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Numero do processo: 10845.003911/2007-95
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. CONTRATO CUJO OBJETO CONTEMPLA DIVERSOS SERVIÇOS, NEM TODOS DEDUTÍVEIS, PAGOS DE FORMA CONJUNTA, SEM DISCRIMINAÇÃO DOS VALORES RELATIVOS A CADA UM DOS VARIADOS SERVIÇOS OFERECIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS.
Autuado o contribuinte dedução indevida de despesas médicas, apresenta comprovantes de pagamentos mensais e contrato de prestação de serviços, tendo por objeto a prestação de serviços variados, alguns não dedutíveis. Impossibilidade de discriminar que valores contidos nos pagamentos mensais dizer respeito a despesas médicas e, portanto, incabível a dedução a este título. Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. CONTRATO CUJO OBJETO CONTEMPLA DIVERSOS SERVIÇOS, NEM TODOS DEDUTÍVEIS, PAGOS DE FORMA CONJUNTA, SEM DISCRIMINAÇÃO DOS VALORES RELATIVOS A CADA UM DOS VARIADOS SERVIÇOS OFERECIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. Autuado o contribuinte dedução indevida de despesas médicas, apresenta comprovantes de pagamentos mensais e contrato de prestação de serviços, tendo por objeto a prestação de serviços variados, alguns não dedutíveis. Impossibilidade de discriminar que valores contidos nos pagamentos mensais dizer respeito a despesas médicas e, portanto, incabível a dedução a este título. Recurso improvido.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. CONTRATO CUJO OBJETO CONTEMPLA DIVERSOS SERVIÇOS, NEM TODOS DEDUTÍVEIS, PAGOS DE FORMA CONJUNTA, SEM DISCRIMINAÇÃO DOS VALORES RELATIVOS A CADA UM DOS VARIADOS SERVIÇOS OFERECIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. Autuado o contribuinte dedução indevida de despesas médicas, apresenta comprovantes de pagamentos mensais e contrato de prestação de serviços, tendo por objeto a prestação de serviços variados, alguns não dedutíveis. Impossibilidade de discriminar que valores contidos nos pagamentos mensais dizer respeito a despesas médicas e, portanto, incabível a dedução a este título. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 39 11 /2 00 7- 95 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 07/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 49), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 51) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2005, anocalendário 2004, por dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de incentivo. Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que a glosa da dedução a título de despesas médicas deuse por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, tendo sido desconsiderados os recibos emitidos por União Master Prev Ltda., uma vez que o contrato firmado entre o contribuinte e a referida pessoa jurídica não configura a prestação de serviços médicos e que no CNPJ a atividade da empresa é de comércio varejista de confecções. Quanto à dedução indevida de incentivo, fundamentase na alegação de que os comprovantes apresentados não atendem ao previsto na legislação tributária quanto à matéria, não sendo relativos a doações a fundos controlados pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, de incentivo à cultura e às atividades audiovisuais, em qualquer das esferas da Federação. O Contribuinte foi cientificado (fl.48). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, juntando cópias de documentos, alegando que o lançamento de ofício, sem prévia oitiva do contribuinte, no caso do Imposto de Renda, não tem previsão, no caso concreto, no art.149 do CTN; que as deduções de despesas médicas estão comprovadas pelos recibos apresentados, além de não ter sido oportunizado ao contribuinte comprovar as despesas por outros meio previstos em lei, caso a Receita não admitisse, como não admitiu, os recibos em questão. Em julgamento, a 11ª Turma da DRJ/SPO2, em sessão realizada no dia 02/06/2009, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 17 32.329, aos seguintes fundamentos: a glosa da dedução de incentivo é considerada matéria não contestada; o lançamento de ofício, no caso presente, tem fundamento no artigo 73 do RIR/99, subsumindose ainda no inciso IV do art.149 do CTN; o contribuinte alega que os pagamentos estão comprovados, mas a autuação nos fatos de o contrato firmado entre o contribuinte e a referida pessoa jurídica não configurar a prestação de serviços médicos e de que no CNPJ a atividade da empresa é de comércio varejista de confecções, acrescendo ainda a DRJ que o beneficiário do referido contrato é a mãe do contribuinte, que não é dependente, na DIRPF em questão. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10845.003911/200795 Acórdão n.º 2802001.511 S2TE02 Fl. 100 3 Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 64, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 66, atacando parcialmente a decisão exarada pela DRJ, juntando documentos, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e alegando que o contrato firmado entre o contribuinte e União Master Prev Ltda., nos termos das provas dos autos, tem por objeto a prestação de serviços médicos; que ajuizou ação para ressarcimento do que pagou a esta pessoa jurídica, por falta de prestação dos referidos serviços e obteve ganho de causa, por sentença que reconheceu tratarse de contrato de prestação de serviços médicos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, apenas quanto à impugnação da glosa de despesas médicas, que constitui seu objeto. Quanto ao cabimento do lançamento de ofício, nada tenho a acrescer as razões lançadas em seu acórdão pela DRJ, às quais me reporto, passando a integrar a presente decisão. O cerne da querela consiste em identificar de forma clara a natureza do contrato celebrado entre o contribuinte e União Master Prev Ltda. O contrato se encontra fl.47 dos autos e quanto ao seu objeto, ali apontado como objetivo, se pode ler “convênios diversos com desconto, seguros e reembolso de consultas e de assessoria a exassociados”, além de que dentre os direitos assegurados, mais abaixo descritos, podese ler “convênios diversos com desconto, resgate após 18 meses (opcional), resgate após 36 meses, seguro assistência funeral, reembolso de consultas” etc.. Demais disso, o folheto de divulgação de fl.40 esclarece que os descontos proporcionados ao associado abrangem “óticas, farmácias, academias, hotéis, lojas, restaurantes, locadora e comércios em geral”. Assim sendo, resta comprovado nos autos que o contrato tem natureza mista, abrangendo serviços na área de saúde e outros de diversa natureza. Como a legislação de regência não admite a dedução de vários dos serviços contidos no ajuste firmado entre a contribuinte e a empresa, tenho que subsiste a fundamentação da autuação de que o contrato não configura a prestação de serviços médicos, mas configura a prestação de serviços diversos, não se prestando assim à dedução para fins de apuração de imposto de renda devido, mormente quando os pagamentos mensais não contém qualquer discriminação, dentre os valores pagos, daqueles que são relativos a cada um dos serviços oferecidos. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Quanto à ação judicial que ajuizou o contribuinte em face da referida empresa e respectiva sentença, não tem por objeto o imposto de renda e nela não figurou como parte a União Federal, em nada guardando relação com os fatos ora discutidos, nem alcançando, por sua força vinculante, a Receita Federal, não tendo, portanto, qualquer repercussão sobre os presentes autos. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendose integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722858/2010-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 01/05/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES. PRESENTES. DECRETO QUE VIOLA O PODER REGULAMENTAR. INOCORRÊNCIA.INCRA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES REGULARES. POSSIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DE TERCEIROS. LIMITE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 01/05/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES. PRESENTES. DECRETO QUE VIOLA O PODER REGULAMENTAR. INOCORRÊNCIA.INCRA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES REGULARES. POSSIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DE TERCEIROS. LIMITE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 01/05/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES. PRESENTES. DECRETO QUE VIOLA O PODER REGULAMENTAR. INOCORRÊNCIA.INCRA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES REGULARES. POSSIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DE TERCEIROS. LIMITE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 58 /2 01 0- 76 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 275 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.297.2292, objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – para outras entidades e fundos terceiros decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados em razão da realização de obra própria, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 22 a 34, com período de apuração de 09/2007 a 04/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 19 e 20. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 15/03/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 37 a 141, recebida, em 13/10/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 142 a 174. Não há manifestação quanto à tempestividade da impugnação. Os autos foram baixados em diligência pela DRJ/BHE, fls. 175 a 181. O pedido de diligência foi reiterado pelo despacho, de fls. 182. A Seção de Fiscalização elaborou a Informação Fiscal, de fls. 190 a 195, tendo sido o contribuinte notificado pessoalmente no corpo da própria informação. O sujeito passivo não se manifestou sobre a diligência. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0240.046 8ª Turma da DRJ/BHE, em 27/08/2012, fls. 196 a 209, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 21/09/2012, Histórico de Objeto, fls. 211 Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 215 a 273, recebida, em 24/10/2012, porém com postagem, em 23/10/2012, desacompanhado de qualquer documento, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que o fisco estranha nos itens 5.2 e 5.3 de seu relatório ser o montante do serviços estimados no contrato de R$ 2.212.761,25, ou seja, 18% do custo total da obra, quando as notas fiscais de prestação de serviço somam R$ 5.801.836,29, porém não esclarece o que há de estranho para optar pelo arbitramento, sendo isto informação essencial a Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 276 3 constar do relatório fiscal, visando possibilitar a plena defesa , havendo erro de capitulação, que culmina em nulidade do auto; Mérito. · que o ônus da prova cabe a quem alega e que não pode o fisco fazer lançamento com base em meros indícios e presunções, um vez que estes devem estar amparados em provas outras de sua ocorrência, cita doutrina e jurisprudência e parecer administrativo; · que é indevida a desconsideração da contabilidade da recorrente para lastrear a aferição indireta, pois segundo consta do lançamento fiscal a aferição se deu por conta de não ter a recorrente – dona da obra – apresentado as GFIP’s vinculadas a obra de todos os prestadores de serviços, ficando, assim, evidente que o arbitramento foi realizado por não ter a recorrente apresentado documento que é obrigação de terceiro, apesar de reconhecer o próprio agente lançador que a contabilidade não apresenta omissões e nem vícios formais; · que segundo consta no relatório fiscal complementar quatro são as empresas que não declararam GFIP na matrícula da obra, sendo que o valor dos serviços prestados por estas é de R$ 38.382,32, o que representa 0,66155% do total da prestação de serviços contratada para a obra, sendo que a retenção de 11% sobre estes serviços foi realizado, o que por si só cobre os encargos previdenciários; · que o procedimento utilizado pelo fisco para realizar o arbitramento é confuso e incompreensível, o que impede conhecer com clareza a origem do débito, o que resulta em cerceamento de defesa, levando a anulação do auto, por falta de discriminação dos fatos geradores, de clareza sobre o aproveitamento de recolhimentos e da forma que encontrou a diferença lançada; · que o ato de lançamento é ato administrativo, devendo estar revestido das formalidade legais, não exigindo a legislação que cada parcela integrante da remuneração tenha um conta contábil própria e específica, sendo que o inciso, II, do parágrafo 13, do artigo 225, do RPS exorbita em seu poder regulamentar e invade a competência do CFC; · que a empresa espera que a fiscalização demonstre de forma inequívoca o que consta do relatório fiscal, ou seja, a fundamentação para a utilização dos dispositivos legais; os dispositivos que fundamentam a aferição e a ocorrência do fato gerador; · que consta do REFISC que o débito foi apurado por aferição indireta – arbitramento, cita a IN SRP 03/2005, verificase, assim, que a legislação autorização a aferição em situações específicas: a) recusa, sonegação ou apresentação deficiente de documentos ou livros; b) falta de prova regular e formalizada do montantes das contribuições; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 277 4 c) contabilidade que não registra a remuneração real; d) prévia desonestidade do sujeito passivo no fornecimento de informações e documentos; e) avaliação contraditória de preços e bens; f) utilização pela Administração de meios razoáveis, o que não é o caso dos autos não estando demonstrado os pressuposto do uso da aferição, o que leva a nulidade do auto, cita jurisprudência; · que segundo o STJ a contribuição para o INCRA se tornou indevida a partir da Lei 8.212/91, estando este entendimento consolidado no âmbito dos tribunais, também, sendo indevida de empresa eminentemente urbana; · que o Salárioeducação é indevido, pois o legislador deixou de observar os aspectos legais de sua instituição, violando o princípio da legalidade, repartição de poderes na égide da Carta de 1967, mas não é só isso, esta exação não foi recepcionada pelo texto inaugurador da ordem jurídico de 1988; · que a contribuição para o SEBRAE só beneficiam micros e pequenas empresa e que empresa como a recorrente de médio e grande porte estão de forma e assim não podem ser contribuintes, sendo que o STF decidiu que os contribuintes das contribuições do artigo 149 da CF/88 devem ser seus beneficiários, RE 177.1372; 183.906 – SP, devendo haver uma referibilidade entre o sujeito ativo e passivo da contribuição, pois do contrário se estará fazendo pouco do artigo 149, da CF, traz doutrina, sendo tal exigência imposto para médias e grandes empresas, viola, também, o princípio da não afetação artigo 167, IV, da CF, sendo, ainda, inconstitucional por não ter sido instituída por Lei Complementar; · que não foi observado em relação aos terceiros o limite máximo e mínimo do salário de contribuição, conforme artigo 4º, da Lei 6.950/81; · que o lançamento não se reveste dos atributos de certeza, liquidez e exigibilidade pelo que dito anteriormente, estando inclusas obrigações indevidas, sendo o auto nulo de pleno direito; · A recorrente requer e pede: a) conhecimento e provimento do recurso com a anulação do auto; b) que seja dado baixa nos registros da repartição e liberada a empresa de qualquer ônus em relação ao presente auto de infração. Não há despacho de remessa dos autos ao CARF, mas eles chegaram. É o Relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 278 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Preliminar. O agente lançador não estranhou nada ele simplesmente levantou matematicamente dois dados objetivos e os comparou, chegando a conclusão de que o percentual de dezoito por cento previsto no contrato para mão de obra e o efetivamente gasto até aquele momento do levantamento eram discrepantes e que essa diferença atingia a mais de duzentos e sessenta e dois por cento, o que o levou a afirmar “Portanto há uma discrepância considerável entre os valores previstos em Contrato e o Custo Incorrido com a Prestação de Serviços.”. Não há erro na capitulação ou qualquer nulidade no lançamento em razão disto. Mérito. O fisco não fez presunções e muito menos se baseou em indícios, ao contrário do que alega a recorrente o fisco demonstrou de forma clara e precisa que o fato gerador ocorreu com a utilização da mão de obra, determinou a base de cálculo, a alíquota é determinada por lei, os períodos e os valores estão discriminados nos relatórios anexos, isto é, estabeleceu todos os elementos do artigo 37, caput, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, caput, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99. O fisco não desconsiderou a contabilidade da recorrente este apenas comprovou que aquela não registra o movimento real das contribuições previdenciárias em razão da mão de obra utilizada no empreendimento imobiliário, optando por utilizar outro método e outra fonte para definir o real valor da remuneração e isto o fiscal deixa claro em seu relatório, basta ver a transcrição. “A contabilidade do contribuinte não apresenta omissões de lançamento, nem vícios formais, mas registra um custo contratado de mãodeobra totalmente incompatível com os custos da obra. Para demonstrar essa incompatibilidade utilizouse o CUB – Custo Unitário Básico, constante das tabelas divulgadas pelo SINDUSCON, como parâmetro comparativo de custo da mãodeobra sobre o total do custo do empreendimento.” (realce meu) A não apresentação das GFIP’s de algumas empresas prestadoras de serviços e a apresentação de GFIP’s para outros prestadores de serviços com valor de mão de obra aquém do valor dos serviços prestados, conforme item 5.5 e 5.6, do REFISC, de fls. 25, quando comparado com o valor das faturas de serviços prestados em conjunto com o movimento irreal da contabilidade foram as justificativas para a aferição. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 279 6 Embora as GFIP não sejam elaboradas pela recorrente quando da utilização do sistema de retenção em razão da cessão de mão de obra a legislação determina que a tomadora dos serviços, ou seja, a contratante exija e guarde consigo os documentos listados no parágrafo 6º, do artigo 219, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, justamente para fazer prova do valor da mão de obra, das contribuições e dos recolhimentos. Evidenciouse pelos documentos apresentados e pelos levantamentos efetuados pelo agente lançador que o movimento da remuneração estava abaixo da dimensão e padrão da obra. TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA. CONTRATO DE EMPREITADA. EXCESSO COBRANÇA CDA. LIQUIDEZ. SIMPLES CÁLCULOS ARITIMÉTICOS. 1. A lei atribui ao Fisco a prerrogativa de apurar, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, constatar que "a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço", ou houver sonegação ou recusa de apresentação de documentos, ou, ainda, a desconsideração do material por erro ou irregularidade insanável. 2. Pode o Fisco proceder ao arbitramento do valor devido (art. 33 da lei nº 8.212, à semelhança do que dispunha o art. 141, PARÁGRAFO 2º da CLPS (Decreto nº 89.312, de 23.01.84)), à míngua de elementos concretos e confiáveis para a apuração do débito. Por sua vez, o art. 148 do CTN e o art. 33, PARÁGRAFO 6º da Lei nº 8.212/91, oportuniza ao contribuinte que impugne os valores auferidos pela autoridade fiscal, comprovando que a obrigação tributária constitui valor inferior. 3. A própria presunção empreendida pela autoridade fiscal de que os salários dos empregados que trabalharam nos serviços objetos dos contratos de empreitadas equivalem a doze por cento da quantia total das notas fiscais, vai ao encontro da visão da demandante, porquanto o INSS entendeu, no caso específico, que os valores referentes à mãodeobra são inferiores a um sexto da totalidade do faturamento daqueles contratos. 4. O contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, que a verba salarial dos empregados seria menor do que o índice presumido pela autarquia previdenciária, de sorte que tal insurgência deve ser afastada. 5. O eg. STJ já pacificou o entendimento no sentido de que "o excesso na cobrança expressa na CDA não macula a sua liquidez, desde que os valores possam ser revistos por simples cálculos aritméticos" (REsp 692405 RS, Primeira Turma, rel. Min. Denise Arruda, DJ 03 mai. 2007). 6. Apelação e remessa oficial não providas. (APELREEX 200805000902884, Desembargador Federal Francisco Barros Dias, TRF5 Segunda Turma, DJE Data::02/06/2010 Página::389.) EMEN: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 280 7 PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 973.733/SC). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR/CEDENTE DE MÃODEOBRA X TOMADOR/CESSIONÁRIO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31, DA LEI 8.212/91. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA). PERÍODO POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO). RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.131.047/MA). AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 148, DO CTN, C/C ARTIGO 33, § 6º, DA LEI 8.212/91. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PAGOS A DESTEMPO. LEI 9.065/95. .omissis. .omissis. .omissis. 29. Outrossim, a Administração Tributária pode proceder à aferição indireta ou arbitramento da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." 30. O artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, determina que, "se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário". 31. Destarte, a ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à aferição indireta das contribuições sociais devidas, desde que observados os princípios da finalidade da lei, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contribuinte, sendo certo, ainda, que a expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 281 8 ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita. 32. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95. 33. Recurso especial desprovido. EMEN (RESP 200500128790, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:21/02/2011 ..DTPB:.)(os realces são meus). Como salientado anteriormente não foi apenas a falta de GFIP’s de quatro prestadoras de serviços, que levou o fisco a realizar a aferição indireta, mas sim a clara verificação de que o valor da remuneração da mão de obra estava subestimado, conforme consta do REFISC e planilhas anexas e REFISC Complementar. O procedimento para a determinação das contribuições via ARO está esclarecido de forma simples e sistemática a partir do item 7.4, as fls. 31, do REFISC, tendo sido certos valores estabelecidos e determinados pelas planilhas anexas ao relatório. Estes esclarecimentos são compostos por cálculos aritméticos simples, ou seja, multiplicação; divisão e quando muito uma regra de três simples operações do ensino fundamental. Demonstrado ficou linhas atrás que o lançamento esta de acordo com o artigo 37, caput, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243 do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, bem como com o artigo 142, da lei 5.172/66, pois todos os elementos exigidos por lei estão descritos no auto de infração. A Lei 8.212/91 exige, no artigo 32, II, que a empresa escriture em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. O artigo 225, parágrafo 13, inciso II, nada mais faz do que esclarecer e detalhar como deve ser feita a descriminação e como os títulos devem ser separados e nada mais. Tanto é que o decreto não foi considerado usurpador de sua competência nem quando definiu os a graus de risco e a atividade preponderante das empresas em relação ao SAT, nem tão pouco ele entra na seara do CFC, pois não cria nova forma de escrituração apenas usa as normas gerais de contabilidade existentes para esclarecer como deve ser escriturada o que a este interessa. Todos os requisitos do lançamento ficaram descritos e esclarecidos e constam do lançamento em questão basta uma simples leitura e análise dos relatórios integrantes, estando demonstrada em outros tópicos esses requisitos. Está esclarecido que a aferição se deu por causa do registro de remunerações e custo da mão de obra abaixo do real na contabilidade, bem como nas GFIP de determinadas prestadoras de serviços e da não apresentação de GFIP para outras prestadoras de serviço, deixando claro o agente fiscal que a remuneração apresentada para a obra em questão é incompatível com a mão de obra necessária para a sua realização, estando isso demonstrado pelo valor da notas de prestação de serviços e do valor de mão de obra – remuneração – presente na obra. Equivocase a recorrente a contribuição para o INCRA é devida por todas as empresas sejam urbanas ou não o STF e o STJ, assim, solidificaram o tema, observese os excertos dos aretos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 282 9 Ementa: RECURSO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM PROPÓSITO MODIFICATIVO E INTERPOSTO DE DECISÃO MONOCRÁTICA CONHECIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO EXTRA PETITA. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. ESPECÍFICA TESE DA REFERIBILIDADE OU DO BENEFÍCIO DIRETO. PRECEDENTES. A agravada reconheceu expressamente em suas razões de recurso extraordinário não ter interesse em recorrer da parte do acórdão que versava sobre a contribuição destinada ao Funrural. Portanto, não está caracterizada decisão extra petita. Esta Suprema Corte firmou orientação quanto a constitucionalidade da sujeição passiva das empresas urbanas à Contribuição ao INCRA. Matéria diversa da discussão sobre a inconstitucionalidade superveniente devido à modificação do art. 149 da Constituição. Recurso de embargos de declaração conhecido como agravo regimental, ao qual se nega provimento. (RE 372811 ED, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe185 DIVULG 19092012 PUBLIC 2009 2012) EMENTA: CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA: EMPRESAS URBANAS. O aresto impugnado não diverge da jurisprudência desta colenda Corte de que não há óbice à cobrança, de empresa urbana, da referida contribuição. Precedentes: AI 334.360AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; RE 211.442AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; e RE 418.059, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo desprovido. (AIAgR 548733, CARLOS BRITTO, STF) Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE 0,2% SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESTINADA AO INCRA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. Os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: Pet 4 .837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525 ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.20 11). 2. A controvérsia referente à constitucionalidade da exigência de contribuição social de 0,2% sobre a folha de salários das empresas urbanas destinada ao INCRA teve a sua repercussão geral rejeitada pelo Plenário desta Corte Suprema, uma vez que a matéria está restrita ao interesse das empresas urbanas eventualmente contribuintes desta exação, não alcançando, portanto, a sociedade como um todo (RE 578.6 35AgR, Relator o Ministro Menezes Direito, DJ de 17.10.08). Precedentes: RE 63 4.074ED, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 26.05.2011; RE 598.180Ag R, Primeira Turma, Rel. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 283 10 Min. Marco Aurélio, DJe de 11.02.2011; AI 700.833AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 03.04.2009. 3. In casu, o acórdão originalmente recorrido assentou: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA, PARA O SEBRAE E PARA O SAT. MULTA. TAXA SELIC. MULTA MORATÓRIA. 1. A contribuição para o INCRA não foi extinta pelas LL 7. 789/1989 e 8.212/1991, ambas reguladora do custeio previdenciário. 2. As contribuições ao SEBRAE devem ser suportadas por toda coletividade independentemente de qualquer identidade com o fomento a que objetiva a instituição beneficiada com o tributo. 3. A jurisprudência do STF reconhece a constitucionalidade da Contribuição Social do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT. 4. Multa aplicada nos termos do art. 35 da L 8.212/1991, com a observância do disposto na letra “c” do inc. II do art. 106 do CTN, que admite retroatividade da lei tributária quando comine ao fato pretérito penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5. A Taxa Selic não padece de mácula de ilegalidade ou inconstitucionalidade” 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AIED 849045, LUIZ FUX, STF) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. DECISÃO EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CONTRIBUIÇÃO AO SESC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE ENSINO/EDUCAÇÃO. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. COMPENSAÇÃO COM CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. ART. 66 DA LEI N. 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. SOMENTE COM EXAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO. 1. A antiga controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição destinada ao Incra há muito está pacificada nesta Corte, inclusive com o julgamento do REsp 977.058/RS, da relatoria do Rel. Min. Luiz Fux, mediante a sistemática do art. 543C do CPC e da Res. 8/08 do STJ. Na ocasião, a Primeira Seção decidiu que a referida exação não fora extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, permanecendo lídima sua cobrança até os dias atuais. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência formada no sentido de que as empresas prestadoras de serviço estão enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac. Esse entendimento também alcança as empresas prestadoras de serviços de ensino/educação. Precedentes da Primeira e Segunda Turmas e da Primeira Seção. 3. O art. 66 da Lei n. 8.383/91 não admite a compensação das contribuições devidas ao Sebrae com as demais contribuições patronais recolhidas ao INSS, porque a referida autorização legal permite tal operação apenas entre tributos da mesma espécie e destinação. Precedentes. 4. Recursos especiais do Incra, INSS e Sesc providos e recurso especial da empresa não provido. (RESP 200601909339, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ Fl. 284DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 284 11 SEGUNDA TURMA, 01/09/2010) (grifos não constam dos originais). A contribuição para o salárioeducação não sofre pior sorte e está mais facilmente consolidada, tendo em vista a edição da Súmula 732 pelo STF, conforme transcrição. Súmula 732 – STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e n o regime da Lei 9.424/1996. Nesta linha de aplicação os nossos tribunais superiores decidiram, também, que o SEBRAE é devido por médias e grandes empresas, pois a contribuição não depende da referibilidade e nem de lei complementar para sua instituição, veja as decisões. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO VALIDADE CONSTITUCIONAL DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SEBRAE EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 396.266/SC, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, reconheceu a plena legitimidade constitucional da norma inscrita no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90, na redação dada pelas Leis nº 8.154/90 (art. 1º) e nº 10.668/2003 (art. 12), admitindo, em conseqüência, a constitucionalidade da contribuição social destinada ao SEBRAE. O tratamento dispensado à referida contribuição social não exige a edição de lei complementar, resultando conseqüentemente legítima a disciplinação normativa dessa exação tributária mediante legislação de caráter meramente ordinário. Precedentes. (AIAgR 655354, CELSO DE MELLO, STF) EMENTA: CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS SEBRAE. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. A decisão agravada está em perfeita consonância com o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte, ao julgar o RE 396.266, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 27.02.2004. Entendeuse, nesse julgamento, que a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE é constitucional, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Enfatizouse, ainda, não ser necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Assim sendo, o fato de a parte ora recorrente não estar vinculada ao SESI/SENAI, não a desobriga da contribuição ora em exame. Agravo regimental a que se nega provimento. (REAgR 429521, JOAQUIM BARBOSA, STF) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 285 12 CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90. PRECEDENTE. A contribuição do SEBRAE é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, SESC e SENAC. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental não provido. (REAgR 404919, EROS GRAU, STF) Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE 0,2% SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESTINADA AO INCRA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. Os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: Pet 4 .837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525 ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.20 11). 2. A controvérsia referente à constitucionalidade da exigência de contribuição social de 0,2% sobre a folha de salários das empresas urbanas destinada ao INCRA teve a sua repercussão geral rejeitada pelo Plenário desta Corte Suprema, uma vez que a matéria está restrita ao interesse das empresas urbanas eventualmente contribuintes desta exação, não alcançando, portanto, a sociedade como um todo (RE 578.6 35AgR, Relator o Ministro Menezes Direito, DJ de 17.10.08). Precedentes: RE 63 4.074ED, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 26.05.2011; RE 598.180Ag R, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 11.02.2011; AI 700.833AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 03.04.2009. 3. In casu, o acórdão originalmente recorrido assentou: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA, PARA O SEBRAE E PARA O SAT. MULTA. TAXA SELIC. MULTA MORATÓRIA. 1. A contribuição para o INCRA não foi extinta pelas LL 7. 789/1989 e 8.212/1991, ambas reguladora do custeio previdenciário. 2. As contribuições ao SEBRAE devem ser suportadas por toda coletividade independentemente de qualquer identidade com o fomento a que objetiva a instituição beneficiada com o tributo. 3. A jurisprudência do STF reconhece a constitucionalidade da Contribuição Social do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT. 4. Multa aplicada nos termos do art. 35 da L 8.212/1991, com a observância do disposto na letra “c” do inc. II do art. 106 do CTN, que admite retroatividade da lei tributária quando comine ao fato pretérito penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5. A Taxa Selic não padece de mácula de ilegalidade ou inconstitucionalidade” 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AIED 849045, LUIZ FUX, STF) Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 286 13 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. ART. 97 DO CTN. REPRODUÇÃO DE NORMA CONSTITUCIONAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO PRETORIANO. COTEJO ANALÍTICO. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. GRAU DE RISCO. ESTABELECIMENTO POR DECRETO. SEBRAE. ADICIONAL. EXIGIBILIDADE. 1. O art. 97 do CTN reproduz norma encartada no art. 150, I, da Carta Magna, implicando a interpretação do aludido dispositivo em apreciação de questão constitucional, inviável em sede de recurso especial. 2. "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (Súmula 284/STF). 3. Não houve o necessário cotejo analítico para que restassem configuradas as semelhanças e dessemelhanças existentes entre os arestos, o que impede o conhecimento do apelo nobre pela alínea "c" do permissivo constitucional. 4. Os Decretos nºs 356/91, 612/92 e 2.173/97, ao tratarem da atividade econômica preponderante e do grau de risco acidentário, delimitaram conceitos necessários à aplicação concreta da Lei nº 8.212/91, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem violando princípios em matéria tributária. 5. Ao instituir a contribuição para o SEBRAE como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 6. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 7. Agravo regimental improvido. (AGA 200600695499, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 25/08/2006) (destaques meus). A contribuição para terceiros – outras entidades e fundos sujeitase a idêntica base de cálculo das empresas em geral, ou seja, a folha de salário, basta ler o artigo 240, da CRFB/88 que não haverá dúvidas a respeito. Desta forma, não estão sujeitas ao limite pretendido, pois a Lei Maior determina outra situação e não cita limite, ou seja, a norma suscitada pela recorrente não se ajusta ao ordenamento constitucional, bem como onde a lei não distingue o interprete não pode fazêlo. Demonstrada a regularidade do lançamento a “incerteza”, a “iliquidez” e a “inexigibilidade” do crédito asseverada pela recorrente caem por terra, embora tais atributos só se consolidem quando da inscrição do crédito na dívida ativa da União. Posto isto, afasto a preliminar de cerceamento de defesa e violação ao contraditório, bem como rejeito e refuto todas as alegações de mérito, nos termos acima declinados. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.722858/201076 Acórdão n.º 2803002.296 S2TE03 Fl. 287 14 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13116.901999/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. INÉPCIA. NÃO CONHECIMENTO.
É inepta a defesa que não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, não formulando a causa de pedir e/ou os fundamentos jurídicos do pedido, não se podendo dela conhecer.
Numero da decisão: 3803-004.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. INÉPCIA. NÃO CONHECIMENTO. É inepta a defesa que não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, não formulando a causa de pedir e/ou os fundamentos jurídicos do pedido, não se podendo dela conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 19 99 /2 00 9- 05 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 34989.22679.291204.1.3.048362, fls. 25 a 29, em que utilizou como crédito originado de pagamento de Cofins cumulativa relativa ao período de apuração novembro de 2005, no valor de R$ 2.806,84. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 24, a DRF/Anápolis não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2 a 6, a Interessada alegou, em síntese: a) ter sido indevida a ciência do Despacho Decisório por edital, que, por pouco não obstruiu o seu direito de defesa; b) nunca obteve êxito a aproveitamento de créditos pagos além do devido, pois, por várias vezes, os Per/Dcomp apresentados foram objeto de despachos decisórios, que não lhe contemplava o mérito. Assim, procurou “o órgão que representa tal classe, a OCB/GO, e a manifestação, do departamento jurídico daquela organização, foi favorável à questão do aproveitamento de crédito, salientando que houve, casos de Entidades de mesma natureza, por haver casos de entidades de mesma natureza, em Goiás, que já havia usufruído de tal direito”; c) após averiguação do Edital, elencou todos Per/Dcomp, lá citados, em que alguns despachos decisórios descreviam que os créditos compensados não eram suficientes para cobrir os requeridos nas DComps, por isso fez análise comparativa e verificou que tal fato é equivocado, pois como demonstrado na tabela abaixo, há sim, suficiência do crédito almejado; d) não conseguiu visualizar, o ‘por quê da ‘rejeição’ dos Per/DComps, se esses manifestam créditos acerca dos impostos pagos. Solicitou, caso possível, maior clareza nos resultados da decisão. Em anexo, fez constar copias dos DARFs pagos e tabela de comparação e, ainda, uma tabela extraída do sistema CAC (sic) da Receita, que mostra todos os processos relativos aos atos decisórios deste assunto, alguns contendo letra "D", já impugnados. Em julgamento da lide a DRJ/Brasília consignou que a premissa básica para a homologação da compensação é a existência de crédito líquido e certo. No caso, o crédito utilizado discriminado no Per/DComp foi integralmente utilizado para liquidar o débito da referida contribuição apurada em novembro de 2005, confessado na DCTF do 4º trimestre de 2005, conforme informações constantes dos sistemas de controles de pagamentos desta RFB. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva de crédito tributário, conforme reza a legislação tributária de regência, a situação jurídica relativa ao pagamento vinculado ao débito confessado em DCTF já se consolidara merecendo, assim, a proteção do princípio da segurança jurídica e da confiança. Assentou que o argumento utilizado para provar a existência do crédito de que o órgão representante da classe manifestarase favorável ao aproveitamento do crédito porque entidades de mesma natureza, em Goiás, já haviam usufruído de tal direito, assim como o demonstrativo, por si sós, não são provas suficientes para comprovar a liquidez e certeza do Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13116.901999/200905 Acórdão n.º 3803004.210 S3TE03 Fl. 51 3 crédito reclamado. Essa possibilidade – complementou somente existiria caso a contribuinte tivesse retificado suas declarações (DCTF e DIPJ), mediante a comprovação do erro em que se fundasse, antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo, ou ter trazido aos autos sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada dos por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DCOMP Compensação Pagamentos indevidos de Cofins. Nos termo da legislação tributária de regência, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Nacional. Com a contribuinte não comprovou nos autos o crédito compensado, não há como homologar a declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 10 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 51/56, em 10 de maio de 2012, em que defende que o seu direito ao crédito utilizado na DComp é decorrente da isenção a que faz jus. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, porém não atende a requisitos processuais para sua admissibilidade, como se verá. Na manifestação de inconformidade a Defendente centrase em questões que não tem relevo para o mérito pertinente ao crédito com que extinguiu o débito por meio da DComp sob análise (v.g., por casualidade tomara ciência do despacho decisório, visto ter sido intimada por edital, e desconhecimento do porquê dos indeferimentos de inúmeras DComps transmitidas), figurando no item “2”, rigorosamente, o único ponto da defesa em que tangencia a questão do direito, sem, contudo, adentrála. Vejase o texto: 2. A INTIMADA, em questão vem a partir do período em que fez o aproveitamento dos créditos, pagos além do devido, nunca obteve êxito disto, pois, por várias vezes, as PER/DCOMP's apresentadas foram objeto de despachos decisórios, que não contemplava o mérito, mas que, cujo crédito, a ela é de direito. Desta forma, a diretoria da Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 ENTIDADE, foi procurar o órgão que representa tal classe, a OCBGO, e a manifestação, do departamento jurídico daquela Organização, foi favorável à questão do aproveitamento de crédito, salientando que houve, casos de Entidades de mesma natureza, em Goiás, que já havia usufruído de tal direito.[grifo aqui] Com essa configuração da peça de defesa, à decisão de primeira instância deixou de ser apresentado o mérito, consubstanciado (i) na identificação de que direito a Defendente estaria reivindicando para sustentar a existência de indébito e subsistência do crédito de que se servira na DComp, (ii) na indicação da norma legal que ampararia tal direito; (iii) na demonstração da base de cálculo da contribuição efetivamente devida e conseqüentes exclusões. Por conseguinte, o Colegiado a quo não teve diante de si razões de direito e os correspectivos elementos de prova contrapostos ao fundamento do despacho decisório para enfrentar, restando apenas corroborar tal ato administrativo e destacar os critérios que, em circunstância como a presente, deveriam ser observados pela Defesa para comprovar a certeza e liquidez do crédito sub judice. Pelo que, não há erro ou ilegalidade que possa ser atribuída à decisão da instância de piso para que se requeira a sua reforma. No recurso voluntário, complementando a manifestação de inconformidade, a Recorrente aponta para o seu direito à isenção da Cofins relativamente aos atos cooperativos. Ainda assim, indica a existência desse direito de forma genérica, a estar amparado pelo art. 71 da Lei nº 5.764/71, na Lei nº 9.718/98 e na Lei nº 10.865/2004, assim mesmo. Não identifica quais seriam os seus atos cooperativos, a quanto monta a base de cálculo pertinente a essas operações, de sorte a pretender a repetição e utilização referente ao mês de outubro de 2005 da importância de R$ 63.947,96, dos R$ 75.600,39 pagos (DARFs em cópia, fl. 48), nem traz ao processo a comprovação das exclusões pretendidas, mediante escrita contábil/fiscal, sendo inservível para o propósito a Demonstração anexada. Ante a falta de causa de pedir próxima e remota na peça de defesa apresentada na primeira instância seja por a descrição dos fatos inviabilizar que a DRJ/Brasília pudesse chegar a alguma conclusão (a almejada pela Interessada ou não, no tocante ao mérito pretendido), seja por falta de fundamento jurídico , ante a inovação trazida na segunda instância e ante a persistente omissão dos elementos quantitativos que delineiem os contornos do direito pleiteado, e respectiva prova (esta, até passível de acolhimento acaso coligida), configuram a inépcia da petição encartada na manifestação de inconformidade, bem assim no recurso voluntário. Leciona Arruda Alvim (2012, p. 503) que: A petição inicial a que faltar o pedido ou a causa de pedir (arts. 295, parágrafo único,Ii), na qual os fatos narrados não conduzem, logicamente, à conclusão querida (arts. 295, parágrafo único, II), que não retratar a pretensão amparada pelo Direito positivo (art. 295, parágrafo único, III), ou que contiver pedidos incompatíveis entre si (art. 295, parágrafo único, IV), por exemplo, será uma petição inépta, destituída de validade jurídica. Em termos processuais a manifestação de inconformidade, no processo administrativo Tributário, equiparase à petição inicial preconizada no Código de Processo Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13116.901999/200905 Acórdão n.º 3803004.210 S3TE03 Fl. 52 5 Civil, à parte a diferença de esta somente vir a constituir a lide após a citação válida, ao passo em que aquela já o faz, atendidos os requisitos processuais para tal. Noutro giro, o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/721 reza que “a impugnação mencionará ... os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Gizese, por fim, por apreço ao esclarecimento, que o direito positivo que ajustase a sua pretensão de ver os atos cooperativos isentos da Cofins não está nos ditames legais invocados, não sendo sequer por meio desse instituto tributário – a isenção – que as cooperativas recebem tratamento legal diferenciado das pessoas jurídicas de direito privado em geral, mas sua desoneração tributária dáse por meio de exclusão da base de cálculo de determinadas operações, segundo as disposições da MP nº 2.158/2001, complementadas pela Lei 10.676, de 22 de maio de 2003, regulamentadas, ao tempo dos fatos geradores em foco, pela IN SRF nº 247/2002, com alterações pela IN SRF nº 358/20032, desonerações que não contemplam a espécie de cooperativa a que pertence a Recorrente. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93). 2 Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregue à cooperativa, observado o disposto no § 1 º ; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1º Para fins do disposto no inciso I do caput : I na comercialização de produtos agropecuários realizada a prazo, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput : I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 3º Para os fins do disposto no inciso II do caput , a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 4º O disposto no inciso VI do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 º de novembro de 1999, observado que as sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos Fundos a que se refere, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 5 o A sociedade cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep sobre a folha de salários. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 23 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa § 6 º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. § 7º As sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I de que tratam os incisos I a VI do caput; Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) II dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando de sua comercialização. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 9º Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limitase aos valores destinados à formação dos fundos previstos no inciso VI do caput. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 12. O disposto nos §§ 7º, 8º e 11 aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13116.901999/200905 Acórdão n.º 3803004.210 S3TE03 Fl. 53 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13896.000688/00-24
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/12/1991
FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 24/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, restou-se prescrito o pedido de restituição/compensação apenas dos valores de Finsocial relativos ao período de junho e julho de 1990, mantendo-se o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores relativos ao período de agosto de 1990 a dezembro de 1991.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1990 a 31/12/1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 24/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, restouse prescrito o pedido de restituição/compensação apenas dos valores de Finsocial relativos ao período de junho e julho de 1990, mantendose o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores relativos ao período de agosto de 1990 a dezembro de 1991. Recurso Extraordinário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 06 88 /0 0- 24 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0305.635, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 24/08/2000, restituição/compensação de valores de FINSOCIAL cujos fatos geradores ocorreram entre junho de 1990 e dezembro de 1991. Para tanto, a Terceira Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da MP 1.110/95, conforme ementa a seguir: “FINSOCIAL.PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃOO direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP nº 1.110 em 31/08/95 – p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota Fl. 533DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.000688/0024 Acórdão n.º 9900000.749 CSRFPL Fl. 251 3 superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131.404 e 30131.321. Recurso especial negado.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente Substituto do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. É o relatório. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (FINSOCIAL), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de FINSOCIAL recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação da MP 1.110/95, a qual, em seu artigo 17 previu que estariam os contribuintes dispensados de recolher a contribuição para o FINSOCIAL com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, ou seja, a partir de 31/08/1995. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre junho de 1990 e dezembro de 1991, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 24/08/2000, já estaria prescrito. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” Fl. 535DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.000688/0024 Acórdão n.º 9900000.749 CSRFPL Fl. 252 5 Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 536DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação dos valores de FINSOCIAL relativos aos fatos geradores ocorridos entre junho e julho de 1990. Nanci Gama Fl. 537DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10735.901064/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 20/07/2007
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.
No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.
Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 20/07/2007 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Tratase de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 64 /2 01 1- 50 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/201150 Acórdão n.º 3202000.799 S3C2T2 Fl. 96 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ II), que julgou improcedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ/RJ II, verbis: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – nãohomologada de débito de IRPJ (cód. 236201), relativo ao período de apuração de jul/07, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 5856), recepcionada pela RFB em 31/08/2007, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 16). Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/04), alegando em resumo que: 1. constatou ter efetuado pagamento a maior de PIS/Cofins no período de apuração de junho de 2005; 2. mas, nem retificou sua Dacon, nem apresentou DCTF retificadora, gerando inexistência de crédito e a não homologação da compensação declarada; 3. apresenta em anexo a DCTF e a Dacon retificadoras. A contribuinte requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/201150 Acórdão n.º 3202000.799 S3C2T2 Fl. 97 3 Em sua decisão, a DRJ/RJ II, por unanimidade, houve por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. A ementa do acórdão foi assim formulada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/07/2007 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, onde alega em síntese: (a) Ter apresentado DACON e DCTF retificadoras, ainda que após a ciência do despacho decisório; (b) A existência de seu crédito; e (c) A necessidade de diligência para a comprovação do seu crédito; Junta a Recorrente ao recurso voluntário cópias do Livro Razão demonstrando os créditos por ela aproveitados, bem como de contrato de locação e nota fiscal de compra de energia elétrica. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Entendo que o Despacho Decisório eletrônico que indeferiu a compensação realizada pela Recorrente não traz qualquer fundamentação para o seu indeferimento. Ressaltese que não se está aqui afirmando que o Recorrente tem ou não direito à compensação, mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico da DRF que denegou o pedido do contribuinte. Está, portanto, plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Despacho Decisório, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, verbis: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/201150 Acórdão n.º 3202000.799 S3C2T2 Fl. 98 4 Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, LV, CF/88) de saber qual o motivo do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. Adoto a fundamentação do conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, a seguir descrita. O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o objeto de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à conclusão apontada em seu texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão tomada, pois assim não fazendo, correse o risco do arbítrio, do subjetivismo, o que não se pode permitir. Conhecendose a motivação da decisão proferida, podem todos dela tomar conhecimento e concluir ter sido proferida em conformidade com a lei e as provas, concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância. O Despacho Decisório, ao não explicitar o motivo pelo qual indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, é nulo por preterição do direito de defesa do contribuinte. O Despacho Decisório (emitido eletronicamente, portanto, sem maiores verificações dos fatos alegados) resignouse, apenas, não homologar a compensação declarada, e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação. As provas são dirigidas ao julgador que formará livremente sua convicção. Cabe às partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. A aplicação do direito ao caso concreto, para a solução do litígio, será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos ao processo por meio das provas. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/201150 Acórdão n.º 3202000.799 S3C2T2 Fl. 99 5 Em vista de tudo o que foi exposto, e diante do cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório da DRF, voto por declarar a nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico, inclusive. O processo deverá retornar a DRF competente para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002123/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física
Exercício: 1999
PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO REJEITADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS NÃO COMPROVADA. RATEIO ENTRE OS PENSIONISTA COMPROVADO.
O contribuinte comprovou que não houve omissão na declaração de
rendimentos, na medida em que o valor da pensão, após o rateio, foi
declarado por todos os pensionistas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS NÃO COMPROVADA. RATEIO ENTRE OS PENSIONISTA COMPROVADO. O contribuinte comprovou que não houve omissão na declaração de rendimentos, na medida em que o valor da pensão, após o rateio, foi declarado por todos os pensionistas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS – Presidente Assinado digitalmente EWAN TELES AGUIAR Relator. EDITADO EM: 12.03.2013 Presentes os Conselheiros Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Giovanni Christian Nunes Campos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR 2 Relatório Trata de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 1998, consubstanciado no Auto de Inflação às fls. 33 a 38, que apurou imposto suplementar de R$ 1.291,46, alcançando um total de R$ 2.742,02 com a multa de oficio e acréscimos moratórios, em face de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Após cientificada do Auto de Infração em referência, em 06/08/01 (fl. 40), a interessada apresentou a impugnação de fl. 01, alegando que: não foi chamada para prestar esclarecimentos, nem cientificada sobre possíveis irregularidades; quanto ao rendimento considerado omitido, foi declarado da seguinte forma: metade dos rendimentos e do IRRF em nome da impugnante e metade dividida pelos três filhos; em novembro de 1998 os filhos passaram a receber contracheque próprio; a quantia, constante no comprovante de rendimentos de cada filho (nov. e dez /98) foi somada à parte da pensão que lhe fora destinada; não teria ocorrido omissão de rendimentos. A 2ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento em Decisão de fls. 7477, consubstanciada no Acórdão n° 13 15.939, de 07 de maio de 2007, por entender que: a impugnante teve ciência do Auto de Infração, que foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, em cumprimento ao disposto no art. 142 do CTN, sendo concedido à contribuinte prazo regulamentar para apresentação do contraditório, o que ensejou a oportunidade de defesa, exercida por meio da impugnação de fl. 01. restou comprovado que somente a partir do mês de novembro de 1998 os filhos da impugnante passaram a receber rendimentos próprios, conforme fls. 69 a 71. a interessada não juntou aos autos nenhum documento capaz de demonstrar que os seus filhos já teriam o direito a receber a pensão nos meses de janeiro a outubro de 1998. a Fiscalização, ao elaborar o Auto de Infração, considerou o rendimento constante na DIRF, ou seja, R$ 73.634,76, resultando numa omissão de rendimentos no valor de R$ 35.281,76, tendo em vista que a contribuinte apenas declarou a quantia de R$ 38.353,00 do Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro, conforme declaração de ajuste anual de fls. 26 e 39. A intimação da decisão a quo ocorreu em 05/07/2007 (fl. 78). A contribuinte interpôs recurso voluntário em 02/08/2007 (fl. 79), alegando: preliminar de prescrição. A Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 1999, ano calendário de 1998, sofreu revisão que resultou no Auto de Infração lavrado em 09/04/2001, tendo tomado ciência em 23 de agosto de 2001, quando começou a fluir o prazo prescricional. o direito da Fazenda Nacional constituir crédito tributário se extingue após 05 (cinco) anos, já estando, dessa forma prescrito o crédito tributário desde 07 de maio de 2007. A Recorrente ofereceu a impugnação ao Auto de Infração, em 23 de agosto de 2001, na forma do art. 173 do CTN, sendo esse o último ato praticado pela Delegacia da Receita. Não houve, durante 5 (cinco) anos e 9 (nove) meses, qualquer ato praticado pela Administração que viesse a interromper o período prescricional. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR Processo nº 13710.002123/200118 Acórdão n.º 210200.897 S2C1T2 Fl. 2 3 não houve omissão de receita nos rendimentos declarados pela interessada. A Repartição lançadora partiu do falso pressuposto de que a tributação incidiria sobre a totalidade da pensão, cujos rendimentos pagos no ano base de 1998 foram de R$ 76.706,00 e a retenção na fonte de R$15.266,00. o Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro, ao deferir o direito à pensão de Hercberg Zylberberg, falecido em 11 de dezembro de 1992, dividiu a pensão em duas partes: 50% para a esposa (R$ 38.353,00), e os outros 50%, no valor de R$ 38.353,00 foram partilhados entre seus três filhos menores à época que, separadamente, têm apresentado a Declaração de Ajuste Anual Simplificada, declarando cada um de per si a parte que lhe corresponde do beneficio paterno, conforme lhes faculta a lei e por ser mais conveniente. as cópias das Declarações apresentadas por seus filhos são comprobatórias de que não houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 76.706,00 divididos por 2 é igual a R$ 38.353,00) e de que o Auto de Infração para exigir um Imposto Suplementar partiu de simples presunção, não autorizada em lei. o Auditor Fiscal foi induzido a erro, face ao comprovante de rendimentos fornecido pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (fl. 9). o desmembramento da pensão só foi deferido em outubro de 1998, quando seus filhos passaram a receber os Contracheques próprios. Porém, esse fato não alterou o valor dos rendimentos, vez que o beneficio era dividido na proporção legal de 50% para a esposa e os outros 50% para os filhos e assim declarados ao Fisco. a Recorrente foi orientada no sentido da apresentação das Declarações de Ajuste Anual em separado, já que os filhos estavam inscritos no CPF. não houve omissão de rendimentos e o Regulamento do Imposto de Renda não pode criar penas novas nem estender sua aplicação às hipóteses não previstas em lei. Ou o Regulamento se coaduna com a lei e é válido ou contraria as medidas nele contidas e passa a ser inconstitucional, não podendo ser aplicado. Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235 de 6 de março de 1972, sendo assim, dele conheço. Em relação à preliminar de prescrição, esta não pode ser reconhecida posto que de acordo com a Súmula 11 do CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. No mérito, assiste razão a ora recorrente, devendo ser provido o presente recurso. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR 4 Isto porque a situação de pensionista dos três filhos foi comprovada pelos títulos emitidos em 03.03.1993 juntados às fls. 03 a 105. A declaração individual de cada filho também foi comprovada às fls.93 a 97, onde informouse como ocupação principal “pensionista”. Assim, ao contrário do que decidiu a DRJ, entendo que a contribuinte comprovou que não houve omissão na declaração de rendimentos, na medida em que o valor da pensão, após o rateio, foi declarado por todos os pensionistas. Registrese que a contribuinte juntou cópia de orientações da Receita Federal para preenchimento da Declaração de Imposto de Renda em que consta que os rendimentos recebidos do menor deveriam ser declarados em separado, fls.99 a 101. Assim, por tudo que consta nos autos, voto no sentido de reformar a Decisão recorrida DANDO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ewan Teles Aguiar Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012252/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea s, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Tiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea s, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. Recurso Voluntário Provido.
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LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 52 /2 00 8- 43 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Tiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/200843 Acórdão n.º 2402003.320 S2C4T2 Fl. 428 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PROLOGI CONSULTORIA E LOGÍSTICA LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.157.0557, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte dos segurados, incidentes sobre os valores pagos aos seus empregados a título de locação de veículos. Consta do relatório fiscal que foi apurada a existência de conta denominada LOCAÇÃO DE VEÍCULOS na contabilidade. Diante de tal fato, requeridos os esclarecimentos sobre os pagamentos efetuados, a recorrente apresentou à fiscalização extratos bancários e contratos de locação de veículos firmados com os seus segurados empregados. Ao que se depreende das ponderações do fiscal autuante os segurados empregados, proprietários dos veículos, eram os locadores dos veículos à recorrente, tida como locatária. Sobre a natureza dos contratos de locação, assim constou do relatório fiscal da infração: [..]Foi constatado que, apesar de o veiculo ficar em poder do empregado da empresa, não foi apresentada documentação que comprove uma prestação de contas, um controle da quantidade de quilômetros rodados por cada veiculo. A inexistência de documentação que discrimine as despesas realizadas pelos empregados com os veículos locados faz concluir que a auditada não tem controle sobre o uso da coisa por ela locada. Pode o empregado utilizarse do veiculo do modo que lhe convier, tanto para a execução do trabalho como para o seu uso pessoal. 9. 0 valor mensal acordado pela locação entre a auditada (locatária) e o empregado, na condição de suposto locador, 6, em média, equivalente a 59% do valor do salário mensal do trabalhador. [...] 11. Devese ressaltar que a utilização de contratos de locação de veículos não aconteceu de forma esporádica e nem tampouco em casos isolados. Ao longo do ano de 2004, a auditada firmou contratos de locação de veículos com 53 de seus 140 empregados (média do ano), contratos esses que chegaram a um montante total de R$ 183.480,13 (cento e oitenta e três mil, quatrocentos e oitenta reais e treze centavos) no ano de 2004. 12. Vale mencionar que a periodicidade inicial de cada contrato de locação era de um ano, ficando comprovado, dessa forma, a habitualidade dos ganhos por parte do empregado, e que esses contratos poderiam ser renovados sistematicamente enquanto durasse o contrato de trabalho do empregado. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 13. Ressaltamos que, o fato de a empresa denominar as parcelas pagas como parcelas do contrato de locação não modifica sua natureza jurídica de remuneração, visto que tal valor acresceu o patrimônio do empregado, tendo sido concedido como um plus na sua remuneração em decorrência do vinculo laboral. [...] 18. Para que o ressarcimento de despesas pelo uso do veiculo se exclua do campo de incidência da contribuição previdenciária, fazse necessário que haja a comprovação de que o pagamento não se reverteu em prol do empregado, mas que representou apenas o reembolso de uma despesa tida como condição imprescindível para a execução do serviço. Caso contrário, o pagamento se situa no caso geral estabelecido pelo artigo 28, I da Lei n° 8.212/91. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/07/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 594/599), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que executa a prestação dos serviços em diversos entes de nossa Federação, necessitando que seus empregados realizassem deslocamentos constantes aos locais efetivos da execução dos serviços contratados, motivo pelo qual necessitavam ter à sua disposição veículos a fim de executarem os serviços prestados pela recorrente; 2. que tal fato, contudo, não era, e nunca foi impeditivo à contratação dos empregados. Mas, com fim de cumprir a prestação dos serviços, sempre foi imprescindível a utilização de automóveis (próprios ou não) pelos seus colaboradores; 3. que no período auditado (janeiro de 2004 a dezembro de 2004), conforme contratos juntados, não havia uma única modalidade de locação de yeículos, mas, no mínimo três. 1) locação de empresas especializadas; 2) locação de terceiros pessoas físicas e 3) locação dos próprios funcionários; 4. que nos contratos com empresas especializadas em locação de veículos, os valores praticados eram muito maiores do que os acordados com os empregados que locavam seus veículos à empresa; 5. que na segunda modalidade de locação (terceiros) o pagamento da verba relativa ao aluguel era repassada a terceiros, e não aos seus segurados empregados, o que não permite a sua caracterização como salário; 6. que caso os empregados não possuíssem veículo próprio e o quisessem locar à recorrente, esta disponibilizava ao mesmo outros veículos ( locados de empresas especializadas ou Fl. 616DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/200843 Acórdão n.º 2402003.320 S2C4T2 Fl. 429 5 terceiros pessoas físicas) para que então pudesse exercer suas atividades; 7. que a locação de veículos de empregados era prática excepcional e foi elevada no ano de 2004 em razão das necessidade dos clientes da recorrente; 8. que muitos dos funcionários que constaram no anexo do Auto de Infração não laboraram durante todo o ano na empresa, tendo sido rescindidos os seus contratos de locação; 9. que havia, em alguns contratos, o adicional por quilometro rodado, vez que, existiam funcionários que realizavam um percurso mais extenso para exercer suas atividades laborais. Tal medida se tornava necessária, com o fim de ressarcir o desgaste e a depreciação extra que o veiculo sofria. Este Complemento, por assim dizer, foi estipulado quando o deslocamento superasse os 2.000 km/mês, o que demonstra a preocupação da Recorrente em apenas ressarcir as despesas em virtude de maior desgaste do automóvel utilizado; 10. que os valores pagos eram efetivamente indenizatórios das despesas incorridas com os veículos, não podendo, portanto, estarem sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias; 11. que a cláusula 3.2 dos contratos previam que o valor da locação determinava estarem nele englobados todas as despesas de pedágios, combustível, impostos, licenciamentos, manutenção preventiva, estacionamentos, multas, etc.; 12. cita doutrina e jurisprudência no sentido de que o aluguel de veículos de empregados não pode ser considerado como salário de contribuição; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, cumprenos saber se os valores da locação de veículos dos empregados da recorrente pode ou não ser considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Da análise do relatório fiscal percebese que a recorrente efetuava a locação de veículos de seus empregados, mediante contrato de locação, para que estes pudessem vir a exercer suas funções, que exigiam deslocamento a outras unidades da federação, além dos deslocamentos dentro da própria unidade. A fiscalização, ao analisar os contratos, percebeu que estes deveriam ser considerados como efetivo salário uma vez que a recorrente não demonstrou que os valores pagos eram decorrentes de ressarcimento de despesas incorridas com os veículos locados, motivo pelo qual estaria descumprido aquilo o que preconizado pelo art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, a seguir: " § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; " (grifei) Este foi o fundamento da autuação levada a efeito, qual seja, a ausência de discriminação das despesas incorridas com o veículo. Ressaltese que em momento algum a fiscalização defendeu que o veículo locado não era utilizado pelos empregados para o trabalho, mas apenas que também poderia ser utilizado de forma pessoal, situação, a meu ver, absolutamente normal e lógica, uma vez que o mesmo é o proprietário do veículo. Por sua vez, os contratos de locação foram entabulados consideradas, dentre outras algumas cláusulas que devem ser consideradas para o desate da demanda, que a seguir trasncrevo: OBJETO 0 presente contrato tem por objeto a locação do veiculo FIAT UNO MILLE, 1991 placa KNF5734, que será utilizado por Adão Diniz Alves Fl. 618DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/200843 Acórdão n.º 2402003.320 S2C4T2 Fl. 430 7 Madruga, para transporte de pessoas e materiais necessários aos serviços da LOCATÁRIA. VALOR 2.1. 0 valor completo da locação é de R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) por mês de uso efetivo do veiculo; 2.2. Este valor engloba todas as despesas com impostos, licenciamento, seguros, manutenções preventivas ou corretivas e abastecimento do veiculo, bem como toda e qualquer outra despesa oriunda do uso do veiculo, tais como estacionamentos, pedágios, multas, etc.; 2.3. Quando ocorrer do veiculo ficar parado para manutenção, reparo ou qualquer outro motivo não imputável à LOCATÁRIA, os dias relativos a este período serão descontados proporcionalmente no valor mensal da locação; PAGAMENTOS 3.1. Os pagamentos serão efetuados até o quinto dia útil do mês subseqüente ao do aluguel, segundo dados apurados no Relatório Mensal de Veículos de que trata o item 7.4. 0 atraso na entrega do relatório acarretará atraso no pagamento na mesma quantidade de dias. 6. DAS OBRIGAÇÕES DO LOCADOR. 6.2. Responsabilizarse inteiramente pela manutenção dos veículos objeto da locação, arcando com as despesas de combustíveis, lubrificantes, pneus, seguros, licenciamentos, estacionamentos, pedágios, etc., assumindo também, todo o Onus por quaisquer danos por eles provocados, inclusive a terceiros, durante o período de locação, responsabilizandose, ainda, por todos os impostos e taxas correspondentes; 6.3. Afixar nas portas dos veículos objeto da locação os adesivos fornecidos pela LOCATÁRIA; 6.4. Preencher mensalmente o Relatório Mensal de Veículos, encaminhandoo ao gerente deste contrato, definido no item 5, no máximo até o primeiro dia útil do mês subseqüente ao da locação; Pois bem, o contrato em conjunto com o objeto social da recorrente de fato retrata que os veículos locados eram necessários para a execução de serviços habituais. Além disso, verificase que o valor da locação fixado entre as partes já englobava todas as despesas de manutenção, gastos com combustível dentre outros, sendo pagos no mês subseqüente ao do aluguel incorrido. Ou seja, desta forma, independentemente do valor das despesas relativas ao veículo incorridas no mês de maio, por exemplo, somente em junho é que o empregado, no caso locador, as recebia, no limite máximo de R$ 550,00 (quinhentos e cinqüenta reais) por mês. Logo, em sendo recebidas somente no mês posterior ao aluguel dos veículos, não hã de se falar em qualquer adiantamento de valores pagos. Todavia, o mesmo raciocínio pode ser levado a efeito no caso do empregado ter incorrido em poucas despesas num mês, que nem mesmo alcancem o valor de R$ 550,00 (quinhentos e cinqüenta reais). Fl. 619DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O ponto interessante a ser considerado é o de que o empregado parece assumir um risco de incorrer em mais ou menos despesas do que aquelas que efetivamente pré determinou com a empresa locatária, pois, em momento algum, o relatório fiscal da infração apontou que em caso de haverem despesas superiores ao valor da locação estas seriam reembolsadas ao locador (empregado). Além disso, o contrato firmado entre as partes determina expressamente que o veículo locado deve ser mantido à disposição da Locatária, quem pode, inclusive, levar a efeito vistorias e reprovar o uso do veículo, rescindindo a locação. Exige, ainda, do locador, o preenchimento de um relatório mensal de veículos, que fez juntar ao presente processo, no qual se verifica que são registrados horários de saída do veículo, chegada, destino e quilometragem rodada. Tais elementos, a meu ver demonstram que ao contrário do que apurou a fiscalização, que a recorrente fiscalizava a execução do contrato, logo, a coisa por ela locada. Ainda entendo que a locação de um veículo, por si só, já enseja uma série de despesas, relativas a manutenção do veículo, em especial as relativas ao combustível gasto. Ora, para que o veículo seja utilizado, o combustível será obrigatoriamente gasto, não há outra saída. E se de fato é o locador (empregado) que vai ter que desembolsar referida quantia para locomoverse durante um mês e recebêlo no mês seguinte, é obvio que está sendo ressarcido de referido valor, pois foi obrigado a ter diminuição patrimonial prévia. O contrato é claro em determinar ao empregado (locador) a assunção das despesas com combustível, por exemplo, situação que a meu ver desobrigaria a necessidade da apresentação da comprovação de gastos, pois estes são obviamente inerentes ao uso da coisa. Ademais, não existem nos autos, elementos que me conduzam à conclusão de se trate no presente caso de uma vantagem concedida pela empresa ao seu empregado, locador do veículo, com o intuito de disfarçar verba salarial concedida, mas sim que se trata efetivamente de um contrato de locação de veículo necessário à execução dos serviços prestados pela recorrente. Ademais, constam dos autos, contrato de locação de veículos também com empresas especializadas no assunto, o que efetivamente reforça a necessidade de que tal providência é efetivamente necessária. Não vejo que os valores pagos a título de aluguel, no presente caso, possam ser considerados como forma de remuneração do empregado, ou mesmo que a utilização do veículo pelo mesmo, de forma, pessoal, também possa refletir referida conclusão. O que exsurge da situação, a meu ver, é situação totalmente diferente, que diante das provas carreadas aos autos enseja uma típica relação de locação e não de concessão de benefício em favor do empregado ou mesmo de situação que necessite da comprovação de gastos incorridos com o veículo, para que tal não se caracterize como salário. Não se trata de caso em que o empregado exerce suas funções em seu veículo e depois vai requerer o ressarcimento da recorrente, mas sim de situação em que o empregado já colocou à disposição da empresa o seu veículo (bem), via contrato de locação, para que possam ser exercidas as atividades da recorrente. Ao perceber uma contraprestação futura por tal situação, assumindo o risco de efetivamente ter que despender gastos maiores do que o valor que receberia pela locação, não vejo como entender que referida relação possa ser caracterizada como uma contraprestação relativa ao serviços por si prestados. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/200843 Acórdão n.º 2402003.320 S2C4T2 Fl. 431 9 Por fim, cumpre asseverar que a mesma matéria ora sob análise já foi objeto de julgamento por esta Eg. Turma, quando da análise dos processos administrativos n. 15504.012255/200887 e 15504.012253/200898, da mesma recorrente, os quais restaram assim ementados, com textos idênticos: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. Recurso Voluntário Provido”. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004496/2007-45
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1993 a 01/06/2003
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD.
COOPERATIVAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
TEMPESTIVIDADE. RECONHECIDA. DEPÓSITO RECURSAL.
INEXIGIBILIDADE. RECURSO ADMITIDO. AMPLA DEFESA E
CONTRADITÓRIO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. BASES DE
CÁLCULO QUE ATENDEM AS NORMA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE
COOPERATIVA. PREVISÃO LEGAL. ADEQUADA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.443
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 01/06/2003 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. COOPERATIVAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TEMPESTIVIDADE. RECONHECIDA. DEPÓSITO RECURSAL. INEXIGIBILIDADE. RECURSO ADMITIDO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. BASES DE CÁLCULO QUE ATENDEM AS NORMA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COOPERATIVA. PREVISÃO LEGAL. ADEQUADA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 192 2 . Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 35.690.7465, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores cooperados que prestaram serviços a empresa tomadora por intermédio da contratação de cooperativa de trabalho, destinadas à Previdência Social, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 48 e 50, com período de apuração de 01/1993 a 05/2003, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 35 a 37. A NFLD é composta de um levantamento denominado COO Cooperativas Trab. Transp. S/rec., conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 07. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/07/2004, Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 53 a 62, sendo acompanhada dos documentos, de fls. 63 a 104. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 52; 106 e 107. O Serviço de Análise Defesas e Recursos ADREC, as fls. fls. 108, baixou os autos em diligência. A diligência foi atendida, as fls. 112 a 133, sendo o contribuinte cientificado desta pelo AR, de fls. 134, tendo este se manifestado, as fls. 136 a 145. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1513.391 6ª, Turma, em 08/08/2007, fls. 152 a 161. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 09/12/2008, AR, de fls. 166. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 168 a 176, em 27/12/2008, fls. 168, acompanhado dos documentos, de fls. 177 a 188, onde alega em síntese. Requisito de Admissibilidade. • Que o recurso é tempestivo, pois manejado dentro do prazo do artigo 33, caput do Decreto 70.235/72, como atesta o carimbo da RFB; • Que o depósito prévio recursal é desnecessário em razão da MP 413/2008 convertida na Lei 11.727/2008; Preliminar. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 193 3 • Que o débito é nulo por falta de fundamentação e cerceamento de defesa, pois a aferição indireta esta lastreada na IN 100/2003, que não se presta a aplicação retroativa e nem é meio adequado para introduzir norma tributária, artigo 100 CTN e Luciano Amaro, sendo que a aferição deve ser utilizado em situação excepcional e fundamentada, que a falta desta configura violação ao exercício da ampla defesa e contraditório, o que viola a Lei 9.784/99; • Que o fisco utilizou da aferição indireta, pois nem todos os documentos solicitados foram fornecidos ante a sua quantidade é prazo exíguo para o fornecimento, utilizandose o fisco apenas do livro diário/razão para os seus levantamentos; • Que várias cooperativa estão nesta notificação, mas que o fiscal deixou de observar questões importantes, como não aplicação da base de cálculo reduzida em razão do fornecimento de materiais, artigo 201 c/c o 219, §§ 7º e 8º do RPS, pois fornecido material com previsão contratual; Mérito. • Que o fiscal lançou diversas valores sobre taxista, ainda, que com redução da base, mas de forma equivocada, pois estes não se enquadram no artigo 31, § 7º da Lei 8.212/91, pois tais serviços são eventuais e contratados junto a cooperativas, não configurando cessão de mão de obra, transcreve jurisprudência da 2ª CaJ do CRPS, padecendo o lançamento de previsão legal; • Que as cooperativas são empresas nos termos do artigo 15, parágrafo único da Lei 8.212/91, sendo assim ilegal a exigência de contribuição por contratação de pessoa jurídica por pessoa jurídica, devendo ser mantido a sistema anterior da retenção de 11%, sendo absurdo atribuir 100% da nota para o cálculo da contribuição, devendo a contribuição incidir só sobre a remuneração, artigo 195, I, “a” da CF/88; • Que tal contribuição foi instituída pela LC 84/96 e depois a Lei 9.876/99 inovou, pois criou nova contribuição, o que só pode se dar por lei complementar, como já se pronunciou o STJ, sendo que o STF vem suspendendo em RE a exigibilidade da exação até o julgamento da ADI 2594, com parecer da PGFN pela inconstitucionalidade da norma; • Finalizando pede: a) reforma da decisão a quo;com o reconhecimento da improcedência do lançamento. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do Recurso Voluntário, limitandose a dizer a data de recebimento da decisão de primeiro grau e a de impetração, fls. 189. Os autos subiram ao CARF, fls. 189. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 194 4 É o Relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 195 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme se pode verificar, as fls.166, AR, recebido, em 09/12/2008, e petição recursal, fls. 168, recebida, em 27/12/2008. Inicialmente, cumpre informar que o julgamento do presente Recurso Voluntário ficou suspenso entre a edição da PT MF 586/2010 até a edição da PT CARF 01/2012 que disciplinaram o sobrestamento de processos no âmbito do CARF em razão do reconhecimento da repercussão geral com sobrestamento de matéria tributária no Supremo Tribunal Federal – STF. A autoridade preparadora não reconheceu a tempestividade do recurso, mas a indicou, fls. 189. Registrese, ainda, por oportuno que o depósito recursal foi extinto pelo MP 413/2008 convertida na Lei 11.727/2008. Superado os pressupostos de admissibilidade passo ao recurso. Preliminares e Mérito. O presente crédito como esclarecido no Acórdão a quo não se funda em aferição indireta, uma vez que o agente fiscal utilizou os valores constantes da contabilidade conta 3.2 3 1.001 4 (serviços prestados) e tal conta deve espelhar com fidedignidade os valores da notas fiscais e faturas de prestação de serviços como prescrito pelas Normas Brasileira de Contabilidade – NBC e pela Resolução CFC 750/93, bem como pelo artigo 1.179 da Lei 10.406/2002 ou ainda nos termos do artigo 10 a 20 da Lei 556/1850. Assim sendo, o agente fiscal apenas fez dar efetividade ao que determinado no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, ou seja, utilizou os valores das notas e faturas, porém registrados na contabilidade. O fato de não ter sido apresentado pela empresa todos os documentos exigidos pelo agente fiscal, o que a recorrente admite em peça recursal justificaria o uso da aferição indireta, nos termos do artigo 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91, o que citado pelo agente fiscal no Relatório Fiscal Complementar, de fls. 112 a 114, item 2.1, contudo tal justificativa era desnecessária, pois o lançamento foi direito, afastando com isso a alegação de cerceamento à ampla defesa e ao contraditório. No Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 11 a 21, verificase que as cooperativas da tabela abaixo estão incluídas no levantamento. • COOPENINF; • COONPETRO; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 196 6 • COOPTRAN; • COOP. COND. R. TÁXIS; • COOP. PROPRIETÁRIOS VEÍCULOS; • COOP. MOT. AUTÔNOMO. Observase, também, que as duas primeiras tiveram base de cálculo de cem por cento (100%), nos termos do artigo 22, IV da Lei 8.212/91, uma vez que a recorrente não forneceu os contratos de prestação de serviços como informa o fiscal. No entanto, as quatro últimas por serem empresa de transportes de passageiros tiveram a sua base de cálculo reduzida para vinte por cento (20%) nos termos do artigo 201, III c/c o 219, § 8º do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 c/c o artigo 298 da IN/INSS/DC 100/2003, o que parece atender aos reclamos da recorrente, sendo por esta admitida a redução da base para os taxistas. A decisão a quo delineou que a recorrente confunde retenção de 11% em razão da cessão de mão de obra, artigo 31 da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.711/98 com a contribuição de 15% do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, tal situação torna a ocorrer na peça recursal. A cessão de mão de obra ocorre quando pessoa jurídica contratada coloca à disposição da contratante empregos seus. No caso de cooperativas os cooperados não são empregados desta e não prestam serviços a ela. Neste caso, ocorre o contrário a cooperativa é quem presta serviços aos cooperados, agenciando as atividades destes, nos termos da Lei 5.764/71. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: Art. 90. Qualquer que seja o tipo de cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados. (grifos meus). Desta forma, não cabe a aplicação da retenção, pois ausente a cessão de mão de obra. O artigo 195, I, “a” da CRFB/88 é claro ao prever a hipótese de incidência da contribuição social previdenciária na redação da EC 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 197 7 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Neste diapasão não há dúvidas de que a recorrente é empresa e toma os serviços dos cooperados, estando, assim, ligada ao fato gerador. Os cooperados são pessoas físicas que lhe prestam serviços e a empresa tomadora destes serviços os remunera, logo todos os requisitos da norma constitucional estão presentes, o que faz nascer a exação, a questão da base de cálculo já foi desmistificada em passagem supra. Ficou claro acima que lei poderia fazer o que fez, pois autorizada pela CRFB/88, pós EC 20/98. O fato do STF estar concedendo liminar em MC para suspender a exação no curso da ADI 2594, é irrelevante e não significa que tal exação será considerada inconstitucional. A citada ADI foi proposta em 2002 e até hoje o STF não analisou nem o pedido cautelar da ADI, segundo pesquisa em seu site. A contribuição exigida das empresas tomadoras dos serviços de cooperativas de trabalho preenche os requisitos do artigo 195, I, “a”, “b” e “c” da CRFB/88, uma vez que instituída pela Lei 9.876/99 que passou pelo processo legislativo descrito na Carta Magna artigo 59 e ss, obtendo sanção presidencial. Até, onde, sabemos o parecer é do PGR até porque a PGFN é subordinada ao AGU e este tem o dever de defender a norma na ADI não seria razoável que a PGFN agisse ao contrário, mas tal questão, também, é irrelevante para o deslinde da questão. Desta forma, a lei é vigente, válida e eficaz e assim nos termos do artigo 37, caput da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único da Lei 5.172/66 deve ser observada e cumprida pela Administração Tributária. Aliás, o judiciário federal, também, reconhece a validade da exação. TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL (TOMADORA DE SERVIÇOS PRESTADOS POR ASSOCIADOS A COOPERATIVA DE TRABALHO) LEI Nº 8.212/91 (ART. 22, IV) C/C LEI N. 9.876/99. 1 Consoante o art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 9.876/9), a contribuição previdenciária patronal a cargo da empresa tomadora dos serviços prestados via intermediação de cooperativas de trabalho, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 2 A 7ª Turma do TRF1 orienta que o cooperado é autônomo (Decreto nº 3.048/99, art. 9º, § 15, IV) e que, cotejando a EC nº 20/98 e a LC nº 84/96, legítima a exação prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. 3 O STF tem abonado a exigência (AgRAC nº 694/SP) na pendência da ADI nº2.594/DF. 4 Apelação não provida. 5 Peças liberadas pelo Relator, em 26/01/2010, para publicação Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/200745 Acórdão n.º 280301.443 S2TE03 Fl. 198 8 do acórdão.(AMS 200038000070435, DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, TRF1 SÉTIMA TURMA, 05/02/2010) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR ASSOCIADOS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. ART. 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO PELA LEI Nº 9.876/99. 1. A alteração dada pela Lei n° 9.876/99 não criou nova fonte de custeio, não sendo necessária Lei Complementar para veicular seus dispositivos (CF, art. 195 § 4º). A hipótese em tela subsumese ao determinado pelo art. 195, I, "a", da Carta Magna, tendo em vista após a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais pela Emenda Constitucional 20/98, incluindo na contribuição da empresa, os "demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". 2. Para o cálculo da contribuição de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, incide a alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, tendo como base de cálculo a prestação direta ao tomador do serviço, remunerado indiretamente via cooperativa, o que se encontra em harmonia com a norma constitucional (art. 195, I, "a"). 3 Agravo a que se nega provimento.(AMS 200561000057410, JUIZ HENRIQUE HERKENHOFF, TRF3 SEGUNDA TURMA, 10/12/2009) Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações em preliminar e em mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender aos pleitos desta. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista a falta de lastro fático e jurídico das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.000534/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO.
Em face da aplicação das disposições do art. 132 do CTN, a empresa incorporadora é sim, de fato e de direito, responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO.
As disposições do Art. 150, parágrafo 4o não são aplicáveis quando apontada a possibilidade de configuração de dolo, fraude ou simulação. Havendo, nos fundamentos da autuação apresentada, a indicação de hipótese de simulação, aplicam-se as disposições do Art. 173, afastando-se, assim - ao menos a princípio -, a preliminar de mérito de decadência apontada.
EMPRESA VEÍCULO. ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA SEM NENHUM OBJETIVO NEGOCIAL.
Verificando-se na especifica situação apresentada nos autos que a constituição da apontada empresa veículo não tivera qualquer outro fundamento, senão apenas garantir a efetivação da economia tributária, inválida se apresenta a operação, sendo legítima, portanto, a glosa efetivada.
MULTA QUALIFICADA.
Restando, pois, caracterizada a utilização de artifícios societários com o único fim de gerar economia tributária, verificando-se, no caso, indicada a invalidade das operações praticadas, entendo devida a aplicação da multa qualificada, nos termos em que efetivados.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste na norma de sanção qualquer limitação temporal para aplicação da penalidade, motivo pelo qual ela subsiste ainda que lançada após o término do período de apuração.
Numero da decisão: 1301-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à ilegitimidade passiva da recorrente, iliquidez e incerteza do crédito constituído, decadência e quanto à validade das operações decorrentes das alterações societárias, nos termos do voto do Relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à não incidência, pela SELIC, e juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755 pela recorrente e o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Augusto de Andrade Jenier - Relator.
(Assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Em face da aplicação das disposições do art. 132 do CTN, a empresa incorporadora é sim, de fato e de direito, responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. As disposições do Art. 150, parágrafo 4o não são aplicáveis quando apontada a possibilidade de configuração de dolo, fraude ou simulação. Havendo, nos fundamentos da autuação apresentada, a indicação de hipótese de simulação, aplicam-se as disposições do Art. 173, afastando-se, assim - ao menos a princípio -, a preliminar de mérito de decadência apontada. EMPRESA VEÍCULO. ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA SEM NENHUM OBJETIVO NEGOCIAL. Verificando-se na especifica situação apresentada nos autos que a constituição da apontada empresa veículo não tivera qualquer outro fundamento, senão apenas garantir a efetivação da economia tributária, inválida se apresenta a operação, sendo legítima, portanto, a glosa efetivada. MULTA QUALIFICADA. Restando, pois, caracterizada a utilização de artifícios societários com o único fim de gerar economia tributária, verificando-se, no caso, indicada a invalidade das operações praticadas, entendo devida a aplicação da multa qualificada, nos termos em que efetivados. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste na norma de sanção qualquer limitação temporal para aplicação da penalidade, motivo pelo qual ela subsiste ainda que lançada após o término do período de apuração.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000534/201044 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.113 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente ARREPAR PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Em face da aplicação das disposições do art. 132 do CTN, a empresa incorporadora é sim, de fato e de direito, responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. As disposições do Art. 150, parágrafo 4o não são aplicáveis quando apontada a possibilidade de configuração de dolo, fraude ou simulação. Havendo, nos fundamentos da autuação apresentada, a indicação de hipótese de simulação, aplicamse as disposições do Art. 173, afastandose, assim ao menos a princípio , a preliminar de mérito de decadência apontada. EMPRESA VEÍCULO. ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA SEM NENHUM OBJETIVO NEGOCIAL. Verificandose na especifica situação apresentada nos autos que a constituição da apontada empresa veículo não tivera qualquer outro fundamento, senão apenas garantir a efetivação da economia tributária, inválida se apresenta a operação, sendo legítima, portanto, a glosa efetivada. MULTA QUALIFICADA. Restando, pois, caracterizada a utilização de artifícios societários com o único fim de gerar economia tributária, verificandose, no caso, indicada a invalidade das operações praticadas, entendo devida a aplicação da multa qualificada, nos termos em que efetivados. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 34 /2 01 0- 44 Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 3 2 Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste na norma de sanção qualquer limitação temporal para aplicação da penalidade, motivo pelo qual ela subsiste ainda que lançada após o término do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à ilegitimidade passiva da recorrente, iliquidez e incerteza do crédito constituído, decadência e quanto à validade das operações decorrentes das alterações societárias, nos termos do voto do Relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à não incidência, pela SELIC, e juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755 pela recorrente e o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. (Assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Adotando o relatório trazido pela decisão recorrida, destaco: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.002007 023641 e prorrogações (fls.03 a 06) a Fiscalização da Delegacia de Fiscalização DEFIS, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 311a 372): 2 A Companhia União dos Refinadores Açúcar e Café (Cia União), antiga denominação da Arrepar Participações, vendeu "Ativos e Direitos", inclusive as marcas União, Neve, Doçula, Cristalçucar, dentre outras de seu ativo permanente , à empresa Nova América, S. A. Alimentos CNPJ 62.092.739/000128 (Nova América), atual Nova América Agronegócios , sem apuração e o recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o ganho de capital auferido na venda. 3 O auditor fiscal detalha os valores tributados e passa a relatar a ocorrência cronológica da serie de operações que culminaram com a passagem do controle de ativos e marcas comerciais de propriedade da Cia União para a empresa Nova América, com ágio de R$ 74.832.153,21, que se traduz no ganho de capital tributado no presente procedimento fiscal. 3.1 Em 14/12/2004, a empresa Copersucar Cooperativa, (holding) faz reunião onde é autorizado o planejamento tributário a ser efetuado, sendo a Cia União a responsável pela execução geral. 3.2 Em 06/01/2005, é constituída a empresa Açúcar União S.A (AUSA) tendo como controladoras as empresas Cia União e a Adapse Participações S. A., CNPJ 07.054.698/000177, empresa criada em 2004 e controlada pela empresa Cia União e Refinaria Piedade S.A., CNPJ 33.067.034/000152. 3.3 Em 28/01/2005 a Cia União realiza reunião de diretoria, onde são transferidos para a empresa AUSA para aumento de capital social, bens e equipamentos e marcas da Cia União, da Refinaria Piedade S.A. e da Copersucar, totalizando em valor R$ 7.746.438,00. (Anexo I fls. 29 e 30). 3.4 Nessa mesma data é assinado Instrumento Particular de Compromisso de Subscrição de Ações e outras Avencas entre a Cia União e a Nova América (Anexo I, fls. 31a 80) onde e detalhada a operação a ser feita para a passagem das marcas e bens da Cia União para a empresa Nova América, através da utilização das empresas AUSA e Adapse. 3.5 Em 15/02/2005, aumento de capital na empresa Adapse, por conferência de 7.846.337 ações da AUSA, pelo valor contábil de R$ 7.846.337,00. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 5 4 3.6 Em 15/02//2005 laudo de avaliação da AUSA feito pelo banco Itaú S.A., com fundamento na expectativa de rentabilidade futura. 3.7 Em 01/02/2005 em reunião da Cia União, são tomadas as seguintes deliberações: a) aumento do capital da Adapse em R$ 82.200.000,00, subscrito integralmente pela Nova América S.A., em moeda nacional; b) cisão parcial da Adapse com conseqüente trans de parcela de patrimônio para a empresa Nova América onde, de um lado a Adapse fica o capital integralizado pela Nova América e, de outro, a Nova América passa a controle acionário da AUSA, de valor de R$ 7.367.846,73. 3.8 Em 02/03/2005, a Nova América toma as mesmas medidas efetuadas pela Cia União. 3.9 Em 02/03/2005, a empresa Adapse resultante da cisão detém o patrimônio de R$ 82.878.490,21 e a Nova América, com o controle da AUSA, passa a ser dona das marcas e bens controlados pela AUSA. 4 O auditor fiscal faz então um apanhado geral da elisão fiscal e dos atos simulados , expondo a teoria e a opinião de juristas. 5 Em seguida discorre sobre o ilícito fiscal cometido pela fiscalizada e detalha as operações que envolveram a criação de empresas efêmeras cujo único propósito de ocultar a aquisição de marcas e bens pela empresa Nova América, que gerou ganho de capital à fiscalizada, através da sua controlada e que não foi oferecido à tributação nem pela empresa Adapse, nem pela sua controladora CIA União, atual Arrepar. 6 O auditor fiscal detalha toda a operação novamente para demonstrar a dissimulação da venda de bens e marcas para companhia Nova América, escondida por uma serie de atos praticados em seqüência pela fiscalizada com fito único de evadirse da tributação de IRPJ e CSLL incidentes sobre o ganho de capital resultante da venda de bens e marcas. 7 O auditor fiscal cita a base legal, empregada para descaracterizar os atos praticados pela contribuinte com o fito de dissimular a ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL, no caso , o ganho de capital decorrente de venda de ativos. 8 Desse modo, em 14/05/2010, foram efetuados os seguintes lançamentos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 376 a 379): Total do crédito tributário, R$ 65.101.178,35, incluídos o tributo, multa de oficio, multa isolada e juros de mora, calculados até 30/04/2010. Fundamento legal: Embasamento legal:, arts. 3o , §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/1998, arts. 105, 116 e 149 do CTN, art. 51 da Lei n° 7.450/1985, arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 418 e 421 do RIR/99 e Parecer Normativo CST n°46/1987. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 382 a 384): Total do crédito tributário, R$ 20.066.614,01, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/04/2010. Fundamento legal: artigo 2o , e §§, da Lei n° 7.689/88, artigo I o da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 37 da Lein0 10.637/2002. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 6 5 Multa exigida isoladamente por falta de recolhimento de estimativa de CSLL (fls 387 a 389). Total do crédito : R$ 3.367.446,56. Fundamento Legal :Artigos. 222 e 843 do RIR/99, c/c com artigo. 44, § Io , inciso IV, da Lei n° 9.430/1996 alterado pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007c/c artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lein0 5.172/1966. 9 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 14/05/: próprio auto de infração (fls. 377 e 383), a contribuinte protocolizou em impugnação (fls. 399 a 451), relativa ao lançamento fiscal,apresentando suas razões apertada síntese, a seguir: 9.1 Faz breve relato dos fatos e da seqüência de operações, justificando os motivos que levaram a fiscalizada a praticar os atos descritos. 9.2 Alega que o agente fiscal relatou as operações sem questionar os motivos que levaram a impugnante a realizar tais operações o que, em sua opinião, demonstraria o propósito negocial no presente caso. 9.3 Descreve o planejamento estratégico utilizado que culminou com negociação ocorrida em 2004 e alienação ocorrida em 2005 do segmento de açúcar no varejo, com a alienação de diversos ativos e marcas que se encontravam sob a titularidade da empresa Açúcar UniãoS/A. Ilegitimidade das Partes 9.4 Alega ilegitimidade passiva da fiscalizada, argumentando que quem teria praticado os atos, objeto do lançamento fiscal, teria sido a empresa Adapse, controladora da empresa AUSA, e não a fiscalizada. 9.5 Alega que, desse modo, a contribuinte de fato e de direito seria a empresa Adapse Participações e cita o art. 418 do RIR/99 para embasar o que alega. 9.6 Alega que ilegitimidade passiva constituiria nulidade absoluta do lançamento, citando os arts. 245 e 267, inciso VI e § 3 o do Código de Processo Civil e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes para reforçar seus argumentos e requerendo o cancelamento do lançamento efetuado. Iliquidez e incerteza das Autuações Fiscais 9.7 Alega erro de apuração por parte do auditor fiscal que teria tributado o ganho de capital no valor de R$ 74.353.562,00 na fiscalizada, quando essa já havia declarado esse mesmo valor como resultado de equivalência patrimonial em 31/12/2005, decorrente do aumento de investimento referente à participação na empresa Adapse. 9.8 Alega que assim verificase a inconsistência na apuração de valores para a base de cálculo e da própria ocorrência do fato gerador que acabariam por macular o lançamento com vícios que comprometem sua liquidez e certeza. 9.9 Alega que ainda que se pudesse tributar o ganho de capital na figura da fiscalizada, o procedimento fiscal estaria incorreto pois deveriam ter sido recompostas as bases de cálculo desses tributos e não simplesmente calcular o IRPJ e a CSLL, diretamente sobre o resultado da equivalência patrimonial. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 7 6 9.10 Discorre sobre o que entende ser a liquidez e certeza do lançamento fiscal, citando autores tributaristas e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, para concluir que o lançamento deve ser cancelado também por esse motivo. Legalidade da Reestruturação Societária e efeitos tributários pretendidos 9.11 Alega ser importante ressaltar o contexto histórico e as motivações econômicas levaram, o Grupo Copersucar a realizar a operação de reestruturação societária objeto do questionamento. 9.12 Alega que, por decisão estratégica dos administradores do Grupo Copersucar, deliberouse pela alienação das participações societárias detidas pela empresa Adapse Participações na empresa AUSA. 9.13 Alega que a estrutura implementada e seus reflexos contábeis e tributários foram analisadas e comprovadas sob seu aspecto de segurança jurídica e licitude, e que foi evitada a adoção de quaisquer práticas negociais em descompasso com a legislação e jurisprudência administrativa e judicial vigentes à época em que a operação foi realizada. Para tanto, consultou uma das principais bancas de advogados da capital paulista, que lhe sugeriu a implementação de uma operação lícita com vistas a atingir o objetivo econômico pretendido, realizando a melhor eficiência tributária. 9.14 Esclarece que a alienação das participações societárias foi feita por meio da conhecida e bastante utilizada operação que consiste na aceitação de um novo acionista ao capital de uma sociedade holding, o qual, após integralizar sua participação societária com ágio, retirase da sociedade, remanescendo com as participações societárias objeto de alienação. 9.15 Afirma que os atos societários que o Fisco reputa simulados foram efetivamente praticados e as declarações neles contidas refletem as deliberações de vontade emanadas por cada parte, tanto que tais documentos foram registrados na Junta Comercial, que verificou o conteúdo e as formalidades aplicáveis, conferindoos verdadeiros e passíveis de oposição a terceiros. 9.16 Alega que não há qualquer indício ou comprovação de que os atos foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento do Fisco, de credores ou de terceiros de qualquer operação e tampouco a operação que teve como conseqüência a transferência de sua participação societária no capital social da empresa em comento. 9.17 Conclui que, por todo exposto, a fiscalizada teria agido de acordo com todos os dispositivos legais sob o aspecto formal e que existia à época decisões favoráveis proferidas pelo Órgão de Julgamento do Ministério da Fazenda a planejamentos tributários semelhantes ao analisado nos presentes autos. Inexistência de simulação 9.18 Alega que sua intenção ao realizar as operações sempre foi a de reestruturar adequadamente a companhia e que os atos societários realizados pela impugnante condisseram com a vontade de cada uma das partes envolvidas, e estariam à luz do ordenamento jurídico vigente à época das operações. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 8 7 9.19 Alega demonstrar a inexistência de simulação, argumentando que, além de as operações pactuadas entre as partes não aparentarem direito diverso daquele que foi realmente contratado, também não contêm declarações ou cláusulas não verdadeiras, e que, tampouco, foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros e muito menos o Fisco, não se subsumindo, portanto, às disposições do art. 167 do Código Civil. 9.20 Afirma que simulação ocorreria sempre que um ato apresentar vontade diferente daquela manifestada, o que não teria ocorrido na situação presente e que simulação não se presumiria e não se provaria por meio de indícios. 9.21 Alega que o que ocorreu foi um negócio jurídico indireto. No propósito de ressaltar a nítida segregação entre a realização de negócio jurídico indireto e a ocorrência de simulação, cita vários acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, para tentar demonstrar a tese da elisão fiscal, para alegar que as operações efetuadas foram todas lícitas e permitidas legalmente. Negócio jurídico indireto 9.22 Alega que praticou um negócio jurídico indireto, e não ato simulado. No propósito de ressaltar a nítida segregação entre a realização de negócio jurídico indireto e a ocorrência de simulação, transcreve ensinamento de Marco Aurélio Greco para demonstrar que, na reestruturação societária realizada, se encontram os três elementos caracterizadores do negócio jurídico indireto: (i) ocorrência de apenas um negócio jurídico; (ii) tratarse de negócio jurídico típico; e (iii) ausência de fraude à lei. Ocorrência de apenas um negocio jurídico 9.23 Alega que praticou apenas um negócio jurídico, qual seja a alienação da participação societária em comento por meio da referida reorganização da empresa. 9.24 Argumenta que a Administração Tributária não comprovou de forma cabal que a reestruturação societária realizada pelo grupo Copersucar não poderia ter sido realizada. 9.25 Alega que, no ordenamento jurídico vigente à época da operação não havia qualquer norma individual e concreta ou geral e abstrata que obstasse a realização do planejamento tributário levado a efeito. Negócio jurídico típico 9.26 Alega que cumpriu os requisitos para a realização de atos societários que geraram efeitos no mundo jurídico e estavam em conformidade com o conteúdo exigido pela Lei, caracterizando negócio jurídico típico. Ausência de fraude a lei 9.27 Alega mais uma vez a existência de qualquer norma que impedisse a fiscalizada de realizar as operações ora em análise e portanto não haveria o que se falar em ilegalidade e muito mesmo simulação de quaisquer atos societários realizados pela impugnante. Evolução da Interpretação de planejamentos tributários Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 9 8 9.28 Alega que tanto a doutrina como a jurisprudência, em especial a administrativa, evoluíram no sentido de que os planejamentos tributários devem sempre guardar determinado conteúdo econômico, e que a existência de substrato econômico na realização das operações passou a ser verdadeiro requisito de validade à realização dos atos e negócios jurídicos praticados pelos contribuintes com vistas a economizar tributos. 9.29 Adiciona que a verificação da brevidade não usual na prática de atos ou/negócios jurídicos passou a ser encarado pela doutrina e jurisprudência como verdadeira patologia planejamentos tributários. Diante desse panorama, conclui que o entendimento do que se tem por planejamento tributário ou elisão fiscal vem se modificando gradualmente, conforme se comprova pela análise das decisões que envolveram os últimos casos de planejamento tributário levados à verificação no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 9.30 Alega que, no anocalendário de 2004, quando se iniciaram os trabalhos para a realização da reestruturação societária aqui referida, o que se entendia como lícito em planejamentos tributários no âmbito do Conselho de Contribuintes era totalmente diverso do que se tem hoje, e que naquela época se consideravam lícitos os planejamentos em que os contribuintes conferiam a devida formalidade aos atos praticados; que as decisões estavam calcadas frente à observância do princípio da legalidade, sem a análise da simulação da vontade. Ressalta que foi nesse contexto que, juntamente com seus advogados, auditores e jurídico interno, entendeu por lícitas e plenamente em conformidade com o ordenamento jurídico vigente, as operações praticadas; 9.31 Alega que, diante do exposto, não haveria como se manter o entendimento de que os atos praticados pela impugnante teriam sido simulados, motivo pelo qual requer o cancelamento dos autos de infração lavrados. Multa agravada 9.32 Investe contra a imposição da multa de ofício qualificada, alegando que esta somente poderia ser lançada se demonstrada, por provas diretas, o evidente intuito doloso, conforme definido no art. 44, § I o da Lei n° 9.430/1996. 9.33 Alega que o dolo não pode ser presumido, precisa ser provado, e que, para que tivesse sido caracterizada a fraude, em que o dolo é elemento essencial, sua conduta deveria ter sido caracterizada pela manifesta intenção do agente de omitir dados, informações ou fatos que resultariam na diminuição ou retardamento do dever tributário. 9.34 Cita ainda doutrinadores e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes para reforçar o que alega. 9.35 Alega que quem age com fraude realiza sempre operações proibidas pela lei, adultera documentos, falsifica, se utiliza de pessoas inexistentes ou "laranjas", para então argumentar que todas as operações praticadas atenderam todos os requisitos legais e fiscais e portanto a multa agravada não pode ser mantida. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 10 9 9.36 Em seguida, em dois tópicos distintos, discorre longamente sobre a inexistência de fraude em seus atos, alegando ao final tratarse de no máximo erro de interpretação acerca da ilicitude das operações societárias por ela praticados, o que afastaria por conseqüência, o dolo e a máfé que seriam requisitos necessários à configuração de simulação. Multa isolada 9.37 Alega, em dois tópicos distintos, que a exigência da multa de ofício lançada isoladamente não pode ser aplicada. 9.38 Alega ser ilegal sua exigência cumulada com a multa de ofício relativa a tributo lançado. Exterioriza o entendimento de que a multa isolada só pode ser exigida caso se verifique a falta ou insuficiência de recolhimentos de estimativas antes do término do anobase. Após o encerramento deste, somente seria cabível a multa de ofício proporcional aos tributos não recolhidos. Juros sobre a multa 9.39 — Investe contra a cobrança dos juros moratórios sobre o valor da multa aplicada e discorre longamente a respeito para requerer o cancelamento da exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada no presente auto de infração. Pedido 9.40 Por fim requer a improcedência total do auto de infração, protestando pela apresentação de todos os meios de prova em direito admitidas para provar o alegado. Acrescenta ainda que caso não seja esse o entendimento, requer a exoneração da multa agravada , da multa isolada e a exclusão dos juros moratórios incidentes sobre a multa de oficio. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta autoridade de primeira instância, analisando os argumentos apresentados, conclui pela improcedência da impugnação, em acórdão assim então ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A R E N D A DE PESSOA JURÍDICA I R P J Data do fato gerador: 31/12/2005 VENDA DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL É devido o tributo por ganho de capital em operações de vendas efetuadas através de sociedade que existe apenas para servir de veiculo entre a entrega de ações por parte da empresa vendedora e o pagamento efetuado pela empresa compradora. Operação descaracterizada gera apuração de ganho de capital com tributação de Imposto de renda. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS Não são válidos por si mesmos os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto", devendo Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 11 10 sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; devem ser desconsiderados se constatada, à luz dessa teoria, a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SIMULAÇÃO. O dolo é intrínseco à conduta das partes que contratam a alienação de determinada coisa por inteiro (controle acionário da sociedade X) com a finalidade de evitar o recolhimento de tributo devido, se obrigam a formalizar um conjunto de operações destinadas a simular que o preço foi pago por uma pequena participação no capital de outra empresa veiculo para a qual a coisa alienada foi transferida. Tal conduta evidencia intenção inequívoca de fraudar o credor (Fisco) e enseja a imposição da multa de ofício qualificada. DECORRÊNCIA. Versando ambos sobre a mesma ocorrência fática, aplicase ao lançamento reflexo (CSLL), no que couber, o que restar decidido para o lançamento matriz (IRPJ). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão apontada em 25/05/2011, é então interposto, em 20/06/2011, o competente recurso voluntário, destacando, em suas razões, os seguintes argumentos: A impossibilidade de interpretação isolada dos atos praticados, devendo ser interpretados todo o conjunto de operações societárias praticadas, na história da atividade desenvolvida pelo Grupo Copersucar. A ilegitimidade passiva da recorrente, tendo em vista que os lançamentos foram efetivados tomando por base a operação de alienação das participações acionárias mantidas pela empresa ADAPSE e não aquelas a ela diretamente relacionados. Iliquidez e incerteza das autuações efetivadas, tendo em vista que os montantes apontados como sendo de suposto ganho de capital não tributado, na verdade, corresponderiam ao resultado da operação de equivalência patrimonial e não ao suposto ganho de capital experimentado pela empresa ADEPSE. A ocorrência de decadência sobre os fatos tributários apontados. A impossibilidade de sucessão da multa de ofício. No mérito, a existência de propósito negocial para as operações apontadas; a inexistência de simulação nas operações aventadas; a existência de negócio jurídico indireto; A ausência de fraude à lei. Em seguida, apresenta estudo a respeito da evolução do estudo do planejamento tributário no Brasil; A inaplicabilidade da multa agravada; Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 12 11 O regular registro de todos os atos praticados nas respectivas repartições de controle; A título argumentativo, destaca ainda a recorrente que, mantendose o entendimento da corte de primeira instância, cumpre ressaltar a completa impossibilidade de caracterização de dolo nas operações apontadas, havendo, quando muito, apenas e tão somente um suposto erro na interpretação da legislação aplicável, o que, acredita, afastaria a possibilidade de aplicação da penalidade agravada. Além dessas considerações, destaca ainda a recorrente a impossibilidade de cobrança de multa isolada em decorrência da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa, em razão i) do encerramento do anobase quando da lavratura do auto de infração; ii) a impossibilidade de cumulação entre a multa isolada e a multa de ofício; iii) a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Em contrarazões, aponta a FAZENDA NACIONAL, por sua procuradoria, a impossibilidade de admissão do recurso interposto, destacando a caracterização de efetiva operação Casa/Separa – Empresa Veículo – Ausência de propósito negocial nas alterações societárias apontadas, destacando, inclusive, a esse respeito, o entendimento do CARF em relação a operações análogas à presente, onde a pretensão das partes é, única e exclusivamente, elidir a incidência da tributação sobre o inequívoco ganho de capital experimentado. É o relatório. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 13 12 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sento tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A questão central discutida nos autos referese, especificamente, à análise a respeito da validade do planejamento tributário implementado na composição societária do grupo de que participa a recorrente, destacando, nesse caso, a configuração (ou não) de simulação para o afastamento da obrigatoriedade de apuração do ganho de capital decorrente das alienações efetivadas. Passo então à análise dos elementos do recurso: Do apontamento sobre a ilegitimidade passiva da recorrente A primeira e relevante questão trazida pela recorrente referese, especificamente, à ausência de legitimidade da empresa autuada (ARREPAR PARTICIPAÇÕES S/A atual denominação de Companhia União dos Refinadores) em relação ao apontado inadimplemento do crédito tributário de que tratam os autos. O argumento apresentado pela recorrente decorre do fato de que os apontados e supostos ganhos de capital experimentados, e não levados à tributação, teriam sido relativos á alienação de ativos da empresa ADAPSE PARTICIPAÇÕES S/A, sendo assim então inválida a imposição a ela de qualquer responsabilidade pelos supostos tributos inadimplidos na espécie. A discussão em torno da legitimidade, no presente caso, guarda sim, de fato, estreita relação com o mérito da demanda, uma vez que, conforme se verifica nos termos da decisão recorrida, tratandose a empresa ADAPSE de mera empresa veículo (EMPRESA DE PAPEL), à época da lavratura do auto de infração, esta já havia sido integralmente incorporada pela contribuinte, que, então, assumira a responsabilidade pelas obrigações fiscais a ela então relacionadas. A teor do que expressamente apontam as disposições do art. 132 do CTN a empresa incorporadora é sim, de fato e de direito, responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos, não se havendo falar, assim, em qualquer possibilidade de configuração da apontada nulidade. Da apontada iliquidez e incerteza do crédito constituído A recorrente aponta a iliquidez e incerteza dos créditos constantes do lançamento efetivado, tendo em vista a suposta divergência entre os valores ali considerados. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 14 13 A respeito desse ponto, especificamente, destaco o apontamento contido na decisão recorrida, que, sobre o assunto, afasta quaisquer dúvidas eventualmente existentes a respeito da apresentação dos valores respectivos: 25 O ganho de capital como a própria contribuinte alega ocorreu na empresa Adapse, empresa de papel que foi incorporada pela fiscalizada em 2008 e que, portanto, já não existia quando foi feito o lançamento fiscal em 2010. 26 Esse lançamento de IRPJ e CSLL incidente sobre ganho de capital na empresa Adapse, não se confunde com o resultado da equivalência patrimonial já declarado na empresa Arrepar, mas o Fisco Federal tributa a Arrepar, incorporadora da empresa Adapse, os tributos que deixaram de ser recolhidos pela incorporada. 27 Assim, na prática, a empresa Arrepar ofereceu o resultado positivo da equivalência patrimonial em investimento em controladas, no valor de R$ 74.832.145,73 e sobre a tributação de IRPJ e CSLL sobre ganho de capital, no valor de R$ 74.353.562,00 por alienação de bens na controlada incorporada, não havendo qualquer incerteza ou iliquidez do crédito tributário apurado. Diante dessas considerações, entendo não haver qualquer possibilidade de configuração da apontada iliquidez e incerteza, estando, assim, perfeitamente destacados os respectivos valores apontados. Da alegada decadência Especificamente no que se refere à alegação de decadência do lançamento contido no recurso voluntário apreciado, importante de faz o destaque de que a pretensão da recorrente ao argüir a aplicação das disposições do mencionado Art. 150, par. 4o do CTN, importam em pretender consideração a contagem do referido prazo decadencial a partir da ocorrência da operação societária apontada, o que, a partir das datas apontadas, teria então sofrido a incidência da decadência, restando impossibilitado o lançamento efetuado. Ocorre que, conforme se verifica, no mérito do lançamento se destaca a verificação da ocorrência de simulação, o que, a partir do que expressamente destacam as próprias disposições do alegado Art. 150, par. 4o do CTN, afastam a aplicação da contagem de prazo ali apontado, atraindo, a partir do amplo e pacífico entendimento doutrinário e jurisprudencial, a aplicação das disposições do Art. 173, I daquele mesmo diploma. Diante dessas razões, entendo não configurada a decadência ventilada. Da análise a respeito das alterações societárias apontadas A par de tudo o que dos autos consta, insta destacar que, tratando a matéria aqui apresentada relativa à discussão em torno da validade das alienações societárias destacadas, é importante salientar que, em que pese todo o esforço argumentativo apresentado pela recorrente, a adequada análise dos fatos apontados não subsume as conclusões pretendidas no recurso analisado. No mérito do recurso interposto, essencial se verifica a análise a respeito da validade das alterações societárias apontadas, sendo certo e inequívoco nos autos de que a Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 15 14 participação da empresa ADAPSE PARTICIPAÇÕES teria como objetivo único e exclusivo, a atuação como efetiva empresa veículo, possibilitando, assim, a economia tributária aventada. Nesses termos, irretocáveis, entendo, são as razões trazidas pela decisão de origem, que, sobre o assunto, assim, inclusive, especificamente destaca: 150 Em tópicos específicos (fls. 429 a 432), a autuada sustenta que ocorreu apenas um negócio jurídico, que se trata de negócio jurídico típico e argúi a ausência de fraude à lei. 151 A abordagem é extremamente oportuna. Ressaltese, aliás, que tanto a contribuinte quanto o Fisco concordam quanto a esse aspecto: ocorreu apenas um negócio jurídico, posto que apenas uma vez as partes, dispondo da mais ampla liberdade para negociar ou deixar de fazêlo , deliberaram e ajustaram o negócio jurídico pelo qual mutuamente se transferiram direitos. 152 Ao enfatizar a ocorrência de apenas um negócio jurídico, a impugnante está reconhecendo que um ato apenas alterou a realidade fenomênica, surtiu efeitos jurídicos entre as partes e, por conseqüência, deve prevalecer também em face do Fisco. A impugnante está, de forma indireta, repudiando a idéia de que, em um mesmo negócio jurídico, uma versão possa prevalecer entre as partes, de forma a obrigálos de forma irretratável e irreversível, c uma outra versão, fantasiosa, possa prevalecer para fins fiscais. Repitase, a impugnante está diretamente afirmando que ocorreu "um único" negócio jurídico que lhe propiciou o ganho de capital, e, implicitamente, reconhecendo que somente esse negócio jurídico deve prevalecer para todos os fins, inclusive os fiscais. 153 Voltando o foco para o lançamento aqui apreciado, constatase que os membros do Grupo Copersucar, considerados em sua totalidade, até um determinado momento eram proprietários de um conjunto marcas comerciais e bens que figuravam em seu patrimônio pelo montante de R$ 7.846.337,00. Em um momento subseqüente, aquele conjunto bens deixou de lhes pertencer. Em compensação, tornaramse proprietários de R$ 74.832.145,73. 154 Ocorreu, portanto, um incremento em seu patrimônio no exato importe de R$ 74.832.145,73. A existência do ganho e de apenas um ganho é, portanto, um fato incontroverso. O único ponto suscetível de controvérsia reside na qualificação que, de um o Fisco, e de outro lado os impugnantes, atribuem a esse ganho. Essa qualificação é porque o Fisco entende que esse ganho é resultado de uma espécie de negócio jurídico enquanto os impugnantes afirmam que é resultado de espécie distinta. 155 Para o Fisco, tratase de simples ganho de capital na alienação do lote de ações da AUSA, sujeito a tributação. Para os impugnantes, entretanto, o ganho ocorreu no momento em que o patrimônio líquido da empresa controlada Adapse foi majorado pela subscrição e integralização de ações com ágio, de sorte que, ao avaliar seu investimento pelo método da equivalência patrimonial, auferiu o ganho que, à luz da legislação, não é tributável. 156 Existem, portanto, duas versões para o mesmo negócio. A primeira versão consiste no contrato de compromisso de fls 31 a 81. A segunda versão consiste nos instrumentos de alterações promovidas na empresa Adapse. Por conseqüência, o deslinde da questão Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 16 15 posta nestes autos tramita, necessariamente, pelo identificação de qual dessas versões tem o condão de refletir, de forma idônea, o verdadeiro e único negócio que propiciou o auferimento de ganho de capital para o Grupo Copersucar, através da Arrepar. 157 Tendo em vista que a regra geral é a incidência tributária sobre os ganhos de capital, tese defendida pelo Fisco, o que deve ser questionado é se ocorreu ou não a hipótese excepcional que livraria o ganho da incidência tributária, tese defendida pelos impugnantes. Essa tese está fulcrada na assertiva de que ocorreu emissão de ações com ágio. 158 Na versão que o Grupo Copersucar atribui aos fatos, seu ganho provém de valorização do patrimônio líquido de empresa controlada. Em um momento, ele era proprietário de 100% das ações de uma empresa, Adapse, cujo único bem era o lote de ações que asseguravam o controle acionário da empresa AUSA (detentora das marcas comerciais e bens relativos a produção de açúcar em varejo), que para ela havia sido transferido recentemente. Em outras palavras, a Adapse e a AUSA eram a mesma coisa. 159 No momento seguinte, teria ocorrido o fato que lhe propiciou o ganho. Tratase da emissão, pela Adapse, de ações com ágio que foram subscritas por Nova América. 160 Como se vê, o ganho do Grupo Copersucar, através da Arrepar, teria ocorrido porque a nova sócia Nova América teria consentido em entregar a vultosa importância de R$ 82.200.000,00, em troca de uma participação de menos de 10% do capital da Adapse. Esse, portanto, é o ágio que teria sido pago pela Nova América. 161 Em números, temse que, no momento anterior, o Grupo Copersucar era proprietário de 100% (cem por cento) do patrimônio líquido da Adapse (AUSA). Como esse patrimônio líquido correspondia a R$ 7.846.337,00, esse era o valor de sua riqueza, para os fins aqui considerados. No momento seguinte, com a subscrição de ações pela Nova América, e o ingresso de novos recursos na Adapse, teriam ocorrido dois fenômenos distintos: 1) o patrimônio líquido da Adapse teria sido aumentado de R$ R$ 7.846.337,00 para R$ 90.046.337,00; e 2) agora a participação do Grupo OESP fora reduzida, cm termos percentuais, para pouco mais de 90% mas fora majorada, em sua expressão monetária, para aproximadamente 82.800,000,00. 162 O instrumento particular de compromisso (fls 31 a 81 do Anexo I) é inequívoco: as partes negociaram a transferência do controle acionário da AUSA para qual haviam sido transferidos os bens e as marcas que a Nova América tinha interesse e, na pretensão de regular a transferência do controle acionário da AUSA pelo Grupo Copersucar , acordaram celebrar um compromisso cujo objeto era a aquisição, pela Nova América, do controle acionar Ad AUSA. Esse, portanto, é o único negócio jurídico verdadeiro, resultante do concerto de vontades de Nova América e do Grupo Copersucar, através das empresas Arrepar e Adapse, e pelo qual foi pago o preço de 82.878.490,21. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 17 16 163 Tendo as partes destacado literalmente que o instrumento de compromisso é o único documento que constitui o acordo integral entre elas, e que reflete fielmente todas as negociações anteriormente feitas e as suas intenções quanto às referidas negociações, e que somente o compromisso regeria o seu relacionamento, é de se entender que nenhum outro documento, nenhuma outra versão pode refletir, de forma idônea, o verdadeiro negócio jurídico pactuado. 164 Sendo assim, houve realmente a ocorrência de um negocio jurídico: a venda do controle acionário da AUSA para a empresa Nova América, pelo grupo Copersucar. 165 Quanto à alegação de que ocorreu um negócio jurídico típico, desmerece maiores comentários. Com efeito, está plenamente documentado que o negócio jurídico efetivamente realizado entre as partes, ou seja, a alienação que ensejou o pagamento do preço de mais de 82 milhões de reais, teve por objeto o lote de ações que asseguram o controle acionário da AUSA. Nenhuma dúvida existe a esse respeito. 166 E já que um negocio jurídico típico, segundo a fiscalizada, deve representar a vontade das partes, qual teria sido a vontade da empresa Nova América em integralizar o capital de uma empresa (Adapse) para no mesmo dia sair dessa mesma empresa ? Que outro propósito poderia ter a não ser participar de uma venda dissimulada, cuidadosamente orquestrada pelos advogados do grupo Copersucar? E que propósito seria esse: A resposta e óbvia, evadir o recolhimento de tributos devidos pela alienação com ágio de ativos. 167 Dessa forma desconsiderase a alegação de negócio típico, lembrando ainda à douta impugnante que o fato de todos os atos estarem registrados na Junta Comercial, não os elide de serem passíveis de desconsideração pelo Fisco Federal sempre que, como ocorre no presente caso, demonstrase que toda a seqüência de atos societários praticados pela contribuinte visou unicamente encobrir a venda do controle acionário da empresa AUSA para a empresa Nova América e, nesse caso não se pode falar em negócio jurídico típico que, além disso, não teve qualquer propósito negociai, pois nenhuma empresa entraria de sócia em uma empresa para no mesmo dia sair, ato que a fiscalizada tem a candura de achar perfeitamente normal e típico. Com esses fundamentos, portanto, forçosa se faz, na espécie, a verificação de invalidade do negócio empreendido, tendo em vista que, inequivocamente, a utilização da empresa ADAPSE teria sido efetivamente materializada com o único e exclusivo intento de garantir a “economia” do tributo devido, o que, há tempos, é já apontado como elemento suficiente para a invalidação dos acertos apontados, importando, assim, na caracterização de simulação e, por conseqüência, na impossibilidade de admissão dos argumentos apresentados. Diante dessas razões, entendo como devidamente apontada e comprovada a invalidade das operações realizadas, sendo, assim, inafastável o argumento sobre a invalidade das operações, devendo, destarte, ser mantida a decisão em relação aos fundamentos apontados e às conclusões atingidas. Das multas qualificada e isolada No que tange ao agravamento da multa, tomandose como base os elementos utilizados para a descaracterização das operações efetivadas com supedâneo na inafastável verificação de simulação nas operações adotadas pelas empresas apontadas, forçosa se faz a Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 18 17 conclusão pela regularidade da aplicação da multa qualificada, nos termos ali, inclusive, especificamente apontados. Quanto ao apontamento da exigência da multa isolada, relevante se faz o destaque às expressas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, quando destaca: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2° que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; ". A multa isolada imposta, conforme se verifica, decorre da falta de pagamento das estimativas respectivas, o que, a teor do que aponta a recorrente, bem como na linha hoje assentada por este Conselho, somente se verifica devido em relação a lançamento efetivado ainda no andamento do anocalendário, sendo certo e inolvidável no presente caso que, tendo sido o lançamento efetivado após o encerramento do anocalendário, efetivamente indevida se apresenta a imputação da referida penalidade. Em face dessas considerações, entendendo indevido o lançamento relativo á apontada multa isolada por não pagamento de estimativas após o encerramento do respectivo anocalendário, devendo, assim, ser efetivamente reformada a decisão nesse ponto. Tendo em vista o afastamento da apontada multa isolada na presente vertente, entendo superada, assim, a questão relativa á apontada impossibilidade de cumulação de ambas as penalidades. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 19 18 Dos juros sobre a multa De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei nº 1.736/79, dispôs sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, destacando: Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. De acordo com o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (ou seja, débitos de natureza tributária), cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° (Selic), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em face dessas considerações, entendo, no caso, pela perfeita validade da incidência dos juros SELIC sobre as multas aplicadas, nos termos e condições estabelecidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Conclusão Diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, apenas no sentido de afastar a aplicação da multa isolada apontada, mantendo, assim, em tudo o mais, os termos da r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 20 19 Voto Vencedor Não obstantes as valiosas considerações do Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado divergiu do entendimento acerca da incidência da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas. A irresignação da Recorrente repousou, fundamentalmente, nos argumentos de que a exigência da multa isolada concomitante com a multa proporcional de ofício é vedada e que tal sanção só pode ser aplicada se for exigida antes do término do períodobase. A Turma Julgadora, entretanto, filiouse ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição social sobre o ganho de capital apurado; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes bases de cálculo. Predominou, no julgamento, o entendimento de que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Acresceuse, ainda, que o simples fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destacouse, também, que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Nessa linha, tomouse por exemplo a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse ausência de tributação sobre determinado ganho de capital e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que o mesmo ganho de capital, antes não tributado, também não foi considerado nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Não mereceu guarida, também, o argumento de que a sanção combatida só pode ser aplicada se tivesse sido exigida antes do término do períodobase, eis que inexiste na norma tributária penal qualquer alusão a esse fato. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 1301001.113 S1C3T1 Fl. 21 20 Mantida, assim, as multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento das estimativas devidas. (Assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Redator Designado Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10875.905248/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 48 /2 00 9- 70 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 55): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905248/200970 Acórdão n.º 3802001.336 S3TE02 Fl. 104 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7490, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 67) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.72 e 74). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 63). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 30). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905248/200970 Acórdão n.º 3802001.336 S3TE02 Fl. 105 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 76). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905248/200970 Acórdão n.º 3802001.336 S3TE02 Fl. 106 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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