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Numero do processo: 10945.900877/2012-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 77 /2 01 2- 38 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900877/201238 Acórdão n.º 3803004.946 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900877/201238 Acórdão n.º 3803004.946 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900877/201238 Acórdão n.º 3803004.946 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900877/201238 Acórdão n.º 3803004.946 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900877/201238 Acórdão n.º 3803004.946 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13769.000700/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO.
É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do
procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia.
Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESPESA MÉDICA NÃO DECLARADA E NÃO GLOSADA.
Não se conhece do recurso na parte em que suscita argumentos sobre despesa médica que, não informada na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, não foi objeto de glosa.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar todas as despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-002.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe
provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 2.044,00.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia. Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESPESA MÉDICA NÃO DECLARADA E NÃO GLOSADA. Não se conhece do recurso na parte em que suscita argumentos sobre despesa médica que, não informada na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, não foi objeto de glosa. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar todas as despesas médicas deduzidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 2.044,00. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, na qual foi apurada dedução indevida de despesas médicas, com dependentes e com pensão alimentícia judicial, assim como apurouse compensação indevida de imposto sobre a renda na fonte. O contribuinte apresentou impugnação, na qual não contestou o lançamento correspondente à compensação indevida de imposto sobre a renda na fonte e às deduções com dependentes e pensão alimentícia judicial. Insurgiuse apenas contra parte da glosa com despesas médicas, no valor de R$ 30.410,84, que alegou serem despesas incorridas com seu próprio tratamento. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), mediante o Acórdão n.º 0343.047, de 17 de maio de 2011, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL), DE DEPENDENTES, DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E DE IRRF. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13769.000700/201044 Acórdão n.º 2101002.287 S2C1T1 Fl. 3 3 A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi restabelecida a dedução com despesas médicas no montante de R$ 6.069,84. Inconformado, o interessado interpôs recurso voluntário, no qual informou ter apresentado declaração retificadora, mas que não pôde transmitila por estar fora do prazo. Prestou esclarecimentos quanto às deduções feitas com pensão alimentícia judicial e dependentes, além de pontuar que a compensação indevida do imposto sobre a renda na fonte e a dedução indevida com pensão alimentícia judicial ocorreram por erro do seu contador. Explicou que a dedução pleiteada a título de despesas médicas corresponde a R$ 31.928,88. Argumentou que não foi considerada a despesa comprovada de R$ 1.518,04, paga a Brasilprev Plano Tradicional. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo. No caso vertente, a Fiscalização considerou indevidas as deduções com despesas médicas, dependentes e pensão alimentícia judicial. Também apurou a ocorrência de compensação indevida de imposto sobre a renda na fonte. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, sustentou ter havido: (i) falta de comprovação ou previsão legal para a dedução das despesas médicas e com pensão alimentícia judicial; (ii) falta de comprovação da relação de dependência de Wanessa David Lara e Walter do Nascimento Lara Junior com o contribuinte; e (iii) compensação indevida no valor de R$ 1.382,56, referente ao imposto retido pela fonte pagadora Fundação Banestes de Seguridade Social, promovendo o lançamento correspondente. Na impugnação, o interessado insurgiuse somente quanto à glosa de parte das despesas médicas, no valor de R$ 30.410,84, que alegou referirse a gastos com seu próprio tratamento, e anexou documentos. Reconheceu os equívocos cometidos no tocante às deduções com dependentes e com pensão alimentícia judicial, assim como à compensação de imposto sobre a renda na fonte, concordando em parte, com o lançamento do imposto. No recurso, prestou esclarecimentos quanto às deduções feitas com pensão alimentícia judicial e dependentes e frisou que a compensação indevida do imposto sobre a Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 renda na fonte e a dedução indevida com pensão alimentícia judicial ocorreram por erro do seu contador. Ponderou, em sua peça recursal, que teria apresentado declaração retificadora, mas que não pôde transmitila por estar fora do prazo. No tocante ao lançamento do imposto sobre a renda correspondente à glosa de despesas médicas, argumentou que não foi considerada a despesa comprovada de R$ 1.518,04, paga a Brasilprev Plano Tradicional. A propósito dessas colocações pontuais feitas no recurso, impende salientar que, por força do disposto no artigo 14 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, os limites da controvérsia são estabelecidos na peça impugnatória, na medida da insurgência do sujeito passivo contra a matéria objeto do lançamento. Todas as alegações de defesa devem ser apresentadas naquele momento processual (da apresentação da impugnação), sob pena de preclusão. Nesse sentido, tendo em vista que, na sua impugnação, o interessado externou expressa concordância com o lançamento decorrente das deduções indevidas feitas com pensão alimentícia judicial e dependentes e com compensação indevida do imposto sobre a renda na fonte (vide fls. 1), estes pontos não compõem o litígio instaurado no presente processo, porque não houve qualquer contestação dessas matérias no momento apropriado. Ainda neste tema, salientase que a despesa médica que o recorrente alega ter feito com a Brasilprev Plano Tradicional e cuja dedução pede, no recurso, seja considerada, não foi pleiteada em sua declaração de ajuste anual original do imposto sobre a renda correspondente ao exercício fiscalizado (vide fls. 54 e 55), não fez parte da glosa perpetrada pela Fiscalização e não foi suscitada em sede de impugnação. Sendo assim, jamais foi travada qualquer controvérsia a respeito dessa despesa neste processo administrativo fiscal. Desse modo, nos pontos acima destacados, não há litígio a ser apreciado nesta instância administrativa. Diante do exposto, não conheço do recurso interposto na parte que alude às deduções feitas com pensão alimentícia judicial e dependentes, compensação indevida do imposto sobre a renda na fonte e dedução indevida com pensão alimentícia judicial, assim como naquilo que respeita ao pedido de restabelecimento da dedução com despesas médicas com Brasilprev Plano Tradicional, no valor de R$ 1.518,04, cujo recolhimento o contribuinte requer seja considerado. A presente análise limitase, portanto, à apreciação dos argumentos e provas suscitados quanto às despesas médicas glosadas cuja comprovação não foi acolhida na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), nos termos do voto condutor daquela decisão. Do mérito No tocante às despesas médicas, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) não acolheu os argumentos suscitados pelo então impugnante em sua integralidade, vez que julgou a impugnação procedente em parte. O relator do voto condutor da decisão recorrida indicou, de forma pormenorizada, as despesas glosadas pela Fiscalização e o motivo da glosa, promovendo a análise de cada uma delas, conforme tabela a seguir reproduzida (vide fls. 87): Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13769.000700/201044 Acórdão n.º 2101002.287 S2C1T1 Fl. 4 5 Despesa Motivo Valor Fls. Análise Adriano de Freitas Azevedo Falta de comprovação 480,00 Não trouxe documentos Banescaixa Plano de Saúde 4.643,84 35 Aceita Bio Scan Diag. por Imagem Ltda. (Meridional Diagnóstico) Documento s/ beneficiário 1.050,00 46 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Centro Diagnóstico em Medicina S/C Ltda. Falta de comprovação. 140,00 Não trouxe documentos CIC – Centro de Cardiologia Integrada Ltda. Documento s/ beneficiário 1.426,00 43/45 Aceita. A nota fiscal identifica o usuário final dos serviços Clínica e Maternidade Aline Ltda. Documento s/ beneficiário 1.521,00 48/50 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Denis Epaminondas Pinheiro Ottoni Documento s/ beneficiário 130,00 36 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Edilson Moreira Maciel Documento s/ beneficiário 190,00 36 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços. Elismara Engerlhardt Bitti Documento s/ beneficiário 680,00 37 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Eunário Moreira Souza Documento s/ beneficiário 260,00 39 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Fisiocenter Reabilitação Ltda. Documento s/ beneficiário e impróprio para PJ 75,00 Não trouxe documentos. Hospital Meridional S/A. Falta de amparo legal 422,79 Não trouxe documentos Instituto de Patologia Ltda. Documento s/ beneficiário e impróprio para PJ 60,00 Não trouxe documentos Instituto Neurológico do Esp. Santo S/C Ltda. Documento s/ beneficiário e impróprio para PJ 300,00 39 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Labcito Lab. de Análises e Citologia Clínica Falta de comprovação. 248,00 Não trouxe documentos Laboratório Maia Ltda. Documento s/ beneficiário 243,00 47 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Luciana Motta Saúde Ferraz Documento s/ beneficiário 10.490,00 52 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços. Luciane Santos de Brito Mendes Documento s/ beneficiário 8.785,00 51 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Marcos Antônio de Castro Alves Documento s/ beneficiário 180,00 42 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Marcos Daniel Laboratório Ltda. Documento impróprio para PJ 105,40 Não trouxe documentos. Maria Emília Ferreira Barbosa Documento s/ beneficiário 72,00 38 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Maria Isabel Deuner Almeida Falta de comprovação 100,00 Não trouxe documentos Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Medical Suture Com. Ltda. Falta de comprovação 3.000,00 Não trouxe documentos Paulo Roberto Rodrigues Sales Falta de comprovação 90,00 Não trouxe documentos Radiologistas Assoc. Ltda. Falta de amparo legal 1.692,00 Não trouxe documentos Rodrigo Basso Silva Documento s/ beneficiário 50,00 40 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços. Sandro Carlos Documento s/ beneficiário 100,00 40 Rejeitada Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços. Valeska Abud Falta de comprovação 110,00 Não trouxe documentos. Vera Lúcia Ferreira Vieira Documento s/ beneficiário 400,00 41 Rejeitada. Falta de requisitos legais: beneficiário dos serviços Despesas Declaradas 37.044,03 Despesas Comprovadas 6.069,84 Despesas Não Comprovadas 30.974,19 Irresignado com o resultado do julgamento da impugnação, além dos argumentos já suscitados quanto às despesas médicas, o contribuinte argumentou, no recurso, que não foi considerada a despesa comprovada de R$ 1.518,04, paga a Brasilprev Plano Tradicional. Talvez por esse motivo, tenha afirmado que a dedução pleiteada a título de despesas médicas corresponderia a R$ 31.928,88 (todavia, os valores não conferem). Sobre isso, cumpre salientar que o dispêndio ora apontado pelo recorrente, com Brasilprev Plano Tradicional, no valor de R$ 1.518,04, não constou da sua declaração de ajuste anual original, assim como sua dedução também não foi pleiteada em sede de impugnação. Sendo assim, conforme anteriormente externado, por força do já mencionado artigo 14 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a apreciação desse argumento não pode ser feita no julgamento do recurso voluntário, eis que, não tendo sido suscitado no momento apropriado, não compõe o presente litígio. Há que se destacar, na questão principal, que o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções devem ser comprovadas por aquele que as pleiteia. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, há que se invocar o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13769.000700/201044 Acórdão n.º 2101002.287 S2C1T1 Fl. 5 7 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que os comprovantes de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem referirse a despesas com tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes. A comprovação das despesas médicas pode ser feita por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos, desde que, em seu conjunto, demonstrem, de forma inequívoca, que a despesa foi feita, nas condições admitidas na lei. Examinando as provas dos autos, entendemos que, além daqueles já aceitos pelo órgão julgador recorrido, os recibos e notas fiscais anexados às fls. 40, 42 e 46 a 48, por conterem ou o nome do paciente ou a indicação do seu CPF, cumprem os requisitos mínimos Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 exigidos pelo artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, comprovando a realização das despesas médicas correspondentes. São eles: DESPESA VALOR (R$) FLS. Rodrigo Basso Silva 50,00 40 Marcos Antônio de Castro Alves 180,00 42 Bio Scan Diag. por Imagem Ltda. (Meridional Diagnóstico) 1.050,00 46 Laboratório Maia Ltda. 243,00 47 Clínica e Maternidade Aline Ltda. 521,00 48 Total 2.044,00 As demais deduções pleiteadas a título de despesas médicas pelo contribuinte não podem ser restabelecidas, vez que ou não se encontram respaldadas em qualquer documento ou não estão suficientemente comprovadas, de acordo com os requisitos mínimos previstos no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. Conclusão Ante todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no montante de R$ 2.044,00. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10768.009072/2002-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO
Restando comprovado o recebimento nos anos de 1997 e 1998 de rendimentos a título de Juros sobre o Capital Próprio com o desconto do IRRF e que tais rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação, deve ser cancelada a autuação fiscal.
Numero da decisão: 1201-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
ANDRÉ ALMEIDA BLANCO - Relator.
EDITADO EM: 12/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ANDRE ALMEIDA BLANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Restando comprovado o recebimento nos anos de 1997 e 1998 de rendimentos a título de Juros sobre o Capital Próprio com o desconto do IRRF e que tais rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação, deve ser cancelada a autuação fiscal.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. André Almeida Blanco Relator. EDITADO EM: 12/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 90 72 /2 00 2- 74 Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Relatório Tendo em vista o grau de pormenorização do caso exposto no relatório elaborado pela delegacia de Julgamento, tomamos emprestados seus termos para introduzir o assunto: “Tratase de manifestação de inconformidade tempestiva apresentada em face da homologação parcial (fl.480) das compensações solicitadas no presente processo. A contribuinte, acima identificada, formulou Pedidos de Restituição de saldos negativos de Imposto de Renda relativos aos anoscalendário de 1997 a 2001, conforme documentos de fls. 01 a 05, nos montantes de R$ 2.424.241,94, R$ 8.434.285,72, R$ 4.045.632,60, R$ 4.061.787,17 e R$ 2.421.205,20, respectivamente. Com esses créditos (saldos negativos, ora reclamados), pretende a contribuinte realizar compensações com débitos próprios informados nos processos 10768.014.611/9868 e 10768.002.936/200316, e nas Declarações de Compensação Per/Dcomp. Os valores pleiteados pela interessada, referentes aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, foram deferidos em valor integral. Assim, restou os saldos negativos dos anos calendário de 1997 e 1998 a serem discutidos nesta esfera administrativa.” Os motivos para o não reconhecimento do direito creditório do contribuinte, fundouse, em síntese, nas seguintes constatações deduzidas no Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT: •No tocante ao ano calendário de 1997, apurouse que 1 Em exame à DIPJ verificouse que o contribuinte apurou saldo negativo de IR no valor de R$ 2.424.241,94. No informe de rendimentos (fls. 244) consta a retenção na fonte de IR no valor de R$ 3.302.721,42. O saldo negativo decorreu da compensação de parte do IR retido com o débito de IR apurado por estimativa em dezembro de 2007, no valor de R$ 878.479,48. Constatouse irregularidade na compensação, pois o crédito de IRRF só foi auferido em janeiro do ano seguinte, não podendo ser empregado na quitação das estimativas de dezembro do ano de 2997; 2 No sistema IRF CONSULTA às fls. 407, não se encontrou nenhum registro de crédito a favor da contribuinte. O único documento sobre a retenção do IR foi um informe de rendimentos, com um carimbo mencionando se tratar de uma segunda via, e no qual se informa um crédito de IRRF no valor de R$ 3.302.721,42, oriundo de uma receita auferida de Juros sobre Capital Próprio JCP no montante de R$ 22.018.142,87. 3 A contribuinte foi informada de que não haviam sido encontradas DIRF’s com informações relativas ao seu crédito de IRRF sob o código 5706, concernente aos anos calendários 1997 e 1998 e que tampouco foram localizados os recolhimentos do IRRF sob o código 5706 (JCP) naqueles valores que teriam sido recolhidos recolhidospela Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG; 2 Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 4 A fonte pagadora CEMIG (fls. 374/375) foi intimada a informar as datas e valores em que foram registrados na contabilidade desta empresa os pagamentos de JCP e informar as datas e valores dos recolhimentos de IRRF calculados sobre os valores do item anterior (fls. 276). Em atendimento, a fonte pagadora, desprezando assentamentos contábeis, substituiu as provas contábeis, tais como cópias do Livro Diário, Razões e etc, por recortes de jornais. Apresentou o demonstrativo de fls. 378, no qual mais se omite do que revelam os dados pesquisados e, mais 25 folhas cópias de recortes de jornais, de DARFs e de autorizações para pagamentos, nos quais não se menciona uma única vez o nome de Southern Eletric Brasil Participações. 5 Faltaram informações individualizadas nos esclarecimentos prestados pela fonte pagadora. Falta a informação à Receita Federal creditando o detentor de um eventual recolhimento de IRRF, falta a informação do recolhimento daquela determinada quantia nos sistemas de controle de pagamentos SINAL 06. Como aceitar que no bojo de um pagamento no valor de R$ 15.196742,49, encontrase um pagamento no montante de R$ 1.728.947,71. Não há uma só prova cabal que isso tenha ocorrido além do que consta na SEGUNDA VIA do informe de rendimentos. 6 Neste informe de rendimentos (fls. 244), afirmaseque uma hipotética segunda parcela de R$ 1.573.773,72 teria sido quitada em28/08/1998. Não foi encontrado nenhum registro deste pagamento; 7 No demonstrativo de fls. 378, produzido pela fonte pagadora CEMIG, quando menciona este valor de R$1.573.773,72,numa determinada coluna do demonstrativo, tambémnão assume que teria sido pago em algum momento, apenas se limita,noutra coluna,informar que foi realizado um pagamento de R$194.935,85 em16/01/1998. Como se vê, os números não são os mesmos e, além disso, não se consegue nenhuma vinculação com a Southern Eletric Brasil. 8 Considerando que em relação ao ano de 1997 foram distribuídos R$152.788.912,91, como Juros sobre Capital Próprio JCP, conforme informa o demonstrativo de fls. 378, qualquer valor pode pertencer a qualquer um, na medida em que não se pode individualizar nenhum pagamento. ; 9 O Informe de Rendimentos de fls. 244, o demonstrativo às fls. 378 não confirma e, neste caso, o Extrato do Declarante do sistema DCTF 2.14, às fls. 404, não registra nenhum débito de R$ 1.573.773,72 que teria sido quitado em28/08/1999. Por conseguinte não há como reconhecer nenhum direito creditório relativo ao anocalendário de 1997. Tendo sido compensado indevidamente o Imposto de Renda PJ devido no montante de R$878.479,48, com supostos créditos de IRRF que só seriam auferidos em datas posteriores. •No tocante ao anocalendário de 1998, apurouseque: 1 Avaliando a DIPJ verificase que o contribuinte apurou saldo negativo no montante de R$ 8.434.285,72. Referido valor representa exclusivamente créditos de IRRF, uma vez que a empresa não apurou imposto devido no exercício 3 Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ 2 Em pesquisa ao sistema IRF Consulta às fls. 410, informam um créditode IRRF no montante de R$ 2.070,89. 3 Constataseque dos R$ 8.434.285,72, R$ 8.432.214,83 originamse de uma única fonte, Juros sobre Capital Próprio JCP pagos pela empresa CEMIG, e, novamente, não temos a informação deste recolhimento em DIRF eno sistema IRF CONS.Novamente o único documento representativo é um Informe de Rendimentos em segunda via. 4 Tanto no Informe de Rendimentos de fls. 246, como no demonstrativo de fls. 378, encontramos que os Juros sobre Capital Próprio JCP foram pagos em cinco parcelas. No Informe de Rendimentos consta que R$5.978.449,97, foram pagos em 1998 (agosto a outubro), a parcela restante de R$2.453764,86 (outubro e dezembro) é informada como "não pagos em 1998"; 5 No demonstrativo de fls. 378, contrariando a informação anterior, todos os pagamentos foram realizados no anocalendáriode 1998. 6 A lista de pagamentos coincide com o localizadopelo sistema Sinal06 às fls. 417, mas os pagamentos não guardam nenhuma relação com os que constam no Informe de Rendimentos, algumas vezes o valor pago é muitosuperior ao informado, em outras, bem inferior, mas nunca iguais, 7 Se no presente quadro, temos inegavelmente pagamentos, mas são pagamentos que não guardam nenhuma relação com o devido. E,observando o demonstrativo de fls. 378, veremos que a empresa CEMIG distribuiu R$ 390.000.000,00, no anocalendário de 1998,deste montante coube à contribuinte a importância de R$56.214.765,68, ou seja, o contribuinte recebeu aproximadamente14,4% daquela quantia. Contudo, a empresa CEMIG, sobre os R$390.000.000,00, recolheu a título de IRRF sobre Juros sobre Capital Próprio JCP,o total de R$36.300.814,69. Essa quantia representa apenas 9,3% do total distribuído. 8 Os 9,3% como IRRF do total está abaixo dos 15% que seria o usual,mas considerando empresas imunes e isentas como beneficiárias,podese considerar a hipótese deste número representar a verdade dos fatos. Entretanto, aceitar que a titular deste processo, que auferiu apenas 14,4% do bolo distribuído ser a beneficiaria de 23,23% do total de IRRF recolhido pela empresa CEMIG, necessita a formação de uma convicção apoiada em documentação sólida e inidônea, o que não foi possível nessa esfera administrativa. 9 Desta forma, só há como reconhecer crédito relativo ao Imposto de Renda PJ apurado no anocalendário de 1998, no montante de R$2.070,89, conforme informação de fls. 410, para emprego nas compensações solicitadas e posterior restituição do saldo residual. Em relação ao referido despacho decisório, a contribuinte tempestivamente apresentou manifestação de inconformidade (fls.488/510), com as seguintes alegações: Em 1997, a contribuinte recebeu, como pagamento de JCP da CEMIG, rendimentos no valor de R$22.018.142,87; o desconto na fonte de 15% a título de IRRF foi de R$ 3.302.721,43, resultando no valor líquido de R$ 18.715.421,44. Parte do valor retido na fonte foi utilizado para quitar o valor de IRPJ apurado ao final do exercício, resultando em saldo negativo de R$ 2.424.241,94, conforme DIPJ (fl. 14 dos autos); O saldo negativo de 1998 é composto por pagamentos de JCP no valor bruto de R$ 56.214.765,68. Houve a retenção de 15% na fonte a título de IRRF, pela CEMIG, correspondentes a R$ 8.432.214,85,resultando no rendimento líquido recebido de R$ 47.782.550,83; 4 Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 De fato, não há que se questionar o recebimento de JCP pela INTERESSADA, com o desconto do IRRF. Conforme se verificados Informes Anuais ("IAN") da CEMIG nos anos de 1997 e 1998(DOC. 03). a participação da INTERESSADA no seu capital correspondia a 14,41% do total das ações; Os valores recebidos pela INTERESSADA a título de JCP no período sofreram as retenções na fonte de IRRF pela CEMIG,como comprovam os informes de rendimento fornecidos pela INTERESSADA durante a fiscalização (fls. 143 a 146 dos autos); As alegações constantes do despacho baseiamse no fato de que na pesquisa realizada nos sistemas internos da RFB não foi possível localizar os valores pagos pela fonte pagadora a título de IRRF. Mesmo quando identificado o pagamento de IRRF pela CEMIG, o despacho alega que não há como saber a que se referem os pagamentos; A INTERESSADA comprovou o recebimento do JCP e o consequente desconto do IRRF pela fonte, por meio dos informes de rendimento (fls. 143 a 146); Para que se tenha direito ao crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ basta que se comprove que os rendimentos que geraram as retenções na fonte foram recebidos já com o desconto do tributo. A forma como a fonte pagadora recolheu os valores está fora do campo de controle de quem sofre a retenção; Cita decisões da DRJ no sentido de que o para a compensação de imposto retido o contribuinte deverá possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora; Ademais, o maior acionista da CEMIG é o Estado de Minas Gerais,pessoa jurídica de direito público, imune à exigência do IRRF, que deteve, no período, 23,44% de participação. Portanto,como reconhecido pelo próprio DESPACHO, uma grande parte do JCP pago pela CEMIG aos seus sócios não sofreu a incidência do IRRF; É conseqüência lógica da afirmação acima que a proporção de IRRF creditada em nome da INTERESSADA é maior do que 15%(23,23%), justamente em razão de parte do pagamento de JCP não ter sido onerado pelo IRRF. Tanto é assim que, caso a CEMIG tivesse recolhido IRRF sobre a integralidade do JCP distribuído, seriam recolhidos R$ 58.500.000,00 aos cofres públicos, dos quais o valor recolhido em nome da INTERESSADA, de R$ 8.432.214,85representaria exatamente 14,41%, não havendo nenhum fundamento para a alegação do DESPACHO; O regime de arrecadação do IRRF é um dos casos típicos de substituição tributária. Isso porque compete privativamente à fonte pagadora: (a) determinar se a renda ou provento está sujeita ao IRRF;(b) determinar o seu valor; (c) descontar o IRRF do montante devidoao beneficiário do rendimento; e (d) recolher o IRRF no prazo fixadoem lei. Assim, a obrigatoriedade pelo pagamento do IRRF surge,desde logo, para a fonte pagadora (responsável) e não para obeneficiário (contribuinte); 5 Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ E, pois, inconteste que, dada à natureza de tais "deveres", a obrigatoriedade pelo pagamento do IRRF surge desde logo contra à fonte pagadora (substituta legal tributária), e não contra o beneficiário (contribuinte e substituído). Ou seja, aquela toma ou assume o lugar deste, desonerandoo de qualquer responsabilidade; Os precedentes, administrativos acima condicionam a liberação da responsabilidade do beneficiário à efetiva retenção do imposto devido; Dessa forma, resta pacífico na jurisprudência administrativa que nãose admite que se exija do beneficiário de rendimentos à comprovação do recolhimento de imposto retido pela fonte pagadora, como ocorre no caso em análise. O presente processo foi objeto de Pedido de Diligência para a unidade de origem, no qual foi solicitado as seguintes providências: Verificar, por meio de apresentação de documentação comprobatória, se as receitas correspondentes aos JSCP foram oferecidas à tributação nos anoscalendáriode 1997 e 1998; Informar se os recolhimentos efetuados pela fonte retentora,mediante a análise de documentação comprobatória (escrita fiscal,comprovante de retenção e outros documentos pertinentes) de fls.383, 385, 390, 393, 395, 397, 400 e 402, incluem o IRRF deduzido pela contribuinte na DIPJ dos anoscalendáriode 1997 e 1998; Apurar se as receitas de JSCP foram oferecidas à tributação nos Anos calendário de 1997 e 1998 bem como informar o IRRF dedutível; Elaborar relatório conclusivo e dar ciência a contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei nº 9.784/99. Pois bem.Ao analisarem a documentação, os membros da 2º Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, por unanimidade de votos julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 IRRF. JSCP. O imposto retido na fonte sobre JSCP será considerado ou antecipação do devido na declaração de rendimentos, facultado a sua dedução para compor o saldo negativo, ou poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. No entanto, para ambas as hipóteses, é imprescindível o oferecimento à tributação na declaração de rendimentos das receitas vinculadas às correspondentes retenções, sem 6 Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 as quais não podem ser utilizadas para qualquer espécie de dedução ou compensação. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do saldo negativo depende da efetiva comprovação da existência do direito creditório nos termos do art.170 do CTN, ou seja, da demonstração da liquidez e certeza do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas alegações a DRJ pautouse nos seguintes argumentos para sua decisão: ∙ Saldo Negativo ano calendário 1997: 1) não há a demonstração de que, as receitas vinculadas ao referido IRRF sobre JCP foram oferecidas à tributação, o que possibilitaria a concessão do crédito à contribuinte; 2) a fonte pagadora CEMIG (fls 374/375) apresentou o demonstrativo de fls. 378, no qual não se menciona uma única vez o nome de Southern Eletric Brasil Participações; 3) considerando que em relação ao ano de 1997 foram distribuídos R$ 152.788.912,91 como JCP, o referido valor pode pertencer a qualquer um, na medida em que não se pode individualizar nenhum pagamento; 4) conforme verificado pela autoridade fiscal, o informe de rendimentos de fls 244, o demonstrativo de fls 378, o extrato do declarante do sistema DCTF 2.14, às fls 404, não registra nenhum débito de R$ 1.573.773,72, o qual, segundo o contribuinte teria sido quitado em 28/08/1999; 5) o crédito de IRRF deduzido na DIPJ 1998 só foi auferido em janeiro do ano seguinte e, assim, não poderia ser utilizado na compensação de estimativas; 7 Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ 6) no sistema IRF CONSULTA às fls 407v não se encontrou nenhum registro de crédito a favor da contribuinte; 7) os informes de rendimento não comprovam se a contribuinte era destinatária dos montantes distribuídos a título de JCP 8) não foi comprovado que as receitas correspondentes ao IRRF foram oferecidas à tributação na DIPJ (conciliação entre DIPJ, lançamentos contábeis e comprovantes de rendimentos). ∙ Saldo Negativo ano calendário 1998 1) Os montantes de IRRF pagos pela CEMIG não foram localizados na DIRF (sistema IRF CONS da RFB); 2) Tanto o informe de rendimentos de fls 246, como no demonstrativo de fls. 378 verificase que a parcela de R$ 2.453.764,86 está informada como “não pago em 1998”; 3) Pelo informativo de fls 378 e extrato Sinal 06, às fls 417, constatase que os pagamentos não guardam relação com os que constam no informe de rendimentos. Algumas vezes o valor pago é muito superior ao informado, em outras, bem inferior, mas nunca iguais. 4) Os informes de rendimentos não comprovam se a contribuinte era destinatária dos montantes distribuídos a título de JCP 5) não foi comprovado que as receitas correspondentes ao IRRF foram oferecidas à tributação na DIPJ (conciliação entre DIPJ, lançamentos contábeis e comprovantes de rendimentos). Contra referida decisão, apresentou a Recorrente seu Recurso Voluntário, no qual alegou reiterou seus argumentos de Impugnação, sustentando que teria demonstrado a existência dos saldos negativos de 1997 e 1998 por meio da apresentação da seguinte documentação: (i) informes de rendimento emitidos pela CEMIG para os anos de 1997 e 1998, como valor de IRRF retido pela fonte pagadora em nome da RECORRENTE por contados pagamentos de JCP no período; (ii) DIPJ de 1998 e 1999 (anoscalendário de 1997 e 1998), que demonstram que as receitas de JCP em questão foram declaradas e oferecidas à tributação pela RECORRENTE; (iii) planilha demonstrativa elaborada pela CEMIG, de que constam os valores pagos pela CEMIG a título de JCP, tanto à totalidade de seus acionistas quanto à RECORRENTE, de forma individualizada; (iv) publicações em jornais de grande circulação das deliberações pela distribuição de JCP pela CEMIG aos seus acionistas; e (v) comprovantes de recolhimento do IRRF incidente sobre o pagamento desses JCP, que refletem os valores informados no demonstrativo de fl. 378. É o relatório. 8 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro André Almeida Blanco Sendo tempestivo o Recurso, passo à sua apreciação. A controvérsia referese à homologação apenas parcial de compensações solicitadas no presente processo, oriunda do não reconhecimento dos diretos creditórios de IRPJ dos anoscalendário de 1997/1998. Os Juros sobre o Capital Próprio estão previstos no RIR/99 em seu art. 668 que prevê expressamente: “Art. 668. Estão sujeitos ao imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito, os juros calculados sobre as contas do patrimônio líquido, na forma prevista no art. 347 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). § 1º O imposto retido na fonte será considerado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º,§ 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único): I – antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II – tributação definitiva, nos demais casos, inclusive se o beneficiário for pessoa jurídica isenta. § 2º No caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata esta Seção poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 6º).” Em referida situação, o Imposto de Renda Retido na Fonte é considerado como antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, como consequência, deve o Contribuinte deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do período base. O saldo negativo de imposto a pagar que eventualmente decorra desse confronto na declaração constitui crédito passível de restituição ou compensação. 9 Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Ocorre que entendeu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo que não teria a Recorrente comprovado a existência do IRRF dedutível em sua contabilidade. Contudo, sem razão a DRJ. Vejamos. Às fls. 245 dos autos encontrase acostado o Informe de Rendimentos e Posição Acionária referente ao Ano de 1997, no qual encontrase demonstrado o pagamento do valor bruto de R$ 22.018.142,87 e a Retenção na Fonte do valor de R$ 3.302.721.42 a título de Imposto de Renda. Às fls. 13 dos autos encontrase acostada cópia da DIPJ do AnoCalendário de 1997 demonstrando o oferecimento à tributação de receitas de JCP no valor de R$ 22.013.670,00. Às fls. 392 dos autos encontrase acostada Planilha de Pagamento de JCP da CEMIG na qual indica o pagamento do valor de R$ 22.018.142,87 à Recorrente bem como indicação dos DARFs referentes ao pagamento do IRRF, estando nas páginas seguintes a publicação da mesma empresa em jornais informando sobre o pagamento aos acionistas. Os comprovantes de pagamento do IRRF encontramse às fls. 397 e 399 dos autos. Posteriormente, às fls. 247, encontrase acostado o Informe de Rendimentos e Posição Acionária referente ao Ano de 1998, no qual encontrase demonstrado o pagamento do valor bruto de R$ 56.214.765,68 a Retenção na Fonte do valor de R$ 8.432.214,83 também a título de Imposto de Renda. Às fls. 46 dos autos encontrase acostada cópia da DIPJ do AnoCalendário de 1998 demonstrando o oferecimento à tributação de receitas de JCP no valor de R$ 56.209.045,8. Às fls. 392 dos autos encontrase acostada Planilha de Pagamento de JCP da CEMIG na qual indica o pagamento do valor de R$ R$ 56.214.765,68 à Recorrente bem como indicação dos DARFs referentes ao pagamento do IRRF, estando nas páginas seguintes a publicação da mesma empresa em jornais informando sobre o pagamento aos acionistas. Os comprovantes de pagamento do IRRF encontramse às fls. 404, 407, 409, 411, 414 e 416 dos autos. Dessa forma, entendo que está cabalmente comprovado que a Recorrente recebeu nos anos de 1997 e 1998, da CEMIG, rendimentos a título de JCP com o desconto do IRRF e que tais rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação. Dessa forma, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, com o reconhecimento integral dos créditos de saldo negativo relativos aos anoscalendário de 1997 e 1998. André Almeida Blanco – Relator 10 Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 11 Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ
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Numero do processo: 10980.005355/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
IPI. CREDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF aplica-se ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 561.485, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o crédito-prêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado nº 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do crédito-prêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º do Decreto-Lei nº 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3º do Decreto-Lei nº 1.894, de 16/12/1981.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 IPI. CREDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF aplica-se ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 561.485, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o crédito-prêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado nº 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do crédito-prêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º do Decreto-Lei nº 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3º do Decreto-Lei nº 1.894, de 16/12/1981. Recurso Voluntário negado.
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CRÉDITOPRÊMIO Recorrente BRASILSAT HARALD S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 IPI. CREDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF aplicase ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 561.485, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o créditoprêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado nº 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do créditoprêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º do DecretoLei nº 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3º do DecretoLei nº 1.894, de 16/12/1981. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 53 55 /2 00 9- 07 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.005355/200907 Acórdão n.º 3202001.032 S3C2T2 Fl. 124 2 Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento do créditoprêmio exportação de IPI supostamente pago indevidamente (DecretoLei nº 491/69), protocolizado em 01/06/2009, referente ao período de janeiro de 2000 a setembro de 2008, no valor de R$ 1.137.486,98. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: O interessado acima identificado pediu o reconhecimento do direito de utilização do crédito prêmio do IPI (art. 1° do DL 491/69), decorrente das exportações realizadas no período em epígrafe, inclusive com atualização monetária calculada à taxa SELIC. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente indeferiu o pleito, demonstrando que o para o período em questão o créditoprêmio de IPI já havia sido revogado. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o beneficio ainda está em vigor, inclusive corrigido monetariamente, conforme legislação e julgados que cita. Encerrou solicitando o integral ressarcimento pleiteado. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1429.380 em 2/07/2010 (efolhas 73/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2008 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido benefício fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. A interessada cientificada do Acórdão em 16/07/2010 (efolha 92), interpôs Recurso Voluntário em 9/08/2010 (efolhas 93/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, os quais podem ser assim sintetizados: não ocorreu a prescrição em relação aos valores pleiteados; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.005355/200907 Acórdão n.º 3202001.032 S3C2T2 Fl. 125 3 não houve a revogação do benefício do créditoprêmio do IPI pelo artigo 41, §1° do ADCT da CF/88; a Lei nº 8.402/92 comprova que não houve a não revogação do incentivo pelo art. 41, § 1°, do ADCT, que permite novamente a utilização do incentivo com relação a uma forma que havia sido vedada em 1981 pelo DL n° 1.894/81; é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A matéria em litígio – créditoprêmio do IPI / DL nº 491/69 – não é nova nas instâncias de julgamento, entretanto, atualmente já se encontra pacificada no CARF. Não assiste razão à Recorrente. Seu pedido de ressarcimento não possui amparo legal, uma vez que o créditoprêmio do IPI encontrase extinto desde 5/10/1990, conforme decidiu o Plenário do STF por ocasião do julgamento do RE nº 577.302, verbis: TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, §1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. PRESCRIÇÃO RE NÃO CONHECIDO. I A jurisprudência da Corte é no sentido de que a apreciação das questões relativas à prescrição de pretensão à compensação de crédito decorrente de incentivo fiscal dependa da análise de normas infraconstitucionais. II Precedentes. III Recurso não conhecido. Em pesquisa efetuada ao site do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da vigência do art. 1º do DecretoLei nº 491/69 é objeto do tema 63 – “Termo final de vigência do créditoprêmio do IPI instituído pelo Decretolei nº 491/69”, em relação ao qual o tribunal decidiu que há repercussão geral. Confirase a ementa do leading case RE nº 561.485 e a manifestação da repercussão geral: Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.005355/200907 Acórdão n.º 3202001.032 S3C2T2 Fl. 126 4 DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ART. 41, § 1º, DO ADCT. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. I – O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 577.348/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, assentou que, se o “créditoprêmio” do IPI não foi extinto por norma infraconstitucional, deixou ele de existir por força do disposto no § 1º do art. 41 do ADCT. II – O acórdão recorrido, no caso dos autos, reconheceu que o “créditoprêmio” foi extinto em 30/6/1983. III – Embargos acolhidos para prestar esclarecimentos, sem atribuição de efeitos modificativos. Manifestação da repercussão geral: Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que entendeu que o créditoprêmio do IPI, instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491/69, foi extinto em 5 de outubro de 1990, por força do art. 41, § 1º, do ADCT. Neste RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa ao citado dispositivo constitucional transitório, visto que este trata apenas de incentivos fiscais de natureza setorial, o que não é o caso do créditoprêmio do IPI, que possui caráter genérico, a beneficiar a todos os exportadores. Quanto à preliminar de repercussão geral, a recorrente sustentou, em suma, que o caso possui relevância do ponto de vista econômico e jurídico. Entendo que a presente questão constitucional oferece repercussão geral. A hipótese descrita nos autos possui relevância econômica, porquanto afeta todos os exportadores contribuintes do IPI, além da possibilidade de causar grande impacto na arrecadação tributária. Presente, ainda, a relevância jurídica, visto que o julgamento definirá o alcance do art. 41, § 1º, do ADCT. Isso posto, manifestome pela existência de repercussão geral no presente recurso extraordinário (art. 543A, § 1º, do CPC, com redação dada pela Lei 11.418/06, combinado com o art. 322 do RISTF). Brasília, 28 de março de 2008. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Desse modo, nos termos do que prescreve o art. 62A do RICARF (introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010), adoto neste julgado a decisão proferida pelo STF, sob a sistemática do art. 543B do CPC, no Recurso Extraordinário nº RE 561.485, no sentido de que a vigência do créditoprêmio à exportação expirou em 05/10/1990, por força do disposto no art. 41, §1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da CF/88 e, ainda, que a Resolução do Senado nº71, de 2005, preservou a vigência do que remanesceu do art. 1º do DecretoLei nº 491/69 até seu termo final de vigência, condicionado pelo art. §1º, do ADCT da CF/88. Diante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.005355/200907 Acórdão n.º 3202001.032 S3C2T2 Fl. 127 5 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10840.907145/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o ojulgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o ojulgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o ojulgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho – PresidenteSubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo transmitiu, em 14 de julho de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apurada em junho de 2006, com crédito decorrente do pagamento dessa mesma contribuição apurada em março de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 07 14 5/ 20 09 -4 1 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907145/200941 Resolução nº 3402000.623 S3C4T2 Fl. 166 2 Conforme despacho eletrônico emitido, a compensação não foi homologada, em virtude de o pagamento de que decorreria o alegado crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. A manifestação de inconformidade apresentada foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO), que indeferiu a solicitação, ensejando a interposição de recurso voluntário. Em suas razões recursais, a contribuinte alegou, em síntese, que, em março de 2004, obtivera um faturamento de R$ 68.299,01 (sessenta e oito mil duzentos e noventa e nove reais e um centavo), apurando, de um lado, um débito de Cofins de R$ 3.143,63 (três mil cento e quarenta e três reais e sessenta e três centavos) e, de outro, um crédito de R$ 3.408,59 (três mil quatrocentos e oito reais e cinqüenta e nove centavos). Destarte, terseia, no período de apuração em comento, crédito a seu favor no valor de R$ 264,96 (duzentos e sessenta e quatro reais e noventa e seis centavos) e, portanto, o pagamento efetuado em 15 de abril de 2004 seria indevido. Para comprovar suas alegações e seus cálculos, a contribuinte anexou a estes autos cópias de notas fiscais de prestação de serviços, de parte dos livros de prestação de serviços, Razão e Diário e, ainda cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo ao pagamento efetuado em 15 de abril de 2004. Ao final, a contribuinte solicitou que, diante de sua omissão em apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora, fossem apreciados os comprovantes trazidos para reverter a decisão sobre a compensação declarada. É o relatório. VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que, desde sua manifestação inicial sobre o despacho decisório, recebida como manifestação de inconformidade e apreciada na DRJ/RPO, a contribuinte alegou apenas questão de fato, qual seja, a existência do indébito alegado e, para comprovar, trouxe com sua manifestação cópia da DCTF e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e, agora, em grau de recurso, apresentou cópias de livros e documentos, conforme relatado alhures. Diante disso, julgo necessário remeter este processo à unidade preparadora para que, após verificação da autenticidade, sejam apreciadas as provas anexadas ao recurso e elaborado demonstrativo da Cofins devida em março de 2004 e, à vista do pagamento efetuado, o eventual indébito passível de restituição ou de compensação. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para as providências acima. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907145/200941 Resolução nº 3402000.623 S3C4T2 Fl. 167 3 É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 11020.003721/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
NULIDADES
As causas de nulidade do Auto de Infração estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, não tendo nenhuma delas sido demonstrada.
CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA -
Tendo tido a Recorrente ciência de todos os termos e Autos de Infração que compõe o processo, nos quais estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
VÍCIOS DO MPF
A natureza do MPF é a de um instrumento meramente administrativo, sendo que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal.
INCORRETA DESCRIÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL
Não há que se falar na nulidade por incorreção da descrição da matéria tributável no Auto de Infração, haja vista estar a mesma clara no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, tendo a Recorrente impugnado de forma satisfatória o lançamento, apresentando argumentos que combatem a cobrança do imposto e das multas.
ANÁLISE PARCIAL DOS DADOS CONTÁBEIS
Não há que se falar em nulidade por análise parcial dos dados contábeis uma vez que a auditoria fiscal detém competência legal para analisar as demonstrações contábeis das empresas para fins de verificação do fiel cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias.
AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO MÚTUO
Restou comprovada a simulação de empréstimo visando a não tributação do valor recebido a título de honorários advocatícios, em uma típica caracterização de conluio entre as partes, sendo a prova produzida nos autos insuficiente para comprovar o contrário.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
Conforme Súmula nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, sendo a mesma cabível apenas depois do trânsito em julgado na esfera administrativa.
INCONSTITUCIONALIDADES
Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, motivo pelo qual devem ser mantidas a multa agravada e a Taxa Selic, a qual, inclusive, é objeto da Súmula 4, que determina sua aplicação para débitos tributários federais a partir de 1º de abril de 1995.
Numero da decisão: 1201-000.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso voluntário.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
André Almeida Blanco - Relator.
EDITADO EM: 12/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: ANDRE ALMEIDA BLANCO
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CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Tendo tido a Recorrente ciência de todos os termos e Autos de Infração que compõe o processo, nos quais estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. VÍCIOS DO MPF A natureza do MPF é a de um instrumento meramente administrativo, sendo que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal. INCORRETA DESCRIÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Não há que se falar na nulidade por incorreção da descrição da matéria tributável no Auto de Infração, haja vista estar a mesma clara no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, tendo a Recorrente impugnado de forma satisfatória o lançamento, apresentando argumentos que combatem a cobrança do imposto e das multas. ANÁLISE PARCIAL DOS DADOS CONTÁBEIS 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 37 21 /2 00 9- 04 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO Não há que se falar em nulidade por análise parcial dos dados contábeis uma vez que a auditoria fiscal detém competência legal para analisar as demonstrações contábeis das empresas para fins de verificação do fiel cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO MÚTUO Restou comprovada a simulação de empréstimo visando a não tributação do valor recebido a título de honorários advocatícios, em uma típica caracterização de conluio entre as partes, sendo a prova produzida nos autos insuficiente para comprovar o contrário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Conforme Súmula nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, sendo a mesma cabível apenas depois do trânsito em julgado na esfera administrativa. INCONSTITUCIONALIDADES Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, motivo pelo qual devem ser mantidas a multa agravada e a Taxa Selic, a qual, inclusive, é objeto da Súmula 4, que determina sua aplicação para débitos tributários federais a partir de 1º de abril de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso voluntário. Marcelo Cuba Netto Presidente. André Almeida Blanco Relator. EDITADO EM: 12/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Mozart Barreto Vianna. Relatório O presente Processo Administrativo é decorrente de Auto de Infração lavrado em 27.11.2009 (fls. 193/214), cuja ciência foi dada ao contribuinte em 02.12.2009 (fls. 218), visando a cobrança de valores de Imposto de Renda, relativos ao anocalendário de 2004, oriundo de omissão de receitas caracterizada pela simulação de operação de empréstimo efetuada pelo contribuinte autuado. Em face da lavratura do Auto de Infração principal, foram lançados, por decorrência,contribuição ao PIS, COFINS e CSLL, exigindo o montante de R$ 135.811,29. 2 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Nos termos do que restou consignado no “Termo de Verificação Fiscal” (Fls. 185/192), entendeu a Autuante que a Recorrente, na qualidade de prestadora de serviços jurídicos, simulou operação de empréstimo com seu cliente, com a finalidade exclusiva não oferecer à tributação verbas recebidas a título de honorários advocatícios no importe de R$ 300.500,00 em virtude de ação movida contra a Cia. União de Seguros Gerais, cujo montante bruto do êxito na ação judicial atingiu R$ 1.422.376,69. Essa conclusão é fundamentada pelos seguintes fatos: 1. O senhor Carlos Miguel Raimann logrou êxito em uma ação judicial movida conta a Cia de Seguros Gerais, patrocinada pelos advogados sócios do contribuinte autuado, recebendo o valor de R$ 1.422.376,69. 2. Em 01/10/2004 o contribuinte autuado por meio de cheque administrativo do Banrisul, recebeu honorários de sucumbência no montante de R$ 177.082,16, que foi depositado na conta bancária da pessoa jurídica, tendo sido emitida nota fiscal correspondente e efetuado o registro contábil correspondente (fls. 32 e 181). 3. Na mesma data, também recebeu outro cheque administrativo do Banrisul, no valor de R$ 300.500,00. Este cheque também foi depositado na conta bancária da pessoa jurídica, entretanto foi registrado contabilmente como empréstimo do Senhor Carlos Miguel Raimann. 4. O referido valor corresponde ao percentual de 30% do valor líquido recebido pelo cliente na ação judicial, usualmente cobrado dos clientes como honorários advocatícios. 5. Não houve prova da efetiva devolução do empréstimo. A devolução se deu em espécie, mediante a emissão de recibos por parte do senhor Carlos Miguel Raimann. Os saques dos valores da conta bancária da pessoa jurídica seriam compatíveis com a aquisição de dois veículos, uma lancha e aquisição de cessão de direitos hereditários referentes a bens de inventário. 6. O valor total do suposto mútuo foi aplicado em conta de investimento da pessoa jurídica e esse saldo permaneceu aplicado até 31/12/2004, pelo menos, conforme informações constantes nos extratos bancários (fls. 29) e na DIPJ (fls. 182/184). No entanto, a quitação do empréstimo teria se iniciado já no dia 19/10/2004, quinze dias depois de firmado o contrato. Além disso, a pessoa jurídica possuía outros valores em espécie e saldos bancários em valores compatíveis com a suposta dívida. De acordo com esses motivos, a autuante entendeu que ficou evidenciada a intenção de omitir rendimentos, conforme previsto nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964 e aplicou a multa qualificada prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996. A Recorrente apresentou tempestivamente sua Impugnação (fls. 310), a qual foi julgada improcedente, em acórdão assim ementado: “Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ 3 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É valido o auto de infração que se atende todos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional e dos arts. 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da operação de mútuo determinada a tributação do valor recebido como receita da pessoa jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA LEGAL. Os órgãos administrativos de julgamento não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios do crédito tributário decorre de lei, não cabendo ao agente administrativo afastar sua aplicação por conta de eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade da norma impositiva. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o lançamento da multa de ofício nos casos em que ficar comprovado o ajuste doloso do sujeito passivo com terceira pessoa objetivando retardar ou impedir que o fisco tome conhecimento da ocorrência do fato gerador. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” No Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ/Santa Maria, a Recorrente reitera os argumentos trazidos por ocasião da Impugnação, que podem ser assim resumidos: (a) Que o Auto de Infração continha vícios, tais como: ausência de assinatura no Auto de Infração do Chefe do órgão expedidor, descrição dos fatos confusa dificultando o direito de defesa, descrição dos fatos não correspondente com à infração apontada (omissão da correta descrição da matéria tributável), extrapolação do Mandado de Procedimento fiscal, Termo de Verificação Fiscal preenchido parcialmente de forma manual a caneta e com rasuras; (b) Analise incompleta dos dados contábeis; (c) Que deixou de ser analisada a verdade material sobre o mútuo; (d) Que o Auto de Infração apresentava inconsistências verificadas na alegação de falta de comprovação da quitação do empréstimo; (e) Que não discorreu sobre a validade das provas apresentadas; (f) Que não existia rendimentos de honorários advocatícios omitidos; 4 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (g) Que a cobrança de juros com base na taxa Selic é inexigível; e (h) Que a multa tal como cobrada era inexigivel em decorrência do seu nítido caráter confiscatório. Este é o relatório. Voto Conselheiro André Almeida Blanco Sendo tempestivo o recurso, passo à sua análise. I – PRELIMINARES I.1. NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO As argüições são de nulidade do Auto de Infração e lançamento de ofício devido a vícios formais. Não vislumbro nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações com o vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto70.235/1972 – PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Observo que a Recorrente teve a ciência de todos os termos e Autos de Infração que compõe o processo, e que neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas. Portanto, foram asseguradas todas as condições para que a Contribuinte pudesse exercer plenamente o seu direito de defesa, como, aliás, ela o fez em sua impugnação detalhada. Quanto aos alegados problemas relacionados ao MPF, no que diz respeito à sua extrapolação, cabe mencionar que antigo Conselho de Contribuintes já pacificou entendimento no sentido de que a natureza do MPF é a de um instrumento meramente administrativo, e que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/1972. (Acórdão 1024791,de 21/09/2006; Acórdão 20177550, de 17/03/2004; Acórdão 20179542,de 24/08/2006). Não há que se falar, ainda, na nulidade de omissão da correta descrição da matéria tributável no Auto de Infração. A descrição da imputação tributária está clara no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, tanto é que a Recorrente conseguiu de forma satisfatória impugnar o lançamento, apresentando argumentos que combatem a cobrança do imposto e das multas, mostrando que possui perfeita compreensão dos fatos e do problema, tratando de argumentos jurídicos que confirmam seu exercício jurídico de ampla defesa. 5 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO Por fim, rejeito a preliminar de nulidade de análise parcial dos dados contábeis uma vez que a auditoria fiscal detém competência legal para analisar as demonstrações contábeis das empresas para fins de verificação do fiel cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias, da forma que entender cabível. Mesmo que o lançamento decorra de análise pontual, teve suficiente eficácia para verificar a operação objeto da autuação. II – MÉRITO II.1. NÃO COMPROVAÇÃO DO MÚTUO A controvérsia gira em torno da comprovação do empréstimo realizado pelo contribuinte autuado na condição de prestador de serviços de advocacia e cliente seu, que obteve êxito em ação judicial e figurou como mutuante na relação jurídica. A fiscalização entendeu que houve uma simulação, já que não restou provada a devolução dos valores mutuados, pois segundo informações prestadas no presente processo administrativo o pagamento foi efetuado em espécie, mediante saques das contas correntes da empresa autuada, cujas datas corresponderam à aquisição, em dinheiro, de bens e direitos pelo sócio do contribuinte autuado, próximas às datas dos saques bancários. Analisando os fatos, informações e a documentação acostada aos autos, fica evidente que houve uma simulação de empréstimo por parte do cliente ao contribuinte autuado para que esse não oferecesse à tributação o valor de R$ 300.500,00, recebido a título de honorários advocatícios, em uma típica caracterização de conluio entre as partes. Ponto que merece ser ressaltado é que o valor de R$ 300.500,00 corresponde ao percentual de 30% do valor líquido recebido pelo cliente do contribuinte autuado que foi representado na ação judicial, percentual este, conforme a autuante, usualmente cobrado a títulos de honorários advocatícios. Entretanto, para comprovar a dita operação de mútuo, contribuinte traz o contrato formalizado, a sua contabilização e os recibos da suposta devolução dos valores mutuados. Tudo se apresenta com ares de legalidade. Ocorre que a existência do instrumento contratual, não é relevante, por si só não é suficiente para provar a efetividade do empréstimo, pois a lei civil sequer exige que o mútuo seja contratado mediante instrumento escrito, admitindo até contrato verbal. Da mesma forma, o registro contábil, de forma isolada, não prova o fato. O mesmo acontece com os recibos de pagamento que, individualmente, também nada provam. Todos esses documentos são de fácil forja, por isso tem pouca força de vincular terceiros .c de provar as operações para os seus emitentes. No caso, o que é relevante é a comprovação de que o dito pagamento foi de fato direcionado ao cliente do contribuinte autuado, ou seja, comprovação do efetivo pagamento do empréstimo. Deverseia comprovar, a saída de recursos do mutuário e seu ingresso no patrimônio do mutuante. Nesse contexto, os ditos pagamentos nada servem, pois não evidenciam que os recursos saídos da conta da pessoa jurídica foram entregues para o dito credor. Ao contrário, 6 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 os indícios levam a crer que os recursos financeiros sacados das contas correntes da autuada foram utilizados pelo seu sócio para aquisição de patrimônio. É certo que a legislação não veda a realização dos pagamentos em espécie, mas a forma mais convincente de se provar um pagamento é quando a operação se opera por meio de cheque nominal ou por meio de transferência bancária entre contas dos dois titulares, principalmente em casos de empréstimos, onde o devedor procura se resguardar quanto ao adimplemento de sua obrigação. Não bastasse a prova de que não houve a devolução do suposto mútuo, os elementos probantes acostados aos autos pela autuante são fortes suficientes para o convencimento deste relator de que os fatos aconteceram da forma como foram postos na peça de acusação fiscal. II.2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Da mesma forma que restou decidido pelo acórdão da DRJ, a Representação Fiscal para Fins Penais se trata de matéria estranha ao lançamento tributário e, portanto, à lide em julgamento. Além disso, sobre o assunto o CARF possui a seguinte súmula: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Logo, somente depois do trânsito em julgado na esfera administrativa é que a Representação Fiscal deve ser, quando o caso, encaminhada para o Ministério Público Federal. II.3 INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC E DA MULTA AGRAVADA Por fim, sustenta a Recorrente ser inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC para fins tributários, bem como a aplicação da multa agravada. Contudo, dispõe expressamente a Súmula nº 2 deste Conselho que: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por sua vez, a Súmula nº 4 assim determina: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dessa maneira, deve ser afastado o argumento da Recorrente, com a manutenção da aplicação da Taxa SELIC e da multa agravada no presente caso. III – CONCLUSÃO Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. 7 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO André Almeida Blanco Relator 8 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO
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Numero do processo: 10640.001781/2005-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
NORMAS PROCEDIMENTAIS / REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL PROCURADOR. CONTRARIEDADE À LEI / PROVA NÃODEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo nos artigos 5°, inciso I, e 70, § 1°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 88/1998, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial do Procurador, fundamentado naqueles dispositivos regimentais, quando devidamente comprovada a contrariedade à lei e/ou prova constante dos autos, não se prestando aludido recurso tão somente para rediscussão de matéria embasada em entendimentos contrapostos.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, com valor inferior ao apurado pela fiscalização não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicar-se a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir os autos com documentos que comprovem a acusação.
Numero da decisão: 9101-001.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER PARCIALMENTE do recurso relativamente à multa e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffman e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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RECURSO ESPECIAL PROCURADOR. CONTRARIEDADE À LEI / PROVA NÃODEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo nos artigos 5°, inciso I, e 70, § 1°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 88/1998, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial do Procurador, fundamentado naqueles dispositivos regimentais, quando devidamente comprovada a contrariedade à lei e/ou prova constante dos autos, não se prestando aludido recurso tão somente para rediscussão de matéria embasada em entendimentos contrapostos. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, com valor inferior ao apurado pela fiscalização não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicarse a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir os autos com documentos que comprovem a acusação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER PARCIALMENTE do recurso relativamente à multa e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 17 81 /2 00 5- 91 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 10 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffman e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 10709.589 de 17/12/2008, proferido pela Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração (fls. 44/45) exige pagamento de IRPJ em função da suposta existência de omissão de receitas e também de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre “outras receitas”, que teriam sido tributadas erroneamente pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Ambas as situações teriam surgido com base em divergências verificadas entre os registros do Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC) e os valores declarados nas DIPJ’s de 2001, 2002 e 2003 e nas respectivas declarações de ajuste. Além disso, também foi lavrada multa qualificada de 150% em função da inexatidão das obrigações acessórias. Por não concordar com a autuação sofrida, o contribuinte apresentou impugnação aos autos, fls. 90/101. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento realizado procedente e manteve a autuação (fls. 110/ 122.). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 127/141), no qual reforçou os argumentos utilizados nas razões de impugnação quanto ao descabimento da tributação das “outras receitas”, além de ter defendido ser desproporcional a imposição de multa qualificada em razão de inexatidões de obrigações acessórias. Sobreveio acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo Contribuinte e cancelou parte da exigência fiscal consubstanciada nos autos de infração, em decisão que restou assim ementada (após devida alteração na ementa solicitada através de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional fls. 175/176): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 11 3 IRPJ. REVENDEDOR DE COMBUSTÍVEIS. DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS E AQUELES LANÇADOS NO LIVRO DE MOVIMENTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. OMISSÃO DE RECEITAS. Observando a autoridade lançadora que receita informada na DIRPJ foi menor do que a registrada no Livro de Movimentação de Combustível, caracterizada está a omissão de receitas tributáveis, sendo as diferenças tributadas de acordo com o critério estampado no art. 15, § 1º, I, da Lei n°. 9.249/95. IRPJ. OUTRAS RECEITAS. INCOMPATIBILIDADE ENTRE AS INFORMAÇÕES DECLARADAS À RECEITA FEDERAL E OS LANÇAMENTOS NO LIVRO DE MOVIMENTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 15 DA LEI N°. 9.249/95. Identificando a autoridade lançadora que a receita informada na DIRPJ foi maior do que a registrada no Livro de Movimentação de Combustível, os valores excedentes não podem ser tributados como se oriundos da venda de combustíveis, sendo obrigatória, dada a opção do contribuinte pela sistemática do lucro presumido, a tributação de tais quantias de acordo com a regra do art. 15 da Lei n°. 9.249/95. tendo a fiscalização utilizado critério normativo diverso, devese afastar da exigência o IRPJ. PIS. COFINS. OUTRAS RECEITAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. Não tendo a fiscalização se desincumbido do ônus de comprovar a origem e a classificação contábil das receitas informadas em DIPJ, superiores às registradas nos Livros de Movimentação de Combustível, não subsistem os lançamentos. MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo prestado informações incorretas e incompatíveis com os registros contábeis, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados nos livros contábeis. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Pública interpôs Recurso Especial (fls. 193/203) para reformar o acórdão recorrido no tocante à tributação de PIS e COFINS sobre as denominadas “outras receitas”, além de restabelecer o percentual da multa aplicada para 150%. Em despacho de admissibilidade de fls. 224/226, foi admitido o Recurso Especial da Fazenda, uma vez ter sido demonstrada contrariedade à lei. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 234/243), alegando que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido com relação ao IRPJ, visto que o afastamento deste tributo teria sido decidido de forma unânime pelo CARF, além de requerer que o acórdão recorrido seja mantido em sua totalidade. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 12 4 Voto Conselheiro Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi interposto em face de contrariedade à Lei e à evidência de prova, em razão de decisão não unânime. O Recurso é tempestivo e, por ter sido interposto em face de acórdão não unânime, proferido na vigência da Portaria MF nº 147/2007, anterior ao atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009), é admissível em juízo preliminar. Entendo, contudo, que outras questões ainda devem ser analisadas quanto à sua admissibilidade. Vejamos. A d. Fazenda recorreu quanto à exclusão da base de cálculo das importâncias tributadas a título de “outras receitas” no que atine à exigência de PIS e COFINS, e quanto à qualificação da multa. No que tange à exclusão da base de cálculo das importâncias tributadas a título de “outras receitas”, em seu recurso, a d. Fazenda menciona a legislação do imposto sobre a renda, matéria exonerada à unanimidade e que não é objeto do pedido do Recurso Especial, e que inclusive levou a erro o interessado em suas contrarrazões ao pedir o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto ao IRPJ. De fato, apesar de requerer o reestabelecimento de exigência para o PIS e a COFINS, não vislumbro no referido Recurso Especial menção à suposta lei afrontada no que tange a tais tributos. Também não vislumbro que tenha sido evidenciada a prova contrariada. Explico: no Recurso Especial, a d. Fazenda, menciona trecho do voto vencido que, ao exonerar o IRPJ e a CSLL mantendo as contribuições ao PIS e à COFINS para as “outras receitas”, fundamenta no fato de que a recorrente não pode se desincumbir do ônus de comprovar a origem e classificação contábil das receitas em apreço, nesse passo, legítimo seria o lançamento. Concorde essa relatora ou não com o fundamento do voto vencido, o voto vencedor, para excluir também as exigências relativas ao PIS e à COFINS, asseverou que, tomar simplesmente os valores consignados a maior na DIPJ não é prova suficiente de omissão de receitas, mormente quando os valores a menor também foram assim qualificados (omissão de receitas). Ato contínuo, o mesmo voto menciona que o Fisco apesar de ter manuseado a contabilidade do contribuinte, não carreou aos autos elementos de prova de omissão das outras receitas, que não as de combustível, lançadas em separado. Não havendo evidência de contrariedade à lei, bem como não tendo sido demonstrada afronta à específicas provas, não há como se conhecer do Recurso Especial da Fazenda nessa parte. No tocante à multa de ofício, o acórdão recorrido decidiu, por maioria de votos, por sua redução para o percentual de 75%. Prevaleceu o entendimento de que a qualificação da penalidade deveria ser afastada porque a autoridade lançadora teve acesso aos registros contábeis da recorrente, regularmente escriturados, e mesmo assim não conseguiu Fl. 560DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 13 5 comprovar a fraude. Consta ainda da ementa do acórdão recorrido que a mera apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de fraude. O Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 44, inciso II, § 1° da Lei 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/66, sustenta que constatada a existência de “reiterados lançamentos contábeis a título de receita operacional – venda combustíveis, quando na realidade, da comprovação dos valores mensais da venda de combustíveis registrados nos Livros de Movimentação de Combustíveis com aqueles escriturados/ declarados nos anos de 2001, 2002 e 2003, foram apuradas divergências de valores , demonstrando a ocorrência ora de ‘Omissão de Receitas’ ora de ‘Outras Receitas’ não explicadas/ comprovadas pelo contribuinte. Tal fato configura evidente intuito de fraude, já que reduz o valor do imposto devido.” Pelo exposto, é de se conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional no tocante à multa de ofício. Antes de analisar as situações fáticas do caso, cumpre verificar a natureza da sanção tributária, em especial da multa qualificada. O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcularse o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classificaas como repressivas ou repressivocompensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigálo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 14 6 Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de ofício, verificamos a imposição de multa de ofício, espécie de sanção pecuniária. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivocompensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Afirmase que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: “Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.” Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa Fl. 562DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 15 7 qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse ponto, para a falta de pagamento do imposto aplicase a responsabilidade objetiva, prevista no artigo 136 do Código Tributário Nacional: “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Já a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Sobre este aspecto, nunca é demais lembrar que a mera falta de pagamento de tributo não é crime, tampouco ato doloso. Arrematando a questão, o saudoso Ministro Aliomar Baleeiro4 também pugna pela responsabilidade pessoal do agente por infrações decorrentes de dolo específico, firmando o seguinte entendimento: “RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE. Em princípio, a responsabilidade tributária por infrações da legislação fiscal cabe ao contribuinte ou ao coresponsável, como tais definidos no CTN Mas este, como vimos, em certos casos taxativos, também a estende a terceiros os arts. 134 e 135). Em certos casos especiais, a responsabilidade será de quem cometeu a infração o agente sem que nela se envolva o contribuinte ou sujeito passivo da obrigação tributária. Isso acontece, em princípio, quando o ato do agente também se dirige contra o representado ou quando se reveste de dolo específico. O CTN distingue três hipóteses. A primeira é a de a falta constituir ao mesmo tempo um crime ou contravenção penal. Mas, nesse caso, também, responde o contribuinte fiscalmente, se o agente estava no exercício regular de 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. 4 Arquivo Judiciário 71/10, Revista Forense 115/143, in Trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional, Ministério da Fazenda, 1954. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 16 8 administração, mandato, função, emprego ou no cumprimento de ordem expressa de quem podia expedila. No terceiro caso, há diferentes hipóteses de o agente ter praticado atos contra os seus representados, mandantes, preponentes, patrões, etc. seria demais punilos quando já são vítimas e culpa não revelaram nas faltas dos prepostos. Mas entendase: a responsabilidade é exclusiva do agente quanto aos efeitos das infrações (multa, inclusive moratória, se se apossou dos fundos do mandante ou patrão e correção monetária,). Mas se o sujeito passivo continua responsável pelo imposto devido por atividade, ato ou coisa que fez surgir a obrigação tributária.” Concluise, assim, que a qualificação pressupõe a existência de fraude ou sonegação. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separado, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. Retornando ao presente caso, devemos averiguar com cuidado se a pretendida qualificação da multa defendida pelo Fisco não está pautada no mesmo suporte fático que deu ensejo à própria autuação do contribuinte. Isso porque, conforme já sustentado acima, a qualificação da multa requer a identificação da vontade do agente em cometer o ilícito ou correr o risco de cometêlo, não bastando apenas a identificação objetiva da infração tributária. Assim sendo, a mera reiteração de condutas equivocadas não pode ensejar a aplicação da multa qualificada. Para tanto, se faz necessária a apresentação de um robusto conjunto probatório, capaz de deixar evidente a conduta fraudulenta. No caso em tela, a Fazenda não conseguiu demonstrar o dolo objetivamente na prática do contribuinte, sendo mister aplicar a norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe que “ A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Nesse ponto, há que se considerar a possibilidade de ter ocorrido mero erro por parte do contriuinte, uma vez que os valores tributáveis de omissão de receitas constantes do auto de infração, que foram mantidos, para os exercícios de 2001, 2002 e 2003 são, respectivamete, de R$ 1.712,49, R$ 5.250,46 e 60.966,55 (fl. 06 do auto de infração). . Nestes termos, se por um lado seria cabível a multa qualificada pela utilização de prova da reiterada omissão de receitas, entendo que no presente caso, considerando o conjunto fático, é descabida a sua imposição uma vez que o Fisco não logrou êxito em demonstrar o dolo da conduta do contribuinte e os fatos apontam para a possibilidade de ocorrência de mero erro de escrituração contábil. Tal entendimento encontrase em consonância com o atual posicionamento do CARF, conforme obsevado abaixo: MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, com valor inferior ao apurado pela fiscalização não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10640.001781/200591 Acórdão n.º 9101001.537 CSRFT1 Fl. 17 9 deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicarse a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir os autos com documentos que comprovem a acusação.(Acórdão 910100.486 CSRF, Processo n° 10120.000795/200566 1ª Turma. 25/01/09. Min. Rel. Karem Jureidini Dias) MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA POR PRESUNÇÃO LEGAL HOMINIS A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da lei no. 4.502/64. (Súmula CARF no. 25). (Acórdão 180100.372 CARF, Processo n° 10970.000112/200811 1ª Turma Especial. 07/11/10. Min. Rel. Maria de Lourdes Ramirez) Pelo exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, apenas em relação à multa, e na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2012 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 565DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 15374.901843/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. INCONSTITUCIONALIDADE.
Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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INCONSTITUCIONALIDADE. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 18 43 /2 00 8- 10 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.901843/200810 Acórdão n.º 3801002.220 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.901843/200810 Acórdão n.º 3801002.220 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1338.123, julgado na sessão de 3 de novembro de 2011, pela 5ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), referente ao processo administrativo n° 15374.901843/200810, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP, transmitida em 13/12/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 15/06/2001, a título de COFINS, código 2172, atinente ao período de apuração 05/2001, com débitos de IRPJ, relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2003 (fl.02/06). Por meio do Despacho Decisório de fl. 08, emitido eletronicamente, o Delegado da DERAT – Rio de Janeiro não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de inexistência de crédito, uma vez que o pagamento já havia sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Cientificada em 05/05/2008 (fl. 07), a Interessada apresentou, em 04/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 10 a 18, na qual alega, em síntese, que a) A LC 70/91 dispõe em seu art. 6º, II que são isentas da Cofins as sociedades civis que prestam serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, o que é o caso da requerente, na área de engenharia. Portanto, cabível a isenção ao caso; b) Tratase de isenção concedida por lei em caráter geral, dispensandose qualquer interferência da autoridade administrativa para sua eficácia; c) A isenção somente pode ser instituída ou revogada por Lei. A Lei 9.430/96 dispõe expressamente sobre as revogações em seu art. 88, lá não se encontrando qualquer referência à LC 70/91; d) A matéria da isenção da Cofins já se encontrava pacificada no STJ e em 02/06/2003 foi editado o enunciado da súmula 276 consolidando o entendimento que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.901843/200810 Acórdão n.º 3801002.220 S3TE01 Fl. 5 4 e) A mudança de entendimento jurisprudencial fere a segurança jurídica do Estado; f) O Ministro Gilmar Mendes, presidente da Suprema Corte, defende a modulação dos efeitos no tempo de uma decisão acerca da matéria, com efeitos prospectivos, o que corroborará a tese da vigência da isenção e, via de conseqüência, a segurança jurídica brasileira; g) A matéria se encontra pendente de decisão definitiva, ratificando a posição de que a antecipação do pagamento da Cofins foi indevidamente realizada; h) Tendo sido demonstrado que a antecipação do pagamento foi feita de forma indevida, ensejase sua plena restituição, a qual, no presente caso, foi feita através de compensação. Por fim, a empresa requer a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/SPOI conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. De acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, a partir de abril de 1997 as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a COFINS, calculada com base na receita bruta da prestação de serviços, fato reconhecido, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 23.05.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 5463, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.901843/200810 Acórdão n.º 3801002.220 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. De pronto, vislumbrase que não pode prosperar a pretensão do contribuinte, não só pela expressa disposição legal, uma vez que o artigo 56 da Lei nº 9.430/96 revogou o artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, quando as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, como também pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Por oportuno, venho transcrever o voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, membro desta Câmara, na ocasião que foi Relator do Acórdão n° 3801002.096, referente ao processo n° 15374.908035/200883, julgado na sessão de 22 de agosto de 2013, ao analisar caso similar ao presente, proferiu assim seu voto: No que tange a argumentação da recorrente em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei Ordinária n.º 9.430/1996 que violaria as normas infraconstitucionais, não podendo esta revogar a isenção concedida pelo art. 6º, inc. II, da Lei Complementar n° 70/91, também nego provimento, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate dentro deste Conselho de Contribuinte, conforme a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, não há decisão do STF negando vigência do artigo 56 da Lei n° 9.430/1996. Ao contrário, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinárion° 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.901843/200810 Acórdão n.º 3801002.220 S3TE01 Fl. 7 6 EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC I, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado Provimento. Por isso e estando em pleno vigor a legislação sobre a tributação da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais legalmente regulamentadas, não há que se falar em pagamento indevido ou maior que o devido, no período objeto do pedido de compensação sob a alegação de que estas sociedades estariam isentas desta contribuição Quanto as demais alegações, por superadas, deixo de apreciá las. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso a que se refere ao apensamento requerido e não conheço das demais questões com base na súmula 2 desse Conselho. Assim, no julgamento do processo administrativo acima referido, os Conselheiros desta Colenda Câmara acordaram em, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do ilustre Conselheiro Relator acima referidos. Deste modo, por bem analisar a matéria, entendo que a referida inteligência igualmente serve para fundamentar a presente decisão. Portanto, nego provimento ao presente recurso, eis que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante a Súmula n° 2 deste Egrégio Conselho. Além disso, destaco que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinárion° 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.901843/200810 Acórdão n.º 3801002.220 S3TE01 Fl. 8 7 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11330.000075/2007-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 75 /2 00 7- 50 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Supermercado Alto da Posse Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 1/500, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos rurais por pessoas físicas, com base no artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.528/97, no período de 01/03/2000 a 30/12/2003. A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 155.887, que se encontra às fls. 574/577vº e cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. REQUISITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOLO. TRIBUTO SUJEITO A HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, §4º, DO CTN. I – Contendo a NFLD recorrida, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista ainda que o Recorrente sequer demonstra onde situaria a nulidade arguida; II – A produção de prova pericial há de ser deferida apenas quando for necessária para elucidação postos em litígio. III – Tratandose de infração a obrigação tributária acessória, a penalidade correspondente não depende da existência de dolo para sua imposição; IV – II – Em se tratando de tributo sujeito à Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11330.000075/200750 Acórdão n.º 9202002.963 CSRFT2 Fl. 9 3 homologação, a decadência regerseá pela regra do art. 150, § 4º do CTN, independente de ter havido ou não recolhimento por parte do contribuinte, salvo na hipótese de haver dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência de 04/2001 (anteriores a 05/2001), aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Intimada do v. acórdão em 18/05/2010 (fls. 578), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 581/590), sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 10709269 e 20402061, no tocante à decadência das contribuições sociais em razão da não antecipação de seu pagamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 195/2010, de 27/08/2010 (fls. 595/596). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 606/615). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 10709269 e 20402061. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 10709269 “IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DCLARAÇÃON DE INATIVIDADE. CONSTATAÇÃO DO AUFERIMENTO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS – Caracterizada a omissão de rendimentos tributáveis não declarados pelo contribuinte, correto o lançamento. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Tendo o contribuinte declarado a inexistência de receitas tributáveis no período fiscalizado, a decadência do direito de lançar é regulada pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, afastada a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do mesmo estatuto, que pertine às hipóteses de homologação expressa do lançamento Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 voluntariamente efetuado pelo contribuinte com pagamento, ainda que incorreto, das exações. MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE – A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa.” Acórdão nº 20402061 "PIS. DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOÇOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da regra supõe hipótese típica de lançamento por homologação; aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se não houver antecipação de pagamento do tributo, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar como termo a quo para fluência do prazo decadencial aquele do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, como in casu. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Refoge da competência aos órgãos julgadores administrativos para apreciar inconstitucionalidade de normas em plena vigência e eficácia. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de abr/95, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulados mensalmente. Recurso provido em parte. (Destacouse)” No presente caso, o v. acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, para os quais não foi identificada a existência de dolo, fraude ou simulação, motivo pelo qual considerou desnecessária a verificação da antecipação do pagamento por parte do contribuinte. Os paradigmas colacionados, no entanto, manifestaram o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo, entendendo ainda que, nas hipóteses de inexistência de pagamento a homologar, deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. A discussão no presente recurso é relativa ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11330.000075/200750 Acórdão n.º 9202002.963 CSRFT2 Fl. 10 5 Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, da análise das planilhas acostadas ao Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é possível inferir que houve o recolhimento, ainda que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo (fls. 118/500), valor que foi inclusive deduzido na apuração do valor do crédito tributário lançado na autuação. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11330.000075/200750 Acórdão n.º 9202002.963 CSRFT2 Fl. 11 7 Diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados, que no caso em exame envolvem um universo de remunerações e verbas mensalmente pagas aos empregados e contribuintes individuais. Destaco, por oportuno, que o presente lançamento objetiva a cobrança de contribuição previdenciária destinada à Seguridade Social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos rurais por pessoas físicas, previstas no artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.528/97. O mencionado art. 30 da Lei nº 8.212, ao tratar sobre a arrecadação e o recolhimento das contribuições previdenciárias, estabelece no inciso IV a figura da subrogação, nos seguintes termos: “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)” Assim, no caso sob análise, considerando que a subrogação materializa recolhimento definitivo pelo responsável tributário, vez que a legislação previdenciária não prevê que os substituídos (produtor rural pessoa física e segurado especial) tenham que efetuar qualquer recolhimento superveniente à subrogação em foco, tal contribuição faz parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas mensalmente pela contribuinte. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 17/05/2006, deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 04/2001, nos termos consignados no v. acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 14337.000020/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei 8.212/91,
É nulo o lançamento quando se verifica vício formal de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada.
Lançamento Anulado
Numero da decisão: 2301-002.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Redator: Mauro José Silva. Declarações de voto: Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Pires Lopes Declaração de Voto
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei 8.212/91, É nulo o lançamento quando se verifica vício formal de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada. Lançamento Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Redator: Mauro José Silva. Declarações de voto: Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 20 /2 01 0- 73 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 116 2 Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Declaração de Voto (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 117 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/01/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com Informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 11, parágrafos 3o e 4o, com redação da MP nº 2.158, de 24.08.01. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.15), a autuada deixou de apresentar à fiscalização, os documentos digitais para os quais estava regularmente intimada, configurando infração à legislação previdenciária vigente. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0123.637, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 88), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 99), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, faz um relato dos fatos ocorridos desde o início da ação fiscal até a apresentação do recurso, e conclui que não há como concordar com os fundamentos apresentados no Acórdão recorrido, entendendo que permaneceram incólumes as matérias preliminares e de mérito arguidas em sede de impugnação. Em preliminar, alega nulidade do AI por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o auditor se recusou a analisar os documentos disponibilizados pela recorrente. Entende que, no caso do presente auto, a nulidade ainda é mais flagrante, uma vez que o auditor, mesmo tendo recebido os Livros em CD, recusouse a considerálos, sob a alegação de que sua leitura, no formato em que estava, seria muito trabalhosa, passando a exigir que a empresa alterasse o formato para outra linguagem que facilitaria sua leitura. Reafirma que os Livros foram apresentados, tanto em meio digital, quanto em meio físico, tanto é que embasaram todo o relatório da fiscalização, e que a recusa no recebimento do material, assim como a exigência de transformação para formato da preferência do auditor, representam flagrante nulidade do procedimento. Aponta como outra nulidade o fato de o Auto, em nenhum momento, apresentar qualquer norma da RFB que indique em que formato digital os livros devem ser apresentados, tendo sido demonstrado apenas a necessidade de manter escrituração contábil em meio digital, e a obrigação de apresentála à fiscalização quando solicitada, sequer mencionando o dispositivo legal transgredido, o que é essencial para o exercício do direito de defesa da recorrente. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 118 4 No mérito, reitera que os livros razão e diário foram, sim, apresentados, tanto que a recorrente voltou a apresentálos por ocasião de sua impugnação, e transcreve o art. 11, §§ 3o e 4o, da Lei 8.218/91, para afirmar que a norma foi cumprida pela recorrente e que não há qualquer ato especificando forma no AINF e, se houver, provavelmente foi omitido na autuação. Sustenta que não houve qualquer descumprimento e obrigação por parte da impugnante, uma vez que os dispositivos elencados não foram transgredidos, e que não há qualquer norma que exija que o sistema seja convertido para o formato exigido pelo auditor. Assevera que o art. 50, da IN 971/09, citado na decisão recorrida, não se refere ao formato da mídia a ser entregue, mas sim à forma física, e esse dispositivo se aplica, por exemplo, quando o auditor requer esses arquivos impressos, isto é, em papel, o que é diferente de o auditor continua a requerer esse documento em CD, mas em mídia completamente diversa. Defende que não se pode apenar o contribuinte impondo obrigações absurdas e impossíveis, pois dessa forma estarseia condenando a fiscalizada à penalização, razão pela qual o CC expressamente estabeleceu que são inexistentes as condições impossíveis, nos termos do art.124, do citado diploma legal. Transcreve o § 3o, do art. 48, da IN 971/09, para demonstrar que fica a critério da empresa a escolha da forma utilizada para armazenar os dados, competindolhe manter esta escrituração à disposição da RFB pelo período do prazo decadencial. Entende que, na remota possibilidade de se manter o auto por descumprimento alguma obrigação relativa à manutenção da escrituração contábil digital, tal fato foi relevado pela fiscalização quando solicitou e utilizou os livros em meio físico. Finaliza requerendo que seja reconhecida a nulidade do auto de infração ou, se assim não se entender, que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado improcedente o presente AINF, pelos fatos e fundamentos expostos. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 119 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que o AI foi lavrado por ter a empresa apresentado arquivos digitais das folhas de pagamento com omissão ou incorreção. Pelo descumprimento da obrigação acessória descrita, a autoridade autuante aplicou penalidade com fundamento no art.12, inciso II e parágrafo único, da Lei 8.218/91. Porém, verificase que, no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas, ou que contenham incorreções ou omissões. De fato, a Lei 8.212/91, que é a lei específica que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio, estabelece, em seu art. 32, inciso III, que: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” E, nos termos do art. 92 do mesmo diploma legal, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Cumprindo seu papel regulamentador, o Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inc. II, alínea “j”, veio dispor que: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 120 6 II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira”;(grifei) Assim, entendo que, em se tratando de contribuições previdenciárias, não há qualquer razão para se aplicar a penalidade prevista na Lei 8.218/91, uma vez que existe legislação específica que trata da matéria. Ademais, o art. 112, do CTN, determina que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, entendo que, no caso do Auto de Infração ora discutido, deveria ter sido observado o disposto na Lei 8.212/91, c/c art. 282, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por se tratarem de normas legais específicas para as contribuições previdenciárias. Portanto, há de ser julgada NULA a presente autuação, em virtude da ocorrência de VÍCIO de natureza formal e de caráter insanável, sem prejuízo da aplicação da penalidade administrativa de forma correta, caso a fiscalização entenda cabível. Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e ANULAR o Auto de Infração, por vício formal. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 121 7 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NATUREZA MATERIAL DO VÍCIO. Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 122 8 Tomando o conteúdo de tal dispositivo, podemos identificar os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Os vícios de forma, a seu turno, consistem “na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Diversamente, os vícios quanto ao motivo são verificados quando “a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. É esse exatamente o caso dos autos, tendo em vista que a Relatora apontou que os fatos ensejariam penalidade diversa da que foi aplicada. Assim, não é possível qualificarmos o vício do caso em análise como formal. Logo o presente lançamento padece de vício material. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 123 9 Declaração de Voto Leonardo Henrique Pires Lopes Da omissão ou incorreção da folha de pagamento em meio eletrônico No caso em tela, foi observado que a ora Recorrente apresentou folha de pagamento no âmbito digital de forma divergente com o que consta na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, conforme exposto no Relatório. O contribuinte, por sua vez, alega que os valores em questão não configuram contribuição previdenciária, uma vez que não possuem natureza salarial. O fisco considerou que tal conduta infringiu o texto do art. 11, §§3º e 4, aplicandose, portanto, a penalidade prevista no art. 12, II e parágrafo único da Lei nº 8.218/1991, abaixo colacionados: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...). §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...). II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (...). Ocorre que este entendimento não deve prosperar. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 124 10 A obrigação do contribuinte de apresentar todas as informações solicitadas pela fiscalização está prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, que disciplina as obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias, inclusive acessórias: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. O ensinamento retrocitado é corroborado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, uma vez que o Auditor Fiscal, ao solicitar os arquivos em meio digital a serem apresentados pela empresa, o faz com base nesta mesma legislação. O artigo 33, §§1º e 2º da Lei nº 8.212/1991 é exatamente aquele que autoriza o auditor fiscal a solicitar as informações de interesse da fiscalização, sendo obrigação tributária acessória já contida na Lei de Custeio da Previdência Social, cuja penalidade também está prevista na mesma Lei, nos seus arts. 92 e 102: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...). Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Remetendose ao Regulamento da Previdência Social, neste é que devemos encontrar a conduta tipificada e o valor da multa: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 125 11 dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...). II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...). b) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Ora, verificandose que a Lei nº 8.212/1991, combinada com o Decreto nº 3.048/1999, prescreve a conduta e a sanção correspondente, deve ser esta a aplicada. São inúmeros os autos de infração que têm fundamento legal neste mesmo fato (Fundamento Legal AI 38) e que penalizam exatamente esta mesma conduta, sendo aplicada a multa decorrente do suposto descumprimento do art. 33 da Lei 8.212/1991. Cabe transcrever a tipificação da conduta infracional utilizada pela Receita Federal em autos de infração semelhantes: FUNDAMENTO LEGAL: 38 DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "j" e art. 373. Existindo, portanto, uma norma específica na Lei que disciplina as fontes de custeio da Previdência Social, não pode outra norma ser simultaneamente aplicada, sob pena de bis in idem. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 126 12 O princípio do non bis in idem é secular, erigido à condição de garantia constitucional implícita em respeito a princípios expressos, como o da estrita legalidade, da moralidade pública, da dignidade da pessoa humana e o do Estado Democrático de Direito. Por outro lado, uma lei posterior não revoga uma que lhe seja anterior se esta for especial, princípio positivado no ordenamento jurídico brasileiro através do art. 2º, §2º da Lei de Introdução ao Código Civil, conhecida pela expressão latim “lex specialis derogat legi generali”. Da análise das duas normas, verificase ainda que a Lei posterior, no caso a Lei 8.218/1991, não revogou expressamente a anterior, não era com ela incompatível e nem regulou a matéria de que tratava a anterior (art. 2º, §1º da Lei de Introdução ao Código Civil). Diante da existência de duas normas que, aparentemente, disciplinam a matéria do mesmo modo, o conflito deve ser resolvido a partir da escolha daquela que seja específica da matéria, no caso, a Lei nº 8.212/1991, que dispõe sobre o Plano de Custeio da Previdência Social, dentro do qual se encontram as contribuições previdenciárias. A Lei nº 8.218/1991, por sua vez, dispõe sobre impostos e contribuições federais, de forma genérica, inclusive sobre a prestação de informações à fiscalização e respectivas penalidades, excluindose da sua abrangência, contudo, o que se relacionar às contribuições previdenciárias, sob pena de dupla incidência (bis in idem). A simples leitura dos dois dispositivos legais aparentemente conflitantes já seria suficiente para se chegar à conclusão de que a primeira, qual seja a Lei nº 8.212/1991, deve ser a aplicada ao caso concreto. A própria penalidade instituída pela Lei nº 8.218/1991 deixa evidente que sua aplicação está limitada às hipóteses em que o tributo tem no seu fato gerador relação com a receita bruta auferida pela empresa, o que não é o caso da regra geral das contribuições previdenciárias. O art. 112 do CTN também determina que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, in verbis: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Outros aspectos também podem ser observados que só confirmam a afirmação acima. A Lei nº 8.218/1991 foi editada quando ainda não existia uma unificação da Secretaria da Receita Federal e da Receita Previdenciária em Super Receita, de modo que Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 127 13 apenas os tributos administrados pela primeira eram submetidos ao regramento previsto na referida Lei, tais quais as contribuições sociais não previdenciárias (por exemplo, PIS, COFINS, CSLL) e impostos federais. Por esta razão, a penalidade aplicada no caso de entrega de arquivos digitais em descumprimento às regras determinadas em lei e em normas infralegais teve como base a receita bruta das empresas, já que diretamente relacionada com o proveito econômico que poderia ser obtido com a supressão da informação relativa aqueles tributos, que têm em sua base de cálculo algum elemento da receita bruta. Bastante coerente, portanto, a eleição da receita bruta como parâmetro da aplicação de penalidades quando o contribuinte estivesse sujeito à fiscalização de tributos que também têm em sua base de cálculo aquela mesma expressão econômica, ou pelo menos um dos seus elementos. No caso desses tributos e contribuições sociais, a omissão de informações estaria relacionada diretamente à receita bruta, seja porque as informações omitidas estariam contidas dentro desta mesma expressão econômica, seja porque o benefício obtido pelo contribuinte infrator teria repercussão no recolhimento dos tributos que a tem como base de cálculo. Se a omissão da informação poderia conferir ao contribuinte desses tributos e contribuições sociais benefício econômico proporcional à receita bruta, a penalidade também poderia ser aplicada com base nesta, se houvesse previsão legislativa para tanto. Para atender ao fim educativo e repressivo que devem estar presentes na penalidade, os valores que tiverem atrelados ao possível proveito econômico devem ser os utilizados para tipificação da conduta e da sanção. No caso das contribuições previdenciárias devidas pela empresa Recorrente, contudo, não existe qualquer relação com a sua receita bruta. Eventual omissão de informações não teria o condão de reduzir o montante da receita e, em consequência, do tributo devido. A base de cálculo das contribuições previdenciárias é, em regra, a folha de salário e demais remunerações pagas a quem lhe presta serviço. Eleger a receita bruta como parâmetro para a punição do contribuinte por omissão de informação absolutamente dissociada daquele valor seria permitir medida desproporcional e irrazoável. Por esta razão é que se chega, novamente, à conclusão de que a Lei nº 8.218/1991, ao utilizar a receita bruta como base para o cálculo da penalidade ao contribuinte, não poderia ser aplicada às contribuições previdenciárias que, além disso, possuem norma específica prevendo a multa para o caso de supressão de informações solicitadas pela fiscalização. Não é por outro motivo que a Lei nº 8.212/1991 prevê, dentre as multas aplicáveis aos casos de descumprimento de obrigações acessórias, aquelas consistentes em percentual sobre a base de cálculo ou número de informações omitidas, sem qualquer relação com receita bruta. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 128 14 E não se diga que a unificação da Receita Federal, através da Lei nº 11.457/2007, teria alterado a sistemática e passado a permitir a aplicação da Lei nº 8.218/1991 às contribuições previdenciárias. Ora, a Lei que criou a Super Receita nada mais fez do que centralizar procedimentos e fixar competências, não alterando, contudo, normas relacionadas a obrigações tributárias e penalidades. Entendimento diverso levaria também à conclusão absurda de que a Lei nº 11.457/2007 teria revogado a Lei nº 8.212/1991, o que não ocorreu, tanto que mantida a aplicação pela Receita Federal às contribuições previdenciárias, tanto para lançar tributos devidos, quanto para determinar a multa devida pelo contribuinte que descumpre obrigação acessória. Em suma, a obrigação acessória descumprida está prevista no art. 33 e parágrafos da Lei nº 8.212/1991, cuja multa respectiva tem seu cálculo nos termos dos arts. 92 e 102 do mesmo diploma, combinado com o art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social, jamais a da Lei 8.218/1991. Por fim, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, dentre o que se inclui a indicação correta da legislação em que se baseia. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. [1] Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto deinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma”, esta não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 129 15 No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. *** O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Desta feita, tendo sido aplicada multa não prevista pela legislação previdenciária, incorreu o Auto de Infração em vergaste em vício material, por ausência de fundamentação na imputação da penalidade, pelo que deve ser anulada a autuação. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000020/201073 Acórdão n.º 2301002.994 S2C3T1 Fl. 130 16 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Com efeito, o equívoco gerado pela autuação fiscal na fundamentação jurídica diferente daquela aplicável à espécie, gera nulidade do auto de infração. Maior ainda é a dificuldade causada para o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, haja vista que o documento lavrado de forma deficiente gerou sérias dúvidas quando a sua legalidade. 2. E o art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 assevera que “são nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. De maneira, que a nulidade há que ser declarada de ofício, com o objetivo precípuo de assegurar a plena certeza do crédito tributário. 3. No que diz respeito à conceituação do vício, se formal ou material, opto pelo material, considerando que, nos exatos termos do artigo 142 do CTN, compete à autoridade administrativa “propor a aplicação da penalidade cabível”. Em havendo aplicação de penalidade diversa daquela estabelecida pela legislação previdenciária, portanto equivocada, o vício atinge o auto de infração em sua própria origem. 4. In casu, aumenta a minha posição em conceituar o vicio na forma material, o fato de a falha aqui apontada dizer respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 06/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LEON ARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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