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Numero do processo: 13819.000542/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Na qualidade de responsável pela pessoa jurídica, deve o contribuinte comprovar, por meio de provas hábeis e idôneas, quais são os rendimentos tributáveis e o consequente imposto de renda retido na fonte.
Numero da decisão: 2201-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 11/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Na qualidade de responsável pela pessoa jurídica, deve o contribuinte comprovar, por meio de provas hábeis e idôneas, quais são os rendimentos tributáveis e o consequente imposto de renda retido na fonte.
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Na qualidade de responsável pela pessoa jurídica, deve o contribuinte comprovar, por meio de provas hábeis e idôneas, quais são os rendimentos tributáveis e o consequente imposto de renda retido na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 11/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 05 42 /2 00 7- 94 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 4.044,19, calculados até 02/2007. A fiscalização apurou, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 05): Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo em vista que a fonte pagadora não apresentou a Dirf/03 e o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou o Imposto de Renda Retido na Fonte. Desta forma, esta fiscalização efetuou a glosa de R$ 2.151,00, a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte não comprovado. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese, que: ... o presente Auto de Infração, objeto desta Impugnação, versa sobre um equivoco no preenchimento da declaração que foi identificado tardiamente mas que pode ser comprovado através de documentos hábeis e legais e retificado através da transmissão de uma declaração retificadora. A 6ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: GLOSA DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Do imposto progressivo apurado na declaração de ajuste anual poderá ser deduzido o imposto retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo. Por falta de comprovação das alegações apresentadas na impugnação, a glosa é mantida. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 24/12/2009 (fl. 30), Fernando Dias Pauer apresenta Recurso Voluntário em 15/01/2010 (fls. 31/32), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000542/200794 Acórdão n.º 2201002.069 S2C2T1 Fl. 3 3 Cuidam os autos de glosa do imposto retido na fonte, pleiteada na Declaração de Ajuste anual do anocalendário 2.002, no valor de R$ 2.151,00 (fls. 05/06). Em sua peça recursal alega o suplicante que declarou rendimentos tributáveis recebidos da Pauer Soluções em Informática Ltda, no valor de R$ 30.053,00, com imposto retido na fonte de R$ 2.151,00. Contudo, o referido valor não foi recebido pela pessoa física e sim pela Pauer Soluções em Informática Ltda, a título de serviços prestados por pessoa jurídica, conforme Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica (fl. 39). Por fim, afirma que por ser sócio da Pauer Soluções em Informática Ltda recebeu da referida empresa o valor de R$ 1.780,00 a título de prólabore e R$ 25.427,48, relativo a lucros distribuídos (fl. 40). A autoridade recorrida, após análise do acervo probatório carreado aos autos, manteve a exigência, sob o argumento de que o contribuinte, na qualidade responsável pela Pauer Soluções em Informática Ltda, deveria comprovar o erro de preenchimento cometido. Assim, consignou em seu voto a seguinte advertência: Como o interessado também era o responsável pela empresa PAUER SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA S/C LTDA., CNPJ 04.844.939/000193, perante a Receita Federal, na verdade, o informe por ele apresentado, sem qualquer documentação que comprove a veracidade das informações nele contidas, equivale, na prática, à retificação de sua própria declaração de rendimentos. Desta forma, não pode ser aceito sem que haja comprovação da veracidade das informações constantes do informe de rendimentos apresentado extemporaneamente. Essa comprovação pode ser feita, por exemplo, através de comprovantes de transferências bancárias que demonstrem o pagamento do valor constante do informe, bem como da contabilidade da empresa, comprovando o lucro distribuído e a percepção das receitas que deram origem ao lucro pela empresa, uma vez que a forma de apuração foi o lucro presumido. (grifei) Deste modo, compulsandose os autos, mais precisamente os documentos juntados ao recurso (Recibo de Entrega da Declaração de Ajuste Anual Simplificada, Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica e Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Física fls. 38/40), verifico, pois, que os referidos documentos, sem as informações que os embasaram, são absolutamente insuficientes para comprovar o suposto erro cometido, mormente porque parte das informações foram produzidas pelo próprio contribuinte, na qualidade de responsável pela empresa. Com efeito, como bem pontuou a autoridade recorrida, deveria o recorrente, para comprovar os fatos alegados, providenciar os comprovantes de transferências bancárias que demonstrem o pagamento do valor constante do informe de rendimentos e/ou livro contábil da pessoa jurídica, comprovando o lucro distribuído, uma vez que a forma de apuração foi pelo lucro presumido. Por todo o exposto, apesar da advertência lançada pela autoridade recorrida, percebese, claramente, que com a peça recursal perdeu o contribuinte a oportunidade de comprovar a improcedência da exigência fiscal, razão pela qual não há outra solução senão a manutenção do lançamento. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Ante ao exposto voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001858/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. DÉBITOS. PENDÊNCIA DE RECURSOS ADMINISTRATIVOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, constata-se que a autuação decorre do fato de a Recorrente ter distribuído lucros aos seus sócios, estando em débito com o INSS e, por conseqüência, infringindo o disposto no art. 52, II, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 280, II, do Regulamento da Previdência Social. A empresa Recorrente, à época da autuação, possuía diversos débitos perante a Previdência Social. Vale ressaltar que, apesar de a Recorrente alegar em sua defesa a existência de discussão administrativa em relação aos referidos débitos, não logrou êxito em comprovar suas alegações sequer com dados dos procedimentos por ela ditos como pendentes. Assim, sendo incontroversa a distribuição de lucros no período fiscalizado, necessária a aplicação da multa prevista no art. 52, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. DÉBITOS. PENDÊNCIA DE RECURSOS ADMINISTRATIVOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, constata-se que a autuação decorre do fato de a Recorrente ter distribuído lucros aos seus sócios, estando em débito com o INSS e, por conseqüência, infringindo o disposto no art. 52, II, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 280, II, do Regulamento da Previdência Social. A empresa Recorrente, à época da autuação, possuía diversos débitos perante a Previdência Social. Vale ressaltar que, apesar de a Recorrente alegar em sua defesa a existência de discussão administrativa em relação aos referidos débitos, não logrou êxito em comprovar suas alegações sequer com dados dos procedimentos por ela ditos como pendentes. Assim, sendo incontroversa a distribuição de lucros no período fiscalizado, necessária a aplicação da multa prevista no art. 52, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente CALZA E SALLES E ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. DÉBITOS. PENDÊNCIA DE RECURSOS ADMINISTRATIVOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, constatase que a autuação decorre do fato de a Recorrente ter distribuído lucros aos seus sócios, estando em débito com o INSS e, por conseqüência, infringindo o disposto no art. 52, II, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 280, II, do Regulamento da Previdência Social. A empresa Recorrente, à época da autuação, possuía diversos débitos perante a Previdência Social. Vale ressaltar que, apesar de a Recorrente alegar em sua defesa a existência de discussão administrativa em relação aos referidos débitos, não logrou êxito em comprovar suas alegações sequer com dados dos procedimentos por ela ditos como pendentes. Assim, sendo incontroversa a distribuição de lucros no período fiscalizado, necessária a aplicação da multa prevista no art. 52, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 58 /2 00 9- 66 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001858/200966 Acórdão n.º 2402003.474 S2C4T2 Fl. 178 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 01/06/2009 em face do contribuinte Recorrente, constituindose multa com base no art. 285 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, c/c o art. 52, parágrafo único, da Lei n° 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 73/74, a contribuinte distribuiu lucros aos seus sócios estando em débito com a Previdência Social nas competências de 01/2004 a 12/2004 – período este objeto do mesmo procedimento fiscalizatório em que foi lavrado o presente auto, conforme TEPF de fls. 37. Interposta impugnação (Fls. 76/83), a autoridade julgadora de primeira instância entendeu pela manutenção do crédito tributário exigido (Fls. 93/103). Inconformada com a r. decisão da autoridade de primeira instância, a Recorrente apresentou recurso voluntário (Fls. 108/113), no qual alegou, em síntese, que a autoridade fiscalizadora, assim como o julgador de primeira instância, equivocouse ao considerar devedora a Recorrente sem que houvesse qualquer débito efetivamente formalizado contra ela. Por fim, requereu o cancelamento imediato do auto de infração. O Recurso Voluntário foi remetido ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Preliminarmente O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Pretende a Recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal na forma constituída, suscitando que a multa aplicada não deve prosperar vez que ausente a hipótese principal para aplicação da sanção – a existência de crédito tributário definitivamente constituído em face da Recorrente. Em sua defesa, ainda, aduz não poder ser penalizada por suposta existência de débito junto à Seguridade Social, já que o crédito tributário considerado como pendente encontrase em análise em sede de processo administrativo. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, constatase que a presente autuação decorre do fato de a Recorrente ter distribuído lucros aos seus sócios, estando em débito com o INSS e, por conseqüência, infringindo o disposto no art. 52, II, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 280, II, do Regulamento da Previdência Social, que assim prevêem respectivamente: “Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: I – distribuir bonificação ou dividendo a acionista; II – dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no art. 34 (o art. 34 foi revogado pela Lei n° 8.218, de 29/08/91 e restabelecido, com nova conversão na Lei n° 9.528, de 10/12/97).” “Art. 280. A empresa em débito com a seguridade social não pode: I – distribuir bonificação ou dividendo a acionista; II – dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento.” Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001858/200966 Acórdão n.º 2402003.474 S2C4T2 Fl. 179 5 “Art. 285. A infração ao disposto no art. 280 sujeita o responsável à multa de cinqüenta por cento das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas, a partir da data do evento” Conforme relatório de fls. 72, a empresa Recorrente, à época da autuação, possuía diversos débitos – que não se confundem com os débitos objeto da presente fiscalização – perante a Previdência Social. Vale ressaltar que, apesar de a Recorrente alegar em sua defesa a existência de discussão administrativa em relação aos referidos débitos, não logrou êxito em comprovar suas alegações sequer com dados dos procedimentos por ela ditos como pendentes. Assim, sendo incontroversa a distribuição de lucros no período fiscalizado, necessária a aplicação da multa prevista no art. 52, da Lei nº 8.212/91. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10983.906578/2009-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relator
Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 06 57 8/ 20 09 -5 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 42 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Florianópolis, assim expresso: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu não homologála (Despacho Decisório à folha 08), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que pagou indevidamente a contribuição ao PIS, relativo à competência de julho de 2004, no valor de R$ 14.683,42. Explica a interessada que o débito em questão havia sido informado incorretamente como débito de outra competência, mas que este valor foi corrigido através de retificação da DCTF Apresentada a Manifestação de Inconformidade a DRJ/Florianópolis julgou o presente processo com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformada a contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que efetuou pagamento a maior de tributos, acarretando crédito fiscal. Que ao apurar o pagamento a maior, não apresentou as DCTFs retificadoras relativas ao período do crédito com os novos valores devidos. Tal fato aconteceu apenas após o recebimento do despacho decisório que indeferiu o crédito e as compensações. Que somente a DCTF constava com erro e que as demais declarações estavam corretas. Que deve prevalecer o princípio da verdade material, onde a autoridade fiscal deve averiguar se a situação informada pela empresa corresponde à realidade. Requer a procedência de seu pedido. É o relatório, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 43 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme visto tratase de pedido de compensação nãohomologado pela autoridade de primeira instância sob o único argumento de que a retificação da DCTF após o despacho decisório não pode surtir efeitos. Expressa assim o referido acórdão (destaques nossos): O fato de a contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos) Deixou, entretanto, a autoridade de examinar quaisquer outros pontos, ou ainda, de instruir adequadamente o processo. Assim, o presente recurso somente foi interposto em decorrência do entendimento da DRJ de que a retificação da DCTF da Recorrente após a apresentação da PER/DCOMP não pode gerar os efeitos pretendidos pela mesma, não sendo possível sequer considerar seu eventual direito ao crédito pois o mesmo estava carente de liquidez e certeza à época da compensação, sendo irrelevante a retificação posterior da DCTF em função da sua característica de confissão de dívida. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 44 4 A discussão central desse recurso, limitada pela decisão da DRJ, é quanto aos efeitos da DCTF retificadora, ou seja, como se opera essa alteração com relação à possibilidade de homologação da compensação efetivada, considerando os valores declarados em DCTF retificadora, a qual apresentada após a transmissão da competente PER/DCOMP, a despeito do caráter de confissão de dívida da DCTF originalmente transmitida. A retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, artigo 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 e demais alterações). De acordo com a IN supra citada, que é vigente à época da retificação da DCTF pela contribuinte, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o despacho eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve que (os destaques são meus): Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 45 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso porquanto o procedimento fiscal não prescinde da efetiva ação fiscal, conforme disposto na Portaria RFB nº 11.371/2007, assim expressa (destaco novamente): Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Evidente, portanto, a inexistência de procedimento fiscal ou fiscalizatório impeditivo da retificação da DCTF, não havendo óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, mesmo porque, conforme anteriormente posto o despacho decisório é procedimento ligado à Per/Dcomp, não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Essa alteração, ainda, se opera, antes da IN SRF 1.110/2010, produzindo efeitos extunc, conforme prevê a própria norma. Observese que o artigo 11 da IN 903 previa que a DCTF retificadora tinha a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, somente após a edição da IN 1.110, de 24 de dezembro de 2010 a Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 46 6 DCTF passa a ter apenas a a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, não mais substituindoa integralmente, ou seja, passando a ter apenas efeitos modificativos. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram nãohomologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. No presente caso era defeso à autoridade de primeira instância simplesmente desconsiderar a DCTF retificadora e deixar de instruir o processo, quando o despacho decisório considerou que não havia crédito ele tinha razão porque essa era a situação aparente da contribuinte, mas, com a retificadora o fundamento de que indébito não existe por conta da ausência de saldo de crédito também deixa de existir e a DRJ não poderia negar o pedido somente com base na impossibilidade de retificação da DCTF, conforme exposto. Dessa forma, tal indébito teria que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal quanto à sua liquidez e certeza, sendo essa a sua responsabilidade. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação, isso também, em observância aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material, como suscitado através do Recurso ora intentado, e, ainda, do informalismo moderado, não me parece que o aparente direito da interessada possa ser sumariamente negado por conta de um apego excessivo às formalidades em detrimento da possibilidade de se comprovar que seu crédito era, sim, existente, a despeito da retificação tardia da DCTF. Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação da correção da base de cálculo utilizada pelo contribuinte para o recolhimento da contribuição considerada por ele como recolhida a maior. Tenho que o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto em diversas normas legais, apontamentos doutrinários e construções jurisprudenciais. Negar o direito do contribuinte ao aproveitamento de seu crédito e deixar de averiguar a sua real existência configuraria mais que enriquecimento sem causa do Estado, rompimento do mais basilar princípio da moralidade. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os ensinamentos de Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado1, que dizem: “O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não 1 Dialética, 2ª Ed., 2004, págs. 74 e 75. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 47 7 se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelos contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. No mais, é a própria Lei que fixa o dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.906578/200955 Resolução nº 3801000.488 S3TE01 Fl. 48 8 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame dessa Turma. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) Retorne esses autos à Delegacia de origem para que examine os documentos existentes e a escrita fiscal da Recorrente em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. c) Retorne esse processo para esse conselho para julgamento. É como eu voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 apud, NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000070/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ANULADO. FALTA DE VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA OU NÃO DO CRÉDITO. NECESSIDADE DE PROFERIMENTO DE NOVA DECISÃO PELA DRJ COMPETENTE.
A falta de verificação da existência de crédito enseja a anulação do processo a partir da decisão de primeira instância DRJ, havendo a necessidade de análise pela DRF da existência ou não do crédito alegado pelo contribuinte, abertura do prazo legal para a apresentação de novo recurso e posterior proferimento de decisão pela DRJ competente.
Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 3202-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ANULADO. FALTA DE VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA OU NÃO DO CRÉDITO. NECESSIDADE DE PROFERIMENTO DE NOVA DECISÃO PELA DRJ COMPETENTE. A falta de verificação da existência de crédito enseja a anulação do processo a partir da decisão de primeira instância DRJ, havendo a necessidade de análise pela DRF da existência ou não do crédito alegado pelo contribuinte, abertura do prazo legal para a apresentação de novo recurso e posterior proferimento de decisão pela DRJ competente. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
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FALTA DE VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA OU NÃO DO CRÉDITO. NECESSIDADE DE PROFERIMENTO DE NOVA DECISÃO PELA DRJ COMPETENTE. A falta de verificação da existência de crédito enseja a anulação do processo a partir da decisão de primeira instância DRJ, havendo a necessidade de análise pela DRF da existência ou não do crédito alegado pelo contribuinte, abertura do prazo legal para a apresentação de novo recurso e posterior proferimento de decisão pela DRJ competente. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 70 /2 00 8- 88 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000070/200888 Acórdão n.º 3202000.684 S3C2T2 Fl. 156 2 Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 57 a 66) apresentada por GUARUPAL COMERCIAL S/A, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, verbis: “Relatório A Contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de PIS não cumulativo dos meses de outubro a dezembro de 2003, no valor de R$ 2.702,21, para fins de compensação com débito de IRPJ, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo indeferido o ressarcimento e a compensação pleiteada, conforme Informação Fiscal e Despacho Decisório de fls. 36 a 41 e 47. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade parcial, de fls 56 a 65. Nesta começa a contestação alegando que as receitas financeiras decorrentes de variações cambiais ativas não podem ser tributadas pela aplicação do regime contábil da competência, devendo ser auferida a variação (receita financeira) no momento da liquidação da operação, nos moldes do art. 30 da Medida Provisória 2.15835, de 2001. Admite que o valor de R$ 1.186,02, ocorrido em outubro de 2003, deve ser oferecido à tributação. Continuando sua defesa, alega que o pleito do ressarcimento do valor de R$ 2.702,21 do 4° trimestre de 2003, não é afetado pela indicação deste para ser utilizado no 1° trimestre de 2004, pois possui crédito suficiente no 1° trimestre de 2004 para compensar o débito da contribuição, sendo este saldo permaneceria no final do 1° trimestre de 1004. Ademais, por ter preenchido Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000070/200888 Acórdão n.º 3202000.684 S3C2T2 Fl. 157 3 a utilização do crédito como mercado interno no 1 ° trimestre de 2004 para compensar o débito da contribuição, sendo este saldo permaneceria no final do 1° trimestre de 2004. Ademais, por ter preenchido a utilização do crédito como mercado interno no 1° trimestre de 2004, ao invés de crédito do mercado externo, como seria correto, segundo a contribuinte, não a impediria da utilização do citado crédito. Por sua vez, nos meses de novembro e dezembro de 2003, alega que ao efetuar o crédito sobre os supostos insumos utilizou a proporcionalidade entre créditos calculados sobre o sistema não cumulativo e o cumulativo da contribuição, nos termos dos §§ 7° e 8° do art. 3° da Lei 10.637/2002. Todavia, argumenta que somente está enquadrada no sistema não cumulativo, tendo direito ao ressarcimento dos insumos utilizados na exportação nos termos do art. 5° c/c art. 3° da Lei 10.637/2002. Por isso, tendo em vista o prazo prescricional de 5 anos, nos termos dos artigos 165, 168 e 174 do Código Tributário Nacional, a contribuinte apresenta DACON retificativa do 4 ° trimestre de 2003, solicitando o aumento do valor a ressarcir para R$ 42.262,77. Diante deste fato, solicita ressarcimento complementar de R$ 39.560,56, conforme PER/DCOMP retificativa”. Em sua decisão, a DRJ/POA houve por bem manter o lançamento através do acórdão n° 1027.947, de 21 de outubro de 2010, cuja ementa foi assim formulada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP VARIAÇÃO MONETÁRIA E CAMBIAL ATIVA – CONTRIBUIÇÃO PELA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA – TRIBUTAÇÃO. As variações cambiais ativas e monetárias de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da contribuição não cumulativa e, tributadas pelo regime de competência, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA – CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO – OBRIGAÇÃO DA CONTRIBUINTE COMPROVAR SUAS ALEGAÇÕES – INDEFERIMENTO DO PLEITO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto, sendo obrigação da contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/1972 e art. 333 do Código de Processo Civil sob pena de indeferimento de seu pleito. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000070/200888 Acórdão n.º 3202000.684 S3C2T2 Fl. 158 4 Impugnação Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, alegando, em breve síntese, o quanto segue: a) as receitas decorrentes da simples atualização de variação cambial não devem compor a base de cálculo do PIS/PASEP, sendo tributadas somente quando da efetiva liquidação, nos termos do art. 30 da MP 2.15835, e; b) alega que apurou um crédito de PIS no PER retificador no montante de R$ 42.262,77, o que autorizaria o abate do montante de R$ 2.702,21 mediante compensação do IRPJ por ela apurado, restandolhe ainda um saldo credor de PIS na importância de R$ 39.560,56. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator De plano, noto que embora a informação fiscal de fls.3841 tenha tratado de dois assuntos, quais sejam: 2.1. Não inclusão na base de cálculo do PIS/PASEP da totalidade das receitas financeiras e 2.2. Utilização do saldo de créditos remanescente da Dacon do 3° Trimestre de 2003 para abater a contribuição devida na Dacon do 1° Trimestre de 2004; verifico que os autos tratam apenas de direito creditório, uma vez que a glosa ora combatida foi constituída através do Despacho Decisório DRF/POA n° 900/2008, que deixou de homologar o PER n° 37219.87743.071207.1.1.082108, transmitido em 7 de dezembro de 2007, onde foi pleiteado o ressarcimento de PIS nãocumulativo exportação do 4° Trimestre de 2003 na importância de R$2.702,21 (fls.14). Portanto, à vista de inexistir notícia de que o item 2.1 tenha sido constituído por lançamento, o exame dos autos deve cingirse à não homologação de direito creditório (embora a tabela 5 da informação fiscal de fls.38 e seguintes demonstre conclusão do agente fiscal no sentido de que o saldo credor de PIS referente ao 1° Trimestre de 2004 seria menor que o utilizado, justamente pela subtração da receita financeira supostamente não oferecida à tributação, conforme relatado no item 2.1. da informação fiscal, não há notícia da constituição Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000070/200888 Acórdão n.º 3202000.684 S3C2T2 Fl. 159 5 do crédito referente ao item 2.1. nos autos e vêse que o despacho decisório n° 900/2008 não homologou a integralidade do crédito postulado pela Recorrente, o que logo afasta o exame do item 2.1. da informação fiscal). Examinando o DACON do 4° Trimestre de 2003 original (fls.610) e retificador (fls.8798) (declaração transmitida em 15/09/2008, portanto, tempestiva) e planilhas de fls. 79/80, é possível verificar a presença de indícios de erro material nas apurações de PIS e no preenchimento da DACON, que alteraram substancialmente o saldo credor de PIS não cumulativo de exportação, tal como narrado pela Recorrente. Como ensinam Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez Lopez: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que ‘o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida a aspectos considerados pelos sujeitos’. (Processo administrativo fiscal federal comentado. Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Lopez. 3ª Ed. São Paulo: Dialética, 2010. Pág. 78) Efetivamente, vinculandose a Administração Tributária à busca da verdade material, a autoridade fiscal não deve poupar esforços para verificar os fatos em prol da verdade. Ocorre, no entanto, que a DRJ simplesmente desconsiderou tais indícios e, sequer, determinou o retorno dos autos à DRF competente para a verificação da existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Diante disso, voto por declarar nulo o processo a partir da decisão de primeira instância, havendo a necessidade de análise pela DRF da existência ou não, à luz do PER retificador, do crédito alegado pelo contribuinte, abertura do prazo legal para a apresentação de novo recurso e posterior proferimento de decisão pela DRJ competente. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000070/200888 Acórdão n.º 3202000.684 S3C2T2 Fl. 160 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15471.001308/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência.
Numero da decisão: 2201-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de mora.
(assinatura digital)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
EDITADO EM: 30/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de mora. (assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. EDITADO EM: 30/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de mora. (assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 30/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (VicePresidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 13 08 /2 00 8- 69 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 1327.342 – 1ª Turma da DRJ/RJ2, que julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar a omissão de rendimentos, restando a glosa da compensação do imposto de renda que foi depositado judicialmente, multa e juros. Sustenta o contribuinte que é aposentado pela Petrobrás e que recebe complementação de aposentadoria por plano de previdência privada mantida pela ex empregadora, cuja incidência do Imposto de Renda é objeto de ação judicial, sendo que os valores eventualmente devidos estão depositados em juízo. Fato importante de se ressaltar é que o valor de imposto declarado pelo contribuinte como devido em sua DAA, após compensação com o imposto de renda depositado em juízo também foi depositado em juízo após o seu vencimento acrescido de multa e juros, mas antes do iniciada a ação fiscal. Em seu recurso o contribuinte reafirma os argumentos exposto em sua impugnação. É o relatório do necessáro. Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe Preliminarmente devese destacar que a questão não desafia a súmula 1 deste colegiado. Como bem colocou a decisão recorrida o presente feito não discute o mérito da incidência, mas tão somente a constituição do crédito e sua exigibilidade, não havendo concomitância entre os processos judicial e administrativo. No mérito, a questão já foi resolvida pela jurisprudência e pela legislação. Havendo deposito judicial anterior ao lançamento este deve limitarse a constituição do crédito tributário principal e juros, sendo vedado o lançamento da multa. É o que dispõe o artigo 63 da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15471.001308/200869 Acórdão n.º 2201001.872 S2C2T1 Fl. 94 3 concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. É o que se verifica no presente caso, mesmo em relação a parte incontroversa. Os valores envolvidos no presente caso encontramse depositados em juízo. Ademais, a súmula 48 desta casa é clara no sentido de que a suspensão da exigibilidade não atinge a constituição do crédito devendo o mesmo ser somente sobre o principal e juros e com exigibilidade suspensa. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Ante o exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para, para excluir da exigência a multa de mora. É como voto. Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10380.021575/2008-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/03/2004
AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS.
Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, em seu montante integral, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência.
A realização do depósito do montante integral, entretanto, descaracteriza a ocorrência de mora, sendo, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios.
AUSÊNCIA DE INCONSISTÊNCIAS NA NOTIFICAÇÃO.
O Auto de Infração e demais termos lavrados pela fiscalização contemplam todos os requisitos legais obrigatórios previstos e foi instruído com os elementos indispensáveis à clareza e conhecimento do crédito exigido.
NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE O PLANO EDUCACIONAL DE ENSINO SUPERIOR FORNECIDO AOS EMPREGADOS ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS DA ALÍNEA t DO §9º DO ARTIGO 28 DA LEI N. 8.212/1991. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE SOBRE PAGAMENTO DE BOLSAS DE ESTUDO.
Embora a concessão de auxílio voltado à graduação enquadre-se, em tese, na hipótese expressa de não incidência das contribuições previdenciárias prevista na alínea t do §9º do artigo 28 da Lei n. 8.212/1991, não foi comprovada a natureza do auxílio e sua impessoalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que: a) seja excluído do lançamento o montante correspondente a multa e aos juros de mora relativos às contribuições depositadas nos autos da ação declaratória n. 2000.81.00.009855-0 (01/2004 a 03/2004), mantendo apenas o valor do principal do tributo lançado tão somente para prevenir a decadência. b) seja mantida a exigência da contribuição ao SEBRAE, incidente sobre a bolsa educação, porquanto não demonstrado pela recorrente o preenchimento dos requisitos necessários à exclusão dessa parcela da base de calculo da exação.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/03/2004 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, em seu montante integral, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral, entretanto, descaracteriza a ocorrência de mora, sendo, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios. AUSÊNCIA DE INCONSISTÊNCIAS NA NOTIFICAÇÃO. O Auto de Infração e demais termos lavrados pela fiscalização contemplam todos os requisitos legais obrigatórios previstos e foi instruído com os elementos indispensáveis à clareza e conhecimento do crédito exigido. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE O PLANO EDUCACIONAL DE ENSINO SUPERIOR FORNECIDO AOS EMPREGADOS ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS DA ALÍNEA t DO §9º DO ARTIGO 28 DA LEI N. 8.212/1991. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE SOBRE PAGAMENTO DE BOLSAS DE ESTUDO. Embora a concessão de auxílio voltado à graduação enquadre-se, em tese, na hipótese expressa de não incidência das contribuições previdenciárias prevista na alínea t do §9º do artigo 28 da Lei n. 8.212/1991, não foi comprovada a natureza do auxílio e sua impessoalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que: a) seja excluído do lançamento o montante correspondente a multa e aos juros de mora relativos às contribuições depositadas nos autos da ação declaratória n. 2000.81.00.009855-0 (01/2004 a 03/2004), mantendo apenas o valor do principal do tributo lançado tão somente para prevenir a decadência. b) seja mantida a exigência da contribuição ao SEBRAE, incidente sobre a bolsa educação, porquanto não demonstrado pela recorrente o preenchimento dos requisitos necessários à exclusão dessa parcela da base de calculo da exação. Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/03/2004 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, em seu montante integral, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral, entretanto, descaracteriza a ocorrência de mora, sendo, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios. AUSÊNCIA DE INCONSISTÊNCIAS NA NOTIFICAÇÃO. O Auto de Infração e demais termos lavrados pela fiscalização contemplam todos os requisitos legais obrigatórios previstos e foi instruído com os elementos indispensáveis à clareza e conhecimento do crédito exigido. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE O PLANO EDUCACIONAL DE ENSINO SUPERIOR FORNECIDO AOS EMPREGADOS ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS DA ALÍNEA ‘t’ DO §9º DO ARTIGO 28 DA LEI N. 8.212/1991. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE SOBRE PAGAMENTO DE BOLSAS DE ESTUDO. Embora a concessão de auxílio voltado à graduação enquadrese, em tese, na hipótese expressa de não incidência das contribuições previdenciárias prevista na alínea ‘t’ do §9º do artigo 28 da Lei n. 8.212/1991, não foi comprovada a natureza do auxílio e sua impessoalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 15 75 /2 00 8- 58 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que: a) seja excluído do lançamento o montante correspondente a multa e aos juros de mora relativos às contribuições depositadas nos autos da ação declaratória n. 2000.81.00.0098550 (01/2004 a 03/2004), mantendo apenas o valor do principal do tributo lançado tão somente para prevenir a decadência. b) seja mantida a exigência da contribuição ao SEBRAE, incidente sobre a bolsa educação, porquanto não demonstrado pela recorrente o preenchimento dos requisitos necessários à exclusão dessa parcela da base de calculo da exação. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.021575/200858 Acórdão n.º 2403001.794 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls.183 a 194), que manteve integralmente o lançamento consubstanciado pelo Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD nº 37.183.9602. Segundo o Relatório Fiscal (fls.19 a 24), em decorrência da fiscalização desenvolvida sobre os estabelecimentos da Recorrente, amparada pelo MPF n° 03.101.00 200800875, foi constatada a existência de ação judicial intentada pela Recorrente, de n. 2000.81.00.0098550, visando ao reconhecimento do direito de não se submeter à incidência das contribuições destinadas ao SEBRAE, com a realização de depósitos judiciais junto à Caixa Econômica Federal, relativos aos períodos de 01/2004 a 03/2004. O Autuante sustenta que, ao realizar os depósitos judiciais, a Recorrente não computou na base de cálculo da contribuição as remunerações pagas a seus empregados a título de bolsa de estudo de curso superior, pelo que foram lançadas as importâncias recolhidas a menor, conforme discriminado no levantamento “SOB SEBRAE sobre o pagamento de bolsas”. Ademais, tendo em vista a não conversão em renda dos depósitos judiciais efetuados pela empresa no processo judicial, após consulta no sistema de controle de depósitos judiciais, a fiscalização efetuou o lançamento do débito, no intuito de prevenir a decadência, tendo acrescido ao valor original multa e juros de mora, conforme demonstrado no levantamento DSD – Discriminativo Sintético do Débito (fls. 6). Contra os termos da acusação fiscal, o Recorrente apresentou impugnação às fls. 133 a 153, alegando, aqui em breve síntese, que:(a) ocorrido o depósito judicial,operouse o lançamento tácito dos valores pertinentes ao SEBRAE, não havendo razão para a constituição de ofício do crédito tributário, que configurará duplicidade de lançamentos; (b) em decorrência da garantia integral do crédito tributário em juízo, resta afastada a incidência dos acréscimos legais; (c) não incidem as contribuições previdenciárias sobre as bolsas educação concedidas aos trabalhadores; e (d) há inconsistências na notificação. Ao apreciar a peça impugnatória apresentada, a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu decisão (Acórdão 09 36.186), a seguir ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 a 30/12/2004 DEBCAD: 37.183.9602 AÇÃO JUDICIAL Somente é apreciada, em instância administrativa, a matéria distinta da constante do processo judicial, prosseguindo o processo em relação à matéria diferenciada. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 DEPÓSITO Mesmo havendo o depósito judicial da contribuição discutida judicialmente, o lançamento deve ser efetuado para prevenir a decadência. ACRÉSCIMOS LEGAIS Os acréscimos legais lançados, referentes à contribuição depositada e discutida em juízo, somente serão cobrados na hipótese do levantamento do depósito antes do término da ação judicial ou se forem apuradas diferenças entre o valor depositado e o exigido. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 30/03/2004 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. REEMBOLSO MENSALIDADE PAGA A INSTITUIÇÃO DE ENSINO. VERBA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa, destinada ao custeio das outras entidades e fundos incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados. O valor relativo ao reembolso de parte de mensalidade escolar integra o saláriodecontribuição, quando não caracterizada a existência de um plano educacional, que tenha como finalidade o estímulo à educação básica ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restado evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PROCURADOR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, pois a intimação da autuada se faz no seu domicílio tributário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.021575/200858 Acórdão n.º 2403001.794 S2C4T3 Fl. 4 5 Irresignada com a decisão proferida, a Recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos defensivos aduzidos na impugnação. Requereu ao final o total provimento do Recurso Voluntário, para que seja reformado acórdão com o consequente reconhecimento da improcedência do lançamento contra si efetuado. Devidamente recebido o Recurso Voluntário, foi realizado o encaminhamento dos autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Conforme relatado, a Recorrente insurgese contra a decisão de primeira instância com base, em síntese, nos seguintes argumentos: (i) desnecessidade de lançamento de ofício para constituição de crédito tributário, uma vez que a realização de depósitos judiciais configura lançamento tácito do tributo depositado; (ii) impossibilidade de exigência de acréscimos legais, vez que o tributo foi depositado judicialmente; (iii) não incidência da contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudo pagas a seus empregados; (iv) indicação errônea do dispositivo legal infringido, com cerceamento do direito de defesa. Inicialmente, quanto à discussão acerca da ação judicial, ressaltese que embora o crédito tributário tenha sido depositado, em seu montante integral, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de prevenir a decadência. A conseqüência advinda do depósito judicial é a mera suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que a extinção do crédito fiscal fica condicionada à conversão de depósito em renda da União. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, inclusive quando efetuados depósitos judiciais da quantia controversa, não tem o condão de impedir o lançamento de ofício. Pela inteligência do art. 142 e parágrafo único do Código Tributário Nacional, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos, como no presente caso. A posição externada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no ERESP de n. 767.328RS, colacionado pela Recorrente à sua peça, no sentido de que a efetivação do depósito judicial configura lançamento tácito apto a afastar alegação de decadência do crédito tributário, não conduz à conclusão de que haja impedimento ao lançamento de ofício por parte da autoridade competente. Todavia, estando o tributo depositado judicialmente e sendo o lançamento efetuado apenas para prevenir decadência, é descabida a inclusão de juros e multa de mora, como procedido pela fiscalização. O depósito judicial do montante integral do tributo, nos termos do artigo 151, II do CTN, é uma das formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora. Não estando o contribuinte em mora, não pode o mesmo ser apenado com a aplicação de multa de natureza moratória. Quanto aos juros de mora, os mesmos também devem ser afastados, sobretudo se considerarmos que, a partir da edição da Lei nº 9.703/1998, as quantias depositadas judicialmente são repassadas para a conta única do tesouro nacional e sofrem a incidência de juros moratórios. Ou seja, o valor a ser convertido em renda corresponderá não só ao principal depositado, mas também aos juros correspondentes. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.021575/200858 Acórdão n.º 2403001.794 S2C4T3 Fl. 5 7 Ora, não se pode exigir do contribuinte que deposita judicialmente o tributo discutido, com o objetivo de elidir a mora, o pagamento de acréscimos moratórios. Nesse sentido o CARF vem decidindo, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MATÉRIA SUB JUDICE LANÇAMENTO POSSIBILIDADE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A existência de discussão judicial relativa à exigibilidade de determinada contribuição não é óbice ao lançamento que é atividade vinculada, ainda que exista depósito do montante integral, cuja consequência é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL ENCARGOS MORATÓRIOS Na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cujo valor tenha sido objeto de depósito judicial, não cabe a exigência dos encargos moratórios, juros e multa, uma vez que o depósito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo nº 15504.005456/200917, Acórdão nº 2402003.135 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 16 de outubro de 2012). Ademais, esse Il. Conselho também já se manifestou nesse sentido, editando a súmula de n. 5. Vejamos: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vale ressaltar que consta do andamento processual extraído do web site do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Seção Judiciária do Ceará, despacho judicial determinando a transformação em pagamento definitivo dos depósitos judiciais vinculados à ação judicial de n. 2000.81.00.0098550, em 03/08/2011. Constatado o cumprimento da ordem judicial, deve ser o crédito tributário objeto do levantamento SEB baixado, na sua integralidade. Quanto à não incidência da contribuição social sobre as parcelas relativas à bolsa educação, convém esclarecer que, a despeito de ter a Recorrente intentado demanda judicial visando ao reconhecimento de que não está sujeita ao recolhimento da contribuição ao SEBRAE, no caso em apreço não se operou a renuncia à instância administrativa. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Isso porque, na esfera judicial, a discussão gira em torno da legitimidade passiva da Recorrente, ao passo que, nos presentes autos, a pretensão é de afastar a exação especificamente sobre a rubrica ‘bolsa educação’. Pois bem. No bojo da peça recursal, a Recorrente sustenta que, ao contrário do quanto assentado no Acórdão combatido, as bolsas concedidas aos seus empregados amoldamse à norma veiculada pelo art. 28, inciso I, alínea ‘t’ da Lei nº 8.212/90, pois “dizem respeito à capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa” e “não são como substituição de parcela salarial e todos os empregados e dirigentes têm acesso ao benefício”. Entendo que as parcelas pagas, devidas ou creditadas a título de bolsa educação para custeio de ensino superior, a princípio, amoldamse aos conceitos de capacitação e qualificação profissionais. Esse é, aliás, o entendimento veiculado através do Acórdão 2403001.298 desta Turma, proferido na Sessão de 15 de maio de 2012, conforme ementado a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. BOLSA DE ESTUDO ENSINO SUPERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PESSOA JURÍDICA CONTRATANTE DE SERVIÇO DE SAÚDE ATRAVÉS DE COOPERADAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 22, IV DA LEI N. 8.212/91. MULTA DE MORA. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT. Não deve incidir contribuição previdenciária em relação à bolsa de estudo que vise à qualificação do funcionário, mesmo que destinada ao ensino superior, desde que não haja impessoalidade. A empresa que contratar serviços de cooperadas deve pagar a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei n. 8.212/91. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte (sem grifos no original) Contudo, para fazer jus à dedução dessas parcelas da base de cálculo das contribuições, os cursos de capacitação e qualificação profissional devem estar vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não devem ser utilizados em substituição ao salário e Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.021575/200858 Acórdão n.º 2403001.794 S2C4T3 Fl. 6 9 devem ser oferecidos a todos os empregados e dirigentes. É o que se infere da leitura da alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei n. 8.218/1991, a seguir transcrito: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; A Recorrente limitouse a afirmar que as verbas “dizem respeito à capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa” e “não são como substituição de parcela salarial e todos os empregados e dirigentes têm acesso ao benefício”, não trazendo qualquer elemento de prova apto a caracterizar a reunião dos requisitos autorizativos da exclusão de tal parcela da base de cálculo da contribuição social. Não apresentou, por exemplo, nenhum documento hábil a demonstrar a impessoalidade do auxílio, como a política de concessão do benefício, ou acordo coletivo de trabalho. Diante da ausência de elementos que permitam a avaliação do benefício concedido e sua conseqüente subsunção à norma veiculada no dispositivo legal acima transcrito, não merece acolhida a alegação da Recorrente, devendo ser mantida a cobrança nesse particular. No que cerne às alegações de inconsistências da notificação, entendo que o conjunto de levantamentos que acompanham o Auto de Infração, acompanhados do relatório de fiscalização, não deixam dúvidas quanto à matéria objeto da autuação. O auto de infração foi lavrado atendendo aos pressupostos formais estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem como não foi verificado nenhuma das hipóteses de nulidade do processo administrativo previstas no art. 59 do referido Decreto, razão pela qual não há que se falar em inconsistências da notificação. Vale ressaltar que algumas alegações da peça recursal parecem não dizer respeito a este processo, mas sim a autuações correlatas, diante do que deixam de ser analisadas. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para que: a) seja excluído do lançamento o montante correspondente à multa e aos juros de mora relativos às contribuições depositadas nos autos da ação declaratória nº 2000.81.00.0098550 (01/2004 a 03/2004), mantendo a apenas o valor do principal do tributo lançado tãosomente para prevenir a decadência. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 b) seja mantida a exigência da contribuição ao SEBRAE incidente sobre a bolsa educação, porquanto não demonstrado pela Recorrente o preenchimento dos requisitos necessários à exclusão dessa parcela da base de cálculo da exação. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06 /2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13660.001024/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$17.692,00 (dezessete mil seiscentos noventa e dois reais), nos termos do voto da relatora. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:14/7/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
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DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$17.692,00 (dezessete mil seiscentos noventa e dois reais), nos termos do voto da relatora. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento em menor extensão. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:14/7/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 10 24 /2 00 8- 10 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fora (MG), que considerou procedente em parte, a impugnação apresentada, contra parte do lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao ano calendário, 2004, em virtude: 1) Compensação Indevida de Carnê Leão, no valor de R$1.813,89; 2) glosa de dedução da base tributável para deduções de despesas médicas no valor de R$22.794,73; 3) Omissão de Rendimentos de Alugéis Recebidos de Pessoas Físicas – Dimob, no valor de R$7.941,25. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0932.762, de 3 de dezembro de 2010, que se encontra às fls. 92/94, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. Erros cometidos pela unidade preparadora na alocação dos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos à fração não litigiosa do lançamento acarretaram erros de cálculo no Acórdão anteriormente proferido, que podem e foram corrigidos de oficio havendo para tanto proferição de novo Acórdão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada aquela matéria contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. CARNÉLEÃO. COMPENSAÇÃO. Restabelecese parte da compensação quando na fase impugnatória restam comprovados os recolhimentos. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecese parcela da dedução cujos documentos comprobatórios atendem aos requisitos formais expressos na legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A ciência de tal julgado se deu por via postal em 17/01/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 98). À vista da decisão, foi protocolizado, em 16/02/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 99/100, no qual o pólo passivo; 1) concorda com o valor de R$165,85, mantido em primeira instância, relativo a glosa do carnê leão e informa já ter efetuado o recolhimento do imposto relativo a essa infração; 2) Concorda com a glosa das despesas médicas realizadas com não dependentes e reapresenta os comprovantes de despesas médicas com a informação de ter sanado os vícios apontados pela autoridade julgadora de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13660.001024/200810 Acórdão n.º 2802002.291 S2TE02 Fl. 597 3 Em primeira instancia foi restabelecido Compensação do Carnê Leão no valor de RS 1.648,04. O recorrente concorda com a glosa do valor de R$165,85, mantido em primeira instância, relativo a compensação indevida do carnê leão e informa já ter efetuado o recolhimento do imposto relativo a essa infração. Quanto a despesas médicas foi retabelecido em primeira instância o valor de RS 1.642,40 (Aquiles Mamfrim, médico, no valor de R$ 200,00, A. fl. 29, Clinica de Ressonância e MultiImagem Ltda, CNPJ 01.258.224/000403, no valor de R$ 500,00, à fl. 30, Pro Echo Serviços Médicos de Imagem Ltda, CNPJ 02.467.509/000174, no valor de R$ 302,40, à fl. 31, Cortrel — Clinica Ortopédica Leblon Ltda, CNPJ 30.658.546/000103, no valor de R$ 120,00, fl. 33, Radiologia Odontológica Dr. Murilo B. Torres Ltda, CNPJ 68.635.176/000153, no montante de R$ 520,00 (fls. 34/35). O recorrente também concorda com as glosas das despesas médicas que foram realizadas com não dependentes. O litígio continua em torno das despesas médicas no montante de R$17.692,00. São elas: por Arlindo G. de Mello Neto, dentista, à fl. 100, no valor de R$ 290,00, Mauricio M. Pereira, dentista, as fls. 101/104, no total de R$ 16.000,00, Marcos Magalhães Arantes, dentista, as fls. 105, no total de R$ 800,00, Henri Farah, médico, à fl. 107, no valor de R$ 100,00, Eider Lettieri Fulco, médico, à fl. 107, no valor de R$ 180,00, Labs Cardiolab Exames Complementares Ltda, CNPJ 27.001.049/000115, na importância de R$ 322,00, à. fl. 108. Em primeira instância a glosa da despesa médica foi mantida sob o seguinte fundamento: “ ... Conforme se depreende do dispositivo legal transcrito, cabe ao beneficiário das deduções apresentar documentos de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado como despesa, bem assim provar a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Quanto a gastos efetuados com profissionais da área de saúde (pessoas fisicas ou jurídicas), pleiteados como dedução na DIRPF, cabe dizer que, em principio, admitese como prova de pagamentos os documentos por eles fornecidos, desde que neles constem os requisitos estabelecidos pelo no art. 80, §1° incisos IT e III, do RIR/1999, anteriormente transcrito. Assim, exigese que a documentação traga informações que permitam a perfeita identificação: 1) do responsável pelo pagamento efetuado, pois sem essa informação não há como se vincular a dedução ao possível interessado; 2) do valor do pagamento; 3) da data da emissão do documento (dia, mês e ano); 4) do tipo de serviço realizado; 5) do beneficiário do serviço; 6) do emitente do documento: nome, endereço, CPF/CNPJ e, no caso de pessoa física, o registro de habilitação profissional no Conselho Regional de Classe. Destaquese, ainda, que nos casos de comprovação com nota fiscal, esta além de atender a todos os requisitos estabelecidos pelo citado art. 80, deve conter em seu corpo informação da forma de pagamento e/ou ter sido nela aposto o carimbo do recebimento do valor correspondente. Esses são os requisitos mínimos que devem constar do documento comprobatório da despesa pleiteada como dedução da base de cálculo do IRPF. A legislação regente da matéria assim exige e, por conseguinte, devem Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 ser fielmente observados pela autoridade fiscal (lançadora e julgadora), cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do disposto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. 1 ...; 2 ...; 3 0 recibo emitido por Arlindo G. de Mello Neto, dentista, à fl. 21, no valor de R$ 290,00, não contém a indicação do endereço do profissional nem identifica o beneficiário do "tratamento odontológico"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. .... Mantémse a glosa; 4 ...; 5 ...; 6 ...; 7 ...; 8 ...; 9 Os recibos emitidos por Mauricio M. Pereira, dentista, as fls. 26/27, no total de R$ 16.000,00, não especificam os serviços prestados nem identificam o beneficiário destes; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa; 10O recibo emitido por Eider Lettieri Fulco, médico, à fl. 27, no valor de R$ 180,00, não identifica o beneficiário da "consulta médica"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa;11 Os recibos emitidos por Marcos Magalhães Arantes, dentista, as fls. 28/29, no total de R$ 800,00, não contem a indicação do endereço do profissional e não identificam o beneficiário do serviços; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa;12...;13...;14...;15O recibo emitido por Henri Farah, médico, à fl. 31, no valor de R$ 100,00, não identifica o beneficiário da "consulta domiciliar"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa;16Na nota fiscal emitida por Labs Cardiolab Exames Complementares Ltda, CNPJ 27.001.049/000115, na importância de R$ 322,00, A. fl. 32, não há prova de quitação do débito acordado; a condição de pagamento está em branco. Mantémse a glosa;17...;18...;19 ...; Vale lembrar que a autoridade fiscal não pode acatar como válidos documentos emitidos com as falhas acima apontadas. Os dados negligenciados nos referidos tecibos são necessários ao deslinde da questão em foco. A falta de identificação dos beneficiários impossibilita saber se os serviços profissionais foram prestados ao próprio contribuinte ou a terceiros. A ausência de endereços dos emitentes não permite ao Fisco identificar e, se necessário averiguar, o local onde exercem suas atividades profissionais. A ausência da prova de quitação do débito acordado nas notas fiscais deixa dúvidas quanto A efetiva liquidação da despesa. Por fim, vale lembrar que o contribuinte somente pode se beneficiar da dedução daquelas despesas médicas em razão do próprio tratamento ou de dependentes. Em assim sendo, deve ser restabelecida como despesas médicas a importância de RS 1.642,40. Cumpre destacar, ainda, que não há noticia nos presentes autos de que a autoridade lançadora tenha envidado maiores esforços no sentido de que fosse comprovada pelo declarante a efetividade da realização das despesas médicas por ele pleiteadas como dedução e, em especial, a efetividade dos pagamentos realizados.” A vista disso, analisando os documentos reapresentados, constatase que, o recorrente sanou todos os vícios apontados pela autoridade de primeira instância, conforme podese constatar pelos recibos a seguir descritos: Arlindo G. de Mello Neto, dentista, à fl. 100, no valor de R$ 290,00, Mauricio M. Pereira, dentista, as fls. 101/104, no total de R$ 16.000,00, Marcos Magalhães Arantes, dentista, as fls. 105, no total de R$ 800,00, Henri Farah, médico, à fl. 107, no valor de R$ 100,00, Eider Lettieri Fulco, médico, à fl. 107, no valor de R$ 180,00, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13660.001024/200810 Acórdão n.º 2802002.291 S2TE02 Fl. 598 5 Labs Cardiolab Exames Complementares Ltda, CNPJ 27.001.049/000115, na importância de R$ 322,00, à. fl. 108. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$17.692,00 (dezessete mil seiscentos noventa e dois reais). (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004489/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos
geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à
legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação
acessória.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo
de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004489/200754 Acórdão n.º 2402002.617 S2C4T2 Fl. 127 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 07/11/2006 que decorre do fato de que a recorrente deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, contrariando desta forma o que dispõe o art. 32 do inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com art. 225, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Segue transcrição de trechos da ementa do acórdão recorrido: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE FATOS GERADORES. DESCUMPRIMENTO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONFISCO. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Somente se cogita da relevação da multa aplicada se atendidos pelo sujeito passivo todos os requisitos legais, incluindo a correção integral da falta. O Código de Defesa do Consumidor alcança apenas as relações de consumo, o que não se cogita entre contribuinte e Fazenda Pública. lnexiste caráter confiscatório se a multa decorre de previsão legal e é fixada nos parâmetros da legislação vigente A época da exação. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. ... O Auto de Infração Al em pauta, conforme Relatório Fiscal da Infração, fl 05, foi lavrado por ter o contribuinte em referência deixado de lançar, conforme documentos juntados As fls. 07/42 dos autos: 1.1. no Livro Diário n.° 07, no período de 01/2004 a 05/2004, as folhas de pagamento dos segurados empregados e do contribuinte individual Rui de Geroni, vinculados ao CNPJ 94.783.396/000134, tendo efetuado somente os lançamentos relativos ao CNPJ 94.783.396/000304; 1.2. no Livro Diário n.° 08, a folha de pagamento da obra de construção civil de matricula CEI n.° 36.340.03254/78 (competência 04/2005) e o valor do pro labore pago a Mauro de Geroni (competência 06/2005). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4.1. que, nos termos do artigo 291 do Decreto 3.048/99, há circunstâncias atenuantes na aplicação da pena, fazendo a autuada jus à anulação ou relevação da multa, pois teria corrigido a falta; 4.2. que, caso não seja este o entendimento do órgão julgador, a multa deverá ser reduzida, visto que está aplicada em patamares confiscatórios, tanto assim que o Código de Defesa do Consumidor limita as aplicações de multa ao percentual máximo de patamar 2% (dois por cento). É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004489/200754 Acórdão n.º 2402002.617 S2C4T2 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Das Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Conforme relatado não foram escrituradas remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, identificadas através de folhas de pagamento preparadas pelo próprio recorrente. As omissões fragilizam a credibilidade na escrituração como registro dos fatos contábeis praticados pela empresa. Para tanto, é prevista uma infração e a multa correspondente; o que foi aplicada pela fiscalização. A autuação não desconsidera a escrituração contábil como um todo, mas aplica multa pela irregularidade na escrituração das parcelas pagas. A procedência da autuação Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004489/200754 Acórdão n.º 2402002.617 S2C4T2 Fl. 129 7 persiste ainda que apenas um único fato contábil tenha sido lançado em desacordo com as normas regulamentares. As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade da autuação, seu efeito confiscatório; no entanto, conforme tratado nas preliminares, foram observadas as normas de incidência do tributo. A regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.000936/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Descabe suscitar a nulidade de ato decisório na circunstância em que a autoridade competente, analisando os documentos carreados ao processo, não os considera hábeis para comprovar os fatos alegados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
Numero da decisão: 1301-001.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe suscitar a nulidade de ato decisório na circunstância em que a autoridade competente, analisando os documentos carreados ao processo, não os considera hábeis para comprovar os fatos alegados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.296 1 3.295 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000936/201120 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.231 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2013 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente MÁRCIO BORTOLOTTO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe suscitar a nulidade de ato decisório na circunstância em que a autoridade competente, analisando os documentos carreados ao processo, não os considera hábeis para comprovar os fatos alegados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 36 /2 01 1- 20 Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.297 2 “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.298 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas no âmbito do SIMPLES. Por bem descrever os fatos apurados e as razões de defesa trazidas em sede de impugnação pela contribuinte, reproduzo a seguir relato constante na decisão de primeira instância. [...] 1. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 167/174, tratase de crédito lançado contra o Contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação ao anocalendário de 2006, vez que em decorrência do procedimento fiscal realizado foi constatada omissão de receitas, o que resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no presente processo (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros), fls. 175/234. O montante do crédito tributário em epígrafe perfez R$ 2.902.486,44 (dois milhões e novecentos e dois mil e quatrocentos e oitenta e seis reais e quarenta e quatro centavos). 2. Do conteúdo descrito no referido Termo de Verificação Fiscal e dos elementos acostados aos autos, destacamse as seguintes intimações, documentos e informações: 2.1. O procedimento fiscal teve início com a emissão de Termo de Início de Fiscalização (21/06/2010), fls. 05/08, cientificado pessoalmente ao proprietário da empresa. Ademais, a Autuada recebeu uma via do MPF, no mesmo referido envio postal. 2.2. Em resposta ao mencionado Termo de Início, o Contribuinte apresentou, dentre outros documentos, Livro do Movimento de Entradas e Saídas de Veículos e encerra a promessa de apresentação de sua movimentação financeira dependente das respostas das instituições com as quais mantém contacorrente. Posteriormente, a Autuada apresentou os extratos bancários solicitados. 2.3. Às fls. 94, consta Termo de Intimação Fiscal específica, de 11/10/10, para solicitação de esclarecimentos quanto à comprovação dos valores creditados ou depositados nas contascorrentes (Banco Real e Bradesco) da Autuada no ano calendário de 2006, conforme Demonstrativo de Créditos Bancários, fls. 95/147. 2.4. Às fls. 153, encontrase novo Termo de Intimação Fiscal, de 19/11/10, a partir do qual a Autoridade Fiscal conclama o Contribuinte a comprovar a origem Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.299 4 dos recursos creditados em sua contacorrente, no ano em referência, mantida junto ao Banco Itaú. 2.5. Em resposta, às fls. 162, a Autuada protocolou documento, datado de 16/03/2011, informando a apresentação de Demonstrativo de Consignação 2006, Livro Caixa Contábil 2006, Entradas, Saídas e consignações, Notas Fiscais 2006 – Escrituradas e Justificativas de Bancos diversos. 2.6. Às fls. 165, encontrase o Termo de Reintimação Fiscal, cientificado, via postal, em 22/03/11, no qual a Autoridade Autuante ratifica as solicitações de comprovação de origem dos recursos creditados nas contascorrentes do Contribuinte. 2.7. Conforme assentado no Termo de Verificação Fiscal, especialmente às fls. 170, embora a empresa tenha apresentado relatórios durante o procedimento fiscal, no entender da Autoridade Autuante, deixou de anexar os documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos valores verificados como créditos em suas contascorrentes. 2.8. Em consequência, tais valores foram considerados como omissão de receitas, com fundamento no art. 849 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda RIR. A Autoridade Fiscal apresenta, em forma de planilha, os valores considerados nos levantamentos em tela, fls. 171. 2.9. Ademais, em virtude dos fatos narrados, tendo em vista que a Autuada superou o limite de receita bruta anual legalmente previsto para o ano em tela, a Autoridade Fiscal formalizou termo para exclusão do SIMPLES, fls. 241/3. 2.10. Informa, ainda, que formalizou termo de Arrolamento de Bens, fls. 267/8, em observância ao previsto no art. 64 da Lei nº 9.532/97 e art. 9º da IN/SRF nº. 1.088/10. 2.11. Em 31/03/2011, foram lavrados os seguintes Autos de Infração, cientificados pessoalmente ao representante de empresa, com os respectivos valores de crédito apurado e anexos de demonstrativo dos valores devidos e de demonstrativo de multa e juros: Imposto de Renda Pessoa Jurídica SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 203.258,00; Auto de Infração, fls. 192/6 e demonstrativos, fls. 188/191; PIS – Programa de Integração Social SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 148.487,84; Auto de Infração, fls. 203/7 e demonstrativos, fls. 197/200; CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 205.749,39; Auto de Infração, fls. 212/6 e demonstrativos, fls. 208/211; COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 603.499,23; Auto de Infração, fls. 221/5 e demonstrativos, fls. 217/220; Contribuição para Seguridade Social – INSS SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 1.741.491,99; Auto de Infração, fls. 230/4 e demonstrativos, fls. 226/9; Fl. 3299DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.300 5 2.11.1. Anotase que consta no bojo de cada Auto de Infração a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). 2.11.2. Destacase que o enquadramento legal da multa de ofício aplicada, encontrase no artigo 44, I, da Lei nº. 9.430/96. O enquadramento legal dos juros de mora aplicado consta do artigo 61, § 3º, da mesma lei anteriormente referida. 2.12. Integram o presente processo, além dos Autos de Infração por tributo e dos respectivos demonstrativos de multa e juros de mora, Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 03/4, os seguintes discriminativos e documentos: (a) Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta e respectiva fundamentação legal (fls. 175/7); (b) Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 178/181) incidentes sobre os valores declarados, resultantes da aplicação dos percentuais corretos conforme discriminados no demonstrativo anterior; (c) Demonstrativo da apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas (fls. 182/7), incidentes sobre a parcela referente à omissão de receitas; DA IMPUGNAÇÃO 3. O sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 26/04/2011, conforme protocolo às fls. 270, impugnação às autuações (fls. 270/280). Suas alegações, em apertado resumo, foram: 3.1. Toda a documentação solicitada por intermédio dos termos de intimação foi apresentada. 3.2. Esclarece que a empresa opera no ramo mercantil tendo por objeto motocicletas novas e usadas, fazendo da sua habitualidade o recebimento das mencionadas mercadorias em consignação, razão pela qual sustenta que a sua receita corresponderia, em verdade, ao lucro nas transações. 3.3. Menciona diversas “pastas” de documentos, especificando o conteúdo de cada qual, capazes de comprovar o quanto alegado, anexas à Impugnação apresentada. 3.4. Ademais, considera nulos os combatidos AI por manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa, vez que inocorreu qualquer ilicitude. 3.5. Em adição, alega falta de justa causa para instauração da ação fiscal e, ainda, suscita impropriedade do ato formal do lançamento, tendo em vista que os dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação. 3.6. Demais disso, apresentando conceituação do que a legislação entenderia por ‘presunção de operação ou prestação tributável não registrada’ assevera, uma vez mais, que a ação fiscal realizouse de forma equivocada, eis que os demonstrativos que poderiam oferecer suporte aos autos de infração nenhuma validade jurídica possuem. Colaciona doutrina. 3.7. Menciona, ainda, que toda ação fiscal há de respeitar os princípios insculpidos na Carta Magna, mormente no atinente ao art. 37, para concluir que a falta de demonstração do fato gerador que viesse a permitir a exigência hostilizada, não considerando os livros fiscais e contábeis, macula de nulidade a pretensão fiscal. Fl. 3300DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.301 6 3.8. Articula pelo frontal desrespeito da Peça Fiscal, em especial, ao princípio da legalidade. Colaciona doutrina. 3.9. Invocando o previsto no art. 112 do CTN, novamente, afirma padecer de amparo jurídico o quanto reclamado nos guerreados AI. 3.10. Lado outro, alegando estar sendo obrigada a defenderse de infração que não cometeu, argumenta pela ocorrência do crime de excesso de exação, estampado no art. 316, § 1º do CP. Colaciona doutrina. 3.11. Ainda, sustenta que não se pode falar em violação de obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através da apreciação pelo judiciário, de cuja apreciação não escapa nenhum ato administrativo irregular ou viciado, como sustenta ser o caso dos AI em tela. 3.12. Diante do que expõe, passa a considerar o que segue: i) Falta de comprovação material do ilícito fiscal constante do auto de infração; ii) Imprevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação; iii) Ilegitimidade da autuação, vez que o autuante quer receber tributo sem o correspondente fato gerador; iv) Indevida instauração da ação fiscal; e já que inexistente a obrigação principal o apenamento não tem qualquer valor. 3.13. Assim, requer se tornem nulos os combatidos AI, tornando sem efeito os tributos exigidos e a multa pretendida, com a correspondente baixa dos registros no órgão, por não estar legitimada a pretensão em pauta. 3.14. Requer, ainda, a realização de diligências entendidas por necessárias à elucidação dos fatos. DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO 4. Às fls. 3.000, consta Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRESR nº 60/2011 e a respectiva Intimação, às fls. 3.002, cuja ciência do Sujeito Passivo se deu, via postal, em 15/07/2011, com efeitos a partir do dia 01/01/2007, que exclui a Autuada do SIMPLES FEDERAL, em virtude de a receita bruta no anocalendário de 2006 ter ultrapassado o limite legal. 4.1. Demais disso, às fls. 3.001, consta Ato Declaratório Executivo – SIMPLES NACIONAL DERAT/DIORT/EQRESR nº 06/2011, e a respectiva Intimação, às fls. 3.003, cuja ciência do Sujeito Passivo se deu, via postal, em 15/07/2011, com efeitos a partir do dia 01/07/2007, que exclui a Autuada do SIMPLES NACIONAL, em virtude de a receita bruta no anocalendário de 2006 ter ultrapassado o limite legal 4.2. Às fls. 3.008, consta informação de que a Empresa não impugnou os indigitados Atos Declaratórios de Exclusão. A 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº. 1638.545, de 08 de maio de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 3301DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.302 7 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não se cogita acerca de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº. 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não desconstitua, mediante documentação hábil e idônea, a referida presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. OPERAÇÃO EM CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO REFERENTE A VEÍCULOS USADOS A Instrução Normativa SRF nº 152/98, que dispõe sobre a determinação da base de cálculo de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativamente às operações com veículos usados, ao regulamentar o art. 5º da Lei nº. 9.716/98, estabeleceu, no seu art. 1º, que a beneficiária do tratamento tributário ali previsto é a pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Conforme interpretações da Administração Tributária, especialmente Parecer COSIT nº 45/03, extraise: a) no tocante à venda de veículos novos, não há qualquer previsão legal que excepcione da regra estampada no § 2º, art. 2º da Lei nº. 9.317/96 no atinente à base de cálculo; b) nas operações que envolvam a venda de veículos usados, igualmente, a base de cálculo tributável será equivalente ao produto da venda dos veículos, excluídas apenas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; c) nas operações em consignação por comissão referente a veículos usados, a base de cálculo tributável será correspondente ao preço dos serviços prestados. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 3.051/3.068, em que, em apertada síntese, sustenta: que a decisão recorrida desprezou todas as provas apresentadas, motivo pelo qual requeria a realização de diligência; Fl. 3302DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.303 8 que, considerada a natureza e peculiaridade das operações de venda em consignação de veículos automotores (motos), a receita bruta tributável no seu caso é apenas suas comissões; que as suas receitas possuem origem em operações com motos novas e usadas, devendo, portanto, receberem tratamento separado uma situação da outra. É o Relatório. Fl. 3303DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.304 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães O Recurso Voluntário deve ser conhecido, eis que foram atendidos os requisitos para a sua admissibilidade. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas no âmbito do SIMPLES. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 165/172, a partir de extratos bancários apresentados pela contribuinte fiscalizada em decorrência de intimação formalizada pela autoridade fiscal, foram apurados créditos para os quais não restou comprovada, por meio de documento hábil e idôneo, a correspondente origem. Os lançamentos tributários objeto do presente processo, portanto, foram efetuados com suporte nas disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que se encontram reproduzidas no art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). As exigências foram parcialmente mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância, eis que foram excluídas de tributação as receitas declaradas pela contribuinte. Diante do montante de crédito exonerado, a autoridade julgadora de primeira instância deixou de recorrer de ofício, vez que não foi ultrapassado o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Aprecio, pois, as razões expendidas na peça recursal. APRECIAÇÃO DAS PROVAS Alega a Recorrente que a decisão recorrida desprezou todas as provas apresentadas, especialmente as demonstrações contábeis, os lançamentos do Livro Caixa e do Livro Razão, que, segundo ela, demonstram a origem lícita das receitas ingressadas via banco e a respectiva natureza jurídica delas (comissões), tendo desconsiderado, ainda, toda prova documental que evidencia a natureza das receitas oriundas de vendas em consignação de motos novas, em relação às concessionárias. Requereu, com base em tais argumentos, a nulidade da decisão de primeira instância, ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência. Não me parece caber razão à Recorrente quando alega que a autoridade julgadora de primeira instância desprezou as provas apresentadas, caso a intenção tenha sido argumentar que os elementos trazidos em sede defesa não foram apreciados, única circunstância, no contexto da argumentação expendida, em que seria cabível suscitar a nulidade do ato decisório. Penso que não seja apropriado afirmar que houve “desprezo” pela prova na Fl. 3304DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.305 10 situação em que, analisada, ela, a prova, não é considerada suficiente para servir de lastro para as alegações que com ela guardam relação. As passagens abaixo reproduzidas, extraídas do voto condutor da decisão de primeiro grau, deixam fora de dúvida que os documentos carreados ao processo por meio da peça impugnatória foram devidamente analisados, concluindo a autoridade julgadora, contudo, que eles não se prestaram para comprovar os argumentos esposados na contestação. [...] 7.15.3.5. Contudo, para os fins do processo administrativo em pauta, no intuito de que os indigitados contratos fossem comprovados por meio de documentação hábil e idônea, haveria de constar dos autos do processo ora analisado a materialidade dos suscitados contratos porventura celebrados, o que não se verifica no caso vertente. 7.15.3.6. Demais disso, dos documentos trazidos à baila e importantes para o desate da questão em debate, especialmente às fls. 1.173/1.365, referentes às aquisições de veículos usados de particulares, quando cotejados com as informações constantes do Registro de Entradas (fls. 2.762/2.788) e do Livro Caixa (fls. 2.829/2.875), não permitem qualquer conclusão acerca de seus efetivos registros, vez que não há coincidência de datas ou valores constantes naqueles e assentamentos encontrados nos mencionados livros. Ainda, não foram acostadas aos autos as notas fiscais referentes às pretensas aquisições/vendas dos abordados veículos. 7.15.3.7. Desta feita, a verdade material trazida pela Defendente não permite concluir pela efetiva ocorrência de operações de consignação por comissão referentes a veículos usados e, por corolário e exclusão, os valores analisados hão de ser tidos como provenientes de venda de veículos usados ou operações não escrituradas. [...] 7.19. Em reforço, importa ratificar que a Autoridade que subscreve o presente Voto, na perquirição da verdade material atinente ao caso, analisou os documentos acostados aos autos pela Defendente e, conforme predito, com atenção especial às alegadas operações de consignação por comissão, não encontrou documentos suficientes, hábeis e cabais, para o fim de descaracterizar o produto de tais alienações como receita bruta tributável, vez que referidas consignações restaram incomprovadas. Descabe, assim, falar em nulidade da decisão de primeira instância. No que diz respeito à natureza jurídica das receitas auferidas e ao pedido de diligência formalizado, adiante tratarei de tais questões. NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS Afirma a Recorrente que, quando solicitado pela Fiscalização a comprovação das origens dos ingressos financeiros em suas contas bancárias, apresentou toda a documentação requerida, em especial as demonstrações contábeis, o Livro Caixa e o Livro Razão, os quais deixam claro a origem lícita das receitas, não havendo que se falar, assim, em omissão. Alega que o que de fato ocorre é que os valores declarados são as receitas Fl. 3305DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.306 11 efetivamente tributáveis (comissões percebidas em razão das vendas em consignação de motos novos e usadas). Diz que, considerada a natureza e a peculiaridade das operações de venda em consignação de veículos automotores (motos), a receita bruta tributável, no seu caso, é apenas suas comissões (resultado auferido nas operações de conta alheia). Destaca que as suas receitas possuem origem em operações com motos novas e usadas, motivo pelo qual requer que sejam elas (as receitas) tratadas de forma separada. Relativamente às operações com motos usadas, sustenta que elas devem ter o mesmo tratamento previsto para as vendas em consignação de motos novas (tributação das comissões), haja vista a equiparação promovida pela Lei nº 9.716/98. Em primeiro lugar, creio que seja necessário superar uma questão de direito, qual seja, o tratamento tributário que deve ser dispensado às receitas auferidas por pessoas jurídicas que, optantes pelo SIMPLES FEDERAL, têm por atividade econômica a compra e venda de veículos automotores, novos e usados. Para os fins aqui propostos, importa reproduzir as conceituações estampadas no Código Civil brasileiro acerca do contrato de COMPRA e VENDA, do contrato ESTIMATÓRIO (consignação), e do CONTRATO DE COMISSÃO. Nos termos do art. 481 do diploma em referência, “pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar lhe certo preço em dinheiro”. No denominado CONTRATO ESTIMATÓRIO (consignação), o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendêlos, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituirlhe a coisa consignada (Código Civil, art. 534). O CONTRATO DE COMISSÃO, por sua vez, “tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente”. É importante destacar que no contrato estimatório (consignação) o consignatário realiza a venda por conta própria e em seu próprio nome, diferentemente do contrato de comissão, em que o comissário age por conta do comitente. Na consignação, agindo por conta própria, é o consignatário que estabelece o preço de venda para terceiros, importando ao consignante, apenas, o que foi ajustado contratualmente para fins de consignação. No contrato de comissão, o comissário age em nome próprio mas por ordem do comitente, que lhe paga uma remuneração. Em sintonia com a melhor doutrina, podese afirmar que, na consignação, vislumbrase a ocorrência simultânea de duas operações de venda: a venda a terceiro pelo consignatário e a venda do consignante a este. Na linha do argumentado pela Recorrente, a Lei nº 9.716, de 1998, em seu artigo 5º, abaixo transcrito, equiparou, para fins tributários, as operações de venda de veículos usados, no caso de pessoas jurídicas que tenham como objeto social declarado em seus atos constitutivos a compra e venda de veículos automotores, à operação de consignação. Lei nº 9.716/98 Art. 5o As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de Fl. 3306DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.307 12 venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Entretanto, a Instrução Normativa SRF nº 152/98, emitindo normas complementares às disposições da Lei nº 9.716/98, deixou claro que a referida equiparação aplicase, tãosomente, às pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, senão vejamos: IN SRF nº 152/98 Art. 1º A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Me parece correto o esclarecimento trazido pela Instrução Normativa editada pela Receita Federal, vez que o SIMPLES, seja o regido pela Lei nº 9.317/96 (SIMPLES FEDERAL), seja o instituído pela Lei Complementar nº 123/2006 (SIMPLES NACIONAL), representa sistemática especial de recolhimento de tributos e contribuições, sendo, assim, disciplinado por meio de regras também especiais, mormente no que diz respeito ao conceito de receita bruta para fins de aplicação dos coeficientes previstos na referida sistemática. A Receita Federal, pronunciandose acerca da matéria, consignou: OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples. Caso não haja um efetivo contrato de consignação por comissão, a operação deve receber o tratamento de mera compra e venda de veículo, devendo ser utilizada, como base de cálculo do montante devido, relativo ao Simples, o valor total constante das notas fiscais, que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica. (Decisão nº 8.731/05 DRFJ 4ª RF) OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS A receita a ser tomada como base de cálculo do montante devido, relativo ao Simples, deve ser sempre o valor total constante das notas fiscais que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica, pois a empresa optante pelo Simples não pode deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado.” (Processo de Consulta nº 118/2007, SRRF 1ª Região Fiscal, DOU 23.01.2008) Embora tenha tratado do SIMPLES NACIONAL e tenha promovido alguns reparos às interpretações anteriores, a SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA nº 4, de 09 de março de 2011, cuja ementa reproduzo abaixo, deu, me parece, apropriado entendimento acerca do tratamento tributário que deve ser dado às revendedoras de veículos optantes pelo SIMPLES. VENDA DE VEÍCULOS EM CONSIGNAÇÃO. A venda de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou contrato estimatório, é feita em nome próprio. Por esse motivo, não constitui mera intermediação de negócios, de Fl. 3307DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.308 13 sorte que o exercício dessa atividade, por si só, não veda a opção pelo Simples Nacional. O contrato de comissão (arts. 693 a 709 do Código Civil) tem por objeto um serviço de comissário. Nesse caso, a receita bruta (base de cálculo) é a comissão, e a tributação se dá por meio do Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Já o contrato estimatório (arts. 534 a 537 do Código Civil) recebe o mesmo tratamento da compra e venda. Ou seja, a receita bruta (base de cálculo), tributada por meio do Anexo I da Lei Complementar nº 123, de 2006, é o produto da venda a terceiros dos bens recebidos em consignação, excluídas tão somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Inaplicável a equiparação do art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, para fins de Simples Nacional. Conclusivamente e em convergência com o decidido em primeira instância, temos que: a) tratandose de VEÍCULOS NOVOS, descabe qualquer discussão acerca da procedência da aplicação das disposições do parágrafo 2º do art. 2º da Lei nº 9.317/96 (conceito de Receita Bruta), eis que o art. 5º da Lei nº 9.716/98 trata especificamente de operações com veículos usados; e b) tratandose de VEÍCULOS USADOS e de empresas optantes pelo SIMPLES, inaplicável, de igual forma, as disposições do art. 5º da Lei nº 9.716/98, em virtude da natureza diferenciada desta sistemática de recolhimento de tributos e contribuições. De qualquer forma, o que parece que a Recorrente não compreendeu adequadamente é que, no presente caso, os lançamentos tributários efetivados tiveram por base créditos bancários cuja origem não foi comprovada por meio de documento hábil e idônea, isto é, ainda que se admitisse como correta a forma de tributação das receitas por ela auferidas (comissões percebidas em razão das vendas em consignação de motos novas e usadas), deve restar comprovado nos autos que os ingressos bancários foram efetivamente oferecidos à tributação, ao menos na parte em que diziam respeito às referidas comissões. Para tanto, a Recorrente deveria ter aportado aos autos documentos que, a partir da individualização dos depósitos ou créditos bancários apontados pela Fiscalização, permitisse concluir na mesma linha do que alega em sua peça de defesa, ou seja, recebeu valores em conta bancária, sendo que a parte que correspondia à receita auferida (comissão) foi devidamente declarada e tributada, enquanto a diferença, por não corresponder à receita, foi escriturada em outra conta, tudo devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. Vejamos, pois, os elementos carreados ao processo, e, o mais importante, se tais elementos autorizam concluir que, de fato, mesmo que se adote o critério alegado na peça recursal, as receitas correspondentes às operações realizadas no anocalendário de 2006 foram tributadas. No curso da ação fiscal, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, no ano de 2006, nos bancos Real, Bradesco e Itaú, conforme Termos de fls 92 e 151 e respectivos anexos (fls. 93/145; 152/154). Em atendimento, apresentou, segundo descrição contida no documento de fls. 160, DEMONSTRATIVO DE CONSIGNAÇÃO; LIVRO CAIXA, ENTRADAS, SAÍDAS E CONSIGNAÇÕES; NOTAS FISCAIS; e JUSTIFICATIVAS BANCOS DIVERSOS. Pelo que se depreende do documento de fls. 161, referida documentação foi apresentada em mídia eletrônica. Fl. 3308DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.309 14 Afirma a Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal, fls. 168) que, embora tenham sido apresentados relatórios, a contribuinte não anexou os documentos hábeis e idôneos que serviram de suporte para a elaboração dos referidos relatórios. À impugnação, a contribuinte juntou: comprovantes de transferências de recursos, via bancos, para fornecedores; cópia de notas fiscais emitidas por concessionárias; cópia de autorizações de pagamento emitidas por concessionárias; cópia de certificados de registro de veículo; cópia de cheques emitidos; boletos bancários relativos à liquidação antecipada de dívidas; considerações sobre o que denominou “Consignação Mercantil de Veículos Usados”; extratos bancários; cópia de folhas de Livro Registro de Entradas; cópia de folhas de Livro Registro de Saídas; cópia de folhas de Livro Caixa; planilha denominada “RELATÓRIO DE CRÉDITOS”; documentos relacionados ao arrolamento de bens e direitos; recibos relativos à venda, sinal e princípio de pagamento; planilhas denominadas “Resultado de Consignação”; e cópia de correspondências diversas (fls. 365/2.974) Ao recurso voluntário, foram anexados: cópia da Demonstração do Resultado relativa ao ano de 2006; cópia do Balanço Patrimonial; documento denominado Relatório Razão do Caixa; cópia do Livro Caixa; planilhas denominadas VENDAS EM CONSIGNAÇÃO (fls. 3.074/3.287). A documentação em referência em nada contribui para infirmar as autuações promovidas pela autoridade fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância, inclusive, destaca que sequer existe compatibilidade entre os documentos que indicam a aquisição de veículos usados de particulares com as informações consignadas no Livro Registro de Entradas e no Livro Caixa. Resta claro que, diante da natureza da infração apurada (omissão de receitas, caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada), independentemente do entendimento acerca do conceito de receita bruta aplicável à atividade explorada e de uma eventual comprovação da ocorrência de vendas com base em contratos estimatórios ou por comissão, a contribuinte deveria explicar, ainda que por amostragem, a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, aportando ao processo os documentos de suporte correspondentes. Nas palavras do voto condutor da decisão de primeiro grau, “cabia à impugnante demonstrar, com comprovação por meio documental, a composição dos valores verificados nas contascorrentes de sua titularidade, especialmente os concernentes aos créditos, presumidamente entendidos como receitas omitidas, para que, somente então, fosse possibilitada a pretendida exclusão de algum deles que, pretensamente, envolveriam operações de consignação por comissão referente a veículos usados”. O esforço probatório envidado pela Recorrente foi todo direcionado no sentido de comprovar que, no período submetido ao procedimento fiscal, só auferiu receitas decorrentes de comissões. Não cuidou, contudo, de vincular as receitas declaradas e tributadas aos créditos bancários em relação aos quais foi intimada a comprovar a origem. Releva destacar que a autuação sob análise trata exclusivamente de apuração de receita tida como omitida em virtude da ausência de comprovação da origem de créditos bancários. Na ausência de indicação precisa acerca do objetivo do procedimento requerido (diligência fiscal), este se apresenta como absolutamente desnecessário, vez que os elementos que por meio dele poderiam ser trazidos ao processo, a própria contribuinte poderia têlo feito, dada as oportunidades que lhe foram franqueadas. Fl. 3309DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000936/201120 Acórdão n.º 1301001.231 S1C3T1 Fl. 3.310 15 A norma processual de regência é clara no sentido de que a autoridade julgadora pode, quando as considerar prescindíveis, indeferir a realização de diligências ou perícias (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972). No presente caso, creio que seja essa a situação, isto é, não existe nos autos elementos de qualquer natureza capazes de indicar a necessidade da diligência requerida pela Recorrente. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 3310DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10540.720241/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 02 41 /2 01 0- 03 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Peço licença aos i. Conselheiros para colacionar ao presente excerto do decisum recorrido que sintetiza bem o cerne da autuação [fls. 88/89]: Tratase do AI Auto de Infração, DEBCAD n° 37.279.4556, datado de 16/09/2010, e recebido, pelo contribuinte, em 22/09/2010, conforme atesta assinatura aposta na inicial, à fl. 01. Aludido AI foi lançado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no uso da competência de que trata o art. 33 da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991), na redação dos arts. 2 o e 3 o da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, bem assim o art. 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. 2. Consoante se lê do AI (peça inicial e demais documentos que o integram, fls. 01 a 35), o contribuinte em tela, em relação ao período de apuração em epígrafe, foi autuado, em virtude de deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 1991, art. 32,1, combinado com o art. 225,1 e § 9o , do RPS. 3. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 05), embora regularmente notificado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 01, cujas cópias encontramse anexadas ao AI, o contribuinte em tela apresentou os resumos de folha de pagamento sem a totalidade: da remuneração paga, da base de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.720241/201003 Acórdão n.º 2302002.051 S2C3T2 Fl. 11 3 cálculo da contribuição previdenciária, das contribuições descontadas dos empregados e do SalárioFamília. Concedido novo prazo para correção dos resumos das folhas de pagamento, o contribuinte apresentou somatórios sem informar toda a remuneração paga e, consequentemente, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ou seja, os somatórios das bases de cálculo das contribuições previdenciárias e o das contribuições descontadas dos empregados, em todas as competências, são inferiores às bases de cálculo informadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Também, os totais de rendimentos apresentados nos mencionados somatórios estão em desacordo com as despesas de pessoal (servidores efetivos, detentores de mandato eletivo, contratados temporariamente ou ocupantes de cargo em comissão), constantes nos dados fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM/BA e nos demonstrativos contábeis mensais de despesas, apresentados pelo contribuinte. Desta forma, os resumos de folha de pagamento não foram utilizados pela fiscalização. 3.1. Os fatos, ora relatados, caracterizam descumprimento da obrigação acessória consignada na fundamentação legal constante do item 2 acima, razão pela qual foi emitido o presente auto de infração. Em impugnação interposta em 15/10/2010 (fls. 38 a 47, com anexos às fls. 48 a 58), o contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal. As razões de impugnar, em síntese, são as que, doravante, serão explicitadas. 5.1. Alega a peça impugnatória, em caráter de preliminar, que o AI em apreço, e os relatórios que o acompanham, não fazem referência aos fatos que motivaram o presente lançamento. Dessa forma, o contribuinte não sabe ao certo as razões que levaram o fisco a efetuar o lançamento no período objeto da autuação. Alega, também, que os precitados documentos consignam o montante da dívida, não informando, contudo, quais os fatos que motivaram o lançamento e o fundamento legal para tanto. Referidas omissões geram violações aos princípios da motivação, do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, o que macula de vício a autuação. 5.2. Já no mérito, argúi a impugnação que, na ação fiscal de que decorre o presente auto de infração, resultando na lavratura de três outros AI (DEBCAD n°s 37.279.451 3, 37.279.4521 e 37.279.4564), foram aplicadas multas e penalidades diversas sobre o mesmo fato gerador. Referida ocorrência estaria a demonstrar a existência, in caso, de bis in idem por biapenação (penalizarse mais de uma vez pelo mesmo fato). No caso, quádrupla apenação. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 5.3. Afirma que, de acordo com o auditorfiscal autuante, o presente auto de infração foi lavrado e a respectiva multa aplicada porque o contribuinte autuado prestou informações nas GFIP, das competências 01/2006 a 12/2008, sem fazer constar a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Contrapõe, no entanto, que, diferentemente do quanto alega o auditor, o contribuinte prestou todas as informações solicitadas e necessárias nas referidas GFIP, e que as informações faltantes são justamente aquelas discutidas nos AI n°s 37.279.4533 e 37.279.4548, lavrados, na mesma fiscalização por descumprimento de obrigação principal. E indaga como teriam sido lançados estes AI, se o auditor alega que lhe foram sonegadas informações Aduz que, como sabido e consignado nos precitados AI, é ilegal a cobrança da contribuição sobre o Décimo Terceiro Salário e o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, são indevidas a imposição de acréscimos, a utilização da TR/TRD, a incidência da contribuição previdenciária sobre contratos nulos e sobre a rubrica SalárioFamília. Avalia, nesse sentido, que, na verdade, o auditorfiscal confunde prestar informações com "prestar informações na forma desejada por ele", a qual, na hipótese presente, seria "admitir devidas contribuições que a autuada entende não devidas". E conclui: considerando que o acessório segue o principal, uma vez declaradas regulares as declarações efetuadas nas GFIP relativas ao período objeto da ação fiscal, não pode vingar a presente autuação. 5.4. Requer, ante o exposto, que seja considerado improcedente o auto de infração em lide. Em 28 de julho de 2011, foi prolatado Acórdão n. 1527.882 [fls. 62/66] pela 6ª Turma da DRJ/SDR que julgou improcedente o pleito do contribuinte: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES COM INCORREÇÃO OU OMISSÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, a apresentação de GFIP, pela empresa, com informações incorretas ou omissas, conforme previsto na Lei Orgânica da Seguridade Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA, IN CASU. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.720241/201003 Acórdão n.º 2302002.051 S2C3T2 Fl. 12 5 Ocorre o fenômeno bis in idem quando um mesmo ente tributante cobra mais de um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador. Durante a ação fiscal de que resultou o presente auto de infração, o contribuinte foi apenado 04 (quatro) vezes, por 04 (quatro) fatos geradores diferentes. LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETRO ATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, pela MP n° 449, de 2008, os entes públicos passaram a responder pelas infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado do decisum, o Sujeito Passivo interpôs tempestivamente recurso voluntário [fls. 94/102] que, em síntese, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.720241/201003 Acórdão n.º 2302002.051 S2C3T2 Fl. 13 7 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.720241/201003 Acórdão n.º 2302002.051 S2C3T2 Fl. 14 9 n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese,, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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