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4956290 #
Numero do processo: 13971.912275/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO

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HEIDRICH S/A CARTÕES RECICLADOS ­ HCR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO.  Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização  ou  a  destinação  de  qualquer  valor  a  título  de  incentivo  fiscal,  bem  assim  a  apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.    (Assinado digitalmente)  Walber José da Silva ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  José Antonio Francisco ­ Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Walber  José da Silva,  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  José  Evande  Carvalho  Araújo,  Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.     Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912275/2009­07  Acórdão n.º 3302­01.596  S3­C3T2  Fl. 168          2 Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 136 a 141) apresentado em 22 de junho de  2011 contra o Acórdão no 14­33.327, de 13 de abril de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls.  131  a  134),  cientificado  em  31  de  maio  de  2011,  que,  relativamente  a  declaração  de  compensação  de  IPI  dos  períodos  de  4º  trimestre  de  2004,  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  Interessada,  nos  termos  de  sua  ementa,  a  seguir  reproduzida:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  IPI.  CRÉDITOS.  FORNECEDORES  OPTANTES  PELO  SIMPLES.  A  legislação  em  vigor  não  permite  o  creditamento  do  IPI  calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento  optantes pelo SIMPLES.  O pedido  foi  apresentado em 17 de  julho de 2006 e  inicialmente apreciado  pelo despacho decisório eletrônico de fl. 83.  A Primeira Instância assim resumiu o litígio:  Trata  o  presente  de  manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho  Decisório  que  parcialmente  homologou  as  compensações  declaradas,  em  razão  da  glosa  de  fornecedores  optantes pelo SIMPLES.  Alega  a  interessada  que,  nos  termos  do  artigo  142  do CTN,  o  Despacho deve ser anulado por falta de motivação do ato, sendo  que não há qualquer dispositivo legal que vede o aproveitamento  dos créditos em questão, conforme o princípio constitucional da  não­cumulatividade  a  Constituição,  ademais  os  fornecedores  não seriam optantes, conforme extrato do SIMPLES NACIONAL.  Conforme ementa reproduzida, a DRJ indeferiu a manifestação.  No recurso, a  Interessada alegou que, a  fundamentação  legal, não  teria sido  citado dispositivo algum que vedasse a utilização dos créditos.  Ademais,  a Constituição  federal  não  teria  criado  restrição  alguma quanto  à  não cumulatividade do IPI.  Finalmente,  alegou  que  não  caberia  ao  contribuinte  verificar  a  forma  de  tributação das empresas fornecedoras.  É o relatório.  Voto             Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912275/2009­07  Acórdão n.º 3302­01.596  S3­C3T2  Fl. 169          3 Conselheiro José Antonio Francisco, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  satisfaz  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele devendo­se tomar conhecimento.  O despacho decisório especificou que houve glosa de créditos considerados  indevidos e, conforme ressaltado pela Primeira Instância, no detalhamento da glosa (do que foi  dado ciência à Interessada), ficou esclarecido que “os créditos glosados advinham de empresas  optantes pelo Simples Federal”.  Em  relação  às  notas  fiscais  do  estabelecimento  optante  pelo  Simples,  considerou a Primeira Instância que o estabelecimento estaria impedido de transferir créditos,  razão  pela  qual  não  tinha  o  dever  de  confrontar  os  créditos  com  os  débitos  e  efetuar  o  recolhimento do saldo.  Muito  embora  o  estabelecimento  fornecedor  tenha  incorrido  em  irregularidade grave ao emitir nota fiscal que não poderia emitir e, ainda, destacar o IPI devido  na saída como se não fosse optante pelo Simples, cabe razão à Primeira Instância ao fazer as  seguintes considerações:  Pela  leitura  do  texto  legal  acima  citado,  depreende­se  que,  ao  optar  pelo  Simples,  a  contribuinte  fica  sujeita  à  forma  diferenciada  de  tributação,  inclusive  quanto  ao  IPI,  sendo  lhe  vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de  incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de  créditos  ao  IPI.  A  LC  nº  123/2006  revogou  a  Lei  nº  9.317/96,  porém  manteve  a  vedação  ao  crédito  na  aquisição  de  fornecedores optantes pelo SIMPLES no artigo 23:  “Art.23.  As  microempresas  e  as  empresas  de  pequeno  porte  optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem  transferirão  créditos  relativos  a  impostos  ou  contribuições  abrangidos pelo Simples Nacional.”  Relativamente  ao  argumento  de  boa  fé,  cabe  ponderar  que  na  situação  em  comento,  refere­se  a  uma  relação  negocial  envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos  e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exige­ se  um  dever  mínimo  de  cautela  entre  as  partes  envolvidas,  ou  seja  o  dever  acautelatório  necessário  às  boas  práticas  comerciais.   No  caso,  uma  empresa  optante  do  SIMPLES  emite  um  documento com destaque do IPI, como se fosse um contribuinte  ordinário,  o  que  resulta  que  esse  fornecedor  ao  emitir  um  documento  inválido  lesou  o  adquirente  que  não  tomou  as  cautelas necessárias.  Admitir  que  um  documento  inidôneo  confere  direito  ao  crédito  do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é  devido,  pois,  inerente  ao  risco  da  atividade  mercantilista,  ou  mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a  pessoa  lesada busque  no Poder  Judiciário  o  ressarcimento  das  perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912275/2009­07  Acórdão n.º 3302­01.596  S3­C3T2  Fl. 170          4 Por  outro  lado,  se  o  fornecedor  não  agiu  de  má  fé,  como  é  optante do SIMPLES e não devia destacar e pagar o IPI, trata­se  de  recolhimento  indevido,  o  que  não  se  enquadra  como  ressarcimento  ao  adquirente,  mas,  sim,  como  restituição  ao  vendedor nos termos dos artigos 165 e 166 do CTN.  Quanto à consulta ao SIMPLES NACIONAL juntada pela defesa,  verifico  nos  sistemas  da  Receita  Federal  do  Brasil  que,  por  ocasião  da  emissão  das  indigitadas  notas  fiscais,  os  fornecedores  eram  optantes  do  SIMPLES  FEDERAL,  o  que,  como já visto, não permite nenhum aproveitamento dos supostos  créditos.  À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  José Antonio Francisco                              Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA

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5007664 #
Numero do processo: 10980.724198/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral divergiram, por entender que a multa aplicada deve ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 184          1 183  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.724198/2009­24  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­002.516  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de junho de 2013  Matéria  Contribuições de Terceiros  Recorrente  TRANSPORTADORA CANCELA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Súmula  CARF  n°  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.  VEDAÇÃO.  Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, e  art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).   MULTA DE OFÍCIO. ART. 35­A DA LEI Nº 8.212/91.  As  multas  previstas  anteriormente  no  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91  ostentavam  natureza mista,  punindo  a mora  e  a  necessidade  de  atuação  de  ofício do aparato estatal  (multa de ofício), de  sorte que aqueles percentuais  devem ser  comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35­A da  Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c  do  CTN).  Para  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  alteração  legislativa,  aplicam­se  as  multas  então  estipuladas  no  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91,  observado o limite máximo de 75%.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 41 98 /2 00 9- 24 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso,  nos  termos do  relatório  e voto que  integram o presente  julgado. A multa  deve  ser  calculada  considerando  as  disposições  do  art.  35  da  Lei  nº.  8.212  de  1991  para  o  período anterior  à  entrada  em vigor da Medida Provisória nº.  449 de 2008. Os Conselheiros  Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral divergiram, por entender que a  multa aplicada deve ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais  ao  percentual  de  20%  até  novembro/2008,  fixando  o  percentual  de  75%  nas  demais  competências.  A  Conselheira  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz  apresentará  Declaração  de  Voto.    (assinado digitalmente)  LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta        (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente  Substituta  de  Turma),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Juliana  Campos  de  Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.   Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/2009­24  Acórdão n.º 2302­002.516  S2­C3T2  Fl. 185          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal  realizado  em  17/12/2009  para  constituição  de  crédito de contribuições destinadas às entidades e fundos denominados Terceiros, referentes às  competências 01/2005 a 12/2007, incluindo décimos terceiros salários do período. O valor do  crédito tributário é de R$ 72.998,75, já incluídos os juros e a multa de mora.  Conforme Relatório Fiscal de fls. 31/35, os fatos geradores das contribuições  apuradas  no  Auto  de  Infração  foram  as  remunerações  pagas,  pelos  serviços  prestados,  aos  segurados  empregados  e  que  não  foram  declaradas  em  GFIP,  sendo  que  os  valores  foram  apurados  pelo  cotejamento  das  folhas  de  pagamento  com  as  GFIP´s  entregues.  Outrossim,  informa  a  autoridade  fiscal  no  aludido  documento  que,  em  razão  da  conduta  da  empresa,  encaminhou­se ao Ministério Público Federal representação fiscal para a apuração de eventual  responsabilidade  penal  dos  envolvidos.  Por  fim,  relata  que  outros  Autos  de  Infração  foram  lavrados em razão da apuração do descumprimento de outras obrigações principais e também  de algumas obrigações acessórias.  Cientificada  do  Auto  de  Infração,  a  recorrente  apresentou  defesa  a  impugnação de fls. 117/125.   A  DRJ  Curitiba,  conforme  acórdão  de  fls.  146/153,  por  unanimidade  de  votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.  Intimada do acórdão em 1 de outubro de 2010 (fls. 155), interpôs, em 21 de  outubro de 2010, o recurso de fls. 157/166, no qual alega e requer, em apertada síntese, que:  *  o  seu  inconformismo  prende­se,  tão­somente,  em  relação  aos  acréscimos  legais  (juros e multa) aplicados sobre o valor original do débito, os quais  teriam sido fixados  em valores exorbitantes, tornando quase impossível o cumprimento da obrigação tributária;  *  a  utilização  da  Taxa  Selic  ofenderia  a  Constituição  Federal  e  o  Código  Tributário  Nacional.  Assim,  pleiteia  a  aplicação  de  taxa  correspondente  a  1%  ao  mês  na  atualização de seus débitos;  * a multa de 50% seria confiscatória, devendo ser reduzida para 30%.  É o relatório.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     4 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi    Multas e  juros. A recorrente afirma que o seu  inconformismo cinge­se aos  acréscimos legais, requerendo a aplicação de juros de mora correspondentes a 1% ao mês e de  multa de 30%.   Razão  não  assiste  à  recorrente,  pois  a  multa  de  mora  e  os  juros  de  mora  aplicados tem previsão legal na Lei n° 8.212/91, não havendo outro fundamento legal para sua  fixação em percentual diferente daquele constante do lançamento.   Quanto às alegações de inconstitucionalidade dos referidos acréscimos legais,  especialmente  o  efeito  confiscatório  da multa  e  a  inexigibilidade  da Taxa Selic,  tem­se que,  sendo  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  órgão  do  Poder  Executivo,  não  lhe  compete  apreciar  a  conformidade  de  lei  validamente  editada  segundo  o  processo  legislativo  constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto  de declarar­lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratar­se de matéria reservada,  por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário.   Ademais,  o  Decreto  nº  70.235/72,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26­A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento  de  inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos  tenham  sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.  Tal  disposição  é  repetida  em  termos  semelhantes  no  art  62  do  Regimento  Interno  deste  Colegiado, Portaria MF nº 256/2009.   Outro  fundamento  para  a  impossibilidade  de  deferimento  dos  pleitos  da  recorrente  é  que  a  Súmula  CARF  n°  2  estabelece  que  o  “CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de  lei  tributária”,  sendo que o  artigo 72 da Portaria  MF  nº  256/2009  tornou  obrigatória  a  observância  por  parte  dos  membros  do  CARF  das  súmulas do colegiado.  Especificamente  quanto  à  aplicação  da  Taxa  Selic  como  juros  moratórios  tem­se ainda a Súmula CARF n° 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento,  por  esta  instância recursal, dos pleitos da recorrente.    Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/2009­24  Acórdão n.º 2302­002.516  S2­C3T2  Fl. 186          5 Multas.  Direito  Intertemporal.  Em  que  pese  o  desacerto  das  razões  recursais,  impõe­se  a  esta  instância  julgadora  analisar  questão  de  ordem  pública,  referente  à  retroatividade benigna da multa aplicada.   O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha  a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício:  Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos: (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída  em  notificação  fiscal  de  lançamento:    a)  quatro  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação;    b)  sete  por  cento,  no  mês  seguinte;    c)  dez  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento  da  obrigação;    a)  oito  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº  9.876,  de  1999).   c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).   II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:   a)  doze  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação;    b)  quinze  por  cento,  após  o  15º  dia  do  recebimento  da  notificação;    c)  vinte  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social  ­  CRPS;   d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  enquanto  não  inscrito  em  Dívida  Ativa;    a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da  notificação; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social  ­  CRPS; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº  9.876,  de  1999).   III  ­  para  pagamento  do  crédito  inscrito  em  Dívida  Ativa:    a)  trinta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;   Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     6  b)  trinta  e  cinco  por  cento,  se  houve  parcelamento;    c)  quarenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;    d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi  objeto  de  parcelamento.    a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   d) cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).   §  1º Na hipótese  de  parcelamento  ou  reparcelamento,  incidirá  um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se  refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória  nº  449,  de  2008)(Revogado  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)   §  2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº  449,  de  2008)  (Revogado  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)   §  3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §  1º  deste  artigo.(Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008) (Revogado  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)   § 4o Na hipótese de as contribuições  terem sido declaradas no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta  por  cento. (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado  pela Lei nº 11.941, de 2009)  (destaques nossos)    Verifica­se  dos  trechos  destacados  que  a  multa  prevista  anteriormente  no  artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações,  inclusive no  lançamento de  ofício  (“créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento”)  e  com  percentuais  que  avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou  procedimental  (lançamento,  inscrição  em  dívida  ativa,  ajuizamento  da  execução  fiscal,  etc.).  Nesse sentido, conclui­se que, a despeito de ser  intitulada de multa de mora, punia não só a  prática  do  atraso, mas  também a  necessidade  de movimentação  do  aparato  estatal  que  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/2009­24  Acórdão n.º 2302­002.516  S2­C3T2  Fl. 187          7 cumpria  o  dever  de  ofício  de  se mobilizar  para  compelir  o  contribuinte  ao  recolhimento  do  tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício.  Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e  a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu  duas  hipóteses  de  naturezas  jurídicas  distintas,  pouco  importa  a  denominação  utilizada  pelo  legislador  (“multa  de  mora”),  sendo  de  se  reconhecer,  conforme  o  caso,  de  que  instituto  jurídico efetivamente está se tratando.  Isso  importa  no  caso  em  comento  porque  os  dispositivos  legais  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições  previdenciárias  sofreram  profundas  alterações  pela  Medida  Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Pode­se afirmar, de  pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de  ofício,  não  incidindo  no  equívoco  terminológico  da  redação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores.  É  sabido  que  em  razão  do  que  dispõe  o  art.  144  do  CTN,  vigora  com  intensidade  no  Direito  Tributário  o  princípio  geral  de  direito  intertemporal  do  tempus  regit  actum, de sorte que o  lançamento  tributário é  regido pela lei vigente à data de ocorrência do  fato  gerador,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada.  Portanto,  a  princípio,  nada  haveria  de  ser  revisto  no  lançamento,  posto  que  a  multa  aplicável  foi  aquela  prevista  na  legislação vigente à época dos fatos geradores.  Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II,  ‘c’ do CTN , prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Portanto, é preciso reconhecer que aplica­se a lei vigente à data da ocorrência  do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa.  Importa­nos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da  Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no  artigo 35­A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96:  Lei n° 8.212/91:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).    Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     8 Lei n° 9.430/96:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n°  8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos  que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é  menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação.   Ocorre  que,  em  certas  circunstâncias,  ainda  que  eventuais  e  futuras,  os  percentuais  antes  previstos  no  artigo  35  podem  se  mostrar  mais  gravosos,  na  hipótese  de  crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas  c e d, da Lei n° 8.212/91).  Portanto, nestas situações específicas, a aplicação da novel legislação pode se  mostrar mais benéfica ao infrator.  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  devendo  a  aplicação  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  obedecer  à  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao art. 106, II, ‘c’ do CTN.      (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator    Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/2009­24  Acórdão n.º 2302­002.516  S2­C3T2  Fl. 188          9 Declaração de Voto:    Ouso  discordar,  data  venia,  do  entendimento  esposado  pelo  ilustre  Conselheiro Relator no que pertine a aplicação da multa de mora.  Em  julgamentos pretéritos adotei o posicionamento segundo o qual a multa  aplicada  quando  do  lançamento  relacionado  ao  descumprimento  das  obrigações  principais  deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91, limitando o escalonamento ao percentual  de 75% conforme nova redação dada pelo art. 35­A da Lei nº 8.212/91 subsumida a hipótese  pela retroatividade benigna da norma (art. 106, inciso II, 'c', do CTN).  No  entanto,  aprofundando  o  estudo  do  tema,  achei  por  bem  alterar  o  meu  entendimento e, para o caso, no período de 01/2007 a 12/2008, aplicar a multa prevista no art.  35  da  Lei  nº  8.212/91  com  redação  dada  pela MP  449/08  em  decorrência  da  retroatividade  benigna, reduzindo o percentual a 20%. Explico.  No período  em  comento  estava  em vigor  o  art.  35  da Lei  nº  8.212/91  cuja  norma,  na  sua  redação  original,  regulamentava  a  incidência  da  multa  de  mora  sobre  as  contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, era agrupada em percentuais distintos  a depender da data do pagamento da exação. Quanto mais distante do dia do vencimento, maior  o percentual. A penalidade era aplicada pelo atraso no pagamento, existindo ou não ação fiscal.  Assim prescrevia:  "Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em  atraso,  arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá multa  de mora,  que  não  poderá ser relevada, nos seguintes termos:     I  ­ para pagamento,  após o  vencimento de obrigação não  incluída em notificação fiscal de lançamento:     a)  oito  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação;     b) quatorze por cento, no mês seguinte;     c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do  vencimento da obrigação;     II  ­  para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento:   a)  vinte  e  quatro  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento da notificação;     b)  trinta  por  cento,  após  o  décimo  quinto  dia  do  recebimento da notificação;     c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde  que  antecedido  de  defesa,  sendo  ambos  tempestivos,  até  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     10 quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos  da Previdência Social ­ CRPS;     d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência  da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social  ­ CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;    III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:     a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;   b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;     c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito não foi objeto de parcelamento;     d) cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito foi objeto de parcelamento. " (grifo nosso)    Posteriormente, com a criação da MP 448/09 convertida na Lei nº 11.941/09,  a  legislação ordinária de 1991 sofreu alterações  significativas. A partir de então, o atraso no  pagamento das contribuições sociais passou a ser conduta punida pela multa de mora ou multa  de ofício. A aplicação de uma ou de outra estaria vinculada a existência de ação fiscal.  Com efeito, a cobrança do  tributo seguida de lançamento era condição para  incidência da multa de ofício tipificada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91 (com redação da pela  Lei nº 11.941/09) a qual remetia aos percentuais fixados no art. 44 da Lei no 9.430/96:  "Art. 35­A: Nos casos de lançamento de ofício relativos às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996".                                                                                                                                                                           "Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:      I  ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata;    II  ­ de 50% (cinqüenta por cento),  exigida  isoladamente,  sobre o valor do pagamento mensal..."    Em relação a multa de mora, o percentual passou a ser fixado em 20% nos  termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vide transcrição:  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/2009­24  Acórdão n.º 2302­002.516  S2­C3T2  Fl. 189          11 "Art.  35  ­  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas a, b e c do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de multa  de mora  e  juros  de mora, nos  termos  do art.  61 da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996."    "Art.  61  ­ Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da  Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir  de 1º de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)  § 1º  A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica  limitado a  vinte por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão  juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de pagamento."    Do cotejo  entre a  antiga norma e  aquela  estabelecida após o  avento da MP  449/08,  infere­se  que  a  multa  de  mora  passou  a  incidir  de  forma  mais  benéfica  para  o  contribuinte a partir de dezembro/2008, porquanto limitada a 20% (vinte por cento).  Sob a ótica da incidência do art. 106, inciso II, alínea 'c' do CTN, a lei mais  benéfica  deve  ser  aplicada  ao  fato  pretérito  quando,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  lhe  comine penalidade menos  severa  que  a prevista  na  lei  vigente  ao  tempo de  sua  prática:    “Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  ...  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  ...  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     12 c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.”  Grifo  nosso    Neste  contexto,  em  relação  a  ausência  de  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias até novembro/2008, por inexistir previsão para a multa de ofício, deve incidir a  penalidade prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (multa de mora), entretanto,  limitada  ao percentual de 20% em decorrência das disposições  introduzidas pela MP 449/08  (art. 35 da Lei 8.212/91 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).  Este entendimento vem sendo adotado pela 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO cujo  julgado,  de  relatoria  do  Conselheiro  Mauro  José  Silva  (Acórdão  nº  999.999  ­  PAF  10805.003371/2007­16), a seguir transcrito:  "LANÇAMENTOS RFERENTES FATOS GERADORES  ANTERIORES A MP  449. MULTA MAIS  BENÉFICA.  APLICAÇÃO  DA  ALÍNEA  'C',  DO  INCISO  II,  DO  ARTIGO  106  DO  CTN.  LIMITAÇÃO  DA  MULTA  MORA APLICADA ATÉ 11/2008.  A  mudança  do  regime  jurídico  das  multas  no  procedimento  de  ofício  de  lançamento  das  contribuições  por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea  'c', do  inciso  II,  do  art.  106  do CTN. No  tocante  à multa mora  até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto  no art. 61 da lei 9.430/96, 20%"  Como dito inicialmente, se no passado adotava o posicionamento segundo o  qual  a  multa  aplicada  quando  do  lançamento  deveria  ser  aquela  disposta  no  art.  35  da  Lei  8.212/91  (multa  de  mora),  limitando  o  escalonamento  ao  percentual  de  75%  conforme  aplicação retroativa da nova redação dada pelo art. 35­A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício)  nos  termos do  art.  106,  inciso  II,  'c',  do CTN; no presente,  considero que  a  comparação das  normas deve ocorrer entre institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora (art. 35 da Lei  8212/91 antes da mp 449/08) com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91 após a MP 449/08),  não com multa de ofício (art. 35­A da Lei nº 8.212/91).  Logo,  a  partir  de  dezembro/2008  é  indubitável  a  incidência  do  novo  regramento  constante  no  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91  (multa  de  ofício).  Antes,  porém,  até  novembro/2008, deve ser aplicado o percentual de 20%.    (assinado digitalmente)  Juliana Campos de Carvalho Cruz.              Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/2009­24  Acórdão n.º 2302­002.516  S2­C3T2  Fl. 190          13                   Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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Numero do processo: 11070.002684/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11070.002684/2009­13  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­000.304  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de maio de 2013  Assunto  Diligência  Recorrente  REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado,  por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.     (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente e Relator.   EDITADO EM: 26/05/2013   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Walber  José  da  Silva,  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo  Jacó,  Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.    Relatório  Contra  a  empresa  recorrente  foi  lavrado  auto  de  infração  para  exigir  o  pagamento de PIS e de Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e  março  de  2009,  tendo  em  vista  que  a  Fiscalização  constatou  que  a  Recorrente  apropriou  créditos  das  exações  nas  aquisições  de  mercadorias  sujeitas  aos  regimes  de  substituição  tributária e tributação monofásica (art. 43 da MP nº 2.158­35/2001, Lei nº 10.483/2002 e Lei nº  10.833/2003,  art.  3º,  inciso  I,  letra  “a”,  com  alterações  posteriores,  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 02 68 4/ 20 09 -1 3 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/2009­13  Resolução nº  3302­000.304  S3­C3T2  Fl. 3          2 Inconformada com a  autuação  a  empresa  interessada  impugnou o  lançamento,  cujas razões de alegação foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos:  1.  em  preliminar,  pede  a  nulidade  do  auto  de  lançamento,  visto  que  ele  não  contém  todos os elementos necessários exigidos pelo Decreto n° 70.235, de 1972, na  medida  que  se  limita  a  apontar  como  enquadramento  legal  determinados  dispositivos  legais, de forma genérica. Além disso, os dispositivos legais apontados, ao contrário de  dar sustentação à pretensão fiscal, garantem o direito de crédito da empresa. A empresa  está prejudicada em seu direito de defesa, já que o ato formal de constituição do crédito  tributário contempla vícios. Ele é manifestamente ilegal, não alcançando a presunção de  validade  que  lhe  é  característica.  O  ato  formal  omitiu­se  me  especificar  a  matéria  tributável a lhe dar suporte de validade. Infringiu, assim, a CF, devendo ser declarado  nulo o lançamento;  2.  registra  entendimentos  sobre  a  não­cumulatividade,  e  diz  que  há  direito  de  crédito  de  PIS  e  de  COFINS  em  relação  às  aquisições  tributadas  quando  a  saída  é  isenta, não tributada, imune ou tributadas com alíquota zero. Conforme o art. 16 da MP  n° 204, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuinte cujas  operações  de  venda  são  isentas,  não  tributadas,  tributadas  com  alíquota  zero  ou  com  suspensão  têm  direito.  à manutenção  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  decorrentes  da  aquisição de insumos;  3. diz não existir na  legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito  efetuado  pela  empresa.  Ao  contrário,  existe  expressa  autorização  legal  para  que  isto  ocorra  (art.  17  da  Lei  n°  11.033,  de  2004).  Ainda  que  houvesse  restrição,  tal  seria  inconstitucional,  porquanto  a  não­cumulatividade  deve  ser  entendida  como  integral  e  absoluta,  nunca  parcial  e  relativa.  O  direito  de  abatimento  é  garantido  constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador  ordinário  restrinja  o  princípio  da  não­cumulatividade,  autorizando,  apenas,  que  sejam  definidas  as  categorias  econômicas  para  as  quais  as  contribuições  seriam  não­ cumulativas;  4. entende que o caráter de não­cumulatividade inerente às contribuições para o  PIS  e  para  a COFINS deve  ser  interpretado de  forma  ampla,  devendo  a  técnica  base  contra  base  ser  atentamente  observada,  não  podendo  qualquer  legislação  infraconstitucional restringir o direito ao crédito;  5. assenta que sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação  de  venda  é  tributada  com  alíquota  zero,  suspensa,  não  tributada  ou  isenta,  tem  ela  direito  à manutenção  dos  créditos  de  PIS  e  de COFINS  decorrentes  da  aquisição  de  insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da não­cumulatividade;  6.  diz  ser  confiscatória  a  multa  de  ofício  aplicada,  havendo  transgressão  de  princípios constitucionais e do Direito Civil;  7. refere serem inexigíveis juros de mora com base na taxa SELIC, impondo­se  sua  substituição  por  juros  de  1%  ao  mês,  não  capitalizados,  e  correção  monetária  calculada com base na variação da UFIR, visto que qualquer outra forma de calcular os  juros encontrará obstáculo no § 3 o do art. 192 da CF.  A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre ­ RS julgou improcedente a  impugnação,  nos  termos  do  Acórdão  no  10­35.416,  de  08/11/2011,  cuja  ementa  abaixo  se  transcreve.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/02/2008  a  31/03/2009  NULIDADE.  FALTA  DE  Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/2009­13  Resolução nº  3302­000.304  S3­C3T2  Fl. 4          3 FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. DESCABIMENTO.  É infundada a argüição de nulidade dos lançamentos, por cerceamento  do  direito  de  defesa,  se  os  dispositivos  legais  que  os  fundamentaram  encontram­se  descritos  nos  Autos  de  Infração,  o  TVF  descreve  as  infrações  cometidas  pela  contribuinte,  e  a  peça  impugnatória  é  apresentada  com  desenvoltura  suficiente  para  contradizer  o  suposto  cerceamento do direito de defesa.  INCONSTITUCIONALIDADE.  LEGISLAÇÃO  REGULARMENTE  EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.  A  autoridade  administrativa  não  possui  atribuição  para  apreciar  a  argüição  de  inconstitucionalidade  ou  de  ilegalidade  de  dispositivos  normativos,  bem  como  a  legislação  regularmente  editada  goza  de  presunção de constitucionalidade e de legalidade.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a  31/03/2009  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  TRIBUTAÇÃO  CONCENTRADA.  PRODUTOS.  AQUISIÇÃO.  DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE.  REVENDA.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.  No regime da não­cumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos  sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante  na  revenda/distribuição dos mesmos por  expressa  vedação  legal,  não  se  aplicando  à  hipótese  a  disposição  contida  no  art.  17  da  Lei  n°  11.033, de 2004.  CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Sujeitam­se  a  lançamento  de  ofício  os  valores  apurados  em  decorrência  de  auditoria  fiscal,  cabendo  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/02/2008  a  31/03/2009  INCIDÊNCIA  NÃO­ CUMULATIVA.  TRIBUTAÇÃO  CONCENTRADA.  PRODUTOS.  AQUISIÇÃO.  DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE.  REVENDA.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  IMPOSSIBILIDADE.  VEDAÇÃO  LEGAL.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS,  a  aquisição  de  produtos  sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante  na  revenda/distribuição dos mesmos por  expressa  vedação  legal,  não  se  aplicando  à  hipótese  a  disposição  contida  no  art.  17  da  Lei  n°  11.033, de 2004.  CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Sujeitam­se  a  lançamento  de  ofício  os  valores  apurados  em  decorrência  de  auditoria  fiscal,  cabendo  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN.  Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/2009­13  Resolução nº  3302­000.304  S3­C3T2  Fl. 5          4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de  apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringe­ se a tributos e não a multa, e se dirige ao legislador.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  A utilização da  taxa SELIC no cálculo dos  juros moratórios encontra  respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada.  Ciente desta decisão em 22/11/2011 (AR de fl. 805), a interessada ingressou, no  dia  13/12/2011,  com  o  recurso  voluntário  de  fls.  806/821,  no  qual  renova  as  alegações  da  impugnação  sobre  a  nulidade  do  lançamento,  o  direito  ao  crédito  nas  saídas  isentas,  não  tributadas e com alíquota zero, o caráter confiscatório da multa de ofício e a inexigibilidade da  Taxa Selic no cálculo dos juros de mora.  Na forma regimental, o recurso voluntário foi sorteado para ser relatado.  É o Relatório.    Voto    Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator.  O Recurso Voluntário é tempestivo e dele se conhece.  Como  relatado,  a empresa Recorrente apresentou diversos PER/DCOMP e,  ao  realizar  os  procedimentos  fiscais  para  apurar  a  liquidez  e  certeza  dos  créditos  pleiteados,  a  Fiscalização constatou que a empresa interessada escriturou e utilizou indevidamente créditos  do PIS e da Cofins na aquisição de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e  tributação  monofásica  (art.  43  da  MP  nº  2.158­35/2001,  Lei  nº  10.483/2002  e  Lei  nº  10.833/2003,  art.  3º,  inciso  I,  letra  “a”,  com  alterações  posteriores,  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005).  Diante da inexistência de crédito e da existência de saldo devedor, os pedidos de  ressarcimento  foram  indeferidos  e  foram  lavrados  os  autos  de  infração  controlados  neste  processo.  Não  há  informação  nos  autos  sobre  o  número  dos  processos  relativos  aos  PER/DCOMP trabalhados no mesmo procedimento fiscal que resultou na lavratura dos autos  de infração controlados no presente processo, a que se refere o Termo de Verificação Fiscal, e  nem sobre a situação em que cada um se encontra.  No  entanto,  este  CARF  já  julgou  diversos  recursos  voluntários  constantes  de  processos  de  interesse  da  Recorrente  e,  certamente,  alguns  deles  estão  relacionados  com  o  procedimento fiscal que resultou na lavratura do autos de infração do presente processo.  Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/2009­13  Resolução nº  3302­000.304  S3­C3T2  Fl. 6          5 A título de exemplo, foram julgados os processos nºs 11070.001759/2009­49 e  11070.001749/2009­11, Acórdãos nºs 3803­003.676 e 3803.003.667,  respectivamente, ambos  de 25/10/2012, que têm relação com os autos de infração deste processo.  Nos  julgados  acima,  a Turma de  Julgamento  decidiu  não  analisar  o mérito  da  recurso do contribuinte em razão da existência de ação judicial com o mesmo objeto, conforme  se constata na ementa dos respectivos acórdãos, abaixo transcrita.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.  Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o  mesmo  objeto  da  ação  judicial,  hipótese  em  que  a  autoridade  administrativa  julgadora  não  deve  conhecer  o  mérito  do  litígio,  nos  termos da Súmula CARF n.º 1.  Referidas  decisões  foram  objeto  de  Embargos  de  Declaração  por  parte  do  contribuinte, sob a alegação de que o Mandado de Segurança nº 2009.71.05.001421­0 trata de  matéria diversa da tratada nos processos nºs 11070.001759/2009­49 e 11070.001749/2009­11,  a mesma tratada neste processo e que ensejou a lavratura dos autos de infração.  No presente processo, e diante dos fatos acima narrados, a Turma de Julgamento  deverá  decidir  se  existe  ou  não  concomitância  de  objeto  deste  processo  com  o mandado  de  segurança impetrado pela recorrente. Diante desta realidade, faz­se necessário instruir os autos  com as peças principais do mandado de segurança,  tais como a Petição  Inicial,  a Sentença e  Acórdãos do Tribunal Regional Federal, caso exista.  Há, portanto, necessidade de retorno dos autos à RFB para completar a instrução  do  processo  com  os  elementos  necessários  à  formação  da  convicção  dos  membros  do  Colegiado  sobre  a  existência,  ou  não,  de  concomitância  de  objeto  deste  processo  com  o  mandado de  segurança  acima  referido  ou  com  outra  ação  judicial  porventura  impetrada  pela  Recorrente.  Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição  da RFB de origem para as seguintes providências:  1­  relacionar  todos  os  processos  de  ressarcimento  trabalhados  no  mesmo  procedimento fiscal do Termo de Verificação Fiscal deste processo, indicando a situação atual  de  cada  um  deles  (aguardando  julgamento  de  manifestação  de  inconformidade,  aguardando  julgamento  de  recurso  voluntário,  aguardando  julgamento  de  embargos  de  declaração,  aguardando julgamento de recurso especial, encerrado, arquivado, etc.);  2­  intimar  a  empresa  recorrente  a  apresentar  cópia  da  Petição  Inicial  do  Mandado  de  Segurança  nº  2009.71.05.001421­0,  bem  como  das  decisões  de  mérito  acaso  proferidas no mesmo (Sentença e Acórdão do TRF);  3­ intimar a empresa interessada a informar se, além do mandado de segurança  do  item  2,  possui  outra  ação  judicial,  individual  ou  coletiva,  por  qualquer  modalidade,  impetrada  antes  ou  depois  (i)  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  créditos  tributários  deste  processo ou (ii) da lavratura do auto de infração, discutindo o direito de crédito de PIS e Cofins  nas  aquisições  de  mercadorias  sujeitas  aos  regimes  de  substituição  tributária  e  tributação  monofásica  do  PIS  e  da Cofins.  Em  caso  positivo,  apresentar  cópia  da Petição  Inicial  e  das  decisões de mérito acaso proferidas (Sentença e Acórdãos do TRF);  Fl. 849DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/2009­13  Resolução nº  3302­000.304  S3­C3T2  Fl. 7          6 4­  Diante  dos  elementos  apresentados  pela  empresa  recorrente,  manifestar­se  (no  Relatório  da  Diligência)  sobre  a  existência,  ou  não,  de  concomitância  de  objeto  deste  processo com as ações judiciais a que se refere os itens 2 e 3, acima.  5­ dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo­ lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11 para manifestação.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Relator  Fl. 850DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA

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Numero do processo: 13839.002419/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Colegiado, Por unanimidade de votos, reconhecer a decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário nacional - CTN , quer seja o Art. 150 ou o Art. 173. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim..
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Colegiado, Por unanimidade de votos, reconhecer a decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário nacional - CTN , quer seja o Art. 150 ou o Art. 173. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim..

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI     2  Relatório  Vinculados às mesmas bases de cálculos e fato gerador,  aduz que apensado  ao processo principal de n° 13839.002418/2009­97,  trata­se de Auto de  Infração  lavrado em  razão de o contribuinte não ter adimplido suposta obrigação de recolher aos cofres públicos as  contribuições para TERCEIROS referidas no item 1 do Relatório Fiscal de fls. 15 :   “ 1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração ­ Al mencionado no  preâmbulo  e  refere­se  às  contribuições  para  outras  entidades  e  fundos,  devidas  ao  INCRA,  SEBRAE, SESI, SENAI e SALÁRIO EDUCAÇÃO, não recolhidas em época própria,  tendo  sido o débito  lançado por arbitramento  e apurado por aferição  indireta para  regularização da  obra  referente  à  construção  civil  sob  responsabilidade  da  pessoa  física  acima  mencionada,  conforme  Art.  33,  §  4°  da  Lei  N°  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n°11.941,  de  27/05/2009.”   Cumpre  notar  que  os  autos  não  foram  devidamente  instruídos  ou  não  digitalizaram­se os todos os documentos pertinentes.   Fato  é  que  não  constam  colacionados  o  Acórdão,  o  Recurso  Voluntário  e  demais eventuais registros.   O inciso XIII do parágrafo único do art. 2o da Lei n o 9.784, de 29 de janeiro  de  1999,  determina  que  nos  processos  administrativos  se  deva  observar  entre  outros,  os  critérios que garanta o atendimento do fim público a que a norma se dirige:    Parágrafo  único.  Nos  processos  administrativos  serão  observados, entre outros, os critérios de:  (...)  XIII  ­  interpretação  da  norma  administrativa  da  forma  que  melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige,  vedada aplicação retroativa de nova interpretação. ”  No  sítio  http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/index.jsf  configura­se  que a missão deste Egrégio Conselho é : “ Assegurar à sociedade imparcialidade e celeridade  na solução dos litígios tributários.    Integrado  ao  sobredito  propósito,  nas  circunstâncias,  entendo  que,  não  obstante  a  falta  apontada,  se  deva  proceder  ao  julgamento  e  decisão  deste  processo  que  na  verdade já ocorrera alhures quando, por questão de prioridade lógica, relatei o voto do processo  principal.  Entendo  que  restando  caracterizada  economia  processual  a  medida  a  ser  implementada não trará prejuízos ao contribuinte.   É o relatório.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002419/2009­31  Acórdão n.º 2403­001.884  S2­C4T3  Fl. 3          3 Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza       DA TEMPESTIVIDADE  Em razão da circunstância, não há que falar em tempestividade.  Abaixo,  segue  as  razões  que  levaram  à  conclusão  do  voto  do  processo  principal de n 13839.002418/2009­97.  DO VOTO AD QUOD      Na condução do voto às fls. 75, para negar provimento sobre os documentos  e a decadência a instância “ ad quod “ assim se manifestou:   “ Assim, considerando que a edificação dessa obra é noticiada  com  a  apresentação da DISO  (fls.  21  e  22),  isto 6, no mês  de  04/2009, temos que as contribuições incidentes sobre o valor da  mão­de­obra  aplicada  sobre  a  mesma  poderiam  ter  sido  lançadas em maio de 2009 ­ isto 6, após vencido o prazo para o  respectivo  recolhimento,  como  constou  do  ARO  ­  Aviso  de  Regularização de Obra (fls. 32 e 33). Logo, considerando que o  contribuinte tomou ciência do presente lançamento ainda no ano  de  2009,  isto  6,  no  dia  24  de  agosto,  não  há  que  se  falar  em  decadência.  Quanto aos documentos juntados pela Autuada (Declarações de  Ajuste Anual Simplificada, Contas de Telefone e de Luz e Apólice  de  Seguro),  temos  que  os  mesmo  não  são  suficientes  para  a  pretendida decadência, conforme exigia a Instrução Normativa –  IN  SRP  n°  3,  de  14­7­2005,  art.  482,  §§  3°  e  4  °  (vigente  â  época), in verbis:  Art. 482. (.)  § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial  dar­se­á  com  a  apresentação  de  um  ou  mais  dos  seguintes  documentos:  I ­ habite­se, Certidão de Conclusão de Obra ­ CCO;  (...)  IV  ­  auto  de  regularização,  auto  de  conclusão,  auto  de  conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal  que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro  equivalente,  desde  que  conste  o  respectivo  número  no  cadastro,  lançados  em  período  abrangido  pela  decadência,  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI     4  em  que  conste  a  área  construída,  passível  de  verificação  pela SRP;  (..)    §  4° A  comprovação  de  que  trata  o  §  3°  deste artigo dar­se­a  também com a apresentação de, no mínimo,  três dos seguintes  documentos:  I  ­  correspondência  bancária  para  o  endereço  da  edificação,  emitida em período decadencial;  II ­ contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último  pavimento, emitidas em período decadencial;  III  ­  declaração  de  Imposto  sobre  a  Renda  comprovadamente  entregue  em  época  própria  a  Secretaria  da  Receita  Federal,  relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual  conste a discriminação do imóvel, com endereço e área;(..)  O que é ratificado pela IN RFB no 971, de 13­11­2009, art. 390,  §§ 3° e 4°,in verbis:  Art. 390. (..) ”  Na seqüência o Julgador ad quod destacou :    “Destaque­se  que  não  é  apresentado  nenhum  documento  de  que cuida os §§ 3° acima transcritos e que não existe a previsão  de que a apólice de seguro possa ser considerada como prova do  término da obra em período decadencial.  Já  os  §§  4°  admitem  a  apresentação  de  outros  documentos,  porém, no mínimo 3 (três).  Analisemos, portanto, se os demais documentos apresentados se  subsumem A norma em questão.  • Declarações de Ajuste Anual Simplificada  Ressalte­se que inciso III do § 4° exige, além da discriminação  do  imóvel,  que  conste  a  Area.  Ocorre  que  nessas  declarações  constou obra concluída, porém, sem a indicação da Area.  • Conta de Luz   De novembro de 2003, em nome de José Afonso Davo,  relativo  ao imóvel situado na R. Cinco, 65, em Itupeva (fls. 67).  • • Contas de Telefone  De  outubro  e  dezembro  de  2003  (fls.  65  e  66),  das  quais  constaram o nome do contribuinte ­ José Antonio Davo ­, porém,  em endereço diverso (RDV MARIO TONOLI 1.250).   Assim, diante desses documentos temos que somente a conta de  luz  é  que  serve  como  prova  do  término  da  obra  em  período  decadencial. Entretanto, os §§ 4° acima  transcritos exigem, no  mínimo, três documentos. ” (grifos de minha autoria)  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002419/2009­31  Acórdão n.º 2403­001.884  S2­C4T3  Fl. 4          5 DAS PRELIMINARES    De plano há que se destacar que na forma da sobredita Instrução Normativa –  IN  SRP  n°  3,  de  14­7­2005,  o  §  3°do  art.  482,  que  pautou  o  voto  “  ad  quod  ”,  bastava  a  apresentação de apenas 1 ( um ) documento :  “ Art. 482. (.)  § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial  dar­se­á  com  a  apresentação  de  um  ou  mais  dos  seguintes  documentos:  I ­ habite­se, Certidão de Conclusão de Obra ­ CCO; ”  Não é  sem  razão que o  legislador  elegeu a  apresentação única do habite­se  para fazer prova na forma do sobredito art. 482. "Habite­se" é ato administrativo emanado de  autoridade competente. Trata­se de um documento que comprova que um empreendimento ou  imóvel foi construído seguindo­se as exigências  (legislação local, especialmente o Código de  Obras do município) estabelecidas pela prefeitura para a aprovação de projetos. O documento é  emitido pela prefeitura da cidade onde o imóvel encontra­se localizado.  A  prefeitura  jurisdicionante  do  imóvel  quando  da  emissão  do  habite­se,  de  ofício, é obrigada a verificar se a construção esta em dia com as obrigações tributárias , neste  bojo  as  Contribuições  Previdenciárias  e  o  Imposto  sobre  Serviço  (ISS).  Assim,  se  essas  obrigações não tiverem sido adimplidas na ocasião do requerimento, quer pelo pagamento ou  pela decadência, a requerente não obterá o documento.  Ressalte­se  que  o  contribuinte  providenciou  o  habite­se  que  foi  concedido  sem  ressalvas  de  cobrança  de  impostos  atrasados.  O  documento  de  fls.  30,  juntado  pela  autoridade autuante , registra que em 07 de abril de 2009, antes da ação fiscal, a obra estava  concluída logo, de fato, não se trata de obra nova:  “  HABITE­SE  NÚMERO:  208/2009  (CERTIFICADO  DE  VISTORIA FINAL)  Saibam  todos  que  este  virem,  de  ordem  superior,  a  vistoria  do  despacho  exarado  no  requerimento  protocolo,  sob  o  n°  1633/2009,  que  em  vistoria  realizada  no  local  pelo  órgão  competente  verificou­se  que  a  REGULARIZAÇÃO  DE  RESIDÊNCIA  UNIFAMMAR,  com  área  de  965,92 m2,  sito  6.  RUA SANTOS DUMONT (05), LOTE 9A, QUADRA H, N°65 ,  RES.  V. MORRO ALTO,  ITUPEVA  ­  SP,  de  propriedade  de  JOSÉ  AFONSO  DAVO,  tendo  como  Autor(a)  do  Projeto  e  Responsável pela Fiscalização da Obra o (a) ENG° EDUARDO  ARCIERI  ORDINE,  CREA  0641792963  e  ART  20090149354,  esta  concluida  e atendendo A.  legislação  em  vigor  e  portanto  em condições de uso.  OBS.:  ASSUNTO:  REGULARIZAÇÃO  DE  RESIDÊNCIA  UNIFAMILIAR,  CHURRASQUEIRA,  PISCINA,  BAR,  SALÃO  DE JOGOS E QUIOSQUES.   BAIRRO: VILLAGE MORRO ALTO.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI     6  Itupeva, 07 de abril de 2009.” ( grifos de minha autoria)  Também colacionada pela Autoridade autuante a Certidão de fls. 31 passada  pela Prefeitura Municipal de Ituverava, em 07 de abril de 2009, a unificação dos lotes 09, 10 e  11  onde  fora  construído  o  imóvel.  Ressalte­se  que  endereço  é  o  mesmo  que  consta  na  Declaração do imposto de Renda do contribuinte fls. 30 (IR).  Conduzindo  o  voto  sob  os  auspícios  do  §  4°  do  artigo  482,  supra,  passou  desapercebido  que  ali  preceitua­se  uma  segunda  hipótese  de  se  fazer  a  comprovação  de  que  trata o § 3° não sendo compulsória a exigência caso adimplida na forma anterior:  “ § 4° A comprovação de que trata o § 3° deste artigo dar­se­a  também  com a  apresentação  de,  no mínimo,  três dos  seguintes  documentos ”  Aduz que , como adiante também será demonstrado, o contribuinte adimpliu  as exigências em tela .  DA IN 971 , DE 13/11/2009    Tendo  presente  que  a  notificação  ocorreu  em  27/09/2009,  as  orientações  trazidas à colação na forma da IN 971 de 13/11/2009 não prevalecem por supervenientes.      DA INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN SRP N° 3, DE 14/7/2005      Tratando­se  de  norma  exarada  no  âmbito  da  então  Secretaria  da  Receita  Previdenciária,  não  se  vislumbra  legal  introduzir  exigência  de  obrigação  para  cumprimento  fora da jurisdição em que atua.   As  instrução  de  preenchimento  do  IRPF  subordinadas  à  esfera  da  então  Secretaria da Receita Federal não exigiam que se definissem a área do imóvel.   A  IN  971  da  RFB,  citada,  ao  copiar  a  íntegra  da  IN  SRP  n°  3,  produziu  conflito com suas reiteradas instruções de preenchimento do IRPF umas vez que o contribuinte  dispensado  de  informar  a  área  dos  imóveis  nas  declarações  de  renda  será  surpreendido  em  ocasião  futura  com  eventual  exigência  que  ressalte­se,  quase  é  colocada  de  modo  quase  impercetível ao final do inciso III do § 4° da caudalosa Instrução Normativa, verbis:  “ III ­ declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente  entregue  em  época  própria  a  Secretaria  da  Receita  Federal,  relativa ao  exercício pertinente a período decadencial,  na qual  conste a discriminação do imóvel, com endereço e área;”  No que concerne aos  imóveis,  (todos os  tipos,  inclusive as construções que  são  definidas  sob  código  16  ),  na  recente  e  específica  instrução  de  preenchimento  do  IRPF  2012, no item Bens e Direitos na tabela de códigos do sobredito regulamento, embora a IN 971  a que se refere a  instância ad quod ­ não se verificam determinações de informar área do  imóvel mas tão­somente “ endereço, número de registro, data da aquisição, informações sobre  condomínios e usufruto, se for o caso”   Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002419/2009­31  Acórdão n.º 2403­001.884  S2­C4T3  Fl. 5          7 Quando quis  ser detalhista  ­ para efeito de exemplo  ­ se o bem em questão  fosse  um  automóvel  ,  a mesma  instrução  IRPF  2012  determinou  que  fosse  registradas  :  “  a  marca, modelo, o ano de fabricação, placa ou registro, data e forma de aquisição.”   Na declaração de ajuste anual simplificada ano 2003 colacionada às fls. 50 , o  item  3  da  declaração  de  bens  e  direitos  registra  que  a  construção  em  comento  houvera  sido  concluída em 2002 ao custo de R$ 560.680,00. Informa ainda que ao final de 2001 o valor do  bem era de R$ 130.000 variando ao final de 2002 para R$ 720.680,00.    Desse modo, exigir em ocasião futura cumprimento de obrigação não imposta  na origem não pode ser exeqüível.  DAS CONTAS DE TELEFONE  O  documento  conta  de  telefone  não  foi  aceito  em  sede  de  impugnação  em  razão  der  o  I.  Julgador  ter  entendido  que  se  referia  a  endereço  diverso  do  contribuinte.  Na  oportunidade assim se manifestou :   “  De  outubro  e  dezembro  de  2003  (fls.  65  e  66),  das  quais  constaram o nome do contribuinte ­ José Antonio Davo ­, porém,  em endereço diverso (RDV MARIO TONOLI 1.250).”  Olhar mais atento faz verificar que no canto superior direito dos documentos  consta o registro de que a correspondência tem como destino o “ COND VILLAGE MALTO  ”.  Às fls 72, a Apólice de Seguro Residencial também trazida para fazer prova  de que o imóvel  já houvera sido concluído naquela época, endereçada ao mesmo Cond.Vilag  Morro Alto Morro Alto , com vigência 07/01/2003 a 07/01/2004, no valor R$ 1.000.000, 00 já  trazia a atualização referida no Auto de Infração : Rua Santos Dumont 65 ­ Cond.Vilag Morro  Alto Morro Alto.  Neste  sentido,  às  fls.  201  a  recorrente  destaca que  o  endereço  tem o  nome  onde está assentado o condomínio . Como prova juntou o documento de fls. 207 .  O  regulamento  interno  do  condomínio  colacionado  às  fls.212  aduz  que  o  condomínio  de  fato  situa­se  à  rua Mario  Tonolli,  1.250.  Portanto,  não  se  trata  de  endereço  diverso.    DA DECLARAÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE OBRA DE  CONSTRUÇÃO CIVIL ­ DISO    O Relatório Fiscal de fls. 16 aduz que :   Foi  emitido  o  Aviso  de  Regularização  de  Obras  ­  ARO  de  n°  293982  em  08/04/2009, com base na Declaração e  Informação Sobre Obra de Construção Civil  ­ DISO,  assinada pelo contribuinte em 08/04/2009, para uma obra nova, em alvenaria, composta de um  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI     8  imóvel residencial, com dois pavimentos.O DISO a que se refere o autor resta colacionado às  fls. 21 pela própria Autoridade autuante e nos campos reservados ao início e término da obra  constam  incoerentes  registros  de  06/04/2009  e  término  para  08/04/2009  o  qual  na  forma  do  sobredito Relatório Fiscal pautou o lançamento como início de obra nova. Improcedente pois.  DA DECADÊNCIA      A Recorrente alega em recurso que :   Consoante  preceitua  o  artigo  150,  §  4°  e  173  do  CTN  o  prazo  para  lançamento do crédito tributário pela União é de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.(...)    Outrossim,  corroborando  o  quanto  exposto,  segue  em  anexo  documentação  que comprova que o imóvel do Impugnado encontra­se construído desde 2003, quais sejam:   (i) Declaração de Imposto de Renda; (ii) contas de telefone e; (iii) apólice de  seguro residencial (doc. 01, 02 e 03).   Conforme assinatura no AI de folhas 01, a notificação ocorreu no exercício  de 2009 em 27/09/2009.  Produzi  o  quadro  abaixo  com  os  cálculos  efetuados  sob  o  preceituado  nos  arts. 150 e 173 do Código Tributário nacional – CTN:       150     173     27/9/2009     27/9/2009  1  2008  2  2008  2  2007  3  2007  3  2006  4  2006  4  2005  5  2005  5  2004     1/1/2005  D  08//2004  N  2004        N  12//2003        D  13//2003        D  11//2003     Legenda:  D = Decadente.  N = Não decadente.      Desse modo, dou provimento às alegações do contribuinte reconhecendo que  o  direito  de  a  Autoridade  autuante  de  constituir  o  crédito  mediante  o  lançamento  fora  fulminado pelo instituto da decadência.       Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002419/2009­31  Acórdão n.º 2403­001.884  S2­C4T3  Fl. 6          9 CONCLUSÃO  Diante  de  tudo  que  foi  exposto,  EM  PRELIMINAR  determino  que  se  reconhecer  a  decadência  da  exação  por  qualquer  dos  critério  estabelecidos  no  Código  Tributário nacional – CTN , que seja o art. 150 ou 173, de vez que as competências 11/2003 e  anteriores foram alcançadas pelo instituto da decadência em razão de a construção motivo do  lançamento em comento já ter sido concluída no período decaído.  É como voto,    Ivacir Júlio de Souza ­ Relator                                        Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI

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Numero do processo: 12644.000018/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/07/2007 EXTRAVIO DE MERCADORIA DESTINADA A TRÂNSITO IMEDIATO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. Sendo a mercadoria desembarcada destinada ao trânsito imediato, não sendo objeto, portanto, de armazenamento, permanece a mercadoria sob a custódia do transportador, nos termos da IN/SRF nº. 102/94, sendo deste transportador a responsabilidade pelos tributos e multas incidentes sobre a mercadoria objeto de extravio. Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 86          1 85  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12644.000018/2008­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3202­000.741  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  II. EXTRAVIO DE MERCADORIA.  Recorrente  CARGO SERVICE CENTER BRAZIL SERVIÇOS AUXILIARES DE  TRANSPORTE AÉREO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 19/07/2007  EXTRAVIO  DE  MERCADORIA  DESTINADA  A  TRÂNSITO  IMEDIATO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR.  Sendo a mercadoria desembarcada destinada ao trânsito imediato, não sendo  objeto, portanto, de armazenamento, permanece a mercadoria sob a custódia  do transportador, nos termos da IN/SRF nº. 102/94, sendo deste transportador  a  responsabilidade  pelos  tributos  e  multas  incidentes  sobre  a  mercadoria  objeto de extravio.  Recurso Voluntário negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Os  Conselheiros  Thiago  Moura  de  Albuquerque  Alves  e  Octávio  Carneiro Silva Corrêa votaram pelas conclusões.  Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago  Moura de Albuquerque Alves, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Leonardo Mussi da Silva.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 64 4. 00 00 18 /2 00 8- 81 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     2 Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  o  qual  passo a transcrever:  “Tratam  os  autos  de  notificação  de  lançamento  (fl.  01),  decorrente  de  procedimento de vistoria aduaneira que resultou na cobrança dos tributos incidentes  sobre  a  importação  e  da multa  prevista  pelo  artigo  628,  III,  "d",  do Regulamento  Aduaneiro (Decreto n° 4.543/2002), em razão do extravio de um volume.  Conforme  consta  do  Termo  de  Vistoria  Aduaneira  Oficial  (fls.  26/27  do  Processo  Administrativo  n°  12644.000304/2007­65,  apenso  aos  autos)  e  demais  documentos, a carga amparada pelo Conhecimento Aéreo MAWB 404.1975.5912 /  HAWB 8237854 chegou ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em 09/07/2007,  contendo 01 volume pesando 10,50 kg, com tratamento TC=4 (trânsito imediato).  No momento  de  seu  carregamento  para  trânsito,  a  carga  não  foi  localizada,  tendo a  importadora  ­ Solectron  Industrial, Comercial,  Serviços e Exportadora do  Brasil Ltda.­ solicitado a realização de vistoria aduaneira, em 17/07/2007.  Em 02/08/2007, requerido o volume à depositária para vistoria, foi informado  sua não localização, caracterizando assim a falta da totalidade da carga, constituída  de 550 unidades de circuito integrado, conforme fatura comercial.  A  transportadora  aérea  apresentou,  em  06/08/2007,  seus  esclarecimentos,  alegando que (i) a carga desapareceu de dentro do terminal de cargas da Infraero; (ii)  é a  Infraero quem faz o manuseio da carga e tem o controle total da segurança do  armazém; (iii) logo, a responsabilidade pelo desaparecimento da carga é da Infraero,  depositária legal da mesma.  A fiscalização, todavia, refutou os esclarecimentos prestados pela companhia  aérea, alegando que tais empresas "possuem liberdade de circular dentro da área de  Trânsito Aduaneiro, possuindo Box com segurança própria, efetuando planilhas de  todos  os  volumes  despaletizados".  Nesse  sentido,  e  com  base  nos  normativos  citados,  atribuiu  à  transportadora  aérea  a  responsabilidade  tributária  pelas  mercadorias extraviadas.  Cientificada  da  notificação  de  lançamento  em  10/01/2008,  a  autuada  apresentou impugnação em 14/01/2008 (fls. 05/20), alegando em síntese que:  a) consta no sistema Mantra que a declinada mercadoria estava sob tratamento  de  carga  4  ­  TC4,  ou  seja,  trânsito  imediato,  ficando  expressamente  constatada  a  entrada da mesma  junto ao Terminal de Cargas da Infraero, conforme histórico de  carga ­ importação ­ TECAPLUS, emitido pelo próprio depositário;  b)  em  que  pese  tenha­lhe  sido  atribuída  a  responsabilidade  tributária  pelo  inexplicável desaparecimento da carga em apreço, o efetivo responsável pela falta da  carga é o depositário Infraero, conforme demonstrará;  c)  a  Infraero,  prestadora  de  serviço  público,  opera  com monopólio  absoluto  dos  aeroportos  brasileiros,  sendo  a  única  responsável  pelo  controle  da  entrada  e  saída  de  todas  as  mercadorias  dos  terminais  de  carga  por  ela  administrados  e  monitorados;  d)  como  os  poderes  conferidos  às  empresas  públicas  jamais  podem  ser  delegados  a  entes  particulares,  a  Infraero  não  pode  repassar  à  empresa  transportadora a responsabilidade pela segurança interna do TECA;  e)  a  requerente  não  possui  qualquer  poder  ou  liberdade  para  assegurar  a  integridade  de  sua  carga  no  TECA,  uma  vez  que  tal  função  é  exercida  exclusivamente pela Infraero;  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12644.000018/2008­81  Acórdão n.º 3202­000.741  S3­C2T2  Fl. 87          3 f) a Infraero violou frontalmente o princípio constitucional da eficiência, haja  vista  que  o  desaparecimento  de  carga  do  interior  de  seu  armazém  demonstra  sua  negligência e imprudência, merecendo ser responsabilizada no caso em debate;  g) a tentativa de atribuir a culpa pelo ocorrido à transportadora não exclui sua  responsabilidade, por ser objetiva, com previsão expressa na Constituição Federal;  h)  e  mais,  o  artigo  20  da  Convenção  de  Varsóvia,  legislação  aplicável  ao  transporte  aéreo  internacional,  prevê  que  o  "transportador  não  será  responsável  se  provar que  tomou e  tomaram os  seus prepostos  todas  as medidas necessárias para  que  não  produzisse  o  dano,  ou  que  não  lhes  foi  possível  tomá­las".  Logo,  a  transportadora não pode ser responsabilizada por um fato sobre o qual não possui o  menor controle, qual seja, a segurança no interior do TECA;  i) cita doutrina e jurisprudência para referendar sua tese;  j) acrescenta que o artigo 591 do Decreto n° 4.543/2002 é enfático ao dispor  que  a  responsabilidade  do  extravio  será  de  quem  lhe  deu  causa.  Ora,  o  único  responsável no caso é a Infraero, pelos motivos já exaustivamente elucidados;  k)  o  fato  de  a  IN  102/94 mencionar  que  a mercadoria  em TC­4  fica  sob  a  responsabilidade  do  transportador  não  anula  os  efeitos  e  alcance  do  art.  591,  seja  porque uma IN não tem força para afastar a aplicabilidade de um Decreto; seja em  razão dos critérios da cronologia e especialidade no tocante à aplicação das leis; seja  porque o método de interpretação sistemática e  teológica  revela que a  intenção do  emitente  da  IN  102/94  foi  de  responsabilizar  o  transportador  apenas  pela  guarda  física da mercadoria, não quanto aos danos, avarias ou para efeitos fiscais;  1)  requer,  assim,  seja o presente processo declarado nulo  juntamente  com o  crédito tributário nele lançado.  Em  face  de  defeitos  de  representação,  a  interessada  foi  intimada  em  06/02/2008  (fls.  25/26),  havendo  providenciado  o  saneamento  dos  autos  pelos  documentos juntados às fls. 27/33.”  A DRJ­São Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação (fls. 36/42), nos  termos da ementa transcrita adiante:  Assunto: Imposto sobre a Importação  Fato Gerador: 09/07/2007  Ementa:  VISTORIA  ADUANEIRA.  EXTRAVIO.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  Atribui­se  ao  transportador  aéreo  a  responsabilidade  pelos  tributos  e  multa  incidentes  sobre  o  extravio  de  mercadoria  desembarcada que não  foi  objeto de armazenamento,  conforme  os registros do sistema MANTRA.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  perante  este  Colegiado  (fls.  68/69),  apresentando  as mesmas  razões de defesa  constantes de  impugnação,  quais sejam:  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     4 ­  que  a  carga  desapareceu  dentro  do  terminal  de  cargas  da  Infraero,  sendo  esta quem faz o manuseio da carga e tem o total e irrestrito controle da segurança do armazém;  ­ que a  responsabilidade pelo extravio é única e exclusiva de quem lhe deu  causa, o que, no caso,  seria da  Infraero, vez que ela é a única  responsável pelo Terminal de  Cargas; e  ­ que houve violação ao princípio constitucional da eficiência.  Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  as  demais  condições  de  admissibilidade, razões pelas quais dele conheço.  Trata  a  lide  de  Notificação  de  Lançamento  expedida  pela  Alfândega  do  Aeroporto Internacional de Viracopos/SP (fl. 01), por meio da qual se exige da ora recorrente  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  38.391,40,  referente  ao  IPI­vinculado,  PIS/PASEP­ Importação  e  COFINS­Importação.  A  exigência  dos  tributos  incidentes  na  importação  foi  efetuada em face da transportadora aérea, em razão do extravio total da mercadoria, conforme  apurado no processo administrativo nº. 12644.000304/2007­65.  Em sede de recurso, nenhum elemento novo trouxe a recorrente aos autos que  pudesse eximir­lhe da  responsabilidade pelo  extravio,  tornando  simplesmente  a  repetir  que  a  responsabilidade seria da Infraero, na condição de administradora do Terminal de Cargas onde,  alega, teria ocorrido o predito extravio.   Conforme bem asseverou a autoridade  julgadora de base, consta do sistema  MANTRA  que  a  carga  extraviada  destinava­se  a  trânsito  imediato  (TC=4),  não  sendo,  portanto,  destinada  para  armazenamento.  Tal  fato  não  foi  contraditado  pela  recorrente,  presumindo­se, portanto, como verdadeiro.  Partindo­se  daí,  tem­se  que  a  Infraero  não  pode  ser  responsabilizada  pelo  extravio,  posto  que,  sendo  a  mercadoria  destinada  a  trânsito  imediato,  permaneceu  sob  a  responsabilidade  da  transportadora  até  o  momento  em  que  o  extravio  foi  apurado.  Não  há  qualquer transferência dessa responsabilidade à Infraero pelo simples fato de, quando ocorrido  tal  extravio,  encontrar­se  a  mercadoria  no  Terminal  de  Cargas  de  administração  daquela  empresa pública. É o que se pode inferir do disposto no art. 16 da IN/SRF n º. 102/94. Veja­se:  Art.  16.  A  carga  cujo  tratamento  imediato  não  implique  destinação  para  armazenamento  deverá  permanecer  sob  controle  aduaneiro,  em  área  própria,  previamente  designada  pelo chefe da unidade local da SRF, sob a responsabilidade do  transportador ou do desconsolidador de carga.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12644.000018/2008­81  Acórdão n.º 3202­000.741  S3­C2T2  Fl. 88          5 § 1° A permanência dessa carga nesse local não poderá exceder  vinte e quatro horas da chegada do veículo.  § 2° Nos casos em que o tratamento indicado seja pátio­conexão  imediata,  o  não  cumprimento  do  prazo  previsto  no  parágrafo  anterior  deste  artigo  obrigará  o  transportador  ou  o  desconsolidador  de  carga  a  entregá­la  ao  depositário,  para  armazenamento, sem prejuízo da sanção prevista no inciso I do  art. 24 deste Ato.  § 3° Nos casos em que o tratamento indicado seja pátio, o não  cumprimento do prazo previsto no parágrafo Io deste artigo pelo  importador  com vistas ao desembaraço  implicará na aplicação  da penalidade prevista no parágrafo único do art. 24 deste Ato.  § 4o O disposto neste artigo não impede que, a qualquer tempo, a  fiscalização aduaneira determine o armazenamento da carga ou  proceda à verificação de seu conteúdo.  Se entende a recorrente que a Infraero agiu com negligência, tendo em vista  que, segundo alega, a mercadoria teria desaparecido no Terminal de Cargas administrado por  aquela  empresa  pública,  caberia  à  transportadora  intentar  alguma  reparação  de  danos  contra  aquela empresa na esfera cível, não sendo, entretanto, cabível a responsabilização da Infraero  pelo extravio na esfera tributária.   Isto  porque  o  art.  593  do  Regulamento  Aduaneiro/2002  assegura  a  responsabilidade  do  depositário  apenas  de  mercadorias  que  estejam  sob  sua  custódia,  não  sendo este o caso dos autos, tendo em vista o trânsito imediato a que se destinava a mercadoria.  Razão  assiste  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  ao  afirmar  que  como  a  carga  sob  comento não foi objeto de armazenamento pela Infraero, conforme comprova o extrato do Mantra, é  indiscutível que sua custódia não foi transferida, permanecendo o tempo todo sob a responsabilidade  da  transportadora. Logo, esta é quem deve arcar com o ônus de  indenizar a Fazenda Nacional pelo  extravio verificado.  Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É como voto.  Irene Souza da Trindade Torres                                Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 12466.002610/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2.190          1 2.189  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12466.002610/2005­72  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­000.387  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de junho de 2013  Assunto  CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS  Recorrente  HPR­COMÉRCIO EXTERIOR LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção  de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência.    JOEL MIYAZAKI ­ Presidente.     MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM­ Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joel Miyazaki, Mércia  Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento  e Silva Pinto,  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e  Luciano Lopes de Almeida Moraes.       RELATÓRIO  A  empresa  acima  identificada  recorre  a  este  Conselho  de  Contribuintes,  de  decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integralmente da decisão recorrida,  até então, que transcrevo, a seguir:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 02 61 0/ 20 05 -7 2 Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.002610/2005­72  Resolução nº  3201­000.387  S3­C2T1  Fl. 2.191          2 “A empresa acima qualificada  importou, dentre  tantos outros, amparados nas  Declarações  de  Importação  relacionadas  às  fls.  53  a  60,  produtos  da marca  GUCCI,  AZZARO, GIORGIO, HUGO BOSS,  FORUM TUFI DUEK, CALVIN  KLEIN,  ROCHAS  MONTANA  PARIS,  D’ISSEY,  denominados  Gucci  Nobile,  Gucci  Accenti,  Gucci  Envy  e  Gucci  Rush;  Crhome  Azzaro,  Azzura  Azzaro  e  Azzaro  Pour Homme; Giorgio  Bervely  Hills  e  Red  –  Giorgio  Beverly  Hills  –  Extraordinary; Boss – Hugo Boss – Woman; Fórum Tufi Duek; Contradiction  For Men; Byzance, Lumiere e Ghost; Montana Blu; Lê Feu D’Issey Miyake, que  se  encontram  registrados  no  Ministério  da  Saúde  sob  as  seguintes  referências/protocolos:  2.1282.0333.001­0,  2.1282.0494.001­7,  2.1282.0398.001­5,  2.5000­030649/99­07,  2.1282.0486.001­3,  2.5000­ 044105/99­79, 2.5351­008315/01­28, 2.5000­031331/99­35, 2.5000­031352/99­ 13,  2.5351­015500/00­89,  2.5351­019135/00­27,  2.1282.0666.001­1,  2.5351­ 010611/00­62, 2.5351­010870/00­11, 2.5351/018153/00­73, 2.5351­000143/00­ 08  e  2.1282.0702.001­6,  respectivamente,  classificando­os  no  código  NCM  3303.00.20,  que  é  específica  para  água  de  colônia,  cuja  alíquota  do  IPI,  por  conseguinte, era, à época dos fatos geradores, de 10%.  Retiradas  amostras  dos  produtos  em  questão,  importados  por  meio  das  Declarações  de  Importação  00/0790182­2,  01/0865320­4,  01/0868368­5,  01/0962171­3,  01/1139047­2,  01/1169974­0,  01/1063235­9  e  01/1065995­8,  estas foram enviadas para o Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami,  que  resultou  na  expedição  dos  Laudos  Técnicos  1481.01,  1481.02,  1481.03,  1481.04;  3138.01,  3138.02,  3138.03;  1761.10,  1761.11;  1761.09;  2891.01;  0407.05;  0427.02,  0427.03,  0427.08;  3187.01;  1907.10  (fls.  99  a  151),  que  concluíram  que  os  produtos  acima  mencionados  tratam­se  de  “perfume,  constituído  de  solução  Hidro­Alcoólica  e  Substâncias  Odoríferas,  na  forma  líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho”.  Com  base  nessas  informações  e  no  comando  expresso  no  §  3º  do  art.  30  do  Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97 (produtos  com o mesmo número de protocolo junto ao Ministério da Saúde), a autoridade  autuante concluiu que as mercadorias importadas deveriam ser classificadas no  código  NCM  3303.00.10,  sujeitando­se,  por  conseguinte,  à  alíquota  de  40%  (quarenta por cento) de IPI.  Diante  dessas  constatações,  as  autoridades  lançadoras  procederam à  lavratura dos Autos de Infração de fls. 01 a 92,  formalizando a  exigência do crédito tributário relativo à multa por importação desamparada de  guia  de  importação  ou  documento  equivalente  no  valor  de  R$  281.828,09,  à  multa por mercadoria classificada  incorretamente na nomenclatura comum do  Mercosul  no  valor  de  R$  15.923,33,  à  diferença  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados, na importação (IPI) no valor de R$ 337.820,40, acrescido da  multa de ofício (75%) no valor de R$ 253.365,30 e juros de mora no valor de R$  232.225,23.  Ciente da autuação, a interessada protocolou a impugnação de fls. 1442 a 1453,  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  1454  a  1488,  aduzindo,  em  apertada  síntese, que os produtos importados foram corretamente descritos com todos os  requisitos indicados no Anexo I da IN/SRF 206, de 2002, sendo efetivamente de  Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.002610/2005­72  Resolução nº  3201­000.387  S3­C2T1  Fl. 2.192          3 águas  de  colônia  e  não  perfumes,  não  podendo  prevalecer  às  exigências  decorrentes da diferença de alíquota do IPI e das multas acessórias, por erro de  classificação fiscal e por falta de licença de importação.  Entende  a  impugnante  que  o  teor  de  substâncias  odoríferas  não  é  requisito  essencial a ser  informado na declaração de importação, uma vez que a citada  norma complementar não faz qualquer referência a tal obrigatoriedade.  Ademais,  sustenta  que  somente  o  fabricante  tem  conhecimento  e  competência  para classificar os produtos como água de colônia ou perfume.  Adverte  que  com  a  vigência  da  Lei  9.782/99,  a  ANVISA  passou  a  concentrar  todas  as  atividades  de  regulamentação,  controle  e  fiscalização de  cosméticos,  produtos de higiene pessoal e perfumes, não podendo mais a Receita Federal,  por  perda  de  competência,  definir,  regulamentar  e  fiscalizar  os  produtos  em  questão.  Quanto aos laudos técnicos que fundamentam a desclassificação fiscal, salienta  que  não  têm  o  condão  de  afastar  a  competência  e  respectivo  entendimento  emanado  da  ANVISA,  a  despeito  do  disposto  no  §  3º  do  art.  3º  do  Decreto  70.235/72.  Esclarece  que  a  acusação  fundamentada  no  Decreto  79.094/77  é  incabível,  primeiro  porque  a  Lei  9.782/99,  além  ter  sido  editada  posteriormente  ao  referido  decreto,  é  norma  hierarquicamente  superior,  depois  porque  fere  o  Tratado de Assunção, ao considerar que águas perfumadas, águas de colônia,  loções  e  similares  são  produtos  constituídos  pela  dissolução  de  até  10%  (dez  por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, sendo  que nos demais países do Mercosul não há essa distinção, e, portanto, a carga  fiscal  é  menor  para  a  importação  de  perfumes,  impondo,  por  conseguinte,  política comercial distinta em relação aos demais Estados­Parte.  Quanto  à  exigência  da  multa  de  ofício  do  IPI  salienta  sua  natureza  confiscatória, por conta do percentual de 75%; portanto, em desarmonia com o  texto constitucional.  Ao  final,  considerando as  razões  apresentadas,  a  impugnante  requer  que  seja  anulado  o  Auto  de  Infração  em  comento,  cancelando­se,  em  conseqüência,  a  exigência fiscal nele formalizada.  Conforme  o  expediente  de  fls.  1490,  o  processo  foi  encaminhando  para  julgamento.  Em  atendimento  ao  disposto  no  Memorando  41/2006/SECAT/ALF/VIT,  de  26.10.2006,  foi  autorizada  a  juntada  das  cópias  do  processo  12466.001798/2006­12,  que  tem  como  assunto  “Procedimento  Especiais  Aduaneiros – Aduana” (fls. 1491 a 1694).  Este é o Relatório.”  Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.002610/2005­72  Resolução nº  3201­000.387  S3­C2T1  Fl. 2.193          4 O pleito foi  julgado procedente em parte, no julgamento de primeira instância,  nos  termos  do Acórdão DRJ/FNS  no  07­12.358,  de  14/03/2008,  às  fls.  1696/1703,  proferida  pelos  membros  da  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis/SC, cuja ementa foi dispensada, de acordo com a Portaria SRF 1.364, de 10 de  novembro de 2004.  A decisão foi no sentido de julgar procedente em parte o lançamento do crédito  tributário, mantendo o IPI de R$ 337.820,40, e respectivos juros de mora, a multa proporcional  ao valor aduaneiro de R$ 15.923,33, reduzindo a multa de 75% do IPI para R$ 24.657,10 e a  multa por falta de LI para R$ 27.240,37; convertendo a outra parcela da multa de 75% do IPI,  reduzindo­a, para multa de mora (20%), de R$ 228.708,20 para R$ 60.988,85.  Regularmente  cientificado  do  Acórdão  proferido,  o  Contribuinte,  tempestivamente,  protocolizou  o  Recurso  Voluntário,às  fls.  568/701,  no  qual,  basicamente,  reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória.   A  interessada  apresenta,  tempestivamente,  recurso  voluntário,  repisando  praticamente  os  mesmos  argumentos  anteriores.  Ressaltando  o  pedido  de  realização  de  diligência formulado.  Foi  convertido  o  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA,  conforme Resolução  n°  3201­00.126, de 29/04/2010, nos termos abaixo:  ­encaminhamento  ao  Instituto  Nacional  de  Tecnologia­INT,  para  emissão  de  novo  laudo,  com os devidos esclarecimentos, pelos motivos abaixo:  1º)­para identificar o % (percentual) de concentração do elemento odorífero dos produtos em  litígio que compõem estes autos.  2°) –se os produtos contêm água na formulação? Se sim, qual o %?  3°)­qual o título e graduação do % de álcool empregado?  ­Emitir  o  laudo  sem  as  observações  excludentes  da  NOTA  COANA/COTAC/DINOM  N°  253/2002.  ­Acrescentar algum comentário, se achar necessário, pelo entender do técnico responsável,.  Por  outro  lado,  tendo  em  vista  que  o  litígio  refere­se  à  desclassificação  fiscal  dos  produtos  importados,  e  consequente  exigência,  dentre  elas,  da Multa  ao  Controle  Administrativo  das  Importações; sugiro que baixe em diligência, para que a Delegacia de origem responda:  ­se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, as importações, acobertadas através das  Declarações de Importações de n ° 00/0790182­2, 01/0865320­4, 01/0868368­5, 01/0962171­ 3,  01/1139047­2,  01/1169974­0,  01/1063235­9  e  01/1065995­8,  estavam  sujeitam  a  licenciamento não­automático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou  não­automática.  (as  outras  DI,  que  se  utilizaram  de  prova  emprestada,  já  foram  afastadas  algumas penalidades, de acordo com a decisão de primeira instância).  Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.002610/2005­72  Resolução nº  3201­000.387  S3­C2T1  Fl. 2.194          5 Entendo,  pois,  que  constatado  o  erro  de  classificação  tarifária,  em  situações  nas  quais  a  mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse  erro remete à exigência de novo licenciamento ou não.  Foi dada ciência à empresa do resultado da diligência e a mesma manifestou­se.  O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para  prosseguimento.  É o relatório.  VOTO   Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.   O litígio refere­se à classificação fiscal dos produtos importados  Observada  uma  falha  processual,  mas  passível  de  ser  sanada,  a  ausência  da  ciência à PGFN do resultado da diligência, para sua manifestação, se assim desejar.  Dessa  forma,  voto  por  que  se  CONVERTA  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA para:  ­seja  dada  ciência,  também,  a  PGFN  do  resultado  da  diligência  demandada,  através da Resolução 3201.00.126, em respeito ao princípio do contraditório.  Por  fim,  devem  os  autos  retornar  a  esta  Conselheira  para  prosseguimento  no  julgamento.  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Relator     Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI

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Numero do processo: 35564.006094/2006-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2005 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543-C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS. Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a NFLD preenche todos os requisitos legais, motivo pelo qual não poderá ser decretada nula. CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NFLD. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na NFLD não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequencia para esses sócios-gerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. AFERIÇÃO INDIRETA. INOCORRÊNCIA. A aferição indireta só ocorrerá se houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação for deficiente, hipótese em que o fisco, sem prejuízo da penalidade cabível, estará autorizado a inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. No caso em tela, o procedimento não foi utilizado. PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente autuação, foi verificado que ocorreu o pagamento habitual, aos segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao trabalho, revestindo-se tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição destinada ao INCRA, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, em conformidade com o disposto nas Leis n. 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. SUCESSÃO EMPRESARIAL - TRIBUTO E MULTA MORATÓRIA. COBRANÇA DEVIDA. A pessoa jurídica de direito privado que suceder outra responde integralmente pelos tributos devidos e pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.268
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares por maioria de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/2000, inclusive, com base no art. 173, I, do CTN; vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o  RESP  n  973.733/SC  decidiu  que  o  art.150,§  4º  do  Código  Tributário  Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento,  caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.  NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS.  Sendo  constatada  a  ausência  de  motivos  para  que  a  NFLD  seja  declarada  nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a  NFLD preenche todos os  requisitos  legais, motivo pelo qual não poderá ser  decretada nula.  CORRESPONSÁVEIS.  SÓCIOS.  NFLD.  SIMPLES  INDICAÇÃO.  AUSÊNCIA DE VÍCIO.   A  indicação  de  sócios  na  NFLD  não  pode  ser  interpretada  como  conduta  prejudicável  ao  sujeito  passivo,  tendo  em  vista  que  tal  ato  constitui  em  simples  relação  dos  sócios  da  empresa  à  época  da  autuação,  não  havendo  qualquer  tipo de consequencia para esses sócios­gerentes, o que só ocorrerá  em  sede  de  execução  fiscal,  após  serem  preenchidos  os  requisitos  legais  autorizadores.  AFERIÇÃO INDIRETA. INOCORRÊNCIA.  A  aferição  indireta  só  ocorrerá  se houver  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  for  deficiente,  hipótese  em  que o fisco, sem prejuízo da penalidade cabível, estará autorizado a inscrever  de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado  o  ônus  da  prova  em  contrário,  conforme possibilita o  §  3°, Art.  33,  da Lei  8.212/1991. No caso em tela, o procedimento não foi utilizado.  PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA  SALARIAL.  INCIDÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  VALOR  ACRESCIDO  DE  MULTA  E  JUROS  COM  BASE  NA  TAXA  SELIC.  ART.35 DA  LEI N  8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106,  INCISO  II,  ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.  Na presente autuação,  foi verificado que ocorreu o pagamento habitual,  aos  segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao  trabalho,  revestindo­se  tais  verbas  de  caráter  salarial,  razão  pela  qual  a  contribuição  social previdenciária  incidirá com o recálculo da multa de mora e dos  juros  com  base  na  taxa  SELIC  na  forma  do  art.35  da  Lei  n  8.212/91,  que  foi  alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106,  II, c do CTN.  CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LEGALIDADE.  É legítima a cobrança da contribuição destinada ao INCRA, por se tratar de  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico,  destinada  aos  programas  e  projetos  vinculados  à  reforma  agrária  e  suas  atividades  complementares,  foi  recepcionada  pela  Constituição  Federal  de  1988  e  continua  em vigor  até  os  dias  atuais,  em  conformidade  com o  disposto nas  Leis n. 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91.  SUCESSÃO  EMPRESARIAL  ­  TRIBUTO  E  MULTA  MORATÓRIA.  COBRANÇA DEVIDA.  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 530          3 A  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  suceder  outra  responde  integralmente  pelos  tributos  devidos  e  pela  multa  decorrente,  seja  ela  de  caráter moratório ou punitivo.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, nas preliminares por maioria de voto, em  dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/2000,  inclusive, com base no art. 173,  I, do CTN; vencido o conselheiro  Ivacir  Julio de Souza. No  mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a  multa  de  mora  de  acordo  com  a  redação  do  artigo  35  da  Lei  8.212/91,  dada  pela  Lei  11.941/2009,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  fazendo  prevalecer  a mais  benéfica  ao  contribuinte.  Vencido  o  conselheiro  Paulo Maurício  Pinheiro  Monteiro na questão da multa de mora.      Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente.    Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator.     Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Cid  Marconi  Gurgel  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Maria  Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto.  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4   Relatório  Trata­se de recurso voluntário apresentado às fls.490 a 523 contra decisão da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II/SP (fls. 463 a 482) que  julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na NFLD nº 37.011.367­5  no valor originário de R$ 837.620,85 (oitocentos e trinta e sete mil, seiscentos e vinte reais e  oitenta e cinco centavos), sendo tal numerário reduzido para R$ 721.731,64 (setecentos e vinte  e  um  mil,  setecentos  e  trinta  e  um  reais  e  sessenta  e  quatro  centavos)  após  decisão  de  1  instância que excluiu da tributação os bônus pagos aos funcionários que completaram 25(vinte  e cinco) anos de serviço.  Segundo o relatório fiscal às fls. 51 a 84, a empresa foi autuada por não ter  recolhido em época própria as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social (rúbricas:  patronal, SAT/RAT e terceiros) incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados  através dos cartões administrados pela empresa Incentive House durante o período 11/2000 a  12/2005 não contínuo.  Durante  a  ação  fiscal,  foi  verificado  o  “contas  a  pagar”  da  empresa,  tendo  sido  constatado  que  vários  segurados  estavam  sendo  premiados  com  créditos  emitidos  pela  Incentive  House.  Assim,  a  auditoria  elaborou  uma  planilha  com  a  identificação  de  cada  beneficiário, bem como a data que o crédito foi disponibilizado.  Foi informado ainda que há valores pagos pela empresa Agip Distribuidora,  conforme identificado em planilha no relatório fiscal, tendo em vista que esta foi incorporada  pela recorrente Liquigás Distribuidora AS.  Desta  autuação,  a  recorrente  foi  notificada  em  31/10/2006  e  apresentou  impugnação às fls. 96 a 145, alegando em síntese:  Preliminarmente  ­ A tempestividade da impugnação;  ­ A nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, tendo em vista a falta de  indicação  de  motivo  pelo  qual  os  valores  pagos  pela  Incentive  House  deveriam integrar o salário de contribuição;  ­ Que não  foi  verificado pela  fiscalização,  individualmente,  os pagamentos  efetuados  pela  Incentive House,  pois  só  poderão  ser  integradas  à  base  de  cálculo da exação as verbas pagas com habitualidade ou desvinculadas do  salário;  ­  Ser  causa  de  nulidade  a  realização  de  lançamento  mediante  aferição  indireta,  sem  haver  a  indicação  legal  do  art.33,  parágrafo  3,  da  Lei  n  8.212/91;  ­ A ocorrência de decadência parcial relativa ao período 12/2000 a 09/2001;  ­ A ilegalidade da inclusão de diretores como corresponsáveis, sem a devida  comprovação da responsabilidade pessoal;  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 531          5 ­  Que  o  lançamento  é  nulo  por  ausência  de  prova  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária, pois não se comprovou que os valores  faturados pela  Incentive House foram repassados aos empregados da Liquigas;  No mérito:  ­ Ser a premiação uma verba indenizatória por ter a finalidade de aumentar  a  eficiência  do  trabalhador  e  também  da  sua  auto­estima,  tendo  sido  o  pagamento  efetuado  com  três  tipos  de  verbas  (prêmio  em  razão  do  desempenho  individual  do  funcionário;  bônus  pago  aos  funcionários  que  complementaram  25  anos  de  serviço;  abono  eventualmente  pago  a  determinados  funcionários),  as  quais  tiveram  suas  características  bem  informadas ao longo da defesa;  ­ Ser inexigível a contribuição destinada ao INCRA;  ­  Ser  indevida  a  aplicação  da  multa  por  ato  praticado  pela  empresa  sucedida;  ­ Que é ilegal os juros com base na taxa SELIC.  Ao  final,  requereu  o  conhecimento  e  o  provimento  da  impugnação  apresentada,  para que  fosse  acolhida a preliminar de  cerceamento de defesa,  determinando a  nulidade ab initio de todo o lançamento.  Sucessivamente, ultrapassada a primeira preliminar,  requereu o acolhimento  da preliminar de ilegalidade de inclusão dos diretores da empresa como corresponsáveis, bem  como  postulou  o  reconhecimento  da  nulidade  do  lançamento  por  ausência  de  prova  de  ocorrência do fato gerador.  Ainda,  requereu,  na  análise  do  mérito,  o  provimento  total  da  impugnação  para  que  fosse  reconhecida  a  natureza  indenizatória  das  verbas  pagas  pela  empresa  impugnante.  Alternativamente,  requereu, em caso de manutenção do crédito  tributário, o  afastamento de cobrança da contribuição destinada ao INCRA, da multa e dos juros com base  na taxa SELIC.  Às fls. 334, há despacho da Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo  determinando  esclarecimentos  acerca  da  afirmação  de  que  o  lançamento  foi  efetuado  por  arbitramento sem indicação legal, bem como dos tipos de verbas pagas (se estão no conceito de  remuneração ou se  foram recebidas a  título de ganhos eventuais) e das notas  fiscais emitidas  pela Incentive House (fls.181 a 185).  Em  resposta  à  diligência  solicitada,  o  auditor  fiscal  apresentou  esclarecimentos informando que não houve desconsideração da contabilidade da empresa, pois  foram analisadas as folhas de pagamento RAIS e GFIP, mas como os valores pagos a título de  premiação  não  estavam  incluídos  em  folha,  foram  considerados  os  valores  informados  pelo  Setor de Contas a Pagar.  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 Além  disso,  foi  procedida  à  exclusão  dos  valores  pagos  pela  notificada  a  título de abono de 25 anos de serviços,  tendo  ficado o débito original  retificado conforme o  DAD anexado às fls.458/462.  Às  fls.414  a  451,  foi  ofertada  impugnação  à  diligência  realizada,  sem,  todavia, serem apresentados novos argumentos.  Instada a manifestar­se acerca da impugnação e da defesa complementar, a 8  turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento de São Paulo  II/SP proferiu  decisão às fls.463 a 482 (acórdão n° 17­25.095) nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2005  PRÊMIO. NATUREZA SALARIAL.  Somente os valores pagos ou creditados aos empregados a titulo  de  prêmios  de  incentivo  ao  incremento  da  produtividade  constituem base de cálculo de contribuições previdenciárias.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  Não  há  cerceamento  de  defesa  quando  estão  discriminados  na  Notificação,  no  Relatório  Fiscal  e  seus  anexos,  os  fatos  geradores  das  ,  contribuições  lançadas  e  os  dispositivos  legais  que amparam o lançamento do crédito previdenciário.  AFERIÇÃO INDIRETA.  A aferição indireta é procedimento de exceção, e tem por escopo  permitir A Fiscalização da Receita Federal do Brasil estimar o  salário  de  contribuição  das  contribuições  previdenciárias  devidas, quando o contribuinte não cumpre seu dever de prestar  informações A autoridade fiscal. Não há de se falar na aplicação  do  referido  procedimento,  quando  restou  constatado  que  a  Fiscalização  apurou  diretamente  a  base  de  cálculo  através  de  informações provenientes da contabilidade da notificada.  DECADÊNCIA.  0 prazo decadencial de 10 anos para a  constituição do crédito  previdenciário  decorre  de  norma  rígida.  A  Lei  Complementar  estabelece diretrizes e normas gerais, cabendo ao ente tributante  a edição de normas especificas.  RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS / ADMINISTRADORES.  A  inclusão dos  sócios  e administradores da empresa notificada  no  anexo  denominado  "Relatório  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP" não implica em inclusão imediata dos mesmos no pólo  passivo do débito, posto que tal documento serve como subsidio  à Procuradoria Federal para futuro e eventual redirecionamento  da cobrança do débito previdenciário.  INCRA  É  legitima  a  cobrança  das  contribuições  para  o  INCRA,  posto  que  esta  não  foi  extinta  com  a  edição  das  Leis  n.°  8.212/91  e  8.213/91, conforme entendimento do STJ.  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 532          7 JUROS  ­  TAXA  SELIC  Contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas  pela  Receita  Federal  do  Brasil  não  recolhidas no prazo legal,  ficam sujeitas aos  juros equivalentes  A taxa referencial do SELIC, de caráter irrelevável, conforme o  disposto no artigo 34 da Lei 8.212/91.  MULTA.  EXIGIBILIDADE  POR  ATO  PRATICADO  PELA  EMPRESA SUCEDIDA.  A  empresa  sucessora  responde  integralmente  pelos  tributos  devidos  e  pela multa  decorrente,  seja ela de  caráter moratório  ou  punitivo,  nos  termos  dos  artigos  132  e  133  do  Código  tributário Nacional e 1.116 do Código Civil de 2002.  Lançamento Procedente em Parte  Irresignada  com  a  decisão  de  1  instância,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário às fls. 490 a 523, ratificando os mesmos argumentos apresentados em impugnação.  No pedido,  requereu  o  conhecimento  e o  provimento  do  recurso  voluntário  para que a decisão de 1 instância fosse modificada e a NFLD fosse declarada nula, em razão do  cerceamento  de  defesa,  da  extinção  do  crédito  tributário  pela  decadência  e  da  ausência  de  prova da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.  Alternativamente, requereu que fosse modificada a decisão recorrida para que  a NFLD fosse julgada improcedente.  É o relatório.  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8   Voto             Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator.  DA PRELIMINAR  I – DA DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL:  A  recorrente  alega  ter  ocorrido  a  decadência  quinquenal,  com  base  no  art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional, das competências 12/2000 a 09/2001, em  razão da ciência do débito ter ocorrido em 31/10/2006.  Todavia,  cabe destacar que antes de  ser analisada  a ocorrência do  instituto,  algumas considerações devem ser tecidas.  As controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e  no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os  valores  devidos  a  título  de  contribuições  previdenciárias  tiveram  seu  fim  com  o  advento  da  Súmula  Vinculante  n°  8,  a  qual  reconheceu  como  inconstitucionais  os  arts.45  e  46  da  Lei  n°8.212/91.  Ambos  os  dispositivos  previam  que  os  prazos  para  a  Seguridade  Social  apurar e cobrar os seus créditos extinguiam­se com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não  aplicação  do  prazo  previsto  no Código Tributário Nacional  de  que  os  créditos  tributários  só  poderiam ser apurados ou cobrados até 5  (cinco) anos a contar do marco  inicial estabelecido  pelo CTN.  Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e  46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição  da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis:  Súmula  Vinculante  nº  8“São  inconstitucionais  os  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.  Sabe­se ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração  Pública,  conforme  previsão  do  art.103­A  da  Constituição  Federal,  motivo  pelo  qual  este  Colegiado deve aplicar o entendimento acima.  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 533          9 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há  que  serem observadas  as  regras previstas no Código Tributário Nacional,  o qual disciplina  a  decadência no art. 173, I e no art. 150, § 4.  Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extingue­se em cinco  anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador  e  a  do  173,  I,  é  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,  por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.   Código Tributário Nacional  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homolo¬gação do lançamento.  §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  an¬teriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito passivo  ou  por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco)  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  * * *  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.”  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   10 Pelo  exposto,  percebe­se  que  o  marco  inicial  da  decadência  diverge  no  Código  Tributário  Nacional.  A  regra  exposta  no  art.173,  inciso  I  é  aplicável  às  espécies  tributárias que não estão  sujeitas  ao  lançamento por homologação, pois  as que se  sujeitam a  este  tipo  de  lançamento  têm  o  prazo  decadencial  regulado  pelo  art.150,  §4°  do  CTN.  Este  entendimento é pacífico na doutrina pátria1:  O  início  do  prazo  de  decadência  do  direito  de  lançar,  em  se  tratando  de  tributo  ordinariamente  sujeito  a  lançamento  por  homologação, começa na data do fato gerador do tributo a que  se referir o lançamento.   Não  obstante  a  consideração  de  que  o  art.150,  §4°  do  Código  Tributário  Nacional aplica­se aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse  Conselho só  tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o  recolhimento da exação, em  virtude  do  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  na  decisão  do  Recurso  Especial  n  973.733/SC  (Informativo  n  402/STJ),  na  qual  teve  como  ponto  pacífico  a  aplicação  do  dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições.   Desse modo,  deve  esse  Conselho  sujeitar­se  à  regra  definida  pelo Colendo  Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis:   Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso  voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, faz­se necessária a vinculação deste  voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo  em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543­C do Código  de Processo Civil.   No  caso  em  tela,  a  notificação  ocorreu  em  31/10/2006  e  foi  verificada  a  ausência de recolhimento, motivo pelo qual o critério de contagem para fins de decadência será  o  previsto  no  art.173,  I,  do  Código  Tributário  Nacional.  Por  essa  sistemática,  apenas  a  competência  11/2000  está  decadente,  tendo  em  vista  que  o  fisco  poderia  apurá­la  até  01/01/2006 (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito  poderia ter sido lançado), o que só foi feito em 31/10/2006, ou seja, ocorreu a decadência desse  período.  Por  todo o exposto, acato a preliminar ora examinada e passo ao exame do  mérito das demais competências.  II  – AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA E DE MOTIVO  PARA A NULIDADE DA AUTUAÇÃO:  Ainda em sede de preliminar, alega a recorrente que a NFLD nº 37.011.367­5  foi lavrada sem substrato legal, o que motiva a decretação de nulidade da autuação.                                                              1  MACHADO,  Hugo  de  Brito.  Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário  Brasileiro.  In  MARTINS,  Ives  Gandra da Silva (Coord.), Curso de direito tributário. 11ed. São Paulo. Saraiva,2009, p.208.  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 534          11 Todavia, analisando a peça que acompanha a NFLD citada, percebe­se que  todos  os  requisitos  legais  foram  atendidos  quando  da  realização  do  lançamento  do  crédito,  tanto  é  que  os  débitos  estão  discriminados  no  relatório  fiscal  e  suas  fundamentações  encontram­se em um dos anexos da NFLD, quais sejam, o FLD (fls.45 a 48).  Além disso, diferentemente do que alega a recorrente, consta com clareza no  relatório  fiscal  o  momento  em  que  o  fato  gerador  ocorre  –  pagamento  aos  segurados  empregados através de cartões premiações administrados pela empresa Incentive House.  Com  o  pagamento  dessas  premiações  aos  segurados  empregados,  o  fato  gerador da contribuição social previdenciária ocorre nos moldes do art.22,I da Lei n 8.212/91,  dispositivo presente no anexo FLD, in verbis:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  Ademais,  todas  as  informações  que  pudessem  auxiliar  o  sujeito  passivo  na  protocolização de sua defesa, caso se sentisse prejudicado pela autuação, foram comunicadas  pelo anexo IPC – Instruções Para o Contribuinte, de modo a assegurar a garantia constitucional  do contraditório e da ampla­defesa do contribuinte.  Deste modo, não há como ser alegado o cerceamento do direito de defesa da  recorrente, tendo em vista que foram respeitados todos os ditames legais.  III – DA INDICAÇÃO DOS SÓCIOS – AUSÊNCIA DE VÍCIOS:.  A  recorrente  alega  ainda  que  a  indicação  dos  sócios  da  pessoa  jurídica  recorrente é  ilegal,  tendo em vista que  a  fiscalização não provou  a ocorrência dos  requisitos  que autorizam a responsabilidade pessoal pelo pagamento do débito exigido.  Entretanto,  cabe  esclarecer  que  a  relação  de  corresponsáveis,  anexada  aos  autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da  obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do  sujeito  passivo  que,  eventualmente,  poderão  ser  responsabilizadas  na  esfera  judicial,  na  hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só  ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o §3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e  após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa.  A  responsabilização  dos  sócios  somente  ocorrerá  por  ordem  judicial,  nas  hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a  Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   12 pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim,  esta  discussão  é  inócua  na  esfera  administrativa,  sendo mais  apropriada  na  via  da  execução  judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação  do crédito.   Ademais,  os  relatórios  de  Co­Responsáveis  e  de  Vínculos  fazem  parte  de  todos  os  processos  como  instrumento  de  informação,  a  fim  de  se  esclarecer  a  composição  societária  da  empresa  no  período  do  lançamento  ou  autuação,  relacionando  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas,  representantes  legais  do  sujeito  passivo,  indicando  sua  qualificação  e  período de atuação.  O  art.  688  da  Instrução  Normativa  INSS/DC  de  18/12/2003,  determina  a  inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo­fiscais e esclarece:  Art.  688.  Constituem  peças  de  instrução  do  processo  administrativo­fiscal  previdenciário,  os  seguintes  relatórios  e  documentos:   X  ­ Relação de Co­Responsáveis  (CORESP), que  lista  todas as  pessoas  físicas  e  jurídicas  representantes  legais  do  sujeito  passivo, indicando sua qualificação e período de atuação;   XI  ­  Relação  de  Vínculos  (VÍNCULOS),  que  lista  todas  as  pessoas  físicas  ou  jurídicas  de  interesse  da  administração  previdenciária  em  razão  de  seu  vínculo  com  o  sujeito  passivo,  representantes  legais  ou  não,  indicando  o  tipo  de  vínculo  existente e o período correspondente;   O  art.  660  da  Instrução  Normativa  SRP  n°  03  de  14/07/2005  determina  a  inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo­fiscais e esclarece:  Art.  660.  Constituem  peças  de  instrução  do  processo  administrativo­fiscal  previdenciário,  os  seguintes  relatórios  e  documentos:  (...)  X ­ Relação de Co­Responsáveis ­ CORESP, que  lista todas as  pessoas  físicas  e  jurídicas  representantes  legais  do  sujeito  passivo, indicando sua qualificação e período de atuação;  XI  ­  Relação  de  Vínculos  ­  VÍNCULOS,  que  lista  todas  as  pessoas  físicas  ou  jurídicas  de  interesse  da  administração  previdenciária em razão de  seu vínculo com o sujeito passivo,  representantes  legais  ou  não,  indicando  o  tipo  de  vínculo  existente e o período correspondente;  Por fim, entendo que a indicação dos sócios­gerentes não representa nenhum  vício na NFLD do presente caso, motivo pelo qual entendo que não seja caso de nulidade.  IV – DA ALEGAÇÃO DE AFERIÇÃO INDIRETA – INOCORRÊNCIA:  A  recorrente  afirma  ainda  que  a  fiscalização  desconsiderou  os  documentos  apresentados  em  ação  fiscal,  o  que  não  aconteceu,  tendo  em  vista  que  a  auditoria,  ao  ter  encontrado indícios para proceder ao lançamento (ocorrência de pagamentos através de cartões  premiação),  considerou  os  valores  informados  em  “contas  a  pagar”,  face  à  ausência  dessa  informação em folha de pagamento.  Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 535          13 Tais  valores,  portanto,  foram  considerados  como  remuneração  e,  portanto,  devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em respeito ao art.22, I, da  Lei n 8.212/91.  DO MÉRITO:  I  –  DA  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  OS  VALORES  RECEBIDOS  PELOS  SEGURADOS  EMPREGADOS  A  TÍTULO  DE  PREMIAÇÃO:  Segundo  o  relatório  fiscal  da  NFLD  n°  37.011.367­5,  o  fato  gerador  da  contribuição social previdenciária a cargo da empresa prevista no art.22, I, da Lei n 8.212/91,  ocorreu com o pagamento das premiações/remunerações aos segurados empregados através de  cartões premiações, que são fornecidos e administrados pela empresa Incentive House S/A,  in  verbis  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  Desse  modo,  o  trabalho  dos  segurados  empregados  será  remunerado  por  verbas de qualquer título. No caso em tela, as premiações pagas através dos cartões e cupons  PREMIUM CARD e FLEX CARD têm como objetivo remunerar os empregados que atinjam  suas metas, sendo, portanto, esses pagamentos, uma espécie de estímulo aos trabalhadores para  que aumentem sua produtividade.  Todavia, mesmo entendendo que os pagamentos através das premiações são  feitos a quem atingir as metas previstas contratualmente, deve­se analisar a frequência com a  qual esses beneficiados são pagos, tendo em vista que esse pagamento só fará parte da base de  cálculo do tributo em comento se estiver caracterizada a habitualidade.  Destaque­se que a fiscalização informou no relatório fiscal que as premiações  foram pagas durante 11/2000 a 12/2005.  Analisando  os  autos,  verifiquei  a  eventualidade  no  pagamento  em  alguns  anos,  como, por exemplo,  em 2001, no qual  apenas uma  funcionária  recebeu o prêmio duas  vezes,  já  em  2000,  todos  só  receberem  uma  única  vez  e,  nos  demais  anos,  ocorreu  a  habitualidade no pagamento.   Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   14 Por tal motivo, os prêmios pagos esporadicamente deveriam ser excluídos da  tributação. Para isso, foi solicitada a realização de uma diligencia (fls.370) , a qual resultou na  exclusão desses valores pagos eventualmente e dos valores pagos a título de abono.  Sendo  assim,  os  únicos  valores  que  restaram  na  NFLD,  foram  pagos  habitualmente, de acordo com a documentação juntada pela empresa e pelo fisco.   Sobre  esse  requisito  ser  essencial  para  caracterizar  a  natureza  dos  valores  recebidos  pelos  empregados,  o  Supremo  Tribunal  Federal  manifestou  seu  entendimento,  através da Súmula nº 209:  Súmula  209  –  Salário­Prêmio,  salário  –produção.  O  salário­ produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido,  desde  que  verificada  a  condição  a  que  estiver  subordinado,  e  não  pode  ser  suprimido,  unilateralmente,  pelo  empregador,  quando pago com habitualidade.  Portanto, considerando que a Lei n 8.212/91 determinou que sobre todos os  créditos  e  rendimentos  recebidos  pelos  empregados,  inclusive  prêmios,  pagos  com  habitualidade, com a finalidade de  remunerar o  trabalho prestado, deva  incidir contribuição  social  previdenciária,  entendo  que  no  caso  em  tela  a  incidência  deve  ser  mantida  de  modo  integral, não podendo prevalecer as alegações da nobre recorrente.   II  –  DA  LEGALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  DESTINADA  AO  INCRA  Sendo  mantida  a  cobrança  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  prêmios  e,  considerando que a fiscalização lançou crédito sob as rubricas empresa, SAT/RAT e terceiros,  impende­se analisar a legalidade ou não da contribuição destinadas a outras entidades (terceiros  – INCRA).  A  recorrente  alega  ainda que  a  contribuição destinada  ao  INCRA não deve  ser  exigível,  face  à  sua  ilegalidade,  trazendo  para  fundamentar  seu  pleito  julgados  do  Eg.  Superior Tribunal de Justiça, que entendiam pela inexigibilidade da exação.  Ocorre  que,  a  contribuição  ao  INCRA  é  uma  contribuição  social  criada  no  interesse  de  promover  e  equilibrar  o  ambiente  rural  e  não  há  exigência  legal  para  que  as  empresas contribuintes tenham qualquer vínculo com o setor rural ou mesmo com o regime de  previdência  dos  rurícolas,  tendo  inclusive  a  discussão  acerca  dessa  matéria  (ser  ou  não  a  contribuição ao INCRA exigível) sido pacificada em julgado da 2 Turma do STJ, in verbis:  AGRESP 200901955786  TRIBUTÁRIO  –  PROCESSUAL  CIVIL  –  INEXISTÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC  –  PRESCRIÇÃO  –  NULIDADE  CDA  –  REEXAME  DE  MATÉRIA  FÁTICA  –  SÚMULA 7/STJ – CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA –  LEGALIDADE  –  RECURSO  REPETITIVO  –  TAXA  SELIC  –  APLICABILIDADE AOS DÉBITOS FISCAIS EM ATRASO.   1.  Inexiste  violação  do  art.  535  do  CPC  quando  a  prestação  jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida.   2.  Para  aferição  da  certeza  e  liquidez  da  Certidão  da  Dívida  Ativa ­ CDA, bem como da presença dos requisitos essenciais à  sua  validade  e  regularidade,  é  indispensável  o  reexame  de  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 536          15 matéria  fática  ­  apreciação  incabível  em  sede  de  recurso  especial por esbarrar no óbice da Súmula 7/STJ.  3.  A  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  julgamento  do  REsp  977.058/RS,  submetido  ao  procedimento  previsto  no  543­C  do  CPC  firmou  o  posicionamento no sentido de que a contribuição ao Incra,  por  se  tratar  de  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico,  destinada  aos  programas  e  projetos  vinculados  à  reforma  agrária  e  suas  atividades  complementares,  foi  recepcionada  pela  Constituição  Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, em  conformidade com o disposto nas Leis n. 7.787/89, 8.212/91  e 8.213/91.  4.  É  assente  a  jurisprudência  desta  Corte  quanto  à  aplicabilidade da taxa SELIC sobre os débitos fiscais pagos  em atraso. Agravo regimental improvido.  Decisão:  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da  Segunda  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça:  "A  Turma,  por  unanimidade,  negou  provimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do(a)  Sr(a). Ministro(a)­Relator(a)." Os  Srs. Ministros Herman  Benjamin, Mauro Campbell Marques,  Eliana Calmon  e  Castro  Meira  votaram  com  o  Sr.  Ministro  Relator.  (STJ,  2  Turma,  AGRESP 200901955786, Min. Relator Humberto Martins, DJ de  12/04/2010.)  Portanto, não há o que se alegar acerca da inexigibilidade desse tributo, tendo  em vista sua aceitação pela Constituição Federal de 1988 ter ocorrido como espécie tributária  CIDE,  motivo  pelo  qual  sua  validade  deve  permanecer  gerando  efeitos  no  ordenamento  jurídico pátrio.  III  –  DA  MULTA  MORATÓRIA  E  DOS  JUROS  COM  BASE  NA  TAXA SELIC:  Considerando  a  manutenção  da  cobrança  com  relação  às  demais  competências que não foram acobertadas pela , cabe destacar que esta será acrescida de multa  moratória e juros na forma do art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, in verbis:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  Sobre  a  aplicação  deste  dispositivo,  o  qual  prevê multa  de  0,33%  ao  dia  e  limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   16 época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do  Código Tributário Nacional.  Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais,  inclusive contribuições sociais, registre­se que a legislação de regência à época do fato gerador,  a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis::  Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Restabelecido  com  redação  alterada  pela  MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A  atualização  monetária  foi  extinta,  para  os  fatos  geradores  ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa  de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)  Entretanto,  a  Lei  n  11.941/2009  revogou  o  dispositivo  acima  e  deu  nova  redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos  tributários a nível  federal,  teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então  vejamos:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).    LEI N 9.430/96  Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de  tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do art. 5º, a  partir  do  primeiro  dia  do mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 537          17 Art. 5º(...)  (...)  § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC,  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados  a  partir  do  primeiro  dia  do  segundo  mês  subseqüente  ao  do  encerramento  do  período  de  apuração  até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por  cento no mês do pagamento.  A propósito, convém ainda mencionar que esse Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais – CARF, aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos:  SÚMULA Nº 4 – CARF: A partir de 1º de abril de 1995,os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.  Portanto,  a  aplicação  da  taxa SELIC  sobre  os  débitos  tributários  federais  é  correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91.  IV  –  DA  APLICAÇÃO  DA  LEI  MAIS  BENÉFICA  AO  ATO  NÃO  DEFINITIVAMENTE JULGADO:  Tratando­se  de  ato  pendente  de  julgamento,  há  que  se  observarem  alguns  preceitos  legais  do  Código  Tributário  Nacional  no  que  se  refere  à  possibilidade  de  uma  lei  retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação.   No caso em tela, verifica­se que tanto a aplicação de multa como a incidência  de  taxa  SELIC  sobre  os  débitos  tributários  federais  encontra  amparo  atualmente  no  art.35,  caput, da Lei nº 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei nº 11.941/2009.   Desse modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei nº 11.941/2009  deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática  V – DA LEGITIMIDADE DA SUCESSORA PARA RESPONDER POR  CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS:  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   18 A  recorrente  alega  que  não  é  devida  a  cobrança  de  crédito  tributário  constituído  por  empresa  sucedida.  Todavia,  vale  destacar  que  a  pessoa  jurídica  sucessora  assume,  conforme  previsão  legal,  os  créditos  tributários  da  empresa  sucedida  até  a  data  da  alteração societária (fusão, cisão, incorporação), vejamos:  Art.  132.  A  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  resultar  de  fusão,  transformação  ou  incorporação  de  outra  ou  em  outra  é  responsável  pelos  tributos  devidos  até  à  data  do  ato  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  fusionadas,  transformadas  ou incorporadas.  Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica­se aos casos de  extinção  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  quando  a  exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer  sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão  social, ou sob firma individual.    Art.  133.  A  pessoa  natural  ou  jurídica  de  direito  privado  que  adquirir  de  outra,  por  qualquer  título,  fundo  de  comércio  ou  estabelecimento  comercial,  industrial  ou  profissional,  e  continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão  social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos,  relativos  ao  fundo  ou  estabelecimento  adquirido,  devidos  até  à  data do ato:  I  ­  integralmente,  se  o  alienante  cessar  a  exploração  do  comércio, indústria ou atividade;  II  ­  subsidiariamente  com  o  alienante,  se  este  prosseguir  na  exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da  alienação,  nova  atividade  no  mesmo  ou  em  outro  ramo  de  comércio, indústria ou profissão.  Desta  forma,  a  pessoa  jurídica  que  resultar  de  sucessão  empresarial  é  responsável pelo pagamento de crédito  tributário vencido e não pago, estando  incluído nesse  valor a multa e os juros incidentes sobre esse valor originário.  Vale  destacar  com  relação  à  multa  que  a  recorrente  alega  não  poder  responder  por  penalidade  devida  à  empresa  sucedida,  considerando  que  a  lei  só  prevê  a  responsabilidade  por  sucessão  relativa  a  tributo  e  não  à  penalidade.  Ocorre  que  a  multa  aplicada ao caso em tela tem natureza moratória (incide sobre valor que não foi recolhido em  época própria) e não natureza punitiva, motivo pelo qual deverá ser mantida a cobrança contra  a empresa recorrente em todos os termos.    CONCLUSÃO:  Voto pelo CONHECIMENTO do  recurso voluntário para, preliminarmente,  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  reconhecendo  apenas  a  preliminar  de  decadência  da  competência 11/2000, com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional   No mérito, entendo pela parcial procedência do recurso voluntário, de modo  que  a  contribuição  social  previdenciária  venha  a  incidir  sobre  os  valores  recebidos  pelos  empregados da recorrente, tendo em vista a constatação da habitualidade, devendo­se proceder  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006094/2006­23  Acórdão n.º 2403­001.268  S2­C4T3  Fl. 538          19 ao  recálculo da multa de mora,  com base na  redação dada pela  lei  11.941/2009 ao  caput  do  artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.  É como voto.    Cid Marconi Gurgel de Souza.                                        Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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4970974 #
Numero do processo: 11080.008592/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonado de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.008592/2008­47  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1402­000.148  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  06 de novembro de 2012  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  ABS DIGITAL LTDA  Recorrida  1ª TURMA DA DRJ/POA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Por  unanimidade  de  votos,  resolvem  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.       (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente     (assinada digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Antônio  José Praga  de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonado de Andrade Couto.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 08 59 2/ 20 08 -4 7 Fl. 7910DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  Este processo  foi  formado originalmente  em papel  e depois digitalizado. Com  isso,  a  numeração  das  páginas  apostas  no  papel  não  coincide  necessariamente  com  a  numeração  do  documento  digitalizado. Assim,  esclareço,  para  logo,  que  nas  referências  que  faço à numeração de páginas utilizarei a numeração do documento digitalizado.  Trata­se  de  autos  de  infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  (fls.  15/125),  cumulados  com  juros  e multa  de  ofício  qualificada,  relativos  aos  anos­calendário  de  2003  a  2005 e lavrados em razão da suposta omissão de receitas apurada pela fiscalização e detalhada  no relatório fiscal.  Conforme  Termo  de Verificação  Fiscal  às  fls.  106/126  os  extratos  das  contas  bancárias  foram obtidos mediante  requisição  feita  às  instituições  financeiras,  uma vez  que  a  contribuinte não os apresentou quando intimada.  De posse das informações enviadas pelas instituições financeiras, a fiscalização  analisou os valores e elaborou planilhas contendo os ingressos com interesse fiscal (créditos),  as quais foram apresentadas para a contribuinte, solicitando, ainda, a comprovação coincidente  em datas e valores, dos recursos creditados nas contas­correntes bancárias.  Como  resposta,  a  contribuinte  apresentou  planilhas  nas  quais  identifica  os  lançamentos. Analisado as respostas, a fiscalização verificou seis justificativas para identificar  os recursos ingressados nas contas­correntes bancárias: (i) cobrança a crédito de terceiros (para  futuro  repasse  ao  cliente);  (ii)  créditos  originários  de  antecipação  de  receitas  futuras;  (iii)  empréstimos;  (iv)  transferências  de  outras  agências/banco;  (v)  transferência  de  sócios,  e  (vi)  cobrança de receita de faturamento.   Considerando  as  atividades  realizadas  pela  contribuinte  de  telecobrança  e  cobrança extrajudicial, a fiscalização solicitou os contratos estabelecidos entre a contribuinte e  seus  clientes,  declaração  indicando  as  datas  e  os  valores  repassados  aos  clientes  e  a  documentação comprobatória dos  repasses. As  empresas para as quais a  contribuinte prestou  serviços  de  cobrança  extrajudicial  foram  o  Banco Matone,  Net  Sul  Comunicações,  Artmed,  CLARO e HSBC.  Uma vez que a contribuinte apresentou apenas comprovação parcial dos valores  repassados relativos aos créditos de terceiros, a fiscalização intimou os clientes da contribuinte  para que apresentassem tais documentos, tendo sido atendida.  Analisando  os  únicos  livros  contábeis  apresentados  pela  contribuinte  (Livros  Caixa/Bancos),  a  fiscalização constatou que não  foram apropriadas  todas as contas bancárias  movimentadas e encontrou divergências entre os valores constantes das contas bancárias e os  apropriados contabilmente.  Da antecipação de receita e receita de faturamento  A contribuinte identificou dentre os créditos/ingressos nas suas contas bancárias,  valores relativos a "créditos originários de antecipação de receita futura" e "cobrança de receita  de  faturamento".  Questionada  sobre  o  significado  dessas  duas  justificativas  em  especial,  a  contribuinte  informou  que  a  antecipação  de  receitas  seria  referente  a  depósitos  dos  clientes  mediante  projeção  dos  valores  (receita  de  serviços  prestados)  que  receberiam,  como  por  Fl. 7911DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 4          3 exemplo duplicatas descontadas. Quanto à cobrança de receita de faturamento, como o próprio  nome já deixa claro, trata­se de comissões e/ou faturamento da empresa.   Confrontando  algumas  notas  fiscais  emitidas  pela  contribuinte  em  favor  das  empresas  circularizadas  com  os  ingressos/créditos  nas  contas  bancárias,  a  fiscalização  constatou que os valores das notas fiscais foram identificadas pela contribuinte como "créditos  originários  de  antecipação  de  receita  futura”  e  "cobrança  de  receita  de  faturamento".  Analisando  o  histórico  da movimentação  financeira  desses  créditos,  a  fiscalização  verificou  que eles corresponderiam a "aviso de crédito" no Banco do Brasil e, no Banco Itaú, "desconto  de duplicatas".  Ainda  através  da  análise  dessas  notas  fiscais,  restou  apurado  que  no  campo  descriminação  de  serviços  consta  a  informação  "serviços  prestados  de  telemarketing",  "serviços  de  cobrança  extra­judicial"  e/ou  "prestação  de  serviços  de  cobrança",  sendo  que  a  informação do período da prestação de serviço é sempre anterior a da emissão da nota fiscal,  ou dentro do mês da emissão da nota fiscal, confirmando que a prestação de serviço já ocorreu  ou  ocorreu  dentro  do  próprio  mês,  tratando­se,  pois,  de  receita  decorrente  de  prestação  de  serviços.  Foram  constatados  valores  de  omissão  de  receitas  relativos  aos  créditos/ingressos do Banco Santander, ano 2003, identificados pela contribuinte inicialmente  como decorrentes de  transferências bancárias,  para os quais  a  fiscalização comprovou  serem  decorrentes de  receita de serviços de  telemarketing,  reembolso de  telefonia e comissão sobre  vendas em decorrência de serviço prestado ao Banco Meridional.  Analisando  as  Declarações  Anuais  Simplificadas  ­  DSPJ  para  o  período  fiscalizado,  apurou­se  que  a  contribuinte  não  declarou  os  valores  correspondentes  às  antecipações de receita e à receita de faturamento.  Das outras omissões de receita  A  fiscalização  também  apurou  que  30%  do  total  dos  créditos  nas  contas  bancárias  movimentadas  pela  contribuinte  foi  identificada  por  ela  como  decorrentes  de  cobrança de créditos de terceiros em função das cobranças extrajudiciais executadas. Embora a  contribuinte  tenha  esclarecido  que  a  prestação  de  contas  era  realizada  diariamente  ou  semanalmente,  e  nos  contratos  apresentados  também  se  observam  cláusulas  de  prestação  de  contas,  ela  não  apresentou  documentos  em  que  fosse  possível  comprovar  quais  os  valores,  integrantes  das  contas  bancárias  movimentadas,  eram  decorrentes  da  cobrança  extrajudicial.  Assim,  como  não  foi  possível  identificar  de  forma  individualizada  os  ingressos/créditos  nas  contas bancárias decorrentes das cobranças extrajudiciais, a fiscalização decidiu por excluir dos  valores  identificados pela contribuinte como decorrentes de cobrança de créditos de terceiros  (para  futuro  repasse),  em  cada  conta  bancária,  os  valores  informados,  e  comprovados,  pelas  empresas  circularizadas  como decorrentes de  repasses  efetuados pela ABS DIGITAL LTDA  em  função  da  prestação  de  serviços  de  cobrança  extrajudicial.  A  exclusão  foi  realizada  utilizando­se  o  somatório  mensal  dos  valores  informados  pelas  empresas  circularizadas  relativos  aos  repasses  da  ABS  DIGITAL  subtraindo­se  do  somatório  dos  valores  mensais  informados pela contribuinte nas respectivas contas bancárias.  Além  disso,  a  fiscalização  também  constatou  a  omissão  de  receitas  relativa  a  valores  identificados  como  empréstimos,  transferências  de  outras  agências/bancos  e  transferências de sócios, para os quais não houve comprovação da origem.  Fl. 7912DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 5          4 Exclusão do Simples – Arbitramento e Multa qualificada  Diante  disso,  como  a  contribuinte  não  escriturou  contabilmente  todas  as  movimentações financeiras efetuadas por ela durante os anos­calendário de 2003 a 2005, não  ofereceu a tributação valores expressivos de receitas de faturamento (valores identificados por  ela própria como antecipação de receitas e receita de faturamento) e outras receitas, incidindo  em prática reiterada de infração à legislação tributária, foi excluída de ofício do SIMPLES, nos  termos do artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/96 e do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº.  45/2008 (ciência em 13/08/2008), com efeitos a partir de 1º.01.2003 (conforme art. 15, inciso  II, da Lei n.° 9.317/96, alterado pelo art 73 da MP n° 2.158­35/2001 e inciso VII do art.24 da  IN SRF n° 608/2006).  Ressalte­se  que,  embora  a  contribuinte  tenha  declarado  em  suas  Declarações  Simplificadas da Pessoa Jurídica (DSPJ) haver apurado imposto a pagar no período fiscalizado,  não  foi  encontrado  pagamento  de  SIMPLES  nos  sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil para o período em questão.  Destarte,  diante  da  ausência  de  contabilidade  completa  e  das  omissões  de  movimentações financeiras no Livro Caixa/Bancos, a fiscalização lavrou os presentes autos de  infração e arbitrou os lucros.  Os autos são subdivididos nos seguintes itens:  1)  Receita  operacional  omitida  –  prestação  de  serviços  gerais:  Receita  apurada  pela  fiscalização  e  identificada  pela  contribuinte  como  “antecipação  de  receitas”  e  “receita  de  faturamento”  –  corresponde  à  coluna 3 da planilha de fls. 8/10  2)  Depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada:  Receita  apurada  pela  fiscalização  e  denominada  “movimentação  financeira  –  valores  não  comprovados”  –  corresponde  à  coluna  4  da  planilha  de  fls.  8/10  e  planilhas de fl.6111, 6120/6121 e 6160/6161.  3)  Receitas  operacionais  –  prestação  de  serviços  gerais:  Receita  declarada  pela contribuinte em sua DSPJ – corresponde à  coluna 2 da planilha de  fls. 8/10.  Por  fim,  em  virtude  da  reiteração  da  conduta  descrita  acima,  a  fiscalização  entendeu  estar  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  nos  artigos  71  e  72  da  Lei  n°.  4.502/1964, justificando a multa qualificada para a omissão de receita apurada (item 01 do auto  de  infração). Os demais  itens  (itens 02  e 03)  foram acrescidos  apenas de multa de ofício de  75%.  Impugnação  Na impugnação (fls. 5998/6037), a contribuinte alegou, em síntese:  1. haver contradição entre as razões do arbitramento apontadas na descrição dos  fatos,  ou  seja,  ser  a  sua  escrituração  imprestável  para  a  determinação  do  lucro  real,  e  as  indicadas no enquadramento legal (art. 530, II do RIR/99), quando enquadramento apropriado  Fl. 7913DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 6          5 seria o art. 530, I do RIR/99. Como não era tributada pelo lucro real, não ficaram esclarecidos  os reais motivos do arbitramento;  2. nulidade por preterição do direito de defesa do lançamento relativo à receita  operacional omitida e aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois as receitas não  têm sua origem identificada nos autos, tendo sido presumidas através de critérios não previstos  em lei;  3. decadência da autuação, abarcando o IRPJ e a CSLL do 1º e 2o trimestres de  2003, bem como o PIS e a COFINS com fatos geradores de janeiro/2003 a julho/2003, tendo  em vista a  inaplicabilidade do art. 173,  I do CTN, uma vez que o dolo não está comprovado  nos autos;  4. a ilegal exclusão de ofício do SIMPLES e o indevido arbitramento do lucro ­  uma vez que não ficou comprovada a omissão de receitas;  5. a ilegal e equivocada quantificação da omissão de receitas (item 01 do auto de  infração) ­ embora justificada a origem dos depósitos bancários objeto de intimação, o Fisco,  criando  presunção  não  prevista  em  lei  e  sem  quantificar  individualizadamente  a  pretensa  omissão,  caracterizou  valores  como  omitidos,  tributando­os,  depois  de  deduzida  a  receita  declarada. Mesmo que se confirmasse a omissão de receitas, o tributo decorrente não poderia  persistir,  uma  vez  que  foi  apurado  pelo  lucro  arbitrado,  indevidamente  aplicado  por  insubsistente a justificativa da exclusão do SIMPLES;  6. a ilegal e equivocada quantificação da omissão de receitas (item 02 do auto de  infração)  ­  embora a  interessada  tenha  justificado a origem dos depósitos bancários, o Fisco,  sem dizer se aceitou, ou não, a justificativa e sem identificar individualizadamente os créditos  em  contas  bancárias  tidos  como  receita  omitida,  pinçou  dentre  a  totalidade  dos  créditos  os  valores  englobadamente  autuados  através do  item 002 do auto de  infração, qualificando esta  soma,  por  presunção,  após  ajustes  não  previstos  na  lei,  como  omissão  de  receita.  Além  da  ilegal  e não  individualizadamente  identificável quantificação da base de cálculo  tributada, as  exigências  dela  extraídas  também não  podem persistir  por  ter  sido  adotada  a  sistemática  do  lucro arbitrado, indevidamente aplicada no caso, por injustificada a exclusão do SIMPLES;  7.  a  deficiente  quantificação  da  exigência  já  que  não  foram  compensados  os  tributos já pagos pelo SIMPLES;  8. a inaplicabilidade da multa qualificada por ter restado incomprovado o dolo, a  fraude ou a simulação ­ é  injustificável que parte da exigência  (item 01 do auto de infração)  tenha  sido  constituída  com  multa  de  ofício  qualificada,  sem  que  tenha  sido  provada  a  ocorrência  de  evidente  intuito  de  fraude.  As  pretensas  omissões  qualificadas  com multa  de  150% não foram individualizadas na origem pelo Fisco, fato que cerceia a contestação precisa  da  denúncia.  Ademais,  as  receitas  apontadas  como  derivadas  de  ações  fraudulentas,  foram  inferidas com base em presunção não prevista em Lei, o que, por si só, já afasta a qualificação  da multa.  Diligência  A  1ª  Turma  da DRJ/POA  solicitou  diligência  para  reabrir  o  prazo  de  30  dias  para impugnação, resguardando, assim, os princípios do contraditório e da ampla defesa, tendo  Fl. 7914DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 7          6 em vista que as cópias do processo somente haviam sido disponibilizadas à contribuinte 13 dias  após a ciência do auto de infração (fl. 6069).  A contribuinte não foi localizada em seu domicílio fiscal (fl. 6071), tendo sido  intimada  por  edital  (fl.  6073),  deixando  passar  in  albis  o  prazo  para  a  apresentação  de  impugnação complementar (fl. 6088).  Em 30/08/2010, foi solicitada nova diligência, a fim de sanar possível prejuízo à  defesa, a qual foi redigida nos seguintes termos (fls. 6103):  Em  face  desta  situação,  PROPONHO  o  encaminhamento  dos  autos à unidade preparadora para que esta (a) junte aos autos a  composição dos valores que compuseram cada base de cálculo  mensal constante da planilha da fl. 17 ("Dos valores lançados"),  indicando o número da folha onde se encontra indicada a receita  omitida  lançada,  (b)  dê  ciência  à  contribuinte  dos  documentos  indicados  na  letra  "a",  entregando­lhe  cópia  e  (c)  reabra  o  prazo  para  impugnação,  restrita  aos  documentos  que  a  contribuinte tiver ciência, conforme item “b”.  Em decorrência, foi apresentado o relatório de fls. 6108/6109 e foram anexadas  as planilhas de fls. 6110/6283, bem como reaberto o prazo para a impugnação do conteúdo dos  elementos trazidos aos autos por ocasião da nova diligência. Em síntese, a contribuinte aduziu  que (fl. 6287/6306):  (a)  persiste  o  cerceamento  do  amplo  direito  de  defesa,  consubstanciado  na  omissão da precisa origem dos valores e das razões que conduziram o Fisco a concluir tratar­se  de receita omitida;  (b)  faltou  bom  senso  ao  Fisco  ao  solicitar  a  origem  de milhares  de  depósitos  bancários, todos contabilizados, o que comprova a sua origem, que também pode ser inferida a  partir  de  sua  atividade,  que  é  de  cobranças,  especialmente  de  contas  telefônicas,  com  o  que  obtém  rendimento  caracterizado  por  comissões  calculadas  sobre  as  cobranças  efetuadas,  que  são repassadas às empresas contratantes;  (c)  a  terceira  infração  abarca  receitas que  foram  tempestivamente oferecidas  à  tributação  pelo  SIMPLES,  e  agora  são  submetidas  à  tributação  pela  sistemática  do  Lucro  Arbitrado;  (d) relativamente a janeiro de 2003, a primeira infração (R$63.383,50) continua  não identificada individualizadamente. A integralidade deste valor foi extraída de lançamentos  em  extratos  bancários  de  Banco  do  Brasil  e  do  Santander,  sendo,  portanto,  presunção  não  autorizada  pelo  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96;  a  segunda  infração  (R$5.455,00),  integralmente  colhida de extratos bancários, apenas em parte decorre de depósitos bancários  tidos como de  origem não comprovada (R$955,00). A planilha de depósitos bancários originariamente  tidos  como  incomprovados  (fl.  160/330) monta  a R$  100.859,12  (fl.  160  e  178). Deste  valor, R$  68.838,50  foram  autuados  no  total  (fl.  19/21),  mas  apenas  R$  955,00  foram  tidos  como  depósitos de origem não comprovada. Os restantes R$ 67.883,50,  também representativos de  depósitos bancários, foram tributados de outra forma, não informada nos autos e na diligência,  não tendo sido informada também a fundamentação legal que possibilitou sua tributação, além  disso,  R$  32.020,62  (R$  100.859,12  ­  R$  68.838,50),  apesar  de  constarem  na  relação  de  depósitos  bancários  incomprovados  (fls.  160/330),  não  estão  contemplados  na  diligência,  Fl. 7915DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 8          7 possivelmente deixados de lado para fechar o relatório da diligência com o Auto de Infração.  Não  há  nos  autos,  nem  na  diligência,  qualquer  explicação  que  justifique  o  abandono  desses  valores. Portanto, se o procedimento fiscal abarcou unicamente depósitos bancários, e havendo  uma única possibilidade para presumir omissão de receita a partir destes (com base no art 42 da  Lei nº. 9.430/96), e sendo estes de R$ 955,00, a omissão restante não pode prosperar por não  estar individualizada por infração e por não estar informada a presunção legal que permitiu a  inferência;  faz  raciocínios análogos em relação aos meses de  janeiro de 2004 e de  janeiro de  2005;  (e)  existe  cerceamento de defesa,  pois o Fisco  extraiu  as  seguintes  ilações:  (i)  uma parcela dos valores movimentados nas contas bancárias consiste em omissão de  receita,  mas  sem  enquadramento  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96  (infração  001)  ou  em  outro  enquadramento legal; (ii) importante parcela da movimentação financeira contida nos extratos  bancários, tida como incomprovada no processo originário (fls. 160/330), foi abandonada, sem  qualquer  justificativa;  (iii)  outra  parcela  dos  depósitos  colhidos  dos  extratos  bancários  foi  considerada  como  omissão  de  receita  por  não  ter  sido  comprovada  a  origem,  o  que  não  é  verdadeiro,  pois  todos  os  depósitos  tiveram  sua  origem  identificada  (infração  002);  sem  se  conhecer  os  critérios  para  o  tratamento  tributário  dispensado  aos  depósitos,  não  é  possível  efetuar defesa consistente, pelo que existe cerceamento de defesa.  (f) também cerceia a defesa a construção de presunções e metodologias próprias,  elaboradas  a  partir  de  movimentação  bancária  e  construídas  ao  arrepio  da  lei,  das  quais  resultaram  as  pretensas  omissões  autuadas  através  da  infração  001  do  Auto  de  Infração  de  IRPJ;  o  Fisco  somou  os  depósitos  bancários  com  histórico  "crédito  de  terceiros",  deduziu  destes os valores obtidos através de respostas de alguns clientes da Impugnante, considerando a  diferença,  por  presunção,  como  receita  omitida.  Além  de  o  raciocínio  não  ter  embasamento  legal, ele peca por não terem sido considerados todos os repasses efetuados. Em relação à BCP  (antiga Claro)  (fl.  116/117),  em 2005, o valor  repassado não  foi de R$ 961.300,32  (fl.  117),  como  o  Fisco  considerou,  mas  de  R$  2.645.761,42.  Essa  diferença  justifica­se  pela  restrita  intimação dirigida à Claro, que apenas solicitou informações verificadas em relação à Claro de  determinada região, embora houvesse cobranças para "CLAROS" de outras regiões do Brasil;  (g)  considerando  que  a  resposta  à  Diligência  teve  como  intuito  o  aperfeiçoamento do lançamento no decorrer da fase litigiosa, esse procedimento é ilegal, pois  segundo  o  art.  10  do  Decreto  n°  70.235/72  e  art  142  do  CTN,  o  lançamento,  quando  da  constituição,  já deve conter  todas as  informações necessárias para a validade do  lançamento;  ademais, mesmo  que  fosse  possível  o  aperfeiçoamento  do  lançamento  na  fase  litigiosa,  este  somente poderia ser procedido enquanto não decorrido o prazo decadencial, já ocorrido.  Decisão DRJ/POA  A  1ª  Turma  da  DRJ/POA  julgou  o  lançamento  parcialmente  procedente  (fls.  6310/6333), nos termos da ementa a seguir reproduzida:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2001  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  RECEITAS  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  Fl. 7916DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 9          8 Tendo  sido  comprovado,  por  meio  de  minuciosa  auditoria  envolvendo  a  circularização  dos  clientes  da  autuada,  que  valores  presentes  nas  contas­corrente  da  interessada  e  identificados  por  esta  como  "antecipação  de  receita  futura"  e  "cobrança de receita de faturamento" consistem em receitas, boa  parte omitidas, mantém­se o lançamento correspondente.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  VALORES  CREDITADOS  EM  CONTASCORRENTES  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  SUA  ORIGEM.  Caracterizam­se como omissão de receita os valores creditados  em  contas­corrente  bancárias,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL.  Constatada  a  reiterada  prática  de  infração  à  legislação  tributária,  consistente  na  omissão  de  receitas  contumaz,  mantém­se a exclusão do SIMPLES federal.  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  1.  Com  a  exclusão  do  SIMPLES  federal,  a  regra  geral  de  tributação do IRPJ é o lucro real.  2.  Constatado  que  a  conta  bancos  não  condiz  com  a  real  movimentação  financeira  efetuada  nas  contas­correntes  bancárias,  uma  vez  que  existem  contas­correntes  não  escrituradas  e  outras  com  escrituração  que  não  refletem  a  movimentação provada, impõe­se o arbitramento dos lucros, na  forma do art. 530 do RIR/99.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONFESSADO EM PROGRAMA DE  PARCELAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.  Cancela­se a multa de ofício incidente sobre tributo confessado  em programa de parcelamento.  MULTA  QUALIFICADA  NO  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PRÁTICA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.  A  movimentação  financeira  significativamente  superior  aos  valores declarados, a existência de contas­correntes bancárias à  margem  da  contabilidade  e  de  outras  contas­correntes  escrituradas  de  modo  não  condizente  com  a  movimentação  provada, com omissão de grande parte das  receitas durante os  anos­calendário  2003  a  2005  evidencia  o  evidente  intuito  de  sonegação  e  fraude,  nas  formas  dos  arts.  71  e  72  da  Lei  n°.  4.502/64.  Impugnação Procedente em Parte  Fl. 7917DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 10          9 Recurso Voluntário  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  (fls.  6354/6435)  repisando  os  argumentos  de  sua  peça  impugnatória  e  de  sua  petição  sobre  o  resultado  da  diligência, que, como visto, em suma, sustentam: (i) a nulidade do lançamento por preterição  do seu direito de defesa, já que mesmo após a juntada da diligência determinada pela DRJ, a  individualização plena dos depósitos bancários ­ origem de todas as pretensas omissões ­ não  pode ser inferida a partir dos demonstrativos; (ii) a ilegal exclusão de ofício do SIMPLES e o  indevido  arbitramento  do  lucro,  (iii)  a  decadência  de  parte  da  autuação,  (iv)  a  ilegal  e  equivocada  quantificação  da  pretensa  omissão  de  receitas  referida  no  Item  001  do  auto  de  infração,  (v)  a  ilegal  e  equivocada  quantificação  da  pretensa omissão  de  receitas  referida  no  Item  002  do  auto  de  infração,  (vi)  a  deficiente  quantificação  da  exigência  por  falta  de  compensação do declarado/pago pelo SIMPLES,  (vii)  a  inaplicabilidade da multa qualificada  por incomprovado dolo, fraude ou simulação.  Anexa os documentos de fls. 6436/7891.  É o Relatório.  Voto  Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator  Conheço  do  Recurso  por  ser  tempestivo,  por  atender  aos  requisitos  de  admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho.  Especialmente  no  que  toca  ao  mérito,  a  Recorrente  sustenta  que  existem  diversos  equívocos  na  base  de  cálculo  utilizada  pela  fiscalização  para  a  apuração  da  receita  operacional omitida (item 001 do auto de  infração) e dos depósitos bancários de origem não  comprovada (item 002 do auto de infração).  Contestando o item 001 do auto de infração, a Recorrente afirma que os valores  apurados  pela  fiscalização  e  identificados  como  “antecipação  de  receitas”  e  “receita  de  faturamento” não corresponderiam a receitas, mas, sim, a empréstimos tomados de instituições  financeiras.  Esclarece  que  necessitando  de  recursos  e  sabendo  que  dentro  de  alguns  dias  receberia comissões de determinado cliente  (que já constavam na correspondente Nota Fiscal  emitida  ao  cliente),  solicitava  aos  bancos  um  empréstimo  no  montante  daquela  receita.  Formalizando  a  operação,  atendendo  a  procedimento  interno  das  instituições  financeiras,  a  Recorrente indicava o valor do empréstimo pretendido e o nome do cliente devedor, já que, em  tais  operações  ("Convênio  para  Desconto  Rotativo  de  Títulos”  ou  "LIS  Recebíveis"',  com  cláusula "pro solvendo”), caso Recorrente não pagasse ao banco, o cliente seria chamado para  realizar o pagamento.   Ressalta que não emitia contra os clientes faturas, duplicatas ou outros títulos de  crédito  e  que  os  empréstimos  tomados  de  instituições  financeiras  eram  liquidados  após  o  efetivo ingresso da receita. Assim, uma vez que as operações em foco sempre foram liquidadas  pela Recorrente,  reembolsadas por ela ou mesmo canceladas, comprovariam que  tais valores  não são referentes à cobrança ou desconto de títulos de crédito representativos de receita.  Fl. 7918DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 11          10 Nesse  passo,  em  sua  peça  recursal,  a  Recorrente  enfrenta  cada  operação  considerada  no  lançamento  fiscal,  apresentando  os  respectivos  documentos  comprobatórios,  conforme Anexo I, II e III do recurso voluntário.  Especialmente no que se referem às operações de empréstimos efetuados com o  Banco  Itaú,  a Recorrente alega  terem sido computadas em duplicidade no  lançamento  fiscal,  uma vez  que  constaram  da  conta  n°  13.378­3  e  das  contas  n°  16140­4  e  n°  16.935­7. Essas  últimas contas seriam contas transitórias, abertas pelo Itaú para controle interno das operações  de  empréstimo  (chamadas  “contas  contratuais”),  das  quais  a  Recorrente  sequer  tinha  conhecimento e por essa razão encontravam­se à margem de sua contabilidade.  Acrescenta,  ainda,  que  os  valores  lançados  como  “receita  de  faturamento”  já  foram oferecidos à tributação pela Recorrente na sistemática do Simples.  De  outro  giro,  contestando  o  item  002  do  auto  de  infração,  relacionado  aos  depósitos  de  origem  não  comprovada  (classificados  pelo  Fisco  nos  conjuntos:  "Créditos  Terceiros",  "Transferências não Comprovadas",  "Transferências Sócios"  e  "Empréstimos não  Comprovados"),  a  Recorrente  apresenta  os  documentos  do  Anexo  IV  e  V,  objetivando  demonstrar a origem dos depósitos e o repasse dos valores a terceiros.  Com  efeito,  faz­se  mister  analisar,  cuidadosamente,  os  novos  documentos  comprobatórios do direito que a Recorrente alega possuir.   Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de  origem, para que essa:  (i)  manifeste­se  sobre  os  documentos  apresentados  às  fls.  6452/6621,  6622/6634, 6635/6751, Anexos I a III, respectivamente, do Recurso Voluntário, determinando  se  os mesmos  estão  aptos  a  comprovar  que  os  valores  considerados  pelo  lançamento  como  receita eram, em verdade, valores de empréstimos tomados pela Recorrente;   (ii) verifique a suposta duplicidade no lançamento fiscal, decorrente da alegada  contabilização nas contas n° 13.378­3, n° 16140­4 e n° 16.935­7 do Banco Itaú, das mesmas  operações;  (iii)  manifeste­se  sobre  os  documentos  apresentados  às  fls.  6752/7866  e  7867/7891,  Anexos  IV  e  V,  respectivamente,  do  Recurso  Voluntário,  determinando  se  os  mesmos estão aptos a comprovar a origem dos valores depositados nas contas da Recorrente e  o repasse de créditos a terceiros; e  (iv) manifeste­se  sobre  o  conteúdo  das  planilhas  anexadas  às  fls.  6451,  6499,  6536,  6603  (Anexo  I),  6636,  6637,  6640,  6643,  6646,  6649,  6652/6653,  6660,  6669,  6674,  6679, 6685, 6690, 6697, 6704, 6709, 6713, 6714, 6718, 6723, 6727, 6730, 6733, 6737, 6740 e  6744 (Anexo  III), 6754, 6800, 6828, 6902, 7037, 7202, 7305, 7483, 7604, 7658, 7715, 7779  (Anexo IV), 7868 e 7869 (Anexo V) do Recurso Voluntário.  Ressalte­se que o resultado da diligência deve ser encaminhado a esse Colegiado  pelo Chefe da Repartição Preparadora.    Fl. 7919DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11080.008592/2008­47  Resolução nº  1402­000.148  S1­C4T2  Fl. 12          11  (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator      Fl. 7920DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA

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Numero do processo: 14485.000150/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE. O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bom-senso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringe-se aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco-contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurar-se de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco-contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica tributária fisco-contribuinte. MATÉRIA OBJETO DE ATO DECLARATÓRIO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL DISPENSANDO A CONTESTAÇÃO JUDICIAL. ART. 19 DA LEI 10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF. Ato da PGFN que dispensa a contestação de matérias em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o ato não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que diz respeito ao direito processual tributário. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A norma imunizante e a lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PRESENTES NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ademais, o cumprimento das metas precisa ser aferível. Se a empresa não se mostra capaz de comprovar o atingimento das metas e o cálculo da PLR individual, o requisito legal do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000 resulta violado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. MULTA. ALTERAÇÃO LEGAL. CONHECIMENTO DE OFICIO. POSSIBILIDADE. VALOR. LIMITAÇÃO. 20%. LEI N.º 9.430/96. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, limitada o percentual a vinte por cento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, a fim de excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em, negar provimento ao recurso nas questões do auxílio alimentação, do seguro de vida e na Participação dos Lucros de Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso nestas questões; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para afastar da base de cálculo os pagamento a título de alimentação in natura fornecidos pela empresa Riga Organização Comercial de Restaurantes Industriais Ltda, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, a fim de excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em, negar provimento ao recurso nas questões do auxílio alimentação, do seguro de vida e na Participação dos Lucros de Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso nestas questões; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para afastar da base de cálculo os pagamento a título de alimentação in natura fornecidos pela empresa Riga Organização Comercial de Restaurantes Industriais Ltda, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE. O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bom-senso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringe-se aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco-contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurar-se de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco-contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica tributária fisco-contribuinte. MATÉRIA OBJETO DE ATO DECLARATÓRIO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL DISPENSANDO A CONTESTAÇÃO JUDICIAL. ART. 19 DA LEI 10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF. Ato da PGFN que dispensa a contestação de matérias em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o ato não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que diz respeito ao direito processual tributário. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A norma imunizante e a lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PRESENTES NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ademais, o cumprimento das metas precisa ser aferível. Se a empresa não se mostra capaz de comprovar o atingimento das metas e o cálculo da PLR individual, o requisito legal do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000 resulta violado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. MULTA. ALTERAÇÃO LEGAL. CONHECIMENTO DE OFICIO. POSSIBILIDADE. VALOR. LIMITAÇÃO. 20%. LEI N.º 9.430/96. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, limitada o percentual a vinte por cento. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     2 aquele  foi  instituído  por  Decreto.  Contraria  o  bom­senso  e  a  razoabilidade  dos  atos  normativos  exigir  que  o  servidor  dependa  de  determinação  de  autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei.  É  evidente  que  a  autoridade  da  lei  tem  que  prevalecer  sobre  a  vontade  da  autoridade administrativa. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal  restringe­se aos interesses da administração tributária em controlar a atuação  dos servidores  legalmente competentes para efetuar o  lançamento. Assim, o  MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para  dar  segurança  e  transparência  à  relação  Fisco­contribuinte  que  permite  ao  sujeito  passivo  assegurar­se  de  que  a  fiscalização  foi  iniciada  segundo  critérios objetivos e  impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu  do Fisco  a  incumbência  para  executar  aquela  ação  fiscal. Da mesma  forma  que  no  caso  dos  demais  tributos,  nos  lançamentos  relativos  a  contribuições  previdenciárias, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera  efeitos  quanto  à  relação  jurídica  fisco­contribuinte  estabelecida  com  o  ato  administrativo  do  lançamento,  podendo  aqueles  ensejar,  se  for  o  caso,  apuração de responsabilidade administrativa dos  servidores envolvidos, mas  sem afetar a relação jurídica tributária fisco­contribuinte.  MATÉRIA  OBJETO  DE  ATO  DECLARATÓRIO  DA  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  DISPENSANDO  A  CONTESTAÇÃO  JUDICIAL.  ART.  19  DA  LEI  10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF.  Ato  da  PGFN  que  dispensa  a  contestação  de  matérias  em  virtude  de  jurisprudência  pacífica  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ou  do  Superior  Tribunal de  Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do  art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a  revisão  de  ofício  para  os  créditos  tributários  já  constituídos  a  ser  feita  pela  autoridade  lançadora. Ademais,  o  ato  não  diz  respeito  ao  direito material  e  sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado  atual  da  jurisprudência,  não  teriam  êxito,  o  que  diz  respeito  ao  direito  processual tributário.  SEGURO DE  VIDA  PAGO  PELO  EMPREGADOR.  INCIDÊNCIA  E  ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.  Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no  campo  de  incidência  da  contribuição  previdenciária  por  serem  ganhos  habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige  que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho  e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes.   ALIMENTAÇÃO  FORNECIDA  PELO  EMPREGADOR.  INCIDÊNCIA E  ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA  SAÚDE DO TRABALHADOR.  A  alimentação  fornecida  pelo  empregador  tem  natureza  salarial  e  está  no  campo  da  incidência  da  contribuição  previdenciária,  mas  goza  de  isenção  segundo  o  requisito  legal.  O  requisito  de  inscrição  no  PAT  atende  à  proporcionalidade,  pois  objetiva  proteger  a  saúde  do  trabalhador  e  não  representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao  requisito  legal  não  há  como  reconhecer  o  direito  à  isenção.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 686          3 PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  IMUNIDADE  QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.  O  benefício  fiscal  concedido  aos  pagamentos  a  título  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  tem  natureza  de  imunidade  quanto  à  incidência  da  contribuição previdenciária sobre a remuneração. A norma imunizante e a lei  reguladora da  imunidade  tem como  finalidades contribuir para o  combate à  fraude ­ contra os  trabalhadores ou contra a solidariedade no  financiamento  da  seguridade  social  ­  e  para  a  melhoria  da  qualidade  das  relações  entre  capital e trabalho.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE  DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PRESENTES NO ACORDO.  O  Acordo  deve  conter  as  regras  claras  e  objetivas,  ou  seja,  regras  inequívocas,  fáceis de entender pelo empregado e que se  refiram ao mundo  dos  objetos.  Ademais,  o  cumprimento  das  metas  precisa  ser  aferível.  Se  a  empresa  não  se  mostra  capaz  de  comprovar  o  atingimento  das  metas  e  o  cálculo  da  PLR  individual,  o  requisito  legal  do  §1º  do  art.  2º  da  Lei  10.101/2000 resulta violado.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.    DATA  DE  ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO  DA CATEGORIA.  Diante  da  ausência  de  expressa  determinação  legal  e  da  necessidade  de  o  intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de  sua  respectiva  regulação,  a  razoabilidade  impõe  que  os  instrumentos  de  acordo  (entre  as  partes  ou  coletivo)  que  versem  sobre  pagamentos  de  Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e  arquivados  na  entidade  sindical  até  o  último  dia  do  semestre  anterior  ao  encerramento  do  período  a  que  se  refiram  os  lucros  ou  resultados.  Caso  a  empresa  comprove  que  as  negociações  estavam  em  curso  e  que  os  empregados  tinham amplo conhecimento de  sua proposta quanto aos  lucros  ou  resultados  a  serem  atingidos,  o  prazo  limite  para  a  assinatura  e  arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre  anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados.  TAXA  SELIC.  LEGALIDADE.  SÚMULA  4  DO  ANTIGO  3º  CC  E  ART. 34 DA LEI 8.212/91.  Em  conformidade  com  a  Súmula  3  do  antigo  2º  Conselho  de  Contribuintes,  é  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil  com base na taxa referencial do Sistema Especial  de Liqüidação e Custódia ­ Selic para títulos federais. Acrescente­se que, para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91,  o  art.  34  do  referido  diploma  legal  prevê a aplicação da Taxa Selic.       Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     4 MULTA.  ALTERAÇÃO  LEGAL.  CONHECIMENTO  DE  OFICIO.  POSSIBILIDADE.  VALOR. LIMITAÇÃO. 20%. LEI N.º 9.430/96.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  limitada o percentual a vinte por cento.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  I)  Por  voto  de  qualidade:  a)  em  dar  provimento parcial ao recurso, nas preliminares, a fim de excluir do lançamento, devido à regra  decadencial  expressa  no  I,  Art.  173  do  CTN,  as  contribuições  apuradas  até  a  competência  11/2001,  anteriores  a  12/2001,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros  Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que  votaram  em  aplicar  a  regra  decadencial  expressa  no  §  4º,  Art.  150  do  CTN;  b)  em,  negar  provimento  ao  recurso  nas  questões  do  auxílio  alimentação,  do  seguro  de  vida  e  na  Participação  dos  Lucros  de Resultados  (PLR),  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro  de Moraes, que davam provimento ao recurso nestas questões; II) Por maioria de votos: a) em  dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para afastar da base de cálculo os pagamento a  título  de  alimentação  in  natura  fornecidos  pela  empresa  Riga  Organização  Comercial  de  Restaurantes  Industriais  Ltda,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo Oliveira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em negar provimento ao recurso  nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado.  Vencido  o  Conselheiro Mauro  José  Silva,  que  votou  pelo  afastamento  da  multa;  c)  em  dar  provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Redator(a)  designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que  votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento  às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Damião Cordeiro de Moraes ­ Redator designado  Participaram,  do  presente  julgamento,  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  bem  como  os  Conselheiros  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes,  Damião  Cordeiro  de  Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 687          5 Relatório  Trata­se  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  (NFLD)  nº  37.120.633­5, lavrada em 04/09/2007, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições  previdenciárias incidentes sobre pagamentos a títulos de participação nos lucros ou resultados  (PLR)  em  desacordo  com  a  legislação  de  regência,  sobre  fornecimento  de  alimentação  sem  inscrição no PAT e  sobre pagamento de  seguros de vida,  no período de 02/1999 a 09/2006,  tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.764.523,95, fls. 01.  A autoridade fiscal constatou que havia:  •  diferenças  na  remuneração  aos  segurados  empregados,  no  mês  de  dezembro/2005, referente ao salário do mês;   •  o    fornecimento  "in  natura"  de  alimentação  aos  empregados,  sem  a  devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador ­ PAT;  •  despesas  com  prêmios  de  seguro  de  vida  em  beneficio  de  alguns  funcionários da empresa;  •  pagamentos  a  titulo  de  participação  nos  resultados  (PR),  sem  observância dos   requisitos legais.  Em relação ao PLR, a fiscalização apontou, fls. 48/49, que a empresa:  •  Não apresentou os programas relativos à parcela paga em 01/1998 e  àquelas correspondentes aos anos de 1999, 2000 e 2004 para a  filial  Ribeirão Pires;  •  Não  ficou  comprovado  o  ajuste  prévio, mediante  a  apresentação  de  atas  de  negociação  ou  qualquer  outro  documento  que  pudesse  comprovar que houve real negociação prévia das regras.  •  Não apresentou a memória de cálculo relativa aos valores pagos, para  comprovação dos resultados e do valor devido aos empregados;  •  Concedia os prêmio   em razão do alcance de metas mensais  fixadas  para  os  meses  seguintes  ao  da  assinatura  do  acordo,    geralmente  agosto a dezembro. Para  o período   anterior, janeiro a julho, não há  estabelecimento prévio de metas, ou seja, os acordos não condicionam   o  pagamento  do  prêmio  à  obtenção  de  um  resultado  combinado  antecipadamente entre empresa  e empregados;  •  Pagava  prêmios  independente  de  quaisquer  resultados,  pois  havia  provisão antes da assinatura do acordo e aqueles que eram demitidos  antes de tal evento recebiam o prêmio.  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     6 Após tomar ciência pessoal da autuação em 05/09/2007, fls. 01, a recorrente  apresentou impugnação, fls. 181/251, na qual apresentou argumentos similares aos constantes  do recurso voluntário.   A 12ª Turma da DRJ/São Paulo  ­  I,  no Acórdão de  fls.  460/499  ,  julgou o  lançamento procedente,  tendo a  recorrente  sido  cientificada do decisório  em 14/03/2008,  fls.  501.  O  recurso  voluntário,  apresentado  em  09/04/2008,  fls.  500/585,  apresentou  argumentos conforme resumimos a seguir.  Aponta que houve cerceamento de defesa na decisão de primeira  instância,  pois  seu  pedido  de  produção  de  prova  oral  foi  indeferido  com  alegação  de  que  não  havia  previsão legal para tanto.  Outra  nulidade  da  decisão  a  quo  residiria  na  ausência  de  motivação  para  descumprimento  da  verdade material  e  para  a  impossibilidade  da  incidência  da  contribuição  sobre o pagamento de participação nos lucros e resultados.  Haveria  irregularidade  no MPF  na  medida  em  que  não  foi  cientificada  da  prorrogação deste, o que contraria a legislação de regência.  Demonstra que, em relação às competências 04/2002 e 04/2003, não houve a  discriminação  dos  elementos  para  o  lançamento  das  contribuições  sobre  o  pagamento  da  participação nos lucros do estabelecimento matriz. Foram omitidos os valores que compuseram  o salário­de­contribuição, o que representa omissão nos critérios considerados para composição  da base de cálculo.  Pleiteia  a  exclusão  do  lançamento  de  fatos  geradores  atingidos  pela  decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN.  Entende  que  não  existe  prova  material  dos  fatos  geradores  incluídos  na  NFLD.  Com  relação  ao  fornecimento  de  alimentação,  argumenta  que  contratou  prestadoras  cadastradas  no  PAT.  Tais  prestadoras  possuíam  registro  no  PAT  anterior  à  competência inicial do débito, 12/2005.  Sustenta que o seguro de vida tem natureza não salarial conforme art. 458 da  CLT. Cita jurisprudência sobre o assunto. Não seria o benefício um salário utilidade, pois tem   a álea como característica preponderante. O art. 214, §9º do RPS não produziria qualquer efeito  para  as  relações  estabelecidas  pelos  particulares,  pois  não  cumpre  a  formalidade  do  art.  97,  inciso IV do CTN.  Aponta que, em relação ao PLR, adotou a convenção ou acordo coletivo para  negociar seus planos de PLR.  Insiste que os pagamentos a título de PLR não possuem natureza salarial.  Argumenta  que  a  apresentação  de  atas  de  negociação,  atas  de  eleição  de  representantes  e  outros documentos citados pela autoridade lançadora somente poderiam ser  exigidos  se  a  recorrente  tivesse      instituído      seus  planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados por meio de comissão escolhida pelas partes  e não na hipótese do art. 2°,  II,  da Lei  n° 10.101/00.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 688          7 Sustenta  que  a  legislação      exige    é    que  os  critérios    e  condições  sejam   previamente  estabelecidos,  o  que  foi  cumprido  pela  recorrente,  uma  vez  que  os  Planos  especificam  as  metas  que  deveriam  ser  cumpridas  para  recebimento  da  participação    e  o   período  para apuração dessas,  sempre durante  o  prazo de vigência do acordo respectivo.  Aponta  que  baseou  seu  programa  de  PLR  em  índices  como  faturamento  (FAT), refugo (REF), devoluções (DEV)  e absenteísmo   (ABS).  Acrescente­se  que    o    fato  do  pagamento  da  primeira  parcela,  em  alguns  meses,  ter  sido  fixado para    o mês da  assinatura dos  acordos,  em nada altera  essa  realidade,  porque      viável      a  medição  dos  critérios  fixados  na  norma  coletiva  para  distribuição  do  beneficio.    É o relatório.  Voto Vencido  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     8 Conselheiro Mauro José Silva, Relator    Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos  conhecimento.    Nulidade da decisão de primeira instância. Inocorrência.    A nulidade da decisão de primeira  instância é declarada naqueles casos nos  quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao  disposto nos arts. 31 e 59,  inciso II do Decreto 70.235/72. Destacamos que se faz necessário  que a omissão esteja relacionada com questão que tenha relevância, ou seja, tenha o poder de  modificar  algum  item  do  decisório.  O  não  enfrentamento  de  alegação  sem  nenhuma  importância para lide ou o acréscimo de algum esclarecimento que não altera o deslinde desta,  não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida.  Não  vislumbramos  ter  ocorrido  qualquer  omissão  no  Acórdão  a  quo  que  enseje a nulidade, pois, este apreciou os aspectos essenciais da impugnação.  Por  fim,  quanto  ao  argumento  de  falta  de  materialização  da  obrigação  tributária no decisório a quo, não é a autoridade  julgadora que deve materializar a obrigação  tributária, pois trata­se de tarefa da autoridade fiscal que é efetivada no relatório fiscal e demais  documentos que o acompanham.    Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art.  150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733­SC.  A  aplicação  da  decadência  suscita  o  esclarecimento  de  duas  questões  essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início.  O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade  social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 –  dez anos ­ ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo  Tribunal Federal (STF).  Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por  unanimidade,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91  e  editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições:  Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar  Mendes, Relator:  Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº  8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decreto­lei  n°  1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 689          9 Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a  legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e  decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de  suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo  das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que,  como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social  sujeitam­se,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do  CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo  único do art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art.  18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda  Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).  Lei n° 11.417, de 19/12/2006:  Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a  revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante  pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências.  ...  Art.  2o  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     10 §  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a  interpretação e a  eficácia de normas  determinadas, acerca das  quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave  insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos  sobre idêntica questão.  Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos  judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08.  Temos,  então,  que  a  partir  da  edição  da  Súmula Vinculante  nº  08  o  prazo  decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco  anos.  Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo.  Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no  que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto  no CTN  ­,  deixando o dies  a  quo  do  prazo  decadencial  para  ser  definido  segundo  as  regras  constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN.  A  regra  geral  para  aplicação  dos  termos  iniciais  da  decadência  encontra­se  disciplinada no art. 173 CTN:   “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.   Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.”  Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que  antecipassem  seus  pagamentos,  cumprindo  suas  obrigações  tributárias  corretamente  junto  a  Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra  geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis :  "Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  (...).  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 690          11 § 4º Se a  lei  não fixar prazo à homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”  Observe­se, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência,  há  de  se  considerar  o  cumprimento  pelo  sujeito  passivo  do  dever  de  interpretar  a  legislação  aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou  contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários.  Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias:   Misabel  Abreu  Machado  Derzi,  Comentários  ao  Código  Tributário  Nacional,  coordenado  por  Carlos  Valder  do  Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404:   “A  inexistência  do  pagamento  devido  ou  a  eventual  discordância  da  Administração  com  as  operações  realizadas  pelo  sujeito  passivo,  nos  tributos  lançados  por  homologação,  darão  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  na  forma  disciplinada  pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de  infração).  “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco  anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da  obrigação.  Portanto  a  forma  de  contagem  é  diferente  daquela  estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos,  inerentes ao  lançamento  com base  em declaração ou de ofício.  Trata­se de prazo mais curto, menos favorável a Administração,  em  razão  de  ter  o  contribuinte  cumprido  com  seu  dever  tributário e realizado o pagamento do tributo.”.  Luciano Amaro  , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a  Ed., 1999, pág. 352:   “Se  porém  o  devedor  se  omite  no  cumprimento  do  dever  de  recolher  o  tributo,  ou  efetua  recolhimento  incorreto,  cabe  a  autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em  substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em  razão  da  omissão  do  devedor),  para  que  possa  exigir  o  pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”.  Sob  o  mesmo  enfoque,  no  Acórdão  CSRF/01­01.994,  manifestou­se  o  Relator:   “O  lançamento  por  homologação  pressupõe  o  pagamento  do  crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer  exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do  Código  Tributário  Nacional,  o  direito  de  homologar  o  pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência  do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação,  situações previstas no § 4º do referido artigo 150.  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     12 O  que  se  homologa  é  o  pagamento  efetuado  pelo  contribuinte,  consoante  dessume­se  do  referido  dispositivo  legal. O  que  não  foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado.  Se  o  contribuinte  nada  recolheu,  se  houve  insuficiência  de  recolhimento  e  estas  situações  são  identificadas  pelo  Fisco,  estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício.   Trata­se  de  lançamento  ex  officio  cujo  termo  inicial  da  contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo  173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.” (negrito da transcrição).  O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado  pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173,  inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em  outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto,  conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadência  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 691          13 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  Extrai­se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação  cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência  nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do  fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos,  deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I.  Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não  eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa  no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao  período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art.  150, § 4º?  Nossa  resposta  é:  não.  O  pagamento  antecipado  realizado  só  desloca  a  aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados  pelo  contribuinte  para  efetuar  o  cálculo  do montante  a  ser  pago  antecipadamente.  Fatos  não  considerados  no  cálculo,  seja  por  omissão  dolosa  ou  culposa,  se  identificados  pelo  fisco  durante  procedimento  fiscal  que  antecede  o  lançamento,  permanecem  com  o  dies  a  quo  do  prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial  do  art.  150,  §4º  refere­se  aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  já  admitidos  pelo  contribuinte.  Afinal,  não  se  homologa,  não  se  confirma  o  que  não  existiu.  Assim,  mesmo  estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração  do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a  esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à  abrangência do pagamento antecipado.   Definida  a  aplicação  da  regra  decadencial  do  art.  173,  inciso  I,  precisamos  tomar seu conteúdo para prosseguirmos:    “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;”  Da  leitura  do  dispositivo,  extraímos  que  este  define  o  dies  a  quo  do  prazo  decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado”. Mas  ainda  precisamos  definir  a  partir  de  quando  o  lançamento  pode  ser  efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente,  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     14 ao primeiro dia do  exercício  seguinte à ocorrência do  fato  imponível”.  ,Se  considerássemos  isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733  poderíamos concluir que o dies a quo da  decadência  para  aplicação  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN  seria  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como  dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que  levaria o  fim do prazo de caducidade  para 31/12/20(X+5).  Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um  fato  gerador  que  se  constata  ocorrido  em  31/12/20XX  só  poderá  ser  lançado  a  partir  de  01/01/20(X+1),  dada  a  cristalina  premissa  de  que  só  existe  obrigação  tributária  após  a  ocorrência do  fato gerador. Se  só poderia  ser  lançado em 01/01/20(X+1)  , o primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o  que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6).  Ainda  sobre  o  assunto,  estamos  cientes  que  após  o  trânsito  em  julgado  do  Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir  que os  fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só  tem seu dies a quo  em relação à  decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir:  EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 ­  PR (2004/0109978­2) Julgado em 09/02/2010.  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início somente em 1º.1.1995, expirando­se em 1º.1.2000.   Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma  de  suas Turmas,  que  a  afirmação  categórica  do  item  3  do Resp  973.733  serviu  apenas  para  afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal.  Ademais,  ao  adotarmos  a  interpretação mais  formalista  do  item  3  do Resp  973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a  obrigatoriedade  de  os  conselheiros  seguirem  as  decisões  do  STJ  tomadas  em  Recursos  Repetitivos.   O  art.  62­A do RICARF  tem  nítida  finalidade  de  evitar  que  o CARF  continue  Fl. 14DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 692          15 emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o  princípio  da  eficiência,  da  moralidade  administrativa  e  acarretaria  despesas  para  o  Erário  Público  na  forma  de  ônus  de  sucumbência.  Como  o  próprio  STJ  já  vem  adotando  uma  interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma  interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental.  Resulta,  então,  em  síntese,  que  para  fatos  geradores  ocorridos  em  31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o  fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art.  173, inciso I  do CTN.  Assim,  para  o  lançamento  do  crédito  tributário  de  contribuições  sociais  especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não  pagamento da obrigação principal,  o prazo decadencial  é de  cinco anos  contados  a partir do  primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso  dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em  atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação  aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  relacionados  a  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies  a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º  do CTN.   Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto  do referido dispositivo:  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Notamos que o  texto  legal  refere­se a uma homologação  tácita por parte da  Fazenda Pública – “considera­se homologado” é a expressão utilizada ­ no caso de expirado o  prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação  mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser  entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência  do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a  uma  interpretação  inequívoca  de  que  equivale  a  homologação  expressa  ou  lançamento  de  ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis,  entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública  inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no  sentido  de  que  irá  realizar  a  atividade  prevista  no  art.  142  do CTN. Caso  o  §4º  do  art.  150  quisesse  exigir  a  homologação  expressa  e  não  um  simples  pronunciamento,  teria  feito  referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas  preferiu  a  expressão  ”pronunciado”.  Com  esse  entendimento  concluímos  que,  iniciada  a  fiscalização,  a  decadência  em  relação  a  todos  os  fatos  geradores  ainda  não  atingidos  pela  homologação  tácita,  passa  a  ser  submetida  à  regra geral  de  tal  instituto,  ou  seja,  passa  a  ser  regida  pelo  art.  173,  inciso  I.  Ressaltamos  que  não  se  trata  de  interrupção  ou  suspensão  do  prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.   Fl. 15DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     16 Vejamos  um  exemplo.  Considerando  que  uma  fiscalização  tenha  sido  iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade  dele  exigida  pela  lei,  ou  seja,  o  sujeito  passivo  realizou  sua  escrituração,  prestou  as  informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a  homologação  tácita  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  05/20(XX­5).  Os  fatos  geradores ocorridos depois de 05/20(XX­5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido,  desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art.  173, inciso I.   Feitas  tais  considerações  jurídicas  gerais  sobre  a  decadência,  passamos  a  analisar o caso concreto.  A discussão que interessa para a definição da regra decadencial diz respeito  ao  levantamento PR1 – Participação nos Resultados  no período de 12/2001 a 08/2002. Com  relação a tais fatos geradores não há qualquer pagamento antecipado, uma vez que os únicos  pagamentos antecipados aproveitados dizem respeito ao período de 12/2005, fls. 29. Logo é de  ser  aplicada  a  regra  decadencial  do  art.  173,  I  do  CTN  de  modo  a  estarem  atingidos  pela  caducidade os fatos geradores até 11/2001.      Mandado  de  Procedimento  Fiscal.  Lançamentos  concluídos  até  01/05/2007.  Eventuais  vícios no MPF não afetem relação jurídica fisco x contribuinte.    Nosso  voto  versa  sobre  as  conseqüências  jurídicas  para  o  lançamento  tributário de eventuais vícios quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF).  Como nesta Câmara tratamos do julgamento de segunda instância de recursos  que  versem  sobre  o  que  o  regimento  desta Casa  denomina  de  contribuições  previdenciárias,  bem  como  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  temos  que,  de  início,  identificar  a  legislação aplicável ao MPF relativamente a tais tributos.   No que tange às contribuições previdenciárias, o MPF foi criado pelo Decreto  3.969/2001,  publicado  em  16/10/2001,  tendo mantido  sua  vigência  até  a  edição  do  Decreto  6.104/2007, publicado em 02/05/2007. Assim, as regras relativas ao MPF devem ser buscadas  no  Decreto  3.969/2001,  no  período  de  16/10/2001  a  01/05/2007,  e  no  Decreto  3.724/2001,  alterado pelo Decreto 6.104/2007, a partir de 02/05/2007.  Em resumo, o MPF, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, segundo o texto  do  art.  2º  do  Decreto  3.969/2001,  é  definido  como  uma  ordem  específica  que  instaura  o  procedimento  fiscal,  podendo  ser  um MPF  destinado  à  fiscalização  (MPF­F)  ou  destinado  a  realização  de  diligência  (MPF­D),  sendo  sua  emissão  realizada  por  algumas  autoridades  definidas no art. 6º daquele Decreto.  Interessa­nos  o  MPF­F,  pois  é  este  instrumento  que  pode  preceder  a  constituição de crédito tributário pelo lançamento. Entre as informações constantes do MPF­F  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 693          17 destacamos  o  prazo  para  realização  do  procedimento  fiscal  (inciso  IV  do  art.  7º),  o  tributo  objeto  do  procedimento  fiscal  a  ser  executado,  o  período  de  apuração  correspondente  e  as  verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de  cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos exercícios (§1º do art. 7º  do Decreto 3.969/2001).  O  MPF­F  tem  prazo  inicial  de  120  dias,  podendo  ser  prorrogado  quantas  vezes  for  necessário,  por  meio  da  emissão  de  MPF  complementar  (MPF­C).  Havendo  o  decurso de prazo, extingue­se o MPF­F, no entanto, o art. 16 do mesmo Decreto estabelece que  a extinção do MPF não implica nulidade dos atos praticados, podendo novo MPF ser emitido  para a conclusão do procedimento fiscal.  Considerando a síntese que fizemos sobre as normas que regem a matéria, no  período de 16/10/2001 a 01/05/2007, podemos sugerir  três violações possíveis às disposições  do Decreto 3.969/2001 no seguintes casos:  1.  Instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPF­F;  2.  Prosseguimento de procedimento  fiscal após o prazo para conclusão  do MPF;  3.  Conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPF­ F e sem que um MPF­C ou um novo MPF tenha sido emitido.  Para a primeira delas ­ instauração de procedimento fiscal sem a emissão de  MPF­F  ­ o Decreto  3.969/2001 não  previu,  diretamente,  qualquer  conseqüência  jurídica. No  entanto,  o  descumprimento  de  tal  norma  pode  ensejar  responsabilização  funcional  por  desobediência, por parte do servidor, ao dever de cumprir as normas legais e regulamentares,  conforme estabelecido pelo art. 116, inciso III da Lei 8.112/90.   Em relação à segunda violação – prosseguimento de procedimento fiscal após  o prazo para conclusão do MPF – o Decreto 3.969/2001 determinou no art. 16 que a extinção  do MPF não  implica  em nulidade dos  atos  praticados. Mais  uma vez  poderia  o  servidor  ser  chamado responder por descumprimento de norma legal ou regulamentar, mas, seguindo o que  determinou o Decreto 3.969/2001, os atos praticados seriam válidos.  No caso da terceira violação possível ­ conclusão de procedimento fiscal após  o prazo previsto para o MPF­F e sem que um MPF­C ou um novo MPF tenha sido emitido – o  Decreto 3.969/2001 afirma que os atos não são nulos e que pode haver a emissão de novo MPF  para  conclusão do procedimento  fiscal. O Decreto não obriga a  emissão  de novo MPF, pois  Fl. 17DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     18 utiliza o verbo “podendo” e não “devendo”. A primeira parte do art. 16 do Decreto 3.969/2001,  portanto,  não  deixa  dúvidas  de  que  não  há  nulidade  nos  atos  praticados  após  a  extinção  do  MPF, sendo que a segunda parte do mesmo dispositivo não obriga que haja emissão de novo  MPF para a conclusão do procedimento fiscal.    Portanto, qualquer eventual violação dos dispositivos do Decreto 3.979/2001  em  relação  ao  MPF  não  gera  conseqüências  para  a  relação  jurídica  fisco  x  contribuinte,  podendo, a depender do caso e de  instauração de processo administrativo disciplinar, ensejar  punição administrativa aos envolvidos.  Ainda dentro do período de 16/10/2001 a 01/05/2007, devemos considerar se  as conseqüências jurídicas de vícios no MPF não são oriundas de outras normas. Nessa toada,  de plano, devemos verificar se as normas que regem o contencioso administrativo fiscal tratam  do assunto.  Admite­se  que  no  período  em  questão  a  discussão  sobre  os  créditos  tributários  relativos  a  contribuições  previdenciárias  foi  regida  pela  Portaria  713/1993,  publicada em 16/12/1993, até a edição da Portaria 357/2002, publicada em 18/04/2002, sendo  que esta última foi revogada pela Portaria 520/2004, publicada em 20/05/2004 e que vigorou  até 01/05/2007. A partir de 02/05/2007, por força dos arts. 25, inciso I c/c o art. 16, §1º da Lei  11.457; e do art 1º do Decreto 6.103/2007, todo o contencioso administrativo das contribuições  previdenciárias passou a ser regido pelo Decreto 70.235/72.    Passemos,  então,  a  analisar  a  legislação  que  é  hodiernamente  considerada  como veiculadora das  regras do contencioso administrativo das contribuições previdenciárias  no período até 01/05/2007.   Na  Portaria  713/1993  não  encontramos  qualquer  referência  ao  MPF,  obviamente por se tratar de norma editada antes da criação desse documento administrativo.  A Portaria 357/2002, por sua vez, trazia no art. 28 uma previsão de nulidade  para o lançamento que não fosse precedido de MPF, in verbis:     “Art. 28. São nulos:  ...  III ­ o lançamento com ausência de fundamento legal, erro na identificação  do  fato  gerador,  do  período  ou  do  sujeito  passivo  ou  não  precedido  do  Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF;”    Fl. 18DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 694          19 A  norma  que  a  substituiu,  a  Portaria  520/2004,  manteve  a  previsão  dessa  hipótese de nulidade no art. 31, in verbis:  “Art. 31. São nulos:  ...  III – o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal.”    Portanto, no período de 18/04/2002 a 01/05/2007 temos norma administrativa  que previa a nulidade de lançamento não precedido de MPF.  Diante disso, a questão que apresentamos agora é: poderia uma portaria criar  uma hipótese de nulidade para o lançamento?  Para responder a  tal questionamento é preciso considerarmos o conteúdo do  dispositivo  contido  no  art.  146,  inciso  III,  alínea  “b”  da  Constituição  Federal  que  transcrevemos a seguir:  “Art. 146. Cabe à lei complementar:   ...   III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente sobre:  ...   b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;  ...”  Como se vê, o mesmo dispositivo constitucional que exige lei complementar  para  tratar  das  normas  gerais  sobre  prescrição  e  decadência,  também  exige  idêntico  veículo  normativo  para  tratar  de  normas  gerais  sobre  lançamento.  Em  outras  palavras,  por  determinação constitucional, somente a  lei complementar pode versar sobre as normas gerais  que afetem o lançamento.  De imediato, então, podemos afastar a possibilidade de uma Portaria  inovar  em  matéria  de  nulidade  do  lançamento.  Esclareça­se  que,  nesse  caso,  o  Regimento  deste  Conselho  não  traz  qualquer  óbice  ao  afastamento  de  Portaria  por  violação  de  norma  constitucional, pois o art. 62 da Portaria MF 256/2009 somente veda o afastamento de tratado,  Fl. 19DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     20 acordo  internacional,  lei  ou  decreto  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  sem  incluir  outras normas infralegais.  Assim,  nessa  altura  podemos  registrar  nossa  divergência  com  o  posicionamento adotado pelo ilustre Conselheiro Júlio Vieira Gomes, Presidente desta Turma,  que, ao relatar o Recurso Especial 20.514.1620, considerou a existência das Portarias 357/2002  e 520/2004 para concluir que o lançamento era nulo por não ter existido MPF válido na época  da  emissão  do  referido  ato  administrativo.  Insistimos  que  os  dispositivos  das  portarias  ministeriais que  trataram de nulidade do  lançamento não  foram validamente  introduzidos no  nosso ordenamento jurídico posto que violaram a correspondente norma de estrutura, ou seja,  violaram a norma constitucional que exige que a matéria seja introduzida tendo como veículo a  lei complementar. Assim, por não terem sido validamente inseridos no ordenamento jurídico,  os  dispositivos  das Portarias  357/2002  e  520/2004 que  previam nulidade do  lançamento  por  ausência de MPF não possuem força normativa e não podem fundamentar decisão válida em  processo administrativo fiscal.  Por  oportuno,  ressaltamos  que  em  relação  a  lançamentos  de  contribuições  previdenciárias concluídos em períodos posteriores à 01/05/2007, o Decreto regulamentador é  outro porém o conteúdo deste é similar ao que aqui foi apontado, permitindo que aproveitemos  as  considerações  feitas,  especialmente  a  que  se  refere  à  função  do  Decreto  em  sistema  tributário constitucional.   Afastada  a  possibilidade  de  portarias  tratarem  de  nulidades  do  lançamento,  passamos  para  a  investigação  de  quais  seriam  as  hipóteses  de  nulidade  do  lançamento  validamente  existentes  em  nosso  ordenamento  jurídico.  Veremos  as  nulidades  do  ato  administrativo  do  lançamento,  sem  abordarmos  as  nulidades  processuais  que  podem  surgir  após o início do litígio com a apresentação da impugnação.  Sabemos que o CTN foi recepcionado como lei materialmente complementar  que veicula normas gerais em matéria  tributária,  tendo  tratado do  lançamento nos arts. 142 a  150.   No entanto,  o CTN não  traz,  explicitamente,  qualquer hipótese de nulidade  para  o  lançamento.  Apesar  de  não  fazê­lo  explicitamente,  a  interpretação  sistemática  das  normas do CTN nos revela as hipóteses de nulidade do lançamento.  Sendo  o  lançamento  atividade  privativa  da  autoridade  administrativa,  nos  termos do art. 142, a doutrina já reconheceu que sua natureza jurídica é de ato administrativo.   Sobre o assunto, Paulo de Barros Carvalho esclareceu que:   “lançamento é ato jurídico e não procedimento.... Consiste muitas vezes, no  resultado  de  um  procedimento,  mas  com  ele  não  se  confunde.  O  Fl. 20DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 695          21 procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato  isolado, independente de qualquer outro.”1  Sendo  ato  administrativo,  por  força  do  CTN  –  lei  materialmente  complementar ­, o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades  próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação  Popular (Lei 4.717/65)  seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal:   “Art.  2º  São  nulos  os  atos  lesivos  ao  patrimônio  das  entidades  mencionadas  no  artigo  anterior, nos casos de:  a) incompetência;  b) vício de forma;  c) ilegalidade do objeto;  d) inexistência dos motivos;  e) desvio de finalidade.  Parágrafo  único.  Para  a  conceituação dos  casos  de  nulidade  observar­se­ão  as  seguintes  normas:  a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do  agente que o praticou;  b)  o  vício  de  forma  consiste  na  omissão  ou  na  observância  incompleta  ou  irregular  de  formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;”    Tomando o  conteúdo de  tal  dispositivo,  a doutrina2  identifica os vícios dos  atos  administrativos  como  vícios  de  incompetência  ou  relativo  ao  sujeito,  de  forma,  de  ilegalidade  do  objeto,  de  inexistência  de  motivos  ou  motivação  e  de  desvios  de  finalidade.  Segundo o escólio de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os atos administrativos que possuem tais  vícios são atos anuláveis.3  Com  relação ao MPF, dois vícios  têm sido  apontados  como ensejadores de  nulidade: o vício de competência e o vício relativo à forma.  Entre  os  que  enxergam  na  ausência  do  MPF  um  vício  de  competência,  encontramos a Conselheira Liége Lacroix Thomasi,  que,  no Acórdão 2301­00.076, de 03 de                                                              1  Cf. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário.  8. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 263­4.  2 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13ª ed., São Paulo: Atlas, 2001, p. 219­24.  Fl. 21DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     22 março de 2009, bem como em diversos outros do mesmo ano, incidentalmente expressou seu  entendimento  de  que  o  MPF  era  um  requisito  formal  indispensável  para  a  prática  do  lançamento,  pois  representava  “a  habilitação  do  agente  para  o  exercício  da  competência”.   Também  a  ex­Auditora­Fiscal, Mary  Elbe Queiroz,  vê  no MPF  um  instrumento  que  atribui  competência ao Auditor na medida em que afirma que este é o “veículo normativo legalmente  autorizado para estabelecer as regras de competência e  investir o Auditor­Fiscal da Receita  Federal  do  Brasil  nos  poderes  de  fiscalizar  de  modo  individualizado  determinado  contribuinte”.4  Respeitosamente, discordamos da ilustre Conselheira e da ex­Auditora.   Já  tivemos oportunidade de escrever  sobre o  assunto e aqui aproveitaremos  algumas anotações daquele trabalho.5  Temos  como  induvidosa  a  importância  da  competência  para  os  atos  administrativos a ponto de cristalizar­se o brocardo: defeito nenhum existe tão grande quanto o  da competência.6  Embora  tratando  competência  como  sinônimo  de  capacidade,  José Cretella  Júnior7 fornece­nos a dimensão da competência para o ato administrativo dizendo que “a falta  de  capacidade  ou  incapacidade  do  agente,  quer  absoluta,  quer  relativa,  torna  o  ato  ilegal,  passível de conseqüências que podem culminar com seu total aniquilinamento”.  Maria Sylvia Zanella Di Pietro8, professora titular de Direito Administrativo  da Universidade de São Paulo, ao tratar dos vícios relativos ao sujeito, defende que “visto que a  competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será  ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei...”9 A autora  tratando do elemento sujeito do ato administrativo define­o como “aquele a quem a lei atribui  competência  para  a  prática  do  ato”.  A  ilustre  professora  das  Arcadas,  ao  afastar  a  discricionariedade  em  relação  à  competência,  reitera  a  gênese  da  norma  que  estatui  a  competência,  insistindo que “a competência para a prática dos atos administrativos é  fixada  em lei; é inderrogável, seja pela vontade da administração, seja por acordo com  terceiros”.                                                                                                                                                                                           3 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 226.  4 Cf. QUEIROZ, Mary Elbe. O Mandado de Procedimento Fiscal. Formalidade essencial, vinculante e obrigatória  para o início do procedimento fiscal. Revista Fórum de Direito Tributário. Belo Horizonte, ano 7, n. 37, p. 53­98,  jan./fev. 2009, (p. 96).  5 Cf. SILVA, Mauro José. A competência para o lançamento e o Mandado de Procedimento Fiscal. Tributação em  revista. n. 37, p. 10­17, jul./set. 2001.  6 Nullus est maior defectus quam defectus potestatis.  7 Cf. CRETELLA JÚNIOR, José. Tratado de direito administrativo, vol. II, Teoria do ato administrativo. Rio de  Janeiro: Forense, 1966, p. 149.  8 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 186.  9 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 220.  Fl. 22DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 696          23 Em outra  obra10,  a  autora  caracteriza  a  origem  na  lei  como  garantia  para  o  administrado  no  trecho:  “Visto  que  a  competência  vem  sempre  definida  em  lei,  o  que  constitui  garantia  para  o  administrado,  será  ilegal  o  ato  praticado por  quem não  seja  detentor  das  atribuições  fixadas  na  lei  e  também  quando  o  sujeito  pratica  exorbitando de suas atribuições”    Amparados  nessas  seguras  lições,  já  concluímos  que “a  fixação  da  gênese  normativa  da  competência  na  lei  encontra  respaldo,  portanto,  da  pacífica  interpretação  da  doutrina sobre o instituto, e é autêntica garantia para o administrado”.11   Oportuno  lembrar  que  não  podemos  confundir  competência  tributária  com  competência para o lançamento. Possuir competência tributária – aptidão para criar tributos  in  abstrato  que  é  conferida  constitucionalmente  aos  entes  federativos  –  não  se  confunde  com  competência  para  o  lançamento,  pois  esta  deve  ser  entendida  como  a  autorização  legal  para  editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo.  Ao dizermos que competência para o  lançamento é a autorização  legal para  editar  a  norma  individual  e  concreta  veiculada  pelo  respectivo  ato  administrativo  torna­se  oportuno retomarmos a doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. A autora, instada, em 2002,  a  opinar  quanto  à  competência  para  o  ato  administrativo  do  lançamento  tributário,  considerando o conteúdo do art. 142 do CTN e as leis instituidoras dos tributos, asseverou que:  “A  primeira  observação  a  fazer  é  no  sentido  de  que  a  competência para a realização dos procedimentos fiscais é  privativa dos Auditores­Fiscais nos termos do artigo 8° da  Medida  Provisória  n°  2.17529,  já  analisada,  e  da  legislação  tributária  também  já  mencionada.  Como  também é de sua competência privativa a constituição, me­ diante lançamento, do crédito tributário.   Sendo  sua  a  competência,  por  força  de  lei,  não  há  fundamento  legal  para  a  sua  limitação  por  meio  de  portaria  da  Secretaria  da  Receita  Federal[referindo­se  à  Portaria  SRF  3.007/2001  que  primeiro  tratou  da  matéria  no âmbito da SRF]. Certamente não há impedimento a que  as  autoridades  indicadas  na  portaria  emitam  o  MPF  quando  tiverem  conhecimento  de  fatos  que  devam  ser  objeto  de  fiscalização  ou  de  diligência.  Mas  essa  possibilidade  não  pode  limitar  ou  impedir  a  iniciativa  de                                                              10 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 220.  11 Cf. SILVA, op. cit., (nota 5), p. 14.  Fl. 23DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     24 cada  Auditor­Fiscal  para  o  exercício  das  atribuições  que  são  inerentes  ao  seu  cargo  e  cuja  omissão  pode  caracterizar  ilícito  administrativo,  civil  e  até  criminal.  Também  não  há  o  mínimo  fundamento  legal  para  que  o  exercício  de  uma  atribuição  inerente  a  um  cargo  público  fique dependendo de determinação de autoridade superior.   (...)  Aliás,  contraria  o  bom­senso  e  a  razoabilidade  dos  atos  normativos exigir que o servidor dependa de determinação  de  autoridade  superior  para  desempenhar  atribuição  que  lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei  tem  que  prevalecer  sobre  a  vontade  da  autoridade  administrativa. Mencionando, mais uma vez, o conceito de  cargo  público  contido  no  artigo  3°  da  Lei  no.  8.112/90,  verifica­se  que,  por  ele,  o  cargo  público  é  o  conjunto  de   atribuições  e  responsabilidades;  sendo  criado  por  lei,  conforme parágrafo único do mesmo dispositivo, a lei é que  define esse conjunto de atribuições e responsabilidades.”12      Merece  destaque  o  trecho  na  qual  a  autora,  com  energia,  afirma  que  “contraria  o  bom­senso  e  a  razoabilidade  dos  atos  normativos  exigir  que  o  servidor  dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é  outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade  da autoridade administrativa”13.   Com  a maestria  que  lhe  é  peculiar,  autora  não  deixou  de  considerar  que  o  parágrafo único do art. 142 do CTN  estatui que a “atividade administrativa de lançamento é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” e concluiu que:   “o Auditor­Fiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições  próprias do cargo, por força de lei, não podendo depender, para exercê­las,  de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação.  A  omissão  no  desempenho  de  suas  atribuições  caracteriza  improbidade  administrativa,  conforme  artigo  11,  inciso  II,  da  Lei  nº  8.249,  de  2.6.92.  Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente  ilegal se  for  impedido                                                              12  Cf.  DI  PIETRO, Maria  Sylvia  Zanella; MELLO,  Celso  Antonio  Bandeira  de. Princípios  constitucionais  da  administração pública. Aspectos relativos à competência do Auditor­Fiscal da Receita Federal e sua função de  servidor de Estado. Brasília: Unafisco Sindical, 2002, p. 47­8.  13 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 48.  Fl. 24DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 697          25 ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em  desacordo com a lei.”14  Em conclusão de seu parecer, a autora asseverou que:    “A  competência  para  realizar  o  ato  administrativo  do  lançamento  tributário    é do Auditor­Fiscal da Receita Federal,  em  razão  de  sua  investidura  no  cargo,  cujas  atribuições  são  definidas  em  lei.  Essa  competência  não  pode  ser  condicionada  ou  limitada  por  portaria  administrativa.  O  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  pode  exercer  as  suas  atribuições  independentemente  da  emissão  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ou    quando  este  esteja  com  prazo  de  validade  vencido,  sem  que  isto  caracterize    incompetência  ou  vício  de  nulidade  que  possa  ser  declarado  pelas  autoridades  incumbidas  do  julgamento  nos  processos  de  contencioso  administrativo.”   (grifei)    O  entendimento  acima  expresso  é  corroborado  pela  sentença    proferida  em  sede  de  mandado  de  segurança,  pelo  juiz  Ivan  Velasco  Nascimento,  da  8ª  Vara  Federal,  segundo a qual a norma administrativa que disciplinava o MPF à época, Portaria SRF nº 1.265,  de  1999,  “é  colidente  com  outras  normas  tributárias  que  ocupam patamares mais  elevados”,  afirmando ainda que:       “Não há dúvida de que a exigência de prévia emissão do MPF­ F,  para    que  o  auditor  possa  cumprir  o  seu  dever,  ante  a  constatação  da  ocorrência  de  fato  típico,  é  medida  de  efeito  concreto que hostiliza o disposto no artigo 95 da Lei n° 4.502/94  c/c artigo 9º do Decreto­Lei 1.024/69 e cerceia o direito e dever,  líquido e certo, do auditor executor da fiscalização”.    Existem  julgados  do  antigo  2º  Conselho  de  Contribuinte  e  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  que  já  consideraram  que  problemas  no  MPF  não  acarretam  nulidade  no  lançamento  por  vício  de  competência.  Tratavam  de  tributos  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, mas podem ser aplicáveis ao caso, pois tudo que tratamos aqui  sobre  as  nulidades  do  ato  administrativo  do  lançamento  não  dependem  de  norma  específica  aplicável somente às contribuições previdenciárias.   Vejamos dois Acórdãos:                                                                14 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 49­50.  Fl. 25DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     26 202­14693     LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO ­ MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL  ­ O MPF, principalmente, presta­se como um instrumento de controle criado  pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação  Fisco­contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome  foi  selecionado  segundo  critérios  objetivos  e  impessoais,  e  que  o  agente  fiscal  nele  indicado  recebeu  do Fisco  a  incumbência  para  executar  aquela  ação  fiscal.  Pelo  MPF  o  auditor  está  autorizado  a  dar  início  ou  a  levar  adiante  o  procedimento  fiscal,  mas,  de  nada  adianta  estar  habilitado  pelo  MPF,  se  não  forem  lavrados  os  termos  que  indiquem  o  início  ou  o  prosseguimento  do  procedimento  fiscal.  E,  mesmo  mediante  um  MPF,  o  procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por  escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. O MPF sozinho  não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o  seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que,  se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de  fiscalização  desenvolvidos,  nem  dados  por  imprestáveis  os  documentos  obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se  deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,  detectada  a  ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o  agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade  funcional.    CSRF/02­02.543     PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  MPF.  NULIDADE.  Descabe  a  argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado  por  pessoa  competente  para  fazê­lo  e  em  consonância  com  a  legislação  vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização  no  âmbito  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  de  modo  que  eventual  irregularidade  na  sua  expedição,  ou  nas  renovações  que  se  seguem,  não  acarreta a nulidade do lançamento.    Considerando  as  lições  doutrinárias  e  a  jurisprudência  administrativa,  bem  como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão  de  que  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  não  é  instrumento  que  outorga  ou  retira  competência, uma vez que esta necessita de  lei que  lhe defina os contornos e aquele  foi  instituído por Decreto. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringe­se aos  interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente  competentes para efetuar o lançamento.15                                                              15 Cf. SILVA, op. cit., (nota 5), p. 17.  Fl. 26DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 698          27 Apresentada nossa posição em relação à ausência de causa para nulidade do  lançamento  por  vício  de  competência  nos  casos  lançamento  não  precedidos  de MPF  ou  que  foram precedidos de MPF com algum vício de emissão ou prorrogação, passamos a enfrentar a  segunda  possibilidade  de  causa  para  nulidade  do  ato  administrativo  de  lançamento:  vício  de  forma ou vício por ausência de formalidades essenciais.  Entre os que defendem a existência de vício de forma encontramos o ilustre  Conselheiro dessa Turma, Leonardo Henrique Pires Lopes, que se manifestou nesse sentido no  voto que proferiu na ocasião do julgamento do recurso 268.580. O Conselheiro concluiu que “o  MPF é elemento imprescindível (formalidade essencial) a validade do ato de fiscalização, que  precede  a  constituição  do  crédito  tributário”. No mesmo  sentido,  a  ex­Auditora Mary Elbe  entendeu  que  o  MPF  “adquiriu  status  de  um  instrumento  e  uma  formalidade  essencial,  indispensável  para  que  o  lançamento,  como  produto  final  do  procedimento  fiscal,  seja  executado e considerado válido”.  No  raciocínio  de  ambos  os  juristas  encontramos  duas  premissas:  o  veículo  normativo  que  institui  o  MPF  seria  apto  a  instituir  uma  formalidade  essencial  para  o  lançamento e os procedimentos de fiscalização são  imprescindíveis para o ato administrativo  do lançamento.  Veremos que ambas as premissas devem ser afastadas.  Já  dissemos  que  a Constituição  Federal,  no  art.  146,  inciso  III,  alínea  “b”,  exige  que  as  normas  gerais  sobre  o  lançamento  sejam  estabelecidas  em  Lei  Complementar,  sendo  que  os  arts.  142  a  150  do  CTN  exercem  tal  função.  Especialmente  no  art.  142  não  encontramos a  exigência de uma  formalidade  essencial  que pudesse  ser equiparada  ao MPF.  Ou  seja,  não  há  previsão  no  CTN  para  a  existência  de  uma  formalidade  essencial  para  o  lançamento similar ao MPF. Considerando que o MPF foi instituído por Decreto, fácil concluir  que seu “status” de formalidade essencial – se é que existe ­  foi­lhe concedido por norma infra  legal que não estava autorizada para tanto pelo texto constitucional.  Quanto  ao  lançamento  ser,  necessariamente,  precedido  por  procedimento  inquisitorial  investigatório,  Paulo  de  Barros  Carvalho  já  foi  categórico  em  assentar  que  “o  procedimento  não  é  da  essência  do  lançamento,  que  pode  consubstanciar  ato  isolado,  independente  de  qualquer  outro.”16  Além  de  tal  lição  doutrinária,  podemos  observar  que  inúmeros  lançamentos  são  realizados  sem  que  qualquer  procedimento  investigatório  seja  realizado em situações nas quais a autoridade lançadora dispõe de todos os elementos para, em                                                              16 CARVALHO, op. cit., (nota 1), p. 263­4.  Fl. 27DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     28 estrita  obediência aos ditames do art., 142 do CTN,  “verificar a ocorrência do fato gerador  da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo  devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” .  No campo da lógica simples já podemos descaracterizar a natureza de formalidade essencial do  MPF, pois o que é essencial não se dispensa, existe em todos os casos, está sempre presente, o  que  não  constitui  a  realidade  do MPF. E  a  realidade dos  fatos  está  fundada  em norma  infra  legal, pois, a Portaria MPS/SRP N° 3.031/2005, publicada em 22/12/2005, dispensou a emissão  de MPF em várias situações, in verbis:  “Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização:  I ­ relativo à análise  interna e regularização de divergências entre GFIP e GPS,  objeto  de  cobrança  automática  pelos  sistemas  informatizados  da  Previdência  Social,  inclusive  para  aplicação  de  penalidade  pela  falta  ou  atraso  na  sua  apresentação;  II  ­  destinado,  exclusivamente,  à  aplicação  de  multa  por  não  atendimento  à  intimação efetuada por AFPS em procedimento de diligência, realizado mediante a  utilização de MPF­D ou MPF­Ex.”    Ainda  que  fosse  admitido  o  status  de  formalidade  essencial  ao MPF,  esta  seria  uma  exigência  para  o  procedimento  inquisitorial  de  investigação  e  não  para  o  ato  administrativo  do  lançamento  que  pode,  como  vimos,  prescindir  de  um  prévio  trabalho  investigativo.  Assim,  concluímos  que  o Mandado de Procedimento Fiscal  diz  respeito  ao  procedimento inquisitorial de investigação fiscal e não ao ato administrativo do lançamento em  si,  não  possuindo,  outrossim,  status  de  formalidade  essencial  capaz  de  causar  nulidade  por  vício formal no referido ato administrativo.  Por  fim, há  aqueles,  como a ex­Auditor­Fiscal, Mary Elbe,17  que  entendem  que o MPF é um instrumento garantidor do contraditório e da ampla defesa, ou mesmo outros,  como o Conselheiro Leonardo no voto do recurso 268.580, que entendem a existência do MPF  como corolário da segurança jurídica.  Como é cediço não podemos  falar  em contraditório  e  ampla defesa na  fase  que  antecede  a  conclusão  do  lançamento,  pois  os  procedimentos  da  autoridade  fiscalizadora  têm  natureza  inquisitória  não  se  sujeitando  ao  contraditório  os  atos  lavrados  nesta  fase.  Somente depois concluído o lançamento e instalado o litígio administrativo com a apresentação  da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e  da ampla defesa.  Fl. 28DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 699          29 Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF):  NORMAS  PROCESSUAIS­  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO­A fase de investigação e formalização da exigência,  que  antecede  à  fase  litigiosa  do  procedimento,  é  de  natureza  inquisitorial,  não  prosperando  a  argüição  de  nulidade  do  auto  de  infração por não observância do princípio do  contraditório.  Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação  de  falta  de  motivação  do  ato  administrativo,  que,  de  fato,  não  ocorreu.(Acórdão 101­93425)     Quanto  à  segurança  jurídica,  Leandro  Paulsen18    conclui  que  são  cinco  os  seus possíveis conteúdos: (i) certeza do direito; (ii) intangibilidade das posições jurídicas; (iii)  estabilidade das situações jurídicas;(iv) confiança no tráfego jurídico; e (v) tutela jurisdicional.  Considerando  que  o  conteúdo  de  certeza  do  direito  diz  respeito  ao  conhecimento  do  direito  vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme  os  efeitos  jurídicos  estabelecidos,  buscando  determinado  resultado  jurídico  ou  evitando  conseqüência indesejada, podemos admitir sua relação com a existência do MPF. No entanto,  todas  as  normas  a  serem  consideradas  na  aplicação  da  segurança  jurídica  devem  ter  sido  validamente  inseridas  no  ordenamento  jurídico  e  estarem  em  plena  vigência. Nesse  sentido,  Ricardo Lobo Torres,19 citando Tipke, afirma que a segurança jurídica é a segurança da regra.   Assim,  tendo  sido  demonstrado  que  não  há  qualquer  regra  validamente  inserida  no  ordenamento  jurídico  que  atribua  o  efeito  de  nulidade  aos  eventuais  vícios  relacionados  ao  MPF,  não  há  qualquer  violação  à  segurança  jurídica  a  conclusão  de  que  vícios  quanto  ao  instrumento administrativo não geram efeitos na relação fisco x contribuinte.  Por  oportuno,  não  podíamos  concluir  nossa  manifestação  sem  enfrentar  a  questão  de  que  a  existência  do MPF  pode  contribuir  para  diminuir  os  eventuais  desvios  de  conduta das autoridades fiscais e o aparecimento de golpistas particulares que atuariam como  falsos Auditores­Fiscais.   A eventual  função de auxílio ao combate a  tais  ilícitos que o MPF  pode exercer não  legitima, de per  si  e  em afronta  ao direito positivo,  a  consideração de que  ocorreria  nulidade  quando  da  existência  de  quaisquer  vícios  quanto  a  tal  instrumento  de                                                                                                                                                                                           17 Cf. QUEIROZ, op. cit., (nota ), p. 62.  18  Cf.  PAULSEN,  Leandro.  Segurança  jurídica,  certeza  do  direito  e  tributação:  a  concretização  da  certeza  quanto à instituição de tributos através das garantias da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade. Porto  Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 165.  19  Cf.  TORRES,  Ricardo  Lobo.  Tratado  de  direito  constitucional  financeiro  e  tributário,  v.  II;  Valores  e  princípios constitucionais tributários. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 173.  Fl. 29DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     30 controle administrativo. Em apoio a nossa posição, tomamos, mais uma vez, as seguras lições  da administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro sobre o assunto. Afirmou a professora em  parecer no qual considerou os efeitos da existência do MPF:  “Os  desvios  de  conduta,  sempre  possíveis  de  ocorrer,  pela  omissão  no  exercício das atribuições próprias do cargo, devem ser objeto de apuração e  aplicação  das  sanções  cabíveis.  Não  podem,  contudo,  levar  a  adoção  ou  imposição de medidas normativas contrárias à lei(...).” 20  Por  todo  o  exposto,  concluímos  que  a  existência  de  quaisquer  vícios  em  relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com  o  ato  administrativo  do  lançamento,  podendo  aqueles  ensejar,  se  for  o  caso,  apuração  de  responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas,  insistimos, sem afetar a relação jurídica  fisco x contribuinte.    Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT.  Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao  trabalhador  está  compreendida  no  conceito  de  salário.  Apesar  do  dispositivo  legal  suscitar  poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a  Súmula 241 sobre o assunto, in verbis:    Súmula Nº 241 do TST  SALÁRIO­UTILIDADE. ALIMENTAÇÃO   O  vale  para  refeição,  fornecido  por  força  do  contrato  de  trabalho,  tem  caráter  salarial,  integrando  a  remuneração  do  empregado, para todos os efeitos legais.    Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de  incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea  “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida  in natura, ou seja, para a alimentação  fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a  parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo  Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue:  Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga  in  natura  ,  pela  empresa,  nos  programas  de  alimentação  aprovados pelo Ministério do Trabalho.                                                                20 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 50.  Fl. 30DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 700          31 Vê­se, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja  de  acordo  com  programa  de  alimentação  aprovado  pelo  Ministério  do  trabalho  tem  dupla  previsão  legal.  Tal  constatação,  por  si  só,  já  seria  suficiente  para  negarmos  qualquer  possibilidade  de  afastarmos,  na  aplicação  da  lei,  a  exigência  de  tal  requisito  para  o  reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do  Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido  programa,  de  modo  a  concluirmos  se  seriam  exigências  que  atendem  ao  princípio  da  proporcionalidade.  No  art  1º  da  Portaria  03/2002  há  a  previsão  de  que  o  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  “tem  por  objetivo  a  melhoria  da  situação  nutricional  dos  trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Nota­se,  portanto,  que  a  regulamentação  do  PAT  traz  em  si  uma  preocupação  com  o  bem  estar  dos  trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o  trabalhador  receba  uma  alimentação  saudável,  com  respeito  aos  alimentos  regionais  e  ao  significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com  preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das  refeições  do  dia.  Quanto  às  formalidades  necessárias  para  adesão  ao  PAT,  não  vislumbramos  serem  demasiadamente  excessivas  de  modo  a,  consideradas  as  finalidades  de  interesse  público  do  PAT, ferirem a proporcionalidade.  A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o  benefício  da  isenção  que  tem  objetivo  proteger  o  trabalhador,  evitando  que  o  empregador  forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao  princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal,  é  operar  em  desfavor  do  trabalhador  na  medida  em  que  implicaria  afastar  norma  que  tenta  preservar sua saúde.  A  par  disso,  não  ignoramos  que  o  STJ  tem  jurisprudência  que  afasta  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  alimentação  in  natura,  estando  ou  não  a  empresa  vinculada  ao  PAT.  No  entanto,  ao  analisarmos  os  vários  Acórdãos  nesse  sentido,  observamos, mais  uma  vez,  um  encadeamento  de  referências  a  precedentes  que  acabam  por  tomar como leading case o RESP 85.306­DF de 1996 com a seguinte ementa:  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ALIMENTAÇÃO  FORNECIDA  POR  EMPRESA.PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO  SALARIAL.  REEXAME  DE  PROVAS.  IMPOSSIBILIDADE  PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL.  I    ­  AFIGURA­SE  ESCORREITO  O  V.  ACÓRDÃO  VERGASTADO AO DECIDIR QUE A  ALIMENTAÇÃO PAGA,  ESTEJA  O  EMPREGADOR  INSCRITO  OU  NÃO  NO  PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT),  NÃO  E  SALÁRIO  "IN  NATURA",  NÃO  E  SALÁRIO  UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO  CASO,  HAVER  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ADEMAIS,  NÃO  E  O  RECURSO  ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS.  II ­ RECURSO NÃO CONHECIDO.  Fl. 31DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     32   Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões  do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida  de maneira  não  gratuita  aos  funcionários  de  uma  empresa. Ora,  é  fora  de  dúvidas  que  se  o  trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não  sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da  inscrição ou não no PAT, pois não  faz  parte  do  campo  de  incidência  da  contribuição  previdenciária. Mas  veja  que  o  leading  case,  tantas  vezes  repetido  no  STJ,  tratava  de  uma  situação  específica  de  alimentação  paga  pelo  trabalhador  e  não  pela  empresa  em  benefício  do  trabalhador.    Apesar  disso,  a  partir  de  tal  Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para,  em  situação  diversa,  não  exigir  o  registro  no  PAT  em  casos  de  alimentação  in  natura  fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez  uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT:  REsp  476194  /  PR  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.   EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  AO  TRABALHADOR.  FORNECIMENTO  DE  REFEIÇÕES  DECORRENTE  DE  CONVENÇÃO  COLETIVA  DE  TRABALHO.  NÃO­ INCIDÊNCIA. TAXA SELIC.  1.  Empresa  não  cadastrada    no  Programa  de  Alimentação  ao  Trabalhador  não  faz  jus  aos  benefícios  fiscais  previstos  na Lei  6.321/76,  que  exclui  o  custo  da  alimentação  fornecida  pelo  empregador  da  parcela  incorporada  ao  salário    para  fins  de  contribuição previdenciária.  2.  Fornecida  a  alimentação  pelo  empregador  não  inscrito  no  PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui,  para  cobrir  custos  dos  alimentos  auferidos,  não  se  caracteriza  como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição  para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral  o  pagamento  da  refeição,  fica  caracterizada  como  parcela  salarial a diferença do que foi pago,  integrando este excedente a  base de cálculo da contribuição previdenciária.  3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo  o  qual  é  legítima  a  incidência,  tanto  na  cobrança  de  dívida  fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC.  4.  Recurso especial a que se nega provimento.  Lamentavelmente,  o  Acórdão  acima  não  prevaleceu,  tendo  sido  objeto  de  Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que  não exige a inscrição no PAT.  De  nossa  parte,  com  a  devida  vênia,  assinalamos  que  a  repetida  jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em  premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita.   Assim,  nossa posição é,  seguindo a expressa determinação  legal, no sentido de exigir a  inscrição no  PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura.  Fl. 32DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 701          33 In  casu,  verificamos  a  existência  de  provas  nos  autos  de  que  a  empresa  prestadora Riga Organização Comercial  de Restaurantes  Industriais  Ltda  possuía  registro  no  PAT em 12/2005. Citada empresa havia sido contratada em 2001  com instrumento de contrato  de vigência mínima de 36 meses, fls. 309. Os documentos de fls. 602/608 demonstram que o  contrato estava em vigor e 12/2005.  Logo, considerando o caput do art. 5º da Portaria 3/2002, que permite sejam  fornecidas  refeições  mediante  prestação  de  serviços  de  terceiros,  e  o  preenchimento  do  requisito de inscrição no PAT pela prestadora, os pagamentos a título de alimentação in natura  fornecida  pela  Riga  Organização  Comercial  de  Restaurantes  Industriais  Ltda  em  12/2005  devem ser excluídos do lançamento.  A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011  que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela  desistência dos já  interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às  ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento  in natura do auxílio­ alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. No entanto, aquele parecer não  vincula  as  decisões  deste  Colegiado,  pois  o  §5º  do  art.  19  da  lei  10.522/2002  não  trata  de  decisões  do  CARF,  mas  apenas  prevê  a  revisão  de  ofício  para  os  créditos  tributários  já  constituídos  a  ser  feita  pela  autoridade  lançadora.  Ademais,  o  parecer  não  diz  respeito  ao  direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado  atual  da  jurisprudência,  não  teriam  êxito,  o  que,  fora  de  dúvida,  diz  respeito  ao  direito  processual  tributário.  Pelas  razões  acima  aventadas,  continuamos  com  o  resultado  da  interpretação  da  legislação,  no  campo  do  direito  material  tributário,  que  conclui  pela  necessidade da inscrição no PAT para desfrutar da isenção em relação à alimentação in  natura.    Seguro  de  vida.  Inclusão  no  campo  de  incidência  com  isenção  somente  mediante  a  obediência dos requisitos legais.    Iniciamos  a  análise  sobre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  instituída  pela  Lei  8.212/91  sobre  pagamentos  de  seguro  de  vida  tomando  o  dispositivo  constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição.  Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no  entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201        Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:             I  ­  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  (Redação  dada  pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)          a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  Fl. 33DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     34 preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;  (Incluído pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)           II ­ do trabalhador e dos demais segurados da previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)  (...)         Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial, e atenderá, nos    termos da lei, a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)         (...)   §  11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos  e  na  forma  da  lei.    (Incluído  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)    Como  se  vê,  a  Constituição  conferiu  competência  à  União  para  instituir  contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme  o  caput  do  art.  194  –  que  pode  incidir,  no  caso  do  empregador,    sobre  a  folha de  salários  e  demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação  à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art.  2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos  habituais a qualquer título.   Portanto,  para  as  contribuições  previdenciárias,  temos  que,  desde  de  pelo  menos a edição da emenda 20/98, a  incidência destas estava autorizada, entre outros, para os  seguintes fatos geradores:  •  No caso dos  empregadores,  sobre  a  folha de  salários  e demais  itens  remuneratórios(rendimentos)  pagos  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício,  bem  como  sobre  os  ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título;  •  No  caso  dos  trabalhadores,  não  há  expressa  delimitação  dos  fatos  geradores.    Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando  para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno.  No caso das contribuições para a seguridade social, é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de  forma  mais  específica,  apesar  de  existirem  outras  contribuições  destinadas  a  financiar  a  seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo).  Fl. 34DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 702          35 A  referida  lei  determinou,  em  seu  art.  11,  que  os  empregadores,  a  quem  denominou  de  empresas,  seriam  contribuintes  de  contribuições  sociais  “incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  segurados  a  seu  serviço”(parágrafo  único,  alínea  “a”).,  sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que  a contribuição incidiria o salário­de­contribuição, sendo este definido no art. 28.  A  definição  das  hipóteses  de  incidência  da  contribuição  das  empresas  é  encontrada  no  art.  22,  o  qual  em  seus  quatro  incisos  estabelece  a  incidência  de  uma  contribuição  previdenciária  geral  sobre  a  remuneração  dos  empregados,  uma  contribuição  previdenciária  relacionada  aos  riscos  do  trabalho,  uma  contribuição  previdenciária  sobre  contribuintes  individuais  e  uma  contribuição  previdenciária  devida  sobre  pagamentos  a  cooperativas de trabalho.  Interessa­nos  para  o  momento  a  contribuição  previdenciária  das  empresas  cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de  trabalho ou  sentença  normativa.  (Redação dada pela Lei  nº  9.876, de 1999)    Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são  as  hipóteses  de  incidência  do  inciso  I:  remunerações,  ganhos  habituais  sobre  a  forma  de  utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial.   Logo, cabe­nos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de  previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22.  Para tanto,  em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar, em relação aos  empregados,  o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação  trabalhista.   Assim,  remuneração  será  aquilo  que  a  CLT  assim  o  considera.  Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é  gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu  compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo  que  ultrapassam  50%  do  salário  stricto  sensu,  as  gratificações  ajustadas,  os  abonos  e  as  utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista.   Fl. 35DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     36 A  essa  altura  podemos  concluir  que  as  utilidades  excepcionadas  pela  CLT  não estão abrangidas pelo conceito de remuneração.  No entanto, conforme esclarecido anteriormente,  a Constituição autorizou a  incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os  ganhos  habituais  dos  empregados  a  qualquer  título,  ao  passo  que  a  Lei  8.212/91  instituiu  a  incidência  da  contribuição  das  empresas  sobre  os  ganhos  habituais  dos  empregados  sob  a  forma de utilidades.   No que tange aos pagamentos de seguro de vida, quis a CLT estabelecer que  se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário  lato sensu, e, portanto, da  noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que,  sendo  habitual,  sofre  a  incidência  da  contribuição,  conforme  autorização  constitucional  e  incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91.   Sabendo  da  dificuldade  de  conceituarmos  o  que  é  habitual,  adotaremos  a  habitualidade como a qualidade daquilo que é  freqüente,  que  é  repetido muitas vezes,  o que  implica  tomarmos  como  habitual  aquilo  que  é,  ou  poderá  ser,  repetido  mais  de  três  vezes  durante a duração do contrato de trabalho. No caso em tela, os pagamentos de seguro de vida  preenchem tal requisito, portanto consideramos que são ganhos habituais, ou seja, são ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidade  que  sofrem  a  incidência  da  contribuição  previdenciária.  Estando no campo de incidência, foi instituída uma isenção por meio da norma do art. 214, §9º,  inciso XXV do Regulamento da Previdência Social(RPS):      Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)          § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...)          XXV  ­  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a prêmio  de  seguro  de  vida  em grupo,  desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho  e  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couber,  os  arts.  9o  e  468  da Consolidação  das  Leis  do  Trabalho.        (Incluído  pelo  Decreto  nº  3.265,  de  1999)    Portanto,  de  acordo  com  tal  dispositivo,  são  requisitos  da  isenção:  previsão  em acordo coletivo e estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. Adiante iremos  nos manifestar sobre a legalidade desta norma isencional em confronto com o art. 97 do CTN.  O STJ tem emitido reiteradas decisões sobre o assunto que levaram a PGFN a  editar  o  Parecer  2119  /2011,  de  10  de  novembro  de  2011,  que  concluiu  pela  dispensa  de  apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos,  desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a incidência  de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador  em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia  a  cada  um  deles.  Considerando  tal  Parecer,  ficaria  dispensado  o  requisito  de  o  seguro  estar  previsto  em  acordo  coletivo,  exigindo­se  apenas  que  não  haja  individualização  do montante  Fl. 36DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 703          37 que beneficia cada um deles. A questão de o seguro estar disponibilizado somente a uma parte  dos empregados não está explicitamente tratada no Parecer.  Para  entender  o  contexto  das  decisões  do  STJ  que  levaram  à  edição  do  referido  Parecer,  buscamos  na  cadeia  de  precedentes  citados  aquele  que  representa  o  que  é  geralmente  chamado  de  leading  case.  Trata­se  do Resp  441.096  que  teve  a Ministra  Eliana  Calmon como relatora e que foi publicado em 04/10/2004. Vejamos a ementa:    PREVIDENCIÁRIO    ­    CONTRIBUIÇÃO    ­    BASE    DE   CÁLCULO  ­ INCLUSÃO DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO.  1. O valor pago pelo empregador por seguro de vida em grupo é  atualmente  excluído  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  em  face  de  expressa  referência  legal  (art.  28,  §  9º, "p" da Lei 8212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97).  2.  O  débito  em  cobrança  é  anterior  à  lei  que  excluiu  da  incidência o valor do seguro de vida mas, independentemente da  exclusão, por força da interpretação teleológica do primitivo art.  28,  inciso I, da Lei 8212/91, pode­se concluir que o empregado  nada usufrui pelo seguro  de  vida  em  grupo,  o  que  descarta   a    possibilidade    de    considerar­se    o    valor    pago,    se  generalizado  para  todos  os  empregados,  como  sendo  salário­ utilidade.  3. Recurso especial improvido.  (REsp    441.096/RS,    Rel.    Min.    Eliana    Calmon,    2ª    Turma,   unânime,  DJ 04/10/2004, p. 231)    Como podemos extrair da ementa citada, a 2ª Turma do STJ concluiu que a  isenção para o seguro de vida em grupo está prevista, a partir da Lei 9.528/97, no art. 28, §9º,  alínea “p”. Porém mesmo antes dessa lei, a 2ª Turma entendeu que a interpretação teleológica  conduziria  para  o  afastamento  do  seguro  de  vida  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária em vista de o empregado não usufruir do seguro. Nas palavras da Relatora do  Resp  441.096/RS, Ministra  Eliana  Calmon,  “o    seguro    de    vida    em    grupo    pago    pelo  empregador   para    todos   os    empregados,   de    forma   geral,   não   pode    ser    considerado   como  espécie  de  benefício  ao  empregado,  o  qual  não    terá  nenhum  benefício  direto  ou   indireto, eis que estendido a todos uma espécie de garantia familiar, em caso de falecimento.  Se  de  seguro  individual    se    tratasse,  não  haveria  dúvida  quanto  à    incidência,  o  que,  entretanto,  não  ocorre  em  relação  ao  seguro  de  vida  em  grupo.”.  Assim,  por  não  ter  o  empregado qualquer benefício direto ou  indireto advindo do seguro de vida este não poderia  ser considerado um benefício da empresa a favor do trabalhador.  Vamos  apreciar  cada  um  dos  argumentos  utilizados  na  fundamentação  daquela decisão.  O primeiro é que a isenção para o seguro de vida em grupo está prevista, a  partir da Lei 9.528/97, no art. 28, §9º, alínea “p”. Transcrevemos o dispositivo:  Fl. 37DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     38 Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  (...)  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  (...)  Ao entender que tal dispositivo  concedia isenção para pagamentos a título de  seguro de vida em grupo, o STJ adotou o entendimento de que seguro de vida é uma espécie de  benefício de previdência complementar.  Tal  conclusão  conflita  com  vários  dispositivos  sejam  oriundos  da  constituição ou de leis que  não tratam o seguro de vida como espécie do gênero previdência,  pública ou complementar. Vejamos alguns:  Constituição  Federal  Art. 21. Compete à União:  (...)  VIII  ­  administrar  as  reservas  cambiais  do País  e  fiscalizar  as  operações  de  natureza  financeira,  especialmente  as  de  crédito,  câmbio  e  capitalização,  bem  como  as  de  seguros  e  de  previdência privada;  (...)  Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:  (...)  VII  ­  política  de  crédito,  câmbio,  seguros  e  transferência  de  valores;  (...)  XXIII ­ seguridade social;  (...)  Lei 6435/77  Art. 10. As entidades abertas serão reguladas pelas disposições  da  presente  Lei  e,  no  que  couber,  pela  legislação  aplicável  às  entidades de seguro privado.  (...)  Fl. 38DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 704          39 §  2°  Aos  corretores  de  planos  previdenciários  de  entidades  abertas aplica­se a regulamentação da profissão de corretor de  seguros de vida e de capitalização.  Lei Complementar 109/2001  Art. 40. As entidades abertas deverão levantar no último dia útil  de  cada mês  e  semestre,  respectivamente,  balancetes mensais  e  balanços  gerais,  com  observância  das  regras  e  dos  critérios  estabelecidos pelo órgão regulador.  Parágrafo  único.  As  sociedades  seguradoras  autorizadas  a  operar  planos  de  benefícios  deverão  apresentar  nas  demonstrações  financeiras,  de  forma  discriminada,  as  atividades  previdenciárias  e  as  de  seguros,  de  acordo  com  critérios fixados pelo órgão regulador.  Como  se  vê,  seja  na  Constituição  ou  nas  leis  reguladoras  da  previdência  complementar  não  existe  o  tratamento  do  seguro  de  vida  como  espécie  de  previdência  complementar. Ao contrário, as normas citadas sempre fizeram referência expressa ao seguro  e/ou à previdência complementar quando pretenderam fazer determinada estipulação.   Portanto, a premissa adotada pela 2ª Turma do STJ no Resp 441.096/RS de  que  o  seguro  de  vida  em  grupo  detinha  isenção  prevista  no  art.  28,  §9º,  alínea  “p”  da  Lei  8.212/91  não  se  sustenta.  A  isenção  para  os  pagamentos  de  seguro  de  vida  em  grupo  foi  instituída  por meio  da  norma  do  art.  214,  §9º,  inciso XXV  do Regulamento  da  Previdência  Social(RPS). Tal previsão está em conflito com o art. 97, inciso VI do CTN que exige lei para  a  criação  de  isenções.  Assim,  para  manter  a  integridade  do  nosso  ordenamento  jurídico  tributário temos que considerar que não existe isenção legalmente instituída para o seguro de  vida.  Ou  seja,  afastamos  a  aplicação,  por  ilegalidade,  do  art.  214,  §9º,  inciso  XXV  do  Regulamento da Previdência Social(RPS).  O segundo argumento utilizado no leading case do STJ, Resp 441.096/RS, é  o de que o empregado não  terá nenhum benefício direto ou  indireto, eis que estendido a todos  uma espécie de garantia  familiar,  em caso de  falecimento. O argumento  transmite a  idéia de  que  aquilo  que  o  empregado  não  usufruir  por  ele  mesmo  não  pode  ser  considerado  um  benefício e, portanto, não é verba salarial. Se adotarmos tal argumento, o mesmo poderíamos  dizer  em  relação a vários pagamentos  feitos pela  empresa para o  trabalhador e que hoje  são  considerados parcelas  salariais. Podemos citar,  de plano,  a mensalidade escolar e o plano de  saúde para os dependentes do empregado pagos pela empresa. De maneira similar, ambos não  são benefícios diretos para o trabalhador e sim garantias para sua família. Porém, tais garantias  para a família do empregado são utilidades que a empresa lhe oferece em virtude da existência  da  relação  de  trabalho  como  forma  de  remunerar  este.  Se  a  empresa  não  fornecesse  tais  utilidades,  o  empregado  iria  adquiri­las  com  seu  salário.  Portanto,    são  ganhos  habituais  do  empregado sob a forma de utilidades que estão no campo de incidência da contribuição e que  só  desfrutam  de  isenção  na  forma  e  de  acordo  com  os  requisitos  da  lei.  Considerando  tal  raciocínio,  não  vemos  como  a  interpretação  teleológica  harmonizada  com  a  interpretação  sistêmica das normas pode conduzir para o caráter não salarial da utilidade em comento.  Assim, sem nos alinharmos com os argumentos do leading case do STJ que é  citado na reiterada jurisprudência daquele tribunal, não podemos adotar o Parecer 2.119/2011  como fundamento para o provimento do recurso. Nossa posição é pela inclusão do seguro de  Fl. 39DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     40 vida no campo de incidência da contribuição e pela inexistência de isenção legalmente válida  para o seguro de vida em grupo.   No  entanto,  não  podemos  aplicar  tal  conclusão  integralmente  ao  presente  caso,  tendo  em  vista  que  a  autoridade  fiscal  assumiu  a  existência  de  isenção  válida,  tendo  discutido o não preenchimento dos  requisitos desta. A essa altura do processo, não podemos  inovar na motivação sob pena de perpetrarmos cerceamento de defesa. A esse respeito, como  entendemos  não  haver previsão  legal  para  tal  isenção  não  há  como  avaliarmos  se o Decreto  extrapolou os limites da regulamentação, levando­nos a assumir os requisitos exigidos no . 214,  §9º,  inciso  XXV  do  RPS:  previsão  em  acordo  coletivo  e  estar  disponível  à  totalidade  dos  empregados e dirigentes.  A  fiscalização  apontou  que  a  Convenção  Coletiva  de  2005  não  previa  a  concessão do seguro de vida e apenas uma pequena parte dos empregados eram contemplados.  Observamos  que  o  acordo  coletivo  de  fls.  631/655  faz  menção,  ainda  que  indiretamente  a  seguro de vida em grupo, o que adotamos como suficiente para preencher um dos requisitos.  No  entanto,  remanesce  o  fato  de  o  benefício  ter  sido  concedido  a  apenas  um  grupo  de  trabalhadores, o que nos leva a negar provimento a essa parte do recurso.  Por oportuno, ressaltamos que, mesmo nas decisões reiteradas do STJ, o fato  de o benefício não estar disponível a todos é fator impeditivo do desfrute da isenção. Isso pode  ser facilmente observado na ementa do  leading case REsp 441.096 RS no trecho em que diz:  “pode­se concluir que o empregado nada usufrui pelo  seguro   de    vida   em   grupo,   o   que   descarta  a  possibilidade  de   considerar­se  o  valor  pago,  se generalizado para todos os  empregados, como sendo salário­utilidade”.    Participação nos lucros e resultados.    Inicio  a  análise  do  litígio  posicionando­me  sobre  a  natureza  jurídica  do  benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR.  Definir a natureza  jurídica do benefício  fiscal será crucial para adotarmos a  metodologia jurídica de interpretação, pois, como sabemos, para a  isenção o CTN exige uma  interpretação  literal,  ou  seja,  veda  uma  interpretação  analógica  ou  extensiva,  preferindo  a  interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente  uma  exclusividade  do  método  literal  ou  gramatical  na  interpretação  da  isenção  –  tarefa  hermenêutica  impossível  diante  da  pluralidade  de  sentidos  do  conteúdo  de  algumas  normas  isencionais  ­,  a  interpretação da  isenção deve buscar o  sentido mais  restritivo da norma. Por  outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos –  literal, histórico, sistemático e teleológico.   É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de  Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120­ 121):  “A distinção [entre não incidência,  imunidade e  isenção], além  da  importância  que possui  sob  o  ponto  de  vista  doutrinário ou  teórico,  tem  conseqüências  práticas  importantes,  no  que  se  refere  à  interpretação.  É  que,  sendo  a  isenção  uma  exceção  à  regra de que, havendo  incidência,  deve  ser  exigido o  tributo, a  Fl. 40DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 705          41 interpretação  dos  preceitos  que  estabeleçam  isenção  deve  ser  estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos  de incidência, quer nos de não­incidência, que, portanto, nos de  imunidade,  é  ampla,  no  sentido  de  que  todos  os  métodos,  inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”.  Adotamos,  para  a  interpretação  das  imunidades,  a  sistematização  de  suas  características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado  de  direito  constitucional  financeiro  e  tributário,  v.  III;  os  direitos  humanos  e  a  tributação:  imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97):  “Nessa  perspectiva  podemos  dizer  que  a  interpretação  das  imunidades  fiscais: a) adota o pluralismo metodológico,  com o  equilíbrio  entre  os  métodos  literal,  histórico,  lógico  e  sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das  finalidades];  b)  modera  os  resultados  da  interpretação,  admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto  a objetiva quanto a subjetiva,  todas em equilíbrio e a depender  do  texto  a  ser  interpretado;  c)  apóia­se  no  pluralismo  teórico,  com o princípio respectivo da não­identificação com ideologias  triviais;  d)  recusa,  da  mesma  forma  que  a  interpretação  das  isenções,  a  analogia,  que  implica  a  extensão  da  imunidade  a  direitos  não­fundamentais;  e)  busca  o  pluralismo  dos  valores,  com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”.  Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício  fiscal concedido os pagamentos a título de PLR.  Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal  concedido aos pagamentos a  título de PLR: os que o consideram uma  imunidade e os que o  consideram uma isenção.  Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a  PLR  da  remuneração,  o  que  equivaleria  a  afastar  a  natureza  de  remuneração  e,  em  conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II.  Dessa  forma,  estaria  configurada  uma  supressão  da  competência  constitucional  impositiva  atendendo ao conceito clássico de imunidade.   Na  jurisprudência,  encontramos  o  anterior  presidente  desta  Câmara,  Júlio  César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 205­00.563, asseverou:  “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e  resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção,  como  a  maioria  das  rubricas  excluídas  da  incidência  de  contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei  8.212  de  24/07/91.  Isto  porque  cuidou  a  própria  Constituição  Federal  de  desvincular  o  beneficio  da  remuneração  dos  trabalhadores(...)”  Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza  jurídica de imunidade no texto a seguir:  “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a  repartirem  seus  lucros  ou  resultados  com  os  seus  empregados,  Fl. 41DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     42 promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar  o  justo  equilíbrio  entre  o  capital  e  o  trabalho,  prescreveu  no  inciso  XI  do  art.  7º  da  Carta  Política,  que  a  PLR  fica  desvinculada  da  remuneração.  Em  outras  palavras,  retirou  do  campo  do  exercício  da  competência  impositiva  prevista  no  art.  195,  I,  a  da CF  tudo  o  que  for  pago  pela  empresa  a  título  de  participação  nos  lucros,  ou  resultados.  (...)A  PLR,  uma  vez  imunizada pela Constituição,  jamais poderia integrar a base de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  sem  gravíssima  ofensa  ao  texto  constitucional.”  (HARADA,  Kiyoshi;  SANCHES,  Sydney.  Participação  dos  empregados  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa:  incidência  de  contribuições  previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev.  2006.  Disponível  em:  <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>.  Acesso  em:  13  jan.  2011)  A  princípio,  não  entendemos  que  houve  a  total  supressão  da  competência  constitucional  impositiva,  pois  não  podemos  deixar  de  considerar  que  a  competência  constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está  inserto no art. 195, mas  também o que está previsto no §11º do art. 201  (ganhos habituais a  qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284:  “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do  artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da  competência  da  União  instituir  contribuição  previdenciária  sobre  a  PLR  na  forma  de  remuneração,  mas  não  na  forma  de  ganho  habitual.  Ocorre  que,  a  despeito  de  possuir  competência  constitucional  para  criar  contribuição  previdenciária  sobre  ganhos  habituais  a  qualquer  título,  a  União  somente  o  fez  em  relação  aos  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  conforme  consta  da  segunda  parte  do  inciso  I  do  art.  22(contribuição  da  empresa  sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário­ de­contribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária  se  tomar  a  forma  de  remuneração.  E  isso  só  poderá  ocorrer  se  houver  desobediência  à  lei  reguladora da imunidade.   Curioso  notar  que  a  natureza  jurídica  de  imunidade  que  o  benefício  fiscal  concedido  ao  pagamento  de  PLR  alcança  coloca­nos  diante  da  ausência  de  uma  norma  reguladora  constitucionalmente  válida,  pois,  como  limitação  constitucional  ao  poder  de  tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser  regulada por  lei  complementar,  status  que  a Lei  10.101/200 não  possui.  Se  confirmada  pelo  STF  a  tese  de  que  o  inciso  XI  do  art.  7º  é  norma  de  eficácia  limitada,  teríamos,  em  conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade.  Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26­A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  acatarem  argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma  reguladora da imunidade.   Curioso  notar  que  a  natureza  jurídica  de  imunidade  que  o  benefício  fiscal  concedido  ao  pagamento  de  PLR  alcança  coloca­nos  diante  da  ausência  de  uma  norma  reguladora  constitucionalmente  válida,  pois,  como  limitação  constitucional  ao  poder  de  tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser  regulada por  lei  complementar,  status  que  a Lei  10.101/200 não  possui.  Se  confirmada  pelo  STF  a  tese  de  que  o  inciso  XI  do  art.  7º  é  norma  de  eficácia  limitada,  teríamos,  em  conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade.  Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26­A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a  Fl. 42DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 706          43 proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  acatarem  argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma  reguladora da imunidade.  Não  ignoramos  que  o STJ  já  se manifestou  no  sentido  de  considerar  como  isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que  transcrevemos:  RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  CARACTERIZAÇÃO.  MATÉRIA  FÁTICO­PROBATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  07/STJ.  PROCESSO  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ.  1.  A  isenção  fiscal  sobre  os  valores  creditados  a  título  de  participação nos  lucros  ou  resultados  pressupõe  a  observância  da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91.  RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA  À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.  (...)  2. O gozo da  isenção  fiscal sobre os valores creditados a título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  pressupõe  a  observância  da  legislação  específica  regulamentadora,  como  dispõe a Lei 8.212/91.    Com  o  respeito  devido  aos  Ministros  do  STJ  que  assumiram  tal  posição,  reiteramos  que nossa  conclusão  é  a  de  que  existe  imunidade  para  os  pagamentos  a  título  de  PLR na forma de remuneração.  Estabelecida  a  natureza  jurídica  do  benefício  fiscal  concedido  aos  pagamentos  a  título  de  PLR  no  tocante  às  contribuições  previdenciárias  como  imunidade,  passemos  a  investigação  de  quais  finalidades  devem  ser  atendidas  pela  norma  reguladora  exigida no texto constitucional.   Iniciamos  a  investigação  sobre  as  finalidades da  norma  imunizante  e da  lei  reguladora  da  imunidade  com  a  lição  de  Luís  Eduardo  Schoueri.  Para  o  autor,  não  existem  tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer  efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias  indutoras e  intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue  afirmando  que  há  normas  que  possuem  o  caráter  indutor  em  destaque.  Assim,  as  normas  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     44 indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento  um  conseqüente,  que  poderá  consistir  em  vantagem  (estímulo)  ou  agravamento  da  natureza  tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica  chamaria de norma extrafiscal stricto sensu.   Parece­nos que a norma do art. 7º,  inciso XI da Constituição, bem como as  normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de  comportamento.   Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a  serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação  do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o  trabalhador de fraude que poderia ser  perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário  do trabalhador. Nas palavras do Ministro:    “É  uma  cláusula  pedagógica  para  evitar  o  drible  pelos  empregadores,  a  compensação,  o  esvaziamento  do  direito  constitucional”  A  fraude  que  pode  estar  relacionada  à  PLR  não  está  relacionada  apenas  à  compensação  do  salário  com  o  direito  de  índole  constitucional.  A  solidariedade  no  financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na  medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão  da  contribuição  previdenciária.  Esse  é  outro  aspecto  da  fraude  que  a  regulamentação  tenta  evitar e que  já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes,  em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 205­00.563 ao afirmar que:  “é  possível  que  esse  importante  direito  trabalhista  [a  participação  nos  lucros  e  resultados]  seja  malversado  em  prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a  autoridade  fiscal  dissimulação  do  pagamento  de  salários  com  participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade  Material  para  considerar os  valores  pagos  integrantes  da  base  de cálculo , das contribuições previdenciárias”.  Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em  sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do  trabalho  e  da  livre  iniciativa  (art.  1º,  inciso  IV  da  CF)  ­,  incrementar  os  meios  para  o  atingimento de,  pelo menos,  dois dos objetivos da Republica:  construir  uma  sociedade  livre,  justa  e  solidária  e  garantir  o  desenvolvimento  nacional(  art.  3º,  incisos  I  e  II  da CF). Nesse  sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo  social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização  do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma  nova  cultura,  uma  nova mentalidade,  a  mentalidade  do  compartilhamento  do  progresso  da  empresa  com  seus  atores  sociais,  com  os  seus  protagonistas”  (Ministro  Carlos  Britto,  RE  398.284).  Como  se  vê,  os  Ministros  do  STF  capturaram  as  duas  preocupações  que  devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos  exigidos pelo Texto Magno:  evitar a  fraude e  levar as  relações  entre capital  e  trabalho a um  patamar  mais  harmônico.  Assim  agindo,  o  intérprete  estará  garantindo  que  a  finalidade  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 707          45 indutora  ou  o  caráter  extrafiscal  stricto  sensu  da  norma  regulamentadora  da  imunidade  seja  atingido.  Portanto,  no  transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista  que os requisitos da lei  reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude ­  contra  os  trabalhadores  ou  contra  a  solidariedade  no  financiamento  da  seguridade  social  ­  e  para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho.  Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente  caso.    Eficácia limitada do art. 7º, inciso XI da Constituição Federal    A recorrente afirma que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição Federal  é autoaplicável. No entanto, tal argumento foi afastado pelo STF, conforme podemos constatar  da Ementa do RE 386.636:  “(...)  Conforme  se  infere  dos  votos  proferidos  no Mandado  de     Injunção  102­PE,  Plenário,  DJ  de  25.10.2002,  Redator  para  o     acórdão  o  Ministro  Carlos  Velloso,  somente  com  a  superveniência       da Medida Provisória n. 794,  sucessivamente  reeditada,  foram        implementadas  as  condições  indispensáveis  ao  exercício  do  direito        dos  trabalhadores  no  lucro  das  empresas. Dessa maneira, embora o    inciso XI do artigo 7º da  Constituição  assegurasse  o  direito  dos  empregados  à  participação nos lucros da empresa e previsse que  essa parcela  ­­­  participação  nos  lucros  ­­­  é  algo  desvinculado        da  remuneração,  o  exercício  desse  direito  não  prescindia  de  lei    disciplinadora  que  definisse  o  modo  e  os  limites  de  sua     participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer     para  fins  tributários,  quer  para  fins  de  incidência  de    contribuição previdenciária...."    Assim, a aplicação da imunidade o art. 7º, inciso XI da Constituição Federal  depende do atendimento da lei regulamentadora.    Fl. 45DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     46   Participação de representante dos sindicatos nas negociações que antecederam o acordo sobre a  PLR    São  dois  os  procedimentos  previstos  pela  lei  para  a  celebração  de  acordo  sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é  fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT.   No  primeiro,  a  lei  determina  que  a  comissão  escolhida  pelas  partes  será  “integrada,  também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”.  A expressão “também” não pode ser  interpretada aqui como uma possibilidade, como quer a  recorrente, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que  a  finalidade  da  norma  imunizante  e  de  sua  regulamentação  no  sentido  de  harmonizar  as  relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a  intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador  a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as  relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a  posteriori do sindicato ou o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical, como  no presente caso, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a  assinatura  do  acordo  já  estão  maculadas.  No  caso  de  recusa  do  sindicato  em  participar  da  negociação coletiva, a CLT já prevê o procedimento para tanto no art. 616.   Assim, quando o  empregador optar pela  comissão  escolhida  entre  as partes  como  procedimento  para  negociar  a  PLR,  deve  assegurar  que  haja  participação  do  representante sindical durante as tratativas ou demonstrar que agiu em conformidade com o art.  616 da CLT.  In casu, observamos que a empresa optou pelo acordo coletivo, estando estes  anexados aos autos à exceção do acordo referente a 2004 para a filial Ribeirão Pires, conforme  assinalado pela fiscalização.    Data da assinatura dos acordos    Questão  recorrente  nas  discussões  sobre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura  dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i)  data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data  do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e  (iii) data do recebimento, pelo  empregado dos pagamentos de PLR.  Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis:  Art. 2o  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes,  integrada,  também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  Fl. 46DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 708          47 II ­ convenção ou acordo coletivo.  § 1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I ­ índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II ­ programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  § 2o  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  Faremos  a  interpretação  de  tal  dispositivo  considerando  as  finalidades  dos  requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o  combate  à  fraude  ­  contra  os  trabalhadores  ou  contra  a  solidariedade  no  financiamento  da  seguridade social ­ e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho.  Inicialmente,  extraímos  do  dispositivo  legal  que  é  necessário  que  haja uma  negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com  o  objetivo  de  contribuir  para  a melhoria  das  relações  entre  capital  e  trabalho. Certamente,  a  norma  se  refere  a  uma  negociação  concluída  e  não  a  uma  negociação  em  curso,  o  que  nos  coloca  diante  de  um  primeiro  requisito  temporal:  a  negociação  entre  empresa  e  empregados  deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação  de que, antes de assinado, antes de se  tornar um ato  jurídico perfeito, a proposta da empresa  pode  ser  retirada  ou  alterada,  bem  como  o  pleito  dos  trabalhadores  pode  ser  alterado.  Em  adição,  devemos  considerar  que,  em  tese,  a  demora  na  conclusão  de  uma  negociação  em  andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados  sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba  salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar  o  acordo.  É  uma  porta  aberta  para  a  fraude.  Como  somente  com  a  assinatura  do  termo  de  acordo  entre  as  partes  ou  do  acordo  coletivo  é  que  teremos  a  formalização  do  término  da  negociação  e  estaremos  diante  de  um  ato  jurídico  perfeito  apto  a  exarar  efeitos  jurídicos,  concluímos  que  o  termo  de  acordo  entre  as  partes  ou  o  acordo  coletivo  deve  estar  assinado  antes do pagamento da PLR.  Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade  sindical  dos  trabalhadores.  Tal  exigência,  constante  do  §2º  pretende  dar  transparência  ao  instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pós­datada de um  acordo entre as partes.  Resta­nos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem  os  lucros  ou  resultados  deve  se  considerada.  Tomando  o  conteúdo  do  inciso  II  do  §1º  do  dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia  dos programas de metas,  resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os  incisos  do  §1º  não  são  taxativos,  o  que  poderia  nos  levar  a  concluir  que  a  necessidade  de  Fl. 47DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     48 pactuação  prévia  não  é  extensível,  por  exemplo,  aos  casos  enquadrados  no  inciso  I.  Esse  argumento isolado, portanto, é frágil.   Tomamos  outro  caminho.  É  certo  que  o  dispositivo  do  art.  2º  da  Lei  10.101/200  exige  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e  prazos  para  revisão  do  acordo.  Trata­se  de  exigência  que  está  em  harmonia  tanto  com  a  finalidade  de  combater  a  fraude  quanto  com  a  finalidade  de  contribuir  para  a  melhoria  da  qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto  ao  atingimento  dos  lucros  ou  resultados  antes  do  término  do  período  a  que  se  referem,  não  haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante  de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados  valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação  dos  serviços.  Conhecidos  os  lucros  ou  resultados,  seria  possível  instituir  objetivos  para  os  empregados  que,  de  antemão,  a  empresa  saberia  que  seriam  atingidos. Diante  da  certeza  do  pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na  sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho.   A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma  determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de  aferição das  informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição  do que  foi  acordado é porque não deve o  lucro ou  resultado estar  totalmente configurado no  momento  da  assinatura  do  instrumento  de  acordo.  Portanto,  harmonizando o  texto  da  norma  com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado  na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados.   Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado  na  entidade  sindical  antes  do  término  do  período  a  que  se  refiram  os  lucros  ou  resultados,  podemos  indagar  se  cumpriria  a  exigência  da  norma  se,  por  exemplo,  a  assinatura  e  arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou  resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura  posterior.  Os  lucros  e  resultados  já  estariam,  com  um  alto  grau  de  previsibilidade,  consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de  término do período a que se  refiram os  lucros ou  resultados haja um  intervalo  temporal que  tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado  como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no  financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal ­ não esclarece  qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete  adote  uma  posição,  utilizaremos  como  data  limite  para  a  assinatura  e  arquivamento  dos  instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se  refiram  os  lucros  ou  resultados.  Caso  a  empresa  comprove  que  as  negociações  estavam  em  curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou  resultados  a  serem  atingidos,  consideraremos  como  prazo  limite  para  a  assinatura  e  arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do  período a que se refiram os lucros ou resultados.   É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação  à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos  devem  estar  assinados  antes  do  início  do  período  a  que  se  refiram  os  lucros  ou  resultados,  tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 2401­00.276 nos seguintes termos    Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 709          49 “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da  Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e  objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais  questões  sejam  decididas  a  priori,  ou  seja,  antes  do  início  do  exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com  seus empregados.  Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao  início  do  exercício  para  o  qual  deveria  ser  aferida  a  participação  dos  empregados  na  obtenção  do  lucro  ou  resultado.”  No mesmo sentido temos o Acórdão 2401­00.545 cuja redatora designada foi  a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que  adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses  do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam ­ os interessados tenham  três  meses  para  iniciar  e  avançar  nas  negociações  e  três  meses  adicionais  para  sua  total  conclusão.  Além  de  razoáveis,  os  limites  adotados  atendem  à  finalidade  de  que  haja  tempo  hábil  para  negociações  de modo  contribuir  para  a melhoria  da  qualidade  das  relações  entre  capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a  uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude ­, mas acabaria por criar  um  significativo  obstáculo  para  a  concessão  da  PLR,  o  que  impediria  que  o  acesso  dos  trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal.  Em  resumo,  concluímos  que  os  instrumentos  de  acordo  (entre  as  partes  ou  coletivo)  que  versem  sobre  pagamentos  de  PLR  a  empregados  devem  estar  assinados  e  arquivados  na  entidade  sindical  até  o  último  dia  do  semestre  anterior  ao  encerramento  do  período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações  estavam em curso  e que os empregados  tinham amplo conhecimento de  sua proposta quanto  aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura  e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do  período a que se refiram os lucros ou resultados.  No caso em destaque passamos à análise do  requisito  temporal dos acordos  que equivale à discussão da falta de ajuste prévio apontada pela fiscalização.   O  acordo  assinado  em  30/06/2001,  referente  à  matriz,  fls.  336/349,  dizia  respeito a resultados  a serem medidos de 01/06 a 31/12/2001 e  previa o pagamento de uma  parcela  fixa  em  31/07/2001  e  outra  variável  a  ser  paga  em  2002.  A  parcela  de  2001  está  atingida pela decadência e sobre ela é desnecessário tratarmos. A parcela de 2002 obedeceu ao  critério temporal, na medida em que as metas foram definidas no início do período – primeiro  mês ­, tendo o pagamento sido feito após a assinatura do acordo e o encerramento do período.  O  acordo  assinado  em  28/02/2002,  referente  à  matriz,  fls.  336/349,  dizia  respeito a resultado  a serem medidos de 01/03 a 31/12/2002, fls. 344, e  previa o pagamento de  uma parcela fixa em 31/07/2002 e outra variável a ser paga em 2003. A parcela de 2002 não  obedece ao critério temporal, na medida em que foi paga antes de encerrado o período a que os  Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     50 resultados se referiam. A parcela de PLR paga em 2003 referente ao acordo assinado em 2002,  por outro lado, obedeceu ao critério temporal, tendo o acordo sido assinado antes de encerrado  o primeiro semestre do período a que se referem os resultados e seu pagamento somente sido  feito após a assinatura do acordo.  O  acordo  assinado  em  01/07/2003,  referente  à  matriz,  fls.  357/360,  dizia  respeito a  resultado   a  serem medidos de 01/07 a 31/12/2003 e   previa o pagamento de uma  parcela fixa em 31/07/2003 e outra variável a ser paga em 28/02/2004. A parcela de 2003 não  obedece ao critério temporal, na medida em que foi paga antes de encerrado o período a que os  resultados se referiam. A parcela de PLR paga em 2004 referente ao acordo assinado em 2003,  por  outro  lado,  obedeceu  ao  critério  temporal,  tendo  o  acordo  sido  assinado  no  início  do  período a que se referem os resultados e seu pagamento somente sido feito após a assinatura do  acordo.  O  acordo  assinado  em  31/07/2004,  referente  à  matriz,  fls.  366/369,  dizia  respeito a  resultado   a  serem medidos de 01/08 a 31/12/2004 e   previa o pagamento de uma  parcela fixa em 31/07/2004 e outra variável a ser paga em 28/02/2005. A parcela de 2004 não  obedece ao critério temporal, na medida em que foi paga antes de encerrado o período a que os  resultados se referiam. A parcela de PLR paga em 2005 referente ao acordo assinado em 2004,  por  outro  lado,  obedeceu  ao  critério  temporal,  tendo  o  acordo  sido  assinado  no  início  do  período a que se referem os resultados e seu pagamento somente sido feito após a assinatura do  acordo.  Não encontramos acordo assinado em 2005 com cláusula de PLR. O acordo  coletivo de fls. 631/655 não trata do assunto.  O  acordo  assinado  em  31/07/2006,  referente  à  matriz,  fls.  375/378,  dizia  respeito a  resultado   a  serem medidos de 01/07 a 31/12/2006 e   previa o pagamento de uma  parcela fixa em 31/07/2006 e outra variável a ser paga em 28/02/2007. A parcela de 2006 não  obedece ao critério temporal, na medida em que foi paga antes de encerrado o período a que os  resultados se referiam. A parcela de PLR paga em 2007 referente ao acordo assinado em 2006,  por  outro  lado,  obedeceu  ao  critério  temporal,  tendo  o  acordo  sido  assinado  no  início  do  período a que se referem os resultados e seu pagamento somente sido feito após a assinatura do  acordo.  O  acordo  assinado  em  30/06/2001,  referente  à  divisão  Ferroxdure,  fls.  384/387,  dizia  respeito  a  resultados    a  serem  medidos  de  01/07  a  31/12/2001  e    previa  o  pagamento de uma parcela fixa em 31/07/2001 e outra variável a ser paga em 28/02/2002. A  parcela de 2001 está atingida pela decadência e sobre ela é desnecessário tratarmos. A parcela  de PLR paga em 2002  referente ao acordo assinado em 2001 em  tal divisão, por outro  lado,  obedeceu  ao  critério  temporal,  tendo  o  acordo  sido  assinado  no  início  do  período  a  que  se  referem os resultados e seu pagamento somente sido feito após a assinatura do acordo.  O  acordo  assinado  em  21/05/2002,  referente  à  divisão  Ferroxdure,  fls.  392/395,  dizia  respeito  a  resultado    a  serem  medidos  de  01/06  a  31/12/2002  e    previa  o  pagamento de uma parcela fixa em 31/05/2002 e outra variável a ser paga em 28/02/2003. A  parcela  de  2002  não  obedece  ao  critério  temporal,  na  medida  em  que  foi  paga  antes  de  encerrado o período a que os resultados se referiam. A parcela de PLR paga em 2003 referente  ao  acordo  assinado  em  2006  em  tal  divisão,  por  outro  lado,  obedeceu  ao  critério  temporal,  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 710          51 tendo  o  acordo  sido  assinado  no  início  do  período  a  que  se  referem  os  resultados  e  seu  pagamento somente sido feito após a assinatura do acordo.      Regras claras e objetivas     A  Lei  10.101/2000  determinou  que  a  PLR  seja  objeto  de  negociação  entre  empresas  e  empregados,  seja  por meio  de  comissão  escolhida  entre  as  partes  ou  por  acordo  coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto,  podemos  afastar  possibilidade  de  as  regras  para  o  recebimento  da  PLR  serem  estabelecidas  unilateralmente. Todo o contorno das  regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É  uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho.  Mas o que seriam regras claras e objetivas?  Entre  os  sentidos  possíveis  para  a  expressão  “regras  claras”,  segundo  o  dicionário  Michaelis,  temos:  regras  fáceis  de  entender,  evidentes,  explícitas,  inequívocas,  manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo  exterior;  regras que existem fora do espírito e  independentemente do  conhecimento que dele  possua  o  sujeito  pensante;  ou  regras  que  não  se  relacionam com os  sentimentos  pessoais  do  sujeito  pensante.  Em  síntese,  regras  claras  e  objetivas  são  regras  inequívocas,  fáceis  de  entender  pelo  empregado  e  que  se  referem  ao  mundo  dos  objetos,  não  podendo  estar  relacionadas com sentimentos pessoais.  Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo  tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de  parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos  deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio  moral  e  todo  o  tipo  de  discriminação  no  ambiente  do  trabalho,  o  que  não  contribui  para  a  melhoria da relação entre capital e  trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa  humana (art. 1º, inciso III da CF).  Com  relação  a  esse  aspecto,  no  julgamento  do  Recurso  144.015,  o  Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou:  “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é  no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação  nos  lucros  se efetive. Não há regras detalhadas na  lei  sobre os  critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os  sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º,  têm  liberdade  para  fixarem  os  critérios  e  condições  para  a  participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção  do  legislador  foi  impedir  que  critérios  ou  condições  subjetivos  obstassem  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados. As  regras devem ser  claras  e objetivas para que os  critérios  e  condições  possam  ser  aferidos.  Com  isto,  são  alcançadas  as  duas  finalidades  da  lei:  a  empresa  ganha  em  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     52 aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com  sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso)  Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo  e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair  dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200.  Nesse  sentido  o  voto  do  Conselheiro  Marco  André  Ramos  Vieira,  no  Acórdão 2302­00.256:  “As  regras  claras  e  objetivas  quanto  ao  direito  substantivo  referem­se  à  possibilidade  de  os  trabalhadores  conhecerem  previamente,  no  corpo  do  próprio  instrumento  de  negociação,  quanto  irão  receber  a  depender  do  lucro  auferido  ou  do  resultado  obtido  pelo  empregador­  se  os  objetivos  forem  cumpridos. “  Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras  claras  e  objetivas,  ou  seja,  regras  inequívocas,  fáceis  de  entender  pelo  empregado  e  que  se  refiram ao mundo dos objetos no que concerne à fixação dos direitos substantivos da participação.  Ou  seja,  as  regras  estipuladas  no  Acordo  não  podem  conter  critérios  subjetivos  para  a  concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei.  Além  de  serem  claras  e  objetivas,  as  regras  para  aquisição  do  direito  de  receber  a  PLR  devem  ser  passíveis  de  aferição,  conforme  exigido  no  §1º  do  art.  2º  da  Lei  10.101/2000.  Na  medida  em  que  a  fiscalização  exigiu  as  memórias  de  cálculo  da  PLR  individual e a empresa não as apresentou, ficou caracterizada a impossibilidade de aferição do  cumprimento das metas acordadas. Sem que as metas possam ser aferidas, não podemos atestar  se, de fato, a verba paga, equivalia à PLR prevista no acordo coletivo. Tal vício atingiu todas as  parcelas pagas a título de PLR .  Por fim, os acordos previam uma parcela fixa que não se coaduna com o que  explanamos sobre a necessidade de imprevisibilidade no atingimento das metas. Assim, todas  as parcelas fixas possuem esse vício adicional quanto aos requisitos para desfrute da isenção.    Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.    Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas  da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que  esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91.  Além disso, a  fiscalização  lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32   por  incorreções ou  omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava    da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a  apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos  geradores.   Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que  trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou  incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96  para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual   Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 711          53 temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.   Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar  lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de  definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos  diante de duas situações:  •  lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores posteriores  esta;  •  lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém  ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Vamos analisar individualmente cada uma das situações.    Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos  geradores posteriores a esta    Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de  aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91.  Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio  tributo,  lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225%   nas hipóteses de  falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma  hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP  449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a  declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A  falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era  punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não  (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões.  É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a  não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de  contribuições: o  art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96.  Tendo em  conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada  com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.   Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96  seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo  que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de  contribuição. No  entanto,  tal  conclusão  não    se  sustenta  se  analisarmos mais  detidamente  o  conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2%  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     54 (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável  quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for  apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se  também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal  conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos  casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44,  inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de  declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em  procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que  demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são  normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério  da especialidade e critério hierárquico.  O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não  nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei  9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei  11.941/2009.  O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são  normas de igual hierarquia.  Resta­nos o critério da especialidade.   Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira  genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a  declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho  em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do  caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da  Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e,  seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força  vinculante.  Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo  nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo  do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP  na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de  qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido  em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a  favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art.  29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos  habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de  utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­ terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos  valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei  9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP.  Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 712          55 das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador  poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o  empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria.  Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a  necessidade de prevalência do art. 32­A.  Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a  aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com  informações inexatas.  Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício  previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de  ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que  deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não  idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento.  Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em   lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na  Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP.  Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda  não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade  aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores  anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.  Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com  o art. :      Art.  144.  O  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do  fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda  que posteriormente modificada ou revogada.      § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente  à  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído  novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliado  os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade tributária a terceiros.      §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  impostos  lançados por períodos  certos de  tempo, desde que a  respectiva  lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera  ocorrido.      Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     56      I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados;       II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:      a) quando deixe de defini­lo como infração;      b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;      c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.    A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que  devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência  dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver  deixado de definir um fato como infração.  Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de  plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do  lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime  pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao  atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração  instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de  12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e  pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício.  Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no  princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo,  tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório  contábil para tratar de sua vida fiscal.   A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na  GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo,  considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve  o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa  do 32­A da Lei 8.212/91.  A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela  declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º  da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B  responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora.  Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora  no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e  B.  No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o  cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 713          57 GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei  8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106,  inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com  fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração  inexata.    Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora  A  insurgência  da  recorrente  contra  a  aplicação  da  Taxa  Selic  como  juros  moratórios  não  pode  prosperar,  uma  vez  que  se  trata  de  matéria  sumulada  neste  Tribunal  Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir:  Súmula CARF No­ 4  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91,  o  art.  34  do  referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a: (i) afastar os fatos  geradores  ocorridos  até  11/2001;  (ii)  afastar  da  base  de  cálculo  os  pagamento  a  título  de  alimentação  in natura  fornecidos pela empresa Riga Organização Comercial de Restaurantes  Industriais Ltda; (iii) afastar a multa de mora.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     58 Voto Vencedor  Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ­ Redator Designado  1. No que se refere à multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art.  106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência  de  penalidade  menos  gravosa  ao  contribuinte.  No  caso  em  apreço,  esse  cotejo  deve  ser  promovido  em  virtude  das  alterações  trazidas  pela  Lei  nº  11.941/2009  ao  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época  dos fatos geradores.   2. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova,  essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei  nº 8.212/1991 que assim dispõe:  “Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras entidades e  fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação,  serão acrescidos de  multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996.”  3. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que:  “Art.  61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos  geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.  (...)  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.”  4. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei  nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vê­se que a primeira permitia  que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao  passo que a nova limita a multa a vinte por cento.  5. Sendo assim, diante da  inafastável  aplicação da alínea  “c”,  inciso  II,  art.  106, do CTN, conclui­se pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº  9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for  mais benéfica para o contribuinte.  CONCLUSÃO  6.  Diante  do  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário,  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  aplicando  a  multa  prevista  no  art.  35  da  Lei  n.º  8.212/91  combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000150/2007­15  Acórdão n.º 2301­002.627   S2­C3T1  Fl. 714          59                   Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES

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4890791 #
Numero do processo: 13819.901034/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação uma vez comprovada a existência do direito creditório aduzido em DCOMP. Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Regis Xavier Holanda e Paulo Sérgio Celani, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 145          1 144  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13819.901034/2008­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­001.821  –  2ª Turma Especial   Sessão de  23 de maio de 2013  Matéria  DCOMP Eletrônico ­ Pagamento a maior ou indevido  Recorrente  Johnson Controls do Brasil Automotive Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 30/04/2003  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO  DEMONSTRADO.   Deverá  ser  admitida  a  compensação  uma  vez  comprovada  a  existência  do  direito creditório aduzido em DCOMP.  Recurso ao qual se dá provimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram o  presente  julgado. Vencidos  os  conselheiros Regis Xavier Holanda e Paulo Sérgio Celani, que negavam provimento.  (assinado digitalmente)  Regis Xavier Holanda ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator  Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno  Maurício  Macedo  Curi,  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira  e  Jacques  Maurício  Ferreira  Veloso de Melo.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 34 /2 00 8- 14 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A     2 Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ  Campinas  (fls.  91/95  do  processo  eletrônico),  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não  homologação  de  compensação  declarada  em  PER/DCOMP,  nos  termos  do  acórdão  assim  ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 15/05/2003  Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade.  Retificação. Impossibilidade.  A  retificação  dos  créditos  declarados  em  declaração  de  compensação  está  submetida  a  procedimentos  e  parâmetros  específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede  de manifestação de inconformidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Reproduzo, abaixo, relatório objeto da decisão recorrida:  Trata­se de Despacho Decisório que não homologou Declaração de  Compensação eletrônica.  Na fundamentação do ato, consta:  Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado, não  foi confirmada a existência do crédito  informado,  pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado  nos sistemas da Receita Federal.  (...)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.  Cientificada,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade alegando, em síntese, que:  No mês de abril de 2003, a Recorrente ao cumprir suas obrigações para com  o Fisco Federal apurou o valor devido a título de Contribuição ao Programa  de  Integração  Social  (‘PIS­Faturamento  –  Lei  nº  10.637/02’).  Conforme  se  pode  depreender  da  simples  análise  da  DCTF  do  período,  bem  como  da  planilha de cálculo das  contribuições ao PIS e à COFINS  (doc. 03 e 04), o  saldo  de  imposto  a  ser  pago  pela  Recorrente  totalizou  o  montante  de  R$  44.539,68.  Ocorre  que,  a  despeito  do  quantum  apurado,  a  Recorrente  equivocou­se  efetuando o recolhimento da quantia de R$ 81.832,76, por meio de 5 (cinco)  guias DARF, totalizando um recolhimento a maior de R$ 37.293,08.  ...  Em decorrência do exposto, em 05 de maio de 2004, a Recorrente efetuou a  compensação  da quantia  indevidamente  recolhida,  através  da PER/DCOMP  (....) espelhada na DCTF 2º Trimestre de 2004 (doc. 06). (...).  ...  Alega a autoridade fiscal, no despacho decisório ora recorrido, a inexistência  do  crédito  informado pela Recorrente  (...),  sob o  argumento de que não  foi  encontrado  no  sistema  da  Receita  Federal,  o  DARF  no  valor  original  de   R$ 37.293,08.  Ocorre  que  (...)  o  crédito  pleiteado  pela  Recorrente,  de  fato,  existe  e  é  legítimo.  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13819.901034/2008­14  Acórdão n.º 3802­001.821  S3­TE02  Fl. 146          3 Conforme anteriormente salientado, a Recorrente equivocou­se ao proceder o  pagamento  do  quantum  devido  a  título  de  PIS,  referente  a  abril  de  2003,  recolhendo, além do valor efetivamente devido (R$ 44.539,68), a importância  de R$ 37.293,08.  Entretanto,  o  que  não  se  atentou  a  autoridade  fiscal  é  o  fato  de  que  a  Recorrente,  em  momento  algum,  recolheu  somente  uma  única  guia  do  imposto no  valor devido  após  sua  apuração, mas  sim valores mitigados  em  diversas DARFs (...).  Dessa forma, observa­se que não há, de fato, um único DARF no valor total  original de R$ 37.293,08, mas sim cinco DARF’s que totalizam o montante  pago de R$ 81.832,76 e que comprovam o pagamento indevido efetuado pela  Recorrente.  Ademais, cumpre­nos  salientar que os  requisitos para a compensação foram  cumpridos  na  medida  em  que  (i)  o  crédito  é  líquido  e  certo  (conforme  comprovado  nas  DARF’s  acostadas)  e,  ainda,  (ii)  a  compensação  foi  devidamente informada ao Fisco Federal através da PER/DCOMP passando,  portanto, por sua análise.  Da leitura da ementa do acórdão proferido pela instância recorrida, vê­se que  aludida decisão se fundamentou na impossibilidade legal de retificação da DCOMP, o que fez  com fundamento nos artigos 6º a 8º das  instruções normativas SRF nº 360/2003 e 376/2003,  artigos 55 a 58 da IN SRF nº 460/2004 e IN SRF nº 600/2005, e artigos 76 a 79 da IN SRF nº  900/2008.   A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 17/10/2011 (fls. 114).  Inconformada, a reclamante apresentou, em 16/11/2011 (fls. 116), o recurso voluntário de fls.  116/127,  onde  reitera  seus  argumentos  a  respeito  da  existência  do  crédito  e  do  direito  de  utilizá­lo  para  fins  de  compensação,  não  obstante  o  erro  de  preenchimento  da  DCOMP  correspondente.  Diante  do  exposto,  requer  seja  dado  provimento  ao  seu  recurso,  com  a  consequente homologação da compensação pleiteada.   É o relatório.  Voto             O  recurso  há  que  ser  conhecido  por  preencher  os  requisitos  formais  e  materiais exigidos para sua aceitação.   A recorrente alega haver incorrido em equívoco quando do preenchimento da  DCOMP,  posto  que não  informara os DARF correspondentes  aos  recolhimentos  efetuados  a  maior.  De fato, examinando os autos, constata­se que o direito creditório aduzido na  DCOMP  corresponde  efetivamente  à  diferença  entre  os  recolhimentos  correspondentes  ao  período de apuração de abril de 2003 quando confrontados com o débito declarado na DCTF  do período, conforme demonstrado na planilha abaixo:     Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A     4 Data pagto.  fls.  Vr. principal  06/06/03  60  1.105,74 16/06/03  60  1.105,74 30/06/03  61  20.957,56 29/08/03  61  561,68 Pagamentos ­ Per. Apuração  30/04/2003 (cód receita 6912 – PIS  não­cumulativo)  15/05/03  62  58.102,04 (A) Total dos pagamentos        81.832,76 (B) Débito declarado DCTF  abril/2003     53  44.539,69 Crédito (A ­ B)        37.293,07 Crédito declarado DCOMP (fls. 03)        37.293,08 A  decisão  de  primeira  instância  silenciou  a  respeito  dessa  questão,  tendo  indeferido o pleito exclusivamente com base na aduzida impossibilidade legal de retificação da  DCOMP.  Tal  possibilidade,  todavia,  subsiste,  uma  vez  comprovado  o  cometimento  de  erro  material  quando do preenchimento da declaração,  como,  entendo,  está  caracterizado no caso  presente, frente às evidências retratadas nos autos.   Uma vez demonstrada a veracidade dos argumentos aduzidos pela recorrente,  e caracterizado o equívoco cometido quando do preenchimento da DCOMP em exame, deverá  ser acatada a  retificação procedida, com a consequente homologação da  compensação objeto  dos  autos  até  o  exaurimento  do  crédito  em  favor  do  sujeito  passivo,  devendo  a  unidade  responsável  pela  execução  deste  julgado  apenas  cuidar  para  verificar  se  os  pagamentos  apontados pela reclamante estão realmente disponíveis no sistema.  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pela interessada.  Sala de Sessões, em 23 de maio de 2013.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A

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