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Numero do processo: 11843.000651/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.202
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foi lavrado auto de infração relativo à Multa Isolada, em virtude da compensação indevida de tributos e contribuições sociais efetuada pela contribuinte, referentes a diversos períodos de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 43 .0 00 65 1/ 20 08 -6 0 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11843.000651/200860 Resolução nº 1301000.202 S1C3T1 Fl. 3 2 apuração, com créditos de natureza nãotributária, representados por títulos da dívida agrária, (fls. 08 a 12). Consta do Relatório Fiscal de folha 11, as seguintes fundamentações: [...]O contribuinte acima identificado, apresentou a Declaração de Compensação(DCOMP) n° 05149.04191.180908.1.3.047020, em 18/09/2008, mediante o sistema PERDCOMP, na qual solicita a compensação de débitos próprios com créditos oriundos de Títulos da Dívida Agrária. O citado PER/DCOMP foi baixado para controle manual no processo n° 11843.000629/200810, resultando no Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, de 28 de novembro de 2008, cuja cópia passa a fazer parte integrante do presente auto de infração. No referido Despacho Decisório a compensação foi considerada "não declarada", em virtude da incidência em três hipóteses de vedação contidas no §° 12 do Artigo 74 da Lei n° 9.430/96, ensejando, assim, a aplicação de multa isolada de 75%(setenta e cinco por cento) sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, nos termos do Artigo 18 da Lei n° 10.833/2003. [...]Devidamente cientificada da imputação fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 63 a 66), alegando em síntese, a nulidade do auto de infração eis que a intimação foi realizada, em 16/02/2009, por aposição de assinatura no corpo do auto de infração não seria válida. No mérito, defendeu que os pedidos de compensação não são de conhecimento da empresa, que somente tomou conhecimento no recebimento do auto de infração, portanto, não pode ser imputada qualquer falha, muito menos falsidade de declaração, requerendo fosse afastado o lançamento realizado, quer pela preliminar arguida, ou, pelas razões de fato e de direito aduzidas, que demonstram o descompasso entre a autuação fiscal e o ordenamento jurídico em vigor. A 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF, nos termos do acórdão e voto de folhas 72 a 77, julgou procedente a exigência fiscal, afastando a preliminar e reconhecendo prevalente a multa aplicada. Foi interposto Recurso Voluntário pela contribuinte (fls. 84 – 94), reiterando a preliminar de nulidade, aduzindo que no caso, concreto, não fora juntada aos autos a "Declaração de Compensação (DCOMP)", um dos elementos indispensáveis à própria aplicação da multa isolada, e que segundo alega o acórdão recorrido teria sido preenchida pelo representante legal da contribuinte. No mais, pugnou pelo reconhecimento da nulidade do processo, porquanto feriu, dentre outros princípios estabelecidos na Lei nº 9.784/95 e a própria Constituição Federal o do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual deverá ser declarada a nulidade, já que não existe no processo, a "Declaração de Compensação (DCOMP)", que segundo afirma o acórdão recorrido teria sido preenchida pelo sóciogerente da recorrente. Aduziu assim, que não poderia o acórdão recorrido afirmar que referida declaração fora preenchida pelo sóciogerente da recorrente se ela não consta dos autos, daí porque afirmou que não era do seu conhecimento mencionado pedido de compensação, razão Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11843.000651/200860 Resolução nº 1301000.202 S1C3T1 Fl. 4 3 pela qual não poderia lhe ser imputada qualquer falha, muitomenos a falsidade de declaração, notadamente porque inexistente. Insistiu a recorrente que visando esclarecer os fatos, diligenciou no sentido de obter cópia da referida DCOMP e verificou que, supostamente, teria sido preenchida e firmada pelo representante legal da recorrente, senhor Alberto de Deus Guerra, ao que parece em 16 de setembro de 2008, na cidade de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, onde, também, foi protocolada (processo n°. 10735.003870/200865 DRFNIUPROTRJ), defendendo, contudo, que o senhor Alberto de Deus Guerra, com 86 (oitenta e seis) anos, jamais esteve em Nova Iguaçu RJ, e nunca preencheu a referida "Declaração de Compensação (DCOMP)"; muito menos a assinou. Segundo a recorrente, a falsificação da assinatura do senhor Alberto de Deus Guerra na mencionada "Declaração de Compensação (DCOMP)" salta aos olhos e pode ser percebida a olho nu, entretanto, para dirimir qualquer dúvida a recorrente solicitou ao senhor Maurício José da Cunha, perito criminal federal, professor da Academia Nacional de Polícia do Departamento de Polícia Federal, exDiretor do Instituto Nacional de Criminalística, aposentado, a realização de exame grafo técnico da referida "Declaração de Compensação”. Insistiu a recorrente que a Declaração de Compensação ainda apresenta erros grosseiros, tais como: i) o município de Arapoema situado na "UF": "RJ"; ii) não declinou a origem e valor do crédito utilizado e iii) declinou o "CÓDIGO RECEITA: 6109" (inexistente), como código de compensação do débito, concluindo, portanto, diante da falsidade da Declaração de Compensação não há como se comprovar a prática do ilícito prevista no artigo 18 da Lei n°. 10.833/2003, pelo que seria improcedente o lançamento da multa isolada. No mais, alegou que não bastassem os fatos supramencionados, conforme o RELATÓRIO FISCAL de folha, o crédito foi constituído porque a recorrente teria apresentado "Declaração de Compensação (DCOMP) n° 05149.04191.180908.1.3.047020, em 18/09/2008, mediante sistema PERDCOMP, na qual solicita compensação de débitos próprios com créditos de Títulos da Dívida Agrária e que o citado PER/DECOMP foi baixado para controle manual no processo 11843.000629/200810, resultando no Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, de 28 de novembro de 2008 e que no referido Despacho Decisório a compensação foi considerada "não declarada", em virtude da incidência em três hipóteses de vedação contidas no § 12 do Artigo 74 da Lei n° 9.430/96, ensejando, assim, a aplicação da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, nos termos do Artigo 18 da Lei n° 10.833/2003". De acordo com a recorrente, no citado processo n°. 11843.00629/200810 da DRFPAL SAORTTO, de 28 de novembro de 2008, o pedido foi instruído com a Declaração de Compensação gerada por meio digital, datada de 8/09/2008, e com a Declaração de Compensação manual entregue em Nova Iguaçu no dia 16/09/2008. Assim, segundo a recorrente, no Despacho Decisório n°. 472 , proferido nos autos 11843.000629/2008 1 0 da DRFPALSAORTTO, de 28 de novembro de 2008, os julgadores relatam que na DCOMP foi informado que o crédito indevido ou a maior se encontrava discriminado no Processo Administrativo n°. 10735.003870/200865, formalizado na DRF de NOVA IGUAÇU/RJ, em 17/09/2008, no qual o contribuinte teria apresentado formulário de Declaração de Compensação constante do Anexo IV da instrução Normativa n°. 600/05. Contudo, a Declaração de Compensação manual entregue n a Receita Federal em Nova Iguaçu, que havia gerado o processo n° 10735.003870/200865 da DRFNIUPROTRJ, de 17 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11843.000651/200860 Resolução nº 1301000.202 S1C3T1 Fl. 5 4 de setembro de 2008, e que ao ser remetida à DRFPALSAORTTO deu origem ao processo n° 11843.000629/200810, recebeu um outro DESPACHO DECISÓRIO, o DRFB/PAL N° 470, em 26 DE NOVEMBRO DE 2008, dois dias antes do Despacho Decisório n° 472, de 28 de novembro de 2008. Alega a contribuinte, que, surpreendentemente, ao contrário do que concluíram no DESPACHO DECISÓRIO N°. 472, os mesmos auditores, Edmar Batista da Costa e Ricardo Gomes Cirino, e o mesmo Delegado da Receita Federal do Brasil de Palmas/TO, Rodrigo de Almeida Accioly, decidiram que: “... na declaração apresentada, o contribuinte informou no campo Débitos Compensados o Código da Receita 6109, sendo este código inexistente, logo não há débito tributário a ser compensado ... tendo em vista que a Lei 9.430/96 dispõe que na Declaração de Compensação deverão ser informados os respectivos débitos, resta prejudicada a aplicação de multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado (...)". Diante disso, reputa a contribuinte que se está diante de duas decisões, diametralmente opostas, proferidas pelos mesmos julgadores, para única questão. Insiste que se justifica esta estranheza ao analisarse a malsinada "Declaração de Compensação", verificandose tratar de documento falso, que não tinha condições sequer de gerar o pedido de compensação, eis que, conforme afirma o Despacho Decisório n° 470, era inexistente e a falsidade seria tão gritante que se chega a declarar um débito de R$ 13 milhões, muito superior ao débito efetivamente existente. Aduziu por fim, que requereu o parcelamento do débito que teria sido compensado, o que inviabilizaria a multa aplicada e concluiu que não há como imporse a multa prevista no artigo 18 da Lei 10.833/03, porquanto não ocorre a exigência prevista na parte final do referido dispositivo legal, mesmo porque não sendo o representante legal quem a preencheu e muito menos assinou a Declaração de Compensação, não poderá lhe ser imputada qualquer falsidade. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11843.000651/200860 Resolução nº 1301000.202 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tratase de auto de infração lavrado para exigência de multa isolada em razão da apresentação de declaração de compensação indicando créditos de natureza não tributária, consoante se vê no Relatório Fiscal de folha 12. A contribuinte tem defendido, em resumo, que o auto de infração e o presente processo administrativo seriam nulos, porquanto não houve a juntada da declaração de compensação alegadamente apresentada por ela recorrente, bem como que não fora ela a signatária real da referida declaração e, no mérito, argumenta que não restou caracterizada a hipótese de aplicação da multa. No que toca à alegada nulidade por ausência de juntada aos autos da declaração de compensação pela contribuinte, do mencionado documento à folha 98, bem como o fato de têla sujeita até mesmo a exame grafotécnico (fls. 99 em diante), esvaziam a possibilidade de decretação da nulidade, porquanto evidenciase, malgrado não tenha a Fiscalização juntado tal documento, que o direito de defesa da contribuinte não ficou comprometido. A segunda abordagem, no entanto, merece mais atenção, eis que a contribuinte reputa que a declaração de compensação que resultou no Despacho Decisório desencadeador da multa isolada, não fora preenchido e assinado por seu representante legal. Mas o mais grave, reputa que a assinatura do senhor Alberto de Deus Guerra seria falsa, juntando para tanto, laudo de exame grafotécnico (fl. 99 em diante) subscrito por Perito Criminal Federal aposentado, exdiretor do Departamento de Criminalística, o qual concluiu, de maneira assertiva e induvidosa, que a dita declaração de compensação não apresenta nenhuma assinatura autêntica do senhor Alberto de Deus Guerra. Confirase a conclusão do Laudo (fls. 204 e 205): [...]V – CONCLUSÃO Face ao exposto, após as realizações dos exames nas diversas assinaturas de Alberto de Deus Guerra em confronto com aquele lançamento questionado, as divergências encontradas não só formais, mas principalmente em relação a gênese gráfica, não se ter encontrado nenhuma assinatura autêntica que pudesse ser considerada do tipo abreviada, e se assemelhasse aquele lançamento em questão, a pouca velocidade e o erro ortográfico encontrado no prenome Alberto, etc, permitiram ao signatário concluir pela inautenticidade daquele lançamento objeto de exame na "Declaração Compensação," e assim, o confronto realizado com todas as assinaturas padrões recebidas permite dizer que o lançamento perquirido é tecnicamente falso, portanto não condizente com o punho de Alberto de Deus Guerra. Com o laudo o perito anexa copias dos documentos utilizados nos exames de confrontos, fazendo devolução dos documentos em originais. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11843.000651/200860 Resolução nº 1301000.202 S1C3T1 Fl. 7 6 Nada mais havendo a declarar, o perito encerra o presente laudo, ficando a disposição dos interessados para outros esclarecimentos. [...]A recorrente tem se debatido na questão de não ser a signatária da declaração de compensação desde a Impugnação apresentada, contudo, o referido laudo, somente foi apresentado após ser proferida a decisão recorrida, de sorte que para evitarse comprometer a paridade do presente processo, me parece de rigor que a autoridade fiscal se manifeste acerca da prova produzida, indicando materialmente se reconhece como válida a assinatura, a despeito da prova produzida. Com tais ponderações, encaminho proposta de converterse o julgamento em diligência para as providências acima. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.013885/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATUAÇÃO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS, PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. INTEGRAÇÃO DAS CADEIAS DE NEGÓCIO.
Conceito contemporâneo do agronegócio não permite visualizar a produção agrícola de maneira isolada, mas sim dentro de um contexto sistêmico, integrando-se todas as cadeias do negócio. Tomando-se como referência o local de entrada da propriedade rural, qual seja, a porteira, fala-se em (1) setor a montante, antes da porteira, elo da cadeia onde se situam os agentes que detêm os insumos e os bens de produção, (2) setor de produção, dentro da porteira, ou seja, produção dentro dos limites da propriedade, e (3) setor a jusante, depois de porteira, responsável pelo processamento, comercialização, marketing e distribuição do produto. A Lei nº 8.171, de 1991, ao tratar da política agrícola, entendeu-se que atividade agrícola consiste na produção, processamento e comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, pesqueiros e florestais. É nesse contexto que se deve inserir o cooperativismo agrícola, viabilizando ao cooperado assistência plena.
DESCARACTERIZAÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATOS CONVERGENTES PARA UMA COOPERATIVA DE CONSUMO.
Estatuto da cooperativa trata, nos objetivos sociais, de prover assistência ao cooperado em toda a cadeia produtiva, qual seja, (1) compra de todo artigo necessário ao incremento da lavoura; (2) industrialização de insumos e defensivos agrícolas, (3) venda em comum da produção agrícola e industrial no mercado nacional, Mercosul e/ou internacional e (4) criação de outros serviços de ordem geral e afins. Contudo, os esforços da cooperativa, em desacordo com o estatuto social, são maciçamente direcionados ao relacionamento do cooperado apenas com o agente da cadeia produtiva detentor dos insumos. Ou seja, o cooperado não se não se vale da estrutura da cooperativa para escoar a sua produção. Trata-se, portanto, de atuação convergente com uma cooperativa de consumo.
ADMINISTRADORES DA COOPERATIVA. PROPRIETÁRIOS OU RELACIONADOS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS DA PRÓPRIA COOPERATIVA. CONFUSÃO DE INTERESSES. AÇÕES DA COOPERATIVA VISANDO LUCRO ÀS PRESTADORES DE SERVIÇOS EM DETRIMENTO DO PROVEITO COMUM DOS COOPERADOS.
Os administradores da cooperativa tem relação direta com prestadoras de serviço ou fornecedoras ligadas à entidade, fazendo com que todos os esforços da cooperativa estejam direcionados à comercialização de insumos aos cooperados, em detrimento de outros objetivos sociais previstos em estatuto social, como o de prover assistência na comercialização e escoamento da produção. Resta evidenciado que o foco, de atuação em benefício comum dos cooperados, é substancialmente alterado, visando um lucro maior em favor de atividades no qual atuam os diretores da entidade por meio de empresas terceirizadas por eles administradas. Atos promovidos pelo diretores e integrantes dos conselhos administrativo e fiscal da cooperativa, decorrentes da comercialização dos insumos, vez que incorridos com terceiros e visando a percepção do lucro dos prestadores de serviços (administrados por diretores da própria cooperativa), em conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, são considerados como não cooperativos. A atuação da cooperativa é equiparada a uma cooperativa de consumo, cujos receitas encontram-se sujeitas à tributação regular aplicável às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1103-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, por maioria, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATUAÇÃO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS, PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. INTEGRAÇÃO DAS CADEIAS DE NEGÓCIO. Conceito contemporâneo do agronegócio não permite visualizar a produção agrícola de maneira isolada, mas sim dentro de um contexto sistêmico, integrando-se todas as cadeias do negócio. Tomando-se como referência o local de entrada da propriedade rural, qual seja, a porteira, fala-se em (1) setor a montante, antes da porteira, elo da cadeia onde se situam os agentes que detêm os insumos e os bens de produção, (2) setor de produção, dentro da porteira, ou seja, produção dentro dos limites da propriedade, e (3) setor a jusante, depois de porteira, responsável pelo processamento, comercialização, marketing e distribuição do produto. A Lei nº 8.171, de 1991, ao tratar da política agrícola, entendeu-se que atividade agrícola consiste na produção, processamento e comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, pesqueiros e florestais. É nesse contexto que se deve inserir o cooperativismo agrícola, viabilizando ao cooperado assistência plena. DESCARACTERIZAÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATOS CONVERGENTES PARA UMA COOPERATIVA DE CONSUMO. Estatuto da cooperativa trata, nos objetivos sociais, de prover assistência ao cooperado em toda a cadeia produtiva, qual seja, (1) compra de todo artigo necessário ao incremento da lavoura; (2) industrialização de insumos e defensivos agrícolas, (3) venda em comum da produção agrícola e industrial no mercado nacional, Mercosul e/ou internacional e (4) criação de outros serviços de ordem geral e afins. Contudo, os esforços da cooperativa, em desacordo com o estatuto social, são maciçamente direcionados ao relacionamento do cooperado apenas com o agente da cadeia produtiva detentor dos insumos. Ou seja, o cooperado não se não se vale da estrutura da cooperativa para escoar a sua produção. Trata-se, portanto, de atuação convergente com uma cooperativa de consumo. ADMINISTRADORES DA COOPERATIVA. PROPRIETÁRIOS OU RELACIONADOS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS DA PRÓPRIA COOPERATIVA. CONFUSÃO DE INTERESSES. AÇÕES DA COOPERATIVA VISANDO LUCRO ÀS PRESTADORES DE SERVIÇOS EM DETRIMENTO DO PROVEITO COMUM DOS COOPERADOS. Os administradores da cooperativa tem relação direta com prestadoras de serviço ou fornecedoras ligadas à entidade, fazendo com que todos os esforços da cooperativa estejam direcionados à comercialização de insumos aos cooperados, em detrimento de outros objetivos sociais previstos em estatuto social, como o de prover assistência na comercialização e escoamento da produção. Resta evidenciado que o foco, de atuação em benefício comum dos cooperados, é substancialmente alterado, visando um lucro maior em favor de atividades no qual atuam os diretores da entidade por meio de empresas terceirizadas por eles administradas. Atos promovidos pelo diretores e integrantes dos conselhos administrativo e fiscal da cooperativa, decorrentes da comercialização dos insumos, vez que incorridos com terceiros e visando a percepção do lucro dos prestadores de serviços (administrados por diretores da própria cooperativa), em conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, são considerados como não cooperativos. A atuação da cooperativa é equiparada a uma cooperativa de consumo, cujos receitas encontram-se sujeitas à tributação regular aplicável às demais pessoas jurídicas.
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ATUAÇÃO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS, PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. INTEGRAÇÃO DAS CADEIAS DE NEGÓCIO. Conceito contemporâneo do agronegócio não permite visualizar a produção agrícola de maneira isolada, mas sim dentro de um contexto sistêmico, integrandose todas as cadeias do negócio. Tomandose como referência o local de entrada da propriedade rural, qual seja, a porteira, falase em (1) setor a montante, “antes da porteira”, elo da cadeia onde se situam os agentes que detêm os insumos e os bens de produção, (2) setor de produção, “dentro da porteira”, ou seja, produção dentro dos limites da propriedade, e (3) setor a jusante, “depois de porteira”, responsável pelo processamento, comercialização, marketing e distribuição do produto. A Lei nº 8.171, de 1991, ao tratar da política agrícola, entendeuse que atividade agrícola consiste na produção, processamento e comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, pesqueiros e florestais. É nesse contexto que se deve inserir o cooperativismo agrícola, viabilizando ao cooperado assistência plena. DESCARACTERIZAÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATOS CONVERGENTES PARA UMA COOPERATIVA DE CONSUMO. Estatuto da cooperativa trata, nos objetivos sociais, de prover assistência ao cooperado em toda a cadeia produtiva, qual seja, (1) compra de todo artigo necessário ao incremento da lavoura; (2) industrialização de insumos e defensivos agrícolas, (3) venda em comum da produção agrícola e industrial no mercado nacional, Mercosul e/ou internacional e (4) criação de outros serviços de ordem geral e afins. Contudo, os esforços da cooperativa, em desacordo com o estatuto social, são maciçamente direcionados ao relacionamento do cooperado apenas com o agente da cadeia produtiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 38 85 /2 00 7- 65 Fl. 3828DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.827 2 detentor dos insumos. Ou seja, o cooperado não se não se vale da estrutura da cooperativa para escoar a sua produção. Tratase, portanto, de atuação convergente com uma cooperativa de consumo. ADMINISTRADORES DA COOPERATIVA. PROPRIETÁRIOS OU RELACIONADOS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS DA PRÓPRIA COOPERATIVA. CONFUSÃO DE INTERESSES. AÇÕES DA COOPERATIVA VISANDO LUCRO ÀS PRESTADORES DE SERVIÇOS EM DETRIMENTO DO PROVEITO COMUM DOS COOPERADOS. Os administradores da cooperativa tem relação direta com prestadoras de serviço ou fornecedoras ligadas à entidade, fazendo com que todos os esforços da cooperativa estejam direcionados à comercialização de insumos aos cooperados, em detrimento de outros objetivos sociais previstos em estatuto social, como o de prover assistência na comercialização e escoamento da produção. Resta evidenciado que o foco, de atuação em benefício comum dos cooperados, é substancialmente alterado, visando um lucro maior em favor de atividades no qual atuam os diretores da entidade por meio de empresas terceirizadas por eles administradas. Atos promovidos pelo diretores e integrantes dos conselhos administrativo e fiscal da cooperativa, decorrentes da comercialização dos insumos, vez que incorridos com terceiros e visando a percepção do lucro dos prestadores de serviços (administrados por diretores da própria cooperativa), em conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, são considerados como não cooperativos. A atuação da cooperativa é equiparada a uma cooperativa de consumo, cujos receitas encontramse sujeitas à tributação regular aplicável às demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, por maioria, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.828 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 3588/3614 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre (fls. 3511/3529), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada ã elucidação de questões que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando sua realização quando a autoridade julgadora tem condição de firmar sua convicção com a análise da documentação acostada aos autos. COOPERATIVA DE CONSUMO. CARACTERIZAÇÃO. A realização majoritária de operações consistentes em compra em comum de artigos de consumo para seus cooperados caracteriza a sociedade como cooperativa de consumo. COOPERATIVAS DE CONSUMO. INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. I. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 69 da Lei 9.532/97). 2. Esta regra vale tanto para operações que os consumidores sejam cooperados, quanto não associados à cooperativa. SELIC. INCIDÊNCIA DETERMINADA LEGALMENTE. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. I. Dos fatos da Autuação Fiscal. Como resultado da ação fiscal iniciada em 16/08/2007 (Termo de Início de Fiscalização de fls. 80), referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, constatou a autoridade autuante que a fiscalizada promoveu redução do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, por exclusões a titulo de "resultados não tributáveis de sociedades cooperativas", por entender que se tratava de uma cooperativa agropecuária. Contudo, tais ajustes se revelaram indevidos, vez que a sociedade funcionava como uma cooperativa de consumo. No mesmo sentido, foram glosadas as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins efetuadas a partir de receitas consideradas pela fiscalizada como decorrentes de atos cooperados. Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.829 4 A transcrição de fragmentos do Relatório da DRJ, de fls. 739/750, mostrase elucidativa. A caracterização como cooperativa de consumo se deveu a 1) possibilidade de livre associação e desligamento, sem qualquer comprometimento do associado com a cooperativa, bastando integralizar capital no valor de R$10,00; 2) quase ausência de operações de entrega à cooperativa da produção dos cooperados; 3) que as vendas de mercadorias pela cooperativa correspondem unicamente a insumos agrícolas. A seu turno, as seguintes características equiparam a autuada a uma empresa com fins lucrativos: 1) a diferença de preço de venda dos produtos como fator determinante para a associação dos cooperados, uma vez que o preço de venda ao associado é cerca de 3,8% inferior ao preço de venda a nãoassociado (e basta R$10,00 para a associação, com possibilidade de demissão unilateral por parte do associado, a qualquer tempo); 2) nos anos de 2002 a 2004, todos os membros da administração da cooperativa eram também sócios ou parentes próximos de sócios das sociedades comerciais prestadoras de serviços de assessoria, consultoria ou gerência de filial. Tais sociedades, bem como os administradores da cooperativa, eram remuneradas de modo proporcional às vendas da cooperativa. Assim, o objetivo da organização não era o de convergir esforços para a obtenção de menores preços para os associados, mas o de proporcionar rendimentos às sociedades envolvidas comercialmente com a cooperativa, verdadeiras proprietárias de uma rede de distribuição de insumos agrícolas. Tal fato se comprova, também, pela participação nas Assembléias Gerais de 2002 a 2004, nas quais participaram de 0,37% a 0,59% do total de associados mas de 37,17% a 53,45% dos associados que são sócios ou parentes de sócios das sociedades prestadoras de serviços. Além disso, foi verificado que os administradores da cooperativa (também sócios de sociedades prestadoras de serviços) prestaram garantias pessoais em obrigações assumidas em nome da sociedade, em contratos de locação de imóveis e em contratos de financiamento rural estas em valores expressivos (R$59.547.924,52 em 2002, R$70.198.320,82 em 2003 e R$42.736.418,00 em 2004). Lembrase que a responsabilidade dos associados, salvo dolo ou culpa, é limitada a R$10,00. Concluiu a fiscalização: Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.830 5 1) ser a autuada cooperativa de distribuição ou de consumo de insumos agrícolas, cujo objetivo social é sua a aquisição e venda aos consumidores em geral e 2) que as operações de compra e venda operadas pela contribuinte, bem como a atuação de seus associados administradores, fazem com que esta opere como uma sociedade comercial com fins lucrativos. Assim, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, de fls. 06/78, cuja ciência à contribuinte deuse em 07/12/2007. II. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 3061/3144, que foi apreciada pela 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre, em sessão realizada no dia 24/07/2008, e julgou o lançamento procedente, no Acórdão nº 1016.741, de fls. 3511/3529. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 13/08/2008 (fl. 3534), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 10/09/2008 de fls. 3588/3614, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. Os fundamentos da decisão da DRJ não merecem prosperar, sob dois aspectos, (1) a recorrente é cooperativa agropecuária, com atividades direcionadas ao fomento da atividade agrícola e comercialização da produção dos associados, por meio de fornecimento de insumos, disponibilização de assistência técnica vinculada à prática do plantio direto, venda para o mercado interno e externo da produção dos associados, ou seja, não resta caracterizada relação consumerista e, por isso, diferenciada da cooperativa de consumo; (2) mesmo se admitindo que a recorrente seria cooperativa de consumo, os atos praticados seriam cooperativos e não estariam ao abrigo do art. 69 da Lei nº 9.532, de 1997. tratase de cooperativa singular nos termos do art. 6º, I, da Lei nº 5.764, de 1971; dentre os objetivos do estatuto, consta o promover a pesquisa. desenvolvimento, inovação , comercialização, importação e exportação de quaisquer produtos vinculados a atividade agrícola, tais como insumos e defensivos agrícolas, produção agrícola e industrial, incrementos da lavoura, fertilizantes, sementes, estimulantes, inoculantes, corretivos de solo, fungicidas, herbicidas, inseticidas, gêneros de uso doméstico ou industrial, máquinas e implementos, insumos, soja, arroz, milho, trigo, etc; discorre que na época de sua fundação a sistema cooperativista passava por grave crise, motivo pelo qual reuniramse 23 produtores de arroz na região de AlegreteRS, sócios do Clube do Plantio Direto, que, para cumprir com o objetivo de melhorar a qualidade e produtividade do produto e ao mesmo tempo reduzir os custos da operação, criaram a cooperativa, para adquirir no mercado os insumos necessários a produção da lavoura e contratar técnicos especializados, que dominasse o conhecimento da nova técnica de plantio e comercialização de produtos agrícolas, bem como dotála de um modelo de gestão inovador, a fim de ser uma referência no setor agropecuário e aumentar a rentabilidade da lavoura dos associados da Cooperativa; Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.831 6 a estrutura da recorrente é composta de sede administrativa em Eldorado do Sul e mais 41 filiais localizadas nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com corpo técnico de 140 engenheiros agrônomos e 230 colaboradores nas áreas administrativas; a cooperativa, mediante aprovação do Conselho ou da Assembléia Geral, possui um corpo diretivo com ampla experiência profissional composto por um presidente, um diretor comercial e um diretor financeiro, que por sua vez prestam serviços especializados de forma terceirizada e com rendimentos também variáveis em função das operações realizadas pela cooperativa; .tal procedimento foi a melhor alternativa encontrada para a cooperativa possuir um corpo executivo com alto grau de conhecimento e com custos que não inviabilizassem a operação, tanto que, em sendo funcionários o custo ficaria em torno de 3% do faturamento ao contrário da terceirização em que o custo ficou em torno de 1%; todas as despesas para execução da função são de responsabilidade dos prestadores de serviço, tais como viagens nacionais e internacionais, estadias, alimentação, ou seja, a cooperativa não arca com nenhuma despesa de representação; a recorrente adquire em grandes quantidades de insumos agrícolas das indústrias fornecedoras, através de linhas de crédito agrícola junto às instituições financeiras ou de financiamentos direto dos fornecedores, para que possa disponibilizálos aos associados; os produtos são armazenados em sua maioria em Eldorado do Sul, vez que as filiais possuem estoque mínimo para necessidades imediatas; o associado, de posse do projeto técnico agrícola, elaborado pelos engenheiros agrônomos da cooperativa e conveniados com o Banco do Brasil, possui todas as informações necessárias para o custeio da lavoura, bem como os insumos necessários a serem fornecidos pela cooperativa para pagamento na safra, sendo que o pagamento, a critério do associado, poderá ser efetuado após a colheita, com a produção ou em dinheiro; durante todo o período de safra a cooperativa coloca a disposição dos associados, total assistência, através de visitas técnicas, tratamento de sementes, estudo de solos, palestras, cursos, dias de campo; a recorrente constituiu unidade de grãos em Rio GrandeRS junto ao Porto Marítimo para facilitar a comercialização da produção e viabilizar a exportação direta de 17.000.000 kg, rompendo a barreira imposta por grandes tradings do mercado, como ADM, Bunge, Cargil e Dreifus (ABCD); a recorrente promove anualmente o Seminário COOPLANTIO, com participação de palestrantes de renome internacional; vem promovendo investimentos significativos para concentrar toda a logística de entrega dos insumos para os associados e disponibilizar estrutura de apoio para a comercialização de sua produção; a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) reconhece 13 ramos do cooperativismo, dentro os quais o agropecuário (composto pelas cooperativas de produtores Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.832 7 rurais ou agropastoris e de pesca, cujos meios de produção pertençam ao cooperante) e o de consumo (composto pelas cooperativas dedicadas á compra em comum de artigo de consumo para seus cooperantes); não compete à Receita Federal definir a tipologia do ramo a que pertence a cooperativa, mas sim à OCB; o ato cooperativo definido pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, adequase ao caso em tela, no qual um grupo de agricultores com dificuldade na sua atividade econômica decidem constituir uma sociedade que lhes preste serviços, no contexto de uma cooperativa do ramo agropecuário; o art. 146, inc. III, "c", da Lei Maior, deve ser interpretado em conjunto como art. 174, § 2°, pelo qual se determina que seja concedido um tratamento tributário privilegiado ao ato cooperativo, como forma de apoiar e estimular o cooperativismo; o ato cooperativo no ramo agropecuário manifestase com a prática do rol de atos e operações praticados entre a cooperativa e o seu sócio cooperado, sendo necessariamente atos que consistam em interesse/saciedade do cooperado, vinculado essencialmente a sua atividade produtiva, e adicionado ao texto do Estatuto Social, que se refere ao objeto da sociedade; ato cooperativo não gera faturamento ou receita para a sociedade cooperativa e desta forma não é base tributável para incidência da Cofins, PIS, CSLL e IRPJ, independentemente da classificação da sociedade cooperativa; por outro lado, o ato cooperativo numa cooperativa de consumo sintetizase na oferta aos seus cooperados, de gêneros e artigos de consumo pessoal e doméstico, com qualidade e preços justos, não se destinando a atividade produtiva deste, pois está objetiva a geração renda para que aquele alcance seu consumo pessoal e doméstico; quando o rol de operações praticado pelos associados da sociedade cooperativa estiver vinculado a atividade econômica agropecuária, o ato cooperativo é típico de uma cooperativa agropecuária, e, por outro lado, quando o rol de operações do cooperado estiver vinculado a satisfação de suas necessidades domésticas, distintas de sua atividade fim, estamos diante de um ato cooperativo típico de uma cooperativa de consumo; a recorrente não é uma cooperativa de consumo, vez que seus atos cooperativos estão vinculados a operações referentes a atividade rural e visam a melhoria da estrutura produtiva do associado e não a satisfação deste na qualidade de consumidor final, ou seja, o associado não se alimenta de insumos agrícolas, e sim a lavoura, portanto não é consumidor final destes produtos, característica essencial para classificarse a cooperativa como do ramo consumo; e, ainda que pudesse ser considerada a recorrente como cooperativa de consumo, não poderia ser tributada, vez que suas operações consistem em atos cooperativos, praticados com associados da cooperativa, até porque as receitas decorrentes de atos praticados com terceiros não associados já foram levados á tributação conforme constatado pela Receita Federal; Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.833 8 quanto à alegação da autoridade autuante de que na recorrente há a ausência de operações de entrega à cooperativa da produção dos cooperados, tratase de requisito inócuo para a cooperativa se classificar como agropecuária, vez que se trata de uma das prestações de serviços da cooperativa aos associados, dentre tantas outras previstas no estatuto; como a recorrente cumpre com seus objetivos estatutários (promoção do plantio direto), não pode ser considerada, em razão da baixa comercialização da produção dos associados, apenas uma revendedora de insumos agrícolas, pois o fornecimento destes integra a sua finalidade bem como outros de ordem técnica, crédito rural, o fornecimento de sementes, assistência técnica, entre outros; cumpre ressaltar que, embora não recebendo um volume expressivo da produção dos associados para comercialização, a recorrente, por intermédio de seus técnicos e eventos, indicou o melhor negócio para sua produção; quanto à alegação de que a cooperativa praticaria concorrência desleal, usando a figura de cooperativa para ter reduzida sua carga tributária, há que se registrar que os seus principais concorrentes, as cooperativas Cotrisal, Cotrijui, Cotribá, Cotrijal e Cotrimaio e gozam dos mesmos benefícios fiscais, sendo que as três primeiras fornecem mais insumos do que a recorrente; a multa aplicada de ofício de 75% é confiscatória e inconstitucional por afrontar o disposto no inciso IV, art. 150 da Lei Maior; a taxa SELIC não tem sustentação legal. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Trata o caso concreto da descaracterização do ramo de cooperativismo a que a recorrente considerava atuar, que, de acordo com a autoridade autuante, não seria uma cooperativa agrícola, mas sim uma cooperativa de consumo, razão pela qual deveria se submeter à tributação regular aplicável às pessoas jurídicas, conforme disposto no art. 69 da Lei nº 9.532, de 1997: Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por outro lado, a recorrente, por entender que atuava no ramo de cooperativismo agrícola, promoveu redução do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.834 9 assim como exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, a titulo de "resultados não tributáveis de sociedades cooperativas". Relaciona a autoridade fiscal, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 35/65, as suas razões pelas quais concluiu que a recorrente seria uma cooperativa de consumo, relacionados a seguir: 1) ausência significativa de operações de entrega à cooperativa da produção dos cooperados, ou seja, a maior parte da comercialização dos produtos agrícolas cultivados pelos associados não foi realizada por meio da cooperativa; 2) as vendas da recorrente foram, em sua quase totalidade, de insumos agrícolas, como defensivos, sementes, adubos e fertilizantes, exceto inexpressiva quantidade de arroz nos anoscalendário de 2002 e 2003, correspondente a 0,15% do total; 3) todas as filiais da recorrente (41 unidades distribuídas nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina) vendiam ao público em geral uma vasta gama de produtos agrícolas, sendo o preço de venda ao associado aproximadamente 3,8% inferior ao preço de venda ao não cooperado; 4) os administradores da recorrente celebraram contratos de prestação de serviço de assessoria e consultoria em diversas áreas, remuneradas, em regra geral, por um percentual incidente sobre o preço de venda ou o custo dos produtos vendidos, independentemente se a venda era para associado ou não; 5) todos os membros da administração da cooperativa (associados eleitos para os cargos de membros do conselho de administração e conselho fiscal da cooperativa nos anos calendário 2002) eram sócios ou parentes próximos de sócios das empresas comerciais prestadoras de serviços de assessoria, consultoria ou gerência de filial, e que essas empresas eram remuneradas de modo proporcional às vendas da sociedade; Diante das constatações apresentadas, concluiu a autoridade tributária que a recorrente não poderia ser considerada uma cooperativa de produção agrícola, vez que não recebeu dos seus cooperados, em quase a sua totalidade, o produto final para a comercialização. Adequarseia, portanto, a uma cooperativa de consumo, na medida em que sua atividade foi de a de aquisição de insumos aos seus cooperados. Ocorre que, como se beneficiou de um benefício fiscal não aplicável ás cooperativas de consumo, atuou de maneira privilegiada perante os seus concorrentes no mercado. Entendeu a Fiscalização também que, na medida em que a remuneração dos seus diretores foi atrelada ao desempenho das vendas, por meio da prestação de serviços de empresas terceirizadas de gerência desses mesmos diretores, o objetivo da cooperativa não foi o de empreender esforços para os seus associados, mas para proporcionar rendimento ás empresas prestadoras de serviços. Já a recorrente discorre que seria uma cooperativa agropecuária, com atividades direcionadas ao fomento da atividade agrícola e comercialização da produção dos associados, por meio de fornecimento de insumos, disponibilização de assistência técnica diferenciada, vinculada à prática do plantio direto, venda para o mercado interno e externo da produção dos associados. Assim, não haveria que se falar em relação consumerista entre ela e os associados e em cooperativa de consumo. Ainda, mesmo que se admitisse que fosse uma cooperativa de consumo, os atos praticados seriam de natureza cooperativa, definidos pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, protegidos da tributação regular. Registra que, além de Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.835 10 disponibilizar insumos aos associados, também presta aos cooperados assistência técnica de maneira especializada, por meio de visitas, acompanhamento próximo ao produtor, tratamento de sementes, estudo de solos, palestras, presença de profissionais no campo, realização de seminários anuais, dentre outros. São os fatos. Inicialmente, entendo relevante transcrever o art. 187 da Constituição Federal: Art. 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta, especialmente: (...) VI o cooperativismo; (grifei) Nesse diapasão, foi editada a Lei nº 8.171, de 1991, para dispor sobre a política agrícola: Art. 1° Esta lei fixa os fundamentos, define os objetivos e as competências institucionais, prevê os recursos e estabelece as ações e instrumentos da política agrícola, relativamente às atividades agropecuárias, agroindustriais e de planejamento das atividades pesqueira e florestal. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei, entendese por atividade agrícola a produção, o processamento e a comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, pesqueiros e florestais. (...) Art. 4° As ações e instrumentos de política agrícola referemse a: (...) VIII associativismo e cooperativismo; (...) Art. 45. O Poder Público apoiará e estimulará os produtores rurais a se organizarem nas suas diferentes formas de associações, cooperativas, sindicatos, condomínios e outras, através de: I inclusão, nos currículos de 1° e 2° graus, de matérias voltadas para o associativismo e cooperativismo; II promoção de atividades relativas à motivação, organização, legislação e educação associativista e cooperativista para o público do meio rural; Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.836 11 III promoção das diversas formas de associativismo como alternativa e opção para ampliar a oferta de emprego e de integração do trabalhador rural com o trabalhador urbano; IV integração entre os segmentos cooperativistas de produção, consumo, comercialização, crédito e de trabalho; V a implantação de agroindústrias. Parágrafo único. O apoio do Poder Público será extensivo aos grupos indígenas, pescadores artesanais e àqueles que se dedicam às atividades de extrativismo vegetal não predatório. (grifei) Observase que, não por acaso, esclarece o diploma normativo que a atividade agrícola consiste na produção, no processamento e na comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos. Tratase precisamente do conceito contemporâneo do agronegócio. A produção agrícola não é mais vista de maneira isolada, mas em um contexto sistêmico, integrandose todas as cadeias do negócio. E, especificamente, na cadeia de produção dos produtos agrícolas, em apertada síntese, observase, em primeiro lugar, os insumos (disponibilizados ao produtor pelos fornecedores), seguidos dos produtores rurais (responsáveis pela produção), e, na posição final, as agroindústrias (para onde é destinado o produto). De maneira didática, tomase como referência o local de entrada da propriedade rural, qual seja, a porteira. Assim, falase em (1) setor a montante, “antes da porteira”, elo da cadeia onde se situam os agentes detêm os insumos e os bens de produção, (2) setor de produção, “dentro da porteira”, ou seja, produção dentro dos limites da propriedade, e (3) setor a jusante, “depois de porteira”, responsável pelo processamento, comercialização, marketing e distribuição do produto. Naturalmente, os produtores rurais encontram dificuldades no relacionamento com os dois elos da corrente, tanto com os detentores dos insumos, quanto com os adquirentes do seu produto final. Isso porque os setores antes da porteira e depois da porteira, apesar de Fornecedores de Insumos Produtores Rurais Processadores Distribuidores Comerciantes Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.837 12 terem com agentes em menor número, são mais estruturados, organizados e dotados de maior poder econômico para impor os padrões do mercado. Como já dito, não há como conceber o setor de atividade agrícola de maneira isolada e compartimentada. Há que se buscar a integração vertical para viabilizar a efetiva modernização da agricultura. E se trata, precisamente, do cenário no qual deve estar inserido o cooperativismo, na condição de um facilitador. Isoladamente, o produtor rural é massacrado pelos agentes econômicos com quem tem que interagir dentro da cadeia produtiva do qual faz parte. Por outro lado, a partir do momento em que vários produtores de pequeno e médio porte se organizam, em busca de um objetivo comum, podem viabilizar um equilibro de forças. Portanto, analisando a atuação da recorrente dentro da perspectiva do cooperativismo do ramo agrário, há que se considerar os seguintes fatos, colhidos a partir da apreciação dos presentes autos. Primeiro, o estatuto da recorrente trata de maneira acertada, nos objetivos sociais, de interação da cooperativa em toda a cadeia produtiva (fl. 2676): Artigo 2 A sociedade objetiva, com base na elaboração recíproca a que se obrigam seus associados, que tem em comum a disseminação e prática da conservação do solo com ênfase do Plantio Direto, promover: I O estimulo, o desenvolvimento progressivo e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A compra, em comum, de todo artigo necessário ao incremento da lavoura dos associados; III A industrialização de insumos e defensivos agrícolas para atender os objetivos dos associados; IV A venda em comum de sua produção agrícola e industrial no mercado nacional, Mercosul e/ou internacional; V A criação de outros serviços de ordem geral e afins; (grifei) Vale transcrever as observações da autoridade fiscal ao apreciar as operações da recorrente: Uma cooperativa de produção (também chamada de cooperativa de colocação da produção) tem por objetivo o recebimento da produção agropecuária dos associados e a sua colocação no mercado em condições mais competitivas, com o objetivo de melhorar a rentabilidade do produtor. E também com o objetivo de melhorar a lucratividade desse produtor, a cooperativa pode atuar adquirindo no mercado insumos e serviços que são repassados aos associados. Ocorre que a Fiscalização constatou que, do universo total de receita auferido pela cooperativa, no período fiscalizado, apenas 1,64% correspondeu à comercialização do produto final dos associados, conforme se observa no quadro a seguir. Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.838 13 Ano Receita de Venda de Produtos Recebidos dos Cooperados Receita de venda do total de produtos % Receitas de Produtos Recebidos de Cooperados/Receita Total A B C D = B/C 2002 1.839.705,69 87.573.498,11 2,10 2003 2.671.023,15 147.564.645,19 1,81 2004 2.177.018,90 173.303.135,33 1,26 TOTAL 6.687.747,74 408.441.278,63 1,64 Ainda, dos produtos recebidos dos cooperados, a quase totalidade corresponde a insumos agrícolas, como defensivos, fertilizantes, sementes ou adubos, e não de produtos finais, como grãos de soja, arroz, milho, dentre outros. A conclusão é que mais de 98% da receita da cooperativa corresponde à interação com os agentes da cadeia de produção “antes da porteira”, referente à aquisição de insumos e repasse aos cooperados, ou dentro da porteira, por meio de assessoria para otimizar a produção. Na sua defesa, destaca a recorrente que suas atividades não se restringiram à mera aquisição de insumos e repasse aos cooperados, mas também envolveram assistência técnica qualificada, mediante disseminação de conhecimento de técnicas de plantio avançadas, qual seja, o plantio direto. Ocorre que, mesmo no que concerne à prestação de assistência técnica qualificada, visando otimizar as condições de plantio, tratase de ação incidente sobre a produção, dentro dos limites da propriedade rural, para permitir a utilização otimizada dos insumos (sementes, adubos, aditivos) adquiridos junto aos fornecedores. Contudo, não se afasta a constatação de que os esforços permanecem direcionados ao relacionamento do cooperado apenas com o agente da cadeia produtiva detentor dos insumos. Portanto, no que concerne ao elo final da cadeia produtiva (atividades “depois da porteira”), verificase que o cooperado, por razões não esclarecidas, não se vale da estrutura da cooperativa para escoar a sua produção, promovendo uma atuação inexpressiva. Mas não é só. Ocorre que nos autos há mais um aspecto que considero relevante na apreciação do caso em tela. Tratase da seguinte constatação da autoridade autuante, à fl. 43: Relacionandose os nomes dos associados eleitos para os cargos de membros do conselho de administração e conselho fiscal da cooperativa nos anos calendário 2002 a 2004 (atas de folhas 881 a 884,960 a 963 e 1049 a 1053), com os nomes dos sócios das empresas que prestaram serviço à COOPLANTIO no mesmo período (cadastro CNPJ de folhas 2445 a 2644 e contratos de folhas 227 a 841), constatase que TODOS os membros da Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.839 14 administração da cooperativa eram também sócios ou parentes próximos de sócios das empresas comerciais prestadoras de serviços de assessoria, consultoria ou gerência de filial, e que essas empresas eram remuneradas de modo proporcional às vendas da sociedade (vide anexo I deste relatório — folhas 49 a 62).(grifei) O Anexo I do Relatório Fiscal (fls. 52/65) apresenta, um a um, os integrantes da diretoria, conselho de administração e conselho fiscal que, por meio de empresas, prestaram serviços para a cooperativa mediante remuneração vinculada às receias auferidas. Nome Cargo na Cooperativa Empresa do qual era sócio Valores recebidos pela cooperativa Daltro José Domit Benvenuti presidente da COOPLANTIO antes da AGO de 27/03/2002, reeleito para o triênio 2002/2004 Benvenuti Representações LTDA 2002: R$ 977.935,09 2003: R$1.249.154,14 2004: R$1.706.241,39 Antônio Carlos Cunha Cavalcanti membro do conselho de administração da COOPLANTIO antes da AGO de 27/03/2002, eleito para o cargo de vice presidente para o triênio 2002/2004 APX Assessoria e Representações Comerciais 2002: R$ 1.163.884,75 2003: R$ 1.487.969,25 2004: R$ 1.174.838,45 Nelson Antonio Sirtori secretário do conselho de administração da COOPLANTIO para o triênio 2002/2004 Representações AMXS Consultoria LTDA, RS Reginini Sirtori Comércio e Representações, Comercial Capivari LTDA, Proterra Comércio e Representações Agrícolas LTDA, Agrodindmica Representações Comerciais LTDA 2002: R$ 1.210.606,03 2003: R$ 2.745.730,71 2004: R$ 2.297.659,55 Emir Fronza secretário do conselho de administração da COOPLANTIO antes da AGO de 27/03/2002, membro do conselho de administração para o triênio 2002/2004 Emir Fronza & Cia LTDA 2002: R$ 299.096,00 2003: R$ 642.959,68 2004: R$ 550.000,00 Fábio Arthur Braga Oberto membro do conselho de administração para o triênio 2002/2004 Friend Importação e Exportação LTDA, Nilton Basso Oberto & Cia LTDA, 2002: R$ 579.123,37 2003: R$ 721.857,97 2004: R$ 699.372,72 César Augusto Meirelles de Souza presidente do conselho de fiscal da COOPLANTIO até AGO de 27/03/2002 César Augusto Meirelles de Souza Comércio e Representações LTDA 2002: R$ 173.490,86 2003: R$ 150.000,00 2004: R$ 130.000,00 Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.840 15 Nome Cargo na Cooperativa Empresa do qual era sócio Valores recebidos pela cooperativa Karin Werlang integrante do conselho fiscal da COOPLANTIO antes da AGO de 27/03/2002, sendo reeleita nesta ocasião. Na AGO de 29/03/2004 foi eleita suplente do conselho fiscal; Karin é filha de Sardy Eloy Werlang, CPF 058.180.790 15, que é sócio da empresa Castoldi & Werlang LTDA 2002: R$ 88.223,47 2003: R$ 144.165,47 2004: R$ 282.233,52 Antonio Castoldi conselho fiscal da COOPLANTIO até a AGO de 27/03/2002 Antônio Castoldi ME, CNPJ 00.540.637/000170, e Castoldi & Werlang LTDA 2002: R$ 88.223,47 2003: R$ 144.165,47 2004: R$ 282.233,52 Marcelo Cardoso Thedy membro do conselho fiscal nas AGOs de 27/03/2002, 31/03/2003 e de 29/03/2004 Thedy & Bofill LTDA, Thedy & Thedy LTDA, 2002: R$ 728.150,00 2003: R$ 1.236.476,07 2004: R$ 2.004.012,50 Ivon Job Costa membro do conselho fiscal na AGO de 27/03/2002 Agrocanad LTDA 2002: R$ 140.429,82 2003: R$ 188.559,77 2004: R$ 257.421,36 Delvo Miguel Marcon suplente do conselho fiscal na AGO de 27/03/2002 Marcon & Gavioli Comércio e Representações LTDA 2002: R$ 150.850,00 2003: R$ 312.237,97 2004: R$ 326.492,04 Laércio Zanchetta suplente do conselho fiscal nas AGOs de 27/03/2002 e de 29/03/2004 Transzanchetta LTDA 2002: R$ 164.631,07 2003: R$ 330.750,10 2004: R$ 341.087,85 Paulo Roberto Cunha Cavalcanti membro do conselho fiscal na AGO de 31/03/2003 Paulo Roberto é marido e procurador de Giana Mariza Assumpção Rodrigues Cavalcanti, CPF 409.390.81091, que é empresária individual inscrita no CNPJ sob o n.° 02.832.821/000110 (folha 2492). Paulo Roberto é sócio da empresa P R C Cavalcanti & Cia LTDA, CNPJ 06.985.638/000105; 2002: R$ 66.728,79 2003: R$ 157.371,69 2004: R$ 301.226,45 Claudio de Medeiros Bofill membro do conselho fiscal nas AGOs de 31/03/2003 e de 29/03/2004 Thedy e Bofill LTDA 2002: R$ 133.150,00 2003: R$ 460.000,00 2004: R$ 894.012,50 Evandro Luiz Paludo suplente do conselho fiscal na AGO de 31/03/2003 Paludo Comércio de Produtos Agrícolas LTDA 2002: R$ 130.542,52 2003: R$ 372.695,25 2004: R$ 614.765,20 Vanderlei Natal Zanchetta suplente do conselho fiscal na AGO de 31/03/2003 Transzanchetta LTDA 2002: R$ 164.631,07 2003: R$ 330.750,10 2004: R$ 341.087,85 Lamar Sakis membro do conselho fiscal na AGO de 29/03/2004 L. Sakis & Cia LTDA 2002: R$ 322.447,18 2003: R$ 371.969,99 2004: R$ 514.720,51 Carlos Roberto Silva Schefel suplente do conselho fiscal na AGO de 29/03/2004 Schefel Padilha & Cia Ltda, CNPJ 95.038.147/000187, e Carlos R. S. Schefel, empresário individual, inscrito no cadastro CNPJ sob o n.° 04.250.162/000139 2003: R$ 97.398,00 2004: R$ 332.357,95 Registrese que a remuneração dos serviços prestados estava vinculada às vendas da cooperativa. Ora, tratase de remuneração indireta de integrantes da diretoria, do Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.841 16 conselho de administração e do conselho fiscal, situação que afasta da cooperativa dos seus objetivos precípuos. Não há dúvidas de a cooperativa tem que compatibilizar a conjugação do binômio associação/empresa, integrando as dimensões social e econômica. Ocorre que os artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764, de 1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, dentre outras providências, são esclarecedores: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotas partes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.842 17 XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Resta inevitavelmente prejudicada a administração de cooperativa, diante da confusão de interesses provocada pela participação nas vendas dos membros de sua diretoria e conselhos. Afastase o foco da efetiva cooperação aos associados, e colocase em dúvida se as atividades da cooperativa, direcionadas quase em sua totalidade ao repasse de insumos e assistência técnica de produção, foram priorizadas visando o proveito comum dos cooperados, ou, otimizar as lucros auferidos por prestadores de serviços administrados pelos dirigentes da própria cooperativa. A partir do momento em que os tomadores de decisão da cooperativa tem relação direta com prestadoras de serviço ou fornecedoras ligadas à entidade, restam completamente prejudicadas as políticas adotadas. O foco, de lucro menor em benefício dos cooperados, muda, visando um lucro maior em favor de atividades no qual atuam os diretores da entidade por meio de empresas terceirizadas por eles administradas. Tanto que, como já exposto, menos de 2% das receitas auferidas corresponderam às atividades de comercialização dos produtos dos cooperados. A falta de neutralidade e imparcialidade nas decisões tomadas pela cooperativa em análise fica mais evidenciada diante da constatação de que os associados presentes às assembléias são, em grande parte, sócios ou parentes de sócios de empresas que prestam serviço à cooperativa, ou são sócios de empresas que atuam no ramo de revenda de insumos agropecuários (fl. 45). Inclusive, o art. 24 da mencionada Lei nº 5.764, de 1971, dispõe com clareza, ao discorrer sobre limites aplicados aos sócios (cooperados): Art. 24. O capital social será subdividido em quotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior salário mínimo vigente no País. (...) § 3° É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano que incidirão sobre a parte integralizada. Ora, diante do conflito de interesses apresentado, a atividade cooperativa desempenhada pela recorrente, em sua essência, mostrase fragilizada. As conclusões da autoridade autuante não merecem reparos: 2) nos anos de 2002 a 2004, todos os membros da administração da cooperativa eram também sócios ou parentes próximos de sócios das sociedades comerciais prestadoras de serviços de assessoria, consultoria ou gerência de filial. Tais sociedades, bem como os administradores da cooperativa, eram remuneradas de modo proporcional às vendas da cooperativa. Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.843 18 Assim, o objetivo da organização não era o de convergir esforços para a obtenção de menores preços para os associados, mas o de proporcionar rendimentos às sociedades envolvidas comercialmente com a cooperativa, verdadeiras proprietárias de uma rede de distribuição de insumos agrícolas. Tal fato se comprova, também, pela participação nas Assembléias Gerais de 2002 a 2004, nas quais participaram de 0,37% a 0,59% do total de associados mas de 37,17% a 53,45% dos associados que são sócios ou parentes de sócios das sociedades prestadoras de serviços. (grifei) Portanto, resta evidenciado que a recorrente não operou como uma cooperativa do ramo agrícola. Os fatos demonstram que a revenda de insumos aos cooperados concentrouse, em maior parte, na comercialização de insumos e assistência técnica, caracterizando a atuação a uma cooperativa de consumo. Ademais, os atos promovidos pelos seus diretores e integrantes dos conselhos administrativo e fiscal, decorrentes da comercialização dos insumos, vez que incorridos com terceiros e visando a percepção do lucro dos prestadores de serviços (administrados por diretores da própria cooperativa), em conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, podem ser considerados como não cooperativos, ou seja, sujeitos à tributação regular. Nesse contexto, tampouco há que se falar em cooperativa mista, conforme aduzido pela recorrente. E tanto os atos não cooperativos, como aqueles inerentes a uma cooperativa de consumo, são submetidos às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 69 da Lei nº 9.532, de 1997 sepulta a questão, ao determinar que as operações de uma cooperativa de consumo são integralmente tributadas. Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tratase de diploma legal vigente, do qual o presente tribunal administrativo não tem competência para apreciar sua legalidade. O mesmo se pode dizer a respeito dos protestos referentes à multa de ofício no percentual de 75%, que seria confiscatória e inconstitucional. Ocorre que se trata de percentual previsto em lei, não sujeito à apreciação do CARF, conforme esclarece a Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tampouco há que se discutir a taxa de juros moratórios atrelada à SELIC, conforme Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.094 S1C1T3 Fl. 3.844 19 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904436/2011-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 43 6/ 20 11 -9 5 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904436/201195 Resolução nº 3803000.528 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10630.001151/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA COMO OBJETO SOCIAL.
Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica registra como objeto social atividade vedada, cujo código CNAE consta do anexo I da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007, especialmente se ela não consegue comprovar em diligência fiscal que não exerce efetivamente essa atividade.
Numero da decisão: 1802-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que convertiam o julgamento em nova diligência. O conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão apresenta declaração de voto.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ATIVIDADE VEDADA COMO OBJETO SOCIAL. Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica registra como objeto social atividade vedada, cujo código CNAE consta do anexo I da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007, especialmente se ela não consegue comprovar em diligência fiscal que não exerce efetivamente essa atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que convertiam o julgamento em nova diligência. O conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão apresenta declaração de voto. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 11 51 /2 00 9- 69 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora MG (DRJJFA), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Para descrever os fatos, e, também, por economia processual, transcrevo a seguir o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional (fl. 08) que indeferiu o pedido de inclusão do Simples Nacional, a partir da data de abertura da empresa, ou seja, 04/05/2009, tendo em vista o exercício de atividade econômica vedada representada pelo código CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, de acordo com a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso VI. Contra tal ato, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 27/05/2009 (fls. 01/02), na qual alega que a resposta à pergunta n° 2.5, constante no Portal do Simples Nacional na internet não deixa dúvidas quanto à possibilidade de enquadramento no caso em pauta, ao afirmar: Admitese, no entanto, a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionando se neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no Simples Nacional, ao exercício tão somente das atividades não vedadas. Por fim, o contribuinte declara que exercerá somente as atividades permitidas à inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas ME e EPP. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora MG (DRJJFA) indeferiu a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente através do Acórdão n° 0935.672, de 22 de junho de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA. SITUAÇÃO CADASTRAL. Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica exerce atividades vedadas, cujo código CNAE consta da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 4 3 Sem Crédito em Litígio. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/11/2011, no qual aduziu, em síntese, que a alteração do objeto social, ocorrida em novembro de 2009, permitiria a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Em 08/05/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.226, às fls. 51 a 55, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 62/63 e a correspondente manifestação da Contribuinte, às fls. 67/68, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que manteve o indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional desde a data de abertura da empresa, em 04/05/2009. A negativa proferida pela Delegacia de origem foi motivada pelo exercício de atividade econômica vedada, representada pelo código “CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”, de acordo com a Lei Complementar n° 123/2006, art. 17, inciso VI. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, mencionou orientações extraídas do Portal do Simples Nacional na internet, abaixo transcritas, e destacou que o “CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”, contava do Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007: 2.4. As microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) que exerçam atividades diversificadas, sendo apenas uma delas vedada e de pouca representatividade no total das receitas, podem optar pelo Simples Nacional? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. 2.5. Se constar do contrato social alguma atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional, ainda que não venha a exercêla, tal fato é motivo de impedimento à opção? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (Ver Pergunta 2.4). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 6 5 2.6. A ME ou a EPP inscrita no CNPJ com código CNAE correspondente a uma atividade econômica secundária vedada pode optar pelo Simples Nacional? Não. ALei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Essas atividades impeditivas estão listadas no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. (grifos acrescidos) Nessa fase recursal, a Contribuinte informou que promoveu alteração de seu objeto social em 13/11/2009, o que permitiria a adesão ao Simples Nacional. A referida alteração contratual suprimiu do contrato a atividade impeditiva, isto é, a “organização de excursões em veículos próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”. O objeto social passou a mencionar apenas as seguintes atividades: (i) Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal, intermunicipal e interestadual; (ii) Transporte rodoviário coletivo de passageiro, com itinerário fixo, municipal; (iii) Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, municipal. Ao examinar o recurso voluntário, na sessão de 08/05/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.226, às fls. 51 a 55, demandando realização de diligência pela unidade de origem, com o objetivo de verificar se a atividade de transporte de passageiros exercida pela Recorrente abrangia tão somente a prestação de serviços no âmbito municipal. No atendimento à referida Resolução, a Delegacia de origem prestou a Informação Fiscal de fls. 62/63: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 927 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), no curso do Processo Administrativo Fiscal acima e, tendo em vista solicitação de Diligência Fiscal feita pelo CARF (fls. 54 e 55), comparecemos em 26/09/2013 ao endereço cadastral do contribuinte. Lá fomos recebidos pelo Sr. Luiz Cláudio de Almeida, CPF: 272.668.85604. De tal Diligência, lavramos o Termo de Constatação de fls. 57 e 58, do qual extraímos os seguintes trechos: [...] QUE há 8 anos, havia somente uma empresa, a Viação Dois Irmãos com atividade/sede em Cons. Pena e Inhapim. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 7 6 QUE há uns 7 anos, tal empresa foi cindida em 3 novas empresas: a própria Viação Dois Irmãos, com sede em Inhapim; Dois Irmãos Transporte Rodoviário em Conselheiro Pena e Viação Dandão com sede em Conselheiro Pena. QUE o declarante é sócio da Dois Irmãos Transporte. QUE seus filhos são sócios da Viação Dandão. QUE a Viação Dois Irmãos faz transporte interestadual de passageiros. QUE a Viação Dandão faz transporte de carga e fretamentos para o município e para fora do município. (Grifo nosso) QUE a Viação, digo, Dois Irmãos Transporte faz transporte de passageiros no âmbito Municipal e interestadual. Constatamos, outrossim, que todos os ônibus encontrados no local estão com o logotipo “DOIS IRMÃOS”. [...] Verificase que o contribuinte afirmou textualmente que a VIAÇÃO DANDÃO faz fretamento para fora do município, ou seja transporte intermunicipal. Por outro lado, todos os ônibus do grupo empresarial, que é formado por três empresas da mesma família, possuem também o mesmo logotipo DOIS IRMÃOS o que denota que as três empresas se utilizam da mesma marca para suas atividades de transporte de passageiros. Tudo isso só vem reforçar nossa tese: a de que a VIAÇÃO DANDÃO exerce a atividade de transporte intermunicipal, a qual é vedada a optantes pelo SIMPLES. E isso acontece, de acordo com o Termo de Constatação, desde a fundação da VIAÇÃO DANDÂO. Intimada do conteúdo dessa Informação Fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 67/68 para contestar suas conclusões, alegando: 01) Que a empresa Viação Dandão Ltda. ME não participou da cisão parcial da empresa Viação Dois Irmãos Ltda, conforme consta no Termo de Constatação lavrado pelos n. fiscais. As empresas que figuram na referida cisão é a própria Viação Dois Irmãos Ltda, a empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. e a empresa Viação A & B Ltda, conforme Protocolo e Justificação de Cisão parcial arquivado na JUCEMG em 01/07/2010 sob o n° 4366087 (cópia anexa). 02) Que a empresa Viação Dandão Ltda. tem como sócios a Sra. Maria Aparecida da Silva e o Sr. Felipe Coelho de Almeida, sendo que somente este é filho do declarante que assinou o Termo de Constatação. 03) Que a empresa Viação Dandão Ltda. utiliza o logotipo “DOIS IRMÃOS”, como também as empresas que participaram Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 8 7 da cisão, por se tratar de nome bastante conhecido no município de Conselheiro Pena. 04) Que a atividade da empresa em questão limitase apenas no Transporte de Cargas e Transporte de Estudantes da zona rural para a sede do município de Conselheiro Pena. 05) Que no intuito de sanar dúvidas suscitadas por este respeitável órgão foi procedida alteração contratual em 03/12/2009 para excluir a atividade secundária CNAE 49.29 09/04, visto que a mesma jamais fora utilizada pela empresa. 06) Que o Sr. Luiz Cláudio de Almeida, sócio administrador da empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. se confundiu no momento de prestar os esclarecimentos, prestando informações inverídicas. A diligência fiscal resultou na constatação de que todos os ônibus do grupo empresarial, que é formado por três empresas da mesma família, possuem também o mesmo logotipo DOIS IRMÃOS, utilizando, portanto, a mesma marca na atividade de transporte de passageiros. Além disso, a pessoa contatada no estabelecimento da Recorrente, que é pai de um de seus sócios, prestou informação de que as três empresas fazem transporte para fora do município. A Contribuinte, por sua vez, alega que o declarante se confundiu no momento de prestar as informações, e que ela só realiza transporte de Cargas e Transporte de Estudantes da zona rural para a sede do município de Conselheiro Pena, mas não apresentou qualquer documento que pudesse atestar suas informações, p/ex., cópias de contratos, notas fiscais de prestação de serviços, declaração de clientes, etc. O voto que orientou a solicitação de diligência já havia consignado que não era razoável uma empresa realizar a atividade de transportes e excursões somente no âmbito de seu próprio município, e o próprio contrato social registrava que um dos objeto da empresa era a “organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”. Além disso, a regulamentação do Comitê Gestor do Simples Nacional, conforme as orientações extraídas do portal da internet e anteriormente transcritas, é no sentido de que “se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade”. A referida atividade impeditiva estava relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. Oportuno destacar que os procedimentos do Simples Nacional, em determinadas situações, vedam de imediato o ingresso no sistema simplificado de tributação, evitando assim que o contribuinte fique anos declarando e recolhendo tributo pelas regras desse sistema para depois ser informado que não poderia estar nele enquadrado (exclusão com efeitos retroativos). Uma vez identificado o impedimento no contrato social, é vedado desde logo o ingresso no sistema, o que é bastante razoável. Opção bem mais problemática é deixar o Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 9 8 contribuinte ingressar no sistema para verificar depois se ele está ou não realizando a atividade vedada que ele mesmo registrou como sendo o seu objeto social. Nada impede, entretanto, que modificadas as circunstâncias impeditivas, o contribuinte ingresse com nova opção pelo regime simplificado, sem efeitos retroativos. Nesse contexto, deve ser mantida a negativa do pedido de inclusão no Simples Nacional constante destes autos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 10 9 Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Peço vênia para discordar do Ilustre Relator por entender que neste caso o processo deveria ter retornado novamente para diligência para cumprimento do que foi inicialmente solicitado e que, ao meu ver, teria sido primordial para o julgamento da presente lide. Conforme consta do voto do Relator, “ao examinar o recurso voluntário, na sessão de 08/05/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.226, às fls. 51 a 55, demandando realização de diligência pela unidade de origem, com o objetivo de verificar se a atividade de transporte de passageiros exercida pela Recorrente abrangia tão somente a prestação de serviços no âmbito municipal.” No atendimento à referida Resolução, a Delegacia de origem prestou a Informação Fiscal de fls. 62/63: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 927 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), no curso do Processo Administrativo Fiscal acima e, tendo em vista solicitação de Diligência Fiscal feita pelo CARF (fls. 54 e 55), comparecemos em 26/09/2013 ao endereço cadastral do contribuinte. Lá fomos recebidos pelo Sr. Luiz Cláudio de Almeida, CPF: 272.668.85604. De tal Diligência, lavramos o Termo de Constatação de fls. 57 e 58, do qual extraímos os seguintes trechos: [...] QUE há 8 anos, havia somente uma empresa, a Viação Dois Irmãos com atividade/sede em Cons. Pena e Inhapim. QUE há uns 7 anos, tal empresa foi cindida em 3 novas empresas: a própria Viação Dois Irmãos, com sede em Inhapim; Dois Irmãos Transporte Rodoviário em Conselheiro Pena e Viação Dandão com sede em Conselheiro Pena. QUE o declarante é sócio da Dois Irmãos Transporte. QUE seus filhos são sócios da Viação Dandão. QUE a Viação Dois Irmãos faz transporte interestadual de passageiros. QUE a Viação Dandão faz transporte de carga e fretamentos para o município e para fora do município. (Grifo nosso) QUE a Viação, digo, Dois Irmãos Transporte faz transporte de passageiros no âmbito Municipal e interestadual. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 11 10 Constatamos, outrossim, que todos os ônibus encontrados no local estão com o logotipo “DOIS IRMÃOS”. [...] Verificase que o contribuinte afirmou textualmente que a VIAÇÃO DANDÃO faz fretamento para fora do município, ou seja transporte intermunicipal. Por outro lado, todos os ônibus do grupo empresarial, que é formado por três empresas da mesma família, possuem também o mesmo logotipo DOIS IRMÃOS o que denota que as três empresas se utilizam da mesma marca para suas atividades de transporte de passageiros. Tudo isso só vem reforçar nossa tese: a de que a VIAÇÃO DANDÃO exerce a atividade de transporte intermunicipal, a qual é vedada a optantes pelo SIMPLES. E isso acontece, de acordo com o Termo de Constatação, desde a fundação da VIAÇÃO DANDÂO. Intimada do conteúdo dessa Informação Fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 67/68 para contestar suas conclusões, alegando: 01) Que a empresa Viação Dandão Ltda. ME não participou da cisão parcial da empresa Viação Dois Irmãos Ltda, conforme consta no Termo de Constatação lavrado pelos n. fiscais. As empresas que figuram na referida cisão é a própria Viação Dois Irmãos Ltda, a empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. e a empresa Viação A & B Ltda, conforme Protocolo e Justificação de Cisão parcial arquivado na JUCEMG em 01/07/2010 sob o n° 4366087 (cópia anexa). 02) Que a empresa Viação Dandão Ltda. tem como sócios a Sra. Maria Aparecida da Silva e o Sr. Felipe Coelho de Almeida, sendo que somente este é filho do declarante que assinou o Termo de Constatação. 03) Que a empresa Viação Dandão Ltda. utiliza o logotipo “DOIS IRMÃOS”, como também as empresas que participaram da cisão, por se tratar de nome bastante conhecido no município de Conselheiro Pena. 04) Que a atividade da empresa em questão limitase apenas no Transporte de Cargas e Transporte de Estudantes da zona rural para a sede do município de Conselheiro Pena. 05) Que no intuito de sanar dúvidas suscitadas por este respeitável órgão foi procedida alteração contratual em 03/12/2009 para excluir a atividade secundária CNAE 49.29 09/04, visto que a mesma jamais fora utilizada pela empresa. 06) Que o Sr. Luiz Cláudio de Almeida, sócio administrador da empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. se confundiu no momento de prestar os esclarecimentos, prestando informações inverídicas. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 12 11 Garimpando o resultado da diligência e a manifestação da Recorrente quanto ao seu resultado, concluo que se trata de duas declarações antagônicas que não produzem resultados inequívocos ou substanciais. A autoridade fiscal deveria ter requisitado e amparado sua diligência em provas substanciais, tais como cópias de contratos de prestação de serviços e notas fiscais de saída, referentes a prestação desses serviços, o que não o fez. Vale salientar que a legislação não veda que esteja previsto no contrato social da Recorrente a possibilidade de prestar serviço, mas tão somente a efetivação da prestação desse serviço, senão vejamos: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (…) VI que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, exceto quando na modalidade fluvial ou quando possuir características de transporte urbano ou metropolitano ou realizarse sob fretamento contínuo em área metropolitana para o transporte de estudantes ou trabalhadores; (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) (grifos meus) Há que se diferenciar o “poder prestar” do “prestar”. Isso porque a possibilidade de se praticar ato não se confunde com a sua efetivação, sendo que a lei só restringe a possibilidade de enquadramento do Simples Nacional daqueles que podendo prestar o serviço efetivam essa prestação. Por todo o exposto, aplicando a interpretação teleológica do artigo art. 179 da CF/88 que esta situação merece, ouso discordar do voto vencedor, acreditando que o processo deveria ter sido novamente remetido para a delegacia de origem para que fossem verificados: (i) os contratos de prestação de serviço de transporte entre a Recorrente e seus clientes; (ii) notas fiscais de saída. É o meu voto. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000425/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.158.235-0
Consolidados em 24/04/2009
Contribuição Previdenciária incidente em pagamento de vale transporte pago em dinheiro.
Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 25 /2 00 9- 97 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 1229.427da 10ª Turma da DRJ/RJ1 onde julgou procedente o lançamento efetuado no AIOP acima identificado, sendo ele referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a cota da empresa, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os pagamentos em dinheiro de auxíliotransporte, em desacordo com a Lei n° 7.418, de 16/12/1985, registrados nas folhas de pagamento, rubrica código 0385 — INDENIZAÇÃO V.T. PROX/MÊS e lançados na contabilidade na conta 3211020 — VALE TRANSPORTE. Devidamente noticiada do lançamento aviou a sua impugnação, cuja qual foi julgada improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade. Em 04 de junho de 2010 aviou o presente remédio recursivo, diante da notificação da decisão de piso em 07 de maio de 2010, conforme informa certidão de fls. 275. É a síntese do necessário. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 12898.000425/200997 Acórdão n.º 2301004.141 S2C3T1 Fl. 277 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. O ponto nodal da testilha é a constituição de contribuição previdenciária sob os valores pagos à título de vale transporte em dinheiro a seus funcionários. Portanto, a questão já está sumulada nesta Corte, cuja qual curvome, aplicandolhe. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO, excluindo do lançamento as contribuições relativas a pagamento de vale transporte pago em dinheiro, conforme autoriza Súmula CARF 89. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721714/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido Em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxílio-transporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do salário-família, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido Em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxílio-transporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do salário-família, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente PARANASA ENGENHARIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido Em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 17 14 /2 01 1- 12 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxíliotransporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do saláriofamília, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721714/201112 Acórdão n.º 2402003.953 S2C4T2 Fl. 903 3 Relatório Tratase de autuação que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 10/19, resultou na lavratura dos seguintes autos de infração: Auto de Infração n° 50.006.5411, (Código de Fundamentação Legal: CFL 78) – valor de R$1.820,00, por infração ao artigo 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº9.528, de 10.12.1997, com a redação dada pela MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009. Auto de Infração n° 50.006.5420, (Código de Fundamentação Legal CFL 30). valor de R$4.573,29, por infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212 de 24.07.1991 combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 .05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5438 (Código de Fundamentação Legal: CFL 34) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso II, da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, combinado com o artigo 225, Inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5446 (Código de Fundamentação Legal: CFL 35) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso III e parágrafo 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5454 (Código de Fundamentação Legal: CFL 59) – valor de R$3.048,86, por infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, da Lei n° 8.212 de 24.07.19 91, artigo 4º, “caput”, da Lei n° 10.666 de 08.05.2003 e artigo 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnações (fls. 575/752) que restaram julgadas improcedentes (Fls. 754/777) pelos seguintes motivos: 1) Quanto aos argumentos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das multas aplicadas, não cabe à esfera administrativa esta análise; 2) Quanto às decisões judiciais transcritas, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 estabelece que não pode o órgão julgador administrativo desconsiderar norma válida no ordenamento jurídico para aplicar o entendimento da jurisprudência; 3) Com relação ao AI n° 50.006.5438, a multa deve ser mantida pois a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições; 4) Com relação ao AI n° 50.006.5446, a multa deve ser mantida vez que a Recorrente deixou de apresentar à fiscalização a relação nominal de todos os trabalhadores beneficiários do programa de incentivo à produtividade; Fl. 904DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5) Com relação ao AI n° 50.006.5420, a multa deve ser mantida vez que a Recorrente não incluiu nas folhas de pagamentos todas as parcelas pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, independentemente de integrar ou não o salário de contribuição; 6) Com relação ao AI n° 50.006.5454, a multa deve ser mantida por ter a empresa Recorrente deixado de arrecadar a contribuição previdenciária, mediante desconto da remuneração do segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual; 7) Com relação ao AI n° 50.006.5411, os argumentos da não incidência de contribuições devidas a terceiros sobre as verbas objeto da autuação não podem ser acolhidos, nos termos do voto proferido no PAF n° 15504.721713/201178; Ao final, julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 784/897, alegando, em síntese, a irregularidade das penalidades aplicadas, a confiscatoriedade e o bis in idem, bem como a ausência de infração cometida, vez que as verbas consideradas pela fiscalização não possuem natureza salarial. Ao final, requereu o provimento do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento o recurso voluntário. É o relatório. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721714/201112 Acórdão n.º 2402003.953 S2C4T2 Fl. 904 5 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual voto por seu conhecimento. Preliminar Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa por supressão de instância, uma vez que a Delegacia de Julgamento em acórdão de primeira instância não apreciou todas as matérias arguidas em defesa, impedindo que o CARF as aprecie em razão dos limites do efeito devolutivo impostos ao recurso voluntário. Não merece guarida a alegação. O acórdão de primeira instância analisou cada um dos autos de infração lavrados, não impedindo qualquer análise de mérito por parte deste Conselho Administrativo. No Mérito Tratamse de autos de infração de obrigação acessória, lavrados com base nos fundamentos apresentados nos autos referentes à obrigação principal, de n° 15504.721713/201178. Em julgamento de recurso voluntário apresentado naquele processo, concluiuse pelo parcial provimento, excluindo os créditos relativos ao vale transporte pago em pecúnia, ao adicional de periculosidade e seus reflexos no 13° salário e aos valores pagos por serviços médicos prestados por cooperativas de trabalho. A partir disso, necessário o recálculo das penalidades aplicadas por meio dos autos de infração n° 50.006.5438, 50.006.5420, 50.006.5454 e 50.006.5411. Quanto à penalidade aplicada através do AI n° 50.006.5446, mantenho a multa, vez que o resultado do processo n° 15504.721713/201178 não causou qualquer alteração no que tange ao descumprimento da obrigação acessória de apresentar à fiscalização a documentação solicitada. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e voto pela procedência parcial para determinar o recálculo dos créditos tributários relativos aos autos de infração n° 50.006.5438, 50.006.5420, 50.006.5454 e 50.006.5411. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Tratase o presente de recurso voluntário interposto contra o acórdão da DRJ que entendeu procedente o lançamento fiscal relativo aos autos de infração a seguir relacionados: Auto de Infração n° 50.006.5411, (Código de Fundamentação Legal: CFL 78) – valor de R$1.820,00, por infração ao artigo 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº9.528, de 10.12.1997, com a redação dada pela MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009. Auto de Infração n° 50.006.5420, (Código de Fundamentação Legal CFL 30) valor de R$4.573,29, por infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212 de 24.07.1991 combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5438 (Código de Fundamentação Legal: CFL 34) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso II, da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, combinado com o artigo 225, Inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5446 (Código de Fundamentação Legal: CFL 35) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso III e parágrafo 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5454 (Código de Fundamentação Legal: CFL 59) – valor de R$3.048,86, por infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, da Lei n° 8.212 de 24.07.19 91, artigo 4º, “caput”, da Lei n° 10.666 de 08.05.2003 e artigo 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Acrescese ao presente os termos do fidedigno relatório preparado pelo nobre Relator, que aponta que os autos acima mencionados foram lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias vinculadas às principais constituídas nos autos constantes do processo nº 15504.721.713/201178. Naquele processo, o ilustre Conselheiro Relator, entendeu pela impossibilidade de inclusão do adicional de periculosidade no saláriodecontribuição para fins de tributação pela contribuição previdenciária. Entendeu ainda, também após didática exposição constante do voto, pela não incidência da contribuição de 15% sobre os serviços prestados pela cooperativa médica para a recorrente. Ousei, com a devida vênia, discordar das posições do ínclito relator quanto aos tópicos mencionados. Minha posição restou mantida pela turma e como consequência decidiuse pela procedência do lançamento quanto incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional de periculosidade e sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho. Como resultado final, deliberouse pela procedência parcial do recurso voluntário no sentido de excluir o crédito tributário relativo ao vale transporte pago em pecúnia. Tal decisão reflete no presente auto de infração no sentido de recálculo das Fl. 907DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721714/201112 Acórdão n.º 2402003.953 S2C4T2 Fl. 905 7 penalidades aplicadas que tiveram por base a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor do vale transporte pago em dinheiro. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e voto pela procedência parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxíliotransporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do saláriofamília, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Assim declaro. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18471.001461/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 46 1/ 20 08 -8 4 Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 420 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A, PETROBRAS lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, no período de 08/1996 a 04/1997, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa CALORISOL ENGENHARIA LTDA. Após a apresentação de impugnação pela PETROBRÁS, a GERÊNCIA EXECUTIVA RIO DE JANEIRO CENTRO DIVISÃO DE ARRECADAÇÃO SERVIÇO DE ANÁLISE DE DEFESAS E RECURSOS julgou procedente o lançamento através da Decisão – Notificação nº. 17.401.4/0719/2002. Apresentado Recurso Voluntário, a então 2ª CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS Anulou a Decisão de Primeira Instância através do Acórdão 001876/2006 cuja ementa transcrevemos: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. Cerceamento de Defesa. O contribuinte tem direito de participar de processo administrativo relacionado com fato gerador de sua responsabilidade, portanto tem que ser notificado pelo INSS. Liquidez e Certeza. È necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços. Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO.” O INSS apresentou Pedido de Revisão que restou negado pela 2ª CAJ (fls. 353).” Às fls. 368, a prestadora de serviços peticionou nos autos alegando que somente em 28/11/2005 tomou conhecimento da NFLD e apresentou os documentos de fls. 456 a 757. Às fls. 894, a fiscalização, através do documento denominado Análise de Interesse Fiscal com as seguintes informações que destacamos: “1. Tratase de crédito tributário (NFLD: 35.463.9277) lavrado em 27/03/2002, em face do sujeito passivo acima identificado; referente à responsabilidade solidária com prestador de serviço de construção civil; competências 08/1996a 04/1997. 2. Em 14/05/2003, através do Acórdão 1876 (fls. 310 a 322), a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS anulou a Decisão Notificação que havia considerado o lançamento procedente, determinando diligência no prestador de serviços (devedor solidário) Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 421 3 a fim de confirmar a existência do crédito tributário (fl. 312) e reiniciar o contencioso administrativo. Em face da decisão do CRPS o INSS fez um pedido de Revisão do Acórdão, o qual foi negado em 27/05/2005 (fls. 338 a 342). A documentação constante no presente processo indica que tal diligência não foi efetuada. 3. A Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (12/06/2008) considerou inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decreto Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/19, que tratam de prescrição e decadência de créditos tributários. Desta forma, constatase que a decadência ocorre no prazo de 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. No tocante ao crédito tributário em questão, constatase que as competências 08/1996 a 02/1997 foram atingidas pela decadência, inexistindo portanto o direito à constituição dos mesmos; em função da data da constituição do crédito tributário (27/03/2002) e das competências em que se verificaram os fatos geradores (08/1996 a 04/1997). Permanece apenas o direito à constituição dos créditos relativos às competências 03 e 04/1997. 4. Assim sendo, a fim de realizar as verificações solicitadas, é sugerido o envio do presente processo à DIFIS I, ressaltando que existe diligência em andamento com a mesma finalidade, relativa a outros créditos tributários. Reiterase a necessidade de cientificar o sujeito passivo acerca do resultado da referida diligência, com abertura do prazo recursal; procedimentos estes a cargo da DERAT/RJO /EqCDP.” (...) Às fls. 906, em atendimento às determinações do Acórdão do CRPS, o Auditor Fiscal Notificante assim se manifestou: “Contribuinte: PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S.A CNPJ: 33.000.167/000101 Ref. Processo n° 18471.001461/200884 NFLD DEBCAD: 35.463.9277 Assunto: REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIA 1. Em atenção à solicitação de fl. 884, referente a processo encaminhado pela DEFIS/RJO/DIPAC expõese: 2. Trata a presente NFLD, de crédito previdenciário lavrado por solidariedade Art. 30, inc. VI da Lei 8.212/91, em 26/03/2002, correspondente à parcela Empresa/SAT e segurados, incidente sobre a remuneração da mão de obra aplicada na prestação de serviços, nas competências 08/96 a 04/97, realizada pela empresa CALORISOL ENGENHARIA LTDA CNPJ 45.658.945/000133, de acordo com o contrato de n° 210.2.049.963, firmado com a empresa tomadora PETROBRAS S.A. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 422 4 3. Com vista a atender à Decisão da extinta 2 a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CaJ/ CRPS (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), no Acórdão n° 0001876, de 24/08/2004, em que os seus membros decidiram por ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), determinando a abertura de diligência para a adoção de providências visando submeter o crédito tributário lançado à prova de liquidez e certeza, em face da escrituração contábil do prestador, tecemos as considerações abaixo: 3.1 O entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto a necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Enunciado n° 30 do CRPS, com base na Resolução MPS/CRPS nº 1 de 31/01/2007, passando a dispensar tal exigência: "Enunciado n" 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.". 3.2 De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação quanto ao prestador ter sido alvo de procedimento fiscal, com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 4. No presente caso, consulta ao Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, cópia anexa, mostranos que a empresa prestadora contratada foi alvo de fiscalização n° 09229487, de 29/03/2005 a 05/08/2005, abrangendo o período de 01/1995 a 01/2005, sem qualquer cobertura contábil. 5. Foi verificado ainda não ter o prestador aderido a qualquer tipo de parcelamento, conforme tela anexada, extraída do Sistema Plenus, em 03/12/2009. 6. Ressaltese o entendimento emanado da Súmula Vinculante n° 08 do STF (12/06/2008) considerando inconstitucionais o parágrafo único do art.5° do decreto Lei n° 1.569/77 e os art. 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de créditos tributários. Desta forma constatase que a decadência ocorre no prazo de 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. 7. No tocante ao crédito tributário em questão, não obstante o exposto nos itens anteriores, verificase que as competências 08/1996 a 02/1997 estão, smj, amparadas pelo instituto da decadência, inexistindo o direito de constituição do crédito tributário, em função da data da lavratura do crédito original e das competências em que ocorreram os fatos geradores. Tal direito permanece em relação às competências 03 e 04/1997. 8. Abaixo elencamos as empresas integrantes do Grupo Econômico: Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 423 5 9. Ao chefe da equipe fiscal 07, para conhecimento e o devido encaminhamento desta à DERATV RJO/ EQCDP Equipe de Controle de Débitos Previdenciários para que esta envie cópia do Acórdão citado e dê ciência da presente diligência à empresa tomadora, bem como as demais integrantes do Grupo Econômico, abrindo o prazo recursal, reiniciando, dessa forma, o contencioso administrativo.” Ressaltese que somente após tal manifestação, as demais empresas do chamado “grupo econômico” tomaram ciência da notificação, através das intimações de nºs. 659 a 663/2011, fato este ocorrido em 04/2011. As empresas intimadas apresentaram manifestação sobre a diligência: Petrobras Química (fls. 932/940); Petrobrás Distribuidora (fls. 976/981); CAROLISOL ENGENHARIA (fls. 995/999) e Petrobras Transporte (fls. 1056/1060). Após tais manifestações a Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro DEMAC/RJO proferiu um despacho nos seguintes termos: “Processo: 18471.001461/200884 NFLD 35.463.9277 Interessado: PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A CNPJ: 33.000.167/000101 O presente processo foi encaminhado a DEMACRJDIORTDIV, conforme despacho de fls. 1049, para que fosse providenciada a devolução do Depósito Recursal. Foram juntados aos autos cópia do MS n° 2007.51.01.0045501 (fis. 1051/1060). Conforme fls. 1072, foi providenciada a devolução do Depósito Recursal referente a NFLD n° 35.463.9277. O crédito n° 35.463.9277 encontrase na situação 'AGUARD.ANÁLISE PARA RECURSO' (fls. 1048), não havendo como atualizar o S1COB. Tendo em vista a ciência dos Acórdãos, Despachos e Resultados de Diligência mencionados às fls. 1049, foram apresentadas manifestações tempestivas pelas solidárias, Petrobrás Química S/A Petroquisa (fls.916/944), Petrobrás Distribuidora S/A (fls.945/957 e 1035/1038 verso), Calorisol Engenharia Ltda (fis.958/992), Petrobrás Transporte S/A Transpetro (fls.994/1034). Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 424 6 Propomos assim, o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (01151690).” Por fim a Petrobrás – Petróleo Brasileiro S/A, peticionou nos autos (fls. 1179 e seguintes) anexando documentos que, segundo ela, demonstram que a prestadora de serviços teria cumprido integralmente com as obrigações ora exigidas o que afastaria a responsabilidade da contratante. Não houve manifestação por parte da fiscalização acerca dos referidos documentos. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 425 7 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Conforme podemos verificar no relatório acima transcrito, entendo que os presentes autos não estão aptos a serem submetidos a julgamento por este colegiado. Conforme se depreende do Acórdão 001876/2006 cuja ementa novamente transcrevemos, a 2ª CaJ efetivamente anulou a Decisão de primeira instância e não apenas determinou uma diligência comum, senão vejamos: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. Cerceamento de Defesa. O contribuinte tem direito de participar de processo administrativo relacionado com fato gerador de sua responsabilidade, portanto tem que ser notificado pelo INSS. Liquidez e Certeza. È necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços. Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO” Ora, ao anular a DN, após cumpridas as exigências daquele colegiado, deveria ter sido proferida nova Decisão, o que não consta nos presentes autos. Ainda que a fiscalização entenda que o Enunciado nº 30 pudesse ser aplicado no presente caso, o fato é que não existe decisão de primeira instância e conseqüentemente recursos contra esta, a serem analisados. As peças protocolizadas pelas empresas foram dirigidas à diligência fiscal e não contra um Acórdão ou Decisão de primeira instância, ou seja, analisar todas as argumentações constantes nos auto seria suprimento de instância, o que nos é vedado. Logo, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para que seja proferida uma nova decisão de primeira instância, intimando e abrindose prazo para que as empresas, querendo, apresentem recurso. Sugiro ainda que, ao proferir a nova decisão, o órgão de primeira instância manifestese com relação às alegações e documentos de fls. 1178 e seguintes. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 426 8 Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para cumprimento das determinações supra mencionadas. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001343/2003-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública.
AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRECISAR NA DCTF. ÔNUS DA PROVA.
A Dctf, preenchida de forma incompleta, estando ausentes elementos na suficientes para demonstrar quais os débitos, competências e montantes que se queria compensar, não é documento hábil a extinguir o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRECISAR NA DCTF. ÔNUS DA PROVA. A Dctf, preenchida de forma incompleta, estando ausentes elementos na suficientes para demonstrar quais os débitos, competências e montantes que se queria compensar, não é documento hábil a extinguir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRECISAR NA DCTF. ÔNUS DA PROVA. A Dctf, preenchida de forma incompleta, estando ausentes elementos na suficientes para demonstrar quais os débitos, competências e montantes que se queria compensar, não é documento hábil a extinguir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 13 43 /2 00 3- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Riberão Preto/MG, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 173): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição devida, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 AÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A discussão da matéria tributável na esfera judicial, não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário, por lançamento de ofício , visando prevenir os efeitos da decadência. MULTA DE OFICIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Incabível a inclusão de multa de ofício no lançamento destinado a prevenir decadência, quando configurada alguma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151, incisos IV e V, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Na descrição dos fatos, parte integrante do auto de infração, o AuditorFiscal informou que, por ocasião do procedimento fiscal, foram constatadas compensações indevidas com utilização de supostos créditos da Contribuição ao PIS/Pasep, decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n.° 2.445/1988 e 2.449/1988. Referidos pedidos de foram formalizados nos processos n° 13830.001069/9806 e 13830000951/200147, tendo sido indeferidos por decisão da DRF/Marília, posteriormente, confirmada pela DRJ/Ribeirão Preto, sob a alegação de prescrição, bem como a inexistência de crédito. O presente auto de infração, assim, foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da falta de recolhimento da contribuição no período de apuração compreendido entre fevereiro de 1999 e julho de 2002. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13830.001343/200311 Acórdão n.º 3802003.870 S3TE02 Fl. 215 3 A Recorrente alegou, inicialmente, que os créditos tributários estariam com a exigibilidade suspensa, em razão de decisão no processo administrativo acima referido, e que não haveria razão para a manutenção da autuação. A DRJ determinou a conversão do julgamento em diligência (fls. 126 a 129) a fim de verificar a veracidade dos fatos alegados pela autuada, bem como a existência de decisão definitiva permitindo a compensação. A diligência, devidamente atendida, concluiu no seguinte sentido (fls.172): “[...] houve a extinção tãosomente dos débitos de PIS de período de apuração setembro de 1998 a setembro de 1999, conforme fls. 153/156, pois: [...] No que se refere à COFINS, inexistia pedido de compensação nos autos do aludido processo, nem muito menos petição com informações suficientes para que pudesse ser considerado como tal. Constava tão somente informação de que, com base em uma decisão judicial obtida por terceiros, compensarseia o pleiteado indébito com débitos vencidos e vincendos da contribuição”. Diante disso, a DRJ manteve o ato administrativo fiscal impugnado, em razão da deficiência no preenchimento do pedido de compensação, excluindo apenas a multa de ofício, por entender que a mesma seria incabível no lançamento para a prevenção de decadência. A Recorrente, em suas razões de fls. 188 e ss., reitera a possibilidade de compensação do créditos de PIS/Pasep com os débitos de Cofins. Afirma que, por ter apresentado a compensação na vigência da IN SRF n.° 21/1997, o pedido referese à débitos vincendos de IR e PIS/COFINS. Sustenta ter identificado corretamente o débito que pretendia compensar. Pleiteia o recebimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/04/2010 (fls. 187), interpondo recurso tempestivo em 21/04/2010 (fls. 188). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O presente feito tem por objeto o lançamento, para fins de prevenção de decadência, de crédito tributário de Cofins nos anoscalendários de 1999 (fevereirosetembro), 2001 (agostodezembro) e 2002 (janeirojulho), em face da nãoprestação, pelo Recorrente, de informações relativas ao período de apuração, vencimento e valor compensado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Tais informações deveriam ser prestadas em formulário próprio pelo sujeito passivo, instruindo o pedido de compensação. A negativa da compensação, portanto, não ocorreu em razão da natureza dos tributos (PIS/Pasep e Cofins), mas porque a interessada não prestou adequadamente as informações necessárias ao encontro de contas. É, destarte, absolutamente inviável exigir da Administração Fazendária o deferimento de compensação, quando o contribuinte não prestas as informações em questão. O dever de investigação que decorre do princípio da verdade material, consoante ensina Alberto Xavier, “[…] cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular”1. Os argumentos apresentados no recurso voluntário, por sua vez, são insuficientes para infirmar as conclusões da decisão recorrida, sobretudo porque desacompanhados de qualquer prova da liquidez e da certeza do suposto direito de crédito, requisitos indispensáveis à compensação, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” (g.n.) Por fim, no tocante à alegação de impossibilidade de constituição do crédito tributário, cumpre destacar que o lançamento para prevenção de decadência é perfeitamente possível, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, não violando direito do contribuinte: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)” Tratase de entendimento pacificado no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 1 Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13830.001343/200311 Acórdão n.º 3802003.870 S3TE02 Fl. 216 5 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199) Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19515.000818/2002-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Multa Isolada sobre Tributo Postergado. Inobservância do Regime de Competência. IRPJ. CSLL.
Período de apuração: 1998
Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não constatada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem de situações fáticas e jurídicas díspares.
Numero da decisão: 9101-001.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da contribuinte.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente CONSTRUCÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Multa Isolada sobre Tributo Postergado. Inobservância do Regime de Competência. IRPJ. CSLL. Período de apuração: 1998 Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não constatada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem de situações fáticas e jurídicas díspares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freira da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela contribuinte (doc. a fls. 606 e segs.), em face do Acórdão n° 10808.367, fls. 201 e segs., na parte que, por unanimidade, Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 8/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 negou provimento ao recurso voluntário e manteve o lançamento da multa isolada sobre o valor do IRPJ e da CSLL, cujos pagamentos foram postergados em razão da nãoobservância do regime de competência no reconhecimento de custos. Em apertada síntese, a recorrente se insurge contra o referido acórdão, por sustentar que, ao caso, aplicase a regra do art. 106, II, a, do CTN, tendo em vista que a MP 303/2006 revogou o inciso II do § 1˚ do art. 44 da Lei n˚ 9.430/96, que determinava a aplicação de multa isolada nas hipóteses de pagamento do tributo fora do prazo e sem multa de mora. Em despacho a fls. 972 e 973, o Presidente da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, ou seja, apenas para acolhêlo no ponto em que a recorrente se insurge contra a imposição de multa isolada sobre o tributo recolhido extemporaneamente sem multa moratória, por entender que o acórdão recorrido divergia de outros acórdãos deste Conselho, nos quais foi aplicada a retroatividade benigna, para afastar a penalidade tendo em vista que a MP 303/2006 a extinguiu. À fls. 973, consta o registro de que a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte. A recorrente apresentou agravo parcial (a fls. 978 e segs.) em face do despacho denegatório dos outros pontos do seu recurso especial, mas o Presidente substituto da CSRF o rejeitou e confirmou o despacho recorrido (doc. a fls. 998). À fls. 1010, a contribuinte apresenta razões aditivas ao seu recurso especial, entre as quais, alega que as súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 72 da Portaria MF n˚ 256/2009, e que a Súmula n˚ 31 dispõe que: "Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo de multa de mora, antes do início do procedimento fiscal." . Alfim, requer seja dado provimento ao seu recurso especial. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Inicialmente, para que fique bem claro, vale salientar que são situações diversas aquela em que o contribuinte paga o imposto vencido em atraso sem multa de mora e aqueloutra em que o contribuinte antecipa o reconhecimento de um custo ou posterga o de uma receita, gerando menores base tributável e tributo a pagar. O presente caso se enquadra na segunda situação acima tratada, pois a autuação resultou da nãoobservância, pelo contribuinte, do regime de competência para o reconhecimento de seus custos, hipótese em que se aplicam regras específicas, qual seja, os §§ 4˚, 5˚, 6˚ e 7˚ do art. 6˚ do DecretoLei n˚ 1.598/77 (base legal do art. 219 do RIR/94, fundamento legal do auto de infração). Então, a questão da aplicação da multa de ofício in casu deve ser analisada sob a perspectiva do regramento específico dado pela legislação do imposto de renda para os casos de inobservância do regime de competência. Ora, nenhum dos acórdãos paradigmas apresentados pela recorrente tratou do regramento específico da inobservância do regime de competência prevista nos referidos parágrafos do art. 6˚ do DL 1598/77, se não vejamos: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 8/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 19515.000818/200221 Acórdão n.º 9101001.399 CSRFT1 Fl. 2 3 a) Acórdão n˚ 30237910, tratou de complementação de imposto de importação; b) Acórdãos n˚ 10615848 e 10195713, versaram sobre recolhimento de impostos em atraso sem multa de mora, ou seja, a discussão versava sobre o alcance do art. 138 do CTN; e c) Acórdão n˚ 10615777, teve como objeto a liquidação de IRRF após o vencimento e sem multa de mora. Assim, como nenhum dos acórdãos paradigmas enfrentou a situação fática inobservância de regime de competência nem a situação jurídica regramento do art. 6˚ do DL 1598/77, data maxima venia, ouso divergir do Presidente da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, pois entendo não configurada a divergência entre os Acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem de situações fáticas e jurídicas díspares. Por último, cabe registrar que, por essas mesmas razões, não se aplica, ao presente caso, a Súmula CARF n˚ 31. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 8/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 16327.001291/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/01/2006, 31/01/2007
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Utilizando-se no caso sob apreciação a legislação revogada, por ser mais benéfica ao sujeito passivo, descabe a aplicação do princípio da consunção, mas a conjugação da multa por descumprimento da obrigação principal com aquela decorrente da falta de pagamento das contribuições.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para aplicar o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/01/2006, 31/01/2007 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Utilizando-se no caso sob apreciação a legislação revogada, por ser mais benéfica ao sujeito passivo, descabe a aplicação do princípio da consunção, mas a conjugação da multa por descumprimento da obrigação principal com aquela decorrente da falta de pagamento das contribuições. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2149; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 98 1 97 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001291/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.605 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/01/2006, 31/01/2007 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Utilizandose no caso sob apreciação a legislação revogada, por ser mais benéfica ao sujeito passivo, descabe a aplicação do princípio da consunção, mas a conjugação da multa por descumprimento da obrigação principal com aquela decorrente da falta de pagamento das contribuições. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 91 /2 01 0- 91 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001291/201091 Acórdão n.º 2401003.605 S2C4T1 Fl. 99 3 Relatório Tratase de recurso interposto pela empresa contra o Acórdão n. 1628.504 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo para desconstituir o Auto de Infração – AI n. 37.271.7276. O lançamento em questão referese à aplicação de multa pela falta de declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP das parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados – PLR aos empregados e diretores empregados, nas competências 01/2005; 01/2006 e 01/2007. O sujeito passivo tomou ciência desta lavratura em 29/09/2010. Vale ressaltar que, em virtude da superveniência da Lei n° 11.941/09, a autoridade lançadora, por intermédio da planilha de fls. 11, demonstra a multa aplicada a cada competência na qual se verificou a ocorrência de infração, conforme a legislação aplicável (do fato gerador ou a atual), em observância ao preceituado no art. 106, II, “c”, do CTN. Demonstrouse que no momento da lavratura, a legislação vigente ao tempo dos fatos geradores reclamados revelouse mais benéfica, no tocante a todas as competências. Na decisão de primeira instância (ver fls. 67 e segs.), inicialmente ressaltase que o AI foi lavrado em total obediência ao que dispõem os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Para a DRJ não ocorreu a decadência das contribuições lançadas, uma vez que o prazo decadencial deve ser aferido pela regra do inciso I do art. 173 do CTN, por se tratar de lançamento de ofício. Foi excluída do crédito a competência 01/2005, por entender o órgão julgador que o AI em destaque é conexo ao constante no processo n. 16327.001293/201080 (exigência da obrigação principal), em cujo julgamento decidiuse por essa exclusão. Quanto aos demais argumentos contra a incidência de PLR, o órgão de primeira instância fez remissão ao que ficou decidido no processo principal. Afastouse ainda a tese de que a multa do presente AI estaria absorvida pela multa aplicada na lavratura da obrigação principal. Entendeu a DRJ que é a legislação previdenciária não prevê a aplicação do princípio da consunção ou absorção, sendo apenas cabível a comparação da multa aplicada com base na legislação revogada com aquele fixada conforme a legislação atual. Por fim, decidiuse que a aplicação da norma mais benéfica para cálculo da multa, tendo em conta as mudanças promovidas pela Lei n. 11.941/2009, somente teria cabimento quando do pagamento, parcelamento ou inscrição do crédito em dívida ativa. Em seu recurso, fls. 79 e segs., a empresa, em apertada síntese, alegou que: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) não estando a PLR paga aos seus empregados sujeita à incidência de contribuições é descabida a exigência de sua inclusão na GFIP, sendo improcedente a lavratura; b) requer o julgamento deste processo em conjunto com aqueles relativos à exigência da obrigação principal; c) a infração relativa ao descumprimento de obrigação acessória deve ser absorvida pelo inadimplemento da obrigação principal, que é mais gravosa. Essa regra tem razão de ser no princípio da consunção; d) caso se mantenha a penalidade, esta deve ser calculada pelo art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Ao final pede que a decisão seja reformada na parte que lhe foi desfavorável ou que o AI seja retificado, para que se calcule a multa conforme o art. 32A da Lei n. 8.212/1991. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001291/201091 Acórdão n.º 2401003.605 S2C4T1 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da ocorrência da infração conexão com os processos de exigência da obrigação principal Vale frisar que o julgamento do processo de exigência das contribuições decorrentes dos mesmos fatos geradores tratados no presente AI foi concluído a pouco, tendo a Turma mantido a decisão de primeira instância, que deu provimento parcial à impugnação do sujeito passivo para afastar a competência 01/2005. O entendimento unânime dessa Turma é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Assim, para as competências mantidas pela DRJ (01/2006 e 01/2007), de fato ocorreu a infração de deixar de declarar na GFIP os fatos geradores relativos aos pagamentos a título de PLR, posto que decidimos no AI da obrigação principal pela procedência do lançamento. Aplicação da multa De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001291/201091 Acórdão n.º 2401003.605 S2C4T1 Fl. 101 7 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual se mostrou mais gravoso ao sujeito passivo, conforme demonstrado pela autoridade lançadora. Aplicação do princípio da consunção O referido princípio, também conhecido como princípio da absorção, tem utilização freqüente no Direito Penal, sendo aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência. De acordo com tal princípio, o crime fim absorve o crime meio. Baseandose nesse postulado, o sujeito passivo requer a extinção da multa presente no AI em questão, afirmando que a conduta de deixar de declarar os fatos geradores na GFIP estaria absorvida pelo ilícito tributário de deixar de recolher as contribuições devidas. Pela sua tese, a multa por descumprimento da obrigação acessória estaria contida na multa pela falta de pagamento do tributo. Como vimos acima, com as alterações da legislação previdenciária promovidas pela Lei n. 11.941/2009, hodiernamente a multa pela falta de declaração ou declaração incorreta da GFIP encontrase absorvida pela multa decorrente do lançamento de ofício das contribuições. Por esse motivo, para as condutas ocorridas após a publicação da referida Lei, somente se aplica a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, quando não há lançamento da obrigação principal. Todavia, há de se ter em conta que a multa foi aplicada com esteio na legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores, posto que esta sistemática mostrouse mais benéfica ao sujeito passivo, conforme demonstrado pelo fisco. Aplicandose a legislação anterior, devese respeitar as normas que determinavam a independência das autuações, ou seja, havendo falta de declaração dos fatos geradores na GFIP cumulada com falta de recolhimento das contribuições, há de se impor as duas multas, a primeira pela falta de declaração (§ 5. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991) e a outra pelo descumprimento do prazo para quitação do tributo (art. 35 da Lei n. 8.212/1991). 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, não devo dar razão ao sujeito passivo quando pede que a multa imposta no presente AI seja absorvida pela multa aplicada no processo principal, posto que esta sistemática, adotada na legislação previdenciária após a edição da Lei n. 11.941/2009, mostra se mais gravosa. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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