidir sobre a revisão de ofício, a pedido do contribuinte ou no interesse da administração, inclusive quanto aos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, e ainda decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações. Os pedidos de cancelamento das Per/DComp não podem ser regimentalmente apreciados pelo CARF e devem ser solicitados à autoridade preparadora que jurisdiciona a Recorrente, em procedimento de revisão de ofício no âmbito da DRF/São Paulo/SP. Assim, não há litígio a ser analisado nesta segunda Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 72 7 instância de julgamento, haja vista que o direito creditório não é discutido pela Recorrente. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. 7. Por outro lado, ainda que assim não fosse, não seria possível acatarse o pedido de cancelamento da declaração de compensação, uma vez cientificado o contribuinte do Despacho Decisório correspondente, em face dos estritos termos contidos na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no exercício de sua competência de regulamentar a matéria, e vigente à época da compensação pleiteada (arts. 61 e 73): Art. 61. A desistência do Pedido de Restituição ou do Pedido de Ressarcimento poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. [...]. Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. 8. Não obstante, recomendase à DRF de origem proceder à revisão de ofício da exigência objeto do despacho decisório de fls. 10, em face de seu possível pagamento mediante parcelamento, como alegado neste processo. 9. Conclusão 10. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO. 11. É como voto. 12. (assinado digitalmente) 13. Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 73 8 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 74 9 Voto Vencedor Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 75 10 VOTO VENCEDOR Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Redatora Designada. Conforme alude o ilustre conselheiro relator em seu voto, existem fundadas razões para a realização de uma revisão de ofício da exigência, objeto do despacho decisório de fls. 10, em face de seu "possível pagamento". Temse que a discussão, no presente feito, cingese à existência ou não do débito ou a sua real dimensão. Isso porque o relator entende que a DCOMP tem a sua competência limitada tão somente a observar o crédito e se o mesmo é passível a compensar o valor a que se destina, deixando de analisar a existência do débito e o seu quantum de fato. Já o entendimento desta conselheira é no sentido de que na DCOMP não se pode analisar o crédito unicamente, como um fato estanque, mas em conjunto com o débito. E outro não poderia ser o entendimento, tomando em conta que a Declaração de Compensação se presta como uma confissão de dívida, na qual se declara o débito cujo o crédito se quer compensar, razão pela qual se deve analisar a ambos de igual modo. Ademais, se tratamos a DCOMP com uma confissão de dívida, já referida nas linhas acima, outro não poderia ser o caminho, senão analisar o débito e o crédito de igual modo. Atentamos para o fato de que as Declarações de compensaçõs constituem confissões de dívidas e instrumentos hábeis para a exigência dos débitos indevidamente compensados e para tanto determinam a observância do crédito e do débito. Assim, a atitude da autoridade fiscalizadora não pode ser outra senão a de verificar a veracidade da PER/DCOMP em toda a sua amplitude, não sendo passível que haja uma distinção na sua fiscalização unicamente quanto ao débito informado por não interessar à fazenda, permitindo que permeie uma informação equivocada em detrimento da correta. Ademais, a fiscalização age com cautela e presteza na fiscalização de todas as demais Declarações apresentadas pelo contribuinte que também são tidas como confissões de dívidas, posto que ser esta verificação da veracidade obrigatória, então porque não admitir o mesmo quanto à verificação do débito referido na PER/DECOMP? E da análise feita neste processo, verificase que não há o débito constante da PER/DCOMP, sendo irrelevante qualquer discussão em torno do suposto crédito informado nessa declaração. Desta forma, não se apresenta razoável, considerando a robusta prova material existente no processo, desconhecer pura e simplesmente do recurso voluntário, sob o pretexto de preclusão do direito em retificar a PER/DCOMP, ignorando totalmente o conjunto probatório apresentado. Destarte, em nome do princípio da verdade material e da adequada valoração das provas, deve ser conhecido o recurso voluntário, posto que devidamente comprovado o erro de fato, quanto à inexistência do débito, devendo, pois ser acolhida a retificação da PER/DCOMP e confirmando os elementos apresentados pela recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento para retificar, à vista dos elementos apresentados, a PER/DCOMP apresentada com erro de fato. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.907225/200929 Acórdão n.º 1803001.645 S1TE03 Fl. 76 11 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
