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Numero do processo: 10166.728615/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE.
A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder / dever de lançar as contribuições previdenciárias. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário.
GENERALIZAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Tratando-se de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, a autuação deve recair sobre as operações efetivamente fiscalizadas.
Numero da decisão: 2402-006.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à caracterização do vínculo empregatício, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a autuação recaia, apenas, sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas constantes do voto do Relator, devendo tal decisão ser aplicada ao auto de infração DEBCAD 37.348.232-9 (CFL 68). Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aferição indireta da base de cálculo. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à multa qualificada, reduzindo seu montante ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por manter a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à caracterização do vínculo empregatício, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
Julgamento iniciado na sessão de 3 de outubro de 2018, com início às 14h, e encerrado na sessão de 7 de novembro de 2018, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente HOB HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE BRASÍLIA LTDA e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder / dever de lançar as contribuições previdenciárias. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário. GENERALIZAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 86 15 /2 01 1- 26 Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 923 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à caracterização do vínculo empregatício, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a autuação recaia, apenas, sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas constantes do voto do Relator, devendo tal decisão ser aplicada ao auto de infração DEBCAD 37.348.2329 (CFL 68). Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aferição indireta da base de cálculo. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à multa qualificada, reduzindo seu montante ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por manter a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à caracterização do vínculo empregatício, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Julgamento iniciado na sessão de 3 de outubro de 2018, com início às 14h, e encerrado na sessão de 7 de novembro de 2018, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício e Redator Designado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 8ª Tuma da DRJ/BHE, consubstanciada no Acórdão nº 0264.240 (fls. 850), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Autos de Infração AIs lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributários, conforme Relatório Fiscal de fls. 75/96, são os descritos a seguir: Obrigação principal • AI DEBCAD 37.348.2337: no valor de R$ 3.982.051,92, consolidado em 15/11/2011, referente à contribuição social destinada à Seguridade Social correspondente à parte da Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 924 3 empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, não declarada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, nas competências 1/2007 a 12/2008; • AI DEBCAD 37.348.2345: no valor de valor de R$ 173.059,97, consolidado em 15/11/2011, referente à contribuição devida pelos segurados empregados, não declarada em GFIP, nas competências 1/2007 a 12/2008; • AI DEBCAD 37.348.2353: no valor de valor de R$ 1.049.813,67, consolidado em 15/11/2011, referente às contribuições destinadas a terceiros, não declaradas em GFIP, nas competências 1/2007 a 12/2008. Constitui fato gerador das contribuições lançadas a remuneração paga pelo autuado a segurados empregados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas. De acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte contratou empresas para prestar serviços relacionados à sua atividadefim (área de atividade médica hospitalar especializada em oftalmologia). Informa que tais empresas eram unipessoais e, como não possuíam empregados, os serviços foram prestados pessoalmente pelos sócios. Ainda segundo o mencionado Relatório, as empresas emitiram notas fiscais com numerações sequenciais, o que pressupõe a exclusividade da prestação de serviço para o sujeito passivo, e não houve formalização dos contratos de prestação de serviços entre o autuado e as empresas contratadas. Concluiu a fiscalização que tais circunstâncias evidenciam a natureza de relação de emprego entre os sócios das empresas e o Hospital Oftalmológico de Brasília – HOB. O Relatório Fiscal contém ainda as seguintes informações: conforme Organograma do HOB, o hospital é dividido em três áreas, quais sejam, 1) Centro Cirúrgico: Enfermeiro; 2) Prestadores PJ: Corpo Clínico; e 3) Farmácia/Compras: Farmacêutico (Anexo V – fl. 598); a área destinada à prestação dos serviços para os quais o hospital foi criado é formada exclusivamente por empresas prestadoras de serviços; no período objeto da ação fiscal, o HOB possuía apenas duas empregadas uma enfermeira e uma farmacêutica; toda a atividade do hospital que, à época, teve um faturamento de mais de R$ 50.000.000,00, foi desenvolvida pelas duas Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 925 4 empregadas, pelos dois sócios e pelas supostas prestadoras de serviço; os médicos não tinham opção, uma vez que só eram contratados por intermédio de uma pessoa jurídica, ou seja, a única forma de os mesmos prestarem serviços à HOB era abrindo uma empresa; as empresas contratadas informam como sede da “pessoa jurídica” um endereço residencial (Anexo IX – fls. VIII – fl. 664/670); o hospital controla todo o procedimento referente à prestação dos serviços médicos, pois é o responsável: 1) pelos convênios com os planos de saúde; 2) pela marcação das consultas; 3) pelo controle dos atendimentos emergenciais ou não; 4) pela cobrança e pelo recebimento das consultas/procedimentos; 5) pela contagem da produção médica; 6) pelo cálculo do valor da remuneração de cada profissional; 7) assim como pela efetuação do devido pagamento (Anexo X – fls. 672/673); conforme informações dispostas no sítio do autuado na Internet, o HOB disponibiliza aos médicos credenciados uma área reservada e “[...] que esta área contém os demonstrativos dos pagamentos efetuados aos mesmos, assim como os dados da produtividade médica nas consultas, nos exames, nas cirurgias e glosas” (Anexo XI 795); segundo o hospital, esta integração visa o “compartilhamento da gestão médica e a transparência no relacionamento”; alguns destes profissionais, sócios das empresas interpostas, ocupam cargos de chefia e são membros de comissões do HOB, a exemplo dos profissionais listados no item 12.13 do Relatório, “[...] o que revela a institucionalização de mecanismos utilizados para mascarar o vínculo empregatício” (Anexo XI – fls. 793/794); Com base nos elementos dos autos, concluiu a fiscalização que: 1) as funções exercidas pelas empresas interpostas faziam parte da estrutura organizacional do autuado e estavam relacionadas à atividadefim do sujeito passivo; 2) todos os serviços relacionados à atividade principal do HOB foram executados pelas empresas de trabalhadores subcontratados por intermédio de “pessoas jurídicas”; 3) empresas de trabalhadores não foram contratadas para prestar serviços ao sujeito passivo, mas sim pessoas físicas, sócias dessas empresas, invocando o pressuposto da pessoalidade na prestação de tais serviços, 4) os serviços foram executados nas dependências do HOB e as atividades desempenhadas pelos sócios das empresas continuaram subordinadas à política administrativoeconômicoprodutiva do autuado. Assim, os sócios das empresas prestadoras de serviços foram considerados segurados empregados para fins previdenciários, e os débitos relativos às contribuições previdenciárias não Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 926 5 declaradas/pagas, incidentes sobre a remuneração por eles auferida, foram lançados em nome do autuado. A apuração da base de cálculo se deu por aferição indireta, com base na Lei nº 8.212/1991, art. 33, §§3º e 6º, conforme explicitado nos itens 12.28 e 12.28 do Relatório Fiscal. A base de cálculo das contribuições de responsabilidade da empresa encontrase evidenciada no Anexo I (fls. 97/104), que identifica o valor de todas as novas fiscais emitidas pelas empresas interpostas e suas respectivas fontes de apuração. Para o cálculo da contribuição dos segurados, devido à impossibilidade de identificação de quais sócios prestaram serviço ao HOB, a fiscalização considerou o serviço prestado por apenas um dos sócios e respeitou o limite máximo do salário de contribuição, conforme Anexo VI. Multa Com a edição da Medida Provisória MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a aplicação de multas por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias passou a ser regida por este novo diploma legal, com vigência a partir da competência 12/2008. Contudo, como o lançamento abrange período anterior a essa data, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, artigo 106, II, "c", fezse necessário realizar o cálculo comparativo entre as multas aplicáveis nos termos da lei vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores e as novas multas instituídas pela MP nº 449/2008, conforme Tabelas 1, 2 e 3 do Relatório Fiscal, aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. Após essa comparação, a fiscalização verificou que para todas as competências objeto da autuação (1/2007 a 11/2008) a multa mais benéfica foi a capitulada na Lei nº 8.212/1991, artigo 35 (24%). Para tais competências também foi lavrado AI por descumprimento de obrigação acessória (Debcad nº 37.348.232 9 CFL68), com multa aplicada com base na Lei nº 8.212/1991, art. 32, §5º, c/c RPS, art. 284, II e art. 373. A competência 12/2008 não fez parte do comparativo, pois se refere a período posterior à publicação da MP nº 449/2008. A multa dos AIs por descumprimento de obrigação principal para essa competência foi aplicada nos termos da Lei nº 8.212/1991, art. 35A c/c a Lei nº 9.430/1996, art. 44, II (75%), que foi duplicada (150%), com base na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, § 1º, em decorrência da existência de fraude e de sonegação fiscal. Descumprimento de obrigação acessória Conforme mencionado, também foi lavrado o seguinte auto de infração por descumprimento de obrigação acessória: •AI DEBCAD 37.348.2329 (CFL 68): por infringência à Lei 8.212/1991, art. 32, IV e §5º c/c artigo 225, IV, § 4º do Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 927 6 Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, por ter a empresa deixado de incluir em GFIP todos os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias relativas às competências 1/2007 a 11/2008. Pela infração acima mencionada, foi aplicada a multa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, §5º, na redação anterior à MP nº 449/2008, c/c o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, art. 284, II, no valor de R$ 65.550,49, com a atualização procedida pela Portaria MPS/MF nº 407, de 14/7/2011. Impugnação O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado dos autos de infração em 22/12/2011 (fls. 6, 24, 40 e 58). Em 19/1/2012 apresentou a impugnação de fls. 799/837, na qual alega o que segue. Afirma que o procedimento adotado pelo agente fiscal infringiu as disposições do CTN, artigo 142, pois os autos de infração não contêm todos os requisitos legais. Assegura que a atividade administrativa de lançamento é vinculada, de modo que não pode o agente fiscal realizar tal função segundo critérios pessoais ou em atenção à legislação espúria. Discorre sobre: 1) a natureza tributária das contribuições para o custeio da seguridade social; 2) o princípio da legalidade e demais princípios constitucionais relativos ao regime jurídico tributário; e 3) fontes de financiamento da seguridade social, conforme Constituição Federal CF de 1988, artigo 195, incisos I a IV e § 4º. Diz que a remuneração paga a pessoa física em decorrência da prestação de serviço autônomo, ou a pessoa jurídica em decorrência de prestação de serviços, não pode ser considerada salário nos termos da CF/1988, artigo 195, inciso I. Alega que o lançamento se fundamenta no CTN, artigo 116, parágrafo único, introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 10/1/2001, que possui eficácia limitada, pois somente produzirá efeitos se e quando for regulamentada. Discorre sobre a evolução normativa relacionada ao assunto. Defende que tal norma não pode servir de supedâneo para a presente autuação. Discorre sobre os conceitos de dissimulação e simulação. Afirma que não houve comprovação de atos ilícitos praticados pelo autuado que se enquadrem no conceito de dissimulação. Alega que o autuado é entidade afeta à prestação de serviços médicos hospitalares no ramo oftalmológico, tratandose de hospital respeitado, que atua na área desde 1981. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 928 7 Afirma que os prestadores de serviços citados pela fiscalização são pessoas jurídicas regularmente constituídas e idôneas, que atuam no ramo da saúde como prestadores de serviços à impugnante. Diz que são 18 empresas “[...] cujas atividades tiveram início desde o ano de 1992, 1998, 2000, 2003, 2004, 2005, 2007, com um quadro societário de 3,4,5 ou mais sócios, cujas sedes estão localizadas, além de BrasíliaDF, em outros Estados da Federação, tais como: Santo Antônio de PosseSP; Campinas SP; JundiaíSP; Goiânia GO; Maracanau CE; PalmasTO; ItabunaBA; SalvadorBA; São PauloSP”. Alega que, com o crescimento do hospital no decorrer dos anos, foi necessária a contratação de prestação de serviços na mesma área de atuação, o que foi feito licitamente, com emissão de nota fiscal pelo prestador contratado, devidamente lançada na contabilidade da impugnante, com retenção na fonte de imposto de renda, COFINS, PIS e CSLL, devidamente informadas nas declarações de imposto de renda e de imposto de renda retido na fonte. Informa que no período objeto da autuação a parte operacional da impugnante era totalmente terceirizada, sendo executada por profissionais das empresas prestadoras de serviços contratadas. Diz que o Código Civil Brasileiro não veda o contrato verbal/informal e que as empresas contratadas emitiram notas fiscais de prestação de serviço, que os tributos foram retidos e que as notas fiscais foram lançadas na contabilidade. Alega que não há vínculo empregatício entre o autuado e as prestadoras de serviço. Afirma que, nos termos da CLT, artigo 3º, empregado é toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, de forma pessoal, sob a dependência deste e mediante salário, e que não se enquadra nessa definição o trabalhador que presta serviços de vez em quando ou esporadicamente. Frisa que em se tratando de contrato de trabalho, o empregado está subordinado ao empregador, devendo obedecer às ordens deste. Assegura que a prestação de serviços, assim como o trabalho autônomo, distinguese do vínculo de emprego pela inexistência da relação de subordinação jurídica e pelo fato de não haver uma relação de hierarquia entre o prestador/autônomo e o contratante dos serviços. Afirma que o prestador de serviço ou o autônomo não possui jornada de trabalho fixada por terceiros, não tem que bater ponto, não tem o dever de usar uniforme, e que o método ou a metodologia do serviço prestado é de sua exclusiva responsabilidade. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 929 8 Discorre sobre os pressupostos da pessoalidade na relação de emprego. Afirma que, no caso concreto, os serviços foram prestados por diversas empresas constituídas regularmente e por profissionais qualificados de profissão regulamentada. Diz que “[...] se fosse considerado que o caráter pessoal (ou mesmo personalíssimo) da prestação de serviços é que não pode constituir objeto de pessoas jurídicas, cairseia no absurdo de recusar a existência de toda e qualquer sociedade de prestação de serviço, absurdo esse rejeitado pela realidade do mundo contemporâneo”. Com relação ao requisito da continuidade, enfatiza que o posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho de que o trabalho por mais de 2 dias por semana caracterizaria a continuidade empregatícia. No caso concreto, afirma que não há continuidade, pois os serviços não foram realizados diariamente ou mais de dois dias por semana. Assegura não haver subordinação no caso em questão, já que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas que em seus quadros possuem profissionais qualificados, cuja execução é de sua exclusiva especialidade e responsabilidade, inclusive quanto aos métodos e metodologia empregada. Reafirma que não se vislumbra no caso em tela a existência dos pressupostos da relação de emprego: pessoalidade, continuidade, onerosidade e subordinação, de modo que não há que se falar em dissimulação ou simulação. Assegura que a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços intelectuais encontra respaldo constitucional, especificamente no artigo 5º, incisos XIII e XVII que tratam, respectivamente, do livre exercício profissional e da liberdade de associação. Diz que nada impede que o contribuinte constitua uma pessoa jurídica com a pretensão de limitar a responsabilidade a uma parte de seu capital, separando o patrimônio da pessoa jurídica e o da pessoa física. Afirma que, no entanto, em se tratando de questões tributárias, devem ser observadas as regras estabelecidas no CTN sobre responsabilidade tributária, dispensandose a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil, artigo 50. Alega que se deve distinguir a desconsideração da personalidade jurídica das hipóteses elencadas no CTN, artigo 135, que prevê a responsabilidade pessoal em casos de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Afirma pairar grande celeuma na doutrina acerca da desconsideração da personalidade jurídica de pessoas jurídicas prestadoras de serviços intelectuais. Discorre sobre a questão. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 930 9 Conclui que as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Com relação à multa qualificada, diz que o enquadramento se deu de forma genérica e que a fiscalização não logrou êxito em enquadrar a conduta do impugnante na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73, sobre os quais discorre. Afirma que o agente fiscal aplicou a multa baseado em interpretação subjetiva dos fatos, sem comprovar objetivamente qualquer conduta dolosa/fraudulenta por parte do contribuinte em induzir, auxiliar ou montar uma estrutura para reduzir os tributos a pagar, o que por si só inviabiliza a aplicação da multa qualificada. Alega que a taxa Selic possui característica de juros remuneratórios, e não moratórios, de modo que sua aplicação como encargo tributário da União afronta o disposto na CF/88, artigo 192, §3º e no CTN, artigo 161, § 1º. Cita jurisprudência. Afirma tratarse não somente de inconstitucionalidade manifesta, como também de quebra de hierarquia das leis, vez que a Lei Ordinária nº 9.065/1995 não poderia ter alterado o CTN, aprovado pela Lei nº 5.172/1966, porém com status de lei complementar. Defende seja excluída da verba juros de mora a incidência da taxa Selic por afronta à Constituição Federal e ao princípio da hierarquia das normas legais. Ao final, requer seja considerada improcedente a presente autuação, em função das razões apresentadas, notadamente pela inexistência de vínculo empregatício. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa do Acórdão nº 0264.240 abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 931 10 Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO. Não configura desconsideração da personalidade jurídica o afastamento que se faz em relação ao contrato civil de prestação de serviços, reconhecendose a condição de segurado empregado. MULTA QUALIFICADA. Configura hipótese de qualificação da multa de ofício, por força da fraude, a situação em que o sujeito passivo simula relação contratual de direito civil, promovendo a contratação de pessoas físicas, por interposição de pessoa jurídica, com vistas a afastar o vínculo do segurado empregado. TAXA SELIC. As contribuições sociais previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à lei a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresenta recurso voluntário, reiterando os argumentos defensivos aduzidos na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 932 11 Conforme se depreende dos autos, sumariamente relatado acima, temse que o lançamento tributário decorre da desconsideração, pela Fiscalização, da contratação realizada pela Recorrente da prestação de serviços médicos por meio de pessoa jurídicas, a chamada pejotização. Fazse necessário, assim, uma análise teórica sobre o tema, pelo que se recorre aos escólios do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, então presidente da 1ª TO d 2ª Câmara desta 2ª Seção, consubstanciados no Acórdão 2201004.378, in fine: Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister. Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 933 12 resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 934 13 Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. [...] Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa jurídica. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 935 14 prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso, o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 936 15 Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essas considerações, passemos à análise do caso concreto. A DRJ, corroborando o entendimento da fiscalização, concluiu que no presente caso, não se verifica a contratação de serviços especializados ligados à atividade meio do tomador de serviços, mas sim de autêntica contratação envolvendo a sua atividade fim, motivo pelo qual não se pode considerar que a conduta do sujeito passivo se constitua em terceirização, como no fundo defende o interessado. Verificase, pois, que o núcleo da autuação reside, justamente, na “contratação de prestação de serviços em atividade fim” e na “caracterização do vínculo empregatício”. Da Contratação de Prestação der Serviços em Atividade Fim Neste ponto, registrese inicialmente que os serviços médicos são serviços altamente especializados e os profissionais médicos desenvolvem habilidades próprias e pessoais dentro de cada segmento da medicina, que não podem ser desenvolvidas com a mesma técnica, precisão e competência por outros profissionais e, justamente isso, não é possível impedir que uma atividade com alto grau de especialização, como a medicina, seja enquadrada dentro de conceitos prédefinidos de atividadefim. A medicina, à medida que avança, busca ramos de especialidades cada vez mais precisos e limitados. Assim, vieram as especialidades médicas com suas tradicionais divisões, cardiologia, neurologia, anestesia, oftalmologia entre outras. Em seguida, com os constantes avanços médicos, os profissionais foram se aperfeiçoando em áreas ainda mais limitadas dentro das especialidades médicas e focando sua atuação em procedimentos específicos. No que tange à oftalmologia, ramo da medicina de interesse no caso vertente, esclarece a Autuada que os médicos foram se especializando em tratamento de catarata, retina, glaucoma, etc. E dentro dessas especializações foram se afeiçoando em procedimentos específicos de tratamento de cada uma dessas subespecialidades. Assim, hoje temos a realização da cirurgia refrativa com uso da técnica INTRALASE ou a técnica LASIK. Diante do alto grau de especialização em um determinado seguimento da oftalmologia o profissional que atua em uma área não atua em outra. Tampouco executa um procedimento médico diferente daquele que se especializou. Essa é a realidade dos profissionais que prestam serviços para o HOB. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 937 16 Verificase, sem muito esforço cognitivo, que, pela própria natureza da atividade médica, os profissionais da medicina com alto grau de especialização executam tarefas que são singulares às suas habilidades pessoais e, por esse motivo, não podem ser enquadrados como pertencentes a atividadefim de nenhuma empresa, pois desenvolvem um serviço específico, restrito àqueles profissionais especializados naquela área e/ou procedimento. No presente caso, verificase que a Fiscalização autuou, por exemplo, os serviços prestados por médicos anestesistas, o que evidencia, no mínimo, um equívoco na avaliação das especialidades e subespecialidades médicas diante da verdadeira atividadefim da empresa. No caso dos serviços prestados por médicos anestesistas, é de se questionar: se a Autuada tem como “atividadefim”, genericamente falando, a prestação de serviços na área da oftalmologia, como enquadrar os serviços de anestesia como “atividadefim” desta? Resposta: não é possível!! Caso contrário, terseia que reconhecer que os serviços dos médicos anestesistas são “atividadefim” de toda e qualquer especialidade médica com suas tradicionais divisões já aqui mencionadas: cardiologia, neurologia, anestesia, oftalmologia entre outras. Não se pode, pois, tratar tal questão de forma tão ampla e generalizada. Diante deste cenário, afigurase imperioso aferir qual é a exata delimitação do objeto social da empresa dentro das especificidades e subespecialidades na prestação de serviços médicos e até mesmo dentro da prestação de serviços como um todo, o que não foi feito nem pela Fiscalização, nem pelo acórdão recorrido. Para o correto enfrentamento de todas as questões referentes aos serviços prestados, devese sempre ter em mente que as atividades desenvolvidas pelos prestadores de serviços detinham alto grau de especialização e que é impossível colocar um divisor claro entre quais tarefas estão dentro da atividadefim da empresa e quais estão fora. Seguindo a análise a respeito da prestação de serviços na atividadefim da empresa, destaca ainda o Recorrente que não existe nem nunca existiu qualquer lei vedando a terceirização da atividadefim da empresa, sendo que qualquer entendimento em sentido contrário ofende o princípio da reserva legal previsto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, e a liberdade de contratar prevista no art. 421, do Código Civil (“A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato”). Sobre o tema, registrese que o Supremo Tribunal Federal, no recente julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 324, declarou, conforme amplamente noticiado na mídia especializada, a legalidade da terceirização de serviços tanto na atividademeio quanto na atividadefim das empresas. Concluiu, pois, aquela Corte Suprema, no julgamento da ADPF nº 324, que é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho em pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, revelandose inconstitucionais os incisos I, III, IV e VI da Súmula 331 do TST. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 938 17 Registrese, pela sua importância, que o Enunciado 331 do TST foi expressamente citado tanto pela Fiscalização (fls. 84), quanto pelo acórdão da DRJ (fls. 858), como parte da fundamentação da autuação. Neste contexto, face ao até aqui exposto, concluise que não prospera o argumento da Fiscalização, corroborado pela DRJ, de que os prestadores de serviços são segurados empregados por terem atuado na atividadefim do Autuado. Dos Requisitos da Relação Empregatícia Da Pessoalidade No que tange à caracterização do vínculo empregatício entre a Autuada e os prestadores de serviços, a DRJ, de forma expressamente lacônica, assim se manifestou em relação à pessoalidade: Pois bem, os serviços, assim, eram prestados pessoalmente pelos sócios de tais empresas unipessoais, que emitiam notas fiscais sequenciais pelos serviços prestados, o que demonstra, além da pessoalidade na prestação dos serviços, a exclusividade na prestação dos serviços ao autuado, que os remunerava. [...] Ademais, considerando o disposto na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho, a terceirização é tida como atividade lícita apenas nos casos de trabalho temporário, serviços de vigilância, conservação e limpeza, e contratação de serviços especializados ligados à atividade meio do tomador e, ainda assim, se inexistentes os pressupostos inerentes ao contrato de emprego, na forma insculpida na CLT, artigo 3º, notadamente a pessoalidade e a subordinação jurídica. Sobre o tema, convém esclarecer que a pessoalidade na relação de emprego é caracterizada pela infungibilidade do trabalhador na prestação do trabalho. Portanto, é uma obrigação intuitu personae, vez que não pode o empregado se fazer substituir por outro sem o consentimento do empregador. Ou seja, é uma obrigação personalíssima e, por isso, se não puder ser executada por aquela pessoa, tornase inviável a prestação do serviço por aquela pessoa. Assim, pelos próprios elementos caracterizadores da pessoalidade na relação de emprego, verificase que os elementos indicados na decisão da DRJ não guarda nenhuma relação com os elementos necessários a refletir a pessoalidade na relação de trabalho. Neste ponto, esclareceu a Recorrente que, quando um determinado médico não podia prestar o serviço por um motivo pessoal, exemplo viagem a passeio ou participação em um Congresso, os demais sócios da sua empresa continuavam prestando os serviços normalmente ao HOB sem que a ausência daquela pessoa em específico prejudicasse a relação mantida entre as partes, que, justamente, pela natureza de prestação de serviços do contrato entabulado não era comprometida pela ausência do médico “A” ou “B”. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 939 18 Assim, quando um médico simplesmente informava que não iria cumprir a sua agenda, os demais serviços da sua empresa não eram interrompidos ou prejudicados, pois os demais médicos daquela empresa continuavam a trabalhar regularmente. Ademais, não é o fato de os pacientes de um determinado médico remarcarem as suas consultas que denota a pessoalidade da relação. Os serviços médicos são prestados em sua grande maioria como obrigações personalíssimas, onde o paciente quer ser atendido por aquele médico em específico, por ser a pessoa de sua confiança. Tal relação se dá entre o médico e o seu paciente (obrigação infungível). Assim, não é possível confundir a relação entre o médico e o seu paciente com a relação entre a empresa prestadora de serviços e a contratante – no caso, o HOB, onde não existia nenhuma pessoalidade na relação para fins de comprovação da relação de emprego. Neste ponto, socorrese, mais uma vez, aos escólios do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira consubstanciado no Acórdão nº 2201004.378, in verbis: Ora, qualquer um dos milhares de médicos registrados no CRM são, potencialmente habilitados a prestar serviços médicos, tendo registro, formação e especialização, afastando de forma patente – para se usar a expressão da autoridade fiscal – a pessoalidade exigida para a caracterização do empregado. Assim, diversamente do entendimento da Fiscalização e, por conseguinte da DRJ, concluo que não restou caracterizada a pessoalidade da relação entre os prestadores de serviço e a Autuada, não se podendo, em hipótese nenhuma, confundir a relação existente entre médico / paciente com aquela que existe entre o prestador de serviço médico com o contratante. Da Subordinação Eis, aqui, o elemento de maior relevância na caracterização de uma relação de emprego. A subordinação é a demonstração clara de que o trabalhador se submete ao seu empregador, agindo a seu mando, obedecendo às suas ordens e sujeito às suas sanções. A DRJ, neste ponto, concluiu que: Conforme informado pela fiscalização, os supostos prestadores de serviços estavam inteiramente subordinados à política administrativoeconômico do autuado, uma vez que era ela a responsável pelas celebrações de convênios, marcações de consultas, pelos controles dos atendimentos, cobrança, etc. A subordinação deve demonstrar que o empregado está sujeito a ordens e fiscalização de um superior. É uma relação onde não existe autonomia entre as partes e as obrigações devem ser cumpridas pelo empregado contratado, especialmente referente a horário, regras e condutas, sob pena de alguma sanção. No caso em análise, temse que os médicos tinham ampla liberdade para fazer os seus horários, marcar e desmarcar consultas. Restou demonstrado, pois, que os médicos contratados tinham ampla e total liberdade para dizer: (1) se iam prestar serviços para o HOB; (2) quando iriam prestar serviços para o HOB; (3) por quanto tempo prestariam serviços para o HOB; e (4) como iriam prestar serviços para o HOB. Também restou Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 940 19 comprovado que os médicos não participavam de reuniões, deliberações do HOB, não estavam sujeitos a suas ordens nem tampouco estavam sujeitos a qualquer sanção por parte do HOB. É inquestionável que os médicos não estavam sujeitos a nenhum controle por parte do HOB. Não tinham suas atividades fiscalizadas nem muito menos qualquer sanção imposta caso não cumprissem o horário que tinha se comprometido a fazer. Diante deste cenário, questionase: como é possível falar na existência de subordinação? A teoria da subordinação estrutural (expressão não utilizada textualmente pela DRJ) consiste na inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber suas ordens diretas, mas bastando que acolha seu processo de organização e funcionamento. No caso, não há que se falar em inserção dos médicos na dinâmica do tomador de serviços, pois era o médico quem informava se ia, quando e por quanto tempo iria atender. Portanto, não havia a inserção do profissional médico dentro da estrutura de organização do HOB. O Fato de o Autuado indicar, por meio de uma tabela, os horários e os consultórios nos quais os médicos iriam atender os seus pacientes não configura, por si só, subordinação estrutural do prestador de serviço ao tomador. Tratase de organização – e não de subordinação – da rotina de trabalho, conforme as indicações dos próprios médicos de quando estariam presentes no HOB para atender seus pacientes. Assim, não há que se falar em subordinação estrutural no presente caso, pelo que, também por este motivo, deve ser reformada a decisão de piso. Do Entendimento da Justiça do Trabalho Por fim, mas não menos importante, e mesmo considerando ser prescindível para o deslinde do caso em análise, merece destaque o entendimento da justiça do trabalho nos casos em que médicos, exprestadores de serviços para o HOB, ajuizaram reclamações trabalhistas no intuito de ver reconhecido o vínculo de emprego e tiveram seus pedidos julgados improcedentes. Em sede de Memoriais, o contribuinte apresenta os seguintes casos, in verbis: Reclamante: Mário Jampaulo de Andrade Processo nº 000052510.2016.5.10.0004 Sentença Tratase a presente de reclamação trabalhista ajuizada por Mário Jampaulo de Andrade contra HOB Hospital Oftalmológico de Brasília Ltda., onde pretende o reclamante a decretação de nulidade da pejotização existente, reconhecimento do vínculo, anotação da CTPS de 02 de junho de 2007 a 04 de janeiro de 2016 (...) Passo a análise das provas. O email de fl. 63 de 22/09/2010 informa o pagamento na conta da pj e não de pessoa física para evitar problemas com fiscalização. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 941 20 O email de fl. 70 comprova que autor fazia sugestões e organizava cursos (anel de Ferrara). O email de fl. 71 informa que autor intermediava descontos em cirurgias. Os emails de fls. 71 e 72 informa que autor organizava a questão dos fellows, inclusive recebia agenda de entrevista de fellows junto com o sócio CANROBERT (email direcionado aos dois). O documento de fl. 89 comprova que autor era quem dava o fellow de cirurgia refrativa. No mesmo sentido email de fl. 142 sobre análise de currículo fellow. O email de fl. 81 comprova que autor representou o Hospital em um caso médico, relativo a um processo. (idêntico ao de fl. 155/156). Os emails de fls. 75, 76 comprovam que o autor solicitava bloqueio de sua agenda para treinamento em Goiânia, Porto Alegre. O email de fl. 79 comprova que autor desmarcou reunião em face de compromisso seu, sem grandes explicações. O email de fl. 82 comprova fechamento de agenda do autor para congresso nos EUAs por 7 e depois 8 dias. Os email de fls. 134 e 135 informam remarcação de paciente por ida do autor ao ortopedista e que solicitação para evitar encaixes, bem como por dores do autor. O email de fl. 140 informa que autor avisou que só atenderá 3 retornos conforme regra do HOB. O email de fl. 84 comprova que autor dava entrevistas, divulgando o hospital e os médicos. No mesmo sentido documentos de fls. 85 a 87, 91, 94 a 133. O email de fl. 139 informa que autor tinha cartão de visitas, conforme fl. 156. Os documentos juntados pelo autor, ao contrário do alegado, comprovam autonomia do autor no fechamento de sua agenda e desmarcação de reunião segundo interesse do autor. O fato de usar o termo "solicita" não significa subordinação e que poderia haver uma negativa de fechamento e sim que a central de atendimento deveria fazer o bloqueio da agenda. [...] Ora, não vislumbro subordinação jurídica entre o reclamante e o reclamado. A relação entre hospital e médicos geralmente se faz da forma aqui informada. Os médicos parceiros disponibilizam os horários em que podem realizar atendimento, conforme sua própria conveniência, recebendo percentual das consultas, pois o pagamento é divido com hospital para lucro e cobertura de despesas. [...] Ante a inexistência de subordinação jurídica, inexiste o vínculo empregatício, improcedem todos os pedidos do reclamante (destaquei). Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 942 21 *** Reclamante: Márcia Moreira Godoy Processo nº 000144721.2016.5.10.0014 – RECURSO ORDINÁRIO EMENTA RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA. A CLT, em seu art. 3º, considera empregado "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário". É de se esperar que tais elementos estejam necessariamente presentes em um contrato de trabalho, que, na definição de Orlando Gomes, é "[...] a convenção pela qual um ou vários empregados, mediante certa remuneração e em caráter não eventual, prestam trabalho pessoal em proveito e sob direção de empregador." (Contrato individual de trabalho. Forense, 1994. p. 118). Para a Justiça do Trabalho, o elemento definidor da existência de relação de emprego é a presença de subordinação jurídica entre as partes, o que não se verificou nos presentes autos. In casu, a inexistência de relação de emprego entre os litigantes emergiu, de modo inconteste, do conjunto probatório. Recurso ordinário conhecido e desprovido. MÉRITO Insurgese a reclamante contra a sentença de origem que negou a existência de vínculo empregatício entre as partes. [...] A própria reclamante admitiu ao depor a constituição de empresa que prestava serviços ao reclamado. Não se desincumbiu, entretanto, do ônus de demonstrar, conforme alegou, que tivesse a constituído por exigência da recorrida. O depoimento também contraria a tese recursal de ausência de instrumento formal de pactuação de prestação de serviço autônomo, pois revelado que referida pactuação deuse verbalmente. Ademais, o fato de não haver contrato escrito da parceria havida entre as partes, denota tão somente o elevado grau de confiança existente, como restou claramente evidenciado na degravação do áudio colacionado aos autos, uma vez que a autora fez sua residência médica no reclamado e, ainda, por seu pai ser amigo de longa data de um dos sócios da parte reclamada (ID. 374b8a7 Pág. 8). Para além disso, a própria reclamante afirma, no início do áudio acima referido, que não tem intenção de formar esse tipo de vínculo (empregatício) com o reclamado (ID. 374b8a7 Pág. 2) e, ato contínuo, assevera que está "levantando voo sozinha" por perceber que não está sendo bem remunerada, mas que tem Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 943 22 intenção de sair do hospital, ao passo em que deseja continuar sendo parceira do réu (ID. 374b8a7 Pág. 3). Em verdade, após cuidadosa análise da degravação do áudio registrada sob o ID. 374b8a7, o que se infere é que a relação havida entre as partes é de parceria e que a parte reclamante deseja findar a prestação de serviços para o reclamado, expondo os motivos para tanto e, de outro lado, o sócio do reclamado, preocupado com a sociedade empresária, requer a formalização do distrato. [...] No depoimento supratranscrito (Sr. VICTOR SAQUES NETO, médico oftalmologista, como a reclamante), chama atenção o fato da ausência de subordinação jurídica e pessoalidade na relação havida entre as partes, quando a testemunha assevera que ela, assim como a reclamante, podem fechar a agenda e fazerse substituir por outro profissional qualificado. E nem se diga que a necessidade de comunicação, através de formulário caracteriza a vindicada subordinação jurídica, porquanto pensar o contrário, ou seja, uma ausência de notificação formal ao reclamado, poderia trazer sérias consequências na imagem que o réu detém perante os pacientes. Outro fato importante é a remuneração pelos serviços prestados, que sempre foi objeto de consenso entre os prestadores de serviços e o reclamado, o que revela a paridade existente na relação. [...] Como se percebe, o depoimento acima transcrito (Senhora JANAINA SALES DE JESUS NASCIMENTO) corrobora o da primeira testemunha, pois esclarece que os médicos prestadores de serviço, como a reclamante, disponibilizam os horários de atendimento, podendo fechar suas agendas, sem qualquer consequência ou punição, bastando informar o reclamado, por meio de um formulário. [...] As testemunhas, tanto da autora como do reclamado, como diligentemente apontado na sentença primária, confirmaram da liberdade de agenda daquela. Isso se torna ainda mais evidente quando da análise das correspondências eletrônicas colacionadas sob o ID. b98cf05, in litteris: [...] O depoimento da reclamante, aliado à prova oral e documental produzida contrariam os termos da inicial. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 944 23 Consoante emerge dessa prova, a autora não exercia suas funções sob a égide da disciplina trabalhista, uma vez que ausentes um dos principais requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício, qual seja: a subordinação. Tanto mais, quando evidenciada a autonomia na marcação e cancelamento de consultas, sem nenhuma penalidade por parte do hospital reclamado. A egrégia 2ª Turma deste Regional, em caso semelhante ao dos presentes autos, em que figurava como parte o reclamado, também entendeu pela existência de parceria entre o réu e o profissional médico que lhe prestava serviços. Peço, pois, vênia para transcrever o referido acórdão naquilo que interessa ao caso sub examine: [...] Valorados os aspectos acima indicados, entendo que não se confirmou nos autos a presença dos elementos do art. 3º da CLT. A r. sentença valorou com precisão o acervo probatório, culminando por concluir pela inexistência do vínculo de emprego entre as partes, conforme se infere da fundamentação. Restou demonstrada nos autos, a contento, a ausência de subordinação jurídica no desenvolvimento do trabalho prestado pela reclamante. Dessa forma, mantenho a sentença quanto à inexistência do vínculo de emprego. Registrese, pela sua importância, que a decisão em destaque da Terceira Turma do TRT da 10ª Região transitou em julgado no dia 27/03/2018, conforme se infere da imagem abaixo, extraída do sítio eletrônico daquela Corte: Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 945 24 Diante de todo o exposto, forçoso reconhecer a procedência das alegações recursais, nos termos acima declinados. Da Generalização na Investigação Realizada pelo Fisco Extraise do TVF as seguintes informações: Neste contexto, tratandose de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 946 25 pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, questionase: como a fiscalização concluiu que tais pressupostos se aplicam a todos os prestadores de serviços considerados como empregados?! Não pode prevalecer o argumento da fiscalização no sentido de que há generalizada terceirização da atividade fim do hospital autuado, mediante a adoção de "pejotização", considerando que o Fisco, conforme acima exposto, não analisou cada uma das empresas prestadoras de serviços, tampouco cada médico pessoa física considerada segurado – empregado! Assim, caso restem superadas as conclusões alcançadas nos itens precedentes, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a autuação recaia sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabela abaixo, extraída do TVF: Da Multa Qualificada A Fiscalização aplicou, no caso em análise, multa de ofício no percentual de 150%, nos termos do § 1º do art.44 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Com vistas a embasar a aplicação da multa no percentual de 150%, a Fiscalização pontuou que: Dos fatos apurados pela fiscalização, relatados mais especificamente nos itens 11 a 38 deste Relatório, concluiuse que o HOB BSB, a partir da contratação de diversas pessoas Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 947 26 jurídicas para a prestação de serviços na área de saúde, adotou procedimentosvisando mascarar sua verdadeira intenção de obter o resultado do trabalho dos médicos pessoas físicas vinculados a estas empresas, mas DE FATO, profissionais que prestaram serviços na qualidade de segurados empregados. Dessa forma, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas interpostas. Tal prática, utilizada por parte do contribuinte, visava impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal contribuições previdenciárias, modificando suas características essenciais, de modo a reduzir ou evitar o montante do imposto devido, ficando caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude. Neste ponto, cabe esclarecer que, para a constatação de fraude, sonegação ou conluio, deve restar patente a ação ou omissão dolosa, devendo restar provada, sem sombra de dúvidas, a presença do elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que o contribuinte quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. A autoridade fiscal, ao descrever a aplicação da multa qualificada não descreveu diretamente a existência do dolo específico. Para a aplicação da multa qualificada, há necessidade de caracterização inequívoca do intuito doloso do contribuinte em ludibriar o fisco (prova), pois o dolo integra a figura típica da norma que enseja a penalidade, sendo que a mera omissão (descumprimento de obrigação tributária) não é apta a ensejar a aplicação da multa qualificada. Portanto, a descrição a ser realizada pela autoridade fiscal não deve se limitar à infração tributária ocorrida, mas deve especificar e demonstrar a conduta de fraude, conluio ou sonegação, mediante a presença de dolo. Por estas razões, deve ser afastada a multa qualificada de 150%, reduzindoa ao patamar de 75%. Por fim, em que pese a Recorrente não contestar, expressamente, o auto de infração DEBCAD 37.348.2329 (CFL 68), que segue neste processo, este será afetado pela presente decisão. Sendo assim, antes da sua cobrança, a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá excluir da sua base de cálculo os valores excluídos na presente decisão. Conclusão Face ao exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 948 27 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Ilustre Relator quanto a não caraterização da relação de emprego, quanto à manutenção da autuação apenas em relação aos médicos diligenciados pela Fiscalização e quanto à desqualificação da multa aplicada, porém, considerando que somente a nossa divergência em relação a não caracterização da relação de emprego é que restou vencedora, trataremos, no presente voto, apenas dessa questão. Pois bem, ao tratar da caracterização da relação de emprego, duas questões são abordadas pelo Relator: a terceirização da atividadefim e os requisitos da relação empregatícia. Quanto à terceirização de atividadefim, não vemos qualquer necessidade de retoque tanto no relatório fiscal quanto na decisão de primeira instância, pois, em que pese o grau de especialização de cada profissional de saúde, se a Recorrente atua na área médica, com foco na oftalmologia, é óbvio que todas as atividades afetas a essa área estarão ligadas à sua atividadefim. Por exemplo, para ser realizado um procedimento cirúrgico oftalmológico, além do médico cirurgião, será necessário um anestesista e, quiçá, outros profissionais da área médica, e todos, efetivamente, atuarão na atividadefim da empresa. O mesmo não ocorrerá, por exemplo, se a Recorrente terceirizar as atividades de limpeza e segurança, pois tais atividades não dizem respeito à sua atividadefim. De qualquer modo, convém destacar que a Fiscalização não enquadrou os prestadores de serviços “pejotizados” como empregados da Recorrente apenas por terem atuado na atividadefim da empresa, mas, também, pela presença dos elementos caracterizadores da relação empregatícia, os quais trataremos a seguir. Em seu voto, o Relator transcreve parte de um voto do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, consubstanciado no Acórdão 2201004.378, no qual é conferida pouca relevância à pessoalidade, à habitualidade e à onerosidade como elementos caracterizadores da relação de emprego, e destacada a importância da subordinação como elemento caracterizador. De fato, também entendemos dessa forma, pois a subordinação é, realmente, o mais emblemático elemento a demonstrar a presença da relação de emprego. No caso em análise, temse que o Relator tratou apenas da pessoalidade e da subordinação em seu voto, como assim também procedeu a decisão de primeira instância. Sendo assim, faremos o exame apenas desses dois elementos caracterizadores da relação de emprego. De qualquer modo, insta deixar claro que a habitualidade na prestação dos serviços e o respectivo pagamento pela prestação realizada (onerosidade) estão devidamente no conjunto dos autos. A pessoalidade restou evidenciada pela prestação pessoal dos serviços médicos pelos sócios das empresas contratadas, as quais, inclusive, de caráter unipessoal, não possuíam empregados e, muitas vezes, sequer protagonizavam nas tratativas. Vide o seguinte excerto do relatório fiscal, fl. 81: Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 949 28 12.2 A análise das GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social) dessas empresas revela que elas são unipessoais. As evidências obtidas na fiscalização revelam que tais empresas foram contratadas para prestar serviços relacionados à atividadefim (área de atividade médica hospitalar especializada em oftalmologia) da contratante. No entanto, como tais empresas não possuem empregados, os serviços foram prestados pessoalmente pelos próprios sócios. 12.3. As informações referentes aos sócios das empresas interpostas foram obtidas a partir dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB e se encontram dispostas no ANEXO VII deste relatório fiscal. 12.4 Constatouse a existência de empresas de trabalhadores (supostas “Pessoas Jurídicas” sem empregados declarados em GFIP) que prestaram serviços mensais e emitiram notas fiscais sequenciais ao HOB. A partir da análise das notas fiscais (ANEXO III), podemos observar que tais empresas emitiram notas fiscais com numerações sequenciais, o que pressupõe a exclusividade da prestação de serviço para o sujeito passivo. 12.5. Por intermédio dos Termos de Intimação (em anexo), foram solicitados todos os contratos celebrados com tais “empresas” prestadoras de serviços. Porém, o HOB apresentou uma declaração (ANEXO IV) na qual afirma que os mesmos foram celebrados informalmente. Portanto, fica evidente a natureza de relação de emprego entre os sócios de tais “empresas” e o HOB, uma vez que sequer há um contrato formal de prestação de serviço. Quanto à subordinação, a situação não é diferente, uma vez que também restou evidenciada, segundo se observa no seguinte esclarecimento constante do relatório fiscal, fl. 82: 12.7. [...] no período objeto desta ação fiscal, o HOB possuía apenas 2 empregadas, uma enfermeira e uma farmacêutica. Portanto, toda a atividade do hospital que teve um faturamento de mais de 50 (cinquenta) milhões de reais nos anos de 2007 e 2008, foi desenvolvida por estas duas empegadas, pelos 2 (dois) sócios do HOB e pelas supostas empresas prestadoras de serviço. Concluise, com muita clareza, que não podemos considerar esta prestação de serviço uma relação contratual entre duas empresas, mas sim uma tentativa de disfarças o vínculo empregatício entre o HOB e os profissionais da área médica sócios das tais “empresas” prestadoras de serviço. [...] 12.10. Outrossim, conforme declaração do próprio hospital (ANEXO X), verificase que o mesmo controla todo o procedimento referente a prestação dos serviços médicos. O HOB é responsável pelos convênios com os planos de saúde, a marcação das consultas, o controle dos atendimentos Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 950 29 emergenciais ou não, a cobrança e o recebimento das consultas/procedimentos, a contagem da produção médica, o cálculo do valor da remuneração de cada profissional, assim como a efetuação do devido pagamento. 12.11. Revelase, mis uma vez, a subordinação dos profissionais da área médica (empregados) aos ditames do HOB. Uma vez que todas as regras e os controles de prestação de serviço, desde a marcação da consulta até o pagamento referente à prestação da mesma, eram estabelecidos pelo hospital. E complementando essas informações, transcrevemos o seguinte trecho da decisão de primeira instância, fl. 858: Conforme informado pela fiscalização, e não infirmado pela defesa, os supostos prestadores de serviços estavam inteiramente subordinados à política administrativoeconômico do autuado, uma vez que era ela a responsável pelas celebrações de convênios, marcações de consultas, pelos controles dos atendimentos, cobrança, etc. Outra questão que salta aos olhos é o fato de alguns destes “prestadores de serviços”, sócios das empresas interpostas, ocuparem cargos de chefia. Ora, o fato de assumirem cargos dentro da estrutura organizacional do autuado, cujas atividades certamente extrapolam à atividade de prestação de serviços médicos para os quais foram supostamente contratados repise se, sem qualquer formalização, constitui mais um forte indício de que tais profissionais, em verdade, eram segurados empregados do sujeito passivo, e se encontravam subordinados às diretrizes empresariais por ele traçadas. Ou seja, a realidade fática ultrapassa a realidade dos supostos contratos firmados informalmente. Conforme se observa, a Recorrente não se constitui simplesmente num espaço físico onde pessoas jurídicas da área médica atendem seus pacientes. Não se trata de um centro médico, como muitos que existem no Brasil, onde cada prestador de serviço aluga ou compra o seu espaço e gerencia livremente a sua atividade, assumindo, integralmente, os riscos a ela inerentes. Temos, no caso da Recorrente, uma verdadeira subordinação dos médicos à sua rotina de funcionamento e à sua estrutura de atendimento (celebração de convênios, marcação de consultas, controles de atendimento, cobrança, etc.). Além do mais, a Recorrente é a responsável pela a cobrança e pelo recebimento das consultas e procedimentos, pela contagem da produção médica, pelo cálculo do valor da remuneração de cada profissional, assim como pela efetuação do devido pagamento. Tal quadro nos permite concluir que há, sim, uma verdadeira subordinação à estrutura da Recorrente, situação essa que nos leva à lição de Maurício Godinho Delgado, o qual informa haver uma dimensão estrutural pela qual também se revela a subordinação jurídica e que se expressa “pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10166.728615/201126 Acórdão n.º 2402006.776 S2C4T2 Fl. 951 30 serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento” 1. Além do mais, em que pese os médicos terem mantido alguma autonomia, esta se mostra mais de cunho profissional, ou seja, no exercício das técnicas médicas próprias de cada especialidade, do que uma autonomia ampla dentro do hospital, e isso é fácil de se constatar. Considerando que a Recorrente não possui nenhum médico em sua folha de pagamento, segundo demonstrado pela Fiscalização, e que atua na prestação de serviços médicohospitalares, no ramo oftalmológico, realizando consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, e tendo obtido, inclusive, um milionário faturamento nos anos de 2007 e 2008, não é crível que o seu funcionamento tenha dependido, exclusivamente, de médicos absolutamente independentes, ou seja, sem que tenha havido um comando estabelecendo as diretrizes. Ora, se a atuação dos médicos “pejotizados” dependia da sua sujeição à direção do hospital, quanto ao seu funcionamento, e não vemos como ter sido diferente, é inquestionável a presença da subordinação às diretrizes definidas pela Recorrente, bem como à sua estrutura e à sua dinâmica operacional. Sendo assim, temse por demonstrada a presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 1 DELGADO, Maurício Godinho. Direitos fundamentais na relação de trabalho. Revista LTr, São Paulo: LTr, v. 70, n. 06, junho de 2006, p. 667. Fl. 951DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007502/2003-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não havendo evidência de dolo, fraude ou simulação, assim como restando incontestável a existência de pagamento, ainda que parcial, e da apresentação da declaração à RFB, considerando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial de 5 anos contados a partir do fato gerador, conforme o teor do art. 150, § 4º, do CTN.
No caso, restando plenamente comprovado que não houve qualquer pagamento de COFINS para as competências de abril e maio de 1988, a decadência rege-se pelo inciso I, do art. 173, do Código Tributário Nacional.
Resp nº 973.733-SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não havendo evidência de dolo, fraude ou simulação, assim como restando incontestável a existência de pagamento, ainda que parcial, e da apresentação da declaração à RFB, considerando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial de 5 anos contados a partir do fato gerador, conforme o teor do art. 150, § 4º, do CTN. No caso, restando plenamente comprovado que não houve qualquer pagamento de COFINS para as competências de abril e maio de 1988, a decadência rege-se pelo inciso I, do art. 173, do Código Tributário Nacional. Resp nº 973.733-SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Não havendo evidência de dolo, fraude ou simulação, assim como restando incontestável a existência de pagamento, ainda que parcial, e da apresentação da declaração à RFB, considerando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase o prazo decadencial de 5 anos contados a partir do fato gerador, conforme o teor do art. 150, § 4º, do CTN. No caso, restando plenamente comprovado que não houve qualquer pagamento de COFINS para as competências de abril e maio de 1988, a decadência regese pelo inciso I, do art. 173, do Código Tributário Nacional. Resp nº 973.733SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 75 02 /2 00 3- 80 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 125 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do Auto de Infração nº 0005992, lavrado em decorrência de auditoria interna na DCTF transmitida pela contribuinte, referente ao 2º trimestre de 1998, visando exigir o pagamento da COFINS dos PA´s abril e maio de 1998, por não ter sido validada a vinculação com ação judicial informada pela contribuinte em sua declaração. Após ser intimada da autuação, a ora recorrente apresentou tempestivamente Impugnação em 15/08/2003 (fl. 02/06). Após a apresentação do recurso, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, que resolveu converter o julgamento em diligência para que a DRF Curitiba assim procedesse (fl.73): "Assim, propõese a devolução do presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, para que, com base na decisão judicial antes referida, verificar se houve, de fato, autorização para a compensação argüida, bem como a eventual existência de indébito de Finsocial suficiente para a realização da alegada compensação com a Cofins exigida no auto de infração em comento, elaborando os respectivos demonstrativos de apuração, confrontando valores recolhidos e valores efetivamente devidos, além de, havendo créditos passíveis de compensação, elaborar demonstrativo da eventual compensação de indébitos do Finsocial com o débito da Cofins em causa." Após análise da ação judicial em questão, a Informação Fiscal de fls. 77/79 concluiu: "CONCLUSÃO Pela constatação da existência da ação judicial n° 95.0017453 7, da 4a vara Federal em CuritibaPR, e de que esta garante a este sujeito passivo o direito ã compensação, em decisão transitada em julgado anterior ã feitura do próprio Auto de Infração, concluímos ter havido erro de motivação na sua feitura." Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 126 3 Em seguida, a instância a quo, entendendo não ter sido cumprida a diligência requerida, baixa, novamente, o processo em diligência para que seja averiguado se (fl.80): "(...) de fato, existem créditos, decorrentes da indicada ação judicial, suficientes para validar as compensações de COFINS declaradas pela interessada, que foram objeto de glosa no presente lançamento; reiterase que de tais verificações sejam elaborados demonstrativos, tal como consta do pedido de diligência antes referido..." Assim, a Unidade de Origem intimou a contribuinte para a apresentação dos DARF´s que comprovassem os pagamentos realizados, os quais ensejariam os créditos pleiteados, e, posteriormente, elaborou planilhas e lavrou o Termo de Encerramento de Diligência (fl. 95/101), do qual se transcreve o seguinte excerto: "Assim sendo, elaborouse as planilhas “Cálculo da Diferença Recolhida a Maior”, “Saldo a Compensar dos Recolhimentos Feitos até 31/ 12/ 1991” e “Controle do Saldo a Compensar”, fls. 84/86. Frisese que, conforme indica a planilha “Saldo a Compensar dos Recolhimentos Feitos Até 31 / 12/ 1991”, as diferenças de recolhimentos encontradas em favor do Contribuinte foram atualizadas até dezembro/ 1995, de acordo com a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° O8/97 e as súmulas n° 32 e 37 do TRF 4a Região, apurandose o saldo a compensar de R$ 7.399,97 (sete mil, trezentos e noventa e nove reais e noventa e sete centavos), o qual foi transportando para a citada planilha “Controle do Saldo a Compensar”, onde se observa que este foi insuficiente para quitar os débitos da Cofins de que trata o referido auto de infração. c) CONCLUSÃO Isto posto, constatouse que os créditos provenientes do que foi pago em excesso de Finsocial foram insuficientes para extinguir os débitos da Cofins do auto de infração objeto deste processo." (grifo nosso) Finalmente, analisando as argumentações da contribuinte e o resultado da diligência realizada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que possui a seguinte ementa: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 127 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do 'artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF, deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, quando não houver pagamento antecipado pelo obrigado. ` LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL. INSUFICIÊNCIA. É cabível o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário não confessado pelo sujeito passivo, quando for verificada a insuficiência de alegado direito creditório de Finsocial, informado pela interessada em DCTF para fins de compensação. JUROS DE MORA. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora na forma prevista na legislação. Lançamento Procedente Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (114/120), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, unicamente, argüindo a decadência. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 128 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, esclareçase que, considerandose a planilha apresentada, reproduzida abaixo, pela fiscalização na diligência realizada e considerandose que a ora recorrente não contesta esta matéria em seu Recurso Voluntário, temos como incontroverso o fato dos créditos da contribuinte não terem sido suficientes para a quitação dos débitos lançados no Auto de Infração do presente processo. Como relatado anteriormente, a única questão a ser analisada neste julgamento se resume à decadência do direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, referente aos períodos de apuração de abril e maio de 1998, tendo em vista que essa prejudicial de mérito foi somente o que alegou a recorrente em seu Voluntário. Alega o sujeito passivo que a compensação declarada por ele em sua DCTF, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário Nacional, também é uma das formas de extinção do crédito tributário e, portanto, em se tratando a COFINS de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial regese pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, ainda, segundo ele, sem se fazer qualquer distinção em relação à existência ou não de pagamento. A recorrente argumenta, então, que como o lançamento se refere às competências de abril e maio de 1998 e, por outro lado, ela só tomou ciência do Auto de Infração lavrado em 18 de junho de 2003, naquele momento, já havia transcorrido o prazo fatal Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 129 6 de 5 anos a partir dos fatos geradores para a Fazenda lançar. Portanto, Tal Auto já estaria fulminado pela decadência. Em julgamentos recentes de minha relatoria, este Colegiado já teve oportunidade de se debruçar sobre essa matéria, portanto, reproduzo excerto do voto condutor dos Acórdãos nº 3002000.516 e 3002000.517, o qual adoto como razão para decidir no presente processo: "No que tange ao prazo decadencial de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, em relação às contribuições, tem se como extremamente relevante a edição da Súmula Vinculante STF nº 8, pois pôs fim a discussão sobre a decadência se operar em 5 ou 10 anos: SÚMULA VINCULANTE Nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Dessa forma, ficou assentado que, também no caso das contribuições, deve prevalecer o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, ou seja, o prazo para lançamento de ofício das contribuições é de 5 anos. Por outro lado, quanto ao termo inicial da contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento sobre essa matéria através do julgamento do Resp nº 973.733SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 130 7 CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 131 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O julgamento do Recurso Especial acima reproduzido levou o Superior Tribunal de Justiça a editar a Súmula STJ nº 555 sobre a matéria em pauta: SÚMULA STJ Nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim sendo, resta plenamente pacificado o entendimento que, no caso de tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e declaração do débito, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, mesmo que parcial, ou da inexistência de declaração ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN)." No caso em tela, resta plenamente comprovado que não houve qualquer pagamento de COFINS para as competências de abril e maio de 1988, objeto do lançamento ora analisado. Ademais, nem mesmo as compensações declaradas em DCTF tem o condão de mudar tal fato, pois foram declaradas ao arrepio da Lei e do que foi decidido na esfera judicial, tendo em vista que o crédito pertencente à contribuinte já havia se esgotado com o pagamento da competência de janeiro de 1997, ou seja, 18 meses antes da transmissão da DCTF do 2º trimestre de 1998. Assim sendo, não há como negar que, ao caso, a decadência regese pelo inciso I, do art. 173, do Código Tributário Nacional e, portanto, o prazo para a Fazenda Pública realizar o lançamento em questão somente se findaria em 31 de dezembro de 2003. Desta forma, não há nenhuma mácula no Auto de Infração contestado. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10980.007502/200380 Acórdão n.º 3002000.568 S3C0T2 Fl. 132 9 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012605/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MATÉRIA OBJETO DO LANÇAMENTO JÁ ESTAVA SENDO DISCUTIDA NO PODER JUDICIÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme Súmula Vinculante CARF nº 01.
Numero da decisão: 3401-006.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MATÉRIA OBJETO DO LANÇAMENTO JÁ ESTAVA SENDO DISCUTIDA NO PODER JUDICIÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme Súmula Vinculante CARF nº 01.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-19T11:39:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-19T11:39:40Z; Last-Modified: 2019-07-19T11:39:40Z; dcterms:modified: 2019-07-19T11:39:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-19T11:39:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-19T11:39:40Z; meta:save-date: 2019-07-19T11:39:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-19T11:39:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-19T11:39:40Z; created: 2019-07-19T11:39:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-07-19T11:39:40Z; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-19T11:39:40Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.012605/2007-95 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401-006.588 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Recorrente BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MATÉRIA OBJETO DO LANÇAMENTO JÁ ESTAVA SENDO DISCUTIDA NO PODER JUDICIÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme Súmula Vinculante CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 26 05 /2 00 7- 95 Fl. 248DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.012605/2007-95 Trata o presente processo de lançamento de IPI através de Auto de Infração, no valor principal de R$ 1.855.485,13, acrescido de juros de mora. A constituição do crédito tributária foi efetuada para prevenir a decadência, tendo em vista que o sujeito passivo havia ajuizado processo judicial, antes do início do procedimento fiscal, por meio do Mandado de Segurança n° 2004.70.00.019468-9, impetrado pela contribuinte na 9ª Vara Federal em Curitiba, com o objetivo de obter a declaração da inconstitucionalidade do art. 6° do Decreto n° 5.058/2004, na parte que determina a produção dos seus efeitos a partir de 01/05/2004, e, assim, afastar a exigência do IPI nas alíquotas ali previstas. O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado da autuação em 15/10/2007. Em 13/11/2007 apresentou Impugnação, simplesmente reconhecendo que o objetivo do lançamento foi a prevenção da decadência, em virtude da situação de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e solicitando que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não adote nenhum procedimento tendente a exigir da empresa o crédito tributário lançado. A DRJ - Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão de 07/12/2010, proferiu o Acórdão nº 14-31.845, às fls. 121/122, através do qual, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer da Impugnação, com a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. Não havendo, por parte do interessado, contestação a nenhum dos elementos do auto de infração, considera-se não impugnado o lançamento e não instaurado o litígio. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 05/01/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 126. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 07/02/2011, às fls. 128/129, alegando que sequer há que se discutir tal mérito no presente processo administrativo, ante a prejudicialidade da demanda judicial. Mais uma vez, requereu que a RFB se abstenha de tomar qualquer atitude tendente à exigir o crédito tributário lançado. Em 23/02/2017, a DRF-Curitiba encaminhou o Memorando Secat nº 027/2017, in verbis: Assunto: Informação Juntada de Documentos e-Processo nº 10980-012.605/2007-95 Efetuamos a juntada de documentos ao e-Processo nº 10980-012.605/2007-95, referentes à Ação Judicial nº 2004.70.00.019468-9/PR, transitada em julgado a favor da interessada, com os depósitos levantados, referente à autora BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA LTDA., CNPJ nº 77.388.007/0001-57, para fins de que seja dado conhecimento. Em 16/01/2018, o sujeito passivo juntou aos autos Petição informando o trânsito em julgado do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e requerendo a baixa definitiva da exigência fiscal. É o relatório. Voto Fl. 249DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.012605/2007-95 Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo. No entanto, a sua admissibilidade depende do preenchimento de outros requisitos para que dele seja possível tomarconhecimento. Dentre estes, devo destacar o requisito intrínseco denominado “interesse”. Para que o recurso seja admissível, é preciso que haja “utilidade” – o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa do que aquela em que se encontrava logo após a decisão questionada. Além disso, é preciso que seja constatada a “necessidade” do recurso, ou seja, que precise se valer da via recursal para alcançar aquela situação mais vantajosa. Do quanto exposto no Relatório, observa-se que existe ação judicial proposta pelo Recorrente, antes do início do procedimento fiscal, em que discute a mesma matéria objeto do lançamento tributário. Ora, nesse contexto, verifica-se completamente desnecessária a propositura do presente Recurso Voluntário, tendo em vista que a decisão judicial sempre irá prevalecer sobre a decisão administrativa, seja ela favorável ou contrária ao recorrente. Não é por outro motivo que este tema encontra-se pacificado administrativamente, conforme a Súmula Vinculante CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O próprio recorrente, em verdade, não contesta nenhum aspecto do auto lavrado, tendo plena compreensão de que se trata unicamente de lançamento para prevenir a decadência. Nesse contexto, a DRJ proferiu decisão unânime pelo não conhecimento da Impugnação, em virtude da inexistência de litígio. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.910445/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COMPENSAÇÃO TÁCITA.
Uma vez transcorrido o prazo de cinco anos a partir da data de protocolização de pedido de compensação, considera-se tacitamente homologada a compensação declarada.
De acordo com o Código Tributário Nacional, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (previsto no inciso II, do art.156).
Numero da decisão: 3302-007.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a OMISSÃO, reconhecendo a homologação tácita da Perdcomp n° 12373.48907.160407.1.3.01-72
Nome do relator: Jorge Lima Abud
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OMISSÃO. COMPENSAÇÃO TÁCITA. Uma vez transcorrido o prazo de cinco anos a partir da data de protocolização de pedido de compensação, considera-se tacitamente homologada a compensação declarada. De acordo com o Código Tributário Nacional, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (previsto no inciso II, do art.156). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a OMISSÃO, reconhecendo a homologação tácita da Perdcomp n° 12373.48907.160407.1.3.01-72. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Na condição de Conselheiro do colegiado em epígrafe e relator do processo supra identificado, julgado na sistemática dos recursos repetitivos em 27/11/2018, foi constatado, quando da formalização do acórdão, a existência de omissão a ensejar a interposição de Embargos de Declaração, conforme disposição do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 8899DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.280 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.910445/2010-61 Conforme se verifica do acórdão prolatado pela turma, decidiu-se por afastar a alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação declarada, considerando tão somente uma das Declarações de Compensação por ele transmitidas, aquela presente às fls. 2 a 330, não se pronunciando acerca da Declaração de Compensação de fls. 331 a 334 (também presente às fls. 8492 a 8495), tendo-se por configurada, portanto, a omissão acima referenciada. No Despacho Decisório (fls. 8500 a 8504), a autoridade administrativa de origem se pronunciara expressamente sobre as duas Declarações de Compensação (além do Pedido de Ressarcimento), não as homologando em decorrência do indeferimento do ressarcimento pleiteado (fl. 8504). Ocorre que a segunda Declaração de Compensação havia sido transmitida pelo Recorrente em 16/04/2007 (fl. 8492), tendo ele sido cientificado do Despacho Decisório somente em 28/05/2012 (fl. 8506), após, portanto, o prazo de 5 (cinco) anos previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Com essas considerações, e, na condição de Presidente da Turma, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède interpôs e admitiu os presentes Embargos de Declaração, para que o Colegiado analise a ocorrência da omissão suscitada, prolatando nova decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 04 de fevereiro de 2019, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para a manifestação quanto à omissão existente no Acórdão n° 3302-0619. Portanto, entende-se que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. D O CABIMENTO O Acórdão n° 3302-000.619, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 27 de novembro de 2018. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, preclaro Presidente da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, ingressou com informações em Embargos em 04 de fevereiro de 2019. O recurso foi admitido de modo a sanar a omissão. 3. DA OMISSÃO Fl. 8900DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.280 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.910445/2010-61 Conforme se verifica do acórdão prolatado pela turma, decidiu-se por afastar a alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação declarada, considerando tão somente uma das Declarações de Compensação por ele transmitidas, aquela presente às fls. 2 a 330, não se pronunciando acerca da Declaração de Compensação de fls. 331 a 334 (também presente às fls. 8492 a 8495), tendo-se por configurada, portanto, a omissão acima referenciada. No Despacho Decisório (fls. 8500 a 8504), a autoridade administrativa de origem se pronunciara expressamente sobre as duas Declarações de Compensação (além do Pedido de Ressarcimento), não as homologando em decorrência do indeferimento do ressarcimento pleiteado (fl. 8504). Ocorre que a segunda Declaração de Compensação havia sido transmitida pelo Recorrente em 16/04/2007 (fl. 8492), tendo ele sido cientificado do Despacho Decisório somente em 28/05/2012 (fl. 8506), após, portanto, o prazo de 5 (cinco) anos previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 4. DO DEFERIMENTO Toma-se por esteio o artigo 74 da Lei 9.430, de 27.12.1996, vigente no período de apuração - 01/01/2006 a 31/03/2006: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Como relatado, a segunda Declaração de Compensação havia sido transmitida pelo Recorrente em 16/04/2007 (fl. 8492): Fl. 8901DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.280 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.910445/2010-61 A empresa foi cientificada do Despacho Decisório somente em 28/05/2012, através da Intimação n° 1.474/2012 (e-folhas 8.505 / 8506). Consoante a determinação do §5º, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Uma vez transcorrido o prazo de cinco anos a partir da data de protocolização de pedido de compensação, considera-se tacitamente homologada a compensação declarada. De acordo com o Código Tributário Nacional, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (previsto no inciso II, do art.156). Sendo assim, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a OMISSÃO, reconhecendo a homologação tácita da Perdcomp n° 12373.48907.160407.1.3.01- 72. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 8902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002611/2004-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA.
O Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido por autoridade competente, contendo todos os dados previstos na legislação de regência, em especial o tributo a ser fiscalizado, respectivo período de apuração e a identificação dos responsáveis pela execução do mandado, descabendo a alegação de fiscalização não autorizada.
DEPÓSITOS DE NUMERÁRIOS NO EXTERIOR.
Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário final de transferências bancárias efetivadas no exterior, não há como prosperar a alegação de que não realizou as operações ou que não possui conta corrente no exterior.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos omitidos, apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual vigente à época.
CASO BANESTADO - BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES.
Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal.
Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba - PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações.
Numero da decisão: 2301-006.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA. O Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido por autoridade competente, contendo todos os dados previstos na legislação de regência, em especial o tributo a ser fiscalizado, respectivo período de apuração e a identificação dos responsáveis pela execução do mandado, descabendo a alegação de fiscalização não autorizada. DEPÓSITOS DE NUMERÁRIOS NO EXTERIOR. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário final de transferências bancárias efetivadas no exterior, não há como prosperar a alegação de que não realizou as operações ou que não possui conta corrente no exterior. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos omitidos, apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual vigente à época. CASO BANESTADO - BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba - PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações.
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Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA. O Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido por autoridade competente, contendo todos os dados previstos na legislação de regência, em especial o tributo a ser fiscalizado, respectivo período de apuração e a identificação dos responsáveis pela execução do mandado, descabendo a alegação de fiscalização não autorizada. DEPÓSITOS DE NUMERÁRIOS NO EXTERIOR. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário final de transferências bancárias efetivadas no exterior, não há como prosperar a alegação de que não realizou as operações ou que não possui conta corrente no exterior. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos omitidos, apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual vigente à época. CASO BANESTADO - BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 11 /2 00 4- 52 Fl. 219DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba - PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 147/193) interposto em face do Acórdão nº 17-22.255 (e-fls 127/139) prolatado pela DRJ São Paulo II em sessão de julgamento realizada em 09 de janeiro de 2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-22.255 Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 75/76 1 , acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 73/74 2 , que lhe exige crédito tributário no montante de R$216.338,39, correspondente ao imposto (R$85.563,36), multa proporcional (R$64.172,52) e juros de mora (R$66.602,51, 1 Auto de Infração anexado às e-fls 88/89. 2 E-fls 86/87. Fl. 220DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 calculados até 29/10/2004), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2000, ano-calendário 1999. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 76) 3 , o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal 4 em anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/08/1999 R$ 27.754,50 75,00 30/09/1999 R$ 283.385,00 75,00 Enquadramento Legal: Art. 42 da Lei nº 9.430/1996; art. 4º da Lei nº 9.481/1997; art. 21 da Lei nº 9.532/1997; art. 849 do Decreto nº 3.000/1999. Multa de 75%: Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontram-se detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 69/72, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, em 26/11/2004 (AR de fl. 80), o interessado apresentou, em 21/12/2004, por intermédio de sua representante legal (fl. 97), a impugnação de fls. 81/96 5 , instruída com os documentos de fls. 97/110, aduzindo o que se segue. PRELIMINAR. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Que no Termo de Verificação Fiscal, o ARFR relata que o processo administrativo dele decorrente é composto por 68 folhas, que fundamentam a autuação. Contudo, foram remetidos ao impugnante, por via postal, com AR de 25/11/2004, os seguintes documentos, exclusivamente: a) Termo de Verificação Fiscal, em 04 páginas; b) Auto de Infração, em 02 páginas, Demonstrativo de Apuração e Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, 01 página cada um; c) e Termo de Encerramento de Ação Fiscal, também em uma página. Que nenhum daqueles elementos relacionados no Termo de Verificação Fiscal, que, na expressão do AFRF “... subsidia a presente ação fiscal”, foi entregue, ou mesmo exibido ao impugnante, que se viu, assim, completamente cerceado no seu direito de defesa, já que não dá para saber em que se baseou a autoridade administrativa para acusá-lo de manter conta-corrente em instituição financeira no exterior. Traz em sua defesa lição de Luiz Henrique Barros de Arruda, para quem “A ciência do auto de infração, pelo contribuinte, deve compreender também cópia de 3 Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal anexado às e-fls 89. 4 Termo de Verificação Fiscal anexado às e-fls 82/85. 5 Impugnação anexada às e-fls 95/110. Fl. 221DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 todos os elementos de prova que derem esteio à exigência (documentos, termos de verificação, resultados de diligências e comprovantes indispensáveis à formação de convicção do julgador) e dos demonstrativos que o instruem, em observância ao que dispõem os artigos 196 do CTN e 8º e 9º do Decreto nº 70.235/1972, provada a entrega com o recibo do sujeito passivo, ...” Cita, ainda, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez que, por sua vez, citando Nelson Nery Jr., ensinam que o princípio do contraditório se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis. Que a sonegação das provas que o autuante diz ter, e que carreou ao processo, impedem o conhecimento, por parte do impugnante, dos pretensos elementos que existem contra si, caracterizando o cerceamento do seu direito de defesa, com a conseqüente nulidade do auto de infração lavrado. DA INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IMPESSOALIDADE Consoante as disposições contidas na Portaria/SRF nº 500, de 1995, a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da imparcialidade, seja ela dirigida uniformemente aos administrados. Diz que o programa de fiscalização deve cumprir rigorosamente o traçado, sob pena de nele incluir contribuintes que não se enquadram nos parâmetros escolhidos, ou dele excluir aqueles que nele se enquadram. Não foi indicado pelo AFRF autuante, nos termos que lavrou, as razões ou a origem da fiscalização, ou seja, em qual programa de fiscalização elaborado pela COFIS, nos termos dos atos normativos referidos, o contribuinte havia sido incluído, de modo que pudesse avaliar se os critérios estabelecidos pelas autoridades superiores estavam sendo observados, sob pena de restarem caracterizados, de parte da administração local, o mero capricho, a perseguição, a animosidade ou puro interesse político. Visto que inexistia com relação ao impugnante, programa de fiscalização específico, a sua seleção para a fiscalização dependia, nos termos do § 2º da Portaria SRF nº 500, de 1995, de prévia autorização do Coordenador da COFIS. Entretanto, dos elementos que acompanharam o auto de infração, não consta que essa autorização tenha sido solicitada ao Coordenador da COFIS, ou que tenha sido concedida ao Sr. Superintendente da Receita Federal em São Paulo, ainda que o impugnante não estivesse incluído nos critérios e diretrizes estabelecidos pelo referido Coordenador, nos termos do caput do artigo, razão pela qual o crédito tributário, por ter origem em fiscalização não autorizada, é nulo de pleno direito. DA ILEGAL TRIBUTAÇÃO ANUAL DE VALORES. DA IMPOSIÇÃO LEGAL DE TRIBUTAÇÃO MENSAL. Nos termos do art. 42, e seus §§ da Lei nº 9.430/1996, reproduzido no art. 859 do RIR/1999, o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Tratando- se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que Fl. 222DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Considerando que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN, não poderia o AFRF, agindo em desconformidade com a legislação retrocitada, apurar os montantes mensais que considerou como receita omitida e, somando-os, autuar com base no fato gerador de 31/12/1999, como está no Demonstrativo de Apuração IRPF anexo ao auto de infração. Tanto que no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, os juros de mora foram calculados a partir de 28/04/2000 (77,84%), quando, se a tributação tivesse sido efetivada mensalmente, como exige a lei, ditos juros seriam calculados a partir de cada fato gerador mensal. Não é dado ao AFRF efetuar a tributação com base em critérios pessoais, já que, por expressa disposição da Lei Complementar, há de ser ela vinculada à lei, sob pena de invalidade do crédito tributário constituído com base em fato gerador inaplicável ao caso. Nesse aspecto, o 1º Conselho de Contribuintes, no recente Acórdão nº 104- 19.701, publicado no DOU de 07/07/2004, proferiu que a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser realizada mensalmente. Portanto, a autuação, ainda que baseada no art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430/1996, não obedeceu a legislação de regência, eis que realizada com base em fato gerador anual (31/12/1999), quando deveria ser efetivada, se fosse o caso, com base em fatos geradores mensais (31/08/1999 e 30/09/1999), razão pela qual é nula de pleno direito. DA INEXISTÊNCIA DE CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR Argumenta que não pode o impugnante provar que (a) não remeteu valores para o exterior e (b) não possui conta-corrente em instituição financeira do exterior, tratando-se, aqui, de negativa genérica e de amplitude indefinida, impossível de ser por ele produzida. Cabe ao Fisco o ônus da prova de que o impugnante efetuou as operações de que é acusado (art. 333, I, do CPC). Tendo o impugnante negado peremptoriamente ter efetuado qualquer remessa de valores para o exterior, tal esclarecimento somente poderia ser recusado pela fiscalização, com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (§ 1º do art. 845 do RIR/1999), o que não fez. Entendimento esse pacífico do 1º Conselho de Contribuintes, consoante ementas dos acórdãos que transcreve. CONCLUSÃO E REQUERIMENTO Diante do exposto, constata-se que inexistem condições legais para a manutenção do auto de infração lavrado, seja pela existência do cerceamento do direito de defesa, seja por inobservância do Princípio Constitucional da Impessoalidade, seja porque promove tributação anual de tributo que, se devido fosse, tem fato gerador mensal, seja porque destituído de qualquer base probante. Desse modo, solicita que seja cancelado o auto de infração lavrado, desobrigando-o do recolhimento de quaisquer quantias. Fl. 223DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-22.255 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA. O Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido por autoridade competente, contendo todos os dados previstos na legislação de regência, em especial o tributo a ser fiscalizado, respectivo período de apuração e a identificação dos responsáveis pela execução do mandado, descabendo a alegação de fiscalização não autorizada. DEPÓSITOS DE NUMERÁRIOS NO EXTERIOR. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário final de transferências bancárias efetivadas no exterior, não há como prosperar a alegação de que não realizou as operações ou que não possui conta corrente no exterior. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos omitidos, apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual vigente à época. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 147/193), após breve exposição dos fatos (e-fls 150/152), o Recorrente repisa, em síntese, as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação, subdivididas nos tópicos relacionados como se segue: (e-fls) PRELIMINAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, PELA FALTA DA ENTREGA DE DOCUMENTO ESSENCIAL AO CONTRIBUINTE (152/162) PRELIMINAR - A INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NAS PORTARIAS Nºs 500/95 E 3.007/02, DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL (162/170) Fl. 224DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 A ILEGAL TRIBUTAÇÃO ANUAL DE VALORES VISTO QUE O ARTIGO 42 DA LEI Nº 9430/96 IMPÕE A TRIBUTAÇÃO MENSAL. (170/181) DA INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES OU DE CONTA- BANCÁRIA NO EXTERIOR (181/189) DA PERDA DO DIREITO DE LANÇAR (DECADÊNCIA) (189/193) 3.1. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 193): 7. CONCLUSÃO E REQUERIMENTO. 7.1 Diante de todo o exposto, constata-se que inexistem condições legais para a manutenção do auto de infração lavrado, seja pelo des-cumprimento da legislação de regência, seja pela inobservância de formalidades que o nulificam. 7.2 Desse modo, solicita o RECORRENTE, por ser de inteira justiça, que seja dado provimento ao presente recurso, com vistas à reforma do acórdão ora recorrido, desobrigando-o do recolhimento de quaisquer quantias. 3.2. Consta o ingresso de petição (e-fls 198/200) com o fim de anexar cópias de decisões administrativas (Acórdão nº 17-18.277, da DRJ/SPO II; Acórdão n° 3301-00.001, de 04/03/2009), prolatadas nos autos do processo nº 19515.002919/2006-60 que o Recorrente entende aplicáveis ao caso em julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARREESS -- CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO DDEE DDEEFFEESSAA EE IINNVVAALLIIDDAADDEE DDAA AAÇÇÃÃOO FFIISSCCAALL 5. Na peça recursal, é alegado cerceamento de defesa, em decorrência do fato de não terem sido apresentados documentos 6 que teriam fundamentado a autuação, impedindo o recorrente de conhecer os elementos contra ele existentes. Também é alegada deficiência na motivação da seleção do Recorrente em programa de fiscalização, em vista de pretensa inobservância de atos normativos da RFB que aponta em seu recurso. 6. Entendo que a decisão de primeira instância perfez abordagem correta e minuciosa na apreciação das duas questões preliminares. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-22.255 6 Cópias do "Laudo de Exame Econômico Financeiro n° 1.297/04" e do "Laudo de Exame Econômico-Financeiro nº 1.258/04", elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística. Fl. 225DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 PRELIMINAR DA NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega que nenhum dos elementos relacionados no Termo de Verificação Fiscal, que na expressão do AFRF autuante“... subsidia a presente ação fiscal”, foi entregue ou mesmo exibido ao impugnante, que se viu, assim, completamente cerceado no seu direito de defesa, já que não tem a menor idéia em que baseou a autoridade administrativa para acusá-lo de manter conta-corrente em instituição financeira no exterior. Que a sonegação das provas que o autuante diz ter, e que carreou ao processo, impedem o conhecimento, por parte do impugnante, dos pretensos elementos que existem contra si, caracterizando o cerceamento do seu direito de defesa, com a conseqüente nulidade do auto de infração lavrado. Conforme se depreende da leitura do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, no processo administrativo fiscal a preterição do direito de defesa só pode ser alegada após a fase impugnatória, quando preclui o direito de o contribuinte apresentar suas provas. Até então, não há que se falar em cerceamento a esse direito, pois o lançamento impugnado só será considerado definitivamente constituído após proferida a decisão definitiva pelas instâncias administrativas. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Enquanto o contribuinte está sob ação fiscal, está na fase inquisitorial, investigativa. O que existe nessa fase é um procedimento fiscal instaurado, em que o contribuinte é intimado a apresentar esclarecimentos/comprovações. Não existe, entretanto, ainda, nenhum processo administrativo de constituição e exigência de crédito tributário formalizado, não havendo, a rigor, a possibilidade de observância do princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal nessa etapa do procedimento fiscal. O contraditório só se estabelece em momento seguinte à formalização e ciência da exigência do crédito tributário constituída por meio do Auto de Infração ou notificação de lançamento. É na impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 dias contados da data da ciência da intimação, que o contribuinte poderá contestar o lançamento, mencionando os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Dentro desse prazo de 30 dias, é facultado ao sujeito passivo vista do processo/requisição de cópia, na repartição fiscal que o jurisdiciona, tendo por objetivo possibilitar-lhe o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhe são assegurados pelo art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Assim sendo, bastava ao interessado ter solicitado vistas do processo quantas vezes entendesse necessário e/ou requisitado cópia do inteiro teor do processo e/ou parte dele, nesse período de 30 dias, no órgão preparador, em que os autos Fl. 226DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 permaneceram à disposição do contribuinte. Entretanto, não há notícias de que o impugnante tenha adotado tal medida. Seria o caso de cogitar o cerceamento de defesa, se o contribuinte houvesse formulado pedido de vistas do processo e/ou cópia integral/parcial dos autos e tal requisição tivesse sido denegado pela autoridade administrativa. O que, definitivamente, não é o caso destes autos. Assim, o fato de a documentação relacionada no item III do Termo de Verificação Fiscal (fls. 69/72) não ter sido encaminhado ao fiscalizado/autuado não dá causa ao propalado cerceamento do direito de defesa, haja vista que os autos ficaram à disposição do autuado na repartição fiscal de sua jurisdição, durante o prazo de 30 dias contados da ciência do Auto de Infração, para plena viabilização de sua defesa. Saliente-se, por oportuno, que o Termo de Verificação Fiscal (fls. 69/72) é bastante claro no que se refere à descrição dos fatos/infrações apuradas/enquadramento legal aplicado, não dando ensejo à declaração de nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa. Vê-se, pois, que inocorreu o propalado cerceamento do direito de defesa, cabendo afastar a preliminar de nulidade do lançamento argüida sob esse pretexto. DA ALEGAÇÃO DE INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IMPESSOALIDADE Alega que, nos termos do art. 37, caput, da Constituição Federal, cabe à administração pública a observância do princípio da impessoalidade. Observância que consta inclusive do art. 1º da Portaria SRF nº 3.007, de 2002. Cita, ainda, a Portaria SRF nº 500, de 1995, em especial, o art. 1º, inciso I, e seu § 2º. Diz que em nenhum momento foi indicado pelo AFRF autuante, nos termos que lavrou, as razões ou a origem da fiscalização, ou seja, em qual programa de fiscalização havia sido o impugnante incluído, de modo que pudesse avaliar se os critérios estabelecidos pelas autoridades superiores estavam sendo observados. Inexistindo com relação ao impugnante programa específico, que a sua seleção para a fiscalização dependia, nos termos do § 2º da Portaria SRF 500, de 1995, de prévia autorização do Coordenador da COFIS. Que tendo o crédito tributário origem em fiscalização não autorizada, é nulo de pleno direito. Inicialmente, cumpre assinalar que todos os contribuintes estão, sem distinção nenhuma, sujeitos à fiscalização, enquanto não decaído o direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento. O contribuinte não tem a prerrogativa de avaliar e/ou exercer controle sobre os critérios utilizados pela autoridade fiscal para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados. Os parâmetros aplicados à seleção de contribuintes seguem as diretrizes estabelecidas internamente, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, finalidade, razoabilidade e da justiça fiscal. Diversamente do que aduz o impugnante, não há a obrigatoriedade de o Fisco informar ao contribuinte os parâmetros que levaram à sua seleção dentre o universo de contribuintes a serem fiscalizados, nem tampouco em qual programa de fiscalização foi incluído. Tanto que, relativamente aos dados que devem obrigatoriamente ser informados ao contribuinte fiscalizado, por meio do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), a Portaria SRF nº 3.007, de 2001, que trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, alterada pela Portaria Fl. 227DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 SRF nº 1.238, de 2002 e pela Portaria SRF nº 1.468, de 2003, apenas determinou em seu art. 7º que: Art. 7º O MPF-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: I - a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; II - os dados identificadores do sujeito passivo; III - a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV - o prazo para a realização do procedimento fiscal; V - o nome e a matrícula do AFRF responsável pela execução do mandado; VI - o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior; VII - o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. § 1º O MPF-F e o MPF-E indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos Anexos I e III. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.468, de 06/10/2003) § 2º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPF-F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 3º O MPF-D indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo constante do Anexo II. § 4º O MPF-E indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo constante do Anexo III. § 5º Na hipótese de instauração de procedimento fiscal destinado exclusivamente a verificar o cumprimento de obrigação acessória, o MPF-F deverá identificar a obrigação e o período a que se refere, conforme modelo constante do Anexo I, não se aplicando o disposto no § 1º deste artigo. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.238, de 31/10/2002). Também, não se vislumbra do exame dos autos qualquer inobservância às disposições contidas no art. 1º da Portaria SRF nº 3.007, de 21/11/2001, abaixo transcrito. Art. 1º O planejamento das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições federais, a serem executadas no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, será elaborado pela Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis) e pela Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana), no Fl. 228DF CARF MF http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Portarias/2003/portsrf1468.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Portarias/2003/portsrf1468.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Portarias/PortariaSRF30072001AnexoII.doc http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Portarias/2002/portsrf1238.htm Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 âmbito de suas respectivas áreas de competência, considerando as propostas das unidades descentralizadas da SRF, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade e da justiça fiscal. § 1º O planejamento de que trata este artigo consistirá na descrição e quantificação das atividades fiscais, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelas Coordenações-Gerais, nas respectivas áreas de competência. § 2º As diretrizes referidas no parágrafo anterior privilegiarão as ações voltadas à prevenção e ao combate à evasão tributária, bem assim ao controle aduaneiro, e serão estabelecidas em função de estudos econômico-fiscais e das informações disponíveis ou a serem disponibilizadas para fins de seleção e preparo da ação fiscal, inclusive as constantes dos relatórios decorrentes dos trabalhos desenvolvidos pelas atividades de Pesquisa e Investigação. § 3º Observada a finalidade institucional da SRF, a realização de procedimentos fiscais, em cada período, para atendimento de demandas de órgãos externos com caráter requisitório, não poderá comprometer mais de vinte por cento da força de trabalho alocada em atividade de fiscalização, determinada com base na relação homem/hora. § 4º Em situações especiais, o Coordenador-Geral de Fiscalização e o Coordenador-Geral de Administração Aduaneira poderão, no âmbito de suas respectivas áreas de competência e em caráter prioritário, determinar a realização de atividades fiscais, ainda que não constantes do planejamento de que trata este artigo. A ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte pela DEFIC São Paulo decorreu em face da Representação Fiscal nº 329/04 encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF nº 463/04, da Coordenação Geral de Fiscalização, da Secretaria da Receita Federal (fl. 09). A Defic/São Paulo deu, então, início à ação fiscal, em 27/09/2004 (AR de fl. 64), mediante ciência ao contribuinte do Termo de Início da Ação Fiscal, de 21/09/2004 (fls. 62/63), nos termos determinados pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.90.00-2004-01784-5, de 16/09/2004 (fl. 01). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de fl. 01, que determinou a execução do presente procedimento fiscal, foi emitido pela autoridade competente para isso, consoante art. 6º da Portaria SRF nº 3.007, de 2001. Nota-se de seu exame, que ele foi emitido com observância de todos os requisitos discriminados no art. 7º da referida Portaria, entre os quais os dados identificadores do contribuinte, o procedimento fiscal a ser executado (fiscalização), tributo a ser fiscalizado (IRPF), respectivo período de apuração (01/1999 a 12/1999), identificação dos AFRF responsáveis pela execução do mandado e supervisão e código de acesso à Internet, descabendo, por completo, a alegação de que se trata de fiscalização não autorizada. Saliente-se, ainda, que o referido Auto de Infração (fls. 75/76) foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para realizar o lançamento, devidamente designado para executar o procedimento de fiscalização junto ao interessado. Não é, pois, caso de se declarar nulo o lançamento ora impugnado, pela inocorrência do pressuposto de nulidade elencado no art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 59. São nulos: Fl. 229DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-22.255 6.1. Em vista dos fundamentos acima transcrito, rejeito as preliminares. PPRREEJJUUDDIICCIIAALL DDEE MMÉÉRRIITTOO -- DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA 7. O Recorrente sustenta que em vista da data de ciência do auto-de-infração (25/11/2004), já teriam sido atingidos pela decadência os créditos tributários relacionados aos fatos geradores mensais de AGO/1999 e SET/1999. 7.1. Não lhe assiste razão. No caso dos autos fato gerador ocorreu em 31/12/1999, como bem acentuado na decisão de primeira instância. 7.2. Há registro de imposto pago (e-fls 86). Considerando a data de ocorrência do fato gerador como termo inicial, quando aperfeiçoada a ciência em 25/11/2004, ainda não havia sido escoado o prazo decadencial. 7.3. Não se reconhece, pois, a decadência pleiteada. MMÉÉRRIITTOO 8. Concernente às questões de mérito, diante da coincidência entre as alegações deduzidas no recurso e aquelas oferecidas ao tempo da impugnação, faz-se uso da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, e passa-se a transcrever o inteor do voto inserto na decisão de primeira instância início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-22.255 DA TRIBUTAÇÃO ANUAL DOS RENDIMENTOS OMITIDOS Argumenta que não poderia o AFRF, agindo em completa desconformidade com o disposto no art. 42 e §§ da Lei nº 9.430, de 1996, apurar os montantes mensais que considerou como receita omitida e, somando-os, autuar com base no fato gerador Fl. 230DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 de 31/12/1999. Que não é dado ao AFRF efetuar a tributação com base em critérios pessoais, já que por expressa disposição do art. 142 do CTN, há de ser ela vinculada à lei, sob pena de invalidade do crédito tributário constituído com base em fato gerador inaplicável ao caso. Que a autuação, ainda que baseada no art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430/1996, não obedeceu a legislação de regência, eis que realizada com base em fato gerador anual (31/12/1999), quando deveria ser efetivada, se fosse o caso, com base em fatos geradores mensais (31/08/1999 e 30/09/1999), razão pela qual é nula de pleno direito. No que tange à argumentação de que, no caso de omissão de rendimentos apurada na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a tributação deveria ser efetivada com base em fatos geradores mensais (31/08/1999 e 30/09/1999), cumpre tecer as seguintes considerações. Com o advento da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos (art. 2º). Porém, a Lei nº 8.134, de 12/04/1990, fixou deduções que seriam utilizadas apenas na declaração de ajuste anual e manteve o IRPF devido mensalmente, mas a título de antecipação. Conforme se infere dos arts. 9º e 10 da Lei nº 8.134, de 1990, todos rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, independentemente de serem tributados mensalmente, estão sujeitos ao ajuste anual. Por conseguinte, todos os rendimentos recebidos no ano-calendário estão sujeitos à tabela progressiva anual (exceto os rendimentos isentos e de tributação exclusiva ou definitiva) e devem ser somados a fim de se apurar o imposto a ser exigido no ajuste anual. Além disso, convém destacar que o fato gerador do IRPF apurado no ajuste anual é complexivo, ou seja, se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Dessa maneira, o fato gerador do IRPF, relativamente aos rendimentos sujeitos à tributação anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o termo final do período, para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto, nos termos da lei. Em relação ao lançamento correspondente à omissão de rendimentos, o fisco somente terá condições de apurar esses valores no momento da apresentação da declaração de ajuste anual pelo contribuinte. Em conseqüência, considera-se consumado o fato jurídico tributário em 31 de dezembro de cada ano-calendário. O imposto é devido à medida que os rendimentos forem percebidos, todavia somente com a declaração de rendimentos é que se tem condições de apurar o montante do imposto devido. Somente após a efetiva entrega da declaração de ajuste anual ou, na hipótese de não haver tal entrega, findo o prazo limite para sua apresentação é que o fisco tem condições de verificar o descumprimento da obrigação tributária e efetuar o lançamento de ofício do tributo. Fl. 231DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 Cumpre observar que em relação à omissão de rendimentos no caso de depósitos bancários de origem não comprovada, o § 3º do art. 849 do Decreto 3.000, de 26/03/1999, estabelece: Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 4º). Contudo, tal dispositivo não pode ser interpretado isoladamente, mas considerando o momento de incidência do imposto que está definido no § 2º do art. 2º do RIR. Dispõe o referido parágrafo: O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º). O ajuste estabelecido no art. 85 do RIR diz respeito à apuração anual do imposto de renda na declaração de ajuste anual. Acrescente-se que observando à tributação dos demais rendimentos sujeitos ao ajuste anual, verifica-se que os rendimentos omitidos apurados com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste anual previsto no art. 85 do RIR. Registre-se, ainda, que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em nenhum momento dispõe que a tributação dos rendimentos com base em depósitos bancários não comprovados configura-se como de tributação exclusiva de fonte ou tributação definitiva. Desse modo, a presunção legal de omissão de rendimentos prevista no mencionado artigo deve receber o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas. Em outras palavras, o valor apurado de omissão de rendimentos é acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis informados na declaração de rendimentos, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual vigente à época. Correto, portanto, o procedimento de apuração adotado, e por conseguinte, válido o lançamento, não assistindo razão ao impugnante. DA ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR Argumenta que: 1) não pode o impugnante provar que (a) não remeteu valores para o exterior e (b) não possui conta conta-corrente em instituição financeira do exterior, tratando-se, aqui, de negativa genérica e de amplitude indefinida, impossível de ser por ele produzida; 2) cabe ao Fisco o ônus da prova de que o impugnante efetuou as operações de que é acusado; 3) o impugnante negou peremptoriamente ter efetuado qualquer remessa de valores para o exterior ou ter recebido valores do exterior, ou lá manter qualquer conta corrente; 4) sendo assim, tais esclarecimentos somente poderiam ser recusados pela fiscalização, à vista do disposto no § 1º do art. 894 do RIR/1994, com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão, o que não fez; 5) esse é também o entendimento do 1º Conselho de Contribuintes. Equivoca-se o impugnante em sua argumentação. O documento de fl. 10, que traz as operações em que o contribuinte consta como beneficiário final, decorreu de análise realizada pelos Peritos Criminais Federais Fl. 232DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 do Instituto Nacional de Criminalística, nas mídias computacionais de movimentação financeira disponibilizadas pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, e que resultou no Laudo de Exame Econômico-Financeiro Laudo nº 1297/04-INC (fls. 11/18). Dita planilha (fl. 10) extraída do Laudo nº 1297/04 – INC (fls. 11/18) aponta, claramente, o impugnante, o Sr. Francisco Massei Neto, como o beneficiário final das operações de movimentação de divisas realizadas em 12/08/1999, 03/09/1999 e 10/09/1999, nos montantes de US$15,000.00, US$100,000.00 e US$50,000.00, utilizando-se da sub conta Eleven Finance Corporation nº 310057, mantida/administrada pela Beacon Hill Service Corporation junto ao JP Morgan Chase Bank de Nova Iorque. Referem-se, no caso, a numerários depositados em conta corrente mantida em instituição financeira sediada no exterior (Citibank NYC), cuja origem dos recursos o impugnante não logrou comprovar e nem foram declarados em sua declaração de ajuste anual DIRPF/2000 (fls. 05/07). Assinale-se, aqui, que a fiscalização não encontrou nos sistemas eletrônicos da RFB registro de homônimo do fiscalizado, afastando-se, destarte, a hipótese de homonímia (Termo de Verificação Fiscal de fls. 69/72 e pesquisa de fl. 03). Diante dos documentos robustos acostados nos autos (fls. 10/61), torna-se impossível negar a ocorrência das citadas operações pelo contribuinte. Ressalte-se, ainda, que, diversamente do que alega o impugnante, os documentos de fls. 10/61 vêm justamente embasar a presente autuação. Nota-se, contudo, que o impugnante limita-se a negar que efetuou remessa de valores ao exterior, mas não traz qualquer elemento no sentido de desconstituir os documentos apresentados pela fiscalização. O documento de fl. 10, que decorreu da análise realizada pelos Peritos Criminais Federais do Instituto Nacional de Criminalística, do Departamento de Polícia Federal, conforme aqui noticiada, tem força probante suficiente para sustentar a ocorrência das mencionadas operações. E é esse mesmo fato que dá sustentação à imputação de que houve a apontada omissão de rendimentos. Assim, sendo a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, uma presunção juris tantum, cabe ao impugnante exercitar seu direito de defesa para demonstrar que tal fato não ocorreu. Poderia, para esse mister, conseguir declaração dos bancos intervenientes de que o interessado nunca manteve conta ou fez transferências no exterior por meio daquela instituição financeira (JP Morgan Chase de Nova Iorque) ou de que nunca originou remessa de recursos para qualquer conta mantida naquela instituição financeira norte americana (Citibank NYC). Como se vê, sua alegação de que se trata de prova de negativa genérica e de amplitude indefinida, impossível de ser por ele produzida, carece de sustentação. Quanto à jurisprudência administrativa reproduzida pelo impugnante, é de se salientar que ela em nada conflita com o entendimento aqui esposado. Em suma, a autuação se fez com base em documentação que comprova, de forma cabal e inequívoca, os depósitos de numerários efetivados em conta corrente mantida no exterior, no ano-calendário de 1999, pelo interessado que figura como beneficiário final, no montante de US$165.000,00; não assistindo qualquer razão ao impugnante que se limitou a alegar, não trazendo nenhuma prova em contrário. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-22.255 Fl. 233DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 8.1. Apenas a título e ilustração, reproduz-se a visão do documento anexado às e-fls 12 (correspondente ao documento de fls. 10 a que faz referência o voto da decisão de primeira instância acima transcrito), que, em nossa visão, se reveste de caráter oficial. como bem salientado pela decisão de primeira instância e tem aptidão para comprovar a titularidade de divisas no exterior. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Em vista do exposto, voto por rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência pleiteada e, no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 234DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.199 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002611/2004-52 Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 13687.000072/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento.
No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
Numero da decisão: 2401-006.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesa médica paga ao profissional José Donizete de Freitas (R$ 2.500,00).
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesa médica paga ao profissional José Donizete de Freitas (R$ 2.500,00). (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 7. 00 00 72 /2 00 6- 21 Fl. 135DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 117/122). Pois bem. Em decorrência de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao Exercício 2002 (fls. 33 a 35), foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 21 a 27, em desfavor do contribuinte Eber Queiroz, já qualificado nos autos, exigindo o recolhimento de R$ 826,93 de imposto de renda pessoa física - suplementar, R$ 620,19 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 564,95 de juros de mora (cálculos válidos até fevereiro/2006). Conforme Mensagens (fl. 24), Demonstrativo das Infrações (fl. 23) e Demonstrativo das Alterações (fl. 25), houve dedução indevida a título de despesas médicas - redução dos declarados R$ 5.974,42 para R$ 2.584,42 - pois: O contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas 'seja mediante comprovação do pagamento ou apresentação de exames/laudos/radiografias, etc, com o profissional José Donizete Freitas. Os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. Contribuinte não apresentou notas fiscais do Hospital Nossa Senhora da Abadia. Valor comprovado com o profissional Fauzi Palis Júnior (R$ 280,00) menor que o valor declarado. Cientificado do Auto de Infração, em 01/03/2006, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 01 a 04, em 29/03/2006, instruída pelos elementos de fls. 05 a 29 em que contestou o lançamento apresentando, em síntese, as razões a seguir: (a) Com relação ao profissional José Donizete de Freitas, ainda na fiscalização, apresentou dois recibos de R$ 1.250,00 cada, pagos em cheque, que comprovam as despesas utilizadas em sua DIRPF 2002. Afirmou que estes recibos preenchem os requisitos exigidos pela legislação, restando “claro que o cheque é um substitutivo do Recibo, e não um complemento como o Auto de Infração dá a entender.” Mesmo assim, nesta oportunidade, enviou cópia do extrato bancário na qual constam os dois cheques de R$ 1.250,00 utilizados para os pagamentos e informou que as cópias destes deveriam ser entregues a ele no prazo de 10 dias. (b) No tocante ao Hospital Nossa Senhora da Abadia, enviou, em resposta à primeira intimação, Declaração do médico com relação a duas intimações e Termo de Responsabilidade da Intimação de sua filha Rebeca Freitas Queiroz. Juntou, também na fase impugnatória, cópia da “Conta Corrente de Paciente Internado” referente às já citadas duas intimações. Entretanto, afirmou que não tem como comprovar o pagamento, no valor de R$ 800,00, pois o Hospital se recusou a fornecer notas fiscais e o pagamento foi realizado em dinheiro. (c) Anexou também cópias dos recibos anteriormente apresentados, emitidos por Fauzi Palis Júnior, no valor total de R$ 280,00. (d) Por fim, juntou outros documentos para corroborar suas alegações e demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento, requereu que a Impugnação fosse acolhida. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 09-21.789 (fls. 117/122), cujo dispositivo Fl. 136DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 considerou o lançamento procedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. Mantém-se a glosa das deduções pleiteadas pelo contribuinte que não forem devidamente comprovadas, mediante documentação hábil para tanto. Lançamento Procedente Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Destaque-se que o contribuinte reconhece que, com relação ao médico Fauzi Palis Júnior, comprovou apenas R$ 280,00. Assim, a glosa de R$ 90,00 procedida pela autoridade fiscal não foi objeto da impugnação. 2. Com relação ao médico José Donizete de Freitas, ainda durante a fiscalização, o contribuinte apresentou os recibos, no valor de R$ 1.250,00 cada (fl. 45) e, na fase impugnatória, anexou cópias de extratos bancários emitidos pelo Banco do Estado de Goiás S.A (fls. 07/08), na tentativa de comprovar os supostos pagamentos. Entretanto, nos cheques compensados constantes dos extratos oferecidos não existe a coincidência, nem a proximidade necessária, no tocante às datas destes (19/10/2001 e 21/11/2001) e aquelas dos recibos (26/03/2001 e 27/04/2001). Cabe dizer que, se o tratamento ocorreu em março/abril e o pagamento somente foi efetuado em outubro/dezembro, tal fato deveria ter sido discriminado nos próprios recibos; se neles não foram apostas informações que espelham a realidade, mais um motivo para considerá-los imprestáveis para efeito de prova dos supostos desembolsos. 3. Acerca das despesas com o Hospital Nossa Senhora da Abadia, durante a Fiscalização, o contribuinte apresentou declarações emitidas pelo médico Idenir de Souza Ribeiro, que dão notícias sobre as intimações de Brenner Freitas Queiroz (fl. 47) e Rebeca Freitas Queiroz (fl. 48) no Hospital Nossa Senhora da Abadia, além de Termo de Intimação e Responsabilidade, emitido pelo mesmo hospital, relatando a internação de Rebeca Freitas Queiroz (fls. 49/50). Na fase impugnatória, o interessado juntou ao processo um “Conta Corrente de Paciente Internado” referente a Brermer Freitas Queiroz (fl. 05) e outro relativo à Rebeca Freitas Queiroz (fl. 06), emitidos pelo referido hospital. Neste ponto, cumpre esclarecer ao impugnante que nenhum desses documentos anexados são hábeis para comprovação da despesa, uma vez que como o pagamento foi efetuado à pessoa jurídica, é de se supor que a comprovação se daria mediante a apresentação de nota fiscal de prestação de serviços, pois esta, na espécie, é o documento hábil a comprovar o pagamento questionado, desde que nela conste a quitação do débito acordado. Poderia o contribuinte, na ausência Fl. 137DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 da nota fiscal, ter juntado elementos capazes de provar o efetivo pagamento ao hospital, mas não o fez. 4. Esclareça-se que a forma de pagamento de despesas (dinheiro, cheques, transferências...) é uma opção do contribuinte. No entanto, para despesas que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, aquele deve se precaver com meios de comprovação do seu efetivo pagamento. Dessa forma, cabe ao beneficiário das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante do comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. 5. No caso em tela, restaria ao impugnante a prova de que os pagamentos foram realizados efetivamente nos valores declarados, ou seja, a prova da transferência dos recursos financeiros aos beneficiários, repise-se, nos exatos valores lançados, o que, na espécie não ocorreu, apesar de intimado a fazê-lo. Portanto, o autuado, na fase impugnatória, perdeu a oportunidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas questionadas pela Fiscalização, não acostando aos autos quaisquer documentos ou provas adicionais, nesse sentido, que robustecessem os dados contidos nas Relações de Pagamentos e Doações Efetuados de suas Declarações de Ajuste Anual e nos recibos apresentados. 6. Tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade lançadora, conclui-se que as glosas vertentes, no valor de R$ 3.390,00, se encontram perfeitamente embasadas. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 126/129), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Apesar de ter pago todas as despesas, que constam em minha declaração, a finalidade desse recurso é com relação à glosa de R$ 2.500,00, referentes a despesa médica com o profissional José Donizete de Freitas. Em relação ao valor de R$ 800,00, referente ao Hospital Nossa Senhora D’Abadia e o de R$ 90,00, referente ao profissional Fauzi Palis Júnior (apesar de pagos), o imposto foi pago no DARF que está anexado a esse recurso. b. O objetivo do recurso é demonstrar que realmente houve o pagamento de R$ 2.500,00 ao profissional José Donizete de Freitas, passando assim a glosa de R$ 3.390,00 para R$ 890,00. c. Na impugnação anterior enviei cópia dos dois recibos no valor de R$ 1.250,00 cada, totalizando assim R$ 2.500,00 de despesas médicas com o profissional José Donizete de Freitas, enviei também cópia do extrato bancário em que constavam os dois cheques compensados. d. Informei também que estava aguardando as cópias dos cheques no prazo de aproximadamente 10 (dez) dias, o que de fato ocorreu, por isso estou enviando as cópias dos dois cheques nominais a José Donizete de Freitas. Fl. 138DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 e. A Fiscalização questiona a não coincidência ou proximidade das datas dos recibos com as datas de compensação dos cheques, isso não prejudica a veracidade das informações, uma vez que a forma como foi negociado o pagamento entre o paciente e o médico é uma relação entre os dois, além de que estou enviando as cópias dos dois cheques nominais a José Donizete de Freitas. De qualquer forma os cheques foram compensados em 2001 por isso devem ser considerados como forma de comprovação de pagamento de despesas médicas a ser deduzido em minha declaração de imposto de renda. f. O julgador afirma que as informações apostas nos recibos não espelham a realidade por não constar nos mesmos a forma e a data do efetivo pagamento. Discordo totalmente dessa afirmação uma vez que os dois recibos preenchem todos os requisitos do art. 80, parágrafo 1°, item III, do RIR/1999. Se a apuração do imposto de renda pessoa física é anual, não tem o que se questionar em relação à data do efetivo pagamento, desde que o mesmo seja feito dentro do ano-calendário, que no caso é o ano de 2001. g. Mas, se mesmo assim o entendimento for no sentido de que os recibos são imprestáveis para efeito de prova dos desembolsos (como afirmou os julgadores), estou enviando as cópias dos cheques nominativos a José Donizete de Freitas, compensados, os quais possuem também no verso o nome e o telefone da paciente (minha esposa), minha dependente na declaração de imposto de renda. h. Os cheques em questão satisfazem plenamente o que diz a parte final do item III, parágrafo 1°, do art. 80, do RIR/1999, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Inicialmente, cumpre delimitar que a controvérsia recursal diz respeito, unicamente, à glosa do valor de R$ 2.500,00, a título de despesas médicas pagas ao profissional José Donizete de Freitas, que, segundo consta na acusação fiscal, o contribuinte não logrou comprovar a efetividade de sua realização, mediante a comprovação dou pagamento ou apresentação de exames/laudos/radiografias etc. Fl. 139DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 140DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebe-se que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Fl. 141DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.680 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13687.000072/2006-21 Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. Em relação às despesas médicas com o profissional José Donizete de Freitas, que, segundo o contribuinte, estariam relacionadas a tratamento médico, consta nos autos, os extratos bancários de fls. 11/12, os recibos de fls. 16, 64 e 105, bem como as cópias dos cheques de fls. 130/131. No caso em questão, entendo que não há dúvida razoável quanto à realização do efetivo pagamento das despesas médicas, assim entendida a prestação dos serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, o que, ao meu ver, torna desnecessária a complementação da prova, para além dos documentos que já constam nos autos. Conforme bem pontuado pelo recorrente, levando em consideração que a apuração do imposto de renda pessoa física é anual, não há que se questionar a data do efetivo pagamento, aspecto que se encontra no âmbito da liberdade de contratar entre as partes, desde que, obviamente, o mesmo seja feito dentro do ano-calendário, no caso, o ano de 2001. Assim, ao meu juízo, para o presente caso, entendo que os recibos, em conjunto com os extratos bancários e os cheques, cumprem com as formalidades exigidas pela lei para a comprovação das despesas médicas com o profissional José Donizete de Freitas, no valor de R$ 2.500,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, para restabelecer a dedução de despesas médicas pagas ao profissional José Donizete de Freitas (R$ 2.500,00). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720243/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. VALOR DA TERRA NUA.
Para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, os custos de aquisição e alienação devem se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo sujeito passivo para fins do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos anos respectivos. No caso dos autos, restou caracterizada a entrega das declarações relativamente aos anos de aquisição e de alienação.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, a legislação tributária prevê mecanismos próprios e específicos na hipótese de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas do valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo, com base em avaliação sobre preços de terras, garantindo o contraditório ao declarante. Nesse cenário, é descabida a utilização dos valores dos respectivos instrumentos de negociação, modificando, dessa forma, a forma de apuração do cálculo do ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-006.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. VALOR DA TERRA NUA. Para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, os custos de aquisição e alienação devem se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo sujeito passivo para fins do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos anos respectivos. No caso dos autos, restou caracterizada a entrega das declarações relativamente aos anos de aquisição e de alienação. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES INEXATAS. Para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, a legislação tributária prevê mecanismos próprios e específicos na hipótese de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas do valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo, com base em avaliação sobre preços de terras, garantindo o contraditório ao declarante. Nesse cenário, é descabida a utilização dos valores dos respectivos instrumentos de negociação, modificando, dessa forma, a forma de apuração do cálculo do ganho de capital.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. VALOR DA TERRA NUA. Para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, os custos de aquisição e alienação devem se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo sujeito passivo para fins do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos anos respectivos. No caso dos autos, restou caracterizada a entrega das declarações relativamente aos anos de aquisição e de alienação. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES INEXATAS. Para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, a legislação tributária prevê mecanismos próprios e específicos na hipótese de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas do valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo, com base em avaliação sobre preços de terras, garantindo o contraditório ao declarante. Nesse cenário, é descabida a utilização dos valores dos respectivos instrumentos de negociação, modificando, dessa forma, a forma de apuração do cálculo do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 02 43 /2 01 1- 29 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 553 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0435.801, de 25/06/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 512/528): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 MATÉRIA ADMITIDA. A matéria admitida leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o recurso voluntário relativo a esta matéria. ATOS NORMATIVOS. LEGALIDADE. Desconhecese das arguições de ilegalidade de atos normativos da RFB, pois não cabe às DRJ apreciálas. Os julgadores das DRJ devem observar obrigatoriamente o entendimento da RFB expresso em atos normativos. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 554 3 Em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. ITR. CONTRIBUINTE. Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é devida por força de lei, aplicável com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. Impugnação Improcedente Extraise do Termo de Constatação Fiscal que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para os anoscalendário de 2007 e 2008, decorrente da constatação de omissão de (fls. 417/425): (i) ganho de capital na alienação de 3 (três) propriedades rurais, localizadas no município de Três Lagoas (MS); (ii) rendimentos provenientes de arrendamento de imóvel rural; e (iii) rendimentos decorrentes de aplicações em bolsa de valores. O contribuinte foi cientificado da autuação, em 23/03/2011, e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 426/427 e 430/452). Intimada por via postal da decisão do colegiado de primeira instância em 05/08/2014, data do recebimento da correspondência, a pessoa física apresentou recurso voluntário no dia 04/09/2014, em que repisa os argumentos de fato e direito contidos na sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 530/531 e 533/547): (i) os imóveis alienados foram adquiridos no dia 20/01/2006, através de doação do pai do recorrente, de modo que os custos de aquisição e alienação, para fins de apuração do ganho de capital, correspondem aos valores da terra nua declarados no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat); (ii) com relação ao ano de aquisição, as declarações fiscais foram entregues até a data estabelecida na legislação, porém duas delas em nome do genitor do recorrente. Nada Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 555 4 obstante, providenciouse a declaração retificadora apresentada antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, que substitui na íntegra a declaração original entregue; (iii) caso houvesse indícios de subavaliação do preço das terras, caberia à fiscalização cumprir o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e não modificar a forma de apuração do cálculo do ganho de capital, pois levou em consideração os valores dos respectivos instrumentos de negociação; e (iv) na hipótese de não se acolher a improcedência do auto de infração, é cabível a redução da multa de ofício para o percentual de 20%, por excessiva e desproporcional, assim como a exclusão dos juros moratórios incidentes sobre a penalidade, dada a falta de previsão legal. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Permanece em litígio exclusivamente a omissão de ganho de capital na alienação dos imóveis rurais. O ganho de capital foi apurado na alienação de três glebas rurais, denominadas de Fazenda São José da Serrinha I, II e IV, nos anoscalendário de 2007 e 2008. A aquisição das propriedades rurais pelo recorrente se deu em 20/01/2006, através de doação do pai em instrumento público, livre de ônus (fls. 56/60). A Fazenda Serrinha I, com área de 744,07 ha e sob o nº 3.847.2163 no cadastro rural, assim como a Fazenda Serrinha II, nº 3.847.2155 e área de 382,95 ha, foram alienadas conjuntamente pelo recorrente em 28/12/2007, conforme escritura pública de venda e compra (fls. 61/65). Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 556 5 Quanto ao imóvel denominado Fazenda Serrinha IV, com área de 2.420 ha e sob o nº 4.434.3485, teve suas terras parcialmente alienadas em 10/09/2008, no total de 726,0 ha, igualmente por escritura pública (fls. 457/462). Com relação à apuração do ganho de capital para imóveis rurais adquiridos a partir de 01/01/1997, como ora se cuida, há disciplina específica no art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 01/01/1997, o dispositivo de lei determinou que os custos de aquisição e alienação devem se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo sujeito passivo para fins do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), nos anos respectivos. A despeito da entrega das declarações do ITR do ano de aquisição, exercício de 2006, referentes aos imóveis Serrinha I, sob o nº 3.847.2163, e Serrinha IV, sob o nº 4.434.3485, os documentos não foram apresentados em nome do autuado, mas sim pelo genitor do recorrente, em 28/09/2006 (fls. 257/260 e 291/294). 1 Segundo a autoridade fiscal, o pai do recorrente não era proprietário do imóvel à época da entrega da declaração, de modo que inviável substituir o filho na obrigação do contribuinte do imposto, restando caracterizada a falta de entrega tempestiva da declaração pelo sujeito passivo, ora recorrente, com repercussão na apuração do ganho de capital na alienação do imóvel. Tal interpretação no sentido do descumprimento da legislação pelo sujeito passivo foi corroborada pela decisão de piso. Considerando a previsão de uma base de cálculo mais favorecida para a apuração do ganho de capital, afirmou que encontraria seu fundamento na literalidade das disposições do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, e no art. 10 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001: Lei nº 9.393, de 1996 Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. 1 A declaração relativa à Fazenda Serrinha II, nº 3.847.2155, exercício de 2006, foi entregue em nome do próprio autuado, em 28/09/2006 (fls. 66/72). Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 557 6 § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. IN SRF nº 84, de 2001 Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. (...) § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2º aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). (DESTAQUEI) Pois bem. Aflora um rigor exagerado da autoridade fiscal na sua interpretação da legislação tributária, com um apego excessivo à literalidade do texto, desprezando os efeitos da retificação da declaração de ITR e a avaliação ponderada das circunstâncias do caso concreto. O ITR é um tributo de apuração anual, com fato gerador em 1º de janeiro de cada ano. Em 01/01/2006, o contribuinte do imposto era o genitor do recorrente, proprietário naquela data. Com a transmissão da propriedade mediante ato de doação, em 20/01/2006, o filho passou a condição de responsável pelo crédito tributário, cabendolhe a entrega da declaração, assim como a apuração e o pagamento do imposto, na forma e prazo fixados pela Receita Federal do Brasil. Toda a operação de aquisição das fazendas ocorreu no âmbito familiar, entre pai e filho, representado as declarações de ITR entregues em 28/09/2006 uma continuidade do procedimento realizado nos anos anteriores, vinculado a um determinado bem imóvel e suas características individuais. Por isso, o caso em apreço aparenta um claro equívoco na indicação do contribuinte do imóvel, no momento da declaração original, como sendo o antigo proprietário, genitor do autuado, observando que uma mesma pessoa foi a responsável pelo preenchimento das declarações originais e retificadoras, conforme ressaltou a autoridade fiscal. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 558 7 Além do que também ocorreu a retificação da declaração de ITR, antes do início do procedimento fiscal, passando o recorrente a figurar como sujeito passivo da obrigação tributária, além de especificar o valor da terra nua e das benfeitorias do imóvel. A decisão de primeira instância é omissa nesse ponto, uma vez que deixou de examinar os efeitos da entrega da retificadora sobre o lançamento fiscal, embora matéria devidamente contestada na impugnação. A ação fiscal teve início no dia 26/03/2010, data da ciência do fiscalizado. Por sua vez, a retificadora do imóvel Fazenda Serrinha I foi entregue em 27/09/2007, enquanto, no dia 10/12/2007, foi providenciada a apresentação de declaração retificadora para a Fazenda Serrinha IV, antes, também, da data de alienação do imóvel rural (fls. 02/05, 261/264 e 295/298). Como cediço, a declaração retificadora, no âmbito do ITR, tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente. Os efeitos da declaração retificadora, entregue espontaneamente, são abrangentes, possibilitando ao sujeito passivo revisar os equívocos e sanar as omissões do documento original (art. 42, § 1º, da IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002). À vista de tais fundamentos, não há porque se falar em intempestividade e/ou inexistência de declaração do sujeito passivo. As declarações de ITR relativas ao ano da alienação foram entregues em 28/09/2007 e 02/09/2008, em qualquer caso em momento anterior à data de lavratura da escritura de venda (fls. 81/87 e 285/289). 2 Ao longo do Termo de Constatação Fiscal, o agente lançador discorreu sobre os valores da terra nua declarados pelo genitor e, depois, pelo filho donatário, realçando as retificações promovidas nos documentos, com valores idênticos ou inferiores aos anos anteriores, quando poderia consignar o montante real das propriedades rurais nas respectivas declarações, tendo em conta as datas das escrituras de alienação e/ou o recebimento de adiantamento pela venda de um dos imóveis. Nesse assunto é imprescindível dizer que o legislador estipulou, com base no "caput" do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, uma avaliação uniforme para a obtenção da diferença positiva entre valor de alienação e custo de aquisição do imóvel rural. Quer dizer, para os imóveis adquiridos a partir de 1997, o valor da terra nua passa a ser determinado pelo próprio contribuinte com base na sua declaração para fins de apuração do ITR, seja na aquisição ou na futura alienação. É certo que a importância declarada deve refletir a autoavaliação da terra nua a preço de mercado, apurado em 1º de janeiro do ano da declaração (art. 8º, da Lei nº 9.393, de 1996). Por tal razão, como bem lembrado no apelo recursal, a legislação tributária prevê mecanismos próprios e específicos para a atuação fiscal em casos que discorda do valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo, por considerar a existência de subavaliação ou a prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, autorizando a aplicação do procedimento contido no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996: 2 Em relação às Fazendas Serrinha I e II, houve a unificação dos imóveis. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 559 8 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Embora o art. 14 esteja direcionado precipuamente ao procedimento de lançamento de ofício do ITR, utilizase o seu regramento subsidiariamente para a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais, naquilo que pertinente, conforme menciona o art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996. A intervenção da fiscalização sobrevém através da recusa do valor da terra nua declarado pelo contribuinte e, na sequência, pela sua avaliação com base nos preços de terra de um banco de dados instituído para tal fim, respeitada sempre a perspectiva de contestação pelo sujeito passivo do procedimento fiscal, mediante a elaboração de laudo de avaliação revestido das formalidades para comprovar a veracidade das informações prestadas. Diferentemente da conduta da fiscalização neste processo administrativo, a metodologia prevista em lei não consiste em estabelecer o ganho de capital com base nos respectivos instrumentos negociais, quando não se mostra confiável a avaliação a preço de mercado reconhecida pelo declarante (fls. 423). Aliás, sendo a base de cálculo para a terra nua definida pelo valor fundiário, sem quaisquer benfeitorias, a expressão em moeda a ser declarada não é, necessariamente, igual ao valor constante da escritura pública de venda e compra. A inclusão da parcela do preço correspondente às benfeitorias na apuração do ganho de capital atentará se houve ou não dedução como custo ou despesa da atividade rural. De maneira alguma pretendeu o legislador preconizar a apuração do ganho de capital limitada à terra nua, mas sim que a base de cálculo relativamente à terra nua deveria ser obtida a partir do valor declarado pelo próprio contribuinte, porquanto representativo do preço de mercado das terras. Quando a pessoa física deixa de considerar os respectivos investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da sua atividade rural, o acréscimo patrimonial não escapa à tributação do imposto de renda, efetivandose no âmbito da apuração sobre a forma de ganho de capital, mediante acréscimo ao valor da terra nua da parcela correspondente às benfeitorias, tanto em relação ao custo de aquisição quanto ao valor da alienação. Contudo, a fiscalização não aprofundou a investigação sobre tal aspecto das operações de alienação. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10820.720243/201129 Acórdão n.º 2401006.233 S2C4T1 Fl. 560 9 Em resumo, se bem que razoáveis as suspeitas do agente fazendário a respeito da subavaliação do valor da terra nua declarado ao longo do tempo, verificase a imperfeição do procedimento fiscal na apuração do ganho de capital na alienação dos imóveis rurais, em descumprimento da legislação de regência. Ao fazer opção pela apuração do ganho de capital com base no valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação, a fiscalização transgrediu a própria metodologia de cálculo do resultado positivo do ganho de capital na alienação de imóveis rurais. O refazimento da base de cálculo é medida que demanda uma nova estruturação, caracterizando um vício inescusável que não comporta possibilidade de ajuste pela autoridade julgadora, visto que impõe a realização de diversas etapas de apuração para a correta identificação da matéria tributável. Logo, cabe declarar a insubsistência do lançamento fiscal, pela falta de demonstração do resultado positivo na alienação dos imóveis, respeitada a disciplina prevista na legislação. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa do recurso voluntário contra a pretensão fiscal e decisão de piso, por absoluta desnecessidade para o deslinde do presente julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 560DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000755/2002-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS. RECEITA AUFERIDA NA REVENDA DE MERCADORIAS. SÚMULA CARF Nº 128.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/1996 e a Portaria MF nº 38/1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pela Contribuinte, inclusive a receita auferida na revenda de mercadorias, incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Portanto, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. SAÍDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). SÚMULA CARF Nº 20.
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI.
Numero da decisão: 9303-008.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS. RECEITA AUFERIDA NA REVENDA DE MERCADORIAS. SÚMULA CARF Nº 128. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/1996 e a Portaria MF nº 38/1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pela Contribuinte, inclusive a receita auferida na revenda de mercadorias, incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional Bruta ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação numerador e denominador. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Portanto, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. SAÍDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 07 55 /2 00 2- 63 Fl. 2007DF CARF MF 2 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). SÚMULA CARF Nº 20. A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e Contribuinte ao amparo do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão nº 3101001.787, cujo enunciado da ementa, segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Portanto, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 11543.000755/200263 Acórdão n.º 9303008.762 CSRFT3 Fl. 2.008 3 o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao art. 62A do Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não geram direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, por se encontrarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CÁLCULO DOS VALORES DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos não industrializados pela empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. SAÍDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA SELIC. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais ou atos administrativos obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito Fl. 2009DF CARF MF 4 (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Voluntário Provido em Parte. A divergência suscitada pela Fazenda Nacional, referese às seguintes matérias: 1) valor da receita de exportação para fins de cálculo da relação percentual RE/ROB; 2) da não incidência da Taxa Selic nos pedidos de ressarcimento; 3) Termo inicial da aplicação da Taxa Selic. O Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento parcial ao recurso, apenas em relação à matéria receita de exportação de produtos revendidos para fins de apuração do crédito presumido do IPI, nos termos do despacho de admissibilidade, ás e fls.1512/1518. Devidamente cientificada, a Contribuinte opôs embargos declaração, em face do despacho de fls. 1718/1723, por meio do qual o recurso especial foi declarado intempestivo e teve seu seguimento negado pelo então presidente da câmara, os embargos foram aceitos como pedido de reconsideração, e o Recurso foi aceito como tempestivo. Em seu Recurso a Contribuinte suscita três divergência a saber: 1) conceito de insumo para fins de apuração do crédito presumido de IPI; 2) exclusão dos produtos classificados na TIPI como NT; e 3) exclusão dos valores relativos a saídas que supostamente não atendiam ao requisito do fim específico de exportação. O Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento parcial ao recurso, quanto às seguintes matérias: 1) conceito de insumo para fins de apuração do crédito presumido de IPI (Código 40.854.9999); e 2) exclusão dos valores relativos a saídas que supostamente não atendiam ao requisito do fim específico de exportação (Código 40.854.9999), conforme depreendese o despacho de admissibilidade, ás efls. 1918/1926. Nada obstante, a Contribuinte interpôs agravo contra o despacho proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que deu seguimento parcial ao Recurso. O Presidente do CARF, acolheu o agravo e deu seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "exclusão dos produtos classificados na TIPI como NT", nos termos do despacho, ás efls. 1975/1983. Ambos recorrentes apresentaram contrarrazões. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 11543.000755/200263 Acórdão n.º 9303008.762 CSRFT3 Fl. 2.009 5 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Decido. In caso, tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 2º Trimestre do anocalendário de 2002, formulado em 30/08/2002, sob o fundamento da Lei nº 9.363, de 13/12/1996. O ressarcimento global atinge R$6.586.637,68, conforme solicitado à fl. 01. Ao ressarcimento, vincularamse os Pedidos de Compensação de fls. 19/20, convertidos em Declarações de Compensação por força do art. 74, § 4º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Com efeito, a 1ª Turma da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Decisão: I) Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário para manter a glosa dos valores relativos aos produtos que não preenchiam os requisitos para serem enquadrados como matériaprima,produto intermediário, por não exercerem ação direta sobre o produto, e material de embalagem; II) por maioria de votos,negouse provimento ao recurso voluntário para: a) manter as exclusões de produtos classificados como não tributados NT, vencida a conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que dava provimento neste ponto; e b) manter a exclusão dos valores relativos à exportação de produtos que não atendam ao requisito legal para caracterizar como saídas com o fim específico de exportação. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Elias Fernandes Eufrásio, que davam provimento neste ponto; III) por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de Fl. 2011DF CARF MF 6 insumos de pessoas físicas e cooperativas; b) determinar a inclusão na receita de exportação, do valor correspondente às exportações de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador; e c) reconhecer o direito à atualização monetária, com base na Selic, calculada desde o protocolo do pedido de ressarcimento, referente aos créditos indevidamente glosados. Recurso da Fazenda Nacional A matéria aceita como divergente, diz respeito a receita de exportação de produtos revendidos para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso nesta parte, ao entendimento de que as receitas oriundas de revendas de mercadorias para o exterior devem integrar a receita de exportação, para fins do cálculo da relação percentual RE/ROB, tendo assim concluindo o colegiado: Desta forma, o valor das vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador não devem ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, da mesma forma que o valor da receita operacional bruta deve considerar a totalidade das vendas efetuadas pela empresa, sem as exclusões pleiteadas pela recorrente. No que tange a receita de exportação de produtos revendidos para fins de apuração do crédito presumido do IPI, esta discussão foi definitivamente dirimida por este Conselho, por meio da edição da Súmula nº 128. Vejamos: No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluemse na composição tanto da Receita de Exportação – RE, quanto da Receita Operacional Bruta – ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação – numerador e denominador.” Dessa forma, nego provimento ao Recurso. Recurso da Contribuinte Com efeito, as matérias aceitas como divergentes no recurso da Contribuinte, referemse aos seguintes temas: 1. conceito de insumo para fins de apuração do crédito presumido de IPI; 2. exclusão dos valores relativos a saídas que supostamente não atendiam ao requisito do fim específico de exportação; e 3. exclusão dos produtos classificados na TIPI como NT. 1. Glosa de Créditos Relativos a Dispêndios Considerados Dissociados do Conceito de MatériaPrima ou Produto Intermediário No que tange a manutenção de crédito presumido de IPI, os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, de modo que, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 11543.000755/200263 Acórdão n.º 9303008.762 CSRFT3 Fl. 2.010 7 Neste sentido, não assiste razão a Contribuinte, sem reparos na decisão recorrida, de modo que, utilizo como razões de decidir os fundamentos do decisum guerreado. Vejamos: "A recorrente alega que a glosa de insumos efetuada pela fiscalização foi ilegítima, visto que os insumos, apesar de não serem consumidos diretamente na produção do produto fabricado, são essenciais ao processo de industrialização do produto como um todo. A fiscalização glosou os valores relativos aos produtos que não preenchiam os requisitos para serem enquadrados como matériaprima, produto intermediário, por não se desgastarem em contato direto com o produto na industrialização, e material de embalagem, a partir da especificação das funções de cada item informado pelo contribuinte (fls.157 a 158 do eprocesso), conforme “Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME" (fls. 164 do eprocesso). São os seguintes os itens glosados pela fiscalização: Materiais utilizados na geração de energia e na caldeira: ÓLEO BPF 1A, CAVACO, LENHA (RESÍDUO DE MADEIRA), LENHA EM QUALQUER ESTADO, ÓLEO BPF 2A,GLP GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO GR, CONTINUUM AEC 3116, SOLVENTE SOLUÇÃO DILUENTE, OPTISPERSE AP4653 BETZDEABORN, CORTROL ES3010, BAGAÇO DE CANA, ÓLEO TÉRMICO OT 32 PETROBRAS; Materiais utilizados na análise de laboratório: ÓLEO MINERAL ABS, CARTROL IS1075 BETZDEARBORN, CAULIM PÓ FINO (REAGENTE), SULFATO DE ALUMÍNIO EM PÓ, CLORETO FÉRRICO, CORTROL IS 1075, FEEPOCLORITO DE SÓDIO 12%, ISOTIAZOLINA NALCO 5044, OPTIPERSE ADJ0346, SAL GROSSO SUJO, SAL MOLDO NÃO IODATADO, SPECTRUS NX1420 BETZDEARBORN, BETZDEARBORN P 70, ACIDO ACÉTICO GLACIAL; Materiais utilizados no tratamento da água, efluentes e outros resíduos: BARILHA LEVE NACIONAL, ACIDO CLORÍDRICO, DEARBORN Fll, SULFATO ALUMÍNIO ISENTO FERRO, ACIDO FOSFÓRICO INDUSTRIAL 54%, POLÍMERO, H:CDROM:DO DE SÓDIO, SODA CAUSTICA EM ESCAMAS; Materiais sem identificação da função: CALCO REF 1331B 427X468MM. De acordo com o artigo 147 do RIPI/98, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários stricto sensu e material de embalagem, que se integram ao produto final, também as matériasprimas e produtos intermediários que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Tais itens, embora não se integrem ao novo produto, devem exercer ação direta sobre o produto em Fl. 2013DF CARF MF 8 fabricação, ou sofrer ação direta do produto, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Nenhum dos itens acima referidos, que constam do “Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME" (fls. 164 do eprocesso), estão inseridos nas classes de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, que possibilitariam a Recorrente se beneficiar do crédito presumido sob a égide da Lei 9.363/96. Em razão da inocorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, mas apenas um contato indireto, tais insumos foram desconsiderados no cálculo do crédito presumido. Especificamente quanto ao combustível, foi editada a Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, que determinou a não inclusão da aquisição de combustível e energia elétrica, dentre os itens possíveis de gerar crédito presumido de IPI, por não ser consumida em contato direto com o produto final. (...) Dessa forma, entendo como corretas as glosas efetuadas pela fiscalização relativos aos itens relacionados “Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME" (fls. 164 do eprocesso), que não podem ser adicionados ao cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96". 2. Vendas que não atendem os requisitos de exportação Referente a divergência pelo não cumprimento dos requisitos necessários para equiparação á exportação, também não assiste razão a Contribuinte, de modo que, utilizo como razões de decidir os fundamentos da decisão recorrida. Vejamos: "A condição estabelecida no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.363/96, no caso de exportação indireta, é que a venda do produto seja com o fim específico de exportação. Então, fazse necessário buscar o que o legislador entende como“com o fim específico de exportação”. A resposta é encontrada em dois dispositivos legais: no parágrafo único do art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e no § 2º do art. 39, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, abaixo colacionados: Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 Art.1º [...] Parágrafo único. Considerase destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 11543.000755/200263 Acórdão n.º 9303008.762 CSRFT3 Fl. 2.011 9 b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997 [...] Art. 39. [...] § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Portanto, no caso de vendas para comercial exportadora, é indispensável para que as saídas sejam computadas como exportações para fins de crédito presumido do IPI, que as mercadorias sejam remetidas diretamente do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, de forma a permitir o devido controle aduaneiro pela Secretaria da Receita Federal. A unidade de origem, em atendimento à Resolução nº 3101000.310, intimou as empresas comerciais exportadoras, mas não obteve respostas satisfatórias. Também foi intimada a empresa ADM do Brasil Ltda, CNPJ nº 02.003.402/000175, interessada no processo, que apresentou as cópias das notas fiscais (fls. 1336 a 1461). Analisandose os documentos acostados aos autos, não identificamos nenhum elemento que poderia indicar que as mercadorias foram transportadas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Portanto, não cumprido o requisito exigido, cabe, na apuração do crédito presumido de IPI, a glosa das receitas referente às vendas à comercial exportadora". 3. Exclusão dos produtos classificados na TIPI como NT. Referente a exclusão dos produtos classificados como não tributados (NT), esta discussão foi definitivamente dirimida por este Conselho, por meio da edição da Súmula nº 20. In verbis: Súmula CARF nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 2015DF CARF MF 10 Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003 Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Dispositivo Ex positis, nego provimento aos Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2016DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000521/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
ADICIONAL DE ATIVIDADE DE RISCO. TRIBUTAÇÃO. IRPF. INCIDÊNCIA
A Lei n. 8.852/1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
O adicional de atividade de risco constitui-se rendimentos tributáveis, nos termos da legislação tributária.
Numero da decisão: 2402-007.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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TRIBUTAÇÃO. IRPF. INCIDÊNCIA A Lei n. 8.852/1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional de atividade de risco constituise rendimentos tributáveis, nos termos da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 05 21 /2 00 8- 96 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13882.000521/200896 Acórdão n.º 2402007.449 S2C4T2 Fl. 51 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 45/48) em face do Acórdão n. 17 38.714 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II DRJ/SP2 (efls. 36/41), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/07), apresentada em 12/03/2008, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 11/02/2008 (efls. 14/15) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2004/608440037922069 que apurou saldo de imposto a restituir de R$ 0,00 (efls. 10/13) com fulcro em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Cientificado do teor da decisão da instância de piso em 15/04/2010 (efl. 44), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 30/04/2010 alegando, em linhas gerais, o caráter indenizatório das verbas recebidas a título de adicional de risco, do que decorre a isenção de IRPF com fulcro na Lei n. 8.852/1994. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele conheço. Passo à análise. Ao apreciar a impugnação, a instância de piso concluiu que que as verbas recebidas pelo impugnante, agora Recorrente, caracterizam renda e proventos de qualquer natureza, nos ditames do art. 43 do CTN, sendo, portanto, tributáveis e sujeitas à Declaração de Ajuste Anual, tendo em vista que não foram expressamente consideradas isentas ou excluídas da tributação do imposto de renda por meio de norma legal. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos aduzidos na impugnação, no sentido do caráter indenizatório das verbas recebidas a título de adicional de risco, do que decorre a isenção de IRPF com fulcro na Lei n. 8.852/1994. De plano, não assiste razão ao Recorrente, vez que, conforme bem destaca a instância de piso, a Lei n. 8.852/1994 (que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da CF/88) trata de definição de vencimento, vencimento básico e remuneração, sem, em nenhum momento, elencar hipóteses de isenção, de não incidência, ou até mesmo de regime de tributação de IRPF sobre valores recebidos por servidores públicos. Com efeito, a Lei n. 7.713/1988, em seu art. 6°., indica em numerus clausus, de forma exaustiva, portanto, quais os rendimentos recebidos por pessoas físicas abrigamse no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13882.000521/200896 Acórdão n.º 2402007.449 S2C4T2 Fl. 52 3 manto da isenção de IRPF, não se vislumbrando naquele rol o adicional por tempo de serviço, do que deduzse, sem muito esforço cognitivo, que tais rendimentos são, sim, tributáveis. O mesmo diploma legal supra mencionado também destaca no art. 3°., §§ 1°. e 4°. que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9°. a 14 da referida Lei, bem assim que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Outrossim, o art. 39 do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, vigente à época dos fatos, ao determinar a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa fisica, por serem isentos ou não tributáveis, não contempla a hipótese em apreço. De se observar que, no que diz respeito à isenção, a legislação tributária requer interpretação literal, a teor do art. 111 do CTN. Ademais, essa matéria já encontrase devidamente sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a teor do Enunciado n. 68 de Súmula CARF, de natureza vinculante, ressaltese: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723506/2017-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF.
Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos termos da Súmula 63 do CARF.
IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE.
As importâncias recebidas na forma de resgate, total ou parcial, de previdência complementar, não estão abrangidas pela isenção aplicada aos rendimentos decorrentes de aposentadoria e suas complementações, recebidos por portadores de moléstia grave, em razão do disposto no artigo 33 da lei 9.250/95 e da interpretação literal aplicável às normas que tratam de isenção, prescrita pelo art. 111 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic.
Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".
(assinado digitalmente).
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
(assinado digitalmente)
Reginaldo Paixão Emos - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente). João Maurício Vital - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos termos da Súmula 63 do CARF. IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. As importâncias recebidas na forma de resgate, total ou parcial, de previdência complementar, não estão abrangidas pela isenção aplicada aos rendimentos decorrentes de aposentadoria e suas complementações, recebidos por portadores de moléstia grave, em razão do disposto no artigo 33 da lei 9.250/95 e da interpretação literal aplicável às normas que tratam de isenção, prescrita pelo art. 111 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 06 /2 01 7- 17 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 418 2 Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente). João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARCOS SILAS RIBEIRO, contra o Acórdão de julgamento n.º 0660.023 (efls. 36 e seguintes), que julgou a impugnação improcedente. A presente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) diz respeito ao Exercício 2016, anocalendário 2015 (fls. 25/28), lavrada em 03/04/2017, por meio da qual foi reduzido o imposto a restituir declarado de R$ 257.890,88 para R$ 6.809,20. Conforme consta da descrição dos fatos e o enquadramento legal (fls. 26), o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE – NÃO COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA OU SUA CONDIÇÃO DE APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO Pede o cancelamento da exigência fiscal. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 419 3 Julgado improcedente a impugnação, o recorrente interpõe Recurso Voluntário nas e fls. 48 e seguintes, alegando em suma que teria o benefício da isenção do imposto de renda sobre os regates realizados da previdência privada, uma vez que é acometida por moléstia grave, e preenche os requisitos legais para a concessão pretendida. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. Inicialmente, cumpre registrar que o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei). Para que seja deferido o benefício da isenção, para a constatação da moléstia grave acometida, esse Tribunal exige que a constatação seja realizada por meio de laudo médico oficial, emitido por órgão público, conforme súmula n.º 63, in fine, de aplicação obrigatória pelos julgadores: "Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifei. Alega duas situações o recorrente: que a origem dos valores lançados decorrem de pagamento de previdência privada, e que é portador de moléstia grave, passível de deferimento do benefício da isenção do IR. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 420 4 Nesse sentido, sobre a os valores oriundos da previdência privada cumulada com a moléstia grave, são também objeto de isenções, conforme consta do art. Art. 39. inciso XXXIII, do regulamento do imposto de renda 3.000/99, in verbis: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. A Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, ao detalhar o disposto no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: II – proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por pessoas físicas com moléstia Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 421 5 profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids), e fibrose cística (mucoviscidose), comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma, observado o disposto no § 4º; (...) § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, observado o disposto no § 7º do art. 62, aplicamse: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1869, de 25 de janeiro de 2019) I aos rendimentos recebidos a partir: a) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a moléstia for preexistente; b) do mês da emissão do laudo pericial, se a moléstia for contraída depois da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; ou c) da data, identificada no laudo pericial, em que a moléstia foi contraída, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; Assim, a previdência paga por entidade complementar, possui o benefício da isenção. A matéria já foi decidida de forma pacífica nesse CARF, conforme decisão in verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 422 6 O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária. (Processo 13900.000188/2011 55 , Acórdão 2401005.165 , julgado em 6 de dezembro de 2017). Nesse sentido, reproduzo o voto do Acórdão 2401005.165, do então Conselheiro Rayd Santana Ferreira: "(...) In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir se os resgates de contribuições, têm ou não a natureza de benefício de previdência complementar, para se enquadrar na hipótese alcançada pela isenção. Pois bem! É o entendimento deste Conselheiro de que a natureza jurídica da previdência complementar é previdenciária, não sendo desconstituída tão somente por causa que existe a possibilidade de resgate. Sendo assim, uma vez a previdência complementar tem natureza previdenciária, o modo pelo qual recebe os valores decorrentes das contribuições não altera sua natureza jurídica, é dizer, tanto faz receber mensalmente, resgates pontuais ou total, que continuam tendo natureza de proventos de aposentadoria, o que induz a afirmar que sendo aposentado possuidor de moléstia grave (nos termos da Lei) ou Moléstia Profissional ou ainda Aposentado por invalidez decorrente de acidente em serviço, estes resgates estarão isentos do IRPF. Recentemente o STJ no julgamento REsp nº 1.507.320, de 10/02/2015, publicado no DOU de 20/02/2015, confirmou acórdão do TRF4 em qual reconheceu a isenção do IRPF pela moléstia grave, sobre os resgates de Previdência Privada que efetuou, exatamente, sob o entendimento, que o resgate não descaracteriza a natureza jurídica previdenciária da verba e, que como há previsão para isenção sobre a previdência privada complementar na lei do imposto decorrente de moléstia grave, ela atinge os recebimentos mensais ou resgates. Observo, ainda, por importante, que foi publicada, pela Secretaria da Receita Federal – RFB, a Solução de Consulta COSIT nº 356, de 17 de dezembro de 2014, que tratou, dentre outros assuntos, sobre a isenção dos rendimentos de aposentaria complementar recebidos pelos portadores de moléstia grave. Pela relação do tema com a hipótese aqui tratada, oportuno reproduzir os seguintes excertos da referida solução de consulta: 13. Outro aspecto relevante a ser destacado para fazer jus à isenção recai sobre a condição de aposentado. Na lei, a condição de aposentado está dirigida àqueles trabalhadores que estão na inatividade e recebendo proventos pagos pela previdência oficial. Os ganhos complementares de aposentadoria garantidos por participação em planos de aposentadoria geridos por entidades de previdência complementar fechada são tributáveis até que o Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 423 7 beneficiário adquira a condição de aposentado pela previdência oficial e comprove ser portador de doença grave prevista na lei de isenção. 14. Neste ponto, forçoso concluir que o rendimento recebido por portador de doença grave (relacionada na lei) a título de aposentadoria complementar instituída em plano de benefícios de entidade de previdência complementar somente está isento do imposto sobre a renda a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial. Assim, me filio à corrente de que a natureza jurídica da previdência complementar é previdenciária. O laudo pericial oficial atestando a moléstia grave foi juntado na efl. 14. Inexiste nos autos a informação de periodicidade dos resgates. Porém, os rendimentos pagos pelas previdências, tanto públicas quanto privadas, que tenha natureza jurídica de auxílio doença são isentos de Imposto de Renda das Pessoas Físicas. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito darlhe provimento, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 424 8 Voto Vencedor Conselheiro Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Permitome divergir do Conselheiro Relator. Entendo que as importâncias recebidas na forma de resgate, total ou parcial, de previdência complementar, não estão abrangidas pela isenção aplicada aos rendimentos decorrentes de aposentadoria e suas complementações, recebidos por portadores de moléstia grave, principalmente em razão do disposto no artigo 33 da lei 9.250/95 e da literalidade prescrita pelo art. 111 do Código Tributário Nacional na interpretação de norma relativa a isenção. Esse mesmo entendimento encontrase delineado no voto vencedor do Conselheiro Luis Henrique Dias Lima, no acórdão 2402006.666 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 03/10/2018. Sendo assim, transcrevo esse voto e adoto como minhas suas razões de decidir: Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo pelas razões de fato e de direito que exponho a seguir. De plano, é de se observar que é incontroverso o direito do Recorrente à isenção prevista no artigo 6º, XIV, da Lei n. 7.713/1988, conforme bem destacado no Acórdão n. 1541.387 (efls. 105/107): Inicialmente, observase que a condição pessoal de portador de moléstia grave (neoplasia maligna) foi considerada comprovada e, portanto, não questionada no lançamento ora impugnado. Assim, a discussão restringese à incidência, ou não, de IRPF sobre o resgate no valor de R$ 1.155.124,10 pago ao Recorrente pela Fundação Itaú Unibanco Previdência Complementar em julho de 2013. Em que pese o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) esposado no julgamento do REsp n. 1.507.320, colacionado pelo i. Relator, no sentido de reconhecer a isenção do IRPF pela moléstia grave sobre os resgates de previdência privada efetuados, há de se considerar que a disciplina do art. 33 da Lei n. 9.250/1995 é bastante elucidativa, inexistindo qualquer dúvida na sua redação, verbis: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. (grifei) De se observar que o dispositivo legal supra transcrito não faz distinção entre resgate total ou parcial: basta que se caracterize o resgate de contribuições. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10580.723506/201717 Acórdão n.º 2301006.075 S2C3T1 Fl. 425 9 No mesmo sentido, os arts. 43, XIV, e 633 do Decreto n. 3.000/1999 (RIR/99). A Lei n. 7.713/1988 (art. 6°, XV), é didática ao estabelecer textualmente que apenas os rendimentos relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portadores de moléstia grave, são isentos do imposto sobre a renda. Observase o silêncio eloquente do retrocitado diploma legal quanto aos resgates de contribuições. Destarte, concluise que as importâncias recebidas em pagamento único em virtude de resgate parcial ou total das contribuições efetuadas para entidades de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, excluindose, tão somente, o valor do resgate das contribuições cujo ônus tenha sido da pessoa física, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, ex vi art. 39, XXXVIII, do Decreto n. 3.000/1999 RIR/ 99, exceção esta que, ressaltese, não se aplica ao caso concreto. Por fim, entendo fundamental à apreciação do caso em apreço a aplicação do art. 111, II, do CTN, que impõe, de forma categórica, a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, o que afasta, de plano, qualquer possibilidade de extensão aos resgates de previdência privada a isenção pleiteada pelo Recorrente. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Fl. 63DF CARF MF
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