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Numero do processo: 13051.720182/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.051
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado)
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de Cofins Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 18 2/ 20 11 -4 6 Fl. 207DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.051 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720182/2011-46 Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de Cofins Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida pela Manifestante, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de Cofins Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a Fl. 208DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.051 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720182/2011-46 única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.041, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720140/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 209DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.051 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720182/2011-46 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.041). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 40274.87969.270409.1.1.09-4700 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 31498.58811.160508.1.5.09-2039, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 40274.87969.270409.1.1.09-4700 e 31498.58811.160508.1.5.09-2039, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: Fl. 210DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.051 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720182/2011-46 I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Fl. 211DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.051 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720182/2011-46 Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006294/2003-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO. PROVAS.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
IMPOSTO. DEDUÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
Numero da decisão: 1201-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Jùnior, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada para substituir o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) e Marcelo José Luz de Macedo (Suplente Convocado).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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RETENÇÃO. PROVAS. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. IMPOSTO. DEDUÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Jùnior, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada para substituir o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) e Marcelo José Luz de Macedo (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 62 94 /2 00 3- 72 Fl. 580DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 Relatório Trata-se de Declarações de Compensação relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998. Reproduzo a seguir o relatório da decisão recorrida (e-fls. 284/287), por bem descrever o litígio: ELGE ADMINSTRACAO PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO LTDA (INCORPORADA PELA ELGE AGROPECUARIA LTDA CNPJ 50.592.641/0001-50) manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo - DERAT (fls. 79 a 84) que homologou parcialmente as compensações declaradas relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998. 2 A contribuinte declarou à ficha 13 A da DIPJ/ 1999 (fls. 23) os seguintes valores: Item Descrição Declarado (R$) 1 IRPJ devido - alíquota 15% 130.155,98 3 IRPJ devido - adicional 62.770,66 Deduções 4 Operações de caráter cultural e artístico 5.201,55 9 (-) Fundos dos direitos da criança e do Adolescente 1.117,00 13 (-) IRRF 297.262,05 14 (-) lmp.pg incid. Sobre ganhos no merc. Rend. Var. 8.412,49 16 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 0,00 IRPJ a pagar - 119.066,45 3 - Foi constado que a contribuinte utilizou R$ 297.26205 de IRRF como dedução do IRPJ conforme declarado à ficha 13 A linha 13. 4 A pesquisa no sistema IRFCONS, indica os seguintes rendimentos (fls. 24): Código Rendimento (R$) IRRF (R$) 3426 849.272,65 162.158,64 5273 173.491,33 28.461,46 5706 1.482,60 222,32 6800 469.384,89 92.676,50 6839 46.139,15 6.920,83 TOTAL 1.533.770,62 290.439,78 5 O auditor fiscal verificou que foi oferecida tributação de receitas que suportam os códigos de receita 3426- APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA, 6800 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM FUNDOS DE INVESTIMENTO DE RENDA FIXA e 6839 IRRF FUNDO DE INVESTIM. - RENDIMENTOS ATÉ 31/12/97 (ART. 29 DA LEI N°9.532/97), pois e a contribuinte declarou à linha 24- Outras Fl. 581DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 receitas financeiras da ficha 07 A (fls. 21), o valor total de R$ 1.966.023,38. Desse modo, tem direito a R$ 261.756,00 relativo ao IRRF desses rendimentos. 6 Não foi oferecido, entretanto, os rendimentos relativos ao código 5706 e desse modo , não será considerado o IRRF correspondente. 7 Também não foi oferecida à tributação a totalidade dos rendimentos de aplicações em operações de SWAP - cód. 5273, pois declarou à linha 21 - Ganhos auferidos no mercado de renda variável , exceto Day Trade, da mesma ficha 07 A (fls. 21) , apenas o valor de R$ 112.789,97 e, desse modo foi calculado o IRRF correspondente ao valor oferecido, resultando em R$ 12.555,01. 8 Relativamente ao valor do imposto pago sobre ganhos no mercado de renda variável, embora a contribuinte tenha declarado à ficha 13 da DIPJ/1999 , o valor de R$ 8.412,49, na DCTF foi declarado apenas R$ 8.219,68 e o sistema SINAL 08, confirma o recolhimento do valor declarado na DCTF. 9 Conforme determina a legislação fiscal , para a contribuinte ter direito ao IRRF deve oferecer à tributação os rendimentos correspondentes. 10 Como os rendimentos relativos a esse imposto pago também e declarado à linha 21 da Ficha 07 da DIPJ/ 1999 (fls.21), os rendimentos relativos a esse imposto e os rendimentos de SWAP (cód. 5273) foram analisados em conjunto pelo auditor fiscal. 11 À época dos fatos, o imposto incidente sobre ganhos no mercado de renda variável era de 10%. Se a contribuinte recolheu o valor de R$ 8.219,68, o rendimento correspondente é de R$ 82.196,80. 12 O valor total oferecido à linha 21 da ficha 07 A da DIPJ/ 1999 (fls. 21) foi de R$ 112.789,97, menor que soma dos rendimentos de cód 5273( R$ 173.491,33) e os rendimentos em mercados de renda variável ( RS 82.196,80). Dessa maneira o auditor fiscal calculou o IRRF correspondente, considerando as alíquotas de IRRF sobre cada rendimento e chegou ao valor de IRRF de R$ 16.180,90 correspondente a R$ 12.555,01 (cód 5273) R$ 3.625,89 (imposto recolhido sobre aplicações no mercado de renda variável). 13 Desse modo, o saldo negativo do IRPJ está demonstrado a seguir: Item Descrição Declarado (R$) Confirmado (RS) 1 IRPJ devido - alíquota 15% 130.155,98 130.155,98 3 IRPJ devido - adicional 62.770,66 62.770,66 Deduções 4 Operações de caráter cultural e artístico 5.201,55 5.201,55 9 (-) Fundos dos direitos da criança e do Adolescente 1.117,00 1.117,00 13 (-) IRRF 297.262,05 274.311,01 14 (-) Imp.pg incid. Sobre ganhos no merc. Rend. Var. 8.412,49 3.625,89 Fl. 582DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 16 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 0,00 0,00 IRPJ a pagar -119.066,45 -91.328,81 14 Desse saldo credor, foi verificado, através do sistema DCTF GER 4.8, que foram compensados 16 débitos sem processo, com o saldo credor de IRPJ do ano-calendário de 1998. (fls. 32 a 47). 15 Ainda nessa consulta, foi verificado também que 26 débitos do ano-calendário de 1999 foram compensados sem processo com o saldo credor de IRPJ sem especificar o exercício, o qual o auditor fiscal concluiu ser do ano-calendário imediatamente anterior. 16 Essas compensações, de acordo com os cálculos do sistema NEOSAPO (fls. 74 a 78), consumiram todo o crédito de IRPJ do ano-calendário 1998, não restando qualquer crédito para ser utilizado nas compensações declaradas. 17 Cientificada, a contribuinte apresentou, em 28/10/2008, Manifestação de Inconformidade de fls. 91 a 113, apresentando suas razões, em síntese à seguir: 17.1 Apresenta, primeiramente, relato dos fatos. 17.2 Alega que contrariamente o que afirma o auditor fiscal, a contribuinte declarou e pagou, por compensação as estimativas mensais de IRPJ do ano-calendário 1998 e, apenas por um equívoco, deixou de declarar o valor consolidado dessas estimativas na Ficha 13 A da DIPJ/ 1999, ano-base 1998, retificada em 2001. 17.3 Alega que todas as estimativas mensais de IRPJ, com exceção da do mês de dezembro de 1998 foram declaradas em DCTF e pagas por compensação com o saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 1997. 17.4 Alega que por esse motivo o saldo negativo de IRPJ a que tem direito não é mais R$ 119.066,45 e sim R$ 183.441,16. 17.5 Alega que está apresentando os informes de rendimentos, fornecidos pelas empresas pagadoras que comprovariam o crédito de IRPJ no valor de R$ 297.260,28 e que se esse valor não consta nos sistemas na Receita Federal, quem deve ser intimado a comprovar os valores seriam as instituições pagadoras dos rendimentos. 17.6 Alega que o auditor fiscal limitou-se a comparar os valores dos rendimentos declarados com os constantes nos sistemas da Receita Federal, considerando o regime de caixa, quando a contribuinte declara pelo regime de competência. 17.7 Alega que o trata contabilmente os valores oriundos de aplicações em CDB, lastreadas pelo CDI como “receita financeira pura ”(sic) e não como receita variável por lastros em papeis Fl. 583DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 negociados em Bolsa de Valores ou de Mercadoria, alegando que incluiu na linha 21 da Ficha 06 A da DIPJ/ 1999, todo o rendimento de SWAP , sobre a diferença CDB X CDI. 17.8 Alega que relativamente ao valor de R$ 1.482,40, relativo a juros de capital próprio não foi localizado qualquer documento comprobatório ou registro de efetiva e numerário nessa modalidade. 17.9 Alega que no valor apurado pelo auditor fiscal, deve ser adicionado o valor de R$ 64.374,71, relativo as estimativas pagas por compensação. l7.10 Alega que não houve a “utilização do SALDO CREDOR DE IRPJ DO EXERCÍCIO DE 1999 DURANTE O PERÍODO BASE DE 1998 (sic), alegando que efetuou as compensações das estimativas com o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997 e que esse saldo foi suficiente para compensar a totalidade das estimativas . l7.l1 Alega que além de saldo negativo de IRPJ , a contribuinte apurou, no ano-calendário 1997, saldo negativo de CSLL que foi utilizado para compensar estimativas de CSLL, durante o ano- calendário 1998, conforme demonstrativos que apresenta. l7.12 Apresenta demonstrativo com todos os pagamentos de tributos , declarados em DCTF durante o ano-calendário de 1998. l7.13 Apresenta resumo do que alega e suas conclusões. l7.14 Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade. 18 É o relatório. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 16-24.917 - 5ª Turma da DRJ/SP1, de 14/04/2010, e-fls. 282/296) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que - as alegações a respeito da suposta compensação de estimativas mensais com saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997, não produz qualquer diferença na analise do presente processo. De fato, conforme se pode constatar, tanto na DCOMP de fls. 01 e 02, como na PER/DCOMP apresentada posteriormente (f1s.27 a 30) e ainda na DCOMP do processo apenso de n° l16l0.009701/2003-01, o saldo negativo declarado e de R$ 119.066,45. - os valores declarados nas PER/DCOMP, DCOMP e DIPJ não são passíveis de serem alterados informalmente; - saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998 foi utilizado para compensar débitos de estimativas do ano-calendário de 1999, pois consta nas DCTF apresentadas em 1999 que a estimativas foram compensadas com o saldo negativo de IRPJ e o auditor Fl. 584DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 fiscal concluiu ser o saldo negativo do ano imediatamente anterior, ou seja, 1998, objeto de análise do presente processo. - Relativamente aos informes de rendimentos apresentados as fls. 255 a 264, observa-se que o documento de fls. 255 a 256 é relativo ao cálculo de tributos sobre rendimentos auferidos pela empresa , relativo ao ultimo trimestre de ano-calendário não informado, embora possa ser 1999, dado a data que aparece no topo da página, ou 1998, dado o nome que aparece no pe de cada pagina “IMPOSTOS_98 - OUT-NOV-DEZ”. Esse documento em cópia simples, não embasado pelos documentos contábeis da empresa, sem qualquer identificação do responsável pelas informações, constituindo mera tabela feita em computador, não logra fazer qualquer prova a favor da contribuinte, mesmo porque parte dos valores ai declarados já estão na DIPJ e não comprovam o oferecimento dos rendimentos cujo o IRRF foi glosado pelo auditor fiscal, apresentando as receitas financeiras pelo seu total, sem qualquer detalhamento. - Já o documento de fls. 264, além de estar praticamente ilegível, dada a má qualidade da cópia, não é sequer um informe de rendimentos, tratando-se de mero informe de movimentação financeira e não será considerado na análise. - Já os informes de rendimentos apresentados à fls. 257 a 263, apresentados pela contribuinte, comparando-os com a pesquisa IRFCONS de fls 24, pode-se observar que os mesmos já foram considerados na análise fiscal - dois informes fornecidos pelo Banco Santander (fls. 257 e 258) já foram considerados pelo auditor fiscal, na análise feita no despacho decisório. - Desse modo, não há na documentação apresentada qualquer comprovação que o IRRF retido tenha sido maior do que consta na pesquisa do sistema IRFCONS. - Quanto as alegações a respeito de compensações sem processo com saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1997, essas compensações não fazem parte da lide e não serão levadas em conta, pois as compensações declaradas se referem apenas ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/06/2010 (e-fl. 293) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 16/06/2010 (e-fl. 297), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade, requer diligência e aduz: (...) Os créditos de IRPJ resultam de anos anteriores, aproveitados para compensações do devido em período posterior. Em 1996 DIPJ entregue sob número de controle 13036.56439, de 30/04/97, o saldo credor indicado foi de R$ 86.590,66. Idem, Idem DIPJ de 1998, base 1997, protocolo de entrega l9895.l28l4, de 30/04/98, o Fl. 585DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 saldo credor de R$ 219.137,58. Tais saldos, então, se apresentavam suficientes para as compensações declaradas na DCTF do ano base de 1999. 37. Há que ser considerado que na DCTF não existia campo específico, quando das compensações, para a informação do quanto aproveitado em termos dos anos em que gerados os créditos. Daí a confusão nascida. A afirmação de que ignorava o sujeito passivo o que tinha contabilizado não se sustenta. (...) Não podia o Fisco negar a existência de Saldos Negativos Declarados na DIPJ 1998 - ano base 1997 e DIPJ 1997 - ano base 1996. (...) os documentos apresentados pela Recorrente não são forjados, os dados neles constantes têm origem ou encontram-se devidamente registrado na escrita fiscal e contábil. (...) A conciliação entre os informes anexados ao processo e o sistema IRFCONS, o contribuinte detectou que foram informadas pelo Hexabanco retenções de IR relativas a Fundo de Mutuo de Ações e Fundo Alfa, cujos valores foram descontados e contabilizados pelo contribuinte. No entanto não constam do Extrato IRFCONS, conforme dados abaixo extraídos do informe financeiro recebido da referida Instituição anexado ao processo (fls. 261 dos autos). (...) A Recorrente, conforme sua Declaração de Inconformidade não questiona a exclusão pela autoridade fiscal do crédito de R$ 1.482,60 - IRFonte de R$ 222,32 do IRFonte relativo a Juros Remuneratórios sobre Capital Próprio, pois, desconhece tais informações. (...) Com relação ao cálculo proporcional efetuado pelo auditor fiscal para determinar o valor do crédito do contribuinte oriundo de IRFonte, relativo à Renda Variável, limitou-se a comparação de valores da receita financeira lançada na DIPJ 1999 - ano Base 1998, com os valores de receita que deram origem às retenções, (...) A Recorrente/Contribuinte esclareceu por ocasião de sua defesa, que o critério de reconhecimento dos rendimentos nos registros contábeis se dava pelo regime de competência, Fl. 586DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 (...) Em razão do elevado volume de documentos e sua complexidade, para demonstrar cada cálculo executado, são anexados alguns extratos das instituições. Estes comprovam a existência das aplicações e saldos, reconhecidos nos registros contábeis por seus valores brutos, segundo o regime de competência. (...) Como fica demonstrado, não podia o julgador sob ataque analisar o processo sem diligência. A matéria era de grande complexidade fática, impossível de ser resolvida tão só dentro de um gabinete. Também se apresentava impossível, como ainda se apresenta, juntar toda a contabilidade e documentos tratados na manifestação e agora em sede de recurso voluntário. (...) É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa - Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Trata-se de compensação declarada de crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, do período de apuração de 1998 (saldo negativo anual), no valor de R$ 119.066,45. O Despacho decisório deferiu crédito de 91.328,81 e a decisão recorrida apenas confirmou seus termos. Desta forma não faz parte do litígio as alegações a respeito de compensações sem processo com saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1997. Também não compõe o litígio o pleito do recorrente de ampliar o pedido de restituição de saldo negativo anual de IRPJ do período de apuração de 1998 de R$ 119.066,45 para R$ 183.441,16. Além de não fazer parte do pedido inicial, o pleito adicional redunda de alegação de suposta compensação de estimativas mensais com saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997. Ou seja, em contradição ao alegado, não houve na DIPJ Exercício 1999 (ano calendário 1998) a declaração de estimativas pagas ou compensadas. Além disso na DCOMP apresentada (e-fls. 01/02), na PER/DCOMP apresentada posteriormente (e-fls. 27/30) e ainda na DCOMP do processo apenso de n° 11610.009701/2003-01, que compensariam o crédito pretendido, o saldo negativo declarado foi de R$ 119.066,45. O reconhecimento parcial do crédito deveu-se à inércia do recorrente de apresentar os documentos fiscais e contábeis que comprovariam, ou não, seu direito creditório Fl. 587DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 proveniente de retenções de IR. O recorrente apresentou parcialmente documentos comprobatórios (e-fls. 260/267), que comprovaram retenção até 290.439,78. Nestes autos, a parte não comprovada referiu-se a retenções de Imposto de Renda. Observo que o momento de colação das provas pelo recorrente está fixado no art. 16 do Decreto 70235/72, razão pela qual não cabe o atendimento do pedido do recorrente de que o próprio fisco diligencie para colher provas que a ele caberia trazer aos autos. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma fazia-se necessário comprovar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (retenções de imposto de renda) e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e compará-lo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi (para a parte do crédito que não foi reconhecida) acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. A prova da retenção de imposto de renda deve-se referir ao ano calendário em questão (1998); e a apreciação dos referidos documentos deve ser feita com base no artigo 55, da Lei n°.7.450, de 1985, que determina: "Art 55 - O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. " Adicione-se que o recorrente não ofereceu à tributação o total dos rendimentos suportados pelos IRRFs declarados por código de retenção (que especifica a aplicação financeira a que se refere), como demonstrado pela decisão de piso. Segundo o art. 837 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), esta retenções não podem ser considerados para fins de compensação. O recorrente alega, sem provar, que houve antecipação de tributação. Ressaltamos que em sede de pedido de restituição cabe ao requerente provar a liquidez e certeza do crédito. Por fim, a respeito da retenções pelo Hexabanco de IR relativas a Fundo de Mutuo de Ações e Fundo Alfa, que o recorrente afirma não constar do Extrato IRFCONS, no montante de R$ 7.028,30 (e-fl. 264), os mesmos já foram considerados na análise fiscal (e-fl. 26), conforme já adiantado pela decisão recorrida (e-fl. 288). Fl. 588DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-003.034 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.006294/2003-72 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 589DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.912436/2016-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.016
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 36 /2 01 6- 05 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.016 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912436/2016-05 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.016 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912436/2016-05 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.016 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912436/2016-05 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.016 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912436/2016-05 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.016 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912436/2016-05 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.007502/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não comprovada retenção de imposto de renda, não há de se falar de dedução do imposto devido no ajuste anual.
Numero da decisão: 2402-007.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não comprovada retenção de imposto de renda, não há de se falar de dedução do imposto devido no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 76/79) em face do Acórdão n. 13 39.522 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJ2 (efls. 61/64), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/03), apresentada em 24/09/2008, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2007/607450173004036 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 75 02 /2 00 8- 21 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13706.007502/200821 Acórdão n.º 2402007.358 S2C4T2 Fl. 86 2 no total de R$ 177.439,68 (efls. 05/09) constituído em 02/09/2008 (efl. 57) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado da decisão de piso em 16/07/2014 (efl. 73), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário (efls. 76/79) na data de 15/08/2014 alegando, em linhas gerais, ser indevida a glosa do IRRF procedida pela autoridade lançadora. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), no valor de R$ 185.240,74, relativo aos rendimentos recebidos da fonte pagadora CNPJ 34.269.803/000168 Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social. Muito bem. Ao apreciar a impugnação (efls. 02/03), a instância de piso concluiu que não restou comprovada retenção de imposto de renda de R$ 185.240,74, declarado pelo Recorrente. Por oportuno, destaco, no essencial o voto condutor do Acórdão n. 1339.522 (efls. 61/64): [...] Analisando os autos, constatase que foram acostados os seguintes documentos comprobatórios do IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos pelo contribuinte em 2006: 1. o DARF de fl. 11, no valor de R$32.935,97, relativo ao Alvará nº 1170/06 decorrente da RT nº 1829/02 tramitada na 28ª VT/RJ; 2. e o Comprovante de rendimentos pagos e de retenção do IRPF na fonte de fl. 12, emitido pela Fundação Real Grandeza, no valor de R$14.970,60, depositado judicialmente em decorrência do Processo nº 2002/51.01.0053550, 16ª VF RJ. No que concerne ao Processo nº 2002/51.01.0053550, 16ª VF RJ, o interessado anexa às fls. 13/50 extensa documentação. A certidão de fl. 15 ratifica a alegação do defendente de que o IRRF de R$14.970,60 está sendo discutido judicialmente, tratandose, portanto, de matéria litigada concomitante nas esferas administrativa e judicial. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13706.007502/200821 Acórdão n.º 2402007.358 S2C4T2 Fl. 87 3 Diante disso, consoante dispõem o artigo 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737, de 20/12/1979, e o artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 22/09/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Resta, todavia, no processo em análise, a glosa de compensação indevida IRRF incidente sobre o rendimento auferido pelo contribuinte no Processo RT nº 1829/02 tramitado na 28ª VT/RJ, cuja matéria cabenos analisar. Na impugnação, apesar de o interessado ali afirmar que acostaria oportunamente os documentos comprobatórios do IRRF por ele compensado na DAA, constam dos autos, além do DARF de fl. 11, no valor de R$32.935,97, já acatado pela fiscalização à época do lançamento de ofício, apenas o despacho do Juiz do Trabalho da 28ª VT/RJ (fl. 51) que, no entanto, não trata do IRRF. Consultando o sítio do TRT 1º Região na Internet, verificamos que o Processo RT nº 1829/02 não está nele cadastrado. Assim sendo, à falta de documentos que comprovem a retenção do imposto de renda no valor de R$170.270,14 (R$185.240,74 – R$14.970,60), mantemos a glosa a ele referente. Isso posto, em decorrência deste voto, alterase o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido integrante da DAA (fl.07), que passa a ser o seguinte: [...] Por sua vez, o Recorrente, em sede de recurso voluntário, esgrime os mesmos argumentos da impugnação (efls. 02/03) e não traz outros documentos comprobatórios. Preliminarmente, é oportuno destacar que não faz parte do escopo deste processo qualquer discussão acerca da incidência de imposto de renda sobre a parcela referente à complementação de aposentadoria paga por entidade de previdência privada, a teor do Enunciado n. 556 de Súmula STJ, uma vez que essa matéria não foi trazida pelo Recorrente em sede administrativa, bem assim já foi objeto de apreciação judicial, conforme informado nos autos. Pois bem. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13706.007502/200821 Acórdão n.º 2402007.358 S2C4T2 Fl. 88 4 De plano, verificase, a partir do DARF (efl. 11), que houve retenção de imposto de renda em favor da Fazenda Nacional no valor de R$ 32.935,97, sob Código de Receita 5936, já acatado pela autoridade lançadora, não fazendo parte, destarte, da presente lide. Conforme já relatado, a glosa de IRRF em apreço totalizou o valor de R$ 185.240,74, que compreende o valor de R$ 14.970,60 discutido no âmbito da Justiça Federal e de R$ 170.270,14 na esfera trabalhista (Reclamatória Trabalhista n. 1.829/92). A retenção de R$ 14.970,60 referese a imposto de renda sobre o rendimento tributável de complementação de aposentadoria recebido pelo Recorrente da fonte pagadora Fundação Real Grandeza no AC 2006 (efl. 12), no valor total de R$ 87.970.57, e foi objeto de depósito judicial em decorrência de ação judicial (processo nº 2002/51.01.0053550 16ª VF RJ) de natureza tributária em face da União Federal na qual se discute isenção do imposto de renda retido na fonte incidente sobre a complementação de aposentadoria paga pela entidade de previdência privada Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, com fulcro na Lei no 7.713/88, bem como a restituição dos valores pagos indevidamente, corrigidos monetariamente. O valor de IRRF de R$ 14.970,60 não faz parte da presente lide, tendo sido, inclusive, já acatado pela instância de piso. Por sua vez, quanto ao IRRF de R$ 170.270,14 (vinculado à Reclamatória Trabalhista n. 1.829/92), não consta dos autos, da mesma forma, comprovação de sua retenção em favor da Fazenda Nacional. Nessa perspectiva, não se identifica nos autos conjunto probatório que comprove, ainda que parcialmente, a retenção de imposto de renda no valor de R$ 170.270,14 a atrair a regra tipificada na Lei n. 7.713/88, na Lei n. 9.250/95, no Decreto n. 3.000/99 RIR/99 (na redação vigente à época dos fatos) e demais legislação correlata, para fins de dedução de IRRF do imposto devido apurado na sua Declaração de Ajuste Anual. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000696/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Recife (acórdão n. 09-30.277 - fls. 430/436), o que faço nos seguintes termos: Trata-se de processo formalizado para analisar a declaração de compensação (DCOMP) n° 35175.81175.010905.1.3.01-6268, transmitida pelo estabelecimento matriz, cujo objeto foi a compensação de débitos próprios da COFINS e do PIS/PASEP no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 00 69 6/ 20 08 -9 2 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13603.000696/2008-92 Resolução nº 3402-002.113 S3-C4T2 Fl. 515 2 total de R$697.661,70 (fl. 71), com crédito de IPI informado A. fl. 02, atinente ao 10 trimestre-calendário de 2005 e apurado pelo estabelecimento filial de CNPJ 01.134.263/0002-37, tendo como amparo normativo o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Para verificação da legitimidade do direito creditório a lastrear a compensação declarada foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no relatório verificação fiscal de fls. 74/78, no qual constou, em síntese, que: - as verificações fiscais abrangeram o período de janeiro/2005 a junho/2005, estando o procedimento detalhado no processo n° l0976.000282/2009-44. sendo que, no período de que trata o presente processo. houve apropriações de créditos de IPI não legitimados pela legislação de regência; - o direito ao creditamento em questão também estava sendo discutido perante o Poder Judiciário' sem que a autora tivesse obtido medida liminar ou decisão favorável ao seu pleito, além da inexistência de trânsitos em julgado. Foram. então, glosados de oficio da escrita fiscal os referidos créditos; - como decorrência das glosas efetuadas, foi inteiramente reconstituída a escrituração do livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI) no período de janeiro/2005 a junho/2006, conforme indicado nos tópicos da fl. 77-verso e na tabela de fl. 78, redundando na apuração de saldo devedor do imposto ao final do 10 trimestre de 2005 no valor de R$74.317,60, que compôs o crédito tributário em favor a União formalizado e exigido por meio da lavratura do auto de infração objeto do citado processo administrativo n° 10976.000282/2009-44; - como decorrência das glosas efetuadas, foi inteiramente reconstituída a escrituração do livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI) no período de janeiro/2005 a junho/2006, conforme indicado nos tópicos da fl. 77-verso e na tabela de fl. 78, redundando na apuração de saldo devedor do imposto ao final do 10 trimestre de 2005 no valor de R$74.317,60, que compôs o crédito tributário em favor a União formalizado e exigido por meio da lavratura do auto de infração objeto do citado processo administrativo n° 10976.000282/2009-44;: (...) (grifos nosso). 2. A sobredita impugnação foi julgada improcedente pelo referido acórdão, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO DECLARADA. AÇÃO JUDICIAL. Tendo em vista que a compensação declarada tem como lastro o ressarcimento de créditos do IPI discutidos judicialmente, sem que haja o trânsito em julgado de decisão favorável, e' de indeferir o ressarcimento e não homologar as compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13603.000696/2008-92 Resolução nº 3402-002.113 S3-C4T2 Fl. 516 3 Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 454/486, oportunidade em aduziu que as ações judiciais por ele propostas teriam um caráter preventivo e, por conta disso, não se contraporiam ao presente processo administrativo em particular, o que afastaria a ocorrência da concomitância. 4. Não obstante, após a interposição do citado recurso, o presente processo foi apensado aos PTA's n. 10976.000382/2009-44 (auto de infração), 13603.000696/2008-92 (compensação) e 13603.000717/2008-70 (compensação). 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro - Relator 6. Conforme se observa do relatório acima desenvolvido, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte não foi conhecida ao fundamento de que a discussão nela travada já estria sendo discutida em uma das ações judiciais propostas pelo contribuinte (autos n. 2003.38.00.027343-2; 2004.38.00.003560 e 2004.38.00.011214-5) e referidas no relatório fiscal. 7. Em suma, o contribuinte vindica o crédito do IPI nas aquisições de sucatas classificadas na TIPI como NT e adquiridas de não-contribuintes do IPI, o que já estaria sendo objeto de discussão no âmbito das sobreditas ações judiciais. 8. Ocorre que, compulsando os autos, bem como os anexos, não há cópias das iniciais e das decisões judiciais proferidas em tais processos judiciais. Os únicos documentos que se referem a tais demandas são as certidões de inteiro teor acostados as fls. 222/224 do PTA n. 10976.000382/2009-44 (auto de infração). 9. Neste sentido, é temerário afirmar se de fato há ou não concomitância entre as instâncias judicial e administrativa sem que esta Turma julgadora tenha acesso a íntegra de tais documentos. Logo, resolvo converte o presente julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências: (i) seja providenciada a juntada de cópias das iniciais e decisões judiciais (sentenças e acórdãos) veiculadas nos autos n. 2003.38.00.027343-2; 2004.38.00.003560 e 2004.38.00.011214-5, bem como as respectivas certidões de inteiro teor devidamente atualizadas; (ii) ato contínuo, o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720147/2011-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007, 2008
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INTEMPESTIVIDADE.
Incabível o acolhimento de Área Preservação Permanente (APP) cujo Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado após o início da ação fiscal.
Numero da decisão: 9202-007.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007, 2008 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INTEMPESTIVIDADE. Incabível o acolhimento de Área Preservação Permanente (APP) cujo Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado após o início da ação fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INTEMPESTIVIDADE. Incabível o acolhimento de Área Preservação Permanente (APP) cujo Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado após o início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 47 /2 01 1- 60 Fl. 234DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2101002.615, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de exigência de crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informações inexatas nas Declarações do ITR DITR/2007 e 2008, no valor total de R$ 1.044.836,17, referente ao imóvel rural denominado Parque Marumbi, com Número na Receita Federal – NIRF 3.900.3540, localizado no município de Campina Grande do Sul PR, com Área Total – ATI de 3.872,0 ha conforme Auto de Infração AI de fls. 02 e 50 a 63, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 54 e 57 a 61. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 69/87. A DRJ/SDR, às fls. 121/134, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 140/165. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 168/185, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo como isentas as áreas delimitadas de Preservação Permanente, no montante de 1.897,00 ha, delimitadas no ADA apresentado ao IBAMA (fls. 26), assim como para atribuir o VTN/ha de R$ 868,00 para o exercício de 2007, e R$ 909,00 para o exercício de 2008, em atenção ao Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB (fls. 49 dos autos), considerando a aptidão agrícola da região como sendo de terra “MISTA NÃO MECANIZÁVEL”, com a consequente alteração dos correspondentes valores lançados, mantendo a decisão recorrida no seu restante. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007, 2008 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. NECESSIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. A configuração da existência de área de preservação permanente e o assentamento imobiliário da área de reserva legal e de servidão florestal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem, independentemente do momento em que requerida a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA. O art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 1.380/2013, ao tratar do Ato Declaratório Ambiental, não estabelece prazo para formalização do requerimento, prazo que igualmente não está fixado no art. 17º da Lei Federal nº 6.938/1981. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 9202007.806 CSRFT2 Fl. 10 3 No presente caso, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente devem ser consideradas para efeitos de isenção do ITR em virtude do contribuinte ter juntado aos autos o Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama, apesar de realizado posteriormente ao exercício fiscalizado, em respeito ao princípio da verdade material. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente. Não efetivada a averbação, o contribuinte não possui direito à isenção pleiteada. ÁREAS DE PRODUÇÃO VEGETAL E COM BENFEITORIAS. DESCONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFESA. Não impugnada toda a matéria submetida ao debate no lançamento fiscal, considerase admitido o respectivo crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR CONSTANTE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SUBAVALIAÇÃO DO PREÇO DECLARADO. DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA NBR 14.6533 DA ABNT. O Valor da Terra Nua VTN constante do SIPT, considerando a aptidão agrícola, é válido para fins de arbitramento quando o contribuinte não apresenta qualquer documento que confirme os valores lançados na sua DITR. O Laudo de Avaliação elaborado em desacordo com as especificações constantes da NBR 14.6533 da ABNT, que se limita a indicar a inexistência de parâmetros comparativos, não serve à desconstituição do arbitramento do VTN fundado no SIPT, figurando imprestável à apuração do valor da terra nua. VALOR DO VTN MÉDIO/HA PREVISTO NO SIPT CONSIDERANDO A APTIDÃO AGRÍCOLA. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA. A Administração Pública deve agir motivadamente, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e Eficiência, não cabendo presunção de mais de uma aptidão agrícola no mesmo imóvel, sem que exista base técnica específica neste sentido. A atribuição do valor de VTN médio por hectare, conforme previsto no SIPT, em toda a área do imóvel, deve considerar como aptidão agrícola da região a mais ajustada à utilização da terra demonstrada nos autos. Fl. 236DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Às fls. 188/198, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: necessidade de Ato Declaratório Ambiental ADA para Área de Preservação Permanente APP. Os acórdãos, recorrido e paradigmas, partem de premissas fáticas idênticas, tendo em vista que todos discutem lançamentos relativos ao ITR (exercícios posteriores a 2000) para chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação por meio de protocolização tempestiva do ADA pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, os acórdãos paradigmas não dispensam a referida exigência a partir do exercício de 2001, tendo como base o art. 17O da Lei nº 6.938/81. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 200/204, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: necessidade de Ato Declaratório Ambiental ADA para Área de Preservação Permanente APP. Cientificado à fl. 216, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 219/226, aduzindo os acórdãos trazidos pelo recorrido demonstram que o entendimento do CARF é o de que, para que o contribuinte tenha isenção no Imposto sobre Propriedade Territorial Rural por se tratar de Área de Preservação Ambiental, basta que haja a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA, independentemente do momento em que for expedido, já que se trata de uma verdade material reconhecida por lei. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de exigência de crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informações inexatas nas Declarações do ITR DITR/2007 e 2008, no valor total de R$ 1.044.836,17, referente ao imóvel rural denominado Parque Marumbi, com Número na Receita Federal – NIRF 3.900.3540, localizado no município de Campina Grande do Sul PR, com Área Total – ATI de 3.872,0 ha conforme Auto de Infração AI de fls. 02 e 50 a 63, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 54 e 57 a 61. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: necessidade de Ato Declaratório Ambiental ADA para Área de Preservação Permanente APP. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 9202007.806 CSRFT2 Fl. 11 5 Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. O acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 238DF CARF MF 6 Ocorre que a glosa da isenção outorgada a imóveis nos quais existam áreas de preservação permanente e de reserva legal não pode ser fundamentada exclusivamente em aspecto formal – descumprimento de prazo de requerimento de expedição de ato administrativo, interpretação incompatível com a ratio do benefício fiscal em questão. De fato, a configuração da existência de área de preservação permanente e o assentamento imobiliário da área de reserva legal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem, independentemente do momento em que se requer a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA. No presente caso, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente devem ser consideradas para efeitos de isenção do ITR em virtude do contribuinte ter juntado aos autos o referido Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama (fls. 26), apesar de referente a exercício posterior aos fiscalizados (2010), em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. Por outro lado, vale destacar que, quanto a isenção das áreas de reserva legal, não se pode dispensar a competente averbação nos seus registros cartorários, conforme disposto no artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando restou revogada pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. (...) Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo como isentas as áreas delimitadas de Preservação Permanente, no montante de 1.897,00 ha, delimitadas no ADA apresentado ao IBAMA (fls. 26), assim como para atribuir o VTN/ha de R$ 868,00 para o exercício de 2007, e R$ 909,00 para o exercício de 2008, em atenção ao Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB (fls. 49 dos autos), considerando a aptidão agrícola da região como sendo de terra “MISTA NÃO MECANIZÁVEL”, com a consequente alteração dos correspondentes valores lançados, mantendo a decisão recorrida no seu restante.Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo como isentas as áreas delimitadas de Preservação Permanente, no montante de 1.897,00 ha, delimitadas no ADA apresentado ao IBAMA (fls. 26), assim como para atribuir o VTN/ha de R$ 868,00 para o exercício de 2007, e R$ 909,00 para o exercício de 2008, em atenção ao Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB (fls. 49 dos autos), considerando a aptidão agrícola da região como sendo de terra “MISTA NÃO MECANIZÁVEL”, com a consequente alteração dos correspondentes valores lançados, mantendo a decisão recorrida no seu restante. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 9202007.806 CSRFT2 Fl. 12 7 Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Assim quanto a área de Reserva Legal, e meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área foi eleita como ARL e tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. (b) Já quanto a área de preservação permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. Registro que o presente processo discute reconhecimento da Área de Preservação Permanente APP. O Contribuinte protocolou junto ao Ibama – ADA – conforme fls. 26 dos autos – no qual informa 1897 hectares de APP – exercício 2010 emitido em setembro de 2011. Na sequência, fls 27, há laudo ambiental seguido de sua ART – datado também de setembro de 2011. A discussão dos presentes autos referese a fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008, e a data de início do procedimento fiscal é de 18.07.2011, conforme fls. 31 destes autos. Neste caso observo que as provas dos autos atendem as exigências legais, pois verificada a existência da APP, por se tratar de uma condição natural e não eleita pelo contribuinte, basta que se comprove sua existência independentemente do momento de sua comprovação. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Relatora, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 240DF CARF MF 8 Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural (ITR) dos exercícios de 2007 e 2008, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Parque Marumbi" (NIRF 3.900.3540), localizado no Município de Campina Grande do Sul/PR, tendo em vista glosa da Área de Preservação Permanente (APP) de 1.897,0 hectares, da ARL Área de Reserva Legal de 774,4 hectares, da área ocupada por benfeitorias de 154, 9 hectares e da área ocupada por produtos vegetais de 1.020,0 hectares, por falta de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental. Em ambos os exercícios foi efetuado o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) com base no Sistema Integrado de Preços de Terras (SIPT). O Termo de Intimação Fiscal foi cientificado ao Contribuinte em 26/07/2011 (efls. 03 a 06). O Colegiado recorrido reconheceu a Área de Preservação Permanente (APP) declarada de 1.897,0 hectares. A Fazenda Nacional, por sua vez, visa rever a necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para exclusão da Área de Preservação Permanente (APP) da tributação do Imposto Territorial Rural (ITR). No que tange à Área de Preservação Permanente (APP), examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 170, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA Ato Declaratório Ambiental, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, portanto é legítima, conforme a seguir: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. É certo que, no caso da APP, tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, especificou o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR. Tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Entretanto, no presente caso, a glosa da APP é relativa aos exercícios de 2007 e 2008, e o Ato Declaratório Ambiental (ADA) somente foi protocolado em 05/09/2011 (efls. 26), sendo que o início da ação fiscal foi cientificado ao Contribuinte em 26/07/2011 (efls. 03 a 06). Assim, há que ser restabelecida a glosa de 1.897,0 hectares, a título de APP, nos exercícios de 2007 e 2008. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 9202007.806 CSRFT2 Fl. 13 9 Destarte, a despeito das alegações oferecidas pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, a glosa da APP deve ser mantida, conforme julgado trazido à colação por ele próprio (fls. 219 a 226): Acórdão nº 9202005.183, de 26/01/2017 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. (...)" (grifei) Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002565/2002-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAR ELEMENTO SUBJETIVO.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, pois o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor da composição do Saldo Negativo. Eventual procedimento de diligência configura circunstância excepcional, especialmente nos casos em que não houve possibilidade anterior de formulação do lastro probatório. Os elementos subjetivos que erigem a boa-fé não podem por si só afastar a não-homologação, quando desacompanhados de provas suficientes a chancelar o pleito do Contribuinte.
Numero da decisão: 1002-000.726
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAR ELEMENTO SUBJETIVO. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, pois o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor da composição do Saldo Negativo. Eventual procedimento de diligência configura circunstância excepcional, especialmente nos casos em que não houve possibilidade anterior de formulação do lastro probatório. Os elementos subjetivos que erigem a boa-fé não podem por si só afastar a não-homologação, quando desacompanhados de provas suficientes a chancelar o pleito do Contribuinte.
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ÔNUS DA PROVA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAR ELEMENTO SUBJETIVO. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, pois o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor da composição do Saldo Negativo. Eventual procedimento de diligência configura circunstância excepcional, especialmente nos casos em que não houve possibilidade anterior de formulação do lastro probatório. Os elementos subjetivos que erigem a boafé não podem por si só afastar a nãohomologação, quando desacompanhados de provas suficientes a chancelar o pleito do Contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 25 65 /2 00 2- 90 Fl. 342DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 277 à 283) interposto contra o Acórdão n° 0522.478, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (efls. 256 à 267), que, por unanimidade de votos, julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente processo de Declarações de Compensação protocolizadas em 23/10/2002 (fl. 08) e 11/02/2007 (fls. 108 e 111), pelas quais a interessada solicita a homologação da compensação de débitos de PIS e COFINS, abaixo discriminados, com direito creditório oriundo de “imposto retido na fonte sobre notas fiscais de serviços dos meses de dezembro de 2001 e janeiro a dezembro de 2002, nos respectivos valores de R$ 4.619,72, (Declaração de Compensação de fl. 08), R$ 4.147,05 (Declaração de Compensação de fl. 108) e R$ 6.308,71 (Declaração de Compensação de fl. 111): Pelos Despachos Decisórios de fls. 24 a 28 e 129 a 132 a DRF em Santo André/SP não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações sob o fundamento de que os pedidos formulados, de compensação de IRRF incidente sobre prestação de serviços, deveriam ser convertidos no pedido juridicamente possível, de compensação de saldo negativo de IRPJ. No entanto, observou que, assim como no ano calendário 2001, no anocalendário 2002 a empresa pleiteante não teria apurado saldo negativo de IRPJ, motivo pelo qual não haveria direito creditório a ser reconhecido para fazer frente às compensações declaradas. Cientificada, em 23/04/2007 (cópia dos ARs às fls. 30 e 136), do conteúdo dos despachos decisórios e das Cartas de Cobrança dos débitos a contribuinte protocolizou, em 22/05/2007, as manifestações de inconformidade, acostadas às fls. 31 a 35 e 137 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10805.002565/200290 Acórdão n.º 1002000.726 S1C0T2 Fl. 343 3 a 141, argumentando, em ambas, que, de fato, teria se equivocado no preenchimento da DIPJ do anocalendário 2002, exercício 2003, uma vez que não teria sido indicado o respectivo saldo negativo apurado mas que, ciente de seu erro, providenciou a retificação, em 10/05/2007, da DIPJ apresentada erroneamente, para fazer constar o saldo negativo do anocalendário 2002. Requer a juntada da DIPJ retificadora, na qual apura saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2002, no valor de R$ 20.009,05 (fl. 47), acompanhada dos documentos anexados às fls. 36 a 104 e 204 a 227, e a realização da compensação dos débitos pleiteados, indicados também nas seguintes PER/DCOMP, conforme demonstrativos que apresenta às fls. 33 e 139 Ao final pugna pelo acolhimento da manifestação de inconformidade e pela homologação das compensações. Os processos subiram para julgamento, tendo sido providenciada a sua juntada, por anexação, nos termos do artigo 1°, inciso IV da Portaria RFB n° 666/2008. (GN) O Acórdão da DRJ, por sua vez, conferiu parcial procedência ao pleito homologatório; assim, o crédito restante que permanece em cobrança é aquele da DCOMP à e fl. 11, em virtude de ausência de lastro probatório suficiente a comprovar a composição de saldo negativo. Nesse espeque, resta em discussão apenas a quantia adstrita ao IRPJ, especificamente no tocante ao saldo negativo, para fins de determinação de liquidez e certeza apta a lastrear o pleito compensatório. O Recurso Voluntário reitera os argumentos formulados na manifestação de inconformidade. Em virtude do poder de síntese, transcrevo as razões de direito veiculadas na peça recursal: Destacase, inicialmente, que a D. Autoridade Fiscal baseouse em informações equivocadamente transmitidas, pela própria Recorrente, na DIPJ do anocalendário de 2002. Reconhece a Recorrente a incorreção do procedimento anteriormente adotado. Contudo, estando o saldo negativo devidamente comprovado, apesar de erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP não há razão alguma para dar Fl. 344DF CARF MF 4 continuidade à cobrança dos valores não homologados nesse processo, “não podendo o erro de fato fundamentar qualquer exação tributária, devendo ser corrigido a qualquer tempo, quer por iniciativa do sujeito passivo, quer de ofício" (Recurso n.° 125.691 Acórdão n.° 14018.553 j. 23.01.2002 DOU 08.05.2002). (...) Devese respeito ao princípio da verdade material, pois quando da verificação de eventuais erros de fato na PER/DCOMP e o teor da DIPJ apresentada, tais erros devem ser considerados como meros erros formais, não podendo gerar a obrigação de pagar o imposto, haja vista a comprovação do direito creditório e a conseqüente compensação. Ademais, nos casos de erros de fato contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados, de ofício, pela autoridade administrativa a quem competir a revisão, conforme disposto no artigo 147, § 2° do CTN. Notese que, no caso em tela, o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente é facilmente identificado, bastando, para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada. Da análise da planilha supracitada, em conjunto com a DIPJ apresentada é possível identificar os erros formais de preenchimento da PER/DCOMP que incorreu a Recorrente, auferindose, portanto, que esta cumpriu com suas obrigações. Ora, as compensações foram realizadas nas datas aprazadas, bem como foi evidenciada a exatidão da compensação, e comprovado o erro de fato, que não é passível de fundamentar qualquer exação, conforme julgados supracitados. Com efeito, o mero erro formal no preenchimento da Declaração Eletrônica de Compensação não é apto a afastar o saldo credor apurado, devendo este ser homologado até o montante informado. II.2 Da compensação com outros créditos tributários Em adição ao exposto acima, cabe informar que a D. Autoridade Fiscal, data vênia, igualmente equivocouse, ao proceder ao cancelamento das compensações dos débitos de PIS e COFINS formalizadas nos PER/DCOMP de n° 01871 .41593.06100.31302.4087; 31753.95863.09100.313028099 e 18912.98023.06100.31302.6235. Embora a Recorrente admita ter falhado na apresentação das informações ao Fisco, sem, todavia, a menor intenção de burlar a lei ou falsear o valor passível de aproveitamento, através dos processos de compensação acima mencionados. Acontece que a Requerente apresentou em Declaração Retificadora em 10/05/2007 com relação ao ano calendário de 2002, sob o recibo de protocolo sob o n° 3627499791 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10805.002565/200290 Acórdão n.º 1002000.726 S1C0T2 Fl. 344 5 informando os valores corretos sobre os tributos em compensação. (...) Ademais, mesmo considerando que a Requerente tenha falhado na apresentação das informações ao Fisco, importante destacar que a mesma sempre agiu com boa fé no intuito de informar o Fisco de todos os valores a serem compensados, visando promover a satisfação integral do crédito tributário, razão pela qual procedeu às devidas retificações em DIPJ. (...) Neste sentido havendo possibilidade de se fazer a satisfação do crédito tributário mediante compensação e aproveitamento de valores já percebidos pela Fazenda Pública, mesmo em sede de homologações parciais, não há motivo legal para negativa no aproveitamento do crédito administrado pela própria Receita Federal do Brasil mesmo em se tratando de tributos diversos. Por fim, entende a Recorrente, que os documentos juntados à Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para demonstrar a existência do seu crédito, ao contrário do exposto na decisão aqui combatida. Todavia, caso não seja esse o entendimento desse D. Conselho, requer seja o processo baixado em diligência, a fim de que sejam analisados os documentos fiscais/contábeis que se entenda necessários para dirimir a questão. (GN) É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito Fl. 346DF CARF MF 6 Por primeiro, é de se destacar que o presente PAF persiste na análise da compensação não homologada, alusiva à DCOMP acostada à efl. 11, a qual colaciono abaixo: No entanto, quanto à indigitada compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente, ante a insuficiência de provas a sustentar seu pleito. Assevero, ainda, que não restou realizado qualquer pedido de retificação ou cancelamento das DCOMPs originalmente formuladas com equívoco, aspecto este inclusive ressaltado no Acórdão a quo; pontuo, também, que foram apenas apresentadas a DIPJ retificadora alusiva ao AC de 2002, e as fichas 12A e 43 do IRRF, indicativas dos tomadores de serviço. Portanto, para que esta Turma Extraordinária pudesse ao menos verificar indícios de composição do Saldo Negativo, farseia mister a apresentação completa dos documentos fundamentais para tanto; logo, é inviável notar a composição de liquidez e certeza, que são atributos cabais do crédito suscetível à homologação. Ainda dentro do espectro dessa insuficiência probatória, a Autoridade de piso procedeu com uma percuciente análise da composição do Saldo Negativo, de modo a não encontrar qualquer valor adicional que poderia ser utilizado na compensação. Aliás, a diligente DRJ buscou, inclusive, dados juntos ao SIEF/DIRF, com o escopo de afastar quaisquer chances de injustiças na nãohomologação. Diante de tal cenário, a DRJ corretamente não homologou por completo a compensação requerida na exordial defensiva, por entender inexistentes elementos materiais aptos a corroborar a tese do Recorrente. Para evidenciar, transcrevo o teor meritório do Acórdão recorrido, que doravante integra parte da fundamentação do presente Voto: Salientese que o formulário denominado “Pedido de Restituição”, inserto à fl. 01 do presente processo, nada mais é do que um mero indicativo da origem do crédito utilizado nas Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10805.002565/200290 Acórdão n.º 1002000.726 S1C0T2 Fl. 345 7 compensações dos débitos indicados na Declaração de Compensação de fl. 08, na medida em que se verifica que no quadro 3 do formulário, denominado “Demonstrativo do Cálculo da Restituição”, são relacionados os mesmos débitos de COFINS e PIS indicados para compensação na Declaração de Compensação de fl. 08, nos respectivos valores de R$ 3.797,03 e R$ 822,69, cuja somatória perfaz exatamente o montante de R$ 4.619,72, discriminado no “Pedido de Restituição”, o que confirma o fato de que o formulário foi utilizado apenas para indicar a natureza e composição do crédito utilizado nas compensações declaradas. (...) In casu, não foi apresentado pela interessada qualquer pedido de retificação ou de cancelamento das Declarações de Compensação formuladas no presente processo às fls. 08, 108 e 111, tampouco foram apresentados novos formulários de Declaração de Compensação, como determinava a legislação de regência. Na verdade, na manifestação de inconformidade, a defesa vem ratificar as Declarações de Compensação inicialmente formalizadas já que insiste na existência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 e pleiteia, na manifestação de inconformidade, a homologação das compensações declaradas às fls 08, 108 e 111. (...) MÉRITO No mérito verificase que a interessada formalizou as Declarações de Compensação de fls. 08, 108 e 111 indicando, para compensar os débitos nelas relacionados de PIS e COFINS dos períodos de apuração setembro, novembro e dezembro de 2002, direito creditório oriundo de 'imposto retido na fonte sobre notas fiscais de serviços' relativo ao anocalendário 2002. No entanto, nos termos da legislação em vigor, tais valores não são passíveis de aproveitamento a esse título. Nesse sentido cumpre trazer à colação os comandos normativos que regulam a tributação pelo IRRF dos rendimentos auferidos por pessoas jurídicas que prestam serviços de natureza caracterizadamente profissional a outras pessoas jurídicas, previstos no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 1999: (...) Verificase assim que os rendimentos obtidos por pessoas jurídicas pela prestação de serviços profissionais a outras pessoas jurídicas devem ser adicionados ao lucro real, presumido ou arbitrado, para efeito de determinação do imposto de renda devido, e o IRRF incidente sobre tais operações deve Fl. 348DF CARF MF 8 ser considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Sob tais preceitos jurídicos não seria possível a utilização, para compensação, de valores de IRRF incidente sobre os rendimentos de prestação de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, mas apenas do saldo negativo de IRPJ apurado ao final do período, tal como previsto no art. 2°, §4°, III, c/c art. 6°, §1° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: (...) Análise do Saldo Negativo de IRPJ AnoCalendário 2002 A manifestante reconhece que cometeu equívoco no preenchimento da DIPJ do exercício 2003, anocalendário 2002, ao deixar de preencher a ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real erro que teria sido sanado com a apresentação da DIPJ retificadora, anexada junto da manifestação de inconformidade às fls. 36. Na DIPJ retificadora a interessada aponta um valor de IRRF de R$ 20.009,05 e, com isso, gera um saldo negativo de IRPJ no mesmo valor, já que não tem imposto apurado em decorrência da existência de prejuízo fiscal no período sob análise, nem outros valores a título de deduções. Em pesquisas efetuadas junto ao sistema SIEF/DIRF que armazena dados a respeito das Declarações de IRRF apresentadas pelas fontes pagadoras junto à RFB constatase que no anocalendário 2002 a empresa interessada auferiu rendimentos pela prestação de serviços na ordem de R$ 1.303.628,57 e teve retenção de imposto na fonte no montante de R$ 19.582,77. O valor informado na DIPJ retificadora como receitas de prestação de serviços Ficha 06A Demonstração do Resultado fl. 41, é de R$ 1.564.034,70 superior, portanto, ao valor constante da DIRF, razão pela qual será admitida a dedução, na apuração final do IRPJ, do IRRF constante da DIRF, no valor de R$ 19.582,77. Percebese, portanto, que a negativa ao pleito do Contribuinte foi substancialmente calcada na falha probatória, por não comprovar a composição de Saldo Negativo. Impende ressaltar que, conforme consta nos anexos acostados desde a etapa inicial deste PAF, o Recorrente buscou superar seu erro de preenchimento, por intermédio da Retificadora. Contudo, tal praxis não foi suficiente. Para que se tenha a compensação é necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Recorrente contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, não se adimpliu tal mister documental. Reitero que todos os elementos trazidos à baila ao longo do PAF são aqueles decorrentes de prestação unilateral do Recorrente, sem o consequente amparo da escrituração Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10805.002565/200290 Acórdão n.º 1002000.726 S1C0T2 Fl. 346 9 contábil. Ou seja, para que se desse razão ao pleito formulado tornarseia necessária a apresentação completa do acervo probatório necessário a tanto (em especial os livros contábeis para eficaz cotejo das quantias lá expostas). Ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa, e com lastro probatório. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser Fl. 350DF CARF MF 10 meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o ônus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Da ausência de elemento subjetivo No que cinge à ausência de máfé no erro formal/erro de fato, o Recorrente alega o seguinte: Embora a Recorrente admita ter falhado na apresentação das informações ao Fisco, sem, todavia, a menor intenção de burlar a lei ou falsear o valor passível de aproveitamento, através dos processos de compensação acima mencionados. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10805.002565/200290 Acórdão n.º 1002000.726 S1C0T2 Fl. 347 11 Acontece que a Requerente apresentou em Declaração Retificadora em 10/05/2007 com relação ao ano calendário de 2002, sob o recibo de protocolo sob o n° 3627499791 informando os valores corretos sobre os tributos em compensação. (...) Ademais, mesmo considerando que a Requerente tenha falhado na apresentação das informações ao Fisco, importante destacar que a mesma sempre agiu com boa fé no intuito de informar o Fisco de todos os valores a serem compensados, visando promover a satisfação integral do crédito tributário, razão pela qual procedeu às devidas retificações em DIPJ. No entanto, sabese que tais elementos subjetivos são alheios à atividade do Fisco, haja vista a impossibilidade de transpor a realidade processual, derivada do conjunto probatório que ora consubstancia o PAF. Em outras palavras, não se pode valer de aspecto subjetivo para rechaçar a conclusão alcançada pela Autoridade de piso, a qual, em seu mister, efetuou análise exauriente e profunda dos documentos trazidos à baila ao longo da instrução. Do pedido subsidiário de realização de diligências Por fim, o Contribuinte requer seja efetuada diligências complementares, caso seu pedido compensatório não seja de pronto acatado por este e. Colegiado. Transcrevo o teor recursal: Por fim, entende a Recorrente, que os documentos juntados à Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para demonstrar a existência do seu crédito, ao contrário do exposto na decisão aqui combatida. Todavia, caso não seja esse o entendimento desse D. Conselho, requer seja o processo baixado em diligência, a fim de que sejam analisados os documentos fiscais/contábeis que se entenda necessários para dirimir a questão. No entanto, tal pedido não pode ser acolhido. Sabese que a instrução documental do PAF demanda a edificação probatória desde sua gênese, salvo raras exceções, nas quais o Contribuinte apresenta de imediato suas provas residuais quando do protocolo do Recurso Voluntário. Nessa trilha, o art. 16 do Decreto n° 70.235 exprime com hialina clareza a imperatividade de se apresentar de plano tanto os pedidos e quesitos detalhados de diligência, bem como as provas substanciais a corroborar o direito do Contribuinte, aspectos esses não alcançados no presente caso: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) Fl. 352DF CARF MF 12 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Por assim ser, resta patente a inviabilidade de se acatar o pedido subsidiário de realização de diligências. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 353DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720434/2015-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente.
PRELIMINAR. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. OMISSÃO. Válida a decisão se os novos fundamentos são apenas decorrência e explicitam os que já motivavam o auto, principalmente a ausência de propósito negocial, bem como se não há omissão na análise das provas ou fundamentos aduzidos, mas tão somente a desqualificação expressa da operação para fins fiscais.
PRELIMINAR. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO NO EXAME DE SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS.
O sujeito passivo da obrigação tributária está subordinado à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Inexiste preclusão administrativa na realização da análise dos dados associados aos efeitos tributários incidentes sobre o período fiscalizado em decorrência de fatos pretéritos, operando-se a decadência no decurso de prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), desde que observada a existência de pagamento antecipado do tributo correspondente, bem como inocorrência de dolo, fraude ou simulação praticado pelo sujeito passivo (art. 173 do CTN).
GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE.
É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade controlada (autuada), sem demonstrar haver propósito negocial na operação, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade controladora (empresa veículo), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria controlada.
CSLL. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LIMITES DE EQUIVALÊNCIA ENTRE AS BASES DE CÁLCULO
Como não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação em mais de uma oportunidade determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL, deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ.
INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN.
Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE.
Está consolidado no âmbito do CARF que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-003.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; i.ii) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; i.iii) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar os fundamentos do ágio; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de amortização de ágio, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii) por maioria de votos: iii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçaves e Junia Roberta Gouveia Sampaio e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e iii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação da multa de ofício em face da decisão por voto de qualidade, vencido o Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente. PRELIMINAR. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. OMISSÃO. Válida a decisão se os “novos” fundamentos são apenas decorrência e explicitam os que já motivavam o auto, principalmente a ausência de propósito negocial, bem como se não há omissão na análise das provas ou fundamentos aduzidos, mas tão somente a desqualificação expressa da operação para fins fiscais. PRELIMINAR. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO NO EXAME DE SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS. O sujeito passivo da obrigação tributária está subordinado à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Inexiste preclusão administrativa na realização da análise dos dados associados aos efeitos tributários incidentes sobre o período fiscalizado em decorrência de fatos pretéritos, operandose a decadência no decurso de prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), desde que observada a existência de pagamento antecipado do tributo correspondente, bem como inocorrência de dolo, fraude ou simulação praticado pelo sujeito passivo (art. 173 do CTN). GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 34 /2 01 5- 42 Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.087 2 AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade controlada (autuada), sem demonstrar haver propósito negocial na operação, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade controladora (“empresa veículo”), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria controlada. CSLL. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LIMITES DE EQUIVALÊNCIA ENTRE AS BASES DE CÁLCULO Como não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação em mais de uma oportunidade determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL, deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE. Está consolidado no âmbito do CARF que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; i.ii) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; i.iii) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar os fundamentos do ágio; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de amortização de ágio, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii) por maioria de votos: iii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçaves e Junia Roberta Gouveia Sampaio e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e iii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação da multa de ofício em face da decisão por voto de qualidade, vencido o Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.088 3 EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora ad hoc (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 15 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, votou pela improcedência apresentada por BANCO BRADESCO BBI S/A em face de auto de infração que glosou a amortização de ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSL do anocalendário de 2010. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: O processo versa acerca de autos de infração formulados em 08/12/2014, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados no encerramento dos anoscalendário de 2010, com o crédito tributário total de R$ 45.400.244,67 (quarenta e cinco milhões, quatrocentos mil, duzentos e quarenta e quatro reais e sessenta e sete centavos), composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados: A infração tributária decorre de constatações no curso de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, consoante descrição dos fatos e enquadramentos legais impressos no corpo Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.089 4 das autuações e do respectivo Termo de Verificação Fiscal, motivações estas determinantes para: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ: Glosa de amortização indevida de ágio na aquisição de investimento em participação societária computada na apuração do Lucro Real. Enquadramentos legais: art. 3º da Lei nº 9.249/95; e art. 247 e 250 do RIR/99. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL: Glosa de amortização indevida de ágio na aquisição de investimento em participações societárias computada na determinação da base de cálculo da CSLL. Enquadramentos legais: arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 e pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; e art. 1º da Lei nº 9.316/96; e art. 28 da Lei nº 9.430/96. Quanto aos trabalhos executados no transcurso da ação fiscal, observase que o Termo de Verificação Fiscal (TVF) noticia que foram conduzidos com respaldo no Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 08166002014.006723. A instauração da ação fiscal promoveuse com a expedição do Termo de Início da Fiscalização datado de 10/01/2014, cientificado pessoalmente na mesma data (fl. 2), por meio do qual se requisitou a apresentação de acervo documental e outras fontes de dados necessários para a instauração de exames de informações de interesse fiscal relacionados à pessoa jurídica. Descreveuse também o fluxo de intimações endereçadas ao contribuinte e as suas respectivas respostas entregues defronte a amplitude das investigações desenvolvidas no curso do procedimento (fls. 16/261 e 267/409), mormente o detalhamento de informações adstritas às transações de aquisição de participações societárias e os montantes de despesas de ágio computadas na apuração do resultado fiscal da instituição financeira. Finalizada esta etapa do Termo de Verificação Fiscal, o AuditorFiscal passa a detalhar a motivação determinante para tipificação das infrações tributárias contidas nas autuações Desenvolve um apanhado geral do histórico da Abaetê Holdings Ltda, CNPJ nº 10.428.938/000160, doravante ABAETÊ e das reorganizações societárias a ela relacionadas. A holding foi constituída em 26 de agosto de 2008, originalmente, com o capital social no valor de R$ 1.000,00, integralizado pelos sócios Bradesplan Participações Ltda, CNPJ nº 61.782.769/000101(controladora) e a União Participações Ltda, CNPJ nº 05.892.410/000108. Por seu turno, em 4 de novembro de 2008, houve a primeira alteração do contrato social da entidade, deliberandose: a) a retirada da Bradesplan Participações Ltda e simultânea cessão e transferência das cotas de sua titularidade para o Banco Bradesco S/A (CNPJ nº 60.746.948/0001 12), doravante BRADESCO; b) aprovação do aumento do capital social em R$ 495.800.000,00, elevandose o patamar para R$ 495.801.000,00, com emissão do equivalente em cotas e imediata subscrição pelo sócio admitido. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.090 5 Pronunciouse que o aumento de capital social da holding ocorreu na mesma data, via transferência de recursos financeiros da instituição financeira ao patrimônio da entidade, resultando na novel composição do quadro societário: Ainda na mesma data, a holding adquiriu 194.843.569 ações de emissão do Banco Bradesco BBI S/A, CNPJ nº 06.271.464/000119, doravante BBI, que, até então, estavam sob o domínio de 36 de seus acionistas. A recompra das ações demandou um pagamento total de R$ 495.746.971,56. O preço de compra de cada ação correspondia a R$ 2,544, enquanto que a avaliação patrimonial era de R$ 1,2046. O recebimento da participação acionária na BBI ocorreu em face da venda da totalidade de suas ações emitidas pela Ágora Holdings S/A, doravante ÁGORA. Na oportunidade, a ÁGORA era a controladora integral da corretora ÁGORA CTVM. Por ocasião da transação, reconheceuse contabilmente um ágio na aquisição de investimentos no valor de R$ 261.028.958,46. No ano subseqüente, mais precisamente em 11 de dezembro de 2009, houve a segunda alteração contratual da ABAETÊ, oportunidade em que seus sócios cotistas deliberaram: a) o registro da cessão e transferência de capital da União Participações Ltda para o BRADESCO, à época, controladora da holding; b) a aprovação da incorporação da sociedade pelo BBI S/A. Neste contexto, o ágio contabilizado na ABAETÊ foi absorvido através de sua incorporação pelo BBI. Finalizado este breve intróito, passa a pormenorizar as operações de aquisição que determinaram a apuração do sobrepreço negociado. Exprime que as ações adquiridas pela ABAETÊ, originalmente, eram de propriedade de 36 acionistas do BBI, que as receberam em setembro do mesmo ano, como forma de pagamento da venda da totalidade das ações ÁGORA, até então controladora integral da ÁGORA CTVM. De acordo com acervo documental analisado, na ocasião da aquisição da ÁGORA, o controlador exclusivo do BBI era o BRADESCO, detentor de 100% do capital total e votante: Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.091 6 Sob esta perspectiva, informa que, em 17 de setembro do ano de 2008, foram realizadas duas Assembléias Gerais Extraordinárias (AGE) no âmbito da ABAETÊ: Deliberouse, em primeiro lugar, pela aprovação do Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação das ações dos acionistas da ÁGORA, firmado entre as partes e o BBI. Nele se reportou a anuência de sua operacionalização mediante celebração de contrato de compra e venda das ações de emissão da BBI. No período vespertino do mesmo dia, aprovouse a incorporação das ações ao patrimônio do BBI, efetivandose a operação via emissão de ações do BBI e correspondente entrega aos acionistas da ÁGORA. Na oportunidade, o Balanço Patrimonial da ÁGORA, levantado em 31/08/2008, apurou um Patrimônio Líquido de R$ 213.212.539,04. Os dados econômicofinanceiros vinculados à ÁGORA mostraram que se elaborou o Laudo de Avaliação pela BDO Trevisan, segundo metodologia do fluxo de caixa descontado, fundamentado em rentabilidade futura, que incluiu avaliação de mercado das ações da BM&F Bovespa S/A, pertencentes à ÁGORA, determinando um valor total de R$ 907.873.718,82. O capital social da ÁGORA era composto por 375.389.554 ações. O valor de cada ação, com base no valor de mercado era de R$ 2,418484236. Por seu turno, o Balanço Patrimonial do BBI, também datado de 31/08/2008, evidenciou um Patrimônio Líquido de R$ 4.647.949.308,30. As informações econômicofinanceiras do BBI revelaram que se formalizou o Laudo de Avaliação pela BDO Trevisan, adotando a mesma metodologia de avaliação patrimonial, atribuindose um valor de R$ 10.754.000.000,00. O capital social do BBI era composto de 4.295.389.080 ações. O valor de cada ação, com base no valor de mercado era de R$ 2,503614876. Da comparação dos valores de mercado das ações da ÁGORA e do BBI, a relação de troca findouse na proporção de 0,965996911 fração de ação do adquirente para cada ação de emissão da alienante. Evidenciouse que foram oferecidas aos exacionistas da ÁGORA, em substituição das ações alienadas, 362.625.150 ações de emissão do BBI. A operação de aquisição resultou nos seguintes quadros: => Ágio apurado na aquisição da ÁGORA R$ 907.873.718,82 Valor da Ágora Holdings conforme Laudo de Avaliação R$ 213.212.539,04 Valor do Patrimônio Líquido a apurado em 31/08/2008 R$ 694.661.179,78 Ágio apurado na aquisição. Segundo o Laudo de Avaliação, o valor de mercado das ações da BM&F Bovespa estava incluído no valor da Ágora. => Ágio que está sendo amortizado no BBI devido a aquisição e incorporação da Ágora R$ 694.661.179,78 Ágio apurado na aquisição da Ágora Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.092 7 R$ 203.113.220,06 Valor de mercado das ações da BM&F Bovespa R$ 491.547.959,72 Ágio que está sendo amortizado O BBI pagou a aquisição da ÁGORA com a emissão de 362.625.150 ações que foram partilhados entre seus exmandatários. Advertiu que a quitação não envolveu nenhuma transferência financeira naquele momento. Desta forma, a estrutura organizacional do BBI passou a ter a configuração abaixo ante a aquisição e incorporação da ÁGORA: Sendo assim, os antigos mandatários da ÁGORA passaram a integrar o quadro societário do BBI, contudo não mantiveram a titularidade dos valores mobiliários por longo tempo. Noticia que os ativos foram objeto de duas transações de compra e venda. Sob este enfoque, iniciou uma exposição detalhada das operações de alienação das ações em emitidas pela BBI. Aquisição das Ações pela Abaetê Holdings (Primeira Venda de Ações) Retomando aos eventos de 4 de novembro do ano de 2008, assinala que, apenas quarenta e oito (48) dias após da venda da ÁGORA para o BBI, e setenta (70) dias após sua constituição, a ABAETÊ, envolveuse em uma nova transação relacionada às ações dadas em pagamento para a aquisição do investimento. De acordo com o antecipado nos parágrafos anteriores, a ABAETÊ adquiriu 194.843.569 das ações de emissão da BBI que, até então, integravam o patrimônio dos exmandatários da ÁGORA. Desembolsouse um valor total de R$ 495.746.971,56, equivalente a R$ 2,544 por ação, ou seja, recomprouse 53,73% das ações que foram entregues como pagamento da aquisição da ÁGORA. Por esta transação, o conglomerado apurou um ágio no valor de R$ 261.028.958,46, conforme evidenciado abaixo: O preço unitário de aquisição das ações, no valor de R$2,5443, baseouse no referenciado Laudo de Avaliação do Banco Bradesco BBI elaborado em 17/08/2008 pela BDO Trevisan, evidenciando sua instrumentalização para duas operações de natureza distinta e eqüidistantes no tempo: a aquisição da Ágora Holdings e a reaquisição das ações do BBI pela ABAETÊ. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.093 8 Levado a efeito a operação a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: Aquisição das Ações pelo Banco Bradesco S/A (Segunda Venda de Ações) Na seqüência, veicula que, em 23 de dezembro de 2008, o BRADESCO, adquiriu mais 89.973.611 ações de emissão do BBI dos antigos acionistas da ÁGORA, fatia que correspondia a 24,81% do montante de ações emitidas por ocasião da concretização do processo de aquisição. O valor total da operação de reaquisição das ações totalizou R$ 114.029.038,05. Advertiu, contudo, que todos os exacionistas na ÁGORA venderam exatamente a mesma proporção de ações de sua propriedade. O valor de aquisição unitário de cada ação foi de R$1,2674. Nesse sentido, esclarece que não houve ágio nas recompras das ações pelo BRADESCO, visto que o preço unitário denotouse próximo do valor patrimonial da ação em 31/10/2008, qual seja R$ 1,2046. Chama a atenção ao fato de que, diferentemente do ocorrido na transação anterior, a segunda aquisição de ações do BBI, sem ágio, efetivouse diretamente pelo BRADESCO e não pela ABAETÊ. Sob este contexto, imediatamente após o fechamento desta operação a estrutura de controle societário do BBI passou a ser representada conforme abaixo: Incorporação da Abaetê Holdings pelo Banco Bradesco BBI S/A Enuncia que, em 11 de dezembro de 2009, ocorreu a 2ª alteração do Contrato Social da ABAETÊ, onde a Administração deliberou a transferência de cota da União Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.094 9 Participações para o BRADESCO e, imediatamente após isto, sua incorporação pelo BBI. Diante disto, operacionalizada a incorporação da ABAETÊ, a estrutura de controle societário do BBI passou a ter a seguinte configuração: Adverte que o Balancete levantado pela ABAETÊ em dezembro daquele ano, enumerou os saldos das contas do Ativo de seu patrimônio: (i) disponibilidades: R$ 19.975,46; (ii) dividendos a receber do BBI: R$ 147.571,44; (iii) investimentos: R$ 250.661.007,42, referentes a ações do BBI; (iv) Ágio na aquisição das ações de emissão do BBI: R$ 261.028.958,46, incluindose um saldo de conta retificadora de provisão de amortização do ágio; e (v) crédito tributários: R$ 88.749.845,88, oriundos do reconhecimento do próprio ágio. No processo de incorporação, o grupo Patrimônio Líquido do BBI e da ABAETÊ evidenciaram os seguintes saldos: R$ 5.959.508 856,39 e R$ 338.240.991,05, respectivamente. Estabeleceuse uma relação de troca entre as ações BBI para cada cota da ABAETÊ, concluindose pelo valor de R$ 0,533223377 por fração de ação do BBI para cada cota, resultando na emissão de 69.507.847 ações ordinárias nominativas sem valor nominal pelo BBI. Neste sentido, deduziuse que houve um aumento no capital social do BBI no montante de R$ 88.929.018,20. No tocante aos principais ativos da ABAETÊ, a autoridade lançadora esclareceu que a destinação do patrimônio da holding após sua incorporação pelo BBI promoveuse conforme segue: (i) 194.843.569 ações de emissão do BBI foram atribuídas ao BRADESCO, acionista controlador do BBI e da ABAETÊ; (2) o ágio na aquisição das ações, no montante de R$ 261.028.958,46, bem assim a respectiva provisão de amortização, ficaram registrados na contabilidade do BBI. Em suma, o efeito prático da incorporação relaciona da ABAETÊ pelo BBI consistiuse no reconhecimento contábil do ágio no patrimônio da incorporadora e do crédito fiscal a ele relacionado. Da Análise das Atividades desempenhadas pela ABAETÊ Defronte a análise das informações cadastrais e econômicofinanceiras da ABAETÊ desde a constituição até o encerramento das atividades em decorrência de sua incorporação pelo BBI, certificou que sua única atividade desempenhada foi a aquisição de ações de sua futura incorporadora, antes sob o domínio aos antigos sócios da ÁGORA, companhia adquirida pelo conglomerado mediante negociação concretizada com a oferta de ações de emissão da BBI. Advertiuse que holding teve uma existência de apenas 16 (meses) entre a data de sua instituição e a extinção. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.095 10 Não auferiu receitas operacionais, exceto aquela derivada da única participação societária da entidade. Não dispunha de mínima estrutura empresarial circunstância que gerou questionamentos acerca de seus propósitos negociais efetivos sob a ótica do conglomerado. A incorporação da ABAETÊ demonstrou que as ações do BBI que integravam seu patrimônio foram transferidas para o patrimônio do BRADESCO. Em contrapartida, o ágio contabilizado na ABAETÊ, resultante da aquisição das ações do BBI, foram transferidos para a emissora das ações. A análise de tais aspectos, mostraram que o propósito da restruturação societária visou a materializar a transferência do ágio no âmbito da própria BBI e viabilizar a amortização do sobrepreço na sua integralidade. Asseverouse, desta forma, que a criação e o funcionamento da ABAETÊ não pretendeu outro objetivo negocial, mas, apenas, introduzíla como agente do enredo afeto à artificialidade da operação. De acordo com a fiscalização a ABAETÊ fora utilizada unicamente no processo de reaquisição das ações da BBI, antes negociadas em transação que envolveu a compra da ÁGORA para o próprio BBI. A reorganização societária gerou a apropriação de duas parcelas de ágio derivadas da mesma transação: (i) O primeiro originado da aquisição e incorporação da ÁGORA, via emissão de ações do BBI; (ii) noutro momento, oriundo da incorporação da ABAETÊ que controlava o montante de ágio deriva da recompra das ações do BBI. Argumentase que o BBI poderia ter adquirido a ÁGORA com o pagamento em dinheiro, incorporado a sociedade e assim ter a possibilidade de promover a amortização o ágio de R$ 491.547.959,72. Negociou parte da aquisição da ÁGORA com a emissão de ações da BBI e, dias depois, a ABAETÊ, controlada pelo BRADESCO, adquiriu parte do ativo mobiliário com o pagamento de preço superior ao valor patrimonial com o intuito de reconhecimento contábil de ágio na transação no valor de R$ 261.028.958,46. A fiscalização certificou que o impugnante justificou o modus operandi alegando que a incorporação da ABAETÊ objetivou a simplificação da estrutura societária do conglomerado e a racionalização de custos e despesas operacionais advindos da manutenção da holding. Ressalta que a participação indireta no Bradesco BBI originouse de interesse do conglomerado, primeiramente por ocasião do aumento de capital da Abaetê em 04/11/2008, e ulterior aquisição de ações do BBI pela ABAETÊ exatamente na mesma data. A autoridade lançadora salienta que a estruturação societária seria evitada acaso o BRADESCO readquirisse as ações do BBI sem nenhuma intermediação, contudo, optou por uma formatação negocial com causa final precípua de viabilizar o reconhecimento fiscal de ágio no BBI via incorporação da ABAETÊ. Sob esta ótica, compreende evidenciada a ausência de um propósito negocial condizente com o objeto da ABAETÊ, instituída na qualidade de holding destinada à administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como sócia ou acionista. Sustenta que a falta de propósito negocial da ABAETÊ, fica reforçada com o fato de que em 23 de dezembro de 2008, o BRADESCO readquiriu mais 89.973.611 ações Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.096 11 de emissão do BBI dos exmandatários da ÁGORA, pelo valor total de R$ 114.029.038,05, não se apurando qualquer ágio nesta operação. A aquisição das ações por meio da ABAETÊ permitiu o reconhecimento do ágio nos livros contábeis da empresa, todavia, não permitira por si só a dedutibilidade para fins tributários. Segundo a fiscalização, a solução adotada conglomerado estabeleceu que a BBI incorporaria a ABAETÊ para viabilizar a dedutibilidade da despesa de ágio. Concluiuse que o Grupo Bradesco pretendeu, desde o inicio, a obtenção do incentivo fiscal disciplinado nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, e, para obter este intento, efetuou indevidamente a amortização do ágio apoiado nas aludida reorganização societária. Esclarece que o incentivo fiscal permite que uma empresa "A" (incorporadora) ao incorporar a empresa "B" (incorporada) da qual detenha a propriedade de participação societária adquirida com ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, amortize o sobrepreço nos balanços levantados após a incorporação, à razão de 1/60 avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Admitiuse ainda a incorporação da empresa "A" pela empresa "B". No caso concreto a empresa "B" (incorporadora) é o BBI e a empresa "A" (incorporada) é a ABAETÊ. O ágio, a principio, não é amortizável na determinação do lucro real, ressalvado na hipótese de alienação ou liquidação do investimento (art. 426 do RIR/99). Nestas circunstâncias, o ágio deve ser computado na determinação do valor contábil para apuração do respectivo ganho ou perda de capital. Afirma ser fácil perceber que a ABAETÊ exerceu papel de empresa veículo neste processo, atuando como uma sociedade que serviu tão somente para transito provisório da titularidade das participações societárias com posterior transferência do ágio ao BBI, possibilitando ao alcance dos propósitos do conglomerado. Permanecendo registrado na ABAETÊ não obteria a eficácia da norma jurídica regulamentadora do incentivo fiscal. Para superar a barreira normativa, fezse necessário que este ágio se transferisse para uma companhia geradora de lucros bastantes à amortização do ágio: a BBI. Em suma, asseverou que a estrutura negocial montada inaugurouse com a aquisição da ÁGORA mediante pagamento feito a emissão de ações do BBI, ao invés do pagamento com as disponibilidades financeiras do conglomerado em setembro de 2008. O pagamento foi materializado em dinheiro após decorridos somente 48 dias, com a recompra das ações pelo grupo econômico, através de sua empresa ABAETÊ, assumindose um ágio no valor de R$ 261.028.958,46. O restante do pagamento em dinheiro ocorreu em dezembro de 2008, numa aquisição onde não houve o pagamento de preço superior ao valor contábil, inexistindo ágio na transação. É cediço que o Grupo Bradesco teria contra si a vedação do reconhecimento fiscal do ágio oriundo da aquisição das ações do BBI, entretanto, formatouse uma seqüência de transações empresariais para cumprimento formal da norma de contorno, qual seja a utilização da ABAETÊ como instrumento de efetivação das premissas de regulação. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.097 12 Na visão da fiscalização, não há razão para aceitar a construção arquitetada pelo BBI, visto que pautada em operações estruturadas em seqüência, utilizandose de uma empresa sem atividades operacionais, constituída com o único objetivo de permitir a amortização do ágio. Assinala que as step transations (operações realizadas em sequência) mediante a utilização da empresa sem efetivo propósito negocial da ABAETÊ, teve como propósito singular a amortização do ágio pela BBI, proveniente da aquisição de suas próprias ações; logo, segundo a autoridade lançadora, entendese que este segundo ágio (R$ 261.028.958,46) não preenche os requisitos normativos que autorizariam a dedutibilidade fiscal da despesa, porquanto fruto de manobra societária, diferentemente do primeiro ágio, originado da aquisição e incorporação da ÁGORA. A autoridade tributária encerra suas argüições respaldandose com precedentes das Delegacias de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem assim com a discriminação da composição das autuações e da respectiva fundamentação normativa. Ato contínuo, promoveu a lavratura do Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal em 08/06/2015, por meio do qual detalha os valores consolidados das respectivas autuações fiscais (fls. 442/441): Realizada a ciência pessoal da autuação e de seus termos, por intermédio de seus representantes legais, em 09/06/2015, os advogados regularmente constituídos apresentaram impugnação em nome da pessoa jurídica em 10/07/2015 (fls. 453/532), através da qual submete suas alegações de fato e de direito em contraposição às autuações. Primeiramente, desenvolve um breve relato do histórico dos fatos apontados pela autoridade autuante e que findaram da lavratura da autuação fiscal objeto da defesa. Inaugura a pormenorização de suas argumentações propugnando a legitimidade da operação de aquisição de participação societária sob a ótica econômica e em relação ao seu propósito negocial defronte a efetivação entre terceiros independentes e quitação da relação contratual mediante pagamento em espécie. Nesse sentido, adverte que um exame razoável sob esta perspectiva não se resume à simples verificação isolada dos atos societários firmados entre as partes, desprezandose a correlação entre as operações e o contexto de crise pela qual passava o mercado financeiro e de capitais no ano de 2008. Reclama que a escorreita avaliação não se perfaz por uma investigação isolada dos eventos (análise de “fotografias”), mas sim baseado no conjunto de transações empresariais concretizadas (análise do “filme”) inseridas dentro de um contexto micro e macroeconômico. Neste sentido, traz uma digressão das circunstâncias que induziram a expansão dos negócios dentro do conglomerado, particularmente no segmento de Banco de Investimentos e Corretagem de Valores Mobiliários. Sob este enfoque, elenca de forma cronológica as causas da instauração de negociação da aquisição da ÁGORA e de sua corretora (ÁGORA CVTM) e as fases Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.098 13 que se sucederam até o fechamento da operação entre com o BRADESCO, incluindo se a intermediação de transações na ABAETÊ e no BBI. Assegura que a composição das despesas de ágio provêm do somatório das transações a saber: (i) a incorporação das ações da ÁGORA pelo preço R$ 907.873.718,82 com a entrega de 362.625.150 ações do BBI (impugnante). Na oportunidade, houve a apuração de um ágio no valor R$ 694.661.179,78 (17/09/2008); (ii) a aquisição, via ABAETÊ, mediante pagamento em espécie de R$ 495.746.971,69 e ações emitidas pelo BBI – 194.848.569 ações – ativo mobiliários que tiveram sua titularidade transferida aos exacionistas da ÁGORA. Apurouse um ágio no valor de R$ 261.028.958,46 em face do exercício de opção de compra em contrato celebrado com o BRADESCO. Descreve os atributos de cada transação e os instrumentos contratuais formulados para evidenciação da substância dos negócios e suas etapas correlacionadas. Paralelamente, contextualiza a operação dentro do cenário econômico que implicou na adequação das decisões corporativas até o desfecho da reorganização societária que estabeleceu o marco temporal para amortização fiscal das despesas de ágio apurado nas operações realizadas naquele interstício em face da incorporação da ABAETÊ pelo impugnante, consoante autorizado pelo art. 7º, inciso III, e 8º, alínea da Lei nº 9.532, de 1997. Acentua que o art. 8º, alínea b, da Lei n° 9.532/1997 outorga que a sociedade investidora amortize fiscalmente o ágio baseado em rentabilidade futura decorrente de sua aquisição. Segundo a defesa, não há que se falar em ágio em si mesmo. Transcorrido mais de um ano de gestão do investimento no âmbito da ABAETÊ, a administração do Grupo Bradesco deliberou pela condução de providências necessárias para a implementação da reorganização societária, eliminando a participação indireta no capital da BBI pelo BRADESCO, simplificandose a estrutura organizacional para racionalização custos e despesas oriundos da manutenção do ABAETÊ. Embora compreenda que o BRADESCO poderia optar pela realização da aquisição direta do investimento, fato é que esta decisão conduziria para obstáculos corporativos. Diante da estrutura societária da controladora do Grupo Econômico, a aquisição das ações da BBI dos exmandatários da ÁGORA dependeria de uma série da aprovação de deliberações aprovações internas de acionistas e de órgãos reguladores, circunstância que repercutiria no compromisso derivado do exercício de opção de venda, inviabilizando sua resolução na forma pactuada em contrato. Argumenta que a incorporação do BBI (impugnante) pelo BRADESCO e a não incorporação da Abaetê pelo BBI impulsionaria a adoção de medidas de grande complexidade para reorganização das companhias no plano corporativo e regulatório. Acentua que a execução de providencias sob a ótica da autoridade lançadora também geraria, num primeiro momento, altos custos que onerariam o conglomerado, implicando na feitura de medidas extremamente burocráticas que, até se completarem, poderiam acarretar na perda de oportunidade de negócios. Ressalta que a concorrência no mercado de capitais brasileiro, demanda a segregação da atividade de Banco de Investimento e especialização para obtenção de rentabilidade ótima dentro de um seguimento de grande competividade entre seus agentes. Assim sendo, compreende respondida, inclusive, a questão alusiva à passagem da negociação operações no âmbito da ABAETÊ e a inexistência de causa impeditiva ao aproveitamento fiscal do ágio apurado. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.099 14 Neste contexto, verificase, como já destacado, que o conjunto de operações realizadas ao longo da reorganização societária demonstram que houve uma operação de “compra e venda” com pagamento em dinheiro, na qual o objeto eram ações do impugnante. Na transação as partes eram, de um lado, o Grupo Bradesco e, do outro, Pessoas Físicas e Jurídicas totalmente independentes (detentoras de ações do Impugnante). O montante efetivamente pago na operação de compra e venda constituiuse no valor de mercado das ações adquiridas e concretizado entre partes independentes e fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da entidade adquirida, consoante atestado em Laudo de Avaliação em nome da companhia. Defende ainda que é evidente a ocorrência de propósito de negocial em todas as operações de aquisição de ações, razão pela qual entende descabida a acusação de que se realizaram uma sucessão de transações com a mera intenção de induzir uma redução da carga tributária da entidade. Concluída esta etapa, instaurouse uma exposição mais detalhada de suas ponderações introdutórias. Noutro ponto da peça impugnatória, reclama a preclusão do direito da autoridade tributária levar a efeito análises e questionamentos acerca dos fatos de determinaram o reconhecimento do ágio na aquisição dos investimentos permanentes, porquanto derivados fatos jurídicos ocorridos no anocalendário de 2008. Por via de conseqüência, sustenta a prejudicialidade das autuações levadas a efeito sobre tal fundamentação defronte o transcurso do prazo decadencial para constituição dos lançamentos de ofício. No mérito, demarca as razões pelas quais propugna a validade das operações societárias e das despesas de ágios da aquisição dos ativos mobiliários. Primeiramente, reclama veementemente da assertiva que atribuiu a ausência de propósito negocial nas operações realizadas pela ABAETÊ que, segundo a peça acusatória, fora constituída tão somente para viabilizar o reconhecimento de ágio na aquisição de ações de emissão do BBI e, ulteriormente, o aproveitamento fiscal da amortização do próprio emitente dos valores mobiliários. Propugna que todos os atos praticados no âmbito do conglomerado foram legítimos e tiverem suporte em evidente propósito negocial. Argumenta que a passagem da operação pela ABAETÊ derivouse da urgência na operacionalização de manifesto de exercício de opção de venda das ações da BBI pelos exmandatários da ÁGORA. Sustenta que o exercício desta faculdade era permitida nas cláusulas do “Contrato de Opção e Compra e Venda de Ações Livres” celebrado entre seus exacionistas da ÁGORA e o BRADESCO. Além disto, esclarece que o aporte de capital do BRADESCO na ABAETÊ revelouse a opção mais viável para cumprimento da cláusula compromissória fixada entre as partes envolvidas. Renova que a ABAETÊ instituiuse sob a forma de holding para aquisição e participação no capital social de outras sociedades. Além disto, a negociação com a sua intermediação não encontrava nenhum entrave no Contrato de Opção de Compra e Venda., consoante previsto na cláusula 10.2 da aludida avença. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.100 15 Neste ponto, acentua a própria autoridade lançadora apresenta ponderações contraditórias que se traduzem no reconhecimento da imprescindibilidade da forma adotada pelo conglomerado. Critica que as considerações finais da autoridade lançadora revelam certa ausência de conhecimento acerca dos atributos de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), fato que, acaso inserida no contexto, não induziria para as inferências colocadas no Termo de Verificação Fiscal. Salienta que a finalidade de uma holding é exercer um papel de “sociedade de controle”, inexistindo qualquer anormalidade na acanhada estrutura organizacional da companhia. Contextualiza que a operação não se promoveu com desembolso de recursos financeiros, porquanto o conglomerado optou pela manutenção da ÁGORA CTVM como unidade de negócios autônoma com a continuidade de seus exmandatários nos quadro societário da BBI para transferência de knowhow adquirido pela corretora de valores mobiliários. Segundo a defesa, o inesperado exercício de opção de venda das ações da BBI pelos antigos acionistas da ÁGORA desencadeou várias providências corporativas, entre as quais a intermediação do negócio com a participação da ABAETÊ. Noutra via, discorda da assertiva firmada pela autoridade lançadora que conferiu interpretação no sentido de que a operação de aquisição das ações da BBI (impugnante) datada de 23 dezembro de 2008 promoveuse por intermédio do BRADESCO devido à ausência de ágio. Sob este prisma, assevera que o Instrumento Particular de Compromisso de Incorporação de Ações (Doc. 10) o preço de aquisição da ÁGORA foi estabelecido em três parcelas. A “Parcela C” do preço estava referenciada no valor de mercado de 6.271.398 ações da Bovespa e das 9.605.466 ações da BM&F que a ÁGORA CTVM possuía em março de 2008. A aquisição das ações da ÁGORA promoveuse com a entrega de ações da BBI atrelado ao contrato de opções celebrado com o BRADESCO. Aliás, declara que o conglomerado não tinha a pretensão de adquirir as ações de titularidade da ÁGORA CTVM, no entanto, encontravamse com sua negociação vedada em face da vigência de período de bloqueio (lockup) que alcançava as ações da Bovespa e da BM&F. Decidiuse que os antigos acionistas da ÁGORA receberiam do impugnante os valores correspondentes ao valor de mercado das ações da Bovespa e da BM&F e, após o término do período de lockup, poderiam exercer uma opção de venda das ações, cujo preço de exercício a ser pago corresponderia ao valor de liquidação de venda das aludidas ações no valor de mercado, nos termos da cláusula do “Contrato de Opções de Compra e de Venda de Ações Lockup). Assevera que o BRADESCO estava ciente e preparado para o exercício da opção de venda deste lote de ações do impugnante, razão pela qual pode adquirilas diretamente, sem necessidade de passagem pela ABAETÊ. Encerrando este tópico da defesa, assevera que a intermediação da holding e seu caráter de empresa veículo não se qualifica como motivação que implique na invalidade da amortização fiscal do ágio, visto que teria atendido as premissas necessárias para legitimação da transação em sua integralidade. Respalda a tese mediante precedentes do CARF. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.101 16 Inaugurando novo tópico da defesa, protesta a legitimidade da concentração da aquisição dos investimentos com ágio na ABAETÊ, posteriormente ao transferido ao BBI para aproveitamento da dedutibilidade das bases imponíveis de IRPJ e da CSLL. Neste intuito, promovendo simultâneas interrelações com o caso analisado na fiscalização, discorre sobre a natureza jurídicocontábil da figura do ágio na aquisição de participações societárias. Pondera sobre as circunstâncias alusivas ao seu tratamento tributário e critérios de admissibilidade de dedução base de cálculo, bem assim a ausência de prática abusiva realizada dentro do conglomerado. Nesse sentido, apresenta exposição teórica sobre a questão do propósito negocial e aplicabilidade dentro do planejamento estratégico dos empreendimentos desenvolvidos pelo conglomerado. Na seqüência, propugna que a estrutura da operação realizada dentro conglomerado não buscou nenhuma economia tributária e que a mera atuação direta do BRADESCO na aquisição da unidade de negócios em nada alteraria o resultado da transação para atribuir um benefício tributário no tratamento do respectivo do ágio gerado na operação societária. Neste sentido, desenvolve uma projeção tendente à demonstrar de que a reorganização da estrutura de capital e de investimentos dentro do Grupo, partindose da aquisição feita pelo BRADESCO, ainda assim, não implicaria em mudanças do resultado fiscal apresentado. Segundo a defesa, em princípio, bastaria que, numa etapa seguinte à aquisição, o BRADESCO realizase uma conferência de bens atinentes ao ativo investimento via integralização de capital em uma subsidiária. Avigora que precedentes do CARF confirmam entendimento de que se autoriza a amortização fiscal do ágio na hipótese se destinação do investimento permanente na integralização de capital de subsidiária brasileira. Desta forma, conclui que alteração da configuração do negócio não alteraria o resultado fiscal atinente às operações: a admissibilidade de amortização do ágio pago. Compreende que se demonstrou desde o intróito da defesa que a estrutura de providências objetivou desonerar o conglomerados de elevados custos adstritos à operação, combinadose a otimização de resultados com a expansão de seus negócios para consecução de aumento participação no mercado financeiro e de capitais. Protesta que decisões corporativas desta natureza são essência da liberdade do exercício da atividade econômica e da autonomia da vontade das partes contratantes, incluindose o planejamento estratégico da companhia e a otimização da avaliação empresarial, passandose passa, necessariamente, pela racionalização dos padrões de custos e despesas inerentes ao empreendimento. Encerra este tópico, asseverando que a desconsideração dos efeitos da operação societária implicariam na incidência do parágrafo único do art. 116 do CTN, aplicação que se revela inviabilizada ante sua necessidade de instituição de lei ordinária para determinação de sua eficácia. Sob outro aspecto, diverge frontalmente da assertiva da autoridade lançadora, segundo a qual se acusou pela artificialidade das operações societárias que implicariam na inexistência de direito de exercício da amortização fiscal do ágio apurado na Abaetê. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.102 17 Neste sentido, repisa que houve duas operações com coisa, preço e consentimentos distintos: 1) Incorporação das ações da ÁGORA pela BBI (impugnante): 2) Aquisição de ações da BBI (impugnante pela Abaetê: Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.103 18 Pautado nestas assertivas, compreende que resta claro que houve duas operações de compra e venda distintas e que, por força de disposição normativa expressa, garantem ao impugnante o exercício do direito de amortização fiscal de ambos os ágios apurados com fundamento em rentabilidade futura (ÁGORA e ABAETÊ). Salienta que a distinção dos ágios se revela com base no teor dos laudos de avaliação econômicofinanceira associados às respectivas operações. Diante disto, certifica que descabido a afirmativa de que o sobrepreço tem origem em uma única aquisição de sociedade (ÁGORA), bem assim que o ágio originase de suposta engenharia societária inoponível ao Fisco. Além disto, protesta que o conglomerado não teve qualquer responsabilidade pelo fato das ações serem negociadas em um curto espaço de tempo após o evento de incorporação de ações, razão pela qual entende infundada a presunção de que houve um encadeamento das step transations sem nenhum propósito negocial. Nesse sentido, infere descabida a glosa dos valores amortizados. Sob outra ótica, reclama a inadmissibilidade de adição à base imponível da CSLL de valores concernentes à despesas com a amortização de ágio ante ausência de fundamentação normativa que respalde a providência. Respalda sua tese com precedentes do CARF. Encerra que propugnando a impertinência de incidência de juros de mora sobre a multa punitiva imputada sobre aos valores autuados. De todo o exposto, requer que seja dado provimento as razões pormenorizadas na peça impugnatória, seja em razão do reconhecimento da validade do registro do ágio tal como feito, bem como a impossibilidade cumprimento da exigência de ajuste do saldo de créditos da CSLL. Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos do processo à DRJ/SPO para julgamento da impugnação. A decisão restou ao final assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PRELIMINAR. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO NO EXAME DE SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS. O sujeito passivo da obrigação tributária está subordinado à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Inexiste preclusão administrativa na realização da análise dos dados associados aos efeitos tributários incidentes sobre o período fiscalizado em decorrência de fatos pretéritos, operandose a decadência no decurso de prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), desde que observada a existência de pagamento antecipado do tributo correspondente, bem como inocorrência de dolo, fraude ou simulação praticado pelo sujeito passivo (art. 173 do CTN). REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO ATRAVÉS DE EMPRESAVEÍCULO INTEGRANTE DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio derivada da aquisição de investimentos em participação societária demanda que a reorganização societária Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.104 19 esteja regularmente amparada em atos empresariais não adulterados por manobras dissimulatórias ou vícios sociais albergados por práticas abusivas de operações sequenciais e coordenadas entre entidades participantes do mesmo grupo societário. Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa promovida em decorrência da configuração de ágio de si mesmo derivado da incorporação entre partes relacionadas. DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE AQUISIÇÃO DE EMPRESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES. OPERAÇÃO COM PESSOAS LIGADAS. ÁGIO ARTIFICIAL. MOTIVAÇÃO IMPRÓPRIA PARA A GERAÇÃO DO SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante processo de incorporação de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetivo pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindose o montante do ágio; (iii) demonstração do fundamento econômico do ágio entre aqueles prescritos na legislação tributária de regência. As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico e instrumentalizada com a atuação de empresa veículo cuja indução das transações revelamse tendentes à criação de um ágio artificial destinado à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desprovida de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. A importância alusiva à multa de ofício representa um crédito tributário para com a União decorrente de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Configurase pertinente a incidência de juros de mora sobre seu montante a partir do vencimento qualificado na autuação fiscal levada a efeito em face do sujeito passivo, porquanto regularmente amparado pela legislação tributária de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeita com o resultado do julgamento, a Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário em que resumidamente, detalharei quando proferir meu voto, inicialmente apresenta os fatos, após alega preliminarmente a nulidade do acórdão da DRJ por inovação dos fundamentos do lançamento, pois ali teria sido utilizado como fundamento pra glosa do ágio sua artificialidade ou o fato de ser interno e a possibilidade de aplicação dos dispositivos da lei das SA relativas ao direito de retirada/de recesso. Além disso, a DRJ teria aplicado o art. 299 do Decreto 3000/99 como fundamento de indedutibilidade, teria ainda afirmado a ocorrência de evasão tributária e afirmado a irrelevância do laudo apresentado. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.105 20 A recorrente pugna, ainda em sede preliminar, a nulidade do Acórdão por existirem uma série de omissões, principalmente quanto as razões apresentadas para justificar a operação (propósito negocial). Por fim, requer seja reconhecida a decadência/preclusão do direito de questionar os fatos que deram origem ao ágio. No mérito, sustenta a validade da utilização da empresaveículo Abaetê. Neste ponto vale transcrever as razões da recorrente: Sustenta ainda que o suposto direito de recesso foi inovação trazida em sede de DRJ, e que ainda que se considerasse sua validade, este não pode ser exercido tão somente porque uma parte dos acionistas decidiu vender suas partes, o exercício seria dos acionistas e não da Recorrente, e, por fim, que o ágio possui requisitos próprios para sua amortização e não estaria sujeita ao disposto no art. 299, por se tratar de norma geral. Ad argumentandum, defende ainda a validade da empresaveículo na jurisprudência do CARF, citando, por exemplo, os casos Scipione e Camil alimentos, caso a Abaetê venha a ser qualificada como tal. Sustenta a legitimidade da aquisição do investimento com ágio pela Abaetê e posterior e seu posterior aproveitamento pela Recorrente. Discorre sobre a natureza jurídico/contábil o ágio na aquisição de participações societárias e seu tratamento tributário. Defende a existência de propósito negocial na operação sustentando a existência de motivo, finalidade e congruência do negócio jurídico. Aponta que não houve vantagem fiscal indevida, pois ainda que não tivesse utilizado a Abaetê, teria conseguido realizar a operação e a amortização do ágio diretamente. Cita precedentes que embasariam seu raciocínio, por exemplo, caso Vivo. Clama ainda a legalidade de todos os atos e negócios jurídicos que se verificaram em toda a operação, não havendo fundamento legal para desconsiderálos para fins fiscais, seja o art. 50 do Código Civil, seja o art. 116, § único do CTN. Reforça a existência de duas operações e dois ágios distintos. Aponta que afastar a operação para fins fiscais sob a perspectiva do ágio, implicaria em afastála também para fins de incidência do Imposto sobre a renda da pessoa física sobre ganho de capital na alienação das ações pelos sócios. Ad argumentandum, sustenta a inexistência de previsão legal para adição da despesa com amortização com ágio à base de cálculo da CSL. Sustenta ainda a impossibilidade da exigência da multa, caso o resultado do julgamento se dê por voto de qualidade, por força do que dispõe o art. 112 do CTN. Por fim, sustenta a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.106 21 É o relatório. Voto Vencido (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 15 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) 1. DA ADMISSIBILIDADE: Admitido o Recurso, posto que tempestivo e interposto por patrono devidamente constituído. 2. PRELIMINARMENTE: O presente processo estava pautado para julgamento quando a recorrente, nas vésperas do julgamento, anexou aos autos petição para aplicação do art. 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB à qual passo a enfrentar. 2.1 (IN)aplicação do art.24, da LINDB: Como já discutido anteriormente neste colegiado, entendo não aplicável ao processo administrativo fiscal (PAF) o art. 24 da LINDB. O art. 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no PAF, dados os seguintes pontos: O ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; Tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; O artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; O Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.107 22 processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; A Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Assim, resta demonstrada a inaptidão do art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, para regular a atividade do lançamento, bem como o Processo Administrativo Fiscal dele decorrente, REJEITANDOSE esta preliminar. 2.2 DA NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ: ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO Alega a Recorrente que a r. DRJ alterou o critério jurídico que deu azo ao lançamento, pois enquanto no TVF se embasava o lançamento na ausência de propósito negocial, utilização indevida de empresaveículo e porque a operação decorreria de ágio já amortizado, em DRJ a operação foi desconsiderada para fins fiscais pois: se trataria de ágio interno; haveria possibilidade da utilização de direito de recesso; houve ainda descumprimento dos requisitos do art. 299 do RIR; evasão tributária, mediante abuso de direito; e irrelevância do laudo apresentado, pois dissonante da “concreta motivação” do grupo Bradesco. Neste ponto, embora já tenha me posicionado pela possibilidade de nulidade quando há inovação do critério jurídico, por exemplo, quando acompanhei o voto vencido do Conselheiro Caio César Nader Quintella, Acórdão n. 1402002.693, na análise dos autos verifico que não há alteração do critério jurídico que ensejou o lançamento. Os “novos” fundamentos apontados pela Recorrente na verdade apenas são decorrência e explicitam os que já motivavam o auto, principalmente a ausência de propósito negocial. A referência ao ágio interno e aos critérios de normalidade, necessidade e usualidade, na verdade apenas reforçam a suposta inexistência de propósito negocial, na visão da DRJ. Nesta toada, ao analisar os fundamentos da decisão, verifico que não há inovação, em que pese o entendimento contrário da Recorrente. De outro lado, a Recorrente afirma que a DRJ deixou de apreciar alegações e provas juntadas aos autos, principalmente em relação a existência de propósito negocial e aos pagamentos realizados aos exacionistas. Lendo o acórdão proferido pela DRJ, entretanto, não é possível afirmar que houve omissão. A meu ver não há omissão na análise das provas ou fundamentos aduzidos, mas tão somente a desqualificação expressa da operação para fins fiscais: Outrossim, cumpre instar que foi exatamente nesta etapa que surgiu a motivação exclusivamente tributária para a integração da empresaveículo (ABAETÊ) neste processo de aquisição da ÁGORA, ou seja, proporcionar a abreviação da amortização do ágio para redução das pressões fiscais vinculadas à operação societária, adulterandose os resultados econômicos dentro do conglomerado. A ABAETÊ serviu de instrumento ao alcance de um propósito não negocial do grupo econômico, porquanto a finalidade de sua efêmera existência não se prestou aos fins da atividade empresarial inserta em seus atos societários, mas, tão somente, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.108 23 propiciar a execução de um planejamento tributário abusivo com repercussão na apuração da tributação do IRPJ e da CSLL. O reconhecimento da operação com esta formatação evidencia a ocorrência de uma motivação convergente à obtenção de uma vantagem fiscal imprópria advinda de prática empresarial lesiva ao erário público, ratificando a carência de propósito negocial nãotributário no engendramento dos métodos aplicados no curso da reorganização societária. Salientese que a prática dos atos revestidos de mera observância de sua estrutura formal não convalidam sua eficácia do ponto de vista tributário, visto que a operação aponta para a feitura de artifícios tendentes ao alcance do benefício fiscal disciplinado pelos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97, caracterizando a prática de abuso de direito no âmbito corporativo resultante de evasão tributária A mera qualificação divergente dos fatos, a meu ver não enseja a nulidade do Acórdão proferido por ausência de motivação. Por tal razão, não me convenço da nulidade suscitada. 3. DO MÉRITO 3.1. DA DECADÊNCIA/PRECLUSÃO DA ANÁLISE DOS FATOS Inicialmente, cumprenos esclarecer que entendemos que a apreciação da decadência se confunde em muito com apreciação do mérito, razão pela qual a incluímos neste tópico. Segundo a Recorrente no caso concreto houve a preclusão/decadência do direito de analisar os fatos que ensejaram a tributação, uma vez que os fatos que ensejaram a tributação ocorreram em 2008 e o lançamento somente foi feito em 2015. Ocorre que, em que pese a coerência do raciocínio externado pela Recorrente, neste ponto entendemos não lhe assistir razão. É verdade que o instituto da decadência serve ao propósito maior de pacificação social e de estabilização das relações sociais, mas para que isto ocorra, entendo que seja necessário existir um conflito latente e não mera expectativa de conflito. Imaginemos que uma Empresa A realize uma reestruturação societária apenas para gerar o malfadado ágio interno, mas que ao fim ao verificar a jurisprudência do CARF sobre a matéria, decida não o amortizar. Pergunto, há decorrência de prazo para questionamento do ágio? Há sequer interesse em questionálo? Entendo que não. Por essa razão, de meu ponto de vista, a operação que fundamenta o ágio não pode ser a mola propulsora para o prazo decadencial, mas o instante em que este começa a ser utilizado. Este tem sido o posicionamento que tenho adotado em casos semelhantes, como tive oportunidade de votar nos autos do Processo Administrativo n. 10600.720035/201467, acórdão n. 1402002.492, cuja ementa abaixo colaciona: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. DECADÊNCIA.INEXISTÊNCIA. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.109 24 A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento surge apenas com a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, com o início da amortização do ágio. Antes das amortizações não poderia a fiscalização questionar a formação do ágio ou a sua transferência para a contribuinte, pois tais fatos não tinham, até então, reflexos fiscais, pois não representavam fatos geradores de obrigações tributárias. Alegação de decadência rejeitada. Pelo exposto, aqui afasto a alegação de decadência de questionar os fundamentos do ágio. 3.2. DA NECESSIDADE E DA VALIDADE DA EMPRESA ABAETÊ A fiscalização entendeu que a Abaetê foi interposta na operação sem propósito negocial, cuja posterior incorporação gerou um ágio indevido. Transcrevo Ágora a descrição que a Recorrente fez da operação: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.110 25 Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.111 26 Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.112 27 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.113 28 Como se depreende da narrativa dos fatos, a primeira fase da operação consistiu na aquisição da ÁGORA pelo Bradesco BBI pagando em ações da Recorrente, gerando um primeiro ágio que foi amortizado sem questionamentos. Na segunda etapa, BRADESCO, BRADESPLAN e UNIÃO Participações incorporaram a Abaete para adquirir parcela das ações dadas em pagamentos aos exacionistas da AGORÁ. O que foi questionado pela fiscalização e teve sua amortização glosada sob o fundamento de que não haveria propósito negocial, tratarse de empresa veículo e supostamente tratarse de ágio já amortizado. Como sabemos as operações de incorporação que geram ágio utilizandose de empresa veículo têm sido altamente condenadas neste e. CARF. Mas a utilização de uma empresa veículo não é algo que per se torna o ágio indedutível, devendo ser comprovada a simulação ou fraude no caso concreto para que a operação seja questionada, como decidimos no acórdão n. 1402002.373: ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.114 29 Vale ainda a transcrição de excerto do voto do Relator que bem pontua a celeuma: Pertinente dizer que é necessária uma desmistificação no uso da figura dos grupos investidores estrangeiros e da adoção de estratégias empresariais com estruturas societárias, consideradas engenharia complexa, como fundamentos próprios para o lançamento tributário. Em não havendo a demonstração precisa de como determinado ato influenciou na invalidade da formação do ágio ou a prova de sua ilicitude, tais fatos devem ser considerados como a regular prerrogativa organizacional do grupo. A acusação de ausência de propósito negocial é tema da maior importância e sensibilidade para o Direito Tributário brasileiro, posto que praticamente ausente sua regulamentação legislativa, demandando que tal conclusão interpretativa, quando alcançada, seja arrimada em demonstrações robustas, concretas e meticulosamente fundamentadas. O raciocínio ali realizado é aplicável a questão que ora se analisa. Vejamos inicialmente os fundamentos da DRJ para realizar a glosa do ágio amortizado, são os seguintes: A reintegração das ações ao patrimônio da instituição financeira com a incorporação da empresaveículo (ABAETÊ), concretizouse através de manobras tendentes à geração de um sobrepreço privado de lastro fático que se destinou à supressão irregular das competentes incidências tributários alusivas ao período fiscalizado. Por sinal, ao contrário das alegações reportadas na peça impugnatória, o Auditor Fiscal responsável pelo procedimento de fiscalização foi incisivo em suas inferências quanto à inexistência de propósito negocial adstrito à recompra das ações da BBI. Sob este aspecto, primeiramente, caracterizouse a desnecessidade de fracionamento da liquidação da operação de aquisição das ações da ÁGORA. O BRADESCO dispunha de capacidade econômica e de pagamento para extinção da relação obrigacional, fosse diretamente ou por via indireta (ABAETÊ). Além disto, admitido o fracionamento do pagamento da aquisição da ÁGORA mediante entrega de participação societária da BBI, patente a inexistência de qualquer motivação razoável para a passagem desta negociação pela ABAETÊ. A recompra das ações da BBI com a atribuição de um ágio na transação evidenciou que se trata de uma despesa não necessária, anormal e de mera liberalidade do Grupo Bradesco. A confirmação disto se explica diante do fato de que a transferência de propriedade das ações na BBI mediante admissão dos exacionistas da ÁGORA no quadro de acionistas do impugnante poderia ser efetivada de forma natural e sem qualquer intermediação intragrupo. Manifestada a intenção de venda das ações da BBI, caberia aos exacionistas o exercício do direito de recesso (art. 109 da Lei das S/A) e oportuna deliberação da data de reembolso de equivalente importância dos ativos mobiliários (art. 45 da Lei das S/A) aos seus beneficiários (...) Outrossim, cumpre instar que foi exatamente nesta etapa que surgiu a motivação exclusivamente tributária para a integração da empresaveículo (ABAETÊ) neste Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.115 30 processo de aquisição da ÁGORA, ou seja, proporcionar a abreviação da amortização do ágio para redução das pressões fiscais vinculadas à operação societária, adulterandose os resultados econômicos dentro do conglomerado. A ABAETÊ serviu de instrumento ao alcance de um propósito não negocial do grupo econômico, porquanto a finalidade de sua efêmera existência não se prestou aos fins da atividade empresarial inserta em seus atos societários, mas, tão somente, propiciar a execução de um planejamento tributário abusivo com repercussão na apuração da tributação do IRPJ e da CSLL. O reconhecimento da operação com esta formatação evidencia a ocorrência de uma motivação convergente à obtenção de uma vantagem fiscal imprópria advinda de prática empresarial lesiva ao erário público, ratificando a carência de propósito negocial nãotributário no engendramento dos métodos aplicados no curso da reorganização societária. Salientese que a prática dos atos revestidos de mera observância de sua estrutura formal não convalidam sua eficácia do ponto de vista tributário, visto que a operação aponta para a feitura de artifícios tendentes ao alcance do benefício fiscal disciplinado pelos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97, caracterizando a prática de abuso de direito no âmbito corporativo resultante de evasão tributária. Ou seja, para a fiscalização e DRJ, a incorporação poderia ser feita de outra forma, que não teria gerado o ágio, diretamente pelo Bradesco BBI através do exercício do direito de recesso. Entretanto, como bem apontado pela Recorrente: Isto posto, devo dizer que a meu ver a incorporação da Abaetê tem um claro propósito: concentrar os encargos regulatórios necessários para que a aquisição das ações fosse realizada. O que lhe garante um propósito negocial! O propósito negocial não é somente a realização de uma atividade econômica substancial, mas também pode ser caracterizado a partir de uma facilidade administrativa cuja necessidade se verifica à luz do caso concreto. A operação descrita demonstra que a Abaeté foi incorporada com esse propósito. A própria Recorrente reconhece que a operação poderia ter sido realizada de outras formas, que também gerariam a vantagem, mas foi escolhida a presente para evitar questões de ordem regulatória e societária. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.116 31 Importante registrar que a meu ver estão claras as duas operações descritas pela Recorrente às fls. 76 e seguintes de seu RV, transcrevo: Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.117 32 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.118 33 Haja vista a descrição das operações, entendo que se tratam de operações distintas com causas distintas. Há contrato, há dispêndio, há propósito negocial, além disso, fiscalização não apresentou razões suficientes para descaracterizar a segunda etapa. Entendo ainda estarem caracterizados os requisitos legais para dedutibilidade previstos seja nos arts. 385 e 386 do RIR/99, como também os requisitos que foram sendo apontados paulatinamente pela jurisprudência do CARF para validação da amortização do ágio – partes independentes, existência de laudo anterior a operação, ônus econômico etc. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.119 34 Por todos estes motivos, voto pela reforma da decisão proferida pela r. DRJ, e pelo aproveitamento do ágio glosado. 3.3. DA DESPESA COM AMORTIZAÇÃO COM ÁGIO E A BASE DE CÁLCULO DA CSL Sobre o tema, já tive oportunidade de me manifestar quando julgamos o Processo Administrativo n. 10882.721447/201586, acórdão n. 1402002.888, em que acompanhei voto do Conselheiro Demetrius Nichele Macei: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 CSLL. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LIMITES DE EQUIVALÊNCIA ENTRE AS BASES DE CÁLCULO Como não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação em mais de uma oportunidade determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL, deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. Transcrevo excerto do voto em que se explica o raciocínio desenvolvido: Vejamos, inicialmente, o quanto disposto no caput do art. 57, da Lei 8.981/95, parte final, quanto à definição da base de cálculo da referida contribuição. Vejase: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifei) A CSLL, instituída com a edição da Lei 7.689/88, tem como base de cálculo, nos termos do art. 2º da referida lei, “o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda”, acrescentandose, através da letra ‘c’, do § 1º, do mesmo art. 2º, que o resultado do períodobase será apurado com a observância da legislação comercial, ajustado por adições e exclusões. A Lei nº 8.981/95 trouxe inovações na apuração da base de cálculo do IRPJ e, no já transcrito art. 57, estende, textualmente, a aplicação, para a CSLL, das mesmas normas de apuração do IRPJ, mantida a base de cálculo prevista na legislação em vigor, que é o resultado do períodobase apurado com a observância da legislação comercial ajustado ou, a teor do contido no § 3º, do citado art. 57, “o lucro líquido ajustado”. A Lei nº 9.430/96, por sua vez, especificamente em seu art. 28, na redação original, garante que “aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 desta Lei.” Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.120 35 Especificamente o art. 2º da Lei nº 9.430/96 reforça a observância das alterações introduzidas pela Lei nº 8.981/95 na apuração da base de cálculo do IRPJ, extensível para a CSLL. Desta forma, a legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelos expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Ou seja, se não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação, como acima demonstrado, determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. Por tais motivos, caso se entenda pela indedutibilidade do ágio no caso concreto, aplicável ao caso o art. 57 da Lei 8981/95 com consequente adição do ágio a base de cálculo da CSL, do que decorreria a negativa de provimento ao recurso voluntário neste ponto. 3.4. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Entendo que seja inaplicável a multa, pois a meu ver válida a operação. Mas caso esse não seja o entendimento da turma, parece razoável o entendimento sugerido pela Recorrente em relação à aplicação do art. 112 do CTN, caso a matéria seja resolvida pelo voto de qualidade. Entendimento que seria aplicável ao caso, com o consequente provimento ao recurso voluntário para exoneração da multa aplicada. 3.5. DO JUROS SOBRE A MULTA Sobre a incidência do juros sobre a multa de ofício, tratase matéria já consolidada neste CARF, no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.121 36 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, caso subsista a multa aplicada, também cabível seria a exigência de juros de mora sobre ela, do que decorreria a negativa de provimento ao recurso voluntário neste ponto. Diante de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares, mas dar provimento ao presente recurso voluntário para considerar válido o ágio. Caso vencido, deve ser mantida, também, a exigência da CSLL, mas com a exclusão integral da penalidade aplicada. Contudo, caso esta prevaleça, deve subsistir a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Evandro Correa Dias, Redator Designado. Abordase neste voto os pontos a respeito dos quais houve divergência do colegiado dos entendimentos tão bem expostos pelo i. Conselheiro Relator, com a devida vênia. Conforme relatado pela Autoridade Fiscal, O Bradesco BBI amortizou e deduziu fiscalmente ágio, no valor de R$52.205.791,69, no ano calendário de 2010 decorrente da incorporação da Abaeté Holdings Ltda. empresa que pertencia ao Banco Bradesco S/A, por meio das seguintes operações: 1) Histórico Resumido da Abaeté Holdings Ltda · Em 26 de agosto de 2008 foi constituída a Abaeté Holdings Ltda, com o capital social de R$1.000,00 (mil reais), dividido em 1.000 (mil cotas), no valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma, integralizado pelos sócios Bradesplan Participações Ltda (CNPJ 61.782.769/000101) e União Participações Ltda (CNPJ 05.892.410/000108) conforme quadro abaixo: Sócio Quantidade de Cotas Valor Total em Reais Bradesplan Participações Ltda 999 999,00 União Participações Ltda 1 1,00 Total 1.000 1.000,00 Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.122 37 O objeto da sociedade, conforme cláusula segunda do Instrumento Particular de Constituição da Sociedade era: a) Administração, locação, compra e venda de bens próprios; b) Participação em outras sociedades como cotista ou acionista · Em 4 de novembro de 2008, após setenta (70) dias de sua constituição, houve a primeira alteração do contrato social da Abaeté Holdings , onde seus sóciocotistas deliberaram: a) A retirada da sociedade da Sócio Cotista Bradesplan Participações Ltda, mediante cessão e transferência de suas 999 cotas de sua titularidade para o Banco Bradesco S/A (CNPJ 60.746.948/000112); b) Aumentar o capital social no valor de R$495.800.000,00, elevandoo para R$495.801.000,00, mediante a emissão de 495.800.000 cotas de valor nominal de R$1,00, subscritas pelo sócio cotista admitido, Banco Bradesco. O aumento de capital, em 04/11/2008, foi em dinheiro, com transferência entre contascorrentes, conforme extrato de conta corrente da Abaeté. Dessa forma, o capital social da Abaeté passou a ter a seguinte distribuição: Sócio Quantidade de Cotas Valor Total em Reais Banco Bradesco S/A 495.800.999 495.800.999,00 União Participações Ltda 1 1,00 Total 495.801.000 495.801.000,00 O Banco Bradesco S/A (CNPJ 60.746.948/000112) passou a ser proprietário de 99,99% do capital da Abaeté Holdings. · No mesmo dia 4 de novembro de 2008, a Abaeté Holdings Ltda adquiriu de 36 acionistas do Banco Bradesco BBI (CNPJ 06.271.464/000119), 194.843.569 ações de emissão da sociedade, pagando o valor total de R$495.746.971,56, cerca de R$ 2,544 por ação. O valor patrimonial de cada ação era R$ 1,2046. A Abaeté contabilizou a aquisição das ações da seguinte forma: D Investimentos R$ 234.718.013,13 D Ágio R$261.028.958,46 C Conta Corrente R$ 495.746.971,69 · Em 11 de dezembro de 2009 houve a segunda alteração do contrato social da Abaeté Holdings Ltda, onde seus sócios cotistas deliberaram: Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.123 38 a) Registrar a cessão e transferência de 1 (uma) cota de propriedade do SócioCotista União Participações Ltda para o SócioCotista Banco Bradesco S/A; b) Aprovar a incorporação da Sociedade, pelo Banco Bradesco BBI S/A. O ágio contabilizado na Abaeté Holdings foi absorvido através de sua incorporação pelo Banco Bradesco BBI. 2) Origem das Ações Adquiridas pela Abaeté Holdings As ações adquiridas pela Abaeté Holdings pertenciam a 36 acionistas do Banco Bradesco BBI, que as receberam em setembro de 2008, como pagamento da venda da totalidade das ações que eram de sua propriedade na Ágora Holdings S/A, controladora integral da Ágora CTVM. O controlador do Banco Bradesco BBI na ocasião da aquisição da Ágora Holdings, era o Banco Bradesco S/A (CNPJ 60.746.948/000112), com 100% do capital total e capital votante, conforme representação abaixo: A Ágora Holdings, controladora integral da Ágora CTVM foi adquirida pelo Banco Bradesco BBI. O pagamento da aquisição foi através da emissão de ações do próprio Bradesco BBI. · Em 17 de setembro de 2008, 22 dias após a constituição da Abaeté Holdings Ltda, foram realizadas duas Assembléias Gerais Extraordinárias: A primeira às 10:00 h. na sede da Ágora Holdings S/A cujas principais deliberações foram: (i) Aprovar o "Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações dos Acionistas da Ágora Holdings S/A firmado com o Banco Bradesco BBI S/A"; (ii) Aprovar a incorporação das ações de emissão da companhia, representativas de 100% de seu capital social, ao patrimônio do Bradesco BBI; Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.124 39 A segunda às 15:00 h. na sede do Banco Bradesco BBI S/A que deliberou pela incorporação da totalidade das ações representativas do capital social da Ágora Holdings S/A ao patrimônio do Bradesco BBI. A incorporação foi efetivada mediante emissão de ações do Bradesco BBI que foram entregues aos acionistas da Ágora Holdings. De acordo com Balanço Patrimonial específico da Ágora, levantado em 31/08/2008, foi apurado o Patrimônio Líquido de R$213.212.539,04. De acordo com informações econômico/financeiras da Ágora foi elaborado Laudo de Avaliação pela BDO Trevisan, segundo metodologia do fluxo de caixa descontado, fundamentado em rentabilidade futura, e que incluiu, avaliação a valor de mercado das ações da BM&F Bovespa S/A, pertencentes a Ágora, sendo atribuído o valor de R$907.873.718,82. O capital social da Ágora era representado por 375.389.554 ações. O valor de cada ação, com base no valor econômico/mercado era de R$2,418484236. De acordo com Balanço Patrimonial específico do Bradesco BBI, levantado em 31/08/2008, foi apurado o Patrimônio Líquido de R$4.647.949.308,30. De acordo com informações econômico/financeiras do Bradesco BBI foi elaborado, pela BDO Trevisan, Laudo de Avaliação do banco, segundo metodologia do fluxo de caixa descontado, fundamentado em rentabilidade futura, sendo atribuído o valor de R$10.754.000.000,00. O capital social Bradesco BBI era representado por 4.295.389.080 ações. O valor de cada ação, com base no valor econômico/mercado era de R$2,503614876. Tendo em vista o valor de R$2,418484236 por ação da Ágora e o valor de R$2,503614876 por ação do Bradesco BBI a relação de troca foi na proporção de 0,965996911 fração de ação do Bradesco BBI para cada ação de emissão da Ágora. Foram atribuídas aos acionistas da Ágora, em substituição das ações de que eram proprietários, 362.625.150 ações de emissão do Bradesco BBI. Ágio apurado na aquisição da Ágora R$ 907.873.718,82 valor da Ágora Holdings conforme Laudo de Avaliação R$213.212.539,04 valor do Patrimônio Líquido a apurado em 31/08/2008 =R$ 694.661.179,78 Ágio apurado na aquisição. Conforme Laudo de Avaliação, citado acima, o valor de mercado referente às ações da BM&F Bovespa está incluído no valor da Ágora. Ágio que está sendo amortizado no Bradesco BBI devido a aquisição e incorporação da Ágora R$ 694.661.179,78 ágio apurado na aquisição da Ágora R$ 203.113.220,06 valor de mercado das ações da BM&F Bovespa = R$ 491.547.959,72 Ágio que está sendo amortizado O Banco Bradesco BBI pagou a aquisição da Ágora Holdings com a emissão de 362.625.150 ações, que foram entregues aos antigos proprietários da Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.125 40 Ágora. Não houve pagamento em dinheiro naquele momento. Os ex proprietários da Ágora venderam parte das ações posteriormente, conforme exposto nos itens 3 e 4 adiante. A Estrutura Societária do Bradesco BBI ficou, após a aquisição e incorporação da Ágora, conforme representação abaixo: Os exproprietários da Ágora Holdings, que passaram a ser acionistas do Bradesco BBI, não mantiveram a propriedade da totalidade das ações recebidas. Elas foram vendidas em duas ocasiões no mesmo ano de 2008, conforme detalhado nos itens 3 e 4 a seguir 3) Aquisição das Ações pela Abaeté Holdings (Primeira Venda de Ações) Em 4 de novembro de 2008, apenas quarenta e oito (48) dias após a venda da Ágora Holdings para o Banco Bradesco BBI (controlado pelo Banco Bradesco S/A), e somente setenta (70) dias após sua constituição, a Abaeté Holdings Ltda (controlada pelo Banco Bradesco S/A) adquiriu de 36 acionistas do Banco Bradesco BBI (CNPJ 06.271.464/000119), antigos proprietários da Ágora, 194.843.569 ações de emissão da sociedade, pagando o valor total de R$495.746.971,56, cerca de R$ 2,544 por ação. Foram adquiridas 53,73% das ações que foram entregues como pagamento da aquisição da Ágora Holdings. Nessa aquisição foi apurado ágio de R$261.028.958,46, conforme quadro na página seguinte, apresentado pelo próprio Contribuinte: Data Valor / Quantidade Valor por Ação Patrimônio Líquido BBI 31/10/2008 5.611.269.847,50 Quantidade de ações BBI 31/10/2008 4.658.014230 1,2046 Quantidade de ações adquiridas pela Abaeté 04/11/2008 194.843.569 Valor pago pela Abaeté 04/11/2008 495.746.971,69 2,5443 Valor Patrimonial das ações adquiridas 04/11/2008 234.718.013.13 Ágio apurado na aquisição das ações pela Abaeté 04/11/2008 261.028.958,46 1,3397 O preço unitário de aquisição das ações, no valor de R$2,5443, foi baseado no Laudo de Avaliação do Banco Bradesco BBI elaborado em 17/08/2008 pela BDO Trevisan, segundo metodologia do fluxo de caixa descontado. Esse laudo foi utilizado por ocasião da aquisição da Ágora Holdings e foi usado novamente na operação da aquisição das ações do Bradesco BBI pela Abaeté Holdings. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.126 41 Após essa operação a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: 4) Aquisição das Ações pelo Banco Bradesco S/A (Segunda Venda de Ações) Em 23 de dezembro de 2008, o Banco Bradesco S/A, adquiriu dos antigos acionistas da Ágora 89.973.611 ações de emissão do Bradesco BBI, que correspondiam a 24,81% das ações emitidas por ocasião da aquisição da Ágora pelo BBI, pelo valor total de R$114.029.038,05. Cada acionista vendeu exatamente a mesma proporção de ações de sua propriedade. O valor de aquisição unitário foi R$1,2674. Nesse caso, não houve ágio apurado pelas aquisições das ações pelo Banco Bradesco, pois o valor unitário de aquisição foi bastante próximo do valor patrimonial da ação em 31/10/2008, que era R$1,2046. Devese destacar o fato de que a segunda aquisição de ações do Banco Bradesco BBI, sem ágio, foi feita diretamente pelo Banco Bradesco S/A e não por meio da Abaeté Holdings como na primeira aquisição. Após essa operação a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: 5) Incorporação da Abaeté Holdings pelo Banco Bradesco BBI S/A Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.127 42 Em 11 de dezembro de 2009 houve a segunda alteração do contrato social da Abaeté Holdings Ltda, onde seus sócios cotistas deliberaram: a) Registrar a cessão e transferência de 1 (uma) cota de propriedade da SócioCotista União Participações Ltda para o SócioCotista Banco Bradesco S/A; b) Aprovar a incorporação da Sociedade pelo Banco Bradesco BBI S/A. Após a incorporação da Abaeté a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: De acordo com o Balancete da Abaeté, elaborado em dezembro de 2009, seus ativos eram: i) Disponibilidades no valor de R$19.975,46; ii) Dividendos a receber do Banco Bradesco BBI no valor de R$147.571,44; iii) Investimentos, no valor de R$250.661.007,42, referentes a ações do Banco Bradesco BBI; iv) Ágio de R$261.028.958,46, apurado na aquisição das ações de emissão do Bradesco BBI em 4 de novembro de 2008 (conforme item 3). Havia também uma provisão de amortização do ágio, retificadora desse valor; v) Crédito Tributários, no valor de R$88.749.845,88, decorrente do ágio. Os principais ativos, conforme exposto acima, e com valores significativos eram investimentos e ágio. No processo de incorporação os patrimônios líquidos do Bradesco BBI e da Abaeté foram apurados, R$5.959.508.856,39 e R$338.240.991,05, respectivamente. Tendo em vista o valor patrimonial por ação de cada entidade foi estabelecida e relação de troca ações BBI para cada cota da Abaeté, resultando numa relação de troca de R$0,533223377 fração de ação do Bradesco BBI para cada cota na Abaeté, resultando na emissão de 69.507.847 ações ordinárias nominativas sem valor nominal pelo Bradesco BBI. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.128 43 Dessa forma, houve um aumento no capital social do Bradesco BBI no montante de R$88.929.018,20 com a emissão de 69.507.847 ações ordinárias nominativas sem valor nominal pelo Bradesco BBI. Os principais ativos da Abaeté, tiveram o seguinte destino após a incorporação da sociedade pelo Bradesco BBI: a) As 194.843.569 ações de emissão do Bradesco BBI, de propriedade da Abaeté Holdings, adquiridas em 4 de novembro de 2008 (conforme exposto no item 3) foram atribuídas ao Banco Bradesco S/A, acionista controlador do Bradesco BBI e da Abaeté; b) O ágio, no valor de R$261.028.958,46 ficou registrado na contabilidade do Banco Bradesco BBI, com a correspondente provisão de amortização. O principal efeito da incorporação da Abaeté no Bradesco BBI foi o reconhecimento, na contabilidade do BBI do ágio e, conseqüentemente, crédito tributário, oriundo da aquisição das ações do Bradesco BBI, por parte da Abaeté em 4 de novembro de 2008 (conforme exposto no item 3). O entendimento da Fiscalização a respeito das operações societárias foi de ausência de propósito negocial na criação e funcionamento da Abaeté, que teve como único objetivo permitir a amortização de ágio pelo Banco Bradesco BBI S/A, conforme excertos do Termo de Verificação: Intimado a apresentar todas as atividades desempenhadas pela Abaeté Holdings, considerando o seu objeto social, e respectivos resultados operacionais em 2008 e 2009, respondeu que conforme cláusula segunda do contrato social a empresa tinha por objeto social administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista. Os resultados operacionais da empresa foram compostos por resultados de equivalência patrimonial, R$2.237.727,37 e R$14.387.200,15 em 2008 e 2009 respectivamente, oriundos exclusivamente da participação acionária no Bradesco BBI, e rendimentos de aplicações financeiras, R$ 418,57 e R$1.424,58, em 2008 e 2009 respectivamente. De acordo com informações prestadas pelo contribuinte e DIPJ's de 2008 e 2009 (incorporação) a única atividade desempenhada pela Abaeté foi a aquisição das ações do Bradesco BBI, que eram de propriedade dos antigos sócios da Agora, empresa que foi adquirida pelo Bradesco BBI com o pagamento feito com ações de emissão do próprio Bradesco BBI. A Abaeté foi uma empresa com somente dezesseis meses de vida, decorridos entre sua constituição e extinção, sem auferir receitas operacionais, exceto a resultante de uma única participação societária, sem quadro de funcionários, tampouco dirigentes exercendo Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.129 44 atividade, visto que não houve remuneração de dirigentes e conselheiros. Dessa forma, cumpre questionar o propósito negocial da Abaeté. Qual a finalidade de sua constituição? Conforme exposto acima, a Abaeté Holdings foi constituída em 28/08/2008 e foi extinta, através de incorporação pelo Banco Bradesco BBI em 11/12/2009. Em seus dezesseis meses de vida a empresa desempenhou uma única atividade prevista no seu contrato social, a participação em outra sociedade como acionista, especificamente do Banco Bradesco BBI. A empresa não administrou, locou, comprou ou vendeu bens próprios, outros objetos da sociedade, conforme contrato social. Essa participação foi efetivada através da aquisição de ações do BBI de pessoas físicas que as receberam como pagamento pela venda da Agora Holdings. Ou seja, o único propósito da constituição e existência da Abaeté Holdings foi a aquisição das ações do Banco Bradesco BBI. Não houve mais nenhum outro propósito negocial nas atividades desempenhadas pela Abaeté. Com a incorporação da Abaeté Holdings as ações do Bradesco BBI que eram de sua propriedade foram transferidas ao Banco Bradesco e o ágio que estava contabilizado na Abaeté, resultante da aquisição das ações do Bradesco BBI, foi transferido para o próprio Bradesco BBI. O objetivo da reestruturação societária foi possibilitar a transferência do ágio e sua amortização. O objetivo foi criar uma situação onde o Bradesco BBI pudesse amortizar um ágio. Fica evidente que a criação e o funcionamento da Abaeté não almejou um amplo objetivo negocial, tendo em vista a artificialidade da operação que participou. A constituição da Abaeté teve como objeto único o de se criar uma empresa para adquirir ações do Bradesco BBI de pessoas físicas que receberam essas ações como pagamento da venda da Agora Holdings para o próprio Bradesco BBI. Sua única atividade foi a aquisição dessas ações e possibilitar o reconhecimento do ágio na sua escrituração contábil. O Bradesco BBI está amortizando dois ágios que tem uma única origem, a aquisição da Agora Holdings. Uma única aquisição de sociedade ensejou o aparecimento de dois ágios: Primeiro ágio: Tendo como origem a aquisição e a incorporação da Agora Holdings, adquirida com a emissão de ações do Bradesco BBI, Segundo ágio: Tendo como origem a incorporação da Abaeté Holdings que tinha ágio devido a aquisição de ações do Bradesco BBI dos antigos acionistas da Agora. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.130 45 O Banco Bradesco BBI poderia ter adquirido a Agora Holdings com o pagamento em dinheiro, incorporado a sociedade e assim ter a possibilidade de amortizar o ágio de R$491.547.959,72. Ao invés disso adquiriu a Agora Holdings com a emissão de ações, e após quarenta e oito dias após essa aquisição uma empresa, 100% controlada pelo Banco Bradesco, adquiriu parte dessas ações com o pagamento de preço superior ao valor contábil, possibilitando assim o reconhecimento de ágio no valor de R$261.028.958,46. Fica reforçado o fato de que a Abaeté Holdings foi constituída em agosto de 2008 com um capital somente de R$1.000,00, e teve um significativo aumento de capital em novembro de 2008, no valor de R$495.800.000,00, com o fim exclusivo de adquirir ações do Bradesco BBI que foram emitidas para a aquisição da Agora Holdings. O principal motivo alegado pela incorporação da Abaeté foi "promover a reorganização societária, eliminando a participação indireta no capital do BBI detida pelo Banco Bradesco S/A, controlador, da Abaeté, simplificando a estrutura societária, racionalizando e, conseqüentemente, reduzindo os custos operacionais, administrativos e legais advindos da manutenção da Abaeté". Simplificação de estrutura societária, racionalização, redução de custos operacionais, administrativos e legais advindos da manutenção de uma sociedade que, conforme exposto acima, foi uma empresa com somente dezesseis meses de vida decorridos entre sua constituição e extinção, sem receitas operacionais, exceto a resultante de uma única participação societária, sem quadro de funcionários, tampouco dirigentes exercendo atividade, visto que não houve remuneração de dirigentes e conselheiros. Em seus dezesseis meses de vida a empresa desempenhou uma única atividade prevista no seu contrato social, a participação em outra sociedade como acionista, especificamente do Banco Bradesco BBI. A participação indireta no Bradesco BBI foi criada pelo próprio Banco Bradesco, por ocasião do aumento de capital da Abaeté em 04/11/2008, e simultaneamente a aquisição de ações do Bradesco BBI pela Abaeté no mesmo dia 04/11/2008. Toda essa estruturação societária poderia ter sido evitada se o Banco Bradesco adquirisse as ações do Bradesco BBI diretamente dos antigos acionistas da Agora. A aquisição das ações foi feita pela Abaeté para que o ágio nessa aquisição ficasse na adquirente. Posteriormente esse ágio foi registrado contabilmente no Bradesco BBI devido à incorporação da Abaeté. Fica constatada a ausência de um propósito negocial na operação da Abaeté condizente com o objeto da sociedade, que era administração locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como sócia ou acionista. Não participou em outras sociedades. Participou em uma única sociedade, Banco Bradesco BBI com um único propósito, Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.131 46 possibilitar o reconhecimento de ágio na aquisição de ações de emissão do Bradesco BBI e posteriormente possibilitar a amortização do ágio através da sua incorporação pelo próprio Bradesco BBI! A Constatação da falta de propósito negocial da Abaeté, além de uma aquisição de ações com ágio, fica reforçada com o fato de que em 23 de dezembro de 2008, o Banco Bradesco S/A, adquiriu dos antigos acionistas da Agora 89.973.611 ações de emissão do Bradesco BBI, pelo valor total de R$114.029.038,05. O valor de aquisição unitário foi R$1,2674. Nesse caso, não houve ágio apurado pelas aquisições das ações pelo Banco Bradesco, pois o valor unitário de aquisição é bastante próximo do valor patrimonial da ação em 31/10/2008, que era R$1,2046. Com a ausência de ágio a aquisição foi feita diretamente pelo Banco Bradesco e não através da Abaeté. Com essa "engenharia societária" o Banco Bradesco BBI está amortizando dois ágios que tem como origem uma única aquisição de sociedade independente do Grupo Bradesco, a Agora Holdings: Primeiro ágio, no valor de R$491.547.959,72, referente à aquisição e incorporação da Agora, com emissão de ações do próprio Bradesco BBI; Segundo ágio, no valor de R$261.028.958,46, referente à incorporação da Abaeté que adquiriu ações do próprio Bradesco BBI de propriedade dos antigos acionistas da Agora, recebidas como pagamento pela venda da sociedade. O Banco Bradesco S/A poderia incorporar a Abaeté ou nem mesmo criar a empresa. Qual a razão do Banco Bradesco fazer um aporte de capital na Abaeté Holdings em 4 de novembro de 2008 e essa empresa com os recursos aportados no mesmo dia adquirir ações do Bradesco BBI? O Banco Bradesco poderia ele mesmo ter adquirido diretamente ações do Bradesco BBI, como assim o fez em 23 de dezembro de 2008. A aquisição das ações por meio da Abaeté Holdings permitiu o reconhecimento do ágio nos livros contábeis da empresa. O simples pagamento de ágio não acarreta sua dedutibilidade para fins fiscais. Para que o ágio fosse dedutível para fins tributários seria necessária uma incorporação de sociedade. A solução foi o Bradesco BBI incorporar a Abaeté e o ágio ser registrado na sua contabilidade, conforme exposto no item 5. O Bradesco BBI está vivenciando uma curiosa situação de dedutibilidade de ágio de si mesmo. 7) Legislação O Grupo Bradesco pretendeu desde o inicio, obter o incentivo fiscal presente nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, e, para alcançar este objetivo, promoveu indevidamente a amortização Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.132 47 do ágio previsto na referida norma mediante reorganizações societárias. O benefício fiscal pretendido consiste em computar como despesa o valor do ágio na aquisição de participação societária antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento por incorporação, fusão ou cisão. Assim, tal benefício só poderia ser alcançado se ocorresse uma das hipóteses das operações citadas. [...] Portanto, o ágio, a principio, não é amortizável na determinação do lucro real a não ser no momento da alienação ou liquidação do investimento, conforme disposto no art. 426 do RIR/99, quando o ágio deve ser computado na determinação do valor contábil para efeito de apurar o ganho ou perda de capital. Diante do exposto, é fácil perceber que a Abaeté foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transferir o ágio para o Bradesco BBI e assim possibilitar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na Abaeté (empresa veículo) não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fez se necessário que este ágio fosse transferido para a empresa geradora de lucros suficientes à amortização do ágio no caso para o Banco Bradesco BBI. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. Com a incorporação da Abaeté, o Bradesco BBI transferiu para sua contabilidade ágio relativos a ações de sua própria emissão. Sendo assim, podemos concluir que a Abaeté serviu de empresa veículo, meio para o reconhecimento e posterior amortização do ágio, através de sua incorporação. O ágio que foi transferido para o Bradesco BBI, através da incorporação da Abaeté, surgiu devido à aquisição das ações do Bradesco BBI em 4 de novembro de 2008. A constituição da Abaeté e seu significativo aumento de capital possibilitou essa aquisição, que poderia ter sido feita diretamente pelo Bradesco BBI ou pelo Banco Bradesco, conforme já exposto. A Abaeté, na sua curta existência, de acordo com informações prestadas pelo contribuinte e DIPJ's de 2008 e 2009 (incorporação) exerceu a única atividade de aquisição das ações do Bradesco BBI, que eram de propriedade dos antigos sócios da Agora, empresa que foi adquirida pelo Bradesco BBI com o pagamento feito com ações de emissão do próprio Bradesco BBI. A Abaeté foi uma empresa com somente dezesseis meses de vida, decorridos entre sua constituição e extinção, não auferiu receitas operacionais, exceto a resultante de uma única participação societária, sem quadro de funcionários, tampouco dirigentes exercendo atividade, visto que não houve remuneração de dirigentes e conselheiros. Sua existência se Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.133 48 justifica apenas para ser usada como veículo na realização de um planejamento tributário, aqui mediante reorganizações societárias em seqüências preordenadas, desaparecendo em seguida por incorporação. No jargão do planejamento tributário a Abaeté é conhecida como sociedade fictícia: "a pessoa jurídica é apenas de papel, não materializa nenhum empreendimento que a lastreie; é mera sociedade de papel1. É criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto pode desaparecer. Fica evidenciado, então que o propósito da constituição e operação da Abaeté Holdings não foi negocial em sentido de objeto operacional de uma sociedade. Ela nunca desempenhou nenhuma atividade empresarial, exceto uma única aquisição de ações. Em resumo, o seu único papel em todo o processo, que durou 16 meses, foi: a) adquirir ações do Banco Bradesco BBI, com recursos aportados pelo Banco Bradesco S/A em 4 de novembro de 2008; b) ser incorporada pelo Banco Bradesco BBI, em 11/12/2009, desaparecendo treze meses após adquirir as ações do Bradesco BBI e; c) transferir o ágio para possibilitar sua amortização. O ágio proveniente da aquisição de investimento avaliado pelo custo valor de patrimônio líquido encontrase disciplinado no art. 20 do DecretoLei n° 1598/77 transposto no art. 385 do RIR/99, verbis: Lei nº 1.598/77. de 26 de dezembro de 1977 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controla pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição determinado de acordo com o disposto no art. seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1o O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2o O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico.. I valor de mercado de bens do ativo da coligada superior ou inferior ao custo registrado na contabilidade. II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.134 49 II fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3o O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como acima disposto, o ágio nasce, para fins de apuração do imposto de renda, do desdobramento do custo de aquisição e representa a diferença entre o valor pago pelo investimento e o valor patrimonial da empresa investida e tem que ter como base um fundamento econômico que o justifique. A Lei n° 9.532/97, art. 7° e seus parágrafos, com transposição no artigo 386 do RIR/99, trata do registro contábil do ágio e permite sua amortização desde que o investidor justifique e fundamente o pagamento do ágio sobre a parte ou o total do capital da empresa investida, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2B do art. 20 do Decretolei n.B 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2B do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n º 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2Bdo art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.135 50 razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b"do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária As operações societárias conduzidas pelo Grupo Bradesco buscam possibilitar a amortização de ágio na aquisição das Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.136 51 ações do Bradesco BBI por empresa criada pelo Banco Bradesco S/A. [...] A estrutura negocial montada iniciouse com a aquisição da Agora Holdings com o pagamento feito a emissão de ações do Banco Bradesco BBI, ao invés do pagamento ter sido feito em dinheiro. O pagamento foi materializado em dinheiro após decorridos somente 48 dias, com a recompra das ações pelo Grupo Bradesco, através de sua empresa Abaeté Holdings, Como a aquisição foi em valor superior ao valor contábil surgiu um novo ágio no valor de R$261.028.958,46. Esse ágio não surgiria se o pagamento da aquisição da Agora tivesse sido feito diretamente em dinheiro, em setembro de 2008. Conforme já exposto o restante do pagamento em dinheiro ocorreu no mês seguinte, em dezembro de 2008, numa aquisição onde não houve o pagamento de preço superior ao valor contábil, não existindo dessa forma, ágio. O Grupo Bradesco estaria proibido de amortizar, para fins tributários, o ágio oriundo da aquisição das ações do Banco Bradesco BBI, exceto no caso de alienação ou liquidação da participação societária, o que não ocorreu (norma contornada, art. 391, do RIR/99). Para fugir a esta proibição o Grupo Bradesco montou uma estrutura negocial que se enquadrava à norma de contorno (artigo 386, III cc § 6°, II, do RIR/99), ou seja, usou a Abaeté, sua controlada, para servir de meio para o reconhecimento do ágio para, logo após, promover a sua incorporação pelo Banco Bradesco BBI. [...] Por fim, é indiscutível a busca pela redução do ônus tributário dentro dos limites impostos pelo ordenamento jurídico. Esta busca é um direito incontestável do contribuinte. Entretanto, a licitude formal dos atos por ele praticados e seus propósitos, não são suficientes para impedir que esta autoridade fiscal conteste os resultados produzidos. Numa situação típica de planejamento tributário, como a presente situação, cumpre verificar os fatos não somente pela ótica formal, mas também pelos seus propósitos e resultados alcançados. [...] Por outro lado, os atos praticados pelo contribuinte devem se revestir de razões econômicofinanceiras,comercial ou societária que os justifiquem, e não somente embutir exclusivamente a finalidade de pagar menos tributos. Desta forma, não há razão para se aceitar esta construção arquitetada pelo Bradesco BBI para possibilitar a amortização do ágio para fins tributários efetuada através da montagem de Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.137 52 operações estruturadas em seqüência, utilizandose de uma empresa sem atividades operacionais, como uma estruturação societária com o único objetivo de permitir a amortização do ágio, uma empresa fictícia, pois se assim não procedêssemos, poderíamos abrir caminho para o uso da fraude à lei a todos àqueles que fossem adquirir uma participação societária com ágio e que não pretendessem absorver o patrimônio da investida, por incorporação, fusão ou cisão, conforme disposto no art. 386 do RIR/99. [...] Salientese que, como o Professor Greco, não negamos ao contribuinte a liberdade individual de organizar seus negócios de modo a pagar o menor tributo, mas questionamos os meios do seu exercício. O próprio ordenamento jurídico impõe limites ao exercício dessa liberdade, constituindo abuso de direito a extrapolação destes limites. Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que o encadeamento das step transacions, mediante a utilização da empresa sem efetivo propósito negocial Abaeté Holdings, teve como propósito tributário possibilitar a amortização da despesa de ágio no Bradesco BBI, proveniente da aquisição de ações do próprio Bradesco BBI. Esse segundo ágio, no valor de R$261.028.958,46, não preenche os requisitos de dedutibilidade fiscal, é fruto apenas de manobra societária, diferente do primeiro ágio que surgiu da aquisição e incorporação da Agora Holdings S/A. A recorrente alega em sua defesa que todos os atos praticados pelo grupo Bradesco para a aquisição das ações do Recorrente detidas por terceiros foram legítimos (praticados conforme legislação vigente à época dos fatos, devidamente registrados e aprovados pelos órgãos competentes) e possuem evidente propósito negocial: De fato, como mencionado no tópico 1.2 deste Recurso, diante do exercício, em um curto espaço de tempo, das opções de venda detidas pelos antigos acionistas da Agora, nos termos da já citada cláusula 2.2 do Contrato de Opções , não houve outra alternativa ao Grupo Bradesco senão utilizar uma sociedade que o compunha para adquirir as ações detidas por terceiros. Com efeito, diferentemente do que afirmou o Sr. Agente Fiscal e como não observou a DRJ, o Banco Bradesco, instituição financeira de capital aberto, já envolvida em uma série de operações e negócios, não poderia simplesmente parar suas atividades para voltar suas atenções à obtenção de autorizações a aprovações necessárias para adquirir uma participação societária de quase R$500 milhões de reais, de 40 acionistas diferentes, terceiros independentes. Sendo assim, o aporte de capital em uma sociedade do Grupo, que voltaria todos os seus esforços para esta operação, mostrou se a alternativa mais viável para se honrar com a opção de Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.138 53 venda outorgada e exercida pelos antigos acionistas da Agora, em sua maioria pessoas físicas. Em outras palavras, não observaram o Sr. Auditor Fiscal e a Delegacia de Julgamento que a aquisição, em um curto espaço de tempo, das ações do Recorrente detidas pelos antigos acionistas da Agora, ocorreu única e exclusivamente por opção dos vendedores e que a Abaetê só participou da operação porque o Grupo Bradesco foi surpreendido pelo exercício tão rápido da referida opção pelos vendedores, motivada pela grave crise no mercado financeiro e de capitais pela qual o país e o mundo estavam passando, como já foi abordado anteriormente (ou seja, operação realizada por aspectos negociais e não fiscais). É importante reforçar este ponto, a aquisição das ações do Recorrente se deu por meio da Abaetê por uma questão operacional e em estrita conformidade com a cláusula 10.2 do citado Contrato de Opções que, como visto, autorizava a "cessão de direitos e obrigações" pelo comprador. Não obstante esse fato seja suficiente para o reconhecimento do propósito negocial da operação, devese salientar que a Abaetê foi constituída com o objetivo de participar do capital social de outras sociedades, tendo cumprido sua finalidade econômica quando adquiriu um vultoso investimento de quase 500 milhões de reais e o manteve por mais de um ano! Com relação a esse assunto, fazse necessário apontar, novamente, a afirmação contraditória do Sr. Agente Fiscal no sentido de que a existência de uma sociedade para a aquisição de ações constituiria um propósito negocial e ao mesmo tempo afirmar que houve ausência de propósito negocial na operação realizada, verbis. "Ou seja, o único propósito da constituição e existência da Abaetê Holdings foi a aquisição das ações do Banco Bradesco BBI. Não houve mais nenhum outro propósito negocial nas atividades desempenhadas pela Abaetê" (fl. 417 g.n.) Ora, ao afirmar que não houve mais nenhum outro propósito negocial nas atividades desempenhadas pela Abaetê, o Sr. Agente Fiscal acabou deixando transparecer que reconhece sim a existência de um propósito negocial, qual seja a aquisição das ações do Recorrente, fato que, inexplicavelmente, não foi mencionado no acórdão recorrido. Ocorre que, por via transversa, o Sr. Auditor Fiscal tentou salvar a autuação originária deste processo, mesmo reconhecendo a existência de propósito negocial para a existência da Abaetê, consistente na aquisição das ações do Recorrente, alegando a suposta necessidade de serem realizadas outras operações: "Fica constatada a ausência de um propósito negocial na operação da Abaetê condizente com o Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.139 54 objeto da sociedade, que era administração locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como sócia ou acionista. Não participou em outras sociedades. Participou em uma única sociedade, Banco Bradesco BBI com um único propósito, possibilitar o reconhecimento de ágio na aquisição de ações de emissão do Bradesco BBI e posteriormente possibilitar a amortização do ágio através da sua incorporação pelo próprio Bradesco BBI!" (fl. 418 g.n.) Destaquese que, apesar de o Recorrente ter demonstrado em sua peça impugnatória o equívoco do raciocínio transcrito acima, a Delegacia de Julgamento agravou tal equívoco, eis que sequer reconheceu que a Abaetê deteve participação em outra sociedade como previa o seu contrato social, vejase: "A ABAETÊ serviu de instrumento ao alcance de um propósito não negocial do grupo econômico, porquanto a finalidade de sua efêmera existência não se prestou aos fins da atividade empresarial inserta em seus atos societários, mas, tão somente, propiciar a execução de um planejamento tributário abusivo com repercussão na apuração da tributação do IRPJ e da CSLL." (fl. 872 dos autos g.n.) Contudo, da leitura dos trechos do TVF e do acórdão recorrido acima reproduzidos, notase que o Sr. Agente Fiscal e a Delegacia de Julgamento parecem desconhecer qualquer informação sobre as sociedades de propósito específico, conhecidas pela sigla "SPE" e, tampouco, do disposto no parágrafo único do artigo 981 do Código Civil, verbis. "Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados." (g.n.) Com efeito, se existe a previsão expressa no Código Civil de que a atividade da sociedade empresarial pode restringirse à realização de apenas um negócio determinado e se a única participação societária adquirida pela Abaetê foram as ações do Recorrente, concluiuse que inexiste qualquer tipo de anormalidade na situação analisada, como pretenderam fazer crer o Sr. Agente Fiscal e a DRJ. Ademais, verificase que a possibilidade de existência de uma sociedade cujo objeto social seja a mera detenção de outra(s) sociedade(s) está expressamente prevista no artigo 2°, § 3°, da Lei das S.A. Importante notar que o referido dispositivo Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.140 55 expressamente indica que a participação é facultada para beneficiarse de incentivos fiscais. Confirase: "Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. (...) § 3° A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades: ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais." (g.n.) Pontuese, que no caso da Abaetê o dispositivo legal transcrito acima se aplica integralmente, na medida em que, nos termos do parágrafo único do art. 1.053 do Código Civil, o artigo XII do seu contrato social previa a sua regência supletiva pelas normas das sociedades anônimas, conforme se verifica na fl. 24 e 37 dos autos. Assim, aplicandose o dispositivo legal supracitado ao caso concreto, temse que, ainda que a Abaetê tivesse sido constituída apenas para deter participação societária em outras sociedades a fim de beneficiarse de incentivos fiscais, o que se alega para argumentar, estaria ela em plena conformidade com a legislação vigente. De fato, a amortização fiscal do ágio é tratada pela doutrina como um incentivo, concessão ou benefício fiscal, enquadrando se, portanto, perfeitamente à disposição legal transcrita acima (artigo 2o, § 3o, da Lei das S/A). [...] Portanto, o fato de a Abaetê, no decorrer da sua existência, possuir apenas participação societária em uma empresa, está expressamente previsto na legislação e, mesmo que se entenda que a Abaetê era uma sociedade veículo e sem motivação extratributária o que não é o caso , ainda não se poderia admitir a sua desconsideração, pois também existe previsão legal expressa neste sentido. Seguindo neste raciocínio, pontuese, por oportuno, que a própria legislação tributária, por meio do artigo 31 da Lei 11.727/08, reconhece a holding como uma sociedade válida para todos os fins, ao dispor que a esta poderá diferir o reconhecimento das despesas com juros de empréstimos contraídos para financiamentos de investimentos em sociedades controladas. Confirase: "Art. 31. A pessoa jurídica que tenha por objeto exclusivamente a gestão de participações societárias (holding) poderá diferir o reconhecimento das despesas com juros e encargos financeiros pagos ou Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.141 56 incorridos relativos a empréstimos contraídos para financiamento de investimentos em sociedades controladas." (g.n.) Como se vê, a possibilidade de uma sociedade ter por função eminentemente participar de outras sociedades está expressamente amparada por lei e é largamente reconhecida na doutrina. Não fosse assim, a participação societária em empresas que desenvolvem atividades operacionais restaria restrita às pessoas físicas, o que desestimularia sobremaneira o investimento, pois grandes grupos não poderiam investir em outras empresas por meio de holdings. Em outros termos, as sociedades holdings desempenham um papel fundamental no mercado financeiro e na economia, pois proporcionam maior facilidade para administração de controle e participações para investidores nacionais e estrangeiros. Dito isso, concluise que não merecem prosperar as alegações da Fiscalização e da DRJ no sentido de que a Abaetê era uma empresa veículo e, consequentemente, a sua tentativa de tolher o direito do Recorrente de amortizar o ágio debatido nestes autos. [...] Ademais, também não faz sentido as afirmações feitas pela Autoridade Fiscal e pela Delegacia de Julgamento de que a Abaetê "foi uma empresa com somente dezesseis meses de vida" (fl. 416 dos autos)/de "efêmera existência" (fl. 872 dos autos), com o intuito de descaracterizar a existência de propósito negocial na operação em questão. Inicialmente, vale frisar que 16 meses é um tempo significativo, principalmente no contexto de crise pelo qual se passava. [...] Ademais, a alegação do Sr. Agente Fiscal no sentido de que a Abaetê não possuía empregados e não incorreu em despesas administrativas pode ser facilmente explicada pela lição de Modesto Carvalhosa , ao explicar que a atividade de uma holding é apenas "a participação em uma atividade econômica de terceiros, ao invés do exercício de atividade produtiva ou comercial própria'. Destarte, não existe nenhuma anormalidade em se esperar que as despesas administrativas e com folha de pagamento sejam incorridas pelas sociedades que exercem efetivamente a atividade produtiva ou comercial própria e não pela sociedade holding. [...] Vejase que se prevalecer o entendimento da Autoridade Fiscal, o que se alega ad argumentandum, uma sociedade que detém Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.142 57 uma participação societária de quase R$ 500 milhões de reais não teria propósito negocial, enquanto uma outra, com participação em duas sociedades com o capital social de R$ 250 milhões teria propósito negocial, por ter participado do capital de "outras sociedades" e não apenas de "outra sociedade". Ora, esse entendimento não faz qualquer sentido jurídico e/ou econômico. Destaquese, ainda, que a operação não se deu em dinheiro desde o início, como sugeriram o Sr. Agente Fiscal e a DRJ , pois, conforme já explicado, o Grupo Bradesco pretendia manter a Agora CTVM como uma unidade de negócios autônoma e seus acionistas nos quadros societários do Recorrente, como inclusive foi veiculado ao mercado como se depreende das notícias colacionadas no tópico 1.2, mostrandose a incorporação de ações o instrumento societário previsto em Lei mais adequado para tanto. Todavia, por uma decisão exclusiva dos antigos acionistas da Agora, devido à crise do mercado financeiro e de capitais, que se agravou justamente no mês em que o Bacen aprovou a incorporação de ações, foram exercidas opções de venda que obrigaram o Grupo Bradesco a adquirir tais ações pagando seu preço de mercado. Repisese que os antigos acionistas da Agora exerceram o direito de opção de venda das ações nos termos da cláusula 2.2 do citado Contrato de Opções, que permitia o exercício de tal direito "a qualquer tempo, a partir da transferência das ações BBI Livres'" diferentemente do quanto previsto na cláusula 3.2 que tratou da opção de compra de ações. Desta forma, não há dúvidas de que, diante deste cenário, a forma mais direta, correta e adequada de se implementar a operação em questão pelo Grupo Bradesco foi a realizada no presente caso. Ademais, como se explorará em detalhes mais adiante, não pode a Autoridade Fiscal ou a Delegacia de Julgamento adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados entre partes contratantes que visam sempre o sucesso de sua atuação no mercado, razão pela qual não pode ser admitido qualquer questionamento acerca da forma como foram pagos os Ágios I e II. Do mesmo modo, não se justifica a afirmação da Autoridade Fiscal no sentido de que a aquisição de ações do Recorrente, realizada em 23 de dezembro de 2008, deuse pelo Banco Bradesco devido à ausência de ágio. Na realidade, com relação a esta parcela o Banco Bradesco já estava ciente e preparado para o exercício da opção de venda deste lote de ações do Recorrente, razão pela qual pôde adquirir as ações diretamente, sem a necessidade de uma outra sociedade. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.143 58 Tampouco merecem guarida as alegações/insinuações da Delegacia de Julgamento de que a regularidade da reorganização societária realizada pelo Grupo Bradesco poderia ser colocada em dúvida por ter sido realizada entre partes relacionadas/não independentes . Isso porque, é mais do que usual que grandes grupos, como o Bradesco, se reorganizem continuamente no decorrer do tempo, sempre buscando a melhor configuração possível para exercer as suas atividades . No tocante a este ponto vale repisar que as operações que efetivamente deram ensejo ao ágio debatido nestes autos foram todas negociadas por partes independentes (Grupo Bradesco e antigos acionistas da Agora), com interesses contrapostos, a valor de mercado, respaldado por laudo de avaliação elaborado por empresa de auditoria independente, não questionado pela Fiscalização, e que foram pagos comprovadamente em dinheiro (vide fl. 183 e seguintes dos autos), fato que, inclusive, afasta também as absurdas e inovadoras insinuações da DRJ de que no caso concreto se estaria diante de um ágio interno ou artificial (fl. 873 a 877 dos autos), promovido entre partes relacionadas. Ora, os interesses eram manifestamente antagônicos, de um lado estava o Grupo Bradesco e do outro os antigos acionistas da Agora, não havendo qualquer interesse do Grupo Bradesco em desembolsar valores superiores ao efetivamente devidos pelas participações societárias. Além disso, a Delegacia de Julgamento alegou, mais uma vez de forma inovadora, que a venda das ações do Recorrente detidas pelos antigos acionistas da Agora para o Grupo Bradesco poderia ter ocorrido por meio do exercício do direito de recesso previsto na Lei das S/A, cuja não utilização desse instituto confirmaria que a "recompra das ações da BBI com a atribuição de um ágio na transação evidenciou que se trata de uma despesa não necessária, anormal e de mera liberalidade do Grupo Bradesco' (fl. 871 dos autos). Contudo, o raciocínio acima apresenta diversas deficiências que não permitem a sua admissão por este E. Conselho. Em primeiro lugar, conforme restou demonstrado no tópico II. 1, tratase de uma verdadeira inovação produzida pela DRJ, tendo em vista que tal ilação nunca foi suscitada pelo Sr. Agente Fiscal, fato que, por si só, já deve afastar sua pertinência. Em segundo lugar, o direito de recesso não pode ser exercido simplesmente porque uma parte dos acionistas decidiu vender as suas ações como supôs erroneamente a DRJ Na realidade, tal direito é assegurado aos chamados acionistas dissidentes, isto é, que se posicionam expressamente contrários a deliberações de determinadas questões especificamente previstas na Lei das S/A, conforme se verifica do inciso V do art. 109 daquele diploma, mencionado pelo próprio acórdão recorrido. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.144 59 Nem se alegue que no caso concreto seriam aplicáveis as hipóteses de direito de recesso previstas (i) no art. 137 cumulado com o inciso IV do art. 136 da Lei das S/A (fusão da companhia, ou sua incorporação em outra) ou (ü) dos §§ 3o e 4o do art. 264 da mesma lei (operações societárias envolvendo partes relacionadas), mencionado no acórdão combatido. Isso porque, no caso "i" acima a norma dá direito de recesso apenas aos acionistas da incorporada (vejase "incorporação [da companhia] em outra") e, como os antigos acionistas da Agora possuíam ações do Recorrente, este deveria ser incorporado para permitir o exercício de tal direito, o que não ocorreu no presente caso. Já na hipótese "ii" acima, a impossibilidade de sua aplicação no caso em tela se dá, pois no momento em que os antigos acionistas da Agora decidiram vender as suas ações do Recorrente, não havia ocorrido qualquer operação societária que justificasse suscitar "relações de substituição de ações" e a existência de eventuais acionistas dissidentes. Em terceiro lugar, ainda que estivesse caracterizada a possibilidade do exercício de direito de recesso no caso concreto o que se alega ad argumentandum , a opção por se exercer ou não tal direito nunca seria do Grupo Bradesco, mas sim dos antigos acionistas da Agora que, como visto à exaustão neste Recurso, são partes independentes do mencionado Grupo. Em quarto lugar, não se pode admitir que a dedução fiscal da amortização do ágio esteja sujeita aos critérios da regra geral do art. 299 do RIR/99 (necessidade, normalidade e usualidade) como se pretendeu no acórdão recorrido (fls. 871 e 873 dos autos), seja porque tratase de uma inadmissível inovação da DRJ, seja porque existe norma específica que trata dos efeitos fiscais do ágio, a qual sobrepõe a regra geral (Princípio da Especialidade). Além disso, não há que se falar em "liberalidade" no pagamento de ágio. O pagamento foi realizado com base em rentabilidade futura e a valor de mercado, bem como decorreu de uma obrigação do Grupo Bradesco com os antigos acionistas da Agora. Desta forma, comprovado que a alternativa sugerida pela DRJ, cuja não utilização confirmaria que a "recompra das ações da BBI com a atribuição de um ágio na transação evidenciou que se traia de uma despesa não necessária, anormal e de mera liberalidade do Grupo Bradesco' (fl. 871 dos autos), é inaplicável ao caso concreto, resta patente, também por este motivo, a necessidade de se reformar o acórdão recorrido. A Delegacia de Julgamento ainda tentou, novamente de forma inovadora, sustentar a existência de abuso de direito no presente caso, chegando ao absurdo de concluir pela existência de uma evasão tributária (vide fl. 872 dos autos). Contudo, tal interpretação não pode ser admitida, seja porque, como demonstrado, todos os atos praticados no caso concreto Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.145 60 estão amparados no ordenamento jurídico pátrio e por um efetivo propósito negocial, seja porque não foi comprovada a prática de qualquer ilícito pelas partes do negócio em análise nestes autos, o que se evidencia pela ausência de multa qualificada. Constatase pelo exposto que, ao contrário do alegado pela DRJ no acórdão combatido , foi a própria Turma Julgadora que não observou a essência sobre a forma no caso concreto, tendo em vista que ignorou inúmeros fatos e documentos, respaldando o seu entendimento apenas em suas presunções destituídas de fundamentação. Com efeito, verificase que nem o contexto fático probatório deste caso, nem a legislação, nem a jurisprudência e, como visto neste tópico, muitas vezes nem o próprio Sr. Agente Fiscal, suportaram as conclusões equivocadas e inovadoras da Delegacia de Julgamento. Logo, tornase evidente a total insubsistência dos argumentos levantados pelo Sr. Agente Fiscal e pela Delegacia de Julgamento, uma vez que demonstrado o efetivo propósito negocial da Abaetê e que a presente operação é totalmente legítima, válida e estava em conformidade com o ordenamento jurídico brasileiro vigente à época dos fatos, devendo, também por esse motivo, ser reformado o acórdão recorrido, com o conseqüente cancelamento das autuações que deram origem a este processo. Verificase que o presente processo trata de exigência de crédito tributário fundamentado em fato idêntico ao processo administrativo fiscal nº 16327.720735/201686, que tratou das operações em que o Banco Bradesco BBI amortizou e deduziu fiscalmente ágio, no valor de R$ 156.617.375,07, nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, decorrentes da incorporação da Abaeté Holdings Ltda empresa que pertencia ao Banco Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/000112. Ressaltase que no Acórdão nº 1401003.080 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, relator Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, sessão de 22 de janeiro de 2019, proferido no processo nº 16327.720735/201686, prevaleceram as seguintes conclusões: · A única função da empresa ABAETÊ, no conjunto de operações realizadas, foi permitir a amortização de ágio pela BBI S/A, sem que sua existência tenha qualquer função econômica que não essa. · Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Vale dizer: até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.146 61 se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresaveículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve uma certa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, em determinada operação, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar recursos. · No caso dos autos, essa empresa veículo ou de passagem (ABAETÊ), por sua vez, sustentandose nos recursos que nela foram aportados pelo Banco Bradesco S/A (seu controlador), adquiriu participação societária na BBI S/A com pagamento de ágio e, posteriormente, foi incorporada por sua investida, a qual considerou, indevidamente, a dedutibilidade da contrapartida da amortização do ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em uma interpretação totalmente equivocada do art.386 do RIR/99. · O Banco Bradesco S/A, controlador da ABAETÊ, se houvesse feito a aquisição diretamente, não poderia terse beneficiado da amortização do ágio para fins tributários, a menos que fosse objeto de incorporação ou alienasse o ativo gerador do ágio. Assim, e apenas para poder valerse da norma de dedutibilidade do ágio na aquisição de investimentos (no caso, nas ações da BBI), prevista no art. 8o da Lei no 9.532/97, o Banco Bradesco S/A utilizouse de uma empresa controlada, constituída e utilizada exclusivamente para este fim, o que não se pode aceitar como situação que pudesse se encaixar no disposto no art.386 do RIR/99, pois foge totalmente da finalidade daquela norma. · Não se trata, conforme aventado pela Recorrente, de eventual ingerência pela autoridade fiscal em sua atividade, tratase, isto sim, de desconsiderar, apenas para fins fiscais, a operação de incorporação efetivada pela Recorrente junto a ABAETÊ. · Ao contrário do que entende a Recorrente, a utilização de empresa intermediária (ou veículo), sem qualquer função empresarial real distinta do investimento com ágio, está, sim, vedada pelo dispositivo do art.386 do RIR/99. · Não se encontra na legislação autorização para aproveitamento do ágio quando, ao final da operação, o verdadeiro adquirente (Banco Bradesco S/A) e o adquirido (Recorrente) remanescem existindo, sem que haja união do patrimônio dessas sociedades. · Ainda que outras formas de reorganização societária permitissem amortização de ágio, o fato é que adotou a Recorrente a criação de empresa intermediária (veículo) exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, e isto caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.147 62 · os atos concretos da Recorrente demonstram que a verdadeira adquirente do investimento foi o Banco Bradesco S/A, o qual criou ou utilizouse de empresa já constituída do Grupo, a empresa intermediária/veículo ABAETÊ, ocasião em que aportou os recursos necessários para a aquisição do investimento, mediante aumento de capital. Essa empresa veículo, em seguida, adquiriu o investimento com ágio e depois foi incorporada pela empresa investida (Recorrente), que passa a amortizar o ágio. · O Banco Bradesco S/A, embora tenha cedido os recursos, procura se desvencilhar de sua condição de real adquirente das ações da BBI então detidas pelos acionistas da Ágora e esquivouse de, depois, incorporála (ou ser por ela incorporada), para, somente a partir daí, poder amortizar o ágio. Ao invés disso, utilizou empresa intermediária, criada exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, o que caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. · Além de não restar superada a constatação fiscal de que o ônus da aquisição das ações da Recorrente então detidas pelos acionistas da Ágora foi suportado efetivamente pelo Banco Bradesco S/A, apontou a Fiscalização que não há como prosperar a possibilidade de dedutibilidade por uma pessoa jurídica, de ágio originado na aquisição, de quotas dela mesma, por uma empresa criada somente para tal operação de aquisição (empresa intermediária ou empresa veículo). No presente caso, por se tratar de processo de exigência de crédito tributário fundamentado em fato idêntico ao processo administrativo 16327.720735/201686, adotase e aplicase as mesmas razões de decidir do Acórdão nº 1401003.080 em relação à amortização de ágio do anocalendário de 2010, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, passando a reproduzir o mérito do voto condutor do referido Acórdão: "A questão a ser enfrentada é verificar se há embasamento legal para a Recorrente deduzir, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização de ágio registrado em sua contabilidade, decorrente de determinadas operações societárias que culminaram com a transferência ao Banco Bradesco BBI S/A (doravante citada como BBI S/A), por meio de incorporação, de ativo que continha o registro de ágio. Do Termo de Verificação Fiscal TVF em parte reproduzido no Relatório deste Voto, percebese que estamos diante de caso relativo à aquisição de participação societária (com ágio), seguido de incorporação entre as empresas envolvidas, tendose constatado, conforme entendimento da Fiscalização, neste cenário a figura da já conhecida empresa veículo. De se mostrar, então, o que aconteceu. Informa a autoridade autuante (item 09 Lançamento, TVF) que nas DIPJ Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.148 63 da empresa BBI S/A, encontrase o registro, de despesas de amortização de ágio (nos anos calendário de 2011 a 2013) em contas de resultado, decorrente de ativo que constava na empresa Abaetê Holdings Ltda., então incorporada pela BBI S/A. Tendo em vista que as amortizações deste ágio vingaram em, pelo menos, três anoscalendário (objeto do presente lançamento), a Recorrente reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 156.617.375,07, conforme consta no TVF. Que transações foram estas que houveram com a Abaetê Holdings Ltda (incorporada pela BBI S/A, ora Recorrente) que lhe permitiram o registro de amortizações desta natureza e desta magnitude? Já vimos, conforme relatoriado, que tratouse de contabilização de amortização de ágio e que apareceu por força de uma incorporação em uma empresa, a Abaetê Holdings Ltda, que mantinha em seu ativo o investimento adquirido com ágio. E como este ágio lá na empresa Abaetê Holdings Ltda foi originado? De se reproduzir alguns fatos que constam no TVF e que ocorreram anteriormente à incorporação da Abaetê Holdings Ltda pela BBI S/A., e que contribuem para contextualizar o cenário do surgimento do ágio em questão. De se ver. Aquisição da empresa Ágora Holdings S/A A Recorrente BBI S/A, controlada pelo Banco Bradesco S/A, adquiriu a empresa Ágora Holdings S/A, mediante o pagamento com ações de sua emissão, que totalizaram 362.625.150 ações, então entregues aos proprietários daquela empresa, operação que resultou em um ágio da ordem de R$ 491.547.959,72, sendo posteriormente a empresa Ágora Holdings S/A incorporada pela Recorrente BBI S/A, ocasião em que a composição societária do BBI S/A passou a conter os seguintes acionistas: Banco Bradesco S/A com 92,2% do capital da BBI S/A e os ex proprietários da Ágora Holdings S/A com 7,8%, conforme consta no TVF. Estas operações, de aquisição do controle da Ágora Holdings S/A seguida de sua incorporação pela BBI S/A não tiveram repercussão tributária no presente lançamento. O ágio resultante (Ágio I, conforme assim denominado pela Recorrente) foi considerado legítimo, assim como sua posterior amortização (dedução) fiscal. Voltemos, então, para a situação que originou a glosa da amortização do então denominado Ágio II, objeto do presente lançamento. Constituição da empresa Abaetê Holdings Ltda. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.149 64 A Abaetê Holdings Ltda foi constituída em 26/08/2008 com capital social de R$ 1.000,00 (1000 cotas) sendo sócias a Bradesplan Participações Ltda. e a União Participações Ltda., com 999 cotas e uma cota, respectivamente, sendo que após setenta dias de sua constituição, em 04/11/2008, (i) Bradesplan retirase da sociedade transferindo suas cotas para o Banco Bradesco S/A. e (ii) se decide por um aumento do capital social da ordem de R$ 495.800.000,00 totalmente subscrito pelo Banco Bradesco S/A. em dinheiro, que passa a deter 99,99% do capital da Abaetê Holdings Ltda. E neste mesmo dia, a Abaetê Holdings Ltda. adquire 194.843.569 ações de emissão da BBI S/A, que pertenciam aos antigos proprietários da Ágora, e que representavam 53,73% das ações então entregues como pagamento pela aquisição da Ágora. Nesta operação foi apurado um ágio, conforme segue: Valor Pago na Aquisição R$ 495.746.971,69 Valor Patrimonial das Ações Adquiridas ( 234.718.013,13) Ágio Apurado (Ágio II) R$ 261.028.958,46 Com esta aquisição, a Abaetê Holdings Ltda. (controlada pelo Banco Bradesco S/A) passou a deter 4,18% do capital da BBI S/A e os ex proprietários da Ágora passaram a deter 3,61%. Da alegação de inovação nos fundamentos da decisão da DRJ Oportuno neste momento comentar a alegação da Recorrente de que a decisão da DRJ teria inovado em seus fundamentos de decidir, quando teria afirmado que aqui se estaria lidando com ágio interno ou ágio de si mesmo. Conforme relatoriado, vimos que as ações (da BBI) adquiridas pela Abaetê eram dos exproprietários da Ágora, de forma que se deu entre partes independentes e com ágio, também legítimo. A alusão feita pelo Relator da DRJ, a que se refere a Recorrente, devese, por certo, a comentários assumidos em face da incorporação havida (que transferiu o ágio), em função de algumas passagens do TVF, de onde o Relator da decisão recorrida, assim se manifestou na condução de seu voto (o destaque é meu): Por sinal, consoante ilustrado no curso da fase investigatória, no interstício de tempo concernente à produção da seqüência de atos que determinaram a mensuração do suposto ágio, não mais havia independência das partes envolvidas nas respectivas avenças. Neste contexto, agregouse o sobrepreço derivado da recompra de ativos mobiliários de emissão do próprio Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.150 65 impugnante, proporcionandolhe a faculdade de amortização do ágio amparado em atos societários de natureza meramente formal idealizados entre partes não independentes à época da concretização dos fatos. A transação implicou na ocorrência da figura do ágio de si mesmo a partir do reconhecimento contábil de sobrepreço na recompra das ações do próprio BBI (impugnante). Os atos societários (incorporação) foram, sim, realizados entre partes não independentes, afinal ambas as empresas, a Recorrente BBI S/A e a Abaetê, possuem o mesmo controlador, no caso o Banco Bradesco S/A Portanto, de se afastar qualquer afirmação contida na decisão recorrida acerca de eventual artificialidade do ágio surgido, até porque, não obstante o comentário feito, a decisão recorrida segue nos passos do que contém o TVF, naquilo que centraliza o litígio posto: a utilização de empresa veículo. Neste sentido reproduzo excertos da decisão recorrida: Demonstrouse que a BBI não suportou qualquer ônus associado ao negócio jurídico, muito embora a incorporação determinou a transferência contábil da importância referente ao ágio reconhecido no patrimônio da empresaveículo (ABAETÊ). [...]A ABAETÊ serviu de instrumento ao alcance de um propósito não negocial do grupo econômico, porquanto a finalidade de sua efêmera existência não se prestou aos fins da atividade empresarial inserta em seus atos societários, mas, tão somente, propiciar a execução de um planejamento tributário abusivo com repercussão na apuração da tributação do IRPJ e da CSLL. O reconhecimento da operação com esta formatação evidencia a ocorrência de uma motivação convergente à obtenção de uma vantagem fiscal imprópria advinda de prática empresarial lesiva ao erário público, ratificando a carência de propósito negocial nãotributário no engendramento dos métodos aplicados no curso da reorganização societária. Portanto, de se rejeitar a alegação de nulidade da decisão recorrida, uma vez que o aludido comentário tinha uma outra conotação, que não a dada pela Recorrente. Da Incorporação da Abaetê pela Recorrente (BBI S/A) Relembrando, em 11/12/2009 a empresa Abaetê (controlada pelo Banco Bradesco S/A) foi incorporada pela investida, a BBI S/A (controlada pelo Banco Bradesco S/A), tendo esta empresa (a Recorrente) passado a amortizar o ágio decorrente de valorização de suas próprias ações, quando da aquisição feita por Abaetê. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.151 66 Oportuno reproduzir excertos do TVF: 7 Legislação O Grupo Bradesco pretendeu desde o inicio, obter o incentivo fiscal presente nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, e, para alcançar este objetivo, promoveu indevidamente a amortização do ágio previsto na referida norma mediante reorganizações societárias. [...] Diante do exposto, é fácil perceber que a Abaeté foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transferir o ágio para o Bradesco BBI e assim possibilitar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na Abaeté (empresa veículo) não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fezse necessário que este ágio fosse transferido para a empresa geradora de lucros suficientes à amortização do ágio no caso para o Banco Bradesco BBI. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. A Lei n. 9.532/97, art.7 e seus parágrafos, com transposição no artigo 386 do RIR/99, trata do registro contábil do ágio e permite sua amortização fiscal desde que o investidor justifique e fundamente o pagamento do ágio sobre a parte ou o total do capital da empresa investida, verbis: "Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n°1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2°do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.152 67 um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1° O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3° O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4° Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5° O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8° O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.153 68 b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária". [...]O Grupo Bradesco estaria proibido de amortizar, para fins tributários, o ágio oriundo da aquisição das ações do Banco Bradesco BBI, exceto no caso de alienação ou liquidação da participação societária, o que não ocorreu (norma contornada, art. 391, do RIR/99). Para fugir a esta proibição o Grupo Bradesco montou uma estrutura negocial que se enquadrava à norma de contorno (artigo 386, III cc § 6°, II, do RIR/99), ou seja, usou a Abaeté, sua controlada, para servir de meio para o reconhecimento do ágio para, logo após, promover a sua incorporação pelo Banco Bradesco BBI. Aqui reside o que entendo ser a parte mais contundente de toda a estória, que dá razão e credibilidade ao lançamento tributário (glosa de despesas com amortização de ágio). A questão que ora se analisa requer algo mais que a simples constatação da licitude de cada uma das operações realizadas. Para além da legalidade de cada ato individualmente considerado, impõese a verificação do conjunto de operações, em face dos princípios que informam o ordenamento jurídico. Uso de empresaveículo No presente caso, a única função da empresa ABAETÊ, no conjunto de operações realizadas, foi permitir a amortização de ágio pela BBI S/A, sem que sua existência tenha qualquer função econômica que não essa. De se mostrar. A autoridade autuante destacou uma série de fatos/situações que a levou a concluir pela constatação de que a empresa ABAETÊ serviu apenas para possibilitar a amortização do ágio nos termos do art.386 do RIR/99, ou seja, que se estaria diante de uma empresa veículo, assim denominada pela jurisprudência/doutrina como aquelas empresas que são constituídas exclusivamente para permitir a utilização do benefício fiscal contido naquele artigo. Tais empresas nestas condições só serviriam para conduzir o investimento adquirido com ágio, por meio de uma incorporação (no caso), o que, segundo os mentores desta operação societária, daria o devido respaldo legal para a questionada amortização do ágio. A autoridade autuante concluiu que a empresa ABAETÊ foi apenas uma empresa veículo e que, na realidade, o real adquirente das ações que pertenciam aos antigos proprietários da Recorrente foi seu controlador, o Banco Bradesco S/A. A convicção da autoridade autuante está associada a um conjunto de situações e fatos, que a seguir destacamos, extraídos do TVF: Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.154 69 • ABAETÊ foi constituída em 26/08/2008, inicialmente com capital social de R$ 1.000,00, sendo 99% integralizado pela BRADESPLAN e o restante pela União Participações Ltda; em 04/11/2008, BRADESPLAN transfere suas ações para o Banco Bradesco S/A, o qual injeta R$ 495.800.000,00 no capital social da ABAETÊ; • neste mesmo dia a ABAETÊ adquiriu as ações da BBI que estavam de posse dos antigos acionistas da Ágora, ocasião em que gerou ágio na aquisição (Ágio II); • em 11/12/2009, a ABAETÊ foi extinta por incorporação pelo BBI, empresa aquela que teve apenas uma única atividade em sua existência, a participação na BBI; • com a incorporação de ABAETÊ pela BBI, esta passou a amortizar o ágio decorrente de sua própria valorização (rentabilidade futura); A Recorrente alegou durante a fase de fiscalização que as justificativas são aquelas que constam no Protocolo de Justificação de Incorporação, tais como simplificação de estrutura societária, redução de custos administrativos e eliminação da participação indireta no BBI. Disso não se trata. Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Vale dizer: até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresa veículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve uma certa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, em determinada operação, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar recursos. No caso dos autos, essa empresa veículo ou de passagem (ABAETÊ), por sua vez, sustentandose nos recursos que nela foram aportados pelo Banco Bradesco S/A (seu controlador), adquiriu participação societária na BBI S/A com pagamento de ágio e, posteriormente, foi incorporada por sua investida, a qual considerou, indevidamente, a dedutibilidade da contrapartida da amortização do ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em uma interpretação totalmente equivocada do art.386 do RIR/99. A Recorrente alegou que "a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária que não ocorreria se a aquisição do Recorrente fosse realizada diretamente pelo Banco Bradesco, como inclusive chegou a sugerir o Sr. Agente Fiscal." Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.155 70 O Banco Bradesco S/A, controlador da ABAETÊ, se houvesse feito a aquisição diretamente, não poderia terse beneficiado da amortização do ágio para fins tributários, a menos que fosse objeto de incorporação ou alienasse o ativo gerador do ágio. A Recorrente alega que tal aquisição demandaria uma "série de aprovações internas, de acionistas e de órgãos reguladores..." e que a posterior incorporação demandaria "uma complexa reorganização societária entre as duas sociedades" e outras situações, além de que, "também não era interessante ao Grupo Bradesco." Até entendo que haveria um trabalho maior, mas não houve dificuldades para o Banco Bradesco S/A aprovar e despejar quase R$ 500 milhões de reais em uma empresa com R$ 1.000,00 de capital social, unicamente para adquirir as ações de sua controlada BBI, operação esta que, parece, não sofreu qualquer restrição ou impedimento/questionamento de seus acionistas. Evidente que o Banco Bradesco S/A, controlador da Recorrente, não desejava alienar as ações que indiretamente foram adquiridas pela ABAETÊ (também controlada pelo banco), assim como, por óbvio, não era de seu interesse incorporar a Recorrente para apenas se aproveitar da dedução fiscal do ágio, daí a razão da criação da ABAETÊ, totalmente controlada pelo Banco Bradesco S/A. Assim, e apenas para poder valerse da norma de dedutibilidade do ágio na aquisição de investimentos (no caso, nas ações da BBI), prevista no art. 8o da Lei no 9.532/97, o Banco Bradesco S/A utilizouse de uma empresa controlada, constituída e utilizada exclusivamente para este fim, o que não se pode aceitar como situação que pudesse se encaixar no disposto no art.386 do RIR/99, pois foge totalmente da finalidade daquela norma, como já mostramos. Aqui não se trata, conforme aventado pela Recorrente, de eventual ingerência pela autoridade fiscal em sua atividade, tratase, isto sim, de desconsiderar, apenas para fins fiscais, a operação de incorporação efetivada pela Recorrente junto a ABAETÊ. Certamente, se o Banco Bradesco S/A tivesse adquirido diretamente as ações da Recorrente, como de fato afirmou a autoridade lançadora, estaria o banco apto legalmente a amortizar fiscalmente o debatido ágio em questão, nas situações previstas na legislação tributária, ocorre que assim não foi feito. A questão não requer muitas divagações, devese ter em mente que o ágio representa um custo (se o investimento for alienado) ou despesa se for objeto de amortizações. A legislação permite que o ágio possa ser amortizado, impedindo, entretanto, sua dedução fiscal, confirme consta no art.391 do RIR/99, ressalvado o disposto no art.426 do RIR/99 (alienação do investimento). Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.156 71 Ainda, a possibilidade (fiscal) de deduzir o ágio na apuração do lucro restringese ao caso previsto no art. 386, III, do RIR/99 (art. 7°, III, da Lei n° 9.532/97), qual seja: em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Ao contrário do que entende a Recorrente, a utilização de empresa intermediária (ou veículo), sem qualquer função empresarial real distinta do investimento com ágio, está, sim, vedada pelo dispositivo do art.386 do RIR/99. Não há lógica em supor que a Lei Tributária admitiria ou até incentivaria a criação de empresa intermediária, sem função empresarial, como se depreende das teses da Recorrente. Se a pessoa jurídica ABAETÊ não praticou ato algum de forma autônoma, independente, mas foi criada/utilizada exclusivamente para figurar como "intermediária" em lugar da efetiva interessada, Banco Bradesco S/A, todos os atos dos quais a primeira participa se mostram artificiais. A Lei não autorizou expressamente (e nem poderia) que o contribuinte se beneficie de amortização de despesas originadas em negócios desta natureza. Não é possível admitir, sob pena de aceitar incompatibilidade no ordenamento jurídico, que a lei tenha autorizado a dedução fiscal de ágio mediante operações que não refletem a realidade, sem efetivo propósito, como no caso, a criação da empresa intermediária sem qualquer finalidade. Por outro lado, não se encontra na legislação autorização para aproveitamento do ágio quando, ao final da operação, o verdadeiro adquirente (Banco Bradesco S/A) e o adquirido (Recorrente) remanescem existindo, sem que haja união do patrimônio dessas sociedades. Reproduzo novamente o texto legal do caput do art.386 do RIR/99: "Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n°L598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135, de 30.10.2003) poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998). Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.157 72 Então, o que se persegue é o que alguns chamam de confusão patrimonial, que nada mais é do que a união dos patrimônios das empresas envolvidas, a real investidora (que adquiriu a participação societária com ágio) e a investida, ocasião em que a amortização do ágio passa a ser autorizada com efeitos imediatos na base de cálculo do IRPJ. Isto porque, aquele custo maior (ágio) desembolsado pela investidora, ao se fundir com os lucros gerados pela investida, por meio da incorporação, resulta na permissibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, pois agora há uma comunicação direta entre a despesa de amortização deste ágio e as receitas auferidas pela investida. Argumenta a Recorrente que mesmo que tivesse ocorrido a aquisição pelo Banco Bradesco S/A das suas ações, então detidas pelos antigos acionistas da Ágora, o ágio poderia ter sido amortizado, descrevendo as hipóteses que entende serem alternativas válidas e que apontariam o mesmo caminho, qual seja o direito à amortização do ágio. Contudo, ainda que outras formas de reorganização societária permitissem amortização de ágio, o fato é que adotou a Recorrente a criação de empresa intermediária (veículo) exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, e isto caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. Reitero: os atos concretos da Recorrente demonstram que a verdadeira adquirente do investimento foi o Banco Bradesco S/A, o qual criou ou utilizouse de empresa já constituída do Grupo, a empresa intermediária/veículo ABAETÊ, ocasião em que aportou os recursos necessários para a aquisição do investimento, mediante aumento de capital. Essa empresa veículo, em seguida, adquiriu o investimento com ágio e depois foi incorporada pela empresa investida (Recorrente), que passa a amortizar o ágio. Dessa forma, o investimento mantevese na real adquirente (Banco Bradesco S/A, controlador da BBI), que permaneceu com sua participação na BBI detendo seu integral controle. O procedimento realizado não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que, ao final das operações realizadas, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora original, diversamente do que se extrai da lei. Por sua vez, o Banco Bradesco S/A, embora tenha cedido os recursos, procura se desvencilhar de sua condição de real adquirente das ações da BBI então detidas pelos acionistas da Ágora e esquivouse de, depois, incorporála (ou ser por ela incorporada), para, somente a partir daí, poder amortizar o ágio. Ao invés disso, utilizou empresa intermediária, criada exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, o que caracteriza Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19515.720434/201542 Acórdão n.º 1402003.858 S1C4T2 Fl. 1.158 73 descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. Nesse contexto é que, além de não restar superada a constatação fiscal de que o ônus da aquisição das ações da Recorrente então detidas pelos acionistas da Ágora foi suportado efetivamente pelo Banco Bradesco S/A, apontou a Fiscalização que não há como prosperar a possibilidade de dedutibilidade por uma pessoa jurídica, de ágio originado na aquisição, de quotas dela mesma, por uma empresa criada somente para tal operação de aquisição (empresa intermediária ou empresa veículo). Com base nas razões de decidir do Acórdão nº 1401003.080 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, é inequívoco que é indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade controlada (Banco Bradesco BBI S/A), sem demonstrar haver propósito negocial na operação, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade controladora ("empresa veículo"), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria controlada. Com referência ao argumento que objetiva a aplicação do artigo 112 do CTN ao caso, não há como prosperar a proposição da recorrente, posto que inexiste dúvida quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário relativamente à glosa de amortização de ágio e à aplicação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1158DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.906515/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.052
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 51 5/ 20 12 -9 4 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13819.906515/201294 Resolução nº 3402002.052 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13819.906515/201294 Resolução nº 3402002.052 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13819.906515/201294 Resolução nº 3402002.052 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13819.906515/201294 Resolução nº 3402002.052 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.000587/2002-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/06/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo administrativo em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC INEXIST NO PROFISC" e o contribuinte demonstra a existência do processo, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes.
Numero da decisão: 3302-007.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo administrativo em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC INEXIST NO PROFISC" e o contribuinte demonstra a existência do processo, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes.
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Recorrente DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS VILA PRUDENTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo administrativo em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC INEXIST NO PROFISC" e o contribuinte demonstra a existência do processo, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 05 87 /2 00 2- 65 Fl. 189DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Em auditoria fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi constatado “Proc jud não comprovado” da Contribuição para o PIS/Pasep dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 02/1997 a 06/1997 e declarados nas DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 6 e 7 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros de mora com cálculos válidos até 30/11/2001 perfazendo o total de R$ 107.144,13 (cento e sete mil, cento e quarenta e quatro reais e treze centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. Io e 3o, alínea “b”, da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art Io, L 9249/95; art. 2o e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1495/9611 e reed; art. 2 e inc. I E par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8, inc. I MP 1546/96 e reed. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada, a contribuinte protocolizou, em 03/01/2002 a impugnação de fls. 1 a 4 acompanhada dos documentos de fls. 5 41, na qual alega em resumo: A importância de R$ 39.920,00 referentes ao primeiro e segundo trimestre de 1997 foi compensada através do processo n° 94.03.394145 (doc. anexo) cuja sentença foi proferida em sessão Plenária realizada em 19/12/90 e Apelação Cível n° 177620 julgada em 18/09/95, que alicerçou a compensação efetuada nos trimestres em epígrafe. Por fim, requer seja a presente impugnação acolhida. Em 29 de outubro de 2010, através do Acórdão n° 1627.469, a 9ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento São Paulo I/SP, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário. Entendeu a Turma que: No tocante à alegação de que “A importância de RS 39.920,00 referentes ao primeiro e segando trimestre de 1997 foi compensada através do processo n° 94.03.394145 (doc. anexo) cuja sentença foi proferida em sessão Plenária realizada em 19/12/90 e Apelação Cível n° 177620 julgada em 18/09/95, que Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11610.000587/200265 Acórdão n.º 3302007.045 S3C3T2 Fl. 3 3 alicerçou a compensação efetuada nos trimestres em epígrafe” cabe salientar que: A EQUIPE DE ANÁLISE E ACOMPANHAMENTO DE MEDIIJAS JUDICIAIS E CONTROLE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB JUDICE EQAMJ analisou o referido processo judicial e constatou (fl. 67): “Em 11/10/1995foi publicado acórdão proferido pelo TRF da 3a Região, confirmando a sentença de Ia instância, para afastar a aplicação dos DL n° 2.445/88 e 2.449/88 e submeteu o contribuinte ao regramento da LC n° 7/70 com as alterações posteriores, quanto à incidência do PIS. O acórdão transitou em julgado em 20/11/1995”. “Após o trânsito, o contribuinte deu início à fase de execução da sentença a si favorável. A União Federal ajuizou embargos à execução em 16/12/1998, autuado sob o n° 1999.61.00.000950 4, os quais foram acolhidos por sentença de procedência publicada em 09/10/2001. O contribuinte interpôs recurso de apelação, recebido nos efeitos devolutivo e suspensivo, ao qual foi negado provimento pelo TRF da 3a Reg., conforme acórdão publicado em 05/04/2010”. “O acórdão deixa consignado que o pedido de compensação feito no âmbito da execução da sentença foi indeferido, e que a liquidação do eventual crédito não pode basearse em mera apresentação de cálculos aritméticos. A apuração do eventual crédito depende de dilação probatória, quando o contribuinte deverá demonstrar o efetivo enquadramento no regime contributivo anterior previsto na LC 7/70 e demonstrar a origem das diferenças a restituir pela aplicação do regime dos DL considerado inconstitucional”. “Dessa forma, a análise das medidas judiciais revela a inexistência de respaldo às compensações declaradas em DCTF, realizadas por conta e risco do contribuinte. De fato, não só inexiste autorização para compensação no âmbito judicial, como o próprio direito creditório buscado pelo contribuinte permanece sob litígio, dependente de comprovação nos autos, conforme visto na decisão analisada anteriormente nos autos dos embargos à execução n° 1999.61.00.0009504”. Acima exposto, concluise que o próprio judiciário não autorizou a compensação pretendida pelo Impugnante, portanto, não cabe a sua reapreciação via administrativa. O crédito que o contribuinte pretende utilizar na compensação está sendo objeto de execução judicial. Resta então, procedente o lançamento no Auto de Infração. 6. Com relação à multa de ofício, seu lançamento ocorreu porque o contribuinte deixou de efetuar o pagamento de obrigação tributária já vencida sem apontar alguma causa válida que justificasse a mora. Fl. 191DF CARF MF 4 A imposição da multa se funda no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, e no art. 90 da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Entretanto, posteriormente ao auto de infração em comento, a regra para o lançamento foi alterada. Assim dispõe o art. 18 da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro ae \ 1996. ” (Grifouse) 6.2.1. 0 art. 18 da Lei n2 10.833, de 29 de dezembro de 2003 passou a vigorar com a redação dada pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n~ 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não ltomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 4~ Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n~ 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1°, quando for o caso. ” 6.3. Dessa maneira, não cabe mais imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, “c”, do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada. 7. Ante o exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO e MANUTENÇÃO EM PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, de conformidade com o Demonstrativo de Crédito Tributário Exigido, Exonerado e Mantido a seguir: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11610.000587/200265 Acórdão n.º 3302007.045 S3C3T2 Fl. 4 5 A empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS VILA PRUDENTE LTDA. foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 12 de janeiro de 2012, às efolhas 125. A empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS VILA PRUDENTE LTDA. ingressou com Recurso Voluntário, em 10 de fevereiro de 2012, de efolhas 126 à 163. Foi alegado: FATO NOVO Cumpre à contribuinte rogar ao Nobre órgão Julgador, que ofereça a devida atenção junto a decisão exarada pela 21a Vara Federal de São Paulo sob o n° 91.07411448 (DOC.ANEXO), onde fica patente o aceite/autorização pelo Poder Judiciário na realização de compensação de PIS/PASEP em favor da contribuinte DISTRIBUIDORA VILA PRUDENTE LTDA. Frente a isso, se REQUER. A DILIGÊNCIA ARGUIDA, em sumo prestígio ao direito de ampla defesa e contraditório,(direito fundamental de Ia dimensão) como meio de PROVAR o que se esta alegando. Pela relevância e proporção da PROVA, REQUER, com o devido acatamento, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIAS para que o direito existente seja liquidado nos termos legais, sendo os valores devidamente apurados, tendo como referência os cálculos juntados, assim como posterior atualização por agente fiscal e acompanhamento por assistente técnico indicado. A parte final do requerimento nas diligências é efetuada conforme r. decisão da 3a Turma/DRJRJI de 11 de Agosto de 2005 Acórdão n° 10808.442 Processo n° 15374.001625/9921 Voto Relator, Conselheiro LUIZALBERTO CAVA MACEIRA., Preliminarmente vem a Contribuinte a esse Nobre Conselho Administrativo requerer nos termos expressos no art.151, III7 do Código Tributário Nacional a suspensão da exigibilidade do valor de R$ 141.638,99 (cento e quarenta e hum mil reais, seiscentos e trinta e oito reais e noventa e nove centavos), haja vista a proibição do Fisco de inscrever a dívida e procurar o Poder Judiciário para requerer seus direitos, na pendência de eventual solução administrativa de qualquer impugnação ou recurso. Fl. 193DF CARF MF 6 II MEMORIAIS O presente Recurso Voluntário comprovará que a Contribuinte obteve na 21a Vara Federal de São Paulo sob o n° 91.07411448, sentença para afastar a aplicação dos DL n° 2.445/88 e 2.449/88 que veio submeter à Contribuinte ao regramento da LC n° 7/70, quanto à incidência do PIS. Observamos que o acórdão transitou em julgado em 20/11/1995. Após o trânsito em julgado a Contribuinte deu início a execução da sentença que lhe era favorável, tendo a União embargado a execução em 16/12/1998 (processo n° 1999.61.00.000950 4), os quais foram acolhidos por sentença de procedência publicada em 09/10/2001. Frente a isso, a Contribuinte interpôs recurso de Apelação nos efeitos devolutivo e suspensivo, tendo sido negado provimento pelo TRF3 da (3a) Terceira Região. Ocorre que na negativa da Apelação, o Juízo reconheceu a existência do título executivo, contudo frisou que a Contribuinte não cumpriu o art. 604 do CPC9, deixando de oferecer liquidez ao reconhecido título de compensação. Em linguagem jurídicasemiótica, o art. 604 do CPC, in verbis declinado, É INSTRUMENTAL ou seja, assessora o CAMBIÁRIO TÍTULO JUDICIAL, porque lhe acrescenta POR ACRÉSCIMO/CONFERÊNCIA o valor. E tão só, porque o principal, TÍTULO EXECUTIVOadjeto do direito, continua a existir e ter validade (como diz a teoria da tridimenssionalidade de Reale). O citado artigo, não torna inexiste o direito da contribuinte em realizar a deseiada compensação, no máximo se pode dizer que sua liquidez encontrase prejudica momentaneamente, sendo passível de solução. Contudo, como é costume da Fazenda Pública em seu voraz desejo arrecadatório, preferiu ignorar a existência desse direito de compensação, julgando por meio da 9a Turma da DRJ/SP1 a não legalidade da compensação dos valores referentes ao PIS. Fato esse que não podemos admitir! Sustentando as alegações trazidas pela empresa Recorrente, nos valemos da exposição de julgados administrativos e judiciais pertinentes à matéria e REQUER diligências periciais 10 com nomeação de peritoassistente em cumprimento ao postulado constitucional art. 5o, LV11, como MEIO de instaurar e promover o contraditório, assim como, já pronunciou o STF em Súmula Vinculante n° 512, uma vez que não houve o saneamento do processo administrativo. III DOS FATOS A Contribuinte sofreu, a efeito de auditoria fiscal, autuação por ter o Fisco supostamente identificado "Proc jud não comprovado" da contribuição para PIS/PASEP, dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 02/1997 a 06/1997 e declarados nas DCTF'S, razão pelo qual foi lavrado o auto de infração onde se apurou o indevido crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros de mora, perfazendo o total de R$ 107.144,13 (cento e sete mil, cento e quarenta e quatro reais e treze centavos). Insta apontar que a própria Fazenda no relatório do combatido Termo de Intimação, reconheceu que a importância de R$39.920,00 (trinta e nove mil e novecentos e vinte reais) referentes ao primeiro período e segundo trimestre de 1997 foi devidamente compensada através do processo n° 94.03.394145 cuja sentença proferida em sessão plenária realizada em 19/12/90 e Apelação Cível n° 177620 iuloada em 18/09/95, que alicerçou a compensação efetuada nos trimestres em epígrafe. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11610.000587/200265 Acórdão n.º 3302007.045 S3C3T2 Fl. 5 7 A Recorrente inconformada com a autuação apresentou Impugnação em 03/01/2002, tendo a 9o Turma da DRJ/SP1 apresentado sua errônea decisão no Acórdão n° 16 27.469. Em 11/10/1995 foi publicado acórdão proferido pelo TRF da 3o Região, confirmando a sentença de Ia instância, para afastar a aplicação dos DL n° 2.445/88 e 2.449/88 e submeteu ao regramento da LC n° 7/70 com alterações posteriores, quanto à incidência do PIS, tendo o acórdão transitado em julgado em 20/11/1995. Como preconiza a Lei Complementar em matéria tributária, ut, art. 170 A(parte final) do CTNCódigo Tributário Nacional, após o trânsito em julgado, a Contribuinte deu início à fase de execução da sentença a si favorável. Sendo naquela oportunidade, a União Federal ajuizou embargos à execução em 16/12/1998, autuado sob o n° 1999.61.00.0009504, os quais foram acolhidos por sentença de procedência publicada em 09/10/2001. A Contribuinte em face disso, interpôs Recurso de Apelação, recebida com efeito devolutivo e suspensivo, ao qual foi negado provimento pelo TRF da 3a Região, conforme acórdão publicado em 05/04/2010. Para registro e que não permaneça a confusão, o não provimento da Apelação não teve o condão de alterar a coisa julgada formal, qual seja, NÃO DESCONTITUIU O TÍTULO EXECUTIVO. A Receita Federal em seu relatório apontou que o acórdão deixou consignado que o pedido de compensação feito no âmbito da sentença foi indeferido, e que a liquidação do eventual crédito não pode basearse em mera apresentação de cálculos aritméticos. Considerou, que a apuração do eventual crédito depende de dilação probatória, quando o contribuinte deverá demonstra o efetivo enquadramento no regime contributivo anterior previsto no LC 7/70 e demonstrar a origem das diferenças a restituir pela aplicação do regime dos DL considerado inconstitucional. Na esteira das costumeiras imprecisões, continua a Receita a apontar no indevido acórdão que a análise das medidas judiciais revela a inexistência de respaldo às compensações declaradas em DCTF, realizadas por conta e risco do contribuinte. Considera ainda de maneira descabida que, não só inexiste autorização para compensação no âmbito judicial, como o próprio direito creditório buscado, permanece sob litígio, dependendo de comprovação nos autos, conforme visto na decisão analisada anteriormente nos autos dos Embargos à execução n° 1999.61.00.0009504. Após as rasas alegações apontadas, concluiu a Receita Federal que o próprio Judiciário não autorizou a compensação desejada pela Contribuinte, não cabendo assim sua reapreciação via administrativa. Logo, considerou como justa o lançamento no indevido Auto de Infração. O Fisco em sua decisão espelhada no acórdão n° 1627.469 da 9a Turma da DRJ/SP1, deixa de observar que na negativa da Apelação ajuizada pela Contribuinte, o Juízo reconheceu a existência do título executivo, contudo frisou que a Contribuinte deixou de cumprir e exposto no art. 604 do CPC14, deixando de oferecer liquidez ao reconhecido título de compensação. Isso sem contar o claro reconhecimento ao direito de compensar, como apontamos no início da defesa sob o título de FATO NOVO! Fl. 195DF CARF MF 8 Assim, o mero fato de deixar de cumprir o disposto no artigo supra, não torna inexiste o direito da contribuinte em realizar a desejada compensação, no máximo se pode dizer que sua liquidez encontrasse prejudica momentaneamente, sendo passível de solução. Por consequência, até mesmos os valores referentes à aplicação de multa em razão da alegada inadimplência da Contribuinte, não deve ser mantida nem nos valores já reconsiderados, pois não assiste razão ao Fisco, posto que o direito a compensação só não é liquido, mas existe e foi devidamente reconhecido! Face ao tamanho descabimento proferido pela Receita Federal, necessário se faz a urgência de termos aceito a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIAS, iá que existe o direito a compensação dos valores almejados pela empresa, como consta no processo n° 91.07411448 (21a Vara Federal Cível de São Paulo), sendo necessário que ocorra a liquidação do título executivo na seara Judicial para que ocorra nos termos da Lei à devida compensação da Contribuinte. Logo, não pode a Receita Federal querer penalizar a empresa por omissão de recolhimento, já que não aguardou a realização da correta liquidação na esfera judiciária. Fato esse que por fatos e provas, não deve ser mantido! IV DO DIREITO A) Do Direito a Ampla Defesa e ao Contraditório; B) Dos Princípios Constitucionais que regem a Administração Pública, os Direitos Fundamentais do Contribuinte e o Acesso à Justiça; C) Da Compensação e Seus Requisitos; D) Do ônus da prova; E) Sustentação Oral; F) Das Multas. V DOS PEDIDOS Diante do exposto, com o devido acatamento vem requerer: a) Seja este Recurso Voluntário autuado, recebido e processado, nos termo das leis reguladoras do Processo Administrativo Constitucional Tributário Federal, Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela lei 9.430/96, 9.532/97, 9.784/99, 10.522/02, 11.119/05, 11.196/05, bem como, com amparo no que dispõe o Art. 5o incisos: XXXIV, "a", LV, LXXVIII, § 1°, da CF/88, e suas respectivas alterações; b) Fiquem SUSPENSOS quaisquer procedimentos administrativos, inclusive encaminhamento à Dívida Ativa, bem como, abstendose da lavratura de CDA Certidão da Dívida Ativa e outros atos tendentes à cobrança, no sentido de apreciar a presente defesa, pois o auto de infração e seu respectivo processo deverá ficar suspenso, nos termos expresso no art.151, III do Código Tributário Nacional; Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11610.000587/200265 Acórdão n.º 3302007.045 S3C3T2 Fl. 6 9 c) Deferida, preliminarmente, a sustentação oral à Recorrente, bem como, o requerimento de diligências, cumprindo os ditames da Constituição Federal, Artigo 5o incisos: XXXIV, "a", LIV, LV, LXXXVIII, § Io, bem como, do artigo 96 do Código Tributário Nacional39, no sentido de verificar a plausibidade da legislação tributária, compreendida entre leis, tratados, decretos e as normas complementares, ao final declarando a procedência dos créditos existentes, com a designação de dia e hora para a sua sustentação, a ser consignada em termo/ata, o qual se requer desde logo, seia parte integrante do presente procedimento administrativo constitucional; d) Requer nos termos do Decreto 70.235/72, o qual regula o processo administrativo fiscal, art.16, III, IV e parágrafo Io (redação dada pela lei 8.748/93), DILIGÊNCIAS IMEDIATAS no sentido de se apurar e se validar o correto valor de compensação expresso no processo decidido na 21a Vara Cível Federal da Capital/SP (DOC.ANEXO), em respeito às tabelas de cálculos já juntadas, assim como das devidas DCTF's; e) Pede ainda a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para produção de prova essencial, no caso, que seja apreciada a decisão colacionada na presente decisão judicial da 21a vara da Federal de São Paulo sob o n° 91.07411448, no qual se reconhece o direito da Recorrente em realizar a compensação; f) Indica, nos termos do parágrafo Io, o perito, Dr. Paschoal Rizzi Nadeo, Perito Judicial Contábil CRC 1SP40389/01 APEJESP n° 1.055, com endereço na Rua Riachuelo, n° 326, 20°, cjs. 202 e 203 CEP: 01007000 São PauloSP tel. (11) 31059447 email: prnaddeo@uol.com.br; g) E, se REQUER a DILIGÊNCIA em prestígio ao direito de ampla defesa e contraditório PROVAR o que se esta alegando. Vide decisão da 3a Turma/DRJRio de Janeiro/RJ I de 11 de Agosto de 2005 Acórdão n° 10808.442 Processo n° 15374.001625/9921 Voto Relator, Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA; h) A improcedência do lançamento realizado no Auto de Infração lavrado, posto ter havido o recolhimento tempestivo e correto, bem como no mérito, o seu total acolhimento, para que seja extinto o suposto débito, em atenção ao Art. 156,1 I41, do Código Tributário Nacional; i) Que seja afastada a aplicação das multa de mora assim como dos abusivos juros, tendo em vista a inconstitucionalidade do procedimento; j) Em caso de eventual resíduo de imposto a recolher, conceda a compensação com os créditos de PIS/PASEP conforme documentos juntados descontos incondicionais, como lhe é de direito; Fl. 197DF CARF MF 10 k) Por derradeiro, requer sejam as intimações deste processo administrativo, encaminhadas em nome do Dr Luis Carlos Gomes da Silva, OAB/MT 5.474 e OAB/SP 180.745 A, com endereço Avenida Nove de Julho, n° 3452, 13° andar, Jardim Paulista, São Paulo/SP, CEP: 01406000. Pelas razões e argumentos acima expostos, e pelos princípios do contraditório e da ampla defesa a Recorrente, todos os requerimento são efetuados no pleno exercício regular de direito constitucional, elencando seus pedidos, invocando ainda, o Estatuto da Ordem dos Advogados, Lei 8.906/94. Salientando que o exercício da advocacia é o único previsto em nossa Constituição, onde em seu artigo 133, assim dispõe ser este mister indispensável à administração da justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 12 de janeiro de 2012, às efolhas 125. A empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS VILA PRUDENTE LTDA. ingressou com Recurso Voluntário, em 10 de fevereiro de 2012, às efolhas 126. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIAS, dado o alegado direito à compensação dos valores almejados pela empresa, como consta no processo n° 91.07411448 (21a Vara Federal Cível de São Paulo); · Do Direito a Ampla Defesa e ao Contraditório; · Dos Princípios Constitucionais que regem a Administração Pública, os Direitos Fundamentais do Contribuinte e o Acesso à Justiça; · Compensação e Seus Requisitos; · Do ônus da prova; · Sustentação Oral; · Das Multas. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11610.000587/200265 Acórdão n.º 3302007.045 S3C3T2 Fl. 7 11 Passase à análise. A discussão em pauta diz respeito à possibilidade da Delegacia Regional de Julgamento mudar o fundamento jurídico do auto de infração. O auto de infração foi fundamentado na constatação do “Proc jud não comprovado” da Contribuição para o PIS/Pasep dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 02/1997 a 06/1997 e declarados nas DCTF. A decisão da Delegacia Regional de Julgamento manteve o lançamento tendo por supedâneo de que inexiste autorização para compensação no âmbito judicial, como o próprio direito creditório buscado pelo contribuinte permanece sob litígio, dependente de comprovação nos autos, conforme visto na decisão analisada anteriormente nos autos dos embargos à execução n° 1999.61.00.0009504”. O Acórdão nº 930301.060, da lavra do conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão do dia 23 de agosto de 2010, o qual subscrevi, mutatis mutandis, retrata meu pensamento sobre esta lide, de sorte que peço vênia para reproduzilo: (...) Compulsando os autos, verificase que a fundamentação do lançamento de ofício foi ter o sujeito passivo informado compensação em DCTF arrimada em decisão judicial, mas que tal ação não fora comprovada. Daí a fiscalização haver utilizado como premissa para a glosa de crédito o suposto fato de que a ação judicial alegada pelo sujeito passivo não existira No julgamento da impugnação, a DRJ reconheceu a comprovação produzida pela empresa quanto à existência do processo judicial informado e a sua vinculação à matéria alegada, todavia, justificou o lançamento sob o argumento de que se o crédito tributário existisse, a compensação somente poderia ter sido efetuada, a partir do trânsito em julgado da decisão judicial que reconhecesse os créditos em favor do sujeito passivo, o que não era o caso dos autos. Razão tem a autoridade julgadora de primeira instância quando alega a necessidade do trânsito em julgado para que se possa proceder à compensação desses créditos com débitos de origem tributária do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional. De outro lado, não se pode esquecer que o Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. Fl. 199DF CARF MF 12 No caso dos autos, a glosa deuse sob a premissa de que a ação judicial informada pelo sujeito passivo, como base para a compensação por ele efetuada, não existiria. Ora, se essa era a acusação: “proc jud não comprova”, se o sujeito passivo comprovou a existência da ação judicial informada na DCTF, a acusação fiscal tornouse insubsistente, não sendo lícito ao órgão de julgamento modificar a fundamentação do lançamento. Se a fiscalização entender que deve, pode fazer nova acusação, desta feita retratando, corretamente, os fatos imputados ao sujeito passivo, e, de preferência, os descrevendo em Português vernacular, sem abreviações ou frases inacabadas, como a constante do auto de infração em comento (proc jud não comprova). Essa descrição dos fatos, de per si, já representaria cerceamento de defesa, posto ser ininteligível para o homem de conhecimento médio que não seja afeito às questões fazendárias, o que, se alegado pela parte, culminaria na nulidade dos auto de infração, mas como não o foi, não se pode, de ofício, pronunciála, posto que só a parte prejudicada é que tem legitimidade para argüir o prejuízo advindo do cerceio de defesa. É um direito personalíssimo e subjetivo do ofendido. De outro lado, a mudança de critério jurídico realizada pela decisão de primeira instância, não tem o condão de macular o lançamento fiscal, mas sim, a própria decisão, pois quem a proferiu não detinha competência legal para agravar o lançamento fiscal, modificando os seus fundamentos. Desta feita, entendo que o órgão julgador de primeira instância, ao modificar os fundamentos do auto de infração, extrapolou de suas competências, o que torna nula a decisão proferida. Todavia, deixo de pronunciar tal nulidade, pois, no mérito, como dito linha acima, o lançamento é improcedente, já que as provas trazidas aos autos põem por terra a acusação fiscal, já que restou comprovado pelo sujeito passivo que a ação judicial por ele informada na DCTF existe e versa sobre o direito creditório controvertido nestes autos. Assim, a acusação fiscal do “proc. Jud. não comprova”, não encontra respaldo nos autos. Aliás, tal “fundamentação” desses malfadados autos de infração “eletrônicos”, a rigor, apenas indica que o processo judicial informado não existe. Isso é, por óbvio, o máximo que pode fazer um sistema informatizado, já que não tem capacidade de “interpretar” o conteúdo da decisão proferida para definir se dá cobertura à compensação pretendida. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte. "Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11610.000587/200265 Acórdão n.º 3302007.045 S3C3T2 Fl. 8 13 lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração". No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento". Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de oficio efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no curso do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarrazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatora e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu juízo, sem que o processo seja saneado, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial”. Retornando ao processo em análise, com dito alhures, o auto de infração foi fundamentado na constatação do “Proc jud não comprovado” da Contribuição para o PIS/Pasep dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 02/1997 a 06/1997 e declarados nas DCTF. A Delegacia de Julgamento manteve parte do lançamento sob outro fundamento. Respeitosamente, considero que manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que diz respeito à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Fl. 201DF CARF MF 14 Pelos fatos arrolados, resta evidente que o pressuposto fático que deu suporte ao auto de infração é falso. Logo, o auto de infração deve ser cancelado pela inexistência e falta de veracidade dos motivos apontados como fundamento. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso do sujeito passivo e cancelo o auto de infração. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 202DF CARF MF
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