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Numero do processo: 13888.004452/2008-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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INOCORRÊNCIA Afastase a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que davalhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 44 52 /2 00 8- 30 Fl. 161DF CARF MF 2 Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), José Alfredo Duarte Filho. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, onde foram constatadas a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que: => deve ser declarada nulidade, reconhecimento da ilegitimidade do lançamento e conseqüente cancelamento por falta de motivação e afronta aos princípios que regem os procedimentos administrativos. => possui disponibilidade de caixa suficiente para arcar com as despesas efetuadas ratificando o efetivo adimplemento dessas despesas em dinheiro. => os recibos apresentados com todos os dados necessários para caracterização do documento somente pode ser rejeitado se for provado sua inidoneidade. => as deduções a título de incentivo, foram efetuadas a uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que atende a finalidade prevista na lei de incentivo fiscal pela função social que desempenha, devendo ser afastada a presente glosa; Por fim, pugna pela intimação de vários profissionais prestadores de serviços a fim de que os mesmos prestem esclarecimentos para a devida comprovação da efetividade da prestação dos serviços e requer insubsistência e cancelamento da notificação de lançamento por basearse em presunção e ferir princípios ou reconhecimento das deduções e afastamento das glosas por estarem devidamente comprovadas. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => com relação ao argumento de nulidade levantado pelo contribuinte, não merece prosperar eis que foi dada a oportunidade de ampla defesa e do contraditório tanto que a utilizou ao impugnar o lançamento, discorrendo e apresentando cópias de documentos que demonstram seu pleno conhecimento dos fatos apurados pela fiscalização. => com relação as despesas médicas, considerando o valor elevado dos recibos apresentados à fiscalização, o contribuinte foi intimado a comprovar tanto a prestação de serviços como o efetivo pagamento. Não logrando êxito, a autoridade fiscal glosou os valores deduzidos a título de despesas médicas. Poderia o interessado ter apresentado os extratos Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.004452/200830 Acórdão n.º 2001001.219 S2C0T1 Fl. 3 3 bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. => o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, cabendo ao contribuinte a prova de que faz jus à dedução pleiteada na declaração. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. => a prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Assim, quanto às declarações apresentadas pelo impugnante, temos que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. => com relação as despesas de incentivo, os comprovantes apresentados, às fls. 61/63, não se enquadram nas condições dispostas em lei. Assim é de se manter a glosa da dedução de incentivo do imposto. => com relação ao pedido de diligência, através da análise dos dispositivos legais e da análise dos elementos constantes dos autos, concluise pela inocorrência de qualquer uma das hipóteses legais que justifiquem os pedidos do impugnante. Em face do exposto, indefiro o pedido de diligência pretendido. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade e Cerceamento de defesa Fl. 163DF CARF MF 4 No que se refere à busca incansável do Contribuinte por argumentos para declaração de nulidade, com a devida vênia, totalmente desprovido de lógica e fundamento essa alegação vazia Somese a isso, que houve o atendimento integral a todos requisitos específicos da notificação fiscal houve o regular lançamento, procedimento administrativo por meio do qual o órgão que administra o tributo qualificou o sujeito passivo, consignou o valor do crédito tributário devido, o prazo para recolhimento ou apresentação de impugnação ao lançamento, bem como a disposição legal infringida, constando a indicação do cargo e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor Verificase, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Fato esse que não ocorreu em nenhuma hipótese no processo em análise. A descrição dos fatos é um dos requisitos essenciais à formalização da exigência tributária, mediante o procedimento de lançamento. Por meio da descrição, revelam se os motivos que levaram ao lançamento, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. Seu objetivo é, primeiramente, oportunizar ao sujeito passivo o exercício do seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, dandolhe pleno conhecimento do desenrolar dos fatos e, após, convencer o julgador da plausibilidade legal da notificação, demonstrando a relação entre a matéria consubstanciada no processo administrativo fiscal com a hipótese descrita na norma jurídica. É necessário, portanto, que o auditorfiscal relate com clareza os fatos ocorridos, as provas e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. TUDO isto foi devidamente atendido pelas autoridades fiscais. Assim, resta claro que não houve qualquer arbitrariedade ou atitude sorrateira por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. O procedimento fiscal sempre primou pela transparência e oportunidade de colaboração do contribuinte. Ademais, não houve também qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88). Ao contrário, o recorrente teve resguardado o seu direito à reação contra atos que lhe foram supostamente desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerceu o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugnála da forma mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.004452/200830 Acórdão n.º 2001001.219 S2C0T1 Fl. 4 5 Resta muito claro, pois, que o contribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente reservados e garantidos, o processo fiscal cumpriu todas as suas etapas, a notificação fiscal está completa e clara, e o contribuinte teve acesso a tudo. O seu argumento, aparentemente protelatório, de que deveria ser declarada a nulidade da presente notificação fiscal, é absolutamente vazio . Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 165DF CARF MF 6 O Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. O contribuinte foi intimado a comprovar tanto a prestação de serviços como o efetivo pagamento. Não logrando êxito, a autoridade fiscal glosou os valores deduzidos a título de despesas médicas. Poderia o interessado ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Vale repetir o quanto colocado pela DRJ no sentido de que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais, principalmente se for levantada alguma dúvida pela autoridade fiscal. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Verificouse que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Ao reverso, apenas refuta a notificação com argumentos extensos e protelatórios. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.004452/200830 Acórdão n.º 2001001.219 S2C0T1 Fl. 5 7 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo que deve ser mantida a glosa de despesas médicas. Pedido de Diligência. Indeferimento. Por fim, mais uma vez o Recorrente insiste para que sejam oficiados os profissionais de saúde a fim de prestarem esclarecimentos. Da análise minuciosa dos arts. 16, 17, 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, que trata do procedimento administrativo fiscal, em confronto com os elementos constantes dos autos, e em atenção aos princípios da busca da verdade material e do livre convencimento motivado, entendo não se identificar qualquer uma das hipóteses legais que justifiquem o pedido de diligência do Recorrente. Em face do exposto, indefiro o pedido de diligência pretendido. CONCLUSÃO: Fl. 167DF CARF MF 8 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de REJEITAR preliminar suscitada e, no mérito, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.912747/2009-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.912747/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.164 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente GERARDO BASTOS PNEUS E PECAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO 2005 COMPENSAÇÃO A DCTF constitui confissão de dívida e, assim, prevalecem os valores nela lançados. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 27 47 /2 00 9- 85 Fl. 61DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 0820.728, da 3ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório (fl 7), da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), que concluiu pela não homologação da compensação declarada na PER/DCOMP n° 23777.89373.290607.1.3.041609. Transcrevo, a seguir o relatório: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), através do qual o Titular da Unidade de Jurisdição do Sujeito Passivo, após apreciar o PER/DCOMP com TIPO DE CRÉDITO, . relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, referente ao anocalendário de 2005, com débitos do Interessado, e dados ali discriminados, concluiu pela não homologação da compensação declarada no citado PER/DCOMP. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, localizouse pagamento relacionado conforme Quadro do citado Despacho Decisório, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do Contribuinte, do que não restou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com o indeferimento total de seu Pleito, do qual tomara ciência em 21.10.2009, fls. 08, 32, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade em 19.11.2009, fls.09/13, 32, requerendo que fosse reconhecido o seu direito creditório e homologada a compensação declarada, alegando em síntese: Em 27.06.2006, o Requerente entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2006 (cópias do recibo e ficha anexos), informando para o primeiro trimestre de 2005, Ficha 12A linha 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR o valor de R$ 30.925,44. Ocorre que o imposto devido foi informado incorretamente na DCTF do mês de março de 2005, já que foi informado o valor de R$ 97.677,54, valor este pago em 3 (três) quotas, no valor de R$ 32.559,18 (DARFs anexos). Após análises e verificações, foi detectado o erro cometido e o Requerente procedeu, em 24.06.2005, à retificação da DCTF relativa ao mês de março de 2005, conforme cópias dos recibos e folhas anexas, informando os valores corretos. Porém, na DCTF do mês de junho de 2005, o Requerente incorreu novamente em erro, ao informar o IRPJ devido no 1° trimestre de 2005, bem como o pagamento das respectivas quotas, baseandose no valor informado na DCTF original do mês de março de 2005. Essa sucessão de erros fez com que a Secretaria da Receita Federal considerasse como imposto de renda devido no 1° trimestre de 2005 o valor de R$ 97.677,54 e não o valor correto de R$ 30.925,44, declarado na DIPJ 2006 e, consequentemente, não homologasse a compensação efetuada, alegando a inexistência do crédito informado. A DCTF apresentada pelo Requerente relativa ao mês de junho de 2005, indiscutivelmente, tem o condão de constituir o crédito relativo aos impostos e contribuição declarados, mas não pode estar acima da verdade material, quando esta, comprovadamente, refletir outra realidade. O Fisco não pode ignorar o verdadeiro lucro experimentado pelo Requerente bem como o respectivo IRPJ devido em função desse lucro, regularmente apurado na DIPJ 2006 e corretamente informado na DCTF do mês de março de 2005. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.912747/200985 Acórdão n.º 1001001.164 S1C0T1 Fl. 3 3 A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, ao se manifestar sobre a matéria, prezou pela verdade material em prejuízo dos rigores burocráticos, fIs. 11, 12. Ademais, para enriquecer as suas alegações, o Manifestante traz à baila trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Sr. Nelson Mallmann, que conclui que erros ou equívocos não têm, perante a legislação tributária, o condão de transformar se em fatos geradores de impostos. Isto posto, sendo o valor da 3° quota do imposto de renda relativo ao 1° trimestre de 2005 no valor de R$ 10.308,48 e tendo recolhido o valor R$33.373,15, resta claro e cristalino que o Requerente possui um crédito original equivalente a R$ 23.064,67, que atualizado pela taxa SELIC até 29.06.2007 (data da entrega do PER/DCOMP), perfaz valor suficiente para liquidação do débito compensado de R$ 28.710,08. Cientificada em 12/05/2011 (fl 46), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/06/2011 (fl 47). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega: · O IRPJ relativo ao 1° trimestre/2005, foi declarado na DCTF do mês de março/2005 no valor de R$ 30.925,44 a ser pago em quotas. Na DCTF do mês de junho/2005, na pasta "trimestre anterior" foi consignado como débito do trimestre anterior o valor incorreto de R$ 97.677,54 e relacionado os créditos vinculados (DARFs). · Há, portanto, duas declarações conflitantes entre si, desta forma não basta simplesmente escolher das duas a de maior valor, cabe apurar qual estaria correta. · A fim de demonstrar que o valor declarado na DCTF do mês de março/2005 era o correto, a Requerente juntou aos autos cópia da DIPJ de 2006, onde o IRPJ apurado é de R$ 30.925,44. Porém a decisão proferida alega que a DIPJ tem caráter meramente informativo , não tendo o condão de modificar a confissão do débito declarado em DCTF e, ainda, que não havia sido juntada prova cabal que o imposto apurado na DIPJ estava correto. · A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, além de levar ao conhecimento da fiscalização as informações econômicofiscais, prestase, também, a demonstrar a regular Fl. 63DF CARF MF 4 apuração do lucro experimentado pelo contribuinte, bem como, os respectivos impostos e contribuições devidos em função desse lucro. · Convém salientar que a DIPJ goza da presunção de veracidade, somente elidida com prova em contrário. · De outra banda, se é a DCTF que possui o condão de constituição do débito, qual DCTF devemos considerar? A do mês de março/2005 onde o imposto apurado e declarado é de R$ 30.925,44 ou a de junho/2005 onde estão consignadas as quotas pagas e o valor do imposto declarado é de 97.677,54 ? · A Administração Fiscal certamente considerou a do mês de junho/2005, já que é ela que relaciona os créditos vinculados. Porém a resposta correta deve ser aquela que expressa realmente a verdade. · O Fisco não pode ignorar o verdadeiro lucro experimentado pela Requerente bem como o respectivo IRPJ devido em função desse lucro, regularmente apurado na DIPJ de 2.006. · Assim, sendo o valor correto da 3a quota do imposto de renda relativo ao 1° trimestre de 2.005, o valor de R$ 10.308,48 e tendo recolhido o valor R$ 33.373,15, resta claro e cristalino que a Recorrente possui um crédito original equivalente a R$ 23.064,67 que atualizado pela taxa Selic, até 29.06.2007 ( data da entrega da PER/DCOMP), perfaz, valor suficiente para liquidação do débito compensado no valor de R$ 28.710,08. Conclui, pedindo que seja reformada a decisão da DRJ. Entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, a qual transcrevo, parcialmente: Enquanto a DCTF constitui confissão de dívidas tributárias e instrumento hábil para inscrição na Dívida Ativa da União, como se viu acima, é também pacífico que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresenta um perfil diferente, revelandose como mero banco de informações à disposição da Receita Federal, para o planejamento de suas ações, seja sobre um Contribuinte especificamente ou até mesmo com base nos dados agregados relativamente aos diversos segmentos das atividades econômicas. Criada por meio da Instrução Normativa SRF 127, de 30.10.1998, todas as normas referentes à DIPJ revelam esse caráter meramente informativo do instrumento. Aliás, não há no plano normativo tributário federal qualquer menção a controle de débitos por meio das DIPJ. Bem apropriadamente, o nome da Declaração já expõe o seu objetivo de coletar dados econômicofiscais, conforme se observa nos arts. 1° e 2° da citada norma: Instrução Normativa SRF 127, de 30.10.1998: "Art. 1° Fica instituída a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIP.J Art. 2° A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, anualmente, até o último dia útil do mês de setembro, a DIPJ, centralizada pela matriz." Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10380.912747/200985 Acórdão n.º 1001001.164 S1C0T1 Fl. 4 5 Demonstrada a diferença fundamental entre a DCTF e a DIPJ, fica fácil compreender que o Fisco deve, para fins de apurar eventual direito creditório alegado pelo Sujeito Passivo, observar as informações postadas pelo Contribuinte na DCTF, a qual constitui confissão de dívida, efeito jurídico extremamente relevante para a relação FiscoContribuinte. No presente caso, por ocasião da análise do PER/DCOMP , não foi confirmada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (DRF/FOR) a existência do direito creditório, na quantia pleiteada pelo Interessado, porque o valor do pagamento recolhido mediante o DARF citado estava utilizado para quitar o débito confessado pelo próprio Contribuinte em sua DCTF entregue à RFB. Desse modo, não se pode atribuir defeito ao Despacho Decisório, uma vez que o próprio Sujeito Passivo havia confessado o débito, cuja liquidação o Fisco promoveu utilizando o valor do pagamento realizado por meio do DARF. Até aí, as informações prestadas pelo Contribuinte foram tratadas eletronicamente, ou seja, o Fisco realizou procedimentos de conferência sobre as informações prestadas pelo próprio Interessado, do que resultou a emissão do Despacho Decisório. Com relação ao citado Despacho Decisório que ensejou o conflito em exame, o Manifestante, ao tomar ciência do conteúdo resolutório, limitouse a mencionar DIPJ e DCTFs, desacompanhadas de documentos probantes, com o fim de garantir o direito creditório pleiteado. Por tal motivo, foram anexos pelo Relator deste Acórdão extratos relativos à DIPJ e as DCTFs, fls. 33/36, em que se constata que descabe o valor de R$ 30.925,44 alegado pelo Contribuinte, pois prevalece o que foi confessado pela DCTF, com data de recepção em 19.01.2009, fls. 34, ou seja, R$ 97.677,54, fls. 36. Vale destacar: não foi realizado o esforço probatório necessário no sentido de demonstrar a veracidade das argumentações apresentadas; não foi apresentado nenhum Livro Contábil ou Livro Fiscal que demonstrasse a procedência das alegações acerca do valor do débito. No processo administrativo que se aprecia, o que não se pode negar é que, instaurado o contraditório, o Interessado teve a oportunidade de demonstrar a veracidade de todas as informações acerca do direito alegado. Todavia, o fato é que não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar o direito alegado. Assim, entendo que não há, na Manifestação de Inconformidade em exame, suporte material capaz de estabelecer o elo entre o conteúdo argumentativo da Defesa e as circunstâncias fáticas que teriam, levado à origem do direito creditório alegado pelo Contribuinte. Outrossim, tendo em vista a necessidade de liquidez e certeza do direito de crédito utilizado em compensação, conforme exige o art. 170 da Lei 5.172, de 25.10.1966 Código Tributário Nacional (CTN), resta reconhecer que o Manifestante não demonstrou ser credor da Fazenda Nacional. Não há nos autos prova robusta de que efetuara recolhimento a maior ou indevido, pois não provou que o débito era originalmente inferior ao efetivamente declarado e pago por meio de DARF. Ademais, é de se observar que a alegação do direito perseguido, desacompanhada de elementos probantes, capazes de evidenciar que o valor do débito em DIM seria menor do que aquele efetivamente confessado em DCTF e recolhido à época, constitui mera manifestação de vontade de o Contribuinte alterar o valor do citado débito que constou da mencionada DCTF. Por conclusão, não há provas da existência do erro material (pagamento indevido ou a maior) no recolhimento do DARF, como pretende o Defendente. Fl. 65DF CARF MF 6 Assim, a Administração Fiscal está impedida de deferir o Pleito de compensação do crédito que o Sujeito Passivo argumentou possuir contra a Fazenda Nacional, por não possuir o alegado crédito os atributos de certeza e liquidez, sem os quais o correspondente débito não pode ser extinto, "ex vi" da determinação contida no art. 170 do • Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Deste modo, como não foi demonstrado cabalmente o direito creditório do Manifestante, e portanto não foi comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse os débitos da Empresa, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. Quanto ao argumento da Defesa de que erros ou equívocos não teriam o condão de transformarse em fatos geradores de impostos, cabe salientar que os eventuais erros ou equívocos somente serão desconsiderados quando a alegação da Defesa de que teria cometido um mero equívoco for devidamente comprovada com documentos hábeis e idôneos, sem o que descabe tal alegação, ressaltado outrossim o que dispõe o § 4° do art. 16 do Decreto 70.235, de 06.03.1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF), a seguir transcrito: "§ 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força • maior; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei '9.532, de 1997)" Deduzse portanto, rigorosamente de acordo com a Legislação Aplicável ao assunto apreciado, que o Contribuinte não dispõe de crédito líquido e certo, requisito indispensável para que seu Pleito de compensação seja acatado. No que concerne à jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, citado pela Defesa, há de se dizer, apenas, que se considera simples exemplificação da tese defendida pelo Manifestante/Impugnante, uma vez que não se constitui em normas complementares para o Despacho/Autuação ora apreciado, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN) e, portanto, não vincula as decisões desta Instância Julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a Decisão, consoante o disposto no Parecer Normativo CST 390/71: Quanto aos argumentos de Ilustres Conselheiros e/ou Juristas que estariam contrários ao Despacho/Lançamento verificado, observase que a Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida na legislação tributária, tais como os atos constantes do citado Documento analisado. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. E inócuo, então, suscitar tais alegações na Esfera Administrativa, pois a Autoridade Fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10380.912747/200985 Acórdão n.º 1001001.164 S1C0T1 Fl. 5 7 responsabilidade funcional, desrespeitar as normas dos atos, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. Já a DIPJ tem o cunho apenas informativo. A este respeito, temos a súmula 92 do CARF: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Consequentemente, não se trata de "escolher", como afirma a recorrente. Ela própria confessou seus débitos e o Fisco nada mais fez além de considerálos para fins de análise da compensação e decidiu de acordo com o que consta em seus sistemas. Assim, nego provimento ao presente recurso. Fl. 67DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902428/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 28 /2 01 4- 72 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.536. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10580.902428/201472 Acórdão n.º 3401005.862 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901069/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1201-002.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensaç ão de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem proferir novo despacho decisório, apreciando a liquidez e a certeza do indébito declarado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensaç ão de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem proferir novo despacho decisório, apreciando a liquidez e a certeza do indébito declarado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório SEMP TOSHIBA AMAZONAS SA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0122.005 (fls. 52), pela DRJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 69 /2 00 9- 23 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10283.901069/200923 Acórdão n.º 1201002.964 S1C2T1 Fl. 97 2 Belém, interpôs recurso voluntário (fls. 63) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 90.000,00 oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ (fls. 116). A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório de fls. 6: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa (fls. 52): ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 134, por meio do qual repisa os argumentos já trazidos na sua manifestação de inconformidade, pelos quais não haveria fundamento legal para a limitação do alcance do mecanismo de compensação, acrescentando que as provas que podem ser acessadas pela fiscalização são suficientes para demonstrar o crédito. Com isso requer a reforma de decisão atacada, para que seja homologada a compensação realizada. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 29/07/2011 (fls. 61) e apresentou o seu recurso voluntário em 23/08/2011 (fls. 63), dentro do prazo recursal. O Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10283.901069/200923 Acórdão n.º 1201002.964 S1C2T1 Fl. 98 3 recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ recolhido em 29/04/2005, no valor de R$ 495.526,61. A Administração Tributária não homologou a compensação por entender que o pagamento de estimativa não pode ser objeto de DCOMP, devendo ser levado à apuração anual do respectivo tributo. Tal entendimento foi corroborado na decisão de piso. No presente recurso voluntário, o contribuinte afirma que não haveria fundamento legal para a limitação do alcance do mecanismo de compensação, acrescentando que a fiscalização teve acesso a todos os registros fiscais do contribuinte. A decisão recorrida tem como fundamento o artigo 10 da IN SRF nº 460/2004, reproduzido no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, o qual determina a impossibilidade da restituição de pagamento indevido ou a maior de estimativa. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa, conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Com isso, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem proferir novo despacho decisório apreciando a liquidez e a certeza do indébito declarado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720907/2017-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 20 90 7/ 20 17 -3 6 Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.649 2 Tratase de impugnação, fls. 985/999, formalizada com o propósito de reverter os efeitos jurídicos decorrentes de créditos tributários constituídos por meio de autos de infração, fls. 924/938, nos valores abaixo especificados (valorados até junho/2017): Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social R$ 197.726.125,65 Contribuição para o PIS/Pasep R$ 42.927.382,45 Total do crédito tributário constituído R$ 240.653.508,10 As infrações consideradas pela autoridade lançadora, relacionadas ao período compreendido entre 01/01/2013 e 31/12/2013, foram a insuficiência nos recolhimentos para o PIS/Pasep e para a COFINS, o que se deu em razão de diversas glosas de créditos apropriados na sistemática nãocumulativa pela pessoa jurídica, tudo conforme evidenciado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 939/969, a seguir sinteticamente apresentado. Inicialmente, o representante fazendário discorreu, de maneira cronológica, a forma como a fiscalização se desenvolveu, desde a notificação do Termo de Início de Fiscalização, passando pelas intimações subsequentes e pelas respostas do sujeito passivo, até chegar à descrição das infrações tidas por praticadas, o que requereu uma preliminar análise das despesas e dos custos considerados com aptidão na geração de créditos, em vista das atividades operacionais desenvolvidas e das receitas a elas correspondentes. A conclusão que chegou foi de que o contribuinte possui uma atividade mista de revenda de produtos e de prestação de serviços, o que se dá da seguinte maneira: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO: • Distribuição Linhas Redes e Subestações Outras Receitas Prefeitura: São Serviços que Expandem e Realizam manutenção da Iluminação Pública quando solicitados pelas Prefeituras; • Distribuição Linhas Redes e Subestações Ouras Receitas Prestação de Serviço Terceiros: Essas receitas tem natureza de Prestação de Serviço (Obrigação de Fazer), pois tratamse de Serviço de Eficiência Energética, Serviço de Liberação de Pulso de Medição, Execução de obras na rede de distribuição de energia elétrica, serviços de manutenção em Redes, Fornecimento de Lista Demandas e Leitura Remota; • Outras Receitas Diversas Receitas Novos Negócios: Receita referente a análises de viabilidade (projeto) de solicitação de alteração ou ajuste na rede de distribuição, realizado mediante solicitação do clientes. Análise de Projeto de Instalação de Redes; • Comercialização Outras Receitas Vendas Serviço Taxado: Serviços regulados, realizados mediante solicitação do cliente, como religação emergencial. Tratamse de Serviços regulados, realizados mediante a solicitação do cliente. Ex: Religação Emergencial, Vistoria Unidade Consumidora, etc. • Atividade não Vinculada a Concessão SeguroConta Energia Elétrica: Serviços de Arrecadação de valor do Seguro de terceiro, efetuado através da conta de Energia. Seguro na fatura de Energia Elétrica. Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.650 3 • Atividade não Vinculada a Concessão – Cobrança: Serviços de arrecadação da Contribuição da iluminação pública (COSIP/CIP) exigido pelas municipalidades que às instituíram, com exceção da Prefeitura de SP que atribuiu a responsabilidade tributária a concessionária de energia. REVENDA DE PRODUTOS: • Esta se caracteriza como a Receita Principal do contribuinte que é a Revenda de Energia Elétrica OUTRAS RECEITAS: • Outras Receitas Diversas Receitas – Outras: Referese a liquidação dos valores divulgados pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), originários do eventual descumprimento das obrigações previstas pelos geradores nos termos dos contratos firmados com os agentes compradores de CCEARs por disponibilidade. • Receita de ConstruçãoIFRS: Conforme CPC 017 Contabilização dos custos de construção na receita ao longo do período de execução da obra. • Arrendamento e Aluguéis em função Serviços Concedidos: Receita referente à cessão e compartilhamento dos postes da rede por empresas de Terceiros (Telefônica, Net). • Arrendamento Aluguéis e Empréstimo de Bens: Receita referente à locação de imóveis Na sequência, reproduziu o inc. II do art. 3º da Leis de nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2004, que trata dos créditos relacionados a insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, após o que registrou que: As leis acima mencionadas vinculam o aproveitamento de créditos à sua utilização na produção ou fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, incluindo entre os insumos, os combustíveis. Desta forma, são considerados insumos somente os bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente no serviço prestado ou na mercadoria fabricada. Excluindose, portanto, desse contexto, as despesas que se reflitam indiretamente na prestação de serviços. A dedução de crédito calculado na apuração da Cofins e do PIS deve estar expressamente prevista em lei, sendo inadmissível eventual interpretação extensiva de norma tributária que provoque desoneração fiscal. Desse ponto em diante, passou a relacionar cada um dos itens cujos créditos foram pela autoridade lançadora tidos como apropriados sem suporte legal. B1) COMBUSTÍVEIS E PEÇAS PARA AUTOMÓVEIS os valores creditados se referem a peças para automóveis e a combustíveis que não são usados ou consumidos diretamente nas prestações de serviços. B2) ACOMPANHAMENTO E FISCALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO DE OBRAS DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E URBANISMO a atividade de fiscalização não pode ser considerada como insumo; ainda que se admita que a empresa execute obras de expansão na rede de distribuição, a fiscalização não é um serviço Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.651 4 consumido diretamente na obra; a obra pode ser executada independentemente da existência ou não de um procedimento de fiscalização. B3) CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM SERVIÇOS DE APOIO TÉCNICO OPERACIONAL despesas de ordem administrativa, gerencial, de auxílio, de segurança patrimonial/vigilância, elaboração de projetos, taxas cobradas por órgãos administrativos, etc, não podendo nenhuma delas ser considerada insumo. B4) CRÉDITOS SOBRE SERVIÇOS DE LEITURA DE MEDIDORES também se referem a dispêndios de ordem administrativa e/ou cobrança, sem direito ao crédito. B5) CRÉDITOS SOBRE ENTREGAS DE CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA E IMPRESSÃO DE CONTAS com natureza administrativa e/ou de comunicação/cobrança ao consumidor do valor consumido, não sendo insumos diretos de suas prestações de serviços. B6) CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM MANUTENÇÃO E OPERAÇÃO DE SISTEMAS relacionados a serviços de consultoria, de criação de programas de informática, de manutenção em sistemas informatizados, operacionais e de atendimento a clientes, de tecnologia da informação (TI), de telefonia e de gestão orçamentária, assim como de manutenção e suporte no site da pessoa jurídica na internet, são representativos de despesas de natureza administrativa, não podendo serem considerados insumos diretos na prestações dos serviços. B7) CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM SISTEMA DE SUBTRANSMISSÃO referentes a elaboração de estudos, limpeza, mobilização e inspeção, todos de ordem administrativa, sem aptidão para a geração dos créditos. B8) CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM CORTE E RELIGAÇÃO a despeito de necessárias, as despesas com cortes e com religações não possuem permissivo legal a amparar o crédito. B9) CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS combustíveis não são insumos diretos nos serviços prestados pela pessoa jurídica. B10) CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETAMENTO DE AERONAVES despesas com o fretamento de aeronave, para inspeções por conta da contratante, realizadas com vista a melhorar os sistemas ou para verificar o seu correto funcionamento, não podendo serem consideradas insumos diretos nas prestações de serviços. B11) CRÉDITOS SOBRE MERCADORIAS PARA REVENDA ADQUIRIDAS COM ISENÇÃO a glosa alcançou energia adquirida da Itaipu Binacional, o que se deu em razão de as receitas auferidas pela vendedora estarem albergadas pela isenção determinada pelo art. 14 da Lei nº 10.925, de 2004; estabelece o inc. II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2004, que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dará direito ao crédito; a negativa ao crédito se aplica inclusive nos casos de isenção quando os bens adquiridos com isenção forem revendidos ou quando os bens adquiridos com isenção forem utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. A tabela a seguir transcrita contempla os totais mensais dos créditos glosados, assim como as repercussões na apuração nãocumulativa das contribuições sociais: Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.652 5 Registrese, por relevante, que os valores especificados como totais dos créditos glosados correspondem com precisão aos valores lançados em desfavor do contribuinte, relativamente ao PIS/Pasep e à COFINS. Por meio de consulta ao seu domicílio tributário eletrônico, no dia 27/06/2017 a pessoa jurídica foi notificada dos autos de infração, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 980. Por meio de petição apresentada em 25/07/2017, também de maneira eletrônica, fl. 982, a interessada requereu a juntada de sua peça contestatória, dos documentos de identificação dos signatários e dos documentos tidos por comprobatórios do direito alegado na impugnação, estando a tempestividade do feito evidenciada em despacho formulado por representante da unidade preparadora, fl. 1.428. Após discorrer sobre os fatos e sobre as infrações pela autoridade fiscalizadora considerados, a impugnante iniciou sua dissertação apresentando o seu entendimento para o conceito de insumo plasmado pela legislação fiscal. Aduziu que os dispositivos legais e na linha da jurisprudência administrativa atual, "os valores relacionados a serviços prestados por terceiros e aos bens adquiridos configuram 'insumos' para fins de tomada de créditos de PIS e COFINS, haja vista sua representatividade para atividade fim desenvolvida, sem os quais o próprio serviço de distribuição de energia elétrica restaria prejudicado". Tendo em conta a natureza das glosas fiscais, dividiu a impugnação nos seguintes blocos: a) Serviços prestados por terceiros; b) Bens adquiridos para utilização no processo produtivo; e c) Mercadoria para revenda adquirida com isenção. a) Serviços prestados por terceiros Conforme verificado no TVF, a fiscalização glosou créditos com relação a serviços prestados por terceiros à reclamante, decorrentes de: (i) acompanhamento e fiscalização de obras (item B2 do TVF); (ii) apoio técnico operacional (item B3 do TVF); (iii) leitura de medidores (item B4 do TVF); (iv) impressão e entrega de contas de energia elétrica (item B5 do TVF); (v) manutenção e operação de sistemas (item B6 do TVF); (vi) sistema de subtransmissão (item B7 do 11/F); (vii) corte e religação de contas de energia elétrica (item B8 do TVF); e (viii) fretamento de aeronaves (item B10 do TVF). A análise feita pela fiscalização foi demasiadamente superficial, limitandose a afirmar que referidos serviços não podem ser considerados insumos para fins de desconto de créditos na sistemática nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.653 6 Todos os serviços contratados pela autuada junto a terceiros estão diretamente relacionados à consecução do contrato de concessão do serviço público de energia firmado com o Poder Público, o que ocorre com o fim de atender de maneira efetiva o regulamento dos serviços de energia elétrica estabelecido pelo Decreto nº 41.019, de 1957 (Doc. 5), as obrigações contidas no Contrato de Concessão nº 162/98 (Doc. 6) e as condições de fornecimento de energia impostas pela ANEEL e constantes da Resolução Normativa nº 414, de 2010 (Doc. 7), cujas disposições devem ser observadas pelas distribuidoras. Prosseguindo, apresentou um demonstrativo em que coteja cada uma das glosas fiscais neste tópico contraditadas com os dispositivos legais que, a seu ver, demonstram se tratar procedimentos obrigatórios e, por assim ser, legitimam o direito aos créditos que foram negados pela fiscalização. Com relação ao fretamento de aeronaves (item B10 do TVF), é serviço extremamente necessário à consecução das atividades visto a impugnante se encontrar obrigada a realizar a inspeção das redes de energia elétrica muitas das quais são aéreas e se estendem por quilômetros, de modo que para viabilizar a inspeção das redes de forma eficaz, existe a necessidade de se utilizar a via aérea. As redes de subtransmissão (item B7 do TVF) representam o conjunto de linhas e subestações que conectam as barras da rede básica ou de geradores às subestações de distribuição, sendo que a ANEEL determina critérios e diretrizes a serem observados pelas distribuidoras de energia para sua manutenção e expansão, de modo que a realização de estudos e inspeções dizem respeito a custos intrínsecos à consecução das atividades operacionais da empresa. Especificadamente com relação à emissão e entrega de contas de energia elétrica (item B5 do TVF), o procedimento deve estar de acordo com o Convênio ICMS nº 115/03, que dispõe sobre a uniformização e disciplina a emissão, escrituração, manutenção e prestação de informações dos documentos fiscais para contribuintes fornecedores de energia elétrica (Doc. nº 8). Todos os serviços contratados perante terceiros estão diretamente relacionados à consecução do contrato de concessão de energia elétrica firmado com o ente estatal, pelo que configuram insumos para fins de tomada de créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Sem tais contratações o próprio serviço de distribuição de energia elétrica estaria prejudicado. Vide decisões do CARF, cujo entendimento foi adotado pela própria RFB na Solução de Consulta Cosit nº 67, de 2017, em que foi reconhecida a possibilidade de as concessionárias de serviço público apurarem créditos na qualidade de insumos com relação a dispêndios com serviços de manutenção de redes, realização de obras, ligação, religação, leitura de medidores, entre outros, aplicados diretamente na execução dos serviços oferecidos, o que bem demonstra a incorreção do procedimento fiscal (Doc. nº 9). b) Bens adquiridos para utilização no processo produtivo Neste itens estão contempladas as glosas relacionadas aos créditos decorrentes de bens adquiridos e utilizados na consecução do contrato social da requerente, tais como combustíveis e peças para automóveis (item B1 do TVF) e despesas com combustíveis (item B9 do TVF). Diferentemente do entendimento fiscal, é possível o desconto de créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.654 7 produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (art. 3º, inc. II, Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). No caso impugnado, a empresa adquire combustível para abastecimento de seus veículos e máquinas indispensáveis ao processo de produção e de distribuição de energia elétrica. Sem o combustível, não seria possível manter a atividade em andamento. Vejamse decisões do CARF, nesse sentido. Da mesma forma que o combustível é necessário para a utilização dos veículos e das máquinas, as aquisições de peças para o conserto das máquinas e dos veículos também é imprescindível. Sem tal providência a empresa estaria impedida de exercer regularmente as suas atividades, o que torna patente a necessidade da reversão das glosas aqui debatidas. c) Mercadorias para revenda adquiridas com isenção A glosa fiscal atingiu a energia elétrica adquirida da Usina de Itaipu Binacional (ITAIPU) pois, no entender da fiscalização, inexiste o direito ao crédito dado que a receita auferida pela usina, decorrente da operação de venda para a impugnante, ser isenta do PIS/Pasep e da COFINS em vista do disposto pelo art. 14 da Lei nº 10.925, de 2004, tratandose de entendimento que não somente viola a própria legislação aplicável à nãocumulatividade mas também contraria frontalmente o entendimento já manifestado pela RFB por meio de Solução de Consulta. O § 2º, do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, mencionado pela fiscalização no TVF, prevê que não dará direito a crédito o valor "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados nela contribuição". Embora o art. 14 da Lei nº 10.925, de 2004, estabeleça que as receitas decorrentes da venda de energia elétrica por ITAIPU estarão isentas do PIS/Pasep e da COFINS, a receita gerada pela revenda da energia elétrica adquirida da ITAIPU pela impugnante aos seus consumidores finais é tributada no PIS/Pasep e na COFINS, não estando abrangida, a receita da revenda, nas situações de alíquota zero, isenção ou não tributação acima referidas, não se aplicando, portanto, a vedação prevista no § 2º, do artigo 3º das leis que instituíram a nãocumulatividade. Logo, plenamente legal o desconto de créditos sobre o valor da tarifa de repasse de potência que é pago para a ITAIPU, pessoa jurídica domiciliada no País, na medida em que a energia elétrica gerada por essa potência será revendida/distribuída aos consumidores finais, de forma que as exceções previstas nos artigos 3º, § 2º, das leis acima referidas, não se aplicam ao caso concreto. Quando há saída tributada, corno acontece no presente caso, o direito ao crédito é mantido tanto com relação aos insumos, quanto aos bens adquiridos para revenda. Cumpre se registrar que o direito ao crédito no presente caso é reconhecido pela própria RFB por meio de Soluções de Consulta, de modo que o entendimento da fiscalização contraria as orientações do próprio órgão ao qual está subordinada, corroborando ainda mais a ilegalidade da glosa desses créditos. O que a legislação verdadeiramente não permite é o creditamento quando o bem adquirido é isento de tributação pela parte vendedora (no caso, a ITAIPU) e, Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.655 8 adicionalmente, também é sujeito à isenção quando de sua venda em uma etapa posterior. Contrariamente ao entendido pela fiscalização, inclusive a interpretação literal do dispositivo em questão leva ao entendimento de que só estão vedados os créditos nas hipóteses de saídas posteriores não sujeitas à tributação. Quando há saída tributada, como acontece no presente caso, o direito ao crédito é mantido, tanto com relação aos insumos, quanto aos bens adquiridos para revenda. O entendimento fiscal implica em ofensa ao princípio da nãocumulatividade, vez que seria negado crédito das contribuições ao vendedor desses bens em saída tributável. Corroborando este entendimento, a Solução de Consulta SRRF05/Disit nº 28, de 2009, e a Solução de Consulta SRRF03/Disit nº 17, de 2008. Com relação ao IPI, especificamente, há uma diferença crucial entre a situação analisada pelo Supremo Tribunal Federal, citada pela fiscalização, e o presente caso. Isso porque no IPI não existe legislação a autorizar a manutenção dos créditos nas hipóteses de aquisição de bens com isenção seguida de saída tributada. Por outro lado, no caso do PIS/Pasep e da COFINS há, uma vez que o § 2º do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente autoriza a manutenção dos créditos nessa hipótese. d) Não incidência de juros sobre a multa A aplicação de juros sobre o valor das multas fiscais não é realizada com amparo em lei, mas tão somente no Parecer MF nº 28, de 02/04/1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT. O art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela RFB. Justamente por esse motivo, qual seja, a ausência de base legal para atualização das multas fiscais, é que o CARF entende que tais multas não são atualizáveis (Acórdão nº 10196.607, de 06/03/2008). A CSRF pacificou a questão acerca da ilegalidade da incidência dos juros moratórios, seja a taxa Selic, seja o percentual de 1% ao mês, sobre a multa aplicada no âmbito federal (Acórdão nº 202131.351, de 06/05/2008). Ao final de tudo, formulou o seguinte pedido: (i) os serviços contratados junto à terceiros estão diretamente relacionados à consecução do contrato de concessão firmado com o Poder Público e, assim, configuram "insumos" para fins de tomada de créditos de PIS e COFINS, haja vista sua representatividade para a atividade desenvolvida, sem os quais o próprio serviço de distribuição de energia elétrica restaria prejudicado; (ii) da mesma forma, os bens adquiridos pela Requerente são utilizados na consecução das suas atividades e imprescindíveis à sua continuidade, de modo que também caracterizam insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS; (iii) a energia elétrica da Usina de Itaipu adquirida com isenção é objeto de saída tributada pelo PIS e COFINS por parte da Requerente (via tarifa), não se aplicando nesse caso a vedação prevista no § 2º, do Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.656 9 artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03; e (iv) a exigência dos juros deve ser limitada única e exclusivamente ao valor do principal, excluindose tal exigência com relação às multas. Como elementos de prova, promoveu a juntada dos documentos de fls. 1.019/1.414. Ato contínuo, a DRJFORTALEZA (CE) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, além dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação a bens e serviços adquiridos em operações beneficiadas com isenção e posteriormente: a) revendidos; ou b) utilizados como insumo na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que sejam vendidos ou prestados em operações não sujeitas ao pagamento dessa contribuição (Solução de Consulta Cosit nº 227, de 2017). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, além dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação a bens e serviços adquiridos em operações beneficiadas com isenção e posteriormente: a) revendidos; ou b) utilizados como insumo na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.657 10 sejam vendidos ou prestados em operações não sujeitas ao pagamento dessa contribuição (Solução de Consulta Cosit nº 227, de 2017). Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A obrigação acessória, representada pela multa de ofício, pelo simples fato de sua inobservância convertese em obrigação principal. Como os juros Selic incidem sobre o valor dos tributos devidos (obrigação principal), haverão de incidir, também, sobre a multa exigida no procedimento fiscal (obrigação acessória convertida em obrigação principal, em razão de sua inobservância). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No presente Recurso Voluntário, suscitou apenas questões de mérito, utilizando se das mesmas argumentações apresentadas na sua impugnação. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Como já consignado, a lide trata de autos de infração de PIS e COFINS decorrentes de glosas de créditos descontados indevidamente e em desacordo com os preceitos legais. A empresa é uma sociedade anônima de capital aberto, tendo como objetivo principal desenvolver atividades associadas à prestação de serviços de energia elétrica (art. 2°, b, do Estatuto Social). Em suma, os créditos glosados, que foram apontados como indevidamente descontados, referemse aos seguintes itens, bem sintetizados no Recurso interposto, verbis: Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.658 11 Ainda, a Recorrente pugnou pela improcedência da incidência de juros sobre multa de ofício. Por oportuno, devese apresentar a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP), em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.659 12 Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.660 13 estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 2 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. 1 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 2 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.661 14 Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 13855.720907/201736 Resolução nº 3402001.825 S3C4T2 Fl. 1.662 15 Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observase que o Auditor Fiscal e o acórdão recorrido aplicaram integralmente o conceito mais restritivo aos insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB (Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004), já declarados ilegais pela decisão do STJ sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015). Assim, em face da superveniência do REsp nº 1.221.170/PR, carecem os autos da comprovação do eventual enquadramento dos itens glosados no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. Dessa forma, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: 1. Intime a Recorrente, dentro de prazo razoável, a apresentar laudo técnico com a demonstração detalhada da utilização de cada um dos bens e serviços entendidos como insumos no "processo produtivo" da prestação do serviço desenvolvido pela Recorrente, nos termos do REsp nº 1.221.170/PR; 2. Intime a Recorrente, dentro de prazo razoável, a justificar porque considera que cada um dos bens e serviços do item anterior são essenciais ou relevantes ao seu "processo produtivo", do qual resulta o produto final destinado a venda ou relativo à execução de serviço prestado a terceiro, em conformidade com os critérios delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, anteriormente citado. 3. Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no item acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento de cada bem e serviço do período de apuração no conceito de insumo delimitado no Parecer Normativo Cosit nº05/2018 e Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF). 4. Após a intimação da Recorrente do resultado da diligência, concederlhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, e, posteriormente, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 1663DF CARF MF
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Numero do processo: 35301.002010/2006-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
CONTRIBUIÇÕES AO SESC E SENAC. ATIVIDADE CIVIL e COMERCIAL CONCOMITANTE.
Não pode ser caracterizada como empresa prestadora de serviços, de caráter eminentemente civil, a sociedade que possua, dentre seus objetivos sociais, vasta atividade comercial concomitante à prestação de serviços. Inaplicabilidade do Parecer CJ n° 1.861/99. Aplicação da Súmula 499 do E. Superior Tribunal de Justiça.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão de tratar de matéria preclusa. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES AO SESC E SENAC. ATIVIDADE CIVIL e COMERCIAL CONCOMITANTE. Não pode ser caracterizada como empresa prestadora de serviços, de caráter eminentemente civil, a sociedade que possua, dentre seus objetivos sociais, vasta atividade comercial concomitante à prestação de serviços. Inaplicabilidade do Parecer CJ n° 1.861/99. Aplicação da Súmula 499 do E. Superior Tribunal de Justiça. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES AO SESC E SENAC. ATIVIDADE CIVIL e COMERCIAL CONCOMITANTE. Não pode ser caracterizada como empresa prestadora de serviços, de caráter eminentemente civil, a sociedade que possua, dentre seus objetivos sociais, vasta atividade comercial concomitante à prestação de serviços. Inaplicabilidade do Parecer CJ n° 1.861/99. Aplicação da Súmula 499 do E. Superior Tribunal de Justiça. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 20 10 /2 00 6- 73 Fl. 4738DF CARF MF 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão de tratar de matéria preclusa. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 353/358) por sua precisão, sendo que os documentos a seguir indicados estão sendo relacionados de acordo com sua numeração do efls dos autos. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD (DEBCAD nº 35.5293342) na qual são exigidas contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, bem como contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros). 2. Segundo o relatório fiscal da NFLD em apreço, as contribuições ora exigidas correspondem aos valores apurados nas folhas de pagamento da notificada, recibos, bem como a partir das informações por ela prestadas em GF1P Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social relativamente a remunerações creditadas a segurados empregados e a contribuintes individuais, deduzidos os recolhimentos realizados pelo contribuinte e importâncias incluídas nos parcelamentos (LDC) n" 35.529.2955 e 32.533.7098. Fl. 4739DF CARF MF Processo nº 35301.002010/200673 Acórdão n.º 2201005.103 S2C2T1 Fl. 4.739 3 2.1. acrescenta, ainda, que os créditos foram apurados em cada estabelecimento do contribuinte e correspondem aos levantamentos "FE1" e "FE2", para valores declarados e não declarados em GFIP, respectivamente, incluindo, também, o levantamento "DAL", que corresponde a diferenças de acréscimos legais devidas em razão de recolhimentos realizados em atraso. 3. O valor do presente lançamento é de RS 2.959.375,70, consolidado em 02/12/2005. 4. Notificada pessoalmente do lançamento em 08/12/2005, a interessada apresentou impugnação, de fls. 1529/1531, aduzindo as seguintes alegações: 4.1. acosta aos autos guias de recolhimento ignoradas pela fiscalização, motivo pelo qual conclui que os valores apontados como devidos foram, em verdade, recolhidos nas épocas apropriadas; 4.2. manifesta contrariedade em relação ao exíguo prazo que teve para reunir todas as guias de todas as suas filiais, quando é certo que a fiscalização teve um ano para efetuar o exame correto da documentação. Nesse passo, entende ter havido flagrante violação ao principio constitucional da ampla defesa. DA DILIGÊNCIA 5. Diante dos argumentos e da documentação apresentada, os autos foram encaminhados ao AuditorFiscal notificante, mediante Despacho de lis. 1720/1721, para apreciação e manifestação. 5.1. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, o ilustre fiscal notificante elaborou Informação Fiscal its fls. 1771/1773, acompanhada das planilhas de fls. 1781/1806 e Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos — FORCED de lis. 1807/1882, que demonstram a retificação a ser procedida na NFLD. 5.2. todas as peças anexadas aos autos foram cientificadas ao sujeito passivo, conforme Aviso de Recebimento datado de 30/01/2006 (fls. 1888). DO ADITIVO DA IMPUGNAÇÃO 6. As fls. 1725/1764, a empresa apresenta aditivo à defesa anteriormente protocolada, alegando que: 6.1. é possível a apresentação de aditamento à defesa, com fulcro na Consulta Técnica n° 903 e na Portaria MPS n° 520/2004; 6.2. pondera que o relatório Fundamentos Legais do Debito FLD, peça integrante da NFLD em referencia, apresenta corno fundamento, dentre outros, compensação indevida do salário família, do saláriomaternidade e do auxilionatalidade. Como a Fl. 4740DF CARF MF 4 NFLD), aparentemente, apenas trata de débitos relativos à parte patronal e SAT, não é possível determinar em qual fato gerador o item "compensação indevida" está fundamentado. 6.3. neste sentido, conclui que a adição de fundamentação legal impertinente ao credito é considerada vicio insanável, motivo pelo qual protesta pela nulidade do lançamento; 6.4. por derradeiro, repudia a cobrança de contribuições para o SESC/SENAC ate a competência 12/2002, por entender que, de acordo com seu contrato social, resta evidenciado tratarse de empresa prestadora de serviços e, corno tal, não sujeita as referidas exações, conforme estabelecido no art. 41 da OI MPS/SRP nº 11, de 12/08/2005. Sobre o tema, cita, ainda, o Parecer CJ n°1861/99 e diversas consultas internas. DA SEGUNDA DILIGÊNCIA 7. Em face dos argumentos trazidos em sede de aditamento á defesa, bem como em razão de pequenos equívocos identificados na planilha de retificação do lançamento, a então autoridade julgadora solicitou, As fls. 1889/1891, nova diligência fiscal, com a adoção dos seguintes procedimentos: a) analise de toda planilha de retificação e seu refazimento em função dos erros identificados por amostragem: b) esclarecimento a respeito da inclusão no FLD do fundamento "Compensação Indevida"; c) notificação do sujeito passivo e reabertura do prazo de defesa. 7.1. Em atendimento ao novo pedido de diligencia, o Auditor Fiscal notificante acosta ao autos, As fls. 1892, Relatório Fiscal Complementar em que declara que o fundamento legal "Compensação Indevida" foi incluído por engano, possivelmente no instante da agregação/apropriação no sistema informatizado dos fundamentos legais que motivariam o presente lançamento, razão pela qual deve ser desconsiderado; 7.2. anexa, às fls. 1979, Informação Fiscal em que resume os procedimentos adotados, acompanhada de novo Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos — FORCED de fls. 1894 a 1969, que reflete a nova composição de valores do lançamento e substitui o FORCED elaborado na diligência anterior, 7.3. Não obstante o sujeito passivo ter sido cientificado do resultado da diligencia pela via postal, conforme Aviso de Recebimento de fls. 1980, sendolhe reaberto o prazo de defesa, não houve apresentação de nova impugnação. 02 A impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte de acordo com decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 Fl. 4741DF CARF MF Processo nº 35301.002010/200673 Acórdão n.º 2201005.103 S2C2T1 Fl. 4.740 5 INCLUSÃO DE FUNDAMENTO LEGAL IMPERTINENTE. POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. Tratandose de inclusão de fundamento legal manifestamente impertinente, já identificado e conhecido pelo sujeito passivo em sua impugnação e devidamente corrigido através da emissão de Relatório Fiscal Complementar, com reabertura de prazo de defesa, não há que se falar em nulidade por vício insanável. SESC E SENAC. ATIVIDADE CIVIL e COMERCIAL CONCOMITANTE. Não pode ser caracterizada como empresa prestadora de serviços, de caráter eminentemente civil, a sociedade que possua, dentre seus objetivos sociais, vasta atividade comercial concomitante à prestação de serviços. Inaplicabilidade do Parecer CJ n° 1.861/99. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional, fato que implica a revisão imediata dos créditos em fase de cobrança administrativa. Lançamento procedente em parte 03 Houve a exclusão do período de 01/1999 a 11/2000 pelo fato do reconhecimento da decadência e de parte de diferenças reconhecidas como recolhidas do período não abrangido pela decadência de 12/2000 a 08/2005 através de retificação do lançamento através das planilhas de fls. 1781/1806 e FORCED de fls. 1894/1969 (nesse caso a numeração das folhas originais do processo físico), após a realização de 2 (duas) diligências por parte da autoridade fiscal. 04 Há recurso voluntário às efls. 4.623/4.681 a esse E. CARF que de forma sintética o contribuinte questiona a indevida exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a verba paga a segurado empregado durante os primeiros 15 (quinze) dias de afastamento por motivo de doença bem como aquela incidente sobre 1/3 de férias, horas extras e SESC/SENAC e aplicação da Taxa Selic na atualização dos créditos tributários. 05 Portanto, esse é o relatório do necessário. Fl. 4742DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 06 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 07 Os temas a seguir indicados serão analisados em conjunto: "DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE O VALOR PAGO AO SEGURADOEMPREGADO DURANTE O SEU AFASTAMENTO DO AMBIENTE LABORAL POR MOTIVO DE DOENÇA ATÉ 0 15° (DÉCIMO QUINTO) DIA CONCEITO EQUIVOCADO DA EXPRESSÃO "FOLHADESALÁRIO"; DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS VALORES PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS A TÍTULO DE 1/3 DE FÉRIAS E HORAS EXTRAS." 08 De início o contribuinte reconhece que tais temas não foram objeto de discussão nas defesas contidas no efls. 3.078/3.082 e a sua complementação à efls. 3.470/3.548 e portanto, inova ao trazer matéria não julgada e discutida na instância de piso: "Em que pese a Recorrente não ter abordado o fundamento a , seguir nas instâncias inferiores, nada impede que este Conselho conheça da matéria e julgue conforme determina a lei, para que seja afastada do débito recorrido a contribuição previdenciária incidente sobre a verba pago ao seguradoempregado durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do segurado empregado por motivo de doença, visto que esses valores não se amoldam ao conceito de «salário" previsto na legislação regente das contribuições previdenciárias, bem como a contribuição previdenciária incidente sobre as Horas Extras e 1/3 constitucional de Férias." 9 Entendo que esse fato, após análise das defesas apresentadas e a teor da decisão de primeiro grau em vista da supressão de instância ocorrida por trazer matéria nova não debatida, por mais que seja de direito, ocorre que houve preclusão consumativa quanto a esse ponto na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72 que diz: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 10 Além disso, por mais que fosse conhecida, seria o caso do seu afastamento uma vez que, por mais que haja a alegação do recorrente de que não se trata de Fl. 4743DF CARF MF Processo nº 35301.002010/200673 Acórdão n.º 2201005.103 S2C2T1 Fl. 4.741 7 análise da constitucionalidade das referidas exações, ocorre que, para o seu afastamento, haverá a necessidade desse Tribunal Administrativo se debruçar a respeito desse assunto, tanto que o recurso abarca em suas razões os conceitos derivados e indicados na própria Constituição e sendo assim aplicado ao caso os termos da Súmula nº 02 do E. CARF que reproduzo abaixo: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11 Ainda assim, pela análise do relatório fiscal do efls. 2.590/2.596 não se verifica que o lançamento se deu exclusivamente sobre esses pontos, sendo que nesse caso, deveria o recorrente, indicar nos autos de forma minudente as competências em que se encontram o lançamento desses pontos abordados contendo os respectivos segurados e as respectivas provas da natureza de tal rendimento. 12 No caso, o recorrente pretende, como ele mesmo afirma discorrer a respeito da expressão "folha de salário", contudo, tal tema já foi objeto de decisão pelo E. STF no julgamento em Repercussão Geral no RE 565.160 de Relatoria do I. Ministro Marco Aurélio em acórdão assim ementado: CONTRIBUIÇÃO – SEGURIDADE SOCIAL – EMPREGADOR. A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, a qualquer título, quer anteriores, quer posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998 – inteligência dos artigos 195, inciso I, e 201, § 11, da Constituição Federal.(RE 565160, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe186 DIVULG 22082017 PUBLIC 23082017) 13 De acordo com o RE acima o STF decidiu a teor do alcance da expressão "folha de salários" para fins de instituição de contribuição social sobre o total das remunerações e, portanto, mesmo havendo conhecimento dessas matérias, haveriam de ser mantidas no lançamento de acordo com a definição dada pelo Judiciário. 14 Portanto, pelo exposto não conheço das matérias acima indicadas de acordo com os fundamentos acima. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SESC/SENAC Fl. 4744DF CARF MF 8 15 Nessa parte, alega em síntese o contribuinte que referida exação é apenas exigível de empresas que explorem atividades comerciais, contudo, sem razão, em vista que tal matéria inclusive já foi definida pelo Judiciário. 16 De acordo com o E. STJ verbis: "[...] As empresas prestadoras de serviços, espécie de empresa de assessoramento, constantes do quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, na compreensão da Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, estão obrigadas ao recolhimento da contribuição social para o SESC/SENAC, por se encontrarem inseridas nas categorias econômicas e profissionais vinculadas ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio." (AgRg no Ag 1018295 SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/08/2008, DJe 01/09/2008) "A Primeira Seção firmou o entendimento segundo o qual as empresas prestadoras de serviços estão incluídas dentre aquelas que devem recolher, a título obrigatório, a contribuição relativa ao SESC/SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, inclusive as empresas prestadoras de serviços educacionais." (AgRg no REsp 713653 PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 31/03/2009) 17 O E. STJ já definiu em Recurso Repetitivo 1255433/SE que se transformou na súmula 499 do STJ que diz: "As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social".Quanto a essa matéria a ementa do RESP abaixo, sem grifos no original: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC). CONTRIBUIÇÃO AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua Fl. 4745DF CARF MF Processo nº 35301.002010/200673 Acórdão n.º 2201005.103 S2C2T1 Fl. 4.742 9 fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio CNC e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao SESC e SENAC. Precedentes: REsp. n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 23.10.2002; e AgRgRD no REsp 846.686/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.9.2010. 3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços educacionais, muito embora integrem a Confederação Nacional de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: Pela Primeira Turma: EDcl no REsp. 1.044.459/PR; AgRg no Ag 882.956/MG; REsp. 887.238/PR; REsp. 699.057/SE; Pela Segunda Turma: AgRg no Ag 1.347.220/SP; AgRgRD no REsp. 846.686/RS; REsp. 886.018/PR; AgRg no REsp. 1.041.574 PR; REsp. 1.049.228/PE; AgRg no REsp. 713.653/PR; REsp. 928.818/PE. 4. A lógica em que assentados os precedentes é a de que os empregados das empresas prestadoras de serviços não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (SESC e SENAC) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem. Na falta de entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza e, em se tratando de empresa prestadora de serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à Confederação Nacional do Comércio CNC, ainda que submetida a atividade respectiva a outra Confederação, incidindo as contribuições ao SESC e SENAC que se encarregarão de fornecer os benefícios sociais correspondentes. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1255433/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2012, DJe 29/05/2012) 18 No mais, agiu de forma acertada a decisão de piso ao manter o lançamento quando verificou que no objeto social da recorrente existem outros tipos de atividades, tal como as de comércio: 35. A teor do Contrato Social da DE ALA MATERIAL FOTOGRÁFICO LTDA cláusula segunda — Objetivo (fls. 1317), temos que: Fl. 4746DF CARF MF 10 2.1. A sociedade possui os seguintes objetivos sociais: 2.1.1 — importação e comércio atacadista e varejista de materiais, máquinas, filmes e objetos fotográficos, álbuns fotográficos, binóculos e lunetas, calculadoras, disquetes, liras cassete e vídeo. CD's room, pilhas e baterias, relógios de pulso, mesa e parede, rádios e Walkman, fones de ouvido, aparelhos telefônicos em geral e para presentes; 2.1.2. Agenciamento e prestação de serviços fotográficos e laboratório de revelação: 2.1.3 Prestação de assistência técnica em equipamentos de mini laboratório fotográfico. 36. No caso em tela, verificase claramente que o objeto social do sujeito passivo abrange vasta atividade comercial expressamente definida no subitem 2.1.1 do contrato social, o que afasta de plano qualquer possibilidade de qualificála corno empresa prestadora de serviços, de caráter eminentemente civil. Logo, concluise que a Interessada no escapa incidência das contribuições para o SESC e SENAC. 19 Portanto, nego provimento ao recurso nesse ponto. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC 20 Por mais que não tenha sido objeto de questionamento em primeira instância em defesa, nesse ponto entendo aplicável os termos da Súmula CARF nº 04 assim explicitada: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 21 Portanto, nada a prover também nesse tópico. Conclusão 22 Diante do exposto, conheço em parte do recurso para, na parte conhecida, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO na forma da fundamentação. Fl. 4747DF CARF MF Processo nº 35301.002010/200673 Acórdão n.º 2201005.103 S2C2T1 Fl. 4.743 11 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 4748DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.907285/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.907287/2009-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.907287/200928, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 72 85 /2 00 9- 39 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 3 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo fiscal decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP nº 00005.75563.090305.1.3.045741. O sujeito passivo declarou, no referido PER/DCOMP, crédito referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL (Cód. 2484) relativo ao mês de junho de 2001, no montante de R$ 9.986,99 e requereu a compensação de débito referente a IRRF (Cód. 0561 01), apurado em março de 2005, no montante de R$ 6.438,33. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, concluiu que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 9.986,99. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente no montante de R$ 6.438,33, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, na DIPJ/2002 (anocalendário 2001) foi apurada base negativa de CSLL no montante de R$ 17.777,36. Logo, o montante de R$ 9.986,99 recolhido a título de estimativa mensal de CSLL, em junho de 2001, se tornou crédito passível de compensação, pois foi recolhido de forma indevida. Em sessão de 16 de junho de 2016, a 1ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0133.037, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 30/06/2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR. INEXISTÊNCIA. Provado nos autos que o contribuinte apurou estimativa mensal e efetuou recolhimento exatamente igual ao valor apurado, não há que se falar em indébito de estimativa mensal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão (AR de 05/07/2016), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 04/08/2016 e reitera suas razões de defesa expostas em Manifestação de inconformidade, no sentido de que, diante da apuração de saldo negativo de CSLL em 2001, os recolhimentos a título de estimativas mensais efetuados no período se tornam créditos passíveis de serem compensados. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.807, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10830.907287/2009 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.807): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 5 4 mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe indícios da existência de saldo negativo de CSLL. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 6 5 valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 7 6 No presente caso, a douta autoridade fiscal considerou que o crédito de CSLL registrado pela contribuinte no PER/DCOMP não existe e, portanto, não seria possível homologar a compensação. A DRJ, especificamente, concluiu que a apuração de saldo negativo no anocalendário de 2001, no montante de R$ 17.777,36, não altera o entendimento do despacho decisório. Segundo o r. acórdão da DRJ como o valor da estimativa CSLL de janeiro/2001 é R$ 7.522,70 e a contribuinte efetuou pagamento no mesmo quantum, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. A Recorrente, por sua vez, afirma que diante da apuração de saldo negativo da CSLL para o anocalendário de 2001, os recolhimentos feitos a título de estimativa mensal nesse período devem ser considerados pagamentos indevidos. Alega também que deve ser aplicado o princípio da verdade material, pois, ainda que o procedimento adotado pela contribuinte tenha sido equivocado, por declarar no PER/DCOMP crédito referente a “pagamento a maior ou indevido” quando se tratava de “saldo negativo”, tal erro seria meramente formal e não deveria obstar seu direito à compensação. Cumpre consignar que a controvérsia acerca da possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 2001 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovada, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de CSLL para o ano de 2001, os pagamentos a título de estimativa de CSLL, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 8 7 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 9 8 Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 9 a 14 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Em análise dos autos, fica evidente que as doutas autoridades administrativas e julgadoras proferiram decisão baseadas no fato de que o DARF apontado como origem do direito creditório foi utilizado integralmente para o pagamento da estimativa mensal da CSLL declarada e não analisaram a efetiva existência do saldo negativo de CSLL e suas consequências. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.907285/200939 Acórdão n.º 1201002.808 S1C2T1 Fl. 10 9 direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727315/2013-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF.
O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
Numero da decisão: 9202-007.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
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ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 73 15 /2 01 3- 51 Fl. 1100DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 1.060/1.066, contra o acórdão nº 2201004.305, julgado na sessão do dia 07 de março de 2018 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. Em respeito ao instituto constitucional do direito adquirido, ganho auferido sobre operação de alienação de participação societária, mesmo que ocorrida após a revogação do Decreto Lei que instituiu a isenção de IRPF, faz jus a tal benefício se as condições para a sua concessão foram cumpridas antes da vigência da legislação posterior que transformou a isenção em hipótese de incidência. Como descrito pela Câmara a quo: O auto de infração tem por objeto a omissão de ganhos de capital, por parte de GILDA BARROSO ROMANO, auferidos na alienação de ações correspondentes a 16,76% da participação no capital social da CASA DE SAÚDE SANTA LUCIA, conforme Termo de Constatação e Verificação Fiscal. De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, acostado às fls. 58/66, o auditor fiscal considerou a responsabilidade tributária decorrente do art. 131, II, do CTN e constatou que são pessoalmente responsáveis, pelo crédito tributário apurado, o ora RECORRENTE e os seus 04 irmãos, na qualidade de herdeiros de sua mãe GILDA BARROSO ROMANO. Afirma que os herdeiros receberam da mãe, a título de adiantamento de legítima, a doação total de R$ 10.000.000,00, sendo R$ 2.000.000,00 para cada herdeiro., Assim, seriam pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário, até o limite do quinhão recebido (R$ 2.000.000,00), cada um dos herdeiros donatários abaixo: (...) A autoridade lançadora destacou que, conforme Instrumento Particular de Promessa de Cessão e Transferência de Direitos Hereditários, de Cessão e Transferência de Ações, Renúncia de Direitos e Ações e Outras Avenças, datado de 18/09/2008 (fls. 10/32), e a Escritura Definitiva referente às mesmas operações, datada de 17/10/2008 (fls. 34/51), houve a cessão, pela Sra. GILDA BARROSO ROMANO, das ações representativas de 16,76% do capital social da CASA DE SAÚDE SANTA LUCIA, pelo valor de R$ 10.000.000,00. E, de acordo com a Escritura Pública, os direitos creditórios decorrentes da cessão das ações foram doados, na qualidade de antecipação de legítima, em partes iguais, aos filhos, únicos herdeiros da doadora. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, efls. 1.060/1.066, requerendo a reforma do acórdão, alegando que à época em que o Contribuinte vendeu sua Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 12448.727315/201351 Acórdão n.º 9202007.808 CSRFT2 Fl. 1.101 3 participação acionária, a isenção instituída pelo DecretoLei nº 1.510/1976 já havia sido revogada pelo art. 58 da Lei nº 7.713/1988. Apresenta como paradigma os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 9202004.507 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Acórdão n.º 2202003.962 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. A incorporação de participação societária constituise em uma forma de alienação de ações, caracterizandose pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e como contrapartida o recebimento de quotas da nova sociedade proporcionalmente ao valor subscrito. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM AÇÕES. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago. No caso de integralização de capital com ações, o custo de Fl. 1102DF CARF MF 4 aquisição será o valor atribuído às ações utilizadas na integralização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Negado Conforme despacho de efls. 1.069/1.072, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: O acórdão recorrido declarou que a manutenção da participação societária da empresa pelo período de cinco anos, no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, assegura o direito a não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, daquele Diploma Legal, mesmo que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação do referido benefício fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte. Por outro lado, os paradigmáticos, afirmaram não haver direito à isenção, visto que esta pode ser modificada ou revogada, por lei, inexistindo direito adquirido a regime jurídico, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária. Portanto, para uma mesma situação fática os Colegiados chegaram a decisões distintas. Os paradigmas analisados constam do sítio do CARF na Internet e, até o momento, não foram reformados. Diante do exposto, com fundamento nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a matéria, isenção de ganho de capital na alienação de participação societária decretolei n.º 1.510/76. Intimada, o Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 1.083/1.095, requerendo que não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, em razão do tema estar pacificado, alegando que a própria PGFN editou portaria (502/2016), que autoriza a não recorrer em relação a este tema, ademais, caso o recurso seja conhecido, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 12448.727315/201351 Acórdão n.º 9202007.808 CSRFT2 Fl. 1.102 5 Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e apesar do pedido de não conhecimento apresentado pelo Contribuinte em suas Contrarrazões, entendo que o Recurso preenche os requisitos pela o seu conhecimento, conforme despacho de efls. 1.069/1.072. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria em discussão isenção de ganho de capital na alienação de participação societária decretolei n.º 1.510/76. Destaco que antes de proferido o acórdão nº 2201004.305, o Recurso Voluntário foi convertido em diligência para que o Contribuinte fosse intimado "a comprovar que a participação societária alienada em 2008 por sua genitora foi, de fato, a mesma participação totalmente adquirida em 1947, como alega em suas razões", sendo que o Contribuinte conseguiu apresentar documentos para atender o disposto na diligência. Este tema já é de conhecimento do Colegiado, conforme os acórdãos 9202 007.514 e 9202007.541, proferidos na sessão de 31 de janeiro de 2019, ambos de relatoria da Ilma. Conselheira Ana Paula Fernandes. Aponto abaixo os fundamento do voto da Ilma Conselheira no acórdão nº 9202007.541: O Contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, cingese a discussão acerca do direito a não incidência do IRPF, se este já estava consagrado e fazia parte do patrimônio jurídico do contribuinte. E se a garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. O Contribuinte recorre do seguinte trecho do acórdão recorrido: Portanto, de acordo com a legislação vigente à época da alienação da participação societária, o ganho de capital sujeita se à tributação, sendo incabível a alegação de direito adquirido à isenção que foi expressamente revogada em legislação posterior. Em oportunidades anteriores inclusive, manifestei meu posicionamento contrário ao pleito do Contribuinte, por entender que embora injusto, as isenções tributárias possuem uma conotação temporal imediata, nos seguintes termos: No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. Fl. 1104DF CARF MF 6 No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: (...) Todavia, como muito bem ressaltado em julgamento recente neste colegiado, em voto da relatoria da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, proferida nos autos 10830.723738/201352, o Superior Tribunal de Justiça ao manifestarse sobre a matéria em sede de julgamento de repetitivo de controvérsia aponta entendimento diverso, totalmente favorável ao Contribuinte. Tal entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: (...) O Ato Declaratório em questão altera significativamente o deslinde da questão, agora em favor dos Contribuinte, no sentido de que este quando detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária Registrese que tal parecer quando assinado pelo Ministro de Estado vincula os Conselheiros deste colegiado, conforme RICARF, art. 62. Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Contribuinte para no mérito darhe provimento nos limites do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. Assim, diante do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 assinado pelo Ministro de Estado e conforme art 62 do RICARF, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e no mérito em negarlhe provimento nos limites do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005688/2003-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/10/2001 a 31/12/2001
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais e de requisitos formais reativos à escrituração do RAIPI.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei n° 9.363/1996 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria, tais como a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais e de requisitos formais reativos à escrituração do RAIPI. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n° 9.363/1996 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria, tais como a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 56 88 /2 00 3- 57 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10768.005688/200357 Acórdão n.º 9303008.537 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte (fls. 349/377), admitido pelo despacho de fls. 480/482, contra o Acórdão 3803002.002 (fls. 161/166), de 05/10/2011, que, à unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário, restando assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais e de requisitos formais reativos à escrituração do LRAIPI. Recurso negado. O Recurso foi admitido quanto à duas matérias: regularidade fiscal quando postulado benefício fiscal, e quanto à questão do registro de estorno do crédito pleiteado no LRAIPI. Portanto, a alegação de nulidade do recorrido não foi devolvido ao conhecimento desta E Turma da CSRF. Quanto ao primeiro ponto, alega a recorrente, em suma, ser desnecessária a apresentação de certidão negativa para fins de aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei 9.363/96, pelo que, conclui no ponto, "a irregularidade fiscal não é justificativa de indeferimento do direito ao crédito", pois entende que o crédito a que alude a Lei 9.363/96 "não deve ser tratado como se benefício ou incentivo fiscal fosse". No que tange a necessidade do estorno do valor a ser ressarcido com base naquela norma, colaciona jurisprudência desta Corte Administrativa para ao final concluir que tal condição não pode fulminar o direito. Alega, ainda, que juntou aos autos, em 03/06/2009, cópia das fls. do RIPI "em que restou demonstrado o estorno dos créditos presumidos de IPI no período de 01/08 a 10/08/2008", mesmo que, consigna, não seja necessário. Em contrarrazões (fls. 484/489), pede a Fazenda que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10768.005688/200357 Acórdão n.º 9303008.537 CSRFT3 Fl. 4 3 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. Primeiramente, gizese que entendo que o benefício fiscal a que alude a Lei 9.363/96, o chamado crédito presumido de IPI, tem sim natureza de benefício fiscal. Assim, convirjo com o entendimento da decisão de piso ao conceituálo como incentivo fiscal, cujo objetivo é “desonerar da incidência tributária as operações de exportação de mercadorias para o exterior, propiciando maior competitividade do produto nacional”, em atendimento a um princípio econômico de comércio exterior de não se exportar tributo. Os incentivos e os benefícios fiscais produzem efeitos financeiros similares aos das despesas públicas, e, tecnicamente, são chamados de gastos tributários, que melhor identificam a renúncia de receitas. São instrumentos utilizados para transferir ao particular incentivado/beneficiado recursos financeiros que a priori pertenceriam ao Estado. Logo, descabido o argumento da recorrente em torno desse conceito para afastar sua obrigação de ter apresentado CND de regularidade com o INSS, requisito não suprido até a apresentação do recurso voluntário, com base no art. 47 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, Lei Orgânica da Seguridade Social, com a redação dada pela Lei n° 9.032/1995, e art. 60 da Lei n° 9.069/1995. Dessarte, a regularidade fiscal é pressuposto para fruir do crédito presumido do IPI, devendo o órgão local se certificar. Quanto à necessidade do estorno, igualmente é pressuposto para o gozo do incentivo fiscal. O benefício fiscal em comento foi veiculado pela Lei 9.363/96, fruto da conversão da MP 148427, de 1996. O art. 6º da referida Lei estipulou o seguinte: Art.6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador A Portaria MF 38, de 27/02/1997, ao regulamentar o crédito presumido, estipulou, dentre outras questões, em seu art. 12, o seguinte: Art. 12. A Secretaria da Receita Federal fica autorizada a expedir normas complementares, necessárias à implementação do disposto nesta Portaria. A Instrução Normativa SRF n° 21/1997, editada em função da delegação ministerial acima transcrita1, em vigor na época do ingresso do protocolo do pedido (13/08/2001), em seus artigos 9°, § 1°, e 11, prescrevia: 1 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 163, 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), no art. 66 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10768.005688/200357 Acórdão n.º 9303008.537 CSRFT3 Fl. 5 4 "Art. 9° A apuração do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e COFINS, será efetuada pelo contribuinte, observadas as normas do art. 30 da Portaria MF n°, de 038 de 27 de fevereiro de 1997. § 1º O pedido de ressarcimento em espécie será instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. ... Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro 'Demonstrativo de Créditos', do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro 'Observações'." Da leitura da norma acima transcrita, temse que a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI é pressuposto do pedido de ressarcimento. Ao contrário do que argumentou o contribuinte, tal escrituração possui caráter constitutivo (e não apenas declaratório). Ou seja, a escrita do crédito presumido de IPI aperfeiçoa o pleito de ressarcimento. As normativas posteriores mantiveram a exigência, por óbvio. Com efeito, o estorno é um requisito formal previsto na legislação de regência, e a sua falta implica no indeferimento do direito creditório, como bem colocado pela autoridade fiscal. Não há previsão legal para que o estorno seja efetuado de maneira diversa da preconizada na aludida instrução normativa. O estorno, além de evitar uma duplicidade de ressarcimentos de créditos do IPI, tem por escopo o controle do saldo credor acumulado de créditos decorrentes das aquisições de insumos. Quanto à apresentação do RAIPI, com o correspondente registro do estorno do crédito objeto do ressarcimento, a recorrente acostou aos autos cópia somente no recurso voluntário. Contudo, essa cópia do Livro não supre a correta exigência feita pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância por conter irregularidades, tais como ter sido escriturado seis anos depois, de não estar expressa em seu Termo de Abertura a autorização da Secretaria da Fazenda, conforme determina o art. 317 do RIPI/2002, e por violar o art. 371 do mesmo regulamento, quanto ao prazo de cinco dias para a escrituração do documento gerador do créditos. Em conclusão, não tenho reparos à r. decisão. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço do recurso do contribuinte, mas negolhe provimento. É como voto. 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no inciso II do § 1º do art. 6º e no art. 73 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, e no art. 12 da Portaria MF nº 038, de 27 de fevereiro de 1997, resolve: Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10768.005688/200357 Acórdão n.º 9303008.537 CSRFT3 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10768.005688/200357 Acórdão n.º 9303008.537 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 13856.000175/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
PROVAS - De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
PROVAS - De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 3302-006.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PROVAS De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 01 75 /2 00 7- 82 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 144 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende ver restituído crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins, no valor de R$ 1.834.614,64. Em decisão proferida pela DRF Ribeirão Preto, foi indeferido o pedido apresentado pelo contribuinte. Regularmente cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: I DO DIREITO APLICÁVEL A MATÉRIA 01. A Lei no 9.718/98, em seu art. 3o, ao tratar da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, manda seja entendido como receita bruta “a totalidade das receitas da pessoa jurídica”, vindo, portanto, a atingir muito mais do que receita de faturamento ou receita bruta de vendas de bens e serviços, o que acabou por contrariar a Constituição Federal. 02. A Constituição Federal faz uso, ao tratar do sistema tributário nacional, de termo, figura ou expressão cujo significado que é fornecido pelo Direito Privado, a lei tributária não poderá para o fim de onerar o contribuinte, torcer ou subverter aquele conceito ou significado ou trocálo por outro que o negue, que o ignore. 03. Como muito bem comenta Genison Augusto Couto Silva: “A figura utilizada (expressamente, vale frisar) ela Constituição vem a ser faturamento', que para o Poder Judiciário pode assumir a forma de receita bruta. Esta última está perfeitamente definida pelo Direito Privado como derivando da venda de bens e da prestação de serviços. Logo, a Lei no 9.718/98 nasceu já inconstitucional no ponto em que, referindose ao faturamento como sendo base de cálculo da Cofins, e dizendo que o mesmo corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, manda seja entendido como receita bruta "a totalidade das receitas” (Contribuições Sociais Problemas Jurídicos: Dialética, p. 72). 04. No escólio do ilustre Hugo de Brito Machado, “utilizou a Constituição os conceitos folha de salários, de faturamento, e de Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 145 3 lucro, para definir a competência do legislador ordinário na instituição de contribuições para a seguridade social. Delimitou constitucionalmente da Cofins, que não pode alcançar mais do que faturamento”. 05. O conceito de faturamento, na época da promulgação da Constituição Federal de 1988, consistia no termo empregado e de uso cotidiano no plano das relações negociais privadas. Na esfera normativa, era tratado com pormenores na chamada Lei das Duplicatas (no 5.747/68), onde ficou certo que o termo designa operação consistente na emissão de fatura comercial. 06. A Constituição Federal, ao dotar o termo “faturamento”, não lhe atribuiu significado diverso daquele fornecido pelo Direito Privado, em especial o Direito Comercial. Disso resultou que faturamento, enquanto elemento determinante da incidência ou do cálculo de contribuição social para o financiamento da seguridade social, fica constitucionalmente “travado” na acepção de operação consistente na emissão de fatura comercial, não abrangendo as receitas operacionais brutas das pessoas jurídicas, indistintamente tomadas. 07. Assim, não há que se falar em “faturamento em direito tributário” e "faturamento em direito comercial", posto que o termo faturamento encerra, para ambos os ramos jurídicos, o mesmo significado conceitual. 08. Ainda, é de se observar que o conceito de faturamento trazido pela Lei 9.718/98, não guarda qualquer evidência com o original, advindo do Direito Privado. 09. De outro lado, decidiu o Poder Judiciário que onde consta faturamento, pode ser lido, efetivamente, e de modo geral, receita bruta de vendas e serviços (a esse respeito, acórdão do Supremo Tribunal Federal STF na Ação Direta de Constitucionalidade no 1, transcrito no volume 156 da Revista Trimestral de Jurisprudência do STF; p. 721). 10. A propósito, a matriz conceitual que, para receita bruta, estabelecia uma relação visceral com vendas e serviços, já era também fornecida pelo Direito Privado, pelo art. 187, I, da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 11. Neste contexto, forçoso é de convir que receita bruta, a partir do conceito fornecido pela lei societária, constitui figura dotada de contornos próprios e muito nítidos, não confundíveis com as noções, por exemplo, de receita operacional. 12. Analisando a fundo a presente discussão, assevera Sacha Calmon Navarro Coelho: É inquestionável, pois, à luz da Constituição, do jurisprudência e doutrina que a Lei no 9.718/98 expandiu os fatos geradores e as bases de cálculo da Cofins e do PIS. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 146 4 Para isso ela impôs: a desvinculação da idéia de receita faturamento, do tipo de atividade exercida pela empresa, seu objeto social, a inclusão de qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. (...) Com efeito, uma interpretação adequada do texto constitucional, complementado pelo art. 110 do CTN, leva à conclusão de que não se permite o alargamento da base de cálculo, de faturamento para receita em geral, pôr meio de mera lei ordinária que venha a equiparar ou conceituar o faturamento como a totalidade de receitas auferidas pela pessoa jurídica. Sobre o tema, assim manifestou o STF, no julgamento do RE 166.772/RS, que tratava da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, cuja base de cálculo foi indevidamente alargada por lei ordinária, para incluir outros pagamentos feitos pela pessoa jurídica." 13. O próprio governo está bem consciente da insustentabilidade em face da Constituição, das normas que ampliaram a base de cálculo das contribuições em questão, tanto que na Emenda Constitucional no 20, originada de proposta do Poder Executivo, alterou a redação do art. 195 da Constituição, com o objetivo de ampliar a base de incidências das contribuições em questão. 14. Esse, aliás, é o entendimento da Terceira Turma do próprio Tribunal Federal da 3a Região, conforme se verifica na ementa abaixo transcrita: I Agravo regimental prejudicado ante o julgamento do agravo de instrumento. II A Lei 9.718/98, ao alterar a base de cálculo da Cofins e do PIS, criou uma nova contribuição, afrontando, assim, diversos dispositivos constitucionais, pois uma lei ordinária não poderia definir tal elemento da hipótese de incidência das referidas contribuições. III A emenda Constitucional no 20 não teve o condão de convalidar estas irregularidades já que promulgada posteriormente à edição do Lei no 9.718/98. A lei promulgada durante o ordenamento jurídico anterior somente poderá ser recepcionada pelo novo ordenamento se válida perante o anterior. IV Agravo de Instrumento provido. (TRF 3a Região, Al n o 1999.03.00.0075674SP, 3a Turma, rel. Des. Cecília Hamati, j. 15.09.99, D.J.U. de 26.01.00, pág. 135). 15. É Inequívoca a violação à Constituição Federal, a maneira como pretendeu a Lei Ordinária no 9.718/98 expandir o financiamento do custeio da seguridade, posto que, ao elegerse como base de cálculo das contribuições PIS/COFINS “a totalidade das receitas”, não houve a perfeita adequação ao arquétipo constitucional "faturamento" delimitado no inc. I, do art. 195 da Constituição Federal, violando assim, a observância Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 147 5 dos parâmetros estabelecidos pelo § 49, do art. 195 da Carta Maior que faz remissão ao inc. I do art. 154, notadamente aquele condizente com a necessidade de lei complementar. 16. Observe que a Constituição Federal, dentre as demais previsões (incisos II e III do art. 195), enumerou como fonte de custeio da seguridade social as contribuições sociais devidas pelos empregadores incidentes sobre as folhas de salários, o faturamento e o lucro, e em seu § 4o, a possibilidade de instituição de novas fontes de manutenção e expansão da seguridade social, desde que, observadas e atendidas as prescrições do art. 154, inciso I. 17. Todavia, ao eleger os art. 29 e 3o da Lei no 9.718/98, o faturamento, igualandoo à receita bruta, assim entendida as receitas auferidas pela pessoa jurídica, passou a lei a conter nenhuma identidade com a delimitação de faturamento empregada pela Constituição Federal. 18. O Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário no 150.7551; Recurso Extraordinário no 150.764 e Ação declaratória de Constitucionalidade no 11/DF), fixou entendimento de que, "receita bruta", compreendida como faturamento, seria somente aquela decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços. 19. Diferentemente do que consignado na r. decisão ora recorrida realmente, a interpretação que se deve dar ao voto do Ministro Moreira Alves, na Ação Direita de Constitucionalidade no 11/DF, é no sentido de que a identidade conceitual entre faturamento e receita bruta decorrente da venda de mercadorias e serviços prestados, não permite estender o conceito de faturamento para se incluir todas receitas recebidas decorrente da atividade principal e assessoria exercida pela empresa, quanto o mais que se possa permitir que uma pessoa jurídica de direito privado fature imposto. “Notese que o Lei Complementar no 70/91, ao considerar faturamento como receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza nada mais fez do que lhe dar a conceituação de faturamento para efeitos fiscais, como bem assinalou o eminente Ministro limar Galvão, no voto que proferiu no RE 150.764, ao acentuar que o conceito de receita bruta de vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de faturas, formalidade exigida tão somente nas vendas mercantis a prazo ( art. 1o da Lei no 187/36)” (in Revista Dialética de Direito Tributário no 1, p. 95) 20. Observe que no RE 150.764, quis o Ministro Ilmar Galvão apenas diz que, faturamento deve ser entendido para efeitos fiscais, como produto de todas as vendas, mesmo aquelas vendas que não estejam acompanhas de faturas. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 148 6 21. Ou seja, quis dizer que faturamento deve ser entendido como produto de todas as vendas, não incluído nesse conceito, receitas advindas de atividades da empresa que não fazem parte de seu objeto social; que não correspondam as vendas de mercadoria, prestação de serviço e venda de mercadoria e prestação de serviço de qualquer natureza, tais como o pagamento de tributos como o ICMS, por exemplo. 22. Portanto, não há como se falar que o parágrafo primeiro, do artigo 3o da Lei no 9.718/98, ao trazer como base de cálculo das contribuições PIS e Cofins a totalidade das receitas, não originou qualquer incômodo à Constituição Federal, especialmente seu art. 195, I, bem como o desrespeito à consolidada jurisprudência deste Colendo Supremo Tribunal Federal. 23. Sendo assim, concluise que o ICMS não pode ser incluído na base de cálculo das contribuições em comento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3o, § 1o, DA LEI No 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL No 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS – RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI No 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional no 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § l º do artigo 3o da Lei no 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Recurso Extraordinário no 390.840MG, Relator Ministro Marco Aurélio, Julgamento em 09.11.2005, DJ de 15.08.2006, pág. 25). 24. Consoante a jurisprudência do C. STF, bem como a interpretação do artigo 195, inciso I da Constituição Federal (sem a redação que lhe foi dado pela EC no 20), a proposição "faturamento" era entendida como a "receita" bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (Min.Ilmar Galvão, in ADCON no 011 DF). Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 149 7 25. O parágrafo primeiro do artigo 3o da Lei no 9.718/98 veio alargar o conceito de faturamento como sendo toda e qualquer receita bruta da pessoa jurídica, o que na época era insustentável, consoante o inciso I do art. 195 da CF. Tanto é verdadeira tal assertiva que foi editada a Emenda Constitucional no 20/98 para alargar o conceito de faturamento. 26. Ocorre que a Lei no 9.718 entrou em vigor antes da Emenda no 20, quando o sistema constitucional tributário não admitia a forma e os conceitos postos pela lei ordinária, mesmo porque, a lei promulgada no ordenamento jurídico anterior somente poderá ser recepcionada pelo novo ordenamento se válida perante o anterior. 27. A nova norma jurídica posta no sistema deve ter seu fundamento de validade na Carta Maior e, como não existe fundamento de validade da nova norma, a mesma não se enquadrou no sistema, eis que, in casu, o art. 3o, §1o da Lei no 9.718/98 ao revés de encontrar fundamento de validade na Constituição, encontrou incompatibilidade vertical com o disposto no artigo 195,I. 28. Assim, a existência da norma está vinculada à sua validade, e como o fundamento de validade não foi encontrado na Constituição, a norma jurídica é invalida. Não gera efeitos, não foi aceita pelo sistema e, tal conclusão deve, indubitavelmente, vir de outra norma, só que individual e concreta e emanada pela Função Judiciária. 29. Portanto, não existe possibilidade de o parágrafo primeiro do art. 3o da Lei 9.817/98, ter modificado o conceito de faturamento, o que portanto tornao, em antinomia com o art. 195, I, da Constituição Federal. 30. Sobre a questão da distinção entre “receita” e “ingresso”, a primeira é definida como "a quantia recebida, apurada ou arrecadada, que acresce ao conjunto de rendimentos da pessoa física, em decorrência direta ou indireta da atividade por ela exercida", enquanto que "ingressos envolvem tanto as receitas como as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem). São aqueles valores que não importam em modificação no patrimônio de quem os recebe, para posterior entrega a quem pertencem". 31. Evidentemente, o ICMS, para a empresa, é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular de tais valores. 32. No mesmo sentido, encontrase em fase decisória o Recurso Extraordinário no 240785, tendo por relator o Exm°. Sr. Ministro Marco Aurélio, segundo o qual, o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico, de uma operação”, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 150 8 33. Ressaltando, ainda, o Min. Marco Aurélio que: “Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrá lo. A conclusão a que chegou o Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal.” Acompanharam o voto do relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Grace e Celso Mello. Assim, o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. 34. Finalmente, é nítida a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue o contribuinte a recolher o PIS e a COFINS fazendo incidir na base de cálculo o imposto ICMS, motivo pelo qual é nítido o direito do Contribuinte à restituição de indébito dos valores já recolhidos, conforme planilhas anexas. II – DO PEDIDO 35. Ante todo o exposto e da inelutável força dos fundamentos expedidos requer a Contribuinte que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade para que seja deferido seu pedido de restituição, atendendo, dessa forma, a integral devolução da importância recolhida indevidamente por ocasião do pagamento das contribuições PIS e COFINS sobre os valores de ICMS inseridos inconstitucionalmente em suas bases de cálculo. 36. Solicita o Contribuinte que em todas intimações e notificações constem o nome do advogado Gustavo Sampaio Vilhena, regularmente inscrito na OAB/SP sob no 165.462, com escritório na Avenida Costábile Romano 1109, Bairro Ribeirânia, Cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, CEP ns 14.096380. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 151 9 A 6ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1442.259, de 27 de maio de 2013, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, podendo dela ser excluído somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços na condição de substituto tributário. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, podendo dela ser excluído somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços na condição de substituto tributário. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 152 10 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual reproduziu os mesmos argumentos quanto à inclusão do icms na base de cálculo do PIS e da Cofins. Reclamou pela homologação tácita dos cálculos apresentados na manifestação de inconformidade, em vista de que o despacho decisório não contestou os valores constantes nas planilhas por ele apresentadas. Termina sua petição, requerendo a procedência de seu recurso para fins de reconhecer o indébito tributário apresentado no pedido de restituição e, alternadamente, que o julgamento seja convertido em diligência para fins de comprovar que o crédito apurado e declarado como compensado advém da indevida inclusão do ICMS na composição da base de cálculo da contribuição para o PIS. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Pedido de Diligência Quanto ao pedido de diligência, sou obrigado a indeferir com base na preclusão de produção de provas prevista no art. 16, § 4º do Decreto nº 70235/72. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na interposição impugnação ou da manifestação de inconformidade. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 153 11 Um pedido de diligência para instruir o processo nessa fase processual é totalmente intempestivo, salvo se houve algum indício de que o sujeito passivo pretendia participar da instrução probatória e foi impedido. Não me parece o caso. Por essas concisas linhas, nego o pedido de diligência. ICMS na Base de Cálculo do PIS e da Cofins. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 154 12 que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 155 13 poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 156 14 poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 157 15 Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 158 16 Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 159 17 uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Retornando aos autos, afigurase oportuno assinalar que o objeto da lide é o indeferimento de um pedido de restituição e não um lançamento tributário. Partindo desta premissa, é lícito concluir que cabe requerente a comprovação dos fatos jurídicos alegados. Sintome obrigado a tecer poucas linhas acerca do trabalho para se identificar a existência de pagamentos indevidos ou maior que o devido. Neste passo, partirei para um curto estudo acerca da restituição. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O Novo Código Civil, em seu artigo 876, estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, para fins de evitar um enriquecimento sem causa.. Posta assim a questão é de se dizer que para fazer jus à repetição do indébito, necessário se faz a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior que o devido, caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Desta forma, não havendo tais condições, não há direito liquido e certo a restituição. Neste momento, surge a necessidade de verificar a ocorrência de um recolhimento indevido ou maior que o devido. A solução para esta questão encontrase no confronto entre o valor recolhido e o valor que deveria ter sido recolhido. A comprovação do valor recolhido se faz por meio do comprovante de recolhimento – DARF. Já a apuração do valor devido está condicionada à análise da base de Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13856.000175/200782 Acórdão n.º 3302006.897 S3C3T2 Fl. 160 18 cálculo combinada com a alíquota a ser aplicada. Quanto à alíquota, não temos problemas, pois está determinada em lei e não precisa ser objeto de prova. Todavia, a base de cálculo deve ser comprovada pela escrituração nos livros fiscais. Neste sentido, determina o art. 923, do RIR/99, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. O art. 226 do Código Civil ratifica o entendimento quando define que os livros e fichas dos empresários provam contra as pessoas a que pertencem e, em seu favor, quando escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Em suma, os livros legalizados, escriturados em forma mercantil, sem emendas ou rasuras, e em perfeita harmonia uns com os outros, fazem prova plena a favor ou contra os seus proprietários. Portanto, o sujeito passivo deveria ter apresentado para instruir seu pedido de restituição, no mínimo, uma memória de cálculo de apuração do PIS e da COFINS e do consequente crédito pleiteado, os comprovantes dos recolhimentos das exações e um resumo de apuração do ICMS. Contudo, a única prova acostada aos autos foi uma planilha onde constam as seguintes informações: período de apuração; crédito pretendido; taxa selic e o crédito atualizado. Com esses dados não é possível averiguar se houve a inclusão do icms nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. Sendo assim, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, uma vez que não restou provado o indébito tributário por ele alegado. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 139DF CARF MF
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