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Numero do processo: 19515.004697/2003-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento no prazo legalmente previsto, ausente dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. O pagamento após o vencimento não é apto a atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-007.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento no prazo legalmente previsto, ausente dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. O pagamento após o vencimento não é apto a atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 97 /2 00 3- 77 Fl. 508DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2801003.853 proferido pela Primeira Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 02 de dezembro de 2018, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 462: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Da mencionada decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 486 a 497, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 499 a 502, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) no caso em apreço, não há qualquer recolhimento da exação até a data do vencimento da obrigação, devendo a contagem, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça, ser feita com base no art. 173, I, do CTN, e não pelo § 4º do art. 150, daí porque para o anocalendário de 1998, o dies a quo vem a ser 1º de janeiro de 2000, tendo como marco final o dia 31 de dezembro de 2004. Como o auto de infração é de janeiro de 2004, não há que se falar na fluência do prazo decadencial; b) porém, o r. acórdão recorrido, a despeito dessas ponderações e da dicção do art. 173, I, do CTN, aplicou a decadência qüinqüenal contada da data da ocorrência do fato gerador. Com Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.004697/200377 Acórdão n.º 9202007.369 CSRFT2 Fl. 3 3 isso, concedeu à contribuinte uma decisão muito mais favorável do que ela obteria junto ao próprio Poder Judiciário; c) em respeito à jurisprudência majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, e diante da inexistência de pagamento parcial, não se deve admitir na hipótese destes autos a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, como previsto no §4º do art. 150 do CTN, mas sim a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, tal como previsto no art. 173, I, do CTN. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões, conforme o Despacho de fls. 506. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a controvérsia dos autos reside na definição do termo inicial da contagem do prazo de decadência: se seria de acordo com o art. 150, §4º, do CTN, ou de acordo com o art. 173, I, do mesmo diploma legal. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543¬C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta¬se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 510DF CARF MF 4 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege¬se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando¬se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida¬se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam¬se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543¬C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do primeiro dia Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.004697/200377 Acórdão n.º 9202007.369 CSRFT2 Fl. 4 5 do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código tributário Nacional. No caso ora analisado, é incontroversa a existência de pagamento, mas este ocorreu após a data de vencimento da obrigação, razão pela qual a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, a decisão recorrida assim dispôs sobre o tema: Pelo teor do referido voto, discordo da afirmação do Ilustre Relator no sentido de que, no entendimento do STJ, o marco do termo inicial para contagem do lustro decadencial fundamenta se na inexistência ou existência de pagamento até a data de vencimento da obrigação. Isto porque inexiste, na referida decisão, determinação expressa de que somente o pagamento efetuado até a data do vencimento poderá ser considerado pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial. Em face da espontaneidade do contribuinte, considero pagamento antecipado aquele que é efetuado antes do início do procedimento fiscal, conforme entendimento do aresto do STJ citado no relatório da mesma decisão "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ART. 150, § 4º E 173, I, AMBOS DO CTN. 1. No lançamento por homologação, o contribuinte, ou o responsável tributário, deve realizar o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer procedimento administrativo, ficando a extinção do crédito condicionada à futura homologação expressa ou tácita pela autoridade fiscal competente. Havendo pagamento antecipado, o fisco dispõe do prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o que foi pago ou lançar a diferença acaso existente (art. 150, § 4º do CTN). 2. Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, não há o que homologar nem se pode falar em lançamento por homologação. Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V do CTN, cujo prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I do CTN. 3. Com o encerramento do prazo para homologação (art. 150, § 4º do CTN), iniciase a contagem do prazo previsto no art. 173, I do CTN. Inexistindo pagamento antecipado, concluise ter o Fisco o prazo de 10 anos, após a ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário. 4. Em síntese, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário será: a) de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 512DF CARF MF 6 poderia ser efetuado, se o tributo sujeitarse a lançamento direto ou por declaração (regra geral do art. 173, I do CTN); b) de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador no caso de lançamento por homologação em que há pagamento antecipado pelo contribuinte (aplicação do art. 150, § 4º do CTN) e c) de dez anos a contar do fato gerador nos casos de lançamento por homologação sem que nenhum pagamento tenha sido realizado pelo sujeito passivo, oportunidade em que surgirá a figura do lançamento direto substitutivo do lançamento por homologação (aplicação cumulativa do art. 150, § 4º com o art. 173, I, ambos do CTN). 5. Precedentes da Primeira Seção e das duas Turmas de Direito Público. 6. Embargos de divergência providos." (EREsp 466.779/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 08.06.2005, DJ 01.08.2005) Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto efetuado espontaneamente (antes do início do procedimento fiscal), seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. (...). No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado em 15/02/2001, conforme demonstra a cópia do DARF juntada pelo Recorrente à fl. 458. Portanto o prazo decadencial conta se a partir de 31 de dezembro de 1998. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 05/01/2004 (comprovante à fl. 339) o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. O meu entendimento converge com o disposto na decisão recorrida, considerando a ocorrência do pagamento antes do início do início do procedimento fiscal, o que atrai a aplicação do art. 150, §4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial a partir da data do fato gerador do tributo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Dessa forma, ocorrido o fato gerador em 31/12/1998, o termo final do lapso decadencial foi 31/12/2003, portanto restou decadente o lançamento para o período sob análise, tendo em vista que a ciência do lançamento ao contribuinte aconteceu em 05/01/2004. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.004697/200377 Acórdão n.º 9202007.369 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no sentido de que o pagamento espontâneo efetuado após o vencimento do tributo e antes do início do procedimento fiscal seria apto a atrair a incidência da regra do art. 150, § 4º, do CTN. Conforme o Recurso Especial nº 973.733/SC, do STJ, proferido com efeito repetitivo, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, constatandose o pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, até a data do vencimento, o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do fato gerador ( art. 150, § 4º, do CTN). Entretanto, ultrapassada a data de vencimento do tributo, sem que se verifique o respectivo pagamento, a regra aplicável passa a ser a do art. 173, I, do CTN primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado já que, ausente o recolhimento no momento oportuno, o Fisco fica prejudicado na sua tarefa de homologar o lançamento. Com efeito, o pagamento antecipado não constitui uma opção e sim uma obrigação, sujeita a regras específicas, cujo descumprimento compromete a sistemática do lançamento por homologação. Nesse sentido, oportuno trazer à colação trecho do voto vencido do Ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, que bem demonstra a fragilidade da sistemática, caso fosse dado ao Contribuinte aproveitarse do benefício do art. 150, § 4º, do CTN, mediante pagamento fora do prazo: "Não fosse assim, a fixação do termo a quo do prazo decadencial ficaria ao livre arbítrio do contribuinte, que o modificaria de acordo com os seus próprios interesses, o que, à evidência, não se mostra em harmonia com a segurança jurídica que deve prevalecer nas relações jurídicotributárias. Em outras palavras: não seria razoável admitir que o termo inicial do prazo decadencial se deslocasse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a data da ocorrência do fato gerador porque o contribuinte, após o início do prazo, resolveu efetuar pagamento parcial do imposto devido, haja vista que o termo inicial do prazo de decadência não pode ser alterado ao alvedrio do contribuinte. O tributo devido referese ao anocalendário de 1998 e não houve recolhimento até a data de seu vencimento, senão apenas Fl. 514DF CARF MF 8 em 15/02/2001, conforme demonstra a cópia do DARF juntada pelo Recorrente à fl. 458, de modo que descabe cogitar de alteração no termo inicial do prazo que já estava em curso, devendo prevalecer o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 515DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.000943/2003-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITA - TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL - PREJUÍZOS FISCAIS. Nos termos do artigo 509 do RIR/99, pode ser compensado o prejuízo fiscal na apuração do IRPJ lançado com base em omissão de receitas.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA - FALTA DE OPÇÃO PELO LUCRO REAL ANUAL. Constatado que a opção da contribuinte é pelo lucro real em bases trimestrais, não há o que se falar em multa isolada por falta de recolhimento de estimativa com base no lucro real anual.
Numero da decisão: 1202-000.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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Nos termos do artigo 509 do RIR/99, pode ser compensado o prejuízo fiscal na apuração do IRPJ lançado com base em omissão de receitas. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA FALTA DE OPÇÃO PELO LUCRO REAL ANUAL. Constatado que a opção da contribuinte é pelo lucro real em bases trimestrais, não há o que se falar em multa isolada por falta de recolhimento de estimativa com base no lucro real anual Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.030 2 Relatório Tratamse os autos de Recurso de Ofício apresentado tendo em vista que a DRJ considerou: improcedente a aplicação de multa exigida isoladamente, nos períodos de novembro/1999 a agosto/2002, no valor de R$ 6.694.062,85 (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ) e R$ 3.000.282,52 (Contribuição Social do Lucro Líquido CSLL); e, que deveriam ser computados na determinação do cálculo do IRPJ, anos calendários de 2000 e 2001, os prejuízos fiscais controlados na parte B do LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real da contribuinte, passando, assim, o lançamento do crédito tributário para redução de prejuízo fiscal e, não, com a apuração de imposto a pagar. Foi lavrado Auto de Infração contra a DSM Distribuidora São Miguel Ltda, por divergência observada entre o valor escriturado e declarado; e, omissão de receitas verificada com base em depósitos bancários não contabilizados, resultando na exigência de IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição ao PIS e COFINS, e multa isolada por falta de recolhimento mensal em bases estimadas, perfazendo um total de R$ 26.826.723,92. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a empresa apresentou Declaração de Rendimentos, para o anocalendário de 1999, optando pelo regime de lucro presumido e, nos anoscalendários de 2000 a 2002, declarouse inativa. Na lavratura do Auto de Infração de IRPJ e de CSLL foram adotados também o regime de tributação do lucro real trimestral, todavia o lançamento da multa isolada foi feito com base no lucro real anual. A autoridade fiscalizadora descreveu que o cálculo com base no lucro real trimestral se deu tendo em vista que a empresa entregou a Declaração de Rendimentos relativa ao anocalendário de 1999, optando pelo regime de Lucro Presumido, que posteriormente, retificou para Inativa (18 de setembro de 2002); e, nas Declarações de Rendimentos, referentes aos anoscalendários de 2000 e 2001, também informou ser Inativa. A contribuinte apresentou Impugnação tempestiva contra o Auto de Infração acima. A DRJ, em sua primeira análise, solicitou diligência através da Resolução DRJ/REC n° 263 (fls. 923 a 931), para que fossem respondidas as seguintes questões: “1º Perante a legislação, qual a forma de tributação adotada pela contribuinte para os anos calendários de 1999 a 2002? 2° Poderia a contribuinte vencidos os prazos de pagamento do imposto de renda e após a data de entrega da declaração de informação da pessoa jurídica ainda optar pela forma de tributaçãopelo lucro real anual? 3° . Caso efetuado a opção pela tributação pelo lucro real anual com recolhimentos por estimativa, por que os lançamentos da omissão de receita (depósitos bancários não contabilizados) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.031 3 foram tributados, nos anos calendários de 2000 e 2001, trimestralmente? 4º Se a contribuinte possuía os livros contábeis necessários à apuração do Lucro Real trimestral ou anual por que os valores da omissão de receita foram tributados sem recomposição do lucra real trimestral ou anual? 5º Por que os valores escriturados foram desprezados na composição do lucro? 6º À escrituração da contribuinte possibilitaria a apuração pelo lucro real trimestral ou anual?” Foi entregue Termo de Diligência Fiscal solicitando os esclarecimentos acima. Em resposta (fls 950 a 952), consoante Relatório de Diligência Fiscal e Informação Fiscal (fls 953 e seguintes), a contribuinte apresentou os Livros Razão e Diário ( fls. 287 a 669), LALUR Livro de Apuração do Lucro Real (fls. 670 a 681) e Livro Registro de Apuração do ICMS (fls 682 a 725), referentes aos anoscalendários 1999, 2000 e 2001. As respostas às questões constam do referido Termo são conforme abaixo: " 1 – No Termo de Constatação e Intimação Fiscal n°01 (fls. 180) foi solicitado da fiscalizada informar a forma de tributação adotada pela empresa. Em sua resposta recebida em 16/10/2002 (por um lapso não juntada a este processo porém constante dos processas n" 19647.00946/200302 que trata do auto de infração da COF1NS às fls. 43 e no processo n° 19647.00946/200350 que trata do auto de infração do PIS às fls. 45) ora juntada às fls. 952, a fiscalizada informa que sua tributação a ser adotada é lucro real. 2 .Analisando o LALUR, parte A, constatamos que a fiscalizada,para todos os Ano Calendário sob referência, lançou ajustes ao lucro líquido feitos na data de encerramento dos trimestres, demonstrando com esses lançamento, sua pretensão pela tributação do imposto de renda pelo lucro real trimestral, o que veio confirmar sua informação dada na correspondência datada de 16/10/2002, citada no item 1 acima. 3. Não obstante a justificativa para o procedimento adotado no item 2 acima, por lapso, deixamos de utilizar as receitas omitidas por presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 (descrito no item 4abaixo) para compensar os prejuízos fiscais dos períodos trimestrais indicados no LALUR, apurados pela fiscalizada e não contestado pela fiscalização. Se assim tivesse procedido, não teria originado imposto de renda pessoa jurídica lavrado em auto de infração do IRPJ (fls. 06 a 21) e sim diminuído o prejuízo fiscal apurado. Em relação acontribuição social sobre o lucro líquido nenhum valor foi registrado no LALUR. ......... 6 – quanto a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa constante do auto de infração do Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.032 4 1RPJ às fls. 07 e 08 e do auto de infração da CSLL às fls. 35 e 36 foi indevidamente procedida tendo em vista a manifestação da fiscalizada pela tributação pelo regime de lucro real trimestral o qual foi adotada por esta fiscalização conforme exposto no item 2 acima." Como pudemos ver, a autoridade fiscalizadora identificou que equivocadamente efetuou o cálculo sobre as receitas omitidas com base na presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9430/96, todavia, sem considerar a compensação dos prejuízos fiscais existentes e escriturados na Parte B do LALUR. Desse modo, refez os cálculos e apurou uma redução no prejuízo fiscal, não mais imposto de renda a pagar. Não foi feito o recálculo da apuração da CSLL tendo em vista que não apresentou base de cálculo negativa de CSLL no LALUR ou em outro documento hábil para tal. Em seu Acórdão de nº 1119.056, a DRJ conclui da seguinte forma: a) Rejeitou as preliminares de nulidade suscitadas pela contribuinte por falta de fundamento legal. b) Considerou improcedente os autos de infração do IRPJ e da CSLL, a aplicação da multa Exigida Isoladamente, nos períodos de 11/1999 a 8/2002, no valor respectivamente de R$ 6.694.062,85 e R$ 3.000.282,52, a qual é objeto do presente Recurso de Ofício que abaixo relataremos com mais detalhes. c) Manteve a apuração dos valores da omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados por falta de contabilização e comprovação por parte da contribuinte dos valores créditos em sua conta. d) Considerou os valores dos prejuízos fiscais apurados no LALUR da empresa para alterar a tributação do IRPJ, dos anoscalendários 2000 e 2001, passando de crédito tributário apurado para redução de prejuízo fiscal escriturado, conforme tabela que integra o voto da DRJ (no item 2.2). Isso foi feito com base no fato que a apuração do IRPJ foi feita com base no lucro real trimestral e não anual, como ficou apresentado no lançamento do Auto de Infração. e) Manteve o crédito tributário apurado em relação a CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS referente à apuração de omissão de receita — depósitos bancários não contabilizados pela intima relação de causa e efeito existente com o IRPJ. f) Manteve a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% sobre o crédito tributário apurado nos anos calendários de 2001 e 2002 nos autos de infração da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS, pois a contribuinte obteve receitas brutas, nos anos calendários de 2001 e 2002 e optou por informar, espontaneamente, à SRF que estava INATIVA, bem como deixou de contabilizar a movimentação de sua conta bancária no Banco do Brasil, caracterizando omissão de receita. Em relação ao IRPJ e à CSLL, para o período de novembro/1999 a agosto/2002, no valor respectivamente de R$ 6.694.062,85 e R$ 3.000.282,52, a DRJ explicou que, nos termos dos artigo 1º ao 3º, da Lei nº 9430/1996, a saber: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.033 5 “Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. .................... Pagamento por Estimativa Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1°e 2° do art. 29 e nos arts. 30a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. § lº O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: 1 dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4° do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.034 6 Seção II Pagamento do Imposto Escolha da Forma de Pagamento Art. 3°A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1°, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2° será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2° será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade.” Com base na legislação acima e verificando o lançamento constante dos Autos de Infração do IRPJ e CSLL, e também como a contribuinte optou pelo recolhimento com base no lucro real trimestral e, não, com base no lucro real anual, decidiu que não há falta de recolhimento com base na estimativa de apuração do lucro real anual. Portanto, não é cabível a cobrança de multa isolada fundamentada na apuração do lucro real anual posto que não há o que se falar em falta de recolhimento do imposto/contribuição por estimativa verificada pela divergência da escrituração e declaração, sendo assim, é improcedente a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, nos anoscalendários de 1999 a 2002. Em relação à compensação dos prejuízos fiscais existentes e constantes do recálculo da autoridade lançadora, concordou com a consideração dos prejuízos fiscais e com os cálculos apresentados que foram reproduzidos no item 2.2 do voto constante do Acórdão acima mencionado. Também citou jurisprudência desse colegiado que confirma que o prejuízo fiscal a ser considerado é o que está escriturado no LALUR, independente do constante na Declaração de Rendimentos, a saber: “FALTA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — a falta de entrega da declaração de rendimentos do exercício encerrado com prejuízo fiscal não impede a compensação deste exercício em que o lucro foi apurado, desde que devidamente registradas as operações no Livro Diário e LALUR. ( Acórdão n° 10178.878/89) Tendo em vista a decisão da DRJ pela improcedência em parte e com base no artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria do Ministro da Fazenda nº 3/2008, os autos foram encaminhados a esse Conselho para julgar em sede de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Relatora Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.035 7 Tratase de exigência, mediante lavratura de Auto de Infração contra a DSM Distribuidora São Miguel Ltda, de IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição ao PIS e COFINS, perfazendo um total de R$ 26.826.723,92, referente ao 1º trimestre de 2000 ao 4º trimestre do 2001; e também multa isolada sobre a diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado (com base na estimativa) para o período de novembro de 1999 a novembro de 2002. A exigência foi fundamentada pela omissão de receitas, com base no artigo 42 da Lei nº 9430/96, e pela divergência constante entre o valor declarado e o escriturado. A DRJ decidiu pela improcedência: da aplicação de multa exigida isoladamente, nos períodos de novembro/1999 a agosto/2002, no valor de R$ 6.694.062,85 (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ) e R$ 3.000.282,52 (Contribuição Social do Lucro Líquido CSLL); e, do cálculo, como primeiramente lançado, porque não tinham sido computados os prejuízos fiscais controlados na parte B do LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real quando da determinação do cálculo do IRPJ, anoscalendários de 2000 e 2001. Com o cômputo, o lançamento do crédito tributário resultou em redução de prejuízo fiscal e, não, com a apuração de imposto a pagar. Em se tratando de decisão pela improcedência que resultou em exoneração de valor acima de R$1.000.000,00, com base no artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria do Ministro da Fazenda nº 3/2008, os autos foram encaminhados a esse Conselho para julgar em sede de Recurso de Ofício. Como acima relatado, a autoridade lançadora procedeu ao lançamento partindo da premissa que a contribuinte havia apurado o IRPJ e, conseqüentemente, a CSLL, com base no lucro real anual. Todavia, feita a diligência requerida pela DRJ, ficou constatado que, no LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, a contribuinte escriturou sua demonstração do lucro real para o período em comento em bases trimestrais. Assim sendo, também o lançamento, com base na divergência de valores escriturados e declarados, deveria se fundamentar no mesmo sentido e, não, alterando para apuração com base no lucro real anual. Ainda, consta do voto da DRJ que: “ Para a infração relacionada com a omissão de receita comprovada através da constatação da não contabilização/comprovação de depósitos bancários, já analisada acima, a fiscalização utilizou os valores apurados no procedimento fiscal e constituiu o crédito tributário considerando os trimestres dos anos de 2000 e 2001, ou seja, foi adotada pela autuante a formade tributação pelo lucro real trimestral. Quando da autuação da multa isolada pela falta de recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa, nos anos calendários de 1999 a 2002, a fiscalização utilizou a forma de tributação com se a contribuinte tivesse optado pela apuração do lucro real anual, com recolhimentos por estimativa.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo nº 19647.000943/200316 Acórdão n.º 120200.535 S1C2T2 Fl. 1.036 8 Deve haver coerência entre a apuração do tributo e conseqüente multa isolada. Não é possível lançar os mesmos períodos e tributos com base em duas formas de apuração, trimestral e anual. Ou seja, não foi atendido o disposto nos artigos 1º a 3º da Lei nº 9430/1996. Portanto, nesse item está correto o entendimento da DRJ. Em relação à compensação do prejuízo fiscal, deve ser observado o artigo 509 do RIR/99, portanto, está correto o recálculo feito pela autoridade lançadora bem como a decisão proferida pela DRJ. Nesses termos, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 23/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA
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Numero do processo: 19515.000553/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
Numero da decisão: 2201-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA Recorrente ELZA KAZUKO OKANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 53 /2 00 7- 75 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 288 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 249/257, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP, de fls. 223/239, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 122/130, lavrado em 19/03/2007, relativo ao ano calendário 2002, com ciência da RECORRENTE em 26/3/2007 (fl. 134). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no valor de R$ 334.340,93, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF acostado às fls. 118/120, constatase que o lançamento decorreu da análise da documentação encaminhada pela RECORRENTE durante a fiscalização, em especial os extratos bancários relativos às contas mantidas pela contribuinte junto aos bancos Itaú e Bradesco. Segundo a autoridade fiscalizadora, a contribuinte foi programada para fiscalização devido a movimentação financeira no anocalendário 2002, no montante de R$ 706.473,82, ser incompatível com os rendimentos declarados no período, que totalizaram R$ 67.574,90. Durante o procedimento fiscal, não houve manifestação da contribuinte para comprovar a origem dos créditos acima de R$ 200,00. Desta forma, a totalidade dos créditos do período (R$ 511.931,14) foi considerada como omissão de rendimentos e foi lavrado o respectivo crédito tributário, no valor anteriormente mencionado. A planilha com o total mensal dos créditos não comprovados em cada banco encontrase acostada à fl. 116. Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 139/167. Destacase que não consta nos autos data do recebimento da Defesa apresentada pelo contribuinte. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo II /SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório “Neste tópico, o impugnante descreve os motivos de fato e de direito para desconsiderar o crédito tributário apurado pela fiscalização. Faz digressões acerca da norma jurídica tributária e a obrigação tributária, alegando que a ligação desses dados indicativos é a única possibilidade de auferir na sua plenitude, o estrutural da norma padrão de incidência tributária, também chamada de regramatriz de incidência tributária; Fl. 288DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 289 3 Afirma que inexiste no presente processo qualquer identificação da ocorrência do critério material de incidência tributária, qual seja, o acréscimo patrimonial, visto que, conforme se demonstrará, os lançamentos de créditos e pagamentos ocorridos no ano calendário 2002, resultaram, ao final, um déficit de R$ 3.588,80 e, assim sendo, em vez de ter havido acréscimo patrimonial, houve perda, conforme comprovam os documentos/informações fornecidos à fiscalização; Prossegue em sua defesa alegando que o art. 43 do CTN desqualifica plenamente qualquer fiscalização e autuação imposta, pois não houve nenhuma das hipóteses ali apontadas, já que em momento algum se levou em consideração o resultado final da conta bancária, mas tão somente as movimentações creditadas realizadas pela impugnante, não auferindo as compensações de pagamento, devolução de cheques, utilizando se somente da basedecálculo referente ao recolhimento da CPMF, como único critério a ser considerado; A impugnante elabora quadro demonstrativo da movimentação bancária, apenas com os saldos inicial e final (fls. 75/78 [efls. 147/155]), para concluir que no anocalendário 2002, obteve um resultado final de R$ 3.588,80 e que no período apurado há vários depósitos em cheques, posteriormente devolvidos por falta de fundos, comprovando, assim, não ter ocorrido ganho de capital; Da taxa Selic No item da impugnação, o contribuinte se insurge contra a cobrança de juros moratórios mediante a utilização da taxa Selic. Primeiro, ressalta a inconstitucionalidade da taxa Selic, afirmando que a mesma deve ser excluída do cômputo dos valores apresentados, visto o entendimento do STJ. Segundo, defende que, conforme dispõe o artigo 161, parágrafo 10, do Código Tributário Nacional, os juros aplicados ao presente caso estariam limitados a 1% ao mês, por não existir lei ordinária que tenha criado a taxa Selic. Terceiro, que o artigo 219 do CPC estabelece que somente a citação válida constitui o devedor em mora, razão pela qual e com fulcro no referido artigo, os juros deverão incidir a partir desta data. Diz, ainda, que não cabe aplicação da taxa Selic na esfera tributária, nos termos da decisão do STJ, cuja transcrição é feita na impugnação (fls. 81/82). Pedido Diante do exposto, pede a improcedência da ação fiscal com base nos documentos anexados que comprovam que o impugnante jamais auferiu qualquer tipo de lucro ou ganho de capital e, sim, prejuízos em sua movimentação bancária. Que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Requer a redução da multa e juros de mora ao percentual máximo permitido de 20% no total e seja a mesma aplicada somente Fl. 289DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 290 4 sobre os valores que possuam relação com o patrimônio do impugnante, respeitando o princípio da capacidade contributiva. Requer a apuração de novo débito fiscal, desta vez excluindose os valores que não contribuíram com ganho de capital, já que os mesmos depositados em conta simultaneamente saíam e, muitas vezes, o que entrava era estornado posteriormente. Esclarece, por fim, que juntará razões e provas complementares, nos termos do art. 38 da Lei n°9.784/98 (sic). Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo II /SP julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 223/239). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Em consonância com a legislação em regência, a apuração de omissão de rendimentos enseja o lançamento da multa de oficio de 75%. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 8/6/2009, conforme AR de fl. 247, apresentou o recurso voluntário de fls 249/257 em 7/7/2009. Em suas razões, alegou pela improcedência do lançamento ante a inocorrência do critério material de incidência tributária, pois não houve acréscimo de renda, já que não foi levado em conta o resultado final das contas, mas somente os créditos, sendo ilegal a presunção de omissão de rendimentos com base nas informações contidas no Sistema de Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal apurado através da extinta CPFM paga. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 291 5 Afirma também que “a maioria dos créditos é referente à movimentação entre contas da própria contribuinteimpugnante, não podendo haver assim a cobrança de imposto duas ou mais vezes sobre um mesmo valor”. Destacase que o Recurso Voluntário não questionou a legalidade da Taxa Selic. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Em princípio, apesar da RECORRENTE alegar que o lançamento tomou como base os valores declarados como base de cálculo da extinta CPMF, não foi o que ocorreu. O lançamento tomou como base os extratos bancários das contas no Banco Itaú (c/c 365101 ag. 0682, fls. 38/80) e no Banco Bradesco (conta poupança 7.825.615P, ag. 01317, fl. 82; e c/c 118.8623 ag. 01015, fls. 84/104). Da análise dos mencionados extratos, a fiscalização elaborou a relação de depósitos não justificados às fls. 12/22, com a relação de cheques devolvidos à fl. 24 e, ao final, elaborou a planilha com o total mensal dos créditos não comprovados em cada banco(fl. 116). Devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Fl. 291DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 292 6 A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Ainda de acordo com o §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os créditos efetuados na conta são analisados de forma individualizada, não havendo que se falar em compensações durante o mês a fim de se apurar o resultado ao final do período: “Art. 42. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Esclareço que os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, acima transcrito, passaram a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, a partir de agosto/1997, nos termos do art. 4º da Lei nº 9.481/97. Contudo, tal hipótese não se aplica ao presente caso, uma vez que todos os créditos efetuados em ambas as contas bancárias são inferiores a R$ 12.000,00 (exceto um de R$ 17.613,60, em 20/05/2002, no Bradesco – fl. 20) e eles somam R$ 511.931,14 dentro do anocalendário (superior, portanto, aos R$ 80.000,00). Portanto, ao contrário do que defende a RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 293 7 O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Deveria, então, a RECORRENTE comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 293DF CARF MF Processo nº 19515.000553/200775 Acórdão n.º 2201004.934 S2C2T1 Fl. 294 8 Desta forma, as alegações da RECORRENTE de que o lançamento deveria considerar apenas o saldo final mensal de cada conta corrente não merece prosperar, pois, como mencionado, a presunção legal incide sobre os valores creditados, e não sobre o saldo da conta corrente. Por sua vez, também não merece prosperar os argumentos da RECORRENTE de que grande parte dos valores decorrem de cheques devolvidos e de movimentações entre contas bancárias de sua titularidade. Quanto aos cheques devolvidos, a planilha de fl. 24 demonstra que a autoridade fiscal os desconsiderou, para fins de elaboração da planilha dos valores sem origem comprovadas. Por sua vez, quanto aos argumentos de que se tratam de simples movimentação bancária entre contas corrente de sua titularidade, deveria o contribuinte ter juntado aos autos aos extratos das respectivas contas, com indicação individualizada da origem de cada um dos depósitos tidos como omitidos. A simples alegação, desacompanhada de prova, não é suficiente para afastar a presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 Desta feita, entendo como não comprovada a origem dos valores objetos do presente processo administrativo, mantendo a tributação incidente sobre a presunção legal de omissão de rendimentos. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 10600.720077/2016-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada.
Numero da decisão: 1401-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Breno Do Carmo Moreira Vieira. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Breno Do Carmo Moreira Vieira. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 77 /2 01 6- 60 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 527 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso quando da análise da Impugnação. Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 5/10, lavrado pela DRF Belo HorizonteMG em 31/08/2016, para exigência de multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL de agosto de 2011 a dezembro de 2012, no valor total de R$ 186.754.762,96. Segundo o Termo de Verificação FiscalTVF de fls. 11/27, as multas se referem a falta de recolhimentos de estimativas, uma vez que a interessada se considerou desobrigada da apuração e recolhimento da CSLL naqueles meses. O lançamento teve como enquadramento legal o art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e o art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 29/09/2016, sua impugnação de fls. 409/434, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade, e alega transcrevendo vasta jurisprudência, em síntese, que: Possuía decisão judicial transitada em julgado afastando a cobrança da CSLL em razão da inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; A multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas não pode ser exigida por auto de infração lavrado após o encerramento dos anosbase de incidência; É incabível a cumulação da multa isolada do presente processo com a multa de ofício exigida no processo nº 10600.720049/201642, uma vez que os Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 528 3 valores considerados são os mesmos, destacando a súmula CARF nº 105, aplicável inclusive aos casos cuja multa isolada foi fundamentada sob as alterações do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, carreadas pela Lei nº 11.488/2007; Protesta contra a imposição de dupla e inadmissível imposição de pena ao mesmo fato; Complementa não ser possível alegar que as multas poderiam ser impostas concomitantemente pelo fato das normas possuírem finalidades distintas, uma vez que, em face do princípio da consunção, a infração mais grave absorve a infração de menor gravidade; Requer que, na hipótese de improcedência da impugnação, o presente processo seja sobrestado até o julgamento definitivo do processo nº 10600.720049/201642 ou imediatamente apensado ao mesmo. Analisando a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento julgou procedente a impugnação e exonerou por completo a autuação. Desta decisão a própria DRJ recorreu de ofício a este CARF em razão do valor exonerado. O contribuinte apresentou petição informando que não há interesse de recorre mas, entretanto, no caso de a Turma julgadora entender por dar provimento ao recurso de ofício, apresenta, desde já outras temas que foram apontados na impugnação como passíveis de cancelamento da autuação e que deixaram de ser analisados pela Delegacia de Julgamento e que devem ser enfrentados. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de lançamento de multa isolada em relação à falta de recolhimento da CSLL por estimativa nos anos de 2011 e 2012, fato que foi constatado quando da elaboração do auto de infração de CSLL do processo nº 10600.720049/201642. Assim, foi emitido novo MPF para o lançamento da multa isolada ora tratada. A Delegacia de Julgamento, ao analisar a questão, entendeu que era inaplicável o lançamento da multa isolada cumulado com o lançamento da multa de ofício do processo nº 10600.720049/201642, posto que havia a vedação estabelecida pela Súmula CARF nº 105. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 529 4 Ocorre, no entanto, que o fundamento jurídico utilizado pela fiscalização para a referida autuação é diverso do estabelecido pela Súmula, além disso, referida súmula deixou de ter validade em razão das alterações legislativas posteriores à sua edição, realizadas pela Lei nº 11.488/2007 que revogaram o dispositivo. No entanto, inobstante o meu entendimento quanto à errônea aplicação da referida súmula, mesmo assim, no mérito não entendo ser passível o provimento do recurso de ofício enfrentado pelos motivos que agora passo a expor. Inicialmente já é de conhecimento dos membros desta Turma Julgadora que meu posicionamento é no sentido da impossibilidade da exigência da multa isolada quando há a aplicação, relativa ao mesmo exercício da multa de ofício em valor igual ou superior ao da multa agravada. Para tanto apresento posicionamento já muitas vezes apresentado neste CARF que contou o prestigioso auxílio do então Conselheiro do CARF Guilherme Adolfo Mendes. vejamos: Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 530 5 Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 531 6 não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente caso, percebese que a multa de ofício excede o valor da multa isolada pelo não recolhimento da estimativa, absorvendoa integralmente. Desta forma entendo por negar provimento ao lançamento da multa isolada em razão desta ter sido integralmente abrangida pela multa de ofício. Do exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação o lançamento de multa isolada por falta de pagamento de estimativa do IRPJ e CSLL. No presente caso, em razão do elevado valor da autuação levada à efeito contra o contribuinte entendo que devo tecer outras considerações a respeito, até mesmo porque tenho conhecimento de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu julgamento em sentido contrário ao deste entendimento. No julgamento que tomei conhecimento a aplicação do Princípio da Consunção foi negada na seara do direito tributário em razão do entendimento de que os princípios de direito penal não poderiam ser utilizados na seara do direito tributário. Data venia o devido respeito e consideração que tenho com as decisões proferidas pela Câmara Superior deste CARF, até mesmo porque sigo alguns de seus ensinamentos em diversos pontos, não concordo com esse posicionamento. Desde os tempos dos bancos escolares na Faculdade de Direito sempre recebi e acolhi o ensinamento de que é menos grave infringir uma norma do que um princípio. Este ensinamento decorre do fato de que os princípios do direito são normas não escritas que vigoram acima das normas positivadas e servem de guia para a sua produção e de guia para os intérpretes. Por isso os princípios são tão importantes na vida dos operadores do direito. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 532 7 Apresentamos a lição de renomados juristas acerca dos princípios no direito. Conforme Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondolhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindolhe a tônica que lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico. (MELLO, 2009, p. 53) Segundo Miguel Reale Júnior: Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade. Às vezes, também se denominam princípios certas proposições que, apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas como fundamentos da validez de um sistema particular de conhecimento com seus pressupostos necessários. (REALE, 1991, p. 59) Vejase que o nosso código tributário adota, ele próprio, diversos princípios do direito penal, como se pode observar pela leitura dos seguintes dispositivos. Princípio da Legalidade no direito penal: nullum crimen, nulla poena sine lege Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. ...... Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; ........... Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .......... Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 533 8 V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Princípio da Anterioridade: Nullum crimen, nulla poena sine lege praevia; Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Princípio da Retroatividade Benigna Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Princípio da Intervenção Mínima e da Gradação da Pena Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 534 9 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Especificamente, em relação ao Princípio de Intervenção Mínima apresentamos a lição de César Roberto Bittencourt. O princípio da intervenção mínima, também conhecido como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle social revelaremse suficientes para a tutela desse bem, a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais. Por isso, o Direito Penal deve ser a ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelaremse incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. (BITENCOURT, 2009, p. 13, grifo no original) O Princípio da Consunção, nasce então da necessidade de aplicação da gradação das penas e de intervenção mínima. Por isso, novamente nos utilizamos na lição de César Roberto Bittencourt para demonstrar a construção juridica do Princípio da Consunção. Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicandose somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de minus e plus, de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração9. Por isso, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de perigo é absorvido pelo crime de dano. A norma consuntiva constitui fase mais avançada na realização da ofensa a um bem jurídico, aplicandose o princípio major absorbet minorem10. Assim, as lesões corporais que determinam a morte são absorvidas pela tipificação do homicídio, ou o furto com arrombamento em casa habitada absorve os crimes de dano e de violação de domicílio etc. A norma consuntiva exclui a aplicação da norma consunta, por abranger o delito definido por esta11. Há consunção quando o crimemeio é realizado como uma fase ou etapa do crimefim, onde vai esgotar seu potencial ofensivo, sendo, por isso, a punição somente da conduta criminosa final do agente. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 535 10 Não convence o argumento de que é impossível a absorção quando se tratar de bens jurídicos distintos. A prosperar tal argumento, jamais se poderia, por exemplo, falar em absorção nos crimes contra o sistema financeiro (Lei n. 7.492/86), na medida em que todos eles possuem uma objetividade jurídica específica. É conhecido, entretanto, o entendimento do TRF da 4ª Região, no sentido de que o art. 22 absorve o art. 6º da Lei n. 7.492/8612. Na verdade, a diversidade de bens jurídicos tutelados não é obstáculo para a configuração da consunção. Inegavelmente – exemplificando – são diferentes os bens jurídicos tutelados na invasão de domicílio para a prática de furto, e, no entanto, somente o crimefim (furto) é punido, como ocorre também na falsificação de documento para a prática de estelionato, não se punindo aquele, mas somente este (Súmula 17 do STJ). No conhecido enunciado da Súmula 17 do STJ, convém que se destaque, reconheceuse que o estelionato pode absorver a falsificação de documento. Registrese, por sua pertinência, que a pena do art.297é de dois a seis anos de reclusão, ao passo que a pena do art. 171 é de um a cinco anos. Não se questionou, contudo, que tal circunstância impediria a absorção, mantendose em plena vigência a referida súmula. Não é, por conseguinte, a diferença dos bens jurídicos tutelados, e tampouco a disparidade de sanções cominadas, mas a razoável inserção na linha causal do crime final, com o esgotamento do dano social no último e desejado crime, que faz as condutas serem tidas como únicas (consunção) e punindose somente o crime último da cadeia causal, que efetivamente orientou a conduta do agente.(BITTENCOURT, in http://www.cezarbitencourt.adv.br/index.php/artigos/36conflitoaparente entrealein866693eodecretolein20167) Além dessa positivação de alguns princípios existem outros, como o da presunção de inocência que são utilizados pela administração tributária e pela fiscalização sem que ao menos se perceba. Vejase, ao iniciar a fiscalização o agente, mesmo que plenamente convicto da existência de irregularidades cometidas pelo contribuinte não pode, simplesmente, lavrar uma autuação sem qualquer prova material. Justamente pela aplicação do princípio da presunção da inocência é que se exige e, neste ponto, este CARF é sempre rigoroso, a demonstração da infração cometida, do seu enquadramento legal e a juntada de provas de todo o alegado. Mesmo assim, ainda que muito bem constituída a autuação, o processo administrativo de constituição do crédito tributário apenas se inicia com a ciência do lançamento. O contribuinte não é nem pode ser cobrado neste momento pois, em atenção ao princípio da presunção de inocência ele só poderá ser cobrado após o esgotamento de todas as instâncias de julgamento administrativo. Demonstrase, neste caso, que em nenhum lugar está escrito que o contribuinte não é cobrado em face da presunção de inocência, no entanto a norma que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário baseouse neste princípio para sua formação. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 536 11 Por isso talvez, não sendo norma escrita em nenhum lugar, às vezes princípios jurídicos que não são tão comuns, podem causar estranheza e a refração de alguns intérpretes. Com relação ao princípio da Consunção que, reconheço, não é se sabença geral em sua completude, a estranheza decorre do fato de se afastar a aplicação de uma norma legal (a de aplicação de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa) em razão de um princípio não escrito. Mas o princípio da Consunção funciona exatamente desta forma. Quando existem condutas praticadas pelos particulares que se amoldem a mais de uma infração, há de se aplicar a pena relativa à maior infração capitulada e deixar de aplicar a pena da menor infração até o limite daquela. Vejamos um exemplo prático do direito penal. O sujeito que pratica lesões corporais graves em outrem que é levado para o hospital e depois vem a óbito. Neste agir o sujeito está agindo da forma capitulada em dois tipos penais: o de lesão corporal grave e o de homicídio. O de lesão tem uma pena menor e o de homicídio tem uma penar maior, mas veja que a mesma ação deu azo à tipificação de dois crimes. Pela aplicação do princípio da Consunção o sujeito, sendo provada sua culpa, cumprirá a pena exclusivamente pelo crime de homicídio (que é o mais amplo e absorve o menos amplo) e não receberá a pena cumulada de lesão corporal e homicídio. É aplicação direta do princípio. No direito tributário, havendo a mesma ratio, há de haver a mesma conclusão. Não é o fato de o princípio ser afeito ao direito penal que o torna inaplicável ao direito tributário. Vejase que o próprio Superior Tribunal de Justiça, em sede de análise de Recurso Especial já se manifestou pela possibilidade de aplicação do princípio ao direito tributário em relação ao mesmo problema. 1.1.1.1 Processo AgRg no REsp 1576289 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2015/03259378 1.1.1.2 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) 1.1.1.3 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.4 Data do Julgamento 19/04/2016 1.1.1.5 Data da Publicação/Fonte DJe 27/05/2016 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 537 12 1.1.1.6 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. 1.1.1.7 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." 1.1.1.8 Processo REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL 2014/02967297 1.1.1.9 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) 1.1.1.10 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.11 Data do Julgamento 17/03/2015 1.1.1.12 Data da Publicação/Fonte DJe 24/03/2015 1.1.1.13 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 538 13 PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. 1.1.1.14 Acórdão "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Os princípios não são de um direito ou de outro, são princípios de direito como um todo. Por questões de usualidade estudase mais em um determinado ramo, mas estes não deixam de poder ser aplicados a qualquer ramo do direito, senão, repisemos, cometeríamos a heresia de quebrar um princípio de direito ao negarlhe aplicação. Quanto à isto existe norma Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 539 14 posta? por óbvio que não, no entanto, é norma implícita que deve ser atendida pelos operadores do direito. Assim, com relação à aplicação do Princípio da Consunção na análise da aplicação cumulativa das multas isolada e de ofício entendo da seguinte forma: 1. O sujeito passivo deixou de cumprir uma norma jurídica que determinava o recolhimento mensal da CSLL devida por estimativa, como forma de antecipação da CSLL devida ao final do anocalendário; 2. Em seguida, encerrado o exercício, o contribuinte não apura nem recolhe a CSLL devida na sistemática adotada de apuração anual da contribuição. 3. Chegada a fiscalização verifica as duas ações diversas que são, em síntese, o não pagamento de tributo. O primeiro de forma antecipada e o segundo de forma integral ao final do exercício. Assim, verificando duas ações, aplica duas sanções, uma de 50% pelo não recolhimento da estimativa e outra de 75% pelo não recolhimento da contribuição anual apurada. Ora a aplicação do Princípio da Consunção decorre do fato de que a primeira conduta é parte integrante da segunda conduta. Não existe um tributo denominado CSLL por estimativa e outro tributo denominado CSLL da apuração anual. O que se recolhe por estimativa são pedaços da CSLL que, por conveniência da administração tributária tem de ser recolhidas de forma antecipada, mesmo sem haver o conhecimento do lucro tributável. Vejase, se a fiscalização chega ao contribuinte durante o exercício e aí aplica a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa devida é um fato. Se a fiscalização chega ao contribuinte após o encerramento do exercício não pode nem mesmo lançar a estimativa devida, mas apenas o tributo devido ao final do exercício, como poderia então lançar a multa isolada pelo não recolhimento de partes deste tributo, quando a empresa já está sendo penalizada com a multa de 75% incidente sobre todo o imposto devido. O ato que está sendo punido pela fiscalização é um só. O de não recolher o tributo devido. Por isso, nos casos em que o valor lançado relativamente à multa de ofício excede o valor lançado em relação à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas a multa mais grave absorve a multa menos grave a, assim, aplicase a consunção. Por isso, na aplicação da consunção não há de se falar simplesmente em exoneração da multa isolada. Em verdade o que se diz e como demonstram os diversos julgados desta mesma turma, a consunção da exclusão da multa isolada só ocorre integralmente nos casos em que a multa de ofício aplicada lhe é superior. Assim, nos casos em que a multa isolada é superior ao valor da multa de ofício, a exoneração é parcial e limitada ao montante da multa de ofício, devendo nestas hipóteses ser mantida a punição isolada em relação ao montante que superou a multa de ofício. Parece estranho, mas não é. Como a estimativa é uma antecipação do imposto, ocorrem casos em que, na apuração anual a empresa verifica a existência de exclusões do lucro real que não são utilizadas no cálculo das estimativas e, assim, o tributo apurado ao final do exercício termina por ser inferior à soma dos tributos devidos por estimativas. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 540 15 Nestes casos a consunção se aplica parcialmente e mantémse a parcela da multa de 50% que superou o montante da multa de ofício. Acrescentese a tudo isso que a novel interpretação instituída por meio do Parecer Normativo nº 02, de 03 de dezembro de 2018, analisando o tema relativo às estimativas e o valor do tributo devido, conclui que: Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, concluise: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo anocalendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, devese efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 541 16 f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; g) a SCI Cosit nº 18, de 2006, deve ser lida de acordo com o Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, motivo pelo qual ratificase o disposto nos seus itens 12, 12.1, 12.1.1, 12.1.3 e 12.1.4 e 13 a 13.3, revogandose o seu item 12.1.2. A interpretação, assim estabelecida, reforça o entendimento deste relator de que o recolhimento por estimativa é parte constante do débito apurado de IRPJ ou CSLL anual, assim o tratamento relativo à falta de pagamento das estimativas e do tributo devido ao final do exercício deve ser analisado em conjunto e não como se tratando de normas independentes e que tem de ter aplicação indistinta sem qualquer moderação. Assim, reforçado com o parecer acima, e com base na utilização dos princípios do direito penal já tratados acima, entendo perfeitamente aplicável o princípio da consunção aos casos de aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. Cabe salientar que no julgamento os Conselheiros que votaram pelas conclusões entendiam que a multa isolada não poderia incidir conjuntamente à multa de ofício, da mesma forma entendida pela DRJ, mas resolveram julgar pelas conclusões deste relator para negar provimento ao recurso de ofício. Por isso, diante de toda esta apresentação e com base em entendimento firmado por este relator e já muitas vezes demonstrado, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício por outras razões que não as apresentadas pela Decisão de Piso e manter o cancelamento integral da multa isolada lavrada em razão de, em obediência ao Princípio da Consunção, verificar que o valor da multa isolada aplicada é inferior ao montante da multa de ofício aplicada nos mesmos exercício, realizada nos autos do processo nº 10600.720049/2016 42, conforme cópia de fls. 515/525, que se encontra em trâmite neste mesmo CARF. Do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10600.720077/201660 Acórdão n.º 1401003.058 S1C4T1 Fl. 542 17 Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932409/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 09 /2 00 9- 09 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10980.932409/200909 Acórdão n.º 3301005.460 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.283, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10980.932409/200909 Acórdão n.º 3301005.460 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13871.000041/2003-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000
RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE. JUROS.
Serão aplicados juros de mora sobre o valor original da restituição recebida indevidamente a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do imposto até o mês anterior ao do lançamento e de 1% no mês do lançamento.
Numero da decisão: 2002-000.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE. JUROS. Serão aplicados juros de mora sobre o valor original da restituição recebida indevidamente a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do imposto até o mês anterior ao do lançamento e de 1% no mês do lançamento.
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JUROS. Serão aplicados juros de mora sobre o valor original da restituição recebida indevidamente a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do imposto até o mês anterior ao do lançamento e de 1% no mês do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 1. 00 00 41 /2 00 3- 40 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13871.000041/200340 Acórdão n.º 2002000.695 S2C0T2 Fl. 65 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição (efls. 03) apresentado em 14/04/2003 pela contribuinte acima identificada, referente a valores recolhidos a título de restituição indevida a devolver dos anos calendário 1999 e 2000. O Despacho Decisório emitido pela DRFB/São José do Rio Preto indeferiu o pleito por falta de objeto, considerando que os recolhimentos efetuados pela contribuinte através de DARF correspondem exatamente aos valores das restituições recebidas indevidamente corrigidos pela taxa Selic (efls. 25/26). A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 28/29), cujas alegações foram resumidas no relatório da decisão de primeira instância (efls. 44): • retificou a DIRPF/2000 e a DIRPF/2001, devolvendo à Receita Federal os valores recebidos indevidamente atualizados pela TAXA SELIC, contudo esses valores deveriam ser devolvidos sem a correção da TAXA SELIC, sendo que os autos de infração emitidos posteriormente cobraram valores menores que os já recolhidos, tendo direito, a recorrente, à restituição do valor recolhido a maior; • o artigo 52 da Lei n° 7.713/88 e o artigo 59 da IN SRF n° 15/2001, citados no despacho decisório, não se aplicam ao caso pois tratam de falta de pagamento e o que se discute é devolução de restituição; • a própria instrução de pagamento da restituição do auto de infração determina o não preenchimento do campo 9 (valor dos juros), se o recolhimento for feito até 30 dias do recebimento do auto de infração, nada mais justo do que o direito da recorrente de receber a restituição do valor pago a este título anteriormente e indevidamente. A solicitação foi indeferida pela 4ª Turma da DRJ/SPOII em decisão assim ementada (efls. 43/45): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 JUROS DE MORA. A cobrança dos juros de mora sobre o valor da restituição indevida deve ser calculada a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do imposto até o mês anterior ao do recolhimento e de 1% no mês do recolhimento. Solicitação Indeferida Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13871.000041/200340 Acórdão n.º 2002000.695 S2C0T2 Fl. 66 3 Cientificada do Acórdão da DRJ em 22/06/2007 (efls. 48), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 23/07/2007 (efls. 49/50) trazendo exatamente os mesmos argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O Recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário com idêntico teor da Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada, não apontando quais seriam seus pontos de discordância em relação à decisão recorrida. Dessa feita, adoto as razões de decidir do acórdão de primeira instância. conforme excertos a seguir reproduzidos: Em relação ao cálculo de juros de mora sobre restituição indevida a devolver, há de se observar a IN SRF n° 185, de 30 de julho de 2002, vigente à época do recolhimento efetuado pela contribuinte, que dispunha: [...] De acordo com o dispositivo legal, portanto, os juros de mora incidiriam, no caso de restituição indevida, desde o primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do • imposto até o mês do lançamento (sendo de 1% no último mês), calculados com base na TAXA SEL1C. Verificase que os recolhimentos efetuados pela recorrente mediante DARFs de fls. 03 e 07, observaram rigorosamente esta sistemática de cálculo, sendo calculados os juros de mora desde o mês subseqüente ao do vencimento do imposto até o mês do recolhimento, estando, portanto, corretos. É de se observar que o que se aprecia no presente processo é o direito à restituição de valor pago a maior, e não os autos de infração lavrados posteriormente, sendo que de acordo com a legislação vigente os recolhimentos efetuados pela recorrente estão corretos, nada havendo para ser restituído. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13871.000041/200340 Acórdão n.º 2002000.695 S2C0T2 Fl. 67 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.721137/2011-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 11/06/2009
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
MULTA ADMINISTRATIVA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA.
As multas dispostas no art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966 deverão ser aplicadas sempre que houver subsunção do fato à norma.
Numero da decisão: 3002-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 11/06/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. MULTA ADMINISTRATIVA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. As multas dispostas no art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966 deverão ser aplicadas sempre que houver subsunção do fato à norma.
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Recorrente UNIMAR AGENCIAMENTOS MARITIMOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/06/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. MULTA ADMINISTRATIVA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. As multas dispostas no art. 107 do Decretolei nº 37/1966 deverão ser aplicadas sempre que houver subsunção do fato à norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 11 37 /2 01 1- 93 Fl. 157DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fls. 53 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados, no Siscomex CARGA, no prazo estabelecido pela Instrução Normativa RFB n° 800/07, da vinculação do manifesto eletrônico à escala. Conforme relatado pela fiscalização, a interessada não observou o prazo mínimo de 48 horas antes da atracação da embarcação HS WAGNER no porto para efetivar o registro da vinculação do Manifesto Eletrônico n° 2109500947210 e 2109500947202 à Escala n° 09000164295, fato que caracteriza a omissão do dever de prestar informação sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (até 48 horas antes da atracação da embarcação no porto) conforme estabelecido na norma de regência. Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, há ilegitimidade passiva, atuou como agente marítimo. O próprio ato normativo que dá embasamento a suposta infração configura que a relação entre transportador marítimo e seu agente é de mandato. O agente marítimo não contrata transporte e sequer representa importador ou exportador. Representa os transportadores marítimos. O agente marítimo é mandatário; Que, os fatos não se enquadram na hipótese legal apontada no auto de infração; Que, a aplicação da multa afronta o princípio da legalidade e motivação, eis que, não foi demonstrado qualquer prejuízo ou resultado negativo que justifique a aludida autuação; Que, ocorreu a denúncia espontânea da infração; Ao final requer a procedência da impugnação. O contribuinte juntou, com sua impugnação, os documentos de fls. 36/49. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário. O acórdão (fls. 52/59) afastou o argumento de ilegitimidade passiva, sob fundamento de ter a contribuinte agido na condição de mandatária do transportador, e não de mero agente marítimo, o que a torna responsável, conforme as previsões da legislação pátria, Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11050.721137/201193 Acórdão n.º 3002000.475 S3C0T2 Fl. 158 3 notadamente presentes no artigo 135 do CTN e nos artigos 95 e 32, parágrafo único, II, do DL nº 37/66. Em relação ao mérito, o acórdão consignou ter ocorrido o fato tipificado na norma que aplica a penalidade combatida, por entender incontroverso o fato de que não foram cumpridas as exigências do controle aduaneiro relativas ao prazo para prestar as informações. Afastou a alegação de ter ocorrido a denúncia espontânea, sob fundamento de que o instituto não se aplica ao presente caso, por se tratar de responsabilidade acessória autônoma de natureza essencialmente formal, e por entender inaplicável o artigo 15 da IN RFB 800/07, citado na impugnação, e aplicável, por outro lado, o artigo 612, § 3º, do Decreto 4.543/02. Registrou, ao fim, não ter o contribuinte apresentado qualquer argumento ou prova aptos a afastar a sua responsabilidade. A contribuinte foi intimada acerca desta decisão em 08/06/2012 (vide AR à fl. 62 dos autos) e, insatisfeita com o seu teor, interpôs, em 04/07/2012, Recurso Voluntário (fls. 64/84). Em seu recurso, a contribuinte repisou os argumentos da sua impugnação e requereu que o auto de infração seja cancelado e tornado sem efeito. Juntou, às fls. 85/153, os documentos indicados na fl. 83. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, a contribuinte em referência interpôs Recurso Voluntário por meio do qual repisou os argumentos trazidos em sua impugnação, quais sejam: (i) que seria parte ilegítima para figurar no polo passivo; (ii) que os fatos não se enquadrariam na hipótese legal apontada no auto de infração; (iii) que a aplicação da multa afrontaria o princípio da legalidade e motivação, pois não foi demonstrado qualquer prejuízo ou resultado negativo que justifique a autuação; (iv) que teria ocorrido a denúncia espontânea. Passo, então, à análise dos fundamentos acima indicados. 1. Da legitimidade passiva De início, argumenta a contribuinte que seria parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente demanda, sob o fundamento de que a sua responsabilização feriria o princípio da legalidade estrita por não haver lei que o submeta à condição de responsável tributário no caso em análise. Em sua defesa, alega que estaria amparada pelas súmulas nº 50 da AGU e 192 do TFR. Fl. 159DF CARF MF 4 Entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus fundamentos, consoante restará devidamente esclarecido em sucessivo. A Súmula nº 50 da AGU, assim dispõe: Não se atribui ao agente marítimo a responsabilidade por infrações sanitárias ou administrativas praticadas no interior das embarcações. E, como é cediço, a aprovação dessa súmula encontrase fundamentada na decisão do STJ proferida no AgRg no REsp nº 719.446/RS, cujo teor reproduzo a seguir: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO SANITÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES. 1. A infração sanitária apurada no interior de navio não pode ser imputada ao agente marítimo, pois inexiste nexo de causalidade entre a sua conduta e o resultado danoso, ou seja, o agente não dá causa nem concorre para a infração, como exige, expressamente, o art. 3º da Lei 6.437/77. 2. Não se admite a responsabilização do agente marítimo por infração administrativa cometida pelo descumprimento de dever que a lei impôs ao armador. 3. O magistrado de primeiro grau de jurisdição, em sentença integralmente confirmada pela Corte de origem, firmou o seu convencimento mediante simples interpretação dos dispositivos da Lei 6.437/77, não incidindo, desse modo, o óbice de que trata a Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 719.446/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/12/2006, DJ 01/02/2007, p. 400) De uma simples leitura do conteúdo da referida súmula, bem como das decisões judiciais que a embasaram, percebese que os casos ali analisados versam sobre situação completamente distinta da hipótese analisada nos presentes autos. Ali, buscouse proteger o agente marítimo de ser responsabilidade sobre ato em relação ao qual não possuía qualquer ingerência, face à inexistência de nexo de causalidade entre a sua conduta e o resultado danoso, visto que, naqueles casos (infração sanitária praticada no interior da embarcação), o agente não dá causa nem concorre para a infração. Aqui, ao contrário, se responsabiliza o agente marítimo por ato em relação ao qual ele possuía direta responsabilidade (infração aduaneira relacionada ao prazo mínimo de 48 horas para informar sobre a atracação da embarcação), visto que é atribuição do agente marítimo representar o armador e o transportador perante as autoridades portuárias. Em seu recurso, defende o contribuinte, ainda, a aplicação da súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, a qual assim dispõe: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11050.721137/201193 Acórdão n.º 3002000.475 S3C0T2 Fl. 159 5 nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei n° 37, de 1966. Sabese, contudo, que o conteúdo desta súmula já foi há muito superado pela jurisprudência pátria. Sobre o tema objeto da presente contenda, inclusive, foi proferida pelo STJ decisão em sede de recursos repetitivos (REsp 1.129.430), que tratou sobre a legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro. Por meio da referida decisão, o STJ assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, concluiu que, a partir da vigência do Decreto Lei nº 2.472/88, já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Isso porque, foi o DecretoLei nº 2.472/1988 que instituiu a responsabilidade do transportador, como se vê do teor do art. 32 do Decretolei nº 37/66: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988); II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Fl. 161DF CARF MF 6 E, nos moldes do inciso II do parágrafo único acima transcrito, responde solidariamente o representante, no país, do transportador estrangeiro. Logo, não resta dúvidas que, no caso vertente, que versa sobre fato gerador ocorrido em 2009, não há mais óbice para que o agente marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no país, seja responsabilizado solidariamente com este, em relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Nesse mesmo sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9303003.276, oriundo de julgamento realizado em 05/02/2015, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO.O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Há de ser afastada, portanto, a alegação de ilegitimidade passiva do Recorrente. 2. Do mérito Quanto ao mérito da presente contenda, a própria Recorrente reconhece que deixou de cumprir o prazo de 48 horas determinado na legislação aduaneira, tornando tal fato incontroverso. Em sua defesa, limitase, então, a trazer dois argumentos: que os fatos não se enquadrariam na hipótese legal apontada no auto de infração e a aplicação da multa afrontaria o princípio da legalidade e motivação. No que concerne ao primeiro argumento, o contribuinte alega que o dispositivo indicado no auto de infração para fins de aplicação da multa tipificaria apenas a situação em que tenha havido a ausência de prestação de informações, a qual não seria a hipótese dos presentes autos, em que a informação fora prestada, embora tenha sido com atraso, sem que tivesse sido atendido o prazo de 48 horas. Já quanto ao segundo argumento, defende que não teria sido demonstrado pela fiscalização qualquer prejuízo ou resultado negativo para fins de justificar a autuação. Entendo que não assiste razão ao contribuinte quanto a nenhum dos argumentos acima indicados. É o que será devidamente demonstrado em sucessivo. In casu, foi aplicada da multa disposta no art. 107, IV, e, do Decretolei 37/66, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Omissis) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Omissis) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11050.721137/201193 Acórdão n.º 3002000.475 S3C0T2 Fl. 160 7 prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Como se vê, o referido disposto tipifica a não prestação de informações na forma e no prazo estabelecidos pela SRF. Logo, a prestação de informações fora do prazo encontra expressa previsão legal, ao contrário do que defende a Recorrente. E, para tanto, não é preciso que se verifique a existência de dolo específico para esta conduta, ou mesmo efetivo prejuízo ou resultado negativo para fins de justificar a autuação. Como é cediço, a responsabilidade pela prática da infração aqui analisada é objetiva, não sendo necessário atender ao preceito da culpabilidade, ou mesmo se averiguar se houve eventual prejuízo ao erário, ao controle aduaneiro ou à Administração Pública. Nenhum desses elementos, ainda que restassem confirmados, possuiria o condão de afastar a incidência do dispositivo legal em tela, aplicável a todos os casos em que a prática infracional tenha ocorrido, independentemente das condições específicas do caso concreto. Nesse sentido, assim dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Esse mesmo entendimento encontra previsão no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), conforme transcrição a seguir: Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Logo, uma vez constatado que o contribuinte deixou de cumprir o prazo disposto na legislação de regência, a aplicação da penalidade disposta na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966 apresentase imperativa para a autoridade fiscal. Até porque, sabese que, por força do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade da autoridade autuante é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Logo, a legislação pertinente deverá ser aplicada sempre que se verificar a sua hipótese de incidência, tal qual na situação analisada nos presentes autos. Sendo assim, não merece acolhida a fundamentação da contribuinte quanto aos pontos acima analisados. O auto de infração encontrase adequadamente e suficientemente fundamentado, não merecendo reforma. 3. Da denúncia espontânea Fl. 163DF CARF MF 8 Em seu Recurso, sustenta o contribuinte que estaria configurada no caso concreto a denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, pois as informações teriam sido prestadas pelo próprio recorrente antes da lavratura de auto de infração. Acontece que, consoante restou pacificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio da súmula nº 126, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Como se vê, a referida súmula, cuja aplicação vincula este Colegiado, afasta a possibilidade de reconhecimento da denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado. 4. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.723635/2012-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 36 35 /2 01 2- 17 Fl. 74DF CARF MF 2 Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 27 a 32), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 2.200,00, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 26 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 23/11/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Entende que as provas apresentadas são suficientes para comprovar a realização dos serviços e acrescenta documentos demonstrando que a profissional que realizou os serviços era perfeitamente habilitada. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 27/08/2014, no acórdão 0363.220, às efls. 46 a 49, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 54 a 71 alegando, em síntese que: · preliminarmente entende que a autuação foi genérica e lacônica, prejudicando a ampla defesa e o contraditório; · os recibos são provas hábeis para comprovação da prestação de serviços; · cabe ao Fisco o dever de cruzamento de dados para atestar se houve ou não a prestação de serviços. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10384.723635/201217 Acórdão n.º 2002000.639 S2C0T2 Fl. 75 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 17/10/2014, efls. 52, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 30/10/2014, efls. 43, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em sede preliminar a contribuinte alega que a autuação foi genérica e lacônica, prejudicando a ampla defesa e o contraditório. Analisando o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, entendo que todos os requisitos do auto de infração estão cumpridos, posto que afasto a preliminar aventada: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Passase a análise do mérito. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Apesar de ciente da necessidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas com saúde pleiteadas, a defesa se limita a considerar os motivos apontados pela Fiscalização como precários para molestar a contribuinte. Entendo que a glosa deve ser mantida. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Fl. 76DF CARF MF 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10384.723635/201217 Acórdão n.º 2002000.639 S2C0T2 Fl. 76 5 disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Fl. 78DF CARF MF 6 Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10384.723635/201217 Acórdão n.º 2002000.639 S2C0T2 Fl. 77 7 idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. A decisão da DRJ negou provimento à impugnação do contribuinte, sob fundamento de que o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas: Além dos requisitos acima elencados, entendo que a Fiscalização pode exigir comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas quando assim entender necessário, desde que o contribuinte tenha sido intimado para tanto antes do lançamento. Esse entendimento se baseia no disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Às efls. 19 há declaração de Marina Amélia de Carvalho Neri, além de recibos às efls. 13 a 18 emitidos pela profissional no valor de R$8.000,00. Fl. 80DF CARF MF 8 Além do mais, a Administração Fazendária possui recursos públicos, inclusive receitas de impostos, que, em regra geral, conforme artigo 167, IV da CRFB/88, não podem ser vinculadas, para aquisição de modernas tecnologias para cruzar informações e aferir eventuais condutas ilícitas dos contribuintes. Feitas estas considerações, considerando os recibos e a declaração supracitadas, conheço do presente Recurso Voluntário, afasto a preliminar e, no mérito, darlhe provimento, afastando as glosas das despesas médicas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002209/2009-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11060.002335/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 09 /2 00 9- 66 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 11060.002335/200911, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 4 3 entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 5 4 "Peço licença a ilustre conselheira relatora Relator para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102 002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizando se como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 7 6 outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 8 7 (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 9202007.081 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728512/2014-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS LIVRO CAIXA. DEDUTIBILIDADE.
Conforme previsão contido no art.75 do RIR, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários, bem como os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2001-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para acatar integralmente as despesas de livro caixa .
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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DEDUTIBILIDADE. Conforme previsão contido no art.75 do RIR, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários, bem como os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para acatar integralmente as despesas de livro caixa . (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 85 12 /2 01 4- 78 Fl. 188DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o que motivou o lançamento de ofício foi a falta de atendimento à intimação para comprovação da regularidade das deduções de despesas de livro caixa, no valor de R$69.018,80. Cientificado do lançamento em 20/08/2014 (fls. 09), o contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/03, questionando apenas o valor de R$50.665,26, alegando que se refere a despesas de custeio de seu consultório médico, juntando os documentos de fls. 23/75 que comprovariam o alegado. O interessado efetuou por meio do Darf de fls. 22 o pagamento da parcela não impugnada com o valor de imposto de R$ 5.049,16 e encargos, devidamente apropriado ao crédito, permanecendo o processo com imposto em litígio no valor de R$ 13.931,01, mais encargos, conforme extrato de fls. 81. Atendendo ao disposto no inciso III do art. 6ºA da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, o presente processo foi encaminhado à autoridade lançadora para que esta analisasse as questões de fato apresentadas pelo impugnante. Após análise dos autos, foi emitido o Termo Circunstanciado e o Despacho Decisório de fls. 87/91, concluindo a autoridade lançadora pela manutenção integral da exigência, uma vez que o interessado não comprovou a escrituração dos valores deduzidos, apenas uma tabela com histórico das despesas e comprovantes de pagamentos diversos, acrescentando que não foi apresentado o Alvará de Localização indicado como documento anexo à impugnação. Cientificado do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório em 21/06/2016 (fls. 97), o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 109/114, informando inicialmente que, na consecução de sua atividade como médico, auferiu rendimentos do trabalho não assalariado no curso de 2012, que consistiram em recebimentos de pessoas físicas e de planos de saúde, em especial Unimed, cujo informe de rendimentos anexa. Alega que manteve o registro cronológico das despesas necessárias à manutenção de seu consultório e os documentos correspondentes, que anexou à impugnação, argumentando que não existe obrigatoriedade de registro do Livro Caixa para sua atividade, sendo que sua ausência não lhe retiraria o direito à dedução das despesas por ele declaradas e comprovadas, relativas ao pagamento mensal do salário de sua secretária, os encargos trabalhistas e previdenciários decorrentes dessa contratação, gastos com contador, contas de luz, condomínio, conservação e limpeza, entre outras pequenas despesas comuns. Acrescenta que junta o Alvará de Licença para Estabelecimento com a descrição de sua atividade médica, cuja falta de apresentação também fundamentou o lançamento. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que está claramente expresso na legislação que são permitidas as deduções das despesas, desde que comprovada a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa. Compulsando os autos, percebeuse que o contribuinte não apresentou o seu Livro Caixa. Assim, conclui a DRJ que restou impossibilitada a dedução das Despesas de Livro Caixa. Em sede de Recurso Voluntário, esclarece o contribuinte que incorreu, no ano de 2012, nas diversas despesas discriminadas, estritamente necessárias à manutenção da fonte geradora de seus rendimentos, que juntou todos os documentos comprobatórios destas despesas, que manteve o registro cronológico mensal delas (conforme planilha apresentada na fls. 23) e que não seria razoável, de acordo com a legislação de regência, negar absolutamente a Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12448.728512/201478 Acórdão n.º 2001000.863 S2C0T1 Fl. 3 3 dedução das despesas tendo em vista apenas a não escrituração de despesas em livro caixa. Apresenta jurisprudência administrativa para consubstanciar o quanto alegado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Despesas de livro caixa O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária acerca da dedução de despesas de Livro Caixa. Vale, pois, ratificar o quanto exposto sobre o tema nos arts.75 e 76, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 29 de março de 1999. Vejamos : Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Art.75 O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): Ia remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art.6º, §1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): Ia quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; Fl. 190DF CARF MF 4 III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76.As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3ºO Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Da leitura do referido texto legal extraise, fundamentalmente que para dedutibilidade das despesas devem elas ser necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar escrituradas em livro caixa e devem ser comprovadas mediante documentação idônea. Vale dizer, resta claro que são permitidas as deduções das despesas, desde que comprovada a VERACIDADE das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa. Certo que o contribuinte não apresentou o Livro Caixa propriamente dito, mas apresenta planilha em ordem cronológica, com detalhamento de todos os gastos, Ademais, apresenta todos os documentos comprobatórios da existência das despesas de forma clara e precisa. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12448.728512/201478 Acórdão n.º 2001000.863 S2C0T1 Fl. 4 5 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, a documentação hábil e idônea comprovando todas as despesas, respaldo em decisão administrativa no mesmo sentido e os argumentos claros e objetivos trazidos pelo contribuinte, entendo serem dedutíveis as despesas de apresentadas e incorridas pelo contribuinte a título de livro caixa. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente as despesas necessárias e incorridas pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 192DF CARF MF 6 Fl. 193DF CARF MF
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