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Numero do processo: 12269.003400/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
PREMIAÇÃO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmio tem natureza jurídica remuneratória, sendo devida em razão do trabalho, figurando, portanto, como fato gerador de contribuições previdenciárias.
AJUDA DE CUSTO. HIPÓTESES LEGAIS DE ISENÇÃO. DESCONFORMIDADE, SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
As verbas pagas pelo empregador a seus segurados, ainda que sob a denominação de ajuda de custo, mas sem correspondência à hipótese prevista nas alíneas b e g do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, independentemente da frequência e valor, terá natureza salarial, integrando a remuneração do empregado para todos os efeitos legais.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS.
Prova, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. Provar é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectando-as numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considerase Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 34 00 /2 01 0- 95 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. PREMIAÇÃO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmio tem natureza jurídica remuneratória, sendo devida em razão do trabalho, figurando, portanto, como fato gerador de contribuições previdenciárias. AJUDA DE CUSTO. HIPÓTESES LEGAIS DE ISENÇÃO. DESCONFORMIDADE, SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As verbas pagas pelo empregador a seus segurados, ainda que sob a denominação de “ajuda de custo”, mas sem correspondência à hipótese prevista nas alíneas ‘b’ e ‘g’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, independentemente da frequência e valor, terá natureza salarial, integrando a remuneração do empregado para todos os efeitos legais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS. “Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. “Provar” é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectandoas numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 411 3 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Relatório Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2007. Data da lavratura do AIOA: 07/12/2010. Data da Ciência do AIOA: 07/12/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.025.9815, AIOA CFL 68, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 07/11. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II, na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. De acordo com o Relatório Fiscal, foi constatado que no período auditado o Contribuinte efetuou pagamento de rubricas e valores de natureza salarial, lançados na escrita contábil, os quais não foram declarados nas correspondentes Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Deixaram de ser lançados nas GFIP os seguintes fatos geradores: · Rubrica "0015 AJUDA DE CUSTO " paga nas competências de 06/2005 a 04/2006; 06/2006; 10/2006; 11/2006; 01/2007; 02/2007; 05/2007; 07/2007; 11/2007 e 12/2007 e rubrica" 0205 AJUDA DE CUSTO " paga nas competências de 06/2005 a 01/2006; 03/2006 a 12/2007, as quais não se revestem do caráter indenizatório preconizado no art. 28, § 9º , alíneas "b", "g", da Lei n° 8.212/91, · Rubrica "0324 ADIANTAMENTO SALARIAL" paga nas competências 05/2006 e 06/2006 a segurados empregados. Consta da folha de pagamento com natureza de proventos. Apesar de sua titularidade, tal rubrica não possui natureza de adiantamento salarial uma vez que tais valores não foram objeto de posterior desconto salarial aos segurados empregados beneficiários. O pagamento da referida rubrica caracterizase Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 412 5 pois como mera liberalidade do Contribuinte empregador, como forma de remuneração de natureza salarial a seus empregados; · Rubrica “GRATIFICAÇÕES A EMPREGADOS”, prêmios ou bônus aos segurados empregados, de natureza salarial, nas competências 09/2005, 12/2005, 06/2006, 02/2007 e 03/2007; reconhecidos na contabilidade do Contribuinte pela conta de custo "5102030020 GRATIFICAÇÃO A EMPREGADOS "integrante do grupo "510203 CUSTO C/PESSOAL NA PROD. SERVS.", bem como pelas contas de despesa: "7.2.01.02.0017 GRATIFICAÇÃO EMPREGADOS SCP" e "7.4.01.02.0017 GRATIFICAÇÃO EMPREGADOS SCP/RLAN". Referidos valores não foram identificados como rubricas próprias das folhas de pagamento do Contribuinte e por sua vez, não foram declarados na GFIP. · Outras Rubricas correspondem ao pagamento de valores obtidos mediante composição de saldos de rubricas de natureza diversa, exceto as constantes no item precedente, apurados pela diferença resultante entre os valores de salário de contribuição constantes das folhas de pagamento dos segurados empregados e os valores declarados nas GFIP. Identificase a diferença nas competências de 06/2005 a 11/2006; 13/2006; 03/2007; 04/2007 e de 09/2007 a 13/2007; A multa corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na tabela do § 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.528/97, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 333, de 29.06.2010, publicada no Diário Oficial da União DOU em 30.06.2010. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 321/330. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fl. 466 do Processo Administrativo Fiscal nº 12269.003360/201081. Em atendimento à diligência requestada, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos, por meio da Informação Fiscal a fls. 356/361. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal acima mencionada, o Sujeito Passivo apresentou aditamento à impugnação a fls. 365/367. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0434.268 4ª Turma da Fl. 414DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 DRJ/CGE, a fls. 368/394, julgando procedente o lançamento, e mantendo em sua integralidade o Crédito Tributário lançado. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/01/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 396. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 397/406, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que não há incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de “Ajuda de Custo”, “Gratificações” e “adiantamento salarial” aos segurados empregados; Ao fim, requer a improcedência do Auto de Infração; Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 413 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/01/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 20/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES Alega o Recorrente que não há incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre os valores pagos a titulo de “Ajuda de Custo”, “Gratificações” e “adiantamento de salários” aos segurados empregados. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) Fl. 417DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 414 9 §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 415 11 Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Contudo, a base de incidência das Contribuições Previdenciárias não se restringe ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho). A matéria tributável em foco compreende o SALÁRIO e todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, conforme expressamente consignado na alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88, abraçando, portanto, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, ou seja, sem habitualidade, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO TODOS OS DEMAIS RENDIMENTOS DE = SALÁRIO + DO TRABALHO, PAGOS OU CREDITADOS CONTRIBUIÇÃO A QUALQUER TÍTULO AO SEGURADO. Conforme demonstrado, a habitualidade não é condição para a subsunção de uma rubrica remuneratória ao conceito jurídico de Salário de Contribuição. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 421DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 416 13 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas concebidos para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob Fl. 422DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos lucros a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente do seu patrimônio inercial. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 423DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 417 15 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conforme esclarecido, a ausência de habitualidade no pagamento de rubrica de natureza remuneratória não se configura como motivo para a sua exclusão da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. 2.1.1. DAS GRATIFICAÇÕES Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 418 17 O Recorrente alega que os pagamentos realizados nas competências 05/2006 e 06/2006 a título de adiantamento de salário (sem que tenha havido o desconto) tratamse, na verdade, de gratificação paga a determinados empregados uma única vez. Argumenta também não há incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de “Ajuda de Custo” e “Gratificações” aos segurados empregados e que os valores pagos aos empregados a título de ajuda de custo nada mais são do que diária de viagem. Aduz que por uma questão equivocada, a Recorrente, com o mesmo propósito, pagava, para alguns empregados, a título de ajuda de custo, e, para outros empregados, a título de diária de viagem. Em primeiro lugar, merece ser citado que o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91 dispõe ser obrigação da empresa o lançamento mensal, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de todas as contribuições sociais de responsabilidade do contribuinte. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; De outro canto, o art. 378 da Lei nº 5.869/73 dispõe que os livros fiscais provam contra o seu autor, sendo lícita, todavia, a demonstração, por todos os meios permitidos em direito, de que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Nessa vertente, a mera alegação de que “os pagamentos realizados nas competências 05/2006 e 06/2006 a título de adiantamento de salário tratamse, na verdade, de gratificação paga a determinados empregados” não se mostra suficiente para alterar a natureza jurídica de uma verba que se houve declarada pela empresa, sob sua responsabilidade e domínio, como “adiantamento de salários”. A condição alegada de gratificação há que ser demonstrada mediante documentos idôneos, acompanhada da retificação do lançamento na escrita fiscal. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 Aditese que as verbas pagas a título de “adiantamento de salários” não foram objeto de desconto da remuneração dos beneficiados, configurandose, portanto, como um plus salarial, compreendido no conceito jurídico de Salário de Contribuição. Por outro eito, mas trigo de outra safra, conforme demonstrado exaustivamente no tópico 3.1. supra, mesmo que se tratassem de gratificações, como assim alega o Recorrente, as verbas pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, pela empresa contratante, a esse título, ainda assim estariam compreendidas no conceito jurídico de “salário de Contribuição” assentado no art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da Lei nº 8.212/91, na forma de incentivos salariais, não estando acobertadas por nenhuma das hipóteses de não incidência tributária destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sobre elas incidindo as Obrigações Tributárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) Os prêmios e as gratificações frequentemente são utilizados pelas empresas como fonte de incentivo ao aumento de produtividade do trabalhador, visando a que este venha a participar da dinâmica da pessoa jurídica não somente como um dos fatores objetivos de produção trabalho em troca da contrapartida salarial, mas, principalmente, a que este se comprometa subjetivamente com a atividade econômica da empresa, dando o máximo de si para o sucesso do empreendimento. Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado por cada um dos segurados que auferiram tais gratificações, a importância que cada um iria receber a esse título seria exatamente igual a ZERO, o que demonstra insofismavelmente que tais verbas decorreram da contraprestação pelo trabalho efetivamente prestado pelo trabalhador na realização dos objetivos sociais da pessoa jurídica. Logo, remuneração. Daí, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, os benefícios auferidos pelos segurados sob o título de gratificação possuem natureza remuneratória, na forma de incentivos salariais. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente, sendo, portanto, um benefício concedido pelo trabalho e não para o trabalho. 2.1.2. DA AJUDA DE CUSTO Conforme exaustivamente demonstrado, o conceito jurídico de Salário de contribuição foi constitucionalmente estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo trabalhador, não somente as parcelas integrantes do SALÁRIO, como, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 419 19 empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, compreendendo, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, em decorrência não apenas dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Dessarte, da dicção dos preceptivos constitucionais e legais ora revisitados dessai que somente estarão a largo da tributação previdenciária, EXCLUSIVAMENTE, as rubricas que se ajustarem literalmente às hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º art. 28 da Lei nº 8.212/91. As demais seguem a regra geral de tributação. Nessa perspectiva, no que tange à ajuda de custo, as alíneas ‘b’ e ‘g’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 dispõem que não incidirá contribuição previdenciária sobre as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929/73, bem como sobre o valor relativo à ajuda de custo, quando esta for paga em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT. No mesmo sentido dispõe o art. 13 da Instrução Normativa nº 25/2001, da Secretária de Inspeção do Trabalho, no que se refere ao recolhimento do FGTS. Portanto, a ajuda de custo, para não sofrer incidência de INSS e FGTS, deve ser paga uma só vez e com o fim exclusivo de ressarcir despesas decorrentes de mudança de local de trabalho do empregado. Nos termos assinalados no art. 97 do CTN, as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. No caso específico das Contribuições Previdenciárias, as hipóteses de não incidência encontramse previstas, EXCLUSIVAMENTE, no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Dessarte, as verbas pagas pelo empregador a seus segurados, ainda que sob a denominação de “ajuda de custo”, mas sem correspondência à hipótese prevista nas alíneas ‘b’ ou ‘g’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, independentemente de prazo e valor, terão natureza salarial, integrando a remuneração do empregado para todos os efeitos legais, incidindose sobre tais valores a contribuição previdenciária e fundiária bem, como, serão consideradas no cálculo de verbas trabalhistas tais como: férias, 13º salário, aviso prévio etc. Atentese que no caso em instrução, as parcelas pagas a título de ajuda de custo eram pagas com frequência, e não em parcela única, como assim relata a Autoridade Lançadora, nestas palavras: “5.1.1 Rubrica "0015 — AJUDA DE CUSTO " paga nas competências de 06/2005 a 04/2006; 06/2006; 10/2006; 11/2006; 01/2007; 02/2007; 05/2007; 07/2007; 11/2007 e 12/2007 e rubrica" 0205 — AJUDA DE CUSTO " paga nas competências de 06/2005 a 01/2006; 03/2006 a 12/2007, as quais não se revestem do caráter indenizatório preconizado no art. 28, §9º, alíneas "b", "g" da Lei n° 8.212/91, in verbis: a) Não integram o Salário de Contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 5.1.1.1 Consoante dispositivo legal citado, à exclusão da incidência da contribuição previdenciária sobre as citadas rubricas fazse necessário o atendimento cumulativo dos quesitos da mudança de local de trabalho e unicidade do pagamento. 5.1.1.2 Entretanto, constatase a frequência nos pagamentos das rubricas aos segurados empregados beneficiários configurando concessão de vantagem de natureza salarial diversa, a ensejar a devida incidência. Neste sentido, a titulo de exemplificação, relacionamse os seguintes segurados empregados que perceberam referidas rubricas com sua respectiva quantidade de pagamentos versados: ADAO NUNES MACHADO = 16 pagamentos; BRUNO JOSE DE CARVALHO = 13 pagamentos; MATEUS SILVEIRA MARQUES = 12 pagamentos; JOSÉ MARCOS OLIVEIRA VILA VERDE = 11 pagamentos; FABRICIO ELIGIO BORGUETTI = 9 pagamentos; MARFISIO ALFREDO COSTA = 7 pagamentos; ALEXANDRO PATRICIO DA COSTA = 6 pagamentos; ANTONIO BUSS = 6 pagamentos; ANTONIO EBERT PEREIRA LACERDA = 6 pagamentos; DIEGO OLIVEIRA COUTINHO = 6 pagamentos; ANIVALDO BARROS SOUZA = 5 pagamentos; ARAKEN MALTA DO NASCIMENTO = 5 pagamentos e CARLOS ALBERTO DA SILVA JUNIOR = 5 pagamentos, dentre outros. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 420 21 Não se deslembre que de acordo com o inciso IV do art. 7º da CF/88, as despesas de moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social do trabalhador e de sua família devem ser atendidas pela remuneração do segurado, mesmo que em seu valor mínimo legal, e não pela empresa, de maneira apartada ao salário do seu funcionário. Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) IV salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (grifos nossos) (...) A CF/88 é taxativa ao dispor sobre a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo da empresa, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, ressalvadas as hipóteses de isenção previstas taxativamente no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Não procede a alegação de que “os valores pagos aos empregados a título de ajuda de custo nada mais são do que diária de viagem. Aduz que por uma questão equivocada, a Recorrente, com o mesmo propósito, pagava, para alguns empregados, a título de ajuda de custo, e, para outros empregados, a título de diária de viagem”. Conforme já ressaltado anteriormente, o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91 dispõe ser obrigação da empresa o lançamento mensal, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de todas as contribuições sociais de responsabilidade do contribuinte. Além disso, o art. 378 da Lei nº 5.869/73 dispõe que os livros fiscais provam contra o seu autor, sendo lícita, todavia, a demonstração, por todos os meios permitidos em direito, de que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Mais uma vez, salientese que a mera alegação de que “os valores pagos aos empregados a título de ajuda de custo nada mais são do que diária de viagem” não se mostra suficiente para alterar a natureza jurídica de uma verba que se houve declarada pela empresa, sob sua responsabilidade e domínio, como “ajuda de custo”. Dessai das alegações da Recorrente que a empresa tem perfeito discernimento entre o que é “ajuda de custo” daquilo que se configura como “diárias de viagem”. Tanto assim que as registrava de maneira distinta. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 A condição alegada de “diárias de viagem” daquilo que se registrou como “ajuda de custo” há que ser demonstrada mediante documentos idôneos, acompanhada da retificação do lançamento na escrita fiscal. Merece ser enaltecido que “provar” e “produzir prova” são conceitos afins, mas que não se confundem. “Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. As “provas” fornecem elementos para que o Julgador forme seu convencimento a respeito de fatos controvertidos relevantes para o processo. Daí serem referidas como “elementos de prova” ou, simplesmente, “meios de prova”. “Provar”, no entanto, é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectandoas numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. Dessarte, provar um fato nada tem a ver com a mera colação de centenas e centenas de documentos e depoimentos ao Processo. Estes são elementos estáticos nos autos. “Provar”, ao contrário, demanda a demonstração da correlação dinâmica e racional entre os registros e informações consignados em tais elementos de prova, de cuja sinergia emergirá a convicção acerca da realidade que se almeja revelar. A atividade probatória, portanto, não se resume, tampouco se encerra, com a mera juntada de documentos aos autos do processo. Esta é apenas a parte inanimada do procedimento probatório. Parte dinâmica de tal procedimento, consistente na concatenação entre os elementos probantes veiculados nos documentos e o fato/circunstâncias que se deseja demonstrar constitui capítulo apartado do primeiro, e se revela, exatamente, na atividade probatória propriamente dita. ALERTESE QUE A ATIVIDADE COGNITIVA DE PROVAR O FATO AFIRMADO É ÔNUS DO INTERESSADO, ENCARGO ESTE QUE NÃO É ADIMPLIDO COM A MERA COLAÇÃO ALEATÓRIA DE DOCUMENTOS AOS AUTOS. Nessa esteira, a verdade processual que efetivamente se tem consignada nos autos é que valores foram lançados nos documentos da empresa como “adiantamento de salários” e como “ajuda de custo”, rubricas essas que se inserem no conceito jurídico de Salário de Contribuição e, nessa qualidade, constituemse base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Sendo o Auto de Infração um Ato Administrativo por excelência, este ostenta presunção iuris tantum de legitimidade e veracidade de seu conteúdo. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo do Autosde Infração em debate. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 421 23 Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que os benefícios auferidos pelos segurados da Autuada, a título de “adiantamento salarial” não descontado, gratificação e ajudas de custo, dada às suas naturezas remuneratórias, e por não constarem expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituemse parcelas integrantes do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeitos, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias, e como tal deveriam ter sido NECESSÁRIA E OBRIGATORIAMENTE declarados nas GFIP correspondentes. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/9 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV, e 284, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 422 25 omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada individualmente mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, ao fim, devidamente somadas. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; No caso em apreço, o valor mínimo acima referido acima foi atualizado pela Portaria Ministerial MPS/MF n° 333, de 29.06.2010, publicada no Diário Oficial da União DOU em 30.06.2010. Procedente, portanto, o lançamento tributário levado ora a cabo pela Autoridade Fiscal Fazendária. 2.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 423 27 Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia. Luís de Camões Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Preliminarmente, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 424 29 Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 425 31 V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 32 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12269.003400/201095 Acórdão n.º 2401004.076 S2C4T1 Fl. 426 33 Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada para todo o lançamento, unicamente, a penalidade prevista no inciso I e §3º, II, do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I e §3º, II, do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 34 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10580.723899/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 01/01/2012
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. MATÉRIA CONHECIMENTO LIMITADO. CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE VEDADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. PROCEDIMENTO E LANÇAMENTO FISCAL QUE ATENDEM AS DETERMINAÇÕES LEGAIS. REGULARIDADE. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. CONDUTA DELIBERADA DO CONTRIBUINTE. DESRESPEITO À DECISÃO JUDICIAL E À LEI. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E SITUAÇÃO QUE ENSEJA A APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PRESSUPOSTOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS DISTINTOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente BRUMAKE COMERCIAL E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 01/01/2012 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. MATÉRIA CONHECIMENTO LIMITADO. CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE VEDADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. PROCEDIMENTO E LANÇAMENTO FISCAL QUE ATENDEM AS DETERMINAÇÕES LEGAIS. REGULARIDADE. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. CONDUTA DELIBERADA DO CONTRIBUINTE. DESRESPEITO À DECISÃO JUDICIAL E À LEI. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E SITUAÇÃO QUE ENSEJA A APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PRESSUPOSTOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS DISTINTOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 38 99 /2 01 3- 35 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 278 2 Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 279 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 51.003.3385, que objetiva o lançamento das contribuições devidas à previdência social, decorrente de compensação indevida promovida pelo empresa fiscalizada, a qual foi objeto de glosa pela fiscalização, bem como o Auto de Infração de Multa Isolada – DEBCAD 51.003.3377, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 14 a 20, com período de apuração de 01/2011 a 12/2011, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 98 e 99. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 24/05/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP e Folha de Rosto do Auto de Infração de Multa Isolada – AIMI, de fls. 07 e 03, respectivamente. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 124 a 171, recebida, em 04/06/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 124, estando acompanhada dos documentos, de fls. 172 a 214. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 216. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0127.524 5ª, Turma DRJ/BEL, em 23/10/2013, fls. 218 a 230, pelo qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/01/2014, AR, de fls. 273. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 234 a 271, recebida, em 17/01/2014, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais em síntese, estão a seguir expostas. Preliminar. · que as matérias discutidas nesse autos estão sendo julgadas no STF sob o sistema da repercussão geral, bem como no STJ sob o regime dos recursos repetitivos, e, assim nos termos do Regimento Interno do CARF e do princípio da razoabilidade administrativa deve o presente julgamento ser suspenso até decisão definitiva daquelas cortes; · que o recurso é tempestivo e que o presente recurso possui efeito suspensivo; Mérito · que não há uma correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo considerada, compensandose a recorrente das parcelas: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 280 4 quinze dias iniciais auxílio doença e acidente; saláriomaternidade; férias e 1/3 de férias, pois tais valores foram pagos indevidamente, conforme decisões judiciais, não podendo ser a recorrente obrigada ao pagamento de tais contribuições, pois a recorrente teve decisão favorável em MS, entendendo esse conselho que a Ação Mandamental pode ser executada antes do trânsito em julgado, transcreve o precedente; · que estando a empresa regular com o fisco, existindo decisão favorável a empresa em MS, bem como entendendo o CARF que a ação mandamental pode ser executada antes do trânsito em julgado, entende a recorrente que inexiste correlação lógica entre o que lançado e as bases de cálculo, pois tivessem sido considerados tais argumentos, inexistiria infração, devendo a decisão recorrida ser reformada; · que não houve desrespeito a decisão judicial, pois a compensação foi realizada nos termos da lei, que não exige tal outorga, uma vez que realizada sob a égide do artigo 66, da Lei 8.383/91, na decisão judicial e no entendimento do CARF, autorizando o citado artigo a compensação com débitos vencidos sem qualquer autorização do fisco, apurando o contribuinte o montante a compensar, podendo após o fisco verificar os cálculos para homologar ou lançar qualquer diferença; · que o artigo 66, da Lei 8.383/91 trata de compensação a ser realizada pelo contribuinte no lançamento por homologação, sendo que os artigo 170 e 170 – A, do CTN tratam de outro modalidade de compensação aquela feita pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, no termos do artigo 156, II, do CTN para extinguir crédito já lançado, cita Hugo de Brito Machado e precedentes do STJ, dizendo que caso não se atenda a estes devese atender ao precedente do CARF que diz ser a ação mandamental é executável de imediato; · que a multa isolada merece ser anulada, uma vez que não houve fraude na compensação por parte da recorrente, pois baseada na legislação que rege a matéria, em decisões do CARF e judiciais e mesmo que a decisão mencione o artigo 170 – A, na linha dos precedentes do CARF a multa isolada não se justifica, haja vista que a atuada cumpriu as formalidades do artigo 44, da IN 900 c/c o art. 66, da Lei 8.383/91, não podendo a compensação ser tida por indevida, pois o artigo 170 – A, só serviria para inadmitir a utilização do crédito, mas não que a compensação seja indevida; · que a falsidade da declaração de compensação ocorre quando suas justificativas são uma e a apurado é outro, sendo que a recorrente apresentou todas as justificativas e documentos no curso da fiscalização, o que foi admitido pelo fisco no relatório, tendo sido os valores levantados e glosados apurados em GFIP, existindo o art .44, da IN/900 porque o 74, da Lei 9.430 não se aplica as contribuições Fl. 280DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 281 5 previdenciárias, pois a norma aplicável é o artigo 66, da Lei 8.383, estando de acordo com a legislação a compensação realizada, cabendo ao fisco homologar ou não a compensação, devendo os autos serem declarados improcedentes; · que inexiste falsidade na declaração das GFIP’s apresentadas justificadoras da multa aplicada, pois o contribuinte tem direito a compensação sobre valores pagos indevidamente, compensandose o contribuinte apenas de rubricas reconhecidas indevidas pelos tribunais superiores, não se compensado de valor superior ao seu direito, havendo respaldo legal para os créditos efetuados, não havendo falsidade na GFIP e motivos para a glosa da compensação, só podendo o fisco exigir multa de mora caso pudesse ele exigir algumas das rubricas compensadas, apresentando a recorrente tempestivamente as informações necessárias ao fisco pelas GFIP, sendo que há precedente do CARF no sentido de que a mera informação em GFIP de direito creditório oriundo de decisão judicial antes de seu trânsito em julgado não é justificativa a aplicação da multa isolada de 150%, pois não há a caracterização de falsidade da declaração, transcreve o precedente; As questões relativas a Representação Fiscal para Fins Penais não se sumariadas e apreciadas, o que explicará no voto; · que não há dolo a justificar a aplicação de pesada multa, estando errada a tipificação do auto deve o mesmo ser cancelado, pois nulo de pleno direito; · que o auto é nulo, uma vez que eivado de vício da multa isolada, o que prejudica a defesa, devendo esse ser claro, nítido, autoexplicável, coerente e exato na descrição dos fatos, dos fundamentos legais e estar fundamentado em provas, não sendo suficiente a base em meros indícios, cita os artigos 59, II e 10, III, do Decreto 70.235/72, não devendo prosperar o auto, tendo em vista que a descrição é débil e a ausência de prova da falsidade, não permitem a aplicação da multa de 150%, por mera alegação, devendo haver prova inequívoca da falsidade, não estando caracterizada a conduta irregular da recorrente, cita a Lei 9.784/99, cabendo a anulação do auto de infração em especial da multa isolada, pois sua superficial descrição impediu o plena exercício do direito de defesa, violando a Ordem Constitucional; · que a multa isolada de 150%, além de acréscimos legais, representa verdadeiro confisco, o que viola o artigo 150, IV, da CF, cita precedente do STF e do CARF para quem a comprovação da fraude é necessária e não a mera presunção, cita Cláudio Renato do Canto Farág, devendose aplicar a multa do artigo 32 – A, da Lei 8.212/91, anulandose o auto de infração DEBCAD 51.006.6132 que exige a multa de 150%; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 282 6 · que nas rubricas citadas, a seguir, não incide a contribuição previdenciária sobre os 15 dias iniciais do auxíliodoença, salário maternidade, férias e terço constitucional, conforme jurisprudência do STJ, uma vez que pelo inciso, I, do artigo 150, da CF/88 estes não realizam a hipótese de incidência; · que a contribuição previdenciária decorre da prestação de serviços pelos segurados, artigo 195, I, “a”, da CF/88, inciso I, do artigo 22, da Lei 8.212/91 e alínea “a”, do inciso III, do artigo 51 e 52, bem como do inciso, I, do artigo 57 e 72, todos, da IN/RFB Nº 971/2009; · que a contribuição previdenciária foi instituída sobre os valores destinados a retribuir o trabalho potencial ou efetivo, conforme legislação e o STF, porém o fisco ao largo da legalidade exige a contribuição sobre valores que não representa remuneração ao trabalho, assim situação que não configuram o fato gerador: quinze dias auxílio doença e acidente; salário maternidade; férias gozadas e adicional constitucional de 1/3 sobre férias gozadas; · que sobre as rubricas objeto do MS é indevida a exigência de contribuição quinze dias auxílio doença e acidente; salário maternidade; férias gozadas e adicional constitucional de 1/3 sobre férias gozadas conforme decido por nossos tribunais; · Dos pedidos e requerimentos: a) recebimento do recurso no efeito suspensivo; b) que seja dado total provimento ao recurso, com a reforma da decisão guerreada, julgandose improcedente os autos de infração fustigado; c) subsidiariamente, que seja aplicada a multa benéfica do artigo 32 – A, da Lei 8.212/91; d) anulandose o auto de infração de multa isolado DEBCAD 51.006.337. O recurso foi considerado tempestivo pelo órgão preparador, fls. 274. Não há despacho de remessa ao CARF/MF. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 275. É o Relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 283 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da demanda. Inicialmente, cabe firmar as matérias que podem ou não serem objeto de conhecimento neste recurso em razão da concomitância de ação judicial em julgamento, MS 2007.33.00.0149679/BA. O citado MS foi impetrado pelo próprio contribuinte recorrente. A citada ação tem por escopo excluir da tributação a contribuição previdenciária dos valores pagos em razão dos 15 dias iniciais em razão de auxílio doença/acidente do trabalho, saláriomaternidade, férias gozadas e terço constitucional em razão dessas férias. Assim sendo, não cabe discutir neste processo administrativo a constitucionalidade ou legalidade destas exações, pois estão sobre o crivo judicial, conforme artigo 126, § 3º, da Lei 8.213/91 c/c o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/80, bem como da Súmula CARF abaixo transcrita. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Também, não comporta julgamento neste recurso a questão da prescrição quinquenal, pois decidida no Acórdão do TRF1, fls. 63 e 64, bem como a aplicação do artigo 170A, da Lei 5.172/66, haja vista que tais temas foram decididos no acórdão, citado. O Acórdão do TRF1 não transitou em julgado, pois houve a interposição de vários recursos, conforme consulta no sitio do tribunal, anexada, ao final desse acórdão. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 284 8 Neste diapasão não comportam julgamento na via administrativa as questões relativas à inconstitucionalidade, ficando, assim fora desse contencioso, conforme a seguir esclarecido. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Fl. 284DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 285 9 Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 286 10 Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Ou seja, as questões relativa a inconstitucionalidade da multa isolada não serão apreciadas neste recurso pelo que supramencionado. Delimitada as matérias que não comportam julgamento passo as matérias diferenciadas que o admitem, bem como as questões diversas da alegação de inconstitucionalidade. Preliminar. A norma regimental que dispunha sobre a necessidade de sobrestamento dos PAF’s que contivessem questões a serem julgadas no STF, sob o regime da repercussão geral foi revogada, conforme texto abaixo. assim nada impede que a presente demanda continue sua caminhada rumo a solução administrativa. Portaria MF Nº 545 DE 18/11/2013 Publicado no DO em 20 nov 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, Resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Nada precisa ser dito sobre a tempestividade, uma vez que esta foi reconhecida pela órgão preparador e por este órgão colegiado. Ao analisar os presentes autos e ler a decisão a quo não verifico vício que possa levar tanto um como o outro a nulidade. O REFISC, de fls. 16 a 42, bem como seus diversos Anexos de nº II a VII, fls. 50 a 194, dão exata noção e contornos ao lançamento, demonstrando de forma clara e Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 287 11 precisa seus pressupostos e fundamentos, o que é complementado pelos documentos, de fls. 01 a 13. O contribuinte em seu recurso contesta: a) a correlação lógica entre os valores e base de cálculo do lançamento, pois em sua visão com base na decisão favorável do MS, bem como em precedente do CARF o qual entende que a ação mandamental admite execução imediata, haveria erro no valor do lançamento, pelo não exclusão de rubricas. Contudo, essa não é a leitura adequada da situação, basta observar as determinação judicial no caso concreto do MS impetrado pela recorrente. O Acórdão do TRF1 reconheceu que o contribuinte não deve recolher contribuição previdenciária sobre: · Quinze dias iniciais auxilio doença e acidente; · Terço constitucional de férias. Todavia, aquela decisão reconheceu que a recorrente deve recolher contribuição previdenciária sobre: · Férias normais usufruídas; · Salário maternidade. A citada decisão, também, estabeleceu que a compensação se submete ao artigo 170 A, da Lei 5.172/66. O agente fiscal lançador demonstrou de forma objetiva e cristalina a correlação lógica entre os valores lançados e as bases de cálculo, pois no item 3.1.2, do REFISC, de fls. 14 a 20, deixou claro que promoveu o lançamento da glosa, primeiro porque a decisão judicial não reconheceu o crédito sobre as rubricas salário maternidade e férias usufruídas e que para as rubricas reconhecidas a compensação se deu até mesmo, antes da prolação do Acórdão do TRF1, item 3.1.4, do REFISC. Ou seja, a empresa na tinha amparo judicial para promover compensação de valor algum, pois em relação a ela empresa recorrente/contribuinte e impetrante do MS não havia créditos a seu favor. Assim, a infração esta configurada, uma vez que a compensação foi antes da decisão judicial. Além do que, a própria decisão judicial limita o direito a compensação para após a ocorrência do trânsito em julgado, bem como não reconhece o direito a compensação sobre salário maternidade e férias usufruídas, sendo que para a verbas deferidas havia a obrigatoriedade de aguardar e respeitar o trânsito em julgado, o que não ocorreu em franco desrespeito e desobediência ao que determinado na via judicial. Destarte, sob esses argumentos não há razão para reforma da decisão a quo nesse tópico. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 288 12 A compensação das contribuições sociais previdenciárias não são mais regidas pelo artigo 66, da Lei 8.383/91, pois tal dispositivo em razão dessa exação encontrase revogado tacitamente, uma vez que o artigo 26, da Lei 11.457/2007 alterou o artigo 89, da Lei 8.212/91 que cuida da compensação, assim sendo pelo critério da especialidade, assim como pelo cronológico a norma a ser aplicada é essa última. Aliás, a decisão judicial do MS impetrado pela empresa com fulcro na jurisprudência do STJ adota essa posição, observese a transcrição, sendo o precedente do STJ decidido sobre o rito do artigo 543 – C, da Lei 5.869/1973, devendo ser obrigatoriamente observado pelo CARF. A compensação é procedimento voluntário do contribuinte, mas para tal devem ser respeitadas as normas que regem o instituto e no caso isso não ocorreu. A uma, porque como dito acima o artigo 66, da Lei 8.383/91 não se aplica ao caso. A duas, porque a decisão judicial do MS determina a observação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66 e isso não ocorreu. Aliás, a compensação se iniciou antes da prolação do Acórdão do TRF1, sendo, ainda, que a recorrente se compensou de rubricas não reconhecidas na decisão judicial – salário maternidade e férias normais usufruídas, violando, assim, o comando judicial. A três, porque a decisão administrativa do CARF citada pelo contribuinte, não lhe favoreça, pois não era parte naquele processo e a decisão administrativa, não tem o condão de suplantar a decisão judicial especifica que determina a observação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66. Desta forma, o fisco exerceu seu direito de confrontar as operações do contribuinte que viabilizaram a compensação, concluído pela irregularidade do procedimento e glosando tal compensação, aliás, como lhe é de direito. O artigo 170 – A não se confunde com o seu antecessor artigo 170, ambos, da Lei 5.172/66, a intenção do artigo 170 – A é apenas impedir que um contribuinte possa efetivar compensação sem que haja a definitividade do direito ao crédito em prejuízo ao erário independentemente do tipo de lançamento, ofício, declaração, homologação ou autolançamento, sendo inaplicável como supramencionado os precedentes do STJ e do CARF, pois a compensação não se deu sob a égide do artigo 66, da Lei 8.383/91, bem como o próprio Acórdão do TRF1 determinou no caso concreto a observação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66, com aptidão a fazer coisa julgada formal e material. O agente lançador no item 3.2.2, do REFISC, o que a seguir se transcreve. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 289 13 Evidenciou aquele agente que o contribuinte sabia e deliberadamente utilizouse de valores dos quais não dispunha para promover a suposta compensação, desrespeitando a decisão judicial e a lei que rege a compensação na seara previdenciária. O parágrafo 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, diz o que a seguir se transcreve. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Isto é, fica sujeito a multa isolada quem promove compensação indevida e o fisco comprove a existência de falsidade. Não há como negar que a compensação era indevida, pois o contribuinte não possuía os créditos utilizados na compensação, pois não observou o artigo 170 – A, da Lei 5.172/66 e incluiu na compensação valores em rubricas não reconhecidas na decisão judicial salário maternidade e férias usufruídas. Porém, o que vem a ser falsidade1, segundo o dicionário on line, o conceito é o que está a seguir descrito. Significado de Falsidade s.f. Característica daquilo ou de quem é falso; atributo do que se opõe à verdade; qualidade do que pretende ser verdadeiro, mas não é: é perceptível a falsidade da nota. Aquilo que tende a enganar; desprovido de verdade; de teor calunioso; mentira: seu boato é falsidade. Ação de fingir; maldade ou hipocrisia: a falsidade de seu amor é lastimável. Tendência para ser desleal; perfídia: a falsidade está presente em todos os seus atos. Jurídico. Delito que se comente contra a fé pública, caracterizado pela modificação intencional da verdade, com o objetivo de fazer com que alguém seja prejudicado Observase da transcrição acima que tanto no sentido vernacular como no jurídico a questão está ligada ao encobrimento, oposição, modificação ou desprovimento da verdade, sendo isso que ocorreu quando a recorrente promoveu a compensação utilizandose de 1 Disponível em: <http://www.dicio.com.br/falsidade/>. Acessado em: 25 de março de 2015. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 290 14 crédito inexistente e incluído nesse crédito rubricas não reconhecidas judicialmente no MS, salário maternidade e férias usufruídas. O artigo 44, da IN 900/2008 existe por conta do parágrafo 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 nada tendo a ver com o artigo 74, da Lei 9.430/96. O fisco não homologou a compensação, pois justamente a entendeu em desrespeito as normas que regem a matéria, essa é a razão da glosa e do presente lançamento. A multa isolada ou qualificada em 150% é admitida como regular pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ quando presentes os pressupostos para tal aplicação, observese o aresto. EMEN: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ART. 74, §12, "A" E "B", DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.051/2004). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE AO TEMPO DO AJUIZAMENTO DA DEMANDA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. ART. 18, §2º, DA LEI N. 10.833/2003 (REDAÇÃO DADA TAMBÉM PELA LEI N. 11.051/2004). 1. Segundo a jurisprudência do STJ, aplicase aos pedidos de compensação a legislação vigente na data do ajuizamento da demanda. Em se tratando de PER/DCOMP transmitida em 14.01.2005 já estava em vigor art. 74, §12º, II, "a" e "b", da Lei n. 9.430/96 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que considerou não declaradas as compensações efetuadas com crédito de terceiros. 2. Cabível a multa de ofício para o caso, a teor do também vigente (em 14.01.2005) art. 18, §2º, da Lei n. 10.833/2003 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que trazia completa a hipótese de incidência da multa, mencionando a violação ocorrida (compensação não declarada) e o percentual da multa aplicável (150%). 3. Recurso especial não provido. EMEN: (RESP 201100395684, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:16/05/2011 DTPB:.) (grifei). O CARF não tem competência para se pronunciar sobre Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP assim prescreve a Súmula 28, segundo a transcrição. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Esse foi o motivo pela qual não sumariamos as teses. A legislação que autoriza a aplicação da multa isolada não exige dolo, exigindo apenas que a compensação seja indevida e que fica comprovada a falsidade, situações que se demonstraram presentes no caso. Inexiste tipificação errada, devendo o auto ser mantido. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 291 15 Ficou demonstrada acima que a multa isolada foi aplicada, haja vista que estão presentes os requisitos definidos na lei, dessa forma inexiste prejuízo a defesa, uma vez que os fundamentos estão presentes, claros e nítidos, estando lastreados nos elementos constantes dos autos, bem como atendidos o artigo 10, III e respeitado o artigo 59, II, ambos, do Decreto 70.235/72. · Art. 10, III – a descrição do fato: REFISC, de fls. 14 a 20, item 3; subitem 3.1.2; 3.1.3; 3.1.4 e 3.1.5; 3.2.1 e 3.2.2; · Art. 59, II ...com preterição do direito de defesa: Não ocorreu preterição ao direito de defesa todos os elementos e esclarecimento estão presentes, nos autos. A prova da falsidade está presente nos autos como supramencionado e demonstrado, inexistindo cerceamento do direito de defesa. No presente caso não é aplicável a multa do artigo 32 – A, da Lei 8.212/91, pois tal multa aplicase no caso de descumprimento de dever instrumental e nos presentes autos a questão é de multa isolada que tem regramento próprio. Não há razão para que o auto de infração de multa isolada seja anulado. Como dito anteriormente as questões de inconstitucionalidade e o que decido na ação do MS não serão objeto de pronunciamento em razão da impossibilidade jurídica. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitando as preliminares, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.723899/201335 Acórdão n.º 2202003.178 S2C2T2 Fl. 292 16 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.720075/2012-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
JUROS SOBRE MULTA DE OFI´CIO.
A multa de ofi´cio, sendo parte integrante do cre´dito tributa´rio, esta´ sujeita a` incide^ncia dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei.
Recurso Especial do Procurador Provido
BANCO MU´LTIPLO OPERANDO CARTEIRA DE INVESTIMENTOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL.
O conceito de receita bruta sujeita a` Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestac¸a~o de servic¸os, ai´ inclui´das as receitas oriundas do exerci´cio das atividades empresariais ti´picas de banco mu´ltiplo que opere carteira de investimentos.
Numero da decisão: 9303-003.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Vanessa Marini Cecconello apresentarão declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Carlos Augusto Daniel Neto, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 JUROS SOBRE MULTA DE OFI´CIO. A multa de ofi´cio, sendo parte integrante do cre´dito tributa´rio, esta´ sujeita a` incide^ncia dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso Especial do Procurador Provido BANCO MU´LTIPLO OPERANDO CARTEIRA DE INVESTIMENTOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita a` Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestac¸a~o de servic¸os, ai´ inclui´das as receitas oriundas do exerci´cio das atividades empresariais ti´picas de banco mu´ltiplo que opere carteira de investimentos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COFINS. PIS. FATO GERADOR. FATURAMENTO. VENDA DE AÇÕES. A venda de ações, incluindo as acõ̧es subscritas das novas sociedades constituídas após a etapa de desmutualizaçaõ das bolsas de valores, integra a receita oriunda do exercício da atividade empresarial típica da instituiçaõ financeira, compondo o faturamento da contribuinte, fato gerador do PIS e da COFINS. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados, no Ativo Circulante, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as acõ̧es das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualizaçaõ das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intencã̧o de venda, e cuja alienacã̧o efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente ao recebimento das ações. BANCO MÚLTIPLO OPERANDO CARTEIRA DE INVESTIMENTOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita a ̀Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas de banco múltiplo que opere carteira de investimentos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 75 /2 01 2- 18 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 993 2 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Vanessa Marini Cecconello apresentarão declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Carlos Augusto Daniel Neto, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 3403003.153, de 19 de agosto de 2014 (fls. 845869) proferida pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por voto de qualidade, deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. O acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇOẼS. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 994 3 A “desmutualizacã̧o”, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu ao contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de calculo de PIS/Cofins. Recurso Voluntário Provido. O Recuso Especial, interposto em 6 de novembro de 2014 (fls. 872898) recebeu exame de admissibilidade em 18 de junho de 2015 e por intermédio do Despacho da 4ª Câmara (fls. 900902) deuse seguimento. As contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pelo Contribuinte em 13 de julho de 2015 (fls. 911922). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator Na análise da admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional percebese a tempestividade e comprovase a divergência suscitada nos Acórdãos n° 3201001.480 e 3202000.711. Nestes termos, conheço o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. O presente litígio trata de recurso contra decisão proferida no Acórdão n° 3403003.153 que entendeu que a receita advinda da venda de ações da BOVESPA Holding S/A e da BM&F Holding S/A é receita nãooperacional, portanto devem receber o tratamento de venda de ativo nãocirculante (ativo permanente), assim não compondo a base de cálculo do PIS e da COFINS. Requer a Fazenda Nacional a reforma da decisão do referido acórdão nas seguintes matérias: 1) classificar como ativo circulante o resultado da venda das ações após a desmutualização; 2) considerar o produto da venda das ações como faturamento, incidindo assim o PIS e a COFINS; e, 3) a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. As bolsas de valores, Bolsa de valores de São Paulo – BOVESPA – e a Bolsa de Mercadorias e Futuro – BM&F – eram entidades estabelecidas como associações civis sem Fl. 994DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 995 4 fins lucrativos, tendo como escopo principal regular e manter o sistema de negociação de valores mobiliários. Por intermédio da Lei n° 4.728/65 disciplinouse o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, sob a supervisão do Banco Central, de acordo com a regulamentação do Conselho Monetário Nacional. Posteriormente, com a Resolução CMN n° 1.656/1989 disciplinouse pelo regulamento a constituição, organização e funcionamento das bolsas de valores. No texto legal temse a sua natureza e características desta forma: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, Fl. 995DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 996 5 mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Notese que na época as bolsas de valores ficaram assim obrigadas a se constituírem enquanto associações civis sem fins lucrativos, isto é, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil/1916 no seus arts. 20 a 23 – Das Sociedades ou Associações Civis. A Resolução CMN n° 1.656/1989 foi alterada pelas Resoluções n° 1.760/1990; nº 1818/1991; nº 2.549/1998; nº 2.597/1999, e com a edição da Resolução CMN nº 2.690/2000, que aprovou um novo regulamento, as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima. Assim ficou a redação legal: “Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...)” (grifouse) Salientase que no amparo da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, mais especificamente no seu art. 15, as bolsas de valores, como entidades sem fins lucrativos, eram isentas do pagamento do imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL. O processo de alterações societárias das bolsas de valores, de associações sem fins lucrativos para sociedades anônimas com finalidade lucrativa, teve início nas bolsas de valores nórdicas quando a OMX Group, em março de 1997, fez a abertura de seu capital com a oferta inicial de ações. Esse processo, de alterações societárias de associações sem fins lucrativos para companhias com propósitos econômicos das bolsas de valores, passou a ser denominado de “desmutualização” Em 1997 a Bovespa patrocinou uma reestruturação e criouse duas empresas distintas, a Clearing S.A., denominada posteriormente como Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia –CLBC – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. A primeira ficou responsável por atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos, e, a segunda, passou a dar suporte na área de informática e telefonia da BOVESPA. A desmutualização, reestruturação societária de associação sem fins lucrativos para sociedade anônimas, da Bovespa e da BM&F, em 28 de agosto e 1° de outubro de 2007 respectivamente, com a correspondente troca dos títulos detidos pelas sociedades corretoras na Bovespa e na BM&F por ações das novas companhias BOVESPA Holding S.A e BM&F S.A. No caso da Bovespa, incluise também no processo a troca de ações da CBLC por ações da Bovespa Holding S/A. Diante desse breve resumo dos fatos constantes amiúde no processo, há que se discutir o pedido da Fazenda Nacional sobre a classificação de ativo circulante o resultado da venda das ações após o processo de desmutualização, a incidência das contribuições e de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 997 6 O Contribuinte autuado possuía, de forma incontroversa, na conta do Ativo Permanente/Investimentos, títulos patrimoniais das antigas BOVESPA e BM&F. Esses títulos, com o processo de desmutualização das bolsas de valores, foram transformados em ações monetariamente equivalentes ao valor dos referidos títulos. O Banco tinha a pretensão, já acordado de antemão, de alienar parte de suas ações e, portanto, deveria ter reclassificado para o ativo circulante e, em decorrência a incidência do PIS e da COFINS. Neste sentido cabe relatar alguns fatos relativos à desmutualização da BOVESPA e o compromisso assumido de venda das ações por parte do Contribuinte. No Termo de Verificação de Infração (fl. 20) constatase que: (...) em decorrência da participação do contribuinte no processo de desmutualização da Bovespa, o contribuinte, através da Procuração n° 151/07, datada de 27 de setembro de 2007, outorgou à Bovespa Holding SA poderes para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa, ficando autorizada a realizar a Oferta de até 8.723.798 ações ordinárias de sua emissão e de titularidade do contribuinte. Na data de 27 de setembro de 2007 o Contribuinte assinou o contrato “Instrumento Particular de Contrato e Outras Avenças” ratificando a intenção de venda das 8.723.798 ações, desta forma: CLÁUSULA 2.1. OBRIGAÇÕES DO ACIONISTA VENDEDOR O Acionista Vendedor obrigase a manter inalterada a quantidade de ações ordinárias ofertada, conforme indicada no Mandato, bem como a mantêlo em pleno vigor durante todo o prazo de duração, até a conclusão da oferta. PARÁGRAFO ÚNICO. O referido Mandato não poderá ser alterado ou revogado, total ou parcialmente, a qualquer tempo. Em relação a venda propriamente dita, salientase que na data de 25 de outubro de 2007, na distribuição pública (IPO), o Contribuinte vendeu 8.723.798 ações da Bovespa Holding S.A. por R$ 200.647.354,00, que ao custo de R$ 2,22904 por ação, totalizou um valor de custo dotal das ações vendidas de R$ 19.445.691,53. Ganho de capital neste caso de venda das 8.723.798 ações de R$ 181.201.662,47. Considerando a desmutualização no que tange a BM&F, a título ilustrativo, apontase que o Contribuinte tornouse proprietário de 5.001.610 ações da BM&F Holding, valoradas em R$ 5.001.610,00, no caso, valor unitário de R$ 1,00 por ação. Em resposta aos termos de intimação percebese que o Contribuinte vendeu, em 21 de novembro de 2007, 500.161 ações da BM&F ao preço de R$ 4.991.106,62. Em 30 de novembro de 2007 vender mais 1.500.483 ações pelo valor de R$ 30.009.660,00. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 998 7 Portanto, no mês de novembro de 2007 o Contribuinte vendeu 2.000.644 ações da BM&F S.A. na oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias ao custo de R$ 1,00 por ação, totalizando R$ 2.000.644,00, o que resultou em um ganho de capital de R$ 33.000.122,62. É inconteste que os detentores dos títulos patrimoniais, os associados da BOVESPA e BM&F, firmaram também o “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. e Outorga de Poderes”. Comprovado a Compromisso de venda e a venda efetiva das ações, cabe se perguntar sobre o procedimento contábil adequado para registro das ações, no caso, a troca dos títulos detidos pelas sociedades corretoras na Bovespa e na BM&F por ações das novas companhias BOVESPA Holding S.A. e BM&F S.A. A distinção entre ativo permanente ou ativo circulante, no que tange a escrituração, tem por base a possibilidade de o Contribuinte optar por permanecer como proprietário das ações ou de se desfazer dessas respectivamente. O Contribuinte, com a desmutualização, deixou de possuir títulos patrimoniais, que eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras, e passou a ter ações das novas companhias, de natureza distinta e que deveriam ter sido escrituradas de acordo com que dispõe a Lei n° 6.404/1976: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (...). (grifouse). Quanto ao correto procedimento contábil para registro das ações, veja, a título de balizamento, o Ofício Circular n° 225/2007, da própria Bovespa, que recomendou às associadas a contabilização das ações recebidas da Bovespa Holding S.A. no ativo circulante, se a decisão fosse no sentido de negociação ou venda, ou no ativo permanente, se a decisão Fl. 998DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 999 8 fosse no sentido de considerálas investimento. O Ofício Circular n° 225/2007, de 18 de setembro de 2007, assim dispôs: Os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding SA do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores – conta COSIF N ° 2.2.4.10). Em contrapartida, à sua opção: à registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta COSIF n° 1.3.1.20.), das ações de emissãoo da BOVESPA Holding SA recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo títulos disponíveis para negociação ou venda, ou mante esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n° 2.1.5.10.) das ações de emissão da BOVESPA Holding SA recebidas. (grifouse). Percebese assim que o Contribuinte, antes mesmo de receber as ações já tinha assumido prévio compromisso de vendêlas, com a orientação recebida e acima mencionada, bem como, sabedor das normas contábeis, deveria ter registrado tais ações no Ativo Circulante. Contrariamente às normas contábeis e ao Ofício Circular n° 225/2007 da BOVESPA, o Contribuinte registrou todas as ações recebidas como investimento, no Ativo Permanente, inclusive aquelas para as quais manifestou expresso interesse em vender, como por exemplo o Instrumento Particular de Contrato e Outras Avenças de 27 de setembro. Nas contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o Contribuinte destaca que “é incontroverso que a classificação de um ativo em conta do ativo permanente deve se basear na intenção da sociedade, de permanência ou de negociação, no momento da aquisição” (fl. 917). Com isso o Contribuinte não apurou e nem recolheu PIS e COFINS incidentes sobre o ganho de capital obtido com a venda das ações no IPO da BOVESPA e da BM&F. O estratagema construiuse desta forma: fezse o registro das ações no Ativo Permanente, visto que isso indica que a intenção é mantêlas como investimento, mesmo diante de manifesta intenção de vendelas antes do término do exercício seguinte, e, assim, a receita decorrente da venda de bens do Ativo Permanente é excluída da base de cálculo das contribuições. Registrase contabilmente no Ativo Permanente, mesmo não sendo, e eliminase da base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, é correto o lançamento da Fiscalização no sentido de tributar com o PIS e a COFINS os valores obtidos com a alienação das ações na condição de receitas brutas. Assim dispõem a Lei n° 9.718/1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1000 9 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (grifouse) Na declaração de voto, o Conselheiro Alexandre Kern, no acórdão recorrido, é incisivo: Desse modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade (venda de ações de terceiros que deveriam estar escrituradas no ativo circulante), decorrentes de atividade típica da Recorrente (subscrever, comprar e vender ações) devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º dessa Lei. Do exposto, voto no sentido de dar total provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional no sentido de considerar como ativo circulante o produto da venda das ações após a desmutualização e esse produto como faturamento, incidindo as contribuições PIS e COFINS e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Valcir Gassen Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Pediuse vista destes autos para melhor compreender os fatos ocorridos e a legislação aplicada. A controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da Bovespa e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. Tendo sido integralmente provido o recurso voluntário da Contribuinte, exonerandose o crédito tributário lançado pela Autoridade Fiscal, a Fazenda Nacional interpôs perante esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o apelo especial, que foi admitido quanto à tributação pelas contribuições para o Pis/Cofins das vendas de ações da Bovespa Holding S/A Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1001 10 e/ou da BM&F S/A, em razão do processo de Desmutualização das Bolsas e Oferta Pública Inicial de ações. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Em momento subsequente, a Contribuinte procedeu à alienação compulsória das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Na desmutualização, foi firmado acordo entre as bolsas e os acionistas, determinando que fosse realizada por estes a venda, no mercado, de parte das ações recebidas, em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da desmutualização. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como havido por parte das corretoras a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1002 11 A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1003 12 Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há de se considerar também há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Contribuinte sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão à Recorrente ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembléia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1004 13 extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF, no acórdão nº 10194540 (processo nº 13897000840200247), de 14/04/2004, já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN, nos temos do já decidido nos acórdãos nºs 10704215, 10246520 e 30130892. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. Nesse sentido, acórdão nº 3403003 447, voto do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Vanessa Marini Cecconello Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Tratase Recurso Especial da Fazenda Pública contra Recurso Voluntário provido integralmente para anular a exigência de PIS e Cofins, no valor de R$ 21.757.519,30, sobre a receita auferida com a venda de ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A decorrente do processo de desmutualização dessas entidades. Esta operação consistiu, no sucinto relato da Conselheira Vanessa Cecconello declarado neste acórdão, em: Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1005 14 (...) um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. De fato, está plenamente comprovado nos autos que as operações envolveram a cisão da Associação Bovespa, com a sua conversão em sociedade anônima e sucessiva incorporação pelas sociedades BOVESPA S/A e BM&F S/A, em plena conformidade com a Lei 6.404/76, bem como artigos 2033 e art.44, I, do Código Civil, verbis: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; (...) Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código. A literalidade dos dispositivos citados supra é plenamente suficiente à demonstração da viabilidade jurídica da operação relatada, qual seja, a cisão da associação e sua posterior conversão e incorporação a outras companhias. Como o próprio relator do processo reconhece em seu relatório, não se trata de uma dissolução, nos moldes do art.61 do Código Civil: O Contribuinte autuado possuía, de forma incontroversa, na conta do Ativo Permanente/Investimentos, títulos patrimoniais das antigas BOVESPA e BM&F. Esses títulos, com o processo de desmutualização das bolsas de valores, foram transformados em ações monetariamente equivalentes ao valor dos referidos títulos. Reconhecendo com clareza a situação descrita acima está o voto do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, declarado no acórdão que julgou o Recurso Voluntário: É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1006 15 art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Todavia, parece incorrer, data maxima venia, em uma contradição o voto condutor deste acórdão de Recurso Especial, ao afirmar que a desmutualização implicaria em uma necessidade de reclassificação ab ovo tal qual deveria ocorrer na hipótese de dissolução seguida de nova integralização dos títulos convertidos em ações. Ora, reconhecida a natureza de cisão à operação efetuada pela Associação Bovespa, é natural que os títulos mantenham a mesma natureza que possuíam anteriormente à bipartição da associação, preservando a sua natureza de ativo não circulante. Pois bem, a sucessiva conversão da associação em sociedade anônima implica a conversão desses títulos em ações de idêntico valor monetário, sem que a classificação contábil seja alterada. A conversão implica a preservação não apenas do valor monetário, mas do que ela representa economicamente (o patrimônio da sociedade), e também a sua classificação contábil. Sendo as ações representativas do mesmo patrimônio que os títulos patrimoniais que estavam no permanente representavam, então é de claríssima evidência que a reclassificação para o ativo circulante não retira das ações a condição de ser um investimento, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Ainda que se considerasse que a reclassificação dessas ações para o ativo circulante, tal disposição iria de encontro ao disposto no Parecer Normativo CST nº3/80: Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. O própria administração tributária reconhece e atribui efeito normativo à orientação de não conversão das ações em ativo circulante apenas pela mera pretensão de alienação futura. Portanto, estava o contribuinte respaldado por parecer normativo que se inclui no rol das normas complementares do art.100, I do Código Tributário Nacional e, por força do §1º do mesmo artigo deve este Conselho afastar a aplicação da multa cobrada, não apenas por força de regra expressa, mas com o respaldo da proteção da confiança e da previsibilidade do contribuinte, encampados pela segurança jurídica diretriz maior do sistema tributário constitucional. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 9303003.476 CSRFT3 Fl. 1007 16 Deixando de lado a questão da multa a qual entendo dever ser plenamente afastada pelas razões supra devemos retornar à própria classificação contábil das ações. Argumentandum tantum, o argumento da pretensão de alienação no prazo inferior a um ano não é suficiente a fundamentar a pretensão fiscal, haja vista que as aquisições foram feitas em vários anos anteriores ao da desmutualização, o que afastaria a necessidade de classificação exigida pela fiscalização. Citando o imortal Pablo Neruda, "você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências". Uma vez reconhecida a natureza de cisão, regulada pelo art.2033, à operação efetuada pela Associação Bovespa e não dissolução se faz mister atender às implicações lógicas de tal premissa, já delineadas acima. Não pode o Fisco, a pretexto de atingir o ganho de capital obtido na alienação das ações, desconsiderar a natureza jurídica das operações societárias efetuadas e seus consectários legais. É o que prescreve o artigo 110 do Código Tributário Nacional. A liberdade negocial e de empresa é plena desde que não se caracterize simulação ou dissimulação, vícios da existência da operação, ou fraude à lei e abuso de forma ou direito, vícios nos elementos essenciais do negócio jurídico. Não há nos autos prova de qualquer dos vícios acima mencionados sequer alegação que poderiam justificar os efeitos legais da operação realizada. Afirmou o Relator que: O Contribuinte, com a desmutualização, deixou de possuir títulos patrimoniais, que eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras, e passou a ter ações das novas companhias, de natureza distinta e que deveriam ter sido escrituradas de acordo com que dispõe a Lei n° 6.404/1976. Ora, se as ações foram adquiridas através da incorporação das sociedades mencionadas, por qual razão deveria as ações terem natureza distinta? O artigo 179 da lei 6.404/76 se refere à classificação que deve ser feita para a integralização de patrimônio, e não para a incorporação de outra sociedades haja vista que as ações permaneceram como representativas do capital social incorporado. Tampouco sustenta a manutenção da cobrança a invocação do Ofício Circular nº225/2007 da Bovespa. Se o art.123 do CTN veta a oponibilidade de convenções particulares ao Fisco, por melhores razões não pode a manutenção da autuação ser mantida com fundamento em um ofício enviado pela Bovespa, quando a tributação deve ser compulsória e decorrente da lei. Por todas as razões acima delineadas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Pública. Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digita lmente em 13/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO
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Numero do processo: 10380.016593/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator..
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 16 59 3/ 20 08 -1 8 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.016593/200818 Resolução nº 1301000.333 S1C3T1 Fl. 251 2 Relatório RIGESA DO NORDESTE S/A, já devidamente qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao ano calendário de 2004, formalizada a partir da constatação de compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever, sinteticamente, as razões de impugnação trazidas pela contribuinte fiscalizada. [...] A interessada foi cientificada do auto de infração, em 15/10/2008. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 13/11/2008, por intermédio de seu advogado e bastante procurador, sua impugnação, com as razões a seguir. Em caráter preliminar, defende a contribuinte a tempestividade de sua Impugnação. Passa, então, a uma breve narrativa dos fatos incorridos, expondo: ... No mérito, alega que a fiscalização teria se baseado em informações equivocadas constantes da base de dados da RFB para lavrar o auto ora combatido. Com vistas a demonstrar a origem do crédito utilizado para a compensação da base de cálculo negativa de CSLL, traz as seguintes informações: ... Afirma que, como passados mais de 05 (cinco) anos da escrituração dos prejuízos que comporiam a base negativa a compensar no anocalendário 2004, encontrarseiam homologados tais valores, não sendo possível sua revisão através do presente processo. Nesse contexto, prossegue: ... Entende a impugnante que, em vista do princípio da verdade material, cabe à RFB reconhecer o equívoco ocorrido, julgando improcedente o auto de infração em apreço. De forma subsidiária, caso mantido o lançamento questionado, requer a contribuinte sejam exonerados os Juros incidentes sobre o lançamento, com base na taxa SELIC. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.016593/200818 Resolução nº 1301000.333 S1C3T1 Fl. 252 3 Encerra pleiteando que, caso paire qualquer dúvida acerca do valor de prejuízo restante para compensação com a CSLL devida no período, seja enviado o processo em diligência para verificação. A já citada 15a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1450.090, de 29 de abril de 2014, pela procedência das lançamentos tributários. O referido julgado foi assim ementado: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR. Localizados autos de infração anteriores responsáveis por alteração à base de cálculo negativa de CSLL disponível para compensação no período em apreço, não há que se falar em erro quanto às informações contidas nos sistemas da RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 151/155, em que, constatando que a divergência entre o saldo de base negativa de CSLL passível de compensação por ela apurado e o determinado pela decisão de primeira instância decorre de retificações empreendidas em razão de autuações anteriores, argumenta: que os lançamentos anteriores, objeto dos processos administrativos nºs 10380.012214/200578 e 10380.012215/200512, foram reduzidos por decisões prolatadas em primeira instância, de modo que o saldo de bases negativas deve ser alterado; que apresentou recursos ao CARF, não restando dúvida de que o presente processo encontrase vinculado às decisões a serem proferidas nos processos acima mencionados. Ao final, requereu a apensação do presente aos de nºs 10380.012214/200578 e 10380.012215/200512 para fins de julgamento conjunto, ou, alternativamente, que seja dado provimento ao recurso para que sejam aplicadas as alterações procedidas pelas decisões exaradas nos citados processos. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.016593/200818 Resolução nº 1301000.333 S1C3T1 Fl. 253 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao ano calendário de 2004, formalizada a partir da constatação de compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Registra o ato decisório recorrido que a infração imputada por meio do presente processo decorre de autuações anteriores, promovidas por meio dos processos administrativos nºs 10380.012214/200578 e 10380.012215/200512, ou seja, em virtude da apuração de infrações em outros feitos administrativos, houve redução do saldo de bases negativas de CSLL passíveis de compensação e, por decorrência, no presente processo, na medida em que a contribuinte não levou em consideração citada redução, foilhe imputada compensação indevida de base negativa. No caso, alinhome ao entendimento da Recorrente no sentido de que o presente processo encontrase vinculado aos processos nºs 10380.012214/200578 e 10380.012215/200512. Contudo, diferentemente do que foi por ela pleiteado (apensação para fins de julgamento conjunto), penso que o julgamento do presente processo só poderá ser realizado após a apreciação definitiva, em âmbito administrativo, das controvérsias instaladas nos referidos processos. Assim, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, após a prolação de decisões administrativas irreformáveis nos processos nºs 10380.012214/200578 e 10380.012215/200512, encaminhe o presente processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento, momento em que deverá anexar referidas decisões. Adicionalmente, solicito que sejam anexados ao presente EXTRATOS ATUALIZADOS DO SISTEMA DE CONTROLE DE BASES NEGATIVAS (SAPLI) EM DECORRÊNCIA DAS DECISÕES DEFINITIVAS EXARADAS NOS CITADOS PROCESSOS. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10283.005257/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004
DECADÊNCIA. COFINS. ART. 150, §4º DO CTN.
Havendo pagamento antecipado parcial, aplica-se, aos tributos lançáveis por homologação, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, cujo dies a quo é a data de ocorrência do fato gerador, conforme julgamento do REsp nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543-C, do CPC, e aqui aplicável por força do disposto no art. 62-A do RICARF.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da Cofins, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. PIS. ART. 150, §4º DO CTN.
Havendo pagamento antecipado parcial, aplica-se, aos tributos lançáveis por homologação, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, cujo dies a quo é a data de ocorrência do fato gerador, conforme julgamento do REsp nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543-C, do CPC, e aqui aplicável por força do disposto no art. 62-A do RICARF.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
Numero da decisão: 3403-001.529
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Raquel Motta Brandão Minatel votaram pelas conclusões. Sustentou oralmente pela recorrente o Dr. Natanael Martins, OAB/SP no. 60.723.
Nome do relator: Marcos Tranchesi Ortiz
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. COFINS. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo pagamento antecipado parcial, aplicase, aos tributos lançáveis por homologação, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, cujo dies a quo é a data de ocorrência do fato gerador, conforme julgamento do REsp nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e aqui aplicável por força do disposto no art. 62A do RICARF. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da Cofins, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. PIS. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo pagamento antecipado parcial, aplicase, aos tributos lançáveis por homologação, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, cujo dies a quo é a data de ocorrência do fato gerador, conforme julgamento do REsp nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e aqui aplicável por força do disposto no art. 62A do RICARF. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Raquel Motta Brandão Minatel votaram pelas conclusões. Sustentou oralmente pela recorrente o Dr. Natanael Martins, OAB/SP no. 60.723. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de autos de infração, lavrados em 27.09.2004, para a cobrança da contribuição ao PIS (fls. 08/23) e da COFINS (fls. 172/187), referentes aos seguintes períodos/anoscalendários: 07 a 10/1999, 03 a 05 e 8 a 12/2000, 2001, 2002, 2003 e 01 a 06/2004, processos nºs. 10283.005257/200414 e 10283.005256/200470. De acordo com a descrição dos fatos (fls. 09 e 173), as autuações foram originadas a partir da constatação de que o recorrente – beneficiário do incentivo fiscal de restituição do ICMS pelo Estado do Amazonas – escrituravao em resultado como redutor do custo da produção vendida e, portanto, sem creditálo diretamente às contas de “receita”, de modo a não incluílo na base de cálculo das exações. Cientificado das exigências em 28.09.2004, o recorrente as impugnou (fls. 101/122 e fls. 264/285), alegando, resumidamente: (a) decadência (parcial) do lançamento para as competências 07 e 08/1999; (b) quer pelo regime da Lei Estadual n° 1.939/89, regulamentada pelo Decreto Estadual n° 12.814A/90, quer pelo regime da subsequente Lei Estadual nº 2.826/03, é beneficiária de incentivo fiscal, respectivamente, de restituição e de apropriação de créditos de ICMS; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 340301.529 S3C4T3 Fl. 2 3 (c) a restituição do ICMS pago ou a apropriação de créditos deste imposto não interferem na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, tendo em vista não se enquadrarem no conceito de receita, conforme o art. 53 da Lei nº 9.430/96 e as disposições contidas nos Atos Declaratórios Interpretativos nº 22 e 25, ambos de 2003; (d) a recomposição do patrimônio, recuperação ou reversão de custos e despesas não representam percepção de receita; e (e) por ser o ICMS parte integrante da receita bruta auferida, seu valor já foi incluído na base de cálculo das contribuições, razão pela qual esta exigência, ao cobrar o PIS e a COFINS na restituição dos valores de ICMS, implicará dupla tributação. Foi aí que os dois processos (10283.005257/200414 e 10283.005256/2004 70), resultantes de autos de infração de PIS e de COFINS inicialmente independentes, foram reunidos para processamento conjunto. Em 18.12.2007, a DRJ/BelémPA julgou o lançamento procedente (fls. 352/370), afastando a alegação de decadência por considerar aplicável, no caso, o disposto no art. 45, I, da Lei nº 8.212/91. No mérito propriamente dito, atestou a DRJ que, independentemente de serem subvenções para investimento ou custeio, incentivo fiscal ou renúncia fiscal, tais valores deveriam ter sido incluídos na base de cálculo das contribuições, por força do conceito de receita presente no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, bem como por não estarem presentes nas hipóteses de exclusão indicadas no §2º deste mesmo art. 3º. Devidamente intimado, o recorrente maneja o presente voluntário (fls. 388/414, ratificando as alegações outrora delineadas e inovando no sentido de requerer a nulidade parcial da autuação para o período cuja sistemática de incidência das contribuições estava prevista pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, as quais eram aplicáveis ao recorrente e não teriam sido levadas em consideração pela fiscalização, o que impediria, inclusive, o regular e eficaz direito de defesa, nos termos do art. 50, da Lei nº 9.784/99. Registra, ainda, que é titular de medida judicial nº 0010329 22.1999.4.03.6100 que lhe reconheceu o direito à exclusão, da base de cálculo da COFINS, de outras receitas que não o faturamento propriamente dito, com fundamento no RE nº 357.950, no qual o STF restringiu a incidência do PIS e da COFINS, no regime da Lei nº 9.718/98, às receitas estritamente operacionais. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. Preliminarmente, analiso a alegação de decadência parcial do lançamento fiscal. Tendo o recorrente sido cientificado dos autos de infração em 28.09.2004, os fatos geradores consumados em julho e agosto de 1999, que se deram em período mais longínquo que os cinco anos a que se refere o artigo 150, §4º do CTN, no que disciplina o prazolimite Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 para a formulação da exigência nas espécies tributárias sujeitas a lançamento por homologação, foram alcançados pela decadência. E embora não partilhe, pessoalmente, do entendimento segundo o qual somente se aplica o artigo 150, §4º do CTN às hipóteses em que o sujeito passivo efetivamente realiza o pagamento antecipado parcial do tributo devido, o fato aqui é que se presume que o recorrente tenha cumprido com este prérequisito, uma vez que o lançamento se restringiu ao não oferecimento à tributação pelo PIS e pela COFINS das supostas receitas obtidas com a restituição do ICMSAM decorrente de incentivo fiscal. Ou seja, tratase, para todos os efeitos, de um lançamento suplementar das referidas contribuições. Dessa forma, tendo sido efetuado pagamento parcial das contribuições, é de se aplicar o art. 150, §4º, do CTN, razão pela qual se verifica a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos em julho e agosto de 1999, com fundamento inclusive no decidido pelo STJ no REsp nº 973.733/SC, julgado sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C, do CPC): “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).”(REsp nº 973.733, 1ª Seção, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 12.08.2009) Aliás, por força do art. 62A do RICARF, este Colegiado deverá reproduzir a orientação firmada pelo STJ e pelo STF por meio, respectivamente, dos julgamentos submetidos ao rito dos “recursos repetitivos” ou da “repercussão geral”, sempre que já tiver ocorrido o trânsito em julgado dos referidos processos judiciais, situação na qual o caso concreto se enquadra. No que se refere ao mérito desta controvérsia, salientase que é, por excelência, de direito. Consiste em saber se o imposto restituído pelo Poder Público ao contribuinte, a título de incentivo fiscal, integra “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”, que a Lei nº 9.718/98 e, posteriormente, as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 definiram como base de cálculo das contribuições referidas neste processo. O Fisco não recusa, nos autos, que o ICMS embutido nas saídas já tenha integrado a base das contribuições; a tese fiscalista é outra, a de que o ICMS restituído é receita nova, distinta daquela recebida pelo recorrente quando da realização de vendas, correspondente ao imposto destacado. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 340301.529 S3C4T3 Fl. 3 5 “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Amazonas nos termos das Leis Estaduais nºs 1.939/89 e 2.826/03, constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a instalação e o funcionamento de indústrias e agroindústrias naquela unidade federativa. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 340301.529 S3C4T3 Fl. 4 7 Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindose em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos lançamentos efetuados nos meses de julho e agosto de 1999 e, no mérito, para cancelar integralmente as autuações. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 15504.728309/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE.
Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia grave os proventos de aposentadoria recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2201-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator
EDITADO EM: 02/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia grave os proventos de aposentadoria recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 83 09 /2 01 2- 14 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2009, consubstanciado na Notificação do Lançamento, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 523,04, calculado até 31/05/2012. A autoridade fiscal apurou omissão de rendimento do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG, CNPJ nº 17.217.332/000125, no valor de R$ 19.135,40. A Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL foi indeferida em 17/07/2012, fls. 12, com a seguinte manifestação da autoridade tributária: A contribuinte apresentou um relatório médico e não um laudo pericial oficial determinando a isenção de imposto de renda, enquadramento legal, data de início da isenção, prazo de validade do laudo, assinatura do perito previdenciário vinculado ao serviço médico oficial. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Alega que os rendimentos são isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Com base na Lei nº 9.784/99, artigo 38, sustenta o direito de juntar novos documentos para reforçar a comprovação dos fatos que alega. Juntou nos autos relatório médico expedido por médico particular, fls. 14 a 16. A 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou improcedente a Impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito à isenção de imposto de renda, incidente sobre rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma e em razão de moléstia grave, está sujeito à comprovação da doença mediante laudo médicopericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de dilação probatória quando não se ampara em quaisquer das hipóteses previstas no ordenamento jurídico que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 26/12/2012 (fl. 36), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 25/01/2013 (fls. 38/44), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.728309/201214 Acórdão n.º 2201003.124 S2C2T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria em razão de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente o pedido da recorrente, sob o argumento de que “... a autuada não juntou nos autos nenhuma prova de que os rendimentos omitidos são relativos a aposentadoria, pensão ou reforma e, além disso, não comprovou mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que era portadora de uma das doenças já mencionadas”. De início, cumpre transcrever as prescrições dispostas no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto nº 3000/1999 RIR/1999, bem como no § 4º do mesmo artigo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º);... §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). (grifei) Pelo que se depreende da análise o excerto legal, para fazer jus à isenção pleiteada é necessário que a moléstia grave esteja prevista em lei e que os rendimentos percebidos por portador dessas moléstias sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, bem como a moléstia grave seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, ao regulamentar a matéria, assim determina: Art. 5º [...] § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII a XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII a XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II – do mês de emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III – data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifei) Dito isso, compulsandose os autos, verificase que, além dos documentos juntados aos autos por ocasião da Impugnação (Relatórios Médicos fls. 14/15), a contribuinte carreou ao recurso Relatório Médico emitido pela Associação Mineira do Ministério Público, fl. 49, Cartão de Identificação de Portador de Marcapasso, fl. 50, e exames, 51/54; entretanto, tais documentos não podem ser aceitos para fins de isenção do imposto de renda, já que não foram confeccionados por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na modalidade de Laudo Pericial, consoante determina a legislação de regência. Citase, outrossim, a Súmula CARF nº 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.728309/201214 Acórdão n.º 2201003.124 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721207/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 31/03/2007 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. Restabelecimento de Despesas Glosadas. Alugueis. Exclusão de tributação dos resultados da Holding na Fiscalizada.
Considerada a legitimidade da cisão que segregou as atividades empresariais, permanecendo na Fiscalizada a atividade operacional, e o patrimônio imobiliário vertido para outra empresa (ligada), restabelece-se as despesas (pagamentos de alugueis) então glosadas, feitas pela Fiscalizada junto àquela, assim como permanecem tributados na empresa que recebeu a propriedade dos imóveis, os resultados positivos operacionais e não operacionais declarados
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006,2007,2008,2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE.
Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI.
Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário da empresa; e, quanto ao recurso voluntário do sócio Osni Giassi, DAR provimento ao recurso retirando a atribuição de responsabilidade tributária imputada ao mesmo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 31/03/2007 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. Restabelecimento de Despesas Glosadas. Alugueis. Exclusão de tributação dos resultados da Holding na Fiscalizada. Considerada a legitimidade da cisão que segregou as atividades empresariais, permanecendo na Fiscalizada a atividade operacional, e o patrimônio imobiliário vertido para outra empresa (ligada), restabelece-se as despesas (pagamentos de alugueis) então glosadas, feitas pela Fiscalizada junto àquela, assim como permanecem tributados na empresa que recebeu a propriedade dos imóveis, os resultados positivos operacionais e não operacionais declarados Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006,2007,2008,2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário da empresa; e, quanto ao recurso voluntário do sócio Osni Giassi, DAR provimento ao recurso retirando a atribuição de responsabilidade tributária imputada ao mesmo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Restabelecimento de Despesas Glosadas. Alugueis. Exclusão de tributação dos resultados da Holding na Fiscalizada. Considerada a legitimidade da cisão que segregou as atividades empresariais, permanecendo na Fiscalizada a atividade operacional, e o patrimônio imobiliário vertido para outra empresa (ligada), restabelecese as despesas (pagamentos de alugueis) então glosadas, feitas pela Fiscalizada junto àquela, assim como permanecem tributados na empresa que recebeu a propriedade dos imóveis, os resultados positivos operacionais e não operacionais declarados ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006,2007,2008,2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 12 07 /2 01 2- 70 Fl. 19180DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 68 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário da empresa; e, quanto ao recurso voluntário do sócio Osni Giassi, DAR provimento ao recurso retirando a atribuição de responsabilidade tributária imputada ao mesmo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 19181DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no Acórdão n° 0731.301, da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisSC Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Por meio dos Autos de Infração, às folhas 15.652 a 15.849, foram exigidas da contribuinte acima qualificada a importâncias (i) de R$ 28.980.332,49 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, acrescida de multa de ofício de 150% ou de 75% e juros de mora à época de seu pagamento, relativamente a fato gerador anual (2006) e fatos geradores trimestrais ocorridos nos anos de 2007 a 2010, sob o regime de tributação com base no Lucro Real Anual e Trimestral, e (ii) a importância de R$ 10.217.971,01, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora à época de seu pagamento (lançamento decorrente). Foram exigidos, ainda, as seguintes importâncias em outros autos de infração: (iii) R$ 178.176,51 a título de CSLL, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora por Saldo Insuficiente Compensação Indevida de base de cálculo negativa da atividade geral com resultado da atividade geral. Fatos geradores trimestrais entre 30/09/2008 e 30/06/2009. (iv) R$ 548.027,66 a título de COFINS, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora por conta de: Diferença não recolhida de COFINS originada do computo de créditos não cumulativos calculados sobre despesas de aluguel inexistente e da não submissão ao regime nãocumulativo de receitas contabilizadas na GIASSI Empreendimentos, descontados os recolhimentos efetuados pela GIASSI Empreendimentos, conforme apurado no termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte integrante deste Auto de Infração. (v) R$ 119.060,00 a título de Contribuição para o PIS/PASEP, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora por conta de: Diferença não recolhida de PIS/PASEP originada do computo de créditos não cumulativos calculados sobre despesas de aluguel inexistente e da não submissão ao regime nãocumulativo de receitas contabilizadas na GIASSI Empreendimentos, descontados os recolhimentos efetuados pela GIASSI Empreendimentos, conforme apurado no termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte integrante deste Auto de Infração. SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO Arrolados como sujeitos passivos solidários, a empresa GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A e as pessoas de OSNI GIASSI e ZÉFIRO GIASSI, conforme Termos às fls.15.959 a 15.964. AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ Na descrição dos fatos e enquadramento legal do lançamento do IRPJ, temse as seguintes infrações apontadas: 001. Amortização de ágio inexistente Despesas desnecessárias e não incorridas. Fl. 19182DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 70 4 Despesa desnecessária e não incorrida, decorrente da amortização da rubrica contábil denominada de "Agio sobre Investimentos", que surgiu sem que a Fiscalizada tenha desembolsado nenhum recurso financeiro, já que se originou de operações fictas de incorporação de parcela cindida do patrimônio da pessoa jurídica de papel GIASSI INVESTIMENTOS LTDA., conforme está descrito e apurado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte integrante deste Auto de infração. 002. Custos, Despesas Operacionais e Encargos Despesas Não Necessárias/Inexistentes Contabilização de despesas INEXISTENTE de aluguel, advindas de locações SIMULADAS com a pessoa jurídica de papel GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, conforme apurado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte integrante deste Auto de infração. 2.1 Das Instalações Comerciais (Supermercados) onde são desenvolvidas as atividades sociais Fato relevante sobre os imóveis nos quais estão instalados os pontos comerciais onde a Fiscalizada exerce suas atividades, é que todos os imóveis constam como de propriedade da pessoa jurídica GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SA (GIASSI Empreendimentos), cujos sócios são Zéfiro Giassi (91%) e seus 5 (cinco) filhos e esposa (1,5% para cada um). [...] 3. Do Agio Interno [...] Resumindo a situação descrita neste item pela autoridade autuante, temos o seguinte: 003. SALDO INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL. Por meio desta infração, estão sendo glosadas as compensações de prejuízos operacionais de períodos anteriores efetuada pela Fiscalizada nos montantes e respectivos períodos de apuração abaixo discriminados (3° e 4° trimestres de 2008 e 1° e 2° trimestres de 2009). A compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo decorreu dos prejuízos operacionais apurados nos 1° e 2° trimestres de 2008. Contudo, tendo em vista as glosas de despesas de amortização de ágio e de aluguel, as quais acarretaram a apuração de resultados positivos nos 1° e 2° trimestres de 2008, conforme demonstrado nos Demonstrativos de Apuração da CSLL que acompanham o Auto de Infração, INEXISTEM prejuízos operacionais de períodos anteriores a serem compensados. As compensações efetuadas pelo contribuinte estão informadas nas DIPfs entregues pela Fiscalizada, que se encontram juntadas aos autos de processo administrativo de cobrança do crédito tributário. Nelas também é possível constatar os prejuízos operacionais de períodos anteriores informados nos 1° e 2° trimestres de 2008. 004. RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Fl. 19183DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 71 5 Valor correspondente ao Resultado Líquido Operacional apurado na escrituração contábil da pessoa jurídica de papel GIASSI Empreendimentos e Participações S/A, tendo em vista a simulação na utilização dessa pessoa jurídica, conforme apurado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte deste auto de infração. 005. RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor correspondente ao Resultado Líquido Não Operacional apurado na escrituração contábil da pessoa jurídica de papel GIASSI Empreendimentos e Participações S/A, tendo em vista a simulação na utilização dessa pessoa jurídica, conforme apurado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte deste auto de infração. 006. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT AJUSTE DO RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INEXISTENTE DESPESAS DESNECESSÁRIA E NÃO INCORRIDA O sujeito passivo efetuou ajustes indevidos decorrentes do regime tributário instituído pelo capítulo III da Lei n° 11.941/09, decorrentes de despesa desnecessária e não incorrida, advindas da amortização da rubrica contábil denominada de Agio sobre Investimentos, que surgiu sem que a Fiscalizada tenha desembolsado nenhum recurso financeiro, já que se originou de operações fictas de incorporação de parcela cindida de patrimônio da pessoa jurídica de papel GIASSI INVESTIMENTOS LTDA., conforme está descrito e apurado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha e faz parte deste auto de infração. Do Termo de Verificação Fiscal (fls.15.850 a 15.933, peça integrante do Auto de Infração), extraemse os detalhes da autuação, que a seguir se reproduz, de forma resumida, mas com as palavras dos autuantes (os destaques/grifos pertencem ao original): 1. INTRODUÇÃO [...] As infrações à legislação tributária caracterizamse por: 1) Despesas não incorridas decorrentes da Amortização de Ágio Interno. [...] A ação fiscal teve por objetivo principal a verificação da procedência do montante do Agio sobre Investimento escriturado na contabilidade da Fiscalizada no valor de R$ 90.535.266,36. [...] Neste Termo Fiscal vamos demonstrar a ocorrência dos seguintes fatos: Fl. 19184DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 72 6 1) O chamado "Agio sobre Investimento" contabilizado pela Fiscalizada não passou de mera ficção contábil e societária, calcada em eventos destituídos de independência entre as partes, sem nenhum desembolso financeiro e de qualquer fim econômico, que foi utilizado para gerar despesas fictícias de amortização que causaram, a grosso modo, uma evasão fiscal da ordem de R$ 30.781.990,44, a título de IRPJ e de CSLL. [...] 2. Informações sobre a Pessoa Jurídica Fiscalizada GIASSI Supermercados A pessoa jurídica fiscalizada adota como título de estabelecimento o nome de "GIASSI Supermercados", por sinal muito conhecido no Estado de Santa Catarina. [...] Conforme a 45 Alteração Contratual da Fiscalizada fls.136/147, de 01/07/2005, os sócios e o Capital Social da Fiscalizada eram os seguintes: Capital Social: R$ 11.000.000,00 Quadro 01: Quadro societário da Fiscalizada 01/07/2005 Em 20 de outubro de 2005 foram constituídas duas empresas, a GIASSI INVESTIMENTOS LTDA. e a GIASSI ADMINISTRADORA DE BENS LTDA., com os seguintes detalhes societários: Empresa Controle societário O bservações GIASSI INVESTIMENTOS Zéfiro Giassi com 99% Ca pital: R$ 10.000,00 GIASSI ADMINISTRADORA DE BENS GIASSI Empreendimentos e Zéfiro Giassi Capital: R$ 10.890.000,00, integralizado com as quotas da Fiscalizada (GIASSI & Cia) Em 19 de novembro de 2005, a empresa GIASSI INVESTIMENTOS LTDA. promove um aumento de seu capital, que é integralizado totalmente pela empresa GIASSI ADMINISTRADORA DE BENS LTDA., a qual transfere para aquela suas quotas da Fiscalizada, quotas estas que, por meio do "Laudo de Avaliação do Valor EconômicoFinanceiro da empresa GIASSI & Cia Ltda.", sofreram uma alteração de valor para a importância de R$ 117.180.000,00. Então, a GIASSI ADMINISTRADORA DE BENS LTDA. integralizou o aumento de capital na GIASSI Investimentos, entregando as 10.890.000 quotas emitidas pela Fiscalizada, correspondente à importância de R$ 116.008.200,00. A GIASSI Investimentos, ao receber as 10.890.000 quotas, registrou a diferença entre o valor atribuído e o valor patrimonial da empresa GIASSI & Cia Ltda. como sendo "Ágio sobre Investimentos", no montante de R$ 90.535.266,26. No dia seguinte ao aumento de capital, a GIASSI Investimentos promove uma cisão em seu patrimônio, sendo que a parcela cindida que continha o ágio sobre investimentos foi absorvida pela Fiscalizada, a GIASSI & Cia Ltda. Continuando com o relato da autoridade autuante, conforme consta no Termo Fiscal: Na contabilidade da Fiscalizada, a "absorção" da parte cindida da GIASSI Investimentos ___________________foi registrada da seguinte forma, conforme DIPJ às fls.15.615/15.649: Fl. 19185DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 73 7 (...) O "Protocolo e Justificativa de Cisão Parcial" até trouxe os motivos que levaram a essa operação formal fls. 181/187: a) Relacionamento com o Mercado Financeiro; b) De Controle e Gerenciamento; c) Societário, Sucessório e Familiar e, d) Foco. Não é necessário muito esforço para se concluir que a criação da GIASSI Investimentos Ltda em 20/10/2005, seguido do aumento de capital em 19/11/2005 e da cisão já no dia seguinte, feitos por Zéfiro Giassi, sua esposa e seus filhos, em nada contribuiu para melhorar os níveis de controle e gerenciamento da Fiscalizada; ou, então, para propiciar o ingresso prudente da segunda geração da família GIASSI na gestão dos negócios; muitos menos, ainda, de que racionalizou e concentrou os negócios das "sociedades" envolvidas segundo sua vocação empresarial, já que a GIASSI Investimentos não realizou nenhuma atividade operacional. A nova geração da família GIASSI também nunca ingressou na administração da empresa, basta ver os atos de criação de novas filiais e as matérias jornalísticas mostram a participação única de Zéfiro Giassi à frente dos negócios, inclusive como ele próprio declara em depoimento, que veremos tudo à frente. O que estes atos formais, meticulosamente engendrados, propiciaram foi o registro de um valor econômicofinanceiro da Fiscalizada baseado em supostos resultados futuros, trazidos a valor presente. Isso não passa de uma mera reavaliação da empresa Fiscalizada, com a diferença que, maquiada pelos Atos Societários formais que acabamos de descrever, o Intangível foi registrado como "Reserva de Capital" no Patrimônio Líquido e como "Agio sobre Investimentos" no Ativo. Bom, até aí, para efeitos tributáveis, não haveria nenhum reflexo. Mas, as rubricas do Balanço Patrimonial da GIASSI & Cia Ltda depois da cisão, acima transcritas, já indicam que a Fiscalizada procedeu à amortização do Ativo Diferido Agio sobre investimentos. Esse procedimento gera reflexos negativos nas bases de cálculos do IRPJ e da CSLL, reduzindoas. 4. Da inexistência de Ágio nas Operações Analisadas Como visto até aqui, estamos diante de artifícios formais que fizeram surgir, na contabilidade da empresa Fiscalizada, valores aos quais foram dados o nome de "Agio sobre Investimentos". O nosso entendimento sobre a inexistência da figura do Agio sobre Investimento nas operações engendradas pelo contribuinte encontra respaldo nos atos emanados pelos Órgãos Reguladores da matéria contábil e na doutrina, como a seguir: 4.1 Entendimento da Comissão de Valores Mobiliários CVM e do Conselho Federal de Contabilidade CFC. [...] Em relação às operações realizadas entre empresa de mesmo grupo, a CVM se posicionou sobre a questão em seu OFICIO CIRCULAR CVMSNC SEP 01/2007, conforme trecho abaixo reproduzido, com grifos nossos: "20.1.7 "Ágio"gerado em operações internas Fl. 19186DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 74 8 A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente,quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. [...] 4.2 Posição da doutrina contábil. [...] O MANUAL DE CONTABILIDADE da FIPECAFI aborda a questão da seguinte forma: Nos itens anteriores vimos que: b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas, (grifos não são do original) Portanto, o que se constata é que a Fiscalizada apropriouse do consagrado conceito de Agio para nele introduzir uma expectativa de resultados futuros, utilizandose, para isso, de atos meramente formais aos quais deu o nome, em um momento, de Constituição de sociedade comercial; noutro, de Aumento de Capital com Integralização de quotas e, por fim, Cisão Parcial com absorção da parte cindida, todos desprovidos de qualquer alicerce de natureza financeira, independência comercial feitos por uma única parte) e propósito econômico. [...] 7. Da Infração Apurada Glosa de Despesas de Amortização de Ágio Interno [... ] Pelo TIAF, o contribuinte foi intimado a esclarecer a origem do "Agio sobre Investimentos" contabilizado, bem como para encaminhar os documentos que comprovassem a liquidação (pagamento) desse bem. [... ] Como se constata pela resposta prestada, o ágio sobre investimento que a Fiscalizada vem amortizando, gerando despesa que reduz o IRPJ e a CSLL, advém da reavaliação patrimonial da própria Fiscalizada. Isso já está, também, bem demonstrado no item"3" deste Termo de Verificação Fiscal. Fl. 19187DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 75 9 Na verdade, como a própria resposta traz, e o contrato de prestação de serviço firmado com a Cassuli Advogados deixou assentado, foi implementado um projeto de reorganização societária com vistas a possibilitar a estruturação dos quadros societários de forma que fosse concedido à fiscalizada o direito de reduzir a carga tributária, mediante o aproveitamento da dedutibilidade do ágio gerado na aquisição do controle societário da própria Fiscalizada, decorrente do reajustamento do valor do seu patrimônio/capital social. Para isso, lançouse mão de dispositivos do art. 36 da Lei n° 10.637/02 e dos arts 7o e 8o da Lei n ° 9.532/97. Esquecemse a Fiscalizada e a Cassuli Advogados Associados S/C que os dispositivos legais citados se prestam a acobertar repercussões societárias, contábeis e fiscais amparados por negócios jurídicos firmados entre partes independentes, com propósitos negociais em que há desembolso financeiro, como já bastante demonstrado no item "5" deste Termo e como será visto mais à frente ainda. [...] A criação de ágio interno é uma afronta à lógica contábil, por se tratar de um intangível pelo qual não se pagou e originado de operação sem propósito negocial, por isso não passível de mensuração, reconhecimento nem divulgação nos relatórios financeiros. Da mesma forma, também se demonstrou que a sua existência é inaceitável do ponto de vista societário, como atesta as recomendações da CVM. A argumentação que se segue comprova que a amortização do ágio interno é inaplicável também tributariamente. O lucro real não se confunde com o lucro contábil, mas é a partir deste que se chega àquele. De acordo com o art. 247 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), "lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decretolei nA 1.598, de 1977, art. 6g)". O parágrafo 1o do mesmo artigo dispõe que "a determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das leis comerciais". De imediato, vêse que, apenas pelo art. 247 do RIR/99, o reconhecimento do ágio gerado internamente não pode gerar reflexos tributários, haja vista que, se o próprio ágio não é aceitável segundo as leis comerciais, tampouco pode sêlo a sua amortização. Além disso, a despesa de amortização do ágio gerado internamente deve ser avaliada como atípica e desnecessária, portanto indedutível. O art. 299 do RIR/99 assim dispõe acerca das despesas necessárias:[...] Admitir que a amortização do ágio interno pode reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a despeito de não ser aceita nem contábil nem societariamente é aceitar um ônus pago por toda a sociedade brasileira em favor de sócios que se beneficiam tributariamente de uma transação sem propósito negocial. A artificialidade do ágio interno revelase particularmente manifesta quando se verifica que, por meio de um "ativo" cujo custo foi nulo e originado de transações sem propósito negocial, é possível obterse um subsídio tributário advindo de sua "amortização". Por isso, aceitar a dedutibilidade tributária da amortização do ágio interno seria perenizar um tipo de evasão fiscal, uma vez que a legislação não ampara esse tipo de despesa artificialmente criada. A ilegitimidade da amortização do ágio interno fica patente quando se imagina que, apenas baseado em laudos de avaliação e por meio de uma operação sem qualquer propósito negocial, o contribuinte pudesse, ao seu arbítrio e de tempos em tempos, reduzir ou até zerar o pagamento de tributos, bastando, para tanto, criar uma despesa fictícia. [...] Fl. 19188DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 76 10 Por todas as razões acima expostas, impõese realizar o presente lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, decorrente da glosa das despesas de amortização de ágio gerado internamente, por indedutíveis na determinação do lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 249, inciso I, cc com o art. 299 do RIR/99. [...] Em consequência destas infrações, as compensações dos prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas da CSLL informadas pela Fiscalizada nas DIPJ's e LALURs, relativas aos 3 e 4o trimestres de 2008 e aos 1o e 2 trimestres de 2009, foram glosadas, pois inexiste prejuízo fiscal operacional e base de cálculo negativa da CSLL nos 1o e 2 trimestres de 2008. Estas infrações estão lançadas no AI de IRPJ como Infração 0003 Saldo Insuficiente, e no AI da CSLL como 0001 Saldo Insuficiente. [...] 8. Da Aplicação da Penalidade Multa Qualificada Neste item, abordaremos os aspectos relacionados à aplicação da multa de oficio qualificada, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, demonstraremos que no presente caso, em relação à infração que apurou a indedutibilidade das despesas com ágio, de se aplicar a multa em seu percentual duplicado, 150%, por restarem caracterizadas as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. [...] Assim, o contribuinte, ao gerar de forma artificial uma despesa com ágio sabidamente inexistente, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente (leiase, aí. os termos do Contrato e Aditivo firmados com a Cassuli Advogados), a qual retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, ocultando as Informações das linhas específicas da DIPJ, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador (ocultando parcela significativa de seus lucros econômicos haja vista a introdução de despesa inexistente), já que tudo isso que foi feito teve o propósito de iludir o Fisco, pois deu o nome de "Agio sobre Investimentos" a fatos sabidamente desprovidos de quaisquer características que o compõe. E tudo isso feito de forma bem meticulosa e planejada, pois Contratou um Tipo de Serviço que pudesse gerar a economia tributária buscada, basta ver o Contrato de Prestação de Serviços com a Cassuli Advogados Associados e o 1o Aditivo Contratual. Eis a prova da intenção deliberada em fraudar a Administração Tributária, pois sabia que seriam produzidos Atos meramente formais que provocariam a redução tributária. [...] Não basta o fato de estar tudo informado em DIPJ ou em Notas Explicativas, ou, então, os Atos Formais registrados nos Órgãos competentes. O fato é que tudo isso foi feito para informar ao Fisco algo que inexistia, e que, portanto, produziu o retardamento do conhecimento das verdadeiras circunstâncias. Ademais, houve a modificação de Fl. 19189DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 77 11 característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ e CSLL devidos foram reduzidos (usou despesas sabidamente inexistentes). A FISCALIZADA não praticou estes atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta, restando caracterizada a atitude dolosa. Desta forma, a conduta sob análise amoldase às hipóteses previstas nos artigos da Lei 4.502/64 acima citados. [...] 9. Outra Infração Apurada — Glosa de despesas desnecessárias/inexistentes Neste tópico, a autoridade fiscal autuante procura demonstrar que houve simulação na cisão feita em 1995 e que originou na criação da empresa Giassi Empreendimentos e Participações S/A., sendo vertido a esta, com exceção de apenas dois imóveis, a propriedade de todos os imóveis, ora utilizados pela Autuada (onde estão localizados os supermercados). A autoridade fiscal tece um longo arrazoado para explicar porque não aceitou as despesas contabilizadas, com alugueis, tendo assim justificado suas constatações: • que a empresa GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, constituída em face de uma cisão da Fiscalizada em 1995, é apenas uma empresa de papel; que sua criação fora um ato simulado; • que praticamente todo o Imobilizado da GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, está sendo utilizado pela Fiscalizada (imóveis onde estão instalados os pontos comerciais, a administração central, os depósitos e os terrenos onde projeta construir novos supermercados); • que a empresa GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, não possui imobilizado comum à atividade administrativa (mesas, cadeiras, armários, etc); Nas palavras da autoridade fiscal: Todos estes fatos evidenciam que a GIASSI Empreendimentos apenas figura como proprietária dos imóveis onde são e onde serão desenvolvidas as atividades da Fiscalizada e evidenciam que sua criação não implicou o acréscimo de nenhuma nova atividade àquelas que já vinham sendo desenvolvidas pela Giassi & Cia. • que nos imóveis onde funcionam atividades de supermercados, a empresa GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, estipula um percentual do faturamento a título de aluguel, sendo que quando contrata com empresas de fora a exploração de espaços dentro dos supermercados, o aluguel passa a ser fixo; • que nestes imóveis onde funcionam atividades de supermercados, quem escolhe as "lojas de apoio" que irão funcionar dentro dos supermercados é a Fiscalizada; que a suposta administradora dos imóveis não tem liberdade para agir, não contrata quem quiser, o que demonstra sua dependência com a Fiscalizada, algo incompatível com a cisão que fez surgir a GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; • que em alguns imóveis onde funcionam atividades de supermercados, a Fiscalizada já se instalava, movimentava mercadorias, antes mesmo de contratos de locação com a GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; Fl. 19190DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 78 12 • que a Fiscalizada sempre registrou lucros, que era então reduzidos com as despesas de aluguéis, deixando de recolher 34% de tributos, pois é tributada pelo Lucro Real, já a GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A é optante pelo lucro presumido, sendo tributada em 9,08% (com esta diferença de tributação, o Grupo GIASSI, de cada um real de despesa, economizava vinte e cinco centavos); • que, além disso, a Fiscalizada obtinha outro ganho: os créditos não cumulativos de PIS/COFINS calculados sobre despesas com alugueis; • que a Fiscalizada liquidava dívidas da GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A , tais como IPTU, coleta de lixo, tributos, etc; parte dos alugueis foi transformada em mútuo e a baixa era por conta de pagamentos os mais variados; Nas palavras da autoridade fiscal: Isso caracteriza, também, uma confusão patrimonial, pois as dívidas decorrentes das aquisições dos imóveis onde serão instalados os Supermercados da Giassi e as decorrentes dos gastos feitos para construir as instalações comerciais estão sendo pagos pela Fiscalizada por conta da liquidação de supostos aluguéis devidos à GIASSI Empreendimentos. Pois é lógico, a GIASSI Empreendimentos não gera riqueza, ela apenas detém, no papel, a propriedade dos imóveis da Fiscalizada. • tece uma longa descrição, mostrando o crescimento significativo do patrimônio da Fiscalizada, em face das amortizações de ágio e despesas de alugueis (economia de tributos) e que os recursos economizados foram carreados para a formação das instalações comerciais dos supermercados da Fiscalizada (filiais) geradoras de riqueza para o grupo; diz que é para mostrar que os imóveis como sendo de propriedade da GIASSI Empreendimentos, nada mais são do que o próprio patrimônio da Fiscalizada; Nas palavras da autoridade fiscal: E para administrar esse grandioso Patrimônio, é a Fiscalizada que possui toda uma estrutura condizente, e não a GIASSI Empreendimentos. Basta ver que a GIASSI & Cia Ltda possui uma Diretoria específica dedicada para cuidar do seu "Patrimônio" Diretoria de Patrimônio como mostram as informações colhidas do seu sítio na internet tópico 2 deste Termo e como consta no Contrato Social atualizado fls. 98/107. • novamente uma longa descrição, mostrando que a GIASSI Empreendimentos não tem recursos, que as imobilizações são de interesse da Fiscalizada; que os aumentos de capital na GIASSI Empreendimentos apenas formalizaram gastos que haviam sido feitos pela Fiscalizada, para aquisição de imóveis e de aplicação em obras (supermercados em construção) operações típicas de sua atividade e pagamentos de dívidas próprias; que a Fiscalizada é quem gera riquezas, quem planeja os gastos (então atribuídos à GIASSI Empreendimentos) e com exceção das receitas com alugueis auferidos da Fiscalizada, a GIASSI Empreendimentos não gera recursos suficientes para fazer frente aos gastos com imobilizações; elabora quadro procurando vincular que a economia com o não pagamento de tributos (fraude fiscal) contribuiu para pagar dividendos e juros de capital próprio, os quais foram aplicados no patrimônio da GIASSI Empreendimentos, por meio de aumento de capital social Fl. 19191DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 79 13 que as intimações fiscais feitas junto à GIASSI Empreendimentos constataram que esta empresa não tem estrutura patrimonial e de pessoal para o exercício de suas atividades; que tudo é feito pela Fiscalizada, que a GIASSI Empreendimentos é, na verdade, uma empresa de papel, que só existe nos órgãos de comércio; que o depoimento prestado pelo Sr.Zéfiro Giassi (fls.2.990/2.991) ratifica todos estes fatos: o acompanhamento de execução de obras, contratação e autorização de pagamentos de novas imobilizações é feito por Diretor da Fiscalizada; quem controla contas a pagar é o setor da Fiscalizada; quem faz a escrituração contábil da GIASSI Empreendimentos é o setor de contabilidade da Fiscalizada e esta ainda faz a segurança das instalações daquela; que em intimações fiscais feitas junto à GIASSI Empreendimentos, esta apresentou os contratos de locação relativos a locação de imóveis diversos e aos imóveis onde funcionassem lojas de apoio em determinados supermercados do Grupo; concluíram que vários contratos de locação (de lojas de apoio) foram firmados por funcionário da Fiscalizada; que nos contratos com imóveis diversos, o pagamento do aluguel era previsto para ser feito no escritório da Locadora, então situado no GIASSI supermercado, nas filiais; nos contratos firmados com lojas de apoio em determinados supermercados, o pagamento do aluguel também era desta forma; relativamente ao contrato de loja de apoio com GIASSI Supermercados de Joinville constataram que o escritório da Locadora era o mesmo do supermercado da firma GIASSI & Cia Ltda. (com algumas exceções, isso foi estipulado para todas as locações dessas lojas de apoio); que padrões de fachadas das lojas devem obedecer ao padrão da loja de supermercado da Locadora; Nas palavras da autoridade fiscal: Conforme vimos nos itens acima, e com base no que foi apurado nesta ação fiscal, quando no Contrato de Locação é estipulado que o pagamento do aluguel seja feito no escritório da LOCADORA situado no endereço de SUA LOJA do SUPERMERCADO referido no contrato, significa dizer que é o próprio GIASSI Supermercado quem está firmando o contrato, pois a GIASSI Empreendimentos não possui nenhum escritório em nenhum dos supermercados da Fiscalizada, pois, como vimos, não tem funcionários administrativos em seu quadro, muito menos mobiliário e nem sequer paga despesas para nenhuma empresa por conta de supostas locações de mão de obra e espaço para tal fim. Além disso, o próprio Presidente da GIASSI Empreendimentos confirma a inexistência de escritórios da GIASSI Empreendimentos no Termo de Depoimento juntado às fls. 2990/2991.[...] E, para concluir, quando nos contratos de locação o LOCADOR diz ser proprietário do imóvel locado, no qual se encontra edificado sua loja de supermercado e salas comerciais, isso significa dizer que é a GIASSI & Cia Ltda quem está firmando a locação, pois somente ela é que possui Supermercado instalado no imóvel dado em locação para terceiros (Lojas de Apoio). Repetimos, a GIASSI Empreendimentos não possui qualquer loja de supermercados, até porque, nem sequer possui funcionários ou outro tipo de estrutura de pessoal que indique explorar esta atividade, como o próprio Presidente admite em seu Depoimento Fiscal. Na verdade, essas confusões foram estabelecidas em decorrência da utilização da figura jurídica GIASSI Empreendimentos e Participações S.A, que nada mais é que o próprio GIASSI Supermercados GIASSI & Cia Ltda. Fl. 19192DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 80 14 Deixemos claro que o LOCADOR que consta redigido nos contrato de locação é a GIASSI Empreendimentos e Participações S.A. • discorre acerca do conceito de simulação e dos pressupostos de criação de empresa, que o objeto social da GIASSI Empreendimentos compreende várias atividades, mas não exercidas, desde que foi originada de cisão da Fiscalizada; que era de fato a Fiscalizada quem exercia as atividades do objeto social da GIASSI Emprendimentos; Nas palavras da autoridade fiscal: [...]a GIASSI Empreendimentos foi criada única e exclusivamente para alugar as instalações comerciais para a Fiscalizada, pois mais 97% de seu patrimônio constituise em bens que são utilizados pela FISCALIZADA e praticamente 100% de sua receita decorre do aluguel auferido com as locações efetuadas para a Fiscalizada. O próprio Presidente confirma essa afirmação em seu Depoimento, quando responde que a criação da Giassi Empreendimentos, feita por orientação de assessoria jurídica, teve por finalidade separar o patrimônio imobilizado (prédios e terrenos) das atividades operacionais da Giassi & Cia Ltda. [... ] Portanto, a questão que se mostra essencial não é a necessidade das instalações e dos imóveis para a atividade da Fiscalizada. E evidente que toda empresa que exerce uma atividade necessita de equipamentos e meios de produção específicos às suas atividades. E evidente também que, ao não dispor de todos os meios necessários para suas atividades, não há norma jurídica que proíba a obtenção de tais meios de produção através do aluguel. Entretanto, não foi por isso que as despesas estão sendo glosadas. Foram excluídas simplesmente porque não existiram. Ora, se a empresa que alugava tais bens necessários tem em seu patrimônio esses bens que advieram da própria locadora, e que foram construídos exclusivamente pela própria locadora, conforme cabalmente demonstrado, e tem por sócios os mesmos sócios, não há despesas de aluguel. Do exposto até aqui, concluise que os criadores da GIASSI Empreendimentos, sócios da autuada, nunca pretenderam lucrar ou suportar prejuízo com a exploração de seu objeto social, nem exercer qualquer atividade por meio dela, enfim não há affectio societatis. Pretenderam unicamente alugar os bens da GIASSI &Cia Ltda à própria GIASSI &Cia Ltda. Dessa forma, em nenhum momento a GIASSI Empreendimentos existiu de fato. Era apenas uma formalidade, destinada a criar despesas de aluguéis inexistentes para a GIASSI &Cia Ltda, permitindo que esta fugisse ou diminuísse a tributação. Essa conclusão, a nosso ver, vai ao encontro com o que o Sr. Zéfiro Giassi declarou em seu depoimento, quando respondeu que a finalidade da criação da GIASSI Empreendimentos "objetivava melhorar o desempenho da empresa (Giassi & Cia Ltda)" Por tudo o que vimos, para esta Auditoria o que a Fiscalizada fez foi uma tentativa dar vida empresarial para a figura jurídica de GIASSI Empreendimentos e Participações S.A, para que, assim, pudesse simular uma despesa de aluguel em sua escrituração contábil, com o nítido propósito de reduzir o pagamento de tributos, conforme visto no item 9.3, cuja soma já atinge o montante de aproximadamente R$ 11.600.000,00 advindos de IRPJ e CSLL, e de R$ 1.681.000,00 decorrentes da apropriação de créditos inexistentes de PIS/COFINS, nos últimos 5 (cinco) anos. Fl. 19193DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 81 15 Para ser mais exato, com o desvio do percentual de 1,6% do faturamento da Fiscalizada para a GIASSI Empreendimentos submeter à tributação do lucro presumido, o grupo GIASSI quer pagar imposto de renda e contribuição social pelo regime de lucro presumido para a sua margem de lucro, pois, segundo dados extraídos da Associação de Supermercado, a margem líquida dos Supermercados gira em torno de 1,0% a 2,5% do faturamento. 9.11 Da glosa das Despesas de aluguel Dessa forma, as despesas de aluguel contabilizadas pela Fiscalizada nos e períodos abaixo identificados são glosadas por serem inexistentes, ou seja, jamais foi incorrida, à luz do art.299 do RIR/99: [...]. 9.13 Das deduções dos tributos recolhidos pela GIASSI Empreendimentos. (IRPJ e CSLL) Em decorrência disso, os valores recolhidos a título de IRPJ e CSLL pela GIASSI Empreendimentos são deduzidos dos montantes dos tributos originados da glosa de despesa de aluguel e dos resultados líquidos operacionais e não operacionais computados. [...] 10. DO REFLEXO, NO PIS/COFINS, DA UTILIZAÇÃO SIMULATÓRIA DA GIASSI EMPREENDIMENTOS 10.1 Da Glosa de Créditos NãoCumulativos de PIS/COFINS indevidamente apropriados. [...] 10.2 Da submissão ao regime nãocumulativo do PIS/COFINS das receitas contabilizadas na GIASSI Empreendimentos Da mesma forma como fora feito em relação ao IRPJ e a CSLL (Tópico 9.12), as receitas contabilizadas nos Livros da GIASSI Empreendimentos e Participações SA devem ser submetidas à tributação do PIS/COF1NS pelo regime nãocumulativo, haja vista a Fiscalizada ter adotado este regime e tendo em vista o que foi apurado no "Tópico 9", que trata do emprego simulatório da GIASSI Empreendimentos. [...] 12. Da Responsabilidade Tributária Segundo definição do art. 121 do Código Tributário Nacional, sujeito passivo da obrigação tributária é gênero que comporta duas espécies: contribuinte, quando mantém vínculo pessoal e direto com o fato gerador da obrigação; e responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorrer expressamente de lei. O art. 142 do CTN atribuiu à autoridade administrativa o poderdever de, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, também identificar o sujeito passivo, o que inclui eventuais responsáveis se constatadas situações, no curso do procedimento fiscal, que requeiram essa providência. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em aprofundado estudo a respeito da natureza da responsabilidade tributária dos administradores (sócios ou não), derivada da aplicação do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (Parecer/PGFN/CRJ/CATn° 55/2009), concluiu o seguinte: (os grifos não são do original) [... ] Fl. 19194DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 82 16 12.1 Da responsabilidade dos Sócios e Administradores No caso em análise houve evidente desvio de finalidade processo que resultou no ágio contabilizado sobre a incorporação da parcela cindida GIASSI Investimentos Ltda, pois foi perpetrado com fim específico de desviar recursos que seriam utilizados no pagamento de tributos, haja vista a utilização de atos sem qualquer fundamentação econômica. Dizendo de outro modo, os sócios administradores utilizaram as pessoas jurídicas de GIASSI Empreendimentos e Participações SA, GIASSI Administradora de Bens SA, GIASSI Investimentos Ltda e GIASSI & Cia Ltda para fazer introduzir na contabilidade da Autuada o registro de fatos fictícios, para que a amortização de algo inexistente pudesse gerar DESPESA, reduzindo, deste modo, o pagamento de tributos. [... ] Além disso, os atos perpetrados pelos Sócios Administradores da FISCALIZADA Zéfiro Giassi e Osni Giassi enquadramse como Atos Ilícitos, conforme conceito contido no artigo 187 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), pois foram cometidos com excessos aos limites impostos pelo seu fim econômico ou social. Isso está bem claro e exaustivamente descrito nos tópicos anteriores pois, como visto: 1) Os Sócios Administradores Zéfiro Giassi e Osni Giassi criaram a empresa veículo GIASSI Investimentos Ltda. 2) Os Sócios Administradores da FISCALIZADA aprovaram a avaliação de suas quotas a valor de mercado (R$ 117.180.000,00) para que fossem utilizadas, pela GIASSI Administradora de Bens, naquilo que chamaram de aumento de capital da GIASSI Investimentos, fazendo surgir uma rubrica contábil que deram o nome de "Agio sobre Investimentos". 3) Ato contínuo, no dia seguinte, providenciaram a cisão parcial de contas contábeis da GIASSI Investimentos empresa veículo, justamente daquelas contas que registravam as quotas da Fiscalizada que tinham sido integralizadas com "Agio sobre Investimentos" e as do próprio Agio sobre Investimentos. 4) E, por último, aprovaram e procederam a fictícia incorporação das rubricas cindidas da GIASSI Investimentos pela GIASSI & Cia Ltda a Fiscalizada, fazendo com que a figura do "Agio sobre Investimento" fosse parar na contabilidade da Autuada. 5) Como já bastante visto, todos os atos acima tiveram como único objetivo: a redução tributária de IRPJ e CSLL, conforme como consta, inclusive, no Contrato de Prestação de Serviços firmado com a Cassuli Advogados Associados S/C. [...] Assim, tendo por base toda a legislação citada, procedese à inclusão dos sócios administradores ZÉFIRO GIASSI e OSNI GIASSI no pólo passivo desta autuação, na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário ora constituído, conforme previsto no art. 135. Ill, do Código Tributário Nacional, assim como no artigo 1.016 da Lei n° 10.406/2002 (Código Civil), e de GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. conforme previsto no art. 124. I do Código Tributário Nacional c/c art. 50 da Lei n° 10.406/2002. 13. Da Sujeição Passiva Solidária Fl. 19195DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 83 17 Tendo em vista o que consta no tópico "12. Da Responsabilidade Tributária", foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária que se encontram juntados na sequência deste Termo. [...] Da Impugnação apresentada pela Fiscalizada Cientificada dos lançamentos, a Interessada apresentou sua impugnação, onde, após descrever sumariamente o procedimento da autuação, trouxe as seguintes alegações, resumidamente: II. DAS PRELIMINARES. Antes de adentrar ao mérito, propriamente dito, a Impugnante não pode deixar de apontar situações fáticas e jurídicas que, no seu entendimento, determinam devam ser os Autos de Infração ora impugnados, previamente cancelados, sem que seja necessário ingressar na análise de todo o arcabouço fático, probatório e jurídico que o caso enseja, razão pela qual, antes de mais nada, requer sejam apreciadas e julgadas as seguintes preliminares de mérito. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PRONUNCIAR A NULIDADE DE ATOS SOB A ALEGAÇÃO DE "FRAUDE" E/OU "SIMULAÇÃO". Neste tópico a Impugnante tece longo arrazoado, tendente a mostrar que as autoridades autuantes não poderiam descaracterizar os negócios jurídicos praticados, que "As Autoridades Fazendárias, para dar embasamento às Autuações Fiscais objeto desta Impugnação, concentram seus esforços em demonstrar a invalidade de negócios jurídicos legais realizados, por entender que os mesmos foram "atos fraudulentos c/ou simulados", e como tal, passíveis de descaracterização". Concluiu, com base em sua interpretação do §4 do art.150 do CTN, que somente o Poder Judiciário pode se pronunciar acerca de tal vício. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE PROVA DA INVERDADE DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS TIDOS POR FRAUDULENTOS/SIMULADOS: AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO OU INDÍCIOS. Ainda no campo das razões que tornam o Ato Fiscal imprestável para o fim a que se destina, urge que se diga que a forma como foram demonstrados os fatos para que se os tenha como "fraudulentos" e/ou "simulados", compromete completamente sua validade. Todas as afirmações dos Auditores Fiscais estão amparadas em meras presunções e em provas indiciárias conveniência de arrecadação manifestada pelos Agentes da fiscalização. Ou seja, a pretensa comprovação dos fatos tidos como certos pelos Auditores Fiscais, restou carente até mesmo de ser considerada como uma presunção, pois que não demonstravam, em uma análise conjunta, que de fato a Impugnante objetivada apenas e tão somente a economia de tributos. Isolada, ou conjuntamente, os atos praticados pela Impugnante denotavam apenas e tão somente vontades das partes em efetuar reorganizações de ordem societária e patrimonial, cujo objetivo final era melhorar a gestão dos negócios exercidos na atividade empresarial desenvolvida, por meio, obviamente, da melhora da gestão de fatores como, o patrimônio, os sócios, a administração, enfim, a estrutura da empresa como um todo, visionando novos e futuros negócios. Assim, por esta e pelas outras razões preliminares já apontadas, a Autuação Fiscal deve ser cancelada, por carecer de prova da existência do fato gerador dos tributos e da invalidade da presunção e meros indícios (fruto da fértil imaginação dos Auditores Fiscais), não se prestando a desqualificar, por "fraude" e/ou "simulação", os atos jurídicos perfeitos, acabados, desejados, confeccionados conforme a vontade neles declarados, e, portanto, adequados ao ordenamento. Fl. 19196DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 84 18 NULIDADE POR INDICAÇÃO ERRÔNEA DO SUJEITO PASSIVO. A par da imprestabilidade do Ato Fiscal pela incompetência dos Auditores Fiscais para pronunciar a simulação, ou ainda pela ausência completa de provas da efetiva e verdadeira vontade das partes, para então ter lugar a alegada "simulação", também o Auto Fiscal merece ser declarado nulo pelo erro na indicação do sujeito passivo. Como se constata ao longo de todo o Termo de Verificação Fiscal, os Auditores Fiscais consideraram que os atos praticados foram fraudulentos/simulados, pela ausência de propósito legítimo e pela artificialidade dos negócios realizados e ainda, que a criação do ágio escritural que se pretende amortizar foi feita sem qualquer desembolso por parte das empresas envolvidas. Resta evidente que estas referências têm por pretensão englobar toda a Reorganização Societária, Familiar e Sucessória levada a efeito pelas empresas Giassi Administradora de Bens Ltda., Giassi Investimentos Ltda., Giassi Empreendimentos e Participações, alem da própria Impugnante. Tanto é que as autoridades desconsideram operações legais praticadas por estas sociedades sob o argumento de que teriam como escopo único a economia de impostos. Pois bem, se como disseram os Agentes Fiscais, podemos entender que as autuações aqui combatidas advêm de um planejamento realizado pelas pessoas jurídicas envolvidas e citadas no Termo de Verificação Fiscal, as quais, pertencentes ao mesmo grupo, com a "desculpa de introdução da 2a geração da família Giassi nos negócios, fraudaram a legislação tributária com fim específico de economia de tributos". Diante desta assertiva, como deverá responder pelo Ato Fiscal somente a ora Impugnante? Os atos tidos como infracionais à legislação tributária, e que permitem seja aplicada a "pena" de "fraudulentos" e/ou "simulados", se é que se aceite esse absurdo, teriam sido praticados pelas sociedades Giassi Investimentos Ltda. e Giassi Administradora de Bens Ltda., e, apenas quando da cisão, pela Impugnante. No momento do aumento de capital da Giassi Investimentos Ltda., pela sociedade Giassi Administradora de Bens Ltda., e, com isso, se deu o registro do ágio (conforme a legislação), foram atos praticados por sociedades diferentes da que veio a ser autuada, e, com isso, há claro erro na indicação do sujeito passivo, pois que aponta como praticante de atos fraudulentos e/ou simulados apenas quem sofrera o efeito jurídico de parte dos atos, e não quem efetivamente os praticara, ao menos não em sua integralidade. DA PROVA PRODUZIDA UNILATERALMENTE: O aspecto primordial a ser rebatido pela Impugnante quanto às autuações lavradas cm seu desfavor, repousa sobre as provas produzidas e apresentadas pela Autoridade Administrativa no Termo de Depoimento Fiscal, pois que, em sua grande maioria, foram produzidas unilateralmente, ferindo o basilar princípio constitucional do contraditório e ampla defesa. Na medida em que se deslindavam os esclarecimentos prestados no relatório mencionado, o Agente fiscal informou a coleta de depoimento pessoal do administrador da sociedade Fiscalizada, coletado de forma ilícita, pois que não foi efetuado sob o manto de nenhuma regulamentação acerca do processo administrativo fiscal. DA DECADÊNCIA Fl. 19197DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 85 19 Cumpre finalmente observar que as pretensões fiscais aqui discutidas não estão cm acertado compasso com a melhor aplicação do direito, pois que pretendem a exigência fiscal de períodos que ultrapassam cinco anos anteriores ao da lavratura da autuação. É que, aos olhos dos Ilustres Srs.Auditores Fiscais, ainda que pretendidos períodos maiores dos que os últimos 5 (cinco) anos, demonstrada a "existência de intuito deliberado de fraudar o Fisco", estaria a Autoridade Administrativa autorizada a aplicar para o direito de efetuar o lançamento, pela regra contida no artigo 173, I do CTN. Segundo os fundamentos acostados no Termo de Verificação Fiscal, à pg. 76, vêse que a contagem efetuada pelos referidos Auditores é a de que o fato gerador do IRPJ relativo ao anocalendário de 2006 perfectibiliza se em 31/12/2006, sendo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, o dia 01/01/2007, vale frisar que os Ilustres Auditores consideraram como "dia em que o crédito tributário poderia ter sido constituído", mais precisamente, o ano inteiro de 2007, sendo então, o "exercício seguinte", o ano de 2008, e, portanto, não albergado pela decadência qualquer período notificado. Data máxima vênia ao que entendem as mencionadas Autoridades Administrativas, além do caso em tela não justificar a aplicação do artigo 173, I do CTN pela alegada "fraude" e/ou "simulação" entendidas como corridas (sic), não teve a correta contagem do prazo decadencial a ser considerada, pois que, ainda que em efeitos futuros, o fato gerador da obrigação tributária ocorreu no passado, estando absolutamente decaído. E que, ainda que tenham os efeitos tributários da situação cm tela, sido futuros, na medida em que o fato gerador decorre do dever do contribuinte efetuar a interpretação da legislação tributária, está caracterizado o lançamento por homologação, termos em que a contagem do prazo decadencial é regida pelo §4°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Cumpre destacar que o fato inaugural, ensejador do nascimento do direito do fisco pretensamente vir a cobrar tributos, ocorre, no caso do ágio, a partir do exercício da opção fiscal efetuada, do modo como interpretada pelo contribuinte, ou seja, nasce quando do surgimento contábil e fiscal do referido instituto, ao qual, está intrinsecamente relacionado o direito de se efetuar a sua amortização, ainda que seus efeitos sejam futuros. após transcrever extensos excertos doutrinários e de decisões judiciais, afirma que temse assim, pacificado pelo STJ que, em havendo antecipações de pagamento, a regra para a contagem do prazo decadencial é aquela disposta no 150, §4° do CTN. A orientação que se colhe da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, acima transcrita, emanada em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), deve ser obedecida pela Administração Pública, cm respeito ao princípio da segurança jurídica. Assim, por todos os ângulos que se pode observar, a situação em tela demanda clara declaração de decadência dos períodos glosados relativamente ao anocalendário de 2006 e 1o trim./2007, pois que decorridos mais de cinco anos da ocorrência dos referidos fatos geradores, tendo havido no caso em tela, as respectivas antecipações de pagamento para os períodos em questão. DAS RAZÕES DE MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO. No item IlI.a. Fatos Reais: Reorganização Patrimonial, Societária, de Gestão, Familiar e Sucessória, procura a Impugnante demonstrar que as reorganizações societárias eram necessárias, que decorreram reflexos tributários e também jurídicos, oneroso, pois houve uma permuta de quotas; Fl. 19198DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 86 20 Salientese aqui à exemplo do que se verifica em outros negócios usualmente existentes no mercado , que igualmente não há desembolso de valores pela Giassi Administradora de Bens Ltda., para aquisição do controle sobre o capital da Impugnante, e sim, há uma espécie de "permuta de quotas", negócio esse, portanto, oneroso, mesmo que não tenha havido trânsito monetário, mas sem dúvida sendo um caso típico de "efetivo pagamento"; O que importa nesse momento, no entanto, é deixar expresso que esse passo constituição da Giassi Administradora de Bens Ltda. , é importante para compreensão da Reorganização como um todo, e ao final demonstrará que, embora tenha produzidos efeitos tributários, não se trata de atos fraudulentos, simulados ou irregulares, e sim atos de administração e organização normal de seus patrimônios e atividades, dentro da estrita legalidade;. No mesmo momento em que se constituiu a holding (Giassi Administradora de Bens), constituiuse também uma outra empresa, a Giassi Investimentos, que como o nome e seu objeto social indicam, tinha por objetivo promover a participação cm outras empresas, que já não fossem pertencentes ao grupo econômico até então formado pelos negócios da família. Vislumbravase a possibilidade de adquirir algumas posições societárias e inclusive ações em bolsa de outras empresas, disseminando os negócios familiares para outras frentes, inclusive para que os herdeiros pudessem ter contato com outros ramos de negócios até então não explorados pela família. Verificando a Giassi Administradora de Bens Ltda., e os detentores do seu capital, de que seu patrimônio líquido não refletia o real valor econômico (segundo a ótica de mercado) e com isso, tornando impossível quantificar e identificar quais seriam as parcelas do "disponível" e da "legítima" do patrimônio (submetido ao Planejamento Sucessório em curso), resolveram contratar empresa especializada para a realização de um Laudo de Avaliação da empresa Impugnante, segundo critérios técnicos, científicos, totalmente imparciais e atendendo a realidade de mercado Verificando, então, a existência de alternativas lícitas e vigentes no ordenamento jurídico, a Impugnante c seus controladores identificaram como OPÇÃO FISCAL, possível e capaz para atingir o intento de quantificar o Patrimônio sob Planejamento, a previsão contida no art. 36, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2.002, assim expresso: "Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. Vislumbrando referida "permissão legal expressa" e, considerando, também que, o filho mais experiente (empresarialmente falando) do Sr. Zéfiro Giassi já era sócio na empresa Giassi Investimentos Ltda, cogitouse de passar o controle societário para a referida sociedade do Grupo, a qual transformarseia, então, na controladora empresarial direta da Impugnante. Com efeito, avaliando cuidadosamente o referido dispositivo permissivo e, tendo presentes os diversos intentos acima enunciados e a inexistência de proibição legal de qualquer espécie, a Giassi Administradora de Bens Ltda. realizou o aumento de capital social da sociedade Giassi Investimentos Ltda, dando cm conferência de capital as quotas de que era titular no capital social da Impugnante, mas agora avaliadas pelo seu valor de mercado, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme respaldado pelo Laudo de Avaliação. Ao assim proceder, a Impugnante passou a ter como controladora a sociedade Giassi Investimentos Ltda, a qual teve seu quadro societário alterado para que passasse a ter como controladora a holding do Grupo empresarial e familiar (Giassi Administradora dc Bens), Fl. 19199DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 87 21 conforme Ia Alteração Contratual da Giassi Investimentos Ltda. Assim sendo, a Giassi Administradora dc Bens Ltda. passou a ser a primeira holding empresarial da Família, e a Giassi Investimentos Ltda, que era já formada pelo Sr. Zéfiro Giassi (patriarca) e pelo filho mais experiente em questões empresariais (Osni), passou a ser a controladora direta da fiscalizada (vide 47a Alteração Contratual da fiscalizada). Tudo dentro da legalidade e atendendo a objetivos reais e verdadeiros, consonantes com os atos efetivamente praticados. Como consequência jurídica deste aumento de capital, ocorreu a almejada avaliação a mercado do patrimônio das sociedades empresariais da Família, viabilizando que, agora, se pudesse ter registrado o valor de mercado da empresa, na controladora Giassi Administradora de Bens Ltda., produzindo daí diversos efeitos jurídicos e patrimoniais. Cabe frisar que neste momento aumento do Capital Social da Giassi Investimentos Ltda, com quotas do capital da Impugnante assim como no momento da constituição da Giassi Administradora de Bens Ltda., também não houve desembolso de valores monetários, pois que impraticáveis na espécie de "realização de capital" com bens. No entanto, isso não significa que não tenha havido pagamento, pois que houve, claramente, essa espécie de "permuta de quotas", sendo que a Giassi Administradora de Bens Ltda. entregou as quotas que detinha no capital da ora Impugnante, pelo valor de PL, recebendo em troca o equivalente em quotas emitidas pela Giassi Investimentos Ltda, mas a valor de mercado dos bens que entregou cm realização de capital, calcado em Laudo de Avaliação formulado por empresa independente e especializada. Com efeito, embora não tenham transitado recursos monetários (moeda, dinheiro), houve transmissão e circulação de bens, de patrimônio, de modo que, conseqüentemente, houve apuração de Lucro Tributável pela Giassi Administradora de Bens Ltda., tendo o referido LUCRO (ou RECEITA NÃO OPERACIONAL), recebido o tratamento contido no §1°, do art. 36, da Lei 10.637/02, in verbis: 1" O valor c/a diferença aparada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre 0 Lucro Líquido: 1 na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor c/essa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. Salientese que esse efeito, qual seja, a geração de receita plenamente tributável (e, pois, Lucro tributável) na Giassi Administradora de Bens Ltda., não é mencionada cm nenhum momento pelos ilustres Auditores Fiscais, o que aparentemente se deu de forma conveniente aos argumentos que vinham declinando; O importante, no entanto, é a realidade de que efetivamente houve a circulação de valores com conteúdo econômico (quotas sociais), que justificaram a contabilização de ágio (e, portanto, tratase de uma despesa dedutível tal e qual inerente a qualquer outra), assim como, especialmente, houve a geração da correlata RECEITA TRIBUTÁVEL (lucro tributável), a qual não foi, ate o momento, submetida à tributação, apenas porque a Lei então vigente permitiu seu diferimento para o momento da "realização do investimento" (leiase: quotas sociais), conforme hipóteses previstas nos incisos I c II, do §1°, do art. 36, da Lei n° 10.637/2002. III.a.4. DA CISÃO PARCIAL DA GIASSI INVESTIMENTOS LTDA Fl. 19200DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 88 22 SEGUIDA DE ABSORÇÃO DE PARCELA CINDENDA PELA GIASSI & CIA LTDA. Sc não bastasse a prova de que eram necessárias e desejadas as duas etapas anteriores (constituição da holding e aumento de capital social da Giassi Investimentos Ltda), c que compõem facetas de um objetivo maior, de Reorganização Societária, acabou sendo necessário outros eventos, igualmente necessários e desejados pelas partes que dele participaram, como passa a demonstrar. Isto porque, passado algum tempo no qual a Giassi Investimentos Ltda figurava como controladora da ora Impugnante e, paralelamente, se desenvolvia o Planejamento Societário, Patrimonial e Sucessório da família controladora das empresas componentes do Grupo empresarial, constataramse algumas situações que exigiram que houvesse nova alteração no organograma empresarial e uma adequação societária; Alem disso, constatouse que a atuação da Giassi Investimentos Ltda, que passara a atuar tanto como uma empresa operacional, quanto como holding controladora da Impugnante, não vinha sendo muito bem assimilada, especialmente pelos colaboradores, e pelo mercado cm geral. Os que mais estranharam essa situação foram os Bancos, que exigiam explicações dessa nova estrutura, especificamente do porque do valor da empresa Controladora ser diferente do da Controlada, ora Impugnante. Não bastassem os motivos acima, com relação à situação da "avaliação a valor de mercado" da sociedade Impugnante, enquanto principal marca e empresa da família, constatouse a exemplo do que vinham questionando bancos e parceiros comerciais que o valor da Impugnante (considerando seu Patrimônio Líquido) era inferior ao de sua Controladora, a sociedade Giassi Investimentos Ltda. É dizer: embora o valor de mercado da Impugnante estivesse refletido na Controladora direta, Giassi Investimentos Ltda, e por equivalência na holding empresarial da família, a própria Giassi & Cia Ltda., não tinha registrado em suas demonstrações financeiras o seu real valor de mercado. Isso contrariava os objetivos iniciais da Controladora, donos e herdeiros das sociedades. E não provocava melhorias como, por exemplo, acesso a credito de forma menos onerosa. Como a intenção, em sede do Planejamento Societário, Patrimonial e Sucessório, era registrar o valor de mercado da empresa, nas demonstrações financeiras de todas as empresas do Grupo EconômicoFamiliar, e, ainda, considerando os diversos aspectos que eclodiam dessas estruturas societárias que se estabelecera e seja arrastavam há 10 anos lembrese que a Giassi Empreendimentos foi constituída em 1995! entenderam que se fazia necessária uma nova modificação no organograma empresarial, ate para evitar que se agravassem alguns desses fatores, caso mantida por mais tempo essa estrutura. Portanto, houve REAIS motivos que determinaram a cisão da Giassi Investimentos Ltda, com versão de parcela cindida para a Impugnante, e não apenas interesses tributários, como levianamente afirmam os Auditores Fiscais. Assim, no dia 20/11/2005, tendo presentes diversos outros motivos reais c verdadeiros (alguns já mencionados acima) decidiuse realizar a também necessária e desejada cisão da Giassi Investimentos Ltda., com a versão da parcela cindida da referida sociedade, para o patrimônio da sua própria Controlada, ora Impugnante. Portanto, o objetivo declarado no Protocolo de Cisão Parcial, visando melhorar seu Relacionamento com o Mercado Financeiro, o qual reconhecidamente foi aceito como VERDADEIRO pelos Auditores Fiscais, tem sua contabilização delimitada pelo §1°, do art. Io, da IN n° 11, de 10/02/1999 c/c §7°, do art. 386, do RIR/99, cujo fundamento de validade é o art. 11, da Lei n° 9.718/99, não havendo motivo, portanto, para que a forma contábil leve à conclusão de que o ato declarado não pudesse ser verdadeiramente desejado, e, com isso, prejudicasse a verdade contida na vontade manifestada no ato de cisão. [...] Tratase de alterações substanciais, veiculadas por cláusulas verdadeiras c válidas, com efeitos jurídicos dos mais diversos que atendem a claros objetivos de cunho Fl. 19201DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 89 23 SOCIETÁRIO, SUCESSÓRIO E FAMILIAR. Tais objetivos declarados foram verdadeiramente desejados, são lícitos c efetivamente foram atingidos, chegando a serem caluniosas as afirmações cm sentido contrário perpetradas pelos Auditores Fiscais, que apenas conseguem enxergar "arrecadação" à sua frente, nem que para isso tenham que subverter as regras básicas de nosso ordenamento. No tópico Ill.b. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DOS ATOS PRATICADOS, procura a Interessada mostrar que todos os atos e negócios jurídicos foram feitos obedecendo as leis vigentes, onde conclui que "Assim, o que se tem de concreto, analisando o ordenamento jurídico brasileiro c comparandoo aos fatos efetivamente ocorridos e documentados, é que estamos diante de uma Reorganização empresarial plenamente regular e que atendeu estritamente os comandos normativos vigentes, passando a destacar alguns pontos que entende a Impugnante serem importantes para o deslinde da controvérsia". No tópico III.B.1 REORGANIZAÇÃO PAUTADA EM PERMISSÕES LEGAIS EXPRESSAS: EXERCÍCIO DE OPÇÕES FISCAIS, tece a Impugnante comentários acerca da sua opção fiscal (art.36 da Lei 10.637/02); "[...] a Impugnante conclama os julgadores, seja da Delegacia Regional de Julgamento, seja do CARF, a uma sincera avaliação, respondendo à seguinte questão: se não estivesse vigente o art.36, da Lei n. 10.637/2002, teria sido lavrado o lançamento tributário impugnado? No entender da Impugnante, absolutamente não! E pelo seguinte motivo: a receita que se encontra diferida teria sido tributada na Giassi Administradora de Bens Ltda., no momento do aumento de capital social da Giassi Investimentos Ltda., e o ágio então gerado, após a cisão parcial, estaria sendo amortizado na Impugnante, sem qualquer oposição do Fisco." Administradora de Bens Ltda. mediante a entrega de quotas de sua titularidade, avaliadas a mercado. Consequentemente foi gerado Lucro Tributável, e, portanto, a despesa correlata de amortização do ágio é dedutível, pena de se ferir o próprio "espírito" que orienta a tributação do Imposto sobre a Renda. Mais uma vez aqui, interpretar a metodologia do registro contábil do ágio na linha pretendida pelos agentes fiscais implicaria cm negar vigência ao art. 36 da Lei n° 10.637/02, ao art. Io da IN 11/99, bem como ao art. 384 do RIR/99, que trata do registro do mesmo, nas hipóteses de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial. De fato, como deveria ser contabilizada a operação se não pela apuração de um ágio, considerando que as quotas da Giassi & Cia Ltda. foram adquiridas pela Giassi Investimentos Ltda. pelo seu valor de mercado, muito superior ao valor patrimonial registrado na contabilidade da Giassi Administradora de Bens? IIl.b.4 CRIOUSE RECEITA TRIBUTÁVEL (LUCRO): LOGO, A DESPESA DO ÁGIO DEVE SER DEDUTÍVEL Portanto, embora convenientemente os Auditores Fiscais nada mencionaram quanto à RECEITA TRIBUTÁVEL que foi gerada, a verdade é que referido GANHO DE CAPITAL apurado, será efetivamente submetido à tributação no momento em que ocorrerem as hipóteses previstas no dispositivo legal acima transcrito. Consequentemente, em havendo a geração de RECEITA TRIBUTÁVEL, a despesa do ágio que decorreu do referido GANHO TRIBUTÁVEL, deverá ser permitido que seja dedutível, nos termos do art. 386, do RIR/99, já inúmeras vezes citado . Cabe relembrar que a intenção da Impugnante e seus controladores era de fazer uma "AVALIAÇÃO A MERCADO" da sociedade, para fins de fazer "registrar" cm suas Fl. 19202DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 90 24 demonstrações financeiras referido valor, e, com isso, dar andamento nos estudos de Planejamento Societário, Patrimonial e Sucessório em curso, mediante a condução em vida, de modo proporcional ou não, naquele momento ou no mais oportuno, a citada transmissão do patrimônio de uma geração para outra. Como igualmente se disse, se mostraram DUAS OPÇÕES FISCAIS para que pudessem alcançar o referido objetivo de "avaliação". Por um lado a previsão do art. 438, do RIR/99, que importaria na imediata tributação da reserva de reavaliação, se fosse realizada através desse caminho; ou, por outro lado, a opção do então vigente art. 36, da Lei n° 10.637/2002. aliando os motivos já externados e, considerando as "opções fiscais" lícitas e vigentes postas à sua disposição, a Impugnante e suas controladoras optaram pela via do art. 36, mas CONSCIENTES de que terão que submeter à tributação, a RECEITA DIFERIDA que foi gerada pela opção aderida. Referida tributação será equivalente à 34% (IRPJ, Adicional c CSLL), sobre a receita diferida, no valor de R$ 90.535.266,26, valor esse que é igual ao valor do ágio que foi registrado na Giassi Investimentos Ltda., e que foi posteriormente e em razões de necessidades igualmente existentes, vertido por cisão para a Impugnante. Assim, comparando os ditames do art. 36 com os efeitos que são próprios de uma "reavaliação", nos termos dos arts. 434 a 436, do RIR/99, igualmente aqui No tópico III.b.2 INEXISTÊNCIA DE FRAUDE E/OU SIMULAÇÃO, a Interessada procura mostrar que não teria ocorrido qualquer situação que pudesse concluir, como fizeram os autuantes, pela ocorrência de fraude; que cumpre ao administrador escolher o caminho que demanda menor custo; transcreve ementa de julgado do CARF que entende ser semelhante ao seu caso, cuja decisão foi favorável à parte envolvida; III.b.3 DA DESNECESSIDADE DE A DESPESA SER PAGA OU INCORRIDA PARA SER DEDUTÍVEL; que os Auditores Fiscais estão equivocados nesse fundamento porque simplesmente estão confundindo despesas decorrentes de "investimentos" feitos pelos sócios e sociedades sócias, com as despesas da operação da empresa. Similarmente, poderseia comparar o pagamento ou credito dos Juros sobre o Capital Próprio JCP, que embora nem sempre sejam efetivamente pagos ou incorridos, ou mesmo, não sejam necessários à manutenção da fonte produtora, e mesmo assim, a Lei expressamente permite sua dedutibilidade. O mesmo se dá com as despesas de amortização do ágio, que segundo art. 386, do RIR/99, são plenamente dedutíveis, por si só, sem necessidade que se prove ser a despesa paga ou incorrida. Isto porque, na essência, são despesas decorrentes dos custos de investimento na própria empresa. Basta uma simples leitura do citado dispositivo para concluir nesse sentido: "Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n" 9.532. de 1997, art. 7", e Lei n° 9.718, de 1998, art. 10): (...) 111 poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2"do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente a incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração:" Quando o dispositivo legal menciona "participação societária adquirida com ágio ou deságio", deixa claro que a referida amortização do ágio, decorre do próprio investimento e diz respeito ao preço pelo qual adquiriu a participação, não tendo relação com as despesas Fl. 19203DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 91 25 operacionais propriamente ditas, tratadas pelo citado art. 299, do RIR/99, que não encerra dentro dele, todos os custos e despesas de uma entidade. Portanto, não se trata aqui de perquirir se houve pagamento de despesa ou se ela foi incorrida, para que seja possível a amortização do ágio e sua classificação como Outras Despesas Operacionais. Houve pagamento do investimento através de quotas emitidas pela Giassi Investimentos Ltda, c houve a realização do capital integralizado pela Giassi Administradora de Bens Ltda. mediante a entrega de quotas de sua titularidade, avaliadas a mercado. Consequentemente foi gerado Lucro Tributável, e, portanto, a despesa correlata de amortização do ágio é dedutível, pena de se ferir o próprio "espírito" que orienta a tributação do Imposto sobre a Renda. Mais uma vez aqui, interpretar a metodologia do registro contábil do ágio na linha pretendida pelos agentes fiscais implicaria cm negar vigência ao art. 36 da Lei n° 10.637/02, ao art. Io da IN 11/99, bem como ao art. 384 do RIR/99, que trata do registro do mesmo, nas hipóteses de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial. De fato, como deveria ser contabilizada a operação se não pela apuração de um ágio, considerando que as quotas da Giassi & Cia Ltda. foram adquiridas pela Giassi Investimentos Ltda. pelo seu valor de mercado, muito superior ao valor patrimonial registrado na contabilidade da Giassi Administradora de Bens? IIl.b.4 CRIOUSE RECEITA TRIBUTÁVEL (LUCRO): LOGO, A DESPESA DO ÁGIO DEVE SER DEDUTÍVEL Portanto, embora convenientemente os Auditores Fiscais nada mencionaram quanto à RECEITA TRIBUTÁVEL que foi gerada, a verdade é que referido GANHO DE CAPITAL apurado, será efetivamente submetido à tributação no momento em que ocorrerem as hipóteses previstas no dispositivo legal acima transcrito. Consequentemente, em havendo a geração de RECEITA TRIBUTÁVEL, a despesa do ágio que decorreu do referido GANHO TRIBUTÁVEL, deverá ser permitido que seja dedutível, nos termos do art. 386, do RIR/99, já inúmeras vezes citado . Cabe relembrar que a intenção da Impugnante e seus controladores era de fazer uma "AVALIAÇÃO A MERCADO" da sociedade, para fins de fazer "registrar" cm suas demonstrações financeiras referido valor, e, com isso, dar andamento nos estudos de Planejamento Societário, Patrimonial e Sucessório em curso, mediante a condução em vida, de modo proporcional ou não, naquele momento ou no mais oportuno, a citada transmissão do patrimônio de uma geração para outra. Como igualmente se disse, se mostraram DUAS OPÇÕES FISCAIS para que pudessem alcançar o referido objetivo de "avaliação". Por um lado a previsão do art. 438, do RIR/99, que importaria na imediata tributação da reserva de reavaliação, se fosse realizada através desse caminho; ou, por outro lado, a opção do então vigente art. 36, da Lei n° 10.637/2002. aliando os motivos já externados e, considerando as "opções fiscais" lícitas e vigentes postas à sua disposição, a Impugnante e suas controladoras optaram pela via do art. 36, mas CONSCIENTES de que terão que submeter à tributação, a RECEITA DIFERIDA que foi gerada pela opção aderida. Referida tributação será equivalente à 34% (IRPJ, Adicional c CSLL), sobre a receita diferida, no valor de R$ 90.535.266,26, Fl. 19204DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 92 26 valor esse que é igual ao valor do ágio que foi registrado na Giassi Investimentos Ltda., e que foi posteriormente e em razões de necessidades igualmente existentes, vertido por cisão para a Impugnante. Assim, comparando os ditames do art. 36 com os efeitos que são próprios de uma "reavaliação", nos termos dos arts. 434 a 436, do RIR/99, igualmente aqui se deve permitir a dedutibilidade da despesa. No caso de reavaliação permite a Lei dedutibilidade da despesa de "depreciação"; no caso de aquisição de investimento com ágio e com ganho de capital tributável; permite a Lei a dedutibilidade da despesa de amortização de ágio. Diante da geração da RECEITA TRIBUTÁVEL, que deverá ser levada aos cofres fiscais no momento legalmente determinado, resta evidente que a correlata DESPESA deva ser dedutível, pena de se "confiscar" o patrimônio do contribuinte, cm atitude totalmente contrária ao ordenamento e à SEGURANÇA JURÍDICA decorrente da aplicação das normas vigentes no ordenamento, cm contrariedade aos seus próprios objetivos declaradamente de neutralidade tributária. III.b.5 PRESENÇA DE PROPÓSITO NEGOCIAL; Verificando a motivação e a realidade cabalmente comprovada, de que havia motivos de ordem Societária, Patrimonial e Sucessória, que exigia fossem realizados os negócios perpetrados pela Impugnante e seus controladores, não há que se cogitar da hipótese de se "desconsiderar" os atos práticos pelo contribuinte, não cabendo a pecha da "fraude" e/ou "simulação", a qual, no entendimento da Impugnante, ausente e inaplicável no caso cm exame; III.b.6 IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO QUANTO ÁGIO DESIGNADO DE "INTERNO" PELOS AUDITORES; o que se realizou foi uma avaliação a mercado das quotas da sociedade Impugnante, então detidas pela Giassi Administradora de Bens Ltda., que visando AVALIAR seu patrimônio a mercado e REGISTRAR esse valor nas suas demonstrações financeiras, lançou mão do permissivo contido no art. 36, da Lei n° 10/637, para atingir tal desiderato; A substância e o fundamento econômico para o valor da empresa, e, consequentemente, para o valor do ágio pago na aquisição do aludido investimento pela Giassi Investimentos Ltda, está contido no Laudo de Avaliação, objetivamente apontado como sendo o da Expectativa de Rentabilidade Futura. Quanto ao Laudo, discorrerá oportunamente sobre sua forma e conteúdo; Com efeito, houve pagamento de ágio para a Giassi Administradora dc Bens Ltda., via emissão dc quotas feita pela adquirente Giassi Investimentos Ltda, cuja substância está lastreada em Laudo técnico de avaliação, elaborado nos termos do art. 8o, da Lei das S/A, como soa ocorrer nessas espécies de operações; Ademais, é corrente no meio econômico que sempre que o fundamento econômico do pagamento de ágio seja o da "expectativa de rentabilidade futura", cm havendo incorporação às avessas, cisão ou fusão, o ágio será sempre de si mesmo. De fato, cabe lembrar que o ágio baseado cm rentabilidade futura, toma por base os resultados auferidos pela empresa adquirida. Logo o ágio gerado é baseado nos resultados da empresa controlada/coligada c não nos resultados da adquirente; Fl. 19205DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 93 27 Enquanto o investimento existir, ou seja, enquanto for detido pela controladora na forma de participação societária na empresa adquirida, o ágio será amortizado na primeira, mas contra seu próprio resultado, mas também contra o resultado proveniente da investida, contabilizados na forma de receita de equivalência patrimonial. Logo, a amortização do ágio encerra a necessidade 17.888 de confronto do custo (ágio registrado), contra a receita auferida pela investidora, dos resultados auferidos na investida e que afetam o balanço da primeira na forma de equivalência patrimonial. Tal linha de raciocínio nos leva a uma conclusão fundamental: sendo a idéia de amortização do ágio, o confronto do valor do investimento com os lucros gerados pela entidade adquirida, faz todo o sentido amortizálo dentro da própria empresa sobre a qual o ágio foi gerado (por exemplo, na hipótese de incorporação as avessas), pois neste caso estará se executando o procedimento de confronto direto entre ambos, já que executado na própria entidade que gerou os resultados que serviram de fundamento econômico para o ágio. Lembramos ainda que o efeito seria o mesmo caso a controladora incorporasse a controlada. De fato, neste caso, o acervo patrimonial da incorporada, responsável pela geração de lucros, estaria integrado na incorporadora, sendo o ágio amortizado também contra os resultados provenientes da controlada. Ou seja, nesta hipótese, haveria o confronto do custo, com as receitas geradas pelas atividades da controlada, agora incorporados a controladora e, indiretamente, teríamos a dedução do "ágio de si mesmo". Na linha de raciocínio deduzida acima resta provado que a vedação da dedução do "ágio de si mesmo" representa uma das maiores falsas premissas, adotadas pela fiscalização na sustentação de seus argumentos, já que carente de amparo jurídico (por ausência de proibição, mas muito pelo contrário, admitida expressamente pelas normas quando o Art. 8o da Lei n° 9.532/97 que admite a possibilidade de incorporação invertida), e também de amparo econômicocontábil (pois cm seu principal fundamento a amortização do ágio atende ao princípio do confronto entre receitas e despesas, receitas essas que advém inclusive da empresa adquirida, seja indiretamente pelo registro de equivalência patrimonial na adquirente, seja diretamente como nas hipóteses de incorporação, seja qual for sua modalidade). Logo, a expressão ágio de si mesmo, na essência, não diz absolutamente nada, além de seu registro decorrer de imposição legal (art. 385, do RIR/99, que não dá alternativa de não se o registrar). Ademais, não há proibição ou restrição em seu registro, previsto na legislação, e isto se dá em decorrência direta da própria autonomia c independência patrimonial entre sócios c sociedades, que são, para todos os efeitos legais, independentes, somente aplicandose restrições nessa interpretação quando a Lei assim o determinar expressamente. IV. DA SUFICIÊNCIA DO LAUDO DE AVALIAÇÃO QUE DEMONSTROU O FUNDAMENTO ECONÔMICO EMBASADOR DO ÁGIO (EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA): neste tópico, a Impugnante alega que nem precisava de laudo, um vez que bastava uma demonstração da fundamentação econômica do ágio (§2° do art.20 do DL 1.598/77), mas que providenciou assim mesmo, de modo que "[... ] o laudo que demonstra validamente a expectativa econômica de rentabilidade futura é, por si só, suficiente para dar azo ao ágio registrado, em contrapartida ao ganho de capital de tributação diferida, conforme acima já se esclareceu". Fl. 19206DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 94 28 V. INAPLICABILIDADE DAS INSTRUÇÕES DA CVM PARA SOCIEDADES LIMITADAS E PARA O CASO EM CONCRETO: neste tópico procura demonstrar que era uma sociedade constituída sob a forma jurídica de limitada, não estando, à 17.888 época, submetida às regras das sociedades anônimas; explica o registro contábil do ágio no ativo diferido, etc, para concluir que "[...] totalmente descabida a pretensão dos Auditores Fiscais cm tolher o direito de opção do critério contábil ditado pela Lei n° 9.718/98, pelo art. 386, §7°, do RIR/99, c pela IN n° 11/99, de modo a sustentar que deverseia "trocálo" pelo critério contido nas Instruções CVM n° 247/96, sendo que estas somente seriam obrigatórias para Sociedades Anônimas de Capital Aberto, quando à época dos fatos a Impugnante não era empresa de Grande Porte, não submetendose, portanto, a tal normatização); VI. DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES NEGATIVAS CSLL No caso, a Impugnante entende que, por se tratar de lançamentos reflexos, todas as conseqüências de decisões que forem adotadas para os Autos de Infração, devem ser recompostas c aplicadas para as glosas de compensação de prejuízos c de bases negativas de CSL. Assim, requer sejam aplicadas às glosas de compensações de que trata este item, os reflexos das decisões que se busca através da presente impugnação. Item VII Da Impugnação Específica à Glosa de Despesas Desnecessárias/Inexistentes (alugueis de prédios) e ao reflexo, no PIS/COFINS, da Utilização Simulatória da GIASSI Empreendimentos e Participações, a seguir resumidas: que para os agentes fiscais, as despesas de alugueis "não existiram" não porque não foram pagas pela Fiscalizada à GIASSI EMPREENDIMENTOS, mas porque inferiram, com base na inadequada e parcial análise de outras circunstâncias (que não o próprio e efetivo pagamento) que as despesas de aluguel não teriam ocorrido; A seguir, passase a demonstrar que o conjunto de inferências dos agentes fiscais não se sustenta, de modo que as despesas de aluguel não apenas efetivamente ocorreram, de modo que a glosa realizada (e seus reflexos) sc mostra contrária ao ordenamento jurídico; vale ressaltar que todos os imóveis versados nestes autos estão efetivamente registrados e matriculados cm nome da GIASSI Empreendimentos. Disso não há dúvida, e sequer se questiona nos autos. Além disso, tais imóveis estão devida e regularmente consignados nos registros contábeis e fiscais de tal pessoa jurídica; Alem disso, convém frisar que a GIASSI Empreendimentos surgiu da cisão parcial da Fiscalizada, ocorrido em 01/02/1995. Muitos anos, portanto, dos fatos objeto do Termo de Verificação Fiscal. Aliás, vale mencionar que tal cisão e os atos fiscais e contábeis a ela relacionados já foram inclusive objeto de fiscalização em diversas ocasiões (documentos anexos), sem que jamais houvesse sido levantada qualquer irregularidade; Tal cisão decorreu da necessidade de dotar os negócios do Grupo Giassi de uma estrutura societária e empresarial versátil e segura, visando não só a continuação dos negócios, mas também criando alternativas viáveis e de múltiplas escolhas para que se encaixasse no perfil de seus sucessores. Além disso, procurou segregar Fl. 19207DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 95 29 empreendimentos distintos: a operação de supermercados, com todas as etapas de aquisição, disponibilização, estocagem, venda, marketing, administração, análise de concorrência, etc, centralizadas e desenvolvidas exclusivamente pela Fiscalizada; e a oferta de espaço e estrutura física necessária e adequada ao desenvolvimento das atividades de varejo e à prestação de serviços para atender e atrair os consumidores finais, cada vez mais exigentes; Esta segregação de atividades distintas (embora complementares) que permeiam o setor supermercadista contemporâneo é absolutamente corriqueira. Boa parte das grandes redes supermercadistas hoje não se orienta mais à formação de um grande patrimônio imobiliário, necessário para acomodar o padrão de supermercados atual, que para atrair clientes não podem mais apenas ofertar seus produtos em gôndolas, mas ofertar todo um conjunto de comodidades (que vão do estacionamento às lojas de apoio e de prestação de serviços). A complexidade que as novas demandas dos consumidores atuais impõem à estrutura imobiliária e física de um supermercado é tamanha que o atendimento a tais demandas passou a ser, por si só, um novo negócio!; E mais: a rede de supermercados GIASSI já há tempo tem sido alvo de agressivas tentativas de aquisição, por parte de investidores nacionais e estrangeiros, ligados ao setor supermercadista. O assédio era (e é!) constante. E percebese claramente o desejo de se adquirir a operação de supermercado, e não o patrimônio imobiliário no qual o supermercado encontrase instalado e em funcionamento! São negócios distintos e tratados distintamente pelo setor. E a cisão parcial da Fiscalizada, concentrando nela a operação supermercadista e na GIASSI Empreendimentos o imobiliário no qual a operação ocorre procurando atender à então nova (e ainda atual) orientação do mercado; Aliás, é até fácil entender o desejo dos pretendentes em adquirir apenas a operação supermercadista. Ao não precisar dispender o valor de aquisição dos imóveis (que serão locados, e cujo custo é diluído no custo mensal da operação), reduzse o nível do investimento realizado, economizando recursos que poderão ser destinados à ampliação das operações supermercadistas, gerando expansão menos onerosa c mais célere; Portanto, a criação da GIASSI EMPREENDIMENTOS em 1995 e como resultado da cisão parcial da Fiscalizada atendeu, a um só tempo: a) às necessidades de mercado; b) à mobilidade e versatilidade nos negócios relativamente aos futuros e potenciais passos que pudessem ser tomados; c) ao propósito do Sr. Zéfiro Giassi de empreender com maior intensidade no ramo imobiliário, inclusive com o estabelecimento de loteamentos; d) às perspectivas cada vez mais iminente de promover a acomodação de seus sucessores na estrutura empresarial formada; e) e estruturar a possível venda da atividade supermercadista (ou de negócios imobiliários) para terceiros; Após o ato de cisão, outros imóveis foram sendo adquiridos e incorporados ao patrimônio da Giassi Empreendimentos, seja para atender a necessidades de novas lojas que a Fiscalizada pretendesse abrir, seja para realizar outros investimentos imobiliários, como loteamentos, por exemplo; Os agentes fiscais também inferem do fato de que boa parte dos bens de propriedade da Giassi Empreendimentos foram locados e estão sob posse direta da Fiscalizada. Ora, mesmo que TODOS os bens de propriedade da Giassi Empreendimentos fossem locados exclusivamente à Fiscalizada, não há nada, nenhuma norma legal ou infralegal que impeça tal locação, ou que 17.888 proíba que o locatário, que paga os alugueres, abata os valores correspondentes da base de cálculo do IRPJ e CSLL; E, de mais a mais, seria até estranho exigir (como parecem querer os agentes fiscais) que a Giassi Empreendimentos fizesse a locação de seus bens para Fl. 19208DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 96 30 concorrentes da Fiscalizada, a um só tempo deixando de ter um excelente inquilino. Pior seria locar para um concorrente do próprio grupo econômico e ainda correr riscos de insolvência, inadimplência, falta de cuidados e lhes ceder a vantagem da valorização de fundo de comércio; Enfim, deixar de reconhecer que a Fiscalizada, desde a sua cisão e consequente criação da Giassi Empreendimentos até os dias de hoje, atendeu rigorosamente a tais necessidades do setor, além de trazer maior mobilidade e versatilidade nos negócios, perspectivas de negociação dos ativos imobilizados ou da operação supermercadista, atendimento ao perfil empreendedor da família Giassi e alternativa de acomodação sucessória na estrutura empresarial, é demonstrar tacanha e limitada visão deste segmento de mercado e das empresas familiares em geral; Também não há razão alguma para desqualificar as locações realmente existentes c os alugueres realmente pagos com base no conjunto de inferências construídas pelos agentes fiscais. Com efeito, ao longo de todo o item 9.2 do Termo de Verificação Fiscal (p. 39 a 42), os agentes fiscais nada mais fizeram que catalogar uma série de circunstâncias que eles subjetivamente não compreenderam e preconceituosamente definiram como "nada convencionais'", "maquiagens" e "simulações "; Assim é que os agentes fiscais consideram "nada convencional, nada usual" a celebração de contratos de locação entre a Fiscalizada e a Giassi Empreendimentos que prevêem alugueis equivalentes a 1.5% (um e meio por cento) do faturamento de cada supermercado; Talvez em virtude do nítido desconhecimento das relações locatícias existentes no setor supermercadista esboçam eles vago conhecimento de que tal prática é corrente cm shoppings centers desconhecem os agentes fiscais que tal fixação dos locativos é bastante frequente no setor supermercadista; Não bastasse isso, pouco importa se os alugueres são fixos ou variáveis (de acordo com o faturamento). O que realmente importa e disso não cogitaram os fiscais é que o valor dos alugueres pagos é absolutamente condizente com os patamares praticados pelo mercado para esse tipo de locação. Não houve aviltamento c tampouco sobrepreço cm nenhum caso. A estipulação de um valor justo para os aluguéis é premissa para que ambas as empresas, locatária (Fiscalizada) e locadora (Giassi Empreendimentos) possam desenvolver suas atividades cm condições absolutamente compatíveis com o mercado, não dando a falsa impressão de lucro, e não prestigiando uma das unidades de negócios (operação supermercadista) em detrimento da outra (operação imobiliária), ou viceversa; Vale dizer: o valor da locação é fixado como se não houvesse nenhuma relação entre a Locadora e a Locatária, exatamente porque se tratam de negócios diferentes (operação imobiliária num lado, operação supermercadista do outro). Aliás, bom que se diga, os agentes fiscais em nenhum momento questionam se o valor dos locativos pagos é condizente com patamares de mercado. Caso tivessem se esforçado em tal verificação, certamente constatariam a adequação dos valores, independentemente da forma como estão previstos (em percentual ou fixo); a Fiscalizada não tem e nem pretende ou pretendeu 17.888 ter, em nenhum momento qualquer participação financeira no valor cobrado pela Giassi Empreendimentos de seus demais inquilinos, instalados nas Lojas de Apoio. Mas é absolutamente natural que a Fiscalizada influencie na escolha dos locatários, porque isso reflete diretamente nas suas vendas. E naturalmente a Giassi Empreendimentos permite tal influência, porque quanto maior o faturamento da Fiscalizada, maior será também o valor que receberá de aluguel!; Já relativamente ao item 9.3 (p. 42 e 44 do Termo de Verificação Fiscal), cumpre esclarecer que desde que atendidas as condições estabelecidas na lei, a pessoa jurídica poderá optar livremente pela forma de tributação que lhe seja mais adequada, apurando seus tributos pela sistemática do lucro real ou do lucro presumido da forma que bem lhe convier; Fl. 19209DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 97 31 Outro fator eleito pelos auditores fiscais para "sustentar" suas posições e inferências subjetivas é a forma como foram liquidados os alugueis devidos pela Fiscalizada à Giassi Empreendimentos; Todavia, não existe a confusão patrimonial que os agentes fiscais tentam criar. Porem, caso houvessem verificado a contabilidade sem a intenção de distorcer, constatariam que não há qualquer confusão c os registros comprovam que existe sim o pagamento de débitos locatícios em favor da Giassi Empreendimentos, pela Fiscalizada, mediante débitos diversos daquela, debitandoa e vice versa. Houve sim o pagamento por conta e ordem de uma empresa para outra, para evitar retrabalhos desnecessários c racionalizar os recursos financeiros. Tão comum em qualquer grupo econômico, até mesmo no setor público; De qualquer modo, salientase que todos os valores estão registrados em contas distintas, em contabilidades distintas, perfeitamente dentro das regras contábeis; Nesse sentido, importante salientar que o pagamento dos alugueis pela fiscalizada à Giassi Empreendimentos consta nas NOTAS EXPLICATIVAS dos balanços de ambas as empresas (documentos anexos). Notese: [...]; Conforme redação supra, a concentração das atividades administrativas numa das empresas do grupo é procedimento usual no mercado. Sendo que o suave pecado praticado pelas empresas do grupo GIASSI, foi o de não ratear referidas despesas. Entretanto, descaracterizar uma empresa porque esta não possui um staff administrativo que supõem os senhores fiscais ser imprescindível, seria a descaracterização da maioria dos conglomerados que usufruem desta modalidade racional de administração. A sinergia de esforços é a razão da existência do próprio grupo econômico. Deixar de considerar essa realidade como cuidaram de fazer os auditores fiscais é desconsiderar todo e qualquer conglomerado empresarial que tenha alcançado um mínimo grau de êxito. E registrese: isso nada tem a ver a com confusão patrimonial que os auditores fiscais tanto alardeiam, mas que na verdade não existe; A GIASSI SUPERMERCADOS possui um staff altamente qualificado, com grande número de colaboradores c contrata terceiros, porque a atividade de supermercado é de grande complexidade e volume de operações. Seria impossível não ter equipes para todas as áreas da atividade empresarial. A aferição dos montantes de operações processadas nos sistemas de dados demonstra que o percentual de operação da Fiscalizada é de mais de 99%, enquanto o volume de operações da GIASSI Empreendimentos é de menos de 1 %. Claro que nenhum gestor minimamente inteligente deixaria de centralizar a gestão administrativa na empresa que gera a esmagadora maioria dos processos; Também surpreendente o esforço dos auditores fiscais cm tentar achar fundamentos à afirmação de que os aluguéis não foram realmente incorridos. Chegam até mesmo a analisar os aumentos de capital da Giassi Empreendimentos [?], como se isso tivesse algo a ver com o pagamento efetivo (ou não!) de aluguéis... ; Todavia, como o tema foi aventado pelos auditores fiscais, cumpre aqui relembrar que os aumentos de capital da GIASSI EMPREENDIMENTOS estão regiamente aprovados em Assembleias Gerais, contabilizados de acordo com as normas contábeis e a origem dos recursos subscritos e integralizados está devidamente declarada pelos seus subscritores; Na verdade, o que parecem supor os auditores fiscais é que a ampliação de atividades para encampar novos núcleos de negócios deva ocorrer, obrigatoriamente, dentro de uma mesma (e única!) estrutura societária e empresarial, ou dentro de uma única pessoa jurídica!; Bem ao contrário, vigem em nosso sistema jurídico os primados da livre iniciativa e da liberdade de associação, podendo os empreendedores adotarem as formas jurídicas previstas no ordenamento jurídico que melhor lhes atendam sob os pontos de vista societário, negocial, empresarial, sucessório c tributário. E não se pode exigir que um grupo econômico adote a forma societária empresarial que lhe seja mais onerosa tributariamente. O próprio Fl. 19210DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 98 32 dever de austeridade a que os administradores das pessoas jurídicas estão submetidos obrigam que eles procurem conduzir seus negócios de modo probo, transparente e o menos oneroso possível!; No caso presente, os sócios das empresas GIASSI optaram em constituir uma sociedade com fins de administração de imóveis próprios, a qual além de gerar uma nova receita, facilitou negociação entre os sucessores, quanto ao ramo de atividade que irão seguir, caso a caso. Criouse também a possibilidade de alienação da operação de supermercados sem a venda dos imóveis, como já reiterado ao longo dessa impugnação; Além disso, há inúmeros imóveis não aplicados na operação de supermercados, mas destinados a loteamentos que nada tem a ver com a atividade de supermercados, e que estão nesta empresa para venda ou para futuros empreendimentos imobiliários; No item VII.a DA INEXISTÊNCIA DA PROPALADA "SIMULAÇÃO RELATIVA AO PAGAMENTO E DEDUÇÃO DOS ALUGUEIS PELA FISCALIZADA, procura a Impugnante desfazer a figura da simulação, então atribuída pela Fiscalização à cisão praticada, onde, após extenso arrazoado, arremata que "A verdade, no entanto, é uma só: não houve simulação, pois que os atos e negócios jurídicos praticados refletiram a verdade efetivamente desejada, foram confeccionados de acordo com a lei e produziram os efeitos que foram efetivamente desejados". Concluindo, nas palavras da Impugnante: EM CONCLUSÃO, c como consequência de todo o exposto até aqui, mostramse absolutamente indevidas e excessivas as glosas das despesas de aluguel (item 9.11, p.6667 do Termo de Verificação Fiscal), o transporte dos resultados líquidos escriturados na Giassi Empreendimentos e suas deduções à apuração das bases de cálculo do lRPJda CSLL da Fiscalizada (item 9.12, p. 6769 do Termo de Verificação Fiscal), a deduçãodos tributos já recolhidos pela Giassi Empreendimentos (item 9.13, p. 6970 do Termo de Verificação Fiscal) não se sustentam, e merecem ser desconstituídas por este órgão julgador, o que desde já se requer. VIII.b AFASTAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO: ERRO ESCUSÁVEL No que tange à multa de ofício imposta à Impugnante, a título de falta de recolhimento de imposto (supostamente devido em razão da amortização ágio obtido na aquisição de investimentos), não há de fornia (sic) alguma como subsistir a pretensão de validade da mesma, vez que existe expressa previsão legal que exclui penalidades quando devidamente observadas, pelo contribuinte, as normas complementares de direito tributário, ou quando for caso cm que sc caracterizar o chamado "erro escusável"; A contribuinte ora Impugnante agiu na plena conformidade com a Lei, realizando a contabilidade e tributação devida pela empresa dentro do mais estrito respeito às normas legais vigentes à época, utilizandose inclusive dos ditames estabelecidos pelas Instruções Normativas expedidas pela Receita Federal do Brasil, cabendo aqui o destaque para o §1°, do art. Io, da IN/SRF n° 11/99, que dá ao contribuinte a alternativa dc se contabilizar a contrapartida do Ativo Diferido Ágio, cm conta dc patrimônio líquido, Fl. 19211DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 99 33 quando os Auditores Fiscais pretendem aplicar Instruções da CVM, c com isso, taxam dc infracional o comportamento contábil do contribuinte; (transcreve art.100 do CTN); Mas se não fosse por isso, ainda assim não lhe caberia aplicar penalidade alguma pois, a despeito da legislação vigente à época dos fatos albergar todas as atividades praticadas pela Impugnante, ainda assim os Auditores Fiscais aplicaram a multa ora combatida, sem no entanto considerar que haverá efetiva tributação cm momento futuro, em razão da receita tributável estar diferida, conforme art. 36 da Lei 10.637/2002. Desconsideraram totalmente esse fato; Por si só tal fundamento desacobertaria não só a Autuação como um todo, mas deixa claro que essa realidade deu ao contribuinte uma CERTEZA JURÍDICA dc que estaria agindo dc conformidade com a Lei. Quer maior confiança ao contribuinte do que ele próprio assumir uma tributação dc 34% sobre uma receita diferida tributável dc mais de RS 90 milhões? É evidente, portanto, que se a Impugnante agiu com alguma irregularidade, esta foi totalmente involuntária, sendo certo que seu eventual erro c totalmente escusável; VIII.c SUCESSIVAMENTE: REDUÇÃO DA MULTA DE QUALIFICADA POR INEXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES Para a remota e inesperada hipótese de não ser inteiramente cancelada a multa de ofício aplicada, por ERRO ESCUSÁVEL, a Impugnante demanda, então, a desqualificação da multa qualificada, aplicada no patamar de 150%, c sua conseqüente fixação no patamar de 75%, já que entende que, na pior das hipóteses, não há cabimento para a aplicação da multa agravada, como constam das autuações fiscais; Inicialmente, deve ser salientado que para que a multa qualificada fosse de fato devida, deveriam os Auditores Fiscais demonstrar e comprovar a existência da fraude e da simulação apontada, o que não lograram fazer. Discutese, ainda, da própria competência civil da Administração Tributária cm pronunciar a fraude c/ou simulação, nos termos do art. 167 e 168, §único, do Código Civil. Mas se é duvidoso que tenham competência para essa pronúncia, para a Impugnante é induvidoso que para aplicação de penalidade agravada sob alegação de fraude ou de simulação, não poderão fazêlos sem prova cabal destas ilegalidades; Vejase que o contribuinte NADA ESCONDEU, deixou tudo às claras, auxiliando a Fiscalização em cada uma das etapas tanto antes quanto durante a Fiscalização. Esse foi c sempre será o comportamento do contribuinte, que por si só redunda em afastamento dc penalidades, ainda mais na forma agravada; (transcreve ementas de julgados do CARF); Como se pode concluir da leitura dos julgados acima colacionados, quando não comprovado o dolo, o intuito de fraude, ou ainda, quando comprovado o efetivo caráter inverídico das transações realizadas, não há que se falar em aplicação da multa pretendida, pois sem intuído (sic) doloso de subtrair ilicitamente tributos; VIII.d SUCESSIVAMENTE: DA NÃO INCIDENCIA DE JUROS SOBRE A MULTA: Finalmente, cumpre ainda à Impugnante manifestarse contra a incidência de juros sobre as multas aplicadas ao caso em tela. Isto por que, enquanto não constituído definitivamente o crédito tributário, não há como perdurar a pretensão do Fisco em exigir do contribuinte, juros incidentes sobre a multa aplicada; O tributo não quitado no seu vencimento, ainda que sujeito à litígio, terá sido devido em data pretérita, ensejando os juros pela demora no seu pagamento. Contudo, a multa de Fl. 19212DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 100 34 ofício só se configurará como devida após decisão final no âmbito administrativo. Assim sendo, a multa de ofício somente se converte em principal após decorridos os trinta dias para pagamento do crédito tributário mantido por decisão administrativa definitiva; Ou seja, diferente do tributo, cujo adimplemento discutese desde logo que efetuado o lançamento, a multa aplicada em lançamentos de ofício somente se torna definitivamente devida pelo contribuinte, quando definitivamente constituído o crédito tributário, devendo a incidência de juros sobre ela, ocorrer então apenas deste marco (decisão final administrativa —constituição definitiva do crédito tributário); Neste sentido, a jurisprudência do Conselho de contribuintes ampara as razões da Impugnante: "JUROS DE MORA SOBRE MUL TA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Inexiste amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio. A exigência desses encargos somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário." (Processo n° 19515.004210/200780; Recurso 159.285; Relator José Adão Vitorino de Morais; Data da Sessão 15/04/03 Da Impugnação de OSNI GIASSI, arrolado como Sujeito Passivo Solidário que a atribuição de responsabilidade solidária é desprovida de amparo legal, baseada em indícios apenas; que os auditores fundamentaram seu posicionamento com base no inc.III do art.135 do CTN, por terem agido os sócios da empresa com verdadeiro excesso de poder, infringindo a legislação tributária; transcreve o mencionado dispositivo onde destaca que não há margem no mesmo para se atribuir responsabilidade tributária com base em indícios; que a exigência fiscal lavrada em desfavor da empresa GIASSI & CIA LTDA. é totalmente arbitrária baseada em indícios, não tendo qualquer cabimento as acusações de fraude e simulação efetuadas contra ela, bem como ainda mais grave, as acusações de consciente prática de atos ilícitos por parte da Impugnante; que não há nos autos qualquer prova cabal de que merecem ser consideradas verídicas as acusações imputadas ao ora Impugnante, não havendo evidente prática de atos ilícitos ou com excesso de poder apontado para fins de imputação de responsabilidade aqui combatida; Da Impugnação de GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, arrolada como Sujeito Passivo Solidário que a ora Impugnante está sendo acusada de ser uma empresa 17.888 inexistente de fato, ao mesmo tempo em que está sendo responsabilizada pelos supostos atos ilícitos de outras pessoas jurídicas apenas por terem sócios comum; além do indiscutível equívoco na desconsideração da existência da pessoa jurídica da ora Impugnante, as autoridades fiscais também entenderam restar caracterizada a sujeição solidária da mesma em relação à autuada, em face da existência de flagrante interesse na realização dos negócios ditos como ilícitos, bem como por terem coincidência de sócios; que os auditores fundamentaram seu posicionamento com base no que preceitua o art.124, I do CTN, afirmando que basta a interdependência entre as empresas acima mencionadas, bem como a caracterização de "evidente" interesse comum para concluirse pela responsabilidade tributária entre ambas; que isto é um grande equívoco; Fl. 19213DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 101 35 transcreve o art.124, I do CTN, e arremata que, na responsabilidade imputada à ora Impugnante, é imprescindível a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação; que, conforme doutrina (transcreve excertos), o interesse comum é meio deveras subjetivo para os efeitos que causa, atestando assim a fragilidade do dispositivo legal no qual se baseia a imputação de responsabilidade ora combatida; reportandose ao caso concreto, em que consistiria a existência de "interesse comum", capaz de ensejar a responsabilidade solidária da empresa Giassi Empreendimentos e Participações S/A, na geração do ágio [...]?; que ficou um pouco confusa, afinal teve nos autos desconsiderada por completo sua personalidade jurídica, teve também aqui a mesma considerada para efeitos de responsabilidade, por "evidente" interesse nos supostos atos ilícitos praticados pela GIASSI & CIA LTDA.; que não há nos autos qualquer prova cabal de que merecem ser consideradas verídicas as acusações imputadas à ora Impugnante, não havendo o interesse apontado para fins de imputação de responsabilidade aqui combatida; O Sr. Zéfiro Giassi, arrolado como Sujeito Passivo Solidário, não apresentou impugnação. Da apresentação posterior de prova Consta nos autos, ainda, a juntada de documento após o prazo legal da impugnação, denominado de MEMORIAL, então patrocinado pela Interessada por meio de novos representantes, que teria a finalidade de "[... ] facilitar o entendimento dos fatos e do direito a serem examinados [...]". De se dizer que tal petição não tem amparo legal, como peça de aditamento à impugnação apresentada, portanto deixo aqui de descrever seus argumentos. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Responsabilidade Tributária Solidária. Infração de Lei. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Responsabilidade Tributária Solidária. Simulação. Inexistência. Verificado que não houve simulação em operação de cisão feita em 1995 e que originou a empresa receptora de imóveis da Fiscalizada, não pode subsistir a sujeição passiva solidária atribuída àquela empresa, uma vez descaracterizada a sua motivação legal. Multa de Ofício Qualificada. Ágio. Amortizações Fictícias. Conduta Dolosa. Aplicação Legitimada. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo (solidários incluídos) se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 19214DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 102 36 Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Lançamento Reflexo. CSLL. PIS. COFINS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende‐se ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz.. Irresignada com a decisão de primeira instância, empresa interpôs recurso voluntário a este CARF da parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação; bem assim entrou com Recurso voluntário de fls 19129/19237, o Sr. Osny Giassi reiterando literalmente os mesmos termos da peça impugnatória na qual pleiteou a sua não inclusão como responsável tributário solidário. A DRJ recorreu de ofício da parte cancelada. Às fls. 19119/19122 a empresa apresentou Termo de desistência parcial (fls. 19119/19122) para pagamento à vista conforme os benefícios previstos na Lei 12.865/2013. É o relatório. Fl. 19215DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 103 37 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admissibilidade O contribuinte e o Sujeito Passivo Solidário (Osni Giassi) apresentaram Recursos voluntários, tempestivamente, em 26/06/2013 (fls. 18989/19112) e em 01/07/2013 (fls. 19129/19137), respectivamente. O sujeito passivo Zéfiro Giassi é revel no processo não tendo apresentado impugnação e a empresa responsável GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A teve sua atribuição de solidariedade retirada pela primeira instância. Nesses termos, os recursos (voluntário e de ofício) reúnem as condições de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Delimitação material da Lide Em 27/12/2013 houve a apresentação de desistência parcial (fls. 19119/19122) para pagamento à vista conforme os benefícios previstos na Lei 12.865/2013. A empresa assim delimitou as matérias que não foram objeto de desistência: Para que não haja dificuldade de delinear as matérias que continuam em litígio, a Recorrente deixa expresso que mantém em discussão os seguintes elementos: 1. A contestação dos valores já exonerados pela DRJ/Florianópolis (Acórdão n° 0731.301), mas que são objeto de Recurso de Ofício; 2. As matérias objeto de Recurso Voluntário, quanto aos demais valores não incluídos na Lei 11.941/2009, ou seja, quanto às exigências contidas no lançamento relativas às competências posteriores a 30/11/2008, e respectivos reflexos; 3. Também a irresignação relativa à inaplicabilidade da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício à empresa imputada, para todos os períodos objetos do Processo Administrativo, ou seja, mesmo para aqueles cujo tributo e os juros foram inseridos no regime da Lei 11.941/09; e 4. A parte da contestação administrativa de valores já exonerados pela DRJ/Florianópolis, porém, que foram objeto de recurso a este Conselho, quanto a exoneração a menor do IRPJ e da CSLL nos respectivos valores de R$ 1.362.630,00 e R$ 513.458,31, por um aparente e inexplicável erro de cálculo quanto ao valor exonerado pelo Acórdão n° 0731.301, da DRJ/FNS. Às fls. 19.152, consta nova informação do contribuinte informando que foi estendido o período de adesão ao parcelamento de forma a abranger a todos os períodos da autuação e não somente até o fato gerador de 30/11/2008, conforme informação anterior. É que Fl. 19216DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 104 38 agora estava amparada pelas disposições da Lei nº 12.996, 18 de junho de 2014, que estendeu os benefícios da Lei 11.9441/2009 para novos fatos geradores. Portanto, a lide circunscrevese: Análise do Recurso de Ofício; Análise do Recurso voluntário da empresa tão somente: a) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício;e b) contestação de matéria de execução do Acórdão da DRJ Análise do Recurso voluntário do sócio Osni Giassi tão somente: Responsabilidade Tributária (art. 135, inciso III do CTN)) RECURSO DE OFÍCIO A DRJ assim cancelou o lançamento dos itens 2,4 e 5 da autuação, ligadas a custos/despesas operacionais e não operacionais de aluguel, tidas como desnecessárias/inexistentes: Item 002 do Auto de infração CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS/INEXISTENTES CONTABILIZAÇÃO DE DESPESAS INEXISTENTE DE ALUGUEL, ADVINDAS DE LOCAÇÕES SIMULADAS COM A PESSOA JURÍDICA DE PAPEL GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CONFORME APURADO NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL QUE ACOMPANHA E FAZ PARTE INTEGRANTE DESTE AUTO DE INFRAÇÃO. Neste item, podemos inferir, conforme relatoriado, que a autuação concentra‐se em basicamente dois tópicos: que o pagamento de alugueis se trata de uma simulação entre as empresas e que a Autuada, apesar de não ter a propriedade dos imóveis, teria controle absoluto sobre os mesmos. Segundo a Autoridade Fiscal, a GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A "[...] não passa de mera pessoa jurídica de papel, totalmente dependente da Fiscalizada e utilizada para gerar ilícita economia tributária e proteção patrimonial contra dívidas tributárias." Assim não vejo. Do Termo Fiscal, extrai‐se que a mencionada empresa foi constituída por meio de uma cisão, lá em 1995, ocasião em que grande parte dos imóveis onde a Fiscalizada exercia suas atividades comerciais, foram vertidos para a GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. A princípio trata‐se de uma prática até recomendável, uma vez que procura‐se isolar os imóveis da atividade comercial que eles abrigam (no caso, a de supermercados), ou seja, esta segregação permite a eventual alienação de um ou de outro, separadamente, até porque, atualmente, as grandes redes de supermercados contemplam em seus imóveis uma gama de lojas de apoio e/ou de serviços e que, por isto, agregam consumidores aos seus produtos, de forma que estas lojas também ficariam apartadas do foco da rede, qual seja, a atividade de supermercados. A GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. não possui apenas imóveis transferidos da Fiscalizada, ela detém outros imóveis, então destinados para revenda e/ou investimentos, de menor porte, é verdade, se compararmos com o valor dos imóveis que abrigam os supermercados, mas eles existem, como constatado pela própria autoridade autuante em seu Termo, quando destacou que "Embora a quantidade de bens Fl. 19217DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 105 39 com destinação dada como sendo para 'revenda' seja grande, o valor desses imóveis não representa 1,5% do valor total dos bens...". grifei. O fato de o Imobilizado da GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A ser controlado (ou não ter móveis) por setores da Fiscalizada também não é de se estranhar, até porque, como relatoriado, a Fiscalizada é a grande cliente daquela empresa, afinal quase todos os imóveis são locados à Fiscalizada, que, segundo informações que constam nos autos, tem 4.500 funcionários e a Giassi Emp. e Part. S/A tem onze funcionários. Não é de se causar surpresa que a Fiscalizada utilize seu aparato técnico e profissional no atendimento das demandas daquela empresa, razoável (mas não ideal) que seus setores façam a folha de pagamento (onze empregados) daquela empresa e/ou façam os registros contábeis e patrimoniais dos imóveis. Prática comum no mercado, desde que não acarrete operações tributárias indevidas. O fato de os contratos de alugueis preverem pagamentos diferenciados, ou seja, para a Fiscalizada seria um critério (percentual sobre o faturamento) e para as lojas de apoio a estipulação de um valor fixo, também não significa, isoladamente, nada de relevante. Problemas poderiam surgir se a Fiscalizada estivesse pagando valores de alugueis bem acima do valor de mercado, o que caracterizaria eventual distribuição disfarçada de lucros, algo que não foi aventado em nenhum momento no Termo Fiscal. Se a Fiscalizada é quem escolhe que serviços/lojas de apoio funcionarão na área dos supermercados, também não há qualquer anormalidade, afinal é a principal locatária no processo e razoável que decida quem e o quê funcionará ao seu lado, no sentido de que se possa agregar novos consumidores aos seus produtos. Se a Giassi Emp. Part. S/A não influencia neste processo de escolha, não significa, conforma afirma a autoridade fiscal, que "[...] essas condições (‐ de dependência da Fiscalizada ‐) são totalmente incompatíveis com o evento de cisão de patrimônio e capital que fez surgir a a Giassi Empreendimentos, [...]." Se a Fiscalizada pagou dívidas da Giassi Emp. e Part. S/A, a preocupação inicial é se os valores pagos situam‐se no âmbito dos valores pactuados de alugueis e/ou se tais pagamentos (despesas) poderiam estar afetando o resultado da Fiscalizada, o que seria indevido, mas tal situação não foi verificada/constatada. Veja que no Termo Fiscal temos a informação de que "[...] cerca de 82% dos valores devidos a título de aluguel foram utilizados para pagamentos de dívidas da Giassi Empreendimentos...". Posso até concordar que este não seria o procedimento correto, mas daí a considerar tal procedimento elemento forte o suficiente para descaracterizar a empresa beneficiada, já contém um certo exagero. Que fique claro que não há nos autos qualquer restrição por parte da autoridade fiscal quanto à veracidade/existência/efetividade dos pagamentos feitos pela Fiscalizada à Giassi Emp. e Partic. S/A, a título de alugueis. O fato de ambas as empresas possuírem os mesmos sócios não macula a cisão feita lá em 1995 e nem é motivo de glosa de despesas de alugueis por considerá‐las despesas inexistentes ou que não haja affectio societatis. Diferentemente da infração comentada anteriormente (a questão do malfadado ágio interno), portanto, aqui não houve a irregularidade apontada e muito menos a existência de simulação, nos termos em que levantada no Termo Fiscal. Deve‐se, claro, reconhecer que há uma certa ingerência da Fiscalizada nos contratos de locação, na assunção/pagamentos de dívidas da Giassi Emp. e Partic. S/A e em obras/instalações em imóveis que venha a alugar, mas daí a descaracterizar a cisão feita lá em 1995, como se fosse um ato simulado (!) para encobrir o que se desejava, ou seja, as despesas com alugueis, me parece um grande equívoco. Já explicamos as razões que, ao meu sentir, gerencialmente demonstrou‐se aceitável a separação dos imóveis, então realizada por meio de cisão. Ainda, as DIPJ da Giassi Emp. e Partic. S/A sinalizam a existência de outras receitas (financeiras) além das de alugueis. Ainda, o fato de a Giassi Emp. e Partic. S/A ser optante pelo Lucro Presumido não é razão aglutinadora para servir de elemento para descaracterizar a empresa, uma vez que sua opção por este regime de tributação lhe era permitida. Se houve economia de tributos, como acentuou a autoridade fiscal, tal situação não se verificou em um ambiente forjado, contrariamente à questão tratada anteriormente neste Voto. Ainda, argumentos fiscais acerca de eventual vinculação entre recursos poupados com o não pagamento de tributos e sua utilização para pagamento de dividendos e juros de capital próprio e/ou aumentos de capital, os quais foram aplicados no patrimônio da Giassi Emp. e Partic. S/A, deixam aqui de serem comentados em face do seu grau de subjetividade. Conclusão Fl. 19218DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 106 40 Ante o exposto, restabeleça‐se a despesa glosada a título de alugueis, em face da inexistência da alegada simulação, de forma que não há que se tributar aqui o resultado positivo operacional e não operacional da Giassi Empreendimentos e Participações S/A., indevidamente trazido, de ofício, para a Fiscalizada, de modo que se deve excluir de tributação as matérias apontadas no auto de infração de IRPJ, indicadas nos itens 002, 004 e 005. Revisados os autos, alinhome com todos os fundamentos utilizados pela DRJ para infirmar indício por indício, a acusação de simulação nas despesas com aluguéis. A fiscalização começou equivocandose ao apontar suposto vício na cisão feita em 1995, apenas pelo fato de ambas as empresas possuírem os mesmos sócios, e não constituindose isso em motivo suficiente para glosa de despesas de alugueis por considerálas despesas inexistentes ou que não haja affectio societatis. Também como bem colocou a DRJ, restou claro nos autos que não foi feita qualquer restrição por parte da autoridade fiscal quanto à veracidade/existência/efetividade dos pagamentos feitos pela Fiscalizada à Giassi Emp. e Partic. S/A, a título de alugueis, nem muito menos que tais valores poderiam estar aviltados, abaixo de preço de mercado. Ficou também provado que a GIASSI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. não possui apenas imóveis transferidos da Fiscalizada, ela detém outros imóveis, então destinados para revenda e/ou investimentos, mesmo que de menor porte, situação essa que depõe também contra a tese defendida fiscal. Por fim, a operação como um todo é perfeitamente lícita e dentro dos padrões normais que se espera do específico ramo de atividade de atuação da autuada. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Empresa Conforme já dito alhures, o Recurso voluntário do contribuinte se restringe a duas matérias: Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício . juros de mora sobre multa de ofício;e contestação de matéria de execução do Acórdão da DRJ. RECURSO VOLUNTÁRIO Osni Giassi. Atribuição de responsabilidade tributária 135, inciso III do CTN Fl. 19219DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 107 41 RECURSO VOLUNTÁRIO Empresa Juros sobre multa de ofício No ataque à essa questão geralmente se utiliza do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Fl. 19220DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 108 42 O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. CONTESTAÇÃO DE ERRO NO CÁLCULO DA EXONERAÇÃO FEITA PELA DRJ Para boa elucidação da matéria, reproduzse literalmente a contestação da Recorrente em seu recurso voluntário: Outro ponto que merece reparo no Acórdão ora recorrido diz respeito ao cálculo do crédito tributário exonerado relativo à exigência lançada a título de "dedução de despesas inexistentes de aluguel", entendida pela DRJ/FNS como autuada incorretamente pela Autoridade Administrativa (em função de ser legítima), pois que conforme os cálculos auditados pela própria Recorrente há uma divergência aproximada de R$1.362.630,00 (hum milhão, trezentos e sessenta e dois mil, seiscentos e trinta reais) para IRPJ e R$513.458,31 (quinhentos e treze mil, quatrocentos e cinqüenta e oito reais e trinta e um centavos) para a CSLL, dos valores que DEVERIAM ter sido excluídos do lançamento. Os valores acima deveriam ter sido exonerados dos aludidos tributos e não foram, porém fica difícil à Recorrente precisar qual foi o equívoco cometido pela Autoridade Julgadora, em vista de não ter acesso à sua memória de cálculo. É sabido que à referida Autoridade dificilmente compete realizar os cálculos do crédito tributário exonerado, sendo esta incumbência, na maioria dos casos, atribuída à Autoridade Preparadora, e por tal motivo, talvez a composição correta do crédito Tributário mantido tenha restado equivocada. O fato é que, pelo que a Recorrente pôde interpretar do julgado ora recorrido, deveriam ser excluídos do lançamento os valores autuados a título "Despesas desnecessárias — inexistentes. Aluguel de prédios próprios", bem como seus respectivos reflexos da tributação de PIS e COFINS. Mas como dito, dos valores originariamente lançados, a Recorrente percebeu que há uma divergência na ordem de R$1.876.088,31 (hum milhão oitocentos e setenta e seis mil, oitenta e oito reais e trinta e um centavos), no que tange às exigências de CSLL e IRPJ somadas, porém, os valores reflexos de PIS e COFINS foram corretamente calculados Fl. 19221DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 109 43 O que se pede é que se verifique novamente o cálculo do crédito tributário exonerado, levandose em consideração as diferenças apontadas na planilha abaixo: Período IRPJ CSLL s/aluguéis a exonerar divergência s/aluguéis a exonerar divergência notificação Receita não notificação Receita não inicial Federal exonerada inicial Federal exonerada 1° trimestre/2007 406.033,04 343.918,49 62.114,55 144.469,17 117.821,11 26.648,06 2° trimestre/2007 397.904,52 324.954,04 72.950,48 142.092,64 112.559,99 29.532,65 3o trimestre/2007 386.396,99 279.602,87 106.794,12 138.490,73 98.497,22 39.993,51 4° trimestre/2007 318.636,61 150.646,37 167.990,24 114.172,46 52.072,89 62.099,57 1° trimestre/2008 360.851,77 198.396,91 162.454,86 129.377,99 71.422,89 57.955,10 2° trimestre/2008 366.015,97 344.969,02 21.046,95 131.169,99 124.188,83 6.981,16 3° trimestre/2008 540.989,31 459.817,45 81.171,86 194.018,09 163.374,30 30.643,79 4o trimestre/2008 551.453,16 370.996,36 180.456,80 197.730,47 131.398,70 66.331,77 Se entende a defesa que os cálculos feitos pela DRJ padeceriam de algum vício, deveria ter especificado melhor suas razões, não sendo bastante suficiente a apresentação de meras alegações vagas e sem ser precisa em seus fundamentos. Esse ônus é de quem alega e não do julgador. Porém, este julgador ainda por amor a verdade, revisou por amostragem os cálculos feitos pela DRJ e não encontrou nenhum equívoco. Tomese como exemplo o 1o Trimestre de 2007, e fazendo o passo a passo chegase exatamente na diferença mantida pela DRJ para esse período (IRPJ+adicional)=R$343.918,59. Outrossim, o valor de base que ela informa na tabela de 406.033,04, base de sua comparação para esse período, ela não informa como chegou. Muito provavelmente está confundindo conceitos, pois para o caso das contribuições em que o cálculo é mais simples a Recorrente não encontrou ditas diferenças. EXEMPLO PARA o 1o TRIMESTRE DE 2007 IRPJ e Adiconal BASE TRIBUTÁVEL TOTAL LANÇADA=> 6.513.895,66 Valores exonerados por considerar empresa simulada infação 3=> 1.797.953,43 Infração 4=> 189.178,90 BASE TRIBUTÁVEL APÓS EXONERAÇÕES 4.526.763,33 IRPJ 15% 679.014,50 BASE IRPJ DECLARADA APÓS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZOS 567.657,98 Base do adicional do IRPJ (567.657,98 +4.526.763,33) ( 240.000/4)) 5.034.421,31 Adicional do IPRJ recalculado (10% x item anterior) 503.442,13 Adicional do IRPJ já declarado 50.765,40 Novo Adicional de IRPJ lançado após exonerações (503.442,1350.765,40) 452.676,73 IMPOSTO TOTAL (IRPJ + adicional) após exonerações 1.131.691,23 IMPOSTO LANÇADO ORIGINALMENTE NO AUTO DE INFRAÇÃO 1.475.609,82 Fl. 19222DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.721207/201270 Acórdão n.º 1401001.587 S1C4T1 Fl. 110 44 Diferença mantida (IRPJ e adicional) após exonerações da DRJ 343.918,59 LANÇAMENTO DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS O decidido quanto à infração do IRPJ, também se aplica aos lançamentos decorrentes naquilo em que for cabível e não havendo contestações específicas. Nesse sentido, os lançamento de PIS e COFINS devem se manter cancelados em função da negativa do recurso de ofício. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso de Ofício e, ao Recurso voluntário da empresa, este já delimitado nos termos desta decisão, mas dou provimento ao recurso do sócio Osni Giassi, retirando a atribuição de responsabilidade tributária imputada ao mesmo. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 19223DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11080.729721/2011-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações principais e acessórias foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, deve ser comparada a soma das duas multas aplicadas conforme a legislação vigente à época dos fatos geradores, com a penalidade prevista no art. 35-A, da Lei nº 8.212, de 1991 (75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996).
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações principais e acessórias foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, deve ser comparada a soma das duas multas aplicadas conforme a legislação vigente à época dos fatos geradores, com a penalidade prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991 (75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996). Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 97 21 /2 01 1- 30 Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de exigência por meio dos seguintes procedimentos: Auto de Infração relativo às Contribuições Previdenciária da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, nas competências 10/2006 a 12/2008. Auto de Infração decorrente da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 10/2006 a 11/2008. Em sessão plenária de 17/10/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403002.313 (fls. 1.091 a 1.128), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 MULTA DE MORA. RECÁLCULO. A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 9202003.908 CSRFT2 Fl. 1.167 3 Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. Em caso de simulação aplicase a regra do artigo 173, I do CTN. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da decadência. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa do AI 37.334.8398 de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº11,941/2009 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para o recálculo da multa de mora do AI 37.334.8401, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Pelo voto de qualidade, em reconhecer devida a tributação. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa." O processo foi enviado à PGFN em 24/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.129). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 10/04/2015, o que foi feito em 07/04/2015 (fls. 1.130 a 1.145), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 1.146. O Recurso Especial, interposto com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, visa rediscutir as seguintes matérias: multa pelo descumprimento da obrigação principal; multa pelo descumprimento de obrigações acessórias. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 130/2015, de 15/06/2015 (fls. 1.148 a 1.155). Relativamente à primeira matéria, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 para a solução destes questionamentos, devese lembrar que 'não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum" (Grau, Eros Roberto. Ensaio e Discurso sobre a Interpretaçc5o/Aplicação do Direito. 2° edição. São Paulo: Melhoramentos, pág. 40); nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de oficio das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (a respeito, ver as fls. 38/39 do Relatório Fiscal), cumpre à fiscalização realizar o lançamento de oficio e aplicar a respectiva multa (de oficio) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de oficio, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio; a multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário; a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso); Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 9202003.908 CSRFT2 Fl. 1.168 5 essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941, de 2009; é o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212, cuja literalidade se pede vênia para repisar: "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; a multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de oficio; a multa de mora e a multa de oficio são excludentes entre si, e deve prevalecer, na hipótese de lançamento de oficio, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A; nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento sendo o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; por fim, cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP n° 449, de 2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 2009: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” nessa linha de raciocínio, o Auto de Infração de obrigação principal deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anterioriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n° 449/2008. Relativamente à segunda matéria multa pelo descumprimento de obrigações acessórias a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: nosso ordenamento jurídico rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, portanto não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449, de 2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.” tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% ; assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 9202003.908 CSRFT2 Fl. 1.169 7 contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devesse privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991; essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, a NFLD (AIOP) e o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35, IIA, da MP nº 449/2008. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (fls. 1.160 a 1.165). Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência por meio dos seguintes procedimentos: Auto de Infração relativo às Contribuições Previdenciária da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, nas competências 10/2006 a 12/2008. Auto de Infração decorrente da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 10/2006 a 11/2008. A Fazenda Nacional questiona a aferição acerca da aplicação da retroatividade benigna efetuada no acórdão recorrido, o que será aqui tratado de forma global, relativamente às penalidades pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que previam as penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias, tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 9202003.908 CSRFT2 Fl. 1.170 9 § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve aplicação de multas pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias, no contexto de lançamento de ofício, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Autos de Infração distintos não deixava dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 9202003.908 CSRFT2 Fl. 1.171 11 uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, concluise que deve ser restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias, vigentes à época do fato gerador; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.720898/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. POLICIAL MILITAR. REFORMA. PROVIMENTO. SÚMULA CARF Nº 43 Tendo em vista que o recorrente aposentou-se e, posteriormente, fora atestada sua moléstia grave em 2009, deve ser reconhecida sua isenção a partir da data do laudo médico.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. POLICIAL MILITAR. REFORMA. PROVIMENTO. SÚMULA CARF Nº 43 Tendo em vista que o recorrente aposentouse e, posteriormente, fora atestada sua moléstia grave em 2009, deve ser reconhecida sua isenção a partir da data do laudo médico. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 08 98 /2 01 3- 62 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ANTONIO CLAUDIO SOARES, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora apurada inconsistência na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2011 do recorrente, pois não houve comprovação da data em que o contribuinte foi reformado, tendo em vista que o laudo pericial, o qual atesta a condição pessoal do portador de moléstia grave, causa da passagem à situação da inatividade, mediante reforma, foi emitida em 24/01/2012, ano posterior ao ano da autuação. O lançamento considerou tributáveis os rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, pagos pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Sergipe e pelo Estado de Sergipe no total de R$ 204.710,43, apurandose imposto de renda suplementar de R$ 253,57 em substituição a saldo de imposto de renda a restituir declarado de R$ 35.921,09. Consta dos autos que o recorrente apresentou laudo médico oficial atestando ser portador de doença que permite a concessão do benefício que busca ser reconhecido em seu favor em 23/04/2009, fazendo jus à isenção a partir da data de emissão do laudo. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que faz jus ao direito de isenção do IR desde o início da moléstia grave adquirida, devidamente comprovado através de documentos acostados aos autos, indicando o início da enfermidade desde abril de 2009; 2. que o motivo da reforma do contribuinte se deu por aposentadoria por tempo de serviço e que o fato da doença ter sido adquirida após sua aposentadoria não lhes cessa o direito de ter a isenção do IR; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.720898/201362 Acórdão n.º 2402005.323 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO In casu, a discussão cingese a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de moléstia grave, resta comprovada nos autos, bem como a natureza dos rendimentos recebidos por ele após sua reforma. Com relação ao tema, o inciso XXXIII e §§ 4° e 5° do artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), de 1999, preceitua o seguinte: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ....................................................................................................... XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida , e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); ....................................................................................................... § 4° Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º ). § 5° As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Pois bem. A isenção a que se referem os preceitos supramencionados alcança tãosomente os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de doença grave comprovada por laudo pericial. Consoante documentação anexa, o relatório médico acostado à fl. 12 comprova que o recorrente fora diagnosticado com neoplasia maligna em 23/04/2009, fato ratificado pela perícia médico do Estado em 24/01/2012, à fl. 13. Assim, estando presentes os requisitos da isenção de imposto de renda, resta analisar apenas a natureza dos rendimentos recebidos pelo recorrente. Restou consignado pela DRJ no acórdão recorrido que o recorrente fora transferido para a Reserva Remunerada em janeiro de 1997, a pedido, com base nos artigos 92, 93, inc. II e III, e 95, inc. IV, da Lei nº 2.066, de 23/12/1976 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado do Sergipe). Salienta que referida situação darseia tãosomente quando atingida a idade limite de 64 anos, no caso de oficial superior, ou quando for julgado incapaz, definitivamente, para o serviço ativo da Polícia Militar, em consequência de neoplasia maligna. Alude que não houve comprovação da data em que o contribuinte foi reformado, tendo em vista que o laudo pericial que atesta a condição pessoal de portador de moléstia grave, causa da passagem à situação de inatividade, mediante reforma, foi emitido apenas em 24/1/2012 (fl. 14), ano posterior ao ano da autuação. Entretanto, da análise dos documentos acostados aos autos, especificamente o Decreto do Governador do Estado transferindo o recorrente para a Reserva Remunerada (fl. 14), verificase que o fundamento utilizado para tanto não foi com base nos artigos 92, 93, inc. II e III, e 95, inc. IV, da Lei nº 2.066/1976, mas foi com base nos artigos 87, inc. I, e 88 da Lei nº 2.066/1976, os quais assim dispõem: Art. 87. A passagem do policialmilitar à situação de inatividade mediante transferência para a reserva remunerada, se efetua: I A pedido; e II Exoffício. Art. 88. A transferência para a reserva remunerada, a pedido, será concedida mediante requerimento, ao policial militar que contar, no mínimo, 30 (trinta) anos de serviço público. § 1º. No caso do policial militar haver realizado qualquer curso ou estágio de duração superior a 6 (seis) meses, por conta do Estado, no exterior, sem haver decorrido três (3) anos de seu término, a transferência para a reserva remunerada, só será concedida mediante indenização, de todas as despesas correspondentes à realização com o referido curso ou estágio, inclusive as diferenças de vencimentos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.720898/201362 Acórdão n.º 2402005.323 S2C4T2 Fl. 4 5 § 2º. Não será concedida transferência para a reserva remunerada, a pedido, do policial militar que: I Estiver respondendo a inquérito ou processo em qualquer jurisdição; e II Estiver cumprindo pena de qualquer natureza. Vale trazer a Súmula nº43, desse CARF, que considera ser isento do imposto de renda para o caso em apreço, senão vejamos: "Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda." Dessa forma, razão assiste ao contribuinte quando alega que este passou para reforma, a pedido, por motivo de aposentadoria por tempo de serviço, enquadrandose na isenção de imposto de renda ora discutida, haja vista a decretação de moléstia grave em abril de 2009. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 19515.005197/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal.
Inexistindo dolo, fraude ou simulação e havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF.
PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP.
Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).
Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Inexistindo dolo, fraude ou simulação e havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 819 1 818 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005197/200948 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.513 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente RÁPIDO 900 DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Inexistindo dolo, fraude ou simulação e havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 51 97 /2 00 9- 48 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.005197/200948 Acórdão n.º 2301004.513 S2C3T1 Fl. 820 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1632.346 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ São Paulo I, f. 271284, com ciência ao sujeito passivo em 24/10/2011 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no 37.242.6115, com ciência ao sujeito passivo em 26/11/2009. De acordo com o relatório fiscal de f. 94100, o AIOP trata de exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os seguintes fatos geradores: a os valores pagos aos segurados empregados, registrados na função de motoristas, a título de verbas para fins de custear os gastos com alimentação, sem comprovação das despesas, nas competências 01/2004 a 12/2004, constituindose, portanto, em remuneração indireta, conforme escrituração contábil, conta "3.1.2.06.0014 Refeições e Lanches"; b Os valores pagos a título de arrendamento mercantil, referente a carros de luxo para utilização pelos sócios, nas competências 01/2004 a 12/2004, constituindose, portanto, em Pro Labore indireto, conforme escrituração contábil, conta" 3.1.3.07.0033 Leasing "; c os valores pagos aos contribuintes individuais, na condição de carreteiros autônomos, nas competências 01/2004 a 12/2004, referentes à prestação de serviços de fretes, conforme escrituração contábil, conta "3.1.2.03.0001 Fretes Contratados"; d os valores pagos aos contribuintes individuais, na condição de autônomos, referentes à prestação de serviços, nas competências 01/2004 a 12/2004, conforme escrituração contábil, conta 3.1.3.07.0001 " assistência Jurídica e Contábil"; e os valores pagos aos contribuintes individuais, na condição de empresários, referentes à diferença de Pro Labore, somente na competência 01/2004, conforme escrituração contábil, conta " 3.1.3.070040 Pro Labore ". A autuada apresentou impugnação contestando todas as matérias do lançamento tributário. Antes de proferida a decisão, entretanto, pediu a desistência parcial da impugnação, objetivando adesão de parte do crédito tributário lançado a uma das formas de parcelamento previstas na Lei 11.941/2009, mantendo a controvérsia somente em relação ao fato gerador descrito como sendo os valores pagos aos contribuintes individuais carreteiros autônomos, nas competências 01/2004 a 12/2004, referentes à prestação de serviços de fretes, e que foi identificado no relatório fiscal e anexos pelo levantamento “FPF – Fretes pagos a Pessoas Físicas” e “Z1Transf do Lev FPF – até 11/08”. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem procedeu ao desmembramento do débito, como explica o acórdão recorrido: Conforme despacho de fls. 208/209, Termo de Transferência TETRA de fls. 251, e Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado DADD, de fls. 252/258, as contribuições originalmente lançadas neste Auto de Infração foram desmembradas. Desse modo, a teor do Discriminativo do Débito DD, de fls. 264/265, permanecem nos presentes autos apenas os levantamentos abaixo identificados, cujo montante, em valor consolidado na data da lavratura do presente Auto de Infração é de R$568.677,65 (quinhentos e sessenta e oito mil, seiscentos e setenta e sete reais e sessenta e cinco centavos). Levantamento Fato Gerador Período FPF FRETES PAGOS A PESSOAS FÍSICAS Valores pagos a contribuintes individuais (carreteiros autônomos) a título de frete 01 a 10/2004 Zl TRANSF DO LEV FPF ATÉ 11/08 11 e 12/2004 Após isso, a DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário impugnado. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A decadência não atinge o crédito tributário previdenciário lançado cm 26 de novembro de 2009, relativo a fato gerador de contribuições devidas a terceiros que não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa nem foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP no período janeiro a dezembro de 2004. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TRANSPORTADOR RODOVIÁRIO AUTÔNOMO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SEGURADO OBRIGATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. O condutor autônomo de veículo rodoviário que se dedica ao transporte de carga exercendo atividade profissional sem vínculo empregatício, também denominado carreteiro autônomo, é segurado obrigatório da Previdência Social na categoria contribuinte individual, devendo a empresa que contrata seus serviços recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre o valor do frete pago. Em 22/11/2011 o sujeito passivo, representado por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 293321, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.005197/200948 Acórdão n.º 2301004.513 S2C3T1 Fl. 821 5 Preliminarmente alega, com base no art. 150 § 4o do CTN, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário litigioso do período de janeiro a outubro de 2004, esclarecendo que efetuou recolhimento antecipado parcial das contribuições incidentes sobre valores pagos aos carreteiros, bem como declarou parte desses fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), conforme comprovam as GFIP e GPS em anexo. Ressalta que as GFIP identificam nominalmente os contribuintes individuais que prestaram serviços de frete. No mérito, informa que não foram deduzidos do crédito tributário lançado os recolhimentos espontâneos de parte das contribuições exigidas no presente auto de infração nas competências novembro e dezembro 2004, comprovados pelas GFIP e GPS anexas. Pede que seja reconhecida a decadência do período de janeiro a outubro de 2004 e que seja revisto o valor do crédito tributário lançado nas competências novembro e dezembro de 2004. O julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2402 000.456, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, em sessão de 17 de julho de 2014, nos termos do voto dessa relatora, às fls. 779783, na qual foram solicitados, à autoridade lançadora, esclarecimentos sobre os seguintes pontos: a) à vista das informações contidas nos sistemas de arrecadação da RFB, confirmar a existência dos recolhimentos veiculados nas GPS do período 01/2004 a 12/2004, f. 338370, e a data do recolhimento; b) se no período do lançamento o valor das contribuições pagas é superior ao valor das contribuições declaradas em GFIP e, em caso afirmativo, se é viável imputar o pagamento excedente ao crédito tributário impugnado (pagamento aos contribuintes individuais carreteiros autônomos pela prestação de serviços de fretes). Em resposta, foi emitida a informação fiscal de fls. 807816, na qual confirmouse a arrecadação dos valores consignados nas GPS apresentadas no recurso, e concluiuse pela existência de recolhimentos relacionados aos fatos geradores controvertidos do processo, em valor superior ao declarado em GFIP. Após ter sido intimada do resultado da diligência, a recorrente apresentou manifestação às fls. 795796, consignando planilha demonstrativa de crédito do contribuinte no período de 01/2004 a 12/2004, no valor total de R$ 337.641,22, e informando que este valor deixou de ser informado em GFIP devido à falta de Número de Inscrição do Trabalhador (NIT) de alguns carreteiros. É o relatório. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Resultado da Diligência A parte controvertida do processo é somente a contribuição de 20%, a cargo da empresa, incidente sobre a remuneração de transportadores autônomos. Em informação fiscal de fls. 507816, emitida em atendimento ao pedido de esclarecimentos deste Órgão Julgador em sede de diligência, o auditor fiscal analisou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias da Previdência Social (GPS) juntadas no recurso, f. 338770, e concluiu o que segue, em síntese: Em relação ao fato gerador controvertido do processo, informa que a recorrente, apesar de intimada, deixou de apresentar planilha contendo o nome e o valor pago aos carreteiros autônomos pessoa física e não providenciou a retificação da GFIP, deixando de incluir neste documento as remunerações pagas, devidas ou creditadas a esses trabalhadores. Confirma a existência dos recolhimentos de contribuições nas rubricas INSS e terceiros, nos códigos de recolhimento 2100 (empresas em geral – CNPJ), 2119 (empresas em geral – CNPJ – recolhimento exclusivo para Outras Entidades – SESC, SESI, SENAI, etc), e 2631 (Contribuição Retida sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço CNPJ), nas competências 01/2004 a 12/2004, efetuados antes do início da Auditoria Fiscal, conforme planilha de fls. 799803, identificando as GPS por estabelecimento, competência, valor, código de recolhimento e data de recolhimento, cujo resumo dos valores recolhidos consta da planilha de fls. 812. Elaborou demonstrativo das contribuições declaradas em GFIP, no mesmo período, vinculadas aos FPAS 612 (transporte rodoviário) e 620 (contribuições incidentes sobre a remuneração de transportador rodoviário autônomo) e demonstrativo dos valores recolhidos nas GPS com códigos de recolhimento 2100 e 2119. Após, realizou o cotejo entre os valores declarados e os valores recolhidos, concluindo que os recolhimentos em GPS superam as contribuições declaradas em GFIP, conforme demonstrativo às fls 805, cujo resumo consta da planilha de fls. 814, intitulada "Rápido 900 Limitada Saldo credor em favor da empresa". Diante disso, elaborou demonstrativo da redução do crédito tributário lançado após apropriação dos recolhimentos excedentes às contribuições declaradas em GFIP, nos termos das planilhas de fls. 805 e fls. 814815. O auditor fiscal informou que deixou de considerar, na análise, os recolhimentos em GPS com código 2631 (retenção de 11%), no período do lançamento, no valor originário (sem juros e multa) de R$ 81.197,14, uma vez que houve a compensação, declarada em GFIP, de R$ 87.063,06, conforme demonstrado na planilha de fls. 815816. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.005197/200948 Acórdão n.º 2301004.513 S2C3T1 Fl. 822 7 Adiante passo a analisar as alegações do recurso, utilizando das informações aqui expostas. Preliminar de Decadência Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento da contribuição devida pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo ou simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp n° 973.733, julgado em 12/08/2009, sob o rito dos recursos repetitivos, que, por força do § 2o do art. 62 do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. A análise do caso está restrita à matéria controvertida do processo, ou seja, as contribuições incidentes sobre o pagamento aos contribuintes individuais carreteiros autônomos, pela prestação de serviços de fretes. O lançamento em exame referese ao período de 01/2004 a 12/2004, sendo que o sujeito passivo dele teve ciência pessoal em 26 de novembro de 2009, conforme assinatura às fls. 03. De acordo com a informação fiscal em sede de diligência, a recorrente efetuou recolhimentos parciais das contribuições aqui tratadas no período do lançamento (rubricas INSS e terceiros), conforme listagem de GPS com código de recolhimento 2100 e 2119 às fls. fls. 799803. Com base nisso, o prazo inicial de decadência deve ser contado a partir do fato gerador, por conseguinte, na data da ciência do lançamento (26/11/2009), havia ocorrido a decadência das competências até outubro de 2004. Portanto, encontramse extintos os créditos tributários das competências 01/2004 a 10/2004, em razão da decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN. Pagamento Remanescem nos autos as contribuições das competências 11/2004 e 12/2004. Conforme visto no capítulo relativo ao resultado da diligência, ficou demonstrado nos autos que a recorrente efetuou recolhimentos em valor superior ao declarado nas GFIPs, ou seja, a recorrente possui créditos não vinculados aos fatos geradores declarados. É certo que constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores mediante correta informação em GFIP e GPS. Deixando de fazêlo, entendo que os pagamentos desvinculados dos fatos geradores passam a ter a natureza de pagamento indevido, e, nesse caso, é facultado ao contribuinte solicitar o aproveitamento do indébito aos créditos tributários compatíveis com a natureza e a competência dos recolhimentos indevidos. Este entendimento é adotado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 08, de 30 de abril de 2007, que trata do indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo 1 Art. 62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.005197/200948 Acórdão n.º 2301004.513 S2C3T1 Fl. 823 9 contribuinte em DCTF, DIRPF ou declaração de ITR, o qual é extensivo a todos os tributos administrados pela RFB. A referida SCI conclui que, comprovando, o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento poderá exonerá lo da multa de ofício, quando o pagamento houver sido tempestivo. Portanto, cabe ao setor responsável da RFB, providenciar a apropriação dos recolhimentos excedentes nas competências 11/2004 e 12/2004, conforme demonstrativo de valores da tabela "Diferenças Apuradas" às fls. 805, tomadas as cautelas de praxe, notadamente, a inexistência de compensação ou de restituição do indébito. Por fim, fica exonerada a multa de ofício incidente sobre os valores apropriados, uma vez que os recolhimentos foram feitos antes do início do procedimento fiscal. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, darlhe provimento, excluindo as competências até 10/2004, em razão da decadência, e, nas competências 11/2004 e 12/2004, reconhecer o direito do contribuinte a obter a apropriação dos recolhimentos excedentes, exonerandose a multa de ofício incidente sobre os valores apropriados. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 827DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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