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Numero do processo: 11030.000922/2005-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NT.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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CRÉDITOS. PRODUTOS NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 09 22 /2 00 5- 07 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 206 2 Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 3101000.781, proferido pela Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário (i) para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI para os “produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI”, exportados sob a rubrica “NT”, eis que passaram por todo um processo de industrialização sobre a pedra denominada “ametista”; (ii) para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas e (iii) determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito, conforme ementa a seguir: “IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 207 3 das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Inconformada com a parte do acórdão que reconheceu o direito do contribuinte ao ressarcimento de crédito presumido de IPI relacionado a produtos exportados sob a rúbrica de “NT”, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando que o acórdão recorrido teria sido divergente dos acórdãos de números 9303.01.743 e 380300.520, tendo, entretanto, apresentado, apenas, cópia parcial de outro acórdão, qual seja, o de nº 9303.00.743. Fundamentou o seu recurso especial, em síntese, na alegação de que “a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do Imposto sobre Produtos Industrializados, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal”. Complementou, ainda, que a Recorrida não poderia ser considerada como estabelecimento industrial pelo fato de a mesma elaborar mercadorias não sujeitas ao IPI, tendo, para tanto, com base no artigo 3º, da Lei 4.502/64, aduzido que “se considera estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto, donde se conclui que, sob o ponto de vista exclusivamente fiscal, abstraindo conjecturas de caráter econômico, aqueles que elaboram mercadorias não sujeitas ao IPI não se enquadram no conceito de estabelecimento industrial”. No corpo do seu recurso, a Fazenda Nacional transcreve as ementas dos acórdãos de números 9303.01.743 e 380300.520, tendo, o primeiro, sido transcrito da seguinte forma: Acórdão nº 9303.01.743 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido. O acórdão anexado aos autos como cópia parcial, entretanto, qual seja, o de número 9303.00.743, detém a seguinte ementa: Acórdão nº 9303.00.743 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 208 4 PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. 0 ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso Especial do Procurador Provido.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, tendo suscitado, sobre a diferença entre o acórdão utilizado para embasar a divergência no corpo do recurso (930301.743) e o acórdão cuja cópia parcial foi anexada aos autos (930300.743), o quanto segue: “Importante observar que a Recorrente citou o Acórdão 9303 00.743 como paradigma, quando, pela transcrição da ementa no corpo do especial, constatase que, em verdade, aquela ementa é relativa ao Acórdão 9303.01.743, de 09 de novembro de 2011. Ocorre que essa decisão paradigma utilizada pela Recorrente, foi, inicialmente, gerada com numeração errada (930300.743), sendo que, após constatado o equívoco, procedeuse à correção do número do Acórdão para 930301.743, cuja cópia da primeira folha está sendo juntada aos autos, para comprovação (fls. 124). Por causa desse equívoco a Recorrente juntou ao processo cópia de parte do acórdão indevido (930300.743), que não guarda a menor relação com a divergência suscitada.” Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo, apenas, fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, bem como fosse reconhecida a incidência da Taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. Conforme acima aduzido, a Fazenda Nacional apenas apresentou cópia de parte do acórdão de número 930300.743, o qual versou sobre a aplicação ou não de Taxa Selic Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 209 5 em pedido de ressarcimento de IPI, tendo, entretanto, mencionado, no corpo do seu recurso, a ementa do acórdão de número 930301.743, o qual versou sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre produtos exportados sob a rubrica de “NT”. Como se sabe, a questão da Taxa Selic não foi apreciada pelo acórdão da Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, tendo sido apreciadas apenas as questões afetas à possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre produtos exportados sob a rubrica “NT” e sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Em uma primeira análise entendi que a divergência não estava demonstrada, eis que o fato de a Fazenda Nacional ter apresentado cópia parcial de acórdão que versa sobre incidência da Taxa Selic, ou seja, sobre matéria estranha a questionada em seu próprio recurso, afastava o cabimento do mesmo, em face da previsão contida no artigo 67, §7º, do atual Regimento Interno do CARF, o qual expressamente prevê o quanto segue: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas.” Sucede que, como bem demonstrado pelos meus pares, desde que reproduzida a ementa do acórdão divergente no corpo do recurso, de que trata o parágrafo 7º acima transcrito, a instrução do recurso, de acordo com o previsto no parágrafo 9º do mesmo artigo, segundo o qual: “§ 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade, em seu texto oficial.” Assim, revi minha posição, e portanto conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Passo ao mérito do recurso. A controvérsia aduzida nessa parte do recurso especial consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis –“NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Primeiramente, vale considerar que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 210 6 nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. Nesse sentido, peço vênia para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarse ia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 211 7 altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 212 8 Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 213 9 tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Com efeito, conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional no que se refere à argüição referente à exportação de produto “NT” para, no mérito, negarlhe provimento. Nanci Gama 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado Ouso discordar da nobre relatora em relação à matéria ora posta em julgamento. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 214 10 Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 215 11 econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições ser produtora e ser exportadora , não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 216 12 Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 217 13 Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermenêutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 218 14 O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 219 15 Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 220 16 é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 221 17 O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 222 18 que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 223 19 III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 9303002.723 CSRFT3 Fl. 224 20 O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005166/2002-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/11/2001
PRODUTO ELKEM MICROSILICA - GRADE 965
O Dióxido de Silício, subproduto de um processo industrial de silício e de ligas de ferro-silício, de cor cinza e grau de purezas superior a 90%, decorrentes do processo de fabricação que não confira ao produto uma destinação específica, por força da nota 03 do capitulo 26, não pode ser classificado na posição 2620.Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-002.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Conselheiro Francisco José Barroso Rios fará declaração de voto.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn , Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Conselheiro Francisco José Barroso Rios fará declaração de voto. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn , Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 51 66 /2 00 2- 72 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “A empresa acima qualificada submeteu a despacho através da Declaração de Importação 01/11021043, de 06/11/2001, o produto descrito como “Dióxido de Silício – Grade 965”, classificandoo no código 2811.22.90, como OUTROS DIOXIDOS DE SILICIO, com alíquota de 4,5% para o I.I. e de 0% (zero) para o IPI. Foi retirada amostra do produto para efeito de análise, sendo o resultado trazido aos autos através dos Laudos Técnicos nº 3069.01 (LAB 3117/GRUAFE) do LABANA (fls. 30 e seguintes) que apresentou as seguintes informações técnicas em resposta aos quesitos apresentados: Quesito no. 01: Identificar a composição química do produto comparandoa com a descrição acima? “Não se trata de um Outro Dióxido de Silício de constituição química definida e isolada. Tratase de um Dióxido de Silício contendo Óxido de Ferro e Carbono, um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de FerroSilício e Silício Metálico.” Quesito no. 02 Tratase de uma preparação ou um produto de constituição definida apresentado isoladamente? “Tratase de um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de FerroSilício e Silício Metálico” Quesito no. 03 – Qual a aplicação ou finalidade do produto? “Segundo Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas na fabricação de concretos e outros artefatos refratários, como um dos componentes do concreto para construção civil, etc....” Quesito no. 04 – Outras informações que se fizerem necessárias. “Segundo informações técnicas específicas (cópia anexa), a mercadoria é obtida pela coleta de fumos produzidos no processo de fabricação de ligas FerroSilício metálico”: Conclusão: “Tratase de um Dióxido de Silício contendo Óxido de Ferro e Carbono” O LABANA, em 23/04/2002, apresentou Aditamento ao Laudo, e número 3069A (fls. 72 e seguintes), nos seguintes termos: “Considerações gerais: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 335 3 Os compostos de Dióxido de Silício (Sílica) considerados no capítulo 28, nas suas diversas formas, além de se encontrar em grânulos vítreos ou pó na cor branca, tem processo de fabricação definida para cada tipo (não são obtidos como subprodutos), .... .... De acordo com a literatura técnica específica, a mercadoria em epígrafe é uma cinza obtida pela captação dos fumos produzidos durante a produção de ferroliga FerroSilício e também do Silício Metálico, como um subproduto. Na sua composição química contém, além da Sílica, vários elementos provenientes da obtenção dessas ligas, e apresentase na cor cinza, com estrutura amorfa. O Parecer Técnico no. 8.104 do IPT também confirma esse processo de obtenção, bem como a sua utilização específica, como aditivo na preparação do concreto.” Conclusão: “Tratase de Dióxido de Silício contendo Óxido de Ferro e Carbono”. À vista de tais fatos, a fiscalização aduaneira rejeitou o enquadramento tarifário adotado pela empresa (código 2811.22.90), lavrandose o Auto de Infração (fls. 01/10), procedendose à reclassificação da mercadoria importada para o código NCM 2620.90.90, com alíquotas de 6,5% para o I.I., para a cobrança da diferença do imposto de importação, multa de ofício (art. 44, inciso I da Lei no. 9.430/96), multa do controle administrativo (art. 526,II do Decreto no. 91.030/85) e juros moratórios. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 15/06/2002 (fl.81 – verso), apresentou tempestivamente a Impugnação, em 13/11/2002, onde alega em síntese que: a autuação não merece prosperar por estar fundamentada em premissa fática errônea. A mercadoria importada tratase de “Dióxido de Silício” e o código tarifário correto, no seu entendimento, é o 2811.22.90, nos termos das Regras Gerais de Interpretação da Nomenclatura e as Notas Explicativas do capítulo 28 da TEC; já havia sido autuada recentemente em outro processo, no qual foi indicada como sendo correta a posição NCM 2619.00.00 para escórias, e não a posição 2620.99.99 para cinzas. No Auto de Infração anterior foi embasado no Laudo do LABANA no. 2.737/01 que tem conclusões contraditórias com as conclusões deste processo. Os Laudos desencontrados do LABANA estão colocando em risco o desenvolvimento regular de sua atividade, sendo que os lançamentos efetuados com base em tais trabalhos técnicos merecem serem considerados nulos pela falta de consistência e coerência dos trabalhos; a classificação adotada pela Impugnante decorre da aplicação da Regra Geral no. 1 da Interpretação da Nomenclatura, bem como da Regra no. 3A . Considerandose estas normas, a correta classificação para o produto Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 importado se dá no Capítulo 28, na posição 2811, destinada aos compostos oxigenados inorgânicos de elementos não metálicos, mais precisamente na sub posição 22, item 90, destinado aos dióxidos de silício – outros; a Nota 1 do Capítulo 28 aduz que as suas posições compreendem os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. As NESH ao comentar a referida Nota 1, esclarece que o termo “impurezas” aplicase para aquelas que resultam diretamente do processo de produção; para corroborar a classificação adotada, foram elaborados dois laudos técnicos (pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, parecer no. 8.104 complementado pelo parecer no. 61.061; pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Relatório Técnico no. 1083). Embora os laudos do IPT tenham analisado os produtos Grade 971 e 940, as suas considerações e conclusões aplicamse indistintamente ao de Grade 965, pois existe absoluta similaridade de características tecnológicas entre eles. O Parecer Técnico do INT foi elaborado especificamente para o exame do produto Elkem Microsílica tipo965; os dois pareceres técnicos (do IPT e do INT) confirmam os pontos relevantes para a classificação do produto na posição NCM 2822.11.90, conforme busca demonstrar pela transcrição dos diversos trechos dos pareceres do IPT; .o produto importado deve ser classificado na posição adotada pelos seguintes motivos: é um composto inorgânico de constituição definida, as impurezas que contém advém do processo de fabricação o que permite a classificação no capítulo 28 o alto grau de pureza é adequado à posição 2811.22.92 o processo de fabricação do produto e sua cor cinza não implicam afastar a sua classificação da posição 2811.22.90, visto que a referência da NESH à cor e ao procedimento de obtenção dos Dióxidos de Silício é apenas exemplificativa, sendo que o produto em questão não está previsto naqueles expressamente referidos como excluídos do capítulo; a classificação adotada pela fiscalização encontra obstáculo nas Notas do Capítulo 26 que dispõem sobre os produtos que devem ser excluídos do referido capítulo: porque não se trata de cinza e resíduos contendo arsênio, metais ou compostos de metais, produtos referidos na posição 2620; a Nota 3 do Capítulo 26 informa “só se incluem na posição 2620 as cinzas e resíduos dos tipos utilizados na indústria para extração do metal ou fabricação de compostos metálicos”, não se aplicando, no caso, para o produto utilizado exclusivamente como aditivo na preparação de concretos Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 336 5 na indústria da construção civil, conforme literatura apresentada e laudo do IPT; a Agência Nacional Norueguesa de Política Aduaneira entendeu que o produto Elkem Microsílica vem melhor descrito sob a classificação tarifária 2811.2000; a multa prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96 também não deve prevalecer, uma vez que o produto importado foi corretamente classificado e não houve declaração inexata quanto à referida classificação nos documentos de importação; a multa prevista no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro, também não pode prosperar. Primeiro porque a Impugnante não cometeu a falta prevista no referido disposto, pois o produto importado está sujeito à licença de importação automática, sendo que importou o produto efetivamente descrito na DI, que não estava sujeito à licença prévia. Segundo porque entende aplicável ao caso o Ato Declaratório Normativo no. 12/97; a manutenção desta multa (art. 526,II) implicaria, ainda, em penalizar pela segunda vez o mesmo ato, o que ofende o princípio da proporcionalidade na aplicação das multas, previstas no artigo 112/CTN requer a improcedência do Auto de Infração lavrado; requer, também, deferimento de eventual prova pericial complementar que venha a se entender como sendo necessária ao curso do processo, indicando perito e quesitos preliminares. É o Relatório. Passo a decidir.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1721.870, de 06/12/2007, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/11/2001 PRODUTO ELKEM MICROSILICA GRADE 965 O produto identificado como sendo um dióxido de silício contendo óxido de ferro e carbono, um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de ferrosilício e silício metálico, pela aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado no. 01 e 06 deve ser classificado no código NCM 2620.90.90 Outras Cinzas e Resíduos, conforme elementos de prova constantes dos autos, notadamente em Laudo Técnico emitido pelo LABANA. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de indeferir o pedido de diligência, bem como manter os valores apurados pela fiscalização. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 O processo foi baixado em diligência, por esta relatora, conforme Resolução de n° 3201.000221, de 08/04/2011, com decisão unânime, nos termos abaixo: Tendo em vista que o litígio referese à desclassificação fiscal dos produtos importados, e consequente exigência, dentre elas, da Multa ao Controle Administrativo das Importações; sugiro que baixe em diligência, pelo motivo abaixo: se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, em que modalidade do sistema administrativo, a respectiva importação encontravase inserida: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático. Registro que a importação brasileira, de uma forma geral, esteve sujeita a tratamento administrativo, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou nãoautomática e atualmente nas modalidades: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático, nos termos da Portaria Secex n° 23, de 14/07/2011. Entendo, pois, que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Assim como, para minha convicção para o deslinde do julgamento, que seja elucidado se o produto em questão é um composto de constituição química definida ou não? E, ainda, se é um composto de natureza orgânica ou inorgânica? Ao INT para responder estas questões. Outras, informações adicionais/necessárias, caso sejam complementares ao julgamento deste. A diligência não foi possível ser realizada, por conta da não localização da contraprova referente à DI de n° 01/11021043 no Armazém de Contraprovas, de acordo com a resposta ao pleito. A recorrente e a PGFN foram cientificadas, bem como se manifestaram. O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. Voto Fl. 357DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 337 7 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 13.445,32, referente a diferença do II, juros, multa do controle administrativo (art. 526, inc. II do RA/85) e, multa de ofício ( proporcional) ( art. 44, inc. I da Lei de n° 9.430/96). Inicialmente, os fatos controversos são se a mercadoria descrita para fins de obtenção de licença para importação e correspondente despacho aduaneiro é divergente da mercadoria efetivamente importada; situação que acarretou na reclassificação fiscal da mercadoria, do código NCM 2811.22.90 (recorrente) para o código NCM 2620.90.90, segundo a fiscalização. Quanto à alegação de cerceamento de defesa, entendo não ser procedente, visto que não houve qualquer prejuízo à Recorrente. No presente caso, o pedido para realização de nova perícia não foi deferido na primeira instância, no entanto, a própria recorrente apresentou outros laudos periciais (INT e IPT). Ressaltese, de pronto, que a autoridade julgadora pode apreciar livremente as provas apresentadas conforme sua convicção e juízo, sem que isso configure cerceamento da defesa. Além do mais, esclareçase, no intuito de elucidação, foi solicitada diligência pelo CARF, pelo colegiado e de forma unânime, como já relatado; não obstante laudos apresentados para contrapor o que se baseou o lançamento.( Laudos: “ElkemMicrosílica 971D” pelo IPT, bem como o do INT realizado com amostra fornecida pela própria recorrente). A recorrente invoca que as amostras são similares ao objeto em análise. Quanto ao mérito, a autuação baseouse no Laudo de n° 3069.01 do LABANA que informa sobre o produto específico importado “Dióxido de Silício – Grade 965”; nos seguintes termos: 1ª.) Identificou o produto importado como “um Dióxido de Silício contendo Óxido de Ferro e Carbono, um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de FerroSilício e Silício Metálico.” 2ª.) Afirma que “não se trata de um Outro Dióxido de Silício de constituição química definida e isolada.” 3ª.) Informa que o produto é “utilizado na fabricação de concretos e outros artefatos refratários, como um dos componentes do concreto para construção civil, etc....” 4ª.) No tocante ao forma de obtenção do produto aduz que “a mercadoria é obtida pela coleta de fumos produzidos no processo de fabricação de ligas FerroSilício metálico”. E, ainda, que “tratase de dióxido de silício contendo óxido de ferro e carbono, um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de ferrosilício e silício metálico. 5º.) Afirma, ainda, que o produto importado “não se trata de um composto inorgânico de constituição química definida e isolada. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 6º.) A título de consideração, informa ainda, que “na sua composição química contém, além da Sílica, vários elementos provenientes da obtenção dessas ligas, e apresentase na cor cinza, com estrutura amorfa. O Parecer Técnico no. 8.104 do IPT também confirma esse processo de obtenção, bem como a sua utilização específica, como aditivo na preparação do concreto.” Por sua vez, o Parecer Técnico n° 8.104 do IPT (fls. 143 e ss.), apresentado pela recorrente, relativo ao produto denominado comercialmente como “ELKEM MICROSILICA 971D”, informa: “Objetivo do trabalho: Este trabalho visa realizar uma caracterização da microsilica, analisar informações sobre a produção e utilização obtendo assim uma descrição da mesma. Com base nesta descrição será feita uma busca nos capítulos da Nomenclatura Comum do MERCOSUL baseada no Sistema Harmonizado na qual serão selecionadas opções plausíveis de classificação.... ... Aspecto visual: Foi fornecida uma amostra do produto consistindo em um pó cinzento. ... Utilização: Este produto é utilizado como aditivo na preparação de concretos objetivando aumento nas propriedades mecânicas químicas e de trabalhabilidade. .... “ Confeccionado também, o Relatório Técnico n° 61.061 pelo IPT (fl. 173 e ss.), apresentado pela recorrente, para verificar a similaridade entre características tecnológicas de amostras dos produtos Microsilica Elkem 940 e Microsilica Elkem 971D. Foi também elaborado o Relatório Técnico no. 1083, pelo INT, de onde destacase: “Identificação / descrição do material: As amostras entregues ao laboratório são de inteira responsabilidade do cliente. As amostras vieram acondicionadas em sacos de plásticos e identificadas como Microsílica Elkem 920D, Microsílica Elkem 965, Microsílica Elkem 971D, Microsílica Elkem 983U e Silmix.” (Grifei) Então, temos o Laudo do LABANA que indica que o produto não apresenta constituição química definida. Aduz tratarse de escória e que não é relevante o teor de dióxido de silício presente no produto. Complementa que, por seu modo de obtenção e finalidade/uso em preparações de cimento ou cerâmica, deve ser classificado no capítulo 26 Minérios, escórias e cinzas do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadoria, de modo, que está afastada a inclusão no capitulo pretendido pela Recorrente (28). Enfim, que se trata de cinza. Pois bem, a Nota Geral 1 alínea "a" do Capítulo 28 Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos — das Notas Explicativa do Sistema Harmonizado — NESH indica que os produtos classificados neste capítulo podem conter Fl. 359DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 338 9 impurezas e da leitura da alínea "e" concluise que a impureza presente apenas não pode tomar o produto apto à uso especifico em detrimento a sua aplicação geral. As descrições das posições do Capítulo 2811.22 contida na NCM selecionam o dióxido de silício pelo método de obtenção, uma vez que, a nota explicativa deste capitulo alínea "m" aduz que o dióxido de silício (Si02) pode ser obtido pela precipitação dos silicatos por ácidos ou pela decomposição de halogenetos de silício sob ação de água e calor, de modo que permite concluir que há mais de uma forma de obtenção de dióxido de silício. Quanto ao fato de o produto poder ser considerado escória, entendo que é inegável que o dióxido de silício é subproduto de um processo físicoquímico da fundição de ferro; o que toma explicável existência das impurezas encontradas, que fazem parte da matéria prima de base, e se enquadram na condição explicitada no texto da Nota 1 das Considerações Gerais do Capítulo 28. Por sua vez, a nota explicativa 5 da subposição NCM 2619 da NESH conceitua escória incluída no capítulo 26, como: "As escórias compreendidas aqui são constituídas, quer por silicatos de alumínio e de cálcio provenientes da fusão das gangas dos minérios que, em razão da sua relativa leveza, se separam do ferro fundido em fusão nos altosfornos (escórias de altosforno s), quer por silicatos de ferro que se formam durante a refinação (afinação*) dos ferros fundidos ou na fabricação do aço (escórias de conversores, escórias Martin, etc.)" Ou seja, tais impurezas não atribuem ao produto ( mais de 95% da massa) uma caracterização de escória. A NESH apresenta a relação de sílicas que se excluem dessa posição e dentre elas não consta o produto dióxido de sílica objeto do lançamento: "Excluemse da presente posição: a) As sílicas naturais (Capítulo 25, com exclusão das variedades de sílica que constituam pedras preciosas ou semipreciosas ver as Notas Explicativas das posições 71.03 e 71.05). b) A sílica em suspensão coloidal classificase na posição 38.24, a não ser que tenha sido preparada para usos específicos (como apresto na indústria têxtil, por exemplo). Neste caso, incluise na posição 38.09. c) O gel de sílica (sílicagel) adicionado de sais de cobalto, usado como indicador de umidade (posição 38.24)." Fl. 360DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 Enfim dois órgãos técnicosIPT e INT afirmam que o produtonão se trata de cinza, nem de escória ou desperdiço, com referido no laudo do LABAMA. Esses laudos (IPT e INT) confirmam que o produto importado é obtido industrialmente como subproduto nos processos de fabricação de silício e de ligas de ferro silício, condizente com a classificação 2811.22.90. Não obstante o produto apresentarse na cor cinza não implica o afastamento do capítulo 28 da NCM. Essa cor se deve às impurezas. Não merece guarida a classificação no Capítulo 26, por conta da Nota 3 deste capítulo, que segundo o qual –só se incluem na posição 26.20as cinzas e resíduos dos tipos utilizados industrialmente para a recuperação do metal ou para fabricação de compostos metálicos. O produto em litígio é utilizado como adição na preparação de concretos na indústria da construção civil, conforme alega a recorrente, logo afastase a classificação nessa posição do capítulo 26. Como destaca o laudo do IPT –Este produto é utilizado como aditivo na preparação de concretos objetivando aumento nas propriedades mecânicas, químicas e de trabalhabilidade .... Por fim, documento trazido aos autos, pela recorrente, sobre o posicionamento oficial de decisão da Agência Nacional Norueguesa de Política Aduaneira, que dispõe: "A Nota 1 ao capítulo 28 reza como segue: 'Na ausência de qualquer outra indicação no texto, as posições cobertas por este capítulo abarcam: a) matérias primas químicas isoladas e compostos isolados quimicamente definidos, inclusive com teor de poluentes.” Sob a posição 28.11, o óxido de silício (Si02) vem expressamente referido, cabendo, pois, avaliar em que medida os dentais óxidos referidos na planilha de dados devem ser considerados como poluentes, e qual o teor de poluente tolerável nesta posição. 1nexistem dispositivos na lei acerca do quanto de poluentes é tolerável em um composto químico. A praxe consolidada, porém, indica que este limite é de 10%. Esta Agência entende que o produto em discussão deverá ser considerado como puro mesmo que parte da produção resulte em um teor de poluentes ligeiramente acima de 10%." Assim sendo, o produto importado não é escória. Apesar de subproduto de um processo industrial de silício e de ligas de ferrosilício em fornos elétricos de fusão de altas temperaturas, não se pode considerar que o dióxido de silício seja escória. Portanto, a escória não se considera subproduto. Diante do exposto DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, considerando que o produto denominado "Dióxido de Silício grade 965", por tratarse de dióxido de sílica com grau de pureza superior a 90% (com impurezas), classificase ma posição 2811.22.90. Ilustro, exemplos de julgados que apontam as mesmas circunstâncias: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 339 11 Processo 11128.000165/200231, acórdão 30133.629, de 26/02/2007, da empresa Elkem Materials South América LTDA, de relatoria do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, cuja ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 21/09/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL — O Dióxido de Silício, subproduto de um processo industrial de silício e de ligas de ferrosilício, de cor cinza e grau de impurezas superior a 90%, decorrentes do processo de fabricação que não confira ao produto uma destinação específica, classificase na posição 2811.22.90. (corrigida ementa através dos embargos de declaração de n° 30134.807, de 11/11/2008).(votação unânime) Assim como o Processo 11128.002497/200331, acórdão 320100.311, de 18/09/2009, da empresa Elkem Materials South América LTDA, de relatoria do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, onde estive presente e acompanhei o julgado, cuja ementa dispõe: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/02/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL O Dióxido de Silício, subproduto de um processo industrial de silício e de ligas de ferrosilício, de cor cinza e grau de purezas superior a 90%, decorrentes do processo de fabricação que não confira ao produto uma destinação específica, por força da nota 03 do capitulo 26, não pode ser classificado na posição 2620. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (votação unânime) Da mesma forma o Processo 11128.002498/200386, acórdão 320100.310, de 18/09/2009, da empresa Elkem Materials South América LTDA, de relatoria do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, onde, também, estive presente e acompanhei o julgado, cuja ementa dispõe: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/02/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL O Dióxido de Silício, subproduto de um processo industrial de silício e de ligas de ferrosilício, de cor cinza e grau de purezas superior a 90%, decorrentes do processo de fabricação que não confira ao produto uma destinação específica, por força da nota 03 do capítulo 26, não pode ser classificado na posição 2620. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 12 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (votação unânime) Diante do exposto DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, considerando que o produto denominado "Dióxido de Silício grade 965", por tratarse de dióxido de sílica com grau de pureza superior a 90% (com impurezas), classificase ma posição 2811.22.90. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Declaração de Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A lide diz respeito à adequada classificação fiscal do produto ELKEN MICROSÍLICA 965. O contribuinte classificou o produto no código 2811.22.90 (Dióxido de Silício – Outros), enquanto a fiscalização aduaneira entendeu que o código correto seria o 2620.90.90 – Cinzas – Outras. A razão pela qual a fiscalização aduaneira classificou a mercadoria em código correspondente a “cinzas” foi a laudo do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami nº 3069.01 (fls. 37/38), que, a pedido da Alfândega do Porto de Santos, reexaminou a questão, com a conseqüente expedição do aditamento nº 3069.01A, que referendou as conclusões anteriormente exaradas, no seguinte sentido: CONSIDERAÇÕES GERAIS: Os compostos de Dióxido de Silício considerados no capítulo 28 apresentamse na forma amorfa como um pó branco, em grânulos vítreos, ou sob a forma gelatinosa como gel de sílica ou ainda na forma cristalina com estrutura da Cristobalita ou Tridimita. Em todas estas formas o Dióxido de Silício encontrase na cor branca, com pureza acima de 99,5% (na base seca), com exceção para o Dióxido de Silício obtido por precipitação química que apresenta pureza entre 98% a 99,5%, dependendo do processo de precipitação utilizado pelo fabricante. Conforme as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), capítulo 28.11, item M, os compostos de Dióxido de Silício considerados neste capítulo são obtidos pela precipitação dos silicatos pelos ácidos ou pela decomposição dos halogenetos de silício sob ação da água e do calor. Ressaltamos que a Sílica nas suas diversas formas tem processo de fabricação definida para cada tipo (não são obtidos como subprodutos), e apresentam vários usos, como por exemplo: [...] De acordo com a Literatura Técnica Específica e Referência Bibliográfica (cópias anexas), a mercadoria em epígrafe é uma cinza obtida pela captação dos fumos produzidos durante a produção de ferroliga FerroSilício e também do Silício Metálico, como um subproduto. Na sua composição química contém, além da Sílica, Fl. 363DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 340 13 vários elementos provenientes da obtenção dessas ligas, e apresentase na cor cinza, com estrutura amorfa. O Parecer Técnico n.° 8.104 do IPT também confirma esse processo de obtenção, bem como a sua utilização específica, como aditivo na preparação de concreto. Desta forma, consideramos que a mercadoria encontrase de acordo com o descrito nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), capítulo 26, como Cinzas obtidas durante a produção de Silício Metálico e ferroliga FerroSilício, um subproduto na obtenção dessas ligas, e, ratificamos a CONCLUSÃO e RESPOSTAS AOS QUESITOS do Laudo de Análises em epígrafe da seguinte forma: CONCLUSÃO: Tratase de Dióxido de Silício contendo Óxido de Ferro e Carbono. RESPOSTAS AOS QUESITOS: Não se trata de um Outro Dióxido de Silício de constituição química definida e isolado. Tratase de Dióxido de Silício contendo Óxido de Ferro e Carbono, um subproduto proveniente das cinzas obtidas fabricação de ligas de FerroSilício e Silício Metálico. Por seu turno, o sujeito passivo argumenta que seu produto deveria, de fato, ser classificado no código 2811.22.90, pois compreende composto de constituição química definida, mesmo contendo impurezas. Ressalta que o INT e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT afirmaram que o produto importado é um composto inorgânico de silício e de constituição química definida, embora contenha impurezas que resultam exclusivamente de seu processo de produção. Para a resolução da lide é relevante conhecer não apenas a composição química do produto, mas também a forma como o mesmo é obtido, uma vez que tais informações são fatores considerados na classificação da mercadoria. Diante disso, podem sim ser consideradas as informações técnicas consignadas nos laudos do INT e do IPT sobre esse tipo de mercadoria, muito embora tais laudos não tenham sido obtidos a partir da amostra exatamente importada. O mesmo se diga sobre a decisão da Aduana Norueguesa, sobre a qual nos referiremos adiante. Segundo o parecer técnico do IPT nº 8.104, a Elkem microsílica é um “material decorrente do processo de produção de silício metálico ou ligas de ferro em fornos elétricos. Durante o processo é gerado o gás SiO que ao sair do forno oxidase formando partículas de SiO2, sendo então captadas por sistemas de filtros coletores. [...]”. Quanto à utilização, consta do referido parecer que o produto “é utilizado na preparação de concretos objetivando aumento nas propriedades mecânicas, químicas e de trabalhabilidade” (v. fls. 54/55 do processo eletrônico). Consta ainda do parecer do IPT que o alto nível de teor de sílica “ [...] leva necessariamente à conclusão de que embora a microsílica seja obtida como produto secundário da produção de silício, definila como rejeito ou desperdício é incompatível com os cuidados de processamento e beneficiamento necessários a manter teores tão elevados de sílica. Algumas escórias da indústria metalúrgica recebem também beneficiamento significativo, no entanto existem diversos fatores que não permitem enquadrar sílicas Fl. 364DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 14 ativas produzidas por meio [de] oxidação do monóxido de silício na qualidade de escórias. [...] (v. fls. 56/57). Ressaltese que referido parecer foi elaborado a partir do produto Elken Microsílica 971D, que tem um teor de sílica de 98,0% (a mercadoria objeto da lide é a de referência 965, com percentual de sílica de 94,7%). Consta dos autos também a tradução juramentada de uma decisão final em recurso da Agência Nacional Norueguesa de Política Aduaneira referente ao produto “ELKEM MICROSÍLICA” (fls. 46/50), da qual transcrevo os seguintes trechos, por entender serem os mesmos relevantes para a resolução da lide: O recurso referese à classificação dada ao produto supra, apresentando os seguintes comentários à deliberação: "Constatamos seu desejo de dividir o produto em duas categorias, dependendo do teor de SiO2 . Considerando que o teor de SiO2 apresenta grandes variações entre o piso de 85% e o teto de 98%, tal decisão nos afigura como muito difícil de ser implementada. [...] Dentre os códigos propostos, o 28.11.2200 é melhor do que o 38.24.9000, mas também não representa, no que nos diz respeito, uma boa solução. Em várias ocasiões, verificamos que este código é interpretado como referindose a SiO2 cristalino que, diferentemente de nosso SiO2 amorfo, representa risco elevado para a saúde. Corremos, assim, o risco de termos de documentar, a cada remessa, que não estamos vendendo material cristalino, e sim um pó amorfo e neutro. Idealmente, deveria haver um subgrupo para SiO2 cristalino e outro para o amorfo. O que se pode fazer no caso?" O recorrente não apresenta proposta de código de classificação tarifária. II. Descrição da mercadoria A Agência Nacional Norueguesa de Política Aduaneira avaliou o produto em tela com base na documentação recebida. O produto afigurase como um pó amorfo ultrafino (pó inalável), que pode constituir aglomerados. Consta ser um subproduto da produção de FeSi e de Simetálico, essencialmente composto de dióxido de silício, além de quantidades menores de outros óxidos. Com base na planilha de dados (em % de peso), o teor do produto configurase como: dióxido de silício (SiO2) – 8598; óxido de ferro (Fe2 03) – máximo de 3,0; óxido de alumínio (Al203) máximo de 1,5; óxido de cálcio (CaO) máximo de 0,7; óxido de magnésio (MgO) máximo de 2,0; óxido de sódio (Na20) máximo de 1,0; óxido de potássio (K20) máximo de 3,0; e carbono (C) máximo de 3,0. O produto pode ainda conter pequenas quantidades de quartzo cristalino até 0,5. O produto é exportado, e, de acordo com as informações prestadas, é utilizado essencialmente como aditivo de concreto, como elemento de fortalecimento do concreto. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 341 15 III. Manifestação da Agência de Política Aduaneira e Tarifária [...] Esta Agência avaliou as seguintes posições e notas explicativos [...] A posição 28.11 tem a seguinte redação: "Outros ácidos inorgânicos ou outros compostos de oxigênio inorgânicos nãometálicos." Os comentários elaborados para a Nomenclatura SH contêm, entre outras, as seguintes observações para a posição 28.11 com referência ao dióxido de silício: "Pode ocorrer tanto em forma amorfa (como pó branco ("branco sílica", sílica em forma distribuída fina, sílica calcinada, como grãos vitrificados, em formato gelatinoso) ou como cristais (formato tridimita ou cristobalita). Excluemse desta posição: a. dióxido de silício natural (capítulo 25, à exceção de dióxido de silício natural no formato de pedra preciosas — vide comentários às posições 71.03 e 71.05); b. suspensões coloidais de dióxido de silício normalmente serão classificadas sob a posição 38.24, . desde que não tenham sido especialmente preparadas para algum uso específico (assim, por exemplo, agentes para acabamento de tecidos classificamse sob a posição 38.09); c. gel de silício ao qual foram adicionados sais de cobalto (utilizado como indicador de umidade (posição 38.24)." A Nota 1 ao capítulo 28 reza como segue: "Na ausência de qualquer outra indicação no texto, as posições cobertas por este capítulo abarcam apenas: a matérias primas químicas isoladas e compostos isolados quimicamente definidos, inclusive com teor de poluentes." Sob a posição 28.11, o óxido de silício (SiO2) vem expressamente referido, cabendo, pois, avaliar em que medida os demais óxidos referidos na planilha de dados devem ser considerados como poluentes, e qual o teor de poluentes tolerável nesta posição. Inexistem dispositivos na lei acerca do quanto de poluentes é tolerável em um composto químico. A praxe consolidada, porém, indica que este limite é da 10%. Esta Agência entende que o produto em discussão deverá ser considerado como puro mesmo que parte da produção resulte em um teor de poluentes ligeiramente acima de 10%. A posição 38.24 tem a seguinte redação: "produtos e preparados químicos da indústria química e correlata (inclusive aqueles compostos de misturas de produtos naturais), não referidos ou incluídos alhures nesta Fl. 366DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 16 classificação; resíduos da indústria química e correlata, não referidos ou incluídos alhures nesta classificação." Na medida em que o que se discute aqui é um produto que não se apresenta como mistura, e sim como um composto químico que constitui um resíduo predominantemente composto de Si02, com uma certa percentagem de impurezas, não se aplica a posição 38.24 ao caso presente. No que tange ao comentário da recorrente no sentido de que deveria haver, idealmente, um subgrupo para Si02 amorfo e outro para o cristalino, a Agência lembra que os seis primeiros dígitos da classificação norueguesa de mercadorias é de caráter internacional, determinados pela nomenclatura aduaneira da referida Convenção SH. Assim, não será de qualquer valia no país importador caso a classificação aduaneira norueguesa apresente uma repartição estatística entre Si02 cristalino e amorfo. Para que a distinção seja feita em nível dos seis primeiros dígitos, uma proposta de novas divisões tem de ser apresentada à secretaria geral da WCO em Bruxelas [...]. [...] IV. Parecer Final Com base na Norma de Interpretação Geral nº 1, esta Agência considera que o produto “Elken Microsilica” vem melhor descrito sob a classificação tarifária 28.11.2000. (grifos nossos) Feito o relato pertinente, passo às minas considerações. Primeiramente, me parece claro que o produto objeto do litígio é fruto de um processo intencional e específico destinado à sua obtenção. O laudo do IPT (fls. 60), muito embora tenha sido elaborado a partir do produto Elken Microsílica 971D, que tem um teor de sílica de 98,0% (a mercadoria objeto da lide é a de referência 965, com percentual de sílica de 94,7%), traz relevante informação sobre a forma de obtenção da mercadoria, fruto de uma “ressublimação oxidante, ou seja, a reação do monóxido de silício gasoso com outro gás, o oxigênio, produzindo micropartículas de dióxido de silício sólido”, e que aludido produto, portanto, “não se enquadra na definição de escória” (v. fls. 60). Assevera ainda referido parecer que a Microsílica 971D, é utilizada como aditivo na preparação de concretos, como ocorre com a Microsílica 965. O laudo do Laboratório Nacional da Análises se refere aos compostos de Dióxido de Silício do capítulo 28 como “um pó branco, em grânulos vítreos, ou sob a forma gelatinosa como gel de sílica ou ainda na forma cristalina com estrutura de Cristobalita ou Trimidimita”. E a NESH do mesmo capítulo diz que os compostos de silício se apresentam “quer amorfo, em pó branco (branco de sílica, flor de sílica, sílica calcinada), em grânulos vítreos (sílica vítrea), ou sob forma gelatinosa (gel de silica ou sílica hidratada), quer em cristais (tridimita e cristobalita)”. Segundo a nota 3 do capítulo 26 da NESH a posição 26.20 apenas compreende: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11128.005166/200272 Acórdão n.º 3802002.943 S3TE02 Fl. 342 17 a) As escórias, as cinzas e os resíduos dos tipos utilizados na indústria para extração de metais ou fabricação de compostos metálicos, com exclusão das cinzas e resíduos provenientes da incineração de lixos municipais (posição 26.21); b) As escórias, as cinzas e os resíduos que contenham arsênio, mesmo que contenham metais, dos tipos utilizados para extração de arsênio ou de metais ou para fabricação dos seus compostos químicos. Evidentemente, é relevante para o caso presente o disposto na primeira parte da nota 3a, não havendo nos autos elementos suficientes para autorizar a conclusão de que o produto comercializado pela empresa é primariamente fruto de um processo de extração de metais ou fabricação de compostos metálicos. Assim, descarto, de pronto, a classificação (residual) adotada pela fiscalização aduaneira, específica para cinzas (2620.90.90). Com efeito, em tradução livre do prospecto do produto importado pela recorrente, consta que a microsílica é produzida pela coleta dos gazes liberados durante a produção do ferro silício e do silício metálico (v. fls. 36). Tal descrição está em sintonia com a forma de obtenção da microsílica que foi periciada pelo IPT, decorrente de um processo de ressublimação, que traz o silício gasoso (SiO) para o estado sólido mediante sua reação com o Oxigênio, “produzindo micropartículas de dióxido de silício sólido” (SiO2). Ademais, o laudo do IPT faz importante observação sobre o auto percentual de sílica presente na amostra por ela analisada (98%), com um teor de silício de pelo menos 46%, bem acima do teor desse elementos para a maioria dos tipos de silicatos cristalinos elencados na tabela de fls. 60. Tal observação é válida para o produto objeto dos autos, cujo teor de sílica é de 94,7%. Com tal observação o IPT procura demonstrar que o produto não pode ser tratado como desperdício da produção. Na falta de maiores detalhes do laudo técnico da mercadoria, admito como legítimo o entendimento da Aduana Norueguesa, que entende que o produto deverá ser considerado como puro mesmo que parte da produção resulte em um teor de impurezas ligeiramente acima de 10%. No caso concreto, considerando que o grau de pureza é de 94,7%, as impurezas corresponderiam, no máximo, a 5,3%. Corrobora o entendimento acima o disposto no relatório técnico nº 1083 do Laboratório de Análises Inorgânicas do Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 206), onde foram examinados vários tipos de microsílica fabricados pela Elken, dentre os quais a referência 965 (objeto dos autos), que, segundo analisado, apresentou um teor de SiO2 de 93,7%. Com base em suas análises, concluiu o seguinte: Os resultados da análise química mostram que os produtos em questão tratam se de sílica pura contendo teores pequenos de impurezas, certamente provenientes de seu processo de fabricação. [...] De fato, esse tipo de material é obtido industrialmente como subproduto nos processos de fabricação de silício e de ligas de ferrosilício em fornos elétricos de fusão a altas temperaturas. [...] Em função do processo de formação da sílica, ela não constitui nem uma cinza nem uma escória, já que não é formada no seio da reação do processo metalúrgico, Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 18 mas sim pela ração entre um gás expelido durante o processo com o oxigênio existente na atmosfera do forno, fora da massa reacional. Finalmente, entendo que o fato de a cor do produto não ser branca não impede seja o mesmo classificado na posição 28.11, uma vez que a apresentação na forma de pó branco é apenas uma das que são admitidas para os compostos de silício. Portanto, voto para dar provimento ao recurso, admitindo como correta a classificação da mercadoria importada pela recorrente no código 2811.22.90. Sala de sessões, em 23 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10665.001690/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola Reis e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91.
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Não entrega de arquivos digitais Folha de pagamento Recorrente USINA AÇUCAREIRA PASSOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola Reis e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 16 90 /2 01 0- 34 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração 37.022.4949 lavrado contra o sujeito passivo por infringência ao que dispõe a Lei n° 8.218, de 29/8/1991, artigo 11, §§ 3° e 4°, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.158, de 24/8/2001. Apurase do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 8/9) que o sujeito passivo, apesar de utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, intimado em mais de uma oportunidade, deixou de apresentar no prazo estabelecido pela fiscalização, arquivos digitais contendo as informações de folhas de pagamento de 2007 e 2008. Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação sustentando o seguinte: i) que em relação ao ano calendário 2008 a empresa apresentou ECD/SPED estando, portanto desobrigada da apresentação dos arquivos digitais solicitados, conforme disposto no artigo 6°, inciso I, da Instrução Normativa — IN RFB 787/2007; e ii) que nos anos de 2007 e 2008 a empresa não possuía folhas de pagamento devido à ausência de empregados, mas somente sócios. A DRJ em Belo Horizonte negou provimento à impugnação, mantendo o Auto de Infração na sua integralidade. Inconformada com a r. decisão acima transcrita, a Recorrente interpôs, dentro do prazo legal, Recurso Voluntário perante este E. Conselho repisando os argumentos suscitados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Porém, verificase que, no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas, ou que contenham incorreções ou omissões. De fato, a Lei 8.212/91, que é a lei específica que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio, estabelece, em seu art. 32, inciso III, que: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e ao Departamento da Receita Federal DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 2301003.919 S2C3T1 Fl. 105 3 forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” E, nos termos do art. 92 do mesmo diploma legal, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Cumprindo seu papel regulamentador, o Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inc. II, alínea “j”, veio dispor que: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira”; Assim, entendo que, em se tratando de contribuições previdenciárias, não há qualquer razão para se aplicar a penalidade prevista na Lei 8.218/91, uma vez que existe legislação específica que trata da matéria. Ademais, o art. 112, do CTN, determina que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, no caso do Auto de Infração ora discutido, deveria ter sido observado o disposto na Lei 8.212/91, c/c art. 282, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por se tratarem de normas legais específicas para as contribuições previdenciárias. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Ademais, não houve um mero equívoco de dispositivo legal, mas sim erro de conteúdo, por implicar em sanção desproporcional ao contribuinte, sendo inviável sua modificação, pois seria revisão do próprio motivo ensejador do lançamento, maculando toda a estrutura normativa do poder de tributar. Pelo exposto, VOTO por CONHECER o recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 19515.001842/2004-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2004
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão.
Numero da decisão: 3401-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 42 /2 00 4- 49 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido em sede de DRJ, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário lançado no importe de R$ 88.147,19 (oitenta e oito mil cento e quarenta e sete reais e dezenove centavos), referente a diferenças apuradas pela fiscalização em face dos valores declarados/pagos pela Recorrente, a título de COFINS, para o período entre 02/2003 e 06/2004. Neste sentido, assim consignou o Termo de Verificação Fiscal, in verbis: (...) A empresa apresentou, também, um detalhamento da base de cálculo da COFINS, referentes ao período compreendido entre jan/2003 a jun/2004, bem como um controle de pagamentos e compensações da contribuição em pauta, anexas ao presente, firmadas por seu procurador. Analisando as planilhas, DCTF e documentação da empresa, verificamos diferenças entre o valor apurado pela fiscalização e o declarado/pago pelo contribuinte para os meses de fev/2003, maio/2003, junho/2003, fev/2004, maio/2004 e junho/2004, as quais estão consignadas nas planilhas anexas denominadas “Apuração da COFINS”. Para as diferenças constantes da planilha “Apuração da Cofins”, geradas a partir das informações prestadas pelo contribuinte e verificadas no curso da ação fiscal será lavrado Auto de Infração. Ato contínuo, devidamente notificada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII), Acórdão nº. 1318.297, restando assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/05/2003 a 30/06/2003. 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/05/2004 a 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. COFINS. COMPENSAÇÃO – Hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário, a compensação exige a comprovação por meio de documentos hábeis da efetividade daquele procedimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – Não compete à DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.001842/200449 Acórdão n.º 3401002.429 S3C4T1 Fl. 6 3 COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DACON. O aproveitamento de créditos no regime de incidência não cumulativa da contribuição consiste em faculdade do contribuinte, descabendo o seu aproveitamento ex officio, quando não se comprove documentalmente a sua existência e o próprio autuado não exerce o direito alegado na declaração competente. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não se lhe aplicando o prescristo no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988, que, ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu o legislador utilizar tributo com efeito de confisco. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário, no qual elencou os seguintes argumentos: 1. Isenção da Cofins sobre as vendas para Zona Franca de Manaus; 2. As receitas sobre vendas canceladas também não devem incidir a Cofins; 3. A Receita Federal não pode afastar a compensação realizada por inexistir comunicação à Receita Federal, uma vez que, mesmo admitido tal equívoco, deveria haver expressa punição pela falta de comunicação, não podendo restar esvaído o direito creditório por tal fato. 4. A fiscalização, quanto aos PA fevereiro, maio e junho/2004, não considerou créditos referentes ao estoque de abertura de bens, tendo sido tal fato, inclusive, reconhecido em sede de DRJ É o breve relato do necessário. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. AUSÊNCIA DE PROVA Apesar das alegações trazidas, a Recorrente não apresentou quaisquer elementos probatórios que pudessem infirmar a pretensão fazendária com o fito de afastar as exações sob análise. É que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; FERRAGUT, Maria Rita (coord.). A prova no processo tributário.São Paulo: Dialética, 2010), in verbis: “No processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Sendo assim, afirmar a existência de créditos, compensações e isenções da COFINS, sem haver qualquer prova de tais fatos, inviabiliza qualquer consideração acerca dos argumentos expendidos, conforme tópicos abaixo elencados. Isenção de COFINS nas mercadorias destinadas à ZFM De fato, temse que prospera o argumento da Recorrente no que tange à isenção da COFINS nas operações que se destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus. Na verdade, tratase de imunidade, por encontrar guarida no seio da Constituição Federal. A Zona Franca de Manaus (ZFM) é uma área de livre comércio de importação e exportação, cuja criação se deu através do DecretoLei nº. 288/67, sendo por ele regulada, na qual dispõe incentivos fiscais para o desenvolvimento econômico da área. Referido decretolei, com a promulgação da Constituição Federal, foi por ela recepcionada, à luz dos seus arts. 3º, III, 43, § 2º, III, 151, I e165, § 7º e, especialmente, pelo art. 40 da ADCT. Isso porque, ao preceituar como um dos objetivos fundamentais a redução das desigualdades regionais, e para tanto estaria legitimada a concessão de incentivos fiscais, Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.001842/200449 Acórdão n.º 3401002.429 S3C4T1 Fl. 7 5 única exceção ao princípio da isonomia, razão pela qual o orçamento fiscal e de investimentos teriam como um de suas funções a redução das desigualdades interregionais. É com esteio em tais dispositivos constitucionais que o DecretoLei nº. 288/67 foi recepcionado pela Carta Maior a patamar ainda mais elevado, tendo sido constitucionalizados todos os seus dispositivos em razão do efetivo cumprimento dos objetivos para os quais a Zona Franca de Manaus se presta. A este respeito, o ilustre professor IVES GANDRA DA SILVA MARTINS no parecer de n. 0752/12, de 05/03/2012, publicado no FISCOSoft On Line, 20/03/2012, disponível em www.gandramartins.adv.br: O DL 288/67 nasceu como decretolei, mas é considerado pelos doutrinadores, após a EC 1/69, com eficácia de lei complementar, pois cuida simultaneamente de matéria tributária envolvendo todos os entes federativos. Sempre considerei a Lei Complementar não uma lei da União, mas da Nação, pois ela cuida de matérias que exigem tratamento uniforme em todo o território nacional. A União apenas empresta seu aparelho legislativo para a Federação elaborar esse diploma, que depende, para sua aprovação, de maioria absoluta nas duas Casas do Congresso, onde se encontram presentes todos os integrantes da Federação, vale dizer, na Câmara, a população dos Municípios, e no Senado, os representantes dos Estados e Distrito Federal (7). E assim foi recepcionada a referida lei pela Constituição de 1988, mas em patamar mais elevado, de vez que foram constitucionalizados os dispositivos do DL 288/67. Vale dizer, todos os seus dispositivos passaram a ser norma constitucional de exceção, com garantia, inicialmente, de assim permanecerem até 2013 e, pela EC 42/66, até 2023. Em outras palavras, tudo, tudo, tudo o que foi outorgado à Zona Franca de Manaus, em 1967, ficou assegurado, como sistema constitucional de exceção, até 2023, fugindo, pois, à normatividade tributária constitucional estatuída no capítulo I do Título VII da Lei Suprema, no que disponha diversamente No mesmo sentido, disserta Fabio Pereira Garcia dos Santos na obra Tributação na Zona Franca de Manaus: (comemoração aos 40 anos da ZFM)/ Coordenadores Ives Gandra da Silva Martins, Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho, Marcelo Magalhães Peixoto. – São Paulo: MP Ed., 2008, fls. 121/137, in verbis: O artigo 4º do Decretolei n. 288/67 nada mais é que uma ficção jurídica. Com efeito, o ordenamento constitucional vigente à época da edição do DecretoLei n. 288/67, por não ter autorizado a União a outorgar isenções heterônomas, possibilitava unicamente esta interpretação. Assim, segundo o artigo 4º do Decretolei n. 288/67, o regime jurídico das operações de remessa de mercadorias para a ZFM segue o regime jurídico da exportação de mercadorias em geral. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Embora tenha o Decretolei n. 288/67 estabelecido uma ficção jurídica, não há que se falar em inconstitucionalidade do diploma normativo. Este não afrontou qualquer dispositivo das diversas constituições com as quais conviveu. A expressão, utilizada no artigo 4º do Decretolei n. 288/67 “para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor” deve ser entendida de forma abrangente, no sentido de que a equiparação deve considerar a legislação atualmente em vigor, e não somente aquela em vigor em 28.2.1967. O artigo 4º do Decretolei n. 288/67 foi constitucionalizado pelo artigo 40 do ADCT. Assim, embora formalmente infraconstitucional, o dispositivo tem conteúdo (é materialmente) constitucional. Por ter força constitucional, a natureza jurídica da exoneração tributária decorrente da operação de remessa de mercadorias para a ZFM, na forma do artigo 4º do Decretolei n. 288/67, é de imunidade tributária. Conforme se vê, portanto, as características e incentivos fiscais da ZFM foram mantidos pela Constituição Federal pelo prazo de vinte e cinco anos a partir da sua promulgação, conforme o art. 40 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias. Tal prazo, convém salientar, foi prorrogado por mais dez anos, ou seja, até 05/10/2023, através da Emenda Constitucional nº. 42/2003, que incluiu o art. 92 ao ADCT. Portanto, ainda persistem as disposições tratadas no mencionado DecretoLei, notadamente seu art. 4º, onde se determina a equiparação da comercialização de produtos para consumo ou industrialização destinados a ZFM como exportação para o estrangeiro, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro Logo, as receitas oriundas da comercialização de produtos para a ZFM estão imunes da incidência da COFINS, espécie de contribuição social, conforme previsão do art. 149, § 2º, I, da Carta Magna, a saber: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.001842/200449 Acórdão n.º 3401002.429 S3C4T1 Fl. 8 7 I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Entretanto, inobstante a imunidade conferida a tais operações, ao contrário do que alega a Recorrente, não houve quaisquer elementos probatórios, exceto planilhas sem nenhum valor contábilfiscal, que pudessem afastar tais exações. A apresentação de notas fiscais de tais operações seriam suficientes para elidir a pretensão fazendária. Contudo, as DCTF’s apresentadas pela Recorrente, em sede de Impugnação, não ilustram quaisquer operações que sejam destinadas à ZFM, razão pela qual o argumento, apesar de consistente na seara jurídica, perde sentido diante da inexistência de suporte fático que permita a não incidência da COFINS. Vendas Canceladas Quanto ao PA maio/2003 a Recorrente insiste que a autoridade fiscal não procedeu com a exclusão da base de cálculo da COFINS, em relação aos valores atinentes a receitas de vendas canceladas. Inversamente ao alegado, as planilhas apresentadas pela fiscalização, quando da apuração do valor devido da COFINS, demonstram que o auditor fiscal corretamente excluiu da base de cálculo tais receitas, não prosperando o alegado. Ademais, as planilhas apresentas pela Recorrente ilustram os mesmos montantes considerados pela fiscalização. Eventuais valores a maior, a serem apropriados, deveriam vir acompanhados de provas que permitissem a sua correlata exclusão da base de cálculo. Compensação não declarada Ainda em relação ao PA maio/2003, sobrevém a Recorrente com a alegação de que teria realizado compensação, a qual foi inobservada pela fiscalização. Não houve quaisquer provas da existência dessa compensação, exceto pela planilha elaborada pela Recorrente, sem nenhum efeito contábilfiscal, o que inviabiliza a análise da compensação alegada. Compensação realizada após a lavratura do Auto de Infração Foi juntada, em sede de impugnação, cópia de PER/DCOMP realizada em 07/10/2004, em relação ao PA junho/2003. Ocorre, entretanto, que tal procedimento foi realizado após a lavratura do auto de infração, quando findou o procedimento fiscal, o que inviabiliza qualquer apreciação no presente processo, conforme entendimento sumulado por este Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Créditos de estoque de abertura de bens e devoluções de vendas faturadas antes de 31/01/2004 Quanto a tais créditos, apesar de declaradas em DACON’s, vêse que não foram apropriados em razão do autuado não ter informado um período determinado de aproveitamento, nem dos meses subseqüentes de apuração da COFINS. Portanto, agiu corretamente a autoridade fiscal ao não considerálos, uma vez que sem a indicação do período, não haveria como certificar que o autuado poderia aproveitar se deles em outros períodos de apuração. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Ângela Sartori Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900461/2012-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 61 /2 01 2- 20 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de Cofins. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900461/201220 Acórdão n.º 3803006.176 S3TE03 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001466/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
DECADÊNCIA
Aplicação da Súmula n° 08 do STF com seu efeito vinculante, onde declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito devido à Seguridade Social. Em conseqüência, o prazo para a Receita Federal do Brasil constituir créditos tributários, envolvendo contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiros, assim entendidos outras entidades e fundos, para os quais existe competência do órgão fazendário para fiscalizar, passou a ser de cinco anos. (Artigo 150, § 4° quanto por homologação ou houve adiantamento - 173, I, quanto não houve antecipação no recolhimento, ainda que parte, ou existência de fruade, dolo ou simulação)
No caso em tela não houve nenhum recolhimento, eis que a Recorrente, órgão da administração pública, indiscriminadamente recolhia para Regime Próprio de Previdência Social, e não para o Regime Geral da Previdência Social, ao menos daqueles segurados não concursados.
Assim, há de ser aplicada, para fins de decadência, o artigo 173, I do CTN.
RecursoVoluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999. nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA Aplicação da Súmula n° 08 do STF com seu efeito vinculante, onde declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito devido à Seguridade Social. Em conseqüência, o prazo para a Receita Federal do Brasil constituir créditos tributários, envolvendo contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiros, assim entendidos outras entidades e fundos, para os quais existe competência do órgão fazendário para fiscalizar, passou a ser de cinco anos. (Artigo 150, § 4° quanto por homologação ou houve adiantamento - 173, I, quanto não houve antecipação no recolhimento, ainda que parte, ou existência de fruade, dolo ou simulação) No caso em tela não houve nenhum recolhimento, eis que a Recorrente, órgão da administração pública, indiscriminadamente recolhia para Regime Próprio de Previdência Social, e não para o Regime Geral da Previdência Social, ao menos daqueles segurados não concursados. Assim, há de ser aplicada, para fins de decadência, o artigo 173, I do CTN. RecursoVoluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999. nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.001466/200734 Recurso nº . Voluntário Acórdão nº 2301003.956 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ESTADO DO ACRE GABINETE DO GOVERNADOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA Aplicação da Súmula n° 08 do STF com seu efeito vinculante, onde declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito devido à Seguridade Social. Em conseqüência, o prazo para a Receita Federal do Brasil constituir créditos tributários, envolvendo contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiros, assim entendidos outras entidades e fundos, para os quais existe competência do órgão fazendário para fiscalizar, passou a ser de cinco anos. (Artigo 150, § 4° quanto por homologação ou houve adiantamento 173, I, quanto não houve antecipação no recolhimento, ainda que parte, ou existência de fruade, dolo ou simulação) No caso em tela não houve nenhum recolhimento, eis que a Recorrente, órgão da administração pública, indiscriminadamente recolhia para Regime Próprio de Previdência Social, e não para o Regime Geral da Previdência Social, ao menos daqueles segurados não concursados. Assim, há de ser aplicada, para fins de decadência, o artigo 173, I do CTN. RecursoVoluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999. nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 66 /2 00 7- 34 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11522.001466/200734 Acórdão n.º 2301003.956 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD, referente às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre pagamento de remuneração efetuados pela Recorrente à segurados empregados, correspondentes à parte descontada deles e a parte patronal, daqueles servidores que não encontravamse assentados em função pública, sem o devido ingresso através de concurso. Urge trazer à baila que a presente Notificação foi lavrada em substituição ao crédito constituído por meio da NFLD n° 35.677.1717, tornado nulo por vicio formal, devendo o mesmo ser relançado, não estando abrangido pela decadência, conforme inciso II do artigo 45 da Lei 8.212/1991. Serviram de base para emissão da presente NFLD, dentre outros documentos, os arquivos das folhas de pagamento em meio magnético de todos os órgãos públicos (Secretarias), Autarquias e Fundações Públicas, para todo o período fiscalizado, constando a configuração por competência, admissão, nome e o Cadastro de Pessoa Física CPF / Registro Geral RG, salário de contribuição (base de cálculo), lotação e valor bruto, divididos em quatro grupos de arquivos que seguem: a)"Servidores Estatutários Concursados", contribuintes do Regime Próprio de Previdência Social instituído pela Lei Complementar 039, de 29/12/1993, publicado no Diário Oficial do Estado 6202A, de 18/01/1994, que foram admitidos através de concurso público; b)"Servidores Estatutários não Concursados", contribuintes do Regime Próprio de Previdência Social instituído pela Lei Complementar 039, de 29/12/1 993, publicado no Diário Oficial do Estado 6202A, de 18/01/1 994, que foram admitidos sem concurso público; c)"Servidores Celetistas", considerados os ocupantes, exclusivamente, de cargos em comissão declarados em ei de livre nomeação e exoneração, amparados pelo RGPS; d)"Servidores Temporários", instituídos pela Lei Complementar 033, de 19/07/1991, com alterações da Lei Complementar 043, de 23/05/1994, revogadas pela Lei Complementar 050, de 12/07/1 996, em conformidade com o inciso IX do artigo 37 da CF/88; Foram lançadas as contribuições previdenciárias devidas à. Seguridade Social incidente sobre as remunerações pagas pelos serviços prestados por segurados empregados ao Governo do Estado do Acre — Gabinete do Governador, irregularmente contratados sem a devida prestação de concurso público após a Constituição Federal de 1988, estando desprovida de amparo constitucional a integração destes segurados empregados na relação estatutária vinculado ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Acre, mas, a relação contratual nula deuse de forma permanente, subordinada e mediante remuneração, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 caracterizando o vinculo ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme definido na alínea "a", inciso I do art. 12 da Lei 8212, de 24/07/91; Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas, as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados (§ 1° e artigo 20, combinado com a alínea "a", inciso I do artigo 30, todos da Lei 8212/91), contratados pelo Órgão em questão, que corresponde aos salários de contribuição e desconto dos segurados encontrados no "RL Relatório de Lançamento", agrupados por competência. Após a ciência do lançamento apresentou impugnação, cuja qual foi julgada procedente em parte, onde considerou decadente parte do lançamento, com fulcro ao artigo 173, I do CTN, decaindo tão somente as competências 02 à 05 de 1999. Tomou ciência da decisão de piso em 29.JUN.2010 e no dia 05.JUL.2010 aviou o presente remédio recursivo, alegando: i)tempestividade; ii) da decadência das contribuições previdenciárias referentes as competências 01/1999, 06/1999, 07/1999, 08/1999, 09/1999, 10/1999, 11/1999, 12/1999 e 13/1999 — não aplicação do art. 173, inciso ii, do CTN — ausência de lançamento substitutivo prazo qüinqüenal — súmula vinculante n°08 do STF; iii) servidor irregular x regime geral da previdência; iv) salário família e salário maternidade; v) compensação; Eis em apertada síntese o relato do necessário para julgamento do remédio recursal aviado. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11522.001466/200734 Acórdão n.º 2301003.956 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presentes Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. A mesma sorte tem o Recurso de Ofício. Passo para análise das razões apresentadas. i) DECADÊNCIA Despiciendo é destacar todo histórico da hodierna aplicada Súmula n° 08 do STF com seu efeito vinculante, onde declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito devido à Seguridade Social. Em conseqüência, o prazo para a Receita Federal do Brasil constituir créditos tributários, envolvendo contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiros, assim entendidos outras entidades e fundos, para os quais existe competência do órgão fazendário para fiscalizar, passou a ser de cinco anos. E isto é importante, o prazo de cinco anos, podendo ser aplicado o artigo 173, I do CTN ou o artigo 150 § 4° do mesmo Caderno Legal. No caso em tela não houve nenhum recolhimento, eis que a Recorrente, órgão da administração pública, indiscriminadamente recolhia para Regime Próprio de Previdência Social, e não para o Regime Geral da Previdência Social, ao menos daqueles segurados não concursados. Assim, acertada a decisão de piso, devendo ser aplicada, para fins de decadência, o artigo 173, I do CTN. ii) SERVIDOR IRREGULAR X REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA Diz a Recorrente que não há no ordenamento jurídico Pátrio nenhum dispositivo de lei, assaz que justifique o entendimento de que os servidores considerados irregulares estão obrigatoriamente submetidos as regras do Regime Geral da Previdência. Alega ainda que os contratos de trabalho com segurados não concursados são incapazes de criar obrigações com a previdência social da União, porque não têm efeito jurídicos no ordenamento. Não assiste razão, e para tanto, mister se verificar o que fornece a inteligência do art. 118 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Ora, isto põe uma pádecal na pretensão da Recorrente, pois a ocorrência do fato previsto em lei como hipótese de incidência, que no caso em estudo é o pagamento de remuneração a segurados da Previdência Social pelos serviços prestados, a validade jurídica de tais atos não interfere no nascimento da obrigação tributária principal. Desta forma, dos contratos celebrados, houve início relação de contrato de trabalho, onde, há pagamento remuneratório, com seus ulteriores efeitos, mormente o dever de cumprir as determinações da Lei n° 8.212/91. iii) SALÁRIO FAMÍLIA E SALÁRIO MATERNIDADE Alega a Recorrente que alguns servidores estavam ‘encostados’, ou melhor, agraciado pelo benefício da Previdência Estadual, recebendo ou salário família ou salário maternidade, não havendo, portanto, exigência da apresentação da documentação exigida pelo FISCO, para justificar a não incidência de contribuição social a tais benefícios. Ledo engano. Quanto aos benefícios de saláriofamília e saláriomaternidade, urge trazer à baila que o seu pagamento pelo empregador ao empregado, está condicionado à apresentação da documentação legalmente definida, a saber, a apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade e de comprovação de freqüência escolar, a partir dos sete anos de idade, de acordo com o art. 67 e 68 da Lei 8.213/91, e no caso do saláriomaternidade, os comprovantes dos pagamentos e os atestados correspondentes, em conformidade com o art. 72 da Lei 8.213/91. Como assim não procedeu, mister que os tenha incluídos na base de cálculo para incidência da contribuição social, aqui autuada pela presente NFLD. iv) COMPENSAÇÃO Quanto a compensação perquirida pela Recorrente, como acertada a decisão de piso, faço minhas a consideração lá exposta e peço vênia para transcrevêla, ‘ipis litteris’, eis que não merece retoque. Em relação à necessidade de efetuar a devida compensação, conforme prevê o art. 201, § 9°, da Constituição Federal, cumpre lembrar ao sujeito passivo que a compensação financeira entre o Regime Geral de Previdência Social e os regimes de previdência dos servidores da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios se aplica nos casos de contagem recíproca de tempo de contribuição para efeito de aposentadoria e deve obedecer ao disposto na Lei n.° 9.796, de 05 de maio de 1999. Cabe esclarecer que eventual direito de compensação deve ser formulado e apreciado em conformidade com as normas dispostas naquela lei, em procedimento distinto do contencioso administrativo em questão, em que se discute o lançamento e não o desembolso financeiro de um regime para o outro. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11522.001466/200734 Acórdão n.º 2301003.956 S2C3T1 Fl. 5 7 Outrossim, alega a irresignante a existência de direitos creditórios oriundos de recolhimentos indevidos efetuados no período de janeiro a março de 1994. No que se refere ao tema em pauta, insta lembrar à reclamante que tanto a compensação como a restituição de valores pagos indevidamente são operações fiscais que dependem da iniciativa do contribuinte. Em tese, a compensação é um ato volitivo, por meio do qual o contribuinte reconhece que deve ao Fisco, mas que o Fisco também lhe deve. Assim, as dividas recíprocas são compensadas. Sempre restou claro que a compensação é um ato voluntário do contribuinte. À exemplo, citamos o que dispõe a Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005, em seus artigos 192 e 193. Assim, a legislação possibilita ao contribuinte a utilização da compensação, mas não à autoridade fiscal, tampouco à autoridade julgadora. Fica claro que a iniciativa deveria ser espontânea do contribuinte. Ademais, ainda que assim não o fosse, os valores para o quais a postulante requer a compensação, já foram alcançados pela prescrição, nos termos da legislação a seguir: Instrução Normativa SRP n.° 03/2005 Art. 192. omissis. () IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; Art. 218. 0 direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados da data: I do recolhimento ou do pagamento indevido; (grifei) Por todo o exposto, não há como acolher o pleito de compensação de valores com os fundamentos expendidos na peça defensória. Portanto, como alhures dito, a decisão de piso quanto ao quesito levantado na peça recursiva trata da mesma proposta na impugnação, sendo que a decisão de piso não merece retoque, dela faço minhas as considerações, para julgar improcedente as alegações. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 8 Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11522.001466/200734 Acórdão n.º 2301003.956 S2C3T1 Fl. 6 9 Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 10 PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Mas, no caso em tela o lançamento e a defesa foram realizadas anteriores à legislação novel, razão pela qual, pela imposição da lei, há de ser aplicada, com fulcro ao artigo 106, II, C do CTN a legislação mais benevolente ao contribuinte/recorrente. No caso em tela, penso que a mais benevolente é o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para i) aplicar o artigo 173, I, do CTN, para fins de contagem de prazo da decadência, estando decaídos as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999; ii) aplicar a legislação mais benevolente, quanto a multa, que é a estampada no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996; iii) manter as demais questões. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11522.001466/200734 Acórdão n.º 2301003.956 S2C3T1 Fl. 7 11 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10435.001403/2004-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DA PARTE DISPOSITIVA DO VOTO CONDUTOR.
Constatada a existência de contradição no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado, retificando a parte dispositiva do voto condutor.
Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar a parte dispositiva do voto condutor do Acórdão n° 192-00.027 para negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DA PARTE DISPOSITIVA DO VOTO CONDUTOR. Constatada a existência de contradição no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado, retificando a parte dispositiva do voto condutor. Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar a parte dispositiva do voto condutor do Acórdão n° 192-00.027 para negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 96 1 95 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.001403/200451 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2801003.509 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CARUARU PE Interessado BRAZ JOSÉ DO NASCIMENTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DA PARTE DISPOSITIVA DO VOTO CONDUTOR. Constatada a existência de contradição no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado, retificando a parte dispositiva do voto condutor. Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar a parte dispositiva do voto condutor do Acórdão n° 192 00.027 para negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 03 /2 00 4- 51 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10435.001403/200451 Acórdão n.º 2801003.509 S2TE01 Fl. 97 2 Tratam estes autos da decisão constante do Acórdão nº 19200.027, da Segunda Turma Especial do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, proferida em sessão plenária ocorrida em 08 de setembro de 2008. Após prolatado e publicado o acórdão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE determinou o retorno do presente processo ao CARF para saneamento, tendo em vista divergência existente entre a ementa e a conclusão do voto exarado no bojo do acórdão à fls.64/65, voto este que deu pelo provimento do recurso voluntário. De acordo com a ementa e a parte dispositiva do referido acórdão, foi negado provimento ao recurso voluntário. Já a conclusão do voto condutor foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. O Regimento Interno do CARF, no seu artigo 65 prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Assim, sendo evidente a contradição entre a decisão e os fundamentos do acórdão, os embargos de declaração foram admitidos para submeter o recurso voluntário a nova apreciação pelo Colegiado. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Transcrevese abaixo o voto condutor do acórdão embargado: Conheço do Recurso, eis que presentes os seus requisitos de validade, notadamente a tempestividade. Tratase o presente de recurso voluntário contra decisão que manteve lançamento que não considerou isentos proventos de aposentadoria do Recorrente ao fundamento de que não restou comprovada a possibilidade de fruição do beneficio em razão do desatendimento dos preceitos legais pertinentes. De um lado, o Recorrente, sustentando que possui doença grave a gozar do beneficio da isenção expressamente tratado pelo art. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10435.001403/200451 Acórdão n.º 2801003.509 S2TE01 Fl. 98 3 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88, que acobertaria a alegada isenção é inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, corn a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23/12/1992, veicula as regras que devem ser obedecidas para que determinados proventos percebidos por pessoa fisica, em situações especiais, Vejase: "Art. 6°. Ficam isentos do Imposto sobre a Renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (.) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." Por sua vez, o art. 30 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, criou a exigência de que as moléstias referidas na norma supra devam ser comprovadas mediante laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 0 art. 39 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/1999), que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, em seu art. 39, XXXIII, que tem por bases legais o art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, o art. 47 da Lei n° 8.541, de 1992, e o art. 30, § 2°, da Lei n° 9.250, de 1995, enumera as patologias cujos portadores terão os seus proventos de aposentadoria ou reforma isentos do imposto sobre a renda, sendo que o § 5° do mesmo art. 39 demarca a data a partir da qual se consideram isentos os proventos, como a seguir: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (.) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseniase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10435.001403/200451 Acórdão n.º 2801003.509 S2TE01 Fl. 99 4 com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n° 7.713, de 9 1988, art. 6, inciso XIV, Lei n° 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n° 9.250, de 1995, art. 30, § 2°); (.) § 5° As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." Os excertos legais acima elencados definem, portanto, exigências que devem ser obedecidas para que certos rendimentos recebidos por um grupo especifico de contribuintes pessoas físicas que sejam abrigados pelo manto da isenção do imposto sobre a renda. Destarte, é condição sine qua non que os rendimentos que o sujeito passivo portador de moléstia grave legalmente nominada pretende ver isentos do imposto tenham sido decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão, também que a doença esteja elencada entre aquelas especificadas no artigo 39, XXXIII, do Decreto n° 3.000/99, e que a moléstia esteja comprovada mediante laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Na espécie, os rendimentos objeto da controvérsia foram percebidos em decorrência de aposentadoria. Não obstante, o pleito está respaldado por laudo oficial do Instituto Nacional de Seguridade Social, preenchendo, pois, de forma incontroversa, os requisitos legais pertinentes. Pelo exposto, DOU provimento ao recurso voluntário Compulsando os autos, verificase que a conclusão do voto condutor não está condizente com as provas apresentadas pelo Contribuinte, eis que não se logrou comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, que ele é portador de uma das moléstias definidas em lei. Com efeito, ante a inexistência da condição essencial ao pleito, qual seja, o apontamento de moléstia contemplada pela norma legal em laudo pericial realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e ou dos Municípios, nos termos do art. 30 da Lei n° 9.250/95, resta considerar acertado o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e retificar a parte dispositiva do voto condutor do Acórdão n° 19200.027 para negar provimento ao recurso. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10435.001403/200451 Acórdão n.º 2801003.509 S2TE01 Fl. 100 5 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000628/2002-29
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
IRPF. IHT. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. JULGADO NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF.
Com o REsp 1.049.748/RN o entendimento do Superior Tribunal de Justiça - STJ cristalizou-se no sentido de que a verba intitulada Indenização por Horas Trabalhadas - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda. Julgado na sistemática do art. 543-C do CPC, entendimento é de obrigatória reprodução pelos membros do CARF.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 IRPF. IHT. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. JULGADO NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Com o REsp 1.049.748/RN o entendimento do Superior Tribunal de Justiça - STJ cristalizou-se no sentido de que a verba intitulada Indenização por Horas Trabalhadas - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda. Julgado na sistemática do art. 543-C do CPC, entendimento é de obrigatória reprodução pelos membros do CARF. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 58 1 57 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.000628/200229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.887 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente GETULIO GONÇALVES LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 IRPF. IHT. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. JULGADO NO RITO DO ART. 543C DO CPC. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Com o REsp 1.049.748/RN o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ cristalizouse no sentido de que a verba intitulada “Indenização por Horas Trabalhadas” IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda”. Julgado na sistemática do art. 543C do CPC, entendimento é de obrigatória reprodução pelos membros do CARF. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 06 28 /2 00 2- 29 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar o presente com a transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, in verbis: “Tratase de Auto de Infração (fls. 14/19) referente ao anocalendário de 1996, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 51.481,80, sendo R$ 18.891,02 de imposto de renda; R$ 14.168,26 de multa; e R$ 18.422,52 de juros de mora (calculados até 31/01/2002). Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01, a autoridade fiscal deu início ao procedimento fiscal, emitindo o Termo de Início de Fiscalização (fls. 06/07). Em resposta à intimação, alegou o contribuinte: Na declaração de ajuste anual do exercício de 1997, anocalendário 1996, teriam sido lançados erroneamente como rendimentos tributáveis valores recebidos a título de indenizações provenientes de acordo judicial homologado pela Justiça do Trabalho; A retificação da declaração rendimentos foi feita por intermédio de requerimento encaminhado à DRF São José dos Campos. A justificativa é que seriam verbas indenizatórias, decorrentes de horas extras trabalhadas em regime impróprio. Não teriam natureza de salário por serem uma compensação às horas de folga que os empregados teriam direito e que não foram gozadas. A percepção em dinheiro não constituiria acréscimo patrimonial; O INSS teria reconhecido como indevido o recolhimento e teria devolvido a parcela excedente do que foi cobrado sobre tais rendimentos, assim como a Petrobrás. A autoridade fiscal não acatou tais argumentos, afirmando que incide o tributos sobre os rendimentos a qualquer título, independentemente do nome atribuído. Ponderou, ademais, que o fato de a retificação ter sido recepcionada e processada não obsta a revisão para apuração de tributo devido ou indevidamente restituído. Lavrado o Auto de Infração de fls. fls. 14/19, do qual o contribuinte foi cientificado em 25/02/2002 (fls. 23/29), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 100/118. O contribuinte alega que os valores teriam sido recebidos a título de indenização por horas trabalhadas, razão pela qual não haveria incidência de imposto de renda. Como os valores teriam sido erroneamente lançados na declaração de ajuste anual, teria sido apresentada perante a Receita Federal do Brasil requerimento de retificação da aludida declaração, com o intuito de serem revisados os cálculos do imposto de renda retido na fonte, bem como o total pago e o imposto a restituir. A indenização teria sido paga pela empresa e homologada justiça do trabalho e não constituiria salário ou vencimento, nem tampouco acréscimo patrimonial, visto que se buscou reparar os danos causados pelo fato de não poder usufruir das legítimas folgas. Cita parecer que seria de autoria do Dr. Marcus Vinícius Filgueiras Júnior, que segue a linha defendida pelo contribuinte.” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13884.000628/200229 Acórdão n.º 2802002.887 S2TE02 Fl. 59 3 A decisão de primeira instância, todavia, não aceitou os argumentos da defesa e manteve o lançamento, concluindo que “a importância recebida, relativa a horas extras trabalhadas, constitui rendimento tributável, independente do título (indenização) que lhe tenha sido atribuído”. Às fls. 41 se encontra o recurso voluntário, por meio do qual o interessado afirma: a) ser “absurdo o entendimento, visto que jamais teve a intenção de trabalhar em regime de horas extras, aliás, nunca o fez, visto que, na ocasião, por desconhecimento, entendia estar cumprindo a jornada normal de trabalho”; b) que “o próprio STJ já decidiu neste sentido julgando caso análogo, dizendo que: "...o valor pago pela PETROBRÁS a título de "indenização de Horas Trabalhadas — IHT" não se encontra sujeito à incidência do imposto de renda, por se tratar de verba indenizatória que recompõe os períodos de folga não gozados e a supressão de horasextras” ; c) que “de outro lado, não tem razão a União / Receita Federal em cobrar do recorrente, Imposto de Renda sobre os valores recebidos, sob a alegação de que: "O INSS teria reconhecido como indevido o recolhimento e teria devolvido a parcela excedente do que foi cobrado sobre tais rendimentos, assim como a Petrobrás", porque jamais recebeu a restituição. A ciência do acórdão ocorreu em 04/09/2008 e o recurso voluntário foi interposto no dia 03/10/2008. Por vislumbrar o tema rendimentos recebidos acumuladamente, esta Turma Julgadora determinou sobrestar o julgamento, por meio da Resolução 2802000.095, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento é retomado. Em função de o Relator original não ser mais integrante do CARF, o processo foi redistribuído a este Relator, em 19/03/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Já conhecido o recurso, passase ao exame de mérito. Este é um daqueles casos em que o longo tempo de duração do processo vai produzindo significativas mudanças no resultado final em razão evolução das discussões judiciais e da modificação dos entendimentos dos Tribunais Superiores. O rendimento que o Fisco reclassificou para tributáveis corresponde a Indenização de Horas Trabalhadas pagas a empregados da Petrobrás. Foi com o REsp 1.049.748/RN que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ cristalizouse, no sentido de que “A verba intitulada ‘Indenização por Horas Trabalhadas’ IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda”. Esse julgado seguiu o rito do art. 543C do CPC, sendo de reprodução obrigatória no CARF. No mesmo sentido é a Súmula 463 do STJ: Incide imposto de renda sobre os valores percebidos a título de indenização por horas extraordinárias trabalhadas, ainda que decorrentes de acordo coletivo. Os precedentes mencionados pelo recorrente ficaram superados. Todavia, o fato tempo trouxe outra discussão relacionada a este processo. O Colegiado, por cautela, determinou o sobrestamento para que a questão fosse apreciada somente após o STF pronunciarse sobre o tema. Não obstante, a previsão do Regimento Interno que determinava tal procedimento foi revogada e impõese o julgamento. O recorrente acertadamente não alegou essa questão. É importante analisar a declaração de fls. 11/12, pois dela se extrai que o recorrente durante o ano de 1996 recebeu R$75.564,06 decorrente do pagamento de IHT, juntamente com seu salário mensal. Não é um caso de rendimentos recebidos acumuladamente de períodos pretéritos, mas sim remuneração do próprio mês trabalhado. Desta forma, o lançamento está correto. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004189/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SITUAÇÃO TIPIFICADA NOS TERMOS DO RECURSO REPETITIVO RESP nº 1.149.022/SP.
Estando comprovado nos autos que o Contribuinte procedeu em conformidade com a situação tipificada no recurso repetitivo REsp nº 1.149.022/SP, com a sistemática prevista no art. 543-C do CPC, tendo informado através das DCTF´s retificadoras o respectivo crédito tributário, antes de qualquer procedimento por parte da Fiscalização, com o prévio recolhimento acrescido de juros de mora, está configurado o instituto da denúncia espontânea previsto art. 138, do CTN. Mantida a exigência dos consectários legais, em relação aos períodos em que o recolhimento ocorreu após a transmissão da DCTF, em relação a esses períodos não resta configurada a denúncia espontânea.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados]
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 08/11/2013
Participaram do julgamento os Conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Helder Massaaki Kanamaru, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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SITUAÇÃO TIPIFICADA NOS TERMOS DO RECURSO REPETITIVO RESP nº 1.149.022/SP. Estando comprovado nos autos que o Contribuinte procedeu em conformidade com a situação tipificada no recurso repetitivo REsp nº 1.149.022/SP, com a sistemática prevista no art. 543C do CPC, tendo informado através das DCTF´s retificadoras o respectivo crédito tributário, antes de qualquer procedimento por parte da Fiscalização, com o prévio recolhimento acrescido de juros de mora, está configurado o instituto da denúncia espontânea previsto art. 138, do CTN. Mantida a exigência dos consectários legais, em relação aos períodos em que o recolhimento ocorreu após a transmissão da DCTF, em relação a esses períodos não resta configurada a denúncia espontânea. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados] RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 41 89 /2 00 7- 22 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 EDITADO EM: 08/11/2013 Participaram do julgamento os Conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Helder Massaaki Kanamaru, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatado "Multa paga a menor" e "Juros pagos a menor ou não pagos" da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 02/2004 a 06/2004 declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 12 e 13 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa e juros perfazendo o total dc R$ 29.463,76 (vinte e nove mil, quatrocentos e sessenta e três reais e setenta e seis centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 e par UN L 10426/02. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 09/04/2007 (AR à fl. 224) a contribuinte protocolizou, em 08/05/2007 a impugnação de fls. 01 a 09 acompanhada dos documentos de fls. 10223, na qual alega: 2.1. O instituto da denúncia espontânea objetiva que o contribuinte, espontaneamente, informe à autoridade administrativa competente a infração tributária cometida acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora incidentes, evitando futura fiscalização da autoridade, poupando empenho, diligência e vigilância desta. 2.1.1. Para estimular a espontaneidade do contribuinte, o CTN, cm seu artigo 138, exclui a responsabilidade por infrações da legislação tributária, conforme reproduzido. 2.1.2. Vejase que o que a lei considera como denúncia espontânea é justamente o ato de entregar voluntariamente tributo em atraso, devidamente acrescido dos juros de mora, aos cofres públicos. Frisese que a lei não determina o recolhimento da muita de mora, mas apenas dos juros moratórios. 2.1.3 Assim sendo, a Impugnante ao proceder ao recolhimento do tributo devido acrescido de juros de mora antes da entrega da DCTF retificadora, antecipouse a qualquer procedimento administrativo, eximindose do recolhimento da multa incidente pelo atraso no recolhimento. Reproduz jurisprudência. 2.2. Além dos valores não recolhidos a título de multa, em razão da denúncia espontânea, a Impugnante verificou algumas importâncias devidas a título de juros e multa, os quais foram recolhidos a menor no momento de sua apuração. 2.2.1. Tais valores, como aduzido alhures e demonstrado através dos DARFs anexos (doe. 05 fls. 222223), foram devidamente recolhidos pela impugnante na forma instruída no auto de infração. 2.2.2. É certo afirmar que o pagamento, nos termos do artigo 156, I do CTN, extingue o crédito tributário. 2.3. Por fim, requer seja conhecida e provida esta impugnação. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11610.004189/200722 Acórdão n.º 3301002.087 S3C3T1 Fl. 257 3 Cientificada em 17.11.2011 (AR – fl. 232), foi interposto o recurso voluntário de fls. 233 e seguintes, reiterando os argumentos constantes de sua impugnação, afirmando que a decisão recorrida deixou de observar que tanto os recolhimentos dos valores devidos, quanto a posterior entrega de DCTF Retificadora, foram efetuados antes de qualquer início de procedimento fiscal, de forma que se enquadra perfeitamente no instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional, o qual excluia responsabilidade do contribuinte quanto à multa em caso de recolhimento espontâneo realizado antes qualquer autuação do fisco. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 1631.256 – 9ª Turma da DRJ/SP1 Sessão de 04 de maio de 2011 Processo 11610.004189/200722 Interessado EMPRESA PARAENSE DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA S.A. CNPJ/CPF 04.416.923/000180 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Estou convencido de que os fatos discutidos no presente processo se enquadram, em parte, na situação do recurso repetitivo REsp nº 1.149.022/SP, com a sistemática prevista no art. 543C do CPC, tendo em vista que de acordo com os demonstrativos do Auto de Infração eletrônico de fls. 12 e seguintes, emitido em 14/03/2007, a Recorrente informou através das DCTF´s retificadoras o crédito tributário, promovendo o Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 pagamento do mesmo acrescido de juros de mora, antes de qualquer procedimento por parte da Fiscalização, destinado a exigir o mencionado crédito tributário. O mencionado repetitivo prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça, tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO, MAS PAGO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 168/STJ. REEXAME DAS PREMISSAS FÁTICAS CONSIDERADAS NO JULGAMENTO DO APELO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. O aresto paradigma indicado pela embargante (REsp 1.149.022/SP, Rel. Min. Luiz Fux), prolatado em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento da Primeira Seção acerca do instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Nesse julgado, foram identificadas as circunstâncias fáticas que ensejam a aplicação, ou não, desse instituto, quais sejam: a) se o contribuinte declara e paga a menor, mas retifica o valor da declaração e realiza, concomitantemente, o pagamento integral do valor retificado, deve ser reconhecida a denúncia espontânea; b) se contribuinte declara, mas não paga o tributo na mesma oportunidade, não deve ser reconhecida a denúncia espontânea (Súmula 360/STJ). 3. No caso dos autos, o acórdão embargado partiu da premissa fática de que o pagamento posterior decorreu de crédito já previamente declarado pela contribuinte, razão por que é devida a multa moratória. O acórdão embargado, portanto, não diverge da orientação sedimentada no julgamento do aludido recurso repetitivo no sentido de que não deve ser reconhecida a denúncia espontânea nos casos em que o tributo é declarado regularmente, mas pago a destempo. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Em verdade, a irresignação da recorrente não diz respeito à tese jurídica adotada, mas, sim, ao suporte fático da demanda que, supostamente, fora erroneamente identificado pelo acórdão embargado, já que, no seu caso, não teria havido pagamento extemporâneo de tributo já declarado, mas retificação do crédito que fora informado e pago a menor e com imediata quitação do valor retificado. No entanto, os embargos de divergência não servem para corrigir eventual erro de julgamento do recurso especial, decorrente de adoção de suposta premissa fática equivocada, como se fosse um novo recurso ordinário. Em face disso, não é possível pela via estreita deste recurso revisar eventual desacerto do acórdão embargado na aplicação da tese jurídica adotada à realidade do caso concreto. Nesse sentido: AgRg nos EREsp 1.126.442/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 07/05/2012, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11610.004189/200722 Acórdão n.º 3301002.087 S3C3T1 Fl. 258 5 DJe 18/05/2012; EREsp 908.790/RN, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 03/09/2012; EREsp 1.045.978/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 13/10/2010. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EAg 1371722/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/10/2012, DJe 30/10/2012). Assim sendo, considerando o disposto no art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STF e STJ em sede de repercussão geral ou de acordo com a sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF, ensejando a exclusão do auto de infração a exigência em relação aos períodos em que a Contribuinte procedeu o recolhimento prévio do crédito tributário acrescido de juros de mora, transmitindo em seguida as DCTF´s retificadoras. Deve ser mantida a exigência, em relação aos períodos em que o recolhimento ocorreu após a transmissão das DCTF´s retificadoras, por não configurar, nesse caso, a denúncia espontânea nos termos do recurso repetitivo nº REsp nº 1.149.022/SP. Desta forma, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência em relação aos períodos em que houve recolhimento do crédito tributário acrescido de juros de mora previamente à transmissão das DCTF´s retificadoras. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10580.727476/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso.
IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA.
A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO. TABELAS DE ALÍQUOTAS.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.
Na hipótese, o lançamento foi efetuado na vigência do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que resulta em tributação mais benéfica, aplicando-se, às diferenças de URV recebidas, as alíquotas vigentes nos períodos aos quais os rendimentos correspondem.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na hipótese, trata-se de juros tributáveis.
CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA.
A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73.
JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2101-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73.
(assinatura digital)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinatura digital)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA. A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO. TABELAS DE ALÍQUOTAS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Na hipótese, o lançamento foi efetuado na vigência do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que resulta em tributação mais benéfica, aplicando-se, às diferenças de URV recebidas, as alíquotas vigentes nos períodos aos quais os rendimentos correspondem. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na hipótese, trata-se de juros tributáveis. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exigese desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA. A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO. TABELAS DE ALÍQUOTAS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Na hipótese, o lançamento foi efetuado na vigência do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 76 /2 00 9- 16 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 de 11 de maio de 2009, que resulta em tributação mais benéfica, aplicando se, às diferenças de URV recebidas, as alíquotas vigentes nos períodos aos quais os rendimentos correspondem. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na hipótese, tratase de juros tributáveis. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator ad hoc. EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 264 3 Trata o presente processo de Auto de Infração, no qual é cobrado imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2006 (exercícios 2005 a 2007). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a Fiscalização apurou: (a) Omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV" decorrentes de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Na impugnação, a interessada alegou, em síntese, que os valores recebidos a título de URV não seriam tributáveis, por terem caráter indenizatório, e que preencheu suas declarações de ajuste conforme o que lhe foi informado pela fonte pagadora, que seria, no seu entender, o sujeito passivo da obrigação tributária. Sustentou que a União seria parte ilegítima para receber e cobrar o valor de imposto sobre a renda não retido pela fonte pagadora, que as verbas relativas às diferenças de URV sobre 13° salário e a férias indenizadas (abono férias) estão sujeitas à tributação exclusiva e são isentas. Argumentou que as alíquotas utilizadas pelo agente da fiscalização estão incorretas, que houve quebra da capacidade contributiva da interessada e que os juros e correção monetária recebidos não podem ser tributados porque têm natureza indenizatória. Pediu a exclusão da multa lançada e dos juros de mora incidentes sobre o imposto. Ao examinar o pleito, a 3.a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) decidiu pela improcedência da impugnação, por meio do Acórdão n.° 1523.856, de 19 de maio de 2010, cuja ementa a seguir reproduzimos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual, em preliminar, alegou que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à legitimidade da União para cobrar imposto cuja arrecadação destinase ao Estado, bem como não apreciou a alegação de quebra da capacidade contributiva da então impugnante, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 violando assim o devido processo legal. Por esses motivos, pede seja declarada a nulidade da decisão recorrida. No mérito, repisou os argumentos trazidos na impugnação. Em 19 de janeiro de 2012, a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio da Resolução n° 2101000.043, resolveu sobrestar o julgamento, até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.° 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1° e 2°, do RICARF. Em 18 de novembro de 2013, com a edição da Portaria n.° 545 do Ministério da Fazenda, foram revogados os parágrafos primeiro e segundo do supracitado artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual os autos retornaram para julgamento por este Conselho. Em 20 de março de 2014, o processo foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Entretanto, a Conselheira relatora teve sua aposentadoria concedida antes que pudesse formalizar o referido Acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator ad hoc designado O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O Auto de Infração que integra os presentes autos foi lavrado contra a contribuinte em epígrafe, em virtude de ter sido verificada classificação indevida, como isentos/não tributáveis, de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV". De acordo com o relato da Fiscalização, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, por decorrerem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994; por consequência, estariam sujeitas à incidência do imposto sobre a renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Reporta ainda a Fiscalização que o cálculo do imposto foi feito de acordo com o que preceitua o Despacho do Ministro da Fazenda de 11 de maio de 2009, o qual dispõe que, no cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 265 5 Foram excluídas do lançamento, segundo a autoridade fiscalizadora, (i) as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, e (ii) abono de férias, que não podem ter o crédito tributário constituído por força do artigo 19 da Lei n.° 10.522, de 2002, com a redação dada pela Lei n.° 11.033, de 2004, combinado como Despacho do Ministro da Fazenda publicado em 16 de novembro de 2009, o qual aprova o Parecer PGFN/CRJ/N.° 2.140/2006. Ainda segundo a Fiscalização, foram tributados os valores das diferenças salariais devidas (URV), incluindo atualização e os juros, mensalmente distribuídos no período de abril de 1994 a julho de 2001, conforme planilha de cálculo apresentada pelo sujeito passivo denominada "Cálculo da diferença de URV abril de 1994 a julho de 2001", levandoos à tributação com base nas alíquotas vigentes à época, apurando o valor total do imposto devido, que foi dividido pelos 3 anos em que ocorreu o recebimento. A contribuinte impugnou o lançamento (fls. 25 a 97), alegando que: a) as verbas recebidas a título de diferenças de URV não representaram acréscimo patrimonial, mas o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual, de acordo com a Lei Estadual Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, tendo a impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; b) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e, por esse motivo, está isento do imposto de renda. Apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legitima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais e, ante o princípio constitucional da isonomia, aos membros do Ministério Público Federal da União e Estadual; c) a Fiscalização tributou isoladamente as verbas recebidas a título de URV, quando deveria têlas tributado em conjunto com os demais rendimentos auferidos, e não considerou as deduções, as parcelas isentas e o imposto sobre a renda já retido pela fonte pagadora; d) a União não tem legitimidade ativa para cobrar o imposto sobre a renda na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro; e) o Estado Membro não cumpriu com a sua obrigação de reter o imposto sobre a renda e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto, gerando a quebra da capacidade contributiva; f) o sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável, é a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora; g) não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação, o que afasta a multa de ofício e os juros de mora; h) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento ; i) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13° salários e férias indenizadas (abono férias), verbas que devem ser excluídas da base de cálculo por serem respectivamente sujeitas à tributação exclusiva e isentas; j) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV são indenizatórios e a correção monetária visa a repor a perda do poder aquisitivo. A DRJ em Salvador (BA), ao analisar o pleito, julgou a impugnação improcedente. Em sede de recurso, a interessada pontuou, em preliminar, que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à legitimidade da União para cobrar imposto cuja arrecadação destinase ao Estado, bem como não apreciou a alegação de quebra da capacidade contributiva da então impugnante, violando assim o devido processo legal. Por esses motivos, pede seja declarada a nulidade da decisão recorrida. No mérito, repisou os argumentos trazidos na impugnação. 1. Análise da nulidade da decisão recorrida No recurso voluntário, a recorrente suscita uma preliminar de nulidade da decisão da DRJ em Salvador, alegando não terem sido enfrentadas duas das questões levantadas pela defesa: a ilegitimidade ativa da União e a quebra do princípio da capacidade contributiva. No questionamento quanto à legitimidade da União para cobrar imposto cuja arrecadação destinase ao Estado Membro, o relator do voto condutor da decisão recorrida voto condutor da decisão a quo assim se expressou: Além disso, cabe observar que a exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Da leitura do trecho acima transcrito, destacado do voto, verificase houve manifestação do relator sobre o tema. Depreendese ser o entendimento manifestado que, caso a discussão versasse sobre o imposto na fonte que deixou de ser retido pelo Estado da Bahia, a competência não seria da União. Contudo, como o tributo cobrado neste processo não é o imposto sobre a renda retido na fonte, mas o imposto sobre a renda de pessoa física, a competência para exigir o imposto em debate é da União. Este é o fundamento. Desse modo, é possível discordar do fundamento utilizado. No entanto, s.m.j., entendemos que, mesmo que tenha se expressado de forma sucinta ou mesmo insatisfatória para a defesa, o julgador não pode ser tido por omisso quanto ao tema apontado. A recorrente também acusa a não apreciação, pelo julgador administrativo de primeira instância, da alegação de quebra da sua capacidade contributiva. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 266 7 Analisando o conteúdo do voto condutor da decisão recorrida, observamos que, mesmo não tendo especificado que a análise dizia respeito também ou especialmente à alegação de "quebra do princípio da capacidade contributiva" da contribuinte, nos moldes sugeridos pela defesa, o julgador de primeiro grau não deixou de se manifestar sobre as questões trazidas pela interessada. Consignou o julgador não ter havido cobrança majorada de imposto, porque as parcelas a deduzir foram todas consideradas e as bases de cálculo declaradas já sujeitavam a contribuinte à incidência das alíquotas máximas, tal como aplicada aos rendimentos considerados tributáveis pela Fiscalização, a teor do trecho do voto a seguir transcrito: [...] nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. O julgador a quo também esclareceu que o dever de pagar o imposto devido que não foi retido pela fonte pagadora, após a data da entrega da declaração de ajuste anual, é da pessoa física beneficiária dos rendimentos. Vejamos: [...] o Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora [...] Sendo assim, não vislumbramos a apontada omissão na decisão recorrida, de modo a acarretar uma nulidade, tal como pretende a interessada. Como se verificou, o voto condutor da decisão recorrida não está organizado na mesma ordem nem segundo os mesmos itens da peça impugnatória; no entanto, em seu conteúdo, enfrentou os questionamentos apontados. Além do mais, o julgador administrativo não está obrigado a se manifestar sobre toda e qualquer alegação feita nas peças de defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Este entendimento é pacifico neste Conselho, consoante a ementa a seguir destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (Resp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2a Câmara. Acórdão 10248.620, de 14.6.2007. Relator: Conselheiro Antônio José Praga de Souza) Diante do exposto, entendemos por bem afastar a preliminar de nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA). 2. Da legitimidade da União para cobrar o imposto sobre a renda No recurso, a contribuinte alegou ilegitimidade da União para cobrar o valor do imposto sobre a renda na fonte que não foi retido pelo Estado Membro. Nesse tema, salientamos que o imposto sobre a renda é tributo de competência da União, que não pode delegála a qualquer outro ente, nem mesmo à unidade federada que o retém do seu servidor, na forma de imposto na fonte, e que é ela mesma destinatária do produto dessa arrecadação. E sobre isso o Código Tributário Nacional, no parágrafo único de seu artigo 6°, reafirma que os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Desse modo, compete somente à União legislar sobre o imposto sobre a renda, nos limites estabelecidos pela Constituição. O fato de o produto de parte da sua arrecadação destinarse ao Estado da Bahia não confere a este competência para produzir leis deliberando sobre o tributo, a teor do artigo 7° do Código Tributário Nacional. É também a União o sujeito ativo da obrigação tributária, titular de legitimidade ativa para cobrar o imposto porventura não pago, independentemente de qual seja o destino do produto da arrecadação. Cumpre à fonte pagadora dos rendimentos, no caso, o Ministério Público do Estado da Bahia, somente a incumbência de fazer a retenção do imposto de renda na fonte de seus servidores e demais empregados, o que não o torna sujeito ativo na relação jurídica tributária. Sobre esse assunto, é de se registrar que a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento, da qual esta relatora é Conselheira Titular, já se manifestou a respeito deste assunto, a teor do voto do Ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nisioka no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014, cujo trecho no qual discorre sobre a questão a seguir transcrevemos: Com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Na oportunidade, a Turma Julgadora foi unânime em acolher o voto do Conselheiro relator, com o voto desta Conselheira. Sendo assim, entendemos que o argumento da recorrente carece de procedência. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 267 9 3. Da sujeição passiva A recorrente entende que o sujeito passivo da obrigação tributária é a fonte pagadora, o Ministério Público do Estado da Bahia. Este argumento foi assim enfrentado pela relatora da decisão recorrida: Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: (g.n.) [...]. Com este posicionamento concordamos. O imposto sobre a renda retido na fonte sobre o trabalho assalariado é antecipação do imposto sobre a renda de pessoa física, cujo sujeito passivo, durante o ano calendário e até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física, é a pessoa jurídica a responsável por reter e recolher o tributo e por recolhêlo mesmo que não o tenha retido (DecretoLei n.° 5.844, de 1943, artigo 103). No entanto, a apuração definitiva do imposto sobre a renda é efetuada pela pessoa física, na sua declaração de ajuste anual (Lei n° 9.250, de 1995, artigo 12, inciso V) e, caso a fonte pagadora não tenha feito as devidas retenções dos montantes correspondentes, é da pessoa física o dever de recolher o imposto apurado na sua declaração correspondente ao ano calendário. De forma coerente, o Parecer Normativo SRF n.° 1, de 24 de setembro de 2002, dispôs que, verificada a falta de retenção da antecipação do imposto de renda pela fonte pagadora após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir da pessoa física o imposto que deveria ter sido retido e não foi, acompanhado de juros e multa, se for o caso. Verificandose que os rendimentos auferidos pela contribuinte constaram da declaração de ajuste anual, sem que tivesse havido a retenção de imposto na fonte, é de se concluir pela responsabilidade da pessoa física beneficiária dos rendimentos quanto ao recolhimento do imposto sobre a renda não retido pela fonte pagadora. 4. Da natureza das verbas recebidas Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte interessada, que, foi atribuída natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente é impertinente inferir que se trata de rendimentos isentos do imposto sobre a renda de pessoa física. Em primeiro lugar, conforme anteriormente ressaltado, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Além disso, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. São, portanto, tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003. 5. Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, no seu entender, ao ser estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.777, de 2002, aplicase também aos membros do Ministério Público dos Estados. A questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisado pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no já mencionado Acórdão n° Fl. 273DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 268 11 2101002.388, de 18.2.2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento desta Conselheira, adotamos o quanto manifestado naquele voto. Vejamos: Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.°245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem Fl. 274DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. 6. Da base de cálculo, tabelas e alíquotas aplicáveis A recorrente também argumenta que o lançamento fiscal seria nulo, por ter a Fiscalização, de forma incorreta, utilizado como base de cálculo o valor de cada URV isoladamente, quando deveria ter refeito todas as declarações, calculando o imposto mensalmente, de acordo com as tabelas e alíquotas das épocas próprias, excluindo também as parcelas isentas. Para iniciar o deslinde da questão, vejamos o texto da "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", integrante do Auto de Infração: Para apuração do imposto devido consideramos os valores das diferenças salariais devidas (URV), incluindo atualização e os juros, mensalmente distribuída no período de abril de 1994 a julho de 2001, conforme planilha de cálculo apresentada pelo sujeito passivo denominada "cálculo da diferença de URV Abril de 1994 a Julho de 2001", levandoos à tributação com base na alíquota vigente à época, apurando o valor total do imposto devido, que foi dividido pelos 3 (três) anos em que ocorreu o recebimento, janeiro de 2004 a dezembro de 2006, já que toda a diferença salarial devida a título de URV foi efetivamente recebida ao longo desses 3 (três) anos. Cabe lembrar que o lançamento perpetrado no presente processo ocorreu enquanto vigente o entendimento manifestado no Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, que dispôs sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, com efeito vinculante a todos os órgãos da administração tributária, eis que aprovado por despacho do Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 11 de maio de 2009. O referido Parecer foi produzido em razão da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o imposto de renda incidente sobre rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deveria ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. A partir do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, foi emitido o Ato Declaratório PGFN n° 1, de 27 de março de 2009, que autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem a obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deviam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diferentemente dispõe o artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, ao estabelecer que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com Fl. 275DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 269 13 ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Ocorre que a constitucionalidade do artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal que, ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, determinou o sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1°, do CPC. Todavia, ainda não houve decisão daquela Corte. Até decisão final pelo STF sobre a constitucionalidade do artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, a PGFN, por meio do PARECER PGFN/CRJ/N° 2331/2010, suspendeu os efeitos do Ato Declaratório n° 1, de 27 de março de 2009. Uma vez suspensos os efeitos do Ato Declaratório PGFN n° 1, de 2009, em razão do Parecer PGFN/CRJ/N° 2331/2010, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais novamente está adstrito ao disposto no artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, que determina que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. A propósito, importante ressaltar o teor da Súmula n.° 2 do CARF, a qual prescreve que este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, a regra do artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, é menos benéfica ao contribuinte do que a aplicação, aos rendimentos recebidos acumuladamente, das tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, considerandose os rendimentos individualmente, de acordo com cada mês de competência, tal como fez Fiscalização no presente caso. Desse modo, devese manter o cálculo feito pela autoridade fiscal no Auto de Infração constante deste processo, de acordo com a regra estipulada no Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009. Quanto à alegação de que deveriam ter sido excluídas as parcelas isentas e demais deduções, é de se ressaltar que sim, todas as deduções a que tem direito a contribuinte devem ser excluídas da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas. Com efeito, observase que todas as deduções pleiteadas nas declarações de ajuste dos anoscalendário correspondentes já foram aproveitadas pela interessada no cômputo do imposto sobre a renda apurado nas respectivas declarações de ajuste anual, não sendo possível deduzilas uma segunda vez. Também as parcelas isentas já foram consideradas no cálculo do imposto sobre a renda declarada nas declarações de ajuste anual, eis que a aplicação das tabelas progressivas anuais já as contempla (vide fls. 115, 122 e 127). Cumpre ainda destacar que a aplicação das alíquotas máximas das respectivas tabelas progressivas, no cálculo do imposto sobre a renda feito pela autoridade fiscalizadora está correta, tendo em vista que a renda declarada pela recorrente nos anoscalendário correspondentes já atingia o patamar sujeito às maiores alíquotas previstas. A recorrente aponta erro na utilização das alíquotas nos anos de 1994 e 1998, esclarecendo que a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 Sobre esse argumento, em primeiro lugar, salientamos que não há diferenças de URV de 1994 tributadas (vide demonstrativo às fls. 11). No tocante ao anocalendário 1998, é de se salientar que, do exame da legislação aplicável, temse que a alíquota utilizada pela Fiscalização, indicada no demonstrativo às fls. 11, está de acordo com aquela prevista no artigo 21 da Lei n° 9.532, de 1997. Sendo assim, não se identificou erro na utilização das alíquotas aplicáveis, conforme apontado pela recorrente. 7. Dos juros e da atualização monetária recebidos A recorrente argumenta que os juros moratórios recebidos não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda, por terem caráter indenizatório. Da mesma forma, acredita que a correção monetária não agrega valor ao seu patrimônio, vez que apenas recompõe o poder aquisitivo anterior do capital, sanando a perda monetária diante da inflação. Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar que nosso entendimento é no sentido de que eles seguem a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...] Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros que incidem sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não podem escapar à tributação pelo IRPF. Com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento em atraso de verbas de natureza tributável, a exemplo do Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 270 15 posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques. Vejamos a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...] Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...] 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (g.n.) Vale ainda ressaltar que o artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, estipula que, no caso dos rendimentos recebidos de forma acumulada, o imposto sobre a renda incide, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos somente do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Sendo assim, tanto os juros recebidos como a correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas pelo contribuinte devem ser tributados pelo imposto sobre a renda, eis que não foram excepcionados pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988. Com base no exposto, tendo em vista que, no presente caso, as verbas pagas à contribuinte têm natureza tributável, os juros recebidos e eventual correção monetária sobre elas incidente são igualmente tributáveis. Por esse motivo, entendo que, também neste ponto, não merece reparos a decisão recorrida. 8. Da exclusão das parcelas referentes à correção incidente sobre 13° salário e férias indenizadas A recorrente pede sejam excluídos da tributação os valores recebidos a título de correção incidente sobre 13° salários e férias indenizadas (abono férias). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante do Auto de Infração (vide fls. 6), a Fiscalização fez constar que já foram excluídas do lançamento: (i) as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, e (ii) abono de férias, que não podem ter o crédito tributário constituído por força do artigo 19 da Lei n.° 10.522, de 2002, com a redação dada pela Lei n.° 11.033, de 2004, combinado como Despacho do Ministro da Fazenda publicado em 16 de novembro de 2009, o qual aprova o Parecer PGFN/CRJ/N.° 2.140/2006. Confrontando os valores constantes da planilha às fls. 11, elaborada pela autoridade lançadora, com os que figuram no demonstrativo de cálculo de diferenças de URV apresentado pelo Ministério Público do Estado da Bahia, às fls. 19 a 21, constatase que os montantes tributáveis considerados pela Fiscalização já excluem os valores das diferenças de URV incidentes sobre as parcelas de férias indenizadas e de décimos terceiros salários. Nada mais há, portanto, a excluir. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.727476/200916 Acórdão n.º 2101002.438 S2C1T1 Fl. 271 17 9. Da multa de ofício Por fim, a recorrente pugna pelo reconhecimento da existência de erro escusável, haja vista ter espelhado, em sua declaração de ajuste anual, as informações prestadas pela fonte pagadora, sem dolo ou máfé. Com efeito, entendemos que, ao reproduzir, em sua declaração de ajuste anual, as informações fornecidas pela fonte pagadora, a contribuinte foi induzida a erro, e não agiu com máfé. Além do mais, entendeu que as informações prestadas pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia refletiam os comandos da Lei Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Nessas hipóteses, este Conselho já pacificou o entendimento que o erro escusável do contribuinte autoriza a exclusão da multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de oficio. De acordo com a Súmula CARF n° 73, devese excluir a multa de ofício, por ter sido constatado erro escusável. 10. Dos juros de mora sobre o imposto A cobrança de juros de mora está prevista no caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional, sempre que o crédito tributário não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta. Sendo assim, os juros de mora são devidos, no pagamento em atraso do crédito tributário devido, independentemente da boafé manifestada pelo sujeito passivo. A partir de 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Neste ponto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre a aplicabilidade da taxa Selic no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.° 4, que assim prevê: A partir de 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, sobre o crédito tributário não pago na data do seu vencimento, são devidos os juros de mora, calculados segundo a taxa Selic. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 18 Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa de ofício, em razão de erro escusável. Heitor de Souza Lima Junior – Redator ad hoc Designado Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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