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Numero do processo: 13971.720008/2008-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3001-000.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 08 /2 00 8- 16 Fl. 1026DF CARF MF 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento" de créditos de Cofins, relativo ao terceiro trimestre de 2006, no valor de R$ 190.077,63. A partir da análise feita nos documentos da empresa em diligência fiscal, foi emitido o Despacho Decisório DRF/Blumenau n°. 101/2009 (fls. 338/348), o qual reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 136.904,29, a titulo de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as deduções da contribuição apurada em cada mês do trimestre e antes das compensações. A análise teve como base as informações prestadas nos documentos apresentados pela interessada e acostados aos autos, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB. 0 Despacho Decisório relaciona as glosas efetuadas, pelos motivos que se apresentam abaixo, em breve síntese: 1 — "Bens utilizados como insumos — aquisições no mercado interno": Constatouse que a contribuinte não excluiu da base de cálculo dos créditos a totalidade das devoluções dos bens que seriam utilizados como insumo no processo produtivo, mas que foram posteriormente devolvidos, motivo porque foi deduzido o valor de R$ 545,00 da base de calculo dos créditos para a Cofins. 2"Serviços Utilizados como Insumos": 2.1. Do transporte rodoviário de cargas, a fiscalização evidenciou que muitos dos CTRC padeciam de vícios formais exigidos pelo regulamento do ICMS. Dentre as principais irregularidades, destaca: a) muitas das notas fiscais informadas nos CTRC não estavam registradas no Livro Registro de Entrada, ou seja, não figuravam nos registros fiscais e/ou contábeis da requerente (CTRC juntados as fls. 242, 244 e 261); b) a emissão de CTRC posteriormente A prestação do serviço de transporte — o que é expressamente vedado pelo art. 65 do RICMS/SC e nota fiscal informada no CTRC é de valor inferior ao nele informado (CTRC anexos as fls.249, 255 e 257); Consta ainda que os problemas de preenchimento ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes A sede da requerente; que o registro de tais serviços muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada, e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado, a exemplo do CTRC à f1.250. Entendeu a fiscalização que, em razão das inconsistências encontradas, a aferição da idoneidade dos documentos restou prejudicada, razão pela qual efetuou a glosa da totalidade dos CTRC de CFOP 1.352 dos prestadores de serviço de frete não listado no quadro fl. 344. 2.2. Das outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço: Consta que a contribuinte solicitou R$ 314.441,01 de créditos relativos aos "Serviços utilizados como insumos", conforme o CFOP 1.949, mas, que, no RAIPI (Registro de apuração do IPI) totalizam apenas R$ 12.238,56; que deste montante constam nos arquivos digitais do Livro Registro de Entradas (LRE), apenas R$ 3.126,48; que a quase totalidade do valor solicitado não encontra respaldo na Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 13971.720008/200816 Acórdão n.º 3001000.755 S3C0T1 Fl. 326 3 escrita fiscal; que os serviços indicados nos demais CFOP, a principio, não correspondem a serviços utilizados como insumos, o que gerou a glosa da totalidade desses valores. Em função do exposto, a linha 16A do Dacon teve seus valores modificados, conforme tabela de fl. 344verso. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade (fls. 363/368), onde alega, sob o titulo "Dos Serviços Utilizados Como Insumos" os motivos que abaixo se expõem, sucintamente: a) do transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352): alega que os vícios formais referentes aos fretes nas aquisições não existem, quando muito se tratam de meras irregularidades; que a empresa contratava fretes de terceiros que faziam o transporte da madeira vinda das florestas até o seu estabelecimento; que o frete era efetuado por pessoas humildes que, por vezes, possuem apenas um caminhão, as quais emitiam uma nota fiscal conjunta onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em um determinado período; que a referida falha não prejudicou o Fisco, porquanto não houve omissão quanto aos valores dos fretes. No que tange à ausência de escrituração das notas fiscais, alega que: nos casos de importação, o transporte é feito com a Declaração de Importação (DI) e para escriturala emitese nota fiscal da própria empresa; na compra de insumos de pessoas fisicas, o transporte é feito com a nota de produtor rural e, para escriturá la, da mesma forma, é necessária a emissão da Nota Fiscal pela própria empresa. b) das outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço (CFOP 1.949): Alega ter agido acertadamente ao lançar no CFOP 1.949 os valores despendidos com serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira, manutenção de máquinas e floresta e fumigação de conteineres. Esclarece que as notas foram lançadas apenas nos livros contábeis, que não podem ser lançadas nos livros fiscais pelo fato dos prestadores de serviço possuírem apenas inscrição municipal e, assim, embora não estejam no LRE, foram devidamente contabilizadas. Sustenta que o fisco não poderia ter glosado sumariamente todos os valores e junta a relação dos serviços utilizados como insumos (CFOP 1.949) e as respectivas notas fiscais. Por fim, pede deferimento e a reforma da decisão proferida pela DRF/Blumenau/SC. A DRJ de Florianópolis/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 0720.490 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. Fl. 1028DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTENCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância que em síntese alega o seguinte: (i) a autoridade administrativa não pode indeferir requerimento do contribuinte por ausência de comprovação do pedido; e (ii) serem incorretas as glosas de frete na aquisição (CFOP 1352), sobre Serviços não especificados (CFOP 1949 e 2949). Em 08/11/2013, foi encaminhado o Memorando 007/2013/DRF/BLU/SAORT encaminhando cópia da petição inicial da ação ordinário conforme reprodução a seguir: Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 13971.720008/200816 Acórdão n.º 3001000.755 S3C0T1 Fl. 327 5 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento Em juízo de admissibilidade do presente Recurso Voluntário constatei que o não preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento, apesar de tempestivo. A Recorrente ajuizou ação ordinária (Processo nº 500358476.2013.404.7213), em trâmite na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio Grande do Sul, cujo objeto versa sobre as mesmas questões constantes do presente processo administrativo. Estas questões podem ser verificadas através do trecho da petição inicial abaixo atachada: Fl. 1030DF CARF MF 6 Diante desta constatação, e nos termos da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 13971.720008/200816 Acórdão n.º 3001000.755 S3C0T1 Fl. 328 7 julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial que, no presente caso, não há. Diante do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário em face da aplicação da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 1032DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.957932/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 79 32 /2 00 9- 00 Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 15374.957932/200900 Acórdão n.º 9303007.946 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.595, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.595 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 15374.957932/200900 Acórdão n.º 9303007.946 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 15374.957932/200900 Acórdão n.º 9303007.946 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 15374.957932/200900 Acórdão n.º 9303007.946 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 15374.957932/200900 Acórdão n.º 9303007.946 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1598DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.001355/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. NÃO INCLUSÃO.
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento da Solução de Consulta Interna nº 13/2018.
Numero da decisão: 3302-006.550
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que davam provimento integral.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede
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BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. Recorrente CHROMA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. NÃO INCLUSÃO. O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento da Solução de Consulta Interna nº 13/2018. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que davam provimento integral. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 13 55 /2 00 7- 90 Fl. 816DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. O Pedido de Restituição foi apresentado em 19/09/06; compreende o período de janeiro de 2001 a junho de 2006; e se refere, ao que consta, aos pagamentos a maior de PIS/COFINS, em razão da inclusão do ICMS nas suas bases de cálculo. Acompanha o Pedido de Restituição uma planilha (fls. 24/25) com o demonstrativo de cálculo do montante pleiteado. O Pedido de Restituição foi indeferido sob os seguintes fundamentos constantes do Despacho Decisório (fls. 28/32): O Pedido de Restituição não se enquadraria em qualquer das hipóteses do artigo 165 do CTN. Quanto à base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS ressalva que: A Lei 9.718/1998, em seus artigos 2° e 3°, define que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no regime de incidência cumulativa, é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas: (...). E, quanto aos fundamentos do pleito: Desta forma, para o período requerido neste Pedido de Restituição, janeiro/2002 a junho/2006, não há previsão legal que conceda ao requerente o direito ao ressarcimento de contribuições para o PIS e a CORNS, relativas a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo para apuração dos valores das referidas contribuições. Então, conclui pelo indeferimento do pedido, pois: Tendo o requerente pago os tributos, nos estritos termos da legislação fiscal em vigor — valores e prazos — tal procedimento extingue o crédito tributário nos termos do Art. 156 I, do Código Tributário Nacional. Extinto o crédito tributário pelo seu pagamento antecipado, nenhum pagamento se revela indevido ou a maior. O Contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 35/56), nos seguintes termos: Argumenta que não haveria previsão legal para inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; que o Contribuinte seria apenas o responsável pela arrecadação do tributo; que o ICMS, sendo tributo, não integra o faturamento. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 13839.001355/200790 Acórdão n.º 3302006.550 S3C3T2 Fl. 3 3 Mencionando o RE 240.785 em julgamento pelo STF, sustenta que: Por sua vez, a decisão do Supremo Tribunal faz letra viva do principio constitucional de não se utilizar o tributo com efeito de confisco, que seria sua cobrança sem causa jurídica válida, ou sobre bases imponíveis que não representam riqueza, e destarte, atentando contra a capacidade contributiva da Impetrante, o que é vedado pelos artigos 150, IVc/c 145, § 1°, da Constituição Federal de 1988. Requer a anulação do Despacho Decisório e o reconhecimento do direito creditório. Através do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 0537.868, a 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP , por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconhecer o direito do creditório, indeferindo a restituição pleiteada. Entendeu a Turma que: ü Embora a Manifestação de Inconformidade argua a legalidade/constitucionalidade de normas, que constituem fundamentos da decisão de indeferimento do Pedido de Restituição, é vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972; ü Não havendo, pois, previsão legal que exclua o ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS não pode a autoridade administrativa afastar a incidência sob o argumento de que tal procedimento seria ilegal ou inconstitucional, por ferir disposições legais do CTN ou mesmo da CF, até porque, seja por qual ângulo se analise o fato, a inexorável conclusão é a da perfeita viabilidade da inclusão do ICMS naquela base de cálculo, como se verá adiante neste Acórdão; ü A legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS é principalmente objeto de dois processos, pendentes de decisão final no STF: a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n° 18 e o Recurso Extraordinário (RE) n° 240.785, este último (ao qual se refere o Contribuinte, inclusive), sob o argumento de que a parcela relativa ao ICMS não deveria integrar a base de cálculo do PIS/COFINS, por tratarse de tributo, não constituindo, por isso, receita do contribuinte, tampouco ingressando no seu patrimônio; ü Nesse sentido, a tese na qual se fundamenta a ADC 18 é a de que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS é constitucional e tem fundamento no inciso I do parágrafo segundo do artigo terceiro da Lei 9.718/98. De qualquer forma, a ADC requer que, caso a decisão seja pela a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base Fl. 818DF CARF MF 4 de cálculo do PIS/COFINS, seja concedido efeito somente a partir de então; ü Ambos os processos se encontram pendentes de julgamento desde meados de 2008; ü É insofismável que o ICMS compõe o preço da mercadoria, configurando um dos elementos da receita bruta de vendas (é "calculado por dentro", isto é, representa ele mesmo um dos componentes de sua própria base de cálculo); ü Deste modo, se o ICMS compõe a sua própria base de cálculo, que, aliás, coincide com a receita bruta de vendas, é certo que não poderia deixar de compor a base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; ü Não há, portanto, infração às disposições do artigo 110 do CTN, pois os conceitos de faturamento e receita bruta são perfeitamente compatíveis com o tratamento contábil a que se sujeitam; ü Também, não há que se levar em conta a assertiva de que incluir o ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS constituiria inobservância do princípio constitucional da capacidade contributiva, por incidir em patrimônio que não seria o do Contribuinte. A própria legislação que rege a cobrança do ICMS estabelece a incidência do tributo ICMS sobre a sua própria base de cálculo. A empresa CHROMA VEÍCULOS LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 0537.868, via Aviso de Recebimento, em 21 de maio de 2013, às folhas 75. A empresa CHROMA VEÍCULOS LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 06/06/2013, de folhas 77 à 101. Foi alegado em resumo: ü Ora, cediço que o ICMS, como tributo estadual, é considerado despesa dos sujeitos passivos da COFINS e do PIS, concomitantemente, receita do erário estadual. Nesta linha de raciocínio, injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência daquele tributo estadual na base de cálculo da COFINS e do PIS. ü A sua inclusão resulta em tributação de riqueza que não pertence aos contribuintes. Neste caso, os contribuintes, ao arcarem com a obrigação tributária in comento, suportam uma carga tributária além do que está legalmente definido para o regular exercício da suas atividades econômicas e aquém do que permite a Constituição Federal; ü Ademais, FATURAMENTO é o produto resultante da venda de mercadorias ou prestação de serviços. Portanto, imposto não é faturamento. Assim, não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins; Fl. 819DF CARF MF Processo nº 13839.001355/200790 Acórdão n.º 3302006.550 S3C3T2 Fl. 4 5 ü Nesse prisma, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS representa desvirtuamento do conceito de faturamento a que alude o art.195, inciso I, da Constituição Federal/88, já que o ICMS é na verdade receita de competência dos Estados e do Distrito Federal e, portanto, não pode ser considerado faturamento da empresa; ü No Direito Comercial tradicional, fatura era o instrumento do contrato de compra e venda mercantil. O documento no qual o comerciante, nas vendas por atacado feita a outro comerciante, fazia constar os elementos essenciais do contrato de compra e venda mercantil. A análise do velho Código Comercial, ( art. 219), e da Lei n° 5.474, de 18 de julho de 1968 (artigos 1o e 2o) nos leva à conclusão de que a palavra faturamento, significa o somatório dos valores das vendas de mercadorias e de prestação de serviços, seja a vista, seja a prazo"; ü Em outras palavras, tudo que se originar da atividade empresarial, de acordo com seu objetivo societário, é faturamento; ü A discussão sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo para PIS e COFINS segue em andamento no STF (Supremo Tribunal Federal), com decisão parcial que se configurou virtualmente favorável aos contribuintes (6 votos a favor dos contribuintes, contra apenas 1 favorável ao Governo); ü Ao perceber a possível vitória dos contribuintes, o Governo, tentando reverter à situação, propôs uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), de número 18, para que o STF entendesse que de acordo com o Art.3, na Lei n° 9.718/98 é correto incluir o ICMS para o cálculo de base PIS e COFINS, além de pedir o afastamento das decisões judiciárias daqueles que já haviam votado a favor dos contribuintes na ação contrária; ü Outrossim, por ser de interesse, de se noticiar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu em 21 de março de 2013 que é inconstitucional a inclusão do ICMS, bem como o próprio PIS E COFINS, na base de cálculo destas mesmas contribuições sociais incidentes quando da importação de bens e serviços; ü O julgamento do citado recurso foi por unanimidade do Plenário do Supremo Tribunal Federal, retomado com o votovista do ministro Dias Toffoli, sendo que tanto ele quanto os demais integrantes da Suprema Corte brasileira acompanharam o voto da ministra Ellen Gracie; ü Reconheceu o STF que a inclusão do ICMS e do próprio valor do PIS e COFINS na base de cálculo do PIS e da COFINS viola o conceito constitucional do aspecto quantitativo das contribuições sociais previsto no artigo 149, § 22, III, alínea a, da Constituição Federal, o qual determina que a base de cálculo dessas contribuições é o "valor aduaneiro", no qual não estão inseridos esses tributos, nos termos do Fl. 820DF CARF MF 6 artigo 77 do Regulamento Aduaneiro e art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT1994); ü Ora, um dos argumentos usados pela Fazenda Nacional na defesa da manutenção do ICMS sobre a base das contribuições incidentes sobre importações foi que a não inclusão violaria o princípio da isonomia em relação a produtos nacionais, não beneficiados pela decisão. EX POSITIS Ante ao sumariado, requer o devido processamento deste Recurso, na forma da lei, para que seja revista a decisão da Colenda Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, que indeferiu o Pedido de Restituição, para então deferilo na totalidade, da forma como solicitado, com seus desdobramentos de praxe. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa CHROMA VEÍCULOS LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 0537.868, via Aviso de Recebimento, em 21 de maio de 2013, às folhas 75. A empresa CHROMA VEÍCULOS LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 06 de junho de 2013. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. Pedido de Restituição, no qual o requerente pleiteia a restituição de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e do Programa de Integração Social ( PIS), efetuados entre janeiro/2002 e junho/2006, no valor total de R$ 117.386,03. Pedido formulado em 19/09/2006. O interessado apresentou planilha com apuração e atualização dos valores requeridos e fundamentou o pedido argumentando que o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deveria ser excluído da base de cálculo para apuração dos valores a pagar a título de PIS e COFINS. Passase à análise. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 13839.001355/200790 Acórdão n.º 3302006.550 S3C3T2 Fl. 5 7 Em relação à inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No entanto, para a Receita Federal do Brasil a matéria está incontroversa, em virtude da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e Fl. 822DF CARF MF 8 e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria Fl. 823DF CARF MF Processo nº 13839.001355/200790 Acórdão n.º 3302006.550 S3C3T2 Fl. 6 9 da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. O presente VOTO tem por esteio as razões de decidir do I. Conselheiro Walker Araújo, no processo administrativo n° 13819.002780/200815 (acórdão 3302006.452). Diante do exposto, voto em dar provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 824DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.906108/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2011
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2011 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 61 08 /2 01 5- 96 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10783.906108/201596 Acórdão n.º 3302006.494 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que, por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14065.007, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeitas à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.493, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10783.906110/201565, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.493): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10783.906108/201596 Acórdão n.º 3302006.494 S3C3T2 Fl. 4 3 Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. Assim, afasto a preliminar arguida. (...) Em relação à possibilidade de retificação da DCTF, o CARF, por diversas oportunidades já manifestouse no sentido de que é possível a retificação da DCTF mesmo após o despacho decisório, desde que juntamente com a retificação sejam trazidos aos autos os documentos comprobatórios da veracidade das informações prestadas na referida declaração. "Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF." (Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10783.906108/201596 Acórdão n.º 3302006.494 S3C3T2 Fl. 5 4 Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifou se)http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArq uivoBinario=0 Aliás, este foi o teor da Solução de Consulta n.02/2015, cujo fragmento abaixo transcrevese. "2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação." No caso concreto a Manifestação de Inconformidade da Recorrente limitouse a afirmar que "Não concordamos com a cobrança do saldo devedor no valor de (...) mais multa e juros por considerar que o débito já fora totalmente quitado, bem como, a compensação efetivamente correta por tudo já exposto acima. Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: Cópia da última alteração contratual consolidada, despacho decisório (...), Recibo da PER DCOMP, DCTF refiticadora, cópia da procuração e cópia da identificação do procurador." Como se percebe pelo afirmado na própria Manifestação de Inconformidade e pela análise das peças processuais, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de, no momento processual adequado e legalmente previsto para tanto, trazer aos autos provas do crédito alegado. Como bem salientou o Acórdão proferido pela DRJ, a alteração da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório, sem que, contudo, houvessem sido trazidos aos autos as notas fiscais e os lançamentos contábeis que comprovassem os fundamentos fáticos para a alteração da DCTF. "Deste modo, a retificação pretendida, conforme somente poderia ser aceita se o recorrente tivesse apresentado a documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, para que se pudesse conhecer o valor do tributo devido e para que fosse comparado ao recolhimento efetuado. Ressalto que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo; tratando o presente caso de declaração de compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório. Contudo, o interessado limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer documento que lastreasse sua argumentação, restando impedida a convalidação Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10783.906108/201596 Acórdão n.º 3302006.494 S3C3T2 Fl. 6 5 da declaração retificadora apresentada pelo contribuinte e, conseqüentemente, prejudicada a análise da liquidez e certeza do direito creditório." Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitirse deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10783.906108/201596 Acórdão n.º 3302006.494 S3C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907885/2016-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.892
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 88 5/ 20 16 -5 0 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13896.907885/201650 Resolução nº 3201001.892 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13896.907885/201650 Resolução nº 3201001.892 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13896.907885/201650 Resolução nº 3201001.892 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13896.907885/201650 Resolução nº 3201001.892 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13896.907885/201650 Resolução nº 3201001.892 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13896.907885/201650 Resolução nº 3201001.892 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 499DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.905755/2006-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra favorável à Recorrente, em virtude da falta de interesse recursal.
Numero da decisão: 1302-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra favorável à Recorrente, em virtude da falta de interesse recursal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-29T01:49:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-29T01:49:19Z; Last-Modified: 2019-03-29T01:49:19Z; dcterms:modified: 2019-03-29T01:49:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; Last-Save-Date: 2019-03-29T01:49:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-29T01:49:19Z; meta:save-date: 2019-03-29T01:49:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-29T01:49:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-29T01:49:19Z; created: 2019-03-29T01:49:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-03-29T01:49:19Z; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-29T01:49:19Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 416 1 415 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.905755/200688 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.466 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PROSINT QUIMICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra favorável à Recorrente, em virtude da falta de interesse recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 57 55 /2 00 6- 88 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10768.905755/200688 Acórdão n.º 1302003.466 S1C3T2 Fl. 417 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1228.556, de 23 de fevereiro de 2010 (fls. 328 a 333), proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO Constitui crédito líquido e certo do contribuinte, com o qual podem ser compensados seus débitos de natureza tributária, qualquer pagamento alocado a débito fiscal, declarado ou não, considerado indevido." O presente processo trata da Declaração de Compensação (DComp) nº 13567.12470.110108.1.7.042505 (retificadora da DComp n° 08274.79489.300903.1.3.04 9707), por meio da qual se compensa suposto pagamento indevido ou maior referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido por estimativa em relação ao período de apuração de agosto de 1998 (fls. 252 a 256). O crédito compensado equivaleria ao montante recolhido a título de multa de mora, em 28/12/1998, no valor de R$ 1.467,72, a qual seria indevida, posto que o recolhimento se deu albergado pelo instituto da denúncia espontânea. O Despacho Decisório de fl. 258 homologou parcialmente a compensação realizada, uma vez que todo o pagamento estava quase que totalmente alocado ao débito de estimativa acima referido, restando saldo de apenas R$ 0,01. Na manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 261 e 262), o sujeito passivo se limitou a pugnar pela procedência do seu crédito, com base no art 138 do CTN, que prevê a hipótese da denúncia espontânea. Os julgadores de primeira instância, apesar de registrarem entendimento contrário à tese da Recorrente, deram provimento à Manifestação de Inconformidade, para homologar a compensação declarada, já que o Despacho Decisório teria questionado apenas a utilização do pagamento. Cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls. 340 a 344), por meio do qual alega que: a) apresentou, em 30/09/2003, a DComp nº 08274.79489.300903.1.3.04 9707, na qual compensou créditos oriundos de vários pagamentos indevidos de multa de mora, em razão de denúncia espontânea; b) atendendo a intimação da Receita Federal, retificou a referida Declaração e apresentou outras duas DComp, fazendo com que cada declaração se referisse a apenas um pagamento; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10768.905755/200688 Acórdão n.º 1302003.466 S1C3T2 Fl. 418 3 c) no presente processo, houve o indeferimento e posterior homologação da compensação declarada na DComp retificadora nº 13567.12470.110108.1.7.042505; d) a decisão recorrida não se manifestou sobre as outras DComp (nº 28795.97493.110108.1.7.048006 e 09445.93874.110108.1.7.040374), o que teria levado à cobrança de saldo devedor da compensação original. Assim, pede a extensão da decisão às outras DComp ou, subsidiariamente, a apensação do processo nº 15734.906528/200889 e o julgamento do seu mérito pela Delegacia de origem. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 07 de junho de 2010 (fl. 413), tendo apresentado seu Recurso em 02 de julho de 2010 (fl. 340), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que o Recurso é tempestivo. O Recurso é assinado por procuradores, devidamente constituídos à fl. 345. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre, porém, que é patente, no caso, a ausência do interesse de agir da Recorrente. É que a decisão de primeira instância já reconheceu integralmente o direito da Recorrente ao crédito compensado por meio da Declaração de Compensação (Dcomp) de fls. 252 a 256, homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. A irresignação da Recorrente se volta à ausência de decisão quanto às DComp nº 28795.97493.110108.1.7.048006 e 09445.93874.110108.1.7.040374, estranhas aos presentes autos, embora, aparentemente, o crédito se embase na mesma tese jurídica e o débito compensado seja o mesmo da DComp aqui tratada. Além disso, a irresignação contra a cobrança de débito no âmbito do processo nº 15734.906528/200889 deve ser objeto de questionamento naqueles autos. Isto posto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário apresentado no presente processo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961905/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 19 05 /2 00 8- 17 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.961905/200817 Acórdão n.º 3402006.170 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1630.174, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.961905/200817 Acórdão n.º 3402006.170 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.961905/200817 Acórdão n.º 3402006.170 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.961905/200817 Acórdão n.º 3402006.170 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004283/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido -
CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003 e 2004.
DIFERENÇA DE VALORES ESCRITURADOS E
DECLARADOS/PAGOS. DECLARAÇÃO INEXATA.
Frente as informações prestadas pela contribuinte, lançouse
as diferenças verificadas entre os valores escriturados e
os declarados/pagos. Portanto, não há que se falar em
tributação por arbitramento, mas sim em lançamento
efetuado tendo em vista a existência de declaração inexata.
ADICIONAL DA CSLL. MP N° 2.158-35/2001.
INCIDÊNCIA PRÓPRIA.
0 adicional previsto no art. 6° da MP n° 2.158-35/2001
aplica-se sobre a base de cálculo e não sobre a aliquota.
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça tal
adicional possui incidência própria.
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA
MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC.
INADIMISSIBILIDADE.
Súmula n° 2 do CARP: 0 CARF não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula n° 4 do CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos administrados
pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período
de inadimplência. A taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 1101-000.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Ausente, justificadamente, o Presidente Valmar
Fonseca de Menezes, substituído na presidência pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida
Guerreiro e no colegiado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 e 2004. DIFERENÇA DE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. DECLARAÇÃO INEXATA. Frente as informações prestadas pela contribuinte, lançouse as diferenças verificadas entre os valores escriturados e os declarados/pagos. Portanto, não há que se falar em tributação por arbitramento, mas sim em lançamento efetuado tendo em vista a existência de declaração inexata. ADICIONAL DA CSLL. MP N° 2.158-35/2001. INCIDÊNCIA PRÓPRIA. 0 adicional previsto no art. 6° da MP n° 2.158-35/2001 aplica-se sobre a base de cálculo e não sobre a aliquota. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça tal adicional possui incidência própria. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC. INADIMISSIBILIDADE. Súmula n° 2 do CARP: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula n° 4 do CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência. A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Ausente, justificadamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído na presidência pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e no colegiado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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DIFERENÇA DE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. DECLARAÇÃO INEXATA. Frente as informações prestadas pela contribuinte, lançou- se as diferenças verificadas entre os valores escriturados e os declarados/pagos. Portanto, não há que se falar em tributação por arbitramento, mas sim em lançamento efetuado tendo em vista a existência de declaração inexata. ADICIONAL DA CSLL. MP N° 2.158-35/2001. INCIDÊNCIA PRÓPRIA. 0 adicional previsto no art. 6° da MP n° 2.158-35/2001 aplica-se sobre a base de cálculo e não sobre a aliquota. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça tal adicional possui incidência própria. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC. INADIMISSIBILIDADE. Súmula n° 2 do CARP: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula n° 4 do CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência. A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Ausente, justificadamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído na presidência pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e no colegiado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO — Presidente substituto. NARA CRISTINA TAK A TAGA - Relatora. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nara Cristina Takeda Taga e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro (presidente substituto) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que manteve a exigência de CSLL acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados com base na taxa Selic. Segundo o Auto de Infração lavrado em 29/08/2005 (proc. fls. 06 a 10), foram constatadas duas infrações, a primeira referente A. diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (anos-calendário 2002 e 2003); a segunda, diferença entre valores de receitas escrituradas e declaradas (ano-calendário 2004). Relatou a autoridade fazenddria que, a par de optante pelo lucro real nos anos-calendário de 2002 e 2003, e pelo lucro presumido em 2004, os recolhimentos foram efetuados pela empresa, por meio do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do tributo autuado. Consta do Termo de Constatação (proc. fls. 11 a 14) o relato de que "nos anos-calendário de 2002 e 2003, a empresa entregou as DIPJs em branco, e nos prazos regulamentares, corn opção pelo Lucro Real; com apresentação a fiscalização, dos Demonstrativos das Bases de Cálculo dos Tributos Federais IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, com declaração das Receitas e sem qualquer recolhimento desses Tributos Federais. Os recolhimentos efetuados pela empresa foram através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente dos Tributos autuados; a empresa poderá solicitar a respectiva restituição e/ou compensação através da PER/DECOMP". 2 Processo n° 10730.004283/2005-91 SI-CIT1 Acórddo n.° 1101-00.706 Fl. 2 Já relativamente ao ano-calendário de 2004, a "empresa fez a opção pelo Lucro Presumido; com apresentação à fiscalização, dos Demonstrativos da Base de Cálculo dos Tributos Federais IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, com declaração das Receitas e sem qualquer recolhimento desses Tributos Federais; os recolhimentos efetuados pela empresa foram através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente dos Tributos autuados; a empresa poderá solicitar a respectiva restituição e/ou compensação, através da apresentação da PER/DCOMP". Em resposta ao Termo de Intimação de fls. 100 que requisitou a apresentação das confirmações da opção pelo SIMPLES, para os anos calendários de 2002 a 2004, a Interessada alegou que os mesmos não existiam e que nos próximos dias apresentaria DIPJ retificadoras desses períodos com base no lucro real (proc. fls.102). Em 28/09/2005, foi apresentada Impugnação (proc. fls. 122 a 143). Em suas razões a contribuinte alegou a presença de erros materiais quando do lançamento, motivo que justificaria a nulidade do Auto de Infração. 0 primeiro dos erros apontados pela Impugnante foi "a impossibilidade de tributação via presunção". Entendeu a Postulante que o Fisco arbitrou o lucro por se tratar de procedimento menos complexo. Afirmou que a abrangência do imposto de renda está limitada A. aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, desta forma, o ente fazenddrio estaria diretamente submetido a essa restrição, não podendo imputar ao contribuinte qualquer incidência tributária, sem que houvesse alguma das disponibilidades determinadas em lei. Asseverou que outro fundamento para a nulidade do Auto de Infração seria a inconstitucionalidade da multa de oficio de 75% por ofensa ao Principio do Não-Confisco. Entendeu que deveria ter sido aplicada a multa no percentual de 20% de acordo com doutrina e jurisprudência. Por fim, como ultimo fundamento, requereu a exclusão da taxa Selic dos presentes autos frente à sua ilegalidade e inconstitucionalidade. A DRJ exarou Acórdão em 14/08/2008 julgando procedente o lançamento (proc. fls. 164 a 170). De inicio alertou que a interessada não questionou a matéria Mica, mas sim o procedimento de apuração e a legalidade/inconstitucionalidade dos acréscimos legais. Referente A apuração da CSLL, a Turma asseverou que nos anos-calendário 2002 e 2003, a Postulante "apresentou DIPJs com indicação de opção pelo Lucro Real Trimestral, mas sem indicação da receita auferida, o que diferiu dos demonstrativos apresentados as fls. 104/107, nos quais informa faturamento, base de cálculo da CSLL e indica a opção pelo lucro real trimestral". Desta feita, ante a falta de informação da receita nas DIPJs e de pagamento da CSLL, entendeu-se correta a apuração da contribuição devida a partir da base de cálculo informada, bem como a exação do tributo e aplicação das penalidades. Concluiu o órgão julgador que não há que se falar em presunção ou em arbitramento na apuração da CSLL dos anos-calendário, e sim em declaração inexata. Quanto As alegações de inconstitucionalidade da multa de oficio e da taxa Selic, a Turma apenas discorreu sobre a vedação ao julgador administrativo de discutir constitucionalidade e legalidade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico e cuja aplicabilidade não foi afastada. 3 Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/11/2008 (proc. fls. 175 a 200). Em sede de preliminar, a Recorrente alegou a nulidade da autuação por cerceamento de defesa. Entendeu que o relato da autoridade autuante é confuso, já que em um momento afirmou que não houve qualquer recolhimento e imediatamente depois disse que os recolhimentos efetuados pela empresa se deram por meio do SIMPLES, restando provada a dificuldade da exata compreensão do motivo pelo qual foram exigidos os valores. Alegou que houve descumprimento do art. 10, III do Decreto n° 70.235/72, visto que no Auto de Infração não se verificou a descrição do fato capaz de identificar os motivos da exigência da CSLL. No mérito, afirmou haver "indevida apuração do adicional da CSLL", posto que o adicional de 1% da CSLL incide sobre o valor tributável, ou seja, o lucro liquido, e não sobre o valor da CSLL apurado. No mais, a Postulante se valeu dos mesmos argumentos expostos na Impugnação, quais sejam: a impossibilidade de tributação via presunção e a inconstitucionalidade/ilegalidade da multa de oficio no percentual de 75% e da aplicação da taxa Se lic. É o relatório. Voto Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora. 0 Recurso é tempestivo, e dele tomo conhecimento. Versam os presentes autos sobre o lançamento de Contribuição sobre o Lucro Liquido — CSLL relativa aos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004. Segundo o Termo de Constatação Fiscal, a Recorrente, apesar de não comprovar a opção pelo SIMPLES, efetuou recolhimentos por meio deste sistema simplificado de tributação. Desta forma, foi lançada a diferença entre os valores escriturados e declarados/pagos. De inicio, a Recorrente alegou que houve cerceamento de defesa, o que acarretaria na nulidade da autuação. Asseverou que o auditor fiscal afirmou que não houve recolhimento do tributo e em seguida disse que os recolhimentos da empresa foram efetuados por meio do SIMPLES. Desta forma, entendeu que de acordo com o art. 10 do Decreto n° 70.235/72, o Auto de Infração descumpriu o requisito da descrição do fato. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. 0 Auto de Infração em questão versa apenas e tão somente sobre CSLL e o Termo de Constatação claramente relata que foi apurada uma diferença entre os valores escriturados e os declarados/pagos, referente aos anos-calendário 2002, 2003 e 2004. Assim, não resta margem para que a contribuinte alegue que o SIMPLES alberga o recolhimento de vários tributos e que da leitura dos relatos do auditor fiscal não saberia distinguir referente a qual deles havia sido efetuado o lançamento. Desta forma, presente o requisito da descrição do fato exigido de acordo com o art. 10 do Decreto n° 70.235/72. 4 Processo n° 10730.004283/2005-91 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.706 Fl. 3 Quanto A alegação de indevida apuração do adicional da CSLL, a interessada afirmou que o adicional previsto no art. 6° da MP 2.158-35/2001, deve se dar sobre o valor apurado e não sobre a base de cálculo. Não é esse o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL. ADICIONAL DE 1% (UM POR CENTO). ARTIGO 6°, II, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158-35/2001. FATOS GERADORES OCORRIDOS NO PERÍODO DE 1°/12/2000 A 31/12/2002. ACRÉSCIMO A ALÍQUOTA DE 8% (OITO POR CENTO) RESULTANDO EM NOVA ALÍQUOTA DE 9% (NOVE POR CENTO). INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. PRECEDENTE. 1. Trata-se de agravo regimental cuja controvérsia orbita em torno da incidência do adicional de 1% previsto no artigo 6°, II, da MP n. 2.158-35/2001, acerca dos fatos geradores ocorridos no período de 1°/12/2000 a 31/12/2002. 2. A norma expressa no artigo 6° da MP n° 2.158-35/2001 diz que a CSLL sera cobrada com o adicional de quatro pontos percentuais e um ponto percentual, respectivamente, sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de maio de 1999 até 31 de janeiro de 2000 e a partir de 1° de fevereiro de 2000 até 31 de dezembro de 2002, inclusive. Ao assim dispor, é de entender-se que o adicional é calculado sobre a base de cálculo e não sobre a aliquota, como pretende a recorrente. 3. 0 adicional previsto na MP n. 2.158-35/2001 deve incidir, juntamente com a aliquota normal, sobre a base de calculo da CSLL, e não sobre a sua aliquota. Precedentes: REsp n. 1117752/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 07/06/2010; REsp n. 1.107.951/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 02/12/2010; REsp n. 1.135.426/RS, decisão monocrática, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, DJe 6/12/2010. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.189.287/DF, julgado em 03/03/2011) Verifica-se, desta forma, que a aplicação do adicional previsto na MP supracitada se deu de conformidade com a jurisprudência do STJ que determina a soma da aliquota nova A original, possuindo assim incidência própria. No mérito, a Postulante alegou que é inviável a tributação via presunção. No entanto, não versam os presentes autos sobre tributação por arbitramento. A autoridade fiscalizadora afirmou que apurou o montante da CSLL tendo por base as informações apresentadas pela própria contribuinte as fls. 104 a 107. Informou que frente à apresentação de DIPJs zeradas e do não pagamento da CSLL, o lançamento foi efetuado tendo em vista a 5 • existência de declaração inexata, e este foi o fundamento legal utilizado pelo Fisco quando da lavratura do Auto de Infração. Verifica-se, desta forma, que a Postulante apresentou DIPJs sem indicação da receita auferida e, no entanto, no curso da ação fiscal, entregou a autoridade fiscalizadora demonstrativos nos quais constam o faturamento da empresa e a base de cálculo da CSLL. Neste panorama, correto o lançamento realizado com embasamento nos próprios demonstrativos apresentados pela contribuinte e acostados a estes autos as fls. 104 a 107. Ainda nesta esteira, sob o entendido de que houve declaração inexata, aplicou-se multa de oficio no percentual de 75% de conformidade com o disposto no art. 44, I da Lei n° 9.430/96. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I — de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata." No tocante ao argumento de que a multa de oficio ofende o Principio Constitucional do Não Confisco, é importante mencionar que, de conformidade com entendimento já sumulado por este colegiado, não cabe análise de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor no ordenamento tributário na via administrativa. Súmula n° 2 do CARF: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JA no que se refere A. inaplicabilidade da taxa Selic sob alegação de sua inconstitucionalidade e ilegalidade, também há súmula expressa sobre a sua aplicabilidade. Súmula n° 4 do CARF: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência. A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto. Sala de Sessão, 10 de abril de 2012. Nara Cristina Taked aga - Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000148/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IN/SRF 23/97. ILEGALIDADE. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. AFRONTA AOS ARTS. 96 E 100 DO CTN.
Incluem-se na base de cálculo do beneficio as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem feitas de pessoas físicas e cooperativas de produtores rurais, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e a COFINS, as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. Precedentes.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO.
Por compor o respectivo custo, deve ser admitido o cômputo dos dispêndios com fretes pagos pelo produtor e exportador na aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados no processo produtivo de produtos exportados, na base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS. Não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, os dispêndios com fretes nas operações de transportes de produtos destinados à exportação, em virtude de envolverem a movimentação de produtos acabados, desbordando do conceito de insumos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA. SÚMULA Nº 19, DO CARF. DESCABIMENTO.
Assentou-se nesse Tribunal que por não se desgastar ou se consumir no contato direito com o produto em fabricação, a energia elétrica e o combustível não compõem a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96, nos termos da Súmula nº 19, do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do crédito presumido dos custos com aquisições de insumos de pessoa física e cooperativa e de gastos com fretes vinculados à aquisições de insumos.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mônica Elisa de Lima (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Mário César Fracalossi Bais (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente à época).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IN/SRF 23/97. ILEGALIDADE. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. AFRONTA AOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. Incluem-se na base de cálculo do beneficio as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem feitas de pessoas físicas e cooperativas de produtores rurais, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e a COFINS, as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. Precedentes. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. Por compor o respectivo custo, deve ser admitido o cômputo dos dispêndios com fretes pagos pelo produtor e exportador na aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados no processo produtivo de produtos exportados, na base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS. Não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, os dispêndios com fretes nas operações de transportes de produtos destinados à exportação, em virtude de envolverem a movimentação de produtos acabados, desbordando do conceito de insumos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA. SÚMULA Nº 19, DO CARF. DESCABIMENTO. Assentou-se nesse Tribunal que por não se desgastar ou se consumir no contato direito com o produto em fabricação, a energia elétrica e o combustível não compõem a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96, nos termos da Súmula nº 19, do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 587 1 586 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.000148/200214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.040 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2013 Matéria IPI Recorrente UNIALCO S/A ÁLCOOL E AÇÚCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IN/SRF 23/97. ILEGALIDADE. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. AFRONTA AOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. Incluemse na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem feitas de pessoas físicas e cooperativas de produtores rurais, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e a COFINS, as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. Precedentes. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. Por compor o respectivo custo, deve ser admitido o cômputo dos dispêndios com fretes pagos pelo produtor e exportador na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados no processo produtivo de produtos exportados, na base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS. Não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, os dispêndios com fretes nas operações de transportes de produtos destinados à exportação, em virtude de envolverem a movimentação de produtos acabados, desbordando do conceito de insumos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 01 48 /2 00 2- 14 Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 588 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA. SÚMULA Nº 19, DO CARF. DESCABIMENTO. Assentouse nesse Tribunal que por não se desgastar ou se consumir no contato direito com o produto em fabricação, a energia elétrica e o combustível não compõem a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96, nos termos da Súmula nº 19, do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do crédito presumido dos custos com aquisições de insumos de pessoa física e cooperativa e de gastos com fretes vinculados à aquisições de insumos. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mônica Elisa de Lima (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Mário César Fracalossi Bais (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente à época). Relatório Nos termos do art. 17, III1, e art. 19, VII2, do Regimento Interno do CARF, o Senhor Presidente da 3ª Seção designoume redator para formalizar o presente acórdão, mediante despacho de fls. 579/580, tendo em vista que o relator originário, exConselheiro João Carlos Cassuli Júnior, deixou de integrar o Colegiado antes da formalização do acórdão. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, conforme a seguir: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo colegiado e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; (...) 2 Art. 19. Aos presidentes das Seções incumbe, ainda: (...) VII praticar atos inerentes à presidência de Câmara vinculada à Seção nas ausências simultâneas do presidente da Câmara e de seu substituto. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 589 3 Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Portaria MF n° 38/97 e Lei 9.363/96, protocolado mediante formulário em 30/01/2002, no valor de R$ 737.949,00 (setecentos e trinta e sete mil, novecentos e quarenta e nove reais), correspondente ao anocalendário de 2001, cumulado com Declaração de Compensação de fls. 4, 23 retificado a fls. 319 , 29, 31, 33 e 310. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo houve por bem indeferir o direito creditório por ter sido calculado abrangendo todo o anocalendário (não trimestralmente), pela inclusão das despesas de frete, energia elétrica e aquisições de insumo de pessoas físicas; por não apresentar a ficha de apuração de crédito presumido, apurar aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo valor das aquisições não apresentando os valores de estoques iniciais e finais, de forma a impossibilitar o recálculo pelo Fisco. Cientificado do despacho decisório em 09/03/2007, o sujeito passivo apresentou em 13/03/2007 (fls. 381/399) sua Manifestação de Inconformidade. Em julgamento de 1ª instância a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão nº. 1419.647, assim se manifestou: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA E FRETE. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e frete. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão de 1ª instância da qual teve ciência em 19/02/2009, o contribuinte apresentou em 20/03/2009 seu Recurso Voluntário dirigido à este Conselho, argumentando que: a) Aquisição de insumos pessoa física: houve afronta ao princípio da legalidade na medida em que a Autoridade Administrativa glosou o direito ao crédito presumido de IPI sobre toda a aquisição realizada de pessoa física, sem ao menos, indicar a fundamentação legal para tanto; e que o entendimento dado à Instrução Normativa SRF 23/97 (que extrapola a Lei 9.363/96), segundo a jurisprudência administrativa e a doutrina é o de que “a legislação de regência não exclui da base de cálculo do crédito presumido, aquisições de insumos produzidos por pessoas físicas e cooperativa”. b) Insumos por aquisição de energia elétrica: 1) A Medida Provisória n° 2.202/01, convertida na Lei n° 10.276/01 incluiu na base de cálculo do crédito presumido de IPI a energia elétrica, afastando qualquer situação de incerteza que Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 590 4 ainda pudesse persistir. 2) O revogado art. 74, § 1° do CTN equiparava expressamente a energia elétrica a produto industrializado, sinalizando claramente a possibilidade dos contribuintes deste tributo se creditarem deste insumo indispensável à produção industrial, o que seria uma referência históricolegislativa de suma importância para o deslinde da presente questão. c) Insumos frete: pelo fato do contribuinte ter arcado com o frete incidente nas duas operações: entrada de insumos e saída de produto acabado, a luz da legislação vigente, faria jus ao efetivo direito de crédito presumido de IPI nos exatos termos em que procedeu. d) Suspensão da exigibilidade tributária: Requereu suspensão da exigibilidade tributária quanto aos atos decorrentes do pedido de ressarcimento, intimamente relacionados com os respectivos pleitos administrativos de aproveitamento via do instituto da compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Ao final, o contribuinte requer provimento ao Recurso Voluntário, para que seja tornado sem efeito a glosa ao sobredito pleito de ressarcimento, a fim de prosseguir com a análise o pedido de ressarcimento de crédito de IPI, conferindo ao recurso, os efeitos de suspensão de exigibilidade tributária, e à final, seja reconhecido o direito liquido e certo da Contribuinte ao crédito tributário em questão. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 3 (três) Volumes, numerado até a folha 554 (quinhentos e cinquenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Ressaltase que em razão do processo ter sido materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico, cujas imagens foram disponibilizadas ao Conselheiro via eProcesso. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto do Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, que assim dispõe: O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Consoante se denota da análise dos autos a Recorrente almeja o ressarcimento de Crédito Presumido de IPI como Ressarcimento das Contribuições ao PIS e à Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 591 5 COFINS, nos termos da Lei nº 9.363/96, relativo ao ano calendário 2001, o qual vem sendo indeferido pela Administração Tributária por ausência de apresentação de documentação hábil a possibilitar o recálculo do crédito pelo Fisco, e também por ter sido incluído no direito creditório pleiteado pela Recorrente despesas de frete, energia elétrica e aquisições de insumos de pessoas físicas. I. Questão Formal: No que diz respeito a forma de apuração do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n° 9.363/1996, é possível inferir que o crédito presumido destina se a ressarcir o produtor das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de insumos, ou seja, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, cuja produção terá como destino o mercado externo, de modo que, para a determinação do valor do crédito, apurase uma base de cálculo a partir da aplicação, sobre o valor total das referidas aquisições de insumos, de um percentual obtido a partir da relação existente entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta do produtor exportador. Não se pode olvidar que, com essa relação percentual, o que se busca é determinar quanto do volume total de insumos adquiridos está aplicado nos produtos exportados. No entanto, no caso apreço a Fiscalização aduz que a Recorrente não logrou êxito ao comprovar o valor total das referidas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, por ausência de apresentação dos valores de estoques finais e iniciais de cada mês, o que acarretou na falta de subsídios para o recalculo do crédito presumido. Não obstante, conforme se infere dos autos, a Recorrente apresentou à fls. 36/59 seus registros de apuração do IPI (entrada/saída) do ano calendário de 2001, relatório de crédito presumido de PIS/COFINS, relação de notas fiscais e diversos documentos hábeis a comprovar a entrada de insumos em seu estabelecimento. Do mesmo modo, o contribuinte trouxe farta relação de Notas Fiscais de exportação, cujas operações não são negadas ou questionadas pela Administração. Quanto à falta de informação na ficha de apuração do crédito presumido constante da DCTF, ou ainda, dos saldos de estoques inicial ou final das apurações, ou mesmo da periodicidade pleiteada, a análise literal da Lei nº 9.363/96 dá conta de que nenhum desses elementos é erigido à condição “sine qua non” para usufruto do direito ao pleito do crédito, desde que haja elementos seguros para se o calcular. Diferentemente seria o caso de ter pleiteado créditos de modo descentralizado, para o que há norma legal expressa, contida na Lei nº 9.779/99, para que seja centralizado na matriz, o que, no entanto, não é o caso dos autos. Assim sendo, considerando que no caso em concreto está cabalmente comprovado que o contribuinte é estabelecimento produtor (elemento subjetivo), tendo adquirido no mercado nacional insumos (MP, PI e ME) sujeitos à incidência das contribuições ao PIS e à COFINS (afora a discussão dos insumos de pessoa física – oportunamente abordados), empregandoos em produtos comprovadamente destinados ao mercado externo (elementos objetivos), fará jus ao crédito presumido, cujo cálculo aritmético, evidentemente, deverá pautarse pela aferição das Notas Fiscais de aquisição de insumos e pelas Notas de Exportação, assim como pelos Controles de Produção. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 592 6 Deverá ainda ser efetivado o requerimento de modo centralizado na matriz, pois, como se disse, tal requisito consta expressamente da Lei. Porém, quando a outros requisitos formais, não exigidos expressamente na legislação, e que não impeçam que se efetue o cálculo do crédito de modo seguro e preciso, poderão ser relativizados, desde que se consiga obter o valor dos créditos de outro modo, respaldado na contabilidade e respectivos documentos nela registrados, constantes dos autos ou complementados à vista de intimação fiscal para esse desiderato, que propiciem elementos para se calcular o valor total das aquisições de MP, PI e ME e para se apurar as receitas operacional bruta e de exportação. Consequentemente, a partir de tais elementos, será possível se aferir se estarão cumpridas as demais regras para se atingir o valor do incentivo. II. No mérito: glosa de dispêndios no cálculo do Crédito Presumido de IPI como Ressarcimento de Pis e de Cofins: Superada a questão formal, que, portanto, fica a cargo de execução pela Autoridade Preparadora, necessário passar a abordagem das glosas de dispêndios com insumos adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas, fretes em operações de compra de insumos ou de entrega dos produtos exportadores, e com energia elétrica, pelo que passo a abordagem de cada item, separadamente. II.a. Créditos sobre insumos adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas de produtores: Analisando o teor dos autos, constatase que a Recorrente voltase contra o indeferimento procedido pela Administração tributária, de computar na base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, os dispêndios da aquisição de insumos feitos pela Recorrente junto à produtores rurais pessoas físicas e/ou cooperativas. Sustenta a Recorrente haver direito ao referido cômputo, enquanto que a decisão recorrida fundamenta o indeferimento do direito ao crédito no fato de que referidos fornecedores de insumos não sofrem a incidência das contribuições em comento, e, portanto, nos termos da Lei, não propiciariam o cálculo do crédito em questão. Sobre a questão, cabe relembrar a Lei nº 9.363/96 foi estabelecida com o intuito de desonerar o produtor exportador, criando um regime de apuração de créditos de IPI que permitiam a utilização de crédito presumido de PIS e COFINS nas aquisições de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagens de produtores rurais e cooperativas. Não trouxe vedação expressa, do que se pode afirmar permitir esse cômputo, a priori, pois que, é indubitável que os produtores rurais pessoas físicas ou as cooperativas de produtores rurais, ao adquirirem os insumos agrícolas (sementes, fertilizantes, adubos, sacarias, imobilizados etc.), pagam embutidos no custos de tais insumos, as citadas contribuições, e, como tal, repassam “via preço”, esses custos para o preço dos produtos agrícolas, de modo que, financeiramente as contribuição ao PIS e à COFINS gravam o custo de tais insumos agrícolas, ainda que adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas. Em seu art. 6º, a Lei supracitada determinou que “o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções normativas necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusivo quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador”. Nos termos do art. 6º, da Lei nº 9.363/96, o então Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa nº 23/97 que, em seu art. 2º, restringiu a Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 593 7 dedução do crédito presumido do IPI, no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS e à COFINS. Todavia, como é bem sabido, a validade das Instruções Normativas, que são atos normativos secundários, necessitam de estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam, sob pena de estarem viciados de ilegalidade no momento em que tentarem sobrepujar a legislação hierarquicamente superior. Desta forma, restou evidente que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS, no tocante específico aos produtos oriundos de atividade rural, a Instrução Normativa nº 23/97 tornouse ilegal, extrapolando a regra prevista no art. 1º da Lei nº 9.363/96, bem como o próprio objetivo colimado pela norma. De nenhuma forma um ato normativo secundário poderá inovar no ordenamento jurídico, restringindo a aplicação de benefício instituído por Lei. Este também é o entendimento majoritário de nossos Tribunais, tendo, inclusive, sido julgado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, sob o regime dos Recursos Repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), como vemos abaixo: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 594 8 contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico e exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis tratados, convenções internacionais, etc.), Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 595 9 sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). [...] 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ REsp nº 993.164MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe de 17/12/2010) Temos ainda a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO REMESSA EX OFFICIO: ABRANGÊNCIA – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 596 10 PESSOA FÍSICA – LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 – LEGALIDADE. (...) 4. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 5. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 6. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 7. Precedente da Segunda Turma no REsp 586.392/RN. 8. Recurso especial provido em parte. (STJ REsp. nº 529.758 SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJU de 20/02/2006). Da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, se extraem os seguintes julgados: Processo e 10980.000495/200123 Recurso nº 201133.287 Especial do Contribuinte Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Acórdão nº 0202.883 Sessão de 28 de janeiro de 2008 Recorrente IMCOPA IMPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO E INDÚSTRIA DE ÓLEOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/09/2000 a 31/12/2000 Ementa: Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 597 11 Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Energia elétrica e combustíveis não são matériasprimas ou produtos intermediários e, portanto, não devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido regido pelas regras da Lei n° 9.363/96. Recurso especial provido quanto a matéria "aquisições de não contribuintes" e quanto à "não incidência de juros a taxa Selic sobre o crédito pleiteado". Recurso especial negado quanto às aquisições combustíveis e energia elétrica. Assim, há de ser considerado o crédito presumido oriundos da aquisição de matérias primas e insumos de produtores rurais pessoas físicas, nos termos da Lei nº 9.636/96, sob pena de afronta aos arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Ademais, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, havendo Recurso Repetitivo acerca da matéria em discussão, deve ser reproduzida nos autos, seguindose o entendimento solidificado pelo Poder Judiciário, somo soa ocorrer no caso em análise. Assim, nesse particular merece provimento o recurso voluntário, para admitir o cômputo na base de cálculo do crédito presumido, dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas e/ou cooperativas. II.b. Cômputo dos gastos com Fretes na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI como Ressarcimento de Pis e Cofins: No tocante aos gastos com frete, pretende a Recorente que sejam computados na base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao Pis e à COFINS, porque entende que, por serem arcados por ela, exportadora, os mesmos oneram sua atividade, ora para compor o custo dos insumos adquiridos, ora por compor o custo dos produtos exportados. Consequentemente, considerando que as empresas prestadoras de serviços de transporte que lhe cobra o frete são contribuintes das citadas contribuições, acabam refletindo no custo do frete, e, em última análise, onerando o produto exportado, de modo que o direito ao cômputo dos gastos com frete no cálculo do incentivo realiza o próprio objetivo do crédito presumido. No que diz respeito a esse tema, tenho que a questão do frete deve ser dividida em duas nuances, a saber: a) fretes nas operações de compras de insumos (MP, PI e ME); e, b) fretes na entrega dos produtos acabados a serem exportados (diretamente no porto ou recinto alfandegado, ou via comercial exportadora ou “trading”). E, nesse sentido, entendo que o direito ao cômputo dos dispêndios com o frete, quando comprovadamente suportados pelo produtor e exportador, acabam compondo o custo da matériaprima, produto intermediário ou do material de embalagem empregado na produção do produto exportado. Segundo as normas contábeis, tais dispêndios oneram o custo de tais insumos, e, consequentemente, devem ser contabilizados no custo do estoque, e, consequentemente, devem gerar o direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º, da Lei nº 9.363/96. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 598 12 Nesta linha de entendimento colhese da jurisprudência desta Corte Administrativa: “Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo.” (CARF – Acórdão nº 3401 01.015 3ª Seção 4ª Câm. 1ª Turma – Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho – j. 30.09.2010) Deve ficar consignado, no entanto, que o cômputo dos dispêndios na base de cálculo do crédito está submissa à efetiva comprovação da correlação entre o dispêndio com o frete de aquisição do insumo (MP, PI e ME), bem como que esse insumo efetivamente confira o direito ao crédito, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79, e, ainda, observada a conclusão final deste Acórdão e respectivo processo administrativo, bem como, que tenha comprovadamente sido suportado pelo adquirente produtor e exportador. Com relação aos dispêndios com fretes nas operações de transporte dos produtos destinados à exportação, tenho que, ainda que sejam suportados pelo exportador e que efetivamente sejam objeto de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS a serem recolhidas pelo prestador do serviço de transporte, no caso esses dispêndios desbordam do objetivo do incentivo fiscal, os quais, nos termos do art. 111, do CTN, devem ser interpretados literalmente. Tais dispêndios com fretes dos produtos destinados à exportação, tem como objeto do transporte, são os produtos já “acabados”, e não os insumos (MP, PI e ME), e, consequentemente, não compõem o custo de tais insumos, não podendo, por simples analogia, se pretender compor o cálculo do incentivo, já que está fora até mesmo da literalidade do art. 2o, da Lei nº 9.363/96, conforme se lê: “Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Em consequência, não reconheço o direito ao cômputo dos dispêndios com fretes nas operações de saída de produtos acabados, ainda que destinados à exportação e arcados pelo produtor e exportador, no cálculo do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º, da Lei nº 9.363/96, pois que não está empregado em insumos e sim em produtos já concluídos. Assim, nesse particular, merece parcial provimento, para reconhecer o direito ao cômputo dos dispêndios com fretes nas operações de aquisições de insumos (MP, PI e ME), devendo ser observada a correlação entre o dispêndio e o respectivo Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 599 13 insumo, bem como que esse insumo efetivamente confira o direito ao crédito, e que tenha comprovadamente sido suportado pelo adquirente produtor e exportador. II.c. Créditos sobre gastos com Energia Elétrica: No tocante a matéria em epígrafe, temse que o cerne da contenda reside na pretensão do contribuinte em computar na base de cálculo do crédito presumido de IPI em questão, os dispêndios por ela incorridos na aquisição de energia elétrica (ou outras formas de combustíveis), que é utilizada no seu processo produtivo, sendo que a decisão recorrida posicionouse no sentido de não considerar tais insumos como sendo concessivos de crédito, por entender que os mesmos não revestem esta qualidade porque não são consumidos diretamente no contato físico com o produto em fabricação, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79. Embora não se duvide que tais produtos sejam insumos indispensáveis ao processo produtivo, e nele se desgastem, assim como não se questione que os mesmos tenham relação de essencialidade e até mesmo de imprescindibilidade ao processo produtivo da recorrente, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, acabou por prevalecer o entendimento de que, para o caso de crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e de COFINS, instituído pela Lei nº 9.363/96, por se tratar de incentivo fiscal que deve ser restritiva e literalmente interpretado (art. 111, do CTN), apenas dará direito ao crédito os insumos que se enquadrarem no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicandose nessa interpretação o Parecer Normativo CST nº 65/79. E a energia elétrica, assim como as fontes alternativas de energia (como são o bagaço de cana, a lenha e os óleos combustíveis térmicos em geral etc.), embora sofram desgaste no processo produtivo, por não estarem em contato físico direto com o produto em fabricação, acabam não concedendo o direito ao crédito, segundo o entendimento majoritário que acabou prevalecendo. No caso vigora a Súmula nº 19, do CARF, que está assim redigida: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Cumpre observar que as Súmulas editadas pelo CARF são de observância e aplicação obrigatória, sob pena de perda de mandato ao Conselheiro que descumprir referido labor, de modo que no caso em questão deve ser aplicada. Assim, nesse particular, negase provimento ao recurso voluntário. III. Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para o fim de reconhecer o direito ao cômputo dos dispêndios com aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas e de gastos com fretes vinculados única e estritamente à aquisição de insumos (MP, PI e ME), na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, nos termos do voto supra fundamentado. É como voto. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402002.040 S3C4T2 Fl. 600 14 Eis o voto que me coube redigir. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 600DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.961519/2009-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 20361.28018.270208.1.3.024384, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 15 19 /2 00 9- 31 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 15374.961519/200931 Acórdão n.º 1003000.462 S1C0T3 Fl. 49 2 em 27.02.2008, fls. 02114, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do quarto trimestre do anocalendário de 2005 no valor de R$30.489,69 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. A Recorrente foi cientificada em 08.06.2009, fl. 29, do Termo de Intimação Irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP, fl. 28, solicitando retificar a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ou apresentar Per/DComp retificador correspondente no prazo de 20 dias contados da notificação (Art. 6º, Parágrafo 1º, Inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005). A DIPJ original nº 1153517 apresentada em 30.06.2006 e a DIPJ retificadora nº 1454461 entregue em 06.10.2009, encontramse nos sistemas internos da RFB como cancelada e liberada, respectivamente, fl. 27. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 13, intimado a Recorrente em 29.09.2009, fl. 14, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$30.489,69 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996, Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1236.663, de 14.04.2011, fls. 3032: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 06.07.2011, efl. 36, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.07.2011, efls. 3746, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 1) Foi negado provimento a manifestação de inconformismo do ora recorrente em virtude de (breve resumo): (i) Que os pedido deve preencher os requisitos da liquidez e da certeza; (11) que o detentor do direito creditório tem obrigação de declarar sua pretensão; (iii) Que as declarações devem se cruzar entre si Fl. 49DF CARF MF Processo nº 15374.961519/200931 Acórdão n.º 1003000.462 S1C0T3 Fl. 50 3 (DCTF/DIPJ/DIRF/DCOMP); e, (iv) que quando o órgão tributante foi confrontar as informações identificou divergências e que estas foram corrigidas posteriores ao pedido de compensação. 2) Nenhuma razão assiste ao recorrido, já que pelo próprio relato da i. julgadora a divergência foi corrigida com a apresentação da DIPJ retificadora, transmitida em 06/10/2009. 3) Não restam dúvidas que a retificadora fora transmitida em data posterior ao do pedido de compensação, só que este fato não é suficiente para elidir o direito do contribuinte, já que pelo lapso temporal ocorrido entre a data da transmissão e deste julgamento é mais do que suficiente para a DRF ter analisado a DIPJ retificadora e a validado. 4) A DIPJ retificadora sanou todas as divergências e comprovou que o recorrente é detentor do direito creditório, portanto, indiscutível o direito de compensação. 5) A Lei 9.784/99, que estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração [...]. 6) Prescrito em lei, portanto claro como a luz solar, que antes da decisão final do processo administrativo todas as provas, documentos,pareceres etc, devem ser levados em consideração, analisados no relatório decisivo. 7) No caso em espécie pensar diferente seria admiti o enriquecimento sem causa do órgão tributante, já que o não reconhecimento da compensação seria o mesmo que duplicar o valor dos tributos em questão,o que não é admitido pela nossa legislação pátria. 8) Enriquecimento ilícito ou sem causa, também denominado enriquecimento indevido, ou locupletamento, é, de modo geral, todo aumento patrimonial que ocorre sem causa jurídica, mas também tudo o que se deixa de perder sem causa legítima. [...] Concernente ao pedido expõe que: Face ao todo exposto forçoso concluir que nenhuma razão assiste ao recorrido, já que tratase de um direito líquido e certo do contribuinte em compensar o tributo sob pena de enriquecimento ilícito. Resta deixar consignado o direito do contribuinte de no processo administrativo, antes da decisão final, apresentar provas irrefutáveis de seu direito creditório que devem ser analisadas antes da decisão final, sob pena de cerceamento de direito e infringência a legislação que regula o processo administrativo a legislação civil e a tributária. [...] 13) Que seja admitido o presente recurso: 14) No mérito, que seja julgado totalmente procedente para admitir a compensação do crédito tributário do recorrente; 15) Alternativamente, que o processo seja reencaminhado pata a primeira instância administrativa para que esta reanalise a DIPJ retificadora e a valide e reconheça o direito creditório do contribuinte. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 15374.961519/200931 Acórdão n.º 1003000.462 S1C0T3 Fl. 51 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita comprovar a inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$30.489,69, apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2005. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15374.961519/200931 Acórdão n.º 1003000.462 S1C0T3 Fl. 52 5 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 3. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15374.961519/200931 Acórdão n.º 1003000.462 S1C0T3 Fl. 53 6 nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1236.663, de 14.04.2011, fls. 3032, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DERAT, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero). Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório (reconhece ter havido erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP). A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 77 da IN n° 900/2008). A DIPJ retificadora foi transmitida em 06/10/2009 (fl. 27). A DIPJ deveria ter sido retificada antes da apresentação do PER/DCOMP ou antes do Despacho Decisório. Registrese que o interessado teve a oportunidade de efetuar a retificação na DIPJ antes da emissão do Despacho Decisório, quando cientificado das inconsistências apuradas pela RFB (fls. 28 e 29). Os recolhimentos antecipados (estimativas) e as retenções na fonte constituem antecipações. Somente após encerrado o período de apuração e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL, é que pode restar caracterizado direito líquido e certo, passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. O ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo, em sede de análise, pela DRF de origem, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, podendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Cabe à DRF de origem a análise do crédito pleiteado e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação (artigos 57 e 63 da Instrução Normativa RFB 900/2008). A ausência de informação Fl. 53DF CARF MF Processo nº 15374.961519/200931 Acórdão n.º 1003000.462 S1C0T3 Fl. 54 7 na DIPJ, declaração própria para este fim, fez com que não houvesse a análise, pela DRF de origem, de eventual saldo negativo (posto que não restou configurado o direito creditório pleiteado saldo negativo). O julgamento pela DRJ constitui uma instância revisional. A matéria a ser apreciada pela DRJ é tão somente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso. Assim, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título. A análise da consistência do saldo negativo indicado na manifestação de inconformidade pela DRJ caracterizaria usurpação de competência de autoridade administrativa; o indeferimento do pedido com base em inconsistências não apontadas no despacho decisório representaria inovação e ensejaria o cerceamento do direito de defesa do interessado. O Despacho Decisório deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 54DF CARF MF
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