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Numero do processo: 10850.900063/2012-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 06 3/ 20 12 -5 2 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 137 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração outubro de 2002, no valor de R$ 546,27.. O pedido foi transmitido através do PER nº 31290.28614.170907.1.2.04 0397, fls. 4/6, em 17/09/2007.. O despacho decisório de fls. 7, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 138 3 Requereu ainda o reconhecimento do direito à restituição e a homologação da Dcomp. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/48). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 139 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 140 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 141 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720274/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta.
DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior com referência à exigência de IRRF; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 6) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora (Selic); 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, para exclusão de MVM Empreendimentos e Participações, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior com referência à exigência de IRRF; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 6) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora (Selic); 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, para exclusão de MVM Empreendimentos e Participações, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
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Não são dedutíveis na apuração do lucro tributável os custos contabilizados, cujos correspondentes documentos fiscais foram demonstrados inidôneos, por corresponderem a documentos falsos ou se decorrerem de operações comerciais materialmente incomprovadas e vinculadas a procedimentos anormais de pagamento. Subsiste a glosa se o sujeito passivo não apresenta qualquer evidência de sua boafé. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUALIFICAÇÃO. Pertinente a qualificação da penalidade se demonstrada a falsidade de documentos fiscais e/ou a inidoneidade de fornecedores associada à ausência de prova do recebimento das mercadorias e providências anormais de pagamento. AGRAVAMENTO. A multa de ofício será agravada se o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 74 /2 00 8- 37 Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO E RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte nos casos de pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUALIFICAÇÃO. Pertinente a qualificação da penalidade se demonstrada a falsidade de documentos fiscais e/ou a inidoneidade de fornecedores associada à ausência de prova do recebimento das mercadorias e providências anormais de pagamento. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior com referência à exigência de IRRF; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 4 3 penalidade; 6) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora (Selic); 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, para exclusão de MVM Empreendimentos e Participações, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório BM COMERCIAL LTDA, Márcio Vilefort Martins, Márcia Vilefort Martins Chernicharo, Antônio Vilefort Martins, Marília Vilefort Martins e MVM Empreendimentos e Participações Ltda, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 10/11/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 98.795.893,57. A presente exigência decorre da glosa de custos na apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2002 a 2004, e foi promovida com acréscimo de multa de ofício no percentual de 225%. Além disso, foram constatados pagamentos sem causa definida e a beneficiários não identificados de 11/06/2003 a 28/12/2006, ensejando existências de IRRF com aplicação de multa de ofício no percentual de 150%. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 276/473 os agentes fiscais, inicialmente, descrevem os procedimentos desenvolvidos para obtenção dos arquivos magnéticos de escrituração contábil e fiscal, sem lograr sucesso apesar de todos os prazos e opções concedidos ao sujeito passivo, o que ensejou o agravamento da multa de ofício na forma do art. 44, §2o, inciso II da Lei nº 9.430/96. Na seqüência, descreveram os demais questionamentos fiscais dirigidos à fiscalizada, noticiando a apreensão de originais de notas fiscais de compras com indícios de serem documentos inidôneos, conforme relação constante de termo específico. A contribuinte foi, então, intimada a comprovar o efetivo fornecimento das mercadorias, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mas apenas apresentou evasivos esclarecimentos consignados no documento de fls. 696/697. As autoridades lançadoras também constataram que os pagamentos destes fornecedores ocorria de forma anormal, fora dos prazos e com grande atraso, sem qualquer questionamento por parte dos fornecedores, e em alguns casos as obrigações eram extintas mediante dação em pagamento. Com exceção dos quatro fornecedores com os quais houve este tipo de transação, as demais aquisições eram pagas através de cheques de pequeno valor, creditados em contas bancos. Na Parte II do Termo de Verificação Fiscal, as autoridades lançadoras descrevem as investigações realizadas para concluir pela inidoneidade da documentação fiscal vinculada aos custos glosados, em suma porque as notas fiscais são frias, por não corresponderem à saída efetiva, dos estabelecimentos emitentes, das mercadorias nelas descritas. Afirmaram que essas notas foram utilizadas pelo sujeito passivo com intuito doloso de esquivarse fraudulentamente do pagamento dos impostos devidos. Houve a simulação de operações comerciais com empresas inexistentes de fato ou de fachada e com empresas verdadeiramente existentes que, no caso, negaram peremptoriamente ter tido relações comerciais com a BM Comercial Ltda. Investigando os pagamentos destes fornecimentos, os agentes fiscais intimaram a contribuinte a apresentar os cheques em regra neles utilizados, e diante de sua Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 6 5 omissão emitiram Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, obtendo cópias dos cheques, a partir das quais constatouse sua destinação a terceiros não identificados, motivando a exigência de IRRF. Isto porque além de a contribuinte não ter comprovado os pagamentos, quanto intimada a fazêlo, as cópias dos cheques evidenciaram que eles foram emitidos nominalmente à própria BM COMERCIAL LTDA e sacados contra os bancos Bradesco e Safra. São todos cheques nominais, à ordem e foram transmitidos por meio de endosso em branco, ou seja, o beneficiário do cheque – a própria BM, no caso – assinou no verso, sem identificar o novo beneficiário, autorizando seu pagamento pelo banco. Em conseqüência, não foi possível identificar os destinatários e as destinações desses recursos. Quanto aos Termos de Dação em Pagamento, com utilização de Títulos da Dívida Pública, as autoridade fiscais constataram que eles foram elaborados unilateralmente e de forma simulada e fraudulenta, ao que tudo indica com o único propósito de cumprir dívida fictícia, lançada no passivo da empresa. Registraram, ainda, a existência de notas fiscais com características de inidôneas, porque não localizadas as empresas ou seus sócios, ou então mantendose silentes aqueles localizados. No mais, as empresas existentes de fato declararam que não emitiram os documentos questionados. Demonstrado que a contribuinte utilizou notas fiscais falsamente atribuídas a vendedores de mercadorias, a exigência decorrente da glosa de custos foi acrescida da multa qualificada prevista no §1o do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, por estar caracterizado o evidente intuito de fraude, revelado no art. 71, I e 72 da Lei nº 4.502/64, na medida em que a conduta dolosa do sujeito passivo visava impedir ou retardar a ocorrência e o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, inclusive natureza e circunstâncias materiais. Além disso, a multa foi elevada ao percentual de 225% em razão da falta de apresentação dos arquivos magnéticos, como antes exposto. No caso da exigência de IRRF, como houve a liquidação de uma “obrigação inexistente”, constante do passivo, com efetiva saída de recursos da empresa, de modo que o beneficiário não está identificado e a saída do numerário foi suportada em documentos inidôneos, também se impôs a aplicação da multa qualificada prevista no §1o do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, pois está presente e caracterizado o evidente intuito de fraude. Há no Termo de Verificação Fiscal, ainda, referências às exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS no regime nãocumulativo, em razão de declaração a menor de débitos, bem como em decorrência da glosa de créditos lastreados em documentos inidôneos, e de outros créditos não admissíveis no cálculo das contribuições. Contudo, tais lançamentos foram formalizados nos autos do processo administrativo nº 13603.720275/2008 81. Para imputar responsabilidade tributária aos demais recorrentes, os agentes fiscais observam que Márcia Vilefort Martins Chernicharo e Márcio Vilefort Martins eram sócios quotistas da autuada, e Antônio Vilefort Martins e Marília Vilefort Martins eram seus procuradores, concorrendo solidariamente para ocorrência das infrações destacadas, vez que exerceram conjuntamente poderes de administração da empresa nos períodos sob análise, agindo em conluio, nos termos do previsto no artigo 73 da Lei 4.502/1964. Os dois primeiros atuaram, também, através da pessoa jurídica quotista MVM Empreendimentos e Participações Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 7 6 Ltda, que passou a ser sócia da autuada a partir de 23/06/2000, sob a administração daquelas pessoas físicas. As autoridades lançadoras discorrem sobre as alterações no quadro societário da autuada, bem como enunciam as procurações conferidas a Antônio e Marília Vilefort Martins, e fundamenta a responsabilização nos arts. 124, I e 135, II e III do CTN. A autuada e os responsáveis apresentaram defesa conjunta, na qual argüiram a decadência das exigências referentes aos fatos geradores ocorridos de dezembro/2002 a setembro/2003, bem como a nulidade dos lançamentos de IRPJ e CSLL por cerceamento ao direito de defesa, em razão da falta de ciência dos procedimentos que resultaram na declaração de inidoneidade das notas fiscais glosadas, e do exíguo prazo para impugnação, mormente considerando que o Termo de Verificação Fiscal contava com 198 folhas, e em alguns pontos sem referência às páginas nas quais se localizariam os documentos apontados. No mérito, afirmaram sua incompetência (legal e técnica) para realizar a fiscalização de seus fornecedores e respectivos documentos fiscais, contábeis e societários, mormente tendo em conta que as constatações fiscais foram posteriores às compras realizadas. Reportaramse a laudos contábeis e documentos juntados à impugnação, à habilitação dos fornecedores no Sintegra/ICMS, inclusive afirmando que houve efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento. Mais à frente, insistiram na indevida retroação da inidoneidade dos documentos fiscais. Destacaram a ausência de diligências tendentes a comprovar que não ocorreu efetiva entrada e pagamento de mercadorias no estabelecimento da autuada, valendose a Fiscalização de meros indícios. Reportaramse a operações específicas com o fornecedor Realmix Comércio e Distribuição, e imputaram ao Fisco o ônus da prova da inocorrência de tais operações. Defenderam a necessidade de se verificar a existência de efetiva saída dos produtos, sob pena de se tributar a receita decorrente de mercadorias que não teriam ingressado no estabelecimento da contribuinte. Afirmaram a fragilidade do feito fiscal reportandose a provas de operações efetivas com MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda. Questionaram a exigência simultânea de IRPJ/CSLL e IRRF, na medida em que se houve pagamento de uma obrigação constante do passivo, com efetiva saída de recursos, então há custo para a empresa. E discordaram das penalidades aplicadas, por ofenderem princípios constitucionais, porque ausentes os requisitos legais para sua qualificação, e também porque atendidas todas as intimações que lhe foram feitas, inclusive com apresentação de sua escrituração em meios nãoeletrônicos. Por fim, afirmaram ilegal a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. No que tange à responsabilidade tributária de Márcio e Márcia Vilefort Martins e de MVM Empreendimentos e Participações Ltda, discordaram da fundamentação no art. 124 do CTN, aplicável apenas aos casos de pluraridade de pessoas no pólo passivo da obrigação tributária, também defendendo que o interesse comum somente se verifica na prática conjunta dos negócios jurídicos ensejadores do fato gerador. A condição de sócio revelaria apenas interesse econômico e não interesse comum na dicção legal. Já com referência ao art. 135, III, a autoridade fiscal não provou a prática de atos com excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, na medida em que não basta a mera gestão para tal imputação, Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 8 7 exigindose culpa subjetiva. Por fim, consignam que a falta de pagamento de tributos não caracteriza infração à lei. Com referência a Antônio e Marília Vilefort Martins, observam que meros instrumentos de procuração não geram responsabilidade tributária, até porque tais pessoas jamais exerceram atos de gestão de cunho fiscal, apenas praticando atos de cunho comercial e gestão empresarial, inexistindo qualquer demonstração de que tenham concorrido para a alegada omissão no recolhimento de tributos. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · Não se verificou qualquer nulidade, porque os lançamentos estão suportadas por provas colhidas durante o procedimento fiscal, e inclusive questionadas por meio de intimações dirigidas à contribuinte. Os autos ficaram à disposição da contribuinte durante o prazo de impugnação, e a extensão deste está definida em lei. · Além da falta de pagamento, o evidente intuito de fraude impõe a aplicação do art. 173, I do CTN, de modo que mesmo para as ocorrências do ano calendário 2002, exercício 2003, a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2004, autorizando a formalização do lançamento em 10/10/2008. · A Parte II do Termo de Verificação Fiscal revela que a Fiscalização realizou um extenso e vasto trabalho, muito bem arrazoado e sustentado, apontando no TVF, elementos e provas robustas que não deixam quaisquer dúvidas que diversas notas fiscais contabilizadas pelo Impugnante são inidôneas (vide demonstrativos das “Notas Fiscais Inidôneas”, documentos de fls. 182/209). Além de provas diretas, vários e fortes indícios indicam que não houve a entrada, no estabelecimento do Contribuinte, das mercadorias referidas nas notas fiscais declaradas inidôneas pelo órgão competente do Fisco estadual. · As diligências realizadas posteriormente evidenciam provas que não se apagam nunca, e reúnem indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração, razão pela qual os atos declaratórios de inidoneidade têm efeitos retroativos. Demonstrada a inexistência das operações comerciais, é ônus do sujeito passivo provar que a entrada das mercadorias em seu estabelecimento ocorreu. · A operação com Realmix Comércio e Distribuição Ltda, citada pelos interessados, não foi objeto de glosa fiscal. Quanto aos documentos juntados à impugnação (Anexo 5, composto pelos volumes 1 a 6), tratamse de comprovantes de CNPJ (situação cadastral), comprovante de I.E (situação cadastral), certidões, cópias de NF e planilhas de composição de pagamentos, os quais não se prestam a provar o pagamento aos fornecedores ou a regularidade das operações comerciais. Em suma, a documentação juntada, conquanto volumosa, não possui qualidade ou conteúdo para contraporse ao extenso trabalho fiscal, rico em detalhes, indícios e provas diretas que o Contribuinte contabilizou indevidamente operações comerciais inexistentes. · Com referência às operações com MSP Comercio de Mercadorias em Geral Ltda, a importação de mercadorias por esta, e a remessa de mercadorias desta para a filial da autuada em São Paulo, não assegura que estas mesmas Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 9 8 mercadorias tenham sido transferidas para o estabelecimento da contribuinte em Contagem. Quanto aos pagamentos, houve apenas a juntada de um amontoado de transferências bancárias, sem precisar quais notas fiscais da MSP estariam sendo pagas. Ademais, considerando o volume de operações no valor de R$ 21 milhões, exigível seria maior controle contábil e fiscal da fornecedora, mormente tendo em conta a falta de capacidade econômica e financeira de seus sócios, e os indícios de que membros da família Vilefort eram os reais proprietários da MSP, prestandose ela apenas a operações de mercado externo de outubro/2002 a março/2003. · Embora baseadas no mesmo fato, as exigências de IRPJ/CSLL e IRRF coexistem perfeitamente, porque a primeira reflete os efeitos no lucro da empresa que teve custos glosados, e a segunda a incidência sobre os beneficiários não identificados ou envolvidos em operações sem causa. Ausente demonstração dos beneficiários e da causa das operações, a exigência do IRRF subsiste. · O agravamento da penalidade justificase ante a falta de apresentação dos arquivos magnéticos e a qualificação deve ser mantida porque evidenciada soberbamente a conduta dolosa do Impugnante, caracterizadora de sonegação ou fraude, bem como crime contra ordem tributária. Quanto aos juros de mora, há lei determinando seu cálculo com base na taxa SELIC. · Argüições de inconstitucionalidade não têm lugar no contencioso administrativo, e a juntada posterior de documentos ofende o disposto no art. 16, §4o do Decreto Nº 70.235/72. · Os responsáveis tributários conjugaram esforços para a realização das atividades comerciais da autuada, existindo assim o “interesse comum” nas situações que constituíram os fatos geradores tributados, mormente tendo em conta que se utilizaram de notas fiscais inidôneas para reduzir o lucro tributável. Ademais, a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, mormente tendo em conta que neste caso houve imputação de sonegação, fraude e conluio. A autuada e os responsáveis tributários foram cientificados da decisão de primeira instância de 07/03/2009 a 10/03/2009 (fls. 1408/1409), interpondo recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 06/04/2009 (fls. 1410/1490), no qual, inicialmente, observam que a autoridade julgadora de 1a instância repetiu ipsis litteris o Termo de Verificação Fiscal, misturando matérias fáticas que dizem respeito a terceiros com as discussões jurídicas trazidas pelos Recorrentes. Reiteram a argüição de decadência do direito de o Fisco constituir crédito tributário referente aos períodos de janeiro a setembro/2003, dada sua homologação tácita, mormente tendo em conta que não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação. Abordando a responsabilização dos coobrigados, inicialmente anotam que houve mudança de posicionamento por parte da DRJ/Belo Horizonte, que antes declarava sua incompetência para determinar ou não a responsabilidade dos coobrigados, de modo que a presente apreciação dos argumentos por eles ofertados deve afastar por completo qualquer possibilidade de responsabilização futura das pessoas (físicas e jurídicas) equivocadamente inseridas no pólo passivo do presente processo. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 10 9 Prosseguem argüindo que a fiscalização simplesmente cuidou de arrolar todas as pessoas supostamente relacionadas com a empresa Autuada como responsáveis solidários do crédito tributário exigido, sem realizar qualquer análise sobre a viabilidade jurídica de tal conduta, e ignorando que somente pode ser designado sujeito passivo o “realizador” da operação tributável, na forma da doutrina que citam. Discorrem sobre as hipóteses de sujeição passiva expressas no Código Tributário Nacional para limitar os casos de responsabilização dos sócios e administradores ao que disposto no art. 134, inciso VII e 135, inciso III, do CTN. Afastada a primeira hipótese, não cogitada pelo Fisco, a segunda é medida excepcionalíssima, que depende de comprovação da prática de atos como excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, por parte dos representantes legais da pessoa jurídica, impondo a estes responder exclusivamente pelo crédito tributário, não autorizando solidariedade entre os sócios, administradores e a empresa. Transcrevem doutrina neste sentido. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal traz uma infinidade de informações sobre irregularidades dos fornecedores da Autuada, mas reportase a uma prova sequer da participação efetiva dos sócios no imaginado “esquema” narrado pelo Fisco, ou mesmo dos ”supostos” administradores (Antônio e Marília Vilefort Martins). Em seu entender, somente poderia se pretender a responsabilização pessoal se ficasse comprovado que essas pessoas físicas foram responsáveis diretas, participando efetivamente nos citados ilícitos, e isso inexiste nos autos. Na medida em que a Autuada não tem competência e nem condições técnicas de fiscalizar seus fornecedores, não há como as condutas destes justificar a responsabilidade pessoal de seus sócios e administradores. Ressaltam que o ônus da prova, neste caso, é de quem acusa. Discordam do entendimento exposto pela autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que o mero inadimplemento da obrigação tributária pudesse determinar a responsabilidade pessoal dos sócios por suposta infração à lei, vez que esta interpretação anularia a regra de responsabilidade limitada dos sócios e administradores. Citam doutrina e jurisprudência em favor deste entendimento. Prosseguem reiterando sua defesa contra a aplicação do art. 124 do CTN, na medida em que tal dispositivo legal não visa instituir uma nova espécie de responsabilidade indireta, sendo aplicável apenas nos casos de pluralidade de pessoas no pólo passivo da obrigação tributária, consoante doutrina que transcrevem. Reportamse a jurisprudência administrativa contrária à utilização do referido dispositivo como pelo para incluir todos aqueles que tenham “interesses” nos possíveis negócios da empresa. Necessário seria a prova de que as pessoas praticaram, em conjunto, o mesmo fato gerador, como já exposto em manifestação do Superior Tribunal de Justiça. Acrescentam que a responsabilidade atribuída a Antônio e Marília Vilefort Martins baseiase simplesmente na existência de procurações em seus nomes, sem prova de quais foram, efetivamente, os atos praticados por cada uma dessas partes. Tais pessoas jamais exerceram atos de gestão de cunho fiscal, e os instrumentos de mandato não autorizam a presunção estabelecida pela Fiscalização. Ainda, especificamente no que tange a Marília Vilefort Martins, observam que ela é simples funcionária da empresa, assalariada, com meros poderes de representação da Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 11 10 Autuada junto a bancos, bem como para assinatura de outros documentos ligados ao departamento financeiro da BM Comercial, sem atuar como gerente ou administradora, representar perante órgãos públicos ou assinar cheques e celebrar contratos de trabalho. Abordando a infringência ao princípio da ampla defesa, novamente defendem a necessidade de participação da Recorrente nas diligências que culminaram na constatação de que inidôneas seriam as notas fiscais glosadas. Sendo estes procedimentos a causa do lançamento, sua nulidade é evidente por cerceamento ao direito de defesa dos Recorrrentes. Acrescentam que a simples permissão de vistas dos autos não contribui com a constituição dialética/democrática do crédito tributário, impossibilitando o contraditório nessa importantíssima fase que é propriamente o cerne do lançamento. Até porque, desconhecendo os procedimentos adotados, não tem como verificar a regularidade da declaração de inidoneidade dos documentos. Fazem referência, novamente, à falta de indicação das páginas em que se localizariam documentos citados no Termo de Verificação Fiscal, observando que se o processo administrativo fiscal foi formalizado depois de notificado o contribuinte, há ofensa ao princípio da ampla defesa, por dificultar a defesa dos autuados. Ademais, os arts. 141 e 145 do CTN não autorizariam este proceder, ao impedir a alteração do crédito tributário constituído. No mérito, discordam da inidoneidade atribuída a notas fiscais posteriormente à realização das compras e vendas firmadas e devidamente cumpridas entre a empresa Autuada e seus fornecedores. Os agentes fiscais e a autoridade julgadora de 1a instância se prenderam às ilegalidades apontadas pela fiscalização que ocorreram sem o conhecimento da Autuada e que somente foram verificadas anos depois. Concluíram que as operações inexistiram em razão de ilegalidades praticadas exclusivamente por seus fornecedores, sem demonstrar a ausência de entrada de mercadorias no estabelecimento da Autuada. Classificam de fantasioso o quadro imaginado pelas autoridades fiscais, porque as informações e diligências verificaramse após 5 (cinco) anos da ocorrência das operações comerciais, autorizando apenas conjecturas (nem mesmo presunções) acerca do funcionamento, ou não, da empresa no passado. Por sua vez, a autoridade fiscal não fez qualquer levantamento quantitativo específico que pudesse demonstrar que as mercadorias não ingressaram na empresa autuada, e ainda não permitiu a efetiva participação da empresa nas investigações. Asseveram que rebateram as incoerências do trabalho fiscal, demonstrando sua ausência de liquidez e certeza, e somente não adentrou em searas onde sua prova seria impossível, visto que não tem condições técnicas e nem obrigação legal de fiscalizar seus fornecedores, cumprindolhes observar os requisitos legais (emissão e escrituração de nota, checagem do CNPJ e do SINTEGRA) e efetivamente realizar as operações mercantis. Discordam da inversão do ônus da prova que lhes foi imposta, cabendo ao Fisco provar suas alegações. De toda sorte, entendem que a Autuada apresentou documentos que refutam completamente as informações colhidas pela fiscalização, e defendem o afastamento de qualquer questão que não seja jurídica, integrante dos quadros fantasiosamente catastróficos pintados pela fiscalização. Isso porque a discussão não deve ser centrada na inidoneidade dos fornecedores, mas sim na efetiva ocorrência das operações comerciais, pois aquelas irregularidades não impediram a dedução das despesas ante a real entrada das Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 12 11 mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, com o conseqüente pagamento por esses produtos. Aduzem, assim, que a defesa apresentada não é evasiva, mas apenas aborda os aspectos jurídicos da questão que lhe são pertinentes (não referentes a terceiros). De toda sorte, ressaltam que a autuada promoveu, à época das operações mercantis realizadas com cada fornecedor, consulta ao SINTEGRA/ICMS, reiterando que alguns fornecedores permanecem habilitados no referido controle, e outros somente tiveram a habilitação afastada depois da operação realizada com a autuada. Defendem que a autuada agiu de boafé e de forma diligente, exigindo a apresentação de documento comprobatório da inscrição do fornecedor na competente repartição fazendária, não podendo ser, desta forma, penalizada. Acrescenta que fiscalizar seus fornecedores embaraçaria sua atividade, prejudicando o dinamismo das relações comerciais, citando manifestação do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais. Citando jurisprudência administrativa, asseveram que a única forma de atestar inequivocamente a inidoneidade dos documentos fiscais glosados seria a demonstração, pela Fiscalização, de que não houve efetiva entrada das mercadorias no estabelecimento da autuada. Os indícios perfunctórios reunidos pela Fiscalização somente prevaleceriam se não houvesse contestação pela contribuinte. Não há prova direta produzida pelos agentes fiscais e a autuada trouxe aos autos planilhas, documentos e comprovantes de pagamento contradizendo os argumentos do Fisco, motivos pelos quais deve ser reformada a decisão de 1a instância e cancelada a exigência. Esclarecem que as referências às operações com Realmix prestaramse a demonstrar que são falaciosas as alegações de que todos os fornecedores constantes dos autos seriam empresas “de fachada” e que nenhuma das operações comerciais efetivamente ocorreu, e reiteram os argumentos apresentados, a este respeito, em impugnação. Opõemse à utilização, com refeitos retroativos, de Atos Declaratórios de Inidoneidade dos documentos fiscais lavrados pelo Fisco do Estado de Minas Gerais, na medida em que a Autuada não tinha noção desses direitos “préexistentes” e não pode ser penalizada em razão de sua posterior verificação. Citam o CTN em seus arts. 100, inciso I; 103, inciso I; 105 e 106, bem como manifestações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, afirmando arbitrária a glosa, consoante expresso em julgado do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, reportamse a outros julgados administrativos nas esferas federal e estadual. Prosseguem observando que o acórdão recorrido não se manifestou de forma contundente, chegando até mesmo a se omitir quanto à comprovação contábil de que ocorreram todas as entradas de mercadorias e sua conseqüente tributação na saída, suscitando a nulidade da decisão de 1a instância. Não sendo esta declarada, reiteram os argumentos antes apresentados, no sentido de que a desconsideração dos documentos fiscais impediria a tributação da receita apurada com a saída futura das mercadorias. Rebatem a argumentação da autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que as vendas estariam vinculadas a itens do estoque da autuada alegando que tal fato somente poderia ocorrer dessa forma se a Autuada tivesse um estoque infinito. E arrematam aduzindo que tal argumentação prestase, apenas, a demonstrar a fragilidade do feito fiscal. Discordam do acórdão recorrido que teria negado validade às planilhas, comprovantes de pagamento, comprovantes de importação, notas fiscais carimbadas pelas Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 13 12 barreiras fiscais e demais documentos anexados aos autos, pois não teria como produzir provas por terceiros, como por exemplo a demonstração de que os cheques foram depositados nas contas dos fornecedores. Argumentam que o extremo formalismo aqui adotado ignora totalmente praticas comerciais lícitas e plenamente utilizadas no país, mormente à época em que a CPMF estava em vigor, com o conseqüente repasse de cheques a terceiros, prática não vedada na legislação, sob pena de desnaturar seu próprio conceito como título de crédito. Quanto à falta de juntada dos cheques na impugnação, tal era desnecessário porque os elementos já haviam sido reunidos pela Fiscalização, e sua existência não foi questionada. Ante a comprovação contábil e de pagamento, não há como prevalecer o lançamento, na linha do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E, quanto às operações com MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda, dizem que a análise do acórdão recorrido não foi técnica, havendo contradição ao admitir que as importações foram realizadas, mas não as operações com a autuada. Destacam que as notas fiscais de transferência da filial de São Paulo para a matriz em Minas Gerais apresentam carimbos das barreiras fiscais, atestando a circulação de mercadorias, bem como que a equivalência entre as importações e as transferências estão demonstradas nos documentos anexados à impugnação. Concluem que outra prova da efetividade das operações não seria possível, mormente no que tange à demonstração contábil de terceiros. E asseveram que os outros questionamentos contido no acórdão também dizem respeito a problemas de terceiros, mudando o foco da discussão. Abordam os elementos juntados no Anexo 10 à impugnação, enfatizando seu valor probatório acerca de toda a cadeia de circulação das mercadorias cujas operações foram desconsideradas, em relação ao fornecedor MSP. E destacam que este conjunto de operações foi destacado por sua relevância, mas as constatações ora efetuadas não servem somente para os documentos fiscais emitidos por esse fornecedor, o que retira a certeza do trabalho fiscal e impõe a aplicação do art. 112, inciso II do CTN. Questionam, novamente, a coexistência dos lançamentos de IRPJ/CSLL e IRRF, inicialmente apontando que a assertiva de que não é prática comum fazerse o pagamento de aquisição de mercadorias em espécie é argumentação não jurídica, inapta para corroborar, mesmo subsidiariamente, a acusação fiscal. No mais, seria ilógico afirmar que os custos inexistem, e promover sua glosa, e lançar IRRF por alegado pagamento a beneficiário não identificado. Defendem, assim, que as exigências são reciprocamente excludentes, eis que não há como falar que a despesa inexistiu e, ao mesmo tempo, considerar que houve desembolso de numerário. Observam que os pagamentos aos fornecedores são exatamente o montante que serviu de referência para exigência do IRRF. Argumentam que os órgãos administrativos de julgamento podem apreciar o atendimento de normas e princípios constitucionais, especialmente a teor do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e aduzem que a penalidade aplicada infringe o princípio da vedação ao confisco e não observa a capacidade contributiva da recorrente, bem como não observam os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Citam doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento e requerem a redução da penalidade a seu patamar mínimo. Além de não ser devido qualquer tributo, observam que não restou comprovada quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendentes a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador. Até porque sequer existem indícios da participação direta da Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 14 13 Autuada e dos supostos “coobrigados” nas irregularidades relatadas em seus fornecedores, e não podem ser eles responsabilizados por atos de terceiros, constatados após a realização das operações. Ademais, se houve dolo na ação da contribuinte, não teria ela escriturado as receitas em sua contabilidade, ou prontamente apresentado os livros fiscais e contábeis exigidos, bem como atendido a uma infinidade de intimações fiscais. Inclusive, a própria autoridade fiscal validou a escrita contábilfiscal da empresa, nela se baseando para efetuar o lançamento. Neste sentido seria a jurisprudência administrativa que citam. Limitam a aplicação da multa agravada aos casos em que o contribuinte simplesmente ignora as intimações recebidas, dificultando os trabalhos dos Auditores Fiscais da Receita Federal, argúem que não houve máfé na falta de apresentação dos arquivos magnéticos, mas apenas a impossibilidade de fazêlo, e que a Fiscalização já dispunha de sua escrituração contábil e fiscal em papel. Ademais, todas as intimações foram devidamente respondidas, e se algo não foi cumprido, tal fato não ocorreu por culpa da Autuada, como demonstrado em impugnação. Reportamse a julgados administrativos que afastam o agravamento em tais circunstâncias. Destacam as referências ao art. 5o, inciso LXIII da Constituição Federal, e afirmam ser completamente absurdo apenar a Autuada de forma tão severa diante da ausência de nexo causal entre a suposta conduta (não cumprimento de intimações relacionados à entrega dos arquivos magnéticos mencionados acima) e a autuação por suposto recolhimento a menor do IRPJ, CSLL e, principalmente, IRRF. Restringem o agravamento aos casos de inexistência de escrituração regular ou de impossibilidade de verificação da escrituração e conseqüente arbitramento. Por fim, argúem a ilegalidade da utilização da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, em razão de sua natureza remuneratória. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre preliminarmente apreciar as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento. Com referência à decisão de 1a instância, os recorrentes asseveram que a Turma Julgadora não se manifestou de forma contundente, chegando até mesmo a se omitir quanto à comprovação contábil de que ocorreram todas as entradas de mercadorias e sua conseqüente tributação na saída. Apontam que esta omissão enseja a nulidade da decisão administrativa, mas embora mencionem que requereriam esta declaração em item específico do recurso, inexiste qualquer abordagem específica a respeito. Em impugnação, os interessados veicularam tais argumentos sob o título IV.1.4 – Da Tributação das Mercadorias em Questão em sua Saída do Estabelecimento da Autuada – Conseqüência Inafastável de sua Entrada – Improcedência do Auto de Infração. Contraditaram, assim, o procedimento fiscal de desconsiderar as despesas decorrentes da entrada de mercadorias e, ainda assim, exigir tributos sobre a receita apurada com a saída dessas mercadorias nas operações futuras realizadas pela Autuada. Afirmaram que, se, na imaginada tese fiscal, inexistiu a entrada de mercadorias, impossível a sua saída para o consumidor (revenda). Concluíram, assim: Em síntese, mesmo que se entenda devida a desconsideração das despesas referentes à entrada das mercadorias, a receita tributável deveria ter sido recomposta não como realizado pelo Fisco, mas deduzindose também as saídas das referidas mercadorias, fato que é admitido apenas para demonstrar a fragilidade do feito fiscal. No recurso voluntário, os interessados aduzem que o acórdão recorrido, sobre a presente alegação, cingese a afirmar que as receitas de vendas decorreriam da comercialização de itens de seu estoque. E refutam tal afirmação argumentando que tal só poderia ocorrer se a Autuada tivesse um estoque infinito. Todavia, a decisão recorrida aborda o tema de forma ampla, ao contrário do alegado pelos recorrentes: Em outro item da defesa, titulado por “Da Tributação das Mercadorias em Questão em sua Saída do Estabelecimento da Autuada – Conseqüência Inafastável de sua Entrada – Improcedência do Auto de Infração”, atacase o lançamento com um sofisma. Ora, é evidente que as receitas de vendas auferidas pelo Impugnante o foram com as mercadorias que realmente compunham o seu estoque regular. E, nessa fiscalização, não se questionou as receitas devidamente escrituradas. Todavia, é deliberadamente enganoso e inconsistente dizer que se considerada inexistente a entrada de algumas das mercadorias contabilizadas, então, caberia verificarse a efetiva saída para que fosse recomposta a receita tributável. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 16 15 Não existe, no caso, nenhuma relação de causa e efeito entre esses dois fatos. O primeiro, as vendas decorreram dos produtos em estoque; o outro, o custo foi glosado, tãosomente em relação às notas fiscais consideradas inidôneas, porque não houve nenhuma compra nem entrada de mercadoria no estabelecimento comercial do Autuada. A Fiscalização, em momento algum do lançamento, menciona a glosa dos custos reais ou efetivos correspondentes às mercadorias que efetivamente adentraram no estabelecimento da empresa Autuada. Essas, naturalmente, ocasionaram as receitas de vendas (como já se disse, não questionadas no presente lançamento). Evidente, portanto, que não se verifica qualquer omissão, devendo ser REJEITADA a arguição de nulidade da decisão recorrida. Os recorrentes renovam as alegações de nulidade do lançamento, por cerceamento ao seu direito de defesa, mas a decisão recorrida validamente refuta os argumentos que antes já haviam sido apresentados em impugnação: Substancialmente, o Impugnante fala de cerceamento de defesa e acusa que a peça fiscal infringe esse princípio constitucionalmente garantido. Nesse sentido, diz que existem irregularidades no presente processo administrativo fiscal que lhe dificultaram compreender o fato que lhe foi imputado. Salienta, ainda, que o TVF contém um grande volume de páginas que acrescidas dos Auto de Infração constituíramse num montante considerável de documentos a serem analisados, no prazo exíguo da impugnação. Reclama também que não foram indicadas as numerações das páginas de todos os documentos apontados no TVF, tendo em vista que as referências das páginas (em parênteses) encontramse sem preenchimento. Contudo, no caso vertente, de forma alguma houve cerceamento de defesa de qualquer um dos Impugnantes (sujeito passivo e demais responsáveis). Primeiramente, o prazo de impugnação está expressamente previsto em lei, isto é, no “caput” do art. 15, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, foi a lei quem determinou que o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação da exigência, para defenderse. Em segundo lugar, digase que os Autos de Infração contêm todos os requisitos legais necessários à sua validade, previstos tanto no art. 142, do CTN, como no art. 10, do Decreto nº 70.235/1972. Nesse sentido, a ocorrência do fato gerador restou verificada, caracterizado no IRPJ e na CSLL, pela glosa de custos considerados inidôneos, e no IRRF, por pagamentos a beneficiários não identificados ou sem comprovação da causa da operação; consoante essas infrações devidamente identificadas, foram precisamente indicadas as bases legais infringidas, acompanhadas dos elementos de provas indispensáveis à comprovação do ilícito; foi identificado corretamente tanto o sujeito passivo da obrigação tributária como as demais pessoas físicas ou jurídicas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário lançado; foi determinada a matéria tributável, pela apuração das bases de cálculo, nos termos da lei, conforme os demonstrativos fiscais constantes dos autos; calculouse o montante devido dos tributos lançados; na descrição dos fatos acompanhada do TVF, esses estão clara e minuciosamente descritos; e, finalmente, como forma de tornar juridicamente perfeito o lançamento, foi feita regularmente a intimação da exigência fiscal lançada, para que, no prazo legal de 30 (trinta) dias, o sujeito passivo ou os demais responsáveis a pagassem ou a impugnassem. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 17 16 Nos termos do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a exigência do crédito tributário formalizada em auto de infração deve conter os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Obedecendo a essa determinação legal, a Fiscalização anexou aos autos todas as provas dos ilícitos que apurou. Portanto, não há nenhuma imperfeição que macule as exigências, nem qualquer ilegalidade na consecução do presente lançamento, nem qualquer dificuldade para que o Contribuinte ou os demais responsáveis exercessem, durante o curso normal do procedimento fiscal e no prazo legal de contestação da exigência, o direito de defesa. Em terceiro, ao contrário do alegado, a Fiscalização relatou, de forma pormenorizada, as infrações imputadas ao sujeito passivo. O que justifica plenamente o TVF de 198 folhas, necessário em função da complexidade da matéria, que envolveu, principalmente, um montante considerável de notas fiscais inidôneas, emitidas por 23 (vinte e três) supostos fornecedores, as quais foram registradas nos livros fiscais e comerciais do contribuinte. Tais fatos, acompanhados dos elementos de provas, por evidente, demandam minuciosa análise e relato detalhado. Diante disso, não se pode dizer que nenhuma das linhas do TVF foi demais. Por último, em relação às indicações das referências das páginas, que teriam ficado sem preenchimento no TVF, esclareçase que todas as menções contidas no TVF, sejam a demonstrativos fiscais (remetidos juntamente com o Auto de Infração e o TVF), sejam a documentos, são de pleno conhecimento do Impugnante. Ao longo do procedimento, o Fisco procedeu a diversas intimações, onde solicitava esclarecimentos, informações ou documentos. Ocorre que o TVF é o resultado do procedimento fiscal. Geralmente, indicase as intimações feitas, analisase as provas coletadas e relatase as infrações apuradas. Naturalmente, a sua extensão ou encurtamento dependem diretamente da complexidade da matéria e das respectivas provas. No caso vertente, no TVF, como ato finalizador e esclarecedor da ação fiscal, estão, na parte I: a descrição dos fatos, os lançamentos e as infrações apuradas, as penalidades aplicadas e a responsabilidade pelo crédito tributário lançado; na parte II, foi feito um minucioso relato dos motivos e provas que redundaram nas glosas dos custos, segregadas, uma a uma, as empresas emitentes dos documentos fiscais considerados inidôneos. Ao contribuinte e aos demais responsáveis foi enviado o resultado da presente ação fiscal, ou seja, os Autos de Infração, os demonstrativos fiscais e o TVF. Este foi elaborado pelo Fisco considerando que a ação fiscal redundou em dois processos distintos, o de nº 13603.720274/200837 e o de nº 13603.720275/200881, o primeiro contém os lançamentos do IRPJ, da CSLL e do IRRF; o segundo, do PIS/Pasep e da COFINS. Fundamentalmente, salvo alguns documentos inerentes a determinado tipo de tributo, os mesmos elementos de provas geraram os referidos processos. Normalmente, é após a prova da ciência do auto de infração que a autoridade fiscal monta e formaliza o respectivo processo administrativo fiscal, que acompanha e controla o crédito tributário lançado, seja para seguimento do rito previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, ou mesmo para os procedimentos de cobrança amigável ou judicial. Logo, é nesse momento, de formalização do processo, que se tem a exata numeração das páginas dos autos. Portanto, no TVF original enviado ao contribuinte, não poderiam ser indicados os números das páginas das referências nele contidas, pois ainda não havia nascido nenhum dos dois processos administrativos; e, mais ainda, a numeração seria Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 18 17 variável em razão de cada um dos processos. O importante é que, em cada deles, depois de devidamente montados e formalizados, foram indicadas expressamente as correspondentes páginas dos documentos e provas mencionados no TVF. Salientese, todavia, que o fato de o TVF original, enviado ao Contribuinte, não conter a numeração de alguns documentos e provas descritos pelo Fisco, em nada prejudica a sua ampla defesa, pois, como se viu, tudo, fatos e provas, que está mencionado no TVF era de seu pleno conhecimento. De outro lado, os referidos processos, onde o Fisco identificou, no TVF, as correspondentes páginas de cada uma das referências, ficaram, no órgão preparador, durante o prazo legal de impugnação, à disposição do contribuinte e demais responsáveis para vistas. Sendo assim, a faculdade de ter vistas aos aludidos processos seria, foi ou é suficiente para sanar quaisquer dúvidas, acaso existentes do contribuinte, que poderia conferir ou verificar a composição de cada dos aludidos processos. Entretanto, a mera falta de indicação de páginas do processo, não arranha a ampla defesa, dado que todos os fatos imputados e provas contrárias são muito bem conhecidos pelo sujeito passivo. Em suma, quanto às hipóteses de nulidades previstas no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 59, incisos I e II, essas não se encontram presentes, haja vista que o lançamento restou formalizado com todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Ou seja, foi devidamente fundamentado, tendo sido efetuado por autoridade competente; e, ainda, a ampla defesa foi plenamente garantida à Contribuinte. Enfim, não prospera a preliminar de nulidade, por cerceamento da ampla defesa. No que tange à suposta falta de indicação das páginas em que se localizariam documentos citados no Termo de Verificação Fiscal, os recorrentes observam que se o processo administrativo fiscal foi formalizado depois de notificado a contribuinte, há ofensa aos arts. 141 e 145 do Código Tributário Nacional – CTN, que não autorizariam este proceder, por impedir a alteração do crédito tributário constituído. Contudo, o que se verificaria depois do lançamento seria, apenas, a organização dos autos que poderão se constituir em veículo do processo administrativo fiscal, a partir de sua instauração com a impugnação do sujeito passivo. O crédito tributário, como objeto da relação jurídica constituída a partir do lançamento, permanece incólume, com os contornos definidos no Auto de Infração e na descrição dos fatos aqui contida no Termo de Verificação Fiscal. Inexiste, pois, ofensa aos mencionados dispositivos do CTN. De toda sorte, vêse no despacho de fl. 1078 que na data de lavratura do lançamento (25/09/2008) a autoridade fiscal declara já ter constituído os autos do processo administrativo principal, com suas 1078 folhas, além dos quatro Anexos na forma do Termo de Juntada de fl. 1067. Assim, desde antes da ciência do lançamento aos recorrentes os autos já se encontravam integralmente formalizados para eventuais vistas dos interessados. Os recorrentes insistem, ainda, que houve infringência ao princípio da ampla defesa, porque teriam o direito de participar nas diligências que culminaram na constatação de que inidôneas seriam as notas fiscais glosadas. E acrescentam que a simples permissão de vistas dos autos não contribui com a constituição dialética/democrática do crédito tributário, impossibilitando o contraditório nessa importantíssima fase que é propriamente o cerne do lançamento. Até porque, desconhecendo os procedimentos adotados, não teriam como verificar a regularidade da declaração de inidoneidade dos documentos. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 19 18 Não se verifica o alegado desconhecimento dos procedimentos adotados pela Fiscalização. O alargamento do Termo de Verificação Fiscal decorre, precisamente, do detalhamento destes procedimentos. Mediante extensa descrição, a autoridade fiscal indicou todas as investigações realizadas acerca das operações questionadas e juntou os documentos que sustentam suas conclusões acerca da inidoneidade dos documentos fiscais que suportaram os custos glosados. Conseqüência disto é que os autos do processo administrativo contam com 4 (quatro) anexos formados pela Fiscalização, sendo os três primeiros integrados por cerca de 1.000 (mil) páginas e o último por 4.400 (quatro mil e quatrocentas) páginas, assim agrupando os documentos comprobatórios da inidoneidade de notas fiscais (Anexo I), as cópias reprográficas das notas fiscais (Anexo II), as cópias reprográficas de folhas de livros contábeis (Anexo III) e as cópias reprográficas de cheques (Anexo IV). Importante observar que, questionada acerca da comprovação do pagamento e do efetivo ingresso das mercadorias adquiridas para revenda, a contribuinte se esquivou de demonstrar qualquer providências que pudesse atribuir alguma materialidade às aquisições questionadas. De fato, por meio da intimação de fl. 676, a autoridade fiscal exigiu da contribuinte: I) Comprovar o efetivo fornecimento de mercadorias pelas . empresas emitentes das Notas Fiscais relacionadas no demonstrativo anexo, numerado de 01 a 17, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mediante: a) identificação, em relação a cada empresa fornecedora de, mercadorias, das pessoas com as quais foram mantidos os contatos e relacionamentos comerciais; b) identificação, do transportador (nome e endereço), do veículo utilizado (placa) e, quando for o caso, apresentar o respectivo conhecimento de transporte; c) no caso da própria empresa adquirente das mercadorias ter sido responsável pelo transporte das mercadorias, indicação do local onde as mesmas foram retiradas; d) esclarecimento da forma, valor e data efetiva do pagamento de cada nota fiscal relacionada, incluindo indicação do número da conta corrente e do banco sacado. e) apresentação de cópias microfilmadas autenticadas e legíveis, fornecidas pelas instituições financeiras, de todos , os cheques (frente e verso) comprobatórios dos pagamentos das notas fiscais relacionadas. II) Apresentar Livro Diário, devidamente autenticado na JUCEMG, relativamente ao mês de dezembro de 2004. Em resposta, a contribuinte apenas consignou que: Item 1: [...] a) [...] As compras efetuadas pela empresa intimada, são geralmente consumadas através de corretores de mercadorias que são geralmente itinerantes. b) [...] Os transportadores estão identificados individualmente no rodapé de cada documento fiscal. c) [...] Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 20 19 Vide resposta ao item b. d) [...] As respectivas informações estão consignadas nos respectivos livros diário e razão que estiveram em seu poder no período de 31/08/2005 a 03/10/2007 e que foram devolvidos a intimada. e) [...] A empresa não dispõe deste arquivo e não consta nenhuma norma legal que nos obrigue a mantelo salientando que os extratos bancários, bem como os lançamentos que os sustentam estão contemplados no livro diário e razão O trabalho fiscal, neste contexto, prestouse a demonstrar que os fornecedores não poderiam ter emitido as correspondentes notas fiscais; que o transporte das mercadorias foi indicado como de responsabilidade da adquirente, a qual que não poderia desconhecer a impossibilidade das vendas terem sido realizadas; e que a efetivação do pagamento, quando ocorrida, se deu de forma anormal. Em tais circunstâncias, a mencionada “dialética/democrática” se estabelece pela confrontação das acusações fiscais e demonstração da boafé do adquirente, inexistindo qualquer prejuízo à defesa da interessada se a motivação da exigência está claramente exposta no ato de lançamento. Por sua vez, se as aquisições efetivamente ocorreram, sua contratação, consumação e liquidação deixam diversos traços documentais em favor do adquirente que podem ser por ele opostos para desconstituição do lançamento, sem qualquer necessidade de confronto, direto, das diligências fiscais realizadas no estabelecimento dos fornecedores e na Fazenda Estadual. Demais disso, o fato de os sujeitos passivos somente terem tido a oportunidade de se manifestar sobre a exigência fiscal após sua formalização não representa qualquer ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Isto porque não há que se falar em cerceamento de defesa durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação do direito tributário material, se desenvolve a ação de fiscalização da qual poderá redundar a formalização da exigência fiscal. O procedimento fiscalizador é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou ainda a relação jurídica processual, e os particulares não atuam como parte. Isto somente acontece com o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e a respectiva impugnação. A esse respeito, assim leciona James Marins, em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro: Administrativo e Judicial (São Paulo: Dialética, 2001, p. 222/223): O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver vinculação do contribuinte se fará lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 21 20 Coerentemente com essa interpretação, o art. 14 do Decreto 70.235/72 preceitua que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Com a apresentação da impugnação é estabelecido o conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de crédito tributário, motivando sua pretensão e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa e ao contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Por todo o exposto, resta concluir que a acusação fiscal está validamente formalizada, não se verificando qualquer cerceamento ao direito de defesa dos interessados, motivo pelo qual deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, os recorrentes abordam, inicialmente, aspectos pertinentes à decadência e à responsabilidade tributária. Todavia, porque vinculados às características das infrações constatadas, estas matérias serão apreciadas ao final do voto. Os recorrentes discordam da inidoneidade atribuída a notas fiscais posteriormente à realização das compras e vendas firmadas e devidamente cumpridas entre a empresa Autuada e seus fornecedores. Os agentes fiscais e a autoridade julgadora de 1a instância teriam se prendido às ilegalidades apontadas pela fiscalização que ocorreram sem o conhecimento da Autuada e que somente foram verificadas anos depois. Importa, assim, ter em conta quais constatações ensejaram a glosa dos custos correspondentes às notas fiscais apontadas pela Fiscalização. Os fatos apurados pela autoridade lançadora podem ser assim agrupados: 1. Notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas ativas e regulares, que demonstraram não ter emitido os documentos utilizados pela autuada: · Fornecedor nº 3: Casa Nascimento Ltda (aquisições de julho a dezembro/2004, por meio de 30 notas fiscais, no valor total de R$ 1.244.442,05): o Pessoa jurídica ativa, com pagamentos regulares no âmbito do SIMPLES; o Ato Declaratório de Falsidade/Inidoneidade de documentos fiscais por não autorização de emissão (SEFMG) abrangendo as notas fiscais questionadas; o Declaração do fornecedor no sentido de que não emitiu nenhuma nota fiscal de venda ou prestação de serviços para a autuada; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 22 21 o Apresentação apenas das terceiras vias destinadas ao Fisco relativamente a algumas operações; o Quitação de parte do débito (R$ 2.602.288,68) com o fornecedor por meio de Termo de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal sem identificação, datado de 30/09/2006. Além da prescrição e do baixo valor de mercado destes títulos, o Termo de Dação em Pagamento, em consulta ao Cartório que autenticou a assinaturas do representante legal do fornecedor, colheuse declaração em favor da falsidade da etiqueta aplicada no Termo para reconhecimento das firmas; o Mercadorias diferentes daquelas comercializadas pelo fornecedor; o Transporte pelo destinatário a partir do estabelecimento onde o fornecedor declara não ter mantido qualquer relação comercial com a autuada; o Pagamentos de novembro/2004 a dezembro/2006 mediante a emissão de 270 cheques diversos; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 9: Inteagro Comércio, Indústria e Representação Ltda (aquisições em julho/2004, por meio de 10 notas fiscais, no valor total de R$ 447.567,89): o Pessoa jurídica ativa, com pagamentos regulares na sistemática do lucro real; o Declaração do fornecedor no sentido de que não emitiu nenhuma nota fiscal de venda para a autuada, que desconhece a empresa e que não comercializa os produtos indicados nas notas fiscais; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material; o Inexistência do número da Autorização de Impressão de Documentos Fiscais – AIDF informado no rodapé das notas fiscais utilizadas pela contribuinte; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Pagamentos de novembro/2004 a janeiro/2005 mediante a emissão de 70 cheques diversos. Uma das notas fiscais foi paga mediante a emissão de 11 cheques sequenciais; Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 23 22 o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 170.053,86 (38% do total do débito) sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 11: MZ3 Comércio de Cereais Ltda (aquisições de dezembro/2002 a fevereiro/2003, por meio de 12 notas fiscais, no valor total de R$ 1.850.548,68): o Pessoa jurídica ativa, com apresentação regular de declarações; o Declaração do fornecedor no sentido de que realizou qualquer operação comercial com a autuada; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material; o Ausência de carimbos dos agentes fiscais dos postos estaduais pelo trânsito das mercadorias entre o Rio de Janeiro/RJ e Contagem/MG; o Pagamentos de julho/2003 a junho/2004 mediante a emissão de 373 cheques diversos. Uma das notas fiscais foi paga mediante a emissão de 27 cheques sequenciais; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 1.664.740,40 sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 16: Rebela Comercial Exportadora Ltda (aquisições de dezembro/2002 a fevereiro/2003, por meio de 13 notas fiscais, no valor total de R$ 1.690.003,40): o Pessoa jurídica ativa, com apresentação regular de declarações; o Apresentação parcial das notas fiscais, pelo fornecedor, restando outras 13 notas fiscais que teriam sido emitidas em 2001 e já destruídas. Estas notas fiscais remanescentes teriam numeração de AIDF diferente daqueles expedidos em favor do fornecedor, inclusive indicando seu CNPJ com erro, sendo emitidas por gráfica inexistente e apresentando aspectos gráficos diferentes; Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 24 23 o Ausência de carimbos dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Ao contrário das notas fiscais regulares, pagas com 1 ou 2 cheques, as inidôneas foram pagas muitos meses depois, sendo que uma das notas fiscais foi paga mediante emissão de 48 cheques de numeração seqüencial. Em novembro/2003, o débito de R$ 676.178,02 foi pago mediante emissão de 144 cheques; o Questionada acerca da quitação de parte do débito (R$ 1.131.907,98) por meio de Termo de Dação em Pagamento, a contribuinte informou que as operações com o referido fornecedor foram canceladas; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados, com exceção daqueles utilizados para pagamento das notas fiscais correspondentes a reais aquisições de mercadorias. · Fornecedor nº 22: Vicente & Vicente Ltda (aquisições de agosto a dezembro/2004, por meio de 84 notas fiscais, no valor total de R$ 3.434.103,49): o Declarações de rendimento apresentadas na sistemática do lucro real e recolhimentos verificados até 31/01/2005; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em razão de falsidade de documentos vinculados a determinada AIDF; o Declaração do fornecedor no sentido de que não realizou qualquer operação comercial com a autuada, noticiando o registro de ocorrência policial quando tomou conhecimento, pelo Fisco Estadual, da clonagem de suas notas fiscais; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material; o Das 84 notas fiscais apresentadas pela autuada, apenas 21 referemse à 1a via; o Mercadorias valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Ausência de carimbos dos agentes fiscais dos postos estaduais pelo trânsito das mercadorias entre o Rio de Janeiro/RJ e Contagem/MG; Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 25 24 o Pagamentos de novembro/2004 a dezembro/2006 mediante a emissão de 39 cheques em 2004, 415 cheques em 2005 e 557 cheques em 2006. Uma das notas fiscais foi paga mediante a emissão de 09 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. 2. Notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que não mais exerciam atividades à época dos supostos fornecimentos de mercadorias: · Fornecedor nº 1: Arco Transporte e Comércio Ltda (aquisições de dezembro/2003 a abril/2004, por meio de 39 notas fiscais, no valor total de R$ 2.835.927,03): o Omissão ou insuficiência de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais (SEFMG) por inexistência do estabelecimento inscrito em 04/05/2004; o Atos Declaratórios de Falsidade/Inidoneidade de documentos fiscais por extravio, furto ou danificação de notas fiscais (SEFMG), abrangendo 35 notas dentre as 39 contabilizadas; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) abrangendo todos os documentos fiscais a partir da data de inscrição tendo em vista os elementos falsos utilizados para a obtenção da inscrição estadual; o Inexistência de RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) apresentada em 2003 e 2004, indício de que o fornecedor não possuía empregados ou estava com as atividades paralisadas; o Sócios e representantes legais não localizados; o Declarações do locador desconhecendo locatório do imóvel de 54 m2 que se prestaria a estabelecimento da pessoa jurídica, no qual não houve funcionamento contínuo ou mesmo carga e descarga de mercadorias; o Notas fiscais de numeração baixa e seqüencial; o Ausência de carimbos nos postos de fiscalização estadual; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 26 25 o Carimbos indicando diversos cheques de emissão seqüencial para pagamento para cada nota fiscal, todos emitidos na mesma data e muitos meses depois do vencimento; o As aquisições se encerram em abril/2004 e os pagamentos começam em março/2004, mediante emissão de 253 cheques neste ano; o Em 31/12/2006 resta uma dívida em face do fornecedor no valor de R$ 1.338.816,30, sem qualquer cobrança no período; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 2: Carlos Roberto Reis (aquisições em novembro/2004, por meio de 16 notas fiscais, no valor total de R$ 638.471,81): o Pessoa jurídica baixada por liquidação voluntária, com declaração de inatividade em 2004; o Ato Declaratório de Falsidade/Inidoneidade de documentos fiscais por não autorização de emissão (SEFMG) abrangendo as notas fiscais questionadas; o Inexistência de RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) apresentada em 2003 e 2004, indício de que o fornecedor não possuía empregados ou estava com as atividades paralisadas; o Declaração do administrador da firma individual no sentido de que não praticou qualquer operação comercial com a autuada; o Notas fiscais de numeração baixa e seqüencial; o Apresentação apenas das terceiras vias destinadas ao Fisco; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do estabelecimento onde o fornecedor não mais exercia atividades; o Pagamentos de duplicatas no valor de R$ 151.900, mediante a emissão de cheques diversos, a partir de março/2005; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 4: Comercial de Alimentos Aline Ltda (aquisições em outubro/2003, por meio de 5 notas fiscais, no valor total de R$ 500.836,68): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 27 26 o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte de 18/11/2002 a 09/01/2003 e a partir de 04/06/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em razão de falsidade especificamente em relação a conjunto de documentos que abrange os utilizados pela contribuinte; o Inexistência de RAIS apresentada em 2003, sendo seu último empregado contratado até abril/2002; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Carimbos indicando diversos cheques para pagamento para cada nota fiscal; o Os pagamentos começam em março/2004, sendo emitidos 27 cheques para pagamento. Uma das notas foi paga mediante emissão de 7 cheques na mesma data, e não a vista como indicado no documento; o Em duas notas fiscais não houve o destaque do comprovante de recebimento das mercadorias; o Em 31/12/2006 resta uma dívida em face do fornecedor no valor de R$ 134.035,00 (27% do débito total), sem qualquer cobrança no período; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 5: Comercial WME Ltda (aquisições em julho/2004, por meio de 27 notas fiscais, no valor total de R$ 1.038.363,72): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte desde 31/08/2002; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em razão de falsidade especificamente em relação a conjunto de documentos que abrange os utilizados pela contribuinte; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 28 27 o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Apresentação, pela fiscalizada, da 3a via das notas fiscais, e não a 1a via; o Notas fiscais de numeração baixa, seqüencial e de valor elevado; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de julho/2005 a setembro/2006 mediante a emissão de 276 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 6: Comércio de Cereais Izabela Ltda (aquisições em junho/2004, por meio de 9 notas fiscais, no valor total de R$ 413.970,80): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por inexistência do estabelecimento em 28/07/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) porque emitidos por contribuinte inscrito, mas sem estabelecimento, abrangendo os documentos utilizados pela contribuinte; o Cancelamento do registro mercantil da empresa pela JUCEMG em 10/02/2004, em razão de inatividade; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Declaração de vizinho do suposto estabelecimento do fornecedor, no sentido de que nunca viu movimento atacadista no local; o Notas fiscais de valor elevado, próximo do final do mês e do fechamento da apuração de ICMS, Contribuição ao PIS e COFINS; o Mercadoria de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 29 28 o Notas fiscais sem referência às condições de pagamento e uma delas sem o destaque do comprovante de recebimento; o Pagamentos quatro meses depois da aquisição mediante utilização de diversos cheques de baixo valor. Uma das notas fiscais foi paga com 12 cheques seqüenciais; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 318.864,20 (77% do débito), sem qualquer ação de cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 7: Gildan Comercial Ltda ME (aquisições em fevereiro e março/2004, por meio de 13 notas fiscais, no valor total de R$ 663.993,66): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte em 16/06/2004; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; o Intimação ao sócio e administrador da empresa respondida por sua curadora, que apresentou documentos denunciando sua inclusão como sócio administrador de uma firma fantasma; o Diligência ao local e constatação da existência de um pequeno barracão (cujo tamanho e local confirma a impossibilidade de armazenagem e manuseio de mercadorias) e de uma residência ao fundo sem moradores presentes; o Notas fiscais de numeração baixa, seqüencial e de valor elevado; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Em três notas fiscais não foi preenchido ou destacado o comprovante de recebimento das mercadorias; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de julho/2004 a dezembro/2004 mediante a emissão de 132 cheques, sendo que uma das notas fiscais foi paga com 11 cheques de numeração sequencial; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 179.835,20 (27%) do débito, sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 30 29 · Fornecedor nº 8: Guia Transporte e Comércio Ltda (aquisições em agosto/2004, por meio de 6 notas fiscais, no valor total de R$ 269.428,86): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte em 30/07/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 30/07/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estaduais; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Notas fiscais de valor elevado, próximo do final do mês e do fechamento da apuração de ICMS, Contribuição ao PIS e COFINS; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Ausência de referências às condições de pagamento nas notas fiscais; o Pagamentos de novembro/2004 a abril/2005 mediante a emissão de 16 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 122.000,00 (45% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 12: Nutricom Alimentos Ltda (aquisições em dezembro/2003, por meio de 5 notas fiscais, no valor total de R$ 409.149,00): o Omissão de declaração de rendimentos e recolhimentos esparsos no período de emissão das notas fiscais; o Inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 12/01/2004; Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 31 30 o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 12/01/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Objeto social extenso, transferência da sede para São Paulo, admissão de sócio uruguaio e administração por procurador deste a partir de 03/12/2003, muito embora este procurador seja empregado desde 1975 e trabalhe como motorista de veículos de carga; o Apresentação de RAIS com empregado até setembro/2003; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte não especificado nas notas fiscais, e em duas notas fiscais o comprovante de recebimento das mercadorias não foi destacado; o Pagamentos de maio e julho/2004 mediante a emissão de 9 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 5 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 385.000,00 (94% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 13: Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda (aquisições em dezembro/2003, por meio de 17 notas fiscais, no valor total de R$ 1.298.330,50): o Declaração de inatividade e três recolhimentos esparsos de 2003 a 2007; o Inscrição estadual na SEFMG bloqueada em 27/02/2004 por obtenção de inscrição com elementos falsos; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 25/03/2002 por encerramento irregular e obtenção de inscrição com elementos falsos; o Objeto social extenso, admissão de sócio uruguaio e administração por procurador deste a partir de 07/01/2004. Um dos antigos sócios é trabalhador rural, e o outro não demonstra capacidade financeira para ser sócioadministrador do fornecedor. o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 32 31 o Transporte não especificado nas notas fiscais, e em doze notas fiscais o comprovante de recebimento das mercadorias não foi destacado; o Pagamentos de maio a outubro/2004 mediante a emissão de 196 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 16 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 618.600,00 (48% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 14: Patmus Comercial Ltda (aquisições de dezembro/2003 a abril/2004, por meio de 18 notas fiscais, no valor total de R$ 972.380,43): o Omissão de declaração de rendimentos a partir de 2004 e inexistência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais; o Ativa perante o CNPJ, mas inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência do estabelecimento, em 12/05/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em 28/04/2004 porque emitidos por contribuinte inscrito, mas sem estabelecimento; o Ausência de RAIS nos anos de 2003 e 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor, sendo que de 4 notas fiscais não foi preenchido e destacado o comprovante de recebimento; o Pagamentos de maio e julho/2004 a outubro/2004 mediante a emissão de 38 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 9 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 835.175,05 (86% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 33 32 · Fornecedor nº 15: Realmix Comércio e Distribuição Ltda (aquisições de dezembro/2003 a junho/2004, por meio de 122 notas fiscais, no valor total de R$ 5.939.208,60): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais; o Inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 14/06/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 01/05/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades, bem como de documentos fiscais sem autorização para impressão, dentre os quais se incluem as notas fiscais utilizadas pela autuada; o Ausência de RAIS em 2003 e 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Declaração da locadora do imóvel onde o fornecedor teria ocupado a sala por aproximadamente dois meses, sem movimentação de mercadorias; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor, sendo que em algumas notas não foi preenchido ou destacado o comprovante de recebimento; o Pagamentos de maio a dezembro/2004 mediante a emissão de 262 cheques, e de janeiro a abril/2005 por meio de 14 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 18 cheques; o Quitação de parte do débito (R$ 4.390.631,88) com o fornecedor por meio de Termo de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal sem identificação, datado de 20/12/2005 (haveria também um outro termo de 13/01/2006, não apresentado). Além da prescrição e do baixo valor de mercado destes títulos, o Termo de Dação em Pagamento foi assinado por pessoa que não era sócio do fornecedor naquele momento, e cujo nome assemelhase ao de um sócio que se desligou da sociedade em 03/05/2004. Em consulta ao Cartório que autenticou a assinatura, colheuse declaração em favor da falsidade da etiqueta aplicada no Termo para reconhecimento da firma; o Versão da dívida de R$ 409.919,01, mediante cisão, em favor de Comercial Valmig Ltda Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 34 33 o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 17: Sandro Roberto Figueiredo Ventura (aquisições em novembro e dezembro/2004, por meio de 40 notas fiscais, no valor total de R$ 1.507.369,60): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e declaração de inatividade a partir de 2004; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 01/11/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 01/11/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Ausência de RAIS em 2003 e 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados. Declaração de moradora do andar de cima do imóvel onde se localizaria o estabelecimento do fornecedor afirma que lá houve um depósito de feijão, desativado seis meses antes da instalação do atual comércio que lá existe desde 30/04/2004; o Notas fiscais indicando número de AIDF que não corresponderiam a outra numeração de notas fiscais; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Das 40 notas fiscais, apenas 07 correspondem às primeiras vias; o Pagamentos de abril/2005 a dezembro/2006 mediante a emissão de 225 cheques em 2005 e 235 cheques em 2006. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 8 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 18: Serra do Ouro Comercial Ltda (aquisições em dezembro/2002, por meio de 10 notas fiscais, no valor total de R$ 1.383.999,60): o Omissão de declaração de rendimentos a partir de 2002.; o Empresa e sócios não localizados; Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 35 34 o Informações da Secretaria de Fazenda de São Paulo (SEFSP) no sentido de que a contribuinte teria encerrado atividades aproximadamente em 27/12/2002; de que determinadas notas fiscais seriam inidôneas porque emitidas por gráfica inexistente; e de que os sócios desconheceriam quem teria emitido tais notas fiscais. As notas fiscais utilizadas pela autuada fazem parte deste conjunto; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais em postos estaduais entre São Paulo/SP e Contagem/MG; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de junho/2003 a dezembro/2006 mediante a emissão de 503 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 14 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida sem qualquer cobrança pelo fornecedor, no valor de R$ 1.426.874,79, assim incorporando, também, aquisições anteriores ao período fiscalizado; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; · Fornecedor nº 19: Stone River Comércio, Importação e Exportação Ltda (aquisições de setembro a dezembro/2004, por meio de 74 notas fiscais, no valor total de R$ 2.728.245,51): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e declaração de inatividade em 2004; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 29/07/2005; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 01/09/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Apresentação de RAIS em 2004, sendo que todos os contratos de trabalho foram rescindidos até junho/2004; o O sócio localizado não respondeu à intimação; o Diligências no local do estabelecimento resultaram na obtenção de contrato de locação firmado entre o fornecedor e outra pessoa jurídica, mas sem identificação das pessoas que o assinaram, e declarações no sentido de que o fornecedor Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 36 35 ocupou o imóvel por 10 meses a partir de junho/2004, até seu desaparecimento; o Apenas uma nota fiscal foi emitida antes de 01/09/2004; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Das 40 notas fiscais, apenas 07 correspondem às primeiras vias; o Pagamentos de dezembro/2004 a dezembro/2006 mediante a emissão de 50 cheques em 2004, 455 cheques em 2005 e 304 cheques em 2006. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 19 cheques sequenciais; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 20: Transporte e Comércio KL Ltda (aquisições em março/2004, por meio de 2 notas fiscais, no valor total de R$ 91.615,50): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e declaração apenas de inatividade em 2003; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência de estabelecimento no endereço inscrito em 30/04/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) de 28/07/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Ausência de RAIS em 2003 e 2004; o Empresa e sócios não localizados. Moradores vizinhos ao estabelecimento declararam não conhecer o fornecedor; o Mercadorias valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor, sendo que em uma das notas o comprovante de recebimento não foi preenchido ou destacado; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 37 36 o Pagamentos em agosto e setembro/2004 mediante a emissão de 20 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 11 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 21: Varmil Indústria e Comércio Ltda (aquisições de julho e agosto/2004, por meio de 26 notas fiscais, no valor total de R$ 971.484,54): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e apresentação de declaração simplificada até 2003; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência de estabelecimento no endereço inscrito em 03/11/2004; o Notas fiscais indicando numeração falsa de AIDF, bem como gráfica inexistente; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) vinculados ao mencionado AIDF, autorizada para outro contribuinte; o Ausência de RAIS em 2004; o Sócios não localizados; o Diligências no local do estabelecimento resultaram em declaração de vizinhos que desconhecem qualquer atividade no imóvel indicado como endereço do fornecedor; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor. Em 8 notas fiscais há indicação do responsável pelo transporte, mas a placa não corresponde a um veículo, ou indica veículo incompatível com a carga transportada; o Pagamentos de dezembro/2004 a maio/2005, mediante a utilização de 66 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia débito de R$ 126.000,00 (13% do débito), sem qualquer ação de cobrança por parte do fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 23: WR Comercial de Alimentos Ltda (aquisições de novembro e dezembro/2004, por meio de 29 notas fiscais, no valor total de R$ 1.162.903,11): Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 38 37 o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e apresentação de declaração com movimento até o 2o trimestre de 2004; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência de estabelecimento no endereço inscrito em 11/05/2005; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) vinculados a AIDF específica, com indicações de falsidade nas informações de seu rodapé; o Ausência de RAIS em 2003 e apresentação do documento em 2004 com apenas um empregado que teve o contrato rescindido em 31/10/2004; o Sócios não localizados ou que não atenderam a intimação fiscal; o Diligências no local do estabelecimento resultaram em declaração de vizinhos que atestaram o funcionamento da empresa por menos de um ano, para armazenamento de farinha de trigo, ficando mais aberto que fechado o estabelecimento; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Das 29 notas fiscais utilizadas, apenas 8 são em 1a via; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de fevereiro/2005 a setembro/2006, mediante a utilização de 235 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. 3. Notas fiscais emitidas por pessoa jurídica administrada por responsáveis pela autuada e declarada inapta em razão das evidências de interposição fraudulenta para importação de mercadorias: · Fornecedor nº 10: MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda (aquisições em dezembro/2002 a outubro/2003, por meio de 272 notas fiscais, no valor total de R$ 21.839.634,10): o Pessoa jurídica declarada inapta em 25/03/2004, com efeitos a partir de 27/08/2003, em razão da constatação de evidências acerca de sua incapacidade econômico e financeira para atuar na importação de mercadorias, em razão do volume de aquisições no 4o trimestre/2002, incompatível com as declarações de rendimento de seus sócios, restando Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 39 38 incomprovada a origem dos recursos empregados, e constatada a inexistência de fato da matriz (em São Paulo) e a precariedade do estabelecimento filial (em Osasco). o Nenhuma DIPJ entregue desde sua constituição em julho/2002; o AIDF apenas para as notas fiscais até o número 1.000 e inscrição estadual bloqueada, com declaração de inidoneidade dos documentos fiscais a partir de 16/12/2003, em razão da não localização dos sócios, de o estabelecimento estar fechado, e de um dos sócios ter afirmado a utilização indevida de seu nome para constituição da pessoa jurídica; o Inexistência de RAIS apresentada de 2002 a 2004; o Intimação dirigida a empresa e sócios administradores foi respondida por um deles, que: § apresentou as vias fixas das notas fiscais emitidas em favor da autuada; § declarou não mais dispor dos controles de estoque para comprovação da posse das mercadorias vendidas à autuada; que as operações estavam acobertadas por notas fiscais regulares e que a forma de transporte estava identificada no documento fiscal; o Um dos sócios administrador era empregado de óticas, mercearias e supermercados no estado de Minas Gerais, com remuneração inferior a dois salários mínimos, e ao se tentar contato pessoal com ele no supermercado onde atuava como repositor, constatouse seu pedido de demissão no mesmo dia e a comunicação de que se mudaria para São Paulo/SP, bem como observouse que seus pais figuravam como sócios administradores de outra empresa da família Vilefort, após a saída dos sócios originais integrantes desta família. Outro foi empregado de outras empresas da família Vilefort e passou a ser empregado da autuada em abril/2004, retirandose do quadro social do fornecedor para ingresso de sócio que declarou em boletim de ocorrência a utilização indevida de seu nome para constituição da pessoa jurídica do fornecedor. Outra ingressou na sociedade adquirindo a participação deste terceiro sócio, mas sempre trabalhou empregada como operadora de caixa ou de telemarketing; o Procurações outorgadas a Antonio Vilefort Martins para administração do fornecedor a partir de 28/10/2002 e a Marilia Vilefort Martins para operações bancárias a partir de 04/09/2002. Ambas foram revogadas em 05/05/2004. As mesmas pessoas administravam a autuada neste período; Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 40 39 o Diligência pela DRF/Osasco colheu depoimento da locadora do imóvel onde deveria estar funcionando o fornecedor, atestando que o intermediário da contratação foi o sócio do fornecedor que se revelou empregado de empresas da família Vilefort, e apresentando outros detalhes do período de locação; o Fornecedor realizando 48 importações de 10/10/2002 a 18/03/2003, alcançado o peso líquido de 1.153.120 kg de mercadorias. A quase totalidade foi objeto de nota fiscal de entrada. Em março/2003 as importações foram paralisadas e as atividades encerradas irregularmente; o Descontada a importação que não foi objeto de nota fiscal de entrada (peso líquido de 22.498 kg), as saídas de mercadorias deste fornecedor superaram em 2.804.887 kg as entradas, sendo destas 94% destinadas à autuada. Em termos de valor, as importações de R$ 6.612.675,68 elevaramse para R$ 21.839.634,10; o Incompatibilidade entre a movimentação financeira do fornecedor e as vendas supostamente promovidas à autuada; o Ausência de prova das mercadorias adquiridas pela autuada, especialmente tendo em conta as notas graciosas emitidas pelo fornecedor; o Quitação de parte do débito (R$ 17.893.761,80) com o fornecedor por meio de Termos de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal sem identificação, datados de 23/10/2005 a 30/06/2005, além de uma operação de janeiro/2006 não demonstrada. Além da prescrição e do baixo valor de mercado destes títulos, os Termos de Dação em Pagamento foram assinados pelo sócio do fornecedor que exercia as funções de repositor em supermercado, sendo assim classificados como falsos; o Liquidação de débitos ao longo de 2003 no valor de R$ 3.125.398,65 sem comprovação do pagamento, e outros pagamentos em 2004, no valor de R$ 187.421,00, mediante emissão de 9 cheques. Em todos os casos, além dos tópicos sintetizados acima, a autoridade fiscal traça um comparativo entre o capital social do fornecedor e o valor das mercadorias supostamente negociadas, bem como destaca, em relação à maioria dos casos, que a contribuinte não poderia desconhecer a inexistência do estabelecimento fornecedor na medida em que seu representante teria transportado as supostas mercadorias. E, quanto aos pagamentos com múltiplos cheques, indicariam pagamento a diversas pessoas ou de diversas despesas, não o pagamento a um único credor, até porque não seria prática usual no comércio o pagamento de notas fiscais de maneira fracionada, com emissão de vários cheques de emissão da própria empresa que efetua o pagamento, sacados contra um mesmo banco. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 41 40 Como se vê, os agentes fiscais não se limitaram a invocar atos declaratórios de inidoneidade dos documentos emitidos posteriormente às operações questionadas. Para o primeiro grupo acima apontando, reunindo 5 (cinco) dos 23 (vinte e três) fornecedores questionados, a autoridade lançadora demonstrou que as notas fiscais apresentadas pela contribuinte (algumas delas apenas 3as vias) eram falsas, formal e materialmente diferentes daquelas efetivamente emitidas pelos fornecedores. De outro lado, as notas fiscais indicavam a autuada (destinatário das mercadorias) como responsável pelo transporte, e durante o procedimento fiscal a contribuinte apontou que aquelas seriam as informações reais vinculadas ao fornecimento das mercadorias, em implícito reconhecimento de que seus representantes teriam comparecido no estabelecimento do fornecedor e ali retirado as mercadorias adquiridas, muito embora os fornecedores neguem, peremptoriamente, terem promovido quaisquer das vendas mencionadas. Eventualmente a contribuinte poderia ter sido ludibriada por um outro vendedor que se apresentasse sob a identificação daqueles antes citados. Todavia, o volume de mercadorias adquiridas e o representativo valor das operações certamente deixariam rastros documentais de sua ocorrência e, ao menos, os pagamentos se verificariam dentro da normalidade das operações comerciais. Neste sentido, porém, a autoridade lançadora identificou que os pagamentos nunca se verificaram em datas próximas às de aquisição, mas sim meses depois, e até anos depois, muitas vezes restando saldos a pagar ao final do segundo ano posterior às operações, sem que nada fosse questionado pelos supostos fornecedores. Ademais, quando promovido algum pagamento, este se dava por meio de diversos cheques, por vezes emitidos em uma mesma data e com numeração sequencial, afastando qualquer possibilidade de se destinarem a um mesmo beneficiário e, por conseqüência, à operação questionada. Notese que a contribuinte chegou a emitir, num período de 26 meses, mais de 1.000 cheques para o pagamento de dívida decorrente de supostos fornecimentos por uma mesma empresa, representados por 84 notas fiscais (Fornecedor nº 22: Vicente & Vicente Ltda). E, para deixar claro o procedimento anormal adotado pela contribuinte nos pagamentos, tomese como exemplo uma das notas fiscais referenciadas pela contribuinte em sua defesa, na qual sintetiza, sem qualquer oposição, os pagamentos identificados pela Fiscalização (fl. 1444 do Anexo V destes autos): Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 42 41 Referida nota fiscal teria sido emitida em 06/12/2002, apontando como vencimento no dia 06/01/2003 (fl. 1443 do Anexo V destes autos). Todavia, a conta contábil nº 2.1.01.01.0004986, representativa da obrigação perante o fornecedor “Rebela Coml. Exp. Ltda”, apresenta, até junho/2003, saldo crescente de modo a alcançar o valor de R$ 3.815.615,87, quando então passa a ser liquidada mediante pagamentos de formato semelhante aos acima evidenciados para a nota fiscal nº 369. Por sua vez, os cheques em referência, de numeração seqüencial de 14.806 a 14.849, somente são emitidos em 10/11/2013, como se vê na própria contabilidade da autuada (fl. 271 do Anexo III destes autos). Ou seja, além do atraso de mais de 10 (dez) meses no pagamento da suposta compra, sem qualquer acréscimo em favor do fornecedor (o somatório do valor dos cheques equivale ao da nota fiscal), a contribuinte promoveu referido pagamento mediante a emissão de 42 (quarenta) e dois cheques no mesmo dia e para alegada entrega ao mesmo fornecedor! E nenhum esclarecimento veio aos autos para justificar esta anormalidade, amplamente apontada pela acusação fiscal. Destaquese que referido fornecedor (Rebela Comercial Exportadora Ltda) demonstrou não ter emitido as notas fiscais utilizadas pela interessada e, questionada acerca da quitação de parte do débito remanescente por meio de Termo de Dação em Pagamento, a contribuinte informou que as operações com o referido fornecedor foram canceladas. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 43 42 A recorrente insiste em desqualificar as diligências que, no seu entender, teriam se verificado após 5 (cinco) anos da ocorrência das operações comerciais, para qualificar como meras conjecturas (nem mesmo presunções) as referências trazidas pela Fiscalização acerca do funcionamento dos estabelecimentos dos fornecedores no passado. Omitese, especialmente, a respeito das glosas que dizem respeito a fornecedores ativos e regulares, que expressamente declararam e demonstraram não ter emitido as notas fiscais apresentadas pela contribuinte à Fiscalização. Por sua vez, quando se observa o segundo grupo de operações questionadas, em que pese as constatações acerca da inidoneidade dos documentos se vincularem, muitas vezes, a atos declaratórios de inidoneidade emitidos posteriormente às operações questionadas, e a constatações de que a empresa não mais operava em seu estabelecimento, e pouco ou nada operou no passado, repetemse os mesmos procedimentos antes mencionados acerca do transporte das mercadorias e dos correspondentes pagamentos. Logo, apesar de as irregularidades em relação a alguns fornecedores somente terem sido declaradas após as operações aqui questionadas, tais indícios não podem ser analisados isoladamente, mas sim no contexto construído pela Fiscalização, que também reúne evidências de que os supostos fornecedores não exerciam atividade comercial nos períodos de fornecimento (ausência de declarações, de empregados informados em RAIS, de atividade em seus estabelecimentos, etc) e a demonstração da ausência de prova do transporte das mercadorias e de efetivo pagamento aos fornecedores, alguns deles, inclusive, permanecendo credores de até 94% da correspondente dívida, depois de transcorridos quase 2 (dois) anos do fornecimento. Assim como não é crível que a empresa tenha pago fornecedores reais com múltiplos cheques seqüenciais, emitidos em uma mesma data, sem qualquer conexão com o vencimento das obrigações daí decorrentes, também não se pode acreditar que a grande maioria destes fornecedores não se interessassem por qualquer cobrança dos valores que teriam direito a receber, anos depois do fornecimento, Não há dúvida que a boafé do adquirente deve ser privilegiada no caso de ilegalidades praticadas exclusivamente por fornecedores. Mas nada aqui permite concluir que a contribuinte reúne aquela qualificação. Ao contrário, todas as evidências reunidas pela Fiscalização operam em seu desfavor, e nada por ela apresentado aponta para a existência de alguma operação comercial efetiva dentre as glosadas. Em verdade, a única prova documental dos recorrentes que poderia ter algum relevo diz respeito a uma operação com o fornecedor Realmix Comércio e Distribuição, objeto de nota fiscal de devolução parcial, e paga por meio de boletos bancários. Argumentam os recorrentes que este documento fiscal é idêntico aos demais glosados, e assim a autuada não teria como verificar se havia alguma irregularidade em relação a este fornecedor. As glosas correspondentes a este fornecedor englobam aquisições de dezembro/2003 a junho/2004, por meio de 122 notas fiscais, no valor total de R$ 5.939.208,60. A autoridade fiscal constatou que o Fisco Estadual já havia apurado o encerramento irregular da atividade do contribuinte a partir de 01/05/2004, bem como a impressão de documentos fiscais sem autorização. E, associando estas ocorrências à ausência de RAIS, à não localização da empresa e de seus sócios, ao testemunho de que a empresa teria permanecido por apenas dois meses no estabelecimento locado, às irregularidades no transporte e pagamento das notas fiscais como antes abordado, a autoridade fiscal concluiu pela glosa as operações indicadas no lançamento, também porque o débito correspondente a R$ 4.390.631,88 teria sido quitado por termos de dação em pagamento que, para além das inconsistências verificadas nos demais Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 44 43 casos, foram assinados por quem não era sócio do fornecedor, e apresentavam etiquetas de reconhecimento de firma identificadas como falsas pelo correspondente Cartório. Analisando os documentos juntados pelos interessados, a autoridade julgadora de 1a instância disse: O Impugnante, tentando descaracterizar o feito fiscal, citou, como exemplo, o caso da nota fiscal de devolução nº 649, emitida, em 12/05/2004, pela empresa Realmix Comércio e Distribuição Ltda, no valor de R$ 6.684,00, em razão da devolução de mercadorias (557 caixas de “maçãs gala”). No Volume 5, do Anexo 5, às fls. 1379, consta cópia da referida nota fiscal, tratandose, realmente, da operação citada pela defesa. Todavia, esse documento fiscal não foi objeto de glosa pelo Fisco, pois não consta do demonstrativo fiscal que consolidou todas as notas fiscais inidôneas, indevidamente contabilizadas. Nesse sentido, verificase do aludido demonstrativo, às fls. 197, onde os documentos fiscais estão dispostos em ordem seqüencial, por data de emissão, que foram objeto de glosa da citada empresa as notas fiscais nº 647, emitida em 12/05/2004, e logo a seguir a de nº 663, de 13/05/2004. Ou seja, a nota fiscal mencionada pela defesa, como se fosse um suposto equívoco do Fisco, não consta do demonstrativo fiscal, portanto, não tendo sido glosada. Logo, no caso, como se vê, não há nenhuma irregularidade no trabalho da Fiscalização. É, pois, sem razão a alegação do Impugnante. A autoridade julgadora, porém, não atentou que a referida nota fiscal não representa aquisição de mercadoria, mas sim, uma operação devolução do fornecedor Realmix Comércio e Distribuição Ltda em favor da autuada. Os recorrentes alegam que a autuada teria vendido para o referido fornecedor 1.450 caixas de maçãs tipo “gala” por meio da nota fiscal nº 21.608, e que Realmix Comércio e Distribuição Ltda teria optado por ficar apenas com parte do fornecimento. Aduzem que toda a operação foi realizada via bancos, com pagamento de boletos bancários em nome das próprias empresa e acrescentam que o documento fiscal de devolução é IDÊNTICO aos demais emitidos por esse fornecedor. Em que pese a semelhança deste documento com os demais glosados, os recorrentes apresentaram a 4a via da nota fiscal, destinada ao Fisco/Remetente, não juntou os mencionados boletos bancários de pagamento e nem mesmo apresentou a nota fiscal de venda em favor de Realmix Comércio e Distribuição Ltda que teria ensejado referida devolução. Tratase, portanto, de uma argumentação por demais precária para a pretendida demonstração da fragilidade do feito fiscal e a impossibilidade de se tomar as declarações firmadas pelos fornecedores da Autuada constantes dos Autos como verdades absolutas. Recordese, por oportuno, que a acusação fiscal está calcada, dentre outros aspectos, na liquidação da parcela de R$ 4.390.631,88 (do total de R$ 5.939.208,60 supostamente adquirido) por meio de Termo de Dação em Pagamento apresentando assinatura de pessoa que, além de não ser representante legal do fornecedor, foi autenticada por meio da aposição falsa de etiquetas do Cartório do 5o Ofício de Notas de Belo Horizonte, conforme fls. 727/728. Nestes termos, os recorrentes não lograram demonstrar que são falaciosas as alegações de que todos os fornecedores constantes dos autos seriam empresas “de fachada” e que nenhuma das operações comerciais efetivamente ocorreu. A 4a via de nota fiscal de devolução supostamente emitida por Realmix Comércio e Distribuição Ltda em nada Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 45 44 desmerece os indícios e provas reunidos pela Fiscalização acerca da inexistência das compras registradas pela autuada. Os recorrentes asseveram que a autuada trouxe aos autos planilhas, documentos e comprovantes de pagamento contradizendo os argumentos do Fisco, mas os elementos que integram o Anexo V juntado por ocasião da impugnação apenas apresentam planilhas reunindo os cheques, já identificados pela Fiscalização, vinculados a cada nota fiscal; documentos correspondentes às notas fiscais glosadas, a outras operações de fretes, à aquisição de combustível e à propriedade de veículos; e comprovantes de pagamento que, para além do carimbo de “Pago” nas notas fiscais, devem estar representados por pagamentos feitos em razão das outras operações de frete e de aquisição de combustível. Em verdade, os documentos por ela juntados em sua impugnação, apenas operam em seu desfavor, especialmente porque em vistas às cópias de notas fiscais que passaram a integrar o Anexo V destes autos, é possível verificar às suas fls. 137 e 223 que distintos fornecedores situados em Caratinga/MG e Belo Horizonte/MG emitiram notas fiscais com idêntica grafia manuscrita, o mesmo se verificando às fls. 274 e 1687, relativamente a fornecedores situados em Itaúna/MG e Carmo da Mata/MG. Além disso, há significativa semelhança na datilografia das notas fiscais juntadas às fls. 320, 1516, 1697 e 1759, muito embora os fornecedores estivessem situados em Ituiutaba/MG, Governador Valadares/MG, Elói Mendes/MG e Araxá/MG, o mesmo se verificado às fls. 1753 e 1925, por parte de fornecedores situados em Araxá/MG e Contagem/MG, e às fls. 1104 e 1119, por parte de diferentes fornecedores situados em Belo Horizonte/MG. Para além disso, em que pese a multiplicidade de fornecedores, a descrição dos produtos é, praticamente, padronizada, inclusive no que tange às abreviações e espaçamentos entre as palavras. A contribuinte não foi capaz de trazer aos autos um único recibo dos pagamentos referentes a tais fornecimentos. A associação dos cheques às notas fiscais feita pela Fiscalização, e utilizada pela contribuinte ao apresentar os documentos que compõem o Anexo V destes autos, tem por referência, basicamente, os carimbos de pagamento apostos pela adquirente nas notas fiscais de compra. Por sua vez, se as mercadorias foram transportadas em veículo próprio, a intensa movimentação de mercadorias representada pelas notas fiscais glosadas exigiria um representativo controle interno dos veículos e dos representantes destinados a este transporte. Contudo, a recorrente procura demonstrar, apenas, que incorreu em fretes ao longo do período fiscalizado e que dispunha de veículos próprios para movimentação de mercadorias, também arcando com gastos de combustíveis, mas isto em nada desqualifica a glosa promovida que, por sinal, alcançou apenas parte dos custos verificados no período. A mera juntada dos documentos em referência, sem qualquer correlação específica com as operações glosadas, em nada afeta a exigência. De fato, vejase que o lançamento reporta glosa de custos nos valores de R$ 8.669.182,20 em 2002, R$ 22.680.370,66 em 2003 e R$ 21.532.385,70 em 2004, ao passo que a contribuinte contabilizou compras de R$ 39.575.948,42 em 2002, R$ 42.073.824,39 em 2003 e de R$ 50.371.431,20 em 2004. De outro lado, declarou receitas de vendas nos valores de R$ 49.227.591,44 em 2002, R$ 48.979.320,27 em 2003 e R$ 67.640.919,66, apurando singelos lucros líquidos de R$ 44.037,98 em 2002, R$ 69.664,79 em 2003 e R$ 180.516,36 (fls. 748/859). Daí, também, a impropriedade das alegações da recorrente no sentido de que caberia ao Fisco demonstrar a ausência de entrada de mercadorias no estabelecimento da Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 46 45 autuada. A Fiscalização desenvolveu extenso trabalho para infirmar os documentos de suporte da escrituração de custos pela contribuinte, e também evidenciou que os cheques destinados aos pagamentos destas supostas aquisições não teriam beneficiado os emitentes dos documentos fiscais. Se, acaso, houve ingresso de mercadorias por origem outra que não aquelas apontadas nas notas fiscais desqualificadas pela Fiscalização, cumpre à contribuinte demonstrála. Até o momento existe, apenas, a afirmação da contribuinte de que as mercadorias teriam origem nos documentos fiscais invalidados pela autoridade lançadora. A recorrente prossegue questionando a ausência de sua participação nas investigações, afirmando a impossibilidade de fiscalizar seus fornecedores, e limitando sua obrigação à verificação dos requisitos legais (emissão e escrituração de nota, checagem do CNPJ e do SINTEGRA) e à efetiva realização das operações mercantis. Olvidase, novamente, que a acusação fiscal não se limita às irregularidades cadastrais e fiscais dos fornecedores, mas sim à impossibilidade de as aquisições efetivamente terem ocorrido, a partir de fornecedores que negaram as vendas ou não teriam operado no momento de sua realização, sem qualquer demonstração documental do efetivo trânsito ou do ingresso das mercadorias no estabelecimento da contribuinte, bem como do pagamento àqueles supostos beneficiários, não obstante as mercadorias fossem volumosas, valiosas e de origem estrangeira, como bem destacou a Fiscalização. São estas evidências materiais das operações que a contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, recusase a apresentar, pretendendo que seus custos sejam validados com base em documentos fiscais falsos ou ao menos suspeitos, associados a procedimentos totalmente anormais de transporte e pagamento. Vejase que, neste contexto, não há a questionada inversão do ônus da prova. O Fisco provou suas alegações, por meio de amplo processo investigativo que desqualificou os documentos fiscais apresentados. A prova das aquisições, assim, permanece sendo da interessada. Logo, tem razão a recorrente quando defende que a discussão não deve ser centrada na inidoneidade dos fornecedores, mas sim na efetiva ocorrência das operações comerciais. Como dito, tais irregularidades não impediram a dedução das despesas ante a real entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, com o conseqüente pagamento por esses produtos. Todavia, esta prova incumbe à recorrente. Irrelevante, assim, a oposição da interessada aos efeitos retroativos, de Atos Declaratórios de Inidoneidade dos documentos fiscais lavrados pelo Fisco do Estado de Minas Gerais, ou se a autuada promoveu, à época das operações mercantis realizadas com cada fornecedor, consulta ao SINTEGRA/ICMS, ou mesmo se alguns fornecedores permanecem habilitados no referido controle – situação esperada em relação aos fornecedores regulares que negaram a efetivação de operações comerciais com a autuada –, e outros somente tiveram a habilitação afastada depois da operação realizada com a autuada. A alegada diligência da autuada ao supostamente exigir a apresentação de documento comprobatório da inscrição do fornecedor na competente repartição fazendária não merece qualquer crédito frente às demais anormalidades constatadas pela Fiscalização. Como dito, sua boafé deveria ser demonstrada pela prova do transporte e efetivo ingresso das mercadorias e regular pagamento aos fornecedores. Em momento algum está sendo exigido que a autuada fiscalize seus fornecedores, mas sim que tenha o controle exercido por qualquer adquirente na normalidade dos casos, quanto mais em relação a mercadorias de elevado valor, como as aqui tratadas. Por todo o exposto, não assiste razão à recorrente em suas alegações no sentido de que a única forma de atestar inequivocamente a inidoneidade dos documentos fiscais glosados seria a demonstração, pela Fiscalização, de que não houve efetiva entrada das Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 47 46 mercadorias no estabelecimento da autuada. Os indícios aqui reunidos não podem ser classificados como perfunctórios porque são evidências convergentes e coerentes no sentido de que as operações comerciais não foram realizadas com os fornecedores indicados nos documentos fiscais e, demais disso, os recorrentes apenas as contestaram formalmente, sem nada provar em contrário. Quanto à impossibilidade de tributação da saída correspondente aos custos glosados, não há qualquer prova neste sentido apresentada pela recorrente. Desde o início dos questionamentos fiscais, exigiuse da contribuinte a prova do efetivo ingresso, em seu estabelecimento, das mercadorias indicadas nas notas fiscais glosadas, nada tendo sido apresentado. Em suas defesas, os recorrentes tratam esta matéria como fato incontroverso, afirmando que as saídas somente poderiam ter se verificado com a entrada das mercadorias glosadas. Como já dito pela autoridade julgadora de 1a instância, as vendas correspondem a mercadorias mantidas em estoque, incumbindo à interessada provar que neste estoque foram computadas as mercadorias indicadas nas notas glosadas. Mas isto, também, para validar a dedutibilidade dos custos, porque se as vendas efetivamente existiram, sua tributação é devida, sendo imprópria a defesa dos recorrentes no sentido de que a desconsideração dos documentos fiscais impediria a tributação da receita apurada com a saída futura das mercadorias. Em verdade, diante da impossibilidade de os recorrentes demonstrarem a efetividade dos custos glosados pela Fiscalização, sua defesa dirigese para um campo hipotético, na tentativa de erigir um argumento aparentemente lógico, mas dissociado de qualquer razoabilidade prática, para desconstituir a exigência. Quanto à afirmação de que a vinculação das vendas aos demais itens em estoque somente seria possível se a Autuada tivesse um estoque infinito, já se demonstrou, neste voto, que as compras registradas pela autuada são significativamente superiores aos custos glosados, de modo que, em termos de valores, poderiam sustentar as vendas realizadas, mesmo depois das exclusões realizadas pelo Fisco. De outro lado, se as saídas, em termos de quantidades, não seriam possíveis sem o registro das compras estampadas nas notas glosadas, esta demonstração em momento algum veio aos autos, embora desde o procedimento fiscal exijase da contribuinte a demonstração da efetiva entrega das mercadorias em seu estabelecimento, o que se faz mediante os controles documentais de estoque, representativos, também, da correspondência entre as entradas e saídas. Ademais, não é crível que uma empresa com volumes anuais de receita da ordem de R$ 50 milhões de reais, opere com controle periódico anual de estoques, estampado apenas em seu registro de inventário ao final do ano calendário, sem saber quais produtos dispõe em estoque para revenda, quais deve adquirir e qual a origem daqueles adquiridos, mormente tratandose de produtos alimentícios de origem estrangeira e de alto valor de revenda. Os recorrentes discordam do acórdão recorrido por ter negado validade às planilhas, comprovantes de pagamento, comprovantes de importação, notas fiscais carimbadas pelas barreiras fiscais e demais documentos anexados aos autos. Neste ponto, disse a autoridade julgadora de 1a instância: No Anexo 5, do presente processo, composto pelos volumes de 1 a 6, estão os documentos anexados pelo Impugnante, que, por sua vez, também os segregou em anexos numerados de 1 a 23. A numeração da defesa segue aquela feita pelo Fisco, na parte II, do TVF, relativamente às empresas cujos documentos fiscais foram Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 48 47 considerados inidôneos. Cada um desses anexos corresponde a documentos e planilhas das aludidas empresas. Substancialmente, a citada documentação compõese de comprovantes de CNPJ (situação cadastral), comprovante de I.E (situação cadastral), certidões, cópias de NF e planilhas de composição de pagamentos. Primeiramente, digase que as planilhas não comprovam nenhum pagamento. O que se fez foi simplesmente segregar, por documento fiscal, quais teriam sido os cheques dos alegados pagamentos. Não há comprovação de que os respectivos cheques tenham sido utilizados para quitação das compras. O que somente seria possível com a prova de que foram emitidos nominalmente aos supostos fornecedores, que, por sua vez, os tiveram depositados em contascorrentes bancárias próprias ou que efetivamente receberam os numerários. Os cheques foram relacionados, mas sem cópias deles ou de que tenham sido utilizados para quitar a obrigação contraída com a operação mercantil. Por oportuno, como mencionado no TVF, a Fiscalização constatou, em relação aos pagamentos contabilizados como feito por cheques (débito de “fornecedores” a crédito de “bancos”), que esses foram emitidos nominalmente à própria BM COMERCIAL LTDA e sacados contra os bancos Bradesco e Safra. Em todos eles, ocorreu a transmissão por endosso em branco, isto é, a BM, como beneficiária, assinou no verso, sem identificar o real beneficiário, o que autorizou que o banco efetuasse o pagamento. Ademais, vale destacar o que frisou o Fisco em pontos da parte II, do TVF (acima integralmente transcrita): o pagamento de notas fiscais com emissão seqüencial de diversos cheques em um mesmo dia, conforme indicado nesses documentos, indicaria o pagamento a diversas pessoas ou de diversas despesas, não o pagamento a um único credor. Afinal, não é prática usual no comércio o pagamento de notas fiscais de maneira fracionada, com emissão de vários cheques de emissão da própria empresa que efetua o pagamento, sacados contra um mesmo banco”. Mais ainda, foram emitidas intimações ao contribuinte para que ele comprovasse o efetivo fornecimento das mercadorias constantes dos documentos fiscais considerados inidôneos, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mediante, entre outros: a) esclarecimento da forma, valor e data efetiva do pagamento de cada nota fiscal relacionada, incluindo indicação do número da conta corrente e do banco sacado; b) apresentação de cópias microfilmadas, autenticadas e legíveis, fornecidas pelas instituições financeiras, de todos os cheques (frente e verso) comprobatórios dos pagamentos das notas fiscais. As respostas do Contribuinte foram evasivas e singelas, em nada esclarecendo as indagações feitas pelo Fisco. Ou seja, não foi comprovada a veracidade das operações comerciais contabilizadas pelo Impugnante. E, tampouco, os documentos apresentados, agora na defesa (que se restringem às cópias das NF, situação cadastral e meras planilhas, sem a respectiva documentação que lhe dê respaldo), comprovam a regularidade das supostas operações comerciais. Em suma, a documentação juntada, conquanto volumosa, não possui qualidade ou conteúdo para contraporse ao extenso trabalho fiscal, rico em detalhes, indícios e provas diretas que o Contribuinte contabilizou indevidamente operações comerciais inexistentes. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 49 48 Por fim, contrariamente ao que alega o Impugnante, não restou nenhuma dúvida sobre a materialização do fato tributável, não cabendo a aplicação do art. 112 do CTN. Não há reparos à decisão recorrida. A descrição dos documentos juntados pela contribuinte correspondem precisamente ao que contido no Anexo V, e os argumentos da defesa estão validamente refutados. Em acréscimo, somente poderseia inferir que, ao mencionar a juntada de comprovantes de importação, notas fiscais carimbadas pelas barreiras fiscais, a defesa estivesse se reportando, especificamente, às operações realizadas com MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda (Anexo 10 da impugnação, fls. 348/1069 do Anexo V destes autos), na medida em que apenas em relação a este fornecedor se verificam tais documentos. Todavia, no que tange a este fornecedor, que representa o terceiro grupo de operações desqualificadas pelo Fisco, como demonstrado no início desta abordagem, o trabalho fiscal reuniu evidências suficientes para inviabilizar a dedução de qualquer parcela de custos representados pelas notas fiscais por ele emitidas. Como antes resumido, a autoridade fiscal se reportou a procedimentos fiscais anteriores que demonstraram a interposição fraudulenta deste fornecedor em importações, e a conseqüente declaração de sua inaptidão, mormente porque constatado que seus sócios eram interpostas pessoas, que o estabelecimento matriz não existia e o estabelecimento filial era precário. Apurou, ainda, que Antonio Vilefort Martins e Marilia Vilefort Martins tinham procurações para administrar aquele fornecedor, ao mesmo tempo que administravam a autuada. Para além disso, reuniu uma vasta gama de evidências acerca das interferências da família Vilefort nas irregularidades vinculadas a este fornecedor. No âmbito material, a Fiscalização reconheceu a existência das importações às quais os recorrentes se referem. Mas também demonstrou que as mercadorias adquiridas (peso líquido de 1.153.120 kg) mostravamse inferiores às entradas pretendidas pela autuada, revelando uma diferença de 2.804.887 kg cuja origem era desconhecida. Em termos de valor, as importações de R$ 6.612.675,68 se prestariam a justificar compras pela autuada de R$ 21.839.634,10, muito embora a ligação evidenciada entre as empresas, e a completa ausência de recolhimentos, ou mesmo de declarações, por parte do suposto fornecedor. Diante destas evidências, a autoridade lançadora agiu corretamente ao promover a glosa integral das aquisições, porque não teria como identificar qual parcela teria vínculo com as importações e qual representaria notas fiscais graciosas emitidas pelo fornecedor administrado pela família Vilefort. Recordese, ainda, que a parcela de R$ 17.893.761,80 da suposta dívida decorrente destes fornecimentos foi “quitada” mediante Termos de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal aceitos pelo fornecedor quando representando pela interposta pessoa que figurava em seu quadro social e exercia a função de repositor em um supermercado. Aliás, esta mesma pessoa, que segundo a Fiscalização teria pedido demissão e não mais comparecido ao seu local de trabalho quando procurada para prestar depoimento em 14/09/2007, assina a correspondência enviada à autuada, quando esta lhe requer documentos que seriam necessários para a formação da prova apresentada nestes autos (fls. 349/350 do Anexo V destes autos). Inexiste, portanto, qualquer contradição na decisão recorrida ao admitir que as importações foram realizadas, mas não as operações com a autuada. Os recorrentes não tecem um parágrafo contra as evidências de ligação entre a autuada e aquele fornecedor ou Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 50 49 sobre os administradores de ambas, e ainda assim pretendem que as notas fiscais em referência sejam admitidas como prova de custos porque apresentam carimbos das barreiras fiscais, atestando a circulação de mercadorias. A autoridade fiscal desqualificou a pretendida equivalência entre as importações e as transferências, e aos recorrentes cumpria além de distinguir as compras escrituradas que estariam vinculadas às importações, demonstrar como se processaram os pagamentos destas parcelas, também invalidados pelo Fisco. A defesa, porém, limitase a juntar notas fiscais e outros documentos que já eram de conhecimento da autoridade lançadora e fundamentaram a apuração das divergências antes mencionadas. Apresenta, também, comprovantes de transferência bancária entre as empresa, novamente ignorando a demonstração fiscal no sentido de que parcela significativa das obrigações foi pretensamente quitada por meio de Termos de Dação em pagamento revestidos de todas as irregularidades aqui já apontadas. Assim, ao contrário do que defendem os recorrentes, não se está exigindo demonstração contábil de terceiros, bem como não se verifica, na decisão recorrida, a mudança de foco da discussão para abordar problemas de terceiros. Está provado nos autos que MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda não era um terceiro, mas sim pessoa jurídica ligada, administrada pelos mesmos administradores da autuada, e constituída com a finalidade de realizar importações sob a fachada de interpostas pessoas. Por fim, no que se refere à abordagem da defesa acerca da impossibilidade de produzir provas de terceiros, especialmente no que tange ao depósito dos cheques nas contas dos fornecedores, novamente vislumbrase a pretensão de, apenas, distorcer a acusação fiscal. As conclusões da Fiscalização e da autoridade julgadora de 1a instância jamais poderiam ser classificadas como extremo formalismo, afinal é justamente porque não se ignora totalmente praticas comerciais lícitas e plenamente utilizadas no país que elas se mostram pertinentes. Em momento algum os questionamentos ficaram restritos à possibilidade de repasse dos cheques pelos fornecedores a terceiros. Ficou provado, sim, que a contribuinte não emitia cheques em valores correspondentes às notas fiscais supostamente pagas, mas sim os fracionava em cheques de menor valor, embora se destinassem, em tese, a um mesmo fornecedor numa mesma data. Além disso, os pagamentos não eram feitos em datas próximas aos vencimentos, mas sim meses depois, sem qualquer acréscimo ou cobrança por parte do suposto beneficiário. Logo, a Fiscalização não apresentaria qualquer objeção se o pagamento fosse realizado no valor da dívida e em data próxima ao vencimento, mesmo se o cheque fosse nominal ao emitente e restasse depositado em conta de outro beneficiário que não o fornecedor. Este fato isolado, diante de uma dívida vinculada a operação comercial regular, nenhum prejuízo pode impor ao emitente do pagamento. Aqui, porém, está evidente o uso impróprio e anormal do cheque como meio de pagamento, e ainda em um contexto no qual o sujeito passivo tem todo o interesse de dar uma aparência de efetividade a operações que reduziriam suas base tributáveis, ao mesmo tempo em que destina recursos a finalidades que pretende manter ocultas. Inócua, portanto, qualquer comparação com julgados tendo em conta adquirentes de boa fé que logram provar o pagamento promovido a seus fornecedores. Por fim, não prosperam os questionamentos à coexistência dos lançamentos de IRPJ/CSLL e IRRF, pois: 1) a assertiva de que não é prática comum fazerse o pagamento de aquisição de mercadorias em espécie surge num contexto em que a contribuinte emitiu milhares de cheques nominais a si mesmo, e os vinculou como parcelas de pagamento de notas Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 51 50 fiscais de compras no precário contexto extensamente antes abordado; 2) é perfeitamente lógico afirmar que os custos inexistem, promover sua glosa, e lançar IRRF por alegado pagamento a beneficiário não identificado, porque a causa do pagamento é uma operação comercial não confirmada, e o art. 61 da Lei nº 8.981/95 firma a presunção legal de que os pagamentos sem causa e a beneficiário não identificado sujeitamse à incidência do imposto lançado contra a fonte pagadora, em substituição ao que poderia ser devido pelo beneficiário não identificado; e 3) é válido falar que a despesa inexistiu e, ao mesmo tempo, considerar que houve desembolso de numerário porque os cheques existiram, foram emitidos e sacados em desfavor da autuada, mas a causa que os teria motivado restou infirmada. Assim, diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais de IRPJ, CSLL e IRRF. Quanto à penalidade aplicada, os recorrentes inicialmente invocam a possibilidade de os órgãos administrativos de julgamento apreciarem o atendimento de normas e princípios constitucionais, e argúem ofensa ao o princípio da vedação ao confisco e a inobservância da capacidade contributiva da recorrente, bem como dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pleiteando a redução da penalidade a seu patamar mínimo, de 20%. Nos termos da Súmula nº 2 do CARF, este órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não é possível aqui discutir os percentuais de multa estabelecidos pelo legislador, mas apenas avaliar a adequação da acusação fiscal aos dispositivos legais, e isto no âmbito do lançamento de ofício, tratado no art. 44 da Lei nº 9.430/96, que tem penalidade mínima fixada em 75%, restando o percentual invocado aplicável, apenas, aos tributos declarados e não pagos pelo sujeito passivo, na forma do art. 61 da mesma lei. No que tange ao agravamento da multa, os recorrentes inicialmente direcionam sua defesa à inocorrência da hipótese prevista art. 44, §2o, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a limitar sua aplicação aos casos em que o contribuinte simplesmente ignora as intimações recebidas, dificultando os trabalhos dos Auditores Fiscais da Receita Federal, mas o fundamento legal da exigência é o inciso II do referido dispositivo, como bem demonstrou a autoridade julgadora de 1a instância: O agravamento da penalidade foi feito para os lançamentos do IRPJ e da CSLL. Esse seguiu estritamente a legislação acima transcrita, pois, conforme narrou o Fisco no TVF, a não apresentação de arquivos magnéticos, cuja obrigatoriedade de manutenção e apresentação está regulada pelo art. 265, do RIR/1999, que tem por matriz legal o art. 11, da Lei nº 8.218, de 1991, enseja o agravamento da penalidade. Nesse sentido, narrou a Fiscalização no TVF que intimou o Contribuinte, por quatro vezes, a apresentar os referidos arquivos magnéticos, dandolhe, inclusive, a oportunidade de entregálos sem a obrigatoriedade de adequálos ao “layout” previsto na IN/SRF nº 86, de 2001. Contudo, esses não foram apresentados. Ademais, a defesa, como um todo, não conseguiu rebater os fatos demonstrados nem as evidências expostas no trabalho fiscal. Portanto, é cabível a aplicação da penalidade qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 52 51 Os recorrentes alegam que não houve máfé na falta de apresentação dos arquivos magnéticos, mas apenas a impossibilidade de fazêlo, e que a Fiscalização já dispunha de sua escrituração contábil e fiscal em papel. O agravamento, porém, prestase, justamente, a compensar o ônus imposto à Fiscalização de analisar esta escrituração contábil e fiscal quando apresentada em papel, em desrespeito à obrigação imposta àqueles que, em razão do volume de suas operações comerciais, certamente mantêm controles informatizados de suas operações, mas sem adequálos aos parâmetros há muito estabelecidos pela Administração Tributária. Vejase que tal obrigação de manutenção de arquivos magnéticos existe desde a edição da Lei nº 8.218/91, de modo que nenhuma surpresa pode ser alegada em razão das exigências ao longo do procedimento fiscal, assim como em nada lhe favorece o seu empenho em tentar resolver as irregularidades que desde sua apuração original não deveriam existir. Deste modo, não há dúvida que a falta de apresentação dos arquivos magnéticos ocorreu por culpa da Autuada, justificando o agravamento conforme procedido. Reportandose ao art. 5o, inciso LXIII da Constituição Federal, os recorrentes observam que ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo, mas reproduzindo entendimento da CSRF neste sentido frente a agravamento de penalidade por não atendimento de intimações para a apresentação de documentos que o fiscalizado afirmou não possuir. Aqui, como já dito, o agravamento decorre da falta de apresentação de arquivos magnéticos, e sua justificativa prática é distinta daquela reportada pelos recorrentes. De outro lado, a Constituição Federal apenas veda a coerção para produção de provas contra o próprio indivíduo, e não impede outras conseqüências legais, como as presunções e inversões do ônus da prova, e penalidades como as previstas no §2o do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por fim, os recorrentes diz ser completamente absurdo apenar a Autuada de forma tão severa diante da ausência de nexo causal entre a suposta conduta (não cumprimento de intimações relacionados à entrega dos arquivos magnéticos “Mestre” e “Itens de Mercadorias”) e a autuação por suposto recolhimento a menor do IRPJ, CSLL e, principalmente, IRRF. Todavia, como disse a autoridade lançadora, tendo em vista o porte da empresa e diversidade de produtos comercializados, a apresentação destes arquivos magnéticos é de suma importância para apuração dos tributos e contribuições devidas, principalmente quanto à conferência da efetiva receita de vendas e das exclusões da base de cálculo, em especial, a título de mercadorias isentas, não tributadas, sujeitas às aliquotas zero e especiais. E, como se observou ao longo da defesa, o argumento de que a Fiscalização não questionou a regularidade das vendas escrituradas foi reiteradamente utilizado para tentar desconstituir a exigência, não podendo o agravamento ficar limitado aos casos de inexistência de escrituração regular ou de impossibilidade de verificação da escrituração e conseqüente arbitramento, como querem os recorrentes. De outro lado, o agravamento não alcançou as exigências de IRRF, sendo impróprias as alegações acerca da inexistência de nexo causal neste ponto. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade. Com referência à qualificação da penalidade, os recorrentes asseveram que não restou comprovada quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendentes a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 53 52 tributária da ocorrência do fato gerador. Até porque sequer existem indícios da participação direta da Autuada e dos supostos “coobrigados” nas irregularidades relatadas em seus fornecedores, e não podem ser eles responsabilizados por atos de terceiros, constatados após a realização das operações. Como exposto ao longo de toda a abordagem de mérito, o trabalho fiscal trouxe evidências suficientes para concluir pela conduta dolosa do sujeito passivo em reduzir seu lucro tributável e ainda promover pagamentos a beneficiários não identificados. Além de custos vinculados a notas fiscais que reconhecidamente não foram emitidas pelos fornecedores, a Fiscalização demonstrou o registro de custos lastreados em documentos inidôneos associados a outras evidências de que as operações comerciais não teriam ocorrido e, por fim, identificou significativo volume de aquisições vinculadas a empresa que, em interposição fraudulenta, promoveu importações sob a administração das mesmas pessoas que administravam a autuada, e multiplicou significativamente as mercadorias importadas para majorar os custos da autuada e inviabilizar a identificação das operações que, eventualmente, poderiam decorrer de reais aquisições de produtos do exterior. De outro lado, parcelas destas aquisições ensejaram dívidas supostamente pagas mediante a emissão de milhares de cheques, sem qualquer justificativa material para sua efetivação ou real vinculação aos destinatários indicados na contabilidade, a evidenciar a intenção de ocultar, do Fisco, os reais destinatário e causa destes pagamentos. Correta, portanto, a acusação fiscal no sentido de que ficou demonstrado o dolo dos agentes e a ocorrência de sonegação e fraude, até porque estas constatações em nada são afetadas pelo fato de a contribuinte, como alegam os recorrentes, ter escriturado as receitas em sua contabilidade, ou prontamente apresentado os livros fiscais e contábeis exigidos, bem como atendido a uma “infinidade” de intimações fiscais. O procedimento fiscal foi mais amplo que o relato aqui exposto, na medida em que resultou em outros lançamentos afetos à sistemática nãocumulativa da COFINS e da Contribuição ao PIS não juntados a estes autos, e no que importa à presente exigência a contribuinte não fez qualquer esforço em demonstrar, materialmente, as aquisições questionadas, direcionando unicamente para os documentos fiscais viciados a prova das operações. De outro lado, a escrituração das receitas, e a eventual impossibilidade de omitilas, pode ser mais uma justificativa para a contribuinte ter se valido de notas frias e inidôneas para majorar seus custos. O presente voto, assim, é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade. E, como visto no início da abordagem de mérito, os recorrentes argüiam a decadência parcial da exigência. Em síntese, pretendiam a homologação tácita dos créditos tributários pertinentes aos fatos geradores verificados até setembro/2003. Todavia, uma vez presente a hipótese de fraude e sonegação, o art. 150, §4o do CTN afasta a possibilidade de homologação tácita da apuração do sujeito passivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 54 53 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negrejouse) Em tais condições, o prazo decadencial observa o disposto no art. 173, inciso I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por sua vez, o fato gerador mais remoto autuado corresponde a 31/12/2002, data da apuração anual do IRPJ e da CSLL no anocalendário 2002. Considerando a possibilidade de lançamento do crédito tributário correspondente a partir de 01/01/2003, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada no primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, 01/01/2004, e finda cinco anos depois, ou seja, em 31/12/2008. Deste modo, integralmente válido se mostra o lançamento promovido em 10/11/2008. Importante observar que não interfere nesta interpretação o entendimento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça ao decidir, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 55 54 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negrejouse) O Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, passou a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, nestes termos, o referido julgado é comumente utilizado para evidenciar que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 56 55 Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal Superior. De fato, o relatório daquele julgado expressa que em debate estava o lançamento formalizado em 26/03/2001, de valores devidos em 01/01/92 e 01/01/95. Por sua vez, a autarquia previdenciária, além de invocar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pretendeu que o prazo para constituição do crédito tributário tivesse início após a homologação do lançamento, momento que reputava ser o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em resposta a esta arguição, o Ministro Relator Luiz Fux assim se posicionou: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Esta é a única referência ao entendimento de que primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado significaria primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, equivalência que poderia representar a exclusão, por aquele Tribunal, dos efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado na contagem do prazo decadencial. Contudo, a ausência de maiores digressões a respeito do tema é perfeitamente justificável no contexto, pois ali somente se decidia, como antes se destacou, a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173. Em outras palavras, no caso ali em debate o resultado obtido seria o mesmo, quer se adotasse como termo inicial: 1) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2) o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ou 3) o primeiro dia do mês seguinte à ocorrência do fato imponível. Considerando o fato imponível mais recente ali sob análise (01/01/95), o termo final do prazo decadencial, nas três possibilidades interpretativas antes citadas seria: 1) 31/12/2000, iniciado em 01/01/96; 2) 31/12/2000, iniciado em 01/01/96, e 3) 28/02/2000, iniciado em 01/02/1995, todos anteriores à data em que o lançamento foi formalizado (26/03/2001). Observese, ainda, que o voto do Ministro Relator Luiz Fux, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, faz referência a outros três julgados daquele Tribunal Superior, que também trataram da aplicação do art. 173 do CTN, mas em outras circunstâncias: 1) REsp nº 766.050/PR, tratando da interrupção do prazo decadencial ante medida preparatória indispensável ao lançamento; 2) AgRg nos EResp nº 216.758/SP, tratando da contagem do prazo decadencial no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas sem Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 57 56 antecipação do pagamento; e 3) EREsp nº 276.142/SP, tratando da aplicação concomitante dos arts. 150 e 173 do CTN. Mas o entendimento que permeia estes três julgados é, novamente, apenas a aplicação cumulada dos prazos veiculados nos arts. 150 e 173 do CTN, o que reafirma as conclusões até aqui expressas. Por estas razões, concluise que não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca de qual seria a interpretação válida dos termos do art. 173, I do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. E, diante deste contexto, o entendimento aqui esposado é no de manter os efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado e interpretar que exercício é um conceito extraído do Direito Financeiro, correspondente ao ano civil, consoante dispõe a Lei nº 4.320/64: Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nêle arrecadadas; II as despesas nêle legalmente empenhadas. (grifos não dispostos no original) Aliás, esta mesma interpretação é encontrada nos arts. 9o e 104 do CTN, bem como no art. 150, III, “a” e “b”, da Constituição Federal: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; [...] Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Constituição Federal Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (negrejouse) Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 58 57 Estas as premissas, portanto, para concluir que mesmo para o fato gerador mais remoto lançado (31/12/2002), o prazo decadencial somente começaria a ser contado em 01/01/2004, autorizando o lançamento, como efetuado, em 10/11/2008. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de decadência. Finalizando o mérito da exigência, os recorrentes argúem a ilegalidade da utilização da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, em razão de sua natureza remuneratória. Todavia, nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Passando aos argumentos dos recorrentes acerca da responsabilização dos coobrigados, cumpre, inicialmente, registrar que não compete a este órgão de julgamento manifestarse acerca da possibilidade de responsabilização futura de pessoas equivocadamente inseridas no pólo passivo do lançamento. A competência deste Colegiado limitase a avaliar a relação jurídicotributária estabelecida por meio do lançamento e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária aqui lavrados, e não alcança juízos hipotéticos sobre outros atos que eventualmente venham a ser formalizados, os quais deverão se sujeitar aos recursos previstos em lei para eventual discussão administrativa ou judicial de seu conteúdo. De outro lado, a discussão administrativa da responsabilidade tributária, antes não admitida por alguns Colegiados, está atualmente legitimada pela Súmula CARF nº 71 (Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade) e pela Portaria RFB nº 2.284/2010: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Os recorrentes limitam a imputação de responsabilidade solidária ao “realizador” da operação tributável, e somente cogitam da responsabilização de sócios e administradores na forma do art. 134, VII e 135, III do CTN. Quanto a esta segunda hipótese, asseveram tratarse de medida excepcionalíssima, que depende de comprovação da prática de atos como excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, por parte dos representantes legais da pessoa jurídica, impondo a estes responder exclusivamente pelo crédito tributário, não autorizando solidariedade entre os sócios, administradores e a empresa. Inicialmente no que tange à acusação com fundamento no art. 124, I do CTN, têm razão os recorrentes. Referido dispositivo permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram no quadro Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 59 58 social da pessoa jurídica, e assim não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Referido dispositivo legal pode ser utilizado como forma de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido, inclusive, é o entendimento expresso por Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito (in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 46). Depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, o autor observa: Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Todavia, a autoridade lançadora também fundamentou a responsabilidade tributária no art. 135, III do CTN, por vislumbrar que Márcia Vilefort Chernicharo, Márcio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins e Marília Vilefort Martins concorreram solidariamente para ocorrência das infrações destacadas, vez que exerceram conjuntamente poderes de administração da empresa nos períodos sob análise, agindo em conluio, nos termos do previsto no art. 73 da Lei 4.502/64. E, ao contrário do que defendem os recorrentes, o art. 135, III do CTN não estabelece a responsabilidade exclusiva dos administradores, mas sim firma a responsabilidade pessoal de tais administradores pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos por eles praticados, no caso, com infração de lei, assim afastando a proteção patrimonial conferida aos mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes e representantes legais que atuam dentro dos limites da lei e dos contratos. Significa dizer, portanto, que o indivíduo, em tais circunstâncias, responde com seu patrimônio pessoal pelas dívidas daí decorrentes, de forma ilimitada. Por sua vez, a prática de infração de lei cogitada em referido dispositivo, como amplamente fixado na jurisprudência e invocado pelos recorrentes em oposição ao que dito pela autoridade julgadora de 1a instância, deve corresponder a uma prática para além da falta de recolhimento do tributo devido. E, no presente caso, restou demonstrada a sonegação e a fraude para qual os referidos administradores evidentemente concorreram, na medida em que, na condição de sóciosadministradores e procuradores com poderes para gerir a movimentação financeira da autuada, não poderiam alegar desconhecer os fatos constatados pela Fiscalização, mormente o volume de pagamentos fraudulentamente associados às compras glosadas e a formalização de termos de dação em pagamento com elementos falsos. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 60 59 Desnecessária a prova da participação direta dos administradores, in casu, na obtenção e registro das notas fiscais frias ou na simulação de pagamentos vinculados a estas operações. O volume e a representatividade do valor das operações permitem afirmar que seria impossível estas ocorrências terem se verificado sem o conhecimento dos administradores da pessoa jurídica. De toda sorte, cumpre recordar que a Fiscalização identificou a atuação de Antonio Vilefort Martins e Marilia Vilefort Martins como procuradores que administravam a pessoa jurídica MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda, constituída para interposição fraudulenta em importações que beneficiaram a autuada de forma obscura como extensamente abordado neste voto. Como demonstrado pela Fiscalização, ao lado dos sócios administradores da pessoa jurídica Márcia Vilefort Chernicharo e Márcio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins possuía procuração concedendolhe amplos poderes de administração da pessoa jurídica, e Marília Vilefort Martins detinham procuração para representar a pessoa jurídica perante instituições financeiras. Por sua vez, a fraude que conduziu à sonegação estava fundada, basicamente, na escrituração de notas fiscais frias ou indôneas que deram azo não só à redução do lucro tributável, como também à emissão de milhares de cheques para pagamentos a beneficiários não identificados, sendo que estes pagamentos prestaramse como meio de atribuir às operações aparência de efetividade. Irrelevante, portanto, se não foram conferidos poderes de cunho fiscal a Antônio e Marília Vilefort Martins, ou se esta deteria apenas poderes de representação da Autuada junto a bancos. A fraude foi praticada mediante a escrituração das operações comerciais e bancárias antes descritas, cujo conhecimento não pode ser negado por quem administrava a empresa e tinha poderes para representála perante instituições financeiras. Inócuas, assim, mais uma vez, as alegações dos recorrentes no sentido de que a Autuada não tem competência e nem condições técnicas de fiscalizar seus fornecedores. A acusação fiscal vai muito além da irregularidade cadastral dos fornecedores, como antes demonstrado. De outro lado, porém, estas circunstâncias não podem ser opostas em face de MVM Empreendimentos e Participações Ltda. A autoridade fiscal arrola esta pessoa jurídica como responsável porque, por meio dela, Márcia Vilefort Chernicharo e Márcio Vilefort Martins administraram a autuada. A responsabilização pessoal, porém, está vinculada à conduta do agente nas operações que ensejaram a falta de recolhimento do crédito tributário devido, e deve ser, assim, dirigida a estes administradores, ainda que tenham atuado sob a fachada da pessoa jurídica constituída para abarcar os seus investimentos. Eventualmente referida pessoa jurídica, porque suas quotas integram o patrimônio pessoal dos mencionados administradores responsáveis, pode sofrer efeitos da execução do crédito tributário contra estes. Mas para figurar como responsável tributário, nas hipóteses previstas no Código Tributário Nacional, deveria ser evidenciada como sucessora ou parceira da pessoa jurídica autuada, na prática dos fatos geradores ou no aproveitamento de seus resultados. A administração de Márcia Vilefort Chernicharo e Márcio Vilefort Martins com a interposição de referida pessoa jurídica não autoriza sua inclusão como responsável tributário na forma do art. 135, III do CTN e não reúne elementos fáticos para a caracterização do art. 124, I do CTN. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 61 60 Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário no que tange à responsabilidade tributária, para excluir do pólo passivo do lançamento a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações. Assim, por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir do pólo passivo do lançamento a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13770.000389/2004-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase no presente processo de exame das declarações de compensação do interessado acima identificado (Dcomp's às fls. 02, 36, 42, 45, 48, 51, 54, 57, 60, 63, 66, 69, 72, 75, 78, 80, 82, 89 e 96), por intermédio das quais se pleiteia o reconhecimento da existência de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS referente ao 2° trimestre de 2004 (períodos de apuração de abril a junho de 2004; valor: R$ 27.114.973,53, v. fl. 03), apurado segundo o regime da nãocumulatividade, a ser compensado com débitos de outros tributos e contribuições federais. Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (DR/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRF/VIT/ES n° 2.942/2008 e Despacho Decisório (fls. 210/241), reconhecendo apenas parcialmente (valor: R$ 15.613.858,29) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 38 9/ 20 04 -5 6 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 514 2 o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, a compensação de que tratam as Dcomp's acima citadas, sob os seguintes fundamentos: · na apuração do valor devido a título da COFINS nãocumulativa (cf..planilha de fls. 207/208) , e no que tange às variações cambiais, foram tomadas apenas as operações ativas, sem qualquer espécie de abatimento, considerando a adoção do regime de competência para tal contabilização, nos termos do art. 30 da MP n°2.158 35/2001; · já no que concerne aos créditos da nãocumulatividade (ajustados conforme planilhas demonstrativas de fls. 150/209), e no que se refere à rubrica "Bens utilizados como insumos", as exclusões ficaram por conta: dos insumos importados registrados no cálculo (art. 67 da IN SRF n° 247/02), à época não alcançados pela incidência do PIS/Pasep e COFINS; da gasolina e óleo diesel utilizados como combustíveis nos veículos da empresa, por não se enquadrarem no conceito de insumo; dos serviços aduaneiros e logísticos computados como custo de aquisição dos produtos importados, eis que, na condição de serviços, não guardam qualquer pertinência com o conceito de insumo admitido pela Administração Tributária (planilha analítica das notas fiscais excluídas do cálculo às fls. 150/151); · ainda na rubrica "Bens utilizados como insumos", providenciouse a exclusão, para fins de aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo, das aquisições de madeira efetivadas junto à Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, CNPJ 02.551.517/000102 (fls. 144/145), que, segundo informam os cadastros da Receita Federal do Brasil (RFB), é associação civil de defesa de direitos sociais sem fins lucrativos de caráter filantrópico e, portanto, sujeita ao PIS/Pasep e COFINS sobre a folha de salários, sendo que, no caso da associação indígena em comento, não houve qualquer indicação de incidência do PIS/Pasep e/ou COFINS no exercício de 2004, o que leva a crer que sequer possui pessoas com vínculo trabalhista, e, assim, o caso é análogo àquelas operações não alcançadas pela tributação, isentas ou tributadas com alíquota zero que, como tais, não geram direito de crédito por não onerarem as aquisições realizadas; · já em relação ao item "Serviços utilizados como insumos", foram expurgadas as despesas de manutenção de equipamentos de comunicação, a manutenção e conservação de imóveis e escritórios, programas de formação profissional, serviços de consultoria e planejamento, bem assim daqueles outros prestados em áreas vinculadas à produção/industrialização, mas que não se enquadram como insumos, devido à influência indireta que exercem sobre os bens produzidos/industrializados, podendose exemplificar a manutenção e conservação de estradas, as despesas administrativas, os serviços realizados no âmbito do almoxarifado, as despesas com meioambiente, segurança industrial e patrimonial, a limpeza de áreas de produção, o monitoramento e inventário florestal, enfim, um sem número de serviços nesta situação, o que motivou a fiscalização a elaborar uma planilha demonstrativa das glosas realizadas (fls. 152/177); · houve a comprovação apenas parcial das despesas apropriadas com energia elétrica consumida nos estabelecimentos do contribuinte, o que levou a fiscalização a intimálo a justificar as divergências (fls. 137/139, porém, este não logrou êxito em demonstrar aludidos valores, e, para evidenciar tal alegação, a fiscalização juntou as cópias das faturas que lhe foram apresentadas relativas aos meses em que houve diferença (abril e junho), documentos de fls. 146/149, devendo ser ainda esclarecido que há uma fatura de energia elétrica no valor de R$ 1.763.455,32, que, nada obstante a sua apresentação, não está anexada a este processo, mas sim ao PAF 13770.000541/200409, onde foi analisado o saldo credor do PIS/Pasep Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 515 3 nãocumulativo, no entanto, seu cômputo foi feito normalmente no cálculo da diferença não justificada; · no item "Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas", foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos e ambulâncias, o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, o conserto de ferramentas elétricas, serviços de agências de viagens, aluguel de cilindros de gases, dentre outros, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (fls. 178/180); · na rubrica "Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado", circunscrevendose o direito creditório à depreciação/amortização dos bens componentes do ativo imobilizado e não do ativo permanente, a amortização das despesas préoperacionais registradas no ativo diferido não podem ser admitidas no cálculo do crédito, bem assim as despesas atreladas a bens utilizados em áreas "não operacionais" como tesouraria, jurídico, administrativo, vendas, etc., ou mesmo que registrados no ativo imobilizado e localizados nas áreas de produção, não são empregados diretamente no processo produtivo, como é o caso de mesas, cadeiras, armários, aparelhos de arcondicionado, entre outros (os demonstrativos de glosa encontramse às fls. 181/199); · os valores apropriados pelo interessado na rubrica "Outros valores com direito a crédito", tais como despesas com hospedagem de empregados, viagens nacionais, serviços gráficos e fotográficos, serviços de táxis, assistência à saúde e funerais e serviços artísticos, despesas de mensalidades e anuidades de associações ou órgãos de classe, despesas estas realizadas no âmbito de programas de formação profissional e eventos para empregados, propaganda e publicidade e viagens nacionais e internacionais devem ser expurgadas, porquanto as despesas do gênero não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal (demonstrativos de glosa às fls. 202/206). Outrossim, e em face do exposto, propôs a autoridade administrativa local, por intermédio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES n° 2.942/2008 e Despacho Decisório (fls. 210/241), o reconhecimento apenas parcial (valor: R$ 15.613.858,29) do direito creditório pleiteado pelo interessado, homologandose, também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, as compensações declaradas nas Dcomp's às fls. 02, 36, 42, 45, 48, 51, 54, 57, 60, 63, 66, 69, 72, 75, 78, 80, 82, 89 e 96. Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 23/12/2008 (v. fl. 271), o contribuinte, irresignado, apresentou, em 21/01/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 272/288 e demais documentos a ela anexados às fls. 289/368, alegando, em síntese, que: a) com o advento da COFINS nãocumulativa, a partir da vigência da Lei n° 10.833/2003, o impugnante passou a ter em sua escritura fiscal valores acumulados que foram expressamente informados na competente DACON referentes aos saldos de 2003, que não foram considerados pelo auditor fiscal; b) a Lei n° 10.833/2003 estipulou a nãocumulatividade da COFINS e, como garantia desse instituto, determinou que o saldo de tributo não aproveitado no mês em que tiver sido apurado deverá ser acumulado para aproveitamento no exercício seguinte, sendo que, seguindo a risca esse preceito legal e no intuito de manter coerência com o princípio da nãocumulatividade, o impugnante apurou o saldo de COFINS em fevereiro de 2004 e o acumulou com o saldo de março de 2004 e assim sucessivamente, mês a mês, até o pedido de compensação de parte do valor acumulado por ora em debate; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 516 4 c) além do mais, na qualidade de empresa exportadora, faz jus ao beneficio instituído pela Lei n° 9.363/96, a qual prevê a hipótese de crédito presumido de IPI como meio de ressarcimento à COFINS, colocandoa na posição de empresa acumuladora de créditos de COFINS, causa do saldo constante dos seus registros contábeis/fiscais até a data de hoje, e assim, não há como existir igualdade entre os valores informados pelo impugnante como créditos acumulados de COFINS desde fevereiro/2004, para uso na compensação de COFINS em junho/2004, com os valores apurados pelo Fisco repleto de falhas de apuração como as acima evidenciadas; d) tal situação, de inconsistências entre os dados apresentados pelo contribuinte e o resultado da apuração feita pela fiscalização enseja, no mínimo, a imediata revisão do procedimento fiscal realizado através de diligência, a ser realizada por fiscal estranho ao feito, quando não se optar pela sua imediata anulação; e) o impugnante apurou base tributável da COFINS sobre variações cambiais nos exatos moldes utilizados pela fiscalização, porém utilizando os valores coretos e a efetiva valorização/desvalorização do Real, conforme planilhas de movimentação e apuração da COFINS nãocumulativa sobre as variações cambiais (doc. 4 e 5, fls. 313/368); f) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; g) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme Solução de Consulta n° 260, de 26/09/2008, Solução de Consulta n° 85, de 07/04/2008, Solução de Consulta n° 72, de 04/09/2006; h) também não há que se falar em glosa de créditos da COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp n° 1008021/CE; Resp n° 617.733/CE; Resp n° 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração da COFINS; i) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRFNIT/ES n° 2.792/2008, para que seja homologada na integralidade a compensação constante deste processo n° 13770.000389/200456, ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte (efls. 468/487), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 517 5 Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio, auferidas a partir de 10 de fevereiro de 1999, deverão ser computadas, na condição de receitas financeiras, na determinação das bases de cálculo da COFINS, até 01/08/2004, com o advento do Decreto n° 5.164, de 30/07/2004, que reduziu a zero a alíquota da contribuição a incidir sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa. COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, na prestação de serviços, ou, ainda, fornecidos por pessoas jurídicas não domiciliadas no País, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos da COFINS. COFINS. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Inexiste vedação no regime da nãocumulatividade à apropriação de créditos originados de aquisições junto à associação civil sem fins lucrativos, sujeita à COFINS sobre suas operações que revelem nítido caráter econômicofinanceiro. COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, reproduzindo idênticos argumentos expendidos na impugnação (efls. 468/487). Ao final, requereu a reforma do decisum, para que fosse reconhecido o direito creditório em sua integralidade. Subsidiariamente, requerer a realização de diligência, para que sejam sanados os equívocos na apuração dos créditos pela Fiscalização. É o Relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 518 6 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Tratase de PER/DCOMP por meio das quais a contribuinte pretende compensar débitos próprios referentes a diversos tributos com créditos que alega possuir relativo à COFINS, referente aos meses de abril a junho/2004, no valor total de R$ 27.114.973,53. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº. 2.942/2008, reconheceu o direito creditório da contribuinte, no montante de R$ 15.613.858,29, e homologou as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido (efls. 241/271). Por sua vez, a DRJRio de Janeiro II/RJ reconheceu, ainda, o direito creditório originado das aquisições de madeira junto à Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, determinando fosse adicionado o valor de R$ 26.173,17 àquele já reconhecido pela autoridade administrativa, perfazendo um montante de R$ 15.640.031,46. Demais disso, as glosas referentes às “despesas de energia elétrica” e “encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado” não foram objeto de contestação por parte da contribuinte, ao que aquela autoridade julgadora administrativo declarou definitivos os valores correspondentes glosados. Temse, entretanto, que a solução da lide passa, necessariamente, pela discussão referente ao conceito de insumos, para fins de tributação da Cofins. Defende a recorrente que, para fins do benefício previsto na Lei nº. 10.833/2003, deve ser entendido como insumo toda e qualquer matériaprima cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Às efls. 180/207 consta uma extensa relação de bens e serviços que foram considerados pela recorrente como insumos e que, entretanto, foram objeto de glosa pela Fiscalização, por não estarem relacionados diretamente à produção. Constam ali, por exemplo, gastos administrativos, com manutenção de estrada, com serviços de consultoria trabalhista, relógios de ponto, limpeza de fossa, enfim, uma infinidade de gastos que, de fato, não se relacionam às atividades inerentes ao processo produtivo, representando apenas gastos efetuados pela empresa no seu funcionamento cotidiano. Por outro lado, outros gastos há que parecem relacionarse diretamente ao processo produtivo, indicados naquelas relações como “industrial”, tal como transporte de cloro líquido e serviços de manutenção de detector de gases. Para o deslinde da questão entendo, assim, necessária a realização de diligência, a fim de se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente, devendo ser considerados como insumos todos os bens e serviços utilizados, direta ou indiretamente, exclusivamente no processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da produção. Diante disso, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que unidade preparadora providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, credenciada perante a Receita Federal, consignando o que segue: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 519 7 a) descreva detalhadamente o processo produtivo da recorrente, identificando, discriminadamente, os insumos ora glosados em relação à sua utilização na produção dos bens destinados à venda; b) indique se tais insumos são de aplicação direta ou indireta na produção; e c) informe se tais insumos possuem natureza essencial diretamente relacionada à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade direta da produção. 2) Ao término dos procedimentos, após a juntada do Laudo, deve ser elaborado Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que as manifestações devemse limitar à apreciação do resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário ou quando da lavratura do Auto de Infração Finalizada a instrução processuaL, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10480.722542/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO IMPLICAÇÃO.
Não existe previsão legal que fundamente a afirmação de que os contratos de trabalho se encerram, automaticamente, quando decretada a liquidação. Também não ão existem documentos nos autos que comprovem a rescisão dos contratos de trabalho.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. TERMO INICIAL. FIXAÇÃO.
O termo inicial foi fixado, pela autoridade competente, na portaria que decreta a liquidação extrajudicial, em atendimento a dispositivo legal vigente. Correto, portanto, sua utilização pelo Fisco.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. RESPONSABILIDADE.
Os liquidantes somente responderão pelos atos praticados no período de sua gestão.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL JUROS E MULTA. INCIDÊNCIA.
As entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitam-se às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, pelo que é correta a incidência de acréscimos legais sobre os tributos não recolhidos no prazo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.012
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO IMPLICAÇÃO. Não existe previsão legal que fundamente a afirmação de que os contratos de trabalho se encerram, automaticamente, quando decretada a liquidação. Também não ão existem documentos nos autos que comprovem a rescisão dos contratos de trabalho. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. TERMO INICIAL. FIXAÇÃO. O termo inicial foi fixado, pela autoridade competente, na portaria que decreta a liquidação extrajudicial, em atendimento a dispositivo legal vigente. Correto, portanto, sua utilização pelo Fisco. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. RESPONSABILIDADE. Os liquidantes somente responderão pelos atos praticados no período de sua gestão. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL JUROS E MULTA. INCIDÊNCIA. As entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, pelo que é correta a incidência de acréscimos legais sobre os tributos não recolhidos no prazo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 42 /2 00 9- 81 Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722542/200981 Acórdão n.º 2302003.012 S2C3T2 Fl. 3 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.251.5223: lavrado em 08/12/2009, em face de SEMEPE SERVIÇO MÉDICO DE PERNAMBUCO LTDA. no valor de R$ 3.239.219,55 (três milhões, duzentos e trinta e nove mil e duzentos e dezenove reais e cinqüenta e cinco centavos), referente as contribuições previdenciárias da parte patronal e SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/03/2005 a 31/12/2007, ou seja, no período pós liquidação extrajudicial. Segundo o relatório fiscal, os documentos apresentados pela Empresa não eram condizentes com a realidade, na medida em que a despesa lançada para salários, no período, tinha montante inferior ao declarado nas RAIS somente para a matriz. Além disso, foram identificadas as contas 4.1.1.1.3 Consultas e honorários médicos CO; 4.6.2 Despesas com serviços de terceiros e 4.3.1.1.2 COMISSÃO, para as quais não foi possível distinguir a qual estabelecimento pertence e nem se os serviços foram prestados por pessoas físicas ou jurídicas, impossibilitando identificar os fatos geradores. Informa, também, o relatório fiscal, que os Livros Diários não continham o balanço, somente o balancete, e não foi apresentado o livro razão pertinente ao período. Assim sendo, em vista da diferença entre as informações prestadas e a realidade, o Fisco desconsiderou os Livros apresentados e realizou a aferição indireta do crédito devido. Ademais, a fiscalização aponta que apesar da Empresa não ter informado os fatos geradores em GFIP, por estar em liquidação extrajudicial, não é cabível o AI por descumprimento da obrigação acessória. A situação descrita configura, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária, devendo ser objeto de representação fiscal para fins penais, com comunicação à autoridade competente. Em 16/02/2010, foi requisitada diligência (fls. 2194/2197) para que a fiscalização informasse a data de início da liquidação extrajudicial e, os motivos, da incidência da multa de mora. A fiscalização esclareceu que o termo legal adotado foi o fixado pela ANS, órgão competente para tal, e que a multa deveria ser excluída, posto não ser devida no caso de liquidação extrajudicial. Reforçou, ainda, que o termo inicial considerado fosse em 15/08/2007, deve ser considerada a responsabilidade dos liquidantes, nesse período, pelo crime contra a ordem tributária. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722542/200981 Acórdão n.º 2302003.012 S2C3T2 Fl. 4 3 A Empresa, por sua vez, em sua defesa, respondeu à diligência afirmando que ao liquidante, o qual exerceu múnus no período de 15/08/2007 a 06/03/2008, não pode ser imputada qualquer prática de crime contra a ordem tributária. E que várias foram as tentativas, sem êxito, de se obter toda a documentação dos sócios. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. TERMO INICIAL. FIXAÇÃO. O termo inicial foi fixado, pela autoridade competente, na portaria que decreta a liquidação extrajudicial, em atendimento a dispositivo legal vigente. Correto, portanto, sua utilização pelo Fisco. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. JUROS E MULTA. INCIDÊNCIA. As entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, pelo que é correta a incidência de acréscimos legais sobre os tributos não recolhidos no prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) As atividades da Empresa se encerraram com a Portaria n° 470, em 15 de agosto de 2007; b) Deve a RFB, para evitar imputações indevidas aos operadores da liquidação, determinar que os estes não tenham o efeito de suas nomeações retroagido até o termo inicial, na medida em que o critério utilizado pela ANS para fixar o termo inicial não tem relação com o inicio das atividades do liquidante judicial; c) A ANS optou por considerar como termo legal a data em que foi decretada a intervenção. Entretanto, a intervenção é anterior à liquidação extrajudicial, não havendo nenhum ponto de intersecção entre as duas; d) Os liquidantes só podem responder pelos atos praticados no curso do processo de liquidação, iniciado com a publicação da resolução ANS n º. 470/2007, seguindo a ordem cronológica: João Ricardo Lima Larqué de Souza Lobo: 15/08/2007 a 06/03/2008; João André Sales Rodrigues: 07/03/2008 a 29/12/2009; Eduardo Henrique Valença de Freitas: 30/12/2009 até a presente data; e) Sendo considerado o termo inicial da liquidação extrajudicial em 03/2005, devem os juros e a correção monetária ser congelados a partir de Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722542/200981 Acórdão n.º 2302003.012 S2C3T2 Fl. 5 4 então, por força das determinações contidas nas alíneas “d” e “f” do Art. 18 da Lei 6.024/74; f) Não se deve pretender imputar qualquer forma de responsabilidade penal aos liquidantes pelos eventuais crimes fiscais e previdenciários cometidos pelos representantes legais, na medida em que a massa liquidanda disponibilizou ao auditor todos os documentos constantes do termo de arrecadação de livros e documentos, que foi lavrado após o recebimento do imóvel de propriedade da massa, decorrente da ação judicial nº. 001.2008.0173730; bem como, apresentou notificação feita aos sócios da massa, após verificar a ausência de grande acervo de documentos essenciais, para que estes apresentassem os documentos; Ademais, no relatório final de liquidação, o liquidante elaborou tópico específico para discorrer sobre a “falta de documentação contábil dos três últimos exercícios antes da liquidação”. g) O Auto de infração n° 37.251.5223 deve ser retificado no tocante ao termo inicial da liquidação extrajudicial, devendo ser considerada a data de 14/08/2007, data esta da publicação da RO n° 470. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Encerramento das Atividades da Empresa Alega a Recorrente que as atividades da Empresa se encerraram com a liquidação extrajudicial. Tal alegação não merece prosperar, na medida em que não existem documentos nos autos que comprovem a rescisão dos contratos de trabalho, e, também, não existe previsão legal que fundamente a afirmação de que estes se encerram, automaticamente, quando decretada a liquidação. Ademais, a recorrente, informou estar em atividade ao apresentar Declarações de imposto de renda ano calendário 2005, 2006 e 2008 com movimento e, segundo relatório Fiscal, a própria empresa declarou em RAIS a presença de empregados no período de apuração. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722542/200981 Acórdão n.º 2302003.012 S2C3T2 Fl. 6 5 Do Termo Inicial da Liquidação Extrajudicial No que concerne à data do início da liquidação, deve ser considerada aquela constante na Resolução Operacional ANS n° 470/2007, documento oficial, que se reveste de veracidade. Por seu turno, consta na resolução acima referida que a fixação do termo inicial se deu consoante comando legal (art. 15, §2º., da Lei nº. 6.024/74). In verbis: Art. 15 Decretarseá a liquidação extrajudicial da instituição financeira (...) §2° O ato do Banco Central do Brasil, que decretar a liquidação extrajudicial, indicará a data em que se tenha caracterizado o estado que a determinou, fixando o termo legal da liquidação que não poderá ser superior a 60 (sessenta) dias contados do primeiro protesto por falta de pagamento ou, na falta deste, do ato que haja decretado a intervenção ou a liquidação. Além disso, a recorrente, não logrou êxito em comprovar que a liquidação teve outro termo inicial, pelo que se rejeita tal insurgência. Da Responsabilidade dos Liquidantes Argúi a recorrente que os liquidantes só podem responder pelos atos praticados no curso do processo de liquidação, iniciado com a publicação da resolução ANS n º. 470/2007. É bem verdade que os liquidantes somente responderão pelos atos praticados no período de sua gestão, não havendo até o momento, no presente auto de infração, a sua responsabilização pelo crédito tributário, que foi constituído em nome do sujeito passivo, devendo ser exigido da massa liquidanda. Ressaltase, contudo, que o termo inicial não é o da publicação da resolução, mas sim a data nela assim fixada, conforme dito anteriormente. Da Responsabilidade Penal aos Liquidantes pelos Eventuais Crimes Fiscais e Previdenciários Conforme consignado, as condutas descritas no relatório fiscal configuram, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária. Desta feita, o Auditor providenciou a Representação Fiscal para Fins Penais. Contudo, no presente processo administrativo não cabe entrarse nesse mérito. Cumpre, tão somente, a análise dos aspectos relacionados ao crédito tributário. Qualquer argüição acerca de suposto crime deve ser feita perante a autoridade competente para a sua apuração, não podendo ser apreciada por este Conselho. Assim também, posterior responsabilização dos dirigentes ou liquidantes será verificada em procedimento específico perante o Poder Judiciário, com fulcro nos arts. 134/138 do CTN. Dos Juros e Correções Monetárias Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722542/200981 Acórdão n.º 2302003.012 S2C3T2 Fl. 7 6 A recorrente reclama que devem os juros e correção monetária ser congelados a partir do termo inicial da liquidação, por força das determinações contidas nas alíneas “d” e “f” do Art. 18 da Lei 6.024/74; que dispõe sobre a intervenção e liquidação extrajudicial de instituições financeiras, aplicável às operadoras de planos de saúde, para requerer a exclusão dos juros e correção monetária. Apontese, todavia, que a aplicabilidade da Lei 6.024/74 deve ser afastada, vez que existem normas específicas e posteriores aplicáveis ao caso, e que prevêem a incidência dos acréscimos legais, juros e multa sobre as contribuições não recolhidas no prazo. Vejase o Art. 34 da Lei nº. 8.212/91, o qual estabelece: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim também, Nos termos do art. 60 da Lei nº. 9.430/96, as empresas submetidas à liquidação extrajudicial sujeitamse a todas as normas de incidência de tributos, não havendo qualquer dispensa quanto aos acréscimos legais: Art. 60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Esse também é o entendimento da COSIT, expresso na Solução de Consulta Interna nº 25, de 30 de agosto de 2004, que trata de igual benefício de que desfrutavam as entidades de previdência privada em liquidação extrajudicial, assim ementada: Até 31 de dezembro de 1996, a decretação da liquidação extrajudicial de entidade de previdência privada acarretava, de imediato, a suspensão de juros e multas sobre quaisquer dívidas da entidade, inclusive tributárias, nos termos do disposto no inciso VI do art 66 da Lei no 6.435, de 1977. A partir de 1º de janeiro de 1997, data em que se iniciaram os efeitos da Lei nº 9.430, de 1996, essas entidades estão sujeitas às normas de incidência dos impostos e contribuições federais aplicáveis às pessoas jurídicas, inclusive juros e multa. Por todo o exposto, correta a exigência dos juros e correção monetária. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722542/200981 Acórdão n.º 2302003.012 S2C3T2 Fl. 8 7 É como voto. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721663/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007
TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. VALOR REAL DA OPERAÇÃO.
Na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, o valor dos produtos transferidos deve ser o valor real da operação, assim considerado aquele compatível com os valores das demais operações envolvendo produtos da mesma natureza.
ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTAS. NECESSÁRIO LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS APURADAS.
Identificados erros de classificação fiscal e de aplicação de alíquotas, deve ser lançado o crédito tributário correspondente às diferenças apuradas.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Negou-se provimento por unanimidade.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007 TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. VALOR REAL DA OPERAÇÃO. Na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, o valor dos produtos transferidos deve ser o valor real da operação, assim considerado aquele compatível com os valores das demais operações envolvendo produtos da mesma natureza. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTAS. NECESSÁRIO LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS APURADAS. Identificados erros de classificação fiscal e de aplicação de alíquotas, deve ser lançado o crédito tributário correspondente às diferenças apuradas. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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VALOR REAL DA OPERAÇÃO. Na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, o valor dos produtos transferidos deve ser o valor real da operação, assim considerado aquele compatível com os valores das demais operações envolvendo produtos da mesma natureza. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTAS. NECESSÁRIO LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS APURADAS. Identificados erros de classificação fiscal e de aplicação de alíquotas, deve ser lançado o crédito tributário correspondente às diferenças apuradas. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Negouse provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 63 /2 01 1- 51 Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela INDÚSTRIA GRÁFICA FORONI LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o crédito tributário constituído. A matéria em discussão referese a crédito tributário constituído em razão da identificação, pela fiscalização, de valores de IPI decorrentes de glosa de créditos referentes a transferências de produtos entre estabelecimentos da contribuinte e de erros de classificação e alíquotas aplicadas às entradas e saídas das mercadorias. Por esta razão, foi constituído o débito relativo ao IPI, que, acrescido dos juros e encargos legais, perfaz a quantia de R$5.063.311,76. Em sede de impugnação, a contribuinte sustenta, dentre outras alegações, que as operações de transferência de mercadorias realizadas entre suas unidades tiveram respaldo na legislação tributária e decorreram da própria dinâmica da empresa, tendo sido feitas sem a intenção de manipular os saldos de IPI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto(SP) não acolheu o pleito da contribuinte, julgando procedente o lançamento. O acórdão restou assim ementado (fls. 1.804 a 1.812): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007 RECLAMAÇÕES E RECURSOS. EFEITO SUSPENSIVO. As reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. VALOR REAL DA OPERAÇÃO. Na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, o valor dos produtos transferidos deve ser o valor real da operação, assim considerado aquele compatível com os valores das demais operações envolvendo produtos da mesma natureza. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTAS. NECESSÁRIO LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS APURADAS. Identificados erros de classificação fiscal e de aplicação de alíquotas, deve ser lançado o crédito tributário correspondente às diferenças apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 19515.721663/201151 Acórdão n.º 3401002.599 S3C4T1 Fl. 1.854 3 Devidamente intimada, a contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 1.831 a 1.845) a este Conselho, alegando, em apertada síntese: a) que as operações de transferências de mercadorias realizadas entre as unidades Matriz e Filial 004 da recorrente foram realizadas com respaldo na legislação tributária vigente à época dos fatos, sobremaneira o Decreto 4.544/2002 (TIPI); b) sustenta que é empresa exportadora, registrada na SECEX, e detentora de saldos credores de IPI originários de insumos efetivamente empregados em mercadorias exportadas, em saldo superior ao valor do lançamento efetuado pela fiscalização; c) alega que ainda que todo o saldo de créditos não fosse somente da filial 004, a transferência destes créditos é plenamente possível, conforme previsão de dispositivos legais e decisões anteriores dos órgãos administrativos julgadores; d) requer a anulação do auto de infração, vez que a escrituração fiscal e os adimplementos tributários realizados pela recorrente foram adequados à legislação pertinente, não existindo qualquer obrigação tributária pendente; e) quanto à alegação de utilização incorreta da classificação fiscal e alíquotas de IPI nas entradas e saídas de mercadorias de sua filial, sustenta que as irregularidades são, em sua totalidade, erros formais, que não representam prejuízo ao erário público, na medida em que todos os códigos adotados nessas operações obedecem às disposições constantes na tabela de classificação fiscal dos produtos. O fisco não apresentou contrarrazões, tendo os autos sido encaminhados para este Conselho para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 TRANSFERÊNCIA DOS CRÉDITOS DE IPI DA MATRIZ PARA A FILIAL A primeira discussão dos autos ora em apreço cingese à possibilidade de transferência de créditos do IPI. Ora, a transferência depende de alguns conceitos e requisitos que pessoa vênia para detalhar. Primeiramente é necessário compreender que o IPI é um imposto descentralizado. Isso significa dizer que cada estabelecimento contribuinte deve manter seu próprio documentário, sua própria escrituração, independente de ser matriz, filial, sucursal, agência, depósito ou qualquer outro. Para estes estabelecimentos, quando contribuintes, a escrituração, apuração e recolhimento do imposto será por CNPJ, individualmente, conforme disciplina o artigo 384 do RIPI/2010. O IPI deve ser recolhido em DARF, com o CNPJ do estabelecimento que apurou o débito, independente de este ser matriz ou filial. Ainda que o desembolso possa ser da matriz, o débito é no estabelecimento que teve o fato gerador. O saldo credor do imposto tem três possibilidades de utilização: a) compensação com as saídas tributadas no período atual: o saldo de créditos é utilizado para confrontar o saldo de débitos do período. Não havendo saldo devedor após esta compensação não haverá re colhimento do imposto; b) compensação com as saídas tributadas nos períodos seguintes: restando saldo credor após compensação com as saída tributadas, este pode ser mantido na escrituração para a compensação de débitos de períodos posteriores; c) compensação com débitos de outros tributos administrados pela RFB: ao final do trimestrecalendário, havendo saldo credor de IPI, referente a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados, isentos, com alíquota zero ou com imunidade por exportação, este poderá ser utilizado na compensação de qualquer outro débito do contribuinte, administrado pela Receita Federal do Brasil. Apesar de não ser possível a quitação do débito do IPI da filial pelo estabelecimento matriz, por falta de previsão legal, até mesmo pela IN 900/2008, é possível a transferência de créditos entre estabelecimentos, se estes forem originários de: a) créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001; b) créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1° da Portaria MF n° 134, de 18 de fevereiro de 1992; e c) créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item "6" da Instrução Normativa SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 19515.721663/201151 Acórdão n.º 3401002.599 S3C4T1 Fl. 1.855 5 Os créditos transferidos somente podem ser utilizados para a compensação de débitos do próprio imposto, apurados no período atual ou em períodos seguintes na escrituração do destinatário dos créditos. Ocorre que o contribuinte não trouxe em nenhum momento deste processo administrativo qualquer elemento que comprovasse que o crédito transferido estivesse dentro das hipóteses supra mencionadas, razão pela qual não merece razão suas alegações neste ponto. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS Analisando os autos, observase que, como bem constatado pela DRJ, houve erro de classificação fiscal e alíquota na transferência de mercadorias da matriz para a filial, não podendo tais erros serem reconhecidos como “meros erros formais”. Ora, ao aplicar classificação diferente do quanto disposto na legislação de regência é corolário que há divergência nos valore de IPI auferidos, possibilitando, assim, o lançamento efetuado pela fiscalização. Ressaltase, outrossim, que o contribuinte, neste caso, também não apresentou qualquer elemento que desse o menor supedâneo às suas alegações, devendo, neste ponto o recurso ser negado. CONCLUSÃO Pelo exporto, conheço do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000374/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
Ementa:
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DECADÊNCA. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. A compensação não se equipara a pagamento antecipado, para efeito de aplicação do prazo decadencial de que trata o §4º do artigo 150 do CTN. Os pagamentos antecipados, ainda que inferiores ao devido, são sujeitos à homologação, desde que inexistentes o dolo, a fraude ou a simulação.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Mônica Elisa de Lima, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCA. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. A compensação não se equipara a pagamento antecipado, para efeito de aplicação do prazo decadencial de que trata o §4º do artigo 150 do CTN. Os pagamentos antecipados, ainda que inferiores ao devido, são sujeitos à homologação, desde que inexistentes o dolo, a fraude ou a simulação. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Mônica Elisa de Lima, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 157 1 156 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13639.000374/200321 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.587 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria PIS/Pasep Recorrente INPA INDUSTRIA DE EMBALAGENS SANTANA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCA. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. A compensação não se equipara a pagamento antecipado, para efeito de aplicação do prazo decadencial de que trata o §4º do artigo 150 do CTN. Os pagamentos antecipados, ainda que inferiores ao devido, são sujeitos à homologação, desde que inexistentes o dolo, a fraude ou a simulação. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 03 74 /2 00 3- 21 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 158 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Mônica Elisa de Lima, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep, decorrente de auditoria interna de DCTF, relativo aos períodos de janeiro a dezembro de 1998, em razão da ocorrência “proc jud não comprovad”, fls. 96 a 104. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Em decorrência de auditoria interna procedida junto à contribuinte, foi lavrado Auto de Infração de fl. 74, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998, exigindolhe o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 78l.185,38, sendo R$ 290.837,23 a titulo de PIS. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante da peça fiscal, o lançamento, relativo aos trimestres do anocalendário 1998, decorreu da falta de pagamento da contribuição, motivada por informação em DCTF de compensação cuja vinculação não restou confirmada. lnconformada com a imposição, a contribuinte ingressou com impugnação, alegando, em síntese: 1) decadência referente aos períodos de apuração 01/98 a 06/98, em função da ciência do auto de infração após o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. Discorre sobre o tema; 2) que impetrou ação ordinária, sob o nº 94.01044767, pleiteando a declaração do direito à restituição ou, não o querendo, o direito de compensar o excesso recolhido a título de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 159 3 PIS, por inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449 de 1988, com débitos do próprio PIS; 3) desistiu da formação de precatório, haja vista que procedeu a compensação de seus créditos, como comprova a petição em anexo; 4) inaplicabilidade da LC n° 17/73, por não condizer com ordenamento constitucional vigente que recepcionou tão somente a LC 07/70, em seu artigo 239; 5) é' plena a aplicabilidade da regra prevista no parágrafo único do art. 6° da LC 07/70, a denominada semestralidade do PIS; 6) com respaldo no art. 66 e parágrafos da Lei 8383/1991 e, ainda, com base na decisão judicial, procedeu à compensação com débitos do próprio PIS. Cita ainda a IN SRF 32/97.” A Segunda Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0932.718, decidindo por considerar não conhecida a impugnação no tocante ao direito creditório, direito à repetição e direito à compensação e procedente, em parte, relativamente à semestralidade da Lei Complementar nº 07, de 1970, além de exonerar a multa de ofício aplicada, mantendo o lançamento original, acompanhado de multa de mora e juros de mora, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1998 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. DESISTENCIA DE EXECUCAO. A desistência da execução da ação, se homologada pela autoridade judicante, possibilita a compensação registrada em DCTF, até o limite do direito creditório apurado com base na decisão judicial transitada em julgado. ALÍQUOTA A LC 17/73 não alterou a sistemática da LC 07/70, simplesmente elevou a alíquota a ser aplicada de 0,5% para 0,75%, não foi questionada pela empresa na esfera judicial e tampouco reputada inconstitucional pelo Pretório Excelso, restando escorreita sua aplicação. SEMESTRALIDADE. O Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, implica Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 160 4 no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretoslei 2.445 e 2.449/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com inicio do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia. Ser efetuado. Ademais, tratandose de débitos declarados em DCTF, descabe discutir o prazo para formalização da exigência, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. l06 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, que o auto de infração deve ser cancelado, em vista de a contribuinte ter seguido tudo o que a lei preceitua e que análise do direito creditório a ser efetuada pela Delegacia da Receita Federal, em cumprimento da decisão judicial transitada em julgado, determinado pela decisão de primeira instância em razão da concomitância declarada, concluiria pela convalidação da compensação; 2. Preliminarmente, a decadência ocorrida, em razão de a compensação se equiparar a pagamento para efeito de aplicação do art. 150, §4º do CTN, bem como a existência de Darfs de R$ 10,00, recolhidos para cada período de apuração, a serem considerados como pagamentos parciais; 3. Preliminarmente, a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal; 4. No mérito, a regularidade da compensação efetuada, pela utilização de direito creditório reconhecido na decisão judicial proferida no processo nº 94.01044767 e no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Ao final, pede o cancelamento do lançamento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 161 5 Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Relativamente aos argumentos quanto à análise do direito à compensação (itens 2.1 e 3 da peça recursal), deixo de conhecer do recurso por entender ter ocorrido a concomitância entre a matéria tratada no processo judicial e neste processo administrativo. A recorrente, no processo judicial nº 94.01044767, pediu a declaração incidental da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, de 1988, a declaração do direito à repetição dos indébitos ou, não querendo exercêlo, o direito à compensação com débitos de PIS ou Cofins, fls. 89 (numeração digital). A sentença prolatada julgou prejudicada a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis em razão da publicação da Resolução nº 49, de 1995, do Senado Federal. Julgou, ainda, cabível a repetição do indébito, mas negou provimento ao pedido de direito à compensação, reconhecendo a necessidade de um ato administrativo autorizativo, bem como reconheceu a prescrição qüinqüenal a partir de 14/12/1989, fls. 92 e 93. O presente lançamento foi fundamentado na falta de recolhimento/declaração inexata, decorrente da ocorrência “proc jud não comprovad”, ou seja, na não comprovação da compensação informada com base em decisão obtida no processo judicial informado. De fato, da análise da petição e da sentença proferida nos autos daquele processo, constatase a inexistência de provimento favorável à compensação, mas, ao contrário, o direito à compensação foi julgado improcedente. Porém, concluise que o objeto da ação judicial é o mesmo deste lançamento, pois o direito à compensação está expressamente pedido no processo judicial e é o fundamento da informação na DCTF, sendo que o indeferimento da compensação efetivada foi lastreado na não comprovação do direito creditório objeto da ação judicial informada. Verificada a concomitância, deixase de apreciar o recurso nesta parte. É o que dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 162 6 No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, dada a prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas, uma vez verificada a concomitância, deve ser declarada a definitividade do lançamento, devendo a unidade administrativa prosseguir com o feito, verificando, entretanto, a ocorrência de alguma hipótese de extinção do créditos constituídos, conforme art. 156 do CTN, decorrente da aplicação da decisão definitiva ocorrida no processo judicial nº 94.01044767, cujo trânsito em julgado ocorreu em 19/03/2010, conforme consulta processual no site do Tribunal Regional Federal da Primeira Região: www.trf1.jus.br. Concernente à decadência alegada, a matéria está pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 163 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Esta decisão deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a lançamento por homologação regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. A recorrente propugnou em sua peça recursal pela aplicação do art. 150, §4º do CTN, em vista da realização de pagamentos em DARF´s no valor de R$ 10,00 para cada período de apuração, e da realização da compensação em DCTF, alegando que o instituto da compensação se equipara a pagamento, como forma de extinção do crédito tributário. Por sua vez, a DRJ afastou a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, entendendo pela aplicação do art. 173 do referido diploma, por considerar que a Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 164 8 compensação não se confunde com o pagamento para efeito de aplicação do art. 150 do CTN e que os DARF´s de R$ 10,00 se prestam apenas para caracterizar a compensação efetuada e não se consideram pagamentos a serem homologados. Concordase em parte com a decisão recorrida. A compensação não pode ser equiparada com pagamento antecipado para efeito de contagem do prazo decadencial. São modalidades distintas de extinção do crédito tributário (art. 156 incisos VII e II do CTN), pois o pagamento decorre de uma prestação positiva do contribuinte de aferição imediata, enquanto a compensação é um encontro de contas, que para sua concretização, é necessária autorização por lei específica e existência de créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN (REsp 1.137.738/SP, submetido ao regime do artigo 543C do CPC) Neste sentido, tanto o artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991, quanto artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, delegaram competência para a Secretaria da Receita Federal expedir normas necessárias à efetivação da compensação tributária. Verificase, pois, que a compensação é sujeita a procedimentos específicos e à verificação de sua correição pela Administração Fazendária, implicando a possibilidade de indeferimento do procedimento realizado pelo contribuinte. O indeferimento da compensação impossibilitaria o transcorrer do prazo decadencial, pois que o próprio fundamento para a aplicação do §4º do artigo 150 do CTN não existiria. Apenas ao final de uma decisão definitiva poderseia assegurar a existência ou não da compensação, o que implicaria a suspensão ou interrupção da referida contagem, hipótese não prevista no CTN. Além da ausência de previsão legal, esta possibilidade aliada à inexistência da prescrição intercorrente no processo administrativo, como se verá adiante, certamente, levaria a um prazo decadencial muito superior ao previsto no artigo 173 do CTN. É o que pode ocorrer exatamente neste processo, ou seja, uma compensação efetivada em 1998 que, ao final, do julgamento da ação judicial e da apuração pela autoridade administrativa pode resultar em indeferimento da compensação pleiteada, fulminando assim o fundamento da decadência alegada. A instituição da homologação tácita da declaração de compensação, pela MP nº 135, de 2003, reforça este entendimento na medida que o prazo de cinco anos é contado a partir da entrega da declaração de compensação, cujo termo final ocorre, normalmente, em data posterior ao cinco anos do fato gerador correspondente ao débito compensado, ou seja, a homologação tácita do lançamento prevista no art. 150, § 4º do CTN ocorreria anteriormente à homologação tácita da compensação, resultando na ilogicidade de a causa ser convalidada posteriormente à sua conseqüência. A fluência do prazo decadencial não se sujeita a evento futuro e incerto (convalidação ou não da compensação), mas iniciase conforme a existência das situações fáticas e jurídicas estabelecidas nos artigos 150, §4º e 173 do CTN, como decidido no REsp nº 973.733/SC, dentre as quais não figura a compensação. Concluindo no mesmo sentido da não equiparação dos institutos, citase o Acórdão nº 10321.749, proferido pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 165 9 Ementa: ... EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO E PAGAMENTO Distintas são as modalidades de extinção do crédito tributário, pelo pagamento ou por compensação, como posto no Código Tributário Nacional (CTN), sendo incabível o alargarmento da interpretação do termo compensação para equiparálo a pagamento. ... Excerto do voto condutor: “No caso do s autos, alega a recorrente que efetuou o pagamento mediante compensação de créditos decorrentes de antecipações do IRPJ de 1995, conforme consta de seus registros contábeis. A decisão recorrida rejeitou esse argumento porquanto o $ 4° da Lei n° 9.249/95 determinava expressamente que a opção seria manifestada por meio de pagamento, não fazendo qualquer referência a compensação, não podendo considerar a realização integral feita por meio de compensação. A questão da extinção do crédito tributário é tratada no artigo 156 do CTN que, dentre as dez modalidades de extinção, relaciona nos incisos I e II o pagamento e a extinção. Já o artigo 162 do mesmo código indica as formas de pagamento e, evidentemente, a compensação não constitui uma dessas formas e é tratada em seu artigo 170. Assim, neste aspecto, não incorreu em erro a decisão recorrida ao interpretar literalmente a lei e não restritivamente, visto que não há como equiparse pagamento com compensação, observando que esta modalidade de extinção depende não só de lei autorizativa, mas também de regulamentação específica, como se verifica no presente.” Por outro lado, a existência dos DARF´s de R$ 10,00 devem ser considerados pagamentos antecipados, pois que, necessariamente, extinguiram o crédito tributário no exato montante do valor recolhido. Certamente, estes valores amortizaram os valores declarados como devidos em DCTF. Quanto ao argumento de que não podem ser considerados como homologáveis por não possuírem as mesmas características do débito que se pretende amortizar, creio que todo pagamento a menor não possui as características do tributo devido, justamente por ser inferior ao devido. Admitir a premissa significa deixar um espaço de subjetivismo para definir quanto deveria ser considerado como característico do débito, que percentual ou que valor. Ademais, a desconsideração de tais pagamentos pressupõe a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme preconizado pela parte final do §4º do artigo 150 do CTN. O pagamento parcial, ainda que no valor mínimo, aliado à entrega de compensação relativa ao Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13639.000374/200321 Acórdão n.º 3302002.587 S3C3T2 Fl. 166 10 restante do crédito tributário, não pode ser considerado como procedimento fraudulento, o que a própria DRJ considerou não ocorrer, ao exonerar a multa de ofício, nos termos da Solução de Consulta Interna nº 3, de 2004. Assim, tais recolhimentos devem ser considerados como pagamentos antecipados e, tendo a ciência ocorrida em 18/07/2003, restam decaídos os fatos geradores ocorridos até 30/06/1998, ou seja, os períodos de janeiro a junho de 1998. Por fim, relativamente à prescrição intercorrente alegada, foi editada a Súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”, de observância obrigatória pelos membros do CARF, de acordo com o art. 72 do ANEXO II do RICARF. Assim, deve ser afastada a suscitada prescrição. Diante do exposto, voto para não conhecer do recurso relativamente ao direito à compensação (itens 2.1 e 3 do recurso voluntário), e dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o lançamento relativo aos períodos de janeiro a junho de 1998. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722238/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA.
Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de ofício, já que se demonstrou à saciedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA
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EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de ofício, já que se demonstrou à saciedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 22 38 /2 01 1- 54 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka , Maria Cleci Coti Martins, Heitor de Souza Lima Júnior, e Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.890/912) interposto em 20 de outubro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls.879/883), do qual o Recorrente teve ciência em 22 de setembro de 2011, fls.888, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 03/20, oriundo de Auto de Infração emitido em 14 de junho de 2011, decorrente do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), por sua falta de retenção e recolhimento sobre rendimentos pagos a pessoas físicas através de uma empresa contratada para esse fim (INCENTIVE HOUSE), no qual se constituiu crédito tributário no valor de R$ 261.198,95 mais cominações legais. A decisão teve exarada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 REMUNERAÇÃO INDIRETA. IRRF. O pagamento de faturas de cartões de crédito corporativos disponibilizados a empregados e a terceiros constitui remuneração indireta, que está sujeita à incidência do IRRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Entendeu a autoridade autuante que a conduta da empresa contribuinte teve a intenção de ocultar, omitir o fato gerador do imposto de renda, evitando o seu recolhimento, razão pela qual aplicou ao lançamento a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 890/912, por meio da qual alegou, em síntese que: 1. Os pagamentos foram destinados a pessoa jurídica pela prestação do serviço, não cabendo argüir pagamento para pessoa física, em que a Recorrente figure como fonte pagadora; 2. Não houve transferência de valores para Incentive House, mas pagamento de preço de serviço, não havendo depósito bancário e/ou transferência de valores para pessoa física; 3. Não existe prova de ter a Recorrente efetuado pagamento de rendimento para pessoa física. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.722238/201154 Acórdão n.º 2101002.463 S2C1T1 Fl. 972 3 4. A Recorrente por diversas vezes atendeu termos de intimação e informou que fizera pagamento de rendimento para a empresa Incentive House – pessoa jurídica, e não para pessoa física; 5. Cada operação de serviço fora acobertada por nota fiscal, havendo o respectivo registro contábil. 6. Ausente o pagamento para pessoa física, inocorre a incidência de imposto de renda na fonte; 7. Não ficou provada existência de conduta no sentido de esconder o fato gerador do tributo. 8. Não há prova de ter a Recorrente deixado de prestar informações pertinentes às operações realizadas e, por isso, insubsistentes a qualificação e agravamento da penalidade. 9. A multa, procedente fosse a exigibilidade do crédito tributário, teria que ser reduzida para 20% do valor do tributo. Por fim, pugna pela improcedência do lançamento. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à efetiva ocorrência do fato gerador e, ainda, quanto à aplicabilidade da qualificação da multa aplicada. Antes de adentrarmos aos dispositivos legais que regem o assunto, vejo por bem transcrever as seguintes cláusulas do contrato celebrado entre a Recorrente e a empresa INCENTIVE HOUSE (fls.145/150): “De um lado, (...), ITAGUASSU AGRO INDUSTRIAL S.A., (...), doravante simplesmente denominadas CLIENTE; “ 1.1. – O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços de desenvolvimento de programas de marketing de relacionamento, motivação, incentivo e fidelidade, promovidos pelo CLIENTE a seus colaboradores, canais de distribuição, clientes e/ou terceiros, mediante a utilização de sistemas de premiação. Esses programas visam a aumentar a produtividade, estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do CLIENTE junto a seus públicos alvo. “10.1 – Todas as obrigações tributárias, laborais e previdenciárias do presente contrato serão de responsabilidade Fl. 973DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 da parte que a lei designar como contribuinte ou devedor, sendo certo que cada qual ficará diretamente responsável pelos respectivos recolhimentos, ficando desde já esclarecido ao CLIENTE que os serviços objeto deste contrato, não visam a proporcionar qualquer vantagem fiscal, trabalhista ou previdenciária, seja para o empregador, o empregado ou o terceiro participante dos programas de marketing de relacionamento, motivação, incentivo e/ou fidelização.” Grifo nosso. Vejase o que dispõe o artigo 674, § 1º do RIR/99: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Grifo nosso. Transcrevo, ainda, o artigo 304 do mesmo diploma legal, que trata dos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado: Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei nº 3.470, de 1958, art. 2º). Importa esclarecer que o IRPJ e a CSLL, de responsabilidade da Recorrente, alusivos aos mesmos períodos objetos da peça básica, foram alcançados por autuação consoante Processo nº 10510.722643/201172, cujo Acórdão de nº 1402001.197, transcrevese tópico da ementa respectiva: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 (...) INCENTIVE HOUSE. NÃO INDIVIDUALIZAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Ainda que presente a causa do pagamento, à luz do artigo 304, segunda parte, do Regulamento do Imposto de Renda, não são dedutíveis as comissões e bonificações quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.722238/201154 Acórdão n.º 2101002.463 S2C1T1 Fl. 973 5 Temse que a causa da operação ocorreu, ou seja, a contratação de pessoa jurídica para prestação de determinado serviço pela Recorrente, consoante contrato. Contudo é de se indagar: A operação foi efetivamente comprovada? Ou ainda, a Recorrente ofereceu à autoridade autuante provas hábeis, capazes de esclarecer todos os detalhes da operação capaz de validar a sua efetivação? Vejase que a prestação de serviços de desenvolvimento de programas de marketing de relacionamento, motivação, incentivo e fidelidade são, em verdade, PROMOVIDOS PELO CLIENTE (ITAGUASSU AGRO INDUSTRIAL S/A) a seus COLABORADORES, CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO, CLIENTES E/OU TERCEIROS, mediante a utilização de sistemas de premiação. Tenho que a operação tem omissões inquestionáveis tais como: · Quem seriam os beneficiários e quais os CPFs respectivos?; · Quais os critérios para a premiação? · Qual o sistema de premiação? · Sendo o relacionamento, a motivação, o incentivo e a fidelidade, promovidos pelo CLIENTE a seus colaboradores, canais de distribuição, clientes e/ou terceiros, consoante OBJETO do Contrato, qual a função da INCENTIVE HOUSE? · Sendo o relacionamento, a motivação, o incentivo e a fidelidade, promovidos pelo CLIENTE a seus colaboradores, canais de distribuição, clientes e/ou terceiros, consoante OBJETO do Contrato, por quais razões a citada CLIENTE omitiu as informações requisitadas pela Autoridade autuante quanto aos beneficiários dos prêmios? A simples existência de contrato e notas fiscais de prestação de serviços não possuem elementos suficientes para se comprovar a operação, ou seja, uma efetiva prestação de serviços onde a contratada tem a obrigação de fazer algo factível, mensurável e transparente em benefício da contratante. A diligência fiscal junto à INCENTIVE HOUSE, resultando na obtenção da relação dos beneficiários, comprova, ainda, o cometimento pela Autuada, de sonegação. Ora, a entrega à autoridade fiscal de tal relação comprovarseia a conduta sonegatória (artigo 71 da Lei nº 4.502/64) objetivando o acobertamento do fato gerador, ou seja, o pagamento mesmo que de forma indireta, a pessoas físicas e, de conseqüência, a responsabilidade da contratante em recolher os impostos incidentes. Destarte bem andou a Autoridade autuante ao enquadrar o fato nos termos do § 1º do artigo 674 do RIR/99. Não sem razão que em julgado de outro contribuinte, onde ocorreu idêntica situação, na qual se vê a figura da INCENTIVE HOUSE como contratada, assim decidiu esse Conselho no Acórdão nº 210201.800 – 1ª Câmara – 2ª Turma Ordinária, cujo teor do Voto Vencedor da lavra do conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, tomo, também, como razões de decidir: Sobre essa matéria, especificamente no tocante à remuneração paga a empregados através do sistema de cartão de incentivo, oferecido pela mesma empresa Incentive House S/A, tive oportunidade de lançar as Fl. 975DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 seguintes considerações no Acórdão nº 210200.318, sessão de 23/09/2009, desta Turma Julgadora, verbis: “(...) Os pagamentos feitos por intermédio do cartão flexcard, com a utilização de uma empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação de tais pagamentos, pois estes não constaram das DIRF da real fonte pagadora, in casu, a Matriz Internet S/A, ou das DIRFs da INCENTIVE House, ou sequer das declarações de ajuste anual dos beneficiários dos rendimentos. Eis o modus operandi dos pagamentos: no fiscalizado, houve a contabilização pelos valores globais pagos à Incentive House; já esta funcionava como meio de pagamento, fugindo de qualquer responsabilidade tributária, pois apenas vendia os cartões flexcard; e os beneficiários dos pagamentos, por milagre, também não ofertavam quaisquer valores à tributação. Iniludivelmente, tratouse de uma operação para pagar valores a empregados, gerentes e terceiros sem incidência do imposto de renda (e sem recolhimento, digase de passagem, das contribuições previdenciárias), visando ocultar o conhecimento do fato gerador do imposto de renda da autoridade tributária. Por tudo, não remanesce qualquer dúvida quanto à legitimidade passiva do recorrente para figurar no lançamento, já que foi o responsável pelos pagamentos a seus empregados e terceiros e deveria ter feito as retenções determinadas pela legislação tributária. Ainda, devese evidenciar que houve a qualificação da multa de ofício por parte da autoridade fiscalizadora, no que andou bem, pois ficou demonstrada à saciedade a grosseira manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultado da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64).” Sem maiores considerações do que aquelas acima transcritas, por suficientes, entendo que a multa de ofício qualificada deve ser mantida, entendimento esse que também confessei no Acórdão nº 210200.465, sessão de 02 de fevereiro de 2010, no qual fui designado para redigir o voto vencedor, que restou assim ementado (excerto): MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA.. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de ofício, já que se demonstrou à saciedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o Fl. 976DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.722238/201154 Acórdão n.º 2101002.463 S2C1T1 Fl. 974 7 conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n] 4.502/64). Diante do exposto VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 977DF CARF MF Impresso em 01/07/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900458/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 58 /2 01 2- 14 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de Cofins. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900458/201214 Acórdão n.º 3803006.174 S3TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006062/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/07/2004
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas.
DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO.
Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário.
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas.
DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO.
Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas.
DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO.
Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que reconhecia o direito de deduzir o valor da CIDE extinta por compensação.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator
EDITADO EM: 27/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que reconhecia o direito de deduzir o valor da CIDE extinta por compensação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator EDITADO EM: 27/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2002 a 31/07/2004 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDECOMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da CideCombustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 60 62 /2 00 7- 31 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 3 2 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDECOMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da CideCombustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. No caso em tela, as prorrogações foram realizadas na forma e no tempo previsto na legislação de regência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pela entidade de classe do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDECOMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da CideCombustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 4 3 PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que reconhecia o direito de deduzir o valor da CIDE extinta por compensação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 27/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa PENEDO AGRO INDUSTRIAL S/A foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS, relativo a períodos de apuração de dezembro de 2002 a julho de 2004, e de Cofins, relativa a períodos de apuração de fevereiro de 2004 a julho de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada apurou as exações pela sistemática nãocumulativa e que deduziu do valor devido a Cide objeto de compensação com créditos de IPI, em desacordo com a legislação de regência. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 5 4 Não se conformando, a empresa interessada insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 66/86 e às fls. 99/121, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido. A DRJ em Recife PE não conheceu da matéria submetida ao Poder Judiciário e manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1127.173, de 30/07/2009 fls. 138 cuja ementa apresenta o seguinte teor: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A opção, por parte da interessada, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, importa renúncia tácita às instâncias administrativas. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Não é permitida a exclusão do ICMS, cobrado na condição de contribuinte, da base de cálculo do PIS por falta de previsão legal. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. CIDE. COMPENSAÇÃO. A compensação da C1DE com o PIS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. Impugnação Não Conhecida Ciente da decisão de primeira instância em 13/01/2010, fl. 188, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/02/2010, no qual contesta a decisão recorrida sob o argumento de que: 1 a decisão recorrida é nula porque não ocorreu renuncia às instâncias administrativas quanto à discussão acerca do regime do PIS e da Cofins incidente sobre o Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 6 5 álcool carburante, no período de 02/2002 a 072004. Não há identidade das partes porque o mandamus foi impetrado pelo SINDAÇÚCAR/AL e não pela recorrente; 2 ocorreu cerceamento do direito de defesa porque a Fiscalização não detalhou o quantum representativo de cada uma das infrações; 3 nos autos não consta eventuais prorrogações do MPF. As prorrogações disponíveis na internet não suprem a exigência da ciência constante da Portaria que regula o MPF; 4 a prova inequívoca de que tem direito a tributar pela nãocumulatividade é a publicação da Lei nº 10.865/04 que excluiu da nãocumulatividade todas (sic) as receitas decorrentes de vendas de álcool carburante. Faz referência à Lei nº 9.990/00, por ser a receita ali citadas as receitas de venda de álcool carburante; 5 a inclusão da receita de “álcool outros fins” na base de cálculo do PIS e da Cofins cumulativos não encontra amparo legal, devendo a receita dessas operações ser excluída da base de cálculo das exações apuradas; 6 a extinção da Cide por qualquer modalidade garante a possibilidade de dedução no PIS e na Cofins prevista no art. 8º da Lei nº 10.336/01 porque esta lei não se reporta ao art. 156, I do CTN, quando utiliza o adjetivo pago em sua redação. Discorre sobre o que o legislador, no seu entender, quis dizer no referido dispositivo legal; 7 foi incluído indevidamente na base de cálculo o valor do ICMS, a despeito desse imposto não se enquadrar no conceito de faturamento. Cita jurisprudência administrativa. 8 a fiscalização fez incidir PIS e Cofins sobre vendas canceladas, sem apresentar justificativa para tanto; 9 não se aplica a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 porque não houve declaração inexata. Ainda que aplicável, esse dispositivo deve ser modulado para reduzir o percentual da multa em respeito ao art. 2º, parágrafo único, VI, da Lei nº 9.784/99 e aos princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Na forma regimental, o Recurso Voluntário foi distribuído para relatar e, por força da determinação contida no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), o seu julgamento foi sobrestado, nos termos da Resolução nº 3302 00.202, de 22/03/2012. Com a revogação do referido dispositivo regimental (Portaria MF nº 545/13), o Recurso Voluntário foi sorteado para relatar e, agora, volta à pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 7 6 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e dele conheço. A empresa recorrente foi autuada por duas razões: 1ª) tributou o PIS e a Cofins incidentes sobre as receitas de venda de álcool carburante, no período autuado, pelo regime da nãocumulatividade, quando havia previsão legal expressa de que tais vendas seriam tributadas pelo regime cumulativo (art. 1°, parágrafo 3°, inciso IV e art. 8°, inciso VII, "a", da Lei 10.637/02; art. 1°, parágrafo 3°, inciso IV, e art. 10º , inciso VII, "a", da Lei 10.833/03; e ADI n° 1, de 12/01/05). 2ª) deduziu indevidamente do valor devido de PIS e de Cofins valores de Cide compensadas com créditos de IPI, quando a dedução autorizada é com valores pagos de Cide (art. 8º da lei nº 10.336/01). Em sua defesa, a interessada alega, preliminarmente, nulidade da decisão recorrida e do lançamento e, no mérito, alega: (i) a legalidade da tributação da receitas de vendas de álcool carburante pelo regime da nãocumulatividade; (ii) a Fiscalização incluiu no lançamento, sem amparo legal algum, a receita de venda de “álcool outros fins”; (iii) a extinção da Cide por qualquer modalidade garante a dedução do PIS e da Cofins prevista no art. 8º da Lei nº 10.336/01; (iv) o ICMS não integra a base de cálculo das exações porque não se enquadra no conceito de faturamento; (v) a Fiscalização fez incidir as exações sobre vendas canceladas; e (vi) não se aplica a multa de ofício ou porque não houve declaração inexata ou porque fere os princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Quanto a preliminar de nulidade da decisão recorrida que não conheceu da matéria submetida ao judiciário, entendo que não há vício algum na decisão recorrida, nesta parte. Não procede o argumento da recorrente de que não há identidade entre as partes porque o mandado de segurança coletivo foi impetrado pelo sindicato de sua categoria, do qual é filiada. No mandado de segurança coletivo impetrado pelo sindicato da categoria econômica da recorrente, do qual é filiado, a recorrente integra o pólo ativo da ação por meio de sua entidade sindical. Tanto é que não será o sindicato o beneficiário da decisão judicial, posto que não é contribuinte do PIS e da Cofins incidentes nas vendas de álcool carburante, e sim as empresas filiadas, em nome das quais está postulando. Portanto, correto a decisão recorrida que não conheceu dos argumentos da recorrente sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins no período autuados, posto que a discussão foi deslocada para o âmbito do Poder Judiciário e este CARF já firmou entendimento de que estando a matéria submetida ao Judiciário prejudica a discussão dentro da seara administrativa, em face da evidente sujeição das partes às eventuais determinações emanadas do Poder Judiciário, independente de o resultado ser favorável ou contrário às pretensões da recorrente, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 8 7 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Também estendo descabidos os argumentos da recorrente sobre a ocorrência de vício de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, quer por não ter a autoridade lançadora quantificado, por infração, o valor de cada contribuição, quer por eventual falta de ciência das prorrogações do MPF. Sobre a falta de discriminação do quanto cada infração representa, ratifico e adoto os fundamentos da decisão recorrida porque também entendo que não há necessidade dessa segregação expressa, até porque os valores das base de cálculos das exações estão perfeitamente demonstrados na planilha de fl. 25 e do valor apurado pela Fiscalização não foi deduzido o valor da Cide que ela recorrente deduziu. Portanto, a demonstração em separado do valor de cada infração é desnecessária até porque a planilha de fls. 25 apura o valor das exações a que se refere à primeira infração e do valor apurado a Fiscalização não excluiu o valor da Cide compensada, qualquer que seja ele, a que se refere a segunda infração. Portanto, está perfeitamente demonstrado os efeitos fiscais das infrações cometidas pela recorrente. Quando a falta de juntada aos autos das prorrogações do MPF, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto. As prorrogações foram feitas regularmente e juntado aos autos o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF à fl. 01, na forma prevista no art. 13 da Portaria RFB nº 4.066/2007, que não exige a ciência da fiscalizada a cada prorrogação, como é exigido no início da ação fiscal pelo art. 4º da referida portaria, abaixo reproduzido. Art. 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos de I a V desta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. [...] Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 9 8 contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Rejeito, pelas razões expostas, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, pelas razões expostas acima e relativas à preliminar de nulidade da decisão recorrida, não conheço das alegações da recorrente sobre seu suposto direito de tributar as receitas de venda de álcool carburante, no período autuado, pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, posto que a discussão foi deslocada para o âmbito do Poder Judiciário, através do Mandado de Segurança Coletivo Preventivo nº 2006.83.0039034, impetrado pelo SINDAÇÚCAR/AL, do qual a recorrente é filiada. Sobre a alegação de inclusão, na base de cálculo do PIS lançado, da receita de venda de “álcool outros fins” enganase a recorrente. Tal inclusão não aconteceu, conforme se constata na base de cálculo apurada na planilha de fls. 25. O valor dessas receitas, ocorridas os meses de junho, julho e agosto de 2003, não foram incluídas na base de cálculo do PIS lançado. Portanto, infundada a alegação da recorrente, nesta parte. Relativamente à dedução do valor da Cide compensada pela recorrente do valor do PIS e da Cofins devidos, ratifico o entendimento da autoridade lançadora e da decisão recorrida de que o art. 8º da Lei nº 10.336/01 autoriza a dedução dos valores da Cide pagos e não dos valores compensados (homologados ou não). Pagamento e compensação são institutos completamente diferentes, embora sejam meios de extinção do crédito tributário. Quando a Lei nº 10.336/01 fala em valores pagos, obviamente não está se referindo a valores compensados ou a valores transacionados ou a valores remidos ou a valores prescritos ou decadentes, todos eventos extintivos do crédito tributário, previstos no art. 156 do CTN. Quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins entendo improcedentes as alegações da recorrente e procedentes os fundamentos da decisão recorrida, que ratifico e adoto. O ICMS incluso no preço das mercadorias vendidas e dos serviços prestados integra o faturamento por compor o preço de venda, como o compõem, de maneira explícita ou não, todos os tributos e contribuições de responsabilidade da pessoa jurídica. O fato de o ICMS estar destacado na nota fiscal, para facilitar a aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade, não o torna dissociado do preço e, consequentemente, do faturamento da empresa recorrente. Tanto é que o valor do próprio PIS e Cofins não cumulativos, que não são destacados na nota fiscal, também estão incluídos no preço de venda (e no faturamento) e sobre eles também incide o ICMS, o PIS e a Cofins. Nas razões do recurso a interessada alega que a Fiscalização incluiu na base de cálculo das exações o valor das vendas cancelas, sem que para isso apresentasse justificativa. Aqui também a recorrente está completamente equivocada porque, como disse a decisão recorrida, todos os valores de vendas canceladas, apurados pela Fiscalização, foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins lançados, conforme demonstrativo de fl. 25. Se há valores de venda canceladas incluídos na base de cálculo, a recorrente sequer apontou a sua existência nem na impugnação e nem no recurso voluntário. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 10 9 Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/961, em face da apuração, de ofício, de diferença de contribuições não pagas. Não foi a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata que ensejou o lançamento, como quer entender a recorrente. Se o fosse, também, incidiria a multa de ofício. Portanto, tendo a administração tributária observado os estritos ditames legais não há que se falar em violação dos critérios relacionados no art. 2º, parágrafo único, inciso VI, da Lei nº 9.784/99, a que se refere a recorrente. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10410.006062/200731 Acórdão n.º 3302002.567 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15582.720088/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DCOMP PENDENTE DE ANÁLISE. NULIDADE INSANÁVEL DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL.
O ato de lançamento efetuado para cobrança da multa isolada em decorrência de compensação indevida, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo em data anterior à ciência dos despachos decisórios denegatórios do direito à compensação, é vício insanável de natureza material e enseja a nulidade do lançamento.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB/RJ nº. 27.466.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Gilberto de Castro Moreira Junior Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida AGRO FOOD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DCOMP PENDENTE DE ANÁLISE. NULIDADE INSANÁVEL DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. O ato de lançamento efetuado para cobrança da multa isolada em decorrência de compensação indevida, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo em data anterior à ciência dos despachos decisórios denegatórios do direito à compensação, é vício insanável de natureza material e enseja a nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB/RJ nº. 27.466. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Gilberto de Castro Moreira Junior – Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 72 00 88 /2 01 2- 03 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 702 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 12/12/2011, com ciência em 13/12/2011, para a cobrança de a multa regulamentar por compensação indevida (art. 18 da Lei nº 10.833/03), no montante de R$ 2.982.889,89 (efolhas 7/ss), em decorrência da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios pela fiscalização. Inicialmente a citada multa havia sido lançada nos autos do processo nº 10783.725365/201103, juntamente com os autos de infração para a cobrança do PIS e da Cofins, multa de ofício e juros de mora, contudo, através da Resolução nº 12000.107, de 10/05/2012, proferida pela 17ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro, foi determinado que fosse apartado o auto de infração da multa isolada e sua respectiva impugnação (efolhas 3/6). Para elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 501/ss), verbis: Relatório Trata o presente processo de auto de infração de multa isolada (fls. 07/31) por compensação indevida, no total de R$ 2.982.889,89, conforme previsto no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. O auto de infração foi lançado originalmente no processo 10783.725365/201103. Diante disso, os autos foram baixados em diligência por meio da Resolução nº 12 000.107, de 10/05/2012, para apartar o auto de infração de multa isolada e a respectiva impugnação para que seja julgado, em conjunto, com a manifestação de inconformidade por ventura apresentada contra os processos de compensação que originaram a multa. Foi reaberto o prazo de 30 dias para nova manifestação da contribuinte, e retornar os autos à Turma para prosseguimento. Sendo assim, este processo trata unicamente do lançamento da multa isolada. A interessada foi cientificada do auto de infração e do Termo de Encerramento em 13/12/2011 e apresentou impugnação em 12/01/2012. Em 21/09/2012 a interessada foi cientificada do resultado da diligência e apresentou impugnação complementar em 17/10/2012, requerendo que fossem declaradas cumpridas, em sua integralidade, as determinações da DRJ/RJ1 contidas na Resolução nº 12000.107 e ratificando, em sua integralidade, o conteúdo da Impugnação, reiterando os pedidos aduzidos na referida peça de defesa. Em relação à multa isolada, a interessada apresentou as seguintes alegações na impugnação (fls. 32/149): 1. Nulidade do lançamento já que não foram citados quais despachos decisórios que teriam resultado nas glosas, se foram objeto de confirmação pelo titular da unidade e também não foi trazida eventual decisão; Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 703 3 2. Nulidade do lançamento da multa isolada visto que o agente fundamentou genericamente no art. 18 da Lei 10.833/2003, sequer indicando em quais hipóteses do referido dispositivo estaria sendo enquadrada, se no caso de falsidade ou no de compensação considerada não declarada, o que prejudica o exercício da ampla defesa; 3. Conforme já exposto em itens anteriores, é incabível a multa porque desconhecia o artificio utilizado na comercialização de café 4. Que as condutas citadas pela fiscalização não passam de meras presunções, que não estão comprovadas e, portanto, incabível a multa; 5. Que o percentual aplicado está equivocado, que a multa nos casos de indeferimento de pedidos de ressarcimento ou da não homologação de declarações de compensação foi reduzida de 75% para 50%; 6. Que a multa de 150% do art. 18 da Lei 10.833/2003 é incabível pela ausência da aventada “falsidade de declaração”, já que a impugnante apenas submeteu ao Fisco pedido de homologação de compensação de seus débitos com créditos que sempre julgou serem legítimos para quitação das suas pendências tributárias; É o relatório. A 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1254.439, em 03 de abril de 2013 (e folhas nº 501/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 MULTA. COMPENSAÇÃO. DCOMP PENDENTE DE DECISÃO. Incabível o lançamento da multa por não homologação da compensação quando se comprove falsidade, quando tais Dcomps ainda estão pendentes de decisão. DECISÃO. PENDENTE. Considerase pendente de decisão administrativa, a Declaração de Compensação, em relação a qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da unidade competente para decidir sobre a compensação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como visto, a 16ª Turma deu provimento à impugnação e apresentou Recurso de Ofício, em face de o valor exonerado exceder o limite de alçada. A interessada foi regularmente cientificada do Acórdão, em 14/04/2013 (e folhas 507/509). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 704 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como relatado, a 16ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte pelo fato de ter sido dada ciência do auto de infração, que cobrava a multa isolada por compensação indevida, no dia 13/12/2011, portanto, em data anterior à ciência dos respectivos despachos decisórios que não homologaram os pedidos de compensação (processo nº 10783.725349/201111: informação fiscal Sefis/DRF/VIT/ES nº 103/2011 e Despacho Decisório com ciência ao contribuinte em 03/08/2012; processo nº 10783.925353/201171: informação fiscal Sefis/DRF/VIT/ES nº 107/2011 e Despacho Decisório com ciência em 06/08/2012; processo nº 10783.725356/2011 12: informação fiscal Sefis/DRF/VIT/ES nº 110/2011 e Despacho Decisório com ciência em 06/08/2012). Desse modo, o voto condutor da decisão recorrida foi encaminhado no sentido de cancelar o crédito tributário lançado, “tendo em vista que a multa isolada em razão da não homologação da compensação foi lançada quando as compensações ainda estavam pendentes de decisão administrativa”. Concordo em parte com o voto proferido pela instância a quo. É certo que o dispositivo legal insculpido no artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, prescreve os dois requisitos citados pela relatora da DRJ para a imposição da penalidade, quais sejam: i) a comprovação da conduta dolosa de sonegação, fraude ou conluio, substituída posteriormente por falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo; ii) a não homologação da compensação. O primeiro requisito a “conduta dolosa” foi confirmado tanto no julgamento de primeira instância, nos autos do processo nº 10783.725365201103 (Acórdão nº 1252.925, de 20/02/2013) como no julgamento do recurso por este Tribunal Administrativo (Acórdão a ser atribuido no processo 10783.725365/201103). Quanto ao outro requisito, é fato que quando da ciência do auto de infração (dia 13/12/2011) o contribuinte ainda não havia sido cientificado dos despachos decisórios denegatórios de seus pedidos de compensação. Contudo, a meu ver, esse descompasso entre as datas de ciência dos processos (auto de infração e pedidos de ressarcimento/compensação) não pode ter como efeito a invalidade absoluta do lançamento tributário efetuado, resultando na exoneração do crédito tributário cobrado, como parece ter decidido o acordão recorrido. A meu ver, estamos diante de um “vício de procedimento”, decorrente de erros nos ritos ou protocolos a serem observados na fase de formação do ato de lançamento (fase de procedimento fiscal), aqui incluídos os requisitos relativos à publicidade do ato (ciência). Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito administrativo brasileiro. 23ª edição. p.214/215), em uma concepção ampla, incluise “no conceito de forma, não só a exteriorização do ato, mas também todas as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato”. Arremata a professora da USP: “Não há dúvida, pois, que a observância Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 705 5 das formalidades constitui requisito de validade do ato administrativo, de modo que o procedimento administrativo integra o conceito de forma”. O controle do ato de lançamento feito por este Tribunal Administrativo, com vistas a aferir sua validade no ordenamento jurídico, deve ser feito a partir de duas vertentes: a regularidade do ato em relação às normas do direito tributário formal e do direito tributário material, portanto, validade formal e validade material. Nessa linha de entendimento, Marcos Bernardo de Mello (Teoria do fato jurídico: plano da validade, p. 74/75) afirma que “há invalidade substancial quando resulta de violação de norma de direito material, que diz respeito ao conteúdo, à matéria de que trata o ato jurídico” e que a “invalidade formal decorre de violação de normas jurídicas sobre forma, independentemente do ramo do direito em que se encontram situadas”. Para esse jurista, as normas de direito material são aquelas que definem, atribuem direitos subjetivos e as normas de direito formal são as que estabelecem, criam e regulam os instrumentos para que os direitos substanciais sejam exercidos. Pois bem. Necessário aferir se o vício/erro cometido pela autoridade fiscal, ao dar ciência do auto de infração antes da comunicação do resultado dos despachos decisórios denegatórios de seus pedidos de compensação, trouxe prejuízo ao contribuinte e, em caso positivo, qual foi a gravidade do prejuízo ao sujeito passivo (o célebre princípio do direito francês pas de nullité sans grief; em tradução livre: não há nulidade sem prejuízo). O STF já expressou seu entendimento na linha aqui adotada. Confirase trecho do voto do Ministro Celso de Mello, no HC 73271, de 19/03/1996: A disciplina normativa das nulidades no sistema jurídico brasileiro regese pelo princípio segundo o qual “Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa” (CPP, art. 563). Esse postulado básico – pas de nullité sans grief – tem por finalidade rejeitar o excesso de formalismo, desde que a eventual preterição de determinada providência legal não tenha causado prejuízo para qualquer das partes. Jurisprudência. Entendo que algum prejuízo houve ao sujeito passivo, no sentido de que teve que se defender de uma acusação (consubstanciada na penalidade aplicada no auto de infração), sem saber se ao menos havia cometido o delito (compensação indevida). Passo seguinte devese perquirir a gravidade do prejuízo causado pelo ato. No caso em litígio, não houve prejuízo grave ao administrado, de forma a cercear o seu direito ao contraditório e a ampla defesa, tornando impossível o saneamento do ato de lançamento (invalidade absoluta). Em outras palavras, não houve vício de conteúdo ou material, pois todos os elementos da regramatriz de incidência tributária foram corretamente indicados no lançamento, nos termos do que prescreve o artigo 142 do CTN. A falha cometida pela autoridade fiscal é de natureza formal, uma vez que o evento (motivo fático) descrito no ato de lançamento ocorreu, entretanto, houve falhas na publicidade dos atos (auto de infração e despachos decisórios), ou seja, não foram atendidos os procedimentos e formalidades prescritos pelas regras do direito tributário formal. Nesses casos, é possível a convalidação do ato pela Administração, por ratificação, com vistas a aproveitálo. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 706 6 Em regra, serão convalidáveis atos contendo os vícios nos pressupostos extrínsecos (vício de competência, vício de procedimento e vício de formalização), ou como comumente são denominados na doutrina atos com “vícios formais”. A convalidação, segundo Celso Antônio Bandeira de Melo (Curso de direito administrativo, p. 478), “é o suprimento da invalidade de um ato com efeitos retroativos”, e, quando derivado da Administração, “corrige o defeito do primeiro ato mediante um segundo ato, o qual produz de forma consoante com o Direito aquilo que dantes fora efetuado de modo dissonante com o Direito”. E faz uma importante advertência: “o ato convalidador remetese ao ato inválido para legitimar seus efeitos pretéritos”, de modo que “só pode haver convalidação quando o ato possa ser produzido validamente no presente. Importa que o vício não seja de molde a impedir reprodução válida do ato”. O art. 55 da Lei nº 9.784/99 autoriza a Administração Tributária convalidar atos com defeitos sanáveis, desde que não resulte em prejuízo a terceiros, no caso, aos contribuintes. Confirase: Art. 55 Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Nesse diapasão, é perfeitamente possível ser produzido validamente outro ato de lançamento – convalidador do declarado relativamente inválido – sem o vício anteriormente detectado, uma vez que os despachos decisórios denegatórios dos pedidos de ressarcimento/compensação já foram regularmente cientificados ao sujeito passivo, permitindose, com isso, que seja cobrada a multa por compensação indevida, por meio de novo ato de lançamento. Na linha de fundamentação adotada neste voto, podemos citar o Acórdão nº 2403000.666, sessão de 28/07/2011, Conselheiro Relator Ivacir Júlio de Souza, nos termos da ementa abaixo transcrita: VÍCIO FORMAL. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Recurso Voluntário Provido Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, declarando a invalidade relativa do lançamento efetuado para a cobrança da multa regulamentar por compensação indevida (art. 18 da Lei nº 10.833/03), por vício formal. Registrese, por oportuno, aplicável ao caso o disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966). É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Voto Vencedor Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 707 7 Malgrado o excelente voto lançado pelo ilustre relator, ouso discordar de seu entendimento em relação à questão do vício formal. A questão cingese ao fato de que a DRJ do Rio de Janeiro julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte pelo fato de ter sido dada ciência do auto de infração, que cobrava a multa isolada por compensação indevida em data anterior à ciência dos respectivos despachos decisórios que não homologaram os pedidos de compensação. Como muito bem salientado na decisão recorrida: A IN 900/2008 define a situação de pendência de decisão administrativa no art. 95, abaixo transcrito: Art. 95 . Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. De acordo com as informações acima, verificase que as compensações ainda estavam pendentes de decisão administrativa, na data da ciência do auto de infração (13/12/2011), uma vez que o ato somente se completa com a ciência da decisão que ocorreu em agosto de 2012. Assim sendo, concluise que não estava presente o primeiro requisito exigido legalmente para a imposição da penalidade. Vêse, portanto, que o requisito básico para o lançamento da multa isolada não estava presente, ou seja, as compensações sequer foram apreciadas antes da data de ciência do auto de infração por parte do contribuinte. Vejamos o que estabelece o artigo 18 da Lei 10.833/200: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Ora, conforme se observa no dispositivo legal supra, a multa isolada é dada em função da nãohomologação da compensação. Como seria possível efetuar o seu lançamento sem sequer a compensação não ter sido homologada sob a ótica do contribuinte? Analisando os conceitos de "vício formal" e "vício material" trazidos pelo magistrado federal Leandro Paulsen, temse que vicio formal é aquele atinente "ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário". Em contraposição, "vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei" ("Direito Tributário — Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência”. 9ª ed,, p. 1.112). Entendo, portanto, presente o vicío material pelo descumprimento de preceito legal, ou seja, a possibilidade de lançamento da multa isolada só é possível no momento em o Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 3202001.205 S3C2T2 Fl. 708 8 contribuinte tiver sua compensação nãohomologada, o que somente ocorre após a ciência da decisão que não a homologou. Em caso similar, esta 2ª Turma já decidiu, no acórdão 3202000.622, cujo voto vencedor foi da lavra do ilustre Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, pela existência de vício material no caso do descumprimento de preceito legal, senão vejamos: “CONSULTA FISCAL. EFEITOS. ALCANCE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ART. 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. O sujeito passivo tem direito subjetivo de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativamente à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão definitiva da consulta. Por conseguinte, em decorrência de vício material, é nulo o auto de infração, lavrado para exigir tributo sobre a matéria objeto de consulta, em desrespeito às balizas temporais do art. 48 do Decreto nº 70.235/72. Precedente: Acórdão nº 20177.473 da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferido no Processo nº 10920.000773/200238, em 16/02/2004. Recurso Voluntário provido. Diante disso, voto por no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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