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Numero do processo: 13984.002106/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
MATÉRIA NÃO TRAZIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2004
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE PELOS ASSOCIADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO.
A legislação permite que cooperativa de trabalho compense o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta.
Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionaram as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - AUSÊNCIA . NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A ausência de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 1302-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13984.000024/2010-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE PELOS ASSOCIADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. A legislação permite que cooperativa de trabalho compense o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionaram as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - AUSÊNCIA . NÃO HOMOLOGAÇÃO. A ausência de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 21 06 /2 00 8- 29 Fl. 339DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.878 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002106/2008-29 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13984.000024/2010-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte de Cooperativas. Após análise, a Delegacia da Receita Federal de Lages/SC homologou parcialmente a compensação. De acordo com a decisão, a cooperativa de trabalho pode compensar, durante o ano-calendário, créditos relativo ao código de retenção 3280 (retenções sofridas pela cooperativa de trabalho) com débitos relativos aos códigos de retenção 3280 ou 0588 (retenções sobre rendimento de trabalho sem vínculo empregatício). Entretanto, verificou- se que nem todos os créditos corresponderiam ao código de retenção 3280, razão pela qual foram glosados. Também foram glosados os créditos que não foram confirmados nas DIRF (Declaração do Imposto de Retido na Fonte), ou que foram declarados na DCOMP em valor superior ao confirmado na citada declaração. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => que todos os créditos estão devidamente comprovados na escrituração contábil, não podendo ser penalizada pelo fato de que o imposto que lhe foi retido, ou seja, efetivamente pago, não tenha sido recolhido aos cofres públicos por quem a Lei atribuiu a obrigação de reter e recolher. => não pode ser glosado a compensação do imposto que lhe foi retido, crédito líquido e certo, pelo fato de que o mesmo tenha sido recolhido com código incorreto (no caso, 1708 em vez de 3280), pois se trata de erro de terceiro, sem nenhuma interferência e/ou responsabilidade da interessada. => não há na Legislação Tributária nenhuma vinculação para a compensação do IRRF, em especial ao que se refere este processo, com o efetivo recolhimento dos valores retidos, que cabe única e exclusivamente à Pessoa Jurídica que promoveu a retenção, sendo que o mesmo se aplica no que se refere a eventual recolhimento em código incorreto. Fl. 340DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.878 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002106/2008-29 => a permanecer este entendimento, a Receita Federal estará transferindo ao contribuinte a responsabilidade de fiscalizar o efetivo recolhimento e a correção do código utilizado. => para facilitar a análise, junta planilha analítica de todos os créditos utilizados, bem como o CNPJ da Pessoas Jurídicas contratantes e os números das faturas, com o que a Receita Federal do Brasil poderá buscar junto a estes os créditos tributários que lhe são de direito. A 4ª Turma da DRJ/São Paulo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da totalidade da compensação. O recurso voluntário foi apresentado trazendo as seguintes alegações: => o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, devendo a Administração apreciar todos os dados e fatos que envolvem o problema a si submetidos. => a recorrente junta, muito embora em segunda instância, os documentos que fazem prova do valor total dos serviços prestados e do valor efetivamente recebido de seus clientes. => junta as faturas que originaram os créditos, cópia do Livro Diário/Razão comprovando os valores efetivamente recebidos, bem como planilha discriminando o CNPJ do cliente, as faturas, o valor bruto e líquido, a retenção na NF, data do recebimento. => em razão do grande volume de dados, parte das planilhas e documentos serão complementados em momento seguinte ao protocolo do recurso, mas antes de seu julgamento. => de acordo com o artigo 45 da Lei nº 8.541/1992 e do artigo 41 da IN SRF nº 900/2008, conclui-se que a responsabilidade de recolhimento do tributo transmuda-se do Contribuinte ao Responsável. => o valor retido e não pago não implica em responsabilidade do Contribuinte, pois não lhe foi dado poder de polícia nem o direito de obrigar o Responsável a recolher o tributo. => conforme planilha anexada, há recolhimentos por parte do tomador de serviços tanto no código 3280 e 1708. Fl. 341DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.878 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002106/2008-29 => trata-se de evidente erro material os valores recolhidos com código 1708, vez que a recorrente se enquadra no código 3280 por conta de sua atividade de cooperativa de trabalho. => requer que sejam considerados válidos os créditos alusivos aos códigos 1708, até porque recolhidos, reduzindo-se a exação fiscal, bem como seus acessórios (multa, etc) => já foram apresentadas provas na manifestação de inconformidade, motivo pelo qual também devem ser reconhecidos os créditos demonstrados naqueles documentos. => com a glosa dos créditos que não foram repassados ao Fisco pelo tomador do serviço, a recorrente está sendo penalizada com aplicação de multa, sofrendo as consequências pela prática de ato de terceiro, inobservando o Princípio da Individualização da Pena. => assim, caso seja mantida a glosa, requer que seja excluída a multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1302-003.853, de 15 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13984.000024/2010-64, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302-003.853): DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Entretanto, com relação ao item da defesa “2.5 – Da impossibilidade de se exigir penalidade de quem não é responsável pelo recolhimento pelo tributo”, requerendo a exclusão da multa aplicada (a multa de mora dos débitos cuja compensação não foi homologada), cumpre verificar que não foi aduzida na manifestação de inconformidade. Logo, com base nos artigos 14 e 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72, concluo que ocorreu a preclusão consumativa para esta matéria, não devendo ser conhecida. Do exposto, conheço em parte o recurso voluntário. DO MÉRITO A recorrente afirma em sua defesa que o processo administrativo deve observar o Princípio da Verdade Material, motivo pelo qual apresenta provas, muito embora em segunda instância, que demonstram a higidez do crédito. Alega que não é sua obrigação a comprovação da retenção na fonte, e que as fontes pagadoras incorreram em equívoco em informar na DIRF o código 1708. Fl. 342DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.878 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002106/2008-29 Passo a julgar. Com relação às provas trazidas em sede de recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser apreciadas em razão da dialética que ocorre no processo administrativo fiscal, já que foi a decisão de piso que instou a recorrente a fazê-lo, ao afirmar que caberia a recorrente trazer, além da escrituração contábil, todas as Notas Fiscais, comprovante de pagamento líquido com as respectivas retenções, comprovantes de retenção do imposto de renda retido na fonte, etc. Entendo que, nestes casos, se aplica o disposto do artigo 16, § 4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235/72. Quanto a mérito propriamente, a Declaração de Compensação pretende compensar os créditos de IRRF, incidentes sobre o montante pago por pessoas jurídicas, com os débitos de IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos seus cooperados. Ao analisar o pleito, a unidade de jurisdição limitou o crédito aos valores de IRRF confirmados em DIRF e com código de retenção fosse o 3280. A base legal para esta compensação está no artigo 45 da Lei nº 8.541/92, que assim dispõe: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Da leitura do dispositivo, verifica-se que a legislação restringe a compensação do imposto incidente sobre o montante pago ou creditado por pessoas jurídicas à cooperativa de trabalho (como é o caso da recorrente) quando se trata de serviços pessoais que lhes foram prestados pelos seus associados, que devem ser retidos com o código de receita 3280. A própria recorrente traz no recurso voluntário a especificação deste código de receita, vinculando ao artigo 45 da Lei nº 8.541/92) Feito este introito, a defesa alega, resumidamente, que (i) os documentos comprovariam os valores retidos, (ii) que não lhe caberia a demonstração do recolhimento do IRRF e (iii) a fonte pagadora se equivocou ao informar código de retenção 1708. As provas apresentadas são: Planilha elaborada pela recorrente; Fl. 343DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.878 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002106/2008-29 Comprovantes de Rendimentos e Razão com saldo diário da conta “Contas a receber”. Ocorre que estes documentos não comprovam que os valores retidos pelas fontes pagadoras, sob o código 1708, estariam equivocados. Isto porque é possível que uma cooperativa preste serviços diretamente a terceiros não associados, situação cuja compensação prevista no artigo 45 da Lei nº 8.541/92 não abarca. Tanto que, em alguns comprovantes de rendimentos, a fonte pagadora teve o cuidado de informar as retenção sob os dois códigos (1708 e 3280). Logo, caberia à recorrente demonstrar o equivoco da fonte pagadora, e não apenas alegar que, por se tratar de cooperativa, toda retenção deveria se dar com o código 3280. Com relação a obrigatoriedade de comprovação da retenção, vale citar o artigo 55 da Lei nº 7.450/85, que determina que a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda retido na fonte se possuir o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. Logo, para os casos em que a retenção do imposto não foi confirmado pela DIRF (Declaração do Imposto de Retido na Fonte), é obrigação da recorrente a apresentação do comprovante de rendimentos. Concluo, portanto, que planilha elaborada pela própria recorrente, bem a apresentação da escrituração contábil desacompanhada de provas de que os serviços prestados seriam aqueles prestados pessoalmente pelo cooperado, não são suficientes para formação da convicção desta conselheira. CONCLUSÃO Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18239.000619/2009-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO.
A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Entretanto, elementos de prova adicionais aos simples recibos devem ser expressamente solicitados pela autoridade fiscal e, caso a solicitação não seja atendida, sua falta deve ser indicada no documento de lançamento como justificativa para a glosa efetuada, para que o contribuinte possa exercer plenamente seu direito de defesa.
Numero da decisão: 2001-001.431
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Entretanto, elementos de prova adicionais aos simples recibos devem ser expressamente solicitados pela autoridade fiscal e, caso a solicitação não seja atendida, sua falta deve ser indicada no documento de lançamento como justificativa para a glosa efetuada, para que o contribuinte possa exercer plenamente seu direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, em que foram glosadas deduções indevidas de despesas médicas, a juízo da autoridade lançadora, referentes a supostos pagamentos feitos a Vanessa Costa Farias, dentista, no valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 06 19 /2 00 9- 32 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.431 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000619/2009-32 total de R$ 2.200,00, tendo como justificativa específica, a falta nos recibos apresentados do número de inscrição da profissional no conselho de classe. Conforme se extrai do acórdão da DRJ em Campo Grande/MS (fl. 19 e segs.), o contribuinte apresentou impugnação onde subentende-se que requer o cancelamento do lançamento e anexou os seguintes documentos com os quais pretendeu comprovar as despesas: - cópia autenticada da Inscrição da Profissional no Conselho Federal e Regional de Odontologia da República Federativa do Brasil de Vanessa Costa Farias CPF 084.916.437-02, onde consta o CRO RJ - CD – 29026 Livro: 71 Folha: 147 Processo: 7249/2002 Data 21/12/2002. - cópia autenticada da Carteira mencionada acima. Após análise, a DRJ concluiu por considerar os documentos insuficientes para comprovar as despesas, pelas seguintes razões, conforme transcrito do acórdão: “Em que pese haver saneado a falta do número da inscrição da profissional pela apresentação do CFO da dentista, anexada à fl. 07, verifica-se que nos recibos a descrição dos serviços prestados é genérica e, por se tratarem de despesas de valor considerável, necessitaria que o efetivo dispêndio fosse confirmado por meio de documentos complementares, tais como extratos bancários; microfilmes de cheques, além de provas complementares da efetiva prestação dos serviços, tais como resultados de exames laboratoriais, etc.” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela total improcedência da impugnação e consequente manutenção das glosas efetuadas pelo Fisco e do crédito tributário lançado. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de fl. 29, junto ao qual anexou declaração da dentista onde a mesma confirma o valor total recebido, as parcelas pagas e respectivas datas, o beneficiário dos serviços prestados (filho da recorrente) e a especificação dos mesmos. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Passo então à análise da questão posta, qual seja, se os recibos, declaração da profissional e demais documentos apresentados relativos a supostos pagamentos por serviços prestados por Vanessa Costa Farias, dentista, totalizando R$ 2.200,00, são suficientes para provar o alegado, para fins de sua utilização pelo contribuinte como dedução da base de cálculo do IRPF na declaração de ajuste anual. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.431 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000619/2009-32 Ainda do Decreto nª 3.000/99: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III-limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Do primeiro dispositivo acima transcrito, a autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar elementos de convicção da efetiva realização, bem como da natureza da despesa que se pretende deduzir. Assim, é lícito ao Fisco exigir, a seu critério, elementos comprobatórios das despesas, caso haja indícios que levem a questionamentos da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. A não apresentação dos elementos solicitados, ou sua não aceitação como hábeis e idôneos, pode ensejar a glosa dos valores deduzidos. Trata-se o IRPF apurado na declaração de ajuste anual de um dos tributos para os quais ocorre o denominado lançamento por homologação, vale dizer, aquele em que o sujeito passivo tem o dever de apurar, declarar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade tributária. O pagamento assim antecipado extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Cabe nesse caso ao contribuinte apurar os rendimentos tributáveis e, caso queira, deduzir as despesas da natureza e nos limites que a lei lhe faculta, para então estabelecer a base de cálculo do imposto. Como regra, não são dedutíveis da base de cálculo do IRPF as despesas gerais do contribuinte, quer sejam necessárias, indispensáveis ou meramente úteis, como aluguel do imóvel em que reside, alimentação, lazer, pagamento de aulas de idiomas estrangeiros, e uma infinidade de outras. As despesas dedutíveis são, em verdade, exceções que o legislador entendeu por conceder, atendidas determinados limites e condições. Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está Fl. 37DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.431 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000619/2009-32 sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. É certo também que no curso da ação fiscal, deve o auditor responsável intimar com clareza o contribuinte fiscalizado sobre que elementos devem ser apresentados para análise dos fatos a serem apurados, descrevendo-os de forma a perfeitamente identificá-los. Posteriormente, caso a autoridade fiscal conclua pelo lançamento do crédito tributário, deve apresentar a descrição clara e objetiva dos fatos e das infrações cometidas que ensejaram a apuração do mesmo. Isso para que o contribuinte possa, caso queira, exercer plenamente seu direito de defesa. No caso em análise temos do documento de lançamento, na parte “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl.4) a denominação da infração apontada como “dedução indevida de despesas médicas”, seguida do valor da glosa efetuada e da descrição genérica “indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução”. Logo abaixo no citado documento, após a citação da legislação correlata, lê-se a título de “COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇAO DOS FATOS”: “GLOSA DE R$2.200,00 REFERENTE A RECIBOS EMITIDOS POR VANESSA C.FARIAS SEM NÚMERO DE INSCRIÇÃO DO PROFISSIONAL NO CONSELHO RESPECTIVO.” Foi esta a pendência expressamente apontada pela autoridade fiscal para a não aceitação dos recibos apresentados no curso da ação fiscal como suficientes para comprovar as despesas médicas em questão, e que ao final ensejou o lançamento do crédito tributário: a falta nos recibos do número de inscrição da dentista no CRO. Nada mais. Poderia sim, a seu juízo, a autoridade lançadora ter exigido outros elementos, entretanto não o fez. Em sede de impugnação, a turma julgadora da DRJ confirmou o saneamento da pendência apontada, do número da inscrição da prestadora no órgão de classe, mas manteve a glosa imposta pelo Fisco sob a alegação de que, dada a relevância do valor envolvido, necessitaria que o efetivo dispêndio fosse confirmado por meio de documentos bancários além de provas complementares da efetiva prestação dos serviços. Ora, a falta da comprovação do efetivo pagamento por meio de outros documentos além dos simples recibos, bem como a apresentação de exames ou outros elementos para fins de provas complementares da efetiva prestação dos serviços, não foi apontada pela Fiscalização. Soma-se a isso o fato de que o valor total das despesas em questão é compatível com um tratamento odontológico até de menor complexidade, em parcelas plausíveis de terem sido pagas em dinheiro, e que representa menos de 2% da renda tributável declarada da contribuinte no período. Ainda, a recorrente teve o cuidado de obter e trazer ao processo, em sede de recurso voluntário, declaração da profissional com clara descrição dos procedimentos odontológicos efetuados e seus valores. O órgão julgador administrativo pode e deve reforçar as justificativas da autoridade fiscal para o lançamento, se as entender corretas, entretanto não deve inovar na lide com novas exigências, caso contrário o litígio tornar-se-ia infindável, com risco de cerceamento do direito de defesa do recorrente. Cabe aqui mencionar que os recibos emitidos pela dentista o foram em favor de Felipe Vilaça Willeman Moura, supostamente filho e dependente da recorrente. Não há nos autos qualquer elemento comprovando essa relação de dependência para fins de DIRPF. Entretanto Fl. 38DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.431 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000619/2009-32 também não consta dos autos que essa condição tenha sido questionada pelo Fisco ou pela DRJ, não cabendo, portanto, verificação por parte desta turma julgadora do CARF. Desta forma, como a contribuinte saneou em sede de impugnação a pendência apontada no lançamento, entendo que deve ser restabelecida a dedução a título de despesas médicas dos pagamentos efetuados à dentista Vanessa Costa Farias, no total de R$ 2.200,00. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções de despesas médicas pagas a Vanessa Costa Farias e em consequência exonerar o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000972/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF – DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. PROVA INSUFICIENTE.
Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no ano-calendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa.
Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74.
No caso, não houve apresentação de provas suficientes que demonstrassem que a empresa esta inapta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.034
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF – DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. PROVA INSUFICIENTE. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no ano-calendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa. Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74. No caso, não houve apresentação de provas suficientes que demonstrassem que a empresa esta inapta. Recurso Voluntário Negado.
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OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. PROVA INSUFICIENTE. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no anocalendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa. Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74. No caso, não houve apresentação de provas suficientes que demonstrassem que a empresa esta inapta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 23/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (presidente da turma), Acácia Sayuri Wakasugi, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório O contribuinte acima identificado foi notificado (fl. 2) em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2003, com aplicação de multa no valor mínimo estipulado em R$ 165,74. O requerente apresentou impugnação com alegações que a empresa estava desativada e que não tinha condições financeiras para pagar o crédito tributário lançado. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A ciência do julgamento em primeira instância deuse em 03 de dezembro de 2008 (fl. 25) e o contribuinte interpôs recurso em 17 de dezembro de 2008 (fl. 26), alegando que a firma da qual era sócio estava, à época, desativada e hoje não existe mais, e que não tem condições de efetuar o pagamento da multa no prazo estipulado. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10650.000972/200516 Acórdão n.º 210201.034 S2C1T2 Fl. 34 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, lavrado em 18 de maio de 2005. A Lei nº 9.250/1995 determina que a pessoa física que se enquadre nos requisitos da obrigatoriedade deverá apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Na inobservância, determina o artigo 88 da Lei nº 8.981/1995 a aplicação de multas, conforme segue: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997). II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. O valor da multa foi convertido em reais pela Lei nº 9.532/1997. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Pela legislação corrente, está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no anocalendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa. Analisando os autos verificase que o recorrente apresentase como responsável perante o Ministério da Fazenda de uma pessoa jurídica com situação cadastral Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 “regular” (fl. 19), cuja última alteração ocorreu em 12 de outubro de 2005. Apesar das alegações que a empresa se encontra desativada, não foram juntadas as respectivas provas. Em que pese a argumentação das dificuldades financeiras, não há vinculação do lançamento à atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. De acordo com o Código Tributário Federal, art. 97, somente a lei pode estabelecer “as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.901048/2010-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 1003-000.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, que lhe deram provimento parcial para reconhecer o erro material e a possibilidade de indébito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, que lhe deram provimento parcial para reconhecer o erro material e a possibilidade de indébito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 10 48 /2 01 0- 03 Fl. 98DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.927 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901048/2010-03 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão nº 02-86.837, de 29 de junho de 2018, da 10ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A contribuinte formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 24398.27442.210906.1.3.04-7886, em 21/09/2006, e-fls. 2- 6, utilizando-se de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (código 5993), determinado sobre a base de cálculo estimada relativa ao mês de abril do ano-calendário de 2002, para compensação dos débitos ali confessados. A DRF Caxias do Sul entendeu por bem não homologar a compensação pleiteada ao argumento de que com base nas informações prestadas no PER/DCOMP nº 24398.27442.210906.1.3.04-7886, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às e-fls. 13 e 14, alegando que cometeu um erro de preenchimento da DCOMP, uma vez que informou como origem do crédito um pagamento indevido ou a maior, quando o correto é saldo negativo de IRPJ pago por estimativa referente ao ano de 2002. No acórdão de nº 02-86.837, o pedido da Recorrente foi julgado improcedente, pelos seguintes motivos: - Informar um pagamento indevido do recolhimento mensal do IRPJ em lugar de um saldo negativo de tributo não configura mero erro formal, por serem inúmeras as implicações materiais observadas no procedimento de análise de cada tipo de crédito e específicos os critérios de análise do direito creditório passível de reconhecimento. - A apuração do saldo negativo de tributo apurado ao final de um período anual parte do valor do imposto devido, que é em seguida ajustado pelas estimativas pagas, as retenções sofridas e outras deduções legais. - Em resumo, a comprovação do saldo negativo depende do detalhamento de cada um dos seus componentes por parte da contribuinte, o que não foi feito, dada a inexistência de PER/DCOMP transmitida com a finalidade expressa de utilizar direito creditório oriundo de saldo negativo de tributo; - A legislação que regulamentou a compensação de tributos, embora possa a interessada ter efetivamente se equivocado no preenchimento do PER/DCOMP, o saneamento desse equívoco teria que ser efetuado antes do despacho decisório proferido a respeito da compensação dos débitos indicados no PER/DCOMP; - O PER/DCOMP é submetido à análise eletrônica, dito de outra forma, a confirmação do crédito indicado pelo contribuinte é feita com base nas informações constantes dos registros da RFB extraídas das declarações e documentos fiscais apresentados pelo próprio Fl. 99DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.927 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901048/2010-03 contribuinte, os quais devem refletir a exatidão dos fatos apurados e registrados em sua escrituração, inclusive; - A alteração das características do crédito informado tem a mesma natureza da apresentação de nova DCOMP, o que é vedado pelo § 3º, inciso V do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; - Por fim, deve ser observado o disposto nos artigos 56 da IN SRF nº 460/2004, 57 da IN SRF nº 600/2005 e 77 da IN SRF nº 900/2008, que admitem a retificação do PER/DCOMP apenas quando o mesmo ainda se encontrar pendente de decisão administrativa, o que não é o caso, pois a DRF/CAXIAS DO SUL já proferiu seu Despacho Decisório. O contribuinte tomou ciência do acórdão por meio do Edital Eletrônico n° 002746182. O Edital foi publicado em 28/09/2018 e a ciência por decurso de prazo em 15/10/2018 (e-fl. 95). Irresignado o contribuinte, ora Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/10/2018 (e-fls. 61-63) onde repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Juntou cópia da Ficha 12A das DIPJ 2003 (e-fls. 81-82) e DIPJ 2004 (e-fls. 83- 86). É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador,em conformidade com o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que Fl. 100DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.927 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901048/2010-03 a Recorrente altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A informação de que se o direito creditório se tratava de saldo negativo após a ciência do Despacho Decisório reveste-se de pedido de retratação de situação nova não passível de convalidação no presente momento, já que apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação de débito declarado. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo.Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Há que se registrar, outrossim, que à Recorrente foi dada oportunidade de retificar a PER/DCOMP antes da emissão do Despacho Decisório, conforme Termo de Intimação n° de rastreamento 825623357 acostada à e-fl. 7, no qual consta expressamente: "Se houver qualquer divergência, solicita-se transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição com esta intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado." A Recorrente tomou ciência da intimação em 09/04/2009 (e-fl. 8). Não vislumbro nos autos que a despeito de ter tomado ciência da divergência constada pelo Fisco na análise do PER/DCOMP a Recorrente tenha procurado corrigir o erro que alega ter cometido no seu preenchimento. Além disso, o acórdão recorrido manifestou-se claramente que a comprovação do saldo negativo depende do detalhamento de cada um dos seus componentes por parte da contribuinte. E nenhuma comprovação apresentou a Recorrente em sede de recurso voluntário, a não ser cópia das Fichas 12A das DIPJ 2003 e 2004, que diga-se, elaborada pela própria interessada, sem documentação que dêem suporte às informações ali prestadas Fl. 101DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.927 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901048/2010-03 Assim, não tendo sido apresentados pela Recorrente argumentos e provas para atestar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002712/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005
PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA.
Tratando-se da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.391
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento, pelo contribuinte, a advogada Dr. Ilana Benjó, OAB-RJ 103.345.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005 PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratando-se da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento, pelo contribuinte, a advogada Dr. Ilana Benjó, OAB-RJ 103.345. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 951 1 950 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002712/201055 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3202001.391 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria MULTA REGULAMENTAR. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente UM INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005 PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento, pelo contribuinte, a advogada Dr. Ilana Benjó, OABRJ 103.345. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 27 12 /2 01 0- 55 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 3202001.391 S3C2T2 Fl. 952 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório de julgamento da autoridade julgadora de primeira instância (DRJ de Florianópolis), abaixo transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 11.162.031,06 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada registrou as Declarações de Importação no período entre 07/03/2005 e 20/06/2005, listadas às folhas 3/4, informando ser a importadora e adquirente das mercadorias. Declarou ainda que a exportadora seria a empresa Direct Company de propriedade de Haroldo Lourenço da Silva. Em procedimento fiscal relativo a mercadorias declaradas da mesma forma, com os mesmo intervenientes, foi constatado que as cargas chegavam com falsa declaração de conteúdo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP e remetidas sob o regime de Trânsito Aduaneiro a unidade de outras regiões fiscais. Com base no tipo de mercadorias encontradas se concluiu que as mercadorias eram substituídas durante o trajeto do trânsito aduaneiro e descaminhadas. Verificouse que as mercadorias eram entregues no exterior pelo reais proprietários à empresa HR Corporation que cobrava taxa de acordo com o peso de cada pacote, não importando a qualidade ou tipo de mercadoria. As mercadorias declaradas não possuíam valor agregado e o frete chegava a 40% de seu valor, fato que demonstra a intenção delituosa. Concluiuse assim, que houve interposição fraudulenta de terceiros, com ocultação do real sujeito passivo, adquirente e comprador das mercadorias, mediante fraude e simulação, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa em razão de sua entrega a consumo. Em razão da fraude e simulação as faturas comerciais se revelaram ideologicamente falsas, infração também punível com a pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa em razão de sua entrega a consumo. Para fins de cálculo da multa, comprovado que as informações básicas de valor trataram de mercadorias diferentes das efetivamente internadas em território nacional, as faturas foram descaracterizadas e a valoração foi realizada com base no Sexto Método de Valoração do Gatt, arbitrando os valores por critérios razoáveis. Assim, calculouse o valor médio das mercadorias em função de seu peso, à razão de US$ 161,50 por quilo, conforme planilha de folhas 29/30. Assim, foi lavrado o auto de infração do presente processo, para exigência de multa prevista no artigo 23, parágrafo 3° do Decretolei n° 1.45511976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Regularmente cientificado por via postal (AR fl.868) o interessado Haroldo Lourenço da Silva não apresentou impugnação, conforme Termo de Revelia de folha 907. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 3202001.391 S3C2T2 Fl. 953 3 Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fl. 02) a interessada Um Instrumentos e Equipamentos Ltda apresentou a impugnação de folhas 869 a 890, com os documentos de folhas 891 a 905 anexados, alegando, em síntese o que segue. O crédito tributário é decadente, pois lançado depois de extinto o direito de S a Fazenda Pública o constituir. O Auditor Fiscal da Receita Federal não é competente para aplicar penda de perdimento ou sua conversão em multa, pois a competência é do Delegado e/ou Inspetor da Receita Federal. È isenta de responsabilidade sendo legais as importações realizadas. Por outro lado ilegal a atuação da fiscalização, pois descumpriu os princípios típicos do procedimento administrativo fiscal. Requer perícia com a finalidade de demonstrar a legalidade dos procedimentos de despacho e nacionalização das Declarações de Importação objeto da autuação e, para esse fim, apresenta os quesitos a serem respondidos. Requer seja julgado insubsistente a ação fiscal e improcedente o auto de infração. É o relatório. O acórdão da DRJ foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005 DECADÊNCIA. INFRAÇOES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Em razão da exoneração do crédito tributário, A DRJ de Florianópolis recorreu de ofício a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Razão assiste à instância de piso, conforme trecho transcrito da decisão recorrida: Todavia o artigo 139 do Decretolei n° 37/1966, assim dispõe, in verbis: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 3202001.391 S3C2T2 Fl. 954 4 Tal dispositivo foi reprisado no Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/2002, nos seguintes termos, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 139). Desses dispositivos, observase que as penalidades têm prazo de contagem próprio para sua constituição, qual seja, cinco anos contados a partir da data da infração. No presente caso, considerandose que as infrações imputadas à interessada possuem como data de seu cometimento a data do registro das Declarações de Importação e que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, ocorreu em 18/10/2010, o lançamento referente a Declarações de Importação registradas antes de 18/10/2005 deve ser declarado nulo. O auto de infração em tela se refere as Declarações de Importação registradas entre 07/03/2005 e 20/06/2005, portanto nulo. A respeito do tema, destaco de já proferi meu entendimento nos acórdãos 3202000.458 e 320200.248, verbis: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. NATUREZA ADMINISTRATIVA. DECADÊNCIA O direito a impor penalidade extinguese em cinco anos contados a partir da data da ocorrência da infração correspondente, conforme disposto nos artigos 138 e 139 do Decreto n° 37/66. Dante disso, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 3202001.391 S3C2T2 Fl. 955 5 Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10580.000414/2008-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.277
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 00 41 4/ 20 08 -7 4 Fl. 5195DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.194 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MONTE TABOR CENTRO ÍTALO BRASILEIRO DE PROMOÇÃO SANITÁRIA contra Acórdão nº 1520.111 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Principal NFLD nº 37.056.9172 com valor consolidado de R$ 17.534.169,46 retificado após a decisão de primeira instância para R$ 15.329.730,356.520,00; nas competências 01/1997 a 12/2006. Conforme o Relatório Fiscal, as contribuições previdenciárias apuradas no procedimento fiscal relativas às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondem a: a) Contribuição dos segurados empregados, não descontadas incidentes sobre a remuneração recebida habitualmente sob forma de utilidades; b) Contribuição dos segurados contribuintes individuais, não descontadas, incidentes sobre a remuneração recebida O Relatório Fiscal apresenta os elementos verificados durante a auditoria fiscal: 3.1 Esta auditoria foi desenvolvida na modalidade Diagnóstico, tendo sido composta de duas fases: 1 — Diagnóstico e 2 — Levantamento. 0 Diagnóstico foi iniciado em 23.07.2007, através do Mandado de Procedimento Fiscal — Auditoria Previdenciária — MPF n° 09410795. O Diagnóstico foi encerrado em 11.09.2007, com o encaminhamento à chefia superior das conclusões a cerca da auditoria. 0 Levantamento fase que ora se encerra foi iniciado através do MPF — Auditoria Previdenciária n° 09425511e com o Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF) emitido em 08.10.2007, tendo sido emitidos outros TIAD no curso da auditoria fiscal. 3.2 A MONTE TABOR CENTRO ITALO BRASILEIRO DE PROM SANITARIA é uma associação que possui atualmente cerca de 3000 empregados e tem como atividade o atendimento hospitalar. Cabe ressaltar, que a fiscalizada é uma entidade beneficente de assistência social que possui imunidade tributária para as contribuições previdenciárias patronais. 3.3 Esse trabalho de auditoria foi pautado pela análise e utilização de documentos apresentados pela entidade, tais como a folha de pagamento, livros contábeis, notas fiscais e DIRF — declaração de imposto de renda retido na fonte. 3.4 Os fatos geradores lançados nesta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD não foram objetos de qualquer Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.195 3 recolhimento de contribuição previdenciária por parte da empresa, vez que esta não reconhecia tais levantamentos como base de cálculo da contribuição previdenciária. Assim, nenhuma GPS foi apropriada como redutor dos fatos geradores aqui apurados. Conforme o Relatório Fiscal, a base de cálculo apurada: 4.1 Os créditos previdenciários lançados nesta NFLD foram apurados com base no descumprimento da legislação com relação à concessão de benefícios como: Alimentação, Auxilio Creche, Vale Transporte e Salário Família. Tais benefícios, quando concedidos em desacordo com a legislação, constituem parcela integrante do salário de contribuição. A entidade não considerou tais benefícios como base de cálculo para pagamento de contribuição previdenciária. Nesta NFLD constam, ainda, lançamentos referentes à remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviço a entidade, e se encontravam declarados na DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como o prólabore indireto recebido por alguns diretores da entidade, mas ambos não foram considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. 4.1.1 É oportuno informar que essas Bases de Cálculos descritas acima não foram objetos de qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias e nem de declaração em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. 4.1.2 A fundamentação legal e a forma de apuração serão descritas detalhadamente a seguir: VALE REFEIÇÃO/ALIMENTAÇÃO: 4.2.1 A MONTE TABOR nunca esteve inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, desatendendo a exigência prevista no artigo 28, parágrafo 9°, "c", da Lei no 8.212, de 1991. A entidade foi intimada a apresentar os comprovantes de inscrição no Plano de Alimentação do Trabalhador — PAT, conforme TIAF do dia 08/10/2007, mas a empresa informou a através de uma declaração por escrito, conforme documento em anexo, que nunca aderiu ao PAT. Também, em consulta ao site do Ministério do Trabalho, foram confirmados os fatos acima citados, ratificando o fato da empresa nunca foi inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador. Não sendo a empresa inscrita no PAT, os valores gastos a titulo de • alimentação devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme se aduz do art. 753, da Instrução Normativa 03/05, do INSS: Art. 753. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.196 4 conformidade com os requisitos estabelecidos pelo serviço gestor competente. 4.2.2 A MONTE TABOR concede a alimentação aos funcionários alocados na sede do hospital através de um refeitório localizado nas suas dependências. Os funcionários alocados fora da sede recebem a alimentação através de vale refeição ou contratos com restaurantes terceirizados. 4.2.3 Para apuração de parte dessa base de cálculo, referente aos funcionários alocados na sede do hospital, foi usado as planilhas do centro de custo mensal da alimentação dos funcionários, já que na contabilidade não possuía uma conta especifica para lançar a alimentação gasta com os funcionários. Essa planilhas foram solicitadas através do TIAD de 18/10/2007, em anexo, e fornecido a essa fiscalização. Cabe ressaltar, que a entidade só forneceu a essa fiscalização as planilhas do centro de custo mensal da alimentação dos empregados alocados na sede do hospital do período de 01/2002 a 12/2006. Foi emitido TIADs específicos no dia 20/11/2007 e 28/11/2007, para que a fiscalizada fornecesse o centro de custo da alimentação dos empregados alocados na sede do hospital do período de 01/1997 a 12/2001. Mas a empresa informou que não teria como atender tais pedidos da fiscalização, pois não possuía tais informações. Por desatender a esses pedidos da fiscalização foi lavrado um Auto de Infração de n° 37.056.9156. Do valor mensal do custo da alimentação dos funcionários alocados na sede do hospital, contido na planilha fornecida a esta fiscalização, foi abatido o desconto da alimentação dos empregados. A rubrica usada para efetuar o desconto da alimentação dos empregados é a Utilidade A — 2010, conforme declaração por escrito, em anexo, fornecido pela entidade. A planilha usada para se chegar a base de cálculo de contribuição previdenciária está em anexo a esse relatório. 4.2.4 Para apuração da base de cálculo referente aos funcionários alocados fora da sede do hospital, foi emitido um TIAD no dia 20/11/2007 para que empresa fornecesse uma planilha contendo o centro de custo mensal da alimentação dos empregados alocados fora da sede do hospital. Devido ao fato de a empresa não atender a intimação anterior, foi emitido novo TIAD em 28/11/2007, solicitando novamente o centro de custo mensal da alimentação dos empregados alocados fora da sede do hospital. A entidade s6 forneceu a essa fiscalização o custo anual da alimentação dos empregados alocados fora da sede do hospital referente ao ano de 2006, em anexo. A empresa informou que não teria como atender ao pedido da fiscalização referente aos demais anos, pois não possuía tais informações. Por desatender a esses pedidos da fiscalização foi lavrado um Auto de Infração de n° 37.056.9156. Do valor anual do custo da alimentação dos funcionários alocados fora sede do hospital, entregue a essa fiscalização, foi feito a media mensal desse custo, e foi abatido o desconto da alimentação dos empregados. A rubrica usada para efetuar o desconto da alimentação dos empregados é a Utilidade A — 2010, conforme declaração por escrito, em anexo, fornecido pela entidade. A planilha usada para se chegar a base de cálculo de contribuição previdenciária está em anexo a esse relatório. Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.197 5 4.3 AUXÍLIO CRECHE: 4.3.1 0 art. 28°§9°, "s", da lei de custeio da previdência social (8.212/90), exclui da incidência da contribuição previdenciária o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas. 4.3.2 Percebese claramente que para não incidir a contribuição previdenciária, a empresa deve comprovar o caráter de reembolso das despesas com o auxilio creche, mantendo a disposição da fiscalização os documentos comprobatários dos gastos dos empregados com a creche dos seus filhos de até 6 anos. 4.3.3 Essa fiscalização solicitou a MONTE TABOR CENTRO ITALO BRASILEIRO DE pRomoçÃo SANITARIA através do TIAF do dia 08/10/2007 a documentação de reembolso de despesas com creche, mas a empresa informou através de uma declaração por escrito, em anexo, que o auxilio creche era concedido em conformidade ao acordo coletivo, em anexo, o qual define um valor fixo mensal por filho menor de seis anos de idade, mas sem a necessidade de comprovar despesa Por parte do empregado. É bom salientar, que na Fiscalização de Diagnóstico de MPF n° 09410795, anterior a essa que se encerra, a entidade entregou a essa Auditoria Fiscal, uma declaração, em anexo, a qual expressamente informa que o critério para a concessão do beneficio do auxilio creche resumese apenas a apresentação da certidão de nascimento do filho. 4.3.4 Não tendo a empresa concedido o reembolso creche em conformidade com a legislação, já que não comprovou as despesas realizadas, os valores gastos a titulo de auxilio creche foram considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. 4.4 SALÁRIO FAMÍLIA PAGO INDEVIDAMENTE: 4.4.1 0 art. 67° da lei 8.213/90, alterado pela Lei n° 9.876/99, condiciona o pagamento do saláriofamília ã apresentação da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado ou ao inválido, e à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória e de comprovação de freqüência escola do filho ou equiparado. (...) 4.4.4 Percebese que para conceder o salário família ao empregado, a empresa deve solicitar e guardar certidão de nascimento, termo de responsabilidade, comprovante de vacinação anual para os dependentes menores de 7 anos, e comprovante de freqüência escolar para os dependentes com 7 anos ou mais. 4.4.5 Essa fiscalização solicitou a MONTE TABOR CENTRO ITALO BRASILEIRO DE PROMOÇÃO SANITARIA através do TIAF do dia Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.198 6 08/10/2007, carteiras de vacinação, certidões de nakimento dos filhos ou equiparados. Mas a intimação não foi atendida. Então no dia 15/10/2007 foi emitido um novo TIAD solicitando: Certidões de nascimento de filhos ou equiparados com quatorze anos, Certidões de nascimento e atestados de invalidez de filhos ou equiparados com mais de quatorze anos, Carteiras de vacinação e documentos de comprovação de freqüência à escola do filho ou equiparado, e caso a empresa não possua todos os • documentos acima relacionados, informar por escrito, os documentos que a empresa solicita aos seus funcionários para conceder o saláriofamília. A entidade forneceu por escrito, uma declaração, em anexo, informando que para conceder o salário família, só solicita do empregado a certidão de nascimento e a cópia da carteira de vacinação. Percebese claramente que a empresa não possui toda a documentação necessária para a concessão do beneficio previdenciário, tais como a freqüência escolar e o termo de responsabilidade. Para de fazer uma melhor análise sobre a documentação para a concessão do salário família, foi emitido um novo TIAD em 26/10/2007, solicitando as certidões de nascimento e as carteiras de vacinação (os Calicos documentos que ela informou que solicita dos funcionários) de uma relação de funcionários feita por amostragem. Mas dessa relação, não foi encontrado sequer um único funcionário que contivesse a documentação completa do salário família. Em 09/11/2007, para poder a empresa tentar comprovar que possuía a documentação, foi emitido um novo TIAD solicitando: Carteiras de vacinação de TODOS os dependentes dos funcionários que receberam saláriofamília e termos de responsabilidade e fichas de saláriofamília dos funcionários que receberam tal beneficio previdenciário. Mas a entidade mais uma vez não apresentou tais documentos. Então em 20/11/2007 e em 28/11/2007, foi emitidos TIADs solicitando: Planilha mensal contendo os funcionários beneficiados com salário família com dependentes maiores que 7 anos, nome dos dependentes maiores de 7 anos, os valores pagos a estes em função destes dependentes e a competência do pagamento ( de 01/2000 a 12/2006), e relação dos funcionários que possuem a documentação COMPLETA necessária para a concessão do saláriofamília (certidão de nascimento; termo de responsabilidade;comprovante de vacinação ANUAL entregue no mês de novembro de cada ano para os dependentes menores de 7 anos; comprovante de freqüência escolar SEMESTRAL entregue no mês de maio e novembro de cada ano para os dependentes com 7 anos ou mais), anexando tais documentos a relação. Esses TIADS foram emitidos para que caso a entidade fornecesse a documentação dos beneficiários do saláriofamília com filhos menores de sete anos, essa fiscalização pudesse fazer a separação dos benefícios pagos de acordo com a legislação, já que a empresa já tinha informado que não solicita a freqüência escolar, e essa documentação só é necessária a partir de 01/2000 e para os dependentes maiores de sete anos. Porém a empresa mais uma vez não forneceu qualquer relação ou documentação pedidas nos TIADs. Por descumprir a Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.199 7 obrigação acessória de fornecer a documentação necessária a fiscalização, foi lavrado o Auto de Infração de n° 37.056.9148 4.5 VALETRANSPORTE: 4.5.1 Essa fiscalização através do TIAD de 18/10/2007 solicitou que a MONTE TABOR informasse o período em que concedeu o vale transporte a seus empregados em pecúnia (dinheiro) e fornecesse o acordo coletivo que concedeu tal beneficio. A entidade forneceu por escrito, em anexo, uma declaração de 06/2004 a 12/2006 concedeu o valetransporte em pecúnia com base em plebiscito e convenção coletiva, anexando tais documentos (...) 4.5.5 A MONTE TABOR, conforme a declaração e os documentos entregue a essa fiscalização, efetuou o pagamento continuo, de 06/2004 a 12/2006, do beneficio do valetransporte em pecúnia , contrariando o estatuído expressamente no Decreto 95.247/87. Os valores pagos a titulo de valetransporte em forma de pecúnia entre 06/2004 a 12/2006 foram considerados saláriodecontribuição, e por tanto, incidentes de contribuição previdenciária. 4.6 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS: 4.6.1. Com a lei 10.666/2003, a partir de abril de 2003, as empresas se tornaram obrigadas a descontar da remuneração paga aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, a contribuição previdenciária a cargo desses, considerandose a presunção do desconto feito (§5° do art. 33 da Lei n° 8.212/91). 4.6.2 Foi emitido o Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF) em 08.10.2007, o qual solicitava, dentre outras coisas, a folha de pagamento de TODOS os segurados. Mas a empresa informou que não possuía a folha dos contribuintes individuais, pois só realizava a folha de pagamento dos segurados empregados e dos médicos residentes. Por não fazer a folha de pagamento de TODOS os segurados, foi lavrado um Al de n° 37.056.9164. 4.6.3 Essa fiscalização, através da análise das DIRFs (declaração de Imposto de Renda retido na Fonte) entregue a essa fiscalização e anualmente a Receita Federal do Brasil, encontrou fatos geradores referentes a contribuintes individuais, que não estavam presentes na Folha de Pagamento. É bom salientar, que a entidade não considerou base de cálculo os pagamentos a esses contribuintes individuais, e por tanto, não efetuou o desconto legal imposto pela legislação previdenciária, e NUNCA declarou em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, qualquer pagamento a contribuinte individual. 4.6.4 Os valores apurados pela DIRF foram declarados sob o código de retenção 0588 — Rendimentos do Trabalho sem vinculo Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.200 8 empregatício. Seguem em anexo, a relação extraídas da DIRFs da MONTE TABOR, contendo o CNPJ da fonte pagadora, o CPF do contribuinte individual, o nome do contribuinte individual e o valor mensalmente recebido da fiscalizada. (...) 4.6.6 É bom salientar, que na planilha anexa extraída das DIRFs da MONTE TABOR, foi respeitado o teto previdenciário, já que só foi usado como base de cálculo de contribuição previdenciária, a remuneração auferida até o limite desse teto. 4.6.7 Os valores das contribuição previdenciária incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, foram apurados através da planilha em anexa, e lançadas no levantamento CI. 4.6.8 É bom frisar, que a fiscalizada é uma ENTIDADE FILANTRÓPICA COM IMUNIDADE TRIBUTARIA, e por conseqüência, a alíquota referente ao desconto do segurado contribuinte individual é de 20% sobre a remuneração auferida. 4.7 PRO LABORE INDIRETO DOS DIRETORES ( CASA SEDE): 4.7.1. A entidade mantém como residência para sua vicepresidente, Laura Ziller, e sua diretora conselheira, Liliane Rozone, a denominada "casa sede". A qual é uma mansão com vários quartos e piscina, localizada dentro do terreno da MONTE TABOR. Identificamos na contabilidade da entidade, freqüentes pagamentos de despesas de alimentação, energia, água, telefone, segurança, manutenção da piscina, e outras despesas referentes a manutenção da casa sede. Solicitamos através do TIAD do dia 08/10/2007, uma planilha do centro de custo mensal da casa sede, em anexo, a qual demonstra o montante mensal de gasto com a "casa sede". Observamos que a despesa em 1998 superou a 184 mil reais e em 2006 foi em torno de 286 mil reais. Essas despesas englobam, dentre outras, gastos com energia, água, telefone, gas, piscina e alimentação. É bom salientar, que no montante das despesas mensais da "casa sede" pagas pela entidade, contidas na planilha de custo fornecida pela fiscalizada, não está inclusa a despesa referente ao aluguel da casa sede, paga pelo Monte Tabor. Sabese que pelo porte da casa sede, o valor desse aluguel, elevaria em muito, o valor do custo mensal fornecido pela fiscalizada 4.7.2 Solicitamos a entidade através do TIAD de 08/10/2007, a relação de moradores da referida casa sede, que na tentativa de camuflar o fato explicito de conceder benefícios aos seus diretores, tenta justificar em seu relatório de moradores da casa em anexo, que a finalidade desta é de acolher técnicos, pesquisadores e encontro de reuniões. Porém, não olvidamos que a par desta finalidade, ou de qualquer outra, temos o seguinte fato: a casa é utilizada, desde seus primórdios, para residência de seus diretores e com todas suas despesas de Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.201 9 manutenção, alimentos e inclusive o aluguel, custeadas pela entidade beneficente Monte Tabor, restando assim claramente configuradas remuneração, vantagens e benefícios a diretores. Das pessoas listadas, conforme atas da assembléia geral em anexo, consta na lista a assistente social Sra. Laura Ziller e a médica Liliana Rozoni, que são a vicepresidente desde da fundação e a diretora da Monte Tabor desde 08/2003, respectivamente. Assim, chamamos a atenção, com relação aos seus diretores, que estes usufruem a casa como moradores (fato declarado pela Entidade e asseverado pelos tipos e montante das despesas correntes mensais) e não como eventuais hóspedes que participam de esporádicos cursos ou reuniões. 4.7.3 0 valor mensal, contido na planilha de custo da casa sede, foi considerado prólabore indireto fornecido pela entidade aos diretores moradores da case sede, e por tanto, incidente de contribuição previdenciária. Seguem os Códigos de Levantamento utilizados pela fiscalização: AFA Remuneração aferida para segurados empregados lotados nas filiais do hospital referente ao gozo do beneficio de vale alimentação/refeição sem inscrição no PAT e não declaração na GFIP; AFP Remuneração, lançada conforme planilha de custo, dos segurados empregados lotados nas filiais do hospital referente ao gozo do beneficio de vale alimentação/refeição sem inscrição no PAT e não declaração na GFIP. AMA Remuneração aferida para segurados empregados lotados na matriz do hospital referente ao gozo do beneficio de vale alimentação/refeição sem inscrição no PAT, período anterior a GFIP; AMN Remuneração aferida para segurados empregados lotados na matriz do hospital referente ao gozo do beneficio de vale alimentação/refeição sem inscrição no PAT, não declarados em GFIP; AMP Remuneração, lançada conforme planilha de custo, dos segurados empregados lotados na matriz do hospital referente ao gozo do beneficio de vale alimentação/refeição sem inscrição no PAT e não declaração na GFIP; AXA Remuneração dos segurados empregados referente ao auxilio creche sem comprovação de despesa, período anterior a GFIP; AXC Remuneração dos segurados empregados referente ao auxilio creche sem comprovação de despesa, não declarada em GFIP; BPA Remuneração dos segurados empregados, referente ao gozo do beneficio previdenciário do salário família pago indevidamente, período anterior a GFIP; Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.202 10 BPI Remuneração dos segurados empregados, referente ao gozo do beneficio previdenciário do salário família pago indevidamente, não declarado em GFIP; Cl Remuneração dos segurados contribuintes individuais apuradas pela DIRF e não declaradas na GFIP; PRO Prólabore indireto dos diretores moradores da denominada case sede. VTP — Vale transporte pago em pecúnia O período objeto da autuação conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 163, é de 01/1997 a 12/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD em 26.12.2007, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 10.1. Em preliminar, a decadência do direito do Fisco de lançar contribuições previdenciárias sobre fatos geradores ocorridos antes de cinco anos pregressos a contar da intimação da presente NFLD. Colaciona jurisprudência. 10.2. A interpretação recorrente dos agentes fiscalizadores desconsideram regra básica de hermenêutica em Estado Democrático de Direito, qual seja a necessidade de toda legislação infra constitucional ser lida à luz da tábua axiológica estabelecida pela Norma das Normas, de modo a que os direitos ali consagrados e os princípios que os norteiam não sejam restringidos por condicionamentos, exigências, formalismos ou simples previsões legais que, isoladamente consideradas, terminam por frustrar o programa constitucional. 10.3. Antes mesmo de demonstrar a improcedência da pretensão exacional, não se pode deixar de registrar que a referência a parcelas não recolhidas fora apresentada, no relatório da NFLD, de forma genérica, abstrata e imprecisa, deixando de conferir A. notificada os elementos necessários à elaboração de sua defesa, hostilizando, a mais não poder, o principio da ampla defesa e contraditório, que ostenta dignidade constitucional, o que enseja a decretação de nulidade da notificação. 10.4. Relata um breve histórico e noticia da instituição. 10.5. A Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, atuou para além dos termos da lei, inovandoa de modo a apresentar se contrária ao sistema jurídico. Enquanto o art. 28, §9°, alínea 'c' da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, registra a necessidade da alimentação ser fornecida de acordo com o regramento do Programa de Alimentação do Trabalhador, o que ocorre no caso em concreto, a instrução normativa vai além para Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.203 11 exigir a inscrição no programa e não a mera obediência de suas regras. Em qualquer circunstância, a IN somente passou a valer em 2005, incabível a sua retroação para 1997. 10.6. Mais importante é notar que, em havendo norma coletiva expressa que discipline o assunto de modo diverso, é esta que deve prevalecer, por se tratar de comando normativo especifico da relação travada entre empregador e empregado, que se projeta acima da regra geral e abstrata. No caso concreto, a convenção coletiva estabelecida entre o defendente e o sindicato dos seus empregados, estabelece e estabeleceu nos últimos dez anos que a alimentação prestada a seus empregados não se caracteriza como verba salarial, nem está sujeita à incorporação e repercussão salarial de qualquer natureza, inclusive previdenciária. Colaciona jurisprudência e doutrina. 10.7. Cumpre registrar que a alimentação não poderia ser considerada como saláriodecontribuição, por não representar uma remuneração indireta, já que os empregados pagam pela alimentação, ainda que parcialmente, através de desconto realizado. Colaciona jurisprudência e doutrina. 10.8. A alimentação fornecida ao empregado que se prolonga no serviço, indiscriminadamente considerada pela Notificação, por ter natureza indenizatória jamais poderia ostentar como saláriode contribuição. Colaciona jurisprudência. 10.9. A Lei n° 8.21 , de 1991, em seu art. 28, § 9°, alínea 's', estabeleceu que o auxíliocreche não estaria incluído no salário de contribuição, desde que pago de acordo com a legislação trabalhista. A convenção coletiva, autorizada pela própria Lei, subscrita pela Notificada, não exige a comprovação das despesas com creche, limitandose a exigir a apresentação da certidão de nascimento. A exigência da comprovação da despesa é restritiva de direitos dos empregados e não foi recepcionada pela Constituição, nem tampouco pela Emenda Constitucional n° 53, de 19 de dezembro de 2006, que estabelece serem direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, a assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e préescolas. 10.10. A natureza jurídica do instituto do reembolso creche é indenizatória, dai não poder sustentar natureza salarial, o que contrariaria o art. 7°, XXV, da Constituição. Colaciona jurisprudência. 10.11. Ademais, a interpretação promovida pela fiscalização termina por aumentar a base de cálculo das contribuições sem que haja lei prevendo tanto, o que contraria o principio tributário da legalidade estrita. 10.12. Quanto ao saláriofamília, a lei não exige a guarda dos atestados de vacinação obrigatória para os menores de sete anos e do comprovante de freqüência escolar dos maiores de sete anos, mas Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.204 12 apenas a exibição destes para efeito de pagamento. As exigências previstas na Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999, que modificou o art. 67 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, são inconstitucionais, porque criam um fator restritivo a direito social contemplado como fundamental pela Constituição, no art. 7°, XII. A jurisprudência é unânime ao exigir, para efeito de condenação ao pagamento do saláriofamília, a apresentação da certidão de nascimento quando do nascimento. Havendo julgado estabelecendo que nem a ausência de comunicação de nascimento de filho impediria o recebimento do direito, se posteriormente restou o fato comprovado. 10.13. 0 saláriofamília fora atribuído em beneficio dos pais do menor (ressalvada hipótese de orfandade), de modo que exigir vacinação ou freqüência educacional desvirtua a natureza jurídica do instituto. 0 saláriofamília não se afirma como verba salarial, não ostenta natureza indenizatória e não pode ser incorporado, para qualquer efeito ao salário, nem mesmo para gerar conseqüências previdenciárias, e tal natureza não se transmuda em face de eventual descumprimento de mero protocolo. Mais uma vez a fiscalização contrariou o principio tributário da legalidade estrita. Colaciona jurisprudência. 10.14. Se a convenção coletiva permitir a substituição do vale transporte por dinheiro, como no caso em apreço, tal recurso não pode ser considerado como saláriodecontribuição para fim de arrecadação previdenciária, até porque o decreto que regulamentou a matéria contrariou disposição de lei, havendo de se aplicar a regra convencional, galgada a direito fundamental do trabalhador pela Constituição Federal (art. 7 0, XXVI). 0 recebimento de dinheiro para transporte ostenta natureza indenizat6ria e, como tal, não pode compor uma parcela de natureza salarial. Mais uma vez a fiscalização contrariou o principio tributário da legalidade estrita. Colaciona doutrina. 10.15. 0 notificante apresentou extensa lista de pessoas que, supondo trataremse exclusivamente de autônomos, deveriam ter a sua contribuição individual retida e recolhida pelo notificado. Ocorre que as pessoas ali consignadas encontramse em uma das duas posições: ou são, além de prestadores de serviços, empregados da instituição, travando com esta dois tipos de relação jurídica, de modo que atingem o teto contributivo através do desconto na condição de empregado ou, não sendo também empregado, possui outra fonte de recolhimento que por igual atinge o teto de contribuição. E, se tais empregados ou prestadores de serviços não tenham atingido o teto contributivo, a fiscalização deixou de descontar do valor cobrado sob esta rubrica os recolhimentos realizados interna ou externamente, apresentandose incorreta a cobrança, o que representa enriquecimento sem causa em favor da Previdência, o que tornaria indispensável uma perícia contábil na qual cumpre apurar o valor já recolhido na condição de empregado ou através de outras empresas, a fim de abater no montante ora cobrado. A perícia não poderá descartar que o trabalhador autônomo, segundo lhe faculta o art. 21 da Lei n° 8.212, de 1991, indicará o saláriodecontribuição sobre o qual incidirá o percentual legal de desconto da contribuição previdenciária, não havendo Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.205 13 qualquer vinculação entre este saláriodecontribuição e a sua efetiva remuneração. 10.16. Para comprovar que a maioria esmagadora dos supostos contribuintes individuais são empregados da Instituição, anexa a folha de pagamento salarial. Ademais, para positivar que os prestadores de serviços não empregados recolhem contribuições pelo teto, anexa uma série de declarações em que resta consignado que o teto contributivo fora alcançado na qualidade de autônomo. Vale o registro de que os documentos foram apresentados à fiscalização, mas foram conculcados. 10.17. Tendo recebido em 26/12/2007 os lançamentos tributários, para promover defesa nos prazos legais, a notificada padeceu de consideráveis dificuldades para esgotar a matéria probatória, motivo pelo qual espera contar com a compreensão dos doutos julgadores para realizar, por conduto de diligência, a colheita de provas não acostadas a tempo, em testemunho e alcance da verdade real. 10.18. A responsabilidade original e prioritária da demonstração do recolhimento é do próprio contribuinte individual. 10.19. No que se refere ao prólabore indireto dos diretores, verificase que as administradoras são integrantes de um grupo religioso, católico, denominado "Sigili", consagrados que são A. obra da saúde e educação e que fizeram votos de dedicação integral ao ideal da obra, bem como votos de pobreza e castidade, tendo o grupo o reconhecimento da Cúria da Igreja Católica. Não recebem salário da instituição, nem possuem com esta contrato de trabalho formal. Os gastos com manutenção da casa sede informados à fiscalização pela Instituição não representam vantagens indiretas. 10.20. A casa sede não se presta exclusivamente, ou teria sido criada, à residência das administradoras, mas faz parte do complexo hospitalar Sao Rafael, sendo casa de apoio para a estada de cientistas, estudantes de medicina, de assistência social e médicos — via de regra Italianos , e das suas administradoras. Destaca, por amostragem de alguns anos, nomes de residentes, devendo serem ouvidos como testemunhas do juizo administrativo, através de audiência para o fim. 10.21. Os gastos com a casa sede retratam com fidelidade as espartanas despesas estritamente necessárias para o cumprimento do seu escopo e o de conservação do imóvel, razões pelas quais não se pode considerar tal rubrica como sendo remuneração indireta As duas dirigentes e executivas que nela residem, tendo natureza indenizatória, haja vista que a moradia das administradoras não se dá pelo trabalho (natureza salarial), mas para o trabalho (natureza indenizatória), pois o fato de residirem a metros do hospital representa uma vantagem considerável em beneficio da condução da obra. 10.22. A própria Lei n° 8.212, de 1991, em seu art. 28, §9°, alínea 'in', exclui da base de cálculo a habitação concedida a empregado por empregador em local distante de sua residência, reconhecendo a na natureza indenizatória da despesa. Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.206 14 10.23. Em qualquer circunstância, mesmo que se considere ostentar a habitação natureza remuneratória, ainda assim não se poderia integrar o saláriodecontribuição, posto que se afirmaria como remuneração de administrador, o que seria inconstitucional, eis que a relação jurídica mantida com os administradores não resulta de contrato de trabalho, não se podendo considerar o pagamento feito a estes como salário. Tal entendimento resultou na exclusão das expressões "empresários e autônomos" constantes do art. 22, I, da Lei n° 8.212, de 1991, que ganhou nova redação conferida pela Lei n° 9.876, de 1991, tudo com o fito de retirar a remuneração dos administradores da incidência da contribuição previdenciária. A pretensão de exigir contribuição previdenciária sobre supostos pagamentos feitos a administradores se ressente de previsão legal, afrontando o principio da estrita legalidade tributária ou da tipicidade cerrada. 10.24. Ainda que remuneração se tratasse e ainda que não fosse suposta remuneração a diretores e administradores, cumpriria que a fiscalização cobrasse apenas sobre as despesas pessoais das referidas administradoras, e não tomasse o valor total dos custos da casa como base de cálculo, quando é sabido que lá habitam, ainda que temporariamente, muitas outras pessoas. Assim, o cálculo correto para tal fim seria encontrar o número médio de habitantes da casa por ano e dividir o total das despesas por este número para, afinal, multiplicar por dois, e jamais se adotar o valor total das despesas, circunstância que recomenda a realização de perícia contábil. 10.25. Em nenhum momento a Instituição negouse a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização. Muito ao contrário, os muitos documentos apresentados não foram considerados nas conclusões, inexplicavelmente, não tendo a mesma nada a ocultar. Essa desconsideração implicou em cerceamento do direito à ampla defesa, mesmo implicar bastas vezes, no surgimento de faltas inexistentes que demandariam da impugnante produção de prova negativa para invalidálas, o que se apresenta inaceitável. 10.26. Através do exame dos livros contábeis é possível verificar que todas as alegações da fiscalização foram baseadas em meras suposições, o que é vedado pelos princípios que regem a Administração Pública, e impõe a anulação do procedimento administrativo. 10.27. Inquina de inconstitucionalidade o montante exorbitante cobrado a titulo de multa, desprovido de valida fundamentação legal, e que empresta a cobrança da contribuição previdenciária nímio caráter confiscatório. Espera sejam inaplicadas as multas, dentro dos parâmetros confiscatórios. Colaciona jurisprudência. 10.28. Lembra que os órgãos do Poder Executivo podem se negar a aplicar disposição normativa que afronte o Texto Maior. Colaciona jurisprudência. 10.29. Ademais constatase que os juros considerados foram marcadamente aberrantes, vez que índice tão alto e despropositado adota taxa referencial já declarada inconstitucional, qual seja a SELIC, a qual encerra parcela remuneratória, estranha aos fins previdenciários. Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.207 15 10.30. Os valores cobrados pela fiscalização estão escudados pelo manto protetor da imunidade constitucional, de que goza a entidade, cujo e conhecimento foi feito pela Previdência Social. 10.31. Acerca da imunidade, colhe a lanço remeter à resposta oferecida pela Instituição à Informação Fiscal lavrada pelos mesmos agentes públicos, cuja defesa fora protocolada no dia 09/01/2008 (protocolo no 10580000308/200891), fls 2454/2535, que deve ser considerada como integralmente transcrita. 10.32. Por ser imune, nada é devido pela Impugnante, em qualquer circunstancia, sob pena de rompimento do compromisso social historicamente firmado entre o estado e as organizações beneficentes que prestam serviços que lhe foram delegados. 10.33. De tudo quanto exposto, não há como prosperar a pretensão arrecadatória, na forma do que fora especificamente impugnado. Demais disso, cabe impugnar as conclusões contábeis e pugnar pela realização de exauriente instrução, que não poderá dispensar as diligências periciais sobre os cálculos elaborados, bem assim demais provas necessárias apuração e alcance da verdade, o que requer, como a oitiva das testemunhas das pessoas que residiram na casa sede, o que reitera. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 4936, aponta a Solicitação de Diligência Fiscal a fim de que a Fiscalização informasse se os contribuintes individuais contidos nas DIRF eram empregados também da entidade, e já tinham sido descontadas as contribuições previdenciárias: 11. Em 30/09/2008, foi emitido um despacho pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), fls. 4641/4642, para a fiscalização cotejar os originais das declarações das empresas de que teriam descontado as contribuições previdenciárias dos segurados pelo limite do saláriodecontribuição e as folhas de pagamento com as planilhas de contribuintes individuais, fls. 477/514, de modo a observar o limite máximo do saláriodecontribuição de cada segurado. Em Resposta à Solicitação de Diligência Fiscal da DRJ, às fls. 4666 a 4667, a Fiscalização informa que a entidade não informou ou apresentou documentos que mostrassem que contribuintes individuais contidos nas DIRF eram empregados também da entidade, e já tinham sido descontadas as contribuições previdenciárias: 12. Em resposta à solicitação da DRJ, esclarece o AuditorFiscal autuante, às fls. 4646/4744, que intimou a entidade através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD do dia 24/10/2007 (fls. 383), a apresentar os comprovantes dos contribuintes individuais que continham os valores já descontados de contribuição previdenciária, tendo a entidade apresentado algumas declarações e comprovantes de pagamento de contribuição previdenciária (fls. 515 a 547), referente a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, os quais foram usados para o cálculo do teto previdenciária. Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.208 16 Em nenhum momento, durante a fiscalização, a entidade informou ou apresentou documentos que mostrassem que contribuintes individuais contidos nas DIRF eram empregados também da entidade, e já tinham sido descontadas as contribuições previdenciárias. Salienta que a entidade foi intimada a entregar as declarações que continham os descontos já efetuados nos contribuintes individuais, mas limitouse a fornecer apenas algumas declarações de outras entidades. Para a verificação da documentação original das cópias apresentadas na impugnação, foi emitido o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, intimando a fiscalizada a entregar as declarações originais. A entidade só apresentou algumas declarações originais (anexadas as cópias com confere com original, fls. 4648/4743), sendo que a maioria apresentada é cópia, as quais não produzem certeza de sua veracidade. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, o contribuinte atravessou Manifestação, em síntese: O notificado se manifesta às fls. 4746, em 04/05/2009, aduzindo que foram encaminhados documentos reprografados, porque recebidos de diferentes estabelecimentos, algumas vezes por fax, a pouco e pouco chegando, posteriormente, os originais. Tal se deu em face da administração descentralizada das unidades de atuação do Monte Tabor. Pondera que os documentos reprografados não podem ser considerados, somente por este motivo, impróprios a provar o alegado, sendo regularmente aceitos em juízo, por exemplo, desde que seja afiançada a sua autenticidade, como ora se afiança. Não fosse isso, tratamse de cópias legíveis, autenticas (não são falsas) e imprestáveis a eventual repetição de indébito, o que cria maior segurança para o Fisco. Ademais, os pagamentos podem ser por igual verificados no órgão depositário, na instituição financeira correspondente, que pode convalidar os recolhimentos. Todo este esforço de esclarecimento é feito, porque a ninguém interessa o enriquecimento sem causa, de rodo que roga sejam os referidos documentos considerados, sem prejuízo da anexação dos originais que se apresentarem disponíveis. Cumpre invocar o principio da ampla dilação probatória em processo administrativo, que prestigia a verdade real em detrimento da verdade ficta. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1520.111 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.209 17 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N° 8. Dispõe a Súmula Vinculante n° 8 do STF: Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 0 prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. Integra o salário de contribuição a parcela in natura recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. AUXÍLIOCRECHE. IMPROCEDÊNCIA. PARECER PGFN. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ n° 2.600, de 20/11/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda para promover a dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos de lançamentos relativos a auxíliocreche. A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários e, na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de oficio o lançamento, relativos às matérias que, em virtude de jurisprudência pacifica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. VALETRANSPORTE. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida a titulo de vale transporte, quando paga em desacordo com a legislação própria. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado no prazo previsto na legislação especifica. MORADIA. Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.210 18 Caracteriza o pagamento de remuneração ou retribuição a moradia fornecida ao segurado contribuinte individual e integra o saláriode contribuição. TAXA SELIC. MULTA. LEGALIDADE. Incidem taxa SELIC e multa sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, as quais estão previstas na legislação especifica. Lançamento Procedente em Parte Acórdão Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo em parte o crédito tributário exigido, nos termos do voto e sua fundamentação. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, na forma dos arts. 25, II, e 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Destaquese que, em face do valor de alçada, previsto no art. 1° da Portaria MF n° 03, de 3 de janeiro de 2008, este Acórdão deve se submeter, de oficio, à apreciação do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na forma do art. 366, inciso I, §§ 2° e 3°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Encaminhese ao órgão de origem para cientificar o contribuinte e adotar as providências cabíveis. Esclareçase que este Acórdão só será definitivo após julgamento em segunda instância. Por fim, o voto no Acórdão da decisão de primeira instância: Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento de que trata a NFLD em tela, extinguindo o valor atualizado de R$ 593.645,40 (quinhentos e noventa e três mil seiscentos e quarenta e cinco reais e quarenta centavos), referentes às competências 01/97 a 11/02, em razão da decadência, extinguindo, ainda, o valor atualizado de R$ 83.083,59 (oitenta e três mil, oitenta e três reais e cinqüenta e nove centavos), relativamente ao levantamento AXC, em razão do Parecer PGFN/CRJ n° 2.600, de 20/11/2008, aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda em 01/12/2008, mantendo a Contribuição Previdenciária, no valor alizado de R$ 9.459.050,00 (nove milhões, quatrocentos e nos termos do DADR, ora juntado ao cinqüenta e nove mil e cinqüenta reais), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, /4906. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação: Em sede Preliminar. Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.211 19 (i) Da nulidade por cerceamento de defesa No caso em concreto fora proferido julgamento sem que o Recorrente tenha sido intimado para dele participar, inclusive apresentando sustentação oral, o que consagra a ocorrência de surpresa processual que o Direito não tolera. (ii) Da negativa da prestação jurisadministrativa. A decisão sob enfoque deixou claro, em muitos dos seus trechos, que o papel da Delegacia se resumia a avaliar os fatos — que exigiu fossem debulhados pelo Defendente, e não pelo Acusador, em total inversão da ordem natural — e fazer aplicar as normas, sem sobre elas realizar adequado juízo de valor, nem tampouco considerar os avanços interpretativos que já foram estabelecidos pelos Tribunais Superiores. Por esse motivo, também é nulo o julgamento administrativo, posto que, a rigor, não apreciou os argumentos da defesa e abstevese de elaborar um juízo de valor em derredor da regularidade da norma porventura aplicável, com o que não prestou a função administrativa jurisdicional a que estava vinculado, vênias rogadas e concedidas. (iii) Do flagrante erro de cálculo Em primeiro, embora o julgamento tenha reconhecido a incidência do teor da súmula vinculante n° 08, da lavra do STF, que afastou o prazo decadencial de dez anos para fazer incidir o de cinco anos, os cálculos em questão continuam a remontar a dez anos atrás da apuração, ao ano de 1997, portanto, com o que a decisão lançada pela Delegacia da Receita não repercutiu nos cálculos dos valores cobrados. Não fosse isso, na rubrica relacionada a contribuição de autônomos, os cálculos não foram especificados, ou seja, não se registrou a base de cálculo, a alíquota incidente e nem tampouco o resultado da multiplicação destes, ocorrendo confusão entre o valor da contribuição e a base de cálculo sobre a qual deveria incidir a alíquota. No Mérito. (iv) ValeRefeição/Alimentação Afirma a Notificação, no que foi aceito pela decisão da Delegacia, que as despesas arcadas pelo Recorrente para alimentar os seus empregados no seu ambiente interno ou externo, neste último caso através de valesalimentação, deve ser incluída no conceito de saláriocontribuição, posto que o Recorrente não se encontra inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, de modo a exigir, desta parcela, a retenção e recolhimento da contribuição previdenciária. A conclusão, ao par de perversa, posto que punitiva de comportamento de elevado altruísmo, encontrase em desacordo com o Direito. (v) SalárioFamília pago indevidamente A Fiscalização sustenta que o saláriofamília fora indevidamente pago aos empregados do Recorrente, uma vez que este não dispunha em seus arquivos dos atestados de vacinação obrigatória para os menores de sete anos e do comprovante de freqüência escolar dos maiores de sete anos, e, por ter sido pago sem observância As normas protocolares e operacionais, deveriam ser considerados como remuneração e, em decorrência, ingressar na base de cálculo do salário contribuição. Não lhe assiste Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.212 20 razão, uma vez mais, malgrado endossada pela decisão de primeiro grau. (vi) ValeTransporte. No particular a Fiscalização faz um ingente esforço para incluir na base de calculo do saláriocontribuição a pecúnia concedida em substituição a valetransporte, invocando, inclusive, decisão do STJ que, malgrado judiciosa, não guarda aplicação ao caso em concreto, precisamente por não cogitar do endosso a tal pratica realizado por convenção coletiva. (vii) Contribuintes Individuais A Fiscalização apresentou extensa lista de pessoas que, supondo trataremse exclusivamente de autônomos, deveriam ter a sua contribuição individual retida e recolhida pelo Recorrente. Ocorre que, da análise do referido inventário podese afirmar, sem rebuços, que as pessoas ali consignadas encontramse em uma das duas posições: ou são, além de prestadores de serviços, empregados da instituição, travando com esta dois tipos de relação jurídica, de modo que atingem o teto contributivo através do desconto na condição de empregado ou, não sendo também empregado, possui outra fonte de recolhimento que por igual atinge o teto de contribuição. E, se por hipótese, admitindose, apenas, em favor dialético, tais empregados ou prestadores de serviços não tenham atingido o teto contributivo, seja através do recolhimento realizado pelo próprio Recorrente ou por outra fonte de remuneração externa, fato é que a Fiscalização deixou de descontar do valor cobrado sob esta rubrica os recolhimentos realizados interna ou externamente, apresentandose, por isso, incorreta a cobrança. A propósito da duplicidade de "vinculo" de grande parte dos integrantes da referida lista, vale esclarecer que se tratam em sua maioria de médicos que, ao atuarem como plantonistas, chefes de serviços, coordenadores ou integrantes do setor de DF CARF MF Fl. 4984 Impresso em emergência, portanto como empregados, também se lhes faculta atuar, no mesmo ambiente, como profissional liberal, internando seus pacientes pessoais, realizando suas cirurgias e atendendo nos consultórios alugados. Em outras palavras, ao par de se afirmarem como médicos empregados, são também médicos prestadores de serviços, variando a condição a depender da natureza da atividade prestada. Assim, tais médicos e outros profissionais ligados á saúde como fisioterapeutas, psicólogos e quejandos, em sendo empregados, têm a sua contribuição previdenciária retida e arrecadada pelo Recorrente, atingindo, bastas vezes, o teto contributivo, de modo que, quando agem como prestadores de serviços, nada mais há a recolher. Se a Fiscalização não considerou o alcance do teto contributivo nas atividades de empregado interno realizadas pelos profissionais de saúde, menos ainda levou em conta tal fenômeno quando ocorrido externamente, ou sei a, quando os prestadores de serviços, sendo cumulativamente empregados ou não do Recorrente, atingiram o teto Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.213 21 de contribuição por serviços prestados a outras pessoas jurídicas, ou seja, fora das dependências do Hospital. (viii) Prólabore indireto dos Diretores (Casa Sede) Ao manifestar esta pretensão de cobrança, representada pelos gastos efetivados na residência da instituição, que consistiriam em salário indireto, pelo fato de que na casa sede residiriam duas Administradoras da instituição, D. Laura Ziller, vicepresidente Executiva e Dra. Liliana Ronzoni, Diretora Médica, a Fiscalização deixou claro o profundo desconhecimento acerca dos ideais e princípios norteadores do trabalho desenvolvidos pelo Monte Tabor. As referidas administradoras são integrantes de um grupo religioso, católico, denominado "Sigili", consagrados que são à. obra da saúde e educação e que fizeram, com naturalidade, votos de dedicação integral ao ideal da obra, bem como votos de pobreza e castidade. São, pois, em tudo e por tudo, religiosas que, ao invés de se enclausurarem em oração, fazem do seu trabalho uma oração — laborare est orare , na medida em que os frutos deste trabalho não são, em nenhuma hipótese, revertidos em vantagens pessoais, mas na realização do bem ao próximo. A prova magna é que tais Administradoras não recebem salário da instituição, nem possuem com esta contrato de trabalho formal, malgrado exerceram cargos de grande e vital importância, de liderança e administração, da obra. Destarte, os gastos com manutenção da casa sede informados a fiscalização pela Instituição não representam vantagem indiretas. De outra banda, a casa sede não se presta exclusivamente ou teria sido criada, como entendeu a Fiscalização, à residência das referidas Administradoras. Em verdade, a estrutura institucional do Monte Tabor conta com o complexo hospitalar São Rafael, centro de treinamento destinado ao Setor de Recursos Humanos, capela, para atividades clericais, e casa de apoio para a estada de cientistas, estudantes de medicina, de assistência social e médicos — normalmente italianos , e das duas referidas administradoras, integrantes do grupo religioso denominado Sigili. (...) Como visto e comprovado pela anexa lista de nomes de residentes da Casa Sede de 1996 a 2006, se presta esta a viabilizar a troca de experiências acadêmicas, sociais e cientificas entre os integrantes do Hospital São Rafael e outros cidadãos, em regra estrangeiros/italianos, que podem residir temporariamente no Brasil na casa de apoio da Instituição, acessando o Hospital em poucos minutos, onde farão estágios em suas áreas de interesse, em dinâmico e profundo intercâmbio de conhecimentos que muito favorece o aprimoramento da prática médica. Tais e quais pessoas, que residiram na chamada "casa sede" devem ser ouvidas como testemunhas do juizo administrativo, na forma do que reitera requerimento, através da realização de audiência para o fim. Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.214 22 Somese a isso que os gastos com a casa sede, devidamente informados à fiscalização pela Entidade, e indicados nas fls. 5 da Informação Fiscal, retratam com fidelidade as espartanas despesas estritamente necessárias para o cumprimento do seu escopo acima declarado e o de conservação do imóvel, razões pelas quais não se pode considerar tal rubrica como sendo remuneração indireta às duas dirigentes e executivas que nela residem. (ix) Negativa da apresentação de documentos — grave inverdade. Inconstitucionalidade das multas cominadas. Irregularidade e incorrreção dos cálculos. (x) Da desconsideração da imunidade. Em qualquer circunstância, ainda que nada do que ora dito seja considerado, o mais importante é notar que os valores cobrados pela Fiscalização estão escudados pelo manto protetor da imunidade constitucional, de que goza a entidade, de forma ininterrupta, cujo reconhecimento já foi feito, inclusive, pela própria Previdência Social, competente A. época para o mister (vide declaração de isenção — INSS, em anexo, doc. 14, anexado impugnação). Com efeito, a Instituição se enquadra nos parâmetros definidos pela Constituição Federal e Lei Complementar à que remete — art. 14 do CTN, combinado com o 146, II, da CF — para gozar imunidade tributária, que abrange, evidentemente, a contribuição previdenciária ora cobrada. Acerca da imunidade, colhe a lanço remeter à resposta oferecida pela Instituição à Informação Fiscal recentemente lavrada pelos mesmos agentes públicos, cuja defesa fora protocolada no dia 09.01.2008 (protocolo n° 10580000308/200891), que deve ser considerada como integralmente transcrita, evitandose, assim, o ônus da repetição (vide cópia apensada, doc. 15). Assim é que, por ser imune, nada é devido pelo Recorrente, em qualquer circunstancia, sob pena de rompimento do compromisso social historicamente firmado entre o Estado e as organizações beneficentes que prestam serviços que lhe foram delegados, auxiliando a assistência que deveria ser, em tese, reservada ao gestor público. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.215 23 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MONTE TABOR CENTRO ÍTALO BRASILEIRO DE PROMOÇÃO SANITÁRIA contra Acórdão nº 1520.111 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Principal NFLD nº 37.056.9172 com valor consolidado de R$ 17.534.169,46 retificado após a decisão de primeira instância para R$ 15.329.730,356.520,00; nas competências 01/1997 a 12/2006. Conforme o Relatório Fiscal, as contribuições previdenciárias apuradas no procedimento fiscal relativas às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondem a: a) Contribuição dos segurados empregados, não descontadas incidentes sobre a remuneração recebida habitualmente sob forma de utilidades; b) Contribuição dos segurados contribuintes individuais, não descontadas, incidentes sobre a remuneração recebida Observase que a Recorrente apresentou, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, argumentos que apontam para controvérsias centradas em elementos fáticos os quais, para serem corretamente debatidos, necessitam ser devidamente esclarecidos por Diligência Fiscal. Tais controvérsias estão circunscritas: (i) à hipótese dos contribuintes individuais contidos nas DIRFs serem empregados também da entidade e já terem sido descontados das contribuições previdenciárias; (ii) à questão do prólabore indireto dos diretores, com a necessidade de se individualizar os montantes gastos pela Recorrente em relação às despesas pessoais na denominada "casa sede" das administradoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni; (iii) aos Códigos de levantamento relacionados ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT, se determinar qual o tipo de alimentação fornecida, se "in natura" ou por valerefeição ou em pecúnia, com vistas à aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.216 24 Observo que tanto no Relatório Fiscal da autuação quanto em sede de decisão de primeira instância tais pontos não estão devidamente esclarecidos. (i) contribuintes individuais contidos nas DIRFs Em relação aos contribuintes individuais, o Relatório Fiscal mostra: 4.6 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS: 4.6.1. Com a lei 10.666/2003, a partir de abril de 2003, as empresas se tornaram obrigadas a descontar da remuneração paga aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, a contribuição previdenciária a cargo desses, considerandose a presunção do desconto feito (§5° do art. 33 da Lei n° 8.212/91). 4.6.2 Foi emitido o Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF) em 08.10.2007, o qual solicitava, dentre outras coisas, a folha de pagamento de TODOS os segurados. Mas a empresa informou que não possuía a folha dos contribuintes individuais, pois s6 realizava a folha de pagamento dos segurados empregados e dos médicos residentes. Por não fazer a folha de pagamento de TODOS os segurados, foi lavrado um Al de n° 37.056.9164. 4.6.3 Essa fiscalização, através da análise das DIRFs (declaração de Imposto de Renda retido na Fonte) entregue a essa fiscalização e anualmente a Receita Federal do Brasil, encontrou fatos geradores referentes a contribuintes individuais, que não estavam presentes na Folha de Pagamento. É bom salientar, que a entidade não considerou base de cálculo os pagamentos a esses contribuintes individuais, e por tanto, não efetuou o desconto legal imposto pela legislação previdenciária, e NUNCA declarou em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, qualquer pagamento a contribuinte individual. 4.6.4 Os valores apurados pela DIRF foram declarados sob o código de retenção 0588 — Rendimentos do Trabalho sem vinculo empregatício. Seguem em anexo, a relação extraídas da DIRFs da MONTE TABOR, contendo o CNPJ da fonte pagadora, o CPF do contribuinte individual, o nome do contribuinte individual e o valor mensalmente recebido da fiscalizada. (...) 4.6.6 É bom salientar, que na planilha anexa extraída das DIRFs da MONTE TABOR, foi respeitado o teto previdenciário, já que só foi usado como base de cálculo de contribuição previdenciária, a remuneração auferida até o limite desse teto. 4.6.7 Os valores das contribuição previdenciária incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, foram apurados através da planilha em anexa, e lançadas no levantamento Cl. 4.6.8 É bom frisar, que a fiscalizada é uma ENTIDADE FILANTRÓPICA COM IMUNIDADE TRIBUTARIA, e por Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.217 25 conseqüência, a aliquota referente ao desconto do segurado contribuinte individual é de 20% sobre a remuneração auferida. Por outro lado, em relação aos contribuintes individuais a Recorrente, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, aduz que: 10.15. 0 notificante apresentou extensa lista de pessoas que, supondo trataremse exclusivamente de autônomos, deveriam ter a sua contribuição individual retida e recolhida pelo notificado. Ocorre que as pessoas ali consignadas encontramse em uma das duas posições: ou são, além de prestadores de serviços, empregados da instituição, travando com esta dois tipos de relação jurídica, de modo que atingem o teto contributivo através do desconto na condição de empregado ou, não sendo também empregado, possui outra fonte de recolhimento que por igual atinge o teto de contribuição. E, se tais empregados ou prestadores de serviços não tenham atingido o teto contributivo, a fiscalização deixou de descontar do valor cobrado sob esta rubrica os recolhimentos realizados interna ou externamente, apresentandose incorreta a cobrança, o que representa enriquecimento sem causa em favor da Previdência, o que tornaria indispensável uma perícia contábil na qual cumpre apurar o valor já recolhido na condição de empregado ou através de outras empresas, a fim de abater no montante ora cobrado. A perícia não poderá descartar que o trabalhador autônomo, segundo lhe faculta o art. 21 da Lei n° 8.212, de 1991, indicará o saláriodecontribuição sobre o qual incidirá o percentual legal de desconto da contribuição previdenciária, não havendo qualquer vinculação entre este saláriodecontribuição e a sua efetiva remuneração. 10.16. Para comprovar que a maioria esmagadora dos supostos contribuintes individuais são empregados da Instituição, anexa a folha de pagamento salarial. Ademais, para positivar que os prestadores de serviços não empregados recolhem contribuições pelo teto, anexa uma série de declarações em que resta consignado que o teto contributivo fora alcançado na qualidade de autônomo. Vale o registro de que os documentos foram apresentados à fiscalização, mas foram conculcados. 10.17. Tendo recebido em 26/12/2007 os lançamentos tributários, para promover defesa nos prazos legais, a notificada padeceu de consideráveis dificuldades para esgotar a matéria probatória, motivo pelo qual espera contar com a compreensão dos doutos julgadores para realizar, por conduto de diligência, a colheita de provas não acostadas a tempo, em testemunho e alcance da verdade real. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 4936, aponta a Solicitação de Diligência Fiscal a fim de que a Fiscalização informasse se os contribuintes individuais contidos nas DIRF eram empregados também da entidade, e já tinham sido descontadas as contribuições previdenciárias: 11. Em 30/09/2008, foi emitido um despacho pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), fls. 4641/4642, para a fiscalização cotejar os originais das declarações das empresas de que teriam descontado as contribuições Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.218 26 previdenciárias dos segurados pelo limite do saláriodecontribuição e as folhas de pagamento com as planilhas de contribuintes individuais, fls. 477/514, de modo a observar o limite máximo do saláriode contribuição de cada segurado. Em Resposta à Solicitação de Diligência Fiscal da DRJ, às fls. 4666 a 4667, a Fiscalização informa que a entidade não informou ou apresentou documentos que mostrassem que contribuintes individuais contidos nas DIRF eram empregados também da entidade, e já tinham sido descontadas as contribuições previdenciárias: 12. Em resposta à solicitação da DRJ, esclarece o AuditorFiscal autuante, às fls. 4646/4744, que intimou a entidade através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD do dia 24/10/2007 (fls. 383), a apresentar os comprovantes dos contribuintes individuais que continham os valores já descontados de contribuição previdenciária, tendo a entidade apresentado algumas declarações e comprovantes de pagamento de contribuição previdenciária (fls. 515 a 547), referente a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, os quais foram usados para o cálculo do teto previdenciária. Em nenhum momento, durante a fiscalização, a entidade informou ou apresentou documentos que mostrassem que contribuintes individuais contidos nas DIRF eram empregados também da entidade, e já tinham sido descontadas as contribuições previdenciárias. Salienta que a entidade foi intimada a entregar as declarações que continham os descontos já efetuados nos contribuintes individuais, mas limitouse a fornecer apenas algumas declarações de outras entidades. Para a verificação da documentação original das cópias apresentadas na impugnação, foi emitido o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, intimando a fiscalizada a entregar as declarações originais. A entidade só apresentou algumas declarações originais (anexadas as cópias com confere com original, fls. 4648/4743), sendo que a maioria apresentada é cópia, as quais não produzem certeza de sua veracidade. Ou seja, resta se determinar a hipótese dos contribuintes individuais contidos nas DIRFs serem empregados também da entidade e já terem sido descontados das contribuições previdenciárias; (ii) à questão do prólabore indireto dos diretores Em relação ao prólabore indireto dos diretores, o Relatório Fiscal mostra: 4.7 PRO LABORE INDIRETO DOS DIRETORES ( CASA SEDE): 4.7.1. A entidade mantém como residência para sua vicepresidente, Laura Ziller, e sua diretora conselheira, Liliane Rozone, a denominada "casa sede". A qual é uma mansão com vários quartos e piscina, localizada dentro do terreno da MONTE TABOR. Identificamos na contabilidade da entidade, freqüentes pagamentos de despesas de alimentação, energia, água, telefone, segurança, manutenção da piscina, e outras despesas referentes a manutenção da casa sede. Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.219 27 Solicitamos através do TIAD do dia 08/10/2007, uma planilha do centro de custo mensal da casa sede, em anexo, a qual demonstra o montante mensal de gasto com a "casa sede". Observamos que a despesa em 1998 superou a 184 mil reais e em 2006 foi em torno de 286 mil reais. Essas despesas englobam, dentre outras, gastos com energia, água, telefone, gas, piscina e alimentação. É bom salientar, que no montante das despesas mensais da "casa sede" pagas pela entidade, contidas na planilha de custo fornecida pela fiscalizada, não está inclusa a despesa referente ao aluguel da casa sede, paga pelo Monte Tabor. Sabese que pelo porte da casa sede, o valor desse aluguel, elevaria em muito, o valor do custo mensal fornecido pela fiscalizada 4.7.2 Solicitamos a entidade através do TIAD de 08/10/2007, a relação de moradores da referida casa sede, que na tentativa de camuflar o fato explicito de conceder benefícios aos seus diretores, tenta justificar em seu relatório de moradores da casa em anexo, que a finalidade desta é de acolher técnicos, pesquisadores e encontro de reuniões. Porém, não olvidamos que a par desta finalidade, ou de qualquer outra, temos o seguinte fato: a casa é utilizada, desde seus primórdios, para residência de seus diretores e com todas suas despesas de manutenção, alimentos e inclusive o aluguel, custeadas pela entidade beneficente Monte Tabor, restando assim claramente configuradas remuneração, vantagens e benefícios a diretores. Das pessoas listadas, conforme atas da assembléia geral em anexo, consta na lista a assistente social Sra. Laura Ziller e a médica Liliana Rozoni, que são a vicepresidente desde da fundação e a diretora da Monte Tabor desde 08/2003, respectivamente. Assim, chamamos a atenção, com relação aos seus diretores, que estes usufruem a casa como moradores (fato declarado pela Entidade e asseverado pelos tipos e montante das despesas correntes mensais) e não como eventuais hóspedes que participam de esporádicos cursos ou reuniões. 4.7.3 0 valor mensal, contido na planilha de custo da casa sede, foi considerado prólabore indireto fornecido pela entidade aos diretores moradores da case sede, e por tanto, incidente de contribuição previdenciária. Por outro lado, em relação ao prólabore indireto dos diretores a Recorrente, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, aduz que: 10.19. No que se refere ao prólabore indireto dos diretores, verificase que as administradoras são integrantes de um grupo religioso, católico, denominado "Sigili", consagrados que são A. obra da saúde e educação e que fizeram votos de dedicação integral ao ideal da obra, bem como votos de pobreza e castidade, tendo o grupo o reconhecimento da Cúria da Igreja Católica. Não recebem salário da instituição, nem possuem com esta contrato de trabalho formal. Os gastos com manutenção da casa sede informados à fiscalização pela Instituição não representam vantagens indiretas. Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.220 28 10.20. A casa sede não se presta exclusivamente, ou teria sido criada, à residência das administradoras, mas faz parte do complexo hospitalar Sao Rafael, sendo casa de apoio para a estada de cientistas, estudantes de medicina, de assistência social e médicos — via de regra Italianos , e das suas administradoras. Destaca, por amostragem de alguns anos, nomes de residentes, devendo serem ouvidos como testemunhas do juizo administrativo, através de audiência para o fim. 10.21. Os gastos com a casa sede retratam com fidelidade as espartanas despesas estritamente necessárias para o cumprimento do seu escopo e o de conservação do imóvel, razões pelas quais não se pode considerar tal rubrica como sendo remuneração indireta As duas dirigentes e executivas que nela residem, tendo natureza indenizatória, haja vista que a moradia das administradoras não se dá pelo trabalho (natureza salarial), mas para o trabalho (natureza indenizatória), pois o fato de residirem a metros do hospital representa uma vantagem considerável em beneficio da condução da obra. 10.22. A própria Lei n° 8.212, de 1991, em seu art. 28, §9°, alínea 'in', exclui da base de cálculo a habitação concedida a empregado por empregador em local distante de sua residência, reconhecendo a na natureza indenizatória da despesa. 10.23. Em qualquer circunstância, mesmo que se considere ostentar a habitação natureza remuneratória, ainda assim não se poderia integrar o saláriodecontribuição, posto que se afirmaria como remuneração de administrador, o que seria inconstitucional, eis que a relação jurídica mantida com os administradores não resulta de contrato de trabalho, não se podendo considerar o pagamento feito a estes como salário. Tal entendimento resultou na exclusão das expressões "empresários e autônomos" constantes do art. 22, I, da Lei n° 8.212, de 1991, que ganhou nova redação conferida pela Lei n° 9.876, de 1991, tudo com o fito de retirar a remuneração dos administradores da incidência da contribuição previdenciária. A pretensão de exigir contribuição previdenciária sobre supostos pagamentos feitos a administradores se ressente de previsão legal, afrontando o principio da estrita legalidade tributária ou da tipicidade cerrada. 10.24. Ainda que remuneração se tratasse e ainda que não fosse suposta remuneração a diretores e administradores, cumpriria que a fiscalização cobrasse apenas sobre as despesas pessoais das referidas administradoras, e não tomasse o valor total dos custos da casa como base de cálculo, quando é sabido que lá habitam, ainda que temporariamente, muitas outras pessoas. Assim, o cálculo correto para tal fim seria encontrar o número médio de habitantes da casa por ano e dividir o total das despesas por este número para, afinal, multiplicar por dois, e jamais se adotar o valor total das despesas, circunstância que recomenda a realização de perícia contábil. 10.25. Em nenhum momento a Instituição negouse a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização. Muito ao contrário, os muitos documentos apresentados não foram considerados nas conclusões, inexplicavelmente, não tendo a mesma nada a ocultar. Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.221 29 Essa desconsideração implicou em cerceamento do direito à ampla defesa, mesmo implicar bastas vezes, no surgimento de faltas inexistentes que demandariam da impugnante produção de prova negativa para invalidálas, o que se apresenta inaceitável. 10.26. Através do exame dos livros contábeis é possível verificar que todas as alegações da fiscalização foram baseadas em meras suposições, o que é vedado pelos princípios que regem a Administração Pública, e impõe a anulação do procedimento administrativo. Ou seja, resta a questão do prólabore indireto dos diretores, com a necessidade de se individualizar os montantes gastos pela Recorrente em relação às despesas pessoais na denominada "casa sede" das administradoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni; (iii) Códigos de Levantamento relacionados ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT. Em relação aos Códigos de Levantamento relacionados ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT, o Relatório Fiscal mostra: VALE REFEIÇÃO/ALIMENTAÇÃO: 4.2.1 A MONTE TABOR nunca esteve inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, desatendendo a exigência prevista no artigo 28, parágrafo 9°, "c", da Lei no 8.212, de 1991. A entidade foi intimada a apresentar os comprovantes de inscrição no Plano de Alimentação do Trabalhador — PAT, conforme TIAF do dia 08/10/2007, mas a empresa informou a através de uma declaração por escrito, conforme documento em anexo, que nunca aderiu ao PAT. Também, em consulta ao site do Ministério do Trabalho, foram confirmados os fatos acima citados, ratificando o fato da empresa nunca foi inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador. Não sendo a empresa inscrita no PAT, os valores gastos a titulo de • alimentação devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme se aduz do art. 753, da Instrução Normativa 03/05, do INSS: Art. 753. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo serviço gestor competente. 4.2.2 A MONTE TABOR concede a alimentação aos funcionários alocados na sede do hospital através de um refeitório localizado nas suas dependências. Os funcionários alocados fora da sede recebem a alimentação através de vale refeição ou contratos com restaurantes terceirizados. 4.2.3 Para apuração de parte dessa base de cálculo, referente aos funcionários alocados na sede do hospital, foi usado as planilhas do centro de custo mensal da alimentação dos funcionários, já que na contabilidade não possuía uma conta especifica para lançar a Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.222 30 alimentação gasta com os funcionários. Essa planilhas foram solicitadas através do TIAD de 18/10/2007, em anexo, e fornecido a essa fiscalização. Cabe ressaltar, que a entidade só forneceu a essa fiscalização as planilhas do centro de custo mensal da alimentação dos empregados alocados na sede do hospital do período de 01/2002 a 12/2006. Foi emitido TIADs específicos no dia 20/11/2007 e 28/11/2007, para que a fiscalizada fornecesse o centro de custo da alimentação dos empregados alocados na sede do hospital do período de 01/1997 a 12/2001. Mas a empresa informou que não teria como atender tais pedidos da fiscalização, pois não possuía tais informações. Por desatender a esses pedidos da fiscalização foi lavrado um Auto de Infração de n° 37.056.9156. Do valor mensal do custo da alimentação dos funcionários alocados na sede do hospital, contido na planilha fornecida a esta fiscalização, foi abatido o desconto da alimentação dos empregados. A rubrica usada para efetuar o desconto da alimentação dos empregados é a Utilidade A — 2010, conforme declaração por escrito, em anexo, fornecido pela entidade. A planilha usada para se chegar a base de cálculo de contribuição previdenciária está em anexo a esse relatório. 4.2.4 Para apuração da base de cálculo referente aos funcionários alocados fora da sede do hospital, foi emitido um TIAD no dia 20/11/2007 para que empresa fornecesse uma planilha contendo o centro de custo mensal da alimentação dos empregados alocados fora da sede do hospital. Devido ao fato de a empresa não atender a intimação anterior, foi emitido novo TIAD em 28/11/2007, solicitando novamente o centro de custo mensal da alimentação dos empregados alocados fora da sede do hospital. A entidade s6 forneceu a essa fiscalização o custo anual da alimentação dos empregados alocados fora da sede do hospital referente ao ano de 2006, em anexo. A empresa informou que não teria como atender ao pedido da fiscalização referente aos demais anos, pois não possuía tais informações. Por desatender a esses pedidos da fiscalização foi lavrado um Auto de Infração de n° 37.056.9156. Do valor anual do custo da alimentação dos funcionários alocados fora sede do hospital, entregue a essa fiscalização, foi feito a media mensal desse custo, e foi abatido o desconto da alimentação dos empregados. A rubrica usada para efetuar o desconto da alimentação dos empregados é a Utilidade A — 2010, conforme declaração por escrito, em anexo, fornecido pela entidade. A planilha usada para se chegar a base de cálculo de contribuição previdenciária está em anexo a esse relatório. Por outro lado, em relação Códigos de Levantamento relacionados ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT a Recorrente, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, aduz que: 10.7. Cumpre registrar que a alimentação não poderia ser considerada como saláriodecontribuição, por não representar uma remuneração indireta, já que os empregados pagam pela alimentação, ainda que parcialmente, através de desconto realizado. Colaciona jurisprudência e doutrina. 10.8. A alimentação fornecida ao empregado que se prolonga no serviço, indiscriminadamente considerada pela Notificação, por ter Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.223 31 natureza indenizatória jamais poderia ostentar como saláriode contribuição. Colaciona jurisprudência. 10.9. A Lei n° 8.21 , de 1991, em seu art. 28, § 9°, alínea 's', estabeleceu que o auxíliocreche não estaria incluído no salário de contribuição, desde que pago de acordo com a legislação trabalhista. A convenção coletiva, autorizada pela própria Lei, subscrita pela Notificada, não exige a comprovação das despesas com creche, limitandose a exigir a apresentação da certidão de nascimento. A exigência da comprovação da despesa é restritiva de direitos dos empregados e não foi recepcionada pela Constituição, nem tampouco pela Emenda Constitucional n° 53, de 19 de dezembro de 2006, que estabelece serem direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, a assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e préescolas. 10.10. A natureza jurídica do instituto do reembolso creche é indenizatória, dai não poder sustentar natureza salarial, o que contrariaria o art. 7°, XXV, da Constituição. Ou seja, resta a questão dos Códigos de Levantamento relacionados ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT, para se determinar qual o tipo de alimentação fornecida, se "in natura" ou por valerefeição ou em pecúnia, com vistas à aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a necessidade de se verificar no conjunto de provas documentais apresentadas pela Recorrente em sede de Impugnação e em sede de Recurso Voluntário os elementos fáticos que suportaram a autuação fiscal e que necessitam de esclarecimentos. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe, considerandose o conjunto de provas documentais acostadas aos autos: (i) se os contribuintes individuais contidos nas DIRFs, que serviram de base para a presente autuação fiscal, foram empregados da Recorrente e, nesta hipótese, se foram Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.000414/200874 Resolução nº 2403000.277 S2C4T3 Fl. 5.224 32 consideradas na autuação fiscal as contribuições previdenciárias descontadas como segurados empregados; (ii) a identificação dos contribuintes individuais que também são considerados segurados empregados da Recorrente; (iii) em relação aos contribuintes individuais que também são considerados segurados empregados da Recorrente, a especificação dos valores que foram deduzidos a título de contribuição descontada dos segurados empregados; (iv) na questão do Levantamento relacionado ao prólabore indireto dos diretores, a individualização dos montantes gastos pela Recorrente em relação às despesas pessoais na denominada "casa sede" das administradoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni; (v) quanto à cada Código de Levantamento relacionado ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT, qual o tipo de alimentação fornecida, se "in natura" ou por valerefeição ou em pecúnia, com vistas à aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. (vi) bem como se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo tributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.019137/2010-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3403-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: 1) por maioria de votos, determinou-se a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e 2) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à exclusão das receitas operacionais da base de cálculo da contribuição. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista, que entenderam que a decisão judicial garante ao contribuinte o direito de recolher a contribuição apenas sobre as receitas da prestação de serviço. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 91 37 /2 01 0- 14 Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: 1) por maioria de votos, determinouse a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e 2) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à exclusão das receitas operacionais da base de cálculo da contribuição. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista, que entenderam que a decisão judicial garante ao contribuinte o direito de recolher a contribuição apenas sobre as receitas da prestação de serviço. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 04/11/2010 (fls. 5 a 18, com ciência em 11/11/2010 fls. 6)1 e 11/11/2010 (fls. 19 a 31, com ciência em 11/11/2010 fls. 20) para exigência, respectivamente, de COFINS (de março de 2006 a dezembro de 2008, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 16.019.136,79) e Contribuição para o PIS/PASEP (de julho de 2006 a dezembro de 2008, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 2.324.555,25). Ambas as contribuições são exigidas na sistemática da cumulatividade, em função do disposto no art. 10, I da Lei no 10.833/2003, com a alíquota de 4%, conforme art. 18 da Lei no 10.684/2003. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 32 a 38, narra a fiscalização que: (a) a instituição financeira, por meio do mandado de segurança preventivo no 1999.38.00.0160259, objetivou que o fisco se abstivesse de exigir a COFINS nos termos definidos pela Medida Provisória no 1.724/1998 e pela Lei no 9.718/1998, sobre a receita bruta (ao invés do faturamento); (b) a mesma instituição, por meio do mandado de segurança 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.449 3 preventivo no 2006.38.00.0049780 buscou autorização judicial para que a fiscalização se abstivesse de exigir a Contribuição para o PIS/PASEP nos termos do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, declarado inconstitucional pelo STF; (c) a primeira ação transitou em julgado, e a segunda ainda se encontrava pendente de apreciação no TRF da 1a Região; (d) a RFB efetuou consulta à PGFN (por meio da Nota Técnica COSIT/SRF no 21, de 28/08/2006) sobre a natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros, à luz da decisão do STF, tendo como resposta (Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007) que para ambas as contribuições a declaração de inconstitucionalidade não afetou a tributação das instituições financeiras e seguradoras, que continua sendo a receita bruta da pessoa jurídica, com as exclusões previstas nos §§ 5o e 6o, sem abarcar as receitas não operacionais, ou seja, nos moldes do art. 2o da Lei Complementar no 70/1991, considerandose, no caso de instituições financeiras, receitas de serviços as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (e) a partir do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), mais especificamente do item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros, e da definição constante do § 2o do art. 3o da Lei no 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), concluise que a atividade bancária é composta por serviços que são disponibilizados aos clientes, entre os quais a intermediação financeira; (f) devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), tais como rendas de aluguel; (g) sendo a base de cálculo a “receita bruta da pessoa jurídica”, não está acobertado o entendimento da empresa pelas ações impetradas; e (h) diante de tais fatos, foi elaborada planilha com base na documentação disponibilizada pela empresa (especialmente os Livros Razão), para exigência das diferenças advindas de receitas operacionais. A empresa apresenta sua impugnação em 09/12/2010 (fls. 269 a 362), argumentando, em síntese, que: (a) obteve decisão judicial transitada em julgado em 19/12/2005, no mandado de segurança no 1999.38.00.0160259, “acolhendo sua pretensão de excluir da base de cálculo da COFINS todos os ingressos não provenientes da efetiva prestação de serviços, como é o caso das receitas financeiras (denominadas pela fiscalização de ‘receitas da atividade’)”; (b) todas as receitas decorrentes da efetiva prestação de serviços estão registradas no grupo contábil denominado “rendas de prestação de serviços” (conta COSIF 7.1.7.99.003) e foram regularmente tributadas; (c) a PFN e a DRF/Belo Horizonte manifestaramse favoravelmente à metodologia adotada para a base de cálculo da COFINS, decorrente da ação transitada em julgado, depois mudando de posicionamento (em afronta aos princípios da moralidade e da segurança jurídica, e violando o art. 146 do CTN pela aplicação retroativa de novo critério jurídico, introduzido em 29/06/2010, no bojo do processo de cobrança no 10833.000393/201092, e na presente autuação); (d) possui idêntica discussão judicial para a Contribuição para o PIS/PASEP (no mandado de segurança no 2006.38.00.0049780), com sentença de procedência (desonerandoa liminarmente da contribuição em relação às “receitas que aufere das operações de créditos e serviços permitidos pelo Banco Central do Brasil, o que constitui seu objeto social”), aguardando recurso de apelação interposto pela União (com a liminar ainda produzindo efeitos); (e) a RFB aplicou o entendimento expresso no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007 (contendo argumentos que foram afastados pelas decisões judiciais) sem qualquer nova diligência ou intimação específica à instituição, ignorando as discussões judiciais travadas em ambas as ações (e a coisa julgada, em relação à COFINS), e passou a tributar, sem análise detalhada, todos os grupos contábeis classificados como “receitas operacionais”, presumindoos como incluídos na base de cálculo das contribuições; (f) a RFB deveria ter investigado o conteúdo de cada conta contábil integrante dos diversos grupos, apontando os valores que, no seu entender, seriam receitas da atividade da instituição, o que não foi feito; (g) sequer foi observada a metodologia Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 prevista para apuração na base de cálculo para instituições financeiras da Lei no 9.718/1998 e da IN SRF no 247/2002, não promovendo as deduções pertinentes (v.g. “rendas de participações” e despesas de captação conta COSIF 8.1.1.00.008) e tributando valores que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo (v.g. “rendas de títulos e valores mobiliários”); (h) o lançamento é improcedente, por não estar identificada corretamente a matéria tributável (art. 142 do CTN), não tendo o fisco o cuidado de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador, mesmo tendo condições de fazêlo (visto que toda documentação solicitada foi entregue); (i) os valores registrados nos grupos contábeis denominados “rendas de operações de créditos” (com registro dos financiamentos concedidos aos clientes), “rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez” (aplicações de recursos próprios da instituição no âmbito da CETIP Balcão Organizado de Ativos e Derivativos), “rendas de títulos e valores mobiliários” (aplicações com recursos próprios da instituição no mercado financeiro), “rendas de participações” (com registro de valores provenientes da variação da participação societária da instituição em empresas coligadas e controladas avaliada pelo método de equivalência patrimonial) e “outras receitas operacionais” (recuperação de créditos baixados como prejuízo, recuperação de encargos e despesas, reversão de provisões, e juros recebidos em razão de pagamento em atraso de financiamentos concedidos) não integram a base de cálculo das contribuições, pois a definição de faturamento encampada pela Constituição corresponde à “receita bruta proveniente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, não podendo ser alterada, sob pena de violação ao art. 100 do Código Tributário Nacional”; (j) a definição de serviços financeiros do GATS limitase ao âmbito do próprio acordo, como nele expresso, e a definição do Código de Defesa do Consumidor é restrita às relações de consumo, de modo que não podem ser utilizadas para delimitação de competência tributária; (k) a cobrança de juros e multa em relação à COFINS ofende o parágrafo único do art. 100 do CTN (pois a empresa se pautou pelo entendimento considerado correto pela própria RFB); (l) ainda que se pudesse constituir crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, a medida seria exclusivamente para prevenir a decadência, não se podendo lançar a multa de ofício, conforme prevê o art. 63 da Lei no 9.430/1996; e (m) não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. Em 28/03/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 390 a 420), no qual se decide unanimemente pela parcial procedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) são distintos os objetos da autuação e dos processos judiciais, não havendo violação da coisa julgada nem concomitância; (b) as instituições financeiras podem efetuar diversas deduções em relação a suas receitas, previstas nos §§ 5o e 6o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, e disciplinados pela IN SRF no 247/2002; (c) “em uma instituição financeira, as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou na exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece com outras empresas”, sendo, portanto, operacionais, e compondo a base de cálculo das contribuições, conforme explicita a Nota Técnica COSIT no 21, de 28/08/2006; (d) o Código de Defesa do Consumidor aplicase às atividades das instituições financeiras, conforme decidiu o STF na ADIn no 2.5911/DF, e o GATS tem a mesma hierarquia das leis tributárias ordinárias, conforme ADIn no 1.480; (e) não houve violação ao art. 142 do CTN, pois é correto o entendimento de que todas as receitas operacionais devem compor a base de cálculo das contribuições; (f) assiste razão à impugnante quando alega que não foi observada a metodologia específica para apuração da base de cálculo das contribuições, devendo ser excluídos os valores registrados nos grupos contábeis “rendas de participações”, “recuperação de créditos baixados como prejuízo” e “reversão de provisões operacionais” e deduzidos os valores registrados no grupo denominado “despesas de captação” (em função dos valores exonerados R$ 2.058.522,86 / COFINS e R$308.673,45 / Contribuição para o PIS/PASEP apresentou a DRJ recurso de ofício); (g) não se aplica o Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.450 5 disposto no art. 146 do CTN pois não houve verificação da regularidade dos recolhimentos mediante fiscalização, mas meramente manifestações sobre valores depositados judicialmente ou recolhidos durante o trâmite de ação judicial; (h) também não se aplica o parágrafo único do art. 100 do CTN, pois as referidas manifestações não representam norma abstrata e impessoal; (i) não se pode apreciar a questão da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, visto que não está presente na autuação; e (j) acórdãos de tribunais administrativos não possuem eficácia normativa. Cientificada do acórdão da DRJ em 11/10/2011 (cf. AR à fl. 1091), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 03/11/2011 (fls. 1097 a 1196), reiterando as considerações expostas na impugnação, e acrescentando que: (a) nos autos da ação anulatória no 4904046.2011.4.01.3800, proposta pela recorrente para cancelar a exigência fiscal objeto do processo administrativo no 10833.000393/201092, relacionada a débitos de COFINS dos períodos de apuração 05/1999 a 12/2002, 01/2006 e 02/2006, cuja formalização se deu sob a égide do mesmo entendimento aplicado nestes autos, exposto no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, reconheceuse que houve violação da coisa julgada; (b) o lançamento deve ser cancelado, por violação ao art. 142 do CTN, e não “ajustado ou corrigido”, como fez a DRJ, inovando e aperfeiçoando o lançamento original, mediante critério jurídico não adotado originalmente pela fiscalização; (c) o entendimento da fiscalização, ainda que acolhido eventualmente pelo STF no RE no 609.096/RS, de reconhecida repercussão geral, não deve ser aplicado retroativamente, sob pena de violação dos arts. 5o, XXXVI, e 150, III da CF, c/c art. 146 do CTN; (d) os valores registrados a título de “recuperação de encargos e despesas” são provenientes do ressarcimento de valores adiantados pelo recorrente aos clientes e inicialmente classificados contabilmente como “despesas bancárias”, ou seja, representam recomposições patrimoniais; e (e) os juros recebidos em razão do pagamento em atraso de financiamentos concedidos pelo recorrente representam “receitas financeiras” (e não receitas provenientes da prestação de serviços). Adiciona, por fim, solicitação de sobrestamento do processo até a decisão final no RE no 609.096/RS, em trâmite no STF, com repercussão geral reconhecida, e solicitação de desprovimento do recurso de ofício. O processo foi objeto de julgamento na Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em 19/07/2012 (Resolução no 3401 000.545, fls. 1433 a 1440), sob a relatoria do Cons. Odassi Guerzoni Filho (que não mais faz parte deste colegiado), tendo sido acordado unanimemente pelo sobrestamento do julgamento tendo em vista a reconhecida repercussão geral no RE no 609.906/RS, e o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), no que se refere à “exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras” (Tema no 372). Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo volta a ser distribuído, para apreciação pelo colegiado, independente da decisão definitiva a ser proferida pelo STF no RE no 606.107/RS. Em 29/11/2013 (fls. 1445 a 1447), a instituição apresenta pedido de desistência parcial do contencioso (irrevogável, e com renúncia às alegações de direito), em função de adesão aos benefícios do art. 39 da Lei no 12.865/2013, liquidando, mediante pagamento à vista, os débitos a título de Contribuição para o PIS/PASEP mantidos pela decisão de primeira instância (R$ 831.712,69 a título de principal), conforme demonstrativo que anexa. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Persiste o contencioso, contudo, em relação à COFINS e aos valores da Contribuição para o PIS/PASEP exonerados pela primeira instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Em função do pedido de desistência parcial apresentado, mister se faz preliminarmente delimitar a lide, na forma em que hoje se encontra. Da delimitação da lide Como relatado, a instituição apresenta, em 29/11/2013 (fls. 1445 a 1447), solicitação de desistência parcial da discussão administrativa, em função de adesão aos benefícios do art. 39 da Lei no 12.865/2013, liquidando, mediante pagamento à vista, os débitos a título de Contribuição para o PIS/PASEP mantidos pela decisão de primeira instância (R$ 831.712,69 a título de principal). Apesar de não haver DARF anexado ao processo, comprovando o pagamento, é eficaz o pedido de desistência (irrevogável, e com renúncia às alegações de direito). Entendo que incumbe à unidade local a verificação do recolhimento e sua imputação aos débitos remanescentes de Contribuição para o PIS/PASEP após a decisão de piso, visto que a desistência implica a manutenção do lançamento com caráter definitivo. O benefício externado no art. 39 da Lei no 12.865/2013 permitia (já com as alterações dadas pela Medida Provisória no 627, de 11/11/2013, que viria a ser convertida na Lei no 12.973/2014), a redução de 100% da multa de ofício e dos juros de mora aplicados. Não é o objeto do presente contencioso perscrutar se a empresa fazia ou não jus a tal benefício, em função do texto dos parágrafos do mesmo artigo 39, que tratam de desistência da ação judicial, do prazo para pagamento, e outros. Como dito, basta ao deslinde do presente processo a informação de que a empresa desiste do contencioso em relação aos débitos lançados a título de Contribuição para o PIS/PASEP, mantidos pela DRJ, e que passam a ser definitivos. Acrescentese que em consulta ao sítio web do TRF da 1a Região, verificase que o Mandado de Segurança em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, de no 2006.38.00.0049780 teve julgamento naquele tribunal em 18/10/2013, sendo acolhida unanimemente pela Turma a apelação da União. O acórdão foi publicado em Diário Oficial (e DJF1) no dia 04/11/2013. Persiste, assim, o contencioso tão somente em relação aos débitos de COFINS e ao Recurso de Ofício (referente a ambas as contribuições). Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.451 7 Por mais que a instituição tenha alegado expressamente “renunciar às alegações de direito sobre as quais se fundam a defesa administrativa e o recurso voluntário, especificamente em relação aos débitos a título de PIS mantidos pela decisão administrativa de primeira instância”(fl. 1447), é preciso destacar que (mesmo que haja inconsistência lógica ou esforço lógico irrazoável) não está a instituição desistindo das alegações em relação à COFINS, ainda que em sua maior parte idênticas às utilizadas em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, visto haver identidade de base de cálculo entre as contribuições. Passase, assim, à análise das matérias contenciosas em relação à COFINS, tratandose ao final do voto da matéria afeta ao Recurso de Ofício. Da decisão judicial em relação à COFINS Verificandose os autos do mandado de segurança no 1999.38.00.0160259, percebese que a petição inicial (27/04/1999 fls. 122 a 154) objetiva basicamente “que a autoridade Impetrada se abstenha de praticar quaisquer atos com o escopo de exigir a contribuição social COFINS, nos termos definidos pela Medida Provisória 1.724 de 29/10/98 e pela Lei 9.718/98 que a convalidou, vale dizer, com alíquota majorada e incidindo sobre a receita bruta da empresa e não sobre seu faturamento como antes”, solicitando liminar para efetuar “depósitos em juízo dos acréscimos resultantes do aumento da alíquota e da modificação da base de cálculo da COFINS tratados na Lei 9.718/98” até a decisão definitiva da ação. O que demanda a instituição em sua peça inicial, assim, é a aplicação da legislação anterior à Lei no 9.718/1998, ou seja, a adoção do conceito de faturamento como “receita bruta de venda de mercadorias de mercadorias e serviços, e de serviço de qualquer natureza” (conforme Lei Complementar no 70/1991 e DecretoLei no 2.397/1987), não havendo qualquer menção na inicial à discriminação dos serviços prestados pela instituição, ou sobre o conceito específico de receita financeira de instituições financeiras. Em suma, tal matéria (que é a ensejadora da autuação) não foi submetida ao Poder Judiciário. As informações prestadas pela RFB na ação judicial (fls. 155 a 160) dão conta de que a autoridade impetrada sustentava que não só as receitas de venda de mercadorias de mercadorias e serviços, e de serviço de qualquer natureza seriam objeto de tributação pela COFINS, mas também as receitas obtidas em aplicações financeiras. Na sentença de fls. 161 a 166, proferida em 12/08/1999, também sequer se adentra nas peculiaridades da atividade da instituição, e se decide, na linha do que vem decidindo o STF, que o conceito de faturamento é o da Lei Complementar no 70/1991, cabendo transcrever a parte dispositiva: Por tais fundamentos, CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA para desobrigar a Impetrante do recolhimento dos créditos tributários resultantes da ampliação da base de cálculo e do aumento de alíquota da COFINS, perpetradas pela Lei no 9.718/98, declarando o direito à compensação dos valores recolhidos a maior, na vigência da referida Lei, com parcelas vincendas dos tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 1 do Decreto no 2.138/1997. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 No âmbito do TRF da 1a Região Fiscal, deuse provimento à apelação da União, reformando a sentença (fls. 167 a 170). Agravada a decisão (fls. 171 a 179), o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 16/11/2005 (AI no 428.8951 fls. 180 a 182), dar provimento ao agravo, convertendoo em recurso extraordinário, concedendo parcial provimento a este “para afastar a aplicação do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998”, tendo a decisão trânsito em julgado em 14/12/2005 (fl. 183). É cristalino que não há vestígio, na ação judicial, da matéria discutida na autuação. Recordese que o Auto de Infração não objetiva insistir na tese (definitivamente afastada judicialmente) de que as receitas financeiras figurariam, ao lado das receitas de vendas de mercadorias e de serviços, na base de cálculo da COFINS. A autuação discute, sim, quais são as receitas de venda de mercadorias e serviços de uma instituição financeira, matéria sequer ventilada no processo judicial. Não há, assim, qualquer prejuízo à coisa julgada no conteúdo da autuação. E não há também identidade de objeto entre o processo administrativo e o judicial, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito constante naquele em função deste. E a menção no recurso voluntário à existência de ação anulatória de autuação diversa (com parcial transcrição de uma decisão judicial) não configura instrumento hábil a qualquer conclusão em relação à matéria. Percebese que, ao contrário do que afirma a instituição, a fiscalização não contrariou o entendimento expresso na decisão judicial, mas aplicouo ao caso, sanando junto à PGFN dúvida sobre o que seriam as receitas com venda de mercadorias / prestação de serviços, chegando à conclusão, após a resposta, de que seriam incluídas na base de cálculo da COFINS todas as receitas operacionais da instituição, lavrando a autuação. Das manifestações das autoridades fazendárias em relação ao processo judicial Já de início, é de se afastar a argumentação da instituição recorrente de que a Fazenda concordou com a decisão judicial por deixar transcorrer in albis o prazo para apresentação de embargos, agravo regimental, ou interposição de ação rescisória. Vejase, como já exposto, que não se discute aqui o mérito da decisão judicial, mas seu cumprimento, esclarecendose o que é receita com venda de mercadorias / prestação de serviços para uma instituição financeira. Incabível falarse, então, em ação rescisória para (re)discussão da matéria, visto que o tema agora em discussão é outro. A instituição recorrente sustenta ainda que a PFN e a DRF/Belo Horizonte manifestaramse favoravelmente à metodologia adotada para a base de cálculo da COFINS, decorrente da ação transitada em julgado, depois mudando de posicionamento (em afronta aos princípios da moralidade e da segurança jurídica, e violando o art. 146 do CTN pela aplicação retroativa de novo critério jurídico, introduzido em 29/06/2010, no bojo do processo de cobrança no 10833.000393/201092, e na presente autuação). Às fls. 185 a 187, há um memorando do chefe da SECAT da DRF/Belo Horizonte, datado de 13/07/2006, com expressa referência à ação judicial sobre a COFINS (mandado de segurança no 1999.38.00.0160259), afirmando, em relação aos pagamentos da contribuição durante o trâmite da ação, que “estão em conformidade com a decisão judicial Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.452 9 favorável ao contribuinte”. No expediente de fl. 189, referente ao processo administrativo de acompanhamento do mandado de segurança, informase, em 18/07/2008, que “após a análise, constatouse que o contribuinte tem depósitos no montante integral, na referida ação judicial” e “quando do levantamento não houve oposição da PFN/MG”. É preciso destacar, contudo, que a matéria discutida na autuação também não se faz presente nas citadas manifestações. Vejase que o objeto das manifestações não era uma ação fiscal para apurar a regularidade do recolhimento da COFINS, mas tão somente uma checagem de recolhimentos em relação ao indicado em ação judicial (e tudo em relação a pagamentos efetuados até 2005). Não há, assim, a alegada “modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento” (art. 146 do CTN). Os créditos discutidos no presente processo são de período posterior, não externando as manifestações constantes dos memorandos (documentos internos) o entendimento jurídico da fiscalização sobre a matéria (que, mais uma vez, destaquese, não é a discutida na autuação). Improcedentes, então, as alegações expostas no recurso voluntário em relação a este tópico. Da metodologia adotada pela fiscalização para determinação das bases de cálculo A instituição recorrente afirma que a RFB deveria ter investigado o conteúdo de cada conta contábil integrante dos diversos grupos, apontando os valores que, no seu entender, seriam receitas da atividade da instituição, o que não foi feito, e que sequer foi observada a metodologia prevista para apuração na base de cálculo para instituições financeiras da Lei no 9.718/1998 e da IN SRF no 247/2002, não se promovendo as deduções pertinentes (v.g. “rendas de participações” e despesas de captação conta COSIF 8.1.1.00.008) e tributandose valores que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo (v.g. “rendas de títulos e valores mobiliários”). Assim, o lançamento é improcedente, por não estar identificada corretamente a matéria tributável (art. 142 do CTN), não tendo o fisco o cuidado de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador, mesmo tendo condições de fazêlo (visto que toda documentação solicitada foi entregue). É preciso recordar, de início, que a fiscalização, objetivando o cumprimento da decisão judicial no caso concreto, demandou esclarecimentos à PGFN sobre o que constituiria receita de venda de mercadorias / prestação de serviços, e, a partir da resposta, concluiu serem faturamento todas as “receitas operacionais” da empresa, lavrando a autuação. Não parece, no momento da lavratura da autuação, que o fisco tivesse dúvida em relação à matéria tributável, a demandar aprofundamento da fiscalização. Não se vê, então, como acolher a argumentação expressa no recurso voluntário de que deve ser cancelado o auto de infração por não estar determinada a matéria tributável (art. 142 do CTN). A matéria tributável estava determinada, ainda que se revelasse durante o contencioso parcialmente equivocado o entendimento do fisco (o que ocorreu nestes autos) de que todas as receitas escrituradas como operacionais deveriam ser incluídas na base de cálculo da COFINS. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 10 E, havendo incorreção na autuação (que, destaquese, não se encontra entre os casos de nulidade expressos no Decreto no 70.235/1972), e sendo tal incorreção detectada em fase posterior do contencioso (de ofício ou em decorrência de manifestação da autuada), perfeitamente cabível a exclusão do lançamento do montante indevidamente exigido. Foi o que ocorreu, por exemplo, quando a DRJ afastou os montantes indevidos em função de dedução legalmente prevista dos valores registrados no grupo denominado “despesas de captação”. Improcedente, nessa linha, a argumentação da instituição recorrente de que a DRJ deveria cancelar o lançamento, ao invés de ajustálo ou corrigilo. Ou de que aperfeiçoou o lançamento, inovando. O que fez a DRJ, por óbvio, foi cancelar parcialmente o lançamento, naqueles tópicos em que o entendeu indevido. Por certo que o entendimento do julgador foi diferente do entendimento do autuante. E é salutar ao contraditório e ao devido processo que tal situação possa existir. A mudança de entendimento não é sobre o enquadramento ou a fundamentação da autuação, mas sobre a quantificação, e em favor do autuado. Tendo o julgador de piso o entendimento de que algumas das rubricas incluídas pelo fisco na base de cálculo da COFINS eram indevidas, por certo que pode excluí las do lançamento (como o fez), sem que isso prejudique a autuação toda. Entender de forma diversa parece tornar impossível a existência de procedência parcial no processo administrativo. Também nesse tópico, então, são improcedentes as alegações aventadas em sede de recurso voluntário. Do sobrestamento em função do RE no 609.096/RS A instituição recorrente solicita ainda o sobrestamento do processo até a decisão final no RE no 609.096/RS, em trâmite no STF, com repercussão geral reconhecida. Tal argumento parece seguir caminho diverso de outro, constante no mesmo recurso voluntário, no sentido de que o entendimento da fiscalização, ainda que acolhido eventualmente pelo STF no RE no 609.096/RS, de reconhecida repercussão geral, não deve ser aplicado retroativamente, sob pena de violação dos arts. 5o, XXXVI, e 150, III da CF, c/c art. 146 do CTN. Se não deve haver aplicação retroativa, seria inócuo o sobrestamento. De qualquer sorte, foi pelo sobrestamento o posicionamento inicial deste colegiado, só revertido em função da revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013. A matéria objeto do RE no 609.096/RS, que tramita no STF, tendo sido reconhecida unanimemente a Repercussão Geral do tema (no 372) por aquela corte em 04/03/2011 (DJe de 02/05/2011) é a seguinte: a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3o, §§ 5o e 6o, da Lei no 9.718/1998. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.453 11 E não há ainda manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, e a manifestação em outro RE (no 400.4798/RJ), que o próprio STF entendeu como similar ao aqui analisado. Cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. É de se destacar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. Da base de cálculo da COFINS para instituições financeiras Neste tópico passa a se discutir a matéria sobre a qual ainda pende decisão da Suprema Corte. A instituição recorrente afirma que todas as receitas decorrentes da efetiva prestação de serviços estão registradas no grupo contábil denominado “rendas de prestação de serviços” (conta COSIF 7.1.7.99.003) e foram regularmente tributadas, informando que os valores registrados nos grupos contábeis denominados “rendas de operações de créditos” (com registro dos financiamentos concedidos aos clientes), “rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez” (aplicações de recursos próprios da instituição no âmbito da CETIP Balcão Organizado de Ativos e Derivativos), “rendas de títulos e valores mobiliários” (aplicações com recursos próprios da instituição no mercado financeiro), “rendas de participações” (com registro de valores provenientes da variação da participação societária da instituição em empresas coligadas e controladas avaliada pelo método de equivalência patrimonial) e “outras receitas operacionais” (recuperação de créditos baixados como prejuízo, recuperação de encargos e despesas, reversão de provisões, e juros recebidos em razão de pagamento em atraso de financiamentos concedidos) não integram a base de cálculo das contribuições, pois a definição de faturamento encampada pela Constituição corresponde à “receita bruta proveniente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, não podendo ser alterada, sob pena de violação ao art. 100 do Código Tributário Nacional”. Afirma ainda que a definição de serviços financeiros do GATS limitase ao âmbito do próprio acordo, como nele expresso, e que a definição do Código de Defesa do Consumidor é restrita às relações de consumo, de modo que não podem ser utilizadas para delimitação de competência tributária. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 12 E acrescenta, no recurso voluntário, que os valores registrados a título de “recuperação de encargos e despesas” são provenientes do ressarcimento de valores adiantados pelo recorrente aos clientes e inicialmente classificados contabilmente como “despesas bancárias”, ou seja, representam recomposições patrimoniais; e que os juros recebidos em razão do pagamento em atraso de financiamentos concedidos pelo recorrente representam “receitas financeiras” (e não receitas provenientes da prestação de serviços). É de se destacar, de início, manifestação do STF no sentido de distinguir, como se faz neste voto, as discussões sobre o conceito de faturamento (e seu alargamento pelo § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) e sobre a abrangência do faturamento no que se refere a receitas de instituições financeiras: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido.(RE 582258 AgR AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 06/04/2010, PROCESSO ELETRÔNICO DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010)” (grifo nosso) Aliás, cabe a distinção exatamente na ação judicial “gêmea” apresentada pela instituição recorrente em relação à Contribuição para o PIS/PASEP (mandado de segurança no 2006.38.00.0049780). Vejase que pouco antes da desistência administrativa houve julgamento da ação pelo TRF da 1a Região, com acolhimento unânime da apelação da União, acordandose: “TRIBUTÁRIO. PIS. ART 3o, § 1o, DA LEI 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS sobre a receita bruta operacional de acordo com legislação específica (art. 1o, III da Lei 9.701/1988 e art. 3o, §§ 5o e 6o, da Lei 9.718/1998). 2. O reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei 9.718/1998 pelo Supremo Tribunal Federal não influenciou a apuração da base de cálculo das Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.454 13 instituições financeiras. 3. Apelação da União Provida. (TRF1, 8a Turma, AC no 2006.38.00.0049780/MG, Rel. Des. Novély Vilanova da Silva Reis, unânime, 18.out.2013).” (grifo nosso) Voltando aos julgados do STF, adicionese que, como informado no tópico anterior do voto (referente a sobrestamento), a suprema corte apreciou também Recurso Extraordinário (Segunda Turma, em 10/10/2006) com matéria similar à que está sob repercussão geral, no RE no 400.4798/RJAgR. Em tal julgamento, entendeuse unanimemente por negar provimento a agravo regimental em relação a decisão, que, também a partir da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, entendeu não estar sujeita à incidência de COFINS (e Contribuição para o PIS/PASEP) porque a (quase) totalidade de suas receitas não derivariam de venda de mercadorias e prestação de serviços, por ser a empresa uma seguradora. Vejase excerto do voto do relator, que se coaduna com o entendimento expresso na autuação: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na (sic) sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (grifo nosso) No mesmo julgado, esclarece no relatório o Min. Cezar Peluso que: “Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE no 346.084PR, Rel. orig. Min. Ilmar Galvão; RE no 357.950RS; RE no 358.273RS e RE no 390.840 MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF no 408, p.1).” (grifo nosso) Após a referida declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, foram efetuadas diversas alterações em tal lei (uma delas expressamente revogando o § 1o do art. 3o pela Lei no 11.941/2009). O caput do referido art. 3o, reconhecido como constitucional, estabelecia, em sua redação original, que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, tendo sido o texto recentemente alterado pela Lei no 12.973, de 13/05/2014 (a mesma que instituiu o benefício motivador da renúncia de contencioso em relação à Contribuição para o PIS/PASEP nestes autos). Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 14 Assim, em que pesem algumas alterações de texto, permanecem hígidos os comandos da Lei que estabelecem a base de cálculo (faturamento art. 2o) e sua identidade com a receita bruta (art. 3o, caput), assim como as exclusões (art. 3o, § 2o ). Tendo em vista as peculiaridades tanto do setor financeiro como do setor de seguros, passaram a existir (ainda ao tempo dos fatos narrados no presente processo) disposições específicas para eles. Os §§ 5o e 6o do art. 3o, incluídos em 2001, externaram tratamentos aplicáveis a pessoas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991 (“bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas”): “§ 5o Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...)” (grifo nosso) A lista de exclusões, por óbvio, é exaustiva e não exemplificativa, e o comando legal, em virtude da já propalada Súmula CARF no 2, não admite questionamento administrativo em relação à constitucionalidade. Qualquer das exclusões e deduções, de caráter Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.455 15 geral (§5o) ou específico (§6o), é aplicável sobre a receita bruta, para efeito de apuração da COFINS em instituições como a recorrente. Tomando como constitucional o comando legal, seria absolutamente contraditório considerar, como se deseja no recurso voluntário, que as únicas receitas a compor a base de cálculo fossem as registradas na conta COSIF referente a “rendas de prestação de serviços”. Vejase que praticamente a totalidade das exclusões específicas previstas no § 6o é absolutamente incompatível com a adoção do conceito restritivo pleiteado. Daí estarem as matérias “exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras” e afastamento da “incidência do disposto no art. 3o, §§ 5o e 6o, da Lei no 9.718/1998” conectadas no Tema no 372, com repercussão geral reconhecida pelo STF. Assim, assumindo como constitucionais as disposições dos §§ 5o e 6o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, menor relevância adquire a discussão sobre eventual aplicação do GATS ou do Código de Defesa do Consumidor na definição de serviços em relação a instituições financeiras. De qualquer sorte, ambas as normas são efetivamente definidoras de serviços (uma em caráter internacional e outra no âmbito brasileiro), sendo passíveis de aplicação em matéria tributária, buscando não distorcer os conteúdos de direito privado, na linha seguida pelo art. 110 do CTN. A aplicação do Código de Defesa do Consumidor às atividades das instituições financeiras foi inclusive reconhecida pelo STF, como se destaca no julgamento de piso. Em suma, não é restrita como se deseja no recurso voluntário a leitura do dispositivo legal, mas na forma disciplinada, à época dos fatos previstos na autuação, pela Instrução Normativa no 247/2002 (sendo a matéria hoje tratada pela Instrução Normativa no 1.285/2012). Ambas as instruções normativas esclarecem e enumeram as deduções e exclusões aplicáveis, gerais e específicas, tomando como base as receitas operacionais. E é nessa matéria que a DRJ diverge parcialmente do entendimento expresso na autuação, admitindo exclusões e deduções não reconhecidas no lançamento. A DRJ exclui, por não constituírem receitas operacionais, “rendas de participações”, “recuperação de créditos baixados como prejuízo” e “reversão de provisões operacionais”, e reconhece a dedução em relação a valores registrados no grupo denominado “despesas de captação”. As três contas referentes a exclusões constam expressamente no quadro “exclusões” do Anexo I da Instrução Normativa no 247/2002 (vigente ao tempo dos fatos). E a dedução de “despesas de captação” encontra expressa guarida nas “deduções” relacionadas no mesmo Anexo I. Correto, assim, o entendimento da DRJ, que, em verdade, reflete o estrito cumprimento de norma editada pela própria RFB. As “rendas de operações de créditos”, “rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez” e “rendas de títulos e valores mobiliários” e “outras receitas operacionais” (recuperação de encargos e despesas, e juros recebidos em razão de pagamento em atraso de financiamentos concedidos) são nitidamente contas de receitas operacionais, não demonstrando a instituição na argumentação externada no recurso voluntário a existência de hipótese normativa de exclusão ou dedução. Improcedentes, assim, as alegações expressas no recurso voluntário, em relação e este tópico. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 16 Dos juros de mora Há basicamente duas discussões nos autos sobre os juros de mora, sustentando a instituição recorrente que a cobrança de juros e multa em relação à COFINS ofende o parágrafo único do art. 100 do CTN (pois a empresa se pautou pelo entendimento considerado correto pela própria RFB), e que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. Sobre o art. 100 do CTN, há que se destacar que não se vê, nas parcas menções a expedientes internos sobre checagens de recolhimentos referentes à ação judicial, referidos neste voto no tópico que trata de manifestações das autoridades fazendárias em relação ao processo judicial, a prática reiteradamente observada a que se refere o inciso III do artigo. Assim, incabível a aplicação do disposto no parágrafo único, buscando a exclusão de juros (e penalidades). Em relação a juros de mora sobre a multa de ofício, vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma pela não incidência, há mais de dois anos, em diversos acórdãos, como o de no 3403002.367, do qual se extrai a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.456 17 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 18 até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Do Recurso de Ofício Em função do valor exonerado, recorre a DRJ de sua decisão, no que se refere à exclusão da base de cálculo (de ambas as contribuições) dos valores registrados nos grupos contábeis “rendas de participações”, “recuperação de créditos baixados como prejuízo” e “reversão de provisões operacionais” e à dedução (também para ambas as contribuições) dos valores registrados no grupo denominado “despesas de captação”. Estando a decisão da DRJ alinhada ao entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, e à legislação de regência da matéria (em relação às exclusões e às deduções previstas nos §§ 5o e 6o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, disciplinados pela IN SRF no 247/2002), entendese aqui que não merece reforma o acórdão de piso, sendo improcedente o recurso de ofício apresentado, como já se destacou durante o voto, no tópico referente à base de cálculo da COFINS para instituições financeiras. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, e negar provimento ao recurso de ofício apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.457 19 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, O ponto central do debate consiste em definir o alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 em relação ao contribuinte em questão, que é uma instituição financeira. O itinerário desta questão jurídica começa com a declaração de inconstitucionalidade deste dispositivo pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084, passando pelo subseqüente debate a respeito da súmula vinculante que deveria ser baseada neste julgamento do Plenário, mas que acabou não sendo editada, e então, pelo julgamento em Repercussão Geral do Recurso Extraordinário nº 585.235 e, em seguida, pelo início do julgamento do Recurso Extraordinário nº 400.479, que até o momento apenas recebeu voto do Ministro Cezar Peluso, e, enfim, pelo reconhecimento de Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 609.092 (Tema nº 372), que ainda aguarda julgamento. Entendo ser indispensável, com efeito, ter consciência do itinerário e do atual contexto em que se encontra a discussão da questão no STF, para que se possa dar uma solução adequada ao presente caso, sem descuidar do fato de que se trata de contribuinte em relação ao qual houve decisão em ação judicial de sua autoria. Para preparar o julgamento, faço a seguir uma breve, mas circunstanciada, síntese de tal itinerário. 1) A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em 2006 foi publicado o acórdão do julgamento em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/982, cuja ementa sintetiza o seguinte entendimento: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 2 Embora o julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 tenha sido concluído em 09/11/2005, o acórdão apenas foi publicado em 01/09/2006. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 20 Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170; grifo editado) O Plenário entendeu que, por ter sido editada antes da alteração do texto constitucional pela EC nº 20, a Lei nº 9.718/98 não poderia alargar a base de cálculo de PIS/Cofins para alcançar toda e qualquer receita, devendose restringir o seu alcance aos moldes anteriores, nos quais já se encontrava definido o conceito de faturamento, o qual seria equivalente ao de receita bruta, assim compreendendo apenas a receita da venda de mercadorias e serviços. As discussões travadas no referido acórdão já revelavam a preocupação dos Ministros a respeito de qual viria a ser o tratamento das receitas financeiras, conforme fica claro no seguinte trecho: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído no RE 150.755, sob a expressão ‘receita bruta de venda e mercadorias e prestação de serviço’, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.458 21 controvérsia é está: o alcance do vocábulo ‘faturamento’. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (fls. 1254/1255 do acórdão; grifos editados) No julgamento ficaram vencidos, parcialmente, os Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim. Como visto, embora o Ministro Cezar Peluso tenha se considerado vencido ao pretender a utilizar o conceito de receita empresarial típica, o fato é que não houve, conscientemente, deliberação pelo Plenário a respeito de qual deveria ser o tratamento para o caso de “determinadas instituições” que “prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras”. Ou seja, houve o reconhecimento de que, em relação aos contribuintes em geral, o âmbito da incidência de PIS/Cofins deveria circunscreverse às receitas da venda de bens e de serviços, mas sem adiantar a definição, mas deixando expressamente em aberto, de como deve ser o alcance de tal conceito em relação às instituições financeiras. Esta situação é reafirmada pelos passos que seguiram. 2) O julgamento da Repercussão Geral no RE 585.235 e do RE 527.602. No intuito de estender o entendimento aos demais recursos existentes, o STF realizou em 10/09/2008 o julgamento da mesma questão em regime de Repercussão Geral (art. 543B do CPC) nos autos do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL02343 10 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 22 Nada obstante, a mesma questão voltou ao Plenário em 05/08/2009, quando foi reafirmado o mesmo entendimento, no julgamento do RE 527.602: PIS E COFINS LEI Nº 9.718/98 ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. RECEITA BRUTA E FATURAMENTO A sinonímia dos vocábulos Ação Declaratória nº 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida Recurso Extraordinário nº 357.9509/RS, Pleno, de minha relatoria. (RE 527602, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2009, DJe213 DIVULG 12112009 PUBLIC 13112009 EMENT VOL0238205 PP00928 LEXSTF v. 31, n. 372, 2009, p. 209226) Estes dois julgamentos limitaramse a ratificar o entendimento já consolidado no julgamento anterior do Plenário, de que a ampliação apenas seria válida se tivesse sido encartada em lei complementar, ou se a lei ordinária tivesse sido editada depois da alteração do texto constitucional pela EC nº 20, reiterando, assim, a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo da Lei nº 9.718/98. Não houve nenhuma consideração específica a respeito do alcance da declaração de inconstitucionalidade em relação às entidades financeiras. 3) A súmula vinculante que (ainda) não foi editada. Os meios de comunicação noticiavam já em 2006 que os Ministros do STF deliberariam em breve a aprovação de súmula vinculante a propósito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de PIS/Cofins3, o que chegou a ser previsto para a sessão plenária de 02/05/20074, e depois em 10/09/20085. Mas apenas em 2009 o STF publicou Edital eletrônico, datado de 13 de maio, por meio do qual levava a público como poderia vir a ser o texto da súmula. O Edital tinha o seguinte conteúdo: (...) FAZ SABER aos que este edital virem ou dele tiverem conhecimento que neste Tribunal se processam os autos da Proposta de Súmula Vinculante nº 22, em que é proponente o Supremo Tribunal Federal, que visa à edição de súmula vinculante com as seguintes sugestões de verbetes: Assunto: TRIBUTO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9718/98: 3 Valor Online, 07/08/2006, “Cofins pode ter súmula vinculante”, Fernando Teixeira 4 Valor Online, 25/04/2007, “Votação no STF pode afetar caixa da União”, Jossete Goulart 5 Revista Consultor Jurídico, 11/09/2008, “STF resolve fazer Súmula sobre base de cálculo da Cofins” Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.459 23 “É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS.” ou “A alteração da base de cálculo da COFINS, pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9718/98, mediante a ampliação do conceito de faturamento, violou o art. 195, I e § 4º, da CF, vício que a subseqüente edição da Emenda Constitucional 20/98 não convalidou.” ou “É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas das mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza.” ou “É inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (tabulação editada) Em sessão plenária de 04/02/2010, depois de debates, o STF decidiu pelo adiamento da votação, para dar oportunidade de que houvesse antes o julgamento de casos específicos a respeito das instituições financeiras. Ou seja, não chegou a haver consenso a respeito de nenhuma da redações sugeridas, por se entender pela conveniência de apreciar antes a situação específicas das instituições financeiras. 4) O voto do Ministro Cezar Peluso no RE 400.479. Em 19/08/2009 foi iniciado em Plenário o julgamento do Recurso Extraordinário nº 400.479, no qual se discute a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo em relação a uma seguradora. Neste julgamento apenas foi proferido voto pelo Relator, o Ministro Cezar Peluso, do que se seguiu o pedido de vista do Ministro Marco Aurélio, aguardandose a retomada do julgamento até hoje. Do entendimento do Ministro Cezar Peluso apenas se conhece o que foi divulgado no Informativo STF nº 556, não havendo ainda acesso ao seu exato teor. O texto do referido Informativo revela que o Ministro Cezar Peluso proferiu voto partindo daquela mesma consideração que já havia feito no julgamento do caso líder, o RE 346.084, baseada no conceito de “receita da atividade empresarial típica”, aprofundando o detalhamento do conceito. Fica claro, porém, que o Ministro pretendeu ir além de apenas de conferir um tratamento específico às instituições financeiras em relação ao entendimento já firmado, mas que pretendeu rejulgar a questão jurídica em toda a sua amplitude, ou seja, que seu voto tem a finalidade de revisar o entendimento do STF a respeito da inconstitucionalidade do Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 24 alargamento da base de cálculo em relação a todos os contribuintes, propondo novos critérios jurídicos para delimitar o alcance das contribuições. Isto pode ser conferido nos seguintes trechos, extraídos do referido Informativo: (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 2 O Min. Cezar Peluso afirmou que o Tribunal estaria sendo instado a definir, de uma vez por todas, o que seria a noção de faturamento constante do art. 195, I, da CF, na redação que precedeu a EC 20/98. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 7 Prosseguindo, o relator salientou ser óbvio que as seguradoras ou os bancos não emitem faturas e que a emissão destas não constituiria critério válido suficiente para configurar faturamento. Para ele, esse fato, consistente em emitir faturas, seria mera decorrência de outro acontecimento, este sim economicamente importante e correspondente à realização de operações ou atividades da qual esse faturamento adviria. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 8 Observou que, ao elaborar suas demonstrações de resultado, as instituições financeiras partiriam, para chegar à conta de resultado operacional, da rubrica receitas da intermediação financeira, que seria precisamente o seu ramo de atuação principal. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 9 Concluiu o relator que a proposta que submetia à Corte seria a de reconhecer que se devesse tributar tãosomente e de modo preciso aquilo que cada empresa auferisse em razão do exercício das atividades que lhe fossem próprias e típicas enquanto conferissem o seu propósito e a sua razão de ser. Dessa forma, escapariam à incidência do tributo as chamadas receitas não operacionais em geral, as receitas financeiras atípicas e outras do mesmo gênero, desde que, não constituíssem elemento principal da atividade. Não fugiriam à noção de faturamento, pois, as receitas tipicamente empresariais colhidas por bancos, seguradoras e demais empresas, que, pela peculiaridade do ramo de atuação, não se devotassem, contratual e estritamente, à venda de mercadorias ou à prestação de serviço. Salientou, por fim, não ser necessário desenvolver um rol exaustivo que correlacionasse todas as espécies possíveis de receitas aos variados tipos de atividades e objetos sociais e empresariais, bastando que se estabelecesse, com segurança, o critério jurídico, afirmandose a tese de que a expressão faturamento corresponderia à soma das receitas oriundas das atividades empresariais típicas. Esta grandeza compreenderia, além das receitas de venda de mercadorias e serviços, as receitas decorrentes do exercício efetivo do objeto social da empresa, independentemente do seu ramo de atividade, sendo que tudo o que desbordasse dessa definição específica não poderia ser tributado. Após, pediu vista dos autos o Min. Marco Aurélio. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.460 25 RE 400479 EDAgR/RJ, rel. Min. Cezar Peluso, 19.8.2009. (RE 400479) Este julgamento, enfim, apenas recebeu o voto do Ministro Cezar Peluso, sendo que o entendimento do Ministro não consiste em definir o que seriam a receita da venda de bens e serviços para a seguradora, mas de revisar o alcance das contribuições utilizando outro conceito: o de receita empresarial da atividade típica. 5) A Repercussão Geral no RE 609.096. Em 03/03/2011 foi reconhecida pelo STF a Repercussão Geral no Recurso Extraordinário 609.096, em acórdão com a seguinte ementa: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 609096 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 03/03/2011, DJe080 DIVULG 29042011 PUBLIC 02052011 EMENT VOL0251201 PP00128; grifo editado) Esta Repercussão Geral foi registrada pelo STF como Tema nº 372, com a seguinte descrição: 372 a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998. (grifo editado) Em seu voto, o Ministro Relator concluiu o seguinte: Entendo que a controvérsia possui repercussão geral. Com efeito, o tema apresenta releva ncia do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre o enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam neste e nos demais tribunais brasileiros. Ademais, a discussão também apresenta repercussão econômica porquanto a solução da questão em exame poderá ensejar relevante impacto financeiro no orçamento das referidas instituições, bem como no da Seguridade Social e no do PIS. Aleḿ disso, a matéria em debate guarda similitude com a questão tratada no RE 400.479AgRED/RJ, Rei. Min. Cezar Peluso, submetido ao julgamento do Plenário desta Corte em 18/8/2009, mas suspenso, na mesma data, em razão do pedido de vista do Min. Marco Aurélio. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 26 Destarte, com base nos motivos já expostos, verifico que a questão constitucional trazida aos autos ultrapassa o interesse subjetivo das partes que atuam neste feito, recomendando sua análise por esta Corte. Fica claro, portanto, que o próprio STF entende que ainda não existe definição a respeito de como deve acontecer – ou seja, de qual deve ser o alcance específico – da aplicação da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 em relação às instituições financeiras. 6) Síntese da questão no STF. Considerandose o itinerário e o panorama atual da questão perante o STF, constatamse os seguintes fatos: a) o Plenário do STF firmou e reiterou em regime de Repercussão Geral o entendimento pela inconstitucionalidade do alargamento pretendido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reconhecendo que tal entendimento tem a implicação prática de circunscrever a incidência da contribuição às receitas decorrentes da venda de bens e de serviços; b) as decisões existentes, proferidas pelo STF, não se baseiam na distinção entre os conceitos de receita operacional e nãooperacional, nem utilizam o conceito de “receita da atividade empresarial típica” como conceito delimitador do âmbito de incidência de PIS/Cofins; c) o STF entende que ainda é necessário promover julgamento especificamente a respeito do alcance do conceito de faturamento em relação às instituições financeiras, questão que ainda aguarda julgamento. Estes fatos, por sua vez, permitem concluir que o STF não avalizou o entendimento de que a aplicação da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras implicaria forçosamente em que as receitas financeiras obtidas por estas instituições estariam excluídas do conceito de venda de bens e de serviços. Esperase, com efeito, que o julgamento da Repercussão Geral no RE 609.096 promova a aplicação da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, delimitando com precisão os seus efeitos em relação a estas instituições. Contudo, repisese, não se pode dizer que exista definição pelo STF de qual é o alcance do conceito de receita da venda de bens e de serviços para as instituições financeiras e equiparadas. 7) O caso concreto. Em relação à Cofins, conforme relatado, o contribuinte propôs ação judicial específica, na qual foi proferida decisão final pelo próprio pelo STF, com trânsito em julgado, reconhecendo a inconstitucionalidade e afastando em relação ao contribuinte o alargamento da base de cálculo prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A decisão no caso concreto do contribuinte foi proferida em termos idênticos aquele primeiro julgamento do Plenário do STF, que afastou o alargamento da base de cálculo em relação aos contribuintes em geral. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 15504.019137/201014 Acórdão n.º 3403003.375 S3C4T3 Fl. 1.461 27 Estáse diante da tarefa, portanto, de buscar os contornos concretos para a aplicação da decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte, cujo comando é pela inconstitucionalidade do alargamento previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que tal ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição, com isso limitando o seu alcance à receita da venda de mercadorias e serviços. A tarefa, pois, consiste em delimitar o alcance do conceito de receita da venda de mercadorias e de serviços em relação ao contribuinte em questão, que é um banco. O plano de contas das instituições financeiras apresenta a seguinte discriminação de rubricas: 7.1.0.00.008 RECEITAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.4.00.000 Rendas Aplicação Interf. Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas D/Tit. E Valores Mobiliários Outras Receitas Operacionais RECEITAS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 7.1.7.00.009 Rendas da Prestação Serviços RECEITAS NÃO OPERACIONAIS 7.3.9.00.003 Outras Receitas n/ Operacionais Como visto, as receitas operacionais são divididas entre receitas financeiras e receitas de prestação de serviços. Não há dúvida de que a contribuição incide sobre as receitas da conta 7.1.7.00.009 Rendas da Prestação Serviços, com o que concordam o contribuinte e a Fiscalização, desejando o contribuinte, no entanto, que o alcance das contribuições seja confinado única e exclusivamente a esta conta. A questão, ao ver deste Relator, consistiria em saber se as receitas financeiras podem ser alcançadas pelo conceito de receita de serviço, para assim aferir se foi respeitada a decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte. Ocorre que este não foi o critério jurídico adotado pela Fiscalização, que preferiu adotar como critério jurídico o conceito de renda da atividade empresarial típica, fazendo a distinção entre receita operacional e receita nãooperacional, para assim submeter à incidência as primeiras, excluindo apenas as últimas. Entendo, com efeito, que este critério burla e extrapola os conceitos utilizados pela decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI 28 A decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte não diz que a contribuição deve alcançar a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresarias. O conceito de “receitas oriundas do exercício das atividades empresarias” é categoricamente distinto do conceito de “receita da venda de bens e da prestação de serviços”. Tanto é diferente, que o voto proferido pelo Ministro Cezar Peluso no Recurso Extraordinário nº 400.479 adotou este novo conceito com a expressa intenção de alterar o entendimento esposado pelo Plenário do STF nos julgamentos anteriores, cuja origem remonta ao Recurso Extraordinário nº 346.084. Por tal razão, voto pelo provimento do recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 15374.987076/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP FACILMENTE CONSTATÁVEL. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.
Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo de sua titularidade, mas se esquecendo de informar que foram apurados por empresas por ele posteriormente incorporadas, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
É nula, por cerceamento de defesa, a decisão que deixa de analisar os argumentos de mérito de recurso apresentado para questionar a não-homologação das compensações, em função de erro de declaração facilmente constatável com os documentos trazidos na manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de erro material nas declarações de compensação discutidas neste processo, e, por consequência, anular a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão que analise os demais argumentos de mérito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP FACILMENTE CONSTATÁVEL. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo de sua titularidade, mas se esquecendo de informar que foram apurados por empresas por ele posteriormente incorporadas, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É nula, por cerceamento de defesa, a decisão que deixa de analisar os argumentos de mérito de recurso apresentado para questionar a não homologação das compensações, em função de erro de declaração facilmente constatável com os documentos trazidos na manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de erro material nas declarações de compensação discutidas neste processo, e, por consequência, anular a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão que analise os demais argumentos de mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 70 76 /2 00 9- 17 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 15374.987076/200917 Acórdão n.º 1102001.241 S1C1T2 Fl. 228 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos diversos com créditos de saldos negativos de IRPJ do anocalendário de 2007, nos valores de R$ 3.125.082,25 e R$ 1.097.738,77, por meio dos PER/DCOMPs de fls. 2 a 15. O despacho decisório eletrônico de fls. 16 a 19 não reconheceu o direito creditório, porque, na DIPJ correspondente, fora informado saldo negativo de R$ 0,00 e, por consequência, não homologou as compensações. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 63 a 69), acatada como tempestiva. De acordo com o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 99), alegou que o crédito era proveniente do saldo negativo apurado por duas empresas por ele incorporadas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 98 a 101): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. A origem do direito creditório deve ser informada no pedido inicial e não pode ser alterada na fase recursal. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 15374.987076/200917 Acórdão n.º 1102001.241 S1C1T2 Fl. 229 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador a quo entendeu que a alteração da origem do direito creditório não poderia ser efetuada com a manifestação de inconformidade, instrumento próprio para que o contribuinte apontasse seus pontos de discordância dos motivos do despacho recorrido, mas não para a modificação do pedido inicial. Acrescentou que sua competência restringiase a “julgar manifestação de inconformidade”, de acordo com o artigo 66 da IN 900, de 2008, e analisar o pedido inicial ou novo pedido (com um crédito não examinado pela DRF), naquela fase processual, significaria extrapolar sua competência, cumprir papel que é da repartição de origem e suprir uma instância administrativa, o que lhe pareceu inadmissível. Ponderou, também, que, caso viesse a trazer à discussão outros obstáculos à fruição do direito creditório, inovaria o motivo da denegação e ensejaria o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 19/9/2012 (fl. 180), o contribuinte apresentou, em 15/10/2012 (fl. 183), o recurso voluntário de fls. 185 a 195, acompanhado dos documentos de fls. 196 a 219, onde afirma que: a) o saldo negativo do ano de 2007 indicado nas DCOMPs eram de empresas por ele incorporadas (Ultragás Participações Ltda. CNPJ n° 57.651.960/000139 e SP Gás Distribuidora de Gás Ltda. CNPJ n° 65.828.550/000149), tendo ocorrido mero erro de declaração; b) a decisão da DRJ é iníqua, pois mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP não poderia obstar o reconhecimento do crédito, nos termos de jurisprudência administrativa e judicial que cita; c) a Receita Federal tinha pleno conhecimento da incorporação das empresas originalmente detentoras do crédito, conforme comprovam as DIPJs entregues em situação especial de incorporação. Assim, o indeferimento da compensação sic et simpliciter por simples equívoco no preenchimento dos formulários afigurase formalismo exacerbado, que não pode comprometer o direito da empresa; d) os saldos negativos efetivamente existem, como demonstrado nos itens 12 a 22 do recurso voluntário (fls. 190 a 195). Ao final, pugna pela homologação das compensações, ou então pela baixa dos autos em diligência, ou ainda que, reconhecendose que o equívoco cometido pelo recorrente não pode tolher seu direito ao crédito, sejam anuladas as decisões até então proferidas, determinandose seja elaborado novo despacho decisório com análise efetiva do crédito das empresas incorporadas. Este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 226. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 15374.987076/200917 Acórdão n.º 1102001.241 S1C1T2 Fl. 230 4 Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nas declarações de compensação sob análise, o contribuinte indicou como crédito saldos negativos de IRPJ do anocalendário de 2007 nos valores de R$ 3.125.082,25 e R$ 1.097.738,77, mas teve seu direito negado por despacho decisório eletrônico que verificou que não fora informado saldo negativo na DIPJ do período. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou erro de preenchimento dos PER/DCOMPs, informando que os saldos negativos foram apurados por empresas por ele incorporadas (Ultragás Participações Ltda. CNPJ n° 57.651.960/000139 e SP Gás Distribuidora de Gás Ltda. CNPJ n° 65.828.550/000149). A decisão recorrida não admitiu o argumento, alegando que a origem do direito creditório deve ser informada no pedido inicial e não pode ser alterada na fase recursal. Acrescentou que a análise de pedido diferente do original importaria em extrapolação de sua competência, e poderia ensejar o cerceamento do direito de defesa do contribuinte em caso de se verificar outros obstáculos à fruição do direito creditório. Já o recorrente defende que a decisão foi iníqua, pois mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP não poderia obstar o reconhecimento do crédito, e que a Receita Federal tinha pleno conhecimento da incorporação das empresas originalmente detentoras do crédito, conforme comprovam as DIPJs entregues em situação especial de incorporação. O recurso merece provimento parcial. O erro de declaração é evidente. Foram informados dois valores diferentes como saldo negativo do ano de 2007: R$ 3.125.082,25 e R$ 1.097.738,77. O primeiro valor é exatamente o apurado na DIPJ de incorporação da empresa SP Gás Distribuidora de Gás Ltda, ocorrida em 15/10/2007 (fls. 168 e 169). Observe se que os PER/DCOMPs que utilizaram tal crédito indicam corretamente a data de 15/10/2007 (fls. 3 e 8). O segundo valor é o mesmo apurado na DIPJ 2008 da empresa Ultragás Participações Ltda (fls. 167 e 168). Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 15374.987076/200917 Acórdão n.º 1102001.241 S1C1T2 Fl. 231 5 A ata de reunião extraordinária de sócios de fls. 158 a 161 aprova a incorporação da SP Gás pela Ultragás em 15/10/2007. A ata da assembleia geral extraordinária de fls. 162 a 165 aprova a incorporação da Ultragás pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga (recorrente) em 26/11/2008. Todos esses documentos foram apresentados com a manifestação de inconformidade. É verdade que o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, somente permite a retificação de declaração de compensação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, caso ela seja enviada antes da decisão administrativa que analise o direito creditório (regra atualmente em vigor no art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012). Mas me parece razoável que critério semelhante deva ser utilizado pelo julgador administrativo quando a verificação da inexatidão material se der apenas após a não homologação do crédito. No caso, devese aplicar, por analogia, as disposições do art. 147 do Código Tributário Nacional, que versa sobre lançamento por declaração, abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, a regra do §1º em tudo se coaduna com as normas das instruções normativas acima citadas, só permitindo a retificação de declaração pelo próprio contribuinte antes da notificação do lançamento. Mas o §2º determina que a autoridade administrativa retifique de ofício a declaração diante de erros apuráveis pelo seu exame. Por analogia, o mesmo procedimento poderia ser feito pela autoridade que apreciasse a declaração de compensação: constatandose o evidente erro de informação do crédito, devese analisálo de acordo com sua verdadeira natureza. Aliás, tal procedimento é bastante comum quando o contribuinte pede a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, ou então de estimativas mensais, e a análise se dá como se fosse saldo negativo do fim do exercício. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 15374.987076/200917 Acórdão n.º 1102001.241 S1C1T2 Fl. 232 6 Contudo, esse procedimento não foi possível, pois a análise se deu por meios informatizados, que somente comparou campos do PER/DCOMP e da DIPJ. Entretanto, se é admissível tal rotina para o processamento em massa dos PER/DCOMPs aguardando análise, esperase mais cuidado e bom senso na apreciação individual dos recursos contra essas decisões automatizadas. Não se está aqui a defender ser possível se promover alterações substanciais nas declarações de compensação em sede de recurso. Recordese: o contribuinte informou corretamente o valor e o período dos saldos negativos utilizados como crédito, e os créditos são de sua titularidade em virtude de incorporação, mas se equivocou ao deixar de informar que os saldos negativos foram apurados pelas empresas incorporadas (no campo “Crédito de Sucedida”). Diante de erro facilmente constatável, e com a apresentação de argumentos e provas convincentes da verdadeira natureza do crédito, deveria o julgador a quo ter analisado o pedido com base no direito creditório realmente existente, em homenagem ao princípio da verdade material. Dessa forma, afastase o fundamento do despacho decisório e da decisão recorrida de negar o direito à compensação pela inexistência de saldo negativo de IRPJ, devendose analisar o pedido com base em crédito decorrente de saldos negativos apurados pelas sucedidas. Observese que o argumento da decisão recorrida de que não poderia analisar o pedido naquele momento sob pena de cercear a defesa do contribuinte não é válido pois, ao não fazêlo, fulminou o próprio direito de compensação, já que se esgotou o prazo para a apresentação de novo PER/DCOMP. Desse modo, equivocouse o acórdão guerreado ao não analisar os argumentos do recurso relativos à composição do saldo negativo. Ao assim proceder, cerceou o direito de defesa do contribuinte, vício punível com a declaração de sua nulidade, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Esclareçase que esta Turma Julgadora não pode seguir no julgamento de matéria não apreciada pelo julgador a quo, e assim suprir o vício, sob pena de suprimir uma instância de julgamento a que o sujeito passivo tem direito. Por esse motivo, em situações como essa, este Colegiado firmou o entendimento de ser necessário anular a decisão de primeira instância, devendose elaborar outra com a análise dos argumentos de mérito. Nesse mister, o julgador de primeira instância deve analisar as provas dos autos e determinar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito indicado, devendo solicitar a realização de diligências à autoridade fiscal caso necessário. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 15374.987076/200917 Acórdão n.º 1102001.241 S1C1T2 Fl. 233 7 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, neste processo, a compensação dos saldos negativos de IRPJ do anocalendário de 2007 apurados pelas empresas por ele incorporadas, e, nesse sentido, anular a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão que analise os demais argumentos de mérito. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907177/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA.
Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração.
Numero da decisão: 1302-001.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1135.018 da 3ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 71 77 /2 00 9- 83 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1135.018 em 13/09/2012 (Termo a fls. 69), interpôs, em 02/10/2012 (Termo a fls. 81), recurso voluntário (doc. a fls. 82 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, em 25/07/06, a recorrente apresentou a DCOMP nº 38456.86322.250706.1.3.044472, na qual indicou como crédito para compensação o montante original de R$ 386.366,88, decorrente do pagamento indevido de IRPJajuste do AC 2005, no valor de R$ 1.115.757,32, o qual era utilizado para compensar débito rde IRPJestimativa de junho de 2006, no valor de R$ 419.362,61; b) que a Receita Federal não homologou a compensação, alegando que o DARF indicado como crédito para a compensação teria sido alocado para pagamento do próprio débito de IRPJ referente ao ajuste anual do AC 2005; b) que, de fato, analisandose tãosomente a DCTF transmitida pela recorrente para o período, verificase que foi declarado débito no valor de R$ 1.115.757,32, referente ao ajuste anual do AC 2005, o qual teria sido recolhido mediante o pagamento do DARF acima mencionado; d) que, após a realização de algumas revisões e retificação, apurouse que a recorrente havia tido saldo negativo de IRPJ a pagar no AC de 2005, no valor de R$ 3.735.978,78; e) que, verificada a existência de divergência entre as declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pelo contribuinte, caberia à autoridade julgadora questionar a razão para tal fato, a fim de verificar o crédito efetivamente disponível para compensação; f) que os atos praticados pela administração tributária devem observar o princípio da verdade material; g) que requer seja dado provimento ao presente apelo para o fim de decretar se a nulidade da decisão recorrida, uma vez que as dd. Autoridades julgadoras não observaram o princípio da verdade material na análise do crédito indicado para compensação, determinandose o retorno dos autos para a d. Autoridade julgadora a quo e/ou DRF da sua jurisdição, a fim de que, deixado de lado o equívoco formal cometido, haja pronunciamento conclusivo acerca da existência do crédito pleiteado É o relatório. Voto Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.907177/200983 Acórdão n.º 1302001.571 S1C3T2 Fl. 136 3 Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 73/77, razão pela qual dele conheço. A nulidade da decisão recorrida, alegada pela recorrente, é a própria questão de mérito a ser apreciada por este Colegiado, ou seja, ela reside unicamente em saber se a falta de retificação da DCTF pode obstar o reconhecimento do direito creditório que aflorou da retificação apenas da DIPJ, quando verificado que o DARF que consubstancia o direito creditório pleiteado, objeto do pedido de compensação, fora alocado pela própria recorrente, para extinção do débito confessado na DCTF (não retificada). Entendo perfeito o voto vencedor da decisão recorrida, cujos seguintes excertos a seguir transcrevo: “A matéria aqui discutida, de jurisprudência pacifica nessa turma, se refere ao caso de não homologação da compensação declarada em razão da utilização integral do pagamento indicado como crédito na DCOMP, para quitação de débito declarado pelo contribuinte em DCTF. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em 31/01/2006, pagamento de DARF no valor de R$ 1.115.757,32, relativo ao IRPJ apurado na declaração de ajuste anual, código 2430. Por entender ter efetuado pagamento indevido, transmitiu a DCOMP ora em exame, por via da qual utilizou o valor pago para compensar débito de sua responsabilidade. A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao débito do IRPJ apurado na declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário 2005, que, C—onforme declarado em DCTF, importou em R$ 1.115.757,32, o exato valor do recolhimento. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. A defesa alega que entregou DIPJ retificadora relativa ao ano calendário 2005 onde apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 3.735.978,78, fls. 33/35. Enquanto que na DIPJ original apurou e recolheu IRPJ no valor de R$ 1.115.757,32. Alega a inconformada que a apuração correta do IRPJ é a declarada na DIPJ retificadora, e não a constante da DCTF, arguindo que a não retificação desta não impede o reconhecimento do crédito. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Importante ressaltar que não foi entregue DCTF retificadora. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, se verifica que a contribuinte apresentou DCTF original em que declarou IRPJ devido, código 2430 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 no valor de R$ 1.115.757,32, fl. 51, e, até a presente data, não entregou DCTF retificadora. Assinalese que a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do decisório, pois a disponibilidade do crédito é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Ademais, a contribuinte pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DIPJ retificadora. Cabe A. interessada o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. A simples retificação da DIPJ, desacompanhada da retificação da respectiva DCTF (que constitui confissão de divida) e desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações veiculadas em sede de manifestação de inconformidade. Destaquese que, além de não retificar espontaneamente a DCTF, que constituía obrigação sua (Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998 e seguintes), não trouxe a interessada prova do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235/1972. Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais sendo improcedente a manifestação de inconformidade.”. Acrescento à bem fundamentada decisão da DRJ/REC que, enquanto não retificada a DCTF, o débito ali confessado subsiste, logo, se possível fosse restituir o alegado direito creditório, sem que a recorrente promovesse a prévia retificação da DCTF, teríamos o melhor dos mundos para a recorrente, pois, além de ter sido restituída do valor pago, passaria a estar formalmente protegida de qualquer multa de ofício sobre IRPJ lançado até o valor declarado na DCTF, qualquer que fosse a infração constatada, já que não incide multa de ofício sobre débito declarado em DCTF. Por último, alerto que a apresentação de DIPJ retificadora não é prova suficiente e incontestável do direito creditório, mas apenas uma das tantas providências que deveria a recorrente tomar, para demonstrar o seu direito creditório. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.008870/2010-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/07/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/07/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/07/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/07/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 88 70 /2 01 0- 27 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.008870/201027 Acórdão n.º 3803006.661 S3TE03 Fl. 315 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 27/07/2010 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 25/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.008870/201027 Acórdão n.º 3803006.661 S3TE03 Fl. 316 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.008870/201027 Acórdão n.º 3803006.661 S3TE03 Fl. 317 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.008870/201027 Acórdão n.º 3803006.661 S3TE03 Fl. 318 9 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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