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Numero do processo: 13832.000125/99-39
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:20/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1989 a 31/10/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 01 25 /9 9- 39 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13832.000125/9939 Acórdão n.º 9900000.567 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 02.862, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 28/01/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial do Procurador Negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810), no ponto em que alegou que somente após a resolução do Senado Federal suspensiva dos efeitos da norma declarada inconstitucional em controle difuso é que se forma o indébito e, portanto, iniciase o prazo decadencial para sua repetição. Observa que o art. 168 fixa, sem qualquer ressalva, a data do pagamento indevido como sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, ainda que haja declaração de inconstitucionalidade. Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que o voto condutor do aresto declinado como paradigma entende que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. No mérito, afirma que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Diz que decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.345, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Requer a rejeição do recurso da Fazenda ante a falta de interesse de agir e carência da ação. Afirma que a tese dos cinco mais cinco já foi pacificada pelo STJ. Observa que, no que diz respeito aos pagamentos anteriores ao advento da LC 118/05, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Ao final, requer que o recurso extraordinário em análise não seja conhecido. Eis o breve relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13832.000125/9939 Acórdão n.º 9900000.567 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13832.000125/9939 Acórdão n.º 9900000.567 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (30/08/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 30/08/1989. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10880.005005/00-14
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 50 05 /0 0- 14 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório A Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 106 a 129, visando a uniformização de decisões, em face dos Acórdãos 0305.783 e 0202.088, da Terceira e Segunda Turmas, respectivamente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido 0305.783 apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FINSOCIAL. RE CONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precedentes: AC. CSRF/0304.227, 30131.406, 30131404 e 30131.321. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Para configurar a divergência, a recorrente apresentou como paradigma o Acórdão 0202.088, cuja ementa é reproduzida abaixo: ACÓRDÃO PARADIGMA "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10880.005005/0014 Acórdão n.º 9900000.463 CSRFPL Fl. 157 3 que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data." (CSRF; Segunda Turma; Recurso n° 201121066, Rel. Cons.Henrique Pinheiro Torres, Ac. 0202.088, Sessão de 17.10.2005) O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 133 a 135. Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, o reconhecimento da decadência do direito à restituição/compensação do FINSOCIAL, uma vez que o contribuinte formalizou o seu pedido quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte ofereceu, tempestivamente, as contrarazões de fls.140 a 148 , onde basicamente reitera os argumentos contidos nas peças de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787 e 7.894, ambas de 1989, e 8.147, de 1990. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10880.005005/0014 Acórdão n.º 9900000.463 CSRFPL Fl. 158 5 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 29/03/2000, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 29/03/1990 são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores do FINSOCIAL que ocorreram após 29/03/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15586.001978/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisito de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisito de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 78 /2 01 0- 11 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 21/12/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 23/12/2010, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apuradas através das folhas de pagamento, informações prestadas em GFIP e lançamentos contábeis efetuados pela autuada, no período de 01/2006 a 12/2007. O relatório fiscal de fls. 100/103, diz que a autuada consideravase isenta da contribuição previdenciária patronal, informando tal situação em GFIP, mas que apesar de possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, não possuía o ato declaratório de isenção emitido pelo INSS, ou SRP Secretaria da Receita Previdenciária ou SRFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil, tampouco havia formulado o pedido para tanto. Aduz o relatório, que a entidade nunca possuiu a isenção patronal das contribuições previdenciárias. Após a impugnação, Acórdão de fls. 208/220, julgou o lançamento procedente. O contribuinte foi comunicado do Acórdão, através de registro postal em 02/09/2011. como não se manifestou, lhe foi enviada Carta Cobrança n.º 689/2011, também através de registro postal recebido em 17/10/2011, após o que apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que apesar de ter solicitado, não houve a intimação dos advogados e que não há lei que proíba o procedimento; b) a inconstitucionalidade do artigo 55, parágrafo 1º, da Lei n.º 8.212/91; c) que está adequada aos preceitos do artigo 55, da Lei n.º 8.212/91, que a exigência do requerimento de isenção fere a Constituição; d) que é imune às contribuições para os terceiros; e) que deve ser aplicada retroativamente a Lei n.º 12.101/2009, juntamente com o artigo 3º, parágrafo 5º, da Lei n.º 11.457/2007, por ser mais benéfica ao contribuinte; f) que a multa aplicada é descabida, pois estava adequada aos princípios do artigo 55, da Lei n.º 8.212/91. Requer o reconhecimento da imunidade da Fundação Manoel dos Passos Barros com relação às contribuições sociais e a anulação do auto de infração e dos créditos tributários dele decorrentes. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.001978/201011 Acórdão n.º 2302002.061 S2C3T2 Fl. 257 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls.208/220, em 02/09/2011, fls.222, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 05/09/2011, fruindo até 04/10/2011. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 07/11/2011, conforme documento de fl. 225, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15374.001727/2003-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO. DCTF. AÇÃO JUDICIAL. CNPJ. DISCREPÂNCIA. RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. POSSIBILIDADE.
A compensação com crédito tributário reconhecido em ação judicial para CNPJ distinto do informado na DCTF era, no período fiscalizado, procedimento admitido pelos Atos Normativos editados pela Secretaria da Receita Federal, que previam a possibilidade de centralização em estabelecimento eleito para esse fim dos recolhimentos realizados pela pessoa jurídica.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Adriana Oliveira e Ribeiro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Adriana Oliveira e Ribeiro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
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DCTF. AÇÃO JUDICIAL. CNPJ. DISCREPÂNCIA. RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. POSSIBILIDADE. A compensação com crédito tributário reconhecido em ação judicial para CNPJ distinto do informado na DCTF era, no período fiscalizado, procedimento admitido pelos Atos Normativos editados pela Secretaria da Receita Federal, que previam a possibilidade de centralização em estabelecimento eleito para esse fim dos recolhimentos realizados pela pessoa jurídica. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Adriana Oliveira e Ribeiro. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 17 27 /2 00 3- 94 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração (eletrônico) de fls. 19/29 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins no período de 01/04/1998 a 31/12/1998, exigindoselhe contribuição de R$83.002.489,03, multa de ofício de R$74.187.322,51 e juros de mora de R$62.251.866,77, perfazendo o total de R$219.441.678,31. O enquadramento legal encontrase a fls. 22. Cientificada em 26/08/2003 (fl. 99), a interessada apresentou, em 24/09/2003, a impugnação de fls. 02/06, na qual alegou: compensou valores pagos a maior a título de Finsocial com a Cofins devida desde maio de 1998; a compensação efetuada fundamentouse em decisão judicial transitada em julgada; em procedimento anterior a este em exame, a fiscalização questionou a aplicação da taxa selic sobre o valor a compensar, tendo lavrado auto de infração (Processo nº 15374.000896/0039), que fora posteriormente julgado improcedente nas instâncias administrativas; no presente auto de infração a compensação é glosada sob o fundamento de discrepância entre o CNPJ constante da ação judicial e aquele presente na DCTF; não obstante ter figurado o CNPJ da matriz no processo judicial, a impugnante centralizava a apuração e recolhimento em outro estabelecimento, na forma permitida pela A IN 128/92. A impugnante requer a anulação do lançamento, objeto do auto de infração, bem como de declaração de improcedência de sua lavratura. Protesta por produção de novas provas e, em especial, de diligência para comprovar suas assertivas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 Contribuinte. Ação Judicial. Efeitos. A utilização de crédito mediante compensação por estabelecimento centralizador não é vedada em razão de a ação judicial, que reconheceu o direito de crédito, ter sido promovida por unidade da empresa (filial ou matriz) centralizada. Da decisão de primeira instância restou exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, decisão da qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.001727/200394 Acórdão n.º 3102001.643 S3C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Não há reparo a fazer na decisão de piso. Não se trata de questão subjetiva, o assunto foi criteriosamente analisado e a decisão tomada à luz da legislação vigente. A centralização do recolhimento no CNPJ informado na DCTF foi, inclusive, checada em consulta aos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal. É o que afirma o i. Relator do Voto recorrido. Nada há nos autos que infirme a centralização na forma do termo de declaração à fl. 91. Nem o auto de infração eletrônico traz qualquer elemento que contrarie aquele ato, nem mesmo o órgão preparador juntou qualquer documento nesse sentido. Além disso tudo, consulta aos sistemas informatizados confirma a atuação da contribuinte em conformidade com aquela declaração de opção. Por se tratar de Auto de Infração eletrônico, foi apenas levado em consideração o fato de o CNPJ identificado na ação judicial não ser o mesmo informado na DCTF. Isso, contudo, estava de pleno acordo com os Atos Normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal. Vejamse as explicações contidas no Voto condutor da decisão recorrida. A ação judicial (ação ordinária nº 94.00429142) que redundou no reconhecimento do direito da contribuinte, ora impugnante, fora impetrada pela Souza Cruz S/A, com o CNPJ da matriz nº 33.009.911/000139, mas a compensação em DCTF, ora em exame, fora apresentada pela Souza Cruz S/A com o CNPJ da filial nº 33.009.911/000562. Tudo isto é incontroverso conforme acusado pela Administração e admitido pela impugnante. Ocorre que a Instrução Normativa da Receita Federal nº 128, de 02/12/1992, autorizava a centralização dos recolhimentos dos tributos federais (exceto IPI) desde que atendesse a requisitos e assumisse obrigações na forma do seu artigo 2º, abaixo reproduzido: Art. 2º As pessoas jurídicas possuidoras de mais de um estabelecimento poderão efetuar o recolhimento de tributos e contribuições de forma centralizada, desde que: I a opção pela centralização alcance, obrigatoriamente, todos os estabelecimentos da empresa; II haja um único estabelecimento centralizador na empresa, independentemente do número de tributos ou contribuições centralizados nos termos desta Instrução Normativa; III os recolhimentos relativos a tributos e/ou contribuições centralizados sejam efetuados, obrigatoriamente, pelo estabelecimento: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 a) sede da empresa, ou b) que centralizar as operações da empresa, ou c) em que se verificar maior concentração da atividade preponderante da empresa. IV o estabelecimento centralizador registre todos os fatos geradores dos tributos e contribuições que tiveram seus recolhimentos centralizados. V o estabelecimento centralizador mantenha em arquivo toda a documentação comprobatória correspondente aos fatos geradores dos tributos ou contribuições centralizados. VI o estabelecimento centralizador cumpra todas as obrigações acessórias relativas aos tributos e contribuições centralizados. VII o estabelecimento centralizador utilize unicamente o seu número de inscrição no CGC no preenchimento de DARF de recolhimento de receitas federais e nos documentos referentes ao cumprimento de obrigações acessórias. A contribuinte, então, apresentara a Declaração de Recolhimento Centralizado, conforme se verifica à fl. 91, determinada pelo artigo 3º da referida Instrução normativa: Art. 3º Fica instituída a Declaração de Recolhimento Centralizado a ser utilizada nas solicitações de recolhimentos de receitas federais de forma centralizada ou nos pedidos de alteração desta forma de recolhimento. Parágrafo único. A Declaração de Recolhimento Centralizado deverá ser datilografada ou impressa através de processamento eletrônico de dados e deverá conter, na mesma ordem do modelo anexo, todos os elementos ali discriminados O estabelecimento centralizador informado pelo contribuinte na Declaração de Recolhimento Centralizado também confirma a regularidade dos atos praticados pelo sujeito passivo. Verificase na cópia da “Declaração de Recolhimento Centralizado”, à fl. 91, que a contribuinte declarou como estabelecimento centralizador justamente aquele de CNPJ nº 33009911/000562, e incluindo entre os tributos centralizados a Cofins, código 2172. VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.001727/200394 Acórdão n.º 3102001.643 S3C1T2 Fl. 4 5 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 18471.002756/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
LUCRO ARBITRADO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO. Os vícios formais e materiais, que tornam a escrita contábil e fiscal imprestável para a apuração do Lucro Real, autorizam o arbitramento do lucro.
MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Evidenciado que o contribuinte buscou dificultar os trabalhos fiscais, atrasando sistematicamente, ou não atendendo, as intimações para apresentar documentos/esclarecimentos, correto o agravamento da multa em 50%.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que votou por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Declarou-se impedido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO. Os vícios formais e materiais, que tornam a escrita contábil e fiscal imprestável para a apuração do Lucro Real, autorizam o arbitramento do lucro. MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Evidenciado que o contribuinte buscou dificultar os trabalhos fiscais, atrasando sistematicamente, ou não atendendo, as intimações para apresentar documentos/esclarecimentos, correto o agravamento da multa em 50%. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que votou por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Declarouse impedido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 27 56 /2 00 8- 78 Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SBIL SEGURANCA BANCARIA E INDUSTRIAL LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase do Auto de Infração (fls.419/438), lavrado em 27/03/2009, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 07.1.90.00 2008003719, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, tendo como reflexo o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2004, cujo crédito tributário monta em R$2.083.261,92. 2 Os fundamentos que serviram de base aos lançamentos do IRPJ e da CSLL estão assim descritos no Auto de Infração: 2.1 Descrição dos fatos e enquadramento legal – IRPJ (Cód. 2917) Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributária pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas a(s) infração(ões) abaixo descritas(s) aos dispositivos legais mencionados. Razão do Arbitramento nos períodos: 03/2004 06/2004 09/2004 12/2004 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas: Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. 001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Omissão de receitas de prestação de serviços gerais conforme subitens 2.2 e 2.3.3 do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, de 24/03/2009, que constitui parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (em Reais) Multa 31/03/2004 10.014,30 75,00 30/09/2004 3.534,00 75,00 Enquadramento Legal: arts. 532 e 537 do RIR/99 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 3 002 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Omissão de receitas de prestação de serviços gerais conforme subitens 2.2 e 2.3.3 do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, de 24/03/2009, que constitui parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (em Reais) Multa 31/03/2004 519.155,14 112,5 31/03/2004 497.992,87 112,5 31/03/2004 540.864,39 112,5 30/06/2004 561.856,40 112,5 30/06/2004 808.221,61 112,5 30/06/2004 593.841,68 112,5 30/09/2004 627.658,21 112,5 30/09/2004 734.600,69 112,5 30/09/2004 522.969,29 112,5 31/12/2004 621.159,04 112,5 31/12/2004 559.668,79 112,5 31/12/2004 586.263,64 112,5 Enquadramento Legal: art. 532 do RIR/99 003 – LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO Omissão de receitas de prestação de serviços gerais conforme subitens 2.2 e 2.3.3 do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, de 24/03/2009, que constitui parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (em Reais) Multa 31/03/2004 39.734,63 75,00 Enquadramento Legal: art. 536, § 4º do RIR/99. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 4 2.2 Descrição dos fatos e enquadramento legal – CSLL (Cód. 2973) 001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Omissão de receitas de prestação de serviços gerais conforme subitens 2.2 e 2.3.3 do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, de 24/03/2009, que constitui parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (em Reais) Multa 31/03/2004 10.014,30 75,0 30/09/2004 3.534,00 75,0 31/03/2004 519.155,14 112,5 31/03/2004 497.992,87 112,5 31/03/2004 540.864,39 112,5 30/06/2004 561.856,40 112,5 30/06/2004 808.221,61 112,5 30/06/2004 593.841,68 112,5 30/09/2004 627.658,21 112,5 30/09/2004 734.600,69 112,5 30/09/2004 522.969,29 112,5 31/12/2004 621.159,04 112,5 31/12/2004 559.668,79 112,5 31/12/2004 586.263,64 112,5 Enquadramento Legal: art. 22 da Lei nº 10.684/03 e art. 37 da Lei nº 10.637/02. 3 A autoridade autuante, no Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls.404/418, descreve os fatos que alicerçaram a lavratura do presente Auto de Infração, alegando que: 3.1 No Termo nº 07 Constatação e Intimação Fiscal, às fls 263/265, estão relatados todos os fatos ocorridos no curso da ação fiscal, até a data de 21/10/2008, cujos acontecimentos se processaram na seguinte sequência cronológica: 3.1.1 O interessado foi selecionado para fiscalização por ter efetuado a entrega das declarações correspondentes ao anocalendário fiscalizado, completamente zeradas, vale dizer, “sem indicação de qualquer valor significativo no que tange às atividades operacionais da sociedade, em relação aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS).” (item 1.1. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 263); Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 5 3.1.2 A DIPJ (EX: 2005/2004) e as DCTFs foram entregues zeradas e, também, “não foi identificado, para o ano em tela, arrecadação de tais tributos federais na rede bancária autorizada, exceto em relação a COFINS e PIS, em uma única data: 30/11/2004” (item 1.1. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 263); 3.1.3 O Termo de Início foi recepcionado em 10/03/2008, no qual foram requisitados: contrato social e alterações, elementos fiscais e contábeis e documentos que deram suporte aos lançamentos escriturados nos livros mantidos no período. No entanto, a respectiva resposta “somente se deu em 03/04/2008 (inclusive Livros: Diário, Razão e Apuração do ISS), disponibilizando parcialmente a documentação requisitada, restando o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR)” (item 1.2.e 1.3 do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 263); 3.1.4 A não apresentação do LALUR ensejou a lavratura do Termo nº 02 – Intimação Fiscal, recebido em 02/06/2008, ratificando a apresentação desse Livro Fiscal, e solicitando a entrega dos balancetes contábeis; (item 1.3. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 263); 3.1.5 O Termo nº 02 – Intimação Fiscal também não foi atendido no prazo estipulado, e que o interessado, a partir de então, passou a utilizar estratégias evasivas com o fito de não atender os compromissos com o fisco (item 1.4. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 263); 3.1.6 A análise da documentação apresentada deu conta da existência de divergência de informações entre a DIPJ/2005 (anocalendário: 2004) e as DCTFs, no que tange ao período de apuração. Na DIPJ o regime de apuração adotado foi o Lucro Real Anual, enquanto o constante nas DCTFs trimestrais apresentadas indicava para o 1º trimestre a adoção do Lucro Real Trimestral e para o 2º, 3º e 4º trimestres, o Lucro Presumido (item 1.5. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.7 Em decorrência das inconsistências verificadas foi lavrado o Termo nº 03 – Constatação e Intimação Fiscal, recebido em 07/07/2008, visando: a entrega dos balancetes de suspensão (solicitados em 02/06/2008), os esclarecimentos a cerca dos valores zerados nas declarações (DIPJ e DCTF) e das inconsistências mencionadas no item anterior (item 1.5. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.8 O LALUR (solicitado em 10/03/2008), somente foi apresentado em 07/07/2008, no qual constava escriturado o lucro do exercício referente ao ano fiscalizado no valor de R$1.073.992,16 (item 1.5. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.9 O prazo para atendimento do Termo nº 03 – Constatação e Intimação Fiscal (apresentado em 07/07/2008) se expirou, sem que o interessado tivesse apresentado uma resposta formal (item 1.6. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.10 Em 08/09/2008, o interessado tomou ciência do Termo nº 04 – Intimação Fiscal (prazo para resposta: 18/09/2008), no sentido do interessado comprovar a origem dos recursos utilizados nas aquisições imobiliárias referentes às salas 1801 a 1810, situadas na Rua Evaristo da Veiga, 55 – Centro – Rio de Janeiro, o qual foi atendido em 23/09/2008 (item 1.7. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.11 Na data de 23/09/2008 foram restituídos os Livros: Diário, Razão e LALUR, a pedido do interessado, às fls 188, para que este pudesse providenciar os Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 6 balancetes de suspensão/redução e a DIPJ retificadora, a ser apresentada via internet, Neste mesmo dia foi apresentado o Termo nº 05 – Intimação Fiscal, com o objetivo de: solicitar “esclarecimentos quanto às divergências detectadas na contabilização das notas fiscais nº 2314 e 2503, bem como em relação ao saldo de lucro inflacionário supostamente não realizado”, com prazo de resposta para o dia 30/09/2008 (item 1.8. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.12 O interessado apresentou resposta ao Termo nº 05 um dia após o prazo estabelecido, mas de forma incompleta, visto que não houve comprovação da não realização do lucro inflacionário, sendo concedida prorrogação até o dia 03/10/2008, para complemento das requisições contidas no mencionado Termo de Intimação, sem que, no entanto, houvesse atendimento por parte deste (item 1.9. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264/265); 3.1.13 Em 14/10/2008, o interessado apresentou os balancetes de redução/suspensão, o Livro LALUR e a DIPJ retificadora, sem restituir o Livro Diário e Razão, como deveria (item 1.10. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 265); 3.1.14 “A análise prévia dos balancetes e do LALUR indicou e existência de divergência com a escrituração apresentada anteriormente nos Livros Diário/Razão.” O LALUR restituído “não é o mesmo apresentado em 07/07/2008, indicando nova escrituração, em outro livro” (item 1.11. do Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 264); 3.1.15 Em razão das diferenças apontadas anteriormente, o interessado foi intimado, 21/10/2008, mediante Termo nº 07 – Constatação e Intimação Fiscal, às fls 165, a reapresentar, imediatamente, os Livros: Diário, Razão e LALUR (anteriormente apresentados), referentes ao anocalendário de 2004; 3.2 Muito embora constasse do rol de requisições do Termo de Início de Fiscalização, o interessado não apresentou nenhum Livro Auxiliar de Contabilidade, entregando, porém, “planilhas mensais denominadas “Mapas de Faturamento”, em 03/04/2008, que retratam os valores constantes das notas fiscais emitidas no decorrer de 2004” (item 1.2. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls 406); 3.3 Em 16/06/2008, a Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A EMBRATEL, CNPJ nº: 33.530.486/000129, “foi intimada a apresentar as notas fiscais e comprovantes de quitação, referentes às operações comerciais mantidas com o contribuinte fiscalizado no ano de 2004, tendo apresentado resposta, sendo que o interessado disponibilizou as notas fiscais (solicitadas em 10/03/2008) por ele emitidas em 23/09/2008” (item 1.2. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls 406); 3.4 Com a reapresentação dos Livros Diário e Razão, em 22/10/2008, foi constatado que o interessado apresentou novos exemplares contendo diferenças significativas em relação aos livros apresentados inicialmente, tais como (item 1.3. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls 406): 3.4.1 O primeiro livro Diário apresentado foi registrado sob o nº 6449/08, em 21/03/2008, conforme relato do interessado, às fls 309, enquanto o segundo Diário teve seu registro na Junta Comercial sob o nº 18.382/08, em 22/10/2008; 3.4.2 O Balanço Patrimonial e o Resultado do Exercício apresentaram modificações na sua estruturação de tal forma que o lucro líquido apurado que era de R$1.073.992,16 para um prejuízo líquido de R$542.478,13, decorrente da “diminuição de algumas das receitas e majoração de boa parte dos custos e despesas”, tendo como resultado a modificação do Lucro Real do exercício de 2004; Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 7 3.5 Ambos os Livros Diários entregues pelo interessado “indicam o último dia útil de cada mês como data de ocorrência dos fatos contábeis neles registrados”, o que motivou a reiteração da apresentação dos Livros Auxiliares (solicitados em 10/03/2008), os quais nunca foram apresentados (item 1.3.e 1.4. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 406/407); 3.6 Em 14/01/2009, o interessado apresentou o documento denominado “Relatório dos lançamentos efetuados no Razão do ano base de 2004”, visando justificar as modificações existentes entre as duas contabilidades apresentadas, porém sem sucesso (item 1.6. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 408); 3.7 A análise de toda a documentação apresentada até a data mencionada no item anterior ensejou na verificação das seguintes inconsistências (item 1.7. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 408);: 3.7.1 Os balancetes mensais de suspensão apresentados “indicavam grave erro estrutural contábil, à medida que o total do ativo não era equivalente, em nenhum dos meses, ao total do passivo”; 3.7.2 A movimentação financeira, durante o ano de 2004, na instituição financeira, BANCO CRUZEIRO DO SUL S/A, CNPJ nº 62.136.254/000199, “não foram retratadas na contabilidade da fiscalizada, nem na primeira e nem na segunda escrituração”; 3.8 Em 26/02/2009, com nove dias de atraso, o interessado apresentou novos balancetes de suspensão, os quais apresentavam as mesmas inconsistências, e esclarecimentos para justificar a não contabilização da movimentação financeira perante o Banco Cruzeiro do Sul, mediante apresentação de documentação que “não comprovam” tais esclarecimentos (item 1.9. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 408); 3.9 “De acordo com toda a exposição acima retratada, após análise de toda situação fiscal da empresa, bem assim dos documentos disponibilizados e dos fatos ocorridos no curso da ação fiscal, verificouse a necessidade de proceder ao arbitramento do lucro da empresa sob auditoria, pelos sobejos motivos explicitados, que devem ser considerados em seu conjunto.” (itens 2.2.1./2.2.5. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 409/415); 3.9.1 A duplicidade de escrituração contábil para um mesmo período, levada a efeito pelo interessado, sem observância aos princípios estabelecidos mediante Normas Brasileira de Contabilidade (NBC T 1 – anexo da Resolução do CFC 1.121/2008), bem como na Instrução Normativa 102, de 25 de abril de 2006 (Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC), no que tange à impossibilidade de substituição de livro já autenticado, e no procedimento a ser adotado quando da apuração de erro em lançamentos contábeis; 3.9.2 Autenticação extemporânea, contrariando o disposto na IN SRF nº 16/84 e no Parecer Normativo CST nº 11/85, os quais prevêem que “a autenticação do Livro Diário deverá ser providenciada até a data prevista para entrega tempestiva das declarações de rendimentos dos respectivos exercícios”, sendo que no presente caso, os Livros Diários apresentados, referentes ao exercício de 2004, foram autenticados na Junta Comercial em 21/03/2008 e 22/10/2008, respectivamente; 3.9.3 “O método utilizado para as alterações em inúmeras contas contábeis não se adéquam às normas contábeis previstas na Resolução CFC nº 596, de 14/06/95, que adotou em seu anexo, a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) nº T 2.4: Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 8 3.9.4 A forma da “metodologia de escrituração contábil utilizada, por meio da qual os lançamentos são feitos sempre no último dia de cada mês, sistematicamente envolvendo valores correspondentes a totais de várias (e indefinidas) operações – mormente em relação à conta Caixa e Receitas de Serviços – aliado ao fato de não dispor de livros auxiliares, como determina a legislação de regência” (art. 258 e §§, 259, 269 do RIR/99 e item 2.1.2 da NBC T 2.1 – Resolução nº 563/83); 3.9.5 Apresentação de balancetes de redução/suspensão “que pudessem justificar a ausência por completo do recolhimento do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, no decorrer de todo ano de 2004, com graves erros estruturais na escrituração utilizada (total do Ativo diferente do Passivo), caracterizando, uma vez mais, a falta de confiabilidade e transparência que se exige da escrituração contábil”; 3.9.6 Movimentação dos valores de R$99.936,35 e R$106.306,83 (fonte: DCPMF), nos meses de novembro e dezembro de 2004, respectivamente, perante o Banco Cruzeiro do Sul, sem que se fizessem constar da escrituração contábil apresentada; 3.10 A determinação do Lucro Arbitrado levou em conta o seguinte critério (item 2.3.1. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 415/416): 3.10.1 Apuração da Receita Bruta com base nos valores das notas fiscais emitidas, tanto pela matriz quanto pela filial (Rio Bonito/RJ), constantes dos “Mapas de Faturamento” apresentados pelo interessado; 3.10.2 Utilização do percentual de 32%, previsto na legislação, acrescido de 20%, conforme previsto no art. 532 do RIR, perfazendo um percentual total de 38,4%, a ser aplicado sobre a Receita Bruta, com vistas à apuração do Lucro Arbitrado; 3.11 Nos “Mapas de Faturamento” apresentados pelo interessado foram apuradas incorreções na contabilização das notas fiscais nº 2314 e 2503, emitidas para acobertar serviços prestados à Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A EMBRATEL. A primeira, cujo valor é de R$192.960,90 foi contabilizada por R$182.946,60 (valor defasado no mês de março de R$10.014,30), enquanto a segunda foi erroneamente considerada como cancelada, deixando de ser computado no faturamento do mês de agosto o valor de R$3.534,00, incorreções estas apuradas em diligência efetuada na empresa tomadora dos serviços (item 2.3.2. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 416); 3.12 Diante da existência de um saldo do lucro inflacionário acumulado não realizado, no sistema SAPLI, no valor de R$39.734,63, e pela ausência de comprovação das contestações apresentadas pelo interessado, este saldo foi oferecido integralmente à tributação com base no art. 451 do RIR (item 2.3.3. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 415/416); 3.13 “Como restaram caracterizados inúmeros atrasos injustificáveis, que dificultaram de forma acentuada o desenvolvimento da ação fiscal, a multa de ofício deve ser majorada ao percentual de 112,5% (art. 44 da Lei nº 9.430/96) sobre a parcela do imposto e contribuições devidos, apurados a partir do arbitramento do lucro. O mesmo não se aplica em relação às infrações descritas nos itens 2.3.2 e 2.3.3 acima, para as quais não houve atraso determinante atribuível à fiscalizada (item 2.3.5. do Termo nº 11 – Verificação Fiscal, às fls. 417/418).” Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 9 4 Inconformado, o interessado apresentou impugnação (fls.444/578), na qual se insurge contra os lançamentos do IRPJ, CSLL e respectivos acréscimos legais, mediante argumentação apresentada a seguir: 4.1 Assevera que na sistemática adotada para apresentação das respostas às intimações, no curso da ação fiscal, “não há o que falar em não atendimento ou em atendimento precário, pois sempre que o Sr.Auditor solicitou foi atendido”, baseando sua assertiva nos intervalos de tempo existentes entre as intimações apresentadas pela Autoridade Autuante; (fls.449) 4.2 “Quanto a questão do livro diário não há de se falar em nova escrituração, ou em correção de erros na escrita, o que na realidade houve e sempre sustentei é que inadvertidamente ao solicitar a encadernação do livro diário não verifiquei os lançamentos efetuados a título de provisões (Trabalhistas e Tributária) no final de cada mês e assim acabei autenticando um diário que não exprimia a verdade dos fatos contábeis daquele exercício.” (fls.446 e 449); 4.3 Não tem fundamento os questionamentos acerca da confiabilidade da escrita fiscal, com a menção a NBC T 1 (Anexo da Resolução 1.121/2008), visto que verificado a incorreção das informações procedeuse à correção para apresentação da verdade dos fatos (fls.449/450); 4.4 A referência à Instrução Normativa nº 102, de 25 de abril de 2006 e à NBC T 2.4 não tem pertinência, visto que não houve erro de estorno, “na realidade houve falta de lançamento e os mesmos não poderiam ser efetuados em outro exercício, a não ser ao que se relaciona. Não há de se falar em ajuste de exercícios anteriores.” (fls.450); 4.5 “Quanto ao novo registro do diário não há que se falar que não há possibilidade como afirma o Sr. Auditor Fiscal, citando ainda as Normas Brasileira de Contabilidade, pois a mesma fala de demonstrações financeiras e em momento algum fala em diário”, e acrescenta ainda, “citar a Instrução Normativa nº 102, de 25 de abril de 2006 (DNRC), também não cabe, pois se o mesmo é responsável pela autenticação e assim o fez, não há o que se falar nesse assunto.”(fls.450); 4.6 Não aceita a alegação de não entrega dos livros auxiliares, visto que “foi apresentado folhas diárias de operações de caixas, como também folhas de movimentação diária bancária e o mapa de faturamento, também tem as notas fiscais emitidas em ordem de data de emissão”, assegura que “a afirmação de não possuir livros auxiliares também não é verdadeira, pois o Sr. Auditor Fiscal esteve com o caixa diário da empresa, assim como o mapa bancário com os seus lançamentos também diariamente” (fls.450); 4.7 “A afirmação de que o livro razão não atende as normas contábeis, também não é verdadeira, pois o mesmo possui todas as contas contábeis individualizadas, e é cópia fiel do diário, portanto todas as informações diárias estão nos documentos de caixa diário ou nos movimentos bancários com data cronológica” (fls.450); 4.8 Alega que não procede a assertiva de existência de grave erro na estrutura dos Balancetes apresentados, os quais por se tratarem de Balancetes mensais, e não de Balanços, têm conta do Ativo, Passivo, de Despesa e Receita, cujos saldos são acumulados por mês. A opção da empresa pelo Lucro Real com apuração anual implica na demonstração do resultado financeiro da empresa somente no final do exercício (fls.448, 450 e 451); 4.9 Afirma não possuir conta corrente no Banco Cruzeiro do Sul, e que as operações realizadas com esta instituição financeira referemse a adiantamento de Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 10 faturas da EMBRATEL, as quais foram escrituradas em sua contabilidade na Conta 2.2.01001.0024, denominada CR2 (fls.448 e 451); 4.10 “Na realidade o mesmo Auditor Fiscal em nenhum momento falou em receita divergente entre o diário e o mapa de faturamento. Somente o fato de encontrar diferenças em lançamento de 2 notas fiscais, não são fatos para que a escrita seja imprestável”, acrescenta que com a apuração das diferenças, caberia ao “Auditor Fiscal determinar o recolhimento dos impostos sobre estes valores” (fls.450); 4.11 Reforça que os Livros Diário e Razão não devem ser considerados imprestáveis visto que serviram de fonte para que a Autoridade Autuante pudesse levantar as omissões de receitas apontadas no item anterior (fls.451). 5 Por fim, o interessado vem pedir que se considere improcedente os lançamentos do IRPJ, CSLL, com a devida correção do débito fiscal reclamado, em razão da utilização de método inconsistente na apuração do Crédito Tributário. (fls.452). A decisão recorrida está assim ementada: MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. LUCRO INFLACIONÁRIO. BASE DE CÁLCULO: RECEITA BRUTA DECLARADA. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. DESISTÊNCIA DE INSTÂNCIA. BASE DE CÁLCULO: RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA. A concordância com a matéria objeto do lançamento implica desistência da instância administrativa e torna definitivo o crédito tributário correspondente. LUCRO ARBITRADO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO. Os vícios formais e materiais, que tornam a escrita contábil e fiscal imprestável para a apuração do Lucro Real, autorizam o arbitramento do lucro. MULTA MAJORADA. Mantémse a majoração da multa quando não ilididos os fatos que lhe deram causa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 11 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de constituição de crédito tributário referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e do lançamento reflexo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (jan/2004 a dez/2004), tendo por base o arbitramento do lucro, em face da escrituração mantida pelo interessado ter sido considerada imprestável para determinação do Lucro Real tendo como agravante a não observação aos prazos para resposta das Intimações Fiscais, sendo aplicada a multa de oficio de 112,5%. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não se pautou em controle contábil hábil para determinação do Lucro Real, tendo em vista a apresentação à fiscalização de duas contabilidades, com resultados totalmente dispares, tendo por base Livros: Diário e Razão, os quais, em sua escrituração, continham agudos vícios de forma e de conteúdo, em total desacordo com a legislação comercial e fiscal. Alem disso, o contribuinte omitiu a receita de algumas notas fiscais e deixou de oferecer à tributação o valor de R$39.734,63, referente ao saldo de Lucro Inflacionário não realizado. No seu recurso voluntário, apresentado em 28/12/2010, pelo contribuinte, fls. 614 e seguintes, o contribuinte limitese a repisar as mesmas alegações da peça impugnatória, que a meu ver foram corretamente enfrentadas e refutadas no voto condutor do acórdão recorrido, a seguir transcrito: (...) O interessado contesta a lavratura do presente Auto de Infração, pelas razões apresentadas a seguir: Alega que a apresentação de duas escriturações contábeis deveuse ao fato de ter constatado erro na primeira escrituração, decorrente da ausência de lançamentos, a qual se fez repercutir na apuração do resultado do exercício de forma a não corresponder à fiel realidade. Por conta disso, se viu forçado a refazer a escrita contábil com vistas a dar provimento aos acertos necessários, o que implicou no surgimento de um novo resultado do exercício, e assim apresentar à Autoridade fiscal uma apuração do Lucro Real baseada em controles contábeis mais fidedignos.; Afirma que a escrita apresentada observou todos os requisitos previstos na legislação comercial e fiscal, discordando das alegações apresentadas pela Autoridade Autuante, quanto aos dispositivos legais infringidos, motivadores do seu desabono, pela não configuração dos vícios por este apontados, o que se leva a crer estar a contabilidade da sociedade empresária revestida da confiabilidade necessária para apuração do Lucro Real. Assegura que não promoveu entraves ao curso normal da ação fiscal, visto que todos os Termos apresentados pela Autoridade Fiscal foram atendidos. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 12 CONSIDERAÇÕES GERAIS A Constituição Federal, em seu art. 145, §1º, estabelece como fundamental a observação ao princípio da capacidade contributiva, a qual pode ser traduzida pela capacidade econômica de contribui para o custeio do Estado, por intermédio de pagamento de impostos. Vale ressaltar, que este princípio constitucional deve orientar tanto as ações legislativas, na produção de normas tributária, mormente na definição da base de cálculo dos tributos, quanto na aplicação destas normas, com relevância nas ações fiscais, no que tange ao levantamento e determinação do valor sobre o qual recairá a exação. Consoante ao aludido princípio constitucional, a Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – CTN instituiu a rendaproduto e a renda acréscimo patrimonial como bases de cálculo do Imposto de Renda, conforme dispõe em seu art. 43, incisos I e II. No que tange à determinação da base de cálculo do imposto de Renda, o CTN prescreve que esta será o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis, visto o disposto no art. 44, abarcando este dispositivo legal as Pessoas Jurídicas, por força do art. 26 da Lei nº 8.981/95 e art. 1º da Lei nº 9.430/96. .O DecretoLei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977, em art. 6º, quanto à apuração do Lucro Real, estabelece o seguinte: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 13 c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. ...(omissis)... Não resta dúvida que na determinação do Lucro Real há que se perquirir com profundidade toda movimentação econômica e financeira pela qual passou a Pessoa Jurídica, para que no final do período de apuração se possa quantificar a verdadeira renda auferida pelo contribuinte, o que torna este método o que mais se aproxima dos ditames do princípio constitucional da capacidade contributiva. A necessidade de construção de regras de determinação da base cálculo do IRPJ, a partir de base probatória sólida e de altíssimo grau de confiabilidade, e que por consenso conseguisse melhor instrumentalizar a apuração da capacidade contributivarenda da Pessoa Jurídica, levou a legislação tributária a valerse da escrituração contábil, acrescentando a estes controles fiscais. Para assegurar a confiabilidade da fonte de informações utilizada para cálculo do tributo, a Lei tributária obriga que a escrituração contábil observe rigorosamente as formalidades intrínsecas e extrínsecas previstas na Lei Comercial, bem como os requisitos previstos na legislação do Imposto de Renda, mormente quando da apuração do Lucro Real, cabendo destacar o que dispõe a respeito, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, saber: Art. 257. A pessoa jurídica é obrigada a seguir ordem uniforme de escrituração, mecanizada ou não, utilizando os livros e papéis adequados, cujo número e espécie ficam a seu critério (DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969, art. 1º). Livro Diário Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 14 à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Livro Razão Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. Livros Fiscais Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, arts. 8º e 27): I para registro de inventário; II para registro de entradas (compras); III de Apuração do Lucro Real LALUR; IV para registro permanente de estoque, para as pessoas jurídicas que exercerem atividades de compra, venda, incorporação e construção de imóveis, loteamento ou desmembramento de terrenos para venda; V de Movimentação de Combustíveis, a ser escriturado diariamente pelo posto revendedor. § 1º Relativamente aos livros a que se referem os incisos I, II e IV, as pessoas jurídicas poderão criar modelos próprios que satisfaçam às necessidades de seu negócio, ou utilizar os livros porventura exigidos por outras leis fiscais, Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 15 ou, ainda, substituílos por séries de fichas numeradas (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 1º e 7º). § 2º Os livros de que tratam os incisos I e II, ou as fichas que os substituírem, serão registrados e autenticados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio, ou pelas Juntas Comerciais ou repartições encarregadas do registro de comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, pelo Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou pelo Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 154, de 1947, arts. 2º, § 7º, e 3º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 71). § 3º Para os efeitos do parágrafo anterior, a autenticação do novo livro será feita mediante a exibição do livro ou registro anterior a ser encerrado, quando for o caso (Lei nº 154, de 1947, art. 3º, parágrafo único). § 4º No caso de pessoa física equiparada à pessoa jurídica pela prática das operações imobiliárias de que tratam os arts. 151 a 153, a autenticação do livro para registro permanente de estoque será efetuada pelo órgão da Secretaria da Receita Federal. Art. 261. No Livro de Inventário deverão ser arrolados, com especificações que facilitem sua identificação, as mercadorias, os produtos manufaturados, as matériasprimas, os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim da cada período de apuração (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 2º, Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 3º). Parágrafo único. Os bens mencionados neste artigo serão avaliados de acordo com o disposto nos arts. 292 a 298. Livro de Apuração do Lucro Real Art. 262. No LALUR, a pessoa jurídica deverá (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 8º, inciso I): I lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração; II transcrever a demonstração do lucro real; III manter os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar em períodos de apuração subseqüentes, do lucro inflacionário a realizar, da depreciação acelerada incentivada, da exaustão mineral, com base na receita bruta, bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial; IV manter os registros de controle dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subseqüentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, valetransporte e outros previstos neste Decreto. Art. 263. O LALUR poderá ser escriturado mediante a utilização de sistema eletrônico de processamento de dados, observadas as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 8.218, de 1991, art. 18). Conservação de Livros e Comprovantes Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 16 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Com razão, o legislador considera a adoção da apuração da base de cálculo do IRPJ utilizando o Lucro Presumido ou Arbitrado, uma questão opcional. Enquanto a determinação do Lucro Real pressupõe uma imersão direta no patrimônio do contribuinte, em se tratando de Lucro Presumido ou Arbitrado, são utilizados métodos indiciários, seja para facilitar e simplificar o cumprimento da obrigação tributária, ou até mesmo por deficiência ou inexistência de controles contábeis, o que os tornam mais afastados, mas sem comprometer, de uma concepção mais real da capacidade contributiva renda. Com relação à alternativa do arbitramento como método de quantificação de base de cálculo do imposto, o CTN contempla a possibilidade de sua utilização, porém, podese notar o caráter de excepcionalidade impregnado no comando legal, que assim dispõem: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Nesse sentido, a Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995 prevê as hipóteses que dão ensejo à aplicação do arbitramento, não deixando dúvidas quanto ao caráter de excepcionalidade que deve nortear sua utilização, a qual assim dispõe: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 17 deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Art. 51. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: I 1,5 (um inteiro e cinco décimos) do lucro real referente ao último período em que pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, atualizado monetariamente; II 0,04 (quatro centésimos) da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 18 III 0,07 (sete centésimos) do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade, atualizado monetariamente; IV 0,05 (cinco centésimos) do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; V 0,4 (quatro décimos) do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI 0,4 (quatro décimos) da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII 0,8 (oito décimos) da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII 0,9 (nove décimos) do valor mensal do aluguel devido. § 1º As alternativas previstas nos incisos V, VI e VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresas com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade. § 2º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro real for decorrente de períodobase anual, o valor que servirá de base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do períodobase considerado. § 3º Para cálculo da atualização monetária a que se referem os incisos deste artigo, serão adotados os índices utilizados para fins de correção monetária das demonstrações financeiras, tomandose como termo inicial a data do encerramento do períodobase utilizado, e, como termo final, o mês a que se referir o arbitramento. Art. 55. O lucro arbitrado na forma do art. 51 constituirá também base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Está evidente, numa interpretação mais abrangente do contexto legal em que se insere o arbitramento do lucro, que a Autoridade Lançadora deve perquirir o quanto mais possível a busca do Lucro Real para determinação da base de cálculo do IRPJ, caso o contribuinte não opte pelo Lucro presumido, restando a alternativa do Lucro Arbitrado condicionada à existência de total impossibilidade de se aferir a real capacidade contributiva com as informações de que dispõe. Assim, relutando o contribuinte em não observar seu dever de prestar informações, e com exatidão, às Autoridades Tributárias do Estado, e, configurando se a ocorrência das hipóteses previstas na legislação que estabelece as condições para o arbitramento do lucro, a Autoridade Fiscal deverá fazêlo por dever de ofício, em face da vinculação de sua atividade. DO ARBITRAMENTO No presente caso concreto, o embate se trava em seu âmago sobre a imprestabilidade da escrita apresentada pelo interessado, na qual este se baseou para a apuração da base de cálculo do imposto, tendo adotado a forma de tributação pelo Lucro Real, com apuração anual, conforme consta da DIPJ/2005, às fls. 05. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 19 De início, cabe ressaltar relevantes dispositivos contidos no DecretoLei nº 1.598/77, no que concerne à ao Lucro Real: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Consta dos autos, a entrega do Livro Diário nº 22, em 03/04/2008(fls.77), com a apuração de um lucro líquido para o exercício de 2004, no valor de R$1.073.992,16 (fls.120), e em outra oportunidade, a entrega de um novo Livro Diário nº 22, em 22/10/2008 (fls.266), acusando para o mesmo exercício em tela, a apuração de prejuízos no valor de R$542.478,13 (fls.273), cabendo destacar que ambos os livros foram registrados na Junta Comercial (conforme fls. 114 e 267). Neste ponto é importante mencionar o que dispõe a Instrução Normativa nº16, de 01 de março de 1984: Dispõe sobre a admissibilidade da autenticação do livro "Diário" em data posterior ao movimento das operações nele lançadas. O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no Decreto nº 83.740, de 18 de julho de 1979, que institui o Programa Nacional de Desburocratização, RESOLVE: Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro "Diário" autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. A esse respeito, a legislação comercial, no que dispõe a Instrução Normativa nº 102, de 25 de abril de 2006, do Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC vem estabelecer o seguinte: Art. 5º A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 20 A rigor, considerando a legislação posta, o segundo Livro Diário apresentado não tem nenhum valor probante para dar sustentação à apuração da base de cálculo do imposto, com o agravante de ter lançado respingos de inconfiabilidade no primeiro Diário apresentado. Alega o interessado que procedeu a reformulação do Livro Diário, em virtude de erro na primeira escrituração, visto que esta não contemplava inúmeros lançamentos (fls.308), sendo este procedimento necessário para que apresentasse à Autoridade Fiscal a realidade contábil do exercício de 2004. A Autoridade Autuante, considerando a possibilidade de pertinência nas alegações do interessado, requisitou mediante o Termo nº 08 Constatação e Intimação (fls. 302 e 303), a apresentação de esclarecimentos, acompanhados de documentação probatória que justificasse a transformação do lucro apurado em prejuízos no exercício de 2004. Ainda que fosse possível a substituição do Livro Diário, a documentação apresentada pelo contribuinte, trazida aos autos pela Autoridade Autuante, às fls.314/337, não dá possibilidade de se verificar a consistência da escrituração contábil alegada pelo interessado. Ressaltese que o interessado não apresentou qualquer documento que permitisse melhorar esta verificação. Outro aspecto a ser abordado tratase da não observância aos requisitos formais previstos no inciso I do art. 47 da Lei nº 8.981/95, o que se constata na escrituração do Livro Razão (fls.128/150), a qual adota o registro dos fatos contábeis concentrados no último dia útil de cada mês, o que afronta os dispositivos contidos no art. 259, caput e §1º do RIR/99. Instado a apresentar livros auxiliares, de forma reiterada pela Autoridade Autuante, para que esta pudesse prossegui a contento na auditoria tributária, aliás como prevê o §1º do art.258 do RIR/99, o interessado nunca apresentou tal documentação, nem tão pouco juntou aos autos os registro contábeis do caixa diário e da movimentação bancária que alega ter entregado para atender à exigência fiscal, registros estes, vale ressaltar, não têm amparo legal para substituir nem o Livro Diário e nem o Livro Razão. No que se refere ao cumprimento do que estabelece o inciso II do art. 47 da Lei nº 8.981/95, foram detectados, pela Autoridade Autuante, determinados indícios que indicam estar a escrituração contábil do interessado eivada de erros materiais. A Autoridade Fiscal em procedimento de Diligência junto à EMBRATEL, um dos clientes do interessado, apurou que este deixou de contabilizar receitas no montante de R$13.548,30 (conforme fls.179/184), referentes às notas fiscais nº 2134 e 2503, o que denota a existência de deficiências em sua escrita contábil. .Ademais, para maior agravamento, ficou constatado que o interessado não fez constar em sua contabilidade sua movimentação financeira junto ao Banco Cruzeiro do Sul S/A (conforme declaração da instituição financeira – DCPMF, às fls. 72), tornando mais aguda as deficiências encontradas em sua escrituração contábil. Nesse caso alega o contribuinte não possuir conta corrente no Banco Cruzeiro do Sul, tratandose, a movimentação declarada, de desconto de duplicatas contabilizadas na conta 2.2.01.001.0024, denominada CR2, porém, também, sem trazer aos autos qualquer elemento probatório que comprovasse sua justificativa. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 21 Os Balancetes Mensais, às fls.342/402, apresentados pelo interessado no curso da fiscalização, na verdade têm estrutura de Balanço, e de fato apresentam diferenças ente os totais do Ativo e do Passivo, o que corrobora alegações da Autoridade Autuante, quanto à imprestabilidade dessas Demonstrações Contábeis. À evidência dos fatos, caracterizados pela: apresentação de dois Livros Diários com escrituração totalmente conflitantes, elaboração de escrita contábil e fiscal sem observância aos requisitos impostos pela legislação, contabilização a menor, erroneamente, de receitas auferidas no ano fiscalizado e ausência de escrituração de movimentação bancária, não deve prosperar as alegações do interessado de que o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Autuante se baseou, somente, na constatação da ocorrência de dois equívocos em sua contabilidade. Por todos os fatos já apresentados, não se pode negar que a Autoridade Fiscal envidou, de todas as formas possíveis, os esforços necessários para que lhe fosse permitido apurar uma base de cálculo do imposto, mais compatível possível com a real capacidade contributiva do contribuinte. Sem a colaboração do interessado, e diante da existência de profundos vícios de forma e de conteúdo na escrita fiscal apresentada, o que caracteriza sua imprestabilidade para apuração do Lucro Real, nos termos da legislação de regência, o arbitramento do Lucro se deu nos exatos termos da lei, tendo em vista o que dispõe os incisos I e II do art. 47 da Lei nº 8.981/95. DA MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A Lei nº 9.430/96, assim dispõe, no que tange à majoração da multa de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) O intuito de dificultar as ações do Fisco, no que tange à análise de informações fiscais relativas ao interessado, já se mostra flagrante desde o momento em que abasteceu os bancos de dados da Receita Federal do Brasil com informações inconsistentes, mediante a entrega da DIPJ/2005 e DCTFs todas zeradas, estando o contribuinte em plena atividade no ano de 2004. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002756/200878 Acórdão n.º 1402001.257 S1C4T2 Fl. 0 22 A intenção de não colaborar com as Autoridades Fiscais se fez ratificar durante a ação fiscal, por intermédio dos diversos atrasos nas apresentações das respostas às Intimações recebidas pelo interessado, chegando em alguns casos ao não atendimento. Para reforçar, apresentamos no quadro abaixo alguns atrasos constatados no curso da ação fiscal: Intimação Ciência do Interessado Data p/Resposta Atendimento Parcial Atendimento Total De Inicio 10/03/2008 01/04/2008 03/04/2008 22/10/2008 Termo nº 02 02/06/2008 12/06/2008 07/07/2008 Termo nº 03 07/07/2008 17/07/2008 sem resposta Termo nº 06 30/09/2008 03/10/2008 22/10/2008 Termo nº 08 03/11/2008 13/11/2008 19/11/2008 19/01/2009 Notase, que o interessado além de não cumprir os prazos, não demonstrou interesse em observar o seu dever de colaborar com as Autoridades do Estado, o que justifica a majoração da multa de ofício aplicada pela Autoridade Autuante, conforme prevê a legislação de regência. (...) Conclusão Pois bem, pela análise dos autos, bem como pelos fatos e fundamentos acima transcritos, formei pleno convencimento de que, no presente caso, não restou outra alternativa à autoridade Fiscal, estando correto o arbitramento dos lucros para apuração dos tributos devidos. A contabilidade da empresa realmente estava imprestável para apuração do lucro real. Mais a mais está patente a conduta do contribuinte em não colaborar e até dificultar o trabalho da autoridade fiscal. Além disso está patente nos autos que o contribuinte procurou dificultar o trabalho fiscal, deixando de apresentar documentos e atender intimações que sabidamente poderia ter feito no prazo estipulado, logo, correto também o agravamento da multa de oficio. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10380.913371/2009-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 1/ 20 09 -2 6 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 65 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 28/05/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 40598.57978.280508.1.3.049432 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: PIS/PASEP, código de receita 597904, período de apuração 1ª Quinzena de Julho/2007, data de vencimento 31/07/2007, R$ 156,83; CSLL, código de receita 598704, período de apuração 1ª Quinzena de Julho/2007, data de vencimento 31/07/2007, R$ 241,27; b) crédito original utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 293,56; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 748.542,71. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 66 3 Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente à apuração realizada no PA julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do período de apuração anual 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito original; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do imposto de renda, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório); Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 67 4 As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.40/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, não obstante ter efetuado o pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74, período de apuração julho 2005, apurou que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, com outros valores a pagar do ano de 2008, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou de parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB conforme despacho decisório já citado, sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 68 5 entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou comprovado nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Em relação à antecipação de pagamento de imposto estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido do imposto desse período. Nesse sentido, a contribuinte juntou as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ –Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, onde informou, para o período de apuração julho/2005, Imposto de Renda a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 11; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação do IRPJ Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74 (fl.42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório, nestes autos, parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 293,56 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, a importância de R$ 748.542,71 (valor original) – fl. 02. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 70 7 Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito do IRPJ estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 1.876.090,74. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento por estimativa mensal como crédito, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento do IRPJ do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) consta cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Ou seja, sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) não há cópia nos autos da Ficha 12 –Cálculo do IR sobre o Lucro Real. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas citadas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir nos sistemas internos de controle da RFB (sistemas informatizados) uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora juntada aos autos para o período de apuração relativo ao direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 71 8 devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913371/200926 Resolução nº 1802000.130 S1TE02 Fl. 72 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000282/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD
Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aqueles acréscimos tem origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.
Numero da decisão: 2202-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 82 /2 00 9- 28 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13052.000282/200928 Acórdão n.º 2202002.084 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ Santa Maria/RS, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano calendário de 2005 sobre APD – acréscimo patrimonial a descoberto. Auto de infração (fls. 109/114). Relatório da Ação Fiscal (fls. 115/122) relata que constatada a existência de variação patrimonial a descoberto, correspondente aos gastos acima dos recursos disponíveis, o contribuinte foi intimado para conferir se o demonstrativo mensal de evolução patrimonial, como não houve resposta à intimação a fiscalização considerou a variação patrimonial a descoberto como verdade. Assim, a variação patrimonial a descoberto que consta nos meses de maio e julho a dezembro de 2005, no Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial – Exercício de 2006, em um total de R$ 696.266,47, corresponde aos gastos efetuados pelo contribuinte acima dos seus recursos disponíveis. Intimação da autuação por edital (fls. 126), a cópia do Auto de Infração foi retirado pelo procurado do contribuinte (fls. 127). Impugnação (fls. 131/132). Decisão recorrida (fls. 137/143), com ciência em 22/10/2010 (fls. 147), manteve o crédito tributário no valor de R$ 408.144,44 pela falta de comprovação. Recurso Voluntário (fls. 155/173), protocolado em 22/11/2010, sustenta, em síntese, nulidade da intimação por edital, deveria ser pessoal, quando há impossibilidade de recebimento da notificação pela via postal. Assim, as intimações realizadas por edital e a feita a pessoas sem procuração ou quaisquer poderes. No mérito sustenta que não houve um acréscimo patrimonial, mas empréstimo no exterior. Aduz ainda, que os documentos juntados nos autos, comprovam a operação de mútuo havida entre o contribuinte a empresa Fimoto Financial Motors Ltda, no valor R$ 78.180,00, e que toda a operação foi realizada com o aval do Banco Central do Brasil. É o breve relatório. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de APD acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização. A decisão recorrida esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APD Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aqueles acréscimos tem origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Sustenta inicialmente nulidade da notificação do lançamento pela realização r por edital, quando deveria pessoal, e feita a pessoa sem poder de representação do autuado. Não há qualquer nulidade. O comparecimento espontâneo do autuado aos autos, com apresentação de Impugnação e sem alegar e demonstrar qualquer prejuízo processual, supre eventual nulidade que pudesse existir pela falha ou falta de intimação. Com o comparecimento do autuado aos autos houve o que se denomina de substituição do ato formal de intimação pelo comparecimento espontâneo, sem existir qualquer nulidade do ato realizado. No mérito, a variação patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização foi de R$ 696.266,47. Este o valor para o autuado justificar, seja das origens ou da inexistência dos dispêndios considerados pela fiscalização. Para justificar o acréscimo, o Recorrente sustenta que fez compra e venda de motocicletas no valor de R$ 30.000,00 e empréstimo no exterior, conforme documento de fls. 82. Alega mas nada prova. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13052.000282/200928 Acórdão n.º 2202002.084 S2C2T2 Fl. 4 5 Não há qualquer comprovação de origem – recursos na venda de motocicletas. Existem procurações e recibos sobre venda de motocicletas, mas sem qualquer identificação de valor. Alegou também que o empréstimo obtido justifica o acréscimo patrimonial a descoberto. Referido empréstimo, objeto do contrato de fls. 82 esta em língua estrangeira e, por esse motivo, dele não se toma conhecimento. Ainda que se pudesse conhecer não há qualquer prova do recebimento ou devolução, pelo Recorrente, dos valores do suposto empréstimo. Em relação ao empréstimo feito pelo autuado à empresa é necessário comprovar que a sociedade possuía os recursos financeiros – declarados não tributados – não bastando a contratação formal, é necessário a comprovação da materialidade a efetividade da divida. Pois bem, sem qualquer prova, sequer uma planilha para procurar demonstrar ou confrontar os cálculos e o desacerto da autuação e da decisão recorrida, o recurso não pode ser provido. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e nego provimento ao recurso para manter a decisão recorrida e a autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10380.723580/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002.
Recurso a que se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-001.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dando-lhe, nessa parte, por maioria de votos, provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Recurso a que se dá provimento em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dando-lhe, nessa parte, por maioria de votos, provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Recurso a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dandolhe, nessa parte, por maioria de votos, provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 35 80 /2 01 0- 13 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. Relatório O presente processo diz respeito a recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Fortaleza (fls. 298/301), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), no valor de R$ 105.681,70, relativo ao PIS/PASEP nãocumulativo de competência do quarto trimestre de 2004. O valor glosado pela unidade preparadora, portanto, o montante envolvido no presente litígio, é de R$ 48.215,96. A instância julgadora a quo assim descreve os fatos atinentes à presente lide: Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente ao Pis/Pasep Não Cumulativo – Mercado Interno, referente ao 4º Trimestre de 2004, totalizando R$ 105.681,70, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de nº 20459.78339.260907.1.1.106590, fls. 03/05. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização local, fls. 67/69, por meio de Despacho Decisório, fl. 119, a DRF Fortaleza, reconheceu a título de crédito a quantia de R$ 57.465,74. O não reconhecimento integral do direito creditório postulado decorreu das glosas a seguir detalhadas: Despesas de Depreciação Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Total das Glosas Consideradas 6.226,13 41.989,83 48.215,96 · despesas de depreciação – foram glosados créditos correspondentes a despesas de depreciação, no valor de R$ 6.226,13, conforme planilha I do Relatório Fiscal, em relação às quais não houve a apresentação das notas fiscais que comprovassem a efetivação das aquisições dos bens do ativo fixo que dariam suporte às depreciações, indevidamente consideradas pela pessoa jurídica; · pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagens destinadas ao transporte – as glosas a esse título, conforme consta da planilha II do Relatório Fiscal, atingiram o valor de R$ 41.989,83, tendo sido efetivadas com base nos fundamentos especificados nos itens subsequentes. Foi afirmado pela autoridade fiscal responsável pelos procedimentos de diligência, efetivados para fins de apuração do direito creditório em questão, que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art. 66 da IN SRF nº Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 187 3 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade local que “somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do PIS”. Conforme já explanado, no Despacho Decisório, fl. 119, a autoridade com competência para reconhecimento do crédito reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo reconhecimento seu parcial, no valor de R$ 57.465,74. A ciência deuse em 11/11/2010, fl. 121/124. Não satisfeita com o que foi decidido, em 30/11/2010 a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, 125/135, vazada nos termos a seguir relatados. [...] Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo não foram acatados pela primeira instância, tendo a mesma, como já dito, indeferido o pleito conforme ementa do Acórdão correspondente, abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinandose tãosomente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito ao crédito. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. Referentemente à primeira instância administrativa, inexiste previsão legal para a autorização da sustentação oral, durante a sessão de julgamento, por parte de representante legal do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/02/2012 (fls. 163), a interessada, em 01/03/2012 (fls. 164), apresentou o recurso voluntário de fls. 164/183, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, os quais, em síntese, abordam as questões na sequência relatadas: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 a) o acórdão recorrido procurou ratificar as glosas a partir do conceito de insumo objeto da IN 247/02; b) também não considerou os pallets, cantoneiras e demais produtos como matéria prima ou produto intermediário, tendo, para tanto, diferenciado “embalagem de apresentação” de “embalagem de transporte”, além de se alicerçar na legislação do IPI (artigo 4o da Lei no 4.502/64), a qual não poderia ser utilizada para fins da nãocumulatividade do PIS/PASEP, posto que enquanto, no IPI, o fato gerador é a industrialização, no PIS/PASEP o fato gerador decorre das receitas provenientes da produção da empresa; c) ressalta que sua atividade não se caracteriza como industrialização, mas produção de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento; d) a diferença entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte só faz sentido para fins de incidência do IPI, e não para fins de ressarcimento do PIS/PASEP; e) assevera que a legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos autoriza expressamente o creditamento decorrente de embalagens utilizadas na produção; f) quanto às embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados no processo produtivo), destaca sua imprescindibilidade para a conservação dos produtos exportados até sua chegada no porto de destino, ressaltando ainda que as mesmas não compõem o ativo imobilizado da empresa, uma vez que não retornam à empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes; g) uma vez que as embalagens são agregadas aos produtos que acondicionam, deveriam as mesmas, portanto, seguir o mesmo tratamento tributário do produto principal; h) cita soluções de consulta de Superintendências Regionais da Receita Federal, as quais, segundo entende, levariam ao entendimento de que as embalagens classificarseiam como produtos intermediários; i) assevera que a distinção entre “embalagem de apresentação” e “embalagem de transporte”, trazida no acórdão contestado, “é totalmente descabida, uma vez que o próprio Superior Tribunal de Justiça comunga com o entendimento do CARF quanto a extensão do conceito de insumo para fim (sic) de creditamento de PIS e COFINS”; j) a legislação do IPI não poderia ser utilizada para fins da não cumulatividade do PIS/PASEP, posto que enquanto no IPI o fato gerador é a industrialização, no PIS/PASEP o fato gerador decorre das receitas provenientes da produção da empresa; k) quanto às glosas decorrentes de depreciação, ressalta que, diferentemente do que foi asseverado na decisão de primeira instância, tal assunto fora contraditado, dada a inconformidade do contribuinte com a totalidade das glosas, como consta no item V, letra “b”, de sua contestação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 188 5 Por todo o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade dos créditos até o proferimento da decisão definitiva e reformada integralmente a decisão de primeira instância, com a consequente homologação das compensações vinculadas ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e apresentado por parte legítima. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. Porém, há que registrar que parte da matéria objeto das glosas dos créditos pleiteados não foi realmente contraditada. Isso ocorreu em relação às glosas decorrentes de depreciação, assim como em relação à informação divergente entre a DACON e à planilha apresentada pela empresa. Nesse sentido, contrariamente ao que alega a interessada, não vale apenas contestar de forma geral a totalidade das glosas, mas abordar fundamentadamente as razões de fato e de direito que entende, alicerçam seu recurso. Vale lembrar que o motivo da glosa correspondente à depreciação foi a não comprovação da referida despesa, portanto, matéria de fato, o que torna impossível qualquer exame diante da inexistência de apresentação de argumentos específicos da interessada inerentes ao problema. Portanto, impende seja aplicado ao caso o disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, conhecendose, consequentemente, do recurso, apenas no que diz respeito ao aduzido direito em relação às embalagens. Mérito Como dito, o recurso se restringe a exame de questão de direito relacionada à possibilidade ou não de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade em relação a despesas com embalagens (pallets, cantoneiras, dentre outros). Sobre o assunto, entendeu a instância recorrida que os gastos efetuados com a aquisição de pallets, cantoneiras e demais produtos que o contribuinte emprega para embalar e proteger as frutas comercializadas até o destino final não geram direito creditório, posto que referidos produtos são utilizados apenas para armazenagem, movimentação e transporte dos produtos, se agregando ao produto apenas depois de encerrado o ciclo produtivo. Com efeito, a legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003) autoriza o desconto de créditos apurados com base em Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para a questão em exame o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. A DRJ Fortaleza, ao examinar o problema, atribuiu a insumo o sentido do termo extraído da legislação do IPI. Esse, aliás, foi o alcance dado ao termo pela própria Receita Federal ao editar as Instruções Normativas nos 247, de 2002 (relativa ao PIS não cumulativo) – artigo 66 –, e 404, de 2004 (inerente à COFINS nãocumulativa) – artigo 8o. Essa questão já foi amplamente discutida neste colegiado, tendo esta Turma, em sessão realizada em outubro de 2012, pacificado o entendimento sobre o alcance do termo “insumo” para fins do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Nesse sentido, reproduzo trecho do voto do conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo no 16366.000288/200937 (acórdão no 3802001.418, de 23/10/2012), que, por sua vez, se reporta a voto do conselheiro Regis Xavier Holanda proferido em setembro de 2012 (acórdão nº 3802001.309). Aqui, adoto o entendimento dos i. colegas, abaixo reproduzido: A divergência de entendimento, a meu ver, decorre da utilização de regimes jurídicos distintos para definir o significado e alcance jurídicos do termo insumo, pois, enquanto a fiscalização adota como referência o regime jurídico próprio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Recorrente utiliza como referencial o regime jurídico da não cumulatividade que rege a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep. Assim, por utilizar um referencial jurídico estranho ao regime de cobrança da referida Contribuição, o entendimento esposado pela fiscalização, ao meu ver, discrepa do sentido e alcance jurídico do termo insumo, explicitado no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais). A questão foi analisada com brilhantismo pelo i. Conselheiro Regis Xavier Holanda no voto vista que serviu de fundamento para o Acórdão nº 3802001.309, proferido por esta Turma Especial, na Sessão de 26 de setembro de 2012, de extraio os trechos a seguir reproduzidos: A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo que apresenta Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 189 7 contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva1. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa2. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos3. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 13053.000211/200672, em 09 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da 1 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. 2 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 3 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 190 9 materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que – no caso dos bens não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como bem ressaltado pelo nobre Conselheiro, a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep tem como referencial de “incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional”. Com base nesse entendimento, é inevitável a conclusão no sentido de que, no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, todos os bens e serviços que compõem o custo de produção são considerados insumos habilitados a gerar crédito, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002. Corrobora ainda com o entendimento aqui esposado, o teor do art. 290, I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) Reforça o entendimento supra – no sentido de que não se pode dar ao conceito de insumo o sentido próprio da legislação do IPI – o fato de a legislação inerente ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS também prever creditamento em relação a insumos de serviços, o que, para o IPI, não faz nenhum sentido. Assim, o termo deverá ser tratado especificamente para as contribuições em tela, como já fartamente demonstrado no julgado cujo entendimento adotamos para dirimir a presente lide. No caso presente, em que a empresa exporta frutas frescas, é incontroverso que referido transporte necessite do adequado acondicionamento da mercadoria a fim de preservar sua integridade até a chegada no porto de destino. Com efeito, de acordo com o relatório fiscal, os pallets, as cantoneiras e os demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas são utilizados no processo como embalagens, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais de destino. Portanto, o gasto com tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadra no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, devendo, pois, ser computado na base de cálculo dos créditos do PIS/PASEP nãocumulativo. Da conclusão Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Por todo o exposto, voto para conhecer do recurso apenas no que diz respeito ao aduzido direito em relação às embalagens, dandolhe, nessa parte, provimento, reconhecendo, consequentemente, o direito creditório em relação aos gastos da empresa com embalagens necessárias ao acondicionamento da mercadoria (pallets, cantoneiras, e demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas), posto que tais produtos se enquadram no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, devendo, pois, ser computados na base de cálculo dos créditos do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade. Sala de Sessões, em 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 191 11 Declaração de Voto Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Conceito de insumos O regime de não cumulatividade na cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS encontra seus contornos normativos, em âmbito legal estrito, na Lei nº 10.637, de 2002, e na Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente. Inicialmente, restou definido pelo artigo 1º das referidas Leis que essas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e como base de cálculo o valor desse faturamento4. Já com o objetivo de delinear o regime de incidência nãocumulativa dessas contribuições, o artigo 3º dessas Leis previu um rol taxativo de créditos que podem ser descontados do valor do tributo inicialmente apurado. Vejamos5: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 4 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. ............................................................ 5 Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) .................................. Destaques apostos. Essa é, portanto, em linhas gerais, a arquitetura legal pensada para dar efetividade ao regime de incidência nãocumulativa das presentes contribuições: o estabelecimento de um rol taxativo de operações aptas a gerar créditos a serem descontados do valor determinado da contribuição. Dentre essas operações, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637 de 2002, bem como o correspondente preceito da Lei no 10.833/2003, prevêem o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Daí surge a necessidade de se definir, para fins de creditamento, o que são insumos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A previsão de tomada de créditos inserta no artigo 3º, II, pode ser assim quadripartida: a) bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; b) bens utilizados como insumo na prestação de serviços; c) serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; d) serviços utilizados como insumo na prestação de serviços. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 192 13 Neste ponto, muito controvérsia se estabeleceu no contencioso administrativo e judicial em relação, por enquanto, à situação relacionada à utilização de bens como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a). O nascedouro das discordâncias repousa principalmente na interpretação dada pela Receita Federal a esse dispositivo especialmente ao item a acima indicado através das Instruções Normativas nºs 247, de 2002, e 404, de 2004. Vejamos, e.g., o primeiro desses normativos: IN SRF Nº 247/02 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo que apresenta contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente – a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 3802001.426 S3TE02 Fl. 193 15 insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva6. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa7. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos8. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 13053.000211/200672, em 09 6 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. 7 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 8 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 16 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que – no caso dos bens – não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias. No caso presente, deseja a recorrente ver reconhecido direito creditório relativo a contribuição para o PIS relativamente a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior. De início, diante do sentido próprio a ser conferido ao conceito de insumo previsto pela legislação da contribuição para o PIS e da COFINS (art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003), extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, tenho que referidas despesas não se enquadram no referido conceito. Com efeito, as despesas com embalagens, no caso presente, foram feitas para utilização, não no processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, relacionada ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Dessa forma, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Portanto, não há previsão legal que admita as despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias para fins de creditamento da contribuição para o PIS e da COFINS uma vez que as mesmas não são aplicadas diretamente durante o processo de industrialização, tratandose, na verdade, de despesas agregadas em momento posterior à conclusão do processo produtivo, razão pela qual não se qualificam como insumo. Assim, pelo exposto, voto pelo integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13896.908048/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório COMPUHELP COMPUTER SERVICE COMERCIAL LTDA. formulou Declaração de Compensação – Dcomp com vistas à extinção de débitos próprios, no valor de 30.397,62, com crédito oriundo de indébito de PIS, período de apuração de fevereiro de 2003 (pagamento efetuado em 31/03/2003, no valor de R$ 149.314,03). O Despacho Decisório Eletrônico nº 791201255 (fls. 8) não homologou a compensação porque “.. o DARF (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 80 48 /2 00 8- 38 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.” Sobreveio reclamação, fls. 14 a 22), por meio da qual o declarante ofereceu as seguintes alegações: a) de que retificou a declaração de compensação em tela, porque teria ocorrido erro no preenchimento das informações relativas ao documento de arrecadação que gerou pagamento indevido b) a legislação confere o direito à compensação dos valores pagos a maior c) no mérito, argumenta que o direito creditório aproveitado tem origem em pagamentos ao PIS calculados nos termos do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 d) discute a legitimidade da cobrança do PIS com base nos citados DecretosLeis no âmbito de ação de Mandado de Segurança (nº 2003.61.00.0068824) e solicita que a discussão administrativa seja suspensa até que decisão final definitiva seja prolatada no âmbito do Poder Judiciário. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05033.787, de 23 de maio de 2011, fls. 46 a 49, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 54 a 64, após síntese dos fatos relacionados com a lide, assevera que a decisão não deve prosperar, “... pois conforme PER/DCOMP já acostado aos autos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, a Contribuinte, em cumprimento à anterior intimação recebida pela Receita Federal, demonstrou a retificação do PER/DCOMP objeto do despacho decisório, pois o campo no qual constam os dados do DARF havia sido preenchido erroneamente, tudo conforme se vê no anexo PER/DCOMP retificador, também acostado aos autos. Na continuação, discorre sobre o instituto da compensação, a inconstitucionalidade dos decretosleis nº 2.445 e nº 2.4449, ambos de 1988, e sobre o direito Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13896.908048/200838 Acórdão n.º 3803003.567 S3TE03 Fl. 81 3 que lhe foi assegurado no MS n9 2003.61.00.0068824, muito embora advenha de decisão que ainda não transitou em julgado. Conclui, requerendo que seja recebido e julgado totalmente procedente o seu recurso para o fim de reformar o acórdão proferido, reconhecendo a existência do crédito tributário em seu favor, conforme consta no anexo PER/DCOMP retificador; ou, subsidiariamente, para o fim de suspender a exigibilidade do crédito em questão, até decisão judicial final transitada em julgada no Mandado de Segurança nº 200361000068824. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 54 a 64 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 05033.787, de 23 de maio de 2011. O voto condutor da decisão recorrida assevera que, conforme documentos constantes dos autos, o interessado foi intimado, antes da emissão do DDE nº 791201255 (fls. 8), a verificar os dados do DARF informados na declaração de compensação original. Na intimação, foi ainda instruído no sentido de que, caso fossem identificadas divergências, fosse transmitida nova DCOMP para sanálas. O recorrente efetivamente retificou a DCOMP original como afirmado. Todavia, na Dcomp retificadora, conforme tela juntada aos autos pelo relator da decisão recorrida, o declarante informou como crédito o mesmo pagamento indigitado na Dcomp original, no valor de R$ 149.314,03, efetuado em 31/03/2003, que não havia sido localizado e que, novamente, não foi localizado pelo sistema da Receita Federal. A decisão recorrida observa ainda que o interessado não trouxe aos autos a comprovação de teria realizado pagamento com as características consignadas na DCOMP não homologada. Ademais, a invocação o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.00688241 como origem do direito creditório não prosperará, haja vista que, no período de apuração a que se refere o pagamento pretensamente indevido, fevereiro de 2003, a base legal para a 1 impetrado pela ora Recorrente em face da Receita Federal, objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica entre as partes no que se refere à cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis ne 2.445 e 2.449, a qual foi julgada procedente pelo Juízo de l5 Instância, o qual assim decidiu: "Posto isso, julgo procedente o pedido, nos termos do art. 269, I, do CPC para o fim de declarar indevida a cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis n5s 2.445 e 2.449, reconhecendo o direito das Autoras a não se sujeitarem às restrições de caráter infralegal podendo compensar as parcelas a maior recolhidas a título de PIS, na forma dos mencionados decretosleis, representadas pelos DARFs anexados aos autos, com as parcelas vincendas das contribuições relativas ao próprio PIS, COFINS e CSLL, até o seu exaurimento, observada a prescrição quinquenal.O termo "a quo" da prescrição quinquenal será a data da ocorrência da homologação tácita ou expressa do lançamento, levada a efeito pelo contribuinte". O julgamento do RE impetrado pela União foi sob sobrestado, até que fosse julgado o RE 1.016.728. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 incidência da Contribuição era a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e não os malsinados decretos leis. Não se trata, portanto, de reconhecer a concomitância de processos administrativo e judicial, pois seja qual for o provimento que obtiver o contribuinte, ora recorrente, na referida ação judicial, a compensação não será implementada com base na Dcomp ora sub judice, em face do PA a que se refere o pagamento indigitado como indevido. Incidental e finalmente, a compensação declarada na Dcomp de que se trata violou também a norma do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, pois foi implementada antes do trânsito em julgado da decisão judicial que teria reconhecido o direito. Com base nessas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908050/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório COMPUHELP COMPUTER SERVICE COMERCIAL LTDA. formulou Declaração de Compensação – Dcomp com vistas à extinção de débitos próprios, no valor de 4.880,69, com crédito oriundo de indébito de PIS, período de apuração de fevereiro de 2003 (pagamento efetuado em 31/03/2003, no valor de R$ 149.314,03). O Despacho Decisório Eletrônico nº 791201278 (fls. 8) não homologou a compensação porque “.. o DARF (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 80 50 /2 00 8- 15 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.” Sobreveio reclamação, fls. 13 a 21), por meio da qual o declarante ofereceu as seguintes alegações: a) de que retificou a declaração de compensação em tela, porque teria ocorrido erro no preenchimento das informações relativas ao documento de arrecadação que gerou pagamento indevido b) a legislação confere o direito à compensação dos valores pagos a maior c) no mérito, argumenta que o direito creditório aproveitado tem origem em pagamentos ao PIS calculados nos termos do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 d) discute a legitimidade da cobrança do PIS com base nos citados DecretosLeis no âmbito de ação de Mandado de Segurança (nº 2003.61.00.0068824) e solicita que a discussão administrativa seja suspensa até que decisão final definitiva seja prolatada no âmbito do Poder Judiciário. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05033.789, de 23 de maio de 2011, fls. 48 a 51, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 56 a 66, após síntese dos fatos relacionados com a lide, assevera que a decisão não deve prosperar, “... pois conforme PER/DCOMP já acostado aos autos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, a Contribuinte, em cumprimento à anterior intimação recebida pela Receita Federal, demonstrou a retificação do PER/DCOMP objeto do despacho decisório, pois o campo no qual constam os dados do DARF havia sido preenchido erroneamente, tudo conforme se vê no anexo PER/DCOMP retificador, também acostado aos autos. Na continuação, discorre sobre o instituto da compensação, a inconstitucionalidade dos decretosleis nº 2.445 e nº 2.4449, ambos de 1988, e sobre o direito Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13896.908050/200815 Acórdão n.º 3803003.569 S3TE03 Fl. 83 3 que lhe foi assegurado no MS n9 2003.61.00.0068824, muito embora advenha de decisão que ainda não transitou em julgado. Conclui, requerendo que seja recebido e julgado totalmente procedente o seu recurso para o fim de reformar o acórdão proferido, reconhecendo a existência do crédito tributário em seu favor, conforme consta no anexo PER/DCOMP retificador; ou, subsidiariamente, para o fim de suspender a exigibilidade do crédito em questão, até decisão judicial final transitada em julgada no Mandado de Segurança nº 200361000068824. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 56 a 66 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 05033.789, de 23 de maio de 2011. O voto condutor da decisão recorrida assevera que, conforme documentos constantes dos autos, o interessado foi intimado, antes da emissão do DDE nº 791201278 (fls. 8), a verificar os dados do DARF informados na declaração de compensação original. Na intimação, foi ainda instruído no sentido de que, caso fossem identificadas divergências, fosse transmitida nova DCOMP para sanálas. O recorrente efetivamente retificou a DCOMP original como afirmado. Todavia, na Dcomp retificadora, conforme tela juntada aos autos pelo relator da decisão recorrida, o declarante informou como crédito o mesmo pagamento indigitado na Dcomp original, no valor de R$ 149.314,03, efetuado em 31/03/2003, que não havia sido localizado e que, novamente, não foi localizado pelo sistema da Receita Federal. A decisão recorrida observa ainda que o interessado não trouxe aos autos a comprovação de teria realizado pagamento com as características consignadas na DCOMP não homologada. Ademais, a invocação o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.00688241 como origem do direito creditório não prosperará, haja vista que, no período de apuração a que se refere o pagamento pretensamente indevido, fevereiro de 2003, a base legal para a 1 impetrado pela ora Recorrente em face da Receita Federal, objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica entre as partes no que se refere à cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis ne 2.445 e 2.449, a qual foi julgada procedente pelo Juízo de l5 Instância, o qual assim decidiu: "Posto isso, julgo procedente o pedido, nos termos do art. 269, I, do CPC para o fim de declarar indevida a cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis n5s 2.445 e 2.449, reconhecendo o direito das Autoras a não se sujeitarem às restrições de caráter infralegal podendo compensar as parcelas a maior recolhidas a título de PIS, na forma dos mencionados decretosleis, representadas pelos DARFs anexados aos autos, com as parcelas vincendas das contribuições relativas ao próprio PIS, COFINS e CSLL, até o seu exaurimento, observada a prescrição quinquenal.O termo "a quo" da prescrição quinquenal será a data da ocorrência da homologação tácita ou expressa do lançamento, levada a efeito pelo contribuinte". O julgamento do RE impetrado pela União foi sob sobrestado, até que fosse julgado o RE 1.016.728. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 incidência da Contribuição era a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e não os malsinados decretos leis. Não se trata, portanto, de reconhecer a concomitância de processos administrativo e judicial, pois seja qual for o provimento que obtiver o contribuinte, ora recorrente, na referida ação judicial, a compensação não será implementada com base na Dcomp ora sub judice, em face do PA a que se refere o pagamento indigitado como indevido. Incidental e finalmente, a compensação declarada na Dcomp de que se trata violou também a norma do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, pois foi implementada antes do trânsito em julgado da decisão judicial que teria reconhecido o direito. Com base nessas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
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