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Numero do processo: 10920.911175/2012-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 75 /2 01 2- 68 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911175/201268 Acórdão n.º 3801003.372 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001033/2002-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos.
Numero da decisão: 3403-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 10 33 /2 00 2- 77 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte ao Acórdão nº 3403002.730, de 29/01/2014, em face de “contrariedade”. A ciência do julgamento ocorreu em 21/03/2014 (cf. AR. de fl. 193), tendo os embargos sido interpostos em 28/03/2014 (fls. 194 a 200). Argumenta a embargante que não pode a autoridade fiscal retirar seu direito creditório sob o argumento de que não possui mais os comprovantes de arrecadação, pois os sistemas da RFB possuem extratos de todos os pagamentos da recorrente, e que a autoridade julgadora deveria em nome da verdade material ter baixado os autos em diligência para apurar os valores informados pela embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe (em relação às matérias aqui discutidas): “COFINS. LANÇAMENTO. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO COMO LASTRO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Na ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na compensação que serviria de lastro à ausência de pagamento indicada em autuação, deve ser mantido o lançamento. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.” (grifo nosso) No voto condutor, unanimemente acolhido na turma, esclarecese já de início que a negativa não se dá exclusivamente por falta de DARF, como acreditava a então recorrente e parece continuar crendo a empresa, agora como embargante: “A autuação eletrônica decorrente de revisão interna de DCTF efetivamente é lavrada por falta de comprovação dos pagamentos, o que era correto, pois a empresa informava em suas DCTF que havia DARF de pagamento, e tais DARF não foram encontrados pelo sistema SIEF (à exceção de um, parcial, referente a maio/1997). E a empresa, junto com sua impugnação (na qual sustenta que o indébito decorre de decisão judicial), retifica as DCTF, passando a não mais informar que havia pagamento, mas que havia compensação (dispondo, na origem do crédito, que se referia a “COFINS Retenção por Órgão Público”). Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10909.001033/200277 Acórdão n.º 3403003.126 S3C4T3 Fl. 204 3 Vejase que a argumentação externada na impugnação (de que não houve DARF de pagamento, mas compensação sem DARF), aliada à retificação da DCTF (ainda que fora do prazo permitido, e invocando origem de crédito distinta), e à existência de ação judicial, ensejou trabalho da própria unidade local, buscando saber se era caso de revisão de ofício, o que sequer ensejaria o envio da impugnação à DRJ. E a documentação que a unidade local solicita (fls. 92/93) não se resume a comprovantes de pagamento, como parece crer a recorrente. Basta verificar a intimação para perceber que há ali documentos essenciais à “liquidação” de eventual provimento judicial, como os livros fiscais e balancetes relativos aos períodos de apuração que geraram créditos de FINSOCIAL, e o demonstrativo de apuração de indébitos do FINSOCIAL, documentos esses que não estão de posse da Administração. Improcedente assim a demanda de baixa em diligência, visto não se prestar tal procedimento a produção de prova (que digase, já foi demandada à recorrente, e não está de posse do fisco). Restou inequivocamente comprovado o teor da autuação eletrônica: não foi localizado DARF de pagamento das contribuições para os períodos de apuração de 05/1997 a 12/1997 (à exceção do já citado DARF parcial para 05/1997, mencionado na autuação). Não foi nem nunca será, porque não eram pagamentos efetuados por DARF, mas sim compensações sem DARF. A recorrente informava pagamentos com DARF. Ao retificar os dados, e informar que, em verdade, eram compensações sem DARF, incumbia à empresa comprovar a origem de tais compensações, o que não foi feito no presente processo. Oportunizada a prova posterior, a empresa novamente não logra êxito sequer em detalhar qual o efetivo crédito de FINSOCIAL. A verdade material e a oficialidade foram reiteradamente observadas no presente processo, tendo a unidade local inclusive tomado a cautela de, antes de enviar o processo ao julgamento de piso, verificar se seria caso de revisão de ofício, buscando verificar a liquidez do crédito, considerando mesmo a retificação intempestiva da DCTF. Esgotadas as formas de verificar a efetiva existência e a liquidez do crédito, mormente por falta de auxílio da própria interessada, que não conservou documentos que permitiam apurar a liquidez da compensação que a favoreceria, incabível acolher os valores que a empresa alega deter a título de crédito. Diante da ausência de amparo documental para quantificar e determinar a compensação pleiteada, resta hígida a autuação.” (grifo nosso) Assim, não há “contrariedade” (ou omissão, contradição ou obscuridade, pressupostos ensejadores de embargos). Há tão somente inconformidade da embargante em Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 relação ao mérito da decisão exarada, o que não pode ser atacado pela via de embargos de declaração. Tendo em vista o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração apresentados, diante da não configuração de seus pressupostos ensejadores (omissão, contradição ou obscuridade). Rosaldo Trevisan Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000414/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 01/09/2005
NULIDADE. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DE FUNDAMENTO LEGAL NO RELATÓRIO FLD. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FLD. PEÇA NÃO ESSENCIAL NOS AUTOS. FUNDAMENTO LEGAL PODE CONSTAR DE QUAISQUER RELATÓRIOS COMPONENTES DOS AUTOS. INEXISTÊNCIA DE DETERMINAÇÃO LEGAL PARA CITAÇÃO DOS FUNDAMENTO EM UMA ÚNICA PEÇA OU DE FORMA GLOBAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULOS. POSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO FISCO FEDERAL EM RAZÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. MÉTODO DE OBTENÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. QUANDO IMPOSSÍVEL OBTÊ-LA NA DOCUMENTAÇÃO CONVENCIONAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 01/09/2005 NULIDADE. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DE FUNDAMENTO LEGAL NO RELATÓRIO FLD. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FLD. PEÇA NÃO ESSENCIAL NOS AUTOS. FUNDAMENTO LEGAL PODE CONSTAR DE QUAISQUER RELATÓRIOS COMPONENTES DOS AUTOS. INEXISTÊNCIA DE DETERMINAÇÃO LEGAL PARA CITAÇÃO DOS FUNDAMENTO EM UMA ÚNICA PEÇA OU DE FORMA GLOBAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULOS. POSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO FISCO FEDERAL EM RAZÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. MÉTODO DE OBTENÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. QUANDO IMPOSSÍVEL OBTÊ-LA NA DOCUMENTAÇÃO CONVENCIONAL. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Recorrente CONSLADEL CONSTRUTORA LACOS DETETORES E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 01/09/2005 NULIDADE. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DE FUNDAMENTO LEGAL NO RELATÓRIO FLD. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FLD. PEÇA NÃO ESSENCIAL NOS AUTOS. FUNDAMENTO LEGAL PODE CONSTAR DE QUAISQUER RELATÓRIOS COMPONENTES DOS AUTOS. INEXISTÊNCIA DE DETERMINAÇÃO LEGAL PARA CITAÇÃO DOS FUNDAMENTO EM UMA ÚNICA PEÇA OU DE FORMA GLOBAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULOS. POSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO FISCO FEDERAL EM RAZÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. MÉTODO DE OBTENÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. QUANDO IMPOSSÍVEL OBTÊLA NA DOCUMENTAÇÃO CONVENCIONAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 04 14 /2 00 9- 18 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 115 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 116 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.172.4686, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, segundo caracterização no curso da ação fiscal, conforme consta do Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 16 a 23, com período de apuração de 02/2001 a 08/2005. O presente Auto de Infração é substitutivo, pois lançado para substituir crédito anteriormente anulado, como a seguir está transcrito. Este Auto de Infração visa restabelecer a exigência anulada por vicio de forma da NFLD 35.903.6821, processo número 36216.001.968/200750, junto a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração é composto pelos levantamentos denominados PJ1 – DESCARACTERIZAÇÃO PJ WELLING e PJ2 – DESCARACTERIZAÇÃO PJ OMEGA, conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 06. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 17/09/2009, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 45 a 49, recebida, em 09/10/2009, acompanhada dos documentos, de fls. 50 a 64. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 66 e 67. Não se encontra acostada aos autos a decisão da DRJ, pois nos autos principais foi adotado um único acórdão para os três processos que caminhavam juntos veja a transcrição. Cuida o presente crédito, lançado em processo principal 10932.000415/200962 referente ao Debcad n° 37.172.4660, e processos apensados 10932.000413/200973, referente ao Debcad n° 37.172.4678 e 10932.000414/200918, referente ao Debcad n° 37.172.4686, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, conforme descrito a seguir: O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/05/2010, AR, de fls. 69. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 70, recebida, em 17/06/2010, e com razões recursais, as fls. 71 a 78, acompanhada dos documentos, de fls. 79 a 96. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 117 4 · que a atuação é nula, pois o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD omite a fundamentação do artigo 229, do Decreto 3.048/99 e do artigo 12, da Lei 8.212/91, uma vez que este está incompleto; · que da mesma forma que do FLD deve constar o fundamento da aferição indireta deve constar deste, também, o fundamento da caracterização do segurado; · que sendo considerada a personalidade das pessoas jurídicas válidas não há porque considerar os sócios como empregados, pois tais sócios são contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, da Lei 8.212/91, não estando afastada a personalidade jurídica das prestadores de serviço, mais uma vez o auto é nulo; Mérito. · que o agente lançador não comprovou a existência dos requisitos para a configuração do vínculo empregatício, baseandose em mera presunção, pois uma vez inexistente qualquer dos requisitos – subordinação; habitualidade, pessoalidade e remuneração, não há vínculo; · que quem foi contratada foi a empresa Wellington Panucci Bueno ME e não a pessoa física, que não havendo a despersonalização da pessoa jurídica, não há como considerar o Senhor Wellington empregado; · que é evidente que pessoa jurídica sem empregado vai informar a RAIS, GFIP e CAGEG, que não os possui, pois o contrário seria faltar com a verdade, que emissão de notas fiscais em sequência e contração de pessoa jurídica com honorário fixo mensal, não configura relação de emprego, pois nada impede que o prestador de serviço realize trabalhos para outras pessoas na condição de temporário, autônomo, avulso ou empregado, não havendo necessidade de provas, pois relatamos fatos possíveis, bem como pode a pessoa usar seu tempo disponível em atividades pessoais, não remunerada; · que a fixação de horários para a realização dos trabalhos é normal e caso esses trabalham tenham que ser executados nas dependências da defendente existe um horário de expediente fora do qual ninguém deve entrar na empresa, podendo existir fixação de horários até em vendas de mercadoria; · que a fiscalização não provou que a o senhor Wellington prestou serviços apenas a recorrente, mas presumiu tal fato, pois não verificou sua CTPS para ver se tem outro emprego, bem como não provou que este prestava serviços como contratado, trabalhador autônomo para outra empresa, não configurando vínculo a emissão de nota fiscal sequencial a uma única empresa, além deste poder trabalhar para outras empresas na condição de empregado, autônomo ou avulso; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 118 5 · que em relação ao Senhor Paulo Roberto Albertoni as afirmações da fiscalização não configuram relação de emprego, havendo presunção, provando a folha de tempo que apenas o Senhor Paulo prestou o serviço, não configurando a emissão de notas fiscais sequenciais relação de emprego, sendo que é evidente que pessoa jurídica sem empregado vai informar na RAIS, GFIP e CAGEG, que não os possui, pois o contrário seria faltar com a verdade, que a emissão de notas fiscais em sequência e contração de pessoa jurídica para prestação de serviços técnicas de engenharia, não configura relação de emprego, nem mesmo o fato de ser realizado na dependência da recorrente, tanto é assim que para os temporários, vigilantes e funcionários da limpeza nada disse a fiscalização, pois apesar dos serviços serem realizados na sede da recorrente estes não são seus empregados, ficando mais uma vez provado a inexistência da relação de emprego, o que torna o auto nulo; · que o pagamento feito como base horária, nas folhas de tempo não configura contrato de trabalho, pois a remuneração pode ser fixa, diária, semanal, mensal ou até anual, por medição no caso de construção civil ou outra forma qualquer, sendo as partes livres para estipularem as cláusulas contratuais, podendo ser pela Lei 6.019 ou pelo Código Civil, não tendo porque classificar o contrato de prestação de serviço com pessoa jurídica, como de emprego; · que a necessidade de serviços de engenharia de forma constante objeto social da recorrente, não configura contrato de trabalho, sendo que a Lei 6.019 permite que se contrate qualquer trabalhador, ainda, que não seja o caso, não proibindo o Código Civil a realização de contrato, ainda, que na atividade fim da empresa; · que os serviços serem executados por Engenheiros Civis com registro no CREA não configura relação de emprego, sendo óbvio que para poder exercer a atividade de engenharia deve o profissional ser registrado no CREA, não havendo lei que impeça a contratação de engenheiro autônomo ou prestador de serviço de engenharia, não se configurando a relação de emprego; · que serviços prestados em caráter não eventual, não caracteriza relação de emprego, serviços de limpeza, vigilância, advocacia e contabilidade são contratos para serviços não eventuais e realizados entre pessoas jurídicas, não podendo se transformar em contrato de emprego, não pretendendo que os trabalhadores sejam considerados autônomos, mas sim vínculo com outra pessoa jurídica; · que não ficou caracterizado a relação de emprego, não estando o autos de acordo com a legislação, não havendo nos autos a fundamentação legal que permite a descaracterização de contrato civil, bem como as personalidade jurídica das empresas contratadas; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 119 6 · que a recorrente não precisa produzir provas, pois o fisco não as produziu em relação a caracterização dos vínculos, provando os documentos examinados pelo fisco que a contratação e os pagamentos efetuados podem ser realizados e regidos pelo código civil, devendo ser aplicada a legislação de regência sobre a matéria, independentemente, da produção de provas; · que há contradição nas palavras do relator a quo ao dizer que a empresa foi autuada com base na legislação citada no FLD, mas não menciona a aplicação errônea de legislação, por não constar do FLD, mas de outro documento, sendo que a ausência de legislação utilizada nos autos e não mencionada no FLD leva o auto a nulidade; · que a recorrente conhece a legislação da aferição indireta, mas a fiscalização não aplicou a aferição indireta, mas sim a direta e que a fundamentação utilizada está incorreta, sendo a aferição indireta a utilização de um valor tal para a obtenção de outro menor que será a base de cálculo, a fiscalização usou os valores brutos das notas fiscais, o que implica aferição indireta, assim qual foi a legislação utilizada para a aferição direta, não havendo tal menção, ocorre cerceamento de defesa, o que torna o auto nulo; · que a fiscalização não diz qual é o documento irregular e se forem as faturas estas foram aceitas pela PM de São Paulo para pagamento do ISS; · que toda instrução normativa apenas explica a aplicação da lei, não existindo no auto qualquer fundamento para a utilização da alíquota de 8%, só podendo esta ser aplicada, quando não for possível separar os salário das diversas pessoas, que sendo usadas as notas individuais como a alíquota pode ser aplicada pelo artigo 20, da Lei 8.212/91, pois a IN só pode ser usada quando houver aferição indireta de diversos trabalhadores e não for possível separar os salários, o auto em questão usa aferição direta e os valores estão individualizados, não podendo ser aplicada a IN, mas sim a lei; Por fim, requer: a) que o recurso seja julgado procedente. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 99. Os autos supostamente subiram ao CARF, fls. 99. O processo principal nº 10932.000415/200962, a qual este encontravase juntado por apensação no sistema eprocesso foi julgado por esse conselheiro na sessão de novembro/2013. Contudo, este processo não foi julgado em conjunto, pois seu arquivo no sistema estava vazio, ou seja, aquele não continha os documentos componentes do processo. Assim o principal seguiu seu curso após julgado, sendo remetido à DRF origem para as devidas providências. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 120 7 Ocorre que à DRF pelo despacho, de fls. 100, numeração digital, promoveu a juntada destes autos, aos autos do processo principal já julgado e devolveu o principal acompanhado deste, ao CARF. Devido a essa situação emiti o despacho 2803088, de fls. 102 a 105, numeração digital. A DRF origem saneou a irregularidade na tramitação, pelos despachos, de fls. 106; 111 e 112, numeração digital. Os autos retornaram a esse conselheiro, tendo em vista que distribuídos a ele juntamente com o principal no Lote 3, em 16/04/2013, despacho, de fls. 113, numeração digital. É o Relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 121 8 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e preenchido os demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, esclareço que o presente recurso versa, exclusivamente, sobre o Auto de Infração DEBCAD 37.172.4686, como consta da petição de interposição e da peça vestibular das razões recursais. A recorrente equivocase em sua alegação o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, de fls. 11 e 12, cita textualmente o artigo 229, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, no que tange a caracterização de segurados, bem como cita o artigo 33, da Lei 8.212/91, no que tange a aferição indireta, basta ver as passagens transcritas abaixo. Fundamentos Legais do Débito. 041 ATRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR, ARRECADAR E COBRAR. 041.01 Competências: 10/2004 Lei n. 6.439, de 01.09.77, art. 13, I; Lei n. 8.029, de 12.04.90, art. 17; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001) Regulamento do Custeio da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 83.081, de 24.01.79, art. 2.; Consolidação das Leis da Previdência Social CLPS, Decreto n. 89.312, de 23.01.84, art. 141; Decreto n. 99.350, de 27.06.90, art. 1, 1 (com a redação dada pelo Decreto n. 18, de 01.02.91, art. 1); Decreto n. 356, de 07.12.91, art. 48; Decreto n. 569, de 16.06.92, arts. 1, 1 e 12, II e IV do anexo I; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 48; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 229, com suas alterações posteriores. A PARTIR DE 28.10.2004 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 1, posteriormente convertida na Lei n. 11.098, de 13.01.2005, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. A PARTIR DE 15.08.2005 MP n. 258, de 21.07.2005, art. 1, Caput e parágrafo 1., art. 10 e inciso 1 do art.12. A PARTIR DE 19.11.2005 Lei n. 11.098, de 13.01.2005, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.469, de 15.06.2005, Anexo I, art. 18, I. A partir de 02.05.2007 Lei n. 11.457, de 16.03.07, arts.2 e 3. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 122 9 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.04 Competências: 10/2004 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.01), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 233, 234 e 235. A PARTIR DE 28.10.2004 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. (todos os destaques são meus). As demais normas suscitadas pelo contribuinte estão devidamente identificadas no Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, de fls. 16 a 23, conforme trechos transcritos. EFETUADOS NESTE AUTO DE INFRAÇÃO 2. Assim dispõe o art. 229, § 2 0 do Decreto n. 3.048199, que aprova o Regulamento da Previdência Social, in verbis: "Art. 229, § 2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso ou sob qualquer outra denominação preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado." 3. Portanto, se no curso da fiscalização, forem constatados os requisitos necessários para a configuração do vínculo empregatício, deve ser desconsiderado a relação empresarial e se efetuar o enquadramento como segurado empregado. 4. Estes requisitos para configuração do vínculo empregatício estão discriminados no artigo 9º inciso I, alínea "a" do Decreto 3.048/99 e no artigo 12, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91, como se segue: (o realce é meu). Não havendo nenhum tipo de irregularidade ou nulidade nesta situação, uma vez que os autos são formados por diversos relatórios e as informações e fundamentações podem constar em qualquer deles a depender do tipo de esclarecimento a ser prestado ao contribuinte, pois não existe formula ou formato único para tais relatórios. Aliás, o contribuinte recorrente deve ser sabedor desta situação, desde o recebimento do Acórdão 20600.368, do processo 36216.001968/200750, uma vez que este anulou o lançamento anterior, do qual este é substitutivo, deixando claro tal acórdão em várias passagens que a fundamentação pode estar tanto no FLD como no REFISC sem restrições, observe a passagem exposta. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 123 10 Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado nos autos do processo (Relatório Fiscal e/ou Fundamentos Legais do Débito), sob pena de nulidade da notificação. No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 45/48, ou mesmo no Relatório Fiscal, qual o dispositivo legal que dá sustentáculo ao procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário, qual seja, aferição indireta/arbitramento. Além do que, tal relatório não era mais necessário e devido no crédito previdenciário, uma vez que a IN que os exigia foi revogada, conforme abaixo consta. CAPÍTULO III RELATÓRIOS E DOCUMENTOS INTEGRANTES PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL PREVIDENCIÁRIO Seção I Finalidade Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) IX Fundamentos Legais do Débito FLD, que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; XVII Relatório Fiscal REFISC, que se destina à narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal, sendo emitido por AFPS sempre que houver lavratura de NFLD, LDC ou AI; Seção II Relatório Fiscal Art. 661. O relatório fiscal objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal.(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) A constituição do crédito previdenciário passou a ser regida pelos artigos 9º e 10, do Decreto 70235/72, a partir da entrada em vigor da Lei 11.457/2007 não trazendo estes um rol discriminativo de peças a compor o crédito, tudo a depender do caso concreto e da situação verificada. Novamente, equivocase a recorrente a personalidade jurídica das empresas e a caracterização da relação previdenciária dos trabalhadores como na condição de segurados Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 124 11 empregados, são coisas absolutamente distintas, sendo que uma não interfere na outra, não havendo nulidade em relação a esta situação. Rejeito as preliminares suscitadas pela recorrente. Mérito. No que tange ao prestador de serviços Wellington Panucci Bueno a fiscalização de forma clara e objetiva demonstrou que este até 12/2004 era empregado da recorrente, conforme cópia da folha de pagamento, fls. 47, bem como que o prestador de serviços figura na lista de ramais da recorrente e com utilização de email institucional da recorrente, fls. 48, conforme consta dos autos principais, as folhas citadas, do qual fui relator e possuo o arquivo digital. Quando na condição de empregado trabalhava na contabilidade da recorrente e quando na condição de suposto prestador de serviços foi contratado para prestação de serviços contábeis/fiscais. Além, disso o contrato de prestação de serviços está datado de 12/01/2005, fls. 49 a 51, isto é, menos de um mês do encerramento da prestação de serviços como empregado, comprovada nos autos principais. Também podese verificar no site da receita que 12/01/2005 é a data de constituição da pessoa jurídica interposta à caracterização da condição de segurado empregado. A fiscalização, também, asseverou e comprovou por pesquisas nos sistemas informatizados que a interposta empresa prestadora de serviços, não tem empregados, e nem utilizase de mão de obra de outros trabalhadores, uma vez que não declara outros colaboradores na RAIS, GFIP e CAGED, o que demonstra que os serviços só podem ser prestados diretamente pelo suposto sócio da interposta prestadora, bem como a contratação desta interposta prestadora pela recorrente é a sua única atividade empresarial e econômica, sendo as notas fiscais de prestação de serviços emitidas de forma sequencial a configurar a exclusividade da relação jurídica da suposta prestadora com a tomadora, bem como a subordinação está presente em razão das obrigações da contratada, conforme consta do suposto contrato civil de prestação de serviços, sendo inerente a remuneração ao contrato, sendo esta fixa e não variável, estando prevista uma espécie de décimo terceiro, inclusive, se ocorrer a extinção antecipada do contrato. O dever de descaracterizar a alegações, afirmações e comprovações do fisco nos autos do processo é do contribuinte e não do fisco. O fisco demonstrou o que entendeu ser pertinente ao caso, assim a comprovação do fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do fisco é dever do contribuinte, artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. Quanto ao Senhor Paulo Roberto Albertoni, a fiscalização asseverou e comprovou por pesquisas nos sistemas informatizados que a interposta empresa prestadora de serviços, não tem empregados, e nem utilizase de mão de obra de outros trabalhadores, uma vez que não declara outros colaboradores na RAIS, GFIP e CAGED, o que demonstra que os serviços só podem ser prestados diretamente pelo suposto sócio da interposta prestadora, sendo este trabalhador o único signatário dos documentos da suposta prestadora de serviços, estando este submetido a carga horária, conforme folhas de tempo, de fls. 71 a 77, constantes dos autos principais, insta observar que nas referidas folhas consta um observação, que transcrevo, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 125 12 abaixo, e que deixa transparecer que apesar de ter mais horas para cobrar só cobra o autorizado, o que demonstra que a subordinação ocorre até em relação ao quantum da contraprestação. Por orientação do Engº Alex, estamos cobrando somente 100:00 horas de trabalho no de mês de julho de 2005 Verificase dos autos como aduzido pela fiscalização que os serviços desenvolvidos pela suposta prestadora de serviços à tomadora é integrante de atividade fim desta, pois tais serviços constam de seu contrato social como objeto daquele, conforme transcrição. Considerando que, de acordo com a cláusula quinta, parágrafo único da Consolidação Contratual da notificada, a qual dispõe que "Toda a parte técnica relacionada a execução de serviços de engenharia — civil, eletrônica, elétrica, mecânica, hidráulica e outras — será de exclusiva competência de engenheiros habilitados e devidamente registrados no CREA ", concluise que não há como se considerar a assessoria técnica prestada pelo Sr. Paulo Roberto como serviço eventual, uma vez que tais serviços encontramse previstos na Consolidação Contratual da Notificada, fato este que deixa clara a necessidade permanente destes serviços para a consecução do estabelecido no objeto social da empresa. Da mesma forma, que na situação anterior entende o fisco que o contrato de prestação de serviços demonstra a subordinação e a onerosidade, uma vez que esta é inerente a prestação de serviços, salvo no voluntário. “A Contratada prestará os serviços técnicos de engenharia cumprindo uma carga horária, horário e local determinado pela Contratante, na cidade de São Paulo.” O Tribunal Superior do Trabalho por meio da súmula 331 tem marcado sua posição sobre o assunto e tudo no presente leva a entender que é o caso dos autos sob vergasta, pois não se esta sob o manto da Lei 6.019/74 como alega a recorrente. Súmula nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) – Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Desta forma, demonstrado pela fiscalização a existência dos elementos constantes do artigo 12, I, “a”, da Lei 8.212/91 é seu dever agir nos termos do artigo 37,da Lei 8.212/91 c/c o 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 c/c o artigo 142, da Lei 5.172/66. Como supramencionado o fisco caracterizou a relação jurídica dos autos com base nos elementos que citou e juntou a este, bem como com as pesquisas e averiguações em Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 126 13 sistemas informatizados de controle que mencionou, desta forma cabe ao contribuinte a prova das alegações que faz e que quer contrapor ao que o fisco demonstrou, artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. Não há contradição nas palavras do relator a quo, uma vez que não há aplicação errônea da legislação e de sua citação seja no FLD ou em qualquer outro relatório, como supramencionado, inexistindo a nulidade alegada. A fiscalização não fez uso da aferição direita como diz a recorrente a fiscalização utilizou da aferição indireta e isso já foi desmistificado no acórdão que anulou o crédito substituído por este, veja a passagem transcita. Como se verifica, em que pese não restarem consignados no Relatório Fiscal todos critérios de apuração utilizados pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, o que por si só já seria capaz de ensejar a nulidade do feito, observese que o crédito previdenciário ora constituído fora apurado por aferição indireta, tendo em vista que os valores considerados como remuneração não foram extraídos de forma direta/precisa da contabilidade da recorrente, mais sim a partir dos repasses efetuados a empresas que forneciam os prestadores de serviços, caracterizados como segurados empregados, por conseguinte, documento indireto, em virtude da impossibilidade acima já relatada. A aferição indireta é modo de obtenção da base de cálculo e será utilizada quando não for possível determinar da forma convencional os salários dos trabalhadores, observese o trecho da legislação citada, estando a fundamentação contida nos autos como mencionado anteriormente. CAPÍTULO II PROCEDIMENTOS ESPECIAIS Seção I Aferição Indireta Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. (Redação dada pela IN RFB nº 829, de 18/03/2008) (Vide art. 3º da IN RFB nº 829, de 18/03/2008) Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 127 14 a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. (meus são os grifos). Novamente, não há a nulidade alegada, pois equivocada a tese da recorrente, além de desprovida de suporte fático ou jurídico. A irregularidade está mais do que dita, esta demonstrada, determinada e definida e reside na contratação de segurados com elementos da espécie empregados com a utilização de interposição de suposta pessoa jurídica, situação que pode ser verificado pelo fisco. TRIBUTÁRIO – AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL – INSS – COMPETÊNCIA – FISCALIZAÇÃO – AFERIÇÃO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. A autarquia previdenciária, por meio de seus agentes fiscais, tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária. 2. O acórdão recorrido decidiu manter a validade das NFLDs, com base em provas fáticas. Aferir a documentação que instruiu a causa, para efeito de análise do enquadramento de terceirizados como empregados, demandaria o reexame de todo o contexto fático probatório dos autos, o que é defeso a esta Corte em vista do óbice da Súmula 7/STJ. Recurso parcialmente conhecido e improvido.(RESP 200602188458, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 13/10/2008) (o destaque é meu). A forma de utilização das notas por outro ente da Administração Pública, ainda, que para definir os seus tributos, não fixa matéria e nem vincula o fisco federal, que usa os documentos na forma que a legislação de regência dos seus tributos determinam e permitem. A instrução normativa apenas clareia, o que a lei diz no que tange a aferição indireta, conforme estabelecido no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, tendo em vista que tal dispositivo diz: “...inscrever de ofício a importância que reputarem devida,...”. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 128 15 Ora para que a aferição não seja um critério fora da realidade optou a IN por estabelecer a alíquota mínima, do artigo 20, da Lei 8.212/91, ou seja, oito por cento (8%) no caso da contribuição pessoal do empregado, pois aplicar a máxima poderia ser desarrazoado. Desta forma, o que fez a IN foi iluminar o caminho a ser seguido, ou seja, entre as alíquotas existentes na lei determinou a utilização da menor, pois seria a que menos oneraria o contribuinte, visto que de qualquer forma essa alíquota deveria ser recolhida para a relação jurídica verificada. Posto isto, não há razões fáticas e jurídicas para acatar os pedidos da recorrente seja em preliminar ou em mérito. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 129 16 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 130 17 ANEXO AO ACÓRDÃO 2803003.343, de 15/05/2014. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nº 36216.001968/200750 Recurso nº 144.504 Matéria DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO Acórdão nº 20600.368 Sessão de 12 de fevereiro de 2008 Recorrente CONSLADEL CONSTRUTORA E LAÇOS DETETORES E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/08/2005 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação, mormente tratandose de caracterização de segurados empregados a partir da desconsideração da personalidade jurídica de prestadores de serviços, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 131 18 SANEAMENTO NOTIFICAÇÃO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou FLD, trazendo as normas legais e/ou critérios de apuração utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, que não foram explicitados naqueles anexos, e que deram causa ao cerceamento de defesa do contribuinte. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em anular, por vício material, a NFLD. Vencidas as Conselheiras Ana Maria Bandeira, Bernadete de Oliveira Barros e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por declarar a nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Cleusa Vieira de Souza. Relatório CONSLADEL CONSTRUTORA E LAÇOS DETETORES E ELETRÔNICA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo/SP, DN nº 21.434.4/0273/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim admitidos os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços elencadas nos autos, cujas personalidades jurídicas foram desconsideradas pela fiscalização, em relação ao período de 02/2001 a 08/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 52/55. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 30/12/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 244.143,41 (Duzentos e quarenta e quatro mil, cento e quarenta e três reais e quarenta e um centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios como segurados empregados, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a existência dos requisitos do vínculo empregatício Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 132 19 entre àqueles e a recorrente, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a remuneração. Informa, ainda, o fiscal autuante que a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas foi apurada a partir dos valores das Notas Fiscais, Faturas e Recibos de prestação de serviços. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 159/176, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, em virtude da falta de fundamentação legal (artigos 9º, caput, inciso I, e 229, do Decreto nº 3.048/99) do procedimento adotado pela fiscalização ao promover o lançamento, qual seja, caracterização de segurados empregados, a partir da desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços. Assevera que a autoridade lançadora, ao promover o lançamento, deixou de comprovar a existência dos requisitos essenciais à configuração do vínculo laboral, baseando seu entendimento em simples presunção, corroborando a nulidade suscitada pela contribuinte. Em defesa de sua pretensão, a recorrente refuta as razões de decidir do julgador recorrido, notadamente em relação aos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, da lei no 8.212/91, concluindo inexistir tais requisitos na prestação de serviços por parte das pessoas jurídicas constantes dos autos. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, aduzindo para tanto que a própria autoridade julgadora de primeira instância reconhece o equívoco cometido pelo fiscal autuante ao constituir o crédito previdenciário em comento, ressaltando as omissões contidas no relatório fiscal a propósito da desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Contrapõese ao lançamento, por entender que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, autorizador da ação fiscal desenvolvida na empresa, somente permitia a fiscalização e lançamento das remunerações dos segurados empregados, mas não de serviços prestados ou obra de construção civil realizados por pessoas jurídicas. Sustenta que os prazos concedidos pela fiscalização para apresentação de documentos e/ou informações foram demasiadamente exíguos, constando simplesmente dos TIAD´s e não do MPF, impossibilitando o pleno cumprimento por parte da contribuinte. Infere ser nulo o TIAD emitido em 08/12/2006, tendo em vista que estabeleceu data anterior à sua emissão (06/12/2006) para cumprimento das determinações contidas em seu bojo. Traz à colação pretensos erros incorridos pela fiscalização ao promover o lançamento, mormente em relação ao período do lançamento, às alíquotas aplicadas, inexistência de conta contábil suscitada pelo fisco, falta de fundamentação legal do débito, bem como bitributação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 133 20 improcedência. A Secretaria da Receita Previdenciária, apresentou contrarazões, às fls. 199, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e efetuado o depósito recursal, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. Preliminarmente, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade da notificação, aduzindo para tanto que a autoridade lançadora não logrou motivála na forma exigida pela legislação previdenciária, deixando de evidenciar os requisitos do vínculo empregatício entre os prestadores de serviços e a contratante, bem como não elencando os dispositivos legais que contemplam referido procedimento, qual seja, caracterização de segurados empregados a partir da desconsideração da personalidade jurídica. Por sua vez, o INSS em suas contrarazões procura demonstrar a improcedência dos argumentos utilizados pela contribuinte, inferindo que o lançamento encontrase perfeitamente motivado na legislação de regência, impondo a manutenção do feito. Em que pesem as alegações da autoridade previdenciária em defesa da exigência fiscal em comento, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. De fato, conforme demonstraremos, a ilustre autoridade lançadora, além de não estabelecer critérios objetivos quando da apuração do crédito previdenciário, sobretudo tratandose de desconsideração de personalidade jurídica das prestadoras de serviços, deixou de elencar, igualmente, os dispositivos legais utilizados na apuração do débito por aferição indireta – arbitramento, além de omitir tal procedimento no Relatório Fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a lavratura da Notificação Fiscal deveuse a constatação da suposta falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim caracterizados pela fiscalização os prestadores de serviços, após desconsideração da personalidade jurídica de referidas empresas, face a constatação dos requisitos do vínculo empregatício. De conformidade com o Relatório Fiscal, a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora exigidas foi extraída dos valores das Notas Fiscais, Recibos ou Faturas da prestação de serviços pelas pessoas jurídicas constantes dos autos do processo, uma vez que a remuneração dos profissionais envolvidos no levantamento, enquadrados como segurados empregados, deuse mediante repasse por intermédio daquelas pessoas jurídicas, impossibilitando, assim, a identificação precisa dos respectivos valores dos salários de contribuição. Como se verifica, em que pese não restarem consignados no Relatório Fiscal todos critérios de apuração utilizados pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, o que por si só já seria capaz de ensejar a nulidade do feito, observese que o crédito previdenciário ora constituído fora apurado por aferição indireta, tendo em vista que os valores considerados como Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 134 21 remuneração não foram extraídos de forma direta/precisa da contabilidade da recorrente, mais sim a partir dos repasses efetuados a empresas que forneciam os prestadores de serviços, caracterizados como segurados empregados, por conseguinte, documento indireto, em virtude da impossibilidade acima já relatada. Com efeito, da análise dos autos, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, considerando, ainda, repasses a empresas prestadoras de serviços como salário de contribuição na apuração do crédito tributário, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. No entanto, sabemos que a presunção legal, como o próprio nome indica, somente poderá ser levada a efeito quando estiver expressamente inserta na legislação de regência. Na hipótese vertente, o único dispositivo legal que dá amparo ao procedimento adotado pelo fiscal autuante é o artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, o qual contempla a possibilidade da apuração das contribuições previdenciárias por arbitramento, nos seguintes termos: “Art. 33. [...]. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...]. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, constatase que o procedimento utilizado pela fiscalização ao lavrar a notificação foi precisamente aquele inscrito na norma legal encimada, qual seja, aferição indireta. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado nos autos do processo (Relatório Fiscal e/ou Fundamentos Legais do Débito), sob pena de nulidade da notificação. No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls. 45/48, ou mesmo no Relatório Fiscal, qual o dispositivo legal que dá sustentáculo ao procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário, qual seja, aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 135 22 fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37, do mesmo Diploma Legal, senão vejamos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.”’ (grifamos). Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito – FLD, mais precisamente às fls. 45/48, e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho. Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50, da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]. §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]. Por sua vez, o Decreto 70.235/72, que, igualmente, disciplina o processo administrativo fiscal, não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: [...]. III – a disposição legal infringida, se for o caso;” Na mesma linha de raciocínio, o Código Tributário Nacional, em seus artigos 201 a 204, determina que após o trâmite regular, a notificação será inscrita em dívida ativa que indicará, entre outros elementos essenciais, a “origem e a natureza do crédito tributário, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado”. A falta desses requisitos ocasiona a nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, não gozando a CDA da presunção de certeza e liquidez, por não ter sido regularmente inscrita. O artigo 145 do Código Tributário Nacional, assim prescreve: “Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – impugnação do sujeito passivo; II – recurso de ofício; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.” (grifamos). Por seu turno, o artigo 149, CTN, estabelece o seguinte: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I – quando a lei assim o determine; [...]; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 136 23 IX – quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial.”(grifamos). A corroborar esse entendimento, o artigo 53 da Lei 9.784/99, assim estabelece: “Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogalos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direito adquiridos.” Como se observa dos dispositivos legais supracitados, muitas são as hipóteses que geram a nulidade do lançamento, enquadrandose perfeitamente o presente caso na legislação de regência, seja com fulcro no CTN, nas Leis 8.212/91 e 9.784 ou no Decreto 70.235/72, não deixando margem de dúvida quanto a nulidade da presente Notificação Fiscal. Registrese, que o processo administrativo fiscal tem como um de seus alicerces o Princípio da Legalidade, atribuindo à autoridade administrativa o deverpoder de anular, corrigir ou modificar o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito. Na hipótese vertente, a fiscalização lançou mão do instituto da aferição indireta, nos termos do artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, apurando a remuneração dos segurados empregados a partir dos valores repassados a empresas prestadoras de serviços constantes das respectivas Notas Fiscais, Recibos e/ou Faturas. Verificase, portanto, que a fundamentação legal que ampara a constituição do crédito previdenciário, bem como dos procedimentos utilizados pelo fisco nesta empreitada, deve constar de forma inequívoca no anexo “Fundamentos Legais do Débito” e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, e a sua ausência enseja a nulidade da notificação, por vício formal. A fazer prevalecer a nulidade do lançamento, como já explicitado, o fiscal autuante foi omisso, igualmente, no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar de forma clara e precisa os critérios utilizados por ocasião da lavratura da NFLD em relação ao arbitramento promovido. Aliás, sequer fez menção tratarse de aferição indireta. DA CARACTERIZAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS Não bastasse a nulidade formal da notificação, acima explicitada, que por si só seria capaz de ensejar insubsistência do feito, cumpre trazer à baila, ainda, vício mais grave, de cunho material, incorrido pela fiscalização ao constituir o credito previdenciário ora exigido, como passaremos a demonstrar. O presente lançamento diz respeito às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim considerados pela fiscalização os prestadores de serviços, após desconsideração de suas personalidades jurídicas, face a constatação dos requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Em que pesem os argumentos da recorrente contra referido procedimento, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 137 24 “Art. 229. [...]. § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Esse procedimento encontra respaldo, igualmente, no Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, com a seguinte ementa: “EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.” Indispensável ao deslinde da controvérsia, cumpre transcrever os preceitos do artigo 3º, da CLT, in verbis: “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, verificados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício do suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços, a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada de forma individualizada a existência dos pressupostos legais da relação empregatícia, sob pena de nulidade do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Na hipótese dos autos, porém, a ilustre autoridade lançadora, ao promover a caracterização dos prestadores de serviços (pessoas jurídicas) como segurados empregados, não logrou motivar o presente lançamento, mais precisamente no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar e comprovar, na forma que o caso exige, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados. Referida omissão afronta de forma flagrante os preceitos contidos no artigo 142, do Código Tributário Nacional que, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 138 25 procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” In casu, com mais razão a fiscalização deverá comprovar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas, tendo em vista tratarse de procedimento excepcional de desconsideração de personalidade jurídica e, conseqüente, caracterização de segurados empregados. Aliás, o artigo 37, da Lei nº 8.212/91, supratranscrito, com mais especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído. No mesmo sentido, o artigo 50, da Lei nº 9.784/99, mencionado acima, estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade. A jurisprudência do Egrégio CRPS oferece proteção a esse entendimento, como faz certo Acórdão nº 180/2004, com voto vencedor da lavra do então Presidente da 4º Câmara, com sua ementa abaixo transcrita: “EMENTA. CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS. NULIDADE. RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. O relatório fiscal deve conter todos os elementos que permitem ao contribuinte defenderse de eventual caracterização de segurado empregado sob pena de nulidade [...]” A corroborar esse entendimento, para não deixar dúvida quanto as omissões do fiscal autuante, registrese que a própria autoridade julgadora de primeira instância tentou demonstrar a existência dos requisitos necessários à caracterização dos prestadores de serviços como segurados empregados, conforme se depreende do bojo da Decisão recorrida. Melhor elucidando, o próprio julgador recorrido, admitindo que a autoridade lançadora não se aprofundou na comprovação do vínculo laboral entre as pessoas jurídicas prestadoras de serviços e à contribuinte, procurou dissertar sobre a matéria de maneira mais circunstanciada, com o fito de manter a pretensão fiscal. No entanto, ainda que o julgador monocrático tivesse obtido êxito em sua empreitada, a DN não seria capaz de sanear o Relatório Fiscal de Infração ou anexo “FLD”. Com efeito, a Decisão de primeira instância não tem o condão de sanear eventuais irregularidades ou omissões contidas no processo, no que diz respeito a nulidades que ensejam à preterição do direito de defesa do contribuinte e/ou a ausência de comprovação do fato gerador, sobretudo aquelas inscritas no Relatório Fiscal e FLD. Repitase, deveria constar do Relatório Fiscal da Infração de forma destrinçada a demonstração da efetiva existência dos requisitos necessários à caracterização dos prestadores de serviços como segurados empregados, corroborado com quadro contendo nome de todos os prestadores de serviços tidos como empregados da recorrente e respectivos serviços desenvolvidos, possibilitando a contribuinte o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, sob pena de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 139 26 incorrer em cerceamento do direito de defesa. Mais não é o que se verifica no presente caso. Em outras palavras, para que tal procedimento tenha validade e esteja em consonância com a legislação de regência, não é suficiente a alegação genérica da autoridade administrativa de que constatou a existência dos pressupostos da relação de emprego, devendo haver a efetiva comprovação do vínculo laboral, abordando cada requisito necessário para tanto, de maneira individualizada ou por tipo de trabalho desenvolvido pelos prestadores de serviços. No presente caso, ao promover o lançamento levando a efeito a caracterização dos prestadores de serviços (pessoas jurídicas) como segurados empregados, o ilustre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, simplesmente inferiu ter efetuado tal enquadramento, sem conquanto demonstrar/comprovar de forma pormenorizada seu entendimento, maculando o lançamento em comento. Observese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu a fiscalização na constituição do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pelo fisco ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da notificação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratandose de exigência fiscal decorrente de arbitramento e caracterização de segurados empregados a partir da desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços. Nesse contexto, deve ser declarada a nulidade do feito, por vício material, em observância a legislação de regência, mais precisamente dos artigos do CTN, das Leis 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que essas omissões contaminam a exigência fiscal, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A NOTIFICAÇÃO FISCAL POR ERRO/VÍCIO MATERIAL, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2008 RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10932.000414/200918 Acórdão n.º 2803003.343 S2TE03 Fl. 140 27 NÚMERO DE INSCRIÇÃO 07.194.027/000101 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 12/01/2005 NOME EMPRESARIAL WELLINGTON PANUCCI BUENO TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) H2U HEALTH TO YOU CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 63.11900 Tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 85.91100 Ensino de esportes CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2135 EMPRESARIO (INDIVIDUAL) LOGRADOURO AV MIGUEL ESTEFNO NÚMERO 380 COMPLEMENTO AP 31 CEP 04.301000 BAIRRO/DISTRITO SAUDE MUNICÍPIO SAO PAULO UF SP SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 12/01/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011. Emitido no dia 05/11/2013 às 16:01:50 (data e hora de Brasília). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000418/2002-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1997
IRRF. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO. ERRO NA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO.
Comprovado erro na apresentação da declaração que serviu de base à constatação da falta de pagamentos, pelo cotejo DARF x DCTF, conforme relatório de diligência trazido aos autos pela própria Unidade preparadora do lançamento, é de se reconhecer a improcedência do débito lançado
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin que não conheciam do recurso
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin que não conheciam do recurso Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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AUDITORIA INTERNA DE DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO. ERRO NA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Comprovado erro na apresentação da declaração que serviu de base à constatação da falta de pagamentos, pelo cotejo DARF x DCTF, conforme relatório de diligência trazido aos autos pela própria Unidade preparadora do lançamento, é de se reconhecer a improcedência do débito lançado Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin que não conheciam do recurso Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 04 18 /2 00 2- 99 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.365 S2TE01 Fl. 131 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório o elaborado pela autoridade julgadora de 1ª instância, complementandoo ao final: Por meio do auto de infração de fls. 07 e 08 e anexos de fls. 09 12, que foram lavrados em virtude de irregularidades ou inconsistências verificadas na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, do 2° trimestre de 1997, exigiuse o recolhimento do IRRF, no valor de R$ 2.800,14, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos (fl. 08), teria ocorrido a falta ou insuficiência de pagamento do principal, conforme demonstrativos de fls. 09 e 10 períodos de apuração 0504/ 1997, 0505/ 1997 e 0506/ 1997. O enquadramento legal está citado às fls. 08 e10. Cientificada e não concordando com a exigência, a autuada, por intermédio de seu procurador (fl. 03), apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 01 e documentos defls. 02, 04, 14 e 15, alegando, em síntese, o seguinte: há erro na indicação do período de apuração do tributo na DCTF; os valores identificados no “Anexo Ia” com situação “Pagt° não localizado”, estão pagos, conforme cópias dos DARF s juntados aos autos. Posteriormente, em atenção à solicitação de fls. 2021, a DRF de origem juntou às fls. 2543, cópias do Livro Razão, informações do Sistema SIEF/SRF, cópia da tela do Sistema SINAL10/ SRF e prestou as informações de fls. 4445. A DRJ em Santa Maria/RS, entendeu pelo provimento parcial da Impugnação, com as seguintes razões, em resumo: lnicialmente, cabe esclarecer que o imposto retido na fonte decorrente de rendimentos do trabalho assalariado (código de receita 0561) tem a periodicidade de apuração semanal e o prazo de recolhimento é até o terceiro dia útil da semana subseqüente àquela em tiverem ocorrido os fatos geradores (art. 83, I, d, da Lei n° 8.981, de 1995) (...) Na informação prestada pela DRF de origem (fls. 4445) consta que os pagamentos de R$ 14,82 e R$ 906,90 (fl. 14), efetuados em 07/05/1997, encontramse alocados ao débito referente ao periodo 0105/ 1997 (R$ 921,72) e, os pagamentos de R$ 32,10 e R$906,50 realizados em 07/07/ 1997, encontramse alocados para o débito referente ao período 0107/ 1997. E, ainda, que esses débitos foram constituídos por DCTFS complementares Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.365 S2TE01 Fl. 132 3 apresentadas em 27/03/02, após a ciência do auto de infração (20/03/2002), fls. 34 a 40. Dess forma, os débitos referentes aos períodos de apuração PA 0504/1997, com vencimento em 07/05/1997 e PA 0506/1997, com vencimento em 09/07/1997, não estão extintos, como entende a defesa. No entanto, os pagamentos nos valores de R$ 33,32 e R$ 906,50, de 02/06/1997, estão disponiveis para liquidação do débito referente ao PA 0505/ 1997, no valor total deR$939,82, conforme informações do Sistema SIEF/SRF (fls. 41 e 43) e de fls. 4445. Assim, decidiu o Julgador a quo por considerar extinto o débito no total de R$ 939,82, permanecendo apenas R$ 1.860,32 em exigência. Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde mais uma vez tenta explicar e justificar as diferenças apontadas pela Auditoria, nos seguintes termos: Por certo o raciocínio do julgador a quo não percebeu o envolvimento das informações da DRF/SCS com as provas dos autos, onde postas a DCTF original e a DCTF complementar espelhos anexos aos autos , as quais denunciam o erro de fato. Corroborando com as guias de recolhimento (DARFS) pagas e ' 5/97 (R$906,90 e R$14,82), 07/07/97 (R$906,50 e R$32,10), comprovase o reconhecimento dos respectivos valores conforme provisão contábil registrada no Livro Diário número 18, páginas 44,46, 67 e 69 (livro em anexo), onde fica evidenciado que o débito efetivo foi provisionado, sendo posteriormente liquidado no vencimento, ficando assim demonstrado que houve equívoco na apresentação da DCTF complementar. Os autos vieram então á apreciação desta Turma Especial, que proferiu a Resolução nº 280100.004, em 28 de julho de 2009, convertendo o julgamento em Diligência, conforme Voto que transcrevo em parte: Em sede recursal, asseve o Recorrente que incorreu em erro ao preencher sua DCTF complementar, ocasionando na constatação do não pagamento dos débitos referentes ao período de apuração de 0504/1997 e 0506/1997, o primeiro no valor de R$ 921,72 (novecentos e vinte e um reais e setenta e dois centavos) e .o segundo no valor de R$,938,60 (novecentos e trinta e oito reais e sessenta centavos Dessa forma, em nome do princípio da verdade material que informa os procedimentos administrativos, entendo que o feito deve ser convertido em diligência, a fim de esclarecer se os débitos em referência foram, de fato, quitados. Executada a Diligência pela SAORT da DRFB em Santa Cruz do Sul/RS, mesma Unidade responsável pela lavratura do Auto de Infração de folha 09 e seguintes, após analisar a agenda tributária daquele ano de 1997, esclareceuse que (fls. 128 e 129): Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.365 S2TE01 Fl. 133 4 ... Examinandose o auto de infração, bem como os registro dos débitos do IRRF do cód. 0561 do ano de 1997 constantes do SIEF Fiscalização Eletrônica (fl. 88), que tem origem nas DCTF do 2° e do 3° trimestres de 1997 (originais e complementares) apresentadas pelo interessado, constatase que a data de vencimento 07/05/1997 está vinculada a dois PAS: 05 04/1997 e 0105/1997. Da mesma forma, a data de vencimento 09/07/1997 vinculase aos PAS 0506/1997 e 01 07/1997. À época do lançamento, os fatos geradores do IRRF, para fins de preenchimento das DCTF, eram enquadrados nas semanas de ocorrência, de modo que o vencimento dos débitos se dava na semana seguinte. (...) Os débitos dos PAs 0504/1997 e 0105/1997 (Dt vcto: 07/O5/1997) tem valor idêntico: R$ 921,72. Os débitos dos PAS 0506/1997 e 01 07/1997 (Dt vcto: 09/O7/1997) tem valor idêntico: R$ 938,60. (...) Concluise que a DCTF original do segundo semestre/1997 foi preenchida com erro de fato, na medida em que por meio dela foram constituídos débitos para PAs de apuração inexistentes O504/1997 e 0506/1997 _ alimentando incorretamente o SIEF Fiscalização Eletrônica, sistema de cobrança utilizado para lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO N° 0000407. Os PAs corretos para os débitos relativos aos pagamentos apresentados na impugnação são 0105/1997 e 01/07/1997. Para esses PAS (corretos) o contribuinte vinculou nas DCTFs complementares 2/1997 e 3/1997 os pagamentos cujos comprovantes anexou à impugnação; a auditoria interna confirmou as vinculações (VALIDADO TOTAL), ou seja, os débitos foram quitados (fls. 120 e 121). (...) Ainda, de acordo com o livro DIÁRIO GERAL (cópia às fls. 65 a 70), é possível constatar que a retenção dos valores R$ 14,82 e R$ 906,90 (= R$ 921,72) ocorreu em 30/04/97, dia integrante da 1” semana de maio/1997; a retenção dos valores R$ 32,10 e R$ 906,50 (= R$ 938,60) ocorreu em 30/06/1997, dia integrante da l” semana de julho/1997. Dessa forma, opinase pelo cancelamento dos débitos lançados. Cumprida a diligência. Assim retornaram os autos a este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.365 S2TE01 Fl. 134 5 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso já foi anteriormente apreciado por esta Turma Especial e conhecido, sendo determinada diligência. Considerando o resultado da Diligência levada adiante pela Unidade de origem, a mesma que lavrou a exigência fiscal, entendo que não há o que ser discutido, pois não subsiste litígio. Analisando as alegações do recurso, as DCTF, os pagamentos efetuados e a escrita fiscal do contribuinte (Livro Diário), a DRFB, fundamentadamente, manifestouse “pelo cancelamento dos débitos lançados”(fl. 129, grifei) Face ao exposto, voto por dar provimento ao presente Recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720296/2013-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 1802-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 02 96 /2 01 3- 10 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13748.720296/201310 Acórdão n.º 1802002.208 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação de Lançamento Trata o processo de notificação de lançamento lavrada pela DRF Nova Iguaçu (RJ), referente a multa por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF, correspondente ao mês de MARÇO/2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). A autoridade fiscal alega que o prazo final da entrega era 20/05/2011 e o contribuinte fez a entrega em 30/6/2011. Da Impugnação Cientificado da notificação de forma eletrônica, quando da transmissão da DCTF em 30/6/2011, o interessado apresentou impugnação em 01/04/2013, na qual alegou, em síntese, que: Não existe prazo peremptório para apresentação da impugnação; A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento dos tributos federais e suspendeu o prazo dos respectivos atos processuais em determinadas cidades localizadas na região de Petrópolis, RJ, que sofreu terrível enchente em janeiro de 2011; A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou até o dia 31/7/2011 os prazos de entrega das declarações dos contribuintes domiciliados em Petrópolis; O Ato Declaratório Executivo (ADE) RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, referentes às omissões das declarações DIRF, DIPJ e DCTF; Por ser domiciliado em Petrópolis, faz jus aos benefícios concedidos; A DCTF apresentada é tempestiva. Do Acórdão da DRJ Em 14 de maio de 2013. a 2ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu Acórdão 1255.820 e, apesar de considerar intempestiva a impugnação, examinou seus argumentos e declaroua improcedente, mantendo o crédito tributário, sob o argumento de que, nos termos da Portaria MF nº 23/2011, os atos processuais que se iniciaram em 11 de janeiro de 2011 ficaram suspensos até 31 de julho de 2011. Portanto, segundo a DRJ, para impugnar as notificações cientificadas neste período, o prazo terseia iniciado em 1 de agosto de 2011 e o prazo terseia encerrado em 30 de agosto de 2011. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13748.720296/201310 Acórdão n.º 1802002.208 S1‐TE02 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário Inconformado, o interessado apresentou Recurso Voluntário em 19/06/2013, reiterando, em síntese, os argumentos invocados na impugnação que, repitase, foi considerada intempestiva. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 12/06/13 e o Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, em 19/06/13, portanto, dele tomo conhecimento, ressalvando que o faço na esteira do quanto decidido pela DRJ que, apesar de considerar intempestiva a defesa, examinou seus argumentos e manteve a multa. Do Mérito A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento de tributos federais, no âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, na situação em que os vencimentos dos tributos estavam previstos para o período de 11 de janeiro a 31 de março de 2011. Também suspendeu os atos processuais com termo inicial em 11 de janeiro de 2011, até o dia 31 de julho de 2011. A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou para 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para janeiro a março de 2011, das entregas das declarações à RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Já o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, quando não respeitadas as disposições da IN RFB nº 1.122/2011. É meu entendimento que a IN RFB nº 1.222/2011 não alterou o prazo previsto para entregas de declarações que venciam em 20/5/2011, mas sim para aqueles prazos previstos originalmente para janeiro a março de 2011. Em consequência, não se aplica ao caso presente o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10/2011. Ademais, a Portaria MF nº 23/2011 determinou que os atos processuais que se iniciaram em 11 de janeiro de 2011 ficariam suspensos até 31 de julho de 2011. Portanto, o prazo de 30 dias para impugnação da notificação cientificada em 30/6/2011, iniciouse em 1/8/2011 e encerrouse em 30/8/2011. Diante do exposto, concluise que a impugnação apresentada em 01/04/2013 é intempestiva. Conclusão Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13748.720296/201310 Acórdão n.º 1802002.208 S1‐TE02 Fl. 5 4 Face a todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF, correspondente ao mês de MARÇO/2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). É o meu VOTO (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Numero do processo: 10980.724348/2010-33
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2007
ARBITRAMENTO.
O percentual de arbitramento incide sobre a receita bruta conhecida.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2006, 2007
SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE.
O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a Administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito lançado.
Numero da decisão: 1802-002.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007 ARBITRAMENTO. O percentual de arbitramento incide sobre a receita bruta conhecida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2006, 2007 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a Administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO. A tributação diferenciada das operações envolvendo veículos usados depende de prova documental das aquisições e revendas efetuadas. REGIME DE TRIBUTAÇÃO PELO SIMPLES. A equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples. Para estas, se não houver efetivo contrato de consignação por comissão, a operação deve receber o tratamento de mera compra e venda de veículo, devendo ser utilizada, como base de cálculo do montante devido, relativo ao SIMPLES, a receita bruta mensal apurada integralmente. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 61, §2º, DA LEI N.º9.430/96. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007 ARBITRAMENTO. O percentual de arbitramento incide sobre a receita bruta conhecida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 48 /2 01 0- 33 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2006, 2007 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a Administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório O presente processo trata dos seguintes atos: a) a manifestação de inconformidade ao Ato Declaratório Executivo nº 421 de 22/10/2010, emitido pela DRF/CTA, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Nacional, desde 01/07/2007 (fl.429); b)impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2006; e no primeiro semestre de 2007 lavrados pela sistemática do Simples, que exigem o crédito tributário de R$4.865,73 de IRPJ Simples(fl.460), R$ 3.480,70 de PIS Simples(fl.469), R$ 7.079,95 de CSLL Simples(fl.480), R$21.124,25 de Cofins Simples (fl.491) e, R$ 54.825,80 de contribuição ao INSS Simples(fl.502). Relativamente ao Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 421, de 22/10/2010, o mesmo foi expedido haja vista o sujeito passivo ter incorrido na hipótese prevista no inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006 e foi cientificado em 28/10/2010 (fl.429). As infrações imputadas ao contribuinte são: omissão de receitas caracterizada por receitas não escrituradas e insuficiência de recolhimentos, haja vista a mudança de faixa de tributação. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; § 2º do art. 2º, alínea “a” do §1º do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, §1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317,de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de1998 e; art. 186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, a alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 de 1970, art.2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º,alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de1988; .o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º,art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art.3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º,alínea “d” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de1998 e; e) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º,inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. A razão utilizada para o calculo da multa de ofício é 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 19 da Lei nº9.317, de 1996. O impugnante foi pessoalmente cientificado da autuação em 28/10/2010. Na seqüência, estão os autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos ao 3º trimestre de 2007, onde se exige o crédito tributário de R$2.949,12 de IRPJ, R$1.331,20 de PIS, R$6.144,00 de Cofins e, R$2.211,84 de CSLL. A infração está descrita como sendo omissão de receitas de revenda de mercadorias sem emissão da correspondente Fl. 639DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 5 4 nota fiscal. O enquadramento legal para o arbitramento do lucro e apuraçãodo IRPJ está previsto nos artigos 532 e 537 do RIR, de 1999. A base legal para a exigência do PIS são os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970, o art, 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995 e os artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, art. 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº4.524, de 2002. Para a Cofins temos o artigo 2º, inciso II e parágrafo único e art. 3º, 10, 22, 51e 91 do Decreto 4.524, de 2002 e, por fim, para a exigência da CSLL temos o art. 2º e §§, daLei nº 7.689, de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 37da Lei nº 10.637, de 2002. A multa de ofício obedece ao mesmo regramento já descrito em item anterior e a ciência ocorreu simultaneamente aos autos de Simples. Na impugnação de fls. 52 e seguintes, o contribuinte faz um breve relato dos fatos ocorridos e, no mérito, invoca o artigo 5 º da Lei nº 9.716, de 1998 para sustentar que se sujeita ao regime fiscal aplicável às operações de consignação, ou seja, a tributação incide sobre a diferença entre o valor da Nota Fiscal de Saída (venda) e a Nota Fiscal de Entrada(aquisição) do veículo usado. Transcreve algumas Soluções de Consulta e pede que o mesmo entendimento seja aqui aplicado, haja vista estarem presentes os requisitos exigidos pela lei. Insurgese contra a cobrança da multa por entender que ela configura confisco e faz uso de doutrina e jurisprudência para sustentar o argumento. Ao final, pede seja julgado improcedente o auto de infração; seja afastada a multa de ofício haja vista configurar confisco; que as operações sejam equiparadas a consignação para que produza os efeitos tributários pertinentes e; que o presente processo fique suspenso enquanto não houver o julgamento do PAF 10980.724347/201099. Em sessão de 26 de julho de 2012, foi proferido o Acórdão 0637.635, pela 2ª Turma da DRJ/CTA, o qual indeferiu o pedido de sobrestamento do processo, declarou definitivo o ADE que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Nacional e, no mérito, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário. Os fundamentos da decisão seguem abaixo. O Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 421, de 22/10/2010, que determinou a exclusão do interessado ao regime do Simples Nacional, foi considerado definitivo, tendo em vista que nenhuma razão de inconformidade foi apresentada. A autoridade fiscal destacou que o inciso VIII do artigo29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, dispõe: “Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo SimplesNacional darseá quando: ... VIII – houver falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; ...” Segundo a DRJ, em resposta ao Termo de Intimação nº 01 (fl.414), o próprio contribuinte admite que não foram localizados os livros Diário Caixa e Razão, relacionados aos períodos de 2006 e 2007. Desta forma, ante a ausência de escrituração contábil e a não apresentação da manifestação de inconformidade, declarouse procedente o ato de exclusão. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 6 5 No mérito, o impugnante argumentou que, tratandose de atividade de comercialização de veículos usados, a base de cálculo das contribuições Pis e Cofins corresponde ao valor aplicável às operações de consignação. Nesse quesito, a DRJ esclareceu que a ação fiscal teve como alvo inicial a pessoa de Ricardo do Couto Almeida, CPF 022.784.50999e, posteriormente foi desviada para a empresa Rico Tom, conforme as explicações que constam às fls. 50/51. Em 05/08/2010 fl. 419, o sujeito passivo foi intimado para comprovar a contabilização de valores de receitas de vendas de veículos, que ensejaram determinados depósitos nos anos calendário de 2006 e 2007 na conta bancária do sócio Ricardo do Couto Almeida, CPF 022.784.50999, tendo como origem os financiamentos de veículos em nome da empresa, obtidos junto à financeira Banco Itaú, cuja relação com data, valor liberado do financiamento e placa do veículo foram fornecidos. Em resposta, o contribuinte informou que não teriam sido localizados os livros Diário, Caixa e Razão relacionados aos períodos 2006 e 2007. A DRJ manifestouse no sentido de que nenhum elemento foi apresentado pelo contribuinte que pudesse evidenciar a receita tributável na forma prevista na lei, mediante confronto de notas fiscais de entrada e saída, formalizandose o lançamento a partir da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, parte deles, inclusive mantida em contas da pessoa física do sócio. É fato que, para operacionalizar esta forma de tributação prevista naLei nº 9.716/98, e tendo em conta especificamente o parágrafo único do seu art. 5o, a InstruçãoNormativa SRF nº 152/98 exige a comprovação concreta do custo dos veículos correspondentes: “Art. 2o Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda ,inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social – COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1o Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado,constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2o O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes.” “Art. 3o A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior.” Ademais disso, a Instrução Normativa SRF nº 152, de 16 de dezembro de 1998, posteriormente alterada pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro 2002, artigo 10, §§ 4o, 5o e 6o, referindose a “pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores”, estabeleceu que, na determinação das bases de cálculo dos tributos e contribuições ali aludidos, “será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição,constante da nota fiscal de entrada.” Fl. 641DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 7 6 Do exposto, entendeu a DRJ que a possibilidade de equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação,prevista no art. 5º da Lei 9.716/98 e Instrução Normativa 152/98, não se aplica às empresas tributadas pela sistemática do SIMPLES, pois estas não podem deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado, relativamente a operações que não sejam efetivamente de consignação. Contra a manifestação contrária à sua tese proferida pela DRJ, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, que passo a examinar. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro: Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. A ciência do Acórdão deuse em 30/08/2012 e o Recurso Voluntário foi interposto em 28/09/2012, tempestivamente. Portanto, dele tomo conhecimento. O Simples é um regime de tributação favorecido, instituído pela Lei nº 9.317, de 1996, com amparo no art. 170, inciso IX, da Constituição Federal. Tratasede um regime de normas próprias para empresas que optem por uma sistemática de tributação mais favorecida e, principalmente, simplificada, que prevê a aplicação de alíquotas para apuração do imposto devido, diretamente sobre a receita bruta das empresas que, por estarem dispensadas da escrituração comercial, não efetuam a apuração do lucro real do período. A fixação das alíquotas pela legislação leva em conta o lucro presumível dessas empresas, tendose em conta o volume de vendas efetuadas. De fato, a Lei 9.716, de 26/11/1998, admitiu a possibilidade de equiparação de operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, a operações de consignação: “Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação.” Assim, tendo optado por tal regime e até que solicite a sua exclusão ou venha a ser excluída de ofício, a empresa se submete à sistemática própria do regime jurídicodo SIMPLES, para o qual o art. 5º da Lei 9.317, de 1996, com a alteração do art. 3º da Lei9.732, de 1998, prevê uma alíquota única determinada em função da receita bruta mensal. Para determinação de tal receita bruta, deve ser considerado o valor das efetivas transações da pessoa jurídica, como definido no art. 2º, § 2º, da Lei 9.317/96 e nas Instruções Normativas vigentes a época dos fatos §3º, art. 2º da IN SRF 009, de 1999 e art. 4ºda IN SRF 34, de 2001: “Lei 9.317/96 “Art. 2º . .... 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. IN SRF 009/99 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 9 8 Art. 2º ... § 3º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. IN SRF 34/2001 Art. 4º Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1º Ressalvado o disposto no caput, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa. § 2º Para fins de determinação da receita bruta auferida, poderá ser considerado o regime de competência ou de caixa, mantido o critério para todo o ano calendário.” A natureza das transações da pessoa jurídica, se venda de bens ou se prestação de serviços, deve estar demonstrada documentalmente. Para elucidar esse ponto, a DRJ trouxe aos autos exemplos de Soluções de Consulta emitidas por Unidades Regionais da SRF que expressam, em suas ementas, o seguinte: “”SOLUÇÃO DE CONSULTA/SRRF/5ª RF/DISIT Nº 19, de 11 de agosto de 2005 Assunto: ... Simples Ementa: OPÇÃO PELO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES USADOS. RECEITA BRUTA – RECOLHIMENTO. A pessoa jurídica optante pelo Simples que tem como atividade a compra e venda de veículos automotores usados deve efetuar os seus recolhimentos com base na receita bruta mensal apurada integralmente. Bem colocada pela DRJ a afirmação segundo a qual a Instrução Normativa SRF nº 152, de 1998, ao admitir a tributação somente da diferença entre valor da alienação e custo de aquisição, constantes de notas fiscais de venda e de entrada, referiuse, especificamente, a pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, não contemplando aquelas optantes pelo SIMPLES e do exposto conclui que a totalidade dos valores recebidos pelo fiscalizado nas operações de compra e venda de veículos integra a base de cálculo para apuração dos valores devidos pela sistemática do SIMPLES. Pois bem. Em relação ao período atingido pelo arbitramento, em face da ausência de escrituração, para o cálculo do tributo devido a autoridade fiscal utilizou a receita bruta conhecida, conforme determinação legal, o que entendo estar correto. Quanto à multa de ofício, que o Recorrente reputa confiscatória, não é possível ao CARF procunciarse sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Finalmente, quanto ao pleito de sobrestamento do processo até que seja definitivamente julgado o Auto de Infração PAF nº 10980.724347/201099, entendo a questão estar superada, Fl. 644DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.724348/201033 Acórdão n.º 1802002.220 S1TE02 Fl. 10 9 pois já há notícia, nos autos, de seu julgamento, que em nada interferiu e, nem mesmo, interferirá, no desfecho da presente questão. Assim é que a DRJ ainda informou que o processo em questão já foi julgado e o Acórdão recebeu o nº 34.773, de 06/12/2011, tendo sido o crédito em discussão totalmente mantido. Por todo o exposto, conheço do recurso por tempestivo. Afasto a preliminar de efeito de confisco em relação à multa de ofício; entendo superada a questão do pedido de sobrestamento do processo; no mérito, julgo improcedente o recurso voluntário, declarando definitivo o ADE que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Nacional. Esse o meu Voto. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 645DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Numero do processo: 19515.007597/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. PRAZO REGULAMENTAR. CUMPRIMENTO. O prazo regulamentar para apresentação de arquivo magnético é de 20 (vinte dias). Verificado o seu cumprimento, a multa aplicada deve ser exonerada.
MULTA POR OMISSÃO OU INCORREÇÃO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. CABIMENTO. Atestado pela própria autoridade que o contribuinte prontamente enviou o arquivo magnético com a correção da divergência apontada, somado aos demais elementos dos autos, deve ser exonerada a multa aplicada.
Numero da decisão: 1103-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido parcialmente o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro que concedia provimento parcial ao recurso de oficio para restabelecer a parcela da multa relativa à prestação de informação incorreta (art. 12, II, da Lei 8.218/1991)
Aloysio José Percínio da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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PRAZO REGULAMENTAR. CUMPRIMENTO. O prazo regulamentar para apresentação de arquivo magnético é de 20 (vinte dias). Verificado o seu cumprimento, a multa aplicada deve ser exonerada. MULTA POR OMISSÃO OU INCORREÇÃO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. CABIMENTO. Atestado pela própria autoridade que o contribuinte prontamente enviou o arquivo magnético com a correção da divergência apontada, somado aos demais elementos dos autos, deve ser exonerada a multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido parcialmente o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro que concedia provimento parcial ao recurso de oficio para restabelecer a parcela da multa relativa à prestação de informação incorreta (art. 12, II, da Lei 8.218/1991) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 75 97 /2 00 8- 15 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 19515.007597/200815 Acórdão n.º 1103000.850 S1C1T3 Fl. 171 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa até aquela fase: “1. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo ao ano calendário 2005, foi lavrado em 19/11/2008 o auto de infração da Multa por Atraso na Entrega de Arquivo Magnético (fls. 63 a 64, numeração digital – nd). O crédito tributário total lançado foi de R$ 5.054.742,04 (cinco milhões, cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta e dois reais e quatro centavos), conforme abaixo demonstrado: 2. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no Termo de Verificação (fls. 59 a 61, nd), a seguir sintetizados. 3. O Contribuinte foi intimado, em 11/04/2008, a apresentar, em 10 dias, os seus arquivos contábeis em meio magnético, referentes ao período de 01 de janeiro de 2005 a 31 de outubro de 2005. Solicitou pedido de dilação de prazo em 23 de abril de 2008, indeferido em 24 de abril de 2008. 4. Em 29 de abril de 2008, o Contribuinte apresentou os arquivos contábeis em meio magnético. 5. A Autoridade Fiscal efetuou a importação dos dados contábeis apresentados e constatou que os totais de débitos e créditos do arquivo de lançamentos, conforme relatório gerado pelo SINCO (VALIDAÇÃO), estavam em desacordo com os totais de lançamentos contábeis constantes da folha 0095 do livro Diário. Em 14 de maio de 2005, com ciência pessoal, foi lavrado o Termo de Devolução de Documentos. 6. Em 15 de maio de 2008, foi feita nova apresentação, que estava de acordo com o livro Diário. 7. Do ocorrido, entendeu a Autoridade Lançadora que Contribuinte incorreu em infração passível de multa, caracterizada pelo atraso de 14 dias na entrega dos arquivos magnéticos e pela infração decorrente da omissão de transações nos mesmos, cujo montante está calculado no demonstrativo de fls. 61 (numeração digital). 8. Enquadramento legal: Arts. 11 e 12, incisos II e III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO 9. Cientificada do auto de infração em 19/11/2008 (AR de fl. 66, nd), o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 68 a 88 (numeração digital) em 19/12/2008 (fl. 68), na qual fez a defesa a seguir sintetizada. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 19515.007597/200815 Acórdão n.º 1103000.850 S1C1T3 Fl. 172 3 10. Inicialmente, a Requerente defendeu ser tempestiva a impugnação por ela apresentada. 11. A Impugnante recebeu intimação para apresentação, no prazo de 10 dias, de vários elementos, entre eles os arquivos contábeis em meio magnético. Discorre a Impugnante que o prazo para a apresentação dos arquivos é de 20 dias, conforme previsto no art. 2º da Instrução Normativa n° 86/2001. A Requerente solicitou prorrogação do prazo, mas não foi atendida pela Fiscalização, prazo este que era de seu direito. 12. Impossibilitada de atender inteiramente à intimação no prazo de 10 dias, encaminhou no prazo de 10 dias, em 25/04/2008, os seguintes documentos: cópia autenticada da última alteração do seu contrato social, livro de apuração do lucro real – LALUR nº 02, livro diário geral n° 09, bem como relação das instituições financeiras com as quais a Requerente transacionou no período em análise. 13. A Requerente ainda esclareceu que encontrou “dificuldades técnicas no momento da validação e transmissão do arquivo com a escrituração contábil perante o sistema da RFB” e que havia contratado uma empresa especializada para regularizar o sistema e resolver os problemas técnicos, viabilizando a validação dos arquivos pelo SINCO. 14. Em 29/04/2008, a Impugnante encaminhou os arquivos contábeis em meio magnético, devidamente validados pelo sistema SINCO. Após análise dos arquivos, a Auditora lavrou nova intimação, em 14/05/2008, para devolver à Requerente os arquivos magnéticos entregues em 29/04/2008, tendo em vista que os totais de débitos e créditos (R$ 1.831.124.050,15), de acordo com o relatório gerado pelo SINCO (VALIDAÇÃO), estavam em desacordo com os totais de lançamentos constantes da folha 0095 do livro diário, que era de R$ 2.209.415.646,47. Antes mesmo de receber a intimação acima, a Requerente apresentou, em 15/05/2008, novamente arquivos magnéticos devidamente validados. 15. Apesar de todas as informações solicitadas em meio magnético terem sido disponibilizadas, a Fiscalização Federal lavrou o auto de infração por multa pelo atraso de 14 dias na entrega dos arquivos magnéticos, uma vez que a Requerente somente entregou os referidos arquivos magnéticos em 15/05/2008 (quatorze dias após o termino do prazo de 20 dias (ilegalmente negado pela AFRF), que se deu dia 05/05/2008); e multa por omissão e erro nos dados fornecidos em arquivos magnéticos fornecidos em 29/04/2008. 16. A multa referente à “omissão e erro” na entrega dos arquivos surpreendeu a Impugnante, já que ela os havia alterado, compatibilizandoos com os do livro Diário, de forma a não poder levar ao questionamento de omissão de informações. 17. Quanto à multa pelo atraso na entrega dos arquivos magnéticos, a Requerente também não se conforma com sua aplicação. Como demonstrado pela própria AFRF, a data limite para a entrega dos arquivos magnéticos era 05/05/2008 (20 dias após a ciência do dia 11/04/2008). A Requerente entregou os arquivos em 29/04/2008, os quais foram aceitos pela AFRF, que procedeu à sua avaliação e depois efetuou a sua devolução. 18. A Impugnante defendeu a nulidade do auto de infração lavrado, decorrente da ilegalidade no procedimento administrativo. O já citado art. 2° da Instrução Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 19515.007597/200815 Acórdão n.º 1103000.850 S1C1T3 Fl. 173 4 Normativa n° 86/2001 determina que os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras deverão ser apresentados no prazo de 20 dias aos Auditores Fiscais da Receita Federal. Ao intimar o Contribuinte a apresentar os arquivos magnéticos no prazo de 10 dias, a AFRF agiu de maneira ilegal e injustificada. 19. A nulidade do procedimento administrativo persistiu quando a Requerente teve o seu pedido de prorrogação de prazo indeferido. A intimação continha o prazo de 10 dias e não de 20 como quer fazer crer a Auditora no Termo de Verificação. 20. E os arquivos foram entregues no 16º dia, em 29/04/2008, dentro do prazo de 20 dias. É clara a nulidade do processo administrativo que deu causa ao auto de infração, visto que foi negado à Requerente o prazo regulamentar para a apresentação dos documentos. 21. No mérito, defende a Impugnante que a norma que estabelece o prazo de 20 dias diz respeito “ao não cumprimento do prazo para a entrega dos arquivos magnéticos.” Assim, uma vez entregues os arquivos magnéticos tempestivamente em 29/04/2008, independentemente do seu conteúdo e forma, não deve ser aplicada multa. 22. Ademais, mesmo que se admita que os arquivos magnéticos foram entregues em 15/05/2008, não houve um atraso de 14 dias como alegado pela Fiscalização. 23. A primeira intimação foi recebida pela Requerente em 11/04/2008, uma sexta feira. O prazo legal de 20 dias para apresentação dos arquivos magnéticos começou a fluir em 14/04/2008 e o prazo final para o cumprimento da primeira intimação esgotavase em 03/05/2008, um sábado. Logo, o prazo final ficou imediatamente prorrogado para 05/05/2008. Como os arquivos magnéticos foram entregues em 15/05/2008, passaramse apenas 10 (dez) dias e não 14 (quatorze). 24. Além disso, a Requerente sempre atuou pautada pela boafé, atendendo às solicitações da AFRF, não gerou qualquer prejuízo ao Erário, pelo que não pode prevalecer a multa aplicada. 25. Não houve, também, omissão ou erro nos dados fornecidos em meio magnético em 15/05/2008, fato esse reconhecido pela Autoridade Fiscal quando verificou a conformidade com o livro Diário. 26. No que diz respeito às multas aplicadas pela “omissão ou erro nos dados fornecidos” em meio magnético, a Impugnante destaca que a Autoridade Fiscal emitiu informações contraditórias sobre as divergências verificadas, já que no próprio auto de infração reconheceu que os arquivos apresentados em 15/05/2008 estavam de acordo com o livro diário da Requerente. 27. Citou a Impugnante entendimentos jurisprudenciais favoráveis a sua tese. 28. Argumentou que para que pudesse impor as multas à Requerente, a Auditora: (i) apenas considerou que a entrega dos arquivos magnéticos ocorreu em 15/05/2008, desconsiderando a entrega dos arquivos em 29/04/2008, para que pudesse cobrar a multa por atraso; (ii) apenas considerou que a entrega dos arquivos magnéticos ocorreu em 29/04/2008, desconsiderando a entrega dos arquivos corrigidos em 15/05/2008, para que pudesse cobrar a multa por omissão e erro nos dados fornecidos. Dessa forma, concluiu a Requerente, fica claro que não houve omissão nem atraso na entrega dos arquivos magnéticos. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 19515.007597/200815 Acórdão n.º 1103000.850 S1C1T3 Fl. 174 5 29. Em seguida, a Impugnante propugnou pela ilegalidade das multas aplicadas. 30. A vinculação das multas previstas nos incisos II e III do artigo 12 da Lei n° 8.218/91 ao valor da receita bruta auferida pelo contribuinte faz com que a obrigação acessória passe a cumprir função arrecadatória primária, fazendo as vias de obrigação principal e contrariando o disposto no artigo 113, § 20, do CTN. 31. De acordo com o principio da proporcionalidade, as sanções fixadas pelo legislador e aplicadas pela Fiscalização Federal devem ser razoáveis e proporcionais à conduta infracional do contribuinte. Sendo desproporcionais, as sanções acabam por exercer uma verdadeira função confiscatória do patrimônio pessoal daquele. 32. Nesse sentido, as multas impostas à Requerente, que totalizam o montante de R$ 5.054.742,04, configuram uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória, em flagrante desrespeito ao artigo 5°, inciso XXII, da Constituição Federal de 1988, na medida em que acaba por expropriar o contribuinte de parcela de seu próprio patrimônio. 33. Lembrou que o STF se manifestou por diversas vezes no sentido de que a vedação do princípio do não confisco pode ser aplicada às multas exigidas no âmbito de uma relação jurídica tributária. Além do caráter confiscatório, a vinculação do cálculo da multa ao valor da receita bruta do contribuinte fere o princípio da isonomia, pois enseja penalidades diferentes de acordo com o patrimônio dos contribuintes infratores. Outros princípios que estariam sendo feridos foram citados pela Impugnante, os da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Citou jurisprudência favorável a sua tese. 34. Houve, também, ilegal ampliação do conceito de renda bruta. O art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado para definir ou limitar competências tributárias. Receita Bruta é a receita total decorrente das atividades fim da organização, isto é, das atividades para as quais a empresa foi constituída, e não todas as receitas da empresa. 35. Por todo o exposto, resta clara a ilegalidade em aplicar as multas previstas nos incisos II e III da Lei n° 8.218/91 sobre a totalidade das receitas da Requerente, apenas pela falta de receita bruta em seus livros. 36. Por fim, requereu a Impugnante o acolhimento integral da sua pretensão, conforme razões acima sintetizadas”. A 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, em sessão de 30/04/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1638.334 entendendo “por unanimidade de votos, julgar procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, exonerando integralmente o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. PRAZO REGULAMENTAR. CUMPRIMENTO. O prazo regulamentar para apresentação de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 19515.007597/200815 Acórdão n.º 1103000.850 S1C1T3 Fl. 175 6 arquivo magnético é de vinte dias. Verificado o seu cumprimento, a multa aplicada deve ser exonerada. MULTA POR OMISSÃO OU INCORREÇÃO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. CABIMENTO. Atestado pela própria autoridade que o contribuinte prontamente enviou o arquivo magnético com a correção da divergência apontada, somado aos demais elementos dos autos, exonerase a multa aplicada. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado.” Proferida a decisão, como houve a desoneração do valor de R$ 5.054.742,04 (cinco milhões, cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta e dois reais e quatro centavos) a 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, em conformidade com o que determina o inciso I do art. 34 do Decreto n.º 70.235/1972, procedeu ao recurso de ofício. Cientificando a DUKE ENERGY INTERNATIONAL BRASIL LTDA da decisão e o recurso de ofício em 22/07/2012, (AR fls. 160v). Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezrra Presta Observando o que determina o Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso de ofício apresentado pela 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão de mérito dos autos trata da possibilidade ou não de imputar ao Contribuinte penalidade por atraso na entrega do arquivo magnético, lastreado nas determinações contidas no art. 12 da Lei n° 8.218/91, sendo que a Recorrida foi intimada, em 11/04/2008, a apresentar, em 10 (dez) dias, os seus arquivos contábeis em meio magnético, referentes ao período de 01 de janeiro de 2005 a 31 de outubro de 2005. A 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, através do acórdão n° 1638.334, apresenta uma planilha dos documentos constantes dos autos e que serviram de fundamento para a decisão que exonerou o credito tributário, conforme pode ser visto a seguir: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 19515.007597/200815 Acórdão n.º 1103000.850 S1C1T3 Fl. 176 7 Observando tanto a cronologia dos documentos descrita acima quanto às razões de decidir da 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, não há como negar que a referida decisão deve ser mantida pelos seus próprios argumentos, até porque a fiscalização não observou o prazo mínimo legal de 20 (vinte) dias para que a Recorrida apresentasse os referidos arquivos e que a “multa por omissão/incorreção prevista no inciso II do art. 12 da Lei n° 8.218/91 não se aplica ao presente caso” como afirma a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP. Assim, observando tudo que consta nos autos, principalmente as razões de decidir expostas no acórdão n° 1638.334 que embasam da decisão recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, para manter desonerada a Recorrida da Multa por Atraso na Entrega de Arquivo Magnético referente ao ano calendário 2005, confirmando assim a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/São Paulo1SP. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 6/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA
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Numero do processo: 10166.720187/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos a título de fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.]
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio alimentação em pecúnia, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso nas rubricas indenização e indenização especial, nos termos do voto do(a) Relator(a); Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização e Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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VALE ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.] LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 01 87 /2 01 1- 93 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Fl. 853DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 852 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio alimentação em pecúnia, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso nas rubricas indenização e indenização especial, nos termos do voto do(a) Relator(a); Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator ad hoc somente para formalização e Redator Designado Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por AMERICEL S.A, em face de acórdão proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. 2. De acordo com a peça introdutória, tratase de contribuições sociais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, além das contribuições devidas às entidades conveniadas (terceiros) FNDE (Salário Educação), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, todas incidentes sobre o pagamento das verbas referentes a cartão de premiação, auxílio babá, vale alimentação em pecúnia e vale transporte em pecúnia. (ff. 197/2016). 3. Consta na decisão recorrida (fls. 795 e 801) que a empresa efetuou o pagamento integral dos valores relativos aos autos de infração das obrigações acessórias. A empresa apresentou comprovantes de pagamentos de todos os três Autos de Infração de obrigação acessória e dos valores relativos aos levantamentos CP1 – Cartão premiação MARK UP e AB1 – Auxílio Babá, esclarecendo que todos foram pagos com redução de 50% no valor da multa, conforme art. 6º da Lei 8.218, de 1991. Desta forma, a DRF/BSB emitiu despacho às fls. 756 informando que os débitos 373220200, 373220219 e 373220197 foram liquidados e as telas do Sicob correspondentes aos débitos anexadas ao processo e comunicando que os débitos 372367860, 372367879 e 372367887, conforme declaração do contribuinte, foram parcialmente quitados, somente em relação ao pagamento auxílio babá e ao levantamento cartão premiação Mark Up. 4. Neste sentido, fica delimitado o objeto da presente lide aos lançamentos que ainda se encontram em discursão, “valetransporte” e “auxílioalimentação” concedidos aos empregados da recorrente. 5. O acórdão vergastado restou ementado nos termos que ora transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 AIOP DEBCAD nº 37.236.7860 (PATRONAL) 37.236.7879 (SEGURADOS) 37.236.7887 (TERCEIROS) AIOA DEBCAD n. 37.322.0197 (CFL 34) 37.322.0200 (CFL 35) 37.322.0219 (CFL 59) Fl. 855DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 853 5 SALÁRIO UTILIDADE. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA EM DESACORDO COM O PAT. O pagamento de alimentação, fora do contexto do PAT, constitui salário utilidade, integrando o saláriodecontribuição, conforme preceitua o inciso I, do art. 28, da Lei no 8.212/91, c/c art. 458 da CLT, e Enunciado 241 do TST. O auxílioalimentação em espécie contraria a legislação do PAT, por não estar prevista entre as modalidades de prestação, integrando o salário decontribuição, nos termos do inciso I, do art. 28, da Lei no 8.212/91, c/c o § 10, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99. VALETRANSPORTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago ao empregado, a título de Vale transporte, só não integra o valor do salário de contribuição, para fim de incidência da contribuição previdenciária, se for concedido estritamente de acordo com a legislação pertinente. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Segundo a Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 2009, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. PEDIDO GENÉRICO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532/97, determina que as intimações sejam feitas por via postal ou por qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Inexistindo previsão legal para intimação em endereço diverso, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores. Impugnação Improcedente Fl. 856DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Crédito Tributário Mantido” (ff.790 a 803) 6. Buscando reverter a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário (ff. 811 a 835), aduzindo em síntese: a) que os benefícios de “valetransporte” e “valealimentação” foram concedidos pela recorrente aos seus empregados em pecúnia tão somente no primeiro mês de contratação do recémadmitido empregado haja vista a impossibilidade de que os seus cartões magnéticos, necessários à concessão dos benefícios in natura, estivessem prontos a tempo, ou seja, em caráter eventual; b) afirma que é entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal STF e do Superior Tribunal de Justiça STJ a favor da não incidência de contribuições previdenciárias sobre “auxílioalimentação” e o “vale transporte”, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado em pecúnia; transcreve julgados para fundamentar seu arrazoado; c) sustenta que a empresa é regularmente inscrita no PAT, por força de Acordo Coletivo (doc. 03 da impugnação) que regula a relação havida entre a recorrente e seus empregados, está obrigada ao fornecimento do auxílio alimentação via tíquete refeição, que somente é disponibilizado por meio magnético; d) por fim, na remota hipótese de não serem acolhidos os argumentos expostos para o cancelamento do lançamento, requer que seja admitido a exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 7. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 854 7 Voto Vencido Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 2. Consta na decisão de primeira instância (f.801) que a empresa efetuou o pagamento integral dos autos de infração referente às obrigações acessórias. Neste sentido, fica delimitado o objeto da presente lide aos lançamentos que ainda estão em discursão, “auxílio alimentação” e “valetransporte” concedidos aos empregados da recorrente. DOS VALORES PAGOS COMO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA 3. De acordo com o relatório fiscal, a recorrente efetuou pagamento em pecúnia a título de alimentação, conforme análise feita nas folhas de pagamento da empresa. Narra à fiscalização que tal situação não possui respaldo na legislação previdenciária em vigor, posto que o pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais, fazendo com que tais valores sejam considerados como parte integrante do salário de contribuição dos segurados empregados beneficiários. (f. 201). 4. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar. Tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação “in natura” não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 5. Corroborando o posicionamento ora exposto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça foi pacificada com o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 6. Confirase, a propósito, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 7. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 855 9 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] Fl. 860DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 8. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 9. Com efeito, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 10. Outrossim, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aprovou parecer vinculativo em que atesta: “Não incide contribuição previdenciária quando a empresa não tem inscrição no PAT” (Parecer n. 2117 de 10/11/2011, Despacho do Ministro de Estado da Fazenda de 22/11/2011, publicado em 24/11/2011). 11. É oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. É dizer, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 12. Por fim, embora não tenha influência para o meu voto, deixo registrado que o contribuinte alega que estava inscrito no Programa de Alimentação ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (PAT) (doc. 03 da impugnação), bem como cumpriu todos os demais requisitos necessários à exclusão dos benefícios da base de cálculo da contribuição previdenciária. 13. Assim, portanto, dou provimento ao recurso nesta parte. DO VALETRANSPORTE EM PECÚNIA 14. No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte aduz a empresa que “(...) não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores dos benefícios de valetransporte concedidos pela Recorrente aos seus empregados sob pena de se incorrer em afronta à Constituição Federal”. (f. 819) 15. Alega, ainda, a recorrente que “(...) o fato de os pagamentos terem sido efetuados em pecúnia não tem o condão de incluílos no saláriodecontribuição, sendo juridicamente inválida a sua tributação, na esteira do que vem decidindo o STJ e o STF cuja jurisprudência já se encontra pacificada no sentido da necessária exclusão dos referidos benefícios, ainda que pagas em pecúnia”. (f. 820) 16. E segundo a fiscalização “foram considerados como saláriode contribuição os valores pagos em pecúnia pela empresa a título de vale transporte, tendo em vista que se trata de concessão aos empregados de benefício em desconformidade com a legislação própria”. (f. 202). 17 Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 856 11 18. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 19. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) 20. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 21. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 22. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 23. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 24. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 25. Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. 26. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 857 13 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". 27. Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” 28. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário quanto a não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre pagamento de valetransporte. É como voto. CONCLUSÃO 29. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização Fl. 864DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 858 15 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 866DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 16 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 867DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 859 17 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 868DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 18 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 869DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720187/201193 Acórdão n.º 2301003.707 S2C3T1 Fl. 860 19 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 870DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 20 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 16327.721516/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 05/08/1994 a 06/01/1998
DECADÊNCIA
Para fins de contagem do prazo previsto no §4º do art 150 do CTN, considera-se ano o período de doze meses contado do dia do início da contagem ao dia e mês correspondentes do ano seguinte (Lei 810/49).
O artigo 132 do Código Civil, por sua vez, determina que os prazos de meses e anos expirem no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência.
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA - e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo - BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
MULTA. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.178
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada; no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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DESMUTUALIZAÇÃO Recorrente BANCO INTERCAP S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 05/08/1994 a 06/01/1998 DECADÊNCIA Para fins de contagem do prazo previsto no §4º do art 150 do CTN, considerase ano o período de doze meses contado do dia do início da contagem ao dia e mês correspondentes do ano seguinte (Lei 810/49). O artigo 132 do Código Civil, por sua vez, determina que os prazos de meses e anos expirem no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. MULTA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 16 /2 01 2- 91 Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.551 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada; no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação da Recorrente: Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.552 3 O presente processo trata de autos de infração decorrentes da falta de declaração e recolhimento pela contribuinte, em 11/2007, da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas operacionais auferidas com a venda de ações da Bolsa de Valores, Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F S/A), na oferta pública inicial da distribuição secundária das ações recebidas (IPO Initial Public Offering) em decorrência do processo de desmutualização da BM&F. Exigese de Cofins o valor de R$ 2.885.709,01 e de Contribuição para o PIS o valor de R$ 468.927,71, valores que foram acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Do Relatório Fiscal Integra o auto de infração o “Termo de Verificação Fiscal” onde a autoridade fiscal relata: em 28/08/2007 o Banco Intercap S.A., na qualidade de Sócio Majoritário da Distribuidora Intercap de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., em Assembléia Geral Extraordinária deliberou e aprovou a cisão parcial desta sociedade com versão da parcela cindida ao Banco Intercap S.A; o acervo da Distribuidora Intercap cindido consistiu dos Títulos Patrimoniais da Associação Bolsa de Mercadorias & Futuros dos quais era detentora; em AGE de 19/09/2007, os sócios (pessoas físicas) do Banco Intercap S.A. deliberaram e aprovaram a redução de capital do Banco a ser realizada com a entrega de parcela de 65% dos títulos patrimoniais da Associação BM&F aos seus sócios; assim, o Banco Intercap passou a deter a parcela de 35% dos títulos patrimoniais da BM&F; em 12/10/2007 – com a desmutualização da Associação Bolsa de Mercadorias & Futuros, em substituição aos seus títulos patrimoniais, a contribuinte recebeu 9.869.625 ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros S.A. Em relação à venda desses 35% de ações recebidas, ocorridas em 16 e 30/11/2007, a autoridade fiscal informa que, intimada, a contribuinte informou à fiscalização ter obtido um resultado de R$ 53.983.836,89. Além da venda das ações acima, a contribuinte informou que: Em 31/10/2007, a BM&F e os Bancos coordenadores do processo IPO solicitaram um adicional de oferta pública de 10% das ações da BM&F, perfazendo um total de 45% das ações a serem vendidas. A oferta pública adicional foi contemplada com parte das ações de propriedade dos acionistas do Banco, mediante contrato de adesão (documento em anexo). Em relação a este percentual de 10% ações, a autoridade fiscal coloca que, embora o contribuinte informe que a oferta pública adicional tenha sido contemplada com “parte das ações de propriedade dos acionistas do Banco”, o fato é que a “propriedade” das referidas ações só poderia ser considerada dos acionistas do Banco após aprovação da redução de capital por parte do Banco Central do Brasil, que, por disposição da Lei, é o órgão que pode autorizar tal ato, o que se deu após a venda das ações pelo Banco Intercap S/A. Menciona que além da não aprovação do ato de redução de capital antes da data da venda das ações, a própria ata da AGE esclarece que: redução de capital social e a conseqüente alteração do "caput" do artigo 5° do estatuto Social da Companhia, ora deliberadas, somente se tornarão efetivas após o prazo de 60 (sessenta) dias para oposição de credores, contados da publicação da presente ata, nos termos do artigo 174 da lei n° 6.404/76. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.553 4 Informa que a fiscalizada ofereceu, em nome da Distribuidora Intercap, o total de 3.454.444 ações para venda (conforme Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundáriade Ações Ordinárias de Emissão da BM&F S.A.), mas que na apuração do resultado da venda das ações da BM&F S/A e em seus registros contábeis a contribuinte considerou somente o ganho na venda de 2.467.481 ações no processo de IPO, ou seja, não incluiu o ganho na venda de 986.963 ações ofertadas e vendidas. Também consta do relatório da auditoria efetuada, os fatos que fundamentam a conclusão do Fisco de que a contribuinte tinha a intenção clara de vender parte das ações de emissão da BM&F S/A (quando do recebimento destas em decorrência do processo de desmutualização da BM&F, ocorrida em 01/10/2007) antes do termo do exercício social subsequente, razão pela qual tais ações deveriam ter sido, quando recebidas, escrituradas no Ativo Circulante (conforme o inciso I do artigo 179 da Lei n° 6.404/76 Lei das S.A.) e que, portanto, as receitas auferidas com a venda destas ações nos IPO da BM&F S/A, enquanto receita operacional, deveriam ter sido consideradas como base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. A autoridade fiscal traz um resumo do lançamento dos créditos como segue: 6.1 Ações "transferidas" aos sócios (10%) Valor total da venda de 986.963 ações : R$ 19.145.852,10 Custo de aquisição * : R$ 986.963,00 GANHO : R$ 18.158.889,10 *Valor unitário das ações da BM&F recebidas no processo de "desmutualização" R$ 1,00 6.1 Ações contabilizadas pela companhia (35%) O Banco Intercap S.A., em seu Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais do PIS e da Cofins de novembro de 2007 informou a Secretaria da Receita Federal o seu "faturamento" total. Todavia, para apuração das bases de cálculo das referidas contribuições realizou a exclusão dos ganhos nas vendas das ações da BM&F S.A., no valor de R$ 53.983.836,12, que, pelos motivos expostos, deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Ao final, a autoridade fiscal firma que, na qualidade de sociedade cindida, a Distribuidora Intercap de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, CNPJ n° 02.927.433/000112, responde solidariamente pelos créditos tributários ora constituídos por meio os respectivos autos de infração. Da Impugnação A contribuinte recorre alegando, em síntese, que dois são os obstáculos legais que afastam os resultados das vendas das ações em tela da tributação pela Contribuição para o PIS e da Cofins: primeiro, a não incidência por não se caracterizarem como faturamento, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.719/98 e, segundo, a exclusão as base de cálculo das contribuições por força da disposição inserta no inciso IV do § 2° do art. 3º da mesma Lei. Inicialmente, a impugnante intenta afastar da incidência das contribuições o resultado das vendas das ações da BM&F alegando que tal resultado, por não consistir de receita de venda de mercadorias ou de prestação de serviços, mas receita financeira, não integraria o seu faturamento, na acepção posta na legislação brasileira e firmada na jurisprudência do Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.554 5 Supremo Tribunal Federal, especialmente após a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. No mais, defende que, ante a natureza das operações societárias envolvidas na “desmutualização” (cisão seguida de incorporação), defende que corretamente classificou os ativos “atrelados à BM&F” no ativo permanente. Nesse sentido: Insurgese contra o posicionamento do Fisco defendendo a legitimidade da operação de cisão da Associação BM&F com a versão/incorporação do seu patrimônio para a/pela BM&F S/A e a substituição proporcional dos títulos patrimoniais detidos por seus, então associados e posteriormente acionistas, por ações representativas de seu capital social; Aduz que não houve no processo de desmutualização ora analisado, como não há em nenhuma operação de cisão, a devolução de patrimônio aos donos dos títulos patrimoniais da Associação, como entendeu a autoridade fiscal; e afirma que o que ocorreu foi a simples substituição dos títulos patrimoniais por ações em decorrência da transferência direta, e sem qualquer intermediação, do patrimônio da Associação para a BM&F S/A, tal como ocorre em toda e qualquer cisão; as ações recebidas deviam, portanto, ser contabilizadas exatamente sob a mesma rubrica contábil dos títulos patrimoniais substituídos, isto é, no ativo permanente. Corroborando tais alegações traz decisão do CARF (acórdão 3403001.757). Conclui que o resultado obtido com a venda das ações, enquanto decorrente da venda de bem do ativo permanente, deve ser excluído da base de cálculo das contribuições por força do inciso IV do § 2° do art. 3º da Lei n° 9.718/98. Na sequência, com fundamento no art 150, §4º do CTN, considerando que antecipou parte dos valores que estão sendo cobrados (conforme Doc. 05), a impugnante suscita a decadência do direito da Fazenda constituir os créditos decorrentes de fatos geradores ocorridos em 30/11/2007 alegando que entre esta data e data da notificação do lançamento, ocorrida em 30/11/2012, transcorreu 5 anos e um dia, portanto, tempo maior que o prazo previsto no referido artigo. A impugnante alega ilegitimidade passiva em relação ao lançamento na parte em que se refere ao resultado da venda das ações de seus acionistas pessoas físicas. Defende que as 986.963 ações não foram vendidas anteriormente aos 60 dias do artigo 174 da Lei das S/A, como alega a fiscalização, isso, considerando que a venda, ocorrida através do processo de IPO, ocorreu em 30/11/2007 e a Ata da Assembleia Geral Extraordinária, em que se deliberou e aprovou a redução de capital, ter sido publicada em 20/09/2007. Insiste que os prazos legalmente previstos foram cumpridos, ou seja: (i) a sujeição do ato de redução do capital social à aprovação do Banco Central do Brasil imediatamente em seguida à sua deliberação e aprovação, em atendimento à exigência do artigo 10, X, "f", da Lei nº 4.595/64, bem como (ii) a apresentação para arquivamento dos respectivos documentos societários perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo dentro do prazo de 30 dias contado da aprovação pelo Banco Central do Brasil, conforme artigos 35 e 36 da Lei nº 8.934/94 (Doc. 07). Segue argumentando que Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.555 6 64. Assim tendo sido, fazse irrecusável, mediante uma interpretação lógicosistemática dos dispositivos legais acima indicados, a retroação dos efeitos da redução do capital do dia 3 de junho de 2008, em que foram registrados os respectivos atos societários pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, para o dia 20 de novembro de 2007, data em se findaram, em se tratando de uma redução de capital, os 60 dias estabelecidos pelo artigo 174 da Lei das SA's. 65. Sabese que a regra geral acerca da retroação dos efeitos de atos societários exige a apresentação para arquivamento dos correspondentes documentos dentro de 30 dias contados de sua assinatura, conforme artigo 36 da Lei nº 8.934/94: "Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder." 66. Todavia, nos casos específicos em que, como o do Requerente, a apresentação para arquivamento somente é legalmente admitida após os 60 dias do artigo 174 da Lei das SA's, por se tratar de uma redução de capital, e após, ex vi do artigo 35, VIII, da Lei n9 8.934/94, aprovação governamental, nada mais juridicamente coerente do que contar os 30 dias do artigo 35 acima a partir de tal aprovação, e não da assinatura do ato. Alega que o lançamento da multa de ofício, no percentual em que formalizada, por ser confiscatória, deve ser anulado pela DRJ, ou então reduzida a um patamar “razoável e proporcional, que não deve, no entendimento do Requerente, superar os 20% (vinte por cento) previstos para as multas de natureza moratória”. Alega também ser ilegítima a cobrança de juros de mora sobre as multas de ofício imposta, com fundamento no artigo 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Aduz que o art. 161 do CTN não admite a incidência de juros sobre multa, somente permite a incidência de juros de mora e de multa sobre o valor do tributo não integralmente pago. Pugna pelo cancelamentos dos autos de infração e, alternativamente: pela exclusão do lançamento da parte que se refere ao resultado da venda das 986.963 ações de seus acionistas pessoas físicas; pela anulação das multa de ofício ou sua redução e afastamento da incidência dos juros sobre a multa de ofício. É o relatório. A decisão de fls. 1479 e seguintes, proferida pela DRJ de Florianópolis, foi assim ementada: DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. Para fins de contagem do prazo previsto no §4º do art 150 do CTN, considerase ano o período de doze meses contado do dia do início da contagem ao dia e mês correspondentes do ano seguinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.556 7 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. Ações da BM&F S/A, recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), quando negociadas dentro do mesmo ano de seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante, inexistindo hipótese de exclusão dos ganhos auferidos por seus detentores da base de cálculo da Cofins. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita financeira proveniente da venda de ações auferida por instituição financeira, cuja atividade empresarial inclui negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, integra a base de cálculo da Cofins, enquanto receita operacional da instituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. Ações da BM&F S/A, recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), quando negociadas dentro do mesmo ano de seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante, inexistindo hipótese de exclusão dos ganhos auferidos por seus detentores da base de cálculo da Contribuição para o PIS. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita financeira proveniente da venda de ações auferida por instituição financeira, cuja atividade empresarial inclui negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, enquanto receita operacional da instituição. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.557 8 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Decadência Com fundamento no art 150, §4º do CTN, considerando que antecipou parte dos valores que estão sendo cobrados, o Recorrente suscita a decadência do direito da Fazenda constituir os créditos decorrentes de fatos geradores ocorridos em 30/11/2007 alegando que entre esta data e a data da notificação do lançamento, ocorrida em 30/11/2012, transcorreu 5 anos e um dia, portanto, tempo maior que o prazo previsto no referido artigo. Neste ponto concordo com a decisão recorrida, verbis: Notese que, nos termos do §4º do art 150 do CTN, a contagem do prazo é fixada em anos e não em dias: se o próprio legislador adotou o critério ano, concluise que a contagem não pode ser feita dia a dia ou mês a mês. Neste caso, há que se considerar o ano civil, nos termos fixados pela Lei nº 810, de 06 de setembro de 1949, vigente até hoje, que estabelece: “Art. 1º Considerase ano o período de doze meses contado do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte”. Observese que tal forma de considerar os prazos expressos em anos foi a adotada pelo Código Civil: “Art. 132. [...] § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência”. Desmutualização A respeito do tema da desmutualização já me manifestei no acórdão 3202000.713, sendo que meu entendimento restou vencido nesta 2a Turma, senão vejamos: Em primeiro lugar, gostaria de saudar o ilustre relator, Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, pelo seu voto bastante abrangente e profundo a respeito do tema da desmutualização da Bovespa e da BM&F. Entretanto, ouso discordar do relator em suas premissas relativas à operação de desmutualização das bolsas, o que ensejará na impossibilidade de tributação das operações em questão pelo PIS e COFINS. A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.558 9 patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." José Eduardo Tavares Borba é categórico ao afirmar que: "Não se verifica, na transformação, a extinção da sociedade para a criação de outra, porquanto a sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente, apenas com uma roupagem jurídica diversa. Não ocorre, por conseguinte, o fenômeno da sucessão, pois que ninguém pode ser sucessor de si próprio; a sociedade permanece com todos os créditos e débitos anteriores exatamente porque eram e continuam sendo de sua responsabilidade. Os bens que constituem o patrimônio social não serão objeto de transmissão, uma vez que não mudaram de titular, cumprindo promover, nos registros de propriedade, uma mera averbação do novo nome da sociedade. Os preceitos da lei das sociedades anônimas sobre transformação (arts. 220 e 222) aplicavamse a todas as espécies de societárias, não apenas à S.A. Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.559 10 "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tãosomente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. ... Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civil anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. N. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.560 11 c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. 1 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada... Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.561 12 O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais operações encontram, ademais, guarida nos dispositivos do Código Civil mencionados anteriormente. Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. 2 Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.562 13 A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.563 14 ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.564 15 tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. Além disso, transcrevo a ementa do acórdão 3302001.850, de relatoria da Conselheira Fabiola Keramidas, que muito bem sintetiza o tema: DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências das contribuições do PIS e COFINS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. Apesar de entender que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, por conta das razões acima apresentadas, destaco, para aqueles que discordam do meu raciocínio, o entendimento do Conselheiro Walber José da Silva no mesmo acórdão 3302001.850, no sentido de que a compra e venda de títulos e valores mobiliários não é receita da atividade de banco comercial e, portanto, não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, verbis: No presente recurso voluntário votei no sentido de desconstituir o lançamento porque a empresa Recorrente é um banco comercial e não é atividade própria dos bancos comerciais a compra em nome próprio, para posterior revenda, de títulos e valores mobiliários, a exemplo de ações. Eventual operação desta natureza, como a que aconteceu no presente caso, a Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.565 16 receita auferida com a venda das ações não é receita da atividade própria do banco recorrente. Não sendo receita da atividade do contribuinte, não integrava a base de cálculo do PIS e da Cofins antes da alteração promovida pela Lei nº 9.718/98, que restou declarada inconstitucional pelo STF. Mais ainda, a referida receita não decorre da prestação de serviços ou da revenda de mercadorias, como sustentam alguns. No caso dos autos, o banco comercial recorrente adquiriu ações em nome próprio (com ou sem compromisso de revender), que passou a integrar o seu patrimônio, e as contabilizou (no ativo circulante ou no ativo imobilizado, conforme o caso) como tal. Posteriormente vendeu essas ações (a totalidade ou parte, não faz diferença), auferindo uma receita de mesma natureza (receita de alienação de patrimônio), que não é tributada pelo PIS e pela Cofins no regime cumulativo. Estão são as razões, em apertada síntese, que me levam a concluir pela improcedência do lançamento e, portanto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntario interposto pelo Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. Do objeto da controvérsia Com todo respeito ao ilustre Conselheiro Relator Gilberto de Castro Moreira Junior, divirjo de seu entendimento quanto aos efeitos jurídicotributários do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A), conforme já ficou assentado em outros julgados desta Turma (Acórdãos nº 320200.707, 3202000.713, 3202000.706 e 3202000.711, todos julgados na sessão de 23/04/2013). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante” e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. Três questões precisam ser analisadas para definirmos quais os efeitos jurídicotributários decorrem da desmutualização das bolsas: 1ª Se a formatação adotada nessas operações societárias encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.566 17 2º Se os títulos patrimoniais tem a mesma natureza jurídica das ações recebidas pelas corretoras no processo de desmutualização e, por conseguinte em qual grupo contábil as ações deveriam ser classificadas: Ativo Circulante ou Ativo Permanente? 3ª. E por fim, se a receita de vendas das ações recebidas pelas corretoras está sujeita a incidência do PIS e da Cofins ? Antes de posicionarmonos quanto aos efeitos jurídicos da “desmutualização” da Bovespa e da BM&F mostrase necessário compreender no que exatamente consistiu esse conjunto de operações societárias que culminou com a unificação da Bovespa com a BM&F para, ao final, restarem fundidas na BM&F Bovespa S/A. Da operação denominada “desmutualização” das bolsas Para uma melhor elucidação dos fatos ocorridos transcrevemos trechos do detalhado relato histórico constante do artigo “A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para PIS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013), muito embora já adiantamos não concordar com as conclusões nele trazidas quanto ao efeito jurídicotributário da operação: A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei n. 9.532/97. Assim, entendidos os requisitos dessa Lei, as associações eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução n. 1.655/1989). No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Em relação à BM&F, tal associação sofreu cisão parcial pela qual foi criada a sociedade anônima BM&F, em operação formalizada por meio do “Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadoria & Futuros BM&F, datado de 17 de setembro de 2007, e da “Ata de Assembleia Geral Extraordinária da BM&F S.A.”, de 20 de setembro de 2007, que aprovou a incorporação da parcela cindida do patrimônio da BM&F. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.567 18 Nos termos do Protocolo, a BM&F S.A. sucedeu a BM&F em todos os direitos e obrigações, bem como recebeu parcela de seu patrimônio. Por sua vez, a BM&F passou a exercer atividades de natureza assistencial, educacional e desportiva e ficou com um patrimônio residual. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A., atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, com base no balanço patrimonial da BM&F apurado no balancete de 31 de agosto de 2007. É importante salientar que, nos termos do item 7.1 do aludido Protocolo, a operação em discussão não deu direito de retirada aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F. A BOVESPA, por sua vez, teve sua cisão aprovada por Assembleias Gerais Extraordinárias (“AGE”) realizadas em 28 de agosto de 2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à BOVESPA HOLDING S.A. Por essa operação os direitos e obrigações da BOVESPA foram transmitidos para a Bovespa Serviços e para a BOVESPA HOLDING S.A., restando a BOVESPA (associação) com capital social residual. Na ata de AGE da BOVESPA HOLDING S.A., datada de 28 de agosto de 2007, foi aprovada a incorporação da parcela cindida da BOVESPA, nos termos do “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial da Bolsa de Valores de São Paulo com Incorporação das Parcelas Cindidas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”), Bovespa Serviços e Participações S.A e Bovespa Holdinda S.A.”, celebrado em 17 de agosto de 2007. Em outra ata de AGE, da mesma empresa e com mesma data, foi aprovada a incorporação da totalidade de ações da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (atual denominação da Bovespa Serviços e Participações S.A.) e da CLBC. Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”). Em 14 de dezembro de 2007, foi constituída uma sociedade sob a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., com o objetivo social de participar em outras sociedades, como sócia ou acionista, no país ou no exterior (holding). Em 08 de abril de 2008, os acionistas dessa companhia aprovaram a alteração da sua denominação social, que passou a ser “Nova Bolsa S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008 entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A. resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: i) incorporação da BM&F S.A pela Nova Bolsa S.A., mediante versão à companhia do patrimônio líquido da BM&F; e Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.568 19 ii) emissão de novas ações ordinárias, observando a proporção de 1 (uma) ação ordinária da Nova Bolsa S.A., para cada ação ordinária da BM&F S.A. O restante foi alocado como reserva de capital, de reavaliação, de lucros e estatutárias; Os acionistas da BM&F S.A, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa S.A., deliberam sobre a incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. da seguinte forma: iii) incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. pela Nova Bolsa S.A., a valor de mercado, sendo parte destinada ao capital social e o restante à formação de reserva de capital; e iv) emissão de novas ações ordinárias, na proporção de 1,42485643 ação ordinária da Nova Bolsa S.A para cada ação ordinária da BOVESPA HOLDING S.A., correspondendo a 50% das ações ordinárias da Nova Bolsa S.A. (permanecendo os outros 50% sob titularidade da BM&F S.A.) e novas ações preferenciais que foram entregues aos acionistas da BOVESPA HOLDING S.A.. As ações preferenciais foram resgatadas contra reserva de capital sem redução social da Companhia. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. (negritamos) Muito bem. Elucidadas as operações societárias ocorridas, passemos a análise e compreensão de seus efeitos à luz do nosso ordenamento jurídico. De antemão ressaltamos o nosso entendimento de que com a operação de desmutualização não houve uma “mera sucessão” da associação sem fins lucrativos pelas sociedades anônimas de capital aberto, por expressa vedação legal. Não há como aceitar a tese de que houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se trata de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a Recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.) Vejamos o dispositivo legal prescrito pelo artigo 61 do Código Civil que trata da dissolução das Associações para fins não econômicos: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.569 20 O artigo supramencionado prescreve que em caso de dissolução da associação o seu patrimônio remanescente será destinado à outra “entidade de fins não econômicos designada no estatuto”, ou, em caso de omissão estatutária, por deliberação dos associados o patrimônio deverá ser destinado à instituição municipal, estadual ou federal. O §1º possibilita, ainda, que por cláusula estatutária, ou no seu silêncio, por deliberação dos associados, antes da destinação do patrimônio como previsto no caput, seja restituída a parcela das contribuições que os associados tiverem prestado ao patrimônio da associação. Assim sendo, dissolvida a associação o destino do seu patrimônio deve ser aquele previsto no Código Civil, conforme dispositivo supratranscrito, não se podendo admitir destinação diversa. Não há, portanto, como reverter o patrimônio de uma Associação sem fins lucrativos a uma sociedade por ações. A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil. De outro lado, o artigo 1.113 não socorre a Recorrente, uma vez que se refere especificamente ao ato de transformação das sociedades (dentro do Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade: artigos 981/1.141), não se aplicando às Associações sem fins lucrativos (tratadas nos artigos 53 a 61), verbis: Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. (grifamos) Reforça este entendimento a distinção feita no artigo 44 do mesmo Código, ao relacionar (e, portanto, distinguir) as pessoas jurídicas de direito privado, verbis: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada Quanto ao artigo 2.033 do Código Civil prestase apenas a reforçar o comando de que as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas de direito privado (inclusive as associações e sociedades), bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, serão regidas pelo Código, cada uma delas por normas específicas. Como já asseverado, a dissolução de Associação sem fins lucrativos é regida pelos dispositivos legais contidos no artigo 61. Portanto, as operações societárias conduzidas com base em convenções particulares não encontram respaldo, a meu ver, nem mesmo em normas do direito civil. E mais. Não há como acatar o argumento de que se a CVM – Comissão de Valores Mobiliários aceitou tais operações societárias, também devemos convalidálas na esfera tributária. Os efeitos jurídicotributários dessas operações não se inserem na esfera de competência da CVM. Não há como negar que a alegada “transformação” pretendida – de Associação sem fins lucrativos para sociedade anônima – implica em modificação da Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.570 21 natureza jurídica dos direitos possuídos: não são equivalentes os títulos patrimoniais das associações e as ações da pessoa jurídica resultantes. Houve substancial alteração no direito em questão, uma vez que a Recorrente não era, anteriormente, detentora de ações das novas sociedades (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A) Com isso, resta evidenciado que houve, sob a ótica de nosso ordenamento jurídico, devolução à Recorrente dos valores que correspondiam aos títulos patrimoniais que detinha, embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A). Este fato é evidente, muito embora todas as operações societárias tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Desde modo, não procede a argumentação de que a escrituração das ações recebidas deveria, necessariamente, continuar sendo feita no Ativo Permanente, assim como eram escriturados os títulos patrimoniais (as associações sem fins lucrativos). Esse entendimento restou assentado em diversos julgados proferidos pelo TRF da 3ª Região, embora todos tratando da incidência do IRPJ e da CSLL. Transcrevese a emenda constante da Apelação Cívil nº 000870605.2008.4.03.6100/SP: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.571 22 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram ab rogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembleia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. No mesmo sentido, os seguintes julgados do TRF3ª Região: Apelação Cívil Nº 000812150.2008.4.03.6100/SP; Apelação Cívil Nº 000238466.2008.4.03.6100/SP e Apelação Cívil Nº 000852215.2009.4.03.6100/SP. Da natureza da escrituração das ações recebidas em decorrência da desmutualização Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Se os títulos patrimoniais eram necessários para que as corretoras pudessem exercer sua atividade de operar nas bolsas, correta está sua caracterização como Ativo Permanente em função do princípio da continuidade. Entretanto, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários, possuindo características distintas dos títulos patrimoniais, não sendo necessário deter a posse dessas ações para que a empresa opere em bolsa. Essas ações representam papéis negociáveis, e justamente por isso puderam ser vendidas pela Recorrente. Neste sentido, vejamos o que dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que trata da matéria: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.572 23 II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Assim, tais ações recebidas deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, uma vez que se referiam a direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como passamos a demonstrar. Como relatado pela autoridade fiscal: Em 12/10/2007 – com a desmutualização da Associação Bolsa de Mercadorias & Futuros, em substituição aos seus títulos patrimoniais, a contribuinte recebeu 9.869.625 ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros S.A. Em relação à venda desses 35% de ações recebidas, ocorridas em 16 e 30/11/2007, a autoridade fiscal informa que, intimada, a contribuinte informou à fiscalização ter obtido um resultado de R$ 53.983.836,89. Além da venda das ações acima, a contribuinte informou que: Em 31/10/2007, a BM&F e os Bancos coordenadores do processo IPO solicitaram um adicional de oferta pública de 10% das ações da BM&F, perfazendo um total de 45% das ações a serem vendidas. A oferta pública adicional foi contemplada com parte das ações de propriedade dos acionistas do Banco, mediante contrato de adesão (documento em anexo). Em relação a este percentual de 10% ações, a autoridade fiscal coloca que, embora o contribuinte informe que a oferta pública adicional tenha sido contemplada com “parte das ações de propriedade dos acionistas do Banco”, o fato é que a “propriedade” das referidas ações só poderia ser considerada dos acionistas do Banco após aprovação da redução de capital por parte do Banco Central do Brasil, que, por disposição da Lei, é o órgão que pode autorizar tal ato, o que se deu após a venda das ações pelo Banco Intercap S/A. Menciona que além da não aprovação do ato de redução de capital antes da data da venda das ações, a própria ata da AGE esclarece que: redução de capital social e a conseqüente alteração do "caput" do artigo 5° do estatuto Social da Companhia, ora deliberadas, somente se tornarão efetivas após o prazo de 60 (sessenta) dias para oposição de credores, contados da publicação da presente ata, nos termos do artigo 174 da lei n° 6.404/76. Informa que a fiscalizada ofereceu, em nome da Distribuidora Intercap, o total de 3.454.444 ações para venda (conforme Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundáriade Ações Ordinárias de Emissão da BM&F S.A.), mas que na apuração do resultado da venda das ações da BM&F S/A e em seus registros contábeis a contribuinte considerou somente Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.573 24 o ganho na venda de 2.467.481 ações no processo de IPO, ou seja, não incluiu o ganho na venda de 986.963 ações ofertadas e vendidas. Também consta do relatório da auditoria efetuada, os fatos que fundamentam a conclusão do Fisco de que a contribuinte tinha a intenção clara de vender parte das ações de emissão da BM&F S/A (quando do recebimento destas em decorrência do processo de desmutualização da BM&F, ocorrida em 01/10/2007) antes do termo do exercício social subsequente, razão pela qual tais ações deveriam ter sido, quando recebidas, escrituradas no Ativo Circulante (conforme o inciso I do artigo 179 da Lei n° 6.404/76 Lei das S.A.) e que, portanto, as receitas auferidas com a venda destas ações nos IPO da BM&F S/A, enquanto receita operacional, deveriam ter sido consideradas como base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. A BM&F S.A foi criada em setembro de 2007 e parte das ações recebidas foi alienada em novembro 2007, portanto, em até três meses após o recebimento. Não há, deste modo, como acatar a tese da Recorrente de que as ações recebidas deveriam ser classificadas no Ativo Permanente. A meu sentir, não há dúvidas que havia a intenção de negociar parte das ações recebidas no curso do ano subsequente, na verdade no curso do próprio ano de 2007, desde a data da criação da BM&F S.A, em setembro de 2007. Aliás, esse foi o intuito dessa genial operação, sob o aspecto financeiro, ao “substituir” títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos em ações negociáveis por valores substancialmente superiores. Toda a moldagem das operações societárias que culminaram com a chamada desmutualização visava à obtenção de lucro com a receita da venda de parcela das ações recebidas. E não há nada de errado nisso, ao contrário é salutar, desde que se recolham os tributos devidos decorrentes da obtenção das receitas auferidas. Ademais, são fatos notórios (artigo 334, inciso I, CPC), amplamente divulgados ao público em geral, a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007 e a Oferta Pública Inicial das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa”(site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml, consulta efetuada em 20/04/2013), em trechos abaixo transcritos: Com o IPO, a Bolsa é a notícia. Seguindo à risca um cronograma rígido, a Bolsa de Valores de São Paulo transformouse em sociedade anônima em 28 de agosto de 2007, com o nome de Bovespa Holding S.A., tornouse uma empresa de capital aberto em 23 de outubro, incluída no Novo Mercado da própria Bolsa e três dias depois seus papéis – todos eles ordinários e nominativos – começaram a ser negociados. Foi uma estreia e tanto: mais de 50% de valorização no primeiro pregão, reflexo do interesse de investidores locais e internacionais. Mais do que a maior emissão do ano e recorde histórico no País, no montante de R$ 6,625 bilhões, a oferta pública inicial – também chamada de IPO (Initial Public Offering) – pode desde já ser batizada de a mais importante mudança nos 117 anos de história da instituição. (...) Assim, um ano e meio depois de começar efetivamente a desenvolver o projeto, dois meses após o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e encerrado um frenético roadshow de 16 dias pelo mundo, a Bovespa concluiu o processo de abertura de seu capital. A Bovespa Holding estreou no pregão exibindo Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.574 25 conquistas que fazem justiça a todos os obstáculos dessa caminhada, permeada de minuciosos estudos, intensas negociações e acurada vigilância dos cenários macro, locais e globais. O IPO da Bolsa – como foi apelidado pela imprensa – não poderia ter sido mais bemsucedido. Foram colocadas no mercado 288 milhões de ações a um preço de emissão de R$ 23,00, o que propiciou uma captação de R$ 6,625 bilhões (cerca de US$ 3,7 bilhões), a maior da história no Brasil e a quinta do mundo, em 2007 (no topo do ranking global do ano, está a Petrochina, que levantou US$ 8,5 bilhões e estreou no começo de novembro em Xangai). A operação da Bovespa Holding representou mais que o dobro da captação da Ali Baba, empresa de internet chinesa, que ocorreu no mesmo período – equipes de ambas, por sinal, cruzaramse em Nova York, por conta dos roadshows simultâneos. Mas teve para a Bovespa ingredientes ainda mais saborosos: colocou 40,8% do capital no mercado, despertou o interesse de quase 70.000 investidores pessoas físicas (objeto de atenção especial), que ficaram com 10% do total ofertado, ao lado dos investidores institucionais brasileiros (20%) e estrangeiros (70%, porcentual em linha com os IPOs precedentes); a Bolsa de Nova York, por exemplo, levou 1%. Mais ainda, desconcentrou o capital: o maior acionista ficou com apenas 4,3% do capital da Bovespa. No dia da estreia em pregão, a ação da Bovespa Holding fechou cotada a R$ 34,99, uma alta de 52,13%. Foi “um dia de glória, sucesso e realização”, resumiu Magliano Filho, presidente da Bovespa conduzido à presidência do Conselho de Administração da nova empresa. O IPO representou um momento culminante da estratégia de ampliação da base acionária – combinada com a popularização do mercado que democratiza o capital – iniciada no começo da década, quando Magliano assumiu o comando da entidade. (...) Já em meados deste ano, depois de dezenas de estudos, projeções, reuniões e conversações, ficou pronta a proposta. No dia 28 de agosto passado, realizouse a assembleia que aprovou por unanimidade a desmutualização e a consequente abertura de capital, incluídas todas as condições para a oferta pública e seu respectivo prospecto. Foram 3 horas e meia de uma reunião fatiada, na verdade, em sete assembleias, dada a agenda específica a ser cumprida. No dia seguinte, 29, a Bolsa apresentava à CVM o pedido de registro de companhia aberta para a Bovespa Holding acompanhado da solicitação da oferta pública (IPO). (...) No mesmo sentido, os prospectos e documentos da oferta da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. (Anúncio de encerramento, prospecto definitivo, comunicado ao mercado, aviso ao mercado) que estão disponíveis para consulta pública no site da própria BM&F Bovespa S.A. (www.bmfbovespa.com.br/ptbr/mercados/acoes/ofertas publicas/bovespaholdingsa9112007). Abaixo transcrevemos a informação constante do citado site sobre o resultado das ofertas: Resultado da Oferta (Bovespa Holding S.A.): O processo de bookbuilding da oferta de ações da Bovespa Holding S.A., realizado em 24/10/2007, fixou o preço em R$ 23,00 por ação. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados prioritários foram atendidos integralmente até o valor de R$ 12.098,00 que correspondem a 526 ações. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados não prioritários não foram atendidos. As “Pessoas Vinculadas” foram excluídas da oferta de acordo com o Comunicado ao Mercado publicado no dia 23/10/2007. A liquidação ocorrerá no dia 30/10/2007. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.575 26 Resultado da Oferta (BM&F): O processo de bookbuilding da oferta de ações da Bolsa Mercadorias & Futuros S.A., realizado em 28/11/2007, fixou o preço em R$ 20,00 por ação. Os pedidos de reserva dos empregados que não são pessoas vinculadas foram atendidos integralmente até o valor de R$5.000,00, que corresponde a 250 ações. Sobre o restante foi aplicado um rateio de 40,347 %. A parcela do pedido de reserva não atendida na oferta prioritária aos empregados que possuíam prioridade de alocação (ou seja, empregados cujos pedidos de reserva foram classificados como COM PRIORIDADE DE ALOCAÇÃO) foi considerada na oferta de varejo. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados como COM PRIORIDADE DE ALOCAÇÃO foram atendidos integralmente até o valor de R$ 1.820,00, que corresponde a 91 ações. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados como SEM PRIORIDADE DE ALOCAÇÂO não foram atendidos. As “Pessoas Vinculadas”, inclusive os empregados de corretoras que sejam pessoas vinculadas, foram excluídas da oferta de acordo com o Comunicado ao Mercado publicado no dia 27/11/2007. A liquidação ocorrerá no dia 4/12/2007. Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que a Recorrente obteve, com a desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Reforça, ainda, este entendimento o Parecer Normativo CST nº 108/78, editado para dirimir dúvidas quanto à classificação de determinadas contas (embora tratando especificamente sobre os efeitos da correção monetária do balanço, à época exigida), verbis: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior." (grifamos) No mesmo sentido a doutrina abaixo transcrita que aborda os requisitos necessários à classificação das participações permanentes em outras sociedades no Ativo: Essas participações são os tradicionais investimentos em outras empresas, na forma de ações ou de quotas. Devem ter a característica de permanente, ou seja, incluem se aqui somente investimentos em outras sociedades que tenham a característica de Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.576 27 aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos." (IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 6ª ed., São Paulo: Editora Atlas, 2006, pag. 147/148.) Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 a Recorrente deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Dos efeitos jurídicotributários da operação de “desmutualização” das bolsas Como relatado, as operações societárias foram conduzidas de modo a resultar na criação, cisão, incorporação e extinção de empresas, de acordo suas conveniências negociais. Entretanto, as convenções e os contratos particulares não têm o condão de vincular os efeitos tributários decorrentes dessas operações, em homenagem ao princípio da legalidade. Muito embora as operações societárias que resultaram na desmutualização das Bolsas tenham sido engendradas pelos partícipes das referidas entidades com a finalidade de maximizar a obtenção de lucro decorrente das receitas auferidas com as vendas das ações recebidas, como já argumentado, foram feitas em descompasso com prescrito no Código Civil, mais especificamente o artigo 61, não podendo, portanto, produzir os efeitos jurídico tributários almejados, qual seja a não incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins. Ressaltese que não se está aqui pretendendo desconsiderar os negócios jurídicos, apenas se está aplicando os efeitos jurídicotributários previstos na legislação de regência. A autoridade fiscal fez o enquadramento legal das receitas auferidas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (efolhas 157 e 162), que têm a seguinte redação: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.577 28 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) As ações recebidas pela Recorrente devem ser classificadas no Ativo Circulante, como já demonstrado linhas atrás, deste modo, as receitas obtidas com a alienação destas ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência do PIS e da Cofins, como passamos a demonstrar. Em nosso ordenamento jurídico encontramos os termos “faturamento” e “receita bruta” bem delineados nos seguintes dispositivos legais: DecretoLei nº 1.598/77: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados Lei Complementar nº 70/91: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei nº 9.715/98: Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Também restou assentado no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF pelo STF que o faturamento referese a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (trecho do voto do Ministro Moreira Alves). Pois bem. As ações, no caso dos bancos, são os bens/mercadorias objeto das operações de compra e venda, portanto, a receita de venda destes bens/mercadorias enquadra se perfeitamente nas definições dos dispositivos supramencionados, devendo ser considerada como receita bruta/faturamento dessas empresas. Deste modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A de sua titularidade, decorrentes de atividade típica da Recorrente, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Os mencionados §§ 5º e 6º dispõem que as exclusões seriam as mesmas do PIS, previstas na Lei nº 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Da multa de ofício aplicada Alega a Recorrente que multa de ofício aplicada no percentual de 75% seria confiscatória, devendo ser anulada, ou então reduzida a um patamar “razoável e proporcional”, que não deve, no entendimento, superar os 20% (vinte por cento) previstos para as multas de natureza moratória. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.578 29 Não pode prosperar a alegação trazida pela Recorrente, uma vez que a Administração Pública está sujeita à observância estrita do princípio constitucional da legalidade, previsto no art. 37, caput, de nossa Carta Magna, cabendo a ela, simplesmente, aplicar as leis, de ofício, não se lhe cabendo inovar ou suprimir as normas vigentes, o que significa, em última análise, introduzir discricionariedade onde não lhe é permitida. Ademais, quanto à alegada natureza confiscatória da multa aplicada é cediço que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessa matéria. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Da cobrança de juros sobre a multa de ofício A Recorrente questiona, ainda, a cobrança dos juros Selic exigidos sobre a multa de ofício, por entender que não há previsão legal para a sua incidência. Discordo deste entendimento. A meu ver, há previsão legal para a cobrança. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Assim, alegam que deve ser feita uma interpretação literal do texto normativo. Discordamos deste entendimento, até porque a interpretação literal, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. A melhor leitura que se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.579 30 E mais, uma interpretação exclusivamente literal não é a mais adequada como leciona Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 201): “O critério sistemático da interpretação envolve os três planos (sintático, semântico e pragmático) e é, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o último (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante supõe os anteriores. É assim, considerado o método por excelência”. Se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É preciso ser dito, que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Temse, assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam a multa de ofício. Em outro giro, se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, também chegaremos à conclusão que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa por sua mora. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, composto do tributo e devidos acréscimos legais (juros de mora + multa de ofício), nos termos do que prescreve o artigo 113/CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que apenas o valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Neste sentido, convém transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça que já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.580 31 TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009) No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles citamos os seguintes: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva) Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43 e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluise, assim, que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre o crédito tributário, incluindose nesta rubrica, como argumentado, a multa de oficio. O § 1º do artigo 161 prescreve que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso. E a lei dispôs de forma diversa. O artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, determina que sobre os débitos incida juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º (juros equivalentes à Taxa Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.721516/201291 Acórdão n.º 3202001.178 S3C2T2 Fl. 1.581 32 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Deste modo, para as instituições financeiras a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas auferidas com a venda das referidas ações de terceiros (BM&F S.A.), receitas estas decorrentes de atividade típica de empresa. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723749/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SAT/RAT/GILRAT
A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998.
A partir de 06/2007, passa a vigorar a tabela do CNAE FISCAL e o correto enquadramento é o 8411-6/00 Administração Pública em Geral.
A mudança implementada pelo Decreto n° 6.042/2007, alterou o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho de 1% para 2%, a partir de 06/2007.
SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.193
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para considerar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílio-educação em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto ao percentual de SAT/GILRAT, que a partir de 06/2007 passou a ser de 2% para o CNAE FISCAL 8411-6/00 - Administração Pública em Geral.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT/GILRAT/ADICIONAL Recorrente COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SAT/RAT/GILRAT A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998. A partir de 06/2007, passa a vigorar a tabela do CNAE FISCAL e o correto enquadramento é o 84116/00 — Administração Pública em Geral. A mudança implementada pelo Decreto n° 6.042/2007, alterou o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho de 1% para 2%, a partir de 06/2007. SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para considerar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílioeducação em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Por unanimidade de votos, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 49 /2 01 2- 38 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto ao percentual de SAT/GILRAT, que a partir de 06/2007 passou a ser de 2% para o CNAE FISCAL 84116/00 Administração Pública em Geral. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.723749/201238 Acórdão n.º 2302003.193 S2C3T2 Fl. 256 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal foi lavrado em 21/05/20012, cientificado ao sujeito passivo em 25/05/2012, e referese aos seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal: AIOP DEBCAD 51.017.0196, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de bolsa de estudo, período de 01/2009 a 12/2009; AIOP DEBCAD 51.017.0200, relativo às contribuições patronais e para o financiamento dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de bolsa de estudo, período de 01/2009 a 12/2009; AIOP DEBCAD 51.017.02118, relativo a 1% da alíquota de GILRAT, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados, período de 01/2009 a 12/2009. O Relatório Fiscal de fls. 23/33, diz que a autuada efetuou pagamentos aos segurados empregados a título de “bolsa de estudo”, para financiar cursos de graduação e pós graduação, com respaldo em Acordos Coletivo de Trabalho. Às fls. 25/28 do Relatório, consta planilha discriminando o nome do beneficiário, o valor e a competência do pagamento. Aduz o relatório que a autuada auto enquadrouse no CNAE 84.11600, Administração Pública em Geral, que a partir de 06/2007, deve contribuir com uma alíquota de 2%, o que não foi acatado pelo contribuinte, que permaneceu recolhendo 1%. Após a impugnação, Acórdão de fls. 200/208, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que fez o enquadramento no SAT de acordo com sua atividade preponderante; b) que refez seu auto enquadramento no CNAE 84124/0, com alíquota de 1% c) que seu risco é leve e em 2009, não houve nenhum acidente; d) que embora tenha prestado informação como enquadrada em outro CNAE, requer a retificação da informação; e) que as bolsas de estudo fornecidas estão de acordo com os requisitos legais de não substituir parcela salarial, dos cursos serem vinculados a atividade da empresa e está Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 disponível a todos os empregados que cumprirem o regulamento; f) que as bolsas não são remuneração; g) que a legislação trabalhista exclui a educação do salário. Por fim, requer a retificação de seu CNAE para 84124/00, a anulação dos autos de infração e a desconstituição dos débitos. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.723749/201238 Acórdão n.º 2302003.193 S2C3T2 Fl. 257 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. SAT/RAT/GILRAT A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 202: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos .§ 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5oÉ de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.( Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007) §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007) Portanto, como se vê dos dispositivos acima transcritos a responsabilidade de realizar o enquadramento na atividade preponderante, que define a alíquota do SAT é do próprio contribuinte, sendo que o Fisco adotará as medidas necessárias para correção quando verificado erro no autoenquadramento e procederá a notificação dos valores devidos. Desta forma, está correto o procedimento contido neste auto de infração, pois com a edição do Decreto n° 6.042, de 12/02/2007, temos a tabela do CNAE FISCAL e Administração Pública em Geral passou a ser o 84116/0, como auto enquadrouse a recorrente, com o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho passando de 1% para 2%, a partir de 06/2007. Assim, como a recorrente Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.723749/201238 Acórdão n.º 2302003.193 S2C3T2 Fl. 258 7 havia recolhido 1%, o lançamento consignou a alíquota de 1% para as competências a partir de 06/2007, em diante. Notese que a própria recorrente se enquadrou no CNAE FISCAL, não sendo lícito por ora da autuação em sede de recurso pretender retificar o enquadramento para se adequar a alíquota de grau leve que havia recolhido. SALÁRIO INDIRETO ENSINO SUPERIOR Outro ponto a ser abordado é a concessão de bolsas de estudo para os segurados empregados destinadas ao custeio de despesas com cursos de graduação e pós graduação. A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear o ensino superior integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, e já citado em parágrafos anteriores, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.723749/201238 Acórdão n.º 2302003.193 S2C3T2 Fl. 259 9 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura. (Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, pois o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se pode depreender da análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. O curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.723749/201238 Acórdão n.º 2302003.193 S2C3T2 Fl. 260 11 da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de cursos de graduação e pós graduação aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, é despicienda a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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