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Numero do processo: 16020.000059/2007-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 28/07/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. QUANTO À FIXAÇÃO DO MARCO FINAL DA DECADÊNCIA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ERRONIA. NO PRAZO FINAL. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO. RETIFICAÇÃO DA DECADÊNCIA.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 28/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. QUANTO À FIXAÇÃO DO MARCO FINAL DA DECADÊNCIA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ERRONIA. NO PRAZO FINAL. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO. RETIFICAÇÃO DA DECADÊNCIA. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 118 1 117 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16020.000059/200784 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2803002.563 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2013 Matéria OMISSÃO E CONTRADIÇÃO MARCO FINAL DA DECADÊNCIA. Embargante FAZENDA NACIONAL. Interessado LONGA INDÚSTRIAL LTDA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 28/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. QUANTO À FIXAÇÃO DO MARCO FINAL DA DECADÊNCIA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ERRONIA. NO PRAZO FINAL. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO. RETIFICAÇÃO DA DECADÊNCIA. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 00 59 /2 00 7- 84 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16020.000059/200784 Acórdão n.º 2803002.563 S2TE03 Fl. 119 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela PGFN – em face do Acórdão Nº 2803002.154, exarado pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, sob a alegação de haver omissão e contradição na decisão embargada. Aduz a embargante, em síntese. · que houve contradição/omissão no Acórdão citado, uma vez que este aplicou o artigo 173, I, da Lei 5.172/66, e declarou a decadência até a competência 12/1999, porém não estando esta decadente, tendo em vista, que o primeiro dia do exercício seguinte em que ocorreu o fato gerador seria 01/01/2001. Cita o Acórdão 240101.759 e 2202 01.248. · que havendo contradição/omissão devem os declaratórios serem admitida para corrigir o acórdão. · requer ao final – que a omissão e a contradição sejam sanadas para se declarar que a decadência não alcançou a competência 12/1999, atribuindose efeitos infringentes aos embargos, para reformar o acórdão. É o Relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16020.000059/200784 Acórdão n.º 2803002.563 S2TE03 Fl. 120 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. Tratase de embargos de declaração em face de acórdão, amparado na existência de omissão e contradição na decisão embargada. De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição, se existentes possibilitam a oposição de embargos de declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida a omissão e a contradição, uma vez que os autos tratam de lançamento decorrente do não cumprimento de dever instrumental, ou seja, obrigação acessória, relativa a não declaração de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP. A GFIP documento declaratório das obrigações previdenciárias deve ser entregue a rede bancária até o dia sete do mês seguinte ao de sua competência, nos termos do artigo 225, parágrafo 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Desta forma, a GFIP de 12/1999 só foi entregue em 07/01/2000 e, assim, o lançamento de multa em razão só poderia ocorrer a partir de 08/01/2000. O que implica dizer que o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia se dar era 01/01/2001, ou seja, decadência da competência 12/1999 só ocorreria em 01/01/2006. A notificação do lançamento em questão só se deu em 29/07/2005. Logo, a competência 12/1999 não estava decadente, devendo ser mantida no crédito. Esclarecidas a omissão e a contradição, a qual entendeu existente a D. PGFN e que se mostrou realmente existente retifico a minha decisão original, qual seja, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente, para declarar que a decadência das faltas justificadoras da autuação operouse até a competência 11/1999, inclusive, permanecendo as demais faltas aptas a justificar a autuação. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16020.000059/200784 Acórdão n.º 2803002.563 S2TE03 Fl. 121 4 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para elucidar a omissão/contradição que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando seu aclaramento e retificação. Posto isto, empresto a estes embargos, efeitos infringentes, da decisão original, para declarar que as faltas justificadoras da infração até a competência 11/1999 estão decadentes, alterando o que decidido no Acórdão Nº 2803002.154, mantendo todas as demais faltas aptas as justificarem a atuação, integrado este àquela decisão inicial. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001306/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 59, § 3º, DO DECRETO Nº 70.235/72.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHOS DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES NOMINAIS DOS TÍTULOS, PARA EQUIPARAÇÃO À FRAÇÃO IDEAL DO PATRIMÔNIO SOCIAL DAS ASSOCIAÇÕES INVESTIDAS. NEUTRALIDADE. A atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F não afeta a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação pois, de um lado, não representa efetivo custo de aquisição, e, de outro, integra reserva de capital que deve ser realizada na baixa dos direitos.
DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil.
Numero da decisão: 1101-000.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, foi REJEITADA a argüição de nulidade e, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 59, § 3º, DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHOS DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES NOMINAIS DOS TÍTULOS, PARA EQUIPARAÇÃO À FRAÇÃO IDEAL DO PATRIMÔNIO SOCIAL DAS ASSOCIAÇÕES INVESTIDAS. NEUTRALIDADE. A atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F não afeta a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação pois, de um lado, não representa efetivo custo de aquisição, e, de outro, integra reserva de capital que deve ser realizada na baixa dos direitos. DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, foi REJEITADA a argüição de nulidade e, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 59, § 3º, DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHOS DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES NOMINAIS DOS TÍTULOS, PARA EQUIPARAÇÃO À FRAÇÃO IDEAL DO PATRIMÔNIO SOCIAL DAS ASSOCIAÇÕES “INVESTIDAS”. NEUTRALIDADE. A atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F não afeta a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação pois, de um lado, não representa efetivo custo de aquisição, e, de outro, integra reserva de capital que deve ser realizada na baixa dos direitos. DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 06 /2 01 0- 11 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 49 2 Acordam os membro da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, foi REJEITADA a argüição de nulidade e, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 50 3 Relatório Versa a presente lide sobre autos de infração relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 195/200), no valor de R$ 4.683.475,52 (quatro milhões, seiscentos e oitenta e três mil, quatrocentos e setenta e cinco reais e cinquenta e dois centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 200/206), no importe de R$ 1.686.051,18 (um milhão, seiscentos e oitenta e seis mil, cinquenta e um reais e dezoito centavos), acrescidos de multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), e de juros de mora, atinentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Por meio do Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 207/215, a autoridade lançadora relatou o que segue: HISTÓRICO DE AQUISIÇÕES E ALIENAÇÕES DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOVESPA DETIDOS PELA AUTUADA i. o Banco Alvorada (“ALVORADA”) não detinha, até 30.07.2004, quaisquer Títulos Patrimoniais da BOVESPA (“TPBOVESPA”). Naquela data, contudo, adquiriu, por meio de incorporação, 18 (dezoito) deles, pertencentes à BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., registrados, na “conta COSIF 2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais”, pelo seu valor contábil, equivalente a R$ 13.155.331,14 (treze milhões, cento e cinquenta e cinco mil, trezentos e trinta e um reais e quatorze centavos); ii. em 30.12.2004, o ALVORADA incorporou parcela cindida do Banco BANEB S.A., adquirindo, então, mais 12 (doze) TPBOVESPA, registrados contabilmente pelo valor de R$ 9.133.510,84 (nove milhões, cento e trinta e três mil, quinhentos e dez reais e oitenta e quatro centavos); iii. em 17.01.2005, o ALVORADA promoveu a venda de 08 (oito) TP BOVESPA, pelo montante de R$ 6.149.444,72 (seis milhões, cento e quarenta e nove mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e setenta e dois centavos). Remanesceram em seu poder, então, 22 (vinte e dois) Títulos; iv. para o que interessa à corrente autuação, o ALVORADA, em 30.05.2007, subscreveu quotas do capital social da Bruxelas Holdings Ltda. (“BRUXELAS”), entregando, dentre outros ativos, os 22 (vinte e dois) TPBOVESPA de sua titularidade, avaliados, na Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 51 4 ocasião, em R$ 29.033.762,12 (vinte e nove milhões, trinta e três mil, setecentos e sessenta e dois reais e doze centavos); v. a conta COSIF supracitada, que registrava a titularidade dos TP BOVESPA, foi zerada 01 (um) mês depois, em 30.06.2007; vi. o ALVORADA informou, à época, que não houve ganho de capital na alienação dos 22 (vinte e dois) TPBOVESPA, operada via subscrição do capital social da BRUXELAS; vii. verificandose, contudo, a movimentação da “conta COSIF 2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais”, observase que o ALVORADA realizava atualizações periódicas do valor contábil dos TP BOVESPA, lançando contrapartidas na “conta COSIF 6.1.3.70.00 9 Reserva Especial Atualização Títulos Patrimoniais”; viii. no período de 30.04.2004 (data da primeira aquisição) a 30.05.2007 (data da última alienação), os TPBOVESPA foram atualizados, especificamente, no montante total de R$ 12.894.362,86 (doze milhões, oitocentos e noventa e quatro mil, trezentos e sessenta e dois reais e oitenta e seis centavos). Consta, do TVF (fl. 208), tabela demonstrativa das movimentações de aquisição e de alienação dos TPBOVESPA, indicativa do custo histórico da carteira, sem se considerar os efeitos das atualizações patrimoniais; HISTÓRICO DE AQUISIÇÕES E ALIENAÇÕES DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BM&F DETIDOS PELA AUTUADA ix. o ALVORADA possuía, em 30.09.2003, 01 (um) Título Patrimonial da BM&F, da espécie “Título de Membro de Compensação” (“TMC BM&F”), contabilizado, na “conta COSIF 2.1.4.10.208 Títulos Patrimoniais”, pelo valor de R$ 2.574.611,00 (dois milhões, quinhentos e setenta e quatro mil, seiscentos e onze reais). Não há notícias acerca do custo efetivo de aquisição deste Título. Sabendose, de todo modo, que o único TMCBM&F detido pela autuada era aquele, e considerandose que, em 09.2003, seu valor contábil foi atualizado em R$ 35.027,87 (trinta e cinco mil, vinte e sete reais e oitenta e sete centavos), podese concluir que o custo de aquisição real foi de R$ 2.539.583,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil, quinhentos e oitenta e três reais e treze centavos) (R$ 2.574.611,00 R$ 35.027,87); x. em 30.07.2004, o ALVORADA adquiriu, por incorporação da BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., 02 (dois) outros TMCBM&F. Eles foram registrados, em 27.08.2004, na “conta COSIF 2.1.4.10.208 Títulos Patrimoniais”, pelo valor contábil de Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 52 5 aquisição de R$ 5.746.743,00 (cinco milhões, setecentos e quarenta e seis mil, setecentos e quarenta e três reais); xi. em 30.12.2004, o ALVORADA incorporou, outrossim, parcela cindida do BANEB S.A., adquirindo mais 01 (um) TMCBM&F, registrado, em 24.01.2005, na “conta COSIF 2.1.4.10.208 (0001/9) Títulos Patrimoniais”, pelo valor de R$ 3.053.888,00 (três milhões, cinquenta e três mil, oitocentos e oitenta e oito reais). Este lançamento foi retificado, pelo valor de R$ 209.405,71 (duzentos e nove mil, quatrocentos e cinco reais e setenta e um centavos), em 31.01.2005. Considerandose, pois, a retificação e a atualização deste Título, contabilizada em 30.12.2004, no valor de R$ 35.803,90 (trinta e cinco mil, oitocentos e três reais e noventa centavos), chegase à conclusão de que ele foi adquirido, em verdade, pelo valor contábil de R$ 3.188.805,71 (três milhões, cento e oitenta e oito mil, oitocentos e cinco reais e setenta e um centavos) (R$ 3.014.745,00 + R$ 209.405,71 R$ 35.345,00); xii. as atualizações referentes a todos os Títulos Patrimoniais citados foram lançadas na “conta COSIF 6.1.3.70.009 – Reserva Especial Atualizações de Títulos Patrimoniais”. Esta conta apresentava, então, em 30.12.2005, um saldo de atualização equivalente a R$ 3.504.593,94 (três milhões, quinhentos e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e noventa e quatro centavos); xiii. em 10.03.2005, o ALVORADA efetuou a venda de 01 (um) TMC BM&F, pelo valor de R$ 3.266.012,62 (três milhões, duzentos e sessenta e seis mil, doze reais e sessenta e dois centavos); xiv. no que importa à lide, o ALVORADA alienou, no anobase de 2007, 01 (um) TMCBM&F, pelo valor de R$ 4.443.325,62 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos). Participou, também, diretamente, do processo de desmutualização da BM&F, por meio de 02 (dois) TMCBM&F, convertidos em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações da BM&F S.A.; xv. no que tange ao processo de desmutualização, é necessário ressaltar que uma das primeiras AGE’s da BM&F S.A., realizada em 20.09.2007 foi a responsável por estabelecer os critérios de permuta dos Títulos Patrimoniais da BM&F pelas ações da BM&F S.A. Tomouse como parâmetro, para tanto, laudo de avaliação realizado em 31.08.2007; xvi. em 31.10.2007, o ALVORADA contabilizou a desmutualização, com lançamentos correspondentes à quantia de R$ 9.923.220,00 (nove milhões, novecentos e vinte e três mil, duzentos e vinte reais), realizados nas contas abaixo identificadas: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 53 6 a. Débito: “Conta COSIF 2.1.5.10.108 Ações e Cotas BM&F S.A.”; b. Crédito: “Conta COSIF 2.1.4.10.2085 – Títulos Patrimoniais”. xvii. devese notar que, no período de 09.2003 a 09.2007, os Títulos Patrimoniais da BM&F foram atualizados, positivamente, no montante de R$ 6.607.500,72 (seis milhões, seiscentos e sete mil, quinhentos reais e setenta e dois centavos). Consta, à fl. 210, tabelas denotativas de todas as movimentações de aquisição e de alienação dos Títulos Patrimoniais da BM&F, com a indicação do custo de aquisição da carteira, sem consideração dos efeitos das atualizações patrimoniais; DA TRIBUTAÇÃO DAS VENDAS DE TÍTULOS PATRIMONIAIS ANTES DA DESMUTUALIZAÇÃO xviii. por determinação do Banco Central, a contabilização dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F estava sujeita a atualizações monetárias periódicas, fundamentadas na alteração dos patrimônios sociais das instituições. A contrapartida destes lançamentos corresponderia a uma conta de reserva de capital, denominada de “Reserva de Títulos Patrimoniais”; xix. assim, os resultados da Bovespa e da BM&F alteravam seus patrimônios sociais e, por conseguinte, os valores dos Títulos Patrimoniais – o que refletia na contabilidade de seus detentores, por meio das correlatas atualizações; xx. o ganho de capital obtido por força da atualização dos valores contábeis dos Títulos Patrimoniais estaria sujeito à tributação, conforme definido pelo parágrafo único do artigo 219 do RIR/1999; xxi. a Portaria MF n° 785/1977, de todo modo, diferiu a incidência da tributação sobre estas atualizações, nas condições nela estabelecidas, in verbis: “I. O acréscimo do valor nominal dos Títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 54 7 II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei n° 1.109/70, art. 3o, § 3o (RIR, art. 237).” xxii. citado dispositivo, claramente, trouxe hipótese de diferimento, como bem deriva de sua leitura, já que ele não mencionou qual o procedimento a ser adotado no caso de alienação ou de devolução dos Títulos Patrimoniais. O comando em questão apenas trata da tributação da atualização dos referidos Títulos, de um lado, e da reserva constituída a partir dela, de outro; xxiii. a devolução dos Títulos Patrimoniais foi tratada, especificamente, pela Lei n° 9.532/1997, em seu artigo 17. A alienação, por sua vez, fazia caracterizar ganho de capital, sendo regida, pois, pelo artigo 31 , § 3º, do Decretolei n° 1.598/1977; xxiv. não há dúvidas, insistase, de que a Portaria MF nº 785/1977 provocou um diferimento do momento da tributação do IRPJ devido. A despeito disso, jamais afastou, em definitivo, a tributação do ganho de capital obtido pelo ALVORADA, em virtude das atualizações dos Títulos Patrimoniais; xxv. em vista do exposto, o valor tributável, na alienação dos Títulos Patrimoniais, será a diferença entre o valor da alienação e o valor registrado na carteira, ajustado pela parcela referente à atualização, escriturada no patrimônio líquido sob a rubrica “Reservas de Atualização de Títulos Patrimoniais”; xxvi. aplicandose, então, o ajuste acima citado, o valor registrado na carteira dos Títulos Patrimoniais corresponderá, exatamente, a seu custo de aquisição. Como todos os Títulos adquiridos foram contabilizados, porém, em uma única conta, fazse necessário utilizar o método do “custo médio”; Do ganho de capital na venda dos TPBOVESPA xxvii. nessa toada, em relação à venda dos TPBOVESPA, vale recordar que o ALVORADA adquiriu 18 (dezoito) deles, em 30.04.2004, e 12 (doze) deles, em 30.12.2004, pelos valores de R$ 13.155.331,14 (treze milhões, cento e cinquenta e cinco mil, trezentos e trinta e um reais e quatorze centavos) e de R$ 9.133.512,84 (nove milhões, cento e trinta e três mil, quinhentos e doze reais e oitenta e quatro centavos), respectivamente. O custo total dos 30 (trinta) Títulos, destarte, foi de R$ 22.288.843,98 (vinte e dois milhões, duzentos e oitenta e oito mil, oitocentos e quarenta e três reais e noventa e oito centavos) – o que Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 55 8 representa um custo médio unitário de R$ 742.961,47 (setecentos e quarenta e dois mil, novecentos e sessenta e um reais e quarenta e sete centavos); xxviii. considerando que, em 30.05.2007, foram alienados 22 (vinte e dois) TPBOVESPA, pelo montante de R$ 29.033.762,12 (vinte e nove milhões, trinta e três mil, setecentos e sessenta e dois reais e doze centavos), e que o custo médio desses Títulos era de R$ 16.345.152,25 (dezesseis milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e vinte e cinco centavos) (22 x R$ 742.961,47), o ganho de capital apurado correspondeu a R$ 12.688.609,87 (doze milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, seiscentos e nove reais e oitenta e sete centavos); Do ganho de capital na venda dos TMCBM&F, antes da desmutualização xxix. o ALVORADA possuía, em 09.2003, apenas 01 (um) TMC BM&F, cujo custo de aquisição era de R$ 2.539.583,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil, quinhentos e oitenta e três reais e treze centavos). Em 30.07.2004, adquiriu mais 02 (dois) Títulos, pelo valor de R$ 5.746.743,00 (cinco milhões, setecentos e quarenta e seis mil, setecentos e quarenta e três reais). Mais 01 (um) foi comprado, ainda, em 30.12.2004, pelo valor de R$ 2.808.678,39 (dois milhões, oitocentos e oito mil, seiscentos e setenta e oito reais e trinta e nove centavos); xxx. o custo total dos 04 (quatro) Títulos foi, pois, de R$ 11.095.004,52 (onze milhões, noventa e cinco mil, quatro reais e cinquenta e dois centavos) – o que representa um custo unitário médio de aquisição equivalente a R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos); xxxi. em 10.04.2007, foi vendido 01 (um) TMCBM&F, pelo valor de R$ 4.443.325,62 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos). Como o custo médio de aquisição deste Título era de R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos), temse que o ganho de capital apurado foi de R$ 1.669.574,49 (um milhão, seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta e quatro reais e quarenta e nove centavos); DA TRIBUTAÇÃO DA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 56 9 xxxii. o ALVORADA, como explicado, recebeu ações em troca de 02 (dois) TMCBM&F, a Título de concretização da desmutualização daquela entidade bolsista. Caracterizouse, com isso, o fato gerador previsto no artigo 17 da Lei n° 9.532/1997, adiante transcrito. O valor tributável corresponderia, aqui, à diferença entre o valor das ações recebidas, a Título de devolução de patrimônio, e o valor dos bens e dos direitos entregues para a formação do patrimônio da BM&F: “Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor do bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) §3° Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens ou direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4o Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real;” xxxiii. o valor das ações recebidas da BM&F S.A. está bem determinado. Porém, para aferir o valor dos bens e dos direitos entregues para a formação do patrimônio da BM&F, deverseia levar em consideração o custo de aquisição dos TMCBM&F, já que o ALVORADA não participou da formação do patrimônio da BM&F; xxxiv. as atualizações dos TMCBM&F jamais poderiam, nessa direção, ser consideradas como um bem ou um direito entregue, pelo ALVORADA, para a formação do patrimônio da BM&F, eis que elas refletiam apenas os resultados da própria BM&F. Diante do exposto, fica evidenciado que o valor tributável, no caso da desmutualização da BM&F, será a diferença entre o valor das ações da BM&F S.A., recebidas pelo ALVORADA, e o custo de aquisição dos TMCBM&F, convertidos em ações; Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 57 10 Do valor tributável derivado da operação de desmutualização xxxv. como relatado, 02 (dois) TMCBM&F da autuada foram convertidos em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações do capital social da BM&F S.A., recebidas pelo valor unitário de R$ 1,00 (um real). Tendo em vista que o custo médio de aquisição dos 02 (dois) Títulos era de R$ 5.547.502,26 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e sete mil, quinhentos e dois reais e vinte e seis centavos), resultou, logo, montante tributável equivalente a R$ 4.375.717,74, (quatro milhões, trezentos e setenta e cinco mil, setecentos e dezessete reais e setenta e quatro centavos), representativo da base de cálculo prevista pelo artigo 17 da Lei n° 9.532/1997; Cientificada da lavratura dos autos de infração, a autuada apresentou impugnação, invocando os seguintes argumentos: i. tanto com relação ao ganho de capital oriundo da venda de Títulos como no que tange aos resultados nãooperacionais decorrentes de transformação societária da BM&F, os valores apurados decorrem da tentativa da Fiscalização de negar validade ao custo contábil dos Títulos, regularmente registrados na contabilidade da impugnante. No caso da transformação societária, deuse isso com uma agravante, pois, mesmo se desqualificando a escrita da peticionária, não houve qualquer aquisição de renda, econômica ou jurídica – elemento essencial à ocorrência do fato gerador dos tributos em cobro; Ganho de Capital na Venda dos Títulos da BM&F e Bovespa ii. a questão aqui discutida referese ao valor contábil dos Títulos, pois a Fiscalização afirma, textualmente, que a Portaria MF nº 785/1977 teria conferido simples diferimento fiscal para o procedimento de equivalência dos Títulos ao patrimônio efetivo das associações bolsistas; iii. o acréscimo do valor nominal dos Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência da alteração dos seus patrimônios sociais, não constitui receita, nem ganho de capital. E impossível, da análise do texto, chegarse à conclusão da Fiscalização; iv. é da natureza da lei que preconiza o diferimento estabelecer, literalmente, as situações fáticas que criam ou resolvem as condições do benefício. No caso em tela, inexiste qualquer referência a um Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 58 11 diferimento, mas, sim, o reconhecimento singelo da nãoincidência tributária; v. o ganho de capital na alienação destes Títulos Patrimoniais se apura de forma normal – ou seja, o ganho consistirseia do resultado a que se chegaria com a subtração entre a receita de vendas e o custo contábil, apurado nos termos disciplinados pelo BACEN, pela CVM, pelo Regulamento do Imposto de Renda e pela Portaria MF nº 785/1977. Isso foi exatamente o que fez a impugnante, carecendo completamente de qualquer fundamento legal os presentes autos de infração; vi. o entendimento do i. agente fiscal contraria a própria norma legal eleita, pela Fiscalização, como aplicável à matéria – especialmente o Decreto n° 3.000/99 (RIR/1999), combinado com o Decretolei n° 1.598/1977, que assim determina: “Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 31, § 1º).” vii. não existindo qualquer disposição especial a ser observada, resta claro que o valor contábil do bem corresponderia àquele que estivesse registrado na escrituração do contribuinte, sem qualquer ajuste, carecendo de previsão legal o entendimento esposado pela Fiscalização; Outros Resultados nãoOperacionais viii. a BM&F era uma associação civil constituída, basicamente, por instituições financeiras corretoras de valores. Ela se transformou, posteriormente, mediante cisão de parte de seu patrimônio, então destinada à formação do capital de uma nova sociedade anônima. O objetivo da novel companhia seria o de explorar as atividades operacionais antes exercidas pela associação cindida, ou seja, dar Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 59 12 curso e local às negociações dos Títulos mobiliários representativos de mercadorias e futuros. Permaneceu na associação BM&F, que continua existindo, o patrimônio nãooperacional, tudo como descrito no Protocolo de Cisão e Justificativas em anexo; ix. o método adotado pela BM&F já houvera sido cursado, aproximadamente 10 (dez) anos antes, pela CBLC, que também se cindiu, fazendo surgir uma sociedade anônima, que passou a explorar as atividades operacionais; x. o procedimento adotado pelos associados, naquele caso, foi o de dividir o valor registrado no ativo, representativo da participação cindida, em 02 (duas) partes: uma, representando as ações da novel sociedade, e, outra, representando a continuidade da participação na associação. Esta operação não.gerou qualquer ganho de capital, como acontece em toda cisão; xi. tal operação foi objeto de consulta, formulada pela ANCOR Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias. A solução então proposta, veiculada pela Decisão Cosit n° 013, de 01.11.1997, confirmou a correção do procedimento adotado pelos associados (doc. anexo); xii. agora, porém, face à transformação pela qual passou a BM&F, nova consulta foi formulada à Administração Tributária, por parte da CNC – Comissão Nacional de Bolsas. Isto provocou a formalização da Solução de Consulta Cosit n° 10, de 26.10.2007, completamente diferente da anterior. Para justificar a diferença na solução dada, alegou a Administração Tributária alterações na legislação de regência, ocorridas entre um fato e outro; xiii. a Solução de Consulta n° 10, de 26.10.2007, iniciou, de fato, por negar que a BM&F tenha passado por uma operação de cisão, entendendo que tal instituto, previsto na Lei n° 6.404/1976, seria privativo das sociedades anônimas. Com base nesta assertiva, negando a evidência de fatos incontestáveis e passando por cima da autoridade competente para avaliar o procedimento societário (no caso, a Junta Comercial do Estado de São Paulo), a Solução de Consulta sugeriu que houve uma disfarçada devolução do patrimônio aos associados, que o teriam usado na subscrição do capital de sociedade nova, substituta da velha associação na operação dos negócios com Títulos mobiliários representativos de mercadorias e futuros; xiv. sucede que, na verdade, os ativos patrimoniais foram vertidos do patrimônio da associação BM&F para o da sociedade anônima que surgiu de sua cisão, pelo valor contábil. Com isto, na contabilidade dos associados, houve o desdobramento do valor registrado como Título Patrimonial: uma parte do valor permaneceu idêntica ao do Título Patrimonial da associação remanescente, enquanto a outra parte passou a equivaler ao valor das ações emitidas, em substituição à parcela correspondente aos ativos vertidos para a sociedade anônima; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 60 13 xv. em termos de valor absoluto, nada mudou na contabilidade dos associados. O valor que antes representava o Título Patrimonial passou a representar uma quantidade de ações e o Título Patrimonial remanescente; verificouse, pois, correspondência entre o valor contabilizado das ações na escrituração dos associados e o valor patrimonial na escrituração contábil da nova sociedade. Mesmo se aceitando o equivocado entendimento adotado pela Solução de Consulta Cosit n° 10, no sentido de que houve uma devolução de capital e uma subscrição nova, nada havia por tributar; xvi. portanto, para os objetivos do Fisco, era preciso fazer mais. Seria fundamental desfazer toda a contabilidade dos associados, desconsiderar todas as Declarações de Rendimentos apresentadas ao longo dos anos e ignorar os livros de apuração da base imputável dos tributos de todos os exercícios, para que, dessa forma, averiguassese um novo custo contábil para tais Títulos; xvii. as sociedades corretoras, instituições financeiras, estão subordinadas à autoridade do Banco Central do Brasil, como também, em razão de se constituírem operadoras do mercado de capitais, encontramse subordinadas ao controle da Comissão de Valores Mobiliários. Estes órgãos emanaram normas quanto à escrituração e ao acompanhamento dos Títulos Patrimoniais cuidados – mormente a Circular BCB nº 1.273/1987 e o Oficio Circular CVM nº 325/1979; xviii. as regras do BACEN e da CVM impunham que os associados, ao apurarem seus balanços patrimoniais, fizessem a correspondência entre o valor do patrimônio da Bolsa e a fração representada pelo Título. A contrapartida da diferença, resultante da variação entre o valor anteriormente contabilizado e o novo valor, havia de ser lançada diretamente nas contas de Patrimônio Líquido e, no momento oportuno, levada ao capital, para seu aumento, quando o valor representasse mais valia, ou diminuição, quando este representasse perda; xix. por seu turno, a BM&F teria também de aumentar ou diminuir, de pronto, o seu capital, para espelhar a superveniência ativa ou passiva, como se pode ver de seu Estatuto. Destarte, tanto a BM&F como os associados estavam impedidos de distribuir tais resultados – característica prevista, no Código Civil, para as associações; xx. o único pronunciamento formal e específico da Administração Tributária sobre a matéria é a Portaria MF nº 785, de 20.12.1977, que consagrara o procedimento estabelecido pelas autoridades que controlam as instituições, reconhecendo a nãoincidência tributária sobre a matéria, ao afirmar que esta mais valia “não constitui receita nem ganho de capital”. Os autos de infração, porém, afrontam literalmente os termos da Portaria. A única condição imposta pelo texto é a de que não houvesse distribuição destes resultados, dada sua vinculação a posterior incorporação ao capital social; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 61 14 xxi. o valor, portanto, destes Títulos, na escrituração dos associados, no momento da cisão ou da venda, refletia a imposição das autoridades e o tratamento tributário que lhe foi deferido pela legislação. De mais a mais, os artigos 2.033 e 44 do Código Civil de 2002 não afirmavam que o instituto da cisão não se aplicava às associações. A premissa sobre a qual se baseou a Solução de Consulta anteriormente citada, e que norteou a lavratura dos presentes autos de infração, portanto, não se sustenta; xxii. a cisão não implica em distribuição do patrimônio cindido para os associados. Há uma versão direta deste patrimônio da pessoa jurídica cindida para aquela resultante. Para o associado, só há uma troca de ativo, sempre pelo mesmo valor; xxiii. a ação fiscal, por outro lado, considerou, de forma equivocada, que o montante do ganho exacionável corresponderia à diferença entre o custo histórico do Título e o valor contábil dele no momento da cisão. Esta diferença, porém, decorreu do tratamento contábil, imposto pelo BACEN e pela CVM, para o investimento em Título Patrimonial. Tal alinhamento não era opção do associado, como também não o era a capitalização do aumento do patrimônio líquido pela bolsa; xxiv. o método citado é muito semelhante ao da equivalência patrimonial. A diferença consiste em que, na equivalência, seu resultado transita pelas contas de resultado do exercício, e, neste, o resultado é apropriado diretamente ao patrimônio líquido, sem transitar por conta de resultado; xxv. o tratamento fiscal desta atualização por equivalência foi, repita se, disciplinado pela Portaria MF nº 785/1977. A base legal da Portaria é o artigo 3º, caput, do Decretolei n° 1.109/1970, in verbis: “Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do imposto de renda. §3° Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos cinco anos subsequentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao imposto de renda na declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução.” xxvi. a Lei n° 8.849/1994 renovou a regra de nãoincidência criada pelo Decretolei em comento, ao estabelecer algumas situações de relaxamento à proibição de redução do capital – situações em que, mesmo reduzindose o capital dentro do período quinquenal, tal fato Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 62 15 não implicaria na tributação do valor capitalizado. De novidade, a Lei n° 8.849/1994 deixou explícito que a nãoincidência atinge também os aumentos de capital com lucros, ainda que não tributados – o que era necessário afirmar, pois, para excetuar estas cifras, a lei deveria deixar explícita a reserva, não cabendo ao intérprete distinguir o que a lei não diferenciou; xxvii. portanto, o custo das ações recebidas em substituição ao Títulos Patrimoniais é o valor constante da escrituração do associado, não lhe restando qualquer ônus adicional a ser resgatado. Mostrase, mais uma vez, desastrada e improcedente a ação fiscal; xxviii. aceitar a presente ação fiscal seria admitir um arbitramento de lucro, sem qualquer base legal, o que se traduziria em confisco puro e simples. Não se poderia entender que o Decretolei n° 1.109/1970 tenha criado um diferimento provisório do tributo, pois, para não pairar qualquer dúvida, o § 1º de seu artigo 3º deixa clara a natureza do instituto criado, ao estabelecer que “a nãoincidência estabelecida neste artigo se estende aos sócios...”; xxix. o artigo 17 da Lei n° 9.532/1997, ademais, não guarda qualquer relação com o ocorrido frente à BM&F, pois, como demonstrado e provado, não houve qualquer devolução de dinheiro, bens ou direitos da Bolsa para os associados. Inexiste, portanto, qualquer espaço para a apuração prevista no citado preceito. Aqui, a lei contempla situação geral, em que não ocorreu aumento de capital com a maisvalia. Na hipótese do Decretolei nº 1.109/1970, a situação é específica, para o caso em que a maisvalia fora transformada em capital social; xxx. assim, acaso viesse a ocorrer uma devolução de capital ao associado, dentro do período quinquenal, haveria de se recorrer aos incisos e parágrafos do artigo 3º da Lei n° 8.849/1994, a fim de se determinar o valor a tributar, e não ao artigo 17 da Lei n° 9.532/1997; xxxi. toda a argumentação até agora expedida aplicase tanto ao auto de infração do IRPJ quanto ao auto de infração da CSLL. Quanto a essa contribuição, aliás, lembrese que a base imponível é o lucro líquido do exercício, com os ajustes previstos em lei. Por definição legal, o ajuste do valor dos Títulos não transitava pelas contas de resultado da pessoa jurídica, compondo diretamente o patrimônio líquido – razão pela qual, sob qualquer hipótese, não comporia o montante imponível da CSLL. A 2ª TURMA DA DRJ EM SALVADOR – BA, ao julgar a impugnação protocolada, houve por bem manter incólumes os lançamentos oficiosos, consoante aresto (fls. 330/349) assim ementado: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 63 16 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO. Formulada consulta pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores e proferida a respectiva Solução de Consulta pela COSIT, que analisou a questão da desmutualização das Bolsas, o entendimento assim proferido impõese à autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, que tem o dever de observância das normas, o que abrange também os atos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO SOB A FORMA DE AÇÕES. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHO DE CAPITAL. Constitui ganho de capital a diferença entre o valor da alienação e o custo médio de aquisição de Título da Bovespa e da BM&F. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência da contribuição social sobre o lucro líquido, computandose na determinação da base de cálculo da CSLL do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. ALIENAÇÃO DE TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. GANHO DE CAPITAL. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 64 17 Constitui ganho de capital a diferença entre o valor da alienação e o custo médio de aquisição de Título da Bovespa e da BM&F. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada desse acórdão em 23.05.2011 (fl. 356), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 357 e ss.), em 22.06.2011, reiterando os argumentos ventilados em primeira instância e postulando pela nulidade da decisão inferior, em razão de aventado silêncio acerca de determinadas ilações impugnatórias. A d. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou, então, Contrarrazões ao Recurso Voluntário, às fls. 409 e ss. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 65 18 Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Para que os pontos suscitados pela presente controvérsia sejam abordados com a devida acurácia, dividirei a exposição em tópicos, nos seguintes moldes: (i) Preliminarmente: da nulidade da decisão recorrida Em sede liminar, a recorrente argui a nulidade do aresto infirmado, sob o pretexto de que os julgadores inferiores deixaram de analisar questão meritória relevante, atinente à desmutualização da BM&F. Ocorre, porém, que essa ilação não tem razão de ser. As nulidades, no processo administrativo fiscal, são bastante específicas e limitadas, a teor do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” (g.n.) No caso, a insurgência da autuada diz respeito à pretensa omissão dos julgadores a quo sobre o tema supracitado, em decorrência de estes terem se limitado a reafirmar a orientação encampada pela Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007. Embora divirja deste entendimento meritório, não Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 66 19 acredito haver óbice para que a autoridade decisória concorde, integralmente, com a hermenêutica formatada no bojo de processo de consulta. Disto não advém, obviamente, falha de fundamentação – ou, particularmente, cerceamento do direito de defesa. Ademais disso, ainda que houvesse alguma nulidade, o mérito poderá ser decidido a favor do sujeito passivo, como se explanará a seguir. Com isso, aperfeiçoada está a hipótese do § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, suso copiado. (ii) Considerações iniciais acerca das operações relativas a Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F Os autos de infração sob apreço exigem, da autuada, valores de IRPJ e de CSLL computados sobre ganhos de capital e “rendimentos nãooperacionais” supostamente apurados nos idos do anocalendário de 2007. Os relatos contidos no TVF de fls. 207/215, em cotejamento com os documentos encartados aos autos, evidenciam que sobreditos ganhos e rendimentos derivaram, basicamente, de 03 (três) conjuntos de operações, a saber: i) alienações de 22 (vinte e dois) TPBOVESPA, operadas mediante integralização, em 30.05.2007, do capital social da BRUXELAS; ii) alienação de 01 (um) TMCBM&F, em 10.04.2007; e iii) “conversão” de 02 (dois) TMCBM&F em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações da BM&F S.A., contabilizadas em 31.10.2007 – transformação esta realizada no âmbito dos ajustes societários conhecidos como “desmutualização da BM&F”. Vejamos, individualmente, cada uma destas operações. (iii) Dos ganhos de capital auferidos em decorrência da alienação de 22 TPBOVESPA O primeiro dos estresidos cenários teria gerado, segundo apuração fazendária, ganho de capital equivalente a R$ 12.688.609,87 (doze milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, seiscentos e nove reais e oitenta e sete centavos), composto pela diferença entre o “custo de aquisição histórico” dos Títulos, equivalente a R$ 16.345.152,25 (dezesseis milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e vinte e cinco centavos), e o importe total de alienação, correspondente a R$ 29.033.762,12 (vinte e nove milhões, trinta e três mil, setecentos e sessenta e dois reais e doze centavos). De fato, a recorrente adquiriu, no anocalendário de 2004, 30 (trinta) TPBOVESPA, da seguinte forma: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 67 20 DATA FORMA QUANTIDADE CUSTO HISTÓRICO DE AQUISIÇÃO (R$) 30.07.2004 Incorporação da BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. 18 13.155.331,14 30.12.2004 Incorporação do Banco BANEB S.A. 12 9.133.512,84 TOTAL 22.288.843,98 Todos esses Títulos Patrimoniais foram alienados – parte em 2005, em operação estranha aos autos, e parte em 2007, no seio de evento que nos interessa de perto – da seguinte maneira: DATA FORMA QUANTIDADE VALOR DE ALIENAÇÃO (R$) 17.01.2005 Venda a comprador desconhecido 8 6.149.444,72 30.05.2007 Integralização do capital social da BRUXELAS 22 29.033.762,12 TOTAL 35.183.206,84 O custo total de aquisição dos 22 (vinte e dois) Títulos Patrimoniais alienados no ano base de 2007 foi apurado, pelo Fisco, com base no critério do “custo médio”. Com isso, chegouse à cifra citada de R$ 16.345.152,25 (dezesseis milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e vinte e cinco centavos) (R$ 22.288.843,98 / 30 x 22). O ganho de capital aduzido foi combatido, pela recorrente, segundo o argumento de que esta importância nada mais consubstanciaria do que atualização contábil compulsória do custo de aquisição dos Títulos Patrimoniais, engendrada segundo os ditames baixados pelas autoridades monetárias. Sob tais condições, o preço de obtenção dos direitos cartulários não seria apenas o histórico, mas, sim, a soma entre este e as equivalências patrimoniais perante a Bovespa e a BM&F. Pois bem. A conduta da recorrente, conforme reconhecido pelo próprio aresto recorrido, regeuse em perfeita observância ao disposto na Circular BACEN nº 1.273/87, responsável por criar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, in verbis: “CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 (...) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 68 21 3 – Os Títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS.” Esta orientação financeirocontábil se coadunou com a preexistente regulação fiscal concernente à matéria, esculpida pelos itens I e II da Portaria MF nº 785/1977: “I. O acréscimo do valor nominal dos Títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º , § 3º (RIR, art. 237).” Dessumese, desses preceitos, que o valor nominal dos Títulos Patrimoniais deveria reproduzir as variações do patrimônio social da Bovespa (e da BM&F). Nesse sentido, a cada balanço levantado por esta associação, deveriam os detentores de Títulos Patrimoniais ajustar, para maior ou para menor, os valor contábeis respectivos, consoante a fração ideal do patrimônio a que se reportaria a cártula. As variações em comento deveriam ser lançadas em conta de patrimônio líquido, intitulada “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” (conta 6.1.3.70.009). Fica claro, com isso, que tais atualizações não transitavam em conta de resultado, dado constituírem cifras componentes de “reserva de capital”. Nesse horizonte, mesmo na hipótese de excedente negativo, este precisaria ser computado à seara de “Lucros e Prejuízos Acumulados” – conta, igualmente, de patrimônio líquido (conta 6.1.8.10.002), e não de resultado. Em minha primeira análise do caso, especificamente no tocante a este item, posicionei me no sentido de que, não obstante os ajustes escriturais dos citados Títulos, destinados a refletir as Fl. 507DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 69 22 oscilações dos patrimônios sociais da entidade bolsista, não configurassem receitas exacionáveis, acaso computadas em conta de patrimônio líquido, deixariam elas, nas hipóteses de venda ou de integralização dos Títulos em capital social de outras sociedades, de ser alheias à incidência do IRPJ e da CSLL, passando a compor o lucro do período. Contudo, depois de me inteirar dos argumentos apresentados, em tribuna, pelo patrono da recorrente, e de participar dos debates ocorridos em plenário, passei a ver o tema com outros olhos, principalmente à luz da correta interpretação da Portaria MF nº 785/1977, de um lado, e dos argumentos utilizados, pela própria Receita Federal, no bojo do Processo de Consulta nº 13/1997, de outro. A Portaria MF nº 785/1977, lembrese, dispôs, literalmente, que “o acréscimo do valor nominal dos Títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas”. Pareceme, pois, de pronto, que qualquer leitura distinta, tendente a vislumbrar singela hipótese de diferimento, esbarra, inarredavelmente, na própria formatação da redação legislativa. Dizer que não se trata de previsão de nãoincidência – ainda que a regra comentada assevere, claramente, não estarmos em presença de “receita” ou de “ganho de capital” – demanda, para nós, um acentuado malabarismo intelectual, impassível legitimar qualquer autuação. É verdade, sim, que o enunciado sob análise, redigido de forma atécnica, assentiu que tal tratamento se cominaria “desde que [o acréscimo] não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital”. Em meu sentir, porém, tal proposição vernacular não desnatura a nãoincidência anteriormente determinada, pelo que passaremos a minudenciar. Mais importante, no entanto, é a compreensão de qual o custo contábil real dos Títulos Patrimoniais sob escólio. Sobre o ponto, pareceme que, no caso, inexistiria qualquer ganho de capital a se tributar, dado que o valor de aquisição, ajustado na forma da lei e devidamente contabilizado, equivaleria, quantitativamente, ao próprio valor de conferência (alienação) dos ativos no capital da BRUXELAS. O ganho de capital, é dizer, seria nulo. Expliquese melhor o que estamos defendendo. A Portaria MF nº 785/1977, como já explanado, determinou que o acréscimo do valor nominal dos antigos Títulos Patrimoniais não constituía nem renda, nem ganho de capital. Ela não indicou, contudo, qual seria a natureza jurídica destes “aumentos”. Coube ao Banco Central, então, trazer alguma luz ao tema, nos moldes da Resolução CMN/BACEN nº 1.656/1989 (“REGULAMENTO QUE DISCIPLINA A CONSTITUIÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS BOLSAS DE VALORES”): “Art. 10. Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser atualizado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. § 1º O valor do patrimônio, apurado anualmente, dividido pelo número de Títulos patrimoniais, computados, inclusive, os que não tenham sido ainda colocados ou que estejam em tesouraria, dará o valor nominal destes, e terá vigor nos 12 (doze) meses subsequentes. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 70 23 § 2º A atualização anual do patrimônio deve ser submetida, até 10 (dez) dias depois de aprovada pela assembléia geral, à Comissão de Valores Mobiliários, para sua homologação. § 3º A falta de manifestação da Comissão de Valores Mobiliários, após 30 (trinta) dias da apresentação dos respectivos processos de atualização, implicará aceitação da proposta. § 4º O prazo previsto no parágrafo anterior poderá ser interrompido, uma única vez, por no máximo 30 (trinta) dias, caso a Comissão de Valores Mobiliários requisite à Bolsa de Valores informações ou documentos adicionais.” (g.n.) Pareceme evidente, da análise destes preceitos, que as atualizações dos valores nominais dos Títulos Patrimoniais, em vinculação com as variações do patrimônio social da Bovespa (e da BM&F), correspondiam a simples lançamentos contábeis reflexos, orientados a gerar o lastro necessário à correção do capital social da associação bolsista, do outro lado do balanço. Noutras palavras, as cifras derivadas da atualização dos Títulos Patrimoniais, antes de constituírem receita ou ganho de capital, prestavamse, exclusivamente, a espelhar as oscilações do capital social das associações de bolsa, permitindo a operacionalização da legislação infralegal baixada pelo Banco Central. Os detentores dos Títulos, dizendo ainda de outro modo, estavam, por isso, compelidos a corrigir as cifras de face de seus ativos, na forma da Resolução CMN/BACEN nº 1.656/1989, somente para que, nestes moldes, guardassem elas plena correspondência com os quinhões ideais do patrimônio social da Bovespa (e da BM&F), por elas referenciados. A atualização monetária sob estudo, por conseguinte, não poderia ser objeto de incidência tributária, como bem disciplinaram os itens I e II da Portaria MF nº 785/1977. Ela não constituía qualquer acréscimo patrimonial, mas, sim, simples correção das importâncias nominais; não consistia, melhor dizendo, em qualquer maisvalia, porquanto servia, tãosomente, a impedir o descompasso entre os totais dos patrimônios sociais bolsistas, compulsoriamente “atualizados com base nas demonstrações financeiras correspondentes”, e os valores de fronde dos Títulos. Nem mesmo a alienação dos TPBOVESPA, como ativos, retiraria a natureza de “capital social” das atualizações questionadas. Ditos ajustes, portanto, também não poderiam ser classificados como “realização de reserva de atualização de ativos”. Importa ressaltar, em tal diapasão, que o direito tributário pode e deve se valer das normas monetárias para a pesquisa e a definição de seus próprios conceitos, em respeito ao que preconiza o artigo 110 do Código Tributário Nacional. Assim, mais do que válido é o recurso à Resolução CMN/BACEN nº 1.656/1989. Socorrome, ainda aqui, dos fundamentos que embasaram a resposta do Processo de Consulta nº 13/1997 – mais especificamente, os itens 6.8 a 6.14 (fls. 321 e 322), a seguir transcritos: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 71 24 “6.8 Dos textos transcritos [trechos dos Pareceres CST nº 2111/81, 911/93e 2867/83] fica evidente que o tratamento tributário dos aumentos e das reduções do valor dos Títulos Patrimoniais das sociedades corretoras, membros da BOVESPA, em virtude de acréscimos ao patrimônio desta, decorrente de suas operações, é exatamente o dispensado aos acréscimos e reduções no valor do de investimento avaliados pelo método de equivalência patrimonial, praticada por qualquer pessoa jurídica que tenha por finalidade o lucro, ou seja: os acréscimos não constituem receita tributável, devendo ser excluído do lucro líquido, para determinação do lucro real, e as reduções constituem despesa não dedutível, devendo ser adicionadas ao lucro líquido, para determinação do lucro real. 6.9 Esse tratamento foi também, objeto de diversos Pareceres emitidos pela administração tributária, dentre os quais, citase o Parecer CST nº 2.254, de 8 de dezembro de 1981, do que se transcreve o item 4: “Os Pareceres Normativos CST nº 78/78 e 107/78 esclareceram, também, que não obstante a generalidade das regras sobre avaliação de investimentos contidas na Lei nº 6.404/76 e nos Decretosleis nº 1.598/77 e 1.648/77, ressalvase a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer ouros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido, mas precisamente do Conselho Monetário Nacional, para as instituições financeiras, e da Comissão de Valores Mobiliários, para as companhias abertas. Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária conforme ressaltado no subitem 7.1 do PN CST nº 78/78, a imposição, pelo Conselho Monetário Nacional ou Comissão de Valores Mobiliários, de avaliação de investimentos por valor do patrimônio líquido, em situações que não as referidas nos Decretoslei nº 1.598/77 e 1.648/77 cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com reflexos pertinentes no lucro real.” 6.10 Relativamente ao caso objeto de consulta, a Comissão de Valores Mobiliários, determinou por meio do OfícioCircular nº 325, de 21 de janeiros de 1979, que os Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores, de propriedade das sociedades corretoras, devem ter seu valor ajustado anualmente com base no patrimônio líquido apurado nos Balanços Anuais das respectivas bolsas. 6.11 Por tudo isso, é pacífico o entendimento de que a avaliação do valor dos referidos Títulos patrimoniais deve ser efetuada pelo método de equivalência patrimonial, com todas as conseqüências de natureza comercial e fiscal daí decorrentes.” 6.12 A legislação do imposto de renda, estabelecida nos artigos 31 a 33 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (...),prevê Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 72 25 que a apuração do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinada com base no seu valor contábil, valor este definido, no caso de investimento avaliado pela equivalência patrimonial, como sendo a soma algébrica dos seguintes valores: a) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; b) ágio ou deságio na aquisição de investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração contábil do contribuinte; c) provisão para perdas que estiver sido computada na determinação do lucro real; 6.13 Antes os termos dos dispositivos legais em comento, resulta que na apuração do ganho ou perda de capital numa eventual alienação ou liquidação dos Títulos patrimoniais em referências as corretoras devem considerar como custo o seu valor contábil, o qual é resultante, por definição legal, dos valores entregues à BOVESPA, para a formação de seu patrimônio, ou o valor de aquisição do Título de outra corretora, a correção monetária e os acréscimos ou reduções decorrentes das variações ocorridas no patrimônio líquido da bolsa.”(destaquei) 6.14 Ante o exposto, podese concluir que o acréscimo patrimonial das corretoras, em virtude de aumento no valor do patrimônio líquido da bolsa, refletindo sua equivalência, ainda que realizado mediante alienação do Título ou pela sua liquidação, até em virtude da extinção da bolsa: a) Não se sujeitam à incidência do imposto de renda, ou seja, os ganhos de capital decorrentes desses Títulos só serão tributados na parte da receita que exceder o valor contábil;(...)” (g.n.) De maneira a rematar nossos argumentos, penso ser essencial recordar que a apuração de quaisquer ganhos de capital deve considerar, como custo de aquisição do ativo, por explícita disposição normativa, aquele contabilmente declinado, na forma do artigo 31, § 1º, do Decretolei nº 1.598/1977, in verbis “Art. 31. Omissis. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. (...)” (g.n.) Fl. 511DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 73 26 Ora, se as atualizações dos valores dos Títulos Patrimoniais têm índole específica – à medida que servem, em princípio, a lastrear as correções das cifras nominais dos patrimônios sociais das entidades bolsistas, sem implicar adição de riqueza para seus detentores –, é certo que o custo contábil de aquisição deveria ser aquele declinado contabilmente, ajustado pelos importes de atualização registrados em conta de “patrimônio líquido” (e não de “resultado”). A tomada das importâncias históricas, para fins de mensuração do ganho de capital, contraria a própria natureza das correções engendradas, além de ignorar, cabalmente, a sistemática própria aos ativos versados. Acaso o custo contábil ajustado corresponda ao valor de alienação, não há que se falar em qualquer base de cálculo positiva. Impõese, pois, o cancelamento dos autos de infração. Diante destas ponderações, tomo partido da recorrente, no sentido de que o custo de aquisição, para a apuração da perda ou do ganho de capital na alienação dos Títulos Patrimoniais, deve considerar as atualizações ocorridas e registradas, nos termos do Resolução CMN/BACEN Nº 1.656/1989 e do OfícioCircular CVM nº 325/1979. Por essa razão, insubsistente o lançamento, por desconsiderar tais parcelas como custo de aquisição dos mencionados Títulos. (iv) Dos ganhos de capital auferidos em decorrência da alienação de 01 TMCBM&F O segundo evento indigitado teria gerado, por seu lado, no entender fiscal, ganho de capital equivalente a R$ 1.669.574,49 (um milhão, seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta e quatro reais e quarenta e nove centavos), performado pela diferença entre o “custo de aquisição histórico”, igual a R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos), de um turno, e o respectivo preço de venda, somador de R$ 4.443.325,62 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos). Os TMCBM&F de propriedade da recorrente, no decorrer do tempo, foram adquiridos da seguinte maneira: DATA FORMA QUANTIDADE CUSTO HISTÓRICO DE AQUISIÇÃO (R$) 30.09.2003 Compra sob condições desconhecidas, em data pretérita 01 2.539.583,13 30.07.2004 Incorporação da BCN Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. 02 5.746.743,00 30.12.2004 Incorporação do Banco BANEB S.A. 01 2.808.678,39 TOTAL 11.095.004,52 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 74 27 Um desses TMCBM&F foi alienado em 2005. Outros deles, no que nos pertine, foi vendido nos idos do anobase de 2007. Os restantes foram convertidos em ações, nos termos explicados no próximo tópico. Ilustrativamente: DATA FORMA QUANTIDADE VALOR DE ALIENAÇÃO (R$) 17.03.2005 Venda ao Banco J. Safra 01 3.266.012,62 10.04.2007 Venda ao Bradesco BBI 01 4.443.325,62 31.10.2007 Conversão em ações da BM&F S.A. 02 9.923.220,00 TOTAL 17.632.558,24 O custo de aquisição do TMCBM&F vendido, no anobase de 2007, ao “Bradesco BBI”, foi apurado, pelo Fisco, também com arrimo no critério do “custo médio”. Destarte, averiguouse a cifra relacionada de R$ 2.773.751,13 (dois milhões, setecentos e setenta e três mil, setecentos e cinquenta e um reais e treze centavos) (R$ 11.095.004,52 / 4). O presente tópico é idêntico ao anterior, em todas suas facetas. Por essa razão, limitar nosemos a nos reportar às ilações precedentes, no sentido do cancelamento dos autos de infração lavrados. Passemos, pois, sem demora, ao estudo do ponto final da lide, respeitante à pretensa apuração de “rendimentos nãooperacionais”, pelo contribuinte, derivados da conversão de 02 (dois) TMCBM&F em ações da BM&F S.A. (v) Dos rendimentos nãooperacionais decorrentes da conversão de 02 TMCBM&F em 9.923.220 ações da BM&F S.A. Segundo entendimento da Fiscalização, a recorrente teria auferido “resultados não operacionais” equivalentes a R$ 4.375.717,74 (quatro milhões, trezentos e setenta e cinco mil, setecentos e dezessete reais e setenta e quatro centavos), decorrentes da transformação de 02 (dois) TMCBM&F, adquiridos ao custo total de R$ 5.547.502,26 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e sete mil, quinhentos e dois reais e vinte e seis centavos) (R$ 2.773.751,13 x 2), em 9.923.220 (nove milhões, novecentas e vinte e três mil, duzentas e vinte) ações da BM&F S.A., contabilizadas segundo importe de R$ 9.923.220,00 (nove milhões, novecentos e vinte e três mil, duzentos e vinte reais). Nos meandros do anocalendário de 2007, a BM&F – associação civil sem fins lucrativos – deu início a operações de transformação societária voltadas a instrumentalizar aquilo que se convencionou denominar de “desmutualização” da entidade. Para tanto, intentouse realizar, formalmente, operação de cisão, desenhada consoante as condições elencadas em “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial”, juntado às fls. 265/271. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 75 28 Em decorrência desta reorganização, os detentores de TMCBM&F, tal como a peticionária, receberam, em lugar destes valores mobiliários, ações das novéis companhias constituídas – substituição esta que se operou em consonância com os valores apurados em avaliação patrimonial episodicamente feita. O entendimento fazendário – reproduzido pelo acórdão de primeira instância, ora guerreado – calcou fulcro na Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007. Estes instrumentos visualizaram suposta impossibilidade de as associações civis sem fins lucrativos se cindirem, por falta de permissivo legislativo nesse sentido. Logo, pontificou a Administração Tributária que a operação teria se materializado mediante simples devolução de patrimônio, promovida por instituição isenta, com ulterior emprego destes bens na integralização do capital social das novas companhias (dissolução seguida de compra de papéis). Em tal seara, aplicarseia, ao caso, a regra resenhada pelo artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, determinante de incidência de IRPJ, à alíquota de 15% (quinze por cento), sobre a diferença entre os valores devolvidos e aqueles originalmente entregues: “Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a Título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado.” Acontece que, em meu ver, a interpretação comentada carece de sustentação. A complexa e extensa argumentação incrustada na Solução de Consulta citada tenta, de forma criativa e artificiosa, obnubilar entendimento simplório e evidente, favorável ao sujeito passivo. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 76 29 Conforme bem lembrou o contribuinte, a cisão é, sim, operação societária passível de adoção pelas associações civis sem fins lucrativos. Tanto é assim que o próprio artigo 2.033 do Código Civil estatuiu, in verbis, que: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” (g.n.) O artigo 44 do Código, de seu lugar, expressamente arrolou as associações civis em um de seus incisos, nos vindouros moldes: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” (g.n.) A própria legislação tributária conhece da possibilidade de cisão das associações civis sem fins lucrativos. Alumiese, nessa toada, o artigo 174, caput e § 4º, do Decreto nº 3.000/1999, outorgante de isenção de IRPJ às entidades desta espécie: “Art. 174. Estão isentas do imposto as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos (Lei nº 9.532, de 1997, arts. 15 e 18). (...) § 4º A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 77 30 aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação (Lei nº 9.532, de 1997, art. 16, parágrafo único).” (g.n.) De mais a mais, a cisão de associações é comezinha, na prática civil, conforme bem sabem os operadores do direito atuantes no campo. Por todo o explanado, entendo que a operação de desmutualização da BM&F foi, sim, operacionalizada mediante verdadeira cisão parcial. Os órgãos públicos de registro civil e mercantil, digase de passagem, sequer questionaram a hermenêutica, quando do arquivamento dos competentes atos sociais. Sob tal panorama, não me parece que tenha havido devolução de patrimônio, subsumível ao artigo 17 da Lei nº 9.532/1997. Não cabe falar em solução de continuidade da BM&F, capaz de servir de base a raciocínio dessa natureza. Ocorreu cisão, e não extinção de uma associação e constituição imediata de pessoas jurídicas diferentes. Tenho clara a verificação de simples situação de transmutação de valores mobiliários, em estrita paridade patrimonial. Os TMCBM&F, à época da substituição, foram trocados, em perfeita equivalência, pelas ações da BM&F S.A., sem que tenham ocorrido quaisquer perdas ou ganhos, de parte a parte. Todo esse panorama está informado de cabal e inquestionável neutralidade fiscal. Claro que a diferença entre o custo de aquisição dos Títulos originais, de um lado, e a cifra de valia das ações, de outro, pode significar ganho de capital eventual. Este, entretanto, não se materializou com a desmutualização da BM&F, sendo, até o momento, meramente potencial. Referido provento tributável só se realizará quando, porventura, as ações forem alienadas, por exemplo. Até lá, não se poderá falar tenha se concretizado o fato gerador do IRPJ, representado pela obtenção de disponibilidade econômica ou jurídica de grandezas constitutivas de acréscimos patrimoniais, ou da CSLL, correlata à aferição de lucro. Não se cuida de distribuição de lucro, até porque a BM&F e a Bovespa não possuíam fins lucrativos, mas de, no plano contábil, mero fato permutativo, que implica a troca de elementos patrimoniais (Títulos por ações) sem, contudo, provocar a alteração do patrimônio líquido do contribuinte. Somente se houvesse a ocorrência de fatos modificativos positivos, que importassem o aumento dos elementos do patrimônio líquido da impetrante, se poderia ter por caracterizado o acréscimo patrimonial tributável. Como dito, o resultado positivo não está sujeito à tributação enquanto não se implementar a alienação do investimento, pois é somente nesse momento que se dará a aquisição definitiva da disponibilidade do ganho auferido pela empresa investidora. Se a valoração dos Títulos patrimoniais está sujeita à incidência do IRPJ e da CSLL, não será a data da “desmutualização”, ou seja, da substituição destes pelas ações, o momento do fato gerador das referidas exações. A reserva de atualização de Títulos patrimoniais somente poderia vir a ser tributado quando da venda das ações. Em suma, tenho para mim que a “desmutualização” não se trata de uma alienação, implicando na realização destas reservas, mas sim mera substituição de Títulos da BM&F e da Bovespa por ações das novas companhias. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 78 31 Também é mister salientar que a “desmutualização”, quando muito, uma reavaliação patrimonial. E, nos termos do artigo 4º da Lei 9.959/2000, a reavaliação somente será computada para efeitos de apuração do lucro real quando da efetiva realização do bem reavaliado, portando, quando da sua venda. Ainda em outra medida, muito embora a Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007, tenha entendido em sentido contrário, convencido estou de que a orientação ali consagrada não vincula este colegiado. De fato, para que os órgãos julgadores estejam compelidos a obedecer às respostas fazendárias dadas aos sujeitos passivos consulentes, é essencial o atendimento a precondições, dispostas na legislação. No caso concreto ora analisado, a consulta foi formulada pela Comissão Nacional de Bolsas – entidade representativa de categoria econômica, responsável por congregar variadas instituições bolsistas. Nessa situação, os efeitos da resposta apresentada pela Administração Fazendária só tocam a seus associados ou afiliados, e somente a partir do momento em que cientificada a consulente ou seus representados, segundo a clara disposição do artigo 51 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão.” Sucede, contudo, que não há, nos autos, informação de que a recorrente seja associada ou afiliada da Comissão Nacional de Bancos. A Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26.10.2007, portanto, embora possa servir de norte para o julgamento, não tem qualquer força vinculante. Em direção igual já decidiu o CARF. Dentre extenso campo amostral, colacionese a seguinte ementa exemplificativa: “PROCESSO DE CONSULTA. ENTIDADE REPRESENTATIVA DE CATEGORIA ECONÔMICA. EFEITOS Os efeitos da consulta, apresentada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, só atinge seus associados ou filiados. Ausente a prova de filiação ou associação, não há como estender sua aplicação. Ademais, ainda que se comprove a associação ou filiação, tal decisão só surtirá efeitos após a ciência da decisão aos filiados ou associados.” (Ac. nº 310200.889/11) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 79 32 Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 518DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 80 33 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada A Resolução nº 1.656/89 do Conselho Monetário Nacional, ao disciplinar a constituição, a organização e o funcionamento das Bolsas de Valores, definiu sua natureza e objeto social nos seguintes termos: Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. (negrejou se) O patrimônio social das Bolsas de Valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, colocados no mercado mediante leilão para aquisição pelas sociedades corretoras membros (art. 7o c/c art. 25 da Resolução CMN nº 1656/89). O valor nominal destes títulos patrimoniais era atualizado anualmente com base nas demonstrações financeiras do exercício social (art. 10 da Resolução CMN nº 1.656/89). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 81 34 Consoante observou o I. Relator no voto proferido na sessão de 08/05/2012, a conduta da recorrente teve em conta o disposto na Circular BACEN nº 1.273/87, responsável por criar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, in verbis: CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 (...) 3 – Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS.” O Capítulo 1, item 11, subitem 3, § 3º do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif estabelece que a conta utilizada para registro dos títulos patrimoniais pertence ao grupo do Ativo Permanente – Investimentos (contas Cosif 2.1.4.10.10.000183, 2.1.4.10.20.00037 e 2.1.4.10.20.00040), e que a Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais é registrada na conta Cosif 6.1.3.709, que integra o Patrimônio Líquido – Reserva de Capital. Consoante explicita a Fiscalização, este ganho obtido pela atualização dos Títulos Patrimoniais estava sujeito à tributação conforme definido pelo parágrafo único do art. 219 do RIR/99. Porém, estas operações contábeis foram objeto da Portaria MF nº 785/77, que assim classificou os resultados destas atualizações: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237). É possível também interpretar, como disse o I. Relator em seu voto apresentado na sessão de 08/05/2012, que tais variações, por não transitarem em conta de resultado, dependeriam de determinação legal expressa para seu cômputo na apuração do lucro real, a teor de outra disposição do RIR/99: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 82 35 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. [...] Ocorre que a alienação destes títulos patrimoniais pelas sociedades corretoras pode se verificar por valor superior ao de aquisição, e o debate, então, cingese à existência, ou não, de ganho de capital suscetível de tributação na forma estabelecida pelo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. [...] Art. 425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, § 1º) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 3º). Parágrafo único. A provisão para perdas constituídas até 31 de dezembro de 1995, quando dedutível na apuração do lucro real nos termos da legislação aplicável, deverá ser considerada na determinação do ganho ou perda de capital. (negrejou se) Defende a recorrente que o valor contábil do bem corresponderia àquele atualizado, periodicamente, em sua contabilidade, para equivalência ao patrimônio social da Bovespa. Todavia, como bem apontou o I. Relator em seu voto proferido na sessão de 08/05/2012, o “custo contábil” a que alude a legislação, obviamente, é aquele suportado na ocasião da aquisição dos bens do ativo permanente, devidamente escriturado. As únicas modificações permitidas, na conformação destes montantes, são condizentes a sua correção monetária, banda uma, e à dedução de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, banda distinta. De fato, como aventa a recorrente, há, aqui, semelhanças procedimentais com o Método de Equivalência Patrimonial, que pode resultar em acréscimos periódicos não tributáveis (art. 389 do RIR/99), e ainda assim representativos do valor contábil do investimento, para fins de apuração do ganho de capital em eventual alienação. Mas o cenário Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 83 36 que autoriza este entendimento é totalmente distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Inicialmente devese observar que o Método da Equivalência Patrimonial é critério contábil de avaliação de ativos, reconhecido pela Lei nº 6.404/76 e pela doutrina contábil, diversamente da atualização determinada pelas referidas Resoluções do Banco Central. Na seqüência, há que se considerar que este acréscimo não é tributável porque resulta de operações de uma sociedade controlada ou coligada cujo acréscimo patrimonial está sujeito à tributação, diversamente da atualização em referência, que tem por lastro os superávits de uma associação civil sem fins lucrativos. Por fim, a investidora que é obrigada a atualizar o valor contábil de seu investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial tem poderes para influenciar nas decisões da investida, em razão da relevância do investimento, diversamente da sociedade corretora, que só pode cogitar da realização dos resultados auferidos por intermédio do título patrimonial representativo de sua participação na BOVESPA em caso de sua alienação. Outra não poderia ser a conclusão, em tais condições, senão que os resultados reconhecidos periodicamente, em razão desta participação em associação civil sem fins lucrativos, não afetam o lucro tributável das sociedades corretoras no momento de seu registro, mas também não podem afetar a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação, de modo que a tributação incida no momento da realização efetiva dos resultados antes contabilmente reconhecidos por determinação do Banco Central do Brasil. A interessada ainda invoca os efeitos dos Pareceres Normativos CST nº 78/78 e 107/78, que trataram dos efeitos tributários dos resultados de equivalência patrimonial promovidos em razão de determinações do Banco Central do Brasil. O Parecer Normativo CST nº 78/78 aborda o alcance das normas tributárias acerca dos métodos de avaliação de investimentos. De seu texto, extraise: 2. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, artigo 247, parágrafo único) um investimento em sociedade coligada ou controlada é relevante quando seu valor contábil é igual ou superior a 10% (dez por cento) do valor do patrimônio liquido da sociedade anônima investidora. Também o é, mesmo sem atingir os 10% (dez por cento) se o valor da participação, somado ao das demais participações em coligadas ou controladas, alcança pelo menos 15% (quinze por cento) do valor do patrimônio líquido da investidora. Investimentos em sociedades não coligadas nem controladas não são considerados relevantes, não importa quão importantes sejam para a empresa investidora. A mesma lei, no artigo 243, considera duas sociedades como coligadas quando uma participa com 10% (dez por cento) ou mais do capital da outra, sem controlála (§ 1º); e define controlada como aquela sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (§ 2º). 3. O artigo 248 da Lei das S/A. manda que a sociedade anônima apresente em seu balanço, avaliado pelo valor de patrimônio líquido, o investimento relevante (a) em sociedade coligada sobre cuja administração tenha influência, ou (b) em sociedade coligada de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, ou ainda (c) em sociedade controlada. Assim sendo, as participações de capital de caráter permanente, que a um só tempo sejam relevantes e determinem influência (sob qualquer das formas (a), (b) ou (c) mencionadas neste item) nas coligadas ou Fl. 522DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 84 37 controladas devem ser avaliadas em função do valor de patrimônio liquido, método também chamado de equivalência patrimonial: 3.1 A lei não manda avaliar indiscriminadamente segundo um (equivalência patrimonial) ou outro (custo de aquisição) critério; antes, discrimina os investimentos segundo sua importância relativa. Importância na capacidade de Inversão da investidora, originando o conceito de relevância, e importância no conjunto dos recursos aplicados no empreendimento, gerando o conceito de influência. 4. O DecretoLei n. 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (artigo 20, § 4o), diz que essa modalidade de avaliação de investimentos é obrigatória nos casos determinados pela Lei das S/A., e nas sociedades em que “a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada”. 5. O Decretolei desta maneira exige que outras sociedades, além das anônimas, avaliem investimentos por equivalência patrimonial. Na cadeia de participações entre sociedades, iniciada por sociedade anônima, toda avaliação de investimento no capital de outra sociedade, quando o investimento for permanente, relevante e influente, deve ser feita por esse método, mesmo naquelas sociedades não organizadas sob a forma de companhia. Não importa, convém lembrar, que a participação seja direta ou indireta. 6. Em resumo, quando possuírem investimentos permanentes, relevantes e influentes devem em relação a eles praticar avaliação por equivalência patrimonial: I as companhias; e II as demais sociedades, sempre que entre os detentores do seu capital ou na cadeia ascendente e ininterrupta de participações relevantes e influentes se encontre sociedade anônima. 7. Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n. 4.595, de 31 de dezembro de 1964, artigo 49, item XII) atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 (artigo 22, §, IV) deferiu à Comissão de Valores Mobiliários a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas: 7.1 Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou CVM de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4º do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real. 8. Por fim, pessoas jurídicas outras que não as acima referidas devem avaliar seus investimentos permanentes em outras sociedades de conformidade com o princípio do custo de aquisição de que trata o artigo 183, item III, da Lei das S/A., sendolhes vedado avaliálos pelo valor de patrimônio líquido. Como se vê, referido ato normativo apenas esclarece que, nas hipóteses em que o Banco Central do Brasil ou a Comissão de Valores Mobiliários determinar que investimentos outros, que não aqueles previstos no Decretolei nº 1.598/77, sejam avaliados pelo método da equivalência patrimonial, o Fisco não poderá desqualificar esta operação, e deve atribuir ao resultado os efeitos que a legislação prevê no âmbito da equivalência patrimonial. Se não for este o caso, orienta o Parecer Normativo CST nº 107/78: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 85 38 5. Inexistindo relevância ou influência na participação societária, o investimento se refletirá no balanço da investidora a custo contábil, é dizer, a custo de aquisição corrigido monetariamente, por força do art. 183, item III, da Lei n.º6.404/76. A eventual avaliação desses investimentos acima dos custo de aquisição corrigido será considerada reavaliação tributável, observado quando for o caso o disposto no artigo 35 do Decretolei n.º1.598/77. Todavia, a perda patrimonial registrada por esse processo não será dedutível na apuração do lucro real, excetuado o caso de provisão admitida nos termos do artigo 32 do Decreto n.º 1.598. Contudo, nenhuma razão existe para se cogitar, aqui, que a determinação fixada pelo Banco Central do Brasil, no sentido de que os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras sejam atualizados periodicamente em razão do patrimônio da Bovespa, represente hipótese de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4º do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, mencionada no Parecer Normativo CST nº 78/78. Inadmissível cogitar de avaliação de investimento por valor de patrimônio líquido se não há nem investimento, no sentido de participação societária, nem patrimônio líquido, na medida em que se está tratando de um título patrimonial representativo do patrimônio social de uma associação civil sem fins lucrativos. A interpretação integrada, orientada pelo Parecer Normativo CST nº 78/78, diante das circunstâncias específicas da situação presente, é aquela expressa na Portaria MF nº 785/77, que afasta qualquer incidência sobre atualização patrimonial reconhecida contabilmente por determinação do Banco Central do Brasil, mas sem qualquer disponibilidade econômica ou jurídica, e que tem por reverso a inadmissibilidade destas parcelas como redutoras do ganho de capital na alienação, caso o valor da alienação disponibilize, à sociedade corretora, a atualização antes reconhecida contabilmente. De toda sorte, ainda que se interprete literalmente o §1o do art. 418 do RIR/99, de modo a adotar como valor contábil do bem o montante pelo qual ele estiver registrado na escrituração do contribuinte, independentemente das operações que ensejaram aquele resultado, não se pode olvidar que contabilmente também está registrado, no patrimônio líquido da sociedade corretora, o total das atualizações promovidas desde a aquisição do título patrimonial, em conta de reserva de capital. E tal reserva deve ser baixada no momento em que o ativo que a justifica também o é. Em conseqüência, se a apuração do ganho de capital deve ter em conta o valor contábil do bem, no montante defendido pela recorrente, a reserva assim baixada deve necessariamente integrar o resultado tributável, o que mantém inalterada a presente exigência, no que tange ao primeiro grupo de infrações apreciado pelo I. Relator. Por fim, apenas acrescentese que não há qualquer incidência tributária prevista para os resultados auferidos por parte da Bovespa, enquanto associação civil sem fins lucrativos. A referência feita pela recorrente, em memoriais, ao art. 15, §2o da Lei nº 9.532/97 é imprópria, pois tal dispositivo diz respeito à pretendida incidência tributária sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos, por instituições isentas, em aplicações financeiras, quando esta não integra o próprio objeto da instituição. Cogitar deste tipo de incidência sobre a associação civil aqui em comento significaria, simplesmente, negar a isenção que lhe é conferida. Estas as razões, portanto, para divergir do I. Relator, que na forma final de seu voto concluiu pela insubsistência do lançamento relativamente à tributação dos ganhos de capital auferidos na alienação do que denominou “22 TPBovespa” e “01 TMCBM&F”. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 86 39 O segundo grupo de infrações tratado pelo I. Relator referese ao resultado tributado em razão da substituição, no patrimônio da autuada, de títulos patrimoniais por ações representativas do capital de Bolsa de Valores, em seu voto denominada “conversão de 02 TMCBM&F em 9.923.220 ações da BM&F S.A.”. Isto em razão da alteração da regulamentação da constituição, da organização e do funcionamento das Bolsas de Valores, veiculada por meio da Resolução CMN nº 2.690/2000, que assim permitiu: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: [...] Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (negrejouse) No âmbito da incidência do IRPJ e da CSLL, a Lei nº 9.532/97, ao revogar o art. 28 do Decretolei nº 5.844/43, e o art. 30 da Lei nº 4.506/64, consolidou as regras para reconhecimento de isenção às associações civis sem fins lucrativos: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. [...] Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 87 40 § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. (negrejouse) O art. 15, §3o da Lei nº 9.532/97 vinculou a isenção concedida à observância dos seguintes dispositivos da mesma lei: Art. 12. [...] [...] § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...] §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 88 41 Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Nestes termos, a associação civil que atende aos requisitos legais e destina seu superávit, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, está isenta dos tributos incidentes sobre o lucro. Caso esta associação devolva bens e direitos a pessoa jurídica que contribuiu para a formação de seu patrimônio, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97). O Código Civil de 2002 somente cogita da destinação do patrimônio de uma associação em caso de dissolução, fixando que ela deve beneficiar entidade de fins não econômicos ou os associados que contribuíram para a formação daquele patrimônio: TÍTULO II DAS PESSOAS JURÍDICAS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) [...] CAPÍTULO II DAS ASSOCIAÇÕES Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III os direitos e deveres dos associados; IV as fontes de recursos para sua manutenção; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 89 42 V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) VI as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos farseá na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovêla. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. (negrejouse) Ao ser editado, o referido Código ainda trouxe algumas disposições transitórias para adaptação de todas as pessoas jurídicas, inclusive as associações, ao novo regime, estipulando prazo que foi prorrogado pela Lei nº 10.838/2004 e pela Lei nº 11.127/2005: Fl. 528DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 90 43 Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) [...] Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 2.034. A dissolução e a liquidação das pessoas jurídicas referidas no artigo antecedente, quando iniciadas antes da vigência deste Código, obedecerão ao disposto nas leis anteriores. (negrejouse) Observase no referido diploma legal que as hipóteses de transformação, incorporação, cisão ou fusão somente foram previstas para sociedades, nos termos dos arts. 1.113 a 1.122, integrantes do Capítulo X (Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada). Quando quis compartilhar as normas aplicáveis às sociedades com as demais pessoas jurídicas privadas, o legislador foi expresso: Art. 51 [...] [...] § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. [...] Neste cenário jurídico, a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio a entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos a pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97. Estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532/97 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos. Inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em Bolsa de Valores em ações de Bolsa de Valores somente pode ser caracterizado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97). Fl. 529DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 91 44 Aliás, recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3a Região orientase neste mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSSL. BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. (Apelação Cível nº 0035179 62.2007.4.03.6100/SP, processo nº 2007.61.00.0351795/SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19 de julho de 2012). Discordo, portanto, do I. Relator quando: · Admite a possibilidade de cisão de associação civil sem fins lucrativos com fundamento: o no art. 2.033 do Código Civil de 2002, pois embora tais associações sejam uma das pessoas jurídicas de direito privado mencionadas no art. 44 do mesmo diploma legal (inciso I), a possibilidade de cisão destas pessoas jurídicas foi submetida à regência do Código, e este somente disciplinou tal procedimento relativamente às sociedades, pessoas jurídicas de direito privado referidas no inciso II do art. 44 de seu texto; o no art. 174 do RIR/99, pois a base legal deste dispositivo é a Lei nº 9.532/97, anterior ao Código Civil de 2002, que estabeleceu o cenário jurídico antes mencionado; o na prática civil, pois ainda que tal ocorra, e não há demonstração neste sentido, é necessário distinguir hipóteses Fl. 530DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 92 45 como a presente, na qual a destinação do patrimônio ocorre em favor de uma entidade de fins econômicos; o no arquivamento dos competentes atos sociais, sem objeção pelos órgãos públicos de registro, na medida em que os registros de dissolução parcial da associação civil e de constituição da sociedade anônima são independentes, em órgãos distintos. · Não vislumbra a devolução de patrimônio sujeita à tributação porque: o Não haveria solução de continuidade da BM&F, nem mesmo extinção de uma associação e constituição imediata de pessoas jurídicas diferentes, apesar de evidenciado que, na parte aqui tributada, o patrimônio antes administrado por uma associação sem fins lucrativos, obrigada a destinar seu resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, passou a ser administrado por uma sociedade anônima, com evidente finalidade econômica e sem qualquer vinculação às regras impostas às entidades sem fins lucrativos; o Houve mera transmutação de valores mobiliários, em estrita paridade patrimonial, sem que tenham ocorrido quaisquer perdas ou ganhos, apesar desta transmutação ter transferido à sociedade anônima destinatária a disponibilidade sobre os resultados auferidos durante todo o período no qual a associação se beneficiou da isenção tributária, os quais, após esta operação, são passíveis de qualquer destinação sem as restrições legais anteriores; o A hipótese de incidência somente se verificaria quando, por ventura, as ações fossem alienadas, pois neste momento, para afastar o lançamento, bastaria à alienante demonstrar que, juridicamente, o fato gerador previsto em lei ocorrera no momento em que a associação civil sem fins lucrativos foi dissolvida, ainda que parcialmente. Demais disso, considerando que a sociedade anônima então constituída sofrerá mutações patrimoniais em razão de suas atividades não mais isentas, seria necessário um controle específico das ações gravadas com o passado de atividade isenta para aferir, em eventual alienação, qual parcela daqueles resultados antes beneficiados foram realizados segundo o conceito pretendido, em total afronta à disciplina legal fixada. Adicionalmente cabe também refutar outras alegações que a recorrente apresentou em sua defesa: · Não teria havido devolução patrimonial pela BM&F, mas sim transformação, na modalidade cisão, o que resultou na destinação de parte de seu patrimônio para o aumento de capital de uma sociedade Fl. 531DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 93 46 anônima: os titulares das ações decorrentes deste aumento de capital são as sociedades corretoras de valores que antes integravam a associação, e não havendo previsão legal para a cisão desta, e quanto menos de destinação de seu patrimônio a entidade com fins econômicos, a disponibilização destes valores somente se efetiva mediante devolução do patrimônio aos associados e destinação, por estes, à sociedade anônima; · A cisão foi parcial e a BM&F continuou existindo, reunindo o patrimônio não operacional: inexistindo a previsão legal de cisão de associação civil, e somente podendo se cogitar de transferência de patrimônio de uma associação civil em favor de uma entidade de fins não econômicos, o ato praticado caracterizase como devolução parcial do patrimônio aos associados; · Há solução de consulta anterior no qual operação semelhante realizada por outra associação, há cerca de dez anos, não ensejou a apuração de ganho de capital em favor dos associados: a hipótese legal de incidência em razão da caracterização de ganho de capital surgiu com a Lei nº 9.532/97, e as associações civis submeteramse a novo regramento com a edição do novo Código Civil, em 2002, de modo que operação ocorrida em contexto legal anterior não serve como paradigma para validar a operação aqui questionada; · A Junta Comercial do Estado de São Paulo seria a autoridade competente para avaliar o procedimento societário: a pretendida cisão de uma associação civil, correspondente à sua extinção parcial, não está sujeita a registro na Junta Comercial, mas sim no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. À Junta Comercial do Estado de São Paulo coube, apenas, registrar os estatutos da nova sociedade anônima, inexistindo qualquer prova de que neste procedimento tenha sido convalidado o aporte de patrimônio vertido de associação civil; · Não haveria óbice legal à transformação, na modalidade cisão, de qualquer sociedade ou associação: a cisão é procedimento que somente passou a existir com a Lei nº 6.404/76, e sem esta previsão legal, era necessário que a sociedade devolvesse capital a seus sócios para que estes utilizassem tal parcela para integralização em outra sociedade. Não basta inexistir óbice legal, é preciso que haja previsão legal para que a forma jurídica “cisão” possa ser adotada. Inexistindo previsão legal para cisão de associação civil, o ato praticado somente pode ser caracterizado como devolução parcial do patrimônio aos associados, e assim ensejar a aplicação do art. 17 da Lei nº 9.532/97; · Os ativos patrimoniais teriam sido vertidos do patrimônio da associação BM&F para o patrimônio da sociedade anônima que surgiu pela cisão, pelo valor contábil: a sociedade anônima foi constituída com um capital equivalente ao valor do patrimônio devolvido pela associação aos seus associados. Em que pese a equivalência de valores, não era possível a versão direta de Fl. 532DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 94 47 patrimônio da associação civil para a sociedade anônima, nem há evidências de que assim se fez na proposta de Estatuto das sociedades anônimas constituídas (fls. 272/306). Portanto, necessariamente ocorreu a devolução de patrimônio aos associados antes destes subscreverem as ações da nova sociedade com estes mesmos valores. E, mesmo na visão da recorrente, não se pode olvidar que a associação civil teria destinado patrimônio a entidade de fins econômicos, transmitindolhe os resultados beneficiados com isenção de IRPJ e CSLL, em afronta às condições legais deste benefício, especialmente a necessária destinação de seus resultados às atividades sem fins lucrativos. Em tais condições, a lei não cogita da suspensão da isenção, mas sim da tributação dos beneficiários daqueles rendimentos; · Em termos de valor absoluto nada teria mudado na contabilidade dos associados: isto porque foi dado indevidamente o tratamento de cisão, que tem como característica a permuta de ações/quotas no patrimônio do investidor. Não sendo possível a cisão da associação civil, a devolução do patrimônio com os rendimentos por ele produzidos durante o período que permaneceu sob a administração da entidade isenta, em confronto com o custo contabilizado deste aporte antes feito pelo associado, revela riqueza tributável segundo o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97; · O custo para fins de apuração do resultado tributável seria aquele contabilizado no momento da cisão, pois há regras do BACEN e da CVM, além do art. 3o do Decreto Lei nº 1.109/70 e da Lei nº 8.849/94, e suas alterações, que determinam o registro em Patrimônio Líquido da contrapartida da diferença resultante entre o valor inicialmente contabilizado e o valor do patrimônio da Bolsa proporcional ao título detido pelo associado: as leis referidas afastam a incidência tributária sobre distribuição de lucros quando estes, mantidos em contas de reservas, sem distribuição, são utilizados para aumento de capital, bem como estabelecem presunções de distribuição se a incorporação é seguida ou precedida de redução do capital com devolução aos sócios. A Portaria MF nº 785/77 declarou que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração de seu patrimônio social não constitui receita nem ganho de capital, desde que mantido em reserva, providência, inclusive, determinada pelo BACEN. Nestes termos, enquanto não alienado ou baixado o investimento que gerou aquele rendimento, não há incidência de IRPJ e CSLL como extensamente justificado no início deste voto. A devolução de patrimônio pela associação isenta nada mais é do que a baixa deste investimento, e a apuração do ganho de capital deve observar o diz a legislação, consoante já expresso neste voto, integrando a hipótese de incidência expressa no art. 17 da Lei nº 9.532/97, que expressamente alcança todo o acréscimo auferido entre o aporte inicial e a devolução do patrimônio. Em suma, inexiste tributação se o patrimônio da associação isenta com ela permanece ou é destinado a outra entidade Fl. 533DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 95 48 sem fins econômicos, consoante permite o Código Civil. Se o patrimônio é destinado a entidade com fins econômicos, o que pressupõe, necessariamente, a sua devolução aos associados, há realização dos resultados segundo a determinação legal e, por conseqüência, incidência de IRPJ e CSLL quando o beneficiário deste ganho é pessoa jurídica; · O entendimento da Solução de Consulta COSIT nº 10/2007 estabeleceria nova regra de tributação, desqualificaria a escrituração contábil dos associados e arbitraria o lucro: a regra de tributação foi fixada pela Lei nº 9.532/97 e a hipótese de incidência ocorreu tal qual interpretado na Solução de Consulta referida, na medida em que não houve cisão parcial da associação civil, mas sim devolução parcial de seu patrimônio aos associados, que o destinaram à constituição de uma entidade com fins econômicos, em total afronta às exigências fixadas em lei para manutenção dos efeitos da isenção dos resultados de entidades sem fins lucrativos; · Não há previsão de ajuste do lucro líquido na lei para refletir a valorização dos títulos, e, por conseqüência, não há incidência de CSLL sobre estes valores: o art. 17, §4o da Lei nº 9.532/97 estabelece que a base de cálculo expressa no caput do dispositivo prestase, não só à adição ao lucro real, como também para determinação da base de cálculo da CSLL. Assim, caracterizada a devolução parcial de patrimônio aos associados, há fundamento legal para exigência, também, da CSLL. Por fim, cabem algumas considerações acerca do Parecer do Professor Calixto Salomão Filho, apresentado a esta Conselheira durante sessão de julgamento passada. Apesar de suas conclusões divergirem daquelas aqui adotadas, algumas referências ali contidas acabam por reforçar o entendimento ora firmado. Isto porque observase, ali, que o objeto da associação pode ser igual ao de uma sociedade empresária, diferenciandose o objetivo, que, no caso das associações, deve ser distinto da divisão dos rendimentos. E, considerandose esta semelhança, bem como outros aspectos, reputase possível não só a cisão de associação sem fins lucrativos, mas também a versão de seu patrimônio para uma sociedade anônima. Mais à frente, porém, abordando as vantagens vislumbradas com a desmutualização, mencionase o incremento das vias de financiamento e da capacidade competitiva, a redução das situações de conflito de interesses mediante o afastamento dos corretores como únicos participantes do processo decisório das bolsas, a evidenciar a futura confusão dos resultados antes auferidos pela associação sem fins lucrativos com as vantagens almejadas. Evidenciase, daí, a falta de relevo dado à característica distintiva das associações sem fins lucrativos, consistente na impossibilidade de distribuição de seus resultados, bem como à importância deste aspecto no âmbito tributário, como causa da isenção que lhe é concedida sobre estes resultados. Admitir a cisão realizada, com versão do patrimônio para uma entidade com fins econômicos claramente afronta a legislação civil e a legislação tributária, que têm como premissas a impossibilidade destas associações distribuírem lucros. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001306/201011 Acórdão n.º 1101000.833 S1C1T1 Fl. 96 49 Por estas razões, rejeitada a arguição de nulidade da decisão recorrida nos termos do voto do I. Relator, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 535DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, A ssinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 12457.011254/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/03/2006, 16/03/2006, 20/03/2006, 27/03/2006, 30/03/2006, 31/03/2006, 05/04/2006
DIFERENÇA ENTRE PREÇO PRATICADO E PREÇO DECLARADO. SUBFATURAMENTO. OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO COM BASE EM OUTRAS OPERAÇÕES. EXTENSÃO. POSSIBILIDADE. MULTA. APLICABILIDADE.
Nas operações de importação de mercadorias, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, aplica-se a multa de cem por cento da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, ou, não sendo o último conhecido, sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado.
A comprovação da ocorrência da fraude, sonegação ou conluio, requer a demonstração de que as ações do contribuinte foram praticadas de forma intencional. Havendo prática reiterada, desnecessário que essa circunstância seja identificada em cada operação incluída no auto de infração, desde que haja identidade entre elas.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. DESPACHANTE ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie.
O despachante aduaneiro responde solidariamente pela infração quando comprovado que, na prática, desempenhava atividade gerencial sobre os negócios ilícitos empreendidos pela pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 23/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 02/03/2006, 16/03/2006, 20/03/2006, 27/03/2006, 30/03/2006, 31/03/2006, 05/04/2006 DIFERENÇA ENTRE PREÇO PRATICADO E PREÇO DECLARADO. SUBFATURAMENTO. OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO COM BASE EM OUTRAS OPERAÇÕES. EXTENSÃO. POSSIBILIDADE. MULTA. APLICABILIDADE. Nas operações de importação de mercadorias, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, aplica-se a multa de cem por cento da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, ou, não sendo o último conhecido, sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado. A comprovação da ocorrência da fraude, sonegação ou conluio, requer a demonstração de que as ações do contribuinte foram praticadas de forma intencional. Havendo prática reiterada, desnecessário que essa circunstância seja identificada em cada operação incluída no auto de infração, desde que haja identidade entre elas. INFRAÇÃO ADUANEIRA. DESPACHANTE ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. O despachante aduaneiro responde solidariamente pela infração quando comprovado que, na prática, desempenhava atividade gerencial sobre os negócios ilícitos empreendidos pela pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado
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SUBFATURAMENTO. OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO COM BASE EM OUTRAS OPERAÇÕES. EXTENSÃO. POSSIBILIDADE. MULTA. APLICABILIDADE. Nas operações de importação de mercadorias, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, aplicase a multa de cem por cento da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, ou, não sendo o último conhecido, sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado. A comprovação da ocorrência da fraude, sonegação ou conluio, requer a demonstração de que as ações do contribuinte foram praticadas de forma intencional. Havendo prática reiterada, desnecessário que essa circunstância seja identificada em cada operação incluída no auto de infração, desde que haja identidade entre elas. INFRAÇÃO ADUANEIRA. DESPACHANTE ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. O despachante aduaneiro responde solidariamente pela infração quando comprovado que, na prática, desempenhava atividade gerencial sobre os negócios ilícitos empreendidos pela pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 01 12 54 /2 00 7- 59 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração no valor de R$ 69.624,78 lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa do controle administrativo, em função de subfaturamento apontado na descrição dos fatos e enquadramento legal da autuação (fls. 02 e 03). Depreendese dos autos que em procedimento especial de fiscalização aduaneira (Instrução Normativa SRF n° 228/02), a fiscalização constatou que a interessada introduziu no Pais, por meio das Declarações de Importação (DI) nºs 06/2385053, 06/02385126, 06/03022132, 06/03174889, 06/03481862, 06/03636270, 06/03709049 e 06/03898003, oito cargas da mercadoria "alho" com valores subfaturados em 20,78%. A constatação se deu com base em documentos (relatórios e cartas comerciais emitidos em papel timbrado e assinado por procurador da empresa) retidos por ocasião de diligência realizada ao estabelecimento da autuada, nos quais são informados os custos relacionados a cada importação realizada. Entendo estar configurado o subfaturamento as autoridades aplicaram o disposto no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15735/2001, arbitrando o preço da mercadoria com base nos documentos que demonstram o percentual subfaturado. Foram incluídos no pólo passivo da autuação os Srs. LEANDRO DUARTE (CPF n ° 628.393.22072) e CELSO PINNOW (CPF n° 681.867.89987), conforme "Termo de Sujeição Passiva Solidária" (fls. 08 a 10). A inclusão decorre do fato de terem sido encontrados documentos que demonstram que os interessados (sócios da empresa ABRAPAR, despachantes que atuavam em nome da autuada) a despeito de terem ciência dos valores "pago por fora", registravam as declarações de importação com valor inferior ao praticado e, ainda, em virtude de haver procuração pública em que a autuada concede poderes amplos e gerais para gerir e administrar a empresa. Assim entendeu a fiscalização que restou caracterizado o interesse comum na situação, e que os interessados concorreram para a pratica da infração. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 3 3 Intimada, a interessada AGRO WORD COMERCIAL IMPORT. EXPORT. DE ALIMENTOS LTDA. apresentou impugnação de folhas 106 a 111, anexando os documentos de folhas 112 a 125. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, devem ser afastados os valores referentes às declarações de / importação para as quais não existem provas. Os documentos citados pela fiscalização fazem referencia a somente 2 declarações; Que, os documentos de folhas 114 e 115 (sic) do processo não se prestam para comprovar que os produtos importados tiveram realmente os valores alterados. A indicação valores pagos "por fora", em verdade está se referindo a valores de comissão efetivamente pagos a pessoas na República Argentina, pessoas estas que passaram informações a impugnante para a localização dos fornecedores com preços mais acessíveis; Que, não haviam motivos para ensejar uma fraude na transação comercial, não incidiam os tributos federais. Requer a procedência da impugnação, alternativamente seja julgado parcialmente procedente a presente impugnação. Intimados, os responsáveis solidários Srs. LEANDRO DUARTE e CELSO PINNOW apresentaram impugnação conjunta, de folhas 127 a 139, anexando os documentos de folhas 140 a 155. Em síntese, trazem as seguintes alegações: Que, apenas efetuaram o serviço de assinatura de Declaração de Importação. Exerciam as funções de despachante aduaneiros, não possuíam qualquer interesse nos negócios realizados pela aludida empresa; Que, não ocorre de fato a alegada solidariedade apontada pela fiscalização. Traz jurisprudência administrativa; Que, as alegações quanto ao mérito foram fornecidas pela empresa autuada, vez que não tinham conhecimento do funcionamento da empresa. Que, devem ser afastados os valores referentes às declarações de importação para as quais não existem provas. Os documentos citados pela fiscalização fazem referência a somente 2 declarações; Que, os documentos de folhas 114 e 115 (sic) do processo não se prestam para comprovar que os produtos importados tiveram realmente os valores alterados. A indicação valores pagos "por fora", em verdade está se referindo a valores de comissão efetivamente pagos a pessoas na República Argentina, pessoas estas que passaram informações a impugnante para a localização dos fornecedores com preços mais acessíveis; Que, não haviam motivos para ensejar uma fraude na transação comercial, não incidiam os tributos federais. Requer a procedência da impugnação, alternativamente seja julgado parcialmente procedente a presente impugnação e, ao final, sejam excluídos os impugnantes da responsabilidade solidária. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/03/2006, 16/03/2006, 20/03/2006, 27/03/2006, 30/03/2006, 31/03/2006, 05/04/2006 MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A Empresa Agroworld Comercial Importadora e Exportadora de Alimentos Ltda defendeu que os documentos encontrados na sede da empresa com os quais a Fiscalização Federal procurou comprovar a prática do subfaturamento no preço referemse a apenas duas Declarações de Importação. Em face disso, requer seja afastada a pena aplicada para todas as demais importações. Mais uma vez, argumentou que “não se pode interpretar como sendo uma alteração dos valores efetivamente pagos na transação internacional a simples expressão ‘por fora’, vez que ausente de maiores comprovações, especialmente no tocante à movimentação financeira e demais documentos que instruíram o despacho aduaneiro de importação, o qual aponta de forma correta os valores efetivamente praticados e declarados ao fisco”. Que, pelo fato de as alíquotas estarem reduzidas a zero, não houve falta de recolhimento de tributos. O Sr. Leandro Duarte sustentou que a responsabilidade atribuída não observa as disposições legais pertinentes, pois, no caso, apenas exercia atividade de despachante aduaneiro. Que o Auto de Infração não demonstra o interesse existente na operação e que em nenhum momento concorreu para a prática de algum ato. Citou e transcreveu jurisprudência. Que a Fiscalização errou ao indicarlhe sujeito passivo solidário. Ausentes os quatro elementos necessários para tanto: integrar o quadro social da autuada, a empresa não ter personalidade jurídica própria, não ser possível exigir da empresa o pagamento de tributos e haver ação/omissão do sócio em relação ao fato gerador dos tributos. No mérito, reproduziu a defesa apresentada pela empresa Agroworld. Argumentou que não há provas de subfaturamento, que expressão “por fora” não deve ser interpretada como o Fisco pretende. Que só há provas relacionadas a duas Declarações de Importação. Que as alíquotas eram iguais a zero. De uma primeira análise do processo, entendeuse necessário a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos. Extraise do Relatório Fiscal de Encerramento que a empresa foi selecionada para o procedimento de revisão da habilitação concedida em vista da incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira estimada para a empresa. Ao longo do procedimento fiscal, os AuditoresFiscais autuantes obtiveram claros elementos probantes da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros. É o que consta no Relatório. Ora, de acordo com as informações e constatações colhidas como resultado da diligência fiscal realizada no estabelecimento do importador, surgiram fortes Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 4 5 indícios de ocultação dos reais sujeitos passivos, pois, na medida em que a fiscalizada somente utiliza sua estrutura contábil e física mediante a realização de importações quando demandada pelos seus clientes (encomendantes), entregando a mercadoria diretamente no endereço de seus clientes sem sequer transitar em seus estoques, os quais, conforme foi destacado, não foram detectados, em conjunto com o fato de que as instalações físicas do estabelecimento fiscalizado mostraramse incompatíveis com as transações efetuadas, inevitavelmente implicam na constatação de que, em tese, quem realmente seriam os efetivos adquirentes das mercadorias de origem estrangeira seriam seus clientes e não a importadora em tela. (grifos no original) [...]Foram encontrados relatórios emitidos pela empresa AGROWORLD para a comissária de despacho ABRAPAR DESPACHOS ADUANEIROS LTDA, aos cuidados dos Srs. CELSO PINOW, LEANDRO DUARTE e EDVARD GUIMARÃES ARAÚJO, informando sobre as despesas efetivamente incorridas nas operações comerciais da empresa (fls. 113115). Chama a atenção o fato de que consta como despesa a "comissão para a Agroworld". Verificase, portanto, que a fiscalizada cedia seu nome, mediante disponibilização de documentos próprios, para realização de operações de terceiros, acobertando os reais beneficiários das operações e recebendo uma comissão por esse "serviço". Embora isso, o vertente processo não se refere à multa de conversão da pena de perdimento, mas à multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado. Vejase como relata no corpo do Auto de Infração correspondente. Tal constatação [referese ao subfaturamento do preço] se deu baseado em documentos retidos em diligência realizada ao estabelecimento da autuada nos quais são informados os custos relacionados a cada importação realizada pela AGROWORLD. Nesses documentos (relatórios e cartas comerciais) emitidos em papel timbrado e assinados pelo procurador da empresa, foram constatados valores "pagos por fora" em valores correspondentes a 20,78% do valor total das oito DI's. Um dos argumentos de defesa apresentado pelas partes referese à ausência de provas do subfaturamento do preço para as oito Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração combatido. As Recorrentes afirmam que, se admitíssemos a ocorrência da infração, a Fiscalização teria logrado êxito em comprovála para apenas duas operações. Independentemente da possibilidade ou não de estender a outras operações as irregularidades constatadas em apenas alguns casos, o Relatório Fiscal de Encerramento traduz a informação de que a Fiscalização Aduaneira considera ter comprovado a irregularidade nas oito operações objeto da exigência, se não vejamos. Com base em documentos encontrados na sede da empresa, nos quais constavam os "valores pagos por fora" em cada operação realizada (fls. 113 115), verificouse que a fiscalizada praticava o subfaturamento de suas importações com o evidente intuito de pagar menos tributos por ocasião do desembaraço aduaneiro das mercadorias. A fiscalização apenas conseguiu comprovar o subfaturamento nos oito primeiros despachos realizados pela empresa, referente a carregamento de alho, representando 20,78% do real valor das mercadorias. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Os documentos a que faz referência estão localizados em três folhas do processo. Conforme acima, as de número 113, 114 e 115. Compulsando os autos, induvidoso trataremse de três relatórios, dois deles identificando as Declarações de Importação correspondentes, outro não. Se a própria Fiscalização afirma que a prova de subfaturamento está localizado nestas três folhas, não posso compreender porque considera comprovada a infração para as oito operações. Supondo que o raciocínio empregado tenhase baseado na identidade entre os preços unitários praticados nestas oito operações, procurei obter informações sobre as quantidades negociadas, incoterms, preços unitários etc, mas constatei que as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração não foram incluídas no processo. Por conta disso, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Unidade de Origem junte aos autos as oito Declarações de Importação identificadas no Auto de Infração. Uma vez que o processo retornará à origem, não será demais solicitar à Fiscalização Autuante esclarecimentos a respeito das considerações extraídas do Relatório Fiscal de Encerramento, acima transcritas. Explicar a razão porque considerou haver provas da infração para as oito operações incluídas no Auto de Infração. Após seja dado ciência do resultado da diligência ao contribuinte e ao solidário e concedido prazo de dez dias para manifestação. Feito isso, retorne a este Conselho para decisão final. Uma vez que tenha sido realizada a diligência solicitada, o Processo retorna agora para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O processo retorna da diligência instruído com as Declarações de Importação objeto do Auto de Infração controvertido e com esclarecimentos prestados pela Fiscalização Federal a respeito das provas de subfaturamento do preço na importação do alho colacionadas aos autos. Rememorando, propus a diligência porque, uma vez que a Fiscalização tivesse informado no Relatório do Auto de Infração que as provas do subfaturamento encontravamse às folhas 113 a 115 e, constatando que lá havia apenas três relatórios, cada um correspondendo a uma operação de importação, não pude compreender no que tinhase baseado a acusação de subfaturamento para as oito importações incluídas no Auto de Infração. Outrossim, nem mesmo havia como supor que se tratasse de prática comum, reiterada, pois as Declarações de Importação não foram encartadas ao Processo, razão pela qual não era possível conhecer os valores unitários de cada operação. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 5 7 Inicio pelos esclarecimentos prestados pelos AuditoresFiscais autuantes. Transcrevo parte da informação prestada. Aproveito para explicar os argumentos utilizados pela fiscalização para considerar comprovado o subfaturamento praticado pela empresa nas referidas operações de importação. A fiscalização juntou ao auto de infração o documento manuscrito encontrado na sede da empresa (fl. 62)1. Tratase de um relatório de custos da empresa Agroworld referentes à importação de “8 carretas” de alho. Neste relatório, observa se que o valor “Despesa com alho – câmbio 8 carretas” foi de R$ 265.700,00. Este foi o valor declarado nas DI´s (equivalente ao somatório do valor FOB) e que estava amparado pelas faturas comerciais que instruíram os despachos de importação. Entretanto, observase também que o relatório cita o “valor pago por fora” para importar as 8 carretas, no total de R$ 69.713,60. Ou seja, o custo efetivo e real total para trazer as 8 carretas de alho do exterior, e que deveria constar nas faturas comerciais, era de R$ 335.413,60. Daí se concluiu que o valor constante na fatura comercial foi subfaturado em 20,78%. Pois bem, no ano de 2006, a empresa Agroworld realizou diversas operações de comércio exterior no ramo de hortifrutigranjeiros, conforme se observa do relatório juntado às folhas 19 e 20 extraídas do Sistema DWAduaneiro. Verificase, portanto, que naquele ano a empresa registrou apenas 8 (OITO) declarações de importação de alho (cada DI tinha por objeto 1 carreta de alho, ou seja, 8 carretas no total). Ora, é uma conclusão lógica que se a AGROWORLD pagou valores “por fora” (a margem dos documentos oficiais que apresentou ao fisco) para importação de “8 carretas de alho”, estas não poderiam ser outras que aquelas únicas 8 importações de alho realizadas em 2006 (DI´s 06/2385053, 06/02385126, 06/03022132, 06/03174889, 06/03481862, 06/03636270, 06/03709049 e 06/03898003). (...) De fato, pareceme que assim as coisas fiquem bem melhor esclarecidas. Embora haja menção no Relatório do Auto de Infração ao documento manuscrito como prova do subfaturamento, não identifiquei, por ocasião do primeiro juízo que fiz sobre os fatos e provas colacionadas, quais evidências da ocorrência da infração podiam ser dele extraídas. Revendo tais documentos, é possível perceber que estão ali especificadas, Despesa com alho – câmbio – 8 carretas 265.700,00 Valor pago por fora 69.713,60 Como informa o Fisco, cada carreta corresponde a uma importação, o que se confirma pela soma do valor das oito importações incluídas no Auto de Infração que monta a R$ 267.788,32. Também como demonstrado pela Fiscalização, o subfaturamento é da ordem de 20,78% (69.713,60 ÷ 335.413,60 (265.700,00+69.713,60)). Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Mais uma vez compulsando os autos, agora instruído com as Declarações de Importação, identifiquei que o valor unitário (por caixa) praticado em cada operação gira em torno de 6 e 7 dólares. Em dois dos demonstrativos colhidos pela Fiscalização Federal (folhas 113 a 115), o contribuinte faz menção a um valor pago por fora da ordem de 1,5 centavos de dólar por caixa. Admitindose que represente, na verdade, 1,5 dólares, e não centavos de dólares1, uma margem de subfaturamento muito parecida com a identificada pelo Fisco, da ordem de 18,75% (1,5/8), confirmando a interpretação dos fatos proposta pelos Auditores Fiscais. A acusação de subfaturamento do preço não se confunde com os demais casos revisão do valor aduaneiro declarado, seja a revisão decorrente da rejeição do primeiro método, seja da recomposição da base de cálculo, com a inclusão de valores que, embora não integrando o preço, devem ser acrescentados à base de cálculo dos tributos aduaneiros. No subfaturamento, é preciso que seja provado que o preço ou valor praticado naquela operação não foi o informado pelo importador na declaração de importação. Ao contrário, a rejeição do primeiro método ou recomposição do valor requer apenas o enquadramento do fato nas condições definidas na legislação de regência como aptas à rejeição do primeiro método ou inclusão de valores na base de cálculo. Tratase de uma distinção de grande relevância, na medida em que cada uma das duas situações traz repercussões completamente diferentes. Com base nas irregularidades acima delineadas, a Fiscalização Aduaneira entende ter comprovado que ocorreu o subfaturamento do preço, o que significa dizer que o preço praticado na operação não foi o informado na Declaração de Importação identificada no Auto de Infração. Comprovar o fato ou direito, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se molda tão bem a essa máxima. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em pacto formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. 1 O que se confirma pelo fato de, na linha seguinte, ser mencionado o valor de 0,44 centavos de dólar, o que representaria inexpressivos 10,56 dólares pelas 2.440 caixas negociadas, enquanto, na verdade, ao final da linha, o somatório da despesa ali descrita está informado como sendo de R$ 2.310,00. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 6 9 No caso específico de subfaturamento do preço na importação, desnecessário dizer que o modelo acima não favorece a comprovação do ilícito. O contribuinte, por óbvio, não vai apresentar espontaneamente documentos que testemunhem negociação em valor superior ao informado. Também a contabilidade formal e os documentos correspondentes não conterão informações sobre a prática da irregularidade. Com efeito, será necessário que o Fisco obtenha as provas em procedimentos de exceção, tal como busca e apreensão no estabelecimento do contribuinte, ou que as obtenha em situações peculiares, como durante a conferência física das mercadorias, o que aconteceu no caso da Declaração de Importação nº 06/02849068. Contudo, não é sensato esperar que isso ocorra mais do que algumas poucas vezes, ou mesmo, mais do que uma vez. Em sentido diametralmente oposto, também não é possível admitir que a constatação da ocorrência de uma infração dolosa em determinado momento se irradie, deliberadamente, para todas as demais operações conduzidas por determinada pessoa jurídica, trazendo a presunção de fraude para todas as negociações que venham a ser consumadas dali para frente. Sopesando todos esses aspectos, vejo como inconteste a presença dos elementos necessários à comprovação da prática da infração de subfaturamento do preço no caso concreto. Não há como atribuir presunção de boafé quando tantas evidências laboram em desfavor do contribuinte. Ao contrário do que sustenta, a presença da informação de que valores serão pagos por fora nos documentos espontaneamente produzidos pelas partes envolvidas não pode interpretada de outra forma, se não como uma forte evidência de que parte do preço praticado nas operações não era remetido pela via oficial, mas, como acidentalmente confessado, pago por fora. Pode até que a autuação não se mantivesse se baseada única e exclusivamente em um documento contendo esse tipo de informação, mas, como se viu, não foi esse o caso. A suspeita levanta pela desavisada indicação de que valores seriam pagos por fora foi amplamente confirmava nas informações contidas nos registros e anotações obtidos da diligência fiscal. Uma vez comprovada a presença do elemento volitivo, a legislação pátria, artigo 88 da MP 2.158/0135, autoriza o arbitramento do preço por critérios razoáveis. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Foi o que a Fiscalização fez. Tomou por base um percentual identificado em um manuscrito e corroborado por outros documentos e aplicou sobre as demais operações, que, inclusive, estavam efetivamente incluídas no valor total das importações informado no manuscrito. No que se refere à sujeição passiva do Sr. Leandro Duarte, que alega ser um mero despachante, sem interesse comum nas práticas delituosas apuradas pelo Fisco, pertinente transcrever o teor o Relatório Fiscal a respeito da participação da sua nas operações empreendidas pela Agro World. Foi encontrada cópia de Procuração Pública (fls. 103104) lavrada e assinada em 27 de janeiro de 2006, onde a fiscalizada nomeou e constituiu o Sr. LEANDRO DUARTE, CPF 628.393.22072 como procurador da empresa, concedendolhe amplos, gerais e ilimitados poderes para representála junto ao Banco Bradesco S/A. Esse fato levantou suspeita da fiscalização haja vista que em casos clássicos de interposição fraudulenta de terceiros quase sempre quem efetivamente administra e movimenta os recursos da pessoa jurídica não são seus sócios de direito, mas sim os reais beneficiários, além do fato de que os bancos em geral só permitem que terceiros movimentem contas correntes de outra titularidade quando devidamente munidos da competente procuração pública. (...) Como resposta, além da procuração pública anteriormente mencionada, obtevese o encaminhamento de outra procuração pública que a empresa AGROWORLD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA DE ALIMENTOS LTDA teria passado em favor do Sr. Leandro Duarte, portador do CPF n° 628.393.22072 Procuração Pública (fls. 110112) lavrada e assinada em 04 de agosto de 2006, onde a fiscalizada nomeou e constituiu o Sr. LEANDRO DUARTE como procurador da empresa, dandolhe, em síntese, amplos e gerais poderes para gerir e administrar a empresa AGROWORLD, podendo, entre outros, movimentar contas bancárias, assinar contratos de câmbio, representála perante todas e quaisquer repartições públicas; Embora o Sr. Leandro oficialmente exercesse a função de despachante aduaneiro, vêse que, na prática, atuava como o verdadeiro gerente do negócio, razão pela qual não vejo porque deva ser excluído do polo passivo da obrigação tributária. Por todo exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de julho de 2013. (assinatura digital) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12457.011254/200759 Acórdão n.º 3102001.960 S3C1T2 Fl. 7 11 Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10435.001369/2005-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. AUDITORIA DIPJ. APURAÇÃO INCORRETA. PAGAMENTOS EFETUADOS.
Correto o lançamento do IRPJ decorrente de auditoria DIPJ, em que foi detectada apuração incorreta, que levaram em conta estimativas não confirmadas, descabendo alegar pagamentos sob código de estimativa feitos após o início da fiscalização e/ou vinculados a parcelamento indeferido, o que não impede que sejam deduzidos em fase de cobrança.
NULIDADE. REEXAME EM PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE ORDEM ESCRITA PELA AUTORIDADE. MPF. TRIBUTO DISTINTO.
Não enseja nulidade a ausência de autorização para reexame de período já fiscalizado, sobretudo quando se tratar de tributo distinto, com regular emissão de MPF, que é emitida pela mesma autoridade competente.
Numero da decisão: 1801-001.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Cientifique-se a DRF/Petrolina para que proceda ao desapensamento do processo n° 10435.001370/2005-21 (auto de infração da CSLL, ano calendário 2003) e encaminhe-o para julgamento em primeira instância, devendo anexar cópia da presente decisão.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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MPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. MERA IRREGULARIDADE. NATUREZA DO MPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A falta de prorrogação do MPF, em caso de ação fiscal encerrada dias antes do prazo de validade do mandado, não é causa de nulidade do lançamento, dada a natureza de instrumento de controle interno do MPF e a ausência de prejuízo na defesa da recorrente. NULIDADE. REEXAME EM PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE ORDEM ESCRITA PELA AUTORIDADE. MPF. TRIBUTO DISTINTO. Não enseja nulidade a ausência de autorização para reexame de período já fiscalizado, sobretudo quando se tratar de tributo distinto, com regular emissão de MPF, que é emitida pela mesma autoridade competente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. AUDITORIA DIPJ. APURAÇÃO INCORRETA. PAGAMENTOS EFETUADOS. Correto o lançamento do IRPJ decorrente de auditoria DIPJ, em que foi detectada apuração incorreta, que levaram em conta estimativas não confirmadas, descabendo alegar pagamentos sob código de estimativa feitos após o início da fiscalização e/ou vinculados a parcelamento indeferido, o que não impede que sejam deduzidos em fase de cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 13 69 /2 00 5- 04 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Cientifiquese a DRF/Petrolina para que proceda ao desapensamento do processo n° 10435.001370/200521 (auto de infração da CSLL, ano calendário 2003) e encaminheo para julgamento em primeira instância, devendo anexar cópia da presente decisão. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), ano calendário 2003. O auto de infração de IRPJ (fls. 06/11) exige o recolhimento de R$ 93.102,49 de imposto e R$ 69.826,86 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Falta de recolhimento de IRPJ. Insuficiência de recolhimento de IRPJ: no período de 12/2003. Enquadramento legal no 841 incisos I, III e IV do RIR/99. Multa de 75%; Foi interposta impugnação (fls. 79/98), que foi julgada improcedente pela DRJ/Recife, conforme acórdão de fls. 182/193, prolatado em 28/06/2012. Cientificada da decisão em 16/08/2012, conforme AR de fl. 198, tempestivamente, em 17/09/2012, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 200/215, por meio de seu procurador (procuração à fl. 216), acompanhado dos documentos de fls. 217/220, que se resume a seguir: a. Contesta o acórdão recorrido, que reconhece que o MPF padece de "falhas na emissão e trâmite", porém afirma que tais "falhas" não causam nulidade, pois o MPF seria "mero procedimento interno de planejamento e controle; b. Alega que o Mandado de Procedimento Fiscal contém diversos vícios que implicam em nulidade do procedimento administrativo que originou o lançamento, porquanto ofendem os Princípios da Legalidade, do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório. Destaca que quando o auto de infração foi lavrado, o MPF já se encontrava extinto, a Recorrente já havia sido anteriormente fiscalizada em relação aos mesmos tributos e aos mesmos períodos e, por força disso, impunhase a autorização expressa de autoridade hierarquicamente superior, entre outros vícios existentes, todos apontados na peça impugnatória; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.001369/200504 Acórdão n.º 1801001.721 S1TE01 Fl. 227 3 c. Argumenta que, no sentido de revestir o lançamento tributário de maior certeza e segurança jurídica, em respeito aos Magnos princípios da Legalidade, Moralidade, da Eficiência, do Devido Processo Legal, do Contraditório e da Ampla Defesa e da Segurança Jurídica, a própria Administração Tributária, na busca de melhor exercer o controle sobre os atos de seus agentes, cercandoos de maior legitimidade e validade, bem assim dar mais proteção ao contribuinte, maior transparência, ciência e publicidade para o acusado dos seus procedimentos de ofício, criou o instrumento do Mandado de Procedimento de Fiscal – MPF; d. Afirma que, por meio da Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999, foi estabelecido que os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, somente seriam instaurados mediante ordem específica denominada de MPF. Essa Portaria foi revogada, mantendose as mesmas disposições, estando em vigor na época do lançamento a Portaria n° 6.087 de 21 de novembro de 2005. De acordo com a citada Portaria n9 6.087/2005 e suas posteriores alterações, existem requisitos essenciais a serem observados quando da expedição do MPF, para que o respectivo procedimento fiscal por ele instaurado seja válido, sob pena da decretação da sua nulidade; e. Cita doutrina; f. Menciona que, consoante a Portaria que regula o MPF, nos seus artigos 10 e 13, o respectivo instrumento deverá conter o prazo em que deverá o mesmo ser executado, bem assim que o sujeito passivo deve ser cientificado da expedição e de todas as prorrogações do MPF. Mesmo na hipótese de que a prorrogação tenha sido procedida via Internet, ainda assim, a fim de convalidar o procedimento, o sujeito passivo deverá ser cientificado do respectivo fato quando do primeiro ato de ofício praticado junto a ele pela autoridade fiscal, sob pena da respectiva extinção; g. Reclama que vários atos administrativos que compuseram o procedimento fiscal deixaram de obedecer aos requisitos essenciais da legislação tributária, imprescindíveis ao respeito ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à perfectibilidade e exigidos para a validade dos mesmos, o que resulta em tornar nulo o ato de lançamento e a respectiva exigência. De acordo com as normas que regulam o MPF, o mesmo deverá ser cientificado ao contribuinte para que ele possa saber do início do procedimento fiscal. Igualmente, no MPF deverá ser fixado o respectivo prazo de validade, caso não o faça, o mesmo produzirá efeitos pelo prazo máximo de até 120 dias prorrogáveis sucessivamente por 60 dias. No caso de o prazo do MPF se extinguir, sem que a autoridade fiscal inicialmente nomeada tenha adotado qualquer procedimento no sentido de lavrar Auto de Infração, e se faça necessária a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, nesse novo ato não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pelo MPF extinto, consoante expressamente prevê o parágrafo único do artigo 16 da Portaria n°6.087/2005; h. Cita decisões do CARF; i. Destaca que a fiscalização realizada é uma refiscalização de período já fiscalizado. A nova ação fiscal visou rever os critérios e refazer os cálculos anteriormente já lançados, sem que os respectivos lançamentos houvessem sido anulados. Entretanto, em respeito à legalidade, à moralidade, ao contraditório e à ampla defesa, nos expressos termos da lei tributária, somente poderia haver novo procedimento fiscal para os mesmos períodos, com base nos mesmos elementos fáticos e para um mesmo contribuinte, com o fim de reexaminar os livros, os registros contábeis e fiscais e os documentos da empresa já Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 anteriormente fiscalizados com nova e expressa autorização da autoridade hierarquicamente superior, consoante previsto no art. 906 do RIR/99; j. Por fim, afirma que a decisão recorrida não considerou os recolhimentos realizados pela Recorrente, malferindo o Princípio da Verdade Material que rege o processo administrativo fiscal e norteia a autoridade administrativa em suas decisões; k. Lembra que o Auto de Infração é um lançamento de ofício, que vem a ser um acertamento do montante efetivamente devido pelo contribuinte. Nesse caso, não é justo nem legítimo que a Receita Federal do Brasil reconheça apenas o débito tributário, ignorando, os pagamentos realizados pela Recorrente. Impõese, de conseguinte, a consideração dos recolhimentos realizados, a fim de quantificar o valor efetivamente devido pela Recorrente e, com isso, impedir que haja um enriquecimento sem causa do Fisco; l. Ao final, requer seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, ou sejam acolhidas integralmente as razões recursos, para julgar improcedente a autuação. À fl. 149 consta memorando da PGFN, de 27/02/2008, endereçado ao Delegado da DRF/Caruaru/PE, solicitando informações sobre os processos números 13413.000130/200474, 13413.000131/200419, 10435.001369/200504 e 10435.001370/200521. À fl. 151/153, através de Informação Fiscal, a DRF/Petrolina esclarece que os dois primeiros processos são de pedido de parcelamento de estimativas do IRPJ e CSLL, respectivamente, e os dois últimos são autos de infração do IRPJ e CSLL, respectivamente, do ano 2003. Foi informado que os pedidos de parcelamento foram indeferidos, por impedimento legal em virtude de o contribuinte ser optante do PAES (Lei n° 10.684/2003, art. 10, §10). Com o indeferimento, os processos foram encaminhados à PFN para inscrição em dívida ativa. Posteriormente, devido à SCI n° 18/2006, segundo a qual estimativas não deveriam ser enviados para inscrição em dívida ativa, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL, além de multas isoladas. Conclui que foram descabidos os encaminhamentos dos processos 13413.000130/200474 e 13413.000131/200419. À fl. 172 consta Ofício do Delegado da DRF/Caruaru endereçado à PFN, encaminhando a Informação Fiscal e solicitando a baixa das inscrições em divida ativa. À fl. 179 consta despacho proferido pela DRF/Caruaru, em 22/07/2011, apensando o processo n° 19647.000966/200673 nos presentes autos. E no dia 25/07/2011 foi apensado o processo n° 10435.001370/200521, conforme despacho de fl. 180. No primeiro há somente três folhas, incluindo a capa do processo e o despacho de apensação. O segundo contém o auto de infração da CSLL, ano calendário 2003, lavrado por ocasião da mesma ação fiscal do presente processo (fls. 06/14), a impugnação (fls. 81/100), mas não consta acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.001369/200504 Acórdão n.º 1801001.721 S1TE01 Fl. 228 5 O contribuinte foi autuado, mediante auto de infração, pelo qual foram exigidos créditos tributários de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2003. Os lançamentos têm origem na insuficiência ou falta de recolhimento, constatada na própria escrituração contábil da empresa. A DRJ/Recife manteve integralmente os lançamentos, em decisão resumida nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não há falar de nulidade quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente, tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, além de conter o lançamento a descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, sem força para afastar as competências legais atribuídas às autoridades fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PAGAMENTO NÃOESPONTÂNEO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO INTEGRAL. Pagamento efetuado antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. O crédito tributário será lançado pelo valor total, devendo o pagamento ser utilizado na sua amortização quando da fase de cobrança. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Preliminar. Nulidade. MPF. No recurso voluntário, preliminarmente, a recorrente pede a nulidade dos lançamentos. Alega que o MPF contém diversos vícios que implicam em nulidade do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 procedimento administrativo, porquanto ofendem os Princípios da Legalidade, do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório. Que quando o auto de infração foi lavrado, o MPF já se encontrava extinto. Que como a Recorrente já havia sido anteriormente fiscalizada em relação aos mesmos tributos e aos mesmos períodos impunhase a autorização expressa de autoridade hierarquicamente superior. Que o sujeito passivo deve ser cientificado da expedição e de todas as prorrogações do MPF, mesmo na hipótese de que a prorrogação tenha sido procedida via Internet. Que o contribuinte deverá ser cientificado para saber o início do procedimento fiscal. Que o MPF deverá conter o respectivo prazo de validade. A preliminar de nulidade merece rejeição. À fl. 05 consta cópia do MPF n° 04.1.02.002004003533, autorizando o procedimento de verificações obrigatórias dos tributos administrados pela RFB, que foi emitido em 09/12/2004, com ciência pelo contribuinte em 01/03/2005, conforme AR de fl. 14. Nele consta a informação de que o mandado deverá ser executado até 08/04/2005. O procedimento fiscal foi deflagrado em 01/03/2005, pelo Termo de Início de fls 12/13 (AR de fl. 14) e finalizou com o recebimento do auto de infração, que ocorreu em 06/01/2006 (AR de fl. 62). O MPF foi devidamente prorrogado em 08/04/2005 (validade até 07/06/2005), 07/06/2005 (validade até 06/08/2005), 06/08/2005 (validade até 05/10/2005), 05/10/2005 (validade até 04/12/2006) e 04/12/2006 (validade até 02/02/2006). Houve emissão de MPF complementar, à fl. 54, em 20/12/2005, para incluir o IRPJ e a CSLL do período 2003. Os dados mostram que, ao contrário do que afirma a recorrente, houve a regular ciência do MPF, o qual continha o prazo de validade, que ainda não havia se expirado na lavratura do auto. Quanto à ciência das prorrogações, a Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, em vigor à época dos fatos, trazia em seu art. 13 a seguinte disposição: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1 º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7 º , inciso VIII. § 2 º Na hipótese do § 1 º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Não consta nos autos que a fiscalização tenha enviado, ao endereço da autuada, cópia do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF. Entretanto, essa irregularidade não é suficiente para anular o processo, conforme entendimento reiterado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Número do Processo 10280.003970/200453, Tipo do Recurso Recurso Voluntário Especial Data da Sessão 16/06/2009 Relator(a) Karem Jureidini Dias Nº Acórdão 910100189 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.001369/200504 Acórdão n.º 1801001.721 S1TE01 Fl. 229 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF São válidos os lançamentos de contribuições decorrentes de autuação de IRPJ, cujo MPF foi aberto tãosomente para este tributo. São válidos os lançamentos decorrentes de procedimento fiscal, ainda que não tenha sido dada ciência pessoal ao sujeito passivo das prorrogações do MPF relativo a este. ____________________________________________________ Número do Processo 10215.000591/200495, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 04/08/2008, Relator(a) Ana Maria Ribeiro dos Reis, Nº Acórdão CSRF/0400.990 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO — A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na intemet, a teor do art. 13, § 1 º, da Portada SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Essa exegese tem por base o entendimento de que o MPF constitui em instrumento de controle interno da RFB, de modo que eventuais irregularidades em sua emissão não invalidam o procedimento fiscal. É essa a jurisprudência dominante na instância administrativa, inclusive no âmbito da CSRF, consoante os seguintes precedentes: Número do Processo 10120.009665/200246, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 23/01/2006, Relator(a) Henrique Pinheiro Torres, Nº Acórdão CSRF/0202.187 Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. ____________________________________________________ Número do Processo 10120.002508/200391, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/11/2008, Relator(a) Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Nº Acórdão CSRF/01 06.085 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Quanto à alegação de necessidade de autorização de autoridade hierarquicamente superior, em face de fiscalizações anteriores, previsto no art. 906 do RIR/99, a recorrente não relaciona os processos anteriores a que se refere. Mas na impugnação, a impugnante indica os seguintes processos: 10435.001300/200319 (CSLL 31/12/1999 a 31/12/2002), 10435.001302/200308 (COFINS 01/01/1999 a 31/03/2003) e 10435.001303/200344 (PIS 01/01/1999 a 31/12/2003). Conforme se verifica, houve coincidência de período para o PIS e a Cofins, que são tributos diversos do IRPJ tratado nestes autos. Ainda que o art. 906 do RIR/99 não faça distinção entre tributos, entendo que a falta dessa ordem não é suficiente para decretação de nulidade, até porque se trata da mesma autoridade que emitiu o MPF autorizando o procedimento fiscal. Nesse sentido, citemse precedentes do CARF nesse sentido: Reexame de Período já Fiscalizado Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). ____________________________________________________ Número do Processo 10510.003076/200511, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 29/07/2009, Relator(a) Aloysio José Percínio da Silva, Nº Acórdão 110100154 AUTORIZAÇÃO PARA NOVO EXAME EM PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MPF. A emissão de MPFfiscalização por autoridade competente da Receita Federal supre a obrigatoriedade de ordem escrita para novo exame em período já fiscalizado (art. 906 do RIR/99) ____________________________________________________ Número do Processo 12571.000127/200980, Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO, Data da Sessão 01/02/2012, Relator(a) GERALDO VALENTIM NETO, Nº Acórdão 1202 000.712 NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA REEXAME. NÃO OCORRÊNCIA. Ausência de intimação quanto à autorização para segundo exame, referente ao mesmo período, quando lavrada e assinada por autoridade competente não gera nulidade, conforme disposto no art. 906 do RIR/99. A Recorrente não foi prejudicada, já que tinha pleno conhecimento das infrações imputadas em processo administrativo anterior. Não houve afronta às hipóteses contidas no rol do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Preliminar de nulidade afastada. É relevante mencionar que, mesmo no processo penal, a declaração de nulidade está condicionada à demonstração do prejuízo, de acordo com o disposto no art. 563 do CPP. É no processo penal que os princípios da ampla defesa e do contraditório são garantidos ao máximo, pois o que está em jogo é a liberdade do indivíduo. Sendo assim, é lícito concluir que não pode haver rito processual no direito pátrio que decrete a nulidade sem prejuízo. Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.001369/200504 Acórdão n.º 1801001.721 S1TE01 Fl. 230 9 De fato, no âmbito do PAF, exceto nos casos de incompetência e de preterição do direito de defesa, o ato atacado, ainda que cause prejuízo ao contribuinte, será simplesmente sanado, a teor dos artigos 59 e 60. No caso em análise, a recorrente sequer cogitou de explicar qualquer prejuízo que tivesse sofrido pelas irregularidades formais apontadas. CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Superada a preliminar de nulidade, passo à apreciação do mérito. Mérito. IRPJ. No mérito, a recorrente alega que a decisão recorrida não considerou os recolhimentos realizados. A autuação decorreu de simples cotejo dos dados informados na DIPJ com a base da pagamentos. Foi constatado que, dos R$ 184.080,30 deduzidos pelo contribuinte a título de pagamentos por estimativas, somente R$ 87.402,25 foram confirmados, conforme planilha de fl. 44, resultando num IRPJ a pagar de R$ 93.102,49, conforme o demonstrativo abaixo: RUBRICA DIPJ/2004 LANÇAMENTO IRPJ (15%) 122.702,84 122.702,84 (+) Adicional 57.801,90 57.801,90 (=) IRPJ antes das deduções 180.504,74 180.504,74 () Pagamentos por estimativas 184.080,30 87.402,25 (=) IRPJ a pagar 3.575,56 93.102,49 Os recolhimentos a que se refere a recorrente foram discutidos na impugnação, com a qual foram juntados documentos. Às fls. 110/131 o contribuinte anexou documentos relativos ao pedido de parcelamento das estimativas de IRPJ e CSLL do período 2003. No entanto, conforme informações prestadas pela DRF/Petrolina à PFN (fls. 151/153 e 172), o pedido de parcelamento foi indeferido e as inscrições em dívida ativa, que eram objeto dos processos 13413.000130/200474 e 13413.000131/200419, foram baixadas. Com isso, deixou de haver duplicidade de cobrança, de modo que o imposto de renda devido ao final de 2003 está sendo cobrado no presente processo. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Às fls. 132, 133 e 134, o contribuinte juntou cópia de cinco DARFs de código 2362 (estimativa de IRPJ), todos do período 01/2003, recolhidos em 29/12/2005, 30/11/2005, 31/08/2005, 29/07/2005 e 30/06/2005, e com valor de principal de R$ 1.611,36, multa de R$ 322,26 e variados valores de juros. E às fls. 134/137 constam sete DARFs com indicação do processo n° 13413.000131/200419, que é o do parcelamento das estimativas de IRPJ, recolhidos em 31/05/2005, 29/04/2005, 31/03/2005, 28/02/2005, 31/01/2005, 30/12/2004 e 01/10/2004, todos com valor principal de R$ 1.611,36. A DRJ/Recife assim se pronunciou quanto a esses pagamentos: Quanto aos DARFs apresentados: a) Folhas 132, 133 e 134 (superior), que se referem às estimativas de IRPJ do ano calendário de 2003, foram recolhidos quando o contribuinte não se encontrava mais espontâneo. b) Folhas 134 (inferior), 135, 136 e 137, referemse a parcelas do processo nº 13413.000131/200419 (Pedido de Parcelamento), que foi indeferido, e a períodos de apuração divergentes do lançamento. Logo, os DARFs e o pedido de parcelamento com os respectivos pagamentos de parcela apresentados não têm o condão de determinar a improcedência do lançamento. No entanto, os pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, poderão ser utilizados na amortização do crédito tributário lançado quando da fase de cobrança. Da mesma forma, quanto aos valores pagos referentes ao parcelamento, poderão, também, a critério da pessoa jurídica, ser utilizados na amortização do crédito tributário lançado, quando da fase de cobrança, desde que obedecidos os procedimentos legais para tanto. Entendo que a autoridade julgadora de primeira instância não desconsiderou os pagamentos, como entendeu equivocadamente a recorrente. Pelo contrário, foi decidido que os DARFs de código 2362 não vinculados ao processo de parcelamento poderão ser deduzidos do débito do presente processo, por ocasião da cobrança. E a mesma faculdade terá o contribuinte relativamente aos DARFs atrelados ao parcelamento; a ressalva posta (a critério da pessoa jurídica) se explica pelo fato de que o contribuinte poderia optar pela compensação desses pagamentos indevidos com outros débitos. Mas caso deseje, também poderá igualmente deduzilos. Finalmente, conforme registrei no relatório, foi constatado que o processo n° 10435.001370/200521 foi apensado ao presente, conforme despacho de fl. 180. Tratase de auto de infração da CSLL, ano calendário 2003, lavrado por ocasião da mesma ação fiscal deste processo (fls. 06/14). Como foi anexada impugnação (fls. 81/100) e não consta decisão de primeira instância, entendo que a DRF de origem deve ser notificada para desapensar o referido processo e encaminhálo para julgamento na DRJ. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.001369/200504 Acórdão n.º 1801001.721 S1TE01 Fl. 231 11 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.923615/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Declarou-se impedido o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 36 15 /2 00 9- 10 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Declarou se impedido o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 25/27 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de PIS (código de receita 8109) efetuado em 15/04/2005, que a interessada buscava compensar com débito do IRPJ (código de receita 2362) vencido em 31/05/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que indeferiu o pedido da recorrente ocorreu em 21/05/2012 (fls. 31). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/06/2012, o recurso voluntário de fls. 33/37, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão se limita à análise do direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, uma vez que nos autos não se faz referência a insuficiência probatória do crédito guerreado. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923615/200910 Acórdão n.º 3802002.070 S3TE02 Fl. 41 3 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Tal dispositivo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC nº 20/98. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923615/200910 Acórdão n.º 3802002.070 S3TE02 Fl. 42 5 Quanto ao levantamento do crédito em favor da interessada, nada foi analisado a respeito dessa questão, posto que o litígio se restringiu à questão da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, conforme ressaltado. Assim, superada aduzida questão de direito em favor do sujeito passivo, e considerando que não há nos autos elementos suficientes para o exame do montante do crédito em favor da recorrente, deverão os autos ser remetidos à instância a quo para que esta se pronuncie sobre o direito creditório reclamado pela interessada. Com essas considerações, voto para dar parcial provimento ao recurso para que os autos sejam remetidos à primeira instância a fim de que esta se manifeste especificamente sobre o mérito do crédito tributário alegado sem a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13896.900059/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-004.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 00 59 /2 00 9- 51 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900059/200951 Acórdão n.º 3803004.281 S3TE03 Fl. 154 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 29 de abril de 2005 (fls. 1 a 5), referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração novembro de 2004, no valor de R$ 104.852,65, destinado a quitar débitos de IRPJ e da CSLL devidos em março de 2005. Por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 6), a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP não havia sido localizado nos sistemas internos da Receita Federal. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 15) e requereu, em preliminar, a declaração de nulidade do despacho decisório por erro na capitulação legal e, no mérito, alegou que procederia à juntada de cópia do DARF não localizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários (fls. 17 a 30). A DRJ Campinas/SP, em julgamento realizado em 20 de junho de 2011, não reconheceu o direito creditório pleiteado, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. 0 reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que, quanto à nulidade arguida em preliminar por erro na capitulação legal do despacho decisório, a legislação citada seria, efetivamente, a que regula todo o conjunto de atos relacionados à apuração de direito creditório e à extinção de débitos tributários, o que afastaria a alegação de falta de requisito essencial no despacho decisório. Destacou, ainda, que, no presente caso, o fundamento da não homologação da compensação seria mais propriamente fático que jurídico. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900059/200951 Acórdão n.º 3803004.281 S3TE03 Fl. 155 3 No mérito, aduziu o relator de piso que o contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, teria dito que apresentaria o documento faltante, qual seja, o comprovante do pagamento efetuado (DARF), mas que nada foi apresentado nesse sentido, restando não comprovado o direito creditório declarado. Em 17 de junho de 2011, mais de dois anos depois da ciência do despacho decisório, o contribuinte protocolizou nova Manifestação de Inconformidade (fls. 37 a 41) na repartição de origem, alegando que o direito creditório pleiteado neste processo decorreria de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado a partir da aplicação de insumos na fabricação de produtos não tributados, direito esse assegurado por meio de sentença em mandado de segurança. Cientificado do acórdão da DRJ Campinas/SP em 16 de novembro de 2011 (fl. 116), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano (fls. 117 a 120) e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando tratarse de créditos excedentes da Cofins e da contribuição para o PIS apurados na sistemática da não cumulatividade, não reconhecidos pela repartição de origem pelo fato de que o despacho decisório decorrera de mero cruzamento de dados realizado eletronicamente. Segundo ele, os demonstrativos de apuração das contribuições trazidos em sede de recurso seriam aptos a comprovar o crédito utilizado na compensação, todo ele apurado em estrita observância das normas aplicáveis à sistemática não cumulativa de apuração das contribuições. Por fim, destacou que a essência seria mais importante que a forma e que os créditos encontrarseiam devidamente escriturados. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e de demonstrativos por ele elaborados (fls. 121 a 146). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Conforme acima relatado, o Recorrente demonstra, ao longo da tramitação deste processo, total desconhecimento da matéria fática subjacente à compensação declarada, ora alegando que o direito creditório decorreria de um pagamento a maior, ora de crédito de IPI e, por fim, de crédito da própria contribuição apurada na sistemática da não cumulatividade. Esqueceuse o Recorrente, ao final, de nos esclarecer acerca dessas radicais inflexões que, a cada manifestação sua, tornavam mais díspares e desconcertados os argumentos de defesa que foram sendo, paulatinamente, apresentados, evidenciando uma balbúrdia que não condiz com a precisão requerida na apuração de indébitos ou de outros direitos creditórios. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900059/200951 Acórdão n.º 3803004.281 S3TE03 Fl. 156 4 Em sede de recurso, o contribuinte inova totalmente os argumentos de defesa, passando a se defender com base em fatos não apontados na primeira instância e em questões de mérito diversas daquelas levadas ao conhecimento da autoridade julgadora a quo. Na manifestação de inconformidade (a primeira, que vem a ser a única válida e tempestiva), o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório alegando que o DARF comprobatório do indébito seria apresentado oportunamente, o que nunca ocorreu, nada dizendo sobre a origem e a natureza do pagamento indevido. Na segunda oportunidade em que se manifestou nos autos (segunda manifestação de inconformidade, inválida e intempestiva), o contribuinte, numa evidente confusão mental, passou a reclamar a existência de um crédito de IPI assegurado por meio de decisão judicial, não trazendo aos autos qualquer prova dessas novas alegações. Por fim, no Recurso Voluntário, o contribuinte passa a alegar a existência de créditos apurados na sistemática não cumulativa da contribuição, trazendo aos autos cópias de Dacons e de demonstrativos por ele elaborados, desacompanhados da escrituração contábil fiscal e dos documentos que embasam as informações escrituradas. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900059/200951 Acórdão n.º 3803004.281 S3TE03 Fl. 157 5 final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações serem afastadas por se referir a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois, conforme acima apontado, nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte.” 4 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. 4 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900059/200951 Acórdão n.º 3803004.281 S3TE03 Fl. 158 6 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10880.915897/2008-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE.
A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção ou imunidade, pois operações isentas ou imunes não podem se submeter à alíquota zero, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que admitiam a juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência à repartição de origem.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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NULIDADE DA DECISÃO “A QUO”. INOCORRÊNCIA DE VÍCIOS. A decisão da autoridade julgadora administrativa de 1ª instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção ou imunidade, pois operações isentas ou imunes não podem se submeter à alíquota zero, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 97 /2 00 8- 29 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 102 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que admitiam a juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência à repartição de origem. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à Cofins, no valor de R$ 26.463,54, e não homologara a respectiva declaração de compensação, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu que o presente processo, assim como os demais a ele conexos, fossem apensados ao processo de nº 10880.915886/200849, para o exame de todas as compensações em conjunto, uma vez tratar se das mesmas razões de defesa, cuja prova seria de fracionamento impossível. Segundo o então Manifestante, os créditos objeto de compensação decorreriam de recolhimentos indevidos da contribuição para o PIS e da Cofins, no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, por terem sido calculados sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM), operações essas equiparadas, pelo Decretolei nº 288, de 1967, a operações de exportação. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, por ausência de comprovação do indébito alegado, assim como pelo descabimento da isenção no que tange às vendas para a ZFM, considerando que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, não projetaria isenções futuras. Cientificado da decisão em 15 de junho de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 6 de julho do mesmo ano, e requereu, em preliminar, a declaração de nulidade do acórdão recorrido, por se pautar em premissas confusas e obscuras, que impossibilitariam o pleno exercício do seu direito de defesa, tendo em vista a falta de clareza quanto à razão para a negativa de provimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 103 3 No mérito, alegou o Recorrente a aplicação de isenção nas operações de vendas destinadas à ZFM, nos termos do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, combinado com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e o art. 14, inciso II, da Medida provisória nº 2.158. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1 Decisão administrativa a quo. Arguição de nulidade. Inocorrência. De início, registrese que se mostram descabidos os argumentos apresentados pelo Recorrente para requerer a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, uma vez que esta se pautou pelas regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, tendo aquela autoridade se pronunciado com base nos elementos probatórios constantes dos autos. Nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade e o recurso apresentados pelos contribuintes para se contraporem às decisões administrativas relativas à compensação tributária devem obedecer o rito processual do PAF. No voto condutor do acórdão recorrido, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a ausência de comprovação hábil e idônea da liquidez e certeza do direito creditório reclamado, assim como a inaplicabilidade da isenção às vendas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período sob análise. Notese que o julgador administrativo, a par da defesa genérica do então Manifestante, que apenas arguiu naquela instância a equiparação das vendas à ZFM a operações de exportação, buscou identificar o fundamento jurídico do indébito reclamado na imunidade tributária, em conformidade com a previsão contida no § 2º, inciso I, do art. 149 da Constituição Federal de 19881. Destacou, também, o relator a quo que, ainda que aplicasse a isenção ao presente caso, ela se restringiria às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 20012, e não a todas as vendas destinadas à ZFM. 1 Art. 149 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) 2 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 104 4 Inexiste, portanto, qualquer preterição do direito de defesa do Recorrente, devendose ressaltar que, em conformidade com o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), ao contribuinte foi assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade arguida. 2 Prova do indébito. Ônus da prova. Vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). De início, registrese que, não obstante a alegação do Recorrente de que a prova do indébito reclamado seria de fracionamento impossível, encontrandose no bojo do processo nº 10880.915886/200849, temse que, conforme se demonstrará na sequência, a presente controvérsia se resolve, quanto ao mérito, com a análise da legislação de regência, pois tratase de matéria com jurisprudência consolidada nesta 3ª Turma Especial. Antes, contudo, devese ressaltar que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (...) VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 105 5 mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchimento da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange à prova do seu direito, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento, tendo requerido, após o início do julgamento, a juntada de cópias de notas fiscais que estariam apensadas ao processo nº 10880.915886/200849, notas essa que, conforme o Recorrente alegara, comporiam um todo que seria de fracionamento impossível. No entanto, mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova não foi submetida à apreciação da primeira instância administrativa, o que fere a previsão contida no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF) 3, não se tratando de nenhuma das exceções previstas no § 4º do mesmo artigo. A não apresentação de provas dos fatos apontados no momento devido e a alegação de inoperância do Fisco, por não trazer aos autos as provas presentes em outro processo administrativo, encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do citado Decreto nº 70.235, de 1972, e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mas, mesmo que se superasse a preclusão processual, no mérito, tratase de matéria com jurisprudência consolidada nesta 3ª Turma Especial, conforme acima apontado. 3 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 106 6 Embora o art. 4° do Decretolei n° 288/1967 tenha equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, deve ser ressalvado que tal determinação não impede que a matéria possa ser disciplinada de forma diferente em atos legais posteriores. A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada, uma vez que, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Tendo em vista esse mesmo dispositivo do CTN, é possível concluir que, embora o art. 4° do Decretolei n° 288/1967 tenha equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, não se tem por definida uma hipótese de isenção. Notese que, conforme consta do recurso voluntário, a Lei nº 9.004, de 19954, posterior, portanto, ao referido decretolei, assim como à Constituição Federal de 1988, já havia definido que a isenção da contribuição para o PIS das receitas de exportação não alcançaria as vendas para a ZFM. No período de 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –,vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período identificado no parágrafo anterior. Os efeitos prospectivos da decisão do STF, a meu ver, possibilitam interpretações incongruentes quanto ao alcance da matéria decidida. Tendo o acórdão do STF sido proferido com efeitos ex nunc, temse que a norma vigente em períodos anteriores a essa decisão, relativamente à exclusão da isenção nas vendas para a ZFM (como no caso da Lei nº 9.004, de 1995), não foi apreciada no julgamento da ADI, não tendo sido considerada, por conseqüência lógica, afrontosa ao art. 40 do Ato das 4 Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: "Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. (...) § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 107 7 Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), da Constituição Federal de 19885, não obstante esse art. 40 ter a mesma redação desde a sua origem, em 1988. A questão se torna ainda mais controversa quando se constata que, não obstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Notese que o pedido formulado na ação pretendeu, também, suspender a expressão “ou em área de livre comércio”, mas tal pedido não foi conhecido, por unanimidade, pelo Tribunal Pleno. Considerando que, de acordo com o art. 40 do ADCT, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é uma área de livre comércio, temse que a previsão normativa que restou mantida após a decisão do STF permite uma interpretação no sentido de se afastar a isenção nos casos da espécie, quais sejam, de vendas a área de livre comércio, como o é a ZFM. Essa interpretação não só é possível como se encontra em consonância com a legislação que sobreveio desde então. Em 23 de julho de 2004, a Medida Provisória nº 202, convertida, em 9 de novembro de 2004, na Lei n° 10.996, inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, ou mesmo de imunidade, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse a definição de uma alíquota zero relativamente a fatos isentos ou imunes, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Na imunidade tributária, dada a inexistência de competência para o ente político instituir o tributo, não há que se falar em alteração de alíquota, pois que inexistente a 5 Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915897/200829 Acórdão n.º 3803004.521 S3TE03 Fl. 108 8 norma impositiva; na isenção, uma vez delimitado o alcance da imposição, com a exclusão de determinado fato, situação ou pessoa, não há incidência a exigir a definição da alíquota aplicável. Portanto, concluise pela inexistência de isenção relativamente às vendas para a ZFM. 3 Conclusão. Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da preclusão processual, bem como em decorrência da inexistência de isenção ou imunidade nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15504.020581/2010-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a decadência, referente ao calendário de 2005, cancelar a parcela de R$ 235.795,76 apurada a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, referente ao ano-calendário de 2006, e reduzir a multa de ofício para de 75% relativamente à parcela remanescente, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a decadência, referente ao calendário de 2005, cancelar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 81 /2 01 0- 82 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 869 2 parcela de R$ 235.795,76 apurada a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, referente ao anocalendário de 2006, e reduzir a multa de ofício para de 75% relativamente à parcela remanescente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o interessado foi lavrado o auto de infração de fls. 1 a 10 com exigência de crédito tributário no valor de R$676.507,28 a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juro de mora e multa proporcional de 150%. O lançamento decorre da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls 11 a 39. Também foi lançada omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido feito fiscal. Irresignado, tendo sido cientificado em 14/01/2011 (fl. 3), o contribuinte impugnou o feito fiscal em 14/02/2011, apresentando o arrazoado de fls. 205/221, acompanhado dos documentos de fls. 222/223. Na oportunidade, o autuado fezse representado por instrumento de procuração firmado para advogados do escritório Oliveira Fróis & Barreto Advogados e Consultores. Ressaltese que a competência para o lançamento de tributos, privativa da autoridade administrativa, é parte das atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). Assim, o presente auto de infração foi lavrado pela AFRFB Lúcia Raquel P. T. S. Vilela, servidora pública Fl. 869DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 870 3 devidamente legitimada para tal ato. O teor da peça impugnatória está sintetizado adiante. Informa o impugnante que teria comprovado via extratos bancários que os valores levantados pela Fiscalização durante o procedimento fiscal estavam em desacordo com a realidade. Assevera que a divergência dos valores das duas tabelas de fls. 208 deveuse ao fato de as instituições financeiras "colocarem à disposição do impugnante 'numerários', como limite de cheque especial/empréstimos mediante aportes na contacorrente". Exemplifica, repetindo as mesmas alegações já contidas nos primeiros sete itens da fl. 25 do TVF, ou seja, que alguns créditos foram lançados na contacorrente 0757137, agência 0884 do HSBC, a título de empréstimo. "Especificamente com relação ao Banco ABN Real tratase de conta poupança vinculada. Nesse sentido, quando o Banco observa que existe saldo positivo na conta corrente procede a transferência imediata para a conta poupança. (...) Todavia, em que pese o impugnante ter demonstrado que os valores (depósitos bancários) constantes na intimação são divergentes dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, a autoridade fiscal sequer manifestou sobre referida irregularidade." O autuado assevera que durante o ano de 2004 recebeu da empresa Gráfica e Editora Del Rey Ind. Com Ltda. o valor de R$392.233,46, a título de distribuição de lucros, valor que teria propiciado ao impugnante iniciar o ano de 2005 com R$300.000,00 em espécie. "Nesse sentido, conforme demonstrado no 'Termo de Resposta' protocolizado dia 30/08/2010, todos os depósitos em espécie efetuados durante os anos de 2005 e 2006 têm como origem o saldo em moeda corrente declarado na DIRPF 2004/2005 (R$300.000,00)." Afirma o querelante que em 2005 recebeu o valor de R$102.213,66, referente a resgate de aplicação em VGBL no Banco Real S. A. O autuado assegura que em 2006 recebeu da sociedade Gráfica Del Rey o importe de R$235.795,76, pago conforme as parcelas discriminadas à fl. 211, mas que não foram aceitos conforme alegação fiscal no TVF, à fl. 33. "Ora, os valores recebidos a título de distribuição de lucros, conforme documentos já acostados aos autos, foram devidamente informados na Declaração de Rendimentos do impugnante, razão pela qual merecem sei' considerados pela Fiscalização. (...) Ademais, caso o Fisco não concorde com os valores distribuídos, cabe à autoridade administrativa fiscalizar a escrituração da pessoa jurídica e certificar se realmente houve o lucro informado. Todavia, in casu, apenas o impugnante foi fiscalizado e o agente fiscal se limitou a desconsiderar os valores recebidos a título de distribuição de lucros, sem contudo comprovar que não houve lucro! Ora, conforme entendimento do CCMF, estando os valores referentes à distribuição dos lucros lançados nas respectivas declarações de rendimentos, não há o que ser refutado, razão pela qual devem ser excluídos da base dc cálculo utilizada na apuração do crédito tributário. " Fl. 870DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 871 4 O contribuinte sustenta que não restou evidenciado pela Fiscalização que o impugnante teria procedido dolosamente no sentido de querer se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com o Fisco, não sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta que seria entendimento pacífico do Carf que a omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%. "Uma vez demonstrado que o impugnante não agiu com dolo, fraude ou simulação, não sendo passível, portanto, de ser apenada com a aplicação da multa qualificada (150%), a contagem do prazo decadência! deve ocorrer de acordo com o § 4"do artigo 150 do CTN (...) Tal entendimento se aplica aos tributos lançados por homologação, como o IRPF. Nestes casos, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados a partir do dia 31 de dezembro de cada exercício financeiro. " Tendo a ciência do feito ocorrido somente em 14/01/2011, o autuado alega que o lançamento referente ao ano de 2005 encontrase extinto pela decadência. Para corroborar todo o entendimento anteriormente esposado, o defendente cita e transcreve por toda peça impugnatória legislação, doutrina e jurisprudência administrativa a respeito.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 827/840, que restou assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial é de cinco anos da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 872 5 Regularmente cientificado daquele acórdão em 28/09/2011 (fl. 845), o contribuinte, representado por seu advogado (fl. 237/238), interpôs recurso voluntário de fl. 846/865, em 28/10/2011, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente sustenta que o direito de constituição do crédito tributário em análise teria decaído, em relação aos fatos geradores ocorridos no período 01/01/20005 a 31/12/2005, em razão da aplicação do §4º, do art. 150, do CTN, e considerando que não restou demonstrado que, no caso, houve dolo, fraude ou simulação. Por uma questão de ordem, como a regra decadencial aplicável alterase em função da qualificação da multa, passo a analisar esta questão inicialmente. Impende, assim, verificar se a conduta estampada nos autos coadunase aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502/1964. As infrações decorrentes de omissão de rendimentos são apenadas, como regra, com multa de ofício de 75%. Inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”, a demonstrar que a simples omissão de receitas ou rendimentos não autorizam a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, para qualificar a multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples omissão de rendimentos. Não foi o que aconteceu nestes autos. Na espécie, entendo que a caracterização da qualificação para as infrações autuadas está embasada na simples omissão de rendimentos, considerando que, a meu ver, inexistem pressupostos agravantes que permitem imputar ao contribuinte uma ação ou omissão ilícita. Portanto, deve ser afastada a multa qualificada. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 873 6 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 873DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 874 7 Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado, conforme consta da cópia da DIRPF/2006 (fl. 207/210). Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/2005. Ora, se somente em 14/01/2011 (fl. 03) o contribuinte foi cientificado do auto de infração, resta cancelar o lançamento, referente ao anocalendário de 2005, exercício 2006, por força da decadência. Quanto ao crédito tributário remanescente, o recorrente apenas se insurge em relação ao fato de o fisco na ter considerado como origem de vários depósitos bancários, efetuados durante o ano de 2006, o montante de R$ 235.795,76 recebido a título de distribuição de lucros da sociedade Gráfica Del Rey, conforme discriminado, às fls. 852/853. A decisão guerreada também não aceitou tal justificativa e ressaltou que: “Em momento algum a Fiscalização desconsiderou/desclassificou os rendimentos isentos recebidos a título de distribuição de lucros da Gráfica Del Rey. O que a Fiscalização afirmou é que o contribuinte não comprovou durante o procedimento fiscalizatório que parte dos depósitos bancários apurados (entre eles, os de fl. 211) teriam origem na referida distribuição de lucros. Frisese que tampouco agora, no momento oportuno da impugnação, o contribuinte trouxe novos elementos no sentido de vincular a distribuição de lucros da Fl. 874DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 875 8 Gráfica Del Rey a uma parte dos depósitos bancários de origem não comprovada.” Importar salientar que não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Entretanto, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Na DIRPF sob exame (fls. 211/214), observase que foi declarado, a título de rendimentos isentos e não tributáveis, o reclamado valor de R$ 235.795,76 referente a lucros e dividendos recebidos da fonte pagadora GRAFICA E EDITORA DEL REY IND. E COM. LTDA Assim, o citado valor deve ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tal rendimento não foi objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acolher a decadência referente ao calendário de 2005, cancelar a parcela de R$ 235.795,76 apurada a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2006, e reduzir a multa de ofício para 75% relativamente à parcela remanescente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 875DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 2801003.106 S2TE01 Fl. 876 9 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10850.901775/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
CSLL ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 17 75 /2 00 9- 93 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório BENSAUDE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 02417.09195.200805.1.3.04 0901, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362 de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 14, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.02/13, acompanhada dos documentos de fls. 14/83, na qual alega, em síntese, que: a) foi intimada em 01/04/2009 da nãohomologação da compensação sob exame; b) não houve homologação da PER/Dcomp sob a alegação da improcedência do crédito por se tratar de pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2484, referente a apuração do mês de novembro de 2004; c) o mencionado crédito é legítimo e fundamentado em lei, ocorrendo um equívoco na interpretação do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005; d) houve equívoco por parte da Secretaria da Receita Federal ao alegar a improcedência do crédito informado na PER/Dcomp, uma vez que este foi originado corretamente na DCTF e a compensação foi elaborada tempestivamente; e) declarou em DCTF o valor de R$ 12.253,62, porém efetuou o recolhimento de R$ 13.393,21, que gerou crédito na cifra de R$ 1.139,59; f) a Secretaria da Receita Federal do Brasil sustenta que a contribuinte violou o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005; g) no anocalendário de 2004, a contribuinte não apurou saldo negativo de CSLL e o valor do crédito não foi utilizado na composição do saldo negativo ao final do anocalendário; h) cita o artigo 170 do CTN e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, para concluir que a PER/Dcomp foi elaborada atendendo aos parâmetros estabelecidos pela legislação; i) o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 ao vedar a compensação, por meio de pedido eletrônico, dos créditos relativos a pagamento indevido ou a Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10850.901775/200993 Acórdão n.º 1803001.775 S1TE03 Fl. 257 3 maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta o direito da contribuinte na utilização de seu direito; j) se a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 74, não restringe a compensação, esta não poderia ser objeto de restrição por uma norma de hierarquia inferior, sob pena de ferir o princípio da legalidade tributária; k) Instrução Normativa é norma de eficácia limitada à lei, não lhe sendo permitido ampliar suas disposições, mas tão somente explicála, esclarecêla, conforme disposições do § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; l) cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) para concluir que este órgão tem pautado entendimento que Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do poder regulamentar conferido à Administração; m) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da CSLL (mês de novembro/2004) é legítimo e de pleno direito da impugnante. Ao final, requer o recebimento da manifestação de inconformidade, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário sob análise, e a homologação da compensação pretendida, uma vez que como demonstrado a origem do crédito pautou na legislação tributária vigente e regulamentações da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1438.439, de 21 de agosto de 2012 (fls. 94/105), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 14/02/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 120), apresentou o recurso voluntário em 14/03/2013 fls. 122/140, onde reafirma seu direito à repetição de indébito de estimativa recolhida a maior. É o relatório Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP cujo direito creditório decorre de estimativa de CSLL recolhida a maior, relativa ao fato gerador Novembro/2004. Alega a recorrente em síntese, de que conforme atesta sua DIPJ efetuou recolhimento a maior de estimativa de IRPJ relativa ao fato gerador novembro/2004, sendo ilegais quaisquer restrições administrativas de vedação ao direito de repetição do indébito. Assiste razão à recorrente. O direito à utilização de estimativas pagas a maior ou indevidamente foi reconhecido inclusive para os pedidos pendentes anteriores à edição da Instrução Normativa nº 900/2008, conforme consta da SCI Cosit nº 19, de 2011, estando o entendimento consolidado neste colegiado conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Conforme a recorrente aponta em seu arrazoado, em relação a estimativa do mês de novembro de 2004 e de acordo com a DIPJ, foi apurado o o montante de R$ 12.253,21, tendo sido recolhido o valor de R$ 13.393,21. Constatouse em conseqüência um indébito de R$ 1.139,59, que segundo a interessada não foi incluído no saldo negativo do período. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar invocada pela autoridade fiscal e reconhecer a possibilidade de compensação de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, devendo a unidade de origem apreciar o pedido observando, contudo a inexistência de efetiva utilização a título de saldo negativo de IRPJ ou seja compensada ou ressarcida a este título. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10850.901775/200993 Acórdão n.º 1803001.775 S1TE03 Fl. 258 5 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10880.913128/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
O instituto da denúncia espontânea aplica-se somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração.
PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA.
Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência.
Numero da decisão: 3803-004.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. RECURSOS REPETITIVOS. REsp 962.379. Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista no art. 543C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O instituto da denúncia espontânea aplicase somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 28 /2 00 9- 77 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 125 2 Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido, em 26 de abril de 2005, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que pretendia compensar débito da Cofins, com vencimento em 15 de abril de 2005, com crédito no valor atualizado de R$ 293.528,52, decorrente de alegado pagamento a maior da mesma contribuição (fls. 1 a 3). Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, em razão do pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte (fl. 4). Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 9 a 21) e requereu a homologação integral da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) apresentara DCTF retificadora, comprobatória do crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP; b) não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo, pois a disponibilização do programa ocorrera 103 dias após esse mesmo vencimento; c) à época, não havia determinação legal para envio do PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, o que impediria lhe fosse imputado o valor de multa e juros; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 126 3 d) caso não fosse acatado tal argumento, terseia ocorrido, no presente caso, a extinção do crédito tributário, via compensação, sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco, enquadrandose a situação no art. 138 do CTN (denúncia espontânea), em razão do que se encontraria eximido do pagamento de qualquer multa, em especial a multa moratória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias (i) documentos societários, (ii) do despacho decisório, (iii) do PER/DCOMP e (iv) da DCTF retificadora (fls. 22 a 84). A DRJ São Paulo I/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito creditório deveria ser demonstrado pelo sujeito passivo com base em documentação contábil idônea. Destacou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que o contribuinte apresentara DCTF retificadora, precedida de outras DCTFs retificadoras já canceladas, em que buscara desvincular parte do DARF, reduzindo o valor do tributo devido no mês ou alterando a rubrica dos créditos vinculados. No entendimento do relator, o contribuinte deveria ter comprovado não somente a base de cálculo da contribuição como a origem dos novos créditos lançados sob a rubrica “créditos vinculados”, para o que seria necessária a apresentação da escrituração contábilfiscal e das notas fiscais dentre outros documentos. No que se refere à alegação de que o PER/DCOMP não se encontrava disponível na data do vencimento do débito compensado, aduziu o relator que nenhum fundamento teria tal argumento, pois, no presente caso, tratarseia de débito vencido em julho de 2005, enquanto que o PER/DCOMP encontravase disponível desde 14 de maio de 2003. Argüiu, ainda, que, em relação aos débitos não extintos por compensação, haveria a incidência de juros e multa desde a data do vencimento até a data de sua quitação e que o instituto da denúncia espontânea não seria aplicável a este caso, por não se tratar de exigência de multa de ofício, mas de multa de mora, esta destituída de caráter punitivo. Cientificado da decisão em 17 de junho de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19 de julho do mesmo ano e requereu a homologação da compensação declarada, assim como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional (multa de mora), repisando os mesmos argumentos de defesa da Manifestação de Inconformidade. Ressaltou o Recorrente que o débito sob discussão neste processo encontravase suspenso por medida judicial (mandado de segurança nº 2009.61.00.0103036), o que não significava concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, por se tratar de pedido de suspensão da exigibilidade em razão da manifestação de inconformidade interposta, o que seria corroborado pelo silêncio da Delegacia de Julgamento quanto a essa questão. Ao final, protestou o ora Recorrente pela realização de sustentação oral no momento do julgamento do processo, nos termos do art. 58, II, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e requereu que fosse notificado com antecedência da data, hora e local da realização do julgamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 127 4 Junto à peça recursal, o Recorrente trouxe aos autos cópia de tela de consulta na internet da ação judicial a que fez referência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que o Recorrente equivocouse acerca dos elementos fáticos deste processo, pois, ao alegar que não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do débito, pelo fato de que a disponibilização do programa se dera após 103 dias depois, ele não se dera conta de que, no presente caso, diferentemente de outros processos que se encontram em julgamento nesta Turma, o PER/DCOMP fora transmitido em 26 de abril de 2005 e o vencimento do débito compensado ocorrera no dia 15 do mesmo mês, conforme se verifica às fls. 1 a 3 dos presentes autos. Ainda que ele estivesse se referindo ao crédito e não ao débito, também assim nenhuma razão lhe assistiria, pois o indébito reclamado se refere à Cofins do período de apuração junho/2000, pago em 14/7/2000 (fl. 2), quando, conforme o próprio Recorrente afirma, já existia a previsão de entrega de Pedido de Compensação. Por outro lado, assiste razão ao Recorrente ao alegar que o mandado de segurança fora impetrado com o objetivo de suspender a exigibilidade do débito discutido neste processo, não se configurando concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, pois, conforme se verifica da cópia da consulta processual presente às fls. 120 a 121, a ação, efetivamente, tinha o propósito afirmado pelo Recorrente. Feitas essas considerações, temse por superados os argumentos do Recorrente no que se refere a essas matérias. No que tange ao pedido do Recorrente de notificação, com antecedência, da data, hora e local de realização do julgamento, registrese que, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do Regimento do CARF, a pauta de julgamento será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. I. Compensação. Prova. Quanto ao pedido de homologação total da compensação declarada, há que se destacar que, conforme já havia afirmado o relator de piso, o interessado não apresentou nenhum elemento de sua escrituração contábilfiscal, nem os documentos fiscais que a embasam, que pudessem comprovar o direito alegado. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxera aos autos somente cópias de documentos societários e das declarações por ele transmitidas à Receita Federal, incluída a DCTF retificadora transmitida em 5 de setembro de 2005, anteriormente à Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 128 5 ciência do despacho decisório, não apresentando quaisquer documentos que comprovassem os dados declarados. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador de primeira instância acerca da necessidade de apresentação da escrituração contábil e de documentos fiscais para se comprovar o direito creditório reclamado, ele se predispôs a instruir os autos com os elementos probatórios hábeis e idôneos, pois, junto ao recurso voluntário, nenhum outro documento foi acrescentado. Não obstante o contribuinte ter apresentado, junto à Manifestação de Inconformidade, a DCTF retificadora transmitida em 5/9/2005, anteriormente à ciência do despacho decisório (fls. 30 e 31), conforme acima apontado, há que se ressaltar que tal declaração fora desconsiderada em razão do fato de que, na data de sua apresentação, o crédito tributário do período de apuração junho/2000, pago em julho do mesmo ano, já se encontrava homologado tacitamente, por força da previsão do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Essa conclusão, por outro lado, não prejudica a apreciação do PER/DCOMP pelo fato de que este fora transmitido em 26 de abril de 2005, antes do transcurso do prazo decadencial acima referenciado e antes de cinco anos da data do pagamento, este ocorrido em 14/7/2000, nos termos disciplinados pelo art. 168, I, do mesmo Código. Passase, então, à análise do mérito, no que tange à comprovação do indébito reclamado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 129 6 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Dessa forma, por total ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada. II Multa de mora. Denúncia espontânea. Quanto ao pedido do Recorrente de exoneração da multa de mora com base no instituto da denúncia espontânea, há que se destacarem os seguintes pontos: 1º) conforme acima já afirmado, o PER/DCOMP fora transmitido em 26 de abril de 2005 e o débito compensado vencera no dia 15 do mesmo mês (fls. 1 a 3); 2º) em abril de 2005, a declaração de compensação já tinha caráter de confissão de dívida, nos termos do § 6ºdo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 10.833, de 2003; 3º) referido débito fora declarado em PER/DCOMP antes de qualquer procedimento por parte da Administração tributária, situação que, de acordo com a defesa do Recorrente, reclamaria a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Feitos esses destaques, passase à análise do pedido relativamente à exoneração da multa de mora. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 130 7 conselheiros do CARF2, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962.379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixou claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é 2 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 131 8 possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. Eis a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso, o sujeito passivo pleiteara a compensação do débito 11 dias após o seu vencimento, portanto, em atraso, mas no mesmo momento em que o informou em declaração que constitui o crédito tributário, situação essa que afasta a possibilidade de aplicação do entendimento do STJ, pois, uma vez não homologada a compensação, a extinção do crédito tributário pela via do pagamento que vier a se realizar darseá após a apresentação da declaração com efeitos de confissão de dívida, no caso, a Declaração de Compensação (DCOMP). Ainda que a não homologação da compensação venha a ser revertida, dado que ainda não se tem o trânsito em julgado deste processo, e considerando que a compensação é uma forma de extinção do crédito tributário, assim como o pagamento, e que uma da formas de extinção, em regra, exclui a outra, sob pena de bis in idem, até se poderia argumentar acerca da aplicação do instituto da denúncia espontânea. Contudo, nem mesmo nessa hipótese, terseia a possibilidade de aplicação do entendimento do STJ, pois para tanto, a declaração com efeito de confissão de dívida deveria ter sido apresentada posteriormente ao pagamento/compensação, o que não corresponde ao caso sob análise. A Lei nº 9.430/1996 assim dispõe sobre os acréscimos moratórios cabíveis nos casos de pagamento extemporâneo: Art.61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913128/200977 Acórdão n.º 3803004.309 S3TE03 Fl. 132 9 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a multa de mora decorrente de pagamentos em atraso, assim como os juros de mora, encontrase prevista em lei válida e vigente, inexistindo qualquer irregularidade em sua exigência nos termos ora analisados. Nesse sentido, não se está diante de uma quitação anterior à apresentação de declaração com poder de constituição do crédito tributário, não lhe sendo estendida, por conseguinte, a regra definida no referido Recurso Especial, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. III Conclusão. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório pleiteado e pelo não cabimento da denúncia espontânea na hipótese de quitação de débito em atraso após a apresentação de declaração com efeito de confissão de dívida. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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