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Numero do processo: 10865.000394/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem,
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO CO-TITULAR. NECESSIDADE.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
Numero da decisão: 2401-004.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos aos depósitos em conta conjunta.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem, IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO CO-TITULAR. NECESSIDADE. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem, IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO COTITULAR. NECESSIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 03 94 /2 00 6- 83 Fl. 268DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos aos depósitos em conta conjunta. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.000394/200683 Acórdão n.º 2401004.623 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório IRINEU MENEGHEL (ESPÓLIO), contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1727.309/2008, às fls. 219/233, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos não comprovados as origens, em relação ao ano calendário 2000, conforme Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração, às efls. 03/14, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 22/02/2006, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 241/259, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo não haver dúvidas de que o trabalho fiscal foi desenvolvido com mera intenção arrecadatória, sem privilegiar a busca da verdade material, requerendo assim a improcedência do feito. Insurgise contra a exigência de comprovação dos depósitos bancários com identidade de datas e valores transborda o princípio da legalidade e traz grande risco de valores não representativos de receitas ganharem status de rendas tributáveis. No caso dos autos, a autoridade considerou toda a movimentação como rendimentos omitidos, sem demonstração de sinais exteriores de riqueza ou que os valores movimentados tenham sido utilizados em prol do fiscalizado ou de sua família, o que macula de nulidade o lançamento. Pugna pelo reconhecimento da decadência do crédito tributário, pois o prazo para lançamento findouse em 31/12/2005, sendo o contribuinte devidamente notificado em 07/03/2006, ou seja, após decorrido o prazo de decadência. Explicita que a Lei Federal n° 9.430/96 é instrumento normativo de caráter ordinário, não podendo estabelecer critérios para o lançamento tributário de obrigações, portanto, não podendo afastar o dever da Autoridade Administrativa de verificar a ocorrência fato gerador da obrigação tributária correspondente. Fl. 270DF CARF MF 4 Entrementes, a presunção legal traçada no Artigo 42 da Lei Federal n° 9.430/96 não possibilita que a Autoridade Administrativa promova o lançamento sem verificar quais as espécies de receitas, rendimentos ou origem dos recursos depositados em conta corrente do Recorrente. Afirma ser a existência de indícios de enriquecimento condição necessária para aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, sob pena de se transformar mera movimentação financeiro, sem acréscimo ou benefício patrimonial, em renda tributável. Defendendo seu pleito, colaciona diversas jurisprudências administrativas e judiciais, além de ensinamentos doutrinários. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Regular processamento do feito, o processo foi pautado para julgamento no dia 20 de setembro de 2012 pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Giovanni Christian Nunes Campos, integrante da 2° Turma da 1° Câmara, onde o Colegiado decidiu por transformar o julgamento em diligência para sobrestar o julgamento nos termos da Resolução n° 2102 000.091, assim dispõe: "(...) Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. Como os extratos bancários do espólio foram obtidos via Requisições de Movimentações Financeiras RMFs (fls. 56 a 59), forçoso reconhecer que houve transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, amoldandose às considerações acima feitas. Com fundamento no art. 17, caput e inciso VII, do anexo II, do RICARF, c/c o art. 2º, § 1º, II, “a”, da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso, devendo o feito ser transferido para a atividade SOBRESTAR PROCESSO do eprocesso, aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal no tema referido acima.." Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoría e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10865.000394/200683 Acórdão n.º 2401004.623 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da não comprovação dos depósitos bancários pelo contribuinte. Antes mesmo de adentramos na discussão de mérito, mister se faz ressaltar um ponto importantíssimo para demanda, como se colhe dos documentos integrantes do processo, o lançamento foi realizado em face do espólio de Irineu Meneghel, falecido em 01/09/1999, conforme certidão de obíto às fls. 31. O período fiscalizado corresponde ao ano calendário 2000/exercício 2001, ou seja, posterior ao obíto do Sr. Irineu Meneghel. Isto posto, passaremos a analisar os argumentos do recorrente. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, pugna pelo reconhecimento da decadência do crédito tributário, pois o prazo para lançamento findouse em 31/12/2005, sendo o contribuinte devidamente notificado em 07/03/2006, ou seja, após decorrido o prazo de decadência. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é cediço que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo tratandose de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e caracterizada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Ultrapassada e firmada a questão do fato gerador complexivo do imposto de renda pessoa física, a querela não se esgotou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Fl. 272DF CARF MF 6 Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10865.000394/200683 Acórdão n.º 2401004.623 S2C4T1 Fl. 5 7 Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 274DF CARF MF 8 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucidações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela inexistência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 2000. Na esteira dessas considerações, não vislumbrando a ocorrência de recolhimentos antecipação de pagamento, fato relevante para aplicação do instituto da Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10865.000394/200683 Acórdão n.º 2401004.623 S2C4T1 Fl. 6 9 decadência nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I do CTN, afastando a decadência pleiteada pelo contribuinte. MÉRITO Quanto ao mérito, insurgise contra a exigência de comprovação dos depósitos bancários com identidade de datas e valores transborda o princípio da legalidade e traz grande risco de valores não representativos de receitas ganharem status de rendas tributáveis. No caso dos autos, a autoridade considerou toda a movimentação como rendimentos omitidos, sem demonstração de sinais exteriores de riqueza ou que os valores movimentados tenham sido utilizados em prol do fiscalizado ou de sua família, o que macula de nulidade o lançamento. Explicita que a Lei Federal n° 9.430/96 é instrumento normativo de caráter ordinário, não podendo estabelecer critérios para o lançamento tributário de obrigações, portanto, não podendo afastar o dever da Autoridade Administrativa de verificar a ocorrência fato gerador da obrigação tributária correspondente. Entrementes, a presunção legal traçada no Artigo 42 da Lei Federal n° 9.430/96 não possibilita que a Autoridade Administrativa promova o lançamento sem verificar quais as espécies de receitas, rendimentos ou origem dos recursos depositados em conta corrente do Recorrente. Afirma ser a existência de indícios de enriquecimento condição necessária para aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, sob pena de se transformar mera movimentação financeiro, sem acréscimo ou benefício patrimonial, em renda tributável. Mais uma vez em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável (no tocante aos argumentos do contribuinte), devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: "Art. 42, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 276DF CARF MF 10 § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002)." O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10865.000394/200683 Acórdão n.º 2401004.623 S2C4T1 Fl. 7 11 fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, existe a Súmula CARF n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Como a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, os procedimentos estabelecidos em lei para que a presunção possa ser validamente aplicada Fl. 278DF CARF MF 12 deve ser rigorosamente observada pela fiscalização, por ser matéria de ordem pública que objetivam o controle da legalidade do lançamento. Do exame das peças processuais, verificase pelo próprio Termo de Verificação de Infração às fls. 09/13 não deixam qualquer dúvida quanto a cotitularidade da conta bancária mantida no Banco BBV (atual Bradesco) movimentada conjuntamente com o Sr. Antonio Meneghel, conforme transcrição a seguir: "O Sr. MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA afirmou insistentemente a inexistência das contas bancárias mantidas em nome do Sr. IRINEU MENEGHEL, e também alegou a impossibilidade de informar o nome do segundo titular daquelas contas, umas vez que elas eram do tipo "individual". Entretanto, os extratos fornecidos pela instituição financeiras contradizem tais afirmações. Saliento que umas das referidas contas bancárias mantidas no BANCO BBV (hoje BRADESCO) foi movimentada conjuntamente com o Sr. ANTONIO MENEGHEL." Conforme trecho encimado e documentos acostados dos autos, verificase que autoridade fiscal, apesar de ter conhecimento deste fato, deixou de intimar o outro titular. O § 6° da Lei n° 9,430, de 1996, determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. É claro que tal divisão deve ser precedida da intimação de todos os titulares da conta bancária, pois a relação tributária obrigacional não pode ser dirigida contra quem não foi previamente intimado para comprovar a origem dos depósitos. O comando da lei tributária é específico para a presunção em comento. Se não houve a intimação prévia de todos os titulares, conforme determina o caput do referido artigo, também não poderá haver a divisão determinada no § 6°, sendo inválida a exigência relacionada à conta cotitulada sem a comprovação da intimação destes. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142 do Código tributário Nacional. A falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, exige para que a presunção possa ser validamente aplicada. Este entendimento já é pacífico no âmbito deste Conselho, nos termos de diversos Acórdãos. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula Vinculante n° 29, que assim dispõe: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10865.000394/200683 Acórdão n.º 2401004.623 S2C4T1 Fl. 8 13 Em face ao exposto, devemse ser excluídos da tributação (improcedentes) os créditos bancários relacionados à conta cotitulada mantida no BBV (atual Bradesco), conforme Termo de Verificação de Infração. Em relação aos depósitos efetuados na conta bancária individual não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem de cada depósito bancário. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para julgar improcedente o crédito tributário decorrentes dos depósitos em conta cotitulada, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900937/2009-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/10/2005
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/10/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 37 /2 00 9- 32 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 3 2 Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.890, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em síntese, o colegiado a quo entendeu que o preço predeterminado constante de contrato não perde sua natureza pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária com base no IGPM. Insatisfeita com a decisão acima apontada a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: · Pela própria definição e composição do IGPM, fica evidente que não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”; · O reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei 9.069/95, cabendo ao sujeito passivo trazer laudo técnico que demonstrasse os custos que ela tem, os insumos utilizados, bem como memoriais de reajustes dos preços desses bens; · Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a consequência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.452, de Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 4 3 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10730.900910/200940, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.452), quanto à admissibilidade do recurso e quanto o mérito. Voto Vencido Deixase de transcrever a íntegra do voto vencido apresentado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, por ter sido apresentado no Acórdão 9303004.452 (processo paradigma). Transcrevese, tãosomente, a parte relativa à admissibilidade do recurso, que foi acatada pelo Colegiado por unanimidade, e, no mérito, fragmentos do voto vencido, que resumem o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram por negar provimento ao recurso da Fazenda: "O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 509 511 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época, eis que o confronto das decisões comprova a divergência. O acórdão recorrido decidiu que a correção dos valores de contratos pelo IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, do que resultou manter a contribuinte no regime cumulativo das contribuições. E os arestos indicados se direcionam em sentido contrário. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado, nos termos do inciso art. 27, § 1º, inciso II, da Lei 9.069/95, pois, conforme alega a Fazenda Nacional, caso não reflita a variação dos custos e insumos, o sujeito passivo deveria observar a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não restará mais caracterizado o preço predeterminado. (...) Ademais, cabe trazer ainda que o sujeito passivo apresentou Ofício 1431/2006 – SFF/Aneel – afirmando que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesse processo “visam exatamente refletir as variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 5 4 gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado." Quanto ao voto vencedor transcrevese sua íntegra, pois traz o entendimento que prevaleceu no Acórdão 9303004.452 (paradigma), e que deve ser adotado na solução deste litígio: Voto Vencedor "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui redator do voto vencedor do Acórdão de número 3301 002.196, de 25/02/2014, processo nº 16349.720019/201136, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplica se a apuração nãocumulativa da Cofins. (...) Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016. Eis a ementa do Acórdão nº 9303003.470, por meio do qual se reformou referida decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 6 5 Apesar dessa decisão ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 7 6 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Porém, ao contrário daquele, no presente processo, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 8 7 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matérias primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 9 8 custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Em resumo, o Acórdão recorrido bem como o voto da ilustre relatora, fundamentamse no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM. Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido bem como no voto da ilustre relatora, afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 10 9 A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 11 10 O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 9303004.463 CSRFT3 Fl. 12 11 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912291/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.959
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912291/201211 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.959 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 29 1/ 20 12 -1 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912291/201211 Resolução nº 3402000.959 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912291/201211 Resolução nº 3402000.959 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912291/201211 Resolução nº 3402000.959 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000268/2003-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1201-001.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique encaminharam pela realização de diligência, proposta que não foi acolhida pelos demais membros do Colegiado. O Conselheiro Luis Henrique apresentará declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique encaminharam pela realização de diligência, proposta que não foi acolhida pelos demais membros do Colegiado. O Conselheiro Luis Henrique apresentará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 02 68 /2 00 3- 77 Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP fls. 01 e 02), por meio da qual o contribuinte pretende utilizar o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente aos anoscalendário de 1998 a 2001, no valor de R$ 298.199,52, para compensar débitos diversos, no valor de R$ 139.586,04. A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) exarou o Parecer Conclusivo n° 025/2008, por meio do qual indeferiu o pleito de empresa, (fls. 213 a 221), nos termos abaixo reproduzidos: Exercício de 1999. AnoCalendário de 1998. Conforme os extratos da DIPJ de fls. 16/47, constam valores a pagar, como estimativas, da CSLL nos meses de Janeiro a Outubro, num total de R$ 102.768,90. Na apuração anual da CSLL foi declarado o valor de R$ 100.576,90 como pago. Verificando os pagamentos no Código 2484 por DARFs no período constatamos que totalizaram R$ 826,90. O saldo final da CSLL a Pagar declarado foi de (R$ 82.106,51), cf. fls. 47. Nos recolhimentos da CSLL por estimativas ao longo de 1998 verificamos que foi utilizado o saldo negativo de 31.12.1997 inicialmente no valor de R$ 102.896,84. Após as compensações feitas, devidamente corrigidas, cf. fls. 202, ele se esgotou em 30.12.1998. Dessa forma, a partir do período de apuração de Novembro/1998 não havia suficiência de saldo para pagamento dos débitos da CSLL, Código 2484. Para o período de apuração de Nov/98 há um saldo de débito remanescente, após a utilização do saldo negativo anterior da CSLL, de R$ 23.688,82. Em Dezembro de R$ 33.119,69, totalizando em 1998 o valor de R$ 56.808,51 de débitos não pagos. Em resumo, o valor de R$ 100.576,90 ("CSLL Mensal Paga por Estimativa"), Ficha 30 da DIPJ, fls. 46, deve ser corrigido para R$ 15.318,39, após as exclusões dos pagamentos com base em ação judicial não transitada em julgado num total de R$ 28.450,00 e por, conseqüência, o saldo final de "CSLL a Pagar", declarado negativo, tornase positivo de R$ 3.152,00. Assim, nesse período inexiste saldo negativo a ser reconhecido. Exercício de 2000. AnoCalendário de 1999. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 4 3 A contribuinte foi autuada no IRPJ no ano de 1999, cf. fls. 169. A lavratura de Auto de Infração é, por si só, fator impeditivo de apreciação de restituição/compensação no período, eis que ele foi instrumento de alteração na apuração da sua Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a Pagar, de forma e efeitos não esclarecidos nos autos, o que inviabiliza a sua pretensão no sentido de compensação. Exercício de 2001. AnoCalendário de 2000. Conforme os extratos da DIPJ de fls. 81/114, constam valores a pagar, como estimativas, da CSLL nos meses de Janeiro a Dezembro, num total de R$ 340.087,06. Na apuração anual da CSLL foi declarado o valor de R$ 56.026,38 como pago. Verificando os pagamentos no Código 2484 no período constatamos que totalizaram R$ 193,19, cf. fls. 160/162. O saldo final da "CSLL a Pagar" foi de (R$ 33.558,34), cf. fls. 114. As DCTFs foram apresentadas sem débito no ano de 2000, prejudicando a análise de outros tipos possíveis de pagamentos além dos DARFs acima citados. Portanto, o valor de R$ 56.026,38 ("CSLL Mensal Paga por Estimativa"), Ficha 17 da DIPJ, fls. 114, deve ser corrigido para R$ 193,19, e por, consequência, o saldo final de "CSLL a Pagar", declarado negativo no valor de R$ 33.558,34, tornase positivo de R$ 22.274,85. Assim, nesse período também inexiste saldo negativo a ser reconhecido. Exercício de 2002. AnoCalendário de 2001. De acordo com os extratos da DIPJ de fls. 115/141, constam valores a pagar, como estimativas, da CSLL nos meses de Janeiro, Junho, Agosto, Setembro e Outubro, num total de R$ 64.434,10. Na apuração anual da CSLL foi declarado o valor de R$ 64.434,10 como pago por estimativas. Verificando os pagamentos no Código 2484 no período constatamos que inexistiram, cf. fls. 162. O saldo final da "CSLL a Pagar" foi de (R$ 48.721,28), cf. fls. 141. Toda as DCTFs foram apresentadas sem débito no ano de 2001, prejudicando a análise de outros tipos possíveis de pagamentos. Portanto, o valor de R$ 64.434,10 ("CSLL Mensal Paga por Estimativa"), Ficha 17 da DIPJ, fls. 140, deve ser corrigido para "0" e por, consequência, o saldo final de "CSLL a Pagar", declarado negativo no valor de R$ 48.721,28, tornase positivo de R$ 15.712,82. Dessa maneira, nesse período igualmente inexiste saldo negativo a ser reconhecido. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 5 4 Diante de todo o exposto, proponho NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de R$ 139.586,04 (cento e trinta e nove mil quinhentos e oitenta e seis reais e quatro centavos), relativamente aos saldos negativos da CSLL apurados nos Exercícios de 1999, 2000, 2001 e 2002, AnosCalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, respectivamente, de um total pleiteado de R$ 298.199,52. E, em consequência, proponho NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO cf. a DCOMP de fls. 01, datada de 31.01.2003. O interessado foi cientificado da decisão em 29/01/2008 (fl. 219) e apresentou sua manifestação de inconformidade em 27/02/2008 (fls. 225 a 233), ratificando os cálculos já apresentados. Requer, em apertada síntese, o reconhecimento do direito creditório pleiteado inicialmente e o deferimento das compensações requeridas. Explicitando um pouco mais sua impugnação, podese asseverar que, em relação ao saldo negativo anocalendário de 1998, o interessado garante que recolheu estimativas por meio de DARF no valor de R$ 826,90, que efetuou compensação com crédito oriundo de ação judicial, no montante de R$ 28.450,00, e com crédito oriundo de saldo negativo apurado no anocalendário de 1997, no valor de R$ 71.300,00. Considerando o valor de CSLL devida e as estimativas recolhidas apura o saldo negativo a restituir de R$ 82.106,51. Em relação ao saldo negativo anocalendário de 1999, o interessado garante que recolheu estimativas por meio de DARF no valor de R$ 246,07, que efetuou compensação com crédito oriundo de ação judicial, no montante de R$ 123.137,95, e com crédito oriundo de saldo negativo apurado em períodos anteriores, no valor de R$ 67.000,00. Considerando o valor de CSLL devida e as estimativas recolhidas apura o saldo negativo a restituir de R$ 133.813,39. Em relação ao saldo negativo anocalendário de 2000, o interessado garante que recolheu estimativas por meio de DARF no valor de R$ 193,19, e que efetuou compensação com crédito oriundo de saldo negativo apurado em anos anteriores, no valor de R$ 55.833,19. Considerando o valor de CSLL devida e as estimativas recolhidas apura o saldo negativo a restituir de R$ 33.558,34. Em relação ao saldo negativo anocalendário de 2001, o interessado garante que efetuou compensação com crédito oriundo de saldo negativo apurado em anos anteriores, no valor de R$ 64.434,10. Considerando o valor de CSLL devida e as estimativas recolhidas apura o saldo negativo a restituir de R$ 48.721,28. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 6 5 Em sessão de 04 de março de 2009 a 7a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, indeferiu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações do contribuinte. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, acrescidos à tese de que instruiu a Manifestação de Conformidade com os documentos necessários para a comprovação do direito creditório. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. No Recurso Voluntário, aduz a interessada ter apresentado todas as provas necessárias para a comprovação do crédito e que o indeferimento do pleito pela DRJ decorreu porque aquela instância de julgamento não teria atentado para os documentos colacionados aos autos. Contudo, percebese que a decisão de piso, assim como o parecer conclusivo que indeferiu originalmente a compensação, analisou detalhadamente os documentos e as informações trazidos pela interessada, mencionandoos individualmente, como se depreende da decisão de fls. 392 e seguintes. Sobre os saldos alegados pela ora Recorrente, assim se manifestou aquela instância de julgamento: Em primeiro lugar, compete destacar o equívoco cometido pelo interessado ao formular seus pedidos de restituição e de compensação. Afinal, o saldo negativo apurado pelo interessado no anocalendário de 1998, no montante de R$ 82.106,51, foi utilizado, pelo menos parcialmente, de acordo com a manifestação de inconformidade apresentada, para compensar as estimativas referentes ao anocalendário de 1999 (fl. 287). Portanto, parece claro que se o interessado utilizou o saldo negativo apurado no anocalendário de 1998 para compensar estimativas apuradas em anoscalendário posteriores não pode agora pedir restituição dessa mesma quantia (fl. 286). Observase, inclusive, que o saldo negativo apurado no ano calendário de 1998 decorre das estimativas pagas a maior no Fl. 465DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 7 6 curso do anocalendário anterior, embora não tenha o interessado, acertadamente, formulado pedido de restituição para este ano. Aliás, é mister registrar que na manifestação de inconformidade apresentada, o valor a ser restituído em 01/01/2002 é de R$ 257.997,56, o qual não corresponde ao montante inserto no pedido de restituição de fls. 01 e 02. As diferenças dos valores apontadas e a falta de documentos comprobatórios do direito creditório afastam a certeza e a liquidez do crédito. Verificase, portanto, que os valores pleiteados não foram convalidados pelas autoridades fiscais nem pela DRJ e que a falta de documentos comprobatórios prejudica a pretensão da interessada. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (grifamos) Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, na qual se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). Como não foram apresentados novos documentos, que poderiam subsidiar as alegações veiculadas no Recurso Voluntário, o conjunto probatório é o mesmo já apreciado pela decisão de piso, de sorte que corroboramos o entendimento ali esposado. Isso porque os documentos foram efetivamente levados em consideração e os saldos de CSLL analisados individualmente, por período, como demonstram os seguintes excertos: Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 8 7 Aliás, é mister registrar que na manifestação de inconformidade apresentada, o valor a ser restituído em 01/01/2002 é de R$ 257.997,56, o qual não corresponde ao montante inserto no pedido de restituição de fls. 01 e 02. As diferenças dos valores apontadas e a falta de documentos comprobatórios do direito creditório afastam a certeza e a liquidez do crédito. Mas não é só. Convém, portanto, fazer uma análise do saldo negativo apurado em cada anocalendário para corroborar os valores identificados pelo requerente. Em relação ao anocalendário de 1998, percebese, de plano, que o contribuinte efetuou compensação, das estimativas referentes aos meses de janeiro, fevereiro e outubro, com crédito oriundo de ação judicial ainda não transitada em julgado à época do vencimento das obrigações. Por intermédio da DCTF do período, constatase que o crédito acima citado seria oriundo da ação judicial autuada sob o n° 9500105616 (fls. 170 a 173). Acontece que a decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, que transitou em julgado em 04/05/2001, decidiu que o crédito do interessado a título de FINSOCIAL não pode ser compensado com a CSLL. Desta forma, as estimativas apuradas nos meses de janeiro, fevereiro e outubro do anocalendário de 1988 não foram efetivamente recolhidas e não podem ser consideradas para fins de apuração do saldo negativo existente ao final do ano calendário de 1998. Ainda em relação ao anocalendário de 1998, notase que o interessado efetuou compensação com saldo negativo apurado no final do anocalendário de 1997, no montante de R$ 71.300,00. Acontece que não consta nos autos qualquer documento comprobatório do saldo negativo mencionado pelo contribuinte. Resta, portanto, inteiramente prejudicada a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Por outro lado, verificase que parte do saldo negativo apurado no fim do anocalendário de 1997 decorre de estimativas não efetivamente recolhidas, pois a CSLL devida nos meses de novembro e dezembro do anocalendário de 1997 foi parcialmente compensada com o crédito oriundo da ação judicial autuada sob o n° 9701046366. Como o crédito oriundo da ação judicial autuada sob o n° 9701046366 não pode ser compensado com débitos da CSLL sem obediência aos termos da Instrução Normativa SRF n° 21/1997, vigente à época, resta impossível trazêlo agora para Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 9 8 extinguir as estimativas do anocalendário 1998, bem como para integrar o saldo negativo apurado ao fim do ano. Afinal, pelo que constatamos, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a Região julgou que o crédito de PIS reconhecido na ação judicial autuada sob o n° 9701046366 poderia ser compensado com débitos do PIS, COFINS e da CSLL. Desta forma, não está comprovado nos autos que o contribuinte não utilizou o suposto crédito para compensar outros débitos, além dos listados na sua manifestação de inconformidade. Ademais, o contribuinte não foi capaz de demonstrar o valor do crédito oriundo da ação judicial autuada sob o n° 9701046366. A juntada dos documentos e planilhas hábeis para demonstrar a liquidez do crédito seria imprescindível para se apurar o saldo negativo do anocalendário de 1997 e, conseqüentemente, do anocalendário de 1998. Por último, notase que a ação judicial mencionada foi ajuizada em 24/11/1997. Assim, é bastante provável que eventual antecipação de tutela somente tenha sido concedida no curso do anocalendário de 1998. Portanto, o crédito oriundo de tal ação não poderia ser usado para compensar estimativas referentes ao anocalendário de 1997 sem o respeito às normas da Instrução Normativa SRF n° 21/1997, mais precisamente sobre a necessidade de requerimento do interessado mediante apresentação do Pedido de Compensação. Em breve síntese, impera ser desconsiderado o valor de R$ 28.450,00, vinculado à compensação com crédito oriundo de ação judicial, e o valor de R$ 22.000,00, decorrente da compensação efetuada com saldo negativo apurado no ano calendário de 1997. Esses valores perfazem o total de R$ 50.450,00. Em relação ao anocalendário de 1999, constatouse que foi lavrado o auto de infração consubstanciado no processo administrativo fiscal n° 18471.002.442/200361. Tal fato impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela interessado, já que o crédito em questão não é líquido e certo, como exige o art. 170 do CTN. Ainda que assim não fosse, notase que o contribuinte efetuou compensação das estimativas referentes aos meses de maio a junho com crédito oriundo de ação judicial não transitada em julgado à época do vencimento das obrigações. Por intermédio da DCTF do período, constatase que o crédito acima citado seria oriundo da ação judicial autuada sob o n° 9500105616 (fls. 170 a 173). Acontece que a decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, que transitou em julgado em 04/05/2001, decidiu que o Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 10 9 crédito do interessado a título de FINSOCIAL não pode ser compensado com a CSLL. Conseqüentemente, as estimativas apuradas nos meses de março a junho do anocalendário de 1999, no valor de R$ 63.899,68 não foram efetivamente recolhidas e não podem ser consideradas para fins de apuração do saldo negativo existe ao final do anocalendário de 1999. Notase ainda que as estimativas de julho a setembro, no valor de R$ 59.238,27 foram compensadas, como afirma o contribuinte na sua manifestação de inconformidade, com crédito oriundo da ação judicial autuada sob o n° 9701046366. Acontece que o contribuinte não acostou aos autos do presente processo os documentos necessários para demonstrar o valor do crédito oriundo de tal ação judicial. Assim, resta impossível considerar agora tal crédito para extinguir as estimativas do anocalendário 1999, bem como para integrar o saldo negativo apurado ao fim do ano. (grifamos) Verificase que a origem e a composição dos saldos foi detidamente analisada pela DRJ, que concluiu pela inexistência do direito creditório, ante a insuficiente comprovação do direito líquido e certo pleiteado. Como não há inovação fática ou documental no processo, corroboramos o entendimento de primeira instância e pensamos que não há espaço para admitir as compensações. Igual cenário se apresenta para os anoscalendário de 2000 e 2001: Já em relação ao anocalendário de 2000, observase que o contribuinte apurou estimativas no valor de R$ 56.026,38. Acontece que consta somente o efetivo recolhimento de R$ 193,19, efetuado por meio de DARF. A diferença foi compensada com crédito oriundo de saldo negativo apurado em anos anteriores. Contudo, como restou demonstrado acima, não existe saldo negativo de períodos anteriores passíveis de compensação, o que impende indeferir o pleito do contribuinte. Por último, em relação ao anocalendário de 2001, observase que o contribuinte apurou estimativas no valor de R$ 64.434,10. Acontece que toda estimativa apurada no período foi compensada com crédito oriundo de saldo negativo apurado em anos anteriores. Contudo, como restou demonstrado acima, não existe saldo negativo de períodos anteriores passíveis de compensação, o que impende indeferir o pleito do contribuinte. (grifamos) Assim, todos os argumentos formulados no Recurso Voluntário restam prejudicados, ante a não comprovação da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 11 10 Também não prospera, por fim, a tese de que a Lei n. 9.430/96, posterior à decisão judicial autorizaria parte das compensações, pois, como ao norte transcrito, a documentação acostada aos autos não é suficiente para demonstrar o direito creditório. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13709.000268/200377 Acórdão n.º 1201001.544 S1C2T1 Fl. 12 11 Declaração de Voto Tratase de processo administrativo decorrente de compensação de créditos a título de Saldo Negativo de CSLL, apurados nos anos calendários de 1998 a 2001, no valor de R$ 298.199,52. Este processo é conexo ao de nº 13709.000391/200398. A decisão de primeira instância manteve o indeferimento da compensação pleiteada pelo contribuinte, sob a alegação de que o contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito. No recurso voluntário, o contribuinte insiste que a comprovação teria sido feito adequadamente, alegando que a DRJ teria se omitido da sua análise completa, fato este que, segundo me parece, realmente pode ter ocorrido. Nesse contexto, e em função da busca pela verdade material, entendo necessária a baixa dos autos em diligência, determinando que a DRJ analise toda a documentação e argumentos invocados pelo Recorrente em prol do reconhecimento de seu direito creditório pleiteado, devendo apresentar, na sequência, relatório conclusivo, cuja ciência deve ser dada ao contribuinte, para que possa se manifestar, no prazo de trinta dias. Decorrido este prazo, com ou sem manifestação do contribuinte, retornemse os autos para julgamento em segunda instância. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.728334/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação previdenciária podem ser tributados pelo regime de competência, conforme decisão em recurso repetitivo do STJ - REsp 1118429/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação previdenciária podem ser tributados pelo regime de competência, conforme decisão em recurso repetitivo do STJ REsp 1118429/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 83 34 /2 01 3- 01 Fl. 152DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 18470.728334/201301 Acórdão n.º 2401004.591 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 04/05/2015 em face do Acórdão 1666.728 22a. Turma da DRJ/SPO, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário lançado neste processo. A ciência à decisão recorrida deuse em 06/04/2015. O crédito tributário referese à rendimentos recebidos acumuladamente (R$ 112.739,25) e que foram submetidos ao regime de caixa no ano 2009. O contribuinte informou os valores recebidos na ação judicial sob o item Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva na Fonte. Após a revisão de ofício o crédito tributário fora mantido e a impugnação fora considerada improcedente. Na impugnação o contribuinte pugnou pela aplicação do REsp 1.227.133/RS, para que fossem exonerados da tributação os juros de mora aplicados para compensar dívidas resultantes de condenações trabalhistas. Citou também o Parecer PGFN/CRJ n. 287/2009. Juntou os cálculos judiciais da ação judicial 2001.51.01.5386742 contra o INSS, relativos aos meses de setembro de 1998 a abril de 2003. No Recurso Voluntário repisa os argumentos da impugnação, e pugna pela revisão do tributo devido, aplicandose as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Cita jurisprudência do STJ e também Parecer PGFN/CRJ/287/2009. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. O contribuinte recebeu rendimentos acumuladamente em decorrência de ação previdenciária, e que fora tributado pelo regime de caixa. Tal assunto já está pacificado junto ao STJ em sede de Recurso Repetitivo, com reprodução obrigatória no âmbito deste Conselho. Conforme o parágrafo 2º do artigo 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF), este conselho deve reproduzir as decisões de mérito definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, quando em sede de Recurso Repetitivo ou de Repercussão Geral, conforme a seguir. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, o crédito tributário decorrente de rendimentos recebidos acumuladamente em ação previdenciária deve ser tributado conforme a seguinte decisão em Recurso Repetitivo, do Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 18470.728334/201301 Acórdão n.º 2401004.591 S2C4T1 Fl. 4 5 Por outro lado, a mesma corte, em outro julgado REsp 1227133/RS, entendeu que a exoneração de tributação sobre juros de mora só se aplica no caso de rescisória trabalhista, o que não é o caso dos autos. Desta forma, voto para que os valores recebidos acumuladamente sejam tributados pelo regime de competência conforme o REsp 1118429/SP. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722707/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011, 2012
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. VOTAÇÃO.
Os vícios de contradição e de obscuridade no acórdão recorrido devem ser sanados por intermédio dos embargos de declaração. Tendo em vista que os vícios apontados decorreram, no caso concreto, do fracionamento do lançamento para fins de votação, efetua-se o devido saneamento desse ato administrativo e dos atos posteriores dele dependentes, aproveitando-se todos os demais atos processuais legítimos já proferidos. O resultado da nova votação deve integrar o julgamento do acórdão embargado.
JULGAMENTO. MAIS DE DUAS SOLUÇÕES. VOTAÇÕES SUCESSIVAS. REGIMENTO INTERNO.
No termos do Regimento Interno do CARF, quando mais de duas soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes, nos termos do Regimento Interno do CARF.
Embargos acolhidos
Crédito tributário exonerado
Numero da decisão: 3402-003.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para integrar julgamento proferido por meio do Acórdão nº 3402-003.220, cujo texto do resultado passa a ser o seguinte: "por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim. Em primeira votação, realizada nos termos do art. 60 do RICARF, ficaram vencidos pelo voto de qualidade os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para excluir a multa isolada sobre o subfaturamento." Designada para redigir o voto vencedor dos embargos a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Gustavo Dalla Valle Baptista da Silva, OAB/SP 258.491.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011, 2012 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. VOTAÇÃO. Os vícios de contradição e de obscuridade no acórdão recorrido devem ser sanados por intermédio dos embargos de declaração. Tendo em vista que os vícios apontados decorreram, no caso concreto, do fracionamento do lançamento para fins de votação, efetua-se o devido saneamento desse ato administrativo e dos atos posteriores dele dependentes, aproveitando-se todos os demais atos processuais legítimos já proferidos. O resultado da nova votação deve integrar o julgamento do acórdão embargado. JULGAMENTO. MAIS DE DUAS SOLUÇÕES. VOTAÇÕES SUCESSIVAS. REGIMENTO INTERNO. No termos do Regimento Interno do CARF, quando mais de duas soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes, nos termos do Regimento Interno do CARF. Embargos acolhidos Crédito tributário exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para integrar julgamento proferido por meio do Acórdão nº 3402-003.220, cujo texto do resultado passa a ser o seguinte: "por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim. Em primeira votação, realizada nos termos do art. 60 do RICARF, ficaram vencidos pelo voto de qualidade os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para excluir a multa isolada sobre o subfaturamento." Designada para redigir o voto vencedor dos embargos a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Gustavo Dalla Valle Baptista da Silva, OAB/SP 258.491. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011, 2012 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. VOTAÇÃO. Os vícios de contradição e de obscuridade no acórdão recorrido devem ser sanados por intermédio dos embargos de declaração. Tendo em vista que os vícios apontados decorreram, no caso concreto, do fracionamento do lançamento para fins de votação, efetuase o devido saneamento desse ato administrativo e dos atos posteriores dele dependentes, aproveitandose todos os demais atos processuais legítimos já proferidos. O resultado da nova votação deve integrar o julgamento do acórdão embargado. JULGAMENTO. MAIS DE DUAS SOLUÇÕES. VOTAÇÕES SUCESSIVAS. REGIMENTO INTERNO. No termos do Regimento Interno do CARF, quando mais de duas soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes, nos termos do Regimento Interno do CARF. Embargos acolhidos Crédito tributário exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para integrar julgamento proferido por meio do Acórdão nº 3402003.220, cujo texto do resultado passa a ser o seguinte: "por maioria de votos, deuse provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 27 07 /2 01 4- 96 Fl. 1217DF CARF MF 2 Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim. Em primeira votação, realizada nos termos do art. 60 do RICARF, ficaram vencidos pelo voto de qualidade os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para excluir a multa isolada sobre o subfaturamento." Designada para redigir o voto vencedor dos embargos a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Gustavo Dalla Valle Baptista da Silva, OAB/SP 258.491. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo Presidente do Colegiado, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, com fundamento no art. 65, § 1º, I c/c o art. 66 do Regimento Interno do CARF1 sob os pressupostos de contradição e de obscuridade, decorrentes de lapso manifesto cometido na condução do processo de votação na sessão de julgamento do Acórdão nº 3402003.220, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2010, 2011, 2012 MULTA ADMINISTRATIVA. DIFERENÇA DE PREÇOS. ARBITRAMENTO. 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 12466.722707/201496 Acórdão n.º 3402003.809 S3C4T2 Fl. 2.546 3 Não restando configuradas, no caso concreto, as hipóteses previstas no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 ou no art. 70, II, "a" da Lei nº 10.833/2003, que ensejariam o arbitramento de preços das mercadorias importadas, incabível a aplicação da multa administrativa pela diferença entre preço declarado e o preço arbitrado. O simples fato de o preço declarado pelo importador ser inferior a um valor mínimo considerado pela Aduana não é motivo suficiente para a desclassificação do primeiro método de valoração aduaneira, tampouco para o arbitramento do preço da mercadoria. Nos termos do art. 70 da Lei nº 10.833/2003, a falta de cumprimento da obrigação de apresentar documentos à fiscalização aduaneira somente acarreta o arbitramento de preços se tais documentos são obrigatórios para a instrução da declaração aduaneira. Alega o embargante que: "A contradição e a obscuridade na decisão colegiada são patentes, pois ao mesmo tempo em que se excluiu a multa sobre o subfaturamento, foi mantida a multa proporcional ao valor do imposto qualificada pela fraude (a fraude consubstanciase na prática do subfaturamento)". Sustenta o embargante que o lapso manifesto encontrase na parte do julgamento em que se aplicou o art. 60 do RICARF, nesses termos: (...) Essa contradição decorreu do fato de o presidente do colegiado ter considerado a existência de três teses a serem sopesadas, quando na verdade a tese pela inexistência da fraude (e do subfaturamento) já havia sido superada na primeira votação pelo voto de qualidade. A folha de rosto do Acórdão 3402003.220 retrata com fidelidade os fatos ocorridos no processo de votação. O referido texto registrou com todas as letras que a tese da inexistência de subfaturamento e da fraude foi superada pelo voto de qualidade em primeira votação. Se essa tese foi superada, então ela jamais poderia ter sido considerada novamente em uma segunda votação na apreciação da manutenção da multa punitiva do subfaturamento. Não haviam três teses, mas apenas duas: a que considerou que houve subfaturamento e fraude (formada pelo voto de qualidade) e a tese pela exclusão da multa sobre o subfaturamento com base no bis in idem (tese explicitada na declaração de voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro). Existindo apenas duas teses em confronto, é evidente que não poderia ter sido aplicado o disposto no art. 60 do RICARF. Os votos proferidos estão corretos, mas a conclusão do colegiado foi contraditória e obscura porque o procedimento de votação foi viciado pela consideração de uma tese que já havia sido superada. Fl. 1219DF CARF MF 4 Sendo assim, o processo deverá ser restituído ao ilustre relator originário, Conselheiro Jorge Freire, a fim de que seja colocado em pauta com proposta de anulação do acórdão embargado e para que o colegiado profira de novo julgamento a ser efetuado na boa e devida forma. (...) Intimada do acórdão e da oposição dos embargos, a empresa interessada apresentou sua manifestação dentro do prazo legal, aduzindo, no que interessa aos embargos, em síntese, que: O pleito do embargante de anulação do acórdão nº 3402003.220 deve ser indeferido por essa Colenda Câmara/Turma Julgadora, eis que a conclusão desse colegiado não foi contraditória e muito menos obscura. No entanto, pela leitura da ementa do acórdão em questão dáse a entender que o recurso voluntário foi integralmente provido. Isso porque, somente, constam os argumentos utilizados pelos Conselheiros que deram integral provimento ao recurso voluntário. No entanto, o recurso voluntário da Embargada foi provido parcialmente. Ou seja, estamos diante de clara contradição constante APENAS na ementa do citado acórdão que merece ser sanada. Porém, tal contradição não é suficiente para anular o acórdão nº 3402003.220, porque, ao longo do voto e do resultado do acórdão em discussão, está expresso e corretamente fundamentado que o recurso voluntário foi parcialmente provido. Diante disso, a Embargada manifesta sua discordância com os embargos de declaração opostos pelo Nobre Conselheiro, não devendo ser anulado o acórdão em questão, vez que o seu recurso voluntário foi provido parcialmente, de forma fundamentada e clara, o que se verifica ao longo do voto, bem como na descrição do resultado do julgamento. Outrossim, considerando que na citada ementa há contradição, a Embargada requer seja sanado tal vício para que passem a constar também os argumentos utilizados para dar parcial provimento ao recurso voluntário na ementa. A Fazenda Nacional também foi intimada da oposição dos embargos, mas não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. PRELIMINARES A pugnada preliminar de cerceamento de direito de defesa não tem o menor cabimento. A alegação da recorrente é de que pediu prorrogação de vinte dias para o prazo na entrega de parte da documentação que a fiscalização lhe tinha intimado e que o Fisco não lhe concedeu prazo. Embora não tenha havido dilação desse prazo formalmente, o fato, como informado na motivação do lançamento (fl. 92) e não contestado pela recorrente, é que passaramse mais de sessenta dias do pedido de prorrogação de vinte dias e a então fiscalizada "não apresentou qualquer resposta complementar com o citado histórico das negociações". Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 12466.722707/201496 Acórdão n.º 3402003.809 S3C4T2 Fl. 2.547 5 Portanto, passados 2 meses após a solicitação de vinte dias, a empresa não atendeu ao seu dever de prestar as seguintes informações ao Fisco, quedandose silente, conforme Termo de Início de Ação Fiscal, de 02/09/2014: ... 3. Em relação às mercadorias descritas como “FITAS MAGNÉTICAS NÃO GRAVADAS”, declaradas nas DI listadas no item 1, descrever o procedimento comercial de aquisição das citadas mercadorias, anexando: pedidos; correspondências comerciais; emails; ordens de compra; cotações e/ou listas de preços do exportador; documentos de negociação; contratos internacionais e/ou acordos de compra e venda firmados com o exportador; faturas próforma; contratos de câmbio das operações e outros que bem caracterizem a relação comercial de aquisição das citadas mercadorias. (...) 9. Solicitar à(s) empresa(s) exportadora(s) faturas comerciais e/ou outros documentos que identifiquem de quem ela adquiriu as “FITAS MAGNÉTICAS NÃO GRAVADAS”, bem como a data, os valores de transação e as condições de venda dessa aquisição anterior à exportação para o Brasil, já que o(s) exportador(es) não é(são) a fabricante do produto citado; 10. Apresentar cópias dos documentos oficiais de exportação das mercadorias apresentados ao governo do(s) país(es) de procedência, conforme previsto no item 4, anexo III, da IN SRF nº 327/2003; Resta hialino que com essas solicitações queria o Fisco aferir a pertinência dos valores aduaneiros declarados à aduana, mormente quando a recorrente em relação aos mesmos produtos já havia sido auditada pelo mesmo problema, quando então, inclusive, pagou os tributos sobre a diferença. Em consequência, falar em cerceio a direito de defesa no caso chega às raias do risível, pois o Fisco propicioulhe tempo e indicou meios para que a fiscalizada provasse que o valor constante nas DI em análise estavam corretos. Em nada sua defesa foi prejudicada. Igualmente é de ser afastado o argumento de que não houve o "processo regular" a que se refere o artigo 148 do CTN. O processo regular existe e dentro dele formou se a presente lide, nestes autos, quanto ao valor aduaneiro, e dela que ora estamos tratando dentro do rito procedimental do Decreto 70.235/72. Assim, despropositada tal assertiva. MÉRITO Toda peça de defesa da recorrente se resume a uma declaração de seu suposto fornecedor no exterior em vernáculo estranho ao português, como se a mesma, ipso facto, tivesse o condão de aclarar a enorme dúvida formulada pelo Fisco. E aí reside o núcleo da quaestio. A fiscalização enfatiza em seu Relatório Fiscal que no procedimento levado a efeito pela SAPEA/ALF/VIT foi constatado que: Fl. 1221DF CARF MF 6 a) O preço mínimo aceito como condição de parametrização pelo Siscomex é de US$ 8,03 por unidade. b) Os valores declarados nas DI fiscalizadas eram cerca de 10% dos encontrados em lojas virtuais. c) O importador não apresentou explicações para tamanha diferença de preços e nenhum documento negocial que pudesse justificar eventual desconto ou preço especial. A recorrente, portanto, teve vários momentos para demonstrar mediante documentação idônea, e de seu dever de guarda (art. 18 do RA/2009), que o preço estava de acordo com as tratativas comerciais e documentação correlata. Sequer atendeu ao solicitado pelo Fisco quanto à essa documentação. E o libelo fiscal pontua esse fato: “O contribuinte, portanto, apesar de regularmente intimado a fazêlo, não apresentou argumentos e/ou documentos que esclarecessem, acima de quaisquer dúvidas, os valores tão baixos praticados nas suas retrocitadas importações de “Fitas Magnéticas NãoGravadas”. E o que vem fazendo a autuada desde a abertura do procedimento fiscal para provar que os valores aduaneiros estavam corretos? Nada! Nenhum dos documentos acima referidos, para os quais foi intimada a apresentálos já no termo que deu início a ação fiscal, foram apresentados nos variados momentos que a empresa teve para exercer seu amplo direito de defesa nesta via administrativa, quer no curso da fiscalização, quer na impugnação, e nem mesmo agora em sede recursal. Por isso, também, causame espécie a recorrente alegar cerceio ao seu direito de defesa. Como dito, toda sua defesa centrase única e exclusivamente em prova, a meu juízo forjada, pois o documento que acostou aos à fl. 1101 não prova nada. Chega a ser lacônico. Vejase: Alem de seu conteúdo genérico, inespecífico em relação aos produtos importados, produzido unilateralmente após o início da ação fiscal (é datado de 22/09/2014), veio aos autos em idioma estrangeiro. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 12466.722707/201496 Acórdão n.º 3402003.809 S3C4T2 Fl. 2.548 7 Quanto a isso, bem pontuado pela r. decisão, que trouxe à colação o art. 157 do CPC/1973 que dispunha às expressas que só poderia ser juntado aos autos documento redigido em língua estrangeira quando acompanhado de versão em vernáculo firmada por tradutor juramentado. Isso já tornaria tal documento ineficaz. Mas, tudo levame a crer, é mais um escárnio da recorrente, pois mesmo agora em sede recursal ela não junta tradução juramentada e ainda coloca que "nada impede que o presente julgamento seja convertido em diligência para que seja permitido ao contribuinte cumprir as formalidades em relação ao Doc. 02 anexo à impugnação e também permitir que a instância a quo venha a proferir outro julgamento, desta vez tendo como parâmetro a declaração do exportador". Se ela tanto crê que o teor dessa prova seja infalível, ela teve mais de ano para traduzila e não o fez. Mas também aqui ela esmaece a verdade, pois a decisão recorrida asseverou que "ainda que houvesse a tradução, as alegações do impugnante são inaceitáveis em face da dimensão das reduções de preço perpetradas por meio da suposta ação de marketing". Onde está o levantamento do histórico das negociações, precisamente em relação aos produtos importados, que ela pediu uma dilação de prazo para apresentálo? Onde estão as correspondências comerciais, emails, ordens de compra, cotações e/ou listas de preços do exportador, documentos de negociação, contratos internacionais e/ou acordos de compra e venda firmados com o exportador, faturas próforma, contratos de câmbio das operações e outros que bem caracterizem a relação comercial de aquisição das citadas mercadorias, solicitado pela fiscalização e que até o momento não veio aos autos? Onde estão as faturas comerciais emitidas pela empresa exportadora e/ou outros documentos que identifiquem de quem ela adquiriu as “FITAS MAGNÉTICAS NÃO GRAVADAS”, bem como a data, os valores de transação e as condições de venda dessa aquisição anterior à exportação para o Brasil, já que o(s) exportador(es) não é(são) a fabricante do produto citado? Onde estão as solicitadas cópias dos documentos oficiais de exportação das mercadorias apresentados ao governo do(s) país(es) de procedência, conforme previsto no item 4, anexo III, da IN SRF nº 327/2003? E vem a defesa alegar cerceamento ao seu direito de defesa. Ela teve até o momento mais de 2 anos para produzir essa prova e não o fez, alem da lacônica correspondência da suposta empresa exportadora. De forma alguma o poder de polícia aduaneiro pode ficar ao alvedrio, para aferir o devido valor de uma mercadoria declarada em importação quando por meios adequados comparativos ele se apresenta subfaturado, a uma declaração isolada de uma empresa exportadora. Não só Fisco é prejudicado pelo subfaturamento, mas a economia nacional, como um todo. Daí a norma veiculada no art. 17 do Acordo de Valoração Aduaneira: Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se asseguraram de veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira.” Nada obstante, o art. 18 do RA/2009, dispõe sobre a guarda dos documentos sobre as transações de importadores/exportadores: “Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá Fl. 1223DF CARF MF 8 los à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).” Assim, não tendo sido produzida qualquer prova a infirmar o lançamento que arbitrou o valor aduaneiro com metodologia adequada, razoável e arrimada em Lei (art. 86 do RA), é de ser mantida a multa de 100% sobre o valor da diferença calculada pelo Fisco, assim como, consequentemente, a cobrança da diferença dos tributos incidentes na importação, acrescido da multa de ofício e juros de mora. No que pertine à cumulação das multas, também sem a mínima razão a recorrente. Seus fundamentos são dísparares; a multa de 100% da diferença entre o preço declarado e o arbitrado tem seu fundamento legal no art. 703 do RA/2009 (que reproduz o parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/2001), cujo §1º, dispõe: § 1º A multa de cem por cento referida no caput aplicase inclusive na hipótese de ausência de apresentação da fatura comercial, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades cabíveis (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 2, e § 6º). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Portanto, não há que se falar que a multa do art. 703 do RA não poderia ser aplicada com a multa de ofício, pois há disposição legal expressa nesse sentido, pelo que despropositada arguição da recorrente de que é impossível a cumulação das multas. Por fim, quanto à multa de ofício qualificada, esta foi aplicada de acordo com o art. 725 do RA, que reproduz o art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/2007, que tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) De acordo com a motivação do lançamento e com o até aqui exposto, resta evidente que a empresa agiu com o dolo específico de sonegar tributos, assim incidindo na espécie o art. 71 da Lei 4.502/64, alem do que, com seu agir fraudulento, prejudica deslealmente a concorrência, o que afronta sobremaneira não só a receita tributária como a economia como um todo. Portanto, escorreita a multa aplicada. Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 12466.722707/201496 Acórdão n.º 3402003.809 S3C4T2 Fl. 2.549 9 Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 1225DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Os embargos de declaração atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Conforme consta no Acórdão embargado, na sessão de julgamento do recurso voluntário surgiram três posicionamentos bem distintos para a solução do litígio, abaixo resumidos: Posicionamento "J" do Conselheiro Relator Jorge Olmiro Lock Freire (Voto vencido), negando provimento ao recurso voluntário: A recorrente teve vários momentos para demonstrar mediante documentação idônea, e de seu dever de guarda (art. 18 do RA/2009), que o preço estava de acordo com as tratativas comerciais e documentação correlata, mas sequer atendeu ao solicitado pelo Fisco quanto à essa documentação. Toda peça de defesa da recorrente se resume a uma declaração de seu suposto fornecedor no exterior em vernáculo estranho ao português, que nada prova, pois, além de seu conteúdo genérico, inespecífico em relação aos produtos importados, produzido unilateralmente após o início da ação fiscal (é datado de 22/09/2014), veio aos autos em idioma estrangeiro. Não tendo sido produzida qualquer prova a infirmar o lançamento que arbitrou o valor aduaneiro com metodologia adequada, razoável e arrimada em Lei (art. 86 do RA), é de ser mantida a multa de 100% sobre o valor da diferença calculada pelo Fisco, que, por disposição legal expressa, pode ser cumulada com a multa de ofício, sendo também cabível a qualificação desta última, eis que a empresa agiu com o dolo específico de sonegar tributos. Posicionamento "D" do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (Declaração de Voto), dando provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa por subfaturamento: Ao se analisar o disposto no art. 725, inciso II do RA/2009, é possível perceber que o tributo inadimplido e que é objeto de lançamento de ofício é qualificado com uma sanção mais gravosa (multa de 150%) exatamente em razão da existência do fato capitulado no art. 703, §1º do mesmo Regulamento Aduaneiro, i.e.,existência de fraude que, in casu, se materializa pela figura do subfaturamento. Pela incidência do princípio da consunção, a sanção do art. 703, §1º do Regulamento Aduaneiro fica absorvida em razão de ser o motivo que qualifica a multa disposta no art. art. 725, inciso II do RA/2009. Posicionamento "M" da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Voto Vencedor), dando provimento integral ao recurso voluntário: O simples fato de o preço declarado pelo importador ser inferior a um valor mínimo considerado pela Aduana não é motivo suficiente para a desclassificação do primeiro método de valoração aduaneira, tampouco para o arbitramento do preço da mercadoria. Os elementos levantados pela fiscalização não são suficientes para ensejar o arbitramento de preços do qual decorreu todas as exigências no auto de infração, eis que, no caso concreto, não restaram configuradas as hipóteses previstas no art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001("fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 12466.722707/201496 Acórdão n.º 3402003.809 S3C4T2 Fl. 2.550 11 praticado na importação") ou no art. 70, II, "a" da Lei nº 10.833/2003 (não manter em boa guarda e ordem "documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras"). Como observado pelo embargante, do que também não discorda a empresa interessada, os três votos acima, considerados individualmente, possuem motivação clara e congruente, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que os embasaram, não se vislumbrando neles qualquer contradição ou obscuridade. Analisemos então o resultado final do julgamento no Acórdão embargado, proclamado nos seguintes termos: Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto qualidade foi mantido o lançamento de ofício do imposto e da multa proporcional qualificada, vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de dar provimento integral ao recurso; b) por maioria de votos, deuse provimento para excluir a multa equivalente a 100% do valor subfaturado. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim, que negaram provimento. Em primeira votação os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim haviam mantido a multa; o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro havia excluído a referida multa com base no princípio da absorção (a multa proporcional qualificada absorve a multa pelo subfaturamento); e os Conselheiros Thais de Laurenttis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto haviam excluído a referida multa por entender que não houve fraude e nem subfaturamento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Dalla Valle Baptista da Silva, OAB/SP 258.491. [destaques não são do original] Numa leitura mais atenta do Acórdão embargado, verificase que, embora tenha sido dado provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa por subfaturamento com o mesmo resultado do Posicionamento "D" (do Conselheiro Diego), a fundamentação do resultado do julgamento não pode ser extraída desse Posicionamento, que restou minoritário em todas as votações, nem tampouco dos Posicionamentos "J" (do Conselheiro Jorge) e "M" (da Conselheira Maria Aparecida). Como se vê acima, o resultado do julgamento do acórdão embargado foi fracionado em duas partes: a) manutenção de tributos e multa de ofício qualificada e b) exoneração da multa por subfaturamento. No que concerne à manutenção dos tributos e da multa de ofício qualificada, a decisão veiculada no acórdão embargado somente poderia encontrar fundamento no Posicionamento "J" (majoritária em relação à Posição "D"), o qual manteve integralmente o Fl. 1227DF CARF MF 12 lançamento (inclusive a multa de subfaturamento) sob o pressuposto da existência de fraude e da consequente legitimidade do arbitramento de preços. Relativamente à segunda parte da decisão exoneração da multa por subfaturamento ela poderia encontrar fundamento no Posicionamento "M" (majoritário em relação à Posição "D"), no qual restou consignado que inexistiria fraude ou outro motivo para o arbitramento e, consequentemente, deveriam ser exoneradas todas as exigências daí decorrentes (inclusive tributos e multa de ofício). Como poderia o Colegiado manter a exigência de tributos e da multa qualificada sob o pressuposto da existência de fraude e, ao mesmo tempo, exonerar a multa por subfaturamento com base na constatação da inexistência de fraude? É evidente que os Posicionamentos "J" e "M" são inconciliáveis entre si, não se ajustando ao fracionamento do lançamento efetuado no resultado do julgamento no acórdão embargado. Nessa esteira, nenhum desses posicionamentos se coadunam com a exoneração parcial do lançamento. Sob o Posicionamento "J" não seria possível se manter apenas os tributos e a multa de ofício qualificada. Também sob o Posicionamento "M" não haveria possibilidade de se exonerar somente a multa por subfaturamento. Tanto eram inconciliáveis os dois posicionamentos vencedores ("J" e "M"), que não foi possível inserilos lado a lado, sem que se evidenciasse a gritante contradição, na ementa do acórdão embargado, a qual comportou somente a parte relativa ao Posicionamento "M", conforme bem observado pela empresa interessada. Assim, a decisão embargada incorre em contradição quando encerra duas proposições inconciliáveis entre si, bem como em obscuridade, pois há falta de clareza sobre os seus fundamentos, acarretando evidente dificuldade na compreensão do julgado. De forma que os embargos merecem acolhimento para saneamento de tais vícios. No entanto, entendo não ser o caso de anulação do acórdão embargado, devendo o saneamento do acórdão embargado ser feito de forma diversa daquela proposta pelo embargante, com o aproveitamento de todos os atos processuais legítimos e correção do vício na votação e dos atos dela dependentes. O equívoco cometido encontrase no fracionamento do lançamento para fins de votação, do qual decorreu a contradição/obscuridade, e não na aplicação do art. 60 do Regimento Interno do CARF2, pois há efetivamente, em relação à solução total do litígio, três posicionamentos independentes, mais acima sintetizados. Com efeito, na votação original no acórdão embargado, chegouse ao seguinte resultado preliminar: Posicionamento "J": votos dos Conselheiros Jorge, Waldir e Antonio Atulim; Posicionamento "D": voto do Conselheiro Diego; e Posicionamento "M": votos dos Conselheiros Maria Aparecida, Thais, Maysa e Carlos Daniel. Até essa parte (inclusive), não houve qualquer vício no julgamento do acórdão embargado, devendo tais atos processuais ser mantidos incólumes. 2 Art. 60. Quando mais de 2 (duas) soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes. Parágrafo único. O presidente da Turma relacionará todas as soluções propostas em 1ª (primeira) votação, e dessas identificará 2 (duas) das menos votadas para a escolha de 1 (uma) delas, e assim, sucessivamente, até a mais votada. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 12466.722707/201496 Acórdão n.º 3402003.809 S3C4T2 Fl. 2.551 13 Daí por diante, o procedimento correto a ser adotado deveria ter sido a aplicação do art. 60 do Regimento Interno do Carf em relação ao lançamento considerado como um todo, sem dividilo, possibilitando que o resultado do decisum encontre total fundamentação num dos posicionamentos independentes do acórdão. Assim, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para sanear a contradição/obscuridade apontada no acórdão embargado com o prosseguimento a partir da sua votação original na qual se apurou a existência de mais de duas soluções distintas para o litígio, aplicandose, então, daí por diante, o disposto no art. 60 do Regimento Interno do Carf, devendo o resultado das votações integrar e retificar o resultado do julgamento do Acórdão nº 3402003.220. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Fl. 1229DF CARF MF
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Numero do processo: 35368.002439/2007-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 8. 00 24 39 /2 00 7- 77 Fl. 699DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 702DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 704DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 706DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 35368.002439/200777 Acórdão n.º 9202004.766 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001178/2005-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2003
ILEGALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2003
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplicase a penalidade proporcional ao montante do tributo declarado na DCTF sempre que esta seja superior ao valor mínimo preconizado no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002.
Numero da decisão: 1803-000.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade proporcional ao montante do tributo declarado na DCTF sempre que esta seja superior ao valor mínimo preconizado no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001178/200590 Acórdão n.º 180300.988 S1TE03 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Relatório EMPRESA DE TRANSPORTES LIDER LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ JUIZ DE FORA (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de lançamento de ofício de multa regulamentar – multa por atraso de entrega de DCTF , relativa aos 2º e 4º trimestres de 2003. Tempestivamente, insurgiuse a contribuinte alegando em síntese: a) Que aplicar a multa todo o mês sobre os valores já recolhidos tem caráter confiscatório e extrapola os limites da razoabilidade, considerando que todos os valores declarados e devidos foram integralmente pagos (cita doutrina); b) Que ante o disposto no art. 112, IV do CTN e não sendo razoável a cobrança proporcional ao tributo devido deve ser aplicada apenas a penalidade fixa prevista na própria Lei nº10.426/02 em seu art. 7º, § 3º. A JUIZ DE FORA/MG, através do acórdão 0921.303, de 22 de outubro de 2008 (fls. 41/48), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO. DCTF. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. As alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade fogem à competência dessa instancia administrativa. Ciente da decisão em 17/11/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 40), apresentou o recurso voluntário em 15/12/2008 fls. 41/48, onde reitera os argumentos da inicial e acrescenta de teria havido retificação das DCTF’s e que a MP 303/2006, aboliu a multa isolada, devendo ser cancelado o lançamento ante o princípio da retroatividade benigna, mesmo com a perda da eficácia da medida provisória. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001178/200590 Acórdão n.º 180300.988 S1TE03 Fl. 52 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso das DCTF’s relativas aos 2º e 4º trimestres de 2003. Conforme exposto no relatório, argue a recorrente de que efetuou a retificação das DCTF relativas ao 2º e 3º trimestres de 2004, que devem ser consideradas ante o princípio da verdade material, não havendo nestes casos o óbice previsto no art. 147, § 1º do CTN. Afirma ainda que a cobrança sobre os valores devidos e já pagos configura excesso que ofende o princípio da razoabilidade, sendo ilegal e abusiva a cobrança de multa mês a mês, merecendo aplicação apenas de multa fixa prevista na Lei nº 10.426/2002. Por derradeiro, afirma que a Medida Provisória 303/2006, revogou as multas isoladas e que mesmo tendo perdido eficácia deve ser considerada, cancelandose o lançamento ante o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 112 do Código Tributário Nacional. Com relação a primeira alegação tenho que reportase a recorrente à outro processo igualmente em apreciação neste conselho, no qual efetivamente houve retificação das DCTF’s. Não havendo qualquer indício de prova de que houve retificação das DCTF’s também com relação ao ano calendário 2003, rejeito as alegações relativas a esta matéria. Com relação às ilegalidades da cobrança da multa regulamentar preconizada no art. 7º, inciso I da Lei nº 10.426/2002 como bem consignou a decisão de primeira instância, não cabe qualquer apreciação no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária por parte dos colegiados julgadores administrativos, por ser matéria sob reserva exclusiva do Poder Judiciário. Este entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória neste colegiado julgador administrativo, conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno, com a seguinte ementa: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não cabe outrossim a aplicação da penalidade mínima prevista no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002, já que o valor calculado nos termos do inciso I do art. 7º, deve ser observado em primeiro lugar, subsistindo apenas o valor mínimo quando o percentual aplicado sobre os débitos devidos é inferior ao patamar de R$ 200,00 ou R$ 500,00, conforme dispõe o texto legal: Fl. 57DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001178/200590 Acórdão n.º 180300.988 S1TE03 Fl. 53 4 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Por derradeiro, quanto a alegação de que a Medida Provisória nº 303/2006, teria revogado as multas isoladas está equivocada pois as alterações legislativas que modificaram a eficácia das penalidades previstas na Lei nº 9.430/96, não tiveram qualquer influência nas multas previstas no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, mantendose hígidas até a presente data. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 58DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001178/200590 Acórdão n.º 180300.988 S1TE03 Fl. 54 5 Fl. 59DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 10768.002192/2001-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Ainda que não configurada contradição
entre a decisão e seu fundamento, constatada impropriedade na articulação dos fundamentos, acolhem-se os embargos a título de inominados, para sanar o vício apontado.
DECADÊNCIA CSLL
Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, pelo STF, que a respeito editou a Súmula Vinculante
n° 08, o prazo de decadência das contribuições sociais se rege pelas normas do CTN, que prevê o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.283
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Ainda que não configurada contradição entre a decisão e seu fundamento, constatada impropriedade na articulação dos fundamentos, acolhem-se os embargos a título de inominados, para sanar o vício apontado. DECADÊNCIA CSLL Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, pelo STF, que a respeito editou a Súmula Vinculante n° 08, o prazo de decadência das contribuições sociais se rege pelas normas do CTN, que prevê o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.002192/200160 Recurso nº 148.677 Embargos Acórdão nº 9101001283 – 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria CSLL Embargante Fazenda Nacional Interessado Generalli do Brasil Companhia Nacional de Seguros EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Ainda que não configurada contradição entre a decisão e seu fundamento, constatada impropriedade na articulação dos fundamentos, acolhemse os embargos a título de inominados, para sanar o vício apontado. DECADÊNCIA CSLL Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, pelo STF, que a respeito editou a Súmula Vinculante n° 08, o prazo de decadência das contribuições sociais se rege pelas normas do CTN, que prevê o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, João Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.002192/200160 Acórdão n.º 9101001283 CSRFT1 Fl. 2 2 Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.002192/200160 Acórdão n.º 9101001283 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Generali do Brasil Companhia Nacional de Seguros interpôs recurso especial, insurgindose contra o acórdão n° 10709.006, proferido pela antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que afastou a preliminar de decadência do lançamento de CSLL suscitada. A divergência apontada diz respeito ao prazo (dez ou cinco anos). Em sessão de 10 de novembro de 2010, a 1ª Turma da CSRF, mediante Acórdão unânime nº 910100.714, deu provimento ao recurso especial. Da ementa do referido julgado constou: “Não se conhece de recurso calcado em dispositivo declarado inconstitucional e já sumulado pelo Supremo Tribunal Federal Súmula Vinculante no 08”. (negritos acrescentados). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta Embargos de Declaração ante a contradição entre o que constou da ementa e a decisão. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.002192/200160 Acórdão n.º 9101001283 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Os embargos são tempestivos. Dele conheço. Rigorosamente, a contradição apontada pela Douta PFN, entre a ementa e a decisão, não daria ensejo a embargos de declaração, por não se tratar de contradição entre a decisão e seus fundamentos, como previsto no art. 65 do Regimento. O vício apontado (contradição entre ementa e decisão) representa erro material, devido a lapso manifesto, passível de ser corrigido pelo Presidente da Turma, conforme art. 66 do Regimento. Contudo, analisando o voto condutor do acórdão, constato uma impropriedade nos fundamentos articulados. De fato, consta do voto condutor do acórdão embargado: Entretanto, ante a Súmula Vinculante n° 08 editada pelo E. Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da decadência e prescrição de crédito tributário, o recurso ora interposto não deve ser conhecido, eis que prejudicado o argumento da D. Procuradoria em relação ao malferimento do art. 45 da Lei no. 8.212/91, porquanto, todos os atos praticados com base no referido dispositivo estão eivados de iliceidade, tendo em vista ter o mesmo sido declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso. Dessa forma, por encontraremse não só os órgãos do Poder Judiciário, mas principalmente a Administração Pública Direta e Indireta vinculada a. referida súmula, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial do contribuinte. Como se vê, não obstante o fundamento de direito para a decisão ser a Súmula Vinculante nº 8, do STF, e não haver contradição entre a Súmula e a decisão, apresentase uma impropriedade na articulação dos fundamentos que, tal como constaram do voto, se prestariam a recurso eventualmente apresentado pela PFN, e não a recurso do contribuinte. Assim, acolho o recurso a título de embargos inominados, a fim de sanar as impropriedades, não alterando a decisão, mas dando nova forma a sua fundamentação, que passa a ter a seguinte redação. Com a edição, pelo Supremo Tribunal Federal, da Súmula Vinculante n° 08, reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, a questão da decadência do crédito tributário relativo às contribuições sociais, não mais admite discussão. Uma vez que, nos termos do art. 103A da Constituição Federal, a súmula vincula não só os órgãos do Poder Judiciário, mas Fl. 440DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.002192/200160 Acórdão n.º 9101001283 CSRFT1 Fl. 5 5 toda a Administração Pública Direta e Indireta, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Da mesma forma, deve ser alterada a ementa. Isto posto, acolho os embargos para sanar as contradições apontadas, e rerratificar o decidido no Acórdão n. 910100.714, sem efeitos infringentes. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11065.004409/2004-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-004.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 20/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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score : 1.0
