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Numero do processo: 10980.720436/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO / RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
A responsabilidade pela comprovação do indébito tributário cabe ao interessado pela compensação ou restituição. Se restar comprovado que o crédito sobre o qual recai a compensação ou restituição solicitada já foi deferido integralmente pela decisão recorrida, nada mais resta para ser discutido.
Numero da decisão: 1402-001.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a fazer parte do julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade pela comprovação do indébito tributário cabe ao interessado pela compensação ou restituição. Se restar comprovado que o crédito sobre o qual recai a compensação ou restituição solicitada já foi deferido integralmente pela decisão recorrida, nada mais resta para ser discutido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a fazer parte do julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 36 /2 00 8- 41 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.720436/200841 Acórdão n.º 1402001.497 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA S/A, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob o nº 77.388.007/000157 com domicílio fiscal na cidade de São José das Pinhas, Estado de Paraná, à Av. Rui Barbosa, nº 3450, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal de Curitiba PR, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 116/122), prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 144/151. A requerente transmitiu, em 19/03/2004, a Declaração de Compensação – PERD/DCOMP nº 16611.91932.190304.1.3.025025 (fls. 01/20), cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, no valor histórico de R$ 1.324.407,80, apurado no anocalendário de 1998, correspondente ao exercício de 1999 e atualizado, pela taxa Selic (93,74%), na data da compensação, para R$ 2.565.907,65, com débitos tributários de IPI/PIS/COFINS relativo ao anocalendário de 1998, no valor total de R$ 2.565.907,67 (IPI = R$ 592.261,36; PIS = R$ 1.580.529,62 e COFINS = R$ 393.116,69. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, através do Despacho Decisório (fls. 69/73), apreciou e concluiu, em 10/11/2008, não homologar a compensação dos débitos elencados nas fls. 11 a 20, diante do fato da perda do direito creditório em razão da decadência do direito de pleitear a compensação e tornar nulo o Despacho Decisório que não admitiu a DCOMP retificadora, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o confronto entre os débitos informados na DCOMP original e na DCOMP retificadora apresentase, conforme a seguir: Débito de IPI no valor de R$ 505.012,88 Discriminação DCOMP original DCOMP retificadora Período de Apuração 3º decêndio /out/ 2003 3º decêndio /nov/ 2003 Vencimento 10/11/2003 10/12/2003 Débito de IPI no valor de R$ 87.248,48 Discriminação DCOMP original DCOMP retificadora Período de Apuração 1º decêndio /nov/ 2003 1º decêndio /dez/ 2003 Vencimento 20/11/2003 20/12/2003 Débitos de PIS – PA 12/2003 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Tributo DCOMP original DCOMP retificadora PIS – FATURAMENTO – 8109 R$ 1.580.529,62 R$ 1.526.733,93 PIS – não cumulativo – 6912 R$ 53.795,70 SOMA R$ 1.580.529,62 R$ 1.580.529,62 que à análise dos quadros acima indica forte indício de que o interessado cometeu erros materiais quando do preenchimento da Declaração de Compensação original uma vez que os valores dos débitos continuam os mesmos; que dessa forma, tendo em vista os erros materiais cometidos pelo interessado, a Declaração de Compensação Retificadora deverá ser admitida; que uma vez admitida a Declaração de Compensação Retificadora, há que se verificar a existência do crédito alegado para eventual homologação dos débitos elencados para compensação; que o interessado alega crédito advindo de saldo negativo de IRPJ conexo com o anocalendário de 1988; que como o interessado alega crédito conexo ao saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1998, logo a fruição da prescrição/decadência do direito à restituição/compensação do crédito para o caso em tela com ela a contar a partir de 01/01/1999; que considerandose as normas acima e tendo em vista que a Declaração de Compensação original foi entregue em 19/03/2004, concluise que o direito à restituição do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1998 já estava prescrito antes da data do envio eletrônico da referida DCOMP. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa de sua jurisdição, em 21/05/2008, conforme Termo constante à fl. 61, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (20/06/2008), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 61/68, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a regra da prescrição, a ser aplicada ao caso concreto, não deve ser interpretada da forma como apresentada, pela D. Autoridade Administrativa, que intentou mencionar que os pagamentos apresentados na DCOMP já haviam sido alcançados pela decadência, sob alegação da aplicação do art. 3º, da LC 118/05; que data vênia, o entendimento da D. Autoridade Administrativa não deve prosperar por três motivos essenciais: a) não extinção do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I e 168, I da Lei nº 5172 de 25 de outubro de 1996 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei nº 9.430/96 art.6º / RIR/99 art. 858 §1º inciso II). b) a Lei Complementar nº 118/03 entrou em vigor apenas em 09 de junho de 2005, e por isso somente apresenta força para disciplinar, reger e cumprir com seus objetivos finais a partir dessa data. c) a lei tributária não pode retroagir no tempo, pois tem a necessidade dos atos lícitos e a segurança jurídica sobre os fatos que praticou; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.720436/200841 Acórdão n.º 1402001.497 S1C4T2 Fl. 4 5 que nesse sentido, importante ressaltar que o pleito restituitório foi proposto em 19 de março de 2004, sendo crédito tributário oriundo do exercício de 1999, ano base 1998, podendo ser compensado a partir de abril de 1999, conforme determina o regulamento do imposto de renda, decreto 3000/99 em seu artigo 858; que mesmo comprovado que tenham decorridos os 5 anos relativos a prescrição, importante ressaltar que o pleito restituitório foi proposto em 19 de março de 2004, enquanto a Lei Complementar nº 118/05 foi publicada em 09 de fevereiro de 2005, ou seja, essa legislação é posterior ao direito manifestado pelo contribuinte que se valeu do entendimento manso e pacífico do Superior Tribunal de Justiça de que o prazo decadencial para restituição dos valores pagos indevidamente são de 10 anos e não 5, como pretende demonstrar a D. Autoridade Administrativa; que o inciso I, do art. 168 do CTN não possui termos vagos ou mensagem obscura que esteja a demandar explicação ou interpretação elucidativa. A norma é clara: o direito à restituição se extingue com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário que a extinção, nos termos do art. 150, § 1º, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se dá no momento do pagamento antecipado, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento; que dessa forma, qualquer interpretação que se faça, com base no art. 168, I, do CTN, deve considerar não apenas o prazo para homologação do recolhimento em si, mas também a data em que se inicia o computo de tal período, para que fique claro, que o prazo para que o contribuinte possa requerer a recuperação do que pagou indevidamente, é de 10 (dez) anos, contados da data do efetivo recolhimento do tributo. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 27/05/2010, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente à manifestação de inconformidade, para modificar a decisão hostilizada, reconhecendo o direito creditório de R$ 1.324.407,80, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 116/122): que inicio meu voto pelos argumentos produzidos pela manifestante quanto a supostos efeitos que a aplicação da LC 118/2005 teria produzido na fundamentação do Despacho Decisório que negou homologação à sua compensação. O manifestante afirma que a decisão administrativa (fls. 82) denegatória da homologação da compensação declarada no PER/DCOMP original nº 16611.91932.190304.1.3.025025, de fls. 01/10, pautouse na aplicação do art. 3º da LC 118/2005 (fls. 62, parágrafo 3º); que tratase, no caso, de ato que integra a legislação tributária, de acordo com o art. 100, I do CTN, e de observância obrigatória pelas autoridades administrativas, pelo dever de agir vinculadamente às normas regularmente editadas; que assim, se o prazo tivesse sido contado dos pagamentos das estimativas, coisa que não o foi, pelo exame dos arts. 165, I e 168, I do CTN o direito de restituição/compensação do contribuinte teria exaurido muito antes; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que além do mais, é de se ressaltar que mesmo o STJ entendeu cabível a aplicação do art. 3º da LC nº 118, de 2005, às ações interpostas a partir da sua vigência, ainda que se refiram a pagamentos realizados em data anterior. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:1998 PER/DCOMP. DECADÊNCIA O saldo negativo do IRPJ apurado anualmente, relativo ao ano – calendário de 1998, poderá ser compensado a partir de abril do ano subseqüente ou restituído após a entrega da declaração de rendimentos, cujo prazo, no exercício de 1999, foi em setembro. O prazo decadencial, de 5 (cinco) anos, para reivindicação desses direitos, no Exercício de 1999, anocalendário de 1998, inicia, portanto, nesses meses de abril/99 (para compensação) e setembro/99 (para restituição). PER/DCOMP transmitido em 19/03/2004, postulando a compensação do referido saldo negativo de IRPJ, deve ser admitida. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 04/10/2011, conforme Termo constante à fl. 140, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (01/11/2010), o recurso voluntário de fls. 144/151, instruído pelos documentos de fls.152/153, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expedidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que na tentativa de identificar a origem dos débitos remanescentes exigidos pela DRF, ou seja, supostamente excedentes ao crédito utilizado na compensação, a Recorrente deparouse com a “Informação Fiscal” de fl. 126 dos autos, do seguinte teor: (1) – Conforme documento de fls. 116 a 122, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento d em Curitiba – PR emitiu o Acórdão nº 0626758 – 1ª Turma DRJ/CTA para reconhecer o crédito do interessado no valor de R$ 1.324.407,80, exatamente o valor pleiteado pelo interessado conforme DCOMP anexada às fls. 01 a 20; e (2) – Implementouse no sistema SIEFPROCESSO, o referido Acórdão (reconhecimento do crédito de R$ 1.324.407,80) e o resultado, conforme documento de fl.123, demonstra que o crédito não foi suficiente para proporcionar a homologação integral dos débitos elencados na DCOMP de fls. 11 a 20; que somado os débitos acima, chegase a um montante de R$ 2.567.907,68. Aqui, cabe um primeiro reparo: o débito relativo ao PIS nãocumulativo declarado em PER DCOMP retificadora não era de R$ 55.795,70, mas, sim, de R$ 53.795,70, conforme se verifica a fl. 18 dos autos. Embora não seja esse o apontado como débito remanescente, o fato do valor ser menor disponibiliza mais crédito para os demais débitos. Além disso, justamente esse tributo veio a ser recolhido, com todos os acréscimos legais, durante o andamento do processo (comprovante anexo). Assim, mesmo que o crédito de IRPJ não fosse suficiente para compensar a totalidade dos débitos indicados em PERDCOMP, caberia, em primeiro lugar, desconsiderar a compensação com o PIS não – cumulativo; que com esses ajustes, o débito reduzse a R$ 2.512.11,98, ao qual se contrapõe um crédito corrigido de saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 2.565.907,65, ou Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.720436/200841 Acórdão n.º 1402001.497 S1C4T2 Fl. 5 7 seja, precisamente o crédito originário de R$ 1.324.407,79 ao qual se aplicou a taxa SELIC acumulada entre o período em que foi gerado e a data da compensação (93,74%), conforme fls. 12 a 16 dos autos (correspondentes às páginas 2 a 6 da PER – DCOMP Retificadora); que durante todo o andamento do processo não houve nenhum questionamento quanto à existência e ao montante do crédito utilizado na compensação. Inicialmente, apenas rejeitouse a Retificadora da PER – DCOMP, em razão de supostas modificações nos débitos a serem compensados, entendimento que, conforme já exposto, foi objeto de questionamento judicial (com outorga de liminar e, na sequência, de decisão definitiva de mérito) e acabou sendo reconsiderado pela própria administração. Em seguida, suscitouse a suposta prescrição do crédito, que foi afastada pela decisão da DRJ – Curitiba. Somente após a decisão da DRJ é que a DRF constatou que o crédito, supostamente, não seria suficiente para extinguir a totalidade dos débitos informados na PER DCOMP. É, como já visto, o que consigna a Informação Fiscal de fl. 126 dos autos; que a informação de fl.123 nada mais é senão um resumo de cálculos que teriam sido efetuados, presumese, alhures, os quais não foram disponibilizados, em momento algum, para a Recorrente. Esse extrato, salvo no que diz respeito ao erro já apontado (valor incorreto do PIS nãocumulativo), repete as informações relativas aos débitos compensados em PERDCOMP, mas não traz qualquer esclarecimento quanto ao valor do crédito compensado. Podese apenas supor, por equivalência com os débitos compensados no extrato, que tenha considerado que esse valor era de R$ 2.153.862,26. Mas como se chegou a esse número? Não se esclarece; que ao que tudo indica, a delegacia da receita Federal (não a delegacia da receita Federal de Julgamento) fez uma extemporânea e não fundamentada revisão do crédito a ser compensado. Extemporânea, porque, à míngua de questionamento anterior, já tinha passado o prazo de cinco anos de homologação tácita da compensação, conforme assinalado na própria decisão da DRJ, em sua conclusão; que não fundamentada, porque inexiste nos autos qualquer memória de cálculo indicando por que o crédito atualizado alcançaria R$ 2.153.862,26 e não, conforme indicado na PERDCOMP, R$ 2.565.907,65, valor este suficiente para a compensação de todos os créditos; que diante de tudo isso, a conclusão a que se chega é simplesmente esta: ao invés de débitos remanescentes, houve, sim, uma sobra de créditos, no montante de R$ 53.795,70 (equivalente ao débito de PIS não cumulativo que, mesmo tendo sido compensado em PER – DCOMP Retificadora, veio a ser recolhido pela Recorrente). É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de nenhuma preliminar. Da análise preliminar da matéria, verificase que a recorrente transmitiu, em 19/03/2004, a Declaração de Compensação – PERD/DCOMP nº 16611.91932.190304.1.3.02 5025 (fls. 01/20), cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, no valor histórico de R$ 1.324.407,80, apurado no anocalendário de 1998, correspondente ao exercício de 1999 e atualizado, pela taxa Selic (93,74%), na data da compensação, para R$ 2.565.907,65, com débitos tributários de IPI/PIS/COFINS relativo ao anocalendário de 1998, no valor total de R$ 2.565.907,67 (IPI = R$ 592.261,36; PIS = R$ 1.580.529,62 e COFINS = R$ 393.116,69. Da mesma forma, verificase que a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente à manifestação de inconformidade reconhecendo o direito creditório de R$ 1.324.407,80, com base, em síntese, no argumento de que o saldo negativo do IRPJ apurado anualmente, relativo ao anocalendário de 1998, poderá ser compensado a partir de abril do ano subseqüente ou restituído após a entrega da declaração de rendimentos, cujo prazo, no exercício de 1999, foi em setembro, assim, o prazo decadencial, de 5 (cinco) anos, para reivindicação desses direitos, no Exercício de 1999, anocalendário de 1998, inicia, portanto, nesses meses de abril/99 (para compensação) e setembro/99 (para restituição). PER/DCOMP transmitido em 19/03/2004, postulando a compensação do referido saldo negativo de IRPJ, deve ser admitida. Verificase, ainda, que na informação de fl.123, que é um simples resumo de cálculos, a autoridade executora do acórdão considerou somente a compensação no valor equivalente a R$ 2.153.862,26 ao invés do R$ 2.567.907,67. Inconformado, com a atitude da autoridade executora do acórdão, a requerente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão desta autoridade onde, em síntese, argúi: (a) que a informação de fl.123 nada mais é senão um resumo de cálculos que teriam sido efetuados, presumese, alhures, os quais não foram disponibilizados, em momento algum, para a Recorrente. Esse extrato, salvo no que diz respeito ao erro já apontado (valor incorreto do PIS nãocumulativo), repete as informações relativas aos débitos compensados em PERDCOMP, mas não traz qualquer esclarecimento quanto ao valor do crédito compensado. Podese apenas supor, por equivalência com os débitos compensados no extrato, que tenha considerado que esse valor era de R$ 2.153.862,26. Mas como se chegou a esse número? Não se esclarece; (b) que ao que tudo indica, a Delegacia da Receita Federal (não a Delegacia da Receita Federal de Julgamento) fez uma extemporânea e não fundamentada revisão do crédito a ser compensado. Extemporânea, porque, à míngua de questionamento anterior, já tinha passado o prazo de cinco anos de homologação tácita da compensação, conforme assinalado na própria decisão da DRJ, em sua conclusão; e (c) que não fundamentada, porque inexiste nos autos qualquer memória Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.720436/200841 Acórdão n.º 1402001.497 S1C4T2 Fl. 6 9 de cálculo indicando por que o crédito atualizado alcançaria R$ 2.153.862,26 e não, conforme indicado na PERDCOMP, R$ 2.565.907,65, valor este suficiente para a compensação de todos os créditos. Como visto no relatório a recorrente, nesta fase recursal, insiste na alegação de que desconhece as razões pela qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, autoridade executora do acórdão, não homologou a totalidade das compensações requeridas, já que a Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba julgou procedente a sua Manifestação de Inconformidade. O IRPJ da recorrente, no ano de 1999, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). Em regra, o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados às declarações entregues à Secretaria da Receita Federal, pelo prazo previsto em lei para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I ou 150, § 4º, do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documentos a serem guardados refiramse a situações que repercutem em exercícios futuros, o prazo de cinco anos deve ser contado em relação aos exercícios atingidos por aquelas situações. É o caso, por exemplo, da compensação Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 de prejuízos fiscais ou de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, cujos documentos comprobatórios devem ser mantidos. Assim, caberia à interessada apresentar a documentação comprobatória de que o valor a ser compensado seria na ordem de R$ 2.567.907,67 ao invés de R$ 2.153.862,26. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10830.008487/2009-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo (Súmula CARF nº 69).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo (Súmula CARF nº 69). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 84 87 /2 00 9- 04 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008487/200904 Acórdão n.º 2801003.355 S2TE01 Fl. 52 2 Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 4.183,66, decorrente de atraso na entrega da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF referente ao exercício de 2008. O contribuinte apresentou impugnação por intermédio da qual alegou, em síntese, que não há que se falar em imposto devido, uma vez que o imposto apurado foi recolhido integralmente no decorrer do ano de 2007, devendo prevalecer a multa no valor de R$ 165,74, caso contrário a penalidade se revelaria desproporcional e injusta. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, por meio do acórdão de fls. 34/36 deste processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. A apresentação da declaração de rendimentos fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/09/2011 (fl. 39), o Interessado interpôs, em 10/10/2011, o recurso de fls. 40/42. Na peça recursal, reitera os argumentos expendidos na impugnação e acrescenta que as decisões judiciais, ao contrário do afirmado na decisão de piso, devem influenciar, sim, no julgamento das impugnações e recursos administrativos, pois demonstram o entendimento de nossos Tribunais. Ao fim, requer o cancelamento do crédito tributário a fim de que prevaleça a multa fixa de R$ 165,74. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Versa a presente controvérsia sobre o valor da multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda de pessoa física. Preceitua o art. 88 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008487/200904 Acórdão n.º 2801003.355 S2TE01 Fl. 53 3 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, de sua vez, estabelece: Art.964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); (...) II multa: a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); (...) §5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o §2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27) Depreendese, da leitura dos dispositivos transcritos, que: a) existindo imposto devido: multa de 1% ao mêscalendário ou fração de atraso, incidente sobre o imposto devido, ainda que integralmente pago, observados os valores mínimo de R$ 165,74 e máximo de 20% do imposto devido; e b) inexistindo imposto devido: multa mínima de R$ 165,74. Alega o Recorrente que a multa aplicada deve ser a multa mínima, pois o imposto apurado foi recolhido integralmente no decorrer do ano de 2007. Observo, no entanto, que o saldo do imposto devido é aquele expresso na Declaração de Ajuste Anual antes da compensação do imposto pago no decorrer do anocalendário respectivo, e que irá acarretar em apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008487/200904 Acórdão n.º 2801003.355 S2TE01 Fl. 54 4 A Notificação de Lançamento (fl. 7), assim como a Declaração de Ajuste anual entregue em 08/06/2009 (fls. 20/24), evidenciam que o imposto devido no anocalendário de 2007 foi de R$ 29.883,31. De conseguinte, aplicase a regra prevista na letra “a” acima, da seguinte forma: Imposto devido na declaração: R$ 29.883,31 Quantidade de meses em atraso: 14 Alíquota: 1% ao mês x 14 meses = 14% Multa: R$ 29.883,31 x 14% = R$ 4.183,66 No mesmo sentido, o Acórdão nº 10615.980, da extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que serviu de paradigma para edição da Súmula CARF nº 69, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Registro, por oportuno, que o valor mínimo somente é aplicável nos casos em que o resultado da operação “alíquota (1%) vezes número de meses em atraso multiplicado pela base de cálculo (imposto devido) for inferior a R$ 165,74” ou, ainda, se inexistente, na declaração de ajuste anual, valor de imposto devido. Reafirmo, por fim, a inexistência de vinculação dos julgadores administrativos a decisões administrativas e judiciais sem efeito vinculante. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914748/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 20/03/2001
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 47 48 /2 00 9- 67 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914748/200967 Acórdão n.º 3802001.969 S3TE02 Fl. 150 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. ‘Trata o presente processo da DCOMP de número 04894.05253.121205.1.3.042831, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ R$ 80.282,28, oriundo de recolhimento efetuado em 20/03/2001 nesse mesmo valor, relativo ao1º decêndio de março de 2001. A verificação da legitimidade dos créditos alegados foi efetuada pelo processamento eletrônico, que identificou o pagamento, mas constatou que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório. Em conseqüência, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 19/04/2010, manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2010, por meio do arrazoado de fls. 66/85, alegando, em preliminar, o cerceamento do seu direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório (arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96) “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”. Conclui que tal vício redundaria na nulidade. No mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento (que são a base de cálculo do PIS e da Cofins) segundo seu entendimento, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema. Finaliza tal argumentação nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”. Vem ao final requerer que seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da nãocumulatividade e da base de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO”.’ Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914748/200967 Acórdão n.º 3802001.969 S3TE02 Fl. 151 3 A DRJ/JFA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do Fato Gerador: 20/03/2001 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual apresenta jurisprudência e argumentos contrários a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, asseverando que seriam aplicáveis também na inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914748/200967 Acórdão n.º 3802001.969 S3TE02 Fl. 152 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório também não são combatidos. O único ponto tratado no recurso é a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Incidência do IPI sobre o ICMS No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui sua própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914748/200967 Acórdão n.º 3802001.969 S3TE02 Fl. 153 5 (...)” A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” A Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” No julgamento do RE nº 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante de ICMS deve ser incluído na própria base de cálculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: “3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914748/200967 Acórdão n.º 3802001.969 S3TE02 Fl. 154 6 do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2º, I, e 8º, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de cálculo do IPI. A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a nãoincidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Sobre certeza e liquidez do crédito. Ainda que se entendesse que o ICMS deveria ser excluído da base de cálculo do IPI, no caso não se poderia dar provimento ao recurso. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de IPI. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914748/200967 Acórdão n.º 3802001.969 S3TE02 Fl. 155 7 Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Além disso, até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem eventual erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito, conforme. acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. E a 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento manifestou o mesmo entendimento no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale ao IPI sobre valores de ICMS. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11065.003023/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete de Oliveira Barros - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente Da Turma), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Bernadete de Oliveira Barros - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente Da Turma), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério.
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete de Oliveira Barros Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente Da Turma), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 03 02 3/ 20 09 -8 4 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003023/200984 Resolução nº 2301000.399 S2C3T1 Fl. 12.202 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, incidentes sobre os pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à recorrente. Conforme Relatório Fiscal (fls. 92), o fato gerador da contribuição lançada, é o pagamento de remuneração dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, administradores, autônomos e freteiros, que prestaram serviços à empresa nos estabelecimento matriz e filial, informados na folha mas não declarados em GFIP. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1034.237, da 7a Turma da DRJ/POA (fls 132), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, indeferindo a perícia requerida. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia, argumentando que a perícia/diligência se justifica no caso dos autos, vez que plausíveis as alegações da defesa sobre a existência de erros materiais capazes de conduzir o julgamento à direção diversa daquela que se configura com os elementos dos autos. Reafirma que foram juntados ao Processo 11065.003024/200929, documentos que comprovam suas alegações, e que não foram examinados pela DRJ face a desistência da impugnação pela recorrente no referido processo. Entende que não se pode admitir que a administração tributária exija tributo sobre base de cálculo fictícia, ou sobre parcelas isentas como, por exemplo, o abono pecuniário de férias. Reitera que está sendo exigido tributo da matriz sobre remunerações dos administradores que já foram devidamente informados na GFIP da filial, e as contribuições recolhidas em época própria, e frisa que o DD aponta diferença de RAT na competência 13/2005, sem que haja a indicação de um segurado cuja remuneração tenha deixado de ser declarada em GFIP. Sustenta que parcelas sem natureza remuneratória, como o abono de férias de que tratam os arts 143 e 144, da CLT, estão sendo computadas como remuneração e remunerações declaradas em GFIP não foram integralmente consideradas para fins de apurar eventual diferença não declarada. Insiste em afirmar que não existem diferenças de remuneração de administradores relativamente às competências 01 e 02/2005, e 01 a 10/2008, que foram recolhidas em época própria, conforme documentação anexa, e o Fisco ainda apurou em dobro a remuneração paga aos administradores. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003023/200984 Resolução nº 2301000.399 S2C3T1 Fl. 12.203 3 No mérito, insurgese contra a multa aplicada, alegando possuir caráter confiscatório e natureza abusiva, e contra a aplicação da taxa SELIC, argumentando ilegalidade. Discorda do critério de comparação adotado pela fiscalização para verificação de multa mais benéfica, defendendo a multa de 0,33% ao dia, limitado a 20%, pugnando pela comparação da multa prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores, com a multa prevista no art. 61, caput, e § 2o, da Lei 9.430/96, com prevalência da mais benéfica. Finaliza requerendo a nulidade da decisão de primeira instância e/ou a conversão em diligência para realização de perícia, e declaração da improcedência do lançamento, com o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003023/200984 Resolução nº 2301000.399 S2C3T1 Fl. 12.204 4 VOTO Bernadete de Oliveira Barros – Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Em seu recurso, a recorrente alega incorreção na base de cálculo apurada pelo fiscal e requer, entre outras coisas, que seja realizada diligência para apuração dos fatos alegados. Assevera que está sendo exigido tributo da matriz já recolhido em época própria, incidente sobre remunerações dos administradores que foram devidamente informados na GFIP da filial, e frisa que o DD aponta diferença de RAT na competência 13/2005, sem que haja a indicação de um segurado cuja remuneração tenha deixado de ser declarada em GFIP. Alega, também, que está sendo cobrada contribuição sobre abono de férias. Verificase, ainda, que, em sua impugnação, a recorrente afirmou que a documentação que comprovaria a incorreção dos valores lançados estaria no processo 11065.003024/200929. Em sua decisão, a autoridade julgadora informou que não era possível a análise da documentação juntada ao processo acima referido, uma vez que aqueles autos não se encontravam mais na DRJ, já que a recorrente havia desistido da impugnação, e não acatou o pedido de diligência, argumentando que a autuada deveria ter juntado a documentação comprobatória de suas afirmações aos presentes autos, na impugnação. Diante dessa informação, a autuada juntou, ao seu recurso, vários documentos que, segundo entende, comprovariam suas afirmações, entre eles, recibo de férias e Relação de Trabalhadores constantes do arquivo SEFIP. Em que pese esses documentos não terem sido apresentados em sede de defesa, entendo que as cópias juntadas ao recurso deixam dúvidas quanto à correção dos valores lançados e, consequentemente, quanto à liquidez do débito. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, entendo que o processo deva ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal se pronuncie quanto aos argumentos expendidos em sede recursal, analisando os documentos juntados pela recorrente e se manifestando, de forma conclusiva, quanto à suficiência da documentação apensada para a retificação do débito. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, abrindo prazo para sua manifestação. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003023/200984 Resolução nº 2301000.399 S2C3T1 Fl. 12.205 5 É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10384.001627/2007-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE IRPJ. RECONHECIMENTO DE COMPETÊNCIA DA RFB.
Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhecer o direito à redução de Imposto de Renda mediante processo próprio de requerimento do contribuinte, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. A posse do referido laudo, sem o aval da unidade de jurisdição da contribuinte reconhecendo o direito ao gozo do benefício, é insuficiente para seu usufruto, tornando legítimo o procedimento fiscal da glosa do benefício.
Numero da decisão: 1801-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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REDUÇÃO DE IRPJ. RECONHECIMENTO DE COMPETÊNCIA DA RFB. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhecer o direito à redução de Imposto de Renda mediante processo próprio de requerimento do contribuinte, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. A posse do referido laudo, sem o aval da unidade de jurisdição da contribuinte reconhecendo o direito ao gozo do benefício, é insuficiente para seu usufruto, tornando legítimo o procedimento fiscal da glosa do benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 16 27 /2 00 7- 59 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa em epígrafe recorre do Acórdão nº 3824.111/12 proferido pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/CE, que julgou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração lavrado para a exigência de IRPJ, relativo aos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, no valor de R$ 13.405,07, decorrente de glosa fiscal de valores considerados isentos e reduzidos de IRPJ em razão de benefícios fiscais.. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto atacado para historiar os fatos: “Tratase de fiscalização determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 033010020070000194, fl. 02, referente aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, ao final da qual deuse a constituição de crédito tributário, concernente ao imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ), no valor total de R$ 13.405,07 (treze mil, quatrocentos e cinco reais e sete centavos). Em 01/03/2007, a empresa foi notificada do início dos trabalhos ocasião em que foi intimada a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur, fl. 19. Posteriormente, conforme registrado em Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos, fls. 20/21, ciência em 26/04/2007, foi determinada a apresentação, no prazo de cinco dias, do ato legal da Sudene comprobatório do benefício fiscal relativo ao imposto de renda nos anoscalendário 2003, 2004 e2005. Não tendo sido apresentado o documento requerido, em 04/05/2007 a autoridade lançadora lavrou o auto de infração neste processo tratado, fls. 05/17, com a imputação da prática da seguinte infração: EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE ISENÇÃO UTILIZADA FORA DO PRAZO DE VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO Glosa da isenção do imposto de renda pela utilização de Incentivo Fiscal de Redução Escalonada constante na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente a incentivo fiscal na área de atuação da SUDENE, tendo em vista que o contribuinte não mais possuía o incentivo utilizado, face a sua extinção a partir do período de apuração iniciado em 1° de janeiro de 2001, conforme legislação citada no enquadramento legal e mesmo porque sua exploração de serviços gráficos, não se enquadra dentro das atividades legislação para continuar usufruindo do benefício pois a mesma não é atividade considerada prioritária para o desenvolvimento regional, além do mais cabe destacar que o contribuinte não possui Ato Declaratório da Unidade da Receita Federal que jurisdiciona o estabelecimento, concedendolhe a isenção utilizada na sua DIPJ, conforme manda a legislação. [...] Registrese que no dia 08/05/2007, após a lavratura e o encaminhamento do auto de infração e antes efetivação da ciência do lançamento, chegaram às mãos da autoridade lançadora cópias dos seguintes documentos: · Declaração DAI/ITE n° 56/2000, fl. 22, emitida em 11/04/2002 pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, concessiva da redução escalonada do imposto de renda a ser gozada entre os anoscalendário 1998 e 2013; e · Portaria DAI/ITE n° 177/2000, fls. 23/24, oriunda da mesma Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, datada de 19/10/2000, concessiva da isenção do imposto de renda incidente sobre as receitas oriundas da ampliação da unidade fabril da empresa. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.001627/200759 Acórdão n.º 1801001.857 S1TE01 Fl. 3 3 Tais documentos, enfatizese, não foram apreciados quando da lavratura do auto de infração. Em outras palavras, na autuação objeto do presente processo, o AFRFB não levou em consideração a existência desses documentos. [...] Em 08/06/2007 a pessoa jurídica impugnou o lançamento, fls. 262/274, sob os argumentos a seguir sintetizados. Arrazoou ser meramente declaratório o ato que defere o pedido de isenção, apenas o reconhecendo e o declarando, em razão do que seus efeitos, saldo expressa disposição em contrário, seriam produzidos a partir do momento em que estivesse em vigor a norma isentiva, desde que àquela data estivessem atendidos os requisitos estabelecidos pela norma, ou a partir do atendimento de tais requisitos, caso esta última condição mostrese mais recente. Suscitou que o ato administrativo que defere o pedido de isenção não pode ser revogado, como faz crer o art. 179 do Código Tributário Nacional (CTN), tratando se de impropriedade terminológica legal, a ser afastada pelo intérprete à luz dos elementos interpretativos das modalidades sistêmica e finalística. Quanto à primeira, remeteu o leitor para art. 3° do CTN, segundo o qual a atividade de tributação é plenamente vinculada enquanto a revogação do ato isentivo corresponde a ato discricionário, produto da conveniência da Administração Pública. Em relação à segunda, direcionada à finalidade da norma, corresponderia a simplesmente permitir que a Administração não se mantivesse obrigada a manter uma isenção ilegalmente obtida. Assim, o ato que deferiu o pedido de isenção somente poderia ser desfeito ou cancelado caso a Administração comprovasse que o beneficiário não satisfazia, ou deixou de satisfazer, os requisitos necessários para a obtenção da isenção, o que não teria ocorrido no caso em consideração, em que o lançamento teria sido formalizado sob o fundamento diverso. Conforme apregoado, a autoridade lançadora não teria respeitado o estabelecido pelo Laudo Constitutivo n° 177/2000, documento em que restou consignado que o término do período de isenção somente se daria no anocalendário 2006. O mesmo teria se dado em relação ao DAI/ITE n° 56/2000, ato a amparar o benefício fiscal usufruído pela pessoa jurídica. A mera falta de comunicação à RFB, de que a empresa obtivera a isenção, não poderia culminar na perda do benefício, o que somente poderia se dar se fossem constatadas irregularidades no projeto industrial, ou se as demonstrações financeiras da empresa ostentassem vícios insanáveis. Na sequência, reproduziu diversas ementas de julgados do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para, ao final, pugnar pela improcedência do lançamento. [...]” No Acórdão vergastado restou resumido o histórico da legislação tributária concernente à matéria de benefícios fiscais: “Na redação originária do art. 13 da Lei n° 4.239, de 1963, era assegurada aos empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalassem na área de atuação da extinta Sudene, até o exercício de 1968, a isenção do imposto de renda e adicional pelo prazo de dez anos, a contar da entrada em operação do empreendimento. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Posteriormente, conforme redação determinada pelo Decreto n° 1.564, de 1977, o benefício foi estendido (além das empresas que se instalassem) às pessoas jurídicas com projetos de modernização, ampliação e de diversificação, até o exercício de 1982. O art. 14 dessa mesma norma, por outro lado, determinava que até o exercício de 1973, os empreendimentos industriais e agrícolas em operação na área de atuação da Sudene estariam contemplados com a redução de 50% (cinquenta por cento) do imposto de renda e adicional. Legislação superveniente promoveu sucessivas prorrogações nos prazos iniciais dos benefícios, até que veio a lume a Lei n° 9.532, de 10/02/1997, que promoveu as seguintes alterações: · conforme disposto no art. 3°, extinguiu a obtenção de novas isenções postuladas com fundamento no art. 13 do DecretoLei n° 4.238, de 1963; · no lugar desse benefício, foi instituída a redução do IR e adicional nos percentuais de 75% (de 1° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003), de 50% (de 1° de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008) e de 25% (de 1° de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013) para os projetos de instalação, modernização, ampliação ou diversificação, protocolados a partir de 15/11/1997 e aprovados pelo órgão competente; · quanto aos projetos aprovados ou protocolados até 14/11/1997, restou assegurado o benefício da isenção até o término do prazo concessivo desse direito (art. 3°, § 1°); · no que toca ao benefício de redução de 50% versada pelo art. 14 do DecretoLei n° 4.238, de 1963, tendo em vista a redação do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.532, de 1997, o benefício passou a ser de 37,5% (de 1° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003), de 25% (de 1° de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008) e de 12,5% (de 1° de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013). Em 23/08/2000, deuse a publicação da Medida Provisória n° 2.058, de 2000, contendo os seguintes comandos: · de acordo com seu art. 1°, a redução do IR e adicional tratada pelo art. 3° da Lei n° 9.532, de 1997, a partir do anocalendário 2000 e até 31/12/2013, a redução passou a ser de 75%; · consoante determinado pelo art. 2°, foi extinto o benefício de redução original do art. 14 do DecretoLei n° 4.238, de 1963, exceto para aqueles setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, assim como aqueles com sede na Zona Franca de Manaus. No dia 24/08/2001 foi editada a Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, que estendeu o direito ao benefício às pessoas jurídicas fabricantes de máquinas, equipamentos, instrumentos e dispositivos, baseados em tecnologia digital, voltados para o programa de inclusão digital, dentre outras alterações. Assim, ante essa multiplicidade de dispositivos legais dispondo sobre a matéria e objetivando consolidar toda a legislação em um único ato legal, veio a lume a Instrução Normativa n° 267, de 23/12/2002, disciplinando o tratamento tributário Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.001627/200759 Acórdão n.º 1801001.857 S1TE01 Fl. 4 5 aplicável aos incentivos fiscais em geral (não somente os de isenção e de redução do imposto de renda), decorrentes do imposto de renda das pessoas jurídicas. Passase, então, à análise dos dois atos administrativos apresentados pelo sujeito passivo, concessivos de uma isenção e de uma redução do imposto de renda, perquirindose a aptidão dos mesmos para o gozo dos benefícios fiscais, à luz do determinado pela Instrução Normativa n° 267/2002. Da análise dos dispositivos infra e legais, aquela Turma Julgadora concluiu que a recorrente manteve o direito à isenção consubstanciada no Ato...., mas não logrou sucesso quanto à parcela de redução do IRPJ, pois deveria ter submetido o laudo emitido pelo MIR à RFB, órgão competente para reconhecer o benefício fiscal de redução de IRPJ. [...]” Assim restou fundamentado o votocondutor: “De acordo com a legislação apresentada, a competência para a instituição do benefício fiscal pertence a órgão componente da estrutura regimental do Ministério da Integração Regional, que deverá reconhecêlo através de laudo constitutivo (o que corresponde ao documento apresentado pelo sujeito passivo), ficando a fruição do benefício condicionada à observância, pela beneficiária do favor fiscal, da "legislação trabalhista e social e das normas de proteção e controle do meio ambiente", atentandose ainda para o fato de a verificação do cumprimento das normas trabalhistas, previdenciárias e de proteção ao meio ambiente pertencer ao mesmo órgão que reconheceu a isenção. No que se refere à participação da RFB no procedimento, deve ser observado o art. 58 da Instrução Normativa n° 267/2002, in litteris: [...] Assim, quanto à parcela do lançamento referente à isenção do IR utilizada pelo sujeito passivo nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, cujos valores foram glosados no lançamento fiscal, o documento de fls. 23/24 (não analisado pela autoridade fiscal, quando do lançamento) permite que se conclua pela existência do direito e pela possibilidade de sua utilização (sobre o resultado adicional decorrente da ampliação do estabelecimento industrial), o que nos leva a considerar procedente a impugnação do sujeito passivo, neste particular. [...] Quanto à redução do imposto de renda, a impugnante apresentou a Declaração DAI/ITE n° 56/2000, datada de 11/04/2000, fl. 22, da lavra da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, órgão do Ministério da Integração Regional, a estabelecer que a redução prevista no art. 14 do Decreto n° 4.239, de 1963, e alterações posteriores, passa a ser de 37,5% (a partir de 01/01/1998 até 31/12/2003), de 25,0% (a partir de 01/01/2004 até 31/12/2008) e de 12,5% (a partir de 01/01/2009 até 31/12/2013). Tais percentuais correspondem àqueles listados pelo art. 78 da IN SRF n° 267, de 2002, relativo à redução do IR determinada para empreendimentos industriais ou agrícolas em operação no Nordeste, com origem no art. 14 da Lei n° 4.239, de 1963. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Não atentou a pessoa jurídica, entretanto, para o procedimento necessário ao reconhecimento do direito ao incentivo conforme se mostra determinado, de forma cogente, pelos artigos 59 a 61 da IN SRF n° 267, de 2002, a seguir transcritos: [...] Art. 59. O reconhecimento do direito aos incentivos de redução de que trata este Capítulo será submetido ao disposto nos arts. 60 e 61, obedecidas as demais normas vigentes sobre a matéria. Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. § 1° O titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. [...] Em consonância com os dispositivos apresentados, diferentemente da isenção (que será apenas comunicada à RFB pelo órgão competente do Ministério da Integração Nacional), quando se tratar de redução do imposto de renda, o reconhecimento ao direito encontrase condicionado ao atendimento ao rito procedimental determinado pelos artigos 60 e 61 da IN 267/2002. É o que estabelece, de forma enfática, o art. 59 da IN 267/2002, mostrandose competente para o reconhecimento do benefício fiscal a unidade da RFB em que se encontrar jurisdicionada a pessoa jurídica interessada. Referida autoridade deverá decidir a matéria no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias. O pleno gozo da redução do IR, contudo, encontrase condicionado ao deferimento da autoridade administrativa ou, alternativamente, ao decurso do prazo de cento e vinte dias sem a sua tempestiva manifestação. Nesses termos, a partir da entrada em vigor da IN SRF 267/2002, deveria a impugnante atentar para a necessidade de submeter o reconhecimento do direito à redução do IR aos preceitos estatuídos pelos artigos 60 e 61 dessa norma. [...]” (grifos no original) A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 301 a 320, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que o fato de não submeter a Declaração concessiva do benefício fiscal em reduzir o IRPJ, emitida pelo órgão competente, MIN (Ministério da Integração Nacional), à Secretaria da Receita Federal (atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB) não lhe pode subtrair o direito ao favor fiscal, pois a exigência formal foi veiculada em ato administrativo (IN SRF nº 267/02), editado em momento posterior à concessão do benefício (11/04/2000), quando era dispensado esta condição. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 20/11/2012, efls. 300; Recurso – 19/12/2012, efls.301 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.001627/200759 Acórdão n.º 1801001.857 S1TE01 Fl. 5 7 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O assunto debatido pela recorrente é instigante. A Fazenda Nacional defende que o contribuinte para ser favorecido por benefício fiscal de redução de IRPJ deve pleitear o benefício junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com fulcro nas disposições inseridas na Instrução Normativa SRF nº 267, de 23/12/2002, que consolidou as regras normativas a respeito do favor fiscal. Por outro lado, a recorrente defende que obteve a concessão do benefício de redução de IRPJ junto ao Ministério da Integração Nacional (MIN), em 11/04/2000, consoante Declaração DAÍ/ITE nº 56/2000 que junta aos autos – fls. 20. A recorrente se insurge contra a obrigação legal de se submeter à norma da legislação tributária editada posteriormente à obtenção do benefício, quando não estava coagida por lei a submeter o gozo à redução do IRPJ à RFB. A IN SRF nº 267/02, atacada pela recorrente, dispõe em seus artigos 59, 60 e 61, literalmente: Reconhecimento do direito à redução do imposto Art. 59. O reconhecimento do direito aos incentivos de redução de que trata este Capítulo será submetido ao disposto nos arts. 60 e 61, obedecidas as demais normas vigentes sobre a matéria. Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. § 1 º O titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2 º Expirado o prazo indicado no § 1 º , sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, a partir da data de expiração do prazo. § 3 º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4 º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. § 5 º Na hipótese do § 4 º , a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 § 6 º A cobrança prevista no § 5 º não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2 º . § 7 º O pedido de que trata este artigo deve estar completo em todos os requisitos formais e materiais, sem o quê não será admitido, podendo o requisitante, depois de sanado o vício, peticionar novamente. § 8 º Na hipótese de não admissibilidade do pedido não fluirá o prazo de que trata o § 1 º , enquanto não sanado o vício. Art. 61. Fica aprovado o formulário "Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ", constante do Anexo Único desta Instrução Normativa. (grifos não pertencem ao original) Como é cediço, as normas complementares tributárias não podem extrapolar o disposto nas normas tributárias, mas apenas explicitálas, ou consolidálas, para a melhor aplicação das regras previstas anteriormente em leis, como bem salientado no acórdão recorrido. Diz a Declaração DAI/ITE nº 0056/2000, em que se funda o pleito da recorrente: “Declaramos, para fins do art: 16, da Lei nº 4,239, de 27 de junho de 1963, e nos termos da Resolução n° 6.596, de 27 de fevereiro de 1972, do Conselho Deliberativo da SUDENE que a empresa satisfaz, em relação a atividade acima indicada; as condições mínimas necessárias ao gozo da Redução do Imposto de Renda devido e adicionais.não restituíveis, prevista no art. 14, da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, alterado pelo art. 3°, § 2º, incisos I, II e III, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro 1997; na forma do § 10, art. 8 ° do Decreto n° 64.214, de 18 de março de 1969, observados os seguintes percentuais e prazos de utilização.” (grifos não pertencem ao original) Ao verificarse a legislação invocada no laudo do MIN, deparase com o seguinte texto legal, inserido no artigo 8º, do Decreto nº 64.214 editado em 18 de março de 1969, portanto, em época bem anterior à edição da IN SRF nº 267/00: Art. 8o. A Secretaria Executiva da SUDENE, analisando a documentação a que se refere o artigo anterior e procedendo às investigações que julgar necessárias, emitirá parecer fundamentado para apreciação cio Conselho Deliberativo, propondo, quando for o caso, a expedição da declaração a que alude o artigo 7o, ou o reconhecimento, pelo mesmo Conselho Deliberativo, do direito à isenção prevista no artigo 2o. deste Decreto, nos termos do artigo 37, da Lei no. 5.5o8, de 11 de outubro de 1968. § 1o. As pessoas jurídicas ou firmas individuais, em favor das quais a SUDENE expedir a declaração a que alude o artigo anterior, instruirão, com o referido documento, o processo de reconhecimento, pelo órgão próprio da Secretaria da Receita Federal, do direito ao gozo do benefício previsto nos artigos 1o. e 3o. deste Decreto, devendo o pedido formulado ser Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.001627/200759 Acórdão n.º 1801001.857 S1TE01 Fl. 6 9 encaminhado àquela repartição, através da Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o requerente. 2 § 2o. O órgão próprio da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre cada pedido de reconhecimento do direito à redução prevista nos artigos 1o. e 3o. deste Decreto, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal. § 3o. Expirado o prazo indicado no parágrafo anterior, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, se o favor tiver sido recomendado pela SUDENE através da declaração mencionada no artigo anterior. § 4o. Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá recurso voluntário para o 1o. Conselho de Contribuintes, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento da competente comunicação. § 5o Tornandose irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão contrária ao pedido a que se refere este artigo, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, com base no artigo 14, da Lei no 4.239, de 27 de junho de 1963, modificado pelo artigo 35, da Lei no. 5.508, de 11 de outubro de 1968, tenham sido reduzidas do imposto de renda e adicionais não restituíveis devidos pela pessoa jurídica ou firma individual interessada, procedendo em seguida à sua cobrança, na forma da legislação em vigor. § 6o A cobrança prevista no parágrafo anterior não alcança as parcelas correspondentes às deduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica ou firma individual interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata este Decreto, na forma do § 3o deste artigo. § 7o. Se aprovado pelo Conselho Deliberativo o parecer da Secretaria Executiva que propuser a concessão da isenção prevista no artigo 2o. deste Decreto, a SUDENE expedirá declaração reconhecendo o direito ao benefício requerido, fazendo no prazo de 30 (trinta) dias, a comunicação a que alude o artigo 37, da Lei no. 5.508, de 11 de outubro de 1968. § 8o. Para os casos que envolvem a isenção prevista no artigo 2o. deste Decreto, a Proposta da Secretaria Executiva da SUDENE ao Conselho Deliberativo ficará condicionada ainda: a verificação, pela SUDENE, ouvidas as Federações de Indústrias ou as Federações Rurais da área de sua jurisdição, conforme o caso, da inexistência, na mesma área, da pessoa jurídica ou firma individual, titular de empreendimento semelhante, assim considerado o que, estando localizado no 2 Os artigos 1º e 3º deste Decreto tratam das reduções de IRPJ, enquanto o artigo 2º cuida de casos de isenção de IRPJ. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Nordeste e operando regularmente, se dedique à mesma atividade produtiva da pessoa jurídica ou firma individual titular do empreendimento interessado na isenção; a verificação pela SUDENE, se ocorrer a hipótese, de que o empreendimento semelhante eventualmente existente no Nordeste se encontra no gozo de isenção equivalente à pretendida pela pessoa jurídica ou firma individual titular do empreendimento interessado. § 9o. O direito à isenção previsto no artigo 2o deste Decreto não alcança o imposto de renda e adicionais que já tenham sido pagos à Fazenda Nacional. § 10 A concessão dos benefícios previstos nos artigos 10, 20 e 30, deste Decreto, produzirá efeitos a partir da data da apresentação, pela pessoa jurídica ou firma individual, do requerimento instruído na forma do artigo anterior. (grifos não pertencem ao original) Por conseguinte, a redação da norma vigente desde 1969, no que respeita à concessão de benefício fiscal de isenção e de redução de IRPJ foi meramente repetida na IN SRF nº 267/02, não se tratando de inovação legal, ou de norma ulterior publicada, com efeitos retroativos em prejuízo ao beneficiário, como entende a recorrente. Acertado o acórdão recorrido, que sabiamente diferenciou os efeitos das Declarações expedidas pelo Ministério da Integração Nacional, quanto aos casos de isenção e de redução de IRPJ. Assim como dispôs o referido Decreto de 1969, cujas diretrizes foram repetidas na IN SRF nº 267/02, editada apenas para fins de consolidação da matéria tributária em apreço, ao se tratar de isenção de IRPJ basta que o referido Ministério comunique à Secretaria da Receita Federal a concessão da isenção (§ 7º do Decreto nº 64.214/69), mas ao tratarse de redução de IRPJ, o órgão competente para reconhecer o direito à redução é a RFB §§ 1º e 2º do Decreto nº 64.214/69. Esta formalidade – obter a concessão do benefício de redução junto à unidade da Receita Federal a que está jurisdicionado o contribuinte – é condição sine qua non para o gozo do benefício fiscal de redução de pagamento de IRPJ. Aliás, a exigência desta formalidade está expressa na Declaração DAI/ITE nº 0056/2000 – “...na forma do(...) do art. 8º do Decreto nº 64.214/69.”. A recorrente admite que não procedeu à abertura de processo administrativo visando o reconhecimento da redução de IRPJ junto à repartição do fisco federal, pelo que resta impossibilitada de usufruir o favor fiscal neste concernente. Mantémse, portanto, o lançamento tributário e o decidido em primeira instância de julgamento. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.001627/200759 Acórdão n.º 1801001.857 S1TE01 Fl. 7 11 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10783.903258/2008-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 09/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 32 58 /2 00 8- 19 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903258/200819 Acórdão n.º 9303002.637 CSRFT3 Fl. 243 2 EDITADO EM: 09/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A sociedade empresária acima identificada formalizou diversas declarações de compensação visando utilizar como direito creditório a COFINS recolhida sobre o “desconto de agência”, recolhimento que entendeu indevido. Todas elas são anteriores à edição da Lei 12.232/2010. As compensações não foram homologadas pela DRFB Vitória, o que ensejou a apresentação de manifestações de inconformidade, que foram analisadas e decididas pela DRJ Rio de Janeiro II contrariamente à pretensão da interessada. Tanto a manifestação quanto o julgamento pela DRJ também ocorreram antes da edição da Lei 12.232, de modo que em ambos não há qualquer referência a ela. Em virtude dessa decisão, apresentou ela recurso voluntário em que apenas reitera os mesmos argumentos já expostos em sua cópia da manifestação de inconformidade e devidamente contraditados no acórdão então recorrido. Embora datado de julho de 2010, quando já vigia a Lei 12.232, o recurso voluntário também não faz a ela qualquer referência. A ele, a 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Terceira Seção do CARF negou provimento com os mesmos argumentos já expendidos pela DRJ e que não haviam sido especificamente contraditados pela recorrente, mas acresceu um último tópico enfrentando especificamente a aplicabilidade da Lei 12.232, que sequer constara do recurso voluntário. Ainda insatisfeita, apresenta agora ela recurso especial no qual aponta que a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Terceira Seção entendeu que o tal desconto não deve ser incluído na base de cálculo por aplicação do mesmo dispositivo da Lei 12.232 que havia sido mencionado “de ofício” na decisão recorrida. O recurso limitase a demonstrar a divergência e postular a aplicação do entendimento a que chegou a Quarta Câmara sem sequer se dar ao trabalho de expender algum argumento na direção do postulado de modo a se opor àqueles esposados no acórdão que pretendia contestar. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903258/200819 Acórdão n.º 9303002.637 CSRFT3 Fl. 244 3 Como procurei demonstrar no relatório, o processo apresenta como “peculiaridade” o fato de que a decisão recorrida se manifestou sobre matéria não argüida pelo contribuinte. Entretanto, fêlo não para conceder o que não fora pedido, o que configuraria, a princípio, hipótese de decisão ultrapetita, mas para negálo (?). Em outras palavras, o único efeito de tal inclusão foi propiciar a apresentação do recurso especial que ora analisamos, visto que é exatamente sobre essa parte do acórdão que se instaura a divergência que veio a ser aceita no exame de admissibilidade. Assim, apesar dessa estranheza quanto à inclusão da matéria não deduzida na defesa, concordo que o recurso especial deve ser admitido na medida em que, uma vez incluída ela, resta patente a divergência de entendimentos entre a câmara recorrida e a quarta câmara. Dele conheço, pois. E sem maiores delongas, a ele nego provimento com os argumentos expendidos pelo conselheiro Henrique Pinheiro Torres em julgamento de recursos em tudo semelhantes realizados na última reunião dessa Câmara Superior. Peço vênia, pois, para transcrevêlos na íntegra a seguir, considerandoos bastantes na medida em que o recorrente nada de novo traz em relação ao seu recurso voluntário, a não ser a pretensão de ver aplicada a mencionada Lei 12.232 argumento muito bem enfrentado pelo dr. Henrique, a quem rendo minhas homenagens. Transcrevo: A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art. 19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplica se, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903258/200819 Acórdão n.º 9303002.637 CSRFT3 Fl. 245 4 tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade, comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veiculo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra o a anunciante quanto à da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903258/200819 Acórdão n.º 9303002.637 CSRFT3 Fl. 246 5 Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903258/200819 Acórdão n.º 9303002.637 CSRFT3 Fl. 247 6 a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do desconto padrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. E assim também façoo eu aqui. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000910/2002-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
NORMAS PROCESSUAIS.EMBARGOS. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração para sanar omissão presente no julgado combatido e para corrigir erro presente na ementa da decisão que leve a sua obscuridade. Seu saneamento impõe corrigir a ementa do acórdão original, cujo tópico relativo à industrialização por encomenda passa a ser:
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA
O incentivo denominado crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão prolatado em relação ao recurso especial da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, com retificação da ementa quanto à industrialização por encomenda e inclusão do voto vencedor acerca dessa matéria.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 15/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente); e eu, Cleuza Takafuji, Chefe do Serviço de Seção, a fim de ser realizada a presente sessão ordinária. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para sanar omissão presente no julgado combatido e para corrigir erro presente na ementa da decisão que leve a sua obscuridade. Seu saneamento impõe corrigir a ementa do acórdão original, cujo tópico relativo à industrialização por encomenda passa a ser: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda Embargos acolhidos sem efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão prolatado em relação ao recurso especial da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, com retificação da ementa quanto à industrialização por encomenda e inclusão do voto vencedor acerca dessa matéria. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 09 10 /2 00 2- 24 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 15/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente); e eu, Cleuza Takafuji, Chefe do Serviço de Seção, a fim de ser realizada a presente sessão ordinária. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Fui designado para examinar despacho elaborado pela unidade preparadora que apontava erro material no acórdão 930300.877 prolatado por este colegiado em 27 de abril de 2010. Propus ao sr. Presidente o acolhimento da peça elaborada nos seguintes termos: Senhor Presidente, em cumprimento do despacho de fls. 264, procedi à análise do despacho da DRFB em Novo Hamburgo que aponta a ocorrência de “inexatidão material” na decisão proferida pela 3ª Turma da Câmara Superior do CARF consubstanciada no acórdão nº 930300.877. De fato, a decisão requer corrigenda porquanto o voto original da Relatora, Conselheira Susy Gomes Hoffmann, negava provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dava provimento ao do contribuinte. Na forma como redigido o acórdão, porém, o resultado foi exatamente o oposto, isto é, a Fazenda Nacional foi vencedora e o contribuinte perdeu, ambas as votações “por qualidade”. Destarte, a relatora teria restado vencida quanto às duas matérias, fazendose necessária a indicação de redator para o acórdão quanto a ambas. Embora tenha havido indicação do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, este apenas cuidou em seu voto do recurso do contribuinte, negandolhe provimento e não se ateve à questão da industrialização por encomenda, objeto do apelo fazendário. Mas isso não é tudo. A ementa, embora registre que ao recurso fazendário teria sido dado provimento, considera que aquela parcela integra sim o crédito presumido, ou seja, nega provimento ao recurso fazendário. Desse modo, não se sabe, ao final, se ao recurso fazendário foi mesmo dado provimento e sob quais fundamentos. Se não foi, a anotação do resultado da votação também se mostra inconsistente, pois nenhum conselheiro fazendário teria acompanhado a relatora, impedindo a formação de maioria. Nesses termos, não me parece que se possa legitimamente falar aqui em mero erro ou inexatidão material. O acórdão se mostra, ao contrário, inexeqüível, requerendo reparação por meio de embargos, não manejados, porém, nem pela Procuradoria nem por qualquer membro do colegiado que tenha participado de sua votação. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000910/200224 Acórdão n.º 9303002.446 CSRFT3 Fl. 7 3 Para perfeito saneamento do feito, portanto, só vejo como solução, o acolhimento da peça elaborada pela DRFB como efetivos embargos de declaração devido às flagrantes contradições e submetêlo à apreciação do colegiado que pode, inclusive, anular o contraditório acórdão original. Essas as considerações que submeto à sua apreciação. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O Presidente acolheu essas ponderações e determinou a devolução do processo a mim para que elaborasse voto saneandoo e o incluísse em pauta para votação. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como indicado, a decisão embargada se mostra totalmente contraditória dificultando sobremaneira o deslinde do que foi efetivamente decidido, o que é para mim ainda mais difícil na medida em que da votação não participei. De todo modo, é necessário saneála, e para tanto julgo mais adequado partir do relatório elaborado pela Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que assim descrevera o que estava em discussão: A antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de incluir a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Negouse provimento, pelo voto de qualidade, ao pedido de correção monetária. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 171/176 dos autos, com base em divergência jurisprudencial, relativamente à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores dos serviços de industrialização por encomenda. Suscitou, ainda, violação à legislação tributária, tendo em vista que o artigo 1 ° da lei n° 9.363/96 apenas inclui na base de cálculo do IPI as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não havendo previsão legal no que tange aos serviços de beneficiamento prestados por terceiros. Finalmente, alegou que o contribuinte não comprovou que os produtos foram, de fato, remetidos às empresas terceirizadas nem que o produto beneficiado foi efetivamente industrializado pelo exportador. O contribuinte, por sua vez, também interpôs recurso especial (fls. 193/198), com fundamento em divergência jurisprudencial, tendo em vista decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em que se admitiu a correção monetária com aplicação da taxa Selic na hipótese de ressarcimento. Julgaramse, portanto, na ocasião, dois recursos, e as matérias eram industrialização por encomenda e selic em ressarcimento de IPI. Houvesse prevalecido o voto da dra. Susy, ambas as querelas teriam sido resolvidas a favor do contribuinte, de modo que ele obteria o restante do valor original pretendido – industrialização por encomenda – a esse valor Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 seria adicionada a Selic. Que não foi isso o que se votou, resta claro pela indicação do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. A partir daí, só posso presumir. E para isso observo que os conselheiros vencidos em ambas as votações foram os mesmos: Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann, felizmente os mesmos que integram, ainda hoje, este colegiado, à exceção do dr. Leonardo. Sabedor de que todos eles sempre reconheceram – como fazem ainda hoje – a possibilidade de inclusão na base de cálculo do incentivo dos valores relativos a industrialização por encomenda, bem como de sua “atualização monetária” pela selic, somente posso supor que essa parte do resultado está correta, ou seja, que todos acompanharam mesmo o voto da relatora. Dessa suposição, somada ao fato de que, dentre os demais componentes do colegiado, todos votavam contra as pretensões do contribuinte, certeza que decorre de outros votos proferidos por eles sobre as matérias, concluo que a anotação do resultado feita pelo Presidente de então está correta Nesse caso, o erro ocorreu na juntada do voto vencedor por parte do Conselheiro Gilson: ao invés de elaborálo em relação às duas matérias, o fez apenas com relação à Selic e, ademais, não alterou o teor da ementa relativamente à questão da industrialização por encomenda. Em conclusão, é o meu voto no sentido de que: 1. se retifique a ementa da decisão na forma abaixo, de maneira a afastar do direito a parcela relativa à industrialização por encomenda: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda 2. se inclua no voto vencedor tal matéria, o que faço reproduzindo voto do i. Conselheiro Gilson Trago à colação aquele proferido no julgamento do recurso nº 218.049, relativo ao processo nº 11080.008497/9883, coincidentemente também relatado pela dra. Maria Teresa e em que ele fora igualmente designado redator. São suas palavras: A discordância em relação ao voto da ilustre relatora diz respeito à possibilidade de utilização dos valores referentes aos serviços prestados por terceiros no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o Fl. 284DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000910/200224 Acórdão n.º 9303002.446 CSRFT3 Fl. 8 5 PIS e para a COFINS sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, nego o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para glosar os valores referentes à industrialização por encomenda do cálculo do crédito presumido do IPI. Adotadas tais providências, acredito que seja adequadamente saneado o processo, tornando exeqüível a decisão proferida cujo conteúdo, me parece, fica preservado. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000910/200224 Acórdão n.º 9303002.446 CSRFT3 Fl. 9 7 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907752/2011-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 52 /2 01 1- 89 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907752/201189 Acórdão n.º 3803005.183 S3TE03 Fl. 80 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 27/11/2001 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907752/201189 Acórdão n.º 3803005.183 S3TE03 Fl. 81 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907752/201189 Acórdão n.º 3803005.183 S3TE03 Fl. 82 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907752/201189 Acórdão n.º 3803005.183 S3TE03 Fl. 83 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13896.722504/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 22 50 4/ 20 11 -5 0 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 930 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedentes os autos de infração lavrados em 28/10/2011 e relativo às contribuições sociais previdenciárias, cota patronal, terceiros e omissões em GFIP. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. PRORROGAÇÃO. POSSIBILIDADE. SUJEITO PASSIVO. SOLIDARIEDADE. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES. EXCLUSÃO. COTA PATRONAL. INCIDÊNCIA. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. A prorrogação do MPF poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet. Caracterizada a conduta prevista na legislação com relação a ilícitos tributários, a sujeição passiva solidária recai sobre os sócios administradores. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa excluída do regime simplificado, a partir da data estabelecida no Ato Declaratório de Exclusão. O aproveitamento de créditos nos lançamentos previdenciários aplica se somente nos recolhimentos efetuados por meio de Guia da Previdência Social GPS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O Relatório Fiscal informa ainda o seguinte: O contribuinte acima identificado pertencia ao SIMPLES em 2006 e no primeiro semestre de 2007. Em 01/07/2007, ingressou no SIMPLES Nacional. Foi excluído deste sistema pela Fazenda do Estado de São Paulo em 26/03/2008, pela Portaria CAT 115/07, com efeitos a partir de 01/01/2008, por ter a receita bruta de 2006 excedido o limite estabelecido pela legislação. (...) Em conseqüência do valor da receita bruta relativa ao ano de 2006 ter superado o valor limite para a permanência no SIMPLES, foi feita Fl. 930DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 931 3 Representação para exclusão do contribuinte do sistema a partir de 01/01/2007, nos termos do art. 9º e art. 15, item IV da Lei 9.317/96. Em 13 de setembro de 2011, foram publicados no Diário Oficial da União: o Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SEORT nº40/2011, excluindo o Contribuinte do SIMPLES a partir de 01/01/2007 e o Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SEORT nº41/2011, que excluiu o Contribuinte do SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007. ... Em relação ao ano de 2007, a exclusão do contribuinte do SIMPLES a partir de 01/01/2007, conforme ADE nº 40 e do SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007, conforme ADE nº41, motivaram o lançamento do crédito previdenciário relativo à contribuição patronal para o INSS e aquela destinada as Outras Entidades e Fundos calculada sobre a remuneração devida a empregados entre 01/2007 e 12/2008 , conforme descrevese nos itens 4.1.1.1 e 4.1.1.2 deste Relatório Fiscal. Também fazem parte dos créditos ora lançados as contribuições patronais calculadas sobre o pro labore pago à sócia Juliana Kappaz Sabbag Scanavini no mesmo período. ... 5. DA MULTA QUALIFICADA A ação/omissão dolosa está caracterizada pela falta de comunicação à Receita Federal do Brasil da exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2007, conforme previsto no art. 13º da Lei 9.317/96 e pela entrega da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ/ 2007, referente ao ano de 2006, informando valores de receita bruta inferiores aos realmente obtidos. Tais ações tiveram o evidente intuito de ocultar das autoridades fazendárias a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e demais tributos e contribuições abrangidos pelo regime diferenciado do SIMPLES FEDERAL, visando a redução indevida dos tributos e contribuições, bem como para manterse indevidamente dentro desses regimes favorecidos. ... 6. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Os fatos descritos no item 5 caracterizam a conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1º e art 2º da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas descritas no artigo 71 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros. Restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos sócios administradores, abaixo qualificados, nos termos do 135, item III da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), abaixo transcrito: (...) 7. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO ORIGINADOS NESTA AUDITORIA FISCAL: Fl. 931DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 932 4 Fazem parte integrante do presente processo os seguintes Autos de Infração: ∙ AI DEBCAD 37.334.8215, obrigação principal, contribuição parte patronal; ∙ AI DEBCAD 37.334.8223, obrigação principal contribuição para outras entidades e fundos terceiros; ∙ AI DEBCAD 37.334.8150, obrigação acessória, entrega de GFIP com omissões/incorreções; Contra a decisão, a recorrente reitera as alegações trazidas na impugnação: I AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD n° 37.334.8215 II DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL 11.1. Do não preenchimento dos requisitos formais do Auto de Infração 11.1.1. Da não observância dos requisitos para instauração do Mandado de Procedimento Fiscal Neste item a impugnante alega que só é válido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF que preenche os requisitos formais estabelecidos nas normas, argumentando o seguinte: 18.Ou seja, o procedimento fiscal destinavase inicialmente à verificação de supostas irregularidades a título de contribuições previdenciárias no período de apuração de 07/2007 a 12/2008. Em 07/06/2011, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento de fiscalização intimou a IMPUGNANTE a apresentar documentação relativa ao SIMPLES/IRPJ do período de apuração de 01/2006 a 12/2008 (DOC. ANEXO n° 08). 19. Em razão disso, o Auto de Infração foi lavrado para exigência de valores correspondentes ao recolhimento pelo Sistema SIMPLES, nos anos de 2007 e 2008, relativos aos créditos previdenciários relativos à contribuição patronal para o INSS e aquela destinada as Outras Entidades e Fundos calculadas sobre a remuneração devida a empregados, bem como as contribuições patronais calculadas sobre o pro labore pago à sócia. 20. Todavia, conforme determina o artigo 9o da referida Portaria RFB n° 3.014/2011, para que se proceda às alterações no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em relação a tributos e período de apuração, é necessário o registro eletrônico, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria. 21. Isto é, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, é necessária a emissão de "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ALTERADO EM DD/MM/AAAA". 22. Pois bem. No presente caso, verificase que o AuditorFiscal simplesmente intimou a IMPUGNANTE a apresentar documentos entre o ano de 01/01/2006 e 31/12/2008, sem cientificála da alteração do procedimento fiscal, no que tange aos tributos/contribuições e período de apuração ora fiscalizado. 23. O AuditorFiscal responsável pelo procedimento NÃO emitiu o registro eletrônico, tampouco o "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ALTERADO EM DD/MM/AAAA", conforme determina o artigo 9o da Portaria RFB n° 3.014/2011. Também não houve a Fl. 932DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 933 5 ciência da IMPUGNANTE, nos termos § 4.° do artigo 4o da Portaria RFB n° 3.014/2011. 24. Portanto, o AuditorFiscal não observou as normas para execução de procedimentos fiscais, tornando inválido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em razão de vícios formais e, por conseguinte, o Auto de Infração lavrado em decorrência desta irregular fiscalização. 25. Ressaltese que essa inobservância das normas que regem o procedimento fiscal , por parte do AuditorFiscal responsável, acarreta em prejuízo ao direito ao exercício pleno de defesa, pois o escopo da fiscalização foi alterado sem qualquer ciência da IMPUGNANTE. (...) 11.1.2. Da não observância aos prazos de validade do Mandado de Procedimento Fiscal 26. Não obstante a isto, verificase que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) também não obedeceu aos prazos estipulados nos artigos 11 e 12 da Portaria RFB n° 3.014/2011. 28. Conforme se verifica, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) iniciouse em 18/11/2010 e finalizouse em 31/10/2011, com a elaboração do TERMO DE CONSTATAÇÃO e lavratura do respectivo AUTO DE INFRAÇÃO. Ou seja, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) teve duração de aproximadamente 210 dias. 29. Sendo assim, tendo sido ultrapassados os 120 (cento e vinte) dias, resta claro que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) encontrava se inválido, acarretando, por conseguinte, na nulidade do lançamento fiscal nele embasado. (...) II.2. Da indicação equivocada do Sujeito Passivo Solidário (...) 40. Ou seja, para a responsabilização de um dos representantes legais da empresa, é necessário que o descumprimento da obrigação tributária resulte exclusivamente de seus atos, ou então que resulte de atos que praticou com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não sendo suficiente para ensejar a sujeição passiva solidária, o não pagamento do tributo e/ou a omissão de informações ao Fisco. 41. Asseverese que a responsabilidade pessoal dos terceiros arrolados no artigo 135 do Código Tributário Nacional não se desencadeia pela ausência de recolhimento do tributo devido pelo contribuinte. É que, ao transferir todo o débito do contribuinte para o responsável, referido dispositivo pressupõe a prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, prévia ou simultaneamente, ao nascimento da obrigação tributária. 42. Para que se verifiquem as hipóteses do artigo 135 do Código Tributário Nacional, é necessária uma apuração prévia com um Fl. 933DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 934 6 rigoroso e complexo procedimento para constatação de eventual responsabilidade. 43. Devese, assim, apurar a responsabilidade dos sócios, gerentes ou diretores com base na prática dolosa de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. E dolo, como se sabe, não se presume, mas se comprova. 44. Porém, no caso em tela, o AuditorFiscal não comprovou a prática de qualquer dessas condutas por parte da exsócia administradora, pelo contrário, baseouse, apenas em indícios de que sua conduta serviu para eximir o sujeito passivo do pagamento das contribuições incidentes sobre as suas operações. (...) 48. Dessa maneira, não há que se falar em caracterização de sujeição passiva solidária, já que incabível a responsabilidade da exsócia sem prova cabal da prática de atos irregulares, através da instauração de prévio processo para averiguação de tal responsabilidade, que tenha ensejado a contração do débito exigido. 49. Assim, mister ser julgado NULO o lançamento ora impugnado por indicação incorreta da caracterização da sujeição passiva da obrigação tributária. II. 3. Da aplicação Exorbitante da Multa Qualificada (...) 51. Todavia, é totalmente é injustificada e incabível a aplicação da multa exasperada de 150% (cento e cinqüenta por cento), vez que o AuditorFiscal não se esforçou em produzir um único elemento de prova tendente a caracterizar o evidente intuito de fraude imputado ao IMPUGNANTE, única condição prevista em Lei para autorizar a exacerbação da penalidade, consoante expressamente declarado nos dispositivos legais adotados pelos Fiscais, verbis : (...) 54. Ademais, no caso em tela, não ficou comprovada a autuação ou omissão do Impugnante de forma a configurar sonegação ou fraude a justificar a incidência de multa em percentual tão exorbitante. (...) 56. Ora, ao contrário da autuação, a IMPUGNANTE atendeu a todas as intimações realizadas pelo AuditorFiscal no decorrer do procedimento fiscal, apresentando toda a documentação solicitada que respaldou os trabalhos desta fiscalização. (...) 62. Por fim, tendo em vista a total ausência de comprovação de ação/omissão dolosa, aplicase ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN (...) (...) Fl. 934DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 935 7 64. Sendo assim, considerando que no presente caso a presunção de omissão de receitas respaldouse unicamente na alegada falta de comunicação de exclusão do SIMPLES, não tendo a Atuante produzido qualquer prova de intuito fraudulento por parte da IMPUGNANTE, limitandose a aplicar a multa majorada sem qualquer justificativa para tal exacerbação, mister se reconhecer que é totalmente infundada e ilegal a aplicação da multa qualificada na espécie. (...) 65. Face a todo exposto, a IMPUGNANTE requer seja declarado totalmente NULO o presente Auto de Infração, face os vícios insanáveis que maculam o lançamento ou, ao menos, a redução da multa aplicada, tendo em vista a completa ausência, por parte do Fisco, da comprovação do evidente intuito de fraude. III – DO MÉRITO (...) 67. (...) conforme se verifica das informações constantes do TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL, a IMPUGNANTE somente foi excluída do SIMPLES Nacional pelo Fisco Estadual em 26/03/2008, pela Portaria CAT 115/07, com efeitos a partir de 01/01/2008. 68. Ressaltese que a exclusão do SIMPLES surtirá efeitos a partir do anocalendário subseqüente, nos termos do artigo 15 da Lei n° 9.317/96. Ou seja, a IMPUGNANTE somente foi excluída desse regime em 2008, tendo cumprido com todas as suas obrigações tributárias no ano 2007, ora fiscalizado, ao realizar o pagamento unificado dos impostos e contribuições devidos no regime do SIMPLES Nacional. (...) 70. Ademais, verificase que os valores relativos ao SIMPLES Nacional não foram considerados para efeito de abatimento de valores cobrados no presente Auto de Infração, o que caracteriza enriquecimento ilícito por parte do Fisco Federal. 71. Isto porque, no TERMO DE CONSTATAÇÃO, a Auditora Fiscal utilizase do §4° do artigo 3º da Resolução CGSN n° 39/2008, que assim dispõe(...) (...) 73.Ora, não se trata do instituto da compensação, mas tão somente de abatimento dos valores já recolhidos no calculo da exigência promovida em face da IMPUGNANTE. 74.Portanto, não merece prosperar a cobrança exigida, tendo em vista que a IMPUGNANTE no ano de 2007 recolheu os valores devidos dentro da sistemática do SIMPLES, cumprindo, assim, com todas as suas obrigações tributárias. IV – Do Pedido 75. Por todo o acima exposto, a IMPUGNANTE requer o recebimento da presente impugnação administrativa, para que: Fl. 935DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 936 8 (i)preliminarmente, seja julgada completamente procedente a presente IMPUGNAÇÃO, reconhecendose a nulidade do Auto de Infração em questão, em razão dos vícios formais amplamente demonstrados, que maculam o lançamento fiscal; (ii)caso não seja entendido pela nulidade do lançamento em questão, requer, ao menos, seja afastada a equivocada indicação da sujeição passiva solidária; (iii)no mérito, seja julgado improcedente o lançamento fiscal, ordenandose o seu arquivamento, e o conseqüente cancelamento do respectivo crédito tributário. 76. Por fim, caso seja mantido o Auto de Infração, requer seja REDUZIDO o percentual de multa aplicado, pela total ausência de comprovação de sonegação ou fraude que justifiquem a aplicação da multa qualificada. II AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD n° 37.334.8223 A impugnação apresentada relativamente a este Auto de Infração reproduziu ipsis litteris a do Auto de Infração DEBCAD 37.334.8215, motivo pelo qual não se torna necessária a sua reprodução. III AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD n° 37.334.8150 Quanto a este Auto de Infração, os argumentos aqui expostos também repetem as mesmas razões do Auto de Infração DEBCAD 37.334.8215 até o seu item II.2, sendo que o item “II.3. Da Aplicação Exorbitante da Multa Qualificada” não foi nele apresentado, e que a exposição apenas adaptouos à situação da presente autuação por tratarse de obrigação acessória. É o Relatório. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 937 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Noticiase no relatório fiscal e na decisão recorrida que as autuações decorrem de dois processos de exclusão do SIMPLES: Em 13 de setembro de 2011, foram publicados no Diário Oficial da União: o Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SEORT nº 40/2011, excluindo o Contribuinte do SIMPLES a partir de 01/01/2007 e o Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SEORT nº41/2011, que excluiu o Contribuinte do SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007. Em consulta ao eprocesso, constatase da existência dos processos de nº 13896.722006/201115 e 13896.722627/201191 que, de fato, têm como objeto a discussão sobre as razões para a exclusão do SIMPLES. É entendimento desta segunda turma, com fundamento no Regimento Interno deste CARF, que as questões relativas ao enquadramento e a exclusão sejam discutidas apenas nos processos decorrentes dos atos declaratórios executivos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL: Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ... Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: .... IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Fl. 937DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.722504/201150 Resolução nº 2402000.403 S2C4T2 Fl. 938 10 ... E também considerando que a decisão recorrida entendeu que somente são aproveitáveis para dedução as contribuições recolhidas através de Guia da Previdência Social GPS, entendo que antes da apreciação das questões preliminares e de mérito seja o julgamento convertido em diligência para que: a) sejam trazidas informações sobre a tramitação dos processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL; b) uma vez ainda não havendo decisão definitiva, que este processo de obrigações principais e acessórias seja sobrestado na origem até a tramitação dos processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL; e c) seja confirmado recolhimento no período pela sistemática do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 938DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.001447/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Rodrigo Maito da Silveira, OAB/SP nº 174.377.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Preliminar rejeitada Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 47 /2 00 3- 85 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Rodrigo Maito da Silveira, OAB/SP nº 174.377. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado). Fl. 852DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001447/200385 Acórdão n.º 2202002.534 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, MÁRIO MANELA, foi lavrado o auto de infração para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 1998, anocalendário 1997, no valor R$ 258.541,81, calculados de acordo com a legislação pertinente. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano de 1997. A Fiscalização foi motivada por pedido da 2ª. Vara Criminal Federal, da Seção Judiciária de São Paulo que solicitou a realização de um investigação fiscal completa no recorrente por fls. 03, encaminhando extratos bancários para análise e determinando a quebra do sigilo bancário fls. 206 a 207. No termo de verificação fiscal de fls. 236 a 239, relatamse detalhes adicionais que justificaram o lançamento. Esclareceu o contribuinte, as fls. 67/68, que o valor de R$ 259.764,51 configurado como rendimento isento em sua Declaração do Imposto de Renda, referese a correção monetária sobre o custo de aquisição de bens imóveis, especificando item a item, em exato demonstrativo de fls.82, direito facultado aos contribuintes no Manual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas no exercício de 1998, reproduzido pelo mesmo as fls. 83 a 84. Referiuse, ainda, o contribuinte a respeito do valor de R$373.285,02 declarado como isento, na qualidade de lucros e dividendos recebidos da empresa Tracthor Participações Ltda., CNPJ 29.466.984/000182 e calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas, como o que faculta o artigo 39, inciso XXIX do RIR/99. Ocorre que, a citada empresa, em sua Declarações do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, tanto do exercido de 1997, anobase de 1996 como na do de 1998, anocalendário de 1997, não declarou ter pago lucros ou dividendos ao seu dirigente Mario Maneia, como pode ser observado em tela do Sistema de Consulta as Declarações do IRPJ, das fls. 176 a 178, embora o fiscalizado tenha apresentado, as fls.85, Comprovante de Rendimentos Pagos fornecido pela citada empresa, da qual participa com 99,9% das quotas. Cientificado da exigência tributária em 15/04/2003, por via postal, conforme Aviso de Recebimento AR de fls. 248, o sujeito passivo apresenta impugnação à exigência tributária, onde o contribuinte, com base no §4°, do art. 150, do CTN, argüiu decadência e, no mérito, alegou a impossibilidade de efetuarse o lançamento baseado unicamente em depósitos bancários, pois não caracterizariam disponibilidade econômica de renda, nem de proventos, não se constituindo, por essa razão, fato gerador do imposto de renda. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em 6 de junho de 2007, os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para os tributos sujeitos a lançamento por homologação é o momento da homologação. Em não se aplicando esse entendimento, o prazo de decadência terá seu início a partir do instante em que a Administração já possa proceder ao lançamento do tributo. No caso de imposto de renda da pessoa física, essa providência só pode ser adotada depois de expirado o prazo regular para a entrega da declaração. DEPÓSITO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO PARA LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OS valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidas em instituição financeira, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, geram presunção "juris tantum" de omissão de rendimentos. Lançamento Procedente Cientificado em 22/11/07 do supracitado Acórdão, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 13/12/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 325/346, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. E aditando especialmente os seguintes pontos: i) Decadência; ii) Inocorrência da omissão de rendimentos, tendo em vista que os rendimentos declarados, especificamente aquele originados da distribuição de lucros no valor de R$ 373.285,02, originados da Tracthor Participação Ltda, seriam suficiente para justificar os depósitos bancários. iii) Ilegalidade da Taxa Selic. Esta turma em 03/02/2010, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência, suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. A Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial contra o acórdão que decidiu dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. A Procuradoria alega, em síntese, que não houve antecipação de pagamento, devendo, portanto ser aplicada a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Em razão de não haver nos autos informação de valores recolhidos pelo recorrente, a CSRF votou por dar provimento a recurso, determinando o retorno dos processo a esta Câmara para análise dos demais argumentos do Recorrente. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001447/200385 Acórdão n.º 2202002.534 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Superada a questão preliminar da decadência pela decisão da CSRF, resta apreciar as questões de mérito. O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores Fl. 855DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ao apreciar os argumentos do recorrete assim se pronunciou a autoridade recorrida. No caso dos autos, o impugnante declarou ter recebido R$.24.000,00 de rendimentos tributáveis e R$ 633.049,53 de rendimentos não tributáveis (fl. 50), dos quais R$ 259.764,51 se referem à correção do preço de custo dos bens e direitos, e R$.373.285,02 a distribuição de dividendos (fl 51). Teve, no mesmo período, movimentação financeira superior a R$300.000,00 (fl. 4). Aparentemente a movimentação bancária não discrepa dos rendimentos declarados. Porém, o valor informado como atualização monetária de bens e direitos não tem efeito financeiro que possa justificar qualquer depósito bancário. Diante disso, o ponto central de todo o procedimento de fiscalização passa a ser a verificação da veracidade da distribuição de dividendos. O impugnante alegou que os depósitos relacionados pela fiscalização (fls. 179 a 181) se referem à distribuição de dividendos pela Tracthor Engenharia e Participações Ltda, de cujo capital o contribuinte participaria com a maior parcela. Para proválo, trouxe aos autos cópia de folhas do Livro Diário (fls. 193 a 204). Afirmou ainda que os lançamentos do Livro Diário não coincidem exatamente com os depósitos bancários porque, entre a data do lançamento contábil, normalmente o último dia da cada mês, e a data do efetivo pagamento dos dividendos, interpôsse um lapso de tempo, que é normal nessas situações. Cabe valorar a prova documental trazida aos autos, no caso, as cópias das folhas do Livro Diário. É relativo o valor que se deve atribuir ao referido documento, uma vez que é produzido pelo próprio contribuinte, de forma unilateral. O valor probante dos registros lançados no Diário depende, portanto, da convergência com outros elementos de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001447/200385 Acórdão n.º 2202002.534 S2C2T2 Fl. 5 7 prova, todos apontando no sentido da existência do fato probando. O contribuinte afirma ter havido em 1997 a distribuição de dividendos pela empresa Tractor Engenharia e Participações Ltda. Ocorre que, na declaração de pessoa jurídica transmitida em 1998 à Secretaria da Receita Federal, a empresa não informou na Ficha 03 (fl. 293) receita para o ano de 1997; não informou na Ficha 18 (fl. 295) a existência de disponibilidade em caixa ou bancos; nem informou na Ficha 21 (fl. 296) participação nos rendimentos para o sócio Mário Maneia, ora impugnante e que detinha quase a totalidade do capital da empresa. A discrepância gritante entre os dados informados na declaração enviada à Receita Federal e os registros lançados no Livro Diário retira deste a força probante e desmerece a prova, sobretudo considerandose que os documentos conflitantes são de autoria da mesma pessoa. Assim sendo, não conseguindo o impugnante justificar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, subsiste a presunção de rendimentos omitidos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430. Uma vez que não há reparo a realizar no arrazoado da DRJ, utilizo o mesmo como razão de votar. Um dos objetivos fundamentais dos relatórios contábeis é servir como meio de prova jurídica em assuntos relacionados com a informação financeira. Assim, o Direito necessita do testemunho da Contabilidade, e para isso recorre à linguagem contábil das provas. Essa linguagem contábil descritiva deve ser juridicizada e validada como meio hábil para relatar eventos que tenham componente financeiro. Como instrumento de prova, a linguagem contábil prestase para: i) demonstração: a Contabilidade pode servir para demonstrar a existência de determinados fenômenos financeiros, dimensionandoos no aspecto quantitativo. ii) comprovação: os procedimentos contábeis, quando regularmente aplicados, servem para atestar acontecimentos de natureza financeira; os registros contábeis são testemunho de todas as operações financeiras. iii) convicção: a linguagem contábil é mais um instrumento de convencimento, auxiliando o sujeito na complexa atividade de qualificação de acontecimentos financeiros. No Direito Tributário, a linguagem contábil das provas exerce relevante função no relato dos eventos tributários. Tendo a obrigação tributária principal uma nítida característica de patrimonialidade, a linguagem contábil é oportuna para a caracterização do fato jurídico tributário. A documentação contábil será hábil quando revestida das formalidades intrínsecas e extrínsecas essenciais, definidas pela legislação ou pela técnica contábil, ou aceitas pelos usos e costumes. O valor probante da documentação contábil está diretamente relacionado com a sua autenticidade. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Os documentos privados, nos quais se inclui a maioria da documentação contábil, inclusive livros contábeis, não têm a mesma eficácia probante de um documento público. Logo, se sua autenticidade se contestada, há necessidade de produção de prova. Urge registrar, que a escrituração contábil, ainda que observadas as formalidades legais, por si só não faz prova a favor do contribuinte. É princípio probatório cediço que ninguém pode constituir título em seu próprio benefício – nemo sibi titulum constituit. É compreensível a suspeita contra aquele que, particularmente, faz a sua escrituração contábil, pois ele poderá realizála de modo a favorecer aos seus interesses, ainda que contra a realidade dos fatos. Isto posto, entendo que não é suficiente estar contabilizada a distribuição de lucros, fundamental e que esteja devidamente demonstrada a mesma, com a efetiva transferência de numerário, para que se demonstra que os depósitos bancários procedem efetivamente daqueles lucros relatados. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Fl. 858DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001447/200385 Acórdão n.º 2202002.534 S2C2T2 Fl. 6 9 Da Taxa Selic No que toca a utilização da taxa selic sigo o entendimento expresso pelo Súmula A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula (CARFnº 4) Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 859DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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