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Numero do processo: 18471.001653/2004-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Os rendimentos omitidos apurados em lançamento com base em depósitos bancários deverão ter o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, devendo ser consignados e tributados na declaração de ajuste anual.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. Somente é conceituada com empresa individual e equiparada a pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência.
Numero da decisão: 2301-006.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não reconhecer a decadência e, no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Os rendimentos omitidos apurados em lançamento com base em depósitos bancários deverão ter o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, devendo ser consignados e tributados na declaração de ajuste anual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. Somente é conceituada com empresa individual e equiparada a pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não reconhecer a decadência e, no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 53 /2 00 4- 67 Fl. 281DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 243/261) interposto em face do Acórdão nº 13-19.778 (e-fls 226/234) prolatado pela DRJ Rio de Janeiro II, em sessão de julgamento realizada em 16/05/2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 13-19.778 Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 103/107 1 , relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, ano-calendário 1999, no valor total de R$ 262.197,04 (duzentos e sessenta e dois mil, cento e noventa e sete reais e quatro centavos), assim composto: O lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, no montante de R$ 375.238,62, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada verificados na conta corrente/poupança automática nº 0769.16040-9 de titularidade do interessado no Banco Itaú S.A. , no período de 01/01/1999 a 31/12/1999 (Descrição dos Fatos às fls. 104/105 2 ). O extrato bancário correspondente (fls. 15/44) foi fornecido pelo próprio contribuinte, conforme consta da resposta à fl. 13. Intimado a comprovar a origem dos depósitos, nos termos do artigo 42, § 3º, inciso II da Lei nº 9.430/96, o interessado apresentou o demonstrativo às fl. 82/96, em que listou esclarecimentos para grande parte dos depósitos. Conforme consta Relatório Fiscal à fl. 102, a exigência de comprovação abrangeu apenas os depósitos acima de R$ 500,00. A autoridade autuante, considerando não comprovada a origem dos depósitos auditados, elaborou a planilha à fl. 108/112 3 e lavrou o presente Auto de Infração tributando-os como rendimentos omitidos, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Cientificado do lançamento em 09/12/2004 (ciência pessoal à fl. 103 4 ), o interessado apresentou, em 28/12/2004, a impugnação de fls. 118/124 5 , acompanhada 1 Auto de Infração anexado às e-fls 134/138. Relatório Fiscal às e-fls. 133. 2 E-fls. 135/136. 3 Planilha de depósitos bancários não comprovados anexada às e-fls 139/143. 4 E-fls. 134. 5 Impugnação anexada às e-fls. 149/155. Imposto R$ 103.190,62 Juros de Mora (calculados até 30/11/2004) R$ 81.613,46 Multa Proporcional (75%) R$ 77.392,96 Valor do crédito tributário apurado R$ 262.197,04 Fl. 282DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 dos documentos/planilhas às fls. 127/192 6 , na qual levanta as razões de defesa abaixo reproduzidas. Alega erro na identificação do período base. Sustenta que, tendo em vista o disposto no § 4º, art. 42 da Lei nº 9.430/96, os rendimentos deverão ser tributados mensalmente e, por conseqüência, a importância tributada em cada mês servirá para justificar os depósitos do(s) mês(es) seguinte(s). Discorre sobre a dificuldade de se comprovar a origem de depósitos bancários ocorridos há quase cinco anos. Afirma que, apesar disso, conseguiu com razoável segurança justificar grande parte desses aportes. As respectivas justificativas constam da planilha anexa à impugnação (fls. 127/136). Quanto aos demais ingressos, todos de pequeno valor, que totalizariam R$ 75.483,85, diz não ser possível apresentar esclarecimentos pelo tempo transcorrido. Diz que não pode ser ignorado o fato de as pessoas raramente documentarem acontecimentos ocorridos no seu dia-a-dia. Alega que como empresário trocava cheques de clientes por dinheiro ou concedia empréstimos a pessoas amigas ou parentes cuja quitação, não raro, se dava por depósitos em sua conta corrente. Além disso, entende que foi justificada a origem de grande parte dos créditos, restando apenas R$ 75.483,85, montante que, por ser inferior a R$ 80.000,00 e composto por depósitos não superiores a R$ 12.000,00, não deveria ser tributado. Por fim, solicita que, alternativamente, seja tributado como empresa individual. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 13-19.778 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Os rendimentos omitidos apurados em lançamento com base em depósitos bancários deverão ter o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, devendo ser consignados e tributados na declaração de ajuste anual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. Somente é conceituada com empresa individual e equiparada a pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência. 6 E-fls. 158/223. Fl. 283DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 243/261), o Recorrente deduz, em síntese, as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação, repisando, em sede preliminar a argumentação concernente ao pretenso erro na identificação do período-base, assim como formula pedido para que seja reconhecida a decadência. No mérito, reforça a alegação de que "todos os rendimentos decorrem de sua atividade mercantil" (e-fls 253) assim como repisa a argumentação quanto à equiparação a pessoa jurídica. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREEJJUUDDIICCIIAALL DDEE MMÉÉRRIITTOO -- DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA 5. É formulado pedido para que seja reconhecida a decadência do lançamento referente aos meses de janeiro a novembro de 1999. Uma vez que a a ciência do auto de infração se deu em 06/12/2004, o Recorrente sustenta que "decaiu até 30/11/1999, o direito do Fisco lançar o tributo, pois, o prazo de caducidade para constituição do crédito tributário do imposto de renda da pessoa física é de 05(cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme prescreve o artigo 150,§ 4° do CTN" (e-fls 251/252). 5.1. Não lhe assiste razão. 5.2. A data do fato gerador para o tributo IRPF é 31/12/1999. No demonstrativo de apuração (e-fls 137) há registro de imposto pago (5.917,48). Considerando o termo inicial do a data do fato gerador, 31/12/1999, verifica-se que em 06/12/2004, data da ciência do auto-de- infração, ainda não havia se escoado o prazo decadencial de cinco anos para aperfeiçoar o lançamento tributário. 5.3. Não se reconhece, portanto, a decadência pleiteada no âmbito do recurso. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS QQUUAANNTTOO AA EERRRROO NNAA IIDDEENNTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDOO PPEERRÍÍOODDOO-- BBAASSEE DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS SSOOBBRREE ÀÀ PPRREETTEENNSSAA EEQQUUIIPPAARRAAÇÇÃÃOO ÀÀ PPEESSSSOOAA JJUURRÍÍDDIICCAA DDAASS DDEEMMAAIISS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS DDEE MMÉÉRRIITTOO 6. Considero que as questões ventiladas no recurso trazem matéria relacionada ao mérito, e por isso, estão sendo tratadas em conjunto. Em prosseguimento, verificada a coincidência entre as alegações deduzidas no recurso e aquelas ofertadas ao tempo da impugnação, e por concordar com a análise feita decisão de primeira instância em todas as questões apresentadas no recurso, e destacadamente na abordagem quanto à falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e quanto ao pedido alternativo relacionado à equiparação com pessoa jurídica. Faz-se uso, portando, da prerrogativa conferida pelo artigo 57 § 3º do Regimento Interno, assim como a transcrição do inteiro teor do voto inserto na decisão recorrida: Fl. 284DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 início da transcrição do voto contido no Acórdão nº º 13-19.778 Erro na identificação do período base Sob esse título o impugnante sustenta que os rendimentos deverão ser tributados mensalmente e, por conseqüência, o depósito tributado em cada mês servirá para justificar os depósitos do(s) mês(es) seguinte(s). Inicialmente, cumpre observar que, de fato, o § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 determina que “tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira”. Entretanto, a interpretação do § 4º, transcrito, há que ser feita sistematicamente, considerando o aspecto relacionado ao momento de incidência do imposto. A definição do momento da incidência do imposto consta do art. 2º, da Lei nº 8.134/90 nos seguintes termos: “O imposto será devido mensalmente à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11”. O ajuste de que trata o artigo 11 refere-se à apuração anual do imposto de renda, na declaração de ajuste anual. As disposições relativas à tributação dos demais rendimentos sujeitos ao ajuste anual vêm corroborar o mesmo princípio, pois, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção com base na tabela mensal, estão sujeitos ao ajuste anual, na forma do art. 11, da Lei nº 8.134/90. Ressalte-se que nenhum dos dispositivos legais transcritos menciona que a tributação dos rendimentos caracterizados por créditos bancários não justificados configura-se como de tributação exclusiva na fonte ou tributação definitiva, a exemplo dos rendimentos das aplicações financeiras, 13º salário e ganho de capital. Dessa forma, por se tratar de presunção legal, assim como os acréscimos patrimoniais não justificados, essa omissão deve ter o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, devendo ser consignados e tributados na declaração de ajuste anual. Diante disso, correto o lançamento que levou ao ajuste na declaração de rendimentos do contribuinte os valores considerados omitidos. Vale ressaltar ainda que a utilização de um determinado depósito já tributado para justificar depósitos subseqüentes não se coaduna com o método de apuração do rendimento omitido empregado no presente lançamento. Tratando-se de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, eventuais sobras de recursos de mês anterior somente poderiam justificar depósitos no mês seguinte se o contribuinte comprovasse a saída e o retorno destes na conta corrente, pelas razões a seguir expostas, caso contrário cada depósito é considerado como rendimento novo e, assim, sujeito a tributação em sua integralidade. Comprovação da origem dos depósitos bancários Diante das argüições do impugnante, cabe aqui fazermos algumas considerações sobre o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 285DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 Deve ser esclarecido que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício, por expressa disposição legal, se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. A Lei nº 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe acerca dos depósitos bancários: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12. 000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). .................................................................... ............................................... § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 286DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Assim, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção, provar que o fato presumido não existiu. Cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Ocorrida a situação fática, no caso depósitos bancários de origem não comprovada, evidenciada está a infração. Ao contribuinte incumbe demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. Do exame das planilhas às fls. 127/136 constata-se que o impugnante vincula os depósitos a operações que podemos agrupar em alguns tipos: quitação de empréstimo concedido, recebimento de recursos oriundos de empréstimo tomado, devolução para conta corrente de valores anteriormente sacados, trocas de cheques ou simplesmente depósitos realizado por familiares. No entanto, assim como fez durante o procedimento fiscal, se limita ao campo das alegações, apresentado as mesmas justificativas desacompanhadas de qualquer documento que as respalde. Ocorre que o caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 determina que a comprovação quanto à origem dos depósitos deve se dar mediante a apresentação de “documentação hábil e idônea”, que não pode ser substituída por meras alegações. Assim é que ou o contribuinte demonstra a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos, ou então deve arcar com o peso da presunção legal. Tal ônus, ressalte-se, decorre da lei, e não da vontade da autoridade fiscal. Diante da previsão legal para lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabia ao contribuinte tomar cautela e documentar adequadamente os fatos ocorridos que deram origem a depósitos em sua conta corrente, ficando, neste caso, por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. Quanto aos empréstimos é preciso demonstrar a efetiva materialização da operação, ou seja, devem restar comprovadas a efetiva transferência de numerário do credor para o tomador, coincidente em datas e valores, e a quitação pelo devedor da dívida contraída. Simples alegações do impugnante, mesmo que acompanhadas de declaração como aquela à fl. 182, fornecida pelo alegado mutuante, sem nenhum outro elemento que possa reforçar seu valor probante, não são suficientes para comprovar a origem dos créditos. Para a comprovação do depósito bancário como pagamento de empréstimo concedido ou recebimento de empréstimo tomado, há que se demonstrar, por meio documentos (cópias de cheques compensados ou de cheques sacados, comprovantes de saque ou de DOC, por exemplo), a saída do numerário do patrimônio do mutuante concomitante com a entrada deste no patrimônio do mutuário e a posterior quitação da operação, no sentido inverso. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, a respeito do tema: Fl. 287DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - MÚTUO - A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. (Acórdão 102-45383 de 20/02/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO - MÚTUO - A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 106-13763 de 05/12/2003) EMPRÉSTIMO NÃO JUSTIFICADO – A justificação para o empréstimo deve basear-se em outros meios, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores, não bastando a apresentação de nota promissória (Ac. 1º CC 102-26.932/92 – DO 22/09/92). Da mesma forma, quanto aos depósitos que seriam oriundos de recursos fornecidos pelo pai do impugnante, Sr. Julio Vieira Filho, primeiramente, há que se demonstrar a efetiva transferência de numerário, o que não ocorreu. O impugnante também não esclareceu se os valores foram recebidos a título de doação ou para pagamento de obrigações do Sr. Julio. Se doações, em razão da repercussão na variação patrimonial, tais operações deveriam ter sido informadas nas respectivas declarações de bens. Caso contrário, caberia ao impugnante ter comprovado o pagamento de tais obrigações. Outra justificativa dada para diversos depósitos foi a troca de cheque por dinheiro ou por cheque emitido pelo próprio impugnante. Para demonstrar, o impugnante apontou quais teriam sido os saques em dinheiro e cheques compensados que deram origem aos recursos. Acontece que o impugnante deixa mais uma vez de apresentar documentos que respaldem sua argumentação. Não sendo possível se estabelecer uma relação inequívoca entre os depósitos e as aludidas saídas de recursos da conta auditada, não há como acatarmos as justificativas como hábeis a ilidir a tributação. A mesma conclusão vale para os depósitos que teriam como origem devolução de parte de saques efetuados na mesma conta corrente. Faz-se necessário que o impugnante apresente provas irrefutáveis que permitam identificar o ingresso de um mesmo recurso mais de uma vez a fim de ser excluído do montante apurado. Se tal prova não existe, a justificativa não pode ser aceita, pois a presunção que permanece é a de que cada depósito representa rendimento novo. Ressalte-se ainda a falta de verossimilhança de tal alegação, eis que não existe razão plausível para que uma pessoa, freqüentemente, saque valores do banco, mantenha o numerário em seu poder para, depois, depositá-lo novamente. Assim, diante das considerações acima expendidas, entendo que a origem dos depósitos bancários elencados às fl. 108/112 7 permanecem sem comprovação nesta 7 E-fls. 139/143, correspondente à planilha de depósitos não comprovados, produzida pela fiscalização, como indicado no campo "Descrição dos Fatos e enquadramento(s) legal(is), às e-fls 135 do auto-de-infração. Fl. 288DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 fase impugnatória, devendo ser mantida a tributação com base no art. 42 da Lei 9.430/96, conforme efetuado no presente lançamento. Considerando que não foram comprovadas as origens dos depósitos para os quais o contribuinte apresentou justificativas e que o somatório dos créditos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 supera de longe o limite de R$80.000,00, dentro do ano-calendário, não há que se falar em exclusão da tributação dos depósitos nos termos solicitados na impugnação. Equiparação a Pessoa Jurídica O contribuinte solicita, alternativamente, que lhe seja atribuído um número de CNPJ e tributado como empresa individual. Sobre o assunto cumpre transcrever o art. 150 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I - as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II - as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); III - as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (Decreto-Lei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e Decreto-Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). (....) Como se vê, a equiparação a pessoa jurídica é possível quando se trata de firma individual ou pode ser admitida em função da atividade desenvolvida pela pessoa física. Caso a atividade se enquadre em alguma das hipóteses previstas nos incisos II e III do art. 150 acima transcrito (simplificando: venda de bens e/ou serviços com objetivo de lucro), considera-se que a atividade é típica de pessoa jurídica e os rendimentos correspondentes devem ser tributados como de PJ. No entanto, no caso concreto, além de faltar, mais uma vez, a devida comprovação, o contribuinte simplesmente requer a equiparação a pessoa jurídica. Sequer esclarece qual seria a atividade exercida que lhe poderia conferir tal condição e, ainda, quais depósitos bancários representariam a respectiva receita auferida. Note-se ainda que, além de ausentes os elementos necessários para análise do pleito, este se mostra completamente incoerente com as justificativas que o interessado apresentou até agora para os seus depósitos bancários. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº º 13-19.778 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Fl. 289DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.216 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001653/2004-67 7. Diante do exposto, VOTO por não reconhecer a decadência pleiteada e por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.910666/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2012
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.642
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 66 /2 01 6- 17 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910666/201617 Acórdão n.º 3402006.642 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.900344/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
Não se homologa compensação quando o contribuinte não comprova o alegado erro em DCTF que teria ocasionado o pagamento indevido.
Numero da decisão: 1401-003.468
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. Não se homologa compensação quando o contribuinte não comprova o alegado erro em DCTF que teria ocasionado o pagamento indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 56 a 64) interposto contra o Acórdão nº 11- 30.251, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 46 a 49), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 03 44 /2 00 8- 49 Fl. 208DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.468 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.900344/2008-49 "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art, 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Não se homologa a compensação quando não comprovado ser indevido o pagamento efetuado ou maior que o devido." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (n° 01848.62987.141204.1.3.04-8580) na qual se indicou, como origem de crédito, o DARF relativo a estimativa (código de receita n° 2484) do período de apuração de 31 de julho de 2004, que teria sido pago indevidamente pela Interessada em 31/08/2004. O despacho decisório eletrônico (fl. 07) constatou a correspondência do crédito original informado no PER/DCOMP no valor de R$ 14.196,36, a pagamento realizado. No entanto, afirma que o valor do referido pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos informados no PER/DCOMP, não homologando a compensação declarada, com indicação de saldo devedor no valor de R$15.048,14 a ser acrescido de multa e juros moratórios. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade trazendo aos autos cópias do PER/DCOMP em questão, cópia do DARF, cópia da DCTF transmitida em 27/04/2007, com o intuito de comprovar o valor do DARF e cópia da ficha 16 da DIPJ, onde consta a indicação do valor de R$56.01 5,34 de estimativa da CSLL a ser paga, O que implicaria em recolhimento a maior no valor de R$l4.l96,36 e cópia do recibo de entrega da DIPJ." A DRJ de origem não acolheu as razões do Contribuinte alegando que da DCTF entregue constava o débito de imposto correspondente ao DARF recolhido, não tendo a Contribuinte logrado êxito em demonstrar equívoco neste preenchimento, ônus esse que lhe cabia. Inconformada, a ora Recorrente apresenta documentos e razões visando a comprovação do erro material no preenchimento da DCTF e a inexistência de débitos de sua parte. Fl. 209DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.468 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.900344/2008-49 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, a referida compensação não foi homologada sob a constatação de que o valor de R$ 70.211,70 recolhido por meio da DARF (fls. 29) em 31/07/2004 já estaria alocado ao débito de igual valor correspondente ao imposto devido no mês de 07/2004. A recorrente alega que incorreu em erro ao preencher tal valor como devido na DCTF (fls. 72 a 73) entregue à administração tributária, quando, em verdade, o valor a ser recolhido na competência em questão era de apenas R$ 56.015,34, desta forma sobraria o crédito de R$ 14.196,36. Pois bem, compulsando os documentos acostados ao Recurso Voluntário tem-se a ficha 16 da DIPJ do ano-calendário de 2004 (fls. 71 e 74) indicando saldo R$ 56.015,34 a pagar referente a competência de Julho/2004. Ainda, foi trazido o Balancete de Movimento Mensal Analítico do mês de Julho/2004 (fls. 78 a 89) demonstrando as movimentações do mês que, acumuladas com os saldos anteriores, resultou em lucro líquido acumulado de R$ 6.391.568,90 no final do período. A partir deste resultado, a Recorrente apresenta a seguinte tabela demonstrativa (fl. 90) visando demonstrar como se chegou no montante final de tributo a pagar: Fl. 210DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.468 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.900344/2008-49 Do demonstrativo acima abstrai-se que, no mês de julho, após exclusões e adições necessárias, a Recorrente apurou Lucro Liquido Ajustado de R$ 5.050.731,97. Deste montante apurado a Recorrente descontou o valor de R$ 1.515.219,59 a título de Compensação Contribuição Social, resultando na Base Tributável de R$ 3.535.512,38. Aplicada a alíquota de 9% da CSLL, o valor devido foi de R$ 318.196,11. Contudo, ainda foi descontado o valor de R$ 2.356,62 a título de Contribuição Retida na Fonte pela PETROBRÁS. Fl. 211DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.468 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.900344/2008-49 Por fim, ainda foi descontado o valor de R$ 259.824,15 como Contribuição Social já paga, resultando no saldo a pagar de R$ 56.015,34, arguido pela Recorrente como correto. Inobstante o quadro acima, a Recorrente não apresentou qualquer explicação ou documentação que comprove qualquer uma destas deduções/compensações realizadas, tanto na base de cálculo, quanto no saldo da contribuição a pagar. Não se faz necessária maiores argumentações para estabelecer que, por força do art. 170 do CTN, é responsabilidade de cada Contribuinte demonstrar a liquidez e certeza dos créditos utilizados em compensações que pretendem que sejam autorizadas pela Administração Fazendária. Quanto a isto, a Recorrente não consegue demonstrar, com documentos idôneos, a existência de erro no preenchimento da DCTF que apontou o débito pago em Julho/2004. Desta forma, resta claro que a Recorrente não comprova a liquidez e certeza do crédito que utilizou para escorar a PER/DCOMP em tela, porquanto não trouxe aos autos qualquer documento que demonstrasse o efetivo erro no débito apontado em DCTF. Em face a todo o exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720339/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil.
MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo.
Numero da decisão: 2401-006.638
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking
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TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 39 /2 00 7- 35 Fl. 149DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.638 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720339/2007-35 Relatório O presente processo trata de autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme o auto de infração (e-FLS.85) do Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, referente ao exercício 2003, ano-calendário de 2002, no valor de R$ 53.468,87 (cinqüenta e três mil quatrocentos e sessenta e oito reais e oitenta e sete centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de oficio, calculados de acordo com a legislação de regência. De acordo com o Auto de Infração, e-fls.85/88, o motivo da autuação foi o Acréscimo Patrimonial a descoberto embasado em operações financeiras realizadas no sistema bancário intemacional, mais especificamente na movimentação a crédito da conta n°530767007, denominada CB FINANCIAL INTL. LTD, administrada no JP Morgan Chase Bank de Nova York pela empresa BHSC Beacon Hill Service Corporation. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 30/08/2007, e-fls.100/111, alegando que nunca realizou as operações imputadas pela autoridade fiscal e que os documentos referidos no Auto de Infração são informações bancárias, sem timbre e assinatura que não comprovam absolutamente nada. Quanto à compra do imóvel, faz menção à sua ignorância quanto a legislação no que se refere a declaração do imóvel que adquiriu e apresenta um contrato de câmbio no valor de R$79.944,74, afirmando ter sido uma remessa lícita de seu irmão, em razão de um empréstimo, que não necessita de contrato de mútuo devido a confiança entre ambos. Requer que seja considerado inconsistente o lançamento por não se considerar elemento de prova o documento constante do processo, bem como porquanto a omissão constante de sua declaração de renda não operou-se por má-fé e não ocasionou nenhum prejuízo à Receita Federal. Em 28/09/2009, conforme e-fls. 128 a 132, a DRJ/Belém, julgou, por unanimidade, procedente em parte a sua impugnação, recalculando a variação patrimonial que passou a ser de R$56.400,00, nos termos a seguir resumidos: Quanto às transações financeiras no exterior, 1) que o artigo 142 do CTN e o artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/ 1972 determinam que o auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário; 2) que a Administração Fazendária foi provida de poderosas ferramentas de fiscalização, especialmente as presunções de omissão de receitas, e, se ainda assim não conseguiu identificar com precisão o fato jurídico tributário e sua autoria, cabe somente a resignação dos seus agentes, em prol da segurança das relações jurídicas; 3) que a doutrina de forma pacífica amplia o significado do artigo 112 e seus incisos do Código Tributário Nacional, para que a lei tributária, não só a que define infrações, mas também a que imponha tributo, seja interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. É o princípio do “in dubio pro reo” em sua feição tributária; 4) por fim, que não se está a apregoar a necessidade de certeza absoluta (100%) quanto à efetiva ocorrência de certo fato gerador. Isso porque seria necessário que a Administração Fazendária fiscalizasse “in loco” e no exato momento da ocorrência de tal fato jurídico, com câmeras filmadoras e demais equipamentos eletrônicos, o que tomaria o custo da fiscalização superior ao crédito tributário envolvido. Mas, de outro lado, não se pode correr o Fl. 150DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.638 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720339/2007-35 risco de penalizar o contribuinte (in abstractum), sem que se tenha um elevado grau de probabilidade no sentido do acontecimento do fato tributário; 5) que, dessa forma, a Administração Tributária deve seguir a máxima da legalidade estrita, mesmo que isso eventualmente acarrete o êxito de algum sonegador. A contrapartida será a garantia de cidadania ao contribuinte, que não ficará sujeito a uma execução fiscal injusta ou - pior - a responder criminalmente por um ato que não cometeu; 6) que, no presente caso, no demonstrativo de evolução patrimonial, em relação às remessas no exterior de R$2.350,80 e R$l7.247,60 não se verificou qualquer documento em que constassem assinaturas do contribuinte autuado ou outra prova contundente que identificasse claramente como autor de operações financeiras no exterior a figura do impugnante; 7) que, pelas razões expostas, entende ser cabíveis as alegações do impugnante quanto à falta de provas na peça acusatória, no que se refere a estas duas movimentações, sendo desnecessária a requisição da autorização judicial pleiteada, tendo em vista que as duas remessas citadas não serão consideradas para fins de quantificação do acréscimo patrimonial a descoberto. Quanto ao empréstimo alegado pelo contribuinte, 1) que, em relação ao empréstimo de R$79.944,74, que o contribuinte afirma proveniente de seu irmão, e que não existe contrato em razão da confiança entre ambos, tem que observar o seguinte mandamento contido no artigo 123 do Código Tributário Nacional - Lei 5.172/1966; 2) que, como se depreende do normativo apresentado, uma convenção particular não pode ser utilizada como forma de elidir a exigência fiscal, modificando a definição legal do sujeito passivo. E neste presente caso, vê-se que o contribuinte procura justificar o envio de R$79.944,74 do exterior para a sua conta no Brasil, como se fosse um empréstimo de seu irmão, porém, não anexa Contrato de Mútuo, alegando ser desnecessário em razão da confiança entre ambos; 3) que o Contrato de Mútuo pode até ser desnecessário na relação familiar do contribuinte com seu irmão, porém, em observância à legislação tributária a que se justificar documentalmente todas as transações financeiras que ensejam acréscimo patrimonial, de modo a comprovar se sua origem é ou não tributável; 4) que a apresentação do contrato de câmbio apenas comprova o envio do valor de R$79.944,74, mas não esclarece a origem desta movimentação, e como resultado não pode ser utilizado no cômputo do acréscimo patrimonial com origem justificada; 5) que o efeito desta falta de comprovação acarreta manter ainda como acréscimo patrimonial a descoberto o imóvel adquirido em julho de 2002 no valor de R$80.000,00, conforme consta no Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, pois não foi apresentada no processo uma justificativa comprobatória da origem do valor necessário para compra do imóvel. Quanto à alegação de boa-fé, 1) que, de acordo com o art.136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; 2) que, se o contribuinte tivesse declarado o imóvel mencionado, ainda assim deveria apresentar à fiscalização, caso intimado, a origem do capital necessário para a compra de tal bem. Oportunidade esta que teve na impugnação em análise, mas que não obteve êxito. Fl. 151DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.638 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720339/2007-35 vi Cientificado da decisão da DRJ/Belém, o contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, às fls. 138, nos termos a seguir integralmente transcritos em razão de ser sucinto: “O recorrente foi autuado por supostamente ter remetido divisas ao exterior sem a devida declaração à autoridade competente, bem como por haver acréscimo patrimonial a descoberto em seus rendimentos, evidenciado, de acordo com o auto de infração, por sinais exteriores de riqueza. Quanto à hipotética remessa de valores para o estrangeiro, considerou o órgão a quo, em seu acórdão, que as provas contidas no procedimento eram insuficientes para comprovar a imputação. Outrossim, no que diz respeito ao acréscimo patrimonial a descoberto entendeu aquele órgão de julgamento que houve o aumento de rendimentos sem a adequada comprovação acerca da sua origem, calculando-se o imposto devido em R$ 13.733,10 (treze mil setecentos e trinta e três reais e dez centavos). Ocorre que, conforme já se alegou e se comprovou na impugnação, a origem das verbas foi um contrato de mútuo, verbal, celebrado entre seu irmão e o recorrente. Não há desconhecer que inexiste a necessidade de qualquer formalidade para a celebração do referido contrato. A lei não prescreve nenhuma forma específica. De qualquer forma, entende-se ser imperioso a comprovação da existência do negócio jurídico para justificação da origem da verba recebida pelo contribuinte. Destarte, junta-se o comprovante do depósito realizado pelo irmão do recorrente, em favor deste, a fim de demonstrar a origem do acréscimo patrimonial supostamente a descoberto. Ademais, em primeiro grau juntou-se o contrato de câmbio que demonstra a regularidade do envio da verba e, consequentemente, a sua origem lícita. Não há razão para a cobrança do tributo. Por fim, uma vez justificada a origem da verba, desnecessária nova comprovação acerca dessa situação quando da compra do imóvel com esse valor. De qualquer forma, o recorrente não detinha conhecimento sobre o tema, até mesmo por ser natural de outro país e não estar afeito às regras tributárias, deixando tudo a cargo de um profissional da área, tendo em vista que trabalha com comércio de mercadorias. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (total ou parcial) do lançamento, requer que seja acolhido o presente Recurso e cancelada a exigência fiscal, cancelando-se (total ou parcialmente) o lançamento efetuado." É o relatório. Voto Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate em 30/10/09 (e-fls.135), sendo o presente Recurso Voluntário apresentado, TEMPESTIVAMENTE, em 01/12/09, conforme e-fls.138, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito O recorrente se insurge contra o saldo remanescente do crédito tributário, mantido pela DRJ, em relação à variação patrimonial a descoberto relativa à compra de imóvel não declarado e cuja origem dos rendimentos não foi comprovada segundo o órgão julgador a quo nos termos do relatório acima. Fl. 152DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.638 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720339/2007-35 O recorrente insiste no argumento alegado em sua impugnação de que a origem das verbas foi um contrato de mútuo, verbal, celebrado entre seu irmão e o recorrente, e que inexiste a necessidade de qualquer formalidade para a celebração do referido contrato, já que a lei não prescreve nenhuma forma específica. Na tentativa de provar a sua alegação, além do contrato de câmbio, já juntado na impugnação, que, segundo o recorrente, demonstra a regularidade do envio da verba e, consequentemente, a sua origem lícita, o r entender ser imperioso, para justificação da origem da verba recebida, ele mesmo afirma ser "imperiosa" a comprovação da existência do negócio jurídico relativo ao suposto contrato de mútuo, e conclui (e-fls. 138): "Dessarte, junta-se o comprovante do depósito realizado pelo irmão do recorrente, em favor deste, a fim de demonstrar a origem do acréscimo patrimonial supostamente a descoberto." No presente caso, não constam nos autos nenhum documento que comprove que houve a efetiva transferência dos numerários. Na verdade, o RECORRENTE se limita a afirmar que a legislação civil não estabelece nenhuma formalidade para o contrato de mútuo entre pessoas físicas , pois, embora afirme ter juntado comprovante do depósito de seu irmão para sua conta, tal comprovante não se encontra nos autos. O único documento encontrado nos autos é o contrato de câmbio junto ao Bradesco onde converte dólares em reais, conforme e-fls. 112 a 114, que comprova a conversão de dólares em reais, mas não comprova que esses recursos correspondem ao mútuo entre o recorrente e seu irmão. Ressalte-se que a informalidade dos negócios não pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes (um empréstimo sem nota promissória, por exemplo), mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública, já que a relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei. Logo, independentemente da razão que levou a ausência de formalidades no contrato de mútuo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente a elas; não exime o contribuinte de apresentar a prova de que o recebimento do dinheiro se referiu, efetivamente, a um mútuo e não pode ser oposta à Fazenda Pública. A fim de comprovar o mútuo em dinheiro, notadamente, o contribuinte deve demonstrar o fluxo financeiro, ou seja, além do efetivo ingresso, a devolução do numerário ao mutuante, para, além, da apresentação de seu instrumento de constituição. É preciso esclarecer, primeiramente, que um mútuo, para poder ser considerado como origem de recursos, deve preencher alguns requisitos. Além de ser necessário seu registro nas declarações de rendimentos do mutuante e do mutuário, é imprescindível que tanto a transferência como a devolução do numerário estejam cabalmente demonstradas, inclusive por representar valor significativo para ambas as partes. Ressalte-se que esse raciocínio está consolidado pela jurisprudência no CARF, segundo a qual, para ser comprovado o contrato de mútuo entre pessoas físicas são necessários cumprir alguns requisitos, quais sejam: (i) comprovante do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte; (ii) a informação da dívida deve constar nas declarações de rendimentos do mutuário e mutuante; (iii) demonstração de que o mutuário possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo; e (iv) a devolução dos valores envolvidos. Neste sentido, alguns exemplos: Fl. 153DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.638 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720339/2007-35 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO NÃO JUSTIFICADO. A justificação para o empréstimo deve basear-se em outros meios de prova, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores, não bastando a simples informação na Declaração de Ajuste.(Acórdão nº 2201002.723 09/12/2015) MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 1 061283 6 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO – MÚTUO. Empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763de 05/12/2003) Vale lembrar que o lançamento para cobrança do imposto de renda incidente sobre a omissão de rendimentos apurada em razão do acréscimo patrimonial da pessoa física não justificado, uma vez que o contribuinte não conseguiu prestar os esclarecimentos necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios, conforme dispõe o art. 807 do Regulamento do Imposto de Renda/99: "Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte." (Grifamos). Como se verifica, na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presume-se a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda, cabendo ao recorrente provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. A jurisprudência administrativa, por sua vez, é pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado, conforme Acórdãos emanados do então Conselho de Contribuintes, a seguir colacionados: PROVA A tributação de acréscimo patrimonial não justificado pelo total dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, só pode ser elidida por meio de prova em contrário. (Ac. 10612485, sessão de 23/01/2002) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOS RECURSOS O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos (Ac.10612203, sessão de 19/09/2001). IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário. (Ac. 10242582, sessão de 12/12/1997). Fl. 154DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.638 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720339/2007-35 Verifica-se, portanto, que a variação patrimonial a descoberto é matéria cujo ônus da prova foi transferido para o contribuinte, e o que se observa, no caso presente dos autos, é que o contribuinte não consegue elidir a tributação decorrente de APD apurado, uma vez que não faz prova inequívoca de suas alegações. Além disso, as alegações finais do recorrente que desconhecia a lei tributária brasileira por ser estrangeiro, não o exime da condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking – Conselheira Relatora Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720251/2014-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
DECLARAÇÃO REITERADA DE VALORES A MENOR EM DCTF. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
Uma empresa que, conhecendo dos valores corretos - muitos deles também não constantes de sua escrituração fiscal, simplesmente declara a menor, em todos os meses do ano, justamente os que sabe lhe serão cobrados sem a necessidade de fiscalização/lançamento de ofício (sujeito ao prazo decadencial), por constituir a DCTF confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União, à evidência, pratica a conduta dolosa tipificada como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), ensejando a qualificação da multa de ofício, para 150 %, conforme § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 9303-008.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DECLARAÇÃO REITERADA DE VALORES A MENOR EM DCTF. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Uma empresa que, conhecendo dos valores corretos - muitos deles também não constantes de sua escrituração fiscal, simplesmente declara a menor, em todos os meses do ano, justamente os que sabe lhe serão cobrados sem a necessidade de fiscalização/lançamento de ofício (sujeito ao prazo decadencial), por constituir a DCTF confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União, à evidência, pratica a conduta dolosa tipificada como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), ensejando a qualificação da multa de ofício, para 150 %, conforme § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 738 1 737 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13502.720251/201417 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.668 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2019 Matéria Multa Qualificada Valores a menor em DCTF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOL EMBALAGENS PLÁSTICAS EIRELI ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DECLARAÇÃO REITERADA DE VALORES A MENOR EM DCTF. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Uma empresa que, conhecendo dos valores corretos muitos deles também não constantes de sua escrituração fiscal, simplesmente declara a menor, em todos os meses do ano, justamente os que sabe lhe serão cobrados sem a necessidade de fiscalização/lançamento de ofício (sujeito ao prazo decadencial), por constituir a DCTF confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União, à evidência, pratica a conduta dolosa tipificada como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), ensejando a qualificação da multa de ofício, para 150 %, conforme § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 02 51 /2 01 4- 17 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 9303008.668 CSRFT3 Fl. 739 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 677 a 691), contra o Acórdão 3302005.333, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 640 a 675), sob a seguinte ementa (no que interessa à discussão): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SALDO DEVEDOR DE IPI ESCRITURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF. O lançamento de ofício é efetuado quando se comprova omissão de declaração de saldos devedores de IPI em DCTF. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO NOS CASOS DE DECLARAÇÃO A MENOR EM DCTF. DOLO NÃO COMPROVADO. Incabível a qualificação da multa proporcional, quando não comprovado nos autos que a omissão de informações em DCTF teve natureza dolosa. O fato de haver DCTF com valores a menor ou zeradas, não autoriza a conclusão de que houve dolo, uma vez que o dado ou valor não informado encontravase à disposição do Fisco, visto que as notas fiscais e os livros fiscais estavam no ambiente SPEDEFD. Recurso de ofício negado. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 694 a 697), a PGFN defende a qualificação da multa de ofício, pois o contribuinte teria incorrido na prática de sonegação, conduta dolosa comprovada pela conduta reiterada, durante todo o ano de 2011, de omitir em DCTF (esta, confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União, dispensando o lançamento – sujeito ao prazo decadencial) saldos devedores de IPI. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 707 a 720), contestando o conhecimento do recurso, por ausência de similitude fática, pois, no paradigma, o contribuinte justificou as declarações a menor pelo fato de que não tinha condições de pagar. No mérito, defende que "inexistiu qualquer comprovação do dolo específico pela autoridade fiscal, além disso, não houve sequer retardamento ou impedimento do conhecimento do fato gerador pela Contribuinte, haja vista o Fisco ter total acesso aos documentos fiscais da recorrida". É o Relatório. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 9303008.668 CSRFT3 Fl. 740 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator A PGFN, de fato, colheu um caso raríssimo de um contribuinte que admitiu explicitamente que declarou a menor para pagar a menor, mas isto se verifica apenas no segundo paradigma, sendo a situação fática do primeiro em tudo igual à deste. Assim, preenchidos todos os demais requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a jurisprudência majoritária desta Turma está espelhada no recente Acórdão nº 9303007.461, de 20/09/2018, que teve como redatora do Voto Vencedor a ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciandose o dolo na sua conduta. Ao final do Voto é dito o seguinte: "No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças. Evidenciase o dolo na sua conduta. É fato que a simples declaração reiterada de valores a menor, por si só, não seria suficiente para evidenciar o intuito de fraude do Contribuinte. No entanto, no caso em apreço, chegouse à conclusão diversa em razão da não apresentação de razões plausíveis para as diferenças de valores de PIS existentes entre o livro diário e a DCTF, caracterizandose a relação causal entre a conduta da empresa e o efeito de não pagar os débitos de PIS ou pagar valores a menor que o efetivamente devido." Vejamos agora o que é dito no Relatório Fiscal do presente Processo (fls. 017 a 027): "FALTA DE DECLARAÇÃO/ RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 9303008.668 CSRFT3 Fl. 741 4 8. Consta na escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI que a empresa apurou saldo devedor de IPI em todos os meses do anocalendário 2011. Esses saldos devedores de IPI estão escriturados na conta contábil nº 6349 do Livro Razão. No entanto, nos meses de janeiro a julho, declarou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) débitos de IPI inferiores aos efetivamente escriturados no RAIPI, e, nos meses de agosto a dezembro, não declarou débitos de IPI; 9. Foi verificado no ambiente SPEDEFD, que os arquivos de notas fiscais referentes aos meses de janeiro a março, junho e agosto de 2011 estavam zerados. O contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº 0001, a apresentar declaração retificadora para corrigir tais problemas. Até o momento a retificação não foi providenciada; 10. Desta forma, comprovouse que o contribuinte efetivamente recolheu/declarou a menor os débitos de IPI em todos os meses do anocalendário 2011. Assim, fazse necessária a constituição de ofício dos valores devidos pelo contribuinte, ... considerando a qualificação da multa de ofício conforme explicado nos itens 47 a 52 deste Termo; (...) DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 47. A despeito de ter escriturado valores de IPI a pagar, na conta contábil nº 6349 do Livro Razão, de janeiro a julho de 2011, o contribuinte confessou apenas pequena parte do valor do débito de IPI nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e, de agosto a dezembro de 2011, não confessou débitos de IPI nas DCTF; 48. Não é razoável supor que tal discrepância entre as informações prestadas ocorreu por um simples “erro material”. Não se trata de um erro de cálculo, de uma transcrição errônea de um valor da escrita fiscal para as declarações, mas sim da entrega de 7 DCTF preenchidas confessando apenas pequena parte dos débitos de IPI escriturados, e de 5 DCTF sem confissão de débitos de IPI. A grande quantidade de declarações apresentadas contendo informações falsas forma um conjunto de circunstâncias que demonstra, de forma clara e evidente, a intenção, o propósito do fiscalizado de não submeter suas receitas à tributação; 49. A prática reiterada de apresentar declarações fiscais contendo informações falsas só leva a fortalecer as conclusões sobre a sua deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; 50. Neste ponto cabe uma explicação sobre a natureza destas declarações para elucidar os motivos de se entregar uma DCTF “zerada”. A DCTF é instrumento de confissão de dívida, na qual Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 9303008.668 CSRFT3 Fl. 742 5 devem ser informados todos os tributos federais apurados pelo contribuinte. Os tributos que não forem pagos, compensados, parcelados ou suspensos por medida judicial, ou seja, os “saldos a pagar”, são passíveis de imediata e automática inscrição em Dívida Ativa da União. A DACON não tem essa característica; são documentos meramente informativos. Mesmo o tributo apurado estando informado nestes, ainda há a necessidade de que o crédito tributário respectivo seja constituído através de Auto de Infração, após procedimento de fiscalização, para só então se tornar exigível. Por sua vez, se o débito apurado estiver declarado em DCTF, já estará constituído, sendo desnecessária a autuação; 51. Diante de todo o exposto, concluise que o contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de IPI a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal; 52. Esta infração enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07. Desta forma, será aplicada a multa de ofício no percentual de 150%." Vêse que, em ambos os casos, não se encontra qualquer justificativa para terem sido declarado os valores a menor – inclusive zerados, neste caso, por 6 meses – e, pior, também zerados os valores das Notas Fiscais na EFD do SPED, por (5) cinco meses, não tendo sido promovida a sua retificação, mesmo sob intimação fiscal (fragilizando a argumentação de que todos os dados estavam à disposição da RFB). Dolo, como regra quase que absoluta, não "se assina embaixo", mas entendo mais que indiciário – e aí suficiente para a sua comprovação – que uma empresa, conhecendo dos valores corretos, simplesmente declare a menor (ou até zero), em todos os meses do ano, justamente aqueles que sabe que lhe serão cobrados sem a necessidade de fiscalização/lançamento de ofício (sujeito ao prazo decadencial), por constituir a DCTF confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União. À vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 9303008.668 CSRFT3 Fl. 743 6 Fl. 743DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720152/2016-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011, 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO.
Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos para saneamento de vício de obscuridade no julgado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011, 2012
IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA E PARA BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INAPLICABILIDADE DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A conduta de não identificar os beneficiários de pagamentos enseja a tributação pelo IR-Fonte de 35%, acrescido de multa de 75%, como determina a lei.
Numero da decisão: 1201-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por voto de qualidade, em acolher os embargos. Vencidos os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa (Relatora), Alexandre Evaristo Pinto e André Severo Chaves (Suplente Convocado), que não acolhiam os embargos; b) por maioria, sanear o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Efigênio de Freitas Júnior e Lizandro Rodrigues de Sousa, que davam efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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OBSCURIDADE. CABIMENTO. Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos para saneamento de vício de obscuridade no julgado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2011, 2012 IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA E PARA BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INAPLICABILIDADE DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A conduta de não identificar os beneficiários de pagamentos enseja a tributação pelo IR-Fonte de 35%, acrescido de multa de 75%, como determina a lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por voto de qualidade, em acolher os embargos. Vencidos os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa (Relatora), Alexandre Evaristo Pinto e André Severo Chaves (Suplente Convocado), que não acolhiam os embargos; b) por maioria, sanear o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Efigênio de Freitas Júnior e Lizandro Rodrigues de Sousa, que davam efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 52 /2 01 6- 82 Fl. 2964DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratam-se de Embargos de Declaração apresentados pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) em face do r. Acórdão nº 1201-002.509, exarado na sessão de 20 de setembro de 2018. 2. Esta c. Câmara, por unanimidade de votos, negou provimento negar provimento ao recurso de ofício; ii) por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação de multa qualificada, mantendo o agravamento, reduzindo-a para 112,5% em relação aos lançamentos de IRRF. Vencidos os conselheiros, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que não afastavam a multa qualificada, e, iii) por unanimidade de votos, em declinar da competência para a 3ª Seção do CARF quanto à matéria relativa ao IOF, nos termos do voto desta relatora. 3. De acordo com PGFN (fls. 2943/ ), o julgado incorre em "omissão em relação a ponto sobre o qual o colegiado deveria se manifestar, contradição e obscuridade". "Questiona-se o entendimento do colegiado quanto ao afastamento da multa qualificada". Síntese dos Fatos 4. O presente processo administrativo decorre de autos de infração (fls. 1984/2023) lavrados para a cobrança de IOF e IRRF, acompanhado de multa de ofício qualificada e agravada de 225%. A exigência é referente a fatos geradores ocorridos em 2012 e 2013 e perfaz o montante de R$ 23.888.476,92 de IOF e de R$ 51.484.913,06 de IRRF. 5. A fiscalização concluiu a ocorrência de infrações relativas a remessas de divisas para o exterior com base em contratos de câmbio amparados em importações não comprovadas e sem as devidas retenções e recolhimentos de IOF e IRRF. 6. Ressalte-se que, o presente procedimento fiscal está relacionado com a denominada Operação Lava Jato, e sua execução foi determinada pela Portaria Cofis n° 12, de 13/02/2015, que instituiu a Equipe Especial de Fiscalização (EEF) (TVF de fls. 2031/2153). 7. Youssef promoveu e, agindo com os denunciados Leonardo, Leandro, Pedro, Esdra, Carlos Alberto e Raphael, entre junho de 2011 (pelo menos) e 17/03/2014, saídas de divisas do Brasil para o exterior, no valor de US$ 444.659.188,75, por meio de 3.649 Fl. 2965DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 operações de câmbio. Dentre a empresas envolvidas está a ora Recorrente, Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia. 8. De acordo com o TVF, "a empresa Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia teve o intuito consciente de efetuar operações de câmbio para pagamento de importações inexistentes, sonegando informações que deveriam prestar e prestando informações falsas, com o fim de promover, sem autorização legal, a saída de divisas para o exterior". 9. A contribuinte e os responsáveis solidários Alberto Youssef, Banco Confidence, Pioneer Corretora de Câmbio Ltda - Em Liquidação, Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro De Oliveira foram devidamente intimados do lançamento, mas apenas os responsáveis solidários Alberto Youssef e Banco Confidence apresentaram, individualmente, impugnações (fls. 2475/2510 e 2168/2211). 10. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 2ª Turma da DRJ/RJO, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação do Banco Confidence de Câmbio S.A. para excluí-lo do polo passivo; julgou improcedente a impugnação de Alberto Youssef; e declarou a revelia da contribuinte e dos responsáveis Pioneer Corretora de Câmbio Ltda - Em Liquidação, Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro De Oliveira que não apresentaram impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 12-91.134 (fls. 2651/2689). 11. A contribuinte, Labogen S.A., e os responsáveis solidários Banco Confidence de Câmbio, Pioneer Corretora de Câmbio Ltda, Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro De Oliveira, devidamente cientificados (fls. 2784; 2759; 2786; 3086; 2776; 2766; 2771; 2769; 2767; e 2781) não interpuseram recurso voluntário. 12. Cientificado da decisão (AR de 20/09/2017, fl. 2696), o solidário Alberto Youssef interpôs Recurso Voluntário (fls. 2710/2749) em 19/10/2017, no qual reitera em parte as razões já expostas em sede de impugnação e, ao final, requer que: (i) seja declarada a nulidade do processo por preterimento do direito de defesa; (ii) seja declarada a nulidade do auto por ausência de descrição dos fatos; (iii) seja afastada a aplicação de multa qualificada; (iv) seja reconhecida a decadência; (v) no mérito seja reconhecida a improcedência da ação fiscal; e (vi) que seja declarada a inexistência de solidariedade e responsabilidade do Recorrente. 13. A União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões (fls. 2802/2835) ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. 14. Por fim, o Acórdão embargado restou assim ementado: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2966DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. DECADÊNCIA. Caracterizada a ocorrência de dolo por parte do sujeito passivo, o prazo decadencial rege-se pela regra do artigo 173, I, do CTN e não a do §4º do artigo 150 do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2011, 2012 MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA. Não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. Cabe a autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, o dolo precisa ser provado. Se não há a causa do pagamento (artigo 674 do RIR/99), a priori não há como presumir ou provar o intuito doloso." 15. Os Embargos foram opostos pela PGFN (fls. 2943/2949) e admitidos pela r. presidência, por considerar que houve omissão vez que "o acórdão limitou-se a repisar que cabe à autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, devendo o dolo ser provado, e não presumido. Não enfrentou, portanto, ainda que em parte, a situação relatada pela fiscalização" e contradição porque "afastou a decadência e confirmou a responsabilidade solidária com fundamento na comprovação do dolo. O mesmo dolo que, mais à frente, seria negado, por ocasião do afastamento da multa qualificada". É o relatório. Voto Vencido Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 16. Inicialmente, cumpre consignar que não estamos aqui diante de omissão, tampouco de contradição. Se a intenção da ora Embargante é rediscutir as razões de decidir que fundamentaram o r. Acórdão nº 1201-002.509 (fls. 2913/2940), deve buscar o meio próprio, a interposição de Recurso Especial. Fl. 2967DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 17. Mero inconformismo que foge a própria técnica legislativa e ao animus legis, não pode dar azo a reanálise do mérito acerca da manutenção ou não da multa qualificada, vez que foi tema altamente debatido e por voto de qualidade, na sessão de 20/09/2018, os I. Julgadores desta 1ª Turma, nos termos do voto desta relatora, entenderam por bem afastar tal imputação. Da Ausência de Omissão e Contradição 18. Conforme relatado, a r. Presidência desta 1ª Turma considerou presentes os pressupostos para admissibilidade dos presentes Embargos de Declaração, razão pela qual esta relatoria demonstrará, com base no próprio racional desenvolvido no r. acórdão, que o recurso sequer deveria ter sido admitido e agora, claramente, merece ser rejeitado. Da tentativa de imputação automática da multa qualificada ao lançamento de IRRF (artigo 61 da Lei n° 8.981/95) a partir dos pressupostos que ensejaram a manutenção da responsabilidade solidária 19. O objetivo aqui não é repisar todos os pressupostos técnicos, relativos a atribuição de responsabilidade tributária previstas nos artigos 124, I e 135, do CTN (fls. 2929/2935), a incidência do IRRF de 35%, bem como a qualificação da multa (fls. 2939/2940), trazidos em exaustão no voto condutor do r. Acórdão Embargado, mas registrar que cada um desses institutos jurídicos são AUTÔNOMOS. 20. Não é porque esta relatoria entende estarem presentes os pressupostos para imputação de responsabilidade solidária e pessoal que esse mesmo racional pode ser utilizado automaticamente para imputação de multa qualificada, em especial quando estamos tratando da EXCEPCIONAL exigência de Imposto de Renda na Fonte (IRRF), previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95. 21. Dito isso, vamos às circunstâncias fáticas e jurídicas levantadas. 22. Em primeiro lugar, para restar configurada a responsabilidade solidariedade tributária disposta no artigo 124, I, do CTN, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal devem efetivamente participar do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária no mesmo polo da relação jurídica. 23. Em segundo lugar, para fins de imputação da responsabilidade pessoal disposta no artigo 135, III, do CTN, a fiscalização deverá apresentar construção probatória capaz de demonstrar que a pessoa indicada, dotada de poderes de gestão de fato ou de direito durante o período que ocorreu o fato gerador, praticou diretamente ou tolerou o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto. O nexo de causalidade entre a conduta do agente e a exigência do crédito tributário em litígio é condição sine qua non para sua aplicação. 24. In casu, de acordo com o Termo de Colaboração Premiada ficou claro que: “(...) QUE ALBERTO YOUSSEF fazia uso das contas bancárias da LABOGEN QUÍMICA, INDÚSTRIA LABOGEN, PIROQUÍMICA, HMAR CONSULTORIA e Fl. 2968DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 RMV CCV CONSULTORIA, para indicar o recebimento de depósitos e transferências financeiras para tais contas de onde o dinheiro era utilizado em sua maioria para aquisição de contratos de cambio referente a importações fictícias; QUE no tocante aos valores depositados nas empresas controladas pelo declarante acima citadas com destino ao exterior, YOUSSEF sempre avisava ao declarante a respeito do recebimento de determinado valor que deveria ser disponibilizado no exterior para uma empresa que o próprio YOUSSEF indicava, inclusive os dados bancários. A partir destas informações recebidas de YOUSSEF, o declarante fechava o cambio e a operação correspondente; (...) Ou seja, todos os contratos de cambio feitos a mando de YOUSSEF não possuem declaração de importação e não foram objeto de pagamento de qualquer tributo; (...)”. 25. No mais, há no TVF elementos que demonstram a fraude perpetrada pela contribuinte: "Caracterizando o dolo, apresentamos, resumidamente, fatos e atos praticados para demonstrar que a empresa Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia teve o intuito consciente de efetuar operações de câmbio para pagamento de importações inexistentes, sonegando informações que deveriam prestar e prestando informações falsas, com o fim de promover, sem autorização legal, a saída de divisas para o exterior: 1. Saída de divisas para o exterior, como China, Hong Kong, Nova Zelândia, Estados Unidos, Uruguai, Formosa/Taiwan, Suíça, Bélgica, Espanha, Coreia, Itália, Índia e Alemanha no montante total de US$ 75.312.713,17, por meio de 1.294 contratos de câmbio fraudulentos, sob a falsa rubrica de “Importação – Câmbio Simplificado”. 2. Essas operações de importação foram fictícias. O ato é apenas simulação para a evasão de divisas. 3. A Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia realizou diversas importações simuladas com a RFY IMP. EXP LTD. e com a DGX IMP. AND EXP. LIMITED nos anos-calendários de 2012 e 2013. Ambas empresas não existem de fato e nunca realizaram exportações ao Brasil, conforme pesquisas efetuadas pela Receita Federal do Brasil. 4. O contrato social da empresa DGX Import & Export Limited, foi registrada em Hong Kong em nome de Leandro Meirelles e era utilizada para fraudes realizadas sobretudo na importação fraudulenta. Por sua vez, Leonardo Meirelles, sócio da Labogen e irmão de Leandro assina como presidente da empresa offshore RFY Imp. Exp. Ltd. 5. Constituída em 30/09/1988, com capital social de 3,4 bilhões de cruzados é uma empresa de fachada. 6. Declarou receitas nulas ou inexpressivas nos anos-calendário 2009 e 2010 e se declarou inativa no ano-calendário 2012. Não comercializava qualquer produto pelo menos desde 12/05/2008, não tinha sede física e era “um monte de papéis”, conforme declarado pelos próprios sócios da empresa. 7. Registrou no Siscomex, no período de 01/2009 a 12/2013, apenas 24 Declarações de Importação, no valor de US$ 372.935,54. Porém, nenhuma dessas operações de importação estão relacionadas com os 1.294 contratos de câmbio fraudulentos, sob a falsa rubrica de “Importação – Câmbio Simplificado”. 8. Conforme declarado pelo próprio sócio da empresa Leonardo Meirelles, o já denunciado e condenado, Alberto Youssef utilizava as contas da empresa para movimentação dos valores recebidos em operações irregulares de câmbio e evasão de divisas, pagando 1% de comissão sobre os valores movimentados aos sócios da empresa. Fl. 2969DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 26. Logo, não há dúvidas, de que o Sr. Alberto Youssef, enquanto gestor de fato da LABOGEN, teve consciência e vontade de praticar as condutas supra descritas. Frise-se que, conforme trazido pela própria Embargante, em várias circunstâncias do voto condutor, esta relatoria deixou clara a ocorrência do elemento doloso para fins de manutenção da responsabilidade solidária e pessoal e até para reconhecer a inocorrência da decadência. 27. Mas, por que, no entender desta relatoria (posicionamento acompanhado, inclusive, pela I. Presidente da 1ª Turma), esses elementos que comprovam o dolo do agente não são capazes de qualificar a multa de ofício especificamente na hipótese do artigo 61 da Lei n° 8.981/95? Explico, novamente (vide Acórdão nº 1201-002.509, fls. 2939/2940). 28. Diferente dos casos em que se exige IRPJ e Reflexos decorrente de omissão de receitas ou diante da indedutibilidade de despesas, por exemplo, onde tais elementos comprobatórios da conduta dolosa do agente podem ser utilizados para fins de qualificar a multa de ofício, no caso do artigo 61, da Lei n° 8.981/95, está explícito no dispositivo que a exigência excepcional do IRRF decorre justamente do fato de o contribuinte ter realizado pagamento para beneficiários não identificados ou sem causa. Vejamos: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991." 29. Sabemos, por óbvio, que não deve ser o ente que realiza o pagamento a recolher o IRPJ e Reflexos, mas o recebedor da quantia (quem aufere rendimentos) e, por essa razão, a exigência do IRRF à alíquota de 35% só tem lugar quando o contribuinte não demonstra por meio da adequada escrituração fiscal e contábil, bem como mediante outros meios de prova, para quem paga (identifica o beneficiário) e à que título paga (causa do pagamento). Evidencio, aliás, ser patente a natureza sancionatória desta exigência. 30. Logo, se admitirmos possível qualificar a conduta dos "responsáveis/substitutos tributários", contribuinte principal LABOGEN e dos solidários, com os mesmos elementos de prova que servem à imputação da qualificadora para as exigências próprias - potencial resultado que se encontrava à margem da tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS - estaremos admitindo sancionar duas vezes a mesma conduta da contribuinte que, de antemão, já ensejou/materializou a incidência do IRRF à alíquota de 35%. Tal imputação acrescida da qualificadora, afronta de forma inequívoca o artigo 3º, do CTN: "Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." Fl. 2970DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A72 Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 31. Quando da prolação do voto de qualidade, inclusive alvo de matéria publicada no site de notícias jurídicas JOTA, a I. Presidente Ester Marques Lins de Sousa, manifestou-se nesse exato sentido 1 . Confira-se: "Para a turma decidir de forma favorável ao contribuinte nesta tese, foi decisivo o voto da presidente da turma, conselheira Ester Marques Lins de Sousa. A presidente entendeu que a multa qualificada somada à cobrança do IRRF à alíquota máxima de 35% serviria como uma dupla sanção relativa à mesma conduta de fazer pagamentos sem causa." (grifos nossos) 32. No mais, prejuízo ao erário não há, vez que restou mantida o IRRF de 35%, com a respectiva multa de ofício de 75%, diante da ausência de comprovação da causa da operação. Os objetivos da lei foram atendidos, inclusive a literalidade do artigo 44, Lei nº 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" 33. Logo, não há aqui qualquer omissão ou contradição, a questão foi claramente, pública e notoriamente enfrentada por essa relatoria e pela 1ª Turma. Conclusão 34. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR os presentes Embargos de Declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 1 RACANICCI, Jamile. Carf: doleiros envolvidos na Lava Jato devem pagar IRRF sobre operações ilícitas. JOTA. www.jota.info, 2018. Disponível em: https://bit.ly/2MVgMN7. Acesso em: 06/06/2019. Fl. 2971DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, redator designado. Da obscuridade do Acórdão embargado Em que pesem os argumentos expendidos pela Ilustre Relatora, peço vênia para, respeitosamente, divergir de seu voto quanto à rejeição dos Embargos de Declaração, o que foi feito sob a premissa de que o julgado (Acórdão 1201-002.508 - fls. 2.913/2.940) não conteria vício que deve ser sanado por este meio processual, notadamente no que diz respeito à motivação para o afastamento da qualificação da multa de ofício. No julgado originário, parece que, em um primeiro momento, o fundamento invocado para a desqualificação da penalidade repousaria no fato de que o IR-Fonte de 35% (com base de cálculo reajustada), por ser hipótese de responsabilidade tributária que enseja tributação elevada (senão a maior vigente), por si só não enseja a multa qualificada. Veja, a propósito, os itens 65 e 66 daquele voto: 65. Indo mais além, da simples leitura do artigo 674 do RIR/99 não é possível abstrair sequer a possibilidade de imposição de multa qualificada, visto que o dispositivo limita- se a consignar a incidência do IRRF à alíquota de 35% sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados ou, ainda que identificados, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. 66. Por meio deste dispositivo, eventual ausência de recolhimento do IRRF fica assegurada. Vejam que, o artigo 674 do RIR/99 figura como verdadeira medida de enforcement (solução eficiente apta a incentivar boas práticas), pois tem a capacidade de direcionar o comportamento do contribuinte para que opere com a devida transparência, tanto é que, a manutenção e adequada escrituração fiscal e contábil hábil a identificar eventuais beneficiários e as causas do pagamento, afastam a aplicação do IRRF de 35%. Da leitura dos itens antecedente (64) e seguinte (67) abaixo transcritos, porém, pode parecer que teria sido a ausência de caracterização de dolo a causa de afastamento da qualificação. 64. Em que pese o Recorrente não tenha comprovado a operação ou a causa que deu origem aos valores relativos às operações de importação, não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. Cabe à autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, o dolo precisa ser provado e não presumido. (...) 67. Com efeito e em análise ao disposto no artigo 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430/96 (com redação dada pela Lei nº 11.488/07), fica difícil (para não dizer impossível) provar a existência do evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, no caso concreto. Se não há causa, a priori não há como presumir ou provar o intuito doloso. Há real "perda do objeto" (perda dos elementos/pressupostos fáticos) para fins de aplicação da multa qualificada. Fl. 2972DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 A redação desses itens levou a autoridade responsável por apreciar os Embargos a se manifestar no sentido de que o Acórdão incorreria em contradição, “porque afastou a decadência e confirmou a responsabilidade solidária com fundamento na comprovação do dolo. O mesmo dolo que, mais à frente, seria negado, por ocasião do afastamento da multa qualificada”. Os Embargos, então, foram admitidos. Em seguida houve proposta da I. Relatora em rejeitá-lo, acompanhada por parte do Colegiado, sob o argumento de que não haveria vícios na referida decisão, sendo que a PGFN estaria, na verdade, pretendendo rediscutir o mérito, o que resta prejudicado em sede de Embargos. Para tanto, o voto vencido (vide itens 29 e 30 acima) invoca um terceiro fundamento para cancelar a multa qualificada, qual seja, o de que seria inadmissível sancionar duas vezes a mesma conduta do contribuinte. Nesses termos, por considerar que o IR-Fonte exigido já possuiria natureza sancionatória, incabível seria a imposição de multa qualificada, afinal esta também advém de norma com caráter de sanção. Como se nota, a fundamentação para a não aplicação da multa qualificada nessa situação concreta realmente não parece estar clara: o “fundamento primeiro” do voto condutor seria o da impossibilidade jurídica do IR-Fonte exigido ser cobrado com qualificação da multa de ofício; o “segundo fundamento” seria o de ausência de comprovação de dolo específico; e o “terceiro”, exposto no voto ora vencido, seria o da inaplicabilidade de duplicação de sanção (IR- Fonte + qualificação). Há, contudo, uma certa sucessão de argumentos, até mesmo antagônicos, para cancelar a qualificação da multa nesse caso específico, fato este que caracteriza obscuridade que realmente deve ser sanada. É por isso que ACOLHO os presentes Embargos. Da ausência de efeitos infringentes O voto da Ilustre Relatora conduziu a decisão do Colegiado, por maioria de votos, para o afastamento da qualificação da multa, mas, conforme visto no item anterior, a fundamentação para essa conclusão foi considerada obscura. Pois bem. Originariamente, coube à Lei nº 4.154, de 1962 2 , instituir a incidência de IR-Fonte sobre rendimentos declarados como pagos ou creditados por sociedades anônimas, quando não 2 Art. 3º As pessoas jurídicas somente deverão pagar os rendimentos especificados no incisos 3º e 6º do artigo 96 do Regulamento a que se refere o art. 1º e na alínea "a" do art. 8º desta lei: [...] § 3º Aplicar-se-á também o disposto neste artigo aos rendimentos declarados como pagos ou creditados por sociedades anônimas, quando não forem atendidas as condições estabelecidas no § 4º do art. 37 do Regulamento referido no art. 1º desta lei. Art. 37. Constitui lucro real a diferença entre o lucro bruto e as seguintes deduções [...] § 4º Não são dedutíveis as importâncias que forem declaradas como pagas ou creditadas a título de comissão, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. Fl. 2973DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 fosse indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando a fonte não indicasse o beneficiário individualmente. Essa cobrança de IR exclusiva na fonte, como bem observou a I. Relatora, trata de responsabilidade tributária 3 imputada à pessoa jurídica na qualidade de fonte pagadora de rendimentos que “demandava” (e que a nosso ver ainda demanda) não necessariamente a caracterização da estranha figura ausência de causa do pagamento, mas sim a ausência de indicação individualizada do respectivo beneficiário. Naquela época a Coordenação do Sistema de Tributação da Receita Federal 4 se manifestou no sentido de que “esta incidência na fonte somente tem aplicação às hipóteses em que a redução do lucro líquido possa de fato ensejar transferência de valores do patrimônio da pessoa jurídica para o das pessoas físicas”, evitando, assim, “encobrir a transferência de tais recursos a outrem”. Ora, a não comprovação da necessidade do dispêndio pela fonte pagadora (fato este que permite a glosa da despesa), somada à hipótese de não identificação do destinatário do pagamento, evita o conhecimento de quem auferiu o rendimento correspondente, caracterizando prática que pode levar a sonegação por parte do titular da renda e que, portanto, deve ser combatida. Nessa situação de ocultação do beneficiário, é evidente que a pessoa jurídica que efetua os pagamentos possui relação direta com o fato gerador do imposto sobre a renda, afinal é ela quem transfere a riqueza tributável. É justamente por isso que a fonte pagadora tem o dever de declarar os beneficiários dos recursos ou vantagens por ela transferidos, sob pena de sujeição passiva por responsabilidade. Ressalte-se, aqui, que o IR-Fonte é devido na hipótese da fonte não declarar o beneficiário do pagamento não como medida punitiva, mas como forma de responsabilizar o agente pagador pelo tributo devido pelo beneficiário não informado. É importante notar, nesse ponto, que uma coisa é a não comprovação da causa ou dos requisitos para a dedução do dispêndio – que é causa para a glosa -; outra coisa é a não identificação do beneficiário do pagamento não comprovado pela fonte pagadora, esta sim a hipótese legal do IR-Fonte prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995. Ocorre, porém, que após sucessivas alterações legislativas, a redação atual dos dispositivos legais vigentes (o caput e o parágrafo primeiro do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 5 ) pode levar, se interpretados apenas gramaticalmente, a uma conclusão de que o sistema jurídico, a partir de então, passou a permitir a cobrança desse IR-Fonte em duas hipóteses alternativas: 3 A responsabilidade tributária tem por fundamento, dentre outros dispositivos, o artigo 128 do CTN: “Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” 4 Parecer CST nº 20/1984 (itens 13 e 15). 5 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º - A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Fl. 2974DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 pagamento para beneficiário não identificado (caput) “ou” pagamento sem causa (§ 1º 6 ), e não mais em uma única hipótese com duas condicionantes: pagamento para beneficiário identificado “e” sem causa, como era previsto expressamente na legislação de origem. Como mostra a experiência no trato de normas jurídicas, até pode dar-se o legislador ao luxo de cometer equívocos quando do exercício da técnica legislativa. Não deveriam, mas o fato é que alguns lapsos manifestos no texto devem ser esclarecidos e corrigidos no âmbito da interpretação sistemática, notadamente quando esta contraria a dita literalidade da norma. E ajeitando-se na estrutura lógica no qual inserido, cumpre observar que o artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 continua tendo o propósito de evitar que empresas sejam utilizadas como “ponte” ou como fonte de pagamentos (ainda que sem causa) que não permitam identificar os efetivos beneficiários, inibindo, com isso, o rastreamento do destino da renda e sua tributação por aquele que detém a capacidade contributiva. A “ausência” de causa, não bastasse sua imprecisão epistemológica - afinal todo pagamento tem uma causa (lícita, como uma doação, ou ilícita) - jamais poderia constar no antecedente da norma legal de incidência tributária sobre a renda, por dois outros motivos, além do princípio da capacidade econômica. Primeiro porque o Imposto de Renda no Brasil está sujeito ao “princípio do non olet)”, consagrado no artigo 118 do CTN 7 e na linha do que já decidiram o STF e o STJ, conforme atestam, respectivamente, as ementas dos julgados abaixou. “A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, assentou entendimento de ser possível a tributação de renda obtida em razão de atividade ilícita, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos” 8 . 2. O art. 118 do CTN consagra o princípio do "non olet", segundo o qual o produto da atividade ilícita deve ser tributado, desde que realizado, no mundo dos fatos, a hipótese de incidência da obrigação tributária. 3. Se o ato ou negócio ilícito for acidental à norma de tributação (= estiver na periferia da regra de incidência), surgirá a obrigação tributária com todas as conseqüências que lhe são inerentes. Por outro lado, não se admite que a ilicitude recaia sobre elemento essencial da norma de tributação. 4. Assim, por exemplo, a renda obtida com o tráfico de drogas deve ser tributada, já que o que se tributa é o aumento patrimonial e não o próprio tráfico. Nesse caso, a ilicitude é circunstância acidental à norma de tributação. No caso de importação ilícita, reconhecida a ilicitude e aplicada a pena de perdimento, não poderá ser cobrado o imposto de importação, já que "importar mercadorias" é elemento essencial do tipo 6 Note que o legislador usou o conector “também”, podendo levar ao precipitado entendimento de que seriam hipóteses alternativas: “não somente pela falta de identificação do beneficiário, mas também pela ausência de causa”. 7 Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 8 STF. 1ª T. HC 94.240/PR. Fl. 2975DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 tributário. Assim, a ilicitude da importação afeta a própria incidência da regra tributária no caso concerto. [...]” 9 E segundo porque tributo não pode se confundir com sanção, conforme previsto expressamente no artigo 3º do Código Tributário Nacional 10 . São por essas razões, quais sejam, princípio da capacidade contributiva, “non olet” e artigo 3º do CTN, que a aplicação do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, segundo nosso ponto de vista, está restrita à hipótese de pagamentos, ainda que já glosados por falta de comprovação, para beneficiários não identificados. A norma legal que motivou a presente autuação, ou seja, o artigo 61 ora analisado, prescreve o dever da fonte declarar individualmente para quem pagou, sob pena de, se assim não fizer, ela ser responsabilizada pela retenção do IR incidente sobre os pagamentos. É, na verdade, o fato de não informar para quem pagou, e não a que título que pagou, a materialidade da responsabilidade tributária pela retenção do IR-Fonte. Nesse caso concreto, a fiscalização muito bem demonstrou que as partes, simulando importações, dissimularam pagamentos para destinatários que não foram especificados, razão pela qual corretamente exigiu o IR-Fonte da empresa pagadora. A controvérsia, reitera-se, consiste exclusivamente no fato dessa cobrança de IR- Fonte ensejar ou não a multa qualificada. Segundo penso, dentro dessa sistemática de tributação por responsabilidade tributária, a qualificação da multa é incabível, pois a conduta de não declarar (ou deixar de informar) o beneficiário já encontra-se tipificada no inciso I, do artigo 44, da Lei n. 9.430/96, in verbis: Art. 44. - Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifamos) Percebe-se, a partir desse dispositivo legal, que o não pagamento de tributo, assim como a falta ou inexatidão de declaração, são condutas típicas que ensejam a multa de ofício ao patamar de 75%, e não de 150%. Isso significa dizer que, considerando que o IR-Fonte é devido por quem paga, por não declarar para quem pagou, aplicável a multa de ofício de 75%. Mas, não é só. A conduta omissiva que dá azo à tributação na fonte (qual seja, a de não declarar o beneficiário do pagamento) tem por finalidade impedir que os tributos incidentes sobre a renda ocultada sejam sonegados pelo titular dos recursos. 9 Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma. Recurso Especial 984.607. Rel. Ministro Castro Meira. D.J. 05/11/2008. 10 “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Fl. 2976DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 Assim, se a pessoa jurídica que efetua o pagamento não declara o destinatário da renda, impedindo, com isso, que o fisco audite a regularidade do titular da renda, ela acaba sendo imputada como sujeito passivo por responsabilidade, como medida de transparência e combate à evasão fiscal. Diferentemente ocorrem com as hipóteses de qualificação de multa, as quais, como se sabe, têm por materialidade a sonegação, fraude ou conluio por parte do sujeito passivo que busca esconder os fatos ou impedir o conhecimento do fato gerador. Aqui, pelo contrário, foi justamente o ato da fiscalização ter identificado os pagamentos, somado à falta de identificação dos beneficiários, o que ensejou a cobrança do IR- Fonte sob a alíquota máxima prevista na legislação de regência. Feitas essas considerações, resta incabível a qualificação da multa na cobrança de IR-Fonte previsto no artigo 61, da Lei n° 8.981/95. Pelo exposto, acolho os Embargos para sanear o acórdão embargado sem efeitos infringentes. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque O colegiado acolheu os presentes embargos de declaração, no sentido de tornar clara a interpretação dada à legislação tributária que fundamentou a decisão embargada. Diante da tese assim trazida à clareza, externei meu entendimento em sentido contrário e agora o registro por meio desta declaração de voto. A decisão trata de lançamento tributário de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) exigido em razão de pagamento a beneficiário não identificado ou de pagamento por operação ou causa não comprovada, cujo fundamento legal está no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Fl. 2977DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 Não há controvérsia quanto à exigência do IRRF nessa modalidade, todavia a fiscalização qualificou e agravou a multa de ofício, exigindo-a no patamar de 225%, com fundamento no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: O colegiado reconheceu que as provas dos autos são suficientes para evidenciar o intuito doloso do contribuinte, todavia entendeu que não era devida a qualificação da multa de ofício e é esse o objeto da divergência aqui aposta. Em apertada síntese, o entendimento majoritário, obtido por maioria de cinco votos contra três, é no sentido de que o dolo do contribuinte não é suficiente para dar ensejo à qualificação da multa de ofício quando o tributo exigido é aquele previsto no referido artigo 61 da Lei nº 8.981/1995. Esse entendimento, por sua vez, é consequência do entendimento também adotado de que a exigência desse tributo possui “natureza sancionatória”, pelo que o dolo já seria elemento da infração tributária, não podendo ser utilizado novamente para qualificá-la. O núcleo da divergência aqui apresentada está exatamente no entendimento de que o tributo em tela é exigido para punir o contribuinte, quando este deixa de comprovar para quem realizou um pagamento ou qual foi a sua causa. Discordo do entendimento de que o dolo é elemento necessário para a exigência do tributo em tela. É certo que este tributo possui especificidades que permitem classifica-lo como uma exceção. O IRRF em geral já é uma exceção, pois é fruto de uma substituição tributária do Imposto de Renda (das pessoas físicas e das pessoas jurídicas). O IRRF com tributação exclusiva na fonte, uma modalidade de IRRF, é uma exceção maior ainda, pois toda a tributação fica contida no substituto tributário, não havendo reflexo sobre a apuração realizada pelo contribuinte, que não oferece à tributação a receita obtida. O tributo da espécie é uma exceção ainda mais específica, pois é uma substituição tributária com tributação exclusiva e cujo fato gerador não é o pagamento, pois o tributo passa a ser exigível apenas a partir do momento em que o substituto tributário não informa à fiscalização a identificação do contribuinte ou a causa do pagamento. Entendo que o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 é exigido do substituto tributário por meio de uma presunção legal. Nessa presunção, o fato conhecido é a existência de um pagamento cujo destinatário se desconhece ou cuja causa é desconhecida e cujo desconhecimento se deve à atitude omissiva do substituto tributário. O fato desconhecido é que dá ensejo à omissão presumida. Fl. 2978DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 Assim, a exigência do IRRF em tela muito se assemelha à exigência do IRPJ prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, em que a presunção legal tem como fato conhecido a existência de depósito bancário cuja origem o contribuinte não comprova. Saliente-se que o ordenamento jurídico tributário possui outros casos semelhantes de presunção, como o saldo credor de caixa, passivo a descoberto e pagamentos não escriturados (art. 12, §2º, do Decreto- Lei nº 1.598/1977 e art. 40 da Lei nº 9.430/1996. A diferença entre essas espécies e o IRRF em tela é que, aqui, a tributação se dá sobre o substituto tributário e não sobre o contribuinte. Contudo, esse caráter de excepcionalidade não autoriza o entendimento de que a tributação em análise tem o dolo como seu elemento, tese ora adotada pelo colegiado e contra a qual me levanto. Minha primeira oposição a essa tese tem fundamento no artigo 150, IV, da Constituição Federal, que proíbe os entes federados de utilizar tributo com efeito de confisco, nos seguintes termos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV - utilizar tributo com efeito de confisco; Ao admitir, apenas por hipótese, que o objetivo da norma é punir uma conduta, então a exigência não estaria associada a um ganho patrimonial (fato gerador do tributo) mas a uma frustração da expectativa de conduta do contribuinte (conduta ilícita), cuja punição seria a perda de parte de seu patrimônio, ou seja, a exigência teria natureza de confisco. Sendo assim, a norma seria inconstitucional, ou melhor, a interpretação dada a ela a tornaria inconstitucional, o que é causa suficiente para que se busque outra interpretação, que dê legitimidade à norma aplicada e não a condene desde o princípio. A segunda oposição tem fundamento no artigo 3º do Código Tributário Nacional (CTN) que, no mesmo liame do supracitado dispositivo constitucional, define tributo como uma prestação pecuniária compulsória “que não constitua sanção de ato ilícito”, verbis: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Saliente-se que esta norma complementar torna mais claro o comando constitucional de afastar a atividade de tributar (destinação pública de parte do ganho patrimonial) da atividade de polícia (sanção mediante ilícito). A interpretação aqui combatida afronta essa norma complementar de forma contundente, na medida em que dá à regra tributária uma natureza da sanção, pelo que também deve ser afastada. A terceira oposição tem fundamento no artigo 4º do mesmo CTN, que determina a natureza jurídica do tributo como tendo caráter objetivo, nos seguintes termos: Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação. Fl. 2979DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-002.975 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720152/2016-82 Na medida em que a obrigação tributária passa a existir, com o advento do fato gerador, presumido, independentemente de outras circunstâncias, não há como condicionar a exigência tributária à intensão do contribuinte. A interpretação aqui combatida, ao elevar o dolo do contribuinte à condição de elemento necessário para o surgimento da obrigação tributária, introduz na prerrogativa tributária do Estado um fator limitante estranho ao ordenamento jurídico, pois este não está presente na norma que criou o tributo em tela (artigo 61 da Lei nº 8.981/1995) e é contrário às normas gerais do Direito Tributário (artigo 4º do CTN). Portanto, o dolo deve ser afastado do rol de elementos formadores da obrigação tributária, ainda que haja presumida omissão de receitas, redirecionada ao substituto tributário por meio da exigência de IRRF. Em consequência, quando o substituto tributário pratica atos tendentes a ocultar a omissão, dando falsa aparência de legitimidade aos pagamentos feitos por ele e que, presumidamente, não serão oferecidos à tributação pelo destinatário, fica caracterizado o dolo do substituto tributário e a exigência do tributo deve ser acompanhada de sanção qualificada. Na espécie, o colegiado reconheceu o dolo do substituto tributário, portanto é devida a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 2980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721152/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
PROVAS INDICIÁRIAS - ANÁLISE CONJUNTA - PROVA CONCRETA
A produção de provas indiciárias, isoladamente consideradas, é improfícua; sua análise conjunta e concatenada, todavia, quando substanciais, convola-as em provas efetivas da prática dos atos investigados no processo administrativo.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Verificada a comunhão societária, de estabelecimento, bem como a unicidade de comando das empresas componentes do grupo por administradores vinculados por laços familiares, configura-se, de fato, a existência do grupo econômico.
EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO.
Exclui-se a pessoa jurídica do Simples quando praticar reiteradamente infração à legislação tributária.
EXCLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS.
Exclui-se a pessoa jurídica do Simples quando constituída por interpostas pessoas, que não sejam os seus verdadeiros sócios ou acionistas; ou titular, no caso de empresário individual.
Numero da decisão: 1302-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 PROVAS INDICIÁRIAS - ANÁLISE CONJUNTA - PROVA CONCRETA A produção de provas indiciárias, isoladamente consideradas, é improfícua; sua análise conjunta e concatenada, todavia, quando substanciais, convola-as em provas efetivas da prática dos atos investigados no processo administrativo. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Verificada a comunhão societária, de estabelecimento, bem como a unicidade de comando das empresas componentes do grupo por administradores vinculados por laços familiares, configura-se, de fato, a existência do grupo econômico. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Exclui-se a pessoa jurídica do Simples quando praticar reiteradamente infração à legislação tributária. EXCLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Exclui-se a pessoa jurídica do Simples quando constituída por interpostas pessoas, que não sejam os seus verdadeiros sócios ou acionistas; ou titular, no caso de empresário individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 11 52 /2 01 1- 82 Fl. 544DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidam os autos de procedimento de exclusão do recorrente do Simples Federal, previsto na Lei 9.317/96, motivado pela pretensa ocorrência das hipóteses contempladas no art. 14, incisos IV e V da predita norma legal, concretizada mediante ADE de nº 117/2011 (e-fls. 34), lastreado, por sua vez, no Termo de Representação de e-fls. 2 a 12 e no Despacho Decisório de e-fls. 30 e 31. Pelo que se extrai do citado Termo de Representação, a D. Auditoria Fazendária, em processo de fiscalização realizado junto à recorrente, teria identificado a formação de um grupo econômico de fato constituído pela insurgente, J B Serviços, e pelas empresas PINGO NATURAL PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA, CNPJ 03.251.455/000178 e LAVANDERIA E TINTURARIA EDUARDO LTDA, CNPJ 79.398.616/000112. As duas primeiras empresas estariam sujeitas ao recolhimento dos tributos federais segundo o regime preconizado pela já mencionada Lei 9.317/96, ao passo que a Lavanderia e Tinturaria Eduardo recolhia as suas obrigações tributárias com base no Lucro Real. Resumidamente, em aprofundada investigação realizada pela Autoridade Fiscal, identificou-se a ocorrência de três situações que, a seu ver, demonstrariam a existência de interposição de pessoas (inciso IV do já aludido art. 14) e a prática reiterada de infração à legislação tributária (mormente pela efetivação de planejamento ilícito tendente à divisão de receitas entre as empresas e o deslocamento de mão de obra para as pessoas optantes pelo Simples, reduzindo-se, pois, o montante a ser recolhido a título de CPP - Contribuição Previdenciária Patronal). De acordo com as informações constantes do predito termo: a) as três empresas ocupariam um mesmo endereço comercial (Rua Argentina nº 47) sendo que, pelos atos constitutivos da recorrente, a sua sede ocuparia apenas uma sala (201) do galpão havido no predito endereço que, outrossim, se encontrava anexo ao Galpão ocupado pela empresa Tinturaria Eduardo (onde seriam desenvolvidas todas as atividades produtivas do grupo), e era, segundo informações obtidas in loco, utilizada como refeitório das três empresas; b) mesmo que ocupando apenas uma sala do estabelecimento sito à Rua Argentina, a recorrente tinha, pelo que se dessume de seus registros, a concentração da maior parte da mão-de-obra do grupo (46 funcionários), enquanto que a Pingo e a Tinturaria, somadas, abarcavam apenas 10 funcionários. Mais que isso, por meio de entrevistas realizadas junto aos funcionários das empresas, constatou-se que os empregados registrados na recorrente desenvolviam atividades nas demais empresas (v. quadro de e-fl. 10); c) constatou, mais ainda, o que chamou de "suprimentos atípicos de numerários", evidenciado pelo registro de empréstimos diversos em valores não condizentes com os Fl. 545DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 montantes apontados em contratos de mútuo apresentados, sem liquidação na data de vencimento e sem amortização; esta situação se repete tanto pela contratação de empréstimos junto a terceiros, como pela realização da contratação de valores pela recorrente junto às outras duas empresas investigadas; d) por fim, reforça a conclusão de interdependência entre as empresas tendo em conta as participações societárias identificadas a partir dos atos constitutivos das empresas, cujos sócios mantem entre si, sempre, relação de parentesco, tendo identificado, em determinados momentos (e-fls. 11 e 12) a troca de posições societárias entre eles e, ainda, a ocupação de emprego em determinada empresa por sócio de outra. A vista destes fatos, propôs a exclusão da recorrente, com efeitos retroativos, para o período compreendido entre 01 de janeiro de 2007 à 30 de junho deste mesmo ano. Cientificada do despacho decisório, a empresa opôs a sua manifestação de inconformidade por meio da qual deduziu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) inicialmente sustenta que a mão-de-obra registrada na empresa não era incompatível com o seu objeto social e a atividade econômica por ela desenvolvida; acusa, noutro giro, a inconsistência das considerações fiscais concernentes aos indícios firmados a partir da comparação entre as massas salariais (funcionários alocados nas três empresas) e as receitas percebidas por cada qual, sustentando não se tratar de prova técnica suficiente, nem mesmo, para indiciar uma eventual omissão de receitas; b) aduz, de outro turno, que os empréstimos contraídos com terceiros em nada contribui com a tese fiscal e que, de outra sorte, os valores pactuados com a empresa Pingo e com a Tinturaria seriam irrisórios e, outrossim, lícitos; c) afirma que a troca de ativos entre a insurgente e a empresa Tinturaria, ainda que de fato tenha ocorrido, não é suficientemente representativa a fim de demonstrar a unicidade dos negócios, alegando, ainda, não haver, no feito, qualquer prova de que as empresas tenham assumido obrigações devidas umas pelas outras, reprisando a assertiva de se tratarem de empresas financeiramente autônomas; d) em relação a identidade de endereços, afirma que desde 1999 se encontra estabelecida na Rua Argentina, inicialmente, sem número (o número 47 teria sido incluído por força de "atualização realizada pelo Município de Jaraguá) e que possui em seu ativo imobilizado o registro de máquinas e equipamentos que demonstrariam a sua capacidade operacional; e) reforça a tese de sua autonomia financeira e operacional a partir do fato de prestar serviços à diversa outras empresas; f) justamente pela autonomia alhures mencionada, considera regular a constituição de empresas cujos sócios detem relação de parentesco; g) conclui esta parte da sua peça de defesa sustentando não haver provas de uma pretensa simulação mormente se considerando o desenvolvimento de atividades distintas pelas três empresas e, mais, que a empresa PINGO detinha outro endereço no interregno Fl. 546DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 compreendido entre 2008 e 2010 e que, não obstante ter ocupado o imóvel da Rua Argentina este imóvel, no ano de 2007, tinha função operacional (nos seus dizeres, em 2007 "a realidade era outra, isto é, onde hoje há um refeitório, havia um galpão industrial”). Passo seguinte aponta para o desrespeito ao princípio da verdade material e, ainda, critica o fato da fiscalização não ter trazido aos autos a "redução a termo" dos relatos mencionados ao longo de sua representação. Ao fim, argui a nulidade do ADE por vício de motivação, ainda que semelhante alegação se calque, em verdade, na falta de comprovação dos fatos declinados na Representação Fiscal. Instada se pronunciar sobre o caso, a DRJ de Fortaleza houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade oposta pelos fundamentos sumarizados na ementa abaixo reproduzida: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Verificada a comunhão societária, de estabelecimento, bem como a unicidade de comando das empresas componentes do grupo por administradores vinculados por laços familiares, configura-se, de fato, a existência do grupo econômico. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Exclui-se a pessoa jurídica do Simples quando praticar reiteradamente infração à legislação tributária. EXCLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Exclui-se a pessoa jurídica do Simples quando constituída por interpostas pessoas, que não sejam os seus verdadeiros sócios ou acionistas; ou titular, no caso de empresário individual. A empresa foi intimada do resultado do julgamento acima em 19 de março de 2014 (e-fl. 487), tendo interposto seu recurso voluntário em 17 de abril do mesmo ano (e-fl. 533), por meio do qual, além de reprisar, ainda que de forma mais detida, os argumentos deduzidos em sua "impugnação", traz notícias sobre a obtenção de provimento jurisdicional em que o TRF/4ª Região teria confirmado sentença que teria declarado nulo ato da Receita Federal de baixa, de ofício, de seu CNPJ. Pelo que expôs, o predito provimento jurisdicional teria considerado demonstrada a capacidade operacional do contribuinte, mormente a luz da constatação da existência de patrimônio próprio e autonomia econômico-financeira. Acrescenta, ao fim, preliminar de nulidade de vício de fundamentação, desta feita (e, portanto, diferentemente do alegado em sua manifestação de inconformidade), ante a ausência de declinação, pela autoridade fiscal, dos atos infracionários pretensamente praticados pela empresa, suficientes à tipificação da hipótese preconizada pelo art. 14, V, da Lei 9.317/96. Este é o relatório. Fl. 547DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, Relator. O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele, tomo conhecimento. I - Da preliminar de nulidade por pretenso vício de fundamentação do ADE. Me permitam, aqui, inverter a ordem da análise dos argumentos deduzidos pelo recorrente já que esta preliminar foi apresentada ao final da peça recursal; de fato, procedimentalmente, seria mais lógico e correta a sua apreciação antes de qualquer juízo de mérito, dada a sua prejudicialidade mesmo que, apenas, parcial (ainda que acolhida, não prejudicaria a eficácia do ato, porquanto lastreado em dois dispositivos da Lei 9.317/96). Pois bem. Em suma, sustenta o insurgente que a D. Autoridade Administrativa não teria declinado os atos considerados ilícitos, reiteradamente praticados, tendentes à tipificação da hipótese de exclusão preconizada pelo inciso V do art. 14 da já alardeada Lei 9.317. E, a par do meu entendimento sobre a teoria dos motivos determinantes e de minha rigidez quanto a observância estrita dos requisitos (elementos) de validade dos atos administrativos, o fato é que a alegação do contribuinte não se sustenta; a leitura, mesmo que rasa, dos motivos declinados pela D. Autoridade Fiscal da conta da inteireza e retidão do ato ora combatido, bastando, para tanto, atentar-se para o seguinte trecho do termo de representação juntado à e-fls. 2 a 12, mormente em seu parágrafo 25. Veja-se: 25. Conclui-se que a representada incorreu em prática reiterada de infrações à legislação tributária consubstanciada na criação e manutenção pró-forma de mais de uma empresa dentro da mesma planta industrial, para o exercício de mesma atividade empresarial (lavanderia e tinturaria de artigos têxteis), e omitindo receitas de forma a manter-se fraudulentamente nos limites de receita bruta impostos pela legislação do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), durante o período de 01/2007 a 06/2007. Verdade seja dita, os mesmos motivos de fato trazidos pela D. Fiscalização para justificar a exclusão com espeque no inciso IV do aludido artigo são replicados para fundamentar o ato a luz dos preceitos do inciso V... certo ou errado, os motivos de fato e de direito em que se embasou o Agente Fiscal foram devidamente expostos e mantém, diferentemente do que alega o contribuinte, coerência lógica entre si. A vista do exposto, é de se afastar a preliminar suscitada. II - Do mérito. II.1 - Os limites da coisa julgada verificada a partir do julgamento da ação autuada sob o nº 5001235-49.2012.404.7209/SC e julgada, definitivamente, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região - TRF/4ª Região. Fl. 548DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 De antemão se faz imperioso analisar a extensão do julgado proferido nos autos descritos no título deste subtópico, justamente para se verificar se, como faz querer crer o recorrente, estaria o caso jungido aos efeitos de eventual coisa julgada material. Vale lembrar aqui o que já o disse em outros julgamentos realizados por esta turma, destacando-se, em especial, o acórdão de nº 1302-003.356, publicado em 27 de fevereiro do ano corrente, cujo ementa cito a seguir: PROCESSUAL - PRECLUSÃO CONSUMATIVA - INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235 - IMPOSSIBILIDADE. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo. Com efeito, como defendi no processo acima, o "mérito" da demanda nada mais seria que a própria lide que, por sua vez, aproveitando-nos dos ensinamentos de Celso Agrícola Barbi, ao invocar as definições propostas por Carnelutti, define-a pelo conflito intersubjetivo qualificado por uma pretensão resistida ou, como precisava Liebman, também lembrado pelo processualista mineiro, pela contraposição de pedidos deduzidos pelas partes 1 . O pedido, pois, delimita o próprio mérito da causa, e isto, diga-se, não desafia maiores questionamentos. O problema é que o pedido não pode ser compreendido, em toda a sua extensão, sem se considerar a própria causa de pedir, pena de se fugir ao conhecimento de seus próprios limites. A propósito, chamo a atenção aos dizeres de Nelson Nery Jr., abaixo citados: (...) por pedido deve ser entendido o conjunto formulado pela causa (ou causae petendi) e o pedido em sentido estrito. A decisão do juiz fica vinculada à causa de pedir e ao pedido 2 . Daí as conclusões de Arruda Alvim, segundo o qual será extra petita a decisão "conquanto atendendo o pedido, tal ocorra por outra causa de pedir (...)" 3 . Aliás este autor complementa e justifica esta última assertiva com os seguintes argumentos: Isto porque, conforme tivemos oportunidade de salientar, embora a causa petendi não integre o pedido, ela o identifica. Assim, se o autor faz o pedido x baseado na causa de pedir x1, e se o juiz conceder o 'mesmo' pedido x pela causa de pedir y, não estará, na verdade, concedendo o mesmo pedido. Assim ten entendido nossa jurisprudência maciçamente. 4 Em linhas gerais, o pedido é qualificado, delimitado e compreendido a partir da causa de pedir; por consentâneo, a causa de pedir compõe, também, a lide, enquanto elemento, justamente, de compreensão dos limites das pretensões porventura deduzidas; nesta esteira, as decisões proferidas abarcam, não só o pedido, mas o elemento que lhe é qualificador - a causa de 1 BARBI, Ceslo Agrícola. Comentários ao Código de Processo Civil, v. I, 9ª ed., Belo Horizonte: Forense, 1994, p. 319 2 JR., Nelso Nery. Código de Processo Civil e Legislação Processual Civil Extravaganteem Vigor. 5ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 583, nota 2 ao art. 128. 3 ALVIM, Arruda. Manual de Direito Processual Civil, 7ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 658. 4 ALVIM, Arruda. Op. loc. cit. Fl. 549DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 pedir. Daí a assente Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ter pacificado o entendimento de que a coisa julgada opera seus efeitos também em relação ao antecedente lógico do dispositivo da sentença (o próprio libelo): 1. É assente nesta Corte Superior que "conquanto seja de sabença que o que faz coisa julgada material é o dispositivo da sentença, faz-se mister ressaltar que o pedido e a causa de pedir, tal qual expressos na petição inicial e adotados na fundamentação do decisum, integram a res judicata, uma vez que atuam como delimitadores do conteúdo e da extensão da parte dispositiva da sentença (REsp 795.724/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 1º/3/2007, DJ 15/03/2007) 5 . Em outras palavras, as causas de pedir consideradas em eventual sentença judicial também fazem coisa julgada, tornando-se imperativa a sua observância por este Colegiado, acaso existam elementos colidentes entre eventual julgado judicial e o processo administrativo. No caso concreto, vejam bem, primeiramente, e até para se afastar uma apressada conclusão acerca de eventual concomitância entre este feito e aquele que tramitou perante o Juízo Federal de Jaraguá do Sul, importa esclarecer que a ação então proposta tinha por objeto a declaração de nulidade de Ato Declaratório Executivo expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio do qual ter-se-ia promovido a baixa de ofício do CNPJ da empresa recorrente... ou seja, não há, aqui, nenhuma coincidência entre os pedidos contidos no predito procedimento judicial e aqueles apostos neste feito. Ainda assim, há, inegavelmente, pontos de convergência entre os dois feitos, valendo destacar, imediatamente, que a empresa obteve êxito em sua demanda judicial, cujo acórdão que lhe foi favorável transitou livremente em julgado (v. andamento processual extraído do endereço eletrônico do TRF/4ª Região 6 ). Tal como descrito no relatório que precede este voto, o ADE ora discutido restara calcado em dois fundamentos distintos, a saber: a) "a unicidade do negócio empresarial"; b) "a unicidade do controle". O primeiro fundamento, diga-se, subdividi-se em quatro constatações divisadas pela Autoridade Fiscal: a) a identidade material de endereços (a recorrente e a empresa Pingo ocupariam o mesmo imóvel, sendo que a contribuinte ocuparia apenas uma sala do predito imóvel, ao passo que a empresa Tinturaria estaria estabelecida em galpão anexo ao estabelecimento sede das duas outras empresas); 5 AgInt no AREsp 1267129/AM, Relator Ministro Luis Felipe Salomão,Quarta Turma, julgado em 07/05/2019 e publicado no DJe de 15/05/2019. 6 https://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtPalavraGerada=Fu WA&hdnRefId=13bf9bd0ad6779d1e27ec7df4f06e160&selForma=NU&txtValor=5001235- 49.2012.404.7209&chkMostrarBaixados=&todasfases=&todosvalores=&todaspartes=&txtDataFase=&selOrigem= TRF&sistema=&codigoparte=&txtChave=&paginaSubmeteuPesquisa=letras Fl. 550DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 b) incongruência entre a massa salarial das entidades e a as respectivas receitas (indiciando uma possível inexistência de autonomia operacional); c) a existência de pactuação de contratos de comodato e mútuo entre a recorrente e terceiros e entre aquela e as demais empresas descritas no relatório fiscal, além da existência da troca de ativos e passivos entre o contribuinte e a empresa Tinturaria Eduardo (apontando para a ausência de autonomia econômico-financeira); d) o uso de mão-de-obra pertencente a uma empresa para a execução de tarefas nas outras (revelando a confusão negocial então noticiada). O segundo fundamento lastreia-se, exclusivamente, na análise das estruturas societárias e na relação de parentesco entre os sócios de cada uma das empresas, havendo notícias de trocas de controle (ex-sócios da Tinturaria passaram a ocupar a administração das outras empresas a partir de 1997 e 1999 - v. descrição contida na e-fl. 11 e 12). Como se dessume da sentença juntada pela recorrente, a Autoridade Judicial considerou demonstrada a existência de fato do contribuinte, como se extrai da seguinte passagem abaixo reproduzida (e-fl. 526): Nesse sentido, entendo que a autora demonstrou perante a autoridade fazendária e neste Juízo que dispõe de patrimônio e capacidade operacional para a realização de seu objeto (fls. 55-63 do doc. PROCADM11). É oportuno, sob esse aspecto, citar, ainda, as notas fiscais de saída/entrada dos anos de 2007 a 2011 (docs. PROCADM12 a PROCADM16); o demonstrativo do ano de 2012 (parcial) do balanço patrimonial (OUT30); e a licença ambiental concedida pela FATMA à autora neste ano (0UT36). Se assim permanecesse o julgado acima, todos os argumentos deduzidos pela D. Fiscalização, inclusive pelas considerações prefaciais apresentadas no início deste subtópico, cairiam por terra e, nesta senda, o primeiro fundamento contido no Termo de Representação soçobraria. Nada obstante, observa-se naquele feito a prolação de um acórdão de embargos declaratórios, opostos ao acórdão do TRF/4ª Região (cujo exame foi determinado pelo STJ e, curiosamente, omitido pelo Recorrente), que havia mantido, in totum, a decisão de 1º grau nos autos da ação anteriormente mencionada. E os citados declaratórios foram acolhidos, ainda que sem efeitos infringentes, para aclarar o seguinte ponto, tratado no voto a seguir reproduzido: A natureza reparadora dos embargos de declaração só permite a sua oposição contra sentença ou acórdão acoimado de obscuridade ou contradição, bem como nos casos de omissão do Juiz ou Tribunal, conforme prescrito no artigo 535 do CPC, ou, ainda, para correção de erro material no julgado. In casu, a embargante afirma que o acórdão quedou-se omisso no que tange acerca da alegação segundo a qual foi constatada a existência de três empresas que eram uma na verdade, o que seria um subterfúgio para a utilização das facilidades do SIMPLES. Em conformidade com a determinação do STJ, passo a suprir tal omissão. Tenho que tal alegação não pode ser acatada de pronto pois, em que pese haja indicativos nesse sentido, consubstanciados nas provas colhidas pela ré em pesquisa de campo realizada no local de funcionamento da autora, também foram trazidos aos autos Fl. 551DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 elementos em sentido contrário, como bem destacou o julgador singular no excerto abaixo transcrito: Nesse sentido, entendo que a autora demonstrou perante a autoridade fazendária e neste Juízo que dispõe de patrimônio e capacidade operacional para a realização de seu objeto (fls. 55-63 do doc. PROCADM11). É oportuno, sob esse aspecto, citar, ainda, as notas fiscais de saída/entrada dos anos de 2007 a 2011 (docs. PROCADM12 a PROCADM16); o demonstrativo do ano de 2012 (parcial) do balanço patrimonial (OUT30); e a licença ambiental concedida pela FATMA à autora neste ano (OUT36). Ora, nesse contexto tenho que não se pode afirmar a inexistência de fato da autora, tampouco que ela componha uma única empresa, como quer a União. Nada obstante tais considerações, cabe reiterar o asseverado no decisum ad quem: '(...) eventuais irregularidades detectadas no transcorrer do processo fiscal, retratadas nos respectivos autos de infração, não foram objeto de pronunciamento de mérito pela sentença, que ressaltou de forma expressa que 'a questão posta nestes autos diz respeito tão somente à verificação da existência de fato da empresa autora e da legalidade do ato de baixa de sua inscrição no CNPJ (...)' Ante o exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração. 7 Notem, que os elementos utilizados pelo Juiz de primeiro grau para formar o seu convencimento foram, tão só, as notas fiscais emitidas pela empresa e a existência, comprovada apenas documentalmente, de máquinas e equipamentos. A decisão, diga-se, textualmente, não enfrenta os problemas discutidos no Relatório Fiscal, em especial, a ausência de capacidade operacional a partir, v.g., da ausência de um espaço físico compatível com o exercício da atividade econômica. Também não se observa no aresto qualquer tipo de menção concernente ao problema do controle, alegadamente, unificado das empresas e, por certo, não se manifesta (e portanto, não faz operar coisa julgada) sobre o problema das trocas de ativos e da formalização de contratos de mútuo perante terceiros, sem vencimento, sem liquidação e sem descrição do modus concernente a forma de quitação. Também não se vê nas decisões quaisquer considerações acerca do indício formado a partir da incongruência apontada quando da comparação entre "massa salarial" x "receita bruta", exposto no curso do relatório apresentado neste feito. E, assim o sendo, vale reprisar o que foi firmado no acórdão dos embargos anteriormente mencionados: "eventuais irregularidades detectadas no transcorrer do processo fiscal, retratadas nos respectivos autos de infração, não foram objeto de pronunciamento de mérito pela sentença". Não há, na espécie, coisa julgada material a obstar a análise dos fatos e fundamentos trazidos pela Fiscalização... e, agora, é justamente o que passo a fazer. 7 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5001235- 49.2012.404.7209/SC, extraído do sítio do TRF/4ª Região à https://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=5001235492 0124047209&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=&todasfases=&selForma=NU&todaspartes=&hdnRefId=214 3cb0991c9ba9ad0d4053b478bf785&txtPalavraGerada=FZzf&txtChave=&numPagina=1, acessado em 28/05/2019. Fl. 552DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 II.2 - A análise dos fundamentos da Representação Fiscal. Não se vê, realmente, nada nos apontamentos fiscais concernentes às movimentações financeiras, realizadas a partir do creditamento de numerários oriundos de contratos de mútuo firmados, até segunda ordem, com terceiros, que, isoladamente, indicie a sustentada unicidade dos negócios a fim de caracterizar a hipótese de exclusão contemplada pelo art. 14, inciso V, da Lei 9.317/96... se tais contratos detém particularidades que chamam a atenção, especialmente, pelo desapego formal, ou, outrossim, a ausência de provas de sua liquidação causam estranheza, como, apropriadamente afirmado pelo recorrente, semelhantes constatações poderiam, quando muito, levantar suspeitas sobre fraudes tendentes à concretização de uma omissão de receitas... O mesmo se pode dizer em relação às movimentações realizadas entre as três empresas (transferências de ativos e passivos e empréstimos), mesmo que os respectivos montantes, ao menos em relação aos contratos de mútuo, diferentemente do que sustenta o contribuinte, não sejam tão irrelevantes, bastando, para tanto, atentar-se para os quadros contidos no Termo de Representação e cujas informações não foram refutadas pela empresa. Apenas a título de empréstimos devidos à Lavanderia Eduardo, v.g., tem-se valores que superam a marca de 430 mil reais, sem liquidação e sem previsão para pagamento. Estar-se-ia, quando muito, diante de um indício preocupante, diga-se... mas não de uma prova inequívoca, a se considerar, insista-se, isoladamente, este elemento. Já a assertiva de que as movimentações em contas de ativos e passivos seriam prova da gestão financeira única, menos ainda se sustenta, reprise-se, mais uma vez, se tomada de forma apartada dos demais fatos constatados no feito; basta, para tanto, ver-se que o total de valores pagos pela Lavanderia Eduardo no período fiscalizado (2007 a 2010), alçam o valor de parcos R$ 268.061,41; no mesmo período, a empresa faturou contra a empresa PINGO, o montante de R$ 299.844,10, apurado partir do débito registrado em conta de ativo concernente a este última empresa, decorrente, como se infere da planilha de e-fl. 10, de prestação de serviços de industrialização por encomenda. Estaríamos falando, pois, de um valor total recebido nos anos fiscalizados de pouco menos de R$ 570.000,00; no mesmo período, a recorrente informou uma receita bruta que alçou um montante aproximado de 4.680.000,00... mesmo que consideremos os empréstimos tomados junto às outras duas empresas (430 mil da Lavanderia Eduardo e 109 mil, mutuados com a PINGO 8 ), a relação percentual entre os dois valores é de pouco mais de 25% 9 . Ainda que tais movimentações, repise-se, causem espécie, principalmente os empréstimos, nada mais temos, aqui, que indícios de prática de algum ato ilícito que não, propriamente (ou ab initio), a confusão entre as empresas. Diferentemente, contudo, dos fatos acima, que, individualizadamente, não demonstram as premissas do Ato de Exclusão, o ponto a seguir destacado no Relatório Fiscal, cujo teor transcrevo abaixo, revela outra realidade: 8 Conforme planilha de e-fl. 9. 9 Relação entre o total de receitas e o total somado de valores recebidos pela recorrente das empresas Lavanderia e Pingo (incluindo-se os négócio registrados nas contas de ativos e passivoe e os empréstimos). Fl. 553DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 20. Em visita que realizamos às instalações físicas dessas empresas, constatamos que toda a atividade produtiva ocorre no galpão da Rua Rudolfo Hufenuessler nº 346 que é sede da empresa LAVANDERIA E TINTURARIA EDUARDO LTDA. Este é o pondo nodal de toda a celeuma; esta constatação, não impugnada pelo recorrente, é que esviscera o "planejamento" ilícito engendrado pelas empresas, mormente quando consideramos que o endereço da contribuinte, a partir do ano de 2007, indicado pela cláusula 5ª da 5ª Alteração Contratual (juntada à e-fls. 20 a 24) fixou-se na Rua Argentina, nº 47, sala 201... Lembrem-se que na ação judicial noticiada pelo contribuinte, a autoridade julgadora considerou materialmente existente a empresa tão só a partir da constatação, documental, de autonomia operacional, demonstrada a partir dos registros contábeis e notas fiscais, dos quais constariam registros de máquinas e equipamentos e da execução de atividades econômicas perante terceiros. Como, contudo, poderia a entidade desenvolver atividades 3 operar máquinas e equipamentos necessários ao desenvolvimento de seu objeto social a partir de uma sala localizada em imóvel que, como assumido pelo próprio insurgente, era utilizado, em grande parte, como refeitório comunitário, disponibilizado aos funcionários das três empresas? Outrossim, a planilha elaborada à e-fl. 11 dá conta de que, de um total de 56 funcionários distribuídos entre as três empresas, 46 estavam registrados na JB. O que se tem, in casu, é uma empresa que detém maquinário e equipamento necessários ao desenvolvimento de atividade de "SERVIÇOS DE ALVEJAMENTO, TINGIMENTO, TORÇÃO E ACABAMENTO EM FIOS, TECIDOS E ARTIGOS TÊXTEIS, INCLUSIVE CONFECÇÃO" (cláusula II da 4ª Alteração Contratual juntada à e-fls. 13 e ss) e que, de outro turno, presta ou prestou serviços, inclusive à Pingo, de "industrialização por conta e ordem de terceiros", com o uso de 46 funcionários para tanto, a partir de uma sala... A assertiva transcrita anteriormente (de que atividade produtiva é desenvolvida no galpão de titularidade da Lavanderia), insista-se, não foi refutada pela recorrente; mais que isso, a empresa sustenta, em suas razões de apelo, que "o nº 47, onde, também, funciona o refeitório de funcionários, é a sede da empresa Pingo Natural a partir de 2011 (...)" que, dado o seu objeto atual "não necessita mais de um galpão industrial". Contraditoriamente, todavia, assevera mais abaixo que, verbis: 31. Cabe destacar aqui que a Recorrente, conforme compra (sic) o seu Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2010, bem como as notas fiscais anexas, possui em seu ativo imobilizado o registro de máquinas e equipamentos próprios, assim como o direito de uso dos mesmos, os quais são utilizados em sua atividade-fim, realizada no galpão S/N da Rua Argentina. Peço aos meus pares especial atenção às notas fiscais juntadas pelo contribuinte e mencionadas no trecho acima reproduzido. As primeiras notas, juntadas à e-fls 103 a 105, descrevem a venda de "secadoras de 50kg" à insurgente, recebidas .no endereço "Rua Argentina, nº 47, sala 201"... Vejam que não há descrição de uma galpão, como endereço de entrega... há, somente, a menção, a uma sala que, pretensamente, deveria comportar as preditas secadora, as quais, como se extrai da descrição extraída da internet 10 , pesam 480 kg e possuem dimensões de 10 http://www.smsmaquinas.com.br/project/secadora-sms-50kg/: acessado em 29/05/2019. Fl. 554DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 1,80m de altura x 1,25m de largura x 1,20m de profundidade, e, ainda, 46 pessoas trabalhando ao mesmo tempo. Agora, a pedra de toque sobre o assunto é verificada nas Notas Fiscais juntadas à e-fls. 106 a 250, que dão conta da entrega de mercadorias adquiridas pela recorrente no endereço da Lavanderia Eduardo, sito à Rua Rudolfo Hufenussler, nº 346 11 . As ditas mercadorias, diga-se, em sua maioria, são produtos químicos, possivelmente utilizados no processo industrial que, como já dito, frisado e reprisado e, mais importante, não contestado, era realizado no galpão da Lavanderia Eduardo. E, a partir das incongruências ora apontadas, diga-se, passam a fazer todo sentido as críticas aventadas pela Fiscalização, representadas pelos quadros comparativos de e-fls. 4 e 5, afeitos ao confronto "massa salarial x receita bruta"... até então, tais quadros revelariam meros indícios; quando somados às provas analisadas acima, sobre a impossibilidade material da recorrente de exercer a sua atividade econômica a partir de uma sala, tornam-se verdades irrefutáveis; a produção industrial, no caso, era toda ela realizada pela Lavanderia, quem, de fato, recebia os insumos respectivos e utilizava-se da mão de obra, apenas formalmente registrada na insurgente (assertiva deduzida a partir da impossibilidade material de se espremer 46 pessoas numa sala - lembrando que o restante do galpão sito à Rua Argentina era utilizado como refeitório e não como espaço industrial). Acresça-se ao que foi dito acima, os fatos descritos no acórdão recorrido que deixam, ainda mais, clara a existência meramente formal da recorrente, frise-se, atestada a partir de fatos distintos daqueles considerados pela Autoridade Judicial, nos autos da ação ordinária abordada no tópico anterior: 24. Além do imóvel situado na Rua Rudolfo Hufenuessler, n° 346, onde funciona a administração e indústria, a Lavanderia e Tinturaria possui outros imóveis, entre eles um situado na mesma quadra, voltado para a Rua Argentina nº 47, onde funciona atualmente o refeitório dos empregados do grupo. Sucede que neste endereço teria sede a JB Serviços, conforme contrato social. Apurou-se, no entanto, em visita ao local, que o imóvel não comporta nenhuma “estrutura industrial própria”, servindo apenas de “estrutura de apoio aos negócios do grupo”, ao passo que toda a atividade produtiva do grupo ocorre no galpão situado na Rua Rudolfo Hufenuessler, n° 346, sede da Lavanderia e Tinturaria. A Rua Argentina, nº 47, também passou a figurar, no contrato social, como a sede da Pingo Natural, a partir de 10.03.2011. Como se vê, a JB Serviços e a Pingo Natural não possuem estrutura predial própria, comercial ou industrial, para realizar a atividade a que se predispôs nos seus respectivos contratos sociais. E, a tais inferências, some-se, ainda, as seguintes ponderações: a) as empresas JB e Pingo foram criadas, respectivamente, em 22 de setembro de 1997 (vide preâmbulo da alteração contratual de e-fls. 13 a 19) e 10 de junho de 1999, curiosamente, um e três anos após a instituição do Simples pela Lei 9.317/96, com objetivos sociais abarcados pelo objeto descrito no contrato social da Lavanderia Eduardo (e-fls 348 a 390); 11 V. notas fiscais de e-fls. 107, 109, 110, 112, 119, 122, 123, 124, 170, 171, 173, 174, 175, 177, 178, 179, 180, 181, 182, 183, 184, 203, 204, 206, 207, 208, 211, 248, 249 e 250. Fl. 555DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-003.632 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721152/2011-82 b) as três empresas eram controladas por pessoas vinculadas por grau de parentesco, tendo ocorrido sucessivas transferências, entre elas, dos respectivos controles (v. relato de fl. 11) e, ainda, a contratação de um dos sócios como empregado de empresa da qual não participava, societariamente. Vale a insistência: cada uma dos argumentos trazidos pela Fiscalização, considerados individualizadamente, revelam, de fato, apenas indícios da prática dos atos tratados, particularmente, pelo art. 14, inciso IV, da Lei 9.317... quando, todavia, apreciados conjuntamente, os ditos indícios assumem o caráter de prova efetiva, e não presumida, e até aqui, a par da bem estruturada defesa apresentada, não refutada. O que se vê é que a recorrente foi criada formalmente apenas, e tão somente, para acomodar os empregados utilizados no processo produtivo, todo ele, realizado no Galpão localizado na Rua Rudolfo Hufenussler, nº 346 e, assim, gozar dos benefícios preconizados pela Lei 9.317/96, constando de seu quadro societário familiares dos proprietário da empresa industrial, que, de sua sorte, ali estariam apenas para viabilizar a opção pelo regime simplificado, restando evidenciada a hipótese preconizada pelo art. 14, inciso IV e, consentaneamente, porque reiterado no tempo esta prática, do inciso V da já citada Lei 9.317. E, por fim, ainda que para o Poder Judiciário as notas fiscais emitidas pela JB à terceiros possa comprovar a sua autonomia econômica, a toda evidência, consideradas as premissas fáticas demonstradas ao longo deste voto, tais documentos seriam, inclusive, ideologicamente falsos, já que, para alem de quaisquer ilações adicionais, os preditos serviços, se prestados, o foram pela Lavanderia Eduardo, ainda que faturados pela recorrente. III - Conclusões. A luz do exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 556DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720507/2011-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Os valores pagos a diretores não empregados, na forma do art. 158 da Lei 6.404/1976, estão sujeitos às contribuições previdenciárias e de terceiros, posto que inexiste norma que lhes conceda isenção.
Numero da decisão: 9202-007.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Os valores pagos a diretores não empregados, na forma do art. 158 da Lei 6.404/1976, estão sujeitos às contribuições previdenciárias e de terceiros, posto que inexiste norma que lhes conceda isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 07 /2 01 1- 00 Fl. 1143DF CARF MF 2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2401003.138, proferido pela 1ª Turma / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse de lançamentos fiscais constantes dos Autos de Infração, cadastrados sob os seguintes números: 1. DEBCAD nº 37.318.1043 – Auto de Infração da obrigação principal, referente às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social (incluindo o adicional de 2,5% previsto no §1º do art. 22 da Lei 8.212/91) e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e a diretores e administradores não empregados, a título de participação de lucros e/ou resultados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. 2. DEBCAD nº 37.318.1051 – Auto de Infração da obrigação principal, referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, a título de participação nos lucros e/ou resultados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007. 3. DEBCAD nº 37.318.1035 – Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado por infração ao artigo 32, IV e §5º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, por falta de declaração das participações nos lucros e/ou resultados pagos a empregados e administradores / diretores não empregados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 271/293. A DRJ/SDR, às fls. 339/367, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 373/408. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 471/497, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, na parte se refere i) à exclusão do saláriodecontribuição da verba paga aos diretores não empregados a título de participação nos lucros e ii) à aplicação de juros sobre a multa de ofício. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 10 3 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. EMPREGADOS. LEI Nº 10.101/2000. ARBITRAMENTO. PERIODICIDADE. Na ausência de apresentação de documentos comprobatórios do cumprimento do programa de metas estabelecido, compete à autoridade competente efetuar o lançamento por arbitramento. Não o fazendo, deve ser afastada a autuação motivada pela falta de apresentação de memória de cálculo da participação nos lucros ou resultados paga. Apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 499/507, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Indedutibilidade da despesa com PLR. Alegou a União que a caracterização do dissídio jurisprudencial restou clara com a transcrição da ementa do paradigma, pois o acórdão recorrido entendeu por assegurar a dedução da despesa na apuração do lucro real, mesmo que não atendidos todos os requisitos para a caracterização da verba como participação nos lucros e resultados, enquanto, o paradigma concluiu pela irredutibilidade da despesa com PLR, quando a verba for paga em desconformidade com a legislação. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 510 e ss., a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso. À fl. 516 a União manifestouse pela não interposição de Agravo. Às fls. 992/1002, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Participação nos Resultados de Administradores. O acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da Lei 10.101/00 aos diretores estatutários (contribuintes individuais), uma vez que, conforme alegou, a alínea j do § Fl. 1145DF CARF MF 4 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, referiuse exclusivamente à Lei 10.101/00. Porém, os paradigmas, consideram que a Lei 6.404/76 é a lei aplicável para determinar que as verbas relativas à participação nos resultados dos administradores não integrem o saláriode contribuição. À fl. 1060, o Contribuinte apresentou pedido de desistência parcial do recurso, objetivando a inclusão em Programa Especial de Regularização Tributária – PERT. A DRJ, à fl. 1061, abriu Termo de Intimação para que o Contribuinte apresentasse documentos, dentre outras exigências, que comprovassem a efetiva adesão ao PERT. Às fl. 1101 e ss., o Contribuinte peticionou expondo que a adesão ao PERT referese ao INSS sobre PLR – Lei 10.101/2000 (NFLD 37.318.1043) e Terceiros (INCRA e SALED) (NFLD 37.318.1051), não abrangendo Multa por descumprimento de obrigação acessória (NFLD 37.318.1035) e INSS sobre PLA (NFLD 37.318.1043). A DRJ apresentou Informação Fiscal de fls. 1106/1111. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 1125/1129, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Participação nos Resultados de Administradores. A União, às fls. 1131/1140, apresentou Contrarrazões, manifestandose quanto ao mérito, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratamse de lançamentos fiscais constantes dos Autos de Infração, cadastrados sob os seguintes números: 1. DEBCAD nº 37.318.1043 – Auto de Infração da obrigação principal, referente às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social (incluindo o adicional de 2,5% previsto no §1º do art. 22 da Lei 8.212/91) e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e a diretores e administradores não empregados, a título de participação de lucros e/ou resultados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 11 5 2. DEBCAD nº 37.318.1051 – Auto de Infração da obrigação principal, referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, a título de participação nos lucros e/ou resultados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007. 3. DEBCAD nº 37.318.1035 – Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado por infração ao artigo 32, IV e §5º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, por falta de declaração das participações nos lucros e/ou resultados pagos a empregados e administradores / diretores não empregados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: Participação nos Resultados de Administradores. RECURSO DO CONTRIBUINTE PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Fl. 1147DF CARF MF 6 Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 12 7 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Fl. 1149DF CARF MF 8 Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 13 9 remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III – LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. Fl. 1151DF CARF MF 10 § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de destas formalidades, analisando se a norma em análise seria ou não extensível aos administradores não empregados, eis que estes também são trabalhadores da empresa. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 14 11 IV – PAGAMENTO DE PLR A DIRETORES NÃO EMPREGADOS O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, RPS, no art. 201, § 5º, dispõe que somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude. Para melhor compreender a questão, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, explanada na parte inicial deste voto, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Ad argumentandum tantum, uma vez que vem sendo levantado pela Fazenda Nacional, reputo incabível arguir que o tratamento dado a sócios administradores de sociedades prestadoras de serviço não possam, como exposto no art. 201, § 5º do RPS, aplicarse a administradores nãoempregados de sociedades anônimas. Esta distinção não existe na legislação previdenciária. Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 – CASO DE APLICAÇÃO DA LEI ESPECIAL – LEI 6.404/76. Nesse sentido, entendo que para a hipótese de pagamento de PLR a trabalhadores sem vínculo de emprego, como é o caso discutido nos autos, o regramento a ser Fl. 1153DF CARF MF 12 aplicado será aquele que regula seu pagamento, ou seja, o parágrafo 1º do artigo 152, da Lei 6.404/76. Registro aqui que deixo de aplicar a Lei 10.101/2000, não por entender que ela não se aplica a diretores não empregados, pois a redação da lei se refere a trabalhadores, independentemente de seu vínculo de emprego. Contudo a Lei das S.A.s, é sem dúvida a norma mais específica a ser aplicada, portanto, enquadrada no conceito de “lei específica” apta a regular o pagamento de PLR a administradores, pois, estando tal rubrica desvinculada da remuneração e excluída do conceito legal de salário de contribuição, não se relaciona com rendimentos advindos do trabalho. Também importa notar o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao estabelecer que eventual distribuição de valores derivados do trabalho ou capital é atribuição da Assembléia Geral, nas regras internamente estabelecidas. A inaplicabilidade da Lei nº 10.101/00 ao caso, tendo em vista também a existência regramento mais específico, não implica a admissão, na base previdenciária, de valores completamente desvinculados do rendimento do trabalho. Importante fazer esta ressalva, o fato da Lei 10.101/00 não contemplar diretores não empregados, não afasta de modo algum a aplicação do disposto na lei 6.404/76. Entender diferente denota uma interpretação tendenciosa da norma legal e frustra os objetivos do legislador ordinário que ao criar a PLR pensava especificamente em possibilitar as empresas que se tornassem mais competitivas no mercado, por meio de incentivos previstos em Lei. É nítido que os rendimentos pagos a administradores não empregados, nos termos da Lei nº 6.404/76, diferentemente dos valores pagos a empregados, não possuem correlação necessária com o trabalho, não possuindo, portanto, a mesma natureza contraprestacional que o salário. Isso explica a necessidade de normatização própria da PLR, para empregados, qualificando e delimitando os valores desprovidos de natureza salarial, dentro de um quadro normativo detalhado. Para administradores, como a regra é diversa, a necessidade de legislação especifica perde o sentido, uma vez que a previsão na Lei das SA já era suficiente. Por fim, cumpre citar excerto do artigo recentemente publicado pelo professor Fábio Zambitte no Portal Jurídico Migalhas: "Não obstante o cenário negativo nas jurisprudências judicial e administrativa, tenho convicção que a cobrança da cota patronal previdenciária sobre os valores pagos a diretores nãoempregados não encontra suporte tanto na Constituição como na legislação vigente, externando incongruências irreconciliáveis com a própria regulamentação administrativa da matéria. O tema ainda sofre com as compreensões equivocadas sobre base tributável previdenciária, não raramente tentando igualar as dinâmicas impositivas do imposto de renda e da cota patronal previdenciária. Tal premissa, além de contrária a todos os preceitos normativos vigentes, ainda ignora o papel do sistema protetivo como substituidor de rendimentos habituais, responsáveis pela manutenção do segurado e sua família. A tentativa de alargamento forçado da base previdenciária, mais do que uma preocupação abstrata com a correta aplicação das regras legais e constitucionais de competência tributária, traduz uma arbitrariedade fiscal com foco exclusivo no aumento de receitas para um sistema atuarialmente desequilibrado. Sem embargo, insisto que, como reconhece a própria regulamentação administrativa, se um contribuinte individual, sócio administrador de sociedade limitada, pode receber valores derivados do capital – lucro – sem a conseqüente tributação e independente da submissão aos ditames da Lei nº 10.101/00, o mesmo valerá para qualquer contribuinte individual, o que inclui diretores não empregados de sociedades anônimas". Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 15 13 Por todo o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento, devendo ser reformado o acórdão recorrido, com objetivo e cancelar o auto de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR objeto do lançamento. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões aduzidas no voto da i. Relatora, dele divirjo pelas razões de fato e de direito que exponho a seguir. No presente caso, a matéria devolvida à apreciação deste Colegiado diz respeito, exclusivamente, à incidência de contribuições previdenciárias pagas a diretores não empregados. Entendeu o Colegiado recorrido que “os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição”. Irresignado, o Contribuinte argumenta que o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 exclui do conceito de remuneração a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, mas reconhece que a Lei nº 10.101/2000 disciplinou apenas o pagamento de participação nos lucros para empregados. Não obstante, persiste na tese de que, tendo o art. 152 da Lei nº 6.404/1976 estabelecido a hipótese de participação dos administradores nos lucros das companhias abertas, os pagamentos feitos com fulcro em referido dispositivo estariam excluídos do conceito de remuneração por força da alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei de Custeio, não se sujeitando à incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 1155DF CARF MF 14 As contribuições destinadas ao custeio da Previdência Social, incidentes sobre a folha de salários e dos demais rendimentos decorrentes do trabalho, encontram abrigo na alínea “a” do inciso I e no inciso II do art. 195 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] Apercebase que, como forma de resguardar a previdência pública, o legislador constituinte tratou de esclarecer que a incidência da contribuição alcança a folha de salários, além de todo e qualquer outro rendimento do trabalho, independentemente do nomen jures que lhe venha a ser atribuído. Na esteira do texto constitucional, os incisos I e III dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991 definiram as bases de cálculo das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (saláriodecontribuição) devida por empresas e trabalhadores, em relação a empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. [...] Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 16 15 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; [...] Convém mencionar que, nos termos do art. 12 da mesma lei, os diretores não empregados, assim como os membros de conselho de administração das companhias abertas, enquadramse na legislação previdenciária como contribuintes individuais: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: [...] f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; [...] Não restam dúvidas de que a própria Constituição da República elencou entre os direitos sociais dos trabalhadores a participação nos lucros ou resultados das empresas, porém, a desvinculação de referida parcela da remuneração está subordinada à observância dos requisitos estabelecidos em lei, conforme preceitua o inciso XI de seu art. 7º: Fl. 1157DF CARF MF 16 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (Grifouse) Em estrita consonância com o texto constitucional a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/1991 estabelece que a exclusão da parcela paga a título de PLR da composição do saláriodecontribuição está condicionada à submissão dessa verba à lei reguladora do dispositivo constitucional. Senão vejamos: Art. 28. [...] [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. [...] (Grifouse) A regulamentação reclamada pelo inciso XI de seu art. 7º da CF/1988 somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101/2000. Antes disso, tendo em vista a eficácia limitada da disposição constitucional, era perfeitamente cabível a tributação das parcelas pagas sob a denominação de participação nos lucros ou resultados pelas contribuições previdenciárias ou de terceiros. Ademais, foi exatamente nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento a respeito do tema. Confirase: RE393764 AgR /RSRIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. ELLEN GRA CIEJulgamento: 25/11/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Ementa DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 17 17 Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa Participação nos lucros. Art. 7º, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Consoante admite o próprio Recorrente, a Lei nº 10.101/2000 regula a Participação nos Lucros ou Resultados somente em relação aos segurados empregados, isto é, não se presta a excluir a incidência de contribuições previdenciárias de valores pagos à título de “participações nos lucros” a diretores não empregados. De outra parte, as decisões da Suprema Corte, acima transcritas, demonstram que o entendimento do STF é de que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994. Assim, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica”, contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, refirase à a Lei 6.404/1976, como intenta a Recorrente. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça também tem se posicionado no sentido de que: “A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo.” [STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012]. Sobre o tema, temse ainda a decisão tomada no RE 569441/RS, submetido à sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. Fl. 1159DF CARF MF 18 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. Além do que, nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) devem ser reproduzidas pelas Turmas deste Conselho. Por oportuno, compete ressaltar ainda que, por decorrerem do contrato estabelecido entre a Companhia e os diretores não empregados, os valores pagos sob a forma de distribuição de lucros a esses contribuintes individuais prestamse a retribuir o trabalho, enquadrandose perfeitamente no conceito de remuneração descrito no inciso III do art. 22 e do inciso III do 28 da Lei nº 8.212/1991. Além disso, cumpre esclarecer que o art. 7º da Constituição Federal referese exclusivamente a empregados que mantenham contrato formal com empresas, tanto assim que o inciso I do dispositivo constitucional estabelece como direito dos trabalhadores abrangidos em referido artigo “relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos”. Observese que tais garantias somente são aplicáveis àqueles trabalhadores ditos celetistas, não alcançando os contribuintes individuais. Quando objetivou estender, no todo ou em parte, os direitos referidos no art. 7º a outras categorias de trabalhadores, que não os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, o Constituinte o fez expressamente, como nos casos previstos no inciso XXXIV e no parágrafo único do dispositivo constitucional, em relação aos trabalhadores avulsos e aos empregados domésticos. Vejamos: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XXXIV igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. Assim não há que se falar que os direitos relacionados no art. 7º da Constituição, dentre eles a “participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração” (art. 7º, XI), são automaticamente extensíveis aos diretores não empregados (contribuintes individuais), como entende a ilustre Relatora, eis que inexiste previsão constitucional para tanto. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 9202007.774 CSRFT2 Fl. 18 19 Do mesmo modo, a única norma legal responsável por regular o benefício instituído pela Constituição (PLR desvinculada da remuneração) é a Lei nº 10.101/2000. Porém, como entendeu o próprio recorrente, essa norma não alcança os diretores não empregados. De se ressalta que não se está aqui contestando a hipótese de distribuição de lucros a administradores prevista na norma societária, mas tãosomente esclarecendo que a “lei específica” referida na alínea “j” do § 9° do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 é Lei nº 10.101/2000, voltada exclusivamente à PLR pagas a segurados empregados. A Lei nº 6.404/1976, repisese, não se presta a regulamentar o inciso IX do art. 7º da Constituição e, por essa razão, não estabelece hipótese de exclusão da parcela prevista no § 1º do seu art. 152, da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, como inexiste lei apta a isentar o pagamento da verba aqui referida da incidência das contribuições objeto do lançamento, não vejo como acolher a pretensão recursal. Conclusão Ante o exposto conheço do Recurso Especial e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926674/2016-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/09/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 74 /2 01 6- 53 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926674/201653 Acórdão n.º 3401006.397 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926674/201653 Acórdão n.º 3401006.397 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.726400/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO FUNDAMENTADO EM DACON E DIPJ. ALEGAÇÕES DE ERRO. ÔNUS DA PROVA.
Tendo sido o lançamento fundamentado nas próprias declarações prestadas pelo contribuinte, a sua desconstituição imprescinde da apresentação de provas pelo contribuinte, não se prestando para tanto meras alegações suportadas em simples planilhas e memórias de cálculo.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso.
Numero da decisão: 3201-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO FUNDAMENTADO EM DACON E DIPJ. ALEGAÇÕES DE ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tendo sido o lançamento fundamentado nas próprias declarações prestadas pelo contribuinte, a sua desconstituição imprescinde da apresentação de provas pelo contribuinte, não se prestando para tanto meras alegações suportadas em simples planilhas e memórias de cálculo. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 64 00 /2 01 4- 72 Fl. 14394DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0834.378, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que assim relatou o feito: Tratase de impugnação a lançamentos tributários da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), com fatos tributários mensais ocorridos no ano de 2010, apuradas no regime cumulativo, totalizando o crédito tributário de R$ 13.963.622,57, já acrescido da multa agravada (112,5%) e dos juros moratórios (fls 4302/4312). 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 4314/4340), o contribuinte incorreu na infração de omissão de receitas submetidas à incidência das contribuições, ao deixar de oferecer à tributação no Dacon receitas de prestação de serviços de telecomunicações, seja por declarálas isentas, seja por não declarálas, conforme planilha demonstrativa de fl 4339 (art. 8º, VIII, da Lei nº 10.637, de 2002; art. 10, VIII, da Lei nº 10.833, de 2003). A infração foi apurada por meio do exame da escrituração contábil, Dacon, DIPJ, memória de cálculo e explicações dadas pelo contribuinte em resposta às intimações fiscais. 3. A multa de ofício foi agravada porque o contribuinte intencionalmente obstruíra os trabalhos do Fisco, na medida em que, por quase um ano, não se desincumbira das intimações fiscais, tendo sido, inclusive, lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização. 4. Cientificado pessoalmente da pretensão fiscal em 1º.10.2014, o contribuinte apresentou impugnatória em 29.10.2014 (fls 1519/1527), instruída com documentos (Dacon e memórias de cálculo), na qual se insurge contra o lançamento tributário, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: (i) Em preliminar de nulidade, o auto de infração não descreve claramente a infração cometida, na medida em que o contribuinte é acusado de não incluir determinadas receitas na base de cálculo das contribuições que foram, ao contrário, reconhecidas no Termo de Verificação Fiscal como tendo sido informadas no Dacon; a fiscalização também não logrou comprovar qualquer imprecisão ou incorreção das informações prestadas no Dacon, tributandose, assim, por presunção; (ii) No mérito, uma parte das receitas computadas pela fiscalização referese à recuperação de créditos baixados como Fl. 14395DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Acórdão n.º 3201005.431 S3C2T1 Fl. 14.395 3 perda (art. 3º, §2º, II, da Lei nº 9.718/98), motivo pelo qual não podem compor a base de cálculo das contribuições, tendo sido, por isso, declaradas isentas; a outra parte das receitas, tidas pela autoridade fiscal como omissas, foi devidamente informada no Dacon, centrandose a discussão apenas no campo da declaração em que prestada; (iii) A aplicação da multa agravada apenas se justifica se o contribuinte deliberadamente se nega a responder às intimações apresentadas pelas autoridades fiscais, o que não ocorreu in casu; o contribuinte sempre apresentou resposta a todas as intimações recebidas; se os esclarecimentos/informações prestados foram julgados insuficientes pelas autoridades fiscais, isso não significa que houve embaraço à fiscalização; (iv) Devem ser excluídos os juros Selic incidentes sobre a multa de ofício, uma vez que esta é penalidade e não tem natureza tributária. 5. É o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 14396DF CARF MF 4 No AgRg no REsp 1.335.688PR, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento das duas turmas que lhe compõem, no sentido de que “é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, referenciando os seguintes precedentes: REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14.09.2009; e REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 02.06.2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÃO. Não integra a base de cálculo da contribuição a receita decorrente da recuperação de créditos anteriormente baixados como perda, que não represente o ingresso de novas receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÃO. Não integra a base de cálculo da contribuição a receita decorrente da recuperação de créditos anteriormente baixados como perda, que não represente o ingresso de novas receitas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de defesa apresentados no que refere à parcela do crédito tributário mantida. Os autos foram remetidos à este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Em primeiro exame do feito, esta Turma Julgadora deliberou pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Pelo exposto, considerando a prerrogativa legalmente concedida à esta julgadora, para que possa firmar meu convencimento entendo necessária a manifestação expressa da Autoridade Preparadora acerca dos documentos apresentados pela Contribuinte, sendo estes os quesitos a serem respondidos exclusivamente com base ns documentos juntados em sede de Impugnação: 1) No que se refere à receita auferida a tíulo de MULTAS / OUTROS RECEB. SOBRE CONTAS TELEFÔNICAS, no valor de R$8.174.726,78, referente ao PA maio/2010, que informe se estes compõem a conta contábil 419.53.000, como alega nos itens 11, 12, 20 a 24 do Recurso Voluntário (Item IV.1 da Impugnação) Fl. 14397DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Acórdão n.º 3201005.431 S3C2T1 Fl. 14.396 5 2) No que se refere às Contas Contábeis 411.91.500 e 411.92.200, se as receitas ali contabilizadas compuseram a base de cálculo indicada na Conta Contábil 411.90.000, conforme itens 13, 14 e 26 do Recurso Voluntário (Item IV.1 da Impugnação) Em resposta, a Autoridade preparadora apresentou a Informação Fiscal de fls. 14.052, informando que, do exame solicitado, concluise pela manutenção do lançamento. A Recorrente apresentou manifestação de fls. 14.078 e seguintes aduzindo que restou comprovado que os valores sobre os quais a Autoridade Fiscal lançou o PIS e a Cofins foram devidamente tributados. Os autos, então, retornaram para julgamento. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme já consignado em assentada anterior, quando se concluiu pela conversão do feito em diligência, na hipótese dos autos observase que não existe, em sede de Recurso Voluntário, qualquer discussão de direito relativa à natureza das receitas tributadas. Toda a discussão diz respeito à análise da apuração do contribuinte, com base nos dados informados em DACONs e documentos contábeis do contribuinte. Alega a Recorrente que a DRJ não efetuou a análise da robusta documentação apresentada em sede de Impugnação e que comprovariam a correção na apuração da contribuinte. Em sede de preliminar, a Contribuinte aduz: Fl. 14398DF CARF MF 6 Nesse sentido, manifestouse a DRJ: 9. De outra parte, a fiscalização verificou que a receita auferida de multas sobre fornecedores no mês de maio de 2010 (conta contábil nº 11953000 MULTAS/OUTROS RECEB. SOBRE CONTAS TELEFO), no valor de R$ 8.174.726,78, que o contribuinte inicialmente supunha haver declarado na linha 4 das Fichas 07B e 17B do Dacon – “Receita de Vendas de Bens e Serviços Alíquota de 0,65%” –, não foi também informada na linha 5 da mesma ficha – “Demais Receitas Alíquota de 0,65%”. 10. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) descreve o passo a passo que levou a autoridade fiscal a tributar a referida quantia: Fl. 14399DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Acórdão n.º 3201005.431 S3C2T1 Fl. 14.397 7 Com a devida vênia às razões expostas pela Contribuinte, ao examinar as DACONs citadas, de fato, não identifico os valores que, segundo alega, constariam nas DACONs, ainda que em campo equivocado. Lado outro, verifico que os dados lançados informados pela DRJ correspondem àqueles constantes das DACONs. Fl. 14400DF CARF MF 8 Percebese, em verdade, que a Contribuinte está a se referir às suas memórias de cálculo apresentadas juntamente com sua impugnação e que, segundo afirma, não foram analisadas pela DRJ. Por vislumbrar, em primeiro momento, que o acórdão proferido pela DRJ, teria se limitado a validar as conclusões obtidas pela Fiscalização, sem se manifestar acerca dos documentos apresentados pela Impugnação, o feito foi convertido em diligência exatamente para que fossem examinados os documentos referidos. Observo que, na diligência solicitada, esta Relatora não efetuou qualquer juízo de valor acerca dos documentos, mas apenas afirmou que o grande volume dos documentos e a sua natureza contábil, demandavam análise de competência do agente fiscal. E que, diante da reafirmação por parte do contribuinte no sentido de que os documentos anexados eram exatamente aqueles apontados pela Autoridade Julgadora como imprescindíveis para o exame do direito postulado, se fazia necessário o esclarecimento fiscal. É o que se denota dos próprios quesitos formulados: Não obstante aos exposto, é preciso considerar que a análise realizada nos autos engloba grande volume de documentos, documentos contábeis e memórias de cálculo produzidas tanto pela Fiscalização, quanto pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, assevero que não compete à este órgão julgados o reexame minucioso dos documentos apresentados, sendo este de competência exclusiva da autoridade preparadora. Pelo exposto, considerando a prerrogativa legalmente concedida à esta julgadora, para que possa firmar meu convencimento entendo necessária a manifestação expressa da Autoridade Preparadora acerca dos documentos apresentados pela Contribuinte, sendo estes os quesitos a serem respondidos exclusivamente com base ns documentos juntados em sede de Impugnação: 1) No que se refere à receita auferida a tíulo de MULTAS / OUTROS RECEB. SOBRE CONTAS TELEFÔNICAS, no valor de R$8.174.726,78, referente ao PA maio/2010, que informe se estes compõem a conta contábil 419.53.000, como alega nos itens 11, 12, 20 a 24 do Recurso Voluntário (Item IV.1 da Impugnação) 2) No que se refere às Contas Contábeis 411.91.500 e 411.92.200, se as receitas ali contabilizadas compuseram a base de cálculo indicada na Conta Contábil 411.90.000, conforme itens 13, 14 e 26 do Recurso Voluntário (Item IV.1 da Impugnação) Consoante Relatório Fiscal, resta claro que, de fato, a Recorrente não apresentou aos autos documentos contábeis capazes de infirmar as próprias informações lançadas em DACON, limitandose a apresentar planilhas com memórias de cálculo: 9) No entanto a empresa se resumiu a apresentar uma planilha alegando que o valor de R$ 8.174.726,78 consta da base de cálculo do imposto sem apresentar nenhum documento comprobatório que comprove suas alegações. Tampouco apresenta documentos que contradigam os argumentos da fiscalização discorridos no auto de infração nem mesmo os documentos juntados pelo auditor fiscal e aqueles apresentados pela própria empresa durante o procedimento fiscal. Fl. 14401DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Acórdão n.º 3201005.431 S3C2T1 Fl. 14.398 9 10) Dessa forma, mantemos o valor de R$ 8.174.726,78 como importância não oferecida a tributação de PIS e COFINS, pois não comprovou que o valor compõe a base de cálculo da DACON e não afastaram os elementos trazidos no auto de infração. 16)No entanto a empresa se resumiu a apresentar uma planilha alegando que nelas constavam os valores de base de cálculo do imposto. No entanto, o valor da conta 411.91.500 Redisposição da Planta de R$ 2.238.041,27 e o valor de R$ 47.441,13 da conta contábil 411.92.200 Venda de Cadastro Lista Telefônica não constam da referida planilha e a empresa também não apresenta qualquer documento comprobatório que comprove suas alegações. Tampouco apresenta documentos que contradigam os argumentos da fiscalização discorridos no auto de infração nem mesmo os documentos juntados pelo auditor fiscal e aqueles apresentados pela própria empresa durante o procedimento fiscal. 17) Dessa forma, mantemos os valores de R$ 2.238.041,27 e R$ 47.441,13 como importância não oferecida a tributação de PIS e COFINS, pois não comprovou que estes valores compuseram a base de cálculo da DACON e não afastaram os elementos trazidos no auto de infração. A Recorrente, em sua manifestação ao Relatório, não refuta as afirmações fiscais de que não foram apresentados quaisquer documentos contábeis, além das próprias memórias de cálculo, mas insiste que o direito postulado está amparado em tais documentos. Diante do exposto, tenho que não merece acolhida a pretensão recursal. O lançamento tributário em exame se pautou nas próprias declarações fiscais do contribuinte (DACON). Ainda que admita ser plenamente possível, em sede de procedimento contencioso administrativo, a revisão das declarações prestadas, esta deve estar pautada em documentos contábeis, tais como livros de apuração, notas fiscais, contratos, dentre outros. Meras memórias de cálculo configuram documento unilateral, que sequer detêm a presunção de validade atribuída aos registros contábeis do contribuinte. Assim, não merece reforma a decisão recorrida que negou o direito do contribuinte por ausência de documentação válida e eficaz apta a infirmar as próprias declarações prestadas pelo contribuinte em DACON. Quanto ao pleito de nulidade, reforço entendimento já externado quando da resolução, quando afirmei que não é nulo o acórdão recorrido por supostamente não ter examinado a totalidade dos documentos acostados aos autos pela Recorrente. A decisão não está obrigada a se manifestar acerca de todos os argumentos e documentos apresentados, mas apenas sobre aqueles que entenda necessários à formação de seu convencimento. Ademais, a diligência realizada confirma que não ocorreu a omissão acerca de tais documentos, mas, sim, que foi firmado o convencimento de que os documentos apresentados não eram hábeis para a comprovação do direito postulado. Por fim, ainda no que se refere ao Recurso Voluntário, o Recorrente se insurge quanto à cobrança de juros SELIC sobre a parcela lançada a título de multa. Fl. 14402DF CARF MF 10 Nos termos do art. 45, VI e art. 62 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, é obrigatória a aplicação de enunciado de súmula aprovado por este órgão. Aplicável, portanto, à irresignação do contribuinte, o enunciado da Súmula CARF nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conformePortaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Pelo exposto, há que se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por fim, há que se examinar Recurso de Ofício interposto nos autos Como relatado, a decisão de primeira instância excluiu o agravamento da multa de ofício, sob os seguintes fundamentos: 44. De acordo com a descrição dos fatos, a aplicação da multa agravada se deu porque o contribuinte intencionalmente obstruíra os trabalhos da fiscalização, na medida em que, por quase um ano, não se desincumbira das intimações fiscais (art. 44, §2º, I, da Lei nº 9430, de 19963). Assinala o autuante que, após lavratura de vários termos, diversas conversas telefônicas e trocas de email com o contribuinte através das procuradoras Ana Carolina Rodrigues e Nadja Camandaroba Silva, os documentos apresentados não foram suficientes para atender ao requerido nas intimações, tendo sido, inclusive, lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização. Por fim, a autoridade fiscal relaciona os esclarecimentos e documentos não apresentados. 45. Por outro lado, o impugnante afirma que sempre apresentou resposta a todas as intimações recebidas. Se os esclarecimentos/informações prestados foram considerados insuficientes pelas autoridades fiscais, isso não significa que houve embaraço à fiscalização. Ademais, o agravamento da multa só se justifica se o contribuinte deliberadamente se nega a responder as intimações apresentadas pelas autoridades fiscais, o que não ocorreu in casu. 46. Pois bem. 47. A jurisprudência administrativa tem sufragado o entendimento segundo o qual será cabível o agravamento da multa quando o não atendimento das intimações no prazo fixado se der com a intenção de criar embaraço ao bom andamento da fiscalização, prejudicando a apuração da matéria tributável. Nesse sentido, em recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Fl. 14403DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Acórdão n.º 3201005.431 S3C2T1 Fl. 14.399 11 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. (Acórdão nº 9101002.066; CSRF/1ª Turma; Rel. Cons. Valmar Fonseca de Menezes; sessão de 1º.11.2014) 48. A fim de solucionar a questão fática, trazse a colação o passo a passo da fiscalização na interação com o contribuinte: 49. Recolhidos esses elementos, cumpre inicialmente observar que os esclarecimentos e documentos foram prestados parcialmente e alguns deles, fora do prazo de intimação (20 dias), como sucedeu, p.ex., em relação às solicitações dos Termos de Intimação Fiscal nº 1 e 7. Os prestados em parte foram considerados insuficientes para justificar a não inclusão de certas receitas na base de cálculo das contribuições. Fl. 14404DF CARF MF 12 50. Sucede, todavia, que não restou comprovada a intenção do contribuinte em obstruir e prejudicar a fiscalização. 51. Com efeito, o contribuinte buscou atender à fiscalização na primeira intimação ou em intimações subseqüentes, ainda que de forma parcial e insatisfatória para a autoridade fiscal, o que afasta a intenção de criar empeços ao bom andamento da fiscalização. 52. Se os esclarecimentos e documentos foram insuficientes ou insastifatórios para justificar a não inclusão de determinadas receitas na base de cálculo das contribuições, a conduta do contribuinte autorizou a autoridade fiscal a tributálas, não se gerando prejuízo à fiscalização ou à apuração da matéria tributável. Com efeito, a fundamentação apresentada pela DRJ e precisa e objetiva. Por concordar integralmente com esta, faço parte integrante da presente decisão. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO aos Recurso Voluntário e Recurso de Ofício. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 14405DF CARF MF
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