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Numero do processo: 10860.720104/2014-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 3 a 5, para formalização da determinação e e xigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI dos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009, no valor total de R$ 16.073.045,62. Segundo a descrição dos fatos de fls. 4 e 5 e a Informação Fiscal de fls. 11 a 26, foram constatadas as seguintes irregularidades: a) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos básicos indevidos relativos a aquisições de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças de produtos autopropulsados, que deveriam ter sido adquiridos com suspensão, conforme disposto no art. 5º da Lei n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 10 4/ 20 14 -7 1 Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.234 2 9.826, de 23 de agosto de 1999, com a redação dada pelo art. 4º da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e relativos a aquisição de materiais utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos que não se subsumem no conceito de matériasprimas ou produtos intermediários; b) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos indevidos relativos a devolução e retorno de produtos em razão da não comprovação dos créditos por meio do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente; c) recolhimento a menor de IPI por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, já que, conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos; d) o estabelecimento recolheu imposto a menor em decorrência da utilização de saldo credor indevido de período anterior (julho a dezembro de 2008) que foi objeto de autuação, resultando saldo devedor. Em impugnação, fls. 1764 a 1794, controverteramse as seguintes matérias: (i) as aquisições de produtos autopropulsados, classificados nas posições da NCM 84.15 e 87.08, não estão albergadas pela suspensão do IPI, e as respectivas aquisições ensejam o aproveitamento dos créditos em decorrência da nãocumulatividade do IPI; (ii) os lubrificantes são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos; (iii) para aproveitamento de créditos decorrentes de retorno e devolução a legislação do IPI faculta ao contribuinte o controle das operações (a) no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, (b) em fichas ou, ainda, (c) em controle alternativo que possibilite a apuração do estoque permanente, e o conjunto de documentos apresentados no curso do procedimento fiscal é para demonstrar o retorno do bem anteriormente vendido, fato que possibilita o aproveitamento dos créditos; (v) a ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do benefício fiscal em comento; (v) o montante do frete foi devidamente computado no preço de venda de seus bens, sendo legítima a fruição dos respectivos créditos de IPI; (vi) a receita foi contabilizada de forma segregada, destacando da receita de vendas do valor relacionado ao frete computado no preço; (vii) o saldo credor do IPI apurado no ano de 2008, apontado pela fiscalização como transformado em saldo devedor, já está sendo discutido em processo administrativo fiscal autônomo, sendo que a cobrança neste processo implicaria exigência em duplicidade do mesmo montante; e, (viii) os juros sobre a multa só podem ser exigidos nos casos em que a Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.235 3 exigência do crédito tributário corresponde exclusivamente ao valor da multa, caso diverso dos autos. Requer a realização de diligência, formulando os quesitos que quer ver respondidos. A 3ª Turma da DRJ/POA julgou a impugnação improcedente. O Acórdão n° 10 51.066, de 30 de julho de 2014, fls. 1.805 a 1.819, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, com saída do fornecedor prevista na hipótese obrigatória de suspensão do imposto. CRÉDITOS DE PRODUTOS QUE NÃO SE SUBSUMEM NO CONCEITO DE MATÉRIASPRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a créditos os insumos que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na legislação, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. SALDO CREDOR DO PERÍODO ANTERIOR. INEXISTÊNCIA. Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.236 4 A apuração de saldo devedor ao invés de saldo credor em período anterior justifica a exigência dos débitos por ele indevidamente compensados, não havendo que se falar em duplicidade de exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 1.826 a 1.860, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de defesa já apresentadas na impugnação, assim sintetizadas pela própria recorrente: (i) As aquisições de produtos autopropulsados classificados nas NCM 84.15 e 87.08 não estão albergadas pela suspensão do IPI. Tal afirmativa leva à conclusão de que, em tais aquisições operase o recolhimento regular do imposto, sendo decorrência lógica de tal fato o aproveitamento dos respectivos créditos por parte da Recorrente, em decorrência da não cumulatividade do IPI; (ii) as operações realizadas com a fornecedora Rio Negro Com. Ind. De Aço S.A.("Rio Negro") não guardam relação com o assunto ora debatido, sendo possível verificar pela descrição contida nas notas fiscais que a Recorrente adquiriu dessa empresa "Platina Galvanizada Quente", isto é chapa de aços. Tais produtos não se enquadram na categoria de componentes, chassis, carrocerias, acessórios, partes e peças a que faz menção o artigo 5o da Lei n° 9.826/1999; (iii) Os lubrificantes adquiridos pela Recorrente são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos; (iv) Para aproveitamento de créditos decorrentes de retorno e devolução a legislação do IPI imputa ao contribuinte o dever de controle quantitativo da produção e estoque sendo faculdade do contribuinte optar por controlar tais informações (i) no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, (ii) em fichas ou, ainda, (iii) em controle alternativo que possibilite a apuração do estoque permanente; (v) O conjunto de documentos apresentados pela Recorrente no curso do processo administrativo, ora reproduzido e complementado, apresentase como controle apto a demonstrar o retorno do bem anteriormente vendido, fato que possibilita o aproveitamento dos créditos; (vi) Diversamente do alegado pelas Autoridades Fiscais, a ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do benefício fiscal em comento, conforme amplamente demonstrado na presente Impugnação; (vii) A Recorrente demonstrou que, de fato, computou o montante do frete no preço de venda de seus bens, sendo legítima a fruição dos respectivos créditos de IPI; Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.237 5 (viii) A Recorrente demonstrou, também, que contabilizou a receita de forma segregada, destacando da receita de vendas do valor relacionado ao frete computado no preço; e, por fim (ix) O saldo credor do IPI apurado no ano de 2008, apontado pelo acórdão recorrido como transformado em saldo devedor, já está sendo discutido em PAF autônomo, sendo que a cobrança neste processo implicaria exigência em duplicidade do mesmo montante. Reitera o pedido de diligência. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.826 a 1.860 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 1051.066, de 30 de julho de 2014. São litigiosas as seguintes matérias: a) o creditamento do IPI em operações de entrada que deveriam ter sido cursadas com suspensão; b) o creditamento do imposto nas aquisições de lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos; c) o creditamento do imposto na entrada de produtos acabados em devolução e retorno; d) o creditamento presumido de IPI sobre frete, de que trata o art. 56 da MP n° 2.15835, de 2001; e) o creditamento do saldo credor referente ao período de julho a dezembro de 2008, transferido para o mês de janeiro de 2009, e; f) a incidência dos juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. A propósito, o saldo credor referente ao período de julho a dezembro de 2008, transferido para o mês de janeiro de 2009, é discutido nos autos do processo administrativo fiscal 10860.721016/201314, que se encontra pendente de julgamento de recurso voluntário, desde 14/05/2014, quando foi sorteado ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira da 1ª TO desta 4ª Câmara. Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.238 6 Assim, o deslinde dessa controvérsia é prejudicial da que se trava neste processo. Por isso, proponho que se baixe o processo à DRFTaubatéSP, em diligência, para que aquela Autoridade Preparadora providencie a juntada da decisão final que for proferida no processo 10860.721016/201314 e, em parecer circunstanciado, repercutaa no lançamento ora sub judice caso seja favorável ao ora recorrente, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação. É como voto. Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014 Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13984.000750/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO.
O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frise-se que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, assim, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA.
Logrou o Fisco comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas.
ÔNUS DA PROVA.
Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das empresas adquirentes de pinus, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, tendo feito o Fisco, cabe manter a qualificação da multa.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO. O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frise-se que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, assim, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA. Logrou o Fisco comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas. ÔNUS DA PROVA. Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das empresas adquirentes de pinus, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, tendo feito o Fisco, cabe manter a qualificação da multa. Recurso Negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO. O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frisese que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, assim, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA. Logrou o Fisco comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas. ÔNUS DA PROVA. Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das empresas adquirentes de pinus, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 07 50 /2 00 7- 81 Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, tendo feito o Fisco, cabe manter a qualificação da multa. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 22/06/2007 (fls. 3.944/3.949), contra a contribuinte acima qualificada, relativo aos AnosCalendário 2003, 2004 e 2005, que exige crédito tributário no valor de R$ 509.818,71, incluída multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora, calculados até 31/05/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante à fl. 3.945, o Fisco em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, constatou Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.950/3.955), parte integrante do Auto de Infração, que consta as seguintes informações, extraídas do relatório da decisão a quo. No relato fiscal, a autoridade lançadora esclarece que no curso da Ação Fiscal realizada junto ao esposo da fiscalizada, foi apurada omissão de Receita da Atividade Rural desenvolvida em Imóvel Rural comum com o cônjuge, em decorrência do regime de casamento comunhão de bens, conforme Certidão de Casamento da contribuinte. A fim de verificar a exatidão das informações referentes às vendas efetuadas pelo esposo da contribuinte aos adquirentes de toras pinus, foram expedidos Termos de Diligência Fiscal às empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A. Em resposta, a empresa Tafisa Brasil S/A apresentou relação de notas fiscais de entrada emitidas pela empresa; cópias das notas fiscais de entrada emitidas pela empresa e cópia das notas fiscais de produtor emitidas pelo esposo da contribuinte; relação de Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.005 3 pagamentos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte; e cópia dos depósitos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte. A empresa Trombini Industrial S/A, em resposta às intimações, apresentou relação das notas fiscais de produtor emitidas pelo esposo da contribuinte e respectivas notas fiscais de entrada emitidas pela empresa; cópia das notas fiscais de produtor emitidas pelo esposo da contribuinte e respectivas notas fiscais de entrada emitidas pela empresa; relação de todos os pagamentos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte; cópia de todos os pagamentos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte; e cópia da tela do sistema de manutenção de cadastro de fornecedores por filial. Diante dos documentos apresentados, a autoridade fiscal constatou, ao comparar o valor dos produtos da nota fiscal de produtor com o valor dos produtos da nota fiscal de entrada, que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra no Anexo 1, às folhas 3886 a 3937. Fundamenta a autoridade fiscal que a confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de depósitos/pagamentos efetuados pelas empresas, como se verifica na Relação de Recebimentos do Anexo 2, elaborada pelo autuante, às folhas 3938 a 3940. Salienta a autoridade fiscal que os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas. Assim, conclui a autoridade fiscal que a Receita Bruta da Atividade Rural obtida pela contribuinte e seu esposo, apurada mediante notas fiscais de produtor apresentadas por seu cônjuge, pelas empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A, empresas que adquiriram pinus, e das respectivas Notas Fiscais de Entrada, constantes do Anexo I, é de R$ 2.033.414,39, no anocalendário 2003, R$ 1.817.382,11 no anocalendário 2004 e R$ 3.539.872,69 no anocalendário 2005. Ressalta a autoridade fiscal, que a receita da atividade rural deve ser tributada na proporção de 50% para cada um dos cônjuges, sendo a base de cálculo arbitrada à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme artigo 18, §2º da Lei nº 9.250, de 1995. A contribuinte, entretanto, não apurou resultado tributável da atividade rural nas Declarações de Ajuste Anual Simplificada, nos anoscalendário 2003 a 2005. A justificar a aplicação da multa de oficio de 150%, a autoridade fiscal explica, à folha 3.954: Conforme relatado, o valor dos produtos foi subfaturado, inserindo Notas Fiscais de Produtor e nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real. Comparando o valor dos produtos da Nota Fiscal de Produtor com o valor dos produtos da Nota Fiscal de Entrada, verificase claramente que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra o Anexo I Termo de Início da Fiscalização. A confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 depósitos/pagamentos efetuados pela Tafisa Brasil S/A e pela Trombini Industrial S/A conforme pode ser verificado na Relação dos Recebimentos do Anexo 2 Termo de Início da Fiscalização. Os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas pelos adquirentes. Caracterizado o evidente intuito de fraude, nos termos previstos no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, pela inserção nas Notas Fiscais de Produtor de valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, a multa aplicável a esta infração é de 150%. Encerrando os trabalhos fiscais, foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, protocolizada sob o nº l3984.000735/200733, em cumprimento ao disposto na Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005.” Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação em 31/07/2007, (fls 3959/3968), alegando, o que segue: Inicia a contribuinte alegando, sob o título Das razões da defesa, que: Apenas por presunção, de ordem racional a respeito das justificativas lançadas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no demonstrativo de cálculos, os quais serviram como base para a imposição da notificação, é que se pode acusar falha consistente e a existência de erro material, visto que há evidente incoerência no lançamento efetuado. No tópico Desobediência ao princípio constitucional da capacidade contributiva a contribuinte alega que o lançamento abandona o princípio fundamental da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, §l° da CF/88, corolário do princípio da igualdade. Conclui que resta evidente a imposição da exigência acima da capacidade de pagamento da contribuinte, demonstrada pela simples análise da situação patrimonial. Alega ainda que o lançamento combatido afronta o princípio do confisco. Sustenta no tópico “Dos valores apurados pelo Fisco”, que há grande distorção entre os valores declarados pela contribuinte e o valor apurado pelo fisco, eis que o primeiro tributouse pelo valor das notas fiscais de produtor rural emitidas e lançadas em livro caixa da atividade rural (entregue ao fisco). Já o fisco levantou os valores que deram sustentação à notificação aqui combatida, em informações de empresas adquirentes de PINNUS. Tais informações não podem prevalecer, tendo em vista que o contribuinte vendeu seus produtos com o destaque das notas fiscais correspondentes, portanto, não se pode atribuir a este o dever de recolher tributos sobre os valores informados pelo já ditos adquirentes. Não seria de interesse destas em aumentar seus custos através da elevação do valor constantes nas notas de entradas. Perguntase: Onde está a nota fiscal complementar para comprovar o efetivo valor? Jamais tal documento foi solicitado pelo adquirente, o que inviabiliza totalmente tal assertiva. No último tópico de sua contestação Da multa qualificada (150%) – a contribuinte alega que jamais tentou qualquer conduta fraudulenta, estando sempre a disposição do fisco. E, que a aplicação da multa qualificada somente pode ocorrer quando restar plenamente comprovada e demonstrada inequivocamente a conduta fraudulenta do Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.006 5 contribuinte, o que não ocorreu no caso em tela. Em sua defesa, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Por fim, solicita o cancelamento do lançamento. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. O resultado da atividade rural, correspondente à diferença entre a receita bruta e as despesas ocorridas ao longo do ano calendário ou, opcionalmente, 20% da receita bruta, será adicionado à base de cálculo do imposto devido no ajuste anual. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. IMPROCEDÊNCIA. A existência de incorreções materiais no levantamento da matéria tributável, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente não acatáveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO . Anocalendário: 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 É aplicável a multa de oficio de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Lançamento Procedente” Sobreveio Recurso Voluntário em 26/11/2008 (fls. 7.836/7.846), desacompanhado de documentos, no qual a contribuinte, em síntese, ratificou a impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos da atividade rural, desenvolvida em Imóvel Rural comum com o cônjuge, aplicada multa de ofício qualificada, face à constatação pelo Fisco de inexatidão das informações referentes às vendas efetuadas pelo cônjuge da contribuinte aos adquirentes de toras pinus, e quanto a estes, expedidos Termos de Diligência Fiscal (empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A). Preliminarmente, alega o contribuinte que houve desobediência ao Princípio da Capacidade Contributiva, fundado no art. 145, §1º, da CF/88, sob o argumento de que no caso, se impôs uma exigência tributária acima da capacidade de pagamento do contribuinte, argumentado inclusive que, “tal fato fica demonstrado pela simples análise da situação patrimonial do recorrente”, e que por ser assim, “o presente lançamento deve ser totalmente anulado, tendo em vista afrontar a Constituição Federal do Brasil”. O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos e exigir das pessoas para que elas contribuam com as despesas públicas, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frisese que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, como quer fazer crer o recurso interposto a este E. Conselho, portanto, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas. Assim, rejeito esta preliminar. No mérito, quanto a Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, consta do Termo de Verificação Fiscal em fls. 3.954, que “o valor dos produtos foi subfaturado, inserindo Notas Fiscais de Produtor e nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real” e ainda que, “comparando o valor dos produtos da Nota Fiscal de Produtor com o valor dos produtos da Nota Fiscal de Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.007 7 Entrada, verificase claramente que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra o Anexo I Termo de Início da Fiscalização.” Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos, vez que constam dos autos prova material de que as Notas Fiscais de Produtor, emitidas pelo cônjuge da contribuinte às empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A, não correspondem ao valor das Notas Fiscais Fatura de Entradas e do respectivo pagamento ao esposo da contribuinte. Quanto à afirmação da contribuinte de que as empresas teriam aumentado o valor da Nota Fiscal Fatura de Entrada, não merece guarida, vez que, as empresas compradoras demonstram mediante documentação hábil e idônea o efetivo pagamento dos valores constantes das Notas Fiscais de Entrada ao cônjuge da contribuinte. A fim de comprovar tais alegações, caberia à contribuinte apresentar as Notas Fiscais de Produtor que complementariam o valor pago pelas empresas, bem como que os respectivos valores recebidos foram devidamente registrados em seu Livro Caixa. Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das referidas empresas, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da decisão a quo: Notese que a autoridade fiscal informou a contribuinte, no curso da fiscalização, dos documentos apresentados pelas empresas Notas Fiscais de Entrada e depósitos bancários, e intimoua a justificar as divergências de informações. A contribuinte, entretanto, nada justificou. Portanto, como afirma a autoridade fiscal, a confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de depósitos/pagamentos efetuados pelas empresas. Inclusive, como bem observou a DRJ/FNS, “o que se está cobrando da contribuinte é o imposto de renda devido sobre a Receita da Atividade Rural não declarada, sem qualquer cobrança do imposto devido pelos adquirentes da mercadoria”, e “neste sentido a autoridade fiscal ressalta, à folha 3953, que os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas pelos adquirentes”. Finalmente, no que tange a multa qualificada, de conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Súmula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Com efeito, dado o contexto probatório dos autos, verificouse que o Fisco logrou comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A. Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 3.954): “[...] Comparando o valor dos produtos da Nota Fiscal de Produtor com o valor dos produtos da Nota Fiscal de Entrada, verificase claramente que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra o Anexo 1 Termo de Início de Fiscalização. A confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de depósitos/pagamentos efetuados pela Tafisa Brasil S/A e pela Trombini Industrial S/A conforme pode ser verificado na Relação dos Recebimentos do Anexo 2 Termo de Início de Fiscalização. Os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas pelos adquirentes.[...]” Esse artifício de subfaturamento do valor da vendas de pinus submetese ao conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/94: “Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Corroborando o entendimento acima, cabe citar a ação judicial nº 2007.72.06.0026869/SC, movida pelo cônjuge da contribuinte, Sr. Domingos da Silva Martins, na qual, foi mantida a multa qualificada (150%), pelos mesmos fatos constantes do presente processo, visto que tratavase de condomínio. Assim, correta a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, ou seja, no percentual de 150%. Por ser assim, ratifico a decisão de primeira instância na íntegra, devendo ser mantido o lançamento e a multa qualificada. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.008 9 Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000666/2002-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ITR. ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE
A falta de averbação da ARL - Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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FLOBASA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR. ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE A falta de averbação da ARL Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 06 66 /2 00 2- 53 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de glosa da ARL Área de Reserva Legal, relativamente ao ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 1997. Em sessão plenária de 28/02/2007, foi julgado o Recurso Voluntário nº 133.412, prolatandose o Acórdão nº 30133.697, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Não há sustentação legal para exigir averbação das áreas de reserva legal como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a áreas que sejam de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei n°4.771/65(Código Florestal). Recurso Voluntário Provido.” Cientificada do acórdão em 1º/09/2011 (fls. 108), a Fazenda Nacional interpôs, em 12/09/2011, o Recurso Especial de fls. 110 a 121, por contrariedade à lei, visando rediscutir a necessidade de averbação tempestiva da ARL – Área de Reserva Legal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 09/07/2012 (fls. 122/123). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: da análise das alegações e da documentação radicada nos autos, com a finalidade de justificar as áreas reserva legal, resulta a constatação do descumprimento, pelo contribuinte, da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis; a Lei n° 9.393, de 1996, prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR no art. 10, II; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13984.000666/200253 Acórdão n.º 9202003.367 CSRFT2 Fl. 8 3 o primeiro ponto que se deve destacar, no tocante às áreas excluídas da incidência do ITR, é que o citado dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; no caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis consoante determina a legislação; com efeito, a Lei n ° 7.803, de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel, vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área” (art. 16, § 2 ° ); assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; à luz desses princípios, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edigão, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos atores interessados na questão, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária; o texto legal – Lei n° 4.771, de 1965, alterado pela Lei n° 7.803, de 1989, e pela Medida Provisória n° 216667, de 2001 – é preciso ao estabelecer que: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: § 8° A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competentes, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Grifos nossos). nesse sentido, inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matricula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações e, mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público (cita jurisprudência do STJ); ora, uma vez definidos pela lei a Área de Reserva Legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio; tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II, da Lei n° 9.393, de 1996, transcrito acima); áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas “existir” no mundo tático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel; deveras, o art. 16 da Lei n°4.771, de 1965, dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas; assim, a mera declaração de existência fática da área de reserva legal não tem, de fato, o condão de atender aos requisitos da legislação pátria vigente para excluíla quando da apuração do ITR. Para que se possa valer do beneficio, a área deve estar devidamente averbada à margem da matricula do imóvel à época do fato gerador do tributo; portanto, ainda que se prove a existência material das áreas de reserva legal, como não se atendeu ao fim real da norma (art. 16), assim como suas disposições complementares (§ 8°), incidirá o imposto se a averbação não tiver sido providenciada no prazo legal; ora, a inexistência do compromisso público de preservar as áreas, assim como o compromisso extemporâneo não podem ter o condão de dispensar o tributo anterior à respectiva anotação. Caso assim o fosse, estaria prejudicada a medida de incentivo à conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o beneficio da exclusão de tais areas na apuração do ITR e o Poder Público não teria qualquer garantia quanto à responsabilidade pela preservação; é preciso ponderar que a necessidade do reconhecimento prévio do Poder Público, além de decorrer do comando legal segundo o qual o lançamento se reporta à data do fato gerador, objetiva assegurar a adequada aplicação do fim da norma, cerceando a ocorrência de fraudes e abusos, tanto mais que possibilita o seu controle, a um só tempo, pela sociedade e o Estado, dada a publicidade que decorre das exigências analisadas; a obrigatoriedade de controle decorre do fato de que as áreas de preservação têm, como já reiteradamente defendido, no interesse da coletividade e na realização de política extrafiscal a motivação para a outorga do beneficio (cita doutrina de Roque Antonio Carraza); por meio de incentivos fiscais, a pessoa jurídica tributante estimula os contribuintes a fazerem algo que a ordem jurídica considera conveniente, interessante ou oportuno (p. ex. instalar indústrias em região carente do País), e este objetivo é alcançado por intermédio da diminuição ou, até, da supressão da carga tributária; os incentivos fiscais manifestamse sob a forma quer de imunidade (v.g. imunidade de ICMS às exportações de produtos industrializados), quer de isenções tributárias (p. ex., isenção de {PI sobre as vendas de óculos); Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13984.000666/200253 Acórdão n.º 9202003.367 CSRFT2 Fl. 9 5 com vistas a alcançar esses interesses sociais é que são totalmente cabíveis as disposições normativas que tratam da obrigatoriedade da comprovação, para fins de apuração do ITR, da mencionada averbação; os Tribunais pátrios têm se manifestado também no sentido da legalidade das normas aqui defendidas (cita jurisprudência do STJ e do TRF/4ª Região); por fim, cabe ainda arrematar que a simples declaração de existência de tais áreas não é, de fato, suficiente para se comprovar a existência das áreas de reserva legal; temse invocado as disposições da Medida Provisória n° 2.166, de 2001 para defender que a mera declaração seria suficiente para se permitir a exclusão das áreas na apuração do ITR, porém tal argumento não tem como prosperar, como bem salientou a ilustre Conselheira Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto da Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 30237.536: “E bem verdade, como assinalou o interessado, que, nos termos do dispositivo pertinente, da MP n° 2.166/2001, o contribuinte não está sujeito comprovação prévia dos dados e das informações que presta. Isso não significa (como acontece também nos casos de Imposto de Renda), que o mesmo não seja obrigado a comprovar o que declarou, quando for devidamente intimado para tal. 'Não estar sujeito a comprovação prévia significa, textualmente, não precisar juntar, a declaração, os comprovantes pertinentes'. Contudo, se intimado, o contribuinte tem que apresentálos. Não sujeição à comprovação prévia, evidentemente, não significa falta de comprovação.” (Grifos nossos) assim, em emergindo dúvidas acerca dos dados informados, mostrase legítima a intimação do contribuinte a comprovar os elementos apresentados, com a exibição do documento apropriado, a saber, o comprovante da averbação da reserva legal, CI margem da matricula do imóvel, em data anterior à ocorrência do fato gerador do tributo; portanto, como no caso dos autos, o contribuinte sequer averbou à margem da matrícula do imóvel a área de reserva legal, merece ser reformada a decisão recorrida. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 06/08/2012 (fls. 167/168), a Contribuinte quedouse silente (fls. 169). Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram ofere4cidas Contrarrazões. Tratase de glosa da ARL Área de Reserva Legal, relativamente ao ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 1997. Quanto à ARL – Área de Reserva Legal, há um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação tempestiva no registro de imóveis competente. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. Destarte, ao fazer referência à Lei Ambiental, a Lei nº 9.393, de 1996, na verdade condiciona a exclusão da tributação da ARL – Área de Reserva Legal à averbação tempestiva no respectivo registro de imóveis. Assim, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803, de 1989, determinava a averbação da ARL Área de Reserva Legal, conforme a seguir: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Entretanto, no caso em apreço, não foi providenciada a necessária averbação, o que inviabiliza a exclusão da ARL – Área de Reserva Legal da tributação do ITR. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13984.000666/200253 Acórdão n.º 9202003.367 CSRFT2 Fl. 10 7 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720031/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE.
Não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado..
Numero da decisão: 1401-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECERAM e REJEITARAM os embargos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, , Fernando Luiz Gomes de Mattos, Henrique Heiji Erbano, e Maurício Pereira Faro. Ausente justificadamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECERAM e REJEITARAM os embargos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, , Fernando Luiz Gomes de Mattos, Henrique Heiji Erbano, e Maurício Pereira Faro. Ausente justificadamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECERAM e REJEITARAM os embargos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, , Fernando Luiz Gomes de Mattos, Henrique Heiji Erbano, e Maurício Pereira Faro. Ausente justificadamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 00 31 /2 00 7- 43 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720031/200743 Acórdão n.º 1401001.253 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta. Nos embargos relativos aos processos nº 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720031/200743, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43, 10725,720113/200798 e 19404.000358/200298, a alegação é de que o crédito objeto de restituição já teria sido aproveitado no auto de infração 15521.000140/200751 Nos embargos constantes do processo nº 10725.720030/200707, aduz a Fazenda Nacional que o crédito objeto de restituição não seria líquido e certo tendo em vista a lavratura do auto de infração nº15521.000140/200751. Já no processo nº 10725.720109/200720, a alegação dos embargos é de que “as conclusões do v. acórdão passaram ao largo tanto das disposições legais que orientam a acusação fiscal, quanto dos negócios jurídicos que ensejaram o fato gerador”. Por fim, no processo nº 15521.000140/200751 (auto de infração), a Fazenda Nacional opõe Embargos Declaratórios com a alegação de obscuridade. Segundo alega, “o colegiado entendeu que o fiscal teria apurado o lucro real sobre as receitas omitidas. Todavia, a partir da leitura do relatório fiscal, de fls. 3658/3717, constatase que a autoridade arbitrou o lucro. Portanto, aparentemente, ao dizer que não haveria base legal para a o “arbitramento de receita”, quando não foi isso que aconteceu”. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720031/200743 Acórdão n.º 1401001.253 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Os embargos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos de lei, deles conheço. Embargos de declaração Processos nº 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720031/200743, 10725.720111/200707, 10725.720112/200743, 10725,720113/2007 98 e 19404.000358/200298 Aduz, a Fazenda Nacional, que o crédito objeto de pedido de restituição já fora apropriado para redução do auto de infração controlado pelo processo nº 15521.000140/200751. Referido auto de infração foi cancelado na mesma decisão que reconheceu o direito creditório. Assim, não merece acolhida a irresignação da Embargante. Embargos de Declaração – Processo nº 10725.720030/200707 Aduz, a Fazenda Nacional, omissão no julgamento dos processos em referência, uma vez que o fundamento da negativa de restituição dos valores postulados recai, exclusivamente, no fato de que os saldos negativo não serem líquidos e certos, tendo em vista ter havido a lavratura do auto de infração constante do processo nº 15521.000140/200751. Ocorre que referido auto de infração foi cancelado na mesma decisão que reconheceu o direito creditório objeto de restituição. Por óbvio, assim, que não há falarse em ausência de liquidez e certeza do crédito postulado. Embargos de declaração Processo nº 10725.720109/200720 A, a alegação da Fazenda Nacional que “as conclusões do v. acórdão passaram ao largo tanto das disposições legais que orientam a acusação fiscal, quanto dos negócios jurídicos que ensejaram o fato gerador” não são supríveis por meio de embargos de declaração. Na verdade, tratase de inconformidade com os fundamentos da decisão, conforme restará adiante demonstrado, não havendo qualquer complemento a ser feito na decisão. Embargos de Declaração 15521.000140/200751 (auto de infração) Aduz a Fazenda Nacional que houve erro no julgado, uma vez que o voto faz referencia ao arbitramento da receita da Contribuinte, quando em verdade o que teria ocorrido seria apenas arbitramento do lucro. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720031/200743 Acórdão n.º 1401001.253 S1C4T1 Fl. 5 4 Novamente, sem razão a Fazenda Nacional. Conforme se extrai da decisão embargada, a Fiscalização promoveu o arbitramento da receita da Embargada a partir dos contrato e pagamentos realizados pela Cayman Cabiúnas Investment & Co, conforme item 4.2.3 do termo de verificação fiscal do auto de infração, assim resumido: . Nos termos do TVF, “resumidamente, temse, em tese, o seguinte quadro: imputase à fiscalizada o percentual de 78,332% como participação nas receitas e custos/despesas do empreendimento. Como resultado, no que toca ao reconhecimento das receitas de todo o empreendimento, a fiscalizada deverá reconhecer, além daquelas relacionadas aos pagamentos que foram solicitados e efetuados em seu favor (já abordado acima), aquelas decorrentes da aplicação do percentual de 78,332% sobre os pagamentos solicitados e efetuados em favor de subcontratada” Nesse sentido, a decisão embargada entendeu errôneo o procedimento fiscal utilizado para se arbitrar a receita tributável e por isso a Turma Julgadora cancelou a autuação, cujos fundamentos não podem ser revistos em sede de embargos de declaração. Vejase o decidido por esta Turma Julgadora, in verbis: “Por outro lado, não se atribuiu, no Contrato EPC, qualquer ordem de execução concreta aos sócios Toyo Co. e Setal Overseas, ficando toda a responsabilidade pelo cumprimento do contrato apenas com a sociedade de propósito específico constituída para este fim, quem seja, a Toyo Setal, ora Recorrente. Na verdade, nem de poderia atribuir qualquer responsabildaide operacional as empresas estrangeiras, tendo em vista a vedação expressa nesse sentido constante do contrato EPC. Assim, se a Recorrente é a resultante da joint venture formada pela Toyo Co. e pela Setal Overseas, cabendo a ela o desenvolvimento e execução do Projeto Cabiúnas, entendo que a totalidade dos rendimentos decorrentes de referido contrato deveria ter sido aportado nessa empresa, ou seja, os U$590.631.845,14 deveriam ter sido pagos Toyo Setal do Brasil, no Brasil. De fato, a Recorrente é a única empresa, na resultante da associação da Toyo Co. e da Setal Overseas, que desenvolveu e executou o empreendimento no território nacional. A central de operações de todo o contrato, sob a ótica das Contratadas, se fixou no território brasileiro, nas mãos da Recorrente, sob supervisão e controle da Petrobras – tanto que, qualquer Fl. 419DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720031/200743 Acórdão n.º 1401001.253 S1C4T1 Fl. 6 5 alteração do projeto deveria ser previamente submetido a sua aprovação. Se foram necessárias importações de bens e serviços, quem as realizou foi a Recorrente, inclusive de sua coproprietária Toyo Co.. Se foram necessárias subcontratações, quem as realizou foi a Recorrente, ainda que de sua coproprietária Setal SP. Nesse contexto, conforme ensina Heleno Torres (Idem Ibidem, pg. 290), in verbis: Para o país de localização da corporated joint venture, pelo princípio da territorialidade, vigorará o regime de tributação ordinária sobre a renda de pessoas jurídicas, variando o tratamento impositivo conforme o tipo societário escolhido. Assim, para esta classe não se apresenta qualquer dificuldade para a definição do regime impositivo, devendo, apenas, ser compatível com o tipo de pessoa jurídica que venha a ser constituído. Quanto ao regime jurídicotributário aplicável aos venturers estrangeiros, possuidores de quotas ou ações da corporated joint venture, será o que for dispensado para os nãoresidentes. Dessa feita, a realização de pagamentos diretamente pela Cabiúnas Co. à jv Toyo Co. e Setal Overseas, remetidos para o Japão, é que constituem a receita omitida, posto que deveriam ter sido destinados à Recorrente, no Brasil, e posteriormente remetidos aos exterior, na forma de distribuição de lucros, ou dividendos (para os quais, inclusive, existe cláusula de tax sparing, nos termos do protocolo adicional da Convenção Brasil Japão para Evitar a Dupla Tributação). Todavia, não foi esta a receita omitida que sustentou a negativa da compensação ora em debate.” Mesmo porque, a se admitir a receita omitida da forma como posto no auto de infração, essa receita equivaleria a despesas de mesmo valor, o que, em apuração da renda pela sistemática do lucro real, anularia o efeito fiscal. Vejase a decisão: “O valor tido por omitido, assim, referese exclusivamente a recebimentos indiretos proporcionalmente apurados em relação ao pagamento, pelas Contratantes, das empresas sub contratadas Petrobras e Setal SP. Para que isso fosse possível, todavia, seria imperioso reconhecer que a omissão de receita, na hipótese, equivale exatamente ao montante destinado ao pagamento das subcontratadas, o que, para fins e apuração do lucro tributável da empresa optante pelo lucro real, tornase irrelevante. No lucro real, se a receita equivale à despesa, o resultado tributável para apuração do IRPJ e CSLL é zero. De fato, admitida, por hipótese, a imputação feita pela Autoridade Fiscal, o lucro tributável seria a receita considerada omitida subtraída das despesas reconhecidas (vez que, ao declarar o caráter de subcontratação daquelas operações, deve Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720031/200743 Acórdão n.º 1401001.253 S1C4T1 Fl. 7 6 se reconhecer o crédito e o débito inerentes ao contrato), sendo que o lucro apurado, para fins de tributação, seria nulo. Ou seja, a receita omitida equivaleria ao pagamento de despesas referentes ao desenvolvimento do próprio projeto. Se de um lado, a receita omita pela Recorrente referese a pagamentos por sua conta e ordem realizado à subcontratação no desenvolvimento do Contrato EPC, de outro há de ser reconhecido o pagamento, pela Recorrente, dessa mesma sub contratação, no âmbito daquele contrato. Não houve imputação de omissão de receitas decorrentes do pagamento realizado pela Cabiúnas Co. à Toyo Co., no Japão, e à Setal Overseas, estes sim capazes de interferir na composição do saldo negativo da empresa.” Por fim, a Turma Julgadora entendeu pela impossibilidade, nesta fase processual, da alteração do fundamento jurídico do lançamento, in litteris: “No entanto, os fundamentos jurídicos da imputação da omissão de receita tomadas pelo auto de infração são, no meu entendimento inconsistentes. De fato, como demonstrado, meu entendimento acerca dos fatos e do direito a eles aplicável não admite (i) a existência do consórcio; (ii) a segregação das receitas realizadas pela Auditoria Fiscal e (iii) o arbitramento da receita tomando por base critério jurídico não previsto em lei. Neste sentido, manter a autuação por fundamento jurídico diverso daquele utilizado como fundamento do lançamento encontrase inviável. Tenho entendimento consolidado que não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado, sendo que a imputação de omissão de receita, da forma como consignado no lançamento, não possui fundamento a sustentar a omissão de receita imputada à Recorrente. (...) Não se está autorizado, na ordem jurídica brasileira, à análise meramente econômica dos negócios empreendidos, de forma a permitir dizer que, se a totalidade das receitas decorrentes do Contrato EPC deveriam ter sido imputadas à Toyo Setal, a atribuição de parte dessas receitas também poderia possível quando o fundamento fático e jurídico que respaldam referidas imputações são diversos. Mormente no caso como o presente, em a imputação de receita omitida equivale aos valores que, em tese, também corresponderiam à despesa, nulificando o efeito fiscal, para fins de lançamento tributário, dos valores considerados segundo a versão fiscal que respalda o lançamento.” Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720031/200743 Acórdão n.º 1401001.253 S1C4T1 Fl. 8 7 Diante do exposto, conheço dos embargos de declaração e negolhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11080.930869/2011-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-004.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos do relatório e voto. Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos do relatório e voto. Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 69 /2 01 1- 15 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930869/201115 Acórdão n.º 3801004.281 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930869/201115 Acórdão n.º 3801004.281 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou as compensações. Apresentada impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA) analisou o pedido e julgou improcedente a manifestação (fls. 2 a 4), aplicação da redução de alíquota prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos. Secundado pela doutrina, tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS e do PIS. ART. 1º E 2º DA LEI N.º 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS e do PIS prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A DRJ Porto Alegre destaca, ainda, que pelo art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Às fls. 72 a 79 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz, em síntese, que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930869/201115 Acórdão n.º 3801004.281 S3TE01 Fl. 5 4 A antiga 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso voluntário, dandolhe provimento por meio da seguinte ementa (fls. 90 a 97): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 99 a 101), alegando a ocorrência de: Omissão quanto a manifestação sobre a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84, vêse que procede, uma vez que não consta no voto menção a referida. É o relatório Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930869/201115 Acórdão n.º 3801004.281 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Os embargos de declaração foram interpostos no prazo legal, razão pela qual são admitidos. Em relação à alegação de omissão quanto a manifestação sobre a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84, vêse que não procede, uma vez que o fato de não constar no voto menção a referida não altera o seu resultado. A Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84, esclareceu que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Ocorre que a referida teve sua publicação em 11 de julho de 2008 e, posteriormente, pela publicação da Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, houve a retirada desta restrição por força do art. 50 da referida lei. Entendo que esta lei pode ser aplicada ao presente caso, considerandose sua retroatividade benéfica ao contribuinte, como exposto pela Presidente e Relatora Nayra Bastos Manatta, na sessão de 7 de julho de 2011, na ementa abaixo descrita: “EMENTA: REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSITIVO NO ART. 52 DA LEI Nº. 12.431/2011. O artigo 52 da Lei 12.431/2011 concedeu remissão expressa aos débitos de responsabilidade da pessoa jurídica supridora de gás e das companhias distribuidoras de gás estaduais, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, correspondente à Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2002 até a data anterior à publicação desta Lei. (Rec. Vol. 253.806, Acórdão 3402001.382, Relatora Nayra Bastos Manatta, Sessão de 7.7.2011)” Logo, entendo que não devem ser acolhidos os presentes aclaratórios, visto inexistirem omissões que alterem o julgamento do presente acórdão, devendo ser mantido o seu provimento. Cabe esclarecer que não se pode por meio da estreita via dos embargos pretender substituir a utilização da via recursal adequada para a reforma de uma decisão. Diante do exposto, conheço e rejeito os embargos de declaração mantendo o provimento do recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930869/201115 Acórdão n.º 3801004.281 S3TE01 Fl. 7 6 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10909.002160/2007-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA
Realidade em que a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi glosada unicamente por suposta insubsistência de créditos do IPI em vista de aduzida não comprovação das transações comerciais realizadas com outra pessoa jurídica.
Confirmadas as transações comerciais mediante procedimento de fiscalização específico, e, assim, corroborado o crédito reclamado pela recorrente, deverá ser homologada a compensação vislumbrada pela mesma.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-003.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral, pela recorrente, Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC 33.181.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA Realidade em que a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi glosada unicamente por suposta insubsistência de créditos do IPI em vista de aduzida não comprovação das transações comerciais realizadas com outra pessoa jurídica. Confirmadas as transações comerciais mediante procedimento de fiscalização específico, e, assim, corroborado o crédito reclamado pela recorrente, deverá ser homologada a compensação vislumbrada pela mesma. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela recorrente, Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC 33.181. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 21 60 /2 00 7- 06 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 331/337), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do IPI, no valor de 249.846,62, correspondente ao terceiro trimestre de 2005. O pleito se alicerçou no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Segundo relatório que subsidiou a decisão de primeira instância, a contribuinte, posteriormente, apresentou o pedido de ressarcimento/declaração de compensação PER/DCOMP n 28462.32077.090206.1.3.010595, no valor de R$ 13.707,17, relativo ao mesmo período de apuração. As compensações efetuadas encontramse discriminadas às fls. 211/212. Em exame do pedido, a DRF Itajaí glosou totalmente o crédito do IPI correspondente às notas fiscais de emissão da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ 65.727.711/000108, correspondente ao montante de R$ 252.086,64. A glosa foi motivada em decorrência das seguintes constatações relatadas pela autoridade fiscal (ver Parecer SARAC de fls. 188/193): a) a interessada não comprovou os pagamentos em favor da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda.; b) também não apresentou os conhecimentos de transporte das compras efetuadas à Petropolímeros (apenas informou que o fornecedor seria o responsável pelo transporte); c) nas notas fiscais emitidas pela Petropolímeros não foi identificado o transportador (embora na maioria das notas tenham sido registradas as placas dos veículos, estas, contudo, mediante consulta ao RENAVAM, correspondiam a placas inexistentes ou a veículos que “não poderiam ter transportado as cargas”); e, d) ausência de carimbo da fiscalização estadual na transposição da fronteira. Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o seguinte: a) que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume; b) que a empresa dispunha de caixa excedente e que por muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando economia com a contribuição provisória sobre movimentações financeiras; c) que em 2006 passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2006; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10909.002160/200706 Acórdão n.º 3802003.684 S3TE02 Fl. 506 3 d) que o despacho decisório se assenta em presunção; e) que o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não são de sua responsabilidade; f) que a movimentação de seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; e, g) que a legislação lhe dá direito à compensação tributária. A primeira instância, todavia, não acolheu os argumentos aduzidas pela reclamante em vista das “provas indiretas de inexistência das operações da Manifestante com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA.”. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/06/2012 (fls. 341 do processo eletrônico). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/07/2012, o recurso voluntário de fls. 342/364, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que o transporte foi feito mediante modalidade CIF, de forma que ao emitente incorrem as responsabilidade do transporte, bem como inerentes ao preenchimento das notas fiscais, na forma do Regulamento do ICMS; b) que a empresa não tem por hábito a recusa da entrega de mercadorias pela incompatibilidade de placas entre a nota fiscal e o veículo; c) quanto à falta de carimbo da fiscalização estadual ressalta que em nenhuma das notas fiscais emitidas pela Petropolímeros existe identificação do transportador e que o trajeto feito pelo veículo não é de sua responsabilidade; e, d) que, após o início deste processo administrativo, a empresa fora fiscalizada (processo no 10909.004957/200900), não tendo correspondente ação fiscal detectado nenhuma irregularidade nas transações entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007; sobre a questão, apresenta documentação que, pede, seja aceita como prova suficiente para desconstituir o lançamento. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso com a correspondente homologação da compensação pleiteada. Em sessão realizada em 19 de março de 2013 esta Segunda Turma Especial converteu o julgamento do feito em diligência, a fim de que fossem juntados aos autos a cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/200900 e eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987 e 10909.720238/200921. Os documentos em tela foram acostados, respectivamente, às fls. 399/402, 466/468, 470/472, 475/477 e 479/481. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Cientificada do resultado da diligência, a interessada, mediante expediente de fls. 484/486, assevera que os documentos acostados aos autos comprovariam a inexistência de irregularidades nas transações realizadas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., não havendo, portanto, razão para se negar a homologação da compensação objeto dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A diligência que propusemos foi baseada nos seguintes termos: O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 380/383 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo no 10909.004957/200900. [...] Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista dos processos objeto do exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10909.002160/200706 Acórdão n.º 3802003.684 S3TE02 Fl. 507 5 Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...] Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/07/2005 a 30/09/2005. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo no 10909.004957/2009 00 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/200900 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/2009 21; e, Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. [...] Conforme disposto acima, o motivo da glosa da compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi a aduzida não comprovação das transações realizadas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. O período de apuração objeto da lide é relativo ao terceiro trimestre de 2005. Não obstante, segundo o relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/200900 (fls. 399/402), à exceção de algumas discrepâncias de percentuais nas alíquotas do IPI, não foi identificada nenhuma irregularidade nas transações comerciais realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros, conforme trecho que reproduzimos abaixo, novamente: Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) Em função disso foram homologadas as compensações correspondentes ao anobase de 2007, objeto dos processos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921, cujos despachos decisórios foram acostados, respectivamente, às fls. 466/468, 470/472, 475/477 e 479/481 dos autos do presente processo. Assim, considerando que a fiscalização referenciada, também no período de que trata a presente contenda, examinou e afastou qualquer problema relacionado às transações perpetradas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., único motivo alegado para a glosa dos créditos do IPI e, por conseguinte, da compensação objeto dos autos, entendo que deverá ser dado provimento ao recurso e reconhecido o direito à compensação tributária guerreada pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário formalizado pela interessada. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10909.002160/200706 Acórdão n.º 3802003.684 S3TE02 Fl. 508 7 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904951/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 51 /2 01 2- 16 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904951/201216 Acórdão n.º 3801004.497 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.007874/2008-25
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Ementa:
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento de controle administrativo, de forma que omissões, incorreções ou inobservância de normas a ele relativas não implicam nulidade do lançamento. Mormente quando constatado que não ocorreu nenhuma irregularidade que pudesse extinguir o MPF, tendo a Fiscalização seguido estritamente os procedimentos determinados pela Portaria RFB nº 11.371, de 2007 e, quando os Autos de Infração são lavrados por autoridade competente e atendem a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir de então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo.
ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA REGULAMENTAR.INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA GRADAÇÃO.
A multa prevista no inciso I, art. 980 do RIR refere-se à não apresentação de arquivos magnéticos na forma prevista em lei. A multa a ser aplicada é de 0,5% sobre a receita bruta total da pessoa jurídica, inexistindo expressa autorização para sua gradação.
A entrega parcial, por não possibilitar a verificação satisfatória da regularidade fiscal, também se subsume ao citado dispositivo, cabendo a aplicação da multa em sua integralidade.
Numero da decisão: 1802-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento de controle administrativo, de forma que omissões, incorreções ou inobservância de normas a ele relativas não implicam nulidade do lançamento. Mormente quando constatado que não ocorreu nenhuma irregularidade que pudesse extinguir o MPF, tendo a Fiscalização seguido estritamente os procedimentos determinados pela Portaria RFB nº 11.371, de 2007 e, quando os Autos de Infração são lavrados por autoridade competente e atendem a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir de então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo. ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA REGULAMENTAR.INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA GRADAÇÃO. A multa prevista no inciso I, art. 980 do RIR refere-se à não apresentação de arquivos magnéticos na forma prevista em lei. A multa a ser aplicada é de 0,5% sobre a receita bruta total da pessoa jurídica, inexistindo expressa autorização para sua gradação. A entrega parcial, por não possibilitar a verificação satisfatória da regularidade fiscal, também se subsume ao citado dispositivo, cabendo a aplicação da multa em sua integralidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Marciel Eder Costa.
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Recorrente POSTO PÉROLA DO VALE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento de controle administrativo, de forma que omissões, incorreções ou inobservância de normas a ele relativas não implicam nulidade do lançamento. Mormente quando constatado que não ocorreu nenhuma irregularidade que pudesse extinguir o MPF, tendo a Fiscalização seguido estritamente os procedimentos determinados pela Portaria RFB nº 11.371, de 2007 e, quando os Autos de Infração são lavrados por autoridade competente e atendem a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir de então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo. ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA REGULAMENTAR.INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA GRADAÇÃO. A multa prevista no inciso I, art. 980 do RIR referese à não apresentação de arquivos magnéticos na forma prevista em lei. A multa a ser aplicada é de 0,5% sobre a receita bruta total da pessoa jurídica, inexistindo expressa autorização para sua gradação. A entrega parcial, por não possibilitar a verificação satisfatória da regularidade fiscal, também se subsume ao citado dispositivo, cabendo a aplicação da multa em sua integralidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 78 74 /2 00 8- 25 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Marciel Eder Costa. Relatório Trata o presente processo dos autos de infração, lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joinville/SC, exigindo da pessoa jurídica, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), no valor de R$ 12.821,70, fls.316/320, e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 7.693,02, fls.325/330, relativos ao ano calendário de 2003. Os tributos lançados foram acrescidos de multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 28.11.2008. Também foram lançadas as seguintes multas isoladas: Multa regulamentar, equivalente a meio por cento da receita bruta, pelo não atendimento, quanto à forma de apresentação, dos registros e respectivos arquivos em meio magnético dos anos calendário de 2002 e 2003, no valor de R$ 179.796,81 (fl.323); Multa isolada por falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 16.301,49 (fls.323/324); e Multa isolada por falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 7.874,76 (fls.333/338). Por economia processual e considerar pertinente adoto parte do Relatório da decisão recorrida (fls.407/415) que transcrevo a seguir: ... A ação fiscal estendeuse de 12/09/2007 a 19/12/2008 e teve como escopo a verificação fiscal do IRPJ e da CSLL relativos aos anos calendário de 2003. A empresa fiscalizada – pessoa jurídica sediada em Jaraguá do Sul e atuante no ramo de comércio varejista de combustíveis – optou, no ano calendário abrangido pela fiscalização, por apurar o resultado fiscal com base nas regras do Lucro Real Anual, com determinação das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL com base em balancetes Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 3 3 de suspensão/redução. Importa registrar, ainda, que a empresa opera, além da matriz situada em Jaraguá do Sul, duas filiais, sendo uma na mesma cidade da matriz e a outra em São Bento do Sul. Ao concluir os trabalhos, a autoridade fiscal relata as infrações à legislação tributária e enumera as penalidades aplicadas. Em síntese: . Omissão de receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização. (Art. 24 da Lei nº 9.249/95 e art. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283 e 288, do RIR/99) . Dedução de custos ou despesas não comprovadas. (art. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99), . Multa regulamentar, equivalente a meio por cento da receita bruta, pelo não atendimento, quanto à forma de apresentação, dos registros e respectivos arquivos em meio magnético. (Art. 265, 266, § 1º, e 980, inciso I, do RIR/99), . Multas Isoladas. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. (Art. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei nº 5.172/66.), . Falta de recolhimento da CSLL (Art 2º e §§, da Lei no 7.689/88; Art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da Lei nº 10.637/02) DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Segundo relato da autoridade fiscal (Termo de Verificação Fiscal, folhas 348 a 355), após ter iniciado o procedimento de auditoria da escrituração contábil da fiscalizada, com análise inicial dos registros constantes em meios físicos (livro diário, razão, registro de entrada e saída dentre outros) referentes ao ano calendário de 2003, a autoridade fiscal solicitou, em 10/12/2007 (Termo de Intimação às fl. 37/38), “os arquivos eletrônicos abaixo especificados, na forma do disposto nos arts. 265 e 266 do RIR/99”. Após solicitação e concessão de prazo adicional para entrega dos arquivos digitais, a fiscalizada apresentou, em 18/01/2008, parte dos arquivos solicitados, além de solicitar novo prazo adicional de 30 dias. Conforme a autoridade fiscal (fl. 350/352): Analisandose o conteúdo do CD entregue, verificouse que o mesmo possuía quatro diretórios, sendo os dois primeiros relativos aos arquivos contábeis (itens 9 a 11 da intimação) dos anos de 2002 e 2003. Tais arquivos foram submetidos a testes de consistência, não tendo sido encontrado nenhum problema aparente. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 Em relação aos outros dois diretórios, intitulados "Notas Fiscais 2002" e "Notas Fiscais 2003", cada um deles estava subdividido em três subdiretórios relativos aos estabelecimentos da pessoa jurídica, contendo um arquivo, ao que tudo indica, com informações sobre os Livros de Registro de Entrada e Saída. Entretanto, além de não estarem no formato solicitado, os arquivos não contavam com todas as informações necessárias aos livros citados. ... Analisandose o conteúdo do CD entregue com os dados da matriz, verificouse que o mesmo possuía dois diretórios, intitulados "Base Recuperada . 2002" e "Base Recuperada 2003", com arquivos compactados com os nomes de "cupons" e "notas", contendo, respectivamente, arquivos mensais com informações sobre os cupons e as notas fiscais emitidas e outros dois arquivos compactados, chamados de "compras" e "clientesprodutos serviços”, contendo, respectivamente, arquivos mensais de compras realizadas e cadastro de clientes. Nenhum deles seguia o leiaute e regras de formatação previstos no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001. Além disso, existiam outras quatro planilhas Microsoft Office Excel 2007 com os títulos "2002 Situação com Relação a IN86”, "2003 Situação com Relação a IN86”, "491” e "Panorama Geral em Relação a IN86”. Em relação a filial de São Bento do Sul, foram entregues dois CDs, sendo um para 2002 e outro para 2003. Cada CD continha seis arquivos intitulados "CLI E200X", "ENTC200X", "ENTI200X", "EST0200X", "INVE.200X" e "MERC200X". Nenhum desses arquivos obedecia ao leiaute e regras de formatação Previst44 o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001, não correspondendo,portanto, a qualquer item solicitado na intimação. Registrouse ainda que não foi possível ao menos determinar o significado de cada um dos campos dos arquivos entregues. Finalmente, em relação à filial de Jaraguá do Sul (CNPJ79.004.933/000298),não foi entregue nenhum arquivo, conforme informado pela empresa no protocolo de entrega. Em razão de não ter atendido integralmente à solicitação da intimação inicial de apresentação dos arquivos eletrônicos, a fiscalizada foi reintimada, em 20/08/2008 (fl. 61/63) a apresentar os arquivos faltantes. Em resposta, e após ter sido solicitado e concedido prazo adicional de 20 dias, a fiscalizada promoveu nova entrega de dados, assim relatada pela autoridade fiscal: Em 09 de setembro de 2008, em resposta ao Termo de Reintimação (f1.115), foram entregue dois novos CDs, que satisfariam os itens 1 e 2 da mesma, em relação à filial de São Bento do Sul. Foi solicitado prazo até o dia 15 daquele mês para a apresentação dos demais elementos. Analisandose o conteúdo dos CDs entregues, verificouse que o primeiro possuía quatro arquivos, sendo dois (2002 e 2003) Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 4 5 relativos as entradas e outros dois (2002 e 2003) relativos as saídas da filial de São Bento do Sul. Nenhum desses arquivos obedecia ao leiaute e regras de formatação previstos no Ato Declaratório Executivo COFIS no 15/20001, não correspondendo, portanto, a qualquer item solicitado na reintimação. Registrese ainda que não foi possível ao menos determinar o significado de cada um dos campos dos arquivos entregues. 0 segundo CD continha dezoito arquivos compactados, que corresponderiam aos oito itens da reintimação em relação a filial de São Bento do Sul, além da Tabela de Natureza da Operação, que não havia sido solicitada. Entretanto, os arquivos referentes aos itens 1 e 2 da reintimação (Arquivo Mestre e de itens de Mercadorias e Serviços Notas Fiscais de Saídas e Entradas emitidas pela pessoa jurídica) encontravamse em branco. Também existia outra planilha Microsoft Office Excel com o titulo "DadosCadastrais.xls", da qual não foi possível determinar seu significado. Em 15 de setembro de 2008, ainda em resposta ao Termo de Reintimação (f1.116), foi entregue outro CD, que conteria arquivos do SINTEGRA da matriz e da filial Figueira (79.004.933/000298). Analisandose o conteúdo do CD entregue, verificouse que o mesmo possuía oito arquivos, sendo quatro (2002 e 2003) relativos as entradas e outros quatro (2002 e 2003) relativos as saídas da matriz e da filial de Jaraguá do Sul Nenhum desses arquivos obedecia ao leiaute e regras de formatação previstos n Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/20001, não correspondendo, portanto, a qualquer item solicitado na reintimação. Registrese ainda que não foi possível ao menos determinar o significado de cada um dos campos dos arquivos entregues. Concomitantemente às intimações relativas aos registros digitais, a contribuinte também foi intimada a apresentar os livros contábeis (papel) também necessários à verificação fiscal. Da análise da documentação apresentada, concluiuse ter havido omissão de receita. In verbis: Em 22 de outubro de 2008, a contribuinte foi intimada (fls.120 e 121, item 1), a apresentar comprovantes da contabilização das vendas relacionadas na Tabela 1, referentes ao exercício 2003. Tais vendas dizem respeito a operações entre a matriz e sua filiais (matriz vendendo para uma filial, uma filial vendendo para a matriz ou uma filial vendendo para outra filial), nas quais foram feitos os lançamentos contábeis dos custos, mas não se encontrou a contabilização referente as vendas. Em sua resposta (f1.137), apresentada em 10 de novembro de 2008, a contribuinte anexou as notas fiscais de venda referente as operações citadas (fls.138 a 143), além dos lançamentos no Livro Caixa relativos aos dias em que 411/ ocorreram as transações (fls.144 a 150). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 Como pode se verificar nos lançamentos no Livro Caixa apresentados pela própria fiscalizada, as transações citadas só foram contabilizadas como custos, sem que fossem incluídas nos registros de vendas. Conforme art. 24 da Lei n° 9.249/95, deverá ser lançada a diferença do imposto e adicional (IRPJ) relativos a omissão de receita, bem como os respectivos reflexos da CSLL, de acordo com o § 2° do mesmo artigo. ... multa aplicável é de 75%, de acordo com o artigo 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. Entendeu, também, a autoridade fiscal, não ter sido devidamente comprovado, mesmo após intimação, o pagamento de juros em operação de pagamento de duplicata, cabendo, pois a glosa de custo ou despesa não comprovados. Nos termos da autoridade fiscal (fl. 357/58): Em 20 de agosto de 2008, a contribuinte foi intimada (fls.58 a 68, item 3), a apresentar comprovantes dos lançamentos contábeis discriminados na Tabela I, referentes ao exercício 2003. Tais comprovantes dizem respeito a um pagamento de uma duplicata da SHELL (referente à NF n° 445064), no valor de R$ 10.349,40, no dia 24 de dezembro de 2003, bem como a juros pagos, no valor de R$ 20.774,76, na mesma data, relativos à mesma duplicata. Em sua resposta (fls.117 a 119), apresentada em 15 de setembro de 2008, a contribuinte anexou apenas o boleto bancário referente à NF n° 445064 (f1.119), onde pode se verificar que a mesma foi quitada no vencimento, não havendo motivos para pagamento de juros. Sendo assim, glosouse a despesa no valor de R$ 20.774,76, lançada em 24 de dezembro de 2003, conforme Razão n° 20 (fls.270 a 272). A multa aplicável é de 75%, de acordo com o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Considerando a opção da contribuinte pelo regime de tributação com base no Lucro Real com pagamento de estimativas mensais e em decorrência da omissão de receita e da glosa de custos/despesas, a autoridade fiscal lançou multas isoladas de 50% por insuficiência de recolhimento de estimativas tanto do IRPJ, quanto da CSLL. Por fim, em razão da não apresentação integral dos arquivos digitais na forma prevista na legislação vigente, foi lançada multa regulamentar de 0,5% sobre o valor da receita bruta dos anos de 2002 e 2003. Nesse particular, assim manifestou o agente lançador (fl. 361/62): Conforme relato efetuado no item 2, a fiscalizada foi intimada a apresentar os arquivos magnéticos relativos aos anos de 2002 e Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 5 7 2003, (fls.31 e 32), tendo entregue integralmente apenas aqueles referentes aos arquivos contábeis (Tabela de Plano de Contas, Arquivo de Lançamento Contábeis e Arquivo de Saldo de Contas), mesmo após ter sido reintimada (fls.55 e 57). Foram ainda entregues corretamente os Arquivos Mestre e de Itens de Mercadorias e Serviços (entradas) emitidas por terceiros, Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas (Clientes e Fornecedores), Tabelas de Mercadorias/Serviços, Arquivo de Controle de Estoque e Arquivo de Registro de Inventário, mas apenas em relação à filial de São Bento do Sul. Como a contribuinte deixou de apresentar parte dos arquivos digitais solicitados, não permitindo, assim, a fiscalização do estoque em meio magnético, entendemos ser aplicável a multa regulamentar prevista no artigo 980, inciso 1, do RIR/99, combinado aos artigos 265 e 266 do mesmo regulamento: ... Portanto, uma vez que a apresentação de arquivos foi atendida de forma parcial, aplicouse a multa prevista no inciso I, abaixo transcrito Art. 980. A inobservância do disposto nos arts. 265 e 266, § 1°, acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei n° 8.218, de 1991, art. 12, Lei n° 8.383, de 1991, art. 3, inciso I, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 30): I – multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. DA PEÇA IMPUGNATÓRIA Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou, em 20/01/2009, impugnação ao lançamento (fls. 370/92 ) pela qual apresenta suas argumentações combativas ao feito fiscal. Seus argumentos, em linhas gerais, procuram demonstrar a nulidade do ato administrativo, invocando (i) a incompetência do agente lançador, (ii) erros formais do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), (iii) ilegalidade das multas aplicadas e (iv) violação de princípios constitucionais. Por fim, rechaça a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios. A seguir, detalhamse os arrazoados da impugnante. Mandado de Procedimento Fiscal Lavrado por Pessoa Incompetente O procedimento fiscal foi amparado por dois Mandados de Procedimento Fiscal. O primeiro (MPF nº 09.2.02.002007006663) foi emitido em 10/09/2007, com data de vencimento original em 08/01/2008, e prorrogado até 08/03/2008. Desse mandado a impugnante teve ciência em 12/09/2007 (início da fiscalização). O segundo mandado (MPF nº 09.2.02.002008001924) foi emitido em 19/02/2008, com data de vencimento original em 18/06/2008 e sucessivamente Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 prorrogado até 13/02/2009. Não há no processo indicação da data de ciência deste mandado à contribuinte. A impugnante assim descreveu a situação (fl. 371): 3. Inicialmente, cumpre destacar que a fiscalização que gerou o combatido lançamento iniciouse com a emissão do MPFF n° 0920200/00666/2007, sendo o AFRFB responsável pela sua execução o Sr. José Ricardo Zeitoune. 4. Ocorre que, diante da expiração do prazo do referido MPF, no dia 17/06/2008, foi expedido um novo MPF, o qual recebeu o n° 0920200/00192/2008, com a finalidade de dar continuidade à fiscalização anteriormente iniciada. 5. Todavia, novamente, foi indicado como responsável pela execução do MPF o AFRFB José Ricardo Zeitoune, em total afronta ao disposto no parágrafo único, do art. 16, da Portaria SRF n° 4.066/2007, verbis: "Art. 16 A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto." (Grifado agora) 6. Diante disso, verificase clara hipótese de nulidade, na medida em que, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcrito, é nulo o Auto de Infração lavrado por pessoa incompetente: ... Ilegitimidade das Multas Aplicadas Ainda com respeito à multa regulamentar por falta de apresentação dos arquivos eletrônicos na forma legal, a impugnante entende que não seria cabível sua aplicação uma vez que apresentou integralmente os arquivos contábeis solicitados, ainda que, em alguns casos, não tenha obedecido a forma prescrita na legislação. Considera, ainda, que, pelo menos, deveria ser deduzida da base de cálculo da multa a receita bruta da filial para a qual foi atendida integralmente, tanto na forma quanto no conteúdo, a demanda da autoridade fiscal. Assim se expressou a impugnante: (fl. 382/83) 42. Ocorre que, consoante se pode observar do presente PAF, a Impugnante não deixou de obrar esforços no sentido de atender As intimações, tendo apresentado e reapresentado diversos dos arquivos solicitados pelo AFRFB. 43. Tal fato, aliás, é reconhecido no próprio "Termo de Verificação Fiscal", onde se pode verificar que a Impugnante Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 6 9 entregou todos os arquivos magnéticos relativos aos registros contábeis do estabelecimento matriz e das filiais. 44. Ademais, segundo o AFRFB responsável pelo lançamento fiscal, também, foram entregues corretamente os demais arquivos digitais solicitados da filial de São Bento Sul. 45. Quanto aos demais arquivos magnéticos, especialmente em relação ao estabelecimento matriz, verificase que a Impugnante apresentou CD com os mesmos, os quais, consoante se pode verificar do "Termo de Verificação Fiscal", realmente, continham as informações necessárias à verificação da conta estoque, sendo que apenas não foi possível atender ao leiaute e as regras de formatação previstos no ADE COFIS 15/2001. 46. A Impugnante, como é possível se inferir do presente PAF, apenas não conseguiu atender A solicitação relativa A apresentação dos arquivos magnéticos da filial de Jaraguá do Sul, e, mesmo em relação a este estabelecimento, os arquivos magnéticos relativos aos registros contábeis e fiscais foram integralmente entregues. 47. Diante desses fatos, é evidente a irregularidade das multas aplicadas à Impugnante, na medida em que não foram considerados os arquivos apresentados, incidindo a penalidade como se nada houvesse sido entregue à Fiscalização, em nítida desproporcionalidade do ato administrativo. ... 50. Sendo assim, considerando que o objetivo da norma em questão é, sem dúvida alguma, possibilitar a averiguação das operações praticadas pelo contribuinte, não se pode admitir que a Impugnante, que apresentou diversos dos arquivos magnéticos exigidos, seja punida como se nada houvesse entregado. ... 52. Dessa forma, em relação à filial de São Bento do Sul, não ha dúvidas de que sua receita deveria ter sido excluída da base de cálculo da multa aplicada, já que o próprio AFRFB reconhece o integral e correto atendimento das intimações relativas à apresentação de arquivos magnéticos. 53. De outro lado, quanto ao estabelecimento matriz, não poderiam ter sido desconsiderados os arquivos apresentados pela Impugnante, ainda que não estivessem perfeitamente de acordo com o leiaute determinado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 54. Por fim, na aplicação das multas, deveria ter sido observado o fato de que a Impugnante apresentou integralmente os arquivos magnéticos relativos aos registros contábeis e fiscais, e, ainda, disponibilizou à Fiscalização todos os livros e documentos físicos relativos ao período fiscalizado Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 10 55. Enfim, todos os fatos acima relatados evidenciam a impropriedade das multas isoladas aplicadas, que chegam ao absurdo montante de R$ 196.098,30 (cento e noventa e seis mil, noventa e oito reais e trinta centavos), ainda mais se considerada a diferença de tributos apurada no período, no valor aproximado de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Violação ao Princípio do NãoConfisco e do Direito à Propriedade Aqui, protesta a contribuinte contra, no seu sentir, o caráter inconstitucional da norma que estabeleceu a multa regulamentar (citar artigo). Entende ter o legislador ofendido princípios constitucionais (princípio do nãoconfisco e do direito à propriedade) ao estabelecêla. In verbis (fl. 387): 63. Assim, todas as multas aplicadas no Auto de Infração impugnado são inconstitucionais, visto que excessivas se se considerar a suposta infração, gerando, portanto, o proibido efeito confiscatório, o qual tem como conseqüência a destruição da propriedade, dos meios econômicos indispensáveis a manutenção da atividade produtiva. ... A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Florianópolis/SC) julgou procedente em parte a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0731.996, de 19 de julho de 2013, que reconheceu ser indevida a aplicação de multa regulamentar em relação ao período de 2002, por este não estar incluso no MPF que originou o presente Processo Administrativo. O mencionado Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 7 11 inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculado à lei. MANDADOS DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS E NULIDADE. A emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é ato necessário para instauração e realização de procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB. Os eventuais vícios nele contidos e não sanados podem, a depender de sua natureza, culminar na anulação do lançamento. Uma vez indicado no MPF o período de apuração a que se refere o procedimento fiscal, delimitase temporalmente o exercício regular do lançamento. A possibilidade de constituição de crédito que abarque outro período de apuração fica condicionada à regular alteração do MPF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Incabível cogitar cerceamento de defesa durante o procedimento verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo, pois ali ainda inexiste o litígio o qual se inaugura somente com a impugnação tempestiva da contribuinte. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2002, 2003 PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002, 2003 ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA REGULAMENTAR.INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA GRADAÇÃO. A multa prevista no inciso I, art. 980 do RIR referese à não apresentação de arquivos magnéticos na forma prevista em lei. A multa a ser aplicada é de 0,5% sobre a receita bruta total da pessoa jurídica, inexistindo expressa autorização para sua gradação. A entrega parcial, por não possibilitar a verificação satisfatória da regularidade fiscal, também se subsume ao citado dispositivo, cabendo a aplicação da multa em sua integralidade. Impugnação Procedente em Parte Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 12 Crédito Tributário Mantido em Parte O Acórdão acima, não reconheceu a nulidade do MPF em razão da incompetência do agente responsável para a lavratura do auto infração, assim como entendeu não haver o caráter confiscatório, e nem ilegalidades nas multas aplicadas e da incidência da SELIC. No entanto, reconheceu ser indevida a aplicação de multa regulamentar em relação ao período de 2002, por este não estar incluso no MPF que originou o presente Processo Administrativo. Cientificada da mencionada decisão em 03/09/2013, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/10/2013, o qual insiste na argumentação do Mandado de Procedimento Fiscal Lavrado por Agente Incompetente e Ilegitimidade do Valor da Multa Regulamentar. Finalmente requer: a) seja reconhecida a nulidade do MPF n° 0920200.2008 001924, visto que sua emissão se deu por Auditor Fiscal incompetente; b) seja afastada a multa regulamentar de 0,5%, aplicada sobre a receita bruta da Recorrente, diante de sua impropriedade, bem como em atendimento aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; c) sucessivamente, seja excluída a receita bruta da filial de São Bento do Sul da base de cálculo da multa complementar, haja vista a comprovada regularidade dos arquivos apresentados. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. De início, observase que, na peça recursal, a empresa não mais repisa sobre a tese da decadência argüida na impugnação e afastada pela decisão recorrida. Também, em nada se manifesta, especificamente, quantos aos juros selic, quanto às infrações para apuração do IRPJ, CSLL e multas isoladas do IRPJ e da CSLL. Portanto, matérias consideradas não contestadas das quais não conheço. Assim, a lide resumese a dois aspectos: “Mandado de Procedimento Fiscal Lavrado por Agente Incompetente” e Ilegitimidade da Multa Regulamentar relativa ao ano calendário de 2003 no Valor de R$ 91.501,10. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 8 13 Quanto ao MPF a Recorrente argúi que o mesmo já nasceu eivado de nulidade insanável, ensejando sua necessária extinção, qual seja a “lavratura ter sido realizada por agente incompetente”, nos termos das portarias SRF n° 4.066 de 02/05/2007 e n° 11.371/2008. Registrese que, não se confunde a autoridade administrativa que lavra o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) com a autoridade fiscal responsável para o cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A autoridade que procedeu a lavratura do MPF é o Delegado da Receita Federal do Brasil – DRF Joinville, portanto, competente para a elaboração/lavratura do ato administrativo (MPF). A Recorrente argúi incompetência do Agente Fiscal, pelo fato de o MPF n° 0920200/00666/2007 – que amparou o início da ação fiscalizatória – “ter se expirado” e na emissão do novo MPF n° 0920200/00192/2008, ter sido indicado o mesmo AFRFB para dar continuidade aos trabalhos. A Recorrente alega que o presente Processo Administrativo está fundamentado nos MPF's n° 09.2.02.002007006663 (primeiro MPF), e n° 0920200.2008 001924 (segundo MPF), que foi emitido, segundo consta no v. Acórdão, no dia 19/02/2008, sob a égide da nova portaria (11.371/2008). Diz que a afirmação da DRJ carece de veracidade, “pois, o documento juntado as fls. 427 do referido processo (segundo MPF) datado de 19/02/2008 não se encontra no processo administrativo original, sendo esse documento novo e estranho à lide”. A argumentação de que o MPF nº 0920200.2008001924 é novo e estranho aos autos não tem sustentação, conforme o TERMO DE CIÊNCIA E DE CONTINUAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fl.54), de 18/06/2008, em que consta o seguinte: ... 0 contribuinte acima fica ainda cientificado do Mandado de Procedimento Fiscal ( MPF) n° 09202002008001924, emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville, no sentido de validar a presente fiscalização. O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do citado MPF utilizando o acesso "Consulta Mandado de Procedimento Fiscal", disponível no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br,onde deverão ser informados o n° do CNPJ e o código de acesso 96448031. No caso de não possuir acesso a Internet, o sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado comparecendo a una unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A consulta à Internet compete ao contribuinte. A DRJ apenas fez juntada da consulta que comprova a antiguidade e existência do MPF nº 09202002008001924, às fls.427, datado de 19/02/2008 com a assinatura digital do Delegado da DRF. No MPF consta o Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 14 Demonstrativo de Prorrogações: a primeira prorrogação até 17/08/2008 e a última prorrogação até 13/02/2009. Também não prospera o argumento de que o Termo de Ciência do primeiro MPF se deu em data posterior à data na qual supostamente teria sido lavrado o segundo MPF. Como se vê, o primeiro MPF n° 09.2.02.002007006663 (fl.01) bem como o Termo de Início da Fiscalização foram cientificados ao contribuinte em 12/09/2007. E a última prorrogação do MPF se deu até 08/03/2008 (fl.426). O TERMO DE CIÊNCIA E DE CONTINUAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL, datado de 03/04/2008, em que feita indevidamente menção ao antigo MPF nº 09.2.02.002007006663, ao qual a Recorrente se apega, de fato não produziu qualquer efeito, pois, de acordo com o Aviso de Recebimento, AR, fls.52/53, somente fora entregue ao contribuinte em 08/04/2009, após sua extinção e após o encerramento da ação fiscal que se deu com a lavratura dos autos de infração cientificados ao contribuinte em 19/12/2008. Compulsandose os autos constatase que após o TERMO DE CIÊNCIA E DE CONTINUAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fl.54), de 18/06/2008, todos os Termos de Intimação e Reintimação, inclusive os autos de infração, referemse ao segundo MPF nº 09202002008001924. A Recorrente alega que, mesmo que a emissão de novo MPF tenha fundamentadose na Portaria n° 11.371/2007, o AFRFB está adstrito as regras previstas no seu art. 15, parágrafo único, que veda a indicação do mesmo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil do MPF extinto, como responsável pela emissão do novo MPF. Depreendese dessa alegação que o MPF n° 0920200/00666/2007 – que amparou o início da ação fiscalizatória – teria se expirado. E, na emissão do novo MPF n° 0920200/00192/2008, ao ter sido indicado o mesmo AFRFB para dar continuidade aos trabalhos, essa indicação, – no entender da contribuinte – afrontaria os dispositivos normativos que regulam a matéria. Assim, haveria se caracterizado a hipótese de nulidade de lançamento pois que realizado por pessoa incompetente. Sobre tal alegação não merece reparo a observação consignada no voto condutor da decisão recorrida (fl.417) que no presente voto também adoto como razão de decidir, verbis: Também devese observar que a diferença essencial entre os dois MPF é o dispositivo legal que os sustentam. No caso do primeiro MPF, sua base legal é a Portaria SRF nº 4.066, de 02/05/2007, no caso do segundo, a Portaria SRF 11.371, de 12/12/2007. Da análise cronológica dos documentos e da leitura da Portaria SRF 11.371/2007, é possível inferir que a emissão do novo MPF não decorreu da hipótese de extinção prevista no art. 16 retro citado, e sim de substituição do MPF anterior em razão da superveniência de legislação, que regulou, de forma diversa a mesma matéria. A emissão de novo Mandado, em substituição àquele cuja base legal foi revogada, é prerrogativa da autoridade fiscal, conforme consta do art. 20, da Portaria SRF nº 11.371/2007, verbis (destacouse): ... Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 9 15 Art. 20. Os procedimentos fiscais iniciados antes da vigência desta Portaria que não forem concluídos até 31 de dezembro de 2007, com ciência do sujeito passivo, terão o seguinte tratamento: I – em relação à matéria fazendária, poderão ter continuidade com base no MPF em vigor, desde que não seja necessário proceder a alteração diversa da prorrogação de prazo; II – em relação à matéria previdenciária, deverão ser encerrados, e os procedimentos fiscais correspondentes terão continuidade com a emissão de novos MPF, nos termos desta Portaria. § 1º A emissão de novo MPF nos termos dos incisos I e II do caput, para a continuidade dos procedimentos fiscais iniciados anteriormente à vigência desta Portaria, convalida os atos já praticados. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo da sua continuidade quando do primeiro ato de ofício praticado após a emissão do novo MPF. § 3º Os MPF emitidos antes de 1º de janeiro de 2008, cujos procedimentos fiscais não tenham sido iniciados mediante ciência ao sujeito passivo, deverão ser encerrados e, se for o caso, poderão ser emitidos novos MPF nos termos desta Portaria. ... Com efeito, resta claro que no presente caso não se trata de MPF extinto por decurso de prazo e sim, de emissão de novo MPF nos termos da Portaria nº 11.371/2007. Ainda que não fossem esclarecidos os fatos acima, no que tange à nulidade argüida pela Recorrente em face da alegada deficiência do MPF e complementos, a matéria já está bastante repisada e pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo no sentido de que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento, sendo o MPF Mandado de Procedimento Fiscal apenas um instrumento de controle administrativo interno e de informação ao contribuinte, da realização de procedimento fiscal contra si intentado, conforme entendimento proferido nos Acórdãos nº. 10516.209 e 10515.854, que também adoto como razão de decidir, independentemente de verificar a existência ou não das deficiências alegadas, em relação ao MPF, por também entender que eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração, verbis: ACÓRDÃO nº. 10516.209, julgado em 07/12/2006 IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF AUSÊNCIA DE NULIDADE O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 16 reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ACÓRDÃO nº 10515.854 julgado em 26/07/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração, porquanto, sua função é de dar ao sujeito passivo da obrigação tributária conhecimento da realização de procedimento fiscal contra si intentado, como também, de planejamento e controle interno das atividades e procedimentos fiscais, tendo em vista que o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. Não vislumbro como qualquer irregularidade, porventura existente no MPF, possa ensejar nulidade dos autos de infração. Nessa senda, cabe mencionar os artigos 10 e 59 do Decreto n.º70.235, de 6 de março de 1972, que a seguir são transcritos: Art. 10 º auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI A assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula. Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa. Verificase que o primeiro dispositivo legal transcrito enumera os requisitos a serem observados pelo servidor quando da lavratura do Auto de Infração. A ausência de um ou alguns desses requisitos, se presente qualquer das situações enunciadas no artigo 59 do mesmo Decreto, pode implicar na nulidade do lançamento. No segundo dispositivo, são enumeradas as hipóteses de nulidade de atos administrativos. No caso, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma dessas hipóteses de nulidade. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente e não ocorreu a hipótese de cerceamento do direito de defesa. Foram cumpridos todos os preceitos da legislação em vigor, constando a perfeita descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos, obedecendo o art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, como se verifica nos autos. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 10 17 O crédito tributário se exterioriza no lançamento (art. 142 do Código Tributário Nacional), assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável,calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As alegações trazidas pelo Contribuinte em torno do Mandado de Procedimento Fiscal não invalidam os Autos de Infração, nem o próprio MPF. No presente caso, o MPF inicial foi emitido em 10/09/2007, com validade até 08/01/2008 e prorrogado até 08/03/2008. Por força da Portaria RFB nº 11.371, de12/12/2007 foi emitido novo MPF em 19/02/2008 com registro eletrônico, prorrogado até 17 de agosto de 2008, 16 de outubro de 2008, 15 de dezembro de 2008 e 13 de fevereiro de 2009 (fl.427). O Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração em 19/12/2008. Analisandose esses procedimentos com a legislação transcrita, concluiuse que os atos praticados pela Fiscalização são válidos e foram efetuados por autoridade competente. Constatase que as prorrogações dos prazos de validade do MPF foram feitas no prazo de 60 dias, conforme estipulado pela Portaria, não ocorrendo a extinção do MPF. Portanto, não ocorreu nenhuma irregularidade que pudesse extinguir o MPF, tendo a Fiscalização seguido estritamente os procedimentos determinados pela Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Destarte, resta afastada a hipótese de nulidade quando os Autos de Infração são lavrados por autoridade competente e atende a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir de então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo. Quanto à Multa regulamentar, equivalente a meio por cento da receita bruta, pelo não atendimento, quanto à forma de apresentação, dos registros e respectivos arquivos em meio magnético. (Art. 265, 266, § 1º, e 980, inciso I, do RIR/99), relativa ao ano calendário de 2003, remanescente após a decisão da DRJ, a Recorrente alega Ilegitimidade do Valor. Para melhor entender o assunto transcrevo a seguir os dispositivos da Lei nº 8.218/91, com redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória nº 2.15834/2001, consolidados nos Artigos 265, 266, § 1º, e 980, inciso I, do RIR/99, que dispõem sobre a manutenção, guarda e apresentação ao fisco, pelas pessoas jurídicas que utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, dos respectivos arquivos magnéticos, verbis. Lei nº 8.218, de 1991: Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária.(Redação dada Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 18 pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §2ºFicam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº9.317, de 5 de dezembro de 1996..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal..(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas;III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas.Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. IImulta de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IIImulta equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único.Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 11 19 operações foram realizadas.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 13 A nãoapresentação dos arquivos ou sistemas até o trigésimo dia após o vencimento do prazo estabelecido implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação das penalidades previstas no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991)(Revogado pela Lei nº 9.779, de 19/01/1999) ... Depreendese da legislação acima que as infrações podem ocorrer nas seguintes situações: 1) Quanto à forma de apresentação das informações – Não atendimento à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (inciso I, artigo 12, Lei nº 8218/91); 2) Quanto ao conteúdo das informações apresentadas Omissão de informações solicitadas ou prestação de informações incorretas (inciso II, artigo12); e, 3) Quanto ao prazo para apresentação das informações (inciso III, art.12) Não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistema. A questão dos autos diz respeito ao item “1”. E, como visto, a Lei nº 8.218/91, art.11, §§ 3º e 4º), atribuiu à Receita Federal a responsabilidade pela expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados. De sorte que, a partir de 28.07.2001, o assunto que agora (com a edição da Lei nº 12.766, de 2012) é de interesse de todas as pessoas jurídicas que utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, exceto as optantes pelo SIMPLES, está disciplinado na Instrução Normativa SRF nº 86/2001 e no ADE COFIS nº 15/01, de 23/11/2001, publicado no D.O.U. de 26.10.2001, que estabelece a forma de apresentação, a documentação de acompanhamento e as especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas, verbis. Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23/11/2001 DOU de 26.10.2001 Estabelece a forma de apresentação, a documentação de acompanhamento e as especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata Instrução Normativa SRF nº86, de 22 de outubro de 2001.Alterado pelo Ato Declaratório Cofis nº 55, de 11 de dezembro de 2009.Alterado pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25, de 7 de junho de 2010. OCOORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 20 disposto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº86, de 22 de outubro de 2001, declara: Art. 1ºAs pessoas jurídicas de que trata o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº86, de 2001, quando intimadas por Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1ºde janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. § 1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I – registros contábeis; II – fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. § 2ºAs informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2ºA critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata § 1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. PAULO RICARDO DE SOUZA CARDOSO Anexo Único Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos(Alterado pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 55, de 11 de dezembro de 2009)(Alterado pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25, de 7 de junho de 2010) Anexo Único redação original Receita Federal do Brasil Com a edição da Lei nº 12.766, de 2012, dúvidas surgiram acerca da vigência e aplicação dos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, alterada pelo artigo 72 da MP nº 2.15835, de 2001, em comento. A mencionada Lei nº 12.766, de 2012 não se refere expressamente ao artigo 72 MP nº 2.15835, de 2001, todavia, o artigo 57 da referida Medida Provisória passou a ter a seguinte redação: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 12 21 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I por apresentação extemporânea:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido;(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário;(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento).(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) ... Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 22 Nesse cenário, importante transcrever o Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013 da Secretaria da Receita Federal do Brasil, publicado no DOU de 12 de julho de 2013, na parte que diz respeito aos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Vejamos: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DE DECLARAÇÃO, DEMONSTRAÇÃO OU ESCRITURAÇÃO DIGITAL. NOVA REDAÇÃO DO ART. 57 DA MP Nº 2.15835, de 2001, PELA LEI Nº 12.766, DE 2012. REVOGAÇÃO DA MULTA GERAL POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONSEQUÊNCIAS. Dispositivos Normativos: MP nº 2.15835, de 2001, art. 57; Lei nº 12.766, de 2012, art. 8º; Lei nº 8.218, de 1991, arts. 11 e 12; Lei nº 10.426, de 2002, arts. 7º e 8º ; Lei nº 10.637, de 2002, art. 30; Lei nº 8.212, de 1991, art. 32A; Lei nº 9.393, de 1996, art. 7º; Lei nº 9.779, de 1991, art. 16; Lei nº 11.374, de 2006, art. 9º; Lei nº 3.470, de 1958, art. 19; LC nº 123, de 2006, arts. 38 e 38A; Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I; CTN, arts. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, 112, inciso II, 113, § 2º; Decreto nº 7.574, de 2011, art. 34. O presente Parecer Normativo cuida em analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. 2. Antes da publicação da Lei nº 12.766, de 2012, assim dispunha o art. 57 da MP nº 215835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 13 23 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 24 caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. 3. Com esse quadro, sete questionamentos são feitos: (i) ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica; (ii) como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57; (iii) como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001; (iv) continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, e do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004; (v) como ficam as multas envolvendo o Simples Nacional (vi) como interpretar o aspecto quantitativo da nova multa; e (vii) há consequência no trabalho de compensação, restituição e ressarcimento? 4. Para responder o primeiro questionamento, utilizarseão os elementos da regramatriz de incidência para verificar se as multas tratam do mesmo objeto. A regramatriz possui no antecedente da norma os elementos material, espacial e territorial, enquanto o consequente possui o quantitativo (base de cálculo e alíquota) e o pessoal. Vide o quadro abaixo: Elementos Art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012 Arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991: Material: (i) deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999; (ii) os apresentar com incorreções ou omissões. Inobservância de manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Espacial Geral Geral Temporal será intimado para: (i) apresentálos; ou (ii) para prestar esclarecimentos que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias. manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação + expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. Pessoal O sujeito passivo As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Quantitativo (i) por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo (i) meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (ii) multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta; (iii) multa equivalente a dois centésimos por cento por Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 14 25 autoarbitramento; (ii) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (iii) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. 4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº 215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei nº 12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.3. O elemento material possui verbos distintos. Enquanto a nova lei fala em “deixar de apresentar” declaração demonstrativo ou escrituração digital, ou os “apresentar com incorreções ou omissões”, a Lei nº 8.218, de 1991, traz, no art. 11, a conduta esperada, que é “manter à disposição” os respectivos arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas destinatárias da conduta: os “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A multa é pela sua inobservância. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 26 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). 4.7. Caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Isso porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei nº 12.766, de 2012, mas na do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Esse último dispositivo continua em vigência e deve ser aplicado quando não haja divergência com a nova lei. 4.8. Desse modo, não houve revogação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Eles continuam em vigência juntamente com o novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. (ii) Como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57? ... GRIFEI Depreendese do exercício de interpretação do item 4.7 do referido Parecer Normativo, que houve revogação parcial (derrogação) dos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. Concluindose que, no caso dos arquivos magnéticos não serem apresentados na forma que deveriam ser feitos (ADE COFIS n° 15/2001), como no caso dos presentes autos, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, ainda vigente. A Recorrente argúi que o v. Acórdão ora objurgado afastou as alegações da Recorrente, acerca da ilegitimidade e impropriedade da multa regulamentar aplicada, sem levar Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 15 27 em consideração, o fato de que os arquivos digitais da filial de São Bento do Sul foram entregues em total conformidade com as normas aplicáveis, bem como não se excluiu da base de cálculo da multa regulamentar a receita bruta dessa filial, conforme consignado e requerido na Impugnação. E que, em relação aos demais arquivos magnéticos, salienta que mesmo não tendo sido entregues na forma prescrita no ADE COFIS n° 15/2001, seu conteúdo permitia a realização de auditoria por parte dos fiscais da RFB, sendo que a referida omissão, inviabilizou somente a fiscalização dos estoques da Recorrente. De modo que, baseado nas informações prestadas pelo contribuinte, a autoridade fiscal conseguiu constatar irregularidades, tais como: omissão de receitas, não comprovação de custos ou despesas, falta de recolhimento do IRPJ sobre base estimada, entre outras. A argumentação da Recorrente para reduzir a multa e ou sua “ilegitimidade”, não tem sustentação, pois, conforme relatado e de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (parte integrante dos autos de infração), fls.348/354, as irregularidades acima mencionadas pela Recorrente foram apuradas tendo vista que, concomitantemente às intimações relativas aos registros digitais, a contribuinte também foi intimada a apresentar os livros contábeis/fiscais (papel) também necessários à verificação fiscal, a saber (fl.348): 1 Livros Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR)que registrem a origem dos prejuízos fiscais compensados no exercício 2003; 2 Demonstrativo das compensações de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido efetuadas no exercício 2003; 3 Demonstrativo que registre a origem das bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido utilizadas nas compensações efetuadas no exercício 2003. Em 28 de novembro de 2008, a contribuinte apresentou resposta à intimação (fls.267 a 269), tendo anexado o Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR) n° 18. Da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte foram apuradas as infrações fiscais a seguir descritas. ... Consta à fl.354, do Termo de Verificação Fiscal que, para o cálculo do valor da multa regulamentar (0,5% da Receita Bruta = R$ 91.501,10 receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços ), levouse em consideração os valores do Livro Razão n° 20 (fls.310 a 314). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 28 O Termo de Intimação Fiscal datado em 07/12/2007, às fls.31/32, e o Termo de Reintimação Fiscal de 15/08/2008 (fls.55/57) contém as especificações quanto ao objeto da fiscalização e os documentos que o contribuinte deveria apresentar à autoridade fiscal na forma do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001 que especifica, em seu anexo único, a codificação e organização que os dados deverão conter, conforme a IN RFB nº 86/2001 respaldada nos §§ 3º e 4º do artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991: Sobre a apresentação de Arquivos Magnéticos, constato que a Recorrente foi intimada por diversas vezes a apresentar os documentos necessários ao procedimento de fiscalização e, contudo, não atendeu ao que lhe foi solicitado. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fl.353)o seguinte: Conforme relato efetuado no item 2, a fiscalizada foi intimada a apresentar os arquivos magnéticos relativos aos anos de 2002 e 2003, (fls.31 e 32), tendo entregue integralmente apenas aqueles referentes aos arquivos contábeis (Tabela de Plano de Contas, Arquivo de Lançamento Contábeis e Arquivo de Saldo de Contas), mesmo após ter sido reintimada (fls.55 e 57). Foram ainda entregues corretamente os Arquivos Mestre e de Itens de Mercadorias e Serviços (entradas) emitidas por terceiros, Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas (Clientes e Fornecedores), Tabelas de Mercadorias/Serviços, Arquivo de Controle de Estoque e Arquivo de Registro de Inventário, mas apenas em relação à filial de Sao Bento do Sul. Como a contribuinte deixou de apresentar parte dos arquivos digitais solicitados, não permitindo, assim, a fiscalização do estoque em meio magnético, entendemos ser aplicável a multa regulamentar prevista no artigo 980, inciso 1, do RI R/99, combinado aos artigos 265 e 266 do mesmo regulamento: Art. 980. A inobservância do disposto nos arts. 265 e 266, § 1°, acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei n° 8.218, de 1991, art. 12, Lei n° 8.383, de 1991, art. 3º, inciso I, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 30): I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; ... Dessa forma, a Recorrente deixou de cumprir a obrigação acessória definida no artigo11 da Lei nº8.218/91, sendo passível de penalidade de multa com efeito punitivo de 0,5% do valor da receita bruta do período, na forma do artigo 12, inciso I, do mesmo diploma legal. Mesmo que os arquivos digitais da filial de São Bento tenham sido entregues em total conformidade com as normas aplicáveis, o fato é que, em relação aos demais arquivos magnéticos,conforme salientado pela própria Recorrente, não foram entregues na forma prescrita no ADE COFIS n° 15/2001, estando caracterizada a infração de que trata o dispositivo legal mencionado. A base de cálculo para aplicação da multa em comento é o valor da receita bruta da pessoa jurídica no período independente da quantidade de arquivos apresentados sem Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10920.007874/200825 Acórdão n.º 1802002.333 S1TE02 Fl. 16 29 obediência ao leiaute e regras de formatação previstos no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/20001. Desse modo, correto o entendimento da decisão recorrida, cujo fundamento também adoto como razão de decidir, consubstanciado na ementa: A multa prevista no inciso I, art. 980 do RIR referese à não apresentação de arquivos magnéticos na forma prevista em lei. A multa a ser aplicada é de 0,5% sobre a receita bruta total da pessoa jurídica, inexistindo expressa autorização para sua gradação. A Recorrente traz em seu prol como paradigma à sua argumentação o seguinte julgado do CARF: "MULTA REGULAMENTAR REGISTROS ELETRÔNICOS DESCONFORMIDADE A aplicação da multa regulamentar prevista no artigo 980, I do RIR/99, somente tem lugar quando o sujeito passivo deixar cumprir com a sua obrigação de entregar os arquivos em meio magnético, o que não é o caso dos autos. A simples desconformidade dos arquivos magnéticos com os modelos exigidos pela SRF e/ou erros de leitura dos referidos arquivos não constitui motivo justificado para a aplicação da multa regulamentar, salvo se o sujeito passivo, intimado a corrigir defeitos objetivamente apontados, não o faça. Embargo provido". (Grifado agora). ( 1 ° CC Acórdão n° 10323.335, 3a Câmara. Publicado no D.O.U em 22.01.2008) Pesquisando o “site” do CARF, encontrei o inteiro teor do acórdão mencionado e constatei que, no voto condutor do referido acórdão, o relator concluiu pela inaplicação da multa regulamentar tendo em vista que, embora não havendo o contribuinte atendido à forma como devem ser apresentados os registros respectivos arquivos magnéticos, de outra banda, o exame dos autos denota que o fisco não informou ao fiscalizado, que defeito ou defeitos estariam a conter os registros magnéticos apresentados, tendo se limitado a anexar aos autos a impressão de uma tela de computador onde se lê que a estrutura do arquivo não está de acordo com o layout da IN SRF n° 68. Vejamos os fundamentos do acórdão dito paradigmático: ... A multa regulamentar prevista no artigo 980, I, do RIR/99, foi aplicada em virtude da recorrente não haver atendido à forma como devem ser apresentados os registros respectivos arquivos magnéticos. Inicialmente, de se frisar que a recorrente não deixou de apresentar os registros magnéticos, tendo apresentado os mesmos, todavia, com falhas de forma, as quais, segundo, a ora recorrente, não impediriam o seu exame. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 30 Por outro lado, o exame dos autos denota que o fisco não informou à, ora recorrente, que defeito ou defeitos estariam a conter os registros magnéticos apresentados,tendo se limitado a anexar aos autos a impressão de uma tela de computador onde se lê que a estrutura do arquivo não está de acordo com o layout da IN SRF n° 68. Além do mais, não intimou a contribuinte para sanar as eventuais falhas encontradas, como é de praxe, quando se encontra alguma falha ou omissão da documentação fiscal e contábil que se está auditando. Assim, dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada, no valor de R$ 167.621,98. Confrontando a decisão paradigma com a conclusão a que se chega nos presentes autos, fica evidenciado que, as diferentes conclusões, decorrem da análise das provas trazidas aos processos. As situações fáticas não são as mesmas, até porque no caso dos presentes autos, o sujeito passivo fora intimado a corrigir os defeitos objetivamente apontados, conforme o Termo de Intimação Fiscal datado em 07/12/2007, às fls.31/32, e o Termo de Reintimação Fiscal de 15/08/2008 (fls.55/57), e, não o fez; o que se coaduna com a ressalva feita no acórdão paradigma. Ressaltese ainda que, as falhas de forma, impediram o exame dos arquivos magnéticos em sua totalidade como explicitado acima. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar relacionada ao MPF e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10480.720117/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
INVALIDADE DA AUTUAÇÃO. CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
É inválido o auto de infração desprovido da demonstração dos fundamentos de fato e de direito da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a autuação por vício material.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. É inválido o auto de infração desprovido da demonstração dos fundamentos de fato e de direito da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a autuação por vício material. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 17 /2 00 9- 58 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1135.843 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Recife (PE), fl. 118222, com ciência ao sujeito passivo em 20/03/2012, fl. 124125, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.224.2561, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 08/05/2009, fl. 50. De acordo com o relatório fiscal de f. 5556, e anexos, o AIOA trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso III, da Lei n.° 8.212/1991 e art. 8o da Lei 10.666/2003, c/c o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Relata, a autoridade lançadora, que a empresa deixou de apresentar à Auditoria da Receita Federal do Brasil as informações de natureza cadastral, financeira, contábil, trabalhista e previdenciária, relativas ao período de 01/2004 a 03/2004, em meio digital. A autuada apresentou impugnação tempestiva abrangendo as matérias do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO AI. Deixar a empresa, que utiliza sistema informatizado de processamento de dados, de disponibilizar ao fisco, quando requestada, informações cadastrais, financeiras, contábeis, em meio digital, nos moldes exigidos pela legislação previdenciária, constitui infração, passível de penalidade. Em 11/04/2012, a autuada, representada por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 131139, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Em preliminar, suscita a decadência do direito de a fiscalização exigir, em maio de 2009, multa pelo descumprimento de infração do período de janeiro a março de 2004, ocorrida após o prazo de cinco anos. No mérito, alega que não ficou configurada a infração porque os documentos solicitados não foram omitidos, tendo sido apresentados juntamente com a impugnação, atitude que demonstra a boafé da recorrente. Continua argumentando que a não apresentação dos documentos no prazo estabelecido foi justificada e que requereu novo prazo, o qual, entretanto, não foi fixado pela autoridade fiscal. Além disso, sustenta ocorrência de bis in idem, considerando que a mesma conduta que embasa essa autuação está sendo objeto de exigência de penalidade também no auto de infração n.° 10.480.720.118/200901, lavrado com base no fato de a empresa ter apresentado o livro diário incompleto, sem as movimentações contábeis das competências janeiro, fevereiro e março de 2004. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720117/200958 Acórdão n.º 2402004.331 S2C4T2 Fl. 158 3 Requer o cancelamento do auto de infração. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Invalidade da Autuação De acordo com o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, fl. 910, a empresa, em 19/03/2009, foi intimada a prestar, em meio digital, informações da DIRF, de folhas de pagamento e da contabilidade, relativas ao período de 01/2004 03/2004. Na folha de rosto do auto de infração consta que a empresa deixou de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, sendo que o relatório fiscal descreveu a conduta infratora conforme a seguir: Motivou a lavratura do presente Auto o fato de que, apesar de regularmente intimada através do TIPF e TIF (Termo de Intimação Fiscal) a Autuada deixou de apresentar à Auditoria da Receita Federal do Brasil as informações de natureza cadastral, financeira, contábil, trabalhista e previdenciária, relativas ao período de 01/2004 a 03/2004, em meio digital. Quanto ao arquivo em meio digital é exigência estabelecida no art. 8°, da Lei n° 10.666/03, detalhada nos arts. 66 a 68 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003 e nos arts. 61 a 63 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005. Tais informações deveriam ter sido fornecidas de acordo com o leiaute previsto na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003 e na Portaria MPS/SRP n° 63, de 27/12/2004, conforme o respectivo período de vigência de cada um desses atos ou, alternativamente, a critério da empresa, de acordo com o leiaute estipulado no Manual Normativo de Arquivos Digitais (Portaria MPS/SRP n° 058, de 28/01/2005 e Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006) para as informações relativas a todo o período de 09/2003 a 12/2004. Ao descrever a infração, a autoridade fiscal não identificou quais dos arquivos digitais solicitados no termo de intimação deixaram de ser apresentados pela recorrente, nem especificou quais livros da contabilidade deixaram de ser apresentados em meio digital. A perfeita descrição dos fatos imputados ao infrator é fundamental, pois é dos fatos que o acusado se defende, além de permitir o controle da legalidade do ato administrativo. Tanto assim que a deficiente descrição dos fatos geradores macula o lançamento tributário por afronta ao art. 10 do Decreto 70.235/72, que dispõe que no auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a descrição do fato, dentre outros elementos, cabendo ao Fisco o ônusdever de caracterizar a infração. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720117/200958 Acórdão n.º 2402004.331 S2C4T2 Fl. 159 5 Isso porque somente não há prejuízo quando assegurado o devido processo administrativo, permitindo ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa, o que pressupõe o conhecimento prévio da motivação do lançamento pelo interessado e a garantia do seu direito ao reexame de decisão proferida em processo administrativo. A motivação é a demonstração dos pressupostos de fato e de direito da ocorrência do fato gerador, e, quando inexistente ou deficiente, acarreta a invalidação do ato, por constituir impeditivo à defesa e por contrariar o interesse público à higidez do crédito tributário. Pelo exposto, reconheço a nulidade do lançamento por vício material de falta de motivação. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento, declarando a nulidade do lançamento por vício material. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13808.001246/2002-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que rejeitou a preliminar de sobrestamento.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que rejeitou a preliminar de sobrestamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro José Valdemir da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/SPOII/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 24/06/2002, o Auto de Infração de fls. 331/333, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 329/330, que lhe exige crédito tributário no montante de R$609.545,75, correspondente ao imposto (R$268.415,94), multa proporcional (R$201.311,95) e juros de mora (R$139.817,86, calculados até 31/05/2002), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1999, anocalendário 1998. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 08 .0 01 24 6/ 20 02 -2 5 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 532 2 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 332/333), o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, junto ao Unibanco — União de Bancos Brasileiros SA e Banco Bradesco SA cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme Termo de Verificação anexo. (...) Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 324/328). Cientificado do lançamento em foco, por via postal (AR com carimbo da unidade de destino em 24/06/2002 fl. 338), a interessada apresentou, em 24/07/2002, por intermédio de sua representante legal (fl. 344), a impugnação de fls. 339/343, instruída com os documentos de fls. 344/354, aduzindo o que se segue. Por um lapso, não entregou a declaração de imposto de renda referente ao anobase 1998, exercício 1999. Mas a falta de entrega de tal declaração não gera qualquer prejuízo ao fisco ou suscita indício de omissão de rendimentos, visto que são rendimentos isentos e não tributáveis no Brasil, já que a impugnante é viúva e o único rendimento que recebe é proveniente da indenização pela morte de seu marido, paga pela empresa para qual laborava quando residente na Argentina, chamado Plano de Seguro por morte. O único rendimento recebido pela impugnante é a aludida indenização paga pela empresa na Argentina e, também, os rendimentos decorrentes da aplicação no mercado financeiro desses recursos recebidos regularmente do exterior, que se operacionalizararn por meio de operação de câmbio com expressa aprovação do Banco Central do Brasil. Além do mais, a legislação fiscal brasileira trata como isentos os rendimentos provenientes de seguros ou pecúlios pagos por morte do segurado, conforme disciplina o inciso XLIII do art. 39 do RIR11999. Além da aludida disposição legal interna, há que se observar, ainda, a existência entre Brasil e Argentina do Tratado Internacional visando evitar a bitributação da renda e a manutenção da natureza jurídica da renda percebida nos dois países. O citado tratado foi aprovado pelo Decreto Legislativo 74/81 e regulamentado pelo Decreto 87.976/82, Portaria 22/83 e ADN 6/90. Assim, os rendimentos auferidos em um país contratante do Tratado Internacional é isenta de tributação no outro país contratante do mesmo tratado, respeitandose a natureza jurídica dada ao rendimento pelo país onde o mesmo foi auferido. Resta induvidoso que a integralidade dos rendimentos recebidos pela impugnante de fontes estrangeiras tem natureza tributária de Fl. 532DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 533 3 rendimento isento, pelo que, indevido o lançamento de imposto de renda sobre referido montante. Quanto à existência de alienação de imóvel no anocalendário de 1998 pela impugnante, decorrente de informação constante da DOI, esclarece que houve uma permuta entre imóveis. O imóvel de propriedade da impugnante localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo, foi dado como parte de pagamento na aquisição do imóvel na R.Bela Cintra, 2349 — apt° 61 — São Paulo. Dita alienação não gerou qualquer tipo de lucro imobiliário para a impugnante, ensejador do pagamento de imposto sobre ganho de capital. Apresenta a declaração de ajuste anual, incluindo como rendimentos isentos e não tributáveis o valor de R$991.767,07, por terem sido determinados pela autoridade fiscal, no que se aplica o art. 149, inciso II, do CTN e junta a guia DARF do recolhimento da multa por atraso na entrega da declaração, de R$165,74. Por fim, protesta pelo prazo de 30 dias para a juntada dos documentos provenientes da empresa do exterior 'com a finalidade de comprovar a origem e natureza jurídica dos rendimentos recebidos e do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda para a comprovação da permuta entre imóveis ocorrida, sem que houvesse lucro imobiliário. Requer, após a juntada dos elementos de prova pertinentes, que a presente impugnação seja julgada procedente, cancelandose o lançamento decorrente do auto de infração. Em 23/08/2002, a representante legal da impugnante, mediante petição de fls. 358/360, protocolou documentos comprobatórios da inexistência de lucro imobiliário na alienação do imóvel localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932— apt° 151 (fls. 361/384). Em 22/08/2003, a impugnante, por intermédio de sua procuradora, apresentou os esclarecimentos (fls. 395/399) e documentos relativos à movimentação de quantias em sua conta corrente, aduzindo que: I — Do rendimento recebido da Argentina A contribuinte recebe mensalmente valores provenientes da empresa Du Pont localizada na Argentina por ocasião da morte de seu marido, o qual trabalhava para a mencionada empresa até seu falecimento. Tais rendimentos são decorrentes de pagamentos efetuados pela empresa estrangeira para a contribuinte, em razão de sua condição de cônjuge supérstite de um de seus funcionários, por força da existência de plano de pensão (seguro por morte) mantido pela empresa no qual consta como beneficiária a contribuinte em questão. Os valores referentes ao plano de pensão são remetidos mensalmente da Argentina para o Brasil através de operação de câmbio autorizada pelo Banco Central do Brasil, consoante comprovantes de fechamento de câmbio realizados em 1998 (doc. 01). Junta também declaração da empresa Du Pont Argentina SA (doc. 02), devidamente consularizada e traduzida por tradutor juramentado, que demonstra o rendimento bruto percebido pela contribuinte por conta Fl. 533DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 534 4 do plano de pensão, bem como o valor retido a título de imposto de renda e o valor líquido remetido para o Brasil (expresso em dólares americanos), o qual é igual ao valor declarado nos contratos de câmbio. Por força do acordo, os rendimentos provenientes da Argentina que já sofreram tributação nesse país (país de origem), são considerados isentos pelo seu valor líquido no Brasil (país de residência do beneficiário), devendo ser informados na declaração de rendimentos apresentada nesse último país. Consoante documentos apresentados, a contribuinte recebeu da empresa da Argentina, durante o anocalendário 1998, Ô valor de R$506.474,99, os quais constituem rendimentos isentos e não tributáveis no Brasil, por força da aplicação do Tratado Internacional e, também, por já haverem sido tributados pelo imposto de renda argentino. Portanto, resta claro que tais valores não são passíveis de tributação no Brasil; conseqüentemente, imperiosa se faz a exclusão dos valores citados. II— Da transação imobiliária No anocalendário de 1998 ocorreram duas operações imobiliárias efetuadas pela contribuinte. A primeira consistiu na alienação do apartamento n° 151 do Edifico Mediterrannée, localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo, para o Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto, CPF 236.013.02853 e Sr' Maria Jandira Loconte Ferrari, CPF 051.204.01848, pelo valor de R$500.000,00, a serem pagos (i) R$200.000,00 no ato de 1111 assinatura do Compromisso de Compra e Venda — 13/01/1998, e (ii) R$300.000,00 através de quitação de nota promissória. Referido apartamento estava devidamente informado na declaração de bens da contribuinte, por seu valor de aquisição de R$575.000,00. Valor este que pode ser comprovado por meio da Certidão de Registro do imóvel de matrícula n° 43370, demonstrando que não houve ganho de capital nessa operação. A outra operação imobiliária diz respeito à aquisição pela contribuinte do apartamento n° 61 no Edifício Mansão Jardim Europa, R. Bela Cintra, 2349 — São Paulo; pelo valor de R$850.000,00, conforme Certidão de Registro do imóvel de matrícula 71170 (doc. 04). A contribuinte utilizou os créditos a serem recebidos pela alienação do apartamento da Al. Ministro Rocha Azevedo para compor o valor pago ao apartamento adquirido na R. Bela Cintra, procedimento este registrado em Instrumento Particular de Cessão de Créditos. Tal procedimento comprova a origem dos R$300.000,00 depositados e sacados da conta corrente que a contribuinte possuía no Banco Bradesco, posto que tanto o Instrumento Particular de Compra e Venda do imóvel da Al. Ministro Rocha Azevedo como o Instrumento Particular de Cessão de Créditos dispõem que esse valor referente à Fl. 534DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 535 5 alienação do imóvel pela contribuinte seria quitado através de resgate de nota promissória. Assim, o valor apontado pela Receita Federal constitui tão somente parcela do pagamento efetuado pela aquisição de imóvel de propriedade da contribuinte (Al. Mi. Rocha Azevedo) e, automaticamente convertido em pagamento do imóvel adquirido pela contribuinte (Rua Bela Cintra), restando comprovada a origem e o destino desse valor. III — Conclusão Diante do exposto, necessária se faz a exclusão dos valores de (i) R$506.474,99, referentes ao plano de pensão recebido pela contribuinte da empresa Du Pont Argentina SA, os quais são rendimentos isentos e não tributáveis pelas razões já apontadas; (ii) R$300.000,00, referentes a parcela de pagamento efetuado pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, o qual não gerou ganho de capital, e utilizados para aquisição de novo imóvel pela contribuinte.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 449/461, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas 'de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo à contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas e hábeis é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os créditos decorrentes de recebimentos de rendimentos do exterior devem ser excluídos da base de cálculo presumida, de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, pois que submetidos às normas de tributação específicas, previstas na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificada daquele Acórdão, a interessada, representada por sua advogada (fl. 32), interpôs o recurso de fls. 470/480, no qual, em síntese, repete os argumentos da impugnação. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 536 6 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso deve ser considerado tempestivo, tendo em vista que não houve o retorno do AR referente à intimação da decisão de primeira instância, conforme informa a autoridade preparadora, à fl. 529. Também atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Durante o procedimento fiscal, a Fiscalização expediu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RFM) (fls 69/71). Ocorre que a questão do sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601.314), devendo o julgamento do presente processo ser sobrestado, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ressaltese que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Fl. 536DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 537 7 Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Fl. 537DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 538 8 Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 601.314, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Resolução nº 2801000.271 S2TE01 Fl. 539 9 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 539DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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