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Numero do processo: 10675.000509/2003-24
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4º do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente
sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou
compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.074
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4" do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da I* câmara / P turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em • - .rovimento ao recurso. —_ 1 / Off te 1111 --- 0 MARCOS CÂNDIDO 'residente r"---T e / 11ARIA CRISTINA RO ISDA COSTA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. i Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.074 E. 239 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 11 (que substituiu o pedido de fl. 01), relativo ao 1" trimestre de 1998, no valor total de R$ [1, fitndado nos termos da Lei n°9.363/96 e da Portaria ME n° 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SELIC, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. No processo 10675.000925/2003-22, em apenso, encontra-se a compensação vinculada ao pleito de ressarcimento. [excluído] Os resultados da verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estilo consolidados na informação fiscal de fls. 153/157. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa, procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls.155/156. Comparando-se os valores originais os cálculos do auditor fiscal resultaram na apuração do crédito presumido deste trimestre em montante superior ao apurado pela própria empresa. O indeferimento parcial do pedido diz respeito, tão-somente, à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado extemporaneamente (f7. 63). Por intermédio do despacho decisório de fls. 163/165 a autoridade competente da DRF/Uberhindia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls.. 172/181, por intermédio da qual insurge-se contra o indeferimento proveniente da glosa da 'atualização' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(...) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada_pela Autoridade Tributária sob o vetusto fundamento de que não seria devida a 'atualização monetária ou acréscimo de litros compensatórios sobre o crédito presumido. haja vista a inexistência de previsão legal'. eis que como o ressarcimento é uma espécie do género restituição, (...). nele incide sim a Taxa Selic_prevista no arti2o 39. 4". da Lei n" 9.250/95 (.)". 2 Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.074 Fl. 240 Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Selic sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integralidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre janeiro e março de 1998 e foi protocolado em 25/02/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fundamentos se mantêm por?" eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à -, atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não desde as aquisições dos insumos. Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou CÁ/L- 1 e. Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.074 A. 241 compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de beneficias fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O principio da indisponibilidade da coisa pública toma imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao principio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde - a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais 7 superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Para a segunda inexiste previsão ou permissão legal. 01(- 4 is Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CIT1 • Acórdão C 21(11-00.074 Fl. 242 O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. 4 ere,, es_ v C(/mRIA CRISTINA ROZ A COSTA 5 Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10240.720972/2011-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2011
ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006.
IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO.
A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2011 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel. Recurso do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10240.720972/201114 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.134 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria IPI/IOF DEFICIENTE FÍSICO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARLI VIEIRA SALDANHA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2011 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 09 72 /2 01 1- 14 Fl. 130DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 106/117), admitido pelo Despacho de fls. 120/122, contra o Acórdão nº 3802002.122.089, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. Laudo oficial emitido por entidade integrante do SUS, que atesta ser a interessada portadora de “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, complementado por laudo expedido por junta de médicos credenciados junto a Departamento Estadual de Trânsito, segundo o qual a recorrente só está habilitada para dirigir veículos com transmissão automática e direção hidráulica, comprovam a condição de deficiente físico necessária ao reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IPI, nos termos do artigo 1º, § 1º, da Lei nº 8.989/95, c/c o artigo 4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2011 IOF. ISENÇÃO. FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. Faz jus à isenção do IOF o portador de deficiência física que comprove, mediante laudo atestado pelo Departamento de Trânsito Estadual, o tipo do defeito físico e a necessidade de dirigir veículo com adaptação especial (artigo, 72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91). Recurso ao qual se dá provimento. Alega a Fazenda Nacional que as lei instituidoras das isenções de IPI (art. 1º, IV, da Lei 8.989/95) e IOF (art. 72, IV, da Lei 8.383/91), quando financiado, na aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional equipados com motor de cilindrada não Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 9303008.134 CSRFT3 Fl. 3 3 superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, estipularam que não é qualquer problema de ordem física que dá direito ao seu portador à aquisição daqueles bens com as referidas isenções. Entende que para o gozo do benefício o comprometimento da função física deve se dar nos termos do que "dispõe o art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006, pela observação conjunta do §1º do art. 1º da Lei nº 8.989/95, com o inciso I, do art. 4º, do Decreto nº 3.298/99, alterado pelo Decreto nº 5.296/2004". Faz leitura dessas normas conclui que para fruição dos benefícios fiscais em questão o interessado deve se subsumir aos seguintes requisitos normativos: a) que haja alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano; b) que tal modificação tenha acarretado o comprometimento da função física; c) que a citada alteração se apresente sob a forma de: paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida; e d) que as moléstias citadas no item imediatamente acima não configurem meras deformidades estéticas; impliquem, pois, dificuldades para o desempenho de funções. E resume que "o sujeito passivo que se insira no conceito jurídico de deficiência física, assim entendida a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Acresce que no caso em apreço o laudo médico, apesar de atestar que a contribuinte possui deficiência física caracterizada pela limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida), CID M06.8, M81.0 e M17.0, não expressa em que forma se apresenta a deficiência física da recorrente, bem como não relata as consequências da doença que permitam identificar o enquadramento como deficiência física constante no art. 4º do Decreto 3.298/1999. E conclui: Ora, no caso em comento o contribuinte não se desincumbiu do ônus de colacionar aos autos laudo médico que demonstre que a doença que possui se manifesta na forma de uma das hipóteses de deficiência física contempladas pela legislação. Logo, não faz jus à isenção pleiteada. Registrese, por fim, que o caput do art. 111 e seu inciso II, ambos do Código Tributário Nacional, determinam expressamente a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Assim sendo, inexiste Fl. 132DF CARF MF 4 a possibilidade de flexibilização dos requisitos para gozo do benefício fiscal. Em relação específica ao IOF, a recorrente deveria ter apresentado laudo de perícia médica do DETRAN que atestasse a deficiência física e especificasse o tipo de defeito físico, sua total incapacidade para dirigir automóveis convencionais, e sua habilitação para dirigir veículo com adaptações especiais. O laudo apresentado, contudo, apenas atesta que a recorrente poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática e veículo automotor com direção hidráulica e que sua carteira de habilitação seria da categoria “B”. Ante tais argumentos, postula o provimento do especial para reformar o recorrido, indeferindo o pedido de isenção de IPI e IOF. Cientificada (fl. 126), a peticionante não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Conheço do recurso nos termos em que processado. Preliminarmente de ressaltar, determina o art. 111 do CTN, que a norma isentiva deve ser interpretada restritivamente, eis que o Estado está abrindo mão de uma receita com um fim econômico, ou social, como in casu. Assim, entendo que o rol de doenças que a norma isentiva arrolou são numerus clausus. Não faz o menor sentido o legislador ordinário veicular norma isentiva apenas a título de exemplificação, deixando em aberta sua tipificação pelo intérprete. Portanto, meu voto parte do pressuposto que só pode ser considerada "pessoa portadora de deficiência física" aquela cuja deficiência enquadrese nos estritos termos veiculados pelo art. 1º da Lei 8.989/1995 (e suas alterações posteriores Leis 10.690/2003 e 10.754/2003) e seu § 1º, IV, e, no caso do IOF, Lei 8.383/91, art. 721. Ademais, o art. 3º2 daquela norma 1 Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: ... IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; ... § 1° O benefício previsto neste artigo: a) poderá ser utilizado uma única vez; b) será reconhecido pelo Departamento da Receita Federal mediante prévia verificação de que o adquirente possui os requisitos. 2 Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 9303008.134 CSRFT3 Fl. 4 5 delegou à então SRF o reconhecimento da referida isenção, "mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos" na lei. Para tanto, a RFB editou a IN RFB 988/2009, posteriormente alterada pela IN RFB 1.639/2013. Vejase o teor das normas que importam ao deslinde da quaestio: Lei 8.989/95: Art. 1oFicam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: ... IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (grifei) Decreto 3.298/99 Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência físicaalteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) A Instrução Normativa nº 988/2009 assim dispõe: Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou Fl. 134DF CARF MF 6 profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I – Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; ... § 6º Para efeito do disposto no inciso I do caput, poderá ser considerado, para fins de comprovação da deficiência, laudo de avaliação obtido: I – no Departamento de Trânsito (Detran) ou em suas clínicas credenciadas, desde que contenha todas as informações constantes dos Anexos IX, X ou XI; e II– por intermédio de Serviço Social Autônomo, sem fins lucrativos, criado por lei, fiscalizado por órgão dos Poderes Executivo ou Legislativo da União, observados os modelos de laudo constantes dos Anexos IX, X ou XI. O Laudo de fl. 04 atesta que a contribuinte possui deficiência física, especificando: “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, enquadrando nos CID M06.8, M81.0 e M.17.0. O segundo laudo (fls. 46/47 ) conclui que a periciada "é portadora de artrite reumatismo (sic) comprometimento da articulação do punho e mãos direita e tornozelos com dores”, conlcuindo que a "usuária poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática código D e veículo automotor com direção hidráulica". Constatase que, o indeferimento deuse por dois motivos: a) não entrega da declaração de disponibilidade financeira; e b) não enquadramento da deficiência apontada no laudo médico dentre aquelas elencadas no Decreto nº 3.298/99. Dessa forma, a interessada não apresentou a declaração de disponibilidade financeira, nos termos do art. 3º, inc. II, da Instrução Normativa nº. 988/2009, conforme evidencia o despacho decisório, não fazendo a juntada nem mesmo na fase impugnatória. Isto posto, não há como acatar a solicitação da interessada, tendo em vista o não atendimento dos requisitos previstos na legislação de regência da matéria. Demais disso, o laudo (fl. 4) apenas certificou que a interessada possuía deficiência física por "limitação de punho por artrite reumatóide (adquirida)". Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 9303008.134 CSRFT3 Fl. 5 7 Ao se efetuar o cotejo entre a descrição da enfermidade da pleiteante e a norma legal transcrita, percebese que a deficiência não se enquadra, de forma literal, em nenhuma das hipóteses descritas no Decreto nº 3.298/1999, como se depreende com a análise dos laudo médicos referidos. Quanto à isenção de IOF, o benefício está condicionado à apresentação de laudo do DETRAN que ateste a deficiência física e que especifique o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais e, ainda, a habilitação do requerente para dirigir veículos com adaptações especiais, as quais devem estar descritas no referido laudo, conforme art. 72, inciso IV, da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991. O laudo apresentado pela requerente às fls. 45/46 atesta que a usuária poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática código D e veículo automotor com direção hidráulico, código F. CNH categoria B. Dessa forma, concluise que a requerente não necessita de veículo adaptado. Isso impede a concessão da isenção de IOF. Portanto, entendo correto o despacho decisório local que indeferiu o pleito de isenção. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando o despacho decisório de fls. 35/41, que indeferiu o pleito isentivo. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722934/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. Não evidenciado cerceamento de defesa, no caso, em função de alegada carência de fundamentação, resta improcedente a demanda por nulidade processual.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Numero da decisão: 3401-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares de nulidade, na sessão de janeiro de 2019, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antônio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
LÁZARO ANTONIO SOUZA SOARES - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. Não evidenciado cerceamento de defesa, no caso, em função de alegada carência de fundamentação, resta improcedente a demanda por nulidade processual. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
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(nova denominação de REPSOL YPF BRASIL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. Não evidenciado cerceamento de defesa, no caso, em função de alegada carência de fundamentação, resta improcedente a demanda por nulidade processual. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 29 34 /2 01 5- 07 Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.948 2 planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares de nulidade, na sessão de janeiro de 2019, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antônio Souza Soares. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) LÁZARO ANTONIO SOUZA SOARES Redator Designado Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.949 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2410 a 24321, datado de 26/11/2015, com ciência em 26/11/2015 (fl. 2504), exigindo Contribuição para o PIS/PASEP importação e COFINSimportação, sobre valores correspondentes a remessas para o exterior, para a beneficiária STENA DRILLMAX I KFT, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2011, totalizando, a título de original, respectivamente, R$ 6.035.378,41 e R$ 27.799.318,76, a serem acrescidos de juros de mora e multa de ofício (no patamar de 75%). No Termo de Verificação Fiscal (TVF) anexo à autuação (fls. 2433 a 2498), narra a fiscalização que: (a) a empresa autuada tem como objeto, individualmente ou associada a terceiros, o desenvolvimento de atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos no território nacional; (b) o procedimento fiscal voltouse à apuração de incidência de IRRF, CIDE sobre pagamentos efetuados em favor de empresa estrangeira / CIDEremessas, Contribuição para o PIS/PASEPimportação, COFINSimportação, no ano calendário de 2011; (c) com base em procedimentos fiscais anteriores, apurouse que o padrão de contratação, em empresas do gênero, consistia em um contrato de afretamento de unidade (plataforma ou sonda) com empresa estrangeira “A”, e um contrato de prestação de serviços com empresa nacional “B”, sendo “A” e “B” empresas do mesmo grupo econômico, em geral controladas por uma holding do grupo; (d) a empresa “B” deveria prestar serviços de sondagem, perfuração, completação, workover e correlatos utilizando a unidade (plataforma ou sonda) fornecida pela empresa “A”; (e) havia estreita vinculação e interdependência entre os contratos de afretamento e serviços, cujas remunerações eram calculadas a partir dos mesmos critérios de medição, mas, comparando os valores atribuídos aos dois contratos, constatouse que o contrato de afretamento absorvia quase a totalidade do montante de ambos contratos, sendo que, em geral, o afretamento correspondia a cerca de 90% (noventa por cento) do total contratado com o mesmo grupo econômico, e a prestação de serviços a cerca de 10% (dez por cento); (f) a maior remuneração, atribuída ao afretamento, era remetida para o exterior, assim, sem pagamento do Imposto de Renda na Fonte, alegandose aplicável a alíquota zero prevista no art. 1o da Lei no 9.481/97, enquanto que a remuneração atribuída à prestação de serviços, via de regra, não era suficiente sequer para cobrir os custos da atividade da empresa nacional, gerando sucessivos prejuízos contábeis e fiscais; (g) houve, então, artifício na bipartição dos contratos, com o intuito de mascarar o real objetivo da Contratante e do grupo econômico contratado: uma só contratação, para a prestação de serviços de prospecção, perfuração, completação e workover, de que o fornecimento da unidade apenas fazia parte, como apreciado em julgamentos administrativos (Acórdãos DRJ 1328.138/2010 e 1232.209/2010, e Acórdão 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.950 4 CARF 3403002.702), e como lançado em anos anteriores para a mesma empresa (v.g., 2009 – Acórdão DRJ 1267.480 e 481/2014); (h) com fundamento no art. 1o da Lei no 9.481/97, e no art. 8o da Lei no 9.779/99, e na disciplina da IN SRF no 252/2002, a aplicação de alíquota zero para IRRF fica condicionada a quatro requisitos cumulativos: natureza do pagamento (receita de frete, aluguel ou arrendamento), natureza do bem (necessariamente embarcação estrangeira), regularidade da operação (atestada pela autoridade competente), e domicílio do beneficiário (vedado a domiciliado em paraíso fiscal ou país com tributação favorecida); (i) a unidade STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, contratada para atividades de perfuração offshore, a serviço da autuada, recebeu remessas no valor de R$ 245.413.477,02, sem incidência de IRRF, e R$ 7.553.498,52 com incidência, em 2011, conforme declarado em DIRF, o que ensejou intimação para esclarecimento, sintetizado à tabela de fl. 2447; (j) intimada a empresa a apresentar os contratos de aluguel, frete ou arrendamento de embarcação que ampararam as operações, houve apresentação de apenas um contrato, depois complementado com apêndices, após intimações para apresentar documentação relacionada às operações (v.g., faturas e documentos de comprovação de domicílio da empresa estrangeira); (k) o pagamento dos quatro tributos em análise, no período, foi sintetizado na tabela de fl. 2452, onde se percebe que os pagamentos classificados como “aluguel de embarcação” não sofreram nenhuma tributação, os pagamentos classificados como “aluguel de equipamentos” sofreram apenas a retenção de IRRF, à alíquota de 15% (quinze por cento), os pagamentos classificados como “serviços administrativos” sofreram apenas a retenção de IRRF, à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), e os pagamentos classificados como “serviços técnico profissionais” foram tributados pelo IRRF à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), pelo PISImportação e pela COFINSImportação; (l) foram assinados “contratos de afretamento” entre a autuada e a STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT simultâneos a contratos de prestação de serviços – com a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, ambas subsidiárias da STENA AB, empresa principal do Grupo STENA (relação entre as empresas detalhada às fls. 2444/2445), percebendose a estreita relação entre os contratos, havendo, no contrato de afretamento, disposições pertinentes à prestação de serviços de perfuração, e, no contrato de serviços, provisões relativas ao fornecimento da unidade afretada; (m) da análise das cláusulas contratuais (fls. 2456 a 2466 – cláusulas 1.4, 1.6.1,”a”, 2.27, “c”, “iii”, e 7.5/C.A.2009; cláusulas 7.5, 7.1.3, “d” e 11.5/C.S.2009; cláusulas 1.4, 2.27 e 4.8/C.A.2011; e cláusulas 1.2, 4.12.2, 7.5 11.5 e Anexo 12/C.S.2011; além de cláusulas comuns), extraise a clara confusão entre o afretamento e os serviços prestados, concluindose que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente, não só porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar; (n) em resposta a intimação, revelou a autuada que os pagamentos efetuados ao amparo do contratos de afretamento com a STENA DRILLMAX justificam a totalidade dos pagamentos, tanto a título de aluguel como de serviços; (o) na ausência de repartição contratual expressa dos pagamentos, e diante da divisão efetuada pela empresa, na qual a quase totalidade destinouse a aluguel de embarcação, a natureza dos pagamentos pode ser investigada a partir das faturas comerciais (fls. 2467 a 2474), nas quais se percebe que a pessoa que assina como representante da STENA DRILLMAX consta na DIPJ da STENA BRAZIL como administrador com vinculo empregatício, e que faturas tidas como de aluguel possuem pagamentos nitidamente vinculados a prestação de serviços técnicos, como sondagem e perfuração, e faturas tidas como de aluguel de equipamentos foram oferecidas à tributação à alíquota de IRRF de 15% quando deveriam ser tributadas a 25%, por ser a empresa beneficiária sediada em país de tributação favorecida (Hungria, como se detalha às fls. 2475 a 2479); (p) a realidade fática, no desempenho destes contratos concretos, é de que a atividade contratada é de prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, e, e entender o contrário seria admitir, por Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.951 5 exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho não se pode perder de vista que, neste caso concreto, a unidade de perfuração/sondagem/exploração pertence ao grupo econômico contratado para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração; (q) nos contratos analisados, a rescisão do contrato de prestação de serviços acarreta a rescisão do contrato de afretamento; (r) a empresa STENA BRAZIL, contratada para prestar os serviços, não dispunha de pessoal próprio suficiente para prestálos, contrariando expressa exigência do contrato (cláusula 3.7/C.S.2009); (s) os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados, sujeita à incidência do IRRF e da CIDE, e, e em razão da natureza técnica dos serviços, sujeitamse também à incidência de PISImportação e COFINSImportação, e, não tendo a fiscalizada apurado tributos sobre estas remessas, cabe o lançamento de ofício de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação (quadrosresumo às fls. 2497/2498); e (t) a base de cálculo da CIDE deve ser o valor bruto da remessa, e não o líquido (sem IRRF), já que o IRRF integra o rendimento auferido pelo beneficiário no exterior, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto (quadroresumo à fl. 2499). Como o presente lançamento, embora fundado no relatório que se presta à análise de quatro tributos, referese tãosomente a Contribuição para o PIS/PASEPimportação, COFINSimportação, tomarseá em conta, no voto, apenas a fundamentação referente a tais contribuições. Ciente da autuação, e do TVF, em 26/11/2015 (fl. 2502), a empresa apresentou, em 23/12/2015, a Impugnação de fls. 2510 a 2560, alegando, em síntese, que: (a) a autoridade fiscal não estabelece se desconsiderou e requalificou os contratos de afretamento e de prestação de serviços em razão da verificação de um suposto vício de simulação ou, em um sentido distinto, de um abuso de formas, parecendo confundir essas figuras jurídicas ao longo do seu TVF, o que leva à nulidade do Auto de Infração pela sua falta de fundamentação e consequente prejuízo do direito de defesa, nos termos dos artigos 10, inciso III, e 59, inciso II, do Decreto no 70.235/72 (não indicação precisa do vício que serviria de fundamento para a desconsideração/requalificação dos contratos); (b) a estrutura contratual adotada não incorre em qualquer violação ao ordenamento jurídico, bem como os contratos de afretamento e de prestação de serviços firmados pela empresa são negócios jurídicos válidos perante sua legislação de regência, de modo que esses devem se sujeitar cada qual ao tratamento tributário próprio previsto em lei, nos termos do artigo 110 do CTN, não havendo espaço para que a autoridade fiscal desconsidere, no caso, os negócios jurídicos e requalifique aqueles pagamentos feitos às empresas estrangeiras a título de afretamento das embarcações; (c) a estrutura contratual adotada não representa qualquer novidade para a Receita Federal do Brasil, mas se trata de modelo por excelência utilizado pelas empresas que desenvolvem as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, regulamentado pela entidade competente (mencionando normas de regulação do REPETRO); (d) a coligação em negócios jurídicos não é ilegal/irregular, e é estudada pela doutrina civilista, que ensina que desta não resulta um único contrato, sendo a execução simultânea inclusive obrigatória no REPETRO (cf. IN RFB no 844/2008, art. 5o, §3o); (e) há diferenças entre os contratos de afretamento e de prestação de serviços, e a fiscalização não tem qualquer parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, muito menos quando se vale de um método comparativo, que avalia os valores de uma espécie de contrato em relação à outra, e não houve simulação, nem abuso de formas (fundado no art. 116, parágrafo único, do CTN, que demanda regulamentação); (f) há critérios, inclusive, de valoração dos contratos, na legislação (art. 106 da Lei no 13.043/2014), para fins de limitação a zero de IRRF, no caso de execução simultânea; (g) o STF já se posicionou sobre a impossibilidade de incidência de “ISS” em contratos de locação de bem móvel (Súmula Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.952 6 Vinculante no 31), o que endossa a distinção entre a prestação de serviços e a locação; (h) uma vez disponibilizada a embarcação que lhe foi cedida por meio do contrato de afretamento realizado com a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, coube à empresa, por meio de seu pessoal e, ainda, através da conjugação de uma gama de prestadores de serviços contratados, executar as atividades próprias da exploração e produção de campos de petróleo; (i) os serviços foram prestados pela STENA SERVICES BRAZIL LTDA, empresa domiciliada no Brasil, de forma que não há a incidência de PIS/COFINSImportação, tendo em vista que não houve, de fato, importação de serviço, inexistindo o fato gerador de tais contribuições; e (j) não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. A decisão de primeira instância (fls. 3587 a 3630), proferida em 26/09/2016, foi, por maioria de votos, pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos, extraídos do voto condutor: (a) a autoridade fiscal não se referiu expressamente a “simulação” ou “abuso de formas”, no entanto, isso não implicou cerceamento do direito de defesa; (b) para definição do fato gerador e aplicação da lei tributária, o auditor fiscal não deve se ater tão somente à nomenclatura utilizada nos contratos firmados, mas sim à realidade fática comprovada na execução das referidas avenças, como de depreende das particularidades contratuais apontadas pela fiscalização (v.g., as contratadas são empresas que pertencem ao mesmo grupo econômico; as contratadas assumem direitos e obrigações recíprocos, dividem receitas e custos e arcam com responsabilidade solidária; os contratos são celebrados e executados simultaneamente, e a rescisão de um implica a rescisão do outro; e as cláusulas do contrato de afretamento preveem obrigações típicas relacionadas à prestação de serviços como: inspeção, manutenção da sonda, além de fornecimento de pessoal técnico especializado para operação); (c) todo o conjunto probatório presente nos autos conduz a uma única conclusão, com a qual a autoridade julgadora compartilha: “tratase de artifício pelo qual a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi formalmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo de um lado, como contratante, a fiscalizada, e de outro, como contratadas, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, detentor tanto do equipamento como do knowhow para a prestação de tais serviços”; (d) a bipartição de contratos do gênero já foi analisada em precedentes do CARF (Acórdãos 3403002.702 e 2202003.063); (e) no REPETRO, a vinculação e a execução simultânea dos contratos determinada pela regulamentação visa assegurar o controle aduaneiro dos equipamentos, evitando que estes sejam utilizados em outras atividades que não a exploração de petróleo; (f) o art. 106 da Lei no 13.043/2014, com vigência a partir de 2015, corrobora o entendimento da autoridade lançadora, em período anterior, como se endossa no Agravo de Instrumento no 2014.00.00.1087851 (TRF2); (g) conforme constatado na auditoria fiscal, há extensa evidência de que não se trata de um simples afretamento de embarcação a casco nu: há desde cláusulas contratuais que implicam a prestação de serviços relativos à exploração e produção de petróleo, além de recursos humanos utilizados indistintamente pelas duas contratadas, boletins de medição e atestados diários de perfuração, tudo demonstrando que a remuneração do afretamento era de acordo com os serviços executados; (h) o contrato de afretamento não tem mesma natureza que contrato de locação de bens móveis; (i) a empresa nacional sequer tinha quadro de funcionários suficiente para a prestação de serviço e, conforme se verifica da análise das provas existentes nos autos, a autoridade fiscal efetuou a tributação pois concluiu que a natureza desses pagamentos, remetidos à empresa com sede no exterior, consistia em remuneração a título de prestação de serviços técnicos, incluindo o afretamento da plataforma, o que caracteriza a ocorrência do fato gerador de PIS/COFINSImportação; e (j) é legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação ao voto do relator, manifestaram discordância dois julgadores da turma da DRJ, um deles consignando as razões de divergência em declaração de voto (fls. 3611 a 3615), que se restringem a não entender Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.953 7 como “artificial” a construção bipartida dos contratos, mas legítima e endossada pelo advento do art. 106 da Lei no 13.043/2014, de natureza declaratória, que somente poderia ser afastada pela fiscalização (cf. Solução de Consulta COSIT no 225/2014) se identificado “planejamento fiscal abusivo”, que demandaria comprovação do efetivo prejuízo aos cofres públicos, decorrente da referida bipartição adotada. Concordaram com o voto vencedor, mas pelas conclusões, os outros dois julgadores de piso, um deles manifestando seu entendimento às fls. 3616 a 3630, da seguinte forma: concordou com a tese de que toda a contratação compreendeu, em essência, uma única prestação de serviços, e que a celebração do contrato de afretamento correspondeu a um artifício meramente formal utilizado apenas com o fim de desmembrar a maior parte dos valores contratados, e afastálos da tributação no Brasil; mas discordou de premissa adotada tanto pela fiscalização quanto pelo relator de que seria vedada a segregação da operação em dois contratos, pois tal construção efetivamente encontra amparo na legislação do REPETRO. Ciente da decisão de piso em 03/10/2016 (fl. 3634), a empresa interpôs, em 01/11/2016 (fl. 3635), o Recurso Voluntário de fls. 3636 a 3688, no qual endossa as razões externadas em impugnação e agrega, basicamente, que: (a) a falta de fundamentação na autuação alastrase pela decisão da DRJ; (b) a DRJ se equivoca ao confundir os objetos dos contratos, endossando a autuação (anexando parecer de tributarista sobre a autonomia contratual fls. 3736 a 3843), e fundamentando a validade dos atos no art. 107 do Código Civil Brasileiro e no art. 110 do CTN; (c) o voto do relator, na DRJ, é contraditório ao afirmar que a situação anterior ao art. 106 da Lei no 13.043/2014 era legal, mas resultava em ilícita economia tributária, pois não pode o negócio ser legal e ilícito ao mesmo tempo; (d) não é possível sustentar, como pretende a DRJ, que a bipartição contratual ocorreu exclusivamente para fins de economia fiscal, porque o propósito negocial da estrutura contratual adotada teve como causa a legislação do REPETRO; e (e) os contratos de aluguel e afretamento possuem a mesma natureza, aplicandose, ao caso, a Súmula Vinculante no 31, do STF, endossado pelo STJ em relação ao afretamento a casco nu. Contrarrazões à peça recursal são apresentadas pela Fazenda Nacional, em 02/02/2017, às fls. 3854 a 3905, no sentido de que: (a) não existe nulidade no lançamento, pois a autuação não acusa a prática de vício, mas tãosomente desconsidera a partição dos contratos, por artificial, desnecessária e que resultou em ilícita economia de tributos; (b) a forma de contratação fracionada em serviços e afretamento, praxe no tipo de negócio, como se atesta em diversos processos, inclusive da própria fiscalizada (lista à fl. 3867), mencionando que já foi a matéria objeto de análise nos Acórdãos no 2202003.063, no 3403002.702 e no 3302003.095, nos quais se entendeu a bipartição como artificial, não retratando a realidade material das execuções (transcrevendose excertos dos julgados), posicionamento que já encontra guarida no Poder Judiciário, como destacado na decisão de piso; (c) as contratadas a estrangeira e a brasileira pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços, e desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada, repisando a análise das cláusulas contratuais descritas no TVF; (d) a partir das faturas e dos pagamentos, está devidamente demonstrado que os pagamentos realizados pela empresa, na verdade, correspondiam à contraprestação pelos serviços técnicos contratados (pesquisa e a exploração de poços de petróleo); (e) a recorrente pretende que a fiscalização fique restrita a uma análise meramente formal dos contratos, sem perscrutar a essência do negócio jurídico, como se a liberdade para contratar operasse como uma “blindagem” para a operação, perante o fisco; (f) a IN regulamentadora do REPETRO em momento algum diz respeito à contratação separada de duas pessoas jurídicas, uma para o fornecimento de bens e outra para a prestação de serviços, mas de execução simultânea em relação à mesma pessoa jurídica; (g) sendo o contratante do serviço domiciliado no exterior, Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.954 8 incidem a Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação; e (h) é legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ainda em 02/02/2017 o processo é enviado à Terceira Seção do CARF (fl. 3906), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. No CARF, o julgamento foi iniciado em janeiro de 2019, tendo solicitado vistas a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Restam contenciosas, no presente processo, que se refere à incidência de Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação, sobre remessas para o exterior, para a beneficiária STENA DRILLMAX I KFT, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2011, as seguintes questões: (a) preliminar referente a eventual nulidade por falta de fundamentação da autuação e da decisão da DRJ; (b) possiblidade jurídica da forma contratual bipartida adotada (à luz do art. 110 do CTN, da legislação que rege o REPETRO, da legislação civil, e das diferenças entre as duas espécies de contrato afretamento e prestação de serviços), em tese; (c) a existência de artificialismo na bipartição contratual adotada (à luz dos elementos presentes nos autos e da legislação superveniente); e (d) incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Da preliminar de falta de fundamentação Alega a recorrente, desde em sua peça de defesa inaugural, que a autoridade fiscal não estabelece se desconsiderou e requalificou os contratos de afretamento e de prestação de serviços em razão da verificação de um suposto vício de simulação ou, em um sentido distinto, de um abuso de formas, parecendo confundir essas figuras jurídicas ao longo do seu TVF, o que leva à nulidade do Auto de Infração pela sua falta de fundamentação e consequente prejuízo do direito de defesa, nos termos dos artigos 10, inciso III, e 59, inciso II, do Decreto no 70.235/72 (não indicação precisa do vício que serviria de fundamento para a desconsideração/requalificação dos contratos), e, em seu recurso voluntário, acrescenta que a falta de fundamentação na autuação alastrase pela decisão da DRJ. Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.955 9 Vêse que há, em relação a tal preliminar, duas aparentes confusões por parte da defesa: a primeira, de que eventual carência de fundamentação seria necessariamente ensejadora de nulidade do lançamento, e a segunda, de que a fiscalização deve se amoldar a classificações doutrinárias em seus procedimentos fiscais. Esclareçase que eventual falta de fundamentação na autuação seria razão de sua improcedência, e não de sua nulidade. Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. E as eventuais classificações doutrinárias existentes buscam explicar o Direito Positivo, facilitando sua intelecção por meio de agrupamentos em categorias didaticamente identificadas como relacionadas, e não para que o Direito Positivo a tais classificações se amolde ou vincule. Em síntese, basta que o autuante promova o enquadramento legal da conduta praticada e a descreva no relatório fiscal, permitindo que a defesa e o julgador possam compreender as razões doe autuação que, obviamente, se insuficientes, ensejariam a improcedência, e não a nulidade. Arrematese que, para que a falta de fundamentação acarretasse nulidade, ela deveria ser tamanha que impossibilitasse o próprio direito de defesa, incidindo o art. 59, II do Decreto no 70.235/1972. Não é o que se vê no presente processo. No TVF anexo à autuação (fls. 2433 a 2498), são descritas e tipificadas todas as condutas imputadas à empresa, havendo sucessivas intimações e respostas, permitindo ampla compreensão e total acompanhamento do procedimento em curso, e que culmina na autuação, sendo clara a divergência jurídica entre os posicionamentos encampados pelo fisco e pela empresa, que serão analisados, no mérito, nos tópicos seguintes deste voto. Não há divergência fática, mas apenas nas leituras jurídicas das partes sobre o que efetivamente ocorreu. O fisco não defende ser formalmente inválido ou inexistente um ou outro contrato, apenas informa que deve ser observada a realidade da operação, perante o fisco. Isto fica claro, por exemplo, na afirmação fiscal constante às fls. 2480/81 do TVF: “A conclusão que se impõe, a partir do conjunto probatório analisado, é de que a empresa estrangeira e a empresa nacional, contratadas pela REPSOL, desempenharam, em conjunto, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo como objetivo único a prestação de serviços de perfuração para a contratante. No caso examinado, o serviço de perfuração absorve o afretamento, visto que a prestação do serviço de perfuração é a atividadefim, para a qual o afretamento é atividademeio. (...) E a natureza dos pagamentos não é simples decorrência das cláusulas contratuais (já suficientes, neste caso, para afastar o Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.956 10 conceito de afretamento autônomo), mas também, e principalmente, da realidade fática produzida no desempenho do contrato. E a realidade fática, no desempenho destes contratos concretos, é de que a atividade contratada é de prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada.” (grifo nosso) Ademais, a matéria de fundo, em discussão, é bem compreendida por todas as partes, e está presente em diversos contenciosos julgados por este tribunal (ao menos dezoito, nos últimos cinco anos, conforme busca ao sítio web do CARF, sendo dois deles referentes à própria recorrente, em contratos de 2009, inclusive para a unidade de perfuração “STENA DRILLMAX” Acórdãos no 3302004.754, de 26/09/2017, e no 2402005.822, de 10/05/2017). Sobre tais precedentes, trataremos na análise de mérito, já cabendo destacar a conclusão à qual se chegou, em relação à alegação preliminar, de forma unânime, nos dois aqui especificamente mencionados, da mesma empresa, em contratos do mesmo gênero: “AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A apuração da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados entre as partes. O lançamento não está motivado na invalidade dos contratos celebrados pela recorrente, mas na desconsideração do negócio aparente e na consideração do real negócio jurídico realizado pela autuada. 2. O lançamento prescinde da prévia declaração das causas de nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico, porque a autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 3. A exaustiva descrição fática e a adequada fundamentação jurídica constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF) revela que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por contradição a decisão recorrida que, em consonância com os motivos da autuação, entendeu que o lançamento do crédito tributário prescindia da expressa declaração de nulidade dos contratos de afretamento artificialmente engendrados.” (Acórdão 3302004.754, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. José Fernandes do Nascimento, unânime em relação a estes itens, sessão de 26.set.2017) (grifo nosso) “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. CONTRADIÇÃO ENTRE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. 1. O lançamento não está motivado na invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente, mas sim no que se Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.957 11 entendeu ser a operação real. 2. A autoridade administrativa tem competência para verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de tal forma que o lançamento prescinde da verificação de causas de nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico. 3. Diante da exaustiva narração fática e da extensa fundamentação jurídica constantes do Termo de Verificação Fiscal TVF, a recorrente não teve qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. 4. A utilização de fundamentação jurídica subsidiária não macula a autuação, porque busca viabilizar o lançamento sobre os valores pagos a título de afretamento, caso se entenda que tal atividade foi contratada de forma realmente autônoma. 5. A decisão recorrida não é contraditória, pois, assim como o TVF, simplesmente entendeu que a apuração do fato gerador prescindiria da afirmação e verificação de que os contratos seriam nulos.” (Acórdão 2402005.822, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, unânime em relação a estes itens, sessão de 10.mai.2017) (grifo nosso) Além de endossarmos as considerações sobre a inexistência de nulidade no lançamento, fazemos coro ainda à conclusão de que não há relação necessária (nem contradição) entre a manutenção da argumentação fiscal (referente aos efeitos tributários dos contratos, diante da situação de fato evidenciada) a e eventual declaração de invalidade formal dos contratos, pelo que rechaçamos também as alegações de nulidade da decisão de piso, no presente caso. Da forma contratual bipartida adotada, em tese Sustenta a recorrente, também, desde sua peça de defesa inaugural, que a estrutura contratual adotada (bipartida entre afretamento e prestação de serviços) não incorre em qualquer violação ao ordenamento jurídico (em referência especial à legislação civil e ao art. 110 do CTN), e é, inclusive, endossada pela própria Receita Federal na legislação do REPETRO (IN RFB no 844/2008, art. 5o, § 3o), e que não houve simulação ou abuso de formas, sendo que a fiscalização não tem qualquer parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Sobre a legislação do regime aduaneiro especial brasileiro de REPETRO, alega a recorrente que lhe socorre o disposto no art. 5o, § 3o, da IN RFB no 844/2008 (que foi incluído pela IN RFB no 941/2009, que acrescentou ainda um § 4o):2 “Art. 5o O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 2 O REPETRO, esclareçase, é um regime aduaneiro especial brasileiro que trata, entre outros, na importação, de suspensão da exigibilidade de tributos federais, para bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (conforme artigos 458 a 462 do Regulamento Aduaneiro Decreto no 6.759/2009). O REPETRO, assim, não se aplica à tributação de serviços, mas apenas à eventual tributação da mercadoria que permaneça no país, ainda que durante a realização de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização de que trata a Lei no 9.478/1997 (“Lei do Petróleo”). Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.958 12 § 1o Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (...) § 3o O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB no 941, de 25 de maio de 2009) § 4 o Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1o, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1o. (Incluído pela Instrução Normativa RFB no 941, de 25 de maio de 2009)” (grifo nosso) Ambos os parágrafos tiveram nova redação dada pela IN RFB no 1070/2010, já vigente ao tempo dos períodos de apuração analisados na autuação (janeiro a dezembro de 2011). A IN RFB no 1.070/2010 incluiu, ainda um § 7o ao art. 17 da IN RFB no 844/2008, dando nova redação a seu inciso III (para adequação ao acréscimo do art. 461A ao Regulamento Aduaneiro, pelo Decreto no 7.296/2010): “§ 3o Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. § 4 o A pessoa jurídica designada deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. § 1o O RCR deverá ser instruído com: (...) Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.959 13 III cópia do contrato de afretamento, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, para os bens constantes do Anexo Único à Instrução Normativa RFB no 844, de 2008; e (...) § 7 o Na hipótese do § 3o do art. 5o, a empresa designada deverá apresentar, também, cópia do contrato de prestação de serviço firmado entre a concessionária ou autorizada e a contratada domiciliada no exterior.” (grifo nosso) Das disposições extraídas das normas infralegais/procedimentais do REPETRO (e que, ainda que reformuladas, permanecem, de forma geral, na atual legislação que rege o regime, IN RFB no 1.415/2013), decorre o reconhecimento da possibilidade de haver dois contratos, um referente ao arrendamento (dos bens admitidos no regime embarcação e acessórios) e outro referente à prestação de serviços, inclusive vinculados, mormente em atividades como as previstas na Lei no 9.478/1997, relacionadas a petróleo. Ademais, as referências à legislação civil apontam para um mesmo sentido: a não proibição à bipartição dos contratos. Havendo efetivamente afretamento e prestação de serviços, podem os contratos ser bipartidos. Nisso concordamos, em parte, com a declaração de voto, expressa na instância de piso, pelo julgador Murillo Lo Visco (fls. 3616 a 3630), que invoca como endosso a Solução de Consulta COSIT no 225/2014, no sentido de que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços de petróleo, contratada pela recorrente, poderia constar em contrato apartado do referente ao afretamento, ainda que ambos fossem vinculados. Obviamente, desde que refletissem a realidade da operação. De fato, paupérrima seria a acusação fiscal se fosse limitada a afirmar que todo o objeto de ambos os contratos seria único, de prestação de serviços, simplesmente por ser proibida formalmente a bipartição (embora haja excertos da autuação que, lidos fora de contexto, poderiam apontar equivocadamente para tal linha de raciocínio). Da mesma forma, seria de extrema pobreza a defesa se sustentasse que a simples possibilidade jurídica de existirem dois contratos bastaria para impedir que a fiscalização verificasse efetivamente a realidade da operação (e isso também pode ser extraído de leitura de excertos da defesa, descontextualizados). No presente processo, o lançamento, repitase, não tem como alicerce a impossibilidade formal de contratação bipartida, mas, ultrapassando tal discussão, como sugere a referida Solução de Consulta COSIT no 225/2014, aqui também tomada como endosso de fundamento (e não como fundamento), a fiscalização efetivamente busca verificar a realidade da operação, e se esta é refletida na contratação formalmente bipartida. Aliás, o fato de o fundamento da autuação ir além da simples forma contratual adotada resta patente também nas ementas dos dois julgamentos de casos anteriores da mesma empresa, aqui já reproduzidas, e que gozaram de assentimento unânime, no sentido Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.960 14 de que o lançamento não foi motivado na invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente, mas sim no que se entendeu ser a operação real. Desse “ir além”, surge a menção a eventual “artificialismo”, suscitado pelo autuante. A existência ou não do “artificialismo” imputado é certamente elemento decisivo no presente contencioso, porque extrapola a simples discussão formal sobre a possibilidade de bipartição, conduzindo à análise da realidade da operação efetivamente praticada. É o labor que se empreende a seguir. Da existência de artificialismo na bipartição contratual adotada Sobre a possibilidade jurídica, em tese, da bipartição formal dos contratos, tratamos no tópico anterior, esclarecendo que o tema não se confunde com a análise da realidade da operação, no caso concreto, que extrapola o aspecto formal, e será aqui efetuada à luz dos elementos presentes nos autos e da legislação superveniente. A fiscalização narra, após exposição de análises em relação a períodos anteriores, que, para 2011, foram verificadas remessas da recorrente à empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT – LUXEMBOURG BRANCH, no montante de R$ 245.413.477,02, sem retenção de IRRF, e de R$ 7.553.498,52 com retenção, tendo solicitado os contratos referentes aos pagamentos. Em resposta, a recorrente apresentou, em síntese, as informações sintetizadas no quadro de fl. 2447 (que resume ainda os tributos pagos em relação às operações): Ou seja, a recorrente informou que, dos R$ 252.966.975,54 remetidos ao exterior, R$ 245.413.477,02 se referiam a pagamento de aluguel de embarcação, e R$ 31.361,68 tratavamse de remuneração de serviços técnicos profissionais, anexando, como justificativa, apenas cópias de contratos de câmbio (fls. 7 a 411). Em nova intimação (fls. 412/413), a fiscalização solicitou os contratos referentes aos aluguéis e às prestações de serviços, recebendo, inicialmente, cópia do “contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 4377/2013 fls. 422 a 576), celebrado entre a recorrente e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, depois complementado por apêndices (fls. 588 a 740). Como o contrato de afretamento apresentado fazia referência a outro contrato, denominado de “contrato brasileiro de prestação de serviços de perfuração”, firmado Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.961 15 na mesma data ou em data próxima, entre a recorrente e a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, a fiscalização intimou novamente a empresa a apresentar tal contrato, e a detalhar a forma de contabilização das diferentes rubricas de pagamentos efetuados à empresa estrangeira (fls. 1044 a 1046). Em resposta a recorrente apresentou cópia de “contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 5205/2013 fls. 1119 a 1383), seguido de “acordo de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (fls. 1386 a 1596), detalhando a forma de contabilização às fls. 1600 a 1607. A recorrente foi, então, reintimada a apresentar contrato de prestação de serviços com a empresa estrangeira que justificasse a remessa dos valores correspondentes, em 2011, e contrato de afretamento referente à primeira metade do ano, visto que somente foi apresentada contratação referente a afretamento firmada em julho/2011. Foi ainda demandada pelo fisco a apresentação das respectivas faturas e relatórios de medição referentes aos serviços (fls. 1614/1616). Em resposta, informou a empresa que (fl. 1610): E apresentou ainda a recorrente cópia de “contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 1295/2009 fls. 1661 a 1815), celebrado entre a recorrente e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, declarada pela recorrente como sediada em Luxemburgo (apesar e nos contratos e nas remessas figurar a Hungria como destino das remessas esclarecimentos às fls. 2400/2401), e cópia de “contrato de prestação de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (tradução juramentada 4820/2013 fls. 1823 a 2039), ambos datados de 2009. A empresa apresentou ainda tabela com faturas emitidas em 2011 (fls. 2040 a 2042) e cópias de faturas (fls. 2043 a 2330, 2396 a 2399, e 2402 a 2405), realizando o mesmo procedimento para notas fiscais emitidas para serviços prestados à STENA SERVICES BRAZIL LTDA (fls. 2331 a 2377). Agregou ainda a empresa tabela contendo bases de cálculo da CIDE (fls. 2384 a 2386). Vejase, que, até então, a fiscalização oportunizou à empresa o discernimento do que efetivamente se referia a afretamento e do que versava sobre prestação de serviços, em relação às remessas, buscando verificar qual era a efetiva realidade das operações. E o fisco concluiu, após análise da documentação apresentada, que a operação efetuada, de fato, consistia em prestação de serviços, utilizando embarcação estrangeira, mormente, pelas seguintes razões: (1) o procedimento detectado reproduz o anteriormente adotado pela empresa, e autuado pelo fisco, em procedimentos diversos, sendo as autuações mantidas; (2) foram assinados “contratos de afretamento” entre a autuada e a STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT simultâneos a contratos de prestação Fl. 3961DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.962 16 de serviços com a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, ambas subsidiárias da STENA AB, empresa principal do Grupo STENA (relação entre as empresas detalhada às fls. 2444/2445), percebendose a estreita relação entre os contratos, havendo, no contrato de afretamento, disposições pertinentes à prestação de serviços de perfuração, e, no contrato de serviços, provisões relativas ao fornecimento da unidade afretada, sendo que nos contratos analisados, a rescisão do contrato de prestação de serviços acarreta a rescisão do contrato de afretamento; (3) da análise das cláusulas contratuais (fls. 2456 a 2466 – cláusulas 1.4, 1.6.1,”a”, 2.27, “c”, “iii”, e 7.5/C.A.2009; cláusulas 7.5, 7.1.3, “d” e 11.5/C.S.2009; cláusulas 1.4, 2.27 e 4.8/C.A.2011; e cláusulas 1.2, 4.12.2, 7.5 11.5 e Anexo 12/C.S.2011; além de cláusulas comuns), extraise a clara confusão entre o afretamento e os serviços prestados, concluindose que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente, não só porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar; (4) em resposta a intimação, revelou a autuada que os pagamentos efetuados ao amparo do contratos de afretamento com a STENA DRILLMAX justificam a totalidade dos pagamentos, tanto a título de aluguel como de serviços; (5) na ausência de repartição contratual expressa dos pagamentos, e diante da divisão efetuada pela empresa, na qual a quase totalidade destinouse a aluguel de embarcação, a natureza dos pagamentos pode ser investigada a partir das faturas comerciais (fls. 2467 a 2474), nas quais se percebe que a pessoa que assina como representante da STENA DRILLMAX consta na DIPJ da STENA BRAZIL como administrador com vinculo empregatício, e que faturas tidas como de aluguel possuem pagamentos nitidamente vinculados a prestação de serviços técnicos, como sondagem e perfuração; (6) a realidade fática, no desempenho destes contratos concretos, é de que a atividade contratada é de prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, e entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho não se pode perder de vista que, neste caso concreto, a unidade de perfuração/sondagem/exploração pertence ao grupo econômico contratado para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração; (7) a empresa STENA BRAZIL, contratada para prestar os serviços, não dispunha de pessoal próprio suficiente para prestálos, contrariando expressa exigência do contrato (cláusula 3.7/C.S.2009); e (8) os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados, sujeita à incidência do Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.963 17 IRRF e da CIDE, e, e em razão da natureza técnica dos serviços, sujeitamse também à incidência de PISImportação e COFINS Importação. Quanto a haver autuações anteriores, sob o mesmo fundamento, mantidas pelas instâncias julgadoras, cabe encarar tal informação como precedente jurisprudencial, e não como prova de existência de irregularidade. De fato, já destacamos que foram identificados, em busca ao sítio web do CARF, dezoito julgamentos sobre temas conexos (seja de PIS/COFINS, de IRPJ, IRRF ou CIDE), nos últimos cinco anos, dos quais dezesseis debatem eventual artificialismo na bipartição dos contratos. E, desses dezesseis, dois analisam exatamente contratos da recorrente, e que abrangem bipartições referentes à sonda da STENA DRILLMAX: os já mencionados Acórdãos no 3302004.754, de 26/09/2017 (CIDE/2009), e no 2402005.822, de 10/05/2017 (IRRF /2009), que chegam, basicamente, às seguintes conclusões, majoritariamente: “CONTRATO DE AFRETAMENTO DE SONDA DE PERFURAÇÃO VINCULADO A CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO, PRODUÇÃO E PERFURAÇÃO DE POÇO DE PETRÓLEO. REAL NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência da CIDE. 2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo, os valores remetidos ao exterior a título de remuneração dos mencionados serviços sujeitamse à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição.” (Acórdão 3302004.754, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. José Fernandes do Nascimento, maioria, em relação ao tema, vencido o Cons. Walker Araújo, sessão de 26.set.2017) (grifo nosso) “CONTRATOS DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REALIDADE MATERIAL. NEGÓCIO JURÍDICO ÚNICO. PRINCÍPIO NEGOCIAL. IRRF. INCIDÊNCIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. 15%. 1. A verificação da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente. 2. As circunstâncias e as peculiaridades do caso concreto demonstram que os serviços absorveram o afretamento. Este se constituiu em mera atividademeio. 3. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras corresponderam, de fato, à remuneração por serviços prestados. Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.964 18 4. A divisão entre afretamento e prestação de serviços foi meramente formal. 5. O que importa para o direito tributário é a realidade dos fatos, e não a aparente realidade resultante dos contratos, mormente porque o princípio da realidade sobrepõe se ao aspecto formal, considerados os elementos tributários. 6. Deve ser analisada a essência do fato gerador, pois nem mesmo importa a sua forma de exteriorização (princípio negocial ou Geschäfsprinzip), observadas as exceções estabelecidas na própria legislação. 7. A recorrente estava obrigada a fazer a retenção do IRRF, na dicção dos arts. 682, 685 e 708 do Regulamento do Imposto de Renda RIR. 8. Os pagamentos foram realizados em favor de empresas situadas no exterior, os quais se destinaram a remunerar serviços técnicos, sendo aplicável a alíquota de 15% resultante da combinação do art. 708 do Regulamento com o art. 3º da MP 2.15970/2001.” (Acórdão 2402005.822, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, sessão de 10.mai.2017) (grifo nosso) Em outros julgamentos, já havia se manifestado o CARF (inclusive com a presença deste relator) sobre contratos bipartidos, em relação à sonda da STENA DRILLMAX Acórdãos no 3403002.702, de 29/01/2014 (CIDE/2008), no 3302003.095, de 15/03/2016 (CIDE/2009) e no 2202003.063, de 09/12/2015 (IRRF/2010): “CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição.” (Acórdão 3403002.702, PETROBRAS, Rel Cons. Alexandre Kern, qualidade, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, sessão de 29.jan.2014) (grifo nosso) “ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.965 19 não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços.” (Acórdão 3302 003.095, PETROBRAS, Rel Cons. Domingos de Sá Filho, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Domingos de Sá Filho, Walker Araújo e Lenisa Prado, sessão de 15.mar.2016) (grifo nosso) “ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. (Acórdão 2202 003.063, PETROBRAS, Rel Cons. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho, sessão de 09.fev.2015) (grifo nosso) Existem, contudo, precedentes referentes a outras e empresas e a outros contratos, com situações fáticas sensivelmente distintas, tanto em sentido favorável às alegações do fisco (Acórdãos no 2402005.452, de 17/08/2016 IRRF/2009, no 3201003.022, de 25/07/2017 CIDE/2009, 1402002.276, de 15/08/2017 – IRPJ 20103, no 3302004.822, de 24/10/2017 CIDE/2008, no 3302005.383, de 17/04/2018 – PIS/COFINS 20089, no 2202 004.581, de 03/07/2018 – IRRF/2011, e no 2301005.520, de 08/08/2018 IRRF/2009), quanto em sentido contrário (Acórdãos no 2401005.149, de 05/12/2017 IRRF/2008, no 3201 003.150, de 26/09/2017 COFINS/200910, e no 3301004.591 e 592, de 19/06/2018 PIS/COFINS e CIDE/2011 serviços de manutenção e operação). Assim, embora seja majoritário, no CARF, o posicionamento, em geral, pelo artificialismo nas bipartições contratuais da espécie, e unânime, nas operações encontradas que envolvem a sonda da STENA DRILLMAX (que possuem, basicamente, a mesma estrutura contratual), há que se endossar que tais posicionamentos, apesar de operarem como relevantes precedentes, não dispensam a análise individualizada das imputações decorrentes do caso concreto. Conforme narra a fiscalização, os contratos de afretamento foram assinados entre a recorrente e a STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, em 07/08/2009 e 14/07/2011, e são simultâneos aos contratos de prestação de serviços celebrados com a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, ambas subsidiárias da STENA AB, empresa principal do Grupo STENA. A relação entre as empresas detalhada às fls. 2444/2445, e não questionada especificamente pela recorrente, revela que, conforme DIPJ da prestadora de serviços, em 2011, a recorrente foi a única cliente da STENA SERVICES BRAZIL LTDA, que não dispunha de estrutura de equipamentos ou pessoal para prestar os serviços contratados, contando apenas com 5 funcionários, todos de nacionalidade inglesa, dos quais 4 se Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.966 20 inscreveram no cadastro CPF em 2009, ano dos primeiros contratos de afretamento entre o grupo STENA e a recorrente (aliás, tal situação está em desconformidade com a cláusula 3.7 do contrato de prestação de serviços de 2009, havendo cláusula idêntica no contrato de 2011 (3.7.1), pois o “pessoalchave”, que deveria ser composto de funcionários permanentes da contratada, era, em verdade, composto por cinco funcionários cedidos pela empresa estrangeira). Assim, passam a existir evidências de que a recorrente, pretendendo contratar serviços de perfuração em área licenciada, recorreu ao Grupo STENA, que prestou os desejados serviços com sua sonda STENA DRILLMAX, sendo o fornecimento da unidade parte integrante da prestação de serviços. Compulsando os contratos, a fiscalização destaca que existem, no contrato de afretamento, disposições pertinentes à prestação de serviços de perfuração, e, no contrato de serviços, provisões relativas ao fornecimento da unidade afretada, sendo que nos contratos analisados, a rescisão do contrato de prestação de serviços acarreta a rescisão do contrato de afretamento. A fiscalização afirma que, da análise das cláusulas contratuais (fls. 2456 a 2466 – cláusulas 1.4, 1.6.1,”a”, 2.27, “c”, “iii”, e 7.5/C.A.2009; cláusulas 7.5, 7.1.3, “d” e 11.5/C.S.2009; cláusulas 1.4, 2.27 e 4.8/C.A.2011; e cláusulas 1.2, 4.12.2, 7.5, 11.5 e Anexo 12/C.S.2011; além de cláusulas comuns), extraise a clara confusão entre o afretamento e os serviços prestados, concluindose que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente, não só porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar. Verifiquemos a referidas disposições contratuais, entre outras, semelhantes, nos contratos de 2009 e 2011, de afretamento e de prestação de serviços: “Contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 1295/2009 fls. 1661 a 1815), celebrado entre a recorrente (“contratante”) e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT /2009 “Contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 5205/2013 fls. 1119 a 1383, celebrado entre a recorrente (“contratante”) e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT /2011 Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.967 21 “Contrato de prestação de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (tradução juramentada 4820/2013 fls. 1823 a 2039) / 2009 “Acordo de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (tradução juramentada sn/2011 fls. 1386 a 1596) / 2011 Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.968 22 Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.969 23 As disposições contratuais em comento estabelecem, inequivocamente, que os contratos (de afretamento, entre recorrente e a empresa estrangeira, e de prestação de serviços, entre a recorrente e empresa nacional do mesmo grupo da estrangeira) são vinculados (com execução simultânea e interdependência), e que a rescisão no contrato de serviços ocasiona o direito de rescisão do contrato de afretamento (digase, entre pessoas jurídicas distintas, inclusive de nacionalidade diversa). Essa mescla entre os contratos se converte um primeiro sinal de artificialismo quando se percebe que a própria remuneração dos contratos obedece a critérios pouco compatíveis com os objetos, dificultando o discernimento de qual parcela de pagamento se referiria a um ou outro contrato. Na cláusula 2.27, “c”, iii do contrato de afretamento de 2009 (e também do contrato de 2011), estabelecese a que a remuneração do afretamento decorre dos serviços de sondagem/perfuração, mais precisamente de relatórios diários do sondador, o que contribui para a referida mescla dificultadora de discernimento. Na cláusula 1.6.1, “a” do contrato de afretamento de 2009, há, por exemplo, previsão para que a contratada (“STENA DRILLMAX I HUNGARY KFT”) realize para a contratante (recorrente) ou sua filiada, serviços em outra área de permissão, no caso de cessão ou sublocação, o que não parece pertinente a um contrato de afretamento, ainda que sua execução se vincule a outro. Na cláusula 7.1.3, “d” do contrato de afretamento de 2009 também está presente a mescla entre as empresas/atividades, sob a denominação “SOCIEDADE”, ocorrendo o mesmo fenômeno, na cláusula 1.2 do contrato de serviços de 2011, sob a denominação “Grupo da Contratada”, assim definido: Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.970 24 A mescla/confusão está bem retratada, ainda, pela fiscalização, nas cláusulas 4.12.2 e 11.5 do contrato de serviços de 2011, e na existência de diversas cláusulas que são comuns aos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Há ainda, no Anexo 12 do Contrato de prestação de serviços de 2011, quadro em que figuram lado a lado as empresas “STENA SERVICES”, a recorrente, e a empresa “STENA HUNGARY” (que sequer é parte naquele contrato): Citese a afirmação fiscal de que a empresa, em resposta a intimação, revelou que os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos de afretamento com a STENA DRILLMAX justificam a totalidade dos pagamentos, tanto a título de aluguel como de serviços. Tal afirmação endossa a conclusão no sentido de mescla denotadora de artificialismo, pois mesmo os valores que seriam destinados a remunerar serviço foram remetidos à empresa estrangeira que figura no contrato de afretamento. Diante da dificuldade em discernir a que se referiam os pagamentos (afretamento ou prestação de serviços), a fiscalização buscou, inicialmente, apartar as rubricas, intimando a empresa a detalhar/individualizar os pagamentos, o que foi feito por meio de planilhas e contratos de câmbio. Como tais documentos continham descrições genéricas, partiu a fiscalização, em homenagem à verdade material, para as faturas comerciais (invoices). Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.971 25 E aí já verificou uma anomalia preliminar, pois grande parte das invoices continham assinatura de Keith Ernest George Burrows (qualificado como “rig manager stena drillmax”) e de Adrian Charles Beevers (como “rig manager stena services brazil ltda”). Ocorre que Keith Ernest George Burrows, de nacionalidade inglesa, consta da DIPJ de “STENA SERVICES BRAZIL”, como administrador com vínculo empregatício, tal qual Adrian Charles Beever, também de nacionalidade inglesa. Verifica, assim, a fiscalização, que invoices enviadas à recorrente para cobrança de valores vinculados ao contrato de afretamento, a serem pagos à empresa estrangeira, exibem a assinatura de funcionário da empresa nacional contratada para prestação de serviços. Ademais, em invoices identificadas como “aluguel de embarcação”, os valores cobrados, conforme contratos e pagamentos, eram vinculados à eficiência e à produtividade da prestação de serviços de sondagem e perfuração. Tanto a remuneração do afretamento quanto a remuneração pela prestação de serviços são calculadas em taxas diárias, multiplicadas pelo número de das de operação da sonda (e, mesmo em casos de incidentes que afetam a produtividade, ambas as taxas diárias são reduzidas no mesmo percentual). As invoices referentes a remessas indicadas como “aluguel de equipamentos” informam taxas diárias que não têm relação com as taxas diárias do afretamento, e mencionam terceiros, fornecedores, e se referem a equipamentos necessários à prestação de serviços, que não pertenciam originalmente à sonda. E as invoices relativas a “serviços técnicoprofissionais” e “serviços administrativos” representam o ressarcimento à “STENA” por serviços diversos (elaboração de planos de emergência em caso de poluição, inspeção técnica, limpeza de tanques, manutenção e reposição de equipamentos, entre outros), executados por terceiros (refaturamento / “rebill”), no Brasil, sendo a “STENA” remunerada com percentuais de 2%, 5% e 10%, conforme previsto em cláusulas contratuais. Conclui o fisco, no cenário exposto, que a realidade fática, na execução destes contratos concretos, é de que a operação corresponde a prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Isso não implica, enfatizese, descaracterização formal de um contrato, ou sua invalidade perante as partes, mas apenas da oposição de seus efeitos ao fisco, diante da realidade detectada, e do artificialismo da bipartição. E não está o fisco a alterar conceitos de direito privado, presentes na legislação civil, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, mas exatamente a aplicar tais conceitos à realidade evidenciada, e que não corresponde à formalmente descrita. Improcedentes, assim, os argumentos de defesa no sentido de que deveria a fiscalização, necessariamente, afastar a validade jurídica dos contratos para efetuar o lançamento. Assim como são as partes livres para contratar, sob a denominação e a forma por elas eleita, tais contratações devem refletir a realidade das operações pactuadas. E, se verifica a fiscalização que não refletem, e que os efeitos fiscais da real operação são diversos, cabível o lançamento. Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.972 26 Como se destaca de excertos dos julgados deste CARF em relação à mesma recorrente, a substância prevalece sobre a forma: “(...). 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência (...). 2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços (...) sujeitamse à incidência (...).” (Acórdão 3302 004.754, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. José Fernandes do Nascimento, maioria, em relação ao tema, vencido o Cons. Walker Araújo, sessão de 26.set.2017) (grifo nosso) “(...). 2. As circunstâncias e as peculiaridades do caso concreto demonstram que os serviços absorveram o afretamento. Este se constituiu em mera atividademeio. 3. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras corresponderam, de fato, à remuneração por serviços prestados. 4. A divisão entre afretamento e prestação de serviços foi meramente formal. 5. O que importa para o direito tributário é a realidade dos fatos, e não a aparente realidade resultante dos contratos, mormente porque o princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários. 6. Deve ser analisada a essência do fato gerador, pois nem mesmo importa a sua forma de exteriorização (princípio negocial ou Geschäfsprinzip), observadas as exceções estabelecidas na própria legislação. (...).” (Acórdão 2402005.822, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, sessão de 10.mai.2017) (grifo nosso) Em sua defesa, a recorrente sustenta ainda que há diferenças entre os contratos de afretamento e de prestação de serviços, e que a fiscalização não tem qualquer parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, muito menos quando se vale de um método comparativo, que avalia os valores de uma espécie de contrato em relação à outra, e que não houve simulação, nem abuso de formas (fundado no art. 116, parágrafo único, do CTN, que demanda regulamentação). Assim, ao invés de refutar especificamente as alegações fiscais, a empresa defendese de forma genérica, desqualificando a análise jurídica efetuada pela fiscalização sob o pretexto de que o fisco não tem parâmetro / knowhow para comparar e refutar preços, quando a própria defesa não detalha porque tal parâmetro adotado estaria incorreto, e qual seria, de fato, o correto. Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.973 27 Enquanto a fiscalização apresenta elementos objetivos para apontar para suas conclusões, a defesa desqualifica genericamente tais elementos, sem atacálos individualizadamente. Não há observações específicas, na defesa, sobre a mãodeobra empregada na prestação de serviços, sobre as faturas de arrendamento assinadas por representante da empresa prestadora de serviços, ou sobre o fato de pagamento de serviços ter sido objeto de remessa ao exterior. No mais, caminha a defesa no sentido de buscar estender alargadamente ao caso em análise o teor da Súmula Vinculante no 31, do STF, que trata de “ISS” sobre locação de bem móvel: “É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis.” Além de se estar tratando no presente processo de espécie tributária distinta, cabe transcrever excerto do debate sobre a aprovação da referida Súmula, com conteúdo que remete a situação relacionada à realidade fática encontrada nestes autos, e demonstra a inaplicabilidade da súmula à hipótese que aqui se está a analisar. A proposta de texto para a citada Súmula, inicialmente, era: “É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis dissociadas da prestação de serviços”. Durante os debates, o Ministro Cezar Peluso propôs a retirada da parte final, por entendêla desnecessária. Quanto à supressão, manifestou preocupação o Ministro Joaquim Barbosa: “O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Eu não vejo prejuízo na supressão dessa expressão. A minha preocupação foi em relação àquelas situações em que a prestação de serviço vem escamoteada sob a forma de locação. Por exemplo: locação de maquinário, e vem o seu operador. Nessa hipótese, muito comum. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Então, esse caso aí é a prestação de serviços típica, não é a locação de móvel como tal.” Seguiramse os debates, entendendo a Ministra Carmen Lúcia que deveria ser suprimida a parte final, até para cobrir exatamente aquilo que foi consolidado como matéria discutida no tribunal. E o Ministro Marco Aurélio, último a se manifestar no debate, endossou a decisão, assim concluindo: “O SENHOR MINISTRO MARCO AURELIO – Presidente, com isso ficamos fiéis ao que assentado pela Corte, já que quando da formalização do leading case, não houve o exame da matéria quanto à conjugação “locação de bem móvel e serviço”. Devese esperar, portanto, reiterados pronunciamentos do Tribunal sobre possível controvérsia, envolvida a junção, para posteriormente editarse um verbete” Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.974 28 Realmente, a preocupação do Ministro Joaquim Barbosa faz todo o sentido, ainda mais diante de casos como o que aqui se contempla. Vejase que a fiscalização chega a comparar o caso em análise ao de uma empresa contratada, v.g., para a retirada de entulho de uma obra, que cobra um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho, recordando que, no caso concreto, a unidade de perfuração/sondagem/exploração pertence ao grupo econômico contratado para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração. Mais refinado, a nosso ver, o exemplo trazido pelo Cons. Alexandre Kern (que, antes de julgador, teve experiência no ramo petrolífero), em excerto de voto de sua lavra, cujo teor acompanhamos, no julgamento do Acórdão no 3403002.702, no qual afirma que as unidades são fornecidas justamente porque não há como prestar o serviço sem elas, e que bastaria, no caso, um contrato único de prestação de serviços, o que, aliás, é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra, e que a empresa do ramo petrolífero “...não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra – SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois ilógico, desnecessário, antieconômico (No insight de Michael J. Graetz, “...a deal done by very smart people that, absent tax considerations, would be very stupid”. Disponível em https://www.nytimes.com/2008/09/10/business/businessspecial3/10TAX.html. Acessado em 31/08/2013)”. E complementa, em raciocínio absolutamente aplicável ao presente caso: “se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a (...) insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos (sic) fossem operados por terceiros”. Vejase, de fato quem eram os operadores da sonda, no presente processo, como demonstrado pela fiscalização. Sobre a repartição dos valores remetidos entre os contratos, que como visto, pela análise das invoices, não refutada especificamente pela defesa, é também avessa à realidade da operação, limitase a recorrente a afirmar que o fisco não tem parâmetro / know how para comparar e refutar preços. Ainda que a defesa não esclareça quais seriam esses parâmetros, ou detalhe especificamente em que aspecto estão incorretos os parâmetros adotados pela fiscalização (digase, com base nos contratos e em seus anexos), cabe análise da matéria ainda em face de possíveis efeitos de legislação superveniente, mencionada na peça recursal. Incumbe, então, verificar se o advento de legislação posterior poderia afetar as conclusões alcançadas. Sobre a Lei no 13.043/2014, que altera a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), prevista na Lei no 9.481/1997, produzindo efeitos a partir de 01/01/2015, e contemplando expressamente (art. 1o, § 2o) “...execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço, relacionados à exploração e produção de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si”, e prevendo que a redução a zero da alíquota de IRRF sobre afretamento, no caso, fica limitada a percentuais mínimos, entendemos que não criou nova hipótese de contratação, mas apenas limitou hipótese já existente (desde que espelhasse a realidade da operação, como exposto ao longo deste voto), para feitos de incidência de IRRF. Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.975 29 Dispôs o art. 106 da Lei no 13.043/2014, dando nova redação ao art. 1o da Lei no 9.481/1997 (que trata dos casos de redução a zero da alíquota do IRRF para, entre outros, “receitas de afretamento de embarcações estrangeiras inciso I”), que: “§ 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (...) § 6o A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no § 2o sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 7o Para efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. § 8o O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o.” (grifo nosso) Mais recentemente, a Lei no 13.586/2017, resultante da conversão da Medida Provisória no 795/2017, deu nova redação aos dispositivos, mantendo os percentuais (até 31/12/2017), mas ampliando as hipóteses em que se considera haver vinculação, e agregando novos percentuais a partir de 2018, nos §§ 9o a 12, com considerações ainda sobre outros tributos federais: “§ 9o A partir de 1o de janeiro de 2018, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte, na Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.976 30 hipótese prevista no § 2o deste artigo, fica limitada aos seguintes percentuais: I 70% (setenta por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; II 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e III 50% (cinquenta por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. § 10. O disposto nos §§ 2o e 9o deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997, vedada, inclusive, a aplicação retroativa do § 2o deste artigo em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014. § 11. Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito, celebrados entre pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto de renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação do percentual de 60% (sessenta por cento) sobre o valor total dos contratos. § 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos§§ 2o, 9o e 11 deste artigo não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) de que trata a Lei no10.168, de 29 de dezembro de 2000, e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), de que trata a Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004.” (grifo nosso) A questão de estabelecimentos de percentuais, nas leis, parece buscar parâmetros objetivos, dispensando a apuração efetiva, caso a caso, por parte da fiscalização, a partir de dados (que nem sempre) são fornecidos (detalhadamente) pelos contribuintes. Se, por um lado, poupa trabalho à fiscalização, fundandose em estândares internacionais, por outro, dá segurança jurídica aos contribuintes, evitando a desconsideração completa dos contratos de afretamento, como destaca a Exposição de Motivos da Medida Provisória no 795/2017, convertida na Lei no 13.586/2017: Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.977 31 “4. O art. 2o deste Projeto altera os §§ 2o a 8o e acrescenta os §§ 9o a 12 ao art. 1o da Lei no 9.481, de 1997, que tratam da incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas remessas ao exterior a título de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas. 4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2o do art. 1o da Lei no 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. 4.2. Entretanto, os percentuais atualmente estabelecidos apresentam um desequilíbrio econômico e não estão compatíveis com os percentuais adotados por outros países. Nesse sentido, o § 9o ajusta os percentuais a fim de manter a segurança jurídica. 4.3. As alterações promovidas nos §§ 2o a 6o e no § 8o têm como objetivo adequar a redação às alterações mencionadas anteriormente e esclarecer acerca da incidência de IRRF à alíquota de vinte e cinco por cento sobre a totalidade da remessa destinada a país com tributação favorecida ou a beneficiário de regime fiscal privilegiado. 4.4. A alteração promovida no § 7o tem como objetivo ajustar a definição de empresa vinculada a pessoa jurídica prestadora do serviço. O conceito anterior não alcançava situações importantes de vinculação, tal como a hipótese de controle societário ou administrativo comum. 4.5. O § 11 estabelece o percentual máximo atribuído ao contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito para fins de aplicação da redução a zero de IRRF prevista no inciso I do caput, visando a evitar o abuso na utilização do referido benefício e a transferência de lucros para o exterior. 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2o e 9o não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.978 32 as condições do contrato de afretamento ou aluguel.”” (grifo nosso) A Lei no 13.586/2017 e sua exposição de motivos fazem questão de esclarecer que os percentuais estabelecidos, assim como os anteriormente fixados, são limitados à aplicação de alíquota zero do IRRF, não acarretando “...a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da...” CIDE, da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação”. Disso, há que se concluir que: (a) nos casos de contratos de afretamento de embarcação estrangeira vinculados a contratos de prestação de serviços, incumbe ao fisco, mediante solicitação de informações à empresa, apurar se a proporção da remuneração pactuada entre os distintos contratos, entre outros aspectos, reflete a realidade da operação, efetuando, em caso negativo, o lançamento correspondente, no que se refere aos tributos federais incidentes (v.g., Contribuição para o PIS/PASEP, inclusive importação, COFINS, inclusive importação, CIDE e IRRF); (b) a partir de 01/01/2015, para o IRRF, o legislador, na Lei no 13.043/2014, estabeleceu limites percentuais a partir dos quais sequer é necessária apuração de eventual desproporção, por parte do fisco. Tais percentuais, referentes ao IRRF, foram alterados a partir de 01/01/2018, conforme Lei no 13.586/2017; e (c) a edição das Leis no 13.043/2014 e no 13.586/2017 não trata de tributos diversos do IRRF, nem impede a fiscalização de apurar se a proporção da remuneração pactuada entre os distintos contratos, entre outros aspectos, reflete a realidade da operação. Tais observações se prestam, por um lado, para confirmar a impossibilidade de aplicação das disposições legais supervenientes às espécies tributárias distintas de IRRF, e, por outro, para revelar quais são os parâmetros internacionais do negócio, que a defesa afirma que o fisco desconhece. E tais parâmetros, digase, estão distantes daqueles adotados no caso em concreto, o que só endossa o artificialismo. Em suma, opta a defesa por um caminho formal, avesso à realidade da operação detectada pela fiscalização, evitando analisar especificamente o caso concreto, parecendo desejar, em geral, que a forma prevaleça sobre a realidade. Sobre as alegações recursais de que o voto do relator, na DRJ, é contraditório ao afirmar que a situação anterior ao art. 106 da Lei no 13.043/2014 era legal, mas resultava em ilícita economia tributária, pois não pode o negócio ser legal e ilícito ao mesmo tempo; e que não é possível sustentar, como pretende a DRJ, que a bipartição contratual ocorreu exclusivamente para fins de economia fiscal, porque o propósito negocial da estrutura contratual adotada teve como causa a legislação do REPETRO, cabe salientar que resultam de má contextualização/compreensão sistemática da decisão da DRJ, ou do já exposto Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.979 33 posicionamento aqui rechaçado, de início, pela impossibilidade de bipartição dos contratos em tese. A bipartição contratual anterior (assim como a posterior) ao art. 106 da Lei no 13.043/2014, como aqui exposto, é admitida pela legislação, obviamente, desde corresponda à realidade da operação. Quanto ao fato de ensejar economia fiscal, não se entende aqui (nem entendeu o julgador de piso) que o REPETRO determinou que a empresa adotasse forma de contratação bipartida encontrada no caso concreto, aqui analisada, com todas as suas mesclas e artificialidades, mas aquela que entendemos, em tese, permitida na parte inicial do voto, que seja condizente com a efetiva operação. E o que a nova legislação estabeleceu, como se esclareceu, foram parâmetros, com base nas práticas internacionais, justamente para adequar as contratações (evitando deturpações nacionais, reiteradamente vistas neste tribunal), e dar segurança jurídica às próprias empresas do ramo (ainda que a novel legislação tenha sido limitada a um tributo IRRF). Neste processo, como exposto, estáse a exigir Contribuição para o PIS/PASEPimportação em COFINSImportação, tributos que são disciplinados na Lei no 10.865/2004, da seguinte forma: “Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou (...) Art. 3o O fato gerador será: (...) II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: (...) Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.980 34 IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...)” (grifo nosso) Como exposto ao longo deste voto, a realidade da operação detectada pela fiscalização, e aqui endossada, foi no sentido de que os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados (de perfuração offshore), sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, o que encontra guarida na disciplina estabelecida pela Lei no 10.865/2004. A alegação de defesa de que os serviços foram prestados pela “STENA SERVICES BRAZIL LTDA”, empresa domiciliada no Brasil, de forma que não haveria a incidência de PIS/COFINSImportação, tendo em vista que não ocorreu, de fato, importação de serviço, inexistindo o fato gerador de tais contribuições, busca novamente fazer prevalecer a forma sobre o conteúdo, ainda mais quando a própria empresa reconhece, como aqui exposto, que todos os valores remetidos ao exterior decorrem do contrato de afretamento (inclusive aquele que seria, segundo ela, o único referente a pagamento pelos “serviços técnicos” prestados). Ademais, as considerações efetuadas neste voto sobre o quadro de pessoal da empresa tida como prestadora nacional de serviços corroboram a existência de artificialismo na bipartição, sendo de fato a operação uma prestação de serviço por parte de empresa estrangeira (que participa com a sonda e o pessoal que a opera), o que é reforçado pelas observações efetuadas sobre as invoices. E, sobre o tema, é de se recordar a recorrente se defende apenas genericamente (fl. 3680 e fls. 3682 a 3684), afirmando (sem qualquer documentação de amparo, e em desacordo com o evidenciado pela fiscalização) que estaria a seu cargo o corpo técnico apto a operar a sonda, e que da leitura do termo de verificação fiscal não se depreenderia nenhuma razão para entender que o contrato seria com a empresa estrangeira, e não com a nacional (ignorando a robustez da imputação fiscal sobre o artificialismo na bipartição contratual, minuciada ao longo deste voto). Conforme resta claro, nos comandos presentes na Lei no 10.865/2004, incidem a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação nas remessas de valores ao exterior como contraprestação de serviços, como os aqui analisados, de perfuração offshore. Dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada A matéria derradeira, sobre a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada, já foi objeto de controvérsia no âmbito deste CARF. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.981 35 No entanto, tal tema foi, recentemente, sumulado no âmbito deste tribunal administrativo, dele já não mais podendo se distanciar, por expressa disposição regimental, as turmas ordinárias do CARF. Aplicase, assim, ao caso, sobre o tema, o teor da Súmula CARF no 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício” Pelo exposto, não merecem prosperar as razões de defesa também em relação ao assunto. Das considerações finais Tendo em vista as considerações aqui efetuadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.982 36 Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares, Redator Designado Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, ouso dele discordar em relação às seguintes questões: i) a conclusão de que, em vista dos elementos apresentados pela fiscalização, que mostram a realidade material da operação, a bipartição dos contratos de afretamento de embarcação (sonda) e de prestação de serviços seria artificial, ficando caracterizado que o arrendamento da sonda é instrumental à prestação de serviço; ii) a base de cálculo utilizada pela Autoridade Fiscal autuante para calcular o valor dos tributos, em tese, devidos; e iii) o enquadramento da matéria tributável utilizado pela Autoridade Fiscal autuante. Em relação à primeira matéria, devese destacar, inicialmente, que restou incontroverso nos autos o efetivo arrendamento de uma embarcação, bem este que foi objeto de contrato de afretamento para ser utilizado na atividade de exploração de petróleo, cuja execução simultânea com o respectivo contrato de prestação de serviços foi inclusive ressaltada no Termo de Verificação Fiscal (TVF). Também não consta nos autos qualquer indício de descumprimentos dos requisitos para obtenção dos benefícios fiscais constantes do regime aduaneiro especial denominado de Repetro. O TVF, à fl. 2.446, informa quais são estes requisitos: A teor da legislação aplicável, depreendese que o benefício da alíquota zero é vinculado a quatro requisitos cumulativos: • da natureza do pagamento – receita de frete, afretamento, aluguel ou arrendamento; • da natureza do bem – necessariamente embarcação estrangeira (ou aeronave); • da regularidade da operação – autorização da autoridade competente; e • do domicílio do beneficiário – beneficiário não domiciliado em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida. Nesse contexto, não vejo como considerar a bipartição contratual em questão como artificial. Tendo sido cumpridos os requisitos do regime, o recorrrente faz jus a se beneficiar do Repetro. Analisando o TVF, verificase que os indícios apontados pelo AuditorFiscal conduziriam à suspeita de que poderia ter sido praticada a conduta de sonegação, através de um planejamento tributário abusivo, no qual custos e receitas referentes ao contrato de prestação de Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.983 37 serviços, cujos pagamentos são tributados, estariam sendo desviados para o contrato de afretamento, cujo pagamento é desonerado de diversos tributos em virtude do regime do Repetro, mas sem contestar, em nenhum momento, que tenha existido uma embarcação afretada para a execução dos serviços. Vejamos algumas excertos do TVF, às fls. 2455, 2456, 2464, 2465 e 2466: Neste ponto, já há fortes indícios de que estamos diante do modelo de contratação descrito no item 3 deste Termo. À evidência, a contratante REPSOL, pretendendo contratar serviços de perfuração em área licenciada, recorreu ao Grupo STENA, que prestou os desejados serviços com sua sonda STENA DRILLMAX. O fornecimento da unidade afigurase parte integrante da prestação de serviços. Com efeito, a análise mais detida das cláusulas contratuais, e dos demais documentos obtidos no decorrer do procedimento fiscal, demonstrará que, em verdade, tratase de artifício pelo qual a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi formalmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo de um lado, como contratante, a fiscalizada, e de outro, como contratadas, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, detentor tanto do equipamento como do knowhow para a prestação de tais serviços. Veremos que, no contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a bipartição formal em dois contratos, inexiste afretamento autônomo, uma vez que o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem era apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados. (...) Contrato de serviços de 2011 – Anexo 12 No quadro abaixo, extraído do contrato de serviços, figuram lado a lado os nomes das empresas STENA SERVICES e STENA HUNGARY, cabendo ressaltar que a segunda é a empresa contratada para o afretamento. Mais um indício de que se trata, na verdade, de uma só contratação. (...) A cláusula 3.8.3, encontrada tanto no contrato de serviços como no de afretamento, atribui a manutenção da sonda à “CONTRATADA”, que garantiria a utilização até a capacidade máxima. Ocorre que, ao menos formalmente, a “CONTRATADA” no contrato de afretamento seria uma empresa, e no contrato de serviços, outra. Mais um indício de que estamos diante de uma só contratação, formalmente bipartida entre empresas de um mesmo grupo empresarial. (...) De todo o exposto, concluise que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente. Não só Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.984 38 porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar. Mas as cláusulas contratuais são apenas uma fração do conjunto probatório obtido no curso da Fiscalização. Abordaremos, nos próximos itens, os outros elementos de prova. Como se depreende facilmente dos textos acima, a tese acusatória é a de que, em decorrência de alguns fatos constatados ao longo do procedimento fiscal, a bipartição contratual seria materialmente inexistente, apesar de existirem, formalmente, dois contratos independentes. Vejase o início do segundo parágrafo acima: "a análise mais detida das cláusulas contratuais, e dos demais documentos (...) demonstrará que (...) tratase de artifício pelo qual a prestação de serviços (...) foi formalmente bipartida em dois contratos". Assim, na interpretação dada pela Autoridade Tributária para os fatos, o que existe no plano material, no mundo real e concreto, é um único contrato de prestação de serviços, do qual o afretamento é apenas parte instrumental, integrante e indissociável. Essa afirmação, entretanto, não é verdadeira. Existem sim, dois contratos, um para a prestação de serviços e outro para o afretamento da embarcação. Todos os fatos descritos na acusação fiscal não levam a uma conclusão diferente, pois a única forma de sustentar a tese do Fisco, em meu entendimento, seria comprovar a inexistência do afretamento, e não que este não pode ser separado da prestação de serviços, independentemente das cláusulas existentes nestes contratos. Repito aqui a conclusão que consta à fl. 2466 do processo fiscal, logo no primeiro parágrafo: "De todo o exposto, concluise que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente". Toda e qualquer empreitada de exploração e produção de petróleo envolve, basicamente, duas grandes despesas: (i) com a contratação de bens para serem utilizados nesta atividade, como embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga e embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poço, dentre outras embarcações e equipamentos diversos; e (ii) com a prestação de serviços para a operação destes bens, o que envolve, quase que unicamente, despesas com mão de obra especializada. O fornecimento da unidade de perfuração e sondagem é parte instrumental, integrante e indissociável não dos serviços contratados, como afirma a Autoridade Fiscal, mas sim da própria empreitada global de exploração e produção de petróleo. O legislador, com o objetivo de desonerar esse setor da economia e incentivar investimentos no setor petrolífero, entendeu por bem distinguir essas duas atividades, integrantes da empreitada global, e deu a cada uma delas tratamento tributário distinto: para o afretamento de embarcações, realizou a desoneração tributária; para a prestação de serviços, manteve a incidência de tributos. A bipartição contratual, inclusive, é estritamente necessária para que o regime do Repetro possa ser utilizado. O próprio recorrente afirma que esta bipartição é uma condição para a utilização do Repetro, tendo o legislador determinado, de forma indireta, que esta deveria ser a modelagem contratual para as empresas que desejem se habilitar ao regime. Vejamos o que consta na IN RFB nº 844/2008, com redação dada pelas IN RFB nº 1070/2010 e IN RFB nº 1089/2010: Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.985 39 Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do §1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) (...) § 4º A pessoa jurídica designada deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) (...) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) As cláusulas contratuais e demais documentos juntados ao processo, a meu ver, não levam à conclusão de que os contratos em questão não podem ser considerados isoladamente, mas são, isso sim, indícios de que poderia haver uma manipulação de valores entre os dois contratos. Contudo, o AuditorFiscal não procurou demonstrar, ao longo do procedimento fiscal, que os valores atribuídos ao contrato de prestação de serviços seriam insuficientes para a consecução da empreitada. Para tanto, poderia utilizarse de perícia técnica Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.986 40 para obter uma estimativa de quantidade de mão de obra necessária para realizar o serviço contratado, ou refazer as planilhas de custos das empresas. Esse seria o primeiro passo. Em seguida, chegandose à conclusão de que houve a manipulação de valores, a próxima etapa seria quantificar quais valores deveriam estar inseridos no contrato de prestação de serviços mas tinham sido fraudulentamente desviados para o contrato de afretamento. Partindo dos custos inerentes a cada contrato, poderia ter comprovado este planejamento tributário abusivo, com vistas à sonegação de tributos. Não dispondo de elementos confiáveis para tanto, poderia, em último caso, arbitrar os valores para cada contrato. Neste ponto reside minha segunda divergência em relação ao voto apresentado pelo ilustre relator. Considerandose que os elementos probatórios trazidos pelo AuditorFiscal aos autos já seriam suficientes para comprovar que os valores dos contratos foram manipulados de forma a reduzir, artificialmente/simuladamente, a carga tributária, deveria ter sido quantificado este valor, até mesmo por arbitramento, caso não fosse possível fazêlo de forma confiável com os documentos fornecidos pelo fiscalizado. No entanto, o AuditorFiscal optou por tributar o valor total de ambos os contratos, como se nada tivesse sido pago a título de afretamento. Na verdade, tal procedimento se mostra coerente com a lógica do seu trabalho: como havia concluído que, por conta das cláusulas contratuais e demais documentos, o fornecimento da embarcação seria parte integrante da prestação de serviços, inexistindo afretamento autônomo, todo o valor da empreitada global deveria estar no único contrato existente, que a seu ver seria o contrato de prestação de serviços. Entendo que esta decisão da Autoridade Fiscal é equivocada. Se é fato incontroverso nos autos que existiu o afretamento de embarcação para exploração de petróleo, e nada tendo sido contestado quanto ao cumprimentos dos requisitos para sua permanência no regime de Repetro, a base de cálculo para o lançamento de ofício deve ser, exclusivamente, a parcela dos pagamentos que se refere à prestação de serviços mas que foi indevidamente incluída nos pagamentos realizados por conta do contrato de afretamento. Foi alegado na tribuna, durante a sessão, pelo representante da Fazenda Nacional, a impossibilidade de apurar tal parcela, até mesmo pela negativa de informações do contribuinte. Por este motivo, o correto seria realmente calcular os tributos tendo como base de cálculo o valor integral da operação. Contudo, devo discordar desta afirmação. Para situações nas quais não há a colaboração do contribuinte, ou na inexistência de documentos ou qualquer impossibilidade de apuração da efetiva base de cálculo, o legislador já previu a sistemática de arbitramento da base de cálculo, a qual sempre é possível, pois tal método consiste em estimar, com base em critérios lógicos e razoáveis, qual seria a base de cálculo aceitável para tal operação. Em caso de discordância do contribuinte, caberia a ele impugnar o arbitramento, seja comprovando que forneceu elementos confiáveis para a apuração, o que implicaria a nulidade da autuação; seja apresentando a sua própria estimativa, com base nos elementos de prova que julgar necessários, cujo julgamento lhe sendo favorável poderia levar à procedência parcial ou integral do seu recurso. Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.987 41 Por fim, cabe esclarecer o terceiro e último ponto de divergência em relação ao voto do relator, referente ao enquadramento realizado pelo AuditorFiscal sobre o tributo a ser lançado. Talvez pelo fato do regime do Repetro prever a desoneração de tributos incidentes na importação dos bens, o AuditorFiscal lavrou, de forma automática, o lançamento sobre estes tributos. Contudo, de acordo com a narrativa do TVF, a infração constatada pela Autoridade Fiscal deveria levar a um procedimento diverso, com a autuação se referindo a outros tributos. Tal equívoco não passou despercebido pelo recorrente, que assim se manifestou em sua Impugnação, à fl. 2556: Por conseguinte, caso seja superada toda a gama de argumentos já expendidos ao longo desta Impugnação para se exigir tributos sobre as remessas feitas ao exterior, pela IMPUGNANTE, a título de afretamento de embarcações, deverseia aplicar aquela alíquota do “IRRF” relacionada à prestação de serviços por pessoas jurídicas nacionais, no patamar de 1,5% (um e meio por cento). Não há, portanto, qualquer incidência de PIS/COFINS Importação em tais pagamentos, tendo em vista que estamos diante de prestação de serviços efetuada em território brasileiro, que não enseja o fato gerador de PIS/COFINS Importação, conforme dispositivo legal supracitado, razão pela qual deve ser cancelado o Auto de Infração ora impugnado. Assiste razão ao recorrente. Com efeito, se a Autoridade Fiscal afirma que não existe afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem era apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados, consequentemente o único contrato que subsiste é o de prestação de serviços entre a recorrente e a Stena Services Brazil Ltda. Sendo assim, o tributo que deveria ter sido lançado seria o PIS e a Cofins que deixaram de ser retidos na fonte pelo recorrente, referentes aos pagamentos feitos pelo afretamento mas que, segundo a tese do autuante, pertenceriam ao contrato de prestação de serviços. Ora, em contratos de prestação de serviços o tomador destes deve proceder à retenção na fonte do PIS e da Cofins que deveriam ser pagos pelo prestador. A legislação do tributo impõe que o tomador faça essa retenção, sendo um típico caso de responsabilidade por substituição progressiva, prevista no art. 128 do CTN e no art. 150, § 7º, da Constituição Federal: CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.988 42 (...) § 7ºA lei poderá atribuir ao sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Por fim, vale destacar que, em recente julgamento, datado de 23/10/2018, relativo ao processo judicial n° 004018575.2015.4.01.3400, o juízo da 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília proferiu decisão favorável ao Recorrente, em caso bastante semelhante, com a única diferença em relação ao tributo discutido (CIDERemessas), nos seguintes termos: Na espécie, a discussão envolve prática muito comum na estrutura contratual adotada por empresas do setor de petróleo e de gás, na qual há a celebração de duas avenças distintas pela petroleira nacional, quais sejam: uma de afretamento, com a empresa proprietária do bem e domiciliada no exterior; outra de prestação de serviços para operação do objeto afretado, firmado com empresa brasileira prestadora de serviços, mormente integrante do mesmo grupo econômico da sociedade estrangeira proprietária do bem. O ponto fulcral da presente demanda é saber se o valor pago a título de afretamento seria, em verdade, remuneração simulada de prestação de serviços, o que justificaria a incidência da CIDE na forma assim sustentada pela União: (...) A Petrobrás aduz que a fiscalização considerou erroneamente que o afretamento é parte integrante e inseparável dos serviços prestados. A RFB entendeu, ainda, que plataformas não são embarcações. (...) Entrementes, quanto à alegação da bipartição artificial de contratos, sobreleva sinalar que o próprio CARF, recentemente, nos autos do processo administrativo n. 16682.721161/201291, em sessão realizada no dia 05/12/2017, por unanimidade, reconheceu a possibilidade de execução simultânea de contratos, aduzindo que a Lei n. 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei n. 13.043/2014, trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Como a análise fiscal era pertinente a fatos geradores do IRRF, atinente ao anocalendário de 2008, é notório que a própria Administração Fazendária, por meio de seu órgão julgador e colegiado, tenha admitido que tal norma apenas reconheceu uma situação de fato em benefício do contribuinte. Ainda nesta assentada, fixou o entendimento de que “as plataformas (fixas e flutuantes) devem ser consideradas como embarcações”. Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.989 43 (...) Com efeito, a Lei n. 13.043/2014, acrescentando parágrafos ao artigo 1º da Lei n. 9.481/1997, assim estabeleceu: (...) Ao assim dispor, a legislação prevê a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e prestação de serviços, com pessoas jurídicas vinculadas entre si, estabelecendo, para fins de alíquota do imposto de renda na fonte, os percentuais máximos da parcela relativa ao afretamento ou aluguel. A título elucidativo, ressalto que a recente alteração dos supracitados incisos pela Lei n. 13.586/2017 colocou uma pá de cal sobre a discussão quanto à possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, o que veio a ser corroborado pela Instrução Normativa n. 1.778, de 19/12/20173, por meio da qual a Receita Federal do Brasil esclarece os procedimentos a serem adotados pelos contribuintes nesses casos, especialmente no que se refere à fruição da alíquota zero do IRRF em operações de afretamento e aluguel de embarcações para atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, quanto aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, “na operação, atribuise valor bastante expressivo ao contrato de afretamento (90% da soma dos dois contratos), cujos pagamentos foram destinados ao exterior, sem retenção de serviços, e pago à contratada nacional, com retenção de imposto. Valor menor (10% do total) foi atribuído à prestação de serviços, e pago à contratada nacional com retenção de imposto” (fl. 65verso). A Solução de Consulta Cosit 225/2014, formulada quando da contratação da construção e afretamento de embarcações de última geração para utilização por pessoa jurídica domiciliada no exterior e seus parceiros na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, conclui que, “respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei n. 9.841/97, estando sujeito à alíquota zero do IRRF” (fls. 197/200). Posteriormente, a Solução de Consulta Cosit n. 12/2015, formulada por pessoa jurídica no exterior, concluiu que “o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF. A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada a 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.990 44 exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si (fl. 202). Sendo assim, em que pese a legislação citada (Lei nº 13.043/2014) ser posterior aos fatos geradores e versar sobre tributo diverso (IR) daquele discutido nos autos (CIDE), ela é, não se pode negar, o reconhecimento expresso pela lei da autonomia do contrato de afretamento diante do contrato de prestação de serviço, o que, por conseguinte, demonstra o excesso na lavratura do Auto de Infração em espeque, que tomou por base o valor total dos contratos, sem indicação da quantia considerada abusiva no contrato de afretamento. Esclareço que não se trata de retroatividade de norma interpretativa, mas apenas de paradigma legislativo que reconhece uma situação fática há tempos existente como prática comercial. Nem o contribuinte está certo em superfaturar o contrato de afretamento nem a RFB está com a razão em considerar o valor total dos contratos, como negócio jurídico único, para o fim de proceder ao lançamento e, nessa esteira, fixar multa pela suposta sonegação. Aliás, o Auto é, inclusive, contrário ao novel entendimento do próprio CARF na análise da existência do contrato de afretamento em conjunto com o de prestação de serviços no setor petroleiro, realidade legislativa inconteste, conforme já explicitado. (...) Por essas razões, ante o excesso verificado, a anulação do auto de infração é medida que se impõe. Pelo exposto, confirmo a decisão que antecipou os efeitos da tutela e acolho o pedido autoral para anular o Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n. 16682.721162/201235, cancelando qualquer cobrança a ele pertinente, facultando à ré a lavratura de novo lançamento, nos termos do art. 148 do CTN, conforme explicitado na fundamentação (art. 487, I, do CPC). O art. 148 do CTN é o que determina a utilização do arbitramento para o cálculo do tributo: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.991 45 Dessa forma, entendo equivocado o lançamento do PISImportação e da CofinsImportação pela Autoridade Fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares Fl. 3991DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13889.000240/2007-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO POSTERIOR A 09/06/2015. DIREITO NEGADO. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-007.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO POSTERIOR A 09/06/2015. DIREITO NEGADO. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO POSTERIOR A 09/06/2015. DIREITO NEGADO. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 00 02 40 /2 00 7- 92 Fl. 180DF CARF MF 2 Relatório Adotando o relatório do acórdão recorrido, esclareço que tratase de Requerimento de Restituição da Retenção – RRR, formalizado em 02/10/2007, no qual a Recorrente pleiteia a restituição de contribuição referente às competências 03/2002, 04/2002 e 06/2002, em razão de indébito caracterizado por retenções realizadas com base no artigo 31 da Lei n. 8.212/91 e não compensadas na própria competência. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária deu provimento ao recurso voluntário para, aplicando ao caso do entendimento vinculante do REsp 1.002.932/SP e do RE 566.621, e considerado que os pagamentos ocorreram antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº. 118/05, reconhecer ao contribuinte o direito à restituição. O acórdão 2403001.531 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002 PREVIDENCIÁRIO. PRESCRIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CINCO MAIS CINCO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pagamentos efetuados antes da vigência da LC n. 118/05, o direito de pleitear a restituição de tributo pago a maior extingue se em 5 (cinco) anos, contados a partir da homologação tácita ou expressa, nos termos do art. 168, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido Após negativa de conhecimento dos seus embargos de declaração, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial. Cintado como paradigma os acórdãos 110300.588 e 210101.894, suscita que "enquanto o acórdão recorrido entendeu pelo prazo decenal para pedido de restituição efetuado após a vigência da LC 118/2005, os acórdãos paradigmas seguiram a orientação do STF de modo congruente com as diretrizes impostas quanto às formas diferenciadas de contagem do prazo prescricional, em observância à vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, concluindo ser aplicável o prazo de cinco anos contados de cada pagamento indevido". Contrarrazões do Contribuinte pugnando pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos formais exigidos razão pela qual, ratifico os fundamentos do despacho de admissibilidade e dele conheço. Conforme muito bem apontado pela Recorrente a matéria em questão já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal por meio do RE 566.621/RS julgado em sede de Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13889.000240/200792 Acórdão n.º 9202007.586 CSRFT2 Fl. 3 3 repercussão geral. Para o tribunal o prazo prescricional para restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação cujos pedidos tenham sido protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 estão sujeitos ao prazo de 10 anos contados do fato gerador. Vale citar a ementa do acórdão: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 182DF CARF MF 4 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Adotando o entendimento acima este Conselho Administrativo editou, em sessão plenária de 09/12/2003, a Súmula CARF nº 91 que possui o seguinte teor: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Diante do exposto e ainda considerando o art. 45, inciso VI do Regimento Interno deste Conselho, devese negar ao contribuinte o direito a restituição de pagamentos efetuados antes de 02/10/2002, uma vez que o pedido em questão foi apresentado em 02/10/2007. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.900415/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10218.900414/2009-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 90 04 15 /2 00 9- 30 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10218.900415/200930 Acórdão n.º 1402003.680 S1C4T2 Fl. 3 2 afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10218.900414/200995, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/07/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ R$ 83.820,88 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 10/2005, no valor originário de R$ R$ 83.820,88 para compensar com débito de R$ R$ 18.110,46. A Delegacia de origem, em análise datada de 09.04.2009, asseverou que "analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedencia do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 08/05/2009, a interessada apresentou, em 05.06.2009, manifestação de inconformidade na qual alega: a) Tanto a descrição dos fatos como o enquadramento legal estão equivocados, pois os valores apontados no PER/DCOMP não foram antecipações, mas recolhimentos indevidos ou a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10218.900415/200930 Acórdão n.º 1402003.680 S1C4T2 Fl. 4 3 maior, efetuados com código incorreto, fato que evidencia a total improcedência do enquadramento legal indicado pela fiscalização, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação. b) O débito da compensação não homologada deverá permanecer com a exigibilidade suspensa. c) Ainda que se tratase de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos. Refere e transcreve decisão judicial, concluindo que deve prevalecer o entendimento no sentido de que não são aplicáveis limitações à compensação relativa a valores recolhidos antes da lei limitadora, aduzindo que no caso da presente manifestação de inconformidade, tanto os créditos em favor da requerente quanto os débitos que se quer quitar são de datas anteriores à MP 449/08. Ainda que se admita que a lei possa limitar a utilização de crédito pelo contribuinte, mesmo assim, somente depois que a lei limitadora entrar em vigor é que a restrição começará a valer, mas nunca antes da lei estabelecer as limitações ao uso do crédito do contribuinte. Após analisar a documentação, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente o decidido no r. Despacho Decisório, nos seguintes termos: Afastou as questões relativas a erro na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Afastou o requerimento de suspensão de exigibilidade do crédito em discussão. Afastou a aplicação de jurisprudência proferida pelo TRF em processos de terceiros. Em relação ao mérito: No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19962 os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2o da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10218.900415/200930 Acórdão n.º 1402003.680 S1C4T2 Fl. 5 4 bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Transcrevase, acerca do tema, o disposto nos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, como seguem." [...] Logo, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete com o tributo já recolhido). Notese que ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6o , § Io , da Lei n° 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Assinalese que o art. 10 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, e o art. 10 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Segue transcrita a disposição contida na IN SRF n° 600/2005. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10218.900415/200930 Acórdão n.º 1402003.680 S1C4T2 Fl. 6 5 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.679, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10218.900414/2009 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.679): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Tal fundamentação do r. Despacho Decisório não se coaduna com o entendimento do verbete da Súmula 84 do E. CARF/MF que descreve o seguinte: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Esta mesma situação dos autos, já foi analisada nos processos cujas decisões fundamentaram a elaboração do verbete da Súmula CARF/MF 84, conforme pode se verificar nas ementas de alguns dos v. acórdão abaixo colacionadas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10218.900415/200930 Acórdão n.º 1402003.680 S1C4T2 Fl. 7 6 Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Desta forma, de acordo com a jurisprudência consolidada deste E. Tribunal acima colacionada, não resta dúvida de que merece reforma o v. acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da Recorrente. Assim, como em momento algum foi feita a devida analise do direito creditório em discussão, relativamente a alegação de recolhimento a maior/indevido de IRPJ no respectivo período de apuração, entendo que os autos devem retornar a Unidade de Origem, para verificar a existência do crédito objeto dos autos. Diante do exposto, entendo que o r. Despacho Decisório e o v. acórdão recorrido devem ser reformados, eis que a fundamentação de ambas decisões para não homologar a compensação em análise contraria a Súmula 84 deste E. CARF/MF, devendo os autos retornarem para a Unidade de Origem para que se verifique a existência do crédito que a Recorrente pretende compensar. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10218.900415/200930 Acórdão n.º 1402003.680 S1C4T2 Fl. 8 7 provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944982/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.556
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, cumulado com compensação de débitos próprios. O pedido foi indeferido pela unidade de origem e não foram homologadas as compensações vinculadas. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde afirma que houve erros graves nas planilhas elaboradas pela fiscalização, contesta as glosas efetuadas e defende a legitimidade de seu pleito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07039.487. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 98 2/ 20 13 -6 1 Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10880.944982/201361 Resolução nº 3201001.556 S3C2T1 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário ora em apreço, por meio do qual alega, em síntese que: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação em processo administrativo próprio, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição a determinadas glosas, de tal sorte que deve ser anulado; Não se justificam as glosas mantidas em relação aos itens especificados na reclamação.; Deve incidir taxa Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.553, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.944979/201348, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.553): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado." Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10880.944982/201361 Resolução nº 3201001.556 S3C2T1 Fl. 4 3 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003809/2008-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO.
Débito declarados em Declaração de Compensação - DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio. A declaração do sujeito passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco.
Numero da decisão: 9202-007.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em Declaração de Compensação - DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio. A declaração do sujeito passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.003809/200887 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.584 – 2ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP Confissão de dívida Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PRENSAS MAHNKE LTDA ME. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em Declaração de Compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio. A declaração do sujeito passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 09 /2 00 8- 87 Fl. 417DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202003.291, proferido na Sessão de 10 de março de 2016, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. VALOR DECLARADO EM DCOMP, EMBORA NÃO DECLARADO EM DCTF. Deve ser cancelado o lançamento de ofício do imposto, quando resta devidamente comprovado que foi declarado em DCOMP, antes do início do procedimento fiscal, embora não declarado em DCTF. A compensação declarada em DCOMP extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e constitui confissão de dívida, sendo instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: lançamento de débitos confessados em declaração de compensação apresentada antes do início da fiscalização. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 408 a 411. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que, nas circunstâncias particulares do caso, em que o crédito foi confessado por meio de DCOMP, não se vislumbra qualquer óbice em que seja efetuado o lançamento; que o fato de ter apresentado Declaração de Compensação não cria vedação à atuação funcional do agente púbico; que no caso de depósito do montante integral a jurisprudência entende da mesma forma que é devido o lançamento; que à luz da jurisprudência que colaciona não se justifica o cancelamento da exigência, posto que a existência de prévia declaração em DCOMP não impede a autoridade fiscal de efetuar o lançamento. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 16/05/2017 (AR, efls. 414), o contribuinte não apresentou Contrarrazões. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19515.003809/200887 Acórdão n.º 9202007.584 CSRFT2 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria devolvida para análise por este Colegiado cinge se à definição sobre a necessidade/validade de lançamento para exigência de crédito tributário confessado por meio de DCOMP. De fato, é incontroverso que a DCOMOP constitui confissão de dívida dos débitos ali declarados, conforme art. 74, § 6º, da lei nº 9.430, de 1.996. Confirase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Destaquei) Ora, embora seja complexa a natureza jurídica do lançamento tributário, é incontroverso o fato de que uma de suas principais finalidades é tornar exigível o crédito Fl. 419DF CARF MF 4 tributário. Isto é, embora a obrigação tributária nasça com a ocorrência do fato gerador, o crédito correspondente somente é exigível após o lançamento. O Sistema Tributário Nacional, todavia, certamente em nome de uma melhor funcionalidade do sistema, instituiu a chamada modalidade do lançamento por homologação, em que transfere para o próprio contribuinte o ônus de apurar o tributo devido e realizar o seu pagamento, independentemente de qualquer iniciativa por parte da autoridade administrativa, nos termos do art. 150, do CTN. Nesses casos, não há lançamento a ser feito pela autoridade administrativa, senão no caso de "revisão" do procedimento de apuração realizado pelo sujeito passivo, constituindose a apuração feita pelo sujeito passivo e informada em declaração própria por ele apresentada, confissão de dívida, suficiente para que o Fisco proceda à cobrança. Sem tal revisão, restará homologado o procedimento/pagamento, no prazo de cinco anos a contar do fato gerador, nos termos do § 4º, do mesmo art. 150. Pois bem, sendo a DCOMP instrumento de confissão de dívida, penso que operase em relação aos débitos nela declarados o mesmo que nos demais casos de lançamento por homologação: é instrumento suficiente à cobrança do crédito nela declarado, sendo desnecessário e indevido o lançamento. Essa questão já foi apreciada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotou esse mesmo entendimento, conforme Acórdão nº 9303003.897, proferido na Sessão de 19 de maio de 2016, de relatoria da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, assim ementado: DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio. A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco. Improcedente, portanto, o lançamento referente a débitos confessados em DCOMP, sem prejuízo do prosseguimento da cobrança em relação aos débitos confessados. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinar digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19515.003809/200887 Acórdão n.º 9202007.584 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001192/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO JULGADO.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração para que sejam sanados os vícios apontados.
Numero da decisão: 2201-005.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração formalizados pelo contribuinte, para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão apontada no Acórdão nº 392-00.068, de 18 de novembro de 2008, nos termos do voto da relatora.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DEBORA FOFANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO JULGADO. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração para que sejam sanados os vícios apontados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração formalizados pelo contribuinte, para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão apontada no Acórdão nº 392-00.068, de 18 de novembro de 2008, nos termos do voto da relatora. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
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OMISSÃO NO JULGADO. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração para que sejam sanados os vícios apontados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração formalizados pelo contribuinte, para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão apontada no Acórdão nº 39200.068, de 18 de novembro de 2008, nos termos do voto da relatora. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Débora Fófano dos Santos Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 170/178) opostos pelo contribuinte com fulcro no artigo 32 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 11 92 /2 00 4- 34 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 204 2 pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, alegando omissões no acórdão nº 392 00.068, proferido em sessão de 18 de novembro de 2008, pela Segunda Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 157/160). O processo referese à crédito tributário lançado de ofício consubstanciado no auto de infração (fls. 04, 26/36), no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, nos termos do artigo 15 da Lei nº 9393/96, apurado em revisão interna da DITR/2001, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Tamanduá", localizado no município de Matão SP, com área total de 7.644,1 ha, cadastrado na SRF sob o nº 0.777.6845, no valor de R$ 26.560,00 (vinte e seis mil e cinquenta reais e trinta e dois centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29/10/2004, perfazendo um crédito tributário total de R$ 60.056,40 (sessenta mil e cinquenta e seis reais e quarenta centavos). Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a interessada apresentou Impugnação (fls. 41/47), a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, em sessão de 02 de março de 2007, que proferiu o Acórdão nº 0411.524 1ª Turma da DRJ/CGE (fls. 104/112), julgando procedente o lançamento. Da decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 117/128). De acordo com despacho de encaminhamento (fl. 155) o processo foi julgado em sessão plenária de 18/11/2008, com decisão proferida no acórdão nº 39200068, porém sem anexação do referido acórdão ao presentes autos, retornando à 1ª Câmara / 3ª Seção para saneamento. Em despacho s/nº de 17/04/2018, o presidente da 3ª Seção de Julgamento designou, com fundamento no artigo 17, inciso III, do Anexo II à Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o conselheiro suplente Marcos Roberto da Silva para formalizar referido acórdão (fl. 156). O acórdão nº 39200.068, de 18 de novembro de 2008, negou provimento ao recurso voluntário (fls. 157/160). Cientificado da decisão o contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 170/178). Submetido à análise de admissibilidade, a presidente da 2ª Seção de Julgamento o CARF, por meio do despacho s/nº de 22/11/2018 (fls. 199/201), acolheu "parcialmente os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, relativamente à alegação de omissão quanto aos requisitos de validade do laudo técnico apresentado". Uma vez que a turma prolatora do acórdão embargado foi extinta, os autos foram redistribuídos e sorteados a esta conselheira. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos Relatora Primeiramente, o recurso é tempestivo uma vez que cientificada do acórdão em 18/07/2018 (fl. 167) os embargos foram opostos em 23/07/2018 (fls. 170/178) com fundamento no artigo 65 do Anexo II do RICARF. O Embargante alegou ter havido no acórdão nº 39200.068 (fls. 157/160) omissão quanto à análise da preliminar de nulidade do lançamento e quanto aos requisitos de Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 205 3 validade do laudo técnico apresentado. Os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, relativamente à alegação de omissão quanto aos requisitos de validade do laudo técnico apresentado (fls. 199/201). Segue abaixo transcrição da ementa do acórdão embargado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso Voluntário Negado." Em relação à matéria acolhida, a relatora se manifestou deste modo em seu despacho de admissão de embargos (fls. 200/201): "Quanto à segunda alegação omissão quanto aos requisitos de validade do laudo técnico apresentado a Embargante argumenta que, ao analisar o laudo técnico apresentado, o relator afirmou que "apesar de conter informações a respeito do imóvel, o valor ali registrado não seguiu os requisitos previstos pela ABNTNBR 8799. Outro ponto identificado no laudo refere se as características formais que, apesar de assinado por engenheiro agrônomo, não possuía o respectivo ART". Aduz ainda que o acórdão seria omisso por deixar de especificar qual a base legal ou regulamentar que determinaria o cumprimento das Normas ABNTNBR 8799 para a validade do Laudo Técnico apresentado, bem como a necessidade de apresentação de ART. Destaca que já havia indicado em seu Recurso Voluntário que tais exigências não encontrariam amparo legal na legislação que rege a matéria. Em síntese, a alegação é no sentido de que o acórdão embargado não teria indicado a base legal ou regulamentar que exigiria o cumprimento dos referidos requisitos, para que o laudo apresentado pudesse ser considerado, portanto haveria omissão a esse respeito. Compulsando o voto condutor do acórdão embargado, verifica se que nele se destaca a necessidade de observância de alguns requisitos para a validade do laudo técnico de avaliação, concluindose pela sua inobservância, verbis: O laudo técnico de avaliação para determinação do VTN deve ser acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), bem como deve apresentar os requisitos da NBR 8799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram o engenheiro a alcançar o valor atribuído ao imóvel. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 206 4 Analisando o Laudo Técnico apresentado pela recorrente em sede de impugnação verificase que, apesar de conter informações a respeito do imóvel, o valor ali registrado não seguiu os requisitos previstos pela ABNTNBR 8799. Outro ponto identificado no laudo referese às características formais que, apesar de assinado por engenheiro agrônomo, não possuía o respectivo ART. Com efeito, esses foram os mesmos argumentos da decisão de 1ª instância, contra os quais a ora Embargante apresentou diversas alegações em seu Recurso Voluntário (efls. 125). Assim, verifica se que, em sede recursal, houve o questionamento acerca da ausência de base legal para a exigência imposta pelo Fisco, todavia tal alegação não foi esclarecida no acórdão embargado, confirmandose, assim, a alegada omissão." Quando do julgamento da impugnação a 1ª Turma da DRJ/CGE relatou o que segue (fls. 104/112): "(...) 17. As declarações apresentadas pelos contribuintes estão sujeitas à revisão sistemática, mediante utilização de malhas, objeto da Instrução Normativa IN/SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997. Portanto, no caso do contribuinte ser contemplado pela malha, deve, quando intimado, prestar todo esclarecimento e provas do que,havia declarado. No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN), de R$ 12.230.560,00, o que representa R$ 1.600,00 para a região agrícola de Araraquara/SP. Em atendimento à solicitação, apenas foi informado pelo representante legal da impugnante que o valor médio do hectare, tomado como base, foi fornecido pelo Instituto de Economia Agrícola e Coordenação de Assistência Técnica IEA/CAT1, de acordo com a orientação da Federação de São Paulo, na circular n° 134/97. (...) 22. Para o caso aqui tratado, a Norma de Execução Conjunta SRF/COTEC/COSAR/COFIS/COSIT n° 9900004, que aprova as instruções para os procedimentos de análise e acertos das Declarações do ITR, Exercício 2001, incidentes em Malha, prevê que, para alterar o valor da terra nua, o interessado deve apresentar laudo técnico de avaliação, acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 8799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Alternativamente, admitese a apresentação de Avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela EMATER, com Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 207 5 os mesmos requisitos exigidos para o Laudo Técnico já citado. (grifos nossos) 23. O procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do Valor da Terra Nua VTN, com base no SIPT, é com fulcro no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. Utilizase tal procedimento quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. (...) 26. O Laudo Técnico apresentado (fls. 47/50), apesar de ter sido elaborado por engenheiro agrônomo, encontrase desacompanhada de ART. Embora no documento contenham algumas informações sobre o imóvel, porém não é suficiente para comprovar o valor ali registrado, porque não foram observados os requisitos da ABNT. O profissional limitouse a avaliar o imóvel sem demonstrar a origem dos valores utilizados. (...)" Por sua vez, o ora Embargante insurgiuse no recurso voluntário alegando (fl. 125): "(...) Todavia, o entendimento adotado pela r. decisão recorrida está totalmente equivocado. Isso porque não consta na Lei n. 9393/96 qualquer dispositivo que condicione a validade dos laudos técnicos ao cumprimento das normas da ABNT. Aliás, não consta na referida lei sequer uma norma que condicione a prova do valor da terra nua à elaboração de laudo técnico. Sendo assim, para que possa produzir os respectivos efeitos, basta que o laudo técnico seja elaborado por profissional devidamente qualificado e que ele contenha todas as informações necessárias à comprovação do valor da terra nua. (...)" O artigo 9º do Decreto nº 4.449, de 2002, assim dispõe sobre a identificação do imóvel rural: "Art. 9o A identificação do imóvel rural, na forma do § 3o do art. 176 e do § 3o do art. 225 da Lei no 6.015, de 1973, será obtida a partir de memorial descritivo elaborado, executado e assinado por profissional habilitado e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro, e com precisão posicional a ser estabelecida em ato normativo, inclusive em manual técnico, expedido pelo INCRA." Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 208 6 A possibilidade do arbitramento do preço da terra nua está prevista no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 19961. A Receita Federal do Brasil, por meio da Portaria SRF nº 447, de 2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras – SIPT, alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. Assim, em tese, o SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado. Caso o contribuinte não concorde com os valores do SIPT, deverá apresentar laudo técnico comprovando o valor que entende devido. Os critérios a serem comprovados por laudo são os previstos no artigo 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 19932 e deverá ser elaborado por profissional habilitado, com ART anotado no CREA. Cumpridas essas exigências legais, o valor do laudo técnico deverá prevalecer sobre o valor arbitrado para a determinação do VTN. O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea)3 emite as normativas que regulamentam e regem o exercício profissional da Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorologia, dos tecnólogos e dos técnicos industriais e 1 Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências. Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) 2 Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição Federal. Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) 3 O Confea surgiu oficialmente com esse nome em 11 de dezembro de 1933, por meio do Decreto nº 23.569, promulgado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas e considerado marco na história da regulamentação profissional e técnica no Brasil. Em sua concepção atual, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia é regido pela Lei 5.194 de 1966, e representa também os geógrafos, geólogos, meteorologistas, tecnólogos dessas modalidades, técnicos industriais e agrícolas e suas especializações, num total de centenas de títulos profissionais. Disponível em: http://www.confea.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=917 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 209 7 agrícolas e o funcionamento do Confea e dos Creas. Neste sentido, a Resolução nº 345, de 27 julho de 19904 estabelece que: "Art. 4º Os trabalhos técnicos indicados no artigo anterior, para sua plena validade, deverão ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) exigida pela Lei nº 6.496, de 07 dezembro de 1977." No que tange às normas da ABNT, estas não são por si cogentes, apenas fixam diretrizes, possuindo força vinculante apenas quando a lei ou dispositivo normativo assim o determinar. O que se exige do laudo de avaliação é que se baseie em elementos de boa técnica e metodologia aceitável capaz de aferir, no caso, o preço justo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Norma de Execução Conjunta SRF/COTEC/COSAR/COFIS/COSIT n° 99000045 determina que para alterar o valor da terra nua, o interessado deve apresentar laudo técnico de avaliação, acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 8799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT6, demonstrando os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. No caso em apreço, como referido anteriormente além da própria lei, também no âmbito da Receita Federal do Brasil existe norma específica e vinculante, determinando os requisitos do laudo. Em que pese as alegações do ora Embargante, o laudo por ele apresentado não cumpre os requisitos básicos, a saber: i) não atende ao disposto no artigo 12, § 3º da Lei nº 8.629, de 1993 e na Norma de Execução Conjunta SRF/COTEC/COSAR/COFIS/COSIT n° 9900004; ii) as informações são insuficientes para comprovar o valor ali registrado, limitandose a avaliar o imóvel sem demonstrar a origem dos valores utilizados e iii) não foi acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, sendo este requisito de validade, nos termos do citado artigo 4º da Resolução nº 345, de 1990 do Confea. Deste modo, reiterando o acima exposto, a base legal e normativa para a exigência imposta pelo Fisco encontrase na própria lei que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR (artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996), seguindo os critérios estabelecidos no artigo 12 da Lei nº 8.629, de 1993 e na Norma de Execução Conjunta SRF/COTEC/COSAR/COFIS/COSIT n° 9900004. CONCLUSÃO Pelos motivos expostos, votamos por acolher parcialmente os embargos de declaração do contribuinte para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão apontada no acórdão 4 Dispõe quanto ao exercício por profissional de Nível Superior das atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia. 5 Aprova as instruções para os procedimentos de análise das Declarações do ITR, Exercício 2001, incidentes em Malha. 6 A NBR/8799 publicada em 01/02/1995 fixa as condições exigíveis para avaliação de imóveis rurais dos seus frutos e dos direitos sobre os mesmos e foi cancelada em 31/05/2004, substituída pela ABNT NBR 146533:2004. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13851.001192/200434 Acórdão n.º 2201005.048 S2C2T1 Fl. 210 8 nº 39200.068, de 18 de novembro de 2008, quanto aos requisitos de validade do laudo técnico apresentado, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Relatora Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.002995/2004-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2002
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01.
Consoante determina a Súmula CARF nº 01, deve haver o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entende-se por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar.
O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornando-se insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte.
De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito.
Numero da decisão: 9303-008.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2002 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01. Consoante determina a Súmula CARF nº 01, deve haver o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entende-se por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornando-se insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte. De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito.
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AÇÃO JUDICIAL Recorrente ROLLSROYCE BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2002 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01. Consoante determina a Súmula CARF nº 01, deve haver o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornandose insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte. De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 29 95 /2 00 4- 11 Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.858 2 conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ROLLSROYCE BRASIL LTDA (efls. 3.664 a 3.679), com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340100.816 (efls. 3.643 a 3.651), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 01/07/2010, no sentido de não conhecer da matéria submetida à discussão na via judicial e, na parte conhecida, dar provimento parcial para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração anteriores a 12/1999. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1, DE 2009. No termos da Súmula CARF n° 1, de 2009, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.859 3 apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2002 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da Cofins e do PIS é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente de ter havido o pagamento antecipado exigido por esse artigo. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2002 VALOR NÃO CONFESSADO EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. Não é nulo o Auto de Infração lavrado para constituir crédito tributário declarado em DCTF com a exigibilidade suspensa antes da IN SRF SRF n° 482, de 21/12/2004, porque antes de sua edição a DCTF só tinha como confessado o valor do saldo a pagar, apurado após dedução dos pagamentos, das compensações e dos valores com exigibilidade suspensa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARP n° 4, de 2009, a partir de 1° de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso não conhecido em parte, face opção pela judicial, e dado provimento parcial na parte conhecida. O Colegiado a quo entendeu por não conhecer do recurso voluntário no que tange às matérias que foram submetidas ao exame do Poder Judiciário constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS, na forma do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98; e, na parte conhecida, deu provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do direito de a Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.860 4 Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração anteriores a 12/1999. Na sequência, não resignada com a decisão na parte que lhe foi desfavorável, a Contribuinte ROLLSROYCE BRASIL LTDA interpôs recurso especial (efls. 3.664 a 3.679) suscitando divergência com relação ao não conhecimento de parte do recurso voluntário, concernente à matéria submetida a crivo do Poder Judiciário por meio do Mandado de Segurança n.º 1999.61.14.0030307, cuja decisão favorável ao Sujeito Passivo transitou em julgado. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão n.º 340200.185. Consoante despacho de admissibilidade s/nº, de 22/09/2015 (efls. 3.839 a 3.840), proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara, foi dado seguimento ao recurso especial de divergência da Contribuinte, pois comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 3.842 a 3.847), postulando a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à análise da existência de concomitância entre o processo administrativo e o mandado de segurança nº 1999.61.14.0030307 impetrado pela Contribuinte tendo por objeto a questão da constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS, na forma do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/98. Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.861 5 Nesse contexto, o auto de infração (efls. 2.294 a 3.300) foi lavrado para exigência das diferenças de PIS, do anocalendário de 1999 a 2004, incluindo os montantes em discussão na via judicial, referentes às Receitas Financeiras. O Auto de Infração foi lavrado com "sua exigibilidade suspensa" e sem multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei n.º 9.430/96, com o objetivo de evitar a decadência dos débitos tributários. No desenrolar do processo administrativo, após a interposição do recurso voluntário e antes da prolação do Acórdão pelo Colegiado a quo, sobreveio o trânsito em julgado do mandado de segurança, em 10/08/2007 (efl. 3.609), com resultado final favorável à Contribuinte, nos autos do Recurso Extraordinário nº 488.568, no qual foi reconhecida a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS promovida pelo art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98. O trânsito em julgado foi noticiado pela Contribuinte na petição e documentos juntados às efls. 3.607 a 3.614. Portanto, o objetivo da Contribuinte ao impetrar o mandado de segurança, no qual obteve êxito, era ver liberadas as mercadorias sem o pagamento dos tributos incidentes na importação, tendo em vista seu caráter de filantropia. Referidos impostos e contribuições, com os respectivos juros e multa de ofício, foram lançados pela Autoridade Fiscal com o intuito de prevenir a decadência do direito da Fazenda Nacional proceder à sua cobrança na hipótese de ser julgada improcedente a demanda judicial. Verificase, assim, a concomitância de matérias entre o processo administrativo e o processo judicial, nos termos da Súmula CARF nº 01: Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Determina a súmula, portanto, o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornandose insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte. De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito. Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.862 6 Para elucidar a argumentação expendida, colacionase ainda trechos do Parecer Normativo Cosit nº 07, de 22 de agosto de 2014, ato da Administração Tributária tratando do tema da concomitância: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.863 7 identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5 ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, STJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 13819.002995/200411 Acórdão n.º 9303008.239 CSRFT3 Fl. 3.864 8 pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." [...] Nessa esteira, é declarada a concomitância, consoante termos da Súmula CARF nº 01, e determinado à Administração Fazendária o cumprimento do comando judicial transitado em julgado no mandado de segurança nº 1999.61.14.0030307, reconhecendo a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS prevista no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, devendo ser excluídas da incidência as receitas financeiras e, por conseguinte, extinguindose a cobrança do crédito tributário objeto do auto de infração. Diante do exposto, é negado provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer a concomitância entre a esfera administrativa e judicial nos termos da Súmula CARF n.º 01 e, ainda, determinar o cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3864DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720478/2013-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 04 78 /2 01 3- 43 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 86 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 41 a 46), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.462,50, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 38 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 15/03/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Discorda da glosa e estaria apresentando comprovação do efetivo pagamento e da prestação dos serviços. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 27/08/2014, no acórdão 0363.228 às efls. 40 a 46, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 68 a 78, alegando, em síntese, que os recibos anexados são idôneos e comprovam as despesas médicas. Juntou ainda os cheques que comprovam o efetivo pagamento das mencionadas despesas. Suscita a aplicação do princípio da boa fé do contribuinte. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 87 3 Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 30/09/2014, efls. 66, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 30/10/2014, efls. 68, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das despesas médicas com o profissional Raimundo Nonato de Freitas, no importe de R$23.500,00: A DRJ manteve parcialmente a autuação pela glosa de despesa com a sob fundamento de que o contribuinte não colacionou aos autos prova do efetivo pagamento de todas as despesas médicas com o profissional apontado, como se vê: Com a impugnação, foram trazidas cópias de cheques emitidos ao odontólogo prestador dos serviços, Raimundo Nonato de Freitas Júnior (fls.19/39), comprovando ter arcado com despesas que montam a R$12.000,00. Apesar de o profissional afirmar ter recebido R$11.500,00 em espécie, não foram trazidos aos autos documentos que comprovem essa alegação, ou que teria havido saques em valores compatíveis com os valores envolvidos. Assim, serão restabelecidas despesas médicas no montante de R$12.000,00. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 88 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 89 5 (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 90 6 obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 91 7 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 76 a 78 há os recibos emitidos pelo profissional Raimundo Nonato de Freitas, no importe de R$23.500,00 que cumprem todos os requisitos elencados na legislação. Ainda, às efls. 75 há declaração do profissional ratificando a prestação de serviços. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 92 8 Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do i. relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas somente à vista dos recibos e declarações emitidas pelo profissional, visto que foi exigida da recorrente a comprovação quanto à efetiva prestação do serviço e seu efetivo pagamento. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 93 9 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. Na verdade, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. A legislação tributária reproduzida outorga essa Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10670.720478/201343 Acórdão n.º 2002000.710 S2C0T2 Fl. 94 10 competência ao agente fiscal. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas a contribuinte nada apresentou nesse sentido. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado, visto que o uso de deduções em sua declaração de ajuste reduz a base de cálculo do IR. Esclareçase que a exigência da comprovação da efetividade do pagamento não conflita com a presunção de boafé do contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. Por fim, a alegação de que dispõe de renda suficiente não socorre a recorrente, visto que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento dessas despesas. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 94DF CARF MF
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