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Numero do processo: 13896.905666/2016-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.985, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 56 66 /2 01 6- 36 Fl. 125DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905666/2016-36 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905666/2016-36 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 127DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905666/2016-36 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.900117/2006-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam adotadas as providências estabelecidas, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam adotadas as providências estabelecidas, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto no bojo de processo administrativo fiscal cuja origem remonta à não homologação de declaração de compensação (DCOMP) de alegados créditos de contribuição ao PIS no PA 08/2003. Por meio de despacho decisório eletrônico a Unidade Preparadora não homologou o crédito pleiteado, pois não foram identificadas as montas creditórias indicadas pela Recorrente. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que foi apreciada pela 3ª Turma da DRJ de Campinas. Por bem retratar a os fatos, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: Trata-se de Despacho Decisório, à fl. 47, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 00 11 7/ 20 06 -8 8 Fl. 384DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3003-000.029 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900117/2006-88 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 28/05/2008, a interessada apresentou em 24/06/2008 Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Que sua DCTF do 3.o trimestre de 2003 foi preenchida de modo errado no que se refere ao débito referente ao mês de agosto de 2003. Que o valor correto do débito do PIS do período de apuração de agosto de 2003 é de R$ 1.207,89 (um mil, duzentos e sete reais e oitenta e nove centavos), tendo sido informado erroneamente na DCTF como sendo de R$ 11.896,18 (onze mil, oitocentos e noventa e seis reais e dezoito centavos) Que retificou a DCTF do 3.o trimestre de 2003 em 23/06/2008, ficando com o valor de R$ 10.688,29 (dez mil, seiscentos e oitenta e oito reais e vinte e nove centavos) como crédito referente a pagamento indevido ou a maior. Finalizando, requer a homologação da DCOMP 29928.30935.301003.1.3.048806, entregue em 30/10/2003. Instrui seu pedido com cópias do Despacho Decisório n. de rastreamento 763957287, da DCTF do 3º Trimestre de 2003. Retificadora entregue em 23/06/2008, da DCOMP n.o 29928.30935.301003.1.3.048806, do Contrato Social da interessada, da Procuração, CPF e RG de seu representante legal. E nada mais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente conforme ementa, que transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Inexistindo elementos probatórios nos autos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 385DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3003-000.029 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900117/2006-88 Contra o acórdão da DRJ a recorrente interpôs Recurso Voluntário inovando em sede recursal com alegações referentes às alíquotas aplicadas no PA 08/2003, indicação de receita de vendas pelo mero demonstrativo de IPI que justificariam o equívoco no preenchimento da DCTF que teria levado ao recolhimento a maior da contribuição ao PIS. Acompanha o Recurso os documentos de fls. 70/380 dentre os quais encontram-se cópia do DARF, DCTF e retificadora, íntegra do PER/DCOMP, DIPJ do período, Livro Diário, registro de saídas e outros. Ao fim pugna pela provimento total do apelo para que seja reformada a decisão de primeira instância. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Da Prova em Recurso Voluntário É certo que este Colegiado assentou o entendimento, à esteira da jurisprudência deste Conselho, que em na excepcionalidade de processo de originário de PER/DCOMP cujo despacho decisório tenha sido proferido eletronicamente, far-se-á um cotejo analítico da matéria alegada em manifestação de inconformidade e, em grau de exceção, aceitar a produção de provas na fase recursal desde que mantenham correlação lógica com o mérito recursal. A Recorrente apresentou em fase recursal documentos de fls. 70/380, dentre as quais disponibiliza folhas do Livro Diário. Pelo império da Verdade Material, urge o recebimento das provas no sentido da jurisprudência desta Corte, em decisão proferida pela 1ª Turma da CSRF, esboçado nos autos do PAF 10835.901327/200988, em voto da relatoria do eminente Conselheiro André Mendes de Moura: entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provasemsedederecursovoluntário,desdequesejamdocumentosprobatóriosque estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. - Grifos no original. Em razão da dúvida suscitada pelas provas apresentadas em sede recursal, impõe- se a aplicação do art. 16, §4º, Decreto 70.235/1972 com a determinação de que sejam os autos convertidos em diligência para que a unidade de origem possa apreciar os documentos que não teve acesso a DRJ ao proferir o acórdão recorrido. Nestes termos, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem no sentido de que sejam tomadas as seguintes providências: Fl. 386DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3003-000.029 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900117/2006-88 1. Que sejam apreciados os documentos de fls. 70/380 para 2. Verificação nos lançamentos do Livro Diário provisionamento de contribuição ao PIS no período de apuração 08/2003; 3. Que seja contrastado o valor recolhido em relação ao crédito pleiteado para verificação do valor devido ao PIS no PA 08/2003; 4. Elaboração de relatório da análise dos documentos juntados em Recurso Voluntário que descreva se há direito creditório; 5. Que seja dada ciência ao contribuinte pelo prazo de 30 dias sobre o resultado da diligência; 6. O retorno dos autos a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001207/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone. Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone. Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone. Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata o presente de Recurso de Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I - SP, através do acórdão 9.620, de 04 de maio de 2006, que julgou PROCEDENTE, EM PARTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Cabe destacar que na decisão a quo houve a exoneração da multa qualificada, passando esta de 150% para 75%, reduzindo o montante originalmente autuado em R$ 174.167,63, valor aquém do atualmente estabelecido para eventual recurso de ofício, no termos da Portaria MF nº 13/2017. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 20 7/ 20 05 -4 2 Fl. 322DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 Da autuação fiscal: Sobre a presente autuação, cabem duas reflexões prévias, antes de qualquer análise mais detida a respeito da questão inerente ao presente processo. Primeiramente, a autuação fiscal em questão é reflexo de uma fiscalização de IRPJ (processo nº 19515.001929/2004-16), envolvendo questão de omissão de receita. Na elaboração dos autos de infração, no momento de apurar o Cofins reflexo, a autoridade fiscal autuante o fez por base de cálculo trimestral. A Delegacia Regional de Julgamento, constatando, baixo para sanear os autos, em que a autuação fiscal original foi cancelada, e efetuada outra, cuja ciência se deu em 13/04/2005. De resto, por bem descrever os termos da autuação fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 1. Em decorrência de ação fiscal empreendida no contribuinte ora impugnante, foi lavrado, em 13/04/2005, o Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 25 a 27), com crédito tributário total no valor de R$ 803.578,61 (oitocentos e três mil, quinhentos e setenta e oito reais e sessenta e um centavos), referente ao ano-calendário 1999, conforme demonstrativo abaixo: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL 232.237,89 JUROS DE MORA (Até 31/03/2005) 222.994,67 MULTA PROPORCIONAL 348,346,05 CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL - COFINS 803.578,61 2. De acordo com o disposto no "Termo de Verificação Fiscal (COFINS)" (fls. 18 a 20), o crédito tributário apurado no ano-calendário 1999 decorreu dos fatos a seguir resumidamente descritos. 3. Inicialmente, a Autoridade Fiscal destacou que a ação fiscal foi originada de solicitação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, decorrente de erro material nas apurações reflexas da COFINS e do PIS no processo administrativo fiscal n° 19515.001929/2004-16, face as apurações trimestrais, quando deveriam ser mensais. 4. Utilizando bases de cálculo mensais, lavrou-se novo lançamento de ofício. 5. A Fiscalização esclareceu que o Auto de Infração foi lavrado sem suspensão da exigibilidade do crédito tributário, pois a liminar que havia sido obtida no processo judicial n° 2004.61.00.007938-3 foi suspensa no Agravo interposto pela Fazenda Nacional, processo n° 2004.03.00.034922-0. 6. Observou a Autoridade Fiscal que o anterior Auto de Infração da COFINS, reflexo, constante do processo n° 19515.001929/2004-16 foi cancelado. 7. Enquadramento legal: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Arts. 1º e 2° da Lei Complementar 07/70; Arts. 2°, 3º e 8º, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Fl. 323DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 Em verificação dos autos, agrego que, inicialmente, a Autoridade Fiscal destacou que a contribuinte não entregou os elementos solicitados e não prestou as informações constantes do “Termo de Início de Ação Fiscal”. Em seguida, a empresa foi intimada a esclarecer a diferença de R$ 7.709.343,29 entre os valores declarados por terceiros em DIRFs (R$ 14.897.841,27) e o declarado por ela na DIPJ/2000, ano-calendário 1999 (R$ 7.188.497,98). A contribuinte informou que as divergências encontradas são devidas ao fato de que a parte referente à taxa cobrada pelos serviços foi lançada na DIPJ/2000 como receita de prestação de serviços e o reembolso foi lançado como abatimento dos custos de prestação de serviços. A Autoridade Fiscal entende que a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte é o valor total da nota fiscal fatura de serviço. E a contribuinte considerou como receita de prestação de serviços a taxa cobrada. Assim, para a Fiscalização, conforme legislação do imposto de renda, como receita deveria ter sido considerada o valor total da nota fiscal de serviços. Face ao apurado, informou a Autoridade Fiscal que a multa de ofício foi qualificada por entender ter ocorrido, em tese, crime contra a ordem tributária. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 8. Cientificada do auto de infração em 13/04/2005, a Contribuinte, por intermédio de seu Procurador protocolizou impugnação de fls. 39 a 56 em 12/05/2005, argumentando, em sua defesa, as razões a seguir sintetizadas. 9. Inicialmente, a Impugnante afirmou que todos os valores em questão, relativos ao ano de 1999, não poderiam ser cobrados em face da decadência do direito de lançar da Fazenda Pública, de acordo com o art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, os valores referentes aos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 1999 tiveram seus lançamentos homologados tacitamente nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2004. 10. Também, por já ter sido fiscalizada no ano de 1999, entende que todos os seus lançamentos referentes ao ano de 1999 já estariam homologados ou cobrados pela Receita Federal. Assim, realizado o lançamento, esse se torna imutável, conforme art, 146 do CTN. Diz que no processo administrativo n° 13808.002552/2001-06 foram lançados valores da COFINS relativos ao ano de 1999, o que também representaria "bis in idem", ou seja, tributar duas vezes pelo mesmo fato gerador. 11. Diz que o Auditor confundiu o conceito de "entrada" com o de "receita", pois entendeu que deveriam ser incluídos na base de cálculo os valores pagos pelos tomadores de serviços em face da mão-de-obra fornecida. 12. Esses valores pagos pelos tomadores de serviços, salários e respectivos encargos sociais, são apenas ressarcimentos feitos ao prestador de serviços, de despesas havidas ao exclusivo interesse dos tomadores, não constituindo receita e, portanto, não podendo integrar a base de cálculo da COFINS. 13. Sobre a multa de ofício aplicada - de 150%, diz que o art. 44 da Lei 9.430/96 disciplina que ela apenas é aplicada quando há evidente intuito de fraude. Como a Contribuinte já foi fiscalizada e autuada em 2001, abrindo seus livros à Fiscalização, entende não Fl. 324DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 ter havido qualquer intenção de fraude. Cita decisão administrativa, em caso análogo, que reduziu a multa aplicada de 150% para 75%. 14. Ainda sobre a multa aplicada, questiona a impugnante que, em caso de pagamento do débito até o vencimento da intimação, lhe seria concedida uma redução de 50% sobre o valor da multa. E se a impugnante resolvesse discutir o débito em questão na via administrativa, ela seria obrigada a pagar o triplo da multa. Isso constituiria afronta aos princípios constitucionais do devido processo legal e do direito ao contraditório e da ampla defesa. Assim, deve ser revisto o valor da multa e ser aplicada a redução de 50%, devida caso a impugnante tivesse efetuado o pagamento até o vencimento da intimação. 15. Conclui a peça impugnatória requerendo, pelos argumentos expendidos, seja julgado improcedente o auto de infração ou, na hipótese de manutenção do débito, que seja afastada a multa de 150% ou que, ao menos, seja reduzida a multa a 50% ao final do processo administrativo. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação da agora recorrente, por unanimidade. A ementa do acórdão recorrido foi o seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofíns Ano-calendário: 1999 Ementa: COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário através do lançamento de contribuições sociais é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas. MULTA AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não estando plenamente configurada a hipótese exigida para o agravamento da multa de oficio, deve ser aplicada no valor de 75%. Lançamento Procedente em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extrai-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes que fundamentaram a sua decisão final: - quanto à decadência, entendeu que o prazo para as contribuições tributárias federais é de 10 anos, nos termos da lei nº 8.212/91, art. 45. Destarte, como os fatos geradores são de 1999, e a ciência do lançamento se deu 2005, não haveria que se falar em decadência; - quanto à alegação de bis in idem, conforme análise processual efetuada, não se verifica nenhum duplo lançamento; - constata que o mérito já estão sendo discutidos em mandado de segurança, o que não seria apreciado administrativamente. Contudo, era necessário o lançamento, nos termos no Fl. 325DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 art. 142 do CTN. Igualmente, quando da autuação fiscal, a liminar obtida pelo contribuinte fora suspensa, o que estaria sujeito à imposição de multa de ofício; - quanto a multa qualificada aplicada, entendeu não ter ocorrido o evidente intuito de fraude, até porque a questão de mérito está sendo discutida na esfera judicial. Por conseguinte, reduziu a multa de ofício aplicada de 150% para 75%. Do Recurso Voluntário: Irresignada com a decisão da DRJ, a qual tomou ciência em 26/01/2007, a agora recorrente apresentou recurso voluntário em 27/02/2007, ou seja, tempestivamente. Em essência, na sua peça recursal, aborda as seguintes questões, já abordadas na sua peça impugnatória: - questão da decadência; - bis in idem; - a discussão da base de cálculo envolve amparo de decisão judicial; É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo qual o conheço. Cabe ressaltar que não houve interposição de recurso de ofício, em virtude da exoneração promovida pela instância a quo estar bem aquém do limite de alçada da Portaria MF nº 63/2017. Do recurso voluntário: A autuação fiscal envolve os fatos geradores de janeiro a dezembro de 1999, e a ciência do mesmo se deu em 13/04/2005. No caso específico deste processo, envolve autuação de Cofins. A decisão a quo decidiu que não havia ocorrido o prazo decadencial, pois entendeu que o prazo aqui aplicável seria de 10 anos. Contudo, tal matéria há longa data já está superada na esfera administrativa, havendo o entendimento da vigência de 5 (cinco) anos, ocorrendo apenas discrepâncias do momento inicial de contagem deste prazo. Fl. 326DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 Assim, antes de adentrar em qualquer especificidade, cabe verificar se já não houve decadência pela contagem temporal mais dilatada, qual seja o art. 173, I do CTN. Já observado acima, a presente autuação fiscal envolve fatos geradores de 1999, apuração mensal (Cofins), em todos os meses de janeiro a dezembro. A ciência da autuação fiscal se deu em 13/04/2005 Como houve a exoneração da multa qualificada pela instância julgadora anterior, sem possibilidade de reapreciação do valor exonerado, caberia, eventualmente, verificar se houve pagamento ou não, pois numa eventual contagem mais dilatada pelo regramento do art. 173, I do CTN, o mês de dezembro/1999 só teria seu termo inicial em janeiro/2001, o que não estaria alcançado pela decadência. Em análise dos elementos contidos nos autos, não há esta informação. Destarte, PROPONHO DILIGÊNCIA para se verificar os eventuais pagamentos de Cofins referente ao ano-calendário de 1999 efetuados pela recorrente, informando tal situação através de um relatório conclusivo a ser acostado aos autos. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954391/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/12/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
Numero da decisão: 9303-008.860
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
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SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 91 /2 00 8- 35 Fl. 277DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS - Faturamento, que ultrapassaria o crédito devido. A DERAT em São Paulo emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago pela DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegadno que o valor por ela informado originariamente em DCTF, seria equivocado. Não comprova nem demonstra como foram apurados os novos valores e argumenta que a não homologação da compensação levaria ao enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. A DRJ competente exarou o acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo para manter o lançamento. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, repisando as razões da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.155, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte A contribuinte interpôs recurso especial de divergência, sustentando a divergência com relação à duas matérias: 1) possibilidade de conversão do julgamento em diligência e 2) preclusão da produção de provas em momento processual posterior à fase de impugnação. Para primeira matéria, a contribuinte toma por paradigma o acórdão nº 3301- 003.968, no qual se admitiu realização de diligência, diversamente do que ocorreu no acórdão recorrido Já no tocante à segunda matéria, o sujeito passivo esgrime os arestos paradigmas de nº 1401-001.856 e nº 101-96.829, que permitiriam a produção de provas em momento processual posterior ao da impugnação.. O recurso teve seguimento negado pelo Presidente da Câmara. Agravo da contribuinte Cientificada do resultado do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo à Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF que o acolheu parcialmente para determinar o retorno dos autos à 4ª câmara da 3ª seção de julgamento, com o intuito de exame dos demais Fl. 278DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 pressupostos de admissibilidade do recurso especial, para além do prequestionamento, relativamente à matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Em face do despacho que acolheu parcialmente o agravo, foi realizada nova análise do recurso especial de divergência da contribuinte, sendo-lhe dado seguimento para que seja apreciada apenas quanto a matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.852, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.954381/2008-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.852): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Uma análise mais acurada do acórdão utilizado para paragonar a matéria leva-me á reconsideração da admissibilidade do recurso especial de divergência. Ocorre que o acórdão paradigma nº 3301-003.968, se estabeleceu sobre a seguinte matéria fática, extraída de seu relatório (e-fl. 173): Tratam-se de pedidos de ressarcimento de folhas 103 a 150, transmitidos em julho de 2008 através do sistema PER/DCOMP. Nestes o contribuinte busca o ressarcimento de créditos apurados sob o regime da não cumulatividade da COFINS, vinculados às vendas no mercado interno (artigo 17 da Lei n° 11.033/2004). (...) A DRF Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 470, amparado no Parecer/Seort nº 2127 (fls. 462 a 469) não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que não identificou qualquer saída no mercado interno, enquadrada dentre aquelas com direito a crédito passível de ressarcimento (saídas não sujeitas à contribuição). Conseqüentemente indeferiu os pedidos de ressarcimento. Fl. 279DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 Cientificada do despacho, a interessada, inconformada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 472 a 480, em parte transcrita a seguir: Em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2010, a empresa, ora RECORRENTE, esclareceu que os créditos apurados são vinculados a operações com mercado interno e exportação, com base na receita bruta auferida mensalmente, bem como apresentou diversos documentos solicitados pela Fiscalização, tanto em relação aos créditos de PIS quanto aos de COFINS, no período compreendido entre o 1° trimestre de 2005 e 4° trimestre de 2007. (Negritei e sublinhei.) Nesses excertos, transparece claramente que a situação fática é distinta daquela havida no acórdão recorrido, pois neste se trata de despacho decisório eletrônico, que confronta pagamentos realizados em DARF com créditos constituídos em DCTF da própria contribuinte e naquele paradigma há despacho com análise prévia da fiscalização com relação aos créditos, fundada em documentação apresentada pela contribuinte, conforme acima destacado. A discussão se estabeleceu sobre serem ou não os créditos pleiteados vinculados à receitas da exportação ou do mercado interno. Como a DRJ que apreciou a manifestação de inconformidade da contribuinte concordou com o disposto no despacho decisório, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando (e-fl. 175): Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário em face da referida decisão alegando em síntese que o que houve foi um erro no preenchimento da PER/DCOMP, porquanto os valores pleiteados foram equivocadamente preenchidos nos PER/DCOMP's no campo dos créditos vinculados ao mercado interno quando, de fato, tratavam-se de créditos vinculados a receitas de exportação, que foi apresentada toda a documentação comprobatória do referido fato e que tratando-se de mero erro material esse não deve ser tomado como elemento para indeferir o Ressarcimento pleiteado. Que a documentação carreada aos autos demonstra com clareza a existência do crédito (Negritei) Ou seja, a discussão levada ao CARF no acórdão paradigma foi com relação a erro de preenchimento de PER/DCOMP, em face da discussão sobre documentação apresentada pela contribuinte à fiscalização, diferentemente do caso presente, em que se alega erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido, mesmo em sede de recurso voluntário. No meu entendimento, o acórdão a quo se estabeleceu sobre situação fática distinta daquela do acórdão paradigma, pois nele não havia qualquer suporte probatório que trouxesse dúvidas ao julgador para ensejar a realização de diligência, enquanto no paradigma apresentado, no procedimento anterior ao despacho decisório já se estabelecera litígio quanto às provas, o que gerou a necessidade de os julgadores terem maiores esclarecimentos. O que pretendeu o relator do voto vencido no acórdão nº 3401-004.146, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que foi fulcro para o julgamento do acórdão aqui recorrido, na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, utilizando-se de voto havido em Resolução nº 3401-000.964, a qual propôs a conversão em diligência para situação análoga à presente (esta sim, pagamento indevido ou a maior em dissonância com declaração em DCTF), foi igualmente converter aquele processo em diligência, sendo vencido pela maioria. Contudo, ainda que se pretendesse utilizar como paradigma a Resolução nº 3401- 000.964, referida pelo relator vencido no acórdão nº 3401-004.146, isso não seria possível, pois careceria de sua indicação diretamente no recurso especial de divergência da contribuinte, bem como da demonstração analítica com base nele. Concluindo, os julgadores não viram elementos probatórios que dessem razão para a conversão do julgamento do processo em diligência, sendo esta situação fática distinta, portanto, daquela do aresto paradigma nº 3301-003.968, apresentado pela contribuinte em seu recurso especial de divergência. Fl. 280DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720109/2017-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ.
O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO.
As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante.
JURISPRUDÊNCIAS. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM O JULGAMENTO.
A jurisprudência decorrente de decisões judiciais, referente a processos ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas proferidas pelo STF ou STJ, não vincula o julgamento na esfera administrativa.
VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa analisar inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DAS AÇÕES RECEBIDAS SUPERIOR AO VALOR DAS AÇÕES ENTREGUES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTÁVEL.
A alienação de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues.
ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS.
A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. RESTRIÇÃO DE NEGOCIAÇÃO. CLÁUSULA DE "LOCK UP". CONTRATO DE PENHOR. NÃO IMPEDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
A existência de cláusula contratual com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigando-o a não alienar sua participação societária (ações) por um determinado período (lock up) ou restrição de negociação mediante contrato de penhor não modifica a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputando-se perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações.
Numero da decisão: 2202-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para afastar a incidência do imposto de renda sobre a incorporação de ações, e os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial para acatar as deduções de corretagem associadas à AGL Empreendimentos Imobiliários e Administração Ltda. Votaram pelas conclusões quanto à incorporação de ações os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ. O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM O JULGAMENTO. A jurisprudência decorrente de decisões judiciais, referente a processos ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas proferidas pelo STF ou STJ, não vincula o julgamento na esfera administrativa. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DAS AÇÕES RECEBIDAS SUPERIOR AO VALOR DAS AÇÕES ENTREGUES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTÁVEL. A alienação de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS. A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. RESTRIÇÃO DE NEGOCIAÇÃO. CLÁUSULA DE "LOCK UP". CONTRATO DE PENHOR. NÃO IMPEDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A existência de cláusula contratual com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigando-o a não alienar sua participação societária (ações) por um determinado período (lock up) ou restrição de negociação mediante contrato de penhor não modifica a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputando-se perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para afastar a incidência do imposto de renda sobre a incorporação de ações, e os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial para acatar as deduções de corretagem associadas à AGL Empreendimentos Imobiliários e Administração Ltda. Votaram pelas conclusões quanto à incorporação de ações os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ. O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM O JULGAMENTO. A jurisprudência decorrente de decisões judiciais, referente a processos ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas proferidas pelo STF ou STJ, não vincula o julgamento na esfera administrativa. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 09 /2 01 7- 78 Fl. 1842DF CARF MF 2 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DAS AÇÕES RECEBIDAS SUPERIOR AO VALOR DAS AÇÕES ENTREGUES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTÁVEL. A alienação de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS. A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. RESTRIÇÃO DE NEGOCIAÇÃO. CLÁUSULA DE "LOCK UP". CONTRATO DE PENHOR. NÃO IMPEDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A existência de cláusula contratual com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigandoo a não alienar sua participação societária (ações) por um determinado período (lock up) ou restrição de negociação mediante contrato de penhor não modifica a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputandose perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para afastar a incidência do imposto de renda sobre a incorporação de ações, e os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial para acatar as deduções de corretagem associadas à AGL Empreendimentos Imobiliários e Administração Ltda. Votaram pelas conclusões quanto à incorporação de ações os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Relatório Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.843 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0660.297 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA, a qual julgou improcedente a impugnação que contestou o lançamento decorrente de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores e exigido do contribuinte por meio do Auto de Infração no montante de R$ 13.726.599.36, correspondente ao crédito tributário composto pelo Imposto de Renda no valor de R$ 6.069.687,98, pelos juros de mora no valor de R$ 3.104.645,40 e pela multa proporcional no valor de R$ 4.552.265,98 (fls. 1.502/1.531 e 1.539/1.626). Ação Fiscal De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/30), foi realizada auditoria fiscal no contribuinte, o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera, com o objetivo da "verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa FísicaIRPF." Na ação fiscal (fls. 10/12), ficou demonstrado que a empresa Distribuidora Big Benn S.A., a qual o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera era acionista com o percentual de 22,5% (vinte e dois vírgula cinco por cento) do capital social, transferiu a totalidade das suas ações ordinárias para a Drogaria Guararapes Brasil S.A., da seguinte forma: a) 62,13% das ações por meio de alienação no valor total de R$ 293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) e b) 37,87% das ações, por meio de incorporação, recebendo em troca 1.205.292 de ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A, nos seguintes termos: a) Por meio do Acordo de Investimento, conforme aditado, foi definido que a Guararapes adquiriria o equivalente a 62,13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) do capital votante da Big Benn por meio da alienação das ações ordinárias detidas pelo fiscalizado e pelos demais acionistas, pelo valor total de R$293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos), a serem pagos da seguinte forma: (a) RS100.909.000,00 (cem milhões e novecentos e nove mil reais) à vista na data do fechamento da operação ("Parcela à Vista"); (b) três parcelas anuais de R$58.045.000,00 (cinquenta e oito milhões e quarenta e cinco mil reais) ; e (c) R$17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) a serem pagos diretamente aos assessores financeiros dos vendedores na operação. b) Imediatamente após a aquisição dos 62,13% das ações da Big Benn, a Guararapes realizou a incorporação dos 37,87% das ações remanescentes, de titularidade dos Vendedores. Em razão desta incorporação de ações, os Vendedores passaram a ser sócios da Guararapes. Ficou demonstrado também que a BR Pharma incorporou as ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A recebidas pelos acionistas vendedores da Distribuidora Big Benn S.A., que passaram a fazer parte do quadro societário da BR Pharma, nos seguintes termos (fls. 11/12): Fl. 1844DF CARF MF 4 Ato contínuo, a BR Pharma realizou a incorporação da totalidade das ações da Guararapes recebidas pelos Vendedores. Com isto, os Vendedores passaram a ser sócios da BR Pharma. Detalhados os fatos, em ordem cronológica, temos, portanto, que a BR Pharma, no final do processo, adquiriu a totalidade de ações do Grupo Big Benn por intermédio de sua subsidiária integral, Guararapes. Esta aquisição se deu em duas partes: (1) A Guararapes adquiriu a totalidade das ações da Big Benn, sendo 62,13% mediante compra direta de ações, pelo valor de R$ 293.023.605,25 e 37,87% mediante incorporação do restante das ações. Nesta incorporação, os Vendedores receberam 1.205.292 ações da Guararapes, no valor de R$ 178.600.005,00. (2) Em seguida, a BR Pharma incorporou as ações da Guararapes de titularidade dos Vendedores, mediante um aumento em seu capital, com emissão de 23.813.334 novas ações, que foram entregues aos Vendedores, no mesmo valor de R$ 178.600.005,00. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 23/29), percebese que o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera, pela transferência de sua participação, no percentual de 22,5% (vinte e dois vírgula cinco por cento) no capital social da Distribuidora Big Benn S.A. para a Drogaria Guararapes Brasil S.A recebeu em pagamento, pela parte correspondente a alienação (62,13% das ações), o montante de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais) e pela parte referente à incorporação (37,87% da ações), recebeu em troca 271.191 ações da empresa incorporadora Drogaria Guararapes Brasil S.A. (22,5% de 1.205.292 = 271.191). Tributação / Alienação de Ações / Ganho de Capital / Diferença de Valor do Imposto De acordo com a Auditoria Fiscal, o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera ofereceu à tributação o ganho de capital decorrente da alienação de 61,13% das suas ações no valor de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), apurado da seguinte forma (fls. 28/29): O valor de alienação declarado foi de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), correspondente a 22,5% (vinte e dois e meio por cento) percentual de participação de Roger Aguilera da diferença entre o valor total da venda subtraído das despesas com assessoria (R$ 293.023.605,25 R$ 17.979.605,26 = RS 275.043.999,99 * 22,5% = R$ 61.884.900,00). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 25/28), a Fiscalização considerou indevida a dedução do valor total da alienação, o montante de RS 17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) por se tratar de despesa com assessoria financeira: Na apuração do ganho de capital relativo a operação de venda de ações da Big Benn para a Guararapes, o contribuinte deduziu, proporcionalmente à sua participação, como valor de alienação, as seguintes quantias: R$ 10.379.605,26 (dez milhões, trezentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e seis centavos), acordados no mandato celebrado com o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. ("Credit Suisse"), em 02/09/2010. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.844 5 R$ 7.600.000,00 (sete milhões e seiscentos mil reais), objeto do Contrato de Prestação de Serviços celebrado com a AGL Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda ("AGL"), em 16/06/2011. Vêse que a legislação permitiu unicamente o abatimento da despesa com corretagem e, sendo assim, impossibilitou qualquer interpretação extensiva do conceito, independentemente de existir previsão contratual ou qualquer acerto distinto entre os interessados. As despesas com assessoria financeira suportadas pela contribuinte também não poderiam ser deduzidas na apuração do ganho de capital como custo de aquisição. Observese, preliminarmente, o que dispõe o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11/10/2001. O contrato de comissão, de acordo como o art. 693 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10/01/2002), tem; por objeto a aquisição ou a venda de bens peio comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente. O comissário obrigase, portanto, perante terceiros em seu próprio nome, figurando no contrato como parte. Neste, em geral, não consta o nome do comitente, porque o comissário age em nome próprio. Não é o presente caso. Da análise dos dispositivos, concluise ser indevida a dedução dos valores pagos aos assessores financeiros, por não se tratarem de contrato de corretagem ou mesmo de comissão. Por todo o exposto, concluise que houve redução indevida do valor de alienação e que não há, assim, previsão legal para a dedução do valor total de RS 17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) como custo de aquisição. Após considerar indevida a dedução do valor total de RS 17.979.605,25 com despesas de assessoria financeira, a Fiscalização refez os cálculos e apurou o valor de RS 65.930.311.18 correspondente à alienação da parte das ações do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera (fls. 28/29): Diante da conclusão de que a dedução de R$ 17.979.605,25 do valor de alienação das ações da Distribuidora Big Benn S/A foi indevida, restanos recalcular o imposto devido na operação, relativo à parcela recebida em março de 2012. O valor de alienação declarado era de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), correspondente a 22,5% (vinte e dois e meio por cento) percentual de participação de Roger Aguilera da diferença entre o valor total da venda subtraído das despesas com assessoria (R$ 293.023.605,25 RS 17.979.605,26 = RS 275.043.999,99 * 22,5% = R$ 61.884.900,00). Excluindose os RS 17.979.605,25, o valor de alienação passa a ser, então, de RS 65.930.311.18 (R$ 293.023.605,25 4 22,5%). Fl. 1846DF CARF MF 6 Depois de verificar o valor considerado correto pela alienação das ações, a Fiscalização passou a calcular o valor do ganho de capital decorrente do recebimento pelo Contribuinte da parcela proporcional paga em março de 2012, tendo por base o valor ajustado pela exclusão da dedução de despesas com assessoria financeira, apurando a diferença do imposto devido (fls. 28/29). A Fiscalização apurou (fls. 28/29), com base no valor ajustado, que o ganho de capital decorrente da parcela recebida pelo Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera em março de 2012, foi no montante de RS 23.796.077,93 e o imposto devido foi no valor de RS 3.569.411,69 (23.796.077,93 x 15%). Após apurar o valor considerado correto, a Fiscalização encontrou diferença de imposto a pagar no valor de RS 347.889,13, pois houve recolhimento de Imposto de Renda no valor de RS 3.221.522,56 (3.569.411,69 3.221.522,56= 347.889,13): Tabela 1 Cálculo da diferença de Imposto Ganho de Capital R$ Imposto Devido R$ Imposto Pago R$ Diferença de Imposto R$ 23.796.077,93 3.569.411,69 3.221.522,56 347.889,13 Fonte: Termo de Verificação Fiscal (fl. 29) Tributação / Incorporação de Ações / Alienação / Ganho de Capital A Fiscalização verificou que a transferência de 37,87% (trinta e sete inteiros e oitenta e sete centésimos por cento) do capital social da Distribuidora Big Benn S.A. para a Drogaria Guararapes Brasil S.A., a título de incorporação das ações, tratase de uma forma de alienação (fls. 16/23): A operação mencionada não foge ao conceito de alienação, uma vez que se trata de uma subtração do patrimônio do sujeito passivo e de um correspondente incremento no patrimônio de outra pessoa, conforme é o entendimento Carvalho Santos, citado em Código Civil Comentado nas anotações feitas ao analisar o art. 1.275 do Código Civil, que trata das causas da perda da propriedade, cujo inteiro teor reproduzo abaixo: "O Inciso I diz que se perde a propriedade pela alienação, que no dizer clássico de Carvalho Santos, "é o ato pelo qual desfalcamos nosso patrimônio, transferindo a um outro determinado bem" (Código Civil brasileiro interpretado. Rio de Janeiro. Freitas Bastos, 1952, v.III, p. 201). Normalmente, a alienação se faz por negócio jurídico, como a venda e compra, a troca, a doação e a dação em pagamento. Pode ocorrer, todavia, por ato independente de vontade, como o implemento de condição resolutiva no resgate de retrovenda, a arrematação e adjudicação em hasta pública, a alienação forçada do proprietário ao possuidor; prevista no § 4º do art. 1.228, já comentado; ou, ainda, a alienação judicial da coisa comum, para extinção do condomínio sobre coisa comum. (Código Civil Comentado: doutrina e jurisprudência: Lei n° 10.406, de 10.01/2002 / Coordenador Cezar Peluso. 9ª ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manote, 2015, p. 1203)" (fls. 17/18). A Fiscalização apresentou justificativas para sustentar o entendimento de que a incorporação de ações se trata de uma forma de alienação, destacando as seguintes (fls.16/20): Para as pessoas jurídicas incorporadora e incorporada, o aumento e a integralização de capital de uma e a alteração da Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.845 7 composição societária de outra não são operações em que ocorre fato gerador do imposto de renda mas, para os sócios pessoas físicas e jurídicas, a transferência de suas ações na integralização de capital é forma de alienação de bens, podendo haver perda ou ganho de capital tributável pelo imposto de renda, a depender da avaliação pericial. De fato, as operações em que pessoa física está sujeita a pagar imposto de renda sobre o ganho de capital são aquelas que importem em alienação a qualquer título, conforme dispõe o art. 3º, § 3º, da Lei n° 7.713. de 22 de dezembro de 1988 (art. 117, § 4º, do Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99): Os dispositivos colacionados prevêem a tributação sobre o ganho de Capital auferido, considerado aquele decorrente de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, tendo em vista a diferença positiva entre o valor de alienação e o seu respectivo custo de aquisição. Vale dizer: no caso de incorporação de ações, estas serão transferidas para o patrimônio da pessoa jurídica pelo valor de mercado, em razão da exigência da lei societária. E haverá ganho de capital sujeito a tributação sempre que o valor de mercado (valor de alienação) ultrapassar o valor constante da declaração de bens da pessoa física (custo de aquisição), por força do previsto nos artigos 3°, §3°. e 19. parágrafo único, da Lei n" 7.713/88. Foi o que ocorreu no presente caso. A Fiscalização apresentou ainda: "uma brevíssima menção a alguns argumentos, eventualmente expostos, contrários à tributação do ganho de capital oriundo da operação "incorporação de ações", os quais são plenamente relutáveis": Subroqacão real, Ausência de manifestação de vontade e Ausência de fluxo financeiro (fls. 20/23). A Fiscalização, além da citação das normas legais, apresentou doutrina, decisão administrativa do CARF e jurisprudências do STJ para embasar a exigência do tributo incidente sobre ganho de capital decorrente da incorporação de ações (fls. 16/23). A corrente doutrinária adotada pela fiscalização tem como base o entendimento de Carvalho Santos (fls. 17/18): "O Inciso I diz que se perde a propriedade pela alienação, que no dizer clássico de Carvalho Santos, "é o ato pelo qual desfalcamos nosso patrimônio, transferindo a um outro determinado bem" (Código Civil brasileiro interpretado, Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1952, v.III, p. 201). Normalmente, a alienação se faz por negócio jurídico, como a venda e compra, a troca, a doação e a dação em pagamento. Pode ocorrer, todavia, por ato independente de vontade, como o implemento de condição resolutiva no resgate de retrovenda, a arrematação e adjudicação em hasta pública, a alienação forçada do proprietário ao possuidor; prevista no § 4o do art. 1.228, já comentado; ou, ainda, a alienação judicial da coisa comum, para extinção do condomínio sobre coisa comum. Fl. 1848DF CARF MF 8 (Código Civil Comentado: doutrina e jurisprudência: Lei n° 10.406, de 10.01/2002 / Coordenador Cezar Peluso. 9a ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manole, 2015, p. 1203)" Ao final, a Fiscalização concluiu que a incorporação de ações, por se tratar de uma forma de alienação, está sujeita a regras de tributação sobre o ganho de capital (fl. 19): Portanto, com base no conceito acima exposto, é induvidoso que houve a alienação das ações pertencentes ao contribuinte, haja vista a transferência de propriedade para a Guararapes, fato este que já se caracteriza como alienação. Assim, sujeitase às regras atinentes á tributação sobre o ganho de capital. Tributação / Incorporação de Ações / Ganho de Capital / Cálculo do Imposto de Renda A Fiscalização, para apurar o ganho de capital que deveria ter sido oferecido à tributação decorrente da incorporação das ações da Distribuidora Big Benn S.A., pela Drogaria Guararapes Brasil S.A, calculou o valor atribuído às ações incorporadas e a partir desse cálculo, verificou o valor correspondente a participação do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera (fls. 23/25): Conforme já mencionado, com a incorporação das 37,87% das ações da Big Benn, o capital social da Guararapes foi aumentado em R$ 178.600.005,00 (cento e setenta e oito milhões, seiscentos mil e cinco reais), com a consequente emissão de 1.205.292 (um milhão, duzentos e cinco mil, duzentos e noventa e duas) ações ordinárias que foram atribuídas aos Vendedores na proporção de suas respectivas participações no capital social da Big Benn (valor por ação: R$ 178.600.005,00 /1.205.292 = R$ 148,18). Roger Aguilera, que possuía 22,5% do capital da Big Benn, recebeu, portanto, 271.191 ações da Guararapes no valor de R$ 40.185.001,13 (quarenta milhões, cento e oitenta e cinco mil e treze centavos) (22,5% de 1.205.292 e de R$ 178.600.005,00). Após verificar o valor correspondente a parcela das ações do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera incorporadas pela no anexo Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações (Doe. 26 da Impugnação). A Fiscalização apurou o Imposto de Renda incidente sobre o respectivo ganho de capital correspondente incorporação de ações (fls. 23/25): O ganho de capital de Raul Aguilera na alienação dos 37,87% de suas ações da Big Benn para a Guararapes, mediante a operação de incorporação de ações foi, portanto, de R$ 38.145.325,67 (trinta e oito milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos) (R$ 40.185.001,13 R$ 2.039.675,46). Aplicandose a alíquota de 15% sobre o ganho de capital temos que o imposto devido é de R$ 5.721.798,85 (cinco milhões, setecentos e vinte e um mil, setecentos e noventa e oito reais e oitenta e cinco centavos). Multa de Ofício Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.846 9 A Fiscalização aplicou a multa de ofício: "sobre o imposto devido, foi aplicada multa de oficio de 75%, na forma do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96 (art. 957, inciso I, do RIR/99) (...)" Impugnação Regularmente intimado do Auto de Infração, o Contribuinte apresentou impugnação, em 15/03/2017, contestando o lançamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital referente à parte das ações incorporadas e também contestando a exclusão das deduções supostamente indevidas da base de cálculo do Imposto de Renda (fls. 434/508): (i) a operação de incorporação de ações não resulta na apuração de ganho de capital tributável pelo imposto de renda;e (ii) a dedução de despesas com corretagem foi realizada nos termos permitidos por lei e, por isso, os referidos valores não devem compor o valor tributável apurado pelo IMPUGNANTE quando da alienação de parte do investimento detido na Big Benn. Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/CTA apreciou o lançamento e proferiu o Acórdão nos seguintes termos (fls. 1.503): "Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, com a declaração de voto do julgador pro tempore Wagner Lopes da Silva, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto do Relator." A DRJ/CTA no Acórdão do julgamento apresentou as ementas a seguir transcritas (fls. 1.502/1503): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA. Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação de lei ou ato normativo sob este fundamento. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZÁÇÀO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Fl. 1850DF CARF MF 10 Na operação de incorporação de ações, a transferência dessas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação, sendo tributável, como ganho de capital, a diferença a maior obtida pelo detentor de ações transferidas para o capital social da companhia incorporadora. GANHO DE CAPITAL. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTIBILIDADE. Despesas com serviços como assessoria, consultoria e semelhantes, que não configuram corretagem/comissão, são indedutíveis na apuração do ganho de capital. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário O Contribuinte Roger Alberto Mendes Aguilera, devidamente intimado da decisão da DRJ/CTA, por meio do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 1.535), apresentou, em 20/10/2017 (fl. 1.537), recurso voluntário (fls. 1.539/1.626). Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CTA, alegando que: Inicialmente, o Contribuinte fez considerações sobre a tempestividade do Recurso e apresentou uma breve descrição das operações societárias que antecederam a incorporação de ações, destacando (fls. 1.545/1.548): 23. Por meio do Acordo de Investimento, conforme aditado (Docs. 04 e 05 da Impugnação), foi definido que a Investidora adquiriria o equivalente a 62.13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) do capital votante da Big Benn por meio da alienação das ações ordinárias detidas pelo RECORRENTE e pelos demais acionistas, pelo valor total de R$293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil. seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos), a serem pagos da seguinte forma: (a) R$100.909.000.00 (cem milhões e novecentos e nove mil reais) à vista na data do fechamento da operação2 ("Parcela à Vista"): (b) três parcelas anuais de R$58.045.000.00 (cinquenta e oito milhões e quarenta e cinco mil reais): (c) R$17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) a serem pagos diretamente aos assessores financeiros dos Acionistas. 28. Como resultado do aumento do capital social, o custo de aquisição da participação societária detida pelo RECORRENTE correspondente a 22,5% (vinte e dois inteiros e cinquenta centésimos por cento) da Big Benn passou a ser de RS5.385.992.76 (cinco milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, novecentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos). Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.847 11 Alienação de Parcela das Ações O Recorrente informou que recebeu o valor de R$ 22.704.525,00 (vinte e dois milhões, setecentos e quatro reais, quinhentos e vinte e cinco reais) correspondente ao pagamento da parcela à vista pela venda de 62,13% da sua participação societária no capital da Distribuidora Big Benn S.A, informou ainda que depois de fazer as deduções de despesas com a contratação de assessoria financeira, apurou ganho de capital e o ofereceu à tributação (fls. 1.548/1549): 30. Em função da diferença entre o custo de aquisição de R$3.346.317,30 (três milhões, trezentos e quarenta e seis reais, trezentos e dezessete reais e trinta centavos), equivalentes a 62,13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) de participação na Big Benn alienada à Drogaria Guararapes, e o valor total a ser recebido pelo Recorrente de R$61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro reais e novecentos reais), após deduzidas as despesas com a contratação de assessores financeiros para a operação na forma autorizada pela legislação tributária, foi apurado ganho de capital, tendo sido oferecido à tributação, no anocalendário de 2012, o montante correspondente à Parcela à Vista recebida no mesmo ano (Doc. 19 da Impugnação), equivalente a 36,70% (trinta e seis inteiros e setenta centésimos por cento) do valor total a ser recebido pelo Recorrente. Indiscutível Legalidade da Operação de Incorporação de Ações Preliminarmente, o Contribuinte argumenta que pretende afastar a premissa adotada na declaração de voto do Auditor Fiscal Wagner Lopes da Silva no Acórdão, o qual defendeu a ocorrência de uma operação de compra e venda travestida de incorporação de ações (fls. 1.555/1.558): 54. Antes de abordar o mérito deste recurso o Recorrente pretende afastar a equivocada premissa adotada pelo I Auditor Fiscal Wagner Lopes da Silva. Auditor Fiscal responsável pela declaração de voto de fls. 1527 a 1531 deste processo, na qual o referido julgador defendeu que a operação em questão não foi, na realidade, uma operação de incorporação de ações, mas sim uma operação de compra e venda travestida de incorporação de ações. 60. Na incorporação de ações há uma troca de ações, onde aquele que inicialmente detém participação na sociedade cujas ações serão incorporadas, passa, ao final, a deter participação direta na sociedade incorporadora. 61. Na alienação, diferentemente, o investidor vende as ações, se desfazendo do negócio. Ao final de uma alienação, o investidor deixa de ter qualquer participação societária. 62. São institutos absolutamente distintos, inconfundíveis e incomparáveis. 63. Com efeito, a operação que gerou a autuação fiscal foi efetivamente uma incorporação de ações, como se verifica por Fl. 1852DF CARF MF 12 meio da documentação juntada aos autos, não havendo espaço para a argumentação defendida pelo julgador no sentido de que teria ocorrido uma "efetiva alienação". Incorporação de Ações O Recorrente afirmou que na sua Impugnação ficou demonstrado que a incorporação de ações não desencadeou o fato gerador do Imposto de Renda, mas a 6ª Turma da DRJ de Curitiba/PR julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente o lançamento fiscal. Por isso, em sede de recurso, o Contribuinte apresentou novamente seus argumentos contestando a tributação incidente sobre o ganho de capital apurado pela incorporação de ações e afirmou que o entendimento da DRJ não merece prosperar. O Recorrente, no tocante a contestação da exigência do Imposto de Renda sobre ganho de capital apurado pela incorporação de ações, alegou que: a) há um entendimento sedimentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF de que as operações de incorporação de ações não são fato gerador do IRPF (fls. 1.560/1.561). 76. Preliminarmente, é importante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") já pacificou o entendimento no sentido de que as operações de incorporação de ações não são fato gerador do IRPF. b) a natureza da incorporação de ações se trata de uma operação societária sui generis e que não se confunde com outros institutos do Direito Societário, tais como a incorporação de sociedade e o aumento de capital via aporte de bens (fls. 1.563/1.571). 105. Ressaltamos, desde já. que é extremamente relevante, para fins da presente defesa, a concentração na distinção entre a figura da incorporação de ações e a do aumento de capital via aporte de bens. Isso porque, como se verificará mais adiante, tal distinção afasta um dos principais argumentos aduzidos pela D. Fiscalização para justificar a lavratura do auto de infração, qual seja. a alegada possibilidade de aplicação do artigo 23 da Lei n.° 9.249/9512 para fins de apuração de suposto ganho de capital decorrente do recebimento de ações da BR Pharma. c) o tratamento tributário na incorporação de ações, por se tratar de operação que resulta na troca de participações societárias de mesmo valor, não se configura fato gerador do IRPF, uma vez que não ocorre acréscimo patrimonial representativo de renda no patrimônio do Contribuinte e também não estão presentes a disponibilidade econômica ou jurídica, requisitos necessários para cobrança do Imposto de Renda (fls. 1.577/1.588): 137. Ora. no caso em tela não há que se falar em disponibilidade econômica na medida em que não ocorreu o aumento do patrimônio do Recorrente. O que houve foi a troca de participações do mesmo valor. d) na permuta sem torna há ausência de ganho de capital, diferente do que pensa a Autoridade Fiscal que equiparou a permuta de ações uma alienação passível de tributação (fls. 1.588/1.594): Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.848 13 196. Mas não é só. Ao afirmar que a permuta de ações se equipara a uma alienação passível de tributação pelo IRPF, a Autoridade Fiscal ignora que a legislação pátria não prevê a tributação em operações de permuta sem torna. 203. Neste sentido é importante ressaltar que a própria PGFN, por meio do já mencionado Parecer PGFN/PGA454/92 (Doc. 32 da Impugnação), concluiu pela não incidência de imposto de renda na permuta verificada na aquisição de ações no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. Não obstante os ativos permutados na incorporação de ações não sejam os mesmos, o raciocínio exposto no referido parecer se aplica perfeitamente ao caso presente. 205. A inexistência de ganho de capital em operações de permuta sem torna também já foi reconhecida pelas próprias autoridades fiscais por meio de Parecer Normativo CST n.° 504/71.(...). e) a tributação da pessoa física ocorre pelo regime de caixa, porque, como se sabe, ao contrário do que ocorre com as pessoas jurídicas, que podem estar sujeitas ao regime de competência, as pessoas físicas, em observância ao regime de caixa, só devem oferecer ganhos e proventos à tributação quando do efetivo recebimento/ingresso de recursos. Nos termos do artigo 2° da Lei n.° 8.134/90, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa (fls. 1.594/1.599). f) não há possibilidade de comparação entre a incorporação de ações e o aumento de capital com aporte de bens, conforme ficou demonstrado na Impugnação que a incorporação de ações e o aumento de capital com aporte de bens são operações absolutamente distintas e que não é possível tributar o alegado ganho de capital com base no artigo 23 da Lei n.° 9.249/95. g) o Recorrente, em relação à incorporação de ações, continuou afirmando que inexiste ganho de capital tributável, sintetizando assim seus argumentos: 246. Por todo o exposto neste Recurso Voluntário, concluímos, em companhia de farta doutrina e jurisprudência, que na Incorporação de Ações inexiste ganho de capital tributável, uma vez que. conforme restou demonstrado à exaustão: a) no escopo da operação não ocorreu a alienação de ações, mas tãosomente a substituição por outras ações de valor equivalente, o que não gera ganho de capital tributável pelo IRPF: b) não se observou, sob qualquer prisma, a disponibilidade econômica ou jurídica das ações da BR Pharma recebidas pelo Recorrente; c) as ações da BR Pharma não são passíveis de alienação por conta do penhor, fato que reforça a ausência de disponibilidade econômica ou jurídica: d) a tributação pelo IRPF. na hipótese, representaria tributação sobre renda virtual, transformandose em tributação sobre o Fl. 1854DF CARF MF 14 patrimônio e não sobre renda efetivamente auferida, ofendendo, ainda, o Princípio da Capacidade Contributiva, Princípio da Estrita Legalidade e o regime de caixa, princípios informadores deste tributo: e) no que tange ao investimento detido pelo RECORRENTE, como de rigor, esta manteve em sua declaração de ajuste o valor que dela já constava, correspondente ao custo de aquisição, não considerando o valor decorrente da avaliação realizada no âmbito da incorporação de ações: f) a avaliação das ações da empresa incorporada (Big Benn) é decorrência da imposição legal expressamente prevista no artigo 252, § 1°, da Lei 6.404/76 e em nada se confunde com a legislação tributária; e g) a Incorporação de Ações levada a cabo não se sujeita à regra contida no artigo 3°. § 3°, da Lei n.° 7.713/98, nem tampouco àquela do artigo 23 da Lei n.° 9.249/95. esta última um dos fundamentos básicos desta autuação fiscal, uma vez que não houve alienação alguma e que a incorporação de ações e a integralização de capital com a conferência bens não se confundem. Penhor das Ações O Contribuinte informou também que as ações incorporadas foram dadas em penhor para garantir as obrigações assumidas (fl. 1.552/1.674): 42. Como se verifica na cláusula 8.11 do Acordo de Investimento (Doc. 04 da Impugnação) e do anexo Contrato de Penhor celebrado entre o RECORRENTE e a BR Pharma (Doc. 28 da Impugnação), as 5.358.000 (cinco milhões, trezentas e cinquenta e oito mil) ações da BR Pharma. recebidas pelo RECORRENTE no âmbito da Incorporação de Ações, foram dadas em penhor para fins de garantia das obrigações assumidas pelo RECORRENTE em decorrência da operação de Alienação. 46. E essa foi a exata consequência da celebração do Contrato de Penhor: a indisponibilidade das ações. 47. Com efeito, o penhor das ações recebidas pelo RECORRENTE gerou a vedação de negociar ou transferir as ações pelo prazo de 3 (três) anos ("Lock Up"). como se verifica da leitura da clausula 9.3 do Contrato de Penhor (...). O Recorrente, além de citar as normas legais, apresentou decisões administrativa do CARF, jurisprudência do TRF4 e doutrina de diversos autores como: Sacha Calmon, Misabel Derzi, Maria Helena Santana, Alberro Xavier, Ricardo Mariz, Elidie Palma Bifano, Antônio Caldeira Miretti, Nelson Eizirik. Deduções Supostamente Indevidas da Base de Cálculo do IR O Recorrente asseverou que: "conforme demonstrado na Impugnação, o artigo 123, §5° do RIR/99 permite que o contribuinte deduza, do valor da alienação de um ativo, as despesas incorridas a título de corretagem em determinada operação desde que não haja transferência dos ônus de tais despesas ao comprador." (fl. 1.615). Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.849 15 255. Da leitura do artigo 123. §5° do RIR/99, verificase que são necessários dois requisitos para dedução dos valores pagos aos Assessores Financeiros: (i) natureza de corretagem e (ii) ausência de transferência do ônus do pagamento ao adquirente (no caso concreto, a BR Pharma). No caso do primeiro requisito, natureza de corretagem dos contratos, o Recorrente entendeu que: "contrato de corretagem tem por finalidade aproximar comprador e vendedor, de forma que, somente quando da concretização de determinado negócio jurídico (compra e venda, por exemplo) é que o corretor fará jus à sua remuneração, comumente denominada "comissão." (fls. 1.616/1.622): 258. O objeto deste contrato não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço. 266. Um segundo ponto importante é que os dois contratos mencionam, em seus objetos, o interesse dos acionistas da Big Benn em encontrar um novo investidor para o Grupo, ficando acordado que. tanto o Credit Suisse. quanto a AGL, foram contratados para auxiliar na busca de tal investidor. 271. O terceiro ponto fundamental para a análise da natureza dos contratos, diz respeito à remuneração dos Assessores Financeiros (corretores). 284. Assim, podemos concluir que. ao contrário do que entendeu o julgador de primeira instância, os contratos celebrados com os Assessores Financeiros possuem natureza de corretagem, estando cumprido o primeiro dos 2 (dois) requisitos estipulados pelo artigo 123. §5° do RIR/99 para dedução dos valores pagos ao Credit Suisse e à AGL da base de cálculo do IRPF. No caso do segundo requisito, ausência de transferência do ônus do pagamento para o adquirente, o Recorrente entendeu que é incontroverso, pois "a existência de previsão expressa nos contratos celebrados com os Assessores Jurídicos demonstra de forma clara e inequívoca a assunção do ônus pelos alienantes." e também que (fls. 1.623/1.624): 287. Com efeito, a redação da Cláusula 3.2, item XII, do Acordo de Investimento celebrado entre os Acionistas e a Brazil Pharma (Doc. 04 da Impugnação) afasta qualquer alegação de que houve o repasse do ônus do pagamento dos Assessores Financeiros para a BR Pharma, (...): 288. O ônus do pagamento dos valores devidos ao Credit Suisse e à AGL foram suportados pelos próprios Acionistas. 294. A prova documental está prevista no artigo 434 do Código de Processo Civil, verbis: "Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações." 295. Com efeito, os referidos contratos são prova documental hábil e idônea para comprovar o que se alega e não podem ser Fl. 1856DF CARF MF 16 simplesmente desconsiderados pelo julgador, como o fez o I. Julgador de 1ª Instância. O Recorrente, asseverou ainda que: "como restou demonstrado acima, os contratos celebrados com os Assessores Financeiros possuem natureza de corretagem. Além disso, é incontroverso que o ônus do pagamento dos valores acordados nos referidos contratos foi incorrido pelos Acionistas." e também que (fls. 1.625/1.626 ): 298. Assim o Recorrente agiu bem ao deduzir, proporcionalmente, os valores despendidos na contratação dos Assessores Financeiros da base de cálculo do imposto de renda. 299. A própria Receita Federal do Brasil, em resposta a Solução de Consulta formulada em 2007, já se manifestou no sentido de que, observados os 2 (dois) requisitos elencados no artigo 123, §5° do RIR/99, o valor pago a título de corretagem na alienação poderá ser excluído do ganho de capital tributável, como se verifica dos julgados abaixo: Por fim, o contribuinte requer (fl. 1.626): 301. Diante do exposto, o Recorrente requer V.Sas, se dignem a dar integral provimento ao presente Recurso Voluntário para cancelar o lançamento efetuado e, por conseguinte, a totalidade das exigências fiscais, uma vez que, conforme exaustivamente demonstrado: (i) a operação de incorporação de ações não resulta na apuração de ganho de capital tributável pelo imposto de renda; e (ii) a dedução de despesas com corretagem foi realizada nos termos permitidos por lei e, por isso, os referidos valores não devem compor o valor tributável apurado pelo Recorrente quando da alienação de parte do investimento detido na Big Benn. Neste tópico, o Recorrente, além de citar as normas legais, apresentou doutrina dos autores Silvio de Salvo Venosa e Maria Helena Diniz, para embasar sua contestação. Juntada de Documentos Em 30 de novembro de 2018 (fls. 1.671/1.731), o Recorrente apresentou petição argumentando que um dos pontos de sua defesa consiste na indisponibilidade das ações da BR Pharma, recebidas no escopo da operação, conforme contrato de penhor e "nesse sentido, a fim de reforçar esse argumento, o Recorrente vem, por meio da presente, requerer a juntada dos anexos documentos, a saber:" (i) Doc. 01 comprovante de registro, junto ao Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo ("RTDPJ"), do contrato de penhor de ações ("Contrato de Penhor Original") de emissão da BR Pharma, celebrado entre o RECORRENTE e Raul Aguilera ("Empenhantes") e Drogaria Guararapes Brasil S.A., em que figura como interveniente anuente BR Pharma, datado de 29 de março de 2012; e (ii) Doc. 02 comprovante de registro, junto ao RTDPJ, do primeiro aditamento ao Contrato de Penhor Original, celebrado Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.850 17 entre os Empenhantes e Big Benn, em que figura como interveniente anuente BR Pharma, datado de 11 de novembro de 2015. Acrescentou ainda que "o registro dos referidos contratos junto ao RTDPJ reforça e comprova que o Recorrente jamais teve a disponibilidade de tais ações, uma vez que estas foram empenhadas de forma a garantir o integral pagamento de obrigações assumidas no escopo da operação." e por fim requer ainda: Desta forma, o Recorrente requer a juntada dos anexos documentos e reitera todas suas alegações, requerendo seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar a totalidade das exigências fiscais. PGFN Contrarrazões ao Recurso Voluntário Em 09/01/2018, o processo foi encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, para ciência (fls. 1.630), em 01/02/2018, a União, representada pela PGFN e por intermédio da sua Procuradora, apresentou as Contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 1.631/1.668), requerendo: "o desprovimento do recurso, sendo mantido o teor do v. acórdão atacado." e se posicionou afirmando que: "a conclusão da Fiscalização e da DRJ sobre a natureza da incorporação de ações enquanto alienação, portanto, é correta e não merece reforma". O Recorrente, com o objetivo de reforçar os seus argumentos, apresentou ainda Memoriais de Julgamento. No dia 05 de agosto de 2019, o Recorrente apresentou petição com informações sobre julgamentos administrativos que versaram sobre temas semelhantes, apresentou ainda ementas destes julgamentos e expôs e requereu o seguinte (fls. 1.735/1.739): Nesse sentido, o RECORRENTE vem informar que em casos semelhantes ao presente, decorrentes de autos de infração lavrados pela D. Autoridade fiscal em razão da mesma operação que originou o presente litígio, em face de outros contribuintes, foram prolatadas decisões que reconheceram a possibilidade de dedução dos valores pagos à AGL no escopo da operação. Diante do exposto, o RECORRENTE reforça o pedido para que sejam cancelados os valores lançados em razão da glosa das despesas incorridas com a AGL e aproveita a oportunidade para reiterar suas razões de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Fl. 1858DF CARF MF 18 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Pedido de Juntada de Documentos na Fase Recursal Inicialmente cabe registrar que o Recorrente solicitou a juntada de documentos com o objetivo de complementar as suas alegações (fls. 1.672/1.731 e 1.735/1.739). Á vista disso, fazse necessário analisar se tais documentos podem ou não ser juntados aos autos e conhecidos por este Colegiado. No caso de apresentação de provas, em sede de recurso, cabe mencionar que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios que podem permitir e contribuir para o convencimento do julgador. Assim, após a verificação, entendo que os documentos apresentados podem ser juntados, pois se trata de prova complementar aos documentos já apresentados, em consonância com a matéria questionada nos autos desde o primeiro pronunciamento do contribuinte e já apreciada pela primeira instância, observando o principio da verdade material. Para corroborar o fundamento para tal decisão, cabe citar o acórdão nº 9202 01.634 proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, nos seguintes termos: "Por força do princípio da legalidade não vejo como a autoridade julgadora deixaria de analisar as provas apresentadas, ainda que apenas na fase recursal, deixando de buscar a verdade material e limitandose a apreciar somente o alegado ou apresentado como prova." Conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Todavia, cabe esclarecer que o fato de apreciar os documentos juntados na fase recursal não implica acatar os argumentos defendidos pelo Recorrente, uma vez que o julgador é livre para formar seu convencimento e valorar as provas apresentadas. Princípios Constitucionais No que diz respeito as alegações de que houve ofensa aos Princípios "da Capacidade Contributiva e da Estrita Legalidade", cabe esclarecer que tais princípios foram impostos pela Constituição Federal e dirigidas ao legislador ordinário, que deve considerálos quando da elaboração das disposições normativas e não ao aplicador da lei, o qual deve obediência. Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.851 19 Do mesmo modo, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre se houve ofensa a princípios constitucionais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a determinação de lançar o tributo está definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário, pois se trata de atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Além disso, cabe registrar que a instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento se aplica ao caso concreto, analisar os argumentos e as provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao fato apurado na ação fiscal, visto que, em sede administrativa, não se pode declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, conforme o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF. Enquanto que, por outro lado, fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Pelas razões expostas, deixo de examinar as alegações que questionam violação a princípios constitucionais por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Jurisprudências e Decisões Administrativas De acordo com o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas para se tornar normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, necessita de lei que lhe atribua eficácia. No presente caso, as decisões administrativas trazidos aos autos não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as referidas decisões não têm efeito vinculante. Todavia, no âmbito administrativo cabe ao Conselheiro do CARF observar, no julgamento dos recursos, as súmulas aprovadas pelas Turmas e pelo Pleno da CSRF. Já em relação a jurisprudência apresentada pelo Recorrente, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Entretanto, cabe esclarecer que o conselheiro do CARF tem o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência trazidos aos autos pelo Recorrente colaboram com o entendimento sobre o tema e enriquecem o debate, mas não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Mérito Fl. 1860DF CARF MF 20 De acordo com os autos, percebese que o mérito da controvérsia reside em: a) incidência de Imposto de Renda sobre ganho de capital decorrente da incorporação de ações e b) dedução de despesas do valor de alienação dos ativos, consideradas indevidas. Incorporação de Ações / Alienação Em relação ao lançamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na incorporação de ações, o Recorrente em seu recurso (fls. 1.571/1.614) contestou a exigência, argumentando que não houve alienação de ações, mas tãosomente a substituição por outras ações de valor equivalente, não gerando ganho de capital tributável pelo IRPF, além do que não ocorreu acréscimo patrimonial representativo de renda no patrimônio e também não está presente a disponibilidade econômica ou jurídica. Ressaltou o Contribuinte, que na permuta sem torna há ausência de ganho de capital, diferente do que pensa a Autoridade Fiscal que equiparou a permuta de ações a uma alienação passível de tributação e também que a tributação da pessoa física deve ocorrer pelo regime de caixa, porém não houve efetivo recebimento/ingresso de recursos. Para corroborar seus argumentos, o Recorrente se apoiou, entre outros, no pensamento defendido por Nelson Eizirik (fls. 1.605/1.606). Por outro lado, a Fazenda Nacional, por intermédio da PGFN, entendeu que a incorporação de ações de fato importa em alienação, pois preenche todos os requisitos para considerar a renda realizada independente de sua conversão em pecúnia e que para exigir o IRPF deve se observar a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e não a disponibilidade financeira. A Fazenda Nacional entendeu também que houve a manifestação de vontade dos acionistas, o acréscimo patrimonial e a realização da renda na incorporação de ações (fls. 1.631/1.667). Para tanto, a PGFN afirmou que há correntes doutrinárias que defendem esse mesmo posicionamento, como Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Júnior, que acompanham o entendimento de Modesto Carvalhosa no sentido de que incorporação de ações configura uma forma de alienação. Diante desse cenário, percebese que o cerne da questão se resume no questionamento se a incorporação de ações aqui tratada foi uma permuta simples sem acréscimo patrimonial, por se tratar de uma operação na troca de participações societárias de mesmo valor, portanto sem ganho de capital, como defende o Recorrente ou uma forma de alienação, sujeita à apuração do ganho de capital, conforme entendimento esposado tanto pela Auditoria Fiscal e DRJ/CTA quanto pela PGFN. À vista disso, passouse a analisar o contexto em que ocorreu a incorporação de ações, com o objetivo de verificar o que de fato aconteceu e qual foi a intenção das pessoas envolvidas nesta operação, se foi apenas uma troca de participação societária de mesmo valor ou se realmente houve alienação no sentido amplo do conceito. Neste sentido, foi consultado o documento intitulado acordo de investimento, em particular a "cláusula V incorporações; atos preparatórios para as incorporações" (fls. 70/72), celebrado entre as partes interessadas, para efeito da operação societária de incorporação da Distribuidora Big Benn S.A pela Drogaria Guararapes Brasil S.A e logo depois pela BR Pharma (fls. 47/49). Após a consulta, verificouse que ficou acordado entre as partes, que os administradores da Drogaria Guararapes contratariam uma empresa especializada para Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.852 21 elaboração de um laudo com o objetivo de apurar a situação patrimonial e contábil da Drogaria Guararapes Brasil S/A., para emissão de ações, levando em consideração a estrutura do Grupo Big Benn, depois da Reestruturação Societária, como pode ser observado na proposição: "para fins de avaliação, com base no valor econômico das ações de emissão da Companhia e das ações de emissão da Guararapes." nos seguinte termos: Os administradores da Guararapes deverão contratar uma empresa especializada para elaboração de um laudo patrimonial contábil da Guararapes, dentro do menor prazo possível, que refletirá a situação patrimonial e contábil da Guararapes com data base de 30 de setembro de 2011 ("Laudo Patrimonial Guararapes"') para fins meramente informativos; Os administradores da Guararapes farão com que a Guararapes contrate uma empresa especializada para elaboração de laudo de avaliação (a) das ações de emissão da Companhia (levando se em consideração a estrutura do Grupo Big Benn após a Reestruturação Societária) ("Laudo de Avaliação Bis Benn"); e (b) das ações de emissão da Guararapes (levandose em consideração a Incorporação Big Benn) ("Laudo de Avaliação Guararapes" e, em conjunto com Laudo de Avaliação Big Benn, "Laudos de Avaliação"), dentro do menor prazo possível, para fins de avaliação, com base no valor econômico das ações de emissão da Companhia e das ações de emissão da Guararapes, os quais serão submetidos à aprovação nas assembleias gerais competentes que deliberarão sobre os aumentos de capital decorrentes das Incorporações; Neste caso, percebese que o laudo de avaliação, como bem definido na cláusula V, do acordo de investimento, tem o propósito de aferir qual o valor de mercado das empresas, para a partir dessa avaliação, verificar qual deve ser a quantidade de ações a serem emitidas pela incorporadora (Drogaria Guararapes Brasil S.A) para quitar a entrega das ações da empresa incorporada (Distribuidora Big Benn S.A), com base na referida avaliação. Além do que, na incorporação de ações, por imposição dos §§ 1º e 3º do artigo 252 da Lei n° 6.404/76, é obrigatória a avaliação do valor das ações a serem incorporadas. Percebese ainda que o procedimento de avaliação utilizado pela empresa responsável por realizar tal evento, conforme item 3.1 do Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação de Incorporações de Ações de Emissão da Distribuidora Big Benn S/A pela Drogaria Guararapes Brasil S/A (fls. 772/773), foi fundamentado no conceito de valor justo de mercado "fair market value", como estabelecido no Anexo II, Laudo de Avaliação Distribuidora Big Benn S/A, no tópico definição de valor e metodologia (fls. 781/782): Fl. 1862DF CARF MF 22 No que diz respeito ao conceito de valor justo de mercado, convém observar a Resolução emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC n°. 1.428 de 25 de janeiro de 2013, que aprovou a NBC TG 46 Mensuração do Valor Justo, que foi anexada à referida Resolução, que tem a seguinte definição: 2. O valor justo é uma mensuração baseada em mercado e não uma mensuração específica da entidade. Para alguns ativos e passivos, pode haver informações de mercado ou transações de mercado observáveis disponíveis e para outros pode não haver. Contudo, o objetivo da mensuração do valor justo em ambos os casos é o mesmo estimar o preço pelo qual uma transação não forçada para vender o ativo ou para transferir o passivo ocorreria entre participantes do mercado na data de mensuração sob condições correntes de mercado (ou seja, um preço de saída na data de mensuração do ponto de vista de participante do mercado que detenha o ativo ou o passivo). Neste caso, cabe ressaltar que a metodologia de mensuração por valor justo foi aprovada pelo CFC em 25 de janeiro de 2013, mas já estava sendo utilizado tanto pelas empresas quanto no meio acadêmico, por demonstrar a forma considerada correta na avaliação de ativos. Inclusive há recomendação para esta forma de avaliação pelo Comitê de Pronunciamentos de Contábeis – CPC, por meio do Pronunciamento Técnico CPC 46, tendo como referência as normas internacionais de contabilidade IRFS. Por fim, notase que a avaliação das empresas envolvidas na Incorporação foi realizada a preço de mercado, para que a empresa incorporadora tivesse conhecimento da quantidade de ações a ser emitidas que correspondesse ao valor da outra empresa incorporada, uma vez que a moeda de troca seria na forma de emissão de ações. No mesmo sentido, ao consultar o subitem 5.1, (x) do acordo de investimento (fl. 71), verificouse que o capital da Drogaria Guararapes Brasil S.A foi aumentado em R$ 178.600.005,00 (cento e setenta e oito milhões, seiscentos mil e cinco reais), com a emissão de 1.205.292 (um milhão, duzentos e cinco mil, duzentos e noventa e duas) ações ordinárias, para fazer frente à incorporação de 37,87% das ações da Distribuidora Big Benn. Por outro lado, o valor contábil da empresa Distribuidora Big Benn, após a capitalização das reservas de lucros da Companhia no valor total de R$ 18.767.745,60 (dezoito milhões, setecentos e sessenta e sete mil, setecentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos), passou a ser de R$ 23.937.745,60 (vinte e três milhões, novecentos e trinta e sete mil, setecentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos), divididos nas 5.170.000 (cinco milhões e cento e setenta mil) ações ordinárias, conforme informações prestadas pelo próprio contribuinte (fl. 40). Em 5 de março de 2012 a BIG BENN promoveu a capitalização de reserva de lucros no valor de R$18.767.745,60 (dezoito milhões, setecentos e sessenta e sete mil, setecentos c quarenta e cinco reais e sessenta centavos), sem a emissão de novas ações. Em razão disso, o capital social da BIG BENN passou a ser de R$23.937.745,60 (vinte e três milhões, novecentos e trinta c sete mil, setecentos c quarenta c cinco reais c sessenta centavos) Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.853 23 divididos em 5.170.000 (cinco milhões e cento e setenta mil) ações ordinárias. Como resultado, o custo de aquisição da participação de 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento) dc Fiscalizado na BIG BENN passou a ser de R$5.385.992,76 (cinco milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, novecentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos). No caso do Recorrente, em relação à operação de incorporação de ações, percebese que ele recebeu 271.191 ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A no valor de RS 40.185.001,13, como pagamento correspondente a sua participação de 22,5% na parte incorporada, equivalente a 37,87% das ações do capital da Distribuidora Big Benn, conforme cálculo efetuado pela Fiscalização (fl. 24). Dessa forma, notase que o acréscimo patrimonial do Recorrente foi na ordem de R$ 38.145.325,67 (trinta e oito milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos), decorrente da diferença entre o valor de RS 40.185.001,13, recebido em ações pela incorporação, e o valor de RS 2.039.675,46, correspondente ao valor contábil, já com a capitalização das reservas de lucros, da sua participação no capital da Distribuidora Big Benn, considerado no lançamento como o custo de aquisição (fls. 24/25). Com efeito, observase que houve acréscimo no valor do patrimônio do Recorrente, de forma substancial e incontestável, decorrente da operação societária de incorporação de ações, em que o seu patrimônio, em relação a este ponto, passou do valor de R$ RS 2.039.675,46 (valor contábil da sua participação) para o valor de R$ 40.185.001,13 (valor de mercado das ações recebidas). Diante dessas evidências, notase que não houve uma permuta simples, como argumenta o Recorrente, mas houve uma alienação no sentido amplo, pois o Contribuinte recebeu como pagamento uma quantidade de ações da empresa incorporadora equivalente ao valor de mercado da Distribuidora Big Benn. Esta operação aumentou consideravelmente o valor do patrimônio do Recorrente, mesmo que não seja em pecúnia, mas foi em forma de bens, demonstrando a ocorrência quanto à aquisição de disponibilidade econômica. Embora denominado de "incorporação de ações", o evento societário em questão representa de fato uma transferência de domínio de um bem para outra pessoa, pois o Recorrente entregou as ações anteriormente possuídas e integrantes de seu patrimônio para poder integrar, na qualidade de acionista, a sociedade incorporadora. Esta situação guarda identidade com a integralização de capital mediante a entrega de bens, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 1864DF CARF MF 24 § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Neste ponto, entendo aplicável ao caso o entendimento firmado na Solução de Consulta COSIT n° 224/2014, adiante reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EMENTA: INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Na operação de incorporação de ações, a transferência destas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação cujo valor, se superior ao indicado na declaração de bens da pessoa física que as transfere, é tributável pela diferença a maior, como ganho de capital, na forma da legislação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n°6.404, de 1976, art. 252; Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°; Lei n° 9.249, de 1995, art. 23; e Instrução Normativa SRFn° 84, de 2001, arts. 2o, 3o, 16, 27e 30. Como se vê, os acionistas da sociedade incorporada adquiriu ações da sociedade incorporadora, mediante entrega de suas ações, denotando verdadeiro aumento de capital da sociedade incorporadora. Sendo assim, não se pode falar que houve simples substituição ou permuta, pois, de fato ocorreu uma verdadeira aquisição de ações em que o pagamento se deu em bens. Sobre o tema, cabe citar Modesto Carvalhosa1 que explica a natureza jurídica da incorporação de ações que pode ser qualificada como aumento de capital da incorporadora mediante conferência de bens. "Trata se o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo de uma incorporação e de uma alienação fictas. No primeiro caso, porque não se incorpora uma sociedade em outra, na medida em que a incorporada subsiste como pessoa jurídica, ou seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o tipo companhia. No segundo caso, porque o controlador da sociedade incorporada aliena não apenas suas ações à incorporadora, mas também as dos minoritários, num negócio sui generis, que lembra a expropriação do direito administrativo. [...] No mais, tratase de aumento de capital da incorporadora, mediante a conferência de todas as ações de emissão da incorporada." SubRogação Real A incorporação de ações não tem a natureza jurídica de uma subrogação real, pois a subrogação tem como principal função fazer com que o bem recebido em troca recomponha o novo patrimônio de referência, em que a situação de novo bem de mesmo valor assume o regime jurídico específico do bem precedente, onde a identidade de valores é pressuposto para ficção de que se trata do mesmo bem para impor o mesmo regime. Identidade 1 (CARVALHOSA. Modesto. Comentários à lei das sociedades anônimas. T. II. V. 4. São Paulo: Saraiva. 2009. p.140143): Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.854 25 de valores e de regime são, pois, elementos essenciais para que se caracterize a subrogação real. Enquanto que a incorporação de ações, aqui tratada, não se trata de uma mera substituição de ações, com equivalência de valores entre os bens substituídos e a manutenção de uma mesma natureza jurídica ou idêntico regime jurídico entre os ativos, pelo contrário, como já evidenciado, na incorporação ocorreu a necessidade de avaliar os ativos a preço de mercado, mediante laudo, para valorar as ações inerentes ao aumento de capital. Além disso, também não há identidade de valores, pois com a substituição das ações entre a incorporada e a incorporadora, ocorreu alteração na relação jurídica, pois são sociedades diferentes, com estatutos diferentes e valores patrimoniais diferentes, portanto não há uma simples substituição de objeto, pois ocorreu modificação na relação jurídica. Assim, no presente caso, verificase que houve alienação com acréscimo patrimonial, ensejando apuração de ganho, por força do § 3° do art. 3° da Lei n° 7.713 de 1988. Cláusula Lock up e Penhor A convenção particular entre as partes com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigandoo a não alienálas por um determinado período (lock up) ou o contrato de penhor não tem o propósito de modificar a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputandose perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações. Notase que a restrição ao direito de propriedade não se confunde com condição à transferência de domínio. A transferência de domínio ocorreu no momento da incorporação das ações, com o ingresso das ações no patrimônio dos sócios gerando acréscimo patrimonial, enquanto que a constituição de um ônus não descaracteriza o direito de propriedade. No caso da cláusula lock up estabelecida contratualmente entre os interessados pela incorporação de ações, percebese que se trata de uma questão para mais segurança entre as partes, em que os sócios se obrigam a condições restritivas, portanto, condições inerentes à realização dos negócios, em que, de comum acordo, os acionistas aceitaram restringir a sua disponibilidade sobre as ações por um determinado período tempo nos seus próprios interesses, sem contudo deixar de ser proprietário de sua participação societária e participar do resultado econômico da sociedade. Do mesmo modo, a celebração do contrato de penhor pelo contribuinte revela que ele adquiriu a titularidade e a disponibilidade jurídica das ações, pois apenas o proprietário pode dar bens em garantia e para tanto, além do domínio, deve ter a livre disposição da coisa, conforme art. 1.420, da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil). Portanto, entendo que a cláusula de lock up e o contrato de penhor não afetam o entendimento de que a incorporação de ações foi alienação. Manifestação de Vontade do Acionista No caso de manifestação de vontade do acionista, percebese a existência plena desta vontade, no "Acordo de Investimento" (fls. 45/120) celebrado por todos os interessados na incorporação da sociedade. Fl. 1866DF CARF MF 26 Além disso, não consta dos autos, que algum acionista tenha recusado a oferta pela incorporação da sociedade ou que houve algum acionista dissidente, pelo contrário, ao analisar o "Acordo de Investimento", item 2.1 (fl. 61), notase que havia plena concordância dos interessados quanto ao negócio a ser realizado, demonstrando que houve representação da vontade das pessoas de seus sócios nos termos do art. 116 do Código Civil. 2.1 Compra e Venda. Sujeito aos termos e condições aqui previstos, de forma irretratável e irrevogável: (a) os Vendedores obrigamse a vender e a transferir à Guararapes, e a Guararapes obrigase a comprar dos Vendedores, as Ações, de acordo com as participações no capital votante e total da Companhia estabelecidas no Anexo 2.1, livres e desembaraçadas de todo e qualquer Gravame, e (b) em contrapartida à aquisição e transferência das Ações, a Guararapes pagará aos Vendedores o Preço de Compra ("Compra e Venda"). (fl 61). Da mesma forma, ao verificar os itens 8.1 e 8.2 do Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação de Incorporações de Ações de Emissão da Distribuidora Big Benn S/A pela Drogaria Guararapes Brasil S/A (fls. 775), percebese que todos os interessados concordaram previamente com a incorporação, bem como renunciaram expressamente ao direito de retirada dos acionistas. Portanto, entendo que não merece acolhimento o argumento do Contribuinte de que não houve manifestação de vontade dos acionistas, pois os documentos apresentados nos autos, como a petição com os esclarecimentos apresentados pelos advogados (fls. 37/42), o Acordo de Investimento (fls. 45/120) e o Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação de Incorporações de Ações de Emissão da Distribuidora Big Benn S/A pela Drogaria Guararapes Brasil S/A (fls. 769/778), demonstram exatamente que os interessados agiram de forma ativa no interesse do negócio estabelecido entres as partes interessadas. Regime de Caixa: O regime de caixa consiste na apropriação da receita a partir da sua efetiva disponibilidade econômica ou jurídica, assim, no presente caso, percebese que a renda foi realizada quando houve o efetivo recebimento das ações da empresa incorporadora em contrapartida pela incorporação das ações da Distribuidora Big Benn S.A, sendo considerado Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.855 27 como quitação, pois o pagamento pela aquisição pode se dar de várias formas, inclusive em forma de bens. Assim, entendo que ficou demonstrado que houve a realização da renda, pois, não se está reportando a disponibilidade financeira ou circulação de numerário (dinheiro em caixa), mas à disponibilidade econômica ou jurídica (acréscimo patrimonial). Inclusive o artigo 55 do RIR/99, em seus incisos IV e XIII (vigente a época, atual art. 47 do Decreto n°. 9.580 de 22/11/2018), estabelece as hipóteses de incidência do Imposto de Renda nas situações em que não há o recebimento de valores em dinheiro: Art 55. São também Tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3o, § 4o, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2o, inciso IV, e 70, § 3o, inciso I): (...) IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; No mesmo sentido, cabe frisar que o art. 43 do Código Tributário Nacional, no qual se estabelece que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, razão pela qual a disponibilidade econômica é inconteste, pois as ações ingressaram no patrimônio do Recorrente. Decisões do CARF Quanto aos argumentos do Recorrente de que o entendimento já está sedimentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF no sentido de que as operações de incorporação de ações não são fatos geradores do IRPF (fls. 1.560/1.561), entendo que não merece acolhimento, pois este tema incorporação de ações já foi apreciado em diversas oportunidades pelo CARF, que decidiu em várias oportunidades de que incorporação de ações se trata de alienação e, portanto, sujeitase à incidência do Imposto de Renda sobre ganho de capital decorrente destas operações. Neste sentido cabe citar os Acórdãos números: 2401006.662, 2401005.876, 2401005.877, 2202003.012, 2202004.339, 2301005.847, 1301003.286, 9202007.838 e também a transcrição das ementas referentes ao tema dos seguintes Acórdãos: Acórdão nº 1301003.286, proferido pela 1ª Turma Ordinária/ 3ª Câmara / 1ª sessão de julgamento, em data da sessão 14/08/2018. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Fl. 1868DF CARF MF 28 A incorporação de ações consiste em uma operação de alienação, no qual ações da incorporadora são adquiridas pelos sócios mediante cessão das ações da incorporada (aumento de capital mediante conferência de bens), que tem o condão de gerar ganho de capital, a depender do valor das ações adquiridas da incorporadora. Verificada diferença positiva, há que se tributar o ganho de capital decorrente da alienação. Acórdão nº 2301005.847, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª sessão de julgamento, em 14 de fevereiro de 2019 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, é espécie. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. Acórdão nº 2401006.662, proferido pela 1ª Turma Ordinária/ 4ª Câmara/2ª Seção de Julgamento em 4 de junho de 2019 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Anocalendário: 2012 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de ações, a transferência das participações societárias para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação em sentido amplo. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora, tornandose proprietária das ações. Acórdão nº 2202003.012 proferido pela 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/ 2ª Seção de Julgamento em 10 de março de 2015. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.856 29 Parecer PGFN/PGA 454/92 O Recorrente argumentou, em relação ao Parecer PGFN/PGA454/9, que: “concluiuse pela não incidência de imposto de renda sobre mais valia de permuta na aquisição de ações no âmbito do Programa Nacional de Desestatização destacandose a necessidade de observância do princípio da capacidade contributiva”. O argumento defendido pelo Recorrente, com base no Parecer PGFN/PGA 454/92, para afastar a exigência da tributação do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, além não merecer acolhimento, tornase incompatível com o objeto do lançamento, pois se trata de uma interpretação equivocada, o referido parecer trata da desoneração de aquisição envolvendo “Alienação de ações do Programa Nacional de Desestatização – PND.” Como pode ser verificado nas conclusões do referido Parecer, a título exemplificativo transcrevo o item "a" das conclusões: a) as dúvidas existentes sobre o tratamento tributa rio aplicável à operação de aquisição de ativos permanentes representados por ações de empresas estatais em regime de privatização foram dirimidas pelo Parecer PGFN/PGA/N 970/91; Diante de interpretações equivocadas em relação aos pareceres PGFN/PGA/N 970/91 e PGFN/PGA 454/92, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o PGFN/CAT/Nº 1.722/2013, o qual analisou a possibilidade de incidência de imposto sobre a renda no ganho de capital obtido em permuta de ativos mobiliários, que apresentou as seguintes conclusões: 39. Em conclusão, e respondendo objetivamente aos quesitos formulados na presente consulta, temos que: 39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo: 39.1.1 é possível tributar pelo imposto sobre a renda a diferença positiva, via ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados no momento em que é feita tal operação, independentemente da existência de torna; 39.1.2. é correto o entendimento de que a permuta, por encontrarse no conceito de alienação, previsto no art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, via de regra é tributada, não tendo as desonerações previstas na legislação, como a tratada no art. 121, II do RIR/99 (permuta de imóveis), o condão de serem aplicadas para situações diversas daquelas especificamente ali disciplinadas; 39.1.3 a determinação de que a apuração do ganho de capital recairá apenas sobre a torna, nos termos do § 2º do art. 121, do § 3º do art. 123 e do inciso III do parágrafo único do art. 138, todos os RIR/99, aplicase exclusivamente às permutas de ativos imobiliários. Fl. 1870DF CARF MF 30 Assim, de acordo com entendimento da PGFN exarado no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.722/2013, observase a possibilidade de incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados. Sendo que a desoneração tributária da permuta foi definida apenas a poucos casos específicos, como as permutas no âmbito do PND e as permutas de imóveis sem torna, de modo que a regra geral é a tributação do ganho de capital eventualmente existentes nas trocas de ativos. Dessa forma, rejeitase a alegação do contribuinte de que a PGFN teria entendimento que as permutas de ativos não podem ser objeto de tributação. Isto posto, entendo que houve incorporação de ações, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, pois ocorreu uma alienação onerosa, em que os valores dos ativos negociados foram mensurados a preço de mercado, por meio de prévia avaliação realizada por profissionais especializados, contemplando aumento de capital da empresa incorporadora, mediante a emissão de ações com a finalidade de quitar os sócios da sociedade incorporada. Além do disso, a incorporação aqui tratada configurou uma verdadeira aquisição, em que o pagamento da operação do negócio foi realizado em ações, apresentando aderência com a integralização de capital mediante entrega de bens, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Ganho de Capital Entendese por ganho de capital a diferença positiva entre o valor recebido pela transferência de titularidade de um determinado bem ou direito por meio de alienação a qualquer título e o custo deste mesmo bem, nos termos do § 3°, do art. 3° e do art. 16 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 . Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/25), o Recorrente recebeu ações avaliadas em R$ 40.185.001,13 (quarenta milhões, cento e oitenta e cinco mil, um real e treze centavos) correspondente a alienação da sua participação de 22,5%, decorrente da incorporação de 37,87% das ações da Distribuidora Big Benn S.A pela a Drogaria Guararapes Brasil S.A. No presente caso, como já relatado neste voto, considerouse que a incorporação de ações se configurou em uma alienação onerosa, portanto sujeita ao Imposto de Renda incidente sobre ganho de capital apurado, haja vista que houve a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, nos termos do art. 43 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Assim, para efeito do cálculo do ganho de capital, a Fiscalização adotou como custo de aquisição o valor de R$ 2.039.675,46 (dois milhões, trinta e nove mil, seiscentos e setenta e cinco reais e quarenta e seis centavos) referente a parte do Contribuinte no capital social registrado na contabilidade da Distribuidora Big Benn S.A. Deste modo, considerando que o Recorrente recebeu ações avaliadas em R$ 40.185.001,13 como pagamento pela alienação dos ativos e o custo de aquisição destes ativos foi considerado o valor contábil de R$ 2.039.675,46, correspondente a sua participação na Distribuidora Big Benn S.A, verificase a ocorrência de um ganho de capital na ordem de R$ 38.145.325,67 (trinta e oito milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos). Apurandose o Imposto de Renda no valor originário no montante de R$ 5.721.798,85 (cinco milhões, setecentos e vinte e um mil, setecentos e noventa Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.857 31 e oito reais e oitenta e cinco centavos), mediante a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor do ganho de capital. Diante do exposto, entendo como correta a exigência do Imposto de Renda incidente sobre apuração do ganho de capital decorrente da Incorporação de ações, na forma como foi lançado pela Fiscalização e mantido pelo Acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA. Deduções com Assessoria Financeira / Ganho de Capital Neste caso, a controvérsia reside no fato que a Fiscalização entendeu (fls 25/28) e os Julgadores de Primeira Instância (fls. 1.523/1.527) mantiveram o entendimento de que os valores despendidos com assessoria financeira pagos às empresas AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, no montante de R$ 17.979.605,25, não são passíveis de dedução da base de cálculo para apurar o ganho de capital, porque tais despesas se referem à assessoria financeira, enquanto que a norma legal dispõe que somente podem ser dedutíveis as despesas pagas a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente, nos termos do § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 de (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 vigente à época / § 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11//2018 RIR vigência atual): Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei n° 7.713. de 1988. art. 19 e parágrafo único): (...) § 5° O valor pago a título de corretagem na alienação será diminuído do valor da alienação, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. (grifei). Por outro lado, o Recorrente entendeu que as despesas pagas com assessoria financeira AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A se enquadram no conceito de corretagem, por isso as despesas podem ser deduzidas da base de cálculo de apuração do ganho de capital, pois preencheram os requisitos necessários que permitem tal dedução (fls. 1.615/1.626) 255. Da leitura do § 5° do artigo 123 do RIR/99 se extrai que é necessária a observância de 2 (dois) requisitos para que se permita a dedução, do valor da alienação, dos valores pagos aos Assessores Financeiros: (i) que possuam natureza de corretagem e (ii) que não tenha havido transferência do ônus do pagamento ao adquirente (no caso concreto, a BR Plianna). No mesmo sentido o Recorrente explicou a finalidade dos contratos firmados com as empresas de assessoria: "o contrato de corretagem tem por finalidade aproximar comprador e vendedor, de forma que somente quando da concretização de determinado negócio jurídico (compra e venda, por exemplo) é que o corretor fará jus à sua remuneração, comumente denominada "comissão." De modo que o "objeto deste contrato não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço." (fl. 1.616). Diante do exposto, percebese que para o deslinde da questão, fazse necessário apurar, para efeito de dedução ou não da base de cálculo do ganho do capital, se os Fl. 1872DF CARF MF 32 valores pagos à empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A pelos serviços de assessoria financeira se enquadram no conceito de corretagem. Para isso, fezse necessário definir corretagem e assessoria financeira, para depois confrontar com o tipo de serviço contratado e prestado pelas referidas empresas. De acordo com art. 722 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002) corretagem trata de: "Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas". Por assessoria financeira entende que se trata de um serviço prestado por empresas ou profissionais capacitados com o objetivo de assessorar os clientes, avaliando suas necessidades, a tomar decisões de cunho financeiro. Podendo também ser considerado consultor financeiro aquele que orienta seus clientes na solução de problemas financeiros tendo como remuneração uma taxa sobre os serviços, conforme entendimento sobre o tema extraído de sítios especializadas na rede mundial de computadores internet: Assessoria tem origem da palavra latina assessore, cuja a definição é dar alguém uma recomendação sobre o que deve ser feito em uma situação especifica. 2 A consultoria empresarial é definida como fornecer aconselhamento profissional ou especializado a uma pessoa ou a uma empresa. No negócio de consultoria, a orientação do consultor é dada em troca de taxas para ajudar o cliente a resolver um problema específico. 3 Cabe ao consultor financeiro (chamado de financial advisor ou financial adviser, em inglês) apresentar todas as informações com segurança para o cliente. Além disso ele deve tirar todas as dúvidas para que ele tome suas decisões de forma consciente4. Assessoria é a ação realizada por um indivíduo ou um grupo, que consiste em dar ou receber aconselhamento e auxílio sobre um determinado ramo ou assunto. 5 Após o entendimento sobre as definições de corretagem e de assessoria financeira, passouse a analisar os contratos estabelecidos entre a Distribuidora Big Benn e a empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A com a finalidade de verificar qual foi a natureza dos serviços contratados. Analisando o contrato realizado entre os interessados e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A (fls. 263/274), percebese que dos serviços estabelecidos na cláusula um não consta prestação de serviço de corretagem, todavia, de acordo com a informação que se extrai da referida cláusula, tratase de prestação de serviço para auxiliar e assessorar a contratante nas condições ali estabelecidas (fl. 264): Cláusula 1 Serviços 2 https://webinsider.com.br/diferencasentreassessoriaeconsultoria/ 3 https://webinsider.com.br/diferencasentreassessoriaeconsultoria/ 4 https://www.dicionariofinanceiro.com/consultoriafinanceira/ 5 https://www.significados.com.br/assessoria/ Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.858 33 Os serviços a serem prestados pelo Credit Suisse no âmbito da Operação, na medida em que solicitados e apropriados, consistirão em auxiliar a Contratante na: (a) análise e avaliação dos negócios, operações e posição financeira da Sociedade; (b) preparação e implementação de um plano de marketing relacionado à Operação, respeitado a regulamentação aplicável; (c) coordenação do data room e das análises (due diligence) pelos potenciais investidores nas Sociedades ["Potenciais Investidores"); (d) avaliação das propostas recebidas dos Potenciais investidores; e (e) estruturação e negociação da Operação. Analisando o contrato realizado entre os interessados e a AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda (fls. 275/285) percebese que o contrato tem por objeto a prestação de serviços de consultoria e dentre os serviços não consta prestação de serviço de corretagem (fl. 278): I. Objeto 1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, peia Contratada, de serviços de consultoria em relação à Transação, incluindo (i) auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar; (ii)a apresentação da Transação a potenciais investidores, incluindo a coordenação de visitas ao Grupo Big Benn; (iii) coordenação dos trabalhos envolvendo outros assessores, incluindo assessores financeiros, jurídicos e contábeis; (iv) intermediação das negociações junto aos Contratantes, os potenciais interessados na Transação, bem como seus respectivos assessores; e (v) auxiliar no planejamento imobiliário do Grupo Big Benn (em conjunto "Serviços"). Após analisar os contratos celebrados com as duas empresas, AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, para prestação de serviço de assessoria e consultoria, verificouse que a contratação tinha por objetivo auxiliar os contratantes na avaliação e preparação dos negócios, e possível planejamento familiar (auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar), porém não se encontrou nos contratos informações sobre prestação de serviço de corretagem, nos termos estabelecidos pelo art. 722 do Código Civil. Assim, os valores referentes às despesas com a execução dos contratos pela prestação de serviço de assessoria e consultoria, não podem ser deduzidos do valor da alienação, base de apuração do ganho de capital, uma vez que o disposto no § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99 vigente à época /§ 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11/2018 RIR vigência atual), é taxativo, permitindo somente a dedução de valor pago a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. Diante do exposto, entendo que não merecem ser acolhidas as alegações do Recorrente, pois os contratos celebrados com as empresas contratadas revelam prestação de serviço de assessoria e consultoria, sendo que tais serviços não se enquadram como corretagem, portanto fica impedido o Contribuinte de deduzir do valor da alienação, para efeito Fl. 1874DF CARF MF 34 de apuração do ganho de capital, os valores despendidos com tais serviços, por falta de previsão legal. Recálculo do Imposto de Renda Como visto neste voto que as despesas com execução dos contratos pela prestação de serviço de assessoria e consultoria não podem ser deduzidas do valor da alienação para apurar o ganho de capital, com fundamento no § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000/99 de (RIR/99 vigente a época/ /§ 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11/2018 RIR vigência atual), entendo que Fiscalização agiu corretamente quando recalculou o Imposto de Renda acrescentando à base de cálculo de apuração do ganho de capital o valor correspondente às despesas decorrentes de prestação de serviço de assessoria e consultoria que foi excluído indevidamente (fls. 28/29): Diante da conclusão de que a dedução de R$ 17.979.605,25 do valor de alienação das ações da Distribuidora Big Benn S/A foi indevida, restanos recalcular o imposto devido na operação, relativo à parcela recebida em março de 2012. Excluindose os R$ 17.979,605,25, o valor de alienação passa a ser, então, de RS 65.930.311,18 (R$ 293.023.605,25 * 22,5%). Isto posto, entendo como correta a exigência da diferença do Imposto de Renda no valor originário de R$ 347.889,13 apurada pela Fiscalização com a inclusão na base de apuração do ganho de capital, do valor correspondente à parte relativa a despesas decorrentes de prestação de serviço de assessoria e consultoria e que foi mantida pela decisão por meio do Acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA (fl. 29): Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.859 35 . Fl. 1876DF CARF MF 36 Fl. 1877DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.906623/2012-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
Numero da decisão: 3003-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva, Márcio Robson da Costa.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva, Márcio Robson da Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 66 23 /2 01 2- 13 Fl. 254DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, na qual o interessado indicou crédito de COFINS, período de apuração 09/2011, data de arrecadação em 24/10/2011, a fim de extinguir débitos de COFINS e PIS, ambos do período de apuração de outubro de 2011. Em análise da PER/DCOMP, foi emitido despacho decisório não homologando a compensação declarada, pois o crédito pretendido já havia sido utilizado integralmente para a extinção de débitos constituídos. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo contestou o despacho decisório, alegando, em síntese, que houve erro no valor de COFINS, período de apuração 09/2011, informado em DCTF. Foi informado, na DCTF original, o valor de R$ 167.436,98, e, na DCTF retificadora, o valor de R$ 112.463,42: dessa diferença na apuração da COFINS resultaria o crédito utilizado na compensação declarada. A 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/10/2011 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e aduz que a DCTF retificadora, de mesma natureza da DCTF original, seria suficiente para provar o crédito pleiteado. Invoca, ainda, o princípio da verdade material para que este colegiado aprecie os documentos apresentados com seu recurso, a saber, páginas do livro Razão das contas Cofins a recuperar e Cofins a recolher. Pugna, caso necessário, pela realização de diligência. Fl. 255DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, período de apuração de setembro de 2011. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que o crédito indicado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos do sujeito passivo. Foi, então, emitido Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou erro no valor da COFINS, período de apuração de setembro de 2011, informado em DCTF original, aduzindo que o valor correto seria aquele informado na DCTF retificadora. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, tendo sustentado, em síntese, que a manifestante não logrou comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, o alegado direito creditório. Eis alguns excertos do voto condutor do aresto recorrido: (...) Entretanto, a contribuinte limitou-se a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, conclui-se que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. Acerca do protesto da impugnante por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, cumpre observar que, nos termos do artigo 16-III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas comprobatórias das alegações do sujeito passivo devem ser apresentadas na impugnação, ou na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o manifestante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; ou c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a interessada não demonstrou a ocorrência de nenhuma das situações discriminadas no referido dispositivo legal, limitando-se a afirmar, de forma genérica, seu protesto pela apresentação posterior das provas, de modo que não cumpriu as disposições legais, para que fossem apreciadas eventuais provas ainda não apresentadas. Fl. 256DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 Como se vê, o aresto recorrido entendeu que não foram reunidas, pela manifestante, provas aptas para infirmar o débito regularmente constituído pela apresentação da DCTF original. Analisando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos para demonstrar o direito creditório alegado, ou seja, não há como afirmar que o débito de COFINS, cujo pagamento a maior teria gerado o suposto crédito invocado pela recorrente, realmente é menor do que aquele constituído na DCTF original. Apesar da DCTF retificadora produzir, em regra, o mesmo efeito da DCTF original, há que se ressaltar que, nos procedimentos de verificação e homologação de declaração de compensação, a autoridade administrativa pode exigir a comprovação das informações declaradas, aferindo a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ademais, a apresentação de PER/DCOMP sem a retificação prévia de DCTF gera o ônus, ao sujeito passivo, de demonstrar, por documentos hábeis e idôneos, o crédito pleiteado. Neste caso, a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, pode ser refutada pela autoridade administrativa. É fundamental lembrar que a compensação tributária - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional -, pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Pode-se dizer, assim, que a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário revela-se pressuposto fundamental para a efetivação da compensação. Em casos como o presente, a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado exige que as alegações e declarações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que a sustente. Nesses casos, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, no caso dos autos, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 257DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho decisório eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente apresentou, junto ao recurso voluntário, páginas do Razão (fls. 141 a 247) 1 das contas Cofins a recuperar e Cofins a recolher, mas deixou de apresentar os registros do Razão da conta Cofins a compensar. Observa-se, ainda, que a recorrente não apresentou qualquer explicação analítica a fim de demonstrar o suposto equívoco na apuração da COFINS: os registros contábeis foram meramente juntados sem qualquer demonstração, pela recorrente, de como aqueles elementos se integram com suas alegações e como poderiam servir para sustentá-las. Não há, também, qualquer plano de contas que serviria para explicar a natureza e o funcionamento das contas apresentadas. Uma análise mais detida dos registros contábeis do Razão das contas Cofins a recuperar e Cofins a recolher revela que o débito de COFINS, atinente ao período de setembro de 2011, diverge substancialmente daqueles informados nas DCTFs original e retificadora, conforme explicações a seguir: 1. Na conta Cofins a recolher(fl. 121): verifica-se que o saldo da conta, ao final do mês de setembro de 2011, apresenta considerável divergência com relação aos débitos declarados nas DCTFs original e retificadora: Como se vê, em 30/09/2011, o saldo final da conta é de R$ 79.850,68, tendo havido, naquela mesma data, "compensações" no valor de R$ 75.762,65 e de R$ 1.976,00. O lançamento de R$ 75.762,65 tem como contrapartida o lançamento a crédito na conta do ativo Cofins a Recuperar (fl. 153): Observa-se, do lançamento acima, que o crédito proveniente da citada compensação seria decorrente de Entrega de mercadoria - C2847. Pode-se constatar, ao olhar para o saldo da conta de Cofins a recuperar (a conta está com saldo credor após a operação), que não havia, naquela data, crédito suficiente para a citada compensação - a conta (do ativo) termina com saldo credor de R$ 28.789,35. Quanto ao lançamento de R$ 1.976,00, verifica-se que não está lançado, como contrapartida, na conta de Cofins a Recuperar. Poderia ser proveniente de 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 258DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 outros créditos, mas não se pode afirmar nada sobre tal "compensação", uma vez que não foi apresentado o registro contábil do lançamento a crédito em conta do ativo - contrapartida daquele efetuado na conta Cofins a recolher. A recorrente não apresentou qualquer explicação ou documentos para sustentar os lançamentos ora analisados, sobretudo para justificar a diferença brusca entre as suas declarações transmitidas e seus registros contábeis. Não há qualquer esclarecimento nem documento que sirvam para explicar e demonstrar a natureza das referidas compensações, as quais acabam por reduzir substancialmente o valor de COFINS a recolher no final do mês. De fato, há considerável divergência entre o valor da Cofins a recolher, apurado nos registros acima (R$ 79.850,68), e aqueles valores declarados na DCTF original (R$ 167.436,98) e na DCTF retificadora (R$ 112.463,42). Se, todavia, desconsiderarmos as "compensações" acima referidas, o valor da COFINS a recolher seria de R$ 157.589,33, próximo do valor declarado na DCTF original. Nenhuma explicação e documentação de suporte foram apresentadas para justificar a divergência entre os valores de Cofins a recolher e aqueles informados nas DCTFs. Em síntese, a recorrente furtou-se ao ônus de comprovar a apuração da COFINS, no período de 09/2011, deixando de demonstrar em que consiste a diferença de apuração entre DCTF original e retificadora - nenhum demonstrativo de apuração da COFINS foi apresentado -, como tal diferença se comprovaria a partir da escrituração contábil-fiscal (nenhum vínculo foi feito entre a escrituração juntada e o que se pretendia provar) e quais os documentos que sustentam cada lançamento (sobretudo daqueles atinentes às "compensações" acima referidas, as quais reduzem substancialmente o débito de COFINS apurado e que, por refletir diretamente no valor do crédito alegado, deveriam ser comprovadas). 2. Buscando, na escrituração apresentada, os registros da compensação declarada objeto do presente recurso, pode-se verificar o seguinte lançamento na conta Cofins a recolher (fl. 229): Por sua vez, analisando a conta Cofins a recuperar, verifica-se que não há, nos lançamentos de novembro de 2011, qualquer escrituração da compensação acima reproduzida. Também não há escrituração da compensação de PIS declarada na DCOMP em análise. A conta Cofins a Recuperar deveria trazer, nos registros de novembro de 2011 - período em que se deu a compensação declarada (vide PER/DCOMP) -, os registros das compensações de PIS e COFINS de outubro de 2011 : lançamentos a crédito, na conta do ativo, dos valores compensados, reduzindo-se, desse modo, o montante de direito creditório a compensar. Nos registros abaixo reproduzidos, é evidente a inexistência dos lançamentos das compensações de PIS e COFINS declaradas no PER/DCOMP sob exame (fl. 157): Fl. 259DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 Também no mês de dezembro não há qualquer registro das compensações declaradas. A análise da conta Cofins a recuperar revela, ainda, que não há qualquer registro do suposto pagamento indevido. De fato, examinando a referida conta, pode-se visualizar, dos lançamentos contábeis no mês de outubro de 2011, que não há escrituração de suposto pagamento indevido (R$ 54.973,56), realizado em 24/10/2011 (conforme DARF e PER/DCOMP constantes do processo). Isso fica claro nos registros abaixo reproduzidos (fl. 156): É verdade que, em caso de pagamento indevido, deve haver, na conta do ativo que registra os valores de tributo a compensar, lançamento a débito do valor recolhido indevidamente, e, na conta de despesa atinente ao tributo (considerando que tenha havido lançamento anterior a débito), deve haver, como contrapartida, o lançamento a crédito do valor recolhido indevidamente. No caso dos autos, pode ser que a recorrente tenha registrado os lançamentos das compensações e do pagamento indevido, acima analisados, em conta de Cofins a compensar, distinta da conta Cofins a recuperar - esta controla apenas os créditos decorrentes da não-cumulatividade. Nesse caso, a recorrente deveria ter apresentado o Razão da conta Cofins a compensar, a fim de comprovar a escrituração do suposto pagamento indevido e das compensações realizadas - comprovando, inclusive, a disponibilidade de créditos para tanto. Mais uma vez, furtou-se a recorrente de comprovar, por documentação hábil e idônea, seu direito creditório. Fl. 260DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.383 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.906623/2012-13 A partir da análise da escrituração apresentada, verifica-se, portanto, que não há elementos suficientes para demonstrar a certeza e a liquidez do crédito alegado pela recorrente. No caso concreto, a recorrente deixou de apresentar os registros contábeis atinentes à compensação declarada (como, por exemplo, os lançamentos nas contas do Razão da COFINS a Compensar) e ao suposto pagamento indevido (como, por exemplo, registro contábil a débito na conta de Cofins a Compensar e, a crédito na conta de resultado da COFINS), não restando comprovadas suas alegações. Além disso, pelos elementos dos autos, não restou justificada a considerável diferença entre os valores de COFINS apurado na contabilidade e aqueles valores declarados na DCTF original e retificadora. A recorrente deveria ter trazido documentação suficiente para comprovar a apuração da COFINS no período de setembro de 2011, esclarecendo as divergências entre as declarações prestadas e a escrituração apresentada. Sublinhe-se que é inerente à análise das declarações de compensação a demonstração, pelo sujeito passivo, do direito creditório pleiteado por meio da apresentação de escrituração contábil-fiscal suficiente e de documentos que a embasam. Nessa esteira, ressalte-se que, embora a DCTF retificadora apresente, em regra, a mesma natureza da DCTF original, as informações de ambas estão sujeitas ao escrutínio característico da análise de homologação. Em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor de tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre qual a apuração correta, por meio da apresentação de escrituração contábil-fiscal - e documentos que a suportem - acompanhada de elucidação analítica que integre e vincule todos os elementos de prova. No caso concreto, a recorrente transmitiu PER/DCOMP antes de ter efetuado a retificação de sua DCTF. Ou seja, no momento da compensação - transmissão da PER/DCOMP, o crédito indicado pelo sujeito passivo não estava disponível, tendo sido instaurado procedimento de verificação visando a homologação (ou não) da compensação declarada. Nesse contexto, no qual se revela fundamental a apuração da certeza e liquidez do crédito indicado na compensação, recai sobre a recorrente o ônus de comprovar o direito creditório alegado por meio de documentos pertinentes, suficientes e necessários: escrituração contábil-fiscal, demonstrando a apuração da COFINS, juntamente com todos os demais documentos que suportam sua escrituração. Não tendo logrado êxito em provar suas alegações, manifesta-se improcedente o pleito da recorrente. No tocante ao pedido de diligência, há que se lembrar que a recorrente teve todas as oportunidades, no curso do contencioso administrativo, para trazer os elementos suficientes e necessários para comprovar seu direito creditório, sobretudo sua completa escrituração contábil- fiscal e os documentos que a lastreiam, não se justificando, no presente caso, a realização de diligência para suprir carência probatória - uma vez que a diligência não se afigura como remédio processual para suprir injustificada omissão probatória, especialmente de provas documentais que já poderiam ter sido juntadas aos autos. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.901088/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO.
O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po-derá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri-butos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco.
À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores.
A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária.
Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, defere-se essa parte comprovada do crédito e homologa-se a compensação até o limite do crédito deferido.
Numero da decisão: 1301-004.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do ano-calendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po derá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri butos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 10 88 /2 01 0- 15 Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 559 2 Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária. Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, deferese essa parte comprovada do crédito e homologase a compensação até o limite do crédito deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 560 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 49/57) em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 37/39 e 41/44) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado e ao não homologar a compensação tributária informada nos autos. Quantos aos fatos consta dos autos: que a contribuinte reclama direito creditório contra o fisco federal no valor de R$ 86.235,61 (valor original) decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ, ajuste anual, anocalendário 2006 (PA 31/12/2006), vencimento 30/03/2007, valor do pagamento DARF R$ 208.000,00, código de receita 2430, data de arrecadação 31/01/2007; que a contribuinte utilizou o referido crédito em compensações tributárias de débitos próprios de tributos federais em 14 (quatorze) processos (computado o presente processo), conforme relação de processos e DCOMP discriminados a seguir: PER/DCOMP DATA TRANS MISSÃO CRÉDITO UTILIZADO VALOR ORIGINAL (R$) DÉBITOS CONFESSADOS (R$) PROCESSO Retificador: 34969.80386.130710.1.7.041989 Retificado: 15394.96347.240608.1.3.040094 01617.41354.250608.1.7.048237 13/07/2010 6.094,89 (efls. 04/08) IPI P.A. 10/2007 R$ 6.497,91 IPI P.A. 11/2007 R$ 1.834,41 10469.901670/201081 Retificador: 32444.81129.140710.1.7.046427 Retificado: 36060.68621.090808.1.3.048396 14/07/2010 2.477,60 IRPJEstimativa PA 10/2002 R$ 3.387,13 10469.901086/201026 Retificador: 06625.86272.140710.1.7.041800 Retificado: 33730.00134.251008.1.3.047859 14/07/2010 6.829,63 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 2.987,79 Cofins Não Cumulativa PA 09/2004 R$ 6.349,00 10469.901087/201071 Retificador: 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificado: 23768.42284.251008.1.3.049644 14/07/2010 2.258,33 Cofins Não Cumulativa PA 09/2004 R$ 3.087,36 10469.901088/201015 DCOMP: (efls. 04/07) Retificador: 36642.12372.190710.1.7.040680 Retificado: 18254.68135.271008.1.3.043870 19/07/2010 3.819,03 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 5.221,00 10469.901089/201060 Retificador: 19/07/2010 4.933,87 Cofins Não Cumulativa 10469.901090/201094 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 561 4 28122.36484.190710.1.7.046076 Retificado: 34899.76565.271008.1.3.046117 PA 04/2004 R$ 6.745,09 Retificador: 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificado: 20677.46828.271008.1.3.040376 19/07/2010 6.980,78 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 9.543,43 10469.901091/201039 Retificador: 40409.37928.130710.1.7.047621 Retificado: 37628.60315.271008.1.3.048490 13/07/2010 2.160,78 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 2.954,00 10469.901092/201083 Retificador: 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificado: 15579.77286.271008.1.3.048280 14/07/2010 802,55 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 1097,17 10469.901093/201028 Retificador: 01108.53920.140710.1.7.049897 Retificado: 28009.91072.291008.1.3.045653 14/07/2010 17.908,19 Cofins Não Cumulativa PA 10/2004 R$ 24.482,28 10469.901094/201072 Retificador: 14471.47759.140710.1.7.040940 Retificado: 20810.98239.280809.1.3.043269 14/07/2010 115,58 CSLL Estimativa PA 06/2003 R$ 158,01 10469.901096/201061 Retificador: 41473.12320.140710.1.7.042860 Retificado: 28599.58532.280809.1.3.041050 14/07/2010 308,53 CSLL Estimativa PA 06/2003 R$ 421,79 10469.901097/201014 Retificador: 34854.11206.190710.1.7.048597 Retificado: 01703.52550.271008.1.3.042970 19/07/2010 4.038,23 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 5.520,67 10469.901848/201094 Retificador: 04050.50317.140710.1.7.041110 Retificado: 01367.67545.021208.1.3.041606 14/07/2010 PIS/PASEP PA 11/2003 R$ 4.861,73 10469.901849/201039 que, em 03/08/2010, a DRF/Natal indeferiu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito disponível, e não homologou a compensação tributária (DCOMP objeto dos autos), conforme Despacho Decisório (efl. 02), cuja fundamentação transcrevo, in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.984,36. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 562 5 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Ciente desse despacho decisório por via postal, em 11/08/2010 (efls. 03 e 29), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 08/10/2010 por via postal (efls. 08/11 e 14 e 31), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da improcedência da cobrança dos débitos confessados na DCOMP pela existência do direito creditório: que, conforme já restou consignado no despacho decisório, pagou a título de saldo do IRPJ do anocalendário 2006 (PA 31/12/2006 ajuste anual), valor de R$ 208.000,00, data do recolhimento 31/01/2007; que, entretanto, o saldo do débito a pagar desse PA (ajuste anual) foi de apenas R$ 121.764,39, conforme DIPJ 2007, anocalendário 2006 (declaração retificadora), transmitida em 13/07/2010 , regime lucro real anual (efls. 12/13); que, portanto, há diferença paga a maior do IRPJ de R$ 86.235,61, e parte desse valor foi utilizada na DCOMP objeto dos presentes autos (PER/DCOMP nº 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificador); que, por fim, pediu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação. Na sessão de 22/03/2012, a 4ª Turma da DRJ/Recife julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, ao não reconhecer o crédito pleiteado (crédito inexistente, consumido, não disponível), conforme Acórdão (efls. 37/39), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 563 6 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, temse por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE, nos termos do relatório e voto do relator. (...) Obs: Consta dos autos, realmente, cópia da DCTF Mensal Março 2007 na qual a contribuinte fez constar e confessou saldo de débito a pagar do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006 valor R$ 208.000,00 cujo valor coincide com o valor do recolhimento em DARF de R$ 208.000,00, código de receita 2430 ajuste anual 2006 (efls. 35/36) . Ciente desse decisum em 10/04/2012, por via postal (efls. 46/47), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/04/2012 por via postal (efls. 49/57, 48 e 58), reiterando as razões já apresentadas na primeira instância e acrescentou: que houve equívoco, erro de fato, da contribuinte ao confessar saldo de débito a pagar ajuste anual 2006 de R$ 208.000,00; que o saldo apurado do débito do IRPJ ajuste anual anocalendário 2006 foi de R$ 121.764,39 e juntou documentos (efls. 427/1535): a) cópia do Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) cópia Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); que, por fim, pediu a realização de diligência fiscal, caso os Julgadores entendam ser necessária e imprescindível para comprovação cabal da existência do crédito pleiteado. Obs: A numeração das efls. nesse tópico quanto à juntada de provas corresponde ao processo conexo nº 10469.901670/201081, pois quando da Manifestação de Inconformidade as provas foram juntadas apenas nesse processo. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 564 7 Na sessão de 10/04/2013, a então 2ª Turma Especial do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial (efls. 61/69), cuja fundamentação do voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) Obs: (i) Consta dos autos: a) cópia DIPJ 2007 (original), anocalendário 2006, lucro real anual, transmitida em 26/06/2007, entrega normal, Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, saldo a pagar ajuste anual valor R$ 183.658,80 (efls. 73/166). b) que, entretanto, houve apresentação de retificadora: o saldo do débito a pagar desse PA (ajuste anual) foi de apenas R$ 121.764,39, conforme Ficha 12A DIPJ 2007, anocalendário 2006 (declaração retificadora), transmitida em 13/07/2010 , regime lucro real anual (efls. 12/13); A Fiscalização da DRF/Natal realizou a Diligência Fiscal, cujo Relatório está acostado aos autos (efls. 540/543). Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 565 8 A contribuinte foi intimada a manifestarse nos autos e juntou sua manifestação (efls. 544/552). Estando conclusos os autos, retornaram para julgamento. Obs: Em face da extinção da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, foi realizado sorteio dos 14 processos, porém para Relatores de Turmas diversas. Em face da conexão dos processos este Relator ficou prevento (reunião dos 14 processos para julgamento por esta Turma), conforme despacho aprovado pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de julgamento do Carf . É o relatório. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 566 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, a recorrente informou que procedera pagamento do IRPJ, ajuste anual, anocalendário 2006 (PA 31/12/2006), valor de R$ 208.000,00, data de vencimento 31/03/2007, data de recolhimento/arrecadação 31/01/2007. Entretanto, frisou que o pagamento foi indevido ou a maior, no valor de R$ 86.235,61 (valor original), pois o saldo devedor do imposto ajuste anual foi de R$ 121.764,39. A contribuinte, então, utilizou o referido valor, que teria pago a maior ou indevidamente, em 14 (quatorze) DCOMP já discriminadas no relatório para compensação com débitos próprios de tributos/contribuições. As decisões anteriores nestes autos (despacho decisório da DRF/Natal e Acórdão da DRJ/Recife) não reconheceram o direito creditório pleiteado pela recorrente, pois o valor integral do pagamento encontravase alocado ao débito do imposto do respectivo Período de Apuração (PA), não restando, destarte, crédito disponível para ser utilizado nas 14 (quatorze) DCOMP citadas no relatório. Ainda consta da decisão recorrida: que, sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório (valor pago idêntico ao débito confessado), a DIPJ Retiticadora, por si só, onde consta que o valor do débito apurado é menor , não tem o condão de afastar o valor do débito confessado na DCTF, pois a interessada não juntou aos autos, quando da Impugnação, cópia da escrituração contábil (cópias dos livros Diário, Razão e Lalur,), nem juntou documentos, hábeis e idôneos de suporte dos registros contábeis, para comprovação do alegado erro de fato (Necessidade de comprovar o que teria implicado confissão de débito a maior na DCTF); Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 567 10 que consta dos autos, realmente, cópia da DCTF Mensal Março 2007 na qual a contribuinte fez constar e confessou saldo de débito a pagar do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006 valor R$ 208.000,00 cujo valor coincide com o valor do recolhimento em DARF de R$ 208.000,00, código de receita 2430 ajuste anual 2006, conforme já consignado no relatório. Nesta instância recursal, a recorrente argumentou: que houve equívoco, erro de fato, ao confessar saldo de débito a pagar ajuste anual 2006 de R$ 208.000,00; que o saldo apurado do débito do IRPJ ajuste anual anocalendário 2006 foi de R$ 121.764,39 e juntou documentos (efls. 427/1535): a) cópia do Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) cópia Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); que, por fim, pediu a realização de diligência fiscal, caso os Julgadores entendam ser necessária e imprescindível para comprovação cabal da existência do crédito pleiteado. Obs: A documentação cópia da escrituração contábil foi juntada apenas nos autos do Processo nº 10469.901670/201081. Logo, a numeração de efls., quanto às provas mencionadas, referese ao citado processo. Necessidade de instrução probatória complementar. Nesse sentido, na sessão de 10/04/2013, a então 2ª Turma Especial do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial (efls. 60/68), cuja fundamentação consta do voto condutor e que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 568 11 Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe:o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) A unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Natal, após realizada a diligência fiscal (análise da cópia da escrituração contábil juntada pela recorrente por ocasião da apresentação do recurso voluntário e das informações constantes dos sistemas informatizados internos da RFB), produziu relatório de diligência fiscal (efls. 543/546) e os resultados e conclusões transcrevo, in verbis: (...) 2. A partir das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), original e retificadoras, relativas ao anocalendário de 2006, verificamos que os principais motivos da divergência entre elas, quanto ao montante de “IMPOSTO DE RENDA A PAGAR”, se deve aos itens “12.()Imp. de Renda Ret. na Fonte”, “14.()IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003)” e “16.()Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa” da “Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral”, conforme transcrito a seguir: Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 569 12 3. Em consulta às Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirfs) relativas ao anocalendário de 2006, em que consta a empresa IMPORTADORA COMERCIAL DE MADEIRAS LTDA como beneficiária, encontramos as seguintes retenções, que discriminam os valores relativos aos itens 12 e 14 da “Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real– PJ em Geral” da DIPJ: • item 12: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 570 13 5. Ressalvado o exposto no item 2, cabe registrar que observamos compatibilidade da escrituração contábil e fiscal apresentada em anexo ao recurso voluntário (Livros Diário e Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 571 14 Razão relativos ao 4º trimestre do anocalendário de 2006), havendo harmonia entre sua Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) ativas, os valores recolhidos a título de estimativas mensais de IRPJ e a 2ª DIPJ retificadora. 6. Logo, os seguintes valores deveriam estar constando na “Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral” da DIPJ: CONCLUSÃO 7. De todo o relatado acima, concluímos informando que: a) o valor total do IRPJ devido no ano de 2006 é R$ 1.730.360,52; o valor das retenções na fonte para este período totaliza R$ 34.289,79; o valor das estimativas recolhidas para este período totaliza R$ 1.520.860,36; e o Saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual é R$ 150.809,88. b) houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, no montante original de R$ 57.190,12. 8. Por fim, nos termos da Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, e das demais resoluções contidas nos processos ora analisados, cientifico o contribuinte deste Relatório de Diligência Fiscal, ressalvando lhe o direito de apresentar manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias contados daciência deste relatório. (...) Intimada a contribuinte do resultado da diligência fiscal, apresentou suas razões (efls. 550/555) e documentos juntados aos autos do Processo nº 10469.901086/201026 (efls. 556/570 do citado processo), discordando do resultado do relatório de diligência quanto à diferença de crédito R$ 29.045,49 (valor não confirmado pela diligência fiscal). Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 572 15 Nessa parte, a recorrente assim se manifestou, in verbis: (...) (...) A irresignação da recorrente quanto ao resultado da diligência é atinente à diferença de valor de R$ 29.045,49 (IRRF não encontrado pela diligência fiscal). Como já dito, intimada do resultado da diligência para se manifestar nos autos, a contribuinte juntou documentos apenas nos autos do Processo nº 10469.901086/2010 26 (efls. 556/570 do citado processo), argumentando, in verbis: (...) Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 573 16 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 574 17 (...) Não procede a irresignação da recorrente, em relação ao resultado do relatório de diligência fiscal: 1 Receitas Financeiras oferecidas à tributação. Consta da DIPJRetificadora Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, de 13/07/2010 (efls. 132/166) que a contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no valor de R$ 372.896,00: Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 575 18 (...) (...) O direito creditório apurado pela diligência fiscal de R$ 57.190,12 levou em conta receitas financeiras com DIRF no valor de R$ 356.532,39 = (R$ 149.233,83 + R$ 207.358,56) e IRRF R$ 34.289,79 = (R$ 22.159,96 + R$ 12.129,83), conforme demonstrativos já transcritos. Então, faltaria comprovar IRRF apenas acerca da diferença de receitas financeiras de R$ 16.363,61 = (receitas financeiras oferecidas à tributação R$ 372.896,00 R$ 356.532,39 receitas financeiras com DIRF). Obs: Esses dados trazidos pela recorrente, por último, de IRRF (crédito não deferido), revelam, em tese, que ela oferecera à tributação receitas financeiras a menor na declaração de ajuste anual na DIPJ 2007, anocalendário 2006 ( Fichas 06 e 54) e agora pretende crédito de IRRF acerca de receitas financeiras não oferecidas à tributação na DIPJ. Ora, cabe aproveitamento de crédito do IRRF acerca das receitas financeiras informadas na DIPJ e ainda desde que seja comprovado o IRRF, mediante DIRF, ou informe de rendimentos, Nota Fiscal e cópia da escrituração contábil. Portanto, como demonstrado, o IRRF já apurado pela diligência (resultado) está em consonância compatível com as receitas financeiras declaradas na DIPJ. 2 Ônus probatório do direito creditório alegado: No processo de compensação tributária, pedido de restituição/aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus do autor do pedido comprovar o fato constitutivo do direito creditório alegado, conforme art. 373, I, do Código de Processo Civil Lei 13.105, de 2015, de aplicação subsidiária do PAF, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) O momento da produção da prova é quando da apresentação da Impugnação, na primeira instância de julgamento (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 576 19 A contribuinte juntou cópia da escrituração contábil (livro Diário e Razão), quando da apresentação do recurso voluntário, alegando erro de fato, ou seja: que, inicialmente, a contribuinte transmitiu declarações à RFB (DIPJ e DCTF) com saldo do imposto a pagar do anocalendário 2006 (ajuste anual) no valor de R$ 208.000,00. Efetuou o pagamento em DARF, no valor de R$ 208.000,00; que transmitiu, eletronicamente, DIPJ 2007, anocalendário 2006 e, anos depois, apresentou duas DIPJ retificadoras, sendo a última na própria data de apresentação da DCOMP (a contribuinte gerou o suposto crédito pela segunda retificação da DIPJ e na mesma data já apresentou DCOMP utilizando esse suposto crédito). Vale dizer, a última retificadora da DIPJ 2007, anocalendário 2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente em 13/07/2010 (efls. 27/28) e, nessa mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificador, utilizando o pretenso crédito (efls. 04/07). Como visto, quanto à escrituração contábil/fiscal, sob pretexto de ocorrência de erros de fato na apuração do imposto, a contribuinte apresentou várias versões de DIPJ e juntou escrituração contábil. Então, os autos do processo foram baixados à unidade de origem da RFB para análise da escrituração contábil juntada aos autos pela recorrente (cópia do livro Diário e Razão) em relação aos dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Logo, configura um despautério a recorrente alegar que a diligência fiscal não lhe oportunizou a produção de provas. Ora, a contribuinte juntou as provas que possuía por ocasião da apresentação do recurso voluntário e, por isso, os autos foram baixados em diligência para a unidade de origem da RFB analisar essas provas. E, ademais, a recorrente foi intimada do resultado da diligência, em observância do contraditório e da ampla defesa, tanto que apresentou sua manifestação e juntou outras provas. Exerceu e esta exercendo, plenamente, as garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ainda, frisese a diligência fiscal não se presta a substituir a parte na produção de provas. O ônus probatório do direito creditório alegado contra o Fisco, no caso, como já demonstrado, é da recorrente, parte autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 577 20 2 IRRF: Dispõe o artigo 2º, § 4º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pela art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) No caso, a contribuinte, na sua manifestação após ciência do resultado da diligência fiscal: a) juntou cópias de demonstrativos de rendimentos financeiros Banco do Brasil (demonstrativos simplificados); porém, esses demonstrativos são diversos dos informes de rendimentos exigidos pela legislação do imposto de renda, pois sequer consta a informação do código de receita (os documentos juntados constam das efls. 556/563 autos do Processo nº 10469.901086/201026 Doc. 1). Mas, não é só isso!!! Consta da DIPJ Retificadora Ficha 54 Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte (efls. 132/164): (...) Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 578 21 (...) O CNPJ (fonte pagadora): 00.000.000/086649. Porém, os CNPJ informados nos demonstrativos financeiros são diversos. Ainda não há DIRF. Logo, não se pode precisar que os rendimentos financeiros informados na DIPJ (Ficha 54) seriam esses que constam dos demonstrativos juntados aos autos pela recorrente, pois: a) não informam o código de receitas e, ainda, o CNPJ da fonte pagadora é diverso; b) ainda, há discrepância: Veja. O somatório do IRRF a que se referem esses demonstrativos (valores não comprovados), e mais o IRRF já apurado pela diligência fiscal, se fossem deferidos como pretende a recorrente, extrapolariam, em muito, os valores informados na DIPJ nas fichas 06 e 54. Inferese que haveria, em tese, receitas financeiras que não foram oferecidas à tributação pela recorrente, quando do ajuste anual. Inferese, também, que o resultado da diligência fiscal apurou, considerou crédito de IRRF (DIRF existentes) acerca de receitas financeiras não oferecidas à tributação pela recorrente. De modo que, no cômputo geral, o resultado da diligência fiscal quanto ao IRRF informado em DIRF está compatível com as receitas financeiras oferecidas à tributação pela recorrente na DIPJRetificadora (Fichas 06 e 54). Ou seja, a diligência fiscal apurou existência de IRRF(em DIRF) para a contribuinte sobre receitas financeiras de R$ 356.532,39. A contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no valor de R$ 372.896,00 na DIPJ (Fichas 06 e 54). Logo, estaria faltando reconhecer IRRF acerca da diferença de receita financeira de R$ 16.363,61 oferecida à tributação na DIPJ = (R$ 372.896,00 R$ 356.532,39). Mas, como já analisado anteriormente os documentos juntados aos autos não comprovam IRRF pelo Banco do Brasil, pois não há DIRF e, além disso, os documentos juntados possuem CNPJ diverso da fonte pagadora (Ficha 06 e 54 da DIPJ) e ainda não informam o código de receita, a que título teria sido retido imposto. Portanto, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nessa parte (art. 170 do CTN). b) venda de mercadorias Polícia Militar do Rio Grande do Norte: A contribuinte informou na DIPJRetificadora Ficha 54: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 579 22 (...) (...) Aqui, também, a recorrente não tem melhor sorte. Não há DIRF. A contribuinte, então, juntou cópia do Razão Analítico, informando escrituração de valores que no somatório implicariam no citado montante (efls. 564/566 doc. 2 autos do Processo nº 10469.901086/201026), mas não juntou cópia de notas fiscais de venda com canhoto de entrega de que a operação existiu. Logo, esse valor pleiteado não satisfaz os requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. Ademais, como já dito, o IRRF apurado com DIRF pela diligência fiscal está compatível com as receitas financeiras declaradas e objeto da DIPJRetificadora (Fichas 06 e 54). c) fundo de investimento Caixa Econômica Federal: A contribuinte informou na DIPJRetificadora, Ficha 54 (efls. 132/164)): (...) (...) Consta do relatório de diligência fiscal DIRF de apenas R$ 823,45. Valor acatado. A contribuinte, na manifestação após ciência do resultado da diligência, juntou cópia de pedido endereçado à CEF, solicitando, pleiteando, fornecimento dos Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 580 23 comprovantes de retenção na fonte por essa instituição financeira (efls. 567/56 doc.3 constante do Processo nº 10469.901086/201026), para fazer prova perante a RFB. Ora, inexistindo DIRF e inexistindo os informes de rendimentos, nem outros documentos, não há como deferir essa diferença de crédito pleiteado. Ademais, como já dito, o IRRF apurado em DIRF pela diligência fiscal está compatível com as receitas financeiras declaradas na DIPJRetificadora, como já demonstrado antes. Assim, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nessa parte (art. 170 do CTN). Por fim, nesse sentido também são os precedentes deste CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FO NTE IRRF Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. Não há possibilidade de restituição/compensação pura e simples do imposto de renda retido na fonte principalmente quando não há comprovação do direito líquido e certo. O imposto de Renda Retido na Fonte é passível de compensação desde que os respectivos rendimentos sejam oferecidos a tributação. (Acórdão nº 1402003.950 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16/07/2019, Relatora Junia Roberta Gouveia Sampaio). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO. COMPOSIÇÃO NA APURAÇÃO DO FINAL DO PERÍODO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. O imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no final do período. Portanto, o valor retido deve ser computado para dedução do imposto a pagar e, se apurado saldo a favor do contribuinte, poderá ser restituído ou compensado como crédito de saldo negativo de IRPJ, e não como pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. (Acórdão nº 1302003.796 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 18/07/2019, Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator). Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 581 24 (...) Logo, conforme relatório de diligência fiscal, restou comprovado o direito creditório do IRPJ do anocalendário 2006, no montante de R$ 57.190,12 (valor original), único e comum a todos os processos abaixo e homologar as compensações objeto dos processos abaixo, até o limite desse crédito deferido: PER/DCOMP DATA TRANSMISSÃO PROCESSO Retificador: 34969.80386.130710.1.7.041989 Retificado: 15394.96347.240608.1.3.040094 01617.41354.250608.1.7.048237 13/07/2010 10469.901670/201081 Retificador: 32444.81129.140710.1.7.046427 Retificado: 36060.68621.090808.1.3.048396 14/07/2010 10469.901086/201026 Retificador: 06625.86272.140710.1.7.041800 Retificado: 33730.00134.251008.1.3.047859 14/07/2010 10469.901087/201071 Retificador: 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificado: 23768.42284.251008.1.3.049644 14/07/2010 10469.901088/201015 Retificador: 36642.12372.190710.1.7.040680 Retificado: 18254.68135.271008.1.3.043870 19/07/2010 10469.901089/201060 Retificador: 28122.36484.190710.1.7.046076 Retificado: 34899.76565.271008.1.3.046117 19/07/2010 10469.901090/201094 Retificador: 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificado: 20677.46828.271008.1.3.040376 19/07/2010 10469.901091/201039 Retificador: 40409.37928.130710.1.7.047621 Retificado: 37628.60315.271008.1.3.048490 13/07/2010 10469.901092/201083 Retificador: 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificado: 15579.77286.271008.1.3.048280 14/07/2010 10469.901093/201028 Retificador: 01108.53920.140710.1.7.049897 Retificado: 28009.91072.291008.1.3.045653 14/07/2010 10469.901094/201072 Retificador: 14471.47759.140710.1.7.040940 Retificado: 20810.98239.280809.1.3.043269 14/07/2010 10469.901096/201061 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10469.901088/201015 Acórdão n.º 1301004.050 S1C3T1 Fl. 582 25 Retificador: 41473.12320.140710.1.7.042860 Retificado: 28599.58532.280809.1.3.041050 14/07/2010 10469.901097/201014 Retificador: 34854.11206.190710.1.7.048597 Retificado: 01703.52550.271008.1.3.042970 19/07/2010 10469.901848/201094 Retificador: 04050.50317.140710.1.7.041110 Retificado: 01367.67545.021208.1.3.041606 14/07/2010 10469.901849/201039 Obs: (i) A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Natal, deverá fazer a imputação do crédito, até o limite do valor deferido, levando em conta os débitos confessados nas DCOMP objeto dos processos listados no demonstrado acima; (ii) Quanto às compensações que não restar crédito (DCOMP não homologadas pela insuficiência/inexistência de crédito), a contribuinte deverá ser intimada para proceder o pagamento dos débitos confessados nas DCOMP (débitos em aberto). Por tudo que foi exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006, em valor único, comum a todos os processos citados no demonstrativo acima e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001885/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI,
RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. DUPLO REQUISITO PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO COMPROVADO.
Comprovado que o contribuinte é portador de moléstia especificada na lei tributária, agregado ao recebimento de proventos de aposentadoria ou pensão, tais rendimentos devem ser considerados como isentos, à luz do art. 6°, XIV, da Lei n°7.713/88.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.805
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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S2-C1T2 Fl 66 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10830.001885/2006-49 Recurso IV 505,174 Voluntário Acórdão n" 2102-00.805 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2010 Matéria IRPF - MOLÉSTIA GRAVE Recorrente PAUL CZEKALLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI, RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. DUPLO REQUISITO PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO COMPROVADO, Comprovado que o contribuinte é portador de moléstia especificada na lei tributária, agregado ao recebimento de proventos de aposentadoria ou pensão, tais rendimentos devem ser considerados como isentos, à luz do art. 6°, XIV, da Lei n°7.713/88. Recurso provido, Acordam os Membros provimento ao recurso, nos termos do /do Colegiado, to do Relato/. / por unanimidade de votos, em DAR GIOVANNI C Participa Rubens Maurício CarvalN Giovanni Christian Nuneá EDITAD 4NI C RISTIAN N hr4 ' ir :. C: MP. - Relator e Presidente. 1 EM: 24/09/2111 i r f II ), Eivanice .1, io da Silva, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Campos MP Relator e Presidente. arn do presentt 'ul_amento os Conselheiros Núbia Matos Moura,-mento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Relatório R$ 1.605,16IMPOSTO MULTA DE OFÍCIO R$ 1.203,87 Em face do contribuinte PAUL CZEKALLA, CPF/MF n° 005.259,876-49, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 31/01/2006, auto de infração, oriundo da revisão de sua declaração de ajuste anual do exercício 2003 Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no exercício 2003, decorrente de vínculo empregatício, no caso a Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência social, no montante de R$ 25,941,10, conforte informações constantes na DIRF apresentada por esse fluido de pensão (fi. 29) . Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3' Turma da DRJ-SPO II, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-27.184, de 03 de setembro de 2008 (fls. 31 a 35), que restou assim ementado: ISENÇÃO. RENDIMENTOS AUFERIDOS P01? PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE A isenção de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave aplica-se exclusivamente a rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, cabendo ao contribuinte fazer a comprovação da natureza dos rendimentos auferidos. A decisão acima reconheceu que o contribuinte comprovara ser portador de moléstia grave, porém não demonstrara que os rendimentos colacionados pela fiscalização eram oriundos de aposentadoria ou pensão, dupla condição para que fosse fruída a isenção do art. 6°, XIV, da Lei n° 7,713/88. Eis as textuais palavras da relatora (fl. 34): No caso presente, o contribuinte . fez prova, mediante o Laudo Médico-Pericial, emitido por serviço médico oficial, em 17/04/2001 (fls. 18), de que é portador de cardiopatia grave, satisfazendo, assim, á primeira condição, já que a referida patologia . figura entre as listadas no art. 6°, inciso XIV, da Lei n.° 7.713/1988, para efeito de isenção do Imposto sobre a Renda, em relação aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão: Não obstante, é necessário que se comprove, também, que os rendimentos percebidos eram provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Tal comprovação é essencial para o deferitnento da isenção pleiteada, uma vez que, como se viu da legislação que rege a matéria, estão isentos do imposto de renda apenas os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou reforma desde que motivadas por uma das moléstias lá previstas. Entretanto, o impugnante não comprovou a sua condição de aposentado, reformado ou pensionista, requisito imprescindível que deve ser preenchido, conforme estabelece a norma legal, 2 '7 /I GOvanni Christian 14,A.des Cdryi(po,„0 3 Processo n° 10830.001885/2006-49 Acórdtio nÕ 2102 -00.805 82-C 1T2 Fl. 67 Conclui-se, portanto, que o contribuinte não faz jus à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos no ano-calendário de 2002, devendo ser mantida a autuação O contribuinte foi intimado da decisão acima em 17/09/2009 (fl. 33) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/10/2009 (fls. .39 e 65).. O recorrente, em síntese, informa que está aposentado da empresa Furnas Centrais Elétricas desde 17/02/1987, conforme carta de concessão expedida pelo Instituto Nacional de Previdência Social que agora junta aos autos (fl. 41), e que o Fundo de Pensão Real Grandeza complementa sua aposentadoria. Juntou novamente Laudo comprovando a moléstia grave (portador de cardiopatia grave desde 17/04/2001, além da neoplasia, com início de radioterapia em 03/07/2001). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relatar O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. De plano, deve-se anotar que a decisão recorrida já havia reconhecido que o contribuinte seria portador de moléstia grave, conforme Laudo juntado aos autos. Aqui, a controvérsia resume-se a saber se os rendimentos pagos ao recorrente pelo Fundo de Pensão Real Grandeza são, ou não, decorrentes da complementação de aposentadoria, pois este foi o óbice apontado pela Turma a quo, especificamente a não comprovação de que o contribuinte era aposentado. O contribuinte, nascido em 29/05/1928 (fl. 62), trouxe aos autos a carta de concessão de sua aposentadoria pelo Instituto Nacional de Previdência Social, hoje sucedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, no já longínquo ano de 1987, quando se atestou que o contribuinte se jubilara por tempo de serviço (fl. 41). Claramente o contribuinte comprovou sua condição de aposentado, percebendo urna complementação de aposentadoria da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social (fl. 29). Como a moléstia grave já havia sido reconhecida na instância a quo, agora aqui se reconhece a natureza jurídic s reindimentos em debate como proventos de aposentadoria, o que faz incidir, na écie, a isey ção do art. 6°, XIV, da Lei n°7.713/88. Ante o expa o, voto no p4do de DAR provimento ao recurso.
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720078/2010-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do seu art. 11, não prospera a alegação de nulidade do referido lançamento, pois não ocorre cerceamento de defesa quando consta no auto de infração a clara descrição dos fatos e as circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram.
Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do procedimento administrativo, porque ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito.
PAF. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MANIFESTAÇÃO. CARF. SÚMULA CARF Nº 2. APLICAÇÃO.
O CARF não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PAF. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado. Portanto, indefere-se, por prescindível, a pretensão da recorrente, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA.
Ausente apresentação tempestiva do ADA, há de se manter as supostas áreas de preservação permanente (APP) incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem.
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. ADA. ATO DE ÓRGÃO FEDERAL OU ESTADUAL. DECLARAÇÃO DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA OBRIGATORIEDADE.
O benefício de exclusão da área de interesse ecológico da base de cálculo do ITR está condicionado à apresentação tempestiva do correspondente ADA e do Ato específico de órgão federal ou estadual declarando-a como de interesse ambiental.
PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE.
Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando ausente laudo técnico de avaliação com ART e nos termos da NBR 14.6533 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, demonstrando o valor do imóvel e suas peculiaridades, à época do fato gerador do imposto, para justificar o VTN declarado.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2003-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do seu art. 11, não prospera a alegação de nulidade do referido lançamento, pois não ocorre cerceamento de defesa quando consta no auto de infração a clara descrição dos fatos e as circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram. Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do procedimento administrativo, porque ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. PAF. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MANIFESTAÇÃO. CARF. SÚMULA CARF Nº 2. APLICAÇÃO. O CARF não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação no art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado. Portanto, indeferese, por prescindível, a pretensão da recorrente, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 00 78 /2 01 0- 18 Fl. 134DF CARF MF 2 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA. 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Mantémse o arbitramento com base no SIPT, quando ausente laudo técnico de avaliação com ART e nos termos da NBR 14.6533 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, demonstrando o valor do imóvel e suas peculiaridades, à época do fato gerador do imposto, para justificar o VTN declarado. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negarlhe provimento. Francisco Ibiapino Luz Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 135 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 13.125,04, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2006, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da falta de comprovação das áreas de interesse ecológico e de preservação permanente, bem como do valor da terra nua declarados (fls. 27/30). Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0350.534, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DRJ/BSB (fls. 78/94), transcrito a seguir: Depois de cientificado da Notificação de Lançamento, em 07/04/2010 (fls. 76/77 do processo digital), o Contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 48/49, protocolizou em 07/05/2010 a impugnação de fls. 32/47, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 50/68. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: 1. inicialmente,faz breve relato do procedimento fiscal, discriminando os valores referentes às rubricas constantes da DITR/2006, e afirma a tempestividade da impugnação; 2. a alteração do DIAT baseouse única e exclusivamente na falta de apresentação do ADA, como se este bastasse para a garantia de comprovação das referidas áreas como de preservação permanente ou interesse ecológico. Desta forma exonerouse de apurar se a área informada continha as características informadas, ferindo o princípio constitucional pátrio do devido processo legal; 3. o órgão fiscalizador informou que o impugnante não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel o VTN declarado, deixando mais uma vez ao impugnante toda a incumbência de demonstrar a veracidade dos fatos, eximindose de qualquer procedimento apuratório na busca da verdade real e da observância do processo legal; 4. em defesa da nulidade absoluta da notificação de lançamento, pelo cerceamento do direito de defesa e inobservância do devido processo legal, discorrendo sobre o art. 5º, inciso LV, da Constituição da República e apresenta entendimentos doutrinários; 5. em defesa da nulidade da notificação de lançamento por infrigência de requisito formal, faz citação ao art. 11 do Dec. 70.235/72, afirmando que obrigatoriamente deveria constar qual dispositivo legal fora infringido, uma vez que a DITR foi Fl. 136DF CARF MF 4 alterada para majorar o valor do tributo declarado, não se podendo olvidar que a notificação de lançamento merece ser rechaçada pela ofensa ao inciso III do artigo supracitado; 6. no mérito, discorre sobre a ilegalidade da exigência de ato declaratório ambiental, afirmando que o fisco alterou as bases de cálculo do ITR para considerar como área aproveitável 98,95% da área total do imóvel em virtude, tão somente, da ausência da entrega do ADA. Cita e analisa, então, o art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96; 7. transcreve parcialmente acórdãos do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para referendar seus argumentos; 8. afirma que não existe na legislação ordinária exigência do ADA que dê suporte às infundadas Instruções Normativas que criam tal obrigação acessória, violando, assim, o art. 113, parágrafo 2º, do CTN, ao instituir obrigação acessória que deveria ter decorrido de lei e não de ato normativo; 9. mesmo que considerada a obrigação acessória, a ausência de sua entrega ensejaria o descumprimento de obrigação acessória punível com multa, mas nunca poderia o órgão fiscalizador autuar de forma absoluta toda a área do imóvel rural como se essa fosse passível de tributação do ITR; 10. temse no dispositivo que basta a simples declaração do contribuinte da existência de área de preservação permanente e de reserva legal para fins de isenção do ITR, respondendo em caso de falsidade. Tal falsidade poderá ser comprovada mediante o devido processo legal, dando a oportunidade ao órgão fiscalizador de demonstrar a falsidade e ao contribuinte de rebater tais afirmações, com os meios legais em direito admitidos; 11. não pode, sob pena de nulidade absoluta, determinar como área tributável todo o imóvel rural tão somente pela ausência de obrigação acessória, qual seja, o ADA, ainda mais quando existem outros elementos de convicção como averbação da área na matrícula do imóvel e laudo técnico agronômico elaborado por agente capacitado; 12. tamanha foi a sanha do órgão fiscalizador, que aparentemente sequer verificou os documentos anexados por ocasião de atendimento ao termo de notificação inicial. Que dirá a necessidade de uma fiscalização mais coerente e justa, com a observância do devido processo legal; 13. não obstante a entrega de escritura do imóvel rural e de certidão emitida pelo Cartório de Registro Geral de Imóveis, demonstrando de forma irrefutável a área de reserva legal no total de 19 ha, não houve qualquer menção a este fato na notificação de lançamento, nem mesmo para refutálo ou desconsiderálo; 14. do mesmo modo, foi apresentado laudo técnico, assinado por engenheiro agrônomo registrado no CREA, e comprovante de ART com regular pagamento; Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 136 5 15. transcreve parcialmente acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para referendar seus argumentos; 16. em análise do laudo técnico apresentado, verificase que da área total de 95 ha, 51 ha são ocupadas por matas virgens e secundárias, sendo que destas, 19 ha estão registrados junto ao IBDF (atual IBAMA) como área de preservação permanente desde 28/07/1979, nos termos da Lei nº 4.771/65. Além dessa área, existem 2,0 ha sem qualquer possibilidade de exploração; 17. tais áreas foram consideradas produtivas pelo órgão fiscalizador sem qualquer respaldo, como se pudesse o impugnante utilizálas a seu bel prazer. Temse aqui dois pesos e duas medidas, uma vez que são áreas consideradas inaproveitáveis para a atividade rural, mas em contrapartida consideradas áreas tributáveis para a máquina arrecadadora do estado. Tal evento, além de abominável, simplesmente desconsidera o intuito da legislação ambiental e do propósito do tributo ITR; 18. foi utilizado na determinação do VTN o valor definido pelo SIPT da RFB; 19. tal índice carece de subsídios para ter aplicabilidade. Conforme relatório anexado pelo fisco aos procedimentos administrativos de nº 10783.720078/201018 e 10783.720084/201075,o hectare que em 01 de janeiro de 2006 era de R$ 4.651,81, passou a R$ 6.630,38 em 01 de janeiro de 2007. É de se estranhar a valorização de 42,53% em apenas um ano. O imóvel valia, em 2006, R$ 441.921,95 e em 2007 passou a R$ 629.886,10. O impugnante nunca conseguirá tal valor de mercado, e para qualquer leigo que passe pela região montanhosa e de difícil acesso, verificará que não há mínima condição de sequer cogitar tal valor, pois este não corresponde à realidade; 20. baseandose na escritura de compra e venda de parte do terreno lavrado em 2005, o impugnante adquiriu a metade do imóvel composta da terra nua e suas benfeitorias pelo total de R$ 46.000,00, o que levaria a um preço final da propriedade a aproximadamente R$ 92.000,00, próximo do valor inicialmente declarado na DITR que foi de R$ 119.944,44; 21. conforme laudo técnico, 51,0 ha do total da área (ou seja, 53,68%) é composto de matas virgens e secundárias, de preservação ambiental, e não passíveis de qualquer atividade lucrativa. Além disso, o imóvel situase na zona rural, longe de centros de comercialização, de difícil acesso por estrada de terra batida, em região montanhosa. Por fim, requer: • seja recebida a presente impugnação, para conhecimento das matérias de fato e de direito invocados pelo contribuinte, Fl. 138DF CARF MF 6 concedendo efeito suspensivo ao crédito tributário até que haja julgamento em última instância; • seja acolhida a preliminar de cerceamento do direito de defesa do impugnante e inobservância do devido processo legal; • seja acolhida a preliminar de nulidade da notificação de lançamento; • seja cancelado o lançamento hostilizado diante da ilegalidade de exigência do ADA; • seja anulada a notificação de lançamento diante da inobservância do laudo técnico agronômico de imóvel rural; • seja invalidado o lançamento uma vez que não considerou a área de reserva legal averbada junto à matrícula do registro de imóvel e ao IBDF; • seja cancelado o lançamento em virtude da discrepância dos valores de terra nua apresentados, bem como o índice utilizado não indicar a forma utilizada para o cálculo do valor final; • seja designada perícia técnica para avaliação do VTN do imóvel rural, trazendo o valor justo e real, tendo em vista que os cálculos apresentados não condizem à realidade da situação do imóvel; • seja declarada a insubsistência in totum do lançamento suplementar do ITR, em virtude das máculas apresentadas na sua constituição, fartamente demonstradas por provas documentais e jurisprudência, tudo embasado em normas legais e na melhor doutrina; • finalmente, caso as questões debatidas não sejam suficientes para a declaração da nulidade total do lançamento, que o valor do lançamento suplementar seja reduzido ao valor justo e na forma das provas apresentadas. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do impugnante, mantendo o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento, nos termos do relatório e voto ali registrados (fls. 78/94). Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, ratificando os argumentos da impugnação e destacando, em síntese, como pontos relevantes para dirimir a lide (fls. 101/117): 1. em sede preliminar, que a autuação é nula por não observar o devido processo legal, cerceando o direito de defesa ao não indicar o dispositivo infringido; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 137 7 2. no mérito, propugna pela ilegalidade da exigência do ADA para o gozo do benefício da exclusão de áreas de interesse ambiental da base de cálculo do ITR, sob o fundamento de que a Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 7º, dispensa a prévia comprovação das áreas isentas, o que não pode ser contraposto por meio de atos administrativos da RFB e do IBAMA; 3. que o arbitramento do VTN por meio dos valores constantes no Sistema de Preços de Terra SIPT causou distorção na ordem de 42,53% (quarenta e dois, virgula cinquenta e três por cento) em relação ao anoanterior; 4. transcreve posicionamento doutrinário e jurisprudencial perfilhado ao seu propósito; 5. por fim, requer: 5.1. o conhecimento do Recurso; 5.2. o acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento por falta de requisito formal, cerceamento do direito de defesa e inobservância do devido processo legal; 5.3. que seja cancelado o lançamento na parte tutelada pela ausência da apresentação tempestiva de ADA; 5.4. que seja considerada a ARL averbada de 19,0 ha; 5.5. que seja cancelado o lançamento na parte arbitrada pelo SIPT, designando perícia para apurar o valor justo do VTN; 5.6. que, caso o lançamento não seja cancelado em sua totalidade, ao menos, considere sua manutenção em baseada em "valor justo". É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 16/04/2013 (fls. 99), e a Peça recursal foi recebida em 14/05/2013 (fls. 101), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Apreciando as razões recursais, entendo que o cotejo analítico do conjunto probatório produzido nos autos, aliado às razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, ora reapresentadas, foram detidamente enfrentados pela decisão de origem. Logo, por bem abordar os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do Fl. 140DF CARF MF 8 acórdão recorrido, a teor do consubstanciado no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Preliminares Nulidade do procedimento fiscal Considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis a modificar o julgamento de origem, no qual a questão foi devidamente esclarecida, mostrando, de forma cristalina, que não houve a nulidade suscitada, adoto como razão de decidir o lá deliberado (§ 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), nestes termos (efls. 83/86): Em preliminar, o contribuinte pretende a nulidade da autuação fiscal, alegando cerceamento ao seu direito de defesa e inobservância ao devido processo legal, em virtude da falta de indicação dos critérios utilizados pela fiscalização para a constituição do crédito tributário, inclusive quanto ao não cumprimento do art. 11, inciso III, do Dec. nº 70.235/72. Em que pese as alegações apresentadas com o intuído de justificar a nulidade do lançamento, resta claro que o procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com as normas que regem o processo administrativo fiscal, não se vislumbrando qualquer irregularidade que pudesse macular a presente notificação de lançamento, seja por uma suposta ilegalidade na constituição do crédito tributário em questão ou mesmo por eventual cerceamento do direito de defesa. No presente caso, o trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7º e 23 do Decreto nº 70.235/72, observada a Instrução Normativa SRF nº 579, de 08 de dezembro de 2005, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados para a revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, feita mediante a utilização de malhas fiscais e, especificamente, o disposto no art. 53, do Decreto 4.382/2002 (RITR), que trata, no caso do ITR, da intimação do início do procedimento fiscal. Assim sendo, ainda na fase inicial do procedimento fiscal, conforme previsto na Norma de Execução Cofis nº 002/2010, de 29/05/2006, aplicável ao exercício de 2006, o contribuinte foi regularmente intimado a apresentar os documentos de prova relacionados no Termo de Intimação Fiscal de fls. 01/03 e 05/06, para fins de comprovação dos dados informados na correspondente DITR/2006, inclusive, o valor fundiário do imóvel (VTN), a preços de 1º/01/2006, sob pena de realização do lançamento de ofício. Considerese que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental e a falta de comprovação, em qualquer situação, de dados cadastrais informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), incluindo a subavaliação do VTN, autoriza o lançamento de ofício, regularmente formalizado através da referida Notificação, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e artigos Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 138 9 51 e 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei nº 5.172/66 –CTN, não havendo necessidade de realizar diligência/vistoria prévia ao “Sítio Paraíso”, para constatar a existência de qualquer irregularidade, bem como para apurar e, se for o caso, arbitrar o seu VTN. Frisese que o ônus da prova é do Contribuinte, seja na fase inicial do procedimento fiscal, conforme previsto nos artigos 40 e 47 (caput), do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (RITR), ou mesmo na fase de impugnação, constando do art. 28, do Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou, no âmbito da RFB, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, que é do interessado o ônus de provar os fatos que tenha alegado. Acrescentese que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 (caput) e seu parágrafo único, do CTN. Assim, não tendo sido apresentados todos os documentos de prova exigidos para comprovação das referidas áreas ambientais (preservação permanente e interesse ecológico), nem o laudo de avaliação exigido para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1º/01/2006, não poderia a autoridade fiscal deixar de efetuar o lançamento de ofício, materializado na notificação de fls. 24/27. Acrescentese que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 (caput) e seu parágrafo único, do CTN. Assim, não tendo sido apresentados todos os documentos de prova exigidos para comprovação das referidas áreas ambientais (preservação permanente e interesse ecológico), nem o laudo de avaliação exigido para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1º/01/2006, não poderia a autoridade fiscal deixar de efetuar o lançamento de ofício, materializado na notificação de fls. 24/27. Também, cabe observar que a notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), trazendo as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV, inclusive, a correta descrição dos fatos e enquadramentos legais das infrações apuradas pela autoridade fiscal (às fls. 25), que resultaram no imposto suplementar devidamente demonstrado (às fls. 26), embora o contribuinte tenha alegado a ofensa ao inciso III do art. 11 supracitado, por entender que não constava da notificação o dispositivo que fora infringido. Assim, o procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com as normas previstas para esse tipo de trabalho, não havendo qualquer irregularidade que pudesse invalidálo, além de ter sido proporcionado ao contribuinte a oportunidade de exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, mediante a interposição tempestiva da sua impugnação, Fl. 142DF CARF MF 10 de conformidade com o previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, o que, aliás, foi feito, conforme Impugnação de fls. 32/47, ora apreciada. Enfim, o contribuinte teve dois momentos para se defender e apresentar os documentos pertinentes: antes da lavratura da notificação de lançamento e na sua impugnação, quando pôde argumentar, produzir e apresentar as provas que julgou necessárias para contestar as irregularidades a ele imputadas, mencionando as razões de fato e de direito de sua defesa, no teor dos arts. 14 a 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Quanto aos princípios constitucionais invocados pelo requerente, é preciso destacar que a autoridade fiscal é uma mera executora de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, mas sim verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de possíveis inconstitucionalidades ou ilegalidades das normas vigentes, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme visto anteriormente. Os mecanismos de controle de legalidade/constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Já os princípios constitucionais, de um modo geral, têm como destinatário o legislador na elaboração da norma. Ou seja, os princípios orientam a feitura da lei. Tanto a autoridade fiscal lançadora, quanto a autoridade administrativa julgadora, especialmente os de primeira instância, por dever funcional, encontramse cingidas aos estritos termos da legislação fiscal, ou seja, deve observar as Leis e os atos normativos da autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a quem estão subordinados., conforme art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, publicada no DOU de 14 seguinte. Enfim, contendo a Notificação de Lançamento os requisitos legais, estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, constando devidamente identificadas e motivadas as alterações efetuadas pela autoridade fiscal, nos dados informados pelo Contribuinte na sua DITR/2006, com a glosa, por falta de comprovação, das áreas ambientais declaradas de preservação permanente e de interesse ecológico, respectivamente, de 60,0 ha e 2,0 ha, além de rejeitado, por se mostrar subavaliado, o VTN declarado, de R$ 92.944,44 ou R$ 978,36/ha, sendo arbitrado, com base no SIPT, o valor de R$ 441.921,95 ou R$ 4.651,81/ha, e tendo o interessado, após dela ter tomado ciência, protocolado a sua impugnação, dentro do prazo legal, não há que se falar em NULIDADE, por ofensa a qualquer um dos princípios citados pelo requerente. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 139 11 No que concerne aos pronunciamentos doutrinários expostos, conquanto mereçam respeito entendimentos manifestados por juristas citados pelo contribuinte, esclareçase que tais entendimentos não podem prevalecer sobre a orientação dada pela Receita Federal do Brasil quando da interpretação de dispositivos legais. Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 PAF, entendo ser incabível o pretendido cancelamento, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Concernente aos argumentos recursais de ofensa aos princípios constitucionais, manifestase que ao CARF é vedada a apreciação de questões de feição constitucional. É o que se abstrai do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, matéria já sumulada por este Conselho. Confirmase: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pedido de perícia Em seu pedido, o recorrente pleiteia que seja cancelado o lançamento na parte arbitrada pelo SIPT, designando perícia para apurar o valor justo do VTN. . Disto, infere se que referido sujeito passivo preferiu requerer mencionado procedimento a provar sua pretensão mediante a apresentação de documentação idônea. A propósito, é pertinente registrar que as perícias têm por desígnio o esclarecimento de fatos que suscitem dúvidas para o julgamento da contenda, não se prestando para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas por ocasião da impugnação. É o que se abstrai da leitura dos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c com os incisos I e II do § 1º do art. 464, da Lei nº 13.105, de 2015 (CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal. Confirmase: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela Fl. 144DF CARF MF 12 constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Lei nº 13.105, de 2015: Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações. [...] Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. § 1º O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; [..] Nessa perspectiva, denotase que a prova pericial tem caráter específico, cuja produção independe de vontade das partes, mas sim de contingências que a justifiquem. Mais precisamente, sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento técnico de especialista na matéria objeto da discussão sob análise, com o intuito de esclarecer aspectos supostamente controvertidos ou complexos. Assim sendo, entendo ser prescindível a realização da perícia pleiteada pelo recorrente, pois o arbitramento do VTN mediante os valores do SIPT se deu em conformidade com o previsto noart. 14 da da Lei 9.393/1996, consoante se discorrerá no mérito. Ademais, não se está questionando a suposta veracidade dos documentos apresentados, mas tão somente se o requerente cumpriu as condições impostas pela legislação para o afastamento da reportada valoração. Do exposto, os documentos acostados aos autos são suficientes para a formação da convicção deste julgador, uma vez inexiste matéria controversa ou de complexidade que justificasse um parecer técnico de especialista. Por isso, indefiro citada pretensão, porque inexistente razões que a justificassem, já que mencionado procedimento técnico não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação. Isto posto, rejeitase reportadas alegações preliminares. Delimitação da lide Previamente à apreciação de mencionada contenda, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (efl. 29), nestes termos: Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 02 Área de Preservação Permanente APP (ha) 60,0 00,0 03 Área de Reserva Legal ARL (ha) 00,0 00,0 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 140 13 05 Área de Interesse Ecológico AIE (ha) 2,0 00,0 20 Valor Total do Imóvel (R$) 119.944,44 468.921,95 Consoante visto no Relatório, a ARL não foi objeto da autuação, e já que o recorrente não logrou êxito perante o julgamento de origem, restou a controvérsia estabelecida somente quanto à exclusão da incidência do ITR de áreas classificadas como de "APP" (por falta de apresentação tempestiva de ADA) e de "AIE" (por falta de apresentação tempestiva do ADA e de Ato específico federal ou estadual, declarandoa como de interesse ambiental), bem como quanto ao arbitramento do VTN com base nos valores do SIPT. A cronologia metodológica do trabalho Dentro do espaço delimitado pela controvérsia instaurada, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz a norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. Assim sendo, buscando facilitar a compreensão dos fatos, a presente abordagem se desdobrará em 04 (quatro) eixos, cujas abordagens se complementam nos respectivos tópicos, quais sejam: 1. APP e AIE no referido enfoque, será enfrentada a problemática da apresentação tempestiva do ADA e do Ato específico federal ou estadual, declarando o interesse ambiental da AIE. Para isso, o debate avançará na seguinte ordem cronológica de tópicos: (a) Ato específico federal ou estadual (requisito específico para o gozo da isenção atinente à AIE) tópico: contextualização em si da obrigação legal; (b) ADA (requisito genérico para o gozo das isenções permitidas, exceto a ARL averbada tempestivamente) tópicos: Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro, ITR Aspectos constitucionais, ITR Aspectos legais, Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte, Norma legal vigente, Base de cálculo VTN tributável, Isenções exclusões da base de cálculo, Caracterização do ADA, A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA, A natureza acessória da obrigação, A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA e Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA; (c) reflexos das isenções concedidas na apuração do tributo tópicos: Progressividade de alíquota, Grau de utilização do imóvel rural GU, Área aproveitável do imóvel rural e Área efetivamente utilizada na atividade rural; (d) abordagens fundamentando o entendimento obtido durante a presente análise A dispensa da prévia comprovação de área isenta, Princípio da estrita legalidade tributária, Interpretação literal da legislação que concede isenção e A apresentação tempestiva do ADA; 2. arbitramento do VTN mediante valores constantes no SIPT tópico: contextualização em si da obrigação legal; 3. jurisprudência administrativa e judicial. Posta assim a questão, passo à análise da contenda suscitada. Mérito Fl. 146DF CARF MF 14 Áreas de preservação permanente e de interesse ecológico Conforme se verá na sequência, citadas isenções tributárias estão condicionadas à apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA) e, no caso da AIE, de Ato específico federal ou estadual, declarandoa como de interesse ambiental. Assim sendo, vaise discorrer inicialmente acerca do Ato específico, próprio da AIE, e, em seguida, do ADA, imprescindível para o gozo dos dois benefícios fiscais. Ato específico federal ou estadual AIE Nessa configuração, vale trazer os ditames vistos na Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alíneas "b" e "c", os quais condicionam o gozo do citado benefício fiscal à comprovação do interesse ecológico da respectiva área, mediante o Ato específico retrocitado. Confirmase: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (grifo nosso) c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual;(grifo nosso) ADA APP e AIE Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro A Constituição Federal, de 1988, buscou assegurar o necessário equilíbrio entre a garantia individual da propriedade privada e sua função social como princípio da ordem econômica. Assim entendido, a primeira se apresenta atrelada à segunda tanto no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos art. 5º, XXII e XXIII como naquele dos Princípios Gerais da Atividade Econômica art. 170, II e III nestes termos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, [...], à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXII é garantido o direito de propriedade; XXIII a propriedade atenderá a sua função social; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 141 15 Art. 170. A ordem econômica, [...], conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] II propriedade privada; III função social da propriedade. Refinando o raciocínio, vêse que a Carta Magna, pontual e especificamente, traz estímulos especificamente voltados ao cumprimento da função social do imóvel rural, seja estabelecendo os critérios de seu respectivo atingimento art. 186, I e II seja restringindo em si o próprio direito fundamental de propriedade arts. 184, caput, e 185, II e § único in verbis: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social [...]; Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: [...] II a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social; Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I aproveitamento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; Nessa perspectiva, sopesando os comandos constitucionais vistos nos arts. 186 e 184 acima, inferese que, numa suposta relação hipotética, o primeiro pode se apresentar como antecedente e o segundo como consequente, ou seja, em situação extremada, o descaso com a função social do imóvel rural poderá implicar sua desapropriação por interesse social. Assim entendido, é imprescindível a conciliação entre os interesses individuais decorrentes do direito de propriedade e os coletivos advindos com a justa solidariedade social, razão por que, quanto a isso, o comando constitucional sinaliza as potenciais hipóteses: 1. os legisladores deverão estimular referido equilíbrio, mediante normas incentivadoras de condutas salutares tanto do ponto de vista individual quanto coletivo; 2. os governos deverão promover políticas públicas direcionadas a tais finalidades; 3. os operadores do direito deverão orientar suas decisões com vistas ao atendimento dos preceitos ora discorridos; Fl. 148DF CARF MF 16 4. à sociedade organizada, sem desrespeitar a propriedade privada, deverá exigir o cumprimento da função social da terra; 5. o proprietário individual do imóvel rural deverá conduzir seus propósitos pessoais com apreço aos interesses da coletividade. Descendo a pirâmide, passaremos a analisar o delineamento do aludido tributo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ITR Aspectos constitucionais Tratase de imposto de competência da União CF, de 1988, art. 153, VI de função eminentemente extrafiscal, cujos contornos são desenhados para estimular o cumprimento da função social do imóvel rural considerado, possibilitando benefícios à sociedade, sem prejuízo do exercício do direito de propriedade pelo seu titular. Confirmase: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] VI propriedade territorial rural; [...] § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; II não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; A citada progressividade fiscal se traduz em instrumento de intervenção na propriedade privada com vistas a inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, em atendimento à função social que a Constituição determinou fosse observada, conforme já se transcreveu no tópico anterior (arts. 5º, XXIII, e 170, II). Ainda no mesmo sentido, na forma também já vista precedentemente, o mandamento Constitucional, por um lado, declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para reforma agrária (art. 185, II); por outro, delineou a função social que o imóvel há de cumprir, estabelecendo os critérios do aproveitamento racional da terra, como também a utilização adequada dos recursos disponíveis e a preservação do meio ambiente (art. 186, I e II). Na mesma esteira do cumprimento da função social do imóvel rural, diretamente, a Matriz Constitucional traz a imunidade do ITR atinente à pequena gleba rural quando atendidas as circunstâncias ali delineadas (art. 153, § 4º, II). Não de modo diferente, embora indiretamente, podese compreender que o cumprimento da função social do imóvel rural também foi privilegiado, na medida em que a Carta sinaliza imunidade dos imóveis pertencentes à União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas, instituições de educação e assistência social nos termos por ela estabelecidos (art. 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º). Por fim, a Carta Constitucional define que as normas gerais em matéria tributária serão estabelecidas por meio de lei complementar, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 142 17 [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (grifo nosso) ITR Aspectos legais Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte No atendimento do comando constitucional acima transcrito (art. 146, III, alínea "a"), dispondo sobre o aspecto material da incidência de referido Tributo, o Código Tributário Nacional (CTN) recepcionado com força de lei complementar pela CF, de 1988 em seus arts. 29 a 31, definiu que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, nestes termos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário; Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Norma legal vigente Nessa esteira, em consonância com as disposições contidas nas normas gerais transcritas acima, a Lei Federal nº 9.393, de 1996, delimita os contornos do fato gerador (art. 1º); do contribuinte (art. 4º) e da base de cálculo (arts. 8º) do reportado Imposto, nestes termos: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...] Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. Fl. 150DF CARF MF 18 § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Base de cálculo VTN tributável Até então, relativamente à presente abordagem, adequado consignar que referida Lei referenciou a base de cálculo do ITR a partir do preço de mercado da terra nua tributável na data de ocorrência do respectivo fato gerador (VTNt), o que se dará em 1º de janeiro de cada ano. Nessa perspectiva, orientando o estudo ao propósito que se pretende atingir, que é o enfrentamento da lide em debate, é apropriado se discorrer acerca da apuração da dita base tributável, conforme dispõe reportado mandamento legal, com a redação vigente à época do fato gerador, nestes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL)...[...] b) de interesse ecológico (AIE) para. [...] c) comprovadamente imprestáveis (ACI) para [...] d) sob regime de servidão florestal (ARSF); e) cobertas por florestas nativas (ACFN), primárias [...] f) alagadas (AA) para fins de constituição de reservatório [...] (grifo nosso) Importante salientar que a legislação tributária acompanha o entendimento dado à terra nua pelo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 79), definindoa como sendo o imóvel rural por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e respectiva mata nativa, floresta nativa ou pastagem natural. Isto está posto na IN RFB nº 256, de 2002, art. 32, caput. Confirase: Art. 32. Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do solo com sua superfície, bem assim das florestas naturais, das matas nativas e das pastagens naturais que integram o imóvel rural. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 143 19 Nesse cenário, o já transcrito § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, por meio do seu inciso III, assevera que o valor da terra nua tributável (VTNt) efetiva base de cálculo do tributo em destaque equivale ao valor da terra nua (VTN) correspondente à área tributável. Portanto, representado pelo produto da multiplicação do VTN pelo quociente da divisão entre a área tributável e a extensão total do respectivo imóvel rural. Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; (grifo nosso) Isenções exclusões da base de cálculo A propósito, por ser proveitoso para a construção dos fundamentos a se hipotecar nesta análise, conveniente registrar que, como visto, exceto quanto às imunidades voltadas ao cumprimento da função social referenciada anteriormente (CF, de 1988, arts. 153, § 4º, II, e 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º), o ITR incide sobre a totalidade remanescente dos imóveis rurais, nos termos apontados pelo CTN. Logo, as exclusões redução da base de cálculo estabelecidas na legislação supratranscrita (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, incisos I e II) traduzem notórias isenções tributárias, como tais, carregadas de especificidades próprias, conforme se verá adiante. No contexto, releva retomar que tais isenções retratam a dimensão extrafiscal do mencionado Imposto, pois pretendem estimular o cumprimento da função social do imóvel rural por meio da utilização adequada dos recursos disponíveis e da preservação do meio ambiente. Assim entendido, quando da apuração da reportada base de cálculo, a Lei exclui, por um lado, os custos diretos a que se referem as aplicações dispostas nas alíneas "a" a "d" do seu art. 10, § 1º, inciso I (valor das benfeitorias, culturas, pastagens e reflorestamento); por outro, no cálculo da área tributável, elide a tributação atinente às áreas utilizadas na forma vista nas alíneas "a" a "f" constantes no inciso II do mesmo parágrafo e artigo (APP, ARL, AIE, ACI, ARSF, ACFN e AA). Nesse pressuposto, anunciada isenção tributária está condicionada ao cumprimento de requisito obrigatório, previsto na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, que lhe alterou o mandamento do § 1º do art. 17O, qual seja: a existência de ADA ou do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental com ele conveniado. Enfim, tratase de exigência genérica indispensável para a supressão de qualquer área da incidência do referido tributo. Confirase: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] Fl. 152DF CARF MF 20 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Caracterização do ADA O ADA é o instrumento que possibilita a alimentação do cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA, destacando aquelas frações de interesse ambiental, as quais, se atendidos os preceitos legais, são excluídas da base de cálculo do ITR. Tratase, portanto, de obrigação imposta ao detentor do reportado benefício fiscal, cuja pretensão é estimular o já discutido cumprimento da função social do imóvel rural, na medida em que incentiva a preservação do meio ambiente, contribuindo para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Mais objetivamente, atendida a condição imposta, o proprietário rural vê seu tributo reduzido quando protege suas florestas ou vegetações naturais, assim como em virtude do incremento na produtividade da respectiva terra. A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA Nos termos vistos no § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, o ADA é um documento por meio do qual o contribuinte declara ao IBAMA as áreas excluídas da base de cálculo do ITR nos termos previstos na legislação. Assim entendido, por meio dele o Órgão fiscalizador ambiental recebe informações relativas à preservação e conservação ambientais de propriedades rurais, realiza auditoria com vistas a averiguar a veracidade das informações ali constantes e, quando for o caso, lavrará, de ofício, novo ADA, corrigindo as supostas distorções verificadas, o qual será encaminhado à RFB, a quem compete efetivar a autuação correspondente. Confirmase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 Como visto precedentemente, há de se entender que a isenção pretendida pelo sujeito passivo traz duas vertentes distintas, mas complementares, quais sejam: por um lado, o aspecto formal da existência ou não do ADA, que é fiscalizado pela RFB; por outro, o aspecto material, caracterizado pelo levantamento técnico da conformidade entre o registro documental e a existência real das áreas tidas por preservadas. Mais precisamente, tratase de dever legal visando a uma razoável praticabilidade da norma isencional tributária, na medida em que a exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR permite uma efetiva fiscalização da preservação da área de interesse ambiental por parte do IBAMA. Nesse sentido, conforme visto, vale dizer que o atendimento de mencionada obrigação potencializa o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 144 21 A natureza acessória da obrigação Nessa perspectiva, conforme a Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 113, §§ 1º, 2º e 3º, somente há duas espécies de obrigações tributárias impostas ao contribuinte, a principal e a acessória. A primeira, trata do pagamento de tributo ou penalidade; a segunda, diz respeito a todas as imposições feitas ao sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, esta última se transforma em principal no tocante ao pagamento de penalidade pecuniária, quando e somente se, legalmente prevista. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A propósito, não se imagina razoável descaracterizar a natureza de uma obrigação acessória supostamente porque inexistente a penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, pois a legislação tributária prevê inúmeras situações onde não há reportada sanção. Quanto a isso, especialmente nos casos de benefícios fiscais, a lei optou por vincular referido gozo ao cumprimento das prestações positivas ou negativas nela impostas. A exemplo, transcrevemos excerto do Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 516, 518, 527, inciso I, parágrafo único, e 530, inciso III, e 532 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). [...] Fl. 154DF CARF MF 22 Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...]. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (grifo nosso) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifo nosso) [...} Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No caso, a forma de apuração do Imposto por meio de regime privilegiado (lucro presumido), caracterizado pela redução da base de cálculo do montante apurado e, especialmente, pela dispensa de escrituração contábil nos termos exigidos pela legislação comercial, fica afastada quando o beneficiário descumprir a obrigação acessória de apresentação do livro caixa escriturado (art. 530, III). Assim entendido, tal como a apresentação do ADA, inferese que a ausência de penalidade pecuniária pelo descumprimento da respectiva obrigação acessória não a descaracteriza, já que isso supostamente refletirá na perda do benefício pretendido (aumento da base de cálculo correspondente ao acréscimo de 20% do coeficiente de cálculo art. 532). Dá forma já posta, em síntese, o dever instrumental da apresentação do ADA consiste na prestação positiva no interesse da arrecadação e fiscalização do ITR, uma vez se traduzir em expediente que possibilita o acompanhamento do cumprimento da obrigação principal de pagar mencionado tributo, a partir das informações ali declaradas. Portanto, entendo que citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. Afinal, dito Instrumento; por um lado, está legalmente vinculado à apuração do ITR (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); por outro, compreenderá o suporte fático da autuação decorrente das divergências levantadas pelo IBAMA e enviadas à Repartição Fiscal competente (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 4º). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 145 23 Olhando em dita perspectiva, já que caracterizada a natureza acessória do dispositivo, vale delimitar o seu fato gerador, segundo o art. 115 do CTN: "Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." (grifo nosso) Do até então exposto, temse que as obrigações acessórias podem decorrer da legislação tributária, por força dos arts. 113, § 2º, e 115 do CTN já transcritos, esta última compreendendo as normas complementares, dentre as quais os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, como se vê nos arts. 96 e 100, I, do CTN. Confirase: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA Avançando no raciocínio, é relevante se identificar o momento de ocorrência das circunstâncias materiais caracterizadoras do descumprimento do citado dever instrumental, cujos efeitos implicam a glosa do benefício fiscal que o recorrente almejou usufruir. Por conseguinte, estabelecendo as condições necessárias ao fiel cumprimento da Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, sob o manto Regulamentar e legal, a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos complementando o detalhando do mandamento que a norma legal exigiu fosse cumprido. Nesse manto, conforme o já referenciado art. 96 do CTN, o decreto é ato normativo proveniente do Chefe do Poder Executivo, que integra a legislação tributária, e tem por incumbência essencial a regulamentação do conteúdo das leis, conforme art. 84, inciso IV, da CF, de 1988. Confirase: CF, de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; CTN, de 1966: . Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende [...]. Fl. 156DF CARF MF 24 A tal respeito, dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I, remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal. Confirase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Não bastasse referida previsão infralegal da definição dos prazos e condições para a apresentação do ADA mediante atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a Lei nº 9.779, de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Confirase: Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA em dois períodos distintos, que têm por marco o exercício de 2007. Nesse pressuposto, citado protocolo deveria se dar em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e de 1° de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao limítrofe e dali em diante respectivamente. Confirase: 1. para os exercícios anteriores a 2007, reportado protocolo deveria ocorrer em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR, nos termos da IN SRF nº 43, de 1997, art. 10, § 4º, inciso II, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1997, art. 1º. Confirase: IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 146 25 § 4o As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) (grifo nosso) Oportuno registrar que, no lapso temporal retrocitado, os atos normativos que trataram do assunto em debate, embora passando por uma sequência de revogações, mantiveram inalterado o interregno de seis meses contados da data final para a apresentação da respectiva Declaração. Nessa perspectiva, a IN SRF nº 43, de 1997 foi revogada pela IN SRF nº 73, de 2000, a qual também foi objeto de revogação pela IN SRF nº 60, de 2001, também fulminada pela IN SRF nº 256 de 2002. Confirase: IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; (grifo nosso) IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 158DF CARF MF 26 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR 2. a partir do exercício de 2007, a RFB estabeleceu a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, não mais em seis meses, contados da data final para a entrega da DITR do correspondente exercício, e sim no prazo estipulado na legislação ambiental, conforme a IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, inciso I, com a alteração implementada pela IN RFB nº 861, de 2008, c/c a IN RFB nº 746, de 2007, art. 10. Confirase: IN SRF nº 256, de 2002 (alterada pela IN RFB nº 861, de 2008): Art. 9º [...] § 3º [...[ I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) (grifo nosso) IN RFB nº 746, de 2007: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. (grifo nosso) Nessa nova configuração, o IBAMA determinou que o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro, conforme IN IBAMA nº 76, de 2005, art. 9º; IN IBAMA nº 96, de 2006, art. 9º, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN IBAMA n° 5, de 2009. Confirase: IN IBAMA nº 76, de 2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. (grifo nosso) Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. (grifo nosso) IN IBAMA nº 96 de 2006: Art 9º As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 147 27 IN IBAMA nº 05, de 2009: Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). [...] § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado.(grifo nosso) Art. 7º. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Progressividade de alíquota Além das isenções apontadas, como se há verificar, especificado mandamento legal privilegia a progressividade fiscal de citado tributo, na medida em que se propõe inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, estabelecendo critérios de aproveitamento racional da terra, a partir da determinação de alíquotas em percentuais inversamente proporcionais ao grau de utilização do correspondente imóvel rural. Nessa perspectiva, conforme art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, dentro das respectivas faixas de tributação existentes, que são estabelecidas em razão da área total do imóvel rural, a alíquota aplicável será tanto menor quanto maior for o grau de utilização da propriedade. Confirase: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Mais especificamente, o Anexo a que se refere a transcrição posta traz a seguinte tabela de alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido. Confirase: Grau de utilização GU (%) Área total do imóvel (extensão ha) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Fl. 160DF CARF MF 28 Considerando que as isenções apontadas refletem não somente na base de cálculo do ITR matéria vista precedentemente mas também na alíquota aplicável em sua apuração, na sequência, é plausível se contextualizar o grau de utilização do imóvel rural, como também suas áreas aproveitável e de efetiva utilização na mencionada atividade, que lastreiam a extrafiscalidade do citado tributo, determinada pela progressividade de suas alíquotas. Grau de utilização do imóvel rural GU É a relação percentual estabelecida entre a área efetivamente utilizada pela atividade rural e a totalidade aproveitável do respectivo imóvel, o qual, conforme visto no tópico precedente, juntamente com a extensão do imóvel, traduzse em critério determinante para a progressividade das alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, VI; Decreto nº 4.382, de 2002, art. 31, e IN SRF nº 256, de 2002, art. 31). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Assim entendido, convém ressaltar que, conforme se discorrerá na sequência, as áreas aproveitável e efetivamente utilizada na atividade rural base para o cálculo do reportado grau de utilização (GU) consideram as isenções retrocitadas (Lei nº 9.393, de 2002, art. 10, § 1º, incisos I e II). Ademais, levam em consideração os fatos ocorridos entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador. Área aproveitável do imóvel rural Tratase de área retratada no Quadro 10 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área do Imóvel Rural”, a qual está apontada no Campo 10 e se caracteriza pela diferença entre a área total do imóvel (campo 01) e as isenções previstas no art. 10, § 1º, incisos I, alínea "a", e II, alíneas "a" a "f" da Lei retrocitada (campos 02 a 09). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Área efetivamente utilizada na atividade rural Visto o comando legal abaixo transcrito (Lei nº 9.393, de 2002), cumpre destacar que, no Campo 18 do Quadro 11 do Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 148 29 DIAT "Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural” consta a área efetivamente utilizada na atividade rural. Esta, por sua vez, referese à porção da área aproveitável que, no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador, tenha sido empregada para produtos vegetais, pastagens, exploração extrativa, criações diversas, projetos técnicos e pesquisa, como também quando situada em área de calamidade pública. Confirmase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. A dispensa da prévia comprovação de área isenta Oportuno registrar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, vigente entre 25/08/2001 e 25/05/2012, não trouxe inovação no ordenamento jurídico tributário, pois apenas reforçou que o lançamento do citado Imposto se dará por homologação, conforme dispositivo constante no caput, c/c o art. 150 da Lei nº 5.172, de 1966. Logo, tratase da dispensa prévia de apresentação de documentos no momento da entrega da DITR, o que é próprio da referida modalidade de lançamento, o que é respeitado pela Receita Federal do Brasil. Confirase: Art. 10.[...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, Fl. 162DF CARF MF 30 ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Assim sendo, quando questionado pelo Fisco, o contribuinte mantém a obrigação de comprovar o cumprimento tempestivo das condições impostas pela legislação para o gozo da isenção pretendida, mesmo se tratando de APP e ARL (alínea "a") ou de . área sob regime de servidão florestal (línea "d"). Ademais, tampouco há de se cogitar no afastamento da atribuição dada à fiscalização para verificar se os dados declarados correspondem à situação existente no correspondente imóvel na data do fato gerador do ITR, procedendo ao lançamento de ofício quando o sujeito passivo não lograr comprovar a regularidade dos dados informados na respectiva declaração. A propósito, em se tratando de tema complexo, entendo pertinente refinar a análise considerando dois pressupostos que refletem os comandos normativos da matéria em debate, quais sejam: (i) o da reserva legal visto no art. 97 do CTN e (ii) o da interpretação literal presente no art. 111 do mesmo Código. O primeiro, referindose à estrita legalidade própria dos elementos basilares da relação jurídico tributária (fato gerador da obrigação principal, base de cálculo, alíquota, etc.); o segundo, impondo limites atinentes à interpretação a ser dada aos dispositivos tributários que tratem da concessão de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória. Princípio da estrita legalidade tributária A reserva legal tributária prevista no art. 150, inciso I, da CF, de 1988, impõe que a própria lei desenhe a regramatriz de incidência tributária a ser adotada pelos sujeitos da relação jurídicotributária. Nesse bojo, o art. 97 do CTN é preciso ao esclarecer e delimitar tais preceitos, mediante o estabelecimento de normas gerais tributárias. Confirmase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 149 31 V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. De pronto, examinando mais detalhadamente os arts. 96, 97 e 98 do CTN este último tratando dos tratados e convenções internacionais e os dois primeiros da legislação tributária e da reserva legal respectivamente notase que não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal (arts. 97 e 98). Consequentemente, inferese que o ali não contido, referese a obrigações acessórias, como tais, podendo ser disciplinadas por meio da legislação tributária compreendida nos termos do art. 96 do citado Código. Interpretação literal da legislação que concede isenção Considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Nessa ótica, conforme o art. 111 do CTN, o entendimento acerca da imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA para o gozo da isenção pretendida pelo contribuinte deve ser restritivo, ficando afastada qualquer hipótese de dispensa ou substituição por outros documentos. Confirase: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por oportuno, o art. 175, parágrafo único, do CTN ratifica mencionada perspectiva restritiva, pois mantém a exigência de referida interpretação literal para a dispensa do cumprimento de obrigação acessória, ainda que haja outorga de isenção do suposto crédito tributário a ela vinculada. Confirase: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; [...] Fl. 164DF CARF MF 32 Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Sumarizando o raciocínio teorizado nos últimos tópicos (progressividade de alíquota, grau de utilização, área aproveitável, área efetivamente utilizada, dispensa de comprovação prévia, estrita legalidade e interpretação literal), depreendese que os benefícios fiscais patrocinados pela supracitada Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 1º, incisos I e II, refletem redução do imposto devido, em face dos encolhimentos tanto da base de cálculo como da alíquota aplicável, decorrentes da isenção e da progressividade resultantes respectivamente. A apresentação tempestiva do ADA Neste cenário, tendo em vista o que está posto no art. 175, inciso I, e parágrafo único do CTN, inferese que o incisos II do art. 111 de igual Código trata de matéria redundante, porquanto já inserida no inciso I de tal artigo. Afinal, a outorga de isenção se traduz modalidade de exclusão do crédito tributário. Logo, admitir a manutenção dos benefícios fiscais em controvérsia sem o cumprimento tempestivo das formalidades legais exigidas APP (apresentação tempestiva do ADA) e AIE (apresentação tempestiva do ADA e do Ato específico federal ou estadual declarandoa de interesse ecológico), implicará ofensa a todos aqueles incisos dispostos no art. 111 do CTN, já abordados precedentemente. Mais precisamente, restariam concedidas outorga de isenção e, de igual modo, dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória mediante forma de interpretação da legislação tributária divergente da literal, o que, como se conheceu, é vedado expressamente pelos arts. 111, incisos I, II e III, e 175 do CTN. Ademais, o art. 141 do mesmo Código, é muito preciso ao ratificar citada proibição. Nestes termos: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Por todo o exposto, nos termo já vastamente debatidos, podese sintetizar o que segue: 1. o gozo dos referidos benefícios fiscais está legalmente condicionado à protocolização tempestiva do ADA no IBAMA ou órgão conveniado, como também do interesse ecológico do respectivo imóvel declarado em Ato federal ou estadual na forma já amplamente discutidos (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, e Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alíneas "b" e "c"); 2. citadas imposições se apresenta carregadas de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, pois realizadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. (CTN, art. 113, § 2º); 3. não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal, razão por que o período e condições para apresentação do ADA podem ser disciplinados por meio da legislação tributária (CTN, arts. 96, 97 e 98); Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 150 33 4. há comando legal específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o respectivo cumprimento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16); 5. dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o RITR remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I); 6. sob o manto legal (item 4) e Regulamentar (item 5), a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos estabelecendo condições e prazos de apresentação do ADA; 7. por fim, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória objetos do presente julgamento devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico vigente (CTN, arts. 111 e 175). Isto posto, com todas as vênias que me possam conceder os nobres julgadores que vêem de forma diferente, entendo haver, sim, mandamento legal autorizando o estabelecimento do prazo e das condições para a apresentação do ADA, por meio de ato administrativo de autoridade competente, aí se incluindo o Chefe do Executivo Federal, mediante o poder regulamentar (CF, de 1988, art. 84), e as autoridades constituídas da RFB (lei nº 7.779, de 1999, art.16). Ademais, ainda que isso inexistente fosse, interpreto que os dirigentes da RFB e do IBAMA detêm mencionado poder em suas atribuições regimentais, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Afinal, tratase do regramento de obrigação acessória, matéria não vinculada à reserva legal tributária. Superada a patenteada acepção conceitual retrocitada, passaremos ao enfrentamento da controvérsia propriamente. Exercício de 2006 prazo de apresentação do ADA Consoante se discorreu precedentemente, tratandose de declaração referente a exercício anterior ao de 2007, o termo final para a protocolização no IBAMA de requerimento do ADA correspondente ao citado exercício se deu em até 31 de março de 2007, seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR/2006, que sobreveio em 29 de setembro de 2006. É o que se abstrai da IN SRF nº 659, de 2006, arts. 3º e 10. Confirma se: IN SRF nº 659, de 2006: Art. 3º A DITR deverá ser apresentada no período de 7 de agosto a 29 de setembro de 2006: [...] Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Fl. 166DF CARF MF 34 Isto posto, registrese que o ADA apresentado pelo recorrente se refere ao exercício de 2010, já que foi transmitido somente em 25 de março deste ano (efl. 12), não se aproveitando para a isenção referente a exercícios anteriores. Ademais, igualmente não consta nos autos o Ato específico federal ou estadual declarando o interesse ambiental da questionada área de interesse ecológico. Logo, os argumentos apresentados pelo sujeito passivo não merecem prosperar. VTN Arbitramento pelo SIPT Considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis a modificar o julgamento de origem, no qual a questão foi devidamente esclarecida, mostrando, de forma cristalina, ter ficado caracterizada a subavaliação do VTN declarado, a qual não foi desconstituída mediante Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II,, adoto como razão de decidir o lá deliberado (§ 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), nestes termos (efls. 91/93): A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2006, R$ 92.944,44 (R$ 978,36/ha),arbitrandoo em R$ 441.921,95 (R$ 4.651,81/ha), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.7. da Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. Importante ressaltar que utilização do VTN médio, como foi feito pela autoridade fiscal no presente caso, encontra respaldo na já referida Norma de Execução Cofis, que, em seu “Parâmetro 30”, assim estabeleceu: “Caso não exista a informação de aptidão agrícola, será utilizado o valor do VTN médio das declarações no mesmo ano para o município do imóvel rural em questão.” Esse valor corresponde ao VTN médio, por hectare, constante do Sistema de Preço de Terras – SIPT, para o exercício de 2006, tendo sido apurado com base nos valores informados pelos próprios contribuintes nas suas respectivas declarações do ITR/2006, para os imóveis localizados no município de Viana – ES (fls. 23). No presente caso é preciso admitir que, até prova documental hábil em contrário, o VTN Declarado, por hectare, de R$ 978,36/ha (R$ 92.944,44 : 95,0 ha), referente ao exercício de 2006, está de fato subavaliado, posto que o mesmo representa apenas 21% (vinte e um por cento) do referido VTN/ha médio. Caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não comprovado por documento hábil, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR/2006, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei nº 9.393/1996, e artigo 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR). Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2006, art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), o contribuinte foi intimado a Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10783.720078/201018 Acórdão n.º 2003000.157 S2C0T3 Fl. 151 35 apresentar “Laudo Técnico de Avaliação”, elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrônomo/florestal), com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 01/03 e 05/06). Para atingir tal grau de fundamentação e precisão, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01/01/2006, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. No entanto, o requerente não apresentou esse documento de prova, nem por ocasião daquela intimação inicial nem por ocasião da formalização da sua impugnação, oportunidade em que se limitou a questionar o fato de o imóvel não ter valorizado na proporção verificada entre os VTN/ha apontados no SIPT para os exercícios de 2006 e 2007, além de fazer referência ao valor estipulado na escritura de compra e venda de parte do terreno, lavrada em 2005, de R$ 46.000,00. Essa suposta discrepância verificada nos VTN/ha médios de um exercício para o exercício seguinte, em relação ao citado município, não pode servir para dispensar o contribuinte de apresentar o laudo técnico de avaliação exigido pela autoridade fiscal. Quanto à referida Escritura de Compra e Venda, a ser analisada no contexto, a mesma poderia servir apenas como uma das fontes de pesquisa de preços de terras na região, a ser utilizada pelo autor do necessário laudo técnico de avaliação. Enfim, não obstante essas alegações, não há como desconsiderar, para efeito de revisão do VTN arbitrado, a exigência de laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que possa demonstrar de maneira convincente, o cálculo do VTN tributado, a preços de mercado, em 1º de janeiro do exercício de 2006, oportunidade em que poderão ser consideradas as peculiaridades desfavoráveis do imóvel (topografia montanhosa, matas virgens/secundárias e de difícil acesso), conforme alegado. Reiterese que o ônus da prova é do contribuinte. Assim, não tendo sido apresentado “Laudo de Avaliação”, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento Fl. 168DF CARF MF 36 imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1º.01.2006, está compatível com as suas características particulares e classes de exploração das suas terras, não cabe alterar o VTN arbitrado pela fiscalização. Desta forma, entendo que deva ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT, para o referido imóvel no ITR/2006, R$ 441.921,95 (R$ 4.651,81/ha), por ter ficado caracterizada a subavaliação do VTN declarado de R$ 92.944,44 (R$ 978,36/ha), não comprovado por meio de documento hábil. Assim sendo, a pretensão do recorrente não encontra amparo na legislação vigente, razão por que fica afastado o gozo da isenção requerida, como também devese manter o VTN apurado pela fiscalização, nos exato termos da decisão de origem. Conclusão Ante o exposto, conheço do presente Recurso, rejeito a preliminar nele suscitada e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.900416/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-008.999
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação por restituição de pagamento indevido ou a maior relativo a créditos originários de pagamento COFINS. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 16 /2 00 9- 41 Fl. 261DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.999 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900416/2009-41 O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, informando que é fabricante de tintas, vernizes, esmaltes e lacas, sendo parte de suas vendas destinadas para Zona Franca de Manaus - ZFM. A empresa, equivocadamente realizou pagamentos indevidos das contribuições no tocante a tais vendas, pois, com base no art. 4º do Decreto-lei nº 288/1967, elas equivalem à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro em termos de efeitos fiscais; por isso buscou a restituição e utilização desses créditos para compensação. A 3ª Turma da DRJ/CPS exarou o acórdão nº 05-29.708, no qual, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, basicamente, por não haver competência da autoridade administrativa para se manifestar sobre eventual inconstitucionalidade de lei e não haver previsão legal de desoneração, à época dos fatos geradores, das contribuições que se alega serem indevidas. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, retomando os argumentos da impugnação e ainda que não foi intimada pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Adicionalmente, afirma que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.399, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma o dissídio em face dos acórdãos paradigmas nº 3401-002.249 e nº 9303-002.648, fundamentando que as contribuições apuradas e recolhidas pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na ZFM, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação, em franca dissonância com o acórdão recorrido, o qual aduzia que as receitas das vendas de mercadorias destinadas à ZFM, no período de apuração em discussão, não eram isentas ou imunes de PIS e Cofins. O recurso teve seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dei-lhe seguimento. A Fazenda Nacional foi cientificada desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.998, de Fl. 262DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.999 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900416/2009-41 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.900420/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.998): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Apesar de, na qualidade de presidente de câmara, ter admitido o recurso no despacho de e-fls. 223 a 234, nova análise, mais aprofundada, na qualidade de relator, me permitiu perceber que as situações fáticas dos acórdãos paradigmas não eram as mesmas do acórdão recorrido, para realização dos cotejamentos com a legislação aplicável. Ocorre que o acórdão nº 3401-002.249 era relativo a período de apuração de 01/11/2003 a 30/11/2003 e o acórdão nº 9303-002.648 abrange período de apuração de 01/01/2001 a 31/01/2001, ambos posteriores a novembro de 2000. Tomando apenas a ementa do acórdão nº 9303-002.648, à e-fl. 165, já se pode observar: ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. Na parte do voto deste acórdão, transcrita no recurso especial de divergência, às e-fls. 165 e 166, se tem a seguinte explanação: “O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha (...). Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.0372-4, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: (...) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Fl. 263DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.999 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900416/2009-41 Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. O fato gerador da contribuição cuja restituição se controverte neste processo é do período de 01/08/2000 a 31/08/2000, portanto, não cabe a apreciação da divergência, haja vista que os paradigmas se referiam a períodos distintos ao do acórdão a quo, cuja legislação incidente para solução do litígio era também distinta. Havendo falha nesse teste de aderência entre os arestos paradigmas e o acórdão recorrido, não há divergência comprovada, e por isso voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 264DF CARF MF
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